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por meio de seus sentidos: vê a luz de um relâmpago, ou-


ve o som de um trovão e, por meio do tato tem, entre outras,
a noção de quente e frio. Consequentemente, classificou os
fenômenos observados de acordo com o sentido empregado
em sua observação.

MECÂNICA
O movimento é um dos fenômenos mais comuns no dia a dia
e o mais estudado até hoje, tendo dado origem à Mecânica.

TERMOLOGIA
As noções de quente e frio, sentidas pelo tato, motivaram o
ramo da Física que estuda o calor - a Termologia.

ÓPTICA
Certa vez, os cientistas conseguiram relacionar a luz com a ca-
pacidade de ver, e daí surgiu uma ciência chamada Óptica.

ACÚSTICA
A audição estimulou o ser humano a estudar as propriedades
do som, e assim surgiu outra ciência, a Acústica.

Essas ciências (Óptica, Acústica, Termologia e Mecânica)


constituem, hoje, os ramos clássicos da Física.
O desenvolvimento tecnológico possibilita à humanidade desvendar,
cada vez mais, os segredos do Universo.
ELETRICIDADE

INTRODUÇÃO AO ESTUDO As propriedades elétricas da matéria só passaram a ser estu-


dadas profundamente a partir do século XIX, e esse estudo,
DA FÍSICA conhecido como Eletricidade, é outro ramo da Física.
O ser humano sempre se preocupou em entender e dominar FÍSICA NUCLEAR
o Universo que o cerca. A necessidade do ser humano de com-
No século XX, a discussão da constituição da matéria deu ori-
preender o ambiente que o cerca e explicar os fenômenos na-
gem à Física Nuclear.
turais é a gênese da Física.
O UNIVERSO
O QUE É A FÍSICA
O campo de estudo da Física abrange todo o Universo: desde
A Física pode ser definida como uma ciência que busca des- a escala microscópica, relacionada às partículas que formam
crever os fenômenos que ocorrem na Natureza e prever sua o átomo, até a escala microscópica, que diz respeito aos pla-
ocorrência, procurando atualmente não mais oferecer uma netas, às estrelas e às galáxias.
imagem da natureza, mas sim uma imagem da relação do ser
A compreensão dos fenômenos da natureza pelo ser humano
humano com a natureza.
é estabelecida com base em modelos do Universo, criados de
A palavra física é proveniente do termo grego “physis”, acordo com o momento em que se encontra o desenvolvi-
que significa natureza. mento da ciência.
Precisamos, portanto, entender a Física não como algo fe-
Em Física, como em toda ciência, qualquer acontecimento ou
chado e terminado, mas como um patrimônio em constante
ocorrência é chamado de fenômeno, ainda que não seja ex-
mudança. Tais mudanças ocorrem quando um determinado
traordinário ou excepcional. A simples queda de um lápis é,
modelo, devido ao avanço do conhecimento, não mais explica
em linguagem científica, um fenômeno.
de maneira satisfatória os fenômenos naturais a que se refere.
Os fenômenos naturais são tão variados e numerosos que o
campo de estudo da Física torna-se cada vez mais amplo, exis-
tindo hoje diversos ramos da Física.
FÍSICA E MATEMÁTICA
A Matemática ajuda muito a Física, sintetizando a compreen-
RAMOS DA FÍSICA são dos fenômenos. Uma fórmula matemática que resume um
O ser humano tem as suas primeiras informações do Universo fenômeno físico constitui uma ajuda para a compreensão des-
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se fenômeno, de modo que nunca deve ser assustadora. Anotação
O valor √𝟏𝟎 = 𝟏𝟎𝟎,𝟓 ≅ 𝟑, 𝟏𝟔 corresponde ao ponto médio
ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS
do intervalo entre 100 (1) e 101 (10).
Em toda medida os algarismos corretos e o primeiro duvido-
sosão chamados algarismos significativos. LINGUAGEM DA FÍSICA
É preciso compreender como a Física se comunica. A Física tra-
balha com muitas grandezas e medidas diferentes e entender
como representá-las é fundamental para que seja possível in-
teragir com o conteúdo.

O SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

O Sistema de Unidades adotado oficialmente no Brasil é o Sis-


Observações
tema Internacional de Unidades, ratificado pela 11ª Confe-
1. Os zeros à esquerda do primeiro algarismo significativo de rência Geral de Pesos e Medidas de 1960 e atualizado nas se-
um número não são significativos. guintes até a 22ª Conferência, de 2003.
2. Os algarismos correspondentes à potência de 10 de um
número não são significativos. UNIDADES FUNDAMENTAIS

OPERAÇÕES COM ALGARI SMOS SIGNIFICATIVOS De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI), exis-
Em alguns momentos, podemos nos deparar com algarismos tem sete (7) unidades fundamentais de medida, cada uma de-
significativos de diversas casas decimais. Nesses casos, é pre- las correspondendo a uma grandeza física:
ciso maior atenção ao realizar operações com tais números. Unidade Símbolo Grandeza física
metro m comprimento
MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO quilograma kg massa
Ao efetuarmos uma multiplicação ou uma divisão com alga- segundo s tempo
rismos significativos, devemos apresentar o resultado com um kelvin K temperatura termodinâmica
ampère A intensidade de corrente elétrica
número de algarismos significativos igual ao do fator que pos-
mol mol quantidade de matéria
sui o menor número de algarismos significativos. candela cd intensidade luminosa
Regra prática de arredondamento
UNIDADES DERIVADAS
Sendo o primeiro algarismo a ser abandonado menor do que
As unidades derivadas são as que podem ser deduzidas, direta
5, mantém-se o valor do último algarismo anterior a ele; ou,
ou indiretamente, das unidades fundamentais.
sendo esse mesmo algarismo maior ou igual a 5, acrescenta-
se uma unidade ao último algarismo anterior a ele. UNIDADES SUPLEMENTARES

ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO Para a medida de ângulos são adotadas duas unidades suple-
mentares: o radiano (rad), para ângulos planos, e o esferorra-
Na adição e na subtração com algarismos significativos, o re-
diano (sr), para ângulos sólidos.
sultado deve conter um número de casas decimais igual ao da
parcela com menor número de casas decimais. REGRAS OFICIAIS DE USO DAS UNIDADES
NOTAÇÃO CIENTÍFICA REGRAS DA ESCRITA POR EXTENSO
Utilizar a notação científica significa exprimir um número da É norma, oficialmente estabelecida, que todas as unidades de
seguinte forma: 𝑵 ∙ 𝟏𝟎𝒏 , em que n é um expoente inteiro cha- medida, quando escritas por extenso, devem ter inicial mi-
mado de mantissa e N é tal que 1 ≤ 𝑁 < 10. núscula, mesmo no caso de nomes de pessoas.

