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Apresentação e Visão Geral......................................................

04
06 O Ministério JA na Igreja Local .........................108

01 Os Ideais e a História do Ministério JA...........06 Como a Igreja local pode ajudar os Jovens?..........................110

SUMÁRIO
O Líder JA e sua Equipe de Direção.........................................113

As Bases do Plano de Ação JA..................................................116


A importância da história para uma organização................07
A Estrutura Base na Igreja Local...............................................118
Memórias do ministério jovem adventista..............................08

Os ideais e a bandeira como referenciais históricos.............14

07 Transpondo o Abismo Comunicacional............121


Filosofia de Liderança e Visão de Discipulado
02 para as Novas Gerações......................................18
Transpondo o abismo comunicacional...................................122

Aplicativos e Redes Sociais do Ministério Jovem................129


Fundamentos filosóficos da liderança......................................19
Gerenciamento do Ministério Jovem......................................130
Construção de uma visão discipuladora no

ministério jovem...........................................................................23

08 Liderança e Trabalho em Equipe.......................134

03 Uma Nova Geração de Adoradoes....................31


O Trabalho em Equipe.................................................................135

Organizando Reuniões Produtivas com a Equipe JA...........139


A ética e a espiritualidade na liderança..................................32
A Equipe JA e seus Líderes........................................................141
Como levantar uma nova geração de adoradores na sua

igreja?............................................................................................35

09 Líderes Criativos - Projetos Inovadores...........143

04 Comunidades que Transformam Vidas.............60


Criatividade a Serviço da Missão............................................146

O Evangelismo das Tribos.........................................................155


A Visão Bíblica da Vida em Comunidade...............................62

Pastoreio e Rede de Cuidado....................................................64

As Reuniões dos Pequenos Grupos.........................................68

Vida em Comunidade na América do Sul...............................68 10 Desenvolvendo Pessoas para Servir.................158

Uma Nova Geração de Líderes..................................................159

05 Envolvendo os JAs em uma causa......................79 Mentoring como Ferramenta de Desenvolvimento...............160

Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL JA)...........165

As 10 Competências do Líder JA..............................................166


Jerusalém... 1+1.............................................................................82
O Cartão do Líder.........................................................................170
Judeia... Missão Calebe...............................................................90

Samaria... Projeto OYiM..............................................................98

Indo aos Confins da Terra... SVA.............................................103

FICHA TÉCNICA
Direção: Carlos Campitelli
Conselheiro: Helder Roger
Editor: Herbert Cleber
Revisão: Valber Barros
Projeto Gráfico: Naassom Azevedo
Fotos: Naassom Azevedo e iStockphoto
Secretária MJ: Diana Steffen

COLABORADORES
Adolfo Soares, Alan Cosavalente, Alceu Filho, Alejandro Brunelli, Alfredo Santa Cruz, Anderson Carneiro, Eduardo Batista,
Elmar Borges, Everon Donato, Grupo de Pesquisa Novas Gerações SALT/FADBA, Heberson Licar, Joni Oliveira, José Venefrides,
Juan Fernández, Leandro Lins, Lélis Silva, Mathias Mosconi, Manuel Melo, Raissa Diniz, Rodrigo Dorval, Rafael Santos, Ronaldo
Araújo, Ronaldo Arco, Sósthenes Andrade, Yure Gramacho.
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Apresentação
e Visão Geral
A formação de líderes sempre foi uma ões e campos que tornaram possível a ela-
marca registrada do Ministério Jovem Ad- boração deste manual. Produto de muita
ventista. Os tempos e o perfil da juventude oração, conversas, estudos, decisões cruciais
têm mudado de maneira acelerada nos úl- e consensos para alinhar os eixos numa di-
timos anos e, por esta e outras razões, tor- reção comum em busca de atender o maior
nou-se imperativo ter um manual que auxilie objetivo: Salvar e Servir.
todo o exército que está liderando a juventu- Especial gratidão ao Pr. Herbert Cle-
de adventista. Este manual pretende ser um ber, que coordenou os trabalhos de escrita
guia de orientações, um recurso de consulta, e revisão do manual juntamente com sua
um norte claro na hora de planejar e execu- equipe de estudos em novas gerações. De-
tar os projetos do ministério jovem. Ele con- sejamos que o leitor possa extrair o máximo
tém as linhas gerais de como fazer e liderar proveito para o crescimento pessoal e mu-
o ministério jovem nos tempos modernos. É danças substanciais na vida dos jovens ad-
seu intento, também, provocar a criatividade ventistas, na igreja e na comunidade.
e inovação dos líderes em suas comunidades Sempre houve preocupação em re-
locais. lação à espiritualidade e futuro dos jovens.
Este importante compêndio contém Hoje, com toda mudança cultural trazi-
o Programa de Desenvolvimento de Líderes da pela revolução tecnológica em curso,
(PDL JA). Mediante os dez capítulos aqui os pais e os líderes da igreja ficaram ainda
contidos, o líder mergulhará numa jornada mais apreensivos acerca da vida religiosa
de aprendizagem e aperfeiçoamento dos da juventude. Enquanto muitos falam que
seus dons. Esses dez capítulos visam ao fo- os jovens estão perdidos, outros acreditam
mento das dez competências que devem ser no grande potencial que tem essa geração.
desenvolvidas pela liderança jovem na Amé- A Igreja Adventista está atenta também às
rica do Sul. mudanças e exigências do mundo contem-
Para um melhor aproveitamento do porâneo. Prova disso é que a transmissão de
conteúdo deste material, ele estará integral- valores para as novas gerações é uma das
mente disponível no site: www.liderja.com. quatro ênfases da igreja sul-americana neste
Nesse espaço virtual, estarão as videoau- quinquênio. Como líder de jovens, costumo
las, as apresentações e diversos recursos de ser questionado sobre como podemos lidar
apoio para o líder JA. Além disso, será pos- com os principais desafios da juventude e o
sível acessar esse material através do App: que podemos sonhar para eles e com eles.
liderJA e seguir, também, as diferentes redes Vejo a nossa juventude como um grande
sociais do ministério jovem para atualização exército do bem. Eles são curiosos, conecta-
de conteúdos relacionados à liderança JA. dos, proativos, inconformados com as injus-
Nossa gratidão a todos os departa- tiças, avessos à hipocrisia. Tudo isso faz que
mentais e coordenadores de jovens das uni- essa geração tenha um superpotencial para

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

se engajar em grandes movimentos em favor na dinâmica da congregação local.


do semelhante. Requisito imprescindível para a lide-
Por isso, como igreja, devemos con- rança do ministério jovem é ser e fazer dis-
tinuar estimulando cada jovem a abraçar o cípulos. Trata-se de um processo cuidadoso
ideal do serviço, mas pautar essa mobiliza- em que um grupo de jovens é aconselhado
ção no impulso que vem da intimidade diária e conduzido por alguém com mais vivência,
com Deus por meio da oração, do estudo da que carrega em si marcas mais profundas da
Bíblia e Lição da Escola Sabatina. Creio que jornada cristã. Para alcançar esse objetivo,
o ser sempre precede o fazer. queremos ter mais líderes preparados para
Essa vida devocional que move os influenciar essa geração, que ousem novos
jovens para a ação poderá ser estimulada métodos com uma linguagem mais atual
por meio de encontros semanais e presen- sem perder o essencial. E que encarem o dis-
ciais, nos quais a vida em comunidade seja cipulado um a um e em pequenas comunida-
experimentada. O advento das redes sociais des como indispensável para um pastoreio
e intenso uso que os jovens fazem delas intencional que gere transformação.
mostram a sede dessa geração por relacio- Os altos índices de apostasia entre os
namentos. Não precisamos sair da internet, jovens são uma realidade no contexto ad-
mas intensificar os encontros “face to face”. ventista ao redor do mundo. E a igreja preci-
Neles, os relacionamentos são aprofundados sa mobilizar suas forças a fim de dirimir esse
e os dons são desenvolvidos. Com uma co- problema. Para tanto, o discipulado das no-
munhão diária forte e relacionamentos sau- vas gerações não pode ser encarado como
dáveis, o engajamento na missão será algo uma tarefa meramente institucional. Indubi-
natural. tavelmente, é um desafio coletivo da igre-
Os desafios de ministrar aos jovens ja, mas vai além disso: é responsabilidade
são grandes. Um dos principais deles é mu- pessoal. O discipulado é artesanal e pessoal.
dar a cultura de consumo de programas, Não pode ser feito por atacado, decreto ou
para o engajamento em projetos de curta e documento. Envolve poucas pessoas.
longa duração, especialmente que tenham Entendemos que a maior marca de
como foco a comunidade de fora da igreja. um discípulo de Cristo é o amor (Jo 13:35).
Além do impacto social e evangelístico, pro- E quando este dom de Deus se manifesta na
jetos de missão transformam a mentalidade vida de alguém, ele transborda para outros.
dos voluntários ao colocá-los diretamente É por isso que o discipulado com as novas
no campo missionário. Eles descobrem que gerações só será efetivo quando o amor pe-
trabalhar pela salvação do próximo os apro- los jovens for maior que nossos próprios in-
xima de Jesus. Eles voltam com o amor ao teresses.
próximo aflorado, mais generosos e pareci-
dos com Cristo.
Por outro lado, os eventos também
têm seu espaço, não como um fim em si
mesmos, mas como partes de um todo,
como momentos de celebração e inspiração
que sirvam para mostrar o que Deus tem fei-
to por meio dos jovens e motive outros a se
engajarem tendo em vista o que Ele vai fazer.
Nesse sentido, é importante olhar para os
jovens como protagonistas em fazer igreja, Pr. Carlos Campitelli
e não como meros espectadores. Se nosso Ministério Jovem
foco estiver na missão, a balança entre even- Divisão Sul-Americana
tos e projetos duradouros estará equilibrada

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MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 1

6
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Os adventistas do sétimo dia, com


mais de 20 milhões de membros ao redor do
A IMPORTÂNCIA mundo, são uma igreja cristã protestante or-
ganizada em 1863 nos Estados Unidos. Sua
DA HISTÓRIA PARA origem ocorre logo depois do movimento
UMA ORGANIZAÇÃO liderado por Guilherme Miller, que ressaltou
a necessidade de maior ênfase na pregação
sobre a breve volta de Jesus Cristo a este
A história de uma organização é de mundo.
fundamental importância para sua preserva- Centenas de milhares de cristãos se
ção e desenvolvimento. Líderes e colabora- convenceram pelo estudo das profecias bí-
dores devem ser capazes de responder a três blicas de que Cristo voltaria em breve. Esse
perguntas básicas sobre a organização da despertar, sobre uma doutrina bíblica negli-
qual fazem parte: Como passamos a existir? genciada, ocorreu em diversos países, com
Por que existimos? Para quê existimos? As um foco maior na América do Norte.
respostas a essas três perguntas permeiam a Após o “grande desapontamento”
estrutura de uma organização e são referen- das suas esperanças em 1844, os crentes no
ciais para a tomada de decisões. A visão, a advento se dividiram em diferentes grupos
missão e os valores são estabelecidos a par- menores. Um dos grupos permaneceu estu-
tir das respostas às perguntas anteriores e dando a Bíblia para entender o porquê de
constituem a identidade da organização. Jesus não ter voltado em 22 de outubro de
Uma organização sem memória corre 1844. Enquanto estudavam as profecias bí-
o risco de perder o seu senso de identida- blicas, eles reconheceram o sétimo dia (sá-
de. Como afirmou William Johnsson para a bado) como o dia bíblico determinado para
Adventist Review, alguns são ignorantes de adoração.
suas raízes, outros as negam ou as falsificam. Esse grupo, formado predominante-
Ambas atitudes levam a uma confusão de mente por jovens, que incluía Ellen G. White,
identidade. Apenas quando os indivíduos en- Tiago White e o ancião José Bates, se tornou
tenderem quem eles são de fato — de onde o núcleo das congregações da igreja. Mais
vieram, e por que são o que são — poderão tarde, em 1863, eles definiram o nome “Igreja
encontrar paz e significado ao pertencerem Adventista do Sétimo Dia” para representar
a uma organização. o movimento, que já contava com 125 igrejas

MISSÃO VISÃO MÉTODO


Fazer discípulos de todas as nações, Em harmonia com as grandes profe- Guiados pela Bíblia e pelo Espírito
comunicando o evangelho eterno no cias das Escrituras, entende-se que o de Profecia, os adventistas do sétimo
contexto da tríplice mensagem an- clímax do plano de Deus é restaurar dia levam adiante sua missão através
gélica de Apocalipse 14:6-12, convi- toda a Sua criação à completa har- de uma vida semelhante à de Cristo,
dando-as a aceitar a Jesus como Seu monia com Sua perfeita vontade e comunicando, fazendo discípulos, en-
Salvador pessoal e unir-se a Sua igre- justiça. sinando, curando e servindo.
ja remanescente, instruindo-as para
servi-Lo como Senhor e preparando-
A visão, a missão e os valores são estabelecidos a partir das respostas às
-as para Sua breve volta.
perguntas: Como passamos a existir? Por que existimos? Para quê existimos?
A resposta a estas perguntas torna-se a identidade da organização.

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MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

e 3500 membros e, hoje, soma mais de 20 grande destaque na obra de Deus foi Tiago
milhões de fiéis ao redor do mundo. White, que com apenas 20 anos uniu-se ao
movimento adventista e, em 1852, preparou
as primeiras lições da Escola Sabatina volta-
MEMÓRIAS DO das para os jovens, criando, assim, meios que
pudessem atender melhor às necessidades
MINISTÉRIO JOVEM da juventude em sua época.
ADVENTISTA Outro destaque importante entre os
pioneiros foi Ellen G. White. Aos 17 anos, ela
recebeu um chamado do Senhor para de-
O Ministério Jovem da Igreja Adven- sempenhar sua missão aqui na Terra. Ela de-
tista do Sétimo Dia deve se preocupar em dicou toda sua juventude e vida à obra de
manter seu foco em sua identidade e sua Deus. Ellen, mesmo diante de todas as suas
história. Como pertencente a um movimen- limitações, não hesitou em aceitar o chama-
to profético, cumpre-lhe envolver os jovens do de Deus. Essa atitude pode ser destacada
adventistas na pregação do evangelho para como uma característica comum entre os jo-
abreviar a volta de Cristo Jesus. vens pioneiros. Todos tinham um espírito de
fidelidade para com os deveres relacionados
JOVENS PIONEIROS ao chamado do Senhor. Sentiam a respon-
Ao longo da história, vários pioneiros sabilidade que pesava sobre eles de serem
da Igreja Adventista do Sétimo Dia conse- testemunhas e cooperadores de Deus para o
guiram desenvolver grandes movimentos e seu presente século.
ações para a inclusão dos jovens no meio Merece, também, destaque o jovem
cristão. Um fato interessante é que, ao falar John Andrews, considerado um dos grandes
dos pioneiros da IASD, poucos se dão conta pioneiros da IASD. Desde pequeno, gosta-
que, em sua maioria, eles começaram seu mi- va muito de estudar a Bíblia e, com toda a
nistério na juventude. Um dos pioneiros de sua dedicação aos estudos, pôde contribuir

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

grandemente no desenvolvimento teológico com veemência suas convicções. Levaram


da igreja. Com uma mente brilhante, era ca- outros jovens a se conscientizar de seu pró-
paz de ler a Bíblia em sete línguas e reprodu- prio valor, a descobrir e desenvolver seus ta-
zir o novo testamento de memória. lentos e habilidades espirituais. Capacitaram
Aos quinze anos, passou pela expe- esses jovens para uma vida de serviço de-
riência do Grande Desapontamento. Não dicado a Deus e, além disso, garantiram, ao
acontecendo o que era aguardado, ao invés longo do tempo, que a igreja entendesse a
de desistir de sua crença, Andrews, junta- importância de dar lugar aos jovens na par-
mente com outros mileritas desapontados, ticipação direta e ativa nas atividades ecle-
voltou a analisar a Bíblia e chegou à conclu- siásticas. Suas vidas servem de motivação
são de que os estudos anteriores estavam para a juventude atual.
equivocados, explicando que a intepretação O jovem que se disponibiliza a efetivar
das profecias não se referia ao retorno de Je- a vontade de Deus em sua vida, a doar seus
sus, mas à purificação do Santuário Celestial. dons e talentos em prol da causa do Senhor,
Andrews esteve intimamente associa- terá êxito na obra a ser realizada, a despeito
do com Tiago e Ellen White na liderança da de quaisquer forças opositoras. Os referidos
Igreja Adventista e em sua obra evangelís- pioneiros tiveram grandes dificuldades em
tica. Ele se tornou o primeiro pastor adven- suas carreiras, porém não fracassaram em
tista a ser enviado, de forma oficial, como sua missão. Eles deixaram, por meio de seus
missionário para outros países. Sua atuação exemplos, um legado de fé e uma série de
é lembrada por uma das principais universi- histórias de aventuras por Cristo, que cons-
dades adventistas do mundo, que leva o seu tituem uma motivação a ser passada de ge-
nome, a Andrews University. ração a geração, para a conclusão da missão
Os jovens pioneiros resolveram seguir de Deus.

COMO SURGIU O MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA


A ação mais efetiva ligada ao surgi- coln, capital do estado norte-americano do
mento do Ministério Jovem se deu em 1879, Nebrasca (1893). Em 1899, a Associação de
com dois garotos: Harry Fenner, de 16 anos, e Ohio, em Mout Vernon, criou oficialmente
Luther Warren, de 14 anos. Eles começaram um departamento de jovens. Durante esse
organizando reuniões em Hazelton, Michigan, tempo, também surgiram vários artigos da
apenas para rapazes, num pequeno cômodo escritora Ellen G. White, nos quais ela fala-
da casa dos pais de Luther. O objetivo des- va sobre a importância de se trabalhar pelos
te primeiro grupo de jovens era promover o jovens.
trabalho missionário, levantar fundos para a Pouco tempo depois, em 1901, a As-
literatura missionária e promover a causa da sociação Geral tomou as primeiras providên-
temperança. Um pouco mais tarde, as moças cias para a formação oficial de uma organi-
também foram convidadas a participar. zação de jovens, aprovando o conceito da
Nos 20 anos seguintes, surgiram gru- Sociedade de Jovens e recomendando que
pos semelhantes em muitas partes do mun- fosse formada uma comissão para estabe-
do, como em Wisconsin (1891) e em Lin- lecer um plano de organização. O Departa-

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MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

mento de Escola Sabatina, dirigido pela Sra. meçaram a mudar no tocante ao vestuário,
Flora Plummer, passou oficialmente a coor- à estrutura familiar e à música popular. Tudo
denar a obra entre os jovens no âmbito mun- isso bombardeava os jovens e a igreja. Nessa
dial. Ela permaneceu na coordenação do tra- época, a igreja se expandia por todo o mun-
balho até 1907. do e aumentava o número de membros jo-
Na assembleia realizada em maio de vens, por isso, para se opor as influências do
1907, em Gland, na Suíça, a Associação Ge- momento, os líderes de jovens adventistas
ral aceitou a recomendação de organizar um usaram diversos meios para atingir as neces-
departamento separado que atenderia as sidades dos jovens através de histórias, pas-
necessidades dos jovens. Foi eleito M. E. Kern seios a pé, jogos, artes, trabalhos manuais
como diretor e Matilda Erickson como secre- e acampamentos. Além disso, produziram
tária. No verão do mesmo ano, cerca de 200 uma grande quantidade de publicações e
líderes da organização, homens e mulheres materiais para os jovens, como livros e fo-
de todas as partes do mundo, reuniram-se lhetos, material de capacitação, o chamado
em Mount Vernon, Ohio, para uma conven- The Youth’s Instructor (O Instrutor da Juven-
ção de jovens, a fim de escolher um nome tude) e materiais sobre as normas da igreja.
para o departamento e preparar outras re- Até esse momento, o Ministério Jo-
comendações como: a responsabilidade da vem também cuidava dos Juvenis, que com-
igreja para com seus jovens e a contribuição preendiam pré-adolescentes, porém nota-
desses para com a igreja. Para esse fim, foi va-se a necessidade de se desenvolver um
encomendada uma compilação de decla- trabalho mais específico com os pequenos.
rações do Espirito de Profecia relativa aos Por isso, em 1920, essa classe foi separada
jovens. O nome finalmente escolhido para do Ministério Jovem e, no ano de 1922, foram
o departamento foi — “Departamento dos inseridas as classes progressivas. Em 1928,
Missionários Voluntários dos Jovens Adven- foi iniciado o curso Master Comrade (ficou
tistas do Sétimo Dia”. Através dos anos, ele conhecido na América do Sul como Curso
passou a ser conhecido como “Departamen- de Líder), que começou com a capacitação
to MV”, e a organização de jovens, na igreja de líderes de Jovens, e dois anos depois, em
local, foi chamada de “Sociedade MV”. Mas 1930, o Patrimônio Ellen G. White publicou o
foi no ano seguinte, em 1908, que o departa- livro “Mensagens aos Jovens”, uma compila-
mento de jovens foi oficialmente organizado ção dos escritos do Espirito de Profecia com
como entidade separada dos demais depar- as principais mensagens que Ellen White es-
tamentos. Os vinte anos que se seguiram fo- creveu especialmente para os jovens em di-
ram os anos mais brilhantes do trabalho em versos livros e artigos.
favor dos jovens. A igreja estava crescendo e Mais uma vez o mundo foi abalado
se fortalecendo em todo o mundo por con- e, junto com ele, a igreja, por conta da Se-
ta dos departamentos recém-formados que gunda Guerra Mundial. Depois da guerra,
apoiavam a igreja nos cultos e nos trabalhos surgiram novas mudanças que vieram com
missionários. a rápida evolução da tecnologia e a busca
Porém a Primeira Guerra Mundial, na pelo saber e materialismo. Despertou-se a
década de 20, trouxe alguns males para a busca de especializações por conta das vá-
igreja. Os valores e a ética da sociedade co- rias oportunidades de emprego. Os jovens

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

agora não queriam somente seguir o ofício que cresceu tanto, ao ponto de contar com
da família, eles queriam mais conhecimento cerca de 1.000 membros em 1940.
e mais oportunidades. Isso acarretou o êxo- No Chile, os irmãos Eduardo e Victor
do de muitos deles para as cidades e para Thomann e seu amigo Carlos Krieghoff, acei-
colégios e universidades públicas, por conta taram a verdade através de um folheto gan-
de nossas instituições de ensino não possuí- ho por dois colportores. Dessa forma, Deus
rem os cursos que buscavam. Mas embora os operou grandiosamente na vida desses jo-
jovens ainda continuassem na igreja, e não vens, os quais decidiram ser ajudantes do Pr.
abandonassem a fé, agora começavam a se Westphal, durante o evangelismo pioneiro
nutrir da filosofia da época, em que se co- no Chile e, em 1910, no Equador.
locava uma lacuna entre as gerações. Nesse No Brasil, em 1915, um jovem brasileiro
tempo, os adultos não conseguiam mais en- chamado Mateus Leite foi enviado a Assun-
tender os jovens por conta da evolução de ção, Paraguai, com o objetivo de auxiliar na
conteúdo, o que afetou a igreja, a ponto de, obra medico-missionária naquele lugar.
na América do Norte, alguns diretores de Jo- Como visto anteriormente, em 1907 já
vens defenderem que as reuniões de Sábado havia esforços para atender as necessidade
à tarde eram somente para os jovens, e os da juventude na América do Sul, mas somen-
adultos não deveriam participar. Isso cau- te em 1918 H. U. Stevens foi nomeado como
sou um grande declínio na sociedade jovem, o primeiro diretor dos Missionários Voluntá-
chegando, tal ministério, a se extinguir em rios da Divisão Sul-Americana (DSA). Nesse
alguns lugares. mesmo tempo, 49 sociedades dos Missioná-
rios Voluntários reuniam aproximadamen-
te 62 mil membros em todo o território da
O MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA NA DSA. Desde então, passaram-se 100 anos, e
AMÉRICA DO SUL o movimento se expandiu tornando-se um
As atividades do Ministério Jovem na fator de influência no crescimento da igreja
América do Sul se iniciaram em 1902, quan- na América do Sul. Os dados de dezembro
do foi formado um grupo de jovens em uma de 2017, indicam que a DSA possui 737.741
Escola de Gaspar Alto - Santa Catarina, Bra- jovens envolvidos em 22.743 sociedades de
sil. Somente no ano de 1907, Frank Henry jovens.
Westphal organizou a Sociedade Jovem de
Crespo, Argentina. Em 1912, outra sociedade
dos Missionários Voluntários começou em
Buenos Aires e, logo em seguida, foi se espa-
lhando por outros países da América do Sul.
No Peru, um jovem de 16 anos foi en-
viado a um campo com a missão de estabe-
lecer uma escola. Em seu início havia apro-
ximadamente 18 alunos matriculados, mas a
perseguição começou e ele foi encaminhado
para a cadeia. Logo que saiu, não muito tem-
po, havia organizado uma Escola Sabatina,

11
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

I Congresso MV da Divisão Foram implantados na Divisão Sul-Americana os sete módulos


Sul-Americana, no Quitan- O nome MV foi substi-
dinha Hotel- Rio de Janeiro, tuído pelo JA. de ação para o Ministério Jovem. Esses módulos serviram como
Brasil. base do Ministério Jovem por mais de três décadas: Organiza-
ção, Liderança, Consagração, Adoração, Discipulado, Confrater-
nização e Testemunho.
1977
1956
1982

III Congresso Sul-A-


I Campori Sul-Americano
mericano de Jovens
de Líderes de Desbrava-
1990 “Jesus te ama”, em
Buenos Aires, Ar-
dores. Realizado em Pu-
cón, no Chile, com o tema
gentina. O progra- “Na Direção de Deus”.
Participaram cerca de
ma foi realizado no
1.000 líderes, dos dias 12 a
Parque Recreativo 17/01/1998.
Presidente Sarmen-
to, dos dias 08 a
14/01/1990, com a
presença de 7.875 1998
participantes.

1970
1955
II Congresso Sul-A-
mericano da Juven-
Nasciam as Revis- tude Adventista, de
tas “Diretrizes de 20 a 24 de janeiro,
Programa MV” em em Curitiba, PR.
português e “Pro-
gramas y Planes
MV” em espanhol.
Fundado o primeiro
Clube de Desbrava-
dores da América
do Sul, sob a lide- 1979
rança de Nercida
1994
de Ruiz, na igreja de 1983
Miraflores, em Lima, Em comemoração ao
Peru. Centenário MV, fo-
II Campori Sul-Americano de
ram realizados vários I Campori de Desbrava-
dores Sul-Americano “Da Desbravadores “Na Trilha dos
Festivais de Fé, em
Natureza ao Criador”, em Pioneiros”. Realizado em Ponta
Fortaleza e Campinas,
Foz de Iguaçu, PR, Brasil. Grossa, PR, Brasil. Foram 8.000
no Brasil; Santiago, no Foram 5200 participantes
participantes reunidos de 10 a
Chile; e Lima, no Peru. reunidos no período de
28 de dezembro a 04 de 16/01/94.
janeiro.

DATAS IMPORTANTES
DO MINISTÉRIO JOVEM NA
DIVISÃO SUL-AMERICANA
12
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Convenção de Líderes de
Jovens de todo o Brasil
“Rumo ao Porto Seguro”,
na cidade de Porto Segu-
ro, BA, Brasil. O programa
foi realizado entre os dias
20 e 24/03/99, e envolveu
1.200 participantes.

Concílio Sul-Americano do Minis-


tério Jovem, reunindo todos os
departamentais e associados de

1999 Uniões, Associações e Missões


da Divisão Sul-Americana. O en-
Concílio Sul Americano do Ministério
contro foi realizado de 12 a 20 de
Jovem, reunindo todos os departa-
maio, em Foz do Iguaçu, PR, Brasil,
mentais das Uniões, Associações e
liderado pelo Pr. Erton Köller.
Missões da Divisão Sul-Americana.
O encontro foi realizado de 12 a 20
de maio, em Olímpia/SP. Logo após
2003 o encontro, a DSA decidiu desmem-
brar o Ministério dos Desbravadores
e Aventureiros e nomear um líder ex-
clusivo para essas duas áreas.

2012

Lançamento do novo Manual


do Ministério Jovem e imple-
mentação do Programa de
Desenvolvimento de Líderes
(PDL JA) da América do Sul
com foco no discipulado para
as novas gerações, liderado
pelo Pr. Carlos Campitelli.

2019
2002

IV Congresso Sul Ame-


ricano de Jovens “Você
Me Pertence, Picarquin,
Chile, reuniu 6.000 par-
ticipantes, nos dias a 12-
17/01/2002..

2005

III Campori Sul-Ameri-


cano de Desbravadores
“Fonte de Esperança”. O
evento reuniu 20 mil par-
ticipantes, de 11 a 16 de
janeiro, em Santa Helena,
PR, Brasil.

13
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Lema JA

OS IDEAIS DO “O amor de Cristo me motiva”.

MINISTÉRIO
O amor de Jesus é a mola propulso-
JOVEM ra para a vida cristã. O jovem adventista é
movido a viver cumprindo a Sua vontade
O líder que se propõe a revisar a his- em resposta ao Seu amor na cruz (II Cor.
tória do ministério jovem adventista com- 5:14).
preenderá, rapidamente, que o movimento
foi direcionado por Deus. E, indubitavel- Propósito JA
mente, perceberá que a identidade bíblica
e profética do adventismo foi preservada e Os jovens pelos jovens, os jovens pela
está traduzida em seus ideais e símbolos. igreja e os jovens pelos seus semelhantes.

Voto JA O propósito foi inspirado no Slogan:


“Partilhe sua Fé”, que em 1974 motivou a
Por amor ao Senhor Jesus, prometo tomar conquista de jovens em todo o mundo,
parte ativa no Ministério Jovem Adventis- mostrando como os jovens podem ampliar
ta, fazendo tudo quanto puder para ajudar sua esfera de ação e influência.
a outros, e terminar a obra do evangelho
em todo o mundo. Objetivo JA

O jovem adventista compreende Salvar do pecado e guiar no serviço.


que, como parte do povo remanescente,
tem uma missão da mais alta importância Adotado em 1926, durante a sessão
a ser cumprida, que é dar a ultima mensa- da Associação Geral, mostra que todo jo-
gem de advertência ao mundo e, por isso, vem adventista, ao ser salvo, é atraído ao
se compromete fielmente com esse nobre serviço e motivado a conduzir outros à
ideal. mesma experiência.

Alvo JA Missão JA

A mensagem do advento a toda o mundo Levar o jovem a um relacionamento de


em minha geração. salvação com Jesus e ajudá-lo a aceitar
Seu chamado ao discipulado.
Ao aceitar Jesus como seu único Sal-
vador, o jovem adventista decide dedicar
sua vida ao cumprimento da missão dada
pelo Mestre (Mateus 28:18-20).

14
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Voto de fidelidade à Bíblia nia ... Seguiu-se a estes outro


anjo, o terceiro, dizendo,
Prometo fidelidade a Bíblia, à sua mensa- em grande voz: Se alguém
gem de um Salvador crucificado, ressurre- adora a besta ... e recebe a
to e prestes a vir, doador de vida e liber- sua marca ... também esse
dade a todos que nEle creem. beberá do vinho da cólera
de Deus...”. (Ap. 14:6-10).
A Bíblia é colocada como a base de
todo fundamento da fé do jovem adventista, Cruz:  O sacrifício e amor
pois ela revela a mensagem do Salvador Je- pela humanidade são sim-
sus Cristo. bolizados na cruz de Jesus.
“Olhando firmemente para o
Autor e Consumador da fé,
O LOGO, A Jesus, o qual, em troca da
alegria que lhe estava pro-
BANDEIRA E SEUS posta, suportou a cruz, não
SIGNIFICADOS fazendo caso da ignomínia,
e está assentado à destra do
O logo é o símbolo mundial dos Jo- trono de Deus”. (Heb. 12:2).
vens Adventistas e significa: “Por meio da
cruz de Cristo, os Jovens Adventistas levam JA:  Jovens Adventistas,
as três mensagens angélicas ao mundo”. derivando sua espiritualidade
de Jesus, partilhando sua
Mundo:  A mensagem do fé no companheirismo com
advento a todo o mundo outros. “Com tal exército de
nesta geração permanece obreiros como o que poderia
o alvo constante dos jovens fornecer a nossa juventude
adventistas. “E será pregado devidamente preparada,
este evangelho do reino por quão depressa a mensagem
todo o mundo, para testemu- de um Salvador crucificado,
nho a todas as nações. En- ressuscitado e prestes a
tão, virá o fim”. (Mat. 24:14) vir poderia ser levada ao
mundo todo!» (Mensagens
Trombetas/Anjos:  A tríplice aos Jovens, p. 196).
mensagem angélica anun-
ciada ao mundo pelos jo-
vens. “Vi outro anjo ... dizen-
do ... Temei a Deus e dai-lhe
glória, pois é chegada a hora
do seu juízo; ... Seguiu-se ou-
tro anjo, o segundo, dizendo:
Caiu, caiu a grande  Babilô-
15
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Amarelo ouro retângulo inferior direito na medida de 8 cm


Excelência espiritual do de altura por, no máximo, 50 cm de compri-
caráter derivada do viver mento.
de Cristo na pessoa. “Mas Branco
PANTONE
116C ele sabe o meu caminho; Pureza de vida na conduta, linguagem e
se ele me provasse, sairia relacionamento com os outros, refletindo
eu como ouro”. (Jó 23:10) os ideais do Salvador para com seus filhos.
Azul “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo
A firme lealdade ao Senhor contrário, torna padrão dos fiéis, na palavra,
produz e demonstra o triun- no procedimento, no amor, na fé e na pure-
fo de uma vida escondida za”. (I. Tm. 4:12)
PANTONE
em Jesus. “Graças, porém, a Vermelho
298C
Deus que em Cristo sempre A redenção através da vida
nos conduz em triunfo, e por de Cristo entregue em nos-
meio de nós, manifesta em so favor na cruz do Calvário.
PANTONE
todo lugar a fragrância do
1795C
seu conhecimento”
(2. Co 2:14) 
ORIENTAÇÕES PARA OS
A BANDEIRA JA é uma peça distinti-
va dos jovens adventistas. Ela é dividida em
VOTOS
quatro partes iguais, medindo 128 x 90 cm
Saudação Maranata: Amar, Anunciar,
e tendo ao centro o emblema JA, medindo
Apressar e Aguardar a volta de Cristo. A
45 x 30 cm. A cor vermelha está nas partes
saudação é composta de um gesto e atitude.
superior esquerda e inferior direita, sendo as
Na posição de sentido levantar o antebraço
partes superior direita e inferior esquerda na
direito, mão espalmada, dedos unidos, pole-
cor branca. É opcional bordar o nome do mi-
gar recolhido à palma da mão. Ao ser dita
nistério jovem adventista na cor branca no

16
DIVISÃO SUL-AMERICANA

a palavra: “Maranata”, o receptor responde: voto, posição!” Após repeti-lo, o comando


“O Senhor logo vem”. na mesma posição em seguinte é: “Descansar posição!”
que foi saudado. Posição para o voto à Bíblia: A pessoa
Posição para o voto: Na posição
de que recita o voto segura com a mão esquer-
sentido, levantar o antebraço direito, mão da uma Bíblia aberta e coloca a mão direita
espalmada, dedos unidos, polegar
recolhi- sobre o Livro do Senhor. Os demais partici-
do à palma da mão. O antebraço se
desloca pantes fazem a saudação Maranata, com o
lateralmente em relação ao corpo,
ficando corpo voltado em direção à Bíblia. Para repe-
perfeitamente paralelo a ele. A
mão fica à tir o voto, deve ser dada a voz de comando:
altura do rosto, o ângulo entre
o braço e o “Para o voto à Bíblia, posição!” Após repeti-
antebraço é igual a 45°. Para repetir o voto, -lo, o comando é: “Descansar posição!”
deve ser dada a voz de comando: “Para o

“Nossa juventude precisa ser


desafiada hoje com uma mensagem
que lhe seja relevante, que lhe supra as
necessidades. Precisa ver essa mensagem
vivida pela igreja e seus membros. Precisa
ser levada, por preceito e exemplo, a
adotar um estilo de vida que lhe permita
apreciar a presença de Deus neste planeta,
a fim de que esse apreço e comunhão
possam ter prosseguimento nas cortes
celestiais. É essa a mensagem e a missão
da igreja aos jovens”. 

DICA DE LEITURA
ALLEN, Malcolm J. Salva-
ção e serviço: O desafio do
ministério jovem. 3. ed. São
Paulo: Sobre Tudo, 2012.

17
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 2

18
DIVISÃO SUL-AMERICANA

to. Nessa perspectiva, é através da cosmovi-


são, que foi construída ao longo da vida, que
FUNDAMENTOS o líder pensa, sente, age e percebe a vida e
a realidade.
FILOSÓFICOS DA O melhor caminho para o desenvol-
vimento pessoal do líder é continuar apren-
LIDERANÇA dendo ao longo da vida, tendo a mente e o
coração abertos para novos conhecimentos
Os fundamentos filosóficos são o DNA
e conceitos. É impossível que o líder abando-
da liderança e todas as demais competências
ne totalmente uma cosmovisão que foi cons-
estão assentadas neles. A filosofia influencia
truída ao longo da vida. Todavia, ele precisa
o desenvolvimento do líder, a construção do
estar disposto a aprender e a reaprender,
seu caráter, hábitos e nas verdadeiras inten-
mudar de opinião e adotar o novo em muitas
ções da liderança.
situações no desenvolvimento da liderança.
Como afirmou Santrac (2015, on-line):
Este capítulo lidará com esse tema em
seja um filósofo ou um cientista, um pregador
três partes. A primeira parte focará na de-
ou um professor, um político ou um burocra-
finição do termo filosofia; a segunda parte
ta, cada um de nós lida com certo estado de
apresentará os conceitos de cosmovisão e
espírito definido por qualquer inquietação
visão de mundo; e a terceira parte construi-
que possamos ter com cosmovisões que va-
rá uma visão de discipulado, no contexto do
riam de acordo com diferentes percepções.
ministério jovem adventista.
É possível identificar determinada cosmo-
visão que agrada, mas não é possível esco-
FILOSOFIA
lher cosmovisões conflitantes como base do
Os líderes precisam conhecer os fun-
pensamento e das ações, pois isso acarreta
damentos filósofos, pois sobre eles são cons-
confusão e caos.
truídas as suas competências. Para Alaby
A maneira como os líderes enxergam
(2009, p. 23), “os líderes devem amar a sa-
o mundo está diretamente ligada à cultura
bedoria, refletir sobre cada aspecto da vida
em que foram criados ou estão inseridos.
diária e o questionamento sobre tudo deve
A cosmovisão, portanto, tem que ver com
ter a finalidade do bem supremo da vida
os pressupostos, e estes, por sua vez, in-
abundante para todos”.
fluenciam radicalmente todos os aspectos
Olinto (2001) diz que a filosofia é a ci-
comuns da vida: padrões de pensamento,
ência dos princípios e causas; o amor pelo
comportamento, relacionamentos e até a
saber e, particularmente, ela é responsável
maneira como se lidera.
pela investigação das causas e efeitos. O
Embora seja possível mudar conceitos
Minidicionário da Língua Portuguesa defi-
ou opiniões sobre determinados assuntos ao
ne filosofia como: “conjunto de estudos te-
longo da vida, a construção de um líder não
óricos sobre os princípios fundamentais do
é meramente o resultado do contato com
conhecimento, pensamento e atos humanos,
um novo conhecimento sistematizado, mas
integrado numa doutrina ou sistema; con-
sim a soma de todas as filosofias, teorias,
junto de doutrinas, pensamentos filosóficos
conceitos e leis com as quais ele teve conta-
de certo autor, escola, período ou país; sis-

19
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

tema de princípios que explicam ou sinteti- contram-se três aspectos para uma melhor
zam determinada ordem de conhecimentos: compreensão da filosofia: uma atividade, um
filosofia social; sistema de diretrizes para a conjunto de atitudes e um corpo de conteú-
conduta da vida prática: filosofia popular; do. A seguir encontra-se um resumo destes
capacidade de suportar os problemas com aspectos:
serenidade e firmeza; sabedoria”. (LAROUS- ATITUDES – tem a ver com autoconhe-
SE, 2006, p. 127) cimento, perspicácia, visão ampla e flexibili-
Nesta perspectiva, Hryniewicz (2001, dade.
p. 17) afirma que há possibilidade de a filoso- • Autoconhecimento – exame inte-
fia ser compreendida como “uma proposta rior.
de reflexão crítica da realidade. Uma tentati- • Visão ampla – considerar todas as
va de obtenção de um conhecimento global partes e possibilidades.
e totalizante do homem no mundo, dentro • Perspicácia – desejo de exercer ha-
de uma fundamentação racional”. bilidade, agudeza, finura.
No clássico Filosofia & Educação: • Flexibilidade – sensibilidade e
uma introdução da perspectiva cristã, do abertura para novas possibilidades. 

pesquisador Geoge Knight (2015, p. 15), en-

Examinar a evidência
01 Observar minuciosamente, intei-
rar-se (envolve percepção sensorial)

Analisar um Problema
ATIVIDADES

Compreender suas partes (envolve


02
percepção cognitiva)

Sintetizar
03 Integrar os conhecimentos (envolve
a busca de conexões)

Especular
Salto racional para o desconhecido 04
(envolve o ato de indagar)

Prescrever
05 Estabelecer condições (envolve pro-
por diretrizes)

Avaliar
Emitir julgamento (envolve apre- 06
ciação e classificação)

20
DIVISÃO SUL-AMERICANA

CONTEÚDO – existem três categorias (ao menos no alemão) e de ser menos enfa-
fundamentais: metafísica, epistemologia e donho do que a frase “visão do mundo e da
axiologia. vida”. Ao que tudo indica, o primeiro uso se
• Metafísica: ramo da filosofia que deu com Immanuel Kant (1724-1804), na Crí-
lida com a essência da realidade, a natureza tica do Juízo, como a capacidade humana de
da realidade. Ela faz perguntas como: O que perceber a realidade sensível. No idealismo e
é real? Existe um propósito e projeto no uni- romantismo alemão, foi amplamente usado
verso? Existe livre-arbítrio? “para designar um conjunto de crenças que
• Epistemologia: estuda os méto- fundamentam e moldam todo o pensamento
dos, as estruturas e a validade do conheci- e toda a ação humana”. (SIRE, 2004, p. 22).
mento, para chegar à verdade. De onde vem Sire (2004, p. 22) diz que a cosmovi-
o conhecimento? O que é verdadeiro? Em são é: um comprometimento, uma orienta-
que medida o conhecer contribui para o pro- ção fundamental do coração, que pode ser
cesso do conhecimento? A verdade é per- expressa como uma narrativa ou como um
manente ou mutável? conjunto de pressuposições (suposições que
• Axiologia: estuda os julgamentos, podem ser verdadeiras, parcialmente verda-
a certeza ou o erro, a bondade e os princí- deiras ou inteiramente falsas) que nós dete-
pios de conduta. O que deve ser feito? O que mos (consciente ou inconscientemente) so-
são valores? Também lida com a estética, re- bre a constituição básica da realidade, e que
lacionada com o conceito pessoal de beleza. provê o fundamento sobre o qual vivemos,
Como fazer julgamentos sobre o que se vê, o movemos e possuímos nosso ser.
que se toca e o que se ouve? O que é bonito?
 Para Noebel (2011, p. 4) a “cosmovisão
Ainda segundo Knight (2015, p. 15): “o se refere a qualquer conjunto de ideias, cren-
conteúdo da filosofia é melhor compreendi- ças ou valores que forneçam uma estrutura
do à luz de perguntas do que à luz de res- ou mapa para ajudar você a compreender
postas. Pode até ser dito que a filosofia é o Deus, o mundo, e seu RELACIONAMENTO
estudo das perguntas”. com Deus e com o mundo”.
Para Gaarder, (1999, p. 25) “o melhor Já para Geisler e Bocchino, (2003, p.
meio de se aproximar da filosofia é fazer per- 15) a “cosmovisão é semelhante a uma len-
guntas filosóficas: Como o mundo foi criado? te intelectual através da qual enxerga-se o
Será que existe uma vontade ou um sentido mundo. Se alguém olha através de uma len-
por detrás do que acontece? Há vida depois te vermelha, o mundo lhe parece vermelho.
da morte? Como responder a estas pergun- Se outro indivíduo olha através de uma lente
tas? E, principalmente: como se deve viver?”. azul, o mundo lhe parece azul”.
Uma cosmovisão carrega no seu in-
COSMOVISÃO E VISÃO DE MUNDO terior “conceitos que lhe são próprios e que
O termo “cosmovisão” é uma tradu- permitem não apenas a leitura ingênua de
ção da palavra alemã “Weltanschauung”, que uma realidade, mas a conformação desta, à
é comumente traduzida por “modo de olhar luz da interpretação dada, pelo modo como
o mundo” (welt - mundo, schauen - olhar). essa leitura vai sendo gerada, construída e
Para Wolters (2015) este termo tem a vanta- legitimada” (DOMINGUES, 2012, p. 273).
gem de ser claramente distinto de “filosofia” Outro conceito que pode ser apre-

21
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

sentado, aqui, é aquele defendido por Souza aprisiona o homem mais do que suas con-
(2006, p. 41), que diz que uma cosmovisão vicções” e ele estava certo, pois é a crença
funciona “como um compasso ou um mapa, em determinadas ideias e ideais éticos que
que nos orientaria quanto ao mundo em move o líder a agir ou não agir em prol de
geral, dando-nos sentido do que está certo uma causa. A crença interior leva alguns ao
ou errado na confusão dos eventos e fenô- sacrifício, à ação e, talvez, até ao martírio.
menos que confrontamos, afetando a forma Crença interior é uma expressão muito pró-
como acessamos os eventos da vida”. xima da palavra cosmovisão. É ela que leva
A ideia de cosmovisão como um mapa o líder a seguir algum caminho ou ignorar
é interessante, visto que se torna em um mar- outros. É ela que o faz agir como está agin-
co de coordenadas, o qual possibilita ao ser do de modo bom ou repreensível. Logo, po-
humano ter a sensação de segurança, con- de-se imaginar o perigo de uma cosmovisão
fiança e estabilidade. E, ainda, indica a pre- errônea na liderança dos jovens adventistas.
sença de fronteiras e de espaço conquistado, A cosmovisão adventista está funda-
o que assegura movimento e dinamicidade, mentada na Revelação Divina, escrita nas
podendo fazer com que grupos específicos Escrituras Sagradas (Jo 17:17). Como desta-
convivam com outras cosmovisões sem se cou o Pr. Elias Brasil, diretor do Instituto de
sentirem ameaçados. Pesquisa Bíblica da Sede Mundial da IASD,
Noebel (2011) acredita que este mapa a cosmovisão adventista se fundamenta na
ajuda o ser humano a compreender Deus, o Bíblia e se articula na grande história que vai
mundo, e seu RELACIONAMENTO com Deus da criação, como relatada nos primeiros ca-
e com o mundo. pítulos de Gênesis, até a nova criação, con-
Neste contexto, o líder JA precisa de forme descrita em Apocalipse 21 e 22. En-
uma cosmovisão, que sirva como um mapa tre esses dois polos desenrola-se o grande
para coordenar as ações e um norte para as conflito cósmico entre o bem e mal, no qual
decisões mais importantes relacionados ao o Deus criador e redentor está trabalhando
discipulado dos seus jovens. Sem este mapa, para resgatar definitivamente a humanida-
a possibilidade da incoerência é presente, de do poder e dos efeitos do pecado. Essa
tornando fragilizada qualquer caminho que é a única “macro história” que responde de
for escolhido. Por isso, Sire (2012, p. 21) co- forma coerente as questões existenciais que
menta que comprometer-se com uma cos- têm intrigado e angustiado o ser humano.
movisão “na verdade, é um passo significa-
tivo na direção da auto-conscientização, do
auto-conhecimento e do auto-entendimen-
Uma mudança de cosmovisão
to”. pode acontecer a partir da conversão.
É um processo gradual que envolve não
É possível que alguns líderes, num somente a mudança de estilo de vida, mas
primeiro momento, considerem uma perda uma nova maneira de pensar e ver o mundo.
Como resultado da conversão e do cresci-
de tempo refletir sobre filosofia de lideran- mento espiritual, o novo discípulo passa a
ver o mundo com as lentes da Bíblia (Rm
ça e cosmovisão. Parar para discutir como
12:2) e a pensar com a “mente de Cristo”
se forma a compreensão de mundo talvez 1Co 2:16; Ef 4:22-24

soe coisa de quem não tem o que fazer, mas


não é bem assim. Nietzsche dizia que “nada

22
DIVISÃO SUL-AMERICANA

samento. No Novo Testamento, há várias



palavras que se relacionam com discípulo
CONSTRUÇÃO DE UMA ou discipulado. Uma delas é akoloutheo, a
qual “indica a ação de um homem que res-
VISÃO DISCIPULADORA ponde ao chamado de Jesus, e cuja vida re-
cebe novas diretrizes em obediência”. Outra
NO MINISTÉRIO palavra é opiso, e pode ser traduzida como
JOVEM “ir atrás de alguém”, significando “participar
da COMUNHÃO, da vida e dos sofrimentos
O líder JA precisa ter uma visão clara de Cristo”. Entender o discipulado como “ir
do  que é discipulado  e  como aplicá-lo  aos atrás de alguém” nos faz compreender que o
jovens para assim começar o seu trabalho, autêntico discípulo de Jesus não pode nem
pois quando o líder faz algo sem clareza está deve olhar para trás, como que lembrando
apenas multiplicando esforços que não re- e sendo refém das experiências do passado;
sultarão no propósito essencial do discipu- sua vida deve ser vivida na perspectiva do
lado, que é a multiplicação. Um ministério futuro ao lado de Deus, sem considerar nem
jovem sem visão discipuladora nunca vai ge- valorizar demasiadamente as coisas que fi-
rar jovens maduros e comprometerá o cres- caram para trás.
cimento da igreja e a expansão do Reino de O principal vocábulo grego traduzi-
Deus. do como discípulo é mathetes, usado nos
Ao revisar as Escrituras, o “ide e fazei Evangelhos para referir-se a um seguidor de
discípulos” aparece com uma preocupação Jesus, um aprendiz de Jesus e alguém com-
da igreja primitiva. O apóstolo Paulo expres- prometido com Ele. Portanto, um discípulo
sa isso de maneira clara ao dizer a Timóteo: é alguém que ouviu o chamado de Jesus e
“Você me ouviu ensinar verdades confir- se torna Seu seguidor. Por isso, nos tempos
madas por muitas testemunhas confiáveis. bíblicos, uma pessoa era considerada ma-
Agora, ensine-as às pessoas de confiança thetes quando se vinculava “a outra pessoa
que possam transmiti-las a outros”. (2 Tm a fim de adquirir seu conhecimento prático
2:2- NTT). Essa mesma preocupação levou e teórico”. E essa pessoa podia ser aprendiz
a liderança JA da Divisão Sul-Americana a num ofício, um estudante de medicina ou um
conduzir a produção deste manual do minis- membro de uma escola de filosofia. O im-
tério jovem adventista, o qual servirá de fun- portante era que alguém somente podia ser
damento para a construção de uma cosmo- um mathetes na presença de um didaskalos,
visão sobre discipulado de jovens nas igrejas um “mestre” ou “professor”. Assim, a figura
locais da América do Sul. do discípulo se refere a alguém que segue a
Na Bíblia, de modo geral, discípulo é Cristo.
aquele que, como aluno ou
seguidor, segue É verdade que pode haver diversas
o ensinamento de outro, especialmente de maneiras de seguir a Cristo: uns podem ser
um professor público.
Entre os hebreus, no seguidores mais contemplativos e filosófi-
Antigo Testamento, discípulo era a tradução cos, enquanto outros podem ser seguidores
de talmidim e indicava
aqueles que seguiam mais ativos e dinâmicos. Todavia, uma ideia
algum rabino específico
e sua escola de pen- era clara e consensual entre os primeiros cris-

23
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

tãos: não deveria haver diferença entre ser Os jovens de 16 a 30 anos represen-
discípulo e ser cristão. Tanto isso é verdade, tam 30,9% dos membros da igreja na Amé-
que, em João, mathetes é frequentemente rica do Sul.
um termo utilizado para expressar proximi- Bill Hull, pesquisador sobre discipu-
dade e compromisso com Cristo (João 8:31; lado e crescimento de igrejas, afirmou que
13:35; 15:8); então, diríamos que “discípulo” “Fazer discípulos é o trabalho principal e
é sinônimo de cristão. Nesse sentido, se al- exclusivo da igreja”. Parafraseando o autor,
guém é cristão, é discípulo; ou se é discípulo, “Fazer discípulos é o trabalho principal e ex-
é cristão. Assim, o discípulo é alguém que se- clusivo do ministério jovem adventista”.
gue a Cristo, que é aprendiz dEle e vive em O ministério jovem adventista tem
compromisso com Ele. como missão levar os jovens a ter um RELA-
“O discipulado significa adesão a CIONAMENTO salvífico com Jesus e ajudá-
Cristo… O cristianismo sem o Cristo vivo é -los a aceitar seu chamado ao discipulado.
inevitavelmente o cristianismo sem discipu- Um jovem que não for discipulado correta-
lado, e o cristianismo sem discipulado é o mente enfrentará problemas no amadureci-
cristianismo sem Cristo” (Dietrich Bonhoef- mento espiritual. O líder JA deve trabalhar
fer, The Cost of Discipleship). intencionalmente no discipulado dos jovens
da sua igreja. Para isso, é preciso manter o
CARACTERÍSTICAS QUE DEFINEM OS foco em alguns pontos importantes:
JOVENS NESTA GERAÇÃO:
• Eles tentam se destacar do resto; O discipulado é para Jesus,
• Eles são mais pragmáticos e inde- não para qualquer outra
pendentes do que a geração anterior; pessoa. Jesus é o modelo de
• Eles são nativos digitais; para eles, formação na vida de cada jo-
um mundo sem conexão constante é sim- vem adventista, a fim de se
plesmente algo desconhecido; alcançar maturidade espiri-

01
• É a geração mais diversificada da tual.
história e, por essa razão, é muito cobiçada e
valiosa para empreendedores;
• Estão crescendo sem uma rede de
segurança, eles não têm medo de mudança
ou riscos. Isto explica por que eles se identi-
ficam com empresas como Uber, Google ou O discipulado envolve tanto
Facebook, que superaram empresas e servi- o mundo “interior” como o
ços tradicionais; “exterior” do discípulo. Cada
• Seus pais lhes deram um pensa- jovem deve firmar a visão do
mento realista e não otimista; Reino de Deus em sua pró-
• Eles são um pouco mais avessos ao pria vida, em tudo o que é e
risco”, disse Jane Gould, vice-presidente sê- faz, bem como na comunida-
nior da MTV.
02 de onde está inserido.

