Sigmund Freud (1856-1939) - "A criança é o pai do homem

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Antes das descobertas de Freud, achava-se que as crianças de até 6 ou 7 anos eram criaturas sem mente, mais parecidas com animais do que com seres humanos e sem a capacidade de sentir ou saber qualquer coisa. Assim, não seria preciso levar muito a sério esses seus primeiros anos. Freud, no entanto, dava grande importância a esse período e defendia a idéia de que se era preciso conhecer primeiro a criança, para então se entender melhor o adulto. Para ele, o modo de agir do adulto era em grande parte o fruto de atitudes desenvolvidas na infância. Ele insistia no efeito das variáveis ambientais e no comportamento dos pais como determinantes para o desenvolvimento da criança. Freud dizia que a criança é um ser exigente com energias que estão além do seu controle, tendo, assim, que aprender que os seus desejos e necessidades não podem ser todos satisfeitos de imediato. Tal aprendizagem seria um processo doloroso. Assim, o desenvolvimento psicológico humano é um processo que envolve grandes tensões, em que a criança vai aprendendo progressivamente a controlar seus pulsos, que permanecem, no entanto, no seu inconsciente como motivações poderosas. Suas teses eram muitas vezes polêmicas. Um exemplo disso é o fato de que aquilo que havia sido constatado por muitos estudiosos de “contato físico próximo e aprazível com outrem”, foi considerado por Freud como necessidade de “satisfação erótica”. Freud distinguiu três fases emocionais no desenvolvimento da criança em seus primeiros anos: Fase Oral: ocorre no primeiro ano de vida, em que as necessidades da criança estão em sua maior parte associadas à alimentação e ao contato com a mãe. Os distúrbios relacionados a essa fase são o alcoolismo e a obesidade. O adulto tenta compensar na bebida ou na comida a carência sofrida nos primeiros meses de vida. Fase Anal: ocorre durante o segundo e o terceiro ano de vida. Nessa fase, o aprendizado da criança é ligado ao seu corpo e às suas sensações. O modo como os pais vão estabelecendo limites e tirando as fraldas aos poucos irá interferir diretamente na adaptação psico-social do indivíduo, e influenciar o desenvolvimento de características como organização,

pode acabar sendo super-protegido ou até mesmo inteiramente anulado ou substituído. religiosos etc. É nessa fase que ocorre o Complexo de Édipo. o ego (Ich) e o superego (Über-Ich). Segundo Sigmund Freud. o superego representa os educadores (pais.). segundo o qual. pode-se acabar tendo o atrofiamento ou a inibição da personalidade. ESTÁGIO ORAL: é o mais primitivo do desenvolvimento.pontualidade. livre e responsavelmente na sua construção de um modo equilibrado e progressivo. o desenvolvimento humano normal resulta é da interação harmônica e global dessas três instâncias. por ela não ter participado consciente. em especial pelos genitais. ele divide estes estágios em: 1. deixando satisfazer etc.. quando a criança começa a manifestar maior interesse pelo próprio corpo. As necessidades. liderança. . Se a autoridade do super-ego for rígida. o eu.. professores) introjetados no indivíduo. e o ego é uma espécie de "relações públicas" entre o ser. dominadora e autoritária em excesso. o ser humano está sujeito. cuja superação satisfatória irá fazer com que a criança saia do seu narcisismo e procure a satisfação de seus impulsos no mundo externo e fora da família. Fase Fálica: ocorre entre os três e os cinco anos. Como resultado. Freud também propôs três componentes básicos da estrutura da psique humana: o id (Es). a sociedade com seus padrões cívicos. Essa é a base para um bom desenvolvimento afetivo-sexual quando a criança se tornar adulta. perseverança. seguindo as ordens do professor de equitação (superego). seus impulsos e a sociedade. o direcionamento da libido em cada estágio determina a construção e estruturação da personalidade. Freud usou a seguinte metáfora para mostrar como essas três instâncias se relacionam: o ego é um cavaleiro tentando frear um cavalo selvagem (o id). Assim. morais. enquanto instância de resposta que tem de tomar posição em relação aos impulsos inconscientes (limitando. Para Freud. desde o nascimento a um desenvolvimento. Uma conduta muito exigente e rigorosa dos pais com relação ao controle dos esfíncteres pode gerar distúrbios posteriormente. filtrando. O id constitui o inconsciente e é fonte dos impulsos ou tendências de uma pessoa.

OBJETIVOS: Estabelecer uma dependência confiante nos objetos que proporcionam cuidado e apoio. permitindo deste modo. voluntariedade. autoconfiança. Regularidade. 2. TRAÇOS PATOLÓGICOS: Traços de caráter mal-adaptados. narcisismo. Tais pessoas querem ser alimentadas. que está vinculada aos desejos e fantasias primitivos de morder. lábios. TRAÇOS DE CARÁTER: O êxito na resolução da fase oral proporciona uma base na estrutura do caráter para a capacidade de dar e receber sem excessiva dependência ou inveja. derivam do erotismo anal e das defesas contra o mesmo. especialmente o esfíncter anal. mas podem ser excepcionalmente dadivosas. maior controle voluntário sobre a retenção ou expulsão das fezes. sem excessivo conflito ou ambivalência de desejos orais sádicos.percepções e modos de expressão do bebê estão originalmente concentrados na boca. devorar e destruir (protofantasias). (1 a 3 anos). Podendo incluir: excesso de otimismo. a fim de conseguirem receber em retribuição. mastigar. que se expressa no ato de morder . ESTÁGIO ANAL: é ativado pela maturação do controle neuromuscular sobre os esfíncteres. uma capacidade de confiar nos outros com um sentimento de segurança de confiança e. pessimismo (vistos com freqüência nos estados depressivos). desafio. cuspir ou chorar. sem medo ou vergonha da perda de controle. Fase oral-sádica: agressiva. aparentemente inconscientes. A inveja e o ciúme estão freqüentemente associados aos traços orais. obstinação. Os caracteres orais são com freqüência excessivamente dependentes e exigem que os demais os sirvam e olhem por eles. e parcimônia são traços de caráter derivados de uma fixação às funções anais. Fase oralerótico: desejo de comer. cólera e tendências masoquistas. desordem. dormir e alcançar o relaxamento que ocorre no final da sucção. teimosia. Os objetivos de controle esficteriano sem controle excessivo (retenção fecal) ou perda do controle (sujando-se) estão unidos às tentativas de autonomia e independência da criança. o caráter anal revela traços de elevada ambivalência. estabelecer expressão e gratificação confortável das necessidades libidinais orais. As características e defesas anais são vistas mais comumente nas neuroses . Quando as defesas contra os traços anais são menos eficazes. TRAÇOS PATOLÓGICOS: A gratificação ou privação oral em excesso podem resultar em fixações libidinais que contribuem para os traços patológicos. língua e outros órgãos relacionados à zona oral. OBJETIVOS: Essencialmente um período de luta pela independência e separação com respeito à dependência e controle dos pais.

estimulação e excitação na área genital. não apenas sobre pessoas e objetos do ambientes. TRAÇOS PATOLÓGICOS: É bastante complexa. TRAÇOS DE CARÁTER: O êxito na resolução da fase anal proporciona a base para o desenvolvimento da autonomia pessoal. OBJETIVOS: Consiste em concentrar o interesse erótico na área e nas funções genitais. 3. capacidade de autodeterminação e capacidade de cooperação sem excessiva teimosia nem sentimento de autodepreciação ou derrota. ESTÁGIO FÁLICO: Começa em algum momento do terceiro ano de vida e continua até o final do 5º ano aproximadamente. que se estende da resolução do complexo de Édipo até a puberdade (5/6 anos até cerca de 11-13 anos). na inveja do pênis nas mulheres. Os problemas centram-se na castração nos homens e. capacidade de independência e iniciativa pessoal. 4. mas também sobre os processos internos e os impulsos. TRAÇOS DE CARÁTER: Este estágio proporciona a formação de um senso de identidade sexual. Essa concentração coloca os fundamentos para a identidade de gênero e serve para integrar os resíduos de estágios anteriores numa orientação sexual predominantemente genital. O estabelecimento da situação edípica é essencial para o fomento de identificações subsequentes. as defesas contra ambas e os padrões de identificação surgidas na fase fálica são os determinantes primários do caráter humano. abrangendo quase todo o desenvolvimento neurótico.É um período de ligações . de modo que as fixações ou conflitos derivados de quaisquer estágios precedentes podem contaminar e modificar a resolução edípica. que se embasa em identificações originalmente derivadas das figuras parentais.obsessivo-compulsivas. que servem de base para importantes e duradouras dimensões da organização do caráter. de um sentimento de curiosidade. A resolução do conflito edípico no final do período fálico desperta poderosos recursos internos para a regulação dos impulsos e sua orientação para fins construtivos. ESTÁGIO DE LATÊNCIA: é de relativa tranqüilidade ou inatividade do impulso sexual. Também incluem e integram os resíduos de estágios psicossexuais anteriores. Essa fonte de regulação é o superego. Outro foco de distorções evolutivas nesse período deriva dos padrões de identificação desenvolvidos sem a resolução do complexo de Édipo. A influência da ansiedade de castração e da inveja do pênis. Interesse sexual.

