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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE DE LETRAS

O ENUNCIADOR E O ENUNCIATÁRIO NA REVISTA MEGAZINE: UMA ABORDAGEM


SEMIÓTICA

JULIANA OLIVEIRA DOS SANTOS

RIO DE JANEIRO
SETEMBRO DE 2014
O ENUNCIADOR E O ENUNCIATÁRIO NA REVISTA MEGAZINE: UMA ABORDAGEM
SEMIÓTICA

JULIANA OLIVEIRA DOS SANTOS

Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de


Pós-Graduação em Letras (Letras Vernáculas),
Faculdade de Letras, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro como quesito para a obtenção do
Título de Mestre em Letras Vernáculas (Língua
Portuguesa).

Orientador: Prof.ª Doutora Regina Souza Gomes

Rio de Janeiro
Setembro de 2014
SANTOS, Juliana Oliveira dos.

O enunciador e o enunciatário na revista Megazine: uma abordagem semiótica /


Juliana Oliveira dos Santos – Rio de Janeiro: UFRJ / FL, 2014.

V, 208f.

Orientador: Regina Souza Gomes.

Dissertação (mestrado) – UFRJ / Faculdade de Letras / Programa de Pós-


graduação em Letras Vernáculas / Língua Portuguesa, 2014.

Referências Bibliográficas: f.133-135.

Enunciatário. 2. Semiótica. 3. Simulacros. I. GOMES, Regina Souza. II.


Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Letras, Programa de Pós-
graduação em Letras Vernáculas. III. O enunciador e o enunciatário na revista
Megazine: uma abordagem semiótica.
O ENUNCIADOR E O ENUNCIATÁRIO NA REVISTA MEGAZINE: UMA ABORDAGEM
SEMIÓTICA

JULIANA OLIVEIRA DOS SANTOS

Orientador: Prof.ª Dra. Regina Souza Gomes

Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-graduação em Letras (Letras


Vernáculas), Faculdade de Letras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro como requisito
para a obtenção do Título de Mestre em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa).

Examinada por:

______________________________________________________________________
Prof. ª Dra. Regina Souza Gomes (presidente)
______________________________________________________________________
Prof.ª Dra. Renata Ciampone Mancini (UFF)
______________________________________________________________________
Prof. ª Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira (UFRJ)
______________________________________________________________________
Prof.ª Dra. Silvia Maria de Sousa - UFF (Suplente)
______________________________________________________________________
Prof.ª Dra. Lucia Helena Martins Gouvêa - UFRJ (Suplente)

Rio de Janeiro
Setembro de 2014
AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha orientadora Regina Gomes, primeiramente por ter acreditado em


mim e me acolhido desde o primeiro dia em que conversamos sobre a minha vontade de tentar
o mestrado, e por sua dedicação e paciência em me apresentar a teoria semiótica e me ajudar a
trilhar esse caminho.

Agradeço a todos os professores do Programa de Pós-graduação em Letras, por


dividirem seus conhecimentos comigo, em especial a professora Silvia Rodrigues Vieira por
seu incentivo e palavras de estímulo.

A minha família, por me apoiar e incentivar sempre, em especial a minha mãe (in
memoriam), que despertou em mim o gosto pelas letras e para quem eu dedico esta
dissertação.

Ao meu amor, pelo apoio incondicional nos momentos em que faltava inspiração e
sobrava desespero e pela ajuda incansável em vários momentos da elaboração deste trabalho.

Aos meus amigos, pelas alegrias e risadas proporcionadas sempre, diminuindo a


angústia e o estresse dos estudos.

Aos amigos de trabalho, pelo apoio diário e por entenderem as minhas ausências e
atrasos durante os estudos do mestrado.
RESUMO

O ENUNCIADOR E O ENUNCIATÁRIO NA REVISTA MEGAZINE: UMA


ABORDAGEM SEMIÓTICA

Juliana Oliveira dos Santos

Orientador: Regina Souza Gomes

Resumo da Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-graduação em Letras


(Letras Vernáculas), Faculdade de Letras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro como
requisito para a obtenção do Título de Mestre em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa).

O presente trabalho procura identificar o perfil do jovem de hoje retratado no discurso


da revista Megazine, utilizando-se da Teoria Semiótica de linha francesa. Para tanto, são
analisadas as relações estabelecidas entre enunciador e enunciatário e as estratégias
discursivas usadas para direcionar a interpretação, bem como procedimentos semânticos
como a tematização e a figurativização e sua implicação na construção de efeitos de sentido
discursivos e na identidade do pathos da revista. Também são analisadas as modulações
afetivas presentes no discurso e decorrentes das relações entre sujeitos e entre sujeitos e
objetos, mostrando o que mobiliza esse sujeito que sente e como o faz. Os procedimentos
acima elencados permitem identificar determinada imagem do jovem retratado na revista,
delineando seu perfil e contribuindo para criar e reforçar certas visões ideológicas de como é
o comportamento desse público nos dias de hoje, bem como suas principais atividades e
interesses.

Palavras-chave: enunciatário; semiótica; discurso; Megazine; pathos.


ABSTRACT

THE ENUNCIATOR AND THE ADDRESEE IN MEGAZINE: A SEMIOTIC ANALYSIS

Juliana Oliveira dos Santos

Advisor: Regina Souza Gomes

Abstract of Master’s Thesis presented to Programa de Pós-graduação em Letras Vernáculas,


Faculdade de Letras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as a requirement for the
degree of Master of Portuguese

This work intends to identify the younger’s simulacrum presents in Megazine’s


discourse, through French Semiotics. To achieve this purpose, it is analysed the relationship
between enunciator and addressee and the discursive strategies to manage the interpretation,
as well as semantic procedures as thematization and figurativization and the way that it affects
the construction of discursive meaning effects and the megazine pathos identity. Affective
modulations present in the discourse and resulting from the relationship between subjects and
subjects and objects are also analysed, demonstrating what moves and affects this subject and
the way it happens. The procedures listed above allow us to identify certain simulacrum of the
younger present in the magazine’s discourse, outlining his identity and helping to create and
reinforce ideological views about the contemporary behavior of this audience, as well as his
main activities and interests.

Keywords: addresee; semiotics; discourse; Megazine; pathos.


SUMÁRIO

Introdução ............................................................................................................................... 10

1 – Semiótica francesa e o estudo do texto ............................................................................. 15


1.1 – O lugar da enunciação na atividade discursiva ............................................................. 27
1.2 – O ethos e o pathos no discurso jornalístico .................................................................. 29

2 – A linguagem no jornal ..................................................................................................... 37


2.1 – A imprensa dita séria .................................................................................................... 39
2.2 – O jornalismo nos meios digitais ................................................................................... 44
2.3 – O jornalismo e o jovem: como esse público é retratado no jornal? ............................. 48

3 – As projeções da enunciação e a interação enunciativa em Megazine ............................. 53


3.1 – A projeção de múltiplas vozes no discurso e os efeitos de sentido criados ................. 53
3.2 – O uso de estratégias argumentativas de natureza avaliativa ........................................ 63
3.3 – Relações enunciativas em Megazine: o simulacro de proximidade entre os
sujeitos................................................................................................................................... 72

4 – A construção ideológica da juventude retratada em Megazine ...................................... 79


4.1 – A escolha temático-figurativa e a construção de simulacros do jovem em
Megazine....................................................................................................................... 82
4.2 – As relações ideológicas no discurso ........................................................................... 100

5 – A construção de um sujeito que sente: um olhar sobre as paixões ............................... 105


5.1 – A Semiótica e o estudo das paixões ........................................................................... 106
5.2 – O simulacro de aproximação e a construção identitária no discurso ......................... 114
5.3 – A orientação afetiva no discurso ................................................................................ 122
Conclusão ............................................................................................................................ 128
Referências Bibliográficas .................................................................................................. 133
Anexos ................................................................................................................................ 136
INTRODUÇÃO

Sabe-se que a mídia em geral está intimamente relacionada com o modo como as
pessoas têm acesso aos fatos do mundo. O jornal e outros meios de comunicação atuam como
mediadores entre o sujeito e o mundo, transmitindo a realidade dos fatos sob uma
determinada ótica. Tal discurso concebe essa realidade apresentada no jornal “como sendo a
realidade feita dos fatos” ou um simples relato dos acontecimentos tal qual eles acontecem
(BUCCI, 2003, p. 9). O uso de algumas construções lexicais em detrimento de outras, bem
como a escolha das matérias publicadas, provocam a aceitação ou não do leitor a respeito do
que o enunciador diz. Sendo assim, este último formula seu discurso de modo a aproximar o
leitor do que está sendo dito. Mais do que supostamente apresentar as notícias de forma neutra
e imparcial, o discurso jornalístico seleciona e organiza o conteúdo transmitido de acordo com
um ponto de vista social e politicamente determinado.

Como afirma Gomes (2008b), nenhum discurso é livre da presença do sujeito da


enunciação, ou seja, o posicionamento desse sujeito dentro do texto direciona a leitura e a
interpretação a ser feita. No discurso jornalístico em geral predomina o regime manipulatório,
em que há uma busca pela crença e adesão aos valores transmitidos pelo enunciador, fato que
pode ser conquistado por meio de diversas estratégias, entre elas a linguagem empregada
nesse tipo de discurso que, tradicionalmente, busca uma maior objetividade. Tal ideal de
neutralidade e objetividade é justificado pela intencionalidade de criar uma ilusão de verdade
dos fatos, muito embora saibamos que isso seja impossível de ser atingido, visto que o sujeito
enunciador sempre deixa suas marcas no discurso. O relato aparentemente imparcial e distante
é necessário para dar credibilidade aos meios de comunicação e garantir a confiança do leitor
quanto à veracidade dos fatos relatados.

No entanto, em artigo mais recente, Gomes (2013, p. 503), apoiada em Landowski,


nos lembra que, apesar da manipulação prevalecer no discurso midiático, não podemos
restringir esse tipo de discurso apenas a esse regime de interação, sob o risco de não “dar
conta da complexidade de problemas concernentes à interação midiática”. Apesar de,
normalmente, o jornal apresentar certa previsibilidade na escolha e no modo como os fatos
são noticiados, o que permite ao leitor identificar-se com aquele tipo de discurso, há, por
vezes, uma ruptura nesse tipo de comportamento pelo veículo de comunicação. Quando, por

10
exemplo, concede-se maior atenção a certos acontecimentos que anteriormente não ocupavam
muito espaço no jornal, este provavelmente buscou ajustar-se aos novos interesses e
demandas de seu público, numa relação que vai além da busca pela transmissão de valores,
“estabelecendo-se um regime no qual não mais a junção, mas a união tem lugar” (GOMES,
2013, p. 502). É preciso, portanto, considerar outras formas de interação intersubjetiva
existentes, ainda que a manipulação seja predominante no discurso jornalístico, entendendo a
inexistência de fronteiras rígidas entre elas, mas sim uma inter-relação em que se vai de uma a
outra.

Com base no contexto apresentado, este trabalho procura identificar como é construída
a imagem do jovem presente na revista digital Megazine, ou seja, o ator da enunciação que
recobre o actante sintático para o qual o jornal se dirige, o enunciatário. A revista é um
suplemento online do jornal O Globo, notadamente conhecido como “jornalismo de
referência” e voltado para um público cultural e economicamente favorecido. O corpus
selecionado para análise obedeceu a um critério cronológico e se constitui, principalmente, de
um total de 40 notícias publicadas nessa revista entre fevereiro e maio de 2012. Pela própria
natureza do objeto de análise, que tem como importantes características a atualização e a
dinamicidade, outras publicações mais recentes foram acrescentadas posteriormente ao
corpus, de modo a dar conta dos objetivos traçados nesta dissertação.

Originalmente, a Megazine começou a ser publicada no ano 2000 como um


suplemento impresso do jornal O Globo, veiculado semanalmente e voltado para um público
juvenil. Segundo estudos de Queiroz (2012, p.21), a revista é resultado da junção de dois
cadernos publicados no jornal: o Planeta Globo e o Vestibular. A autora atenta ainda que, ao
longo dos 11 anos em que o caderno impresso circulou na cidade, ocorreram diversas
alterações em seu formato, visto que o mesmo “passou a contar com um conselho jovem,
formado por um grupo de seis adolescentes que mudava a cada semestre” (QUEIROZ, 2012,
p. 21). Ainda de acordo com a autora, os temas abordados na revista eram basicamente sobre
o universo musical, literatura, vestibular e assuntos polêmicos, como trabalho escravo infantil
e jovens portadores do vírus HIV.

Segundo o jornal O Globo, em publicação de 2010 no blog Amanhã no Globo sobre os


10 anos do suplemento Megazine, um editor da revista atenta que esta é direcionada “não
somente ao público adolescente mas como para qualquer um que goste de cultura pop”, sendo

11
que a versão digital apresentou mudanças, estando “mais voltada para o universo cultural teen
de uma forma crítica e inteligente” (O Globo online, Blog Amanhã no Globo, 28/05/2010).

No entanto, o presente estudo aponta algumas divergências entre a visão do


suplemento jovem pelo jornal e os resultados encontrados na análise. Essa diferença se dá
especialmente com relação a uma abordagem “crítica e inteligente” que a revista diz ter sobre
o universo adolescente.

A pesquisa será feita com base na teoria semiótica de linha francesa, que permite fazer
uma reconstrução do sentido observado no texto, percebendo de que forma esse sentido vai
sendo construído ao longo do discurso. Por meio da metodologia proposta pela semiótica para
a abordagem do texto, percebemos o quanto algumas construções discursivas se revelam
carregadas de caráter persuasivo.

É importante ressaltar que, para a teoria em estudo, tanto o enunciador quanto o


enunciatário constituem o sujeito da enunciação, ou seja, são o autor e o leitor criados na
instância do discurso, portanto, virtuais, abstratos. Conforme diz Fiorin (1996, p. 65), “o autor
real é inapreensível e, por conseguinte, só o autor implícito pertence ao campo da teoria da
enunciação”, depreendendo-se, a partir de seu discurso, do que ele enuncia, sua imagem
virtual. A apreensão de ideologias presentes no texto também é assumida por esse autor
virtual e pode se dar por meio de pistas que se espalham por todo o discurso. Como todo ato
de dizer pressupõe um enunciatário, ao autor abstrato corresponde o leitor abstrato, também
construído dentro do texto. Ele é programado pelo discurso e é com quem o enunciador
dialoga, para quem ele fala. O enunciador visa garantir a adesão ao seu discurso e, para tanto,
o constrói de modo que o leitor compartilhe seus valores. Essa adesão acontece mediante um
contrato entre enunciador e enunciatário, em que este último precisa aceitar o que é dito como
sendo verdadeiro, a fim de que o objetivo do discurso seja alcançado. Portanto, o
enunciatário, “como filtro e instância pressuposta no ato de enunciar, é também sujeito
produtor do discurso”, visto ser participante fundamental na construção discursiva (FIORIN,
1996, p. 65).

A teoria semiótica de linha francesa busca o estudo da significação do texto,


descrevendo-o como objeto de comunicação e significação. Em outras palavras, procura
explicar “o que o texto diz e como faz para dizer o que diz” (BARROS, 1990, p.7). De
acordo com essa teoria, o sentido se encontra no estudo do plano do conteúdo (o que o texto
12
diz e como o faz) conjuntamente com o plano da expressão (de que forma é expresso o
conteúdo do texto – sistema de significação verbal, não-verbal ou sincrético, ou seja, aciona
várias linguagens de manifestação). Em busca da significação, o modelo semiótico se dá a
partir de um percurso gerativo de sentido, que vai do mais simples e abstrato ao mais
complexo e concreto. Os três níveis que abarcam esse percurso são o fundamental, o
narrativo e o discursivo. O primeiro é o nível mais profundo, o segundo é intermediário e o
terceiro o mais superficial.

O sentido encontra-se presente no texto e é percebido pelo estudo dos procedimentos


da organização textual, bem como das estruturas que o compõem. No presente estudo, nos
deteremos no nível discursivo, etapa em que os percursos do sujeito e suas relações com
objetos-valor ou objetos modais apresentam maior concretude. É, portanto, neste nível, que
percebemos de forma mais clara os efeitos de sentido que as escolhas do sujeito da
enunciação provocam no enunciatário, levando este último a crer no que o outro diz.

Por meio do estudo dos recursos argumentativos utilizados, bem como temas e figuras
presentes no discurso do narrador e nas falas dos jovens projetadas no texto, busca-se
identificar como é construída a imagem do jovem de hoje na revista. Como resultado da
análise, imagina-se encontrar uma utilização estratégica dos discursos direto e indireto, dando
voz aos interlocutores, a fim de dar maior credibilidade ao discurso e um amplo uso de
construções de caráter manipulador, entre outros recursos argumentativos, como, por
exemplo, expressões de natureza avaliativa e uma seleção temática e figurativa que aponta
para determinada imagem do jovem pressuposto na revista, propagando certas ideologias.
Espera-se encontrar também projeções enunciativas tanto de primeiro quanto de segundo
grau, bem como outras escolhas linguístico-discursivas que inscrevem no texto um sujeito
pouco perspicaz, imaturo, cheio de dúvidas e anseios mostrados no discurso como típicos da
idade, vendo a revista como detentora de um saber que ele almeja.

Este trabalho tem, portanto, como objetivos principais: (a) identificar as projeções
enunciativas de pessoa, tempo e espaço, observando suas recorrências; (b) identificar as
relações estabelecidas entre enunciador e enunciatário, bem como outros recursos
argumentativos usados pelo enunciador e quais efeitos de sentido eles geram no discurso; (c)
analisar os procedimentos de tematização e figurativização, observando sua importância na
construção de ideologias no discurso; (d) apreender as formas de relações passionais entre

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sujeitos e entre sujeitos e objetos, bem como suas modulações afetivas, tanto na enunciação
quanto no enunciado; (e) por meio dos procedimentos acima elencados, apreender a imagem
construída do jovem na revista escolhida, seu modo de vida e principais interesses,
ressaltando o caráter manipulador do discurso e afastando a ideia de neutralidade, o que
possibilita uma leitura menos “ingênua”.

A fim de alcançar os objetivos propostos, o trabalho será organizado em cinco


capítulos. No primeiro, encontra-se uma apresentação dos conceitos gerais da semiótica de
linha francesa, teoria que serve de base para o trabalho desenvolvido. Será apresentado um
resumo dos níveis do percurso gerativo de sentido, com foco no nível discursivo, por razões já
citadas anteriormente. Posteriormente, no mesmo capítulo, trataremos das noções de ethos e
pathos, fundamentais para a análise da construção dos sujeitos da enunciação que o trabalho
se propõe a fazer. No segundo capítulo, apresentaremos tanto um panorama sobre a
linguagem jornalística, focalizando o jornalismo de referência e a mídia digital, quanto alguns
conceitos sobre o jornalismo voltado para o público adolescente, foco desta pesquisa. No
terceiro capítulo, analisaremos a construção do caráter argumentativo do texto, as projeções e
interações enunciativas. O quarto capítulo se ocupará do estudo dos temas e figuras presentes
no texto e os efeitos de sentido proporcionados. O quinto capítulo abrange a construção dos
percursos passionais e afetivos inseridos no discurso. Por fim, concluiremos o nosso trabalho
examinando como os procedimentos descritos acima são instaurados no discurso,
contribuindo para a construção de um simulacro do jovem da revista.

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1 – SEMIÓTICA FRANCESA E O ESTUDO DO TEXTO

No presente estudo, utilizaremos a teoria semiótica de linha francesa, uma teoria que,
tendo o texto como seu objeto de estudo, lança um olhar sobre ele, procurando descrever sua
significação e de que forma ela se dá. Assim, a preocupação passa a ser não só identificar o
que o texto diz, mas de que forma o faz, ou seja, é o estudo da estrutura interna que permite a
apreensão do sentido. Para nos atermos à teoria em questão, também conhecida como teoria
semiótica greimasiana, partiremos primeiramente de um de seus princípios, o da imanência,
que postula que os fatores sócio-históricos encontram-se presentes dentro do texto. Desta
forma, uma análise interna do texto dá conta de sua significação, pois parte-se da ideia de que
o produtor do discurso deixa nele marcas que permitem chegar ao contexto em que o texto
está inserido. Segundo Barros (2009), o conceito de exterioridade em Semiótica não é adotado
da mesma forma como o concebem outras teorias, como algo que está fora do texto, “mas não
deixa de examinar, sob outro prisma e com outros nomes, aquilo que, em outros quadros
teóricos, é denominado exterioridade” (BARROS, 2009, p.351-352). Portanto, para a
semiótica, o estudo das relações entre os sujeitos e o contexto de produção do discurso se
encontram dentro do texto, justificando uma análise imanente, ou seja, da estrutura interna do
texto.

A semiótica francesa apreende o sentido do texto através de um percurso gerativo, que


vai dos elementos mais simples e abstratos aos mais complexos e concretos. Cada etapa do
percurso é composta por uma sintaxe e uma semântica. Este percurso justifica-se na teoria
semiótica, uma vez que o sentido vai sendo construído no texto ao longo desses patamares,
sendo percebido de forma mais concreta e completa com a conversão dos níveis do percurso,
até o mais superficial.

O primeiro nível do percurso é o das estruturas fundamentais, apresentando a etapa


mais profunda e abstrata do discurso. Nele, a significação advém de uma oposição semântica
que é responsável pela organização textual, ou seja, o texto é construído a partir de duas
categorias contrárias que possuem um traço em comum. Essas oposições são representadas
graficamente por um quadrado semiótico, que projeta os dois termos em oposição, bem como
seus termos contraditórios, surgidos da negação dos termos contrários. Os elementos em
oposição recebem qualificações semânticas positivas e negativas, que são respectivamente
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nomeadas euforia e disforia. Estas qualificações semânticas construídas no texto não são
estáticas, mas sobre elas incidem operações de negação e asserção.

Com o intuito de ilustrar o nível apresentado acima, retiramos do corpus em análise o


texto “Adolescentes se transformam para ficarem parecidas com Barbies” (MEGAZINE, O
Globo, 30/03/12), que mostra o sucesso que algumas garotas estão fazendo mundo afora com
vídeos na Internet em que ensinam truques para ficarem parecidas com bonecas Barbie.
Podemos perceber que o texto se assenta nas categorias de oposição /fantasia/ versus
/realidade/, pois trata da transformação de adolescentes para ficarem fisicamente parecidas
com personagens do mundo fictício. No texto, a fantasia é classificada como eufórica, pois
recebe valores positivos ao assumir o sucesso que a transformação vem fazendo em diversos
países. Já a realidade é dotada de valores negativos, uma vez que a beleza está relacionada à
semelhança com personagens fictícios. Conforme vimos anteriormente, a euforia e a disforia
são categorias variáveis, podendo um dos polos discursivos apresentar características
eufóricas em um dado texto, enquanto em outro recebe qualificações disfóricas. Esses valores
estão inscritos no texto e apresentam o primeiro passo para a produção do sentido.

Os pólos sobre os quais o texto se organiza são chamados de S1 (fantasia) e S2


(realidade). A cada um deles é aplicada uma operação de negação. Sendo assim, temos que
fantasia desdobra-se em não-fantasia (não-S1) e realidade em não-realidade (não-S2). Desta
forma, o quadrado semiótico fica assim estabelecido (cf. BARROS, 2001, p. 21):

Fantasia Realidade
S1 S2

Não-realidade Não-fantasia
Não-S2 não-S1

relação de contrariedade
relação de contradição
relação de complementaridade

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A relação entre os termos do quadrado se dá de forma que a negação de cada termo
pressupõe a afirmação do outro, somente podendo passar de um termo a seu contrário por
meio dessa operação de negação. Sendo assim, como afirma Fontanille (2008, p. 66), “o
percurso que leva de um contrário a outro, de a1 a a2 passa, primeiro, pelo contraditório não-
a1”, como vemos no esquema abaixo (entendendo que “a” corresponde a “S”):

a. S1 → não-S1 → S2
b. S2 → não-S2 → S1

Da mesma forma, esses termos opostos apresentam diversas relações, conforme


mostrado na legenda do quadrado. A relação de contrariedade é vista na oposição entre S1 e
S2, uma vez que o primeiro termo pressupõe a existência do segundo. A partir de uma
operação de negação de cada um desses termos, chegamos a dois termos contraditórios: não-
S1 (não-ficção) é contraditório de S1 (ficção), enquanto não-S2 (não-realidade) é
contraditório de S2 (realidade). Segundo Fiorin (2002, p. 19), cada termo contraditório
“implica o termo contrário daquele de que é o contraditório”, o que significa dizer que, no
quadrado aqui representado, não-ficção implica realidade e não-realidade implica ficção,
numa relação de complementaridade. O autor ainda nos lembra que a junção de S1 e S2
(chamados de termos contrários) produz termos complexos, ao passo que de não-S1 e não-S2
(termos contraditórios) gera termos neutros.

O nível fundamental apresenta, portanto, uma análise das oposições que organizam o
sentido geral do texto.

O nível intermediário da busca de sentido é o patamar onde ocorrem as transformações


na narrativa, em que o sujeito interage com o mundo com vistas a atingir os valores por ele
almejados. Nesta fase, segundo Fiorin (2008, p.114), temos uma sintaxe que estuda “os
simulacros da ação do homem no mundo”, percebendo as transformações sofridas pelo sujeito
da narrativa ao longo de seu percurso e uma semântica que atribui valor aos objetos que
circundam o fazer desse sujeito. O simulacro do ser e do agir do sujeito nos textos representa
o próprio comportamento humano, atuando no e sobre o mundo, transformando-o com vistas
a alcançar suas aspirações.

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Na sintaxe narrativa, há uma relação estabelecida entre dois actantes: sujeito e objeto-
valor. O primeiro se relaciona com o objeto de diversas formas ao longo do discurso. Essa
relação entre os actantes é que define os dois tipos de enunciado elementar, a saber, enunciado
de estado e enunciado de fazer. No primeiro, temos uma relação de junção (disjunção ou
conjunção) entre o sujeito e o objeto-valor, enquanto no segundo acontecem as
transformações que alteram a relação de junção, ou seja, a passagem de um estado a outro. Na
reportagem já citada acima, “Adolescentes se transformam para ficarem parecidas com
Barbies” (MEGAZINE, O Globo, 30/03/12), temos um estado inicial de disjunção com o
objeto-valor fantasia (concretizado pela semelhança com bonecas) seguido de uma
transformação para um estado de conjunção com este objeto, a partir do fazer realizado pelo
sujeito.

O objeto a que o sujeito aspira é chamado em semiótica de objeto-valor, pois recebe


investimentos atribuídos, muitas vezes, pelo próprio sujeito, que vê este objeto como algo que
lhe trará determinado poder e status, por exemplo. O objeto-valor, assim como o sujeito, é um
“papel narrativo que pode ser representado num nível mais superficial por coisas, pessoas ou
animais, a depender da narrativa” (FIORIN, 2002, p. 22). Estes dois actantes mantêm uma
relação mútua de dependência, já que a existência de um demanda a do outro.

As transformações ocorridas na narrativa em busca de um objeto-valor são operadas


por um sujeito do fazer que modifica estados. O sujeito que realiza o fazer transformador e
aquele que entra em junção com o objeto-valor podem ser distintos ou idênticos, como no
caso de um suicídio, por exemplo. No caso de serem sujeitos distintos, podemos ter um
programa narrativo de doação ou de espoliação, em que, respectivamente, opera-se a
conjunção e a disjunção com o objeto-valor. No programa de doação, o sujeito de fazer doa ao
sujeito de estado a competência necessária à ação, permitindo que este, então, alcance o
objeto almejado, enquanto na espoliação o sujeito de fazer priva o de estado do contato com o
objeto-valor que este possuía inicialmente.

Uma vez que os textos são narrativas complexas compostas por uma variedade de
enunciados de estado e de fazer, esses obedecem a um plano hierárquico de organização. O
modo como os enunciados de estado e de fazer se articulam é o que define o programa
narrativo, que é um enunciado de fazer regendo um enunciado de estado. Nele, há a relação
entre os sujeitos e entre eles e o objeto-valor, percebendo que para que um sujeito adquira um

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objeto-valor, outro sujeito foi dele privado ou dele renunciou. Assim, os objetos estão sempre
em movimento na narrativa, circulando entre os sujeitos.

A organização hierárquica dos programas narrativos configura os percursos narrativos,


que é onde podemos perceber todo o caminho percorrido pelo sujeito em busca de um objeto-
valor, seus estados e transformações no decorrer da narrativa. Durante o percurso, o sujeito
adquire variados papéis, ora recebendo valores modais de outro actante da narrativa, ora
utilizando-se desses valores adquiridos na busca de seu objeto-valor.

Uma narrativa compreende quatro fases: manipulação, competência, performance e


sanção. Na manipulação, há um sujeito que persuade o outro a agir de determinada forma.
Para que a manipulação aconteça de forma satisfatória, o sujeito manipulador se utiliza de
diversas estratégias. Dentre as principais estão a tentação, a intimidação, a sedução e a
provocação. Todas essas formas de manipulação visam a que o sujeito destinatário realize a
ação da forma que o destinador deseja. Para que a manipulação se concretize, é preciso que o
destinatário assuma como verdadeiro o que é dito pelo destinador, aceitando o contrato por
ele proposto e compartilhando de um mesmo sistema de valores. Na reportagem “Skate Park
da Lagoa promete ser o point do verão carioca” (MEGAZINE, O Globo, 20/02/12), retirada do
corpus e que trata do sucesso da reforma de pistas de skate em uma quadra poliesportiva na
Lagoa, temos um trecho que exemplifica a fase da manipulação na narrativa:

Com o projeto de revitalização da Lagoa, a prefeitura iria demolir a "quadrinha",


mas depois de alguns abaixo-assinados e várias reuniões, atendeu o pedido da União
Skate Rio (USR) de construir uma pista de street skate.

Nesse trecho, podemos perceber que o sujeito-destinador figurativizado como União


Skate Rio manipula o sujeito-destinatário concretizado no discurso como Prefeitura a querer e
a dever realizar a ação de construir a pista de skate. O sujeito-destinatário Prefeitura, tendo
sido manipulado pelo sujeito-destinador por meio de reuniões e abaixo-assinados, concorda
com os argumentos apresentados por este, atendendo a seu desejo e realizando a ação
esperada.

Na fase da competência, um sujeito doa valores modais ao outro, dotando-o de um


saber e poder fazer. Um exemplo disso pode ser visto no texto “Mulheres criam curso
chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina” (MEGAZINE, O Globo, 08/03/12), que fala da

19
ideia de criar um curso para o público feminino com o intuito de aumentar sua autoestima nos
relacionamentos sexuais. Observemos o trecho abaixo, também retirado do corpus em análise:

A ideia partiu da cabeça de seis mulheres, com os objetivos de aumentar a


autoestima feminina através da aceitação do seu poder, debater o fator subversivo da
beleza, quebrar o estigma de “mocinha” e dar dicas sobre sexo abertamente.

No exemplo acima, o sujeito seis mulheres doa valores ao sujeito mulher-mocinha,


para que este aumente sua autoestima, aceitando seu poder sexual. O sujeito mulher-mocinha
passa, então, a possuir a competência de saber e poder fazer, tornando-se, do ponto de vista
masculino, um objeto desejável.

A performance é a fase em que o sujeito opera uma transformação, por estar munido
de um saber e poder fazer, mudando o estado inicial da narrativa. Para ilustrar isso,
recorremos novamente ao texto “Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade
feminina” (MEGAZINE, O Globo, 08/03/12), presente no corpus. A partir dos valores
recebidos na fase da competência, o sujeito mulher é agora um sujeito do fazer, que opera
uma transformação e não se vê mais como mocinha, mas passa a aceitar seu poder sexual, se
sentindo segura e poderosa.

A sanção compreende a última fase da narrativa complexa, em que temos o


julgamento daquele que realizou a ação, atribuindo-lhe, eventualmente, um prêmio ou castigo.
A sanção indica que a performance ocorreu, marcando-se como a etapa final da narrativa.
Levando em conta um texto já citado anteriormente, “Skate Park da Lagoa promete ser o
point do verão carioca” (MEGAZINE, O Globo, 20/02/12), podemos identificar que o
resultado da transformação operada pelo sujeito Prefeitura foi qualificado como positivo pelo
sujeito União Skate Rio e, portanto, o “prêmio” seria a construção da pista de skate e o
reconhecimento dessa melhoria obtida.

É importante salientar que nem sempre essas quatro fases da narrativa encontram-se
explícitas no texto. Muitas vezes, pode aparecer somente a performance, por exemplo,
estando as demais pressupostas, a depender da narrativa.

A semântica narrativa trata dos valores investidos nos objetos, estudando a relação do
sujeito com esses valores. Tal relação pode ser, como vimos, de conjunção ou disjunção,
alternando de um estado a outro ao longo da narrativa. Os valores apresentam natureza modal
ou descritiva. Os primeiros são responsáveis por modalizar ou modificar a relação entre o
20
sujeito e os objetos, compreendendo quatro modalidades previstas na semiótica: querer,
dever, poder e saber. Os segundos dizem respeito aos valores investidos nos objetos
desejados pelo sujeito (como a riqueza, a fama, o conforto). Para que o sujeito obtenha um
valor descritivo como a riqueza, por exemplo, é preciso que ele esteja modalizado por um
querer-fazer ou um dever-fazer, ou seja, tenha as motivações para a ação, e de um saber-fazer
e um poder-fazer, ou seja, alcance uma competência, algo que ele adquire ao longo da
narrativa, por meio de sua relação com outros sujeitos. Sendo assim, o sujeito da narrativa (S¹)
é investido de valores modais para que, a partir de então, dotado de competência, persiga seu
objeto de valor, como vemos no esquema abaixo:

[S¹ U Ov querer, dever, saber, poder] → [S¹ U Ov riqueza]

As quatro modalidades semióticas vistas (querer, dever, poder e saber) se organizam


de diversas maneiras na narrativa, modificando a existência modal do sujeito, ou seja, sua
relação com os valores. Segundo Barros (2008, p. 46), essa combinação das modalidades
produz efeitos de sentido no sujeito, que, ao possuir desejos ou obrigações que podem ou não
se concretizar, vivencia determinadas sensações afetivas ou passionais, tratadas em semiótica
como paixões.

Para exemplificar as configurações passionais, vejamos novamente a reportagem


“Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina” (MEGAZINE, O
Globo, 08/03/2012). A reportagem mostra mulheres que querem ser sexualmente poderosas,
embora não possam ser, pois são reprimidas pela sociedade tradicional. Temos, portanto, uma
incompatibilidade entre as modalidades do querer e do poder, em que, ao querer-ser de tal
forma, mas saber não poder-ser, essas mulheres experimentam sensações de frustração,
geradas pela repressão socialmente imposta. A esse arranjo modal sobredeterminam-se uma
aspectualização durativa e uma intensidade mais ou menos intensa, concentrada em um objeto
– a sexualidade. Esse sentimento vivenciado pelo público feminino altera sua relação com o
objeto de valor sexualidade, resultando em mudança de comportamento desse público, com
medo de ser visto de forma negativa pela sociedade. Assim, para transformar a relação de
impossibilidade em possibilidade, ou seja, de um não poder-ser para um poder-ser, o sujeito
passa por um processo de mudança de estado afetivo (cf. BARROS, 2008, p. 46).

21
Passemos agora ao estudo da estrutura discursiva, última etapa do percurso gerativo e,
também a mais concreta e próxima da manifestação textual. O nível discursivo apresenta uma
semântica mais enriquecida, com a concretização das formas abstratas apresentadas nos níveis
anteriores, sendo o que mais se aproxima da manifestação textual. Em razão disso, o presente
trabalho terá foco neste nível, por apresentar as relações entre sujeitos discursivos, efeitos de
sentido criados e asserção de determinações ideológicas.

A concretude do nível discursivo é o que permite perceber as projeções da enunciação


no enunciado, ou seja, por meio da presença de um sujeito projetado, observa-se uma série de
escolhas operadas por ele para elaborar seu discurso. Essas escolhas determinam os modos de
projeção da pessoa, do tempo e do espaço que situam o enunciado, bem como o revestem de
um sistema de valores. A partir de um exame atento dessas marcas do sujeito na enunciação,
percebemos que as escolhas feitas por ele não são aleatórias, mas revelam os valores sobre os
quais o discurso foi construído. Numa análise da sintaxe discursiva, faz-se o estudo das
projeções da enunciação e das relações entre enunciador e enunciatário, instaurando
procedimentos argumentativos; semanticamente, verificam-se os percursos temáticos e
figurativos que recobrem o discurso.

Todo discurso pressupõe um sujeito que fala e outro para quem o texto se dirige. Na
enunciação, há a instauração de dois actantes pressupostos, ou seja, os participantes da cena
enunciativa, a saber, o eu e o tu, que, no nível discursivo, são chamados de enunciador e
enunciatário. Segundo Fiorin (2008, p.137), tanto um quanto o outro dão origem ao sujeito da
enunciação, de forma que “o primeiro produz o enunciado e o segundo é levado em
consideração pelo eu na construção desse enunciado”. O eu projeta uma imagem do tu,
assumindo que este se identifique com o discurso, aceitando-o como sendo verdadeiro.
Assim, o enunciador, como uma das instâncias pressupostas ao ato de enunciar, sempre
produz seu discurso levando em conta o enunciatário a quem se dirige.

É importante distinguir enunciador e enunciatário de outras categorias que assumem o


lugar do sujeito no discurso, o narrador e o narratário. Enquanto os primeiros dizem respeito a
actantes pressupostos ao enunciado, os segundos tratam do eu e do tu projetados no interior
do enunciado, sendo simulacros do enunciador e enunciatário pressupostos. Sendo assim,
Fiorin (2008, p.138) define enunciador e enunciatário como instâncias pressupostas
constitutivas do sujeito da enunciação, enquanto narrador e narratário são sujeitos da

22
enunciação-enunciada, ou seja, atores instalados no enunciado, responsáveis pelo eu e tu
explícitos na narrativa. Da mesma forma, temos também as figuras do interlocutor e do
interlocutário, sujeitos delegados pelo narrador que simulam um diálogo em discurso direto
dos actantes do enunciado. Os diferentes níveis dos actantes do enunciado e da enunciação
serão retomados de forma detalhada mais adiante.

Não convém esquecer que, na enunciação, o que podemos apreender é a imagem do


enunciador e a do enunciatário projetadas no discurso, não havendo comprometimento com
sujeitos reais, mas somente aqueles que pertencem ao âmbito textual. São, portanto,
personagens pressupostos, fruto de construções discursivas.

Enunciador e enunciatário desempenham diferentes papéis no discurso. Enquanto o


primeiro se ocupa em enunciar os fatos de forma que estes sejam aceitos, o segundo se atém
ao fazer interpretativo. Como o principal objetivo de todo texto é convencer quem o lê de sua
veracidade, o enunciador elabora seu discurso de forma a persuadir o enunciatário de que é
verdadeiro, valendo-se de uma gama de mecanismos argumentativos para criar ilusão de
verdade. Como já foi dito, o que importa não é ser verdadeiro, mas parecer como tal. Para que
o objetivo principal tenha êxito, estabelece-se uma espécie de contrato entre ambos, em que o
enunciador manipula o enunciatário, direcionando como este deve interpretar o discurso. O
enunciatário, por sua vez, deve aceitar e assumir os valores apresentados pelo enunciador.
Sendo assim, a partir desse contrato fiduciário, o enunciatário entende que determinado texto
precisa ser interpretado como ficção ou como realidade.

A persuasão é o principal meio de manipulação encontrado pelo enunciador para que o


enunciatário realize um fazer-crer discursivo. Aristóteles (apud DISCINI, 2003, p. 17), em
sua Arte Retórica, afirma ser a persuasão uma estratégia do sujeito para alcançar seu objetivo.
O autor assevera que “é pelo discurso que persuadimos, sempre que demonstramos a verdade
ou o que parece ser verdade, de acordo com o que, sobre cada assunto, é suscetível de
persuadir”. Desta forma, dentre os diversos recursos persuasivos usados na construção
discursiva, o que vale é o efeito que o enunciador deseja produzir, a ilusão de verdade
responsável pela adesão do enunciatário ao discurso.

O efeito de sentido de verdade discursiva é alcançado por vários meios, entre eles os
mecanismos de projeção enunciativa, as debreagens no discurso. Esses mecanismos produzem
dois efeitos de sentido: a proximidade e o distanciamento da enunciação. O primeiro produz
23
um discurso em primeira pessoa, com tempo e espaço relativos ao momento e lugar da
enunciação. Denominado de debreagem enunciativa, o mecanismo projeta um discurso
carregado de marcas subjetivas, em que a presença do sujeito enunciador é facilmente
apreendida. Tal recurso é claramente uma estratégia de aproximar enunciador e enunciatário,
uma vez que ao trazer o eu para dentro do discurso, o enunciatário percebe os fatos
enunciados sob a ótica de quem os viveu, os testemunhou ou os conheceu. Um exemplo de
debreagem enunciativa encontra-se na reportagem “Adivinhe qual é o filme e ganhe um
brinde”, publicada em 24/04/12 e retirada do corpus:

Essa semana temos uma coluna interativa! Como boa parte da humanidade, estou
viciado no aplicativo de iPhone Draw Something e queria escrever algo sobre ele
por aqui. Mas aí eu pensei: para que escrever se eu posso... desenhar? (MEGAZINE,
O Globo, 24/04/2012; grifo nosso).

Nesse trecho, instaura-se um eu-aqui-agora, com discurso construído em primeira


pessoa, com tempo e espaço equivalentes ao do momento da enunciação. Os verbos estou e
posso, usados na primeira pessoa com tempo no presente e o pronome eu, instauram o
enunciador do discurso, marcado também pelo tempo da enunciação. Da mesma forma, o uso
do advérbio aqui, revela o lugar da enunciação, criando um efeito de sentido de aproximação.
Esse efeito de sentido fica ainda mais evidente com o uso do verbo temos, na primeira pessoa
do plural, simulando a presença do enunciatário do discurso. Desta forma, ao optar por deixar
suas marcas presentes no enunciado, relatando um discurso carregado de subjetividade, o
enunciador procura se aproximar do enunciatário, criando efeito de sentido de cumplicidade
entre esses sujeitos e fazendo com que o segundo se identifique mais facilmente com o ponto
de vista defendido pelo primeiro.

Por outro lado, na debreagem enunciva, ocorre a instauração de um ele-então-lá, em


que o discurso é narrado em terceira pessoa, com tempo e espaço diferentes em relação ao
momento da enunciação. Ao instalar um ele no texto, o narrador procura um afastamento em
relação ao discurso, apresentando os fatos como se estes se desenrolassem por si mesmos.
Esse tipo de debreagem, por denotar objetividade, é muito empregado em veículos midiáticos,
em que a imprensa procura transmitir os fatos como se fossem verdadeiros, sem assumir um
ponto de vista. O texto “Web celebridade americana faz paródia de ‘Ai se eu te pego’”
(MEGAZINE, O Globo, 21/03/12), caracteriza-se como um exemplo dessa objetividade
discursiva:
Sensação na internet, o adolescente americano Keenan Cahill postou esta semana
em seu canal do YouTube um vídeo no qual dança e faz sincronia labial com o
24
sucesso “Ai se eu te pego”, do Michel Teló. A página de Keenan até ganhou um
enorme banner do cantor brasileiro para promover o novo vídeo (Web celebridade
americana faz paródia de ‘Ai se eu te pego’, MEGAZINE, O Globo, 21/03/2012,
grifo nosso).

Nesse caso, percebemos que o enunciador está pressuposto, preocupando-se apenas


em narrar os fatos, apresentados em terceira pessoa (“o adolescente americano Keenan
Cahill”, etc.). Da mesma forma que a pessoa, o espaço projetado no enunciado também é
enuncivo, ou seja, é o espaço do lá (“canal do YouTube”), distante do espaço da enunciação.
Entretanto, o tempo marcado no enunciado não é o do então, mas relativo ao do agora (“esta
semana”), portanto, um tempo enunciativo, relativo ao momento da enunciação. Essa
conjugação entre tempo enunciativo com pessoa e espaço enuncivos é muito comum no
discurso jornalístico porque, ao mesmo tempo em que mantém a ilusão de objetividade e
verdade, imprime um efeito de sentido de atualidade ao discurso.

Os procedimentos de actorialização, temporalização e espacialização são responsáveis


pela criação de diferentes efeitos de sentido, como vimos acima. Apresentar um discurso em
primeira ou em terceira pessoa revela as intencionalidades do sujeito enunciador, na medida
em que afasta ou aproxima do discurso seu enunciatário. Ao procurar a adesão e aproximação
do público leitor, o discurso da revista Megazine conjuga debreagem (ou embreagem)
enunciativa e enunciva, fato apresentado por Gomes (2008b, p.55) como estratégia discursiva
dos veículos midiáticos.

Outro recurso bastante utilizado pelos meios de comunicação de massa é, como vimos,
a delegação de voz em discurso direto a outro sujeito, chamado interlocutor. A projeção da
voz de terceiros é usada tanto para que o narrador se exima da responsabilidade discursiva
quanto para sustentar seu ponto de vista. Esse recurso é usado pelo narrador para dar
credibilidade ao discurso, garantindo a confiança do leitor. Em geral, o enunciador delega voz
a alguém que seja notadamente um especialista no assunto abordado. Sendo assim, o leitor
terá alguma garantia acerca do que é apresentado no texto, visto que o enunciador se baseia na
experiência de alguém que conhece o tema. O exemplo a seguir, retirado do texto “Skate Park
da Lagoa promete ser o point do verão carioca” (MEGAZINE, O Globo, 20/02/12), ilustra
bem essa questão, pois o interlocutor é apresentado como alguém que tem influência no
universo retratado no texto (professor de skate da Lagoa), colocando-se como autoridade no
assunto:

25
Para Márcio Paiva, professor de skate da Lagoa, essas novas pistas permitirão a
formação de uma nova geração de skatistas no Rio:
— Com o street parque e o novo bowl, a Lagoa passará a ser a melhor área para a
prática do skate da cidade. Este é um momento para ser comemorado tanto por quem
já pratica como pelas novas gerações que já ensaiam as primeiras manobras — disse
Márcio (grifo nosso).

Segundo Barros (2008, p.59), “quando, no interior do texto, cede-se a palavra aos
interlocutores, em discurso direto, cria-se a ilusão de situação ‘real’ de diálogo, pois não se
trata de ‘dizer o que ele disse’, mas de repetir ‘tais quais’ suas palavras”. Portanto,
percebemos mais uma vez que, para a teoria aqui abordada, mais importante do que o ser
verdadeiro é o parecer verdadeiro, uma vez que o primeiro fato não pode ser comprovado por
meio do texto. Já o segundo participa do contrato entre os atores da enunciação, em que se
busca a interpretação do relato como sendo verdadeiro, já que “um discurso será verdadeiro
quando for interpretado como verdadeiro” (BARROS, 2008, p.64). O fundamental é criar a
ilusão de verdade, não importando se a realidade confere com a que é dita no discurso.

No nível narrativo, vimos que o sujeito assume determinados valores que o


caracterizam como sujeito existente e competente. A semântica discursiva vai agregar
investimentos figurativos a esses valores, ao converter os percursos narrativos em percursos
temáticos. O uso da tematização e da figurativização garante coerência textual, criando efeitos
de sentido de realidade (ou de ficção) e imprimindo um caráter ideológico ao discurso. Barros
(2009, p.352) acrescenta ainda que os temas e figuras “são determinados sócio-historicamente
e trazem para os discursos o modo de ver e de pensar o mundo de classes, grupos e camadas
sociais, assegurando assim o caráter ideológico desses discursos”. Estes procedimentos
semânticos serão analisados mais profundamente adiante.

Procurou-se, até aqui, apresentar um resumo do percurso gerativo de sentido, de forma


a apresentar os principais postulados da teoria semiótica e como tal teoria trata o texto. Ao
longo deste estudo, nos deteremos de forma mais aprofundada em cada aspecto apresentado,
principalmente os do nível discursivo, por ser este o mais próximo da manifestação textual. É
nas estruturas discursivas que se encontra o sentido da enunciação e a concretização dos
valores sobre os quais se assenta o texto.

26
1.1 - O lugar da enunciação na atividade discursiva

A semiótica, como teoria do discurso com foco no texto, aborda a questão da


enunciação. Para precisar melhor seu lugar na teoria semiótica, convém aprofundar o conceito
de enunciado e enunciação. Enquanto o primeiro se conceitua como “aquilo que é dito”, o
segundo se ocupa do “ato de dizer”, sendo a discursivização dos conteúdos mais abstratos
estruturadores do texto.

A enunciação está diretamente relacionada ao percurso gerativo de sentido, detalhado


anteriormente. A passagem de um nível profundo a um superficial se realiza através da
enunciação. Ela é, portanto, uma instância constitutiva do enunciado, mediando as estruturas
semióticas virtuais (fundamental e narrativa) e realizada (discursiva).

Conforme foi visto, a enunciação, como ato de dizer, pressupõe alguém que fala e
aquele para quem se fala, respectivamente, o eu e o tu. O eu é instaurado no momento da
enunciação e corresponde a um tu, pois sempre dirige seu discurso a alguém. Tanto o eu
quanto o tu são os actantes da enunciação, “elementos abstratos que recebem investimentos
semânticos para manifestarem-se como atores da enunciação” (FIORIN, 2008, p.153). Desta
forma, a projeção do eu e do tu representa a actorialização do discurso, os actantes da
enunciação.

A instalação de “vozes” no texto é o que transforma a linguagem em discurso. Ela


apresenta, como já foi visto mais acima, três níveis enunciativos, sendo o primeiro
pressuposto e os outros dois concretizados no enunciado. No primeiro nível, existem as
relações entre enunciador e enunciatário, que se encontram pressupostas, razão pela qual são
mais difíceis de serem apreendidas. No segundo nível, há a figura do narrador no discurso,
simulacro discursivo do enunciador e por este qualificado para conduzir o discurso. Portanto,
enquanto o enunciador é aquele que enuncia, não estando explícito no enunciado, o narrador é
aquele que aparece concretizado no discurso, dirigindo-se a um narratário. Por fim, há ainda
casos em que o narrador delega voz a um actante a ele subordinado, em discurso direto, que
assume, então, o papel de eu no discurso, falando para um tu. Temos, neste caso, a figura do
interlocutor e de seu correspondente, o interlocutário. Desta forma, a enunciação apresenta
duas instâncias distintas: o eu e o tu pressupostos e o eu e o tu projetados no interior do
enunciado, conforme mostrado no quadro abaixo, retirado de Calbucci (2007, p. 32):
27
1 – nível enunciativo
enunciador Enunciatário
(pressuposto)
2 – nível enunciativo
narrador Narratário
(concretizado no enunciado)
3 – nível enunciativo
interlocutor Interlocutário
(concretizado no enunciado)
Figura 1: quadro das projeções enunciativas
Fonte: Calbucci, 2007, p. 32

Mais uma vez, convém relembrar que o eu e o tu assumem papéis no interior da cena
enunciativa, não sendo figuras do mundo real, mas imagens que aparecem projetadas no texto,
pertencendo exclusivamente a ele.

Como vimos, o narrador é um actante instalado no enunciado que tem a tarefa de


conduzir a narrativa, diferenciando-se, portanto, do enunciador, sujeito que opera no nível da
enunciação pressuposta. É importante ressaltar que, ao falar em narrador, este nem sempre
está explícito no enunciado, podendo, muitas vezes, afastar-se da enunciação, deixando que os
fatos sejam relatados por si mesmos. Essa característica da narrativa em terceira pessoa é
muito comum no discurso jornalístico, pois, como se sabe, há a busca de um ideal objetivo.
No entanto, o narrador não se confunde com o enunciador, pois mesmo que ele esteja ausente
do enunciado, há sempre um eu que fala, responsável pela narração dos fatos. O narrador
pode, ainda, confundir-se com um actante do enunciado, assumindo o papel de algum
personagem da narrativa.

A semiótica prevê ainda a existência do observador, que se diferencia do narrador, na


medida em que este “diz respeito à voz que narra” enquanto aquele trata da “perspectiva a
partir da qual se relata”, responsável por instaurar um ponto de vista na narrativa (FIORIN,
1996, p.104). Muito embora possuam funções distintas, esses dois actantes podem (ou não)
estar em sincretismo, podendo haver variações de saber entre eles. Assim, enquanto o
narrador responde pelo relato dos fatos, ocupando-se, segundo Fiorin (1996, p. 105), de uma
“dimensão pragmática”, ao observador cabe a função de compreender os fatos, ocupando uma
“dimensão cognitiva” em que apresenta um ponto de vista. O actante observador, assim como
o narrador, é também delegado pelo enunciador do discurso.

Como o principal objetivo deste trabalho é analisar de que forma as imagens do


enunciador e do enunciatário são construídas no discurso da revista Megazine, nos
28
aprofundaremos nas relações entre os sujeitos participantes da cena enunciativa, valendo-nos
dos conceitos de ethos e pathos, explicitados no item a seguir.

1.2 - O ethos e o pathos no discurso jornalístico

A enunciação, como “ato de dizer”, apresenta caráter individual, pois é ditada por um
sujeito que diz eu (mesmo que de forma implícita) e, portanto, deixa sua subjetividade no
discurso. Da mesma forma, podemos também identificar um caráter social no discurso, uma
vez que este leva em conta o dizer do grupo social ao qual o enunciador pertence. Fiorin
(2003, p.42) afirma que, inconscientemente, o sujeito reproduz aquilo que seu grupo social
diz, justificando a pluralidade do discurso. A natureza do discurso não é neutra, mas carrega
traços da fala do outro.

A língua como ato de comunicação pressupõe a existência de dois sujeitos que se


inter-relacionam. No discurso jornalístico, temos um sujeito que fala e se põe como porta-voz
da notícia, dirigindo-se sempre a um sujeito que o escuta ou lê. Portanto, o discurso constitui-
se como um eu que fala para um tu, ambos sendo atores da enunciação, em que “o primeiro
produz o enunciado e o segundo, funcionando como uma espécie de filtro, é levado em
consideração pelo eu na construção do enunciado” (FIORIN, 2008, p. 137).

No nível narrativo, os actantes, ou seja, os participantes da cena narrativa, assumem


papéis actanciais distintos que os definem. Assim, o actante sujeito pode ser classificado pela
sua relação com os objetos, como sujeito do querer, sujeito de um fazer realizador, entre
outros. No nível discursivo, em que temos a inscrição da enunciação pressuposta ao
enunciado, esse actante é individualizado e recebe investimentos semânticos por meio de
procedimentos figurativos e temáticos, convertendo-se em ator da enunciação. Esse ator não é
definido por discursos isolados, mas somente em sua totalidade, assumindo a
responsabilidade pelos enunciados sem, necessariamente, explicitar-se como eu. Por meio de
avaliações implícitas de uma totalidade de enunciados, podemos chegar até a imagem do ator
da enunciação como ethos, apreendendo o modo de dizer e ser do sujeito do discurso.
Segundo Norma Discini (2003, p.42), ethos é a “concretização de uma voz, um corpo, um
caráter, na figura do ator da enunciação”, ou seja, através de uma totalidade de discursos
podemos definir uma identidade ao ator da enunciação, “seu modo de presença no mundo”.
29
Para o estudo do ethos no discurso jornalístico, recorremos a uma totalidade de traços
discursivos que apresentam certa recorrência, tais como: seleção dos temas abordados,
gêneros escolhidos, como se constroem os personagens, grau de formalidade empregado,
entre outros. Essas escolhas contribuem para traçar a imagem do ator da enunciação que está
projetada no discurso. O que procuramos apreender aqui é a imagem representada, levando-se
em conta a totalidade de discursos, o ethos do caderno voltado para os jovens, uma vez que
essa imagem está presa a “índices pontuais” espalhados por todo o discurso (FIORIN, 1996,
p. 63). Amparados por Greimas (apud FIORIN, 2008), afirmamos que dentro de cada
reportagem apresentada no jornal, podemos apreender a figurativização do narrador. No
entanto, para se chegar ao ethos do enunciador de Megazine, lançamos nosso olhar para a
totalidade de reportagens constituída de uma sequência de edições da revista, os traços
recorrentes e o modo como o jornal vê seu público e se dirige a ele.