24
DIVISÃO SUL-AMERICANA

O discipulado é artesanal e Discipulado não pode ser


pessoal. Envolve a transmis- confundido com mentoring.
são da vida e por esta razão Ferramentas de desenvolvi-
é preciso dedicar tempo e mento, como o mentoring,

03
energia para fazer novos dis- são importantes para a for-
cípulos. mação de líderes, mas nunca
podem substituir os pilares

06
do discipulado bíblico.

O discipulado envolve evan-


gelismo, batismo, formação
espiritual e multiplicação. A A tarefa principal do líder JA
multiplicação é a prova es- não é aumentar a assistência
sencial do verdadeiro disci- aos programas e reuniões
pulado. A ordem de Cristo dos jovens. A prioridade é
para Seus discípulos foi para espalhar para todos os can-
que reproduzissem em ou- tos da cidade, novos discí-
tros a vida que haviam en- pulos de Cristo. Não se pode

04 contrado nEle (Jo. 15:8). medir o sucesso do ministé-


rio jovem pela quantidade
de pessoas que assistem a
um evento, mas pela quanti-
dade de discípulos que saem

Os discípulos devem ser en-


sinados a viver obediente-
07 para cumprir a missão.

mente à vontade de Deus,


participando da missão de
Deus de acordo com o me-
lhor de suas habilidades e O paradigma da vivência
apropriadamente em seus como discípulos deve ser

05
contextos. simples, natural e intencio-

08
nal.

25
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

UCOB
UNoB 126.535 membros UNB
36.406 jovens 299.366 membros
169.889 membros
28,8% 108.194 jovens
58.845 jovens
34,6%
36,1% UNeB
UE 203.870 membros
56.710 membros 69.312 jovens
34,0%
19.059 jovens ULB
33,6% 205.209 membros
63.816 jovens
UPN 31,1%
208.713 membros
60.927 jovens
29,2%

UPS USeB
192.510 membros
210.643 membros
62.560 jovens
57.104 jovens
32,5%
27,1%

UB UCB
116.713 membros 267.385 membros
50.910 jovens 68.949 jovens
43,6% 25,8%

USB
UCh 173.820 membros
103.151 membros 42.066 jovens
27.079 jovens 24,2%
26,3%
UU
7.837 membros
UA 1.769 jovens
115.990 membros 22,6%
31.405 jovens
27,1%
UP
12.546 membros
4.480 jovens
35,7%

DSA
União Argentina União Noroeste Brasileira
União Boliviana União Norte Brasileira
União Central Brasileira União Paraguaia

2.470.887 membros União Centro-Oeste Brasileira União Peruana do Norte


União Chilena União Peruana do Sul

762.881 jovens União Equatoriana União Sudeste Brasileira


União Leste Brasileira União Sul Brasileira

30,9% União Nordeste Brasileira União Uruguaia

26
DIVISÃO SUL-AMERICANA

O discipulado é o RELACIONAMENTO pertencem à mesma família – o Corpo de


que o jovem desenvolve com Cristo para as- Cristo.
sumir o Seu caráter. Como discípulo, o jovem Vanderwell (2008) destaca: “E, em
aprende com Ele como viver a vida no reino particular, o trabalho conjunto das gerações
como Ele faria se Ele fosse o jovem. O com- é um componente necessário da formação
portamento do jovem adventista é transfor- saudável [do caráter]. Cada idade aprende
mado cada vez mais e aos poucos ele passa com o outro ... Desde que a formação da fé
a fazer o que Cristo disse e fez. e do caráter seja uma preocupação essencial
Bill Hull, na sua obra completa sobre da igreja cristã, devemos ter como objetivo
discipulado, afirma: “Um discípulo, então, é manter as gerações engajadas entre si, tanto
um renascido seguidor de Jesus... no mo- nas atividades do ministério como no culto
mento da salvação, quando alguém decide corporativo”.
seguir a Cristo, ele não deveria experimentar Uma pesquisa global, conduzida pela
qualquer interrupção em sua jornada daque- IASD, revelou que 41% dos jovens adventis-
le ponto em diante. Como um novo cristão, tas que abandonaram a fé ao redor do mun-
um indivíduo não dá um “segundo passo” do apontaram como causa principal a falta
para se tornar um discípulo. Em vez disso, ele de amigos que os apoiassem na caminhada
embarca em sua jornada contínua de cresci- espiritual. As duas razões seguintes também
mento que passa pela infância, adolescência, tinham a ver com a falta de relacionamen-
vida adulta e vai até a maturidade espiritual... tos na igreja. Esses indicadores mostram que
então, discipulado significa o estado de ser as estratégias institucionais e da igreja local
um discípulo”. devem favorecer a criação de comunidades
A maior necessidade da juventude saudáveis que fortaleçam os relacionamen-
dos dias atuais é de referências, líderes que tos. Entretanto, o discipulado não pode ser
inspirem através do exemplo e sirvam de encarado como uma estratégia relacional,
modelo a quem os jovens possam imitar. Não mas, antes de tudo, como uma mudança de
há discípulo sem mestre. Não é possível falar cosmovisão sobre a missão da igreja e sua
sobre “discipulado” sem uma referência, sem relevância para as novas gerações.
um líder. Em outras palavras, o discipulador Os líderes JAs precisam ser agentes
deve ser um mestre que ajude os jovens no de mudança, mentoreando, pregando, pro-
desenvolvimento físico, moral, social e espiri- movendo, ensinando e multiplicando a visão
tual. Eles não querem ser liderados por pes- de discipulado na igreja local. É hora de uma
soas perfeitas, pois são conscientes de que mudança radical na maneira de liderar o mi-
essas pessoas não existem, mas precisam nistério jovem. O discipulado precisa ser in-
que os líderes sejam honestos e autênticos tencional e integral. As novas gerações são
na maneira de viver a fé cristã. terreno fértil para o discipulado e, por esta
Uma outra necessidade é integração razão, é preciso investir tempo, recursos,
intencional das gerações, servindo, com- ideias e tudo mais que for necessário para o
partilhando e aprendendo, de forma mútua, desenvolvimento de jovens discípulos com-
dentro das atividades principais da igreja e prometidos com a salvação e o serviço.
no seu programa de discipulado. É necessá-
rio que todos tenham a consciência de que

27
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

A base para o discipulado dos jovens


está estabelecida em três pilares:

01
COMUNHÃO: fortalecer a vida espiri-
tual do jovem através da devoção pes-
soal, adoração e ensino.

RELACIONAMENTO: envolver cada

02
jovem adventista ativamente na vida
em comunidade através da partici-
pação em um Pequeno Grupo ou Uni-
dade de Ação.

03
MISSÃO: engajar os jovens na missão
da igreja, conforme a comissão evan-
gélica de Atos 1:8.

A prioridade de Jesus deve ser tam- rio Adventista (SVA).


bém a prioridade do ministério jovem ad- Essas prioridades constituem um
ventista. Basta olhar para o tempo que Ele processo de discipulado que engloba CO-
passou individualmente ensinando seus MUNHÃO, RELACIONAMENTO E MISSÃO,
discípulos e se tem uma direção clara para e que assegurará que os jovens alcancem
as ações do ministério jovem. Após desen- a maturidade espiritual na igreja local. Se-
volver uma visão discipuladora, o líder JA rão apresentados mais detalhadamente, nos
precisa compartilhar com a sua equipe a im- próximos capítulos, temas como: o trabalho
portância do discipulado e como aplicá-lo. em equipe, o ministério jovem na igreja local,
Finalmente, ele deve desafiar a sua equipe comunicação com as novas gerações, criati-
a investir energia e tempo no discipulado de vidade e desenvolvimento de novos líderes.
jovens e dá oportunidade para que cada jo- O método de Cristo de fazer discípu-
vem discípulo seja também um discipulador, los precisa ser a lente pela qual o líder JA
e que essa missão seja a parte mais impor- enxerga o mundo ao seu redor. Se cada lí-
tante de suas vidas. der colocar essa lente, o ministério jovem na
a. Jerusalém: 1+1. América do Sul será um canal de atração,
b. Judeia: Missão Calebe. desenvolvimento e restauração dos jovens
c. Samaria: Um Ano em Missão (OYiM). para Cristo e Seu Reino. Como ressaltou El-
d. Até os confins da Terra: Serviço Voluntá- len G. White: “(Aos jovens) ... cumpre-lhes

28
DIVISÃO SUL-AMERICANA

10 TÓPICOS QUE DESCREVEM AS


PRIORIDADES DO LÍDER JA:

1 Viver, promover e ensinar os ide-


ais do Ministério Jovem Adventis-
ta. Conhecer a história, a visão, a

2
missão e o método da IASD e usar
tudo isso como referencial para a
construção do plano de ação do
ministério jovem na igreja local. Ter uma visão clara do discipula-
do bíblico e implementar ações

3
intencionais para o discipulado
integral dos jovens.

Liderar uma revolução espiritual na


vida da juventude, fortalecendo a

4
devoção pessoal, adoração e o en-
sino das Escrituras.

Promover a vida em comunidade,

5
o pastoreio e a sociabilização
por meio dos Pequenos Grupos.

Engajar os jovens nos projetos de


missão através dos seus dons para

6
cumprir a comissão de At 1:8.

Organizar o ministério jovem da


igreja local em equipes e for-

7
talecer as ações, programas e
projetos com ênfase no discipu-
lado.

Tornar o ministério jovem relevante


para a igreja local e integrar os jo-

8
vens nas ações missionárias e na
vida da igreja.

Transpor o abismo comunicacio-


nal fortalecendo o diálogo com

9
as novas gerações através das
novas mídias.

Criar um ambiente propício para a


criatividade e a inovação e incen-

10
tivar o surgimento de ministérios
de serviço para atender às neces-
sidades da comunidade.
Liderar pelo exemplo e focar, in-
tencionalmente, na criação de
novos líderes por meio do men-
toring e do desenvolvimento das
competências de liderança.

29
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ser achados leais e verdadeiros, obedien-


tes a toda palavra de ordem, apresentando
aos outros o mais elevado motivo de ação
e mostrando-lhes as atrações do serviço de
Cristo. Cumpre-lhes manifestar os louvores
dAquele que os chamou das trevas para Sua
maravilhosa luz” (The Youth’s Instructor, 13
de outubro de 1892 – FFD 150).

Líderes podem construir ou


destruir um ministério. Um ministério
com jovens sem uma liderança
adequada pode nunca vir a ser sadio,
mas o ministério com abundância
de líderes de qualidade terá sempre
o potencial para ser saudável…
Ministros de juventude com poucos
líderes em sua equipe encontram-se
constantemente sobrecarregados e
cansados demais para buscar novas
ideias.

DICA DE LEITURA
FIELDS, Doug. Um ministério
para líderes de jovens com
Propósitos. São Paulo, SP:
Vida, p. 271.

30
DIVISÃO SUL-AMERICANA

CAPÍTULO 3

31
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

pulado, priorizando a COMUNHÃO, a criação


de comunidades espirituais saudáveis e en-
UMA NOVA GERAÇÃO volvimento dos jovens em uma causa missio-
nária.
DE ADORADORES “Pondo, nisto mesmo, toda diligência,
acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude
Os líderes JAs crescem e se desenvol- ciência, e à ciência temperança, e à tempe-
vem ao longo do tempo. A maturidade na li- rança paciência, e à paciência piedade, e à
derança JA faz com que eles mudem o perfil piedade amor fraternal; e ao amor fraternal
de somente promotores de eventos para um caridade...porque, fazendo isto, nunca jamais
perfil discipulador, com forte ênfase na revo- tropeçareis. Porque assim vos será ampla-
lução espiritual da juventude. Este capítulo mente concedida a entrada no reino eterno
enfatiza a COMUNHÃO, no contexto do dis- de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” 2
cipulado, e apresenta os três caminhos para Pedro 1:5-7.
o crescimento espiritual da juventude: devo-
ção pessoal, adoração e ensino. Em algum A ÉTICA E A ESPIRITUALIDADE
tempo, os conceitos do discipulado de jo- NA LIDERANÇA
vens se tornarão a sua segunda natureza e o Os líderes JAs precisam cultivar algu-
líder JA estará preparado para implementar, mas características para alcançar a excelên-
intencionalmente, ações para o crescimento cia, entre elas: comprometimento, comuni-
espiritual da sua juventude. cação com as novas gerações, saber ouvir,
O ministério jovem precisa lidar com responsabilidade, visão, habilidade para tra-
a impressionante velocidade das mudanças balhar em equipe, coerência, bom humor, fle-
tecnológicas, espirituais e sociais que defi- xibilidade e talento para estabelecer relacio-
nem esta época, desenvolvendo líderes que namentos interpessoais saudáveis. Porém,
transmitam uma fé que seja consistente nes- é indispensável que o líder JA seja um líder
te novo contexto. A grande batalha espiritual ético e espiritual.
dos jovens desta geração é manter-se firme Para Solomon (2006), o senso de mis-
na fé mesmo em um contexto extenuante e são é o indicativo da liderança excelente. O
frenético de expansão da acessibilidade, de senso de missão é um compromisso que vai
fragilização da autoridade familiar, eclesiás- além do compromisso com a organização,
tica e governamental, além de uma crescen- é um compromisso pessoal com o bem-es-
te alienação relacional e institucional. É o de- tar do outro. Quando o líder dá o melhor de
safio desta geração, atender à orientação de si, ele está motivando os outros a também
Jesus descrita no Evangelho de João capítu- darem o melhor de si e terem um compor-
lo 17, o de “estar no mundo, mas não ser do tamento ético. Em outras palavras, ele está
mundo”, visto ser, o atual momento da his- liderando pelo exemplo.
tória, uma grande ameaça à espiritualidade Mas, como saber se os líderes e os li-
desta geração e das gerações futuras. derados estão sendo éticos? Blanchard e
Um ministério jovem bem-sucedido Peale (2001, p. 29) sugerem que o indivíduo
origina-se, em grande medida, de uma igreja deve se utilizar do teste de ética, composto
com líderes que fortalecem a visão de disci- por três perguntas básicas:

32
DIVISÃO SUL-AMERICANA

• É legal? vem adventista, este código está presente


• É imparcial? É justa com todos os na Bíblia), e os líderes não conseguem viver
interessados, tanto a curto como em longo de acordo com o código de conduta, eles se
prazo? Promove relacionamentos em que tornarão uma grande piada. Já os líderes que
todos saiam ganhando? demonstram comportamento ético, influen-
• Sentir-se-á, o líder, bem consigo ciam fortemente as ações dos outros. Além
mesmo? Poderá se orgulhar de sua decisão? disso, a liderança ética está preocupada com
Sentir-se-ia bem se o seu agir fosse publica- a virtuosidade dos indivíduos e suas moti-
do nos jornais? Como se sentiria se sua famí- vações; e reconhece que as escolhas de um
lia soubesse? líder são influenciadas por seu desenvolvi-
Para Chaúí (1995, p. 337), “…cons- mento moral.
ciência e responsabilidade são condições Considerando que a ética é construída
indispensáveis da vida ética”. Já Neto (2011, pelas crenças e valores que tornam o homem
p. 194) destaca que a liderança fundamenta- quem ele é, a espiritualidade tem um papel
da na ética “implica necessariamente integri- fundamental no que é a ética. Em artigo para
dade, moralidade e responsabilidade social”. a revista Diálogo Universitário, o Pr. Ted N. C.
Reilly (2006) considera que a lideran- Wilson, líder mundial da igreja adventista, faz
ça ética é dirigida por crenças e valores e para uma profunda reflexão sobre a espiritualida-
a dignidade e direitos dos outros. Portanto, a de autêntica. Ele considera que todos estão
liderança está diretamente relacionada com buscando autenticidade em um mundo cada
valores como confiança, honestidade, consi- vez mais virtual, e que a área mais importan-
deração, carisma e imparcialidade. Sendo as- te para a autenticidade genuína encontra-se
sim, os melhores líderes unem valores e ética no âmbito espiritual - as coisas que têm a
em suas ações. ver com o RELACIONAMENTO do indivíduo
A falta de confiança é um proble- com Deus e Sua palavra e como isso afeta
ma grave em muitas organizações e é vista quem realmente ele é, o seu caráter.
como uma das características da crise de li- Neste contexto, Lichtenwalter (2016)
derança que vem aumentando nos últimos defende a existência de valores morais abso-
anos. Quando os liderados não identificam lutos. Ele diz:
os valores dos seus líderes rapidamente, a “Há valores morais absolutos? É claro!
desconfiança é compreensível. Os liderados Como um padrão infinito, eterno, a verdade
passam a não saber o que esperar. Na contra- está no coração da cosmovisão cristã. Esta-
mão, quando os valores dos líderes são facil-
mente identificados, haverá uma construção
da confiança. Para Tway (1994), a confiança
é construída em três componentes:
a) A capacidade para confiar;
b) A percepção da competência;
c) A percepção das intenções.
Ainda para o pesquisador, se uma or-
ganização tem um código de conduta e ex-
pectativas éticas, (no caso do ministério jo-

33
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

mos procurando por ela, acreditando nela, ser humano entende como verdade ou mo-
vivendo por ela, modelando-a e falando dela. ral absoluta. Na construção de uma liderança
Temos de tomar decisões com base nela e ética, centrada em valores, a espiritualidade
sermos transformados por ela. A batalha é seu alicerce. Como dito anteriormente, a
pela verdade moral está no cerne do grande ética e a espiritualidade são indispensáveis
conflito entre Cristo e Satanás. É uma batalha para que o líder JA seja identificado como
que se trava por nossa mente e nosso cará- um indivíduo confiável.
ter enquanto vivemos e estamos envolvidos
no confronto final da história da Terra (2 Tes-
salonicenses 2:8-12, Apocalipse 12:17; 14:6-13; ESPIRITUALIDADE E
16:12-16). Deus nos deu Seu Espírito para nos
guiar à verdade (João 16:13). A cada passo,
ADORAÇÃO
Jesus nos lembra: “Eu sou o caminho, a ver-
Desde a criação do mundo, o ideal
dade e a vida”. (LICHTENWALTER, 2006).
divino era que o ser humano estivesse em
Ao adotar uma atitude com o enten-
pleno contato e RELACIONAMENTO com o
dimento de que aquilo é verdadeiro e ético,
seu Criador, em COMUNHÃO com Ele. O ho-
já não se segue regras e sim princípios. Para
mem foi projetado como um ser ‘adoracio-
o líder JA, os princípios são o amor a Deus
nal’. Sendo assim, ele tem necessidade de se
e ao próximo, e a Bíblia serve como um ma-
relacionar com Deus e o faz através da ado-
nual de excelência moral. O amor a Deus
ração (Gn 3:8).
leva o ser humano ao cumprimento da Sua
Deus merece ser adorado pelas qua-
vontade, enquanto que o amor ao próximo o
lidades de Seu caráter e pelo seu traba-
leva à ação para com aqueles que o cercam.
lho criador e redentor. Para Ellen G. White,
A sociedade tende a pensar que um mundo
“Quando formos capazes de compreender o
sem regras é melhor. Mas está claro que sem
caráter de Deus como Moisés, também nós
regras, a sociedade não irá subsistir, perderá
nos daremos pressa em curvar-nos em ado-
a sua integridade e não se desenvolverá.
ração e louvor”. (Conselhos aos Professores,
Finalmente, a ética é mais que um pa-
Pais e Estudantes. p. 30).
drão de comportamento, ou um código moral
Entre os diferentes atributos divinos,
condicionado ao tempo ou a cultura. A ética
Ellen White menciona justiça, perfeição, ma-
é, em si, e está relacionada com tudo que o
jestade, conhecimento, presença, bondade,
ser humano é e também com aquilo que o

34
DIVISÃO SUL-AMERICANA

força, compaixão, santidade e amor como ra- nossas atitudes e posses – até que a adora-
zões para a adoração e reverência. Grandes ção se torne um estilo de vida”.
atos de Deus tais como a criação, sustento, Daniel Oscar Plenc, no artigo O culto
revelação e redenção são também podero- como adoração: uma perspectiva de Ellen
sas razões. Ela escreve: “O dever de adorar a G. White, publicado pela revista Diálogo
Deus se baseia no fato de que Ele é o Cria- Universitário, disponível on-line, conclui que
dor, e que a Ele todos os outros seres devem Ellen White designou a adoração como ten-
a existência”. (O Grande Conflito. p. 436). do destacável posição nos eventos finais. Ela
Ellen White oferece um delicado equi- viu um tempo de prova, mas também um
líbrio entre a transcendência e a imanência tempo melhor de louvor e adoração para a
e, assim, encoraja reverência e ordem bem igreja. Afirmou, também, que a experiência
como COMUNHÃO e alegria. Ela reconhece de adoração será projetada através da eter-
que a adoração está relacionada a três pes- nidade. Ensinou que a adoração ao Criador
soas divinas e afirma que o verdadeiro culto foi a raiz do conflito cósmico entre o bem e
são “os frutos da operação do Espírito San- o mal que começou no céu. Foi a oposição
to”. de Lúcifer ao Filho sendo honrado com toda
Para John Macarthur, em seu livro a adoração, exatamente como o Pai foi, que
Adoração: a prioridade suprema: “Quando começou o conflito no Céu. Esse conflito é a
nos referimos à adoração, estamos falando raiz do pecado na Terra. A descrição de Ellen
sobre algo que nós estamos dando a Deus. White dos estágios finais na Grande Contro-
O cristianismo moderno parece, ao contrá- vérsia está centralizada em quem receberá a
rio, estar comprometido com a ideia de que adoração do ser humano. Cristo ou Satanás?
Deus deveria dar algo a nós. Os religiosos da Entre a vida eterna e a destruição eterna pai-
televisão às vezes parecem implacavelmen- ra a resposta à última pergunta.
te focados em obter coisas de Deus. Ele, de
fato, nos dá com abundância, mas a essên-
cia da fé autêntica e da verdadeira adoração COMO LEVANTAR UMA
está envolta em honra e adoração que nós
rendemos a Deus. Esse desejo intenso e de-
NOVA GERAÇÃO DE
sinteressado de dar a Deus é o elemento que ADORADORES NA SUA
define a adoração genuína. Começa primeiro
com a entrega de nós mesmos, e depois de IGREJA
“Muito se tem perdido para a causa
da verdade por falta de atenção às neces-
sidades espirituais dos jovens. Os ministros
do evangelho devem travar amistosas rela-
ções com a juventude de sua congregação.
Muitos são relutantes nesse ponto, mas sua
negligência é pecado aos olhos de Deus”.
(Obreiros Evangélicos, 207.)
Embora os líderes de jovens, de ma-

35
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

neira geral, reconheçam a importância do planeta, a fim de que esse apreço e COMU-
crescimento espiritual e até mesmo enfati- NHÃO possam ter prosseguimento nas cor-
zem a relevância da COMUNHÃO no proces- tes celestiais. É essa a mensagem e a missão
so do discipulado dos jovens da igreja, há da igreja aos jovens”.
uma crescente tendência para que as ações Os jovens precisam ter uma vida de
do ministério jovem foquem mais na expe- COMUNHÃO com Deus, para que sejam for-
riência de adoração em grupo (cultos, con- talecidos no contexto do grande conflito. Se
gressos e semanas de oração), do que na de- tal prática é inexistente, como superar as di-
voção pessoal. Experiências de adoração em ficuldades e tentações? É inútil todo esfor-
grupo são importantes e devem ser incluídas ço contra o mal se não houver COMUNHÃO
no plano de ação JA, para o crescimento es- com Deus.
piritual dos jovens, mas não podem substi- O desafio do líder JA é despertar nos
tuir a devoção matinal, que foi chamada no jovens a necessidade de buscar plenitude do
passado de vigília matutina e hoje recebe o Espírito Santo, bem como uma conformação
nome de #PrimeiroDeus. dos hábitos, atitudes e tendências para com
Para Malcolm Allen, no livro Salva- a vontade divina, conforme esta é apresen-
ção e Serviço: “Nossa juventude precisa ser tada na palavra de Deus.
desafiada hoje com uma mensagem que
lhe seja relevante, que lhe supra as neces-
sidades. Precisa ser levada, por preceito e
exemplo, a adotar um estilo de vida que lhe
permita apreciar a presença de Deus neste

36
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Com o propósito de fortalecer a CO-


MUNHÃO e este movimento de reavivamen-
to no contexto do discipulado dos jovens, a DEVOÇÃO PESSOAL
devoção pessoal, a adoração e o ensino são
os caminhos que o líder deve seguir e para Devoção pessoal é o hábito de buscar
os quais deve guiar seus liderados. a Deus em particular, através do estudo diá-
Uma pessoa define seus fundamentos rio da Bíblia e da oração e da meditação na
morais e espirituais no início da vida, geral- primeira hora de cada manhã.
mente antes dos treze anos de idade, ainda A DSA tem oferecido um recurso es-
assim, a adolescência e a juventude são um pecial para apoiar a devoção pessoal, o pro-
período significativo de experimentação, jeto #PrimeiroDeus. O objetivo do projeto é
de testar os limites e a realidade desses motivar todos a reservar a primeira hora do
fundamentos. Em outras palavras, embora dia para estar em COMUNHÃO com Deus,
a infância e início da adolescência sejam o louvando, orando e lendo  a Bíblia. O proje-
tempo durante o qual as bússolas morais e to é parte do programa mundial Reaviva-
espirituais são calibradas, a década experi- dos por Sua Palavra, que incentiva a leitura
mental e experiencial do ensino médio para de um capítulo da Bíblia por dia. Aplicativos
os vinte e tantos anos é o momento em que para smartphone e tablet estão disponíveis
a trajetória espiritual de um jovem é confir-
mada e esclarecida.
A chave simples de uma vida
em plenitude está no BOTE. Bíblia,
Oração, Testemunho e Exaltação.
Não há nada melhor que começar
o dia com Deus e terminá-lo com
Ele. Quando Deus é colocado em
primeiro lugar, Ele conforta o ser

T E
humano e o ajuda a resolver as ou-

BO
tras coisas que às vezes o preocu-
A pam. Seja em família ou sozinho, o
EST
U B IR N DÊNCIA importante é fazer deste momento
S N
MÉ EPE
O BO A DE D AR QUE algo único e especial. A esse mo-
R O
NTU DEIX PITÃ
AVE IÁRIA E A O CA VIDA mento especial, dá-se o nome de
D E J A
TO S ÃO D
CRIS BARCAÇ AL. culto. Cada um deve buscar um lu-
M SO
DA E PES
gar que seja seu cantinho particu-
lar para a reflexão. O ambiente faz
toda a diferença.

O que fazer no culto? BOTE

1. BÍBLIA: na primeira hora


de cada dia. Fazer do estudo da

37
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Palavra seu primeiro dever todos os dias. COMUNHÃO com Deus no estudo da Palavra
Abordar alguma passagem bíblica, pedin- e na oração: “Em meio aos perigos destes
do a Deus orientação quanto à agenda dEle últimos dias, a única segurança dos jovens
para o dia. Fazer duas perguntas: O que esta está em intensificar a vigilância e a oração. O
passagem ensina sobre Deus? O que é pos- jovem que sente prazer na leitura da Palavra
sível aprender para a vida prática com esta de Deus e na hora da oração será constan-
porção bíblica? Alguns adotam um capítulo temente refrigerado pelo beber da fonte da
por dia para essa reflexão diária, seguindo o vida. Atingirá um nível de excelência moral
plano do Reavivados Por Sua Palavra. Não e pensamentos tão amplos que outros não
importa tanto o plano ou a estratégia, mas podem compreender. A COMUNHÃO com
sim o fortalecimento do hábito. O estudo da Deus estimula bons pensamentos, aspira-
Bíblia, além de aguçar os pensamentos, aju- ções nobres, percepções claras da verdade
da na aquisição de um aprendizado maior e elevados propósitos de ação” (Mensagens
sobre Deus, e no conhecimento da história aos Jovens, p. 247).
do Seu povo ao longo dos séculos. A Bíblia
é a Palavra autorizada de Deus. Conhecê-la 3. TESTEMUNHO: todos os dias. Tomar
equivale a entender cada vez mais a respeito para si mesmo um desafio diário de colocar
de Seus planos para vida de Seus filhos. em prática o que foi assimilado mediante o
estudo da Bíblia ou da oração. Compartilhar
2. ORAÇÃO: pelo menos três vezes ao alguma impressão da reflexão bíblica com
dia. Esse momento é fundamental no culto algum amigo ou nas redes sociais. Mostrar
e durante todo o dia. Se a oração é o abrir Jesus por meio de seus atos de bondade
do coração a Jesus como a um amigo, então para outros. “Deus nos ajuda a cultivar hábi-
conversar com ele é desfrutar do privilégio tos de pensar, falar, olhar e agir que darão a
de ouvir a voz dEle. No exercício da oração todos que nos rodeiam testemunho de que
há alguns elementos que não podem faltar: temos estado com Jesus e dEle aprendido”
• Gratidão: tomar tempo para agrade- (Mensagens aos Jovens, p. 202).
cer por tudo o que Deus é, fez e fará na vida
do adorador (Sl 100:4). 4. EXALTAÇÃO: o dia inteiro. Nos mo-
• Confissão: dedicar tempo para uma mentos do culto pessoal, lembrar essa par-
reflexão introspectiva de confissão e perdão te é bem especial. É o momento para lou-
(1Jo 1:9). var, cantar uma música que reflita a própria
• Petição: na oração, deve-se fazer experiência na oração e na Palavra. O jovem
petições com convicção, pois o Pai Celeste poderá lembrar das épocas de desbravador,
é especialista em dar boas dádivas a Seus quando, na lei, repetia: “ter sempre um cân-
filhos (Mt 7:7-11/Fp 4:6,7). Dentro desses ele- tico no coração”. Durante o dia, o Espírito
mentos práticos e claros, nunca se deve es- Santo o fará lembrar da música ouvida e da
quecer de pedir o Batismo do Espírito Santo mensagem nela contida, e os anjos acompa-
diariamente. Toda essa obra de transforma- nharão o jovem para as vitórias do dia. “O
ção só será possível se o Espírito tiver lugar cântico é um dos meios mais eficazes para
no íntimo do ser (At 1:4,5). Há muitos bene- imprimir a verdade espiritual no coração”
fícios para aqueles jovens que priorizam a (Beneficência Social, p. 93).

38
DIVISÃO SUL-AMERICANA

nas lojas de aplicativos, e vídeos de pastores vidência. Assim dia a dia podereis entregar
comentando o capítulo do dia estão disponí- às mãos de Deus a vossa vida, e assim ela se
veis no site da DSA e circulam pelos aplicati- moldará mais e mais segundo a vida de Cris-
vos de troca de mensagens. to” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 70).
O momento do #PrimeiroDeus não
pode ser perturbado. Jesus deu a primeira
instrução com respeito a essa hora: “Mas tu,
quando orares, entra no teu quarto e, fechan-
ADORAÇÃO
do a porta, ora a teu Pai que está em secreto;
A clara compreensão do conceito
e teu Pai, que vê em secreto, te recompensa-
de adoração e seu verdadeiro significado
rá” (Mt 6:6).
são essenciais para o trabalho do líder JA.
Dos ensinos e exemplos de Jesus,
Adorar a Deus é a motivação do verdadeiro
existem três partes essenciais no plano da
culto. Adoração não significa meramente
Devoção Pessoal: (1) oração; (2) estudo da
estar na igreja. O exercício religioso do culto
Bíblia e (3) meditação.
consiste em aprender a viver na presença
O culto pessoal deve ser um hábito
de Deus e a integrar na vida diária o que se
diário na vida do jovem adventista e ele não
aprendeu na igreja. Como visto nos pontos
pode abrir mão desse privilégio. Tendo esses
introdutórios deste capítulo, a adoração tem
componentes ancorando a vida, mesmo no
uma destacável posição nos eventos finais.
meio das tempestades, com o BOTE salva-
A despeito de tempo ou da cultura,
vidas e Cristo como verdadeiro capitão,
a genuína adoração pode ser reconhecida
o jovem chegará ao porto seguro. Deus
e praticada. Discorrendo sobre esse tópico,
o guiará e o acompanhará nesta jornada
Ellen G. White diz, no livro Testemunhos Se-
embalado pela bendita esperança.
letos, p. 251 e 252:
O estudo da Bíblia é a conexão prática
“Nossas reuniões devem oferecer o
na devoção pessoal. Sem ele, a oração pode
maior interesse possível. Deve imperar ali a
ser formal e a meditação pode se desviar
própria atmosfera do Céu. As orações e dis-
para sonhos vagos. Deve-se aproveitar os
cursos não devem ser prolixos e enfadonhos,
momentos a sós com Deus para memorizar
apenas para encher o tempo. Todos devem
o texto do dia ou outra porção das Escritu-
espontaneamente e com pontualidade con-
ras.
tribuir com sua parte e, esgotada a hora, a
“Consagrai-vos a Deus pela manhã;
reunião deve ser pontualmente encerrada.
fazei disto vossa primeira tarefa. Seja vossa
Deste modo, será conservado vivo o interes-
oração: ‘Toma-me, Senhor, para ser Teu in-
se. Nisto está o culto agradável a Deus. Seu
teiramente. Aos Teus pés deponho todos os
culto deve ser interessante e atraente, não
meus projetos. Usa-me hoje em Teu serviço.
se permitindo que degenere em formalidade
Permanece comigo, e permite que toda a
insípida. Devemos dia a dia, hora a hora,
minha obra se faça em Ti.’ Esta é uma ques-
minuto a minuto viver para Cristo; então
tão diária. Cada manhã consagrai-vos a Deus
Ele habitará em nosso coração e, ao nos
para esse dia. Submetei-Lhe todos os vossos
reunirmos, Seu amor em nós será como uma
planos, para que se executem ou deixem de
fonte no deserto, que a todos refrigera, in-
se executar, conforme o indique a Sua pro-

39
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

cutindo nas almas esmorecidas um desejo confissão. Isto abre o coração à influência do
ardente de sorver da água da vida”. Espírito Santo, ajudando o adorador a tor-
Contrariando a crença popular, não nar mais clara a consciência da presença de
existe uma igreja de ontem, e nem uma de Deus.
amanhã; a igreja de hoje precisa ser interge- Se a busca de orientação divina é im-
racional. Isso significa que crianças, jovens, portante para as nossas atividades do dia a
adultos e idosos comparecem juntos para dia, o que se dirá então de quem tem a res-
adorar e servir ao Senhor. Essa junção de to- ponsabilidade de organizar os momentos de
dos representa a chave da adoração. adoração da juventude. É por isso que é in-
Howard Vanderwell, no seu livro The dispensável que o líder JA seja alguém que
Church of All Ages: Generations Worshi- mantém forte COMUNHÃO com Deus.
pping Together, p. 24 diz: “Deus não nos dá As atividades espirituais necessitam
um caráter totalmente formado. Nem forma de constantes lembretes para não perder a
sozinho nossas características como um ato essência e o verdadeiro sentido.
soberano, ou espera que formemos nosso
próprio caráter unilateralmente. A formação
de nosso caráter na economia de Deus é um
evento comunitário. Ajudamo-nos mutua-
ENSINO
mente nessa formação. Deus age sobre nós
Uma pesquisa realizada com jovens
através dos outros. E, em particular, o traba-
da América do Sul, encomendada pelo de-
lho conjunto das gerações é um componente
partamento JA da Divisão Sul-Americana,
necessário da formação saudável. Cada ida-
no ano de 2008, revelou que os jovens ad-
de aprende com outro ... desde que a forma-
ventistas esperam que os pastores e líderes
ção da fé e do caráter seja uma preocupação
apresentem conteúdo bíblico com profun-
essencial da igreja cristã, devemos ter como
didade em congressos, cultos jovens, vigí-
objetivo manter as gerações engajadas entre
lias e reuniões de pequenos grupos. Contra-
si, tanto nas atividades do ministério como
riando o que popularmente se compreendia
no culto corporativo”.
dos membros da igreja nessa faixa etária, a
É também da responsabilidade
pesquisa revelou que eles estão insatisfeitos
do líder JA integrar jovens e adultos no
com a superficialidade com a qual se tem
contexto da adoração. O culto jovem é dos
apresentado os temas mais relevantes para
jovens para a igreja e não somente para os
o seu crescimento espiritual.
jovens. Ele também deve ajudar os jovens
Os eventos promovidos pelo minis-
a compreender que sempre que as portas
tério jovem são oportunidades para ensino
da igreja se abrem, há a oportunidade de
e não somente para adoração. Os temas
adoração. Isso inclui a Escola Sabatina, o
escolhidos deverão ser apresentados com
Culto Divino, os encontros evangelísticos, as
forte embasamento bíblico e no Espírito de
reuniões de oração e o Culto Jovem.
Profecia. O assunto pode ser apresentado
Adorar a Deus é algo que requer o
em forma de sermão, palestra ou em mo-
preparo da pessoa antes que ela compare-
mentos de perguntas e respostas (seme-
ça ao local de culto, e os passos essenciais
lhante ao programa Na Mira da Verdade, da
para esse preparo são o arrependimento e a

40
DIVISÃO SUL-AMERICANA

TV Novo Tempo). O pastor, ancião ou líder As primeiras escolas sabatinas orga-


JA, que conduzirá a apresentação do tema, nizadas de que se tem notícia realizaram-se
pode promover um diálogo aberto sobre o em Rochester e Buck’s Bridge, Nova Iorque,
assunto escolhido e encerrar com a perspec- em 1853 e 1854. Em 1878 a sessão da Asso-
tiva bíblica sobre o tema. O ideal é que um ciação Geral, em Battle Creek, Michigan, to-
novo tema seja ensinado a cada encontro. mou providências para organizar melhor as
A principal ferramenta para o ensino 600 escolas sabatinas então existentes, for-
é a Lição da Escola Sabatina. No verão de mando-se uma Associação Geral da Escola
1852, enquanto viajava de Rochester, Nova Sabatina. Mais tarde, foi escolhido o nome
Iorque, para Bangor, Maine, Tiago White me- Associação Internacional da Escola Sabati-
ditava no que se poderia fazer pelos jovens na, que foi usado até ser organizado o De-
e crianças da igreja, a fim de firmar-lhes a fé partamento da Escola Sabatina da Associa-
na mensagem adventista. Um dia, enquanto ção Geral, em 1901.
tomava seu lanche à beira do caminho, co- De lá para cá, as escolas sabatinas se
meçou a escrever esboços para uma série de multiplicaram por todo o mundo, contando
lições bíblicas, que viriam a se tornar as pri- com a participação de mais de 15 milhões de
meiras lições da Escola Sabatina. alunos – todos estudando a mesma lição a
Naquele mesmo ano surgiu o Youth’s cada semana. E os objetivos da Escola Sa-
Instructor, revista mensal que trazia as lições batina continuam sendo os mesmos: confra-
da Escola Sabatina para os jovens. Em 1861, ternização (estabelecer relacionamentos de
foi a vez de as crianças terem suas lições, amizade), testemunho (alcançar a comuni-
também publicadas na revista supracitada, dade), estudo da Bíblia (por meio da Lição)
sob o título: “Perguntas para os Pequenos e missão mundial (oração e oferta).
Estudantes da Bíblia”. E, finalmente, no ano
de 1888, foram providas lições para as clas-
ses de adultos, em forma de folhetos, pre-
cursores da atual Lição da Escola Sabatina
ESCOLA SABATINA
trimestral. JOVEM
Qual a importância do estudo diário
da lição da Escola Sabatina?
1. O estudo diário cria hábitos que
“A Escola Sabatina é um importante
ramo do trabalho missionário, não só favorecem o crescimento espiritual;
porque proporciona a jovens e velhos o 2. Fortalece as convicções na pala-
conhecimento da palavra de Deus, mas por vra de Deus;
despertar neles o amor por suas sagradas
3. Impulsiona o jovem a partilhar, a
verdades e o desejo de estudá-las por si
mesmos; ensina-os, sobretudo, a regular
cada dia, o seu aprendizado;
sua vida por seus santos ensinos”. 4. Une e fortalece a família.
Ellen G. White, Conselho sobre a Escola A Igreja na América do Sul incentiva a
Sabatina, 10-11.
aquisição da Lição da Escola Sabatina pro-
movendo um mutirão de assinaturas chama-
do Projeto Maná. O Projeto Maná é um es-

41
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

forço unido da igreja para alcançar o maior rar, etc. Por isso a igreja tem um plano dife-
número de pessoas de todas as idades com renciado de guia de estudo, segundo a idade
a Lição da Escola Sabatina e motivá-las no e a experiência espiritual.
estudo diário da Palavra de Deus. • Cada dia, (Êxodo 16:19) a ordem
O Projeto Maná está baseado na expe- foi, comei-o hoje, não se podia deixar para o
riência do povo de Israel no deserto, quando outro dia. A experiência espiritual tem que se
foi alimentado por Deus. Em Êxodo 16:16-21, renovar todos os dias. O que se como hoje,
o pão representa a palavra de Deus que está basicamente só serve para hoje. Por isso que
disponível para todos. Só que há um pedi- a palavra de Deus deve ser consumida todos
do divino em Mateus 6:33, que diz: “Buscai”, os dias. A igreja tem o plano da leitura diária
o que significa que é preciso interesse para da palavra de Deus a fim de preservar o cris-
sair e procurar. Os israelitas tinham que sair tão das doenças espirituais, daquelas que re-
cedo e procurar o Maná no deserto. Hoje, as- sultam de falta de alimento.
sim como no passado, a palavra de Deus está • De manhã cedo. No verso 21 diz
disponível para todos e os mesmos princí- a palavra de Deus: “Vindo o calor do sol se
pios que regeram o consumo do Maná são derretia” Com a saída do sol vem as ativi-
válidos para este tempo: dades do dia, por isso Jesus ia a presença
• Cada um. (16:16) A ideia bíblica da do Pai muito cedo, para no meio da tranqui-
salvação não é corporativa, é individual, por lidade da manhã encontrar o pão espiritual.
isso, em Êxodo 16:16 Deus ordenou: “Colhei O melhor momento para encontrar a palavra
disso cada um”. Deve haver um encontro de Deus é na primeira hora do dia, quando
pessoal, deve haver uma procura pessoal, tudo está tranquilo.
por parte de cada um dos membros da fa- Ao analisar sua igreja, o líder JA pode
mília. refletir sobre a seguinte indagação: quando
• Colhei cada um segundo o que e onde há mais jovens, no culto jovem ou na
pode comer. (16:16) Isso significa que não escola sabatina? Com raras exceções, a res-
tem que haver uniformidade na forma de es- posta será: na escola sabatina. Apesar de ter
tudar a Bíblia, sobre quanto tempo deve du- um horário específico à tarde, os jovens com-
parecem mais à igreja aos sábados pela ma-
nhã. A explicação para este fenômeno não é
tão fácil. O fato é que se os jovens estão pre-
“O estudante da Escola sentes aos sábados pela manhã na igreja, é
Sabatina deve sentir tão integral fervor
para tornar-se inteligente no conhecimen-
preciso desenvolver um programa dedicado
to das Escrituras como em destacar-se e voltado para eles, algum projeto que venha
no estudo das ciências. Se um deve ser
comprometê-los com o estudo da Palavra e
negligenciado, sejam as lições dos seis
dias. A exortação de nosso Salvador deve encantá-los com os desafios da missão.
ser religiosamente considerada por todo Uma outra razão para investir na Es-
homem, mulher e criança que professa
cola Sabatina Jovem é o fato de que os jo-
Seu nome”.
Ellen G. White, Conselho sobre a vens precisam se relacionar entre si. Preci-
Escola Sabatina, p. 18
sam conversar mais e conhecer melhor uns
aos outros, e quando se analisam os progra-
mas da igreja, tem-se pouco espaço para

42
DIVISÃO SUL-AMERICANA

essa troca de experiências e opiniões. Sendo que sejam criativos. Eis algumas dicas: co-
assim, a Escola Sabatina Jovem precisa ser locar pufes, multimídia, adesivos legais e su-
um ambiente que vise ao aprofundamento gestivos na parede, iluminação indireta, cores
dos relacionamentos e que facilite a amiza- alegres e vibrantes, banners, usar e abusar
de entre eles. dos paletes, tambores e pneus. Lembrar que
Nota-se que a necessidade de apoiar quanto mais os jovens estiverem envolvidos
e instruir os jovens foi a ideia inicial para o nesta reforma, maior será o interesse deles
que hoje é a Escola Sabatina na igreja Ad- em se envolver na classe posteriormente. É
ventista do Sétimo Dia. importante incentivá-los a colocar o esforço
A Lição da Escola Sabatina, como es- e o coração neste projeto.
trutura para o estudo sistemático da Bíblia b) Dentro da igreja: algumas igrejas
com a recapitulação diária, foi criada para preferem que os jovens fiquem na nave para
atingir quatro objetivos, que permanecem poderem participar da programação. Nes-
até hoje: te caso, não teremos a ESCOLA SABATINA
• Confraternização: estabelecer RE- JOVEM, mas a CLASSE DE JOVENS. Nor-
LACIONAMENTO e amizade. malmente funciona nos primeiros bancos da
• Testemunho: alcançar toda a co- igreja e continua tendo como foco atender
munidade. às necessidades dos jovens.
• Estudo da Bíblia: por meio da lição. c) Lição separada: em algumas igre-
• Missão mundial: oração e oferta. jas, a presença dos jovens dentro do templo
é imprescindível. Isso porque eles ajudam
no louvor, na direção da escola sabatina, etc.
COMO TER UMA Sendo assim, uma outra opção é dividir ape-

ESCOLA SABATINA nas no momento da lição, não somente com


uma classe separada, mas em local separa-
DE JOVENS NA IGREJA? do. (sala, lado de fora da igreja, algum cor-
redor, etc).
Começar conversando com o seu pas-
tor para que ele leve a ideia à comissão da É BOM FICAR ESPERTO QUANTO A
igreja. A comissão nomeará a diretoria da ESTES DETALHES:
ESJ (Escola Sabatina Jovem), que pode ter a) Tamanho da classe: quando a clas-
como base a equipe JA. se dos jovens começa a ficar grande a ponto
de as pessoas não conseguirem mais se co-
SUGESTÕES nhecer, é hora de dividir.
a) Sala anexa à igreja: pode ser em b) Liderança: cuidado com os “eter-
uma sala atrás ou ao lado da igreja que sir- nos” jovens. A juventude é maravilhosa,
va como espaço exclusivo para a ESJ. Nes- mas é preciso progredir para o próximo ní-
te caso, a programação toda pode ser feita vel- adultos- sendo assim, a classe de jovens
neste local. Quando isso ocorre, a diretoria deve ser liderada pelos “verdadeiros” jovens.
deve investir no local, transformando-o em Aqueles que estão entre 16-30 anos e, pre-
um lugar agradável e personalizado para a ferencialmente, que sejam solteiros. Isso não
juventude. Deve-se desafiar os jovens para é uma proibição, mas apenas uma reflexão,

43
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

para que a geração de jovens adultos não nar o louvor mais bonito, é uma boa forma
sufoque os mais novos. Uma boa liderança é de envolver a juventude.
aquela que prepara novos líderes. E os “eter- • Programa: é importante ser pon-
nos” jovens? O que fazer com aqueles que já tual para começar e terminar. Além disso, é
estão fora da faixa etária, mas ainda tem um imprescindível ter sempre um programa va-
coração jovem? Eles podem criar a classe “+ riado e que envolva o máximo de pessoas;
JOVENS”, ou “Jovens Casados”. • Criatividade: o bom líder deve gas-
tar um tempo imaginando e criando alguns
DICAS “quadros” novos para seu programa. Vale
• Ter uma recepção legal e diferen- lembrar que as ideias antigas, com uma rou-
ciada. pagem nova, sempre trazem bons resulta-
• Propaganda é a alma do negócio, dos;
por isso, usar e abusar de cartazes, e-mails, • Espaço físico: investir em murais,
postagens no Facebook, SMS, WhatsApp, pinturas, projetor de vídeo, cortinas, cadei-
etc. ras, etc. Deixar o ambiente aconchegante e
• Lição: precisa ser dinâmica, intera- diferenciado;
tiva e variada. Além da lição no sábado, de- • A escola sabatina deve ser o local
safie os jovens a estudarem pelo WhatsApp de incentivo e de planejamento das ações do
ao longo da semana, a fazerem resumos e Ministério Jovem. Na escola sabatina os jo-
postarem nas redes sociais, ou seja, a criati- vens atuam dentro da igreja, e os pequenos
vidade cria o envolvimento. grupos são os jovens da igreja atuando fora
• Música: os jovens gostam de músi- dela.
ca. Por isso, é importante ter um grupo de
louvor bem preparado para atuar na escola
sabatina. Se possível, usar, de preferência, al-
gum instrumento musical, pois além de tor-

44
DIVISÃO SUL-AMERICANA

SÁBADO TOTAL DA ESCOLA tem condições de medir a temperatura da


SABATINA JOVEM COMUNHÃO, do RELACIONAMENTO e da
O Ministério Jovem tem incentivado MISSÃO. Além disso, trata-se de uma forma
para que, pelo menos uma vez por mês, a cri- de determinar uma rota de ações cuja fina-
tério de cada escola sabatina jovem, aconte- lidade consiste em buscar os amigos pelos
ça o Sábado Total. O que é isso? quais os jovens estão orando e, atenciosa-
Sábado Total é quando a classe dos mente, perceber quem são aqueles que es-
Jovens define uma programação especial tão faltando e que precisam ser visitados e
para o dia todo do sábado. Ela pode come- animados a voltarem para a igreja. Seguem
çar com o desjejum na igreja, uma progra- algumas orientações sobre o cartão de re-
mação toda dirigida pelos jovens na igreja, gistro:
ou uma programação especial na própria
classe, seguida de um almoço, que pode ser
na igreja ou na casa de um dos jovens.
Na parte da tarde, podem ser feitas
atividades de visitação aos jovens faltosos,
cumprimento do desafio missionário ou o
atendimento a algum asilo, orfanato, parque,
etc.
O objetivo deste dia é ter uma forte
COMUNHÃO, com um intenso RELACIONA-
MENTO, recheado de muita MISSÃO, tudo
em um mesmo dia.
As atividades do Sábado Total servem
para o momento do testemunho do culto jo-
vem. Por isso, deve-se tirar muitas fotos e ca-
prichar nos vídeos.
O sábado total não termina no culto
jovem. Seria interessante promover uma noi-
te de sociabilização com atividades espor-
tivas, gincanas, filmes, peças cômicas, jogos
de tabuleiros, que não sejam de azar, ou ou-
tro tipo de recreação saudável.

