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Sociologia da Educação AULA 6

Leandro José dos Santos


Josali Amaral

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

A escola e a desigualdade

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Entender o conceito de instituição social;


„„ Identificar a função social da escola;
„„ Apontar as consequências sociais resultantes dos diferentes tipos
de educação.
A escola e a desigualdade

2 COMEÇANDO A HISTÓRIA

Caro aluno, esperamos que você tenha percebido que, desde a primeira aula,
não fizemos outra coisa senão problematizar a educação e os sistemas de ensino.
Desde as linhas iniciais, tivemos o cuidado de erigir um conjunto de reflexões
pautado numa perspectiva crítica sobre as formas de ensinar-aprender-ensinar.

Nas aulas anteriores, aprendemos que, diferentemente do senso comum, a análise


sociológica da educação, da escola ou dos respectivos sistemas de ensino não
pode ser feita de qualquer jeito. A explicação sociológica só pode ser realizada
com a utilização de metodologia científica apropriada, que se vale de unidades
analíticas (conceitos), que, por sua vez, organizam e dão sentido à maneira como
as coisas são vistas e interpretadas no interior da teoria sociológica (ou das teorias).

Também vimos que, apesar da importância que a escola tem para a Sociologia, o
estudo dos processos de socialização não dispensa, necessariamente, nenhuma
análise empírica do ambiente escolar. Sabemos que a escola não ensina a
totalidade da vida coletiva. No entanto, do lado oposto da equação, vimos que
o estudo empírico das práticas realizadas no ambiente escolar não pode deixar
de lado a apreciação das estruturas, das relações e das disputas engendradas
para além dos muros escolares.

Sabemos, também, que a Sociologia da Educação sempre se empenhou na


compreensão dos fenômenos inerentes à reprodução social. Nesse contexto, os
sistemas escolares, ao serem adotados como formas dominantes de socialização
nas sociedades modernas, possuem papel relevante para o entendimento das
instituições e relações sociais atuais. Por isso, se compete à Sociologia estudar a
escola, não deve o sociólogo encará-la como um sistema fechado em si mesmo,
mas analisá-la a partir das imbricações que as unidades escolares estabelecem
com as demais instâncias da vida social.

Pois bem, considerando as especificidades do nosso componente curricular, o


que pretendemos nesta aula é uma discussão sobre o lugar e o papel da escola
no cenário contemporâneo. Faremos aqui uma discussão mais leve, utilizando
os conceitos já conhecidos, mas, ainda assim, presos à nossa postura crítica. O
objetivo dessa “desaceleração” consiste, por um lado, em desfazer (ou reforçar)
algumas interpretações pessimistas sobre a escola, mas, por outro lado, dá
oportunidade para você tomar fôlego, de modo que possa nos acompanhar
nas discussões seguintes.

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3 TECENDO CONHECIMENTO

Feito esse preâmbulo, uma primeira reflexão requer que demonstremos como a
Sociologia entende a escola. Como temos feito até aqui, poderíamos perguntar
o que vem à sua mente quando ouve o vocábulo escola. Mas não faremos
isso, pois, na impossibilidade de uma comunicação mais próxima e imediata,
seríamos, novamente, obrigados a supor que a sua resposta estaria impregnada
do entendimento apriorístico e limitado do senso comum. Então, para evitarmos
esse juízo de valor, basta dizer que, para a Sociologia, a escola é, antes de qualquer
coisa, uma instituição social. Dada essa afirmação, outra pergunta deve ser
respondida: o que é uma instituição social?

Apesar de parecer inocente, essa é uma questão das mais complexas para a
Sociologia, principalmente quando estamos diante de um principiante.

Ao ler os parágrafos anteriores, você, que tem acompanhado de perto as nossas


reflexões, já deve ter percebido que, quando um sociólogo fala em instituição
social, ele não está se referindo às edificações onde se manifestam os rituais
inerentes às instituições. Também não está se referindo, especificamente, a
nenhuma dessas instâncias jurídicas que os indivíduos modernos criaram para
atender à infinidade de questões existenciais que os afligem. Em síntese, uma
instituição social não é um lugar, uma edificação, nem uma pessoa jurídica.

Então, quando falamos em instituição social, não pense que estamos nos referindo
ao lugar onde as práticas são realizadas. Afaste também o impulso de acreditar
que, para a Sociologia, instituição é aquela pessoa jurídica a qual o Estado atribui
obrigações e exige uma razão social e um CNPJ.

3.1 O que é, afinal, instituição social?

Boa pergunta! Tentemos responder a ela.