Para construir o ethos do discurso, o enunciador não precisa necessariamente aparecer


explicitado no texto como um narrador que diz eu. Como vimos, o sujeito sempre deixa suas
marcas no discurso enunciado que podem ser resgatadas através do estudo do texto. Muitas
vezes, este ocultamento do sujeito tem por finalidade eximi-lo da responsabilidade dos fatos,
bem como produzir efeito de sentido de objetividade, algo muito comum nos discursos
midiáticos. Do mesmo modo, o emprego de determinados tempos e modos verbais e a
cobertura figurativa, entre outros recursos, revelam um ponto de vista definido pelo sujeito,
avaliando pejorativamente ou meliorativamente o conteúdo apresentado.

Parafraseando Fiorin (2008, p, 139), a construção do ethos não se relaciona a um


enunciado favorável que o sujeito faz de si, mas do modo como ele deixa transparecer sua
imagem positiva no discurso, sua conduta. Essa imagem é construída na enunciação e pode
ser apreendida por meio das marcas presentes no enunciado, isto é, na enunciação enunciada.
Portanto, pouco importa se a imagem projetada é ou não verdadeira, mas sim a confiança que
ela transmite ao auditório.

O enunciador, por sempre falar para um enunciatário, deve levá-lo em conta no


momento de produção de seu discurso. O primeiro se apresenta ao segundo numa posição que
legitime sua fala, marcando sua relação com um saber, produzindo, assim, efeito de sentido de
verdade. Ao apresentar-se como um porta-voz da verdade, o enunciador cria uma relação com
o público, que o vê como alguém que inspira confiança. Isso é muito comum no discurso

30
jornalístico, em que o produtor do discurso é visto pelo leitor como alguém que tem o saber e
o poder fazer, sendo competente para realizar sua função de noticiar os fatos do mundo.

O conhecimento do público para o qual se vai falar é fator determinante para a escolha
das notícias e o modo como elas serão abordadas. Para que o discurso tenha eficácia, o tu tem
que ser considerado pelo enunciador, ou seja, este último precisa ter em mente para que tipo
de audiência ele se dirige. Consultando Fiorin (2004, p.71), entendemos que “é diferente falar
para um auditório de leigos ou de especialistas, para um adulto ou uma criança”. Assim, para
se aproximar ao máximo de seu auditório, é preciso que o orador conheça o que desperta seu
interesse, criando uma imagem de seu enunciatário, a fim de que seja possível comunicar-se
com ele, tornando sua argumentação eficaz. O enunciador, portanto, “realiza uma eficaz
triagem e organização da realidade na qual o enunciatário se insere”, apresentando os
conteúdos de forma clara e envolvente para este último (HERNANDES, 2005, p.89).
Esse conhecimento do público leitor é o que define o pathos, sendo este, segundo Fiorin
(2008. p.154), “a disposição do sujeito para ser isto ou aquilo”, ou seja, a imagem que o
enunciador tem do enunciatário, a forma como ele enxerga este último.

Essa relação de troca entre enunciador e enunciatário, em que o primeiro oferece ao


outro um saber sobre determinados aspectos do mundo, ao passo que o segundo condiciona os
assuntos que serão abordados pelo primeiro, bem como o enfoque que será dado, prevê uma
fidelização do enunciatário baseada na confiança depositada por este no enunciador. Como
bem nos lembra Hernandes (2005, p.89), há uma espécie de contrato entre ambos em que o
enunciatário se sente recompensado e satisfeito ao encontrar em determinado discurso aquilo
que procura. Essa sensação de satisfação adquirida por “repetidas ações de consumo” cria um
hábito de leitura, como se o enunciatário se familiarizasse com o discurso e se sentisse
identificado com este, estabelecendo uma relação de confiança entre os sujeitos discursivos.

Na revista Megazine, objeto do presente estudo, o enunciatário se mostra como


alguém que transita no universo jovem, sendo os assuntos tratados no suplemento os que
pressupostamente despertam seu interesse, fato que será estudado de forma detalhada em
capítulos posteriores dedicados à análise. Tal imagem do enunciatário pode ser percebida
quando atentamos para a escolha dos temas abordados nas reportagens, em sua maioria
ligados a assuntos sobre música, esportes, cinema, relacionamentos e entretenimentos em
geral, como vemos no título das matérias abaixo, presentes no corpus:

31
Ouça nova música com Justin Bieber, ‘Live my life’ (MEGAZINE, O Globo,
24/02/2012).

Skate Park da Lagoa promete ser o point do verão carioca (MEGAZINE, O Globo,
20/02/2012).

‘Jogos Vorazes’: sem apelar para a magia, história conquista multidões


(MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012).

Um ensaio sobre a temida ‘friend zone’ (MEGAZINE, O Globo, 8/5/2012).

Festa Bootie Rio comemora dois anos de ‘mashups’ (MEGAZINE, O Globo,


10/05/2012).

Como a finalidade de todo veículo de comunicação, seja ele impresso ou não, é


conquistar e manter a adesão e a confiança de seu público, o enunciador procura conhecer
bem seu alvo, sabendo que assuntos porventura despertam seu interesse e o que esse leitor
procura ao ler o jornal. A imagem que o enunciador tem de seu enunciatário é fundamental
para que o objetivo de manter o público consumidor seja alcançado. Dessa forma, o segundo é
um co-enunciador, pois é levado em conta na produção do discurso, na medida em que
“determina escolhas linguísticas do enunciador” (FIORIN, 2008, p. 154). É através da
imagem do enunciatário que o enunciador seleciona as matérias a serem veiculadas e a forma
de apresentá-las. Portanto, não é para qualquer leitor que o jornal discursa, mas aqueles que
podem partilhar das ideias apresentadas na revista.

Na relação entre enunciador e enunciatário, com o estabelecimento de um acordo


tácito entre esses sujeitos da enunciação, o segundo precisa validar o discurso apresentado
pelo primeiro, enxergando-o como verdadeiro. Caso contrário, o objetivo do enunciador não
será alcançado e a comunicação não ocorrerá. O enunciatário, por ser também participante da
instância enunciativa, é responsável pela construção dos sentidos do texto, sendo, como se
viu, um partícipe da produção discursiva. Recorremos a Barros, que diz:

a interpretação depende, assim, da aceitação do contrato fiduciário e, sem dúvida, da


persuasão do enunciador, para que o enunciatário encontre as marcas de veridicção
do discurso e as compare com seus conhecimentos e convicções, decorrentes de
outros contratos de veridicção, e creia, isto é, assuma as posições cognitivas
formuladas pelo enunciador (BARROS, 2001, p. 94).

O enunciador precisa atingir o público para o qual se destina, visando alcançar a


popularidade almejada. Em vista disso, ele constrói seu discurso de modo a criar
determinados efeitos de sentido, para que o leitor se identifique com a figura do ethos
manifestado no texto, criando a sensação de pertencimento ao estilo de vida mostrado. Para

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tanto, o enunciador instaura projeções actanciais, temporais e espaciais enunciativas no
enunciado, criando efeito de sentido de subjetividade e colocando-se como autoridade da
enunciação. Ao apresentar o discurso em primeira pessoa, o enunciador se mostra no discurso,
assumindo a responsabilidade pelo que é dito.

A revista Megazine apresenta muitas reportagens com o uso de debreagem


enunciativa, se comparado às demais seções do mesmo jornal, o que cria um efeito de sentido
de cumplicidade com o enunciatário, ao mesmo tempo em que ajuda na construção da figura
do ethos discursivo e na forma como este se relaciona com o enunciatário. Isso se justifica
uma vez que a revista se coloca como detentora de um saber, procurando compartilhá-lo com
o leitor e assumindo, assim, uma postura superior em relação a ele. A superioridade encontra-
se na medida em que o enunciador se mostra como alguém que tem competência para o dizer,
almejando direcionar a interpretação de seu enunciatário para fazê-lo crer na verdade dos
fatos. De forma a ilustrar o que foi dito, podemos citar, dentre outras, as reportagens “Os
motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca” (MEGAZINE, O Globo,
22/02/2012), “Um ensaio sobre a temida friend zone” (MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012) e
“Por que o videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da década?” (MEGAZINE, O Globo,
16/05/2012) em que o enunciador se faz reconhecer através de um eu e faz o enunciatário crer
nas verdades assumidas por ele, procurando uma aproximação ao apresentar seu ponto de
vista sobre o assunto.

Nas matérias citadas acima, o ethos do enunciador se constrói a partir de um narrador


em primeira pessoa que faz crer no seu discurso por meio de um modo próprio de relatar os
fatos, contribuindo, também, para traçar o caráter discursivo. Essa forma de dizer permite
apreender a imagem de um ethos irreverente e despojado que, utilizando-se de argumentos
que contradizem o senso comum, leva o narratário a mudar sua forma de pensar nos fatos.
Isso acontece quando, como no exemplo a seguir, o narrador apresenta as vantagens de fugir
do carnaval carioca, mostrando que, ao contrário do que grande parte da população diz,
carnaval nem sempre é garantia de diversão. O tom brincalhão e direto presente no discurso,
ajuda na construção de um ethos jovial e cria efeito de sentido de familiaridade entre os
sujeitos da enunciação, já que mostra o simulacro de um pathos que se identifica com a
opinião apresentada pelo narrador:

Estava de férias e voltei na sexta-feira de carnaval (eu sou tão deslocado em relação
ao feriado que nem sei quais dias da semana são apelidados de “alguma-feira-de-
carnaval”, mas espero que sexta seja um deles para isso fazer sentido). Enfim, não
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tive tempo de comprar os mantimentos com antecedência e saí para buscar as
compras na madrugada em algum mercado 24 horas. Dei de cara com a cidade mais
linda do mundo devastada, imunda e com um cheiro de dar ânsia de vômito. O Rio
de Janeiro parecia ter sido vítima de um apocalipse zumbi. E eu não sei o que
aconteceu ali mais cedo, mas se alguém me dissesse que um folião bêbado deu a
ideia pra multidão de todos urinarem juntos, ao mesmo tempo, na rua, unindo os
“raios do xixi”, tentando conjurar o Capitão Planeta, soaria como uma história bem
plausível (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca,
MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012).

No entanto, em Megazine, nem sempre o narrador aparece em primeira pessoa, fato


que não impede a percepção do posicionamento do sujeito no discurso, visto que este sempre
pode ser resgatado através de marcas deixadas por ele no enunciado. Nos casos em que há
uma projeção actancial enunciva, ou seja, quem fala não é mais um eu, mas há a projeção de
um ele, o efeito de sentido criado é o de objetividade. O objetivo de um discurso em terceira
pessoa é eliminar as marcas de enunciação. Entretanto, através dos valores apresentados no
discurso, percebemos que a enunciação sempre está presente, como afirma Diana Barros
(2008, p.55):
Há uma certa tradição de ‘objetividade’ no jornalismo, ou seja, de manter a
enunciação afastada do discurso, como garantia de sua imparcialidade. Existem,
como bem se sabe, recursos que permitem ‘fingir’ essa objetividade, que permitem
fabricar a ilusão de distanciamento, pois a enunciação, de todo modo, está lá,
filtrando por seus valores e fins tudo o que é dito no discurso.

Além das projeções actanciais que mostram os diferentes efeitos de sentido


construídos com discursos em primeira e terceira pessoa, outro procedimento que nos permite
dar conta do ethos e do pathos discursivo é a cobertura temático-figurativa apresentada. Os
temas abordados em Megazine e a forma como tais temas são figurativizados em muito nos
diz sobre a imagem pressuposta do enunciatário desse discurso. Desta forma, ao concretizar o
tema do entretenimento por meio de figuras como jogos, shows e cinema, por exemplo, o
enunciador mostra para que tipo de enunciatário o discurso está voltado, ou seja, por quais
atividades esse enunciatário possivelmente tem interesse.

As diversas marcas da enunciação no enunciado são também figuras encontradas no


texto que farão o enunciatário se identificar com o ponto de vista apresentado pelo
enunciador. Os valores disseminados no texto são, portanto, concretizados por meio de
figuras que, por sua vez, se relacionam aos diferentes temas abordados. No entanto, para
garantir a manutenção semântica do discurso é preciso analisar uma rede de figuras
encadeadas e não cada uma de forma isolada. Esse encadeamento de figuras é chamado em

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semiótica de percurso figurativo. Da mesma forma, a um encadeamento de temas damos o
nome de percurso temático, visto que um texto pode comportar uma variedade de temas.

Para ilustrar esses procedimentos semióticos e a forma como estes constroem a figura
do ethos discursivo, emprestando-lhe um caráter, um corpo, retomamos o texto “Os motivos
de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca” (MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012), já
citado no exemplo dado mais acima:

Eu tenho medo de me apaixonar no carnaval. Imagine encontrar o amor da sua vida


no meio de um bloco! E vocês se apaixonam e casam. E, um dia, têm filhos e eles
perguntam como vocês se conheceram. Aí você vai dizer: “Foi lindo! A mamãe tava
beijando um outro cara que ela nem lembra o nome e eu tava vestido de mulher
e tinha acabado de vomitar sem querer no pé do seu tio Antônio, que ficou boladão.
Aí o cara largou sua mãe pra perguntar pra um amigo se ele tinha camisinha pra
emprestar, eu fui lá e mandei um “que isso novinha” pra ela, ela achou que eu era o
outro cara e acabou me pegando sem nem perceber que eu era eu” (grifo nosso).

No exemplo acima, o enunciador pontua seu discurso com figuras que permitem a
construção de uma imagem negativa das pessoas no carnaval. O encadeamento de figuras
como “beijando um outro cara que ela nem lembra o nome”, “vestido de mulher” e “vomitar”,
formam um percurso figurativo que desconstrói o romantismo de um encontro amoroso. Esse
exemplo permite identificar certas manifestações ideológicas presentes no discurso de
Megazine, como a ideia de que o carnaval é uma festa que vai de encontro a visões de mundo
mais conservadoras sobre relacionamentos, já que incentiva a propagação de relações efusivas
e inconsistentes. A partir dessa perspectiva negativa, o enunciador apresenta seu ponto de
vista sobre o carnaval, procurando fazer com que o enunciatário partilhe da mesma opinião ao
reconhecer os valores disfóricos mostrados, além das reações afetivas de repulsão
desencadeadas pelos temas e figuras escolhidos.

Percebemos, portanto, que o estudo tanto dos aspectos sintáticos com o uso de
projeções enunciativas e recursos argumentativos quanto dos aspectos semânticos com a
cobertura temático-figurativa do discurso, permite perceber um modo próprio de dizer e
retratar o mundo, emprestando ao ethos um tom, um caráter, ou seja, ajuda a identificar sua
imagem construída no discurso. Atrelado a isso, identifica-se, também, a ideia que o
enunciador faz sobre seu público, a imagem que ele tem do pathos, ou seja, o que o afeta, o
que desperta seu interesse, o que o move.

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A partir da apresentação dos principais postulados que norteiam a teoria semiótica,
tendo como foco o nível discursivo, procurou-se mostrar de que forma enunciador e
enunciatário se relacionam no discurso e os modos pelos quais se pode chegar ao simulacro
desses actantes da enunciação. No próximo capítulo, serão estudados como se constroem os
aparentes efeitos de objetividade do discurso jornalístico de referência, no qual se encontra o
suplemento Megazine, objeto de estudo de nosso trabalho. Como o suplemento em questão é
veiculado por meio de suportes digitais, faremos também uma breve apresentação das
características desse tipo de jornalismo.

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2 – A LINGUAGEM NO JORNAL

Todo veículo midiático tem como objetivo, mais do que informar, ser um mediador
entre o leitor e os fatos do mundo, possibilitando que este entre em contato com os saberes
difundidos pelo jornal, que separa “o que é dizível e o que é indizível”, ou seja, o que pode ou
não vir a ser noticiado (BUCCI, 2003, p. 12). O autor nos lembra que o discurso midiático,
em especial o jornalístico, é responsável por reforçar determinados valores em detrimento de
outros ao ordenar certos fatos do mundo, transmitindo-os de forma que o público assuma o
ponto de vista apresentado pelo jornal como a “realidade feita dos fatos” (BUCCI, 2003, p. 9).

Entretanto, a difusão desse recorte de realidade pela mídia está condicionada a certa
constância na escrita, que Discini (2003) aponta como o estilo do veículo de comunicação,
isto é, sua identidade. Essa noção de estilo prevê um modo próprio de ver e relatar os fatos de
acordo com uma perspectiva que se repete continuamente, revelando uma personalidade. Para
além das notícias, importa o modo como estas são abordadas, a realidade mostrada, sempre
desejando uma identificação do leitor com essa característica peculiar de cada jornal e uma
fidelidade a ele. Como afirma Landowski (1992, p.119), “o jornal, objeto de comunicação,
solicita de cada indivíduo a compulsão inversa, exigindo a repetição, favorecendo o hábito ou
a rotina, ou, ao menos disforicamente, uma certa constância – como se, uma vez que alguém
elegeu seu jornal, permanecer fiel a ele fosse, em suma, permanecer fiel a si mesmo”.

Para que se chegue ao estilo de um jornal, importa, primeiramente, lembrar que os


jornalistas que assumem a autoria das matérias são figurativizações de um sujeito semiótico
único, aquele que se encontra no nível da imanência. Segundo Fiorin (2004, p.22), há uma
subordinação daqueles em relação a este, isto é, ao sujeito que fala, assumindo o lugar do eu
no universo discursivo. A apreensão da imagem deste sujeito da enunciação, o enunciador, é o
que nos interessa estudar, sendo imprescindível para chegar ao sentido do texto e, mais
especificamente, à identidade do jornal, ao tom de voz assumido no discurso.

A realidade mostrada por cada veículo de comunicação obedece a critérios


estabelecidos pelo mesmo, determinando o que é ou não relevante a partir do simulacro de um
enunciatário. Para decidir quais fatos serão ou não noticiados, o enunciador precisa conhecer
o seu público e levar em consideração suas aspirações, sabendo o que pensam e quais

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assuntos despertam seu interesse. Isso implica dizer que esse leitor-ideal é personagem
fundamental na escolha da construção discursiva, pois, como nos lembra ainda Fiorin (2008,
p.154), o enunciatário é um desdobramento do sujeito da enunciação, também um produtor do
discurso, “na medida em que determina as escolhas linguísticas do enunciador”. Longe de ser
passivo, ele contribui para a construção do significado, uma vez que “interpreta, avalia,
compartilha ou rejeita significações” (FIORIN, 2008, p. 154).

Para conquistar e aproximar o leitor do universo retratado no jornal, é preciso que


ambos partilhem de um mesmo sistema de valores, em que o enunciatário enxergue o
enunciador como detentor de um saber almejado pelo primeiro, ou seja, as informações sobre
uma dada realidade.

É preciso, então, que o enunciatário creia no simulacro de realidade mostrado,


deixando-se manipular pelo veículo midiático. Tal crença possibilitará passar de um estado de
disjunção com o conhecimento para um de conjunção, ao mesmo tempo em que insere o
sujeito na realidade mostrada. Ao cumprir o papel esperado e assumir como verdadeiro o
discurso formulado pelo enunciador-jornal, o leitor se identifica com o que é dito,
desenvolvendo sentimentos de “pertencimento a um determinado corpo, de auto-
reconhecimento” (DISCINI, 2003, p.118). Temos, portanto, uma via de mão-dupla, uma
relação de troca entre o jornal e seu público leitor, em que o primeiro busca difundir um modo
próprio de dizer e, assim, conquistar seu público-alvo, enquanto o segundo deseja estar em
conjunção com esse dizer, que caracteriza um saber sobre uma dada realidade, “conquistando
a prometida inserção nessa mesma realidade” (DISCINI, 2003, p.119).

A teoria semiótica apresenta-se, então, como ferramenta que possibilita lançar outro
olhar para o discurso jornalístico, revelando o que está escondido nas escolhas argumentativas
do jornal enquanto instituição “pensada como marca para que possa assumir e ter identidades
administradas” (HERNANDES, 2005, p. 58). A base teórica de linha francesa desmistifica a
ideia de que os fatos se sucedem por si mesmos, “independentemente da presença ou do olhar
do observador” (BUCCI, 2003, p. 11), havendo um compromisso com a busca pela verdade e
um retrato fiel da realidade.

Com base no que foi dito, procuramos elaborar um panorama de como essas ideias
encontram-se intrínsecas no discurso jornalístico de referência, no qual se insere o jornal O
Globo, veículo de comunicação que comporta o caderno Megazine, objeto de análise desta
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pesquisa. Em seguida, apresentamos uma breve exposição acerca do jornalismo na Internet, o
que, a nosso ver, se justifica por ser o caderno em questão um suplemento publicado na
versão digital do jornal O Globo. Por fim, trataremos da abordagem do público jovem pela
mídia, buscando retratar como o jornal enxerga esse tipo de leitor, suas características e
preferências.

2.1 – A imprensa dita séria

O jornalismo de referência ou a “imprensa dita séria”, termo assumido por Discini


(2003), tem como característica principal a busca pelo distanciamento entre o sujeito da
enunciação e os fatos enunciados, alegando preocupar-se apenas em transmitir informações de
forma livre e imparcial. Essa aparente objetividade, como sabemos, é algo impossível de se
alcançar, visto que todo discurso assume, necessariamente, um ponto de vista, assentando-se
sobre valores e crenças da sociedade na qual o discurso está inserido. Na verdade, o que
temos são simulacros de uma suposta imparcialidade discursiva, provenientes do conflito
entre a necessária objetividade no discurso jornalístico e a impossibilidade de relatar algo sem
que se assuma um ponto de vista.

Como vemos, mesmo que a presença do sujeito esteja camuflada no discurso, ela pode
ser detectada pela análise dos procedimentos de projeção enunciativa e os recursos
argumentativos utilizados para construir o efeito de objetividade. O sujeito-leitor tem, então, a
impressão de que os fatos são narrados de forma neutra, sendo um retrato fiel da realidade.
Tal modo de relatar os fatos “se direciona pelo desejo e pelo dever de parecer, o mais
possível, asséptica de subjetividade” (DISCINI, 2003, p.157).

O distanciamento da enunciação, caracterizado pela ausência explícita de um eu que se


dirige a um tu, também revela o simulacro de um enunciador preocupado com o interesse
coletivo em detrimento do individual, função adotada pelo jornalismo de referência. Segundo
Silva (2010, p.36), “os acontecimentos situados no eixo do privado ou particular não
deveriam figurar como notícias em tais jornais, que, como instrumentos de informação e
expressão do povo (do público), devem relatar e retratar os fatos a partir do ponto em que
afeta o social, e não o individual”. No entanto, se um acontecimento diz respeito a alguma

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figura pública ou do meio artístico e pode vir a causar certa comoção no público em geral,
possivelmente será noticiado em jornais de referência. Como afirma Mendes (2001, p.393
apud LOPES, 2010, p.9), tal aparição depende do grau de importância da notícia e de sua
relevância no âmbito do social, ou seja, “a maioria dos atos da vida cotidiana de cada um só é
noticiável em determinadas condições, aquelas em que passam a revestir interesse geral”.

Além desse distanciamento do eu que fala, configura-se também como característica


desse tipo de imprensa a preocupação com a veracidade dos fatos noticiados. A busca pela
veridicção justifica a premissa de ser o jornal uma ferramenta que atende unicamente aos
interesses do povo. Segundo essa perspectiva, firma-se o compromisso de apurar e publicar
informações que venham a ser do interesse do grupo social no qual o jornal se insere.

No entanto, para que o enunciatário desse jornal reconheça a veridicção no discurso, é


preciso que o enunciador assente seu dizer sobre saberes e crenças partilhados pelo primeiro.
Gomes (2009, p. 205) afirma haver um “contrato de confiança” estabelecido entre jornal e
leitor, em que este compara o que é dito com o universo de saberes no qual está inserido. A
partir do estabelecimento de um “fazer interpretativo”, o enunciatário adapta o “novo e
desconhecido ao já conhecido”, julgando o discurso como verdadeiro (GOMES, 2009, p.
205).

Com o intuito de fazer parecer verdadeiro e, assim, conquistar a confiança do público


leitor, o enunciador instala projeções de tempo, pessoa e espaço que possibilitam a criação de
uma ilusão de realidade, com o aparente distanciamento da enunciação. A narrativa em
terceira pessoa, com tempo projetado no momento da enunciação é necessária tanto para
produzir um enunciado objetivo e, portanto, com a crença de ser imparcial, quanto para criar
efeito de atualidade, característica dos fatos jornalísticos, como já dissemos.

Da mesma forma, o enunciador do jornalismo de referência frequentemente delega voz


ao outro para detalhar e precisar seu discurso, afastando-o da subjetividade e da assunção
explícita da responsabilidade em relação ao que é dito. Esse outro presente no discurso é um
ator do enunciado que possui credibilidade para enunciar, uma vez que pode estar envolvido
diretamente nos fatos (como testemunha, vítima, acusado, etc.). Muitas vezes, esse ator é
também um especialista no assunto abordado, sendo modalizado por um saber que lhe
confere o aval do enunciador, que passa a ser visto como isento pela autoria. Ao mesmo
tempo em que se transfere a responsabilidade a esse ator do enunciado, aproxima-se o
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discurso do real, contribuindo para “fazer o leitor aceitar os acontecimentos noticiados como
representações da realidade” (GOMES, 2009, p.206).

Como já se sabe, esses recursos empregados pelo enunciador do jornal são estratégias
para atingir o ideal de imparcialidade perseguido pela imprensa, não passando de
procedimentos para simular uma aparente neutralidade na forma de transmitir os conteúdos. O
discurso jornalístico, portanto, nada mais é do que um fazer crer, procurando convencer o
enunciatário a partilhar das crenças difundidas. Desta forma, o ato de comunicar, que
aparentemente se descreve como um fazer saber “é, sobretudo, e primeiramente, um fazer
crer” (GOMES, 2009, p.205).

Todas essas estratégias adotadas pelos veículos jornalísticos de referência remetem a


visão de jornal como instituição que busca consolidar sua marca no mercado. Sob essa
perspectiva mercadológica se assenta todo o processo de seleção e hierarquização das
notícias, que é pensado levando em conta as características do público-alvo que se deseja
alcançar. A informação é tratada como “mercadoria a ser consumida”, seguindo
características editoriais que selecionam e apresentam as notícias de forma particular
(LOPES, 2010, p.5).

Tal visão mercadológica do jornal delimita as notícias a serem publicadas, assim como
sua abordagem. Segundo Lage (2006, p. 39), o trabalho jornalístico encontra-se subordinado a
uma pauta programada “a partir de fatos geradores de interesse, encarados de certa
perspectiva editorial”, impondo de que forma as informações serão divulgadas, o que pode vir
a conduzir a forma como concebemos a verdade no discurso. O jornal, como instituição que
se propõe a atender às demandas da população por informação e serviços, assenta seu discurso
sobre determinados valores ideológicos que estão de acordo com os interesses da classe
dominante. Esse sistema de valores, a partir de interesses políticos e sociais, avalia o que é ou
não importante saber, interferindo na elaboração da pauta jornalística. Segundo Silva (2010,
p.41), “a elaboração da pauta ocorre com base naquilo que se publica em outros jornais, o que
redunda na homogeneização dos discursos veiculados”. Desta maneira, só é notícia o que é
relevante para o jornal, o que reforça determinadas “verdades” que circulam na mídia.

Para entender a natureza de cada veículo jornalístico, permitindo traçar a identidade do


enunciador de um jornal, precisamos nos deter às peculiaridades presentes em cada um. A
forma particular de relatar os fatos, projetando uma dada realidade, não é gratuita, como
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afirma Discini (2003), mas revela um enunciador competente, modalizado por um saber que o
qualifica, firmando-o como porta-voz eficiente, falando em nome da coletividade. Esse
simulacro é sustentado na medida em que o público acredita ter sua voz manifestada no
jornal, aceitando a versão apresentada dos fatos. A crença e a aceitação do universo retratado
legitimam o discurso do jornal, fazendo com que o leitor queira e precise dele cada vez mais,
tornando-se um leitor fiel, visto que reconhece seus interesses manifestados naquele discurso.
Como afirma Discini (2003, p.119),

compra-se e vende-se o jornal, interagindo, para tanto, os dois atores da enunciação,


enunciador e enunciatário. O primeiro constrói o que deve e pode tornar-se objeto de
desejo, supridor de uma falta; o segundo, busca entrar em conjunção com tal objeto,
tentando suprir a própria falta.

O papel assumido pelo jornal e seu leitor, enquanto actantes da enunciação, sustenta as
expectativas da indústria midiática: o jornal, com seu fazer persuasivo, realiza a performance
de tornar o discurso atraente para seu público, enquanto este último, por meio de um fazer
interpretativo, valida a performance do enunciador, querendo estar sempre em contato com
aquele discurso.

A confiança do leitor deriva das escolhas feitas pelo jornal, criando a ilusão de que
este se subordina a seu público, uma vez que seus interesses determinam quais fatos devem se
tornar notícias. De fato, como vemos em Fiorin (2008, p.153), o enunciatário, por ser também
um co-enunciador do discurso, precisa ser considerado no momento de produção do mesmo.
No entanto, o papel ativo do público na elaboração dos periódicos deriva da crença de que o
jornal é um veículo de comunicação que fala em nome da “opinião pública”, o que simula que
as necessidades e interesses do enunciatário, como sujeito social, encontram-se aí inseridos.

A partir de então, a identidade do ethos discursivo construído no jornalismo de


referência, revela um sujeito qualificado para o dizer, selecionando as matérias a serem
divulgadas e sua forma, evidenciando seu poder de manipulação e influência perante a massa
consumidora de seu jornal. A aparente objetividade discursiva nos encaminha a um ethos
sério, de “corpo sóbrio”, que procura manter-se distante da enunciação, o que supostamente
lhe garante imparcialidade em relação aos fatos narrados. Sua forma de construir a realidade,
de julgar o mundo, obedece a um “modo equilibrado de dizer”, baseado num ideal de justa
medida (DISCINI, 2003, p.159).

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A preocupação em transmitir discursos com foco em questões de interesse público e,
portanto, que atinjam esferas de maior amplitude, como questões de cunho político e social, é
uma prática jornalística que interfere diretamente no ethos do enunciador, ajudando a
construir a identidade do jornal. Tal discurso é, então, pontuado por escolhas gramaticais que
revelam um ethos polido, que se preocupa em usar uma linguagem mais formal.

Pressupondo que todo enunciador corresponde a um enunciatário, temos,


concomitante à figura desse ethos da justa medida, a figura do pathos, isto é, o enunciatário a
quem o primeiro se dirige. A partir da figura de um enunciador preocupado com as normas
gramaticais, apresentando o emprego de um português culto e reportagens que retratam
assuntos de interesse global, chegamos a um enunciatário também culto e polido, que
apresenta um ponto de vista crítico sobre as informações que lhe são enunciadas. Este
enunciatário, pertencente às camadas mais favorecidas da sociedade, se reconhece como
destinatário de tal discurso, uma vez que partilha da mesma realidade mostrada.

O pathos do jornalismo de referência, ao contrário daquele encontrado no popular,


apresenta-se predisposto a construir e reconstruir o sentido do texto, visto que nada é dado
pronto, mas demanda uma leitura crítica. Segundo Discini (2003, p.162), os períodos
elaborados, que estão presentes no discurso deste tipo de imprensa, demandam que o leitor
constantemente recupere os referentes das ideias apresentadas, o que configura “um modo de
dizer elaborado, em que está implícita uma posição de leitura exigida, um modo esperado de
(re)construir o sentido, que deverá ser aquele de quem quer e sabe e pode ler pressupostos e
subentendidos”.

A aparente objetividade presente no jornalismo da imprensa dita séria é, portanto, nada


mais do que uma ilusão criada por meio de mecanismos argumentativos empregados pelo
enunciador do discurso. Esse tipo de imprensa nada mais faz do que criar simulacros de uma
realidade, procurando manipular a massa de leitores, fazendo-a aceitar determinado recorte da
realidade como sendo verdade.

43
2.2 – O jornalismo nos meios digitais

A crescente popularidade da era digital possibilitou um aumento no fluxo de


informações que circulam entre parcelas da sociedade que inicialmente possuíam acesso
restrito às notícias, sendo os veículos eletrônicos, atualmente, “os principais transmissores de
notícias para as grandes coletividades humanas” (LAGE, 2001 p.25). Hernandes (2005,
p.273) nos lembra que o surgimento de novas formas de comunicação de massa traz a Internet
como uma ferramenta de grande relevância, visto que oferece a seu usuário uma variedade de
recursos disponíveis, tais como, compra e venda de bens de consumo, canal de comunicação
direta com outros usuários, acesso a serviços de diversas naturezas, possibilidade de
entretenimento, entre outros. Além disso, a rede mundial de computadores é também um
importante canal de divulgação de notícias e fatos que acontecem no mundo, pois permite que
o público tome conhecimento dos principais acontecimentos quase que de forma instantânea.

Sendo assim, o jornalismo contemporâneo conta com o suporte da Internet para sua
propagação, inaugurando um novo veículo de comunicação. Os meios digitais vêm
conquistando um público a cada dia maior, interessado em manter-se informado de forma
rápida e dinâmica. Tal perspectiva atual acarretou uma revolução na divulgação das notícias,
que agora saem do papel, passando a figurar também no meio eletrônico. Essa transgressão do
papel para o suporte digital representa um aumento na velocidade das informações veiculadas,
exigindo que as notícias sejam constantemente atualizadas (muitas vezes de minuto a minuto),
para que seu público usufrua das informações em tempo real.

O jornalismo que invade as redes virtuais nasce como um meio para atrair um novo
tipo de público, que se encontra cada vez mais imerso no universo virtual. A inovação e a
criatividade são aliadas com as quais o enunciador conta para atender aos interesses desse
público cada vez mais exigente. Esse público não pode e não quer mais esperar para ter acesso
às informações na versão impressa do jornal, visto que tem pressa em saber e entende que
quando a notícia chega impressa em suas mãos outras atualizações do mesmo fato já foram
feitas e novos detalhes já foram descobertos. Configura-se, aí, uma urgência pelo novo, já
que, diferentemente da versão impressa, que apresenta as notícias de forma mais densa e
detalhada, na rede virtual, rapidez é sinônimo de competência e “o valor da notícia também se

44
relaciona com o fato de a novidade estar rapidamente disponível para consumo”
(HERNANDES, 2005, p. 293).

O advento da Internet introduziu uma nova forma de conhecer o mundo, conferindo


dinamicidade ao discurso. A partir de links presentes na versão digital do jornal, o internauta
tem acesso às diversas atualizações de um mesmo acontecimento, podendo acompanhá-lo do
início ao fim. Essa dinamicidade presente na mídia virtual, em que se vai de uma notícia à
outra através de links correspondentes, não acontece na versão impressa, devido às limitações
próprias que esta última apresenta.

O jornal impresso obedece a uma diagramação pré-estabelecida, determinando como


será o projeto gráfico de cada jornal, isto é, a quantidade de notícias publicadas e em quais
seções elas aparecerão, o posicionamento e o tamanho das fotos, a quantidade de colunas, o
tamanho e o tipo das letras que acompanham as notícias, entre outros. No jornal eletrônico, a
diagramação se dá de forma similar, divergindo, entretanto, em alguns aspectos. A mídia
online apresenta como principal característica a rapidez, em que o próprio usuário escolhe o
caminho que quer percorrer, recurso possível graças à multiplicidade de links presentes nas
páginas virtuais, criando um “efeito de infinitude” (FARIA, 2009, p. 4). Nesse tipo de texto,
os conteúdos são organizados e dispostos de forma a facilitar a busca do internauta, que, a
partir de um resumo das notícias presente na página principal do site, seguido de outros links
que dão acesso a notícias semelhantes, define “sua própria ordem de leitura, criando
diferentes contextos e destinos, constituindo a sua versão pessoal do que tem diante dos
olhos” (FARIA, 2009, p. 4).

Entretanto, importa agora ressaltar duas questões: uma sobre a rapidez e outra sobre a
dinamicidade presentes no discurso da Internet, em que se vai facilmente de uma página a
outra. Considerando a organização do texto online, a variedade de links presentes nas páginas
obriga o usuário a percorrer um caminho pré-delimitado para chegar à página a que se tem
interesse. Desta forma, o enunciador-jornal seleciona e sugere ao leitor o acesso a algumas
páginas que estão relacionadas à matéria, e, mesmo que o usuário não as leia, ele precisa
passar por elas para chegar ao que lhe interessa. Já na versão impressa do jornal essa
obrigatoriedade não existe, uma vez que o leitor pode ir diretamente para a notícia desejada,
sem a necessidade de passar por outras páginas, tal qual acontece na mídia eletrônica. Com
relação à segunda questão levantada, entendemos que, apesar da dinamicidade presente nesse

45
tipo de discurso, os links presentes nas páginas do jornal, de certa forma, limitam as
possibilidades do usuário, que tem acesso somente às páginas que lhe são oferecidas. Apesar
de poder acessar o site de outras empresas jornalísticas, bem como de qualquer outra página
da rede, há recursos que direcionam a atenção do usuário, apresentando uma forma centrípeta
que delimita suas possibilidades e o dirige para os conteúdos pré-estabelecidos pelo jornal.

Outra diferença em relação ao jornal impresso é que a versão online permite utilizar
uma série de recursos multimidiáticos, tais como, uso de vídeos, áudio, animações, entre
outras estratégias que possibilitam a transmissão de informações de forma mais dinâmica se
comparada às versões de papel. Este fenômeno, de acordo com Silva (2010, p.55), apresenta
um diferencial, pois “estimula uma variedade maior de percepções sensoriais que a simples
mídia, atraindo, portanto, mais os leitores”.

Esse novo cenário midiático que envolve os veículos de comunicação jornalísticos


apresenta, a partir de uma perspectiva semiótica, a mesma relação entre enunciador e
enunciatário predominante nos outros tipos de mídia: o primeiro precisa manipular o segundo,
atraindo e mantendo sua atenção. No entanto, a natureza dinâmica dos meios digitais é buscar
um número cada vez maior de acessos, garantindo assim a fidelidade de seu público e,
consequentemente, sua sobrevivência nesse tipo de mercado. Procura-se não só o internauta
que já é leitor assíduo do jornal (seja da versão impressa ou digital), mas também, e
principalmente, aquele que está “navegando” pela rede, à procura de sites que despertem seu
interesse.

O dinamismo da mídia online configura, então, a imagem de um enunciatário curioso


e impaciente, que tem diante de si uma infinita gama de possibilidades de escolha e busca
estar atualizado sobre fatos que acabaram de acontecer. Caso não encontre o que procura, há o
sancionamento negativo do jornal, pois o usuário sabe que tem inúmeras outras opções que
podem fazê-lo chegar a seus objetivos. Dessa forma, o enunciador precisa construir seu
discurso de forma a satisfazer as necessidades deste novo público, dando a ele a sensação de
que tudo está ao seu alcance. Essa relação entre enunciador e enunciatário é, para além da
simples manipulação em que um doa um saber ao outro, um ajustamento do primeiro em
relação ao segundo, isto é, o enunciador se põe no lugar do enunciatário, buscando entender o
que o comove, recorrendo, assim, à dimensão do sensível nos regimes de interação

46
intersubjetiva1. Tal atitude prevê um sujeito-manipulador que não mais “se mantém em uma
posição hierarquicamente superior, mas sim um manipulador mais próximo do destinatário,
pois essa aproximação seria necessária para se poder observar os pontos sensíveis” (BUENO
et. al., 2010, p. 26).

De modo a garantir a adesão do enunciatário ao discurso, outro recurso empregado


pelo enunciador é o imediatismo das notícias publicadas nos meios de comunicação digitais.
O leitor deste tipo de mídia é, como se viu, caracterizado pela pressa em saber, buscando
manter-se informado dos fatos tão logo eles aconteçam. Esse caráter acelerado presente no
discurso da Internet valoriza a urgência em informar, mudando a percepção que o público tem
sobre o veículo de comunicação: “o mais rápido é sancionado como o mais competente”
(HERNANDES, 2005, p.293). Isto significa que, para ser bom, o jornal online precisa
divulgar informações de forma rápida e quase que instantânea.

Entretanto, a rapidez e a simultaneidade das notícias publicadas nas mídias eletrônicas


são, na verdade, efeitos de sentido criados com o intuito de reafirmar o ethos de um jornal que
tem o compromisso com a novidade, com os últimos acontecimentos. Segundo Faria (2009, p.
14), muitas vezes o jornal eletrônico opta por empregar verbos no tempo presente, mesmo que
as ações tenham ocorrido num momento passado. Isso cria um efeito de proximidade com o
leitor do jornal, com o intuito de “estender a ação e fazê-la atual”, como se o fato tenha
ocorrido no momento em que o leitor tem acesso a ele (FARIA, 2009, p. 14). Criam-se,
portanto, diferentes perfis de leitores: enquanto o leitor da versão impressa do jornal valoriza
informações mais detalhadas sobre as notícias que já aconteceram de véspera, o da versão
online não se preocupa com isso, importando-se somente em saber superficialmente dos fatos
que acontecem no mundo.

O crescente fluxo de informações, característica do discurso da web, também é


responsável por criar um efeito de atualidade, por meio do qual as notícias são continuamente
atualizadas de forma a satisfazer as expectativas de seu público. Este tem, assim, a impressão
de estar sempre em contato com a informação em caráter exclusivo, com fatos que acabaram
de suceder ou que ainda estão em curso. Como ressalta Hernandes (2005, p. 275-276), a

1
Landowski propõe quatro regimes de interação entre os sujeitos da cena comunicativa, a saber: programação,
manipulação, ajustamento e assentimento. Enquanto os dois primeiros apresentam interações mais estáveis e
previsíveis, com maior regularidade, o ajustamento e o assentimento são processos mais irregulares e
inexperados. Para uma explicação mais detalhada sobre esses regimes, ver Landowski (2005).

47
manifestação temporal no discurso jornalístico digital aumenta o interesse do enunciatário, ao
mesmo tempo em que cria “efeito de sentido de representação do próprio pulsar da vida
cotidiana e da inserção do internauta nesse movimento incessante”.

O jornalismo online, como vimos, vem ganhando cada vez mais espaço no mundo
digital e conquistando um novo perfil de leitores. As facilidades do mundo moderno, em que
as informações estão à disposição do usuário, bastando apenas que este dê um toque no
mouse, são, sem dúvida, uma fascinante ferramenta que o internauta tem ao seu dispor.

Entretanto, quando falamos num veículo de comunicação tão poderoso e agregador


quanto a Internet, corremos o risco de imaginar se seria este o fim do jornalismo impresso. Na
realidade, o que temos é uma relação de complementaridade entre as mídias impressa e
digital. Como assevera Christopher Reis, chefe do grupo executivo da Associação Mundial de
Jornais (O Estado de São Paulo, 14 de março de 2010), “o jornalismo impresso começa a se
redesenhar para um futuro promissor, em que a chave está na convergência cada vez maior
com o mundo digital”. Sendo assim, não se trata de perder ou ganhar lugar no mercado, mas
de estabelecer relações de parceria em que ambos venham a lucrar, transmitindo informações
que atendam a públicos com necessidades e interesses próprios.

2.3 – O jornalismo e o jovem: como esse público é retratado no jornal?

Partindo da ideia de que todo discurso divulgado na mídia (seja impressa ou


eletrônica) narra os fatos a partir de uma estrutura própria, assumindo e disseminando valores
e pontos de vista, bem como conduzindo a forma como o público concebe a realidade dos
fatos, pretende-se, agora, apresentar um breve panorama sobre o discurso jornalístico voltado
para o público adolescente. Busca-se detectar como é o consumo de informação desse tipo de
público, como o jornal enxerga o jovem, seus hábitos e preferências, apresentando um recorte
da realidade que coadune com as características e o comportamento que o veículo de
comunicação imagina que o adolescente tenha.

Segundo Dines (apud DINIZ, 2009), em editorial do Observatório da Imprensa na TV,


há 2 ou 3 décadas atrás, a população jovem não se interessava pela leitura de jornais e

48
revistas, pois esses veículos de comunicação não eram direcionados a esse grupo, mas se
dirigiam a todos os indivíduos em geral. Entretanto, o autor aponta que

nos últimos anos os consultores que vivem de criar tendências decidiram que os
jornais e revistas perdiam leitores porque não conseguiam falar com os jovens. E
dentro desta lógica os veículos impressos decidiram aproximar-se do público jovem
através de cadernos com linguagem e assuntos jovens. Com isso acreditam que estão
preparando novas gerações de leitores acostumados a manusear jornais e revistas.
Não sabemos o que o público jovem pensa sobre Collor de Mello e José Sarney, mas
sabemos o que os garotos e as garotas pensam sobre o rap, hip-hop, sexo, drogas e
malhação (DINES apud DINIZ, 2009).

Queiroz, em sua monografia sobre a construção da identidade do jovem no discurso


jornalístico, confirma o que diz Dines, afirmando que, a partir da década de 1990, abriu-se
espaço para o desenvolvimento de publicações direcionadas para o público adolescente, uma
vez que nessa época os interesses da população juvenil passaram a ser valorizados no Brasil,
deixando para trás “a imagem dos jovens como problemáticos, rebeldes e alienados”
(QUEIROZ, 2012, p. 13). Neste contexto, fez-se necessário discutir quais temas seriam de
interesse desse sujeito e sua forma de abordagem, a partir de uma imagem pressuposta que o
jornal fazia desse público.

A autora afirma ainda ser a adolescência uma fase em que o sujeito encontra-se em
processo de formação de sua identidade, que é “moldada a partir do ambiente em que se vive,
conforme o contexto familiar e as experiências individuais”. Isso implica dizer que o
adolescente constrói sua identidade a partir da interação social que possui, o que inclui os
meios de comunicação aos quais tem acesso, com cujas “formações imaginárias” este sujeito
se identifica (QUEIROZ, 2012, p. 23).

O jornal, assim como a mídia em geral, ao produzir discursos para esse tipo de
público, primeiramente idealiza uma imagem desse leitor jovem, escolhendo recursos
linguísticos e discursivos de forma que o sujeito reconheça esse discurso como “parte de sua
identidade” (GOUVEIA, 2009, p. 18). Ao retratar certas crenças presentes na sociedade, o
jornal as reforça, fazendo com que o sujeito leitor acredite e se identifique com elas. Por
exemplo, quando o discurso da mídia dissemina o pensamento de que o amor deve ser um
ideal a ser buscado pelo adolescente, uma vez que apresenta matérias encorajando e
auxiliando esse sujeito a conquistar o indivíduo do sexo oposto por quem tem interesse, o
leitor jovem se identificará com esse ponto de vista, acreditando que este objeto-valor é
buscado pelos jovens em geral, passando a apresentar um comportamento esperado pela

49
mídia: o da busca por esse objeto-valor. Há, portanto, um interesse e uma busca por
padronizar o pensamento dos jovens, com o intuito de garantir a adesão necessária ao veículo
de comunicação. Nos meios digitais fica mais fácil verificar a aceitação do público, pois este
tipo de mídia oferece, frequentemente, ferramentas para que o leitor apresente sua opinião,
interferindo mais diretamente na seleção e condução das matérias.

Neste contexto, ao apresentar certos comportamentos como tendências do público


adolescente, a mídia voltada para sujeitos nessa faixa etária reforça o imaginário social de que
esse tipo de público possui interesses específicos, sendo, basicamente, aqueles retratados no
veículo de comunicação. Ao mesmo tempo em que procura se adaptar aos interesses desse
leitor jovem, o discurso jornalístico, na verdade, molda como ele acredita ser o
comportamento desse sujeito, uma vez que o discurso é um meio a partir do qual a mídia
“constrói e representa a identidade do público alvo”, bem como o universo no qual este se
encontra (GONÇALVES, 2009, p. 11). A autora nos lembra ainda que, nesse tipo de discurso,
com frequência, os jovens “têm sua linguagem exposta pela mídia em formas de
representações estereotipadas, ou seja, de uma imagem juvenil cristalizada” (GONÇALVES,
2009, p. 19). Criam-se, portanto, estereótipos de como esse sujeito se comporta socialmente,
como ele pensa a respeito de certas questões, resultando em representações sociais de como
sua identidade é vista pelos outros, a partir da realidade que a mídia procura construir.

Considerando que o intuito de todo discurso jornalístico é conquistar um quantitativo


de leitores, captando a atenção de um público específico, empregam-se determinados recursos
linguístico-discursivos a fim de ganhar a visibilidade e a popularidade desejada dentro desse
grupo de sujeitos leitores. No caso do jornalismo especializado, voltado para leitores
adolescentes, a interação com esse público se dá por meio de uma linguagem própria, que,
muitas vezes, prioriza um tom mais coloquial e próximo da oralidade, num esforço para se
aproximar e conquistar o público alvo, buscando fazer com que este se identifique com a
linguagem empregada, como se o destinador conhecesse de fato os interesses que movem o
destinatário. Neste contexto, procura-se estabelecer uma língua-comum entre o jornal e o
destinatário jovem, pressupondo que este pertença a um grupo social mais propício a fazer
uso de gírias e termos menos formais de uso da língua, conforme nos lembra Gonçalves
(2009, p. 27) quando afirma que “essa forma de linguagem vem ganhando um papel na
ampliação lexical no Brasil, principalmente entre os adolescentes”.

50
Apesar de o uso de gírias e construções linguísticas “marginais” serem condenadas no
discurso jornalístico em geral, no jornalismo especializado para o público adolescente, essa
linguagem é vista como uma estratégia de aproximação entre os sujeitos destinador e
destinatário. Desta forma, a exigência em adotar uma linguagem acessível a todos os grupos
sociais é abandonada quando o discurso é destinado a um público específico, passando-se,
então, a moldar a linguagem de modo a aproximar-se desse leitor. Ainda segundo Gonçalves
(2009, p. 16), ao utilizar um tipo específico de linguagem, como é o caso da gíria,

a mídia acaba por construir um discurso baseado nas características culturais dos
usuários linguísticos o que resulta nas representações destes no campo midiático.
Não exatamente a representação real, mas representação do olhar da mídia, que tem
por finalidade a imposição de representações do próprio público alvo, facilitando sua
ação persuasiva e influenciadora (GONÇALVES, 2009, p. 16).

Associado à busca por uma língua em comum entre destinador e destinatário, procura-
se também retratar assuntos que venham a despertar o interesse do leitor, apresentando um
recorte da realidade que mostra como o sujeito jovem é representado no jornal, seu universo,
atitudes e desejos. Em geral, os temas abordados relacionam-se com a fase de descobertas e
incertezas socialmente construídas como sendo típicas da adolescência, oferecendo ao jovem
um suporte sobre a vida amorosa e sexual, questões sobre a aparência, dicas de
entretenimento, moda e comportamento, entre outros assuntos que o jornal acredita serem de
interesse do sujeito jovem por ele pressuposto.

No entanto, Queiroz nos lembra que, diferente das revistas voltadas para adolescentes,
os cadernos jovens presentes em jornais passaram, pouco a pouco, a tratar de assuntos sobre
cidadania e políticas públicas e sociais. Tal atitude, segundo a autora, se deve ao fato de que a
mídia voltada para esse tipo de público precisa considerar que “a população juvenil apresenta
diferentes perfis, estilos e identidades”, enxergando o jovem como membro de uma
coletividade e não um ser individual (QUEIROZ, 2012, p. 17).

Apesar disso, a abordagem dessas temáticas de cunho político-social, como, por


exemplo, a violência entre os jovens e a questão da gravidez precoce, já é normalmente
apresentada em outras seções do jornal, o que justifica que muitos cadernos adolescentes
tenham saído de circulação em alguns veículos jornalísticos impressos, como é o caso do
Folhateen, suplemento do jornal Folha de São Paulo, e da versão impressa de Megazine (cf.
QUEIROZ, 2012). Aliado a isso, alguns jornais se modernizaram e optaram por passar a

51
abordar assuntos mais particulares e voltados para a temática cultural, como moda,
entretenimento, comportamento e vestibular.

Entendemos, portanto, o quanto as publicações presentes nos cadernos voltados para o


público jovem se tornam cada vez mais importantes na vida desses adolescentes. Esse
discurso especializado assume, muitas vezes, a função de orientar e aconselhar o jovem,
tornando-se uma ponte entre este e o mundo. Segundo esse raciocínio, essa mídia apresenta
influência direta no modo de vida dos jovens, ditando comportamentos e atitudes, sendo um
dos meios pelo qual esse indivíduo se reconhece como sujeito social e se enxerga no mundo.

52
3 – AS PROJEÇÕES DA ENUNCIAÇÃO E A INTERAÇÃO ENUNCIATIVA
EM MEGAZINE

Como vimos no primeiro capítulo deste trabalho, é no nível discursivo que podemos
ver, de forma concreta, as marcas da enunciação presentes no enunciado, permitindo
apreender os valores sob os quais o texto se assenta. A sintaxe discursiva, com o estudo das
projeções enunciativas, compreende que as diferentes formas de projetar a enunciação no
enunciado criam inúmeros efeitos de sentido e direcionam a interpretação do sujeito leitor.
Assim, não é indiferente produzir um discurso em 1° ou 3° pessoa, a depender do sentido que
se procura criar e da imagem que o enunciador deseja construir de si mesmo e do
enunciatário. Como nos diz Barros (2008, p.54), “estudar as projeções da enunciação é, por
conseguinte, verificar quais são os procedimentos utilizados para constituir o discurso e quais
os efeitos de sentido fabricados pelos mecanismos escolhidos”.

Neste capítulo, iremos analisar as escolhas de pessoa, tempo e espaço feitas pelo
produtor do discurso e de que forma esses procedimentos enunciativos (juntamente com
outros recursos que serão vistos em capítulos posteriores, como a escolha dos valores
ideológicos decorrentes da seleção de temas e figuras, os efeitos passionais que as escolhas do
enunciador provocam no discurso, dentre outros) nos ajudam a chegar até a imagem
construída do pathos, ou seja, do enunciatário jovem da revista Megazine. Com base no
corpus já mencionado no primeiro capítulo deste trabalho, será estudado como a projeção de
diferentes vozes no discurso, bem como o uso de outras estratégias argumentativas, auxiliam
na criação de efeitos de sentido de realidade e de aproximação entre os sujeitos da
enunciação.

3.1 – A projeção de múltiplas vozes no discurso e os efeitos de sentido criados

Como o objetivo de todo discurso é ser aceito pelo enunciatário, a fim de levá-lo a crer
no que está sendo veiculado, o sujeito responsável pela enunciação faz uma série de escolhas,
projetando seu discurso de diferentes maneiras, que ora simulam certa aproximação ora certo
distanciamento do destinador em relação ao discurso.

53
Essas escolhas operadas pelo sujeito responsável pela cena enunciativa instauram no
discurso as categorias de pessoa, tempo e espaço, por meio de dois procedimentos chamados
debreagem e embreagem. Segundo Fiorin (2008, p. 25), a debreagem “é a colocação fora da
instância da enunciação da pessoa, do espaço e do tempo do enunciado”, enquanto na
embreagem o efeito é inverso, ou seja, há um retorno à enunciação ao neutralizarem-se as
categorias de pessoa, tempo e/ou espaço. A debreagem, assim como a embreagem, divide-se
em dois tipos: enunciativa e enunciva. Na debreagem enunciativa, as marcas da enunciação
encontram-se presentes no enunciado ao instalar um eu-aqui-agora, enquanto na enunciva, a
instalação de um ele-alhures-então oculta os actantes e instaura um tempo e espaço diferentes
em relação ao momento da enunciação.

O uso da debreagem enunciativa projeta no discurso um eu e, consequentemente, um


tu, configurando-se como um exemplo de enunciação-enunciada, “que é o conjunto de
marcas, identificáveis no texto, que remetem à instância da enunciação” (FIORIN, 1996, p.
36). Por outro lado, na debreagem enunciva, projetada em terceira pessoa, tem-se um
enunciado enunciado, visto que os traços enunciativos são ocultados no discurso, mantendo
uma relação de distanciamento com relação à enunciação.

Por sua vez, no mecanismo da embreagem, como foi dito acima, suspendem-se “as
oposições de pessoa, de tempo ou de espaço” (FIORIN, 2002, p. 52). No caso da embreagem
actancial, por exemplo, neutraliza-se a categoria de pessoa ao empregar “ele” no lugar de
“eu”, obtendo-se, assim, um “efeito de identificação entre sujeito do enunciado e sujeito da
enunciação” (FIORIN, 1996, p. 48). A reportagem “Bailarino de Bieber revela que o astro não
era um bom dançarino” (MEGAZINE, 28/03/2012), em que um integrante da equipe de
bailarinos de Justin Bieber é entrevistado para falar sobre o cantor, apresenta um exemplo de
embreagem actancial, ao empregar o uso da terceira pessoa, conforme constatamos abaixo:

As aulas acontecerão dentro dos próximos quatro dias, apenas para fãs que
compraram ingressos (ainda há entradas para os encontros de Taubaté e Campinas),
mas a Megazine bateu um papo por e-mail com o dançarino, que já trabalhou
também com Ricky Martin, Taylor Swift e na turnê de shows de “Glee” (Bailarino
de Bieber revela que o astro não era um bom dançarino, MEGAZINE, O Globo,
28/03/2012; grifo nosso).

