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COMO ENCONTRAR O PAI

O homem é um ser religioso por excelência. Desde os primórdios da humanidade


encontraram-se vestígios dessa religiosidade. Os povos primitivos sempre atribuíram ao
trovão uma manifestação da ira de Deus. Até na Bíblia encontramos referência de trovão
como voz de Deus (Sl. 77:18) . Os feiticeiros e os magos se valiam da ignorância do
povo e se diziam mensageiros dos deuses. Com o tempo surgiram os sacerdotes e as
sacerdotisas que serviam e ministravam nos templos. Os sacerdotes caldeus consultavam
o seu deus lançando flechas, mais ou menos como o profeta Eliseu, que mandou Jeoás,
rei de Israel, atirar flechas, para saber sobre o livramento dos siros (II Rs. 13:14 a 19).
Os romanos se guiavam pelo vôo dos pássaros como mensageiros dos deuses, e todos se
guiavam por sinais ou oráculos nas guerras. Cada nação ou reino tinha os seus deuses,
que eram consultados antes de uma guerra. Era uma verdadeira guerra dos deuses.
Sobre guerra dos deuses, podemos dizer que no Monte Olimpo, sede dos deuses
gregos, o deus Saturno, soberano do Olimpo, era casado com a deusa Cibele, e pai de
Júpiter, Neptuno, Plutão e Juno. Seu filho Júpiter o derrubou, tornando-se o soberano
dos deuses do Olimpo, para os gregos e romanos. Os deuses sempre foram ambiciosos e
ávidos de glória e poder. Como os homens consultavam os deuses nas guerras, a
impressão que fica é a de que os deuses usam nas guerras os pobres e cegos humanóides.
Nas guerras, eram cometidas todas as atrocidades imagináveis e inimagináveis. Os
vencidos eram pendurados em estacas, para serem comidos por abutres. Outros eram
obrigados a beber azeite fervendo; em outros derramavam chumbo derretido nos
ouvidos. Os nobre eram tornados escravos, e as mulheres e filhas violadas. Rios de
sangue corriam. As cidades eram destruídas a fogo. Era um flagelo.
Nesse cenário bárbaro surge um Deus mais poderoso que os outros. Foi o Deus
dos hebreus, que se revelou a Moisés como Jeová, o Deus dos deuses.
E Jeová, o grande e glorioso Deus dos hebreus, mandou tantas pragas, pestes e
mortes no Egito que o sogro de Moisés disse: “AGORA SEI QUE JEOVÁ É MAIOR
QUE TODOS OS DEUSES” (Ex. 18:11). E Jeová disse a Moisés na última praga: “Eu
passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito, desde os homens
até aos animais, e sobre todos os deuses, do Egito farei juízos; eu sou Jeová” (Ex.
12:12).
Os hebreus eram tão convencidos que haviam outros deuses, que os salmistas cantavam:
“Tu Jeová, és o altíssimo em toda a terra; muito mais elevado que todos os deuses” (Sl.
95:3; 97:9; 135:5; 138:1, etc.). Moisés revelou que Jeová é varão de guerra (Ex. 15:3).
“JEOVÁ É O SENHOR DOS EXÉRCITOS” (Sl. 24:10; 46:7, 11). Foi Jeová que trouxe
Sargon, rei da Assíria, contra Israel, para os levar em cativeiro (Is. 8:7-9). Foi Jeová que
trouxe Nabucodonosor contra Judá e Jerusalém para os levar em cativeiro (Jr. 27:1-6). E
Jeová, o Senhor dos Exércitos declarou Nabucodonosor, o sanguinário e idólatra, seu
servo.
O livro de Daniel relata que havia príncipes (deuses) que chefiavam as guerras:
“Mas, o príncipe do reino da Pérsia se pôs de fronte de mim, vinte e um dias, e eis que
Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me”(Dn. 10:13). Um varão de
branco fala a Daniel: “Não temas, homem mui desejado, paz seja contigo; anima-te. E,
falando ele comigo, esforcei-me e disse: Fala, meu Senhor. E disse: Sabes porque eu
vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o
príncipe dos gregos. Mas eu te declararei o que está escrito na escritura da verdade; e
ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe”
(Dn. 10:5-7; 19-21.
Como Miguel é um arcanjo (Jd. 9) fica claro que os outros príncipes são anjos ou
deuses. Diante de um quadro confuso e tenebroso, em que homens, deuses, príncipes, e
o próprio Jeová, estavam engalfinhados em guerras, cobiça, destruições e vinganças,
Jesus criou uma forma gloriosa de revelar o Pai, sem comprometê-lo ou confundi-lo com
algum deus guerreiro e implacável.
João disse: “Deus nunca foi visto por ninguém. O Filho unigênito, que está no
seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18). “Ninguém jamais viu a Deus” (I Jo. 4:12).
Paulo disse: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz
inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (I Tm. 6:16). E João
novamente, registra as palavras de Jesus: “O Pai que me enviou, ele mesmo testificou
de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer” (Jo. 5:37).
Disseram-lhe pois: “ Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a
mim nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”
(Jo. 8:19).
Não conhecem o Pai, nem os bons e nem os maus; nem os salvos e nem os
perdidos; nem os judeus nem os gentios, e nem os cristãos. Só Jesus conhece o Pai (Mt.
11:27).
Se alguém conhecesse o Pai, passaria Jesus para traz, para glorificar o Pai, mas
"....não há nenhum outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual
devamos ser salvos" (At. 4:12). Também o Pai é cabeça de Jesus Cristo e não dos
homens (I Co. 11:3). O Pai colocou todas as coisas na mão do Filho (Jo. 13:3). O Pai
não julga a ninguém, mas constituiu o Filho juiz dos vivos e dos mortos (At. 10:42; Jo.
5:22). Ninguém recebe o Pai sem receber primeiro o Filho (Mt. 10:40). Ninguém pode
honrar o Pai diretamente. É honrando o Filho que se honra o Pai (Jo. 5:23). Ninguém
pode ser do Pai sem ser primeiro do Filho (I Jo. 2:23). E ninguém pode se tornar filho de
Deus sem receber primeiro a Jesus como Salvador (Jo. 1:12, 13). Por isso Jesus disse:
“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO
POR MIM” (Jo. 14:6).
A salvação é de autoria exclusiva de Jesus (Hb. 12:2), pois foi Jesus quem
morreu na cruz pelos pecadores. Se uma pessoa conhece o Pai, ama o Pai, obedece ao
Pai e serve o Pai, e não obedece a Jesus, não se salva. É o que aconteceu com um jovem
rico em Mt. 19:16-24. Por outro lado, se alguém odeia o Pai, blasfema do Pai e O
desobedece, no momento que aceita o Filho, é salvo. É fácil provar, pois Paulo revela
que nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho e
seremos também salvos (Rm. 5:10; Cl. 1:24). Em Jesus Cristo, Deus não imputa pecado
a ninguém (II Co. 5:19). Assim sendo, fica claro que o Pai não está fora do Filho, nem
opera sem ser através do Filho, nem salva a não ser pelo Filho mas revela seu amor no
Filho; ressuscita os mortos com o Filho; derrama seu Espírito Santo por intermediação
do Filho e toda criação do Pai é feita pelo Filho.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira