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Nome: Thais Cordeiro Teixeira Nº USP: 7990123

EAE 0120 – Introdução às Ciências Sociais


Prof.ª Tatiana Rontodaro
Fichamento: Os Clássicos da Política – Capítulo 2, p. 11 – 50
Nicolau Maquiavel – o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú

O capítulo começa com o comentarista discutindo sobre a origem do adjetivo maquiavélico e, o quão
contrastante e injusta o significado desta palavra nos dias de hoje é quando comparada com o que o autor
de O Príncipe defendia. Para isto, a comentarista propõe desvendar o porquê Maquiavel foi adorado por
alguns pensadores no século XX e odiado por seus contemporâneos. Primeiramente, é necessário
introduzir ao leitor um pouco sobre o contexto histórico social e político em que Maquiavel viveu.
Nascido em Florença, Itália no século XVI, tempo no qual a península era dividida entre 5 reinos. Após
trabalhar muitos anos no setor público e ser chamado de traidor pelo Médicis, Maquiavel refugia-se no
interior da Itália, onde busca escrever e estudar sobre os clássicos. Neste momento é quando escreve boa
parte de suas obras. Depois de uma década, tenta retornar à carreira pública e encontra resistência pelos
Médicis e contorna a situação por meio da publicação de um livro sobre Florença mencionando os
Médicis. Entretanto, logo depois a família é deposta e o novo governo o classifica como inimigo devido a
sua homenagem literária.
Após esta breve introdução, a comentarista começa a esmiuçar a obra do autor por meio de quatro
seções: A Verdade Efetiva Das Coisas, Natureza Humana E História, Anarquia X Principado E República,
Fortuna E Virtú.
A VERDADE EFETIVA DAS COISAS
Começa aqui uma discussão sobre o principal assunto de seus livros: o Estado. Entretando, a comentarista
enfatiza que Maquiavel não refere-se ao Estado que havia vivido e sim, o que Estado deveria ter sido e
deve ser (sendo sua função: organizar e ordenar). Tendo isto como base, ela argumenta como que
Maquiavel busca discutir a verdade efetiva das coisas. A sua metodologia é a seguinte: verificar as coisas
como estas são e não como elas deveriam ser. Adicionalmente, enfatiza-se que Maquiavel procura
entender como um Estado pode se tornar estável.
Para o pensador, era preciso buscar a ordem continuamente. Este raciocínio sobre como fazer política, é
uma ruptura sobre o pensamento político da época, pois para o pensador a estabilidade é vista como algo
não natural e que deve ser perseguida constantemente a fim de evitar a volta do caos.
Reconhecido por essa busca transitória da ordem enquanto a realidade ocorre, tornou-o um dos
pensadores políticos mais lidos. Todavia, ressalta-se que para lê-lo, é preciso estar confortável com a ideia
de transigência, e que a política é fundada em sobre bases diferentes da vida privada. Ademais, deve-se
ter em mente também que a política e sua prática não eleva ninguém aos céus, mas sua ausência os leva
ao inferno.
NATUREZA HUMANA E HISTÓRIA
Para Maquiavel, a natureza humana tem traços imutáveis (volatilidade, ingratidão, covardia, avidez pelo
lucro). Sendo o conflito e anarquia produto desses traços negativos. Dessa forma, estudar a História, para
o pensador é uma forma de extrair as causas e os meios utilizados para enfrentar o caos no passado.
Assim, segundo esta lógica é possível prever os acontecimentos das políticas do Estado. Logo, é possível
utilizar os mesmos meios para resolvê-lo a medida que os problemas se assemelham, já que os traços
humanos perturbam a estabilidade e os problemas retornarão, cedo ou tarde.
Entretanto, se estes meios não funcionarem, é possível desenvolver novas formas de ações, de forma a
utilizar a semelhança dos ocorridos. Para Maquiavel, a história é cíclica, o que varia são “os tempos de
duração de convívio entre os homens”. Além desses meios de ações, o poder também aparece com uma
das maneiras de enfrentar o conflito.
