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Terra

O J a r d i m d e Lú c i f e r
Outras obras de Vitorino de Sousa

Co-Criação — A Dança com o Espírito


Como Canalizar Vozes de Outras Dimensões
Dicionário de Astrologia
Em Nome da Mãe
Eu Sou o Arcanjo Lúcifer
Exercícios de Meditação
Glossário Kryon
Jesus na Nova Energia — Sobre o Medo
Ligando a Luz! — Onda 1
Manual da Leveza
O Espírito na Voz Humana — Onda 2
O Livro das Respostas
Os Amigos do Zodíaco
Sananda — Eu Sou o Farol da Humanidade
Sem Perdão Não Há Serenidade — Onda 3
Yasmin — A Deusa Mãe

Saiba mais em www.anjo-novalis.com


Texto © Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios, 2007
Capa: Design de Paulo Chora
Paginação electrónica: Paulo Chora

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pode ser reproduzida sem autorização do editor.
Os transgressores são passíveis de procedimento judicial.

Execução técnica:
Rolo & Filhos II, S. A. — Indústrias Gráficas
Mafra, Portugal

Edição publicada em Novembro de 2007

Depósito Legal nº 266219/07


ÍNDICE

Introdução................................................................................. 7

Prólogo...................................................................................... 21

Revelações sobre a história da colonização da Terra


e da Primeira Vinda de Jesus à Terra......................................... 23

Os Canais Receptores............................................................... 161

A história de Esmeralda Rios............................................ 161


A história de Vitorino de Sousa........................................ 185
Mensagem de Esmeralda Rios.......................................... 200
Mensagem de Vitorino de Sousa...................................... 200

Palavras Finais............................................................................ 203

Adenda....................................................................................... 207


Introdução

Este é um livro cujo conteúdo foi canalizado. Por isso, antes de


prosseguirmos, convém que definamos o que é «canalização», não vá o
leitor desconhecer do que se trata.
Repescando uma passagem de um livro já publicado, citamos o
seguinte:

«O termo canalização pode ser definido como telepatia entre o canal


receptor humano e a entidade emissora, que não está na nossa
dimensão. Insistimos sempre no termo telepatia porque, de facto,
é disso que se trata. O nosso amigo Kryon, há uns anos, começou
a utilizar a expressão «pacotes de pensamento», porque, para a ge-
neralidade dos seres humanos, era um pouco prematuro falar de
telepatia. Hoje, parece-nos correcto e perfeitamente apropriado
definir canalização como um fenómeno de telepatia. Portanto,
canalização é um fenómeno telepático com uma entidade extra-
dimensional. Telepatia não é a capacidade de ler o pensamen-
to do outro; é a capacidade de receber o pensamento do outro.
Telepatia não é um processo de invasão do pensamento; é uma
técnica de comunicação.»

Assim, no primeiro capítulo, o leitor conhecerá a transcrição parcial


de uma série de canalizações, recebidas entre 12 de Julho e 25 de Agosto

 COMO CANALIZAR VOZES DE OUTRAS DIMENSÕES, de Vitorino de Sousa, publicado pela


editora Angelorum Novalis.


Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

de 2007, em várias localidades de Portugal e de Espanha. (Optámos


por não revelar o nome desses locais, onde estabelecemos contacto in-
terdimensional, com base em razões que se tornarão óbvias quando o
próximo livro for publicado.) Estes contactos, porém, já tinham come-
çado em Março, através de Esmeralda Rios; nessa altura, Vitorino de
Sousa andava ocupado com as suas palestras, seminários e viagens, sem
imaginar o que estava a preparar-se. Todavia, numa das suas raras con-
versas privadas com Yasmin, a questão do anunciado livro foi abordada.
Vitorino de Sousa perguntou:
— Queres falar um pouco sobre o tal livro, que vai criar polémica?
Yasmin, servindo-se da mesma voz, respondeu:
— Algum material para esse livro já consta das primeiras canaliza-
ções da Esmeralda; o resto virá a seu tempo. Durante as férias, muito
material será canalizado para esse livro, principalmente pelo teu amigo
Lúcifer. A polémica vai ser gerada não só pelo que vai ser dito, mas prin-
cipalmente por quem o vai dizer. Mas não tens que te preocupar.
Realmente, não havia razão para ficar preocupado porque, dias an-
tes, Esmeralda Rios, também numa canalização privada com Yasmin,
tinha recebido o seguinte:
«Uma coisa é certa: depois de este livro estar terminado nada ficará
como dantes. Terá três partes. A última será canalizada em conjunto,
nós e vocês.»
Essa «última parte», porém, dada a sua importância, acabou por se
tornar o primeiro capítulo, uma vez que as outras duas partes são os
capítulos onde se narram as nossas perspectivas pessoais acerca deste
curiosíssimo processo, o que é, obviamente, secundário. Neles se tecem,
igualmente, alguns comentários acerca do que nos aconteceu — e pelo
que tivemos de passar — para chegarmos a ser os veículos daquilo que
Sananda referiu como «algo que nunca ocorreu neste planeta».

 Sananda — o «Filho» da Trindade — é a «origem» de Jesus. Foi com esse nome que desceu
à Terra.
 Excerto de uma transmissão, ocorrida no Funchal, Ilha da Madeira, em 21 de Julho.


Terra — O Jardim de Lúcifer

Uma dessas situações, que experimentámos como parte da nossa


preparação, foi um regime alimentar. Numa conversa privada com Yas-
min, Esmeralda Rios ficara a saber o seguinte:
«Posso fazer-te alguns comentários alimentares? Por favor, não co-
mas muito à noite, só fruta e legumes frescos, quando tiveres muita
fome. Come coisas leves ao almoço, peixe às vezes, muita água e vai a
uma ervanária comprar produtos desintoxicantes para os rins, fígado e
pulmões. Apesar de teres fumado pouco, é preciso limpar esses pulmões
completamente do mau uso que lhes deste. Não foste feita para te ma-
goares, e fumar é uma agressão terrível, que pode provocar mutações.»
Mais tarde, porém, deram-nos um programa de dieta, para três
semanas:

• Segunda-feira: sumo, fruta, sopa e fruta — iogurte, salada de queijo e fruta.


• Terça-feira: sumo, fruta — leguminosas, ovo e salada — iogurte — sopa e fruta.
• Quarta-feira: cereais e leite de soja, fruta — peixe e legumes — iogurte, salada de frutas.
• Quinta-feira: sumo, fruta — leguminosas e legumes — iogurte, salada de queijo, fruta e
legumes.
• Sexta-feira: sumo, fruta, soja com legumes — iogurte — sopa e fruta.
• Sábado: Dia de limpeza: chá e sumos de fruta.

• Domingo: Chá, fruta variada com vegetais — iogurte — sopa e fruta.

Apesar de nos terem pedido rigor, esta dieta não foi cumprida à
risca, principalmente quando estávamos em viagem. Temos consciência
de que fizemos o melhor que pudemos… embora, por vezes, talvez
pudéssemos ter feito melhor! Todavia, quando nos disseram que o im-
prescindível trabalho, visando a nossa preparação, estava a correr mais
 Tomou nota, senhor/a fumador/a?
 Leitor: incluímos aqui esta informação, na esperança de que lhe possa ser útil.


Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

depressa do que o previsto, logo desapareceram os complexos de culpa,


por, algumas vezes, não termos conseguido resistir aos prazeres da mesa!

Foi Esmeralda Rios quem recebeu a esmagadora maioria das trans-


missões, primeiro por escrito, logo depois verbalmente. Na primeira,
ocorrida a 12 de Abril, foi dito o seguinte:
«O vosso trabalho começa agora. Sejam bem-vindos. A partir deste
momento iniciarão uma nova fase das vossas vidas. Não será muito fácil
no início, mas tudo evoluirá muito rapidamente. Estejam confiantes e
trabalhem. Muito obrigado.»
A participação de Vitorino de Sousa, à excepção de uma meia dúzia
de canalizações, foi o de fazer perguntas e pedir esclarecimentos.

Grande parte das primeiras transmissões continha informação es-


pecífica para os dois canais em função, sem qualquer interesse para o
público, portanto. Nas mais recentes, essa informação pessoal passou a
ser dada em paralelo com a que se destinava à publicação neste livro.
Nalguns casos, foi-nos dito muito claramente — poderíamos sugerir
«sem papas na língua», se as entidades tivessem língua — que certas
passagens não poderiam ser divulgadas para já, pois destinavam-se a
livros a publicar posteriormente. Foi o que fizemos, evidentemente, não
sem alguma dificuldade, porque, às tantas, já não sabíamos o que po-
deria ser publicado. Como o leitor verificará, várias vezes perguntámos
se determinada informação era destinada a este texto. Umas vezes a res-
posta foi positiva, outras vezes foi negativa. Nestes casos, optámos por
recorrer a uma sinalética representada por um número entre parênteses
— [n.º]. Sempre que o leitor encontrar esse sinal, tal significa que algu-
mas palavras, frases ou parágrafos foram retirados.

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Terra — O Jardim de Lúcifer

Mas não se lamente, pois o que vai ler chega e sobeja para justificar
o seu investimento nesta obra. Num futuro próximo, será divulgado o
que, agora, seria prematuro divulgar. Esse novo livro conterá um capí-
tulo onde repetiremos a frase onde surge o [nº], substituindo-o pelas
palavras, frases ou parágrafos em falta. O número facilitará a sua lo-
calização neste livro a fim de poder aperceber-se do contexto total do
parágrafo.

Neste trabalho, como sempre acontece quando se lida com trans-


crições de um discurso oral, foi aplicado um trabalho de reorganização
das frases, já que a tradução da informação canalizada — sim, o canal
é tradutor — nem sempre decorre da forma mais correcta, em termos
idiomáticos.

No primeiro capítulo deste livro são abordados dois temas diferen-


tes: 1) a narração do que aconteceu nos primórdios da colonização da
Terra e 2) a reposição da verdade acerca dos acontecimentos que carac-
terizaram a Primeira Vinda de Jesus, há 2000 anos. No início, pensá-
mos separar os dois temas. Contudo, à medida que a informação ia che-
gando, percebemos que seria melhor respeitar a sequência cronológica
dos contactos, mesmo correndo o risco de a coisa ficar parecida com
um diário. Portanto, caro leitor, fica desde já avisado de que está tudo
misturado — embora claramente misturado!

Gostaríamos de abordar agora o tema da frequência dos contactos


com quem nos enviou a informação. Numa primeira fase, quando ain-
da vivíamos em cidades separadas por algumas centenas de quilóme-

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Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

tros, era a Esmeralda Rios que recebia a informação — inicialmente


por escrito, como dissemos — quase diariamente. Entretanto, Vitorino
de Sousa estava por sua casa, sem dar muita importância ao que estava
a acontecer e sem se aperceber do que, em breve, lhe ia ser pedido. Essa
história está esmiuçada no segundo e no terceiro capítulo.
A segunda fase começou quando os dois canais começaram a pas-
sar mais tempos juntos. Nessa altura, o contacto já decorria numa
amena conversa a três: Esmeralda, Vitorino e a entidade. Como a
frequência de contacto era confortável, tínhamos tempo de sobra para
fazer as transcrições. Mas, com a continuação, Eles entusiasmaram-se
e começaram a abusar!
A terceira fase começou quando tivemos de lhes pedir para que os
contactos passassem a ocorrer dia sim, dia não, pois começava a ser di-
fícil transcrever tudo o que era canalizado. Tanto assim que, em meados
de Julho, Yasmin transmitiu o seguinte:
«Preparem-se porque a vossa viagem a Espanha também vai ser de
trabalho. Mas iremos deixá-los mais à vontade; faremos contacto de
dois em dois ou de três em três dias, como preferirem. Só têm de perce-
ber que os contactos serão muito intensos, durante esse tempo. Logo se
encontrará a melhor forma.»
Assim foi durante alguns dias. Poucos. Não tardou a ficarmos a sa-
ber da necessidade de os contactos passarem a ser diários. Poderíamos
ter recusado, evidentemente, mas concordámos. Afinal, a nossa curiosi-
dade, acerca do que estava para ser transmitido era imensa!
A quarta fase começou quando, um dia, nos foi pedido que os con-
tactos passassem a ocorrer duas vezes por dia. Que poderíamos nós fazer?
Apesar de termos toda a liberdade de escolher o ritmo, tratámos de adqui-
rir um considerável provimento de pilhas para os gravadores, começámos
a pôr creme nas pontas dos dedos e atirámo-nos às transcrições!
Para além disto — convém dizer — tínhamos de fazer exercícios em
conjunto, também de manhã e à noite. Portanto, leitor, se acha que a
vida de certos canais é fácil, desiluda-se!

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Terra — O Jardim de Lúcifer

Acerca da génese e da natureza deste projecto que nos foi proposto,


aqui tem uma sequência de referências, canalizadas por Sananda e Yas-
min, que poderão dar-lhe algumas pistas. Chamo a sua atenção para o
facto de esta informação pertencer ao primeiro conjunto de transmis-
sões (antes de 28 de Julho de 2007, quando se inicia o primeiro capítu-
lo), cujos conteúdos, em princípio, não se destinavam a este livro:

«Não julguem que são apenas meros executores. Noutros níveis,


também estão a colaborar na organização do que, depois, levam a cabo
na superfície do planeta.»
«Não se preocupem muito com o que virá; a seu tempo saberão.
É, evidentemente, um trabalho completamente novo e diferente.»
«O vosso trabalho vai ser muito importante para a mudança das
mentalidades e para a vida na Terra. Canalizarão informação nova, é
verdade, mas a verdadeira mudança é a que está a acontecer nos vossos
corpos. A vossa energia será tão forte que incomodará muita gente.
Podem acreditar.»
«O programa, que vão iniciar na Terra, é único e extremamente im-
portante, mas nenhum dos dois está a ver o que é. Não adianta fazerem
conjecturas. Tudo virá ter convosco.»
«Vocês foram escolhidos porque são puros, transparentes e porque a
vossa entrega é verdadeira. As facetas das vossas personalidades servirão
para que as pessoas percebam como são humanos e não vos divinizem.
O Vitorino está curioso e muito incrédulo.»
«Nem um só fio de cabelo vosso será tocado. A vossa protecção é
total. Contamos convosco. Apetece-me dar um beijo cósmico na fronte
do vosso ser. Abençoados sejam. Muito obrigado.»
«Vocês não trabalham em termos humanos.»

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Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Ainda a este respeito, num diálogo com Lúcifer, foi dito o seguinte:
Lúcifer (por Esmeralda) — Tenho uma pergunta para vos fazer.
Embora possa parecer inconveniente ou despropositado, pergunto-vos
até onde estão dispostos a ir?
Esmeralda — Até onde tiver de ser.
Vitorino — Eu não tenho quaisquer resistências ou limitações; vamos até
onde for preciso. Sabemos que estamos protegidos e temos consciência de quão
fundamental é este projecto. Portanto, não me passa pela cabeça pôr limitações.
Esmeralda — Eu também não. Aliás, não foi à toa que abdiquei de tudo.
Portanto, não tenho limitações de qualquer espécie. Confio em absoluto.
Lúcifer (por Esmeralda) — Muito obrigado. Nós sabíamos. Não se
sintam mal por perguntarmos isto, mas precisávamos de confirmação
por causa do processo que se seguirá. A cada momento têm de ter plena
consciência do que pode acontecer.

Apesar de já termos visto que a função de canal, por vezes, não é


fácil , o leitor poderá julgar, mesmo assim, que é algo espantoso. E é
realmente. Mas também pode ser muito desconfortável quando, por
exemplo, a entidade resolve referir as qualidades do canal… usando a
sua própria voz! Ou seja, o canal ouve-se a verbalizar afirmações que,
em condições normais, jamais verbalizaria, pois soariam a arrogância,
orgulho, se não mesmo a alienação. É preciso ter alguma experiência

 A referência dos nomes participantes nos diálogos será feita através das seguintes indicações:
Esmeralda para Esmeralda Rios e Vitorino para Vitorino de Sousa.
 O leitor poderá estranhar o facto de surgir uma entrada em que Esmeralda dá voz a Lúcifer

[Lúcifer (por Esmeralda)] e, logo a seguir, surgir outra entrada (Esmeralda) em que fala como
ela mesma. Mas é mesmo assim. É perfeitamente possível — e divertido — a mesma pessoa
canalizar dando voz aos dois lados.
 Por vezes, o trabalho de purificação e reformulação genética que os Amigos Mais Leves fazem

em nós, gera certos estados de espírito (cansaço extremo, irritação, desalento, etc.), que di-
ficultam o contacto.

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Terra — O Jardim de Lúcifer

para, nessas ocasiões, não calar esse tipo de informação. Mas, experiên-
cia era coisa que Esmeralda Rios ainda não tinha no dia em que, logo
no início desta aventura, teve de traduzir o seguinte:

Sananda (por Esmeralda) — O Universo olhou para ti, criança,


porque sempre foste correcta. Quantas vezes preciso eu de te dizer isto?
O teu coração nunca se conspurcou, apesar dessa mania de esconderes
as tuas emoções tão puras… Incomoda-te esta conversa, não é?
Esmeralda — Muito.
Sananda (por Esmeralda) — É que alguém tem de meter certas
verdades nessa cabeça e acabar de vez com a programação que deu cabo
da tua auto-estima, que te fragilizou, mas que nunca conseguiu acabar
com a tua força. Não penses nada; sente que estás a fazer um serviço ao
Universo… Continuamos? Já acusas um certo cansaço.
Esmeralda — Sim, continuamos.
Sananda (por Esmeralda) — Ao abdicares de tudo, abriste a mão ao
Universo para te dar o que verás e que, realmente, é bem mais do que
precisas. Também és sempre muito correcta e ingénua; por isso o Espí-
rito te protege. Preservas a essência da criança. É incrível como nada se
alterou ao longo da tua vivência, pequena ostra. Mantiveste a tua pérola
intacta. Mas é tempo de a expor… Não fiques a pensar que exagero,
porque o Espírito enaltece os que são denegridos.
Esmeralda — Olha que não tem piada nenhuma essa história! Posso
pedir-te uma coisa? Pára lá com os elogios. Não acho nada próprio.
Sananda (por Esmeralda) — Porquê? Acaso não te tinhas visto
assim? Tu és humilde e muito insegura. És uma ternura. Mas nunca
ninguém nos responsabilizou tanto como tu. Entregaste-te, mas exiges
tudo de nós. Gostamos de ti. Nem precisas de falar; aceitas o que temos

 Pode até acontecer que a entidade faça esse tipo de discurso para testar até que ponto o canal
humano ainda cala a informação que lhe desagrada.

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Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

a dizer. Estás a crescer, mas não perdes a tua costela contestatária. És


preciosa… Tudo bem, vou parar.

Outro aspecto da função de tradutores deste tipo de informação


canalizada é que, por vezes, ficamos de olhos esbugalhados. De vez em
quando as afirmações são tão inesperadas e extraordinárias que reconhe-
cemos que jamais seríamos capazes de as inventar, ou de as julgar como
«maluquices da minha cabeça», como costumam desculpar-se os canais
com pouca experiência. Foi o nosso caso, evidentemente. De facto, cer-
ta vez, perante uma inacreditável revelação — que não consta deste
livro — mas que iremos revelar mais tarde, Esmeralda Rios desabafou:
— Vão-nos internar!

«Eu sou Lúcifer. Eu sou o Pai, a Luz da Luz. Eu sou o Príncipe


Negro.»
Assim começa o primeiro capítulo deste livro.
O leitor conhece algum livro que comece, desta forma? Decerto que
não. Não há. Ou seja, não havia; agora há este!
Claro que nós já sabíamos desta confissão porque, antes de Esme-
ralda Rios a ter recebido nestes termos, Sananda, numa das nossas con-
versas, confessou o seguinte:

Vitorino — Gostaria de te perguntar: quanto dizes «Pai», a quem estás


a referir-te?
Sananda (por Esmeralda) — Tu sabes quem é: a Luz da Luz! Por
acaso não o reconheceram logo como a Luz da Luz? Não tiveste tu,
Esmeralda, essa intuição?
Vitorino — Estamos a falar de Lúcifer?

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Terra — O Jardim de Lúcifer

Sananda (por Esmeralda) — Claro! Quem disse: Eu sou a Luz da


Luz? Quem pode ser a Luz da Luz senão o Pai? A Luz condensada, toda
a energia da Criação!
Vitorino — É isso que vai gerar polémica, no livro?
Sananda (por Esmeralda) — Também! Imaginem… Vocês vão
identificar o criador deste Universo com a Luz da Luz, com Lúcifer.
Vão identificar Yasmin como a sua correspondente e vão dizer que a
Virgem lhe corresponde. Imaginam maior hecatombe? Mas as pessoas
vão acreditar.
Vitorino — Tu és, portanto, o outro pólo do triângulo.
Sananda (por Esmeralda) — Eu sou o Filho, o vértice, o que coorde-
na os trabalhos, a energia gerada pelos dois, o Amor Puro. Três num só…

Isto é, em relação a Lúcifer, o que diz respeito à «Luz da Luz.» E o


que podermos dizer acerca da expressão «Eu sou o Príncipe Negro»?
Quando se pensa em «Príncipe Negro», quem é que surge, de imediato,
na mente do comum dos mortais? Pois! Embora este tema esteja escla-
recido — esperamos que totalmente — no primeiro capítulo, podemos,
desde já, adiantar o seguinte:
No princípio, quando Esmeralda Rios, pela primeira vez, se aper-
cebeu que Lúcifer queria transmitir através dela, pensou, é claro, que
tal não podia estar a acontecer. Assim, naturalmente, «fechou-se».
E, ao «fechar-se», a entidade ficou a falar sozinha, digamos assim, sem
qualquer falta de respeito. Mas, depois, em face da insistência, Esme-
ralda não teve outro remédio senão começar a «ceder». Com o tempo,
tudo passou a ser muito diferente, como o leitor verá com a continua-
ção da leitura. Numa altura em que já estava mais à vontade com aquela
presença vibracional, disse-lhe o seguinte:
«A energia que eu sinto em ti é de um enorme e grandioso Amor.
Dá-me a sensação que, antes, tu sopravas; agora tocas-me com o dedo.
O que eu quero saber, afinal de contas, Lúcifer, é quem és tu e quem é

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Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Yasmin. A mim não me interessa nada essa história da Igreja e outras


histórias. Não me interessam, absolutamente. Quem é que vocês são,
afinal, e por que estão neste trabalho? A energia primordial, a energia
do masculino e do feminino… Podes explicar-me? És capaz? Ou pode
ser? É evidente que és capaz, mas pode ser?»

A resposta, que teve de traduzir, foi:

«Minha querida Esmeralda: neste momento, não posso revelar to-


dos esses pormenores. Satisfarás a tua curiosidade em breve, com o
evoluir dos acontecimentos. Mas eu sou Luz, uma expressão da Luz.
A Luz da Luz, a Luz mais brilhante. A minha Luz, porém, tem certas
características que vocês poderiam considerar estreitamente. A minha
energia é viril; tem as características que consideram ser a dos homens,
na Terra. Mas sou muito mais para além disso. Aliás, em verdade, quan-
do vos dermos as informações que temos para dar, passarão a ver o ser
humano de uma forma muito mais ampla.10 Perceberão o que é um
ser humano, na sua forma masculina e feminina. Eu sou essa energia
toda, completa; do outro lado está o ser que me corresponde, Yasmin.
Tem outros nomes. Yasmin, tal como eu, é Luz da Luz. Tu vê-la sem-
pre como algo rosa, mas não é assim; ela é branca. Resplandecente. Eu
sou dourado e negro. Juntos, formamos o Todo, aquele prateado que
tu viste, há muitos anos num sonho, em que muitos pontos estavam
aglomerados, a evoluir e a circular. Esse sonho foi-te revelado directa-
mente da Fonte criadora deste Universo. Estávamos todos lá. Tu viste e
percebeste como nos organizávamos geometricamente. Cada um desses
pontos é Luz concentrada. Eu e Yasmin somos um. A energia primor-
dial da criação é cinzenta, porque o preto mais preto se une ao branco
mais branco.11 Percebeste agora? Não adiantei muita coisa, mas é algo
que podes entender.»

10 Essas informações estão neste livro. Espero que você, leitor, por via delas, também passe «a
ver o ser humano de uma forma muito mais ampla».
11 O cinzento quando cheio de Luz, torna-se prateado.

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Terra — O Jardim de Lúcifer

Portanto, se o Pai é o «preto mais preto», não parece exagero que se


designe a si mesmo por Príncipe Negro. Sendo o Pai e o criador deste
Universo, não estaria mal mesmo que nos dissesse que era o Rei Negro!
Isto foi em Junho; em Março anterior, porém, Esmeralda Rios, num
dos seus e-mails para o Vitorino de Sousa, escreveu o seguinte:
«Em meditação, percebi alguém muito grande — eu sei que isto é
real, embora possa parecer uma coisa tola! — que se revestira de preto
para que eu não pudesse ver a sua Luz. A mensagem era: está vestido
de preto, mas é Luz; apenas se vestiu assim para que eu o pudesse “ver”.
E estava cá para me ajudar. Aquele “ver” foi esquisito, mas muito signi­
ficativo. Curiosamente, não me perturbou. Aquilo desapareceu logo,
mas foi muito real. Na sexta-feira passada, chegou-me um livro em que
Deus dialogava com alguém que se vestira de preto. Escondia a sua Luz
para cumprir a sua missão na Terra, que era ajudar os irmãos a ver a Luz
através da escuridão.»

Em Janeiro de 2006, esta mesma editora publicou um livro intitu-


lado EU SOU O ARCANJO LÚCIFER. Nessa altura, decidimos antepor o
termo «arcanjo» ao nome da entidade a fim de aliviar a arrepiante carga
que a palavra «Lúcifer» ainda tem na psique de muitíssimas pessoas.
Nesse tempo, não sabíamos a verdade — nem tínhamos como saber
— tal como é revelada neste livro. E não nos envergonhamos, porque
ninguém, neste planeta, denunciou que sabia a verdadeira identidade
do Pai. Agora que, cerca de ano e meio depois, estávamos a lidar, outra
vez, com essa vibração, resolvi pedir a Esmeralda Rios que, da próxima
vez que estabelecesse contacto, perguntasse se poderíamos continuar a
usar o termo «arcanjo». Quando recebi o e-mail com a transcrição desse
contacto, em determinado ponto vinha o seguinte:

«Agora escreve: Querido Vitorino, temos trabalhado com este canal


porque era necessário mantê-lo aberto e muito fluido. Mais à frente di-

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Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

vidiremos as tarefas, como convém. Quanto à questão de usar o termo


“arcanjo” a resposta é simples: faz como te aprouver. Arcanjo Lúcifer
soa bem, é real, mas não totalmente verdadeiro. Não se preocupem com
isso. Para dar a noção de continuidade, está correcta esta designação.»

É claro que, depois de toda a informação que recebemos — e que o


leitor se prepara para ler — achámos que o melhor era deixar o «arcan-
jo» para outras situações.
Mas é tempo de pormos um ponto final nesta introdução e dar-lhe
a oportunidade, caro leitor, de ler o que se segue.

1 de Setembro de 2007

Esmeralda Rios
Vitorino de Sousa

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Prólogo

A tua voz (Esmeralda) é branca e só canalizará a


Luz e o Amor. Não tens que ter qualquer receio, porque
nunca canalizarás nenhuma energia mais escura. Eu
sou Sananda e coordeno os teus trabalhos. Não tenhas
medo da ajuda de Lúcifer.
Sananda

12 de Julho

Yasmin (por Esmeralda) — O Vitorino recebeu informações de Lú-


cifer sobre o livro. Tu também vais canalizar parte dele. Eis aqui o que
deve constar dele e deve ir para a Net no início de Setembro:12

«Eu sou o útero da Terra. Nela vai desenvolver-se um novo projecto,


uma nova realidade, com o nascimento de um novo ser, que elevará a
raça humana acima da Matriz de Controlo.
Eu estou na Terra porque sou a Mãe e sou precisa para que se gere
esta realidade. O Pai quer que nasça em mim a semente do Amor.
Eu sou Yasmin e trago um novo projecto para a existência humana
no planeta. Através da minha correspondente na Terra faço chegar-vos
esta informação.

12 E foi. No dia 3 estava na página «Novidades» de www.velatropa.com.

21
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sei que nos vossos espíritos se formam grandes interrogações, prin-


cipalmente sobre a veracidade do que este canal diz, mas eu digo-vos
que, em breve, nos seus trabalhos, vos darei a prova incontornável da
minha presença.
Eu sou Yasmin e esta é a minha filha querida, a minha extensão no
planeta. Conduzi-a durante muito tempo, aguardei que desabrochasse
para que o trabalho pudesse concretizar-se.
Eu sou Yasmin e trago a informação da chegada de um novo portal
de energia à Terra; depois disso nada será como dantes.»

Antes deste pequeno texto ter sido divulgado, esteve disponível, na


mesma página, o seguinte, canalizado por Sananda:

«O meu Pai não é quem vocês julgam. Na Terra já tive um e, em


breve, terei outro; o de cima continua a ser o mesmo, porque é imu-
tável. Em breve, porém, proporemos aos humanos que o reconheçam
com outro nome — o seu verdadeiro nome.
Muita polémica se levantará, muita agitação, muita controvérsia.
Estas palavras são apenas a preparação do terreno; como serão divul-
gadas, alguns ouvidos humanos ficarão alerta, expectantes, esperando
pelo resto da revelação.
Isto não é marketing celeste; é um Plano que tem de ser cumpri-
do. Para conhecerem o primeiro pacote, de informação, não terão
de esperar muito; o segundo, vibracional, demorará um pouco mais.
O primeiro sairá em livro13, o segundo, evidentemente, não.
O livro abrirá caminho para a informação final. E ela acontecerá de
tal forma, que ninguém terá a veleidade de duvidar.
Isto não é megalomania cósmica; só têm de esperar mais um pouco.
Para aguçar ainda mais a vossa curiosidade, direi que é algo que
nunca ocorreu neste planeta. E quando digo “nunca”, é NUNCA.
E olhem que a idade do vosso planeta é bem maior do que imagi-
nam; os geólogos só conseguem calcular até certo ponto.»
13 Este.

22
Revelações sobre a história da colonização
da Terra e da Primeira Vinda de Jesus à Terra

28 de Julho

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e falo pelos três (Sa-


nanda, Yasmin e Lúcifer). O que vai ser dito aqui, hoje, é o início da
nossa história, que vai ser publicada. Gostaria que ficassem uns mo-
mentos em silêncio, antes de iniciarmos o registo da informação. Antes
disso, porém, alguém vos colocará algumas perguntas:

PAUSA (REPOUSADA)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer. Eu sou o Pai, a Luz da


Luz. Eu sou o Príncipe Negro.
Nunca é de mais perguntar-vos o que vou perguntar. Não se melin-
drem! É necessário que vocês os dois respondam, mais uma vez, pois pre-
cisam de ter consciência do que vem aí. Por isso, de novo, vos pergunto:
Até onde vai a vossa entrega?
Até onde estão dispostos a deixar que o Espírito cumpra o seu Plano?
Até onde estão dispostos a aceitar a vossa exposição pública?14
É que tudo vai mudar. Mas, antes de responderem, deixem-me ex-
plicar alguns aspectos, que devem saber:

14 As duas primeiras perguntas já nos tinham sido feitas várias vezes. Mas era a primeira vez que
tocavam no tema da «exposição pública».

23
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Primeiro, na Internet, vão circular algumas notícias. Serão como


bombas15 a disseminar a curiosidade. A curiosidade é algo muito inte-
ressante nos humanos, pois permite, muitas vezes, que o Espírito opere
neles de uma forma muito positiva. Este estratagema, contudo, também
é utilizado pela Sombra. Mas, de forma nenhuma, vocês são autóma-
tos; têm sempre a primeira e última palavra. Nada nem ninguém pode
avançar sem vossa ordem.16
Como dizia, as notícias que vão surgir na Internet — e não pensem
que são as vossas — serão coincidentes: serão palavras de outras pesso-
as que funcionarão como rastilhos de bombas. Vão começar a chover
perguntas.
Os próximos trabalhos17 vão ter maior afluência. Vão divulgar no
“Velatropa.com” vários tipos de informação, não só sobre quem é a
Esmeralda, mas também acerca do processo em que estão envolvidos.
Às pessoas, directamente, não dizem nada; pessoalmente, não tiram
nem uma dúvida. [1]
Portanto, remetam-se ao silêncio. A informação é passada nos traba-
lhos e no livro. Não faz mal haver suspense ou curiosidade; é muito bom.
Depois, nos próximos trabalhos, e a partir de 11 Novembro, vai
eclodir uma grande polémica… mais cedo do que nós pensávamos.
A disponibilidade do Editor para publicar o livro acelerou o processo.18
Em Novembro já era esperado um grande acontecimento; já vos tínha-

15 É muito interessante que Lúcifer tenha utilizado este termo, estando Esmeralda Rios a cana-
lizar, porque na canalização que encerrou a época 2006/2007, em Lisboa (17.06.07), através
de Vitorino de Sousa disse o seguinte: «O que são as bombas do Iraque comparadas com a
‘bomba’ que vai cair, em breve, entre vocês?»
16 Viu? Tome nota para o caso de vir a ser chamado para canalizar ou para outra colaboração

no Plano.
17 No dia 16 de Setembro iniciaram-se as actividades, em Lisboa, da época 2007/2008.

18 Dias antes, Vitorino de Sousa tinha-lhe revelado que um livro ia ser escrito. Como ele já sabia

do evento de 11 de Novembro (1º Fórum «Firmeza e Doçura», no hotel Sheraton, Lisboa),


logo se disponibilizou para facilitar o lançamento do livro nessa data. Estávamos, porém, em
meados de Julho e muito havia ainda para canalizar e transcrever. Nessa altura, jamais imagi-
naríamos, quer a enorme quantidade dessas transmissões, quer a sua espantosa natureza.

24
Terra — O Jardim de Lúcifer

mos prometido! Não vamos deixar-vos, de forma nenhuma, expostos à


opinião pública, sem fundamentar, para além de qualquer dúvida, tudo
o que escreveram. Ninguém ficará exposto sem o apoio do Espírito. Só
que a exposição será muito notória. Por isso vos pergunto:
Até onde estão dispostos a ir, uma vez que a vossa vida será comple-
tamente alterada?
Permitem que tal aconteça?
Vitorino — Eu continuo a dizer que não tenho limitação. Mas tam-
bém é verdade que não temos dados factuais que nos dêem uma ideia da
dimensão do que nos espera.
Lúcifer (por Esmeralda) — Tens razão. Isso ser-vos-á dado.
Esmeralda — Eu não tenho qualquer problema. Nenhum de nós gosta
de exposição, mas se ela está inerente a este processo, pois com certeza.
Lúcifer (por Esmeralda) — Muito bem. O que vai acontecer em 11
de Novembro vai funcionar como uma onda de choque, que se reper-
cutirá ao longo de alguns meses. [2]
Agora quero ouvir as vossas perguntas.
Vitorino — As perguntas que eu podia fazer são prematuras, pois dizem
respeito à matéria e às consequências do que vocês vão canalizar! Portanto,
não faz sentido estar a fazê-las.
Lúcifer (por Esmeralda) — É verdade.
Vitorino — Seria denunciar a nossa expectativa…
Lúcifer (por Esmeralda) — Não há problema nenhum nessa ex-
pectativa. Ela é normal e faz parte da condição humana. Só vos pe-
dimos que não tenham expectativas quanto ao que vão ouvir, ver ou
sentir. Quanto ao resto, a informação vai fluir abundantemente. Mas
nós conhecemos as vossas dúvidas.
Vitorino — A única dúvida que eu tenho é se toda essa informação
vai ser sustentada por algo, no nível físico, como nunca aconteceu neste
planeta. Se assim não for, certamente se diluirá entre tantas outras que já

25
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

andam por aí. Dada a sua natureza subversiva, seria muitíssimo desagra-
dável para o nosso trabalho.
Lúcifer (por Esmeralda) — Pois cumpre-me informar-vos que tal não
ocorrerá. De uma vez por todas, de uma forma clara e objectiva, que fique
registado nos vossos espíritos e nas vossas mentes, que nós não vamos dar
só informação. Vamos autenticá-la com a nossa presença! Quer isto dizer
que, sim, vai haver uma apresentação do Espírito. Mas deixem-nos traba-
lhar. Não interessa se vai ser uma materialização, uma aparição… Calma!
Primeiro, vocês ver-nos-ão e falarão connosco. Já vos prometemos isso!

(Abrimos aqui um parênteses para fornecer alguns dados acerca destas


«aparições». Este tema já fora abordado antes de 28 de Julho de 2007, data
em se inicia esta narrativa. Veja os antecedentes registados sobre este tema.

1. Um diálogo entre Esmeralda Rios e Yasmin:

— Minha querida Esmeralda, o teu sonho foi um prenúncio de


tudo o que irá acontecer. Eu expor-me-ei perante ti. Visualizar-me-ás
cada vez que falares comigo em público.
— E o Vitorino?
— Não.
— Porquê? Não acho isso justo.
— Minha querida, tal será necessário para que as pessoas percebam
o que está a acontecer.
— Sabes que o Vitorino quer muito ver-te. Eu nunca o desejei.
Sabes melhor do que eu o que significaria para ele.
— Sei, querida. Mas se ele me visse seria tentado a abandonar tudo
e a partir! Tu não. Por agora, ele não aguentaria encontrar-se comigo.
— Quer dizer que mais tarde também lhe aparecerás?
— Só quando o vosso relacionamento estiver muito forte e quan-
do o meu querido filho Vitorino encontrar uma alegria tão grande em
viver na Terra, que perceberá como é importante ficar, por um tempo.
Nessa altura, ver-me-ão, os dois, ao mesmo tempo.

26
Terra — O Jardim de Lúcifer

— Quer dizer que vou ver-te proximamente? Numa exposição


pública?
— Sim, querida.
— Mas eu não estou preparada e as pessoas não vão acreditar. Além
disso, a acontecer o descrédito, o trabalho do Vitorino fica em jogo.
— Achas que eu te colocaria em risco? Achas que colocaria em ris-
co o trabalho do meu querido Vitorino? Dar-te-ei instruções precisas,
querida. Confia em mim. As pessoas sentirão uma energia única. Verão
o Vitorino como o filho da Deusa e a ti como a enviada da Deusa. Per-
ceberão nele uma grande transformação. O seu trabalho, para além da
canalização, terá um impacto único. Ninguém saberá que me estarás a
ver. É uma benesse que te vou dar. Se não quiseres, não acontecerá. Mas
a minha presença será única… E não faças mais perguntas!

2. Outro diálogo entre Esmeralda Rios e Yasmin:

— Por que tens tanto medo de me ver?


— Não sei. Mas tenho.
— Ainda não aceitaste isso.
— Pois não. A solução é ver-te e pronto.
— E a Lúcifer?
— Eu já o aceitei. E se queres saber, acho que já o vi.
— É verdade, mas não na sua magnificência. Querida, tu estás
preparada…

3. Esmeralda Rios canalizando Lúcifer:

— Como já foi referido, vocês vão ver-nos; primeiro só a Yasmin,


depois ver-me-ão a mim.19 Mais não adianto, pois não vale a pena. No
início, foi estabelecido que só a Esmeralda veria Yasmin, mas isso será

19 Mais tarde esta sequência foi alterada. Aliás, muitas alterações foram introduzidas. Esta evi-
dência prova que, contrariamente ao que muita gente julga, o desenvolvimento do processo
não está pré-definido.

27
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

alterado rapidamente, pelo que estamos a perceber. A vossa teia é cada


vez mais forte, o que nos permite avançar.

4. Esmeralda Rios, canalizando um diálogo entre Vitorino de


Sousa e Yasmin:

— Alguma pergunta?
— Não me ocorre nada. Aguardamos apenas pelo nosso encontro.
— Está confirmado; já o tinha dito. Vocês ver-me-ão e algumas das
revelações que vos farei serão feitas pessoalmente. Depois, passaremos a
uma segunda fase. Terão de aplicar as instruções que vos forem dadas,
de uma forma muito rigorosa.

O que acabou de ler é tudo quanto, de momento, dispomos acerca


do tema.
Fechamos o parêntesis, continuando com a transmissão de Lúcifer)

Vitorino — Posso fazer uma pergunta?


Lúcifer (por Esmeralda) — Claro que sim.
Vitorino — Autorizas que esta transcrição seja divulgada no contexto
do livro? Como uma espécie de introdução ao que vai acontecer?
Lúcifer (por Esmeralda) — No final de Agosto saberão, exactamen-
te, o que têm a fazer. Este é o tempo do vosso trabalho. É o tempo de
receber o material para o livro, de canalizar a informação e de a trans-
crever. Sim, daremos directrizes sobre o que têm a fazer. Não foram
vocês que disseram para não transformarmos isto num circo? Tudo será
tratado com toda a seriedade. Não é necessária a divulgação pública do
que vai acontecer para que as pessoas acorram aos magotes. Estarão as
pessoas certas, no momento certo, no tempo certo. E estará muita gen-
te, posso garantir-vos. Vocês não imaginam o efeito da informação que
vão colocar na Net. De uma forma velada, vão criar-se expectativas. De-
pois do trabalho de 11 de Novembro vocês terão de passar a trabalhar
de outra maneira. Logo perceberão. É evidente que vai haver alterações

28
Terra — O Jardim de Lúcifer

ao nível da afluência das pessoas, porque a informação canalizada será


muito forte e porque poderão acontecer algumas surpresas nas próxi-
mas sessões de trabalho.20 Fiz-me entender?
Vitorino — Perfeitamente.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, agora, vamos continuar. Gosta-
ria que ficassem um pouco em silêncio.

PAUSA (OBEDIENTE)

Lúcifer (por Esmeralda) — Vamos preparar-nos para o novo traba-


lho. O que vai ser revelado, já o sabem, tem a ver com a história deste
planeta. Será dividida em duas partes:
A primeira parte tem a ver com a história do aparecimento da Hu-
manidade, como hoje se conhece. O que deu origem, realmente, ao
aparecimento dos seres humanos, tão privados do seu conhecimento e
entendimento original.
A segunda parte será sobre a Primeira Vinda, nomeadamente como
se desenrolou o contacto entre as figuras de José e Maria, e tudo o resto.
Essa será contada por Sananda. [3]
Muito resumidamente, e como já sabem, a manipulação dos seres
humanos deu origem ao que eles são hoje. Essa manipulação foi feita
por uma entidade que vocês já conhecem como Satã. As perguntas que
se colocam, que vocês já fizeram muitas vezes e que merecem ser res-
pondidas, são:
Por que razão é que eu, Lúcifer, o Pai, não percebi o que estava a
acontecer?
Por que razão ninguém impediu que acontecesse?
É muito simples: nada do que aconteceu teve origem neste Univer-
so; os primeiros humanos manipulados geneticamente foram trazidos
de fora. Mas ninguém se apercebeu. A experiência não foi feita dentro

20 Como o texto teve de ser entregue para paginação em meados de Setembro (2007), nada
podemos dizer sobre estas afirmações.

29
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

do nosso Universo. Esses humanos foram trazidos para a Terra já ma-


nipulados. É como se um exército de gente diferente, com caracterís-
ticas bem sombrias, tivesse descido ao planeta. E desencadeou-se um
caos enorme, uma grande guerra. A descida dessas entidades foi feita
de surpresa; quase uma tomada do planeta. Ninguém poderia ter-se
apercebido porque a preparação não ocorrera neste Universo. Alguém,
que tinha plena liberdade de entrar e sair deste espaço, fê-lo à revelia do
Pai, abusando de toda a minha confiança.
Vitorino — Quem é que já estava na Terra aquando dessa Invasão?
Lúcifer (por Esmeralda) — Vocês! Por isso estão aqui outra vez.
Vitorino — Podes informar há quantos anos ocorreu essa Invasão?
Lúcifer (por Esmeralda) — A seu tempo vão receber essa informa-
ção.21 Mas foi há muito mais tempo do que julgam. A idade da Terra é
realmente superior ao que se crê, e muitos registos foram apagados.
Continuando: com a entrada desses humanos, o caos instalou-se.
Reparem que, tanto de um lado (Luz) como de outro (Sombra), há
poder. O poder vem da Fonte Maior, que ama os seus filhos de igual
maneira.22 Se perguntarem o que acontecerá quando todos nos reunir-
mos à Fonte, respondemos: seremos todos Luz!
Vitorino — Estás a referir-te à Fonte acima de ti?
Lúcifer (por Esmeralda) — É evidente, à Fonte de onde tudo ema-
na. Eu sou apenas o Pai, o criador deste Universo. Se a minha energia
pulsa em tudo o que nele existe, como poderia eu abandonar os meus
filhos que foram levados, manipulados e regressaram outros? Como é
possível que toda a gente julgue que foi isso mesmo o que aconteceu?
Foi possível através do trabalho da Sombra, no seu Universo. Mas
nós não tínhamos conhecimento do que lá se passava. Hoje, as coisas
são bem diferentes… embora a Sombra continue a fazer tudo para im-
pedir o sucesso da recuperação humana! Por isso, não vos passa pela

21 E recebemos. Veja mais adiante.


22 Esta Fonte maior refere-se a Quem está acima do Criador deste ou de outro Universo.

30
Terra — O Jardim de Lúcifer

cabeça a dimensão do impacto causado pela vinda da Energia Matriz


à Terra. Vocês não imaginam as implicações que isto tem no Universo!
Há um dado a acrescentar: na manipulação genética, que modificou
a vossa matriz através da implementação do medo e da culpa, foram
introduzidas algumas instruções de autodestruição. Ou seja, o objectivo
era que a raça humana não tivesse futuro. Esse era o projecto da Som-
bra. E porquê? Porque a Terra tem uma especificidade que não existe
em mais nenhum outro planeta: os seus habitantes podem escolher… o
que é extraordinariamente perigoso para o Mundo da Sombra! A expe-
riência da Terra é única em todo este Universo.
Imaginem se no Mundo da Sombra houvesse escolha. Acham que
podiam correr esse risco? Mas vocês sabem o que nos distingue da Som-
bra: o livre-arbítrio! Daí o grande interesse em fazer cair esta experiên-
cia. Mas ninguém sabe qual é a decisão da Fonte Maior. Esta experiên-
cia é demasiado importante para o Grande Universo inteiro.
Não se esqueçam: quem quer que venha para a Terra está sujeito
ao domínio da Luz e ao livre-arbítrio. O grande problema da Sombra
é que, cada vez que manda um guerreiro ou um soldado para aqui (dos
que vieram com a Invasão, porque já não pode entrar mais ninguém),
sabe que ficará sob a influência da Luz.
Vitorino — Posso fazer uma pergunta, embora corra o risco de desviar
o rumo da conversa.
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim.
Vitorino — Dizes que não entra mais ninguém. Mas como é que se ar-
ticula a Invasão — não sei quantos tomaram parte nela — com a expansão
demográfica do planeta? Dá a sensação de que entrou mais gente do que os
que vieram como invasores?
Lúcifer (por Esmeralda) — Eram milhões, muitas naves, e também
muitos clones.
Vitorino — Quer dizer que, a partir dessa Invasão, não entrou mais
ninguém?

31
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Lúcifer (por Esmeralda) — Não. Vou explicar da seguinte forma:


milhares de naves desceram, cheias de humanos e de outros seres, não
completamente humanos. Como tinham sido feitas muitas experiên-
cias, havia inúmeros humanos que tinham sido cruzados com outras
espécies. Algo parecido com aquelas que vêem na ficção científica. Está
nos vossos registos. Foi muito duro, realmente, para quem estava na
Terra. Os humanos que serviam a Luz tiveram de desmaterializar-se
rapidamente; outros conseguiram fugir. A tal guerra de que se fala — e
isto faz muita confusão à Esmeralda — não é uma guerra como as vos-
sas; é uma guerra energética, num plano muito superior. As descrições
das batalhas que constam nos Vedas23 são correctas.
Apesar de terem tomado toda a Terra e de a terem povoado, foram
acometidos de muitas doenças porque, muitos deles não estavam prepa-
rados a nível físico. Os mais resistentes, porém, ficaram.
Assim, só nos restava uma alternativa: aniquilá-los ou deixá-los fi-
car. Mas como a Sombra sabia que nós não os aniquilaríamos, pensa-
ram que seríamos nós a sair, deixando-lhes o planeta da Luz. Sim, este
é o planeta da Luz, onde realmente se vê a escolha, a entrega ao Plano e
todas as suas possibilidades de construção.
Então, no maior acto de Amor, o meu Pai e a minha Mãe da Fonte
Maior, considerando os novos habitantes da Terra, deixaram-nos ficar,
dando-lhes assim a possibilidade de contactarem com a Luz.24 [4]
Por hoje vamos terminar.
Vitorino — Muito obrigado. [5]
23 Textos sagrados do Hinduísmo.
24 Nota da revisora: Na verdade, o número desses seres que podem encarnar é sempre o mesmo,
daí ter sido dito que «não entrou mais ninguém». No entanto, antes de qualquer ser encar-
nar, passa por «estações preparatórias» Assim, o número de seres encarnados e em preparação
nessas «estações» é sempre variável, de acordo com as necessidades do Plano Maior. Logo,
embora o número total seja o mesmo, a distribuição entre fases encarnadas e preparatórias
parece revelar a chegada de mais seres. O que aconteceu no último século, e neste, é que todos
os seres/sombra vindos na Invasão, têm de escolher definitivamente o que querem porque a
experiência, tal como ocorrera até agora, vai acabar. Contudo, só é possível escolher quando
encarnado. Por isso, os nascimentos têm de aumentar.

32
Terra — O Jardim de Lúcifer

30 de Julho

Yasmin (por Esmeralda) — Meus queridos, as minhas saudações.


Eu sou Yasmin e alegro-me por estar em contacto convosco. Não quero
deixar de referir o vosso empenho de transformação; estamos atentos e
percebemos as vossas dificuldades, mas é fundamental que essa dedica-
ção se mantenha. Agora façam as vossas perguntas:
Vitorino — Uma pergunta, sobre um tema em relação ao qual tem
havido muita especulação: o que vai acontecer à Terra? Ou seja, como se
vai dar a ascensão? Tem-se falado em Terras paralelas, em resgates pelos ETs,
etc. Por outro lado, eu sinto que não podemos passar para um plano supe-
rior com esta mentalidade, com o capitalismo instalado e com a Matriz de
Controlo a dominar muitos sectores da sociedade. Gostaria que, se possível,
nos desses algumas informações.