Conforme Fichter (1973, p. 297 apud LAKATOS; MARCONI, 1987, p. 182), uma
instituição social é entendida como “uma estrutura relativamente permanente
de padrões, papéis e relações que indivíduos realizam segundo determinadas
formas sancionadas, com o objetivo de satisfazer necessidades sociais básicas”.

Parece complicado, mas não é. Por enquanto, basta saber que instituição é uma
unidade social criada para atender aos objetivos da vida coletiva. Ela é um fato
social e sempre vai existir onde quer que haja agrupamentos humanos.

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De acordo com Florestan Fernandes (2004), as instituições sociais não são apenas
partes constituintes da sociedade, pois elas compõem ou formam as sociedades.
Para o sociólogo:
Instituição é uma sociedade em miniatura. Possui uma
estrutura, pessoal e cultura próprias; e conta com padrões
organizatórios específicos, que regulam sua capacidade de
atender aos fins e às necessidades sociais que dão sentido à
sua existência, continuidade e transformação. (FERNANDES,
2004, p. 275).

Assim, instituição social é uma forma de organização da sociedade. Como exemplo,


podemos citar a família, o Estado, a escola, a polícia, a religião, etc. Perceba, a
partir desses exemplos, que uma instituição social é uma estrutura relativamente
permanente e marcada por padrões de comportamentos delimitados por normas
e valores específicos. Conforme Lakatos e Marconi (2006), as instituições sociais
têm finalidades próprias (garantir a espiritualidade, realizar a educação escolar,
coibir os desvios, cuidar dos doentes, realizar transações econômicas, etc.) e
possuem uma estrutura unificada (apesar de as instituições não possuírem uma
existência completamente separada uma das outras, elas tendem a funcionar
como uma unidade).

A família é um bom exemplo de instituição social. Com ela, podemos demonstrar


o que é uma instituição social, visto que não é um lugar, uma edificação ou
uma pessoa jurídica. Se você estiver acompanhando o nosso raciocínio, deve
ter percebido que o vocábulo família, diferentemente do vocábulo escola, não
remete ao lugar onde se manifestam as regras, os rituais, nem ao endereço onde a
estrutura e as hierarquias institucionais estão expostas. O vocábulo família remete
a uma imagem que está mais próxima de instituição social, qual seja: função,
comunicação, relações e trocas, conflito e relações de poder, regras, valores, etc.

Conforme o conceito ocidental clássico, a família pode ser definida como um


conjunto de indivíduos que possuem laços sanguíneos e de afinidade, que
compartilham regras próprias e realizam rituais cotidianos, tais como cuidar da
economia doméstica, educar os filhos e almoçar juntos. Observando o dia a dia
de uma família, pode-se perceber que ela também é marcada por uma hierarquia
claramente definida, na qual o pai ou a mãe geralmente desempenham papéis
proeminentes. Observe que, seja no interior da família ou de qualquer outra
instituição, existem hierarquias que podem ser marcadas por fatores como idade,
sexo, renda, escolaridade, etc.

Como toda instituição social, a família é uma unidade social institucionalizada, ou


seja, é marcada por um conjunto de regras e procedimentos aceitos e sancionados
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pela coletividade, por meio do consenso. Isso significa que a família é uma estrutura
socialmente reconhecida pelo conjunto das pessoas que fazem parte do grupo.

Dito de outra maneira, as instituições são unidades sociais escolhidas para


gerir/concretizar/preservar as necessidades específicas da vida coletiva. Elas
mediam as relações através de regras e padrões de comportamento, os quais
serão relativamente repetidos pelas gerações futuras. Ademais, as instituições
sociais possibilitam poder e privilégios, além de reconhecimento e aceitação
social aos indivíduos.

Observe, pois, que todas as instituições sociais têm uma função (meta/objetivo/
propósito) e estrutura. A função é o elemento agregador, enquanto que a estrutura
é o elemento organizador e que possibilita a convivência social. Ambas as
características são definidas a partir da forma de atuação das instituições sociais,
que podem ser: regulativas ou operativas. As instituições regulativas, como sugere
o nome, são aquelas que regulam as condutas dos agentes. Aqui se enquadram
a religião, a escola e a família. As instituições operativas caracterizam-se pela
sua atuação em atividades operacionais e práticas da vida social, tais como o
departamento de cobrança de impostos, o departamento de trânsito, a divisão
de limpeza urbana, etc.

Em resumo, as instituições sociais são marcadas pelas seguintes características:

a) Função social (finalidade/objetivo);


b) Características relativamente permanentes (estrutura);
c) Posições de poder estáveis e relativamente definidas (hierarquias);
d) Valores e normas relativamente aceitos pela sociedade (legitimidade
pelo consenso).