Ao instalar no enunciado a terceira pessoa no lugar da primeira e, portanto, apagar as


marcas do sujeito que diz “eu” no enunciado, o enunciador procura construir um efeito de
sentido de objetividade, de distanciamento em relação ao que é transmitido.

54
Observemos, agora, como esses diferentes procedimentos são utilizados na revista em
estudo, criando efeitos de sentido variados:

Sexta-feira (4) estreia o filme “Anjos da Lei”, a melhor comédia jovem produzida
pelo cinema americano desde “Superbad”. Como não estou vendo muita divulgação
por aí e desconfio que as críticas convencionais possam não ser tão carinhosas com
o longa (um dos motivos que afundou o ótimo “Missão madrinha de casamento” nas
bilheterias brasileiras), estou aqui para fazer a minha parte (Dez motivos para
assistir a comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

O exemplo mostrado acima e retirado do corpus, configura uma debreagem


enunciativa, com discurso fabricado em 1° pessoa, tempo e espaço concomitantes ao
momento da enunciação. Esse procedimento demonstra claramente as marcas/opiniões de um
narrador explícito no discurso, aproximando enunciação e enunciado.

As falas em primeira pessoa, além do tempo e do espaço da enunciação (momento de


referência no presente e dêitico espacial “aqui”), demonstram um discurso subjetivo, uma vez
que, para convencer o narratário a compactuar da opinião apresentada, o narrador aponta uma
série de motivos carregados de parcialidade. Essa aproximação entre discurso e enunciação é
uma estratégia que também aproxima os sujeitos da enunciação, ao instaurar um narrador
explícito no enunciado (que diz “eu”), pressupondo a presença de um “tu” a quem se dirige
diretamente.

Por outro lado, o procedimento da debreagem enunciva, preferência no discurso da


Megazine (em torno de 80% do corpus)2, produz um discurso em terceira pessoa, o que
simula uma aparente objetividade do narrador perante o discurso e cria a ilusão de
afastamento com o que é dito. Conforme ressalta Barros (2008, p.56), nesse tipo de discurso
“finge-se distanciamento da enunciação, que, desta forma, é ‘neutralizada’ e nada mais faz
que comunicar os ‘fatos’ e o modo de ver de outros”. No entanto, embora não haja a presença
de um “eu” explicitado no discurso, sabemos que há sempre um narrador implícito que pode
ser referencializado por meio de seu posicionamento sobre o discurso. A autora nos lembra,
ainda, que tal prática discursiva é usada para evitar que o jornal assuma a responsabilidade
pelo que está sendo relatado, passando apenas a comunicar o acontecido, sem apresentar um
ponto de vista (BARROS, 2008, p.56). O trecho a seguir, também retirado do corpus, ilustra
bem esse procedimento discursivo:

2
Apesar de a revista apresentar, em sua maioria, um discurso com o uso da debreagem enunciva, o que cria a
ilusão de objetividade, veremos posteriormente que o efeito de sentido criado é um pouco diferente do que
percebemos no discurso jornalístico em geral.
55
Autora da série literária mais famosa entre crianças e adolescentes, a inglesa JK
Rowling anunciou, nesta quinta-feira (23), que lançará seu primeiro livro para
adultos.
A criadora do bruxinho Harry Potter fechou o contrato com a editora ‘Little,
Brown’, que também publica a série ‘Crepúsculo’ na Inglaterra. Os fãs
crescidinhos da saga mágica terão de se contentar com apenas estas informações
por enquanto, pois o título da obra, a data de lançamento e o tema ainda não foram
revelados (Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez, para adultos,
MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

No exemplo acima, temos um discurso em terceira pessoa (“a inglesa JK Rowling”) e


no espaço do lá (“na Inglaterra”), configurando uma debreagem enunciva de pessoa e espaço.
No entanto, o tempo marcado no enunciado não é o do então, mas o do agora (“nesta quinta-
feira”), portanto, um tempo enunciativo concomitante ao momento da enunciação, a partir do
qual se organizam uma anterioridade (“anunciou”) e uma posterioridade (“terão de se
contentar”). Essa conjugação entre tempo enunciativo e pessoa e espaço enuncivos é um
recurso característico do discurso jornalístico, já que este busca manter-se objetivo, o que é
alcançado apenas com o uso da terceira pessoa, ao mesmo tempo em que procura criar efeito
de sentido de atualidade.

Além do uso das debreagens enunciativa e enunciva, é muito comum o emprego de


debreagens internas (também chamadas de debreagens de 2° grau), delegando voz a
interlocutores e criando a ilusão de um diálogo real dentro do discurso. O emprego desses
diversos níveis de projeção enunciativa (tanto pressupostos quanto explicitados no enunciado)
apresenta uma relação hierárquica, estando um subordinado ao outro. O quadro abaixo,
adaptado de Calbucci (2007, p. 32) e já exposto no capítulo de fundamentação teórica desse
trabalho, é aqui retomado de forma a melhor visualizar como funcionam os três níveis
enunciativos:

1° nível enunciativo
Enunciador Enunciatário
(pressuposto)
2° nível enunciativo – 1° grau
Narrador Narratário
(manifestado no enunciado)
3° nível enunciativo – 2° grau
Interlocutor Interlocutário
(manifestado no enunciado)

A partir do esquema mostrado acima, vemos que o “eu” interlocutor que fala em
discurso direto na debreagem de 2° grau subordina-se ao “eu” narrador da debreagem de 1°
grau. Este, por sua vez, também encontra-se dependente do “eu” enunciador pressuposto no
enunciado. Sobre essa hierarquia entre as vozes discursivas, é preciso, também, que se faça
56
uma distinção entre as figuras do narrador e do observador, trazendo à tona a ideia não só de
quem fala, mas de quem observa.

Barros (2008, p. 57-58), ao afirmar que “o narrador é o delegado da enunciação no


discurso em primeira pessoa”, considera como narrador apenas aquele que assume
explicitamente a palavra no texto em discursos de primeira pessoa. No caso dos discursos em
terceira pessoa, o que temos é não mais o narrador, mas o observador, que não narra o
discurso, mas apenas apresenta pontos de vista. Já Fiorin (1996, p. 107)3, apresenta uma
perspectiva teórica um pouco distinta, entendendo que o que ocorre são diferenças nas
funções de ambos os actantes, uma vez que compete ao narrador relatar os fatos, ordenando a
narrativa, enquanto o observador ocupa-se apenas com a instauração dos pontos de vista
mostrados pelo narrador. Segundo o autor,

todas as funções do narrador dizem respeito ao dizer, ao relatar. A função de falar é


do narrador; a de ver ou, às vezes, a de ouvir, ou, em termos menos metafóricos, a
de encarregar-se da dimensão cognitiva da narrativa, isto é, da compreensão dos
fatos pertence ao observador (FIORIN, 1996, p. 107).

O uso da debreagem de 2° grau, em que um interlocutor assume a voz no discurso,


além de poder criar efeito de imparcialidade do narrador em relação aos fatos, imprime
também efeito de realidade e de verdade ao discurso, na medida em que a responsabilidade
pelo dito é delegada a terceiros, como vemos nos exemplos abaixo, retirados da mesma
reportagem:

Muita gente achou estranho o novo clipe de Katy Perry, mas, de início, ninguém
falou nada. Uma semana depois do lançamento, no entanto, já se espalham pela web
vaias para o vídeo de ‘Part of me’, que, convenhamos, parece uma peça de
propaganda militar.
[...]

A crítica mais pesada veio da escritora Naomi Wolf, autora de “O mito da beleza”
(1991). No Facebook, ela criticou muito o clipe e levantou a hipótese de Katy ter
recebido dinheiro da Marinha dos EUA para fazê-lo. Naomi escreveu: “É uma peça
de propaganda para os fuzileiros navais. Queria muito saber se ela foi paga. É uma
vergonha”, e acrescentou: “Proponho um boicote a essa cantora de quem eu
realmente gostava” (Clipe de Katy Perry é rotulado de propaganda militar,
MEGAZINE, O Globo, 28/03/2012).

Na reportagem, o narrador fala das crescentes críticas ao novo clipe da cantora Katy
Perry, que está sendo acusada de promover as forças armadas americanas. Após apresentar o

3
No presente trabalho, adotaremos a perspectiva teórica de Fiorin (1996), entendendo que a diferença entre
narrador e observador é basicamente de função, uma vez que aquele pode estar implícito ou explícito no
discurso-enunciado.

57
assunto e sua opinião sobre o fato por meio da expressão “convenhamos”, presente no
primeiro trecho, o narrador delega voz a terceiros que se posicionam contra a cantora, em
discurso direto, funcionando como argumento para sustentar o ponto de vista do narrador. O
uso desse recurso simula uma transcrição da fala do interlocutor, tal qual foi dita, reforçando
o efeito de veracidade. Essa busca pela adesão do público em discurso direto é muito comum
no texto jornalístico em geral, já que este procura persuadir o enunciatário a crer nos valores
que estão sendo transmitidos, conforme nos lembra Gomes (2008a, p.55) ao afirmar que “O
texto jornalístico emprega constantemente citações como procedimentos para instaurar os
efeitos de imparcialidade e realidade, característicos desse tipo de discurso”.

Além de criar efeitos de sentido de objetividade e realidade, ao dar voz a


interlocutores no discurso, o enunciador, a partir da imagem que tem sobre o enunciatário
jovem da revista, espera que este aja de determinada maneira, ou seja, que compactue com a
opinião mostrada no discurso. No caso da reportagem em questão, o enunciador procura fazer
com que o sujeito enunciatário acredite que, realmente, o clipe da cantora Katy Perry é uma
peça de propaganda militar e tome posição sobre esse fato, avaliado negativamente.

Em Megazine, o uso de debreagens de 2° grau é muito comum, ocorrendo em


aproximadamente 75% do corpus. Essa delegação de voz no discurso da revista não é feita de
forma aleatória, mas ajuda na identificação de determinada imagem do enunciatário jovem
construído no texto. Em geral, os interlocutores que aparecem no enunciado são, assim como
os narratários da revista, mostrados como sendo jovens que possuem os mesmos interesses
que eles. Essa identificação da imagem do jovem do enunciado com o da enunciação é
conquistada ao citar dados como nome, idade e, algumas vezes, a ocupação desse interlocutor.
A escolha dos actantes do enunciado gera um efeito de sentido de familiaridade, uma vez que
aquele que fala se confunde com a própria imagem do enunciatário, vistas as semelhanças
existentes entre eles. Ao mesmo tempo, ao citar determinados tipos de assunto como de
interesse do interlocutor jovem (como, por exemplo, diversão, romances adolescentes e
comportamento), o enunciador constrói um pathos que se identifica com isso. Os exemplos
abaixo, ambos retirados do corpus, ilustram o que foi apresentado:

A fama da pista fez com que o skatista Rodrigo Ferreira, 14 anos, saísse do
município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para arriscar algumas
manobras na Zona Sul.
— Já é o terceiro dia seguido que venho. A pista é pequena, mas todos os obstáculos
foram bem distribuídos. As cantoneiras ficaram bem largas e a iluminação de led
ajuda a andar à noite. Se não fosse o custo da passagem, viria todos os dias — conta

58
(Skate Park da Lagoa promete ser o novo point do verão carioca, MEGAZINE, O
Globo, 20/02/2012).

Para o estudante de jornalismo Brunno Maceno, de 17 anos, e colega de Susan no


fã-site, o livro passa uma mensagem muito mais profunda do que “Harry Potter” e
“Crepúsculo”.
— Não é só romance, anjo, vampiro, o livro tem uma mensagem muito mais
profunda. Fala sobre desperdício de comida, fome, tirania, exploração, tem um lado
mais humano que chama muito mais atenção. A autora descreve uma sociedade que
pode ser a nossa daqui a alguns anos, é um alerta (Jogos Vorazes: sem apelar para a
magia, história conquista multidões, MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012).

A inglesa Venus Palermo, de 15 anos, é outra que arrasta milhares de fãs que
desejam se parecer com bonecas vivas. Com o apelido de Venus Angelic, ela morou
por algum tempo no Japão e, influenciada pela estética dos animes, resolveu postar
seus tutoriais de dança, maquiagem e até nail art na web, ao voltar para a Inglaterra.
[...]
Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a mãe de Venus aprova a escolha da filha.
“Ela acha fofo que eu use roupas bonitinhas”, comenta a garota. “Acho que nunca
vou parar. Acredito que vou amadurecer o meu estilo e apenas continuar fazendo o
que eu amo”, completa ela (Adolescentes se transformam para ficarem parecidas
com Barbies, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012).

Embora nem sempre esses interlocutores delegados pelo narrador sejam jovens, assim
como nos exemplos acima, de alguma forma eles estão relacionados ao universo ao qual o
enunciador acredita que o enunciatário jovem pertença (ou deva pertencer), colaborando para
garantir a aceitação dos valores veiculados e a veracidade dos fatos. Como, geralmente, as
reportagens publicadas se referem a assuntos mostrados na revista como sendo do interesse
desse tipo de público, como a vida pública e privada dos principais ídolos teen, bem como
jogos eletrônicos, literatura e festivais musicais também voltados para adolescentes, o
narrador delega voz a interlocutores que estejam inseridos nesse meio e que sejam vistos
como autoridades competentes, como vemos nos fragmentos a seguir:

A criadora do bruxinho Harry Potter fechou o contrato com a editora “Little,


Brown”, que também publica a série “Crepúsculo” na Inglaterra.
[...]
- Embora eu tenha curtido escrever a série “Harry Potter”, meu próximo livro será
muito diferente dela. A liberdade para explorar um novo território é um presente que
o sucesso de Harry me deu - comentou JK Rowling num comunicado à imprensa
(Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez, para adultos, MEGAZINE, O
Globo, 23/02/2012).

No entanto, o coordenador do projeto Game Studies, do Centro de Tecnologia e


Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Protasio, vê melhorias nesse sentido,
graças à customização dos personagens.
- Hoje, vários games permitem ao jogador customizar desde o sexo até a vestimenta
do personagem. Lara Croft foi criada nos anos 90 para ser uma versão feminina do
Indiana Jones, mas os anúncios veiculados só mostravam a heroína em poses
sensuais, numa visão totalmente masculina - critica Protasio (Mulheres ganham
espaço no mundo machista dos videogames, MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012).

59
O presidente dos estúdios Marvel, Kevin Feige, disse à rede de TV Bloomberg que a
empresa fará mais dois filmes de super-heróis, dentro dos próximos cinco anos, fora
os que já estão previstos.
[...]
“Queremos fazer dois filmes por ano. ‘Os Vingadores’ é o nosso único filme deste
ano, mas em uma semana e meia nós vamos começar a filmar ‘Homem de Ferro 3’.
Até o fim do verão (inverno, aqui no Brasil) estaremos trabalhando no próximo
filme do Thor e, no início do ano que vem, no novo do Capitão América”, contou
Kevin (Marvel anuncia dois novos filmes de super-heróis, MEGAZINE, O Globo,
15/05/2012).

Semanas após Rihanna afirmar, numa entrevista, que adoraria interpretar Whitney
Houston no cinema, o pai da popstar de 24 anos disse ao jornal britânico “The Sun”
que espera não ver sua filha tomando o mesmo caminho da veterana.
[...]
“Ela (Rihanna) admirava Whitney por causa de seu alance, sua voz, sua aparência,
sua personalidade... tudo. Ela amava Whitney tanto que ficaria honrada de
interpretá-la num filme”, disse Ronald Fenty, de 58 anos (Pai de Rihanna: ‘Espero
que ela não siga caminho de Whitney’, MEGAZINE, O Globo, 24/04/2012).

No primeiro exemplo, o actante do enunciado autorizado para falar é a escritora de


séries literárias voltadas para o público jovem, e que, portanto, possui uma relação próxima
com o público da faixa etária a qual o enunciatário da revista pertence. No segundo exemplo,
a delegação de voz é dada ao coordenador de um projeto sobre jogos eletrônicos, assunto
mostrado no discurso da Megazine como de interesse do enunciatário adolescente. Já no
terceiro e quarto fragmentos, falam em discurso direto, respectivamente, o presidente de um
estúdio cinematográfico e o pai da cantora pop Rihanna, autora de canções que fazem sucesso
principalmente entre os jovens. Embora Ronald Fenty, o pai de Rihanna, pertença a uma faixa
etária diferente a do público para o qual a revista é voltada, ele possui uma relação próxima
com a cantora, sendo detentor de um saber que o qualifica a assumir voz no discurso. O
mesmo ocorre com a inglesa JK Rowling, que é uma cultuada autora de sucesso entre os
adolescentes, o coordenador Arthur Protasio e Kevin Feige, autoridades em universos que
também conquistam os jovens, o dos games e de filmes. Desta forma, a fala do interlocutor
em discurso direto auxilia o enunciador em sua busca por um fazer-crer, imprimindo uma
ilusão de verdade ao discurso, além de contribuir para a figurativização do ator da enunciação,
o jovem para o qual o caderno se dirige.

Essa delegação de voz dentro do discurso, tanto a interlocutores jovens quanto


pertencentes a outra faixa etária, mas que, de certa forma, estão relacionados ao público
adolescente, portanto, ajuda na construção da imagem do enunciatário da revista, como aquele
que almeja um saber em relação à vida de seus ídolos, ao mercado cinematográfico e literário
voltado para jovens, bem como as novidades nos jogos eletrônicos, como visto nos exemplos
60
acima. Ao mesmo tempo, busca-se construir um efeito de sentido de aproximação do
enunciatário com o discurso, uma vez que é por meio deste que o sujeito entra em conjunção
com o saber em relação a esses assuntos. Desta forma, a revista se coloca como um sujeito
que atende às expectativas desse jovem criado no discurso, uma vez que apresenta um recorte
da realidade que vai ao encontro dessas expectativas. Além disso, o uso desse procedimento
também ajuda na criação de efeitos de sentido de veridicção, “proporcionando ao enunciatário
a ilusão de estar ouvindo o outro, ou seja, suas ‘verdadeiras’ palavras” (FIORIN, 2002, p. 46).

A projeção da fala do outro pode ocorrer também por meio de entrevistas, em discurso
direto, e também ajuda a construir o simulacro do jovem retratado na revista, como
constatamos nos trechos de reportagens do corpus mostrados abaixo:

A entrevista aconteceu pelo chat do Facebook enquanto ela fazia as unhas.


MATHEUS SOUZA: Posso começar a perguntar?
PIETRA PRÍNCIPE: Peraí, esqueci de tomar a pílula.
Alguns minutos depois, ela volta...
[...]
MATHEUS: Tem alguém que você não pagaria nem 50 centavos para ver nu?
PIETRA: Ninguém. Eu gosto de ficar imaginando sempre todo mundo nu. TODO
MUNDO. Ah, azul esverdeado ou preto?
MATHEUS: Hã?
PIETRA: O esmalte... (Pietra Príncipe conta sobre seus hábitos nerds a colunista,
MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012).

Na conversa, Nick contou que Bieber é como um irmão para ele e que o astro, na
intimidade, é super brincalhão.
[...]
O GLOBO: Você pode ser sincero... Bieber é um bom dançarino?
NICK BAGA: No começo, não era. Mas ele melhorou muito ao longo dos anos!
Como é trabalhar com Justin? Ele é brincalhão, como ouvimos dizer?
NICK: Ele é um ótimo garoto. Definitivamente, é muito brincalhão... Conheço ele
desde o início de sua carreira, então é como se ele fosse meu irmão mais novo
(Bailarino de Bieber revela que o astro não era um bom dançarino, MEGAZINE, O
Globo, 28/03/2012).

Nestes exemplos, a projeção da fala do outro está relacionada ao querer saber do


enunciatário em relação a assuntos particulares da vida cotidiana dos seus ídolos. No caso da
entrevista mostrada no primeiro exemplo, vemos que o discurso do narrador é marcado por
interrupções do assunto principal do texto (os hábitos nerds de Pietra Príncipe), feitas pelo
interlocutor, para tratar de assuntos externos a isso. Ao optar por publicar as interrupções
ocorridas ao longo da entrevista, o narrador ajuda a construir a imagem de um narratário
disperso, que, assim como a entrevistada, dá atenção a várias coisas ao mesmo tempo e,
portanto, ao invés de se incomodar com essas pausas no discurso está acostumado a elas. A
temática abordada nessas intervenções refere-se a conteúdos de natureza íntima (tomar a
61
pílula) ou de natureza corriqueira, fútil (como a cor do esmalte), o que cria efeito de sentido
de intimidade, de familiaridade entre os sujeitos da enunciação e destes com a entrevistada.
Da mesma forma, no segundo exemplo, cujo texto é uma entrevista com um dos dançarinos
do cantor Justin Bieber, o assunto principal é também o cotidiano do artista, seu
temperamento perante as pessoas com quem ele tem contato direto.

O mesmo procedimento pode ser visto nos exemplos abaixo, também presentes no
corpus. No entanto, nestes casos o foco da entrevista não é a vida pública ou privada dos
ídolos, mas, respectivamente, o lançamento de um dos jogos mais esperados e a adaptação
cinematográfica de um livro:

Para explicar e ilustrar um pouco o fenômeno, passei o dia correndo atrás dos meus
amigos mais nerds do tempo de colégio que eram viciados em “Diablo II” e fiz
algumas perguntas sobre suas expectativas. Entrevistei algumas namoradas deles
também.
[...]
Eu: Como você pretende conciliar a “vida adulta” com o lançamento do jogo?
Amigo 3: Olha, admito que, na primeira semana, vou largar de barriga tudo
completamente: trabalho, família, namorada. Estou esperando esse jogo há dez anos,
então estou nem aí para o resto do mundo (Por que o videogame ‘Diablo III’ é o
mais esperado da década?, MEGAZINE, O Globo, 16/05/2012).

“Deslembrança”, da autora americana Cat Patrick, é um livro que já chega ao Brasil


com um carimbo de “hit literário” estampado na capa (o carimbo é imaginário, ok?).
[...]
Leia o papo que batemos com a escritora.
[...]
Qual parte do livro você está ansiosa para ver na telona?
CAT: Sem querer revelar muito sobre a história, uma das minhas cenas favoritas do
livro é a do cemitério. Estou ansiosa para ver como ela vai ficar no cinema
(Roteirista já trabalha na adaptação de ‘Deslembrança’ para o cinema,
MEGAZINE, O Globo, 29/05/2012).

Além de criar efeito de sentido de intimidade, esse tipo de discurso, em que há a


projeção da fala do outro, contribui também para a construção do pathos do enunciatário
como um sujeito que busca aproximar-se da vida privada de seus ídolos, procurando saber um
pouco mais da intimidade de cada um deles. Aliado a isso, podemos identificar o simulacro de
um jovem que também tem interesse por jogos eletrônicos e por cinema, como mostrado nos
dois últimos fragmentos. Quando, por exemplo, o interlocutor afirma que vai deixar tudo de
lado quando o jogo ‘Diablo III’ for lançado, e que não estará “nem aí para o resto do mundo”,
o enunciador faz uma determinada imagem sobre o jovem, como se este não precisasse
assumir as responsabilidades do mundo adulto. Nesse caso, seu universo gira em torno da
diversão, da cultura mais popular e lúdica. Fato semelhante ocorre no último exemplo, em
que, a partir de uma entrevista com a autora de um romance cuja protagonista é uma jovem de
62
16 anos, o enunciador cria a imagem de um pathos que tem curiosidade por esse tipo de
assunto, ou seja, que é um provável leitor de literatura jovem e tem interesse por cinema.

Como vimos, a escolha pela debreagem enunciativa ou enunciva, bem como o uso de
debreagens internas com a projeção da fala do outro dentro do discurso de um narrador, cria
diferentes efeitos de sentido no discurso e responde também pela imagem do enunciatário que
a revista deseja construir. Ao lançar mão desses diferentes mecanismos, o enunciador busca
direcionar a interpretação do enunciatário para determinado ponto de vista, o que também
contribui para criar efeito de sentido de aproximação entre destinador e destinatário. Segundo
Gomes (2008a, p. 55), essas escolhas apresentam uma

intencionalidade subjacente, revelando sempre uma busca pela adesão ao que foi
dito e aos valores comunicados. Observando-as, depreendemos, na análise da
sintaxe discursiva, os procedimentos de persuasão utilizados pelo destinador para
fazer o destinatário crer nos valores disseminados no discurso.

Passemos, agora, a descrever como a presença do produtor do discurso pode ser


percebida por meio de outros recursos, que não apenas o uso de mecanismos sintáticos como
pronomes, advérbios e dêiticos temporais e espaciais.

3.2 – O uso de estratégias argumentativas de natureza avaliativa

Os procedimentos de actorialização, temporalização e espacialização instaurados no


texto por meio de debreagens, são, como vimos, responsáveis por projetar o discurso de
diferentes formas, criando efeitos de sentido distintos. Na revista Megazine, de um total de 40
reportagens coletadas para compor o corpus, 80% apresenta projeção enunciva com discurso
em 3° pessoa, o que sugere que o enunciador procura distanciar-se da enunciação,
característica do discurso jornalístico em geral. No entanto, apesar do grande uso desse tipo
de projeção, na revista em estudo, o efeito de sentido criado diverge de outros discursos
jornalísticos, pelo emprego de outros procedimentos que atenuam a distância e a objetividade.

Ao comparar o discurso da revista com as demais reportagens em terceira pessoa


presentes em outras seções do mesmo jornal, podemos notar uma maior aproximação do
enunciador em relação a seu enunciatário. Esse efeito de sentido de proximidade é criado não
só pelo uso da debreagem enunciativa, como vimos acima, mas também pela presença de
pistas e marcas de caráter avaliativo espalhadas no enunciado. Essas expressões realçam o
63
ponto de vista apresentado pelo enunciador e contribuem para direcionar a interpretação do
enunciatário, bem como para criar diferentes efeitos de sentido ao texto. Segundo Gomes
(2007, p. 8), “o emprego de palavras de teor subjetivo, expressando apreciações, julgamentos,
traços afetivos e passionais, também pode assinalar a presença do enunciador do texto”, ou
seja, do eu que fala e está sempre pressuposto no discurso. Discini (2003, p. 157) também
atenta para essa questão, ao afirmar que:

Ao desenvolver, na progressão textual, a avaliação de tais acontecimentos, o


enunciador inscrito no enunciado forja um simulacro de distanciamento do eu que
fala, em relação ao tu com quem fala. Despontam as artimanhas dessa enunciação
que, mesmo querendo dissimular-se, desvela-se.

Para ilustrar o que foi dito acima, observemos, agora, alguns exemplos extraídos do
corpus:

As fotos clicadas pelo fotógrafo Tony Kelly contam com muito sangue falso e o
talento de Bieber como ator (Justin Bieber ‘leva soco’ e aparece sangrando em
capa de revista, MEGAZINE, O Globo, 19/03/2012; grifo nosso).

A restrição foi estabelecida pela MPAA, entidade responsável por fazer essa
classificação nos EUA. O problema é que o principal público alvo do filme é
justamente este que só poderia vê-lo na companhia dos pais (Documentário sobre
bullying estreia sem classificação etária, MEGAZINE, O Globo, 27/03/2012; grifo
nosso).

Detalhe para o vocalista Alex Turner ajeitando o penteado, com um topete meio
James Dean, antes de ficar diante de milhares de pessoas e tocar “R U Mine”, faixa
do último disco do quarteto, o ótimo “Suck it and See” (Artic Monkeys divulgam
vídeo de show no México. Falta pouco!, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012; grifo
nosso).

Não se trata de feminismo chatola ou coisa parecida. As garotas só querem acabar


com essa discriminação boba e sem sentido (Mulheres ganham espaço no mundo
machista dos videogames, MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012; grifo nosso).

Nas duas pistas da College Rock Party só tocam hits dos artistas que mudaram a
história do rock.
[...]
Três grandes cineastas estão sendo homenageados com mostras retrospectivas: o
CCBB exibe filmes do sueco Ingmar Bergman, a Caixa Cultural elege o americano
Orson Welles e o Instituto Moreira Salles está com o italiano Fellini (Festa Bootie
Rio comemora dois anos de ‘mashups’, MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo
nosso).

No vídeo, os integrantes da querida bigband aparecem envelopando um ponto de


ônibus em Brasília (Móveis Coloniais de Acaju lançam clipe de música inédita,
MEGAZINE, O Globo, 29/05/2012; grifo nosso).

A parte mais chata de sair para a night é ter que chamar um táxi para voltar para
casa.
[...]

64
Mas graças a alguns aplicativos que estão sendo desenvolvidos para celulares, a
saga promete ficar bem mais simples (Aplicativos para celulares ajudam a chamar
táxi, MEGAZINE, O Globo, 29/05/2012; grifo nosso).

Foi então que uma pequena obra-prima chamada “Ventura” foi lançada e mudou as
regras do jogo. Não satisfeitos em apenas gravar um ótimo álbum, Marcelo Camelo,
Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba levantaram o estandarte do
“Cara estranho” (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’,
MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

Nos trechos acima, podemos regatar a figura da instância produtora do discurso por
meio dos termos em destaque, que demonstram sua avaliação sobre o assunto. Essa forma de
posicionar-se no discurso a partir de determinada escolha vocabular deixa entrever o
julgamento e apreciação do destinador. Apesar de estar em terceira pessoa, o discurso
apresenta marcas de subjetividade que transmitem certos valores, buscando conduzir o
destinatário para determinado ponto de vista. Por meio de um contrato de veridicção
estabelecido entre enunciador e enunciatário, este deixa-se manipular por aquele, passando a
crer ser verdadeiro o que é dito, envolvido por um contato bem próximo.

Além da seleção vocabular, outros procedimentos argumentativos de teor subjetivo


são a modalização, o uso de diminutivos e aumentativos, bem como marcas de intensidade,
como o uso de superlativos. Com relação ao primeiro recurso, a modalização, Fiorin nos diz
que estas “são definidas como predicados que sobredeterminam outros predicados” e que seu
uso pode manifestar variados conteúdos modais, como a probabilidade, a dúvida, a certeza,
entre outros (FIORIN, 2008, p. 119). O uso e a combinação de diferentes modalidades criam
efeitos de sentido responsáveis pela orientação argumentativa do discurso, mostrando o
posicionamento do enunciador em relação ao texto, bem como a forma como esse sujeito
procura direcionar a interpretação do enunciatário, “indicando um modo de ler o texto e ver os
fatos que enuncia” (GOMES, 2008b, p. 219). Observemos, nos exemplos a seguir, como o
enunciador faz uso desse procedimento no corpus em estudo:

Para se ter uma noção do sucesso da franquia, as bilheterias de seus dois filmes,
somadas, ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão, transformando esses longas nas
comédias mais bem-sucedidas da história do cinema. E é claro que os atores por trás
delas pegam carona no sucesso (Protagonista de ‘Se beber não case’ quer terceiro
filme da série, MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

Claro que na vida real ele não precisa enfrentar ETs invasores, como o oficial da
marinha americana Stone Hopper, mas a vida nos mares é comum tanto ao ator
quanto a seu papel (Ator Alexander Skarsgard serve à marinha no cinema e na vida
real, MEGAZINE, O Globo, 11/05/2012; grifo nosso).

65
“Jogos Vorazes” é, sem dúvida, o maior responsável pelo boom do filão dos
romances distópicos, histórias que se passam em futuros sombrios, onde o Estado
regula a vida e a morte (‘Jogos Vorazes’: jovens atores buscam afirmação na saga,
MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012; grifo nosso).

“Friend zone” é, provavelmente, a palavra mais temida de todos os jovens que não
nasceram com o porte físico do Cauã Reymond.
[...]
É a “zona da amizade” da qual a maioria nunca sairá (Um ensaio sobre a temida
‘friend zone’, MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012; grifo nosso).

Apesar de ainda não anunciados oficialmente, já foram cogitados filmes sobre Hulk
e Homem-Formiga. Os personagens Viúva Negra e Gavião Arqueiro também já
foram cogitados como estrelas de seus próprios filmes. É bastante provável que
duas destas propostas sejam as novidades às quais o presidente da Marvel se refere
(Marvel anuncia dois novos filmes de super-heróis, MEGAZINE, O Globo,
15/05/2012; grifo nosso).

Era uma vez o “mundo antes de 2003”: as rádios e os corações das meninas estavam
tomados por “canções” sobre skatistas rebeldes de Santos que afirmavam dizer tudo
o que elas gostavam de escutar, e que este era o provável motivo pelo qual elas iam
procurá-los (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’,
MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

Meninas pelo mundo afora estão se esforçando para ficarem parecidas com bonecas
Barbie. Suas armas são maquiagem, perucas, lentes de contato e talvez um pouco de
Photoshop (Adolescentes se transformam para ficarem parecidas com Barbies,
MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012; grifo nosso).

A partir dos elementos grifados nos fragmentos acima, é possível perceber que o
enunciador toma os enunciados como certos (no caso dos três primeiros e do advérbio de
negação “nunca”, presente no 4° exemplo) ou prováveis (4° e 5° e 6° exemplos),
modalizando-os, respectivamente, por um crer ser e não crer não ser. Considerando o quinto
exemplo, o advérbio de intensidade “bastante” modifica o termo subsequente (“provável”),
intensificando-o e assumindo uma quase certeza de que os fatos anunciados aconteçam. Já
com relação ao último trecho, o advérbio “talvez”, que geralmente exprime dúvida, é usado
nesse enunciado como uma possibilidade de que as meninas realmente usem a ferramenta
Photoshop para alterar suas fotos e ficarem ainda mais parecidas com as bonecas.

Segundo Gomes, além de contribuir para o direcionamento argumentativo do discurso,


o estudo das modalidades também “permite apreender a própria identidade dos sujeitos
partícipes da enunciação, que se mostram como crédulos, cautelosos, desconfiados,
reservados, etc.” (GOMES, 2008b, p. 220). Sendo assim, ao mostrar, como nos exemplos
grifados acima, um enunciador modalizado pela certeza ou pela probabilidade, procura-se
criar a imagem de um enunciatário que interprete os enunciados da forma esperada pelo
enunciador da revista, ou seja, no caso do exemplo do texto “Marvel anuncia dois novos

66
filmes de super-heróis”, que acredite na grande probabilidade de que os próximos filmes da
Marvel sejam sobre alguns dos heróis citados no texto.

Além do amplo uso de vocábulos e expressões modalizadoras que deixam transparecer


a presença do produtor do discurso, também é percebido em Megazine o uso de expressões no
diminutivo, o que remete a um desejo de aproximar-se do leitor. O uso desse recurso imprime
valor afetivo ao discurso, criando efeito de sentido de subjetividade ao supostamente prever
uma relação mais intimista entre os sujeitos, como vemos nos termos destacados nas
passagens abaixo:

A criadora do bruxinho Harry Potter fechou o contrato com a editora “Little,


Brown”, que também publica a série “Crepúsculo” na Inglaterra. Os fãs
crescidinhos da saga mágica terão de se contentar com apenas estas informações
por enquanto, pois o título da obra, a data de lançamento e o tema ainda não foram
revelados (Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez, para adultos,
MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

Para ser capa da edição especial do 10° aniversário da revista americana “Complex”,
o astro pop Justin Bieber teve que “apanhar”. Calma, biebers, foi tudo de
mentirinha (Justin Bieber ‘leva soco’ e aparece sangrando em capa de revista,
MEGAZINE, O Globo, 19/03/2012; grifo nosso).

Abigail Breslin, a menina fofinha de “Pequena Miss Sunshine”, queria o papel.


[...]
Mas após diversos testes, inclusive um realizado sob o nome de um filme fictício no
sul da Califórnia, foi Jennifer Lawrence a escolhida para viver a heroína da saga de
Suzanne Collins (‘Jogos Vorazes’: jovens atores buscam afirmação na saga,
MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012; grifo nosso).

O filme é extremamente bobo e não se leva a sério, como uma boa comédia jovem
deve ser. Mas, ao mesmo tempo, é inteligente e bem pensado. Não se limita ao
clássico “nerds versus atletas”, indo bem mais fundo na análise de tribos e
ambientação social dentro do colégio. Afinal, uma vez que os nerds chegaram ao
poder, queridinhos na cultura pop, como ficam as coisas? (Dez motivos para
assistir à comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

Jefferson Barbosa e a irmã estão dando um jeito de aproveitar mais um pouquinho a


fama que o webhit “Para Nossa Alegria” lhes trouxe (Irmãos de ‘Para Nossa
Alegria’ lançam clipe para o Dia das Mães, MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012;
grifo nosso).

Da mesma forma que o diminutivo, o uso de expressões no aumentativo ou no


superlativo marcam a presença do enunciador no discurso, buscando simular uma
proximidade deste em relação ao enunciatário. Esses recursos, além de imprimir intensidade
ao discurso, procurando enfatizar o que está sendo dito, criam um efeito de sentido de que o
enunciatário jovem da revista é um sujeito animado e dinâmico, que se identifica com esse

67
tipo de linguagem. Vejamos abaixo, exemplos de como esses recursos são usados na
Megazine:

Conselho de um deles: “Cara, você tem que fazer como eu. Tava apaixonadão por
uma garota. Ela me deu um toco. Aí eu me apaixonei por outra” (Um ensaio sobre a
temida ‘friend zone’, MEGAZINE, O Globo, 8/5/2012; grifo nosso).

Quando eu fiquei mais velha, e via as pessoas comendo todas essas coisas
maravilhosas, pensei: "Por que eu nunca comi aqui antes?" - diz Kaley, para, em
seguida, fazer uma careta ao responder uma pergunta sobre seu corpão.
[...]
Apesar de ser uma estranha no universo nerd, como a própria Penny, Kaley tem
noção do gigantesco impacto que o programa causou na vida de muitos Sheldons e
Leonards espalhados pelo mundo (Musa dos ners, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The
Big Bang Theory’, admite sentir desconforto com ‘calor humano’ dos fãs,
MEGAZINE, O Globo, 26/04/2011; grifo nosso).

Jennifer Lawrence ganhou o disputadíssimo papel de Katniss Everdeen em “Jogos


Vorazes” (‘Jogos Vorazes’: jovens atores buscam afirmação na saga, MEGAZINE,
O Globo, 20/03/2012; grifo nosso).

“Depois de sua morte, como você espera que as pessoas se lembrem de você?"
Como um cara que mudou a vida de pessoas através dos seus textos. Tipo: “pô,
lembra daquela coluna do Matheus sobre o Yahoo! Respostas? Antológica! Aquele
rapaz sabia mexer com nossos sentimentos! Sempre comentando aspectos
importantíssimos da nossa sociedade. Revolucionário” (Matheus Souza responde
perguntas do ‘Yahoo! Respostas’, MEGAZINE, O Globo, 17/04/2012; grifo nosso).

Nos exemplos selecionados, as formas em destaque são usadas para enfatizar o que
está sendo enunciado, apresentando as diferentes intenções do produtor do discurso. No
primeiro exemplo, o vocábulo “apaixonadão” enfatiza a intensidade do sentimento vivenciado
pelo actante do enunciado. Fato semelhante ocorre no segundo exemplo, em que o termo
“corpão” é usado no aumentativo a fim de chamar a atenção do destinatário para os atributos
físicos da atriz, enfatizando a opinião do narrador acerca da forma física da moça, o que
supostamente não seria conseguido ao usar o substantivo no grau normal (corpo). Ainda nesse
exemplo, a forma “gigantesco” modifica o vocábulo “impacto”, apresentando o ponto de vista
do narrador do texto, que busca dar ênfase à proporção da mudança que o programa causou na
vida de pessoas que se identificam com os personagens retratados na trama. Já no terceiro
caso, o narrador procura demonstrar a dificuldade que foi conseguir o papel de protagonista
do filme “Jogos Vorazes”, uma vez que havia muitas atrizes interessadas no papel. Por outro
lado, no último fragmento, o adjetivo “importantíssimo” revela a construção de um discurso
irônico, demonstrando que o narrador, de fato, quer dizer o oposto do que diz. Essa ironia fica
evidente no discurso do narrador quando este, no início do texto, afirma que irá responder a
perguntas “bizarras” do site Yahoo! Respostas, conduzindo a forma como o narratário deve ler
o texto.
68
O uso de construções típicas da fala, marcando uma oralidade no discurso, também é
outro recurso que deixa entrever a presença do sujeito responsável pela autoria do discurso,
além do uso de gírias. Os termos grifados abaixo simulam um diálogo com o leitor, como se o
narrador buscasse aproximar o narratário do discurso, a partir do tom informal empregado.
Como resultado, o enunciador deseja construir o simulacro de um pathos que se identifica
com um discurso mais despojado, em que a ilusão criada é de familiaridade com o discurso da
revista e não de distanciamento, característica comum nos veículos jornalísticos. Observemos,
abaixo, como o recurso em questão aparece na revista:

Quando Kaley Cuoco, a Penny da série "The Big Bang Theory", cruzou a tenda
onde os jornalistas almoçavam na sede da Universal Studios, em Los Angeles, dez
entre dez caras queriam que ela fosse a garota da casa ao lado. Pois é, mas nem todo
mundo tem a sorte de nascer Sheldon Cooper ou Leonard Hofstadter e topar com a
moça ao sair de casa (Musa dos nerds, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang
Theory’, admite sentir desconforto com ‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O
Globo, 26/04/2011; grifo nosso).

Bom, é isso. Até a próxima semana e fiquem com o trailer de “Anjos da Lei” (Dez
motivos para assistir à comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012;
grifo nosso).

O outro é o Channing Tatum. Ele é bonitão, né? Se você for menina, vai curtir. Se
você for um rapaz, diga para sua namorada ou para a garota que você quer
conquistar que o filme é com o ator de “Ela dança, eu danço” (Dez motivos para
assistir à comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

*Nota do colunista: Eu poderia explicar o que é “hack n’ slash” ou “vista


isométrica”, mas estou com preguiça e o Google está aí para isso, né? (Por que o
videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da década?, MEGAZINE, O Globo,
16/05/2012; grifo nosso).

Obviamente nenhuma das minhas tentativas de transformar letras em cantadas


infames gerou frutos positivos. Mas o show foi ótimo. E acho que é isso que
importa afinal, antes de toda essa minha viagem, né? (Matheus Souza: ‘Devo
minha vida sexual ao Los Hermanos, MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo
nosso).

A presença do “eu” enunciador e sua relação com o “tu” enunciatário pode também ser
percebida ao espalhar perguntas no discurso, convocando a participação deste último ao
dirigir-se diretamente a ele. Essa forma de construir o discurso, com o uso de perguntas
retóricas, “por meio das quais a enunciação seduz o enunciatário a inferir respostas”,
pressupõe um sujeito que estabelece a presença de outro, para quem aquele fala, gerando,
assim, um efeito de cumplicidade, como se um diálogo fosse travado entre eles (DISCINI,
2003, p. 163). Segundo Ramos (2006, p. 73-74), o uso de perguntas retóricas cria

o simulacro de diálogo com um narrador que se deixa ver com mais propriedade no
texto. O narrador, actante da narrativa, cria um efeito de maior aproximação com o
narratário: não diz eu, mas simula uma enunciação enunciada, ao dizer tu.
69
Por meio desse recurso, o sujeito enunciador busca persuadir e direcionar a
interpretação do enunciatário, ao mesmo tempo em que cria efeito de sentido de proximidade
deste com relação ao discurso, uma vez que “o enunciador já traz nas perguntas retóricas a
presença da voz do enunciatário, o qual, não à toa, fica fortalecido no papel de co-enunciador”
(DISCINI, 2005, p. 410). Sendo assim, as perguntas retóricas marcam a relação intersubjetiva
existente nos textos, orientando o enunciatário a interpretar as perguntas da forma esperada
pelo enunciador, compactuando com o ponto de vista por este defendido. Feito isso, constrói-
se o simulacro do pathos do enunciatário como “aquele que é e sabe que é o legítimo
participante da cena enunciativa” (DISCINI, 2005, p. 340). Essa interação entre os sujeitos do
enunciado pode ser vista nos três últimos exemplos citados mais acima, em que o narrador
orienta, de forma implícita, o narratário para uma dada resposta. Outros exemplos desse
recurso podem ser vistos nos fragmentos abaixo, também extraídos do corpus:

Eu tenho medo das próteses no bumbum da Valeska Popozuda e tento, sempre que
posso, estar em uma cidade diferente da qual ela esteja. Lembram do filme “A
Experiência”, na qual um alienzinho sai da barriga de uma mulher grávida? Eu
sempre acho que existem dois monstrinhos dentro dela tentando sair (Os motivos de
Matheus Souza para fugir do carnaval carioca, MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012;
grifo nosso).

O que você pensaria de um curso chamado ‘Bitch!’? (Mulheres criam curso


chamado ‘Bitch!, sobre sexualidade feminina, MEGAZINE, O Globo, 08/03/2012).

Quem diria que um sacerdote da Igreja Católica iria dar dicas de como
conseguir um(a) namorado(a)? (Padre bomba no YouTube com 10 dicas para
arrumar namorada(o), MEGAZINE, O Globo, 14/03/2012; grifo nosso).

Quem nunca digitou algo no Google e recebeu como resultado um link para o
Yahoo! Respostas? (Matheus Souza responde perguntas do ‘Yahoo! Respostas,
MEGAZINE, O Globo, 17/04/2012; grifo nosso).

O filme é extremamente bobo e não se leva a sério, como uma boa comédia jovem
deve ser. Mas, ao mesmo tempo, é inteligente e bem pensado. Não se limita ao
clássico “nerds versus atletas”, indo bem mais fundo na análise de tribos e
ambientação social dentro do colégio. Afinal, uma vez que os nerds chegaram ao
poder, queridinhos na cultura pop, como ficam as coisas? (Dez motivos para
assistir à comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

No caminho para o show do Los Hermanos, na última sexta-feira, fiquei matutando


sobre que enfoque dar para a banda aqui na coluna. O que escrever de um grupo
sobre o qual, seja por fãs ou “haters”, tudo já deve ter sido escrito?
[...]
Tentei então me utilizar do evento de retorno para chamar atenção das moças da
Fundição Progresso através de citações do grupo. Uma vez que elas já fizeram parte
de tantos amores passados, por que não acreditar no seu potencial para criar
futuros? (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’,
MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

70
A fim de perceber, de forma mais clara, como são construídas as estratégias de
persuasão no discurso, seja por meio de debreagens internas, de expressões de caráter
subjetivo ou de quaisquer outros mecanismos, como aqueles citados acima, a reportagem
intitulada “Ouça nova música com Justin Bieber, Live my life”, (MEGAZINE, 24/02/2012),
que fala sobre a nova música de Justin Bieber, que será lançada no mês seguinte, serve como
boa ilustração.

Já no título da matéria, o verbo no imperativo “ouça” remete a uma sugestão dada ao


destinatário, pressupondo, portanto, a presença de um eu dirigindo-se a um tu, o receptor do
discurso. Tal escolha pelo verbo no imperativo apresenta forte subjetividade, procurando
conduzir esse destinatário para um dever-fazer, a partir do caráter eufórico dado ao assunto
pelo sujeito responsável pela produção discursiva. Aliado a isso, a expressão “faixa para lá de
dançante”, presente no primeiro parágrafo do texto, é outra estratégia de persuasão que
também configura o ponto de vista do narrador sobre a nova música do cantor, apresentando
uma justificativa para que o narratário queira cumprir tal sugestão, ou seja, ouvir a música,
conforme vemos em destaque no trecho abaixo:

A gravadora Cherrytree Records lançou, nesta quinta-feira (23), a canção “Live my


life”, da banda americana Far East Movement (aquela do hit “Like a G6”), que conta
com vocais do ídolo teen Justin Bieber. A faixa para lá de dançante, que pode ser
ouvida acima, entrará no próximo CD do grupo, “Dirty bass”, com previsão de
lançamento ainda neste semestre (MEGAZINE, O Globo, 24/02/2012; grifo nosso).

Para reforçar sua opinião e persuadir o enunciatário a crer nos valores comunicados no
discurso, ou seja, na qualidade musical de Justin Bieber, o enunciador também recorre à
projeção da fala de terceiros em discurso direto. Conforme foi visto, esse jogo de vozes no
texto contribui para criar o efeito de que o enunciador está apenas transmitindo o que o outro
falou e, portanto, a verdade. Isso pode ser constatado no trecho a seguir, retirado da mesma
reportagem, que mostra um enunciatário modalizado por um dever-fazer, ao mesmo tempo
em que é configurado como um sujeito impaciente e ansioso, características que ajudam a
traçar a identidade do leitor ideal:

- Conhecemos Justin no Billboard Awards, quando Snoop Dogg nos apresentou a


ele. O garoto é muito talentoso, está crescendo e todos veem isso - comentou um dos
integrantes do Far East Movement, esta semana, numa entrevista a um programa de
rádio alemão (MEGAZINE, O Globo, 24/02/2012).

Nesse texto, também podemos observar, como mostra o fragmento abaixo, um modo
de ser apaixonado do sujeito enunciatário, retratando-o como um fã ansioso à espera do novo

71
trabalho de seu ídolo4. Nesse trecho, o advérbio de negação e o uso do “mas” indicam a
existência de uma crença de que os fãs vão esperar muito para ouvir as outras faixas. A fala
do narrador busca atenuar essa expectativa e ansiedade que marcam a imagem do jovem
destinatário, fã do cantor, conforme observamos abaixo:

Apesar de já estar disponível para audição na internet, “Live my life” só será


lançada oficialmente na terça-feira (28), na loja virtual iTunes. Mas os fãs de
Bieber não vão precisar esperar muito para ouvir a voz do cantor canadense
em outras faixas. Recentemente o astro avisou que o primeiro single de seu
próximo CD, “Believe”, será divulgado em março (MEGAZINE, O Globo,
24/02/2012; grifo nosso).

Diante do que foi exposto até aqui, pudemos perceber que tanto o uso de debreagens
quanto as escolhas linguísticas de natureza avaliativa deixam traços da enunciação no
enunciado, permitindo resgatar a figura do “eu pressuposto” (FIORIN, 2008, p. 138),
responsável pela autoria do discurso. A combinação dessas estratégias argumentativas é
comum no discurso da revista e ajudam na criação de diferentes efeitos de sentido no texto,
bem como a marcar o ponto de vista do enunciador.

3.3 – Relações enunciativas em Megazine: o simulacro de proximidade entre os sujeitos

Como bem sabemos, seja organizando o texto de forma objetiva ou subjetiva, o


enunciador procura utilizar-se de variadas estratégias a fim de cativar o enunciatário e
manipulá-lo para que este creia nos valores disseminados, considerando sempre a imagem
deste sujeito construída no discurso. Esses recursos utilizados ajudam a traçar o ethos do
enunciador e, concomitantemente, o pathos do enunciatário.

Para que a comunicação entre os sujeitos da cena enunciativa aconteça e a


manipulação realizada pelo enunciador obtenha sucesso, é preciso, primeiramente, que este
idealize uma imagem do público para o qual se dirige, bem como o sistema de valores que
acredita partilhar com esse sujeito. É importante, também, que o enunciatário assuma o
discurso transmitido pelo primeiro como sendo verdadeiro, o que ocorre por meio de um
contrato fiduciário que determina como o discurso deve ser interpretado pelo enunciatário. De
acordo com Barros (2001, p. 94), esse contrato “estabelece os parâmetros a partir dos quais o

4
O estudo das construções de caráter passional e os efeitos que elas causam no enunciatário, ajudando a
construir sua identidade discursiva, serão estudados de forma detalhada no quinto capítulo.

72
enunciatário pode reconhecer as marcas da veridicção que, como um dispositivo veridictório,
permeiam o discurso”. Essas marcas presentes no enunciado revestem o texto de um sistema
de valores e precisam ser reconhecidas pelo enunciatário e comparadas com seus
conhecimentos e convicções para que o contrato se estabeleça. Feito isso, o enunciatário
passará a crer na “verdade” transmitida pelo jornal, identificando-se com o recorte de
realidade mostrado. Segundo Fiorin (2004, p. 27),

A eficácia discursiva está diretamente ligada à questão da adesão do enunciatário ao


discurso. O enunciatário não adere ao discurso apenas porque ele é apresentado
como um conjunto de ideias que expressam seus possíveis interesses, mas porque se
identifica com um dado sujeito da enunciação, com um caráter, com um corpo, com
um tom.

Como o discurso jornalístico, em geral, preza pela objetividade, procurando manter-se


o mais neutro possível, privilegia-se a debreagem enunciva, o uso de debreagens internas,
além de outros mecanismos argumentativos como os já citados anteriormente. Entretanto,
como todo discurso é necessariamente fruto de um sujeito que diz algo para outro, ou seja, um
“eu” que fala para um “tu”, é impossível construí-lo sem nele deixar marcas da enunciação,
conforme relata Gomes (2010, p. 196):

A impossibilidade de relatar um fato sem que se tome um ponto de vista e uma certa
orientação discursiva, perceptível pela própria escolha e ordenação das ações e
vozes dos envolvidos nos fatos (o que faz, aliás, com que as narrativas sejam
coerentes) evidencia as tensões entre a exigência de objetividade característica dos
gêneros notícia e reportagem e a necessária presença do sujeito da enunciação no
enunciado, própria de qualquer discurso, mesmo que esteja dissimulada ou atenuada.

Gomes, em trabalho anterior, ressalta que a alternância entre o uso de debreagem


enunciva com a enunciativa produz efeitos de sentido bastante curiosos, já que o emprego
deste último procedimento cria “um efeito de aproximação que conquista a atenção e a
curiosidade do destinatário do jornal” (GOMES, 2007, p. 9). Na revista Megazine, a
simulação dessa aproximação entre enunciador e enunciatário permitida pela mistura de
procedimentos enuncivos (característicos da imprensa dita séria) e enunciativos (mais comuns
na imprensa popular5), apresenta uma distribuição equilibrada. Constrói-se, no discurso
citado, a imagem de um enunciador jovem e moderno, que procura aproximar-se do
enunciatário ao demonstrar partilhar dos mesmos interesses que este.

5
Sobre isso, ver Discini (2003) que apresenta um estudo detalhado das características das imprensas séria e
popular.

73
Embora, como foi dito, 80% do corpus apresente uma projeção enunciva com o uso da
terceira pessoa, o enunciador demonstra um maior envolvimento com o enunciatário,
aparentando conhecê-lo tanto a ponto de prever suas possíveis atitudes e reações, conforme
vemos nos exemplos abaixo:

A banda Nervoso e os Calmentes se apresenta na Casa da Matriz (isso mesmo, a


boate voltou a receber shows!), terça-feira (15) (Festa Bootie Rio comemora dois
anos de ‘mashups’, MEGAZINE, 10/05/2012; grifo nosso).

Para ser capa da edição especial do 10º aniversário da revista americana “Complex”,
o astro pop Justin Bieber teve que “apanhar”. Calma, biebers, foi tudo de
mentirinha (Justin Bieber ‘leva soco’ e aparece sangrando em capa de revista,
MEGAZINE, 19/03/2012; grifo nosso).

Bradley revelou esses detalhes numa entrevista ao programa de TV britânico “The


Graham Norton Show”, em dezembro, mas é melhor os fãs da série ainda não se
animarem, pois, como Ed afirma, o martelo ainda não foi batido (Protagonista de
‘Se beber não case’ quer terceiro filme da série, MEGAZINE, 23/02/2012; grifo
nosso).

É baseado num seriado antigo estrelado por um tal de Johnny Depp em início de
carreira. E antes que você pense “droga, lá vem mais um reboot enlatado de
Hollywood”, saiba que o próprio filme faz piada sobre isso (Dez motivos para
assistir à comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, 02/05/2012; grifo nosso).

Os trechos destacados nos exemplos acima mostram um ajustamento do narrador às


reações que este acredita que o narratário venha a ter. Nesses casos, para além de uma simples
manipulação em que um actante busca um fazer-crer, a interação intersubjetiva baseia-se na
reciprocidade, no contágio entre esses actantes. Desta forma, o que temos é um fazer-sentir,
buscando afetar o outro e estabelecer com ele vínculos de confiança advindos de uma
simulação de proximidade e convívio entre os actantes (LANDOWSKI, 2008). No primeiro
fragmento, a sentença entre parênteses simula uma presentificação da cena enunciativa, da
situação de comunicação, como se o narrador ouvisse a indagação do narratário e a ela
prontamente respondesse. Tal apresentação remete a uma possível surpresa6 do narratário com
relação à reabertura da boate para shows, o que ganha ainda mais ênfase com a escolha da
pontuação exclamativa. Já nos exemplos subsequentes, o efeito de aproximação entre os
sujeitos é criado pela sentença em destaque, que sugere que o narrador, por conhecer tanto o
narratário, antecipa sua provável reação, como, respectivamente, o medo de que seu ídolo
tenha realmente apanhado, a espera por um terceiro filme da série ‘Se beber não case’ e a

6
Essa possível reação do narratário é percebida implicitamente no discurso pela indagação do narrador na
sentença entre parênteses.