PAUSA (EXPECTANTE)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e vou responder-te.


A originalidade e a criatividade são a marca do Espírito. Nada do que
estava previsto vai acontecer. Claro que depende da resposta dos huma-
nos. Reparemos no Plano que se percepciona e se concretiza, agora, na
Terra: as mudanças serão de tal ordem que não será possível voltar para
trás. Eu já afirmei e é bom que entendam: por onde eu passo nada fica
como dantes; a Terra é, e será, o meu jardim.25 Nada do que foi feito
anteriormente pode permanecer. Todos serão tocados; os que não se
deixarem tocar, sairão.
Acerca de como estará o planeta e do que vai acontecer… calma!
As transformações serão profundas, reflectir-se-ão no planeta, que
dará aos humanos o que necessitam. Trata-se de uma relação de sim-
biose, de profunda interpenetração com a Terra, nunca se esqueçam
disso. Muitas vozes profetizaram um futuro mais negro, mais denso

25 Aí tem a frase que inspirou o título deste livro.

33
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

ou mais luminoso.26 Neste momento, porém, nada disso existe; o que


existe é a proposta — concretizável através do vosso trabalho e o de
todos os que se entregaram — de transformar a Terra no meu jardim,
no Jardim do Amor.
Vitorino — Também poderá perguntar-se como é que o planeta vai
ser limpo.
Lúcifer (por Esmeralda) — Essas soluções também têm de surgir
de vocês. E vão surgir. Portanto, façam o vosso trabalho; outros farão
os deles. Assim tem de ser. Nós não trabalhamos só com vocês os dois.
Alguma pergunta, Esmeralda?
Esmeralda — Não.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, vamos acrescentar um novo
capítulo à história da Terra e responder às dúvidas que vos surgiram…
e que nós conhecemos, como é evidente!27
Em primeiro lugar, a manipulação (genética) dos humanos — que
não eram da Terra — foi feita com a sua autorização. Há muitos pla-
netas onde vivem humanos; esta não é a única experiência com essa
forma de vida, mas é a única que contempla o livre-arbítrio, a escolha.
A questão fundamental deste planeta decorre de a Fonte Maior ter
pedido que se fizesse esta experiência para se perceber até onde po-
deriam ir os seus filhos, ao escolherem por si próprios. Que caminho
escolheriam?
A experiência que se vivia na Terra (antes da Invasão) era uma expe-
riência de Amor porque ninguém conseguia fazer outra escolha; não era
possível. Contudo, os que estavam a fazer a experiência proposta pelo
Senhor da Sombra reclamaram quando tomaram conhecimento da ex-
periência terrena. De alguma forma, sentiram que a sua via seria posta
de lado, uma vez que, dando a possibilidade de escolha, os indivíduos
poderiam escolher de outra maneira.

26 Num contacto posterior foram pedidos esclarecimentos sobre esta frase. Veja mais adiante.
27 Pois é! Não se pode esconder nada!

34
Terra — O Jardim de Lúcifer

Então, perante este quadro, algo se alterou: a Sombra concebeu ou-


tro plano, que acabou por trazer para a Terra com a Invasão. Assim, seres
humanos sem livre-arbítrio foram manipulados através da introdução,
nos seus genes, da matriz do medo e da obediência. Eram quase como
clones, soldados, que, em grande número, como referimos, acabaram
por ser trazidos para invadirem a Terra. E, assim que chegaram, logo se
instalou o caos. Desta forma, os que cá entraram sem autorização mu-
daram o plano inicial, que se baseava no livre-arbítrio.
Vocês perguntam como foi possível que eles tivessem chegado aqui
e permanecido e porque se permitiu a degeneração da experiência.
É muito simples:
No princípio, essa manipulação não foi visível, pois foi feita aos
poucos. Começaram a notar-se algumas alterações e, de repente, vieram
em grande número e ocorreu a guerra. Lembrem-se de que o poder de
ambos os lados era semelhante. Era! Já não é, pois a experiência da Terra
deu à Luz e ao Amor o poder total sobre a Sombra.28 Hoje sabemos que
nada, vindo da Sombra, pode contaminar um Ser de Luz… desde que
ele assim o queira, evidentemente!
Alguma pergunta?
Vitorino — Continua a ser confuso como é que vocês não se apercebe-
ram do que se estava a passar.
Lúcifer (por Esmeralda) — Não se pode dizer que não nos tenha-
mos apercebido. Vejamos:
Eles entraram clandestinamente, mas foram detectados. E a questão
levantou-se. É evidente que, no início, ninguém queria acreditar que
algo pudesse ter sido feito com outros irmãos. No entanto, a questão foi
colocada sobre a mesa. Aquele a quem vocês chamam Arcanjo Gabriel
chamou a atenção para o que estava a acontecer, uma vez que nunca o
criador de um Universo tinha interferido com a experiência de outro
criador. Então, por ter percebido que algo estava a ser feito negativa-

28 Num contacto posterior, foram pedidos esclarecimentos sobre esta frase. Veja mais adiante.

35
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

mente, eu pedi mais dados, quer referentes ao meu próprio universo,


quer ao outro. Esses, porém, nunca chegaram.
Demorámos algum tempo a responder e a entrar em guerra, porque
essa não é a resposta do Amor; depois, como já disse, a Grande Fonte
optou por dar uma oportunidade de ascensão aos humanos que tinham
sido introduzidos na Terra.
A existência de tantas matrizes culturais na Terra tem a ver com a
proveniência desses seres, que aqui chegaram. Apesar de, ao longo de
muitos séculos, o erro, a maldade e a perversão terem sido inimagináveis,
foi-lhes dada a oportunidade de ascensão; os outros, os que não se mis-
turaram, desencarnaram. A Terra foi deixada a quem a tinha invadido…
Vitorino — Portanto, não houve uma mistura significativa entre os que
já cá estavam e os que chegaram…
Lúcifer (por Esmeralda) — Houve mistura, mas só quando nós o
permitimos, quando os filhos de Adão e Eva desceram à Terra para se
misturarem com os filhos da outra semente. Fizeram-no consciente-
mente, aceitando a situação, sabendo o que estavam a fazer. De onde é
que vocês acham que vieram as histórias das culturas mais antigas, em
que os deuses desciam à Terra e se misturavam com os humanos? Mas
essa foi uma segunda fase.
A grande experiência aqui é que o Projecto da Sombra foi cancelado
de imediato. Quem estava, estava; ninguém mais pôde entrar. Esse sem-
pre foi o grande problema da Sombra. O seu projecto foi mal sucedido
porque não conseguiu mudar o futuro do planeta.
A questão, como disse, era: ou se destruía tudo ou se dava uma
oportunidade ao Amor. Ora, vocês querem maior oportunidade ao
Amor do que transmutar a semente do medo e do controlo, na semente
da livre escolha e da entrega ao Amor verdadeiro?
Eis o que se passou na Terra. É nisso que vocês os dois estão a parti-
cipar, agora, depois de muitas eras de grandes transformações.
Vitorino — Afinal, quem são Adão e Eva?

36
Terra — O Jardim de Lúcifer

Lúcifer (por Esmeralda) — Adão e Eva são os arquétipos da raça


original, pura. Por isso é que a Esmeralda, não sabendo ainda quem vo-
cês os dois eram, sonhou que eram Adão e Eva. Vocês são a encarnação
dos arquétipos originais e vão dar origem a uma nova raça. Vão restau-
rar o que existia antes, assimilando, no entanto, o que foi introduzido
pela Sombra. Vocês vão transmutar tudo o que há para transmutar e
que impede o desenvolvimento da Matriz em cada ser.
Isso é “Adão e Eva”, os arquétipos da verdadeira raça original.
O «pecado original», de que fala a Bíblia, aquilo que provocou a «queda»
de Adão e Eva, tem a ver com esta história. O «pecado original» não é
mais do que a deturpação dos arquétipos da raça, quando a «serpente»
(a Sombra) se introduziu no Jardim do Pai (Terra) adulterando o que
lá existia e obrigando Adão e Eva — a raça original — a refugiar-se
noutro plano.
Fiz-me entender?
Vitorino — Perfeitamente, obrigado.
Lúcifer (por Esmeralda) — Depois, contactámos novamente com
esses seres humanos, que tinham invadido o planeta, a quem acontecera
algo muito interessante ao entrarem na Terra: o contacto com a energia
da Luz e do Amor da Terra provocou-lhes a primeira transformação.
E dor, muita dor. A partir daí, nós estivemos sempre cá… e a Sombra
também, tentando impedir a reestruturação que tem vindo a acontecer
ao longo dos séculos. Mas não consegue os seus intentos porque esta
experiência estava destinada ao sucesso. Tomara que os humanos o sou-
bessem e o percepcionassem. Se tivessem a visão total de tudo isto, seria
mais fácil e muito sofrimento seria evitado.
Esse contacto com os que cá estavam ajudou a estabelecer não só
relações de ensinamento, mas, inclusive, a mistura das matrizes. Foi só
nessa altura que os Filhos do Céu vieram para se misturarem com as
Filhas da Terra, que já cá estavam, para que outro tipo de matrizes fosse
surgindo. Se isto não tivesse acontecido, teria sido impossível a poste-
rior descida dos vários avatares.

37
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Quer dizer que a mistura, que nós julgávamos que fora
para contaminar o ADN original, afinal aconteceu ao contrário.
Lúcifer (por Esmeralda) — Exactamente.
Vitorino — A mistura foi feita pelos Filhos da Luz, para recuperar, aos
poucos, a Matriz Original.
Lúcifer (por Esmeralda) — Exactamente. A informação de que vocês
dispõem é que a Matriz Original foi manipulada. É verdade: humanos
dos outros planetas passaram a ter um nível de negatividade que não ti-
nham no início… mas faltava-lhes a possibilidade de livre escolha, como
acontecia com quem estava na Terra, que, repito, é o único planeta onde
existe livre-arbítrio. Ao entrarem na Terra e ao contactarem com as leis
locais, muita coisa se transformou neles. Aqueles humanos, vindos de
outros lugares, que chegaram como invasores, e que tinham recebido, por
manipulação genética, um elevado nível de negatividade, viram-se, pela
primeira vez, em contacto com a Luz, com o Amor e com a possibilidade
de escolha. Querem coisa mais dolorosa do que dar a possibilidade de
escolha a quem não pode escolher com base no Amor?
Esta é a difícil aprendizagem deste planeta! Podemos agradecer à Som-
bra esta grande experiência de Amor que se tem desenrolado na Terra.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Não, por agora não. Iremos conversar sobre estas revelações
e decerto surgirão outras perguntas, que faremos no próximo contacto.
Lúcifer (por Esmeralda) — Certo. Muito obrigada.

1 de Agosto

Lúcifer (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos ao nosso contacto.


Eu sou Lúcifer e aguardo as vossas perguntas.
Vitorino — Estivemos a conversar sobre as últimas comunicações e sur-
giram algumas dúvidas. A primeira pergunta é: Ao tempo da Invasão da

38
Terra — O Jardim de Lúcifer

Terra pelos humanos manipulados geneticamente, que relação existia entre


ti, Lúcifer, e o Senhor da Sombra? Eram concorrentes? Qual o plano da
Fonte Maior para Universo da Sombra?
Lúcifer (por Esmeralda) — O Plano Divino é de plena liberdade,
pelo que era necessário experimentar vários modos de crescimento. Não
é que o Projecto Inicial (para a Terra) assentasse na proposta do Senhor
da Sombra, tal como vocês o conhecem. Mas era uma experiência di-
ferente, sem dúvida. No entanto, o Plano Maior deu plena liberdade
aos seus Filhos para desenvolverem as suas experiências. O objectivo
era acumular conhecimento a vários níveis. Mas os projectos sofreram
alterações e cada um caminhou segundo o que a experiência lhe trazia.
Neste Universo ninguém sabia o que se estava a fazer do outro lado,
embora se soubesse qual era a experiência deles, porque muita gente
desse Universo estava por cá. Havia, inclusive, colaboração, para poder-
mos beneficiar das experiências diferentes e da especificidade de cada
conhecimento acumulado.
A relação entre mim, Lúcifer, e o criador do Universo que vocês
conhecem como Sombra, era a que existia entre os Filhos da Fonte
Maior. Não podemos colocar aqui a questão da concorrência, enten-
dida em termos humanos; num Plano Maior isso não tem cabimento,
pelo menos do lado da Luz.
Vitorino — Então, foi por isso que não desconfiaram do que Satã an-
dava a fazer, uma vez que ele era um colaborador.
Lúcifer (por Esmeralda) — Exactamente. E foi um excelente cola-
borador dando-nos uma visão diferente, já que nós não trabalhávamos
da mesma maneira.
Vitorino — O que poderá ter levado Satã a fazer o que fez?
Lúcifer (por Esmeralda) — O pedido do seu Pai…
Vitorino — Podemos saber como se chama o Pai dele?
Lúcifer (por Esmeralda) — O seu nome é o que foi dado nas infor-
mações de Shtareer, a outro canal, ou seja, Anhotak. Mas tem outros

39
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

nomes, ao nível do Universo, tal como eu. E, na Terra, também é co-


nhecido com outras designações.
Vitorino — Podes dizer-nos qual era a origem dos humanos que acaba-
ram por ser manipulados e, posteriormente, injectados na Terra?
Lúcifer (por Esmeralda) — A origem dos humanos provinha de
vários planetas…
Vitorino — Deste Universo ou do deles?
Lúcifer (por Esmeralda) — Deste Universo vinham alguns, muito
poucos. Foram levados daqui devido à confiança extrema que tinham
em Satã, que estava a trabalhar com eles. Mas também vinham do outro
Universo; esses, sim, eram a parte mais significativa da experiência.
Vitorino — Estamos a falar do Universo, mas vamos cingir-nos a esta
galáxia. Esta experiência refere-se a esta galáxia ou a outra dos milhões
existentes neste Universo?
Lúcifer (por Esmeralda) — Vamos ver: a experiência foi feita com
o planeta Terra e as repercussões do que ainda hoje se passa aqui são a
nível global, não só neste Universo como em todos os outros Universos.
Vocês são o único planeta que conhece o valor da responsabilidade e o
peso da liberdade.
Vitorino — Então, como é que funciona nos outros lugares, mesmo
aqueles que estão ao serviço da Luz? Não têm opção?
Lúcifer (por Esmeralda) — Nas matrizes de quem lá vive, digamos
assim, a ligação ao Pai é total. Desta forma, a minha vontade cumpre-se.
Há uma sintonia perfeita. Cada um dos elementos que sai do Pai não
perde a noção do Objectivo Maior. Portanto, não precisam de escolher.
Para que a experiência da Terra pudesse resultar, vocês tiveram de pas-
sar a lidar com o véu, para poderem ter a capacidade de escolha. Na pri-
meira parte da experiência, contudo, na fase do livre-arbítrio puro (antes
da invasão) não havia véu, como sabem: as pessoas entravam e saíam (do
planeta) e representavam os diferentes papéis, faziam opções diferentes
com a consciência do que estavam a experimentar. E não queriam pre-

40
Terra — O Jardim de Lúcifer

judicar ninguém, antes pelo contrário. Era algo vivido no Amor. A dife-
rença surgiu quando teve de se instalar o véu. O véu protegia-vos porque
o vosso nível de negatividade era de tal ordem que impedia a ascensão.
Então, o véu retirou-vos a noção da Dimensão Maior para evitar mais
sofrimento.29 Terem a noção da Luz, e não conseguirem ascender devido
às premissas negativas que traziam nos seus genes, era um sofrimento
enorme para aqueles a quem vocês chamam «deuses caídos».
Vitorino — A manipulação genética, de que estamos a falar, ocorreu
apenas com a raça humana ou também com outras raças?
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro que ocorreu com outras raças,
mas não neste Universo. O tipo de experiência da Terra, só ocorreu
com a raça humana e neste Universo. No Universo da Sombra — temos
conhecimento agora — é que ocorreu a manipulação genética de todas
as raças, de forma a perceber como se comportavam quando eram desti-
tuídas dos seus potenciais máximos. Com os humanos, porém, sempre
foi mais difícil, devido a uma das especificidades da raça: a emoção. Os
humanos são o oposto de outras raças, que não conseguiram desenvol-
ver emoções e cujas manipulações genéticas fizeram com que perdessem
qualquer resquício emocional que ainda guardassem. Os humanos são
ao contrário.
Vitorino — Muito bem. No contacto anterior, há duas frases que,
do nosso ponto de vista, precisam de ser esclarecidas. Numa delas disseste:
«Muitas vozes profetizaram um futuro mais negro, mais denso ou mais
luminoso.» Bom, que não aconteça nada do que estava previsto a nível
negativo, é óbvio; mas será que também não vai ocorrer nada do que estava
previsto no nível mais luminoso?
Lúcifer (por Esmeralda) — Perante os dados que temos, perante a
vossa entrega pessoal (do Vitorino e da Esmeralda) e do que vai aconte-
cer, o futuro previsto para a Terra não se concretizará. Vejamos: os «fu-
29 Imagine o que seria estar no «inferno» tendo consciência da existência do «céu»! Ao perder
esta consciência através da «aplicação» do véu, «para evitar o sofrimento», o «inferno» passa a
ser algo natural. E, claro, parece não ter alternativa!

41
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

turos negros» estão, definitivamente, postos de lado. Mesmo assim, não


se impressionem com as mudanças que vejam ocorrer no planeta. Isto
pode ser dito aos vossos irmãos. Quanto aos «futuros luminosos», todos
eles eram uma previsão, mas não têm nada a ver com o que vai acon-
tecer. Isto não quer dizer, é claro, que o futuro da Terra seja sombrio;
antes pelo contrário, quer dizer que a Terra tem agora o seu potencial
máximo. O seu futuro será o reencontro com a Matriz Original. Pela
primeira vez podemos dizer que a Terra vai cumprir a função original
para que foi criada e vocês os dois são os portadores dessa mudança.
Essa Matriz Original, como podem perceber, é o futuro dourado, de
Luz Total, de interpenetração total com a Fonte. É a expressão total dos
vossos potenciais, é a Paz Total na Terra. E não vai demorar assim tanto
como podem pensar. [6]
Muitas surpresas vos aguardam, meus queridos.
Vitorino — Tenho outra pergunta baseada numa frase tua, da comu-
nicação anterior: «A experiência da Terra deu à Luz e ao Amor o poder
total sobre a Sombra.» Quer dizer que a Sombra não consegue dominar o
poder da Luz? E só aconteceu na Terra e neste Universo, ou também noutros
Universos?
Lúcifer (por Esmeralda) — Não há maior experiência, em qual-
quer Universo, do que a vossa, aqui na Terra, porque ela demonstrou a
certeza de algo que o Senhor da Sombra não quer que seja conhecido:
perante a Luz e o Amor, a Sombra e a sua matriz não têm qualquer
hipótese de concretização, de poder, de realização ou seja o que for.
Portanto, esta é uma experiência para todos os Universos. Por isso é
que vocês os dois são importantes; por isso, a Sombra tudo fará para
abortar esta experiência. Mas tal não vai acontecer porque nós estamos
cá e vocês os dois, além de alertados, estão absolutamente protegidos
por nós… mesmo que isso implique uma intervenção a outro nível,
que não é costume ser feita! Se for necessário, ocorrerá uma intervenção
mais materializada, porque vocês estão completamente protegidos. Só
devem seguir as nossas instruções. Como é evidente, estes contactos vão

42
Terra — O Jardim de Lúcifer

continuar. Mas, definitivamente, vocês os dois terão de ganhar cons-


ciência total, nos vossos corações, que o vosso poder sobre a Sombra é
total. Nunca se esqueçam disso.
Vitorino — Podes dizer-nos em que medida é que vocês vão sustentar,
no plano físico/material, estas informações, para que não pareçam um ab-
surdo e, ao fim e ao cabo, não ponham em causa a credibilidade do nosso
trabalho? 30
Lúcifer (por Esmeralda) — Vamos por partes: Durante estas férias
vocês vão ver-nos. Muito em breve; não tarda. Não tenham expectati-
vas. Vão ver-nos e vamos falar. É importante para vocês e para nós, e
vai desbloquear uma série de processos, dentro de vocês, em relação à
vossa união. Vão perceber algumas coisas que, de outra forma, seriam
muito difíceis de vos explicar em termos humanos, por causa das ca-
racterísticas das vossas personalidades, que são correctíssimas. Depois
desse primeiro contacto directo, outros se seguirão. E faremos contacto
em público, o que significa que vocês vão falar connosco em público.
Quem estiver presente vai ver-nos. Querem melhor forma de autenticar
a informação que temos vindo a dar-vos?
Vitorino — Não! Só podia ser essa…
Lúcifer (por Esmeralda) — Então por que é que ainda perguntas?
Isto não é uma crítica, mas temos vindo a dizer que, de forma nenhu-
ma, vamos deixar-vos sozinhos, desamparados, desprotegidos, ou seja
o que for. Neste momento, para nós, não há nada mais importante do
que a vossa credibilidade e protecção, assim como o respeito total pelas
vossas pessoas enquanto seres humanos.
Vitorino — Toda esta conversa vai fazer parte do livro? [7]
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim. Constará tudo o que respeita à
história da Terra, a história de Jesus, as vossas perguntas…
Vitorino — E sobre os contactos visuais, também?

30 Já sabíamos que eles sustentariam esta informação com algum tipo de manifestação inédita.
As dúvidas, porém, continuavam.

43
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Lúcifer (por Esmeralda) — Claro. As materializações poderão ocor-


rer antes de Novembro!
Vitorino — Portanto, podem constar do livro…
Lúcifer (por Esmeralda) — Podem.
Vitorino — Certo. Obrigado.
Lúcifer (por Esmeralda) — E podem acrescentar o que eu vou dizer
agora: vocês os dois sempre foram as correspondências, na Terra, do
Pai e da Mãe deste Universo. Encarnaram diversas vezes cumprindo o
Plano Divino, antes de caírem naquilo a que chamam Roda das Encar-
nações, antes de se perderem um do outro, pois foi o que aconteceu.31
Não foram muitas as encarnações, mas foram violentas e deixaram mar-
cas, tal como na maioria dos seres humanos. Experimentaram a dor da
perda, da separação, do ciúme, do desejo, da violência ao mais baixo
nível, sendo vítimas e algozes. Nenhum dos dois chegou a atingir um
grau de Sombra, de baixa vibração, que impedisse a ascensão… embora
o tivessem tentado! O problema das vossas encarnações é que a Sombra
sempre soube quem vocês eram. Como já dissemos, o que se faz neste
Universo não é segredo, embora algumas coisas estejam encobertas por-
que assim tem de ser, para vos defender. Vocês estiveram em contacto
com a Sombra muitas vezes, de uma forma a que as religiões chamam
«tentação». Os encontros foram bastantes e variados e «caíram» algu-
mas vezes, embora, por vezes, tenham tido a percepção de que tinham
de se resguardar. O vosso reencontro no Porto foi uma bênção, um
acontecimento muito feliz. Mais feliz ainda foi o facto de se terem re-
conhecido… levemente! A Esmeralda teve essa percepção e ficou muito
assustada, porque não percebeu.
Vamos continuar?
Vitorino — Sim, por favor.

31 Esta passagem é muito curiosa porque a Esmeralda, quando viu Vitorino de Sousa pela pri-
meira vez, numa consulta de astrologia, no Porto, em Novembro de 2002 — como narra no
seu capítulo, aliás — disse: «Ah! Estás aí!», como se o tivesse reencontrado.

44
Terra — O Jardim de Lúcifer

Lúcifer (por Esmeralda) — Estávamos a falar da «roda» em que


ambos caíram nas encarnações anteriores. Nessa altura, porém, já ha-
via um Plano para vocês. O que nós estamos a retirar agora são as
memórias dolorosas dessas experiências. Mas nesta encarnação actual,
tudo foi tentado pela Sombra para que vocês não ganhassem o grau
de consciência que ganharam. A vossa identidade é muito forte e não
é possível apagá-la. Também tu, Vitorino, por diversas vezes, já tiveste
ao teu lado servidores da Sombra que tentaram manipular-te. Mas,
agora, tal já não é possível acontecer.

PAUSA (TRANQUILIZADORA)

Por conseguinte, estabeleceremos contacto visual com vocês os dois,


dentro de um ou dois dias. Isso já a Esmeralda tinha intuído; estamos
a preparar a rede. O facto de se sentirem cansados e irritados, ansiosos,
frustrados e com várias oscilações de sentimentos, tem a ver com isso.
Têm de ter paciência. Se me permitem, vou fazer uma sugestão: apesar
do trabalho das transcrições para o livro, passem o maior tempo possí-
vel ao ar livre. É fundamental, porque vos descomprime. Descansem e
durmam quando vos apetecer.
Vitorino — Muito obrigado. Por agora não tenho mais perguntas.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, vamos fazer um pequeno silên-
cio; depois continuamos.

PAUSA (ANSIOSA)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e venho contar a mi-


nha história, uma vez que vocês não se recordam dela. Parece uma brin-
cadeira, mas não é. Antes de começar, quero confirmar todas as decla-
rações que o meu Pai acabou de vos fazer. Efectivamente, dentro de um
ou dois dias, os meus Pais (Lúcifer e Yasmin) vão estabelecer contacto
material com as suas matrizes, que lhes correspondem na Terra.
Vitorino — Connosco, portanto.

45
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — Pois! Convosco… Foi feita uma pausa,


relativamente à história da Terra, para que tenham tempo de fazer as
transcrições. Desta forma poderão assimilar o que foi dito e poderão
conversar para que surjam perguntas. Agora vamos falar do que acon-
teceu há 2000 anos:
Dessa vez, a minha vinda à Terra também foi preparada muito
cuidadosamente. Quando desceram à Terra, os meus pais já sabiam
ao que vinham. [8]
Não houve, pois, necessidade de os preparar, de esperar que as
múltiplas experiências de aprendizagem decorressem. Não foi preciso
aguardar pelo seu amadurecimento e compreensão de todo o processo.
Mas eu também não viria completo.32
Como os textos sagrados indicam, Maria era uma jovem. Não
tão jovem como imaginam, mas era uma jovem realmente; José era
um pouco mais velho. Já era um homem feito, mas não tão velho
como julgam. E, sim, estavam prometidos um ao outro. Mas houve
uma série de obstáculos que, de alguma forma, atrasou o casamento.
É verdade que eles tomaram conhecimento da minha vinda, antes de
estarem casados. Mas, como imaginam, Maria só engravidou depois
do matrimónio. [9]
A história diz que José recebeu informações em sonhos, e está certo.
Mas não só; também teve um contacto visual; Maria teve outro.
Vitorino — Pode saber-se com quem?
Sananda (por Esmeralda) — Com Gabriel. Ele foi, efectivamente, a
entidade encarregada de fazer o contacto.
Agora, vou fazer uma revelação: Gabriel é uma entidade que traba-
lha com o Grupo Kryon.

(Por vir totalmente a propósito, vamos abrir parênteses para in-


tercalar aqui a resposta de Yasmin a uma pergunta de Vitorino de Sousa,
durante um contacto privado, acerca de quem é Kryon:
32 Tanto assim que o seu complemento feminino encarnou e viveu junto dele, como mulher.

46
Terra — O Jardim de Lúcifer

«Kryon é uma partícula do meu complexo vibracional. Quando ca-


nalizavas Kryon, já estavas a canalizar-me.33 Mas era preciso que surgisse
um nome, directamente associado a ti, um nome novo, como foi o meu
—Yasmin — para que as pessoas percebessem que havia uma entidade,
digamos assim, com a qual estavas directamente relacionado. Era algo
que dizia respeito a ti, como Kryon diz respeito, essencialmente, àquele
norte-americano que tu conheces.34 Como suspeitaste, neste teu novo
padrão de trabalho, apenas mudou o nome; o complexo vibracional é
o mesmo; é apenas outra célula do mesmo corpo. E, mesmo assim, essa
célula não é individualizada. Portanto, não te preocupes.
A magnificência da tua missão na Terra, e em Portugal principal-
mente, requeria uma entidade específica que estivesse conectada a ti.
Por outras palavras, a tua projecção e o teu crescimento dificilmente
poderiam ocorrer se continuasses ligado a um nome já sobejamente co-
nhecido, que muitas pessoas canalizam. Dificilmente conseguirias che-
gar ao nível de destaque, onde é necessário que chegues. Isto não tem
nada capaz de afectar a tua vaidade; é apenas um aspecto da tua missão,
que já sabes qual é. Formamos um grupo de trabalho interdimensional:
nós fazemos a nossa parte aqui; vocês fazem a vossa parte aí. Quando
digo “vocês”, estou a referir-me à tua companheira que, como sabes, é
uma partícula minha, tal como tu. E o facto de se terem encontrado aí
na Terra vai proporcionar muita coisa útil ao Plano Global de resgate da
Terra, como tu também já sabes, mas ainda é cedo para divulgar.
Incitei-te a sentares-te nesse sofá e a ligares o gravador para te dizer
estas coisas e, também, para sugerir que transcrevas esta parte da nossa
conversa e ponhas no teu site, para que as pessoas conheçam a génese do
que está para acontecer nesse país. Vão fazer-te muitas perguntas, natu-

33 Estas canalizações geraram três livros, publicados pela editora Angelorum Novalis. Os
seus títulos são: LIGANDO A LUZ; O ESPÍRITO NA VOZ HUMANA; SEM PERDÃO NÃO HÁ
SERENIDADE
34 Lee Carroll. Neste momento (Setembro 2007) estão publicados em Portugal, pela editora
Estrela Polar, quatro livros com as suas canalizações de Kryon. Os restantes textos estão dis-
poníveis no botão «Kryon» de www.velatropa.com, ligação para «Lee Carroll».

47
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

ralmente, mas o sigilo deve ser mantido, até que chegue o momento de
ser revelado o que tem de ser revelado.»

Fechamos os parênteses e prosseguimos com a transmissão de


Sananda)

Para vocês, Gabriel é um mensageiro, mas ele tem outras funções.


Aproximou-se, muitas vezes, da Esmeralda, mas, da primeira vez, não
foi ele quem lhe falou, fui eu. [10]
Gabriel ficou encarregue de contactar o meu pai e a minha mãe
(biológicos), uma vez que, nessa altura, o meu Pai e a minha Mãe (celes-
tes) não podiam fazer a sua aparição, materialização ou como queiram
chamar. Gabriel é uma entidade com experiência de contacto, mesmo
ao nível de outras dimensões, de outros planetas e de outras realidades.
Possui a grande capacidade de sintonizar com os seres humanos, embo-
ra a sua origem seja outra. Nem todas as entidades deste plano possuem
a capacidade de sintonizar com os humanos… embora seja preferível
dizer que são vocês que não têm a capacidade de sintonizarem com elas!
Essa questão do contacto entre os dois lados do véu tem a ver com ca-
racterísticas da vossa matriz e, também, com a experiência da entidade
em questão.
Vitorino — Gabriel é uma entidade emanada pela Fonte ou evoluiu a
partir de encarnações, digamos assim?
Sananda (por Esmeralda) — Todas as entidades são emanadas pela
Fonte. O que tu queres saber é se Gabriel encarnou noutras dimensões…
Vitorino — Sim. Se, tal como nós, passou por um processo de encarna-
ções, não necessariamente na Terra.
Sananda (por Esmeralda) — Desde a sua criação na Fonte, Gabriel
apresentava um potencial enorme ao nível da comunicação, e não só.
Foi-lhe pedido que encarnasse, mas não neste planeta. E, num processo
bem difícil, encarnou…

48
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Como humano?


Sananda (por Esmeralda) — Não. Noutra raça, noutra realidade.
Encarnou como aquilo a que chamam avatar, numa situação bem di-
fícil. E teve um papel extraordinário de comunicação com a realidade
onde tinha encarnado. Desencarnou com o potencial máximo. Gabriel
é um Filho da Fonte, um Mensageiro da Fonte para muitos planetas.
Também foi mensageiro da Terra.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Não. Obrigado pelos esclarecimentos.
Sananda (por Esmeralda) — Relativamente à história de Maria e de
José, vamos agora abrir o «Livro das Revelações». Desprendam-se, pois,
de qualquer ideia preconcebida que possam ter:
Há muitas teorias que dizem que Jesus foi concebido através de
inseminação artificial. Efectivamente, o ADN de José e de Maria foram
trabalhados para poderem gerar-me. [11]
Sim, da primeira vez, José e Maria não me geraram (através de uma
relação sexual); não era possível.
Vitorino — Então como foi?
Sananda (por Esmeralda) — Através da manipulação genética.
A tecnologia utilizada era bastante mais avançada (do que a da Ter-
ra, presentemente), mas pode ser comparada realmente com aquilo a
que chamam inseminação artificial. Todavia, foram utilizadas partes do
ADN de Maria e de José. Tinha de ser assim. Naquela altura, não lhes
era possível conceberem um corpo com a dimensão com que eu viria
à Terra. E também começaram a surgir mudanças e transformações à
volta deles. Os profetas já tinham anunciado e confirmaram (a vinda);
essa parte da história é verdadeira.
Maria e José tiveram de se afastar para o Egipto, onde permanece-
ram durante muito tempo. Não foi para fugir, mas para se resguardarem
e permitir que a minha educação fosse diferente.
Vitorino — Onde é que tu nasceste?

49
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — Eu nasci, como se diz, perto de Belém.


Essa história está correcta. Nasci numa cidade atulhada de gente, onde
jamais se imaginaria que poderia nascer aquele que estava anunciado.
Mas, depois, a minha educação decorreu no Egipto. Foi uma educa-
ção esmerada. Maria e José tiveram sempre muita abundância, viveram
muito tranquilos, e eu pude contactar com grandes mestres. Na altura,
os meus pais fizeram um grande trabalho ao nível da minha educação,
mas também do seu crescimento interno. [12]
O tempo que passei no Egipto foi de iniciação. Estava muito bem
acompanhado e fui preparado para tudo o que viria posteriormente.
A minha apresentação aos Doutores do Templo fez parte da apresenta-
ção pública, mas também foi o primeiro teste à forma como eles reagi-
riam à minha presença. [13]
Portanto, o que podem reter, relativamente à história da Primeira
Vinda, é que: 1) Maria não engravidou antes do casamento; 2) A ques-
tão da concepção artificial, como muitos já desconfiavam, é um dado
correcto, embora tenham sido utilizados os genes de Maria e de José.
Isto pode e deve ser publicado — faz parte da história — independen-
temente de todas as complicações que possa gerar. As pessoas têm de
entender que a minha vinda sempre foi cuidadosamente planeada. Nós,
aqui, não usamos varinhas mágicas; usamos a Luz como a mais alta
tecnologia de transformação! E, também, o Amor, que é inerente à Luz.
Por hoje é tudo. Vou terminar. Gostámos de vos deixar este material
para que possam conversar. Continuaremos a esclarecer as vossas dúvi-
das até que, dos vossos espíritos, desapareça a mais pequena perplexida-
de ou resistência acerca deste processo.
Muito obrigado pela vossa colaboração, empenho e entrega. Traba-
lhem a teia entre os dois. Fiquem ao ar livre o maior tempo possível e
descansem quando precisarem, porque o trabalho que está a ser feito
com vocês é muito intenso. [14]

50
Terra — O Jardim de Lúcifer

2 de Agosto

Lúcifer (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos, mais uma vez. Agra-


da-nos que tenham estabelecido contacto hoje. Eu sou Lúcifer e estou
aberto para responder às vossas questões.
Vitorino — As questões que temos para colocar, dizem respeito às infor-
mações de Sananda, transmitidas ontem. Não sei se podes responder a per-
guntas acerca da vida de Jesus.35 De qualquer forma, tenho uma pergunta
que pode ser para ti: Há algumas instruções para o dia de amanhã, que tem
o potencial de experimentarmos o contacto directo convosco?
Lúcifer (por Esmeralda) — Mantenham-se tranquilos, só isso. Mui-
to tranquilos. O que tiver que se dar, dar-se-á.
Vitorino — Posso fazer as perguntas sobre a vida de Jesus?
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro que sim.
Vitorino — A educação de Jesus decorreu só no Egipto ou também es-
teve noutros países?
Lúcifer (por Esmeralda) — A educação de Jesus decorreu essencial-
mente no Egipto. Na altura, esse era o lugar mais perto onde se encon-
travam os grandes mestres e os depositários do conhecimento antigo,
que ele devia ter na sua educação.
Vitorino — Qual era, afinal, a profissão de José?
Lúcifer (por Esmeralda) — Não era, de todo, um carpinteiro. Tinha
bens e administrava-os. De alguma forma, era negociante.
Vitorino — Quantos irmãos tinha Jesus, mais velhos ou mais novos do
que ele? É possível saber?
Lúcifer (por Esmeralda) — Jesus não tinha nenhum irmão mais
velho. Mas tinha mais três irmãos, filhos de José e Maria.
Vitorino — Esses concebidos através de uma relação carnal.
Lúcifer (por Esmeralda) — Absolutamente correcto.

35 Que ingenuidade!

51
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Não temos mais perguntas, por agora. Se quiseres acrescen-


tar mais alguma coisa…
Lúcifer (por Esmeralda) — Este contacto é muito breve, dadas as
condições deste canal.36 Esses sintomas têm a ver com o nosso trabalho.
Não os valorizem de mais. Apenas vos peço muita tranquilidade. De
resto, amanhã conversaremos; estarão os dois em melhores condições.
Vitorino — Certo. Muito obrigado.

3 de Agosto

Yasmin (por Esmeralda) — Hoje, espera-se um grande aconteci-


mento, com toda a tranquilidade e sossego. Vocês passarão a encarar
os encontros directos com o Espírito de uma forma tranquila, como
encaram, hoje, a canalização. Ou não acreditam? Não acreditarem
não tem a menor importância, porque nós sabemos que é algo novo
e diferente, que nunca se fez na Terra, desta forma. Embora muitos
humanos já tenham contactado directamente com o Espírito, não foi
como vai ocorrer com vocês. Não estamos a criar-vos expectativa; te-
mos o maior respeito por vocês e por todos os outros. No entanto,
tudo tem o seu tempo. Realmente, hoje, vocês esperam um contacto
directo connosco, a outro nível, e vai acontecer. Só pedimos que fi-
quem tranquilos.
É muito agradável estar com vocês. O nosso contacto é extraordina-
riamente importante.
Muito obrigado.37

36 Grande indisposição, enjoo. Mente turva como se estivesse alcoolizada.


37 O dia passou, o Vitorino de Sousa não largou o gravador nem a máquina fotográfica, mas,
para grande frustração, nada aconteceu. Adiante se encontrará a explicação para o sucedido.

52
Terra — O Jardim de Lúcifer

4 de Agosto (manhã)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e quero dar-vos algumas


informações. Antes, porém, gostaria de conversar um pouco convosco.
É a nossa primeira conversa gravada a um nível mais profundo.
Sei que estão preparados e que há imensa expectativa. Mas será que
estão dispostos a uma abertura total durante este processo?
Vitorino — O que entendes por «abertura total»?
Sananda (por Esmeralda) — «Abertura total» é podermos abordar
qualquer tema, quer ao nível individual, quer ao nível global.
Vitorino — Com certeza.
Esmeralda — Claro.
Sananda (por Esmeralda) — Muito bem. Então vamos prosseguir.
Efectivamente, nos próximos tempos, a minha parte vai ser contada
por mim, e não só; vamos ter outro tipo de conversas; depois torna-
rão a trabalhar com Lúcifer. A minha energia é necessária aqui, neste
momento.
Portanto, encarem isto não apenas como uma canalização para o
livro, mas também como um trabalho energético para vocês, uma pre-
paração intensiva para o que vem a seguir.
Quero fazer apenas um reparo em relação à vossa expectativa de
encontro directo connosco: torno a dizer que será um acontecimento
inevitável. Ontem, ao longo do dia estivemos permanentemente em
contacto. Será que os acontecimentos não foram suficientemente eluci-
dativos acerca de quem vocês são? Será que, ontem, não tiveram a prova
real de quem são vocês?38 Eu sei que nos querem ver; há uma expectativa
muito grande em relação a verem o Pai e a Mãe, mas ambos estiveram
presentes. Sempre. O que posso dizer é que se trata de um acontecimen-
to inevitável. Repito: vocês vão vê-los, ouvi-los, e logo se verá mais o
quê. Ontem, porém, nenhum de vocês tinha a energia suficientemente

38 Referência ao que uma terapeuta amiga viu durante uma consulta com Esmeralda Rios.

53
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

estabilizada para um primeiro contacto directo. No entanto, não tarda-


rá. Peço-vos, mais uma vez, para não terem expectativas. O Espírito não
promete o que, depois, não cumpre. De forma nenhuma.
A nossa preocupação com o vosso equilíbrio energético é muito
grande porque, como compreenderão, qualquer percalço poderia lesar-
-vos e atrasar todo o processo. Não é o que se pretende. O potencial
evolutivo de um determinado dia pode ficar completamente compro-
metido, se houver uma perturbação a nível energético. Não têm de se
preocupar com isso, nem fazer nenhum policiamento; nós estamos ape-
nas a fazer algumas pequenas alterações para que o contacto directo
venha a decorrer suavemente. Sem expectativas, por favor; também é
muito importante.
Agora estou aberto para as vossas perguntas, que eu sei que têm
para fazer.
Vitorino — Achas que, ontem, as nossas expectativas, em relação ao
contacto visual, foram muito evidentes?
Sananda (por Esmeralda) — Alguma expectativa, nenhuma ansie-
dade. Mas ela pode aumentar agora; por isso estamos a dizer…
Vitorino — Era difícil não ter expectativas, não?
Sananda (por Esmeralda) — Nós compreendemos; faz parte do
processo. Isto tem duas vertentes: vocês aprendem a encarar o processo
com normalidade, confiando completamente no Espírito e, ao mesmo
tempo, ficam preparados para entender o processo dos vossos irmãos.
Sim, porque também eles nos vão ver, embora noutras circunstâncias,
evidentemente.
Vitorino — Queres falar-me sobre o que vimos no céu, ontem à noite,
se faz favor?
Sananda (por Esmeralda) — O que viram no céu foi uma mani-
festação da alta tecnologia extraterrestre. Vocês têm de perceber que
estão acompanhados. Têm de estar acompanhados! Há que fazer alguns
arranjos e modificações na crosta terrestre, assim como é preciso tomar

54
Terra — O Jardim de Lúcifer

algumas medidas de precaução. A salvaguarda da segurança dos hu-


manos em geral, e de vocês em particular, é, muitas vezes, feita através
dessas intervenções. Precisam de entender isto: vocês, humanos, estão
acompanhados e vocês os dois mais do que ninguém.
Vitorino — Pode saber-se a proveniência daquela manifestação luminosa?
Sananda (por Esmeralda) — Como já disse, trata-se de uma mani-
festação de inteligência alienígena; a proveniência-mãe é de Sírios.
Vitorino — Faço esta pergunta porque, como esta conversa vai fazer
parte do livro, parece-me relevante que o leitor tenha essa informação.
Sananda (por Esmeralda) — É um ponto de pouca importância
e vou explicar-te porquê: é que, não tarda, vai haver uma prova ir-
refutável, incontornável, da existência de vida inteligente para além
deste planeta, como é normal e lógico. Portanto, não precisas de te
preocupar com isso.
Vitorino — Essa manifestação vai ocorrer em todo o mundo ou em
algum lugar em particular?
Sananda (por Esmeralda) — Vai ocorrer num determinado lugar;
vão ser encontradas provas irrefutáveis que vão gerar muita controvér-
sia… mas nada comparado com a controvérsia que o vosso caso vai
gerar! Mas vocês já sabem que haverá muita argumentação.
Sim, definitivamente vão ser encontradas provas (de vida inteligen-
te extraterrestre). Essa será a primeira fase. Mas vamos ficar por aqui
porque o contacto entre os humanos e os extraterrestres não é o tema
das nossas conversas. Esses contactos ocorrem há muito, mas só daqui a
muito tempo passarão a ocorrer de forma banal. Os humanos ainda não
estão preparados; os que já estão preparados já estão a ter contactos com
quem também trabalha para o Plano. Nós trabalhamos em rede. Se nós
trabalhamos com vocês, por que razão não deveria o Pai trabalhar com
os seus outros Filhos?
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Por agora não. Obrigado pelas tuas respostas.

55
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — De nada. Então, agora, vamos passar


à fase seguinte:
O trabalho que agora vos propomos visa a intensificação energética
ao nível do vosso relacionamento. Poderão perguntar, mais uma vez,
porque trabalham e fazem os exercícios de manhã e à noite. Esses exer-
cícios, porém, vão ser intensificados. A partir de agora, no exercício da
manhã, todos os dias, ficarão um em frente do outro. Ver-se-ão dentro
de um casulo, envolvidos por uma luz rosa-dourada, que termina numa
camada de luz branca e brilhante, que se vai expandido à vossa volta;
depois, visualizarão os chacras de um interligados com o do outro. No
final devem falar e registar o que vos ocorreu, porque as imagens e as
emoções que vão surgir serão importantes. Vão ser trabalhados a vários
níveis. Devem dizer francamente, seja lá o que for que vos ocorra, mes-
mo que pareça negativo ou coisas da personalidade. Deve vir tudo cá
para fora, com muita tranquilidade.39
O exercício da noite também se vai intensificar. Poderão perguntar
porquê. Porque é necessário, só isso. Compreenderão mais tarde.
Vitorino — Se vocês já sabem o trabalho que precisam de fazer em nós,
porque é que temos de fazer exercícios e as co-criações? Por que não fazem
logo directamente, sabendo que estamos disponíveis e damos autorização
para que seja feito tudo o que tem de ser feito?
Sananda (por Esmeralda) — Vocês têm de ter consciência do pro-
cesso. Isto não é uma máquina em que se mete uma moeda para sair
o produto final. É um processo elaborado em que vocês são interve-
nientes. Vocês são o elo mais importante de todo o processo. As coisas
fazem-se em vocês, com vocês, por vocês e quando vocês querem.
Vocês detêm o poder… mas ainda não têm plena consciência disso!
Vejam se entendem: para que interessa alterar os aspectos da vossa
personalidade, que impedem o aprofundamento da relação, sem que
tenham consciência do que largaram? Não beneficiaria o trabalho que

39 Deixámos aqui este exercício, caro leitor, na esperança de que lhe possa ser útil.

56
Terra — O Jardim de Lúcifer

vão fazer com os vossos irmãos, porque vos faltaria a consciência das
suas dificuldades. Se não tiverem consciência das dificuldades deles,
não os compreenderão. Estando esquecidos do aspecto humano de
cada indivíduo, vocês não poderão ajudá-los. Ora, tal não pode acon-
tecer. Vocês não podem esquecer-se de quem são. A todos os níveis,
inclusive o humano.
Eu sei que o aspecto da «humildade», que diz respeito à necessi-
dade de compreensão dos processos humanos, está muito presente na
Esmeralda, mas é o que vos está a ser dado. É fundamental que ve-
nham a ter uma compreensão abrangente, que abarque tudo, que não
julgue nem critique, que compreenda… mas não seja conivente! Por
isso, este processo tem de ser feito assim. Quando a coisa tem de ser
rápida, é feita de imediato, uma vez que vocês já deram autorização,
como muito bem disseste.
Vou propor-vos que, hoje, dividamos o contacto em duas partes.40
Proponho que, mais logo, encontrem o lugar que, intuitivamente, vos
ocorrer. Quando se sentirem confortáveis, sem ninguém por perto,
contactem-nos novamente. Sem expectativas, por favor.
Gostaríamos que se resguardassem durante este dia.
Vitorino — Certo. Obrigado.

4 de Agosto (tarde)

Yasmin (por Esmeralda) — Eu sou Yasmin, a Deusa Mãe, e venho


saudar-vos no decorrer deste trabalho. Quero pedir-vos que fiquem mui-
to tranquilos, que fechem os olhos, que se centrem no vosso coração e
sintam a paz da Deusa dentro de vocês. Eu estou aqui, dentro de vocês.
Vamos ficar assim alguns minutos, em silêncio.

PAUSA (SERENA)

40 Aqui começou o contacto duas vezes por dia!

57
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Esta é a minha muito amada Esmeralda, o corpo físico em que vive


a minha partícula residente na Terra. Os momentos que vão viver agora
vão repetir-se várias vezes, ao longo do tempo. Têm agora um senti-
mento energético que nunca experimentaram. Não parem para pensar;
sintam apenas o momento de reencontro com a Deusa, o momento em
que estou dentro de vocês e perante vós, o momento em que vos falo,
nos vossos corações, o momento em que vos abro os portais que ainda
vos separaram de nós. Este é um momento sagrado. E a chave está aqui,
mais uma vez, dentro da Esmeralda porque ela continua a ser a criança
que nunca cresceu. Por isso, é-me possível estar aqui, hoje.
O que vão sentir é único: uma preparação para o que vem a se-
guir. Estão neste lugar porque ele permite uma confluência e uma
maior abertura ao nível energético. Tudo flúi. Quando terminarmos
este trabalho, vocês sairão completamente diferentes em termos ener-
géticos. Vão senti-lo quando chegarem à casa onde estão alojados e
ao local onde jantam. Será como se tivessem vindo de outro mundo
e entrassem novamente no mundo humano. Posso garantir que não
é fantasia.
Então, para que o trabalho da Deusa seja feito, fechem os olhos,
concentrem-se no coração e dêem as mãos. E não esperem nada; ne-
nhuma visão… nada desse género. Sintam, apenas, o que vos vai no
peito. Já falamos.

PAUSA (CONCENTRADA)

Esmeralda, quero que consciencializes — definitivamente, para que


nunca mais tenha de o repetir — que és a minha parte na Terra. De uma
vez por todas, és a Mãe, és a Deusa e tudo em que tocares ou impuseres
as mãos, mudará. És o Amor… e vais iniciar o Vitorino no Amor, que
ele se queixa de não sentir. Mal sabe ele para o que está guardado!
Agora, deixo-vos por uns momentos, porque o Pai vai falar-vos.