Antes de retomarmos a nossa discussão, resta uma observação final: não se


deve confundir instituição social com grupo social. Apesar de os grupos serem
resultados da união de indivíduos que possuem interesses e regras definidoras dos
comportamentos e das hierarquias, a ligação que os grupos estabelecem entre
os indivíduos difere daquelas praticadas nas instituições. Além de as instituições
estabelecerem laços estáveis e de longa duração, os seus valores e suas regras
possuem alcance e legitimidade inexistentes no interior de um grupo.

Na tentativa de deixar essa explicação mais clara, podemos dizer que uma
instituição social pode estar representada por um grupo, mas aquela transcende a
este, uma vez que as regras e os valores instituídos são aceitos por uma instância
maior: o corpo social, a sociedade e uma determinada cultura.

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3.2 A finalidade social da escola

“Vais encontrar
o mundo, disse-me
meu pai, à porta do
Ateneu. Coragem
para a luta.”

Figura 1

Retomando a nossa discussão, podemos dizer que a escola é uma instituição


especialmente organizada com a finalidade de transmitir
formas de pensamento explícitas ou implícitas que operam
em níveis diferentes da consciência, desde os mais manifestos
(suscetíveis de serem apreendidos pela ironia ou pela reflexão
pedagógica) até as formas mais fundamente enterradas que
se atualizam nos atos de criação cultural ou de deciframento
sem que, por isso, sejam tomadas como objeto de reflexão.
(BOURDIEU, 1998, p. 205).

De acordo com Bourdieu (1998), a educação escolar, ao transmitir determinadas


formas de pensamento, cria um conjunto de categorias que tornam possível
a comunicação. Desta maneira, sendo a portadora da responsabilidade pela
transmissão das categorias lógicas de conhecimento, a escola e o sistema escolar
movimentam instrumentos eficazes para a integração moral nas sociedades
modernas. Os espíritos humanos são “moldados” na escola segundo os mesmos

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modelos, em que os indivíduos são “configurados” para manterem relações de


cumplicidade, interdependência e comunicação.

Neste ponto, cabe o alerta de que o sistema escolar também distingue e exclui
os agentes que não conhecem/reconhecem e não dominam a cultura ensinada
na escola. Mas o problema aqui está relacionado ao que definimos como cultura
escolar. De acordo com a sociologia de Bourdieu, a cultura escolar é sinônima de
cultura erudita. Neste caso, qualquer outra forma de socialização parece estar
em relação oposta aos sistemas de pensamento escolares.

Cabe ainda dizer que, nas sociedades modernas burguesas, a cultura escolar cria
rituais próprios ao tipo de socialização que se pretende aos seus indivíduos. Mas
esses rituais nem sempre foram considerados rotineiros para muitas culturas,
pois algumas destas nem os conhecem.

Com o fito de estabelecermos um diálogo com o que vimos em Didática,


lembre-se do argumento de que a criação dos espaços e dos rituais escolares
são empreendimentos novos e modernos. Ao realizarmos a ampliação desse
conceito para a prática disciplinar, percebemos que o seu significando pode
ser traduzido como um esforço realizado pelas sociedades industriais com o
intuito de modificar o comportamento dos homens pertencentes às culturas
tradicionais, imprimindo neles um novo ritmo, próprio da era moderna.

Perceba, então, que a função socializadora da escola se converteu num processo


disciplinador, que envolve uma nova administração do corpo, do tempo e da
linguagem. Enfim, ela transforma completamente o indivíduo, com a clara
finalidade de torná-lo produtivo.

Por isso, o entendimento de que a escola é a geradora de um código comum só


é possível se admitirmos que a cultura aprendida na escola
é o que permite a todos os detentores deste código
associar o mesmo sentido às mesmas palavras, aos mesmos
comportamentos e às mesmas obras e, de maneira recíproca,
de imprimir a mesma intenção significante por intermédio
das mesmas palavras, dos mesmos comportamentos e das
mesmas obras. (BOURDIEU, 1998, p. 206).

Em síntese, nas sociedades modernas, a escola é a instituição responsável pela


transmissão de uma cultura comum, que deve ser o fator fundamental para a
comunicação e a atuação social. Assim, o que os indivíduos devem à escola é,
sobretudo, um repertório de lugares-comuns, não apenas um discurso e uma
linguagem comuns, mas um consenso sobre a existência de determinadas questões.