74
crença de que a comédia ‘Anjos da Lei’ seja um “reboot enlatado de Hollywood”. Desta
forma, o narrador intervém no discurso de forma a conduzir a interpretação do narratário.

A relação de proximidade entre enunciador e enunciatário é, também, construída pela


forma como o primeiro enxerga o segundo, perceptível pelas construções discursivas e
intervenções feitas no decorrer do texto. Ao optar por interromper o discurso para explicar o
que acabou de ser dito, o enunciador delineia o perfil do enunciatário da revista. Da mesma
forma ocorre com o uso de metáforas, recurso que, segundo Fiorin (2008, p. 72), “não diz
respeito à palavra isolada, mas é compreendido na sintagmática do texto”. Diferentemente do
discurso, em geral, apresentado nas outras seções do jornal O Globo, o perfil do enunciatário
construído em Megazine não é o de um leitor acostumado a leituras críticas, em que o sentido
não é dado pronto, mas precisa ser construído na leitura de implícitos. Pelo contrário, aqui
tudo encontra-se a mão, como se o leitor por si só não fosse perspicaz o bastante para
interpretar o que está sendo dito, seja pelo uso de construções metafóricas ou qualquer outro
recurso discursivo. Observemos os fragmentos abaixo, que ilustram o que foi dito:

“Deslembrança”, da autora americana Cat Patrick, é um livro que já chega ao Brasil


com um carimbo de “hit literário” estampado na capa (o carimbo é imaginário,
ok?) (Roteirista já trabalha na adaptação de “Deslembrança” para o cinema,
MEGAZINE, O Globo, 29/05/2012; grifo nosso).

Um outro amigo chegou na roda com crepes de chocolate para a galera, reconheceu
o nome do tal Thiago (que na hora foi chamado pelo nome real e não pelo
fictício, de forma a ser possível a identificação, obviamente) e entrou no assunto
(Um ensaio sobre a temida ‘friend zone’, MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012; grifo
nosso).

Nos exemplos acima, a mediação do narrador no discurso é feita de forma irreverente,


o que mostra que o leitor-modelo aceita e até mesmo aprecia as brincadeiras feitas pelo
narrador. Com relação ao primeiro fragmento, o narrador afirma as qualidades do livro em
questão a partir de uma metáfora: “carimbo de hit literário”. No entanto, ao supor que o
narratário não irá compreender tal construção, ele intervém no texto com a sentença entre
parênteses, alertando que essa foi apenas uma expressão que representa as características
positivas do livro. No segundo caso, ao afirmar ser óbvio que a identificação do garoto só
tenha sido possível porque na hora ele foi chamado pelo nome real e não pelo fictício, o
narrador demonstra acreditar não ser tão óbvio para o narratário compreender isso, o que
justifica a explicitação dada logo a seguir.

75
Fato semelhante ocorre no trecho abaixo, em que o narrador, de forma ainda mais
irreverente, se nega a explicar ao narratário o significado das expressões usadas pelo
interlocutor, alegando que “o Google está aí para isso”. Ao afirmar que para sabê-las o
narratário deve consultar o site, o narrador pressupõe que o primeiro possa desconhecer o
significado. Tal construção discursiva produz determinados efeitos de sentido ao texto,
contribuindo para criar a imagem de um narratário pouco perspicaz ou desconhecedor do
universo temático das matérias, acostumado a esse tipo de interferência do narrador. Contudo,
o narratário não se ofende com essa forma de dizer do narrador, mas dela ri, encarando-a de
forma bem-humorada, como se fosse uma brincadeira, dado o tom amistoso e gaiato que o
narrador assume.

Eu: Ok, me fale um pouco sobre o que diabos é “Diablo III”.


Amigo 1: É um jogo de ação “hack n’ slash”, de vista isométrica, que mantém a
mesma jogabilidade desde o “Diablo I”, mas com diferenças de mecânica.
[...]
*Nota do colunista: Eu poderia explicar o que é “hack n’ slash” ou “vista
isométrica”, mas estou com preguiça e o Google está aí para isso, né? (Por que o
videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da década?, MEGAZINE, O Globo,
16/05/2012; grifo nosso).

A identidade do ethos da revista também pode ser construída, dentre outros recursos,
por meio do nível de formalidade linguística empregado, uma vez que, segundo Barros (2001,
p. 107), para que a argumentação dê certo é preciso considerar três condições básicas: “a
língua comum a enunciador e enunciatário, o fato de manterem relações sociais, o desejo do
enunciador de entrar em comunicação e, em resposta, a atenção e o interesse do enunciatário”.
Ao contrário da linguagem empregada nas outras seções do jornal, em Megazine não há
preocupação em adotar um padrão formal escrito da língua. O uso de uma linguagem
coloquial, permeando o texto com gírias e expressões típicas da fala adolescente, é um retrato
do perfil de leitor a quem a revista se dirige, ajudando a construir o simulacro de um
enunciador jovem e descolado (DISCINI, 2003, p. 130). Essa busca pela adesão ao discurso
por meio de estratégias de aproximação entre os sujeitos, como um menor cuidado com um
padrão formal escrito, procura fazer com que o enunciatário enxergue o enunciador como
alguém que o entende porque compartilha dos mesmos hábitos linguísticos que ele, o que
pode ser visto nas expressões grifadas nos exemplos abaixo:

Pois o padre Chrystian Shankar, de Divinópolis, interior de Minas Gerais, está


bombando no YouTube com o vídeo “10 conselhos para quem deseja arrumar
alguém”, com quase 500 mil acessos em pouco mais de um mês (Padre bomba no
YouTube com 10 dicas para arrumar namorada(o), MEGAZINE, O Globo,
14/03/2012; grifo nosso).
76
O grupo Avassaladores injetou o tamborzão em sua “releitura” da música “Para
nossa alegria”, que já acumula dezenas de milhões de visualizações em diferentes
vídeos postados no YouTube (Avassaladores gravam versão funkeira de ‘Para
nossa alegria’, MEGAZINE, O Globo, 27/03/2012; grifo nosso).

O mais engraçado dessa história, como foi publicado na coluna Gente Boa, do
jornal O GLOBO de hoje, são os “presentes” para quem colaborar com a vaquinha.
[...]
Se alguma pessoa ou empresa fortalecer com R$ 5 mil ou R$ 10 mil, a galera da
Maneh organiza um mini-baile funk na casa ou no escritório dos mecenas (Favelas
do Leme criam projeto de crowdfunding para fazer baile funk, MEGAZINE, O
Globo, 18/04/2012; grifo nosso).
Todo marmanjo já sonhou com aquela vizinha gata que bate na sua porta numa
noite pedindo uma xícara de açúcar. [...] Pois é, mas nem todo mundo tem a sorte de
nascer Sheldon Cooper ou Leonard Hofstadter e topar com a moça ao sair de casa
(Musa dor nerds, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang Theory’, admite sentir
desconforto com ‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O Globo, 26/04/2011; grifo
nosso).

Edição de aniversário rola nesta sexta-feira (11). Veja mais dicas de programação
na coluna ‘Qual é?’ (Festa Bootie Rio comemora dois anos de ‘mashups’,
MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo nosso).

No caminho para o show do Los Hermanos, na última sexta-feira, fiquei matutando


sobre que enfoque dar para a banda aqui na coluna.
[...]
Desabafei a questão num grupo de amigos do Facebook e recebi um SMS de uma
moça, casinho antigo, dizendo: “Fui no show ontem e lembrei de você”.
Então me toquei de que uma das coisas que nos uniu, no passado, foi a paixão pela
banda.
[...]
Ironicamente, estava indo para o show de sexta-feira e segurando vela para um
casal de amigos (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’,
MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

Apesar dessa relação de proximidade entre os sujeitos participantes da cena


enunciativa, causados pelo uso de certos recursos argumentativos mostrados (como o
emprego da debreagem enunciativa, a simulação de um diálogo entre os sujeitos, uso de
expressões de valor afetivo, dentre outros), o ethos do enunciador da revista não constrói uma
relação entre iguais, mas demonstra sua posição de autoridade no discurso. Esse ethos é o de
alguém que é representado, muitas vezes, como conselheiro e amigo do enunciatário, dando
dicas sobre o que este pode ou não pode deixar de ver/fazer. Tudo isso é pautado na
experiência desse enunciador, que, apesar de sua aparente jovialidade, já vivenciou situações
semelhantes pelas quais o enunciatário passa agora.

Essa hierarquia entre os sujeitos é o que pauta o discurso jornalístico, visto que o
objetivo desse tipo de texto é a delegação de um saber, ou seja, o enunciador assume a
posição de detentor de um saber, alguém que tem competência para o dizer e transfere o saber

77
para o enunciatário. Essa competência o coloca em uma posição inegavelmente superior ao
enunciatário, embora, na revista, essa superioridade seja dissimulada no discurso por meio
dos diversos recursos já mostrados.

Concomitante à figura desse ethos da revista, temos a construção do pathos do


enunciatário, que, como foi visto na fundamentação teórica deste trabalho, é a imagem que o
enunciador possui do enunciatário, sendo, também, “produtor do discurso, na medida em que
determina escolhas linguísticas do enunciador” (FIORIN, 2008, p. 154).

Na revista, a escolha de como conduzir o discurso, as intervenções feitas, enfim, o


modo como a revista constrói e reconstrói o mundo, apresentando um recorte da realidade, em
muito nos diz sobre a identidade desse leitor ideal, o pathos, traçando seu modo de ser. O
caráter de informalidade e de aproximação presentes no discurso, que mesmo em terceira
pessoa marca uma subjetividade maior do que no restante do jornal, cria o simulacro de um
jovem pouco perspicaz ou pouco maduro, acostumado a constantes intervenções do narrador
no discurso e que encontra na revista uma retratação de tudo aquilo que o enunciador acredita
ser de interesse desse jovem construído no texto.

Após apresentar como se dá a organização sintática no discurso da Megazine,


observando como se relacionam enunciação e enunciado por meio das escolhas de projeção de
pessoa, tempo e espaço, bem como as relações entre enunciador e enunciatário com o uso de
diferentes recursos argumentativos, passemos a tratar, no próximo capítulo, da semântica
discursiva. Será estudado como as construções temáticas e figurativas revestem o texto
ideologicamente, sendo responsáveis por imprimir nele uma coerência semântica. Desta
forma, assim como os mecanismos sintáticos que foram aqui apresentados, o aspecto
semântico é igualmente responsável por construir a imagem do destinatário do discurso,
representando, por sua vez, seu universo ideológico.

78
4 – A CONSTRUÇÃO IDEOLÓGICA DA JUVENTUDE RETRATADA EM
MEGAZINE

O nível discursivo, por ser o mais concreto dentre os três patamares do percurso
gerativo, opera também com os aspectos semânticos do discurso, responsáveis por inscrever
uma orientação ideológica ao texto. O objetivo do presente capítulo é apontar como é
construído o simulacro do jovem no suplemento Megazine por meio de uma análise da
semântica discursiva, com a reunião de temas e figuras subjacentes ao discurso.

No nível narrativo, o sujeito assume determinados valores que o caracterizam como


sujeito existente e competente (entra em conjunção ou disjunção com objetos de valor, opera
uma conjunção ou disjunção de outro sujeito em relação a seu objeto de valor). Esses valores
são, no nível discursivo, disseminados em percursos temáticos que recebem investimentos
figurativos para criar efeitos de sentido de realidade, garantindo a coerência do texto. Sendo
assim, o aspecto semântico opera com a concretização do sentido do texto, tendo por
finalidade revelar os valores ideológicos por meio dos quais todo discurso se constitui. Para
tanto, estuda-se a construção temático-figurativa, ou seja, a escolha dos temas e figuras e a
relação que estes estabelecem entre si, marcando no enunciado a presença da instância
produtora do discurso e o seu destinatário.

Baseados em José Luiz Fiorin, entendemos a oposição abstrato/concreto entre temas e


figuras ao definir os primeiros como categorias de ordem abstrata, “que não remete ao mundo
natural”, mas que “organizam, categorizam, ordenam os elementos do mundo natural”,
podendo ser, segundo o autor, exemplificados como “elegância, vergonha, raciocinar,
calculista, orgulhoso, etc.” (FIORIN, 2002, p. 65). Já as figuras são elementos mais concretos
pertencentes ao mundo natural, tais como “árvore, vagalume, sol, correr, brincar, etc.”
(FIORIN, 2002, p. 65). Entretanto, como afirma o autor, essa oposição entre as categorias não
estabelece a existência de dois pólos completamente opostos, mas uma gradação que vai de
um a outro. Sendo assim, os temas encontrados no discurso podem ser concretizados por meio
de figuras, de forma a serem reconhecidos e interpretados pelo destinatário desse discurso.
Para ilustrar as definições de temas e figuras feitas acima, tomemos como exemplo um
trecho retirado da reportagem “Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca”

79
(MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012), em que o narrador aponta uma série de argumentos para
desconstruir uma possível visão positiva que o narratário tenha dessa festa.

Dei de cara com a cidade mais linda do mundo devastada, imunda e com um
cheiro de dar ânsia de vômito. O Rio de Janeiro parecia ter sido vítima de um
apocalipse zumbi. E eu não sei o que aconteceu ali mais cedo, mas se alguém me
dissesse que um folião bêbado deu a ideia pra multidão de todos urinarem juntos,
ao mesmo tempo, na rua, unindo os “raios do xixi”, tentando conjurar o Capitão
Planeta, soaria como uma história bem plausível (grifo nosso).

Os termos em destaque no exemplo acima são figuras que concretizam os temas da


desordem urbana e da sujeira, vigentes no texto, funcionando para construir uma imagem
caótica da cidade nos dias do evento. Tal escolha figurativa contribui para fazer o destinatário
do discurso crer no que está sendo dito, reconhecendo elementos do mundo natural usados
aqui para reforçar a visão apresentada pelo destinador.

Por meio do contrato fiduciário já explicitado anteriormente, o enunciatário reconhece


e interpreta as figuras do mundo natural usadas pelo enunciador, passando a crer ser
verdadeiro o que este diz, como reforça Gomes (2008a, p. 59): “Para a construção da ilusão
referencial, as figuras devem ser reconhecidas, interpretadas como reproduções dos objetos do
mundo”.

Partindo do princípio abordado por Fiorin (2002, p. 70) de que todo texto é uma rede
que se constitui como um todo de sentido, para chegarmos aos temas presentes em
determinado texto, não podemos analisar as figuras de forma isolada. Somente em conjunto
elas estabelecem relações entre si e permitem a manutenção semântica do discurso, chegando
ao tema subjacente. A esse encadeamento de figuras damos o nome de “percurso figurativo”.
Da mesma forma, um encadeamento de temas no discurso recebe o nome de “percurso
temático” (FIORIN, 2002, p. 70).

Consoante a isso, podemos ter textos predominantemente temáticos e outros


predominantemente figurativos, sendo os primeiros responsáveis pela interpretação do mundo
ao criar efeitos de sentido de “aproximação subjetiva ou de distanciamento objetivo da
enunciação”, enquanto os segundos contribuem para garantir o efeito de realidade ao revestir
o texto com figuras do mundo (BARROS, 2008, p. 71).

Convém ressaltar que, embora todo texto figurativo envolva necessariamente um tema
a ele subjacente, nem todo texto temático é composto de percursos figurativos completos.
Ainda segundo Barros (2008, p. 71), entendemos que, nesse caso, o que temos são figuras
80
esparsas, em que a coerência do discurso é garantida pela recorrência temática, como num
discurso científico, por exemplo. No caso de textos predominantemente figurativos, é por
meio das figuras que chegamos ao(s) tema(s) encontrado(s) nos textos.

A recorrência semântica decorrente dos percursos temáticos e figurativos no texto é o


que garante sua coerência, ao mesmo tempo em que compõe o que chamamos de “isotopia”,
ou seja, “a recorrência do mesmo traço semântico ao longo de um texto”, determinando como
esse discurso deve ser interpretado (FIORIN, 2002, p. 81).

No discurso jornalístico, objeto de nosso estudo, a reiteração de certos temas e figuras


ajuda a projetar um simulacro tanto do ethos quanto do pathos discursivo, permitindo
identificar um modo próprio de dizer e retratar o mundo, a partir de um viés ideológico
veiculado no discurso, como ressalta Fiorin, em seu livro “Linguagem e ideologia”:

Por isso, a cada formação ideológica corresponde uma formação discursiva, que é
um conjunto de temas e de figuras que materializa uma dada visão de mundo. Essa
formação discursiva é ensinada a cada um dos membros de uma sociedade ao longo
do processo de aprendizagem linguística. É com essa formação discursiva
assimilada que o homem constrói seus discursos, que ele reage linguisticamente aos
acontecimentos. Por isso, o discurso é mais o lugar da reprodução que o da criação.
Assim como uma formação ideológica impõe o que pensar, uma formação
discursiva determina o que dizer (FIORIN, 2007a, p. 32).

A reportagem “Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca”


(MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012), já citada mais acima, serve novamente aqui para
exemplificar de que forma o discurso se consolida como lugar privilegiado de reprodução de
ideologias. Ao selecionar um percurso figurativo responsável por apresentar os temas vigentes
no trecho mostrado anteriormente (a saber, desordem urbana e sujeira), o enunciador procura
fazer o enunciatário reconhecer os valores disfóricos do carnaval, apresentados pelo narrador
sob a forma de argumentos. Deste modo, o enunciador procura disseminar uma visão negativa
a respeito da festa por meio dos argumentos por ele expostos, buscando uma adesão do
enunciatário acerca do ponto de vista apresentado.

Da mesma maneira, as diversas tematizações e figurativizações encontradas nos textos


do suplemento voltado para jovens refletem, por exemplo, o julgamento do enunciador a
respeito da vida amorosa desse público. Pelo modo como esse tema é tratado, a ideia que
parece ser difundida é a de que, em geral, os jovens, principalmente os do sexo masculino,
sofrem com problemas de relacionamento, demonstrando insegurança na forma de se
relacionar com as garotas. Tal visão pode ser constatada já no título dado a algumas matérias
81
(que serão analisadas mais adiante), tais como: “Um ensaio sobre a temida friend zone”
(MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012) e “Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los
Hermanos’” (MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012).

Neste capítulo, iremos analisar de forma mais detalhada a semântica discursiva, que,
assim como as projeções enunciativas da sintaxe discursiva vistas no capítulo anterior,
também colabora para imprimir um teor argumentativo ao texto e construir o simulacro do
jovem ao qual o jornal se dirige. Serão estudados como os procedimentos temático-figurativos
ajudam na identificação das imagens do ethos e do pathos, especialmente este último, objeto
de nossa análise, disseminando valores e crenças que ancoram o posicionamento do sujeito
responsável pela enunciação em relação a seu discurso.

4.1 – A escolha temático-figurativa e a construção de simulacros do jovem em Megazine

A semântica discursiva, com o estudo dos temas e figuras recorrentes nos textos,
possibilita observar tanto a construção da figura do ethos produtor do discurso quanto a do
pathos do destinatário. No discurso da revista Megazine, voltada para um público jovem, a
análise temático-figurativa permite perceber quais os temas selecionados no discurso e de que
forma eles se relacionam e ajudam a criar o simulacro desse jovem retratado no texto. A
concretização desses temas por meio de figuras tem por finalidade não só a construção de
efeitos de sentido de verdade e realidade, tão importantes no discurso jornalístico, mas
também a de apresentar uma orientação ideológica assumida pelo sujeito da enunciação,
apontando como o enunciatário jovem enxerga os temas abordados. Da mesma forma, o
estudo dos temas e figuras ajuda a identificar os papéis temáticos e figurativos atribuídos pela
enunciação ao ator jovem a que se destina o suplemento, bem como a perceber seu modo de
vida, seu corpo e características.

Ao assumir um discurso voltado para o público adolescente, a revista precisa


considerar esse tipo específico de auditório, colocando-se no papel de mediadora entre este e
os assuntos que possivelmente venham a despertar seu interesse. É preciso conhecer as
vivências desse sujeito, suas expectativas e anseios, sendo a adolescência vista como uma fase
de novas descobertas e de busca de uma identidade, um modo de ser no mundo, como
afirmam Dayrell e Gomes (2009, p. 8):
82
A vivência da juventude, desde a adolescência, tende a ser caracterizada por
experimentações em todas as dimensões da vida subjetiva e social, possibilitando
novas vivências, sensações e emoções que trazem conhecimento sobre si mesmos e
do mundo, fazendo desta fase da vida o momento por excelência do exercício de
inserção social.

Na busca por essa inserção social, o sujeito constrói sua identidade a partir da
interação com o meio social no qual vive, procurando sempre ser aceito. Os autores afirmam
ainda, que, nos variados contatos sociais que esses jovens têm, eles passam a ter acesso “a
diferentes modos de ser, a diferentes modos de viver, a diferentes modelos sociais que
terminam interferindo nos processos identitários” (DAYRELL; GOMES, 2009, p. 11). Nesse
aspecto, essas diferentes identidades e “modelos sociais” encontram-se materializadas nos
discursos da mídia, que desenvolve importante papel, uma vez que seleciona e apresenta
modelos de comportamento segundo uma determinada ótica, procurando direcionar o modo
de pensar dos leitores e, ao mesmo tempo, legitimar suas convicções. Sobre isso, Oliveira
(2009, p. 7) nos lembra que

os meios de comunicação são responsáveis pela produção e circulação de sentidos


que estão imbuídos no cotidiano favorecendo as transformações, sobretudo, nas
práticas discursivas e levando à indistinção entre o real e o que é produzido pelos
textos colocados em circulação.

Desta forma, na busca por conquistar o leitor jovem e fazê-lo partilhar de certos
valores, orientando seu modo de pensar, o discurso de Megazine, a partir da escolha dos temas
e sua cobertura figurativa, apresenta um recorte da realidade do que, porventura, seria atraente
para o leitor dessa faixa etária. A revista apresenta o simulacro de um leitor que se identifica
com os “modelos sociais” mostrados na revista, voltando sua atenção para assuntos como, por
exemplo, a vida pública e particular de seus ídolos (DAYRELL; GOMES, 2009, p. 11). Nessa
relação de troca entre os sujeitos da enunciação (enunciador-revista e enunciatário-leitor),
“constrói-se e reforça-se, assim, um determinado saber, querer-saber, que se fundem num
querer-ser, tudo partilhado, previsto e previsível, nesse enunciado único, que se pode
depreender de muitos exemplares de um mesmo jornal” (DISCINI, 2003, p. 119).

No nível do enunciado, podemos observar a recorrência de reportagens na revista que


tratam de diversos temas, em sua maioria relacionados a assuntos sobre cultura,
relacionamentos e entretenimento, ajudando a construir o universo ao qual o enunciatário da
revista pertence e sugerindo serem essas suas principais preocupações.

83
O tema do divertimento é bastante recorrente na revista, aparecendo, muitas vezes,
relacionado a figuras como festas e jogos eletrônicos, mostrando por que tipo de atividades o
enunciatário da revista Megazine costuma se interessar. O enunciador, pressuposto no
enunciado pela figura do narrador, apresenta dicas sobre os principais eventos e locais na
cidade para esses jovens frequentarem, bem como as novidades no universo dos jogos
eletrônicos, delineando, assim, um perfil do enunciatário da revista. Observemos abaixo, por
meio da análise de alguns fragmentos retirados do corpus, como esse tema é concretizado na
revista:

Ontem, dia 15 de maio, foi lançado um dos jogos mais esperados de todos os
tempos: Diablo III (Por que o videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da
década?, MEGAZINE, O Globo, 16/05/2012; grifo nosso).

Quem está contando os dias para o show dos Artic Monkeys no Lollapalooza
Brasil vai ver esse vídeo 300 vezes até o dia 8 de abril, quando a banda toca no
evento em São Paulo (Artic Monkeys divulgam vídeo de show no México. Falta
pouco!, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012; grifo nosso).

O evento, que está completando dois anos de atividade, ajudou a popularizar as


misturas musicais colocando DJs gringos e brasileiros especializados no assunto
para agitar a pista com mashups a noite inteira (Festa Bootie Rio comemora dois
anos de ‘masgups’, MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo nosso).

Aqui em São Paulo vai ter um show legal num lugar legal. O show é do Howler,
uma dessas bandas do tipo que é lançada como ‘os novos Strokes’. E o local é o
Beco 203, um desses lugares paulistas alternativas bacanas meio casa de
show/meio boate que fazem falta no Rio (Os motivos de Matheus Souza para fugir
do carnaval carioca, MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012; grifo nosso).

Os termos destacados nos trechos acima são figuras que concretizam o tema do
divertimento, mostrando que tipo de entretenimento desperta o interesse do enunciatário.
Esses exemplos nos mostram que não é qualquer atividade que a revista oferece a esse jovem,
mas especialmente aquela relacionada a eventos em casas de show e bens de consumo como
jogos eletrônicos. Da mesma forma, esses tipos de atividades nos fazem perceber que nem
todo público tem acesso a elas, mas especialmente aquele com condições econômicas mais
favoráveis, já que usufruir dessas formas de diversão mostradas nos exemplos exige sempre
algum custo financeiro (comprar os jogos, pagar para entrar nos eventos e casas de show,
etc.). Tal fato pode ser observado na análise dos seguintes trechos retirados do corpus:

Para comemorar esses dois anos de ode ao mashup, a Bootie canta parabéns para ela
mesma nesta sexta-feira (11), na Fosfobox, a partir das 23h. R$ 30, se mandar o
nome para bootierio@gmail.com e entrar até 1h.
[...]

84
Sexta-feira rola a festa de hip hop LUV, no Vidigal (Avenida Presidente João
Goulart 275). Tem que colocar o nome no mural do evento para pagar R$ 25, até
1h.
[...]
O duo meio americano, meio canadense Chromeo vai transformar o Circo Voador
em pista de dança, sábado. O show começa às 23h e, depois, tem festa 7 Day
Weekend. R$ 95 para quem confirmar presença aqui.
[...]
Sábado tem festa no Teatro Odisseia, às 22h. Quem for de camisa preta paga R$ 20
a noite toda (Festa Bootie Rio comemora dois anos de ‘mashups’, MEGAZINE, O
Globo, 10/05/2012; grifos nossos).

Quando Kaley Cuoco, a Penny da série "The Big Bang Theory", cruzou a tenda
onde os jornalistas almoçavam na sede da Universal Studios, em Los Angeles, dez
entre dez caras queriam que ela fosse a garota da casa ao lado.
[...]
Na série, exibida pela Warner Channel, Kaley faz o estilo da gostosa meio
burrinha que trabalha na lanchonete, enquanto tenta a carreira de atriz (Musa dos
nerds, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang Theory’, admite sentir desconforto
com ‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O Globo, 26/04/2011; grifo nosso).

Nos quatro primeiros exemplos os termos grafados deixam claro que para ter acesso às
festas e shows o sujeito precisa pagar determinada quantia em dinheiro, respectivamente,
R$30, R$25, R$95 e R$20. Já no último exemplo, ao informar que a série da qual a
personagem presente na reportagem participa passa na Warner Channel, um canal pago, o
narrador nos mostra que essa opção de entretenimento é destinada a um público restrito, ou
seja, aquele que pode pagar pela assinatura de canais fechados.

Entretanto, a revista não oferece exclusivamente opções pagas de lazer, como


mostrado acima. Apesar de a maioria das reportagens relacionar diversão a custo financeiro,
são apresentadas algumas sugestões gratuitas de entretenimento, embora em número muito
reduzido, com somente duas opções, como é mostrado nos fragmentos a seguir:

Para celebrar o Dia das Mães, Maria Rita faz um show gratuito, com 25 músicas
que fizeram sucesso na voz de sua mãe, Elis Regina, domingo, às 16h, perto do
Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo (Festa Bootie Rio comemora
dois anos de ‘mashups’, MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo nosso).

Com o projeto de revitalização da Lagoa, a prefeitura iria demolir a "quadrinha",


mas depois de alguns abaixo-assinados e várias reuniões atendeu o pedido da União
Skate Rio (USR) de construir uma pista de street skate (Skate Park da Lagoa
promete ser o point do verão carioca, MEGAZINE, O Globo, 20/02/2012).

No primeiro exemplo, a expressão “show gratuito” explicita a gratuidade da atividade


sugerida, mostrando que esta é acessível a todos os públicos. Já no segundo trecho, apesar de
não estar explicitado no texto que se trata de uma opção sem custo financeiro, tal afirmação

85
está implícita, pois a pista de skate foi construída pela Prefeitura na quadrinha poliesportiva
da Lagoa, um dos lugares de lazer gratuito na cidade.

Na revista, o entretenimento não aparece somente associado a shows, eventos musicais


e jogos eletrônicos, como visto acima. Também estão presentes no discurso do suplemento
reportagens falando sobre cinema e literatura. No entanto, esses filmes e livros abordam uma
temática específica, não sendo voltados para qualquer público, mas especialmente o
adolescente, como nas sagas conhecidas como “literatura jovem” (“Jogos Vorazes”,
“Crepúsculo”, “Harry Potter”, entre outros livros dessa natureza), bem como em comédias
que têm como público alvo os adolescentes. Da mesma forma, também são encontrados
exemplos de filmes e livros que retratam assuntos do cotidiano dos jovens, como bullying e
viagens de intercâmbio. Vejamos como isso aparece na revista, a partir dos exemplos abaixo:

Na sexta-feira, a adaptação cinematográfica de “Jogos Vorazes” ganha as telas


dos cinemas com direção de Gary Ross e a promessa de se tornar um blockbuster do
tamanho de “Harry Potter” e “Crepúsculo”.
[...]
O enredo da trilogia (publicada no Brasil pela Editora Rocco), que segue com “Em
Chamas” e “A Esperança”, foge da fórmula vampiro-bruxo-lobisomem-anjo que
virou moda na literatura para adolescentes (‘Jogos Vorazes’: sem apelar para a
magia, história conquista multidões, MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012; grifo
nosso).

Sexta-feira (4) estreia o filme “Anjos da Lei”, a melhor comédia jovem produzida
pelo cinema americano desde “Superbad” (Dez motivos para assistir à comédia
‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

Publicar um livro é um sonho para muitos jovens, e a estudante de administração


Laura Tardin prova que o desejo não precisa ficar só na imaginação. Aos 20 anos, a
carioca publica seu primeiro livro, “Estación Callao”, que conta sua experiência
como estudante de intercâmbio em Buenos Aires, na Argentina.
[...]
- Achei que poderia ser útil para outros jovens que têm vontade de fazer
intercâmbio ou morar fora por um tempo (Estudante publica livro sobre seu
intercâmbio em Buenos Aires, MEGAZINE, O Globo, 26/03/2012; grifo nosso).

O documentário “Bully” estreia nesta sexta-feira nos EUA já cercado de polêmica.


O filme, que investiga a violência física e psicológica entre alunos dentro das
escolas, recebeu classificação “R” para entrar no circuito americano. Assim,
menores de 17 anos só poderiam assistir à produção na companhia de um
responsável.
[...]
O problema é que o principal público alvo do filme é justamente este que só
poderia vê-lo na companhia dos pais (Documentário sobre bullying estreia sem
classificação etária, MEGAZINE, O Globo, 27/03/2012; grifo nosso).

Também podemos identificar no discurso de Megazine o tema da tecnologia, que


constrói a imagem de um enunciatário jovem familiarizado com o universo tecnológico e que

86
se encontra sempre conectado. Muitas vezes esse tema encontra-se relacionado ao do
divertimento, visto que esse enunciatário também se utiliza dos meios digitais em seus
momentos de lazer, seja para se divertir com jogos eletrônicos ou para assistir shows, vídeos e
seriados online. É nesse mundo moderno e digital que o sujeito discursivo transita, um meio
que para ele é natural e faz parte de seu cotidiano, estando presente em várias situações de sua
vida, como pode ser observado nos exemplos abaixo:

Sensação na internet, o adolescente americano Keenan Cahill postou esta semana


em seu canal do YouTube um vídeo no qual dança e faz sincronia labial com o
sucesso “Ai se eu te pego”, do Michel Teló.
[...]
O vídeo, que foi postado na segunda-feira (19), já recebeu mais de 50 mil visitas
(Web celebridade americana faz paródia de ‘Ai se eu te pego’, MEGAZINE, O
Globo, 21/03/2012; grifo nosso).

Quem está contando os dias para o show dos Arctic Monkeys no Lollapalooza Brasil
vai ver esse vídeo 300 vezes até o dia 8 de abril, quando a banda toca no evento em
São Paulo. Os garotos de Sheffield, na Inglaterra, publicaram no YouTube um
trecho de seu show na Cidade do México, que rolou nesta quarta-feira (Arctic
Monkeys divulgam vídeo de show no México. Falta pouco!, MEGAZINE, O Globo,
30/03/2012; grifo nosso).

Estudante de Letras na PUC-Rio, Isabel Ferreira, de 24 anos, encara diariamente


comentários desagradáveis de marmanjos.
- Quando jogamos contra eles online, ouvimos muita besteira. Dizem que, se uma
menina está no computador sexta-feira à noite é porque deve ser baranga e sem
namorado - conta ela (Mulheres ganham espaço no mundo machista dos
videogames, MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012; grifo nosso).

“Onde eu consigo baixar os episódios do ‘Metal alchemist’?”


[...]
“Eu queria baixar este tom de SMS. É um que tem no modelo Nokia, aqueles que
são tijolões, UHHSASH... O toque de SMS de um sapo ou perereca, sei lá. Ele faz
um ruído mais ou menos assim: RUÉBE, RUÉBE, RUÉBE... RUÉBE! SE
ALGUÉM CONSEGUIR ENCONTRAR, ME DIGA O SITE QUE DEVO
BAIXAR!” (Matheus Souza responde perguntas do ‘Yahoo! Respostas’,
MEGAZINE, O Globo, 17/04/2012; grifo nosso).

Essa semana temos uma coluna interativa! Como boa parte da humanidade, estou
viciado no aplicativo de iPhone Draw Something e queria escrever algo sobre ele
por aqui (Adivinhe qual é o filme e ganhe um brinde, MEGAZINE, O Globo,
24/04/2012; grifo nosso).

A parte mais chata de sair para a night é ter que chamar um táxi para voltar para
casa.
[...]
Mas graças a alguns aplicativos que estão sendo desenvolvidos para celulares, a
saga promete ficar bem mais simples.
Fazendo o download do recém-lançado “Taxi Aqui”, disponível gratuitamente para
iPhone e sistema Android, o sistema procura pelo táxi mais próximo e,
automaticamente, envia o pedido para os taxistas disponíveis que possuem cadastro
na ferramenta (Aplicativos para celulares ajudam a chamar taxi, MEGAZINE, O
Globo, 29/05/2012; grifo nosso).

87
A moda dos hologramas pegou de jeito a cultura pop. O cantor americano Usher
será acompanhado de dançarinos digitais, em forma de hologramas, no show que
fará em Londres, nos estádio Hammersmith Apollo, no dia 11 de junho.
Só que os bailarinos não serão reproduções de pessoas reais, mas criados como
“avatares” pelos fãs que estarão em casa, assistindo ao show pelo computador,
no site YouTube, que transmitirá o evento ao vivo (Usher se apresentará ao lado
de hologramas de dançarinos, MEGAZINE, O Globo, 31/05/2012; grifo nosso).

Outro tema recorrente na revista é o dos relacionamentos amorosos, assunto bastante


comum em discursos voltados para o público adolescente. Em Megazine, esse tema é
relacionado a figuras pertencentes ao campo semântico da insegurança e da inexperiência,
retratando o perfil do jovem construído no discurso, como mostrado nos exemplos abaixo:

A ideia partiu da cabeça de seis mulheres, com os objetivos de aumentar a


autoestima feminina através da aceitação de seu poder, debater o fator subversivo
da beleza, quebrar o estigma de “mocinha” e dar dicas sobre sexo abertarmente
(Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina, MEGAZINE,
O Globo, 8/03/2012; grifo nosso).

“Friend zone” é, provavelmente, a palavra mais temida de todos os jovens que não
nasceram com o porte físico do Cauã Reymond.
[...]
Dez dicas para você saber se foi “friendzonado” pela garota (ou rapaz) que você
gosta (Um ensaio sobre a temida ‘friend zone’, MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012;
grifo nosso).

No primeiro exemplo, as figuras grifadas “aumentar a autoestima” e “aceitação de seu


poder” revelam um sujeito discursivo pouco autoconfiante, que associa um comportamento
mais sensual com vulgaridade. Desta forma, recorre ao sujeito enunciador que lhe dá dicas
sobre comportamento sexual, tratando o tema de forma natural. No segundo exemplo, o termo
em destaque “palavra mais temida” refere-se ao medo e à insegurança do narratário do texto,
pelo fato de não acreditar poder se relacionar afetivamente com as garotas da forma desejada.
Já a expressão “dez dicas” está relacionada à inexperiência do narratário, que precisa da
interferência do narrador, dando-lhe dicas para que ele perceba as diferenças entre os diversos
relacionamentos afetivos (amorosos e amistosos).

O mesmo acontece no trecho abaixo, cujo texto fala sobre um jovem nerd que se sentia
inseguro com relação ao sexo oposto, só passando a ter sucesso em suas conquistas amorosas
a partir das músicas da banda Los Hermanos. O termo grifado nesse fragmento reflete a
perspectiva do sujeito em relação a seu futuro, visto que, por não ser um “skatista rebelde”,
mas sim um “jovem sensível”, teria poucas chances de conseguir conquistar “os corações das
meninas”, como vemos abaixo:

88
Era uma vez o “mundo antes de 2003”: as rádios e os corações das meninas estavam
tomados por “canções” sobre skatistas rebeldes de Santos que afirmavam dizer tudo
o que elas gostavam de escutar, e que este era o provável motivo pelo qual elas iam
procurá-los.
O futuro parecia cinzento para qualquer jovem sensível cuja mãe não deixava usar
tênis “Reef” desamarrado e que não curtia a ideia de andar com as calças caindo
(Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’, MEGAZINE, O
Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

Essas intervenções do narrador revelam que o enunciatário da revista é mostrado no


texto como alguém cheio de dúvidas e anseios com relação à sua vida amorosa, ao passo que
o enunciador está ali como porta-voz eficiente que entende as carências e temores do
primeiro, comprometendo-se a ajudá-lo a perceber, como nos exemplos a seguir, quando um
relacionamento tem ou não chances de sair da zona da amizade:

Ela te chama por um apelido que não remete, de nenhuma forma, a algo atraente
sexualmente. Exemplo: na adolescência fui apaixonado por uma moça que me
chamava de “Smurf”.
[...]
Na hora de se despedir, o desespero dela de que você tente beijá-la é tão grande que
ela move não apenas o rosto, mas também o tronco e o quadril para os lados, de
forma a garantir que nada além de bochechas sejam atingidas.
[...]
Você escreve um texto se declarando e ela manda uma resposta dizendo o quanto
você é incrível.
[...]
No Facebook, ela frequentemente te marca em fotos nas quais você está feio.
[...]
Você abre a porta do carro para ela e ouve: “Nossa, que cavalheiro”. Isso, na
verdade, costuma significar: “Nossa, como você é fofinho, é uma peninha que eu
prefira caras mais capazes de me atropelar do que de abrir a porta para mim” (Um
ensaio sobre a temida ‘friend zone’, MEGAZINE, O Globo, 08/05/2012).

Da mesma forma, o enunciador também apresenta reportagens com dicas para que
esse enunciatário inseguro consiga iniciar um relacionamento amoroso. Tal fato pressupõe
que o enunciador acredite que esse sujeito tenha problemas no campo afetivo, como visto nos
trechos abaixo, retirados da matéria “Padre bomba no YouTube com 10 dicas para arrumar
namorado(a)”, em que um padre lista 10 conselhos para ajudar a conseguir um
relacionamento:
Porque se você vai para certo tipo de lugar, certas danceterias, certas raves, se você
está pensando em encontrar alguém que quer compromisso, você tá n’água. Não
procure alguém fiel num lugar que incentiva a infidelidade.
[...]
O jeito como você veste está dizendo para os homens o que você quer e quem você
é.
[...]
Se você quer ter alguém, procure arrumar casais para sair com você. Geralmente,
quem sai com casais tem a chance de ser apresentado a alguém que também esteja
sozinho.
[...]

89
Tenha foco. Não saia atirando para todos os lados.
[...]
Não seja nem vergonhoso demais nem atacado demais, que você assusta. Se você é
muito prafrentex, os outros vão dizer que esse aí não tem relacionamento sólido não.
É muito fogo de palha (Padre bomba no YouTube com 10 dicas para arrumar
namorada(o), MEGAZINE, O Globo, 14/03/2012).

Assim, o enunciador, pela voz do narrador ou de um interlocutor, como nos casos


acima, aconselha e “dá dicas” para o jovem inseguro. O narrador também procura minimizar
os “problemas” enfrentados por esse sujeito, não só no campo afetivo, mas também nos mais
diversos assuntos de seu cotidiano, dando a entender que eles, muitas vezes, são mais simples
e fáceis de resolver do que parecem:

Publicar um livro é um sonho para muitos jovens, e a estudante de administração


Laura Tardin prova que o desejo não precisa ficar só na imaginação (Estudante
publica livro sobre seu intercâmbio em Buenos Aires, MEGAZINE, O Globo,
26/03/2012; grifo nosso).

Continuei com o tema na cabeça e levei a discussão para os amigos no lanche pós-
futebol de quarta. Conselho de um deles: “Cara, você tem que fazer como eu. Tava
apaixonadão por uma garota. Ela me deu um toco. Aí me apaixonei por outra”.
Putz! Então era simples assim o tempo todo? (Um ensaio sobre a temida ‘friend
zone’, MEGAZINE, O Globo, 8/05/2012; grifo nosso).

Obviamente nenhuma das minhas tentativas de transformar letras em cantadas


infames gerou frutos positivos. Mas o show foi ótimo. E acho que é isso que
importa afinal, antes de toda essa minha viagem, né? (Matheus Souza: ‘Devo
minha vida sexual ao Los Hermanos’, MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo
nosso).

A relação de reciprocidade entre os sujeitos da cena enunciativa é também recorrente


no discurso de Megazine, sendo vista como uma estratégia para ganhar a confiança do
enunciatário. Ao incluir a experiência de um narrador que também se apresenta como sendo
jovem, embora já tendo passado pelas situações que o enunciatário agora enfrenta, o
enunciador procura garantir a confiança desse público e adesão ao seu discurso, fazendo com
que o enunciatário se identifique com a figura do narrador do texto. Segundo Fiorin (2008, p.
157), esse tipo de relação entre os sujeitos é chamada de complementar, uma vez que “o ethos
responde a uma carência do pathos [...] em que a um enunciatário inseguro, confuso, que
busca segurança, corresponde um enunciador cheio de certezas”. Observemos o que foi dito
nos trechos abaixo:

Meu texto de hoje parece ter sido escrito pelo “Matheus de 13 anos”. Fiquei
nostálgico depois de ter ido a uma reunião de amigos de adolescência. E, bom,
“friend zone” era meu estilo de vida assumido (Um ensaio sobre a temida ‘friend
zone’, MEGAZINE, O Globo, 8/05/2012; grifo nosso).

90
Percebi que 90% das garotas com as quais me relacionei eram fãs do grupo. Ou seja,
eu basicamente devo a minha vida sexual ao Los Hermanos.
[...]
Se antes desse CD os ‘desajeitados’, os ‘excluídos’, os que ‘não se encaixavam’,
ficavam dentro de seus quartos jogando seus jogos de videogame, lendo seus livros e
ouvindo Radiohead, alheios ao mundo lá fora, depois dele, a porta do quarto foi
aberta.
[...]
A partir desse novo pátio de socialização, ‘Annas Julias’ viraram ‘Morenas’ que
sabiam apreciar ‘caras sentimentais’ que diziam coisas bacanas para elas (Matheus
Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’, MEGAZINE, O Globo,
30/05/2012; grifo nosso).

Nos trechos marcados nos enunciados, o narrador expõe fatos de sua vida particular,
mostrando comportamentos que ele já vivenciou e que, possivelmente, são os mesmos que o
enunciatário da revista vive agora, como, por exemplo, ser a friend zone “um estilo de vida
assumido”. Ao afirmar, como no segundo fragmento, que deve sua vida sexual ao grupo Los
Hermanos, uma vez que a banda ajudou “caras sentimentais” e românticos a fazerem sucesso
com as garotas, o narrador se coloca nesse papel, alegando que antes do sucesso da banda,
esses garotos eram conhecidos como “desajeitados” ou “excluídos”. A partir da imagem desse
narrador, constrói-se a imagem do narratário, mostrando que, assim como o primeiro, este
pode também fazer parte dos “excluídos” e dos “que não se encaixavam”, contando com o
sucesso da banda para ajudar em suas conquistas afetivas.

Importa, nesse momento, lembrar que o enunciatário do jornal é composto por uma
totalidade que engloba indivíduos com perfis parecidos, identificando-se com o recorte da
realidade mostrado, mas que possuem interesses variados. Não se pode afirmar, portanto, que
todos esses indivíduos abordados pelo jornal identificam-se com tudo o que é transmitido no
discurso, mas apenas uma parcela deles. Na reportagem que serviu de exemplo acima,
“Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’” (MEGAZINE, O Globo,
30/05/2012), o enunciador da revista apresenta um actante coletivo, dirigindo-se tanto ao nerd
sensível que não sabe lidar com as garotas, quanto ao rebelde descolado que consegue
conquistá-las. Dessa forma, ao apresentar o sucesso afetivo dos descolados, o enunciador
procura ampliar a visão desse nerd, visto pressuposamente no texto como um estranho.

Outra temática abordada pela revista e que ajuda na construção do pathos do


enunciatário é a superação. Em algumas reportagens, o enunciador apresenta fatos cotidianos
em que os sujeitos vencem diversos tipos de obstáculos, como, por exemplo, o machismo, o
preconceito e as dificuldades para publicar um livro. Ao abordar esse tema através de
situações do dia-a-dia, o enunciador busca ressaltar a importância e a necessidade de superar
91
as dificuldades com as quais os jovens possam vir a se deparar, mostrando serem elas naturais
na vida de qualquer indivíduo e essenciais no processo de amadurecimento. Observemos
abaixo trechos de reportagens que abordam esse tema:

A batalha para conseguir a construção da nova pista foi longa, desgastante, mas os
skatistas locais da ‘quadrinha’ nunca desistiram (Skate Park da Lagoa promete ser
o point do verão carioca, MEGAZINE, O Globo, 20/02/2012; grifo nosso).

- Todo dia, passava horas no computador buscando os contatos de editoras


pequenas e médias. Então enviei o rascunho do livro para elas por e-mail e correio e
três editoras o aceitaram. Não tive medo de arriscar. O máximo que poderia
acontecer era a obra ser lida apenas pelos meus amigos – completa ela (Estudante
publica livro sobre seu intercâmbio em Buenos Aires, MEGAZINE, O Globo,
26/03/2012; grifo nosso).

As alunas Vanessa de Souza e Priscilla Prudêncio dizem que, por serem vistas como
rivais mais fracas, as meninas se esforçam para detonar os barbados, sem se
importar com o tamanho da espada que eles usam no World of Warcraft (Mulheres
ganham espaço no mundo machista dos videogames, MEGAZINE, O Globo,
16/04/2012; grifo nosso).

Fundada em maio de 1982, a única escola do Brasil mantida pelo Ministério da


Cultura (MinC) avançou em vários aspectos ao longo de seus 30 anos, fazendo
malabarismo para driblar o preconceito de parte da sociedade e as
transformações na paisagem do circo (Uma escola de circo que sabe se virar nos 30,
MEGAZINE, O Globo, 13/05/2012; grifo nosso).

Nesses fragmentos retirados do corpus, os termos em destaque concretizam o tema da


superação que, na revista, aparece relacionado ao tema do amadurecimento, formando um
percurso figurativo que nos leva até essas temáticas. As figuras “batalha”, “detonar os
barbados” e “fazendo malabarismo para driblar o preconceito” são vistas no discurso como
obstáculos a serem vencidos. A partir de então, projetam-se no enunciado figuras como
“nunca desistiram”, “não tive medo”, “passava horas no computador”, “se esforçam”, para
mostrar um interlocutário que não se intimida diante dos desafios, mas supera-os com força
de vontade e coragem. Desta forma, pode-se entrever o simulacro de um sujeito enunciatário
que se identifica com o discurso mostrado e com o ator discursivo que, modalizado pelo
querer, transforma sua realidade ao superar dificuldades. Projeta-se a figura de um
enunciatário que passa por um processo de amadurecimento e crescimento. No entanto, esse
amadurecimento ainda está relacionado ao universo dos interesses e vivências juvenis e ao
divertimento e não ao enfrentamento das responsabilidades do mundo adulto.

No discurso da revista Megazine, além do tema do divertimento, dos relacionamentos


amorosos e da superação, outro tema bastante recorrente é o da curiosidade, assunto comum
em discursos voltados para o público jovem. Na revista, a projeção da imagem de um
92
enunciatário curioso encontra-se sempre relacionada ao interesse do sujeito tanto pela vida
pública quanto particular de seus ídolos, principalmente esta última. Os exemplos que
seguem, todos eles retirados do corpus, confirmam essa afirmativa:

Para ser capa da edição especial do 10º aniversário da revista americana “Complex”,
o astro pop Justin Bieber teve que “apanhar”.
[...]
O cantor canadense topou fazer algumas fotos num ringue de boxe, como se fosse
um lutador e estivesse levando socos para valer.
[...]
Dá para conferir tudo no vídeo que traz o making of do ensaio (Justin Bieber ‘leva
soco’ e aparece sangrando em capa de revista, MEGAZINE, O Globo, 19/03/2012).

MATHEUS: Uma seguidora minha no Twitter está colaborando na entrevista com


uma pergunta: “ouvi dizer que ela gosta de nerds. Se ela namora um, quero saber se
eles jogam videogame juntos e se ela tem um jogo favorito”.
[...]
MATHEUS: Tem alguém que você não pagaria nem 50 centavos para ver nu?
[...]
MATHEUS: Sua comida favorita? (Pietra Príncipe conta sobre seus hábitos nerds a
colunista, MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012).

As aulas acontecerão dentro dos próximos quatro dias, apenas para fãs que
compraram ingressos (ainda há entradas para os encontros de Taubaté e Campinas),
mas a Megazine bateu um papo por e-mail com o dançarino, que já trabalhou
também com Ricky Martin, Taylor Swift e na turnê de shows de “Glee”. Na
conversa, Nick contou que Bieber é como um irmão para ele e que o astro, na
intimidade, é super brincalhão (Dançarino de Bieber revela que o astro não era um
bom dançarino, MEGAZINE, O Globo, 28/03/2012).

“Ela (Rihanna) admirava Whitney por causa de seu alcance, sua voz, sua aparência,
sua personalidade... tudo. Ela amava Whitney tanto que ficaria honrada de
interpretá-la num filme”, disse Ronald Fenty, de 58 anos. “Só espero que ela seja
esperta o bastante para não seguir o mesmo caminho” (Pai de Rihanna: ‘Espero que
ela não siga caminho de Whitney’, MEGAZINE, O Globo, 24/04/2012).

O astro Justin Bieber ainda não deixou no passado aquela controvérsia iniciada
quando a americana Mariah Yeater espalhou por aí que estava grávida do cantor,
sendo desmentida semanas depois. No sábado, Bieber publicou um tweet irônico
endereçado a ela e, nesta terça, durante uma coletiva de imprensa, ele disse que
escreveu uma música sobre toda a polêmica (Justin Bieber escreve música sobre
garota que disse estar grávida dele, MEGAZINE, O Globo, 24/04/2012).

Quando tinha 19 anos, Alexander foi servir à marinha da Suécia, seu país, por opção
própria.
- Quis me alistar pelo desafio. Eu cresci em Estocolmo, numa familia boêmia de
artistas, então tinha um lado meu rebelde que queria ver como era essa outra vida -
conta o ator de 35 anos, numa entrevista à imprensa internacional, em Los Angeles.
[...]
Ambos precisam lutar contra os ETs, mas enquanto Alex faz o tipo irresponsável,
Stone banca o irmão superprotetor. Na vida real, o ator Alexander Skarsgard conta
que também é assim.
- Sou o mais velho de sete irmãos. Definitivamente tento tomar conta de todos eles.
Essa é a parte mais difícil de morar em Los Angeles: deixá-los em Estocolmo -
comenta o louro fortão, mas de coração mole (Ator Alexandre Skarsgard serve à
marinha no cinema e na vida real, MEGAZINE, O Globo, 11/05/2012).
93
O enunciador, ao criar a imagem do público para o qual se dirige como sendo curioso,
seleciona assuntos que venham ao encontro dessa característica do enunciatário, procurando
suprir essa necessidade (informações sobre a vida de seus ídolos). Além dos trechos
selecionados acima, outro exemplo disso pode ser visto na reportagem “Musa dos nerds,
Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang Theory’, admite sentir desconforto com ‘calor
humano’ dos fãs” (MEGAZINE, 26/04/2011), em que o narrador apresenta fatos sobre a vida
íntima da atriz de um famoso seriado americano:

Ela conta que chegou a ficar assustada com o “calor humano” dos fãs da série.
Motivo pelo qual Kaley evita lugares públicos e nunca está na capa das revistas de
fofoca.
[...]
A atriz leva uma vida quase reclusa em sua casa, na Califórnia. Ela é o avesso da
geração junk food, televisão e videogame que aparece na série. Apaixonada por
cavalos, Kaley vive ainda com cachorros que acolhe na rua (atualmente, são dois na
sua "fazenda" particular). Criada pelas "pessoas mais saudáveis do mundo", como
ela mesma define os pais, a atriz só descobriu os prazeres do refrigerante e do
chocolate na adolescência.
[...]
- Kaley é muito engraçada. Toda vez que entrava no estúdio, deixava todo mundo às
gargalhadas. Ela é carismática e, quando a gente ia gravar, rolava uma energia boa -
conta Marsden, conhecido pelo papel de Ciclope na franquia "X-Men".
[...]
- Eu tenho necessidade de descansar após o trabalho, porque você começa a se
estressar com todas as pequenas coisas. Estar na frente das câmeras durante tanto
tempo é uma batalha constante, que pode ser frustrante às vezes. É muito difícil
levar a vida assim (Musa dos nerds, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang
Theory’, admite sentir desconforto com ‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O
Globo, 26/04/2011).

Esse simulacro do enunciatário curioso pode ser visto nos exemplos mostrados acima,
em que, ao apresentar fatos corriqueiros da vida particular de um ídolo, como temperamento,
hábitos, costumes e personalidade, o enunciador dirige-se a um enunciatário que deseja entrar
em contato com esse saber. Esse tipo de construção discursiva cria a ilusão de participação da
vida do ídolo, de compartilhar de sua intimidade, de cumplicidade e aproximação. Assim, a
temática da curiosidade é, na revista, apresentada basicamente pelo desejo de um saber sobre
a vida do outro, não sendo esse outro qualquer um, mas o seu ídolo, o sujeito com o qual o
enunciatário da revista se identifica. Tal tema não é abordado sob outras perspectivas, como,
por exemplo, curiosidades de natureza científica, política e/ou social, cuja ausência no

94
discurso colabora para a identificação do perfil de um enunciatário pouco crítico e, até certo
ponto, alienado7.

Concomitante a isso, outra característica no discurso de Megazine que colabora para


essa visão de um leitor modelo mais individualista, cujas únicas preocupações são de
interesses mais locais, em detrimento do social, é a abordagem de assuntos de natureza fútil,
mesmo que de forma irreverente e zombeteira. Um bom exemplo disso está na reportagem
“Matheus Souza responde perguntas do ‘Yahoo! Respostas’” (MEGAZINE, O Globo,
17/04/2012), em que um colunista da revista seleciona e responde algumas perguntas feitas
por internautas de um site de perguntas e respostas, como podemos ver nos fragmentos
abaixo, retirados dessa reportagem:

“Tente combinar o nome de duas das suas bandas favoritas?”


