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A Exclusão Social Como Acto de Atentário aos Direitos e Dignidade Humana

Índice
Introdução ......................................................................................................................... 3

1. A exclusão Social ...................................................................................................... 4

2. Dignidade da Pessoa Humana ................................................................................... 5

2.1. O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana na Constituição Moçambicana ..... 5

3. Formas de Exclusão Social ....................................................................................... 6

3.1. Estigma .................................................................................................................. 6

3.2. A Discriminação .................................................................................................... 6

3.3. Racismo ................................................................................................................. 7

3.4. Xenofobia .............................................................................................................. 7

3.5. Tribalismo.............................................................................................................. 8

4. A Dignidade Humana e a Inclusão Social ................................................................. 8

5. Considerações Finais ............................................................................................... 10

6. Conclusão ................................................................................................................ 11

7. Bibliografia.............................................................................................................. 12
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Introdução
O presente trabalho convêm abordar sobre A Exclusão Social como acto de Atentário
aos Direitos e Dignidade Humana. O princípio, pelo qual todos os seres humanos têm
direitos iguais e devem ser tratados de forma igual, é um dos pilares da noção de
direitos humanos e evoluiu a partir da inerente e igual dignidade humana de todas as
pessoas. Este trabalho, concentra-se em algumas das mais graves e devastadoras formas
de discriminação, nomeadamente, o racismo, a discriminação racial e as atitudes
relacionadas de xenofobia e de tribalismo.

O trabalho tem como objectivo geral: Explanar sobre A Exclusão Social Como Acto de
Atentário aos Direitos e Dignidade Humana. Para que este objectivo seja alcançado, o
trabalho traz consigo os seguintes objectivos específicos: Conceituar a exclusão social;
Descrever sobre a dignidade da pessoa Humana e; Indicar as formas de exclusão social.

A metodologia usada para a realização deste trabalho foi à de consulta bibliográfica, que
constitui na leitura, críticas e analises das informações das informações de várias obras
que estão devidamente citados dentro do trabalho e na bibliografia.
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1. A exclusão Social

A exclusão social de um modo geral caracteriza-se por afastar o indivíduo do meio


social em que vive. Pode estar relacionada a vários factores sejam eles, políticos
económicos, religiosos, entre outros.

Assim, é corrente a identificação deste fenómeno, denominado como Exclusão social,


sendo aquele que não só exclui os indivíduos da sociedade, mas que acarreta as suas
vidas danos possivelmente insanáveis, mergulhados na falta de segurança que o mesmo
acaba por lhes trazer (ROCHA, 1999).

Para a compreensão de tal situação é necessária a clara concepção da estrutura que


envolve a sociedade, onde se tem como obrigatório o entendimento socioeconómico
daquilo que nos deparamos como Estado e suas respectivas características e funções,
possibilitando assim entendimento da sociedade em que se busca analisar os vícios que
a corrompe (ROCHA, 1999).

Desta forma, dentro da sociedade contemporânea, envolta pelo poder de um Estado


Democrático de Direito (Social), é válida a presunção de que para a existência deste
fenómeno há uma necessidade clara de completa ineficácia do Estado em sua actividade
saneadora dos problemas advindos dos meios sociais, ou seja, daqueles que
impulsionam uma vida social ausente da correcta aplicação dos Direitos e Garantias
Fundamentais. Sendo assim, é neste aspecto que se visualiza a imediata necessidade da
correcção de tal vício, com a concretização da inclusão social (ROCHA, 1999).
Buscar a inclusão social é o objectivo traçado para sanar a contrária e devastadora
exclusão, havendo a imperativa necessidade de aplicação dos chamados Direitos
Fundamentais, ora demonstrado acima, instrumentalizados nos Direitos Sociais, que se
encontram na correcta aplicação da educação, observação atenta dos desenvolvimentos
culturais, trabalho e habitação dignos, enfim, requisitos básicos para a aplicação
correcta e manutenção de um Estado Democrático de Direito (ROCHA, 1999).