O CARTÃO DE REGISTRO DA ESJ


A hora da chamada da Escola Saba-
tina Jovem, muitas vezes, é efetuada de for-
ma descuidada por quem faz o registro, além
de ser pouco valorizada por parte de quem
responde às perguntas. É preciso entender
que esse momento é importantíssimo, pois
é através da chamada que a equipe da ESJ

45
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

• Divisão da ESJ em Unidades de • Relacionamento e missão: A uni-


Ação: se a classe for grande, deverá ser di- dade deve decidir que ações colocará em
vidida por unidades de ação. Todos deverão prática durante a semana a fim de se aproxi-
ter o nome inscrito no cartão de registro da mar das pessoas por quem intercedeu; (uma
ESJ. Mesmo que a lição seja em classe geral, visita, uma serenata, uma mensagem pelas
as unidades de ação precisam ter um tempo redes sociais, um telefonema, oferecer um
para as atividades de intercessão e aponta- estudo bíblico…).
mentos. Sugere-se que a unidade de ação O líder JA deve estabelecer em sua
crie um grupo numa das redes sociais para igreja a Escola Sabatina Jovem ou a Classe
troca de experiências durante a semana; Jovem. Também deve incentivar para que
• Registro da lista de nomes dos todos tenham a assinatura da lição e, ao lon-
jovens afastados: os nomes da lista devem go da semana, criar incentivos para o estudo
ser colocados no local próprio–“Resgate”: sistemático. Se houver uma programação di-
e esses nomes devem servir para uma forte ferenciada, somada a um lugar de interação
corrente de oração e intercessão semanal- e amizade, certamente esse projeto será um
mente. Além de que, a cada sábado, devem sucesso.
ser determinadas ações de envolvimento
para trazer esses jovens novamente para a
igreja; CULTO JOVEM
• 1+1: criar uma ficha especial onde
estarão os nomes daqueles que são foco das O Culto Jovem é parte da estratégia
ações e orações individuais de cada um dos da igreja para fortalecer a COMUNHÃO. Ele
matriculados. É importante que cada jovem também tem uma MISSÃO que é revelada
tenha um amigo ou amiga de trabalho, facul- em seus objetivos:
dade ou parente por quem ele esteja, inten- Manter o desafio dos ideais do Minis-
cionalmente, orando e tentando trazer para 01
tério Jovem.
a igreja. No momento da chamada, cada jo-
vem pode falar um pouco desta pessoa. Es- Aprofundar a vida devocional de cada
02
ses amigos podem ser os convidados para o jovem da igreja.
almoço do Sábado Total ou para outro even- Manter os jovens da igreja local em
to que a classe determinar; 03 contato com as notícias do Ministério
• Momento de oração e intercessão: Jovem ao redor do mundo.
O moderador do grupo, com o cartão de re-
gistro em mãos, ao anotar a presença, dará Dar oportunidade aos jovens para fa-
04
a cada membro da unidade a oportunidade lar em público e trabalhar em equipe:
para que apresentem diante do grupo suas orar, estudar, formular planos e traba-
lutas, anseios e desafios a fim de que o gru- lhar juntos.
po ore por ele. Antes de orar, o moderador, Colocar perante os jovens ideais cris-
também, apresenta ao grupo os nomes dos 05
tãos e princípios do viver cristão. Aju-
jovens afastados e dos interessados e ami- dar os jovens a encontrarem uma so-
gos da igreja por quem a unidade deverá in- lução positiva para seus problemas.
terceder;

46
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Estudar os métodos mais eficazes de estar inserido no programa como o primeiro


06
servir, organizando os jovens para o instante de adoração.
testemunho bem-sucedido. b) Os músicos devem chegar com an-
tecedência para afinar e ligar os instrumen-
Prover um tempo no qual os jovens
07 tos com calma, para não serem os culpados
possam dar o seu testemunho pessoal,
do atraso do programa.
contando o que fazem para o seu Sal-
c) As letras das músicas devem ser
vador, e, dessa forma, fortalecerem-se
projetadas. Mesmo as mais conhecidas. Afi-
e inspirarem-se mutuamente.
nal, a ideia é que todos participem. Como
isso poderá acontecer se as pessoas não sa-
Ele deve incluir louvor, intercessão,
bem nem o que cantar? Ter o cuidado para
testemunho e mensagem. Ellen G. White
que o responsável pela projeção tenha, com
destaca, em seu livro Testemunhos Seletos
antecedência, a ordem das músicas que se-
Vol. 2 p. 193, que: “Os cânticos de louvor, a
rão cantadas.
oração, a palavra ministrada pelos embaixa-
d) O louvor é o momento em que
dores do Senhor, são meios que Deus proveu
toda a congregação participa da adoração.
para preparar um povo para a assembleia lá
Por isso, deve-se priorizar a participação de
do alto...”.
todos. Cuidar para que o som do microfone
não esteja tão alto a ponto de inibir a con-
LOUVOR
gregação de cantar. Os que ministram o lou-
A ideia é que o louvor do culto JA seja
vor devem escolher músicas conhecidas a
sempre ao vivo, com banda, instrumentos e
fim de que todos gostem de participar. Vale
voz. Os melhores instrumentistas da igreja
lembrar que quando a congregação está em
devem se unir para realizar um louvor en-
pé, a tendência é que os adoradores cantem
saiado e com qualidade.
mais, por isso, convém colocá-los em pé para
este momento.
DICAS:
e) É importante que haja alguém para
a) O louvor faz parte da adoração, por
conduzir o louvor, mas esta pessoa precisa
isso, deve estar inserido dentro do programa.
entender que esse é o momento de apenas
O louvor não deve estar “antes” do progra-
criar “pontes” entre as músicas, e não hora
ma, como uma artimanha para chamar as
de pregar. Além de que o líder precisa estar
pessoas para dentro da igreja, mas precisa

47
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

atento ao relógio, afinal, o louvor tem hora ferencialmente com imagens ou vídeo. Neste
para começar e hora para terminar, para não testemunho, o foco não é o que UMA pessoa
comprometer o restante da programação. está fazendo, mas o que OS JOVENS estão
realizando.
ORAÇÃO Sendo assim, o testemunho só irá
Ao olhar para o ministério de Jesus, acontecer se ao longo dos últimos dias os
percebe-se que a oração ocupava um lugar jovens desenvolveram alguma atividade. As-
de destaque dentro de suas prioridades diá- sim sendo, o culto jovem constitui uma ce-
rias. lebração dos jovens. Celebração do que foi
Sendo assim, também é preciso dar o feito. Portanto, é necessário fazer muito para
devido valor a este momento, e o culto jo- celebrar bastante!
vem é um programa que valoriza a oração.
Com criatividade e envolvimento, a oração MENSAGEM
tem que ser inspiradora e dinâmica. Por isso, A última parte do culto jovem é a
vale a pena investir tempo pensando e pla- mensagem bíblica, que precisa ser prática e
nejando o momento de oração do culto jo- voltada para o fortalecimento espiritual do
vem. Com certeza várias formas diferentes dia a dia do jovem. Normalmente, a pessoa
de oração surgirão, e isso irá fortalecer a que fala neste momento tem algum envolvi-
vida de oração dos jovens. Jamais esquecer: mento com os jovens para que, assim, a men-
“Muita oração, muito poder! Pouca oração, sagem possa ser aceita.
pouco poder!”. “Não imagineis que vos seja possível
despertar o interesse dos jovens indo à reu-
TESTEMUNHO nião missionária e pregando longo sermão.
O testemunho tem o poder de valori- Planejai meios pelos quais se possa desper-
zar quem fez e de incentivar quem ouve. Por tar um vivo interesse. Cada semana os jo-
isso, o líder precisa caprichar nesse quesito. vens devem levar seus relatórios, contando
O testemunho no culto jovem é vol- o que têm tentado fazer pelo Salvador, e o
tado para o relato das atividades que os jo- êxito obtido. Se as reuniões missionárias fos-
vens estão fazendo nos desafios mensais, sem uma ocasião para apresentar esses re-
nos ministérios de serviço, na escola sabati- latórios, não se tornariam desinteressantes,
na jovem e nas atividades missionárias. É im- monótonas, enfadonhas. Seriam cheias de
portante que seja algo bem treinado e pre- atrativos, e não haveria falta de assistência”.

EXEMPLO DE PROGRAMA PARA CULTO JOVEM:

Horário O quê? Responsável

Boas vindas, oração e louvor

Oração inspiradora

Testemunho motivacional e/ou dinâmica geral

Louvor

Mensagem

Fim

48
DIVISÃO SUL-AMERICANA

(Obreiros Evangélicos, 195). fluência do Carnaval; 



A DSA publica todos os trimestres • Criar um ambiente espiritual e de
uma revista com recursos para auxiliar os fortalecimento para o ano que se inicia;
líderes de jovens das igrejas locais no pla- • Buscar a união entre os jovens. 

nejamento do culto jovem. A Revista Ação
Jovem é uma ferramenta indispensável para DETALHES QUE FAZEM A DIFERENÇA
a equipe do MJ. Além dos programas suges- NO RETIRO ESPIRITUAL
tivos para o culto jovem, a revista traz os Tema Geral: normalmente o acampa-
principais projetos do ministério na Améri- mento tem um título para servir de guia na
ca do Sul, diretrizes gerais para fortalecer o elaboração dos sermões e atividades. A re-
programa de discipulado e é o meio oficial comendação é que seja utilizado o tema JA
de comunicação do departamento do minis- do ano.
tério jovem da DSA com os líderes das igre- Data: o retiro espiritual acontece no
jas locais. final de semana do feriado do carnaval. Nor-
malmente começa na sexta-feira, indo até a
terça-feira.
ACAMPAMENTO OU Local: antes de definir o local, é neces-

RETIRO DE VERÃO sário determinar que tipo de acampamento


será feito, pois o local está intimamente rela-
cionado àquilo que se pretende alcançar.
O Acampamento ou Retiro de Verão é
um encontro especial e transformador para
Considere alguns detalhes antes de
a juventude! É possível ensinar novos con-
definir o local:
teúdos, transformar velhos hábitos e mudar
• DISTÂNCIA: ela poderá influenciar
aquela antiga ideia de que os jovens não que-
grandemente no custo final do acampamen-
rem compromisso com a espiritualidade. Di-
to, bem como no interesse geral dos jovens.
zem por aí que não existe alegria sem álcool
O ideal é alugar um ônibus para que os jovens
e nem prazer sem drogas ou sexo descom-
saiam e cheguem juntos ao local. Ao viajarem
promissado. Mas os jovens adventistas estão
juntos, já começam a criar um ambiente de
aí para transformar essa visão e mostrar que
fraternidade, companheirismo, o que facilita
é possível viver uma vida livre, com prazer e
muito a integração deles no período em que
muita curtição, sem prejudicar os outros ou a
permanecerem juntos no acampamento.
si mesmos e celebrando o propósito da vida:
Deve-se também fazer um mapa de como
adoração.
chegar ao local, com orientações bem claras
Os acampamentos de verão são uma
para quem vai de carro próprio. Uma boa
oportunidade para que os jovens vivam uma
sinalização facilita o acesso.
experiência com Deus ao lado dos seus ami-
• ESTRUTURA FÍSICA DO LOCAL:
gos. Atividades realizadas ao ar livre devem
os jovens estão cada vez mais exigentes, por
ser atrativas para os jovens. Mas, lembre-se:
isso, é muito importante alguém da equipe
informalidade com espiritualidade.
fotografar o local e expor as fotos em lugar
Alguns objetivos para a realização do
visível, a fim de que o grupo saiba exata-
acampamento:
mente o lugar aonde está indo. Fica muito
• Tirar os jovens das cidades e da in-
49
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

complicado apenas criar uma expectativa equipamentos necessários e se é preciso le-


na mente dos jovens sem, contudo, mostrar- var talheres, copos, louças em geral, panelas,
-lhes o local. Para tranquilidade do coorde- etc.
nador do acampamento, é importante tornar • LOCAL PARA REUNIÕES: Alguns
o local conhecido em todos os seus ângulos lugares oferecem condições para reuniões
a fim de que todos saibam o que vão encon- e refeitório separados. Caso não haja, utili-
trar quando lá chegarem. zar o mesmo lugar para ambos, desde que
• BANHEIROS E CHUVEIROS: o or- haja tempo suficiente para arrumação das
ganizador do acampamento precisa verificar diferentes atividades. Não confiar apenas no
se existem banheiros e chuveiros (quentes e bom tempo, pois corre-se o risco de chuvas,
frios), já construídos ou se haverá necessi- e o incômodo do sol quente e do sereno da
dade de construí-los. Se houver, averiguar o noite podem prejudicar a programação.
número para ver se são suficientes. O ideal Valor da Inscrição: O importante é
num acampamento é um chuveiro para no estabelecer um valor para que cada jovem,
máximo 15 participantes, pois evitará filas e independentemente do nível de renda, pos-
perda de muito tempo para o banho. Nun- sa desfrutar do acampamento. É importante
ca permitir que homens e mulheres usem os criar uma planilha de custos, antes de apre-
mesmos banheiros e chuveiros, mesmo que sentar o valor da inscrição.
em horários diferentes. Eles devem estar se-
parados por uma boa distância.
• ATIVIDADES: ter um bom local ITENS QUE NÃO PODEM
para desenvolvimento das atividades pro- SER ESQUECIDOS:
postas para o acampamento. Deve ser o ta-
a) Cadeiras, bancos ou banquetas;
manho suficiente para desenvolver ativida-
b) Sistema de som;
des coletivas como quadras de esporte. Se
c) Instrumentos musicais;
não houver, é preciso montar um espaço.
d) Painel;
• POSTO MÉDICO: providenciar
e) Capacidade de acomodação;
um local para instalação do posto médico.
f) Roteiro;
Nunca realizar um acampamento sem ter a
g) Elementos atrativos;
presença de um médico ou alguém compe-
h) Jogos recreativos;
tente da área de saúde.
i) Reunião de avaliação do programa diário;
• COZINHA: não se esquecer de ar-
j) Recepção;
ranjar um bom local para instalação da cozi-
k) Rádios de comunicação;
nha. Ela deve estar bem protegida e, prefe-
l) Avaliação do acampamento;
rencialmente, embaixo de uma árvore isolada
m) Administração e secretaria;
ou à beira de mato.
n) Seguro de todos os participantes.
• REDE ELÉTRICA: verificar se a
rede elétrica está em perfeitas condições.
• ÁGUA: analisar cuidadosamente se
a água do local é boa para o consumo hu-
mano.
• REFEITÓRIO: Verificar se existem

50
DIVISÃO SUL-AMERICANA

O QUE FAZER ANTES DA


SEMANA JOVEM?
SEMANA DE Para obter um excelente resultado na
Semana de Oração Jovem é preciso PLANE-
ORAÇÃO JOVEM JAR, evitando, assim, o famoso improviso.
No planejamento torna-se necessário
A Semana de Oração se tornou parte o estabelecimento de estratégias, delegação
integral do programa da igreja. As semanas de tarefas e capacitação das pessoas que
de oração são realizadas nas igrejas, nas es- estarão envolvidas. Devem-se considerar os
colas e universidades, propiciando tremendo seguintes itens:
reavivamento espiritual aos jovens no mun- • Escolher e convidar o orador com
do inteiro. Durante essas semanas anuais, antecedência: não escolher qualquer pes-
muitas decisões são tomadas em favor de soa, obter boas referências antes de convi-
Cristo, de Seu serviço, da igreja remanescen- dar o orador, certificando-se de que ele tem
te e do reino do Céu. A maioria desses jovens sido usado pelo Espírito Santo e está em po-
podem, vividamente, lembrar do ardor espi- sição regular na igreja. Buscar alguém que
ritual que acompanha as Semanas de Ora- fale a “língua” dos jovens e esteja “linkado”
ção, e falar com entusiasmo a respeito des- e atualizado com os desafios deste tempo,
sas experiências devocionais. que seja “antenado” e, sobretudo, espiritual.
É interessante notar que, embora • Selecionar e capacitar a equipe
a Semana de Oração seja o ponto alto na de apoio (de acordo com a realidade da sua
programação anual da igreja, pouco foi igreja). Pode-se chamá-la de “BOPEE” (Ba-
escrito a respeito desse tema. Mas quando talhão de Operações Espirituais e Evangelís-
consideramos a influência da Semana de ticas), pois se trata de uma verdadeira força
Oração e a responsabilidade daqueles que de elite jovem.
conduzem os cultos, é evidente que há • Grupo de oração intercessora: dar
necessidade de estudo, oração e cuidadoso verdadeira ênfase à oração. Estabelecer um
planejamento. período antes de começar a semana para
Um dos objetivos mais importantes que a igreja se envolva numa campanha de
de uma Semana de Oração Jovem deve ser oração intercessora nos cultos regulares, pe-
levar os jovens a um RELACIONAMENTO quenos grupos e em outras reuniões. Propor
pessoal com Jesus Cristo. horários nos quais toda a igreja, em unidade,
O Ministério Jovem da DSA disponibi- esteja buscando o poder do Espírito Santo
liza anualmente o sermonário temático para (por exemplo 9h da manhã, 3h da tarde e 9h
a Semana de Oração Jovem, além da cam- da noite). Solicitar o apoio dos Ministérios da
panha publicitária e outros recursos para po- Mulher e Mordomia.
tencializar a programação da igreja local. • Equipe de Pesquisas de Testemu-
Seguem dicas de preparativos e ideias nhos: esta equipe trabalhará na busca de
criativas para dinamizar a Semana de Ora- testemunhos marcantes e edificantes que
ção Jovem: poderão ser utilizados na programação da
semana, podendo ser em forma de vídeo
(pode ser gravado de forma simples em câ-

51
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

mera digital, celular, tablet, etc) ou ao vivo, ções: sempre que possível, realizar dinâmi-
de pessoas da igreja local, do distrito ou de cas e dramatizações relacionadas ao tema
outros lugares. Trabalhar cada dia uma ênfa- do dia. É necessário analisar cuidadosamen-
se diferente (Ex: Conversão, Fidelidade, Li- te se as peças podem ser encenadas na igre-
bertação de vícios, Casamento restaurado, ja. Isso para evitar polêmica ou qualquer for-
Retorno para a Igreja, Missão, Bênçãos da ma de aparência do mal. A encenação muda
semana, etc). também é uma boa opção. O tempo de apre-
• Ministério de Louvor: organizar sentação não deve ultrapassar, em geral, 7
uma boa equipe de louvor, fazer uma seleção minutos.
de músicas especiais. Se for possível, investir • Equipe de atividades para as
em som instrumental ao vivo, com muito en- crianças: fazer contato com o MC (Ministério
saio e preparo. da Criança) e MA (Ministério do Adolescen-
• Cantores Convidados e Mensa- te) de sua igreja e tomar providências para
gens Musicais: realizar o quanto antes a sua que cada noite haja atividades com as crian-
escala de convidados e “pratas da casa”. ças, preferencialmente em outro ambiente.
Convidar bons cantores. Escolher pessoas • Orçamento das despesas: não se
que exaltem a Cristo no seu cantar e infor- esquecer de fazer um orçamento dos custos
mar-lhes, com antecedência, o tema do dia. que serão necessários para a realização da
• Equipe de Audiovisual: muitos re- semana de oração e apresentar à comissão
cursos audiovisuais podem ser utilizados, da igreja.
mas o líder precisa providenciar os equipa- Os últimos detalhes devem ser repas-
mentos necessários e as pessoas que saibam sados com semanas de antecedência, como
manusear esses recursos. Essa equipe tam- por exemplo:
bém pode se encarregar de criar os mate- • Reunir as equipes de apoio e o
riais no PowerPoint, Keynote, Movie Maker, orador para os ajustes: Após delegar as ati-
Vegas, Photoshop, etc. vidades, é preciso acompanhar o processo
• Equipe de Comunicação: o orga- de execução das tarefas para ajudar no que
nizador da semana pode convidar o diretor for necessário. Fazer reuniões periódicas
de comunicação de sua igreja para ajudar e com a equipe. Comunicar as atividades pla-
oferecer uma equipe que poderá auxiliá-lo nejadas ao pregador a fim de que ele possa
por meio do uso de diversos recursos de co- entender e tirar proveito delas.
municação: vídeo, Twitter, Facebook, Insta- • Intensificar a comunicação interna
gram, e-mail, outdoor, camisas, carro de som, e externa: aproveitar o uso das redes so-
cartazes, etc. Produzir camisa padrão com o ciais, enviar mensagens para celulares. Pos-
tema da Semana e dar preferencialmente ao tar no mural da igreja a imagem oficial, data
grupo de coordenação. e local da semana, colocar na porta da igreja
• Equipe de ornamentação: selecio- um banner ou cavalete com cartaz alusivo
nar pessoas que possuem afinidade nesta à semana, apresentar um anúncio dramati-
área para que possam dar um toque especial zado, elaborar um vídeo empolgante, exibir
na decoração da igreja, ao criar um ambiente o perfil dos convidados, fazer convites pes-
bonito e inspirador. soais, etc. Usar a criatividade.
• Equipe de dinâmicas e dramatiza- • Confirmação da escala: confirmar

52
DIVISÃO SUL-AMERICANA

com as pessoas que fazem parte das diver- todos pelo empenho, avaliar o que foi feito,
sas escalas: música, sonoplastia, câmara de verificar as necessidades de ajustes para o
oração, recepção, diaconato etc. programa seguinte e, principalmente, orar
juntos.
O QUE FAZER DURANTE A • Programa e escala: fazer cópias
SEMANA JOVEM do programa diário e distribuir entre todos
• Ser pontual: começar a programa- os envolvidos, até mesmo os envolvidos nas
ção no horário estabelecido, independen- atividades fora do templo. Ter mais de uma
temente da quantidade de pessoas presen- pessoa coordenando o programa, a fim de
tes na igreja, isso, demonstrará respeito por evitar muito deslocamento dentro do tem-
quem foi pontual, como também dará um re- plo. Ter sempre um segundo plano, caso fal-
cado sutil à igreja de que a ordem e a pontua- te o cantor, pregador, ou algo dê errado no
lidade fazem parte da adoração. Convidar os programa.
colaboradores a estarem na igreja com uma • Dinamizar o programa: variar a se-
antecedência mínima de meia hora. quência e forma do culto para não cair na
• Corrente de oração: as lutas se- rotina. Convém ser criativo. Aguçar a curio-
rão grandes durante a realização da sema- sidade do público lançando enigmas e sur-
na de decisão, por isso é muito importante preendendo a todos com inovações.
estabelecer horários durante o dia para a • Manter o foco no tema do dia: to-
oração. Estimular as pessoas que vão minis- das as atividades dentro da programação
trar o culto a participarem da câmara de ora- devem estar relacionadas ao tema da prega-
ção antes do início do culto. Manter a oração ção do dia. Por isso, o tema deve ser estu-
intercessora durante todo o culto. dado com antecedência para checar se há
• Após cada programa, reunir as conexão entre o que desejam fazer e o tema
equipes de apoio e o orador: agradecer a do dia.

53
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

• Lançar desafios: aproveitar a opor-


tunidade para lançar desafios a fim de que
os convidados possam cumpri-los durante a
semana. Utilizar a estratégia de aumentar o
nível progressivamente: desafio, mega desa-
fio, super desafio, ultra desafio, etc.
• Receber bem cada amigo: verifi-
car se os amigos estão sendo bem acolhidos
não só pela recepção, mas pela igreja. Não
deixar passar a oportunidade de anotar os
contatos de cada convidado.
• Manter a comunicação: colocar na
porta da igreja um banner alusivo ao tema
do dia, e, ao fim do culto, trocá-lo pelo do dia
seguinte. Os meios de comunicação diversos
também podem ser utilizados para agrade-
explorando bastante tudo o que foi ensina-
cer ao amigo presente e convidá-lo para a
do, trazendo informações sobre as dificul-
próxima noite.
dades enfrentadas por trás dos bastidores,
• Registro dos fatos: não deixar
descrevendo todas as vitórias e bênçãos al-
passar a oportunidade de registrar os fatos
cançadas.
ocorridos na semana de decisão através de
• Motivar os participantes a conti-
fotos e vídeos. No final da semana, poderá
nuarem a cumprir os desafios que foram
ser feita uma grande síntese de tudo que
propostos durante a semana.
aconteceu.
• Promover um almoço no final da
• Realizar batismos: ver um momen-
semana, ou uma Noite Social.
to especial para realizar uma linda cerimônia
• Realizar um passeio com toda a
batismal, e utilizá-la como apelo a outros. De
equipe de apoio como uma forma de agra-
preferência, havendo candidatos decididos,
decimento aos colaboradores, ou lhes ofere-
não esperar para realizar a cerimônia somen-
cer alguma lembrança. Se possível, convidar
te no último dia. Vale lembrar que batismo
também os novos membros batizados du-
gera batismo. Deve-se fazer acertos prévios
rante a semana. Será uma ótima oportunida-
com o pastor distrital sobre data e horário
de de incluí-los no grupo de jovens.
dos batismos.
• Programar visitas aos amigos que
• Promover a sociabilidade: durante
estiveram presentes na semana de decisão,
a semana, planejar momentos de socializa-
dando-lhes como presente alguma literatu-
ção como, por exemplo, um lanche após o
ra. Eles devem ser convidados para partici-
culto, um bate-papo informal no sábado à
parem de alguma classe bíblica (de acordo
noite, etc.
com a idade), pequeno grupo, ou de um es-
tudo bíblico pessoal.
O QUE FAZER DEPOIS?
• Realizar o Culto Jovem com a Re-
trospectiva da Semana de Decisão Jovem,

54
DIVISÃO SUL-AMERICANA

suas mãos. Arrecadação de 1kg de alimento


todas as noites na igreja para assistir famí-
lias carentes da comunidade e/ou da própria
igreja.
• Projeto Corrente do Bem: A cada
dia o jovem deverá ajudar de forma significa-
tiva 3 pessoas, preferencialmente desconhe-
cidas, e orientá-las a “passar adiante”, isto é,
ela será responsável por continuar essa cor-
rente de esperança.
• Projeto N+AMOR+O (Não Namo-
re sem Orar): Os jovens serão desafiados a
fazer um pacto de pureza com Deus e seu
namorado (a).
• Projeto Livro Missionário: jovem
inteligente dá livro de presente. Será uma
O PROGRAMA DA SEMANA JOVEM
ótima oportunidade para os jovens evangeli-
Abertura: usar um grupo de drama-
zarem através do livro missionário.
tização (cena muda) ou gravar antecipa-
• Projeto Ídolos: lançar fora tudo
damente entrevistas na rua e na igreja com
que desvia seu foco da verdadeira adoração
pessoas diversificadas (adventistas, não-ad-
e que rouba seu tempo, templo, talentos, te-
ventistas, jovens, idosos, crianças, etc) fazen-
souros (CD/DVD ou playlist de música pro-
do uma pergunta bem selecionada sobre o
fana, pornografia, linguagem obscena, diver-
tema (Ex: para o tema “Meu Pai e Eu”, pode-
sões mundanas, fast-food).
ria ser - As relações familiares de hoje estão
• Projeto “De Cara Limpa”: incen-
melhores ou piores que no passado?). Usar
tivar uma reforma na modéstia cristã, sem
como introdução para despertar o interesse
imposição ou legalismo, mas como fruto de
a cada dia.
um verdadeiro reavivamento da piedade
pessoal (joias, pintura, roupas inapropriadas,
EVANGELISMO
modismos, etc).
Algumas ideias podem ajudar na mo-
• Projeto “Abra o Verbo”: Confissão
bilização para o evangelismo na Semana de
de pecados ocultos em um momento espe-
Oração Jovem:
cial, a cada noite, em que o jovem adorador
• Projeto Follow Me (Siga-me): Ba-
escreve seu pecado anonimamente em um
seado no princípio do twitter, consiste em
papel e deposita em uma caixa lacrada, para
desafiar os jovens a conseguir o maior nú-
ser queimado ao final da programação.
mero de “seguidores” para acompanharem a
• Entrar em contato com os convi-
programação durante toda a semana.
dados diariamente. Telefonar, mandar um
• TT´s (Trend Texts): postar nas mí-
“torpedo” sms, enviar um e-mail, recado no
dias sociais o principal texto bíblico do dia,
Facebook, DM no Twitter, Instagram, mensa-
além de algum pensamento ou frase de efei-
gem no Whatsapp, Viber, etc.
to dita durante a programação.
• Ação Maná: O pão agora cai das
55
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ENRIQUECENDO A VIDA ESPIRITUAL


1) “#PrimeiroDeus”: Durante a sema-
na, propor uma espécie de madrugada com CONGRESSO
Deus, na qual os jovens serão desafiados a
terem momentos de íntima COMUNHÃO
JOVEM
com o Senhor logo na primeira hora da ma-
Por muito tempo, os congressos têm
nhã, se possível pouco antes do dia clarear.
fascinado as pessoas. As grandes concentra-
2) Momento de oração: Distribuir to-
ções estão presentes desde o início da histó-
dos os dias papéis para pedidos e um texto
ria do povo de Deus, e elas desenvolviam um
ou pérola do espírito de profecia que se re-
papel muito importante na edificação espiri-
fira à oração. Deve ser selecionado, cada dia,
tual do povo. Nos dias atuais, os congressos
um motivo de oração (um dia pela família, o
oferecem aos jovens uma oportunidade de
outro pelos estudos, etc). O ambiente preci-
fortalecerem sua fé e renovarem seus votos
sa estar devidamente preparado, com fundo
com Deus.
musical especial, e alguém selecionado para
conduzir esse momento de prece.
Alguns objetivos de um congresso:
• Fortalecer a vida espiritual dos jo-
PROMOÇÃO DA SEMANA JOVEM
vens.
Ao promover essa semana tão es-
• Mostrar a força e grandeza da igre-
pecial, envolver não apenas os jovens, mas
ja.
também toda a igreja. De maneira especial,
• Oferecer uma oportunidade de so-
deve-se convocar uma reunião com a dire-
ciabilização e confraternização.
ção de Aventureiros e Desbravadores e fazer
• Manter a unidade dos jovens.
acertos para a participação deles durante
• Projetar a igreja na sociedade e na
a semana de decisão. Essa simples atitude
mídia.
transmitirá uma forte mensagem de unidade,
Os congressos não devem ser realiza-
evangelismo integrado e fomentará a conti-
dos sem um propósito definido.
nuidade do processo de discipulado no Mi-
Existem vários tipos de congressos:
nistério Jovem.
CONGRESSOS DE LOUVOR: a nota
Mediante o uso das mídias sociais (Fa- 01
tônica são os grupos musicais;
cebook, Twitter, Instagram etc), promover
CONGRESSOS DE GRATIDÃO: rea-
um movimento com a Hashtag #semanajo-
02 lizados para agradecimentos espe-
vem no início e final da semana. Se a igre-
ciais. Geralmente acontecem no final
ja possuir recursos tecnológicos, transmitir
do ano;
a semana ao vivo pela internet, divulgando
CONGRESSOS MISSIONÁRIOS: rea-
previamente para todos os seus contatos. 03
lizados para treinamento e capaci-
Fazer também o seguinte:
tação da liderança para o trabalho
• Dispor um painel ou banner padro-
missionário;
nizado para semana.
CONGRESSOS TEMÁTICOS: realiza-
• Criar um cenário para o tema da 04
dos para discutir temas previamente
semana.
definidos como: Sexo antes do casa-

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

mento; namoro, noivado e casamen-


to, escatologia, etc;

05
CONGRESSOS EVANGELÍSTICOS: VIGÍLIA JOVEM
normalmente realizados após algu-
ma campanha missionária de impac- 1. O QUE SE ESPERA DE UMA VIGÍLIA JA
to. Chamado, muitas vezes, de con- • Planejamento, conteúdo, objetivo e
gresso de colheitas; um tema a perseguir;
CONGRESSOS JA DISTRITAIS/ • Um programa espiritual, participa-
06
REGIONAIS/ESTADUAIS: feitos para tivo, com dinâmica de grupo;
os jovens. Esses congressos devem • Ênfase em temas apropriados, mo-
estar ligados a projetos comunitários mentos de oração, testemunhos e estudo
e programas de evangelização; profundo da Bíblia, etc;
CONGRESSOS PARA UNIVERSITÁ- • Um momento que inspire, motive e
07
RIOS: discutem-se temas de interes- leve os jovens a uma experiência real com
se dos jovens universitários. Cristo.

PASSOS NA ELABORAÇÃO DE 2. O QUE NÃO DEVE SER UMA VIGÍLIA JA


UM CONGRESSO: • Uma oportunidade para alcançar
1) Definir a data; uma bênção através de flagelação do corpo;
2) Definir o local; • Algo formal e sem objetivos espe-
3) Definir o tipo de congresso; cíficos;

4) Definir o tema; • Momentos de encontros puramen-
5) Criar a logomarca; te sociais;
6) Escolher o hino oficial; • Uma forma de provocar extrema
7) Convidar um palestrante; exaustão física, inibindo a apreensão das
8) Definir as equipes de trabalho; ideias e comprometendo o dia seguinte;

• Temas que levem a conflitos, colo-
9) Convidar grupos musicais.
cando em risco os objetivos da vigília.

57
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

3. HORÁRIOS SUGESTIVOS PARA UMA • Como lidar consigo mesmo: au-


VIGÍLIA JA toestima, temperamentos, personalidade,
Não há limite mínimo nem máximo hábitos, inclinações, etc.
para a realização de uma Vigília. Varia de- Buscar a Deus deve ser a primeira ocu-
pendendo do interesse, da disponibilidade e pação do jovem adventista. Em João 15, en-
do bom senso dos líderes participantes. contra-se uma clara compreensão do tipo de
• A vigília não deve comprometer a intimidade ou relação que Jesus Cristo quer
programação sabática; manter
com o jovem, no verso 4, Jesus Cris-
• Pode ser noturna ou não; to
afirma: “Permanecei em mim, e
Eu per-
Algumas sugestões de horários:
 manecerei em vós”. A palavra permanecer
• Do pôr-do-sol de sexta-feira até às é uma tradução
do vocábulo grego mena, o
22h; qual
significa “permanecer ou manter conta-
• Num sábado de jejum (após o culto to por um tempo contínuo”. O que essa pala-
divino até o culto jovem); vra sugere, então, é que os discípulos devem
• Do culto jovem até às 22h;
 manter com Cristo um RELACIONAMENTO
• Das 20h até às 6h (de sábado para orgânico, de total dependência dEle. Além
o domingo). disso, no verso acima, a palavra permanecer
é precedida pela conjunção condicional “se”,
4. PROGRAMA isso implica uma responsabilidade por parte
• Deve ter um horário preestabeleci- do jovem discípulo a fim de que – obedecida
do de início e de término; a condição de permanecer – a promessa seja
• Deve ter música congregacional, cumprida.
grupos e solos;
 O jovem adventista permanece em
• Orações individuais, de grupo e co- Cristo mediante o estudo da Palavra, oração
letivas; e obediência aos Seus mandamentos.
• Dinâmica de Grupo;
• Devocionais e palestras com temas BENEFÍCIOS DA COMUNHÃO
adequados à juventude; Ellen G. White ensina que quando a
• Batismo, Ceia, Serenata para ex- mente humana “é posta em COMUNHÃO
membros, encenação, etc. com a mente de Deus, o finito com o Infinito,
o efeito sobre o corpo, a mente e o espírito
5. SUGESTÕES DE TEMAS PARA DINÂMICA vai além do admissível. Em COMUNHÃO tal
DE GRUPO é encontrada a mais alta educação. É o mé-
• O testemunho jovem na faculdade, todo de desenvolvimento usado por Deus”.
trabalho, lar, clube, etc; (Atos dos Apóstolos, p. 69). 

• A música e o jovem adventista;
 Como se pode observar, Ellen G. White
• Como ser um cristão sem ser fari- diz que a COMUNHÃO com Deus é o méto-
seu nem fanático;
 do divino que faz o ser humano se desenvol-
• O relacionamento Jovem x Igreja; ver; em outras palavras: quem quiser crescer,
• Temas escatológicos: Sacudidura, precisa manter COMUNHÃO com o Pai. Em
Selamento, Chuva Serôdia, Grande Tribula- contrapartida, a falta de COMUNHÃO com
ção, Pragas, etc; Ele resulta em uma vida de estagnação.

58
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Ainda pensando nos benefícios da namente aos cansados e oprimidos”. (Pará-


COMUNHÃO, a citação a seguir desdobra de bolas de Jesus, p. 9). 

maneira prática e simples os resultados da Lendo cuidadosamente a citação, po-
COMUNHÃO com o Pai. Ellen G. White toma de-se ver que os benefícios resultantes de
a Jesus Cristo como exemplo, e afirma: começar o dia com Deus são:
“Depois de passar horas com Deus, 1) O jovem adventista estará prepara-
apresentava-Se manhã após manhã para co- do para comunicar às pessoas a luz do Céu; 

municar aos homens a luz do Céu. Cotidia- 2) Receberá cotidianamente o batis-
namente recebia novo batismo do Espírito mo do Espírito Santo; 

Santo. Nas primeiras horas do novo dia, o 3) Seus lábios serão ungidos de graça
Senhor O despertava de Seu repouso, e Sua para transmiti-la aos outros; 

alma e lábios eram ungidos de graça para 4) Palavras vindas diretamente das
que a pudesse transmitir a outros. As pala- cortes celestes serão concedidas para serem
vras Lhe eram dadas diretamente das cortes transmitidas aos necessitados. 

celestes, palavras que pudesse falar oportu-

“No aperfeiçoamento do caráter


cristão é essencial perseverar em fazer
bem. Desejo impressionar nossos jovens
com a importância da perseverança e da
energia na obra da formação do caráter.
É preciso, desde os primeiros anos, tecer
no caráter princípios de rigorosa inte-
gridade, a fim de que os jovens possam
alcançar a mais alta norma como
homens e mulheres. Devem sempre
conservar diante dos olhos o fato de que
foram resgatados por elevado preço, e
glorificar a Deus no corpo e no espírito,
que Lhe pertencem”.

DICA DE LEITURA
WHITE, Ellen. G. Mensagens
aos jovens. Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, p.45.

59
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 4

60
DIVISÃO SUL-AMERICANA

a diversos pensamentos e visões de mundo.