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No fundo, o que pretendemos dizer é que existe uma “arte” e uma cultura que
se inventa, se articula e se reinventa na escola, cabendo a cada sujeito assimilar
e interiorizar, por meio da aprendizagem escolar, esse conjunto especial de
esquemas fundamentais à organização do pensamento que lhes permitem
participar da vida social.

3.3 A desigualdade está na escola

Bourdieu (1998) verifica que as questões discutidas em determinadas épocas ou


sociedades apenas são debatidas na medida em que são socialmente aceitas
como pertinentes. Com isso, o autor sugere que, em épocas e em sociedades
diversas, os objetos de estudos e as questões discutidas, no dia a dia das pessoas,
são considerados importantes por terem sido explicitados para os estudos da
“cultura legítima”.

A escola, sob o ponto de vista de Bourdieu, é a instituição responsável por conduzir


e determinar os componentes dignos de serem discutidos ou pensados. É por
seu intermédio que se ordena toda a experiência do real, mais que isso, é por
seu intermédio que se ordena todo o real.

Nesse sentido, pode-se dizer que, na era moderna, é a escola, e na escola, que
se opera a transformação do mundo natural para o mundo sociocultural, ou
seja, o mundo natural se torna significante na escola. Pois é ela que fornece
os princípios da ordenação e o modo como as coisas são operadas no mundo
cultural moderno.

A captura, a classificação, a organização e a transmissão de códigos de pensamento


e de ação acontecem na escola. É no seio dessa instituição que se distinguem
os programas dignos de conservação e de transmissão para as próximas gerações
daqueles que não merecem a mesma atenção. Sugerimos que você releia a aula
3 e acompanhe a reflexão sobre o trabalho manual e o trabalho intelectual.

Figura 2

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Contudo, não podemos esquecer que, ao operar as coisas dessa maneira, a


instituição escolar não pode ser unilateralmente vista como o lugar da inclusão,
pois a cultura que ela difunde se diz e quer ser erudita, legítima.

O professor ou o cientista social não pode esquecer que a cultura, ensinada na


escola, também se contrapõe às outras formas de saber.

A título de sugestão, podem-se, por exemplo, suscitar debates sobre a linguagem,


os códigos e os saberes transmitidos na escola, contrapondo-os às formas de
ser, pensar e fazer nutridas em nações indígenas ou comunidades quilombolas.
Do mesmo modo, o conhecimento escolar também pode ser contraposto aos
saberes camponeses, sertanejos, ribeirinhos, etc.

Num debate como esse, poderíamos, inclusive, discutir os processos de segmentação


da cultura. Poder-se-ia iniciar o debate problematizando a arbitrariedade que
sustenta o fosso que separa a educação escolar (cultura erudita) das demais
formas de saber (cultura popular).
Falar em cultura popular é acreditar que o sistema dos
esquemas que constitui a cultura (no sentido subjetivo) das
classes populares poderia ou deveria, em condições que
nunca são especificadas, constituir-se em cultura (no sentido
objetivo) objetivando-se sob a forma de “obras populares”
capazes de exprimir o povo de acordo com os esquemas
de linguagem e pensamento que definem sua cultura (no
sentido subjetivo). (BOURDIEU, 1998, p. 221).

Para ampliar o leque de possibilidades, também poderíamos opor as duas


grandes instâncias da educação escolar: escolas públicas versus escolas privadas.
Neste caso, ambas fazem parte do campo da produção erudita, mas uma análise
apurada das práticas, estruturas e conteúdos ensinados em cada um desses
espaços poderia revelar discrepâncias assustadoras.

O quadro poderia ficar ainda mais intricado se incluíssemos, nessa reflexão, as


diferentes modalidades de ensino (propedêutico, profissional, etc.) e os diferentes
formatos de curso (regular, subsequente, integrado, etc.).

Como se pode ver, prezado aluno, um cenário como esse tende a gerar sistemas
culturais distintos, que, na maioria das vezes, tendem a transformar-se em
universos autônomos e autárquicos. Ou seja, em detrimento das outras formas
de saber, cada “escola” tende a se fechar em si mesma, pois cada uma pretende
afirmar, valorizar e perpetuar os seus próprios códigos.
Em outros termos, isto significa que todo ensino deve
produzir, em grande parte, a necessidade de seu próprio
produto e, assim, constituir enquanto valor ou como valor
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A escola e a desigualdade

dos valores a própria cultura cuja transmissão lhe cabe


[...]. Em consequência, os indivíduos condenados por sua
formação a uma espécie de hemiplegia cultural, sentem-se
por esta razão inclinados a identificar seu próprio valor com
o valor de sua cultura e, ao mesmo tempo, são levados a
viver ansiosamente os contatos com os portadores de uma
cultura estranha e muitas vezes concorrente. (BOURDIEU,
1998, p. 218).