PAUSA (ATENTA)

58
Terra — O Jardim de Lúcifer

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer, o Pai, e expresso-me


através daquela que tanto recusou expressar-me e comunicar-me. Final-
mente, pôs de lado a maior parte das reservas; restam algumas, poucas.
Eu conheço-as; acabarão hoje.
Venho, também, falar como a minha parte na Terra: a partir de hoje,
Vitorino, sem fantasia ou qualquer manifestação de loucura, sandice ou
utopia, tu expressas-me e manifestas-me na Terra. Se me expresso atra-
vés desta voz feminina, algo frágil, com tantas nuances infantis, é porque
ela possui a pureza necessária para o fazer; não a força, mas a pureza.
Algumas vezes, irei expressar-me através dela, mas, definitivamente, é a
ti que te cabe essa função.
Portanto, a partir de hoje, que não reste a mais pequena dúvida de
que tu és eu na Terra. És a minha parte carnal na Terra, aquela que me
exprime, que me expressa, e em cujo Poder assenta toda uma nova es-
trutura. Também tu, assim como a Esmeralda, seja onde for que ponhas
as mãos, quando falares ou comunicares, expressarás a energia divina
— uma parte da Matriz. Expressar-me-ás com toda a Luz e com todo
o Poder, tal como a Esmeralda expressará todo o Amor e toda a capa-
cidade de cura da Mãe, principalmente a nível emocional. Juntos, ex-
pressarão uma energia de cura única. Quem assistir aos vossos trabalhos
mudará completamente. Tudo será transmutado. Consciencializem-se
de que são o Pai e a Mãe na Terra. Têm o poder, a Força e o Amor.
A Luz e o Amor não coexistem separadamente. O que é Luz sem o
Amor ou o Amor sem a Luz? Haverá Amor sem Luz? Será que a Luz
não tem Amor? Isto é o que vocês são. Quando o compreenderem serão
a Unidade. Para isso estão na Terra. [15]
Quanto a verem-nos, não se preocupem; quem sabe o que vai acon-
tecer? Muita tranquilidade.
Agora, Vitorino, de olhos fechados, gostaria de te ouvir. Não se trata
de uma provocação, mas diz-me: o que sentes?

PAUSA (PROSPECTORA)

59
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Sinto que tenho o Poder, mas tenho de o tornar consciente


em cada segundo, em cada gesto, em cada atitude, em cada decisão. Tenho
de acreditar que, ao tocar, curo. Foi sempre o que intuí, foi sempre o que
pedi, como sabes.
Lúcifer (por Esmeralda) — Muito bem. E poderás fazê-lo sem o
Amor?
Vitorino — Não.
Lúcifer (por Esmeralda) — Entende isso… E tu Esmeralda? O que
sentes?

PAUSA (SILENCIOSA)

Esmeralda — Sinto que sou Amor, uma palavra só, mas que ainda não
tem a força para se expressar. É uma emoção enorme que extravasa, mas que
ainda não sei como expressar.
Lúcifer (por Esmeralda) — Tens de incorporar esse Amor. Faz parte
de ti. Sente-lo há muito, desde que nasceste. Lidas mal com essa for-
ça, com esse Poder, mas necessitas do Poder do Vitorino para poderes
expressar o que emanas. Juntos serão um só, completando-se ao fa-
lar. Ambos possuem esse dom; só tens de te desinibir. Quando falarem
completar-se-ão, não só na canalização, que farão em conjunto, mas
também comunicando com os demais. Acredita, Esmeralda: quando
falares, toda a gente vai ficar em silêncio. O Vitorino já o sabe há muito
tempo. E vão curar em conjunto; saberão como. Quando tu trabalhares,
o Vitorino servir-te-á de suporte; quando o Vitorino trabalhar, tu ser-
vir-lhe-ás de suporte, conforme tens feito — embora sem te aperceberes
— em alguns trabalhos em que estiveste presente. Mas agora passará a
ser consciente. Alcançarão um nível energético nunca visto ou sentido.
Deixem-me concluir referindo o contacto directo que vos espera,
o encontro de que falávamos: será uma prenda do Espírito! Hoje abre-
-se um novo portal, e o exercício que a Esmeralda te vai fazer, Vitorino,
abrirá um caminho, definitivamente. Saberão que a energia é diferen-

60
Terra — O Jardim de Lúcifer

te e está amplificada. A seu tempo, ver-nos-emos de certeza, muito


mais vezes. Fiquem tranquilos. O Espírito nunca falha em relação ao
que promete.
Agora, antes de completar este ciclo, vão ficar alguns minutos em
silêncio, de olhos fechados, por favor, deixando que a energia vos traba-
lhe, embora não tenham consciência total do que se está a passar. [16]

5 de Agosto

Yasmin (por Esmeralda) — Diferentemente do que é habitual,


hoje vamos iniciar a canalização através do Vitorino. Pedimos-lhe que
se prepare…41

PAUSA (INQUIETANTE)

Lúcifer (por Vitorino) — Eu sou Lúcifer e quero falar-vos acerca


das razões pelas quais não ocorreu o contacto visual, marcado para há
dois dias atrás. Essas razões não têm a ver, essencialmente com vocês.
Seguiram as nossas sugestões, a ansiedade foi praticamente nula; apenas
sentimos alguma expectativa, como seria de esperar, mas também nada
que pudesse interferir no encontro ou impedi-lo. O contacto visual não
se verificou por razões interdimensionais, nada fáceis de explicar. Como
sabem, ou deviam saber, qualquer evento anunciado por nós nem sem-
pre se manifesta com o nosso controlo exclusivo. Por outras palavras,
por vezes há interferências estranhas, que nem sempre conseguimos eli-
minar. Então, quando assim é, preferimos adiar e «fechar a porta» por
onde entraram essas interferências.
Esmeralda — Essas interferências têm a ver com o plano humano ou
são de outro tipo?
Lúcifer (por Vitorino) — Neste caso, as interferências não tinham
raiz humana.

41 Fui apanhado totalmente de surpresa. Confesso que fiquei atrapalhado!

61
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Esmeralda — Podemos dizer que tiveram a ver com o lado da Sombra?


Lúcifer (por Vitorino) — Exactamente.
Esmeralda — Até que ponto é que o lado da Sombra sabia que vocês se
iam manifestar?
Lúcifer (por Vitorino) — As nossas actividades não são sigilosas
nem secretas. É certo que também não andamos a anunciar o que va-
mos fazer. Mas, fora do plano onde vocês se manifestam — e não se
esqueçam que todos fazemos parte do Todo — é muito fácil que uma
parte se aperceba do que outra parte vai fazer. Para o lado da Luz, isso
não tem qualquer problema, porque há sintonia em relação à Fonte.
Ninguém se incomoda ou fica preocupado com qualquer decisão to-
mada por uma das partes (não é «uma das partes» porque é o Todo, mas
não há outra maneira de vos explicar). O mesmo não acontece, porém,
no lado da Sombra. Portanto, há tentativas de interferência e de boi-
cote. E nós, apesar de trabalharmos no nível em que trabalhamos, nem
sempre conseguimos manter o campo suficientemente limpo…
Esmeralda — Exacto. Nesse mesmo dia, à noite, eu senti uma imagem,
a mesma que já sentira noutro lugar.
Lúcifer (por Vitorino) — É bom que fique dito e registado, para
que as pessoas — que vão ler e, até, talvez, ouvir estas palavras — sai-
bam que nós não somos omnipotentes. Aliás, isto já tinha sido dito por
Sananda, num livro que este canal publicou em Portugal.42
Esmeralda — Gostaria de fazer mais uma pergunta…
Lúcifer (por Vitorino) — Um momento, por favor… É importante
que fique dito para que, de uma vez por todas, os humanos tirem da
cabeça a ideia de que nós podemos fazer aquilo que nos apetece, e que
podemos proteger um determinado campo, onde está previsto acon-
tecer alguma coisa, sem que haja qualquer hipótese de interferência.
Tal não acontece. Mas fazemos tudo o que está ao nosso alcance para

42 Trata-se do livro com canalizações de Sananda, EU SOU O FAROL DA HUMANIDADE, cujo


subtítulo é, precisamente: «Pudera eu ser omnipotente».

62
Terra — O Jardim de Lúcifer

evitar interferências. Neste caso, como era o primeiro contacto directo,


vocês precisavam de ser protegidos. Para que a coisa resultasse a 100 por
cento o campo deveria estar totalmente limpo. Mas nem sempre assim
acontece porque as tecnologias usadas por nós são conhecidas pelo «ou-
tro lado». Os seus meios de boicote, interferência ou anulação estão ao
mesmo nível da nossa tecnologia… tal como acontece, aliás, entre os
países inimigos à superfície da Terra.
Portanto, que fique bem claro que nós fazemos os possíveis. Deseja-
ríamos que o campo estivesse limpo, mas, à última hora, digamos assim,
a situação não reunia as condições ideais para que o contacto pudesse
ocorrer. E não ocorreu. Mas vai ocorrer porque nós já contornámos
a situação. Portanto, se dissemos que ia ocorrer é porque vai ocorrer.
E, quando ocorrer, podem estar certos de que o campo estará totalmen-
te limpo, sem qualquer espécie de interferência.43
Agora podes fazer a tua pergunta.
Esmeralda — A primeira pergunta é se, nesse dia, aquela percepção
que tive é real; a segunda é se essas interferências podem acontecer no 11 de
Novembro.
Lúcifer (por Vitorino) — Respondendo à primeira pergunta, tiveste
uma percepção, uma visão, mas não era tão intensa como pensaste. Era
algo hierarquicamente elevado, mas não tão elevado como, eventual-
mente, podes ter julgado no momento. De qualquer das maneiras, foi
o suficiente para impedir a continuação do procedimento de contacto.
Resolvemos abortar o processo, que envolvia a manifestação física dian-
te de vocês porque, como disse, não gostaríamos que houvesse qualquer
partícula, mínima que fosse, a assistir.

43 Nota da revisora: O que se passa na verdade é que, neste plano dimensional, são os seres
encarnados que determinam, por ressonância vibracional, mais do que qualquer outra estrutura
ou entidade, o que se manifesta aqui! Daí ser tão preciosa a colaboração do ser humano para a
materialização de qualquer coisa, não obstante toda a tecnologia de Luz possível de ser utilizada.
Este facto deriva do livre-arbítrio. Nada acontece sem que, todos os níveis de expressão da cons-
ciência humana (incluindo inconsciente e subconsciente) estejam totalmente em ressonância
harmónica com a decisão tomada conscientemente… o que é sumamente difícil.

63
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Em relação à segunda pergunta, a resposta é um redondo não.


Não se esqueçam de que este tipo de contacto, de que estamos a falar,
nunca ocorreu na Terra; logo, nós não temos experiência deste tipo de
eventos. O contacto visual, com vocês os dois, também serve de apren-
dizagem para nós, para vermos o que temos de fazer; é uma amostra,
digamos assim, embora não devam sentir-se diminuídos ou inferio-
rizados por essa circunstância. É muito importante que contactemos
antes do 11 de Novembro — importante para vocês por umas razões;
para nós por outras razões — porque nos permitirá afinar a tecnologia
de manifestação. Assim, no 11 de Novembro não vai haver qualquer
espécie de interferência. Eventualmente, poderão ser tolerados alguns
observadores, que conhecemos bem. Mas são inócuos e poderão ir
para os lugares, onde se expressam, divulgar o que se passou aqui. Tal
presença não terá consequências nefastas, nem para nós, nem para
vocês. Seres do «outro lado», como tu dizes, dificilmente conseguirão
perfurar o dispositivo de protecção que vamos implementar.44
Esmeralda — Obrigada.
Lúcifer (por Vitorino) — Por agora, não tenho mais nada a acres-
centar. Fiz questão de fazer esta comunicação porque sabia que vocês
iam perguntar porque não ocorreu o nosso encontro. E muito bem.
Têm todo o directo de saber porque é que, depois de termos asseverado
que determinada ocorrência ia acontecer, ela não aconteceu. Sabemos
que algumas dúvidas se levantaram nos vossos espíritos. Portanto, como
queremos que esse encontro ocorra, eu, pessoalmente, antecipei-me à
vossa pergunta, para vos dar estas explicações. Espero tê-los ajudado.
Esmeralda — Muito obrigada.

PAUSA (RESIGNADA)

44 Nota da revisora: Este dispositivo de protecção tem como base a estabilização dos campos
físico/emocional/mental e energético das pessoas que assistem porque as experiências aí vivi-
das vão limpar memórias dolorosas que desestabilizam esses campos.

64
Terra — O Jardim de Lúcifer

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e, mais uma vez, entro


em contacto com vocês. Quero aqui fazer um reparo, devido ao que
pode surgir nos vossos espíritos:
No nosso trabalho em conjunto não há interferências que possam
pôr em causa o próprio Plano. Têm de perceber que o que impediu o
contacto anunciado (a que Lúcifer se referiu anteriormente) foi o facto
de que vocês poderiam ficar vulneráveis, apesar de termos tudo prepara-
do. Era muito fácil fazer o contacto, mas, devido à amplitude energética
que ia ocorrer, a Sombra poderia manifestar-se também, nem que fos-
se etericamente. Como tal não pode acontecer, estamos a proteger-vos
dada a vossa vulnerabilidade. Claro que também trabalhamos outros as-
pectos técnicos, que impeçam interferências ou a aproximação de qual-
quer entidade. Que isto fique bem claro. É que os responsáveis pelas
interferências nem sequer dormem — usando uma expressão humana
— a pensar no que está a acontecer! A preocupação é imensa! [17]
Vou agora continuar dando mais informação sobre o que aconte-
ceu, quando desci à Terra pela primeira vez:
Como sabem, e como é dito tradicionalmente, nasci em Belém,
numa época de recenseamento e de grande confusão. [18]
Não nasci numa gruta, como é dito, mas numa casa de poucas con-
dições, com uns currais ao lado. Não nasci propriamente no curral,
mas foi necessário ir para lá porque fazia frio. Isso é verdade. O parto
decorreu normalmente, porque toda a estrutura física de Maria estava
preparada para um parto normal e muito fácil. [19]
Na altura, na Judeia fazia muito frio. Ninguém estava preparado e um
recém-nascido necessita de certos cuidados em termos de calor.
Alguma pergunta?
Vitorino — Podes referir-te aos chamados «reis magos»?
Sananda (por Esmeralda) — Sim. Eles eram três. Era necessário
que, simbolicamente, ficasse registado na história o meu reconhecimen-
to como «rei», em termos da minha iniciação na Terra. É evidente que
nós sabemos a que «trono» me refiro!

65
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Eles eram realmente reis? Ou magos?


Sananda (por Esmeralda) — Eram pessoas com uma grande li-
gação ao Espírito; não eram propriamente reis, eram sábios nas so-
ciedades em que viviam, e eram procurados por isso. Cada um deles
tinha o seu mundo, a sua área de influência. Não se conheciam, no
início, mas as visões e os sonhos juntaram-nos, levando-os a caminhar
juntos, numa viagem. Não sabiam para o que iam e não conheciam
o destino. Apenas sabiam que tinha nascido um bebé, que era «rei»
e que tinham que o reconhecer. Reparem que eles não eram pessoas
comuns, sabiam que tipo de «rei» tinha nascido. Sabiam que a possi-
bilidade de mudar o mundo tinha descido à Terra. Foi nessa base que
foram ao meu encontro.
Vitorino — Eles foram guiados pela intuição ao lugar onde estavas ou
orientados de outra forma?
Sananda (por Esmeralda) — No princípio, foi por intuição, depois,
foram orientados por aquilo que vocês conhecem como uma estrela…
Imaginem que tipo de estrela os guiou até à casa onde nasci…
Vitorino — É difícil imaginar uma estrela a deslocar-se no céu! Era, de
facto, uma nave? Confirmas?
Sananda (por Esmeralda) — Confirmo.
Vitorino — Tal como a que nós vimos ontem e anteontem.
Sananda (por Esmeralda) — Mais ou menos isso… Aquilo que vi-
ram está a fazer o seu trabalho. Agora imaginem uma coisa de dimen-
sões maiores, porque se aproximou mais da Terra. E acompanhou-os
sempre. Não teve só o trabalho de guia, mas também de vigia. Emanava
um campo enérgico que afastava qualquer interferência. Foi a forma
que encontrámos para proteger aqueles três seres, e de mais ninguém se
aproximar deles até chegarem.
Portanto, ninguém soube onde eu nasci. Os pastores, e todas as
pessoas da localidade, foram ter comigo, já eu tinha alguns dias, porque
viram o que acompanhava os «reis magos».

66
Terra — O Jardim de Lúcifer

Como sabem, a minha primeira infância e a minha aprendizagem de-


correram no Egipto, até que os meus pais regressaram à Judeia. Fui inicia-
do nos conhecimentos secretos nos templos do Egipto. Podem perguntar
como isso aconteceu. É que, também no Egipto, tinha sido anunciado o
meu nascimento, e que iria encontrar-me com quem me ensinaria e teria
um papel importante na minha educação. E assim aconteceu.
As minhas capacidades de aprendizagem eram muito grandes.
Terminada a aprendizagem e a iniciação, regressámos à Judeia. Pou-
co tempo depois, fiz a minha aparição junto dos Doutores no Templo.
Foi um momento de grande preocupação para os meus pais porque me
expus. Mas não foi como está dito na História; sim, é a questão do «fi-
lho desaparecido», mas não por causa do que me pudesse acontecer, no
sentido da maldade, mas sim porque eu estava exposto. Os meus pais
tinham medo, não queriam que as «interferências» me tocassem. E não
tocaram, nunca.
A minha conversa com os Doutores do Templo também foi um acto
iniciático em que revelei ao mundo algo do meu ser. Deixei toda a gente
perplexa, com as atenções focadas sobre mim. A partir daí o desenvolvi-
mento já foi diferente. Maria e José tiveram de fazer umas viagens, mas
disso falaremos na próxima sessão.
Por hoje é tudo. Muito obrigado.
Vitorino — Muito obrigado a ti, Sananda.

6 de Agosto

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e desejo expressar-me


através do Vitorino… Enquanto se recolhe, quero dizer que me apraz
expressar-me através da Esmeralda, mas é conveniente que o faça, ago-
ra, através da minha expressão na Terra.

PAUSA (ANGUSTIANTE)

67
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Não estou a conseguir estabelecer contacto…


Lúcifer (por Esmeralda) — É natural, uma vez que não estavas pre-
parado e receptivo para o fazer.45 Isto foi só uma forma de te chamar à
atenção. Ambos têm de estar preparados e receptivos para expressarem
aquilo a que se propuseram. Portanto, aconselhamos que, a partir de
hoje, mantenham sempre essa postura. De qualquer forma, Sananda
tem uma comunicação a fazer; no final, expressar-me-ei através de ti.
Quero que fique registado, com a tua voz, aquilo que tenho para dizer.
Muito obrigado.

PAUSA (ENVERGONHADA)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e alegro-me por estar


convosco para continuar a contar a minha história. [20]
Como vos disse, a minha primeira infância decorreu no Egipto e
acabou com o regresso dos meus pais à Judeia, um pouco antes dos
meus 12 anos. A minha iniciação com os Doutores do Templo causou
grande espanto e chamou a atenção sobre mim. A partir daí fui sempre
seguido pelo olhar atento dos Sacerdotes, assim como pelo das pessoas
importantes e influentes da época. No entanto, nunca revelei uma per-
sonalidade guerreira. Como, desde cedo, manifestei a ligação ao Pai,
fui visto como um grande rabi. Estudei o Livro Sagrado, a Tora, e fui
iniciado, profundamente, na Cabala com alguns mestres judeus. Eles
esperavam de mim a grandiosidade de um rabi sábio. Pensavam que eu
seria um iluminado que apoiaria o Messias.
Os Romanos e os chefes judeus deixaram-me paz, pois julgaram
que se tratava de uma questão religiosa e que eu era um iluminado, um
homem santo.
Como era costume na época, casei. Nenhum homem judeu que se
prezasse, um rabi — um homem que faz com que as pessoas o sigam

45 Há vários dias que, como pode ver através das transcrições, o meu papel era estar atento ao
bloco de notas onde constavam as perguntas a fazer. Mantinha-me de olhos abertos, longe de
qualquer estado meditativo e sem esperar ser «mobilizado» para canalizar.

68
Terra — O Jardim de Lúcifer

— seria bem aceite se não fosse casado. O celibato era visto, então,
como algo anormal, pois a frase «Crescei e multiplicai-vos» não era en-
carada como uma alternativa, mas como uma ordem de Deus. Como
é evidente, a pessoa com quem me casei, segundo os cânones da época,
foi Maria Madalena, uma mulher influente, de posição social elevada.
Antes, porém, tínhamos sido iniciados pelo Pai e pela Mãe. [21]
Eu e Maria Madalena cumprimos, também, uma encarnação ao ser-
viço do Plano, trazendo o Amor para a Terra.
A minha vinda tinha a ver com a libertação do carma dos humanos,
no sentido da elevação da consciência e do autoperdão. Haverá alguma
coisa a perdoar a quem sabemos que é inconsciente, que não sabe o que
faz, que não tem a noção do dano que provoca, não só ao seu irmão,
mas, acima de tudo, a si mesmo? Nunca se esqueçam de que todos os
danos, que alguém provoca aos outros, são provocados, primeiro, a si
próprio. De uma forma ou de outra, esse ser vai ter de equilibrar a si-
tuação. Por isso, a minha Primeira Vinda foi tão importante no sentido
do autoperdão, da libertação, do amor ao próximo.
Agora, o que se propõe — esse é trabalho que vocês os dois começaram
e eu vou terminar — é a libertação total do carma. É a segunda fase: não
há nada a perdoar; há que aceitar e integrar o irmão e, acima de tudo, a
auto-aceitação como ser humano. Isso é o que virei dizer. É a limpeza total
do carma. Não há prisões; ninguém estará sujeito a nada, nem a ninguém.
Falam-me de impunidade. Mas vocês não têm ideia da dor que um
ser tem de suportar, depois de, durante imensas encarnações, ter pro-
vocado danos, ter lesado os seus irmãos e a si próprio. Quando acorda
e tem noção de tudo o que fez… Vocês não têm a noção do que isso
acarreta! Haverá pior coisa do que os sentimentos de culpa? Haverá
coisa mais bonita do que o perdão, embora em termos humanos, pareça
injusto? Mas a justiça sempre se faz. Quem foi prejudicado, será bene-
ficiado. Nada pode ser retirado a um ser humano.
Lembrem-se de que a partir do momento em que as naves invasoras
desceram, este espaço, por ironia, foi considerado sagrado. E todos os

69
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

que aqui pisaram são formas de vida sagradas e em ascensão. Esse é o


nosso trabalho e o vosso, pioneiro.
Quero falar agora da minha filha, Sara. Foi uma entidade única.
Encarnou poucas vezes e expressava uma energia única na Terra, aquela
que vocês os dois expressam neste momento: a energia do Amor. O pa-
pel dela, quando foi para França, foi preparar uma nova família. Mas,
sobre isso, hoje, não vou acrescentar mais nada.
Vitorino — Tenho duas perguntas para fazer…
Sananda (por Esmeralda) — Podes fazer.
Vitorino — A primeira é se Maria Madalena integrava, realmente, o
grupo dos apóstolos.
Sananda (por Esmeralda) — Em toda a minha vida, Maria Madale-
na sempre me acompanhou. Não houve nenhum momento em que ela
não estivesse junto de mim. Esteve sempre presente.
Vitorino — A segunda pergunta é se o Graal é algo físico e se, portanto,
faz sentido a busca do cálice, em todo o mundo.
Sananda (por Esmeralda) — Existe, realmente, o cálice por onde eu
bebi. Vocês consideram-no um objecto mágico. Mas, por favor: o Graal
está dentro de vocês, no vosso coração! No sentido simbólico, o Graal é,
realmente, o útero feminino. [22]
Vamos ficar por aqui. O meu Pai, Lúcifer, quer dizer-vos algumas
coisas, expressando-se através de ti, Vitorino.
Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado.

PAUSA (PONDERADA)

Lúcifer (por Vitorino) — Eu sou Lúcifer e tu és a minha represen-


tação na Terra. Queria falar-te sobre uma das tuas encarnações, aquela
à qual costumas chamar a do «inquisidor». Conforme Sananda te disse,
em algumas das tuas encarnações entraste nos terrenos da Sombra, e
essa foi uma delas. De qualquer das maneiras, a tua origem nunca per-

70
Terra — O Jardim de Lúcifer

mitiu que aprofundasses muito essa tentação. Por isso te fascina tanto
a figura central do livro, e do filme, O Nome da Rosa: um homem sá-
bio, maduro, que percorreu caminhos tortuosos, provocou algum dano,
mas soube parar a tempo, distanciar-se e ver o absurdo de tudo aquilo.
Alguém já te disse que foi nessa encarnação que a viragem ocorreu.
Ou seja, essa foi a última encarnação em que pisaste terrenos sombrios.
A partir daí tem sido sempre um trabalho de recuperação. Essa cons-
ciência, que te levou a seres uma figura reconhecida como inquisidor
e eclesiástico, no Norte deste país onde te encontras agora,46 fez com
que a tua consciência acerca do significado do meu nome nunca fosse
igual à daqueles que pensavam que eu era o diabo. No mais fundo
de ti mesmo, sempre me reconheceste como teu Pai, embora, como é
normal, de uma forma inconsciente. Tal consciência começou a aflorar
na actual encarnação, sendo por isso que me canalizaste abertamente,
donde resultou um livro que tem o meu nome na capa.47 Isso é algo que
eu quero agradecer-te.
Portanto, se tens uma noção mínima dessa encarnação, não é pre-
ciso falar das outras porque foi nessa que levaste mais longe a tua in-
cursão pelos terrenos da Sombra. Não foi nada de grave. Como tam-
bém suspeitaste, já tiveste oportunidade de reequilibrar tudo o que
se passou com aquelas pessoas que molestaste e condenaste. Por essa
razão é que, hoje, ninguém se acerca de ti numa postura de cobrança
cármica. Tudo está resolvido.
Fiz questão de ser eu a dizer-te isto para que não ficasse qualquer
dúvida no teu espírito acerca do trajecto que fizeste, durante as múlti-
plas expressões neste planeta. Repito: esse foi o ponto mais longe onde
chegaste dentro do território da Sombra. Mas, devido à tua natureza,
logo percebeste que não fazia sentido. Então, sem saíres da instituição,
começaste a ter, diplomaticamente, outra postura. Não a combateste
abertamente, pois sabias que poderias arriscar a vida. Mas, de alguma

46 Esta transmissão ocorreu num pueblo no norte de Espanha.


47 EU SOU O ARCANJO LÚCIFER, da Editora Anjo Dourado, já citado anteriormente.

71
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

forma, até onde o sistema permitia, dulcificaste a coisa. Ilibaste muita


gente, que, de outra forma, seria severamente punida. Era já a flor do
Amor a brotar no terreno da Sombra.
Em relação a este assunto, vamos ficar por aqui. Por agora, não te-
nho mais a dizer.

7 de Agosto

Yasmin (por Esmeralda) — Meus queridos, eu sou Yasmin. Aproxi-


ma-se uma nova etapa, de trabalho intenso, como já foi dito. Quero pe-
dir-vos alguma compreensão para a forma como decorre este processo.
A maneira como estão a ser trabalhados não vos permite, muitas vezes,
o discernimento necessário para compreenderem o que está a acontecer.
Todos os incómodos que sentem têm a ver com este trabalho. Esta se-
mana está, realmente, mais intenso, devido ao facto de estarem juntos e
de, na próxima semana, fazermos um abrandamento. Nós trabalhamos
não só a rede que vos entrelaça, mas também os aspectos físicos e não
físicos, ao nível da consciência e da personalidade. Não se esqueçam de
que deram autorização para que fosse feito tudo o que fosse necessário.
E não estranhem que o trabalho seja mais intenso enquanto estão jun-
tos. Assim é mais profícuo.
Por agora, deixo-vos com Sananda.

PAUSA (RECONFORTANTE)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda. Vou continuar a con-


tar a minha história. Mas, antes, para que este discurso seja coerente,
gostaria de responder às vossas perguntas.
Vitorino — Não sei se tencionas falar deste tema, mas, na última co-
municação, falaste de Sara, a tua filha com Maria Madalena.
Sananda (por Esmeralda) — Embora seja recuar um pouco, pode-
mos começar por aí…

72
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Mas segue o teu plano de comunicação, por favor.


Sananda (por Esmeralda) — Mais alguma coisa?
Vitorino — Yasmin falou de um «segredo de 2000 anos». Não compre-
endemos o que isso possa significar.48
Sananda (por Esmeralda) — Estávamos há muito tempo à espera
dessa pergunta. O «segredo de 2000 anos» refere-se a tudo o que está
relacionado com a minha Segunda Vinda e que vou revelar. [23] Vamos
fazer assim: falaremos de Sara, que é a parte mais bem guardada desse
«segredo» e, depois, falaremos da Igreja e de Fátima. Nos próximos dias,
em duas ou três sessões, comunicaremos o resto da história. Então, é
muito simples:
Estava projectado que a minha vinda à Terra traria outro tipo de
energia. Vocês já sabem que isso significa um novo padrão, não só ao ní-
vel do comportamento e dos pensamentos, mas também no nível físico,
do ADN. A primeira modificação do ADN foi feita quando os Filhos
do Céu se juntaram com as Filhas da Terra49, depois da Invasão de que
Lúcifer vos falou e como está escrito em vários livros sagrados.
A minha filha, Sara, era um arquétipo do Novo Feminino, pelo que
teria de ser protegida e escondida. O que interessava era que os seus ge-
nes ficassem na Terra — este canal já percepcionou o que se segue; não
está a acreditar mas vai ter de o dizer — para preparar a minha Segunda
Vinda. Ou seja, era fundamental que, ao longo de várias gerações, esse
padrão de ADN, que foi reintroduzido, se mantivesse aqui para que,
chegados a este tempo, eu pudesse nascer.

48 Esta frase consta de uma mensagem que Esmeralda Rios enviou a Vitorino de Sousa, em
Maio, acerca de um sonho que tivera em 2003, num tempo em que não suspeitava o que
estava para acontecer. Dizia «Quanto ao que perguntaste sobre Yasmin, eu tive um sonho
com ela, com informação. Dizia qualquer coisa como ‘um segredo de 2000 anos… regresso
à família… ou regresso a casa. Hasmin, ela é ... asmin’. Depois tu vieste do Brasil, eu fui ter
contigo ao Porto para a consulta astrológica…».
49 Depreende-se que estes Filhos do Céu eram de ambos os sexos, o mesmo se aplicando às

«Filhas da Terra».

73
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

É muito complicado estar agora a explicar, exactamente, como tudo


aconteceu. Assim, naturalmente, há muitas pessoas que, ao fim de todo
este tempo, conservam esse padrão genético. É como se fosse algo re-
sistente, que não se diluiu, nem corrompeu, e que foi sendo passado de
pais para filhos até ao presente momento. Era fundamental que a minha
próxima mãe tivesse esse padrão genético, que a distingue do padrão
familiar de outras famílias. Mas não foi só isso o que Sara veio fazer.
Para além de espalhar esse padrão genético, veio disseminar o Amor, a
Deusa. Não é por acaso que, no Sul de França, há um culto tão forte à
sua imagem e à sua pessoa. Contrariamente ao que possa ter sido dito,
Sara casou e teve vários filhos. Esta é a primeira parte.
Vitorino — Para onde foi Sara quando saiu da Judeia?
Sananda (por Esmeralda) — Foi para o Sul de França, onde viveram a
maior parte do tempo. No início, porém, fizeram várias viagens ao Norte.
Vitorino — Confirma-se que Maria Madalena, José de Arimateia e
Sara viajaram para França?
Sananda (por Esmeralda) — Exactamente.
Vitorino — E confirma-se a história dos reis merovíngios?
Sananda (por Esmeralda) — Não. Bem, de alguma forma, eles tam-
bém tinham o padrão genético de Sara. Mas o nosso objectivo nunca foi
instaurar uma monarquia, ao nível político e económico, na Terra. Isso
viria através de alterações nos padrões de consciência, e nunca através
de sistemas concebidos pelo Homem, como é veiculado por algumas
teorias. A instauração de uma monarquia através da família de Jesus,
isso nunca! Alguns desses reis eram descendentes da linha de Sara, mas
não tinham o padrão genético de que estou a falar, porque nem toda a
gente o herdou.
Vitorino — Portanto, na árvore genealógica a partir de Sara, uns ti-
nham esse padrão, outros não.
Sananda (por Esmeralda) — Exactamente. Há genes que se trans-
mitem, outros não. O padrão continuou numa família judia.

74
Terra — O Jardim de Lúcifer

Agora, vamos falar de Fátima, não só por ser um tema que intro-
duz muita controvérsia, mas também porque ali foram feitas revelações
relacionadas com este momento, que se está a viver agora. Mas essas
informações foram sonegadas e manipuladas pela Igreja, que não en-
tendeu nada.
Vocês já sabem quem apareceu em Fátima — Yasmin — que é iden-
tificada na Terra como a Virgem. Já vos foi dito, e repito-o aqui, cla-
ramente. No início, para vossa protecção, poderão não divulgar estas
frases textualmente.50 No entanto, após a nossa aparição, saberão defi-
nitivamente que aquela que é identificada como a Virgem corresponde
ao nome de Yasmin. Tem outros nomes — Deusa, Mãe —, mas é,
efectivamente, o complemento de Lúcifer, o Pai. São a mesma energia
numa só, que se subdivide em duas polaridades.
Foi a sua projecção que falou com os três pastorinhos, que vieram
à Terra com essa função. Eram seres altamente evoluídos, pois só assim
poderiam ter vivido aquela situação com a candura que viveram. Lúcia
teve o trabalho mais pesado. E houve um momento, na sua vida, em
que duvidou do que viu e ouviu. Nunca a deixámos sozinha; apesar
ter feito voto de silêncio, falámos com ela diversas vezes, ao longo do
tempo, sem que ninguém soubesse, para sua própria protecção. No car-
melo, várias vezes a abordámos, para permitir que a sua vida decorresse
com tranquilidade, dentro de uma determinada energia, uma vez que a
sacrificara. Quando desceu à Terra, sabia que vinha para dar a mensa-
gem de Fátima, que foi completamente adulterada.
A última aparição da Virgem foi um acontecimento extraordina-
riamente grandioso; toda a gente viu.51 Não vamos fazer a mesma coisa
convosco; o que vocês os dois vão presenciar é algo mais... Não é que
não seja grandioso, antes pelo contrário, mas será mais real, digamos
assim, muito menos etéreo. Por isso, se disse que nunca se fez na Terra.

50 Ora! Para quê esconder?!


51 Segundo relatos da época, em 13 de Outubro de 1917 teriam estado cerca de 50.000 pessoas
na Cova da Iria, em Fátima.

75
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Relativamente ao evento de 11 de Novembro, vocês colocam a


questão da vibração necessária para que tal aconteça, mas a sala vai ser
preparada por nós. Ambos receiam que as pessoas poderão não estar
preparadas energeticamente, mas a questão não é essa. A sala estará pre-
parada, a nível energético, devido aos trabalhos que serão feitos nesse
sentido. Nesse evento, porém, nós não apareceremos da mesma forma
como vamos aparecer a vocês os dois…
Vitorino — Mas tem de acontecer alguma coisa de espectacular…
Sananda (por Esmeralda) — Sim, sim. Vai acontecer. O que eu es-
tou a tentar explicar é que não vai ter o mesmo grau de materialização.
Mas vai ser irrefutável, incontornável… e um pouco assustador para al-
gumas pessoas! Contudo, a vibração que vamos aplicar na sala impedirá
que o medo se instale. Vamos dizer isto pela última vez: nada nos impe-
dirá de nos materializarmos no 11 de Novembro. Nada vai impedir que
o Espírito — a Luz — se manifeste na Terra. Começou o Novo Tempo
e vocês os dois são os portadores dessa mensagem. Inequivocamente,
perante o público, vão ser assinalados. E não vai ser só uma vez; vamos
fazê-lo várias vezes, em vários sítios do mundo, com vocês.
Vitorino — Isto pode figurar no livro?
Sananda (por Esmeralda) — Claro.
Vitorino — Sananda, se me permites, depois de terem aparecido uma
vez, e depois de nós termos sido chamados a outros locais, é claro que as
pessoas vão querer assistir a algo idêntico ao que se passou na primeira vez,
em Lisboa.
Sananda (por Esmeralda) — O que é que eu acabei de dizer? Mas há
um pormenor: vocês não transportam um circo convosco!
Vitorino — Com certeza.
Sananda (por Esmeralda) — Quando estiverem a trabalhar, nem
sempre ocorrerá uma materialização. Estaremos com vocês, visivel-
mente, em alguns momentos especiais e em algumas partes do mundo,
quando muita gente estiver junta — tanta que vocês nem imaginam!

76
Terra — O Jardim de Lúcifer

Antes de continuar, quero acrescentar o seguinte: sabemos que o


facto de ainda não termos aparecido vos provocou muita confusão.
Mas, não tarda, estaremos com vocês. Descontraiam-se e confiem, pois
esta é a última prova de confiança que estamos a pedir-vos. A partir da-
qui, não haverá necessidade de mais provas; o nosso contacto será de tal
forma íntimo que tudo acontecerá muito rapidamente. Continuemos
com o tema de Fátima:
Os pastorinhos foram trabalhados, desde que nasceram, para aquele
momento. Quando o momento chegou, curiosamente, também acon-
teceu com eles o que aconteceu com vocês, no que toca ao trabalho de
preparação prévia. Acima de tudo, também no caso deles, era a sua se-
gurança o que estava em primeiro lugar, até porque não tinham o grau
de consciência e maturidade que vocês têm neste momento. Como tal,
era necessário impedir qualquer aproximação (de forças) de outro tipo.
E, olhem, que foi muito difícil, aquele trabalho. Mas, como eram três
corações puros e estavam muito abertos, foi fácil falar com eles. Passa-
ram um mau bocado, na Terra, naquele tempo!
Então, o que é que foi dito em termos de «segredo de Fátima»?
Como já sabem, tinha a ver com a Segunda Vinda. Primeiro, que
Cristo renasceria em Portugal. [24]
Foi dito, realmente, que José e Maria estariam, de novo, a cumprir o
seu papel e que, na Segunda Vinda, Cristo nasceria em Portugal! Claro
que isto provocou uma enorme confusão aos pastorinhos. E para Lúcia
foi muito difícil passar esta mensagem.
Foi dito que, quando eu nascesse, os meus pais já tinham preparado
o terreno e que, a partir desse momento, tudo se alteraria na Terra, por-
que a energia do Amor nasceria comigo.
Foi dito que se revelaria tudo, como está a ser feito agora, sobre o meu
nascimento anterior e sobre o surgimento da Igreja Católica, que se re-
poria toda a verdade, e que, de certa forma, alguns livros a descobririam.
Foi dito que, quem estava encarregue do meu nascimento, confir-
maria toda a história.

77
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Foi dito que a minha Segunda Vinda libertaria os humanos de tudo


o que os aprisiona, nomeadamente ao nível do dogma da Igreja — isto
foi repetido muitas vezes — e que se saberia tudo o que estava relacio-
nado comigo, inclusive, a história de Sara.
Foi dito, nessa mensagem de 1917, que era dada uma oportunidade
ao Vaticano de alterar a sua política, pondo a descoberto todos os textos
sagrados. No caso contrário, a minha Segunda Vinda revelar-se-ia algo
de muito negativo para a Igreja Católica, pois esta desabaria. E haveria
grandes perseguições, desta vez ao contrário, uma vez que as pessoas
ficariam muitíssimo revoltadas por a Igreja Católica, ao fim de todos
estes séculos, e depois de ter guardado o poder e o conhecimento, ter
sido incapaz de o tornar público, assim como de se tornar transparente
como instituição. Poderia ter sido a Instituição do Amor, mas tem sido
a Instituição do Dogma.
Foi dito, também, que a Igreja Católica estava a fazer o papel da
Sombra, ao manipular os seus irmãos, impedindo-os de terem o conhe-
cimento real de como as coisas se passaram, libertando-os.

(Abrimos parênteses para intercalar o seguinte, recebido cerca de


duas semanas antes do que tem estado a ler, durante um contacto com
Lúcifer:

Vitorino — Gostaríamos de saber se é oportuno revelar que o «segredo


de Fátima» está relacionado com o que se aproxima, com as revelações que
vão estar no livro, com o renascimento de Sananda, etc.
Lúcifer (por Esmeralda) — O «segredo de Fátima» foi absolutamente
adulterado pela Igreja Católica, para se defender e impedir que uma tra-
gédia pudesse acontecer. Mas nada o evitará. O «segredo de Fátima» tem
a ver com a queda de Roma (Vaticano). E, sim, tem a ver com tudo isto.
É algo que se prevê há muito tempo. Como vocês já intuíram, tem a ver
com a Segunda Vinda de Sananda. Acontece que a Virgem Maria — que
vocês sabem bem quem é — elucidou os pastorinhos acerca do que iria

78
Terra — O Jardim de Lúcifer

acontecer quando Jesus, o Cristo regressasse. Eles, porém, perceberam


que a Igreja seria destruída por ter cometido erros, «pecados», falhas! Mas
não é nada disso. O Vaticano sabe, como vocês também sabem porque
intuíram, que a história ainda não está contada; vamos contá-la agora.
Portanto, isto não tem nada de novo para vocês. O «segredo de Fátima»,
nos seus aspectos mais simples, conta a queda de Roma (referência à Igre-
ja original, com a sua aversão ao feminino) pela Segunda Vinda de Cristo.
É algo demasiado fantástico, que a Esmeralda ficou dividida entre acredi-
tar e não acreditar. Há muita gente, na Igreja Católica, que não acredita
nas aparições de Fátima. No entanto, não podem negar a energia que
está presente naquele lugar; fruto da fé e da oração, é certo, mas acima de
tudo, como eco da energia que já ali esteve presente.

Fechamos os parênteses continuando com a transmissão de


Sananda)

Esta foi a mensagem de Fátima. Não foram estas as palavras utiliza-


das com Lúcia, mas o conteúdo foi este. Podem acreditar. O «segredo
de Fátima» é a minha Segunda Vinda e o nascimento em Portugal,
de uns pais que já tinham cumprido a mesma missão (há 2000 anos).
Ninguém conseguiu entender, evidentemente, embora alguns tenham
percepcionado as mudanças que os meus pais iriam provocar. Foi anun-
ciada a grande polémica que se desencadearia, e tudo o mais que acabei
de dizer, embora usando outras palavras e expressões claro. Havia um
convite à Instituição para se modificar…
Vitorino — A parte do «segredo», que diz respeito à «conversão da Rús-
sia», está correcta ou também foi manipulada?
Sananda (por Esmeralda) — Foi manipulada. O que foi dito foi o
que aconteceu. Na altura das aparições de Fátima havia uma grande
preocupação relativamente ao poder da Rússia.52 Mas foi dito que a

52 Relembre-se que as aparições ocorreram em 1917, em plena I Guerra Mundial (1914/1918).

79
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Rússia se renderia aos pés da Virgem. Claro que nada foi entendido.
Depois de todas as viragens políticas — e embora vos pareça impossí-
vel — vai haver um renascimento naquele país. Vou explicar melhor:
se há país em que a energia feminina e o vosso trabalho vão ser abso­
lutamente avassaladores é a Rússia! Isto parece utopia, não é? Prepa-
rem-se para ver, depois. A «conversão da Rússia», e usando outras
palavras que não as que foram utilizadas naquela época, tem a ver com
mudança energética do próprio país, com uma abertura… Há um
trabalho a ser feito. Tudo está minado. O que, hoje, vos parece impos-
sível de alterar — todas as questões políticas, as guerras económicas
escondidas, etc. — não devem assustar-vos. Quando forem à Rússia,
vão tranquilamente. Vão falar para muita gente. O vosso trabalho terá
um impacto enorme naquele país.
Alguma pergunta?
Vitorino — És capaz de comentar, por favor, a chamada «dança do
Sol»? 53 O que aconteceu, realmente, no céu de Fátima, naquele dia?
Sananda (por Esmeralda) — Foi uma ilusão de óptica. Ou, se
não quiserem falar de ilusão óptica… É assim: através de um jogo de
espelhos — não os espelhos que vocês conhecem, como é evidente
— foi possível projectar um determinado tipo de luz, que se movia.
As pessoas não viram o Sol a mover-se, é claro, mas viram a manifesta-
ção de uma luz, que tomaram como sendo o Sol, pois não conseguiam
vê-lo.54 Foi como se o Sol realmente se movesse. O que as pessoas
descreveram é correcto e foi conseguido através de um trabalho de
«espelhos».55
Vitorino — Podes adiantar alguma coisa sobre a reacção que o Vatica-
no vai ter em relação a tudo isto?

53 O espectáculo luminoso, no céu, ocorrido em 13 de Outubro de 1917, em Fátima, perante


cerca de 50.000 pessoas.
54 Segundo relatos da época, o céu estava nublado e tinha chovido copiosamente antes da «apa-

rição», o que deixou toda a gente encharcada.


55 Ficou por explicar esta questão dos «espelhos». Talvez num próximo livro.

80
Terra — O Jardim de Lúcifer

Sananda (por Esmeralda) — Vocês têm de estar preparados! Já há


algumas coisas a circular na Net, que estão a causar incómodos. É bom
que tenham pessoas que vos apoiem, a todos os níveis e em todos os
continentes, e que, por vezes, vos sirvam de suporte e de apoio. Quan-
do sair o livro, vai haver uma certa consternação porque, se repararem
bem, o vosso trabalho ainda não é conhecido. A Igreja, de alguma for-
ma, espera uma grande agitação através de um casal; mas ainda não
houve nada. Nenhum de vocês trabalhou ainda como casal, em Portu-
gal. Mas vai começar a haver informação prévia, porque os vossos pró-
ximos trabalhos56 não vão passar desapercebidos. Podemos garantir-vos.
A energia da manifestarão estará lá e fará algumas surpresas. Mas, em 11
de Novembro, será algo incontornável com a saída do livro, pois o Va-
ticano vai perceber que, realmente, alguma coisa está a acontecer. Não
vão emitir nenhuma opinião, no princípio, mas a notícia vai começar
logo a circular. Depois, nos trabalhos seguintes, quando se confirmar o
que está a acontecer, começará a haver uma reacção muito violenta, que
vai crescer ao longo dos meses. Vai estender-se uma onda por todo o
país, nas Igrejas, nos púlpitos. Estão a perceber? Mas, cada vez que vocês
trabalharem, a manifestação da energia será incontornável.
Vitorino — Mas vamos continuar a trabalhar com grandes plateias, em
vez de ser como tem sido até aqui?
Sananda (por Esmeralda) — Vão trabalhar com grandes plateias e
com toda a segurança.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Não… de momento, não me ocorre.
Sananda (por Esmeralda) — Então, vamos terminar por aqui. No
exercício de logo à noite estaremos convosco. Sigam as nossas propostas.
Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado a ti, Sananda.

56 Referente à época 2007/2008, em Lisboa.

81
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

8 de Agosto (manhã)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e, mais uma vez, aqui


estou para conversar mais um pouco convosco. Gostaria de vos propor
que, hoje, façam dois contactos. Por alguma razão será. Agora, vamos
ter uma pequena conversa; logo à tarde, quando a energia estiver esta-
bilizada, contactem novamente. Vai ser necessário. Alguma pergunta?
Vitorino — É oportuno pedir mais esclarecimentos sobre Sara, tua filha
há 2000 anos? O que é que aconteceu, depois que chegou a França, com
José de Arimateia e Maria Madalena? Qual foi o seu percurso de vida? Diz
o que te aprouver ou o que for possível saber.
Sananda (por Esmeralda) — Claro que sim. Vim aqui para isso.
Aliás, eu estou sempre aqui; vocês é que ainda não sabem! [25]
O percurso de Sara é muito misterioso na história humana. Há
muitas versões, mas a verdade é só uma: Sara viajou para França com
Maria Madalena e José de Arimateia. Mas viveram em sítios diferentes
para sua própria protecção. Durante muito tempo, a Igreja procurou-
-as, embora não soubesse quem procurasse.57 Por isso, o nascimento
de Sara foi mantido em segredo durante tanto tempo. As notícias que,
mais tarde, chegaram à Igreja Católica, já como instituição, eram mui-
to difusas. Eles souberam que Maria Madalena estava grávida — havia
essa certeza — mas não souberam mais nada durante muito tempo.
Ambas tiveram uma actuação muito discreta. Sara emanava uma ener-
gia única, muito feminina. Durante todo esse tempo, eu mantive-me
sempre no seu apoio.
Sara cresceu no Sul de França, mas, como disse, tiveram que se des-
locar ao Norte por diversas vezes. Sempre que aparecia, uma mensagem
de Amor estava presente. Não é casualidade que os Ciganos tenham
uma devoção tão grande pela sua figura, já que o trabalho de ajuda e a
presença do Amor foi muito intenso.

57 No dia seguinte foram pedidos esclarecimentos sobre esta sentença. Veja mais adiante.

82
Terra — O Jardim de Lúcifer

O trabalho de Sara, no Norte, foi de iniciação com alguns grupos


humanos, cristãos, que já tinham contactado com a minha mensagem.
Como sabem, surgiram muitas correntes, que não interessavam para
nada, porque o mais importante da minha mensagem era, realmente, o
Perdão e o Amor. No entanto, como é típico dos humanos, à volta da
minha figura, da minha presença e da própria Igreja surgiram imensas
questões e filosofias, cada uma querendo ser mais verdadeira do que
as outras. O trabalho de Sara foi fazer com que esses grupos não se es-
quecessem do papel do Amor e da Mulher, porque sabíamos o que iria
acontecer na Igreja Católica.
Vitorino — Esses grupos sabiam com quem estavam a contactar?
Sananda (por Esmeralda) — No início, não. Essa revelação foi feita
a raras pessoas, de extraordinária confiança, que continuaram o traba-
lho dela. Esse trabalho desembocou, como sabem, nos massacres que
se perpetraram, mais tarde, na Idade Média, principalmente sobre os
Cátaros.58 Os Cátaros tinham uma perspectiva muito ascética, mas foi
a forma como interpretaram a mensagem que Sara propagou. No Sul
de França, houve, não só um trabalho extraordinário de ajuda às popu-
lações, mas também de propagação da minha mensagem: a energia do
Amor e do Perdão.
José de Arimateia e Maria Madalena já tinham desaparecido.