A essência da pós-modernidade é que os jo-
COMUNIDADES QUE vens não sentem que precisam viver consis-
tentemente, mas podem “escolher e misturar
TRANSFORMAM VIDAS estilos de vida”. Outra característica trazida
pela pós-modernidade foi o drama da soli-
Em geral, a igreja oferece muitas reu- dão, mesmo com milhares de amigos vir-
niões e atividades aos jovens. Mas um estudo tuais. A depressão está aumentando em toda
recente, feito pelo Barna Group, mostrou que a população, inclusive entre os mais jovens.
a faixa etária dos 16 aos 29 anos é o buraco Não há, obviamente, uma única razão que
negro da frequência nas igrejas, é um défi- explique a angústia e o sofrimento intenso
cit presente na maioria das congregações. daqueles que vivem em depressão e que, em
Entre muitas razões, os estudos apontaram muitos caos, decidem pôr fim à vida. Se o ato
um motivo central, a falta de identidade des- do suicídio parece violento para quem está
ses indivíduos com a comunidade cristã. O observando de fora, muito maior é a intensi-
preconceito e o amor à tradição que o meio dade do desespero interno de quem optou
cristão costuma apresentar faz com que a por essa atitude. A igreja deve ser uma ver-
igreja seja taxada, por essa nova geração, dadeira comunidade espiritual, um refúgio
como superprotetora, opressora e exclusi- para os jovens que precisam de apoio, res-
vista. Essas características descrevem uma tauração e bons RELACIONAMENTOS.
igreja que não está preparada para influen- O ser humano foi projetado para ser
ciar perfis tão diversificados quanto os que dependente. É um ser gregário, necessita
se encontram presentes na juventude atual. dos outros. A ciência revela que o ser huma-
(KINANMAM, 2014). no precisa de RELACIONAMENTOS saudá-
As novas gerações estão conectadas veis. Ele precisa estar ligado a outras pes-

61
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

soas e o lugar mais seguro da Terra para um o seu círculo mais íntimo, os 12 discípulos.
jovem fortalecer seus RELACIONAMENTOS Ele os escolheu para estarem com Ele. Jesus
é em uma comunidade espiritual. A vida em também orou por unidade (Jo 17:20, 21). Uni-
comunidade é obra do Espírito Santo. É im- dade não somente para o seu círculo mais
possível crescer como discípulo se o jovem íntimo, mas entre todos os seus seguidores.
decidir viver de outra maneira. Através da
vida em comunidade, os jovens reconhecem As 4 bênçãos bíblicas da verdadeira
a presença, o propósito e o poder de Jesus. comunidade:
Jesus, intencionalmente, escolheu a
comunidade como solo fértil para o culti- Força
vo de discípulos saudáveis. Compreender 01 Ec 4:9 e 10

o conceito de comunidade como elemento


fundamental do discipulado de Jesus pode
proporcionar ao líder JA uma renovada vi- Sabedoria
são sobre o discipulado dos seus jovens. A
Pv 15:22 02
genuína experiência da vida em comunida-
de, centrada em RELACIONAMENTOS au-
Prestação de
tênticos de amor cristão, é o ambiente ideal
para o processo de discipulado dos jovens.
03 Contas
Pv 27:17
Sendo assim, o líder JA deve ser um promo-
tor dessa visão e deve também implementar
Aceitação
uma estrutura (PG, Base, Unidade) onde os Pv 18:24 04
jovens sejam apoiados, cuidados, capacita-
dos e desenvolvidos. Ele deve fortalecer esse
pilar do CRM por meio de uma “rede de cui-
dado”. Isso significa que o jovem adventista
precisa se relacionar, estabelecer vínculos Provavelmente, o quadro mais impres-
com os irmãos de fé e com os amigos ainda sionante de uma igreja que se relacionava in-
não alcançados pelo evangelho. tensamente é apresentado em Atos 2:42-47,
descrevendo a igreja apostólica:
“E perseveravam na doutrina dos
A VISÃO BÍBLICA DA apóstolos e na COMUNHÃO, no partir do
pão e nas orações. Em cada alma havia te-
VIDA EM COMUNIDADE mor; e muitos prodígios e sinais eram feitos
por intermédio dos apóstolos. Todos os que
As evidências teológicas ensinam que
creram estavam juntos e tinham tudo em co-
a essência de Deus é comunidade, e como
mum. Vendiam as suas propriedades e bens,
Pai, o Filho e o Espírito não existem sozinhos,
distribuindo o produto entre todos, à medi-
Seu povo também não pode existir. Deus es-
da que alguém tinha necessidade”, “Diaria-
pera que Seus filhos vivam em comunidade.
mente perseveravam unânimes no templo,
O exemplo está nos RELACIONAMENTOS
partiam pão de casa em casa e tomavam as
de Jesus com os discípulos. Ele viveu em co-
suas refeições com alegria e singeleza de
munidade. Ele compartilhou a vida dEle com
62
DIVISÃO SUL-AMERICANA

coração, louvando a Deus e contando com para vos admoestardes uns aos outros. Mas,
a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, agora, não tendo já campo de atividade nes-
acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que tas regiões e desejando há muito visitar-vos,
iam sendo salvos”. penso em fazê-lo quando em viagem para
O texto deixa claro que os crentes a Espanha, pois espero que, de passagem,
perseveravam, ou seja, davam constante esteja convosco e que para lá seja por vós
atenção a cinco práticas essenciais: a doutri- encaminhado, depois de haver primeiro des-
na, a COMUNHÃO, o partir do pão, a oração frutado um pouco a vossa companhia”.
e a adoração. Essas cinco atividades, como Convém destacar quatro afirmações
se pode notar, eram praticadas socialmente, do apóstolo, as quais reforçam a importância
isto é, desenvolviam-se no relacionamento. e necessidade do RELACIONAMENTO:
Por um lado, perseveravam na doutrina, mais 1) “Cada um de nós agrade ao seu
especificamente no ensino, na instrução. próximo no que é bom para edificação”;
Além disso, perseveravam na COMUNHÃO, 2) “Acolhei-vos uns aos outros”;
uma clara alusão ao espírito de irmandade 3) “Estais possuídos de bondade,
que havia entre todos. Também persevera- cheios de todo o conhecimento, aptos para
vam no partir do pão, que pode ser enten- vos admoestardes uns aos outros”;
dido como a Ceia do Senhor ou como refei- 4) “Espero que, de passagem, esteja
ções regulares feitas em comunidade. Além convosco e que para lá seja por vós encami-
disso, praticavam orações e adoravam em nhado, depois de haver primeiro desfrutado
comunidade. um pouco a vossa companhia”.
Fica evidente que essas cinco práticas Nas frases acima destacadas, Paulo
da igreja apostólica não podiam ser vividas apresenta basicamente quatro aspectos da
individualmente; ao contrário, eram experi- vida em comunidade (RELACIONAMEN-
mentadas em grupo. Por isso, podemos afir- TOS):
mar que a igreja apostólica vivia em constan- • Promover a edificação do outro,
te relacionamento (vida em comunidade). isto é, colaborar com o próximo em seu de-
Em Romanos 15:1-2, 7, 14, 23-24, o senvolvimento em sabedoria e santidade.
apóstolo Paulo também descreve a impor- • Receber o próximo em amizade,
tância de uma vida relacional na qual o ou- tomando-o como companheiro. E mais do
tro é motivo de cuidado. O texto sintetiza que apenas demonstrar favores, é identifi-
as características de uma vida pautada pelo car-se emocionalmente com o outro.
RELACIONAMENTO: “Ora, nós que somos • Tendo-se uma vida cheia de
fortes devemos suportar as debilidades dos bondade e gentileza, é possível que, num
fracos e não agradar a nós mesmos. Portan- RELACIONAMENTO, as pessoas possam
to, cada um de nós agrade ao próximo no advertir-se e exortar-se mutuamente.
que é bom para edificação. Portanto, aco-
• RELACIONAMENTOS autênticos
lhei-vos uns aos outros, como também Cris-
produzem satisfação e saciam a sede de
to nos acolheu para a glória de Deus. E certo
amizade e companheirismo.
estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso
respeito, de que estais possuídos de bonda- • Edificação, acolhimento, exortação
de, cheios de todo o conhecimento, aptos mútua e satisfação: estes são elementos bí-

63
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

PASTORES BATISMOS 16 A
DSA IGREJAS GRUPOS MEMBROS
DISTRITAIS 30 ANOS

2013 11.923  13.327  2.975  2.263.194  62.202 

2014 12.331  13.608  3.056  2.329.245  62.648 

2015 12.786  13.832  3.147  2.410.578  69.491 

2016 13.224  14.030  3.271  2.479.453  67.928 

2017 13.606  14.081  3.286  2.481.934  60.136 


Fonte: Secretaria - DSA

blicos que direcionam o RELACIONAMEN- número crescente de crentes não impedia o


TO pessoal e eclesiástico. Resumindo: o foco envolvimento social; a despeito de um único
é relacionar-se com o próximo para servir e dia três mil pessoas se unirem à Igreja (2:41),
salvar. a vida em comunidade era parte fundamen-
Os membros da igreja apostólica sa- tal da dinâmica que caracterizava os crentes
biam muito bem da importância da vida em apostólicos.
comunidade; eles sabiam como é necessário A vida em comunidade, através de um
cuidar e ser cuidado. Igualmente, eles pra- pequeno grupo, base ou de uma unidade da
ticavam de modo impressionante o ato de escola sabatina discipuladora, é uma respos-
compartilhar. É dito, em Atos 2:46, que os ta eficaz à necessidade humana de cuidar e
crentes “todos os dias, continuavam a reu- ser cuidado.
nir-se no pátio do templo. Partiam o pão em
suas casas, e juntos participavam das refei- PASTOREIO E REDE DE CUIDADO
ções, com alegria e sinceridade de coração” Na América do Sul, um pastor adven-
(NVI). O texto também informa que os cris- tista cuida em média de 8,4 igrejas e gru-
tãos “se dedicavam ao ensino dos apósto- pos e 755 membros, contudo, não é possí-
los e à COMUNHÃO, ao partir do pão e às vel pastorear um grande grupo. O pastoreio
orações” (Atos 2:42, NVI). Além disso, o livro só é eficaz quando feito com poucos, em
de Atos traz um impressionante testemunho pequenos rebanhos. Em outras palavras, a
do estilo de vida dos cristãos apostólicos: maior contribuição de um pastor oficial não
“Todos os que criam mantinham-se unidos é fazer o trabalho da igreja, mas reproduzir
e tinham tudo em comum. Vendendo suas o seu ministério em muitos outros que têm
propriedades e bens, distribuíam a cada um o dom do pastoreio e vão ajudá-lo a condu-
conforme a sua necessidade” (2:44,45, NVI). zir as pessoas. “Todo o homem que possa
O que pode ser entendido claramente, trabalhar, trabalhe. O melhor dirigente não é
nesses textos, é que os cristãos apostólicos aquele que faz sozinho a maior parte do tra-
passavam juntos boa parte do tempo “na balho, mas o que obtém dos outros a maior
área do templo, em suas congregações, nas produção”. E.G.W. — Carta 1, 1883. Por essa
casas uns dos outros, e em todas as formas razão, há uma necessidade de líderes de jo-
de contato social” (v. 52). Chama a atenção vens com um perfil pastoral que ajudem a
o fato de esses cristãos interagirem inten- formar uma rede de cuidado na igreja.
samente, numa rica convivência social. E o
 

64
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ENTENDENDO O PASTOREIO por ele, não por obrigação, mas de livre von-
A palavra pastor é um substantivo tade, como Deus quer. Não façam isso por
masculino que significa: guardador de gado. ganância, mas com o desejo de servir”. (I
No Novo Testamento, esta palavra vem do Pedro 5:2) “Não há dúvida de que quando
grego poimen, que traz o sentido de: guar- Pedro falava de pastorear a grei de Deus es-
dião ou mentor espiritual do rebanho de taria lembrando a tarefa que o próprio Jesus
Cristo. Quando se examina a Bíblia são en- lhe tinha atribuído mesmo quando lhe en-
contrados alguns ensinos que ampliam a vi- comendou apascentar suas ovelhas” (João
são sobre o pastoreio. Eis alguns desses en- 21:15-17). A recompensa do amor era a desig-
sinamentos: nação de um pastor, e Pedro estava lembran-
• O pastoreio não é uma opção, mas do a tarefa que Cristo lhe havia confiado. A
uma necessidade para a igreja. Quando Je- exortação de Pedro era para que esses an-
sus ressuscitou e se encontrou com os seus ciãos, como líderes da igreja, exercessem seu
discípulos, junto à praia, perguntou três ve- dom de pastorear. Eles não tinham o ofício
zes se Pedro o amava, e em cada uma das de pastor, porém tinham uma função pasto-
três circunstâncias conclui que se Pedro o ral. O ofício de pastor é para quem exerce
amava, deveria pastorear Suas ovelhas (Jo. o pastorado de forma exclusiva, assumindo
21:17). Cristo considerou que guiar e cuidar uma posição de liderança eclesiástica que
das ovelhas era a grande exigência ministe- inclusive permite a própria manutenção pela
rial. Com essas palavras deixou claro que o pregação do evangelho (I Co. 9:14). A função
pastoreio não pode ser opcional. Precisa-se pastoral é para todo aquele que tem o dom
de ovelhas sadias e reprodutíveis. Isso só é de pastorear, a habilidade especial que Deus
possível pelo pastoreio. 
 concede a algumas pessoas para assumirem
• Existe uma diferença entre o ofí- a responsabilidade pessoal pelo bem-estar
cio de pastor e a função pastoral. Pedro, que espiritual de um grupo de crentes.
aprendeu bem a lição do Mestre Jesus, ao • O pastoreio envolve cuidado e dis-
escrever aos cristãos da Ásia menor que ha- cipulado. Jesus falou que o bom pastor dá a
viam começado a sofrer perseguição, exor- sua vida pelas ovelhas, conhece suas ovelhas
tou os anciãos da igreja a exercerem o pas- e elas o conhecem. (João 10:10 e 14). Comen-
toreio dizendo: “Pastoreiem o rebanho de tando sobre o exemplo de Cristo como o
Deus que está aos seus cuidados. Olhem Pastor modelo, Ellen White declarou: “Jesus

65
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

é o Bom Pastor. Cuida de Suas ovelhas fra- sam mais tempo com seus pares, nas redes
cas, enfermas e desgarradas. Conhece-as to- sociais, na escola, na faculdade, no trabalho,
das pelo nome. Toca-Lhe o coração cheio de ou nos encontros das tribos, nas quais a so-
compassivo amor e aflição de toda ovelha e ciedade urbana está organizada. Eles que-
todo cordeiro de Seu rebanho, e chega-Lhe rem pertencer a um grupo, a uma comunida-
ao ouvido o brado de socorro. Um dos maio- de onde possam nutrir RELACIONAMENTOS
res pecados dos pastores de Israel é assim profundos e ter momentos de recreação e
apontado pelo profeta: ‘A fraca não fortale- lazer. A igreja deve ser esse lugar!
cestes, e a doente não curastes, e a quebrada O líder JA precisa, intencionalmente,
não ligastes, e a desgarrada não tornastes a apoiado pelos demais líderes da igreja,
trazer, e a perdida não buscastes; mas domi- prover momentos de sociabilização para a
nais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se juventude com o propósito de fortalecer os
espalharam, por não haver pastor, ... sem ha- RELACIONAMENTOS para que a identidade
ver quem as procure, nem quem as busque.’ dos indivíduos seja fortalecida, dando-lhes
(Ezequiel 34:4-6). {Ex 248.2}”. segurança para formar uma identidade
O pastoreio está vinculado com as ne- própria e explorar seu papel no mundo.
cessidades da pessoa, aquilo que é emergen- A liderança precisa ajudar seus jovens
cial, que envolve reabilitação, proteção ou o no discipulado integral, entendendo que
seu bem-estar. O pastoreio está relacionado somente decorar uma lista do que fazer e
com o desenvolvimento da ovelha, sua ma- não fazer, assinar um termo de compromisso
turidade e produtividade. Rebanho saudável ou cumprir até o fim um programa de
é rebanho cuidado e discipulado. desenvolvimento, não transforma o jovem
Não se pode esperar que haja uma em discípulo maduro.
multiplicação saudável do rebanho de Deus Os pequenos grupos devem servir
sem que haja pastoreio. O líder de jovens e como catalisadores da sociabilização e do
os líderes dos pequenos grupos de jovens pastoreio, como visto no infográfico no iní-
da igreja local precisam ter disposição para cio do capítulo. Os líderes dos PGs devem
dividir a carga, cuidar e discipular os jovens. ser orientados para não apenas envolver os
Não se pode esperar que um pastoreio efe- jovens nos cultos e nas atividades missioná-
tivo seja feito em massa, ou por atacado. Os rias, mas também para proporcionar a eles a
jovens precisam estar organizados em pe- experiência de sociabilização em momentos
quenos grupos com mais líderes que exer- recreativos e de lazer.
çam a função pastoral e atendam às neces- Para a igreja conseguir sociabilizar a
sidades deles. juventude, ela precisa fortalecer sua imagem
na vida do jovem, preocupando-se intencio-
SOCIABILIZAÇÃO PARA CRIAR nalmente em ser relevante para ele e suprin-
VÍNCULOS DE AMIZADES SAUDÁVEIS do suas necessidades. Essa relevância não
O ser humano é intrinsecamente so- deve, nem precisa, ferir os princípios bíblicos.
cial e na juventude essa característica é ain- A recreação, na verdadeira
da mais intensa. Sem desconsiderar a triste acepção do termo recriação, ten-
realidade da solidão e o isolamento social de a fortalecer e construir. Afas-
vivido por muitos jovens, em geral, eles pas- tando-nos de nossos cuidados e

66
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ocupações usuais, proporciona adequadas nas quais os jovens possam se


descanso ao espírito e ao corpo, engajar. Muitas atividades variadas são ade-
e assim nos habilita a voltar com quadas: Jogos de tabuleiro, que não sejam
novo vigor ao sério trabalho da de azar, esportes, atividades sociais, música,
vida.
(Ellen G. White, Mensagens artes, artesanato, estudo da natureza, ginca-
aos Jovens, p. 362) nas, acampamentos, caminhadas, esportes
Este tópico fornece diretrizes pelas radicais, etc.
quais qualquer atividade de sociabilização A sociabilização é necessária para
pode ser uma atividade aconselhável ou uma vida bem equilibrada. Os especialis-
desaconselhável para um jovem cristão. O tas em saúde mental afirmam que uma vida
problema não é apenas encontrar algo para equilibrada inclui trabalho, recreação, com-
fazer, mas encontrar opções de recreação panheirismo e espiritualidade. Tempo e ener-

1 7
A atividade violará a própria consciên- Os esforços de autocontrole
cia do jovem? serão fortalecidos ou enfraque-
Rm 14: 22, 23 cidos?
I Co 9:27

2
Será que os atos dos jovens farão com

8
que os outros fracassem ou tropecem É trabalho da carne?
em sua fé? Gl 5: 19-21

I Co 10: 23-33

9
Isso irá despertar o indecente?

3
Deus será glorificado no corpo desse Fl 4: 8

jovem enquanto ele participa dessa

10
atividade? Isso enfraquecerá a influência
I Co 6: 19, 20 do jovem como cristão?
I Cos 10:33

4
Isso o colocará sob influência do mal?

11
I Ts 5: 21, 22 É legal e certo?
Romanos 12 e 13

5
Será que vai entrar em conflito com o

12
seu dever? Isso viola os desejos dos pais?
Mateus 6:33 Ef 6: 1-4

6
Se fizer isso, trará reprovação a Cristo

ou à Sua Igreja?
I Pe 4: 14-16

67
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

gia devem ser distribuídos para cada uma Confraternização: este é o momento
01
delas. Muitas opções de recreação e lazer se do quebra-gelo e tem como propósi-
apresentam de maneira convidativa, mas os to que todos se sintam confortáveis
jovens adventistas devem basear suas esco- entre si;
lhas nos ensinamentos ou princípios bíblicos.
O recreio é necessário aos que se Estudo: não é um estudo bíblico em
02
acham ocupados em labor físico, e mais ain- estilo de palestra ou sermão, mas um
da, essencial àqueles cujo trabalho é espe- estudo interativo onde todos têm a
cialmente mental. Não é essencial à nossa chance de falar e aplicar o que foi
salvação, nem para a glória de Deus, man- aprendido;
ter o espírito em contínuo e excessivo labor,
Oração: um momento no qual todos
mesmo sobre temas religiosos.
(Mensagens 03
podem compartilhar suas necessida-
aos Jovens, p. 392)
des e que deve direcionar o momen-
Os doze princípios podem ajudar o
to de oração final.
jovem na vida cotidiana e respondem se as
recreações ou atividades de sociabilização
escolhidas pela liderança jovem estão fun- VIDA EM COMUNIDADE NA
damentadas nos princípios bíblicos: AMÉRICA DO SUL
Sociabilização constitui um aspecto O líder JA deve considerar a vida em
vital do desenvolvimento dos jovens, e mui- comunidade como uma parte indispensá-
tos benefícios podem ser alcançados se a vel da sua agenda semanal. O encontro da
igreja local oferecer recreação adequada e comunidade é um espaço onde cada parti-
instrutiva para eles. O principal objetivo deve cipante deve ter o senso de pertencimen-
ser não apenas ocupar o tempo, e sim, pro- to, onde os jovens são
ver alguma atividade significativa e saudável conhecidos pessoal-
que seja capaz de conduzir ao companhei- mente, atendidos,
rismo, envolvimento salutar e estímulo inte- aceitos e desafiados
lectual. a crescer espiritual-
mente. A comuni-
AS REUNIÕES DOS PEQUENOS GRUPOS dade é o lugar onde
As reuniões de Pequenos Grupos são os jovens levarão seus
encontros informais, semanais, nas casas, amigos que ainda não
onde rolam conversas abertas e sobre diver- foram alcançados pelo
sos assuntos, conduzidas por um estudo bí- evangelho para vivencia-
blico relacional. É um tempo para estreitar rem uma experiência mais
RELACIONAMENTOS e aprender sobre Deus profunda da fé.
e a Bíblia, deixar sua opinião, manifestar suas Diversas iniciativas
dúvidas e encontrar o apoio na caminhada têm se mostrado bem-suce-
ao lado de Jesus. São reuniões renovadoras, didas na promoção da vida em
simples e transformadoras! comunidade entre os jovens
Há três componentes básicos: adventistas sul-americanos.

68
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Nome: Baseado na passagem de Ro-


GERAÇÃO 148 - manos 14:8 “Porque, se vivemos, para o Se-
nhor vivemos; se morremos, para o Senhor
MEU NOVO ESTILO morremos, de sorte que, ou vivamos ou mor-
ramos, somos do Senhor”. O Projeto visa a
Geração 148 é um projeto formado estabelecer uma identidade cristã real e sig-
por Jovens Adventistas do Sétimo Dia, que nificativa na vida dos jovens. 
estão dispostos a formar uma geração de  
cristãos comprometidos, envolvidos e pron- OBJETIVOS:
tos a enfrentar desafios.  São jovens que • Inspirar jovens a viver para a glória
buscam em sua caminhada cristã, viver por de Deus através de um RELACIONAMENTO
um único motivo: a Glória de Deus. Refletir o íntimo com Cristo;
caráter do Criador, testificar de Seu plano de • Resgatar um cristianismo estrita-
salvação e viver a plenitude deste chamado. mente bíblico e prático.
  • Promover relações concretas em
Visão: Reavivar esta geração através redes de amizade.
do RELACIONAMENTO íntimo com Cristo e • Desenvolver voluntariado e serviço
Sua palavra, resultando em uma comunida- social junto à comunidade.
de viva e relevante na missão de sinalizar a • Encorajar novos métodos criativos
chegada do reino de Deus com criatividade de evangelização.
e diversidade de ideias. • Capacitar e desenvolver a multipli-
cidade de dons, e criar oportunidade para a
utilização destes dons.
• Espalhar a mensagem contextuali-
zada de salvação em Cristo Jesus.
• Criar um ambiente propício para
atrair os amigos não cristãos.
• Promover o reavivamento e refor-
ma dos jovens adventistas.
• Moldar um estilo de vida jovem
guiado por princípios bíblicos.
 
a) Base: é o nome dado para o local
de reuniões dos membros do Geração 148. É
a BASE de onde todas as ações são coorde-
nadas. O endereço deve ser divulgado para
os jovens da igreja e para os amigos não ba-
tizados. Esse local deve ser, preferencialmen-
te, a casa de um dos participantes, devendo
ser local fixo por pelo menos 3 meses. Não
é proibido ter a BASE na igreja, mas é certo

69
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

que um outro local propiciará um ambiente Planejamento:  A GERAÇÃO 148 tem


02
mais informal.  um forte traço de flexibilidade, criati-
b) Desafio ou ação:  é uma ativida- vidade própria e informalidade. Isso
de diferente, inusitada e desafiadora que a não quer dizer desorganização. Em
BASE faz. Esta ação pode ser semanal, quin- muitos casos, a informalidade requer
zenal ou mensal, conforme decisão da BASE. mais trabalho. Se os jovens forem às
Só resplandecerá a glória de Deus quem es- primeiras atividades e as coisas não
tender as mãos aos que estão em meio às estiverem bem-feitas, não voltarão, e
amarguras da vida. reconquistar o coração da moçada,
com certeza, será mais difícil. 
c) Encontro: é o momento em que os
membros do G148 de uma das BASES estão Novidades e desafios:  Não ficar na
03
reunidos. O que fazer? É simples: o que al- mesmice. Olhar para a Geração 148
guém faz quando se encontra com os seus como sendo a grande oportunidade
amigos? Conversa, ri, chora, conta as novida- do Ministério Jovem na sua igreja para
des, reclama, agradece, canta. Então, é sim- inovar e conquistar. Trata-se de um
ples assim. Deve-se fazer isso. O encontro projeto para jovens que ousam sonhar
deve ser algo alegre, motivador, sem uma or- e desafiar. E essa prática tem mostra-
dem preestabelecida. Porém, o ENCONTRO do que os jovens estão dispostos e
deve ter uma parte espiritual interessante preparados para grandes e inovadores
e esclarecedora. Como material de apoio, o projetos.
blog do G148 disponibiliza roteiros e assun-
tos que podem ser utilizados nos encontros. Não parar de orar: Isso pode parecer
04
Os líderes devem ficar à vontade para desen- repetitivo, mas há um propósito nisso.
volver a sua ordem de temas. Os temas po- Este programa e seu ministério jovem
dem ser divulgados semanalmente para que não salvarão verdadeiramente vidas
todos tenham condições de dar uma olha- sem a ação do Espírito Santo. Quan-
da em outros materiais a fim de poderem to mais os jovens entendem isso, mais
contribuir com opiniões. Vale lembrar que é apaixonados eles se tornam por Deus
INDISPENSÁVEL que haja “não adventistas” e Sua obra, unindo suas mãos e do-
entre os participantes. E, neste caso, deve-se brando seus joelhos no chão em fer-
ir com calma. Os assuntos devem ser cres- vorosa oração.
centes em sua complexidade.  

PASSOS PARA DAR CERTO:


01
Oração:  Orar, orar e orar. Quando os
jovens são chamados para um evento,
somente Deus pode preparar os cora-
ções deles para aceitar o convite de
Cristo. Os líderes devem permanecer
dependentes do Senhor.

70
DIVISÃO SUL-AMERICANA

COMUNIDADE
Os Jovens em Pequenos Grupos, que
DNA.COM no norte do Brasil são chamados de JPEG’s,
funcionam como uma extensão do DNA.
DNA (Dia do Norte em Ação) é um COM.
projeto que envolve a juventude em um dia Possui uma lição adequada para os
específico, na realização de serviços sociais, jovens estudarem nas reuniões. Todas estas
missionários, voluntários e evangelísticos. E ferramentas estão disponíveis no App.
o complemento: “.COM” faz referência à Co- E não para por aí, ele se estende para
munidade; à Oração e à Missão. Dessa forma, Escola Sabatina Jovem. O projeto tem o de-
pode-se concluir que o DNA.COM incentiva safio de otimizar a sala dos jovens transfor-
nossos jovens a viverem um estilo de vida mando-a no lugar mais legal da Igreja (Espa-
cristão. ço DNA.COM) onde o jovem, ao entrar, possa
Uma ferramenta importante de sus- exclamar: “Que legal!”.
tentação do projeto é o aplicativo DNA.
COM. Uma vez feito o download, o usuário ORAÇÃO
tem a sua disposição o desenvolvimento do A oração é uma das chaves para a
“Jeito Jovem de Viver”, com vários conteú- COMUNHÃO. O líder JA precisa incentivar
dos que levam o jovem a crescer na COMU- seus jovens a orarem uns pelos outros tam-
NHÃO e no RELACIONAMENTO, com foco bém. A COMUNHÃO dos jovens é uma das
na MISSÃO. prioridades, e para fortalecer essa área tão
importante, o aplicativo disponibiliza a lição

71
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

da Escola Sabatina em áudio, e os vídeos do


projeto Reavivados por sua Palavra também
em formato bem atrativo. PG MY STYLE
MISSÃO O avanço tecnológico revolucionou
Uma vez por mês, a saber, o primeiro o mundo. O surgimento do telefone, TV, vi-
sábado de cada mês, ações direcionadas es- deogame, computador, internet e toda a
tão sugeridas e disponíveis no aplicativo. diversidade tecnológica trouxeram muitas
Qual a relevância dessas ações? Fazer soluções e um grande problema para a ju-
a juventude refletir sobre a seguinte ques- ventude. A modernidade diminuiu o grau de
tão: deve-se esperar que as pessoas procu- RELACIONAMENTO entre os jovens. Antes,
rem a igreja, ou a igreja deve ir até elas? O o RELACIONAMENTO era mais pessoal, hoje
jovem adventista reconhece que a segunda está mais virtual com alta tecnologia e baixa
opção é o ideal. Isto é pregar, sair do confor- interação. Literalmente, o estilo de vida jo-
to do interior dos templos e cumprir fielmen- vem foi alterado.
te a parte que corresponde a cada um. Existe uma carência muito forte na
juventude hodierna chamada: RELACIONA-
MENTO. Toda “rede social” que é lançada
atrai a moçada. Os jovens também gostam
de grupos, tribos, etc. No fundo, eles gostam
de se relacionar.
Por isso, o Ministério Jovem da União
Nordeste Brasileira ofe-
rece uma proposta
bem definida, clara,
para suprir esta lacu-
na e necessidade da
juventude, chamada
PG MY STYLE. A ideia
é que a base de RE-
LACIONAMENTO da
juventude adventista
(PG) seja o seu estilo
de vida.
O nome reflete
um novo jeito de viver
em comunidade, tendo
por base, o estilo rela-
cional vivido pela igreja
primitiva encontrado em
Atos 2:46.
“Diariamente perse-
72
DIVISÃO SUL-AMERICANA

veraram unânimes no templo, partiam pão Jovem receberá uma nova roupagem cha-
de casa em casa e tomavam as suas refei- mada de “Espaço My Style”. Na medida do
ções com alegria e singeleza de coração” possível, deve-se personalizar a sala, fazer
plotagens, usar banners, colocar pufes, usar
VISÃO TVs, músicas “ao vivo”, enfim, deixar esse es-
Alcançar e discipular a geração pós- paço a cara dos jovens.
-moderna por meio de COMUNHÃO, RELA- A grande meta é que o PG se torne,
CIONAMENTO E MISSÃO. no sábado pela manhã, a Escola Sabatina Jo-
vem.
FILOSOFIA Vale a pena fazer essa revolução acon-
PG My Style é composto por um gru- tecer na igreja, pois certamente a juventude
po de pessoas que se encontra semanalmen- desfrutará de um novo jeito de viver em co-
te para ampliar seu grau de COMUNHÃO, munidade.
RELACIONAMENTO E MISSÃO. Esse grupo
também realiza desafios externos relevantes
para a comunidade, através de atos de com- ESTILO LIFE
paixão.
À medida que o PG My Style constrói O Life é um estilo de vida.
um RELACIONAMENTO estável e verdadeiro É um convite para viver a vida cris-
e alcança novos amigos, o grupo cresce por- tã na prática e revolucionar a comunidade
que os líderes são treinados e, consequente- onde o jovem vive.
mente, o grupo está pronto para formação O jovem, ao refletir sobre o porquê de
de novos líderes e multiplicação. ser adventista, prepara-se para mostrar atra-
vés da sua Life que existe uma oportunida-
DESAFIOS de única de ter vida, mas não qualquer vida,
São ações externas, diferentes, rele- mas a Life plena (João 10:10).
vantes e inusitadas que o PG My Style realiza O Life ocupará o dia a dia do jovem,
em favor da comunidade. Essas ações, lan- ou seja, esse será o seu modo de viver!
çadas através das redes sociais, são mensais Esse é o seu novo estilo de Life!
e pontuais. Poderão ser comunitárias, sociais Cada jovem de sua comunidade será
e/ou missionárias. Cada PG My Style também desafiado a participar desse estilo. Para for-
pode realizar semanalmente, quinzenalmen- talecer a amizade e os relacionamentos entre
te ou mensalmente desafios propostos pelo eles, será preciso ter um encontro semanal.
seu próprio grupo. A ideia é: Um PG inten- O “Onde”, “Como” e o “Quando (dia e hora)”
cional e relevante. o líder JA definirá, Há algumas sugestões,
mas a definição é do líder. Os temas estu-
ESPAÇO MY STYLE dados serão fornecidos pelo departamento
É um lugar específico onde a juventu- JA. Qualquer um dos jovens que pertence ao
de do PG MY Style se encontrará, a cada ma- grupo poderá ser o “mediador” da noite, ou
nhã de sábado, para aprofundar mais ainda seja, aquele que trará a mensagem.
sua COMUNHÃO, seu RELACIONAMENTO e Para aumentar mais e mais o grupo,
sua MISSÃO. Na verdade, a Escola Sabatina o primeiro desafio é: cada um dos partici-

73
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

sábado, não haverá ativi-


dades durante o dia a fim
de que haja maior envol-
vimento com a comuni-
dade à noite. Esse será
o momento de assistir a
algum filme juntos (serão
dadas sugestões), jogar
algum jogo de tabuleiro
(ex: imagem e ação), prati-
car algum esporte, o objeti-
vo é desenvolver a amizade.
É um sábado para aumentar
a conexão entre seu grupo.
No segundo sábado,
é o momento de fazer algo
pelo próximo. Realizar algu-
ma ação social ou comunitá-
ria, ajudar as pessoas que es-
tão ao redor da igreja ou num
pantes levar um amigo diferente a cada mês. bairro próximo.
Para fortalecer seu grupo, todos os Como ninguém é de ferro, o terceiro
participantes são convidados a orar ao mes- sábado é livre para o líder JA curtir com sua
mo tempo, no mesmo horário: 19h19. família e amigos, ou, como achar melhor, po-
Algo importante, o Life não é apenas rém as reuniões semanais continuam.
um encontro semanal, ele tem um encontro No último sábado do mês, será o mo-
semanal. É este momento onde são recarre- mento de fazer algo de forma evangelística.
gadas as energias espirituais para manter o Convidar os amigos para participarem de
estilo, como comunidade. um programa que fala do que eles gostam:
Como sempre estarão conectados filmes, séries, livros e cultura pop em geral.
nessas reuniões semanais, nelas serão lança- Existem 15 palestras prontas à disposição
dos desafios para ajudar realmente colocar a para esse tipo de encontro, ou seja, conteú-
vida cristã em prática! do para quase dois anos de programa. En-
Todos os meses, serão lançados ví- quanto os convidados vão até o programa,
deos na página oficial do projeto com os faz-se com eles o processo de discipulado
desafios que precisam ser cumpridos, para jovem.
que a Life realmente faça a diferença. Serão Observações: para cada ação, pre-
ações comunitárias, sociais, via web e evan- parar um cartaz, fazer propaganda no Fa-
gelísticas. Em cada sábado do mês, haverá cebook, WhatsApp e colocar no boletim da
uma missão especial: igreja.
No primeiro sábado, deve haver um Não se deve divulgar a reunião espi-
momento de descontração, por isso, nesse ritual nos boletins, somente pelas redes so-

74
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ciais e no “boca a boca”. A ideia é “parecer” meiro passo - cada jovem adventista deve se
um “clube do bolinha”. Pode-se, no máximo, envolver em uma causa auxiliando alguém
falar que haverá as reuniões, mas nenhum que necessite de ajuda, sem distinção. Se-
participante pode contar o que acontece gundo passo - cada jovem adventista deve
lá dentro. Também seria fundamental ter convidar um conhecido de outra crença para
alguém responsável por tirar as fotos das participar de sua causa e juntos mudarem a
ações e reuniões para postar nas redes so- vida de alguém. Terceiro passo - o jovem ad-
ciais. ventista deve discipular o amigo participan-
te da causa envolvendo-o no pequeno grupo
jovem, no culto jovem e escola sabatina jo-
A SOCIEDADE vem. Importante: esse processo de discipu-
lado deve ser oferecido também às pessoas
O lema é “Juntos Construímos” ajudadas.
E para facilitar o alcance dos obje-
A SOCIEDADE, em essência, é um tivos propostos foram desenvolvidos dois
projeto que pretende gerar duas ações con- aplicativos (para smartphones que operam
tínuas no coração do jovem adventista: o com Android e IOS).
amor ao próximo e o discipulado. O primeiro é o aplicativo A SOCIEDA-
Para alcançar esse objetivo, A SOCIE- DE. Nele, as instituições de caridade e proje-
DADE propõe três passos fundamentais. Pri-

75
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

tos sociais poderão se cadastrar para rece- ramenta que vai auxiliar no andamento do
ber ajuda. Então, quando um usuário decide pequeno grupo jovem, culto jovem e escola
ajudar alguém, basta tocar em um comando sabatina jovem. Também com muitos recur-
do app e aparecerá no mapa todas as ins- sos disponíveis.
tituições de caridade e projetos sociais que
estiverem mais próximos do usuário. Aí, é
só selecionar uma instituição ou projeto e
aparecerá seus itens de necessidades; e com
GPS... NA ROTA
mais um toque o app aciona o GPS para le- DA AMIZADE
vá-lo até lá. O app também proporciona a
chance de criar um evento social; nesse caso, Estabelecer e praticar a amizade for-
um usuário, ao perceber uma grande neces- ma parte do estilo de vida dos jovens. Em
sidade pode fazer o seguinte: marcar uma todo momento e lugar, eles se sentirão mais
localização, dia e hora, além da descrição da à vontade na companhia de seus pares, já
ação. A seguir, o app vai convidar os usuá- que eles concebem a vida como uma forma
rios que estão no raio da localização mar- de relacionamento e interação permanente
cada para se encontrarem e se conhecerem com outras pessoas. Sem dúvidas, a amizade
e, juntos, ajudarem as pessoas necessitadas e o relacionamento é a grande obra-prima
daquela ação. Isso entre muitas outras solu- de sua arte preferida.
ções. Ao considerar esta acentuada forma
E para o passo do discipulado, há um de ver e viver a vida, os pequenos grupos
outro app: WAY. Esse aplicativo é uma fer- se tornam significativamen-
te relevantes na vida dos
jovens, já que, através
de tais grupos, eles po-
dem compartilhar uma
infinita quantidade de
atividades, experiências,
planejamentos, ideias,
emoções e sentimentos
profundos.
No caso particular
da União Chilena, a estraté-
gia é chamada de: Peque-
nos Grupos Salvação e Ser-
viço, utilizando de maneira
deliberada e intencional a
sigla GPS; e não só por ser
constituída pelas iniciais de
tal estratégia, senão também
pela significativa analogia que
se pode obter da mesma. Pois

76
DIVISÃO SUL-AMERICANA

assim como o Sistema de Posicionamento munidade, na conexão relacional vivenciada


Global (GPS) diz o lugar exato onde o indi- pela igreja primitiva de Atos 2:46.
víduo está posicionado, e indica a rota até Conexão: O elo de estar intercomuni-
onde se pretende chegar, da mesma manei- cado na rede de Pequenos Grupos.
ra os Pequenos Grupos Salvação e Serviço PG: Pequenos Grupos.
(GPS) ajudam a saber a posição, contexto e Exemplo:
circunstância do solene momento da histó- União Boliviana (PG de Presidente e
ria deste mundo; e por outra parte, também Departamentais) – Associação Missão (PG
sinaliza, com total exatidão e clareza, a dire- de Presidente e Departamentais) – Regiões
ção, rota e destino que se deve seguir para (PG de departamentais com Pastores) – Dis-
chegar logo ao lar celestial. trito (PG de Pastores com Coordenadores
É interessante mencionar que à sigla de PG) – Igreja (Coordenador* com Líderes
GPS, foi acrescentado um sobrenome: GPS… de PG) – e finalmente (o Líder de PG com
Na Rota da Amizade, pois um dos grandes seu grupo).
propósitos de Pequenos Grupos de jovens é *Coordenador de PG deve ser o Dire-
que cada um dos membros do grupo GPS, tor do MJ da igreja local.
integre e convide a seus amigos não ad- Nossa Visão: Alcançar e discipular as
ventistas a todas suas atividades cotidianas novas gerações por meio de COMUNHÃO,
e seculares, com o objetivo de misturar-se RELACIONAMENTO E MISSÃO.
com eles, seguindo o método de Cristo, mas Filosofia: Conexão PG é um grupo de
principalmente, integrando-os e convidan- pessoas que se encontram semanalmente
do-os às atividades e reuniões do GPS, por para ampliar sua COMUNHÃO, RELACIONA-
isso: #EUCONVIDO MENTO E MISSÃO.
À medida que o PG cresce e alcança
novos amigos (jovens), os líderes são treina-

CONEXIÓN GP
O princípio básico do pla-
no inspirado por Deus é realizar
o trabalho organizando os jovens
em pequenos grupos.
É por isso que a ideia básica
do ministério jovem da União Bolivia-
na consiste em organizar o Ministério
Jovem Adventista das igrejas locais em
pequenos grupos e designar para cada
um deles um líder.
A ideia é que a base de relaciona-
mento da juventude seja o PG.
Assim, o nome desse projeto reflete
um novo modo de a juventude viver, em co-

77
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

dos e, consequentemente, o grupo se multi- senvolvem seus dons e talentos. Os líderes


plica. dos PG são desafiados a participar do proje-
Portanto… to Calebe inscrevendo todos os seus partici-
“CONEXÃO PG” é a principal rede de pantes do PG.
relacionamento dos jovens Adventistas do O Ministério de Universitários organi-
Sétimo Dia. zados em associações também se subdivi-
Já que o MJ da igreja local está orga- dem em PGs para uma melhor atenção aos
nizado em PG, isso ajuda na liderança, pois é Universitários e aos novos interessados das
a melhor maneira de trabalhar para comple- universidades públicas ou particulares.
tar o cartão de liderança do MJ. Que a “Conexão PG”, que é uma ben-
Durante o ano, cada PG é motivado a ção para o Ministério Jovem da UB, possa
realizar desafios mensais relevantes para sua inspirar outros jovens na busca desse ideal
comunidade através de ações nas quais de- evangelístico.

“A razão para deixar


ou permanecer
na igreja não é
doutrinária, mas
relacional”.

DICA DE LEITURA
DUDLEY, Roger L., Why our
Teenagers Leave the Church.
Hagerstown, MD: Review and
Herald, 2000, p 99.

78
DIVISÃO SUL-AMERICANA

CAPÍTULO 5

79
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

de são alienados e que não querem partici-


par da MISSÃO é errônea. Os jovens querem
ENVOLVENDO OS e estão participando na MISSÃO da igreja,
e fora do contexto da igreja, eles estão ser-
JAs EM UMA CAUSA vindo como voluntários em diversas causas,
mas de maneiras diferentes daquelas obser-
As iniciativas pioneiras de Luther vadas no passado. Por essa distinção, eles
Warren ou a oficialização das reuniões do são muitas vezes incompreendidos e rotula-
ministério jovem implementadas por A. G. dos como apáticos.
Daniells, tiveram como base “salvação e ser- As novas gerações representam a
viço”. As reuniões de jovens sempre estive- nova força de trabalho global e têm grandes
ram permeadas de um forte senso de MIS- aspirações. 71% gostariam de empreender
SÃO, bem como de um profundo interesse (segundo a EXAME). Os “millennials”, como
pelo conhecimento bíblico-doutrinário. também são denominados os indivíduos das
Os jovens atuais agem e pensam de novas gerações, são fascinados por projetos
forma mais pragmática e com objetivos mais em andamento e se sentem motivados ao
focados e identificáveis, mas continuam ten- aprender novas habilidades.
do um senso de MISSÃO como nos dias de A fim de engajar a juventude na cau-
Warren e de A. G. Daniells. Entretanto os dis- sa do ministério jovem (entenda-se “causa”
cursos muito radicais e inflamados não fasci- como uma tradução do propósito, do objeti-
nam mais os jovens como faziam antigamen- vo e da MISSÃO do ministério jovem adven-
te. A juventude está mais interessada em tista), o líder JA precisa conhecer os anseios
soluções práticas para problemas concretos e as expectativas dos jovens da sua igreja.
ao seu redor, como o crescimento da pobre- Outras importantes perguntas que os líderes
za e a falta de serviços básicos de saúde na JAs precisam responder são: qual a diferen-
comunidade. ça entre engajamento e envolvimento? Por
 A ideia de que os jovens da atualida- que engajá-los é muito mais importante do
que envolvê-los?
Estar envolvido é ser parte da equi-
pe, assistir às reuniões ou contribuir com um
projeto ou programa. Engajamento é o es-
“O Senhor designou tado de envolvimento ou comprometimen-
os jovens para to emocional e intelectual de um integrante
da equipe que resulta em uma mudança de
serem Sua mão comportamento.  É proporcionar momentos
auxiliadora”. com aquele jovem de modo que ele se torne
Ellen G. White, Testemunhos 100% motivado, dispondo de seus talentos,
Seletos 3:104. SC 22.1 energia, recursos para cumprir a causa do
ministério jovem.  Então, se o jovem foi enga-
jado na causa, ele não somente participará,
mas será protagonista na MISSÃO da igre-
ja. Os líderes JAs devem cultivar a liderança

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

de forma bíblica e a causa estruturada pelo Conference Bulletin, 24. SC 22.3)


evangelho.
Os jovens podem se perguntar: o que A MISSÃO EM JERUSALÉM
está por trás disso que o Ministério JA faz Para os cristãos do primeiro século,
hoje? O que está por trás da atividade, do Jerusalém era o “lar”, terra santa e abençoa-
desafio? Ele não olha só a tarefa: olha o que da por Deus. Portanto, ali eles começaram a
é que está por trás da ligação com a causa. tarefa de evangelizar. De dentro para fora, de
Ele se pergunta: o que fazer para impactar a casa para rua, de perto para longe. Essa era
MISSÃO da igreja? a ideia.
A causa do ministério jovem tem qua- Nos dias atuais, entende-se por Jeru-
tro ênfases, tendo como base a comissão salém o habitat natural da igreja. O lugar co-
evangélica de Atos 1:8. mum de cada indivíduo. Sua casa, bairro, ci-
Temos hoje em dia um exército de jo- dade, sua sala de aula, ambiente de trabalho,
vens que podem fazer muito, se devidamen- etc. A terra santa aqui não é a da promessa
te dirigidos e animados. Queremos que nos- da segunda vinda de Cristo, mas o lugar que
sos filhos acreditem na verdade. Queremos se faz santo pela presença do Senhor e pelo
que eles sejam abençoados por Deus. Que- trabalho abnegado dos discípulos, através
remos que eles tomem parte em planos bem dos seus dons.
organizados para auxiliarem outros jovens. A proposta para aqueles que recebe-
Que todos sejam tão bem preparados, que ram o pentecostes era pregar para os seus
possam representar devidamente a verdade, em primeira mão. E esse desafio continua
dando a razão da esperança que há neles, e nos dias de hoje. Afinal, como estarão os jo-
honrando a Deus em qualquer ramo da obra vens preparados para ir à Judeia, Samaria e
no qual se achem aptos a trabalhar. (General confins da terra; sem antes desenvolver os

81
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

• Desafiar os jovens a trazerem os


amigos para a Classe Bíblica JA;
• Seguir a rota da amizade.

“Todo seguidor de ROTA DA AMIZADE


Jesus tem uma obra a Mark Finley, evangelista e escritor, de-
fazer como missionário clarou: “não ganhamos inimigos para Deus,
de Cristo, na família, na apenas amigos”. A palavra amizade deriva
vizinhança, na vila ou do latim “amare”, amar. na verdade, é uma
cidade em que reside”. relação afetiva entre duas ou mais pessoas. É
Serviço Cristão, p.18
um dom que traz não apenas bons momen-
tos de companheirismo, mas também valo-
res agregados, como aceitação, compreen-
são, solidariedade, apoio, confiança, consolo,
perdão, reconciliação, alegria e outros bene-
seus dons e talentos para servir os que estão fícios que poderiam encher muitas páginas.
ao seu redor. Com tanto valor e benefícios, não é de se es-
Os jovens adventistas devem tomar a tranhar que a amizade não apenas é um dom
tocha dos pioneiros e ir aonde Deus mandar; apreciado e desejado, mas também uma ne-
Mas lembrando que, por mas óbvio que pa- cessidade do gênero humano.
reça, Ele manda primeiro “ficar” para depois ir. O plano da salvação é a maior mani-
festação de amor e amizade de Deus ao ho-
mem e é exatamente através desse amor e
JERUSALÉM amizade que Deus deseja que o jovem che-
gue ao coração de outros jovens para com-
partilhar o evangelho.
1+1 Ellen White reafirma essa ideia: “Uni-
camente o método de Cristo trará verdadei-
O desafio é envolver os jovens da igre- ro êxito no aproximar-se do povo. O Salva-
ja nas ações de evangelismo da igreja local e dor misturava-se com os homens como uma
desafiar cada jovem a testemunhar do amor pessoa que lhes desejava o bem. manifestava
de Deus para os familiares, amigos, vizinhos, simpatia por eles, ministrava-lhes às necessi-
colegas de faculdade, e para todos aqueles dades e granjeava-lhes a confiança. ordena-
que não conhecem a mensagem de salvação va então: ‘segue-me.’ João 21:19” (Ciência do
e graça. Bom Viver, p. 143).
Algumas ideias para fortalecer o 1+1: O método de Cristo pode ser tradu-
• Formar duplas missionárias de jo- zido como uma rota de amizade. Ele tinha
vens; uma atitude espontânea, sincera e progres-
• Envolver os amigos não adventistas siva, como uma rota clara a ser seguida: des-
nos Pequenos Grupos; de quando se misturava com os homens até
• Promover o dia do amigo na Escola lhes dizer: “segue-me” e convertê-los em
Sabatina Jovem; seus discípulos.

82
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Provérbios 17:17 dá uma pista em rela- de bicicleta, para a noite social, para
ção à rota da amizade: “em todo tempo ama o acampamento, para o retiro...);
o amigo, e na angústia se faz o irmão”.
Convidar para atividades espirituais
As pessoas de hoje precisam de uma 04
(Pequeno Grupo, Culto Jovem, Reci-
geração que ofereça amizade genuína e,
tal, ou um outro programa especial
assim como Jesus, atenda as necessidades
na igreja);
delas. Os jovens adventistas podem ofere-
cer aceitação, compreensão, solidariedade, Ofertar um curso bíblico (Estudo bí-
05
apoio, confiança, consolo, perdão, reconcilia- blico pessoal, Classe Bíblica ou Evan-
ção, sorriso, alegria, etc. gelismo Público).
Sem dúvida, não se ganha inimigos
Como afirmou Ellen G. White: “Perde-
para Deus, apenas amigos, já que não se pre-
mos muito, como povo, por falta de simpatia
cisa ganhar o coração e a confiança de um
e sociabilidade uns com os outros” (Serviço
amigo, porque esses valores estão incluídos
Cristão, p. 178), “...o exemplo de Cristo de li-
na verdadeira amizade. Se isso se tornar rea-
gar-se aos interesses da humanidade deve
lidade, pode-se dizer como Jesus: “segue-
ser seguido por todos [...] não devemos re-
-me”, e esse será o momento exato em que
nunciar à COMUNHÃO social” (Serviço Cris-
a Verdade será aceita e entesourada, porque
tão, p. 93).
terá o valor verdadeiro que provém da au-
toridade daquele que ama verdadeiramente.
MINISTÉRIOS NOS CÂMPUS UNIVERSITÁRIOS
Portanto, se o líder e os jovens sob sua lide-
O êxodo silencioso dos jovens em
rança desejarem cumprir a MISSÃO e fazer
nossas igrejas se tornou uma preocupação
discípulos na sua comunidade, a proposta é
crescente. A isso se soma o fato de que mais
que sigam a rota da amizade.
da metade dos jovens adventistas do sétimo
Passos para implementar a rota da
dia deixa a igreja antes ou algum tempo de-
amizade:
pois de se tornar jovem. Durante os anos da
Anotar o nome de três a cinco pes-
01 universidade, muitas vezes, os jovens adultos
soas não adventistas e começar um
escolhem deixar a igreja. Eles se tornam ví-
movimento de oração para que Deus
timas de suas crises de identidade, perple-
sensibilize o coração delas;
xos por não saberem por que creem no que
Estreitar a amizade de forma inten- creem e por não ter o senso de MISSÃO en-
02
cional; raizado no seu viver diário.
Diante deste desafio, os jovens univer-
Integrar os amigos nas suas ativida-
03 sitários merecem não somente preocupação
des diárias e nos programas de so-
por parte da liderança da igreja mas também
ciabilização da igreja para que eles
ser depositários de um papel a desenvolver
percebam o estilo de vida dos jovens
no meio universitário onde estão conviven-
adventistas (Ação-chave: o convite!
do. Dean Borgman (1997) afirma que: “Em
Os jovens adventistas devem convi-
termos de missões mundiais, os jovens for-
dar os amigos para ir ao shopping,
mam o maior, mais crucial e mais dinâmico
para ir à praia, para jogar futebol,
“grupo de pessoas não alcançadas” no mun-
para tomar um sorvete, para andar

83
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

do ... [a juventude] deve ser a primeira MIS- tudará a Bíblia com seu amigo e o conduzirá
SÃO “estrangeira” da igreja”. a Jesus.
Cada jovem universitário adventista O manual do Ministério dos Universi-
deve olhar para sua universidade como este tários traz informações de como envolvê-los
vasto campo missionário que tem pela fren- e comprometê-los com o ideal de salvar e
te e tomar para si o desafio de ser um ver- servir.
dadeiro embaixador e missionário de Cristo
na sua universidade. Ele passará pelo menos DESAFIOS MISSIONÁRIOS
quatro anos convivendo com companheiros Os desafios missionários são ações
e, sem dúvida, poderá se tornar uma luz e criativas, diferentes, inusitadas e realizados
levar o evangelho de Jesus para eles. pelo ministério jovem da igreja local. Essas
O evangelismo da amizade é o cami- ações podem ser semanais, quinzenais ou
nho mais apropriado, por isso cada jovem mensais, conforme decisão do grupo ou pro-
universitário é desafiado a “adotar” um ami- postos pela Associação/Missão. As ações
go pelo qual intercederá em oração, partici- dos desafios missionários têm como pro-
pará junto a seu amigo de diferentes ativida- pósito levar o jovem a ser um sermão vivo,
des como todos os amigos fazem, criará um as mãos e os pés de Jesus na comunidade.
vínculo importante a tal ponto que o JA po- Embora uma das características dos desa-
derá convidar seu amigo a um PG, um espor- fios seja a criatividade, essas ações devem
te com os jovens da igreja, um recital musical ser intencionais para que respondam às ne-
na igreja, um acampamento, um culto jovem, cessidades da comunidade que se pretende
uma escola sabatina jovem e, finalmente, es- alcançar.

