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O conteúdo deste livro não sofreu alterações em função
da BNCC, pois a disciplina não foi incluída no currículo
básico proposto pela Resolução nº 2, de 22 de dezembro
de 2017, do Ministério da Educação.

Oficina de Negócios Assessoria pedagógica


(Empreendedorismo)
Suélen Franco
6o ano do Ensino Fundamental
Coordenação Editorial
Bruno Prado
Distribuidora de Edições Pedagógicas Ltda.
Rua Joana Francisca de Azevedo, 142 – Mustardinha
Editor Recife – Pernambuco – CEP: 50760-310
Lécio Cordeiro Fone: (81) 3205-3333
CNPJ: 09.960.790/0001-21 – IE: 0016094-67
Revisão de texto
Departamento Editorial

Projeto gráfico, editoração eletrônica, Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos
iconografia e infografia direitos dos textos contidos neste livro. A Editora pede desculpas
Box Design Editorial se houve alguma omissão e, em edições futuras, terá prazer em
incluir quaisquer créditos faltantes.
Capa
Gabriella Correia/Nathália Sacchelli Para fins didáticos, os textos contidos neste livro receberam,
/Sophia Karla sempre que oportuno e sem prejudicar seu sentido original,
Foto: Yuganov Konstantin/shutterstock.com uma nova pontuação.

As palavras destacadas de amarelo ao longo do livro sofreram


modificações com o novo Acordo Ortográfico.

ISBN Aluno: 978-85-7236-034-0


ISBN Professor: 978-85-7236-035-7

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e


Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Impresso no Brasil

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Apresentação

Querido professor,
a formação empreendedora ultrapassou os limites empresariais e de mercado. Precisamos de-
senvolver nossas habilidades e competências para melhor nos adequarmos ao meio em que vive-
mos e nos socializarmos em um mundo tão competitivo. Assim, esta obra chega para desmistificar
o termo empreendedorismo e abrir nossos olhos para nosso próprio potencial e de nossos alunos.
Conhecer a si mesmo, assim como saber lidar com as mais diversas adversidades do cotidiano
escolar e familiar, é, sem dúvida, uma preparação para a ação empreendedora. Na infância e na ju-
ventude, aprendemos a lidar com nossas próprias expectativas, além de desenvolver a autoconfian-
ça necessária para lutar pelos nossos objetivos, sejam eles de curto, médio ou longo prazos. Traçar
metas e ter objetivos na vida é fundamental para o sucesso, não apenas profissional, mas, acima de
tudo, pessoal. Assim, é de suma importância levar nossos alunos a essa percepção.
Esta obra foi concebida de modo que você, professor, auxilie os alunos a compreenderem que
não basta ter o conhecimento técnico de uma determinada área: todos precisam ser empreendedo-
res, independentemente da área profissional que venham a escolher para seguir. Para isso, nossa
intenção é prepará-los para pensarem como grandes empreendedores, aprimorando e dando visibi-
lidade às habilidades que todos possuímos. Agora é com você, professor. Aproveite bem o seu livro
e, sendo o empreendedor do ensino, mostre aos seus alunos como podem ser empreendedores de
sua própria vida.
Bruno Prado

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Sumário

Pensando o empreendedorismo.......... 6
Capítulo
1 Para início de conversa..................................................7
Discutindo o conteúdo..................................................8
Estudo do texto..............................................................10
Refletindo sobre o capítulo...........................................12

Somos todos empreendedores............. 13


Capítulo
2 Para início de conversa..................................................14
Discutindo o conteúdo..................................................15
Estudo do texto..............................................................17
Atividade........................................................................18
Refletindo sobre o capítulo...........................................20

Comportamento empreendedor.......... 21
Capítulo
3
Para início de conversa..................................................22
Discutindo o conteúdo..................................................23
Refletindo sobre o capítulo...........................................28

A criatividade nossa de cada dia.......... 29


Capítulo
4
Para início de conversa..................................................30
Discutindo o conteúdo..................................................30
Atividade........................................................................33
Refletindo sobre o capítulo...........................................35

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Marketing pessoal............................... 36
Capítulo
5 Para início de conversa..................................................37
Discutindo o conteúdo..................................................37
Atividade........................................................................40
Refletindo sobre o capítulo...........................................41

Autoconhecimento............................. 42
Capítulo
6
Para início de conversa..................................................43
Discutindo o conteúdo..................................................44
Estudo do texto..............................................................46
Atividade........................................................................47
Refletindo sobre o capítulo...........................................49

Iniciativa e persistência...................... 50
Capítulo
7
Para início de conversa..................................................51
Discutindo o conteúdo..................................................52
Atividade........................................................................55
Refletindo sobre o capítulo...........................................56

Profissões e carreira........................... 57
Capítulo
8
Para início de conversa..................................................58
Discutindo o conteúdo..................................................59
Atividade........................................................................61
Refletindo sobre o capítulo...........................................62

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Abordagem preliminar
O capítulo que abre esta coleção
tem o objetivo primordial de comparti-
Capítulo
1
lhar com os alunos a proposta de tra-
balho e despertar neles o interesse por
essa temática. Vale ressaltar que, em- Pensando o empreendedorismo
bora empreendedorismo seja um termo Você já ouviu o termo empreendedorismo em alguma situação de sua vida? Para muitas pes-
soas, essa palavra pode ser associada a algo complexo demais para os jovens. No entanto, você
muito presente no cotidiano deles, seja pode não perceber, mas o empreendedorismo faz parte da vida de cada um de nós. O desenvol-
pelo convívio com adultos, seja pelos vimento de habilidades e competências empreendedoras vai torná-lo ainda mais capaz de con-
meios de comunicação, suas diversas quistar seus objetivos futuros, pessoais e profissionais.
O universo do empreendedorismo é bastante amplo e envolve tanto dimensões pessoais,
possibilidades ainda são pouco explo- como nossos gostos e aptidões, quanto do mundo ao nosso redor, como família, amigos, escola,
radas em faixas etárias mais jovens. consumo, mercado de profissões, finanças, etc. Trata-se de um universo bastante diversificado e
Neste momento, mais que definir o mais presente em nosso dia a dia do que imaginamos.
Embora pareça muito cedo para começar a pensar em empreendedorismo, este é um momen-
sentido de empreender, é fundamen- to muito oportuno, porque você está em uma idade muito propícia para reconhecer, desenvolver
tal justificar o propósito de trazer esse e mesclar seus talentos.
tema para os jovens alunos. Para tanto, Para que você possa conhecer melhor os primeiros passos do empreendedorismo, apresen-
tamos alguns personagens que vão acompanhar você nessa jornada de aprendizado e desafios.
a coleção apresenta-se como uma es-
pécie de jornada, com quatro persona-
Paulo
gens que vivenciam situações diversas, Larissa
com desafios crescentes em comple- Sérgio
xidade, acompanhando proporcional- Luana
mente o desenvolvimento dos alunos
ao longo dos anos.
No decorrer dos quatro volumes,
vamos explorar tanto as dimensões
internas quanto externas da ação em-
preendedora. Neste volume, a ênfase
está em estimular o aluno a se conhe-
cer, a fim de identificar e desenvolver
seus pontos fortes, usando-os a seu Agora que você conheceu seus novos colegas, vamos começar nossos estudos?
favor, e minimizar ou aprender a lidar
com os seus pontos fracos. 6
A temática do empreendedorismo
será explorada em um escopo amplo, OdeN_2019_6A_01a64.indd 6 27/12/18 22:11 OdeN_

extrapolando a visão de lucro e com-


petitividade, trazendo à discussão di-
Anotações
mensões diversas, tais como a social e
ética. As atividades são desenvolvidas
de modo a incentivar o diálogo, o exer-
cício da argumentação — isso inclui
a habilidade de discordar e concordar
de forma crítica — e a perseverança.

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Caso haja, observe se isso representa
um percentual significativo de alunos
Para início
em sala de aula ou se é um número
de conversa
inexpressivo. Procure compreender o
O que você deseja ser quando crescer? Já pensou em uma profissão que deseja seguir quan- que motiva esses alunos a trabalha-
do for adulto? Muito provavelmente, você já deve ter ouvido falar em vocação e até se pergunta- rem de forma autônoma: os pais são
do sobre qual seria a sua. Geralmente, quando pensamos na escolha profissional, é importante
autônomos? Resistência a “obedecer”
observarmos a “inclinação” que possuímos para determinadas tarefas, muito conhecida como
vocação, um tipo de mistura entre aquilo que fazemos bem ou aprendemos com mais facilidade figuras que representam autoridade?
e aquilo que desperta mais os nossos interesses. Por isso, aquilo que queremos ser no futuro vai Identificação com algum personagem
mudando ao longo da vida, pois vamos aprendendo coisas novas e descobrindo novos interesses
de TV, livro ou cinema? Crença de que
e talentos, tudo isso atrelado a quem somos no presente.
empresários têm uma jornada de tra-
Veja o desejo profissional de nossos colegas: balho mais flexível?
Caso o número de alunos que ma-
nifestam intenção de empreender seja
ínfimo ou mesmo nenhum o faça, vale
a pena investigar o porquê dessa falta
de interesse. Lance-lhes os questiona-
mentos: “Por que não? Quais os prós e
os contras?”. O importante é registrar
as motivações favoráveis e desfavorá-
veis ao ato de empreender, para orien-
tar o trabalho ao longo do ano letivo.
Também é muito comum que os
alunos associem ter o seu próprio
negócio a ser comerciante. Nesse
Paulo gosta muito de
Larissa adora música
Luana é muito
curiosa e pensa em
momento, vale a pena explorar, além
e arte e pensa em
Sérgio adora solucionar
desafios matemáticos e
ajudar as pessoas e
ser bailarina ou
ser astrônoma ou dessa possibilidade, como é possível
pensa em ser médico ou cientista.
pensa em ser engenheiro assistente social.
musicista.
trabalhar de forma autônoma nas pro-
ou programador.
fissões mais diversas. Uma sugestão é
Independentemente da profissão, você já imaginou ter seu próprio negócio? Talvez você esteja explorar os personagens Sérgio, Pau-
pensando neste momento que estudar empreendedorismo servirá apenas para aquelas pessoas
que desejam abrir seu próprio empreendimento, porém o estudo desse tema apresentará elemen- lo, Larissa e Luana, e as profissões que
tos para o desenvolvimento de habilidades e competências que servirão para qualquer profissão eles desejam seguir: como um médi-
que você escolher no futuro. Além disso, você vai utilizar muito do empreendedorismo em sua vida co, um engenheiro, uma bailarina ou
cotidiana.
uma cientista podem ter seu próprio
7 negócio? Esta é uma oportunidade de
fazê-los pensar o que cada um desses
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profissionais faz, levando os alunos
poníveis no livro do aluno, que se rea- a refletir sobre o que cada um deles
Sugestão de abordagem
lize uma roda de debate sobre profis- pode oferecer à sociedade.
sões. Neste momento, a ideia é manter Este primeiro momento é funda-
Procure discutir com os alunos a o foco não naquilo que se pratica em mental para avaliar a atitude dos alu-
questão da escolha profissional. Se cada profissão, mas no que motiva os nos com relação ao empreendedoris-
possível, disponha-os em círculo e alunos em suas escolhas. Avalie se há mo, traçar caminhos para conduzir
deixe-os à vontade para imaginar. É quem manifesta, nessa faixa etária, o o trabalho ao longo do ano e obter o
possível, por meio das perguntas dis- intuito de abrir seu próprio negócio. máximo de seu envolvimento.

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Sugestão de abordagem Discutindo
o conteúdo
Discuta com os alunos qual a re-
lação entre iniciativa, persistência, Ao contrário do que muitos pensam, o estudo de empreendedorismo não é exclusivo aos que
desejam abrir um negócio ou trabalhar com vendas. O empreendedorismo, na verdade, envolve
curiosidade e empreendedorismo. também desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas ao comportamento coti-
Para isso, procure explorar exemplos diano e profissional. Habilidades são capacidades de desempenhar tarefas específicas por meio
de situações em que essas atitudes de um conhecimento técnico. Já a competência mobiliza, além das suas habilidades, os talentos.
Isso significa que, quando combinamos e exercitamos habilidades, desenvolvemos competên-
foram decisivas. Você pode começar cias. Mas, para desenvolvermos, é importante ter atitudes positivas perante elas. Atitudes são
apresentando alguns exemplos e, em avaliações que realizamos de determinada situação ou de um objeto que influenciam a forma
seguida, pedir para que eles apon- como pensamos e agimos a respeito. Se temos a habilidade de escrever e uma atitude favorável,
podemos desenvolver competências como argumentar e narrar histórias.
tem situações vivenciadas em que Para que você desenvolva suas competências, é necessário cultivar determinadas atitudes
tomaram alguma iniciativa importan- no dia a dia. Veja alguns exemplos de atitudes empreendedoras.
te, persistiram em algum objetivo ou
Você conhece estas atitudes empreendedoras? Que tal procurarmos a melhor definição de cada
exercitaram a curiosidade, levando-os uma delas no dicionário? Em seguida, complete as lacunas com as definições encontradas.
a refletir sobre como avaliam essas
atitudes em si mesmos. Iniciativa: Persistência: Curiosidade:

Traço de caráter que


Capacidade de Vontade de ver, de
leva alguém a empreen-
continuar se conhecer novas
Diálogo com o professor der alguma coisa ou to-
esforçando em busca coisas.
mar decisões por conta
de um objetivo
própria; disposição natu-
mesmo quando
Ao longo deste trabalho, os ral; ânimo pronto e enér-
dificuldades surgem
gico para conceber e exe-
alunos vão se deparar com di- cutar antes que outros.
no caminho.
versas palavras pouco familia-
res. Outro aspecto importante
é que muitos termos usados em Quais atitudes empreendedoras descritas anteriormente
sentido comum no dia a dia pas- você possui? Reflita um pouco sobre elas.
sam a ser explorados em senti- Resposta pessoal.
O conceito de empreendedorismo é bastante amplo. Como vimos até o momento, seu estu-
dos mais específicos. Por exem- do não se restringe ao desenvolvimento de habilidades para se abrir determinado negócio.
plo: habilidade e competência, Por empreendedorismo, podemos entender a propensão a realizar: imaginar, ser criativo
corriqueiramente mencionados e transformar ideias e projetos em ações concretas. Pessoas empreendedoras buscam agir com
autonomia e se responsabilizam por seus atos.
como sinônimos, são usados
Suas ideias acerca desse conceito envolvem, inclusive, a maneira de agir, a visão de mundo
agora com suas devidas distin-
ções, e distinguir tais termos 8
é imprescindível para o nosso
estudo. Para facilitar, dialogue OdeN_2019_6A_01a64.indd 8 27/12/18 22:11 OdeN_

com seus alunos sobre a impor- Anotações


tância do uso frequente do di-
cionário e procure utilizá-lo ao
máximo em suas aulas.

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e o modo de se relacionar com outras pessoas. Dessa maneira, podemos dizer que abrir uma em-
Sugestão de abordagem
presa é apenas uma das muitas formas de empreender.
Como você pode perceber, o estudo do empreendedorismo é universal, pois traz também con- É importante que o próprio profes-
ceitos básicos de cidadania. Dentro dessa perspectiva, podemos citar uma importante atitude em-
sor faça uma divisão, entre os alunos,
preendedora, que é a cooperação. Vamos aprender um pouco mais sobre ela na fábula a seguir.
dos alimentos que serão comparti-
lhados para a realização da atividade
Quando os bichos falavam proposta. Listamos alguns alimentos
e seus respectivos nutrientes para au-
Em uma grande assembleia de bichos, vieram representantes de toda parte para
se reunir e rezar. Queriam conhecer e falar com o Grande Espírito, criador e mante- xiliar nessa etapa.
nedor da vida. Pensando que poderiam demorar vários dias, cada um trouxe comida Frutas: as frutas podem trazer di-
dentro de um pote de barro. Tinha todo tipo de pote: pintado, com alças, com tampa, versos benefícios à saúde, pois pos-
sem tampa, redondo, oval, com desenhos, simples.
Puseram-se a rezar e refletir, mas nada do Grande Espírito. Passou tempo. Deu suem fibras, vitaminas e minerais. É
fome. Cada um foi para o seu pote comer. A onça tinha trazido só piracuí; a cutia, só possível fazer lanches saborosos com
pimenta; o jacaré, só tucupi; o macaco, só farinha; o veado só trouxe água, e assim por maçã, manga, goiaba, banana, ma-
diante. Cada um se satisfez, e tornaram a rezar e refletir. Continuaram assim durante
três dias. Estavam cansados de esperar, cansados de comer sempre a mesma coisa e mão, melancia, melão, uva, morango,
começaram a ficar irritados uns com os outros. Até duvidaram do Grande Espírito, pois kiwi, entre outras. Ao selecioná-las, é
este não aparecia. importante levar em consideração as
No terceiro dia, o filhote da onça foi brincar com o filhote da cutia e disse:
— Vamos misturar a pimenta de vocês com o nosso piracuí… frutas da estação, bem como a dispo-
Dito e feito. Foi tão gostoso! Eles ficaram alegres, e os outros filhotes se aproxima- nibilidade delas, conforme a localida-
ram com farinha, tucupi, água… de em que se encontram. Em algumas
As mães, vendo aquilo, em dois tempos arrumaram uma grande mesa, onde to-
dos os potes de comida foram colocados em comum. Todo mundo veio e fez o maior regiões, pode ser mais difícil encontrar
banquete, bonito e alegre. Nesse dia, nesse banquete, conheceram o Grande Espírito. morango; em outras, goiaba.
Disponível em: https://www.paulinas.org.br/dialogo/pt-br/?system=news&id=6781&action=read&page=1 Cereais: são ricos em fibras, o que
é fundamental ao bom funcionamen-
to do trânsito intestinal. Também aju-
dam a manter baixo o nível do mau
colesterol e provocam saciedade por
mais tempo. É possível consumi-los
na forma de cereais matinais, em bar-
rinhas ou de forma natural. Nos dois
primeiros casos, é importante estar
atento à quantidade de açúcar na
composição desses alimentos.
Pães e torradas: são ricos em car-
9 boidratos, fontes de energia para o or-
ganismo. Também dão a sensação de
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saciedade, logo, ao selecionar pães e
torradas, opte pelos integrais, pois pro-
Diálogo com o professor
longam essa sensação. É importante
prestar atenção à quantidade de açú-
Hábitos saudáveis devem ser estimulados desde sempre no ambien- car refinado entre os ingredientes.
te escolar, podendo ser um trabalho conjunto com a família, que deve Sucos, água e água de coco: lí-
acompanhar a dieta de seus filhos na escola e completar suas necessida- quidos não podem faltar no lanche
des nutricionais quando os jovens estiverem em casa. coletivo. Além de hidratar, trazem vá-
rios benefícios. A água, por exemplo, é

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vital para a boa regulação da tempe-
Estudo
ratura corporal. Os minerais e eletró-
do texto
litos contidos nos sucos prolongam a
hidratação, e a água de coco, além de
1. Após a leitura da fábula Quando os bichos falavam, responda:
hidratante, é rica em potássio.
Leite e derivados: são uma im- a. Por qual motivo cada um dos personagens trazia um alimento?

portante fonte de cálcio e proteínas. Para aguardar o Grande Espírito o tempo que fosse necessário, armazenando alimento para
O queijo branco é rico em cálcio, en- sua espera.
quanto, nos amarelos, as vitaminas A
e D são abundantes.
As frutas são uma ótima oportu-
nidade para estimular o trabalho co- b. Após os personagens da fábula aguardarem três dias sem a vinda do Grande Espírito, o que
aconteceu no local?
letivo e consciente. Que tal propor
uma saborosa salada? Caso a escola Houve uma inquietação dos animais, pois estavam cansados de esperar e comer o mesmo

disponha de uma copa, os alunos po- alimento que cada um havia trazido. Duvidaram, inclusive, da existência do Grande Espírito,

dem preparar uma salada com as fru- pois este não aparecia.
tas trazidas; basta distribuir as tarefas
de descascar e/ou descaroçar, cortar
e acondicionar os pedaços de fruta a
serem misturados, bem como de reco- c. O que ocorreu quando os filhotes de animais resolveram misturar os alimentos trazidos
pelos seus pais e gerar uma refeição coletiva?
lher os resíduos e organizar o espaço.
Todos passaram a se confraternizar em torno de uma grande mesa, o que gerou enorme ale-
As cascas podem ser até reaproveita-
das como adubo, por exemplo. Esse gria e harmonia em todos.

momento também é importante para


que os alunos distribuam outras ta-
refas, como partir os pães, dispor as
d. Nesse texto, o que seria o Grande Espírito?
torradas numa bandeja, etc. Procure,
Seria resultado do trabalho em grupo dos presentes no recinto, pois a colaboração de todos
nesse momento, dar-lhes autonomia,
deixar que eles mesmos se organizem provocara um sentimento de coletividade.

na distribuição de tarefas, intervindo


e realizando pequenos ajustes sempre
que necessário.
No dia do lanche saudável, procu-
re observar a dinâmica coletiva dos 10
trabalhos. Caso algum aluno não tra-
ga o alimento que lhe foi designado, OdeN_2019_6A_01a64.indd 10 27/12/18 22:12 OdeN_

procure integrá-lo da mesma forma


Diálogo com o professor
ao grupo de colegas. Isso não pode
ser um problema para a realização da
É cada vez mais comum a presença de intolerâncias, alergias ou
atividade, visto que o objetivo maior é
sensibilidades alimentares nos jovens. Por isso, antes de organizar o lanche
trabalhar a coletividade do grupo.
coletivo, é fundamental fazer um levantamento de quantos alunos apresentam
algum tipo de restrição alimentar. Assim, tenha o cuidado de incluir no
cardápio alimentos sem açúcar, glúten, lactose ou outro componente que

10

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Sugestão de abordagem
2. Que tal realizarmos um encontro semelhante ao narrado na fábula? Em data marcada, cada
aluno trará um tipo de alimento saudável informado pelo professor, podendo ser frutas e Procure discutir com os alunos o
produtos naturais. Compartilharemos o que trouxermos e assim poderemos saborear outras
delícias, trazidas pelos colegas de turma.
que eles pensam sobre o termo em-
preendedorismo. Por meio desse ques-
a. Após a realização do lanche coletivo, quais pontos positivos você observou sobre a atitude tionamento, realize uma sondagem
do grupo?
sobre as expectativas da turma em
Resposta pessoal.
relação a essa disciplina. Construa um
mural com os alunos, expondo os prin-
cipais pontos levantados. Guarde o
mural ou tire uma foto de tudo que for
destacado. Informe-lhes que, ao final
b. Qual relação é possível estabelecer entre o encontro dos alunos e a fábula?
do ano letivo, esse mural será revisto e
Resposta pessoal. todos os alunos dirão se o que espera-
vam da disciplina foi alcançado.
Essa atividade considera a reflexão
do estudante como ponto de partida
para seu desenvolvimento. Uma boa
3. Vimos, ao longo deste capítulo, que o estudo do empreendedorismo é muito mais amplo e alternativa é retomar os principais pon-
importante do que se pode imaginar. Com suas palavras, defina o que é empreendedorismo. tos da discussão levantada no início do
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno defina empreendedorismo como a ação de realizar, capítulo. Esse registro das expectativas
é imprescindível para que os alunos,
concretizar ideias e projetos e assumir a responsabilidade sobre essas ações.
ao término do ano letivo, retomem-nas
e comparem com as ideias que terão
desenvolvido ao longo do ano. Dessa
forma, eles poderão melhor organizar
4. Sobre empreendedorismo, assinale V para as proposições verdadeiras e F para as falsas. seus conhecimentos e produzir o texto
para a seção Refletindo sobre o capítulo
a. F O estudo do empreendedorismo só interessa a quem pretende abrir um negócio.
b. V A cooperação é uma atitude empreendedora, pois estimula os indivíduos a unirem seus da página 12.
esforços, ampliando o alcance deles.
c. V Para ser empreendedor, é preciso ser responsável pelos próprios atos.
d. F O empreendedorismo não possui relação com a cidadania. Anotações

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que precise ser evitado, bem como de dispô-los na mesa devidamente


sinalizados, para que o aluno não coma algum alimento proibido
acidentalmente. É importante que a restrição alimentar desse aluno não
o impeça de vivenciar essa experiência, nem lhe provoque sensação de
exclusão.