(Abrimos parênteses para intercalar uma pergunta, posta cerca de


quinze dias antes:

Vitorino — E Maria Madalena, por onde anda? Está encarnada, neste


momento?
Lúcifer (por Esmeralda) — Essa questão agora é reservada. Não tar-
da, falaremos dela.59

58 E muitos outros grupos de «hereges».


59 Veja mais adiante.

83
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Fechamos os parênteses, continuando com a narração de Sananda)

José de Arimateia e Maria Madalena já tinham desaparecido, mas


Sara continuava o seu trabalho, devidamente acompanhada por um ju-
deu — alguém que lhe correspondia60 — que, entretanto, tinha vindo
da Judeia, à procura de José de Arimateia.
Vitorino — Sara nasceu em França ou já tinha nascido quando lá chegou?
Sananda (por Esmeralda) — O nascimento de Sara ocorreu pouco
depois da minha morte.
Vitorino — Ainda na Judeia, portanto.
Sananda (por Esmeralda) — Ainda na Judeia, durante o caminho
(para França). Maria Madalena esteve refugiada, com José de Arimateia,
junto de amigos de confiança. Depois, após o nascimento, quando já
estava mais forte, prosseguiram o caminho. Foi uma viagem complica-
da, devido ao bebé recém-nascido. Mas fizeram-na.
Vitorino — E Sara acabou por desencarnar, deixando descendência.
Sananda (por Esmeralda) — Essa pergunta do desencarne de Sara
é muito interessante. Vamos deixá-la para mais tarde. Mas, é claro que
deixou descendência.
Vitorino — Há uma linha que diz que tu, depois da ressurreição, con-
tinuaste encarnado e seguiste para outros lugares. Confirmas?
Sananda (por Esmeralda) — O que aconteceu depois da minha
crucificação é algo que vocês ainda não entenderam. Foi um processo
único, de que falaremos mais tarde; tenho algumas coisas para vos con-
tar, que talvez contrariem, um pouco, os dogmas da Igreja, mas vocês
aceitaram receber estas narrativas.
A Ressurreição é um tema absolutamente sagrado para os católicos.
Realmente ressuscitei, por assim dizer, mas a coisa foi feita de uma for-
ma diferente da que pensam.

60 Mais adiante se divulga mais informação sobre esta personagem.

84
Terra — O Jardim de Lúcifer

Não voltei a encarnar tal como vocês encaram a encarnação. Fiz-me


aparecer, no entanto, em vários locais, como é evidente. Teria o resto do
mundo de ficar impedido de receber a minha mensagem, só porque eu
morrera? A morte é apenas um patamar e, para mim, foi um processo
iniciático. Ascendi a outro patamar de vibração. O Espírito, como Filho
de Deus,61 encarnou como homem, trouxe a mensagem ao mundo e as-
cendeu a uma nova forma física. Durante muito tempo esteve na Terra.
Ao nível etérico está sempre na Terra… embora, desta vez, vá estar de
uma forma bem menos etérica!
Quanto à Sara, o seu desencarne não se deu de uma forma normal,
através da morte; ascendeu, tal como vocês, um dia, também poderão fazer.
Por agora é tudo. Muito obrigado.
Vitorino — Até logo, então. Muito obrigado.

8 de Agosto (tarde)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e estou entre vocês,


mais uma vez. Antes de começar a nossa conversa, é bom que se expres-
sem. [26]

9 de Agosto (manhã)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e agrada-me estar aqui,


nestas circunstâncias. Esta é, realmente, uma etapa grandiosa para a
Terra, em que a Energia Matriz desce ao planeta. Poderia dizer, sem ne-
nhum erro, que vocês não têm de se preocupar com nada. As coisas vão
começar a acontecer aceleradamente à vossa volta. A Sombra não per-
cebe o que está a acontecer. A nova energia da Terra é profundamente
61
Deus equivale às polaridades Lúcifer/Yasmin.

85
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

transformadora e vai fazer com que tudo o que nela exista ao serviço da
Sombra se mude ou se transmute. Aqui não fica! Esse confronto vai ser
muito difícil porque a Sombra vai aperceber-se do que se está a passar.
Mas vocês terão toda a protecção. Por mais que vejam tudo a desmoro-
nar, não se preocupem. O que criaram está feito. Podem ter a certeza.
Vitorino — Não duvidamos.
Lúcifer (por Esmeralda) — Não duvidem porque, se duvidarem,
introduzem a incerteza, no panorama da criação, a possibilidade de não
acontecer. A completa certeza é a criação, jamais se esqueçam disto!
Vitorino — Certo. Obrigado pelas dicas.
Lúcifer (por Esmeralda) — A nossa cumplicidade é extraordinaria-
mente importante porque, como sabem, nós vemos o jogo de cima e
vocês vêem-no ao nível do chão. Não quer dizer que a vossa visão esteja
errada, mas enquanto nós vemos os movimentos de toda a gente, deste
lado e do outro, vocês não vêem. [27]
Hoje temos dois contactos, no segundo, à tarde, daremos informa-
ção sobre a história da Terra; Sananda também falará. Agora vou inter-
romper a comunicação, pois Yasmin quer falar-vos.

PAUSA (ENCORAJADORA)

Yasmin (por Esmeralda) — Quero saudar-vos na nova etapa que


iniciaram. Coube-me a mim fazer a aproximação a vocês e entre vocês.
Chegados a este ponto, é com imensa alegria que vemos o que está
a acontecer. Tudo decorreu mais rapidamente do que era esperado e,
no nível vibracional, excederam todas as expectativas de transformação.
Pensávamos que ia ser muito mais difícil, tanto com um como com
o outro. Ambos tinham muitas coisas para resolver, mas têm-se dado
completamente ao trabalho. Muito obrigada. Assim fazendo, permiti-
ram que o Plano avançasse imenso. Ao mesmo tempo que isto acontece,
as posições da Sombra também se radicalizam. Não é nada que vos deva
preocupar. Deixem que as coisas humanas que servem a Sombra caiam
e se desestruturem. Não há problema nenhum. É para isso que vocês os

86
Terra — O Jardim de Lúcifer

dois cá estão. Tudo o que tiver que ser salvaguardado e protegido, sê-lo-á!
Este é o Reino da Luz e do Amor [28]
É muito bonito! Apesar de estarem cansados devido à prática dos
exercícios, lembrem-se que nós dissemos que esta semana tudo ia ser in-
tenso. Tem que ser assim. Reparem, a teia que vos liga tem de estar mui-
to estruturada, inabalável. Para além disso, vocês vão introduzir novos
arquétipos ao nível do relacionamento, uma estrutura diferente. Logo,
têm que saber o que estão a fazer. O Amor tem que existir, realmente,
entre vocês, em todas as dimensões, incluindo a física, porque essa é
a forma como o Amor se expressa na Terra. A energia da Fonte — a
energia da criação — expressa-se na Terra quando cada par consegue,
realmente, amar-se e fundir-se. Essa é a verdadeira aprendizagem, de
modo a passarem essa informação aos outros. Terá um grande impacto
nos relacionamentos humanos, podem acreditar. A energia da Mãe, do
feminino, tem de estar presente na Terra, juntamente com a energia do
Pai, completamente transformada.
Essa é a vossa missão. Através dos vossos trabalhos, terão de passar
esse ensinamento aos vossos irmãos. Nas relações, deixará de existir o
que é aviltado, baixo ou sujo. É o fim da mentira! A transparência e a
verdade farão parte da existência humana. Estamos muito gratos e mui-
to felizes. Muito obrigada.
Por agora é tudo.

9 de Agosto (tarde)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e vou continuar o con-


tacto da manhã, com algumas declarações; o resto do contacto não será
comigo. No final do encontro de 16 de Setembro, prepara-se já uma
pequena surpresa.62 Sabemos que estamos a anunciar muitas coisas e

62 A «surpresa» foi a declaração de Sananda — nunca antes revelada — de que a sua Segunda
Vinda vai ocorrer em Portugal, num corpo de mulher com as polaridades juntas — um ser
completo, como nunca ocorreu neste planeta: «Apesar de isto surgir neste canto do planeta,
espalhar-se-á pelo mundo inteiro e ninguém ficará indiferente à minha energia».

87
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

vocês — principalmente a Esmeralda — acham que não vai acontecer


nada, que não devíamos estar a anunciar. Mas é um facto. Prepararem-
-se porque nós já estamos aqui convosco. Portanto, é um acompanha-
mento contínuo. A nossa manifestação é algo que vai ocorrer amiúde
com vocês; não deviam ter a mais pequena dúvida. Nunca nenhum ser
humano teve o tratamento que vocês os dois estão a ter; podem acredi-
tar. Mas também nunca nenhum ser humano esteve envolvido em algo
tão importante. Sem a menor dúvida.
Amanhã vou continuar a contar a história da Terra; hoje prossegui-
mos com Sananda.

PAUSA (RESPONSÁVEL)

Sananda (por Esmeralda) — [29] Vamos acrescentar alguns pontos


à minha história, mas gostaria de saber se têm alguma coisa a dizer.
Vitorino — Não, por agora não.
Sananda (por Esmeralda) — Então, vamos continuar. Sobre a pre-
gação e os milagres, já muita coisa se disse. Essa parte da história está
muito presente nos textos sagrados. Não é que as coisas tenham sido
exactamente como foram contadas, mas não cabe aqui, agora, fazer o
relato de todos os meus milagres e pregações. Quero dizer apenas que
o início do meu trabalho foi muito difícil, com pouca gente, e que, de
repente — como vai acontecer convosco — tornei-me um fenómeno
das ruas e das praças. Acorriam multidões para me ver. Ainda assim, era
um fenómeno circunscrito às terras por onde passava. Mas isto suscitou
a reacção dos Doutores do Templo, dos rabis, que, com grande aflição e
medo, viam o meu poder a aumentar. O meu principal problema — tal
como vai acontecer com vocês — é que eu nunca quis juntar a minha
palavra à deles. Não me submeti ao seu poder e às suas advertências e
segui sempre o Caminho, em estreita colaboração com o Pai.
Agora, vamos falar das minhas pregações:
Quando a coisa eclodiu, muita gente me seguiu e pôde assistir aos
milagres, que são verdadeiros. Muitos foram feitos particularmente, ou-

88
Terra — O Jardim de Lúcifer

tros em público. A todos toquei com a palavra; a vibração era muito


forte, mas não tem nada a ver com a que vai surgir agora, com este novo
Portal de Energia.
Quero falar agora da minha experiência de transubstanciação, junto
dos discípulos. O que aconteceu quando me iluminei e elevei, diante
de todos os discípulos, como consta nos textos sagrados, e muito bem,
foi que eu me uni ao Pai, à Fonte. Uma união total, o que fez com
que o meu corpo se alterasse. Foi a prova mais visível do Pai em mim.
E todos aqueles que me amavam puderam assistir. Esse é o milagre da
transubstanciação.
Alguma pergunta?
Vitorino — Tencionas falar sobre a crucificação e Judas?
Sananda (por Esmeralda) — Claro que sim. Quanto a Judas, quero
acrescentar já algumas coisas, melhor será dizer, contar a história:
Judas fez o que lhe pedi. Era o meu discípulo fiel, um homem in-
teligente, com instrução, com uma cega confiança em mim e uma fé
total no Pai. Por vezes caía no extremismo, mas, com o tempo, suavi-
zou-se e foi capaz de fazer o que nenhum outro seria capaz: num acto
de Amor total, entregar o Mestre, a seu pedido! Era necessário que eu
fosse entregue, sujeito ao suplício, julgado e morto. Era para o que eu
estava destinado, depois de ter passado a Mensagem. Judas sempre foi
um homem orgulhoso e de temperamento muito forte, mas a sua fé
vacilou quando me viu entregue aos soldados e a ser vítima de todo o
sofrimento que passei. Judas era um homem preparado para o que fez.
Era o único, suficientemente extremoso — e extremista — capaz de o
fazer. Mas não aguentou. E o sofrimento a que foi sujeito pelo ostracis-
mo, as perseguições e a revolta dos outros discípulos, fizeram com que
se enforcasse. Não aguentou aquela dor, a dúvida; acima de tudo não
aguentou o sofrimento da minha crucificação.
Vitorino — Não poderia ter decorrido de outra maneira? Não poderias
ter sido poupado a tudo o que se passou, ou, pelo menos, em parte?

89
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — Eu apenas sofri o que, naquele tem-


po, os condenados sofriam. O facto de esse sofrimento ter sido des-
crito e ficado registado nos textos sagrados para a posteridade, não
invalida o sofrimento de todos os outros condenados. Claro que fui
alvo da chacota pública, porque ninguém conseguia compreender
como é que, depois de ter feito tantos milagres, não me libertava da
cruz e do sofrimento. Foi muito difícil de entender por todos os que
me tinham seguido. Não conseguiam compreender. Por isso é que,
a seguir, tantos me puseram em dúvida. Também por isso é que eu
tive de aparecer na forma de Espírito Santo. Aí, foi a energia apazi-
guadora da Mãe que desceu, acalentando aqueles corações e abrindo
o discernimento.
Vitorino — Há uma canalização, que está no teu livro,63 onde dizes
que não sofreste o que qualquer condenado costumava sofrer, devido à ener-
gia que te rodeava. Queres falar sobre este tema?
Sananda (por Esmeralda) — Ninguém conseguia acreditar nisso,
embora tenha conversado com Judas sobre o assunto. Disse-lhe e pro-
vei-lhe, mas, na hora, ele não conseguiu acreditar.
Vitorino — Disseste-lhe antecipadamente?
Sananda (por Esmeralda) — Claro. Vocês não foram os únicos a
serem preparados para uma missão. Quando pedimos a um ser humano
algo de muito importante, preparamo-lo para tudo. O Espírito não en-
gana ninguém. Judas e todos os outros não conseguiram entender que
aquilo (crucificação) era mesmo necessário. Excepto Maria Madalena,
ninguém aceitou que eu não estava a sofrer. Ela sabia, dada a nossa
ligação. Era impossível não saber. Um sofrimento muito grande da mi-
nha parte tê-la-ia trespassado. É exactamente o que acontece agora com
vocês; embora não tenham consciência de que o que acontecer a um,
acaba por influenciar o outro.

63 SANANDA — EU SOU O FAROL DA HUMANIDADE. Editora Anjo Dourado. (Canalização


«Sobre o sofrimento», página 15).

90
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Repito: vocês vão ter de sustentar estas informações, porque…


Ora! Não quero voltar a falar neste tema. Já sei que as vão sustentar…
Sananda (por Esmeralda) — Essa é a vossa prova de fé!
Por hoje, terminamos. Mas não vamos embora sem nos despedirmos,
realmente, de vocês. Até ao nosso próximo contacto, brevemente.
Vitorino — Até à próxima. Obrigado.

10 de Agosto (manhã)

Lúcifer (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos ao nosso contacto. Eu


sou Lúcifer e não posso deixar de estar presente, mais uma vez. Vamos
dividir este contacto em duas partes; de manhã e ao fim do dia, à hora que
quiserem; se for feito da natureza, melhor para vocês e para nós.
Cabe-me aqui, hoje, acrescentar um pouco à história que tenho es-
tado a contar. Mas podemos começar pelas vossas perguntas.
Vitorino — Sim, eu tenho uma pergunta. Como é que o teu nome foi
tão denegrido. Como se chegou ao ponto de se crer que tu eras uma figura
diabólica, satânica?
Lúcifer (por Esmeralda) — Em toda a literatura sagrada dos povos
do mundo existe a memória da Invasão. Os (invasores) que aqui ficaram
escreveram a história. No entanto, por diversas vezes, eu mostrei a mi-
nha face aos Homens, sem usar o meu nome. O meu nome foi utilizado
como sendo a essência do mal, mas vocês sabem que o mal, no sentido
judaico-cristão, não existe; o que existe é falta de consciência e afasta-
mento da Luz.64 Quando alguém se afasta do domínio do Pai, cai no
plano da Sombra e é manipulado. Qualquer ser humano, que vive no
planeta Terra, tem livre- arbítrio e pode escolher. Mesmo diante da face
do Pai pode escolher (outra via). Essa é a maior premissa do Amor.

64 Esse é o tema básico de todas as canalizações de Lúcifer, contidas no já referido livro


EU SOU O ARCANJO LÚCIFER. Nessas canalizações, os humanos são convidados a livrarem-
-se do conceito representado pelo «arquétipo do mal».

91
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Queres dar um exemplo de uma dessas vezes em que mos-


traste a tua face aos Homens?
Lúcifer (por Esmeralda) — No Velho Testamento, da tradição cris-
tã, quem é que sobe ao Monte (Sinai)? Quem é o profeta que recebe de
mim a história e que é transportado de carro? Que espécie de «carro»
pensam vocês que é esse?
Vitorino — Jeová é outro dos teus nomes?
Lúcifer (por Esmeralda) — Não podia deixar de ser!
Vitorino — Então, o que acontece à informação transmitida, de que
Jeová era um Plêiadiano que trouxe os Judeus para a Terra?
Lúcifer (por Esmeralda) — Muitas formas de contar a história! Ve-
jamos: já vos expliquei que eu, Lúcifer, sou o criador deste Univer-
so. Ao meu serviço estão várias entidades, tantas que nem imaginam.
E quem esteve ao meu serviço na Terra adoptou vários nomes. Se me
perguntam se o meu nome é Jeová, acaso esse não foi o meu nome que
verbalizaram, durante tanto tempo, quando se dirigiam a mim? A quem
se dirigiam? Ao Criador? Então, quem é o Criador?
Vitorino — Mas eras realmente tu ou um delegado, um enviado teu?
Lúcifer (por Esmeralda) — Como acabaram de perceber, era um
delegado meu. Essa história dos Judeus virem das Plêiades, não posso
dizer que seja exactamente assim. O que posso dizer — que está na me-
mória do Povo de Deus e na de todos os povos da Terra — é que todos
eles são minha criação. Se existem aqueles que não o são é porque eu
permiti que assim fosse e assim acontecesse.
Quanto aos Judeus, numa fase posterior à Invasão, foi enviado, real-
mente, um grupo de colonizadores, digamos assim, para se misturarem
com os que já estavam na Terra. Mas não (aconteceu) como está descrito
na História; de forma nenhuma. Quando os Filhos do Céu se misturaram
com as Filhas da Terra e deixaram aqui a sua descendência, a coisa mudou.
Os Judeus foram um núcleo de colonizadores, de mestres, cujo
objectivo era misturarem-se com determinado núcleo da população, mais

92
Terra — O Jardim de Lúcifer

avançado e evoluído ao nível da consciência, para se conseguirem me-


lhores resultados. Daí toda a história dos Judeus (por exemplo) o facto
de não terem tido país durante tanto tempo.65 Não precisavam, pois não
eram daqui! Só que esse conhecimento e essa memória perderam-se. Mas
Deus não abandonou os seus Filhos; eu nunca abandonei os meus Filhos.
Por isso tanta coisa se passou com os Judeus, por isso Jesus nasceu entre
eles. E, agora — como já sabem — há uma Matriz, que se mantém intacta,
no povo judeu. Isto não quer dizer que eles sejam melhores ou piores (que
os outros); é um conhecimento ao nível do ADN.
Vitorino — Em todos os Judeus ou só em alguns descendentes de Sara?
Lúcifer (por Esmeralda) — Todos os Judeus partilham de uma matriz
genética, ao nível de uma determinada hélice do ADN, cujo conheci-
mento lhes permitiria accionar um processo mais rápido de ascensão e de
elevação. No entanto, tal não foi possível porque «caíram». Mas, atenção:
outros povos da Terra têm outros tipos de conhecimentos no seu ADN;
mas este (dos Judeus) é muito específico, relativamente à Terra.
Quanto à questão da Sara, é diferente; já vos expliquei: foi feito um
trabalho genético para servir de suporte desta Energia (Matriz) que já cá
está, agora, na Terra: a energia Sananda, completa.66
Fui claro?
Vitorino — Sim, obrigado.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, vamos continuar a História da
Terra. Quero falar do período da Invasão. E é por aqui que ficaremos
hoje. No entanto, se surgirem dúvidas, digam:
Muitas naves vieram, transportando imensos híbridos, clones e hu-
manos manipulados. O seu ADN foi manipulado de tal forma que o
índice de negatividade era enorme. Instalou-se o caos na Terra, na oca-

65 Por serem «portadores» de sementes que ajudariam a incrementar o grau de Luz dos humanos

terrestres, a Sombra sempre os atacou.


66 Ou seja, um ser humano «completo», com as duas polaridades — o masculino e o feminino
— integradas.

93
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

sião desse impacto inicial. Primeiro, porque os humanos que cá viviam


não conseguiam perceber o que estava a acontecer; nada daquilo fazia
parte dos seus registos, nem do registo deste Universo: a guerra, a adul-
teração, a violação, etc. Foi como um tsunami de negatividade que tudo
arrastou. Os humanos da Terra (nessa época) tinham uma consciência
muito elevada — por isso se fala de Paraíso, de Éden — assim como a
capacidade de se transmutarem ou, se quiserem, de desencarnar. Mas
alguns ficaram porque não conseguiram perceber o que estava a ocorrer
ou não tiveram tempo de reagir.
Deu-se, então, uma coisa surpreendente: pela primeira vez, sen-
tiram o medo, quando, energeticamente, tal não deveria ser possível
a quem era Luz. Só que o contacto com aquela onda de negatividade
tão profunda, de extrema violência, suscitou o medo e impediu que
muitos humanos reagissem. No momento em que foram chacinados,
a História do Universo alterou-se.67 Mas os invasores começaram a
aperceber-se, inconscientemente, que a coisa não era (o que espera-
vam ou lhes tinham dito). Em face da Luz (que encontraram na Terra)
surgiu, dentro deles, aquilo a que poderíamos chamar um profundo
sentimento de insatisfação, já que, quem entra no território da Luz,
não permanece igual. Por outro lado, os humanos (que já cá estavam)
e que ficaram em contacto com a energia da Sombra tiveram medo,
pela primeira vez. Tudo isto foi uma lição para a Fonte. Foi nesse mo-
mento que o meu nome foi aviltado. Nesse momento, na consciência
dos humanos que foram chacinados, entraram as seguintes questões:
«Como é que isto pôde acontecer? Como é que Ele pôde deixar que
isto acontecesse?»
Vitorino — E pensaram que tu eras o responsável pela situação…
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim, por permitir que estivesse a acon-
tecer o que tinham diante dos olhos!
Vitorino — Portanto, se permitias, só podias ser um deles!

67 Foi a «Queda» de que fala a Bíblia!

94
Terra — O Jardim de Lúcifer

Lúcifer (por Esmeralda) — Exacto. Para esses humanos eu tinha


atraiçoado o Reino da Luz! Isto foi o que ficou aqui na Terra. Mas ainda
conseguimos resgatar muitos seres.
Quando se fala em «guerra», esse termo deve ser entendido no sen-
tido de protecção total da Luz sobre quem aqui estava. Resgatámos os
que pudemos. Gabriel, que estava na Terra nessa altura, numa missão
muito breve relativa a uma experiência científica, foi quem deu o alerta.
Mas foi dos primeiros a transmutar-se. Por isso, como ele era um envia-
do, acabou por se tornar um mensageiro entre o Céu e a Terra. Todavia,
como podem imaginar, nem só humanos estavam aqui; havia outros
seres convivendo, pacificamente, no Reino da Luz.
Vitorino — Outros seres, de outras raças?
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim, sim, alguns dos quais também
foram chacinados. Houve, então, uma grande reunião — interga-
láctica, se quiserem chamar assim — na qual eu tomei a decisão de
instalar o véu. Tinha — e tenho — poder para isso. Tudo o que acon-
tece dentro do meu Universo acontece dentro de mim, pois tudo isto
é o meu corpo. É muito difícil perceberem, mas é um facto. Decidi
instalar o véu, como medida de protecção para aqueles que ficaram
na Terra e, num acto de Amor e de Misericórdia, dar a possibilidade
de redenção aos que tinham chegado para invadir este planeta. Como
compreendemos tudo, fomos acompanhando cada ser que aqui es-
tava, inclusive a gente da Sombra. Nenhum humano, nem nenhum
híbrido deixou de ser acompanhado pela Luz, porque percebemos o
que se tinha passado.
Então, após se ter consultado a Grande Fonte, clamou-se justiça
para este Universo. E a Grande Fonte, pela primeira vez, instaurou uma
regra determinando que deixava de ser possível os Universos interagirem
entre si. E, dentro do Universo do qual eu sou o Criador, considerando
o que acontecera e perante a acção do Senhor da Sombra, instaurou-se
a seguinte Lei: o que acontecesse na Terra, fosse qual fosse a escolha que
aqui fosse feita, ditaria o destino dos dois Universos. Ou este territó-

95
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

rio, assim como o envolvente, ficaria sob a influência total da Sombra


— onde os seus mecanismos passariam a dominar — ou passaria para
a Luz definitivamente, o que implicava que a Sombra teria de se abrir a
esta experiência da Luz.
Vitorino — Se a Terra fosse ganha pela Sombra, aconteceria alguma
coisa ao teu Universo? Ou a coisa ficaria localizada apenas aqui, como se o
planeta passasse a ser um enclave do Universo da Sombra, embora dentro
do Universo da Luz?
Lúcifer (por Esmeralda) — Pelo facto de termos sido invadidos, este
planeta, e alguma área circundante, seriam um enclave da Sombra.
Vitorino — Certo. E se a Terra ficasse definitivamente para a Luz,
quais seriam as repercussões no Universo da Sombra.
Lúcifer (por Esmeralda) — Teria de se abrir à Luz!
Vitorino — Todo ele?
Lúcifer (por Esmeralda) — Todo! Isto explica o que Yasmin disse:
no final, todos se entregarão à Luz!
Vitorino — É nesse momento de recuperação da Terra que chega Sanat
Kumara?
Lúcifer (por Esmeralda) — A que momento te referes?
Vitorino — Quando se decidiu que o planeta jamais cairia nas mãos
da Sombra, como tinha acontecido noutros lugares, segundo as informações
de que dispomos.
Lúcifer (por Esmeralda) — Nós não decidimos que o planeta não
cairia nas mãos da Sombra! O que nós decidimos foi que não abando-
naríamos quem cá estava… o que, no final, equivaleria a não cair nas
mãos da Sombra!
Vitorino — Portanto, confirma-se a vinda de Sanat Kumara e dos
144 000, de Vénus para aqui.
Lúcifer (por Esmeralda) — Quando eu digo que os Filhos do Céu
vieram encontrar-se com as Filhas da Terra, e que esse registo está na

96
Terra — O Jardim de Lúcifer

Terra, refiro-me a todas as canalizações e histórias que se referem às di-


ferentes entidades que entraram no planeta.
Vitorino — Entidades de Luz…
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro! Não foi possível, nunca mais,
nenhuma entidade da Sombra entrar neste Reino.
Vitorino — A partir daí, os que entraram, eram uma espécie de mistu-
ra, digamos assim… E volto a referir-me à explosão demográfica.
Lúcifer (por Esmeralda) — Não. Vocês não têm ideia da quantidade
de gente que entrou com a Invasão! Neste momento, poucos chegam
de novo. E os que chegam são seres de consciência muito mais elevada,
para ajudarem a acelerar o processo. Desses, sim, têm chegado muitos.
Muitos! Alguns, porém, ficam presos porque este planeta ainda tem
uma vibração muito difícil. Por isso é que o vosso trabalho é tão extra-
ordinário.
Vitorino — Mais uma pergunta, por favor. A questão cronológica (de
todos estes eventos) não tem sido abordada. Pessoalmente, sempre me fez mui-
ta confusão — talvez pelo meu desconhecimento da Paleontologia — onde é
que, em toda esta história, entram os restos dos primeiros hominídeos…
Lúcifer (por Esmeralda) — Os primeiros hominídeos são um facto
recente na História da Terra, digam lá o que disserem. Ocorre depois de
tudo o que acabei de vos contar. Reparem: tudo foi destruído por uma
«onda» gigantesca. É aqui que cabem algumas civilizações intraterrenas
e, se quiserem, intraoceânicas — seres que já não necessitam de se ex-
pressar através do corpo físico, embora possam fazê-lo. Nesse momen-
to (de destruição) alguns saíram para tornarem a entrar. A estratégia
foi que teria de haver suportes, ao nível energético para que os seres,
que agora habitavam a Terra, não se desequilibrassem completamente.
O suporte foi dado, principalmente no início, pelos que aceitaram viver
no nível intraterreno. Para vocês talvez seja muito difícil de entender,
mas, no futuro, haverá conhecimento dessas civilizações, assim como é
verdade que há, ou houve, civilizações intraoceânicas.

97
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Há ou houve?
Lúcifer (por Esmeralda) — Neste momento, a sua expressão é mui-
to pequena. Mas, atenção, estas civilizações não são todas humanas…
Vitorino — É essa partida de alguns seres de Luz que Kryon refere quan-
do fala na «passagem do testemunho», para utilizar a expressão canalizada? 68
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim. A certa altura, quando vocês
atingiram um grau de consciência que já vos permitia sustentar um
certo grau de energia, e quando alguns já tinham um imenso poten-
cial, esses seres saíram para outros locais, guardando, dentro deles, a
memória do serviço à Terra, do serviço ao Amor. Fizeram um trabalho
maravilhoso! Mas não foram só as civilizações intraoceânicas; estamos
a falar de outro tipo de seres, que vocês desconhecem. Mas não me
cumpre agora, neste livro, falar deles.
Para terminar o meu raciocínio, se assim se pode dizer, a Terra e
quem cá estava ficou mergulhada num profundo pesadelo. Então,
começámos a tentar introduzir elementos novos através da Roda das
Encarnações. No princípio, foi muito difícil porque, ao mínimo sinal
de mudança, era tudo chacinado. O Senhor da Sombra foi implacável
com este domínio. Mas podem acreditar que eles também tiveram um
sofrimento imenso: para um ser da Sombra, é muito difícil o contacto
com a energia da Luz e do Amor! Mas essa foi, também, a nossa apren-
dizagem. Percebemos como é que a Fonte era Amor e Luz. Tudo o que
emanava da Fonte…

68 «À medida que a soma das energias humanas foi aumentando (no planeta), o número de
entidades foi diminuindo gradualmente. Mas as de maior poder ficaram, pois a sua presença
era necessária para manter o equilíbrio energético da Terra, o qual jamais teriam podido obter
na velha energia. Essas entidades começaram a retirar-se a partir de Abril de 1994. (…) E foi
numa grande celebração que deixaram o planeta, pois sabiam que a sua partida representava
o começo de algo extraordinário: uma transferência de poderes para a Terra e o início do que
chamaremos a independência do vosso planeta. (…) Não há melhor meio para descrever o
que se passou. Isso libertou-vos das cadeias de uma ‘marca’ que têm trazido convosco desde
tempos imemoriais, e permitirá que desfrutem de dons maravilhosos. Foi assim que, nesta
data, começou a ‘passagem do testemunho’» Excerto do Capítulo 3 do Livro 3 de Kryon
A ALQUIMIA DO ESPÍRITO HUMANO, Edições Estrela Polar.

98
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — da Grande Fonte…


Lúcifer (por Esmeralda) — Sim, da Grande Fonte. Aprendemos
que mesmo a Grande Fonte podia expressar-se de uma forma sombria,
num processo de aprendizagem, através do esquecimento de si própria
e do seu propósito. Mas, no fim, a sua Essência sempre aparecia. Esta
experiência é muito importante porque impede outras do mesmo géne-
ro. É uma aprendizagem profunda. Este planeta é extraordinariamente
importante; é o planeta da Grande Experiência… sem rede, como vocês
dizem! Aqui, sim, tudo foi experimentado.
Para concluir: Foi uma selvajaria, repleta de múltiplos sofrimentos
e chacinas, pois todos os invasores estavam abandonados a si próprios.
Os humanos, que, num derradeiro acto de Amor, continuavam a querer
encarnar, confrontaram-se com corpos muito manipulados e pesados.
É aí que surgem os povos pré-históricos. Quando se diz que foram fei-
tas várias experiências, foram-no efectivamente, porque são o resultado
do que aqui ficou. E como a Grande Fonte deu ordem para que nunca
mais ninguém interferisse, o Senhor da Sombra não pôde continuar a
sua experiência. Mas quem cá estava, ficou!
Nessa tentativa de conseguir uma nova evolução nos corpos que
aqui existiam, foram-se introduzindo alterações a nível genético. Pri-
meiro, através de uma ou outra experiência, mas logo se percebeu
que tal não seria correcto. Tentou-se, pois, o cruzamento com seres
mais evoluídos biologicamente69, mas só depois de os humanos terem
atingido um patamar de desenvolvimento mínimo; de outra forma
não seria possível. Quando falamos de «patamar de desenvolvimento
mínimo», estamos a falar das primeiras civilizações, não dos pré-histó-
ricos. Esses tiveram mesmo que ser ajudados, digamos assim, algumas
vezes ao nível genético.
Alguma pergunta?

69 Aqueles que, nesta narrativa, têm vindo a ser designados como «Filhos do Céu», que se cru-
zaram com as «Filhas da Terra».

99
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Não, embora me pareça que seria interessante se pudéssemos ter


a cronologia de todos estes acontecimentos; se não vai ser uma grande confusão.
Lúcifer (por Esmeralda) — Essa cronologia vai ser dada, quando eu
sentir que este canal tem mais confiança.
Vitorino — Certo. Obrigado.
Lúcifer (por Esmeralda) — Por agora é tudo. Muito obrigado.

10 de Agosto (tarde)

Yasmin (por Esmeralda) — Já manifestei a minha alegria pelo mo-


mento que se vive, mas apraz-me fazê-lo novamente. É muito bonito o
que se vive hoje na Terra, devido à vossa entrega. Eu sou Yasmin e vou
responder a todas as vossas perguntas. Também darei alguns esclareci-
mentos e informações. Podem colocar as vossas questões.
Vitorino — Há pouco, quando estávamos a fazer uma transcrição, sur-
giu uma dúvida. Quando Sananda falava de Maria Madalena e de Sara,
na sua ida para França, disse: «Durante muito tempo, a Igreja procurou-as
embora não soubesse quem procurasse.» Ora, a Igreja, como tal, ainda não
existia naquele tempo. Podes dar algum esclarecimento sobre o assunto, para
não confundir os leitores?
Yasmin (por Esmeralda) — Claro que sim. Trata-se, decerto, de
uma falha de tradução (do canal), pois não se pode falar em Igreja or-
ganizada naquela época, como sabem. O que queríamos dizer era que
a Sombra procurou em todos os lugares70, nos sítios mais abertos e nos
mais escondidos. Mas o facto de estarem noutro continente fez com
que ficassem a salvo dos Judeus — dos que eram a favor e dos que eram
contra — dos romanos e da nova igreja emergente. Mas, acima de tudo,
ficaram a salvo da Sombra! Isto pode e deve constar no livro!

70 Atrás, a propósito do Segredo de Fátima, já Sananda tinha dito que «a Igreja Católica estava
a fazer o trabalho da Sombra ao manipular os seus irmãos…»

100
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Obrigado. Outra pergunta, que me surgiu durante a trans-


crição: se Maria Madalena foi para França e teve Sara no caminho, pouco
tempo depois da crucificação, a pergunta óbvia é: ela estava grávida aquan-
do da crucificação?
Yasmin (por Esmeralda) — Como é evidente! Há muitos textos
que apontam nesse sentido. Foi um dos segredos mais bem guardados.
Ninguém podia saber que ela estava grávida. Foi escondida porque a
procuraram, assim como aos apóstolos, aliás. Não é por acaso que ela
não aparece naquilo a que a Igreja chama «descida do Espírito Santo»,
quando a energia desceu, e transmutou os apóstolos e a Virgem Maria.
Não é por acaso… Ela tinha de estar escondida, não por ser maldita e
pecadora71, mas porque era a companheira de Jesus e estava grávida.
A Sombra não podia permitir que a descendência de Jesus se estendesse
sobre a Terra, proporcionando o que está a acontecer agora. Não podia
correr esse risco, pois conhecia o Plano. Mas, como podem ver, não
conseguiram. Nem vão conseguir agora.
Há textos que apontam no sentido de Maria Madalena estar grávi-
da, na altura da crucificação. Há vários textos da época, e posteriores
também, que confirmam o que estou a dizer, sendo que alguns deles
estão no Vaticano. Não se coíbam de colocar esta informação no livro,
porque ela é verdadeira. Repito: esta história pode ser confirmada pelo
Vaticano, nos seus aspectos gerais. Estes registos existem porque, quem
deu apoio a Maria Madalena contou a história por escrito.
Vitorino — Estás a falar de José de Arimateia?
Yasmin (por Esmeralda) — Não, estou a falar do grupo de judeus,
que funcionou como grupo de apoio a Maria Madalena, que estava
acompanhada por José de Arimateia. Esses contaram a história, que
ficou registada, estando neste momento guardada no Vaticano. Quem
apoiou Maria Madalena não podia arriscar-se a que esta informação se
tornasse pública. Mas, por incrível que pareça, deram-na a conhecer

71 Apesar de se dizer que Jesus a absolveu dos seus pecados e a livrou de sete demónios…

101
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

depois de tudo ter sossegado. Era muito importante que a descendên-


cia de Jesus ficasse viva. E ficou!
Podes continuar.
Vitorino — A propósito da descendência de Jesus e da matriz genética
que Sara trouxe para a Terra, a fim de que aqui permanecesse, já sabemos
que nem todos os que descendem da linha de Sara herdaram essa matriz. Eu
pergunto se, pessoalmente, tenho alguma descendência judaica.
Yasmin (por Esmeralda) — Não há nenhum português que se possa
dizer imune ao sangue judeu!
Um conjunto de judeus sefarditas72 entrou na Península73 e cá se
mantiveram sem se misturar com a população. Somente quando foram
obrigados a converter-se, no tempo da Inquisição, principalmente pela
acção do rei D. Manuel I, é que começaram a misturar-se com o resto da
população. Os que não abandonaram o país tiveram de se converter.
Vitorino — Só mais uma pergunta. Falou-se que Maria, há dois mil
anos, ascendeu. E o que dizer de José? Também ascendeu ou passou por um
desencarne meramente humano?
Yasmin (por Esmeralda) — Primeiro, deixem-me explicar-vos o que
aconteceu a Maria. A sua «ascensão aos céus», como foi chamada, foi
exactamente como a do profeta Ezequiel. Só que, com ele, o «carro de
fogo» foi descrito. Maria viveu longo tempo, mas fora da Terra; desen-
carnou depois.
Vitorino — Fora da Terra? Quer dizer que foi levada por uma nave? 74
Yasmin (por Esmeralda) — Exactamente.
Vitorino — Desencarnou fora do planeta?

72 O termo Sefarditas refere os descendentes de Judeus originários de Portugal, Espanha, Itália,


Grécia, Turquia, Judeia, etc. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a
Península Ibérica. (Retirado de Wikipedia.com.)
73 Como foi dito no sonho da Esmeralda, há muito tempo. Agora, finalmente, podemos per-

ceber o seu significado.


74 Num contacto posterior, pedimos explicações sobre este tema. Veja mais adiante.

102
Terra — O Jardim de Lúcifer

Yasmin (por Esmeralda) — Exactamente.


Vitorino — Essa vai ser uma bomba!
Yasmin (por Esmeralda) — Pois. É daquelas coisas que teremos de
sustentar com a nossa presença, não é?
Reparem bem: Maria viveu uma situação difícil, assim como José.
Mas estavam preparados. Ambos sabiam que José teria de desencarnar
mais cedo — já falaremos melhor sobre isso — não pela idade, mas por-
que assim era necessário ao Plano. Às vezes (os colaboradores) são mais
necessários deste lado do que desse; outras vezes é o contrário.
Depois de Maria ter cumprido o seu trabalho na Terra e de ter aju-
dado a estabilizar a energia dos apóstolos, optou-se por retirá-la da Ter-
ra, até porque o seu corpo já tinha um grau de vibração tão elevado que
nem convinha que permanecesse. Assim, foi essa a opção. Digamos que
ela passou a servir um Plano Intermédio. A «assunção de Maria», como
lhe chamam, deve-se ao facto de ter sido necessário mostrar que a mãe
de Jesus, de alguma forma, tinha sido «tocada» pelo Pai.
No caso de José foi diferente, porque assim foi necessário. A sua
figura aparece na tradição cristã com uma imagem muito deformada,
quando comparada com o que foi realmente: um homem sábio, com
grandes conhecimentos esotéricos para a época, os quais aprofundou
durante a sua estadia no Egipto, pois acompanhou de perto os ensina-
mentos de Jesus. Acham que ele foi um pau-mandado? De forma ne-
nhuma! Eu sei que esta expressão parece muito forte, mas (na história)
quase que se esvazia a actuação de José. Pelo contrário, ele foi muito
próximo de Jesus, como não podia deixar de ser. Seguiu de perto a sua
educação, aprendeu e ensinou.
Vitorino — É possível saber que idade tinha Jesus quando José desen-
carnou?
Yasmin (por Esmeralda) — José desencarnou quando Jesus estava
próximo de assumir a sua vida adulta.
Vitorino — Ser reconhecido como adulto?

103
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Yasmin (por Esmeralda) — Exactamente. Mais alguma pergunta?


Vitorino — Uma pergunta de carácter geral: é possível que alguém
que tenha ascendido possa ter ficado retido depois de ter voltado a encar-
nar no planeta?
Yasmin (por Esmeralda) — Claro que sim. Deixem-me explicar,
pois eu sei que isto pode causar alguma confusão. Vocês nem sempre
vieram com o mesmo plano. Um humano pode ter ascendido, devido
ao grau de mestria alcançado e pela sua proximidade à Fonte, e voltar à
Terra. Nessa encarnação seguinte pode sofrer um processo involutivo.
Quando tal acontece é porque aceitou essa experiência, e não porque,
como poderiam pensar, foi tocado pela Sombra. Isso só aconteceu no
princípio, como já foi explicado, quando houve a Invasão. Sempre que
alguém, com elevado grau de consciência, se deixou aprisionar, foi por-
que aceitou viver essa experiência de forma a poder, depois, conduzir
os seus irmãos!
Há coisas que a Fonte só conhece quando experimenta. Assim acon-
teceu com vocês os dois: durante muito tempo foram os portadores do
conhecimento para a Fonte, porque são os seus correspondentes… o
que vos acarretou muito sofrimento. Foi difícil fazer-vos sair dessa con-
dição… mas aqui estão!
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Por agora não. Muito obrigado pelas tuas respostas.
Esmeralda — Eu também não.
Yasmin (por Esmeralda) — Então vou prosseguir falando-vos de
Maria Madalena. Mas quero agradecer as vossas perguntas, pois foram
propositadas e esclarecedoras. [30]
Maria Madalena é uma personagem que os textos sagrados tentaram
denegrir. Foi santa depois de ter sido considerada prostituta! Reparem
que ela foi, desde sempre, a companheira de Jesus. Por vezes, é descrita
como sendo viúva, mas não era. Era mais velha que Jesus, muito podero-
sa, no sentido de ter herdado uma fortuna devido a não ter irmãos. Podia

104
Terra — O Jardim de Lúcifer

dispor de si, ao contrário de muitas mulheres na época. O facto de não


ter marido era contrário aos costumes da época. Por isso era mal vista. No
fundo, foi preparada para esperar. Nunca a conseguiram casar. A ligação
entre ela e Jesus foi muito intensa e para sempre. A partir do momento
em que se conheceram nunca mais se separaram, partilhando o mesmo
projecto de vida. Ela sabia ao que ele vinha, e dispôs-se a entregar a sua
vida nesse sentido. Mas foi-lhe muito difícil quando Jesus morreu, pois
estava grávida. Era uma mulher forte e decidida, que soube apagar-se para
que Jesus brilhasse, não deixando que o ego a afectasse. Mais tarde, fez
uma dupla com José de Arimateia, não ao nível de parceria amorosa, mas
da amizade. Foi das coisas mais bonitas na Terra.
José de Arimateia foi alguém de um inestimável valor naqueles mo-
mentos, assim como as pessoas amigas que os recolheram ao longo do
caminho (para França).
Apesar de saberem que Maria Madalena era a mulher, a compa-
nheira de Jesus, os discípulos nunca viram com bons olhos a primazia
que ele lhe deu, pois, diante deles, sempre a tratou como igual. Não era
costume. No entanto, ele assumiu-o sempre. Foi preparado para isso, e
ela soube lidar delicadamente com todas as questões, apesar da crueza
de alguns dos discípulos. Judas, curiosamente, apesar do seu grande
zelo e extremismo, soube entender. Admirou profundamente Jesus e
compreendeu o valor daquela relação.
Por agora vamos parar, mas gostaria de saber se têm alguma dúvida.
Vitorino — A história dos demónios que Jesus exorcizou de Maria Ma-
dalena, está correcta?
Yasmin (por Esmeralda) — De forma nenhuma! Isso não se apli-
cava a ela!
Por hoje é tudo. Mais alguém vos quer falar. Muito obrigada.
Vitorino — Muito obrigado, Yasmin.
Esmeralda — Muito obrigada.

PAUSA (RECEPTIVA)

105
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e vou ser breve.


Como é evidente, nós estamos sempre aqui, eu um pouco mais do
que qualquer outra entidade. Mas o meu Pai e a minha Mãe também
estão sempre aqui.
Vou referir-me à história de Maria Madalena e dos demónios, para
perceberem que tudo foi feito para denegrir aquela que foi minha com-
panheira. Tudo foi feito para encher de mácula a mulher que ia ins-
taurar, e instaurou, uma nova descendência. Só que essa descendência
não era a que eles pensavam — a da realeza ou da monarquia; não, era
a descendência de um novo padrão genético. É aí (nesse nível) que as
coisas acontecem. Claro que a Sombra sabia, e tudo fizeram — não só
com ela mas também com outros — para que as coisas fossem apaga-
das ou emporcalhadas. Essa questão dos demónios nem sequer existiu.
Demónios, se assim lhes quiserem chamar, sombras… acercaram-se de
nós muitas vezes! Vocês acham que eu podia relacionar-me com alguém
que, de alguma forma, pudesse vir a ser tocado pela Sombra? Não po-
deria corresponder-me! E olhem que o meu grau de vibração, na altura,
já era muito forte [31]
Quero acrescentar que o meu tempo na Terra teve muitas alegrias,
mas eu sempre soube que passaria por algumas dificuldades. Sabia que
o meu processo iniciático me abalaria, mas que não me faria sofrer, pelo
menos ao nível que vocês pensam que sofri.
Se não tiverem mais nenhuma questão a colocar, por hoje é tudo.
Vitorino — Não, de momento não.
Sananda (por Esmeralda) — Muito obrigada, então.
Vitorino — Obrigado a ti.

11 de Agosto (manhã)

Arcturianos (por Esmeralda) — Hoje é um dia diferente. Pedimos


autorização para vos contactar e fazemo-lo apenas para vos agradecer a

106
Terra — O Jardim de Lúcifer

disponibilidade e o serviço ao Universo. Nós somos os irmãos Arctu-


rianos, se quiserem dizer assim. Já que nos pediram um trabalho que
nos agradou fazer75, resolvemos ficar um pouco mais para vos agrade-
cer e, também, para treinar a comunicação com este canal.
Vitorino — Sejam bem-vindos! Não estava à vossa espera!
Arcturianos (por Esmeralda) — Muito obrigado. Estamos sempre
disponíveis, como sabes. Trabalhamos contigo há muito tempo, em vá-
rios planos. Portanto, apenas queremos dizer que estamos à tua disposi-
ção… aliás, à vossa disposição.
Vitorino — Obrigado. Pediremos a vossa colaboração sempre que deci-
dirmos fazer um trabalho idêntico ao de hoje, com outras pessoas.
Arcturianos (por Esmeralda) — Ficamos gratos pela confiança. Por
hoje, é tudo. Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado.

PAUSA (SAUDOSA)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e estou aqui para con-


versar com vocês. Sou o Pai, sou a Fonte; juntamente com Yasmin,
somos o Universo. Meus queridos, estou aqui para vos apoiar com
toda a força do Pai.
Alguma questão?
Vitorino — Neste momento, não.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, vamos prosseguir com a história
da Terra. Hoje acrescentarei mais um pouco. Não muito, porque a mi-
nha energia é muito forte. Apesar de a abertura deste canal ser cada vez
maior, por vezes ainda lhe custa, devido às transformações que estão a
ocorrer no seu corpo. Mas nós percebemos.
Relativamente à história da Terra, falámos ontem do aparecimento
dos primeiros hominídeos, assim como da decisão da Grande Fonte,

75 Efectivamente, momentos antes, tínhamos solicitado a sua ajuda e intervenção.

107
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

ao ser confrontada com esta situação particular e única no Universo.


Ficaram a saber qual a importância do planeta. Isto foi uma pequena
recapitulação, mas há mais:
A partir daí foi autorizado que muitas almas em evolução — mui-
tas entidades, se quiserem chamar de outra forma — pudessem entrar
no planeta para fazerem a sua aprendizagem. Não pensem que a Terra
é o único planeta onde o grau de consciência é baixo… e já foi muito
mais baixo! Esses seres não pertenciam ao território da Sombra, mas
a outros Universos…
Vitorino — Outros Universos ou outras galáxias?
Lúcifer (por Esmeralda) — Digamos que houve uma reunião inter-
galáctica, se quiserem, na qual foi pedido que se decidisse quem seriam
os seres que iriam juntar-se ao Projecto Terra para, de certa forma, aju-
dar no seu processo de evolução. Não eram propriamente Seres de Luz;
vinham em aprendizagem porque, a girar no meu Universo, há muitos
pontos de evolução em diferentes planetas de diferentes galáxias. Esses
seres viriam introduzir um factor novo. Não eram avatares, digamos
assim, nem seres da Sombra, eram seres em evolução, o que permitiu
equilibrar, grandemente, o planeta. Eram seres com vontade de evoluir
no lado da Luz, mas que ainda não tinham adquirido a mestria ne-
cessária. Fizeram, porém, a diferença em muitas situações. O resto da
evolução já vocês sabem.
Realmente, nunca perdemos o contacto com os humanos.
Como já vos disse, o véu foi aplicado na fase em que a Terra foi
ocupada (invadida), pouco depois da reunião com a Grande Fonte,
quando se decidiu qual seria o destino da Terra. O objectivo do véu
era proteger quem cá entrasse e não apenas para vos impedir o acesso
às outras dimensões. Como já foi explicado por muitas entidades, de-
vido ao véu, quem descia à Terra deixava de ter memória de quem era,
perdia o contacto com a Fonte. O véu visava não só quem chegava,
vindo deste Universo de Luz — aqueles que, num acto total de Amor
aceitavam vir para o planeta — mas também os seres da Sombra.