84
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Até mesmo porque quem quiser ser Lista de desafios sugestivos para
notado pela comunidade e mostrar que o cada mês do ano:
evangelho de Cristo ainda é relevante para MÊS DESAFIO
a sociedade pós-moderna, precisa entender
“Mexa-se pela Vida”: promover ca-
que “é necessário colocar-se em contato
minhadas, passeios ciclísticos ou
com o povo mediante esforço pessoal. Se se outras atividades esportivas para
Janeiro
empregasse menos tempo a pregar sermões, chamar a atenção da comunidade
e mais fosse dedicado ao serviço pessoal, em relação aos 8 remédios naturais.
maiores seriam os resultados que se veriam.
Tendas de Esperança: os jovens
Os pobres devem ser socorridos, cuidados
montarão tendas com os dizeres
os doentes, os aflitos e os que sofrem perdas Fevereiro
“Posso orar por você” em lugares
confortados, instruídos os ignorantes e os movimentados.
inexperientes aconselhados. Cumpre-nos
Liberdade em Cristo: Visitar as pri-
chorar com os que choram e alegrar-nos
Março sões, dar alguma assistência à famí-
com os que se alegram. Aliado ao poder da lia de presos, etc.
persuasão, ao poder da oração e ao poder
Vida por Vidas: mobilizar pessoas
do amor de Deus, esta obra jamais ficará
Abril para a doação de sangue, plaquetas
sem frutos”.
e medula óssea.
Os desafios devem, portanto, ser pen-
sados para ser relevantes em termos comu- Impacto Esperança: distribuir livros
Maio missionários e realizar uma feira
nitários, sociais e, principalmente, missioná-
“Vida e Saúde”.
rios.
Varal Solidário: organizar um bazar
Junho gratuito de roupas e calçados em
prol da comunidade carente.

Clean House: reforma de casa de


Julho
pessoas carentes, praças e

Quebrando o Silêncio: dar assistên-


Agosto cia a esse projeto que é promovido
pelo Ministério da Mulher.

Projeto Ágape: dar assistência a


Setembro moradores de rua com ações ben-
fazejas.

Criança Feliz: visitar orfanatos e


Outubro apoiar projetos que visem ao cuida-
do de crianças carentes.

Alegria e Cura: visitar hospitais e


Novembro
orar pelos enfermos e familiares.

Ceia de Esperança: preparar uma


Dezembro ceia especial de natal com famílias
carentes ou moradores de rua.

85
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

exército global;

••Reposicionar a MISSÃO no coração


GLOBAL YOUTH DAY/ do Ministério Jovem Global;

DIA MUNDIAL DO ••Dar uma resposta necessária, posi-


tiva e construtiva para a fragmentação per-
JOVEM ADVENTISTA cebida no ministério jovem.
Jovens adventistas de todos os con-
O Global Youth Day é um projeto tinentes são mobilizados a cada edição do
mundial promovido pela Associação Geral projeto para servir em aldeias, vilas, cidades,
da IASD que envolve cerca de oito milhões campos de refugiados e/ou onde for neces-
de jovens adventistas ao redor do mundo no sário para serem as mãos e os pés de Jesus
terceiro sábado do mês de março e que es- através de atos de compaixão. Para isso, uma
timula o grande exército formado por nossa estratégia simples, global e relevante foi de-
juventude a participar de diversos atos de senvolvida.
compaixão nesse dia com o slogam: BE THE No Global Youth Day, os jovens não
SERMON (Seja o Sermão). ouvirão um sermão no sábado pela manhã.
Os objetivos do Global Youth Day são: ELES serão o sermão. Eles sairão do templo
••Recapturar a realidade da juventu- para ser a igreja e impactar em nome de Je-
de adventista do sétimo dia como um movi- sus.
mento global; Há seis elementos para o Global Youth Day:
••Conduzir os jovens adventistas a Jovens da igreja local, regiões e As-
redescobrirem o senso de pertencer a um
01
sociações/Missões se encontrarão

86
DIVISÃO SUL-AMERICANA

para um tempo de consagração an-


tes de passar a melhor parte do sá-
bado impactando sua comunidade PROJETO
local;
VIDA POR VIDAS
Eles serão envolvidos durante o sá-
02 bado em atos amigáveis de bonda- O projeto Vida por Vidas tem como
de que deverão ter sido escolhidos e base a religião da solidariedade. A iniciativa
planejados antecipadamente; movimenta vários países sul-americanos em
prol de uma grande rede de cooperação e de
Para prover um foco para esse dia
03 ajuda. Com hábitos saudáveis e um estilo de
com diversos atos de bondade, os
vida fundamentado em princípios cristãos,
jovens, ao redor do mundo, doarão
os jovens se propõem a oferecer um pouco
sangue como um símbolo do ato ex-
do seu sangue a quem precisa.
tremo de compaixão;
Como surgiu? O projeto nasceu em
2004, a partir de uma iniciativa voluntária
Para completar o dia de atividades,
04 promovida pelos jovens adventistas. Eles ti-
os jovens congregar-se-ão em suas
nham a proposta de contribuir com os he-
igrejas locais, regiões e Associações/
mocentros através do incentivo à doação
Missões para um tempo de adoração
de sangue durante o periodo da Páscoa.
e para compartilhar experiências
Este teria sido apenas mais um movimento
através de poderosos testemunhos;
de compromisso social. No entanto, o pro-
Jovens de todo o mundo se conecta- jeto atraiu a atenção da mídia em diversas
05 rão através da tecnologia e cobertu- regiões por onde ocorreram as doações,
ra ao vivo, transmitindo histórias que principalmente pelo fato de os bancos de
iluminarão o mundo progressiva- sangue terem atingido seus limites de esto-
mente através dos diferentes fusos que. Tudo isso contribuiu para que a inicia-
horários; tiva fosse conhecida e reconhecida, através
da capacidade de mobilização. Desde então,
Uma camiseta especial proverá uma o projeto acontece anualmente. Nos últimos
06 identificação com a iniciativa global. 5 anos, mais de 400 mil jovens participaram
do projeto.
O Global Youth Day é um evento anual Motivação: Todos convivem com uma
e que tem uma ênfase diferente a cada ano. necessidade básica: Esperança. Por vezes,
O objetivo do projeto é reposicionar a ju- ouve-se nos meios de comunicação o ape-
ventude no centro da vida e da MISSÃO da lo de instituições convocando doadores em
Igreja. Ele tem o potencial de ser a aurora do virtude das necessidades dos bancos de san-
melhor momento do ministério jovem. gue. Ao deparar-se com essa realidade, os
jovens adventistas identificaram o problema
e descobriram que o mínimo que poderiam
fazer era demonstrar solidariedade. Todas as
pessoas estão suscetíveis à necessidade de

87
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

alguma transfusão de sangue, seja por doen- foi reconhecido internacionalmente como
ça, acidente, cirurgia ou outro motivo. Essa “campanha destaque que incentiva a doação
iniciativa surgiu porque os jovens adventis- de sangue” pela Organização Mundial da
tas, ao tomarem consciência da importância Saúde - OMS, agência fundada em 7 de abril
do ato de doar, pois só no Brasil, diariamen- de 1948, especializada em saúde e subordi-
te, são necessárias 5.500 bolsas de sangue, nada à Organização das Nações Unidas.
resolveram fazer a diferença no afã de ajudar
a suprir essa necessidade. CADASTRAMENTO DE MEDULA ÓSSEA
Missão: Como cristãos, os JAs estão O movimento para o cadastramen-
sempre dispostos a beneficiar o próximo, to de doadores de medula é uma resposta
pois os valores, como solidariedade, espe- dos Jovens Adventistas a um problema im-
rança e fé, fazem parte do potencial humano, portante. O Brasil possui atualmente uma
e são inspirados pelo exemplo de Cristo, que população superior a 180 milhões de habi-
Se preocupava com cada pessoa, conhecia tantes, mas conta com poucos doadores ca-
suas necessidades e sempre procurava mi- dastrados no Registro Nacional de Doado-
norar suas dores. No gesto de amor de Cris- res Voluntários de Medula Óssea - Redome.
to, encontra-se o caminho para o envolvi- O Brasil é o terceiro banco mundial, e por
mento nesse projeto altruísta, a fim de que mais que tenha a marca de dois milhões de
as pessoas que sofrem possam ter uma vida doadores cadastrados, a incompatibilidade é
melhor. Eis o slogan dessa abençoada inicia- um fator relevante, que causa preocupação
tiva solidária – “ELE DEU TUDO PARA VOCÊ e angústia, visto que, a probabilidade de se
DOAR UM POUCO”. encontrar um doador compatível é de apro-
Objetivo: Promover a mobilização e ximadamente um em cada cem mil. A ideia
a participação de voluntários para a doação do Projeto Vida por Vidas é aliar a doação
de sangue e hemoderivados, em hospitais e de sangue com o incentivo ao cadastramen-
hemocentros de oito países da América do to dos doadores de medula, para que se au-
Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, mente a probabilidade de se encontrar al-
Paraguai, Peru e Uruguai. guém compatível.
Destaque: O Projeto Vida por Vidas

88
DIVISÃO SUL-AMERICANA

NOVAS INICIATIVAS
Os próprios jovens adventistas po-
dem contribuir com novas iniciativas, como
forma de respaldo, para que o projeto amplie
o seu incentivo aos doadores. A intenção do
QUEM PODE projeto é divulgar a importância da doação,
DOAR SANGUE e informar sobre o assunto, tornando o jo-
Entre outras, essas são algumas das vem adventista, além de doador, também um
condições básicas para ser um doador: incentivador. Isso pode acontecer mediante
• Ter entre 16 e 69 anos de idade.
• Estar alimentado.
a formulação de propostas que relacionem
• Pesar no mínimo 50 quilos. a importância de doar sangue com a possi-
• Ter dormido pelo menos 6 horas nas bilidade de fazê-lo em um dia “reservado”
últimas 24 horas.
para este fim. Tudo isso deve acontecer em
• Ter doado sangue há mais de 60
dias (homem) ou 90 dias (mulher). parceria com a igreja local com o apoio de
uma equipe designada para este propósito,
Fonte: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-sangue

tendo os setores responsáveis pela divulga-


ção, elaboração do programa, contato com
os órgãos responsáveis, transporte e logísti-
ca, entre outros. No dia da campanha podem
acontecer passeatas, mobilizações nas ruas,
entrega de panfletos e materiais explicati-
DOAÇÕES REGULARES vos, apresentações ao ar livre com músicas
O líder JA deve estar em contato com e mensagens, entrega de brindes aos doa-
Hemocentros e Órgãos Públicos para esta- dores, etc.
belecer parcerias que facilitem a organiza-
ção dos eventos e auxiliem nas campanhas. MATERIAIS DISPONÍVEIS:
O Projeto Vidas por Vidas alcançou êxito e • Portfólio do Projeto.
credibilidade. E através de seu cadastro, os • Cartazes.
jovens adventistas têm sido acionados para • Adesivos.
atender necessidades emergenciais.Com o • Artes para Camisetas , Bonés e
desenvolvimento de um sistema especial, Bandeiras.
tornou-se possível coordenar as doações • Vídeos promocionais.
junto às sedes regionais, por intermédio dos Para saber mais, acessar
líderes universitários, de forma organizada e www.vidaporvidas.com
sistemática. Desde 2009, o Projeto Vida por Instagram - @vidasporvidas
Vidas sugere, além das doações regulares, facebook.com/vidaporvidas
quatro significativas datas de grande mobi-
lização: Global Youth Day, Páscoa, Dia Mun-
dial do Doador de Sangue (14/06) e o Dia
Nacional do Doador de Sangue.

89
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ruins. A hora de sair é agora.


O perfil do Ministério Jovem mudou
JUDEIA desde o surgimento da Missão Calebe. O
projeto missionário já envolveu milhares de

MISSÃO CALEBE jovens em todas as regiões da América do


Sul e está levantando uma nova geração de
jovens para servir a igreja e seus ministérios.
Uma vez que o jovem adventista seja
Nesse contexto surge a necessidade de trei-
ativo na sua comunidade, inevitavelmente, o
nar os líderes, pastores e administradores da
desejo de continuar servindo em outras es-
igreja para entender esse novo momento da
feras vai aparecer. Essa é a hora de dar um
juventude.
passo adiante… ir à Judeia.
Objetivo: O Projeto Missão Calebe se
A Judeia não era Jerusalém, mas tinha
destina a mobilizar milhares de jovens em
muita coisa em comum: a língua, a religião,
toda a América do Sul, desafiando-os a dedi-
os costumes. Ou seja, não era tão difícil para
carem parte de suas férias para a realização
os primeiros cristãos pregar para esse novo
de um evangelismo. Ele se tornou o maior
público.
movimento de jovens dos últimos tempos.
Ao fazer um breve paralelo com a Mis-
Não há dúvidas de que o programa é a estra-
são Calebe, fica fácil entender que o propósi-
tégia de Deus para integrar a juventude na
to do projeto é levar jovens para pregar para
MISSÃO da igreja. Portanto, urge que igreja e
outros que não são tão diferentes daqueles
líderes, juntos, concentrem seus esforços em
que ele tem na sua vizinhança. E ao mesmo
conduzir os jovens nessa direção para que
tempo que evangelizam, esses garotos e ga-
possam viver e experimentar o verdadeiro
rotas aprenderão a se virar sozinhos, longe
compromisso com Deus, com sua igreja e
de casa.
com a comunidade, ou seja, viver a “Salvação
Na história bíblica, os pioneiros preci-
saram ser perseguidos para sair de Jeru-
salém. E, assim, muitos novos conver-
sos saíram a pregar pela Judeia.
Obviamente, não é
preciso esperar por dias

90
DIVISÃO SUL-AMERICANA

e o Serviço”. Certamente Deus vai usar cada ros, o projeto cresceu, estruturou-se e já en-
líder JA disposto na grande tarefa de prepa- volveu mais de 1.000.000 de jovens univer-
rar e motivar os jovens para se encontrarem sitários e pré-universitários em uma série de
com Jesus. O líder precisa dar o seu melhor campanhas evangelísticas longe e/ou perto
e deixar a sua marca. de seu lar.
A Missão Calebe surgiu no interior da No livro Evangelismo, p. 83, Ellen Whi-
Bahia por iniciativa de três jovens: Estatiel- te, escreve: “Seria melhor, e produziria maior
ma, Noranei e Leonardo, todos da cidade de resultado, se houvesse... uma equipe ou gru-
Guanambi. Muitos projetos parecidos esta- po... com diferentes dons para o trabalho”.
vam começando neste mesmo tempo em A proposta da Missão Calebe não é
diversos lugares da América do Sul, mas a simplesmente enviar jovens para uma MIS-
marca Missão Calebe foi oficializada pelos SÃO nas férias. Mas fazê-lo de forma orga-
departamentais de jovens da União Nordes- nizada e sistematizada. Principalmente com
te Brasileira da IASD, na ocasião, liderados uma equipe bem capacitada e certa das suas
pelo Pr. Odailson Fonseca. funções.
Seguindo o exemplo dos seus pionei-

91
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

8 PASSOS PARA POTENCIALIZAR OS entre elas estão as igrejas, tem demonstrado


RESULTADOS DA MISSÃO CALEBE que mesmo a motivação em níveis elevados
Desde a criação da Missão Calebe fo- não é suficiente para manter os indivíduos
ram propostas inúmeras estratégias no sen- focados em um projeto. É preciso capacitá-
tido de potencializar os resultados. Essas -los para que eles desenvolvam o melhor de
estratégias podem ser agrupadas em oito si e sintam-se úteis no que estão fazendo.
passos fundamentais: recrutamento, trei- Seguem algumas habilidades que de-
namento, semeadura, materiais de apoio, verão ser desenvolvidas pelos calebes:
preparo espiritual, impacto na comunidade, • Como testemunhar sobre Jesus na
campanha evangelística e discipulado. comunidade.
• Como fazer visitas.
• Como ministrar estudos bíblicos.
01 RECRUTAMENTO • Como fazer apelos e quebrar obje-
ções.
O primeiro passo para potencializar • Como trabalhar em equipe.
os resultados consiste no recrutamento dos • Como organizar o tempo.
jovens que participarão do projeto. O recru- As Associações/Missões promovem
tamento resume-se, essencialmente, no lan- anualmente encontros de capacitação vol-
çamento do projeto na igreja e no alistamen- tados para os participantes da Missão Cale-
to dos jovens para a MISSÃO. As equipes são be. Em geral, nesses encontros são treinados
formadas, no geral, entre 8 a 12 participantes. os líderes das equipes, os evangelistas, os
O líder JA da igreja local precisará anciãos anfitriões e os capelães.
responder a duas perguntas fundamentais
antes de lançar o projeto nas igrejas:
1. Onde acontecerá a campanha? SEMEADURA 03
2. Quem serão os líderes das equipes?
O lançamento na igreja local é a chave Tal como acontece nos passos ante-
para recrutar um maior número de calebes. riores, a semeadura ou preparo do terreno
O uso de vídeos promocionais, testemunhos será definida de acordo com a estratégia
e a apresentação de um plano bem defini- evangelística montada pelo pastor distrital.
do motivarão os jovens a se alistarem. Não A resposta à primeira pergunta feita antes
esquecer que todos os participantes deve- do recrutamento, “Onde será realizada a
rão contratar o seguro anual. Os menores campanha?”, será o ponto de partida para o
de idade precisarão de autorização de saída envolvimento da igreja local com o projeto.
preenchida pelos pais. A igreja que receberá os calebes de-
verá preparar o terreno e não somente ofe-
recer uma boa estrutura para o trabalho da
02 TREINAMENTO equipe. As duplas missionárias, os Pequenos
Grupos, os clubes de Aventureiros e Des-
O segundo passo para potencializar bravadores e os demais departamentos da
os resultados consiste no treinamento dos igreja poderão desenvolver ações na comu-
calebes. A história das grandes organizações, nidade, além de ministrar estudos bíblicos

92
DIVISÃO SUL-AMERICANA

nos lares e em classes bíblicas. Os anciãos mas no geral o calebe é equipado com mo-
deverão preparar uma lista de interessados e chila, Bíblia, diário de bordo, boné e camise-
de membros afastados da igreja para que os ta.
calebes visitem e façam o apelo para o ba- É bastante comum encontrar
tismo. Os manuais de crescimento de igreja Associações/Missões que também equipam
apontam entre três a seis meses como tem- os evangelistas com os materiais para a
po ideal para a semeadura. realização da conferência pública. Eles
No caso de se enviarem calebes para recebem DVDs com palestras em power-
cidades de MISSÃO Global, o projeto deverá point e clipes muisicais, Bíblias para usar no
ser bem estudado e executado de maneira auditório, cartões de apelo, faixa para colo-
que a Missão Calebe seja apenas um ponto car na frente do ponto de pregação e, em
dentro de uma estratégia arrojada de plantio alguns casos, brindes e materiais para cursos
de uma nova igreja. A experiência das últi- profissionalizantes.
mas edições do projeto em todos as uniões
da DSA tem mostrado que os resultados são
melhores quando a campanha é realizada IMPACTO NA COMUNIDADE 06
em lugares onde a igreja já está estabeleci-
da. O acompanhamento daqueles que foram Idealmente, toda equipe de calebes
batizados é mais sólido do que no primeiro deverá dedicar a primeira semana da cam-
caso. panha para desenvolver projetos na comu-
nidade. Ações como a Feira Vida e Saúde,
Curso de Culinária, Abraços Grátis e Curso
04 PREPARO ESPIRITUAL de Corte e Costura criam uma ponte entre
os calebes e a comunidade. Independente-
Existem essencialmente duas ferra- mente do local onde será realizada a confe-
mentas para o preparo espiritual dos cale- rência pública e das condições financeiras,
bes: O projeto #PrimeiroDeus e o Diário de as equipes poderão promover também uma
Bordo. A primeira foca na busca de poder na semana de palestras com temas sociais. Esse
primeira hora de cada manhã e a segunda método tem sido usado com eficácia para
visa a motivar e manter os calebes focados cativar as famílias da comunidade e atraí-las
no projeto, durante os dias da campanha, para as reuniões evangelísticas.
através de meditações diárias e testemunhos Seguem algumas sugestões de temas
das edições anteriores. Eles também são de- para a semana:
safiados a escreverem as suas experiências • Como perder peso com saúde.
em seus diários e compartilharem nos cultos • Como prevenir o câncer.
matinais com o restante da equipe. • Comece o seu próprio negócio.
• Curso básico de internet.
• Segredos de um casamento feliz.
05 MATERIAL DE APOIO • Cuidado! Você está em perigo
diante da televisão.
Existem diversas variantes em relação • Como vencer o estresse e a de-
aos materiais de apoio no território da DSA, pressão.

93
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

líderes da igreja durante a campanha evan-


gelística. Tem-se percebido que este tipo de
07 CAMPANHA EVANGELÍSTICA visita traz efeitos positivos ao grupo.
No geral, o departamental JA da As-
O propósito da conferência evangelís- sociação/missão elabora uma escala de visi-
tica é apresentar, de forma clara e objetiva, tação, envolvendo todos os administradores
o evangelho e levar os interessados a tomar e departamentais e repassa para os pastores
uma decisão por Cristo. distritais e para as equipes.
O sucesso da campanha depende,
fundamentalmente, da qualidade dos passos
que foram dados anteriormente e da capaci- DISCIPULADO 08
dade do evangelista e dos calebes em man-
ter o auditório interessado pelos temas que O discipulado é um processo contínuo
são apresentados a cada noite. pelo qual uma pessoa é atraída a Cristo e se
É preciso reconhecer, no entanto, que desenvolve ao nível de crente maduro e re-
somente a frequência às reuniões não le- produtivo na igreja. Como igreja, não basta
vará o interessado à decisão. A ministração batizar, é necessário investir no processo de
dos estudos bíblicos nos lares é, sem dúvi- maturidade espiritual dos conversos, a fim
da, o trabalho fundamental dos calebes e é de alcançar dois grandes objetivos: multipli-
também a estratégia mais eficaz para levar car as forças para a pregação do evangelho
as pessoas à decisão por Jesus. Ao fim das e diminuir a apostasia.
duas primeiras semanas da campanha, mui- Existem atualmente várias iniciativas
tos interessados deverão ter tomado a sua que visam a edificar a fé dos novos conversos
decisão por Cristo e estarão aptos para o ba- que são alcançados na Missão Calebe. A Di-
tismo. visão Sul-Americana tem desafiado todas
Por ter crescido o número de calebes as igrejas do seu território a usar o Ciclo do
e equipes, faz-se necessário um plano de vi- Discipulado, programa de acompanhamen-
sitação pastoral por parte dos administra- to desenvolvido pelo Ministério Pessoal. Os
dores, departamentais, distritais, anciãos e mais recentes livros publicados na área do

94
DIVISÃO SUL-AMERICANA

QUANTIDADE DE CALEBES POR ANO

UNIÃO 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
UNIÕES BRASILEIRAS
UCB 868 1.006 2.200 2.200 8.540 7.786 9.461 11.754 5.030
UCOB 1.255 1.859 2.570 1.913 4.098 5.988 10.124 11.334 5.593
ULB 0 0 0 6.000 8.064 12.000 13.900 18.028 14.722
UNB 3.854 7.821 8.000 9.209 15.000 21.476 32.122 43.180 7.889
UNeB 8.821 10.610 7.221 8.521 14.920 11.086 16.223 18.121 10.016
UNoB 0 4.908 7.000 6.941 7.393 8.298 11.838 8.458 4.952
USB 467 2.655 3.500 5.256 7.500 13.859 16.577 17.556 11.507
USeB 866 1.793 2.000 2.631 2.021 2.828 3.058 3.727 3.668
Subtotal 16.131 30.652 32.491 42.671 67.536 83.321 113.303 132.158 63.377
UNIÕES HISPANAS
UA 24 1.603 2.000 3.620 300 346 1.466 593 792
UB 172 971 1.217 2.993 1.030 1.148 684 906 746
UCh 26 62 300 2.566 1.756 1.173 3.040 1.832 707
UE 1.258 2.322 2.500 2.000 1.957 633 873 1.195 282
UP 15 83 120 200 309 140 367 488 301
UPN 6.261 10.762 15.000 20.250 12.477 8.836 10.450 6.422 3.281
UPS 2.576 5.184 7.500 8.769 11.704 12.360 14.743 14.291 1.458
UU 30 0 0 400 56 80 205 196 322
Subtotal 10.362 20.987 28.637 40.798 29.589 24.716 31.828 25.923 7.889
TOTAL 26.493 51.639 61.128 83.469 97.125 108.037 145.131 158.081 71.266
Fonte: Ministério Jovem - DSA

discipulado apresentam os Pequenos Gru- var o detalhe da faixa etária dos calebes (16-
pos como sendo o ambiente ideal para o 30+). Não há aqui nenhum preconceito ou
desenvolvimento dos dons e a maturidade restrição exagerada. Apenas o ideal de orga-
espiritual. nização a fim de atingir um público específi-
co da igreja para esse projeto de discipulado
QUEM SÃO OS CALEBES? O QUE ELES e MISSÃO.
FAZEM? Há uma série de atividades em con-
Primeiramente, é importante entender junto que podem ser desempenhadas pelos
que o número ideal de jovens por equipe é calebes desde a preparação para o projeto,
de doze a quinze calebes, independente se além de atividades sociais nos locais do pro-
garotos ou garotas, e das suas idades e fun- jeto. Porém, nesse momento, o que importa
ções. é ater-se ao papel de cada um dos calebes
É muito importante, também, obser- em suas devidas funções dentro da equipe.

95
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

OS PARTICIPANTES SÃO
ORGANIZADOS EM EQUIPES COM
FUNÇÕES ESPECÍFICAS:
1. Líder – É o responsável direto pela não podem ministrar alguma palestra da
equipe de calebes. De preferência, deve ser campanha. É válido ressaltar que essa
escolhido dentro do corpo de líderes da igreja pessoa é responsável também por organizar
ou da sociedade de jovens. É fundamental a visitação dos calebes aos amigos que
que seja um membro regular da igreja frequentarão a série de evangelismo e
comprometido e dinâmico, a fim de conduzir orientá-los sobre como devem ministrar os
com tranquilidade o grupo. Esse líder deve estudos bíblicos nos lares.
ser maior de idade e ter a confiança da igreja 3. Instrutor da ECF – Entenda ECF
local e dos calebes. como Escola Cristã de Férias. Em alguns
O papel principal do líder é o de lugares do DSA já existe uma parceria entre
coordenador das atividades da equipe o Ministério Jovem e o Ministério da Criança
calebe. Desde sua preparação e saída de seus para a realização mais eficaz da Missão
lares para o local do projeto até seu retorno, Calebe. Então, foi desenvolvido a ECF
após a campanha. Durante esse período específica para o projeto. Dessa forma, as
evangelístico, o líder é o guia do grupo. Está crianças e juvenis não ficam ociosos durante
sobre ele o dever de cuidar dos horários do as pregações, pois haverá um material e
grupo (acordar, adorar, comer, visitar, dormir, programa específico para sua faixa etária.
etc.), bem como do seu bem-estar. Assim, é preciso escolher uma pessoa
2. Evangelista – É a pessoa que estará especialmente para tal tarefa. Essa pessoa é
à frente das palestras e pregações bíblicas, a instrutora da ECF. O ideal é que seja alguém
ele irá conduzir o calendário homilético do que tenha tato e paixão pelas crianças. Se
evangelismo. O calebe escolhido para essa possível, alguém que já tenha desenvolvido
função precisa ter conhecimento bíblico algum trabalho nessa área.
suficiente e desenvolvimento de oratória 4. Capelão – É o líder espiritual dos
para conduzir as pregações doutrinárias calebes. É desta pessoa a responsabilidade
da campanha evangelística. Se possível, de pastorear a equipe. Acompanhar a
é sempre válido convidar alguém que já devoção pessoal da garotada, estabelecer
tenha experiência neste sentido, como um os horários de culto em comunidade e
ancião, um evangelista leigo ou mesmo um os projetos de oração e enriquecimento
evangelista assalariado que já trabalha como espiritual da equipe.
obreiro ligado à igreja local ou à Missão/ É sempre válido que esse pessoal seja
Associação. escolhido com muito cuidado e oração, o
O fato de o evangelista ser o principal mesmo deve ser visto pelo grupo como um
palestrante não significa que outras pessoas referencial de espiritualidade, pois o exemplo

96
DIVISÃO SUL-AMERICANA

tudos bíblicos (endereços). Fazer banco de


precede a função.
dados de “amigos”.
5. Calebes – Estes são os demais
integrantes da equipe. Aqueles que estarão
3. Mídia, Tecnologia e Redes Sociais – (Se-
inseridos em todas as partes já citadas, sem
parar funções dentro da equipe).
liderá-las, mas com total envolvimento. Os
Antes:
calebes, dentre outras coisas, irão:
▪ Produzir ferramentas necessárias para o
• Arrumar o local do programa;
bom funcionamento do projeto, tais como:
• Visitar as pessoas em seus lares;
E-mail, Facebook, Instagram e Twitter.
• Participar da condução do progra-
▪ Blog / Vídeo.
ma de acordo com seus dons.
▪ PowerPoint.
Orar, cantar, recepcionar, ajudar a encontrar
Durante:
os textos bíblicos, etc.
▪ Monitorar o funcionamento do computa-
dor no louvor e mensagem.
▪ Postar as fotos, “stories” da programação.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES DA EQUIPE
Depois:
1. Recepção – (Recepcionistas treinados).
• Anotar os números de Whatsapp.
Antes: Receber as pessoas no estaciona-
• Cadastrar e-mails como contatos.
mento, à porta do local. Acompanhá-las até
• Convidar as pessoas para curtirem a
o banco e informar-lhes onde fica o banhei-
Fanpage e seguirem o twitter e Instagram.
ro e bebedouro (Se a igreja tiver placas in-
• Fazer cadastro de datas de aniversário
formativas, apenas indicá-las). O ideal é que
com lembretes.
haja pessoas sorridentes, simpáticas e extro-
• Alimentar as redes sociais com fotos, en-
vertidas na recepção.
quetes, etc.
Durante: Estender as boas vindas (Animação
e criatividade). Ter pessoas em lugares estra-
3. Decoração – (Específica para os Domin-
tégicos no local para congratular as pessoas
gos).
ao seu redor.
Antes: Preparar o ambiente até às 18h30.
Depois: Levar as pessoas até o salão para
a confraternização, puxar conversa com os
5. Logística
“amigos”, despedir-se no portão de saída.
Antes: Providenciar materiais requeridos por
alguma equipe.
2. Secretaria – (Uma mesa à porta de entra-
Durante: Atentar para detalhes como: copos,
da).
papel toalha, papel higiênico, etc.
Antes: Fazer cadastros dos amigos e arqui-
vá-los, tanto à porta quanto com as pessoas
6. Louvor / Banda / Coral
já assentadas nos bancos.
Antes: Ensaiar tanto músicas congregacio-
Durante: Continuar fazendo cadastros. Estar
nais quanto os louvores especiais, de acordo
atenta aos apelos para marcar os cadastros
com o tema de cada noite.
(oração, visitação, estudo, batismo).
Durante: Momento de louvor e músicas es-
Depois: Digitar cadastros, separar e organi-
peciais.
zar, para facilitar o trabalho de visitação e es-
7. Encenação – (Encenação de acordo com

97
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

o tema da noite). Durante: Orar.


Antes: Ensaios gerais. Depois: Receber da secretaria lista de no-
Durante: Apresentação no momento da en- mes que escolheram receber uma oração e
cenação (5 a 10’). orar por essas pessoas.

8. Fotografia 14. Estudos bíblicos


Antes: Fotografar. Depois: Receber da secretaria a lista dos en-
Durante: Fotografar. dereços daqueles que solicitaram um estudo
Depois: Encaminhar fotos para a equipe de bíblico. Espalhar pela equipe e iniciar os es-
mídia postar nas redes sociais. E, ao final de tudos.
cada projeto, fazer um mural de fotos. Para mais informações: www.missaocalebe.
org.br
9. Linguagem de sinais – (Ter, pelo menos,
um intérprete).
Antes: Fazer curso de LIBRAS. Tanto a equi-
pe como oferecer a todos os surdos conhe-
cidos.
Durante: Interpretar todos os momentos do
culto.
Depois: Continuar contato com os surdos e
oferecer-lhes estudos bíblicos.

SAMARIA
10. Esportes – (Ter algum profissional de
educação física).
Antes: Providenciar brincadeiras, campeo- PROJETO OYiM/
natos, etc.
Durante: Divulgar. UM ANO EM MISSÃO
Depois: Ajustar para executar.

11. Brindes – (Literatura cristã, produtos na- Não é possível definir se aqueles que
turais, etc). iam à Judeia e depois voltavam para Jeru-
Antes: Providenciar os brindes. salém ficavam angustiados. Mas quando um
Durante: Sortear. jovem participa da Missão Calebe, ao menos
três coisas acontecem:
12. Visitação • Ele volta com muito mais vigor
Depois: Receber da secretaria a lista dos en- para trabalhar na comunidade local;
dereços daqueles que requereram uma visita • Ele se dispõe a participar de outros
e visitá-los. projetos missionários;
13. Oração • Ele amplia os horizontes quanto ao
Antes: Providenciar lista, caderneta de ora- significado de “Salvar e Servir”.
ção, etc. Preparar uma sala exclusiva para Esse é o momento certo de encarar
oração durante o programa. um desafio ainda maior.

98
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Um Ano em Missão (One Year in Mis- METODOLOGIA


sion – OYiM) é um projeto missionário onde O projeto tem a Bíblia como funda-
o jovem é capacitado para ser um multipli- mento e o Espírito de Profecia como supor-
cador de seu aprendizado, tendo a MISSÃO te. Ele é estruturado nos pilares da COMU-
como seu estilo de vida. NHÃO, RELACIONAMENTO E MISSÃO, e usa
Cristo sabia que quando desafiasse os o método de Jesus como base para o evan-
cristãos do primeiro século para ir à Samaria gelismo eficaz.
haveria muita resistência. Não dá para alon- “Unicamente o método de Cristo trará
gar muito aqui, mas em resumo, Samaria era verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O
um lugar “mundano”, tido como inapropria- Salvador misturava-Se com os homens como
do para um servo de Deus. E os discípulos uma pessoa que lhes desejava o bem. Mani-
nem queriam entrar lá. festava simpatia por eles, ministrava-lhes às
O OYiM nem sempre será tão desafia- necessidades e granjeava-lhes a confiança.
dor. Mas dedicar um ano da vida para estar Ordenava então: ‘Segue-Me’. João 21:19” (A
com pessoas, atividades e lugares, que ou- Ciência do Bom Viver, p. 49).
trora eram desconhecidos, normalmente não Esse método pode ser utilizado em
é confortável. Daí a importância de antes de- qualquer lugar e em qualquer época, e pode
senvolver seus talentos em Jerusalém, e sua ser entendido nos termos que compõe o tri-
resiliência na Judeia. pé evangelístico eficiente:
Spoiler não é nada legal, mas é certo • Projetos (para servir aos outros em
que um ano depois, você vai procurar “outra suas necessidades e conhecê-los melhor).
Samaria” para pregar. • Pequenos Grupos (para desenvol-
vimento de laços de amizade, convivência e
O QUE É O PROJETO OYiM? ensino).
O projeto One Year in Mission (Um • Estudos Bíblicos (para comparti-
Ano em Missão) foi desenvolvido para en- lhar a mensagem de salvação e ensinar os
volver os jovens adventistas no cumprimen- novos conversos a se envolverem na salva-
to da MISSÃO deixada por Jesus para cada ção de outras pessoas).
um de nós em Mateus 28:18-20, incentivan- Esses pilares podem ser realizados
do e apoiando-os a dedicar um ano de ser- em diferentes roupagens e com diferentes
viço integral a Deus através de capacitação abordagens, mas sempre com base no dis-
e evangelismo prático, exercendo o objetivo cipulado. Afinal, mais do que trazer novos
do Ministério Jovem, que é salvar do pecado membros para a Igreja, o jovem adventista
e guiar no serviço, motivando-os a despertar é chamado por Jesus para fazer discípulos
para uma vida em MISSÃO, sem importar a de Cristo.
profissão ou a área de atuação dos partici-
pantes, deixando um legado de amor e disci- OBJETIVOS/PROPÓSITOS
pulado nas comunidades em que estiverem • Proporcionar uma formação mis-
inseridos. sionária que assegure o desenvolvimento do
“Ser missionário requer algo mais do jovem em suas potencialidades como ele-
que simplesmente decidir participar de uma mento inicial de autorrealização e qualifica-
aventura!” (Passaporte para a Missão, p. 27). ção para o exercício de seus dons.

99
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

• Capacitar o jovem para crescer em por meio do serviço comprometido.


relacionamento com Deus, através de treina- • Ensinar a pensar a igreja a partir de
mentos teórico-práticos e vivência daquilo uma visão missionária e saudável.
que se aprende. Um ensino que transforma
o caráter e a vida do jovem como um todo, PERFIL DO CANDIDATO
antes de alcançar os outros. Todo aspirante ao projeto Um Ano em
• Promover envolvimento efetivo Missão. Deve-se cumprir os seguintes requi-
dos jovens missionários com a igreja local, sitos:
encorajando-os a ser multiplicadores de seu • Envolvimento com a MISSÃO: de-
aprendizado, motivando outros a participar ve-se priorizar missionários que já viveram
da pregação do Evangelho: algum tipo de experiência missionária na
• Despertar o interesse para alcan- igreja local ou fora dela (Missão Calebe, du-
çar os não-alcançados, capacitando o jovem plas missionárias, etc.). Tais experiências po-
a influenciar todas as áreas da sociedade derão contribuir com ideias e reflexo com-

100
DIVISÃO SUL-AMERICANA

portamental para o bom desenvolvimento ral do projeto: é importante que os dons e


da MISSÃO. características do candidato se coadunem
• Envolvimento com a igreja: é im- com o público alvo e a localidade que se
portante avaliar o envolvimento prévio do deseja alcançar. Ressaltamos que isso pode
candidato com sua igreja local e seu campo. corresponder à potencialidade e não às ha-
E entende-se que o verdadeiro missionário, bilidades já consolidadas. O mais importante
independentemente de circunstâncias ou nesse processo será a sensibilidade da lide-
localidade, age como servo de Deus, sendo rança e do coordenador para enxergar o po-
assim, um membro ativo e benquisto por to- tencial de cada candidato.
dos. • Espírito de equipe: a convivência
• Equilíbrio da equipe: é prioridade dentro de um projeto de longo prazo chega
para o projeto que a equipe seja formada de a ser exaustiva. Todas as atividades são rea-
maneira balanceada, considerando os vários lizadas em grupo. Escolher alguém que não
aspectos de cada participante, como: quan- tenha facilidade nem disposição de trabalhar
tidade de homens e mulheres no grupo, ida- com outras pessoas e que tenha problemas
de (respeitando o limite entre 18 e 35 anos) de convivência e relacionamento é um risco
e habilidades (lembrando que o jovem deve para o bom andamento do projeto, possibili-
ter completado o Ensino Médio). Uma equi- tando brechas para ataques de Satanás:
pe equilibrada é primordial para a plenitude • Liderança: o missionário do projeto
na convivência do trabalho e crescimento precisa ter características de um bom líder
mútuo dos participantes. (coragem, iniciativa, facilidade de motivação,
• Estar de acordo com o objetivo ge- automotivação, persistência, etc.). Espera-se

101
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

que o mesmo seja responsável por replicar o em sua região de origem, capacitando-os a
projeto em seu distrito de origem. Por isso, é fazer discípulos onde quer que estejam. O
preciso ver no aspirante um líder formado ou primeiro projeto aconteceu no primeiro se-
um líder em potencial. mestre de 2013, na cidade de Nova Iorque,
Estados Unidos, e contou com a participa-
COMO PARTICIPAR? ção de 14 jovens, um representante de cada
O pastor distrital é o responsável pelo Divisão e um da União do Oriente Médio e
recrutamento com o apoio e o acompanha- Norte da África (MENA). Como pioneira, a
mento do departamental do seu campo. O Divisão Sul-Americana contou com a parti-
interessado deve ser recomendado pelo seu cipação da jovem brasileira Liz Motta, que
pastor e por sua igreja local ao ministério teve a responsabilidade de replicar o projeto
jovem da Associação/Missão, e este, sob a no território sul-americano, feito este que se
orientação da administração, fará a seleção concretizou no primeiro semestre de 2014,
dos voluntários. na cidade de Montevidéu, Uruguai, tendo a
própria Liz Motta como coordenadora, o Pr.
COMO TUDO COMEÇOU? Kevin Choque como capelão e 17 jovens re-
O projeto Um Ano em Missão, com presentando as Uniões que compõem a DSA
enfoque nas grandes cidades, nasceu no co- (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Pa-
ração de dois líderes da Associação Geral, a raguai, Peru e Uruguai). O êxito do projeto,
saber, Pr. Ted Wilson e Pr. Gilbert Cangy, com em Montevidéu (2014), levou a Divisão Sul-
base na leitura do livro de Ellen G. White -Americana a seguir replicando o projeto em
intitulado “Ministério para as grandes cida- todo o seu território e seguir mantendo uma
des”. Criou-se, assim, o projeto One Year in equipe por ano no próprio nível de Divisão.
Mission (OYiM), com o propósito de envol-
ver os jovens adventistas no cumprimento COMO O PROJETO ACONTECE:
da MISSÃO deixada por Jesus para cada um O projeto para grandes cidades tem
de Seus filhos, e isso mediante capacitação como base o evangelismo, enfoque nas gran-
e evangelismo prático. Para formar uma for- des cidades, escola de MISSÃO e movimento
ça-tarefa modelo, foi solicitado um repre- multiplicador, trabalho este que se desdobra
sentante de cada Divisão, para que esses em:
representantes possam multiplicar o projeto • Incentivo e apoio aos jovens ad-
102
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ventistas a dedicar um ano de serviço inte-


gral a Deus, cumprindo assim a MISSÃO dei- INDO AOS CONFINS DA TERRA
xada por Jesus.
• Despertamento para uma vida em
MISSÃO, independentemente da profissão SVA/SERVIÇO
ou área de atuação dos participantes, ou
seja, não importa a que o jovem se dedicará
VOLUNTÁRIO
após o projeto, ele será um missionário em ADVENTISTA
sua área de atuação.
• Preparo e capacitação de lideran- Depois de receberem poder do alto
ça missionária. A capacitação acontece nas em Jerusalém, saírem à Judeia e pregarem
primeiras semanas e é liderada pela união/ em Samaria, a ordem seguinte foi: “ide aos
campos e continua durante toda a duração confins da Terra”.
do projeto. A capacitação inclui treinamento Entender essa colocação por comple-
para evangelismo público, liderança, plantio to requer um certo grau de contextualização
de igrejas, projetos comunitários, pequenos à época. Como o espaço é pouco, entenda-se
grupos, estudos bíblicos, estruturação e fun- que essa comissão não era nada fácil para os
cionamento de Centros de Influência (cen- discípulos e os crentes do século I. Na sua
tros de apoio) e, o mais importante, discipu- maioria eram pessoas comuns, sem recursos
lado. materiais, sem conhecimentos linguísticos, e
Para mais informações, acessar: www. o pior, sem visão missionaria alargada — Mui-
oyim.org tos pensavam que pregar em Jerusalém era
suficiente, e que Cristo viria naqueles dias.
Afinal, como “sair da caixinha”. Como
mudar a chave para outra perspectiva. Como
adentrar em outras culturas e povos para
pregar sobre o Cristo.
Livro: Passaporte para a Missão Fora através do serviço que os pio-
neiros assim fizeram. Auxiliando, amparan-
do e confortando os pobres, órfãos e viúvas;
assim os crentes em Jesus iam ensinando e
pregando as boas novas.
Não fora sem propósito que Paulo
declarou que o “amor é o dom sublime”. O
A liderança deve motivar os seus jo-
amor fala todos os idiomas, quebra qualquer
vens a fazerem a pré-inscrição no OYiM no
barreira, transpõe as diferenças e alcança os
site!
corações mais endurecidos.
Assim, nos dias atuais, há muitos, mui-
tos, muitos lugares, onde o amor será a única
arma para a evangelização. Sobretudo em
tempos de guerras e conflitos políticos uni-
versais, que trazem ao momento presente a
103
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

no sertão nordestino brasileiro, ou


nas vilas remotas da Bolívia. A grande
comissão ganha uma nova cara, uma
roupagem diferenciada, uma estraté-
gia inovadora: esses missionários con-
tinuam como discípulos evangelistas,
mas agora são chamados de VOLUN-
TÁRIOS.
O Serviço Voluntário Adventis-
ta (SVA), da Igreja Adventista do Séti-
mo Dia na América do Sul, o SVA é um
programa oficial da Igreja Adventista
do Sétimo Dia, com o propósito de
disponibilizar, de forma organizada,
oportunidades de serviço voluntário
temporário para adventistas jovens e
adultos, estudantes e profissionais, em
regiões necessitadas do mundo, auxi-
maior crise imigratória da história do planeta
liando a igreja na proclamação do evangelho.
Terra.
Saiba mais em: www.adventistas.org/
É o caso da famosa janela 10x40, onde
pt/voluntarios
religiões como o Budismo, o Hinduísmo, o
Xamanismo e a religião Muçulmana predo-
minam como crença; e governos autoritários
— seja o Comunismo chinês; e/ou o Islamis-
mo dos países árabes — dificultam a liber-
dade religiosa. Pregar é sinônimo de amar,
cuidar, auxiliar, etc.
Lugares que ficam tão longe e às ve-
zes os que estão tão perto, como nas fave-
las das grandes cidades da América Latina,
ESCOLA DE MISSÕES
SEND ME
O SVA tem como objetivos: A escola de missões é um ministério
educacional da Igreja Adventista do Sétimo
1. Divulgar o programa do
Dia que busca formar, treinar e enviar ho-
SVA e suas oportunidades de serviço;
2. Criar e coordenar projetos mens e mulheres a cumprir sua parte na MIS-
de serviço que apoiem o programa da
SÃO de proclamação do evangelho eterno. A
missão;
3. Capacitar os futuros volun- escola de missão oferece um curso no perío-
tários para a adaptação cultural e para o do de um ano designado para dar instruções
cumprimento da missão.
e treinamento de voluntários com base nos

104
DIVISÃO SUL-AMERICANA

métodos divinos para servir na proclamação Missão: Formar, habilitar e multiplicar


do evangelho a todo mundo. missionários para o cumprimento da MISSÃO
“O Senhor convida os nossos jovens de proclamação do evangelho de Cristo.
para ingressarem em nossas escolas e pre- Visão: Ser uma escola de excelência
pararem-se rapidamente para o Seu serviço. na formação de missionários dedicados à
Devem ser fundadas escolas em vários luga- proclamação do evangelho.
res, fora das cidades, onde os nossos jovens CURRÍCULO
recebam instrução que os prepare para a
obra de evangelização e médico-missioná- INTRODUÇÃO A MISSÕES:
ria”. (Conselhos Sobre Saúde, 395.) • Que são missões?
“Precisa-se agora de obreiros evange- • Para que missões?
listas médico-missionários. Não podeis dedi- • Onde fazer missões?
car anos ao vosso preparo. Logo portas que • Como fazer missões?
agora estão abertas haverão de fechar-se • Quem deve fazer missões?
para sempre. Proclamai a mensagem agora. • Questionário de revisão.
Não espereis, dando com isso oportunidade
a que o inimigo se aposse do campo que está DESAFIOS DA
agora ao vosso alcance. Grupos pequenos EVANGANGELIZAÇÃO MUNDIAL
devem ir fazer o trabalho de que Cristo in- • Panorama mundial.
cumbiu os Seus discípulos. Trabalhem como • A situação religiosa.
evangelistas, disseminando a nossa litera- • Principais desafios.
tura, e falando da verdade às pessoas que • Sua atitude diante dos desafios.
encontrem. Orem pelos doentes, provendo-
-lhes as necessidades, não com drogas, mas BASES BÍBLICAS DE MISSÕES
com remédios naturais, ensinando-lhes a re- • O início – resposta de Deus.
cuperar a saúde e evitar a doença”. (Serviço • A chamada: um homem.
Cristão, 128.) • A tipificação: um povo.
• A aprovação: o nascimento de Jesus.
• O maior missionário.
• A prática: atos dos apóstolos.

“Com tal exército de obreiros


• Quadro final da ação missionária.
como o que poderia fornecer a
nossa juventude devidamente A IGREJA LOCAL E MISSÕES
preparada, quão depressa a men-
• O que significa igreja local.
sagem de um Salvador crucificado,
ressuscitado e prestes a vir poderia • Destruindo os mitos da obra mis-
ser levada ao mundo todo! Quão sionária da Igreja local.
depressa poderia vir o fim - o fim
• O envolvimento da igreja local com
do sofrimento, tristeza e pecado!”
Educação, p.271 a obra missionária.

HISTÓRIA DE MISSÕES
• Cristianismo e missões.
• O avanço missionário.

105
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

• Os primeiros missionários. • Povos inalcançados, mas não inal-


• A igreja ao longo da história. cançáveis.
• O declínio missionário. • A identificação do missionário com
• A Igreja hoje. o povo.
• A importância dos povos para
MISSÕES TRANSCULTURAIS Deus.
• Definido missões transculturais. • A realidade do mundo não alcan-
• A visão teológica transcultural. çado.
• O preparo do missionário transcul- • Para onde enviar nossos missioná-
tural. rios.
• A importância da estratégia para
MISSÕES POR FAIXAS ETÁRIAS os missionários.
• Definindo as faixas etárias. • Onde estão os povos não alcança-
• Primeira faixa etária (0 a 5 anos). dos?
• Segunda faixa etária (6 a 9 anos). • O missionário e a comunidade.
• Terceira faixa etária (10 a 15 anos). • Considerando as religiões da janela
• Quarta faixa etária (16 a 21 anos). 10/40.
• Quinta faixa etária (22 a 30 anos). • A importância da oração para al-
• 30 anos em diante. cançar os povos não alcançados.
• A oração amplia o alcance missio-
ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA nário da igreja.
• Definição.
• Aprendendo o que é cultura. DISCIPULADO
• Cultura e sociedade. • O discípulo.
• Definições de culturas. • O discipulador.
• Conhecendo algumas cosmovi- • O método.
sões.
• O missionário e as diferenças cul- CERTIFICADO
turais. Após a conclusão do curso da escola
• O missionário e o choque cultural. de missões SEND ME, tendo cumprido satis-
• A importância da etnografia. fatoriamente as disciplinas e a carga horária
• Grupos humanos. requerida, será concedido ao aluno um cer-
• O etnocentrismo. tificado de conclusão da Escola de Missões
• Contextualização. pelo Associação/Missão.
• O missionário e a contextualização Cada aula tem sua particularidade e
do evangelho dentro das cosmovisões. utilidade no campo missionário, por isso a
presença e pontualidade são essenciais. A
POVOS NÃO ALCANÇADOS falta é dada se o estudante estiver mais de
• Janela 10/40: O grande desafio 30 minutos atrasado para a aula.
missionário da igreja.
• A importância de se conhecer um
povo.