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Refletindo sobre
o capítulo

Neste capítulo, aprendemos o que é empreendedorismo e as principais atitudes empreende-


doras. Para isso, exploramos a necessidade de cultivar essas atitudes e desenvolver habilidades e
competências individuais para realizar ações empreendedoras.
Agora, produza um texto respondendo e discutindo sobre as seguintes questões:
• O que você achou desse capítulo?
• O que mais lhe chamou atenção?
• O que você imaginava sobre empreendedorismo antes do estudo deste capítulo?

Conforme o tema estudado, os conhecimentos compartilhados e construídos, pontue se


você se acha alguém com características empreendedoras e a discorra sobre estas.

Resposta pessoal.

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Abordagem preliminar
Capítulo
2 Após a apresentação dos estudos
sobre empreendedorismo, cabe neste
momento ampliar o debate sobre seus
impactos na sociedade.
É importante levar os alunos a en-
tender que a ação empreendedora
Somos todos empreendedores existe desde as primeiras sociedades
Todos somos empreendedores e já nascemos com características empreendedoras.
Quando imaginamos que o empreendedorismo é uma prática antiga, surgida desde os pri-
e foi importante para a nossa sobre-
meiros agrupamentos humanos e que sempre teremos tais manifestações, podemos refletir tam- vivência. Para isso, podemos resgatar
bém sobre a importância de despertar habilidades que ainda não foram descobertas. o conceito de empreendedorismo tra-
Todos nós temos o potencial de analisar situações, identificar problemas e pensar soluções.
Isso foi fundamental para a sobrevivência da humanidade, que, ao longo dos séculos, foi desen-
balhado no capítulo anterior — que
volvendo soluções para tornar a nossa vida mais confortável e até longeva. Isso significa que a envolve ser criativo, assumir riscos e
ação empreendedora também está ligada a questões de sobrevivência e coletividade, isso por- concretizar ideias — e provocá-los a
que muitas soluções permitiram um benefício coletivo. E no seu cotidiano? Será que é possível
encontrar ações empreendedoras entre pessoas mais jovens? Observe os exemplos abaixo:
traçarem uma relação com os grandes
feitos históricos que exigiram essas
características. Por exemplo, para de-
senvolver tecnologias de caça e culti-
vo, nossos antepassados precisaram
usar a criatividade e correr diversos
riscos. Erguer uma obra arquitetônica,
como as pirâmides do Egito, também
pode ser um bom exemplo do que já
foi realizado.
O intuito é pensar o empreende-
dorismo como uma atividade cujas
raízes se encontram em situações
comuns do cotidiano do educando e
de toda a sociedade global. Diversas
situações e ideias a esse respeito se-
rão exploradas ao longo das próximas
páginas. Esses momentos devem pro-
vocar reflexões e debates sobre a rea-
13 lidade de cada comunidade na qual os
educandos estão inseridos.
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Diálogo com o professor


ser dissociados do empreendedorismo. Empreender
A partir dos exemplos dos personagens, podemos co- é, antes de qualquer coisa, gerar soluções. Dessa for-
meçar chamando a atenção dos alunos para o cenário ma, a escola é um importante espaço para refletir tais
complexo em que a ação empreendedora se desenrola. questões com os educandos: que problemas temos
Hoje, o esgotamento de recursos, a poluição, a crise hí- no nosso entorno e de que maneira podemos con-
drica e a exclusão social são aspectos que não podem tribuir para minimizá-los ou mesmo solucioná-los?

2:12

13

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É fundamental desenvolver neles
o senso de que, ainda que nossa Para início
ação sobre os problemas desse ce- de conversa
nário tenha um alcance limitado,
quanto mais pessoas se envolvem,
Na página anterior, vimos situações cotidianas que requerem soluções e exigem criatividade
maior se torna esse alcance. Fica- e iniciativa. Temos exemplos de questões do nosso cotidiano que nos convidam à ação: o que
mos cada vez mais próximos de fazer com os resíduos que produzimos e como proporcionar apoio àqueles que não dispõem de
uma ação global à medida que es- recursos suficientes? No primeiro exemplo, Larissa propõe a coleta seletiva do lixo, uma ação im-
portante para o processo de reciclagem, que minimiza o impacto dos resíduos no meio ambiente.
timulamos e desenvolvemos essas Já Paulo realiza uma campanha do agasalho, oferecendo proteção contra o frio àqueles que não
ideias ainda na educação básica. a possuem, iniciativa importante para reduzir o impacto do inverno na saúde e no bem-estar des-
sas pessoas. Em ambos os casos, temos exemplos de cidadania.
Tais comportamentos, aparentemente comuns, revelam atitudes empreendedoras, como vi-
mos no capítulo anterior. Tanto Larissa quanto Paulo demonstram criatividade, além de uma ati-
Sugestões de abordagem tude empreendedora importantíssima: a iniciativa. Também podemos dizer que eles exerceram a
liderança, já que conseguiram engajar mais pessoas no mesmo propósito: melhorar o ambiente
e a vida das pessoas.
Nos exemplos desta página, explo- Como vimos, atitudes são intenções, que podem resultar em realizações. Nos exemplos, La-
ramos a ação empreendedora como rissa e Paulo tiveram uma atitude favorável às realizações empreendedoras.
uma iniciativa que entrega uma so- Perceba que tais realizações não são caracterizadas pela economia ou associadas ao mundo
empresarial, mas, sim, social. São ações que podem ocorrer dentro de uma empresa na qual uma
lução ou benefício a determinado determinada pessoa trabalhe, mas também são comuns na escola ou mesmo onde moramos.
indivíduo ou público. A partir desse Veja agora como seriam essas ações no mercado profissional por meio das imagens a seguir:
ensejo, divida a turma em equipes e
g-stockstudio/Shutterstock.com

1
estimule-as a pensar sobre aspectos
Monkey Business Images e

2
da vida escolar que poderiam receber
uma solução criativa. Não se trata, ne-
cessariamente, de algo que não fun-
Imagem 1
cione bem, pode ser o que já é bom, Profissionais
mas pode ficar ainda melhor. Para debatem medidas
para reduzir os
ajudá-los a identificar problemas ou impactos da
empresa no meio
oportunidades, você pode direcionar ambiente.

a observação deles, lançando pergun- Imagem 2


O espírito
tas como: o que vocês acham da nos- colaborativo e
sa biblioteca? Como vocês avaliam a a iniciativa de
auxiliar um colega
acessibilidade na escola? Como está o de trabalho
são atitudes
cardápio da nossa cantina? Existe co- empreendedoras.

leta seletiva do lixo? Será que a escola


poderia promover alguma ação so- 14
cial? Ao fim da atividade, cada equipe
OdeN_2019_6A_01a64.indd 14 27/12/18 22:12 OdeN_
deve apresentar o problema ou opor- das da dimensão do lucro. Embora a preendedora. Para tanto, são impor-
tunidade que encontrou e propor sua lucratividade seja uma questão perti- tantes aspectos como iniciativa, tra-
solução criativa. nente ao estudo do empreendedoris- balho em equipe, etc. Propõe-se que a
É importante, neste momento, mo, ainda não é este o momento de in- aceitação de riscos seja introduzida e
dissociar o empreendedorismo das seri-la no debate, bem como questões estes sejam explorados em atividades
questões unicamente empresariais. Os relativas à competitividade. Na oca- coletivas, uma vez que são basilares ao
exemplos da página anterior já apon- sião oportuna, esses aspectos serão empreendedorismo de qualquer na-
tam para alguns indícios de atitudes integrados à discussão, não como um tureza, seja ele voltado para aspectos
empreendedoras, ainda que dissocia- fim em si, mas resultantes da ação em- lucrativos ou de orientação social.

14

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Diálogo com o professor
Discutindo
o conteúdo Após a leitura do texto da
página 16, o conceito de Ubuntu
Como vimos até o momento, pode ser traduzido como “eu
atitudes empreendedoras estão sou porque nós somos”. Essa
presentes em nosso cotidiano,
independentemente da ativida-
filosofia africana também está
Propaganda
de profissional do indivíduo ou cada vez mais próxima do uni-
situação de vida. verso dos negócios. Isso pode
Quando as atitudes que vi- Pesquisa
mos na página anterior aconte-
parecer controverso, uma vez
cem não apenas no mundo das que o mundo dos negócios é
profissões, mas também em si- Contabilidade associado ao individualismo e
tuações comuns do dia a dia, ape-

elenabsl/Shutterstock.com
Ideias à competitividade. No entanto,
sar dos obstáculos que a vida nos
proporciona, temos uma chance esse modelo individualista tem
maior de vencer os desafios.
so demonstrado suas limitações,
Além de habilidades, com- Proces
e a perspectiva de rede tem de-
petências e atitudes favoráveis,
o empreendedorismo também Estrat
égia monstrado que a interdepen-
requer a existência de um propó- dência é inevitável.
sito. Como vimos, Larissa queria
A filosofia Ubuntu resga-
melhorar o tratamento dos re-
síduos na escola, e Paulo queria atitude colaborativa. Quando somamos nosso potencial ao ta valores como humanidade,
ajudar pessoas carentes. Esse dos nossos colegas, podemos ter um melhor resultado em solidariedade, aliança e in-
propósito é justamente o pon- menos tempo e gastando menos energia. Por exemplo: você
terdependência. Vivemos um
to no qual as habilidades, com- e seu amigo participam de um projeto escolar. Enquanto
petências e atitudes se unem e você gosta de escrever, seu amigo adora calcular. Já pensou contexto em que os estudantes
se transformam em ação. Outro quão produtivo seria se vocês aproveitassem da melhor ma- são introduzidos cada vez mais
ponto importante é que esse pro- neira o que sabem fazer de melhor? Assim, seu amigo ficaria
cedo em uma lógica competiti-
pósito pode exigir habilidades, encarregado da tesouraria, enquanto você redigiria cartazes
competências e atitudes que não e panfletos. Quando unimos nosso potencial, podemos rea- va. Essa lógica, por vezes, termi-
possuímos, mas que nosso cole- lizar algo muito maior do que se estivéssemos sozinhos: isso na comprometendo a formação
ga possui. Por isso, a capacidade se chama sinergia.
de laços e a empatia entre eles.
de se organizar e agir de forma Por falar em trabalho em equipe, você já ouviu falar em
coordenada é muito importante. Ubuntu? Trata-se de uma filosofia africana que preza pela Resgatar esses valores em um
Quando o propósito é com- cooperação e pela partilha como importante forma de cone- trabalho de empreendedorismo
partilhado por duas ou mais pes- xão entre indivíduos. Para entender melhor, vamos ler esta
significa orientar os educandos
soas, é importante termos uma pequena história.
para a compreensão de que a
capacidade de realizar e o avan-
15 ço individual não se chocam
com a capacidade de formar
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 15 27/12/18 22:12
aliança e praticar a colabora-
ção. Pelo contrário, a comple-
Sugestão de abordagem os demais colegas. Mudar o ambiente mentaridade e a sinergia devem
de leitura também pode ser outro re- ser estimuladas.
Sugerimos que leituras de fábulas, curso bastante interessante para esses
de imagens, tabelas, entre outros re- tipos de atividades. Procure um espa-
cursos, sejam realizadas de maneira ço da escola, sem ser sala de aula, que
coletiva com os educandos. Faça um seja silencioso e aconchegante para se
semicírculo na sala de aula com os alu- trabalhar a fábula Ubuntu: a partilha
nos e peça-lhes que leiam trechos para que conecta, da próxima página.

15

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Sugestão de abordagem Ubuntu: a partilha que conecta
Um antropólogo visitou um povoado africano. Ele quis conhecer a sua cultura e
Após a leitura do texto, organize a
averiguar quais eram os seus valores fundamentais. Assim que lhe ocorreu uma brin-
turma em um semicírculo e discuta a cadeira para as crianças, ele colocou um cesto de frutas perto de uma árvore e disse o
importância da atitude colaborativa e seguinte a elas:
— A primeira que chegar à árvore ficará com o cesto de frutas.
da empatia. Nesse debate, provoque-
Mas, quando o homem deu o sinal para que começasse a corrida em direção ao
-os a pensar como o senso de coleti- cesto, aconteceu algo inusitado: as crianças deram as mãos umas às outras e come-
vidade pode proporcionar relações çaram a correr juntas. Ao chegarem ao mesmo tempo, todas desfrutaram do prêmio.
Elas se sentaram e repartiram as frutas.
mais saudáveis na escola e na profis-
O antropólogo lhes perguntou por que tinham feito isso, quando somente uma
são que exercerão no futuro. Solicite poderia ter ficado com todo o cesto. Uma das crianças respondeu:
uma pesquisa sobre a filosofia Ubuntu: — Ubuntu. Como um de nós poderia ficar feliz se o resto estivesse triste?
O homem ficou impressionado pela resposta sensata desse pequeno.
os alunos devem compreender sua
Ubuntu é uma antiga palavra africana que, na cultura Zulu e Xhosa, significa “Sou
história, seus valores e significados. quem sou porque somos todos nós”. É uma filosofia que consiste em acreditar que
Após a pesquisa, eles devem elaborar cooperando se consegue a harmonia, já que se consegue a felicidade de todos.
cartazes ilustrando situações práticas Disponível em: https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valores/ubuntu-lenda-africana-sobre-a-cooperacao/. Adaptado.

em que esses valores podem tornar a


convivência mais agradável na comu-
nidade escolar. Exponha os resultados
em um mural ou área de boa visibili-
dade na escola.

Diálogo com o professor

É recomendável ter um diálogo


com os educandos sobre a impor-
tância da autocrítica e da crítica
construtiva. Saber lidar com esta é
uma habilidade fundamental tanto
durante a vida escolar quanto na 16
vida profissional. Isso requer aten-
ção a alguns aspectos: OdeN_2019_6A_01a64.indd 16 27/12/18 22:12 OdeN_

Orientá-los para que as atitudes receberam de forma mais consciente. aconteça, gentileza é fundamental.
pouco ou razoavelmente demonstra- Exercitar a gentileza e orientá-los Nunca, sob hipótese alguma, esse
das não sejam apontadas como uma para que essa postura seja a tônica da momento deve gerar constrangimen-
falha nos colegas, mas como aquilo atividade. Uma crítica construtiva só é to. Por outro lado, situações como
que eles são capazes de desenvolver. de fato construtiva — ou seja, acata- essas não devem ser evitadas, uma
Estimular o exercício da auto- da, pensada e convertida em melhoria vez que a crítica é um requisito para o
crítica, para que argumentem com efetiva — quando não gera mal-estar aprimoramento daquilo que nos pro-
os colegas sobre os conceitos que no indivíduo avaliado. Para que isso pomos a fazer. Essa é uma oportuni-

16

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Sugestão de abordagem
Estudo
do texto A realização da atividade da pági-
na a seguir deve ser feita numa carto-
1. Qual é a importância do propósito para a ação empreendedora?
lina ou qualquer folha de papel com
formato ampliado. Dessa forma, caso
O propósito une habilidades, competências e atitudes, transformando-as em ação.
não disponha de cartolina ou canetas
coloridas em sala de aula, peça aos
2. Por que é importante se organizar e agir de forma coordenada? alunos, com a devida antecedência,
Porque nem sempre dispomos de todos os requisitos para realizar um propósito, mas pode-
que tragam esse material para a aula.
mos nos unir com um ou mais colegas e somar nossas contribuições.

3. Após a leitura do texto Ubuntu: a partilha que conecta, responda às questões a seguir: Diálogo com o professor
a. Por que o antropólogo ficou surpreso com o desfecho do desafio que lançou às crianças?
O trabalho sobre empreen-
Porque ele esperava que elas competissem e que aquela que chegasse primeiro ao cesto fos-
dedorismo, nessa faixa etária,
se premiada, no entanto elas colaboraram entre si, chegando juntas ao objetivo e dividindo
pode ser muito pautado em
o prêmio entre elas.
fábulas, contos e histórias di-
versas, para que se possa tra-
b. Qual é a justificativa dada por uma das crianças ao serem questionadas pelo antropólogo?
zer situações mais compreensí-
veis para o aluno. Isso porque
Ela disse que não conseguiria se sentir feliz se as demais ficassem tristes.
a grande maioria não viven-
ciou situações reais de em-
c. Pesquise em um dicionário o significado da palavra empatia. Em seguida, indique qual é a preendedorismo ou, quando
relação da empatia com a atitude das crianças. as vivenciou, nem sempre as
Empatia é a capacidade de se colocar na situação que o outro vivencia e experimentar os compreendeu como tal. Dessa
sentimentos do outro naquela situação. A criança afirma não conseguir ser feliz se as outras forma, podem-se conduzir os
estiverem tristes, e isso revela a empatia que existe entre elas. estudos de maneira lúdica,
conforme exige a faixa etária
de ensino.

17

8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 17 27/12/18 22:12


Anotações
dade para exercitar a maturidade ao
lidar com esses aspectos. Logo, saber
receber críticas e saber criticar com
argumentos válidos e delicadeza são
a principal lição que essa discussão
deve deixar para o trabalho em equi-
pe, tanto na vida escolar quanto na
vida profissional.

17

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Diálogo com o professor
Procure demonstrar a im- Atividade
portância do desenvolvimento
das atitudes empreendedoras
dispostas na tabela. Possivel- 1. Sob a coordenação de seu professor, forme uma equipe de quatro colegas e siga as instru-
ções a seguir.
mente os alunos irão apontar Cada equipe deve ter:
grandes habilidades que pos- • Uma cartolina. • Uma régua. • Canetas de cores diversas.
suem, porém faz-se necessária a
QUADRO DE ATITUDES EMPREENDEDORAS
demonstração de que elas foram
aprimoradas ao longo do tempo, Colega Iniciativa Autocrítica Curiosidade Ousadia

a partir de experiências e dedi- A


cação. Busque revelar determi- B

nadas situações do período em C

que tinha a idade de seus alunos. D

Aproxime essas situações dos


Colega Liderança Autonomia Perseverança
educandos de modo a incentivá-
A
-los a melhorar tais atitudes. B
C
D

Após a construção do quadro e a inserção do nome de cada colega do grupo na primeira co-
Sugestão de abordagem luna, procure pintar, com base numa avaliação coletiva, o espaço correspondente a cada uma das
atitudes dos integrantes de acordo com a legenda seguinte:

Caso a escola tenha um auditório


Atitude pouco demonstrada
multimídia ou uma sala com equipa- Atitude razoavelmente demonstrada
mentos suficientes para passar o filme Atitude demonstrada com muita frequência
da seção Analisando o filme, priorize
Após o preenchimento de todo o quadro, apresente aos demais colegas de turma o resultado
o trabalho em grupo. Na ausência de
das atitudes empreendedoras de cada um dos integrantes.
equipamentos para a projeção em Após a apresentação de todas as equipes, você e seus colegas irão formar um grande círculo
sala de aula, o ideal é estipular um na sala de aula para discutir os seguintes itens:
a. Qual método o grupo utilizou para determinar as atitudes empreendedoras de cada inte-
prazo hábil para que os alunos locali-
grante? Foi fácil discutir o assunto para se chegar ao resultado apresentado? Resposta
pessoal.
zem o filme, assistam a ele e respon- b. No momento do preenchimento do quadro, você lembrou de alguma situação de vida
dam às questões. que levasse a refletir sobre determinada atitude empreendedora avaliada? Compartilhe
com a turma. Resposta pessoal.