108
Terra — O Jardim de Lúcifer

A esses protegia-os não lhes dando a noção de quem eram, face à Luz.
Se mantivessem essa noção teria sido um cataclismo — a sua aniqui-
lação — o que impediria a experiência da evolução através da entrega
à Luz. Penso que me fiz entender.
Vitorino — Sim, claramente.
Lúcifer (por Esmeralda) — A partir da evolução dos primeiros
hominídeos, foram feitas várias experiências para aprimorar o vosso
material genético, até se chegar, definitivamente, à fusão, através do
surgimento de novos seres, gerados entre os que vinham de fora (os
Filhos do Céu) e os que estavam aqui (as Filhas da Terra). Essa foi
outra grande mudança.
Entretanto, novas almas chegavam ao planeta, embora hoje já te-
nham deixado de entrar. Assim ficou decidido porque a Terra já não
é um planeta de aprendizagem, mas um planeta em ascensão. Quem
está a chegar, agora são seres com outro potencial: são mestres e avata-
res. Vocês sabem quem eles são. A primeira leva diz respeito aos índi-
go, depois vieram os «cristal», etc. São as novas crianças. São seres que
não estão preparados para aderir ao que se está a viver (de degradante),
hoje, na Terra. Mas não se preocupem muito com eles, pois trazem
o potencial. Dentro deles há uma espécie de «bip», que, de repente,
entrará em funcionamento. Como alguns deles estão conectados com
a Sombra, gostaria de explicar o que Yasmin já vos comunicou sobre
a questão dos anti-índigos:
Se vos disse que não entra mais ninguém na Terra, como poderá,
então, chegar alguém do território da Sombra (sob a forma de anti-
-índigo)? Bom, trata-se dos que sempre cá estiveram, os que entra-
ram pela primeira vez (na invasão) e continuam dentro da área de in­
fluência do planeta. Alguns, porém, nunca estiveram encarnados sob
a forma humana; vieram como quem são, o que foi absolutamente
horripilante e horroroso para quem cá estava, nesse tempo. Esses, tal
como nós, têm a capacidade de se materializarem quando querem

109
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

— em diferentes tipos de corpos, devo acrescentar, como eu e Yas-


min. Então, por cada índigo, por cada ser que entra equipado para a
mudança da Terra, também entra um representante da Sombra. Este
equilíbrio tem de existir para que esta experiência seja justa e para
que… como vou explicar-vos? Se nós enviássemos Seres de Luz e os
servidores da Sombra não pudessem entrar, poder-se-ia dizer que a
experiência estava falseada. Mas não está!
Percebem agora o vosso trabalho? Muitos seres estão a chegar à
Terra, tal como a Esmeralda viu. Esse sonho foi-lhe dado para po-
derem perceber. Estão a chegar muitos seres à Terra, quer do lado da
Luz, quer do lado da Sombra. Mas a força da Luz é imensa e ilumina
todo o planeta.
Isto é um processo para cerca de dez anos. Quando se fala de 2012,
esse é um patamar de maior abertura — e isto é uma revelação — uma
época em que o vosso trabalho se abrirá a todo o mundo. Aí, sim, será
uma loucura! Em 2012 prevê-se a sua divulgação total, a nível mundial.
E já não falta assim tanto tempo! O ano de 2008 será demolidor.
Por hoje vamos terminar…
Vitorino — Gostaria de fazer uma pergunta, se fosse possível. Como
é que ocorreu a ocultação de todos os vestígios das civilizações anteriores à
chegada dos hominídeos? Foi com o período glaciar?
Lúcifer (por Esmeralda) — Não foi só com o período glaciar. Pensem
bem: vocês imaginam as mutações que este planeta já sofreu? Quanta
Terra se elevou? Quantos oceanos subiram e desceram? Quantos con-
tinentes bateram uns contra os outros? Está tudo enterrado. O planeta
sofreu várias limpezas, se assim quiserem chamar. Ouve uma época em
que os oceanos cobriram quase toda a Terra. Foi uma época de reestru-
turação. Muita coisa foi apagada.
Vitorino — Alguns desses vestígios surgirão à Luz, nos próximos tempos?
Lúcifer (por Esmeralda) — Já têm essa informação; Kryon não
mentiu. E outros também o disseram. Sempre que surgirem esses ves-

110
Terra — O Jardim de Lúcifer

tígios, lembrem-se de que a população já está preparada para tomar


conhecimento da verdade. Vai haver um processo de descoberta total
do passado. E vocês os dois vão ajudar nessa tarefa. Repito; vocês os
dois não têm a menor ideia da informação que vão canalizar, com dados
concisos e precisos. Isto é apenas um começo.
Por hoje é tudo. Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado, Lúcifer.

11 de Agosto (tarde)

Yasmin (por Esmeralda) — Meus queridos, sou eu, Yasmin, nova-


mente. Sei o quanto estão cansados, mas gostaria de vos dar algumas
informações e conversar com vocês brevemente, para além de responder
às vossas perguntas. Este contacto, em termos de transcrição para o li-
vro, não vai ser longo. As coisas vão passar-se a outro nível.
Estou pronta para as vossas perguntas.
Vitorino — Decerto nos ouviste a conversar sobre uma passagem de
uma transmissão de ontem, onde se diz que Maria foi levada por uma
nave. Embora corresponda à descrição bíblica de que «subiu aos céus numa
nuvem», podes…
Yasmin (por Esmeralda) — Posso explicar as coisas de outro modo:
poderia dizer que a Fonte, vendo que o trabalho de Maria na Terra es-
tava completo, e que, como era necessária noutro plano, a elevou para
junto de si. Mas seria um eufemismo; seria esconder a verdade. Maria
era um ser humano encarnado, cuja entrega foi total. Viu o seu filho na
cruz e, efectivamente, nunca se revoltou. Aceitou tudo. E quando Maria
Madalena necessitou de se esconder, Maria expôs-se pela última vez.
Conforme o Plano, e tal como lhe tinha sido comunicado pelo Pai, foi
levada no que corresponderia a uma nave. À vista de todos, ocorreu um
fenómeno, o milagre da elevação. Mas, é claro que Maria se recolheu
a um plano superior, embora tenha permanecido em contacto com a

111
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Terra. O local para onde Maria foi e o que aconteceu será muito bem
explicado numa das próximas conversas, ainda para o livro. Mas, nessa
altura, quero-vos, aos dois, calmos e descansados, de maneira que tudo
flua. E a canalização será feita em conjunto.
Mais alguma coisa?
Vitorino — Verifico que nos temos esquecido, digamos assim, do nosso
encontro físico… ou mais ou menos físico! Esse adiamento indeterminado
foi uma estratégia para nos levar a esquecer e a quase não pensarmos nisso?
Foi para nos fazerem uma surpresa?
Yasmin (por Esmeralda) — Meus queridos, o nosso encontro está
para muito em breve. Amanhã falaremos sobre ele. Confiem em nós.
Vitorino — Já sabemos que essa é a nossa prova de fé!
Yasmin (por Esmeralda) — Não há fé, neste momento; há certeza.
Vitorino — Já escrevi isso num artigo!
Yasmin (por Esmeralda) — Como é que tu pensas que nós comuni-
camos contigo, tantas vezes?
Vitorino — Sim, já percebi!
Yasmin (por Esmeralda) — E, agora, com a Esmeralda também;
só que ela, muitas vezes, não liga à intuição. Mas é bom que ligue. Por
hoje é tudo.
Vitorino — Obrigado.76

13 de Agosto (manhã)

Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda e vou terminar,


hoje, a minha história. Durante alguns dias não falaremos dela; de-
pois, tiraremos todas as dúvidas que possam ter surgido. A seguir,

76 A transcrição que se segue a esta, é a do dia 13, porque a informação dos contactos do dia 12
não se destinou a este livro.

112
Terra — O Jardim de Lúcifer

Yasmin falará com vocês. Em primeiro lugar, gostaria de saber quais


as perguntas que têm para fazer.
Vitorino — Tenho aqui duas perguntas relacionadas com a tua histó-
ria. Num contacto anterior, Lúcifer disse que a história do enforcamento de
Judas estava mal contada. Queres falar sobre este tema, por favor?

(Abrimos parênteses para intercalar esse excerto, datado de quase


um mês antes:

Vitorino — Judas foi realmente uma figura-chave, não pela «traição»,


mas pela entrega e confiança em Jesus?
Lúcifer (por Esmeralda) — Não é por acaso que a verdade começou
a vir ao de cima. A sua entrega foi muito grande e, de certa forma, pa-
gou muito caro, aos olhos do mundo. Até a questão do suicídio foi mal
contada. Está mal contada. Falaremos disso mais à frente. Não é que
esses dados sejam muito importantes para este processo, mas, como já
perceberam, vamos contar a história outra vez. Não do ponto vista hu-
mano, mas do ponto de vista dos registos de quem viveu essa situação.

Fechamos os parênteses, continuando com a resposta de Sananda)

Sananda (por Esmeralda) — Efectivamente, ele foi quase induzido


a enforcar-se. Decorrente da agitação da minha entrega (aos soldados
romanos) e da proclamação da minha prisão, houve um grande alvo-
roço entre os discípulos. Eles recordavam-se de eu ter dito que alguém
iria entregar-me. Entre eles, tentaram saber quem seria e depressa con-
cluíram que tinha sido Judas. Foi um momento muito difícil para ele,
pois foi acusado por aqueles que eram como irmãos e que o admiravam.
Lembrem-se de que Judas tinha um estatuto social um pouco mais alto
do que a maioria dos outros discípulos. Era um homem com conhe-
cimentos, letrado, digamos assim, com opiniões bem vincadas e bem
definidas, e que tudo abandonou para me seguir.

113
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Desculpa interromper o teu raciocínio, mas os outros dis-


cípulos não sabiam do que combinaras com Judas, no sentido de ser ele a
entregar-te?
Sananda (por Esmeralda) — De forma nenhuma!
Vitorino — Não sabiam, portanto.
Sananda (por Esmeralda) — Não sabiam!
Vitorino — Mas não era previsível a sua reacção, quando soubessem o
que se tinha passado com a tua prisão?
Sananda (por Esmeralda) — Se eles soubessem, teriam encontra-
do uma forma de impedir a minha prisão. E, antes do acontecimen-
to, igualmente teriam ficado contra Judas, por ter aceitado fazer o que
acabou por fazer. Além disso, teriam achado que eu enlouquecera. Re-
parem: pedir a alguém para me entregar era uma coisa absolutamente
louca, em termos humanos. Eles ainda poderiam pensar que seria uma
forma de eu manifestar a minha força e o meu poder, salvando-me. Mas
não era disso que se tratava. Judas entregou-me, mas antes eu revelei-
-lhe que, embora fosse passar por um momento de sofrimento, venceria
a morte. Contudo, quando ele me viu entregue aos soldados e se viu
acusado pelos discípulos não aguentou.
Vitorino — Ele suicidou-se logo a seguir ou passado algum tempo?
Sananda (por Esmeralda) — Muito pouco tempo depois.
Vitorino — Ou seja, quando tu reapareceste, ele já não estava entre os
discípulos.
Sananda (por Esmeralda) — Não. Judas foi a primeira baixa.
O seu enforcamento não se deveu só à culpa, mas também ao facto de
ter percebido, em termos humanos, que não tinha saída. Para onde iria?
É que ele depressa se arrependeu de me ter entregado. Apesar de lhe ter
dito que tudo fazia parte do Plano, ele arrependeu-se; quase que ficou
revoltado comigo por lhe ter pedido o que pedi.
Vitorino — Em que situação é que Judas ficou, depois de desencarnar?

114
Terra — O Jardim de Lúcifer

Sananda (por Esmeralda) — Judas foi acolhido com todo o Amor!


E durante muito tempo não tornou a encarnar. Muito tempo.
Não houve, na altura, um acto de Amor tão grande e tão doloroso,
como o dele. Mas era preciso. Embora vos pareça algo tortuoso, era
necessário.
Podes continuar.
Vitorino — Tenho aqui outra pergunta, mas sinto que vou fazê-la um
pouco mais à frente. Portanto, podes continuar com a tua história.
Sananda (por Esmeralda) — Voltando um pouco atrás, quero dizer
que, relativamente aos sermões e às parábolas que utilizei, elas foram
muito proveitosas. Toquei o coração de muita gente. Fiz o trabalho de
transmutar o que a Sombra tinha feito. Exorcizei, curei… e vocês os
dois também têm essa capacidade!
Vitorino — É só uma questão de nos atrevermos…
Sananda (por Esmeralda) — Exacto. E de acabarmos o trabalho de
preparação que estamos a fazer. Vamos finalizar esta semana.
Vitorino — Estás a falar das reformulações genéticas que estão a fazer
em nós os dois?
Sananda (por Esmeralda) — Sim. Vamos concluí-las.
Vitorino — Ok.
Sananda (por Esmeralda) — Tu, Vitorino, viste a energia que irra-
diava do ventre de A., em Espanha; essa é a energia que a Esmeralda
transporta. E tu também. A energia da Esmeralda é um bálsamo que
transmuta ao nível emocional, tão necessário aos humanos; a tua é Luz
e transmuta a nível genético, do ADN. Trabalham as duas em conjunto,
porque a mudança no nível emocional também é feita no nível gené-
tico, apagando memórias, limpando, renovando e preenchendo com
uma energia de restauração.
Continuando: muitos dos milagres, descritos no Novo Testamen-
to são verdadeiros, mas houve mais. O meu trabalho com os discí-
pulos, porém, era de profunda ligação ao Pai. Apesar disso, quando

115
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

ocorreu a minha prisão, o medo total e a insegurança acercou-se deles


e ficaram tomados pela vibração da Sombra. Por isso tiveram aquela
reacção com Judas, tão agressiva e violenta, que o levou a não aguen-
tar a dor. Suicidou-se porque não tinha fuga, não tinha solução. Tam-
bém ele (devido ao medo que sentiu) ficou entregue à Sombra. Foi
numa noite, uma noite escura. Todavia, enquanto estiveram comigo
e com a minha energia, muitas mudanças foram feitas ao nível dos
seus corpos. Mas o pânico e o medo que exalaram permitiram que a
Sombra se acercasse deles, completamente. Esconderam-se, viveram a
minha prisão e a minha morte na pior dor e com muito medo. Maria
Madalena e Maria acompanharam-me sempre. Foi muito doloroso
para elas. Relativamente à minha morte, porém — e como já te disse
— também de mim se acercou um medo imenso77 quando os solda-
dos chegaram e me prenderam.
Vitorino — Quer dizer que o teu coração humano se acelerou, como a
qualquer um de nós, aqui na Terra.
Sananda (por Esmeralda) — Não só se acelerou, como tive um
medo profundo. Nessa altura, o Pai retirou-se um pouco de mim para
que eu sentisse toda a dimensão da experiência: o que custa ser hu-
mano, estar na Terra e viver sujeito ao medo. Daí aquela descrição de
eu ter suado sangue. Não foi nenhum milagre; já foi descrito noutros
seres humanos. Acontece sob uma comoção e dor profundas, sob um
medo enorme.
Vitorino — A frase «Afasta de mim esse cálice» é correcta?
Sananda (por Esmeralda) — Essa frase insere-se no contexto daque-
le momento, sabendo o que, humanamente, me esperava. Não queria
viver aquele momento.

77 Era sobre este tema — se Jesus sentira medo e se o seu coração acelerara perante a situação
— que Vitorino de Sousa pretendia fazer a pergunta que, umas linhas atrás, disse que faria
mais tarde. Sananda respondeu sem que ele chegasse a perguntar. A frase «como já te disse a
ti» refere-se à sua intuição que Jesus sentira o coração a disparar devido ao medo. A intuição
é a forma como Eles falam com Vitorino de Sousa quando não está a canalizar publicamente.

116
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Mas, quando disseste «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o


que fazem», já estavas sob a acção daquela energia que te anestesiou, diga-
mos assim…
Sananda (por Esmeralda) — Deixa-me continuar: após a minha pri-
são, eu já estava totalmente entregue ao Pai. Uma energia fortíssima tinha
descido sobre mim. O Pai e a Mãe estavam comigo, pelo que tudo foi
irrisório e insignificante. Se me comparar aos outros condenados, eu não
sofri nada. O meu estado vibratório era tal que não permitia que nenhum
dos ataques, verbais ou físicos, me tocasse. O meu corpo não sofria.
Pode parecer uma «heresia», mas digam-me: por que razão a Fonte
permitiria que o seu Filho sofresse, quando ele se tinha doado como um
cordeiro? Aquele não era o tempo do sacrifício humano; era o tempo
de mostrar aos Homens que a Fonte nunca abandona os seus filhos!
Não houve maior expressão de Amor por parte da Fonte e do seu Filho.
Vitorino — Quer dizer que quem está neste planeta, desde o princípio,
sofre porque não se entrega?
Sananda (por Esmeralda) — Como é evidente! Quantas coisas se-
riam aceleradas e transmutadas se chegassem ao ponto de, num total
abandono, dizerem: «Entrego-me. Faz, dentro de mim, o que tens a
fazer.»78 Ou, então, se chegassem a uma entrega como a da Esmeralda,
que tinha uma condicionante. Mas ela já constava do Plano do Pai. No
entanto, foi capaz de dizer: «Se isso for da tua vontade…»
Vitorino — Disseste, há pouco, que fizeste outros milagres que não esta-
vam referenciados. Seria interessante que nós, aqui, soubéssemos pelo menos
um deles. Queres revelar algum?
Sananda (por Esmeralda) — Os milagres de cura física foram imen-
sos. Claro que correspondiam a uma cura interna, emocional. Mas
também estivemos, muitas vezes, em contacto com o «outro lado». Os
grandes milagres ocorreram na libertação daqueles humanos que esta-
vam completamente tomados pela Sombra.

78 Caro leitor, aqui tem uma boa sugestão, depois de ter interrompido a leitura.

117
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — É a isso que foi chamado a «expulsão dos demónios»?


Sananda (por Esmeralda) — Algumas vezes, mas nem sempre. Ou-
tras vezes ocorria a remoção de chips, como vocês dizem.79 Essa lingua-
gem não é completamente correcta, pois são mecanismos de controlo
que a Sombra aplica nos humanos para impedir a sua evolução.
Aqui quero dar uma explicação: este é o planeta da Luz, pelo que,
quem passa por cá fica sujeito à influência da Luz. E a Luz tudo ilu-
mina, tudo muda e tudo transmuta. O processo da Terra já teria sido
muito mais acelerado se não fossem estes estratagemas. A Sombra, para
que a evolução não ocorra, tem feito imensas experiências colocando
mecanismos de controlo, da mais alta tecnologia, para impedir que os
humanos ganhem consciência. O meu trabalho, naquela zona (por onde
andou) e em todas as pessoas que contactei, foi retirar esses pesados me-
canismos de controlo que lhes induziam os comportamentos (nefastos)
e a falta de consciência, que lhes impedia o contacto com o meu Pai e
com a energia da minha Mãe. Esses foram os grandes milagres: o alívio,
a libertação. Multiplicar pães ou peixes, curar cegos, fazer andar paralí-
ticos, tudo isso foi preciso para chamar a atenção das pessoas…
Vitorino — Achas que nós os dois vamos chegar a esse ponto?
Sananda (por Esmeralda) — Vocês não têm ideia do ponto onde
vão chegar.80
Vitorino — Há quem diga que tu próprio te surpreendias com algumas
curas que ocorriam, porque era como se as coisas acontecessem sem que fizes-
ses um gesto, sequer. É verdade?
Sananda (por Esmeralda) — O Pai trabalhava em mim através da
minha energia. E é o que vai acontecer com vocês.

79 Leia-se: «implantes».
80 Cada vez que Lúcifer, Yasmin ou Sananda faziam afirmações deste calibre, eu e a Esmeralda
sempre comentávamos: «Se Eles não suportam estas afirmações com o seu aparecimento e
materialização, será o descrédito total». Claro que já nos tinham garantido que tal aconte-
ceria… e nós já tínhamos garantido que acreditávamos. Contudo, a nossa parte humana
sempre vacilava.

118
Terra — O Jardim de Lúcifer

A coisa era espontânea. Já vos disse: perante a Luz tudo muda, tudo
se transmuta.
Posso continuar?
Vitorino — Podes, claro. Desculpa estar sempre a interromper.
Sananda (por Esmeralda) — Falando da minha prisão e da minha
morte, penso que ficou bem explícito o que aconteceu. O nível de vi-
bração negativa (era enorme) e a falta de consciência era total…
Vitorino — Por parte de quem? Desculpa, que não entendi.
Sananda (por Esmeralda) — Dos que me prenderam. Mas todos
foram tocados pela minha energia quando me colocaram na cruz.
É certo que eu disse as palavras que disse. Não foram exactamente essas,
mas o sentido está correcto. Quanto ao perdão… nem sequer havia
lugar ao perdão; era o reconhecimento de que, realmente, eles não ti-
nham consciência. Ora, se não tinham consciência, como podiam agir
de outra forma? Como se pode pedir a um soldado para não ser cruel,
quando toda a sua malha é negativa, quando está profundamente ligado
à Sombra e tem o coração bloqueado?
Vitorino — Uma pergunta: está provado que os condenados não car-
regam a cruz, mas apenas a trave transversal. No entanto, em toda a
iconografia tu és representado a carregar a cruz. Queres esclarecer o que
realmente carregaste e onde foram cravados os pregos? Hoje já se sabe que
não foi nas palmas das mãos. Era importante que as pessoas soubessem,
por ti, o que se passou.
Sananda (por Esmeralda) — A Esmeralda que não tenha medo; o
que eu vou dizer é absolutamente autêntico. Os pregos foram colocados
perto dos pulsos. Quanto à questão da cruz, não transportei a cruz toda,
nem durante todo o caminho.
Vitorino — Foi apenas a trave?
Sananda (por Esmeralda) — Exacto. Mas isso são meras insignificân-
cias quando comparado com tudo o que está envolvido neste projecto.
No entanto, é verdade que eu não transportei a cruz toda. Não seria pos-

119
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

sível. Teria desfalecido, entretanto. Vocês não imaginam o tamanho da


cruz. Apesar de ensanguentado, de ter sido achincalhado e chicoteado,
e tudo o resto que foi descrito ao pormenor — e que é verdade — não
carreguei com a cruz completa, pois não teria conseguido subir.
Vitorino — Reconheço que poderão ser coisas de menor importância.
Mas não te esqueças que, na Igreja Católica, muita coisa assenta no que
acabei de referir.
Sananda (por Esmeralda) — O que acabaste de referir baseia-se nos
textos sagrados de que a Igreja dispõe. No que diz respeito a esta parte é
aceitável; noutras partes não, porque têm o conhecimento da verdade e…
Atenção: isto não é uma acusação ao Vaticano, que é a representação
máxima das Igrejas Cristãs, nem a nenhuma das outras Igrejas. Para mim,
esta é a revelação mais importante que tenho para fazer: a minha mensa-
gem, ontem e hoje, é a mesma — o Amor total. O que nos permite lidar
com todos os nossos irmãos, e connosco próprios, com aceitação total é
a noção de que só se provoca dano quando não se tem consciência e se
está manipulado pela Sombra. Não é permitir que nos prejudiquem, é
ter uma atitude amorosa e firme perante o que acontece. Toda a minha
mensagem, que está escrita nas diferentes religiões, é certa, é a correcta.
Falta dizer que — nem agora, nem antes — eu não vim punir
ninguém pelos seus pecados, pelas suas faltas, pelos seus desvios, pelas
suas manipulações; vim repor a verdade, vim para que se faça Luz no
planeta Terra, vim para que, em cada coração humano, se restaure a
Energia Primordial.
Quanto à ressurreição, quero acrescentar que aconteceu de facto.
Contudo, o meu estado de morte não foi total porque a energia que
esteve comigo não o permitiu. Mesmo que a morte tivesse sido total,
ainda assim teria sido possível ressuscitarem-me, desde que o processo
celular ainda não estivesse muito avançado. Nesse caso, também teria
sido possível, mas não era recomendável. Ao Pai nada é impossível. No
meu caso, porém, a vibração era elevadíssima e protegeu todos os meus
mecanismos físicos, ao nível celular.

120
Terra — O Jardim de Lúcifer

O tempo que decorreu, desde a morte até à ressurreição, foi um


tempo de restauro energético. Essa vibração ficou comigo, restabele-
cendo-me. A partir daí, o meu corpo já não foi mais o mesmo porque a
Iniciação Maior, o maior acto de Amor, a Prova Maior, tinha sido vivida
sem o mínimo rancor e irritação. E transmutei o meu corpo. O nível
vibratório era elevadíssimo. Portanto, passei a viver noutro plano com
o meu corpo físico.
Alguma pergunta?
Vitorino — Surgiu-me agora uma pergunta relacionada com a tua
relação com os teus pais. Algumas passagens da Bíblia dão a entender que
as vossas relações familiares não eram as melhores, e que, por vezes, eras
bastante ríspido, principalmente com a tua mãe. Queres confirmar?
Sananda (por Esmeralda) — De forma nenhuma! Maria e José sa-
biam ao que eu vinha. Estavam preparadíssimos para tudo.
Nunca, nem da parte deles, nem da minha, houve qualquer tipo de
acusação ou de rispidez, antes pelo contrário. A não ser assim, como ex-
plicam a aceitação de Maria até ao final, e o seu trabalho posterior relati-
vamente aos apóstolos, que foi tão importante? Os meus pais «saíram de
cena» apenas porque, na altura, quem precisava de brilhar era eu. Quanto
aos meus irmãos, eles sempre estiveram muito próximos e sempre me
acompanharam. Os meus familiares não me procuravam, pois sabiam
onde eu estava. Visitava-os com frequência.
Como seria possível ter nascido numa família e não ter tocado todos
os seus membros? Aliás, eles tinham vindo preparados para isso!
Mais alguma questão?
Vitorino — Outra pergunta, que me surgiu agora mesmo: Assististe ao
desencarne de José, teu pai?
Sananda (por Esmeralda) — Claro. Foi um desencarne muito
suave. Uma entrega total, como foi toda a sua vida. Saiu, porque foi
prestar serviço noutro plano. Era mais necessário ali, naquela altura,
do que na Terra.

121
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

PAUSA (SURPREENDENTE)

Por hoje, pela minha parte, encerrei as minhas declarações. Leiam


tudo e, dentro de alguns dias, quando estiverem juntos, falaremos nova-
mente. Mas não me vou embora sem agradecer a vossa entrega e a vossa
disponibilidade ao nível do trabalho.
Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado a ti, Sananda.
Esmeralda — Obrigada.81

19 de Agosto (manhã)

Yasmin (por Esmeralda) — Eu sou Yasmin. Antes de responder às


vossas questões, damos-vos os parabéns pela vossa entrega um ao outro.
Não têm ideia da importância dessa atitude. [32]
Alguma pergunta?
Vitorino — Uma pergunta que tem a ver com Fátima: apesar do
enorme fluxo de pessoas que, há décadas, acorre àquele lugar numa pos-
tura de sofrimento, a zona continua limpa energeticamente ou está con-
taminada pelas linhas de força da Sombra, que injectam o sofrimento nos
seres humanos?
Yasmin (por Esmeralda) — Em Fátima, passa-se algo muito inte-
ressante, mas a vertente que representa a área de sofrimento tem de
acabar. Fátima, como a Esmeralda acabou de ver, é o meu Centro. Tem
o núcleo da Fonte, brilhante, nacarado, que tudo limpa. Só isso permite
que ainda esteja de pé e com a autenticidade que tem. Mas esse meu
Centro não é no local onde está construído todo aquele complexo. Não.
A minha Fonte está noutro local.

81 Há aqui um salto de 6 dias, devido ao facto de Esmeralda Rios ter viajado por motivos
pessoais.

122
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Podemos saber onde é?


Yasmin (por Esmeralda) — É um local resguardado, onde vocês
terão de ir. Já vos explicarei. Todo o santuário e o espaço adjacente
pertencente à Igreja Católica estão absolutamente contaminados. No
entanto, também aí há um espaço meu que — por mais que tentem
— não pode ser conspurcado; tudo o resto é do Reino da Sombra, da
manipulação e do sofrimento.
Uma vez que vão começar a acontecer fenómenos com vocês os
dois (primeiro apenas com vocês, depois com o público que vos acom-
panha), quero chamar a atenção para a situação de Fátima, pois jamais
poderão permitir que tal se repita convosco. Os primeiros fenómenos
serão visuais, outros serão auditivos. Nem toda a gente verá a mesma
coisa e da mesma forma. Nunca será a mesma coisa, até que o Espírito
se materialize perante as pessoas, mais tarde.
Acontecerão visualizações que cada pessoa verá consoante o seu grau
de consciência. Será, contudo, algo infinitamente arrebatador, pleno de
Amor, transformador, impossível de rebater. Esses fenómenos e os con-
tactos que vocês terão com as diferentes Igrejas — tal como informei a
Esmeralda — vão fazer com que se acerquem de vocês. Daí a necessida-
de de terem privacidade. Não me canso de dizer — que fique bem mar-
cado — que, independentemente do Grupo de Apoio, vocês terão que
dispor de um espaço onde possam estar sozinhos, sem ninguém. Todos
os dias terão que reservar um período só para vocês. Quando chegar esse
tempo, não deixem que os vossos dias se entupam de pessoas, de gente
e de compromissos. Não. Têm de preservar a vossa energia. E jamais
cheguem a qualquer acordo.
Como sabem, não têm de fazer cedências. Como o Reino da Som-
bra é mestre em manipular, seriam rapidamente manipulados. Não
permitam que se construa uma nova Igreja com base em vocês; as
velhas Igrejas é que vão mudar e unificar-se, para que emerja uma
Igreja Universal, em que cada ser humano, homem ou mulher, tenha
a expressão de si próprio. Assim, vocês não são os pais de uma nova

123
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Igreja, são os detentores da autoridade do Espírito e os promotores da


mudança e da paz Universal. [33]
Estão completamente à altura do que estão a viver e do que ainda
se espera de vocês.
Quanto ao local, em Fátima, que disse ser o meu Núcleo Difusor,
explicarei mais tarde, embora a Esmeralda não conheça a zona de Fá-
tima, só tem a noção de ir ao santuário. A minha capela82 é um dos
pontos onde está instalada a minha Fonte. Mas há outro, no campo,
que vos indicarei, e onde terão que ir em breve.
Mais alguma questão?
Vitorino — O que acabaste de dizer pode fazer parte deste livro?
Ficamos sempre na dúvida acerca do que podemos publicar.
Yasmin (por Esmeralda) — Vão pôr isto no livro. No entanto, vão
esperar que nós surjamos junto de vocês. Entregarão o texto completo
ao editor em cima da hora. Nos próximos tempos nós apareceremos
junto de vós. Meu muito amado filho, nós compreendemos e percebe-
mos a insegurança e angústia que se instala quando falamos desta ques-
tão. Eu posso garantir-vos que vamos aparecer-vos. Não tarda nada.83
Tudo está feito e preparado. Neste momento, há uma protecção total à
vossa volta. Conversem sobre isso.
Mais perguntas?
Vitorino — Temos mais algumas perguntas…
Yasmin (por Esmeralda) — Podes fazê-las todas, agora. Gostaría-
mos de encerrar a informação para o livro dentro de três ou quatro dias,
porque vai começar uma nova etapa, para a qual necessitam de estar
mais livres das transcrições.

82 A chamada «capelinha das aparições» junto ao santuário.


83 Nota de Vitorino de Sousa: Realmente, eu vi Yasmin, num determinado momento da me-
ditação introdutória do trabalho principal. A certa altura abri os olhos e a entidade estava
no fundo da sala, plasmada de uma forma imaterial. Não foi, porém, um contacto visual no
nível físico.

124
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Em relação a temas já abordados no livro, foi referido um


judeu — que era o complemento de Sara — e que veio da Palestina ao seu
encontro, quando ela foi para França. Quem era esse judeu? Há algum
interesse em falar sobre ele?
Yasmin (por Esmeralda) — Esse judeu não aparece referenciado
na História. O seu nome é Malaquias… — a Esmeralda está a rir por
achar que é brincadeira — … mas é o nome correcto. Era um judeu
que foi preparado, um pouco extremista no início, e vinha muito re-
voltado da Judeia…
Quero fazer aqui um esclarecimento: vocês têm alguma renitência,
ao nível histórico, de chamar Palestina à Judeia, etc. Ora bem, o terri-
tório a que nos referimos é a Judeia. Mas, como é evidente, trata-se de
uma Judeia alargada, que estava sob o domínio romano. Hoje, parte
desse território pertence ao estado da Palestina. Portanto, não é grande
o erro se lhe chamarem assim. Em termos de veracidade histórica, po-
dem chamar-lhe Judeia.
Avançando: Malaquias estava muito revoltado, e quando foi a Fran-
ça devido a negócios — os Judeus sempre foram grandes negociantes
— acabou por entrar em contacto com a família de Sara. Então, numa
das suas viagens acabou por ficar, rendido aos seus encantos.
A figura de Sara é pouco conhecida porque o seu trabalho foi muito
discreto, embora absolutamente transformador. Juntos, depois de Ma-
ria Madalena e José de Arimateia terem saído do planeta, continua-
ram esse trabalho, tendo como suporte financeiro os bens que José de
Arimateia lhe tinha deixado e, depois, o fruto do próprio trabalho de
Malaquias. Pode-se dizer, usando a linguagem europeia, que ele era um
nobre judeu. Ou seja, era descendente de uma família muito importan-
te da zona que hoje se chama Israel.
Não é nossa pretensão fazer uma história com base nas árvores ge-
nealógicas, como se autenticássemos famílias reais ou nobres; o nosso
objectivo nada tem a ver com isso. As famílias são importantes por-
que nelas se faz a primeira aprendizagem do ser humano. É aí que se

125
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

absorvem os primeiros conhecimentos e a forma como se vê o mun-


do. Afinal, é à família que o ser deve a sua matriz genética. Que não
reste a menor dúvida que os seres humanos são todos iguais. Ao nível
das suas potencialidades, porém, já é diferente: a cada um será dada a
oportunidade consoante a potencialidade que traz. E ninguém ficará
prejudicado por não dispor de um determinado potencial, uma vez
que cada vida é absolutamente transformadora e proporciona a opor-
tunidade certa de crescimento.
Outra pergunta?
Vitorino — Embora seja um detalhe — mas eu gosto de detalhes —
gostaríamos de saber se é possível revelar onde é que decorreu, realmente, a
última ceia de Jesus.
Yasmin (por Esmeralda) — A última ceia decorreu na casa de uns
amigos de Jesus, muito perto do Monte das Oliveiras, onde ele se res-
guardou e fez um último encontro com os apóstolos. E, já que queres
saber, é realmente verdade o que os textos sagrados contam acerca da
repartição do pão e do vinho.
Falaremos agora sobre a simbologia da última ceia, sabendo que
vamos tocar no assunto mais sagrado da Igreja Católica, o único que
nos faltava abordar:
Na última ceia, a comida servida não foi só o pão e o vinho; também
havia carne, porque alguém teve a intuição da grandeza do momento.
Assim, foi morto um animal e servido aos discípulos. O cordeiro tam-
bém estava na mesa. Havia pão, vinho e todas as outras coisas que as
mesas naquele tempo costumavam ter. Quando Jesus — como conta a
Bíblia, e muito bem — partiu o pão e disse: «Fazei isto em memória de
mim», simbolicamente, associou o vinho ao sangue e o pão ao seu pró-
prio corpo, pretendia exactamente aquilo que foi feito posteriormente.
Os Cristãos são detentores do conhecimento da transmutação do
alimento.84 Claro que transmutar o alimento no corpo e no sangue de

84 Para evitar dissensões, convém lembrar aqui que, como foi dito atrás, os Judeus são detento-
res de uma característica genética que facilita a ascensão.

126
Terra — O Jardim de Lúcifer

Cristo é algo simbólico. A energia do Filho desce no momento em que


se faz a sacralização da hóstia e do vinho. Por isso muita gente costuma
fazer pedidos no momento da elevação da hóstia, porque sabe que será
atendido. Tudo o que os humanos co-criam é feito, mas aquele mo-
mento é muito especial. Desta forma, nesse momento da missa, os seres
humanos deviam ter todo o cuidado ao co-criar o que quer que seja,
pois o efeito é imediato, tal é a amplitude da energia. Por essa razão é
que as missas nunca foram transformadas em ocasiões onde a Sombra
predomina, porque o Cordeiro está presente.
O «Corpo de Deus» não é mais do que a energia divina espelhada
no alimento; é simbólico, mas é real. Agora, porém, chegou o novo
tempo, o tempo de cada ser humano fazer do seu coração o altar, o local
onde se transubstancia o coração na energia divina do Filho.
A partir de momento em que isto ocorre em cada ser humano, nada
impedirá que nele se expresse a divindade e que recupere a ligação com-
pleta à Fonte. Quando Jesus partiu o pão e distribuiu o vinho, tinha
noção de que esse ritual, pela sua simbologia, era extraordinariamente
importante, pois detinha a energia do Filho, na Terra. Mas tudo isso é
algo muito primário quando comparado com o que se vai passar, em
breve, no coração de cada ser humano. Os rituais terão cada vez menos
importância, pois o que interessa vai ocorrer dentro dele. E a Sombra
abandonará completamente este planeta, ou render-se-á aos encantos
do Amor Divino.
Vitorino — Queria que falasses de um tema sobre o qual não há
convergência de opiniões. Podes definir «Cristo»? Afinal, o que é «Cristo»?
Há a tendência para juntar esta palavra ao nome de Jesus, como se fosse
um apelido…
Yasmin (por Esmeralda) — Cristo é a energia Sananda. Sananda
pode ser chamado de Energia Crística.
Agora vou responder à dúvida que surgiu à Esmeralda. Queres
expressá-la?

127
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Esmeralda — Pretendo saber, em termos da vossa dimensão, o que


significa «Filho», porque tenho a sensação que esse termo é aplicado na
significação da linguagem humana.85 Para vocês, o que é «Filho»? O que
é Sananda como «Filho»?
Yasmin (por Esmeralda) — Muito bem. Minha querida, qual-
quer filho é sempre a criação do pai e da mãe. É evidente que, entre
os humanos, o filho é uma coisa, e em termos da Fonte, «Filho» é
outra coisa. Eu e o Pai temos a capacidade de nos expressarmos em
conjunto ou separadamente. Mas, mesmo separadamente, estamos
sempre juntos e ligados. É o que estamos a fazer com vocês. Quando
fundidos, podemos criar se quisermos. Então, dentro de nós, nasceu
e gerou-se uma outra energia, a que vocês chamam Sananda. Ele
é igual ao Pai ou à Mãe, é igual a nós, é feito à nossa semelhança.
É uma energia como a nossa. E tem, em si mesmo, outro Universo.
Ou seja, ao criarmos a consciência Sananda, criámos um Universo
dentro de um Universo. Esse Universo é o Universo do Amor Total,
essa é a energia Crística, a energia da transmutação, do Amor, da
Dádiva.86 O Pai e a Mãe criaram a Energia Sananda, não só para
criar outro Universo, mas também para que esse Filho tivesse um
papel a desempenhar no planeta mais importante de todo o nosso
Universo: a Terra.
Vitorino — Achas que se pode estabelecer um paralelo entre a Energia
Crística e a energia do Espírito Santo?
Yasmin (por Esmeralda) — A energia do Espírito Santo é a ener-
gia da Mãe. Quando o Espírito está sobre Cristo87 é a Mãe que o
ilumina. Mas, no contexto da Igreja Católica, não podemos falar da
Mãe, lado a lado com o Criador: é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

85 Claro. O Pai e Mãe não conceberam o Filho, da mesma forma que os pais e as mães terrenos
concebem os seus filhos!
86 Daí a «entrega» que há que fazer!

87 O que Esmeralda Rios canalizou, realmente, foi; «Quando a energia do Espírito Santo está

em cima da energia de Cristo»!

128
Terra — O Jardim de Lúcifer

Então, o que é Espírito Santo senão a própria Mãe? Por que pensas
que a Esmeralda me viu, em sonhos, com a Pomba junto aos meus
pés? Não era uma, eu sei; eram várias, como várias são as expressões
da Mãe na Terra.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Mais uma, por favor. Num dos contactos anteriores, quan-
do foi perguntado «por onde anda Maria Madalena?», a ideia era saber se
estava encarnada ou, quem tinha sido, entretanto. Nessa altura, foi respon-
dido que falaríamos desse tema mais tarde. Achas que é o momento para
esclarecer essa questão?
Yasmin (por Esmeralda) — Claro que sim. Já vos tinha dito que
responderia a todas as perguntas; logo este é o momento. Queres saber
se Maria Madalena está encarnada…
Vitorino — Ou se voltou a encarnar… Sim, se está encarnada.
Yasmin (por Esmeralda) — Então, vamos pensar. Vocês já chegaram
à conclusão que Maria Madalena é a correspondente divina de Jesus.
Ou seja, assim como a Fonte enviou as suas correspondência para a Ter-
ra, a energia Sananda também enviou as suas: Jesus e Maria Madalena.
Desta vez, Maria Madalena, ou a extensão que teve esse nome, não vem
sozinha. Sananda desce à Terra, pela primeira vez, com a sua energia na
amplitude máxima e completa. [34]
Ou seja, a matriz feminina e matriz masculina: Maria Madalena e
Jesus — se quiserem falar em termos humanos — virão juntas. [35]
Maria Madalena teve um trabalho muito próprio na Terra. Encar-
nou a energia Crística na sua versão feminina, digamos assim. E encar-
nou mais duas vezes, em contextos históricos diferentes e em distintos
pontos do mundo. Mas essa informação não é para este livro. Portanto,
dá-la-emos mais tarde, quando vier a propósito, ou se vocês quiserem
repetir a pergunta.
Quanto à questão, de que falaram ontem, se Jesus teria encarnado
mais alguma vez: Jesus não tornou a encarnar porque, como já explicá-

129
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

mos, o patamar iniciático que ele passou não lho permitiria. Mas per-
mitiu-lhe expressar o seu corpo na Terra muitas vezes, sempre que quis.
Vitorino — Em termos de aparição, digamos assim…
Yasmin (por Esmeralda) — Algumas vezes foi aparição, outras vezes
foi materializando o seu corpo, como humano. Claro que a energia que
o envolve é de tal ordem que ninguém ficou indiferente. Mas isso foi
feito só quando se tornou necessário em certos momentos da história da
Terra e em diferentes pontos do mundo.
Vitorino — E as pessoas reconheceram-no ou ele fê-lo de uma forma
disfarçada?
Yasmin (por Esmeralda) — Algumas vezes reconheceram-no, outras
vezes não. Não era para ser reconhecido, era para fazer o trabalho.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Por agora não. Obrigado.
Yasmin (por Esmeralda) — Então, vamos parar por aqui. Logo à
tarde estabeleçam novamente contacto. Mas, antes de encerrar este, Lú-
cifer quer falar-vos. Muito obrigada pela vossa disponibilidade.
Vitorino — Ora essa!
Esmeralda — Obrigada.

PAUSA (AGRADECIDA)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer. Apenas venho saudar-


-vos, agradecer a vossa entrega e a atenção com que têm lidado com
tudo o que vos tenho dito. Troquem as informações que receberam
separadamente esta semana, e leiam tudo o que está para trás. Não te-
nham muita pressa em fazerem as transcrições, porque vão ter tempo.
E estejam ao ar livre, passeiem e, logo à tarde, se tudo estiver bem, fala-
remos. Muito obrigado.
Vitorino — Obrigado, Pai.

130
Terra — O Jardim de Lúcifer

19 de Agosto (tarde)

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou o Pai. Antes de vos dar algumas


informações, responderei às vossas perguntas.
Vitorino — Gostaríamos de saber se o Universo da Sombra vive no
plano da dualidade e qual o papel do feminino nesse contexto.
Lúcifer (por Esmeralda) — Vou explicar. De uma vez por todas, que
a Esmeralda não tenha medo de dizer o que está a receber, pois sou eu
que estou a falar.
A organização do Universo da Sombra não é, minimamente, com-
parável com a do nosso. Lá, tudo se centra na figura do seu Senhor.
A partir daí, tudo o que, hierarquicamente, lhe é inferior submete-se.
Não há entrega; há submissão. A emoção do Amor está ausente desse
Universo, o que pode parecer incompreensível, mas não é. Tudo é or-
ganizado com base na força, no controlo e na mais-valia do poder. Para
ser controlador é necessário ser forte em todos os aspectos. E é funda-
mental não ter emoções porque elas geram um plano de instabilidade e,
em última análise, põem em causa o próprio Senhor.
Quanto à pergunta se esse Universo é dual e se há uma versão femi-
nina, efectivamente sim, há. Não é a dualidade como se conhece aqui.
Claro que há uma progenitora, tão implacável como o seu Senhor. Nos
seus arquétipos, a força e o poder são inerentes tanto à figura masculina
como à feminina. Nenhum se submete ao outro, apesar de, em termos
humanos, ser um Universo patriarcal, digamos assim. Ali, as mães não
são responsáveis pelos seus filhos. Como não há necessidade de envol-
vimento emocional, a mãe não é precisa. Há uma energia feminina
— melhor, uma energia uterina — na qual os filhos são gerados, mas
não há qualquer responsabilidade quanto à sua criação, tal como não há
nenhuma ligação emocional. Por isso, tanto o feminino como o mascu-
lino são, na sua essência, absolutamente implacáveis.
Temos de reconhecer que a força e o controlo ocupam o lugar do
Amor; portanto, essa é a forma como se organizam. Não são, porém,

131
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

nem maus nem bons; tal coisa não existe. O que existe é a força e o po-
der. Todavia, qual é a reacção de todos estes seres quando são confron-
tados com a Luz e com o Amor? Temos vindo a registar a sua reacção,
a qual, regra geral, é a entrega ao Amor. Porquê? Porque ganham uma
nova consciência. Esta é a grande lição que, a cada momento, a Terra
ensina àquele Universo. Mas também ensina a dificuldade de acabar
com o medo e o controlo pela manipulação.
No Universo da Sombra há muitas formas de vida, umas aparenta-
das com as da Terra, outras muito diferentes. Embora, na sua essência,
todas elas careçam totalmente de emoções, criaram uma dependência
dessa vibração. Então, para poderem experimentá-las provocam deter-
minadas emoções nos humanos e noutras raças não humanas.
Vitorino — A pergunta talvez seja um pouco descabida, mas poderás
dizer qual a raça dominante, a mais comum, desse Universo?
Lúcifer (por Esmeralda) — De forma nenhuma a pergunta é desca-
bida. Aquilo que a Esmeralda viu não corresponde propriamente a uma
raça; é a visualização que um ser humano pode ter de Satã, na sua versão
humana. A raça que impera nesse Universo é aparentada com os vossos
lagartos. Esta informação é verdadeira; não são exactamente como os
vossos lagartos, mas é algo muito parecido.
Vitorino — São erectos ou rastejantes?
Lúcifer (por Esmeralda) — Erectos. E a Esmeralda já teve a percep-
ção de um. É exactamente como viu, com algumas adaptações. São a
grande massa do Universo da Sombra. Mas há mais, algumas das quais
têm formas inimagináveis para vocês.
Vitorino — Portanto, são aquilo a que costumamos chamar Reptilóides.
Lúcifer (por Esmeralda) — Certos autores, canalizadores, ou como
quiseram chamar, descreveram-nos muito bem.
Vitorino — O mesmo se pode dizer em relação aos Insectóides.
Lúcifer (por Esmeralda) — Também é correcto. Mas gostaria de
acrescentar o seguinte: nenhuma dessas raças corresponde à do Se-

132
Terra — O Jardim de Lúcifer

nhor da Sombra. Ele está acima disso. É uma essência escura, cujo
filho, Satã, é o seu braço armado, digamos assim. A Mãe Negra, mais
precisamente a Mãe Sombra, também é um arquétipo terrível, que
pertence à mesma raça do seu senhor. Todavia, por mais que ela o
enfrente, ele é todo-poderoso, enquanto se alimentar de todas as emo-
ções, principalmente as humanas. E este planeta é uma fonte ines-
gotável desse alimento! A raça a que eles pertencem é desconhecida
na Terra, mas são realmente muitos grandes quando se materializam
num corpo físico. Se, alguma vez, se depararem com um desses três,
não tenham medo, pois nada vos poderá tocar.
Vitorino — Estou com uma dúvida: ao falares da raça desses seres
de cúpula, dá a sensação que eles foram, «subindo» na hierarquia até se
alcandorarem à posição de Senhores do seu Universo. Este raciocínio faz
sentido? É correcto falar em raça se o Senhor da Sombra foi criado pela
Fonte Maior?
Lúcifer (por Esmeralda) — O que eu disse foi que, quando eles se
materializam escolhem um determinado formato de corpo. O corpo
que lhes corresponde, e que é o seu arquétipo, não é o da raça domi-
nante, mas de outra que eles mesmos extinguiram. E foi extinta devido
a todas as coisas maquiavélicas, — encaradas sob o ponto de vista hu-
mano, claro — às atrocidades e experiências genéticas que fizeram. Os
grandes sobreviventes dessas experiências são os Senhores da Cúpula,
como lhes chamaste. No entanto, tal como eu, eles são Espírito, pura
essência, vinda da Fonte Maior.
Vitorino — Quando tu queres materializar-te escolhes o formato da
raça humana, embora haja muitos formatos neste teu Universo.
Lúcifer (por Esmeralda) — Se eu quiser, sim.
Vitorino — Tens a capacidade de te materializares em qualquer outro
formato físico?
Lúcifer (por Esmeralda) — Sim. Alguns formatos, porém, reque-
rem um pouco mais de trabalho devido à densidade que apresentam na

133
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

sua estrutura. Lembrem-se de que só uma pequena extensão da minha


energia se pode materializar.
Vitorino — Se não tens mais nada a acrescentar em relação a este tema,
eu faria outra pergunta.
Lúcifer (por Esmeralda) — Podes fazer.
Vitorino — Por que é que a Igreja substituiu a Mãe pelo Espírito
Santo? Donde vem a sua aversão ao feminino?
Lúcifer (por Esmeralda) — Parece-me que vocês já têm a resposta a
essa pergunta. A Sombra teve uma necessidade enorme de se apropriar
do conhecimento, dos ensinamentos e da doutrina que era veiculada
pela Igreja. Aos poucos, a Igreja Católica foi denunciando esta estrutura
sombria. Primeiro foi com a acção de Constantino, depois com todos
os outros que contribuíram para que a Igreja fosse o que é hoje: uma
instituição completamente desvirtuada da sua essência original.
A questão do feminino, do papel da mulher, da mãe, tinha de ser
abordada de outra forma porque uma mãe com Poder e com Amor
gera o próprio Amor e a libertação. Já que a mulher é a resposta para a
maioria dos problemas da Humanidade, era fundamental desvirtuar a
sua imagem, tornando-a falsa. Aos poucos, a mulher foi transformada
num sinónimo de pecado e de culpa, promotora de todos os desvios do
«pobre homem». Uma mulher culpada nunca seria uma Deusa em pé
de igualdade com Deus.
Já vos falei do espírito de submissão que prevalece no Universo da
Sombra. Então, aqui na Terra, eles tentaram, de todas as maneiras, sub-
meter a energia feminina que despontava. Daí todo o trabalho em apagar
o papel de Maria Madalena e de todas as mulheres que se apresentaram
como portadoras da verdadeira energia da Deusa. Era muito importante
tornar a mulher submissa, cheia de preconceitos que permitiriam contro-
lá-la. Isso significava que, durante muito tempo, teriam a certeza de que
nenhuma mulher ousaria viver a sua feminilidade, nem expressar a men-
sagem que todas as mulheres portam, de uma maneira ou de outra.