Como se pode ver, à escola não cumpre apenas estabelecer o consenso sobre o
significado e conteúdo dos códigos de comunicação, ela também é responsável
por consagrar a diferença entre as classes cultivadas (erudita) e as classes populares
(ralé, conforme o sentido atribuído por Jessé de Souza). Isso porque a cultura
transmitida pela escola distingue os que recebem e os que não recebem a
cultura legítima.

Os portadores da cultura erudita se diferenciam e se opõem dos indivíduos


socializados em outros espaços do saber. Assim, a partir da sociologia bourdieusiana,
poderíamos dizer que a separação de uma classe da outra não é tão somente
por meio da riqueza material, mas, também, pelos sistemas simbólicos operados
dentro da escola.

Exercitando

Para avaliar o seu conhecimento, sugerimos a leitura dos Regulamentos Didáticos


do IFPB. Escolha um dos documentos referentes a qualquer modalidade de ensino
ofertada pelo IFPB e proceda com sua leitura, avaliando como o IFPB cumpre a
respectiva função regulativa que lhe cabe enquanto instituição social.

Nessa atividade, você pode refletir sobre que tipo de indivíduo o IFPB se empenha
em formar, como ele reproduz os valores socialmente aceitos ou como reforça
as práticas sociais modernas, etc.

O objetivo é que você reflita e produza um texto, que deve ser enviado para o
seu tutor. Também sugerimos que esse texto seja enviado para um dos fóruns
disponíveis no AVA.

Para acessar os Regulamentos Didáticos do IFPB, basta seguir o seguinte caminho


no site do Instituto:

Página Inicial  Reitoria  Pró-Reitorias  Pró-Reitoria de Ensino  Normas e


Regulamentos  Regulamentos Didáticos

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4 APROFUNDANDO SEU CONHECIMENTO

Para aprofundar o seu conhecimento, sugerimos


a leitura de um texto da antropóloga Lívia
Barbosa. Trata-se do livro O jeitinho brasileiro: a
arte de ser mais igual do que os outros. Como você
já deve ter percebido, Lívia Barbosa aborda um
elemento característico da sociedade brasileira.
Mais que uma simples característica da nossa
identidade, a autora argumenta que o jeitinho é
uma prática de representação social definidora
da nossa sociabilidade, uma instituição social.
Durante a leitura, você pode, inicialmente,
pensar que o livro foge ao nosso componente
Figura 3
curricular, mas, se persistir e acompanhar a
reflexão até o final, vai compreender com mais
facilidade o sentido que a Sociologia dá ao
conceito de instituição social.

5 TROCANDO EM MIÚDOS

Nesta aula, a instituição social foi tratada como uma instância da organização social
que permite a integração dos indivíduos à sociedade. Ela não pode ser definida pelo
lugar físico que ocupa ou pelas pessoas ou grupos que a representam, mas pelo
conjunto de valores, regras e funções que veicula e realiza. As instituições sociais
podem ser classificadas em regulativas e operativas, conforme a sua finalidade. As
primeiras são responsáveis por resguardar, transmitir e reproduzir valores, regras
e comportamentos; as segundas se definem por funções operacionais, como a
organização econômica, jurídica e espacial. A escola, enquanto uma instituição
regulativa, é o lugar de socialização do indivíduo moderno, onde ele é inserido
para assimilar um padrão comportamental desejado. Vimos que a escola valoriza
o conhecimento erudito e opõe-se aos valores da cultura popular. Por esse fator,
podemos dizer que ela está na base da definição das posições ocupadas pelo
indivíduo na sociedade ocidental, uma vez que isso não depende apenas do
acúmulo de bens, mas da capacidade de assimilação dos conhecimentos, valores
e comportamentos desejados.

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6 AUTOAVALIANDO

Após a leitura desta aula, sou capaz de:

„„ Definir sociologicamente uma instituição social?

„„ Identificar a função social da escola?

„„ Apontar as consequências sociais advindas dos diferentes tipos de educação?

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REFERÊNCIAS

BOURDIEU, Pierre. Sistemas de ensino e sistemas de pensamento. In: BOURDIEU,


Pierre. Economia das trocas simbólicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1998.
p. 203-229.

FERNANDES, Florestan. Universidade e desenvolvimento. In: IANNI, Octavio


(Org). Florestan Fernandes: sociologia crítica e militante. São Paulo: Expressão
Popular, 2004. p. 273-316.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. 5. ed.


São Paulo: Atlas, 1987.

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