ORGEM DE GRANDEZA Exemplos


Metro, ampère, newton, coulomb, quilômetro, pascal, etc.
Determinar a ordem de grandeza de uma medida consiste em
fornecer, como resultado, a potência de 10 mais próxima do A exceção é a unidade de temperatura da escala Celsius, que
valor encontrado para a grandeza, em notação científica. se escreve grau Celsius (símbolo: °C), com inicial maiúscula em
“Celsius”. Excetuam-se ainda, obviamente, as situações em
Em resumo, temos:
que a frase é iniciada pelo nome da unidade.
1. 𝑵 ≥ √𝟏𝟎 ⇒ ordem de grandeza: 𝟏𝟎𝒏+𝟏 O plural das unidades é obtido simplesmente pelo acréscimo
2. 𝑵 < √𝟏𝟎 ⇒ ordem de grandeza: 𝟏𝟎𝒏 da letra “s”, mesmo que isso contrarie regras gramaticais.
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Exemplo de grama. No entanto, as unidades de massa múltiplas e
Metros, ampères, pascals, decibels, etc. submúltiplas são obtidas pelo acréscimo do prefixo ao grama
e não ao quilograma.
São exceções a essa regra as unidades que terminam por s, x
e z, as quais não variam no plural: siemens, lux, hertz. Os prefixos usados, seus símbolos e os fatores pelos quais a
unidade fica multiplicada são os seguintes:
Se as unidades são palavras compostas por multiplicação cu-
jos elementos são independentes, ambos são flexionados:
Prefixo Símbolo Escala Fator
quilowatts-horas, newtons-metros, ohms-metros, etc. O
yotta Y septilhão 𝟏𝟎𝟐𝟒
mesmo ocorre quando as palavras compostas não são ligadas
zetta Z sextilhão 𝟏𝟎𝟐𝟏
por hífen: metros quadrados, milhas marítimas, etc. exa E quintilhão 𝟏𝟎𝟏𝟖
O denominador de unidades compostas por divisão não re- peta P quadrilhão 𝟏𝟎𝟏𝟓
cebe a letra “s”: quilômetros por hora; newtons por metro tera T trilhão 𝟏𝟎𝟏𝟐
quadrado, etc. Também não recebem a letra “s” quando, em giga G bilhão 𝟏𝟎𝟗
mega M milhão 𝟏𝟎𝟔
palavras compostas, são elementos complementares de no-
quilo k mil 𝟏𝟎𝟑
mes de unidades e ligados a estes por hífen ou preposição:
hecto h cem 𝟏𝟎𝟐
anos-luz, quilogramas-força, elétrons-volt, unidades de deca da dez 𝟏𝟎𝟏
massa atômica, etc. - - unidade 𝟏𝟎𝟎
deci d décimo 𝟏𝟎−𝟏
REGRAS DA GRAFIA DOS SÍMBOLOS
centi c centésimo 𝟏𝟎−𝟐
Usualmente, os símbolos das unidades são grafados com ini- mili m milésimo 𝟏𝟎−𝟑
ciais minúsculas, exceto quando se trata de nome de pessoa. micro  milionésimo 𝟏𝟎−𝟔
Para pessoas, o símbolo da unidade deve ser grafado com ape- nano n bilionésimo 𝟏𝟎−𝟗
nas a primeira inicial maiúscula. pico p trilionésimo 𝟏𝟎−𝟏𝟐
femto f quadrilionésimo 𝟏𝟎−𝟏𝟓
Exemplo atto a quintilhonésimo 𝟏𝟎−𝟏𝟖
Nesse caso, temos m para metro, s para segundo, J para joule, zepto z sextilhonésimo 𝟏𝟎−𝟐𝟏
A para ampère, N para newton, W para watt, Pa para pascal, yocto y septilhonésimo 𝟏𝟎−𝟐𝟒
C para Coulomb, etc.
Como podemos perceber, a letra m é utilizada para represen-
Caso a unidade seja composta, os símbolos devem ser coloca- tar o prefixo mili (10-3). Essa mesma letra, no entanto, também
dos um em seguida ao outro, separados ou não por um ponto é utilizada para representar o metro (m). Diante dessa dupla
(quilowatt-hora: kWh ou kW ∙ h; newton-metro: Nm ou N ∙ m, significação, é importante que saibamos realizar a correta dis-
etc.). tinção entre as duas condições.
O símbolo de uma unidade que contém divisão pode ser for- Imagine a seguinte situação, em que temos 6 metros por se-
mado por qualquer das três maneiras exemplificadas a seguir: gundo escritos da seguinte forma:
𝑁∙𝑚2 𝟔 𝒎. 𝒔−𝟏 = 𝟔 𝒎⁄𝒔
𝑁 ∙ 𝑚2 ⁄𝑘𝑔2 ou 𝑁 ∙ 𝑚2 ∙ 𝑘𝑔2 ou
𝑘𝑔2