“Resaltasambart”.
[...]
“Você já participou de algum barraco yahoodiano?”
O simples fato de descobrir que existe um universo paralelo onde pessoas criam
barracos no Yahoo! Respostas me faz questionar minha fé na humanidade.
[...]
“Quais desses seres do bosque encantado vocês gostariam de ter como amigos e
por quê?
-Gnomos
-Duendes
-Fadas cintilantes
-Bruxinhas com meias da Emília
-Coelhinhos peludos
-Libélulas falantes”
Acredito que ser amigo de um duende poderia me aproximar da Xuxa de alguma
forma. Esse ano lanço meu segundo filme e “segundos filmes” são sempre um
fracasso. Estava pensando em dirigir um filme da Xuxa para me reerguer.
[...]
“Depois de sua morte, como você espera que as pessoas se lembrem de você?"
Como um cara que mudou a vida de pessoas através dos seus textos. Tipo: “pô,
lembra daquela coluna do Matheus sobre o Yahoo! Respostas? Antológica! Aquele
rapaz sabia mexer com nossos sentimentos! Sempre comentando aspectos
importantíssimos da nossa sociedade. Revolucionário”. Mas também me contentaria
em ser lembrado como “uma figura”. Eu sempre quis ser o cara que é “uma figura”.

“Se você fosse um produto, o que estaria escrito na sua embalagem?”


Preço sugerido: R$ 0,99.
[...]
“Amiguinhos, engolir um pouco de Merthiolate cura o dodói do coração?”
I don’t want to live on this planet anymore (Matheus Souza responde perguntas do
‘Yahoo! Respostas’, MEGAZINE, O Globo, 17/04/2012).

7
É preciso ressaltar que, na revista, a ausência de temas de natureza política e social que aqui se fala, refere-se a
conteúdos que não são de âmbito local e de interesse da faixa etária jovem. Sendo assim, projeta-se a imagem de
um enunciatário alienado para assuntos que não são particulares, mas de interesse geral da sociedade.

95
Com o intuito de prender a atenção do narratário, o narrador seleciona e responde a
algumas perguntas de forma bem-humorada, atentando para o fato de serem banais. Nos
exemplos vistos acima, o narrador acredita na inutilidade dos tópicos debatidos no site (o que
pode ser comprovado pela forma como ele classifica tanto as perguntas quanto as respostas
dadas por internautas: “bizarras”), tanto que muitas de suas respostas apresentam um tom
zombeteiro, como nos trechos “estava pensando em dirigir um filme da Xuxa para me
reerguer” e “comentando aspectos importantíssimos da nossa sociedade”. A partir de então,
busca-se fazer com que o leitor se identifique com esse tipo de discurso e, assim como o
narrador, creia na futilidade dos assuntos abordados no site, rindo do estereótipo do sujeito
responsável pelas perguntas feitas. Essa construção discursiva, pautada no humor, que zomba
dos assuntos debatidos no site, ajuda na criação do pathos de um enunciatário que, apesar de
compactuar com o ponto de vista do enunciador, se interessa e se diverte com esses
conteúdos.

A imagem do enunciatário jovem da revista como pouco crítico e questionador (no


que se refere a assuntos de uma perspectiva social e política mais ampla e plural), também é
vista na reportagem “Dez motivos para assistir à comédia ‘Anjos da Lei’” (MEGAZINE, O
Globo, 02/05/2012). Na matéria, entre os motivos listados pelo narrador para assistir ao filme,
um deles é o fato de este ser “extremamente bobo e não se leva a sério, como uma boa
comédia jovem deve ser”. A afirmação presente nesse enunciado pressupõe que o suplemento
considere a imagem de um leitor que se agrada com esse tipo de discurso (bobo e que não
leva nada a sério), em detrimento de discursos que abordem temáticas mais sérias e que
desenvolvam o senso crítico do destinatário.

Um fato relevante observado pela análise do corpus é a ausência de reportagens que


tratem de temas como carreira e vestibular, questões cuja abordagem seria esperada no
discurso de um suplemento voltado para um público jovem. Apenas uma exceção é
encontrada: uma reportagem que fala sobre as dificuldades enfrentadas por uma tradicional
escola de circo carioca para se manter em funcionamento e sobre a carreira circense. Na
revista, o foco parece ser basicamente o interesse em divulgar curiosidades sobre a vida de
cantores e outros ídolos teen, atender a um enunciatário inexperiente nos relacionamentos de
natureza amorosa, divulgar festas, eventos e lançamentos tanto de jogos eletrônicos quanto de
filmes e sagas literárias dirigidas ao público jovem.

96
No momento em que diversas manifestações populares tomaram as ruas das principais
cidades do país, protestando contra medidas políticas e a corrupção no Brasil, em meados de
2013, as reportagens sobre o tema em Megazine, assumiram uma feição particular, integrada
ao modo de ser do caderno.

A ação, mobilizada por indivíduos de diversas classes sociais e faixas etárias, contou
com a participação ativa de jovens estudantes que, assim como na época do movimento das
“diretas já”, foram às ruas em busca de políticas públicas mais favoráveis à população em
geral. O movimento se espalhou pelo país, alcançando, inclusive, repercussão mundial ao ser
noticiado e ganhar o apoio da mídia internacional.

Foram encontradas seis reportagens que tratam do tema, sendo cinco sobre músicas e
clipes lançados no momento das manifestações e que falam sobre o assunto e uma em que
uma famosa cantora concede entrevista na qual, dentre outras questões, fala sobre seu apoio
às manifestações. Observemos, abaixo, os títulos das matérias citadas:

Funk de MC Garden conquista a web ao apontar mazelas sociais (MEGAZINE, O


Globo, 26/06/2013).

Coletivo Indius cria música com dois locais ícones de protestos (MEGAZINE, O
Globo, 01/07/2013).

Nova música dos mcs Fox e Mãe critica a corrupção no país (MEGAZINE, O Globo,
08/07/2013).

ConeCrewDiretoria lança clipe gravado durante protestos na rua (MEGAZINE, O


Globo, 11/07/2013).

Sandy: ‘Estou mais segura com a carreira e como mulher’ (MEGAZINE, O Globo,
15/07/2013).

Novo álbum da Cone Crew Diretoria terá três músicas de protesto (MEGAZINE, O
Globo, 17/10/2013).

Já nos títulos, vemos que o tema dos protestos é abordado na revista de forma indireta,
sendo um pano de fundo do assunto principal (divulgação de clipes e músicas e a vida de
ídolos adolescentes). Portanto, entendemos que sua abordagem é revestida de temáticas que
fazem parte do universo do enunciatário que aqui se quer retratar (tema do entretenimento),
mostrando esse sujeito como um ser isento de senso crítico e pouco atuante com relação aos
problemas que afetam diretamente a sociedade.

97
Outra importante característica do suplemento jovem a ser ressaltada é de que forma
alguns elementos podem levar à figurativização do corpo do adolescente construído no
discurso de Megazine. Figuras como as destacadas nos trechos abaixo, todos eles extraídos do
corpus, ajudam a construir a imagem de um enunciatário que não tem um corpo atlético e em
forma, mas que demonstra preocupação com relação a isso, seja buscando um “corpo
malhado” ou uma “pele perfeita” por meio de “maquiagem” ou de “removedores de pelo
faciais”:

O programa ainda inclui nomes como Vic Ceridono, editora de beleza Vogue, que
falará sobre “A sedução através da estética”, e o jornalista Nelson Motta, que
ensinará sobre o poder das mulheres na música, na aula “Deusas e sereias”.
- A ideia é chamar mulheres poderosas para que possam discutir de forma profunda.
Quisemos trazer nomes de peso. A Vic é uma referência na maquiagem (Mulheres
criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina, MEGAZINE, O Globo,
8/03/2012; grifo nosso).

Tem gente que não pode ver um rostinho bonito e um corpo malhado que faz
miséria (Padre bomba no YouTube com 10 dicas para arrumar namorada(o),
MEGAZINE, O Globo, 14/03/2012; grifo nosso).

Meninas pelo mundo afora estão se esforçando para ficarem parecidas com bonecas
Barbie. Suas armas são maquiagem, perucas, lentes de contato e talvez um pouco
de Photoshop.
[...]
Olhos grandes, pele perfeita e cabelos lisos, iguais aos das bonecas, são
imprescindíveis para fazer sucesso como uma web celebridade (Adolescentes se
transformam para ficarem parecidas com Barbies, MEGAZINE, O Globo,
30/03/2012, grifo nosso).

“Olá, gostaria de saber em que lojas aqui em Salvador posso encontrar removedor
de pelos faciais?” (Matheus Souza responde perguntas do ‘Yahoo! Respostas’,
MEGAZINE, O Globo, 17/04/2012; grifo nosso).

Todo marmanjo já sonhou com aquela vizinha gata que bate na sua porta numa
noite pedindo uma xícara de açúcar.
[...]
Na série, exibida pela Warner Channel, Kaley faz o estilo da gostosa meio burrinha
que trabalha na lanchonete, enquanto tenta a carreira de atriz.
[...]
Quando eu fiquei mais velha, e via as pessoas comendo todas essas coisas
maravilhosas, pensei: "Por que eu nunca comi aqui antes?" - diz Kaley, para, em
seguida, fazer uma careta ao responder uma pergunta sobre seu corpão (Musa dos
nerds, Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang Theory’, admite sentir desconforto
com ‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O Globo, 26/04/2011; grifo nosso).

Agora, a ideia é que “garotas comuns” sejam o alvo, tipo aquela vizinha gata ou a
beldade da faculdade (Pietra Príncipe: ‘Disseram que eu estava leiloando meu
corpo’, MEGAZINE, O Globo, 4/05/2012; grifo nosso).

“Friend zone” é, provavelmente, a palavra mais temida de todos os jovens que não
nasceram com o porte físico do Cauã Reymond (Um ensaio sobre a temida ‘friend
zone’, MEGAZINE, O Globo, 8/05/2012; grifo nosso).

98
Assim como alguns elementos figurativizam o corpo do jovem retratado na revista,
algumas atividades são também responsáveis por atribuir papéis temáticos a esse sujeito, que,
segundo Fiorin (2004, p. 24), correspondem à imagem do pathos do enunciatário. Desta
forma, os diversos papéis atribuídos aos actantes do enunciado são, no discurso,
“figurativizados de forma a cumprir ações e apresentar comportamentos reconhecíveis e
esperados, com alguns dos quais não raramente o próprio leitor se identifica” (GOMES, 2013,
p. 4). O caderno jovem, assim como os demais suplementos voltados para um público
específico, procura atingir uma parcela mais ampla de leitores, não se dirigindo apenas ao
nerd, ao descolado, à mulher poderosa ou à menininha, mas abarcando uma pluralidade de
actantes que possuem certos comportamentos e interesses em comum. No discurso de
Megazine, podemos identificar diversos papéis temáticos, como o skatista, o dançarino, o
nerd, o gamer, entre outros, atividades como o skate e a dança (que concretizam o papel
temático do skatista, do dançarino, etc.), com as quais o ator da enunciação se identifica,
ajudando a construir suas características e modo de vida, conforme concluímos nos exemplos
abaixo:

A previsão era de demolição da pista improvisada de street skate, feita na quadrinha


poliesportiva às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas a turma da calça larga,
camiseta, boné e tênis surrado nos pés - estilo urbano dos skatistas - conseguiu a
construção da Skate Park da Lagoa (Skate Park da Lagoa promete ser o novo point
do verão carioca, MEGAZINE, O Globo, 20/02/2012; grifo nosso).

Na coluna dessa semana, trago para vocês uma entrevista com a bela Pietra Príncipe.
Musa nerd viciada em jogos do Mario e famosa por ser uma das apresentadoras do
programa “Papo Calcinha”, a moça foi eleita para a estreia do site “Nake It”, que
busca a realização de ensaios sensuais através de crowdfunding (Pietra Príncipe
conta sobre seus hábitos nerds a colunista, MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012; grifo
nosso).

A equipe da revista foi à escola de desenvolvimento de games Seven, no Centro,


para conversar com meninas que não largam o joystick (Mulheres ganham espaço
no mundo machista dos videogames, MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012; grifo
nosso).

Só que com uma diferença: ela é amiga da turma de geninhos que mora em frente.
Vai com eles para o bar, come comida chinesa e ainda aguenta ouvir piadas
incompreensíveis para quem não tem doutorado. Tudo isso tornou Penny a musa
dos nerds, disputando lugar entre bonecos e DVDs de "Star Wars" (Musa dos nerds,
Kaley Cuoco, a Penny de ‘The Big Bang Theory’, admite sentir desconforto com
‘calor humano’ dos fãs, MEGAZINE, O Globo, 26/04/2011; grifo nosso).

O evento, que está completando dois anos de atividade, ajudou a popularizar as


misturas musicais colocando DJs gringos e brasileiros especializados no assunto
para agitar a pista com mashups a noite inteira.
[...]

99
O duo meio americano, meio canadense Chromeo vai transformar o Circo Voador
em pista de dança, sábado (Festa Bootie Rio comemora dois anos de ‘mashups’,
MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo nosso).

Ontem, dia 15 de maio, foi lançado um dos jogos mais esperados de todos os
tempos: “Diablo III”.
[...]
Alguns jovens passam a noite em bar batendo papo, outros em redes sociais, outros
em festas. A gente passava a noite em lan house comendo Twix, matando os
mesmos “bosses” a noite inteira (Por que o videogame ‘Diablo III’ é o mais
esperado da década?, MEGAZINE, O Globo, 16/05/2012; grifo nosso).

Pretendeu-se mostrar aqui de que forma a projeção temática do discurso voltado para
adolescentes contribui para a construção de simulacros desse sujeito, que, na revista Megazine
é visto como um indivíduo, muitas vezes, inexperiente e pouco crítico, reconhecendo na
figura do enunciador alguém que partilha de seus interesses e conhece seus principais anseios
e dúvidas. A recorrência de temas que tratam de relacionamentos, comportamento,
entretenimento, culto aos ídolos, entre outros, e a forma como tais temas são figurativizados,
configuram o universo de um enunciatário pouco engajado politicamente, já que seus
interesses parecem estar muito mais voltados para a vida pública e privada de seus ídolos, os
shows e eventos de suas bandas musicais favoritas, os lançamentos de jogos eletrônicos,
dentre outros assuntos aqui tratados que permeiam o mundo do jovem que se deseja construir.

4.2 – As relações ideológicas no discurso

A semântica discursiva, ao estudar as escolhas temático-figurativas que constroem


uma determinada imagem do enunciatário da revista, trata também do revestimento
ideológico do texto, responsável pela construção dessa imagem. Segundo Gomes (2008a, p.
59), a tematização e a figurativização são responsáveis pela “organização e a percepção de
uma determinada visão de mundo, de uma ideologia”. Desta forma, ao optar por tratar de
certos temas em detrimento de outros, revestindo-os figurativamente de uma certa maneira, o
enunciador reproduz nos textos um universo ideológico que se identifica com determinadas
crenças e ideologias.

Fiorin (2007a, p. 28), ao definir ideologia como um “conjunto de ideias,


representações que servem para justificar e explicar a ordem social, as condições de vida do
homem e as relações que ele mantém com os outros homens”, nos mostra que essas “ideias”
são partilhadas socialmente e se apresentam como verdades, sendo disseminadas nos diversos
100
tipos de discurso presentes na sociedade. O linguista afirma, ainda, que numa formação social
pode coexistir uma diversidade de visões de mundo, de acordo com as classes sociais
existentes. Entretanto, a visão de mundo da classe dominante é a que determina a ideologia a
ser difundida (FIORIN, 2007a, p. 31).

Sendo o discurso o principal veículo em que se encontra (e que transmite) a ideologia


dominante, aquela que impera em determinada comunidade social, é através dele que temos
acesso ao modo de pensar de cada sociedade. Desta forma, uma cultura essencialmente
machista produz discursos em que a mulher seja vista como responsável pelos cuidados com a
casa, o marido e os filhos, enquanto compete ao homem trabalhar para prover o sustento da
família. Essas relações sociais são, nesse tipo de discurso, vistas como naturais e
inquestionáveis e refletem a visão de mundo de dada sociedade.

No suplemento digital Megazine, o simulacro do enunciatário jovem construído no


discurso muito nos diz sobre a forma como o enunciador enxerga esse sujeito, a imagem que
dele é feita. As temáticas abordadas e o modo como isso é feito reforçam e disseminam certas
crenças sobre o modo de ser desse tipo de público, seus interesses e preocupações.

A título de ilustração, retomemos agora um exemplo já mostrado aqui e retirado da


reportagem “Dez motivos para assistir à comédia ‘Anjos da Lei’” (MEGAZINE, O Globo,
02/05/2012). Ao afirmar que “o filme é extremamente bobo e não se leva a sério, como uma
boa comédia jovem deve ser”, o narrador transmite a ideia de que o jovem tende a se
interessar por comédias com esse perfil e não por aquelas que apresentam um humor mais
inteligente, que exigem certa perspicácia do público.

Atrelado a isso, ao optar por não priorizar temas relacionados aos estudos e à carreira
profissional, mostrando que os interesses do enunciatário se relacionam basicamente à vida de
seus ídolos, a festas e jogos eletrônicos, ao cinema e as dificuldades de se relacionar com o
sexo oposto, o enunciador constrói o pathos de um leitor pouco preocupado com as
responsabilidades da vida adulta. Ao mesmo tempo, esse leitor também não quer mais ser
tratado como criança, embora ainda não tenha formado sua identidade adulta e comporte-se,
muitas vezes, como alguém que aceita o tom professoral ou aconselhador do discurso e as
dicas e sugestões do enunciador, conforme foi visto, por exemplo, na análise do tema dos
relacionamentos amorosos.

101
Da mesma maneira que ajuda na construção de simulacros dos sujeitos sociais
retratados no texto, o discurso pode também contribuir para reforçar ou reduzir certos
preconceitos sociais, como, por exemplo, o sexismo, como mostrado nos exemplos abaixo,
extraídos de uma reportagem presente no corpus:

Videogame sempre foi “coisa de menino”, mas, agora, os garotos que se cuidem,
porque o cordão do mulheril aumenta à base de tiros e explosões.
[...]
Não se trata de feminismo chatola ou coisa parecida. As garotas só querem acabar
com essa discriminação boba e sem sentido.
[...]
É um sonho dessas meninas ver mais games com heroínas virtuais. Elas reclamam
que as protagonistas femininas são quase sempre idealizadas pelos machos, com
peitões, decotes e curvas sensuais, como as modelos nos comerciais de carro e
cerveja (Mulheres ganham espaço no mundo machista dos videogames,
MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012; grifo nosso).

No suplemento jovem, esse tema é abordado a partir do contexto dos jogos


eletrônicos, assunto mostrado na revista como pertencente ao universo do enunciatário. O
discurso mostra que, apesar desse tipo de preconceito apresentar certo declínio (já que o
número de meninas que jogam videogame aumentou nos últimos anos), ele ainda está
presente em nossa sociedade e precisa ser combatido. A partir de figuras presentes no texto,
como “o cordão do mulheril aumenta à base de tiros e explosões”, “discriminação boba e sem
sentido” e “heroínas virtuais”, o enunciador procura combater essa forma de preconceito
social, disseminando, ideologicamente, visões de mundo que vão de encontro a esse
pensamento discriminatório. Sendo assim, esse discurso elaborado pelo enunciador considera
um enunciatário moderno e que não compactua com esse tipo de preconceito existente na
sociedade.

Concernente a isso, o discurso da revista também procura desmistificar outros tipos de


preconceito em relação aos papéis sociais de homens e mulheres, como vemos nos trechos
abaixo, retirados da reportagem “Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade
feminina” (MEGAZINE, O Globo, 8/3/2012):

A ideia partiu da cabeça de seis mulheres, com os objetivos de aumentar a


autoestima feminina através da aceitação do seu poder, debater o fator subversivo
da beleza, quebrar o estigma de “mocinha” e dar dicas sobre sexo abertamente.
[...]
- “Bitch” é um nome irônico, surgiu para ser transgressor. Sugere algo que não é de
fato. Quando veem uma mulher poderosa, a primeira ideia é chamá-la de piranha.
O principal mote do curso é aceitação, pela mulher, do seu poder sexual. Para a
mulher, é importante se sentir segura na cama, mas isso não quer dizer que ela seja

102
piranha. As mulheres que já se inscreveram são jovens, pós-feministas e de
cabeça aberta.
[...]
O Nelson Motta se relacionou ao longo da vida com mulheres muito poderosas,
com personalidades muito fortes, e tem uma visão masculina de quem esteve ao
lado delas. Não precisamos de uma igualdade ilusória em relação ao homem.
Acho uma delícia ser diferente (Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre
sexualidade feminina, MEGAZINE, O Globo, 8/03/2012; grifo nosso).

Nesses fragmentos, o enunciador mostra que as mulheres que falam abertamente sobre
sexo são vistas de forma negativa pela sociedade, sendo chamadas, segundo a revista, de
“piranhas”. A partir das figuras grifadas nos enunciados acima, o enunciador busca
desconstruir a visão conservadora que a sociedade em geral tem dessas mulheres, defendendo
a ideia de que ser sensual não significa ser vulgar. O enunciador, então, dirige-se a essas
mulheres como “jovens, pós-feministas e de cabeça aberta”, instaurando no texto um
enunciatário que partilha desse mesmo ponto de vista, sendo, assim como essas mulheres, um
sujeito moderno e de “cabeça aberta”.

No entanto, apesar de projetar simulacros de um enunciatário moderno e “descolado”,


que se interessa por assuntos como bullying e sexismo, por exemplo, o discurso de Megazine
também aponta para certo conservadorismo. No caso do último texto citado, ao mesmo tempo
em que combate uma imagem vulgarizada da mulher sensual, o suplemento também apresenta
uma visão tradicional dos papéis do homem e da mulher na sociedade, em que esta é vista
como um objeto de desejo masculino. A mesma visão conservadora aparece no fragmento
abaixo, em que o sujeito afirma não gostar de carnaval porque a festa estraga o romantismo de
um relacionamento amoroso, base para uma constituição familiar tradicional:

Eu tenho medo de me apaixonar no carnaval. Imagine encontrar o amor da sua vida


no meio de um bloco! E vocês se apaixonam e casam. E, um dia, têm filhos e eles
perguntam como vocês se conheceram. Aí você vai dizer:
“Foi lindo! A mamãe tava beijando um outro cara que ela nem lembra o nome e eu
tava vestido de mulher e tinha acabado de vomitar sem querer no pé do seu tio
Antônio, que ficou boladão. Aí o cara largou sua mãe pra perguntar pra um amigo se
ele tinha camisinha pra emprestar, eu fui lá e mandei um “que isso novinha” pra ela,
ela achou que eu era o outro cara e acabou me pegando sem nem perceber que eu era
eu” (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca, MEGAZINE, O
Globo, 22/02/2012).

Nesse caso, o comportamento esperado de um sujeito inserido num universo moderno


e atual, era não estranhar esse tipo de relacionamento, uma vez que isso é normal e
corriqueiro na sociedade moderna. Aliado a isso, em outros textos já citados no corpus,

103
mostra-se um enunciatário mais preocupado em conquistar o sexo oposto do que em manter o
relacionamento.

Como vimos, a revista, assim como a mídia jornalística em geral, projeta no discurso
um universo de crenças e valores segundo um ponto de vista, ou seja, atrelado a determinadas
visões de mundo defendidas pelo enunciador. Ao criar e reforçar no discurso imagens de um
enunciatário pouco engajado nos assuntos de cunho político e/ou social que não sejam de
interesse particular, mas que atinjam uma esfera global, por exemplo, constroem-se no texto
estereótipos de um jovem, de certa forma, com pouco ou nenhum senso crítico no que tange
aos problemas que afetam a sociedade como um todo.8 Uma vez que seus interesses são
mostrados na revista como sendo basicamente o cotidiano de seus ídolos, shows e eventos de
suas bandas favoritas, novidades nos jogos eletrônicos e relacionamentos amorosos e/ou
sexuais (questões mais particulares e individualistas), esse enunciatário jovem criado no
discurso é um sujeito pouco envolvido com questões que afetem uma parcela maior da
sociedade, ou seja, que apresentem uma perspectiva globalizante. Portanto, a ausência de
questões que suscitam um enunciatário engajado e pró-ativo politicamente é relacionada, em
Megazine, apenas a assuntos que não afetam diretamente o seu cotidiano.

Da mesma forma, essas escolhas temático-figurativas feitas pelo produtor do discurso,


bem como as projeções enunciativas da sintaxe discursiva, também ajudam a criar a imagem
de um leitor imaturo e inseguro nos assuntos que envolvem relacionamentos afetivos, ao
passo que encontra no enunciador um sujeito que reconhece suas incertezas e anseios.

Como foi visto, a partir do exame dos mecanismos da semântica discursiva


apresentados neste capítulo, percebemos como é criado o universo do leitor modelo da revista
inscrito no enunciado, bem como quais valores o enunciador procura transmitir por meio de
seu discurso. O perfil do leitor apresentado é o de um sujeito que, ao legitimar o discurso do
enunciador, compactua com as opiniões e visões de mundo mostradas, aceitando como
verdades os pontos de vista disseminados na totalidade de textos.

8
Relembramos aqui que, apesar da existência de reportagens que tratam de questões com conotação política,
como, por exemplo, o preconceito com relação ao comportamento social homem/mulher, tal questão é voltada ao
comportamento e ao universo de temas do divertimento e dos relacionamentos sexuais, como nas duas últimas
reportagens citadas acima.

104
5 – A CONSTRUÇÃO DE UM SUJEITO QUE SENTE: UM OLHAR SOBRE
AS PAIXÕES

A teoria semiótica, com o estudo das modalidades, contempla as transformações


sofridas e operadas pelo sujeito no decorrer da narrativa. As relações entre os actantes da
narrativa, em que o sujeito está ora em conjunção ora em disjunção com o objeto-valor,
respondem por diferentes combinações modais responsáveis por despertar sentimentos
diversos nesse sujeito, tratados em semiótica como “estados de alma” ou “paixões de papel”.

Como a narrativa se pauta na transformação dos sujeitos com a busca por objetos aos
quais é atribuído um valor, esse valor investido, ou seja, se ele é ou não desejável, se
relaciona diretamente ao ser do sujeito, sendo responsável por criar determinados efeitos de
sentido ao discurso. As paixões, isto é, os “estados de alma” experimentados pelo sujeito são
justamente esses efeitos de sentido provocados pela relação modal do sujeito com os objetos e
outros sujeitos. Sendo assim, se um objeto é atrativo para o sujeito e este não pode ou não
sabe como adquiri-lo, temos um ser modalizado pelo querer, mas não pelo poder ou saber-
fazer. A organização dessas modalidades explica diferentes impressões afetivas no sujeito de
estado. A dimensão afetiva opera uma mudança, em que o sujeito de estado passa a ganhar
mais atenção, uma vez que as modalidades factivas, ou seja, do sujeito de fazer, “associam-se
sobretudo à ação, à performance e que, por isso, não permitem um estudo mais cuidadoso dos
estados de alma do sujeito” (CALBUCCI, 2009, p. 72).

O estudo das paixões, portanto, passou a dar maior importância às flutuações afetivas
do sujeito de estado, o que, anteriormente, não era focalizado, já que a atenção permanecia
voltada para os enunciados do fazer. Segundo Bertrand (2003, p. 367),

a introdução da problemática das paixões convida a examinar, com mais cuidado, a


realidade do discurso, principalmente do discurso literário e, permanecendo na
coerência dessa perspectiva modal, a aprofundar e a desenvolver-lhe os modelos. O
passional pode ser entendido como uma variação dos estados do sujeito, permitindo
depreender uma outra ordem de relações, aquelas que definem sua “existência
modal” por meio da modalização dos enunciados de estado.

Neste capítulo, iremos nos debruçar sobre as dimensões patêmicas no discurso, que,
juntamente com a sintaxe e a semântica discursivas, contribuem para a construção de
determinado simulacro do jovem retratado em Megazine. A partir dos percursos passionais

105
construídos no texto, criam-se efeitos de sentido distintos, que permitem relacionar esses
estados de alma com o fazer persuasivo do enunciador e o fazer interpretativo do enunciatário.
Desta forma, podemos identificar um enunciatário engajado, alienado, impaciente, curioso,
entre outros, a depender da forma como o discurso é conduzido e dos diferentes modos de
dizer produzidos pelo enunciador.

5.1 – A semiótica e o estudo das paixões

Fiorin (2007b, p. 10) nos mostra que as paixões sempre estão presentes nos textos, ao
reconhecer que há sempre “um componente patêmico a perpassar todas as relações e
atividades humanas”. A partir da concepção de que os efeitos passionais resultam da
organização de estruturas modais, o estudo das paixões considerou, primeiramente, a questão
da modalização do ser, entendendo que a combinação de determinadas modalidades imprime
ao sujeito certas experiências afetivas que, se recorrentes, podem corresponder à sua formação
identitária, considerando que esta pode ser alterada no decorrer da narrativa. Sobre essa
questão, Fontanille (2008, p. 177) afirma que

as modalidades são as mais aptas a assegurar essa recorrência e, portanto, a construir


a identidade do actante na medida em que, mesmo quando elas não estão expressas,
elas são dedutíveis. Consequentemente, elas são mais frequentes que suas
manifestações explícitas; além do mais, elas podem ser expressas mesmo na
ausência de um processo realizado e, por isso, são globalmente mais frequentes que
os próprios processos. Logo, essa propriedade nos incita a basear-nos nas
modalidades para construir a identidade do actante.

Seguindo esse raciocínio, entendemos que a combinação das quatro modalidades, a


saber, querer, dever, poder e saber, caracteriza a existência do sujeito de estado, que, a partir
de sua relação com outros sujeitos da narrativa e com objetos de valor, podem ou não ser
compatíveis, a depender da narrativa. Como exemplo, podemos citar a paixão da felicidade,
definida como um querer ser aliado a um poder ser, modalidades concordantes entre si e,
portanto, compatíveis. Por outro lado, um sujeito que sofre a paixão da frustração é movido
por um querer ser aliado a um não poder ser, modalidades incompatíveis. Temos, portanto,
que o sujeito de estado pode ser movido tanto por modalidades compatíveis quanto
incompatíveis que modificam seu estado afetivo, fazendo com que ele passe a assumir
determinados papéis patêmicos ao longo da narrativa.

106
Desta forma, o estudo das paixões encontra-se relacionado às relações entre os
actantes e aos percursos narrativos estabelecidos, determinando, como nos exemplos de
paixões citadas acima, o sujeito que quer e pode ser e o objeto por ele desejado (no caso da
felicidade) e o sujeito que quer, mas sabe não poder-ser, bem como o sujeito que provocou
nele o sentimento vivenciado (no caso da frustração). As modalidades, portanto, permitem
perceber o que motiva o sujeito a praticar ou não determinadas ações e como ele é afetado por
elas e pelas ações de outros sujeitos da narrativa, questões que provocam sensações diversas
nesse sujeito.

Barros (2001, p. 62), afirma haver três modos de definir a existência do sujeito da
narrativa: existência semiótica, semântica e modal. A primeira se assenta na relação entre
sujeito e objeto, entendendo a narrativa como o lugar onde os valores circulam. A segunda se
baseia na relação entre o sujeito e o valor, compreendendo a comunicação que se estabelece
entre os sujeitos. Já na última, na existência modal, o sujeito é definido a partir da
modalização do ser, assumindo estados patêmicos que o afetam e modificam ao longo da
narrativa, podendo ser eufóricos, como o sentimento de alegria e de amor ou disfóricos, como
a raiva e a decepção. Desta forma, esses estados patêmicos, isto é, as vivências passionais do
sujeito, se relacionam com sua existência modal, em que este sujeito “segue um percurso,
entendido como uma sucessão de estados passionais, tenso-disfóricos ou relaxados eufóricos”
(BARROS, 2001, p. 62).

Para ilustrar as paixões vivenciadas pelo sujeito da narrativa causadas tanto pelas
relações entre os sujeitos quanto pela relação sujeito-objeto, tomemos como exemplo dois
trechos de reportagens presentes no corpus:

O astro Justin Bieber ainda não deixou no passado aquela controvérsia iniciada
quando a americana Mariah Yeater espalhou por aí que estava grávida do cantor,
sendo desmentida semanas depois. No sábado, Bieber publicou um tweet irônico
endereçado a ela e, nesta terça, durante uma coletiva de imprensa, ele disse que
escreveu uma música sobre toda a polêmica.
‘É uma música sobre toda aquela situação com aquela garota que disse estar
esperando meu filho, a Maria Yeater’, disse Bieber, antes de acrescentar: ‘É sobre
tudo o que passei’, disse ele, sem deixar claro se a faixa vai estar em seu novo
álbum, “Believe”, que será divulgado no dia 19 de junho (Justin Bieber escreve
música sobre garota que disse estar grávida dele, MEGAZINE, O Globo,
24/04/2012).

Quando veem uma mulher poderosa, a primeira ideia é chamá-la de piranha. O


principal mote do curso é aceitação, pela mulher, do seu poder sexual. Para a
mulher, é importante se sentir segura na cama, mas isso não quer dizer que ela seja
piranha. As mulheres que já se inscreveram são jovens, pós-feministas e de cabeça

107
aberta (Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina,
MEGAZINE, O Globo, 8/3/2012).

Na primeira reportagem, o actante do enunciado, figurativizado pelo ídolo adolescente


Justin Bieber, fala sobre os boatos que uma garota americana espalhou sobre ele, afirmando
que estaria grávida do cantor, sendo, no entanto, desmentida algum tempo depois. Essa
ocorrência desperta sensações disfóricas no sujeito da narrativa que, movido por um
sentimento de raiva ou rancor, compõe uma música falando sobre o que passou na época do
surgimento dos boatos. Desta forma, a ação inicial da americana de inventar uma mentira
sobre o cantor, desencadeou sentimentos negativos nesse sujeito, que, modalizado por um
querer e poder fazer mal a alguém, toma determinadas atitudes, como publicar um tweet
irônico a ela e compor uma música sobre o assunto, na tentativa de vingar-se do que a garota
havia feito com ele, ações que lhe permitiram sair desse estado de raiva e insatisfação. As
paixões da raiva e do rancor são caracterizadas por uma forte intensidade e, geralmente,
possuem curta duração, levando o sujeito a agir de forma abrupta e, muitas vezes, sem pensar.
Nem sempre essas paixões encontram-se lexicalizadas, como é o caso do exemplo mostrado.

Já no exemplo da segunda reportagem, temos um sujeito inicialmente modalizado por


um querer entrar em conjunção com o objeto-valor sexualidade, mas que, devido a um não
poder-ser imposto por uma sociedade machista, vivencia o sentimento disfórico de frustração.
Entretanto, ao decidir romper as barreiras do preconceito social e passar a aceitar seu poder
sexual, esse sujeito, modalizado por um querer-ser, saber-ser e poder-ser, transforma seu
estado inicial, passando a experimentar sensações de auto-confiança e segurança, sendo visto
como “jovem” e “de cabeça aberta”.

No entanto, os efeitos passionais, do ponto de vista semiótico, são regulados não só


por determinações modais, mas também tensivas e aspectuais, ligadas à intensidade e a
duração. Conforme assevera Bertrand (2003, p. 370), “para analisar os efeitos de sentido
passionais tal como se manifestam na língua e nos discursos, não podemos, portanto, nos ater
unicamente à modalização dos estados”, mas precisamos, também, considerar a questão da
tensividade. O estudo da tensividade aponta para a questão do contínuo, investigando a
variação e o processo em que a paixão sofrida pelo sujeito se dá. Sobre essa combinação
modal e fórica, Calbucci nos lembra que

as modalidades passam a ser vistas sob a perspectiva das valências tensivas, de tal
modo que elas podem intensificar-se ou amainar-se quanto às subdimensões do
andamento e da tonicidade, expandir-se ou retrair-se quanto às subdimensões da
108
temporalidade e da espacialidade, o que caracterizaria a euforia e a disforia, a tensão
ou o relaxamento (CALBUCCI, 2009, p. 74).

Para tanto, leva-se em conta a tensão entre duas grandezas: intensidade e extensidade.
A primeira, como afirma Fontanille (2008, p.206), “é uma variável que aparece no momento
da avaliação e que participa da modalização enunciativa: ela depende da apreciação do sujeito
da enunciação”. Sendo assim, o modo como o discurso é construído, as escolhas linguísticas
do sujeito imprimem certa intensidade ao discurso, criando efeitos de sentido variados ao
texto. Ao afirmar que determinado acontecimento foi uma “tragédia” ou uma “catástrofe”, por
exemplo, o enunciador aciona uma intensidade afetiva no discurso, acompanhada de uma
manifestação passional. Percebemos, neste caso, uma intencionalidade enunciativa, que, ao
optar pelo uso de expressões que denotem intensidade, causa impacto na leitura, provocando
manifestações passionais no enunciatário (SANTOS, 2014, p. 143).

Já a extensidade considera as noções de temporalidade e espacialidade, operando com


a duração e a profundidade passionais. A conjunção entre a intensidade e a extensidade
definem a configuração passional, já que cada paixão é caracterizada por uma duração
específica associada a certo grau de intensidade, implicando uma aspectualidade própria.
Portanto, se compararmos os efeitos afetivos da paixão e do amor, por exemplo, temos que o
primeiro apresenta uma maior intensidade se comparado ao segundo, ao passo que sua
duração é proporcionalmente menor. Quando se passa do primeiro estado ao segundo,
percebemos uma diminuição no grau de intensidade, acompanhado de um aumento na
extensão temporal.

A inclusão das categorias aspectuais nos estudos tensivos sobre os efeitos passionais
vivenciados pelo sujeito implica a existência de um observador social responsável por
instaurar um julgamento moral ao discurso, um ponto de vista sobre o enunciado. Fontanille e
Zilberberg (2001, p. 299) afirmam que a configuração passional, para que seja reconhecida
dentro de uma dada cultura, precisa ser identificada e concretizada no discurso por um
“observador culturalmente competente”, que determina como as paixões se expressam de
forma diferente em culturas distintas. Os autores argumentam, ainda, que

o efeito de sentido passional é, de fato, na perspectiva que defendemos,


eminentemente cultural, repertoriado numa “enciclopédia” específica do domínio
passional peculiar a cada cultura. [...] Em suma, é a práxis enunciativa que decide in
fine o que é paixão e o que não é, por meio de uma espécie de sanção intersubjetiva
e social, uma intencionalidade que deve ser reconhecida e partilhada para ser
operante (FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p. 298-299).

109
Esse actante observador, como sujeito cognitivo delegado pelo enunciador, instaura no
discurso um ponto de vista sobre a cena enunciativa, caracterizando as coordenadas de pessoa,
tempo e espaço, sem, no entanto, considerar como ponto de referência o momento da
enunciação, mas colocando-se em qualquer ponto do contínuo enunciativo. Desta forma, “o
tempo pode ser apreendido em sua duração, o espaço em sua trajetória e o sujeito em seu
processo gradual de transformação” (GOMES, 2011, s.n.).

Convém, agora, ressaltar que as paixões se dividem em dois tipos, de acordo com a
complexidade do percurso: paixões simples e complexas. As paixões simples, também
conhecidas como “paixões de objetos”, se definem por um único arranjo modal decorrente da
modalização pelo querer-ser, não necessitando de percursos modais anteriores, como é o caso
da ambição (BARROS, 2001, p. 62).

Por outro lado, as paixões complexas derivam da combinação de vários percursos


modais, exigindo a existência de um percurso passional anterior ao da paixão atual vivenciada
pelo sujeito. Barros (2008, p. 48) cita como exemplo a paixão da decepção, que, demanda
situações anteriores para que se chegue ao estado atual de decepção, pois “só o sujeito que
esperar de outro a realização de suas aspirações ficará com ele decepcionado, se elas não se
concretizarem” (BARROS, 2008, p. 48).

A autora, amparada em estudos de Greimas (1983), nos lembra que as paixões


complexas apresentam um estado inicial chamado de “estado de espera”, em que o sujeito,
apesar de querer ou não obter um objeto-valor, nada faz para tanto ou acredita que outro
sujeito realize seus desejos, atribuindo a ele um dever-fazer em seu lugar. Sobre esse último
caso, baseado num contrato fiduciário entre o sujeito de estado e o de fazer, a não realização
da ação por este gera sensações de insatisfação e decepção no primeiro, a partir da
combinação modal de um querer-ser, não-crer-ser e saber-não-poder-ser (BARROS, 2001, p.
65). Tal fato pode vir a ocorrer uma vez que o sujeito do fazer não se sente obrigado a agir da
forma desejada pelo outro, sendo a modalização deôntica um “produto da imaginação do
sujeito do estado” (BARROS, 2001, p. 64).

Para exemplificar como se manifestam no discurso de Megazine o surgimento de


paixões simples e complexas, observemos os fragmentos abaixo, que tratam da paixão
simples da satisfação:

110
Meninas pelo mundo afora estão se esforçando para ficarem parecidas com bonecas
Barbie. Suas armas são maquiagem, perucas, lentes de contato e talvez um pouco de
Photoshop. Garotas como a americana Dakota Rose, conhecida na internet como
Kota Koti, ou a inglesa Venus Palermo, de 15 anos, estão se tornando febre no
YouTube com seus vídeos nos quais ensinam suas “fãs” a se maquiarem e se
vestirem como bonecas (Adolescentes se transformam para ficarem parecidas com
Barbies, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012).

Publicar um livro é um sonho para muitos jovens, e a estudante de administração


Laura Tardin prova que o desejo não precisa ficar só na imaginação. Aos 20 anos, a
carioca publica seu primeiro livro, “Estación Callao”, que conta sua experiência
como estudante de intercâmbio em Buenos Aires, na Argentina (Estudante publica
livro sobre seu intercâmbio em Buenos Aires, MEGAZINE, O Globo, 26/03/2012).

No primeiro exemplo temos um sujeito que, movido por um querer-ser parecido com
bonecas Barbie, deseja entrar em conjunção com o objeto de valor status. Para tanto, ele se
utiliza de recursos como maquiagem, perucas e lentes de contato, artifícios que determinam
um poder-ser, permitindo a realização de seu desejo e o fazendo vivenciar uma sensação
eufórica de satisfação e bem-estar. No segundo trecho, a partir da afirmação presente na
primeira sentença (“publicar um livro é um sonho para muitos jovens”), também podemos
identificar um sujeito persistente modalizado por um querer-ser e um poder-ser, em que o
objeto-valor é o reconhecimento advindo da publicação de suas criações literárias. Desta
forma, a publicação do livro produz no sujeito um sentimento de satisfação e contentamento,
já que realizou seu sonho e obteve o reconhecimento desejado, apesar dos obstáculos
enfrentados.

Da mesma forma que a satisfação, a injustiça é também uma paixão simples definida
por um único arranjo modal, como vemos em outra matéria presente no corpus, em que o
actante do enunciado figurativizado pelas meninas que jogam videogame sofre com os
comentários machistas dos garotos, sentindo-se injustiçado. Esse sujeito é modalizado por um
querer não ser, uma vez que não deseja mais sofrer preconceito por gostar de jogos
eletrônicos e luta para acabar com essa “discriminação boba e sem sentido”, conforme
observamos no trecho abaixo:

Há um sem-número de sites de autoafirmação de meninas gamers. O tal


vídeomanifesto foi produzido nos Estados Unidos, mas, por aqui, a mulherada
também não tem vida fácil. Estudante de Letras na PUC-Rio, Isabel Ferreira, de 24
anos, encara diariamente comentários desagradáveis de marmanjos.
[...]
Não se trata de feminismo chatola ou coisa parecida. As garotas só querem acabar
com essa discriminação boba e sem sentido (Mulheres ganham espaço no mundo
machista dos videogames, MEGAZINE, O Globo, 16/04/2012).

111
Já as paixões complexas podem ser encontradas nos fragmentos abaixo, que
exemplificam as paixões da decepção, indignação e vingança:

Falando em urina, flagrei uma menina pela qual era apaixonado na segunda série, a
garotinha mais fofinha e bonitinha da sala, agora com vinte e poucos anos, agachada
entre dois carros com a calcinha numa mão, uma cerveja na outra, se aliviando. Foi
um choque. Ela era um símbolo de inocência, pureza e ternura guardado em algum
canto da minha memória de infância. Foi uma sensação parecida com a de descobrir
o que significavam as letras do É o Tchan e aquelas mensagens subliminares dos
desenhos da Disney (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca,
MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012; grifo nosso).

A crítica mais pesada veio da escritora Naomi Wolf, autora de “O mito da beleza”
(1991). No Facebook, ela criticou muito o clipe e levantou a hipótese de Katy ter
recebido dinheiro da Marinha dos EUA para fazê-lo. Naomi escreveu: “É uma peça
de propaganda para os fuzileiros navais. Queria muito saber se ela foi paga. É uma
vergonha”, e acrescentou: “Proponho um boicote a essa cantora de quem eu
realmente gostava” (Clipe de Katy Perry é rotulado de ‘propaganda militar’,
MEGAZINE, O Globo, 28/03/2012; grifo nosso).

No primeiro exemplo citado, o sujeito é tomado por um sentimento de decepção,


gerado pela ruptura na crença inicial de que o sujeito menina fosse incapaz de praticar a ação
descrita no texto. O sujeito, baseado num contrato fiduciário imaginário, confiava na imagem
idealizada que ele fazia da menina e vivenciava um estado passional de relaxamento,
modalizado por um crer-ser, uma vez que, para ele, ela era um “símbolo de inocência e
pureza”. Essa quebra na confiança inicial é marcada no enunciado pela expressão em negrito
“foi um choque”, caracterizada por uma intensidade elevada e relacionada ao fato de a menina
ser “a mais fofinha e bonitinha da sala”, qualidades que, na crença do sujeito, inviabilizariam
o episódio ocorrido. Tal expressão marca também a concretização do que o sujeito sente por
meio de códigos somáticos, ou seja, reações corporais causadas pela decepção sofrida pelo
sujeito do enunciado.

No fragmento seguinte, o actante concretizado na figura da escritora Naomi Wolf


julga negativamente a atitude da cantora Katy Perry, acusando-a de promover as forças
armadas americanas. Essa ação causa indignação em Naomi, sentimento marcado no
enunciado pela atitude de levantar uma suspeita sobre a cantora. A quebra da confiança inicial
que o sujeito tinha na artista desperta nele um desejo de vingança. Esse sujeito passa, então,
de um estado inicial eufórico (já que possuía confiança na cantora) para um estado final
disfórico de indignação, modalizado por um querer e um poder vingar-se da cantora,
propondo um boicote a ela. Por meio da forma como constrói o discurso, o enunciador
mobiliza o enunciatário a, assim como o sujeito do enunciado concretizado na figura de uma
escritora, se indignar com a cantora. Sobre isso, Barros (2001, p. 67) afirma que o desejo de
112
fazer mal a um sujeito pode se transformar em sentimentos de vingança ou revolta e que “o
/poder-fazer/ é a forma de o sujeito ofendido autoafirmar-se, graças à possibilidade de
destruição do ofensor”.

As paixões da indignação e da vingança, citadas acima, são modalmente definidas por


um querer-fazer e um poder-fazer, possuindo alto grau de intensidade, sendo que a segunda é
mais intensa do que a primeira, já que o sujeito só deseja vingar-se porque encontra-se
tomado por um sentimento de indignação contra algo sofrido. O que as diferencia é que,
enquanto a indignação é pontual, desencadeada em certo momento da narrativa, a vingança é
durativa, podendo estender-se durante bastante tempo, até a ação planejada pelo sujeito ser
concretizada, isto é, até a destruição do anti-sujeito. Segundo Barros (2001, p. 67), a vingança
é um “programa de liquidação da falta causada, na perspectiva do sujeito, pelo anti-sujeito”.
Assim, o sujeito que se sente enganado pelo anti-sujeito, deseja vingar-se dele, já que este
exerceu um fazer contrário ao que era esperado.

Como o objeto de estudo do presente capítulo são os estados de alma vivenciados pelo
sujeito discursivo, torna-se importante, nesse momento, atentar para a questão da diferença
entre emoção e paixão. Estudos de diversos semioticistas, entre eles, Fontanille, Zilberberg
(2001) e Fiorin (2007b), nos mostram que, apesar de ocuparem o mesmo lugar teórico, visto
serem fases de um mesmo esquema afetivo, esses termos se diferem em alguns pontos.

De acordo com Fontanille e Zilberberg (2001, p. 281), a emoção é definida como um


“estado afetivo intenso, caracterizado por brusca perturbação física e mental”, enquanto a
paixão é uma “viva inclinação para um objeto que alguém persegue e ao qual se apega com
todas as forças”. Segundo os autores, esses dois termos podem ser diferenciados quanto à
questão da duratividade, uma vez que, “se falta à emoção o traço /duratividade/, este se
inscreve firmemente na paixão. Podemos admitir que a emoção se transforma em paixão
quando ela molda o percurso inteiro da paixão” (FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p.
282). No entanto, os semioticistas alegam que tal definição não é perfeita, já que os dois
termos não podem ser reduzidos a um binarismo, como se não existisse “nada ‘além’ ou
‘aquém’ [...] e também nada ‘entre’ eles” (FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p. 283). Ao
contrário, estes são “momentos distintos de um mesmo percurso afetivo” (HERNANDES,
2005, p. 65), o que equivale a dizer que, ao longo do discurso, o sujeito transita de uma fase a
outra.

113
Fontanille e Zilberberg (2001, p. 300) propõem um esquema afetivo que comporta
quatro fases que vão da emoção ao sentimento, sendo que cada uma dessas fases se constitui
de uma dimensão modal e outra fórica. Quanto a essas dimensões, os autores nos lembram
que:
As modalidades implicadas se referem tanto à existência (modalidades existenciais)
quanto à competência (querer, dever, saber, poder e crer);
E que a foria conjuga essencialmente a intensidade e a extensidade, com seus efeitos
induzidos por projeção no espaço e no tempo, os efeitos de tempo e de ritmo
(FONTANILLE, ZILBERBERG, 2001, p. 300).

Sendo assim, as manifestações afetivas se distribuem da seguinte maneira: emoção,


inclinação, paixão, sentimento. A emoção, por seu caráter pontual, compreende um momento
singular na narrativa, sendo o primeiro nível do contínuo. Quando essa sensação afetiva
começa a se tornar constante na narrativa, ganhando um caráter durativo, torna-se inclinação,
depois paixão e, por fim, sentimento (FIORIN, 2007b, p. 13).

Emoção e paixão, portanto, se diferenciam, do ponto de vista da foria, pela questão da


duratividade, já que, como vimos, o primeiro evolui de forma rápida e intensa, enquanto o
segundo é mais lento e extenso, ou seja, tem uma duração mais prolongada. Já sob a
perspectiva modal, a paixão permite identificar os dispositivos modais que exprimem a
competência do sujeito, enquanto na emoção essa identificação encontra-se “compactada” ou
“ilegível”, não permitindo constituir uma isotopia, ou seja, não possui um traço recorrente
(FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p. 301).

5.2 – O simulacro de aproximação e a construção identitária no discurso

O discurso jornalístico é produzido de forma a difundir determinados pontos de vista


em detrimento de outros. O enunciador busca sempre uma adesão do enunciatário ao seu
discurso, conduzindo-o para que este compartilhe da perspectiva defendida pelo primeiro.
Sabemos que certas formas de dizer, ou seja, determinadas construções linguístico-
discursivas, causam uma sensibilização ao discurso, direcionando-o afetivamente e fazendo
com que o enunciatário, ao entrar em contato com esse discurso seja por ele afetado, já que
este sempre exige um posicionamento do leitor em relação ao que está sendo dito.

114
No discurso do jornal, é bastante comum que o enunciador se utilize de certas
estratégias enunciativas de direcionamento afetivo, a fim de que o enunciatário se identifique
com as sensações vivenciadas pelos actantes do enunciado, passando a também experimentá-
las. Segundo nos lembra Gomes (2008, s.n), o sujeito leitor “deve apresentar certa
disponibilidade sensível, uma abertura para corresponder às evocações traçadas pela
orientação afetiva do texto e para compartilhar as paixões”. Desta forma, ao projetar no
enunciado um actante que luta contra uma injustiça sofrida, por exemplo, o enunciador deseja
que o enunciatário compreenda e se identifique com o drama sofrido por esse sujeito do
enunciado. A autora nos lembra, ainda, que “o enunciador, ao adotar uma perspectiva, uma
orientação afetiva, solicita, mesmo que sutilmente, uma reação emotiva do enunciatário ou a
adoção de uma identidade passional, envolvendo-o e mobilizando-o a aceitar determinados
valores” (GOMES, 2008c, s.n.). Observemos o exemplo abaixo, extraído do corpus:

A batalha para conseguir a construção da nova pista foi longa, desgastante, mas os
skatistas locais da "quadrinha" nunca desistiram (Skate Park da Lagoa promete ser
o point do verão carioca, MEGAZINE, O Globo, 20/02/2012, grifo nosso).

Nesse exemplo, a expressão grifada “batalha” remete a todo o percurso vivido pelo
actante do enunciado para conseguir seu objeto-valor, mostrando o quanto essa obtenção foi
difícil. Durante esse percurso o sujeito é modalizado por um crer e um querer-ser, ao ser
tomado por sentimentos de coragem e persistência que lhe dão ânimo para prosseguir lutando
pela construção de uma nova pista de skate, apesar das dificuldades enfrentadas e do longo
tempo de espera. A paixão da persistência pode ser identificada pela expressão “nunca
desistiram” e modalizada por um querer-ser e um crer-poder-ser intensos e durativos, que
permanecem inalterados diante dos limites e dos obstáculos, correspondentes a um não-poder-
ser, marcando um contraste no enunciado que desperta sentimentos no sujeito, pois, apesar
das dificuldades que se opunham à concretização do desejo, o sujeito persistiu.

No segundo exemplo abaixo, já citado neste capítulo, o enunciador assume a


perspectiva do sujeito do enunciado, que sofre com sensações disfóricas de raiva e rancor:

O astro Justin Bieber ainda não deixou no passado aquela controvérsia iniciada
quando a americana Mariah Yeater espalhou por aí que estava grávida do cantor,
sendo desmentida semanas depois.
[...]
“É uma música sobre toda aquela situação com aquela garota que disse estar
esperando meu filho, a Mariah Yeater”, disse Bieber, antes de acrescentar: “É sobre
tudo o que passei” (Justin Bieber escreve música sobre garota que disse estar
grávida dele, MEGAZINE, O Globo, 24/04/2012; grifo nosso).
115
Ao longo do discurso, o jornal mostra seu apoio ao cantor ao dirigir-se a ele por meio
de expressões como “astro” e “artista” e apresenta somente o seu ponto de vista sobre o
ocorrido. Aliado a isso, no título da reportagem, a expressão “garota que disse estar grávida
dele” deixa claro que o enunciador não acredita na versão apresentada por Mariah, já que
atribui ao seu dizer a responsabilidade sobre essa versão, sem assumir a verdade do dito,
justificando a paixão de ressentimento do “astro” e alinhando-se a ela. Situação semelhante
ocorre neste último exemplo, abaixo transcrito:

O futuro parecia cinzento para qualquer jovem sensível cuja mãe não deixava usar
tênis “Reef” desamarrado e que não curtia a ideia de andar com as calças caindo.
[...]
Se antes desse CD os “desajeitados”, os “excluídos”, os que “não se
encaixavam”, ficavam dentro de seus quartos jogando seus jogos de videogame,
lendo seus livros e ouvindo Radiohead, alheios ao mundo lá fora, depois dele, a
porta do quarto foi aberta. Uma identidade foi criada. Uma bandeira tinha sido
levantada. Era OK ser estranho. Muita gente era também! E todos podiam se
encontrar e se unir na catarse coletiva que eram os shows da banda. (Matheus Souza:
‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos, MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012;
grifo nosso).

Nessa passagem, o enunciador se identifica com o drama vivido pelo actante do


enunciado, figurativizado pelo sujeito “desajeitado” e “excluído”, que sofre com a
insegurança e o isolamento, entendendo sua condição anterior de se sentir “alheio ao mundo
lá fora” e viver na expectativa de um “futuro cinzento”. A paixão da insegurança é uma
paixão complexa modalizada por um querer-ser, crer-não-ser e saber-poder-não-ser, que,
segundo Barros (2001, p. 64), deriva de um estado inicial de espera tensa. A combinação
dessas modalidades acarreta em sensações de aflição, já que o sujeito está em disjunção com
seu objeto de valor, no caso do exemplo acima, a autoconfiança com relação às conquistas
amorosas. Já a paixão do isolamento deriva da combinação de um querer-ser com um saber-
não-poder-ser, uma vez que o sujeito sabe que não se inclui no grupo de garotos que
costumam despertar o interesse das meninas e, por isso, se exclui do “mundo lá fora”.