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Anotações

18

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Anotações
Analisando
o filme

Título: Duelo de Titãs


Gênero: drama
Direção: Boaz Yakin
Baseado em uma história real, o filme aborda o desafio de um técnico negro ao assumir um
time de futebol americano composto de atletas negros e brancos. A história se passa em uma
época em que as escolas estadunidenses começavam a integrar negros e brancos, tanto em sala
de aula quanto nas práticas esportivas. O desafio, como podemos ver, era enorme: não só condu-
zir um time a uma performance de excelência, como também superar o racismo.

1. Que atitudes empreendedoras podemos identificar no filme? Exemplifique com uma cena ou
passagem.
O aluno possui um amplo repertório de atitudes para mencionar: o filme aborda liderança,
superação, empatia, senso de coletividade, entre outros. O importante é que o aluno identi-
fique a(s) atitude(s) mencionada(s) na(s) respectiva(s) cena(s).

2. Qual era o desafio do técnico?

Ele era negro e, por isso, não era muito bem-vindo pelos atletas brancos; além disso, o time a derrota. Não por acaso, muitas
possuía uma ligação muito forte com o técnico anterior e tendia a rejeitar seu substituto. empresas esperam que sua força
de trabalho se comporte como um
3. Qual é a importância da integração entre os atletas no filme?
time, ou seja, possua um propósito
O filme aborda um esporte praticado em time, trata-se de um trabalho em equipe, por isso a compartilhado, atue de forma si-
performance depende de uma boa integração entre os atletas. nérgica e aprenda com as eventuais
4. O que dificultava a integração do time?
derrotas. As atividades desporti-
vas na escola, muitas vezes, são o
A questão racial, já que a convivência entre negros e brancos em espaços sociais era recente
primeiro contato que o educando
e, portanto, ainda enfrentava muita resistência. tem com o que será a vida profis-
5. Na sua opinião, o time foi vitorioso? sional: cumprimento de normas,
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno reconheça duas vitórias do time: a superação do
trabalho em equipe, exigência de
performance, entre outros aspectos.
racismo que segregava os atletas no interior do próprio time e o desempenho que tiveram
No filme em questão, há um
em jogos importantes.
componente fundamental para en-
riquecer o debate em sala de aula:
19
a questão racial. Embora o filme se
passe num contexto muito especí-
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 19 27/12/18 22:12
fico de um país e de uma década,
Diálogo com o professor isso, a escolha de um filme que aborda sabemos que esse ainda é um pon-
um esporte praticado em time. to que exige muito debate na esco-
Neste capítulo, estamos abor- As práticas desportivas proporcio- la. Além disso, a discussão pode ser
dando as atitudes empreendedo- nam importantes lições sobre trabalho estendida a toda a questão da di-
ras numa perspectiva sinérgica, em equipe, liderança, superação de li- versidade no convívio escolar, pro-
em que o senso de pertencimento mites, iniciativa, senso de coletividade, piciando reflexões sobre inclusão e
e a empatia são fundamentais. Por respeito a normas e aprendizagem com empatia.

19

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Diálogo com o professor Refletindo sobre
o capítulo
Esta é uma oportunidade
Estudamos, neste capítulo, que o espírito de liderança e a iniciativa de colaborar com o próxi-
para que você possa acompa-
mo são atitudes empreendedoras. Com a leitura de imagens e a resolução das atividades do capí-
nhar o nível de satisfação do tulo, refletimos sobre o empreendedorismo que existe em cada um de nós. Mas o que realmente
trabalho de empreendedorismo ficou em nossa memória sobre tudo que estudamos até o momento? Quais reflexões fizemos
sobre os temas? Vamos descobrir?
desempenhado com a turma.
Faremos uma atividade típica de um profissional da área de comunicação social. Você vai
Observe as respostas das entre- escolher um colega de turma e entrevistá-lo. Depois, você será entrevistado pelo mesmo colega.
vistas e dialogue com os alunos Para uma boa entrevista, vejamos algumas instruções:
sobre como esse trabalho vem • Com sua dupla, utilize os espaços disponíveis na próxima página para preencher com o
ampliando a visão de mundo que o entrevistado informar.
• Utilize um lápis para o preenchimento dos espaços, pois você poderá somar informações
deles, de acordo com os precei- ou corrigi-las a qualquer momento.
tos empreendedores. • Realize perguntas objetivas e não interrompa seu entrevistado. Deixe-o à vontade para
responder o que lhe for de interesse — obedecendo, é claro, a sequência de perguntas.

Roteiro para a entrevista:

Entrevistado: Idade:
Qual é seu sonho para um futuro próximo?
Sugestão de abordagem
Qual é seu sonho para um futuro distante?
Aproveite a oportunidade para es-
timular os alunos à produção de tex- O que você considera sua principal atitude empreendedora? Por quê?

to. Assim, você pode solicitar que eles


transformem a entrevista em uma
Qual atitude empreendedora você acredita que precisa desenvolver?
produção textual do gênero perfil. Eles
devem compor o perfil do colega en- De que forma você acha que conseguirá essa evolução?
trevistado em uma folha avulsa, com
Você acha que a convivência com os colegas na escola pode colaborar para as atitudes
uma foto do colega ou desenho que o
empreendedoras? Caso sim, como?
represente, além de utilizar os recur-
sos gráficos que eles julgarem interes-
santes (colunas, caixa de texto, grafis-
Agora, você irá relatar, de maneira resumida, os principais aspectos de sua entrevista com o
mos, rodapés, etc.). Isso pode tornar a colega para toda a turma. Em seguida, compartilhe sua impressão de como foi ser um repórter
produção de texto mais divertida. por um dia. O aluno deve responder em uma folha avulsa, sob a forma de redação.

20

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Anotações

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Abordagem preliminar
Capítulo
3 Este capítulo explora com detalhes
as Características do Comportamento
Empreendedor (CCEs). É preciso dar
bastante ênfase a esse conteúdo, uma
vez que esses comportamentos serão
explorados ao longo de toda a cole-
Comportamento empreendedor ção, havendo, em determinados mo-
Nos capítulos anteriores, vimos a importância de ter atitudes empreendedoras e propósitos mentos, abordagens mais específicas,
claros. Quando temos uma atitude favorável à ação empreendedora, isso se traduz em compor- conforme o grau de desenvolvimento
tamentos que nos impulsionam rumo ao nosso propósito.
Observe o exemplo de Luana: seu propósito é participar de uma olimpíada de conhecimento.
cognitivo do educando.
Luana acredita que, se tiver dedicação e disciplina, poderá ter um bom desempenho. Ela também Como proposta metodológica da
acredita que a melhor ferramenta para conseguir é ter uma rotina de estudos. Logo, ela tem uma obra, o trabalho interacionista faz-se
atitude bastante favorável à sua participação. Com isso em mente, Luana procurou saber como
poderia se inscrever na olimpíada; com a ajuda dos seus pais e professores, providenciou sua
fundamental para a construção do co-
inscrição; fez um cronograma de estudos, com metas diárias e semanais, sacrificando tempo- nhecimento empreendedor. Isso deve
rariamente idas ao cinema e passeios com amigos; pediu ajuda aos professores e colegas para ser realizado por meio de debates, es-
solucionar os problemas em que tinha mais dificuldade; e tentava mais de uma vez quando não
conseguia acertar uma questão, buscando dedicar o melhor de si. Ao final de cada dia, ela ava-
tudos dirigidos, exemplos do próprio
liava se tinha estudado o suficiente ou se havia atrasado algo. Luana sabia que não vencer seria cotidiano do aluno e do professor, etc.
uma possibilidade, mas se preparou para isso. Ela convenceu seus pais a investir na sua inscrição Explore tais ferramentas para um me-
e preparação, fazendo-os acreditarem que, mesmo se não vencesse, aquela seria uma oportuni-
dade para avaliar e ampliar seus conhecimentos.
lhor resultado nos trabalhos.
A trajetória de Luana ilustra alguns comportamentos empreendedores.

2
1
Anotações

(1) Luana
tem atitudes
empreendedoras.

(2) Luana
demonstra
comportamentos
empreendedores.

21

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Buscar informações, pesqui-
Diálogo com o professor sar um novo livro para ler, persis-
tir para concretizar um sonho an- — Todos somos
empreendedores!
tigo, determinar e cumprir uma
O exemplo de abertura deste — Empreendedorismo
data para entregar uma ativida- nos ajuda a superar — Empreendedo-
capítulo explora uma situação de ao professor e programar uma desafios da vida! rismo é um tema
universal! — Empreendedo-
bastante comum aos educandos: viagem com os pais também são rismo é também
exemplos de comportamentos
a participação em provas que exi- cidadania!
empreendedores. Você sabia?
jam alto desempenho, podendo
ser físico ou intelectual — este
último é o caso da personagem.
Esta é uma oportunidade de ex-
plorar entre os alunos como as
atitudes positivas se convertem Para início
em ações concretas, levando-os a de conversa
refletir sobre o porquê de termos
atitudes favoráveis ou desfavorá- Na página anterior, vimos que diversas situações do nosso dia a dia podem revelar caracte-
veis a determinadas ações. rísticas do comportamento empreendedor. Mas o que isso significa de fato?
Vamos começar relembrando que as atitudes podem orientar comportamentos. Portanto,
Pretendemos, por meio dessa enquanto a atitude envolve crenças, sentimentos e tendências, o comportamento é a ação em
estratégia de trabalho, estimu- si. Assim, se uma pessoa tem uma atitude favorável diante de um projeto para recepcionar co-
lar os conhecimentos prévios do legas novatos na escola, provavelmente seu comportamento será o de comprometer-se com a
execução desse projeto.
educando, visto que muitas des-
Características do comportamento empreendedor (CCEs) baseiam-se em um conjunto de
sas Características do Comporta- habilidades e competências de um empreendedor de sucesso, seja na vida pessoal, seja na vida
mento Empreendedor (CCEs) já profissional. As CCEs foram criadas pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência
e Cultura (Unesco) e difundidas no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
foram vivenciadas pelos jovens
Empresas (Sebrae).
sem ao menos perceberem. A Estudaremos, neste capítulo, as dez características do comportamento empreendedor. Vejamos:
ideia é extrair dos alunos tais ex-
periências e fazer com que eles Busca de Exigência de
Correr riscos Comprome-
explorem o conceito. Dessa for- oportunidades Persistência qualidade e
calculados timento
e iniciativa eficiência
ma, ao definir cada CCE, o aluno
é convidado a retomar o exem-
plo de abertura do capítulo para Estabele-
Planejamento
Persuasão Independên-
Busca de e monitora-
identificar na personagem. informações
cimento de
mento siste-
e rede de cia e auto-
metas contatos confiança
máticos

22

Sugestão de abordagem
OdeN_2019_6A_01a64.indd 22 27/12/18 22:12 OdeN_

Descreva uma situação próxima direcioná-los sempre que esses equí- alunos para, a cada CCE explorada, re-
do cotidiano do estudante para que, vocos ocorrerem, ou mesmo estimulá- fletir sobre situações reais do cotidia-
a partir dela, ele extraia os exemplos, -los quando eles não conseguirem en- no em que eles identificam a presença
e forneça os parâmetros para que ele contrar exemplos da CCE na situação ou ausência dela em si mesmos.
avalie situações. Com eles, você pode descrita. A partir desse exercício com
identificar avaliações equivocadas e uma situação hipotética, convide os

22

OdeN_ME_2019_6A.indd 22 08/02/19 13:05


Diálogo com o professor
Discutindo
o conteúdo O estudo do empreende-
dorismo envolve diversas di-
Todas as características do comportamen- mensões: financeira, social,
to empreendedor são exploradas no mercado cultural, comportamental,
de trabalho, seja como empresário, seja como
colaborador, mas podemos afirmar que, ao
etc. Entre os principais enfo-
longo de nosso cotidiano, elas são fundamen- ques das pesquisas envolven-
tais para toda uma dinâmica social. Isso por- do esse tema, temos o econô-
que, antes de nos tornarmos profissionais, so-
mos seres humanos e pertencemos a diversos
mico e o comportamental. O
grupos sociais — a nossa comunidade escolar econômico valoriza a inova-
é um deles. Essas características podem acom- ção e o processo de criação.
panhar nossa trajetória desde cedo, levando- Vamos conhecer agora as características
Neste primeiro momento, a
-nos a realizações importantes dentro dos gru- do comportamento empreendedor (CCEs). An-
pos a que pertencemos. Também é importante tes de começarmos, porém, releia o exemplo ênfase é na questão compor-
observarmos desde cedo aquelas que são mais da primeira página. Que tal nós mesmos trazer- tamental, uma vez que pode-
ou menos desenvolvidas, conhecendo melhor mos exemplos de cada característica do com-
mos observar atitudes e com-
nossos pontos mais fortes e fracos e buscando portamento empreendedor? Para isso, vamos
formas de aprimoramento. usar a trajetória de Luana como referência. portamentos orientados para
a ação empreendedora des-
1 Busca de oportunidades e iniciativa de a educação básica, assim
Conceito: Consiste em ser proativo, ou seja, antecipar-se às situações (e não simplesmente como desenvolver atitudes
reagir a elas), não esperar que as oportunidades caiam do céu, mas buscá-las e, quando elas
favoráveis.
aparecerem, aproveitá-las ao máximo.
Exemplo: A dimensão comporta-
Luana decidiu participar da olimpíada e pediu ajuda aos responsáveis para realizar sua
mental do empreendedoris-
mo já desperta o interesse
inscrição. Também buscou auxílio de professores e colegas quando percebeu que tinha
dos pesquisadores desde a
dificuldades.
década de 1960. O psicólo-
2 Persistência go David McClelland reali-
Conceito: Consiste em não desistir diante dos obstáculos, mas buscar entendê-los e, sempre zou uma pesquisa em escala
que necessário, fazer ajustes de planos e esforçar-se para ser bem-sucedido, desenvolver ha-
bilidades e competências para concretizar os projetos.
mundial, com o apoio da Or-
Exemplo: ganização das Nações Unidas
Luana tentava mais de uma vez sempre que não conseguia resolver uma questão e pedia (ONU). O resultado dessa pes-
ajuda quando sentia dificuldade.
quisa foi o mapeamento das
CCEs estudadas neste capítu-
23 lo. McClelland admite que os
indivíduos são movidos por
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 23 27/12/18 22:12
necessidades de três nature-
zas: realização, poder e afilia-
Anotações
ção. Para o psicólogo, a ação
empreendedora encontra-se
muito ligada à necessidade
de realização, identificada
fortemente em empreende-
dores de sucesso.

23

OdeN_ME_2019_6A.indd 23 08/02/19 13:05


Diálogo com o professor 3 Correr riscos calculados
Conceito: Consiste em assumir riscos, mas não de qualquer jeito, com o cuidado de avaliar as
Os estudos de David McClelland situações, estudar possibilidades, para reduzir a probabilidade de erro, e só tomar decisões
depois de estudar cuidadosamente o risco e a chance de sucesso de todas as alternativas.
serviram de base para um pro- Exemplo:
jeto do Programa das Nações
Luana sabia que não ser vencedora era uma possibilidade, mas também sabia que, com de-
Unidas para o Desenvolvimen-
dicação e disciplina, teria condições de atingir um bom desempenho.
to (Pnud) orientado para o em-
preendedorismo, em diversos
países: o Empretec. Trata-se de 4 Exigência de qualidade e eficiência
uma metodologia voltada a em- Conceito: Consiste na disposição para dar o melhor de si, aprimorando continuamente suas
preendedores para que identifi- habilidades, buscando estabelecer e cumprir prazos e padrões e qualidade — se possível, até
superá-los.
quem seus pontos fortes, fracos Exemplo:
e seu potencial empreendedor.
Luana criou uma rotina de estudos, buscou ajuda de pessoas mais próximas e dedicou o má-
Assim, durante um período cur-
ximo de si em sua preparação.
to, o participante se envolve em
jogos, palestras e atividades gru-
pais diversas. No Brasil, o Servi- 5 Comprometimento
ço Brasileiro de Apoio às Micro e Conceito: Consiste no sacrifício individual, na seriedade e na responsabilidade diante dos
seus objetivos e das tarefas que lhes são confiadas, além de atuar com empenho e espírito
Pequenas Empresas (Sebrae) é o
colaborativo nas atividades realizadas em equipe.
responsável pela realização do Exemplo:
programa. Para saber mais so- Luana sacrificou temporariamente algumas atividades de lazer em prol de sua preparação
bre o Empretec, recomendamos
para a olimpíada.
acessar o portal do Sebrae. Lá,
podemos observar que a meto-
dologia do seminário é voltada 6 Busca de informações
à autoavaliação e superação das Conceito: Consiste em estar sempre atualizado sobre o que acontece no cotidiano, buscar
não o maior número de informações, mas o máximo possível de informações de qualidade
próprias limitações, de modo a necessárias para realizar suas tarefas com segurança.
aprender a gerenciar suas atitu- Exemplo:
des antes mesmo de gerenciar Luana procurou saber como poderia se inscrever, o tempo de estudo e os conteúdos neces-
um negócio. sários.
A ideia desta coleção segue
uma linha similar: trabalharmos,
inicialmente, as dimensões atitu-
dinais e comportamentais antes
24
de adentrarmos à dimensão eco-
nômica. Assim, acompanhamos
OdeN_2019_6A_01a64.indd 24 27/12/18 22:12 OdeN_

o desenvolvimento cognitivo
dos educandos, colocando-lhes Anotações
desafios em ordem crescente, à
medida que eles adquirem no-
vas competências.
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/
sebraeaz/empretec-fortaleca-suas-habilidades-
como-empreendedor,db3c36627a963410VgnVCM
1000003b74010aRCRD#.

24

OdeN_ME_2019_6A.indd 24 08/02/19 13:05


7 Estabelecimento de metas
Conceito: Consiste em estabelecer objetivos, criar etapas para sua realização, determinar
prazos para a realização de cada etapa e critérios para avaliar se cada uma foi cumprida de
Diálogo com o professor
forma satisfatória. Alguns objetivos podem ser realizados em um curto intervalo de tempo,
já outros podem necessitar de um prazo maior e esforços contínuos.
Exemplo:
A dificuldade de organização
das tarefas e de lidar com as dis-
Luana estabeleceu metas diárias e semanais de estudo.
trações excessivas talvez seja o
principal desvio de nosso tempo.
8 Planejamento e monitoramento sistemático Quando se trata dos nossos edu-
Conceito: Consiste em organizar tarefas, planejar etapas e prazos com base em informações candos, nascidos já na era digital
organizadas sobre o que você está realizando. Também requer atenção às mudanças que
possam desviar os planos, estando disposto a reformulá-los rapidamente sempre que um
e com forte presença de disposi-
imprevisto comprometer o planejamento original. tivos eletrônicos em seu cotidia-
Exemplo: no desde muito cedo, esse aspec-
Ao final de cada dia, Luana monitorava se havia cumprido as metas de estudo ou se havia to torna-se ainda mais delicado.
atrasado algo. Os dispositivos móveis inse-
rem-nos em uma rotina de hiper-
conectividade (atire a primeira
9 Persuasão e rede de contatos
pedra aquele que nunca olhou
Conceito: Consiste em argumentar e influenciar pessoas e se articular com outros indivíduos
para atingir objetivos ou mobilizar pessoas em torno de um projeto, criando redes de rela- redes sociais ao acordar e pegar
cionamentos. o celular para desativar o desper-
Exemplo: tador). Assim, as barreiras entre
Luana conseguiu obter o consentimento dos seus pais para participar da olimpíada. Além público e privado, pessoal e pro-
disso, ela obteve uma importante rede de apoio formada pelos pais, colegas e professores. fissional, casa e escola, trabalho/
estudo e lazer tornam-se cada vez
mais diluídas, criando uma situa-
10 Independência e autoconfiança
ção difícil de gerenciar, até mes-
Conceito: Consiste em valorizar a opinião dos outros, mas confiar sobretudo nas suas opi-
niões e na sua capacidade de realizar seus propósitos com determinação, autonomia e mo para os adultos.
otimismo. A aprendizagem da adminis-
Exemplo:
tração do tempo começa logo
Luana avaliou que aquilo seria importante para ela e decidiu participar. Confiou no seu po- cedo e pode ser exercitada pelo
tencial e buscou os apoios necessários para realizar seu propósito. estabelecimento de rotinas de
estudo. Os pais, professores e
responsáveis podem auxiliar o
educando nesse processo, mas é
25 importante que eles aprendam a
identificar seus próprios ritmos e
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 25 27/12/18 22:12
busquem alternativas para lidar
Anotações com seus “ladrões de tempo”.
Apesar de ser uma responsabili-
dade compartilhada, o protago-
nismo deve ser do estudante.