Logo, é perceptível que a Instituição Estado tem como função a capitação de todas as
forças sociais, dentro de interesses colectivos e individuais, como também suas
necessidades, para que em um momento posterior voltarem a sociedade
instrumentalizadas na forma de correctas medidas públicas, como também os caminhos
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jurídicos adequados para os ideais meios benéficos a manutenção harmónica da


sociedade (ROCHA, 1999).

2. Dignidade da Pessoa Humana


AQUINO (2001:411) que afirma: “o termo dignidade é algo absoluto e pertence à
essência”, situando esse conceito como um requisito inerente à condição humana.

Etimologicamente, o termo dignidade vem do latim dignus e significa “aquele que


merece estima e honra, aquele que é importante” (MORAES, 2003:75) A dignidade
humana é, portanto, um atributo da pessoa e não pode ser medida por um único factor,
pois nela intervém a combinação de aspectos morais, económicos, sociais e políticos,
entre outros.
O princípio da dignidade da pessoa humana conduz, por sua vez, ao compromisso com
o absoluto e irrestrito respeito à identidade e à integridade de todo ser humano, sem
excepções. Toda pessoa humana é digna. Essa singularidade fundamental e
insubstituível é intrínseca à condição do ser humano, qualifica-o nessa categoria e o
coloca acima de qualquer indagação.

2.1.O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana na Constituição Moçambicana


GOUVEIA (2003), onde o princípio da dignidade da pessoa humana se revela
resguardado, assumindo valoroso embasamento para o direito penal:
 De acordo com a Constituição da República de Moçambique (2004) artigo 40:
 Todo cidadão tem direito à vida. Tem direito à integridade física e não pode ser
sujeito a torturas ou tratamentos cruéis ou desumanos.
 Na República de Moçambique não há pena de morte.

Dessa forma, a expressão do princípio da dignidade da pessoa humana como


fundamento do Estado de Moçambique significa que esse existe para o homem, a fim de
assegurar as condições políticas, sociais, económicas e jurídicas, que permitam que ele
atinja seus fins, sendo o homem o sujeito de dignidade e colocado acima de todos os
bens e coisas, inclusive do próprio Estado.
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3. Formas de Exclusão Social


3.1.Estigma
“O termo estigma, portanto, será usado em referência a um atributo profundamente
depreciativo” (GOFFMAN, 1975:13) numa linguagem de relações e, não de atributos
em si. De acordo com os estudos de MELO (2000), estigmas, para GOFFMAN são
identidades deterioradas, por uma acção social, que representam algo mau dentro da
sociedade e, por isso, deve ser evitado.

GOFFMAN (1975) afirma que o estigma pode ocorrer devido a três circunstâncias:
abominações do corpo, como as diversas deformidades físicas; culpas de carácter
individual, como: vontade fraca, desonestidade, crenças falsas; e estigmas tribais de
raça, nação e religião que podem ser transmitidos pela linguagem. Em todas essas
tipologias pode-se encontrar a mesma característica sociológica: “um indivíduo que
poderia ser facilmente recebido na relação social quotidiana possui um traço que se
pode impor atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a possibilidade de
atenção para outros atributos seus” (GOFFMAN, 1975:14).

Estigma, para AINLAY, COLEMAN & BECKER (1986), é uma construção social,
onde os atributos particulares que desqualificam as pessoas variam de acordo com os
períodos históricos e a cultura, não lhes propiciando uma aceitação plena social. Deste
modo, as pessoas são estigmatizadas somente num contexto, o qual envolve a cultura;
os acontecimentos históricos, políticos e económicos e uma dada situação social, ou
seja, a estigmatização não é uma propriedade individual.

3.2.A Discriminação
A discriminação, em geral, considerada como uma qualquer distinção, exclusão,
restrição ou preferência dirigida à negação ou recusa de direitos iguais e à sua
protecção, é a negação do princípio da igualdade e representa uma afronta à dignidade
humana. Dependendo das razões para este tratamento diferente, fala-se em
discriminação racial ou fundada na etnia, cor, género, deficiência, religião, orientação
sexual, etc. É crucial saber que nem toda a distinção pode ser automaticamente definida
como discriminação no sentido de abuso de direitos humanos (WOLFGANG, 2012).