Os símbolos nunca flexionam no plural. Assim, 50 metros de- Repare no detalhe. Existe um ponto final entre as letras m e s
vem escritos 50 m, ao se usar o símbolo, e não 50 ms. que indica uma multiplicação entre o metro e o inverso de se-
gundo. Nesse caso, então, ambas as letras representam, cada
Não se deve misturar unidades por extenso com símbo- uma, diferentes unidades de medida.
los. Assim, é errado escrever quilômetro/h ou km/hora.
Agora, imagine também a seguinte situação:
O certo é quilômetro por hora ou km/h.
𝟔 𝒎𝒔−𝟏 = 𝟔/𝒎𝒔
PREFIXOS DO SISTEMA INTERNACIONAL (SI)
Por outro lado, sem o ponto final, a letra m passa a represen-
Todas as unidades, derivadas ou fundamentais, admitem múl- tar o prefixo mili, anteposto ao inverso de segundo. Nesse
tiplos e submúltiplos, que são obtidos pela adição de um pre- caso, temos o inverso de milissegundo.
fixo anteposto à unidade.
Os prefixos não devem ser misturados. Assim, para indicar 8 
Enquanto os múltiplos representam potências de 10 com ex- 10-9 m deve-se escrever 8 nanometros ou 8 nm e não 8 mili-
poente positivo, os submúltiplos representam potências de micrometros ou 8 mm.
10 com expoente negativo.
Quanto à pronúncia, costuma-se conservar a sílaba tônica da
Por razões históricas, a unidade fundamental de massa é o unidade, não a mudando quando se acrescenta o prefixo.
quilograma, obtida pelo acréscimo do prefixo “quilo” à unida-
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Assim, o correto é micrometro (micrométro), e não micrôme- Nestes tipos de questão, é preciso bom senso, o que não
tro; nanometro (nanométro) e não nanômetro, etc. Exce- é possível de ser ensinado; é possível, treinando bastante, de-
tuam-se os casos já consagrados pelo uso, como quilômetro, senvolvermos nosso tirocínio para que possamos fazer as me-
decímetro, centímetro e milímetro. lhores escolhas e estimativas.
Há unidades que não pertencem ao Sistema Internacional,
mas são aceitas para uso conjunto ao SI. São elas: o minuto (‘), GRANDEZAS FÍSICAS
o segundo (‘’), o litro (ℓ ou L) e a tonelada (t).
Grandeza física é tudo aquilo que se pode dizer o quão grande
é, ou seja, é tudo aquilo que pode ser medido.
PROBLEMAS DE FERMI As grandezas físicas podem se dividir em duas: as grandezas
Os problemas em que não temos todos os dados e que para escalares e as grandezas vetoriais.
solucioná-los precisamos realizar estimativas razoáveis são
conhecidos como problemas de Fermi.
GRANDEZAS ESCALARES

Enrico Fermi era um cientista italiano naturalizado estaduni- As grandezas escalares são aquelas que necessitam apenas de
dense. Destacou-se pelo seu trabalho sobre o desenvolvi- um valor numérico seguido de uma unidade de medida para
mento do primeiro reator nuclear, e pela sua contribuição ao que possam ser completamente caracterizadas.
desenvolvimento da teoria quântica, física nuclear e de partí-
GRANDEZAS VETORIAIS
culas, e mecânica estatística.
Já as grandezas vetoriais são aquelas que necessitam de um
Muitos cientistas já foram acusados de patrocinar o ter-
valor numérico seguido de direção, sentido e unidade de me-
ror com sua ciência. A ciência, no entanto, é amoral. O
dida para que possam ser totalmente caracterizadas.
desenvolvimento científico não é bom nem ruim; as apli-
cações sobre este, sim. EXERCÍCIO RESOLVIDO
(...)
Nos problemas de Fermi, o mais importante é o caminho e a Quais das grandezas físicas, abaixo, são escalares?
construção do pensamento usado na elaboração do exercício,
e quais foram os valores estimados e por que esses valores Alternativas:
foram escolhidos. Normalmente, esses tipos de problema de- A) Quantidade de movimento, força, aceleração, desloca-
sejam testar a nossa elaboração de raciocínio muito mais do mento e velocidade.
que o valor por nós encontrado, já que na maioria desses exer- B) Pressão, massa, força, aceleração e deslocamento.
cícios temos um grande leque de possibilidades de respostas C) Energia, força, aceleração e quantidade de movimento.
que podem ser aceitas. D) Força, quantidade de movimento, aceleração, pressão e
EXERCÍCIO RESOLVIDO deslocamento.
E) Tempo, temperatura, massa, distância e trabalho.
(Fuvest-SP) Qual é a ordem de grandeza do número de voltas

POSIÇÃO, REFERENCIAL,
dadas pela roda de um automóvel ao percorrer uma estrada
de 200 km?
Alternativas: MOVIMENTO E TRAJETÓRIA
A) 102 Uma das etapas mais importantes no estudo da Física é a de-
B) 103 terminação, em cada instante, da posição de um corpo.
C) 105
D) 107 POSIÇÃO DE UM CORPO
E) 109
A posição de um corpo é a localização obtida a partir de um
Resolução: dado referencial.
Exemplo
Em Cinemática, a posição escalar de um móvel pode ser asso-
ciada à noção de marco quilométrico numa moderna rodovia,
cuja função é localizar veículos que nela trafegam.

Resposta: A ordem de grandeza do número de voltas dadas


pela roda de um automóvel ao percorrer uma estrada de 200
km é 105.
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Trem que parte suavemente de uma estação e se dirige a outra
localidade. Em relação a um observador fixo na estação, a lâm-
pada presa ao teto do trem está em movimento, porque sua po
sição varia com o tempo. Porém, para um observador no interior
do trem, a lâmpada está em repouso.