25

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Diálogo com o professor Dentre as características do comportamento empreendedor que estudamos, vamos falar
mais um pouco sobre planejamento e monitoramento sistemáticos. O planejamento é uma
ferramenta fundamental para a realização dos nossos propósitos. Com ela, podemos avaliar onde
Embora usados, muitas ve- estamos, que caminhos seguir, quais recursos temos, quais recursos nos faltam e como obtê-los
zes, como sinônimos, persuasão (ou contornar essa falta). Podemos planejar um evento, um negócio, uma rotina de estudos, um
e convencimento são processos trabalho em equipe, uma viagem em família, etc. Tudo aquilo que pretendemos realizar no futuro
próximo ou distante pode ser mais bem-sucedido se planejarmos.
distintos. Costuma-se utilizar Vamos exercitar o planejamento e o monitoramento começando por uma tarefa bem sim-
como base dessa distinção a ples: organizando a semana. Vamos construir um planner semanal de mesa de acordo com suas
racionalidade. Enquanto a per- necessidades individuais. Prepare o caderno, canetas coloridas, etiquetas adesivas, carimbos e
tudo que a imaginação permitir.
suasão é associada à emoção, Como fazer:
o convencimento é associado • Liste todas as atividades da semana.
à razão. Dessa forma, entende- • Liste os prazos das suas tarefas.
• Coloque as tarefas em ordem de prioridade.
-se por persuasão um processo • Reserve horários do dia para executá-las.
de comunicação que se dirige • Construa uma tabela com os dias da semana e os horários.
à sensibilidade do interlocutor. • Preencha-a com as tarefas.
• Coloque-o em um lugar visível na sua mesa de estudos (pode ser uma prancheta).
Já o convencimento utiliza-se


de argumentos dirigidos ao seu
intelecto, visando a obter con- O êxito da vida não se
mede pelo caminho
cordância por um apelo à inte-
que você conquistou,
ligibilidade, e não às emoções. mas, sim, pelas
dificuldades que você
superou no caminho.”
Abraham Lincoln

Diálogo com o professor

Ultimamente, tem crescido bas-


tante a demanda por planners se-
manais, que podem ser baixados
Importante:
gratuitamente em sites e blogs ou Ao final de cada dia, verifique se as tarefas foram executadas conforme planejado.
adquiridos em papelarias. Essa fer- Caso não, remaneje as tarefas dos próximos dias de forma a incluir a tarefa não exe-
ramenta alia a visualização do dia, cutada.

do mês ou da semana em perspec-


Observe o exemplo a seguir, mas você pode criar o seu modelo.
tiva aos recursos gráficos que tor-
nam seu manuseio mais agradá- 26
vel, como cores, etiquetas, formas
e ilustrações. Muitos jovens têm OdeN_2019_6A_01a64.indd 26 27/12/18 22:12 OdeN_

substituído as tradicionais agen- em branco (geralmente com folhas pode se ajustar àqueles que não se
das por esses recursos. quadriculadas ou pontilhadas) para adaptam às agendas tradicionais
Além do planner, muitos jovens organizar sua rotina, registrar e con- ou mesmo aos que gostam de de-
têm recorrido ao bullet journal (diá- trolar metas, criar listas (aniversários, senhar e escrever à mão.
rio em tópicos), um sistema de or- filmes, leituras), tudo isso de forma O crescimento do número de
ganização criado por um designer personalizada e utilizando pequenos blogs e recursos dedicados à or-
chamado Ryder Carroll. De forma símbolos para indicar o status das ta- ganização pessoal só demonstra a
resumida, trata-se de um caderno refas. Esse método é mais flexível e importância que esse tema tem ob-

26

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Sugestão de abordagem
De: ___ / ___ a ___ / ___

Domingo

O planner de mesa geralmente é fei-


to em tamanho A4 e tem a função de
ficar em um local de boa visibilidade,
como a mesa de trabalho. Nesta ati-
Sábado

vidade, exploramos a funcionalidade


dessa ferramenta para organizar a se-
mana. A maioria dos jovens têm uma
rotina semanal marcada por obriga-
Sexta

ções escolares, cursos de idioma, es-


portes, artes, etc., implicando desloca-
mentos constantes e agenda cheia.
Minha semana

Antes de iniciar essa atividade, é


importante lançar algumas reflexões
Quinta

aos estudantes: vocês já pararam para


Prioridades
da semana:
calcular quanto tempo gastam se des-
locando aos locais que frequentam?
Alguma vez, vocês já precisaram faltar
Quarta

a escola de idioma ou esportes por-


que tinham matéria acumulada para
estudar? Quais programas televisivos
você gostaria de parar para assistir? O
Terça

que vocês fazem nas horas ociosas? A


partir disso, pode-se desenrolar uma
importante discussão sobre como eles
percebem o tempo produtivo e o tem-
Segunda

po ocioso.
Estimule a utilização de recursos
Importante:

de papelaria, tais como canetas colo-


ridas, fitas adesivas e etiquetas colan-
Horário

tes. Os recursos visuais podem ser um


importante estímulo ao uso sistemáti-
27 co da ferramenta.

8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 27 27/12/18 22:12

tido. Planejar a rotina deixou de ser Anotações


exclusividade dos executivos atare-
fadíssimos. Na verdade, as pessoas
têm se dado conta de que o plane-
jamento é fundamental, seja qual
for a sua idade ou ocupação.

27

OdeN_ME_2019_6A.indd 27 08/02/19 13:05


Sugestão de abordagem Refletindo sobre
o capítulo
O exercício proposto coloca situa-
ções prontas para que o aluno faça a Você deve ter percebido neste capítulo que as características do comportamento empreende-
devida associação delas com as ca- dor fazem parte de nossa vida. É possível observá-las no cotidiano. Isso mostra que, mais uma vez,
aprender empreendedorismo é muito mais que nos prepararmos para o mercado de trabalho: é,
racterísticas do comportamento em-
sem dúvida, despertar habilidades que levaremos para as mais diversas situações de nossa vida.
preendedor que cada uma evoca. Ele A seguir, há características do comportamento empreendedor na seção I e, na seção II, há
pode ser tão somente um ponto de exemplos dessas características. Numere a seção II conforme a seção I.
partida para um exercício efetivo de
autoavaliação. Nessa proposta, pode- Seção I
mos extrapolar esse exercício para que 1. Busca de oportunidades e iniciativa. 7. Estabelecimento de metas.
2. Persistência. 8. Planejamento e monitoramento
cada um realize uma autoavaliação e
3. Correr riscos calculados. sistemáticos.
relate, em seu caderno, situações em 4. Exigência de qualidade e eficiência. 9. Persuasão e rede de contatos.
que apresentou alguma CCE. Para tan- 5. Comprometimento. 10. Independência e autoconfiança.
to, é interessante que os alunos reali- 6. Busca de informações.

zem essa avaliação em casa, dispondo


de mais tempo, pois a avaliação tende Seção II
a fluir melhor. O resultado deve ser re-
a. 2 Não consegui responder a esta questão de Matemática, vou refazê-la até chegar ao
gistrado em caderno e compartilhado resultado exato.
em sala de aula com os demais cole- b. 1 Ofereci ajuda à professora para organizar um evento, pois assim aprenderia como se faz.
c. 5 Prometi entregar minha parte do trabalho até hoje à noite; para isso, não comparece-
gas em ocasião marcada.
rei à partida de futebol do clube.
d. 7 Determinei um percentual da minha mesada a ser poupado mensalmente para adqui-
rir um tablet no fim do ano.
e. 10 A resposta do meu colega na avaliação ficou diferente da minha, mas confio no con-
Anotações teúdo que estudei e espero bons resultados.
f. 8 Faltam três semanas para a avaliação, então dividi o conteúdo em dois capítulos por
semana e, na semana em que não conseguir dar conta, estudo três capítulos na sema-
na seguinte.
g. 4 Esse cartaz não ficou legal para apresentarmos o trabalho de Ciências. Vamos ajustá-lo?
h. 3 Sei que, se eu me candidatar a um curso concorrido, posso não ser classificado, mas,
se estudar com disciplina, é mais provável que eu me classifique.
i. 6 Uso diversas fontes de pesquisa para realizar meus trabalhos escolares, inclusive a
Internet.
j. 9 Propus à minha equipe buscarmos um patrocínio para a gincana, e partimos em bus-
ca de apoio de pessoas próximas para conseguir patrocinadores.

28

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28

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Capítulo
4
Abordagem preliminar
Começamos a aprofundar outras
dimensões do fenômeno do empreen-
dedorismo. A criatividade é um tema
muito frequentemente associado à
ação empreendedora. Isso não signi-
A criatividade nossa de cada dia fica que empreender seja criar algo
Continuando nossos primeiros passos no universo do em-
completamente inédito: é preciso de-
preendedorismo, chegamos a um aspecto importantíssimo que
quase sempre está associado à ação empreendedora: a criativi- monstrar aos alunos que um ato cria-
dade. Muitas vezes, ela é vista sob a forma de inovação. tivo também se manifesta em ações
No universo do empreendedorismo, criatividade e inova- corriqueiras, que podem simplificar
ção caminham de mãos dadas, como se a primeira fosse uma
espécie de “combustível” da segunda. Neste capítulo, vamos um processo ou economizar um re-
estudar como elas se relacionam entre si e com a noção de tec- curso. A discussão de criatividade en-
nologia. Podemos dizer que a criatividade foi um requisito para volve várias questões, mas a principal
a sobrevivência da nossa espécie, permitindo-lhe criar meios de
sobreviver às ameaças naturais. é se ela é uma característica inata ou
Você já acordou no meio da noite com uma ideia para pôr adquirida. Embora essa discussão seja
em prática no outro dia? Ou mesmo conversou com outros co- apresentada nas próximas páginas,
legas sobre certo trabalho passado pelo professor da escola, e
teve, em determinado instante, uma ideia antes não pensada? talvez uma boa maneira de abrir o tó-
Lampejos de criatividade e ideias são comuns em nossas pico seja lançando algumas questões
vidas. Algumas pessoas possuem mais facilidade para tê-los; para os alunos, tais como:
outras, menos. Mas o que realmente importa é saber utilizar
bem a criatividade em benefício individual e coletivo. • Você se acha criativo? Por quê?
Sérgio encontrou em sua casa uma velha coleção de discos • Você acredita que nascemos
de vinil que não eram mais utilizados. Ele ficou encantado com criativos ou nos tornamos?
aquele disco preto lustroso com um rótulo colorido no centro e
teve uma ideia. Pegou um relógio de parede antigo, cujos nú- É interessante estimular a discus-
meros já estavam desgastados e manchados a ponto de dificul- são, mas evitar respostas definitivas.
tar a visualização das horas. Retirou cuidadosamente a caixa e Ao longo do capítulo, os educandos
os ponteiros. Aplicou cola na caixa e a fixou no centro do disco,
tendo o cuidado de encaixar a base dos ponteiros no orifício. vão encontrar respostas e novos argu-
Desenhou os numerais em papel adesivo colorido, cortou-os mentos para refletir a respeito.
e aplicou um a um nas respectivas horas. Por fim, encaixou os
ponteiros e a pilha: lá estava, na parede do seu quarto, um reló- Com criatividade, Sérgio deu um toque
gio novinho em folha e cheio de estilo! de beleza e utilidade a itens que não
tinham mais serventia.
Anotações
29

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29

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Diálogo com o professor Para início
de conversa
Muito se discute sobre o po-
tencial das organizações, den-
tre elas a escola, em limitar a De forma prática, o que é criatividade?
Qualquer pessoa pode ser criativa?
criatividade dos indivíduos. No Você se considera criativo?
entanto, essa preocupação não
é recente e tem gerado resulta- Essas perguntas devem fazer parte de suas dúvidas neste
momento. Para tentar ajudar, temos de trabalhar a criativida-
dos positivos tanto na educação de como algo característico de cada indivíduo, ou seja, alguns
quanto no mercado de trabalho. possuem mais desenvoltura que outros em determinada área
Nas empresas, modelos mais ou atividade, mas todos são criativos.
Você já refletiu sobre quem são os autores das músicas
flexíveis de produção e hierar- que você mais escuta? Muitas vezes, não é o cantor. Este, por
quias menos rigorosas, além de sua vez, é apenas o intérprete da canção. A criatividade musi-
uma gestão mais participativa, cal pode surgir para os compositores de maneira espontânea.
O mesmo ocorre com os escritores de romances, por exemplo.
têm sido adotados como for- Muitas histórias podem surgir naturalmente, e os resultados são
ma de estimular a criatividade milhares de exemplares vendidos.
e a autonomia. Na educação, A criatividade pode despertar na produção de um filme,
na hora de escolher um conjunto de roupas para uma festa, em
metodologias ativas e projetos uma jogada de futebol com os amigos ou reciclando um utensí-
interdisciplinares são alternati- lio que estava deixado de lado.
vas valiosas para romper com a
fragmentação do conhecimen-
Discutindo
to e estimular nos educandos
o conteúdo
a capacidade de estabelecer li-
gações com o mundo que expe-
Criatividade é a capacidade de inventar a partir da imaginação. Segundo alguns estudiosos
rienciam. da mente, é na capacidade criativa que fica o ponto-chave para a evolução da nossa espécie.
Neste capítulo, dedicado à É na infância que o ser humano desenvolve, inicialmente, sua capacidade criativa, isto é, a
criatividade, a ideia é propor- capacidade de imaginar e produzir algo novo ou dar um sentido ou uso novo a algo que já existe.
O incentivo dos pais, o convite sociocultural e o diálogo proporcionam estímulos para esse de-
cionar vivências que não só am- senvolvimento.
pliem o repertório de referên- Há, em geral, dois tipos de criatividade: a individual, que é expressa por apenas um indivíduo
cias criativas do estudante, mas em meio social, e a coletiva, que surge por meio de atividades entre os demais membros da socieda-
de. Ambas são importantes, no entanto, quando chegamos ao nosso limite criativo, precisamos, mui-
que o levem a desmistificar esse tas vezes, interagir com outras pessoas para obtermos novas perspectivas sobre temas diversos. Em
conceito. Assim, a criatividade meio a esses debates em grupo, podem surgir ideias, e é possível ampliar a criatividade individual.
não deve ser vista apenas nas
ideias mirabolantes, exclusivas 30
de pessoas geniais e incomuns,
mas nas pequenas soluções do OdeN_2019_6A_01a64.indd 30 27/12/18 22:12 OdeN_

dia a dia para as demandas que


Sugestão de abordagem
o mundo apresenta.
Professor, para apresentar o concei- em suas mochilas um utensílio (uma
to de inovação e discutir a sua relação chave, um estojo de lápis, uma caneta,
com a criatividade e a resolução de um caderno, a própria mochila, óculos,
problemas, proponha a seguinte refle- etc.). Solicite que cada um observe o
xão: peça para que os alunos peguem objeto escolhido e analise como seria a

30

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A criatividade caminha de mãos dadas com outro conceito, sendo muitas vezes confundidos:
a inovação. A criatividade gera boas ideias, que, quando associadas e convertidas em resultados Leitura complementar
úteis, geram a inovação. Ou seja: podemos dizer que a inovação é um resultado útil e viável da
ação criativa. Isso significa que a inovação ocorre em benefício de alguém, que pode ser um indi-
víduo, uma organização, uma comunidade, etc. Autismo
Produzir uma inovação não significa criar algo inédito: muitas vezes, usamos a criatividade
para melhorar ou restaurar algo que já existe, ou mesmo, desenvolver novas formas de fazer algo. O indivíduo que apresenta
Por isso, podemos dizer que é possível inovar em produtos, mas também em processos. Por isso, autismo costuma focar em inte-
nem toda inovação é necessariamente uma invenção.
resses muito específicos — ge-
Quer dizer que a criatividade surge de maneira espontânea e não há como ampliar esse po-
tencial em mim? Pode ficar tranquilo. Primeiro, porque nem sempre a criatividade é espontânea: ralmente de forma obsessiva
ela pode ser resultado de uma busca por soluções, um esforço contínuo ou qualquer estímulo —, apresenta comportamentos
para mudar algo. E, mesmo quando se trata de uma criatividade espontânea, ela depende de
repetitivos e dificuldade em inte-
aspectos emocionais e experiências de vida, conhecimentos adquiridos, para funcionar. Ou seja:
de uma forma ou de outra, a criatividade pode — e deve — ser cultivada. Você pode, por exem- ragir com outras pessoas. “Mui-
plo, diante de um problema difícil de solucionar, afastar-se dele por uns minutos e ouvir uma tas características da síndrome
música ou pintar um desenho. Enquanto descansa a mente, a solução pode simplesmente surgir.
de Asperger aumentam a criati-
Ou, em uma mesma situação, a combinação persistente de formas novas de tentar solucionar o
problema pode gerar um resultado inédito e satisfatório. Muitas descobertas na ciência e na vida vidade”, escreve Fitzgerald em
cotidiana surgem assim. Autism and Creativity (Autismo
e Criatividade). “Pessoas assim
têm uma capacidade extraordi-
nária para focar em um tópico
por um longo período — dias,
sem interrupção, nem mesmo
para as refeições. Não desistem
diante de obstáculos.” E não é
apenas a concentração. A forma
como entendem o mundo é dife-
rente. Quando veem uma coisa,
apreendem o detalhe para, en-
tão, sistematizar como funciona
o geral — enquanto a maioria
das pessoas apreende o geral
para depois se afunilar em de-
talhes. Isso é um enorme ponto
positivo para engenheiros, físi-
cos, matemáticos, músicos.
31 [...]
Disponível em: http://super.abril.com.br/
comportamento/o-lado-bom-das-coisas-ruins.
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 31 27/12/18 22:12
Acesso em: 03/09/2015. Adaptado.

rotina deles sem esse objeto. é importante eles perceberem que


É muito comum que os alunos as- nossa vida em sociedade é mediada
sociem inovação a invenções, prin- pela inovação, inclusive quando eles
cipalmente aquelas que envolvem desenvolvem novas maneiras de rea-
computadores e eletrônicos. Por isso, lizar uma tarefa.

31

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Há, sim, como potencializar a nossa criatividade. Veja as oito dicas a seguir:
Diálogo com o professor
A relação entre criatividade e in- 1 Acredite em seu potencial criativo. Nunca admita que não é capaz, pois todos
teligência é alvo de muitos debates podemos alcançar nossos objetivos, basta lutar por eles.
entre pesquisadores, mas pouco 2 Busque novas experiências. Quanto mais você ouve, busca e conhece, mais
consensual. Primeiramente, porque você amplia seus conhecimentos e sua criatividade.
tanto criatividade quanto inteligên- 3 Nunca abandone suas ideias, mesmo que elas pareçam de imediato absurdas.
cia são atributos difíceis de concei-
4 Quando desejar realizar alguma atividade com criatividade, não a realize can-
tuar com alguma precisão. Muitos sado. Determine pequenas pausas de modo a ajudar seu cérebro a trabalhar
pesquisadores acreditam que nem sem sobrecargas.
é pertinente estudar criatividade e 5 Procure escrever tudo que pensa durante determinada atividade, pois, caso
inteligência como processos men- contrário, você pode se esquecer de alguns detalhes importantes. Produza es-
tais de natureza distinta. quemas, peça opiniões, converse com muitas pessoas.

Do ponto de vista dos testes, 6 Momentos de lazer também são importantes. Procure realizá-las com prazer.
existem mais instrumentos para se 7 Não desista diante dos desafios, enfrente-os e aprenda com as dificuldades.
testar a inteligência do que a cria- Com experiência, você supera as barreiras.
tividade, talvez porque a inteligên- 8 Pratique atividades físicas regularmente, cultive hábitos saudáveis que lhe
cia seja muito associada a aspec- proporcionem qualidade de vida para o presente e o futuro.
tos mais facilmente mensuráveis,
como resolução de problemas,


agilidade cognitiva, conhecimento
geral e aptidão para determinadas Nunca abandone suas
tarefas. O mais conhecido deles ideias, mesmo que elas
pareçam de imediato
(e muitas vezes reconhecido pelo
absurdas.”
senso comum como o único instru-
mento legítimo) é o do quociente
intelectual (QI), mas esse instru-
mento não avalia a criatividade,
uma vez que os aspectos analisa-
dos não passam pela resolução
de problemas com originalidade e
propostas fora do comum. Além da
criatividade, competências sociais,
motivação, esforço, entre outros 32
aspectos ligados ao sucesso, não
são contemplados por esse tipo OdeN_2019_6A_01a64.indd 32 27/12/18 22:12 OdeN_

de teste, o que torna sua validade quando usados de forma conjunta, Anotações
questionável para muitos pesqui- utilizamos nosso potencial cogniti-
sadores. vo. Isso porque, diante de um pro-
Existem, ainda, os que acredi- blema, a criatividade oferece um
tam que a criatividade e a inteli- leque de soluções, e a inteligência
gência sejam processos cognitivos analisa a viabilidade e seleciona a
complementares e que, somente mais apropriada.

32

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Brainstorming: o que é isso? Diálogo com o professor
O nome assusta: “tempestade de ideias”. Mas
você certamente já deve ter participado de algo pare- O brainstorming é uma técni-
cido em algum momento de sua vida. Sabe quando ca muito utilizada em áreas con-
sua equipe de trabalho está tentando criar algo legal
sideradas criativas, como a cria-

Romrodphoto/Shutterstock.com
para apresentar e, de repente, bem descontraída,
começa a falar livremente sobre várias coisas? E, no ção publicitária ou o design de
meio de boas risadas — PAM! — uma ideia muito boa jogos. Mas os seus benefícios são
surge, aparentemente, do nada!
reconhecidos para além de áreas
O brainstorming é uma técnica para estimular
as ideias criativas em equipes. Consiste em reunir tradicionais de criação, sendo
os membros para falar livremente sobre suas ideias, aplicados em processos decisó-
buscando uma solução inovadora. Isso mesmo, falar rios de uma maneira geral.
livremente! Em um brainstorming, não é permitido
tecer críticas ou censurar a ideia dos colegas, pois as Outro aspecto importante
críticas podem criar tensão e inibir a criatividade. Já da geração de soluções criati-
pensou alguém deixar de dar uma ideia por medo de vas é o ambiente de trabalho.
“falar besteira”? Pois bem, é justamente essa inibi-
ção que a técnica do brainstorming procura eliminar, Empresas ligadas à chamada
para que todo participante, sem medo de errar e ser economia criativa, como pu-
julgado, fique à vontade para expor suas ideias. To- blicidade, TI e moda, costumam
das elas são registradas e avaliadas para se chegar a
um produto final, que pode ser uma ideia específica propiciar aos seus profissionais
ou a combinação de várias. espaços de lazer dentro de suas
instalações de trabalho: sofás,
áreas verdes, games, revistas,
Atividade etc. A premissa é a de que, mui-
tas vezes, é necessário sair da
estação de trabalho, do am-
biente tradicional de criação,
1. Assinale V para as proposições verdadeiras e F para as falsas.
para “arejar as ideias”.
a. V A inovação acontece quando convertemos a criatividade em soluções úteis.
b. V A inovação pode beneficiar um indivíduo, uma organização ou uma sociedade.
c. F Inovação é sinônimo de criatividade.
d. V A criatividade se desenvolve desde a infância.