106
DIVISÃO SUL-AMERICANA

QUALIFICAÇÃO vidos com outras atividades missionárias.


1. Ter completado o Ensino Médio ou • Ser pontual em todas as aulas (ver
ter algum certificado de conclusão equiva- orientação para presença).
lente. • Não é permitido levar alimento
2. Ter 16 anos de idade ou mais. para a sala de aula, apenas água.
As exceções devem ser aprovadas • Manter a sala de aula limpa e orga-
pela comissão de coordenação da Escola de nizada e não deixar os pertences na sala de
Missões. aula.
• Uma vez que o vestuário apropria-
ORIENTAÇÕES GERAIS do ajuda a criar um ambiente apropriado
• Cada aluno será responsável por para o aprendizado, pedimos que os estu-
providenciar seu próprio material didático, dantes venham às aulas com vestes modes-
bem como caderno, canetas, lápis para re- tas.
gistros e anotações. • Para facilitar o ritmo de aprendi-
• O comparecimento semanal à igre- zagem de cada participante, espera-se que
ja e o envolvimento nas atividades missio- evitem conversas paralelas, e não utilizem
nárias promovidas pelo ministério jovem é meios de comunicação, como celular, duran-
parte da educação recebida na Escola de te as aulas.
Missões, então conta-se com a presença e • Aproveitar o máximo de todas as
participação de todos os alunos a menos aulas, pois será muito útil no campo missio-
que tenham justificativas ou estejam envol- nário.

“Em termos de missões mundiais,


os jovens formam o maior, mais
crucial e mais dinâmico “grupo
de pessoas não alcançadas” no
mundo ... [a juventude] deve ser a
primeira missão “estrangeira” da
igreja”.

DICA DE LEITURA
BORGMAN Dean, When
Kumbaya is not Enough – A
Practical Theology for Youth
Ministry. Peabody, MA: Hen-
drickson Publishers, 1997.

107
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 6

108
DIVISÃO SUL-AMERICANA

adoração e na missão da igreja e, em con-


trapartida, há pouca disposição da liderança
JA para incluir adultos em suas atividades e
O MINISTÉRIO JA NA de envolver os jovens nos projetos missioná-
rios. O programa da igreja e o programa do
IGREJA LOCAL ministério jovem operam em direções opos-
tas ou paralelos. Em muitos casos, os jovens
As ações da igreja local para envolver formam uma “igreja jovem” que funciona
os jovens precisam ser intencionais. Os líde- até mesmo em um prédio e/ou horários di-
res devem fazer todos os esforços para que ferentes da “igreja dos adultos”. Esse mode-
os jovens sejam tratados como parte real da lo produziu em várias partes do mundo uma
igreja, um esforço conjunto para criar uma geração que se acostumou a operar separa-
comunidade inclusiva. O ancião JA e o Líder damente da igreja e que quando chegou à
JA devem trabalhar em harmonia com o pas- idade adulta, abandou a fé por considerar a
tor e demais líderes da igreja para incluir os igreja irrelevante.
jovens em todos os aspectos da comunidade
LO
e convidá-los para servir em comissões, além GREJA CAL
I
de ouvir as suas contribuições na construção
do plano de ação da igreja local.
JOVENS
Um diagnóstico rápido pode identifi-
car se determinada igreja segue o modelo
“Mickey Mouse de uma orelha”, o qual des-
creve um posicionamento estranho do mi-
nistério jovem, que enfraqueceu o discipula- O modelo ideal, o ministério jovem no
do de jovens e o crescimento da igreja em coração da igreja, é resultado de uma igreja
várias partes do mundo, ou o modelo ideal, que projeta a adoração, a missão e vida em
que posiciona o ministério jovem no coração comunidade tendo as faixas etárias em men-
da igreja local. te (modelo intergeracional). Essas igrejas
também se certificam de que estão investin-
do do seu orçamento nas ações do ministério
JOVENS
jovem. Elas fazem isso, por exemplo, dando
aos jovens um lugar e/ou um horário onde
IGREJA eles possam se encontrar regularmente e in-
LOCAL vestindo do orçamento da igreja local para
treinar e equipar os jovens para a missão. Ao
garantir que os jovens tenham um espaço
para a Escola Sabatina Jovem e um horário
O modelo “Mickey Mouse de uma ore-
fixo para o culto jovem, a igreja mostra que
lha” parece sugerir que o ministério jovem
os valoriza. A igreja também está seguindo
é uma unidade independente da igreja. Não
o modelo ideal quando incentiva todas as
existe um esforço da parte da igreja para in-
faixas etárias a participarem das atividades
cluir elementos que conectem os jovens na
promovidas pelos jovens. Nessas igrejas, po-
109
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

de-se perguntar a qualquer membro o que nas reuniões da comissão de nomeações.


os jovens estiveram fazendo no último mês • Incluir os jovens como oficiais da
e eles poderão responder com precisão. Os igreja, não apenas no ministério jovem, mas
anciãos e demais líderes conhecem os pro- também como ancionato, diaconato, e ou-
gramas e ações do ministério jovem e acom- tros cargos de destaque.
panham as suas reuniões para sociabiliza- • Ouvir os jovens na construção do
ção. Todos os esforços da liderança devem plano de ação anual.
ser feitos para mover os jovens de fora para • Convidar jovens responsáveis para
dentro e fazê-los sentir-se cuidados e impor- assistir à comissão da igreja.
tantes. “Os que serviram seu Mestre quando
As seguintes perguntas serão res- a obra era difícil, que suportaram a pobreza
pondidas neste capítulo: Como a igreja local e permaneceram fiéis quando poucos havia
pode ajudar os jovens? Como reposicionar o ao lado da verdade, devem ser honrados e
ministério jovem no coração da igreja local? respeitados. O Senhor deseja que os obrei-
Quais são os objetivos do ministério jovem ros mais jovens ganhem sabedoria, fortaleza
na igreja local? Qual a estrutura necessária e maturidade pela associação com esses ho-
para garantir o sucesso do ministério jovem? mens fiéis. Que os homens mais jovens sin-
Quais itens devem compor o plano de ação tam que ter entre eles tais obreiros lhes re-
anual? presenta um alto favor. Dêem-lhes um lugar
de honra em seus concílios”. (Ellen G. White,
COMO A IGREJA LOCAL PODE Atos dos Apóstolos, p. 321.2)
AJUDAR OS JOVENS?
Embora muitos jovens estejam par-

2
Dar-lhes a oportunidade de par-
ticipando ativamente no trabalho da igreja,
ticiparem ativamente nas dife-
um fato que também tem sido percebido é
rentes atividades e programas da
que a igreja tem perdido muitos dos mem-
igreja.
bros jovens. Há diversas razões, de acordo
• Envolvê-los nas atividades dos cul-
com pesquisas recentes entre jovens adven-
tos e na pregação.
tistas, que estão relacionadas com o aban-
• Animá-los e desafiá-los a se torna-
dono da fé, mas em grande medida a falta de
rem professores na Escola Sabatina, lideran-
atenção por parte da liderança da igreja está
ça de ministérios de serviço e de projetos
em evidência.
especiais de missão.
A seguir são apresentadas algumas
• Dar a eles a coordenação de pro-
sugestões daquilo que os anciãos e a igreja
gramas especiais da igreja, como Semana
podem fazer para ajudar os jovens, dar-lhes
Santa, Semana de Oração, Batismo da Pri-
atenção e mantê-los na igreja:
mavera, Evangelismo de Colheita, Impacto
Esperança, etc.

1
“Os experimentados obreiros de hoje
Dar aos jovens a oportunidade de
fazem nobre obra quando, em vez de procu-
participarem na construção do
rarem levar todos os encargos sozinhos, pre-
plano de ação da igreja local.
param obreiros
mais jovens e colocam res-
• Incluir representantes dos jovens ponsabilidades sobre seus ombros”. (Ellen G.
110
DIVISÃO SUL-AMERICANA

White, Atos dos Apóstolos, p. 205.1) obra para que estiverem habilitados!” (Ellen
G. White, A Igreja Remanescente, p. 13.6)

3 Equipá-los e treiná-los.

• Encorajá-los e apoiá-los para assis-


4 Dar-lhes apoio.

tirem a seminários, retiros, acampamentos, • Unindo-se a eles nos desafios e par-


ou quaisquer atividades relacionadas com ticipando do Culto Jovem.
os jovens, que os ajudem a aprender e de- • Destinando um percentual do orça-
senvolver seus talentos. mento da igreja ao Ministério Jovem.
• Conduzir seminários para eles. “O talento juvenil, bem organizado e
• Ensiná-los a pregar e desenvolver as bem educado, é necessário em nossas igre-
demais funções e atividades da igreja. jas. Os jovens farão alguma coisa com suas
“Temos hoje um exército de jovens transbordantes energias. A menos que essas
que, se for convenientemente dirigido e ani- energias sejam dirigidas por condutos cer-
mado, muito poderá fazer [...] Queremos que tos, serão pelos jovens usadas de maneira
desempenhem uma parte em bem organi- que ferirá sua própria espiritualidade e se
zados planos para auxiliarem outros jovens. demonstrará um mal àqueles com quem se
Sejam eles de tal maneira preparados que associam”. (Ellen G. White, Obreiros Evangé-
possam corretamente representar a verda- licos, p. 211.1)
de, dando a razão da esperança que neles
há, e honrando a Deus em qualquer ramo da

111
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

5
um ambiente apropriado para a vida em co-
munidade. Porém, antes de tudo, necessitam
Ser cordial com eles.
ser um local caloroso, com amor e aceitação,
com cultos e programas criativos, inovado-
• Aceitá-los como são. res e relevantes. Isso é fundamental para fa-
• Não criticar sua aparência e o zer o jovem ficar. Transmite uma mensagem
modo de ser diferentes como jovens. de alegria e graça. A maior motivação surge
• Demonstrar disposição para atuar quando os jovens veem que a igreja, verda-
como um amigo e conselheiro e não como deiramente, se importa com eles.
um fiscal.
“Os que esperam ter sucesso na edu- OS OBJETIVOS DO MINISTÉRIO
cação dos jovens devem aceitá-los como JOVEM ADVENTISTA
são, não como deviam ser nem como serão A igreja trabalha para e com sua ju-
quando saírem de sob sua instrução”. (Con- ventude por meio do ministério jovem ad-
selhos sobre Educação, p. 34.1) ventista. A juventude deve trabalhar unida,
em cooperação com o restante da igreja,
para o desenvolvimento de um ministério

6
jovem forte, que inclua o crescimento espi-
Atender as necessidades de
ritual, mental e físico de cada indivíduo, so-
sociabilização dos jovens.
ciabilização e um programa intencional de
discipulado em apoio aos planos missioná-
• Os jovens necessitam se sociabili-
rios gerais da igreja. O objetivo do ministério
zar com outros jovens, com quem aprendem jovem adventista é envolver todos os jovens
lições de vida e, também, a viver em harmo- em atividades que façam deles membros ati-
nia. Cheios de energia, que precisa ser cana- vos da igreja e os capacitem para a missão.
lizada para atividades positivas. O Manual da Igreja, p. 108, afirma que
• É preciso prover a eles noites so- deve haver um ministério jovem adventista
ciais, atividades pela natureza, atividades es- ativo em cada igreja e ressalta que é impor-
portivas e retiros. tante que a programação dos jovens não es-
“A mais bela obra já empreendida por teja isolada do restante da igreja. Além de
homens e mulheres, é
lidar com espíritos jo- sua participação no ministério jovem, os jo-
vens. [...] Bem poucos há que compreendam vens devem estar engajados em responsabi-
as mais essenciais necessidades do espírito, lidades de liderança e em todos os ramos de
e a maneira por que devam dirigir o intelecto atividades da igreja. Como anciãos jovens,
em desenvolvimento, o pensar e sentir cres- diáconos e diaconisas, por exemplo, eles po-
centes dos jovens”. (Conselhos sobre Educa- derão trabalhar e aprender com líderes ex-
ção, p. 1.1) perientes.
As igrejas locais podem se tornar o Os líderes JAs que têm a visão correta
eixo para o discipulado intencioal das novas compreendem que o ministério jovem está
gerações – um lugar para treinamento e nu- voltado para a igreja local e lembra aos jo-
trição, e a base para as ações missionárias vens (e a si mesmos!) que o ministério jovem
e de compaixão pela comunidade, além de não é a igreja.  É um ministério da igreja.  O

112
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ministério jovem se distancia do seu objetivo vação a seus semelhantes” (Obreiros Evan-
quando assume uma vida própria, com obje- gélicos, p. 67).
tivos ou uma agenda separada dos demais
ministérios da igreja.  Os líderes JAs devem O LÍDER JA E SUA EQUIPE DE DIREÇÃO
incentivar os jovens e os membros das equi- Ao estudar este manual, pode-se per-
pes JAs a participarem do culto de adoração ceber que são grandes os desafios do líder
no sábado pela manhã, dos cultos de oração JA e da sua equipe. Nesta seção, o líder JA
e evangelístico e devem treinar e equipar os vai conhecer as atribuições da sua equipe,
jovens para as ações missionárias da igreja, e poderá, a partir dessa orientação, montar
além de, intencionalmente, lembrar que eles uma agenda de trabalho para sua igreja lo-
não estarão no “ministério jovem” pelo resto cal.
de suas vidas. Os jovens do século XXI são extrema-
As palavras de Ellen G. White resu- mente exigentes e têm muita energia para
mem de forma objetiva a importância dos gastar. Como visto nos capítulos anteriores,
jovens na missão da igreja: eles se movem por uma causa e estão dis-
“Para que a obra possa avançar em postos a investir tempo, dinheiro e seus ta-
todos os ramos, Deus pede vigor, zelo e co- lentos em projetos que os levem ao protago-
ragem juvenis. Ele escolheu a juventude para nismo na missão da igreja.
ajudar no progresso de sua causa. Planejar A característica mais marcante de um
com clareza de espírito e executar com mãos líder JA com êxito é a sua capacidade de
valorosas, exige energias novas e sãs. Os jo- formar uma equipe de trabalho onde cada
vens, homens e mulheres, são convidados a membro saiba exatamente o que precisa fa-
consagrar a Deus a força de sua juventude, zer para a eficácia dos projetos, ações e pro-
a fim de que, pelo exercício de suas faculda- gramas. O líder JA que decide trabalhar so-
des, mediante vivacidade de pensamento e zinho, acabará cansado pela sobrecarga de
vigor de ação, possam glorificá-lo e levar sal- atividades, isolado, com forte oposição dos
jovens e dos demais líderes da igreja
e frustrado por não ter alcançado as
metas estabelecidas para o ano.
“Para que a obra possa avançar em todos Para que se organize uma
os ramos, Deus pede vigor, zelo e coragem equipe de sucesso, seguem algumas
juvenis. Ele escolheu a juventude para ajudar sugestões de atribuições e ativida-
no progresso de sua causa. Planejar com cla-
des que devem ser desenvolvidas
reza de espírito e executar com mãos valo-
rosas, exige energias novas e sãs. Os jovens, individualmente pelos membros da
homens e mulheres, são convidados a con- equipe JA. O líder pode redefinir fun-
sagrar a Deus a força de sua juventude, a fim ções, mas o importante é implemen-
de que, pelo exercício de suas faculdades,
mediante vivacidade de pensamento e vigor
tar estratégias claras e acompanhar o
de ação, possam glorificá-lo e levar salvação trabalho de cada membro da equipe.
a seus semelhantes” Lembre-se: uma equipe bem orga-
Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, p. 67
nizada e um trabalho bem dividido
produzem maiores resultados com
menor desgaste.

113
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

AS ATRIBUIÇÕES DO LÍDER JA DA IGREJA LOCAL:


• Promove o envolvimento dos jovens nas atividade do ministério, e também nas
demais atividades da igreja;
• Coordena na igreja local o Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL JA) e
incentiva o cumprimento dos requisitos para a investidura em líder JA;
• Fortalece a causa, os ideais e a visão de discipulado em todos os planos e pro-
gramas;
• Representa os jovens na comissão da Igreja;
• Convoca e dirige a comissão executiva JA;
• Lidera a construção do plano de ação JA;
• Representa os jovens nas atividades da Associação/Missão;
• Mantém contato constante com o coordenador JA;
• Avalia periodicamente as atividades do ministério;
• Coordena os projetos, ações, programações e atividades recreativas;
• Distribui tarefas na realização de programas;
• Promove seminários com debate de temas jovens;
• Prepara a agenda do ministério;
• Promove os eventos do ministério;
• Visita os seus liderados.

114
DIVISÃO SUL-AMERICANA

AS ATRIBUIÇÕES DOS LÍDERES eventos promovidos pelo ministério jovem;


ASSOCIADOS DA IGREJA LOCAL • Apresenta os demonstrativos fi-
• Substituem o Líder JA quando ele nanceiros no final de cada mês à diretoria do
está ausente; ministério.
• Apoiam o cumprimento do plano
de ação JA; AS ATRIBUIÇÕES DO ANCIÃO JA
• Colaboram na organização e coor- • Serve como membro da diretoria
denação das atividades realizadas. do Ministério Jovem e da comissão da igreja;
• Convoca membros da comissão • Familiariza-se completamente com
executiva JA, quando solicitado; os objetivos e os métodos das ações do Mi-
• Estão sempre dispostos a colabo- nistério Jovem;
rar com o líder JA. • Aconselha o líder JA e os demais
membros da equipe JA;
AS ATRIBUIÇÕES DO SECRETÁRIO JA DA • Apresenta, ao lado do líder JA, as
IGREJA LOCAL informações à comissão da igreja, regular-
• Gerencia o cadastro do Ministério mente, com respeito às necessidades, inte-
Jovem no Sistema JA (S-JA) e mantém o re- resses e do andamento do plano de ação JA;
gistro dos membros atualizado; • Serve como conselheiro dos jo-
• Lembra os responsáveis das obri- vens da igreja, para que possam procurá-lo
gações e datas que envolvem o cumprimen- em busca de conselhos para seus problemas
to do plano de ação JA; pessoais.
• Mantém as anotações de decisões
e planos do ministério; OUTRAS FUNÇÕES IMPORTANTES NO
• Providencia certificados para aque- MINISTÉRIO JOVEM DA IGREJA LOCAL
les que concluem a leitura dos livros do clu- a) Coordenador Espiritual ou Capelão
be do livro JA e/ou Ano Bíblico; • Coordena o funcionamento da Es-
• Elabora e envia as correspondên- cola Sabatina Jovem;
cias do ministério; • Serve como instrutor ou indica al-
• Organiza homenagem aos aniver- guém para ministrar os estudos bíblicos na
sariantes; classe bíblica JA;
• Envia os relatórios para a Associa- • Coordena a participação dos jov-
ção/Missão. ens nos programas da igreja;
• Coordena os responsáveis pela
AS ATRIBUIÇÕES DO TESOUREIRO DO mensagem no culto jovem;
MINISTÉRIO JOVEM DA IGREJA LOCAL • Auxilia o líder JA na organização
• Recebe e repassa ao tesoureiro da da semana de oração JA;
igreja todos os fundos do ministério; • Promove o projeto #PrimeiroDeus
• Mantém os registros das despesas e apoia o departamento de escola sabatina
realizadas pelo ministério; no projeto Maná;
• Acompanha o pagamento do se- • Promove o crescimento espiritual
guro anual dos membros do ministério jo- dos jovens da igreja.
vem e o seguro de outros participantes dos

115
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

b) Coordenador de Sociabilização AS BASES DO PLANO DE AÇÃO JA


• Lidera o funcionamento das ativi- É possível que no início, ou mesmo
dades sociais, recreativas e esportivas; durante o desenvolvimento de sua lideran-
• Incentiva a leitura dos livros do clu- ça junto ao ministério jovem da igreja local,
be do livro JA; o líder JA tenha se perguntado: O que deve
• Organiza as olimpíadas JAs; ser incluído no plano de ação da igreja para
• Apoia diretamente o líder JA no o envolvimento efetivo dos jovens?
acampamento de verão; A igreja espera que o líder JA coorde-
• Promove a integração dos jovens ne equipes de trabalho que busquem aten-
da igreja. der as necessidades dos jovens da igreja e
os envolvam em um programa intencional
c) Coordenador dos Projetos de Missão de discipulado através de COMUNHÃO, RE-
• Lidera os desafios missionários; LACIONAMENTO E MISSÃO, como já visto
• Implementa a classe bíblica JA anteriormente.
para o batismo da primavera; Abaixo está uma lista de itens que de-
• Treina e acompanha os jovens en- vem compor o plano de ação JA da igreja
volvidos no discipulado 1 + 1; local. É claro que a equipe pode ampliar e
• Coordena os projetos de missão, modificar esta lista, mas ela deve servir de
como a Missão Calebe; base:
• Organiza as atividades comunitá- • Treinar e motivar a liderança atra-
rias; vés da participação da equipe nas conven-
• Promove a integração dos jovens ções e cursos promovidos pela Associação/
nos projetos missionários da igreja. Missão;
• Incentivar os jovens a participarem
d) Coordenador de Culto e Adoração da Escola Sabatina Jovem;
• Coordena a programação do culto • Recrutar e enviar os jovens para a
jovem; Missão Calebe;
• Lidera a criação de banda JA e mi- • Promover e realizar o Acampamen-
nistério de louvor JA; to de Verão;
• Descobre novos talentos entre os • Conectar os jovens com as ações
jovens; do Global Youth Day (Dia Mundial do Jovem
• Promove o uso do CD JA/ DVD Adventista);
ADORADORES no culto jovem e nos progra- • Envolver os jovens nas ações da
mas especiais; Semana Santa;
• Viabiliza o funcionamento do coral • Organizar a campanha do projeto
jovem. Vida por Vidas;
O líder JA tem atribuições específi- • Engajar os jovens no Impacto Es-
cas na igreja como visto acima, e embora ele perança;
deva delegar responsabilidades, deve, tam- • Organizar e realizar a Semana de
bém, certificar-se de que as funções e atri- Oração JA;
buições da sua equipe de trabalho estejam • Apoiar as ações do projeto Que-
sendo cumpridas. brando o Silêncio;

116
DIVISÃO SUL-AMERICANA

• Envolver os jovens na campanha pos, bases, unidades e/ou ministérios;


do Mutirão de Natal; • Realizar programações de home-
• Implementar uma Classe Bíblica nagens especiais em datas comemorativas
Jovem para o batismo da primavera; (mães, namorados, pais, finados, etc.);
• Em parceria com a secretaria, pro- • Promover a leitura do Reavivados
mover o Projeto Reencontro; por Sua Palavra, projeto #PrimeiroDeus;
• Realizar o Culto Jovem semanal- • Incentivar os livros do curso de lei-
mente; tura dos jovens;
• Coordenar as atividades sociais e • Desenvolver desafios missionários
esportivas da Igreja; com os jovens;
• Promover a realização de seminá- • Desenvolver projetos comunitários
rios com temáticas jovens; (arrecadação de alimentos e roupas, seminá-
• Promover a vida em comunidade rios educativos e de saúde (Feira Vida e Saú-
através dos encontros dos Pequenos Gru- de), passeatas, conservação pública, projeto

117
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Dia de Fazer o Bem, etc.); 2) A segunda dimensão das equipes


• Promover e realizar um congresso JAs está relacionada com as demandas do
jovem local e/ou uma vigília jovem; ministério jovem, como o Culto Jovem, a Es-
• Participar com os jovens dos even- cola Sabatina Jovem e os eventos especiais.
tos promovidos pela Associação/Missão. Neste caso específico, as equipes são orga-
nizadas de acordo com os dons e necessida-
A ESTRUTURA BASE NA IGREJA LOCAL des especificas das atividades.
A estrutura base do ministério jovem
na igreja local são as equipes JAs (em alguns 1. EQUIPES PARA O CULTO JOVEM:
lugares, elas são chamadas de bases, minis- a) Recepção;
térios, unidades, GAJAS, ou pequenos gru- b) Programação;
pos). c) Oração Intercessora;
Há duas dimensões na formação das d) Dramatização;
equipes JAs: e) Dinâmicas;
1) A primeira dimensão tem a ver com f) Comunicação e Marketing;
o envolvimento dos jovens em Pequenos g) Redes Sociais;
Grupos para aprofundar a vida em comuni- h) Fotografia;
dade. A mesma estrutura pode ser utilizada i) Decoração;
como base nas ações missionárias (como a j) Visitação externa;
equipe de calebes), desafios missionários l) Som e imagem;
criativos e unidades de ação da Escola Sa- m) Apoio;
batina Jovem. O líder JA deve promover, ao n) Roteiro ou contrarregra;
máximo, a vida em comunidade entre a ju- o) Música e Adoração.
ventude. Quanto mais tempo juntos, mais in-
tegrados se tornam. 2. EQUIPES PARA A ESCOLA SABATINA
JOVEM:
a) Professores;
b) Secretaria;
c) Programação;
“Há muitos setores onde
os d) Oração Intercessora;
jovens podem encontrar opor- e) Música e Adoração;
tunidade para esforço útil. Ao f) Comunicação e Marketing;
se organizarem em grupos para g) Redes Sociais;
serviço cristão, sua cooperação h) Fotografia;
se provará uma assistência e i) Decoração;
encorajamento”. l) Som e imagem;
Ellen G. White, Beneficência m) Apoio;
Social, p. 108.2
n) Recepção;
o) Dinâmicas.

118
DIVISÃO SUL-AMERICANA

3. EQUIPES PARA OS EVENTOS ESPECIAIS: l) Secretaria;


a) Infraestrutura (Local, Elétrica, Hi- m) Atividades recreativas;
dráulica, Palco, Banheiros, Som e Iluminação, n) Capelania;
etc); o) Atividades comunitárias;
b) Segurança e Disciplina; p) Saúde;
c) Programação (Música, Dramatiza- q) Atividades missionárias;
ção, Oradores); r) Roteiro.
d) Finanças (Planilha de Custo e Com- A principal motivação das equipes JAs
pras); deve ser o engajamento em uma causa, mas
e) Marketing e Divulgação; um sistema de acompanhamento (ranking),
f) Assessoria de imprensa; com pontuação e premiação ao final de cada
g) Redes Sociais; semestre, tem sido eficaz em diversas regi-
h) Fotografia; ões para gerar um maior comprometimento
i) Transmissão; das equipes com as atividades.
j) Translado dos convidados;
k) Ornamentação;

“Uma nova era clama por ex-


celência. Para extrair o máxi-
mo da genialidade e motiva-
ção humanas são necessários
lideres com uma nova men-
talidade, novas habilidades e
novas ferramentas”.
Stephen R. Covey

119
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

“O que os jovens precisam


urgentemente é de referências,
modelos que inspirem e orientem
sua vida. Em outras palavras,
um mentor em seus processos
vitais e, naturalmente, no
desenvolvimento espiritu- al.
Os jovens não querem pessoas
perfeitas, pois são conscientes de
que não existem, mas precisam,
sim, que sejam honestos”.

DICA DE LEITURA
ORTIZ, Felix. Cada Jovem
necesita un mentor. E625.
com.

120
DIVISÃO SUL-AMERICANA

CAPÍTULO 7

121
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

aprendendo a lidar com a tecnologia - ou,


em alguns casos, até mesmo se recusando

TRANSPONDO a aceitá-la. Nesse grupo de imigrantes no


mundo digital estão inclusos muitos dos
O ABISMO pastores, professores e líderes JAs. Muitos
têm dificuldade em deixar antigos métodos
COMUNICACIONAL para trás. Basta ver exemplos de pessoas que
imprimem e-mails e/ou não usam a internet
Tornou-se cada vez mais comum pre- como primeira fonte de informação. Eles têm
senciar jovens andando pelas ruas como um grande desafio diante deles, porque es-
zumbis, imersos em seus perfis nas mídias tão trabalhando com as novas gerações que
sociais e jogando on-line em seus smartpho- descobriram o mundo por meio de diferen-
nes. Eles são nativos digitais, indivíduos que tes mídias. Sabe-se, entretanto, que esse fe-
estão crescendo na era das conexões. Se- nômeno ainda não alcançou todos os luga-
gundo Prensky (2001), o nativo digital en- res na mesma proporção, visto que o acesso
xerga a tecnologia analógica do século 20, às tecnologias ainda é muito limitado em
como câmeras de vídeo, telefones com fio, algumas regiões, mas elas estão acarretan-
informação não conectada (livros, por exem- do mudanças profundas no comportamento
plo), internet discada, como velha. A verda- religioso e nos métodos de trabalho desen-
de é que os nativos digitais cresceram com a volvidos nas igrejas.
tecnologia digital e usam isso brincando, por Quando o assunto é liderança, perce-
isso não têm medo dela, eles a veem como be-se que as redes sociais da internet se tor-
uma aliada. naram, na última década, o principal meio de
Opondo-se aos nativos digitais, es- comunicação das organizações com o seu
tão os imigrantes digitais, outra termino- público-alvo e alteraram significativamente
logia recente que engloba as pessoas que a relação líder-liderado no ambiente organi-
não nasceram na era digital, mas que estão zacional. A presença da liderança das orga-
nizações nas redes sociais tem estreitado os
laços com as novas gerações e são funda-
mentais para a sobrevivência de suas marcas
“Os analfabetos do e para a manutenção da relevância das mes-
século XXI não serão mas em um mercado cada vez mais globali-
aqueles que não zado e competitivo. As novas gerações nas-
conseguem ler e ceram com a tecnologia na palma das mãos,
escrever, mas aqueles
e as mídias sociais atuam como peça-chave
que não conseguem
para fortalecer círculos de amizade, conhe-
aprender, desaprender e
cer pessoas de diferentes lugares e culturas,
reaprender”.
Alvin Toffler trocar experiências e compartilhar ideias,
além de atuarem também como ferramenta
de mobilização social.
Neste novo contexto, o papel dos se-
guidores e da natureza contextual da lideran-

122
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ça foi alterado. Aqueles que estão liderando fase na última década. A liderança em seu
as novas gerações precisam entender que os sentido mais amplo tem muitas vezes sido
avanços tecnológicos trouxeram uma nova conceituada como um processo de influên-
realidade e esta nova realidade deve ser vis- cia em direção a um resultado. As relações
ta como uma oportunidade, que não pode sociais, portanto, proveem aos líderes a base
ser desperdiçada. Como considera Kuazaqui necessária para exercer influência social na
(2006 p. 15), liderança é “a capacidade de realização dos objetivos organizacionais e
influenciar outros a seguir um determinado individuais.
rumo, seja no sentido pessoal, seja no pro- Para Kellerman (2012), os líderes ain-
fissional”. da estão se adaptando a era da conexão. To-
Entretanto este manual não pretende davia, no contexto atual, é indispensável que
ser o ponto final na discussão sobre a lide- o líder se conecte por meio das redes sociais
rança eficaz para as novas gerações, mas na internet e use esses recursos interativos
apresentará formas de abordagem que faci- para trocar informações com profissionais e
litarão o trabalho dos líderes JAs da igreja clientes. No entanto, alguns “estão desperdi-
do século XXI. çando a oportunidade de liderar e gerenciar
um ciberespaço” (KELLERMAN, 2012, p. 53),
LIDERANÇA E REDES SOCIAIS ação que pode ajudar no processo de co-
A interseção entre a liderança e a re- nhecimento do novo paradigma da liderança
des sociais vem sendo pesquisada por con- centrado no seguidor.
sultorias ao redor do mundo com maior ên- Sendo assim, essa nova perspectiva

123
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ou foco da liderança traz à tona a depen- que as redes sociais são uma cidade fantas-
dência dos relacionamentos sociais, mudan- ma virtual para a maioria da elite de CEOs no
do a perspectiva dos atributos individuais mundo com uma conta nessas plataformas,
em direção a um foco nos relacionamentos, considerando os números embaraçosamente
colocando assim a liderança diretamente baixos sobre o seu grau de atividade nelas. A
no papel de um compromisso social. Nesta pesquisa demonstrou que pouco mais de 68
perspectiva de rede, a ênfase está na inter- % dos CEOs na lista Fortune das 500 maio-
dependência organizacional da ação que é res empresas, nem têm sequer presença nas
refletida por uma rede de laços, ou influên- redes sociais, de acordo com o estudo. Perto
cia, e até mesmo determina a direção, veloci- de 66% dos cerca de 160 CEOs têm conta
dade e profundidade de uma atividade pla- em redes sociais, mas só se envolvem mais
nejada. A investigação sobre a interseção de frequentemente em uma delas. Desses dois
liderança e redes sociais complementa o co- terços, a LinkedIn consegue merecer a pre-
nhecimento de liderança como um processo ferência de 74%. O CEO do Facebook, Mark
social complexo e dinâmico. Zuckerberg é o único CEO da lista Fortune
Kellerman (2012) aponta a tecnologia 500 com conta em todas as cinco principais
como um instrumento a favor dos liderados; redes: Facebook, Twitter, LinkedIn, Google+
em sua concepção, três elementos da tecno- e Instagram. Quando a pesquisa foi feita, o
logia contribuíram para a mudança na rela- seu último “tweet” tinha sido publicado há
ção da liderança: a informação, a expressão quase três anos, e por isso não se pode dizer
e a conexão. Com os aparatos tecnológicos, que esteja usando o microblog ativamente.
a informação não é mais trocada, mas “par- Percebe-se, então, que os líderes que
tilhada, disseminada e difundida, o potencial não estão usando as redes sociais de nenhum
de impacto é significativo” (KELLERMAN, modo, ou apenas as utilizam internamente,
2012, p. 42). deveriam estar atentos para os significantes
benefícios de ser proativo na estratégia de
comunicação das mídias sociais. 
As redes sociais na internet são parte
A internet, com suas diversas
aplicações, assumiu um papel
do fenômeno da midiatização, uma das ca-
fundamental, como instrumento racterísticas da cibercultura. Elas mudaram
comunicacional na vida
significativamente a relação entre líderes e
contemporânea “para trabalho,
conexões pessoais, informações, liderados, dado o fato que os relacionamen-
entretenimento, serviços públicos, tos agora se dão em um novo espaço. Esse
política e religião”. A internet está
organizando a nova sociedade: “é o novo espaço é chamado pelo estudioso Pier-
equivalente ao que foi a fábrica ou a re Lévy de Ciberespaço. O ciberespaço é o
grande cooperação na era industrial.
(CASTELLS, 2011).
novo meio de comunicação que surge da
interconexão mundial de computadores. “O
termo não só especifica a infraestrutura ma-
terial da comunicação digital, como o univer-
so oceânico das informações que ele abriga,
A Ceo.com apresentou o seu report assim como os seres humanos, que navegam
anual (2014 Social Ceo Report) e revelou e alimentam esse universo” (LÉVY, 1999, p. 17).

124
DIVISÃO SUL-AMERICANA

O termo “rede social” foi cunhado 69).


entre os anos de 1950, para mostrar os pa- As redes sociais podem ser organiza-
drões dos laços, incorporando os conceitos das em diferentes categorias: redes de rela-
tradicionalmente usados, quer pela socie- cionamento (Facebook, Google+, Myspace,
dade, quer pelos cientistas sociais: grupos Instagram); redes profissionais (LinkedIn);
bem definidos (ex.: tribos, famílias) e cate- redes comunitárias (redes sociais em bairros
gorias sociais (ex.: gênero, grupo étnico). O ou cidades); redes políticas. Recuero (2009)
desenvolvimento dos estudos sobre redes inclui também na categoria de redes de re-
sociais se apoiou na teoria dos seis graus de lacionamentos os chamados fotologs (como
separação, criada em 1967 por Instaley Mil- Flickr e Fotolog), os weblogs, as ferramen-
gram, segundo a qual são necessárias ape- tas de microblogging (como Twitter e Plurk),
nas a ligação de seis amigos para que duas mas afirma que o extinto Orkut e o Facebook
quaisquer outras pessoas estejam, também, são consideradas as redes sociais mais des-
ligadas (NASCIMENTO, 2008). Esta teoria, tacadas na sociedade. Para a pesquisadora,
apesar de distante no tempo, mantém ainda os sites de redes sociais possuem mecanis-
a aplicabilidade dos seus conceitos, na me- mos de individualização, como a personali-
dida em que as ferramentas sociais da Web zação e construção do eu por meio de um
2.0 possibilitam a conectividade, a troca e a perfil pessoal, além de darem visibilidade às
partilha de informação entre pessoas, crian- redes sociais de cada ator e possibilitarem
do comunidades e relações com amigos de que eles construam interações nesses siste-
amigos. mas por meio de comentários e outros re-
Em resumo, as redes sociais surgi- cursos.
ram para integrar membros com interesses O aplicativo WhatsApp também é
e ideologias ligados pela relevância de um considerado uma rede social. Já que o termo
determinado assunto e para proporcionar “rede social” é definido como uma estrutura
integração e interatividade através de comu- social composta por pessoas ou organiza-
nicação e compartilhamento de conteúdo. ções, conectadas por um ou vários tipos de
“Uma rede social é sempre um conjunto de relações, que compartilham valores e obje-
atores e suas relações” (RECUERO, 2009, p. tivos em comum. Sendo assim, o WhatsApp

125
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

não pode ser caracterizado apenas como estão desperdiçando a oportunidade de se


aplicativo de troca de mensagens. Através comunicar com os seus seguidores.
dele é possível compartilhar várias situações Mauro Segura, o diretor de comuni-
(troca de mensagens, fotos, vídeos), cons- cação e marketing da IBM Brasil, defende
truir relações e é possível, também, afirmar fortemente a relevância da participação dos
que o aplicativo tem ajudado seus usuários a líderes das organizações nas mídias sociais.
atingir um objetivo em comum, já que muitas Em novembro de 2010, Segura escreveu um
organizações, inclusive as igrejas, utilizam artigo intitulado “Cadê seu blog, presiden-
o WhatsApp para a comunicação entre os te?” para a revista Época. O artigo teve ori-
seus membros. gem em uma pesquisa do autor, que entre-
Diante dos dados apresentados, é vistou 10 executivos, de diferentes empresas,
possível concluir que grande parte dos líde- indagando sobre o motivo de eles não terem
res tem um perfil nas redes sociais, mas per- blogs ou não participarem das redes sociais.
manece ausente das mesmas por causas que A seguir, são apresentados, segundo Segura
carecem de investigação, mas é certo que (2010, on line),

01 Falta de tempo Risco de imagem 06


OS
10 MOTIVOS
Medo de entrar em Vazamento de
02 discussões polêmicas informação 07
PELOS QUAIS OS
Percepção de que Medo de dizer que
03 não é relevante LÍDERES NÃO não deu certo 08

BLOGAM:
Insegurança de até Imagem perante os
04 onde vai a conversa colegas executivos 09

Insegurança para A comunidade não


05 escrever está preparada 10

Para o pesquisador, os 10 (dez) moti- entrar em algo novo, eu adorei descobrir


vos poderiam ser resumidos em 2 (dois) mo- que ninguém citou a velha questão da per-
tivos básicos: da de produtividade. Isso foi muito bom. O
• Porque os líderes acham que vão mito da perda de produtividade é algo que
perder tempo; sempre me incomoda. Outra coisa boa é
• Porque têm medo do diálogo. que todos falaram que está cada vez mais
Comentando a pesquisa, Segura impossível não ter um blog ou negligenciar
(2010) diz: Apesar de algumas preocupa- as redes sociais. Foi bom saber que eles es-
ções exageradas e o tradicional receio de tão incomodados com a distância das redes.
126
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Enfim, todos têm consciência que terão que res de jovens estão ausentes das redes so-
entrar nas redes em bre- ciais pelas seguintes causas:
ve. (REVISTA ÉPOCA,
Nov/2010).
A reputação sem-
01 Falta de preparo para usar
as redes sociais da maneira
pre foi uma das preocu- adequada
pações da liderança. Os

02
líderes são pessoas de
O medo da exposição gerado
destaque na sociedade e, pelas redes sociais
como consequência dis-
so, eles estão expostos o
tempo todo. É inegável, Percepção de que usar redes
portanto, que como pes- 03 sociais é perda de tempo
soas de destaque, a vida
do líder passa a ser de COMO OS LÍDERES JAs DEVEM USAR REDES
interesse público e, se as SOCIAIS?
regras de conduta não são atendidas, a pos- Um estudo conduzido pela consul-
sibilidade de uma revolta contra o seu poder toria americana bandfog “2013 CEO, Social
é possível e realizável e o risco à imagem da Media and Leadership” mostrou que mais
organização pode ser fortemente compro- de 80% das pessoas consideram importante
metido. Mas é preciso ressaltar que o líder que os CEOs se engajem com clientes nas
não pode ter medo de se expor, ele precisa mídias sociais. Além disso, mais da metade
ter cautela. dos participantes da pesquisa afirmou que
Em 2015, o pastor Herbert Cleber engajamento em mídias sociais torna pre-
conduziu uma pesquisa-ação na União Les- sidentes de empresas líderes mais eficazes.
te Brasileira (ULB), que buscou entender as Alguns líderes ainda pensam que as mídias
razões para a ausência de participação dos sociais são uma moda passageira. Eles estão
líderes de jovens nas redes sociais. O conteú- em dúvida se isso vai durar, se é apenas uma
do das entrevistas revelou que os líderes JAs tendência ou uma bolha que pode estourar
têm consciência dos benefícios do uso das a qualquer momento, porque as pessoas es-
redes sociais como estratégia para potencia- tão chocadas com os dados sobre a sua in-
lizar a comunicação e estreitar os laços com fluência, e que algumas instituições pararam
as novas gerações. E demonstrou, ainda, que de distribuir contas de e-mail. Em vez disso,
um número significativo deles, mantém per- essas instituições estão agora distribuindo
fis nas principais plataformas de mídias so- iPads, e-readers e tablets. Tudo porque es-
ciais, como Facebook, Twitter e Instagram e tão convencidas de que as mídias sociais são
conta no WhatsApp, mas havia uma notável uma força tão abrangente no mundo que
ausência de participação em comunidades, não podem ser ignoradas.
grupos e listas com o propósito de gerar re- É inegável que a participação dos lí-
lacionamentos, o que caracteriza ausência deres de jovens nas mídias sociais envolve
de participação nas redes sociais. grande consumo de tempo e uma certa dose
Sendo assim, o diagnóstico é: os líde- de risco que vem do excesso de exposição,

127
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

mas é um fato que os líderes dos próximos estão evoluindo com novos recursos o tem-
anos deverão incluir entre suas habilidades a po todo. Mesmo assim, muitas pessoas igno-
capacidade de expor estrategicamente sua ram esses movimentos e apenas mantêm o
própria imagem e nome nessas mídias. Cada mesmo estilo de postagem, dia após dia.
vez mais, os jovens esperam que seus líderes É preciso que o líder esteja por den-
estejam presentes no ambiente virtual, en- tro das características das redes sociais que
dossando com sua imagem as ações da igre- utiliza. E procurar atualizar-se a respeito do
ja. Seguem algumas dicas para o líder JA no que cada rede oferece ao seu blog. Caso
tocante ao uso dessas ferramentas virtuais: contrário, perderá oportunidades valiosas de
• Não usar redes sociais como spam. promover o seu conteúdo para os leitores.
Se tem uma coisa que o usuário mais • Entender que não precisa estar
detesta em uma rede social é propaganda. em todos os lugares.
Muitos jovens, inclusive, estão saindo do Fa- Há duas coisas que devem ser lembra-
cebook por conter publicidade demais. En- das quando o assunto é mídia social: primei-
tão, o líder JA deve evitar fazer isso, uma ra, sempre haverá uma nova rede social para
vez que a juventude não curte essa atitude. entrar; segunda, um líder de jovens não tem
Em vez disso, deve utilizar o Facebook, Twit- tempo ilimitado para se dedicar a todas mí-
ter, Instagram, ou qualquer outra rede social dias sociais.
como um meio para contar a sua história, ge- Felizmente, para fazer um bom uso
rar conteúdo e aproximar os jovens da igreja. dessas ferramentas não é necessário se de-
• Não usar as mídias sociais para se dicar integralmente e estar em todas as re-
promover. des que existem.  É mais importante escolher
Sem dúvidas, é insuportável estar duas ou três para focar a atenção e alcançar
numa festa conversando com uma pessoa os jovens.
egocêntrica que só sabe falar de si mesma. Lembrar-se que uma rede social não
Líderes precisam tratar as mídias sociais alimentada é prejudicial e pode refletir ne-
como uma festa dessas. Para ser agradável, gativamente no seu ministério. É melhor não
convém mostrar-se genuinamente interessa- ter conta nenhuma, se o líder não tem tempo
do nos outros e evitar, de todas as formas, para administrar e participar da rede.
dominar a conversa. • Não postar constantemente
O que isso significa? Que o líder deve durante o dia.
facilitar para que as pessoas comentem no Este é um grande problema. Existem
seu blog, engajando-as em suas postagens, os melhores e os piores momentos para
compartilhando conteúdo interessante de compartilhar em redes sociais. Ficar aten-
outros veículos, fazendo-lhes perguntas e to para entender qual é o caminho dos se-
encorajando a participação delas. E o mais guidores nas mídias sociais, é preciso saber
importante: reconhecer que às vezes é me- quando os seguidores estão mais ativos e
lhor falar menos e ouvir mais. mais on-line.
• Não fazer só o básico. • Não abrir mão dos seus princípios.
As redes sociais percorreram um O líder JA deve procurar sempre apro-
grande caminho desde que foram lançadas. ximar a sua estratégia on-line de algo que
Mesmo as que chegaram mais recentemente seja coerente com os seus princípios e que

128
DIVISÃO SUL-AMERICANA

leve coisas positivas aos seus seguidores. APLICATIVOS E REDES SOCIAIS


Isso fará que a sua comunidade on-line seja DO MINISTÉRIO JOVEM
fortalecida e a sua reputação seja a de um Encarar as mídias sociais como alia-
líder altamente envolvido naquilo que faz. das, ao invés de um cenário desconhecido,
Caso contrário, as redes sociais, de aliadas, também é de grande valia; permitindo que
podem se transformar em inimigas da sua a familiaridade com as ferramentas apareça
presença digital. de maneira natural, ajudando-lhe a incenti-
• Responder aos contatos. var a performance e a satisfação dos segui-
Enquanto não puder se conectar com dores.
todas as pessoas em todas as redes, se qui- Os jovens estão totalmente inseridos
ser construir uma presença on-line, precisa nos meios virtuais, e, através das redes so-
se concentrar em responder aos contatos de ciais do Ministério Jovem, eles ficam saben-
outras pessoas nas redes sociais. do das novidades sobre os projetos, ações
O líder deve evitar um modelo de res- e estratégias JAs, além de poderem manter
posta padrão e procurar maneiras de se co- contato com outros líderes de jovens dos
nectar facilmente com cada pessoa que faz oito países da Divisão Sul-Americana.
parte de sua rede de interatividade, para que
seja possível desfrutar dos reais benefícios Como encontrar o Ministério
das mídias sociais. Jovem no Twitter
O líder de jovens precisa reconhecer
que a sua participação nos meios utilizados @ministeriojovem
pelos jovens, para transpor o abismo entre @missaoCALEBE
gerações, é primordial. Pois, assim como @VidaPorVidas
Cristo, o líder maior, ele deve ir em busca dos @oyimdsa
seus liderados, viver no meio deles, conhecer
o seu mundo e ajudá-los na caminhada rumo Como encontrar o Ministério
ao céu. É importante fazer uma reflexão pes- Jovem no Instagram:
soal e autoavaliar-se quanto ao preparo para
liderar as novas gerações. @jovensadventistasbrasil
O líder precisa procurar sempre apro- @missaocalebebr
ximar sua estratégia on-line de algo que seja @oyim.dsa
coerente com os seus princípios e leve coisas @liderjaoficial
positivas aos seus seguidores. Não é a quan-
tidade de seguidores, mas a intencionalida- Curta as páginas da IASD no
de da interação com os jovens da sua igreja Facebook:
através das redes e nos encontros pessoais /AdventistasBrasil
“face to face” que fará a diferença. Os líderes /JovensAdventistasBrasil
devem travar relações amistosas com a ju- /JóvenesAdventistasOficial
ventude em todos os lugares. INVESTIR EM /VidaPorVidas
UM RELACIONAMENTO PESSOAL, OLHO /OyimDSA
NO OLHO. /MissãoCalebeBR
/liderjaoficial