treinadores e outros adultos. Essas importantes realizações precisam continuar sendo integradas. não-incestuosas e amadurecidas. OBJETIVOS: Primários: constituídos pela separação definitiva da dependência e do círculo parental e. Relacionados a esses objetivos estão a obtenção de um sentimento de identidade individual amadurecido e a aceitação e integração de um conjunto de papéis e funções adultas que permitam novas integrações adaptativas dentro das expectativas sociais e dos valores culturais. pelo estabelecimento de relações objetais heterossexuais. A relativa aquiescência e o controle dos impulsos instintivos permitem o desenvolvimento dos aparelhos do ego e o domínio de habilidades. TRAÇOS DE CARÁTER: A criança pode desenvolver um senso de diligência e uma capacidade para o domínio de objetos e conceitos que lhe permitam funcionar de forma autônoma e com senso de iniciativa. atualmente em pré-adolescência. 5. TRAÇOS PATOLÓGICOS: O perigo neste estágio pode surgir da falta ou do excesso de controles internos. como base para uma vida adulta de satisfação no trabalho e no amor. adolescência. A falta de controle pode levar ao fracasso da criança na sublimação de suas energias em prol da aprendizagem e do desenvolvimento de habilidades. Caracterizada pela maturação fisiológica dos sistemas de funcionamento genital e dos sistemas glandulares que os acompanha. TRAÇOS PATOLÓGICOS: Devido ao fracasso ou má resolução deste estágio são múltiplos e complexos e os desvios patológicos. até o início da idade adulta) . derrota ou de sentimento de inferioridade. Existe uma tendência a subdividir este estágio. adolescência tardia e até pós-adolescência. adolescência inicial. As resoluções anteriores mal-sucedidas e as fixações nas várias fases ou aspectos do desenvolvimento psicossexual produzem imperfeições patológicas na personalidade adulta . OBJETIVOS: É a integração das identificações edípicas e a consolidação da identidade sexual e dos papéis sexuais. O excesso de controle interno pode levar ao encerramento prematuro do desenvolvimento da personalidade e a elaboração precoce de traços de caráter obsessivos. sem correr o risco de fracasso .primariamente homossexuais e de sublimação das energias libidinais e agressivas em aprendizagem energética e atividades lúdicas. Elementos de identificação adicionais podem ser acrescentados aos componentes edípicos. ESTÁGIO GENITAL: adolescência (estende-se no começo da puberdade 11-13 aproximadamente. Com base nos contatos com outras figuras importantes fora da família: professores.

plenamente genital. . Tal indivíduo alcançou satisfatória capacidade de auto-realização e significativa participação nas área de trabalho e amor. Atua sobre o controle da motilidade.SISTEMA DA PERSONALIDADE . É regido pelos mesmos processos do pré-consciente. Sua principal função é receber os estímulos do ambiente ou do¬ interior do indivíduo. bem como de dedicação produtiva e criativa a objetivos e valores gratificastes e importantes. com capacidade para uma plena e gratificante potência genital e um senso de identidade auto-integrado e consistente. SISTEMAS DE PERSONALIDADE SEGUNDO SIGMUND FREUD 1º MODELO . da memória. Entre o pré-consciente e o inconsciente existiria uma¬ “censura” que impede certos conteúdos do inconsciente tenham livre acesso aos demais. Através do recalcamento. O recalcamento consiste em excluir da consciência toda representação psíquica que a crítica formulada pelo princípio que norteia nossa vida desperta e voluntária julgue inaceitável. da atenção.Situado entre o consciente e o inconsciente. e do raciocínio. TRAÇOS DE CARÁTER: a resolução e reintegração bem-sucedida de estágios psicossexuais anteriores na fase adolescente.emergente. . .SISTEMA DA PERSONALIDADE -(1900) PRÉ-CONSCIENTE É uma subparte do consciente. 1ºMODELO .(1900) O CONSCIENTE: ɬ separado do pré-consciente pela barreira do recalcamento. Somente nos últimos anos é que foi posta em quentão a suposta relação entre generalidade psicossexual e funcionamento maduro da personalidade. O que¬ os diferencia é sua funcionalidade. do¬ pensamento ágil. Não se deixa marcar por nenhuma excitação (sistema de traços mnêmicos). Além de ser o responsável pela censura dos conteúdos inconscientes . normalmente estabelece o cenário para uma personalidade totalmente madura.

