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FICHAMENTO -

- Referência bibliográfica:

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
cap. Guerra Fria.

- Introdução:

Este fichamento tem como objeto de estudo o texto "Guerra Fria", da obra "Era dos Extremos: o
breve século XX: 1914-1991", de Eric Hobsbawm. Com o fichamento, torna-se mais fácil e
compreensível o conteúdo estudado, permitindo que se desenvolva uma melhor capacidade de
leitura, bem como uma melhor apreensão das idéias trabalhadas.

- Contextualização do Autor:

Eric Hobsbawm nasceu, no ano de 1917, em Alexandria, no Egito e foi educado na Áustria, na
Alemanha e na Inglaterra. Foi professor em diversas universidades da Europa e da América,
lecionou até aposentar-se no Birkbeck College, da Universidade de Londres. Recebeu o título de
doutor honoris causa de universidades de diversos países. Escreveu, entre outros, "A Era do
Capital", "A Era dos Extremos", "A Era das Revoluções", "A Era dos Impérios", "Os Bandidos", ''Da
Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo" e "Rebeldes Primitivos". O historiador, ao falecer em
1º de outubro de 2012, foi lembrado em obituários por seu marxismo militante durante a vida,
tendo defendido, até mesmo, a URSS na época do Muro de Berlim.
Em sua obra analisada por esse fichamento (Era dos Extremos), Hobsbawn procurou mostrar uma
visão diferenciada, pois analisou a história contemporânea de uma forma própria, ao deixar
evidente que, para ele, o século XX se iniciou em 1914 com a Primeira Guerra Mundial e terminou
em 1991 no desmoronamento da União das Republicas Socialistas Soviéticas (URSS).
A diretriz seguida pelo autor foi com intenção de esclarecer a catástrofe humana que foi o breve
século XX, ou seja, um número enorme de mortes sem precedentes históricos. Hobsbawm
transmite para o leitor a desvalorização do individuo durante longos momentos deste século.
Eric Hobsbawm, pertence a escola Marxista inglesa e conseqüentemente todo o seu referencial
teórico está na abordagem de uma análise Marxsista. Porém, ele rejeita o Marxsismo meramente
economicista, em que todo fato tem conseqüência econômica e com sua observação global da
história, aponta para um novo panorama, seguindo uma linha de pensamento única na história
contemporânea.
Em suma, a obra analisada é o testemunho do historiador sobre o século XX, é a visão dele sobre a
"era das ilusões perdidas". O olhar novo e único do Hobsbawm mudou a forma de analisar-se todo
esse século e, especificamente, a Guerra Fria.

- Teoria:

O tema central do texto analisado é a Guerra Fria. De um modo geral, a Guerra Fria, segundo
Hobsbawm, teria durado 45 anos, sendo esses anos limitados pelo lançamento das bombas
atômicas e seu fim com o fim da URSS. Para o autor, situada no fim da Segunda Guerra mundial, a
Guerra Fria emerge como o antagonismo entre duas potências que possuiam características
econômicas, políticas, sociais e culturais distintas. Tais potências seriam os EUA e a URSS.
Sobre os 45 anos, o historiador afirma que esse não foi um período homogêneo na história
mundial, sendo, assim, dividido em duas metades: a primeira que vai do final da Segunda Guerra
Mundial até os anos 70 e a segunda, que vai do início dos anos 70 até a dissolução da URSS em
1991. Durante a Guerra Fria, o que ocorria, na verdade, é que existia uma possibilidade de extrema
grandeza de um conflito, e não era um conflito comum, e sim nuclear.
Ou seja, de uma forma genérica, Guerra Fria pode ser teorizada como um período da história
mundial, caracterizado pelas constantes ameaças de confronto entre as duas potências mundias
que dividiam o mundo nesse período, de um lado os Estados Unidos, potência dominante do
mundo capitalista, e do outro lado a União Soviética (URSS), potência dominante do mundo
socialista. Denominado Guerra Fria, porque foi um período de ameças e tensão constante.