De acordo com a CRM (2004) Artigo 37 (Portadores de deficiência)


Os cidadãos portadores de deficiência gozam plenamente dos direitos consignados na
Constituição e estão sujeitos aos mesmos deveres com a ressalva de exercício ou
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cumprimentos daqueles para os quais, em razão da deficiência, se encontram


incapacitados.

3.3.Racismo
Racismo: um conjunto de suposições erróneas, opiniões e ações em resultado da falsa
crença de que um grupo é, inerentemente, superior a outro. O racismo refere-se não só a
atitudes sociais relativas a indivíduos e grupos considerados como inferiores, mas
também a estruturas sociais que excluem tais indivíduos e grupos. O racismo pode estar
presente em estruturas e programas organizacionais e institucionais, bem como nas
atitudes e no comportamento das pessoas. (WOLFGANG, 2012).

O racismo existe em diferentes níveis – dependendo do poder usado e da relação entre a


vítima e o perpetrador: nível pessoal (atitudes, valores, crenças de alguém); nível
interpessoal (comportamento para com os outros); nível cultural (valores e normas de
conduta social); nível institucional (leis, costumes, tradições e práticas).

De acordo com Artigo 35 da CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE


(2004) (Principio de universidade e igualdade):
Todos os cidadãos são igual perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos
aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de
nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, posição ou
opção política.

3.4.Xenofobia
A xenofobia é descrita como ódio ou medo em relação a estrangeiros ou países
estrangeiros. Também carateriza atitudes, preconceitos e comportamentos em que existe
rejeição, exclusão e, muitas vezes, difamação de pessoas, com base na perceção de que
elas são estranhas ou estrangeiras para com a comunidade, a sociedade ou identidade
nacional. (WOLFGANG, 2012).

De acordo com Artigo 52 da CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE


(2004) (Liberdade de associação)
São proibidas as associações armadas de tipo militar ou paramilitar e as que promovam
a violência, o racismo, a xenofobia ou que prossigam fins contrários à lei.
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3.5.Tribalismo
O tribalismo é um estado de organização que defende a vivência dos seres humanos em
sociedades pequenas “tribos” ao invés de uma sociedade em massa. Em termos de
conformidade, tribalismo também pode se referir a uma maneira de pensar ou se
comportar, no qual as pessoas são mais leais a sua tribo, cujos membros possuem pouca
ou nenhuma distinção social, que qualquer outro grupo social. O tribalismo pressupõe
um retorno aos hábitos civilizacionais e culturais primitivos.

Fazendo uma análise das formas de descriminação acima citadas, o grupo verifica
o seguinte:

A descriminação, o estigma, o racismo, xenofobia assim como o tribalismo, todas estas


formas possuem pontos comuns e divergentes. Como por exemplo, é comum que todas
têm como finalidade a exclusão social do indivíduo impedindo-o de participar em um
determinado grupo e sempre existe um lado que exclui e o outro lado que é excluído.

Não bastante essa convergência, verifica-se também diferenças entre elas como por
exemplo: Na Descriminação, esta mais centrada na negação dos direitos iguais, já na
estigma, esta mais virada em qualificar o individuo fazendo o acreditar que ele não
serve por algo, no racismo, está focado em inferiorizar uma raça alegando que por
natureza ela é inferior, a xenofobia, refere-se a um acto de repudiar o estrangeiro
elegando que ele vem tirar recursos financeiros no pais dos nativos, e por ultimo o
Tribalismo, refere a falta de inclusão de certo tribo alegando que não servem para
determinadas actividades.

4. A Dignidade Humana e a Inclusão Social


De maneira genérica, a inclusão social pode ser definida como um conjunto de meios e
acções que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada por
variados factores, entre os quais a ausência de classe social, origem geográfica,
educação, idade, sexo, existência de deficiência ou preconceitos raciais, de credo
religioso etc (SARLET, 2001).
Dessa forma, o objectivo do processo de inclusão social consiste em tornar toda a
sociedade um lugar viável para a convivência de pessoas de todos os tipos,
indiscriminadamente, para que possam desfrutar de seus direitos, satisfazer suas
necessidades e desenvolver e aplicar suas potencialidades. Entre os aspectos trabalhados
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para essa transformação da sociedade destacam-se a saúde, a educação, o lazer, o


trabalho, a moradia, entre outros (SARLET, 2001).
Em linhas gerais, a meta primordial do processo de inclusão social é trazer as pessoas
para uma sociedade da qual elas nunca fizeram parte até então, visando reduzir as
disparidades para integrar cada vez mais pessoas a uma condição de vida digna,
promovendo acesso equitativo aos benefícios do desenvolvimento.