O uso dessas estratégias de construção discursiva provoca no enunciatário certos


efeitos de sentido passionais, procurando fazer com que este simpatize com os actantes do
enunciado e se identifique com as paixões por eles vivenciadas. Desta forma, o enunciatário
se comove e entende o sentimento vivenciado por esses sujeitos, colocando-se em seu lugar,
para, desta forma, aderir ao ponto de vista discursivo.
Muitas vezes, a construção do discurso se dá de tal forma que nos leva à determinada
imagem do enunciatário. Em Megazine, alguns modos de dizer correspondem à identidade de

116
um enunciatário que sofre com as paixões da curiosidade e da ansiedade, modalmente
definidas, respectivamente, por um querer-saber aliado a um não-poder-não-saber e um
querer-ser aliado a um saber-poder-ser. Essas duas paixões, em que a primeira é
sobredeterminada pela segunda, são marcadas por um forte grau de intensidade, já que o
sujeito afetado por elas possui um desejo exagerado de entrar em conjunção com seu objeto
de valor. No caso da paixão da curiosidade, segundo Fiorin (2007, p. 13), há, além de um
“clímax de intensidade”, um certo grau de extensidade marcado por um “desejo irrefreável de
saber tudo”.

Sobre essa paixão, Hernandes (2005, p. 62) nos lembra que é muito comum que o
discurso jornalístico desencadeie a curiosidade, visto que ao buscar no jornal a supressão da
falta do valor a que almeja, o saber sobre um dado assunto, o sujeito passa de um estado de
insatisfação para um de satisfação. Segundo o autor “a passagem do não-saber para o saber dá
prazer ao sujeito, é uma de suas recompensas” e, portanto, é uma estratégia para cativar a
atenção e a confiança do enunciatário no veículo de informação (HERNANDES, 2005, p. 63).
Observemos, abaixo, como essa paixão aparece no corpus em estudo:

Autora da série literária mais famosa entre crianças e adolescentes, a inglesa JK


Rowling anunciou, nesta quinta-feira (23), que lançará seu primeiro livro para
adultos.
[...]
Os fãs crescidinhos da saga mágica terão de se contentar com apenas estas
informações por enquanto, pois o título da obra, a data de lançamento e o tema
ainda não foram revelados (Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez,
para adultos, MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

As aulas acontecerão dentro dos próximos quatro dias, apenas para fãs que
compraram ingressos (ainda há entradas para os encontros de Taubaté e Campinas),
mas a Megazine bateu um papo por e-mail com o dançarino, que já trabalhou
também com Ricky Martin, Taylor Swift e na turnê de shows de “Glee” (Bailarino
de Bieber revela que o astro não era um bom dançarino, MEGAZINE, O Globo,
28/03/2012; grifo nosso).

Nos exemplos descritos acima, podemos entrever a imagem um sujeito curioso que
deseja entrar em conjunção com um saber, mas que não quer esperar muito para isso. Nessa
paixão, identificada nos trechos “terão de se contentar com apenas estas informações” e “mas
a Megazine bateu um papo por e-mail com o dançarino”, temos um sujeito que deseja entrar
em conjunção com um valor cognitivo, informações sobre o próximo livro de JK Rowling e
sobre o ídolo adolescente Justin Bieber.

117
Já a paixão da ansiedade, presente nos trechos em destaque nos exemplos abaixo,
sugere um enunciatário ansioso e que vive um estado de espera caracterizado por uma
intensidade alta, pois sabe que a conjunção com o valor desejado é incerta. No caso do trecho
“mas os fãs de Bieber não vão precisar esperar muito”, o narrador sabe que os fãs sentem que
terão de esperar bastante para ouvir o cd completo do ídolo, procurando, então, minimizar
esse estado de espera pelo uso do advérbio de negação, conforme vemos abaixo:

Segundo o ator Bradley Cooper, a sequência de “Se beber, não case - parte 3” seria
ambientada em Los Angeles e o diretor Todd Phillips, o mesmo que comandou os
sucessos anteriores, já estaria trabalhando no roteiro. Bradley revelou esses detalhes
numa entrevista ao programa de TV britânico “The Graham Norton Show”, em
dezembro, mas é melhor os fãs da série ainda não se animarem, pois, como Ed
afirma, o martelo ainda não foi batido (Protagonista de ‘Se beber não case’ quer
terceiro filme da série, MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

Apesar de já estar disponível para audição na internet, “Live my life” só será


lançada oficialmente na terça-feira (28), na loja virtual iTunes. Mas os fãs de
Bieber não vão precisar esperar muito para ouvir a voz do cantor canadense em
outras faixas (Ouça nova música com Justin Bieber, ‘Live my life’, MEGAZINE, O
Globo, 24/02/2012; grifo nosso).

Quem está contando os dias para o show dos Arctic Monkeys no Lollapalooza
Brasil vai ver esse vídeo 300 vezes até o dia 8 de abril, quando a banda toca no
evento em São Paulo (Arctic Monkeys divulgam vídeo de show no México. Falta
pouco!, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012; grifo nosso).

Ontem, dia 15 de maio, foi lançado um dos jogos mais esperados de todos os
tempos: “Diablo III” (Por que o videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da
década?, MEGAZINE, O Globo, 14/05/2012; grifo nosso).

Mas, por enquanto, os fãs de quadrinhos terão que esperar pelo anúncio oficial
(Marvel anuncia dois novos filmes de super-heróis, MEGAZINE, O Globo,
15/05/2012; grifo nosso).

Essa paixão, como vimos nos exemplos acima descritos, permite a construção do
simulacro de um enunciatário jovem impaciente, marcando uma aceleração no discurso, já
que o sujeito deseja sempre antecipar a conjunção com os valores de busca, pois tem
dificuldades para esperar. Esse sujeito vive um estado afetivo intenso de espera marcado por
uma disjunção com o objeto desejado, ou seja, um estado de falta, e considera que o tempo é
mais longo do que ele desejaria. No discurso da revista adolescente, podemos identificar que a
ansiedade sofrida pelo sujeito encontra-se relacionada a atividades de entretenimento, como
música, jogos, literatura e cinema, bem como a um saber sobre a vida de seus ídolos.

Em Megazine, além da construção de simulacros de um sujeito ansioso e curioso,


também podemos identificar um enunciatário que sofre com a paixão da insegurança. Como
vimos mais acima, a insegurança é modalizada por um querer-ser, um crer-não-ser e um
118
saber-poder-não-ser e é marcada por um certo grau de intensidade, pois deriva de uma espera
tensa. A reportagem “Um ensaio sobre a temida friend zone” (MEGAZINE, O Globo,
8/5/2012) constrói o simulacro de um sujeito que vivencia essa paixão, como constatamos
abaixo:
“Friend zone” é, provavelmente, a palavra mais temida de todos os jovens que não
nasceram com o porte físico do Cauã Reymond. Consiste basicamente na arte
humana de transformar em “apenas amiga” uma pessoa que é apaixonada por você,
sem o menor remorso. É a “zona da amizade” da qual a maioria nunca sairá.
Dez dicas para você saber se foi “friendzonado” pela garota (ou rapaz) que você
gosta (Um ensaio sobre a temida friend zone, MEGAZINE, O Globo, 8/5/2012).

No texto, por meio da mediação do narrador dando dicas sobre como diferenciar
amizade e amor, o narratário sai de um estado de insatisfação para um de satisfação, já que
agora ele sabe distinguir esses dois sentimentos. O jornal se mostra, portanto, como um
intermediário quem tem a função de orientar e explicar a esse jovem as características de cada
um, fazendo-o vivenciar sensações eufóricas advindas da conjunção com um saber.

O uso de uma linguagem mais intimista, com expressões que visam reduzir a distância
entre enunciador e enunciatário, simulando, pois, uma proximidade entre esses sujeitos, é
também uma estratégia discursiva que ajuda a construir a imagem de um enunciatário
modalizado por um saber-ser, vivenciando sentimentos eufóricos de acolhimento, de
intimidade. Em Megazine, o uso desse recurso é bastante frequente, uma vez que, muitas
vezes, o enunciatário é “chamado a participar” do discurso dando sua opinião sobre o assunto
ou partilhando do ponto de vista apresentado pelo enunciador.

Eu tenho medo de me apaixonar no carnaval. Imagine encontrar o amor da sua


vida no meio de um bloco! E vocês se apaixonam e casam. E, um dia, têm filhos e
eles perguntam como vocês se conheceram. Aí você vai dizer:
“Foi lindo! A mamãe tava beijando um outro cara que ela nem lembra o nome e eu
tava vestido de mulher e tinha acabado de vomitar sem querer no pé do seu tio
Antônio, que ficou boladão. Aí o cara largou sua mãe pra perguntar pra um amigo se
ele tinha camisinha pra emprestar, eu fui lá e mandei um “que isso novinha” pra ela,
ela achou que eu era o outro cara e acabou me pegando sem nem perceber que eu era
eu” (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca, MEGAZINE, O
Globo, 22/02/2012; grifo nosso).

É baseado num seriado antigo estrelado por um tal de Johnny Depp em início de
carreira. E antes que você pense “droga, lá vem mais um reboot enlatado de
Hollywood”, saiba que o próprio filme faz piada sobre isso.
[...]
Bom, mudando completamente de assunto, aqui vai o gabarito do desafio de
desenhos estilo “Draw Something” da semana passada (Dez motivos para assistir à
comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 2/5/2012; grifo nosso).

119
Os termos grifados nos exemplos acima simulam uma cumplicidade e proximidade
entre os sujeitos da enunciação, estabelecendo no discurso um tom mais intimista, dando a
ideia de uma conversa informal e despreocupada. Com relação ao primeiro fragmento e ao
primeiro trecho destacado no segundo, o enunciador, respectivamente, convida o enunciatário
a pensar sobre o assunto que está sendo tratado, levando-o a refletir sobre seu ponto de vista e
sugere tanta proximidade com este sujeito que é capaz de intuir qual seria seu possível
raciocínio a respeito do que está sendo dito.

O mesmo acontece nos demais exemplos grifados abaixo, que também revelam o
simulacro de um enunciador que busca levar o enunciatário a participar da cena enunciativa
(como na sentença “essa semana temos uma coluna interativa!”), ora compartilhando do ponto
de vista mostrado (como na expressão “convenhamos”), ora estabelecendo um vínculo de
confiança com esse sujeito (por meio do termo “prometo”). Esses recursos linguísticos,
amplamente usados no discurso do suplemento jovem, ajudam na construção de efeitos de
sentido de acolhimento e aproximação do enunciatário ao discurso, como se ele fosse visto e
considerado de forma individualizada pelo enunciador, com quem há a ilusão de estar
“batendo um papo”.

Muita gente achou estranho o novo clipe de Katy Perry, mas, de início, ninguém
falou nada. Uma semana depois do lançamento, no entanto, já se espalham pela web
vaias para o vídeo de “Part of me”, que, convenhamos, parece uma peça de
propaganda militar (Clipe de Katy Perry é rotulado de propaganda militar,
MEGAZINE, O Globo, 28/03/2012; grifo nosso).

Essa semana temos uma coluna interativa! Como boa parte da humanidade, estou
viciado no aplicativo de iPhone Draw Something e queria escrever algo sobre ele
por aqui.
[...]
Não sei ainda qual será o brinde e não deve ser nada incrível, mas pensarei em algo
simpático, prometo (Adivinhe qual é o filme e ganhe um brinde, MEGAZINE, O
Globo, 24/04/2012; grifo nosso).

Aliado a isso, o uso de perguntas retóricas, que, como foi visto no terceiro capítulo
deste trabalho, gera um efeito de aproximação entre enunciador e enunciatário ao convocar a
participação deste último, como se um diálogo fosse travado entre eles, desperta, também,
sentimentos eufóricos de acolhimento no enunciatário. Este sujeito, ao ser instigado pelo
enunciador a participar da cena enunciativa (mesmo que essas perguntas não esperem uma
resposta do enunciatário), se sente acolhido, uma vez que sua presença é inferida pelas
perguntas, como vemos nos fragmentos abaixo:

120
O que você pensaria sobre um curso chamado “Bitch!”? (Mulheres criam curso
chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade feminina, MEGAZINE, O Globo, 8/3/2012).

Quem diria que um sacerdote da Igreja Católica iria dar dicas de como conseguir
um(a) namorado(a)? (Padre bomba no YouTube com 10 dicas para arrumar
namorado(a), MEGAZINE, O Globo, 14/03/2012).

O outro é o Channing Tatum. Ele é bonitão, né? (Dez motivos para assistir à
comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 2/5/2012).

Mas aí eu pensei: para que escrever se eu posso... desenhar? (Adivinhe qual é o filme
e ganhe um brinde, MEGAZINE, O Globo, 24/04/2012).

Dá para dizer que o gênero saiu do SoundCloud, né? (Festa Bootie Rio comemora
dois anos de ‘mashups’, MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012).

O que escrever de um grupo sobre o qual, seja por fãs ou “haters”, tudo já deve ter
sido escrito? (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’,
MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012).

No discurso de Megazine, além do uso de termos que sugerem proximidade entre os


sujeitos da enunciação, bem como perguntas retóricas usadas com o mesmo fim, a presença
de expressões exclamativas confere intensidade e empolgação ao discurso, imprimindo um
tom descontraído e animado. Os exemplos abaixo, sendo os dois primeiros já citados aqui e
agora retomados, mostram um discurso que procura despertar no enunciatário as paixões de
alegria e entusiasmo, a partir dos arranjos modais saber, querer e poder-ser. Essas paixões são
definidas, também, do ponto de vista aspectual, por seu grau de intensidade e duração. Nesse
sentido, a alegria é menos intensa e mais duradoura do que o entusiasmo, sendo este último
pontual, pois o processo é apreendido em determinado momento. Ao tornar-se constante e,
portanto, durativo, o entusiasmo vira a paixão da alegria. No penúltimo exemplo, o enunciado
em destaque sugere também um enunciatário surpreso, que não esperava pelo fato noticiado,
modalizado também por um não-saber-ser.

Eu tenho medo de me apaixonar no carnaval. Imagine encontrar o amor da sua


vida no meio de um bloco! E vocês se apaixonam e casam. E, um dia, têm filhos e
eles perguntam como vocês se conheceram. Aí você vai dizer:
“Foi lindo! A mamãe tava beijando um outro cara que ela nem lembra o nome e eu
tava vestido de mulher e tinha acabado de vomitar sem querer no pé do seu tio
Antônio, que ficou boladão (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval
carioca, MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012; grifo nosso).

Essa semana temos uma coluna interativa! Como boa parte da humanidade, estou
viciado no aplicativo de iPhone Draw Something e queria escrever algo sobre ele
por aqui (Adivinhe qual é o filme e ganhe um brinde, MEGAZINE, O Globo,
24/04/2012; grifo nosso).

A banda Nervoso e os Calmentes, se apresenta na Casa da Matriz (isso mesmo, a


boate voltou a receber shows!), terça-feira (15) (Festa Bootie Rio comemora dois
anos de ‘mashups’, MEGAZINE, O Globo, 10/05/2012; grifo nosso).

121
Se antes desse CD os “desajeitados”, os “excluídos”, os que “não se encaixavam”,
ficavam dentro de seus quartos jogando seus jogos de videogame, lendo seus livros e
ouvindo Radiohead, alheios ao mundo lá fora, depois dele, a porta do quarto foi
aberta. Uma identidade foi criada. Uma bandeira tinha sido levantada. Era OK ser
estranho. Muita gente era também! (Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao
Los Hermanos’, MEGAZINE, O Globo, 30/05/2012; grifo nosso).

Conforme vimos, todas essas estratégias enunciativas de direcionamento afetivo


buscam aproximar enunciador e enunciatário, criando efeito de sentido de familiaridade, de
cumplicidade entre esses sujeitos discursivos, levando o último a crer que está de fato
participando ativamente do discurso, estratégia usada para cativar este sujeito e garantir sua
adesão ao que está sendo dito. Ao mesmo tempo, o uso desses recursos também delineia o
perfil do enunciatário, mostrando como é esse sujeito e o que o sensibiliza.

5.3 – A orientação afetiva no discurso

Segundo estudos de Hernandes (2005), o discurso jornalístico, ao direcionar a atenção


do enunciatário para determinados pontos de vista, induz esse sujeito a refletir e reagir de uma
dada maneira perante algum aspecto, procurando despertar a sensibilidade do enunciatário
para que este se identifique e queira compactuar com a perspectiva do enunciador. O autor,
em nota de rodapé, ao indagar sobre a função do jornalismo como ferramenta que nos faz
voltar nossa atenção para certas questões sobre as quais possivelmente não nos atínhamos,
conclui que “o que o jornal faz é criar valor para determinados aspectos do cotidiano ou
produtos para que, assim, possam ser distinguidos e ordenados nos sistemas de valores
propostos” (HERNANDES, 2005, p. 64). Sendo assim, entendemos que a afetividade está
diretamente relacionada à adesão ou não ao discurso, sendo uma estratégia usada no
jornalismo para captar e manter a atenção e o envolvimento do enunciatário.

Assim como Hernandes, Gomes (2008c, s.n.) afirma que, além da construção de
percursos afetivos no discurso que marcam a identidade do sujeito da narrativa, o enunciador
utiliza-se também de “procedimentos enunciativos que instauram uma orientação afetiva no
discurso, fazendo transparecer um tom passional no relato jornalístico”. Embora, muitas
vezes, o uso desses procedimentos esteja marcado no enunciado de forma sutil, eles são
importantes para identificar o tom passional da narrativa, por meio de um modo próprio de
dizer que procura fazer com que o enunciatário se identifique com o discurso. A projeção de

122
vozes no discurso é um exemplo de recurso utilizado para imprimir uma orientação passional
ao texto, uma vez que a distribuição das vozes no discurso causa determinadas impressões
afetivas no enunciatário. Sendo assim, se alguns actantes do enunciado têm mais espaço do
que outros, há um desequilíbrio na narrativa, o que repercute diretamente na leitura do
discurso pelo enunciatário.

Tomemos como exemplo a reportagem “Documentário sobre bullying estreia sem


classificação etária” (MEGAZINE, O Globo, 27/03/2012), que fala sobre a decisão de proibir
que menores de 17 anos assistam ao filme “Bully”, que trata da violência nas escolas, sem a
presença de um responsável. Podemos perceber, tanto por meio da projeção e distribuição das
vozes no discurso, bem como por expressões de natureza avaliativa, que o enunciador se
posiciona contra essa decisão da entidade responsável por fazer a classificação etária do filme.
Ao tratar como um “problema” a obrigatoriedade de classificação etária alta estabelecida pela
entidade, o enunciador deixa transparecer sua opinião contrária à decisão, conforme vemos no
trecho abaixo:

A restrição foi estabelecida pela MPAA, entidade responsável por fazer essa
classificação nos EUA. O problema é que o principal público alvo do filme é
justamente este que só poderia vê-lo na companhia dos pais (grifo nosso).

Para justificar e sustentar seu ponto de vista, o enunciador opta por retratar o
julgamento do diretor do filme em discurso direto, o que contribui para “conservar os assentos
passionais” do discurso (GOMES, 2008c, s.n.), como observamos no trecho abaixo.

“Mas a pequena quantidade de vocabulário responsável por essa restrição está no


filme porque é real. É isso o que as vítimas de bullying enfrentam. Eu sei que as
crianças vão querer assistir. E os cinemas devem decidir se permitirão a entrada”,
comentou o diretor Lee Hirsch.

Ao mesmo tempo, não dar voz a sujeitos que se posicionam contra a exibição do
filme, mas apresentar sua opinião de forma indireta, por meio do dizer do narrador, também
contribui para atenuar os efeitos de sentido passionais, sustentando a opinião do enunciador:

Os produtores insistiram pela censura de 13 anos, mas não conseguiram convencer a


MPAA, que tomou sua decisão devido ao vocabulário de baixo nível.

Há, ainda, a menção do posicionamento de artistas como Justin Bieber, um dos


principais ídolos adolescentes, a favor da redução na classificação etária. Essa citação enfatiza
o ponto de vista do enunciador, já que não se trata de qualquer indivíduo, mas de uma

123
personalidade pública conhecida mundialmente e que possui muitos fãs entre os jovens,
público alvo do discurso de Megazine.

Até astros como Justin Bieber se posicionaram a favor de afrouxar a restrição do


longa, que vem gerando comentários pelo mundo todo desde que foi exibido pela
primeira vez, no Festival de Tribeca, em Nova York.

A projeção de vozes no discurso é, como vimos nos exemplos acima, responsável por
atenuar ou reforçar o caráter patêmico do discurso, provocando no enunciatário uma
sensibilização em relação ao que está sendo dito. Conforme ressalta Gomes (2008c, s.n.), esse
recurso permite perceber o ponto de vista assumido pelo enunciador, “construindo uma
orientação passional e um posicionamento do interior da situação narrada”. Outros exemplos
extraídos do corpus também permitem perceber de que forma a distribuição de vozes no
discurso contribui para reforçar a perspectiva assumida pela enunciação:

— Na segunda-feira, cheguei na pista às duas horas da madrugada e estava cheia.


Fui embora às cinco horas da manhã e ainda ficou gente andando. Aqui é o melhor
pico de skate da cidade — disse André Lisboa, 21 anos.
A fama da pista fez com que o skatista Rodrigo Ferreira, 14 anos, saísse do
município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para arriscar algumas
manobras na Zona Sul.
— Já é o terceiro dia seguido que venho. A pista é pequena, mas todos os obstáculos
foram bem distribuídos. As cantoneiras ficaram bem largas e a iluminação de led
ajuda a andar à noite. Se não fosse o custo da passagem, viria todos os dias — conta.
[...]
Para Márcio Paiva, professor de skate da Lagoa, essas novas pistas permitirão a
formação de uma nova geração de skatistas no Rio:
— Com o street parque e o novo bowl, a Lagoa passará a ser a melhor área para a
prática do skate da cidade. Este é um momento para ser comemorado tanto por quem
já pratica como pelas novas gerações que já ensaiam as primeiras manobras — disse
Márcio (Skate Park da Lagoa promete ser o point do verão carioca, MEGAZINE, O
Globo, 20/02/2012).

A gravadora Cherrytree Records lançou, nesta quinta-feira (23), a canção “Live my


life”, da banda americana Far East Movement (aquela do hit “Like a G6”), que conta
com vocais do ídolo teen Justin Bieber.
[...]
- Conhecemos Justin no Billboard Awards, quando Snoop Dogg nos apresentou a
ele. O garoto é muito talentoso, está crescendo e todos veem isso - comentou um dos
integrantes do Far East Movement, esta semana, numa entrevista a um programa de
rádio alemão (Ouça nova música com Justin Bieber, ‘Live my life’, MEGAZINE, O
Globo, 24/02/2012).

- Eu sempre gostei muito de “Crepúsculo” e lia muitos fã-sites sobre as notícias.


Num deles, tinha uma lista de livros recomendados e aí apareceu “Jogos Vorazes”.
Só tinha o primeiro lançado no Brasil, mas fiquei fascinada. Ultimamente, só se
falava de vampiro, lobo, bruxa, mas a história era completamente diferente, poderia
acontecer no mundo em que a gente vive. O livro te passa mais verdade e isso me
encantou muito - conta Susan Galdino, de 23 anos, que estuda Arquitetura e é uma
das autoras do fã-site JogosVorazes.net.
[...]

124
Para o estudante de jornalismo Brunno Maceno, de 17 anos, e colega de Susan no
fã-site, o livro passa uma mensagem muito mais profunda do que “Harry Potter” e
“Crepúsculo”.
- Não é só romance, anjo, vampiro, o livro tem uma mensagem muito mais
profunda. Fala sobre desperdício de comida, fome, tirania, exploração, tem um lado
mais humano que chama muito mais atenção. A autora descreve uma sociedade que
pode ser a nossa daqui a alguns anos, é um alerta (‘Jogos Vorazes’: jovens atores
buscam afirmação na saga, MEGAZINE, O Globo, 20/03/2012).

Como é trabalhar com Justin? Ele é brincalhão, como ouvimos dizer?


NICK: Ele é um ótimo garoto. Definitivamente, é muito brincalhão... Conheço ele
desde o início de sua carreira, então é como se ele fosse meu irmão mais novo.
Ele também deve ser bastante determinado...
NICK: Bieber é muito focado no seu trabalho e sabe o que quer (Bailarino de Justin
Bieber revela que o astro não era um bom dançarino, MEGAZINE, O Globo,
28/03/2012).

A inglesa Venus Palermo, de 15 anos, é outra que arrasta milhares de fãs que
desejam se parecer com bonecas vivas.
[...]
Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a mãe de Venus aprova a escolha da filha.
“Ela acha fofo que eu use roupas bonitinhas”, comenta a garota. “Acho que nunca
vou parar. Acredito que vou amadurecer o meu estilo e apenas continuar fazendo o
que eu amo”, completa ela (Adolescentes se transformam para ficarem parecidas
com Barbies, MEGAZINE, O Globo, 30/03/2012).

O emprego de expressões no diminutivo também corrobora para imprimir um


direcionamento afetivo ao discurso, sugerindo apreciação e um sentimento de carinho e afeto
do narrador em relação ao dito. Gonçalves (2011, p. 34-35), em seus estudos sobre afixos de
grau no português, explica que nem sempre o uso desses afixos, como, por exemplo, o
emprego da terminação –inho indicando diminutivo, expressa dimensão, mas tem seu
significado “determinado pelo contexto sociointeracional, haja vista que esse sufixo veicula
carga emocional variada, emprestando à mensagem maior força comunicativa: pode expressar
dimensão, apreço, desapreço ou, ainda, afeto”. O autor afirma ainda que o uso desses afixos é
condicionado, dentre outros fatores, “pelo nível de envolvimento entre o falante e o ouvinte e
pelos propósitos comunicativos do emissor frente à audiência” (GONÇALVES, 2011, p. 35).

Nesse contexto, entendemos que o uso desse recurso no discurso jornalístico possui
forte grau de afetividade, criando determinados efeitos de sentido ao texto que marcam o tom
emocional, afetivo do discurso. Da mesma forma, essas expressões caracterizam as intenções
do enunciador, a relação que ele procura estabelecer com o enunciatário e as sensações que
ele deseja despertar nesse sujeito. Observemos, nos exemplos abaixo, todos retirados do
corpus, como esse recurso produz efeitos de sentido variados no discurso:

Falando em urina, flagrei uma menina pela qual era apaixonado na segunda série, a
garotinha mais fofinha e bonitinha da sala, agora com vinte e poucos anos,

125
agachada entre dois carros com a calcinha numa mão, uma cerveja na outra, se
aliviando (Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca,
MEGAZINE, O Globo, 22/02/2012; grifo nosso).

A criadora do bruxinho Harry Potter fechou o contrato com a editora “Little,


Brown”, que também publica a série “Crepúsculo” na Inglaterra. Os fãs
crescidinhos da saga mágica terão de se contentar com apenas estas informações
por enquanto, pois o título da obra, a data de lançamento e o tema ainda não foram
revelados (Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez para adultos,
MEGAZINE, O Globo, 23/02/2012; grifo nosso).

Para ser capa da edição especial do 10º aniversário da revista americana “Complex”,
o astro pop Justin Bieber teve que “apanhar”. Calma, biebers, foi tudo de
mentirinha (Justin Bieber ‘leva soco’ e aparece sangrando em capa de revista,
MEGAZINE, O Globo, 19/03/2012; grifo nosso).

Abigail Breslin, a menina fofinha de “Pequena Miss Sunshine”, queria o papel


(‘Jogos Vorazes’: jovens atores buscam afirmação na saga, MEGAZINE, O Globo,
20/03/2012; grifo nosso).

Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a mãe de Venus aprova a escolha da filha.
“Ela acha fofo que eu use roupas bonitinhas”, comenta a garota (Adolescentes se
transformam para ficarem parecidas com Barbies, MEGAZINE, O Globo,
30/03/2012; grifo nosso).

Afinal, uma vez que os nerds chegaram ao poder, queridinhos na cultura pop, como
ficam as coisas?
[...]
Um dos protagonistas é o Jonah Hill, o gordinho engraçado de ‘Superbad’, que
recentemente foi indicado ao Oscar por ‘Moneyball’ (Dez motivos para assistir à
comédia ‘Anjos da Lei’, MEGAZINE, O Globo, 02/05/2012; grifo nosso).

Nos exemplos acima, ao optar por usar os termos grifados no diminutivo, o enunciador
desperta no enunciatário sensações de afeição e aproximação do discurso, marcando a paixão
do acolhimento, da satisfação. No caso das expressões “garotinha mais fofinha e bonitinha da
sala”, “bruxinho”, “menina fofinha”, “roupas bonitinhas” e “gordinho”, o enunciador procura
fazer com que o enunciatário seja tomado por sentimentos de afeto com relação aos actantes
descritos no enunciado. As expressões “fãs crescidinhos” e “queridinhos” simulam um tom
amistoso que provoca uma sensação de proximidade do enunciatário com o discurso. Já o
termo “mentirinha”, procura atenuar a preocupação do enunciatário com o possível soco que
seu ídolo levou, gerando a paixão da tranquilidade.

Como vimos, o estudo da dimensão afetiva no discurso jornalístico permite lançar um


olhar mais atento aos efeitos de sentido passionais sofridos pelos actantes tanto do enunciado
quanto da enunciação, corroborando para traçar uma identidade do sujeito enunciatário. Tais
formas afetivas de dirigir-se a este sujeito também dizem muito sobre seu modo de ser e
sentir, mostrando-o como um sujeito animado e disposto a engajar-se ativamente no universo
126
temático do texto. Além disso, a presença do sensível nesse tipo de discurso busca, também,
uma forma mais presente e familiar de contato entre os sujeitos da enunciação, cativando o
enunciatário e fazendo-o vivenciar sentimentos diversos que afetam e alteram sua relação com
o discurso. Desta forma, a utilização de estratégias de natureza sensível condiciona o
enunciatário a se identificar e mobilizar com esta ou aquela matéria, sendo mais propenso a
aceitar determinados valores ideológicos transmitidos pelo discurso, tornando-se, assim, um
leitor cativo.

127
CONCLUSÃO

O presente trabalho pretendeu mostrar a imagem do pathos criada no discurso da


revista Megazine, ou seja, do enunciatário jovem a quem a revista se destina, mostrando como
o suplemento acredita que esse sujeito seja, seus possíveis interesses e modo de vida. Com
base na apresentação dos principais postulados da teoria semiótica francesa, especialmente no
nível discursivo, apreendemos as relações estabelecidas entre enunciador e enunciatário do
discurso, bem como os efeitos de sentido construídos por meio dessas relações que emprestam
determinado “corpo” e “tom” ao discurso. Verificou-se, também, as escolhas enunciativas
mais comuns no discurso da revista, bem como os temas e figuras que apontam para a
construção de determinados simulacros do jovem pressuposto. Por fim, foi lançado um olhar
para as paixões suscitadas tanto no nível do enunciado quanto da enunciação, contribuindo
para a formação identitária de um enunciatário que sente, definindo sua “existência modal” e
a forma como ele é afetado pelo discurso (BERTRAND, 2003, p. 367).

Pudemos observar na análise que, embora o discurso encontre-se predominantemente


em terceira pessoa, mantendo o ideal de objetividade tradicional no discurso jornalístico,
criam-se efeitos de sentido de familiaridade com o uso de certos procedimentos
argumentativos de caráter subjetivo que marcam o posicionamento do enunciador. O uso de
tais procedimentos, como perguntas retóricas, expressões típicas da oralidade e uso de
diminutivo é, no suplemento para jovens, mais recorrente do que em outras seções do mesmo
jornal, o que simula uma cumplicidade entre os sujeitos da enunciação por meio de um
discurso mais despojado. Aliado a isso, o uso de debreagens de 2° grau, em que a voz de
interlocutores mostrados como sendo também jovens ou que, de certa forma, se relacionam ao
universo do leitor ideal, ganha espaço no discurso da revista, contribuindo, também, para que
se chegue ao simulacro do enunciatário jovem construído no texto. Essa escolha dos actantes
do enunciado constrói a figura de um actante coletivo que, apesar de abarcar um universo
mais amplo e plural de jovens (uma vez que apresenta diversos papéis temáticos, como o
nerd, o skatista, a menina que se parece com bonecas, a jogadora de videogame, entre outros),
apresenta comportamentos e interesses em comum, definindo, por exemplo, formas de
entretenimento, como se relacionar afetivamente, interesses literários, dentre outros.

128
A tematização e a figurativização são também importantes recursos que ajudam a
traçar a imagem do enunciatário da revista, mostrando seus principais interesses,
características e modos de ser. As temáticas abordadas, bem como a forma como estas são
figurativizadas, revelando, por exemplo, o culto ao corpo, fazem com que se tenha
determinada imagem do jovem retratado em Megazine. Pudemos perceber, por exemplo, um
enunciatário que embora possa não ter um físico atlético e escultural, preocupa-se com isso e
almeja atingir esse objetivo.

Da mesma forma, a ausência de temas que normalmente seriam esperados em um


suplemento destinado ao público adolescente, visto estarem diretamente ligados a seu
cotidiano, como a preparação para a vida adulta, a formação de uma família e a preocupação
com a carreira profissional e os estudos, são também indicadores do perfil de um enunciatário
pouco atento às responsabilidades da vida adulta. Apesar de abordar a temática amorosa, o
suplemento em estudo trata essa questão como algo superficial, relacionado mais à conquista
do que à estabilidade afetiva, à constituição familiar. Essas constatações nos levam a concluir
que, ao contrário do que foi afirmado por Megazine em uma publicação no blog do jornal O
Globo, a versão digital do suplemento não apresenta o universo juvenil de uma forma “crítica
e inteligente”, mas aponta para o perfil de um enunciatário pouco crítico e, de certa forma,
pouco responsável.9

Ainda com relação à temática amorosa, é curioso observar que os exemplos do corpus
circunscrevem o enunciatário tematicamente, mostrando diferentes abordagens para o público
masculino e feminino. Pudemos perceber que, no que se refere ao público masculino, a
abordagem do tema revela um pathos inseguro e pouco confiante, não conjunto com o saber
se relacionar com o sexo oposto. Para tanto, esse sujeito conta com a figura do enunciador-
jornal como um intermediário que orienta e aponta comportamentos a serem adotados por
esse jovem, explicando-lhe, por exemplo, o que fazer para obter sucesso em relacionamentos
amorosos ou como diferenciar sentimentos de amizade e amor. Por outro lado, o público
feminino da revista é tipicamente visto como aquele que sempre espera pela iniciativa do
homem, preocupando-se em se tornar atraente e desejada por este por meio de maquiagem e
outros truques de beleza.

9
A descrição do jornal O Globo para o suplemento Megazine encontra-se na introdução deste trabalho.

129
Também é interessante lembrar que, como mostram alguns exemplos do corpus,
apesar de apresentar uma roupagem moderna, com assuntos que tratam sobre bullying e
sexismo, pode-se também identificar, no discurso da revista, uma visão de mundo mais
tradicional e conservadora em relação aos valores familiares e aos papéis sociais do homem e
da mulher. Embora o corpus não apresente muitas matérias sobre bases para uma constituição
familiar, já que constrói o simulacro de um jovem que vive relacionamentos pouco
consistentes, em que a conquista é mais importante do que a estabilidade afetiva, tal ideal
conservador pode ser identificado no discurso. Uma prova disso é que a revista considera
relacionamentos afetivos exclusivamente heterossexuais, ignorando a diversidade de relações
existentes na sociedade moderna na qual vivemos.

Outra característica encontrada na análise temática do suplemento jovem e que diz


respeito ao simulacro do enunciatário é a projeção de um enunciador que demonstra saber as
carências do primeiro, mostrando-lhe não só o que deseja, mas também o que precisa saber,
ou seja, a revista dita padrões a serem seguidos, como o culto aos ídolos, por que tipo de
entretenimento o enunciatário jovem se interessa, que lugares ele frequenta, dentre outros.

Esse padrão comportamental do jovem construído na revista permite identificar um


“corpo” e um “tom” próprios desse sujeito: ao mesmo tempo em que é dinâmico e impaciente,
pois faz várias coisas ao mesmo tempo, é também desajeitado e nerd, já que não tem muito
sucesso com relacionamentos amorosos; mostra-se também como um sujeito descolado e
brincalhão (devido ao tom irreverente e, algumas vezes, zombeteiro empregado); às vezes
alienado e pouco crítico, visto mostrar-se engajado somente em assuntos que atendam a
interesses particulares, como a construção de uma pista de skate e o repúdio ao preconceito
sofrido pelas mulheres no universo predominantemente masculino dos jogos eletrônicos.

A diversidade de papéis temáticos assumidos pelos actantes do enunciado, como o


nerd, o jogador, o dançarino, entre outros, são também elementos que ajudam a construir as
características e modo de vida do enunciatário, uma vez que este se identifica com o
comportamento desses actantes, reconhecendo-os como seus (ou que ele almeja serem seus).
Ao criar a imagem de um enunciatário mais despojado e divertido, que tem como principais
interesses literatura e cinema adolescentes, a vida de seus ídolos, lançamentos musicais e
jogos eletrônicos, deixando de lado temáticas de interesse da sociedade em geral, como, por
exemplo, a crise econômica, as mazelas sociais e a corrupção, cria-se o estereótipo de um

130
leitor pouco engajado e mais individualista. Dessa forma, a seleção temática de Megazine
reforça e dissemina a ideia de que o público da faixa etária contemplada pela revista, em
geral, não costuma se interessar por assuntos mais sérios do ponto de vista da sociedade como
um todo, possuindo interesses mais restritos ao seu cotidiano. Essa visão mostrada em
Megazine restringe o perfil dos jovens em geral, ignorando que, na maioria das vezes, esse
sujeito tenha interesses mais amplos e um posicionamento mais crítico e reflexivo.

Concomitante a isso, o tom mais informal e acolhedor presente no discurso do


suplemento jovem, com o uso de diminutivos, sentenças exclamativas, expressões de caráter
avaliativo e uso de perguntas retóricas, cria efeitos de sentido de cumplicidade, intimismo e
familiaridade entre os sujeitos da enunciação, como se o enunciatário se visse participando
ativamente do discurso. Esse direcionamento afetivo procura envolver o enunciatário e
mobilizá-lo a aceitar certos valores transmitidos pelo discurso, uma vez que este se identifica
e é afetado pelas paixões vivenciadas pelos actantes do enunciado.

A análise realizada mostrou que a construção discursiva presente no suplemento


adolescente aponta para uma determinada imagem desse jovem, mostrando-o a partir da ótica
de um enunciador conservador. Ao contrário do que a revista procura fazer-crer, o ponto de
vista mostrado é o de um enunciador tipicamente pertencente à classe média, que não se
encontra imerso no universo do jovem de hoje que, não excepcionalmente, apresenta muitas
responsabilidades que o mundo adulto demanda, como preocupação com a formação
acadêmica e inserção no mercado de trabalho.

O enunciatário de Megazine pode ser visto como um sujeito dinâmico, curioso e


agitado, já que está sempre em movimento e procurando saber mais sobre assuntos que,
segundo a revista, despertam seu interesse. Ao mesmo tempo, é um sujeito pouco crítico e,
por vezes, alienado, pois só se mobiliza por causas que afetem seu interesse particular. É
também um sujeito imaturo e pouco perspicaz, que aprecia o tom familiar presente no
discurso e necessita das mediações do enunciador, aconselhando-o em variadas situações de
seu cotidiano, que vão desde as festas e jogos mais interessantes até a forma como se
relacionar com o sexo oposto.

A linguagem mais jovial e “descolada” presente em Megazine procura direcionar e


envolver o pathos, levando-o a aceitar de forma natural certos valores sociais presentes no
discurso. É, portanto, projetado em Megazine um mundo mais restrito, em que o jovem é
131
mostrado como um sujeito que vive o momento presente, sem demonstrar muita preocupação
com o futuro ou com as responsabilidades do mundo adulto que está em vias de assumir. Essa
visão de mundo apresentada encontra-se de acordo com os pontos de vista e valores que a
revista busca fazer com que o jovem de hoje compartilhe.

132
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135
ANEXOS
Texto 1:

Musa dos nerds, Kaley Cuoco, a Penny de 'The Big Bang Theory',
admite sentir desconforto com 'calor humano' dos fãs
Leonardo Cazes

Publicado: 26/04/11 - 0h00

A atriz numa cena da série. Foto: divulgação

LOS ANGELES (EUA) - Todo marmanjo já sonhou com aquela vizinha gata que bate na sua
porta numa noite pedindo uma xícara de açúcar. Quando Kaley Cuoco, a Penny da série "The
Big Bang Theory", cruzou a tenda onde os jornalistas almoçavam na sede da Universal
Studios, em Los Angeles, dez entre dez caras queriam que ela fosse a garota da casa ao lado.
Pois é, mas nem todo mundo tem a sorte de nascer Sheldon Cooper ou Leonard Hofstadter e
topar com a moça ao sair de casa.

Na série, exibida pela Warner Channel, Kaley faz o estilo da gostosa meio burrinha que
trabalha na lanchonete, enquanto tenta a carreira de atriz. Só que com uma diferença: ela é
amiga da turma de geninhos que mora em frente. Vai com eles para o bar, come comida
chinesa e ainda aguenta ouvir piadas incompreensíveis para quem não tem doutorado. Tudo
isso tornou Penny a musa dos nerds, disputando lugar entre bonecos e DVDs de "Star Wars".

Ela conta que chegou a ficar assustada com o "calor humano" dos fãs da série. Motivo pelo
qual Kaley evita lugares públicos e nunca está na capa das revistas de fofoca.
- Eu fico longe dos paparazzi porque eu não vou a lugar nenhum, mas realmente lamento isso.
O interessante de estar na TV é que você entra na casa das pessoas uma vez por semana, e
elas sentem como se conhecessem você de verdade. Mas as experiências que eu tive no
passado, das pessoas tocarem em você, falarem como se fossem suas amigas, foram bem
loucas. Eu entendo o lado delas, mas eu nunca me senti confortável com isso - admite.

A atriz leva uma vida quase reclusa em sua casa, na Califórnia. Ela é o avesso da geração junk
food, televisão e videogame que aparece na série. Apaixonada por cavalos, Kaley vive ainda
com cachorros que acolhe na rua (atualmente, são dois na sua "fazenda" particular). Criada
pelas "pessoas mais saudáveis do mundo", como ela mesma define os pais, a atriz só
descobriu os prazeres do refrigerante e do chocolate na adolescência.

- Nunca vi meu pai tomar um refrigerante nem comer sobremesa. Isso me deixa louca!
Quando eu era criança achava normal, porque para mim sempre tinha sido assim. Quando eu
fiquei mais velha, e via as pessoas comendo todas essas coisas maravilhosas, pensei: "Por que
eu nunca comi aqui antes?" - diz Kaley, para, em seguida, fazer uma careta ao responder uma
pergunta sobre seu corpão. - Isso é porque eu não como nada gostoso (risos). Tirando os 17
tipos diferentes de bala que estavam no trailer aí fora.

Assim como Penny no seriado, a atriz esbanja simpatia. Que o diga James Marsden, que
contracenou com a moça em "HOP - Rebeldes sem Páscoa", que estreou na última quinta.

- Kaley é muito engraçada. Toda vez que entrava no estúdio, deixava todo mundo às
gargalhadas. Ela é carismática e, quando a gente ia gravar, rolava uma energia boa - conta
Marsden, conhecido pelo papel de Ciclope na franquia "X-Men".

O papel em "HOP" é uma das suas poucas aparições fora de "The Big Bang Theory". Com
temporadas garantidas até 2013 pela emissora americana CBS, ela evita se queixar, mas
lamenta a rotina puxada de gravações durante quase o ano todo.

- Eu tenho necessidade de descansar após o trabalho, porque você começa a se estressar com
todas as pequenas coisas. Estar na frente das câmeras durante tanto tempo é uma batalha
constante, que pode ser frustrante às vezes. É muito difícil levar a vida assim. Agora eu
entendo porque tantas garotas que passaram por isso enlouqueceram.

Apesar de ser uma estranha no universo nerd, como a própria Penny, Kaley tem noção do
gigantesco impacto que o programa causou na vida de muitos Sheldons e Leonards
espalhados pelo mundo. E dá como exemplo a participação do grupo na Comic Con, em San
Diego, o maior evento do gênero do mundo. Ano passado, o elenco falou para um auditório
lotado de 10 mil pessoas. Para a atriz, o público do seriado (que ela prefere chamar de
"geeks") "é diferente".

- Há uma identificação enorme com o programa. Se você pegar a situação deles quando o
programa começou e comparar com agora, é completamente diferente. Hoje eles têm uma
voz, estão mais incluídos. A série e a própria Penny têm muito a ver com isso. Quando eles
veem alguém como ela sendo amiga deles, é inspirador - afirma.O repórter viajou a convite
da Universal Studios
Texto 2:

Skate Park da Lagoa promete ser o point do verão carioca


Rodrigo Gomes

Publicado: 20/02/12 - 15h26

Rodrigo Ferreira faz uma manobra na recém-reformada pista de skate da Lagoa Rodrigo de
Freitas Jorge William / Agência O Globo

RIO - A previsão era de demolição da pista improvisada de street skate, feita na quadrinha
poliesportiva às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas a turma da calça larga, camiseta,
boné e tênis surrado nos pés - estilo urbano dos skatistas - conseguiu a construção da Skate
Park da Lagoa. Inaugurada no inicio deste mês, o local já é o novo point do verão carioca.

— Na segunda-feira, cheguei na pista às duas horas da madrugada e estava cheia. Fui embora
às cinco horas da manhã e ainda ficou gente andando. Aqui é o melhor pico de skate da cidade
— disse André Lisboa, 21 anos.

A fama da pista fez com que o skatista Rodrigo Ferreira, 14 anos, saísse do município de
Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para arriscar algumas manobras na Zona Sul.

— Já é o terceiro dia seguido que venho. A pista é pequena, mas todos os obstáculos foram
bem distribuídos. As cantoneiras ficaram bem largas e a iluminação de led ajuda a andar à
noite. Se não fosse o custo da passagem, viria todos os dias — conta.
A pista tem 290 metros quadrados, um piso especial de alta resistência feito de granilite,
polimento e aplicação de resina. Além disso, o circuito foi feito com obstáculos que simulam
situações de rua, como escadas e bancos.

A batalha para conseguir a construção da nova pista foi longa, desgastante, mas os skatistas
locais da "quadrinha" nunca desistiram. Tudo começou como uma arena improvisada, onde
eram utilizados caixotes de madeira como obstáculos. Ao longo dos anos foi se transformando
em um ponto para encontros e tradicionais sessions, já com obstáculos de concreto, mas ainda
improvisados.

Com o projeto de revitalização da Lagoa, a prefeitura iria demolir a "quadrinha", mas depois
de alguns abaixo-assinados e várias reuniões atendeu o pedido da União Skate Rio (USR) de
construir uma pista de street skate.

— Foi tudo um trabalho de parceria. A Nike SB, um dos patrocinadores do projeto, entrou em
contato com os skatistas locais para desenvolver uma planta que atendesse as nossas
necessidades. Se olhar bem, tem todos os obstáculos de antes, só que melhorados. A ideia foi
usar as paredes inclinadas para dar gás e aproveitar melhor o espaço — explica Rennê Nunes,
um dos membros da USR.

Já o bowl, que fica ao lado da Skate Park da Lagoa, está em reforma. Segundo a prefeitura, a
previsão de entrega é logo depois do Carnaval.

Para Márcio Paiva, professor de skate da Lagoa, essas novas pistas permitirão a formação de
uma nova geração de skatistas no Rio:

— Com o street parque e o novo bowl, a Lagoa passará a ser a melhor área para a prática do
skate da cidade. Este é um momento para ser comemorado tanto por quem já pratica como
pelas novas gerações que já ensaiam as primeiras manobras — disse Márcio.

Para quem quer se divertir fazendo altas manobras (ou apenas assistindo), listamos
algumas pista de skate.

- Praça do Ó, na Barra

- Skate Park do Aterro do Flamengo

- Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador

- Praça XV, no Centro

- Gamboa próximo da Vila Olímpica

- Estácio perto da estação do metrô

- Campinho, em Madureira, na Praça da UPA

- Realengo na Praça do Coletivo


- Nilopolis no bairro de Olinda

- Nova Iguaçu na Praça do Skate

- Pista da Via Light em Nova Iguaçu próximo a prefeitura.

Texto 3:

Os motivos de Matheus Souza para fugir do carnaval carioca

O colunista, que sempre se tranca em casa com mantimentos, partiu para São
Paulo em 2012

Matheus Souza

Publicado: 22/02/12 - 9h26

RIO - Todos os anos eu fujo do carnaval. Geralmente, basta comprar uma boa quantidade de
mantimentos, me trancar em casa e brincar de “eu e meu pequeno abrigo nuclear”. Dessa vez,
porém, isso não foi o suficiente. Tive que ser radical e fugir para São Paulo. Aqui vão os
motivos:

1 – Estava de férias e voltei na sexta-feira de carnaval (eu sou tão deslocado em relação ao
feriado que nem sei quais dias da semana são apelidados de “alguma-feira-de-carnaval”, mas
espero que sexta seja um deles para isso fazer sentido). Enfim, não tive tempo de comprar os
mantimentos com antecedência e saí para buscar as compras na madrugada em algum
mercado 24 horas. Dei de cara com a cidade mais linda do mundo devastada, imunda e com
um cheiro de dar ânsia de vômito. O Rio de Janeiro parecia ter sido vítima de um apocalipse
zumbi. E eu não sei o que aconteceu ali mais cedo, mas se alguém me dissesse que um folião
bêbado deu a ideia pra multidão de todos urinarem juntos, ao mesmo tempo, na rua, unindo os
“raios do xixi”, tentando conjurar o Capitão Planeta, soaria como uma história bem plausível.

2 – Falando em urina, flagrei uma menina pela qual era apaixonado na segunda série, a
garotinha mais fofinha e bonitinha da sala, agora com vinte e poucos anos, agachada entre
dois carros com a calcinha numa mão, uma cerveja na outra, se aliviando. Foi um choque. Ela
era um símbolo de inocência, pureza e ternura guardado em algum canto da minha memória
de infância. Foi uma sensação parecida com a de descobrir o que significavam as letras do É o
Tchan e aquelas mensagens subliminares dos desenhos da Disney.

3 – Fui encontrar uns amigos para jantar e tive que passar no meio de um bloco. Esbarrei num
cara que estava tão bêbado que achou que eu era uma mulher e falou pra mim: “que isso
novinha, que isso”.

4 – Eu tenho medo das próteses no bumbum da Valeska Popozuda e tento, sempre que posso,
estar em uma cidade diferente da qual ela esteja. Lembram do filme “A Experiência”, na qual
um alienzinho sai da barriga de uma mulher grávida? Eu sempre acho que existem dois
monstrinhos dentro dela tentando sair. Só isso pra explicar as fotos que saíram no Ego ontem.

5 – Uma das minhas maiores diversões em carnaval era fazer piadas sobre os desfiles, as
“musas bizarras” e tal. Só que esse ano as madrinhas de bateria atingiram um nível de
malhação tão surreal que eu morro de medo de uma delas ler algo no meu Twitter e vir
correndo atrás de mim tomar satisfação. Eu me sinto mais seguro fazendo piada sobre o
Anderson Silva do que sobre a Gracyanne.

6 – Aqui em São Paulo vai ter um show legal num lugar legal. O show é do Howler, uma
dessas bandas do tipo que é lançada como “os novos Strokes”. Recomendo “I Told You
Once” para conhecer os caras. E o local é o Beco 203, um desses lugares paulistas alternativas
bacanas meio casa de show/meio boate que fazem falta no Rio.

7 – Eu tenho medo de me apaixonar no carnaval. Imagine encontrar o amor da sua vida no


meio de um bloco! E vocês se apaixonam e casam. E, um dia, têm filhos e eles perguntam
como vocês se conheceram. Aí você vai dizer:

“Foi lindo! A mamãe tava beijando um outro cara que ela nem lembra o nome e eu tava
vestido de mulher e tinha acabado de vomitar sem querer no pé do seu tio Antônio, que ficou
boladão. Aí o cara largou sua mãe pra perguntar pra um amigo se ele tinha camisinha pra
emprestar, eu fui lá e mandei um “que isso novinha” pra ela, ela achou que eu era o outro cara
e acabou me pegando sem nem perceber que eu era eu”.

Se bobear foi assim que o Ted conheceu a mulher dele em “How I Met Your Mother” e é por
isso que ele enrola tanto pra dizer a verdade.

Texto 4:

Protagonista de ‘Se beber não case’ quer terceiro filme da série

‘Não há melhor forma de passar seis meses’, diz ator Ed Helms, em


entrevista ao Globo
Marina Cohen

Publicado: 23/02/12 - 14h11


O ator Ed Helms em cena de ‘Se beber, não case - parte 2’ Divulgação

LOS ANGELES - Muito tem sido especulado sobre a possibilidade de um terceiro filme da
série de comédias “Se beber, não case” ser rodado, mas, até agora, não há uma confirmação
oficial. Apesar disso, o ator Ed Helms, que interpreta Stu, um dos três protagonistas do longa,
confessa que, se depender dele, a continuação da saga vai sair do papel:

- Adoraria fazer “Se beber, não case - parte 3”. Não há melhor forma de passar seis meses da
minha vida do que trabalhando ao lado de Bradley Cooper e Zach Galifianakis [seus
companheiros de cena na franquia] e tentando fazê-los rir - diz Ed Helms, em entrevista ao
Globo, em Los Angeles, onde estava para divulgar a animação “O Lorax - em busca da trúfula
perdida”, na qual dubla um dos personagens.

É fácil entender o desejo que o ator tem de viver mais uma vez o dentista Stu. Graças a esse
papel ele conquistou a fama e muitos milhões de dólares. Para se ter uma noção do sucesso da
franquia, as bilheterias de seus dois filmes, somadas, ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão,
transformando esses longas nas comédias mais bem-sucedidas da história do cinema. E é
claro que os atores por trás delas pegam carona no sucesso. Sites internacionais noticiaram,
em janeiro, que os três protagonistas estariam pedindo US$ 15 milhões, cada um, para
atuarem no terceiro filme. Apesar de ter uma conta recheada hoje em dia, Ed Helms jura que
não é do tipo gastador.

- Uma das minhas maiores extravagâncias foi comprar um banjo caríssimo, em Londres,
quando fui promover o primeiro “Se beber, não case” lá. Eu sou aficionado por instrumentos
musicais, então esse foi o prêmio que eu mesmo me dei por ter participado do filme - conta o
comediante.
Segundo o ator Bradley Cooper, a sequência de “Se beber, não case - parte 3” seria
ambientada em Los Angeles e o diretor Todd Phillips, o mesmo que comandou os sucessos
anteriores, já estaria trabalhando no roteiro. Bradley revelou esses detalhes numa entrevista ao
programa de TV britânico “The Graham Norton Show”, em dezembro, mas é melhor os fãs da
série ainda não se animarem, pois, como Ed afirma, o martelo ainda não foi batido:

- Ainda não houve um comunicado oficial, apesar de existir a possibilidade. Há muita vontade
de fazer o filme, mas também há muitas variáveis que precisam se encaixar.

Texto 5:

Escritora JK Rowling lançará novo livro, desta vez, para adultos

‘Meu próximo livro será muito diferente de Harry Potter’, anuncia autora

O Globo

Publicado: 23/02/12 - 14h43

A escritora JK Rowling entre fãs da série ‘Harry Potter’ EFE

RIO - Autora da série literária mais famosa entre crianças e adolescentes, a inglesa JK
Rowling anunciou, nesta quinta-feira (23), que lançará seu primeiro livro para adultos.
A criadora do bruxinho Harry Potter fechou o contrato com a editora “Little, Brown”, que
também publica a série “Crepúsculo” na Inglaterra. Os fãs crescidinhos da saga mágica terão
de se contentar com apenas estas informações por enquanto, pois o título da obra, a data de
lançamento e o tema ainda não foram revelados.

- Embora eu tenha curtido escrever a série “Harry Potter”, meu próximo livro será muito
diferente dela. A liberdade para explorar um novo território é um presente que o sucesso de
Harry me deu - comentou JK Rowling num comunicado à imprensa.