2. Por que é preciso eliminar qualquer tipo de censura ou crítica num processo de brainstorming? Anotações
Porque, se o indivíduo sentir medo de errar e de ser julgado, ele pode ficar inibido, e isso pode
bloquear sua criatividade.

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Que tal exercitarmos a nossa criatividade na prática? Você já deve ter ouvido falar em custo-
Sugestão de abordagem mização ou provavelmente já customizou algum produto. A customização é a técnica de perso-
nalizar um utensílio, alterar suas características de fabricação, transformando-o em algo exclusi-
vo. A palavra customização vem do inglês custom made, algo como “feito sob medida”. Como hoje
A atividade de customização pode
em dia praticamente tudo que consumimos é produzido em série, personalizar objetos é uma
ser uma oportunidade para exercitar forma de se diferenciar.
os conceitos de inovação e criativida- Além de exercitar a criatividade, a customização de objetos também pode nos ajudar a redu-
zir o descarte e, consequentemente, o impacto do que consumimos. Isso porque podemos revita-
de, trabalhados neste capítulo, além
lizar aquele jeans desgastado, dar uma renovada na pintura da bike ou repaginar aquele álbum de
de propiciar um importante debate fotos velhinho, mas cheio de boas lembranças. Customizar é exercitar a sustentabilidade.
sobre sustentabilidade, consumo e Com o auxílio do seu professor, organize uma oficina de customização. Vocês podem buscar
inspirações diversas para transformar os objetos (revistas, vídeos, blogs, etc.), assim como usar
descarte, temas que desafiam qual-
a técnica do brainstorming para trazer novas ideias. Veja algumas sugestões de itens que podem
quer empreendedor. ser customizados.
Antes de propor a oficina, reúna os
alunos em um semicírculo e faça-os
refletirem sobre a durabilidade dos
seus objetos pessoais: quanto tempo
você leva para inutilizar um sapato?
Por que você o inutiliza? Será que não
poderia revitalizá-lo e passar mais
tempo com ele “de cara nova”? Quais
os benefícios de customizar? É impor-
tante levá-los a perceber que o ciclo
consumo-descarte pode ser desacele-
rado pela customização.
Depois desse debate, divida a tur-
ma em equipes e peça-lhes para fazer
um brainstorming, buscando ideias
sobre o que e como customizar. Nesse
momento, eles só podem ter um lápis
e uma folha em branco nas mãos. Ao
final, cada equipe deverá apresentar
as ideias que tiveram. Para estimular,
você pode finalizar essa conversa com
alguns tutoriais de customização (há
muito material disponível em plata- Andrei Sikorskii, Marius GODOI e Jeerayut Rianwed/Shutterstock.com

formas como o YouTube), envolvendo 34


itens diversos, como vestuário, utensí-
lios domésticos e de escritório. OdeN_2019_6A_01a64.indd 34 27/12/18 22:12 OdeN_

Por fim, dê-lhes um prazo razoável Anotações


para coletar materiais e organizá-los.
No dia combinado, a atividade deve
ser realizada, se possível, no pátio ou
área de convivência, com a participa-
ção das demais turmas na oficina.

34

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Refletindo sobre
o capítulo

A criatividade pode fazer diferença em nossa vida pessoal e no ambiente de trabalho. Uma
pessoa que buscou estimular a criatividade durante a infância e a adolescência pode ter mais ca, quem será afetado pelas deci-
oportunidades no mercado de trabalho.
No decorrer da vida, passamos por situações em que precisamos encontrar soluções criati- sões, uma análise mais cautelosa
vas para resolver os problemas. No meio profissional, a disposição para buscar soluções criativas de riscos, etc. Por isso, na formação
pode diferenciar um profissional dos demais. O sucesso também está ligado ao modo de pensar de gestores, é comum se estudar o
e agir de forma crítica, com ideias e soluções inovadoras.
Nem sempre temos a oportunidade de exercitar a criatividade em um ambiente tranquilo e processo decisório. Sim, a tomada
sem pressão. Às vezes, precisamos recorrer a ela para resolver algum problema inesperado ou to- de decisão é um processo, embora,
mar uma decisão rapidamente. E isso é um desafio bastante comum, já que nem tudo que acon- muitas vezes, não percebamos seu
tece pode ser previsto ou planejado. Todos nós já passamos por alguma situação em que precisa-
mos solucionar algo rapidamente. Descreva uma situação desse tipo e explique como você usou caráter processual. E esse procedi-
a criatividade para solucioná-la. mento é tão importante que o pro-
cesso decisório é uma disciplina
Resposta pessoal. fundamental no curso de Adminis-
tração, por exemplo.
Mas o que é um processo deci-
sório? É o processo de analisar e
escolher, dentre alternativas, um
curso de ação adequado. Isso re-
quer a compreensão de cenários,
o cálculo de riscos e a escolha,
com um detalhe: nem sempre dis-
pomos de todas as informações
necessárias e temos de gerenciar
o tempo na tomada de decisões.
Hoje, existem até sistemas de in-
formações apropriados para for-
necer suporte aos gestores na
hora de decidir o que são os siste-
mas de apoio à decisão.
Isso significa que a tomada de
decisão é um processo puramente
35
racional? Não. Intuição, criatividade
e sensibilidade também são compo-
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 35 27/12/18 22:12
nentes do processo, sobretudo em
Diálogo com o professor decisões que envolvem situações
vida, algumas vezes em situações cor- fora do habitual, chamadas deci-
Processo decisório e riqueiras, outras em situações cujas sões não programadas. Por isso, o
criatividade consequências podem ser muito im- brainstorming é muito comumente
portantes. No âmbito profissional, a adotado em uma das primeiras eta-
Tomar decisões é algo que fa- tomada de decisões envolve vários pas da tomada de decisão, que é a
zemos constantemente em nossa componentes: sua posição hierárqui- geração de alternativas.

35

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Capítulo
5
Abordagem preliminar
Este capítulo é dedicado ao concei-
to e à importância do marketing pes-
soal. Antes de começar, precisamos
destituir o conceito das diversas ideias
equivocadas presentes no senso co- Marketing pessoal
mum. Primeiramente, o marketing,
Existem pessoas que nos inspiram. Elas parecem fazer as coisas de forma caprichada e confiar
de forma geral, não pode ser confun- bastante no que fazem. Elas demonstram uma aparência bem cuidada e se comunicam com bas-
dido com publicidade ou propaganda, tante desenvoltura. Você já conheceu alguém assim? A verdade é que todos nós podemos ser assim.
Para isso, podemos utilizar um conjunto de saberes e ferramentas chamado marketing pessoal.
embora estas sejam ferramentas do
Antes de estudar marketing pessoal, vamos compreender o que é marketing. De uma manei-
composto de marketing. Assim, a pri- ra bem simplificada, podemos entender o marketing como um conjunto de práticas para desen-
meira proposta do livro é esclarecer, volver produtos que atendam às demandas do mercado, distribuí-los nos locais adequados para
que as pessoas os encontrem e possam comprá-los, estabelecer preços que cubram seus custos
de forma simplificada e acessível para
e deixem uma margem de lucro à empresa e comunicar sua existência, suas vantagens, seus dife-
a faixa etária, o conceito de marketing. renciais, para que o comprador possa conhecê-los, analisá-los e compará-los com demais produ-
Só então podemos extrapolar o nível tos e fazer suas escolhas. Mas o que isso tem a ver com as pessoas?
Vivendo em sociedade, colaboramos uns com os outros, e nossas habilidades e competên-
puramente mercadológico e traçar
cias complementam-se entre elas e com as dos outros. Imagine um trabalho em equipe: você
analogias com o desenvolvimento gosta de desenhar; seu colega sente-se à vontade para falar em público; outro colega escreve
pessoal. textos bem legais; e outra colega consegue estimular a equipe a buscar boas ideias. Juntos, vocês
podem se complementar e produzir trabalhos bem interessantes. Assim, cada um de vocês, com
suas habilidades, competências e atitudes, pode oferecer contribuições distintas e complemen-
tares. E o marketing pessoal permite que você identifique e aprimore essas características e as
disponibilize para quem pode se beneficiar delas.
Observe os exemplos a seguir:

Tenho liderança
Anotações e capacidade de Gosto de trabalhar
persuasão. Procuro em equipe.
fazer sempre mais e Planejo minhas
melhor. atividades.

Estou sempre
Sou pontual, com bom humor.
assíduo e cumpro Aprendo com
prazos. Adoro facilidade.
novos desafios
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Sugestão de abordagem
Para início
de conversa Marketing é uma palavra com diver-
sos usos corriqueiros, e muitos deles
Você já deve ter percebido que é bastante co- — a maioria, por assim dizer — não
mum falar em marketing pessoal. Mas o que é isso? condizem com essa disciplina (sim,
Assim como o marketing é voltado para produtos trata-se de uma disciplina). O equívo-
ou serviços, é possível desenvolver uma série de
co mais comum é tratá-la como sinô-

Sasha Ka/Shutterstock.com
práticas similares visando concretizar projetos,
criar relacionamentos pessoais e profissionais nimo de publicidade ou propaganda.
e construir uma boa e atrativa imagem de você Com efeito, estas são ferramentas de
nesses relacionamentos. Enquanto o marketing
busca aprimorar produtos e serviços para ofere- marketing, mas ele não se limita a es-
cê-los de forma satisfatória aos seus públicos, o sas práticas. Outro equívoco é tratá-
marketing pessoal busca o aperfeiçoamento con- -lo como uma ferramenta para iludir:
tínuo daquilo que precisamos desempenhar nas
atividades a que nos propomos.
“Isso é só marketing”, “Isso não pas-
Essa estratégia é muito utilizada por em- sa de marketing”, como sinônimo de
preendedores de sucesso, pois compreende uma oferta enganosa e desprovida de valor.
série de práticas para se aprimorar e se fazer notar
por suas qualidades, habilidades e competências.
Neste momento, é importante fa-
Tais informações, quando destacadas e colocadas zer uma checagem: qual é o conhe-
de maneira espontânea e verdadeira, podem tra- cimento prévio dos alunos sobre o
zer diversos benefícios ao longo de sua vida.
É muito comum, porém, as pessoas falarem
tema? Promova uma discussão inicial
de marketing pessoal apenas como uma técnica a respeito do que eles compreendem
para “vender” sua imagem. No entanto, esse cui- sobre marketing e peça que justifi-
dado não pode se limitar apenas à imagem, mas
deve envolver sobretudo o nosso conteúdo, aqui-
quem o ponto de vista apresentado. É
lo que temos a oferecer. importante que as associações feitas
pelos estudantes sejam registradas
(pode ser em uma tabela do Excel),
Discutindo
para que se desenvolva um estudo
o conteúdo
comparativo ao final do capítulo e os
Como vimos, o marketing pessoal é uma importante ferramenta para a melhoria própria e a
alunos possam perceber as mudanças
autopromoção. No entanto, é importante saber que não se trata de construir uma imagem atrati- de perspectiva sobre o tema.
va que não corresponda à realidade, mas de aprimorar habilidades e desenvolver competências
necessárias para a concretização de seus objetivos. Por exemplo, se você deseja ser representante
de turma, não adianta construir uma imagem boa, mas vazia. Se alguma habilidade ou compe-
tência necessária para desempenhar esta função não estiver bem desenvolvida, é necessário bus-
Anotações
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car esse desenvolvimento, estabelecendo um Nem toda troca é uma relação de compra
passo a passo e critérios para avaliar se cada e venda, mas pode se assemelhar muito a esse
Diálogo com o professor etapa foi realizada com sucesso ou precisa ser padrão. Voltemos ao nosso exemplo: quando
melhorada. Tem dificuldade de desenvolver você se candidata a representante de turma,
ideias por escrito? Que tal estabelecer algumas você quer obter da turma o reconhecimento e
O termo marketing tem sua ori- medidas para melhorar sua escrita, um espaço a autorização para resolver questões em nome
gem associada a market, ou seja, de tempo para atingir essa melhoria e alguns dela. Já a turma espera contar com alguém que
mercado, que remete às práticas critérios para avaliar se melhorou nesse aspec- a “represente”, ou seja, defenda seus interesses
to? Esse processo de identificar ações concre- junto à comunidade escolar. Logo, há uma tro-
mercadológicas, como negociação tas, planejá-las e avaliá-las é fundamental no ca: sua turma oferece a confiança e o reconhe-
e venda. Isso pressupõe um aspec- marketing pessoal. cimento (sob a forma de votos), e você retribui
to central às práticas de marketing: Para entender melhor esse exemplo e com seus serviços em nome dos seus colegas.
como o marketing pessoal pode nos ajudar, Para que seus colegas votem em você, e
a troca. Phillip Kotler, em sua obra precisamos entender o mais importante con- não em outro candidato, eles precisam perce-
Administração de Marketing, con- ceito do marketing: a troca. A troca geralmente ber seu valor e considerá-lo mais condizente
siderada “a bíblia do marketing” tem a função de atender a uma necessidade: com as expectativas deles. Observe que fala-
existem pelo menos duas partes, e uma tem mos em valor, e não em preço. Valor é o be-
(em sua edição atual, escrita em interesse no que a outra oferta. Vejamos: você nefício percebido por alguém que participa da
coautoria com Kevin Lane Keller), está com fome e decide comprar um sanduí- troca. No caso da eleição, seus colegas podem
admite que, para haver uma tro- che. Para isso, entrega ao vendedor uma quan- acreditar que seu valor está ligado ao seu espí-
tia: vocês realizaram uma troca. Você necessi- rito de equipe e à sua capacidade de negociar.
ca, é necessária a existência de, no tava de uma refeição para saciar sua fome, e o Como essas características são valiosas para
mínimo, duas partes, tendo cada vendedor necessitava da renda em dinheiro. eles, você foi escolhido.
uma delas um objeto ou recurso
que ofereça valor à outra, na qual
elas possam comunicar entre si a
sua capacidade e o seu interesse
em trocar e que participem, vo-
luntariamente, dessa transação.
Por esse motivo, a prática pode
ser estendida a outras dimensões
da vida em sociedade em que os
valores trocados não são necessa-
riamente bens, serviços e dinheiro,
mas pessoas, experiências, ideias,
etc. Daí a diversidade de aplicações
do marketing, tais como marketing
político e marketing pessoal.
No entanto, antes de trabalhar
com os educandos uma extensão 38
dos pressupostos de marketing a
outros âmbitos que não a troca OdeN_2019_6A_01a64.indd 38 27/12/18 22:12 OdeN_

comercial, é fundamental com- do marketing (preço, praça, produto e como uma atividade que envolve
preendermos algumas premissas promoção) é suficiente para entendê- essas quatro variáveis de forma
básicas. A principal delas é a noção -lo como uma atividade que envolve global, as quais precisam ser ana-
do composto de marketing. Em- várias dimensões de uma troca (e não lisadas e controladas, evita o equí-
bora ele tenha sofrido várias am- só a divulgação, comunicação e cons- voco mais comum nas abordagens
pliações ao longo dos anos, para o trução de imagem, como se costuma desse tema: a sobreposição entre
presente trabalho, conhecer os 4Ps pensar). Compreender o marketing marketing e divulgação.

38

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Quando você for adulto, essa Sugestão de abordagem
troca ocorrerá de forma similar.
Suas competências, habilidades
e atitudes vão compor uma ba- A analogia com “bagagem” não
gagem. Essa bagagem possui um é nova e é bastante comum tanto no
valor, porque ela pode beneficiar universo corporativo quanto no edu-
uma empresa ou cliente, ofere-
cendo soluções. Em troca, essa cacional. Falamos em bagagem para
empresa ou cliente oferece um fazer referência a uma espécie de re-
pagamento em dinheiro, que ga- pertório: cultural, intelectual, viven-
rante seu sustento. Assim, nosso
valor é o resultado do nosso es- cial, etc. Podemos usar essa analogia
forço em cuidar dessa bagagem para propor uma atividade lúdica e
e ampliá-la. E esse valor deve ser debatida com os estudantes: o que
percebido por aqueles que preci-
sam se beneficiar deles. você carrega na sua bagagem?
Mais uma vez, precisamos ter Peça aos alunos que escrevam em
cuidado: embora muitas lições pedaços de papel seus comportamen-
de marketing pessoal priorizem
a imagem, ou seja, aquilo que o tos, suas habilidades, conhecimentos
nosso “cliente” percebe, precisa- e suas atitudes, incluindo pontos po-
mos cuidar com bastante carinho sitivos e negativos. Em seguida, peça
e disciplina da nossa bagagem: é a imagem dela. Assim como uma boa embalagem e uma
ela que carrega nosso valor. publicidade criativa ajudam o cliente a perceber os valores para separem aquilo que gostariam
A nossa bagagem começa a daquele produto, a nossa bagagem também precisa ser “em- de carregar na bagagem e aquilo que
ser construída na vida familiar balada e anunciada”. Pense o seguinte: se não houvesse uma só ocupa espaço e pesa. Depois, peça-
e escolar. Desde cedo, vamos boa embalagem, com um rótulo indicando o que é aquele
criando e acrescentando novos produto, e uma boa publicidade ressaltando seus benefícios, -lhes que indiquem maneiras de “se
valores à nossa maletinha, de como o cliente saberia que ele existe e pode lhe satisfazer? O livrar do peso” da bagagem. Por exem-
forma que ela cresça conosco. mesmo ocorre com nossa bagagem: ela pode estar repleta de plo, se um aluno admite ser procras-
Também vamos eliminando dela benefícios, mas, se não comunicarmos nosso valor, quem irá
tudo aquilo que não nos serve e buscar esses benefícios? tinador e demonstra incômodo com
só faz ocupar espaço. Assim, de- Lembre-se da eleição de representante: talvez você te- esse “peso da bagagem”, indague-o
vemos pensar que valores pode- nha comunicado à turma suas propostas e como pretendia sobre o que pode fazer para se livrar
mos oferecer ao nosso ambiente, manejar as questões pelas quais ficaria responsável, mas
como podemos ajudar ao pró- também é muito provável que sua turma tenha percebido
disso. Por outro lado, incentive-os
ximo e nos tornar melhores não como você tem desenvoltura, liderança e se expressa bem. a identificar itens que eles não pos-
apenas do ponto de vista técnico, Tudo isso é parte do processo de comunicar o nosso valor a suem, mas gostariam de acrescentar à
mas também pessoal. quem pode se beneficiar dele, despertando o interesse. Fa-
Agora que você aprendeu a zemos isso o tempo inteiro, no modo de falar, de vestir, nos
bagagem. Por exemplo, se uma aluna
importância de preencher e orga- nossos perfis em redes sociais, na maneira como lidamos diz que gostaria de falar com desen-
nizar sua bagagem, vamos para com situações de conflito, no nosso desempenho em tarefas voltura em público, mas ainda não se
outro ponto muito importante: escolares, domésticas, etc.
sente à vontade, peça-lhe para refletir
39 sobre formas de melhorar essa carac-
terística.
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 39 27/12/18 22:12
Nesse momento, a turma deve estar
disposta em um semicírculo. É impor-
Anotações
tante que os colegas deem sugestões
de como “acrescentar” ou “remover”
itens das bagagens dos demais, esti-
mulando o debate.