129
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

jovem saber com exatidão toda a complexi-

@
Sites do Ministério Jovem: dade que envolve sua participação nos pro-
www.adventistas.org/jovens jetos. O importante é que ele se engaje. Sa-
www.liderja.com bendo disso, cabe aos líderes a preocupação
com esses mecanismos.
E este trecho do manual discorre exa-
tamente acerca dos mecanismos acima refe-
APLICATIVOS: ridos. Trata-se do gerenciamento do Ministé-
rio Jovem, que envolve diretamente o que é
Feliz7Play denominado de S-JA – Sistema de Gerencia-
Líder JA mento do Ministério Jovem.
PG My Style New O S-JA é uma ferramenta on-line de
Revivados por Sua Palavra uso exclusivo do Ministério Jovem da Igreja
Biblia + Adventista do Sétimo Dia no território da Di-
18 Histórias visão Sul-Americana. Inicialmente, é organi-
Bible Heroes the Game zada e modularizada em 6 níveis de acesso:
</>
Leitor Adventista Divisão, União, Campo, Região, Distrito e MJ
7me local.
G 148 A ferramenta foi desenvolvida no iní-
A Sociedade cio de 2006, inicialmente para atender a
MyLife ASM (Associação Sul-Mato-Grossense), de-
DNA.com pois, expandiu-se para a AMT (Associação
G148 Paraguai Mato-Grossense) em 2007, e em 2009, a
G148 Equador ferramenta foi implantada em toda a UNeB
(União Nordeste Brasileira). Daí para frente,
uma União após outra foi aderindo ao proje-
to, que na época chamava-se “Intranet JA”,
GERENCIAMENTO DO MINISTÉRIO JOVEM
ou ainda “Secretaria JA”. Foi um dos proje-
Diante de tantas possibilidades aqui
tos pioneiros na IASD nesse formato colabo-
abordadas, fica evidente o quanto o Minis-
rativo (desenvolvimento em várias frentes),
tério Jovem é apaixonante e dinâmico. Po-
em que cada União foi responsável pelos
rém as muitas engrenagens, projetos e ações
seus avanços e implementações.
do Ministério Jovem o tornam, além de um
Inicialmente, a gestão do Ministério
ministério completo, também em algo inexo-
Jovem, Desbravadores, Aventureiros e Uni-
ravelmente complexo sob o ponto de vista
versitários era toda gerenciada por essa “In-
gerencial e administrativo.
tranet JA”, até que em janeiro de 2014, a DSA
Por vezes, o jovem em geral não tem
decidiu desmembrar a “Intranet JA”, e criar o
ideia de como existem centenas de questões
SGC (Sistema de Gerenciamento de Clubes)
e variáveis envolvendo a organização de
para gerenciamento dos Desbravadores e
uma Missão Calebe, por exemplo, ou como
Aventureiros, e, em 2016, surge o Sistema de
se dá o envio de centenas e milhares de jo-
Gerenciamento dos Jovens Adventistas (S-
vens para um projeto como o OYiM (Um Ano
JA) para uso exclusivo dos Jovens Adven-
em Missão). Na verdade, nem é obrigação do
130
DIVISÃO SUL-AMERICANA

tistas, também tendo como base a mesma Falando especificamente sobre even-
“Intranet JA”. tos, esse já tem sido um grande avanço pro-
Toda a história do S-JA é cercada pelo porcionado pelo S-JA, já que historicamen-
empenho de dezenas de departamentais, re- te os maiores eventos realizados pela IASD
gionais, pastores e diretores JA que sonha- são para jovens e adolescentes! A partir do
vam em gerenciar melhor seus eventos, trei- momento em que o líder de jovens tem a
namentos, relatórios, rankings, estatísticas e possibilidade de fazer as inscrições de seus
projetos, e dar ao diretor de jovens da igreja membros para eventos do Campo, União ou
local a possibilidade de também gerenciar DSA, de forma segura, on-line, e garantindo
seus jovens, seus dados e infraestrutura. dados fidedignos, isso proporciona eventos
Então, em tese, para que serve o mais organizados e com estrutura adequada
S-JA? Três palavras: Controles, Segurança e ao público.
Integração! Pode parecer que não, mas saber
exatamente o número de inscritos, e o sexo,
CONTROLES idade, região, cidade, estado, ficha médica e
O S-JA permite ter controles específi- endereço de cada participante faz uma dife-
cos em cada um dos seus 6 níveis de acesso. rença tremenda aos organizadores de even-
Através da ferramenta, é possível ter as mais tos. A partir da existência do S-JA, setores
variadas estatísticas e relatórios, é possível do evento como credenciamento, checking,
saber, por exemplo, quantos jovens estão ati- secretaria, hospital e atividades podem tra-
vos em cada Ministério Jovem, suas idades, balhar 100% de forma informatizada.
e, paralelamente, em cada projeto, ação ou Vale ressaltar, para cada líder jovem,
evento em cada um dos níveis. Todos os ca- que cada ação no S-JA gera relatórios e his-
dastrados na ferramenta são chamados de tórico de dados que não podem ser apaga-
“membros”, e destes, todos que possuem dos. Em alguns casos, no máximo, inativados,
acesso via login e senha, são chamamos de podendo ser recuperados facilmente.
“usuários”.
Esses controles estão acessíveis ao lí- SEGURANÇA
der de jovens da igreja local, que consegue Os servidores onde estão alocados a
ter uma visão clara de quantos membros es- aplicação e bancos de dados do S-JA são
tão em atividade (sejam eles membros ba- mantidos no IATec (Instituto Adventista de
tizados ou não), ter seus dados completos Tecnologia), sob vigilância e monitoramento
acessíveis (incluindo ficha médica), permite constante. O IATec, com sede em Hortolân-
organizá-los em grupos de atuação (recep- dia, interior do Estado de São Paulo, dispõe
ção, banda, louvor, duplas missionárias, etc.), da mais alta tecnologia em infraestrutura e
comunicar-se com eles (newsletter), ter con- segurança de data centers, além de contar
troles financeiros de projetos locais (sem a com um time especializado.
necessidade de manter um caixa separada- Além do aspecto de infraestrutura, é
mente da igreja local), cadastrar a agenda de importante abordar sobre o Seguro Anual
atividades, criar e armazenar documentos e do Ministério Jovem. A Igreja Adventista do
incluí-los no Seguro Anual do Ministério Jo- Sétimo Dia oferece aos membros do Ministé-
vem. rio Jovem a possibilidade de serem incluídos

131
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

em um seguro de acidentes, que é chamado


de “Seguro Anual do Ministério Jovem”.
Esse seguro é um produto que garan-
te cobertura contra acidentes pessoais ocor-
ridos com membros ativos do Ministério Jo- “A melhor maneira
vem, Desbravadores e Aventureiros, durante de prever o futuro é
as atividades promovidas ou desenvolvidas criá-lo”.
pelas referidas entidades. Peter Drucker
Esse serviço garante proteção para as
crianças, adolescentes e jovens que fazem
parte dos programas dos departamentos su-
pracitados, e no caso dos jovens, o membro
deve estar inscrito no S-JA para fazer parte O módulo de projetos é, sem dúvida,
do seguro. o grande diferencial do S-JA em relação à
A contratação desse seguro se dá em ferramenta de gerenciamento dos Clubes. A
2 etapas dentro do sistema: Cadastrar os da- dinâmica de projetos locais, regionais, nacio-
dos completos do membro do Ministério Jo- nais ou globais é muito grande e faz parte do
vem local (que, como única regra, deve ter “entorno” do Ministério Jovem.
mais de 16 anos (Abaixo desta idade, apenas A partir dos cadastros de Ministérios
quem participa do Ministério dos Desbrava- de Jovem das igrejas, é possível criar novas
dores e Aventureiros). Quanto ao segundo estruturas de funcionalidades, eventos, rela-
passo, é muito simples, basta inclui-los no tórios e controles em novos projetos, e tudo
seguro. isso, utilizando um cadastro único do mem-
Por cada vida assegurada para o ano bro.
todo, cobra-se um valor (taxa única anual) Já é possível, hoje, verificar no perfil
praticamente simbólico que pode ser pago de um jovem cadastrado, de qual igreja ele
pela igreja local (ideal), ou pode ser cobrado faz parte, se tem seguro anual, em quantos
de outras formas. A possibilidade de inclu- eventos esteve, se é um líder jovem investido,
são fica aberta durante quase o ano inteiro. de quais projetos já participou (ou participa),
como, por exemplo, Vida por vidas, OYiM, Ca-
INTEGRAÇÃO lebe, G148, etc. Estes dados permitem gerar
Por fim, uma grande vantagem que um perfil do jovem adventista e melhorar, in-
o S-JA proporciona é integrar Campos e clusive, os projetos destinados a eles.
Uniões dentro de uma única ferramenta. Como diria Peter Drucker: “A melhor
Existem dezenas de funcionalidades que maneira de prever o futuro é criá-lo”. Sem
Campos, Uniões e a DSA podem configurar dúvida, o Ministério Jovem está construindo
para que cada Ministério Jovem possa inte- não apenas um banco de dados, mas o futu-
ragir e gerenciar, dentre elas: Cursos On-line, ro! A informação certa nas mãos de líderes
Clube de Líderes JAs, Inscrições de Eventos, guiados pelo Espírito, farão “maravilhas” não
Rankings (relatórios de requisitos de ativi- apenas em projetos da IASD, mas principal-
dades do Ministério Jovem), Seguro Anual, mente, na vida de jovens, de carne, osso e
Comunicação (E-mails e SMS) e os Projetos. coração!

132
DIVISÃO SUL-AMERICANA

“O ministério intergeracional
ocorre quando uma congregação
leva intencionalmente as gerações
juntas a servir, compartilhar ou
aprender de forma mútua dentro
das atividades principais da
igreja, a fim de que vivam sendo
a Família de Deus e o corpo de
Cristo um com o outro e com a
comunidade maior”.

DICA DE LEITURA
ROSS, Christine M. “A
Qualitative Study Exploring
Churches Committed to
Intergenerational Ministry“
(doctoral dissertation, Saint
Louis University, MO, 2006),
p. 127.

133
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 8

134
DIVISÃO SUL-AMERICANA

observa-se que pouco se sabe sobre como


implementar ou utilizar equipes para obter
LIDERANÇA E o máximo desempenho e apesar de o termo
ser extensamente utilizado para definir gru-
TRABALHO EM EQUIPE pos mais ou menos estruturados, pode-se
ver que, inclusive nos ministérios da igreja, a
“É melhor haver dois do que um, existência de equipes em diversos contextos
porque duas pessoas trabalhando juntas continua sendo um grande desafio.
podem ganhar muito mais”.
Eclesiastes 4:9-12. O TRABALHO EM EQUIPE
A formação e implementação de
Embora os principais estudos e a sis- equipes de trabalho JAs é elemento básico
tematização do trabalho em equipe só te- para o processo de discipulado dos jovens
nham sido iniciados no começo da década adventistas. Elas podem ser utilizadas como
de 80, o trabalho em equipe remonta à cria- resposta à necessidade de vida em comuni-
ção do homem. No primeiro verso de Gêne- dade, já tratada anteriormente neste manual,
sis, encontram-se o Pai, o Filho e o Espírito mediante o fortalecimento dos relaciona-
Santo (do hebraico ‫ )םיהלא‬trabalhando jun- mentos nos pequenos grupos, ministérios,
tos para criar “…os céus e a terra…”. O ser hu- bases e unidades de ação discipuladoras, e
mano saiu das mãos de Deus trazendo em para potencializar as ações do ministério jo-
seu DNA a necessidade de viver em comuni- vem frente aos desafios missionários que de-
dade “…Não é bom que o homem esteja só vem ter prioridade no plano de ação anual.
…” (Gn 2:18). Se implementadas da maneira correta, as
As festas, jejuns e sacrifícios realiza- ações desenvolvidas pelas equipes JAs con-
dos pelo povo de Israel tinham também o tribuirão de modo relevante para a cumpri-
propósito de que as pessoas estivessem jun- mento da missão da igreja.
tas em um só lugar - preservando a unidade O que é uma equipe? Qualquer gru-
da Nação. O princípio é encontrado também po, minimamente organizado, pode ser con-
no Novo Testamento, quando Jesus sele- siderado uma equipe? Katzenbach e Smith
ciona, treina e envia os Seus discípulos ao (1994) definem equipe como: “um pequeno
campo de trabalho. De acordo com relatos número de pessoas com habilidades com-
encontrados na Bíblia, o ser humano foi pro- plementares, comprometidas com o mesmo
jetado por Deus para viver em comunidade objetivo, as mesmas metas de desempenho
e este princípio também se aplica ao traba- e a mesma abordagem, pelos quais elas se
lho. consideram mutuamente responsáveis”.
Os estudos em administração e lide- Uma equipe JA tem jovens atuando
rança revelaram que o trabalho em equipe juntos numa mesma atividade, com propósi-
é reconhecido como tendo imensas vanta- tos e objetivos comuns e dons complemen-
gens sobre outros modelos na organização tares. Além disso, o que os torna uma equipe
do trabalho. O trabalho em equipe é visto é o compromisso que eles têm uns com os
como propulsor do processo da melhoria da outros e com a missão da igreja.
qualidade nas organizações, mas na prática Abordando o trabalho em equipe sob

135
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

a perspectiva dos resultados diretos, Schol- inovação) sem perder a intencionalidade e


tes (1992) ressalta que as equipes podem direção (visão discipuladora). Para Senger,
geralmente atacar problemas complexos e “um dos indicadores mais confiáveis de que
crônicos, descobrindo soluções eficazes e uma equipe está continuamente aprenden-
permanentes. do é o visível conflito de ideias”. A essência
Agrupar pessoas para realizar tarefas, da visão compartilhada está no surgimento
nem sempre pode ser considerado trabalho desta a partir de visões pessoais diferentes.
em equipe. Rangel (1995) fala da dificuldade O fluxo de ideias conflitantes é vital para o
de encontrar equipes no ambiente de tra- pensamento criativo e a busca de novas so-
balho e afirma que em muitas organizações, luções.
não há equipes de trabalho, mas verdadeiros O trabalho em equipe funciona me-
bandos, realizando trabalhos sem nenhuma lhor numa cultura em que todos têm voz e a
sinergia. Transformar bandos em equipes é voz de cada um é ouvida. Stephen Covey diz
uma forma eficiente de criar sinergia e maxi- que, se os membros da equipe têm a oportu-
mizar os esforços individuais. nidade de contribuir com ideias, o resultado
são soluções melhores. Algumas das dificul-
VISÃO E SINERGIA dades encontradas pelas equipes no intuito
Sinergia na equipe é resultado do ali- de obterem ou manterem o sucesso são a
nhamento da visão. Este manual foi escrito falta de engajamento e de diálogo entre os
com o propósito de que todas as equipes membros e os líderes. Sobre isso, descreve o
JAs da América do Sul alinhem a visão acer- referido autor: “Conversas, diálogos simples,
ca do discipulado dos jovens adventistas e honestos, humanos. Não falo de mediação,
para que as ações propostas pelo ministério negociação, solução de problemas, discus-
jovem sejam relevantes na comunidade. sões ou reuniões. Apenas bate-papos sim-
A característica fundamental da equi-
pe relativamente desalinhada é o desperdí-
cio de energia. Quando uma equipe se torna
alinhada, surge uma unicidade de direção e
há menos desperdício de energia:
“Há um propósito comum, uma visão
compartilhada, e a compreensão de como
complementar os esforços dos outros. Os
indivíduos não sacrificam seus interesses
pessoais em prol da visão maior do grupo;
ao contrário, a visão compartilhada torna-
-se uma extensão de suas visões pessoais”.
(SENGE, 2013).
As equipes JAs mais bem-sucedidas
serão aquelas que aprenderem mais rapida-
mente a transformar a visão discipuladora
em ações criativas e intencionais. O desafio
é encontrar novos caminhos (criatividade e

136
DIVISÃO SUL-AMERICANA

ples, sinceros, em que todos são ouvidos e e que fazem parte de um grande projeto que
também ouvem”. tem propósitos eternos.
O papel do líder JA, então, é catalisar
Sendo assim, as equipes têm outra
a sinergia, através da moderação das conver- clara vantagem, segundo Scholtes (1992),
sas e criar relacionamentos saudáveis den- sobre os esforços isolados: o apoio mútuo
tro da equipe. Os membros das equipes JAs que surge entre seus membros. O sinergis-
precisam sentir que, mais que uma equipe de mo, então, vem de pessoas trabalhando jun-
trabalho, eles fazem parte de uma comuni- tas de maneira produtiva em um projeto im-
dade, que estão trabalhando por uma causa, portante e onde eles sentem que os outros
estão sinceramente interessados neles e no
seu sucesso, e isso é, em geral, o suficiente
para manter o entusiasmo e apoio, mesmo
em tempos difíceis.
”O líder precisa demonstrar apre-
ciação por aqueles com quem
IMPLEMENTAÇÃO DE EQUIPES JAs
trabalha e criar, entre os membros
da equipe, um clima familiar, em
Existem diversos fatores que dificul-
que partilham preocupações e ale- tam a implementação de equipes, e entre os
grias, intercalando as demandas principais está o conflito entre os objetivos
do trabalho com momentos de co- individuais dos membros da equipe e os ob-
memorações e lazer”. jetivos gerais da equipe. Os autores e pes-
McGee-Cooper and Trammell (2002) quisadores Larson e LaFasto (em Bejarano
1989) afirmam: “… o maior inimigo da equi-
pe é o ego. Quando alguém diz: - como isso
pode me favorecer pessoalmente? - esse al-

137
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

guém tem que ser retirado da equipe”. apenas para as tarefas, deixando os relacio-
Senge (1997) parece concordar com namentos em segundo plano.
os autores anteriormente citados quan-
do afirma que “a excelência individual não TREINAMENTO DE EQUIPES
é substituída pela capacidade de trabalhar Implementar equipes sem dar o trei-
em conjunto, ao contrário, elas são comple- namento e a capacitação necessários para
mentares” e completa que a aprendizagem que essas equipes se tornem maduras é um
da equipe é superior ao somatório de todo o caminho seguro para o fracasso. O líder JA
aprendizado individual. não pode esquecer que formar a equipe
Para Marinho (2006), o grande pro- é só o primeiro passo, e para se alcançar
blema de muitas equipes é dar prioridade equipes maduras e com desempenho de
alta performance é necessário:

1 Dizer claramente

2
o que se espera da
equipe

Enaltecer o valor do

3
trabalho em equipe

Estabelecer
confiança na equipe,
estimulando-a,

4
orientando-a para
a execução de um
trabalho factível
Dar feedback

5 Reconhecer o bom

6
desempenho

Celebrar as vitórias
alcançadas

Cada membro da equipe deve tam-


bém conhecer as suas tarefas especificas
para que, como grupo, todos alcancem o de-
sempenho esperado. Sendo assim, para for- bendo diferenciar e dividir as funções e dons
mar uma Equipe JA de alta performance, o de cada um. Outras oportunidades de trei-
líder JA deve treinar as pessoas que fazem namento são as convenções JAs promovidas
parte dessa equipe. Ele deve buscar a ajuda pelo departamento do Ministério Jovem da
do pastor distrital e do coordenador JA para Associação/Missão, o clube de líderes JA,
potencializar a preparação da equipe, sa- o Programa de Desenvolvimento de Líder
138
DIVISÃO SUL-AMERICANA

(PDL JA) e os treinamentos oferecidos pelas ampla da produtividade. Uma boa reunião
demais áreas da igreja. pode aumentar a confiança entre os parti-
Quando o trabalho em equipe conta- cipantes, promovendo relacionamentos mais
gia o líder JA, todos os jovens começam a profundos e mais conexões de engajamento
trabalhar juntos, potencializando as ações – na causa JA.
As reuniões JAs precisam de
sem barreiras, sem facções, “todos em uma mais esforço do que simplesmente ter uma
única equipe”, movendo-se juntos na mesma agenda, ainda que uma pauta seja um item
direção. importantíssimo. Com um pouco de planeja-
mento, o líder JA pode promover melhores
reuniões e implementar algumas ideias, fa-
ORGANIZANDO REUNIÕES
zendo, por exemplo, o seguinte:
PRODUTIVAS COM A EQUIPE JA
a) Sendo claro sobre suas intenções:
As reuniões têm potencial para ser
se a intenção do líder é construir relaciona-
produtivas, se os líderes estiverem dispostos
mentos, cultivar participação, bem como sair
a mudar suas ideias para uma definição mais
com algo proveitoso da conversa, ele precisa

139
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

se certificar de que está sendo claro sobre no momento?”, “O que te dá alegria?”, “Quais
seu intento. Ele deve tornar os participantes são suas maiores forças?”, “Que coisa nova
cientes de sua intenção, para que todos pos- você sempre quis saber?”.

sam remar na mesma direção. e) Tornando a reunião interativa: é
b) Considerando o espaço da reunião: preciso ser um líder corajoso e forte para
nem sempre o líder terá a chance de esco- permitir que os outros falem. O líder deve
lher o lugar perfeito para reunir o seu grupo, deixar que os participantes da reunião per-
mas o espaço em que a reunião será realiza- cebam que ele está mudando a forma como
da é muito mais importante do que se pode conduz encontros, passando de um apre-
imaginar. Construir relacionamentos é mais sentador para um facilitador. Ele vai precisar
fácil em um local mais confortável, onde os levar as pessoas para alguma direção, mas
participantes possam relaxar. Por exemplo, vai mudar de atitude, passará 80% do tempo
em grandes cadeiras confortáveis e janelas escutando e 20% falando, ao invés de 80%
arejadas, em torno de uma mesa redonda (e do tempo falando e 20% escutando.
não quadrada). Esses são apenas detalhes, f) Usando grupos de discussões
mas todos eles contribuem para tornar o es- menores: caso a conversa pareça sufocan-
paço informal o suficiente para boas conver- te, o líder pode fazer uma pergunta para
sas e construção de relacionamentos. as pessoas discutirem em grupos menores
c) Definindo diretrizes explícitas com – duplas ou trios. Muitas vezes, isso é uma
base em intenções claras: pode-se seguir forma mais confortável para as pessoas fala-
estas regras básicas: solicitar para que os rem. É necessário conceder alguns minutos
participantes coloquem os smartphones no para discutir e depois unir todo o grupo em
silencioso, com o fim de que todos respei- torno da conversa sobre o que foi discutido
tem as ideias dos outros e/ou que levantem em grupos menores.
a mão antes de falar. Levar apenas 1 minuto Essas regras parecem simples para al-
ou 2 para solicitar que todos cumpram uma guns e complexas para outros, mas podem
diretriz em uma reunião. Uma boa reunião fazer toda a diferença no bom andamento
pode aumentar a confiança entre os partici- do trabalho em equipe, uma vez que coloca-
pantes da equipe JA, promovendo relaciona- das em prática. Não esqueça de que as pes-
mentos mais profundos. soas são mais importantes do que as coisas.
d) Começando com uma pergunta A partir desse pensamento, as coisas aconte-
pessoal: iniciar a reunião com uma questão cem com mais facilidade, empatia e tendem
pessoal que cada pessoa na sala pode resol- a funcionar de maneira eficaz e os resultados
ver brevemente. Mesmo que todos estejam são os melhores possíveis.
trabalhando juntos há muito tempo, o líder
pode fazer uma pergunta que ninguém sabe
a resposta, proporcionando, assim, novas in-
formações para conversas pós-reunião entre
os participantes.
Eles podem achar que têm
mais em comum do que pensavam ter. Al-
guns exemplos de perguntas que podem ser
incluídas: “Qual dom você está descobrindo

140
DIVISÃO SUL-AMERICANA

de ação ao ministério jovem do campo, re-


presentado pelo coordenador JA, ter a sua
A EQUIPE JA E SEUS aprovação e receber de bom grado seu pa-
recer ou conselho. Uma boa oportunidade
LÍDERES para trabalhar o plano de ação com o líder
de jovens do campo e sua equipe é a con-
A EQUIPE JA E O PASTOR DISTRITAL venção anual de líderes
A equipe JA de alta performance re- Os melhores líderes sabem ser lidera-
conhece que o pastor distrital é um valioso dos. Deve-se respeitar as autoridades cons-
conselheiro e um parceiro indispensável. Ela tituídas! Alguns acham que têm experiência
respeita suas habilidades e busca trabalhar suficiente e que não necessitam do conselho
sob sua liderança de maneira harmoniosa no do departamental do ministério jovem do
discipulado dos jovens. campo.
O líder JA e sua equipe não devem Alguns estão sempre em rota de co-
ser individualistas. Eles devem entender que lisão
com seu departamental de campo ou
fazem parte de uma equipe maior que está coordenador JA. É preciso ter cuidado. Os
sob a liderança do pastor distrital. departamentais da Associação/Missão fo-
ram nomeados para promover ramos impor-
ALGUMAS DICAS VALIOSAS: tantes da obra denominacional. Eles estão
Apresentar o plano de ação JA ao seu sob a direção geral da Comissão Diretiva da
01 pastor distrital; Associação/Missão, de comum acordo com
o seu presidente, que é responsável por to-
Não fazer acertos com a equipe JA da das as atividades da obra.  
02 sua igreja ou com outros líderes JAs
de outras igrejas, sem combinar com
o pastor;


Participar das reuniões e ações pro-


03 movidas pelo pastor distrital;

Lembrar-se de que o ministério jovem


04 deve ajudar o pastor distrital na reali-
zação de seu pastorado;


Não esquecer que o pastor ordenado


05 é a maior autoridade eclesiástica da
igreja.

A EQUIPE JA E O DEPARTAMENTAL
JA DA ASSOCIAÇÃO/MISSÃO
Alguns líderes JAs das igrejas locais
querem ser independentes. É dever do lí-
der JA e da sua equipe apresentar o plano
141
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

“Um programa de jovens também influencia


as percepções dos jovens quanto ao fato
de a igreja ser aberta, acolhedora, flexível e
empolgante. Jovens com um programa semanal
de ministério jovem são mais inclinados a ver
a igreja como se ela estivesse crescendo do
que aquele sem ele. Também percebemos que
os jovens das igrejas com ministério jovem
significativo são muito mais propensos a ver a
igreja como receptiva aos visitantes, no entanto
o oposto é verdadeiro para aqueles sem esse
programa. No geral, os jovens envolvidos
em ministério jovem significativo são muito
mais propensos a perceber o clima da igreja
saudável”.

DICA DE LEITURA
GANE, Barry. O caminho de
volta. Tatuí, SP: Casa Publica-
dora Brasileira, 2014, p. 91.

142
DIVISÃO SUL-AMERICANA

CAPÍTULO 9

143
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

de de avaliar e selecionar quais dentre es-


sas ideias são as mais promissoras. Outro é
LÍDERES CRIATIVOS, a transversalidade de pensamento, ou seja,
a capacidade em cruzar diferentes áreas de
PROJETOS conhecimento e chegar a novas conclusões.
Ao desenvolver a competência da
INOVADORES criatividade, os líderes JAs terão mais faci-
lidade para inovar e estimular a criação de
“Os líderes da Causa de Deus, como ge-
programas e projetos inovadores na sua
nerais sábios, deverão estabelecer planos
igreja local. O líder JA precisa impulsionar os
para o avanço em todas as frentes. No seu
processos criativos! A criatividade trará um
planejamento, deverão dedicar especial
novo oxigênio para o cumprimento da mis-
estudo ao trabalho que pode ser feito pe-
são do ministério jovem.
los leigos em favor de seus amigos e vizi-
nhos”. Ellen G. White, Testemunhos
CRIATIVIDADE
Vol. 9 p. 116/117
De acordo com Torrance (1965), “a
criatividade é o processo de tornar-se sen-
A ideia de que a criatividade é uma
sível a problemas, deficiências, lacunas no
característica inata que só alguns poucos
conhecimento, desarmonia; identificar a di-
têm, não podendo, portanto, ser ensinada
ficuldade; buscar soluções, formulando hi-
ou aprendida já foi superada há décadas.
póteses a respeito das deficiências; testar
Ela é uma das características mais mencio-
e retestar estas hipóteses; e, finalmente, co-
nadas em listas de competências desejáveis
municar os resultados”.
para um líder. Mas o que significa criativida-
Para Amabille (1996), a criatividade é
de no contexto da missão do ministério jo-
um conjunto de habilidades, motivações e
vem? Independentemente do que esteja no
estados que estão ligados à solução de pro-
dicionário ou até mesmo qual seja o signi-
blemas. Ela é influenciada pelo ambiente e
ficado etimológico da palavra, no ministério
composta de três elementos: conhecimento,
jovem, criatividade deveria significar a capa-
habilidades criativas e motivação.
cidade de apresentar novos caminhos frente
Há também quem defenda que a
aos desafios conhecidos e ações inovadoras
criatividade é produzida por meio da inte-
para novos desafios missionários.
ração entre os pensamentos de uma pes-
Nas últimas décadas, pesquisadores
soa e um contexto sociocultural, há casos
de diferentes áreas da ciência têm se dedi-
que podem exteriorizar-se naturalmente da
cado a entender a criatividade. Os estudos
própria personalidade humana, por se tra-
mais recentes focam na identificação de tra-
tar de uma função da mente humana, por
ços comuns do processo criativo. Um desses
vezes também precisa ser ativada por meio
traços é a alternância entre o pensamento
dos estímulos externos e internos. Segundo
divergente, que consiste em abrir caminhos
Anderson (1965), “criatividade representa a
e achar o maior número de ideias para so-
emergência de algo único e original”. Sendo
lucionar um determinado problema, com o
assim, a criatividade representa-se de múlti-
pensamento convergente, que é a capacida-
plas maneiras, onde cada indivíduo também

144
DIVISÃO SUL-AMERICANA

apresenta um perfil criativo distinto. A partir disso, entende-se que cria-


Não há máquina no mundo que pos- tividade é a capacidade humana de esco-
sa pensar criativamente. Mesmo o fantás- lher algumas dentre as várias possibilidades
tico computador Deep Blue, que derrotou preexistentes e mesclá-las, criando algo inu-
Kasparov, campeão mundial de xadrez, não sitado. Criatividade é “operar no modo da li-
possui pensamento criativo - apenas uma berdade” (Estevão Queiroga, GAIN 2014). É
capacidade imensa de combinar matemati- se arriscar num campo novo, no desconhe-
camente opções pré-definidas para alcan- cido. É se permitir experimentar um “modo
çar um objetivo previamente determinado. aberto” de pensamento antes de se executar
Esse computador é incapaz de, no decorrer uma ação no “modo fechado”.
da partida, tomar uma iniciativa que fuja da De acordo com o dicionário, criativi-
sua programação. E, mesmo que fosse, isso dade também é a qualidade de criador (Fer-
só seria possível porque, pelo ser humano, reira, 1975), onde criador é “o que cria ou
foi programado para tanto. A própria IBM criou”, e criar é “dar existência a”, “tirar do
acredita nessa ideia: seu slogan, em meados nada”. Tomada ao pé da letra essa definição,
da década de 70, era “machines should work, criatividade aparenta ser algo não apenas
people should think” (máquinas devem tra- além da compreensão científica, mas mesmo
balhar, pessoas devem pensar). impossível.
Segundo Edson Zogbi, a palavra cria-
tividade vive cercada de significados, alguns Na perspectiva bíblica,
pertinentes, como “ideias inovadoras”, “ex- Deus deu ao homem a chance e a
pressão artística”, “algo inédito”, “uma infor- capacidade de criar. Ele é a fon-
mação diferente” (que não tínhamos), “uma te de toda criatividade humana.
solução de um problema” (até então insolú- Deus é um ser essencialmente
vel), ou “um processo novo para se atingir criativo, afinal, no princípio, Ele
um objetivo”. Outros significados são mes- mesmo criou todas as coisas do
mo impertinentes e, como sugere o termo, nada (Gn 1:1) o ser humano foi
incomodam bastante, deixam as pessoas criado por Ele, conforme a Sua
desconfortáveis, como “uma viagem com fal- imagem e semelhança (Gn 1:26).
ta de contato com a realidade”, “coisas des-
comprometidas, até irresponsáveis”, “elucu- Não há nada de errado em fazer a
brações de gente maluca”, “fuga (intencional mesma coisa de um jeito diferente, nem é pe-
ou não) da realidade”, “perda de tempo com cado pensar “out of the box” (fora da caixa).
coisas que não servem para nada”, e assim A criatividade que temos, herdamos do nos-
vai a lista. so Criador! É um atributo divino. O teólogo
Essas nomenclaturas surgem de acor- Henri Nouwen, em seu livro Ministério Criati-
do com o ponto de vista (cosmovisão) de vo, ressalta que “competência e profundida-
quem está sendo impactado pela criativi- de não são medidas pela experiência ou pelo
dade, não de quem está gerando a ideia, ou tempo de serviço, mas, sim, pela qualidade
implementando-a, por isso a adesão (ou não de relacionamento com o Criador”. Isso sig-
adesão) à ideia tem que ver com o tipo de nifica que, quanto maior for a COMUNHÃO
conexão que ela cria nas pessoas. do líder JA com o Deus Criador, maior será

145
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

sua capacidade criativa. modernas a que estão expostos.


Exercer a liderança criativa exigirá do Sendo assim, a criatividade é uma
líder JA coragem para desafiar o status quo, “competência de sobrevivência” e deve ser
mas é necessário também ter simplicidade, colocada à disposição da missão, já que não
pois muitas das possíveis soluções para os se tem a menor ideia das transformações que
desafios do ministério jovem são mais sim- se darão pela frente e na forma como será
ples e ordinárias do que parecem. cumprido o IDE. Por isso, criar ministérios
criativos, programas e projetos inovadores
é o nome do jogo e, aliado a isso, é preciso
CRIATIVIDADE A desenvolver na equipe JA a capacidade de
pensar fora da caixa. Só assim, serão encon-
SERVIÇO DA MISSÃO tradas soluções inovadoras para os desafios
missionários que estão por vir.
“Há diferentes tipos de ministérios, mas o A competência da criatividade vai
Senhor é o mesmo”. 1Co 12:5 além de ter boas ideias, é também ter a ha-

Certa vez alguém definiu loucura


como o ato de querer alcançar resultados di-
ferentes fazendo a mesma coisa! Quem de-
seja impactar pessoas “diferentes”, precisa
fazer algo diferente, inovador, necessita de
ministérios criativos e programas e projetos
inovadores para impactar a igreja local.
É inegável que os jovens de hoje têm
capacidade de concentração cada vez mais
restrita e limitada e, até mesmo, pouca inti-
midade com os métodos mais tradicionais
da igreja. Esses fatores impõem aos líderes
JAs um ambiente desafiador e extremamen-
te dinâmico.
Na igreja do século XXI, tem-se públi-
cos-alvos com características muito diversas
e a correta seleção das ações missionárias,
dos programas e dos projetos é fundamen-
tal para atingir cada um deles. Certamente,
membros com idade mais avançada senti-
rão um maior conforto quando alcançados
por ações e programas tradicionais, mas,
de forma transversalmente oposta, jovens e
adolescentes precisam de programas e pro-
jetos criativos o tempo inteiro, de forma se-
melhante ao que ocorre com as publicidades

146
DIVISÃO SUL-AMERICANA

bilidade para fazer com que as ideias acon-


teçam; é a inovação na prática. Não adianta
A FORÇA, ENERGIA E
só ficar pensando e criando projetos mira-

+
CRIATIVIDADE DOS JOVENS
bolantes que não terão efeito prático. A cria-
ção deve ser motivada pela realidade, por
desafios reais a serem solucionados. Para A EXPERIÊNCIA E SABEDORIA
DE LÍDERES MADUROS
que isso seja possível, é preciso desenvolver
a curiosidade, a motivação, a força de von-
tade, a colaboração, a responsabilidade e =
INOVAÇÃO PARA
aprender que errar é parte da aprendizagem
A MISSÃO
no processo criativo.
Comunicar-se e implementar ministé-
rios, programas e projetos inovadores pode
o ímpeto e entusiasmo, mas eles não têm a
ser um desafio. Infelizmente, muitos líderes,
experiência, a sabedoria que é frequente-
ainda hoje, acreditam ser errado aderir às re-
mente obtida ao longo dos anos. É aí que um
des sociais e demais meios de comunicação
líder mais maduro entra com a experiência e
modernos ou até mesmo pensar fora da cai-
sabedoria adquirida por anos. A proposta é
xa para alcançar os jovens, sob pena de es-
simples: que tal tomar a decisão e correr o
tarem entrando na “mundanização da igre-
risco de trabalhar nesta pequena equação?
ja”, quando na verdade devem entender que
inovar na forma de comunicar o evangelho
MINISTÉRIOS CRIATIVOS, PROJETOS
e nos projetos para alcançar a comunidade
INOVADORES.
não é imitar o mundo, mas sim aproximar-se
Programas e projetos inovadores ga-
dele para tornar a igreja mais relevante e au-
nharam espaço em igrejas cuja finalidade é
mentar o engajamento dos jovens nas ações
compartilhar o evangelho de forma relevan-
missionárias. O desafio é grande, mas com
te para as novas gerações. Uma igreja que
certeza vale a pena.
promove o desenvolvimento de ministérios
Os jovens estão cheios de energia,
criativos, sempre será uma igreja que atrairá
força, vitalidade e criatividade. Eles têm todo
um número maior de jovens e terá um maior
engajamento na missão.
Há jovens que não se “encaixam” nos
ministérios tradicionais da igreja. Por conta
disso, muitos não têm oportunidade de de-
“A igreja local é a
senvolver seus dons espirituais em serviço
incubadora de criatividade,
a Deus e ao próximo. Infelizmente tem-se
onde são preparadas as
notado um imenso grupo de jovens que são
sementes de inovação para
apenas espectadores e não protagonistas na
o cumprimento da missão”.
missão, limitando sua vida cristã a simples-
(Carlos Campitelli)
mente assistirem aos cultos e programações.
Desenvolver ministérios criativos e
projetos inovadores é, na verdade, um pro-
cesso que envolve recombinação. Como
147
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

assim? É muito simples! Deus é o Criador e dEle ao criar!


Ele criou todas as coisas, afinal, como diria Parafraseando um antigo jargão pu-
o sábio Salomão, “não existe nada novo de- blicitário: existem mais de 1.000 maneiras de
baixo do sol” (Ec 1:9). Portanto, desenvolver pregar o evangelho, invente uma! Para falar
um ministério criativo consiste apenas em sobre Jesus na realidade atual, faz-se neces-
recombinar aquilo que já existe e apresentar sário o uso de muita criatividade, ousadia e
práticas inovadoras, ou uma nova roupagem, inovação. Foram reunidas algumas ideias de
para cumprir a mesma missão. O jovem pode ministérios criativos e projetos inovadores
servir ao Senhor com os seus dons e talen- para que o líder JA avalie e implemente no
tos, com a sua personalidade única, com ministério jovem da qual faz parte a fim de
aquilo que ele sabe fazer, através de minis- engajar um maior número de jovens nas ati-
térios criativos. Eles podem usar a sua criati- vidades missionárias e ser mais relevante na
vidade para testemunhar, como Deus usou a comunidade.

MINISTÉRIOS MISSÃO

+ Amigos para Jesus Levar os amigos para os programas especiais da igreja.

+ Louvor Apresentar concertos musicais em lugares públicos.

+ Alegria Visitar asilos.

+ Amor Visitar hospitais.

+ Carinho Visitar orfanatos.

+ Resgate Visitar jovens afastados da igreja.

+ Vida e Saúde Ensinar os oito remédios naturais em Feira de Saúde.

+ Light Alcançar jovens que desejam mudar o estilo de vida.


Convidar amigos para pedalada no final de semana e compartilhar o evan-
+ Ação
gelho.
+ Radical Usar esportes radicais para atrair jovens para Jesus.

+ Além Buscar novos lugares para pregar e, sempre, de formas inovadoras.

+ Verde Ensinar a preparar alimentos saudáveis.

Posso Orar por Você? Interceder por jovens em dificuldades.

Cenografia e Arte Pregar através de encenações.

Comunique-se + Treinar intérpretes de LIBRAS e alcançar surdos.

+ Restauração Evangelizar internos de clínicas de reabilitação para usuários de drogas.

+ Conexão Compartilhar conteúdo evangelístico através das redes sociais. (Feliz7play)


Criação de vídeos evangelísticos para postar no Youtube e em outras redes
+ Criação
sociais.
+ Influência Enviar livros com dedicatória especial para autoridades.

Capelania Penitenciária Ministrar estudos bíblicos em cadeias e penitenciárias.


Realizar programas musicais, recreativos e evangelísticos em escolas da
Capelania Escolar
rede pública de ensino.

148
DIVISÃO SUL-AMERICANA

O líder JA não deve se contentar, pen- deixaria a obra inacabada?


sando que não há novos caminhos frente Para ser criativo, não precisa ser com-
aos desafios missionários. Se Estatielma, No- plicado! Uma armadilha que, de forma geral,
raney e Leonardo tivessem pensado assim, costuma derrubar muitos líderes JAs é a ten-
nunca teriam começado a revolução missio- dência de imaginar que o mais elaborado é
nária da Missão Calebe. o mais criativo, ou seja, para se ter um bom
Não há nada que incomode mais os projeto ou programa é necessário muito tra-
membros de uma equipe JA do que um líder balho e muitos elementos. Na maioria dos
que não sabe bem para onde está indo. É o casos, menos é mais.
trabalho do líder JA compartilhar uma visão
forte sobre inovação para os esforços mis- IMPACTANDO A COMUNIDADE
sionários do ministério jovem em sua igreja Começar projetos de compaixão na
local. Aqui estão algumas perguntas para a comunidade é uma forma inovadora de criar
liderança começar a ponderar antes de pro- condições para que o evangelismo da igreja
por cada projeto ou ação: seja mais eficaz e eficiente. O líder JA criativo
busca ampliar o campo de atuação da igreja
• Por que fazer isso?
dentro da comunidade em que ela está inse-
• Quais são os objetivos e metas co- rida. Ele olha por vários ângulos diferentes
limados? a procura de um meio para tornar relevante
• Como chegar a esses objetivos e o papel da igreja no cotidiano das pessoas.
metas? Para tanto, é importante pensar em projetos
É preciso planejar e executar. Qual o que atendam a necessidade da comunidade
homem que, pretendendo construir sua casa, nas suas diferentes classes e faixas etárias.
não procura primeiramente os trabalhado- O envolvimento dos jovens fora das
res, engenheiros, materiais e projetos neces- quatro paredes da igreja em atos de serviços
sários para sua execução? Começaria ele a e compaixão fortalece a vida espiritual dos
empreitada sem os recursos necessários e jovens e seu crescimento como discípulos de

149
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

Cristo. A história do cristianismo foi marcada vido atue diretamente na solução de


pela dedicação de inúmeros discípulos “que demandas dos arredores da comu-
andaram por toda parte, fazendo o bem”. nidade local. Inclusive, isso ajudará a
(At 10:38). mensurar a efetividade da aplicação
Ellen G. White afirma que: “Unicamen- da ideia. Por exemplo: baixo interes-
te os métodos de Cristo trarão verdadeiro se pela leitura ou falta de atividades
êxito no aproximar-se do povo. O Salvador de lazer para crianças, adolescentes
Se misturava com os homens como Alguém e jovens.
que lhes desejava o bem. Manifestava simpa-
tia por eles, ministrava-lhes às necessidades Encontrar soluções inovadoras: com
04
e conquistava-lhes a confiança. Ordenava o desafio bem claro, o próximo pas-
então: Segue-Me”. so é analisar quais saídas são tecni-
Ações na comunidade são meios para camente possíveis e financeiramente
alcançar o coração daqueles que ainda não viáveis para serem colocadas em prá-
tomaram uma decisão por Jesus. Neste caso, tica. Avaliar criticamente se a solução
evangelismo e conversão são os objetivos proposta realmente reduzirá os pro-
principais, mas a ação social é um meio pre- blemas que foram listados no item
liminar útil e efetivo para alcançar esses ob- anterior.
jetivos.
Conectar pessoas: uma boa ideia e
A responsabilidade de iniciar projetos 05 um propósito nobre é um ótimo co-
de compaixão na comunidade é enorme. En-
meço. Mas, para a efetividade real de
volver-se com a dor do outro é uma deman-
ações de compaixão, deve-se con-
da que exige uma preparação psicológica e
centrar também energias em apro-
racional dos jovens envolvidos. Isso porque,
ximar voluntários que possam con-
para realizar o bem, é preciso conhecer os
tribuir na aplicação do projeto. Uma
males sociais de sua comunidade e pensar
ideia interessante é distribuir formu-
em ações para combatê-los. Pensando nisso,
lários simples na igreja, que pergun-
eis uma lista sugestiva com seis passos que
tam sobre o interesse das pessoas
o líder JA poderá seguir com os seus jovens
em projetos sociais e a vontade de
para implementar ações de compaixão na
fazer parte deles.
comunidade ao redor da igreja:

Oração: tudo começa com Deus; Focar intencionalmente no evange-


01 06
lismo: não esquecer que a verdadei-
Conversar com a liderança da igre- ra transformação da comunidade se
02 ja: o ministério jovem é parte dos es- dará a partir do conhecimento da pa-
forços da igreja e deve trabalhar em lavra de Deus.
harmonia com o programa geral da
Mesmo seguindo os passos para ini-
igreja.
ciar projetos de compaixão, nem sempre é
Identificar as necessidades: fazer o possível identificar os problemas reais exis-
03 tentes em uma comunidade.    Por isso, se-
levantamento de necessidades para
que o projeto social a ser desenvol- guem alguns projetos que podem fazer

150
DIVISÃO SUL-AMERICANA

parte da realidade da comunidade da qual • Aprendizagem profissional: algu-


o líder faz parte, eles são complementares à mas igrejas possuem espaço de sobra para
realização de ações de compaixão: oferecer aulas de aprendizagem profissio-
• Incentivo à música: um projeto nal para pessoas sem qualquer formação.
social que costuma ter um bom reconheci- Nesse tipo de projeto, é preciso encontrar
mento na comunidade é fomentar atividades voluntários para dar minicursos de manicu-
culturais, como o ensino de instrumentos re, informática, bordado e outras atuações
musicais e coral infantil, por exemplo. O líder profissionais. O ideal é fechar uma parceria
pode identificar e recrutar profissionais que com profissionais que já estão acostumados
tenham habilidades nessa área para que se- com projetos e que aceitem fazer parte das
jam voluntários em oficinas junto à comuni- ações. Além de ceder o espaço, o líder JA, ou
dade. Isso abre portas para aumentar a par- alguém de sua equipe, se torna responsável
ticipação de jovens em atividades da igreja por organizar a agenda e divulgar a iniciativa
e despertar o interesse em temas que talvez para atingir aqueles que realmente precisam
não tivessem sido cogitados antes. de uma formação profissional.
• Auxílio a moradores de rua: uma

151
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

importante missão da igreja é dedicar aten- • Reforço escolar.