- Fontes:

Em seu texto, a fim de basear e reforçar suas teorias e ideias, bem como parar encontrar
embassamento teórico, Eric Hobsbawm faz uso de diversas fontes. Logo na Introdução do texto, o
autor faz duas citações, para dar uma ideia geral do tema. A primeira é de Frank Roberts, para o
Foreign Office, e faz, basicamente, uma comparação entre russos e alemães. Já a segunda, de
1981, de Richard Barnet, aborda a dependência entre a economia e o sistema nuclear do período.
Já, para defender sua ideia central, Hobsbawm se baseia e se apoia no filósofo Tomas Hobbes, ao
citá-lo em: “a guerra consiste não só na batalha, ou no ato de lutar: mas num período de tempo
em que a vontade de disputar pela batalha é suficientemente conhecida”. Além de procurar apoio
em Hobbes, outra fonte fortamente usada por Hobsbawm é Walker. O autor faz referência a esse
diversas vezes, em suas notas de rodapé, principalmente para citar exemplos da época da Guerra
Fria, abordando, entre outros, conflitos na China e no comunismo.
Além de referências a Hobbes e Walker, o historiador também usa como fontes Acheson, ao falar
do “ataque dos primitivos”; Maier, ao citar “a premissa de todos os formuladores de políticas era
preeminência econômica americana”; Beschloss, para falar de conflitos no Vietnã; e cita, também,
entre outros, o International Herald Tribune, ao falar de mísseis no Afeganistão.
Ademais, o autor faz referência, também, a outras partes e capítulos de sua própria obra.

- Ideia principal e argumentos:

Apoiado em Hobbes, conforme já citado, Hobsbawm afirma que a Guerra Fria foi a Terceira Guerra
Mundial, pois a vontade da batalha foi reconhecida por ambos os lados do conflito e fazia com que
todos acreditassem que, todos os dias, o mundo estava ameaçado pelas armas nucleares.
Contudo, o autor discorre dizendo que as potências não tinham a intenção real de desencadear
uma guerra, uma vez que ambos tinham consciência do poder de destruição dos dois lados, que
atingiria toda a humanidade. Essa consciência era expressada pela sigla MAD, que significava
destruição mútua inevitável.
Para justificar suas ideias, o historiador demonstra como, depois da Segunda Guerra Mundial, o
mundo ficou nas mãos dessas duas potências. Os EUA dominavam o hemisfério norte, o mundo
ocidental capitalista e os oceanos. A URSS ficara com o leste europeu e lugares dominados pelo
Exército Vermelho ou pelas Forças Armadas Comunistas.
Acontece que, mesmo sabendo da não intenção expansionista da URSS, o autor afirma que o
governo norte-americano achou interessante alimentar a idéia da “ameaça vermelha” e manipular
a mídia, fazendo propagandas pró-governo para ganhar votos e aumentar a representação do
partido ajudado no congresso. Tal fato, junto à manipulação de discursos políticos, levaram a um
grande crescimento do setor bélico dos EUA, o que acarretou no armamento não só do país como
de todo o globo. Todo esse contexto, além de ter sido fundamental para a manutenção do
equilíbrio de poder do Sistema Internacional, fez com que Estados, mesmo não sendo comunistas,
se aliassem à URSS para lutar contra o imperialismo norte-americano.
Hobsbawm afirma, ainda, que apesar da Guerra Fria ter acarretado numa corrida amarmentista e
de alta tecnologia bélica, isso revelou-se pouco decisivo, uma vez que o resultado final teria sido
um “empate”. Para exemplificar e justificar isso, ele demonstra o que aconteceu com outros países
periféricos a Guerra, como China (que virou comunista), Coréia do Sul (que foi “protegida” pelos
EUA e seus aliados do regime comunista do norte), Afeganistão e Vietnã.
Apesar disso, o autor afirma que a guerra fria teve alguns aspectos positivos. Um novo mundo
polarizado eliminou as rivalidades mais regionais e deu lugar aos grandes antagonismos entre os
blocos econômicos. Para ele, a economia mundial também se beneficiou, pois a economia estava
estabilizada (e enriqueceu ambos os lados com o lucrativo comércio de armas) até o
desmoronamento da URSS.
Em resumo, pode-ser que Eric Hobsbawm não acreditava na Guerra Fria, o terceiro conflito do
século XX, como uma guerra real. Hobsbawm colocou as diferenças entre URSS e EUA como uma
farsa de nações acomodadas com as conquistas adquiridas na Segunda Guerra. Sendo, assim,
possível, encaixar a tese do autor até os dias atuais.