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AS TRÊS GRANDES FESTAS ANUAIS DO ANTIGO

ISRAEL
Páscoa (ou festa dos pães ázimos), Pentecostes (ou festa das semanas)
e Tabernáculos (ou festa das tendas) eram as três grandes festas de peregrinação do Antigo
Israel.

1. Páscoa – Na Bíblia a celebração da páscoa se confunde com a festa dos ázimos. Ao que
parece, teve origem numa festa pré-israelita celebrada na primavera, mais tarde convertida
numa celebração nacional. Muito se discute a respeito da palavra hebraica pessah (pronuncia-
se pessar). Sua etimologia normalmente é buscada na palavra passah (saltar, pular):

Texto hebraico transliterado: BibleWorks


O destaque é por minha conta

Há quem sugira ligação com o acádio pašâhu (acalmar, apaziguar). Outros defendem que seja a
transcrição de uma palavra egípcia que significa “golpe”, uma referência a décima praga (em Ex
1,1 é dito que Yahweh desferirá “ainda mais um golpe sobre Faraó”).

Apesar de sua origem pré-israelita, entre os hebreus a páscoa adquiriu um novo significado: era
a ocasião de celebrar os poderosos atos de Javé para com Israel. De acordo com Milagro Nadal:
É preciso buscar as origens da Páscoa numa festa de pastores transumantes que na lua cheia de
primavera abandonavam o acampamento de inverno e ofereciam a seus deuses o sacrifício de
uma rês buscando sua proteção. Com seu sangue untavam os postes da tenda para afastar um
“gênio maléfico” que receberia mais tarde o nome de “Exterminador”[1].
O sangue do cordeiro nos umbrais tinha valor apotropéico: proteger as pessoas e os animais do
demônio do deserto[2]. A festa dos pães ázimos, mais tarde anexada à tradição do Êxodo, tinha
evidente origem agrícola. A união entre Páscoa e a festa dos pães Ázimos (sem fermento) teria
sido feita pela tradição sacerdotal. A Páscoa seria o resultado da união entre uma festa celebrada
por pastores e agricultores, como defende Schmidt:
A festa da Páscoa e dos pães ázimos tem sua origem na junção de um rito nômade e uma festa
agrícola; assim, na origem, nenhuma das duas festas é israelita ou está relacionada com javé.
Ambas estão relacionadas com o ritmo da natureza, o retorno das estações do ano[3].

2. Pentecostes – Celebrada cinqüenta dias após a páscoa (daí a expressão


grega pentecostes), essa festa aparece como denominação grega da festa das semanas (Ex 34,22)
em 2 Mac 12,332 e Tb 2,1. Na festa eram oferecidos pães de farinha nova assados com levedura.
É uma festa de caráter agrícola.

3. Tabernáculos – Também chamada de “tentas” ou “cabanas” (hb. Sukkôt), era uma


das mais importantes festas celebradas pelos israelitas. Josefo a considerou “a festa mais santa e
mais importante dos hebreus” (Ant 8,4,1). A celebração dura sete dias, conforme Lv 23,42 e tem
como objetivo lembrar o período em que o povo hebreu viveu como peregrino no deserto.

Outras festas importantes são: O dia das expiações (yom Kippur, Lv 16), a festa da
dedicação (hanukkah, 1 Mac 4,36-59) e o purim (do hb. pur, sorte, cf. Et. 9,24).