39

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Para finalizar, temos algumas dicas de como cuidar da nossa bagagem:
Diálogo com o professor
Capacidade de comunicação: é preciso falar o suficiente — nem mais nem menos — e
com clareza para comunicar suas ideias e estabelecer bons relacionamentos.
Marketing pessoal envolve, ine- Postura profissional adequada: saber dosar a seriedade com bom humor é impor-
vitavelmente, o desenvolvimento tante. Ser sério em excesso pode afastar as pessoas de você, mas ser descontraído em
excesso pode comprometer a confiança que elas têm em você.
de habilidades e competências —
Cuidados com a aparência: saber se vestir adequadamente nas mais variadas situa-
e não só a divulgação delas. No ções é fundamental e revela cuidado.
entanto, assim como é comum no Criatividade e inovação: sugestões de ideias são sempre bem-vindas em um am-
marketing tradicional, destinado biente coletivo, tanto no contexto profissional quanto no pessoal.
a bens e serviços, muitas pessoas Humildade: realizar marketing pessoal não implica desconsiderar o que os outros in-
divíduos têm de bom em benefício de suas qualidades, mas buscar sempre somar.
tendem a reduzi-lo a mera ques-
tão de imagem e reputação. Dessa
forma, fazendo uma analogia com Atividade
bens e serviços, não adianta você
criar peças publicitárias e ações
promocionais excelentes, se a qua- 1. Assinale V para as proposições verdadeiras e F para as falsas.
lidade percebida pelo consumidor a. V Quando há duas partes, e uma tem interesse no valor que a outra oferta, pode-se es-
tabelecer uma troca.
não sustenta essa excelência: pro-
b. F Marketing pessoal diz respeito apenas à melhoria da imagem e autopromoção.
duto de má qualidade, descum- c. F Marketing pessoal é simplesmente fazer propaganda de si mesmo.
primento de prazos, assistência d. V Valor é o benefício que os participantes da troca percebem.
técnica precária, mau atendimen- 2. Por que é importante pensar em marketing pessoal desde cedo?
to, tudo isso pode pôr a perder um
Porque é importante construirmos uma bagagem e cuidarmos dela, e isso começa ainda na
investimento altíssimo em publici-
vida escolar.
dade.
A imagem é um conceito liga- 3. Quais são os benefícios do marketing pessoal para nossa vida?
do ao consumidor, àquilo que ele O marketing pessoal busca o aperfeiçoamento contínuo do que precisamos desempenhar e
apreende do bem ou serviço, e ela
do nosso valor, além de permitir criar relacionamentos pessoais e profissionais e construir
é construída com base em vários
uma boa imagem.
aspectos: publicidade, experiência
efetiva com o bem ou serviço, opi- 4. O que podemos fazer para cuidar da nossa bagagem?
nião de grupos de referência, afini- Devemos nos comunicar bem, ter uma postura adequada, cuidar da nossa aparência, exerci-
dades, etc. tar nossa criatividade e ser humilde.
E por que seria diferente com
as pessoas? O currículo impecável, 40
a vestimenta adequada e a genti-
leza no trato com as pessoas não OdeN_2019_6A_01a64.indd 40 27/12/18 22:12 OdeN_

podem ser meros recursos para essa imagem será incoerente e, conse- de insatisfação; quando ela é equi-
“vender” uma imagem positiva aos quentemente, negativa. valente à expectativa, temos uma
grupos dos quais o indivíduo faz Um conceito importantíssimo do situação de satisfação; e, quando
parte — seja esse grupo ocupa- marketing é a noção de satisfação ela é superior à expectativa, temos
cional ou não. Essas ferramentas pós-compra. Ele leva em considera- uma situação de encantamento.
devem estar aliadas a um proces- ção duas variáveis: a expectativa e a Esta é uma situação tão desejada
so sistemático de autoavaliação e realidade. Quando a realidade é infe- pelos profissionais de marketing
melhoria contínua; caso contrário, rior à expectativa, temos uma situação que muitos adotam a estratégia de

40

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Sugestão de abordagem
Refletindo sobre
o capítulo Os grupos formados podem ser
adaptáveis. Defina-os a partir do quan-
Aprendemos, ao longo deste capítulo, que devemos praticar o marketing pessoal para exal- titativo total de alunos na turma. Em
tar nossas qualidades, sem a demonstração de arrogância ou superioridade. Isso é muito bem- seguida, distribua uma folha de ofício
-vindo no dia a dia de qualquer pessoa. a cada um dos participantes e deixe-os
Reconhecer e elogiar as qualidades do próximo também são posturas bastante positivas
para vivermos em união e paz. Quando elas acontecem de maneira espontânea e verdadeira, a em círculo. Peça-lhes para colocar al-
relação entre ambos fica ainda mais respeitosa. guma identificação, desde que não se-
Sob a orientação do seu professor, desenvolva a dinâmica a seguir. jam seus nomes. Informe-lhes que, ao
seu sinal, todos devem passar as res-
Como você se vê através de um desenho? pectivas folhas para o colega do lado
Material necessário: direito. Assim que pegar a nova folha, o
• Folhas de papel ofício e lápis grafite. objetivo é complementar o desenho do
colega de modo a enaltecer suas pró-
Orientações:
• Reúna-se em grupo com uma média de 15 pessoas. prias qualidades. Ao final, peça-lhes
• Sob o comando do professor, inicie um desenho que aponte suas principais qualidades. para descreverem suas respectivas
• Quando o sinal for dado pelo professor, passe imediatamente o desenho para que seu co-
qualidades, levando em consideração
lega ao lado dê continuidade.
• Repita esse procedimento até que o primeiro desenho retorne às suas mãos. o desenho desenvolvido.
• Após a realização da dinâmica, descreva suas impressões sobre a atividade. A dinâmica remete a uma autor-
reflexão sobre as qualidades de cada
participante. Ao final dos trabalhos,
Resposta pessoal. busque apontar o quanto se faz neces-
sária a contribuição do colega para o
crescimento individual.

Anotações

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não comunicar todos os seus atribu- temente bem, devemos nos em-
tos, de forma a surpreender o cliente. penhar em aprimorá-los e não em
O mesmo vale para a dimensão pes- criar uma imagem errônea de que
soal: devemos criar em nossos inter- eles sejam bons.
locutores expectativas coerentes com
aquilo que podemos proporcionar.
Isso significa que, se há alguns atribu-
tos que não desenvolvemos suficien-

41

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Capítulo
6
Abordagem preliminar
Este capítulo possui grande poder
de aproximação de grupo e reflexão
diante do comportamento coletivo da
turma. Por essa razão, devido à pou-
ca idade dos educandos, faz-se fun- Autoconhecimento
damental o trabalho de mediação do Na nossa jornada, já nos deparamos com das atividades na vida. Com a reflexão sobre
professor. O autoconhecimento é um uma série de características e atitudes que suas ações, qualidades e características, po-
processo que está na base de qual- podem nos ajudar a desenvolver o empreen- demos melhor reagir diante de determinadas
dedorismo. Aprendemos que o marketing situações da vida. Conhecer a si próprio é um
quer proposta de desenvolvimento pessoal é um conjunto de conhecimentos e processo lento que pede, antes de tudo, muita
pessoal e profissional, bem como da ferramentas que nos ajudam a compor uma paciência e senso crítico, pois não é fácil admi-
ação empreendedora. De certa forma, bagagem de valor e a cuidar dessa bagagem. tir fraquezas, inquietações e, principalmente,
Para que possamos adicionar cada vez mais reconhecer defeitos próprios.
mesmo sendo jovens, os alunos já o valor a essa bagagem, conhecer nosso papel No entanto, sem esse exercício, fica muito
praticam de forma intuitiva. Cabe-nos, na sociedade e viver bem em coletividade, difícil organizar nossa bagagem, já que não sa-
portanto, refletir sobre a importância existe um ponto de partida fundamental: au- bemos exatamente o que podemos carregar e
toconhecimento. Precisamos conhecer nos- o que não podemos. Sem o autoconhecimento,
do autoconhecimento no cotidiano sas emoções e compreender que elas também o indivíduo corre dois riscos: não desenvolver
dos educandos, bem como propor ati- são um componente importantíssimo dessa seus pontos positivos, simplesmente porque
vidades que os conduzam à sua práti- bagagem. não os conhece bem, e ficar refém dos pontos
O autoconhecimento é fundamental para negativos, porque, sem os conhecer, fica mais
ca sistemática e contínua. a afirmação do indivíduo em suas mais varia- difícil trabalhá-los.

Anotações

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Sugestão de abordagem
Para início
de conversa A mediação de eventuais conflitos
é um dos papéis do educador, mas é
Em determinado momento de sua vida, importante também estimular nos
você provavelmente já ficou isolado em um

VGstockstudio/Shutterstock.com
lugar para refletir sobre um assunto qualquer: educandos o desenvolvimento de re-
talvez tenha sido por um desentendimento cursos pessoais para lidar com a dis-
com um colega ou mesmo por ter desejado cordância, a frustração, a derrota e as
passar a tarde na casa de um amigo, e seus pais
não terem permitido. O fato é que, nesse iso- mais diversas situações que podem
lamento temporário, a reflexão sobre muitas desencadear emoções negativas. Es-
situações e comportamentos ocorre de forma ses recursos são adquiridos ao longo
mais intensa.
No momento de sua insatisfação, muito da vida, e a escola é um dos ambientes
provavelmente, você não deve ter pensado que onde adquirimos e aprendemos a ma-
as outras pessoas pudessem estar certas, apenas elevado de compreensão e conhecimento pró- nejar esse repertório.
não aceitou tal situação. Depois de algum tem- prio, demonstrando que não mais desejamos
po, começamos a ter uma melhor compreensão repetir tal comportamento. Para iniciar o tópico do autoconhe-
sobre o ocorrido e, muitas vezes, assumimos Passamos boa parte do nosso tempo con- cimento, que tal propor um diálogo
o nosso próprio erro. O pedido de desculpas é vivendo com outras pessoas e realizando ativi- sobre a frustração? Assim, faça um
uma atitude louvável de crescimento próprio e dades em coletividade. E, embora pareça difícil
enriquecimento do autoconhecimento. admitir, o conflito sempre existirá: ele é inevitá- pequeno debate, pedindo para que os
Essa etapa, quando realizada com since- vel e, quando sabemos lidar com ele, aprende- estudantes narrem situações em que
ridade, revela que chegamos a um patamar mos muitos sobre nós mesmos. se sentiram muitos frustrados e como
se comportaram diante disso. Por
exemplo: quem já ficou doente, justa-
mente, no dia em que faria um passeio
VGstockstudio/Shutterstock.com

na praia e deixou de fazê-lo? Como se


sentiu? Triste? Raivoso? Conformado?
Como reagiu? Argumentou com os
pais? Aceitou? Chorou muito?
Nesse momento, evite tecer juízos
de valor, priorize observar as emoções
que eles esboçam e como eles acredi-
Para convivermos felizes com as outras pessoas, precisamos ser flexíveis e ter tam lidar com elas. Lance perguntas
um bom nível de tolerância com os demais. Caso contrário, sempre teremos
aborrecimentos, além de fazermos os outros passarem por situações desagradáveis. como: por que você se sentiu assim?
O que o levou a ter determinada rea-
43 ção? Crie uma atmosfera confortável
e desprovida de censura para que eles
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consigam falar das próprias emoções
de forma mais aberta.
Anotações

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Discutindo
Leitura complementar
o conteúdo
Educar o afeto: conhecer e O autoconhecimento, como o próprio
trabalhar as emoções em sala nome diz, é o processo de conhecer a si mes-
mo. Trata-se de um processo contínuo, porque
de aula
sempre temos novas vivências que podem nos
Trabalhar as emoções é uma forma revelar características nossas que ainda não
eficaz de intervir em problemas conhecíamos bem. Ele tem início muito cedo,
desde que começamos a perceber nosso lugar
como bullying e ansiedade social,
no mundo, e deve ser sempre cultivado.
por exemplo Todos os dias, a cada experiência que vi-
Por Danilo Ciconi de Oliveira venciamos, aprendemos coisas novas sobre
nós mesmos. Porém, podemos tirar mais pro-
O papel da escola ultrapassa a veito dessa capacidade de aprender se exerci-
simples transmissão de conteúdo tarmos a autoanálise e a autocrítica de forma
sistemática, ou seja, se estabelecermos conos-
acadêmico. O educando nos apa- co o compromisso de aprender cada vez mais
rece já marcado pela vida, bem sobre nós.
como pela sua história pregressa O que podemos e precisamos conhecer
sobre nós? Basicamente, podemos observar
de aprendizagem e desenvolvi- tudo aquilo que já estudamos: comportamen-
mento. Tal história é permeada por tos, atitudes, habilidades, competências, etc.
uma série de vivências emocionais É necessário, porém, destacar um ponto fun-
damental dessa “bagagem”: nossas emoções.
peculiares, as quais, muitas vezes, Aquilo que desempenhamos também depende
a criança não sabe, ainda, sequer das nossas emoções. Por exemplo: se você se
nomear. preparou muito para uma avaliação importan-
te, mas, no dia de realizá-la, seu bichinho de es- por meio da tolerância e da reflexão. A essa ha-
Assim, em meio às diversas ati- timação amanheceu doente, é muito provável bilidade de lidar com sentimentos e equilibrar
vidades contempladas pelo currí- que você não tenha um desempenho tão bom emoções, sendo elas positivas ou não, dá-se o
culo escolar, faz-se necessário au- quanto teria se estivesse com o coração tran- nome de controle emocional.
quilo. Acontece que perdas e ganhos são ine- As emoções manifestam-se em qualquer
xiliar o educando no seu processo vitáveis, e a maneira como lidamos com isso meio social, seja ele a escola, o trabalho, o con-
humano de descoberta de si mes- pode ser trabalhada desde cedo. Esta é a im- vívio com as amizades, com a família, etc. Elas,
mo, de suas potencialidades e sen- portância do autoconhecimento. por sua vez, podem conduzir ao sucesso ou ao
Vimos nas páginas iniciais deste capítu- fracasso, dependendo de como iremos condu-
tidos. Em síntese: ensinar as crian- lo que o autoconhecimento é o processo pelo zi-las em situações extremas na vida.
ças a lidar com a emoção. qual o indivíduo conhece a si próprio. Vamos Para que você entenda melhor a impor-
O reconhecimento e o manejo estudar também que podemos controlar pos- tância do controle emocional, leia a parábola
síveis situações desconfortáveis com os outros a seguir.
das emoções são habilidades es-
senciais para o pleno desenvolvi- 44
mento humano, o sadio relaciona-
mento interpessoal e mesmo para OdeN_2019_6A_01a64.indd 44 27/12/18 22:12 OdeN_

uma melhor aquisição de conteúdo choro. Conforme crescemos, vamos gerir a emoção e a entender o mundo
acadêmico. Os educandos podem: ganhando autonomia e aprendendo a quando atingimos a idade escolar. As-
Lidar consigo mesmo: as pri- reagir frente às diversas situações da sim sendo, toda atividade promovida
meiras vivências humanas são vida. Não obstante, em muitos casos, pela escola, que ajude a criança a en-
totalmente viscerais. Nós agimos continuamos mantendo a experiência trar em contato com as suas experiên-
de acordo com o que sentimos no visceral e rudimentar de mundo e o cias emocionais e a atribuir sentido a
corpo: fome, sono, frio, dor; tudo comportamento que adotávamos an- elas, é benéfica para o seu desenvolvi-
é sentido na pele e expresso pelo tes. Ainda estamos aprendendo a di- mento psicossocial.

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Sugestão de leitura

Cicatrizes Livro: Escola, conflitos e vio-


lências
Certa vez, o pai de um menino lhe deu um saco de pregos e disse que, cada vez Autor: Jorge Luiz da Cunha,
que ele perdesse a paciência, deveria pregar um atrás da porta. No primeiro dia, ele Lúcia Salete Celich Dani (Orgs.)
pregou 37 e, nas semanas seguintes, à medida que aprendia a controlar seu gênio,
pregava cada vez menos. Com o tempo, descobriu que era mais fácil fazer isso que Editora: UFSM
pregar pregos atrás da porta, até que chegou o momento em que conseguiu se con- Situações de conflito sempre
trolar durante todo o dia. estão presentes no cotidiano
Depois de informar isso a seu pai, este lhe sugeriu que retirasse um prego a cada
dia que conseguisse se controlar. Os dias se passaram, e o jovem pôde finalmente escolar. Esta obra ajuda a com-
anunciar que não havia mais pregos atrás da porta. Seu pai o pegou pela mão, levou-o preender as causas e o contexto
até a porta e lhe disse: dessas situações, além de bus-
— Meu filho, vejo que está trabalhando duro, mas olhe todos esses buracos na
porta. Nunca mais ela será a mesma. Cada vez que você perde a paciência, deixa ci-
car o manejo de conflitos por
catrizes exatamente como as que vê aqui. Você pode insultar alguém e retirar o insul- meio da articulação entre edu-
to, mas, dependendo da maneira como fala, poderá ser devastador, e a cicatriz ficará cadores, educandos e toda a co-
para sempre. Uma ofensa verbal pode ser tão daninha como uma física. Os amigos são
joias preciosas que nos fazem rir, que nos animam a seguir adiante e nos escutam com
munidade escolar. Trata-se de
atenção. Além disso, sempre estão prontos a abrir o coração. um apoio na construção de um
Disponível em: <https://michelmoreira.wordpress.com/2009/09/28/a-importancia-do-auto-controle/>. ambiente escolar ético e pauta-
do pela não violência.

Anotações

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Lidar melhor com o outro: traba- outras pessoas. Esse é o princípio da Disponível em: https://psicologiaacessivel.
net/2017/11/25/educar-o-afeto-conhecer-e-tra-
lhar a emoção em sala de aula ajuda empatia: legitimar a emoção do outro balhar-as-emocoes-em-sala-de-aula/. Acesso em:
10/10/2018. Adaptado.
o educando a colocar-se de forma e aproximar-se com cuidado, pois
mais verdadeira e assertiva nos rela- reconhecemos nele algo que também
cionamentos que estabelece. Além existe em nós. Trabalhar esses
disso, quanto mais a criança tem cla- sentimentos é uma forma eficaz de
reza das próprias emoções, mais con- intervir, por exemplo, em problemas
segue olhar com cuidado para as das como o bullying e a ansiedade social.

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Sugestão de abordagem
Estudo
A parábola das cicatrizes pode ser
do texto
trabalhada em diversos contextos.
Utilize-a de acordo com as caracterís-
ticas da turma e de seus alunos. Por 1. Qual é o principal ensinamento que o pai passou ao filho?

exemplo: caso verifique desenten- A importância de controlar seus impulsos para evitar ferir alguém.
dimentos entre colegas de turma de
maneira frequente na sala em que di-
2. Qual é a relação entre as cicatrizes que o prego deixa na porta e as cicatrizes que deixamos
reciona esse trabalho, procure fazer a
em nossos semelhantes?
leitura coletiva do texto com os alunos
Quando removemos pregos cravados na porta, as regiões onde eles estavam cravados per-
e, em seguida, abra um debate sobre
manecem perfuradas. O mesmo acontece quando magoamos alguém: podemos pedir des-
os reflexos de atitudes intempestivas
e sem controle emocional. O resulta- culpas, mas isso não faz o tempo voltar para apagar a tristeza que aquela pessoa sentiu na-

do, provavelmente, será de muita va- quele momento.


lia para os trabalhos ao longo do ano
e, principalmente, para a construção
da personalidade do jovem. Nem sempre as pessoas terão o mesmo contrário. As mudanças no corpo, como o sur-
ponto de vista sobre determinado assunto, di- gimento da acne, ao longo desse período, são
ficultando um entendimento. Quando dois ou apenas alguns aspectos dessa fase de transi-
mais pontos de vista são incompatíveis e ape- ção da idade infantil para adulta, mas o que
Sugestão de leitura nas um deles precisa prevalecer, temos uma muda mesmo são as ideias, o comportamento
situação de conflito. Quando um conflito se e as certezas.
coloca, podemos debater, expor nosso ponto e A adolescência traz muitos questiona-
Livro: O poder do hábito chegar a um acordo, essa é a maneira desejável mentos internos e muitas dúvidas sobre o cer-
Autor: Charles Duhigg se solucioná-lo. to e o errado. Aprender mais sobre esses valo-
O conflito, por si só, não é uma situação res começa com a família e passa pela escola.
Editora: Objetiva
negativa: muitas vezes, situações de impasse Para isso, é preciso ter pessoas de confiança
Este livro aborda a premissa colocam limites que desafiam nossa criativida- para que estas possam transmitir orientações
de que, para ser bem-sucedido de e, ao debatermos, podem surgir boas ideias. corretas.
Nessa perspectiva, o conflito é produtivo. Por As matérias escolares aumentam, os pro-
naquilo a que se propõe, o in-
outro lado, quando perdemos o controle sobre fessores possuem outro perfil, mas os pensa-
divíduo precisa conhecer como nossas emoções, os argumentos podem dar mentos ainda se misturam com os de criança.
funcionam os hábitos. A obra é lugar a agressões e ofensas, o que é altamente Alguns demoram um pouco mais, outros me-
maléfico para a convivência. nos, mas é natural ter dúvidas e insegurança
fruto de duas décadas de pes-
Chegar à adolescência não é nada fácil. durante a passagem de uma fase para outra.
quisa do repórter investigativo Muitos pensam que essa etapa da vida não traz Alcançar o período da adolescência não
Charles Duhigg, bem como de qualquer tipo de responsabilidade. Muito pelo significa amadurecer forçadamente e de uma
vivências do próprio autor.
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Anotações

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Diálogo com o professor
única vez. Faça o que realmente gosta. Isso implica brincar com seus colegas, jogar videogame,
assistir aos desenhos da televisão, entre outros. Não se preocupe com o que os outros pensam
sobre você. Faça o que seus pais e familiares lhe aconselham e se satisfaça com o que deseja, A adolescência não é igual
sempre de maneira dosada. para todos. Por mais que se esta-
beleçam parâmetros para situar
os jovens, sabemos que muitas
vivências não podem ser gene-
ralizadas. No entanto, é pratica-
mente consenso associar essa
fase à elaboração da identidade,
um processo que se relaciona
com o autoconhecimento.
Além dos conflitos externos
deles mesmos com o outro, os
educandos também vivenciam
conflitos internos, ou seja, con-
sigo mesmo. Podemos entender
como conflitos internos situa-
ções diversas em que o indiví-
duo é levado a confrontar suas
próprias crenças e seus valores.
Quando isso acontece de forma
abrupta, temos uma crise: aqui,
não usamos o termo com valor
Atividade negativo, mas para expressar
ruptura. Isso pode acontecer com
mais intensidade entre alguns
Como vimos na página anterior, a adolescência é uma fase de grandes dúvidas e mudanças educandos ou mesmo iniciar em
no corpo e no que se passa em nossa cabeça. Os gostos também se alteram. Ao realizar a ativida- tempos diferentes para cada um.
de a seguir, perceba o que já mudou em você.
Para o educador, entre os desafios
1. Observe, no quadro a seguir, cada um dos elementos trazidos e compare suas preferências que se colocam no dia a dia, estão
de cinco anos atrás com as de agora. o de compreender o tempo dos
educandos nesse processo e au-
xiliar a turma no manejo de emo-
47
ções e conflitos.

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Diálogo com o professor dos alunos neste ciclo de ensino, é tuitivamente, o que propomos
fundamental para a continuidade dos aqui é que os alunos obtenham
O objetivo do capítulo deve ficar estudos. esse conhecimento com base em
claro ao aluno no término das ati- Outro aspecto que este capítulo uma avaliação sistemática, isto é,
vidades. Alcançar a autorreflexão, deve explorar é a sistematicidade do avaliar seus principais objetivos e
mesmo que de maneira simplifica- exercício de autoavaliação. Embora o analisar os pontos fortes e fracos
da, devido ao grau de maturidade autoconhecimento seja praticado in- na execução desses objetivos.

