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Um arranjo alternativo para um cicloconversor monofásico com carga resistiva é mostrado na

figura abaixo:

Figura: Cicloconversor monofásico com carga resistiva


Fonte: AHMED (2000:451)

O conversor do grupo P é um rectificador controlado em ponte que produz o semiciclo positivo


da frequência de saída, enquanto o conversor do grupo N fornece o semiciclo negativo da tensão
de saída. Se os ângulos de disparos dos dois conversores for igual a zero, a tensão de saída 𝑉𝑜
será máxima. Durante o semiciclo positivo da tensão o conversor P é disparado; durante o
semiciclo negativo, o conversor N é disparado. A forma de onda da tensão de saída 𝑉𝑜 é
mostrada na figura abaixo:

Figura: forma de onda para 𝛼 = 𝑂°


Fonte: AHMED (2000:451)
Cada semiciclo é constituído de um número inteiro de semiciclo da forma de onda da fonte
monofásica. Observa-se que a frequência de saída é um terço da frequência de entrada.

Se o ângulo de disparo for aumentado a tensão de saída 𝑉𝑜 será reduzida. A forma de onda para
um ângulo de disparo de 60o é mostrado na figura abaixo:

Figura: forma de onda para 𝛼 = 60°


Fonte: AHMED (2000:451)

Se a fase de disparo do SCR for atrasada de modo que o ângulo de disparo mude durante o
semiciclo, obtém-se a forma de onda mostrada na figura a seguir. A saída recebe um semiciclo
completo da tensão de entrada no período de pico e é reduzida a medida que a tensão de saída se
aproxima de zero.

Figura: forma de onda para valores diferentes de 𝛼


Fonte: AHMED (2000:451)
Podem conduzir corrente dois elementos de uma mesma coluna de uma matriz de
comutação simultaneamente? Considere as colunas como linhas de saída e as filas como
linhas de entrada.

Para que melhor se responda a questão faz necessário compreender a operação em matriz dos
conversores que é o mesmo que acontece com os cicloconversores, já que estes, em linhas gerais
são conversores duais.

Operação de conversores em Matriz

Aplicação deste tipo de operação tem sido muito restrita devido à implementação prática,
especialmente em termos das comutações não-ideais dos interruptores.

Sua vantagem de operação resume-se nos seguintes aspectos:

 A ausência de elementos acumuladores de energia, pois não há indutores nem capacitores


no conversor, apenas interruptores.
 Maior eficiência, quando comparado com um sistema composto por retificador e inversor
,no qual haveria 4 interruptores no caminho da corrente, contra 2 neste conversor.
 Facilidade de operação em 4 quadrantes, com possibilidade de obter-se qualquer forma
de onda de tensão e de corrente na saída, e qualquer forma de corrente na entrada.

A grande limitação deste conversor, como citado, reside em problemas de comutações


dos interruptores. Observa-se na figura abaixo, onde está ilustrado um conversor com
entrada e saída trifásicas, que a condução de 2 interruptores de um mesmo ramo coloca em
curto-circuito a entrada. Devido ao fato de não se conhecer a priori a forma de onda das
correntes, principalmente da carga, e à necessidade de se garantir um caminho para tais
correntes (se esta tiver um comportamento indutivo) a lógica de comando pode se tornar
complexa e dependente da observação de todas as tensões e correntes presentes na entrada e
na saída.
Conversor em matriz, com entrada e saída trifásicas.

Os interruptores são bidirecionais em tensão e em corrente, o que significa que devem ser
capazes de conduzir e de bloquear em ambos sentidos. Uma vez que não existem tais
componentes, eles devem ser realizados a partir da associação de outros como, por exemplo, dois
MOSFETs, ou dois transistores e dois diodos, como também mostra a figura 10.31. Em ambos
os arranjos ilustrados, o sinal de comando pode ser único, entrando em condução o transistor que
estiver diretamente polarizado.

O problema da comutação pode ser ilustrado pelo exemplo da figura 10.32, onde se tem
um conversor com entrada e saída monofásicas. Suponhamos que no momento analisado tanto a
tensão de entrada quanto a de saída estejam com as polaridades indicadas e que a corrente da
carga seja positiva. Ao ser ligada, a chave Sa conduzirá uma corrente positiva. No momento do
desligamento, deve ser ligada a chave Sb de modo a dar continuidade à corrente (pois a carga tem
característica indutiva). Como as chaves não são ideais, os tempos de comutação podem fazer
com que duas situações igualmente críticas surjam: se Sa abrir antes que Sb entre em condução,
surgirá um pico de tensão, devido à não existência de um caminho para a corrente da carga. Por
outro lado, se Sb conduzir antes que Sa tenha bloqueado, tem-se um curto-circuito aplicado na
fonte, levando a um surto de corrente. Ambas situações são potencialmente destrutivas para os
componentes.
O esforço atual dos pesquisadores que atuam nesta área é o de implementar técnicas de
comutação que garantam a operação segura deste conversor.