o conteúdo .(seus conteúdos não são organizados em função da ordem de suas ocorrências e não se alteram ao longo da vida do sujeito ). presente em todos¬ os organismos vivos.Enquanto . específico. São atemporais.ESTRUTURA DA PERSONALIDADE -2ª TÓPICA (1914) EGO Não está presente no início da vida do¬ indivíduo. Esses conteúdos estão sempre ativos e permanecem presentes no inconsciente. É a essência biológica do homem.1ºMODELO . 2º MODELO . É a expressão dos impulsos de morte e de vida .(assim. impulsos contrários: amor-ódio. Dispensa toda e qualquer referência à realidade. .definido pela presença de atos psíquicos (idéias) que carecem de consciência.É o núcleo ativo da personalidade. coexistem lado a lado.. Seu conteúdo é de impulsos apenas em busca de descargas afetivas.2ª TÓPICA ID Constitui a parte obscura .ESTRUTURA DA PERSONALIDADE . mesmo quando passam para o sistema consciente. É atemporal. inacessível de nossa¬ personalidade..o modo de funcionamento:¬ Desconhece a dúvida e a negação. É geneticamente uma parte do Id adequadamente modificada pela proximidade e contato com o mundo externo. amoral.( 1900) O INCONSCIENTE É organizado por¬ leis e princípios que lhe são próprios e um regime energético . 2º MODELO . Regulado apenas pelo princípio do prazer. 2º .Impulsos carregados de desejo (protofantasias) transmitidas de geração em geração. É constituído por dois aspectos: 1º . ¬ Funciona como escudo protetor contra tudo aquilo que ameaça o aparelho mental. As leis lógicas do¬ pensamento não se aplicam a ele.SISTEMA DA PERSONALIDADE. devendo ser desenvolvido. Não há nada que se possa comparar a negação.

Situa-se frente ao Ego como modelo (se é ideal) e obstáculo (se é o proibido). sendo instrumento perceptivo básico daquilo que surge de fora. estabelecendo um quadro do mesmo nos traços da memória. é receptivo também às excitações provenientes do interior do sujeito. . É formado durante o declínio do complexo de Édipo. desviando para sí próprio a libido do Id. Constitui-se no órgão sensorial de toda a personalidade. encontra-se principalmente voltado para o meio externo. e a parte referente á função paterna constitui-se em agente crítico do Ego dotado de características de severidade e proibições que a criança atribuía aospais. principalmente pela atividade do pensamento. Para tal é preciso que se separe o que é oriundo do mundo externo. Este se impõe no Ego . sentimento de autoestima e de sentimento de culpa.2ª TÓPICA (1921) SUPEREGO Funciona como a “agencia crítica” da nossa¬ personalidade. Para tanto. Decorre deste processo que a parte referente a imagem idealizada (dos pais) transmuta-se no interior do Ego. Este controle é efetuado. Sua incumbência é observar o mundo¬ externo.em imagem idealizada de si mesmo. utiliza-se de subterfúgios (mecanismos de defesa) ou seja. É durante o seu funcionamento que surge o fenômeno da consciência. Tem como função crítica e¬ normativa e revela-se como base de todo ideal humano .ESTRUTURA DA PERSONALIDADE . Cabe a ele também controlar os impulsos provenientes do¬ Id à motilidade.sistema. 2º MODELO . É o responsável¬ pela origem da consciência moral. entre o impulso e a ação. Retira do Id a energia (libido) para exercer tais funções. a partir da interiorização das imagens idealizada dos pais. daquilo que provém de fontes internas ). identifica-se com o objeto do desejo libidinal.

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