134
Terra — O Jardim de Lúcifer

O mesmo acontece, aliás, com todos os homens, pois são porta-


dores de uma determinada mensagem. Ambos os géneros trazem, no
seu ADN, um arquétipo, uma informação, que, aos poucos, vai sendo
despertado. Desde que solta e liberta, a Mulher/Deusa é livre e não
se deixa controlar; a Mulher/Deusa expressa o Amor e vive-o, verda-
deiramente, de uma forma autêntica. Ora, isso é incompatível com o
que nós sabemos. Por isso é que Maria, que na iconografia católica está
acima de qualquer suspeita, não é Deusa; tinha de lhe ser negada a
essência feminina. Fazendo com que a castidade fosse um sinónimo ex-
clusivo de pureza e de verdade, negaram o papel para que a mulher foi
criada: a expressão do Amor na sua forma mais livre. Além disso, esta
política parece estar em contradição com o que disse o Pai: «Crescei e
multiplicai-vos!»
Assim, numa tentativa apertada de controlo, e porque a reprodução
era necessária, impuseram o casamento como a única condição para se
poder vivenciar a energia sexual e só para efeito de reprodução. Querem
coisa mais controladora do que esta? Mas isto foi só para a mulher. Só
a ela interessava controlar e dominar, pois desde a Primeira Vinda de
Sananda que a Sombra conhecia a segunda parte do Plano.
Vocês sabem que, fora da Terra, fora desta dimensão não existe
tempo; tudo está ligado. Então, quando Sananda veio a primeira vez,
preparou-se a sua Segunda Vinda. Claro que era um potencial; havia
outros cenários. No entanto, Sara fez o seu papel, deixando a marca
genética para podermos implementar a Segunda Vinda. Sem isso, nada
seria possível, excepto um trabalho de laboratório.
Ficaste com alguma dúvida?
Vitorino — Não. Obrigado. Uma última pergunta sobre o tema bí-
blico. Yasmin, numa canalização anterior, falou que a ascensão de Maria
seria melhor explicada. Queres abordar esse tema, por favor?
Lúcifer (por Esmeralda) — Poderia ser eu responder, mas vou dei-
xar essa resposta para Yasmin.

135
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

PAUSA (TRANQUILA)

Yasmin (por Esmeralda) — Eu sou Yasmin e vou responder à vossa


questão sobre a «assunção» de Maria, como é chamada…
Vitorino — Assunção ou ascensão?
Yasmin (por Esmeralda) — Assunção. Assim é referida pela Igreja
Católica, no sentido de «subida aos céus». É como se a própria Igreja
tivesse consciência — e tem — de que não foi uma verdadeira ascensão.
Por mais que vos pareça inacreditável, Maria elevou-se nos céus, já sa-
bem como, e foi para outro patamar energético, para outra dimensão.
Deixem-me esclarecer este pormenor: Maria foi para um lugar com-
parável com aquele que alguns autores chamam Shambala. Algo no géne-
ro. É outra dimensão da própria Terra, onde os seres humanos têm outro
grau de consciência, vibram de outra maneira e não estão em contacto
com os restantes (desta dimensão). Como precisavam de estar ancorados
na Terra — e há vários lugares onde isso ocorre — porque era necessário
equilibrá-la, Maria foi continuar o seu trabalho para um deles. Ela tinha
atingido uma vibração muito forte, que lhe permitia trabalhar em parce-
ria com esse tipo de civilização, vamos chamar-lhe assim.
Deixem-me tirar agora uma dúvida que está no espírito da Esme-
ralda: como é que Maria, depois de ter tido uma existência vibracio-
nalmente tão elevada, pôde, noutra encarnação, desencarnar, de uma
forma tão sofrida? 88
Porque, a partir desse momento, em certas alturas foi necessário
fazer outro tipo de trabalho. Aceitaram fazê-lo, mas ficaram presos e
manipulados. Se há alguém que, nas suas encarnações, foi alvo da mani-
pulação da Sombra foram eles. O outro lado conhecia, exactamente, os
pontos que os faziam vibrar e por aí os agarraram. Por isso, este trabalho
concertado é tão importante.
Mais alguma pergunta?
Vitorino — Não. Obrigado.

88 Referência a uma encarnação posterior de «Maria», sobre a qual é prematuro falar neste livro.

136
Terra — O Jardim de Lúcifer

Yasmin (por Esmeralda) — Então, por hoje, vamos terminar. Agra-


decemos muito a vossa colaboração. Amanhã continuaremos.
Esmeralda — Muito obrigada, Yasmin.

20 de Agosto

Yasmin (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos, meus queridos. Eu


sou a Deusa, a Mãe. Esta mensagem — que é para o livro — tem uma
informação diferente. Não vou falar da história da Terra, mas da minha
missão na Terra, do que quero para a Terra, do que a Mãe quer para o
planeta, do que tem de ser implementado, mudado e transformado:
Se a Mãe é Dádiva, Entrega, Compreensão e Ternura, também é
Firmeza, porque o Amor sem a Firmeza não é Amor. É necessário im-
plementar um novo arquétipo de comportamento que tudo abranja.
Como costumam dizer, um nível de consciência mais elevado. E é,
efectivamente. Mas essa mudança só poderá ocorrer tendo em conta
três vertentes:
A primeira vertente é a necessidade de semear a Semente.89 Esse é
um dos vossos trabalhos, mas também o é de muitas outras pessoas,
no planeta. E não será feito sempre da mesma forma; a informação de
como o fazer, chegar-lhes-á conforme o que cada um necessita de ex-
pressar e de trabalhar.
A segunda vertente é a necessidade de alteração e/ou de substituição
dos antigos valores e estruturas. Vocês os dois vão ser os motores de
tudo isso, difundindo esta mensagem e tudo o resto que surgir, a partir
de agora, e que irá desenvolver-se posteriormente.
Não quero repetir-me dizendo que vocês, por mais conjecturas que
façam, não têm a menor ideia do que vos espera em termos de trabalho.
É verdade que vão contactar com muitas multidões e que irão a muitos

89 Simples mas poderosíssima intervenção nos seres humanos quer individualmente, quer
em grupo.

137
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

lugares, mas sempre terão que dispor — e isto é, desde já, uma chamada
de atenção — de espaço pessoal. Este é um dos grandes perigos. Terão
de usar de muita firmeza, pois não podem deixar-se inebriar com o que
vai acontecer. Já sabem o que têm de fazer e como fazer.
Os contactos connosco — que se manterão diariamente, mas nem
sempre para transcrição — ajudarão a encaminhar-vos e impedirão
que, não agora mas um pouco mais tarde, venham a ser engolidos
pelas multidões.
Não pensem que a desestruturação, a que me refiro, diz respeito
apenas à Igreja Católica. Tudo isto é, apenas, o início; irão a todo
o mundo, a todas as Igrejas levar a mensagem. Não terão que fazer
nada; são, apenas, os Mensageiros da Luz, os Mensageiros do Pai e da
Mãe. A minha energia vai expressar-se no planeta e a imagem do Pai
será restaurada, por assim dizer, de uma forma autêntica e verdadeira.
Vamos acabar com as mentiras e com todas as outras maquinações da
Sombra. É tempo de o Pai e de a Mãe se revelarem à Terra e da Terra
se entregar.
Esta é a segunda vertente: a desestruturação, sempre com o sen-
tido de comunhão e do alerta; depois, as coisas seguirão o seu curso,
e vocês não terão de fazer mais nada, certos de que estarão sempre
protegidos. Sempre.
A terceira vertente, que surgirá quando o trabalho se ampliar, refe-
re-se à necessidade de cura. Ambos têm que entender o seguinte: vocês
são a nossa representação na Terra. Como o Pai e a Mãe não podem
encarnar completamente dada a dimensão do Universo, enviaram as
suas partículas mais queridas para cumprirem o Plano na Terra. Vocês
são a nossa essência, portanto, vão cumprir o papel que vos cabe. No
início, a coisa decorrerá timidamente, as pessoas sairão renovadas e reju-
venescidas do vosso trabalho; depois, será com toda a autoridade divina.
As curas dar-se-ão espontaneamente, algumas em privado, em algumas
pessoas vossas conhecidas, que acabarão por participar no trabalho. Ali-
viarão muito sofrimento. Com a evolução de tudo isto, o mundo vai

138
Terra — O Jardim de Lúcifer

perceber que chegou uma nova época. Vocês não terão uma vida muito
descansada, por assim dizer; será atribulada, muitas vezes de um lado
para o outro. Mas estão garantidos momentos de muita tranquilidade,
para se poderem recuperar e enfrentar tudo o que vos rodeia.
Agora quero que se capacitem do seguinte: a vossa missão na Ter-
ra tem duas vertentes; descobrir o verdadeiro rosto do Pai, introduzir
a energia Mãe — a energia da Candura, do Amor e da Firmeza — e
desmontar, definitivamente, tudo o que está instituído na Terra e que
tolhe, controla e manipula a Humanidade. Expressar-me-ei muitas ve-
zes. E vou aparecer. Ninguém terá dúvidas de quem vocês são, assim
como Lúcifer, que também vai ser visto. Cada pessoa, porém, vê-lo-á
com olhos diferentes. Para a Igreja, falarei eu primeiro e só depois virá o
Pai porque, a mim, eles reconhecem-me, mas, em relação ao Pai, terão
de repor a verdade. Nós falaremos com todas as Igrejas do mundo que
vocês contactarem. Não deixaremos margem para dúvidas. Estes con-
tactos, agora, serão só o início.
Vitorino — Tudo isso é para ir para o livro?
Yasmin (por Esmeralda) — Sem sombra de dúvida! [36]
Se não tiverem mais nenhuma pergunta, meus queridos, por hoje é
tudo. Nós amamos-vos profundamente. Muito obrigada.

21 de Agosto (manhã)

Lúcifer (por Esmeralda) — Meus queridos. Agradeço a vossa per-


manente disponibilidade. Eu sou o Pai e vamos avançar para a conclu-
são do livro. No final deste contacto, responderei às vossas perguntas e
mais alguém vos falará. Quanto à história da Terra, queria dar algumas
informações adicionais sobre a manipulação genética:
Quando o planeta ficou entregue à barbárie, à selvajaria e ao assas-
sinato, alguns seres de Luz perderam a consciência do contacto com o
Plano Superior. Como foi necessário colocar o véu, não foi possível reti-

139
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

rar toda a gente, porque, entretanto, alguns tinham estado em contacto


com a energia do medo e, por isso, ficaram presos à Sombra. As mais
terríveis e horrendas experiências foram feitas com eles, porque eram
portadores de um ADN diferente, com ligação à Fonte.
Vocês irão encontrar algumas dessas pessoas que ainda trazem essa
memória, ainda transportam essas marcas, que lhes provocam pertur-
bações de que desconhecem a origem. Esta informação sairá no livro,
mas, quando os encontrarem, não têm que lhes revelar seja o que for.
Com toda a autoridade de que são portadores, o Vitorino refará toda a
matriz genética ao nível da consciência e a Esmeralda restaurará todos
os registos ao nível das emoções. E as pessoas ficarão livres. Mesmo que
elas experimentem a Sementeira, necessitam desse trabalho. Vocês vão
libertá-las, pois esse é um dos últimos redutos da Sombra. Não é que
essas pessoas sejam servidores da Sombra, algumas são até bem lumi-
nosas, mas carregam essas memórias, que vão ser acordadas por certos
acontecimentos que ocorrerão no planeta. Por isso, necessitam desse
trabalho. Vocês perceberão quando estiverem diante delas. São pessoas
que, em alguns casos, vos surpreenderão, pois jamais imaginariam que
pudessem estar nesse grupo. Tenham em atenção que foi muito grande
o sofrimento.
Podem perguntar por que não foram retiradas. É que, no momento
em que ficaram dominadas pela energia do medo, passaram para o «ou-
tro plano». Assim, porque «caíram», tiveram de ficar. Isso é incontorná-
vel, pois quem é Luz pura e Amor não tem medo.
Antes de me retirar, gostaria de saber se têm alguma questão a colo-
car sobre a história da Terra.
Vitorino — A minha questão — e já falámos nisso — é sobre a cronologia
dos acontecimentos. Mas talvez ainda não estejam reunidas as condições…
Lúcifer (por Esmeralda) — Na última canalização para o livro, tra-
taremos dessa questão.90 Este não é o momento para falarmos sobre esse

90 A assim foi. Veja mais adiante.

140
Terra — O Jardim de Lúcifer

assunto. Hoje, não avançamos muito relativamente à história da Terra,


mas vou dar-vos algumas informações sobre o que se espera a seguir:
quando acabarem este livro vão ter um momento de descanso. Depois,
ambos vão receber informação para um novo momento do vosso plane-
ta. Desculpem-me, mas é um novo livro.
Vitorino — Já se estava à espera!
Lúcifer (por Esmeralda) — Vamos preparar-vos, porque este novo li-
vro terá informação muito precisa, como aquela que o Vitorino, há muito
tempo, quer canalizar. Nele se falará das diferentes civilizações que aqui
existiram, nomeadamente a Atlântida. Vamos dar informações precisas
sobre esta civilização, sobre a sua localização, e alguns conhecimentos
acerca do que ainda está à superfície, digamos assim. É um livro diferente,
que sairá depois deste, porque as pessoas, definitivamente, têm de perce-
ber tudo o que se passou na Terra. Para que nunca mais sejam cometidos
os mesmos erros, têm de reconhecer quais foram as dificuldades que os
seres humanos tiveram de enfrentar e quantos erros foram cometidos.
A Sombra, definitivamente, até nesse caso, será erradicada do planeta.
Vitorino — Se vou canalizar essa informação, têm de acelerar a remo-
ção das minhas resistências.
Lúcifer (por Esmeralda) — Calma! Não te preocupes com isso.
Ambos têm resistências. Vais canalizar uma parte, relativamente à for-
mação da Terra e questões concretas. Vais canalizar muita coisa da
história da Terra.
Vitorino — Anterior à Invasão, portanto?
Lúcifer (por Esmeralda) — Exactamente. E não só. Mas, por agora,
não vamos revelar. Vou explicar porquê: a saída deste livro, em que
estamos agora a trabalhar, fará com que as pessoas pensem numa nova
Terra, com certas características que estão no seu imaginário. Mas não
é o caso. O que vai surgir na Terra é um Éden, sim, mas não com as
características anteriores. Não vamos repor o que existia antes: iremos
mais longe porque o grau de consciência é superior ao de então.

141
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Meus filhos, a Luz e a Sombra vão ficar ligados para sempre!


Vitorino — O que é que isso quer dizer?
Lúcifer (por Esmeralda) — Nós optámos por não erradicar com-
pletamente o material genético que a Sombra introduziu. Isto causa-
-vos interrogações? É que vocês os dois são únicos na Terra! O vosso
ADN foi trabalhado, mas ainda tem uma parte que foi introduzida
pela Sombra. Não se trata, é claro, da negatividade. Durante o perío-
do da manipulação genética, a Sombra também introduziu resistência
para que os corpos pudessem durar, uma vez que, perante a doença
e as dificuldades, esses seres não tinham a capacidade de criar fosse o
que fosse, muito menos longevidade. Então, foi introduzida a resis-
tência no corpo físico.
Vitorino — Resistência no sentido de duração?
Lúcifer (por Esmeralda) — Exactamente. Foi o que permitiu que os
corpos resistissem e não fossem afectados por tudo o que, então, existia
no planeta. Foi essa parte que nós optámos por não retirar do vosso
ADN, pois é positiva. A consciência que ambos vão ter do que é ser um
servidor da Sombra, vai aumentar. O sofrimento e a negatividade serão
retirados, mas a lembrança do que ambos passaram manter-se-á, só que,
agora, associada a uma grande compaixão, quer por vocês mesmos, quer
pelo sofrimento dos vossos irmãos.
Vitorino — Esta conversa pode ir integralmente para o livro, exceptu-
ando aqueles temas que já sabemos que não vão estar presentes?
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro que sim. Deve ir.
Vitorino — Anunciamos aqui esse próximo livro?
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro. [37]
Agora vou deixar-vos. Muito obrigado.
Vitorino — Muito obrigado a ti.

142
Terra — O Jardim de Lúcifer

21 de Agosto (tarde)

Yasmin (por Esmeralda) — Minha querida Esmeralda, eu sou Yasmin


e estamos todos aqui. Mas mais alguém pede para falar contigo. Peço-te
que aceites, que não resistas ao que estás a sentir. Tem confiança.

PAUSA (INQUIETANTE)

Shtareer (por Esmeralda) — Eu sou Shtareer91 e estou aqui para fa-


lar convosco. Agradeço a oportunidade que este canal me dá, apesar da
resistência que manifestou, mas que eu compreendo. Estou aqui para
falar convosco, principalmente com o meu filho Vitorino; e permite-
-me chamar-te «filho», pois foi através de mim que tocaste este Plano a
que agora te entregas.92 Sei que tens algumas perguntas para fazer. Mas,
primeiro, quero expressar-me e peço à Esmeralda — como é chamada
pela Trindade Criadora deste Universo porque efectivamente é a sua es-
sência — que se descontraia porque já lhe passará o mal-estar e o enjoo;
é apenas uma vibração diferente, a que não está habituada.
Esmeralda — Tudo bem…
Shtareer (por Esmeralda) — Eu vim falar do Plano.
Esta fase implica accionar as memórias das pessoas com quem con-
tactam. Todas as que precisarem de acordar as suas memórias contacta-
rão convosco, nem que seja na rua, na padaria, etc. Parece-vos incrível?
Inconsciente? Esse processo já está a decorrer e, a partir de amanhã, será
cada dia mais forte. Ao acordarem as suas memórias, as pessoas podem
ter comportamentos imprevisíveis. Mas isso não vos deve interessar;
é o início do processo. Por que precisam essas pessoas — que, mais
tarde, vão desempenhar papéis fundamentais — de activar memórias?

91 Shtareer é uma entidade de outro universo (Shinkara), equivalente a Sananda.


92 Referência à iniciação que Vitorino de Sousa receber na cidade de Santos, no Brasil, em
Junho de 2003, através de Rodrigo Romo. A transcrição dessa cerimónia — que tão grande
impacto causou quando foi divulgada no velatropa.com — está publicada no livro LIGANDO
A LUZ, da Editora Angelorum Novalis, contendo as primeiras transmissões de Kryon.

143
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

É porque há muita informação escondida ao nível celular. A vossa


interrogação é porque é que eu, Shtareer, estou aqui a dar estas infor-
mações. É porque eu faço parte do Plano. Por enquanto, estiveram
só em contacto com as três «partes» da Unidade. Mas precisavam de
perceber que, tal como, na Terra, há um Grupo de Apoio para vocês
os dois, lá em cima também há um Grupo de Apoio em relação à
Trindade. Tudo se corresponde.
Gostaria agora de ouvir as tuas perguntas, meu filho.
Vitorino — Em relação ao despertar de memórias, há algum ritual,
algum exercício específico?
Shtareer (por Esmeralda) — Nem pensar! Ocorrerá naturalmente,
devido à energia presente.
Vitorino — Apenas através da proximidade…
Shtareer (por Esmeralda) — Exactamente. Imagina um pequeno sol,
quente e radioso, iluminando um plano frio onde sementes, húmidas e
frias, aguardam. Quando o sol chega, as sementes despertam e o processo
desencadeia-se. Mas não têm de se preocupar. Nós trabalhamos em públi-
co, a coisa será muito forte, pelo que vocês ficarão cada vez mais cientes
das vossas capacidades e do vosso poder. E humildes! Essa é a percepção
de todos nós: jamais perderão a humildade, até porque, a Esmeralda, de-
vido às experiências vividas nas encarnações anteriores, não o permitirá.
Já o sabemos. Tudo foi trabalhado ao mínimo pormenor para que nada
corresse mal. E até as vossas encarnações anteriores serviram o Plano para
que, hoje, pudessem estar aqui com esta escolha e com este grau de cons-
ciência. Se dizemos que, há 2000 anos, se começou a preparar a Segunda
Vinda, têm de perceber — mesmo que vos pareça impossível — que o
que fizeram até hoje preparou a Segunda Vinda. [38]
Vão acontecer-vos muitas coisas nos próximos trabalhos.
Vitorino — Ainda não surgiu a oportunidade de perguntar ao Pai, por
que é que Lúcifer foi escamoteado, durante tanto tempo, como criador deste
Universo? Qual a estratégia que estava por detrás?

144
Terra — O Jardim de Lúcifer

Shtareer (por Esmeralda) — Já vos explicaram, mas eu vou repetir:


Lúcifer é o criador deste Universo, mas utilizou outros nomes, uma vez
que a Sombra manipulou o seu nome e fez com que todos os humanos
encarnados acreditassem que era o Senhor do Mal. Isso está, inclusive,
registado ao nível celular. Se eu, há anos, tivesse dado esta informação,
ela não teria a força que tem agora; teria passado despercebida. Agora,
é hora. Há momentos em que não podemos dizer certas coisas porque
colocamos em causa a credibilidade do que faremos mais tarde.
Se me permitirem continuar a estabelecer contacto, voltarei algu-
mas vezes.
Vitorino — Será um prazer…
Esmeralda — Com certeza.
Shtareer (por Esmeralda) — Muito obrigada.

22 de Agosto

Lúcifer (por Esmeralda) — Hoje vamos concluir o que nos falta


da História da Terra, fornecendo alguns pormenores:
Querias saber, meu filho, qual é a idade da Terra? Ela é bem
mais antiga do que pensas, mas serás tu a canalizar essa informação!
À Esmeralda será entregue a parte das civilizações, principalmente da
Atlântida. Nesse próximo livro, as canalizações de um e outro serão
mais equilibradas.
A Invasão decorreu há… — não tenhas medo de dizer este núme-
ro — 150 milhões de anos! Não me interessa nada — desculpem esta
expressão — quais os dados de que dispõem em termos científicos ou
históricos. Eu estou a dizer que a Invasão ocorreu há 150 milhões de
anos e que muitos vestígios foram banidos da face da Terra. Muito está
por saber acerca das muitas civilizações que aqui floresceram. A Terra,
porém, conheceu um novo estatuto a partir dos tempos da Invasão.
Quando as naves desceram em diferentes pontos do planeta, a geo-

145
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

grafia era muito diferente, a organização do relevo e dos continentes


não era como é agora, claro. A Sombra não deixou nada ao acaso. Mas
nem todos os humanos encarnados tinham o mesmo grau de evolução;
alguns não podiam escolher desencarnar (desmaterializar-se) quando
quisessem. Refiro-me a um pequeno núcleo que estava aqui em apren-
dizagem. A esses não restou outra solução senão ficar.
Foram as vítimas, os mártires, aqueles que, hoje, vocês os dois vão
resgatar verdadeiramente, ao nível celular, exorcizando as suas memó-
rias e libertando-os. Este é o trabalho que a Fonte lhes deve, não por
ter culpa no processo — pois não há culpas — nem por ser responsá-
vel pelo sucedido. Dadas as circunstâncias, e porque este sempre foi o
planeta do livre-arbítrio, não pudemos interferir… apesar da grande
revolta de alguns dos que estavam, e ainda estão, connosco, nomea-
damente, Gabriel.
Shtareer está connosco desde essa altura. Tem outros nomes, tam-
bém, na Terra, que não interessa agora; seria uma confusão se os reve-
lássemos. Mais tarde revelaremos.
No entanto, após a Grande Reunião, e depois de ouvida a Fonte
Maior, como já sabem, pôs-se em prática o «Plano B». Assim, quando
ouvirem referir as invasões, que alguns sustentam que estão para ocorrer
neste planeta, sorriam e lembrem-se:

Não há planeta mais sagrado do que a Terra. Este é o Planeta


do Amor. Nada lhe tocará, pois essa é a minha vontade, a von-
tade do Pai, a vontade da Luz!

As consequências da Invasão terminaram com a vinda de Jesus. No


entanto, antes disso, vários grupos de servidores da Sombra, comanda-
dos por várias entidades, desceram à Terra num esforço para se mistu-
rarem com a população terrena a fim de prosseguirem com as manipu-
lações genéticas. Contudo, o poder da Sombra já tinha sido anulado ao
tempo da Grande Reunião. Mas este é o planeta do equilíbrio: para que

146
Terra — O Jardim de Lúcifer

o fim fosse atingido em equilíbrio, cada acção promovida por nós ti-
nha de ser equilibrada com outra promovida pela Sombra. Assim, esses
servidores do Senhor da Sombra puderam actuar porque, antes disso,
tinham entrado muitos outros, do Universo da Luz. A maioria desses
seres sombrios, porém, já está inoperativa.
Não temos mais nada a dizer, relativamente a este capítulo da His-
tória da Terra. Neste livro divulgámos informações sobre dois aspectos
importantes da vida do planeta; vamos divulgar muito mais. Alguns
dados que então divulgaremos, serão, inclusive, de ordem técnica, sem-
pre que for necessário ajudar o vosso progresso. Tal é necessário nesta
mudança acelerada que se avizinha. E os cientistas comprovarão o que
vocês vão dizer.

23 de Agosto

Lúcifer (por Esmeralda) — Meus queridos filhos, este contacto de


hoje vai ser deveras importante e, posso acrescentar, interessante. Apenas
vos peço para não oporem qualquer resistência, qualquer que seja a enti-
dade que se apresente. Eu sou o Pai e, com toda a autoridade de que estou
revestido, vim iniciar o contacto e, dizendo estas palavras, gostaria que
ficassem em silêncio por uns breves instantes. Falaremos mais tarde.

PAUSA (INTRIGANTE)

Rainha Santa (por Esmeralda): Agrada-me profundamente estar


aqui convosco, pela primeira vez. Dizer «pela primeira vez» não é total-
mente verdade porque, sempre que Yasmin fala, eu estou nessa vibração.
Quando Yasmin se projecta, desdobra-se em várias dimensões, nos di-
ferentes pontos em que tem de trabalhar. Isto pode ser complicado para
vocês, mas espero que entendam. É num desses pontos que eu estou,
com uma vibração específica e algumas características muito próprias.
Quero aproveitar para saudar o meu amado Vitorino.

147
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Eu poderia ter outro nome, mas sou aquela que vocês conhecem
como a Rainha Santa. Pode parecer complicado, mas garanto-vos que
não é. A Esmeralda, apesar de não estar a fazer resistência, acha que é
uma loucura. Mas não é.
Venho dizer-vos apenas o seguinte: o vosso trabalho tem uma di-
mensão planetária. Como sabem, todos os actos, atitudes e escolhas
de qualquer ser humano, têm uma dimensão para além da Terra. Ago-
ra já sabem o quão especial é este planeta. Como efeito de um desdo-
bramento de Yasmin, eu estou no centro intraterreno de Lis/Fátima,
representando a sua energia. É um trabalho de equilíbrio profundo da
Terra através da irradiação da energia feminina, a partir desse ponto
de Portugal.
Já estive encarnada outras vezes e parte da minha consciência — as
memórias dessas existências — está com a Esmeralda. A tranquilidade,
a paz e a serenidade que ela sente, neste momento, têm a ver com as
características da minha energia.
Se quiserem colocar-me alguma questão, estou aberta a responder.
Vitorino — Pessoalmente, não tenho nenhuma pergunta, embora queira
manifestar o meu agrado, o meu grande prazer, por te teres manifestado.
Rainha Santa (por Esmeralda) — Foi um prazer.
Vitorino — Espero que voltes, quando for apropriado.
Rainha Santa (por Esmeralda) — Quando for necessário.
Vitorino — Apresentaste-te como a Rainha Santa, mas deves ter um
nome?
Rainha Santa (por Esmeralda) — Sim, claro. Surgiu-te algum?
Vitorino — Não. Numa fase em que se aproxima uma profunda rees-
truturação de tudo o que está à volta de Fátima e do centro Lis, talvez fosse
conveniente que nos revelasses um nome…
Rainha Santa (por Esmeralda) — Eu sou a guardiã da energia femi-
nina no centro Lis/Fátima e tenho muitos nomes na Terra.
Vitorino — Isso já nós sabíamos. Mas deves ter um nome…

148
Terra — O Jardim de Lúcifer

Rainha Santa (por Esmeralda) — Tenho. Ser-vos-á revelado mais


tarde. Perdoem-me não vos dizer o que querem, mas tudo tem o seu
tempo. E, agora, vocês têm mais que fazer! Muito obrigada.
Vitorino — Obrigado.

PAUSA (AGRADÁVEL)

Lúcifer (por Esmeralda) — Meus queridos filhos, agora disponho-


-me a responder às vossas perguntas.
Vitorino — Esta questão está relacionada, mais uma vez, com a natu-
reza das informações que foram veiculadas agora e com as que foram dadas
por Shtareer ao Rodrigo Romo. Compreendo que o teu nome tivesse sido
preservado e substituído por outros. No entanto, a posição de Lúcifer como
arcanjo já vem de há muitos anos. Dá a sensação que houve um acordo,
muito antigo, para se encaixar o nome de Lúcifer numa hierarquia que não
lhe correspondia. Queres fazer algum comentário a esse respeito?
Lúcifer (por Esmeralda) — Claro. Vou contar-vos uma história em
primeira-mão. Podem colocá-la no livro. Não podem, devem! Só não
poderiam divulgá-la se a informação do livro não estivesse para ser au-
tenticada. O que nós mais prezamos, neste momento, é a vossa seguran-
ça e credibilidade, para além, é claro, do vosso desenvolvimento espiri-
tual enquanto seres humanos, numa dimensão nunca vista no planeta.
Pela primeira vez, as duas polaridades da Fonte estão realmente nos seus
dois Filhos, com uma capacidade de expressão como nunca teve. Digo-
-vos isto porque é importante que tenham essa consciência. Uma parte
vossa tem plena consciência, mas outra, a mais humana, ainda treme e
levanta algumas dúvidas. Mas é natural. Nós compreendemos e aceita-
mos. Grande é a prova a que vocês os dois estão sujeitos!
Agora a história:
Num determinado momento, a Grande Fonte dividiu o seu espaço
e entregou, a cada um dos seus Filhos Dilectos — ou a cada um dos
seus Grandes Guerreiros ou, ainda, dos seus Grandes Sacerdotes, con-
soante a ideia que tiverem da Grande Fonte. Utilizando a forma como

149
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

os humanos vêem as coisas, diremos que a Fonte chamou os seus Filhos


Maiores e entregou-lhes várias tarefas. Não foi só «crescei, multiplicai-
-vos e regressai»; cada um deles tinha de se expressar de alguma forma.
E eu, que era a Luz e tinha em mim o Amor, ou se preferirem, Yasmin
— que era o Amor e tinha em si a Luz — fomos chamados para nos
expressarmos segundo esta característica. E foi-nos pedido que, num
determinado ponto, deixássemos os nossos filhos escolherem de acordo
com a sua vontade, à imagem e semelhança da Grande Fonte, que nos
dava agora plena liberdade.
O Filho Maior — que hoje vocês conhecem como Senhor da Som-
bra — também tinha, evidentemente, um projecto para o seu Universo.
Estava, no entanto, mais orientado para o desenvolvimento técnico,
para a sabedoria máxima e para o conhecimento. (Reparem: por que é
que, na história de Adão e Eva, a serpente detentora do conhecimento
representa aquilo que vocês designam como o «mal»?) Mas, devido à in-
terferência do Senhor da Sombra no projecto deste Universo, tal como
já vos narrei, foi necessário redimensionar o Plano deste Universo.
A primeira informação que chegou à Grande Fonte foi que eu, como
criador, estava a entregar parte da minha missão ao Senhor da Sombra,
quase por desleixo — o que não era verdade. Então, durante uns mo-
mentos cósmicos, eu, Lúcifer, perdi a credibilidade perante a Grande
Fonte. Uma equipa de observadores foi enviada à Terra, que se deparou
com o que estava a acontecer. E relataram-no a Quem os enviara. (Não
se esqueçam que isto é uma história contada usando a forma como os
humanos entendem a realidade; está adaptada, portanto, ao vosso en-
tendimento.) O Grande Pai, com todo o Amor, achou que, como talvez
eu não estivesse à altura para continuar como Fonte deste Universo,
outra entidade deveria ser escolhida para liderar este projecto. Então, a
Mãe, acompanhada por algumas entidades absolutamente fiéis, foi ao
encontro da Grande Fonte e explicou-lhe o que realmente se passara.
(Vocês sabem que, ao nível cósmico, não pode haver mentiras, e a Mãe
é absolutamente transparente.) Foi então convocada a Grande Reunião,

150
Terra — O Jardim de Lúcifer

de que já vos falei. Foi aí que a Fonte Maior restaurou o meu nome,
impôs a ordem — porque foi impor! — e ditou — porque foi ditar! —
o que queria para o planeta Terra. E ao Senhor da Sombra, ditou a di-
rectiva relativamente ao futuro do seu Universo. Então, eu e a Mãe — a
Unidade — pedimos à Grande Fonte para ser dada uma oportunidade a
quem estava no planeta. Sentimos o que se passava com os nossos filhos
que tinham descido à Terra e percebemos a sua dor. E acrescentámos
que essa oportunidade abriria um potencial imenso de evolução.
Assim foi feito, mas a Sombra aproveitou para disseminar a infor-
mação de que eu ficara denegrido, aos olhos da Grande Fonte, pois era
um irresponsável, incapaz de conduzir a missão que me fora dada.
Vitorino — Quer dizer que os ensinamentos, onde surges como figura
subalterna, têm de ser reformulados?
Lúcifer (por Esmeralda) — Evidentemente! Tudo na Terra tem a
marca desse momento, quando a Sombra se apropriou de tudo. Tudo!
Certos ensinamentos, apesar de serem muito importantes, pois derivam
da Fonte, precisam de ser reformulados, já que traduzem o momento
em que a Grande Fonte não sabia o que realmente tinha acontecido.93
Vitorino — O momento em que te destituiu, digamos assim?
Lúcifer (por Esmeralda) — Em que fui afastado! Em termos cós-
micos, foi um momento muito doloroso. Não pela situação em si,
pois sabíamos que a verdade iria ser reposta, mas porque se poderia
ter perdido muita coisa. Ingenuamente, porém, a Sombra pensou que
conseguiria estender o seu plano a muitos outros Universos. Mas, na
Grande Reunião, os outros criadores perceberam o que realmente se
passava e uniram-se, pois jamais alguém de tão elevada posição traíra,
provocara danos num seu igual e fora contra a ordem da Grande Fonte!
A partir daí tive o respeito total de todas as outras entidades. Hoje, to-

93 A noção de que a Grande Fonte (o que está «acima» de «Deus») é omnisciente é meramente
humana, pois não se conhece nenhuma sentença onde surja a sustentar que o é… tal como
é humana a noção de que «Deus» (Lúcifer) é omnipotente, omnisciente, etc. Pelo ficou dito,
é evidente que não é.

151
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

dos os criadores de outros Universos colaboram comigo. Em vez de me


enfraquecer, a situação tornou-me muito maior. Quando digo «muito
maior» refiro-me, em termos humanos, ao Conhecimento, ao Amor, à
Compaixão e à Sabedoria infinita.
Vitorino — Se me permites, gostaria de voltar a um tema que já foi
abordado, mas que, a meu ver, não ficou muito claro. O que vai acontecer
à Sombra, em função do desaire que sofreu na Terra, o qual me parece ser
um planeta-chave no teu Universo de Amor e Compaixão?
Lúcifer (por Esmeralda) — Vai entregar-se à Luz e começará outro
plano de evolução! Ou seja, quando a Terra for só Luz e Amor, depois
de tudo nela ter sido restaurado, o Universo da Sombra terá de se render
à Grande Fonte. Como foi dito, o Universo da Sombra será «anexado»
a este. Como a entrega à Luz não é feita num só dia, daremos início a
outro plano de evolução, aplicando a experiência adquirida com a Ter-
ra. Se me perguntares o que vai acontecer à trindade responsável pelo
Universo da Sombra, digo-te que não sabemos, pois essa é a decisão da
Grande Fonte. Pudemos imaginar que, provavelmente, a Grande Fonte
fará com que regressem a ela mesma. A Trindade da Sombra será absor-
vida pelo Amor Total, onde não há escolha.
Vitorino — Quer dizer, então, que tudo o que consta das diferentes
escolas de conhecimento em relação à sequência da Idade do Ouro, Idade
do Ferro, as Kali Yuga, etc., vai ter de ser reformulado?
Lúcifer (por Esmeralda) — Como é evidente. A Terra renascerá para
um novo Éden, uma nova idade, e os humanos passarão a evoluir nou-
tro plano. Não entrará na Terra mais ninguém com um nível de evo-
lução inferior. A Terra será um planeta de excelência, vibracionalmente
muito elevado. Merece-o, por tudo o que se passou aqui. A Terra já foi
sacralizada, só que ainda não é visível. Será um pequeno sol, a irradiar
para todo o Universo.
Vitorino — Muito bem, muito obrigado.
Lúcifer (por Esmeralda) — Então, por hoje é tudo.

152
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Diz-me só uma coisa, antes de interrompermos o contacto:


vai ficar claro quando é que acaba a informação para o livro? Ou já acabou?
Lúcifer (por Esmeralda) — Neste momento, completou-se a infor-
mação para o livro. Se vos ocorrer alguma pergunta, coloquem-na. Mas
está fechado.
Só quero fazer, novamente, um reparo: a história que vos contei foi
adaptada aos ouvidos humanos. Não consigo passar-vos o sentir da mi-
nha própria entidade. Não é possível ainda. Mas tudo o que vos con-
tei corresponde à verdade e à realidade. Não retrata a total dimensão da
coisa, mas teve de ser contada com palavras humanas, como é evidente.
Muito obrigada.

24 de Agosto

Sananda (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos ao nosso contacto.


Eu sou Sananda e venho para uma breve conversa com algumas in-
formações adicionais. Mas, antes de começar, gostaria de saber se têm
alguma pergunta.
Vitorino — Estivemos a conversar acerca do baptismo, e gostaríamos de
saber se queres falar sobre a sua nova interpretação, para figurar no livro,
evidentemente.
Sananda (por Esmeralda) — Como já se aperceberam, o baptismo
mantém o simbolismo iniciático com que foi criado: introduzir a Matriz
da Mãe em cada ser humano. Ou seja, dar a possibilidade, a cada ser
encarnado na Terra, de entrar em contacto com a energia da Mãe. Quan-
do alguém diz: «Eu te baptizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo», este último é a Mãe. É a pomba, a Mãe que desce; é a energia
feminina. Que outro tipo de energia poderia ser simbolizado pela pom-
ba? Por isso é que a Esmeralda viu Yasmin com várias pombas a seus pés
— as diferentes representações que a Mãe tem na Terra e de quem, a seu
tempo, conhecerão os nomes. Já contactaram com uma — a Rainha San-
ta Isabel — mas todas elas são desdobramentos da Mãe, digamos assim.

153
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Vitorino — Qual o verdadeiro nome da Rainha Santa? 94


Sananda (por Esmeralda) — A seu tempo! Não se preocupem mui-
to com isso. O que eu quero é que estas informações constem do livro.
Não foi por acaso que, ontem, esta questão do baptismo foi introduzi-
da, quando a transmissão de informação para o livro já tinha termina-
do. No entanto, antes da declaração do meu Pai ao leitor95, deve figurar
esta questão do baptismo para que não fique nenhuma dúvida.
Então, eu, Sananda, com o poder que me foi instituído pela Unidade
— a Fonte, o Pai e a Mãe a quem pertenço e de onde venho — proclamo:

Nenhum ser humano ficará apartado de Deus


por não ser baptizado.

Quando eu, enquanto Jesus, instaurei o novo baptismo, foi com


esse sentido. É um processo iniciático que liga Deus e os seres humanos,
introduzindo a energia da Mãe. Nenhum ser humano será completo
sem receber a energia feminina no seu coração. Não é uma prerrogativa
dos católicos ou dos cristãos; é um simbolismo que existe em todas as
religiões, de uma maneira ou de outra, mascarado ou não.
Quando entram nas águas do Ganges, para uma purificação, e dei-
xam para trás o velho ser, o que é a Mãe senão as grandes águas desse
rio? No entanto, a forma como o baptismo é praticado deve passar a
ser visto com outros olhos, porque todos os seres humanos são divinos.
A Sombra, porém, tentou erradicar aquilo que representava a Mãe: a
doçura, a firmeza, a compreensão abrangente que tudo preenche e tudo
transforma com o toque no coração. Esta é a energia que faltava na
Terra. Então, para o seu reequilíbrio, vamos instaurar o Novo Tempo,
através da minha vinda.
Isto é o que vai para o livro; até aqui.

94 Esmeralda Rios é que é do signo do Carneiro mas Vitorino de Sousa é que é teimoso!
95 Veja a Conclusão, no final do livro.

154
Terra — O Jardim de Lúcifer

Claro que as informações que tinha para vos dar estão relacionadas
com este tema, porque já esperávamos que ele surgisse. Como dissemos,
vocês não são autómatos, mas uma parte integrante deste processo, pois
interagem connosco. Claro que eu também interajo com vocês, agora
noutro plano, que vai ser intensificado, posso garantir.
Ainda há uma questão — que está na cabeça na Esmeralda — de
que falaremos amanhã. Trata-se de João Baptista. Falaremos do seu pa-
pel e do surgimento de uma escola iniciática baseada na sua figura.
Por hoje é tudo. Muito obrigado.

25 de Agosto

Yasmin (por Esmeralda) — Sejam bem-vindos ao nosso contacto.


Hoje temos uma surpresa para vocês. Conforme tínhamos dito, hoje
falaremos de S. João Baptista e daremos algumas informações que ainda
podem ir para o livro. Mas, a partir de amanhã, qualquer informação
que seja canalizada não constará no livro. Mas não me cabe a mim falar
sobre esses temas.
Agora, alguém quer falar através do meu querido Vitorino. Eu já
volto.

PAUSA (SERENA)

Sananda (por Vitorino) — Eu sou Sananda e estou aqui para falar


daquela figura que vocês conhecem como João Baptista, aquele que
baptizava. Ele foi apenas um precursor, tal como vocês os dois também
têm muitos precursores. Ele era um Essénio, um elemento daquele gru-
po que, de uma forma algo extrema, digamos assim, um pouco irre-
dutível, espalhava uma determinada visão e uma determinada postura
religiosa, que já anunciava a minha Primeira Vinda. Faltava-lhe, no en-
tanto, uma certa maleabilidade, mas essa maneira de ser e de estar, em
nada prejudicou o trabalho que eles tinham a desenvolver, assim como
a preparação do caminho para a minha chegada.

155
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

João não tinha os dados todos. (Tal como vocês, que têm apenas os
dados necessários para poderem cumprir a parte que vos compete neste
momento, no ponto em que o Plano se encontra, a caminho do seu
desenvolvimento global.) De qualquer das maneiras, João Baptista era
um homem iluminado; não podia deixar de o ser porque a sua função,
entre outras, era fazer descer a energia da Mãe no coração daqueles que,
voluntariamente, se ofereciam para o acto do baptismo. Era um acto
simbólico, como ainda hoje continua a ser, dado que as águas sempre
foram simbolizadas pelo arquétipo feminino. Daí, a sua utilização. Essa
descida da Mãe para o coração dos humanos poderia ter sido feita, atra-
vés de outro ritual. Mas, propositadamente, propusemos um acto onde
a água estivesse envolvida. E ainda hoje está.
A água era, e é, vertida sobre o alto da cabeça, o ponto do corpo
onde existe o centro energético que vos liga ao Plano Superior. Por-
tanto, a cristalinidade da água, naquele tempo e agora, significava a
pureza e a transparência da Mãe, que é absorvida quando toca nesse
centro energético. É um acto que envolve coisas físicas, mas essa é a
parte ritualista. A sua verdadeira função é, realmente, a inserção da
energia matriz da Mãe no coração humanos, accionando o potencial
que já lá se encontra. É como se fosse uma chave que, ao entrar na fe-
chadura certa, abre o ser humano para o perdão, para a candura, para
a pureza e para a firmeza…
João soube retirar-se, soube…
Esmeralda — Posso fazer uma pergunta?
Sananda (por Vitorino) — Sim.
Esmeralda — É verdadeira a história de Salomé e da cabeça decapitada
de João?
Sananda (por Vitorino) — Em certa medida sim. Essa figura femi-
nina, que, obviamente, estava ao serviço da Sombra, procurou aniquilar
aquele que trazia o feminino para a Terra. Com isso, pretendia demons-
trar a derrota da Luz aos pés da Sombra, que, como sabem, sempre fez
tudo para impedir a descida e a implementação do arquétipo feminino…

156
Terra — O Jardim de Lúcifer

Esmeralda — Não deixa de ser uma ironia que seja uma mulher a ser
utilizada para parar quem tinha esse trabalho!
Sananda (por Vitorino) — É uma ironia. Mas, do ponto de vista da
Sombra, não podia estar mais certo.
Esmeralda — Porque é que a energia da Mãe assusta tanto a Sombra?
É apenas uma questão de submissão?
Sananda (por Vitorino) — Não é só uma questão de submissão.
É uma questão de que, neste Universo em que estamos, o masculino e
o feminino trabalham lado a lado, em igualdade de circunstâncias, com
o mesmo poder de intervenção… até porque são um!
Esmeralda — Então, do outro lado não são um?
Sananda (por Vitorino) — São um… mas com o domínio de uma
das polaridades! A diferença é que, neste Universo, as polaridades es-
tão equilibradas. O fiel da balança está na vertical. Ora, quando assim
é, nenhuma polaridade pode, obviamente, dominar a outra. Como o
Universo da Sombra se baseava — e se baseia ainda — no domínio de
uma das partes sobre a outra, é evidente que a outra parte tinha de ser
diminuída, se não mesmo eliminada. É óbvio que o Senhor da Som-
bra não pode eliminar uma parte dele mesmo, a sua parte feminina;
só pode subjugá-la, mantê-la em segundo lugar, digamos assim. Mas
teve a veleidade de julgar que, através da sua política, podia eliminar
o feminino deste Universo, que pretendia dominar através do seu pivô
— o planeta Terra.
Os historiadores podem enumerar muitas razões que justifiquem
a aversão que algumas Igrejas demonstram pelo feminino96. Mas, de
facto, a origem é muito mais antiga. Portanto, não pensem que os servi-
dores da Sombra neste Universo foram só homens; mulheres também.
Nesse tempo, tal como hoje. E Salomé cumpriu esse papel muito bem,
através de um ardil. João não se defendeu, porque já sabia que essa seria

96 E também pela sexualidade, decerto para, entre outras razões, evitar a propagação dos genes
de Sara, que não lhe convinham, como agora sabemos.