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Há cinco anos Atualmente
Sugestão de abordagem Cantor(a)/banda
Brincadeira
Seguindo a mesma linha da primei- Ídolo
ra questão, uma ideia interessante é Sonho
propor a seguinte atividade: “carta para Jogo
mim”. Em uma folha avulsa, peça aos Programa de TV
estudantes que escrevam uma carta ao Lugar preferido
seu eu de dois anos atrás. Nessa produ-
ção, eles devem contar as experiências 2. Assinale V para as proposições verdadeiras e F para as falsas.
que viveram e o que aprenderam com
a. V Podemos tirar mais proveito da nossa bagagem quando praticamos o autoconheci-
elas. Eles também podem aconselhar mento de forma contínua.
o seu eu do passado sobre certas pos- b. F Todo conflito tem consequências muito negativas, por isso deve ser evitado a qualquer
custo.
turas que trouxeram resultados negati-
c. V Um conflito pode ser solucionado por um diálogo voltado para a construção de acordos.
vos, por exemplo: “Caro ‘eu’, não minta d. F O autoconhecimento começa na idade adulta, assim que adquirimos nossa primeira
para seus pais, pois eles vão descobrir experiência no mercado de trabalho.
e ficar muito desapontados com você”. 3. Em que situações o conflito é produtivo?
O horizonte de dois anos é bastante
Quando situações de impasse colocam limites que desafiam nossa criatividade e, ao deba-
compreensivo para esta faixa etária,
termos, surgem boas ideias.
já que eles percebem o tempo de ma-
neira mais pausada que os adultos. Ou
4. O que é controle emocional e qual é a sua importância para nossa vida?
seja: em dois anos, acontecem muitas
É a capacidade de lidar com sentimentos e equilibrar as emoções, positivas ou não. É im-
experiências significativas, ainda mais,
se esses dois anos estão na passagem portante exercermos esse controle porque as emoções interferem em todos os setores da

da infância para a adolescência, como nossa vida, e nosso sucesso ou fracasso pode depender da maneira como as conduzimos em
pode ser o caso de alguns. situações extremas.
Outra oportunidade de explorar
as mudanças que eles percebem no
tempo é propor uma dinâmica de pre- 5. O que precisamos conhecer sobre nós?
sente, passado e futuro. Em uma folha Nossos comportamentos, nossas atitudes, nossas habilidades e competências, a forma como
avulsa, eles devem traçar três colunas: reagimos a determinado tipo de situação, nossas emoções, etc.
presente, passado e futuro. Nelas, eles
devem escrever as características que
tinham no passado, as que julgam ter 48
no presente e as que esperam ter no
futuro. Lance os seguintes questiona- OdeN_2019_6A_01a64.indd 48 27/12/18 22:12 OdeN_

mentos: • Que características vocês têm Com essas perguntas, eles podem
• Que características vocês tinham hoje e gostariam de levar para o exercitar o autoconhecimento por uma
no passado e não têm hoje? Por futuro? Por quê? perspectiva temporal, compreendendo
que acreditam que mudaram? • Que características vocês não que estamos em constante mudança.
• Que característica vocês têm hoje têm hoje, mas gostariam de ter
e gostariam de deixar para o pas- no futuro? O que fazer para al-
sado? Por quê? O que fazer para cançá-las?
deixá-las no passado?

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Refletindo sobre
Sugestão de abordagem
o capítulo

Chegar ao fim deste capítulo com a sensação de ter melhor conhecimento sobre si é o prin- Esta atividade estimulará os jovens
cipal objetivo desta etapa de uma jornada empreendedora. Quando sabemos nossas virtudes e a refletir sobre o quanto mudaram ao
fraquezas, podemos planejar melhor o caminho que devemos traçar para alcançar o desejado.
longo desses cinco anos. A ideia é tra-
Após tais reflexões, preencha o quadro seguinte e apresente aos colegas o resultado.
zer o questionamento sobre os gostos
QUADRO DE AUTOCONHECIMENTO – ESCOLA
deles, mas podemos desdobrá-la em
Razoavel- Não muito Abaixo da
Perguntas Muito bom outros aspectos. Um bom caminho
mente bom bom média
Como está meu comportamento
é dispor temas diversos e perguntar
em sala de aula? qual é a opinião deles a respeito e, em
Tenho me esforçado para obter seguida, pedir para que eles confron-
boas notas? tem essa opinião com o que pensa-
Realizo minhas atividades no vam há cinco anos.
tempo devido?
Em relação às notas, como está
o meu boletim?

Coloque em prática seu poder de autorreflexão e produza um texto com as informações dis-
poníveis no quadro que preencheu acima. Procure detalhar os motivos pelos quais assinalou
cada uma das questões solicitadas.

Resposta pessoal.

Anotações

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Abordagem preliminar
A iniciativa e a persistência são
duas características fundamentais
Capítulo
7
para que um indivíduo tenha suces-
so em sua carreira profissional. Mas a
importância desses atributos não se Iniciativa e persistência
limita à carreira ou a questões ocu- Existem situações em nossa vida que são favoráveis aos nossos propósitos: chamamos isso
de oportunidade. Mas as oportunidades não são uma espécie de mágica: elas acontecem na
pacionais. Um aspecto fundamental mesma proporção em que nos preparamos para elas. Por exemplo: imagine que sua escola vai
que diz respeito ao tema deste capí- selecionar alguns alunos para fazer um curso de uma semana em um observatório astronômico.
tulo é que estamos lidando com uma O requisito para a seleção será o desempenho na disciplina de Ciências, e para isso os interessa-
dos farão uma pequena avaliação. Quando uma oportunidade assim surge, tem mais chances de
geração nascida na década de 2000. ser selecionado aquele que já possui bom rendimento na matéria. Por outro lado, nem sempre
Se a chamada geração Y, nascida en- as oportunidades chegam a nós, como no exemplo apresentado anteriormente. Na maioria das
tre o fim dos anos 1970 e meados da vezes, nós precisamos buscá-las.
Tanto para buscar oportunidades quanto para aproveitar as que se colocam, são necessários
década de 1990, já é conhecida pelo dois requisitos importantes: a iniciativa e a persistência. E, se observarmos bem, esses requisi-
comportamento peculiar de trabalho tos se complementam: não adianta iniciar projetos e desistir na primeira dificuldade. Lembrando
— mudanças constantes, curta per- que todos nós precisamos ter um propósito e, para chegarmos a ele, precisamos tanto da inicia-
tiva quanto da persistência.
manência em empregos e insatisfação
—, é ainda mais importante discutir a
questão da persistência e da iniciativa
na geração dos educandos, a chama-
da geração Z. Essa geração já cresceu
em um mundo informatizado e alta-
mente dinâmico, e seu comportamen-
to é reflexo desse ritmo cada vez mais
acelerado.

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Diálogo com o professor
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Testes do tipo “maioria A ou a palavra tendência, e isso é intencio- postas de cada aluno tenderá para
maioria B” são simplificações. nal: é natural que os alunos mesclem um ou para outro — ou mesmo ao
Deixe os alunos à vontade para tendências tanto à proatividade quan- centro da linha. É natural que seja-
responder, esclarecendo-lhes que to à reatividade em suas respostas. mos mais reativos em determina-
não se trata de um diagnóstico Imagine que há uma linha contínua das situações e mais proativos em
definitivo. Na seção Para início de envolvendo ação e reação em polos outras.
conversa, observe que utilizamos distintos e que a somatória das res-

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Sugestão de abordagem
Para início
de conversa Existe um equívoco muito gran-
de entre as noções de persistência e
insistência, que serão discutidas nas
Uma característica muito valorizada, na escola, em casa, no grupo de amigos ou mesmo no
páginas a seguir. Neste momento de
trabalho é a proatividade. Você é uma pessoa proativa ou reativa? Que tal observar a tabela abai-
xo e ver qual perfil se parece mais com você? familiarização com o assunto, é impor-
tante estimular o pensamento crítico
Quando algo dá errado, procuro ver onde errei para corrigir o mais rápido possível. do estudante acerca de até que ponto
Quando estou realizando tarefas, costumo pensar em maneiras de melhorá-las. a não desistência é uma decisão sábia.
Tenho medo de errar, mas, se eu vir que algo tem boas chances de dar certo, tento e
O senso comum valoriza muito uma
A assumo o risco.
noção de persistência que, por vezes,
Quando estou diante de um desafio, “quebro a cabeça” até conseguir superá-lo.
é confundida com mera teimosia.
Reconheço que não sou tão bom em algumas tarefas, mas estou sempre disposto a
melhorar. Precisamos despertar nos educan-
dos a necessidade de saber em quais
Quando algo dá errado, fico cabisbaixo pensando que foi fruto do azar. contextos sociais estão inseridos e
Quando estou realizando tarefas, acho mais seguro fazer como estou acostumado. perceber quando o esforço é poten-
Tenho medo de errar e, devido a esse medo, tenho uma dificuldade enorme de bus- cialmente frutífero e quando é mero
B car coisas novas.
desgaste. A distinção entre um e outro
Quando estou diante de um desafio, desvio o caminho para alternativas mais fáceis.
caso é fundamental para um uso mais
Reconheço que não sou tão bom em algumas tarefas, mas sei que há pessoas piores,
racional da nossa energia. Uma opção
então não preciso melhorar.
interessante para iniciar esse debate
Se você respondeu a maioria A, você tem tendência a ser mais proativo. Pessoas proativas é ouvir, junto à turma, a música Tente
tendem a se antecipar aos problemas e exercer influência nas situações. Já, se você respondeu
outra vez, de autoria e interpretação
maioria B, você tem tendência a ser mais reativo. As pessoas reativas costumam prender-se aos
esquemas padronizados de ação e pensamento e muitas vezes não reconhecem seu potencial de Raul Seixas. Você pode entregar à
de influenciar no meio onde atuam. Como você percebeu, falamos em “tendência”. Isso porque turma cópias impressas da letra para
é normal tendermos para a ação em algumas situações da nossa vida e para a reação em outras.
que os alunos acompanhem e pedir
A iniciativa é um importante componente da proatividade. Pessoas com atitude proativa têm
a capacidade de ler as situações, identificando problemas que venham a surgir, e a iniciativa de para que eles circulem os argumentos
se antecipar a esses problemas. que acharem relevantes para o deba-
O teste acima também nos ajuda a perceber como agimos diante dos obstáculos: você tem
te. Para enriquecer esse debate, você
medo de errar? E, quando erra, tenta novamente ou abandona a tarefa por acreditar que não é
capaz? Até que ponto é proveitoso tentar novamente? Devemos sempre tentar mais uma vez? pode exibir a série de vídeos da cam-
Essas e outras questões, vamos discutir nas páginas seguintes. panha Eu sou brasileiro e não desisto
nunca, da Associação Brasileira de
Anunciantes, criada em 2004 (disponí-
51 vel em plataformas como o YouTube).
A campanha traz relatos individuais
8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 51 27/12/18 22:12
de brasileiros que superaram adversi-
Anotações dades e tem essa canção como trilha
sonora. A ideia é valorizar a persistên-
cia, e também estimular o senso críti-
co no sentido de avaliar as situações
quanto à viabilidade de persistir.

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Diálogo com o professor Discutindo
o conteúdo
A iniciativa e o lugar ao sol
Segundo o dicionário Sucesso da Língua
Portuguesa, o termo iniciativa significa “ação
Num cenário altamente compe- de quem procura ser o primeiro a fazer algo”.

sonya etchison/Shutterstock.com
titivo, já que as empresas precisam Essa característica, portanto, deixa em vanta-
gem quem a adota de maneira adequada, uma
superar cada vez mais seus limites,
vez que, não sendo você a tomar a iniciativa so-
não há mais espaço para aqueles bre algo, outros o farão por você.
que se limitam ao mero cumprimen- Ao longo de sua vida, muitas oportunida-
des vão aparecer. Saber separar o que vai acres-
to do dever. Do mesmo jeito que or-
centar na sua vida não vai ser uma tarefa fácil,
ganizações, ao se limitarem a fazer tanto na vida pessoal quanto na profissional.
o trivial, perdem fatias de mercado, Daí a importância da família na fase da adoles-
cência, pois é comum o jovem achar que tem a
pessoas com essa postura também
razão em todas as coisas. Lembre-se de que a
perdem oportunidades de emprego opinião de um adulto, principalmente dos pais,
e podem até ficar malvistas. familiares e professores, é de muita valia.
Quando houver a convicção, não hesite O termo persistência, segundo o dicio-
Embora isso seja notório, não é
em ter a iniciativa de falar suas ideias e tomar nário Sucesso da Língua Portuguesa, significa
raro empresas sofrerem com a fal- a frente em projetos e atividades. Saiba defen- “condição de persistente; que persevera, tem
ta de iniciativa do profissional. E, der seus argumentos e suas ideias de maneira insistência”. No entanto, insistir e persistir não
educada e organizada. Nessas horas, saber se são exatamente a mesma coisa, embora sejam
quando isso acontece, todos saem
expressar é importante, mas, para isso, é pre- parentes bem próximos. Quando insistimos em
perdendo. As organizações, porque ciso praticar. algo, geralmente repetimos as mesmas ações
não otimizam suas ofertas, e os tra-
balhadores, porque não desafiam
seus próprios limites, não se colo-
cam em novas situações de apren-
dizagem, entrando em um processo
de estagnação e consequente me-
diocridade. Isso quando o profis-
sional não adota uma postura eti-
camente questionável: há aqueles
que, além de praticar o esforço mí-
nimo, ainda tiram proveito dos es-
forços dos colegas de equipe. Nem
é preciso dizer que quem se acha 52
esperto com essas atitudes está, na
verdade, limitando suas chances de OdeN_2019_6A_01a64.indd 52 27/12/18 22:12 OdeN_

crescimento profissional e tornan- peça; resolver problemas, e não es- tolerantes com essa postura.
do-se uma companhia indesejável. perar que outros o façam; assumir ris- Por isso, o que garante seu lugar ao
O momento atual exige dos tra- cos, desde que com prudência. Ainda sol e o seu desenvolvimento pessoal e
balhadores uma atitude proativa e temos um aspecto cultural: na cultura profissional é esperar cada vez menos
a capacidade de assumir desafios. do “jeitinho”, beneficiar-se do esfor- e agir cada vez mais. Não há mais es-
Assim, é fundamental saber o que ço alheio pode parecer uma atitude paço para profissionais medíocres ou
precisa ser feito, para que seja exe- esperta, mas, na verdade, as pessoas mesmo antiéticos. Nesse sentido, um
cutado antes mesmo que alguém estão cada vez mais atentas e menos bom exercício é se colocar no lugar de

52

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que foram malsucedidas acreditando que, em do de última hora, com a TV ligada ou em am-
Anotações
determinado momento, vamos ser bem-sucedi- bientes ruidosos. Isso é insistir. Agora imagine
dos. Quando persistimos, paramos e refletimos que, mantendo o mesmo propósito, ele resolva
diante de cada tentativa malsucedida, apren- alterar sua rotina de estudo: evitar ambientes
demos com esses erros e buscamos novamente ruidosos, preparar-se com antecedência, tentar
atingir o objetivo, sempre melhorando o que for discutir a matéria com algum colega que tenha
necessário no nosso modo de tentar. mais afinidade com o conteúdo. Isso é persistir.
A persistência, levando em consideração O ato de persistir, no empreendedorismo,
os estudos de empreendedorismo, nada tem a funciona como uma qualidade que busca a re-
ver com o ato de se posicionar insistentemen- solução de determinado problema. Apesar das
te sobre algo negativo. Por isso, a avaliação possíveis fraquezas surgidas em meio ao cami-
daquilo em que você deve persistir e de como nho, no entanto, é fundamental ultrapassar as
fazer deve ser muito cuidadosa, visto que, em barreiras para alcançar o êxito.
muitos casos, pode não ser persistência, mas O sucesso final, quando alcançado por
simplesmente insistência. nosso próprio esforço e persistência, é algo
Para compreender, podemos citar exem- extremamente satisfatório. Um exemplo é
plos de nosso cotidiano. Imagine que um jovem, uma questão de Matemática que você não
apesar de estudar para conquistar uma vaga consegue resolver corretamente, mesmo após
numa universidade, nunca é classificado. Ele várias tentativas. Após tirar dúvidas com cole-
tenta por anos consecutivos conquistar uma gas, pesquisar em livros e dialogar com o pro-
vaga no mesmo curso e na mesma instituição, fessor, alcançar o resultado certo é a gratifica-
seguindo a mesma rotina de estudos: estudan- ção por toda essa persistência.

Flamingo Images/Shutterstock.com

53

8 22:12 OdeN_2019_6A_01a64.indd 53 27/12/18 22:12

dono ou responsável pelo negócio


sempre que se deparar com uma
situação desafiadora. O aprendiza-
do resultante do hábito de “pensar
como dono” é um patrimônio que
o trabalhador carregará consigo em
todos os desafios profissionais que
vivenciar.

53

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Dica de
Diálogo com o professor
filme
Persistência e foco: desafios
Que tal um pouco de inspiração? Os filmes sugeridos abordam a iniciativa e a persistência de
de uma geração conectada maneira bem leve e divertida.

Costuma-se definir como ge-


Título: A era do gelo
ração Z a categoria de indivíduos
Gênero: drama
nascidos em meados da década Direção: Carlos Saldanha e Cris Wedge
de 1990, embora essa delimitação
O filme conta a aventura do mamute Manny, do tigre-den-
temporal não seja propriamente
te-de-sabre Diego e da preguiça-gigante Sid, em uma era muito
um consenso. A sua principal ca- distante, para devolver um menino esquimó à sua família. Tam-
racterística é a relação diferencia- bém mostra a saga do esquilo Scrat para proteger sua noz de
da com a informação. Trata-se de predadores.

uma geração que nasceu e cresceu


com a popularização da Internet
para uso doméstico. Isso significa
que o desenvolvimento cognitivo Título: A bailarina
dessa geração é fortemente media- Gênero: drama
Direção: Eric Summer e Éric Warin
do pelas Tecnologias de Informa-
ção e Comunicação (TICs) — não O filme conta a história da órfã Félice, que deseja ser baila-
por acaso, uma criança de 4 anos rina. Com a ajuda do seu melhor amigo Victor, que sonhava ser
inventor, eles conseguem fugir para Paris, em busca dos seus
manuseia um smartphone com
sonhos. Lá, Félice enfrentará muitos desafios para realizar o seu
mais facilidade que um pessoa de sonho, o de interpretar Clara, no balé de repertório O quebra-
50. Isso tem uma série de conse- -nozes.
quências relacionadas à socializa-
ção desses indivíduos.
Quem pertence à geração Z ten-
de a ser ágil, na realização de pro-
cessos, e multitarefeiro. Por isso, é
comum ver um jovem ouvindo som
enquanto estuda, com inúmeras
janelas abertas no computador ou
trocando rapidamente de canais
54
na TV — este último fato é conhe-
cido como zapping.
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E, da mesma forma que esses
jovens “zapeiam” nos canais de TV tem relação com as atividades que dessa geração, é necessário oferecer
quando a programação se torna lhes parecem desafiadoras: apesar de sempre desafios.
desinteressante, o fazem na vida impacientes, podem facilmente de- Acredita-se que, no futuro, o nú-
de uma maneira geral. Por isso, dicar dez horas ou mais de seu dia a mero de pessoas dedicadas a carrei-
manter o foco e o interesse deles transpor uma etapa difícil de um jogo ras tradicionais decresça, isso porque
constitui um grande desafio. A ma- eletrônico, por exemplo. Dessa forma, parte delas tem dificuldade para se
nutenção desse foco, por sua vez, para se obter o máximo do potencial adaptar a esquemas formais de traba-

54

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Anotações
Atividade

Agora que você já sabe um pouco mais sobre os conceitos e aplicações dos termos persistên-
cia e iniciativa, realize as atividades propostas.
1. A prática da iniciativa e da persistência pode ser verificada no cotidiano de qualquer indi-
víduo. A seguir, você encontrará alguns exemplos sobre os temas estudados. Complete as
lacunas com (I) para situações de iniciativa e (P) para persistência.
P Foram 12 anos morando na rua. Mas ele ia para a biblioteca pública todos os dias. Fica-
va das 9h até as 17h30. “Eu ia estudar e ficava tomando cafezinho e água para passar a
fome”, lembra Bira, que calcula ter ficado cerca de 30 dias sem fazer uma refeição direito.
“Passei muita fome. Eu tentava não pensar. Tomava muita água para não desidratar e
café. Eu não gostava de pedir porque as pessoas não entendiam, pensavam que eu pe-
dia porque não queria trabalhar. Mas eu não tinha trabalho. ” [...] Pois é, quem poderia
imaginar um morador de rua aprovado em um concurso nacional disputadíssimo? Bira
passou no concurso do Banco do Brasil, entre 240 mil candidatos em todo o País. No dia
da posse, ele foi destaque na nova turma de Pernambuco. Quem te viu, quem te vê.
Disponível em: http://www.tudosobreconcursos.com/historias-de-sucesso/morador-de-rua-passa-em-concurso-
publico.

I A Copa do Mundo é realmente uma oportunidade única de aprender com outras cultu-
ras. A exemplo do que aconteceu na Arena Pernambuco, na derrota da sua seleção para
a Costa do Marfim, os torcedores japoneses voltaram a recolher o lixo produzido durante
o empate sem gols com a Grécia, na Arena das Dunas, em Natal. Munidos de sacos de
lixo, eles deram nova lição de civilidade e educação após o fim da partida — curiosamen-
te, os mesmos sacos foram enchidos de ar e serviram para ajudar na bonita festa nas
arquibancadas. O estádio recebeu 39.485 pessoas.
Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/rn/copa-do-mundo/noticia/2014/06/novo-exemplo-de-civilidade-
japoneses-voltam-reco- lher-seu-lixo-apos-partida.html>.

2. Qual é a diferença entre ser proativo e ser reativo?

Pessoas proativas tendem a se antecipar aos problemas e exercer influência sobre as situa-
ções. Já as pessoas reativas tendem a seguir esquemas padronizados de pensamento e ação

e muitas vezes não reconhecem que poderiam influenciar nas situações.