Texto 6:

Ouça nova música com Justin Bieber, ‘Live my life’

Astro pop canta em faixa do grupo Far East Movement e anuncia que seu
próximo single sairá em março

O Globo

Publicado: 24/02/12 - 12h07

RIO - A gravadora Cherrytree Records lançou, nesta quinta-feira (23), a canção “Live my
life”, da banda americana Far East Movement (aquela do hit “Like a G6”), que conta com
vocais do ídolo teen Justin Bieber. A faixa para lá de dançante, que pode ser ouvida acima,
entrará no próximo CD do grupo, “Dirty bass”, com previsão de lançamento ainda neste
semestre. A música também ganhou um remix feito pela banda LMFAO e foi produzida por
RedOne, o mesmo compositor que ajudou Lady Gaga a criar seus maiores sucessos: “Poker
face”, “Bad romance”, entre outros.

- Conhecemos Justin no Billboard Awards, quando Snoop Dogg nos apresentou a ele. O
garoto é muito talentoso, está crescendo e todos veem isso - comentou um dos integrantes do
Far East Movement, esta semana, numa entrevista a um programa de rádio alemão. - Nós
queríamos fazer algo diferente para esse primeiro single, então chamamos o produtor RedOne
e dissemos: ‘queremos uma música que preencha o espaço entre a plateia mais nova e o
pessoal que frequenta a as boates’.

Apesar de já estar disponível para audição na internet, “Live my life” só será lançada
oficialmente na terça-feira (28), na loja virtual iTunes. Mas os fãs de Bieber não vão precisar
esperar muito para ouvir a voz do cantor canadense em outras faixas. Recentemente o astro
avisou que o primeiro single de seu próximo CD, “Believe”, será divulgado em março. O
novo trabalho inédito de Bieber, que sucederá o álbum “My world 2.0”, de 2010, contará com
colaborações de grandes nomes da música pop, como Pharrell Williams, Drake, Lil Wayne,
Timbaland e Will.I.Am.
Texto 7:

Mulheres criam curso chamado ‘Bitch!’ sobre sexualidade


feminina

Programa tem por objetivo aumentar a autoestima e quebrar estigma de


‘mocinha’

Lauro Neto

Publicado: 8/03/12 - 11h28

A escritora Carol Teixeira, coordenadora do curso ‘Bitch!’ Divulgação

RIO - O que você pensaria sobre um curso chamado “Bitch!”? O nome polêmico, cuja
tradução literal é “cadela” ou “prostituta”, é acompanhado do subtítulo “O poder da mulher”.
A ideia partiu da cabeça de seis mulheres, com os objetivos de aumentar a autoestima
feminina através da aceitação do seu poder, debater o fator subversivo da beleza, quebrar o
estigma de “mocinha” e dar dicas sobre sexo abertamente. Coordenado pela filósofa e
escritora Carol Teixeira, o programa terá oito aulas temáticas, nas noites de sexta-feira de
abril a junho, em Porto Alegre. Deve chegar a São Paulo e Rio no segundo semestre.

- “Bitch” é um nome irônico, surgiu para ser transgressor. Sugere algo que não é de fato.
Quando veem uma mulher poderosa, a primeira ideia é chamá-la de piranha. O principal mote
do curso é aceitação, pela mulher, do seu poder sexual. Para a mulher, é importante se sentir
segura na cama, mas isso não quer dizer que ela seja piranha. As mulheres que já se
inscreveram são jovens, pós-feministas e de cabeça aberta. Vai ser tipo uma festa, um
encontrinho de amigas, como um banheiro feminino, um pré-night com cerveja liberada -
explica Carol, que faz Mestrado em Filosofia na PUC-SP e é colunista da revista “VIP”.

Só mulheres com mais de 18 anos poderão participar. Carol dará a aula de abertura sobre “O
poder da mulher” junto com Marcia Tiburi, professora doutora em filosofia pela UFRGS. Na
sequência, virão as aulas temáticas “Anti-mocinha”, com a blogueira Clara Averbuck;
“Quebrando os tabus do sexo”, com Carol e a apresentadora do programa “Papo Calcinha”
Pietra Príncipe; e “Dinâmica da conquista”, com o Casal Sem Vergonha. O programa ainda
inclui nomes como Vic Ceridono, editora de beleza Vogue, que falará sobre “A sedução
através da estética”, e o jornalista Nelson Motta, que ensinará sobre o poder das mulheres na
música, na aula “Deusas e sereias”.

- A ideia é chamar mulheres poderosas para que possam discutir de forma profunda.
Quisemos trazer nomes de peso. A Vic é uma referência na maquiagem. O Nelson Motta se
relacionou ao longo da vida com mulheres muito poderosas, com personalidades muito fortes,
e tem uma visão masculina de quem esteve ao lado delas. Não precisamos de um igualdade
ilusória em relação ao homem. Acho uma delícia ser diferente. Meu papo com a Pietra sobre
os tabus sexuais vai ser superpolêmico - promete Carol.

O curso será promovido pela empresa gaúcha Perestroika.

- A ideia causou tanta polêmica que, em dois dias, já tivemos metade das vagas preenchidas.
Mas levaremos o curso para São Paulo no segundo semestre e provavelmente para o Rio de
Janeiro depois - diz Mari Achutti, diretora de whatever (multidisciplinar) da Perestroika.

Texto 8:

Padre bomba no YouTube com 10 dicas para arrumar


namorada(o)

Vídeo recomenda não sair com pessoas encalhadas e tomar cuidado com
modo de se vestir

O Globo

Publicado: 14/03/12 - 10h55

RIO - Quem diria que um sacerdote da Igreja Católica iria dar dicas de como conseguir um(a)
namorado(a)? Pois o padre Chrystian Shankar, de Divinópolis, interior de Minas Gerais, está
bombando no YouTube com o vídeo “10 conselhos para quem deseja arrumar alguém”, com
quase 500 mil acessos em pouco mais de um mês. Com um linguajar descolado, por vezes
fazendo uso de gírias, ele se dirige a uma plateia de fiéis, arrancando risos e aplausos. Veja o
vídeo na íntegra acima e confira abaixo a lista dos 10 mandamentos (em negrito), com as falas
mais curiosas do padre:

1) Livre-se do ditado “namorado e namorada não se arruma na noite”

2) Procure nos lugares certos:

“Porque, se você vai para certo tipo de lugar, certas danceterias, certas raves, se você está
pensando em encontrar alguém que quer compromisso, você tá n’água. Não procure alguém
fiel num lugar que incentiva a infidelidade. Tem gente que não pode ver um rostinho bonito e
um corpo malhado que faz miséria. Tem muito relacionamento que naquela noite quente você
fala: ‘achei uma joia’. Vai passando o tempo e era uma bijuteria das brabas”.

3) Quem fica com todo mundo acaba ficando sem ninguém:

“Já fui militar do tiro de guerra. Entre os atiradores, eles sabiam claramente quais eram as
periguetes, quais podiam chegar fácil que tinha fácil, e eles sabiam quais eram aquelas que
eram para namorar”.

4) Cuidado com a maneira como você se veste:

“O jeito como você veste está dizendo para os homens o que você quer e quem você é. A
mulher já é sedutora por natureza. Não há nada mais desejável do que uma mulher bem
vestida, mostrando o necessário e deixando aquele quê de ‘eu queria mais!’. Hoje em dia, a
mulher só não tá pelada porque é atentado ao pudor. Nem chega, ela já chegou. Nem pede, ela
já tá dando”.

5) Evite sair só com pessoas encalhadas:

“Não estou falando para você abandonar quem está encalhado. Tem lugar que você sai, que
você vê a turminha das encalhadas (aplausos). Ali, meu filho, homem não chega não. Se você
quer ter alguém, procure arrumar casais para sair com você. Geralmente, quem sai com casais
tem a chance de ser apresentado a alguém que também esteja sozinho”.

6) Tenha resolvido sentimentos passados:

“Não existe: ‘ah, eu vou dar uma saidinha com meu ex’. Se você vai sair com seu ex, é para
namorar. Não fica nessa de manutenção mensal que não leva a lugar nenhum. Afaste de
namorado e namorada pilantra. Quando ele termina chegando o carnaval e ele quer voltar
depois do carnaval. E tem gente que aceita. Então, meu filho, vá se danar pra lá. Se você
aceita um tipo desse, você tá merecendo é chifre mesmo”.

7) Tenha outros objetivos a não ser arrumar alguém:

“Quem quer alguém e não tá arrumando ninguém, o que cair na rede é peixe”.

8) Tenha foco. Não saia atirando para todo os lados

9) Pense que ninguém é responsável pela sua felicidade:


“Quem não é feliz consigo não vai ser feliz com ninguém. Moças, já foi a época que filho
segurava homem. Hoje, filho espanta homem”.

10) Busque o equilíbrio:

“Não seja nem vergonhoso demais nem atacado demais, que você assusta. Se você é muito
prafrentex, os outros vão dizer que esse aí não tem relacionamento sólido não. É muito fogo
de palha”.

Texto 9:

Justin Bieber ‘leva soco’ e aparece sangrando em capa de revista

As fotos do astro para a revista ‘Complex’ contam com muito sangue falso e o
talento de ator do garoto

O Globo

Publicado: 19/03/12 - 13h21

Justin Bieber para a revista americana ‘Complex’ Tony Kelly / Divulgação

RIO - Para ser capa da edição especial do 10º aniversário da revista americana “Complex”, o
astro pop Justin Bieber teve que “apanhar”. Calma, biebers, foi tudo de mentirinha. O cantor
canadense topou fazer algumas fotos num ringue de boxe, como se fosse um lutador e
estivesse levando socos para valer. As fotos clicadas pelo fotógrafo Tony Kelly contam com
muito sangue falso e o talento de Bieber como ator. O ídolo, que acabou de completar 18
anos, até levou alguns socos de verdade durante a sessão de fotos. Dá para conferir tudo no
vídeo que traz o making of do ensaio.

Na reportagem de capa, o editor da publicação, Joe La Puma, relata uma viagem que fez ao
lado de Bieber, da França para Miami. A revista chega às bancas dos Estados Unidos no dia 3
de abril.

Texto 10:

Pietra Príncipe conta sobre seus hábitos nerds a colunista

A gata também revela quais homens gostaria de ver nu: Clive Owen, Jon
Favreau, Seth Rogen, entre outros

Matheus Souza

Publicado: 20/03/12 - 13h13

Apresentadora do programa ‘Papo Calcinha’, Pietra Príncipe concede entrevista ao colunista


Matheus Souza Divulgação

Na coluna dessa semana, trago para vocês uma entrevista com a bela Pietra Príncipe. Musa
nerd viciada em jogos do Mario e famosa por ser uma das apresentadoras do programa “Papo
Calcinha”, a moça foi eleita para a estreia do site “Nake It”, que busca a realização de ensaios
sensuais através de crowdfunding.

A entrevista aconteceu pelo chat do Facebook enquanto ela fazia as unhas.

MATHEUS SOUZA: Posso começar a perguntar?

PIETRA PRÍNCIPE: Peraí, esqueci de tomar a pílula.

Alguns minutos depois, ela volta...

PIETRA: Pronto.

MATHEUS: Cite cinco celebridades que você pagaria para ver nuas.

PIETRA: Clive Owen, Jon Favreau, Seth Rogen, o cara do Limp Bizkit (não me julgue) e o
Jude Law.

MATHEUS: Jon Favreau? Sério?

PIETRA: Eu gosto do fato de que ele não sabe que é gostoso.

MATHEUS: Uma seguidora minha no Twitter está colaborando na entrevista com uma
pergunta: “ouvi dizer que ela gosta de nerds. Se ela namora um, quero saber se eles jogam
videogame juntos e se ela tem um jogo favorito”.

PIETRA: Então, nosso namoro é meio shakespeareano. Ele é Sonysta e eu Nintendista, mas
estamos chegando num acordo justo, no qual jogamos sempre o que eu quero: Mario.

MATHEUS: Mario de Wii ou algum old school?

PIETRA: Mario 3 de SNES e Galaxy do Wii. Meu namorado agora está jogando Batman
Arkham City sozinho, mas ele roubou buscando macete no Google e nós brigamos. Não acho
justo.

MATHEUS: Tem alguém que você não pagaria nem 50 centavos para ver nu?

PIETRA: Ninguém. Eu gosto de ficar imaginando sempre todo mundo nu. TODO MUNDO.
Ah, azul esverdeado ou preto?

MATHEUS: Hã?

PIETRA: O esmalte...

MATHEUS: Azul esverdeado. O que seu ensaio vai ter de diferente dos que vemos por aí nas
bancas?
PIETRA: Tesão, cara de natureza viva e não de natureza morta. Partes íntimas sem
sombreamento. E o mínimo de Photoshop possível. Queremos homenagear o Milo Manara no
ensaio. E, se me homenagearem também, missão cumprida.

MATHEUS: Sua comida favorita?

PIETRA: Macarrão. Como todo dia.

MATHEUS: Sua bala favorita?

PIETRA: Fruittella.

MATHEUS: Se você fosse a Princesa Peach, quem você preferiria que te salvasse? O Mario
ou o Luigi?

PIETRA: O Mario! Gosto de bigode. Mas os dois têm, né? Talvez eu goste mais de
protagonistas. Acho que sou meio interesseira, né?

MATHEUS: Quem te conquistaria mais fácil? O Mario te dando uma estrelinha brilhante de
presente ou o Jude Law com uma Fruittella?

PIETRA: O Jude Law! Como “eu sou” o Mario de vez em quando dentro do jogo, seria
estranho.

MATHEUS: Ken ou Ryu?

PIETRA: Ryu. O Ken tem um cabelo amarelo horrendo e sobrancelha preta. Isso é um erro
fatal.

MATHEUS: Qual a roupa alternativa do Mario que você acha mais sensual?

PIETRA: A de sapo, sem dúvidas.

MATHEUS: Qual foi o evento nerd mais bacana do qual você participou?

PIETRA: A Rio Comic-Con. Eu conheci o Manara e o Maurício de Sousa. O Maurício quis


saber com o que eu trabalhava e eu disse que fazia um programa sobre sexo. Um assessor foi
tentar nos afastar, dizendo que ele não falava sobre sexo, mas o Maurício resolveu ficar e
disse: “meu amigo, eu tenho dez filhos. Se tem alguém que pode falar sobre sexo sou eu!”.

MATHEUS: Cinco ensaios favoritos de mulheres brasileiras nuas?

PIETRA: Mayra Dias Gomes (arejada e feliz); Ellen Roche (cafonamente linda); Tabalipa na
Lapa (bagaceira linda); Kelly Key (igualmente cafona, mas dá muita vontade de morder);
Bárbara Evans (peitos épicos).

Para encerrar, Pietra fez uma promessa: assim que o valor arrecadado para seu ensaio chegar a
100 mil reais, ela fará uma série de fotos vestida como sua personagem favorita do jogo Street
Fighter, Cammy, e postará em seu Twitter.
Texto 11:

‘Jogos Vorazes’: sem apelar para a magia, história conquista


multidões

Filme chega às telas na sexta-feira credenciado pelos 30 milhões de livros


vendidos no mundo

Leonardo Cazes

Publicado: 20/03/12 - 9h03

RIO - Eles são 24 adolescentes, 12 meninos e 12 meninas, enviados todos anos para se matarem em
uma arena, com transmissão ao vivo para toda a população de Panem, a América do Norte em um
futuro pós-apocalíptico. Esta terra é dividida na Capital, que a tudo comanda, e os seus 12 distritos. A
dúzia de pares de tributos, como são chamados os lutadores, representam os seus estados e só um
sobreviverá ao final. Estão abertos os “Jogos Vorazes”.

É com esta história que mistura luta pela sobrevivência e controle social à la Big Brother que
a escritora americana Suzanne Collins arrebanhou uma legião de fãs por todo mundo e vendeu
30 milhões de livros no mundo (80 mil só no Brasil). Na sexta-feira, a adaptação
cinematrográfica de “Jogos Vorazes” ganha as telas dos cinemas com direção de Gary Ross e
a promessa de se tornar um blockbuster do tamanho de “Harry Potter” e “Crepúsculo”.

O enredo da trilogia (publicada no Brasil pela Editora Rocco), que segue com “Em Chamas” e
“A Esperança”, foge da fórmula vampiro-bruxo-lobisomen-anjo que virou moda na literatura
para adolescente. Nenhum personagem possui poderes sobrenaturais. Tudo o que fazem
aprenderam na vida, por necessidade. Se Katniss Everdeen (interpretada por Jennifer
Lawrence), a protagonista oriunda do paupérrimo Distrito 12, atira flechas com destreza é
porque precisava alimentar a família após a morte do pai, em uma explosão numa mina de
carvão. O realismo da história se tornou seu maior trunfo para conquistar os fãs.

- Eu sempre gostei muito de “Crepúsculo” e lia muitos fã-sites sobre as notícias. Num deles,
tinha uma lista de livros recomendados e aí apareceu “Jogos Vorazes”. Só tinha o primeiro
lançado no Brasil, mas fiquei fascinada. Ultimamente, só se falava de vampiro, lobo, bruxa,
mas a história era completamente diferente, poderia acontecer no mundo em que a gente vive.
O livro te passa mais verdade e isso me encantou muito - conta Susan Galdino, de 23 anos,
que estuda Arquitetura e é uma das autoras do fã-site JogosVorazes.net.

Nessa história pós-magia, a Panem imaginária tem muito de real. A metáfora pode ser
adaptada para diferentes situações: mundo desenvolvido contra países explorados, opressores
contra oprimidos. Em “Jogos Vorazes”, a Capital comanda com mão de ferro os distritos. A
situação de cada um varia, desde os mais desenvolvidos até os mais pobres. Nesse contexto
onde a comida é racionada e viagens entre as regiões não são permitidas, a gincana sangrenta
anual transforma a barbárie em um espetáculo a ser degustado pela massa e possui um duplo
significado: mostra o poder da Capital sobre os distritos e funciona como um aviso sobre o
que acontecerá caso alguém resolva se insurgir.

No desenrolar da história, todos os personagens são obrigados a fazer duras escolhas. Katniss
começa sua saga de heroína a se voluntariar a lutar (e provavelmente morrer) no lugar de sua
irmã mais nova, que tinha sido a sorteada na Colheita, como é chamada a seleção dos tributos.
Ela deixa para trás seu melhor amigo, Gale (Liam Hemsworth), e se vê formando uma dupla
com Peeta (Josh Hutcherson) no torneio. Durante a luta, a menina de 16 anos se verá obrigada
a matar, fazer alianças, e tentar de tudo para não ser morta. O que não é uma tarefa fácil
quando há outros 23 competidores dispostos a caçá-la.

“Jogos Vorazes” é, sem dúvida, o maior responsável pelo boom do filão dos romances
distópicos, histórias que se passam em futuros sombrios, onde o Estado regula a vida e a
morte. Para o estudante de jornalismo Brunno Maceno, de 17 anos, e colega de Susan no fã-
site, o livro passa uma mensagem muito mais profunda do que “Harry Potter” e “Crepúsculo”.

- Não é só romance, anjo, vampiro, o livro tem uma mensagem muito mais profunda. Fala
sobre desperdício de comida, fome, tirania, exploração, tem um lado mais humano que chama
muito mais atenção. A autora descreve uma sociedade que pode ser a nossa daqui a alguns
anos, é um alerta.

Texto 12:

‘Jogos Vorazes’: jovens atores buscam afirmação na saga

Aposta dos produtores em nomes pouco conhecidos é a mesma dos últimos


sucessos jovens

Leonardo Cazes

Publicado: 20/03/12 - 9h18


Jennifer Lawrence ganhou o disputadíssimo papel de Katniss Everdeen em “Jogos Vorazes”

RIO - Abigail Breslin, a menina fofinha de “Pequena Miss Sunshine”, queria o papel. Chloe
Moretz, que quebrou tudo em “Kick Ass”, chegou a declarar que morreria para viver Katniss
Everdeen, a protagonista de “Jogos Vorazes”, no cinema. Mas após diversos testes, inclusive
um realizado sob o nome de um filme fictício no sul da Califórnia, foi Jennifer Lawrence a
escolhida para viver a heróina da saga de Suzanne Collins. A escalação foi cercada de muitos
boatos e teve ainda Josh Hutcherson como Peeta Mellark, o garoto do Distrito 12 que irá para
o torneio com Katniss, e Liam Hemsworth no papel de Gale Hawthorne, o melhor amigo da
protagonista.

Os produtores de “Jogos Vorazes” apostaram em uma fórmula que deu certo com dois
blockbusters adolescentes anteriores, “Harry Potter” e “Crepúsculo”. Nos dois casos, os atores
principais eram pouco conhecidos do grande público e só tinham aparecido em papeis
secundários. Afinal, Daniel Radcliffe, Emma Watson, Robert Pattinson e Kristen Stewart não
eram ninguém antes de entrarem nas franquias. A expectativa é que o mesmo aconteça com o
trio de “Jogos Vorazes”. Apenas Jennifer Lawrence já obteve destaque com sua ótima atuação
em “Inverno da Alma”, mas mesmo assim tratava-se de uma obra off-Hollywood. Em “X-
Men: Primeira Classe”, ela fez o papel da Mística.

Já Liam Hemsworth é mais conhecido como namorado da estrela teen Miley Cyrus e irmão de
Chris Hemsworth, protagonista de “Thor”, do que pelos seus trabalhos. O ator coleciona
participações em seriados e estará em “Os Mercenários 2”, a ser lançado este ano, com
Sylvester Stallone, Bruce Willis, Jason Statham e Chuck Norris. Já Josh Hutcherson possui
um currículo mais sólido, que inclui “Minhas mães e meu pai”, além de outros filmes de ação
como “Viagem ao Centro da Terra”.
O time de atores de “Jogos Vorazes” será completado pelo veterano Donald Sutherland no
papel do Presidente Snow, que comanda o torneio sangrento, e Lenny Kravitz como Cinna, o
estilista responsável pelas roupas que serão usadas por Katniss e Peeta em todas as cerimônias
antes de entrarem na arena. A recepção aos nomes até agora foi bastante positiva. Um
exemplo foi o sucesso da excursão de Jennifer, Josh e Liam para promover o filme e que
arrastou uma verdadeira multidão de fãs nos Estados Unidos.

Texto 13:

Web celebridade americana faz paródia de ‘Ai se eu te pego’

Adolescente Keenan Cahill lança vídeo em que ‘dubla’ o brasileiro Michel


Teló. Já são mais de 50 mil visitas

O Globo

Publicado: 21/03/12 - 15h53

RIO - Sensação na internet, o adolescente americano Keenan Cahill postou esta semana em
seu canal do YouTube um vídeo no qual dança e faz sincronia labial com o sucesso “Ai se eu
te pego”, do Michel Teló. A página de Keenan até ganhou um enorme banner do cantor
brasileiro para promover o novo vídeo. O vídeo, que foi postado na segunda-feira (19), já
recebeu mais de 50 mil visitas.

O garoto de 17 anos, que sofre com uma rara doença genética (a síndrome de Maroteaux-
Lamy, um tipo de nanismo), faz sucesso na web com suas performances empolgadas de hits
de Katy Perry, Rihanna, Britney Spears e David Guetta, só para citar alguns. O rapper 50
Cent, o cantor Sean Kingston e os astros do seriado “Glee”, entre outros artistas, já fizeram
participações especiais nas gravações de Keenan. O vídeo com 50 Cent, por exemplo,
ultrapassou a marca de 45 milhões de visualizações.

Texto 14:

Estudante publica livro sobre seu intercâmbio em Buenos Aires

Laura Tardin, de 20 anos, conta como conseguiu espaço no mercado editorial


para realizar sonho

Marina Cohen

Publicado: 26/03/12 - 10h41


Laura Tardin, de 20 anos, no museu MALBA, em Buenos Aires Arquivo pessoal

RIO - Publicar um livro é um sonho para muitos jovens, e a estudante de administração Laura
Tardin prova que o desejo não precisa ficar só na imaginação. Aos 20 anos, a carioca publica
seu primeiro livro, “Estación Callao”, que conta sua experiência como estudante de
intercâmbio em Buenos Aires, na Argentina.

- É uma mistura de diário com guia de viagem, tipo “Comer, rezar, amar”, sabe? - conta
Laura, que demorou apenas dois meses para escrever o livro. - Já que eu vivi tudo aquilo,
achei fácil passar para o papel.

Como escreve desde os 10 anos, Laura já tinha pensando diversas vezes em publicar suas
criações, mas, só agora, teve disposição para encarar o mercado editorial.

- Todo dia, passava horas no computador buscando os contatos de editoras pequenas e


médias. Então enviei o rascunho do livro para elas por e-mail e correio e três editoras o
aceitaram. Analisei os contratos e escolhi a que me oferecia mais vantagens – diz Laura, que
acabou optando por publicar sua obra pela editora Novo Século. - Não tive medo de arriscar.
O máximo que poderia acontecer era a obra ser lida apenas pelos meus amigos – completa ela.

Foi em seus últimos dias em Buenos Aires, em janeiro de 2011, que Laura teve a ideia para o
livro e começou a anotar os programas que tinha feito, os lugares que havia visitado e suas
impressões sobre a aventura de morar por um mês num país desconhecido.

- Achei que poderia ser útil para outros jovens que têm vontade de fazer intercâmbio ou morar
fora por um tempo. Eu falo um pouco sobre como era a escola, as pessoas que encontrei, as
barreiras da língua e sobre os hábitos e costumes dos argentinos em comparação com o Brasil
- descreve.
O capítulo favorito da estudante é aquele em que fala sobre a descoberta do tango. A dança,
que começou a praticar na Argentina, se tornou uma das maiores paixões de sua vida.

- Já tinha interesse por essa dança, mas nunca tinha tentado. Bastou uma aula para eu me
apaixonar e passar a dançar todo dia, numa academia próxima à escola.

"Estación Callao" (R$ 24,90; 170 páginas) tem noite de autógrafos nesta segunda-feira (26),
às 19h, na Livraria Argumento, no Leblon. Laura estará disponível para bater um papo com
quem quiser aparecer e também fará uma apresentação de tango para os convidados.

Texto 15:

Documentário sobre bullying estreia sem classificação etária

Filme sobre violência dentro de escolas chega aos cinemas dos EUA, gerando
polêmica

O Globo

Publicado: 27/03/12 - 13h46

Cena do filme ‘Bully’ Divulgação


RIO - O documentário “Bully” estreia nesta sexta-feira nos EUA já cercado de polêmica
(assista ao trailer). O filme, que investiga a violência física e psicológica entre alunos dentro
das escolas, recebeu classificação “R” para entrar no circuito americano. Assim, menores de
17 anos só poderiam assistir à produção na companhia de um responsável. Mas o estúdio The
Weinstein Company, responsável pelo longa, anunciou a decisão de distribuir o documentário
sem uma classificação etária oficial.

A restrição foi estabelecida pela MPAA, entidade responsável por fazer essa classificação nos
EUA. O problema é que o principal público alvo do filme é justamente este que só poderia vê-
lo na companhia dos pais. Os produtores insistiram pela censura de 13 anos, mas não
conseguiram convencer a MPAA, que tomou sua decisão devido ao vocabulário de baixo
nível.

“Mas a pequena quantidade de vocabulário reponsável por essa restrição está no filme porque
é real. É isso o que as vítimas de bullying enfrentam. Eu sei que as crianças vão querer
assistir. E os cinemas devem decidir se permitirão a entrada”, comentou o diretor Lee Hirsch.

A decisão de distribuir o filme sem a classificação pode prejudicar a bilheteria. A maioria dos
cinemas, principalmente as salas de grandes redes, só vai exibi-lo de acordo com a avaliação
da MPAA.

Quase 500 mil pessoas assinaram uma petição pedindo a liberação do filme junto à MPAA. O
abaixo-assinado foi iniciado pela adolescente Katy Butler, estudante do ensino médio de uma
escola em Michigan, nos EUA, e vítima de bullying. Até astros como Justin Bieber se
posicionaram a favor de afrouxar a restrição do longa, que vem gerando comentários pelo
mundo todo desde que foi exibido pela primeira vez, no Festival de Tribeca, em Nova York.

Texto 16:

Avassaladores gravam versão funkeira de ‘Para nossa alegria’

Grupo do cantor Vitinho faz paródia do novo vídeo fenômeno da web

O Globo

Publicado: 27/03/12 - 14h08

RIO - O mais novo fenômeno da internet ganhou uma versão funkeira. O grupo
Avassaladores injetou o tamborzão em sua “releitura” da música “Para nossa alegria”, que já
acumula dezenas de milhões de visualizações em diferentes vídeos postados no YouTube.

Os Avassaladores fizeram sucesso na internet ano passado, com o clipe da música “Sou foda”,
que transformou o cantor Vitinho numa celebridade do mundo virtual. Agora, Vitinho
aumenta a lista das paródias de “Para nossa alegria”, que, protagonizado pelo trio Jefferson,
Mara e Suelen, virou um hit pouco tempo depois de postado, dia 15 de março.
Texto 17:

Clipe de Katy Perry é rotulado de ‘propaganda militar’

Críticos sugerem que vídeo de ‘Part of me’ foi feito a pedido das forças
armadas americanas

William Helal Filho

Publicado: 28/03/12 - 13h06

Katy Perry pronta para a guerra no clipe de ‘Part of me’ Reprodução

RIO - Muita gente achou estranho o novo clipe de Katy Perry, mas, de início, ninguém falou
nada. Uma semana depois do lançamento, no entanto, já se espalham pela web vaias para o
vídeo de “Part of me”, que, convenhamos, parece uma peça de propaganda militar. Nesta
superprodução, a cantora, logo depois de terminar com o namorado, torna-se uma fuzileira
naval e encontra, nas forças armadas, uma nova razão para viver.

A crítica mais pesada veio da escritora Naomi Wolf, autora de “O mito da beleza” (1991). No
Facebook, ela criticou muito o clipe e levantou a hipótese de Katy ter recebido dinheiro da
Marinha dos EUA para fazê-lo. Naomi escreveu: “É uma peça de propaganda para os
fuzileiros navais. Queria muito saber se ela foi paga. É uma vergonha”, e acrescentou:
“Proponho um boicote a essa cantora de quem eu realmente gostava”.
Diversos blogs e sites também acham que “Part of me” não passa de um video promocional
para recrutar novos soldados. O clipe mostra Katy flagrando o namorado com outra garota.
Em seguida, ela entra no banheiro de um posto de gasolina e vê um adesivo dizendo “As
mulheres são criadas como iguais. Mas algumas se tornam fuzileiras navais”. É a deixa para
ela cortar os cabelos bem curtos, jogar fora o celular e vestir a farda.

O vídeo foi todo rodado dentro de uma base militar. Nas cenas de treinamento e batalha, os
figurantes são soldados de verdade. “Sou eu e os soldados. Por três dias. eu fui um aprendiz
de fuzileiro. É muito difícil. Posso dizer o quanto meu respeito por essas pessoas aumentou?
Essa música é uma afirmação de força, então queria usar o caminho mais forte que pudesse no
clipe”, disse Kate à MTV, sem se referir às críticas.

Texto 18:

Bailarino de Bieber revela que o astro não era um bom dançarino

Nick Baga, que está no Brasil para se encontrar com fãs, conta como é
conviver com o cantor

Marina Cohen

Publicado: 28/03/12 - 12h56

O bailarino Nick Baga, que trabalha com Justin Bieber Divulgação


RIO - Integrante da equipe de dançarinos de Justin Bieber, o americano Nick Baga
acompanha o astro pop desde o início de sua carreira. Por ser tão próximo do cantor, Nick foi
convidado pelo site brasileiro “Biebermania” para dar três workshops de dança, em São
Paulo, Taubaté e Campinas, nos quais ele também vai responder perguntas dos fãs sobre os
bastidores da turnê e dos clipes de Bieber. As aulas acontecerão dentro dos próximos quatro
dias, apenas para fãs que compraram ingressos (ainda há entradas para os encontroas de
Taubaté e Campinas) mas a Megazine bateu um papo por e-mail com o dançarino, que já
trabalhou também com Ricky Martin, Taylor Swift e na turnê de shows de “Glee”. Na
conversa, Nick contou que Bieber é como um irmão para ele e que o astro, na intimidade, é
super brincalhão.

O GLOBO: Você pode ser sincero... Bieber é um bom dançarino?

NICK BAGA: No começo, não era. Mas ele melhorou muito ao longo dos anos!

Como é trabalhar com Justin? Ele é brincalhão, como ouvimos dizer?

NICK: Ele é um ótimo garoto. Definitivamente, é muito brincalhão... Conheço ele desde o
início de sua carreira, então é como se ele fosse meu irmão mais novo.

Ele também deve ser bastante determinado...

NICK: Bieber é muito focado no seu trabalho e sabe o que quer.

Você tem contato com fãs de Bieber do mundo todo. Qual foi a coisa mais louca que você
já viu uma belieber fazer?

NICK: As beliebers são sempre muito loucas, mas tenho que confessar que o pior é quando os
fãs cercam o ônibus da turnê e começam a sacudir e a bater no ônibus, como se quisessem
fazê-lo tombar. Bom, vocês querem conhecer o Justin e não machucá-lo, certo?

E como você acabou trabalhando com Bieber?

NICK: Comecei a trabalhar com Justin por indicação de um amigo meu, que trabalhava com
ele desde o início de sua carreira. Esse amigo precisou sair e me chamou para substitui-lo. Foi
assim que o emprego caiu no meu colo!
Texto 19:

Adolescentes se transformam para ficarem parecidas com Barbies

Garotas como Kota Koti e Venus Angelic viram celebridades da web com
vídeos de maquiagem

O Globo

Publicado: 30/03/12 - 9h38

A “Barbie da vida real” Dakota Rose Reprodução

RIO - Meninas pelo mundo afora estão se esforçando para ficarem parecidas com bonecas
Barbie. Suas armas são maquiagem, perucas, lentes de contato e talvez um pouco de
Photoshop. Garotas como a americana Dakota Rose, conhecida na internet como Kota Koti,
ou a inglesa Venus Palermo, de 15 anos, estão se tornando febre no YouTube com seus vídeos
nos quais ensinam suas “fãs” a se maquiarem e se vestirem como bonecas.

Com olhos enormes e lábios volumosos, Dakota Rose é a mais famosa delas. A garota
começou a postar vídeos em seu canal no YouTube em novembro do ano passado e alguns
deles já ultrapassam dois milhões de acessos. Nos clipes, Dakota não fala nada, apenas mostra
como se pentear ou se maquiar, enquanto legendas aparecem na tela para guiar os
espectadores. Pouco se sabe sobre a vida pessoal dela. Na internet, as únicas informações que
circulam é de que ela teria entre 16 e 18 anos, viveria na Florida, Estados Unidos, e seria a
irmã mais nova de outra celebridade da web, Kiki Kannibal.

É claro que as chamadas “Barbies reais” fazem o maior sucesso no Japão, onde a cultura dos
animes (desenhos animados japoneses) é forte. Olhos grandes, pele perfeita e cabelos lisos,
iguais aos das bonecas, são imprescindíveis para fazer sucesso como uma web celebridade.

A inglesa Venus Palermo, de 15 anos, é outra que arrasta milhares de fãs que desejam se
parecer com bonecas vivas. Com o apelido de Venus Angelic, ela morou por algum tempo no
Japão e, influenciada pela estética dos animes, resolveu postar seus tutoriais de dança,
maquiagem e até nail art na web, ao voltar para a Inglaterra. Já são 80 clipes, que ela
disponibiliza online desde 2010. Sua página no Facebook tem mais de 13 mil fãs.

Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a mãe de Venus aprova a escolha da filha. “Ela acha
fofo que eu use roupas bonitinhas”, comenta a garota. “Acho que nunca vou parar. Acredito
que vou amadurecer o meu estilo e apenas continuar fazendo o que eu amo”, completa ela.

Apesar de terem milhares de fãs, essas meninas também são muito criticadas por
“promoverem um tipo de beleza irreal”. Outras pessoas também acreditam que elas
“sexualizam as crianças”, e nuitos protestos têm sido feitos na internet contra as Barbies da
vida real.

Texto 20:

Arctic Monkeys divulgam vídeo de show no México. Falta pouco!

Dias antes do Lollapalooza Brasil, veja uma amostra e o setlist da


performance

O Globo

Publicado: 30/03/12 - 13h57

RIO - Quem está contando os dias para o show dos Arctic Monkeys no Lollapalooza Brasil
vai ver esse vídeo 300 vezes até o dia 8 de abril, quando a banda toca no evento em São
Paulo. Os garotos de Sheffield, na Inglaterra, publicaram no Youtube um trecho de seu show
na Cidade do México, que rolou nesta quarta-feira.

A gravação é um plano-sequencia do momento em que o grupo volta para o bis. Começa com
a banda nos bastidores, segundos antes de retornar ao palco. Detalhe para o vocalista Alex
Turner ajeitando o penteado, com um topete meio James Dean, antes de ficar diante de
milhares de pessoas e tocar “R U Mine”, faixa do último disco do quarteto, o ótimo “Suck it
and See”.

Impressionante o quanto os caras mudaram desde a sua primeira e única vinda ao Brasil, em
2007. Na época, eles haviam acabado de divulgar o segundo CD. Eram meninos de 21 anos.
Hoje, estão maduros, tanto em seu comportamento quanto no som que fazem. O rock dos
últimos dois álbums é mais classudo e essas faixas dominam o setlist do show. Mas bombas
como “When the sun goes down” e “Fluorescent adolescent” estão no repertório também.
Veja, abaixo, a lista de músicas que foram tocadas no México.

“Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair”

“Teddy Picker”

“Crying Lightning”

“The Hellcat Spangled Shalalala”

“Library Pictures”

“Brianstorm”

“The View From the Afternoon”

“I Bet You Look Good on the Dancefloor”

“Brick by Brick”

“This House Is a Circus”

“Still Take You Home”

“Evil Twin”

“Pretty Visitors”

“If You Were There, Beware”

“Suck It and See”

“Do Me a Favour”

“When the Sun Goes Down”

BIS!

“R U Mine?”

“Fluorescent Adolescent “

“505”
Texto 21:

Mulheres ganham espaço no mundo machista dos videogames

Cada vez mais meninas largam as Barbies para assumir o joystick

Leonardo Cazes

Publicado: 16/04/12 - 12h27

As amigas Vanessa de Souza e Priscilla Sena Prudencio são alunas da escola de


desenvolvimento de games Seven Ana Branco / Agência O Globo

RIO - Um vídeo com mais de 350 mil cliques no YouTube mostra várias meninas disparando
frases tipo: “Eu sou uma gamer, mas não quero ser protegida. Nem vou tirar a camisa para
você ver. Não me julgue pelo meu avatar, mas pela minha capacidade de jogar bem. Eu sei
que o mundo está cheio de idiotas, mas você não precisa ser um deles. Não seja sexista.”
Protesto criado por jogadoras, o vídeo “Gamer girl manifesto” deixa claro que, apesar de
apoiado em tecnologias avançadas, o universo dos joysticks ainda é extremamente machista.

Videogame sempre foi “coisa de menino”, mas, agora, os garotos que se cuidem, porque o
cordão do mulheril aumenta à base de tiros e explosões. Um estudo da fabricante Sony, feito
em 2011 com mil jogadores de PlayStation em Porto Alegre, São Paulo e Recife, mostrou que
30% deles são... elas. E estimativas na web dão conta de que um em cada cinco fãs de World
of Warcraft, sucesso entre os games de MMPORG (RPG online), com dez milhões de
assinantes, são mulheres.
Há um sem-número de sites de autoafirmação de meninas gamers. O tal vídeomanifesto foi
produzido nos Estados Unidos, mas, por aqui, a mulherada também não tem vida fácil.
Estudante de Letras na PUC-Rio, Isabel Ferreira, de 24 anos, encara diariamente comentários
desagradáveis de marmanjos.

- Quando jogamos contra eles online, ouvimos muita besteira. Dizem que, se uma menina está
no computador sexta-feira à noite é porque deve ser baranga e sem namorado - conta ela. -
Mas não ligo para isso, e continuo ganhando deles.

A equipe da revista foi à escola de desenvolvimento de games Seven, no Centro, para


conversar com meninas que não largam o joystick. Para elas, a melhor cura para TPM é um
headshot (disparo na cabeça do rival) durante uma sessão de Counter-Strike, Call of Duty ou
qualquer outro jogo de tiro. As alunas Vanessa de Souza e Priscilla Prudêncio dizem que, por
serem vistas como rivais mais fracas, as meninas se esforçam para detonar os barbados, sem
se importar com o tamanho da espada que eles usam no World of Warcraft.

- Os meninos acham que a gente não entende de game, então as garotas se aplicam para
ganhar deles. Nossa competitividade é maior, e eles ficam furiosos quando perdem para
mulheres - diz Vanessa.

Não se trata de feminismo chatola ou coisa parecida. As garotas só querem acabar com essa
discriminação boba e sem sentido. Karen Almeida, de 23 anos, é a criadora do blog “Girl on
nerd rage”. Ela guarda as mensagens que recebe quando joga online e já reuniu um verdadeiro
baú do machismo:

- A maioria dos caras tem mente fechada. Ouvi um garoto dizer que eu deveria largar o
joystick e tirar a minha roupa.

É um sonho dessas meninas ver mais games com heroínas virtuais. Elas reclamam que as
protagonistas femininas são quase sempre idealizadas pelos machos, com peitões, decotes e
curvas sensuais, como as modelos nos comerciais de carro e cerveja. Um exemplo desse
estereótipo é Lara Croft, heroína do jogo Tomb Raider que foi interpretada no cinema pela
atriz Angelina Jolie.

No entanto, o coordenador do projeto Game Studies, do Centro de Tecnologia e Sociedade da


Fundação Getúlio Vargas, Arthur Protasio, vê melhorias nesse sentido, graças à customização
dos personagens.

- Hoje, vários games permitem ao jogador customizar desde o sexo até a vestimenta do
personagem. Lara Croft foi criada nos anos 90 para ser uma versão feminina do Indiana
Jones, mas os anúncios veiculados só mostravam a heroína em poses sensuais, numa visão
totalmente masculina - critica Protasio.
Texto 22:

Matheus Souza responde perguntas do ‘Yahoo! Respostas’

‘Qual ser do bosque encantado você gostaria de ter como amigo’ faz parte da
lista

Matheus Souza

Publicado: 17/04/12 - 15h35

"Resaltasambart" é a resposta do colunista Matheus Souza para: “Tente combinar o nome de


duas das suas bandas favoritas?" Fotos de divulgação

Quem nunca digitou algo no Google e recebeu como resultado um link para o Yahoo!
Respostas? Difícil saber, ao entrar e explorar o site, o que são mais bizarras, as perguntas ou
as respostas. Na coluna dessa semana resolvi responder as dúvidas mais recentes que
apareceram por lá:

“É verdade que garotos mais velhos preferem as mais novinhas?”

Homens são bobos. E gostam de ser bobos. E mulheres mais novas tendem a aturar esse fato
mais facilmente. Dia desses, tentei dar em cima de uma mulher mais velha dizendo: “que isso,
balzaquianinha, que isso!”. Não deu em nada, obviamente.
“Minha tv esta com ecran azul e com o texto LOCK oque faxo..?”

Amigo, eu não faço a menor ideia de como te ajudar. E nem de qual idioma você está
utilizando.

“Onde eu consigo baixar os episódio do ‘Metal alchemist’?”

Piratebay.se (“os episódio”); Legendas.tv (“as legenda”).

“Olá, gostaria de saber em que lojas aqui em Salvador posso encontrar removedor de
pelos faciais?”

Não sou de Salvador, mas inventaram um negócio chamado “compras online”. Acredito que
já tenha chegado na sua cidade. Achei um link útil para você numa outra invenção recente, o
Google: http://lista.mercadolivre.com.br/saude-beleza/Removedor-de-Pelos-Faciais

“Eu queria baixar este tom de SMS. É um que tem no modelo Nokia, aqueles que são
tijolões, UHHSASH... O toque de SMS de um sapo ou perereca, sei lá. Ele faz um ruído
mais ou menos assim: RUÉBE, RUÉBE, RUÉBE... RUÉBE! SE ALGUÉM
CONSEGUIR ENCONTRAR, ME DIGA O SITE QUE DEVO BAIXAR!”

Amigo, fiz o meu melhor. Digitei “RUÉBE+LYRICS” no Google, mas não apareceu nada.
Porém, aqui está a sua causa, divulgada no site do maior jornal do país. Espero que alguma
alma caridosa tenha a resposta para o seu drama, e sua agonia tenha fim.

“Diz ae o que achou do holograma do Tupac no Coachella 2012?”

Acho que foi playback.

“Tente combinar o nome de duas das suas bandas favoritas?”

“Resaltasambart”.

“Curiosidades sobre ciência e tecnologia... Plutão, planeta ou não?”

#Plutafaltadesacanagem dizerem que Plutão não é planeta. Deveriam me demitir depois desse
trocadilho...

“Curiosidade: você dorme em cama de solteiro ou de casal?”

Casal. Like a boss.

“Você já fez guerra de travesseiros?”

Não, sempre tive medo de quebrar os óculos.

“Você já participou de algum barraco yahoodiano?”


O simples fato de descobrir que existe um universo paralelo onde pessoas criam barracos no
Yahoo! Respostas me faz questionar minha fé na humanidade.

“Quais desses seres do bosque encantado vocês gostariam de ter como amigos e por quê?

-Gnomos

-Duendes

-Fadas cintilantes

-Bruxinhas com meias da Emília

-Coelhinhos peludos

-Libélulas falantes”

Acredito que ser amigo de um duende poderia me aproximar da Xuxa de alguma forma. Esse
ano lanço meu segundo filme e “segundos filmes” são sempre um fracasso. Estava pensando
em dirigir um filme da Xuxa para me reerguer.

“Ajuda? Preciso escolher um nome com F para minha filhinha”

Fernanda?

“Qual sua idade?????????????????????????”

23 anos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

“Depois de sua morte, como você espera que as pessoas se lembrem de você?"

Como um cara que mudou a vida de pessoas através dos seus textos. Tipo: “pô, lembra
daquela coluna do Matheus sobre o Yahoo! Respostas? Antológica! Aquele rapaz sabia mexer
com nossos sentimentos! Sempre comentando aspectos importantíssimos da nossa sociedade.
Revolucionário”. Mas também me contentaria em ser lembrado como “uma figura”. Eu
sempre quis ser o cara que é “uma figura”.

“Se você fosse um produto, o que estaria escrito na sua embalagem?”

Preço sugerido: R$ 0,99.

"Como Identificar Um Psicopata?"

Matar Pessoas Costuma Ser Um Sintoma Revelador.

“Existe alguma letra de música que você gostaria que substituísse o Hino Nacional
Brasileiro?”

“Pra nossa alegria".


“Amiguinhos, engolir um pouco de Merthiolate cura o dodói do coração?”

I don’t want to live on this planet anymore.

Texto 23:

Favelas do Leme criam projeto de crowdfunding para fazer baile


funk

Ideia é arrecadar R$ 45 mil e promover evento modelo para comunidades


pacificadas

Publicado em 18/04/2012

William Helal Filho

Funkeiro dança ao som do pancadão Gustavo Stephan

RIO - Um grupo de moradores das favelas Babilônia e Chapéu-Mangueira, no Leme, está


divulgando um projeto de financiamento coletivo (crowdfunding) para resgatar o tradicional
baile funk local. A festa na quadra da comunidade, que não rola há mais de dez anos, era uma
das maiores do gênero na Zona Sul, na década de 90. A ideia agora é resgatar a atmosfera do
evento, mas com autorização da prefeitura e profissionalismo. Para isso, os moradores
inscreveram o projeto “Rio Funk Celebra: a chapa vai esquentar”, no site de crowdfunding
Movere.me. Eles querem juntar R$ 45 mil em doações.
- A quadra parou de abrigar o baile há mais de dez anos. Depois disso, aconteciam festas
menores, em locais diferentes, mas com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)
nas favelas, os bailes acabaram de vez, porque as autoridades associam o funk ao tráfico de
drogas. Mas queremos organizar um baile exemplar, com organização e segurança, de graça e
ao ar livre. O plano é fazer disso um modelo para levar a todas as favelas pacificadas - explica
Eduardo Henrique Souza Batista, o Dudu, diretor da Maneh Produções, que organiza eventos
como bailes de carnaval e festas de Natal no Babilônia e Chapéu-Mangueira.

O mais engraçado dessa história, como foi publicado na coluna Gente Boa, do jornal O
GLOBO de hoje, são os “presentes” para quem colaborar com a vaquinha. Quem doar R$ 5,
recebe um e-mail com uma foto do pôr-do-sol visto da favela. Quem pagar R$ 10, vai ter seu
nome escrito num painel do baile (se o projeto der certo). R$ 450 vale um tour pelas
comunidades, e por aí vai. Mas o melhor prêmio, claro, está reservado para quem pagar as
maiores cotas. Se alguma pessoa ou empresa fortalecer com R$ 5 mil ou R$ 10 mil, a galera
da Maneh organiza um mini-baile funk na casa ou no escritório do mecenas.

- A gente vai lá e monta um baile com o maior prazer - garante Dudu. - Os moradores sentem
muita falta dos bailes. Queremos nos divertir em paz na favela.

Texto 24:

Adivinhe qual é o filme e ganhe um brinde

Matheus Souza propõe desafio de adivinhação inspirado no aplicativo Draw


Something

Matheus Souza

Publicado: 24/04/12 - 13h07


Qual é o filme?

Essa semana temos uma coluna interativa! Como boa parte da humanidade, estou viciado no
aplicativo de iPhone Draw Something e queria escrever algo sobre ele por aqui. Mas aí eu
pensei: para que escrever se eu posso... desenhar?

Então, no melhor estilo Draw Something, me utilizando do bom e velho Paint e dos meus
terríveis dotes artísticos, desenhei dez filmes. O primeiro leitor que adivinhar quais são os
longas retratados na galeria de fotos ao lado e mandar todas as respostas corretas para
omatheussouza@gmail.com ganha algum brinde. Não sei ainda qual será o brinde e não
deve ser nada incrível, mas pensarei em algo simpático, prometo.

Texto 25:

Pai de Rihanna: ‘Espero que ela não siga caminho de Whitney’

Ronald Fenty diz a jornal que sua filha amava a cantora morta no início do
ano

Publicado em 24/04/2012

O Globo

A popstar Rihanna: a vida dela é uma festa


RIO - Semanas após Rihanna afirmar, numa entrevista, que adoraria interpretar Whitney
Houston no cinema, o pai da popstar de 24 anos disse ao jornal britânico “The Sun” que
espera não ver sua filha tomando o mesmo caminho da veterana. A cantora de “I will always
love you” se afogou numa banheira de hotel depois de usar cocaína.

“Ela (Rihanna) admirava Whitney por causa de seu alance, sua voz, sua aparência, sua
personalidade... tudo. Ela amava Whitney tanto que ficaria honrada de interpretá-la num
filme”, disse Ronald Fenty, de 58 anos. “Só espero que ela seja esperta o bastante para não
seguir o mesmo caminho”.

Segundo autoridades policiais de Los Angeles, a causa da morte de Whitney foi acidental,
mas seu corpo, encontrado numa suíte de hotel, tinha traços de cocaína. Os problemas da
cantora com as drogas eram crônicos. Rihanna, por sua vez, tem uma vida agitada, regada de
festas intensas. Esta semana, ela foi muito criticada devido a uma foto em que aparece nos
ombros de um segurança manuseando algo que parece um pó branco sobre a cabeça dele.

“Sou louca e não finjo ser nada diferente disso”, escreveu ela no Twitter, respondendo a
críticas no microblog.

Texto 26:

Justin Bieber escreve música sobre garota que disse estar grávida
dele

Cantor mandou um tweet irônico para Mariah Yeater: ‘você nunca vai
conseguir isso’

Publicado em 24/04/2012

O Globo
Justin Bieber segura Selena Gomez no colo durante gravações de ‘Boyfriend’

RIO - O astro Justin Bieber ainda não deixou no passado aquela controvérsia iniciada quando
a americana Mariah Yeater espalhou por aí que estava grávida do cantor, sendo desmentida
semanas depois. No sábado, Bieber publicou um tweet irônico endereçado a ela e, nesta terça,
durante uma coletiva de imprensa, ele disse que escreveu uma música sobre toda a polêmica.

“É uma música sobre toda aquela situação com aquela agora que disse estar esperando meu
filho, a Maria Yeater”, disse Bieber, antes de acrescentar: “É sobre tudo o que passei”, disse
ele, sem deixar claro se a faixa vai estar em seu novo álbum, “Believe”, que será divulgado no
dia 19 de junho.

No sábado, o artista canadense de 18 anos postou o seguinte tweet: “Querida mariah yeeter...a
gente nunca se conheceu...então, de coração eu só queria dizer...” e aí veio um link do
YouTube em que o personagem Borat, do comediante Sacha Baron Cohen, afirma: “você
nunca vai conseguir isso”.

Neste fim de semana, Bieber recebeu a visita da namorada, Selena Gomez, no set de
gravações do clipe de “Boyfriend”. Os dois trocaram chamegos e beijos na frente das
câmeras, para alegria dos paparazzi.
Texto 27:

Dez motivos para assistir à comédia ‘Anjos da Lei’

Matheus Souza enumera os trunfos do novo filme de Jonah Hill, que estreia
sexta-feira

Matheus Souza

Publicado: 2/05/12 - 15h33

Jonah Hill e Channing Tatum em cena de “Anjos da Lei” Divulgação

Sexta-feira (4) estreia o filme “Anjos da Lei”, a melhor comédia jovem produzida pelo
cinema americano desde “Superbad”. Como não estou vendo muita divulgação por aí e
desconfio que as críticas convencionais possam não ser tão carinhosas com o longa (um dos
motivos que afundou o ótimo “Missão madrinha de casamento” nas bilheterias brasileiras),
estou aqui para fazer a minha parte.

Dez motivos para assistir a “Anjos da Lei”:

1 - O filme é extremamente bobo e não se leva a sério, como uma boa comédia jovem deve
ser. Mas, ao mesmo tempo, é inteligente e bem pensado. Não se limita ao clássico “nerds
versus atletas”, indo bem mais fundo na análise de tribos e ambientação social dentro do
colégio. Afinal, uma vez que os nerds chegaram ao poder, queridinhos na cultura pop, como
ficam as coisas?

2 - É baseado num seriado antigo estrelado por um um tal de Johnny Depp em início de
carreira. E antes que você pense “droga, lá vem mais um reboot enlatado de Hollywood”,
saiba que o próprio filme faz piada sobre isso. Ou seja, no mínimo, tinha alguém pensando
com bom senso enquanto escrevia o roteiro. Isso já é lucro hoje em dia.

3 - Falando em roteiro, quem escreveu o filme foi o mesmo roteirista de “Scott Pilgrim contra
o mundo”.

4 - A dupla de diretores foi responsável pela divertida animação “Tá chovendo hambúrguer”,
além de ter sido produtora e roteirista de alguns episódios da série “How I met your mother”.

5 - Um dos protagonistas é o Jonah Hill, o gordinho engraçado de “Superbad”, que


recentemente foi indicado ao Oscar por “Moneyball”.

6 - O outro é o Channing Tatum. Ele é bonitão, né? Se você for menina, vai curtir. Se você for
um rapaz, diga para sua namorada ou para a garota que você quer conquistar que o filme é
com o ator de “Ela dança, eu danço”.

7 - O Jonah Hill está relativamente magro no filme. E se veste de Peter Pan. Enquanto isso, o
Channing Tatum se revela um cara engraçado. Um bom partido esse rapaz.

8 - Tem uma participação especial de um dos maiores astros de Hollywood.

9 - O irmão do James Franco atua no filme e é assustadoramente parecido com ele. Não sei se
esse é o melhor argumento do mundo, mas é algo curioso.

10 - Se você é do tipo que reclama da falta de originalidade das comédias brasileiras, vale a
pena batalhar por um filme desses fazer sucesso por aqui. É o único jeito de estimular a
produção desse tipo de comédia, na qual o foco não é repetir uma piada que já foi contada em
outro filme e já deu certo, mas, sim, pensar em algo novo.

Bom, mudando completamente de assunto, aqui vai o gabarito do desafio de desenhos estilo
“Draw Something” da semana passada:

1 - “Lua nova”, da saga “Crepúsculo”

2 - “Juno”

3 - “Fúria de Titãs 2”

4 - “O âncora”

5 - “Apenas o fim”

6 - “Rocky Balboa”
7 - “O poderoso chefão”

8 - “A Rosa Púrpura do Cairo”

9 - “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”

10 - “Star Wars episódio I: A ameaça fantasma”

A parte triste é que foram mais de 100 e-mails enviados e ninguém acertou 100%. Muita
gente caiu na armadilha de chutar o filme errado da saga “Crepúsculo”, de pensar que era o
primeiro “Fúria de Titãs” ou de simplesmente não conseguir interpretar o meu raciocínio
sobre o meu próprio filme. Justo. Mas aqui vai uma singela homenagem para Bernardo
Abreu, o primeiro a ter acertado 9 de 10 filmes.