157
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

a linha que Jesus viria trazer. Assim, não é apenas uma questão de ca-
rácter afectivo, de romance mal vivido, de domínio ou de capricho de
mulher; isso é, digamos, o proscénio da coisa.
Esmeralda — Posso fazer outra pergunta?
Sananda (por Vitorino) — Sim.
Esmeralda — Gostaria de saber se há alguma verdade em os Templários
terem encontrado um culto relacionado com João Baptista e do qual foram
seguidores. Ou isso é apenas mais um mito sobre eles?
Sananda (por Vitorino) — Os Templários, como está muito bem
documentado, sempre foram um grupo que seguiu uma regra muito
estrita. Nesse aspecto, embora o código não fosse o mesmo, aproxima-
vam-se bastante da posição inflexível de João Baptista. E decerto viram
nele um exemplo a seguir. A função que levou à criação dos Templários
era a defesa dos peregrinos — os masculinos e os femininos — no seu
caminho para a Terra Santa. Eles estavam, pois, ao serviço de Jesus, mas
não manifestavam a flexibilidade que Jesus mostrou enquanto esteve
no planeta. Radicalizaram um pouco, ao jeito da época, em função dos
valores vigentes nessa altura.
Assim, quase que se poderia dizer, talvez com um pouco de exagero,
que havia um certo fundamentalismo. O seu código de conduta, ou o
de quaisquer outras ordens — e havia muitas — era bastante rígido.
Portanto, é natural que, sem atraiçoarem a figura de Jesus, tenham visto
em João Baptista um símbolo de firmeza e irredutibilidade que pode-
riam ter como referência. De qualquer forma, tinham Jesus acima de
qualquer outra coisa, sem dúvida nenhuma. Eles eram militares, eram
cavaleiros, eram guerreiros. Ora, os militares, de todos os tempos, nun-
ca primaram pela flexibilidade.
(Isto não é, obviamente, uma crítica; é a constatação de um facto.
Desde sempre, os militares estão sujeitos a uma organização hierár-
quica de ordens a cumprir, o que não lhes deixa muita margem para
interpretar as ordens recebidas. Este tipo de organização tem de as-

158
Terra — O Jardim de Lúcifer

sentar, naturalmente, numa plataforma de irredutibilidade e de infle-


xibilidade, se não a instituição não funciona. É perfeitamente natural
e compreensível.)
Os próprios grupos que a Igreja considerou heréticos, estavam nas
mesmas circunstâncias, embora não fossem guerreiros, cavaleiros, com-
batentes, cruzados ou como lhes queiram chamar; eram seres comuns,
do povo, que criaram o seu próprio código. Muitas vezes, os códigos
de alguns grupos divergiam uns dos outros em questões de pormenor.
Essa, porém, era a mentalidade da época. Exactamente porque eram
irredutíveis, teimosos, incontornáveis, inflexíveis e incorruptíveis é que
a Igreja Católica Romana, nessa altura, em nome da purificação da fé,
tratou de os aniquilar. A eles e, sempre que possível, aos seus registos,
para que não restassem quaisquer vestígios da sua passagem pela Terra.
A Igreja certamente que não se daria ao trabalho de os eliminar se eles
não tivessem a força suficiente para pôr o Dogma em causa.
Para concluir, todas essas figuras que vão desde João Baptista, e ou-
tros anteriores a ele, até aos grupos posteriores, ditos heréticos, não têm
de ser vistos de uma forma negativa, mas antes como seres humanos
de princípios, que acreditavam na sua crença. Cada qual à sua maneira
— e essa era a sua intenção — procuraram manter a chama o mais pura
possível. Nem sempre o conseguiram e, por vezes, foram eles mesmos
que, sem se aperceberem e com as melhores intenções, contaminaram
a mensagem primordial. E como é sempre a intenção que conta, todos
têm de ser vistos e entendidos como a primeira linha de resistência à po-
lítica da Sombra — Mr. Shadow, como este canal gosta de lhe chamar.
Alguma pergunta?
Esmeralda — Não, obrigada.
Sananda (por Vitorino) — Então, por agora é tudo. Muito obrigado

159
.
OS CANAIS RECEPTORES

Vamos fazer, através de vocês, um trabalho diferente


que nunca foi feito na Terra. Nada do que já aconteceu
no planeta se pode igualar ao que vai acontecer. Será
uma realidade, garanto-vos. Os lugares e os corações por
onde eu passar nunca mais serão os mesmos. Nada fica-
rá como dantes.
Lúcifer

A história de Esmeralda Rios

Que trabalheira que tu dás, com essa personalidade


teimosa, «carneira», cheia de dúvidas! E, no entanto,
tão doce, firme, divina…
Yasmin

Em 2001 tive o meu primeiro contacto, consciente, com a realidade


interdimensional: estava a fazer o jantar, sozinha na cozinha, e a ver o
noticiário na TV, como era meu costume na época. As imagens de um
grande cataclismo entraram dentro do meu espaço e de imediato fui
tomada por um desespero que nunca tinha sentido. A sensação de que o
planeta não tinha escolha, que a minha vida não tinha sentido e que era
preferível desistir, preencheu-me completamente. No mesmo instante,

161
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

senti uma mão dentro do meu coração, como a afagá-lo, dizendo: «cal-
ma», enquanto uma onda de amor me inundava o peito. Nunca tinha
sentido nada assim e fiquei com a certeza, como nunca antes na vida,
que valia a pena estar na Terra. Essa certeza nunca mais me abandonou.
A partir dessa experiência tão real, começou a nascer dentro de mim um
desejo de mudar, de fazer algo pela vida.
Em 2002 comecei a ter sonhos que me deixaram uma impressão
muito real. Se até ali sonhava de uma forma esporádica, tendo algu-
mas vezes a sensação de déjà vu, a partir dessa altura tudo mudou e as
minhas vivências nocturnas começaram, aos poucos, a ter tanta impor-
tância como as diurnas. Um dia, ao contar um sonho a uma amiga, ela
alertou-me para o facto de eu estar a receber «informação codificada»,
que poderia ser muito importante. No início, não liguei nenhuma àqui-
lo, mas, quando os sonhos começaram a mexer comigo, deixando-me
acordada a meio da noite, tive que passar a considerá-los de outra ma-
neira e começar o meu estudo.
Três sonhos inauguraram a minha nova etapa de vida:
No primeiro, estou numa grande montanha verdejante e aproximo-
me de um círculo de pessoas, em que sou convidada a entrar. Algumas
não me parecem completamente humanas. Percebo que aquele grupo é
muito importante. Um ser muito alto, com um cabelo entre o branco
e o louro, vestido com uma túnica branca, translúcida, convida-me a
entrar para o círculo. Eu sinto que não sou digna de o fazer, mas ele
nem me deixa recusar. Pega-me na mão e «voa» comigo por cima da
montanha. Paramos num imenso vale imerso na noite, e deparo-me
com uma visão arrepiante: um imenso grupo de humanos, dos quais
me parece que conheço alguns, caminha em direcção a nada. Transpor-
tam um peso enorme, movem-se com dificuldade como se fossem um
grande rebanho. O ser diz: «Isto, agora, já não te diz respeito, a tua vida
é outra!» Quase me sinto culpada por os deixar para trás, por não par-
ticipar naquela marcha. Um dos elementos do grupo, que eu conheço,
reconhece-me e pergunta: «O que é que tu estás aqui a fazer?» Percebo,

162
Terra — O Jardim de Lúcifer

através da pergunta, que não posso descer para me juntar a eles. Deixo-
-me conduzir até ao círculo e aceito integrá-lo.
Este sonho inaugura, realmente, uma nova etapa da minha vida.
Muitos meses se passaram até ter, novamente, outro contacto.
No segundo sonho, uma roda gigante flamejante (fazendo lembrar
os rolamentos com que se faziam os carrinhos de brincar de madei-
ra), de múltiplas cores, paira sobre a minha cabeça. Dentro da roda
nota-se movimento, como se contivesse outros círculos que giravam
em movimento contrário. Da sua superfície saem labaredas de todas
as cores, oscilando entre o vermelho e o laranja, mas espelhando múl-
tiplos cambiantes. A roda «pediu» para entrar em contacto comigo e,
antes que eu tivesse tempo de dizer que não, posicionou-se por cima
de mim, pairando sobre a minha cabeça, tendo-me no seu centro.
Lembro-me do arrepio que senti quando vi aquela enormidade descer,
ao mesmo tempo que pensava: «Que horror, vai entrar por mim den-
tro e eu não posso voltar para trás!» Restou a memória, ao acordar, de
ter sido envolvida pelo seu centro, enquanto sentia que alguma coisa
tinha acordado em mim.
No terceiro sonho (que ocorreu logo a seguir ao segundo) estou
suspensa sobre um altar. Consigo ver tudo o que me rodeia. Estou num
grande edifício, que lembra as construções sul-americanas dos primei-
ros povos ameríndeos. Tenho a percepção de estar num templo Maia,
num plano muito elevado, suspensa no ar. Alguém se aproxima de mim.
Ouço dizer com toda a firmeza: «Este é um novo CD.» E enquanto a
voz fala, sinto o «CD» a ser colocado no coração.
Depois de analisar bem o sonho, deduzi que tinha recebido uma
nova programação.
Enquanto o tempo corria com tranquilidade, enquanto estava ocu-
pada com a minha tarefa como professora numa pequena escola se-
cundária e enquanto a minha filha fazia a sua adaptação à escola do
primeiro ciclo, onde entrara pela primeira vez, aproximou-se a hora de
uma viagem ao México, há muito programada. Fomos os três (eu, o

163
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

meu ex-marido e a minha filha), em Outubro de 2001, logo a seguir ao


«11 de Setembro», em Nova Iorque, quando as agências de viagem re-
gistavam a maior queda de sempre, devido ao atentado. Foi um tempo
de abertura e só mais tarde pude perceber o impacto daquela visita no
meu plano de vida. Visitei lugares sagrados com a minha família de
então, desconhecendo ainda a teia cármica que nos ligava àquele lugar.
Só três anos depois me foi passada essa informação, através de uma ca-
nalização de Yasmin, antecedida por um sonho, bastante esclarecedor.
Em Novembro do mesmo ano (2001), alguém me marcou uma
consulta para um astrólogo, no Porto. Dividida entre a curiosidade
imensa que uma consulta deste tipo despertava em mim e a noção de
inutilidade da mesma, lá fui, entre contrariada e curiosa.
Vitorino de Sousa era o nome desse astrólogo, que, através de um
grupo de amigos, acabara de iniciar um ciclo de trabalhos naquela cida-
de. Lembro-me de ter entrado na sala de atendimento e, de imediato,
ter surgido dentro de mim a frase: «Ah! Estás aqui!» Mas este reconhe-
cimento da pessoa que estava à minha frente, não me trouxe memórias
agradáveis ou desagradáveis; apenas percebi que já conhecia aquele ho-
mem há muito tempo, o que me deixou curiosíssima.
A consulta decorreu normalmente, com a análise do meu mapa de
nascimento e a sua explicação, tendo eu tomado consciência, naquele
momento, das mudanças que se iam iniciar na minha vida. Tive a
noção que, aquilo que eu desde sempre sentira e nunca conseguira
expressar, podia vir a ser uma realidade. O contacto com aquele as-
trólogo manteve-se através da recepção da newsletter «Pomba Verde»,
através da qual ia acompanhando, de quando em quando, a informa-
ção que ele dispensava.
Daí a ler os livros do Kryon, foi um pequeno salto.97 Estes livros
representaram uma mudança real ao nível da minha personalidade,

97 Alguns destes livros estão publicados em Portugal pela editora Estrela Polar; os restantes
estão disponíveis, para descarregamento livre, no botão «Kryon» (ligação para Lee Carroll)
de www.velatropa.com.

164
Terra — O Jardim de Lúcifer

um contacto com outra realidade. Para os ler tive que vencer uma
resistência imensa! Lembro-me de ficar zangada com a informação ali
veiculada, de ter que parar, dizendo a mim própria: «Isto não pode
ser assim!»… enquanto, cá dentro, tudo fazia sentido! Era como se
a minha parte interna, conhecendo o meu mau feitio e a minha ne-
cessidade de contrariar tudo, se enchesse de paciência, sabendo que
acabaria por aceitar o que lera.
O ritmo dos sonhos acelerou-se, então. Uma catadupa de infor-
mação veio ter comigo, nessa época. Como eu não sabia o que se pas-
sava, e durante muito tempo não soube, tentei encontrar alguém que
me explicasse a informação recebida, que não conseguia compreender.
Entretanto, em Junho do ano anterior (2003) fui ao Rio de Ja-
neiro, Brasil, acompanhando o meu marido de então, numa viagem
organizada pela instituição onde ele trabalhava. Alguns dos sonhos
mais importantes para o processo que agora experimento, foram re-
cebidos nessa época. É nessa cidade que, confusamente, me aparece
pela primeira vez a frase. «Hasmin… ela é a Yasmin da Terra… Um
segredo com 2000 anos.»98
Realmente, uns tempos depois, Yasmin ditou-me o seguinte:
«Eu estou contigo porque sempre estive dentro de ti. Tu perten-
ces-me, sabes disso. Achas que não, não acreditas, mas sempre fizeste
parte de mim. Eu sempre estive em ti, mesmo quando andavas por
outros caminhos, mesmo quando, diante do Vitorino, na primeira e na
segunda consulta no Porto, sentiste o meu nome a bater dentro do teu
coração. Ficaste muito aflita, principalmente depois daquele sonho com
o meu nome. Eu já aí estava a dizer-te, mas tu nunca acreditaste. Foi

98 A propósito do «segredo de 2000 anos», releia, no capítulo 1, o texto de 7 de Agosto de


2007. Por «coincidência», e sem saber desta viagem, Vitorino de Sousa, nesses mesmíssimos
dias, estava em Santos, onde recebeu, de Shtareer, através de Rodrigo Romo, a iniciação
de «Acoplamento ao Grupo Kryon» onde Yasmin surge como seu «complemento divino»!
A transcrição desta iniciação, que tanto furor gerou, depois de ter sido divulgada no vela-
tropa.com, está publicada no livro LIGANDO A LUZ, da editora Angelorum Novalis, onde
se alinham as primeiras canalizações de Kryon que este canal recebeu após aquela iniciação.

165
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

uma grande preparação! Tu és muito teimosa e insegura, mas é algo que


diariamente vais vencendo. Percebe bem que eu estou contigo, dentro
de ti. Faço parte de ti, das tuas células, da tua genética, do teu ser nas
tuas dimensões ascensionadas. Pertences-me. És parte de mim, torno a
dizer-te. Saíste de mim.»
Tudo isto despertava-me uma inquietação permanente, um sentido
de procura e de estranheza face ao que se estava a passar. Para além
disso, os sonhos não registavam só informação, também trabalhavam
as minhas emoções, deixando-me perante situações reais, concretas, em
que tinha que fazer escolhas. Foi aí que comecei a perceber que es-
colhia sempre com o coração, mesmo nas coisas mais contraditórias.
E refilava sempre! Às vezes, acordava cansada, farta daquilo tudo, de me
colocarem em situações difíceis em que o meu ego estalava e refilava,
fazendo-me sentir as minhas fragilidades e a força dos meus desejos. Em
alguns momentos acordei exausta e pensei que aquilo não tinha senti-
do. O meu problema é que algo dentro de mim dizia que tinha sentido!
Quando o meu cansaço se acumulou ao ponto de pensar que tudo era
uma alienação, pensei em desfazer-me dos registos escritos dos sonhos.
Entretanto, no site do Vitorino de Sousa, em pleno Verão de 2003,
vi a transcrição da sua iniciação, feita por Rodrigo Romo, no Brasil.
Como se referenciava o nome com que eu tinha sonhado, enviei-lhe o
meu sonho sobre Yasmin. A resposta não tardou em chegar: «Folgo que
tenha sonhado com o meu complemento divino.»99
Absolutamente perdida, sem compreender nada do que estava a
acontecer, resolvi encerrar a questão por ali, porque o esforço em des-
codificar os sonhos era demasiado e porque comecei a achar que estava
realmente insana. A única coisa que podia dizer dos meus sonhos é que,
muitas vezes, eram premonitórios relativamente ao dia-a-dia. E arrumei
a questão por aqui. Continuei a fazer o registo dos sonhos porque, pura
e simplesmente, não conseguia deixar de o fazer. A informação recebida

99 Reconheço agora que poderia ter sido um pouco menos seco!

166
Terra — O Jardim de Lúcifer

era muito diversa, mas continuava a chegar alguma altamente codifi-


cada e extraordinariamente simbólica. No entanto, a partir daí passei a
fazer o seu registo como defesa, mas sem tentar descodificá-los.

No final de Agosto do mesmo ano (2003), durante as férias, en-


quanto, descontraidamente, lia um dos livros Kryon, ouço uma voz
doce e suave, junto ao meu ouvido direito.
Os restantes dias foram vividos num desassossego, comigo a tentar
estabelecer contacto e a não conseguir nada. Até que acalmei e resolvi
apurar, realmente, o que se estava a passar. Deixei passar algum tem-
po sobre o ocorrido e comecei a meditar, só estabelecendo o contacto
depois da meditação. Comecei a escrever a informação recebida, que
acabou por ir parar ao caixote do lixo, quando, alguns meses mais tarde,
acometida por um acesso de fúria e desencanto com o Espírito, resol-
vendo encerrar para sempre essa ligação.
Com o passar do tempo fui estabelecendo contactos regulares com
a energia Kryon e, quando dei por mim, estava a canalizar, por escrito,
muita informação que agora se repete.

Em Outubro (2003) sou levada a marcar uma nova consulta com o


Vitorino, através de um conselho que me era dado pelo contacto com
a Energia. Uns dias antes, porém, enviei-lhe os meus sonhos, para ver
se ele podia explicar-me o que eu estava a receber ou que direcção de-
veria tomar. Ele referiu-se sumariamente aos sonhos, mas também não
conseguiu perceber o que estava a acontecer. Disse-me, contudo, que
eu, certamente, acabaria por perceber tanta simbologia. Essa informa-
ção falava-me com muita ternura e descia a pormenores muito práticos
da minha vida. Apesar de ter uma confiança extrema no Espírito, não
tinha nenhuma em mim e pensava que metade daquilo era produto da
minha imaginação, uma projecção dos meus desejos. Vigiava-me cons-
tantemente quanto a isso. Nem me atrevia a mostrar nada a ninguém,
pois já bastava falar dos meus sonhos, que, para além de premonitórios,
eram muito mais insanos do que qualquer um dos meus desejos!

167
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Tomada de uma insegurança extrema, lá fui para essa consulta. As-


sim que começou a conversa, senti que saltava um nome do meu pei-
to, repetidamente: «Yasmin… Yasmin… Yasmin…» Pensei ser a voz
da alienação ou da sugestão. Mas era tão forte que quase parecia que se
podia ouvir cá fora. Instalou-se dentro de mim uma comoção profun-
da, um reconhecimento muito maior do que tinha havido na primeira
consulta. Fiquei bastante baralhada com tudo aquilo, não percebendo
a razão do «empurrão» que me tinham dado para ir à consulta, pois em
nada me ajudava a resolver os problemas da minha vida pessoal! Pois!
A minha consciência ainda não tinha percebido que o problema, seja
ele qual for, está dentro, em nós! Isto é dito sem nenhum sentido de
culpa, esse sentimento que nos pesa e tolhe, prensando a auto-estima e
deixando que os nossos mecanismos de controlo nos inflijam múltiplos
sofrimentos. Quanto tormento há nessa busca, no querer fazer as coi-
sas bem, no não querer magoar os outros, no querer decidir o melhor
para todos! Mas… e se passássemos a ser verdadeiros connosco dizendo
simplesmente: «Eu já não quero isto!» Uma vez que os outros podem
continuar a pensar da mesma forma eternamente, cabe-nos a nós im-
pedir que a nossa forma de pensar, sentir e agir também se mantenha
eternamente. Era disso que se tratava, só que eu ainda não sabia!
Continuando: saí da consulta sabendo que alguma coisa se passa-
va com aquele homem e que estava relacionado com os meus sonhos.
Quando cheguei a casa, lembro-me de ter pedido (em canalização) que
me explicassem o que estava a acontecer, mas apenas surgiu uma frase,
que se repetiu ao longo de muitos meses, até eu ter cortado o contacto:
«Confia em ti!» Isso era o que eu menos fazia!

Janeiro de 2004 abre um novo capítulo na minha vida: no meio de


uma grande tensão, alugo um apartamento e inicio uma nova vida com
a minha filha, ainda sem estar separada legalmente. Deixo tudo para
trás, conforme me tinha sido sugerido em canalização. Os sonhos, que
tinham abrandado, tornam-se novamente muito presentes, levando-me
a fazer um novo diário de sonhos. Se, por um lado, a minha vida vi-

168
Terra — O Jardim de Lúcifer

rava numa direcção que escondia o porto de chegada, por outro lado,
tornava-se um mundo de tensões extremas, alvo das atenções públicas
da pequena localidade onde vivia. Havia uma enorme expectativa em
mim, surgindo-me constantemente a ideia: «Como já fiz tudo o que
devia fazer, agora vão-me dizer o que se passa!» Nada mais errado. Das
minhas meditações, que resultavam normalmente num diálogo escrito
com o Espírito, saia sempre uma frase, já conhecida: «Confia em ti!»
Eu só tinha uma certeza: os meus sonhos direccionavam-me para
a descoberta da Deusa, do feminino oculto, despojado da sua força.
Quando li o livro O Código Da Vinci percebi que estava num processo
de descoberta enorme como mulher, estava no rasto de um conhe-
cimento antigo, que elevava a mulher à mais sublime condição de
criadora e sustentadora do Universo, completando-se com a energia
masculina. Nunca os meus sonhos se relacionaram tão intimamente
com a realidade: dois dias antes de começar a ler esse livro, comecei
a sonhar com os símbolos do feminino ali divulgados! À medida que
ia lendo, os sonhos anunciavam os capítulos seguintes do que ia ler!
Duas conclusões se impuseram, depois disto: 1) os sonhos eram pre-
monitórios e 2) eu ainda não sabia o que fazer com essa característica,
pois, em termos práticos, não serviam para nada.
A descoberta da mulher como Deusa era algo incontornável, pre-
cioso e poderoso. Senti que devia guardar isso dentro de mim, embora
não soubesse a razão. Fiquei grata ao escritor por me ter alertado para
uma realidade que me passara ao lado até ali, principalmente quanto
ao papel subversivo e manipulador da Igreja Católica, relativamente à
figura da mulher. Claro que se pode dizer, como já ouvi a alguns mem-
bros desta instituição, que a Igreja tem, na Virgem, a elevação máxima
da mulher. Inclino-me perante esta atitude. Pena é que a única mulher
elevada à condição de Deusa, segundo a Igreja e como sinónimo da
sua pureza, teve de conceber virginalmente! Isto leva-nos a perguntar:
Afinal, tudo o que está relacionado com a sexualidade não é, também,
sagrado? Será que Deus criou a reprodução humana como algo sujo?

169
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Haverá alguma coisa mais bonita do que ter a capacidade de criar vida,
à imagem da Fonte? Mas este não é o espaço para entrar nesta polémica
antiga, nem para desmontar este pensamento patriarcal, tão tortuoso
como lesivo da condição feminina.
Apesar de todas estas descobertas, não conseguia encaixar as peças
do quebra-cabeças. Comecei a convencer-me de que tinha uma espécie
de dom que, embora eu achasse que não servia para nada, ajudava-
me a perceber outras perspectivas da realidade em que estava inserida.
E isso já não era mau! Aceitei que estava sem respostas e não sabia o que
havia de fazer. Em meditação, mais uma vez, recebo outra sugestão de ir
consultar o Vitorino de Sousa. Eu tinha adquirido uma resistência mui-
to grande ao contacto com aquele terapeuta, mas, como estava muito
baralhada, aceitei a sugestão. Pela última vez, em muito tempo.
Na consulta houve canalização. A entidade (que não se identificou,
exactamente como acontecia quando eu canalizava) dizia que eu devia
confiar em mim e aceitar entrar em contacto com o Espírito, escreven-
do o que daí resultasse. E acrescentou que eu não devia ficar dependente
de ninguém ou de nenhuma entidade; devia apenas escutar o meu cora-
ção. Senti como se o Espírito me tivesse soltado, senti-me uma criança
a quem os pais largassem a mão, no meio de uma avenida cheia de
trânsito, tendo ela que atravessar a rua sozinha.
O conteúdo deste recado, porém, era, precisamente, o que me estava
a ser dito há muito tempo; só que eu não acreditava que pudesse estar a
canalizar. Foi uma surpresa aquela consulta! Nenhumas respostas, ape-
nas as mesmas sugestões, que eu ouvia quando me dirigia ao Espírito.
As perguntas pessoais e directas, que bailavam no meu espírito, tinham
como resposta invariável: «Confia em ti!» Já não suportava mais ouvir
aquilo! O que eu queria é que me dissessem o que devia fazer, o que era
correcto, para onde devia ir, o que escolher…
Demorei muito tempo a perceber que a única pessoa que detinha
o poder da escolha era eu; o Espírito apenas podia mostrar-me as dife-
rentes alternativas. E fizeram-no com mestria através dos sonhos, para

170
Terra — O Jardim de Lúcifer

além de os utilizarem como via de informação, que confirmaria o que


o futuro me traria. A escolha, porém, era da minha total e completa
responsabilidade.
Então, mergulhada numa insegurança extrema, comecei a colocar
em dúvida toda a informação que recebia. E os contactos tornaram-se
mais escassos. Ao mesmo tempo, devido a múltiplas pressões, entrara
pelo caminho do retrocesso relativamente ao meu casamento. Sabia o
que me tinha custado chegar ali, mas não aguentava aquela sensação
permanente de falha, de estar a proceder erradamente segundo uma
escolha egoísta, não tendo em conta a minha família.

Em Dezembro de 2004 reato a relação marital: uma nova casa, uma


nova oportunidade, um novo começo para todos. Mas uma imensa sen-
sação de frustração e desalento preencheu-me completamente. Abando-
no, engano, desilusão, quimera são alguns dos adjectivos que retratam
o que eu senti, realmente, frente às comunicações que tinha tido com o
Espírito e através dos sonhos. Por descargo de consciência, guardei uma
disquete com alguns dos meus sonhos mais simbólicos; o restante ma-
terial recebido, quer em sonhos, quer em canalizações escritas, foi parar
ao contentor de lixo… num processo que me aliviou imenso, diga-se de
passagem! Depois disso, conversei durante muito tempo com o outro
lado do véu, dizendo-lhes o que sentia e o que pensava. Sem errar mui-
to, foi algo dentro deste género:

«Não aguento mais, não suporto caminhar sem saber para onde
vou! Se vocês querem alguma coisa de mim, tiveram muito tempo para
o dizer. Não tenho nem uma resposta vossa, concreta! Enchem-me de
sonhos fantásticos, com informação, cheios de simbologia, obrigam-me
a estudar e a incomodar toda a gente para perceber o que se passa co-
migo! Continuo sem saber e, mesmo as pessoas que me acompanham,
começam a pensar que tenho alucinações. Para mim chega! Não quero
mais sonhos, nem irrealidades! Acabaram-se as comunicações escritas!
E não quero ver, nunca mais, a figura do Vitorino nos meus sonhos (que

171
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

aparecia constantemente, acompanhado sempre de muita simbologia, o


que me levou a pensar que eu tinha alguma fixação por ele!) Esse capítu-
lo, para mim, está fechado! Sinto-me completamente enganada. Talvez
tenha sido eu que não tive capacidade para ver o que me era dito, mas,
por favor, não me aborreçam mais!»

Este foi o teor da conversa com os nossos Irmãos lá de cima. Mas


como eu estava muito irritada e desiludida com tudo… os termos
utilizados foram bem mais veementes! A partir daí senti uma solidão
profunda, um desencanto enorme e muito pouco me alegrava. A mi-
nha vida ficou absolutamente virada para os aspectos tridimensionais,
e agradeci por ter encontrado um porto seguro onde sabia que estava
tudo bem. Por um momento apenas…
Este não é o lugar indicado para contar como evoluiu a minha rela-
ção, apenas posso dizer que foi um doloroso processo de autodescoberta
ao nível humano, da quebra total das ilusões. Tudo parecia desmoronar
internamente, enquanto eu assegurava a estabilidade à minha filha e
cumpria o meu papel de acordo com todas as normas vigentes, com
todas as regras «sagradas» familiares e sociais. Isto não é uma crítica ao
que está estabelecido, antes pelo contrário; as pessoas podem encontrar-
-se e realizar-se no mesmo cenário onde eu me desintegrei internamente.
Cheguei a pensar que se passava algo de errado comigo, por ser incapaz
de ser feliz num espaço e num tempo em que estavam criadas todas as
condições (familiares, sociais, profissionais) para que tal acontecesse.
Mas tal não acontecia. E cada vez era mais difícil apagar, dentro de
mim, aquele sentimento de inadequação, aquela coisa interna que me
sussurrava outro caminho para além daquele. Mas quem já naufragou,
não viaja, nunca mais, num navio inseguro que possa afundar-se! Ago-
ra, era preciso muito mais do que simples indicações para me fazerem
acreditar no que quer que fosse.
Quase dois anos se passaram, enquanto tudo se agudizava e eu vivia
um profundo sentimento de que estava a perder-me de mim mesma, a
perder a minha identidade mais autêntica, que é o único bem que não

172
Terra — O Jardim de Lúcifer

podemos perder. Lembro-me de, pela primeira vez em muito tempo,


pensar que deveria reflectir, com mais alguém, sobre a minha vivência
ao nível humano e espiritual. Senti que deveria falar com alguém muito
especial, em quem pudesse confiar e que não vivesse fora da realidade.
Teria de ser alguém que me ajudasse a perceber a minha situação. Lem-
bro-me de concluir que não existia ninguém assim, pois eu julgava que
as pessoas ligadas a uma existência espiritual, e com quem se poderia
falar com franqueza, estariam fora da realidade humana, vivendo uma
vida ainda mais problemática do que a minha!

Em Junho de 2006 enquanto esperava para entregar o IRS, vi um


anúncio de alguém que dava consultas de Astrologia, Reiki e Tarot.
Marquei uma consulta, na esperança de descobrir alguma coisa de mim
própria que me ajudaria a perceber todo o processo em que estivera en-
volvida. A primeira consulta durou a tarde inteira, como todas as outras
que se seguiram. Foi uma catarse! Assim que a Clara começou a ler o
meu mapa, muita coisa veio ao de cima. A ligação espiritual, os meus
sonhos, o meu processo… Pela primeira vez, desde há muito tempo,
juntas analisámos os meus sonhos e o que me acontecera. Houve uma
empatia imediata entre as duas, e posso dizer que logo ficámos amigas,
pois partilhávamos o mesmo grau de «irrealidade», como, ainda hoje,
gostamos de dizer. Depois desse encontro, senti que alguma coisa se
soltou dentro de mim. Percebo que fora conduzida pelos sonhos e que
o processo ainda não terminara. Mas, desta vez, não estava disposta a
entregar nada. A Clara fartou-se de brincar comigo e — coisa impor-
tante em qualquer relação entre duas pessoas — compreendeu o que eu
sentia. Não julgou!
A esta consulta seguiu-se outra, de Tarot (eu, que sempre fora con-
tra esse tipo de coisas!) em que a Clara me explicou que não lia o futuro
de ninguém, mas que muitas coisas, ao nível espiritual e humano, se
expressavam através das suas cartas. Cabe-me acrescentar que isso tam-
bém ocorre através da sua aguçada intuição, pois o que esta cara amiga
faz é canalizar informação através das cartas. Nesta segunda consulta,

173
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

em que muita coisa escondida veio ao de cima, apareceu a figura sim-


bólica do Vitorino de Sousa. Concluí logo quem era e informei a Clara
que não desejava falar sobre o assunto. Perante a minha reacção, ela
confessou, muito a medo, que estavam a dizer-lhe que eu deveria falar
com essa pessoa. Mas, como eu dava o assunto por encerrado, não fala-
ria mais sobre esse tema.

Em Setembro (2006) torno a ter um sonho significativo:


Num grande palco, sozinho, encontra-se aquilo que poderia ser
classificado como um pássaro. Como se fosse uma câmara de filmar
fazendo zoom, a visão aproxima-se e deixa-me ver que, à minha frente,
está o Vitorino, vestido apenas com umas asas enormes, escuras, quase
pretas, e uma espécie de elmo de penas.100 O resto do corpo está des-
provido de roupa. Fazem-me sentir o peso das suas asas, como se as
pusessem em cima de mim. São pesadíssimas, para além de enormes.
Percebo que ele carrega um fardo demasiado pesado, mas, na sua ati-
tude, nada indica que esteja a queixar-se; apenas se mostra às pessoas
como é, verdadeiramente.
A segunda parte do sonho passa-se num sítio que deve ser no Brasil
ou a Argentina, pois o Vitorino aparece calçado com umas botas gaú-
chas, olhando para mim, muito interrogativamente.
A terceira parte do sonho passa-se na rua da Imaculada Conceição,
em Viseu. O «olho da câmara» sobe penosamente, pois é uma rua mui-
to íngreme, até chegar ao cimo, onde se situa a chamada Igreja Nova.
Só que, na minha visão, a igreja tem outro aspecto: é feita de vidro, com
uma estrutura de metal, daquelas que se podem desmontar facilmente.
Mas eu não consigo ver lá para dentro, pois o vidro esverdeado e meio
fosco não o permite. O sonho acaba com uma frase escrita, como se
fosse um grande ecrã: «Igreja Nova».
Está claro que não percebi nada daquilo. Mas as muitas interro-
gações que desencadeou, levou-me a procurar informações no site do

100 Agora já se pode dizer que se tratava do nosso amigo Lúcifer — o Príncipe Negro.

174
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino. Apercebi-me, então, que ele andava a canalizar Lúcifer, o que


me espantou. Ouvi atentamente os registos da canalização e percebi
que tinha uma resistência imensa à simples pronunciação aquele nome.
Pela primeira vez, compreendi que tinha preconceitos ao nível espiritual
e que um deles tinha a ver com a palavra «Lúcifer». Para além disso,
apercebi-me que o Vitorino tinha agendada uma viagem à Argentina.101
Mais uma vez, os sonhos serviam-se da realidade tridimensional, assi-
nalando o tempo que corre, lembrando o Livro Cinco de Kryon102, em
que o humano Michael Thomas transporta um mapa — praticamente
em branco! — onde apenas um círculo vermelho assinala o ponto do
caminho onde se encontra. Quantas vezes, os meus sonhos assinalaram
os pontos do mapa do meu caminho!
Marquei nova consulta com a Clara e conversámos longamente so-
bre o sonho. Disse-me que, em relação à palavra «Lúcifer» também ela
tinha a mesma resistência, mas que é normal devido ao contexto reli-
gioso com que fomos educados. Falou-me no facto de se saber, hoje,
que Lúcifer não é o responsável pela «queda dos homens» e que a figura
responsável pela introdução do arquetípico do mal, no planeta, é Satã, o
Senhor da Sombra.103 Informou-me, também, que uma energia femini-
na estava a tentar contactar comigo e que eu deveria passar a estar atenta
aos sonhos. Denunciou que essa energia feminina estava acompanha-
da por outra, muito forte, mas que não conseguia perceber quem era.

Em fins de Outubro comprei o livro de Yasmin, A Deusa Mãe, de


Vitorino de Sousa104. Li-o em dois dias. Quase no final, compreendi
o que se passava comigo. Naquele momento, deixou de me interessar
se o meu processo fora difícil ou fácil, se tinha entendido ou não, se o
Espírito fora correcto comigo ou não. Tudo isso deixou de me interes-
sar! Só sabia que aquela era a minha ligação… e para sempre! Não me

101 Novembro de 2006.


102 A VIAGEM PARA CASA, um dos livros de Kryon publicados pela editora Estrela Polar.
103 Mr. Shadow!
104 Editora Anjo Dourado — www.anjo-dourado.com.

175
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

interessava se o mundo girava para um lado ou para o outro, se havia


convulsões, se a paz regressaria. Aquela era a minha ligação. Senti que
me devia entregar à Deusa… e entreguei-me! Sem reservas. Sem querer
explicações. Apenas fiquei a saber que ela me esperava e que o nosso
encontro me proporcionava um bem-estar total. A minha entrega era
inevitável, irremediável e obrigatória. Impunha-se! Senti que lhe per-
tencia e que nada era mais importante na minha vida (a não ser a minha
filha, claro!) Era incontornável. Não aguentei sentir o seu Amor. Senti
que não tinha escolha e que encontrara o meu link! Pela primeira vez,
em muito tempo, descansei.
Foi um momento muito bonito, pois senti que me tinha reencon-
trado comigo e com a vida. A casa onde morava, na época, encheu-se de
um perfume maravilhoso e inebriante, e a minha filha não saiu de junto
de mim, nem por um momento; quase não me deixou acabar de ler o
livro. A partir desse momento, os contactos entre mim e Yasmin torna-
ram-se diários. De dentro de mim tinha desaparecido aquela incerteza,
aquela antiga dúvida medrosa que punha em causa tudo o que escutava
interiormente. Como parti do princípio que não ia mostrar a ninguém
o que recebia, fiquei à vontade para falar com aquela doce energia. Abri-
-me à experiência! Yasmin começou docemente, sem falar do passado,
e eu também não perguntei. Disse-me que me esperava há muito, que
tivera muita paciência e que, para me levar até ela, fora necessário um
trabalho muito lento. Durante uma semana, depois de termos inicia-
do o contacto, todos os dias me perguntava se eu confirmava a minha
entrega. Depois, continuou, informando-me que eu lhe correspondia:
«Expresso-me através de ti porque tu és a humana que me vai expres-
sar no futuro, em público. E porquê? Se não entendeste ainda, temos que
ter muita paciência. És muito teimosa. Tens que ter a explicação toda, ir
ao fundo da coisa, mas é algo que ainda não podes compreender na tota-
lidade. Não to vou dizer. A seu tempo, minha querida, terás a explicação
completa. Tu correspondes-me porque tu és eu na Terra. Mas custa-te a
aceitar isto. Lembra-te: sempre que falares, serás não só a mulher, mas

176
Terra — O Jardim de Lúcifer

também a Deusa. Sempre. É o que tu és e nunca mais deixarás de ser.


Entregaste-te completamente, o que permitiu que eu esteja dentro de ti
— a deusa na Terra. Nunca te esqueças disto em nenhuma situação. Não
te achas digna de me expressares? Nasceste para isso! Não preciso de te
dizer que toda esta informação deve ser passada ao Vitorino. Não refiles.
Vá lá, doçura, (escreve, anda!), aceita as coisas como te são dadas. Tens
que dominar este espírito rebelde, que te faz insurgir contra o que achas
ser menos próprio para ti. Minha querida, entregaste-me o comando da
tua vida e eu sei que ficas em paz com isso; logo, desprograma-te dessas
atitudes. Vieste à Terra expressar a minha energia. Tu e eu não somos um,
mas tu és uma parte de mim. Estou dividida em várias partes e só serei
una, aos olhos da Terra, quando todas as minhas partes se juntarem. Duas
delas prestam serviço na Terra, duas partes minhas que se encontraram e
aceitaram amar-se. Era quase impossível não acontecer, mas ambas pedi-
ram que acontecesse, se essa fosse a Resposta Dourada. Pois bem, a vossa
Resposta Dourada chegou. Mas, agora, precisam de agir em conformida-
de. Vocês os dois vão trabalhar com a energia do feminino e masculino.
O vosso relacionamento é dourado, se assim o permitirem, e se aceitarem
expressar a minha energia.»
Aí já foi pior porque voltaram as velhas inseguranças, pois eu não
conseguia acreditar. Com muita firmeza, todos os dias mo confirmava,
dizendo que, um dia, eu deixaria de duvidar.
Num desses contactos falou-me do Vitorino. Usei sempre de muita
franqueza com ela, de uma abertura que nunca tinha tido com nin-
guém; a transparência que eu tinha para comigo comecei a ter com ela.
Pediu-me que o contactasse, pois iria compreender o sentido de muito
do que tinha vivido anteriormente. Pediu-me, ainda, que marcasse uma
nova consulta com a Clara, pois tinha informações para me dar e sabia
que eu só acreditaria nelas quando as ouvisse da boca de outra pessoa.
Acrescentou que, através do meu trabalho com o Vitorino, se ia abrir
um novo portal de energia no planeta, mas que só daria mais explica-
ções quando estivéssemos juntos.

177
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

E lá fui eu, novamente, conversar com a Clara! Já não estava a


gostar nada do andamento do processo, mas queria saber o que se
passava. Para além disso, tinha a percepção de que a minha entrega
tinha sido o que de mais importante fizera em toda a vida. Portanto,
era para seguir as indicações.
Esta consulta com a minha querida amiga foi extraordinária! Clara
confirmou as informações de Yasmin, sem as conhecer, e disse-me que
via um trabalho com o Vitorino que ia ser muito importante, que
mexeria com as estruturas de muitas instituições avalizadas no plane-
ta. (Aí fiquei um pouco assustada!) Disse-me que nós íamos canalizar
uma nova energia para a Terra, mas que não conseguia explicar bem
o que era. Também estavam a mostrar-lhe a existência de outra enti-
dade, ao nível superior, que ia trabalhar connosco. Mas «não se quer
mostrar!», dizia ela, repetidamente.
Tudo isto me pareceu muito irreal, mas senti que estavam a indi-
car-me um caminho. Pela primeira vez na minha vida, estava a obter
respostas às minhas interrogações.
Também me foram dadas informações muito concretas ao nível pes-
soal, quando da consulta da Clara e contactei com Yasmin:

«Yasmin (por Esmeralda) — Querida, está na hora da confiança


total no Espírito e, ainda mais em mim, que estou em ti! Eu sou tu,
completamente, na condição humana, embora o que sobre de mim viva
noutros planos e noutras dimensões e embora eu tenha outra parte que
te corresponde por inteiro, ao serviço no planeta. O que mais que-
res? Querias explicações, confirmações, protecção… Dei-te isso tudo.
A nossa ligação vai tornar-se cada vez mais forte. Ainda não pude an-
corar completamente em ti, porque o teu corpo precisa de elevar a sua
vibração. Antes disso, não poderei revelar-me em ti. Até agora, mesmo
nos episódios mais marcantes da tua infância, apenas te podia envolver
e, às vezes, tocar-te o coração. Mas sempre estive lá. Essa personalidade
humana, com que evoluíste, sempre foi tocada por mim. Esse é o teu
valor inestimável. Nunca fechaste o canal. Foi sempre possível tocar-te.

178
Terra — O Jardim de Lúcifer

Magoavas-te e assustavas-te com tão pouco, porque mantinhas o canal


aberto e percepcionavas com uma sensibilidade diferente.
Esmeralda — Desculpa, eu sei que posso ser bruta, mas estamos a
perder tempo!
Yasmin (por Esmeralda) — Nem penses nisso! Estou a ensinar-te
sobre ti, para que — nunca mais — ninguém te diminua, linda. O que
tu possuis é único. És muito transparente, querida. Quando algo te
desagrada, não consegues esconder. Verdadeiramente índigo! As pessoas
pensam que és muito controlada, no entanto, és uma ebulição cons-
tante. Mas estás mais serena… evoluíste muito. Não notas? Expressas
cada vez mais a tua sabedoria interna, o Amor que está em ti, ou seja,
eu! Por isso, é possível fazer esta ligação ao teu outro eu na Terra, por
muito que duvides.
Esmeralda — Eu não duvido. Não é isso, mas sou humana!
Yasmin (por Esmeralda) — Não refiles! O vosso trabalho é funda-
mental e vai revestir-se de uma importância extrema para a vida dos
homens na Terra. Podes acreditar.»

Ela fez-me vários pedidos. Conversando longamente comigo, pediu


para, em nenhuma circunstância, tratar o Vitorino com rudeza — o
que, atendendo à minha personalidade, era bem possível, se as coisas
não me agradassem. Devia ter toda a paciência com ele, respondendo
às perguntas que me fizesse, mesmo se fossem de índole pessoal. Subli-
nhou que eu não tinha ideia da importância dessa conversa. Quando
lhe perguntei como é que essa conversa ia acontecer — já que, como
não voltara a vê-lo, não fazia tenção de o procurar — fez-me o segundo
pedido: que telefonasse ao Vitorino!

(Devo dizer que, à medida que Yasmin me pedia as coisas, eu dizia


que sim; não conseguia negar-lhas. Ela reiterava que o Espírito me acom-
panhava e que nunca mais me sentiria sozinha, confusa ou enganada.
Estava ali para me acompanhar e, juntamente com ela, muitos mais.)

179
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Após meia hora de conversações, acordámos que eu lhe deixaria


uma mensagem de voz no telemóvel. Foi o que fiz… e a resposta não
se fez esperar! A custo, lá lhe expliquei que Yasmin tinha contactado
comigo numa canalização — ia morrendo ao dizer isto, pois parecia
daquelas coisas de filme ou de alucinação new age — dizendo que ti-
nha informações para nos dar sobre um novo portal de energia, mas só
quando estivéssemos juntos… embora eu não entendesse muito bem o
que isto queria dizer.
O Vitorino fez-me imensas perguntas, às quais respondi como
pude. Ficou então combinado que conversaríamos no Encontro Kryon,
já que ele tinha de se deslocar ao Porto, em Janeiro. Como estávamos no
início de Dezembro, fiquei tranquila.105 Mas Yasmin não estava! No dia
seguinte fez-me outro pedido: «Envia um e-mail ao Vitorino contando,
resumidamente, o que está a acontecer contigo e como tem evoluído a
tua vida nos últimos anos.»
Depois de muita conversa, aceitei o pedido com a condição de que
ela não voltaria a pedir-me fosse o que fosse relativamente ao assunto.
Nem mais uma chamada, nem mais uma história, nada! Parecia que
andava atrás do homem e aquilo já me estava a incomodar!
Enviei o e-mail e, mais uma vez, a resposta não tardou. Mas, em
vez de responder ao meu e-mail, o Vitorino telefonou-me a dizer que
aquilo não era tema para ser tratado por e-mail e que estava na disposi-
ção de subir a Aveiro para conversarmos sobre o assunto.106 E foi o que
aconteceu. Passeámos, almoçámos e conversámos, amenamente, sobre
o assunto. A partir daí, estabeleceu-se um contacto que se tornou muito
próximo. Cada vez mais próximo.
Yasmin começou a pedir-me para eu enviar as minhas canalizações
por escrito ao Vitorino. Desta vez, recusei. Então, pediu-me que en-

105 Este encontro acabou por não ocorrer porque, à última hora, questões familiares impedi-
ram-na de se deslocar ao Porto.
106 Vitorino: lembro-me de, depois de ter desligado o telefone, pensar: «O que é que tu estás

a fazer, Vitorino? Estás parvo ou quê? Vais fazer 300 km para falar com uma criatura que
praticamente não conheces?»

180
Terra — O Jardim de Lúcifer

viasse o que me ditava. Comecei a fazê-lo, mas custou muito, na altura,


pois a insegurança era enorme. Num determinado momento, senti-me
tão insegura com o que estava a receber que pedi a Yasmin para falar
directamente com o Vitorino para lhe confirmar a informação que eu
lhe enviava, por e-mail, com regularidade.107 Disse-me que isso só seria
possível quando ele abrisse uma oportunidade ao Espírito, já que esta-
va sempre ocupado. Isso só veio a acontecer, passado bastante tempo,
quando, um dia, o seu computador e a sua televisão avariaram ao mes-
mo tempo, não tendo ele outro remédio senão dispor-se a estabelecer
comunicação.108 Essa situação fez-me sentir muito mais segura acerca
de tudo quanto canalizava.
Entretanto, Yasmin tinha-me proposto que acompanhasse o Vitori-
no na sua nova viagem ao Brasil, em Abril. Comecei por achar impos-
sível, dados os afazeres profissionais e a vida familiar. Mas ela insistiu,
garantindo-me a segurança do Espírito. Esta viagem acabou por aconte-
cer, revelando-se extraordinariamente importante para o início de uma
nova relação que comporta diferentes níveis de parceria:

«Lúcifer (por Esmeralda) — És muito honesta, querida. Peço-te que


envies ao Vitorino o que vamos conversar:
Minha querida Yasmin da Terra, é com puro Amor que olho para
esta etapa da tua nova vida. Não tenhas medo. Sei que estás receosa do
passo que vais dar, por deixares a escola e por ficares «entregue» ao Vi-
torino, por deixares o controlo da tua vida… Não é assim? Tens medo
que ele se canse de viver contigo, não é verdade?

107 Muita dessa informação está contida no já citado primeiro conjunto de textos, que não
visavam ser publicados neste livro. No entanto, muitos excertos dessas canalizações foram in-
seridos para ilustrar quer as canalizações do primeiro capítulo, quer estas narrativas pessoais.
Uma trabalheira de pesquisa, depois da trabalheira de transcrição, mas mereceu a pena!
108 Vitorino: É verdade! Embora eu tenha começado a canalizar em Junho de 2003, em de-

corrência da já citada iniciação de Rodrigo Romo, a minha canalização em privado, preci-


samente com Yasmin, só ocorreu no dia 1 de Abril de 2007. Esmeralda estava a pedir essa
canalização em privado, em Janeiro!

181
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Esmeralda — É. A minha independência é muito importante para


mim e não quero que ele se sinta preso e obrigado por nada. Esta é uma
decisão muito difícil para mim. E não vou enviar estas palavras!
Lúcifer (por Esmeralda) — E se eu te pedir?
Esmeralda — Não! Sempre pensei que ia ter um tempo de transição.
Mas compreendo que, se vocês o estão a fazer, é porque tem sentido a todos
os níveis.
Lúcifer (por Esmeralda) — Posso falar? Os teus medos relativamen-
te ao Vitorino são infundados. De que tens medo realmente?
Esmeralda — Ele tem um impacto enorme em mim; qualquer coisa
errada com ele iria ferir-me profundamente.
Lúcifer (por Esmeralda) — Minha querida Esmeralda, o Vitorino
nem sabe ainda o quanto te ama. Deixa-o partilhar a sua vida contigo,
partilha as tuas dores com ele. Uma coisa os dois têm de aprender: ser
espiritual não é ser insensível à dor, é aceitá-la como fazendo parte da
vida humana. Acho que deves enviar-lhe estas palavras, querida. Ele sa-
berá que os teus medos são iguais aos dele e perceberá que, de igual for-
ma, estão os dois numa entrega total, mas consciente. Dá ao Vitorino
uma oportunidade para te amar. Mas tu também tens um certo receio
te expandires. És uma ternura, mas guardas as dores dentro de ti; tens
que aprender a partilhá-las. O Vitorino vai amar-te profundamente e
vai adorar cada momento que passar contigo, porque és única e a única
que o fará sentir-se completo. Tu já sentiste isso; ele vai senti-lo agora.
Minha querida, peço-te, envia-lhe esta conversa. Agora deixo-te com
Yasmin. Obrigada pela oportunidade que me deste…»

Durante essa viagem ao Brasil canalizei, pela primeira vez, de viva


voz; melhor dizendo: de viva voz trémula.109 Com o tempo, as canaliza-
ções por voz rapidamente se tornaram mais intensas e eu fui ganhando
confiança. Após ter regressado do Brasil, Yasmin pediu-me que voltasse

109 Releia a transcrição essa primeiras palavras na «Introdução» do primeiro capítulo.

182
Terra — O Jardim de Lúcifer

a consultar a Clara. Sugeriu que, depois de uma tirada única de Tarot,


em que me daria informações precisas para mim e para o Vitorino, de-
veria fazer uma sessão de Reiki, durante a qual ocorreria uma iniciação.
Assim, a Clara viu-se, de repente, numa situação de extrema inseguran-
ça, confessando que não tinha o grau necessário de Reiki para me fazer
a iniciação.110 Só que Yasmin tinha sido peremptória em relação a ser a
Clara a fazer a iniciação. E confirmou-o nas cartas.
A iniciação decorreu num clima de muita emoção, não só pelas
revelações feitas (Yasmin comandou o processo canalizando através de
mim o que a Clara tinha de fazer para cumprir os passos da minha
iniciação, o que foi absolutamente irónico) mas também pelo apareci-
mento de Lúcifer:111

«Yasmin (por Esmeralda) — Esmeralda, queres perguntar à Clara se


ela quer fazer alguma pergunta?
Esmeralda — Queres fazer alguma pergunta?
Clara — Queria que me explicassem como faço para me livrar desses
medos… e para desfazer a imagem ou a crença que, como ser humano,
tenho de Lúcifer, para poder implementar a nova imagem dele. Porque eu
aceito-o — realmente, estou parva como o aceito! Mas, por vezes, sinto que
a energia da imagem que se tem dele aqui na Terra, se mete no meio. Já não
sei o que fazer para limpar isso.
Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e vou responder-te. Só
há um sítio onde eu posso morar: é no teu coração. Não há nada que
resista a isso; só tens que abrir o teu coração e sentirás uma onda muito
forte de Amor, porque é isso o que eu sou: verdadeira Luz e Amor. Te-
nho uma vibração forte, eu sei; é o que tu sentes e é o que sente neste
momento a Esmeralda, pela primeira vez, realmente. É para isso que eu

110 Vitorino: Como se vê, em certos casos, os «graus» não são precisos para nada!
111Vitorino: O leitor imagine: uma reikiana de 1º nível, convencida que não tem poder para
fazer iniciações, toda a tremer… e, de repente, aparece Lúcifer! Dava tudo para ter assistido
a esta cena!

