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Capitulo 3 - O ESTADO E A SOCIEDADE NAS RELACOES INTERNACIONAIS

O IMPASSE SOBRE 0 ESTADO

DEFINIÇOES EM OPOSIÇAO

Os Estados sempre desempenharam papeis em moldar as economias, nao somente atraves do


planejamento, da taxação e da promoção dos setores ligados ao interesse nacional,
especificamente o militar, mas tambem pela sua regulaçao atraves da legislaçao sobre o que é
ou nao legitimo e por meio dos mecanismos financeiros dos bancos centrais.

ESTADO COMO ATOR DOMESTICO E INTERNACIONAL

Dentro desta literatura, o tema mais significativo para as relacoes internacionais e a percepcao
da acao do Estado em duas dimensoes: a domestica e a internacional. O Estado compete com
os outros Estados para mobilizar recursos internamente e usa o seu papel internacional para
consolidar a sua posição domesticamente

Alternativamente, a busca de uma política domesticamente vantajosa pode levar o Estado a


conflitos destrutivos com outros Estados. Contudo, bem-sucedida ou não, esta perspectiva
bidimensional sobre a política estatal indica que para todos os atores dentro de uma sociedade
específica a dimensão internacional é importante para a condução de políticas e promoção de
conflitos. Aqueles que controlam o poder no Estado e aqueles a ele associados irao
disponibilizar recursos internacionais para conter ameacas domesticas. Estes recursos podem
ser militares, incluindo tropas aliadas; economicos, fornecidos por uma corporacao
multinacional ou pelas instituicoes internacionais como ajuda aos detentores do poder estatal;
ou politicos, na forma de apoio moral, tratados ou aliancas com Estados amigos. Muito nas
relacoes intemacionais pode ser percebido, portanto, como uma internacionalização dos
conflitos domésticos, das relações entre o Estado e a sociedade.

OS INTERESSES ESTATAIS E AS FORÇAS SOCIAlS

O Estado recruta seções da sociedade doméstica para as suas atividades internacionais. Ao


mesmo tempo, ambos, o Estado e a sociedade, buscam ganhar apoio para seus conflitos
internos em fontes internacionais. Previamente foi apontado que o conceito institucional de
Estado torna possível distinguir entre os termos Estado, sociedade, governo e nação. Muito
da relação entre estes e constituída dentro de sociedades específicas, mas existem muitas
maneiras pelas quais estas relações adquirem uma dimensão internacional: os Estados
buscam regular sua própria posição pela obtenção de apoio internacional; os governos, os
grupos sociais e os grupos étnicos tentam melhorar sua posição, vis-à-vis seus próprios
Estados, obtendo auxilio internacional, como a ajuda econômica e militar; e os atores
externos buscam avançar contra os Estados competidores, estabelecendo ligações diretas
com elementos dentro de suas sociedades.

Por toda a parte, a existência da relação Estado-sociedade permite meios alternativos de


conduzir as relações internacionais: ela encoraja os Estados e as forças sociais a perseguir
políticas internacionais que irão incrementar relativamente as suai posições domesticas.

AS SOCIEDADES E OS SISTEMAS DE ESTADO

Por um lado, existem mudanças de longo prazo dentro de uma sociedade específica que, em
um momento de impacto crescente sobre o Estado e a política do governo ou do executivo,
tem grande influência sobre as atividades internacionais daquele Estado.

Ao mesmo tempo, o internacional pode ter impacto fundamental na composição social de


uma sociedade de forma a também poder moldar e influenciar o Estado.

A incorporação no sistema mundial afeta não somente o equilibrio de poder (militar)


internaacional, mas também o equilíbrio de poder social dentro das sociedades.

Este foco na relação Estado-sociedade tambem pode ajudar a reexaminar, e reteorizar, a


maneira pela qual os grupos sociais, com interesse internacional, relacionam-se com o poder
estatal. Algo disto esta presente no trabalho empírico sabre os lobbies: as campanhas para
excluir bens estrangeiros, para ajudar empreendimentos associados no exterior e para
demandar concessoes de Estados estrangeiros. Contudo, muito do debate sobre a influência
relativa de atores estatais e não-estatais assumiu uma polaridade a este respeito, como se a
corporação multinacional (CMN) operando no exterior desejasse agir independentemente dos
Estados. Isto toca sobre a questão não resolvida da autonomia do Estado: o Estado é
"autônomo" em alguns aspectos, e mais em certos períodos, mais especificamente em
tempos de guerra, mas o mínimo que pode ser dito é que em muitas áreas o Estado está
agindo em subordinação a, e sob o comando de interesses influentes dentro da sociedade.
Nisto reside a força da teoria "estrutural" do Estado.

-Estes enigmas (a determinação do socioeconomico, a especificidade do politico) nao podem


ser respondidos dentro de um contexto unicamente domestico ou intemacional; pelo
contrario, eles sugerem a necessidade de identificar ate que ponto cada nivel determina o
sistema e como os Estados funcionam nao somente como atores independentes no sistema,
mas tambem como mediadores e reguladores de um conjunto de interaçoes que, tomadas
como uma totalidade, constituem a sociedade internacional

(apesar desta "sociedade" ser idealizada).


BUZAN, Barry; HANSEN, Lene. A evolução dos estudos de segurança internacional. Tradução

Flávio Lira. São Paulo: Ed. da UNESP, 2012. (Coleção Paz, defesa e segurança internacional).

O Estado recruta seções da sociedade doméstica para as suas atividades internacionais. Ao


mesmo tempo, ambos, o Estado e a sociedade, buscam ganhar apoio para seus conflitos
internos em fontes internacionais. Por toda a parte, a existência da relação Estado-sociedade
permite meios alternativos de conduzir as relações internacionais: ela encoraja os Estados e
as forças sociais a perseguir políticas internacionais que irão incrementar relativamente as
suas posições domesticas.

Existem mudanças de longo prazo dentro de uma sociedade específica que, em um


momento de impacto crescente sobre o Estado e a política do governo ou do executivo, tem
grande influência sobre as atividades internacionais daquele Estado. Ao mesmo tempo, o
internacional pode ter impacto fundamental na composição social de uma sociedade de
forma a também poder moldar e influenciar o Estado.

em muitas áreas o Estado está agindo em subordinação a, e sob o comando de interesses


influentes dentro da sociedade. Nisto reside a força da teoria "estrutural" do Estado.