ção e cuidado à população que se encontra • Alfabetização de adultos.
nas ruas, sem uma casa para morar. Nesse • Atendimento médico e odontoló-
sentido, o ministério jovem pode conduzir gico gratuito à comunidade.
campanhas para arrecadação de agasalhos • Orientação jurídica.
e alimentos. É preciso lembrar de organizar • Aconselhamento.
a entrega dos itens em períodos regulares. • Mutirão de limpeza.
Um ponto importante é identificar o telefone • Ajuda humanitária em casos de ca-
de centros que acolhem moradores de rua tástrofes, em parceria com a ADRA.
na região, a fim de incentivar a manutenção A seguir são apresentados dois pro-
desses locais para continuarem mantendo jetos que já impactaram diversas comunida-
profissionais que forneçam cuidados espe- des na América do Sul e que podem servir
cíficos. de inspiração na construção de mais pro-
• Doação de alimentos: um dos sé- jetos criativos que farão a diferença na co-
rios problemas que ainda desafia a humani- munidade de um líder JA que faz as coisas
dade é a fome. Nesse sentido, o ministério acontecerem:
jovem pode unir forças com a ASA para arre-
cadação de itens que possam ser distribuídos PROJETO DIA DE FAZER O BEM
às famílias que sofrem da privação alimentar, O projeto Dia de Fazer o Bem é a pre-
além de ensinar a reduzir o desperdício e a gação através de atos de compaixão pela
promover o consumo consciente. comunidade, porque as ações falam mais
• Amparo à família: infelizmente, a alto que palavras. É um estilo de vida mis-
realidade das famílias em situação de pobre- sional de uma geração de jovens adventistas
za e exclusão é muito dura. Lidar com a falta que têm as mesmas prioridades de Jesus e
de recursos está longe de ser o único pro- querem viver uma vida cheia do Seu amor e
blema. Em muitos casos, por fazerem parte bondade para com a humanidade e toda a
de um meio violento, as crianças e jovens se criação.
envolvem com práticas que não deveriam, O movimento surgiu na Bahia, no ano
como drogas, álcool e crimes. Entretantos de 2013, com a participação de 600 volun-
muitos projetos sociais que se destinam a tários que impactaram 8 comunidades de
amparar toda a família que se encontra nessa Feira de Santana. No ano seguinte, o projeto
situação, oferecem escola de esportes para envolveu mais de 15 mil voluntários em um
que as crianças passem menos tempo na grande movimento na cidade de Salvador,
rua, suporte psicológico aos pais e às crian- que revitalizou mais de 500 casas, praças
ças. Ou seja, essas iniciativas se apresentam e ruas da capital baiana. As ações tiveram
como projetos sociais muito completos. como objetivo influenciar, ensinar, incentivar
Algumas outras opções de projetos e oferecer oportunidades para jovens e uni-
de compaixão: versitários servirem a igreja na comunidade
• Feira Vida e Saúde. através da prática da compaixão que Jesus
• Sala de leitura. viveu diariamente.
• Atendimento ao imigrante. O projeto Dia de Fazer o Bem é mais
• Primeiro emprego. do que um evento, é um movimento. A ideia

152
DIVISÃO SUL-AMERICANA

é que o movimento de compaixão pela co- missão de Jesus Cristo, esse projeto consti-
munidade alcance todas as cidades. Movi- tui uma resposta às necessidades básicas de
mentos semelhantes ao Dia de Fazer o Bem diferentes grupos: pessoas que estão em si-
acontecem em várias partes do mundo. No tuação de rua, que sofrem de uma doença e
noroeste dos Estados Unidos mais de 20 mil estão internadas longe de casa, crianças em
jovens estão envolvidos no “Compassion” e casas ou em bairros desfavorecidos, entre
na Inglaterra eles estão servindo nas ruas de outros. A tarefa consiste em fornecer alimen-
Londres, sendo o coração, as mãos e os pés tos, roupas, calçados e abrigo, formando, as-
de Jesus sim, laços de amizade que levam os jovens a
Objetivo: realizar ações solidárias si- testemunharem do amor de Deus.
multâneas na comunidade nas áreas de saú- Existem dois grandes campos de mis-
de, cidadania, meio ambiente, educação, são a serem alcançados:

1
além da revitalização de casas e espaços co-
muns da comunidade.
Missão: oferecer qualidade de vida
aos beneficiados, além de aproximá-los da Externo: cuidar de pessoas em
situação e contexto de rua.
mensagem da Igreja Adventista.
Público Alvo: famílias de baixa renda
que vivem em uma realidade social de pre-
cárias condições financeiras e de acesso aos

2
serviços públicos.
Como promover: Mesmo que a campa-
nha publicitária esteja pronta, com cartazes, Interno: inserir o trabalho mis-
sionário para jovens com dificul-
banner para redes sociais, spots para rádio e dades de inserção nas atividades
missionárias da igreja. Essa ação
vídeos promocionais, tudo isso são apenas atua como um gatilho para que o
materiais. Para ser um sucesso, o Projeto Dia jovem possa participar de outras
atividades e adquirir um maior
de Fazer o Bem depende do engajamento grau de compromisso com a
igreja e seus projetos.
dos jovens e universitários na realização do
projeto em suas comunidades.
Parcerias: os organizadores do proje- Fundamentos:
to Dia de Fazer o Bem podem fazer parcerias O projeto é baseado na metodologia
com a Ação Solidária Adventista (ASA), com de trabalho que Jesus Cristo ensinou. A mis-
a Agência Adventista de Recusros Assisten- são que o Salvador deu à igreja é a de levar
ciais, (ADRA) e/ou com o poder público. o evangelho ao mundo inteiro (Mt 28: 19-20,
Mc 16:15), o que significa não só a pregar a
PROJETO AJUDA URBANA mensagem, mas também assegurar o bem-
O projeto nasceu no ano de 2005. Seu -estar de todos que fazem parte deste mun-
desenvolvimento ocorreu com propósitos do.
missionários, ajudando pessoas que pos- “Quando os corações simpatizam
suem maior vulnerabilidade social e vivem com outros corações oprimidos pelo desâ-
num contexto de pobreza e extrema neces- nimo e angústia; quando a mão distribui aos
sidade. Tomando, como exemplo, a vida e necessitados. Quando os nus estão vestidos,

153
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

os estranhos são bem-vindos ao seu quarto senvolver seus próprios projetos, que podem
e têm um lugar no seu coração, os anjos se variar desde o acompanhamento de pessoas
aproximam e um acorde ressoa como uma de rua, visitas a hospitais, lanchonetes, casas
resposta no céu” (Testemunhos, volume 2, p. carentes, asilos, famílias com necessidades
25). Este é o objetivo central daqueles que especiais, entre outros.
realizam a Ajuda Urbana. Alguns aspectos devem ser levados
em consideração antes de realizar as visitas,
OBJETIVOS especialmente as que envolvem pesssoas
• Acompanhar de forma integral: es- em situação de rua:
piritual, material, afetiva e emocional com as • Reconhecimento da área (praças,
pessoas necessitadas e de maior vulnerabil- metrôs, avenidas e ruas paralelas, etc).
idade social. • Elaboração de um roteiro (quais os
• Buscar melhorar a qualidade de lugares escolhidos).
vida das pessoas visitadas por meio da en- • Divisão das tarefas entre os partici-
trega de alimentos, roupas, cobertores, além pantes (responsável por arrecadar doações,
de aconselhar e encaminhar para o acesso a compra de ferramentas, responsável pela
recursos comunitários, públicos e privados, meditação, etc).
aos quais elas podem recorrer para suprir al- • Definir os meios de transporte que
gumas das suas necessidades. serão utilizados na ação (carro, trem, ônibus,
a pé, etc).
CAMPO DE AÇÃO • Arrecadar doações (campanhas na
Interno: igreja, com os amigos, com a comunidade,
• Diretos: os jovens, reconhecendo através das redes sociais) e definir equipe
a disposição às atividades solidárias. O pro- para montar os kits que serão entregues.
jeto oferece uma oportunidade de integrar • Definir a hora da saída e o local de
os amigos nesta tarefa de ação social, que encontro e separar grupos de ação, tendo
se torna uma forma de desenvolvê-los como todos os tipos de pessoas, tomando o cuida-
futuros líderes. do de não sair sozinho para realizar as ativi-
• Indiretos: A familia dos jovens que dades.
participam e a IASD como um todo.
Externo: ORGANIZAÇÃO
• Diretos: o conjunto de pessoas que O “Ajuda Urbana” atua em parceria
se encontram em situação de pobreza e têm com a Assistência Social Adventista (ASA)
necessidades espirituais e afetivas não sat- da IASD. O líder nomeado para o projeto
isfeitas. deve participar das reuniões de planejamen-
• Indiretos: os familiares e amigos to na igreja, pois esses encontros possibili-
mais próximos das pessoas que passam a tarão o cumprimento dos objetivos funda-
ser reinseridas a uma vida social digna e a mentais do grupo. As decisões tomadas e
própria sociedade em que estão inseridas. os itens trabalhados devem ser comunica-
dos ao grupo pelo líder. Cada equipe deve
ATIVIDADES eleger um tesoureiro, que será responsável
Cada grupo possui a autonomia de de- por administrar a entrada e saída de recur-

154
DIVISÃO SUL-AMERICANA

sos recebidos de doações ou contribuições das, principalmente, por compartilharem os


dos membros do grupo. Esses recursos são mesmos costumes, comportamentos, ideias,
destinados às necesidades do trabalho, tais estilos musicais, culturas e cosmovisões. É
como aluguel de espaços, compra de mate- possível mencionar como tribos urbanas
riais, roupas, utensilios domésticos, copos, existentes, os Surfistas, os Skatistas, Góti-
calçados, cobertores, entre outros. Alguns cos, Hippies, Grafiteiros, dentre outros. Cada
grupos atuam em parceria com a igreja lo- grupo tem sua própria ideia acerca de um
cal e a contabilidade é realizada pela pró- assunto qualquer. Muitas vezes, por não en-
pria tesouraria da igreja, sendo, nesse caso, tender os costumes dos outros, algumas pes-
o departamento estabelecido e eleito pela soas pensam que só os seus costumes é que
comissão. estão certos. Talvez, para eles, seja esquisito
ver um africano vestido orgulhosamente de
uma capa de frio, em um local onde o clima é
sempre quente. No entanto não consideram
esquisito quando, num dia de muito calor,
Com essas ideias, o líder um pastor prega em uma igreja vestido de
JA poderá inovar a maneira paletó e gravata (e suando muito). Da mes-
como se faz missão na sua ma forma como os costumes dos outros pa-
igreja. Será mais criativo recem estranhos para alguém, os costumes
no modo de elaborar os desse alguém também podem ser conside-
projetos, mas não esquecerá rados ridículos e engraçados para os outros.
que a criatividade maior O ministério jovem tem a responsabi-
está na forma de tocar as lidade de cumprir a ordem de Jesus para ir
pessoas! e fazer discípulos de todas as nações. Con-
tudo, alguns têm enfrentado grandes dificul-
dades e desafios para comunicar a Palavra
de Deus e aplicá-la socialmente para as dife-
rentes tribos urbanas. Em muitos casos, não
é de um dia para o outro que as tradições
O EVANGELISMO DAS TRIBOS
e formas culturais são transformadas para
As relações sociais entre os seres hu-
uma obediência radical e total às Escrituras.
manos envolvem vários motivos, entre os
Por isso, a seguir são apresentadas algumas
quais, pode-se citar: o nível socioeconômico,
orientações sobre como evangelizar diferen-
a política, a educação, o idioma, a religião,
tes grupos de pessoas, de maneira eficaz e
idade, sexo, vestimenta, etc. Ultimamente,
eficiente:
várias pessoas que vivem nos grandes cen-
tros, principalmente os jovens, têm se orga- Analisar. Quem quiser alcançar e co-
01
nizado nas já conhecidas “tribos urbanas”, municar o evangelho para um grupo
expressão criada pelo sociólogo francês Mi- cujo modo de vida é diferente do seu,
chel Maffesoli, em 1985, chamada pelos so- precisa estar em condições de anali-
ciólogos de “subculturas” ou “subsocieda- sar as razões de sua maneira de pen-
des”. (TRIBOS URBANAS, 2011). sar, agir e viver, isto é, “mergulhar” na
As tribos urbanas são caracteriza- cultura do outro, a fim de compreen-
155
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

der a sua cosmovisão. (BURNS; AZE- ria uma das formas de apresentar o
VEDO; CARMINATI, 1995). evangelho de maneira mais clara e
compreensível para essas pessoas.
Ter convicção. É preciso realmente (RICHARDSON, 2008).
02
entender que o trabalho feito pelos
jovens adventistas não consiste em Preocupar-se com o conteúdo. Faz-
convencer as pessoas de que eles es-
07 -se necessário, também, preocupar-se
tão certos e elas erradas. A verdadeira não apenas com a forma, mas princi-
motivação deve ser o amor de Cristo, palmente com o conteúdo que está
que impele a juventude a comparti- sendo apresentado. Somente a recon-
lhar o evangelho. (DENNETT, 2004) ciliação do homem com Deus, pelo
sacrifício vicário de Jesus Cristo, pode
Demonstrar cuidado para com as pes- transformar o coração do homem,
03
soas e atenção pelas suas necessida- abrindo caminho para que, pelo Es-
des terrenas. (DENNETT, 2004). pírito Santo, todas as relações huma-
nas possam ser santificadas (BURNS;
Ser cuidadoso para não distorcer o
04 evangelho, a fim de torná-lo aceitável, AZEVEDO; CARMINATI, 1995).

enfraquecendo, desta maneira, a men- E por fim, é preciso ser como sal e fer-
sagem. (DENNETT, 2004). mento, trazendo transformação ao mundo.
Os jovens adventistas devem viver como co-
Contextualizar. A contextualização, munidade contracultural e como indivíduos
05
dentro desse contexto, significa tor- no mundo, demonstrando a semelhança
nar o evangelho relevante dentro de de Cristo na vida, como indivíduos e como
uma cultura ou tribo, dentro
do contexto no qual as
pessoas vivem, para que
possam compreendê-
-lo. É verdade, como
já visto anteriormen-
te, que a mensagem do
evangelho não deve ser
alterada, todavia o méto-
do de evangelização pode
ser adaptado. O próprio Je-
sus fez uso de parábolas e
elementos da vida cotidiana
com o objetivo de fazer aplica-
ções morais. (DENNETT, 2004).

Usar analogias com o evangelho.


06 O uso da analogia do evangelho
com os costumes dessas tribos se-

156
DIVISÃO SUL-AMERICANA

comunidades de discípulos de Cristo. (HIE- portanto, fazei discípulos de todas as nações,


BERT, 2016). batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e
O intuito deste tópico foi apresentar do Espírito Santo; ensinando-os a guardar
algumas orientações acerca de como evan- todas as coisas que vos tenho ordenado. E
gelizar as diferentes tribos urbanas, cum- eis que estou convosco todos os dias até à
prindo, assim, a ordem dada por Jesus de ir consumação do século”. (Mateus 28:19, 20).
e fazer discípulos de todas as nações. “Ide,

“Todos os jovens estão


em busca de significado ou
se esforçando para entender
o mundo. Para alguns, isso
corresponde a uma busca pelo
prazer. Mas, para muitos, há o
desejo de ter relacionamentos e de
desenvolver a espiritualidade. Eles
querem saber onde se encaixam o
esquema das coisas”.

DICA DE LEITURA
GANE, Barry. Operação
resgate. Acerte o Alvo. Tatuí,
SP: Casa Publicadora Brasi-
leira, 2010, p. 131.

157
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

CAPÍTULO 10

158
DIVISÃO SUL-AMERICANA

• Eles precisam lidar com os desa-


fios de uma sociedade relativista, que foge
DESENVOLVENDO de verdades absolutas.
• • Eles têm que planejar abordagens
PESSOAS PARA novas e criativas. Os métodos que trouxeram
alguns para a igreja há vinte anos podem
SERVIR não funcionar mais hoje. É tempo de ouvir
os jovens e deixá-los conduzir o movimento
UMA NOVA GERAÇÃO DE LÍDERES missionário.
O século XXI viu surgir uma nova ge- • Precisam explorar as novas mídias
ração, com novos comportamentos, novas para alcançar os jovens. Eles estão crescen-
expectativas e novas soluções. As carac- do com a tecnologia na palma das mãos. Se
terísticas dos jovens da atualidade estão os líderes permanecerem ausentes das no-
determinando os destinos da sociedade e vas mídias, perderão a chance de comunica-
também da igreja. Para liderar essa geração ção com muitos deles.
revolucionária, é preciso lidar com os proble- • Devem encontrar caminhos para
mas que as gerações anteriores não pude- transmitir valores e o estilo de vida da igreja
ram superar e solucionar aqueles que ainda aos jovens, de modo que lhes pareçam sig-
nem existem. nificativos.
Os novos jovens valorizam muito, mui- • Precisam tornar acessíveis e sig-
to mesmo, a relação que tem com seu líder. nificativas, às novas gerações, as poderosas
Se for positiva, eles se engajarão nas ativi- mensagens que foram dadas à igreja, através
dades da igreja e evoluirão até se tornarem do ministério profético de Ellen G. White.
líderes; se for negativa, eles se esforçarão • Devem dar ao evangelismo, através
para se colocar em outra realidade. Neste da compaixão, o primeiro lugar em seu plano
caso, não se trata de estabelecer uma re- de ação.
lação “paternalista” ou “franciscana” entre É perceptível que são grandes os de-
o líder e o jovem. O que essa nova geração safios e que o líder JA não pode ser o único
busca é um MENTOR, que se preocupe com mentor da juventude. O líder JA deve buscar
seu desenvolvimento e que apresente desa- ajuda de adultos experientes e de jovens já
fios estimulantes, que os levem a viver novas maduros na caminhada do discipulado para
experiências como protagonistas na obra de se unirem a ele como mentores (discipula-
Cristo. dores) dos jovens sob sua liderança. A obra
Esse é o desafio que está nas mãos da de Deus não poderá ser concluída sem os
nova geração de líderes JAs. Em termos prá- jovens da igreja, e os líderes são as pessoas
ticos, o que isso significa? eleitas para impulsionar essa ação!
• Os líderes JAs devem transformar
os jovens em discípulos, conduzindo-os a um
relacionamento com Jesus que dure a vida
toda. Um relacionamento que vá além de uma
semana de oração e/ou um congresso, e que
alcance todos os momentos e etapas da vida.

159
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

MENTORING COMO FERRAMENTA Segundo James Hunter, autor do livro


DE DESENVOLVIMENTO “O Monge e o Executivo”,
“Um líder tem como principal objeti- “O papel do líder é servir, isto é, iden-
vo gerar outro líder. Ouse ver todos os seus tificar e satisfazer necessidades legítimas.
liderados como futuros líderes e comece a Neste processo de satisfazer necessidades
agir a partir disso”. Joel Comiskey será preciso frequentemente fazer sacrifí-
cios para aqueles a quem servimos”.
Um time de líderes criativos, inovado- Nessa perspectiva, a imagem de um
res e que use as mídias para se conectar com líder servidor é da pessoa que vai à frente
as novas gerações é fundamental para que do grupo, na selva, abrindo caminho com
qualquer ministério seja bem-sucedido no seu facão para que os outros possam passar.
século XXI. Contudo a essência da liderança Esse é o papel do líder, abrir caminho e reti-
e a caraterística indispensável para um líder rar obstáculos para que seus liderados pos-
jovem eficaz é a capacidade de servir. sam caminhar mais facilmente, vencendo os

160
DIVISÃO SUL-AMERICANA

obstáculos que surgem. Counseling  ou  Aconselhamento  é


Os líderes JAs devem ser líderes ser- uma atividade pontual exercida por um con-
vidores. A liderança, então, é uma platafor- selheiro contratado para ajudar a mapear
ma para o serviço. O líder servidor atreve- uma situação ou problema para quem pre-
-se a indicar o caminho a ser seguido pelos cisa tomar uma decisão importante e impac-
seus liderados e tem a coragem de ir à frente tante na vida pessoal e profissional.
conduzindo o grupo ao alcance do objetivo Coaching  é a atividade exercida por
pretendido. Ele facilita o caminho para os um profissional certificado (coach) que se
outros. Serve. utiliza de técnicas, ferramentas e metodolo-
Os registros encontrados sobre o mi- gia, de forma contundente, para apoiar seu
nistério de Jesus nos evangelhos são um cliente (coachee) a atingir resultados, me-
modelo prático e inspirador de uma lideran- tas ou tomada de decisão. O coaching pode
ça servidora. Jesus sempre desenvolveu seu ser utilizado para estabelecer estratégias e
ministério em função do momento a partir alcançar resultados na vida  pessoal  (saú-
do qual seus discípulos teriam de substi- de, lazer, relacionamentos e espiritualidade)
tuí-lo em sua obra e sair pelo mundo, le- ou profissional (desenvolvimento da carreira,
vando o evangelho da redenção. Tornar finanças, competências, etc).
os seus discípulos protagonistas na mis- Mentoring ou mentoria é a atividade
são foi a sua intenção. Esta convicção está exercida por um líder experiente, que usa
fundamentada no texto de Lucas 4:19 e seus conhecimentos e vivências em uma de-
20: “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e terminada área para partilhar experiências
eu vos farei pescadores de homens. Eles, com seu protegido ou mentorando. O men-
pois, deixando imediatamente as redes, o tor trabalha intencionalmente para ajudar
seguiram”. Foi assim que Jesus trabalhou um líder em formação a lidar, por exemplo,
para que seu objetivo se cumprisse na com situações difíceis e de estresse, com-
Terra; e quando esse princípio é colocado partilhando experiências sobre situações
em prática, temos líderes mais eficazes. passadas já vividas pelo mentor e agora en-
Líderes servidores trabalham in- frentadas pelo protegido ou mentorando. O
tencionalmente para formar outros líde- mentor geralmente tem experiência na área
res, desenvolvendo pessoas para uma de seu mentorando.
missão. O líder JA deve ser alguém que
reconhece as habilidades e limitações APROFUNDANDO O CONHECIMENTO
dos seus liderados e trabalha para que SOBRE MENTORING
eles se desenvolvam e alcancem o ní- O termo mentoring vem da palavra
vel esperado como discípulos de Cristo. mentor, que a maioria dos autores atribui à
Eles também servem como exemplo para figura de Mentor, personagem do livro Odis-
aqueles que estão iniciando a sua cami- seia de Homero. Mentor era amigo de Odis-
nhada na liderança. 
 seu e, quando ele parte para participar na
Quando se trata do desenvolvi- Guerra de Tróia, deixa Mentor responsável
mento de líderes, há três tipos de aborda- pelo seu filho Telêmaco. Quando Atena visita
gens que podem ser utilizadas Counse- Telêmaco, toma a forma de Mentor e encora-
ling, Coaching e Mentoring, que significa: ja-o para descobrir o que realmente aconte-

161
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ceu com o seu pai. cultura entre gerações de lideranças, aspec-


A maior parte dos autores consulta- to crítico para a sustentação de longo prazo
dos define o mentoring como sendo meca- das organizações.
nismos ou atividades que focam no desen- Assim, o processo de mentoring se
volvimento pessoal ou profissional de um baseia na assistência prestada pelo mentor
indivíduo. Tradicionalmente, pode-se enten- ao mentorando, fundamentada nas práticas
der a relação de mentoring como aquela em de ensino e aprendizagem, onde, de acordo
que uma pessoa mais experiente (mentor) com Bell (2005), “alguém que ajuda outrem
oferece apoio em relação ao desenvolvimen- a aprender algo que seria, de outra maneira,
to de uma pessoa menos experiente (men- aprendido não tão bem, mais lentamente ou
torando ou protegido). É uma relação entre de nenhuma maneira”.
duas pessoas, dentro de uma mesma organi- Hendricks (2006) observa que: “No
zação (HIGGINS; KRAM, 2001). relacionamento de mentoria dos líderes re-
O termo mentoring remete direta- ligiosos, podem-se encontrar alguns bene-
mente à ideia de desenvolvimento, ao apoio fícios que influenciam a vida destes líderes,
pessoal e de carreiras, e à mudança, sendo provocando mudanças e transformações em
uma ferramenta valiosa para indivíduos que sua caminhada vocacional: a possibilidade
estão passando por transições em suas vi- de crescimento genuíno, a capacidade de
das, com ênfase nos níveis organizacional e encontrar um modelo a ser seguido, a pos-
individual do mentorando. sibilidade de atingir seus objetivos de forma
Um conceito mais simples é o de que clara e madura, a visualização de um padrão
mentor é alguém que age de forma determi- de Deus para o seu crescimento e o bene-
nada (à semelhança de um pai), a fim de in- fício ocasionado à vida daqueles que serão
fluenciar o desenvolvimento de outra pessoa, liderados”.
geralmente mais nova, causando impactos Sendo assim, mentorear é manter um
emocionais profundos, nutrindo e influen- relacionamento no qual uma pessoa investe
ciando o caráter daquele que é mentorado. de si mesmo na vida de outro. O exemplo de
O mentoring promove a confiança Elias e Eliseu, encontrado no livro de I Reis,
entre as partes; é um processo de aprendi- capítulo 19, é um dos casos de mentoring
zado constante, em que o mentor fornece mais bem-sucedidos da história. Do RELA-
feedbacks para o protegido; é uma relação CIONAMENTO de Elias e Eliseu, é possível
de orientação, em que não há punições por extrair alguns passos fundamentais para o
baixa performance e pode se tornar uma re- mentor:
lação de longo prazo, existindo mesmo fora • Tomar a iniciativa (I Rs 19:19) - Elias
das organizações. estava disposto a compartilhar com Eliseu a
De acordo com Kraus (2007), “men- sua vida.
toring é entendido como a ‘transferência • Estar disponível - Não havia livros,
de sabedoria’. É o processo pelo qual um áudios ou vídeos, mas através do RELACIO-
indivíduo aprende com alguém com mais NAMENTO Elias influenciou Eliseu.
experiência num determinado campo, me- • Servir de exemplo e modelo - Esse
taforicamente mais velho e mais sábio”. O é o principal aspecto do processo. Elias deu a
mentoring, então, auxilia na transferência de Eliseu a oportunidade de observá-lo em ação.

162
DIVISÃO SUL-AMERICANA

Ellen G. White destaca o modelo utili- que seja fielmente instruída pelos obreiros
zado por Elias ao afirmar: “Que os obreiros mais velhos, e ensinada a olhar sempre para
mais idosos sejam educadores, mantendo-se Aquele que é o autor e consumador de nossa
a si mesmos sob a disciplina de Deus. Que os fé”. (Ev, 683.3)
jovens sintam ser um privilégio estudar sob Elias capacitou Eliseu para agir. Não
a direção de obreiros mais velhos, e tomem há dúvida que ele serviu de mentor para o
toda a responsabilidade compatível com seu servo de forma intencional, e que a sua
sua mocidade e experiência. Assim educava vida se reproduziu em Eliseu. Para Kouzes &
Elias a mocidade de Israel nas escolas dos Posner (2009), o desenvolvimento de pes-
profetas; e os moços hoje em dia devem soas não é apenas uma moda passageira da
ter idêntico preparo. Não é possível indicar liderança. Eles afirmam que a capacitação “é
em todos os particulares a parte que a algo baseado no conceito bíblico do sacer-
juventude deve desempenhar; mas cumpre dócio de todo cristão”.

163
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

É também responsabilidade do men- como nos alunos”. (CES, p. 116.1)


tor (líder), desenvolver em seus mentorea- • Acompanhamento físico: o mentor
dos (líderes em formação) o seu caráter e busca ajudar os líderes em formação em seu
competência. desenvolvimento físico. Descobre quais ati-
vidades físicas interessam aos mentorandos
O QUE ENVOLVE O MENTORING? e junta-se a eles para realizá-las. Incentiva-
Acompanhamento espiritual: o men- -os, também, a aprender novas maneiras de
tor está comprometido em guiar e propor- serem mais ativos e mais saudáveis.
cionar orientação espiritual aos líderes em • Acompanhamento moral: o men-
formação, levando-os a adotar uma vida tor ajuda o líder em formação a “purificar
baseada em Cristo e comprometida com as o seu caminho” (Salmos 119:9). Um mentor
atividades espirituais da Igreja. Por exemplo, torna-se inútil se ele não for um cristão com-
orando com os mentorandos, incluí-los no prometido, dedicado a viver uma vida de
tempo de oração pessoal e, o mais impor- COMUNHÃO com Jesus, que, portanto, será
tante, permitir que eles vejam o modo como digno de ser imitado. Isso não significa ser
o mentor lida com os desafios e lutas que perfeito. O mentorando vai aprender mais,
surgem em sua vida. vendo como um ser humano defeituoso vive
“Nunca deveis colocar a juventude humildemente, dependente de Cristo em
sob a orientação de indivíduos espiritual- todas as situações. Descubra quais são os
mente indolentes, os quais não possuam pontos fortes e fracos do seu mentorando,
altas, elevadas, santas aspirações, porque o e trabalhe em conjunto com ele para poten-
mesmo espírito de indiferença, farisaísmo e cializar as forças e preencher as lacunas. O
formalidade, será visto tanto nos professores mentor pode ser também uma grande ajuda

164
DIVISÃO SUL-AMERICANA

em situações de pressão, ao dar feedback


sincero, sendo um apoio nas recaídas, auxi-
liando na tomada de decisões e lembrando PROGRAMA DE
aos líderes em formação que as pessoas são
mais fortes juntas. DESENVOLVIMENTO DE
• Suporte social: o mentor deve aju-
dar o líder em formação a criar e manter re-
LÍDERES (PDL JA)
lacionamentos saudáveis. Deve ensinar para
O Programa de Desenvolvimento de
os mentoreados a importância da vida em
Líderes (PDL JA) da Divisão Sul-Americana
comunidade e de se preocupar com os ou-
é voltado para todos os líderes e líderes em
tros, seguindo, assim, o exemplo de Cristo
formação que estão envolvidos no ministério
em aceitar e se fazer disponível para todos
jovem. O PDL é, também, um curso de atua-
os tipos de pessoas.
lização para aqueles que já foram investidos
Conclui-se, então, que o mentoring
nas classes de liderança JA.
pode ser entendido como uma ferramenta
Esse programa pode ser aplicado por
de desenvolvimento de pessoas para a lide-
meio de um curso de 10 horas, realizado de
rança, mas com objetivo de desenvolvimen-
modo presencial, em encontros oferecidos
to da pessoa de maneira integral. As duas
pela Associação/Missão ou através de vi-
partes presentes na relação são o mentor
deoaulas e interações no ambiente virtual,
(líder experiente) e o mentorando (aprendiz,
especialmente preparado para o projeto. O
protegido ou líder em formação). É impor-
programa propõe desenvolver 10 compe-
tante notar que para ambos os casos, uma
tências fundamentais de liderança, reunir
excelente relação de confiança é fundamen-
conteúdo teórico, atividades práticas e ex-
tal para que os objetivos sejam alcançados
periências relevantes que promovam mu-
de forma eficaz.
danças significativas no comportamento
dos participantes.

O PDL tem cinco propósitos básicos:

01
Permitir que os participantes compreendam os desafios e
possibilidades inerentes à função de líder do Ministério Jovem.

02
Conscientizar cada participante sobre o valor dos ideais,
da história e da visão de discipulado do ministério jovem e sua
relevância no contexto da liderança para as novas gerações.

03
Desenvolver habilidades ligadas ao desenvolvimento
de pessoas e mentoring, como: espiritualidade, ética, visão,
valores e o papel da liderança servidora.

04
• Melhorar a entrega de resultados dos líderes JAs através
da formação de uma equipe de trabalho e implementação de um
plano de ação com pilares criativos e inovadores.

05
Possibilitar aos participantes uma vivência
transformadora mediante um programa prático, interativo,
e com recursos disponíveis em uma plataforma virtual.

165
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

As competências listadas abaixo com- Parte do conteúdo teórico e atividades prá-


põem o PDL JA da Divisão Sul-Americana. ticas já estão presentes neste manual.

AS 10 COMPETÊNCIAS DO LÍDER JA:


COMPETÊNCIAS OBJETIVOS

• Viver, promover e ensinar os ideais do Ministério Jovem Adventista.


• Conhecer a história, a visão, a missão e o método da IASD e usar tudo
INSTITUCIONAL
isso como referencial para a construção do plano de ação do ministério
jovem na igreja local.
FUNDAMENTOS • Entender os princípios do discipulado bíblico e suas aplicações para o
FILOSÓFICOS DA ministério jovem.
LIDERANÇA E VISÃO implementar ações intencionais para o discipulado integral dos jovens
DE DISCIPULADO adventistas.
• Ser um referencial ético e espiritual para a juventude.
ÉTICA E
• Liderar uma revolução espiritual na vida dos jovens adventistas, forta-
ESPIRITUALIDADE
lecendo a devoção pessoal, adoração e o ensino das Escrituras.
CRIAÇÃO DE
• Fortalecer o discipulado integral através da criação de comunidades
COMUNIDADES
saudáveis, pastoreio e sociabilização para a juventude.
SAUDÁVEIS
CAUSA E • Engajar os jovens nos projetos de missão através dos seus dons para
ENGAJAMENTO cumprir a comissão de At 1:8.
• Tornar o ministério jovem relevante para a igreja local e integrar os jo-
PLANEJAMENTO E
vens nas ações missionárias e na vida da igreja.
EXECUÇÃO NA IGREJA
• Preparar-se a partir de treinamentos e materiais disponíveis e apresen-
LOCAL
tar um cronograma de ações e propósitos para o ministério.
• Organizar o ministério jovem da igreja local em equipes e fortalecer as
ações, programas e projetos com ênfase no discipulado.
• Saber ouvir e lidar com todos os tipos de pessoas e objetivos, criando,
TRABALHO EM EQUIPE
assim, grupos fortes e engajados na missão.
• Saber valorizar os relacionamentos e as necessidades das pessoas,
tornando as equipes fortes, humanas e cada vez mais unidas.
• Transpor o abismo comunicacional fortalecendo o diálogo com as no-
vas gerações através das novas mídias.
COMUNICAÇÃO COM
• Estar atualizado dos meios sociais utilizados pelos jovens e fazer-se
AS NOVAS GERAÇÕES
presente e atuante em todas as redes, mas sem abrir mão do “face to
face”.
• Criar um ambiente propício para a criatividade e a inovação
Incentivar o surgimento de ministérios de serviço para atender às necessi-
INOVAÇÃO E dades da comunidade.
CRIATIVIDADE • Identificar as tendências e mudanças diárias da sociedade, entenden-
do, assim, como alcançar pessoas para o Reino de Deus de forma eficaz e
intencional.
• Liderar pelo exemplo e focar, intencionalmente, na criação de novos
DESENVOLVIMENTO
líderes por meio do mentoring e do desenvolvimento das competências
DE PESSOAS E
de liderança.
MENTORING

166
DIVISÃO SUL-AMERICANA

FERRAMENTAS DISPONÍVEIS: pastores distritais, coordenação re-


• Manual do Ministério Jovem gional e dos líderes de jovens das
• Site oficial do PDL JA (www.liderja. igrejas locais.
com)
• Aplicativo para Android e IOS Os critérios para participar de um
03
• Videoaulas clube de lideres são os mesmos pré-
• Apresentações em PowerPoint requisitos para o início do cartão de
líder JA.

O CLUBE DE LÍDERES JA Os membros iniciantes do clube de


04 lideres são chamados de líderes em
O Clube de Lideres JA (outras nomen-
claturas são utilizadas para a mesma estrutu- formação, uma vez que os mesmos
ra) é uma escola para a formação de líderes ainda estão se preparando para a in-
que trabalham sob a orientação do Departa- vestidura em líder JA.
mento do Ministério Jovem da Associação/
Missão e é supervisionado pela coordenação As reuniões do clube de líder de-
05 vem ser regulares, podendo ocorrer,
JA.
Partindo deste princípio, o clube de lí- no mínimo, uma vez ao mês. A pro-
deres foi estabelecido com os seguintes ob- gramação e a duração da reunião é
jetivos: flexível, mas devem ser informadas
• Aprimorar as competências funda- com antecedência aos participantes.
mentais do líder do ministério jovem.
As reuniões do clube de líderes in-
• Disponibilizar ferramentas para 06 cluem: a) meditações bíblicas que
potencializar ainda mais suas habilidades.
abordam as bases do discipulado; b)
• Acompanhar os líderes em forma-
desenvolvimento das competências
ção no cumprimento dos requisitos do car-
de liderança através de palestras, se-
tão.
• Preparar os líderes em formação minários, workshop ou roda de diálo-
para melhor servir à igreja e à comunidade go; c) acompanhamento dos requisi-
por meio do seu testemunho, ministérios de tos do cartão de líder JA; d) espaço
serviço e evangelismo. interativo para troca de experiências.

ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DO O uniforme de atividades do clube


07
CLUBE DE LÍDERES de líderes é opcional, e, quando hou-
ver, deve seguir as orientações do
O clube de líderes pode ser organi-
01 departamento do ministério jovem
zado na igreja local, cidade, distrito,
da Associação/Missão.
ou região, com autorização do De-
partamento do Ministério Jovem da O uniforme oficial de líder JA é de
Associação/Missão.
08
uso exclusivo dos líderes já investi-
dos.
A direção do clube de lideres deve
02
ser aprovada em uma comissão de
nomeações, com a participação dos

167
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

O COORDENADOR JA • Os membros da equipe da coor-


O coordenador JA é parte da equipe denação regional devem ter recomendação
do Ministério Jovem da Associação/Missão. da igreja onde são membros para servir na
Ele é nomeado por uma comissão convoca- equipe.
da e presidida pelo departamental do mi- • O perfil do coordenador JA deve
nistério jovem da Associação/Missão. A co- incluir: ser discipulador, ter experiência na
missão é formada pelos pastores distritais e liderança jovem, ter habilidade para liderar
diretores de jovens das igrejas locais. reuniões, conduzir com eficácia o trabalho
• O modelo de trabalho do coorde- em equipe e disposição para servir como
nador JA e sua área de atuação (nacional, mentor dos líderes de jovens das igrejas lo-
estadual, área, regional ou distrital) é defini- cais.
do pela Associação/Missão de acordo com a
necessidade do território e alinhado à orien- ATRIBUIÇÕES DO COORDENADOR JA
tação da União.
Acompanhar e apoiar o departamen-
• O coordenador JA pode formar 01 tal JA da Associação/Missão e sua
uma equipe para potencializar as ações sob
equipe na coordenação da sua região
sua liderança e indicar os nomes para coor-
específica como um intermediário en-
denadores associados, secretario e capelão,
tre a Associação/Missão e os direto-
que serão avaliados pela comissão de no-
res de jovens das igrejas locais.
meações.
• O diretor do clube de líderes JA Ajudar na elaboração de novos ma-
também integra a equipe da coordenação. 02
teriais, bem como na atualização dos

168
DIVISÃO SUL-AMERICANA

que continuam em uso, sob a orienta- ção e correção e avaliação dos port-
ção do líder de jovens do campo. fólios, antes de recomendar a investi-
dura à Associação/Missão.
Supervisionar o clube de líderes e pro-
03
ver materiais e treinamentos como: Em eventos da Associação/Missão,
curso de 10 horas, treinamento para
06 coordenar equipes de trabalho e ser-
novos diretores, encontros de avalia- vir em atividades específicas, quando
ção e preparar e entregar os certifica- solicitado pelo líder do ministério jo-
dos de cada treinamento. vem.

Promover, coordenar e realizar reu- Acompanhar o Sistema de Gerencia-


04 07
niões periódicas (mensais ou bimes- mento do Ministério Jovem (S-JA),
trais) com os diretores das igrejas para uma melhor atualização e con-
locais para acompanhamento do pro- ferência do seguro anual, e treinar
grama das atividades gerais da Asso- os(as) secretários(as) do ministério
ciação/Missão e das atividades regio- jovem das igrejas locais para usar o
nalizadas. S-JA com eficácia.

Supervisionar e apoiar diretamente o


05
trabalho dos clubes de líderes através
de: reuniões com seus diretores, visita
às programações, acompanhamento
dos requisitos dos líderes em forma-

169
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

anos. Além de ter, no mínimo, 16 anos com-


pletos para começar a classe e 18 anos com-
O CARTÃO DO pletos para participar da cerimônia de inves-
tidura.
LÍDER JA
• O portfólio do líder em formação
A formação de líderes JAs é uma atri- poderá ser apresentado ao Departamento
buição da Associação/Missão. É a equipe do do Ministério Jovem da Associação/Missão
Ministério Jovem da Associação/Missão que em formato impresso, digital, site ou blog.
avalia, aprova e autoriza a investidura dos lí-
deres em formação a líder JA. PRÉ-REQUISITOS
O cartão com os requisitos para a in- Todo candidato a líder deverá:
vestidura está dividido em 4 áreas: 1. Comu- • Ser um membro batizado da Igreja
nhão, com ênfase no crescimento espiritual; Adventista do Sétimo Dia.
2. Relacionamento, com ênfase na vida em • Ter uma recomendação por escrito
comunidade; 3. Missão, desafiando os jovens da comissão da Igreja local.
a servirem na comunidade; 4. Liderança, com • Estar em harmonia com os princí-
foco no desenvolvimento de pessoas através pios da igreja e ser um dizimista fiel.
das competências de liderança. O candidato • Participar de um clube de líderes
deverá cumprir os requisitos propostos de do Ministério Jovem ou, sob orientação do
cada área. campo local, ser acompanhado pelo pastor
distrital ou coordenador de jovens.
O QUE SERÁ AVALIADO? • Ser membro ativo do Ministério Jo-
1. O crescimento pessoal e espiritual vem da igreja local e/ou participar da equipe
do candidato como discípulo e discipulador; de coordenação distrital ou regional.
2. Capacitação do candidato para • Escrever uma reflexão sobre os
promover vida em comunidade e sua dedi- ideais do Ministério Jovem e apresentar em
cação no pastoreio dos jovens; um culto jovem ou reunião do clube de líde-
3. Aplicação prática das diferentes res.
competências da liderança propostas no • Participar do Curso de Liderança
PDL JA; do Ministério Jovem (10 horas) promovido
4. O comprometimento do candidato pela Associação/Missão e/ou do Programa
com as ações e projetos da igreja local; de Desenvolvimento de Líderes (PDL JA) da
5. O envolvimento com a missão e o Divisão Sul-Americana e apresentar certifi-
serviço, de forma relevante, na realização de cação.
projetos/ações/ministérios na comunidade.

Informações importantes:

• É requerido, aos participantes,


completar todos os requisitos para a inves-
tidura em, no mínimo, 1 ano e, no máximo, 3

170
DIVISÃO SUL-AMERICANA

çou” ou ler o livro Nossa Herança e apresen-


ÁREAS DE DESENVOLVIMENTO tar uma reação escrita de duas páginas ou
uma reação em vídeo de 8 minutos.
• Participar de um seminário sobre as
COMUNHÃO/ crenças distintivas da Igreja Adventista do

CRESCIMENTO Sétimo Dia organizado pelo pastor distrital


ou pela Associação/Missão.
ESPIRITUAL • Apresentar uma palestra sobre uma
das 28 crenças da IASD em uma classe bíbli-
• Fortalecer a devoção pessoal atra- ca e/ou vigília do Ministério Jovem. O mate-
vés da participação no projeto #Primeiro- rial deve ser disponibilizado em vídeo e/ou
Deus e apresentar um diário devocional de apresentação de slides.
40 dias.
• Ser assinante da Lição da Escola Sa-
batina.
RELACIONAMENTO/
• Ler e estudar o livro Salvação e Ser- VIDA EM COMUNIDADE
viço e prestar um exame preparado pela
DSA, disponível na sua Associação/Missão. • Liderar ou participar ativamente de
• Ler o livro ou, ouvir do audiobook, um Pequeno Grupo por um período mínimo
Caminho a Cristo e apresentar uma reação à de um ano.
leitura de duas páginas. • Preparar três lições criativas entre
• Ler o livro Mensagem aos Jovens e os temas sugeridos abaixo e compartilhar
apresentar uma reação à leitura de quatro em reuniões de pequenos grupos:
páginas. a) Música
• Assistir ao filme “Como Tudo Come-

171
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

b) Modéstia cristã d) Dia das Mães


c) Saúde e temperança e) Dia dos Pais
d) Namoro e sexualidade f) Projeto Bálsamo
e) Recreação e diversões g) Impacto Esperança
f) Pais e Filhos h) Projeto Sonhando Alto
g) Uso da Internet i) Mutirão de Natal
h) Amizade j) Quebrando o Silêncio
i) Ideologia de gênero k) Dia de Fazer o Bem
j) Jogos l) Vida por Vidas
k) Magia e ficção • Acompanhar o pastor e/ou ancião
l) Oito remédios naturais na visitação a um jovem afastado da igreja
(Projeto Reencontro/Missão Resgate).
• Criar os esboços e realizar dois
• Organizar um desafio missionário
programas de sociabilização para jovens.
criativo ou projeto social com o PG, Escola
• Participar por um período de três
Sabatina Jovem, Coral Jovem e/ou Ministério
meses de um clube de caminhada e/ou um
Jovem da igreja local e apresentar o esboço
projeto pessoal de exercícios físicos e mu-
do projeto e o relatório da atividade em ví-
dança de estilo de vida.
deo.
• Servir como evangelista ou mem-
MISSÃO/SERVIÇO NA bro da equipe organizadora em uma campa-
nha de evangelismo público (Missão Calebe,
COMUNIDADE Semana Santa ou Evangelismo de Colheita).
• Ministrar uma série de 10 estudos
• Participar ativamente em cinco dos bíblicos para um amigo não adventista e/ou
seguintes projetos ou servir como voluntário servir como instrutor de classe bíblica por
do OYiM/SVA: um período de 6 meses.
a) 10 Dias de Oração
b) Global Youth Day
c) Semana de Oração Jovem

172
DIVISÃO SUL-AMERICANA

formação para liderança jovem.

• Escrever uma reflexão final sobre o


LIDERANÇA/ seu desenvolvimento como líder do Ministé-

DESENVOLVIMENTO DE rio Jovem, demostrando claramente o cres-


cimento nas 10 competências do Programa
PESSOAS de Formação de Líderes (PDL JA). A refle-
xão deve ser escrita em primeira pessoa e
• Dirigir duas palestras na área de li- ter, no mínimo, três páginas.
derança e documentar o conteúdo no por- O candidato à investidura de Líder JA
tfólio (slides, vídeos e texto). Alguns temas deverá completar satisfatoriamente cada um
sugestivos são encontrados abaixo: dos requisitos das quatro áreas. A conclusão
a) Liderança para as novas gerações de cada item deverá ser avaliada pelo Coor-
b) O líder JA como mentor denador JA ou Diretor do Clube de Líderes,
c) Os desafios da pós-modernidade conforme orientação do campo local. Após
d) Criatividade e inovação a entrega do portfólio ao Ministério Jovem
e) Trabalho em equipe da Associação/Missão, o líder em formação
f) Liderança servidora aguardará a autorização para investidura.
g) Discipulado e missão
h) Vida em comunidade
i) Meu talento, meu ministério O UNIFORME DO
• Preparar dois programas para o LÍDER JA
culto jovem. (Enfatize o tema anual do Minis-
tério Jovem em pelo menos um deles). O PIN DE LÍDER JA
• Demonstrar o seu crescimento O distintivo está disponível para ven-
como líder de jovens e no desenvolvimento da na Associação/Missão, na cor bronze,
de outros líderes completando três dos se- medindo 1,1 x 1,3 cm com a inscrição “Líder”
guintes itens: na parte inferior, com cor de fundo preto, se-
a) Assistir à Convenção do Ministério guindo o contorno do logo.
Jovem da Associação/Missão.
b) Participar da equipe organizadora INSÍGNIA JA
do acampamento de verão, congresso de jo- Confeccionada em metal, a insígnia
vens, vigília jovem ou semana de oração jo- JA é de uso exclusivo dos líderes investidos.
vem. Ela deve ser usada no bolso superior esquer-
c) Servir como professor ou professor do do blazer no tamanho 4 x 6 cm, conten-
auxiliar de uma classe da escola sabatina jo- do o logo JA nas suas cores originais e em
vem por um ano. linhas e contornos dourados.
d) Integrar a equipe do Ministério Jo-
vem da igreja local. UNIFORME JA – FEMININO
e) Servir como mentor, por um perío- Camisa: Branca lisa, sem detalhes.
do mínimo de seis meses, de um líder em Modelo social acinturada, com 2 botões su-
periores abertos e bolso pequeno do lado
173
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

esquerdo com manga curta ou comprida. liderança na lapela direita. Com 2 botões na
Blazer (modelo spencer): Em tecido frente e 3 na manga, conforme modelo.
azul marinho, com 2 bolsos opcionais (es-
querdo e direito) embutidos na parte inferior INFORMAÇÕES SOBRE O USO DO
e um bolso embutido na parte superior es- UNIFORME JA
querda para uso da insígnia JA em metal e • O uniforme JA é de uso exclusivo
o respectivo distintivo de liderança na lapela dos líderes investidos do Ministério Jovem e
direita. Com 1 botão central na frente, con- seu uso limita-se às atividades do clube de lí-
forme o modelo. deres, congressos, cerimônias de investidura,
Lenço: Na cor vinho com pontas. Uma e/ou outras cerimônias oficiais do ministério
tira no tamanho 85 x 6 cm. Cada União po- jovem, definidas pela Associação/Missão.
derá optar pelos modelos oficiais 1, 2 e 3 • O uniforme dos coordenadores,
apresentados pela DSA, e definir como pa- pastores, secretários de Associação/Missão,
drão junto aos seus Campos. União e Divisão seguirão o mesmo padrão
apresentado acima.
• São consideradas privativas: as co-
res, as tonalidades, os feitios e insígnias des-
critos acima.
Saia: Acinturada em tecido cinza gra- • Não é permitido alterar as carac-
fite médio liso, com racho atrás. A base da terísticas do uniforme, nem sobrepor-lhes
saia é de 3 cm acima do joelho. peça, artigo, insígnia, ou distintivo de qual-
Meia: Opcional. Se usar, a meia-calça quer natureza.
deve ser cor da pele. • O uniforme JA não poderá ser usa-
Sapatos: Pretos. do quando empenhado em vendas ou cam-
panhas não comunitárias para obter lucro
UNIFORME JA – MASCULINO pessoal de natureza comercial, ou para ou-
Camisa: Branca lisa, sem detalhes. Mo- tros propósitos alheios aos interesses do Mi-
delo social, com manga curta ou comprida. nistério Jovem.
Gravata: Lisa na cor vinho. (Uso obri- • O uniforme JA não poderá ser usa-
gatório). do quando estiver incompleto.
Calça: Social cinza grafite médio, liso,
com 6 passadores, dois bolsos traseiros em- A INVESTIDURA DO LÍDER JA
butidos. Dois bolsos dianteiros em diagonal Para que a investidura do líder JA aconteça
modelo faca. O tecido poderá ser adquirido corretamente, é necessário:
na loja da Associação/Missão. • Que seja breve, simples e significativa.
Meias: Pretas. • Que tenha objetivos bem definidos.
Sapatos e cinto: Pretos. • Que haja ensaios.
Blazer (modelo terno padrão): Em • Que sejam mantidas algumas tradi-
tecido azul marinho, com 2 bolsos inferiores ções.
(esquerdo e direito) embutidos, e um bolso • Que os símbolos sejam respeitados.
pequeno superior do lado esquerdo para • Que haja mudanças, quando ne-
uso da insígnia JA e respectivo distintivo de cessário.

174
DIVISÃO SUL-AMERICANA

• Que todos participem. tórico de cada candidato com foto para ser
• Que tudo seja registrado. lido e exibido em telão durante a entrada dos
• Que haja surpresas e criatividade. líderes em formação. Preparar uma recepção
especial.
CERIMÔNIA DE INVESTIDURA Programa de investidura
DE LÍDER JA 1. Boas-vindas.
Todos os jovens podem cumprir os 2. Momentos de louvor.
requisitos do cartão de Líder e se prepara- 3. Entrada das bandeiras (Bandeira
rem para serem investidos a fim que possam JA, País, Estado e Cidade).
melhor servir A CAUSA dos Jovens Adven- 4. Entrada dos oficiais que conduzi-
tistas. O Coordenador JA é o responsável rão a cerimônia.
pela orientação dos candidatos do Clube 5. Entrada da Bíblia.
de Líderes. Somente o Departamental JA da 6. Ideais JA e voto à Bíblia.
Associação/Missão poderá autorizar a inves- 7. Oração inicial.
tidura de líder, depois das avaliações do dire- 8. Declaração de abertura (Maior au-
tor do clube de líderes e/ou coordenador JA. toridade presente).
9. Mensagem musical.
MODELO SUGESTIVO DE 10. Leitura bíblica e reflexão sobre Li-
INVESTIDURA DE LÍDER JA derança (Oficiante).
Atividades Prévias: Elaborar um his- 11. Chamada dos candidatos (Com

175
MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

exibição de histórico sob um fundo musical os demais, de pé, também em posição MA-
solene). RANATA e com muita atenção, repetem o
12. Entrada do logo JA. voto de investidura.
13. Entrada dos distintivos de Líder. Voto de investidura: “Comprometo-
14. Colocação dos distintivos. -me, no exercício da liderança do ministério
15. Voto de investidura. jovem, a cumprir os deveres da investidura
16. Oração de consagração (Pastor ou que me é conferida, tendo como missão le-
Ancião). var o jovem a um RELACIONAMENTO de
17. Declaração e boas vindas aos no- salvação com Jesus, ajudando-o a aceitar
vos líderes JAs. Seu chamado ao discipulado”.
18. Saída das bandeiras. A posição MARANATA só é usada
19. Saída dos líderes (devem permane- para os diferentes votos: Voto JA, voto de
cer à porta para receber as congratulações fidelidade à Bíblia, voto de investidura.
da igreja).
O Ministério Jovem é um dos meios
pelos quais a Igreja se prepara para os desa-
VOTO DE INVESTIDURA
fios de hoje e de amanhã. Destina-se a apoiar
Protocolo padrão: O líder em forma-
a Igreja local e está empenhado em ajudar
ção, escolhido pelo grupo para conduzir o
os Jovens Adventistas a desenvolverem seu
voto de investidura, será convidado a se diri-
elevado potencial e a empregarem-no no
gir ao púlpito e, em posição MARANATA, ler
cumprimento da missão evangélica.
ou recitar o voto pausadamente, enquanto

“Os desertores
dizem “nós não
deixamos a igreja,
mas a igreja nos
deixou”.

DICA DE LEITURA
David Kinnaman, You Lost
Me (Grand Rapids, MI: Baker
Books, 2011)

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

Referências

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MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

ANOTAÇÕES

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DIVISÃO SUL-AMERICANA

ANOTAÇÕES

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MANUAL DO MINISTÉRIO JOVEM ADVENTISTA

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