TRAJETÓRIA

Em Cinemática, define-se por trajetória o conjunto de todas


as posições sucessivas 𝑃1 , 𝑃2 , 𝑃3 , 𝑃4 , ... ocupadas por um mó-
vel em seu movimento no decorrer do tempo.

O marco quilométrico km 90 localiza o ônibus nessa estrada e


fornece sua posição.

REFERENCIAL

O corpo, ponto ou sistema de coordenadas considerado fixo


em relação ao qual identificamos se um móvel está em movi- A linha que contém as posições 𝑃1 , 𝑃2 , 𝑃3 , 𝑃4 , ... é a trajetória.
mento ou em repouso é chamado referencial ou sistema de Na trajetória, escolhemos arbitrariamente um marco zero (0),
referência. a partir do qual medimos comprimentos que indicam a
posição 𝑷 do móvel.
MOVIMENTO E REPOUSO

Um corpo está em movimento em relação a um determinado


referencial quando sua posição, nesse referencial, varia no de-
curso do tempo.
Atenção!
1. Há movimento se há mudança de posição, não de distân-
cia. Num movimento circular, por exemplo, pode ser que Devemos observar que um móvel pode encontrar-se de um
um corpo esteja em movimento, isto é, mudando de po- lado ou de outro em relação ao marco zero, sendo portanto
sição em relação a um outro corpo, mesmo que a distân- conveniente orientar a trajetória, adotando-se um sentido
cia entre eles seja sempre a mesma. positivo.
2. Movimento é recíproco, ou seja, se um corpo A está em
A medida algébrica do arco da trajetória que vai do marco zero
movimento em relação a um corpo B, obrigatoriamente
à posição do móvel recebe o nome de espaço, indicado pela
o corpo B está em movimento em relação ao corpo A.
letra 𝒔. O marco zero (0) é chamado de origem dos espaços.
Um corpo está em repouso em relação a um determinado re-
A forma da trajetória descrita por um corpo depende de seu
ferencial quando sua posição, nesse referencial, não varia no
movimento e como o movimento depende do referencial ado-
decurso do tempo.
tado, a trajetória também irá depender de um sistema de re-
ferência.
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(A) O movimento de uma lâmpada que se desprende do teto de um trem em movimento, em relação ao observador (T), descreve uma
trajetória retilínea vertical. (B) Em relação ao observador (S), a lâmpada descreve uma trajetória parabólica.

Trajetórias, em relação ao solo, do centro e de um


ponto da borda de um disco que rola sem derrapar. O
centro descreve uma trajetória retilínea, e o ponto da
borda, uma trajetória curvilínea denominada cicloide.
A foto foi obtida fixando-se uma pequena lâmpada no
centro e outra num ponto da borda.
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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. (UFES) Uma pessoa está sentada num ônibus exatamente
embaixo de uma lâmpada presa ao teto. A pessoa está
olhando para frente. O ônibus está movimentando-se numa
reta com rapidez constante. De repente a lâmpada se des-
prende do teto e cai. Onde cairá a lâmpada?
Alternativas:
A) Na frente da pessoa.
B) Atrás da pessoa.
C) Ao lado da pessoa. A bomba, durante sua queda, possui dois tipos de velocidade:
D) Em cima da pessoa. a velocidade vertical e a velocidade horizontal. Como é aban-
E) Para responder é necessário saber a velocidade do ôni- donada da aeronave, a bomba possui velocidade horizontal
bus e a altura de onde a lâmpada cai. idêntica à velocidade de voo da aeronave. Logo, a trajetória
Solução: descrita pela bomba, em relação à aeronave, será a de um seg-
A questão diz que o ônibus se movimenta numa reta com ra- mento de reta vertical.
pidez constante, ou seja, não acelera, não retarda, nem faz Já para um observador fixo ao solo, a trajetória descrita pela
curva. Isso significa que o ônibus é um referencial inercial e bomba seria a de um arco de parábola.
que tudo se passa dentro dele como se estivesse em repouso.
Numa outra situação, para uma borboleta que acabasse se
Em relação ao ônibus, a velocidade da lâmpada é nula. Tam-
prendendo à bomba durante sua queda, caindo e permane-
bém em relação ao ônibus, a velocidade da pessoa é nula.
cendo em repouso em relação a ela, a trajetória descrita pela
Logo, a velocidade da lâmpada em relação à pessoa também
bomba seria a de um ponto, que é a representação da trajetó-
será nula e ela cairá em cima da pessoa.
ria de um corpo em repouso.
Seguindo esse raciocínio, se no momento de queda da lâm-
Resposta: A trajetória da bomba, em relação à aeronave, será
pada o motorista decidisse frear o ônibus, o veículo iniciaria
um segmento de reta vertical.
um movimento retardado e a lâmpada continuaria se movi-
mentando à mesma velocidade anterior do ônibus, ou seja, PARTÍCULA E CORPO EXTENSO
mais rapidamente. Nesse caso, então, a lâmpada cairia na
frente da pessoa. Em Física, a maioria dos corpos em estudo são considerados
partículas, ou pontos materiais. Define-se por ponto material
Já se no momento de queda da lâmpada, o motorista decidisse
o corpo cujas dimensões não interferem no estudo de um de-
acelerar o ônibus, o veículo iniciaria um movimento acelerado
terminado fenômeno.
e a lâmpada continuaria se movimentando à mesma veloci-
dade anterior do ônibus, ou seja, mais lentamente. Assim, a Quando as dimensões de um corpo são relevantes no estudo
lâmpada cairia atrás da pessoa. de determinado fenômeno, ele é chamado corpo extenso.