(nesse momento estou batendo palmas sozinho para você no meio da sala do meu
apartamento, Bernardo)

Bom, é isso. Até a próxima semana e fiquem com o trailer de “Anjos da Lei”.

Texto 28:

Pietra Príncipe: ‘Disseram que eu estava leiloando meu corpo’

Crowdfunding para ela fazer ensaio nu fracassa, mas a Musa dos Nerds fica
feliz com repercussão

Marina Cohen

Publicado: 4/05/12 - 17h18


Pietra Príncipe: alvo da primeira empreitada do projeto de crowdfunding “Nake it” Olhar 42/
Multishow / João Júlio

RIO - Ainda não será desta vez que Pietra Príncipe vai tirar a roupa em público. A
apresentadora do programa “Papo calcinha”, do Multishow, aceitou participar do “Nake it”,
um projeto de crowdfunding para viabilizar ensaios nus. A meta dos organizadores era reunir
R$ 300 mil em doações para Pietra tirar a roupa, mas, nesta sexta-feira (4), encerrou-se o
prazo de 60 dias para a arrecadação do dinheiro. Foram angariados R$ 85 mil, ou seja, menos
de um terço do valor total. A beldade, contudo, garante que não ficou triste com o resultado.

- Foi uma exposição positiva. Muita gente veio comentar comigo sobre o projeto, mas é claro
que também rolaram críticas. Muitas mulheres acharam horrível e me disseram que eu estava
leiloando meu corpo - diz Pietra, considerada a Musa dos Nerds.

Quem comemorou mesmo o fracasso da primeira empreitada do “Nake it” foi o namorado de
Pietra, o humorista Henrique Fedorowicz.

- Essa foi a maior dificuldade. Ele não queria que eu aparecesse nua em revista, site, ou
qualquer outro lugar. Dizia que só ele poderia me ver sem roupa. Mas eu estava decidida.

Pietra não descarta a possibilidade de posar nua numa outra ocasião. Porém, diz que será
preciso “se apaixonar pelo projeto”.

- Não vou fazer um ensaio nu só pelo dinheiro. Preciso encontrar uma ideia bacana ou um
fotógrafo muito legal. Meu foco não é mostrar meu corpo, e, sim, o conteúdo - afirma a
apresentadora, que está agitando mais dois programas a serem comandados por ela no canal
Multishow.

Todas as pessoas que contribuíram com o ensaio de Pietra vão receber a quantia de volta. Os
organizadores do site “Nake it” prometem que o projeto continuará ativo, mas com um
esquema diferente. Pietra foi apenas o lançamento. Agora, a ideia é que “garotas comuns”
sejam o alvo, tipo aquela vizinha gata ou a beldade da faculdade.

- Já confirmamos a participação de seis meninas. Em breve, começaremos as novas


campanhas. A cada semana, vamos colocar uma menina no ar, durante um mês, e, a cada R$
500 arrecadados, liberaremos uma foto. Quanto mais dinheiro conseguirmos, mais fotos serão
disponibilizadas, e mais apimentadas - explica Rodrigo Nery, um dos criadores do “Nake it”.

O site está a procura de mais meninas e até mesmo meninos que desejem participar do
projeto. Se você acha que tem potencial para ser alvo do crowfunding, mande um e-mail para
modelos@nakeit.com. Também é possível indicar musas e musos para serem clicados num
futuro próximo.
Texto 29:

Um ensaio sobre a temida ‘friend zone’

Matheus Souza dá dez dicas para você saber se foi ‘friendzonado’ por quem
você gosta

Matheus Souza

Publicado: 8/05/12 - 11h43

Bella e Jacob, de ‘Crepúsculo’: um caso clássico de ‘friend zone’ Divulgação

“Friend zone” é, provavelmente, a palavra mais temida de todos os jovens que não nasceram
com o porte físico do Cauã Reymond. Consiste basicamente na arte humana de transformar
em “apenas amiga” uma pessoa que é apaixonada por você, sem o menor remorso. É a “zona
da amizade” da qual a maioria nunca sairá.

Dez dicas para você saber se foi “friendzonado” pela garota (ou rapaz) que você gosta:

1 - Vocês marcaram de ir ao cinema sozinhos e ela twittou: “Indo ao cinema com o querido
amigo @insiraseunomeaqui”.

2 - Você publica foto com outra no Facebook e ela curte.


3 - Ela te chama por um apelido que não remete, de nenhuma forma, a algo atraente
sexualmente. Exemplo: na adolescência fui apaixonado por uma moça que me chamava de
“Smurf”.

4 - Na hora de se despedir, o desespero dela de que você tente beijá-la é tão grande que ela
move não apenas o rosto, mas também o tronco e o quadril para os lados, de forma a garantir
que nada além de bochechas sejam atingidas.

5 - Vocês entram na sala de cinema e o lugar marcado envolve dois assentos cujo encosto do
braço está levantado. Ela o abaixa como se fosse uma atitude tão natural quanto respirar.

6 - Você escreve um texto se declarando e ela manda uma resposta dizendo o quanto você é
incrível.

7 - Ela costuma te ligar quando precisa matar tempo num shopping.

8 - No Facebook, ela frequentemente te marca em fotos nas quais você está feio.

9 - Vocês conversam sobre o assunto “friend zone” e a opinião dela é de que se trata de algo
impossível de reverter.

10 - Você abre a porta do carro para ela e ouve: “Nossa, que cavalheiro”. Isso, na verdade,
costuma significar: “Nossa, como você é fofinho, é uma peninha que eu prefira caras mais
capazes de me atropelar do que de abrir a porta para mim”.

No último fim de semana, me peguei conversando com uma menina interessante sobre o
tema, ela disse algo do tipo:

- Eu tenho vários amigos legais, inteligentes, que são fofos comigo, mas eu não consigo ficar
com eles. Não tem clima. E eu ainda não esqueci o Thiago (nome fictício).

Nisso, um amigo que também estava na roda, se juntou à conversa:

- Esse Thiago é aquele que traía a namorada toda hora?

- Aham, mas ele mudou - respondeu a garota.

Um outro amigo chegou na roda com crepes de chocolate para a galera, reconheceu o nome
do tal Thiago (que na hora foi chamado pelo nome real e não pelo fictício, de forma a ser
possível a identificação, obviamente) e entrou no assunto:

- Ele foi expulso de casa, né?

E nessa hora eu entendi o sucesso estrondoso de “Anna Julia”, o hino da “friend zone”.

Meu texto de hoje parece ter sido escrito pelo “Matheus de 13 anos”. Fiquei nostálgico depois
de ter ido a uma reunião de amigos de adolescência. E, bom, “friend zone” era meu estilo de
vida assumido.
Naquela época, eu tinha um plano maquiavélico de juntar todos os “friendzonados” do mundo
numa tática de parar de dar atenção para nossas paixonites ao mesmo tempo como protesto.
Uma amiga minha dizia que esse plano era babaquice. Hoje, eu penso que justamente o fato
de ser uma babaquice poderia ter feito ele funcionar.

Continuei com o tema na cabeça e levei a discussão para os amigos no lanche pós-futebol de
quarta. Conselho de um deles: “Cara, você tem que fazer como eu. Tava apaixonadão por uma
garota. Ela me deu um toco. Aí me apaixonei por outra”.

Putz! Então era simples assim o tempo todo?

Texto 30:

Irmãos de ‘Para Nossa Alegria’ lançam clipe para o Dia das Mães

O vídeo ‘Dia especial’ mostra a família Barbosa em cenas engraçadas do dia a


dia

O Globo

Publicado: 8/05/12 - 12h55

RIO - Jefferson Barbosa e a irmã Suellen estão dando um jeito de aproveitar mais um
pouquinho a fama que o webhit “Para Nossa Alegria” lhes trouxe. Os dois lançaram no último
domingo (6) um novo clipe, bem mais produzido, em homenagem ao Dia das Mães. O vídeo,
que se chama “Dia especial”, mostra a família Barbosa em várias cenas engraçadas do dia a
dia.

A dupla Para Nossa Alegria já está com o contrato assinado para o lançamento de seu
primeiro CD, “Para crianças e adultos bem humorados”, pela gravadora Salluz Productions. O
álbum está previsto para sair até início de junho, segundo o site da empresa, e as músicas
terão um humor bem inocente. “O grande público pode esperar um trabalho muito divertido
com canções que irão alegrar os ouvintes de todas as idades e classes sociais”, diz um texto no
site da Salluz.

Texto 31:

Festa Bootie Rio comemora dois anos de ‘mashups’

Edição de aniversário rola nesta sexta-feira (11). Veja mais dicas de


programação na coluna ‘Qual é?’
Marina Cohen

Publicado: 10/05/12 - 12h49

Uma das edições da Bootie Rio I Hate Flash / Divulgação

RIO - Muito carioca só sabe o que é um mashup (colagem de uma música na outra) graças à
festa Bootie Rio. O evento, que está completando dois anos de atividade, ajudou a popularizar
as misturas musicais colocando DJs gringos e brasileiros especializados no assunto para agitar
a pista com mashups a noite inteira. Os brasileiros Faroff, Lucio K, João Brasil e André Paste
passaram a ter uma praça fixa onde mostrar suas criações e os cariocas ganharam uma nova
festa. “Depois de tanto incentivo à producão, o mashup acabou abocanhando alguns espaços
na TV, nos programas ‘Big Brother’, ‘Profissão Repórter’ e ‘Fantástico’. Ele foi até parar na
trilha sonora do réveillon de Copa, feita pelo João Brasil por dois anos consecutivos. Dá para
dizer que o gênero saiu do SoundCloud, né?”, comenta Fabiano Moreira, produtor da Bootie
Rio. Para comemorar esses dois anos de ode ao mashup, a Bootie canta parabéns para ela
mesma nesta sexta-feira (11), na Fosfobox, a partir das 23h. R$ 30, se mandar o nome para
bootierio@gmail.com e entrar até 1h.

HIP HOP

Sexta-feira rola a festa de hip hop LUV, no Vidigal (Avenida Presidente João Goulart 275).
Tem que colocar o nome no mural do evento para pagar R$ 25, até 1h.

CHROMEO
O duo meio americano, meio canadense Chromeo vai transformar o Circo Voador em pista de
dança, sábado. O show começa às 23h e, depois, tem festa 7 Day Weekend. R$ 95 para quem
confirmar presença aqui.

SÓ ROCK

Nas duas pistas da College Rock Party só tocam hits dos artistas e bandas que mudaram a
história do rock. Sábado tem festa no Teatro Odisseia, às 22h. Quem for de camisa preta paga
R$ 20 a noite toda.

LEVE A MAMÃE

Para celebrar o Dia das Mães, Maria Rita faz um show gratuito, com 25 músicas que fizeram
sucesso na voz de sua mãe, Elis Regina, domingo, às 16h, perto do Monumento aos
Pracinhas, no Aterro do Flamengo.

FOTOGRAFIA

A exposição World Press Photo traz as melhores imagens publicadas na imprensa mundial em
2011. As 170 fotos estão expostas na Caixa Cultural (Avenida Almirante Barroso 25), de
terça-feira a domingo, das 10h às 21h.

TRIO PODEROSO

Três grandes cineastas estão sendo homenageados com mostras retrospectivas: o CCBB exibe
filmes do sueco Ingmar Bergman, a Caixa Cultural elege o americano Orson Welles e o
Instituto Moreira Salles está com o italiano Fellini.

NERVOSO

A banda Nervoso e os Calmentes se apresenta na Casa da Matriz (isso mesmo, a boate voltou
a receber shows!), terça-feira (15). O barulho começa às 21h. R$ 10, com nome no mural do
evento.

Texto 32:

Ator Alexander Skarsgard serve à marinha no cinema e na vida


real

Astro interpreta comandante no filme de ação ‘Battleship’, que estreia nesta


sexta-feira (11)

Marina Cohen

Publicado: 11/05/12 - 8h42


Alexander Skarsgard em cena de 'Battleship' Frank Masi/ Universal Studios / Divulgação

LOS ANGELES - O galã Alexander Skarsgard - o vampiro Eric do seriado “True Blood” -
tem muito em comum com o personagem que interpreta no filme de ação “Battleship - A
batalha dos mares”, que estreia nesta sexta-feira (11) nos cinemas brasileiros. Claro que na
vida real ele não precisa enfrentar ETs invasores, como o oficial da marinha americana Stone
Hopper, mas a vida nos mares é comum tanto ao ator quanto a seu papel. Quando tinha 19
anos, Alexander foi servir à marinha da Suécia, seu país, por opção própria.

- Quis me alistar pelo desafio. Eu cresci em Estocolmo, numa familia boêmia de artistas,
então tinha um lado meu rebelde que queria ver como era essa outra vida - conta o ator de 35
anos, numa entrevista à imprensa internacional, em Los Angeles.

Alexander, cujo pai, Stellan Skarsgard, é um ator famoso na Suécia, se empenhou para valer
no treino militar e conquistou a patente de sargento. É claro que a rotina que viveu no quartel
serviu de base para interpretar o oficial de “Battleship”.

- Usei para compor o personagem o que aprendi sobre a personalidade dos marinheiros, sobre
liderança e a relação entre oficiais e soldados. Mas, bem, eu interpreto um comandante de
navio no filme e não era isso que eu fazia na marinha sueca - brinca Alexander, com um
sorriso tímido.

A superprodução de Hollywood traz também o début da cantora pop Rihanna como atriz,
interpretando uma tenente especilista em armas. Inspirado no jogo Batalha Naval, o longa-
metragem cheio de efeitos especiais mostra a saga de uma esquadra que precisa guerrear
contra uma nave alienígena para impedir que a ameaça extraterrestre cumpra seu objetivo. Na
trama, Alexander vive o irmão mais velho do protagonista, o tenente Alex Hopper,
interpretado por Taylor Kitsch (de “John Carter”). Ambos precisam lutar contra os ETs, mas
enquanto Alex faz o tipo irresponsável, Stone banca o irmão superprotetor. Na vida real, o
ator Alexander Skarsgard conta que também é assim.

- Sou o mais velho de sete irmãos. Definitivamente tento tomar conta de todos eles. Essa é a
parte mais difícil de morar em Los Angeles: deixá-los em Estocolmo - comenta o louro fortão,
mas de coração mole.

Texto 33:

Uma escola de circo que sabe se virar nos 30

Instituição completa três décadas fazendo malabarismo para se adaptar aos


novos tempos

Marina Cohen

Publicado: 13/05/12 - 18h44

RIO - Quando a trapezista Maria Julia Sales, de 27 anos, contou para sua família que estava
largando a faculdade de fisioterapia para estudar na Escola Nacional do Circo, a reação não
foi nada animadora. Ninguém via futuro nesse caminho. Sua colega Natasha Jascalevich, de
18 anos, passou pela mesma situação, quando começou a fazer contorcionismo um projeto
social em Búzios, na Região dos Lagos.
- Muita gente não leva a sério a nossa carreira. Nem o pessoal da minha idade entende quando
digo que quero ser artista de circo. Eles perguntam: “mas que profissão você quer seguir de
verdade?” - conta Natasha, também aluna da instituição administrada pela Funarte.

Escola mantida pelo Ministério da Cultura

Fundada em maio de 1982, a única escola do Brasil mantida pelo Ministério da Cultura
(MinC) avançou em vários aspectos ao longo de seus 30 anos, fazendo malabarismo para
driblar o preconceito de parte da sociedade e as transformações na paisagem do circo. Por um
lado, o número de lonas vêm caindo muito, o que tira um pouco da aura de romantismo ao
redor da atividade. Mas diversos grupos de teatro ou dança abriram espaço a profissionais
com linguagem de picadeiro. Hoje, a escola tem cerca de 90 alunos, muitos deles bolsistas de
diferentes estados, de olho num mercado de trabalho variado.

- O circo de lona tradicional vem perdendo cada vez mais espaço. Mas a cultura circense
passou a influenciar as artes cênicas em geral. Os artistas têm muitas possibilidades de
trabalho em espetáculos de dança, de teatro etc. O circo está na moda. Tem aparecido até na
novela das 9 (a personagem Débora, de Natália Dill, em “Avenida Brasil”, da Rede Globo, é
artista de circo) - destaca o coordenador de circo da Funarte, Marcos Teixeira.

A própria escola cuidou de formar boa parte dos profissionais que, hoje, dá emprego a
iniciantes. O ator Marcos Frota e o palhaço Topetão estudaram na instituição antes de
começarem, respectivamente, o Marcos Frota Circo Show, onde trabalha Maria Julia, e o
Circo do Topetão, raros exemplos de lonas em plena atividade no Rio. Também passou por lá
a turma que, em 1986, fundou a Intrépida Trupe, grupo que combina a linguagem circense ao
teatro e à dança.

Mas nem só de palcos e picadeiros vivem esses artistas. Desde 2010, a escola vem recebendo,
por ano, cerca de 30 alunos de várias partes do país, graças a um edital que concede bolsas
para financiar despesas desses estudantes ao longo de um curso básico de dez meses. Vários
deles complementam sua renda com números especialmente criados para sinais de trânsito.
Em questão de segundos, malabaristas, cuspidores de fogo ou palhaços mostram um pouco do
que sabem antes de “passar o chapéu”. Os alunos reconhecem que muita gente critica essa
realidade, mas, segundo o coordenador da escola, Zezo Oliveira, a prática deveria ser mais
respeitada.

- O sinal de trânsito é um espaço para o artista circense. Certa vez, um de nossos alunos
comprou um livro de R$ 25 com 25 moedas de R$ 1, que ele conseguiu no sinal. Não tem
nada a ver com os menores de idade pedindo dinheiro - diz Zezo.

O paulista Davi Hora e a uruguaia Fernanda Carratú pagam o aluguel com o dinheiro que
ganham nos sinal vermelho. Davi tira, em média R$ 130 por dia, mas tem amigos que
conseguem até R$ 450 em quatro horas.

- Conheço pessoas que até trabalham no picadeiro, mas preferem se apresentar na rua. Você
faz seu horário e tem uma experiência muito legal, de contato direto com o público - destaca o
artista de 26 anos.
Davi mora num pensionato na Tijuca, não muito longe do terreno onde funciona,
temporariamente, a Escola de Circo, na Leopoldina. Em 2009, a instituição precisou fazer
contorcionismo e deixar sua sede na Praça da Bandeira para abrir espaço aos trabalhos da
Linha 1A do metrô. Mas alunos e professores devem voltar a seu local de origem até o fim do
ano, assim que terminarem as obras de construção das novas instalações, no endereço antigo.
Só então, a direção da escola deve organizar os eventos para festejar os 30 anos formando
acrobatas, equilibristas, malabaristas e outros profissionais.

Escola formou artistas do Cirque du Soleil

Da escola na Avenida Radial Oeste, já saíram artistas até para o Cirque du Soleil, uma trupe
cujo prestígio internacional é capaz de alterar a visão do grande público a respeito do circo.
Mesmo assim, ainda falta muito até um aluno da instituição dizer que pretende ser
profissional circense sem levantar surpresa.

- Isso vem da forma como são vistos os artistas em geral. Boa parte da sociedade também não
leva a sério alguém que decide estudar dança ou teatro - comenta Dani Lima, que estudou na
escola de 1984 a 1986, foi uma das fundadoras da Intrépida Trupe e, desde 1997, coordena
uma companhia de dança com seu nome, cuja linguagem está distante do picadeiro.

Da tradição de famílias para o novo circo

Quando a Escola Nacional de Circo foi fundada, em 1982, o universo dos picadeiros ainda era
dominado por famílias tradicionais que vinham de uma época de muito prestígio desfrutado
pela arte circense. Com a redução do número desses espaços nas últimas décadas, um novo
circo surgiu, liderado por profissionais de visão empreendedora como Renato Ferreira, mais
conhecido como palhaço Topetão. Ex-morador de Vigário Geral, ele se formou na instituição
da Praça da Bandeira em 1990 e, hoje, dá emprego a muitos alunos da escola onde estudou.

- Essa escola é mãe do circo moderno no Brasil. Ou seja, do circo feito por pessoas que são
apaixonadas pela arte, não por imposição de famílias tradicionais - comenta Renato.

Hoje, o profissionalismo se tornou essencial numa trupe. Vários fatores contribuíram para a
redução do número de lonas. Os artistas listam, entre eles, a burocracia cada vez mais
exigente para se montar uma lona, principalmente numa metrópole. Recentemente, a
proibição de animais nos picadeiros também obrigou os profissionais a criar alternativas de
entretenimento em seus espetáculos.

Texto 34:

Marvel anuncia dois novos filmes de super-heróis

A intenção da empresa é produzir dois filmes por ano, a partir de 2013

O Globo
Publicado: 15/05/12 - 13h16

Hulk, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Nick Fury, Viúva Negra, Capitão América e Thor
em imagem de ‘Os Vingadores’ Divulgação

RIO - O presidente dos estúdios Marvel, Kevin Feige, disse à rede de TV Bloomberg que a
empresa fará mais dois filmes de super-heróis, dentro dos próximos cinco anos, fora os que já
estão previstos: “Thor 2”, “Capitão América 2” e “Homem de Ferro 3”. O executivo, porém,
não revelou quais serão os protagonistas dos novos longa-metragens.

“Queremos fazer dois filmes por ano. ‘Os Vingadores’ é o nosso único filme deste ano, mas
em uma semana e meia nós vamos começar a filmar ‘Homem de Ferro 3’. Até o fim do verão
(inverno, aqui no Brasil) estaremos trabalhando no próximo filme do Thor e, no início do ano
que vem, no novo do Capitão América. Esses são os três que anunciamos até agora, mas
temos dois além destes, que ainda não anunciamos, nos quais já estamos trabalhando”, contou
Kevin em entrevista ao canal americano.

Apesar de ainda não anunciados oficialmente, já foram cogitados filmes sobre Hulk e
Homem-Formiga. Os personagens Viúva Negra e Gavião Arqueiro também já foram
cogitados como estrelas de seus próprios filmes. É bastante provável que duas destas
propostas sejam as novidades às quais o presidente da Marvel se refere. Mas, por enquanto, os
fãs de quadrinhos terão que esperar pelo anúncio oficial.
Texto 35:

Por que o videogame ‘Diablo III’ é o mais esperado da década?

Matheus Souza entrevista três nerds para entender a expectativa em torno do


lançamento

Matheus Souza

Publicado: 16/05/12 - 11h07

Ontem, dia 15 de maio, foi lançado um dos jogos mais esperados de todos os tempos: “Diablo
III”. O game, que ficou doze anos em produção, tomou conta dos “trending topics” do Twitter
ao redor do mundo e virou tema de uma série de posts no site de humor “9GAG”. Para
explicar e ilustrar um pouco o fenômeno, passei o dia correndo atrás dos meus amigos mais
nerds do tempo de colégio que eram viciados em “Diablo II” e fiz algumas perguntas sobre
suas expectativas. Entrevistei algumas namoradas deles também.

Eu: Ok, me fale um pouco sobre o que diabos é “Diablo III”.

Amigo 1: É um jogo de ação “hack n’ slash”, de vista isométrica, que mantém a mesma
jogabilidade desde o “Diablo I”, mas com diferenças de mecânica. Tem uma guerra perpétua
entre o Céu e o Inferno. São os cinco anjos, contra três “prime evils” e quatro “lesser evils”.
Os três “prime evils” são Diablo, Baal e Mephisto. Já os “lesser” são Andariel, Duriel,
Asmodan e Bilail. Os anjos são Tyrael, Auriel, Imperius, Iterael e Malthael. E cada um tem
seu exército.

*Nota do colunista: Eu poderia explicar o que é “hack n’ slash” ou “vista isométrica”, mas
estou com preguiça e o Google está aí para isso, né?

Eu: Qual o valor sentimental que a franquia tem para você?

Amigo 2: Eu joguei muito com meus principais amigos. E é até um pouco triste ver que
muitos deles não vão jogar o “Diablo III” por causa da vida real. A gente cresce, né? Alguns
trabalham, não dá mais para largar a vida para ficar jogando.

Amigo 3: Foi o primeiro MMORPG (massively multiplayer online role-playing game) que eu
joguei de verdade. Aliás, eu e toda uma geração. E tem o lado da Lore, a história do jogo, que
você se envolve muito com ela.

Amigo 1: Alguns jovens passam a noite em bar batendo papo, outros em sociais, outros em
festas. A gente passava a noite em lan house comendo Twix, matando os mesmos “bosses” a
noite inteira. Foi uma época divertida, rendeu boas memórias.

Eu: O que causa o vício?

Amigo 1: É um jogo bem expansivo e diversificado. Ao mesmo tempo em que tem poucas
classes para criação do personagem, cada uma é muito “customizável”, o que gera uma
jogabilidade única para cada jogador.

Eu: Como você pretende conciliar a “vida adulta” com o lançamento do jogo?

Amigo 3: Olha, admito que, na primeira semana, vou largar de barriga tudo completamente:
trabalho, família, namorada. Estou esperando esse jogo há dez anos, então estou nem aí para o
resto do mundo.

Eu: O seu namorado era viciado em “Diablo II”. Nos tempos de colégio, já inventou
várias vezes que a mãe estava doente para não ir ao cinema comigo. Ele pretende jogar
“Diablo III”?

Namorada do amigo 1: Aham. Ele acabou de comprar uns 5kg de Doritos para aguentar a
semana inteira sem sair de casa.

Eu: E como você pretende lidar com isso?

Namorada do amigo 1: O jeito é torcer para o Doritos acabar logo para ele me ligar pedindo
para comprar mais.
*Nota do colunista 2: Caso o namorado dessa moça resolva telefonar para a Domino’s ao
invés de ligar para ela, o relacionamento vai ficar por um fio. Se você está solteiro e em busca
de uma mulher com tolerância para nerds, ela já me autorizou a enviar seu perfil do Facebook
para os interessados que me mandem e-mails.

Namorada de amigo 2: Eu estou procurando um lugar que venda o biquíni dourado da


Princesa Leia. Só assim para eu voltar a ter atenção.

Texto 36:

Móveis Coloniais de Acaju lançam clipe de música inédita

Banda brasiliense divulga vídeo de ‘Vejo em teu olhar’

O Globo

Publicado: 29/05/12 - 18h35

RIO - Os Móveis Coloniais de Acaju voltaram a se mexer. A banda brasiliense, que andou
meio sumida do radar, lançou nesta terça-feira o clipe de “Vejo em teu olhar”, primeira
música inédita desde o álbum “C_mpl_te”, de 2009.

No vídeo, os integrantes da querida bigband aparecem envelopando um ponto de ônibus em


Brasília. A intervenção aconteceu durante uma mobilização na qual diversos pontos da capital
federal foram renovados. “Figuras e palavras pregadas nas paredes transformaram a relação
das pessoas com o próprio espaço e entre elas mesmas”, explicam os Móveis, no texto que
acompanha o clipe, no Youtube.

Texto 37:

Aplicativos para celulares ajudam a chamar táxi

O passageiro pode fazer o pedido pelo celular e o sistema aciona o carro mais
próximo

O Globo

Publicado: 29/05/12 - 16h56


Táxis começam a utilizar aplicativos de celulares para localizar clientes Simone Marinho /
Agência O Globo

RIO - A parte mais chata de sair para a night é ter que chamar um táxi para voltar para casa. É
preciso sair da boate para telefonar para os pontos, que costumam demorar muito tempo para
atender os pedidos de madrugada. Mas graças a alguns aplicativos que estão sendo
desenvolvidos para celulares, a saga promete ficar bem mais simples.

Fazendo o download do recém-lançado “Taxi Aqui”, disponível gratuitamente para iPhone e


sistema Android, o sistema procura pelo táxi mais próximo e, automaticamente, envia o
pedido para os taxistas disponíveis que possuem cadastro na ferramenta. Aceitando a corrida,
o taxista recebe os dados para buscar o passageiro. Quando o carro chega ao local, quem o
chamou recebe uma mensagem avisando da chegada. Por enquanto, o serviço só está
disponível em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte.

O “LevoVC”, também grátis para iPhone, Android, Symbian e BlackBerry, funciona da


mesma forma: através dele, é possível fazer uma busca para encontrar os táxis que estão mais
próximos. Em fase de testes, o aplicativo só funciona para cariocas, mas em breve estará
disponível para todo o país.

Já o “Taximov” funciona de maneira um pouco diferente. Ele é mais complexo, porém mais
seguro. O cliente deve solicitar uma corrida pelo callcenter do aplicativo (11-4148-6623) ou
pelo site. Então o computador central escolhe o táxi livre mais próximo e envia ao cliente uma
mensagem informando as características do carro (placa, marca, modelo) e o tempo estimado
até que o taxista chegue ao local. Basta então o cliente aceitar a corrida e esperar. Por
enquanto, o serviço só atende à região metropolitana e ao litoral de São Paulo, mas o objetivo
é que o “Taximov” esteja funcionando em todas as cidades-sedes da Copa do Mundo até
2014.
Com a mesma afunção, o “Resolveaí” promete ser um grande hit. Ele já está funcionando em
Brasília e no Rio de Janeiro, onde mais de 4 mil táxis já foram cadastrados. As inscrições são
feitas apenas por cooperativas, o que torna o serviço bem mais seguro. Por enquanto, só é
possível pedir o táxi pelo site, mas um aplicativo para celular já está em fase de testes.

Texto 38:

Roteirista já trabalha na adaptação de ‘Deslembrança’ para o


cinema

Autora do livro diz que está feliz com a escolha de Hailee Steinfeld para viver
protagonista
Publicado: 29/05/12 - 13h24

A autora americana Cat Patrick Judith Fernstrom

RIO - “Deslembrança”, da autora americana Cat Patrick, é um livro que já chega ao Brasil
com um carimbo de “hit literário” estampado na capa (o carimbo é imaginário, ok?). Isso
porque, além de seus direitos terem sido vendidos para 13 países, o thriller será adaptado para
o cinema pela Paramount Pictures, com Hailee Steinfeld - que concorreu ao Oscar de Melhor
Atriz Coadjuvante em 2011 por “Bravura Indômita” - interpretando a protagonista London.
A história de “Deslembrança” (editora Intrínseca) é intrigante: a garota London, de 16 anos,
não tem recordações do passado, ela só se “lembra” do que ainda vai acontecer. Todo dia, às
4h33, suas recordações do que aconteceu durante o dia se apagam e só lhe restam as previsões
para o futuro. Mas tudo isso se torna ainda mais angustiante quando a menina conhece Luke,
um garoto do qual ela realmente não queria esquecer. Para completar, London começa a ter
uma “lembrança” de um enterro, mas não consegue descobrir de quem é o funeral que lhe
aguarda.

Leia o papo que batemos com a escritora.

O GLOBO: De quais autores você gostava quando era adolescente?

CAT PATRICK: Eu lia basicamente o que a escola impunha, mas eu gostava. Ray Bradbury
era um dos meus atores favoritos, e “Fahrenheit 451” foi o livro que acendeu minha paixão
pelos livros distópicos para jovens.

Como a protagonista de “Deslembrança” só “se lembra” do futuro, foi complicado


escrever o livro sem se perder na história?

CAT: Sim, foi bem difícil. Eu tinha que anotar tudo e também fiz uma linha do tempo
bastante detalhada dos eventos que iam acontecendo na vida da London. Bom, eu estava
dormindo pouquíssimas horas por noite, porque precisava cuidar dos meus dois bebês recém-
nascidos, então acho que escrever sobre um personagem que esquece as coisas faz sentido
quando você esquece de você mesma.

O livro será adptado para o cinema. Qual a sensação?

CAT: Estou super feliz! Hailee Steinfeld será London e eu não poderia pensar numa atriz
melhor para interpretá-la. Quando eu estava escrevendo o livro, imaginei ele como um filme,
então espero que o projeto aconteça logo!

O que você já sabe sobre o filme?

CAT: Apenas que há produtores tocando o projeto e um roteirista, que já está trabalhando no
roteiro.

Qual parte do livro você está asiosa para ver na telona?

CAT: Sem querer revelar muito sobre a história, uma das minhas cenas favoritas do livro é a
do cemitério. Estou ansiosa para ver como ela vai ficar no cinema.

Você já está escrevendo seu próximo livro, “The originals”. Como ele será?

CAT: Ele é sobre três clones que vivem como uma pessoa para evitar seus passados. Eles
dividem os dias em três turnos: um vai à escola de manhã, o outro à tarde e o último assiste a
aulas à noite e tem um trabalho noturno. É um livro sobre pessoas que tentam se encontrar,
quando você se sente apenas como mais um na multidão. Tem romance e mistério.
Texto 39:

Matheus Souza: ‘Devo minha vida sexual ao Los Hermanos’

Segundo colunista, jovens sensíveis não faziam tanto sucesso entre garotas
antes da banda

Matheus Souza

Publicado: 30/05/12 - 12h10

Show da banda Los Hermanos, na Fundição Progresso, na última quinta-feira (24) Rafael
Andrade / Agência O Globo

No caminho para o show do Los Hermanos, na última sexta-feira, fiquei matutando sobre que
enfoque dar para a banda aqui na coluna. O que escrever de um grupo sobre o qual, seja por
fãs ou “haters”, tudo já deve ter sido escrito? Desabafei a questão num grupo de amigos do
Facebook e recebi um SMS de uma moça, casinho antigo, dizendo: “Fui no show ontem e
lembrei de você”.
Então me toquei de que uma das coisas que nos uniu, no passado, foi a paixão pela banda. E
ela não havia sido o primeiro caso com esse perfil. Percebi que 90% das garotas com as quais
me relacionei eram fãs do grupo. Ou seja, eu basicamente devo a minha vida sexual ao Los
Hermanos.

Era uma vez o “mundo antes de 2003”: as rádios e os corações das meninas estavam tomados
por “canções” sobre skatistas rebeldes de Santos que afirmavam dizer tudo o que elas
gostavam de escutar, e que este era o provável motivo pelo qual elas iam procurá-los.

O futuro parecia cinzento para qualquer jovem sensível cuja mãe não deixava usar tênis
“Reef” desamarrado e que não curtia a ideia de andar com as calças caindo. Além de ser uma
prática incômoda e trabalhosa, cuecas são artigos pessoais. Principalmente as Zorbas que as
avós gostavam de dar nos Natais.

Foi então que uma pequena obra-prima chamada “Ventura” foi lançada e mudou as regras do
jogo. Não satisfeitos em apenas gravar um ótimo álbum, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante,
Bruno Medina e Rodrigo Barba levantaram o estandarte do “Cara estranho”. De uma hora
para outra, a população de barba sexualmente ativa quadruplicou.

Se antes desse CD os “desajeitados”, os “excluídos”, os que “não se encaixavam”, ficavam


dentro de seus quartos jogando seus jogos de videogame, lendo seus livros e ouvindo
Radiohead, alheios ao mundo lá fora, depois dele, a porta do quarto foi aberta. Uma
identidade foi criada. Uma bandeira tinha sido levantada. Era OK ser estranho. Muita gente
era também! E todos podiam se encontrar e se unir na catarse coletiva que eram os shows da
banda.

A partir desse novo pátio de socialização, “Annas Julias” viraram “Morenas” que sabiam
apreciar “caras sentimentais” que diziam coisas bacanas para elas. E eles também conheceram
moças do tipo que não costumavam procurar os skatistas descolados, afinal, o que eles diziam
não era exatamente o que elas gostavam de escutar.

Ironicamente, estava indo para o show de sexta-feira solteiro e segurando vela para um casal
de amigos. Tentei então me utilizar do evento de retorno para chamar atenção das moças da
Fundição Progresso através de citações do grupo. Uma vez que elas já fizeram parte de tantos
amores passados, por que não acreditar no seu potencial para criar futuros?

Algumas das conversas que tive ao longo da noite...

Cena um:

Mulher 1: Nossa, não devia ter bebido tanto, tô muito doida.

Eu: Relaxa, “cobre a culpa vã”.

Mulher 1: Hã?

Cena dois:

Eu: Sabe o que eu queria nesse momento?


Mulher 2: O quê?

Eu: Viver “o óbvio utópico”.

Mulher 2: (não falou nada, só fez uma cara de “nada”)

Eu: “Te beijar”. Foi uma citação. “Iaiá”, sabe?

Mulher 2: (cara de nada se transformando lentamente numa cara de pena)

Cena três:

Uma das meninas que se juntou ao meu grupo estava querendo descer do segundo para o
primeiro andar na pausa para o bis.

Mulher 3: Vamo descer?

Eu: Olha, só de te ver eu penso em trocar a minha TV de LED e o meu Playstation 3 num
jeito de te levar a qualquer lugar que você queira.

Obviamente nenhuma das minhas tentativas de transformar letras em cantadas infames gerou
frutos positivos. Mas o show foi ótimo. E acho que é isso que importa afinal, antes de toda
essa minha viagem, né?

De qualquer jeito, no próximo sábado vou ao show novamente. Quem quiser contribuir, pode
mandar mais “cantadas hermaníacas” para omatheussouza@gmail.com. Se alguma funcionar,
aviso por aqui.

Texto 40:

Usher se apresentará ao lado de hologramas de dançarinos

Bailarinos digitais serão criados pelos fãs que estarão em casa, assistindo ao
show
Publicado: 31/05/12 - 13h10
O cantor americano Usher Divulgação

RIO - A moda dos hologramas pegou de jeito a cultura pop. O cantor americano Usher será
acompanhado de dançarinos digitais, em forma de hologramas, no show que fará em Londres,
nos estádio Hammersmith Apollo, no dia 11 de junho.

Só que os bailarinos não serão reproduções de pessoas reais, mas criados como “avatares”
pelos fãs que estarão em casa, asssitindo ao show pelo computador, no site YouTube, que
transmitirá o evento ao vivo. “As pessoas poderão criar, literalmente, seu próprio avatar e
fazer com que ele dance junto com Usher no palco”, explicou ao jornal “The New York
Timers” o diretor do show, Hamish Hamilton, que já trabalhou com Madonna e U2.

Os dançarinos digitais, criados pela empresa canadense Moment Factory, aparecerão quando
o astro cantar a música “Scream”. “Já sabemos que os princípios funcionam, agora, estamos
garantindo que os personagens sejam criados de uma maneira bastante interativa e real. Há
pessoas do mundo inteiro, em seus programas de computador, tentando encontrar uma forma
de fazer isso, nesse exato momento”, disse o diretor.

Texto 41:

Funk de MC Garden conquista a web ao apontar mazelas sociais


“Isso é Brasil” critica problemas e coincidiu com período de protestos
Letra, que aborda temas como transportes, religião e violência policial, conquistou
quem não gosta do gênero

No YouTube há uma semana, vídeo tem mais de 330 mil visualizações

Evelyn Soares
Publicado: 26/06/13 - 14h42

RIO - “Aqui, a bunda vale mais que a mente”: esta frase poderia ser mais um dos cartazes de
manifestações que enchem as ruas do país, mas é uma das (muitas) críticas do funk de MC
Garden - o nome artístico de Lucas Rocha da Silva. O rapaz de 19 anos conquistou o
Facebook - e quem não gostava do gênero - com rimas maldizendo as mazelas que os
brasileiros sofrem, ao mesmo tempo que os protestos começaram a efervescer.

- Sempre fiz funk consciente, e resolvi abordar vários temas de uma vez só. Escrevi a letra
antes das manifestações começarem, e o clipe estava sendo finalizado quando rolaram as
primeiras passeatas - conta o morador de Americanópolis, bairro da Zona Sul de São Paulo.

A inspiração, segundo Silva, veio de sua visão de mundo e “de tudo que os brasileiros
vivenciam todos os dias”. Em “Isso é Brasil”, ele solta o verbo sobre a falta de investimentos
em saúde e educação, os problemas nos transportes públicos, e até a alienação dos cidadãos
pela internet e outras mídias. O funk começa abordando do deputado federal Marco Feliciano
(PSC-SP) e das igrejas evangélicas, e o clipe mixa imagens do MC na rua do bairro, em casa e
de um famoso vídeo do pastor.

- Critiquei o que muita gente tem vontade de falar e poucos têm coragem de dizer. Incomoda
muita gente ver a exploração das igrejas com os fiéis, suas atitudes contra os gays, entre
outras - diz o MC, que não acredita em Deus “da forma convencional” .

De outra forma, o funk também aponta a violência da polícia. Na cena, DJ Vinicius Boladão
põe a mão na boca de MC Garden e sussurra: “shhhh! É melhor nem tocar nesse assunto!
Porque daqui a pouco vão excluir esse vídeo, e se eu falar muito vão me excluir junto”. E é
esse abuso de poder, mostrado de forma velada, que mais revolta Silva.

A música se popularizou na rede social por ser tão plural quanto os pedidos expressos em
gritos e cartazes nas manifestações. O vídeo, no ar no YouTube desde o dia 19 de junho (dia
que protestos tomaram as ruas de dezenas de cidades), acumula mais de 330 mil
visualizações. Silva esteve nos últimos três protestos, e também sofreu com o gás
lacrimogêneo lançado pela polícia. Para ele, os protestos seguiam um caminho bom e precisa
voltar a ter foco:

- O protesto estava na linha do bem, mas sempre tem um ou outro oportunista para roubar,
depredar. Também vi gente que não sabia pelo que lutar, como se estivesse em uma micareta.
O povo tem força e poder, e estava usando bem, mas começou a perder o foco. Não adianta só
ir para ruas. Tem que lutar com consciência
Texto 42:

Coletivo Indius cria música com dois locais ícones de protestos

Clipe de “Da Candelária à Consolação” mostra imagens das manifestações no


Rio e em São Paulo

Evelyn Soares

Publicado: 1/07/13 - 9h00

RIO - O momento importante pelo qual passa o Brasil inspira músicos a criarem suas canções
a respeito das manifestações. Os protestos ecoaram na política e também no mundo das artes,
e uma das canções produzidas foi “Da Candelária à Consolação” - cuja produção foi coletiva,
assim como os protestos. Oito integrantes do coletivo Indius cantaram e quatro tocaram a
música composta pelo jornalista e músico Aruan Lotar (cujo nome, em dialeto indígena,
significa “pacificador”). O título remete aos locais chave das manifestações no Rio e em São
Paulo.

- A música foi composta de 12 de junho até o dia 16, enquanto aumentava a truculência
policial nos protestos em São Paulo. No próprio domingo, gravamos como pudemos. Alguns
fizeram em casa e mandaram, e, com o Bipe Balbino, juntei todos os trechos - contou o artista
de 29 anos.

Até a sonoridade tem relação com os protestos, segundo Lotar. Nos versos, mais calmos, cada
um evidencia seu canto. No refrão, com a marcação de marchinha de carnaval, as vozes se
unem para encenar “um coletivo gritando uma ordem, algo que esteja as incomodando”. Ao
fim, o grupo usou o áudio da passeata de 20 de junho de Brasília, lembrada pelo brado
“amanhã vai ser maior”.

Já o clipe de 3 minutos e meio mostram as imagens das manifestações no Rio de Janeiro e em


São Paulo veiculadas na internet. Lotar explica que, como a mídia veiculou muitas imagens
de vândalos depredando prédios públicos, resolveu mostrar o que as pessoas publicavam nas
redes sociais.

- A gente focou nas manifestações, mostrou a truculência policial. Quisemos mostrar essa
mobilização bonita porque, independente dos atos de vandalismo, a questão central é mostrar
que tem alguma coisa errada no país. A música acentua que os dois lados tiveram condutas
erradas, mas não quisemos sentenciar, e sim trazer um panorama do que ocorreu. Também
fazemos ligações entre os versos e as imagens como, por exemplo, no trecho que fala dos
coliseus - explicou.
Lotar também foi às ruas nas duas grandes passeatas do Rio, e percebeu que as manifestações
“despertaram um sentimento real de cidadania, que estava adormecido”. Na última, no dia 20
de julho, não esteve no meio do furacão porque saiu meia hora antes da confusão começar.
Ele conta, porém, que alguns amigos não tiveram a mesma sorte, e sofreram com as bombas
de gás lacrimogêneo dentro de bares na Lapa. Apesar da situação ruim, ele acredita que
resulte algo bom para o país.

- Tenho uma visão otimista. As manifestações perderam o fôlego, estão menores, mas mais
focados e ganhando inteligência. O movimento está dando certo, e dá para ver pela resposta
das autoridades. A população só ganhou, e conseguiu assustar de verdade a classe política -
disse.

Texto 43:

Nova música dos mcs Fox e Mãe critica a corrupção no país


“Tem alguma coisa errada. Me diz! Não vamos fazer nada?”, instigam os rappers
em “Pra cima de moi”

Vídeo foi lançado em meio às manifestações contra o aumento do preço da


passagem de ônibus

“Esse sentimento de revolta já está no ar há algum tempo. Por acaso, acertamos na


veia a semana da revolução”, conta Fox

Evelyn Soares

Publicado: 8/07/13 - 9h00

RIO — Os mcs Fox e Mãe não poderiam ter escolhido melhor timing para lançar o segundo
clipe da carreira da dupla, o da música “Pra cima de moi”. O vídeo da canção que critica os
altos salários dos políticos e a corrupção no Brasil saiu, justamente, na semana em que as
manifestações contra o aumento do preço das tarifas de ônibus se espalharam país. Mas, para
os rappers, não foi uma mera coincidência.

— Realmente é um ótimo momento para o clipe sair. Mas acho que foi um mix de sorte com
precisão. (risos) Esse sentimento de revolta já está no ar há algum tempo. Por acaso,
acertamos na veia a semana da revolução, mas essa música é atual desde mil novecentos e
bisavó matando aula — diz o músico Rodrigo Raposo, que atende pelo nome de artístico Fox.

Até então, com 14 anos de parceria musical, Fox e Mc Mãe tinham apenas um clipe gravado.
O vídeo de “Pra cima de moi” nasceu para promover o novo CD da dupla, “Piratão de
inverno”, que sairá em breve. O filme foi rodado em dois dias em diferentes cenários do Rio
(da praia aos muros grafitados) e editado em duas semanas pelo próprio Fox. Tudo “a custo
zero”, como reforçam os produtores da Prexeca Records. Já a letra da canção, composta há
meses, chega a ser premonitória:

“O dinheiro que elege os presidentes é privado

Voto secreto na cara dos otários

O salário é de três zeros e tá tudo milionário

Então, me diz! Tem alguma coisa errada

Me diz! Não vamos fazer nada?”

Fox conta que, assim como no caso dos protestos das últimas semanas, a indignação com o
serviço público foi o que mais estimulou os dois compositores a escreverem o rap.

— Um país que tem umas das maiores cargas tributárias do mundo não pode ter essa
esculhambação nas áreas de educação, saúde e serviços públicos, para início de conversa. A
corrupção lambe os recursos, a impunidade revolta o povo e faz carinho na cabeça dos
safados. E isso é só a ponta do iceberg — solta o verbo mc Fox.

O músico, morador de São Conrado, diz que é a favor das manifestações, se forem pacíficas.

— As manifestações são ótimas, desde que não haja violência. Grandes conquistas se deram
dessa forma, vide Gandhi, Martin Luther King etc. Se conseguirmos nos unir pacificamente e
reivindicar o justo, o cenário vai começar a melhorar — afirma, otimista.

Texto 44:

Cone Crew Diretoria lança clipe gravado durante protestos na


rua
Assista ao vídeo de “Pronto pra tomar o poder”, que mostra integrantes do coletivo
participando de manifestações

Marcelo Yuka aparece se protegendo de bombas de gás lacrimogêneo.

O Globo
Publicado: 11/07/13 - 16h29
RIO - O coletivo carioca Cone Crew Diretoria lançou nesta quinta-feira o clipe da música “Pronto pra
tomar o poder”, com participação de Marcelo Yuka e repleto de cenas gravadas durante as
manifestações que ganharam as ruas de todo o Brasil no mês de junho. A letra faz críticas a
problemas como corrupção na política, falta de educação no país e violência policial. O vídeo mostra
os integrantes do grupo de rappers participando dos protestos, assim como Yuka, que aparece de
lenço no rosto e se protegendo de bombas de gás lacrimogêneo.

“Eu tenho força, fé na vitória/Tô pronto pra tomar o poder/Tô pronto pra escrever uma nova
história/ Se não tô pronto pra morrer”, diz o refrão da música. Versos como “Não tenho dom
de perdoar patifaria” e “Direitos humanos, necessidade básica, educação e justiça na prática”
aparecem por toda a letra. Considerados o “Planet Hemp da nova geração”, o coletivo não
deixa de fazer referência à maconha (“Relaxo e dou mais um trago”).

Ao longo de todo o clipe, cenas de pessoas levantando cartazes e gritando palavras de ordem
nas ruas se misturam a imagens de confronto entre policiais e manifestantes. Os membros do
grupo também aparecem, envolvidos na mobilização e cantando alguns versos do rap. Rostos
de políticos como José Dirceu, José Sarney e Eduardo Paes também estão lá. No final, Yuka
aparece cantando um trecho. “Eu já vi muita coisa, você não acreditou/ O teto do Planalto
balançou/ Quem sempre bateu recuou”

Texto 45:

Sandy: ‘Estou mais segura com a carreira e como mulher’


Em segundo CD solo, cantora mostra lado otimista e maduro

‘Hoje fica tudo na minha mão. Mas tenho maturidade para administrar’, diz a
artista sobre sua carreira

Popstar acompanha protestos pelas ruas do país: ‘Vou apoiar enquanto tiver
certeza de que não é movimento partidário’

Marina Cohen
Publicado: 15/07/13 - 8h00
Cantora Sandy passa por boa fase na vida pessoal e na carreira Divulgação

RIO - Às 17h30 de sexta-feira, o telefone toca na redação e a repórter atende.

- Alô?

- Boa tarde. É a Marina?

- É sim.

- Oi! Aqui é a Sandy.

Não deu para segurar o susto com a simplicidade da frase - e da moça do outro lado da linha.
Popstar na infância e na adolescência, hoje, a cantora Sandy se mostra longe do estereótipo da
celebridade cheia de “não-me-toques”. Nada de assessores mediando a entrevista. A própria
artista liga para a jornalista e conversa enquanto toma um café.

- Cuido de tudo que envolve minha carreira. Da parte musical e da empresarial, das
composições à divulgação... É trabalhoso, sou mais estressada do que antes, mas me amarro -
diz a cantora, fazendo uma comparação com a época em que dividia as responsabilidades com
a outra metade da dupla Sandy&Junior, seu irmão - Hoje, fica tudo na minha mão. Mas tenho
maturidade para administrar isso.

Apesar de ter mais responsabilidades, Sandy garante que tem levado uma vida menos corrida
desde que abraçou a carreira solo, em 2007. Hoje, sobra mais tempo para malhar, lutar boxe
(paixão que adotou há seis anos), cozinhar e ficar em casa, em Campinas, com o marido, o
músico Lucas Lima, assistindo a filmes e séries de TV. Sandy é adepta, e com orgulho, do
estilo low-profile.

- Sou muito reservada e adoro viver em uma cidade afastada dos grandes centros. Minha vida
social se resume a programas sociais e gastronômicos. (risos) Depois de ter a vida tão exposta
na adolescência, encontrei meu jeito de sobreviver nesse meio.

Para Sandy, não foi fácil encontrar a tranquilidade após o fim de 17 anos de parceria com
Junior. Tanto que a fase de angústia e questionamentos apareceu nas letras melancólicas do
primeiro CD solo, "Manuscrito", de 2010. Porém, no mês passado, a compositora lançou
"Sim", um trabalho cheio de melodias e versos alegres, como os da faixa-título do disco: "Eu
vi a vida se abrir pra mim/ Quando eu disse sim".

- É o momento que estou vivendo. Estou mais pra cima, mais otimista e mais segura com a
carreira e como mulher - garante ela, citando o marido como peça fundamental: - Descobri
um novo parceiro para me ajudar nessa caminhada, o Lucas. Temos trabalhado juntos e a
convivência como casal só melhora. Com certeza essa confiança maior em mim mesma vem
também da felicidade no casamento.

O bom momento na vida pessoal não deixa a estrela alienada das passeatas que têm
esquentado o clima no Brasil inteiro desde o mês passado. No Twitter, @SandyLeah mostrou
um apoio discreto aos manifestantes, e, ao falar sobre o assunto por telefone, faz questão de
redobrar a cautela.

- É muito importante o que está acontecendo no nosso país. Vou apoiar enquanto tiver certeza
que esse não é um movimento partidário, mas social, vindo da população - observa Sandy. -
Fico, sim, indignada com algumas coisas que estão acontecendo no nosso país e acho que a
corrupção é um dos maiores problemas que enfrentamos. Se conseguirmos que seja usada
mais transparência no Congresso e nos governos federal e estadual, já será meio caminho
andado para um país mais justo.

Texto 46:

Novo álbum da Cone Crew Diretoria terá três músicas de protesto


Manifestações no país motivaram letras políticas como a inédita "Reflexo", que
estará no disco "Bonde da Madrugada (Parte 1)"

Neste sábado, grupo de rap carioca faz show de encerramento da turnê atual, na
Fundição Progresso, na Lapa

Publicado: 17/10/13 - 8h00


Cone Crew Diretoria em show da turnê ‘Com os neurônios evoluindo’, em Curitiba Sergio
Blazer / Divulgação

RIO - Depois de mais de 200 shows, a Cone Crew Diretoria encerra a turnê de seu segundo
disco, “Com os neurônios evoluindo”, com a “sensação de dever cumprido”, segundo o
beatmaker Papatinho. A despedida vai acontecer este sábado, no bairro onde tudo começou
para a banda: a Lapa. Mais especificamente, na Fundição Progresso.

O bonde carioca será o anfitrião da festa #RapRj, que ainda receberá os cantores Flora Matos,
Rael, Haikaiss, Marechal e a banda Start, de Stephan Peixoto, filho de Marcelo D2.

Os fãs do grupo mal se aguentam de ansiedade pelo lançamento do próximo trabalho, “Bonde
da Madrugada (Parte I)”. A data de lançamento ainda não foi cravada, mas Papatinho diz que
o disco será liberado ainda este ano. A arte da capa foi criada pelo designer e grafiteiro
Mottilaa.

- Tenho ido ao estúdio diariamente e posso garantir que sai ainda em 2013 - conta o músico,
numa entrevista por e-mail.

Como as ideias fervilham nas cabeças dos seis integrantes, eles decidiram dividir o álbum em
duas partes, cada uma com 11 faixas. A primeira metade do projeto contará com as já
lançadas “Chefe de quadrilha”, “Pra minha mãe” e “Pronto pra tomar o poder”, entre outras.

- O CD vai ter quatro faixas bem para cima e debochadas, duas para o público feminino, duas
calmas e três de protesto. Este formato deve se repetir também na “Parte II” - define o
produtor.
Ou seja, além de “Pronto pra tomar o poder”, que tem participação de Marcelo Yuka e um
clipe gravado em meio a uma manifestação, no Rio, haverá mais duas canções dedicadas aos
protestos, que também foram tema da apresentação do sexteto no Prêmio Multishow, em
setembro. Uma dessas inéditas se chamará “Reflexo”.

O teaser do terceiro disco da Cone Crew mostra só um pedacinho da faixa “To de volta no
twist”, mas o beatmaker do grupo adianta o que pessoal vai ouvir em breve:

- Essa música é bem debochada e para cima. Tem rimas que só poderiam ser escritas por
integrantes da Cone Crew mesmo. (risos) Um verso mais maluco que o outro, e o beat é bem
empolgante. Boto fé que esse som vai virar um hit - aposta ele. - Queria fazer a continuação
do curta “Chefe de quadrilha” com o videoclipe dela.

Os vídeos são tão esperados pelos fãs quanto as novas músicas. Foi, aliás, depois do
lançamento do primeiro clipe, “Chama os mulekes” - com participação de Mr. Catra, Tico
Santa Cruz e D2 - que a carreira do grupo alavancou. O curta, com mais de 10 minutos e 10
milhões de visualizações no YouTube, mostra uma reunião de “mafiosos” da indústria
fonográfica.

- Estou com muitas ideias e escrevendo roteiros para os futuros videoclipes, e estou em
contato com alguns diretores que já trabalharam junto com a gente. Os vídeos vão manter
aquela pegada de filminho que fizemos em “Chama os mulekes” e “Chefe de quadrilha” -
conta Papatinho.