ANARQUIA X PRINCIPADO E REPÚBLICA
Para o pensador, a desordem oriunda da imutabilidade humana tem um outro fator adicional. A existência
de duas forças de objetivos opostos: uma quer dominar e a outra não quer ser dominada. Portanto, a
estabilidade viria somente se estas forças estabelecerem uma relação estável.
O outro nome dessa força que não quer ser dominada é chamada Anarquia, e a resposta natural desse
movimento é o surgimento de um Principado ou de uma República. Porém o surgimento de uma forma
de poder ou de outra depende do real estado da sociedade.
Se esta encontra-se desregulada, dividida e a ponto de romper, o Principado naturalmente surge.
Entretanto, se a sociedade estiver em um estado de equilíbrio, é a República que toma form. Dado, o
contexto em que Maquiavel vivia, fica claro que a Itália de sua época precisava de um Príncipe.
FORTUNA E VIRTÚ
Maquiável cresceu sob a crença que predestinação existe, o que ia contra sua ideia de política (uma
prática do homem livre). Esta atividade de política exigia o que Maquiavel chamou de Virtú, o domínio
sobre a Fortuna, uma deusa.
Uma breve explicação sobre esta relação entre entidade e qualidade. Para os clássicos da época, a Fortuna
era uma deusa boa, cuja entidade representava a honra, a riqueza, a glória e o poder. Para o homem atrair
estas graças (sendo a deusa uma mulher), era necessário que o homem se mostrasse vir. Tal visão foi
derrotada com a chegada do cristianismo. A deusa foi substituída por um poder cego que distribuía seus
bens de forma indiscriminada. A partir deste momento, Estas graças não significavam mais felicidade.
Neste contexto, o poder que nasce da própria natureza humana e encontra seu fundamento na força é
redefinido. Não se originará mais da força bruta, mas da força virtuosa e da sabedoria da força. O
governante deve possuir virtu, porque assim será capaz de manter o domínio adquirido e respeito dos
governados. Portanto, para Maquiavel, esta força explica o poder, o sucesso do príncipe é deixado sobre
a manutenção correta da conquista do poder. Assim, conclui-se que para o autor, alguns vícios são
virtudes.
Assim como a política tem uma ética e uma lógica próprias, Maquiavel descortina um horizonte para se
pensar e fazer política que não se enquadra no tradicional moralismo piedoso. A resistência à aceitação
da radicalidade de suas proposições é seguramente o que dá origem ao “Maquiavélico”.
Textos de Maquiável – O Príncipe
Agora, como a proposta do livro é apresentar excertos da obra do autor comentado, Maria seleciona
alguns capítulos, os quais mostram a essência do autor e da suas ideias apresentadas em O Príncipe.
No Capítulo I, Maquiável discute que todos os Estados exercem ou exerceram poder sobre os homens são
Repúblicas ou Principados. Segundo, ele o último pode surgir por hereditariedade ou por novos domínios.
Porém em ambos os casos, os domínios são mantidos por obra da fortuna ou por obra da virtude.
No caso do principado hereditário, a manutenção é mais simples já que basta seguir a história e repetir o
que foi feito no passado e modifica-los com base no contexto. No caso do principado misto, há problemas
que decorrem por conta da natureza humana em ter dificuldade do dominado em aceitar o novo, pois se
assim o fizer, o príncipe que estabelecer novas línguas, novas regras e novos impostos gerarão mais atritos
e dificuldades de governar.
Já no capítulo IV, ele explica que há dois tipos de príncipes, os que governam com servidores e os que
governam com barões com títulos de nobres. No primeiro caso, o príncipe é o representante do poder
absoluto, no segundo caso, o príncipe compartilha o poder com os demais senhores.
No demais capítulos, Maquiavel disserta sobre
 Como conservar a estabilidade de um local é manter as leis dos reis anteriores ou destruí-lo.
 Como que os novos príncipes podem conquistar a Virtú através do acompanhamento de um
modelo, ou seja, alguém que já foi bem sucedido em governar um principado novo. Se não imitar,
pelo menos tentar alcançar o mais próximo do possível do que foi feito. Tendo mais modelos a
serem seguidos, maior será o sucesso da sua conquista.