De acordo com o Artigo 36 da CRM (2004) (Principio de igualdade de género)


O homem e a mulher são iguais perante a lei em todos os domínios da vida política,
económica, social e cultural.
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5. Considerações Finais

Moçambique é um país constituiu por varias etnias, culturas, línguas e tudo isso
contribui para a exclusão social, essa diversidade acaba sendo mal percebida e
difundida, culminando com o desprezo entre nós. Mas temos que assumir que a
diversidade e o múltiplo pertencer como uma riqueza e não como um factor de exclusão
social.

É necessário partir do princípio de que todos temos direitos e deveres, cujos mesmos
precisam ser respeitados, e ao mesmo tempo é obrigação de todos zelar pela boa
convivência, tomando como base a ética e a dignidade humana.
Nesse sentido, o trabalho com as diversas formas de deficiência e com as exclusões
geradas pelas diferenças social, económica, psíquica, física, cultural e ideológica, deve
ser o foco de acção de toda a sociedade.

A sociedade pode e deve ter um papel activo na construção de condições que assegurem
a dignidade da vida de cada um e de todos os seres humanos.
Estamos nos referindo, portanto, a processos de responsabilidade colectiva que devem
almejar, intencionalmente, a inclusão, o pertencimento das pessoas na sociedade.

Para haver reconhecimento, social, é bom, sempre que possível, diversificar os sistemas
de ensinos e envolver nas parcerias educativas as famílias e os diversos actores sociais.
Também entendemos que a construção de sociedade e escolas inclusivas, abertas às
diferenças e à igualdade de oportunidades para todas as pessoas, devem ser um
objectivo prioritário da educação, nos dias actuais.
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6. Conclusão
Neste ponto, conclui-se que a exclusão social é factor de indignidade; ela coloca o
homem à margem de sua própria sociedade, promove o distanciamento de sua condição
de cidadão e destrói o seu respeito por si próprio. Ao reaproximar esses indivíduos de
seus iguais e devolver a eles o lugar que lhes pertence dentro da sociedade, o
mecanismo de inclusão social não está, na verdade, devolvendo a esses cidadãos a sua
dignidade, mas sim reconhecendo efectivamente um princípio que já faz parte de sua
essência, e que a nada nem ninguém é permitido ignorar ou desrespeitar.

O Estado, enquanto organismo político, é verdadeiramente democrático quando


reconhece indistintamente todos os seus cidadãos como o pai que, sabedor das
particularidades de cada um dos seus filhos, cria condições para que estes sejam
cuidados e protegidos incondicional e igualmente, oferecendo-lhes, portanto, as mesmas
oportunidades.

“A Exclusão social terminará apenas quando nós confrontarmos o preconceito,


pautando pela mudança de atitude, tomando com princípio de que todos temos direitos e
deveres iguais e devemos respeita-los”
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7. Bibliografia

AINLAY, S. C.; BECKER, G.; COLMAN, L. M. A. Stigma reconsidered. Ed. The


Dilemma of Difference, New York: Plenum, (1986).

AQUINO, São Tomás de. Suma de Teología. 4. ed. Madri: Biblioteca de Autores
Cristianos, 2001.

CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE. Aprovada pela Assembleia


da República, ao 16 de Novembro de 2004.

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de


Janeiro: LTC, (1975).

MELO, Z. M. Estigma: espaço para exclusão social. Revista Symposium, (2000).

MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. 27ª Edição. São Paulo: Atlas S.A, 2011.

ROCHA, Carmen Lucia Antunes. O princípio da dignidade da pessoa humana e a


exclusão social. Interesse Público, v.1, 1999.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2001.

WOLFGANG B. Compreender os direitos humanos manual de educação para os


direitos humanos. European Training and Research Centre for Human Rights and
Democracy (ETC) Graz, 3ª edição em Língua Inglesa, 2012.