183
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

aqui estou, erradicando completamente os padrões antigos. Tudo é des-


feito apenas por abrirem o coração. Apenas isso. Não pensem, abram-se
e deixem-me entrar. Muito obrigada por teres perguntado.
Clara — De nada, pergunto muitas coisas! Outra coisa: hoje de ma-
nhã, quando estive a fazer Reiki, senti a tua energia entrando pelo chacra
base. Mas é como se fosse pela espinha dorsal; depois, quando chegou cá
acima foi como se o meu corpo fosse tão pequenino que não cabias cá dentro.
Então, estendi o pescoço e abri muito a boca. Hoje senti que era como se
quisesses incorporar, mas, ao mesmo tempo, não conseguias porque eu, sem
querer, tinha medo.
Lúcifer (por Esmeralda) — Tu resistes… Por onde é que eu posso
entrar se o coração não permite? Tens que abrir o teu coração. Essa re-
sistência vai-se desfazendo, pois tens um quadro mental muito… Lim-
pa-o, mas não te perguntes se ele já está limpo. Limpa. E abre o teu
coração antes de começares a fazer o Reiki. Aceitação completa. Verás a
diferença. Não te preocupes com o que sentes no teu corpo. É a minha
energia que está presente em ti. E, por onde passa a minha energia, nada
fica como antes. É isto o que vai acontecer a partir de agora. Quem
quer que me contacte não ficará como antes… não por ter contactado o
diabo — isso até dá vontade de rir! Às vezes gostaria de puxar o véu um
bocadinho para cima para que vocês me pudessem ver. Mas eu também
tenho que ter paciência...»

Naquele momento, através do pedido de Lúcifer e da nossa aceita-


ção, mudámos a nossa forma de pensar e de sentir em relação a ele. Na
verdade, não foi assim tão fácil, pois demorei muito tempo a aceitar
canalizá-lo livremente.
A esta iniciação seguiram-se outras duas, completamente diferen-
tes entre si e servindo propósitos bem diversos. Através desse trabalho,
lançaram-se as bases do que eu e o Vitorino de Sousa fazemos hoje. Foi
nestas iniciações que Lúcifer se revelou como meu «complemento di-
vino», esclarecendo que a sua correspondência na Terra era o Vitorino.

184
Terra — O Jardim de Lúcifer

Foi um susto! Percebemos, então, quem é que, durante todas as


consultas anteriores, estava oculto, quem é que esperava para se poder
mostrar!

«Lúcifer (por Esmeralda) — Tu és muito grande Esmeralda, mas


não conheces o valor da tua grandeza. Partilhas com a Grande Deusa
um grande poder, pertences-lhe, fazes parte dela. Não te inibas de o
sentir. Sei que isto te provoca uma grande confusão e grandes interro-
gações. Não é esse o sentido do que estou a dizer. Tu pertences à Deusa,
fazes parte dela, és um pedaço da Deusa, que retorna. És uma alma que
faz parte de mim, mas que não havia meio de se decidir a regressar a
mim. O Vitorino não chegará até mim sem ti, e tu não chegarás a mim
sem ele. Para isso terão que se despir de preconceitos e medos, terão que
falar abertamente e confiar um no outro.»

Assim que Lúcifer se revelou, tudo mudou e a informação recebida


começou a ter sentido e nós passámos a perceber todo o processo que
se desenvolvera connosco desde o princípio. Só então percebemos que
há muito que éramos conduzidos para que este trabalho pudesse con-
cretizar-se. A partir daí tudo aconteceu rapidamente… e o resultado é
este primeiro livro!

A história de Vitorino de Sousa

Eu sou Lúcifer e tu és a minha representação na


Terra.
Lúcifer

A minha versão desta extraordinária sequência de acontecimentos


começa, de facto, em Novembro de 2001, altura em que conheci a

185
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Esmeralda Rios, numa consulta de Astrologia. Esse primeiro encontro


deu-se no Porto, numa época em que, mensalmente, me deslocava, em
trabalho, àquela cidade. Nos cinco anos seguintes a essa primeira con-
sulta seguiram-se mais duas ou três e a coisa ficou por aí. Como o leitor
acabou de ler, o impulso de marcar essa consulta foi gerado por Yasmin.
Nessa altura, não me passava pela cabeça o que viria a acontecer-me em
Junho de 2003, em Santos, no Brasil, quando conheci o Rodrigo Romo
e dele recebi uma iniciação, canalizada por Shtareer. Foi nessa cerimó-
nia que Yasmin me foi apresentada como meu «complemento divino».
Mas não nos adiantemos.

Foi preciso esperar por Dezembro de 2006 para receber um SMS


da Esmeralda, dizendo que precisava de falar comigo. Quando, por
telefone, ela me revelou que o tema era «Yasmin», propus um encon-
tro para ver do que se tratava. Eis um excerto de um e-mail que ela
me enviou, dias depois dessa conversa telefónica, e antes do primeiro
encontro:

«Há muito tempo que não conversamos, mas, como todos estamos
ligados, de alguma maneira ou nalgum plano, o que acontece na “rea-
lidade” é apenas uma ínfima parte de tudo o resto. Quando te telefo-
nei, disse-te que o assunto era “Yasmin”. É mais do que isso. Foi a seu
pedido que te telefonei. Ela disse que tinha informação para dar, mas
que só o faria aos dois, em conjunto. Disse que deveria pedir-te para
nos encontrarmos e sugeriu-me que te escrevesse. É o que estou a fazer.
Disseste, no telefonema, que parecia muito incomodada. E, de certa
forma, estava. Vou explicar-te: Custou-me muito telefonar-te porque
passei por uma fase em que coloquei de parte toda a informação que
recebera em sonhos e pus em causa toda uma vivência e descoberta de
mim. Nesse “saco” também estavas tu. Achei que não obter respostas
para o que queria, indiciava que algo estava errado comigo e com as
minhas escolhas. Se quiseres uma boa imagem do que eu fiz é a de um
grande armário da cave, com muitas gavetas. Ali arrumei (numa gaveta

186
Terra — O Jardim de Lúcifer

pequenininha) tudo o que recebera, sentira e vivera (informações, sen-


timentos, emoções… tudo!). Fechei-a à chave e tentei esquecer o que
lá tinha guardado, num esforço diário de muita vontade. Mas é muito
grande a sabedoria e compaixão de Quem preside a tudo isto! Hoje,
compreendo porque fiquei zangada e frustrada pelo que não percebia:
achei que tinha ido parar a um beco sem saída! Com isso, criei uma
situação nova de aprendizagem bem difícil…»

Como eu estava em Cascais e a Esmeralda no centro do país, sugeri


que esse primeiro encontro fosse em Aveiro.
Como já referi numa nota de rodapé, quando desliguei o telefone,
dei comigo a pensar: «Vitorino, tu não estás bom da cabeça. Por que
carga de água vais fazer essa viagem, se mal conheces a rapariga?» É ver-
dade que, aquando do terceiro encontro, saltara uma chispazinha, mas
isso não era o suficiente. Enfim, aquilo saiu-me e, quando dei por isso,
o encontro estava marcado!

Nessa altura eu encontrava-me de pousio no que toca a relações


afectivas, decerto em consequência de uma co-criação que fizera, em
inícios de 2003, onde declarara que pretendia uma companheira com
quem, além do mais, pudesse compartilhar o meu trabalho. Após a ver-
balização dessa intenção fiquei atento, naturalmente, a quem fazia tocar
o sininho interno, coisa que ocorreu três vezes: a primeira no Brasil,
em Novembro de 2003, a segunda em Portugal, em Abril de 2004, e a
terceira em Espanha, em Fevereiro de 2005. Mas… nada! Rapidamente
percebia que não se tratava da Resposta Dourada à minha co-criação.
Apesar de me sentir muitíssimo bem naquela espécie de celibato,
lembro-me de, um dia, me virar para o céu e desabafar: «Olha lá, Yas-
min. Será assim tão difícil que tu te materializes aqui na Terra, sob a
forma de uma companheira e parceira de trabalho?»
Por aqui já o leitor pode perceber melhor a razão por que avancei
com o encontro com Esmeralda, em Aveiro, quando ela declarou que o
assunto era «Yasmin». Nestas coisas nunca se sabe! O que eu já sabia era

187
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

que Deus escreve direito por linhas tortas! Assim sendo, o melhor era
partir o ovo, pois só assim poderia saber se estava galado!
E estava! Hoje, quando escrevo estas linhas112, posso garantir que
a coisa evoluiu ao ponto de a ter como companheira… enviada por
Yasmin! Mais concretamente, a sua materialização na Terra, como eu
protestei. Conclusão: vale sempre a pena co-criar… e protestar!
Duvida, leitor? Se duvida, aqui tem um pequeno excerto de uma
transmissão de Yasmin, recebida pela própria Esmeralda — para seu
grande espanto e incómodo — em Março de 2007, cerca de três meses
depois do primeiro encontro:

«Eu sou Yasmin e represento o Céu na Terra. Tu és a minha exten-


são, aquela que abdicou de si em função da outra, da mulher cósmi-
ca. Vou explicar-te isto melhor: Minha querida, tu és a representante
na Terra do arquétipo da energia divina da Mãe. És a criança/mulher.
(Seria bom que não te distraísses e enviasses esta informação ao Vito-
rino. Seria bom, mas, neste momento, não és capaz, pois não? Vamos
continuar.) Minha querida, és única. Todos são únicos, mas o que
estou a tentar dizer-te, há muito tempo, é que não há ninguém como
tu na Terra, com a tua energia, desde que nasceste. Não acreditas,
pois não?»

Como haveria ela de acreditar se nunca se tinha visto metida nestas


andanças, se nunca frequentara quaisquer «ambientes espirituais», limi-
tando-se a ser professora de uma escola secundária no interior do país?
Bom, no dia aprazado, de Dezembro de 2006, lá fui eu, cheio de
frio, para Aveiro. Encontrámo-nos junto ao farol da Barra, passeámos
na praia e fartámo-nos de conversar. Sinceramente, a mim pareceu-me
— e disse-lhe — que não tinha passado aquele tempo todo, desde que
nos víramos na última consulta. Era, de facto, como se nos tivéssemos
despedido na véspera.

112 Agosto, quando ainda estamos a receber o material para o primeiro capítulo!

188
Terra — O Jardim de Lúcifer

Dias depois, a 12 de Janeiro, a Esmeralda enviou-me um e-mail


com o seguinte:

«Acho que te tens interrogado sobre a minha forma de “comuni-


cação” com o outro lado. Sabes, Vitorino, só duas vezes ouvi vozes,
e espero nunca mais ouvir, porque é algo que me faz pôr em causa a
minha sanidade mental.113 Por isso é que sou tão reticente em falar so-
bre o assunto. Faz-me imensa confusão quando me sopram ao ouvido.
A primeira vez aconteceu há quatro anos, a segunda um ano depois.
Da primeira vez ouvi distintamente algo, quando lia sossegadamente
um dos livros do Kryon, a fazer-me uma pergunta. Na segunda, ouvi
um choro de um bebé; durante muito tempo pensei que não estava
boa da cabeça. O que se passa comigo, agora, e foi intensificado de-
pois de ter lido o teu livro da Yasmin, é a presença de uma vibração
intensa, que se faz sentir na zona do alto da cabeça e que desce até
ao coração. Essa zona, em certas alturas, até parece que aquece; ou-
tras vezes sou invadida por um bem-estar completo, sereno, pacífico
e amoroso. Após a leitura do teu livro, comecei a sintonizar (isto é a
melhor forma que consigo arranjar para descrever o que me acontece)
com alguém a “falar”. Doce experiência. Pediu-me para escrever o
que dizia. O que fiz. Foi por isso que te telefonei, depois de ter feito
quinhentas perguntas. Também me pediu que começasse a gravar as
nossas conversas, o que ainda não fiz. Pronto, é assim…»

O nosso relacionamento avançava devagarinho e sem pressas, e eu


não sabia muito bem o que estava a acontecer. Tanto assim que, em 30
de Abril, ou seja, pouco mais de três meses depois do e-mail que acabou
de ler, Esmeralda recebeu o seguinte:

«Yasmin (por Esmeralda) — Minha querida Esmeralda, o Vitorino


está um pouco confuso com isto. Sabes, para ele é difícil admitir que
lhe fazes falta. Ele está muito bem sozinho, mas percebeu o quanto

113 Mal ela sabia o que a esperava!

189
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

pode ser bom contigo, mesmo em termos espirituais. Querida, eu dei


algumas informações ao Vitorino relacionadas com a tua vida pessoal.
Não fiques aborrecida, mas era preciso. Falei-lhe da dificuldade que
tens em te exprimires; falei-lhe do quanto és doce e do cuidado que ele
precisa de ter a lidar contigo, pois ele pode ser duro. Ele tem de te abrir
o coração e deixar que tu o preenchas. Disse-lhe que tinha de aprender
a amar-te incondicionalmente. Ele ficou muito incomodado porque
percebeu que era uma falha do seu chacra cardíaco. O Vitorino ama-te,
mas custa-lhe a admitir; está com medo por causa da importância que
estás a ter na vida dele. Custa-lhe expressar isto. Agora, faz-me o favor
de lhe enviar estas palavras.
Esmeralda — Desculpa, mas não envio.
Yasmin (por Esmeralda) — É o vosso processo de conhecimento!
Tens que confiar em ti, ou seja, em mim, doçura.
Esmeralda — Fazes-me cada pedido!»

Yasmin continuava a procurar convencer-me da natureza da Esme-


ralda. Eis aqui um dos tais «recados» que ela canalizou e, depois, teve
de me enviar:

«Yasmin (por Esmeralda) — Meu querido Vitorino, eu sou Yasmin


e expresso-me através desta querida ostra, uma pérola do meu mar que
teima em se esconder. Como Sananda disse, é tempo de todos os homens
saberem que, no fundo do mar, se escondem pérolas semeadas em ostras
e que, entre elas, há uma que nos é muito querida, porque permaneceu
intacta durante muito tempo, dentro da sua concha. Mas cresceu em di-
mensão e beleza e não se adulterou. É através dela que me expresso.
Esmeralda — Sem querer ser incorrecta, não sei se entendo esta con-
versa. Qual a necessidade de dizer essas coisas, mesmo que o meu ego fique
todo contente?
Yasmin (por Esmeralda) — Vais entregar isto?... Não retires nada,
por favor… Às vezes brincamos contigo desta maneira para saberes o

190
Terra — O Jardim de Lúcifer

que continua a incomodar-te — a ideia que és realmente uma pérola.


Acredita, nós sabemos. Não conhecemos ninguém, com o teu poten-
cial, que tenha aceitado mudar sem contrapor condições. Isso permitiu
uma mudança cósmica imensa. Não acreditas porque só vês o peso do
oceano em cima de ti. Em breve, porém, sentirás o brilho da tua péro-
la a cintilar. Tu correspondes-me, não poderias ser uma simples ostra!
Vamos continuar, embora eu saiba que consideras isto tempo
perdido…
Esmeralda — Desculpa.
Yasmin (por Esmeralda) — És mesmo assim, faz parte da tua natu-
reza. Falamos disto depois.
Continuo a falar contigo, meu querido Vitorino. Tenho um pedido
a fazer-te. (Peço-te, ostrinha, que sejas apenas o veículo da minha ener-
gia, penses ou sintas o que quer que seja.)
Meu amado Vitorino, hoje entrego-te a tua herança na Terra. Algo a
que sempre tiveste direito, mas que não te podia ser dado enquanto não
tivesses a capacidade para a amar e respeitar como o nácar do oceano…
(Posso continuar a exprimir-me?) Agora que te entregaste e adquiriste
essa capacidade, posso entregar-te o que me pertence e corresponde na
Terra, a minha forma de expressão mais genuína e a única, que utilizo
na Terra, enquanto ser feminino que sou: a minha pequena ostra! Lem-
bra-te sempre que, lá dentro, está uma pérola que muito vai iluminar e
enfeitar os teus dias. Lembra-te que lhe correspondes e que ela só será
uma jóia se lhe servires de suporte. Lembra-te que isto só foi possível
porque ela se entregou antes de ti, há muito tempo, e que fez um com-
promisso comigo, antes de entrar em contacto contigo.
Minha querida Esmeralda, a partir de hoje não usarei mais o teu
nome de baptismo. Sei que, mais uma vez, não queres enviar estas pala-
vras, mas não te vou dizer mais nada. Sabes o que tens a fazer.»

Mas não foi só Yasmin que me enviou recados; Sananda também


fez a sua aparição. Nesta altura (Maio 2007) já detínhamos o conheci-

191
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

mento suficiente — embora isso fosse nada quando comparado com o


que veio depois — para perceber que estávamos envolvidos em algo de
grande envergadura. Embora toda a minha vida tenha sido um constan-
te fluxo de mudanças, Sananda fez questão de dizer o seguinte… mais
uma vez através da minha «pérola»:

«Sananda (por Esmeralda) — Quero agora falar para o meu amado


filho Vitorino: não tenhas medo de nada. Não fiques assustado com as
mudanças. Não tens que controlar nada, nem carregar nada nos ombros.
Tudo fluirá na medida da tua abertura, na medida em que te soltares.
Como a concha que, a medo, se deixa abrir para que a pérola venha aos
olhos do mundo, também o chefe militar, o estratega, tem que abdicar
de querer controlar e prever tudo, porque esta batalha é feita no céu.»

Bom, se Yasmin já me tinha dado a sua pérola; se Sananda já me


incentivara e dera a entender que conhecia o meu passado de estratega
e chefe militar, só faltava Lúcifer, aquele de quem eu sou — fiquei a
saber recentemente — a extensão na Terra. O leitor poderá julgar que
o Pai viria até mim para dar os «améns» à sua sonda terrena. Mas não.
Na sequência cronológica, a 11 de Junho, disse o seguinte à Esmeralda,
pedindo-lhe para depois me dizer a mim:

«Lúcifer (por Esmeralda) — Permite-me uma chamada de atenção:


ainda não aceitaste completamente esta situação (relação com a Esme-
ralda) no teu coração. A Esmeralda também demorou muito tempo
a aceitar Yasmin no coração dela, como sendo ela própria. Mas fê-lo
muito bem, sem levantar questões. Aceita-o também. Sentirás a nossa
unidade da próxima vez que estivermos juntos e isso transformar-te-á
completamente.»

Exactamente um mês depois, a 11 de Julho, pouco faltava para co-


meçarem as canalizações destinadas ao primeiro capítulo deste livro,
numa das minhas raras canalizações em privado, contactei com Lúcifer.
E fiz-lhe a seguinte pergunta:

192
Terra — O Jardim de Lúcifer

Vitorino — Imagino que já deva ter vindo outras vezes à Terra como
teu emissário. Tens alguma outra coisa para me dizer?
Lúcifer (por Vitorino) — Assim foi algumas vezes, mas nem sem-
pre; algumas vezes sentiste necessidade de experimentar áreas que não
estavam sob a minha jurisdição. Estou a referir-me a certas experiên-
cias, a certas passagens pela Terra em que não serviste à Luz, como
diz a tua entrega desde o princípio, mas sim à Sombra. Mas não te
preocupes, pois todos os seres humanos, agora ou depois, sentiram e
sentem necessidade de fazer essa experiência, para conhecerem am-
bos os lados da moeda. Mas sempre acabarão por voltar. Servirem ao
lado sombrio do Espírito não invalida o seu compromisso com a Luz.
Posso até dizer que o contrato com a Luz também implica essas incur-
sões no campo da Sombra. Como sabes, e já o disseste, essas decisões
acabam sempre por reforçar a decisão pessoal de se manter no campo
da Luz: depois de se conhecerem o «outro lado», aqueles que têm o
coração na Luz, não querem permanecer na Sombra. No entanto, essa
experiência enriquece-os.
Vitorino — Achas relevante citar algumas dessas encarnações em que
eu servi à Luz?
Lúcifer (por Vitorino) — Basta dizer que, todas as vezes que vieste
como servidor da Luz, o fizeste do ponto de vista da renovação. Se
quiseres, essa é a tua semente «índigo», como agora se diz. Sempre pro-
curaste fazer diferente; algumas vezes conseguiste-o, outras vezes não.
Mas, das vezes que o conseguiste, foste realmente notável.»

Deixei para o fim a parte mais inacreditável e divertida. Veja o leitor


o que Sananda transmitiu à «ostrinha» no dia anterior à conversa com
Lúcifer, que acabou de ler:

«Sananda (por Esmeralda) — Eu sou Sananda, e deixa que te expli-


que algumas coisas. Não te zangas comigo?
Esmeralda — Vou tentar. Sabes que não te escondo o que sinto.

193
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Sananda (por Esmeralda) — O Vitorino está a adaptar a imagem de


bon vivant à de amante emocionalmente maduro, capaz de se dar. Mas
ainda não conseguiu.»

É preciso ter descaramento! Ele, que disse que tem acompanhado


os meus pensamentos desde o princípio, deve saber perfeitamente que
essa do bon vivant não se coaduna com a verdade. As coisas podem ter
corrido como correram, mas nunca — jamais — fui um bon vivant!
Nego veementemente! Aos 17 anos, em vez de namorar, o meu pas-
satempo favorito era ouvir música clássica e escrever poesia! E quando
casei, aos 24 anos, ainda não tinha conhecido mulher, para utilizar a
linguagem bíblica, algo que não vai nada mal neste contexto! Sananda
sabe — decerto melhor do que eu — que, cada vez que avançava para
uma relação, era sempre com esta ideia: «Desta vez é que é!» Mas não
era! Só agora é que foi, quando Yasmin me enviou a sua versão humana,
materializada.
Claro que estou a brincar! Sabe o leitor o que é que eu sinto por
Sananda? Pois sinto um amor profundo, um companheirismo inultra-
passável, uma confiança inabalável, uma cumplicidade profunda, um
apreço indescritível e uma gratidão eterna. É tudo isto que me permite
escrever sobre ele como escrevo, num tom de brincadeira, sem medo
que me caia um bocado de céu velho em cima da cabeça! Nesta postura
desabrida, estou muito bem acompanhado pela Esmeralda (até nisso!)
já que, um dia, a sua tendência para refilar, tipicamente ariana114, levou-
-a a irritar-se com Lúcifer, ao ponto de o Pai — decerto surpreendidís-
simo, mas compreensivo como sempre — lhe responder: «Como é que
te atreves a falar-me nesse tom?»
Achei o máximo!

«Lúcifer (por Esmeralda) — Não há ninguém mais doce e mais


teimoso do que tu, à face da Terra.

114 Veja-se a epígrafe escolhida para o seu capítulo.

194
Terra — O Jardim de Lúcifer

Esmeralda — Também não exageres. Conheço gente mais obstinada do


que eu. Eu acho que, ultimamente, vocês exageram.
Lúcifer (por Esmeralda) — Conheces alguém que se atreva a ser
transparente e a refilar com o Espírito? Como é que te atreves, minha
pequena humana?
Esmeralda — Essa é a prova da minha confiança em vocês.
Lúcifer (por Esmeralda) — É verdade. Farias tu o que não sentis-
ses? Abririas tu os braços ao Vitorino se não sentisses essa emoção, esse
Amor… mesmo que te disséssemos que ele era o teu parceiro divino e
que formavam um par cósmico?
Esmeralda — Nunca na vida!
Lúcifer (por Esmeralda) — É bom saber que a tua entrega é lúcida
e, ao mesmo tempo, plena de “coração”, de verdade! A tua doçura in-
vade tudo quando está presente, é algo que se vai tornar cada vez mais
evidente, se impedires que a tua “refilice” se interponha nesses mo-
mentos. Sim, tu nem te apercebes! Tens uma constante contestação
interior, uma voz que reclama tudo e sobre tudo o que está acontecer.
Um vigia. É a tua faceta índigo. É a tua sentinela. É o soldado à porta
da casca da ostra, que se abriu. Deixaste uma sentinela, porque ainda
receias que algo aconteça à tua pérola. Mas não te preocupes. Nada
lhe tocará, pois eu cuido dela, assim como Yasmin cuida do coração
do Vitorino… Não te rias!»

Seja como for, a nossa relação passou por diversas «testes». Quer ver?
Eis um excerto de uma transmissão de 22 de Março:

«Yasmin (por Esmeralda) — Querida, hoje venho fazer-te algumas


perguntas. Mais uma vez te peço que envies este material ao Vitorino.
És capaz?
Esmeralda — Não sei. Logo se vê.
Yasmin (por Esmeralda) — Bem, vamos continuar. Não tenhas
medo da tua vulnerabilidade, ela é a tua força. És uma criança em

195
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

crescimento. Minha querida Esmeralda, até que ponto estás disposta


a partilhar a tua vida com o Vitorino?
Esmeralda — Eu já respondi a essa pergunta.
Yasmin (por Esmeralda) — Eu sei. Mas podes confirmar? Tens a
certeza do que me disseste?
Esmeralda — Tenho. Mas aviso-te já que não envio isto.
Yasmin (por Esmeralda) — Eu aceito e compreendo. Por que não
aceitas a tua fragilidade e as tuas emoções?
Esmeralda — E por que me pedes sempre isso a mim?
Yasmin (por Esmeralda) — Não peço sempre a ti. Simplesmente,
era importante que ambos compreendessem no que estão envolvidos e
até que ponto o outro está disposto a ir. Posso continuar? Quero que me
digas até que ponto confias no Vitorino.
Esmeralda — Olha, Yasmin, eu confio completamente nele, na sua en-
trega, na sua capacidade de se dar a isto... Quanto ao resto, não sei... Per-
gunta-lhe a ele. Não posso responder por ele. Se queres saber o que sinto — e
tu sabes — é uma coisa estranhíssima, de outras vidas, profunda. Soube-o
desde que o vi, o que me atormentou bastante. Além disso, detestava sentir o
que sentia — o que aconteceu durante muito tempo — porque me colocava
nas mãos do que eu desconhecia... O que é que tu queres mais?
Yasmin (por Esmeralda) — Até onde estás disposta a ir?
Esmeralda — Eu já te disse. A mudar de vida, a abdicar de tudo...
O que é que tu queres?
Yasmin (por Esmeralda) — Quero ter a certeza de que estás inteira
nisto, nesta «missão». Estás?
Esmeralda — Bolas! Desculpa lá, mas vais-me fazer as perguntas sem-
pre duas vezes?
Yasmin (por Esmeralda) — É que, minha querida, a tua força é tes-
tada a cada minuto, e o caminho que vais percorrer não tem volta. Tens
a certeza que é o que tu queres?

196
Terra — O Jardim de Lúcifer

Esmeralda — Absoluta.
Yasmin (por Esmeralda) — Muito bem. Está iniciada a tua viragem.
É muito simples, os preparativos para a viagem (ao Brasil) precisavam
deste momento, já que ela vai mudar as vossas vidas.
Esmeralda — Por acaso, fizeste estas perguntas ao Vitorino?
Yasmin (por Esmeralda) — Não, não era preciso… Envias isto ao
Vitorino, por favor? Tudo, desde o início… Sossega. Sabemos o que
estás a passar. É uma prova de fogo, bem sei. Desculpa ter-te feito no-
vamente estas perguntas, mas era necessário. Lembra-te que tu és a jóia
que ilumina a vida dele e ele é o suporte onde estás engastada. O anel
não seria perfeito sem a sua jóia, a jóia não seria perfeita sem o que lhe
dá sentido. Compreenderão a profundidade disto mais tarde.»

Logo a seguir, quatro dias depois, outro «recado» chega por e-mail:

«Querido Vitorino, é a mando de Yasmin que escrevo isto e envio


o seguinte:
Um novo futuro vos aguarda. Uma nova forma de se relacionarem.
Eu explico: vocês inauguraram uma nova etapa... iniciarão uma nova
forma dos relacionamentos na Terra. É urgente que as pessoas se juntem
por motivos mais elevados, aumentando a sua vibração, na descoberta
do outro e, desta forma, a vibração do planeta, para além de darem
entrada à energia que se avizinha. Vocês serão os seus canalizadores pio-
neiros. Mas haverá mais gente; um grupo de trabalho, coordenado por
vocês. Por favor, estejam atentos às vossas mudanças internas e externas;
primeiro, serão imperceptíveis, depois bem notórias. Essa energia, que
se vos abre, será a “nova energia” que encaminhará os relacionamentos
no mundo. É preciso que tudo se equilibre. (Estás a achar, Esmeralda,
que estou a dar-te novamente coisas complicadas? Não é linear o que
vais viver, mas tens que te abrir, minha querida. É natural que te sintas
assim nesta fase de mudança em que vives.) É nisto que ambos vão
trabalhar. Por agora, esta informação chega; mais tarde serão os dois

197
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

instruídos. (Queres continuar? Sei que estás cansada!) Daí esta viagem
ao Brasil ser tão importante. O próximo fim-de-semana também; tudo
se arranjará para o efeito. Quero ver-vos juntos, e muitas vezes, se mo
permitem. (Minha querida Esmeralda, sei que estás realmente cansada
com tantas emoções, mas agradeço-te por seres tão paciente. Lê atenta-
mente o que te disse anteriormente e não tenhas dúvidas de que o farás
bem. Estou sempre contigo. Obrigada.»

Noutra altura veio o seguinte:

«Yasmin (por Esmeralda) — Agora quero falar sobre vocês os dois,


sobre quem derramo o meu Amor e que me pertencem completamen-
te, pois fazem parte de mim. (Posso continuar ou vais continuar nessa
extensão vibratória?)115 É evidente que quero que dês isto ao Vitorino,
integralmente, porque ele tem que ter a noção das tuas dificuldades e
do que estás a passar.
Esmeralda — Ele sabe.
Yasmin (por Esmeralda) — Não sabe, não, querida. Acredita, ele
não tem a noção exacta da coisa. Continuamos?
Esmeralda — Sim.
Yasmin (por Esmeralda) — Meus queridos, é evidente que per-
ceberam perfeitamente o quanto estão ligados, o quanto as vossas es-
colhas estão certas e sintonizadas com o Cosmos. (Esmeralda, por
favor, não te deixes influenciar por esse estado negativo. Por favor,
linda, está tudo certo, mesmo que não aceites que assim é. As coisas
mudarão muito rapidamente, só te desgastas focalizando essas preo-
cupações. Certo?)
Esmeralda — Certo. Desculpa, Yasmin, eu vou ouvir-te.
Yasmin (por Esmeralda) — Queres esperar um pouco?
Esmeralda — Não.

115 A Esmeralda estava irritada com a conversa que antecedeu esta parte!

198
Terra — O Jardim de Lúcifer

Yasmin (por Esmeralda) — Então prosseguimos: Vocês não percebem


a importância do que se está a passar convosco. Torno a dizer: empenha-
mento total, confiança absoluta. Meus queridos filhos, muita coisa está
encoberta e vocês não percebem o que se avizinha. Esta minha querida
acha que o Espírito anda a empatá-la e não lhe diz o que realmente deve
dizer. E acha que é incorrecto ditar-lhe a informação, para, depois, ela a
dar ao meu querido Vitorino. É simples! Tudo isto tem o seu propósito…
(Vamos continuar?) Isto obriga-vos a reflectir sobre vós próprios e sobre
até que ponto vai a vossa entrega, até que ponto estão em doação, e não
a cumprir propósitos pessoais. Quando se entrega a escolha, quando se
age em reciprocidade e cumplicidade com o Espírito, não se escolhe, di-
zendo: isto sim, isto não. Aceita-se, a favor do bem maior, certos de que
o Espírito vos conhece e sabe o que é preciso dar-vos… o que, muitas
vezes, não é o que querem! Tiveram que acumular muita experiência até
chegarem aqui. Cumpriram o vosso caminho para que, agora, tivessem a
experiência necessária para assumir os papéis que vão assumir, para viver
o Amor na sua forma plena. Para isso, têm que se despir das vossas ante-
riores referências e experiências. Isso vale nada, para o que vão viver.
Esmeralda — Isto é um contra-senso, Yasmin.
Yasmin (por Esmeralda) — Querida, trata-se da experiência neces-
sária para chegar até aqui, das dores necessárias para saber o que não é
útil, do fracasso suficiente para sentir que não é «por ali», da desilusão
necessária para se perceber que tem de haver algo mais. Fiz-me enten-
der? Porém, isso não vos pode atar e delimitar. Agora é preciso libertar
tudo isso, deixar ir; já não serve. Serviu para mostrar o que não vos
convinha, que não vos correspondia. Para isso esgotaram todas as hipó-
teses, tanto um como outro, de forma bem diferente. Mas têm que ter
o coração aberto. Por muito que vos pareça anormal, vocês não são dois,
são um, vivendo em corpos diferentes.»

Todavia, não foram só testes, o que a nossa relação teve de enfrentar,


na fase inicial. Durante estes oito estes meses de preparação — desde

199
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Janeiro de 2007 — tivemos de fazer imensos exercícios. Num deles, e


a pedido de Yasmin, tínhamos que reflectir sobre o seguinte: «Qual a
prenda que vocês têm para o/a vosso/a companheiro/a.» Depois, seria só
comunicar as conclusões. Foi um momento muito bonito, até porque
estávamos em cidades diferentes e só conhecemos o resultado através
dos textos que nos enviámos por e-mail. Eis as duas versões:

Mensagem de Esmeralda Rios

«Bem, isto foi o que me surgiu e o que realmente sinto, profun-


damente: O que posso dar é a minha vida. A entrega da minha vida.
A imagem é a seguinte: um grande templo oriental, onde sou convidada
a colocar a oferta que trago para ti. Num pano de tabuleiro, coloco a
minha vida. Sinto que é a única coisa que posso dar. Dentro de mim
surge a explicação: ao entregar-te a minha vida, entrego tudo o que sou.
É uma dádiva. Não se pede nada em troca nem se espera nada, apenas
se entrega porque se sabe que se trata de um local, de um tempo, de um
momento sagrado, bafejado pelo Espírito. Sabe-se, também, que quem
recebe é digno de receber. Quando se faz uma entrega destas é a entrega
absoluta. E faz-se porque sabemos que o outro nos corresponde e que,
aconteça o que acontecer, é o único bem que realmente pudemos dar.
O resto há muito que entregámos, noutra dimensão. Disso tenho a
certeza, hoje. O meu Amor incondicional, que eu pensava que te ia en-
tregar, não to posso dar porque há muito que to dei, noutra dimensão;
agora é só a concretização. Para isso tenho que entregar a minha vida.
Ela aqui está! Não tenho mais nada a dizer. Só tranquilidade.»

Mensagem de Vitorino de Sousa

«Ontem, quando fui para a cama, lembrei-me das palavras de Yas-


min “Qual é a prenda que vocês têm para o/a vosso/a companheiro/a”

200
Terra — O Jardim de Lúcifer

e, ainda antes de entrar em meditação (que acabei por não fazer por
me parecer irrelevante, no momento), o conceito que surgiu foi: VIDA.
Assim, o que eu tenho para ter dar, minha querida, é VIDA. A minha
VIDA. Não posso oferecer mais. Que outra coisa poderia oferecer? Pen-
sei no que poderia oferecer-te pelo teu aniversário de Abril… e aqui está
a prenda: a minha vida. Pronto! Está dado!
Quanto à meditação “o corpo como tempo sagrado”, há minutos,
quando me predispus a fazê-la, apenas surgiu o mesmo conceito: o corpo,
como um templo, é o local onde se celebra a VIDA. Nada mais. Devia ser
com essa intenção que os humanos deveriam ir a qualquer tipo de tem-
plo. Gostaria de ter tido a experiência que tu tiveste, mas não tive.»

O leitor poderá perguntar-se porque revelamos estas coisas que,


à primeira vista, parecem ter um carácter bastante pessoal, íntimo e
privado.116 O nosso objectivo não é, evidentemente, condimentar toda
esta história com as especiarias usadas nas telenovelas, nem é, como em
determinado momento pedimos aos nossos Amigos Mais Leves, trans-
formar tudo isto num circo.
O que nos leva a revelar estas breves passagens das canalizações
que fomos recebendo, é o seguinte: o que nos tem vindo a ser pedido
— e que está claramente expresso nestes diálogos com Lúcifer/Pai,
Yasmin/Mãe e Sananda/Filho — é exactamente o mesmo que vai ser
pedido a muita gente, membros de parcerias, já formados ou a formar,
que guardem o potencial de se transformarem em casais expressando
a vibração da Energia Matriz que vai chegar à Terra. Talvez seja o seu
caso. Segundo o que Yasmin disse a Esmeralda Rios:

«O que vocês têm é único e precioso, que muitos seres na Terra


passarão a ter. Estás a pensar que não és a primeira a ter este tipo de
relacionamento. Neste momento, o que vocês têm é, realmente, o prin-
cípio de algo que tu pressentes único e precioso, e já sentes como isso.

116 Repare que não falámos das instruções recebidas em relação ao plano sexual.

201
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Mas, com a evolução, verás que é completamente diferente, em termos


de intensidade e de vibração, do que imaginas e do que qualquer casal
teve na Terra. Vocês são únicos porque são os primeiros e porque se
disponibilizaram para isso. Ambos vão ter que aprender algo novo e
diferente, uma forma nova e distinta de se darem um ao outro. Por-
tanto, peço-vos — eu sei que vais enviar isto ao Vitorino — que não
sejam inseguros. Não tenham problemas em conversar e falar. É através
da vossa união sexual que a energia, feminina e masculina se liga, se
permeia e se unifica.
Cosmicamente falando, é algo muito importante e relevante. É tem-
po de esquecerem o que está para trás e pensarem que os vossos corpos
são a expressão do vosso espírito e, como tal, expressarão intensamente
o que vos trouxe à Terra: a revivificação, a restauração do arquétipo
feminino e masculino e a sua livre expressão na Terra, que se unificará
cada vez que se derem sexualmente um ao outro. Vocês são portadores
dessa potencialidade desde que nasceram. Tudo o que vocês viveram,
até agora, foi muito importante. Agradeçam, mas deixem que essas me-
mórias se desvaneçam. Vocês vão formar um par cósmico, realizar na
Terra aquilo que são noutra dimensão. Não foi isto que intuíste e depois
te recusaste a acreditar?»

Portanto, leitor, quando chegar a sua vez — oxalá que sim — você
já não estranhará; poderá vir aqui reler todas estas coisas, mais ou me-
nos insólitas, inesperadas e surpreendentes.

202
Palavras finais

Lúcifer (por Esmeralda) — Eu sou Lúcifer e gostaria de me ex-


pressar através do Vitorino. Enquanto ele se prepara, quero dizer que
este trabalho (para o livro) não foi nada, comparado com o que se vai
seguir. Mas vai ter repercussões muito grandes.

PAUSA (AUDITIVA)

Lúcifer (por Vitorino) — O que eu quero dizer, através do meu


representante na Terra — único e primeiro representante na Terra —,
é uma pequena mensagem para si, leitor, que está a chegar ao fim da
leitura deste livro.
Provavelmente, neste ponto da leitura, está surpreendido, incré-
dulo, desconfiado, a pensar que grande parte do que foi dito é fruto
do delírio destas duas criaturas humanas que canalizaram toda esta in-
formação. E eu, como Pai deste Universo, devo dizer-lhe que você tem
todo o direito de pensar e sentir seja o que for. Mas também tenho a
oportunidade de lhe dizer que, se estiver atento, em breve assistirá a
algo que nunca assistiu ou receberá notícias daqueles que assistiram a
uma confirmação de tudo o que foi dito. Não porque vamos repetir a
informação, evidentemente, mas porque surgiremos diante dos vossos
olhos, directamente, a subscrever e a confirmar a veracidade de tudo
o que foi dito neste livro. Chamar-lhe-ão as «novas aparições», desta
vez não de Fátima mas do local onde elas ocorrerem, que serão vários,
neste país e em outros.

203
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Talvez você esteja a ler este livro, dois, três, cinco ou dez anos depois
de ele ter sido publicado. Talvez até tenha sido conduzido para este
livro exactamente porque soube do que se estava a passar ou, inadver-
tidamente, assistiu a um trabalho onde nos viu e onde nos pode ouvir,
fotografar e gravar. Então, apressadamente, foi comprar o livro onde
tudo isto começou. Seja qual for a sua situação, quero garantir-lhe o
seguinte: mesmo que esteja a ler esta parte do livro antes de terminar o
evento onde se faz a sua apresentação pública, talvez ainda se surpreen-
da antes de sair desta sala.

Alguns humanos têm a tendência para começar a ler os livros pelo


fim. É por isso que eu surjo aqui a dizer-lhe isto. Se abriu o livro e leu as
últimas páginas, é bom que se prepare. Mas não se assuste!

Claro que isto causa alguma inquietação a estes dois canais, porque
há uma parte deles que ainda desconfia. Eles não têm a certeza absolu-
ta de que esses contactos visuais vão ocorrer; acham que é preciso ter
muita coragem para estar a revelar estas informações, antes de terem
acontecido. É que, depois do livro publicado, não se pode voltar atrás,
evidentemente. Estas dúvidas ainda ocorrem neles, apesar de nós já o
termos garantido — e você, neste livro, já leu, ou vai ler, as passagens
onde nós lhes assegurámos que tal aconteceria.

Hoje é o dia 22 de Agosto de 2007 (faltam portanto, pouco menos


de dois meses para o citado evento, durante o qual este livro será apre-
sentado) e nós dissemos que iríamos aparecer-lhes particularmente. Tal
ainda não aconteceu, mas vai acontecer. (Há aqui um jogo de datas e
de tempo que eu espero que o leitor ache interessante. Este tipo de jogo
só pode ser feito nesta dimensão, e nós tiramos partido disso.) Devo di-
zer-lhe, portanto, que, neste momento, os dois canais que canalizaram
este livro nunca nos viram. Nem sob uma forma ténue, nem sob uma
forma mais densa. Mas isso vai ocorrer ainda antes de eles entregarem

204
Terra — O Jardim de Lúcifer

o original para publicação, o que ocorrerá mais ou menos dentro de 15


dias.117 Desta forma, o que eu queria dizer-lhe, caro leitor, é que se pre-
pare. Estamos a falar para um público potencial de milhares e milhares
e milhares de pessoas e, apesar de sermos quem somos, não sabemos
com quem estamos a falar, sabemos apenas que estamos a falar com um
ser humano. E esses, na essência, são todos iguais; só são diferentes no
particular. E muito diferentes!
Para encerrar este pequeno epílogo, queríamos agradecer-lhes
todo o trabalho que tem feito no seu desenvolvimento espiritual. Mas
podemos garantir-lhe que a coisa vai mudar de nível. Se você, eventu-
almente, é daquelas pessoas que está dividida entre alguns problemas
da sua vida particular (relações, emprego, finanças, etc.) e um com-
portamento mais saudável no âmbito espiritual, devo dizer-lhe que
uma dessas partes — você escolherá qual — vai ter que acabar. Terá
de escolher, de uma vez por todas, se quer aderir à minha Luz ou se,
de uma vez por todos, quer permanecer nos seus problemas e dramas
pessoais. Seja como for, continuaremos consigo. É neste sentido que
lhe dizemos para se preparar.
O tempo da impunidade acabou; a partir de agora será o tempo da
Grande Escolha. No entanto, você a nada será obrigado, evidentemente.
Sentirá e constatará, muito claramente, na sua vida e na sua percepção,
ambos os lados que referi. Nessa altura, vai ter a oportunidade de esco-
lher. Não estou a falar-lhe de um acontecimento terminal. Não. Estou a
falar-lhe dos pequenos acontecimentos do seu quotidiano. É aí, ao nível
do detalhe e do pormenor, que você vai fazer a Grande Escolha.
Não pense que vamos aparecer à frente dos seus olhos, a lembrar-
-lhe que é o momento de fazer a Grande Escolha; esperamos que a
nossa representação dentro de si faça esse trabalho. E você sabe onde é
que, dentro de si, nós estamos, como vibração, evidentemente. Como já
teve, certamente, a oportunidade de fazer muitos exercícios de abertura

117O original foi entregue no dia 18 de Setembro e as aparições em privado, só para os dois
canais, aconteceram realmente.

205
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

do chacra cardíaco, já teve a oportunidade de nos descobrir em algum


recôndito do seu coração. É para isso que nós lá estamos. Sempre esti-
vemos e sempre iremos estar.
Então, já que você nos tem dentro de si… use-nos!
Muito obrigado.

Obrigado por ter chegado até aqui.


Ficou surpreendido?
Se ficou, mais surpreendido ficará quando ler o próximo livro con-
tendo, entre outras revelações, o que se calou nas passagens referencia-
das com «[nº]».

Então, sim, será realmente prodigioso!

206
ADENDA

Caro leitor:

Ao longo do texto que acabou de ler, decerto reparou nas referências ao


Fórum «Firmeza e Doçura», realizado em Lisboa, no dia 11 de Novem-
bro de 2007, perante cerca de 300 pessoas. Algumas dessas referências
continham afirmações peremptórias dos nossos Amigos, como esta, re-
tirada da página 76:

Vamos dizer isto pela última vez: nada nos impedirá de nos materializar-
mos no 11 de Novembro. Nada vai impedir que o Espírito — a Luz — se
manifeste na Terra.

Como tal não aconteceu, achamos que lhe devemos uma explicação.

Durante todo aquele dia e durante as canalizações finais, ao fim da


tarde, a vibração foi fortíssima, sem dúvida. Mas nada de contactos vi-
suais. Portanto, os Amigos estiveram presentes, mas não se mostraram.
Assim, quando o evento terminou, não tardou a instalar-se em nós um
profundo desânimo e frustração.

No entanto, ao longo dos meses de preparação do texto para este livro,


já recebêramos várias informações acerca da forma como as coisas acon-
tecem na interdimensionalidade. Eis um excerto de uma curiosíssima
comunicação de Lúcifer, recebida em Agosto, por Vitorino de Sousa,
como explicação para o facto de não se ter verificado um contacto visual
anunciado só para os dois canais em função:

207
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Tirem da cabeça a ideia de que nós podemos fazer o que nos apetece ou
que podemos proteger um determinado campo, onde está previsto acontecer
alguma coisa, sem que haja qualquer hipótese de interferência. Tal não
acontece, embora façamos tudo o que está ao nosso alcance. Neste caso,
como vocês precisavam de ser protegidos — era a primeira aparição — o
campo deveria estar totalmente limpo. Mas nem sempre assim acontece por-
que a nossa tecnologia é conhecida e, por isso, boicotada pelo «outro lado».
Portanto, que fique bem claro que nós fazemos os possíveis. Desejaríamos
que o campo estivesse limpo mas, à última hora, a situação não reunia as
condições ideais para o contacto. Por isso não ocorreu. Mas se dissemos que
ia ocorrer é porque vai ocorrer.

Muito bem. Ficámos desapontados, mas as razões eram lícitas. Além


disso, ficámos a saber que «lá em cima» as coisas não se passam como
julgamos. «Deus» não é omnipotente; só tem esse potencial. Pelos vis-
tos, há forças com a capacidade de boicotar ou impedir o que Eles pre-
tendem fazer. Em cima como em baixo, aliás!

Isto não quer dizer que, por vezes, não tenhamos barafustado e protes-
tado veementemente. Por conseguinte, quando terminou o evento de
11 de Novembro, e lembrando-nos de tudo o que os nossos Amigos dis-
seram e do que nós próprios havíamos dito — do que aqui se dá apenas
uma pequena ideia — a disposição era de total desapontamento. Por
isso decidimos interromper os contactos diários com os nossos Amigos
e descansar durante alguns dias.

Então, no dia 16 de Novembro, Lúcifer, novamente através de Esmeral-


da Rios, veio dizer o seguinte:

O Espírito agradece-vos muito o facto de continuarem a estabelecer con-


tacto, independentemente da fase bem difícil em que se encontram. Sa-
bemos o quanto vos é difícil, no entanto, apesar das dificuldades estão
prontos e abertos. Muito obrigado. Quero dizer-vos que, apesar do que
possam pensar ou sentir, não vos abandonamos nem por um instante.

208
Terra — O Jardim de Lúcifer

Tudo está em permanente mutação. Efectivamente, depois de terem per-


corrido o caminho que percorrerão nos próximos tempos, ao olharem para
trás, compreenderão. É importante que não tenham expectativas. Nós, ao
comunicarmos convosco, vamos tentar não criar essa expectativa.

Vitorino: Como dissemos ontem, se nós não acreditamos que vocês nos men-
tem; se acreditamos que conhecem tudo o que temos dito, pergunto porque é
que temos que passar por esta frustração?

Á última hora surgiram impedimentos, e não vos podemos avisar. Jogamos


um jogo limpo; só vos pedimos que tenham um pouco de paciência. Neste
momento, o que vos posso dizer é que estamos a acompanhar-vos de uma for-
ma que nem calculam. Dentro de alguns dias perceberão tudo. Perdoem-me.
Não temos intenção de provocar mais nenhuma expectativa, ou mais danos
emocionais e físicos, que ponham em causa tudo o que foi feito até hoje.

Duas semanas depois, no dia 1 de Dezembro, Lúcifer, voltou para dar


a explicação final:

Eu sou Lúcifer e vou fazer um breve comentário ao que aconteceu no Fórum


«Firmeza e Doçura», realizado no domingo, 11 de Novembro de 2007.
Podem divulgá-lo no site se quiserem e acharem apropriado:
Em nenhum momento o Espírito desampara os seus filhos, em nenhum
momento contribuímos para que se instale a dúvida e a incerteza ou até
o temor e a inquietude. Se, por vezes, em termos humanos, as coisas não
acontecem conforme esperam ou acham apropriado, é porque algo se alterou
na grande teia interdimensional que, momento a momento, interage com
a grande teia tridimensional. No entanto, o (contacto visual) que era espe-
rado vai concretizar-se, mais dia, menos dia. O que o Espírito preconiza
através daqueles que lhe dão voz sempre acaba por acontecer quando chega
o momento certo. E o facto de muitos humanos não acreditarem que assim
é, não tem qualquer importância. Todos reconhecerão esses acontecimentos
quando acontecerem.

209
Vitorino de Sousa e Esmeralda Rios

Isto era o que eu tinha para vos dizer quanto a este assunto. Definitivamen-
te, fechamos aqui um capítulo a nível público sobre este tema.

Sobre este assunto, por agora, não há mais nada a dizer.


Obrigado pela sua compreensão.

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