 Como que os indivíduos que alcançaram o título de nobreza através do força e da fortuna de
outros podem e irão falhar se não possuírem aptidões necessárias para consolidar sua
governança.
 Como que quando um civil (o qual não possui virtude ou fortuna) torna-se príncipe de sua nação
com ajuda de seus compatriota, mantendo uma relação de amizade com seu povo, também
mantem-se no poder. Isto porque o príncipe que surge do sociedade civil terá muitos inimigos.
Assim, uma forma de cercar isto é sendo amigo de seu povo de forma a fazer que seus súditos
dependam dele e do Estado.
 Como as forças de um principado estão no fato do príncipe poder se defender com homens e
armas e afrontar o inimigo.
 Como um príncipe de caráter eclesiástico não sofre dificuldades para conseguir a posse, já que
mesmo não tendo virtude ou boa sorte conseguem subir, pois as instituições das quais lhe servem
são tão sólidas que os permite permanecer no poder seja que qualquer forma que procedam ou
governem.
 Quais são os alicerces do Estado: as boas leis e as bons exércitos. Uma subdivisão: dos exércitos,
existem dois tipos de tropas, a do reino e as mercenárias. As últimas são terríveis, pois são infiéis
e indisciplinadas.
 Quais são os deveres de um príncipe ao se importar com a arte da guerra e como e importando
com ela é possível se manter no poder.
 Como que o príncipe tendo características ruins lhe trará sucesso.
 Como cumprir suas promessas pelo uso das naturezas do indivíduo (pois uma não subsiste sem a
outra): a humana e a animal. Logo, não é necessário o príncipe ter todas as qualidades
mencionadas, mas aparentar tê-las é essencial.
 Como evitar o desprezo e o ódio pela população ao evitar usurpar bens e mulheres ou quaisquer
outros tipos de atividades que o deixem malquisto. Ou mesmo incutir ânimo de respeito para com
sua pessoa, lhe dando autoridade a longo prazo. Assim como dar decisões de caráter irrevogável.
Cuidando dos súditos internos e externos.
 Se é necessário o uso de fortalezas e outros meios para se proteger. Alguns desarmam seus
súditos, fomentam divisões nos territórios conquistados, favorecem os próprios inimigos, captam
amizades de suspeitos, constroem fortalezas, e desmantelam as existentes.
 O que leva para ser estimado. Para Maquiavel é ser verdadeiro amigo ou verdadeiro inimigo,
honrar os homens que sobressaem em cada arte, fazer súditos acreditar que eles podem incutir
a paz nos diferentes ramos e distrair o povo com festas
Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio
 A desunião entre o senado de Roma e o povo foi o que engrandeceu e deu liberdade à República,
sendo esta liberdade fomentada pelo fato de Roma ter tido boas leis e, finalmente que Roma
fosse disciplinada.
 Em quem se pode confiar mais nos grandes ou nos povos e a quem interessa perturbar os que
querem adquirir ou os que querem conservar. O povo guarda pela liberdade, pois não podendo
apoderar-se da autoridade eles não permitirão que os outros o usurpem.
 O direito de acusar, atribuído aos tribunos. Não podendo dar ao povo o direito de acusar. Dessa
forma, cidadãos comuns não ousam ir contra o Estado e o Estado é desafogado na ira contra
alguns cidadãos. Por isso, é necessário que cidadãos tenham leis que os auxiliem a manifestar a
cólera contra um cidadão e se há algum Estado que peça auxílio exterior para desafogar a ira dos
homens, é porque a constituição não está dando conta.
 Se o legislador não deve poupar nada nem ninguém para que não haja outra pessoa com
autoridade a não ser ele.
 Como seria inteligente Legislador recorrer as forças divinas para dar mais autoridade às suas leis.
Já que não adianta colocar essa divindade sobre o príncipe, pois sua vida é efêmera.
 Como um novo príncipe deve governar sabendo quem são os inimigos da nova ordem, e procurar
o afeto geral do povo.
 Se os cidadãos não são sãos deve-se realizar uma intervenção nas instituições julgadoras. A
reforma pode ser parcial ou total, mas em ambos os casos se faz necessária para que a insolência
seja subjugada por uma autoridade real.