3. Qual é a diferença entre insistir e persistir?

Insistir em algo significa tentar várias vezes, repetindo inclusive erros já cometidos. Persistir
significa realizar mais de uma tentativa, mas, a cada tentativa malsucedida, refletir sobre o
que pode ser melhorado e se realmente o caminho a ser trilhado deve ser aquele.

55

8 22:13 OdeN_2019_6A_01a64.indd 55 27/12/18 22:13

lho. Sua cognição costuma ser rá-


pida, fluida e não linear — reflexo
da realidade hipertextual que as
cerca desde os primeiros passos.

55

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Refletindo sobre
Sugestão de abordagem
o capítulo
Procure realizar uma atividade in-
A iniciativa e a persistência, se utilizadas de maneira adequada, serão grandes diferenciais
terdisciplinar com seus alunos, apro-
ao longo de toda a sua vida. Os maiores nomes de nossa história utilizam essas qualidades para
ximando-os da disciplina História. empreender e vencer. No esporte, esses comportamentos empreendedores são constantemente
Procure o professor dessa disciplina exaltados. Veja o caso de Ana Moser, aposentada das quadras de voleibol desde 1999, mas que
ficou marcada na história de nosso esporte por persistência, iniciativa e talento.
e proponha-lhe um trabalho com os
Ana gosta de quebrar barreiras. Em quadra, ficou conhecida por seu temperamento forte,
alunos voltado à biografia de grandes mas também pela dedicação e disciplina. Enfrentou diversas lesões, incluindo uma lesão gravís-
nomes da história que persistiram até sima no joelho. Era 1996 e ela se preparava para as Olimpíadas de Atlanta. Já havia ganhado com
a seleção brasileira o Grand Prix de 1994, mas saíra sem medalhas das Olimpíadas de Seul (1988)
alcançar o êxito. Sugerimos uma pes-
e de Barcelona (1992). Nessa ocasião, o diagnóstico da lesão a aterrorizou: faltavam seis meses
quisa sobre alguns nomes e, ao tér- para os jogos, e os médicos previam oito meses de recuperação.
mino da atividade, o aluno realizará
um mural de frases, ações, imagens, “Demorei dois dias para encontrar alguma crença,
etc., sobre esses acontecimentos e porque sabia que só conseguiria ir se fizesse algo muito
fora do normal. Dediquei-me totalmente e iniciei a re-
personalidades. cuperação. Só quatro pessoas acreditaram de verdade
que daria: eu, meu médico, o fisioterapeuta e o Bernar-
dinho. Eles me deram tranquilidade e, em quatro me-
ses, estava recuperada.” Ana foi e voltou ao Brasil com
Anotações a conquista do bronze, a primeira medalha olímpica da
história do vôlei feminino.
Disponível em: <http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/
noticia/2014/10/vitoria-e-avancar-nao-necessariamente-estar-no-topo-
diz-ana-moser.html>.

Quais outros casos de persistência e superação você conhece no esporte? Pesquise e traga
para os colegas pelo menos um exemplo.

Resposta pessoal.

56

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56

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Abordagem preliminar
Capítulo
8 O propósito deste capítulo não é
fornecer orientação vocacional ou
profissional. A ideia é estabelecer uma
ligação entre todos os aspectos que
discutimos ao longo do livro e a esco-
Profissão e carreira lha de uma profissão. Durante este vo-
No começo deste livro, perguntamos o que você deseja ser quando crescer. Por sinal, esta é lume, abordamos o indivíduo em sua
uma pergunta que vocês já devem ter ouvido bastante, não é verdade? Agora, vamos propor uma
relação consigo e com a coletividade,
reformulação dessa pergunta: o que você quer fazer quando crescer? Talvez esta seja a pergunta
mais coerente neste momento, porque, ao longo deste livro, aprendemos novas formas de olhar o despertar de atitudes empreende-
para nós mesmos e para os outros e avaliar nossos potenciais empreendedores. E, depois dessa doras e o autodesenvolvimento. Para
jornada, não é difícil perceber que aquilo que desejamos fazer quando crescermos é reflexo do
encerrar este ciclo, a proposta é enten-
que somos hoje.
der o sentido da escolha profissional.
Larissa descobriu que se
comunica muito bem, Muitos jovens são indagados sobre
mas precisa aprimorar o que querem ser quando crescerem,
sua concentração.
antes mesmo que eles entendam por
que precisam escolher “ser” algo.
Além disso, a abertura deste capítulo
Sérgio descobriu que problematiza a ideia do “ser quando
tem boa concentração,
mas gostaria de trabalhar
crescer”: em primeiro lugar, porque
melhor sua timidez. isso pressupõe uma ruptura, e a nossa
proposta é entender que a formação
se dá em continuidade. Em segundo,
porque, embora a nossa profissão seja
um importante esteio da nossa iden-
tidade, não pretendemos sobrepor o
Paulo descobriu
que adora lidar com
“ser” ou o “exercer”. Aquilo que exer-
pessoas e defender
Luana descobriu que
cemos é reflexo do que somos: é essa
seus interesses, mas
é muito persistente e continuidade que buscamos explorar
sente um pouco de
obstinada, mas gos-
dificuldade em or- aqui.
taria de lidar melhor
ganizar seu tempo.
com a crítica.

57 Sugestão de abordagem

8 22:13 OdeN_2019_6A_01a64.indd 57 27/12/18 22:13


Assim como nossas personagens
abriram este capítulo demonstrando
Anotações
ter aprendido sobre si, estimule os es-
tudantes a refletir sobre o que apren-
deram neste ciclo.

57

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Como vimos, os colegas que nos acompanharam nesta jornada aprenderam muito sobre si
mesmos e ainda conhecerão muito mais. E você, o que aprendeu sobre seus comportamentos,
Diálogo com o professor atitudes, habilidades e competências? Como veremos, isso tem tudo a ver com o que você esco-
lherá fazer no futuro.

Embora seja ainda cedo


para falar na escolha de uma
profissão, a disciplina de Em-
Para início
preendedorismo é um trabalho de conversa
oportuno para se explorar as-
pectos fundamentais à escolha Ao longo de nossa vida, muitas escolhas Mas o que é esse tal mercado de trabalho?
profissionais são realizadas. Dúvidas sobre va- Trata-se do conjunto de ofertas de trabalho e
profissional. Além de esclare- riadas atividades são comuns, pois pode come- oportunidades para exercermos nosso ofício e
cer a dinâmica do mercado, a çar na infância a curiosidade sobre a função de sermos remunerados por ele. No mercado, te-
relação oferta-demanda e a re- cada uma delas. Muitas brincadeiras nessa fase mos a demanda por mão de obra de um lado
já expressam a inclinação para uma profissão e a oferta de profissionais de outro lado. Mas é
muneração da força de traba- entre crianças e adolescentes. unicamente para ingressar nesse mercado que
lho, é importante refletir com A pergunta “O que devo ser quando cres- estudamos? Não. Mesmo que a nossa profissão
os educandos sobre quais são cer?” pode ser algo constante neste início de nos habilite a ingressar nesse mercado e ser re-
capítulo, mas fique tranquilo: você não precisa munerados por isso, garantindo nossa sobrevi-
os valores que orientam a esco- decidir nada neste momento. Ainda há muito vência, ela tem uma função social e devemos
lha profissional. Muitas vezes, tempo até que se tome qualquer decisão. Ao valorizá-la na hora de escolher. Por exemplo, o
crianças são desencorajadas a fim do Ensino Médio, realizamos uma escolha professor participa no processo de educação
profissional que nos encaminhará para o En- e formação de cidadãos. O médico veterinário
pensar em determinada pro- sino Superior. Na universidade, você deverá presta cuidados à saúde dos animais. O ator
fissão apenas porque seus pais realizar uma formação ampla, diversificada proporciona entretenimento e emoções ao pú-
consideram que o retorno fi- e preocupada com a realidade para a exercer blico. É com essa função que precisamos nos
uma função dentre as diversas opções no mer- identificar ao escolher.
nanceiro é insuficiente. Outras cado de trabalho.
vezes, porque determinada
profissão não condiz com seu
gênero: uma menina pode ser
desencorajada a seguir a enge-
nharia, enquanto um menino
pode ser desencorajado a ser
bailarino. Tais aspectos preci-
sam ser discutidos desde cedo,
para que, no momento da esco-
lha, esses vieses sejam minimi-
zados. É interessante mostrar
aos alunos que a remuneração 58
é consequência do trabalho
desempenhado, e não a razão OdeN_2019_6A_01a64.indd 58 27/12/18 22:13 OdeN_

principal da escolha. Assim, Anotações


mostrar, desde cedo, o valor de
cada profissão e a contribuição
que cada profissional oferece à
sociedade é uma boa maneira
de iniciar esse diálogo.

58

OdeN_ME_2019_6A.indd 58 08/02/19 13:06


Discutindo Sugestão de abordagem
o conteúdo
Procure dialogar com os alunos so-
Antes de falarmos no leque bre as profissões que eles conhecem.
de profissões que temos à nossa Faça um breve exercício pedindo que
disposição, vamos começar en-
indiquem a profissão que desejam
tendendo o porquê de escolher
uma profissão. Vimos que existe exercer; caso algum deles afirme não

ProStockStudio/Shutterstock.com
um espaço social onde oferta- saber, peça que aponte aquela com
mos o nosso trabalho e, em tro-
que ele tem o mínimo de identifica-
ca, obtemos o nosso sustento: o
mercado. Mas por que ofertamos ção. Distribua folhas avulsas e peça
nosso trabalho? que escrevam, brevemente, sobre a
Você se lembra da ideia de
profissão que escolheram: o que faz
troca, que abordamos quando
estudamos marketing pessoal? esse profissional? Que tipo de forma-
Realizamos uma troca quando ção (técnica ou acadêmica) ele precisa
cada uma das partes possui algo ter? Que tipo de habilidades e compe-
que interessa à outra e, em co-
mum acordo, elas estabelecem tências ele precisa ter? Qual é a rotina
uma transação. Em nossa socie- dessa profissão?
dade, precisamos que várias pes- Recolha todas as folhas. Em se-
soas ofereçam seu trabalho para
que nosso cotidiano funcione. Em guida, peça-lhes para que pesquisem
troca, essas pessoas recebem o sobre essa mesma profissão e respon-
pagamento que garante seu sus- dam às mesmas perguntas, agora com
tento. Existem profissionais que que resulta em uma remuneração, ou seja, um pagamento.
cuidam de nossa saúde, do nosso Quando exercemos uma profissão, podemos assinar um con- base na pesquisa realizada. Devolva-
bem-estar, da higiene domésti- trato de trabalho que obedece a leis e dispõe sobre nossos -lhes a folha e solicite que comparem
ca e urbana, do meio ambiente, direitos e deveres: duração da jornada, tempos de pausa, re- as respostas dadas antes e depois da
da saúde dos animais, da nossa compensas, etc. Esse tipo de relação caracteriza o emprego.
segurança, nossa aprendizagem, Para contribuirmos com nosso trabalho, no entanto, não pre- pesquisa. Esse tipo de atividade é im-
nosso entretenimento, etc. cisamos obrigatoriamente ter um emprego: podemos ser um portante para desviar o foco do status
Como podemos ver, existem profissional autônomo ou mesmo um empresário. E, como atrelado a cada profissão e começar a
várias maneiras pelas quais o discutimos no início desse livro, podemos ser empreende-
nosso trabalho ajuda a vida coti- dores em qualquer um desses casos, mesmo quando temos percebê-la pela perspectiva da contri-
diana a funcionar. É por isso que vínculo empregatício. buição efetiva que cada profissional
existem as profissões. Chama- Um profissional, em geral, segue uma carreira. Quando oferece à sociedade.
mos de profissão toda atividade falamos em carreira, estamos nos referindo à trajetória des-
exercida que requer um conjunto se profissional, considerando seu aperfeiçoamento contínuo
de conhecimentos específicos e e sua progressão na profissão que exerce.

Anotações
59

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59

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Uma ferramenta muito valorizada na escolha
da carreira é a orientação vocacional ou profis-
Leitura complementar sional. Trata-se de um processo que ajuda o indi-
víduo no autoconhecimento e no conhecimento
das possíveis ocupações, fornecendo maior em-
Você terá várias carreiras na basamento para a escolha da carreira. O profissio-

Romrodphoto/Shutterstock.com
vida — e isso é algo bom nal que orienta esse processo é o psicólogo.
Antigamente, pensava-se em carreira única,
Mercado de trabalho do futuro como uma espécie de caminho sem volta, que,
prioriza criatividade, instinto uma vez escolhido, não poderia ser abandonado.
empreendedor e profissionais que Hoje, contudo, novas configurações de carreira
são possíveis: o indivíduo que atua em setores e
estejam dispostos a mudar atividades muito distintas, o indivíduo que muda
Por Ana Lourenço de rumo ainda no início de carreira, o indivíduo
que muda de carreira em idade avançada, o indi-
Até há alguns anos, o sonho pro- víduo que decide começar uma carreira comple-
fissional do brasileiro, em média, tamente nova após a aposentadoria, etc. Saber
disso é de certa forma um alívio, pois não preci-
era encontrar um bom emprego, samos nutrir tanto medo de errar. O importante
construir uma carreira dentro de é que, sim, quanto mais cedo exercitarmos o au-
sua empresa e se aposentar após o toconhecimento, mais segurança teremos quan-
to aos caminhos com os quais nos identificamos.
tempo devido de trabalho. Poucas Porque a palavra é esta: identificação. E você: já
décadas mais tarde, essa lógica vem se identifica com algum caminho?
se alterando quase por completo. A
nova geração de profissionais muda
de emprego (e carreira) bem mais, é
criativa e prefere trabalhar naquilo
que combina com seus ideais.
“Com a globalização e a Inter-
net, tudo muda o tempo todo, e
quem vive neste planeta será im-
pactado. Quem nunca perdeu o
emprego irá perder um dia, pois
as carreiras não são mais lineares,
e tudo acontece de forma muito
dinâmica”, explica a consultora de
carreira e professora da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Carla Weisz.
“As novas gerações ganharam voz, 60
são mais independentes das em-
presas e fiéis aos seus próprios va- OdeN_2019_6A_01a64.indd 60 27/12/18 22:13 OdeN_

lores. Por isso, buscam empregos que usufruía a geração anterior. “Se Novas relações
que façam sentido para sua vida e uma pessoa fez uma escolha errada, A velha lógica empresarial também
seus propósitos.” não é feliz e descobre isso, é perfeita- vem sendo desafiada com as novas re-
O novo conceito de carreira en- mente possível mudar e investir em lações de trabalho, mais flexíveis, que
globa imprevisibilidade, acúmulo uma nova carreira. O importante é estão ganhando adeptos. As startups
de informações e um intrincado descobrir seus próprios talentos, que vêm simbolizando esse novo proces-
processo pessoal de escolhas, além podem ser aprimorados e aplicados so. “O empreendedorismo se coloca
de muito mais possibilidades do em um novo trabalho”, explica Weisz. como grande opção para um novo

60

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Diálogo com o professor
Atividade
Algumas atividades possibi-
litam ao profissional trabalhar
em dois ou até mesmo três seto-
Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir.
res da economia. Oriente os alu-
O meio profissional está repleto de opções para o trabalhador. Há diversas ativi- nos e informe-lhes sobre as vá-
dades remuneradas pelas quais o indivíduo poderá optar ao longo de sua vida, mas,
para uma decisão acertada, faz-se necessário o conhecimento amplo desse mercado. rias possibilidades de atuação
Sabe-se que a força de trabalho está dividida, resumidamente, em três setores: o em cada uma das profissões.
primário, o secundário e o terciário. Essa divisão indica quais produtos são produzi-
dos, os modos de produção e os recursos utilizados. Acompanhe as características de
cada um dos setores econômicos a seguir.

Anotações
Setores da economia

SETOR PRIMÁRIO SETOR SECUNDÁRIO SETOR TERCIÁRIO

Agricultura
Comércio
Pecuária Indústria
Serviços
Extrativismo

1. Em cada um dos setores econômicos, podemos apontar diversas atividades profissionais.


Relacione corretamente as atividades a seguir ao respectivo setor econômico de atuação.
que esse instinto inovador pode —
a. Setor primário C Venda de hortifrutigranjeiros em feira de orgânicos. e deve — ser aplicado ao empresa-
b. Setor secundário A Ordenha das vacas.
c. Setor terciário A Criação de camarões. riado tradicional ou, até mesmo, ao
B Beneficiamento do leite para consumo. setor público.
C Jornalismo esportivo. “Empresas como Google, Airbnb
B Engenharia aeronáutica.
C Medicina. e Netflix estão nos forçando a um
A Fertilização do solo. novo comportamento. Não basta
C Aulas de corte e costura. ser usuário de aplicativos ou con-
61 sumidor de novas soluções. Estou
falando de se reinventar como pro-
8 22:13 OdeN_2019_6A_01a64.indd 61 27/12/18 22:13
fissional, estar preparado para um
desenho de relações de trabalho, nas economia criativa. mercado de trabalho alternativo e
quais regras mais flexíveis são aceitas. O próprio empreendedorismo se pulsante. Se o mundo está mudan-
Não é cumprir horário que importa, tornou uma espécie de palavra de or- do, por que a grande maioria das
mas agregar valor e entregar resulta- dem na lógica de trabalho do século XXI. pessoas continua desenhando seu
dos. E, também, por que não trabalhar Mais e mais pessoas são estimuladas a perfil profissional da mesma for-
em casa ou em espaços compartilha- criar, inovar e tirar sua própria ideia do ma?”, reflete Ronaldo Cavalheri.
dos?”, explica Ronaldo Cavalheri, dire- papel. Mas, além do sonho de ser dono Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/
orientacao-profissional/voce-tera-varias-carreiras-na-
tor geral do Centro Europeu, escola de do próprio negócio, é preciso entender vida-e-isso-e-algo-bom/. Acesso em: 11/10/2018.

61

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2. O que é profissão?

Sugestão de abordagem É toda atividade exercida que requer um conjunto de conhecimentos específicos e que resul-
ta em uma remuneração, ou seja, um pagamento.

Se a escola dispuser de um labora-


tório de Informática, reserve um horá-
rio e leve os alunos para o local. Lá, a 3. O que é carreira?
atividade será navegar no site Guia do É a trajetória seguida pelo profissional, considerando seu aperfeiçoamento contínuo e sua
Estudante (http://guiadoestudante.
progressão na profissão que exerce.
abril.com.br/). Peça aos alunos que
naveguem na seção Máquina de Pro-
fissões. Cada profissão selecionada
apresenta uma breve síntese da ro- 4. Qual é a importância da orientação vocacional?

tina profissional, principais áreas de Ela estimula o autoconhecimento e o conhecimento das profissões, permitindo ao indivíduo
atuação e como são avaliadas as ins- ter mais embasamento para fazer sua escolha.
tituições de ensino brasileiras que ofe-
recem o curso. A página disponibiliza
testes, vídeos e outras atividades que
mesclam informação e entretenimen-
Refletindo sobre
to. Na seção Orientação Vocacional,
o capítulo
os visitantes podem enviar perguntas
aos orientadores do site.
Que tal compartilhar com os colegas o que você aprendeu sobre profissões e aprender com
eles? O professor vai dividir a turma em duplas, e cada dupla ficará encarregada de pesquisar
uma profissão para compartilhar com os colegas.
• Dentre as possibilidades de apresentação da profissão trabalhada, você poderá expressar
Anotações seus conhecimentos por meio de cartazes, fantasias, apresentações teatrais, diálogos, ví-
deos, etc.
• Utilize recursos que atraiam a atenção e a curiosidade de seus colegas sobre a profissão
trabalhada; assim, a caracterização poderá ser muito útil.
• Uma dica é que se tragam, no dia da apresentação, alguns objetos que indiquem a profis-
são que vocês trabalharam.
• Estude essa profissão, pois seus colegas poderão ter muitas dúvidas sobre a atuação de
profissionais dessa área.
Dentre as profissões apresentadas por seus colegas de turma ou mesmo ao longo desse ca-
pítulo, qual mais atraiu sua atenção? Justifique sua resposta, faça uma breve pesquisa sobre ela
e registre aqui.

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Resposta pessoal.

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Diálogo com o professor
Ainda não chegou o momento de você decidir sobre sua profissão. A certeza sobre
aquilo em que você deseja atuar poderá acontecer nos próximos anos — geralmente
O trabalho de elucidação so- no final do Ensino Médio —, ou mesmo em sua fase adulta.
bre as profissões nessa fase da Para que se tenha ideia, muitos excelentes profissionais, de sucesso na atuali-
dade, já atuaram em outras profissões antes de serem bem-sucedidos. A maturidade
adolescência remete ao estímu- se dá ao longo de cada fase de vida, por isso não se preocupe se há muitas dúvidas
lo da curiosidade e à pesquisa sobre o que pensa em realizar profissionalmente. Ajudaremos ano após ano nessa sua
sobre o tema. A ideia principal decisão.
O importante, neste momento, é conhecer cada uma dessas profissões, mesmo
é desenvolver no educando a que você não cogite atuar nelas, pois dessa maneira você compreenderá melhor como
necessidade de conhecer as di- funciona o mercado de trabalho e, quem sabe, em uma dessas pesquisas você se en-
versas áreas de atuação profis- canta por uma atividade.
Se mudar de ideia, não se preocupe, isso faz parte de seu amadurecimento e da
sional e, de maneira lúdica, dis- necessidade de conhecimento. Portanto, seja curioso. Busque a informação e pergun-
cutir sobre as profissões de sua te o que for necessário a seus professores.
escolha. Estimule-os nesse pro-
cesso, mas deixe claro que ain-
da resta bastante tempo para
se formar uma decisão sobre a
profissão que deseja seguir.

Anotações

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