Resposta: A lâmpada cairá em cima da pessoa. Exemplo


Um carro que realiza uma manobra para estacionar numa
02. (AFA-SP) De uma aeronave que voa horizontalmente, com vaga é um corpo extenso. Já o mesmo carro, em uma viagem
velocidade constante, uma bomba é abandonada em queda ao longo de uma estrada, é um ponto material.
livre. Desprezando-se o efeito do ar, a trajetória da bomba, em
relação à aeronave, será um:
DESLOCAMENTO E ESPAÇO
Alternativas:
A) Arco de elipse.
PERCORRIDO
B) Arco de parábola. DESLOCAMENTO
C) Segmento de reta vertical.
Em Cinemática, sempre que tivermos duas posições, ou duas
D) Ramo de hipérbole.
localizações, podemos definir o deslocamento entre elas
E) Ponto.
como sendo a diferença entre o espaço final e o espaço inicial
Resolução: ocupados pelo móvel.

∆𝒔 = 𝒔 − 𝒔𝟎
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O deslocamento pode ser positivo ou negativo, situação que início da contagem do tempo no horário estabelecido para o
está diretamente relacionada com a orientação de sua traje- encontro, qual o instante de chegada de Abigobal?
tória.
Alternativas:
Sempre que o deslocamento for favorável à orientação da A) 15h20min.
trajetória, será positivo.
B) 15h.
C) 20 min.
∆𝒔 > 𝟎
D) Impossível determinar com esses dados.
Sempre que o deslocamento for contrário à orientação da tra- 02. (...)
jetória, será negativo. Voltando ao enunciado da questão anterior e sabendo que
Madeinusa estava no local do encontro desde às 14h50, é coR-
∆𝒔 < 𝟎 reto dizer que o instante de chegada dela foi:

ESPAÇO PERCORRIDO A) 14h50min.


B) 14h.
O espaço efetivamente percorrido é o tamanho da trajetória C) 50 min.
percorrida durante o deslocamento realizado pelo móvel. D) – 10 min.
Respostas: Os instantes de chegada de Abigobal e de Madei-
nusa são, respectivamente, 20 min e –10 min.

INSTANTE E INTERVALO DE
TEMPO
O instante de tempo (t) indica um momento exato, podendo
ser positivo ou negativo.
Quando o momento indicado for posterior ao início da conta-
gem do tempo, o instante de tempo é positivo.

∆𝒕 > 𝟎

Quando o momento indicado for anterior ao início da conta-


gem do tempo, o instante de tempo será negativo.

∆𝒕 < 𝟎

Já o intervalo de tempo (∆𝒕) indica uma duração. É a diferença


entre o instante final e o instante inicial da duração, sendo
sempre positivo.

∆𝒕 = 𝒕 − 𝒕𝟎

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
01. (...)
Abigobal e Madeinusa marcam de estudar na biblioteca da es-
cola. O horário marcado para o encontro é 15h. Abigobal, por
problemas no trânsito chega às 15h20min. Considerando o