Figura 10.32 Conversor em matriz, com entrada e saída monofásicas.

Considerando o conversor da figura abaixo, uma possível estratégia de comutação segura exige
que os comandos dos interruptores ligados em cada ramo sejam independentes (embora, na
conexão emissor comum, pudessem ser comandados pelo mesmo sinal).

Figura 10.33 Conversor em matriz, com entrada bifásica e saída monofásica.

Supondo que vi>0 e vo>0 e ainda que |vo|<|vi|. Neste caso devem conduzir S1(D2) para
aplicar tensão positiva na saída, caso io>0. Se a corrente for invertida (io<0), quem deve conduzir
é S2(D1). Como, em princípio, não se sabe o comportamento da carga, deve-se aplicar sinal para
ambos os transistores.
Para se aplicar uma tensão nula na carga (de modo a ajustar o valor “médio” desejado em
vo), desligam-se S1 e S2 e ligam-se S3 e S4 (ambos, pois não se sabe a polaridade de io).

O problema é que o desligamento dos transistores é mais lento do que a entrada em


condução. Neste caso, a condução simultânea de S1, S2, S3 e S4 colocaria a entrada em curto.

Para evitar esse acontecimento é preciso adotar o seguinte procedimento, que exige o
comando independente dos transistores.

a) identificar a polaridade da corrente de entrada ii.


b) Desligar o transistor que não está efetivamente conduzindo (S1, se ii<0; S2 se ii>0).
c) Ligar S3 e S4 (já que não mais há possibilidade de curto-circuito na entrada).
d) Desligar o outro transistor ligado á fonte.

Na comutação seguinte repete-se o procedimento de desligamento seqüencial para S3 e S4,


dependendo da polaridade de io.

Observa-se que o procedimento de comando exige a medição dos valores isntantâneos das
correntes no circuito. No conversor trifásico-trifásico, a complexidade, obviamente, cresce
consideravelmente.

Resposta da questão:

Diferentemente do que ocorre nos cicloconversores, em que só é possível sintetizar formas de


onda na saída com freqüência abaixo da freqüência da entrada, neste caso, como são utilizados
interruptores totalmente controláveis (transistores ou GTOs), pode-se operar tanto abaixo quanto
acima da freqüência da entrada. Topologias alternativas, com saída monofásica, ou com entrada
e saída monofásicas também são possíveis.
Esquemas de comando dos Cicloconversores
Os circuitos de comando dos cicloconversores têm a função de fornecer o sinal de disparo para
os rectificadores controlados de silício (SCR) no tempo correcto, de modo que assegure a
passagem para o estado ligado quando necessário.
Para uma maior eficiência no disparo empregam-se sinais pulsantes, pois estes reduzem a
dissipação de potência na porta, gerando um único pulso ou um conjunto de pulsos que permitem
um controlo preciso no ponto no qual o dispositivo é disparado.
Visto que os cicloconversores podem operar em tensões elevadas em relação ao circuito de
comando, torna-se fundamental manter um isolamento entre o circuito de comando e o circuito
de potência.
Organização de um Circuito de Comando

A figura a seguir mostra o diagrama de blocos de um circuito básico de comando. O


transformador, além de reduzir a tensão da rede, proporciona o isolamento galvânico do circuito.
O bloco 1 é o responsável pela geração da dente de serra sincronizada com a da tensão de
alimentação, tensão esta que serve como tensão de referência. No bloco 2 a rampa é comparada
com uma tensão contínua de comando (VC), produzindo uma onda rectangular na saída. Os
blocos 3 e 4 são, respectivamente, um oscilador e uma porta lógica E. A porta lógica é a
responsável pela produção de conjunto de pulsos. Por último, o bloco 5 é o responsável pelo
isolamento, amplificação e envio do sinal de gatilho.

Figura: diagrama de blocos de um circuito básico de comando

Fonte:https://googleweblight.com/i?u=https://pt.scribd.com/document/259881622/Cicloconverso
res-Sem-Corrente-Circulante&hl=pt-BR
A figura abaixo, ilustra diversos esquemas de comando dos cicloconversores utilizando um
transformador de pulsos.

Figura: Esquemas de comando de cicloconversores utilizando isolamento por transformador de


pulsos.

Fonte:https://googleweblight.com/i?u=https://pt.scribd.com/document/259881622/Cicloconverso
res-Sem-Corrente-Circulante&hl=pt-BR

A figura a) representa um arranjo simples de isolamento com transformador de pulsos. Quando


um pulso de tensão adequada, é aplicado à base do transístor de chaveamento 𝑄1, este satura e a
tensão 𝑉𝐶𝐶 aparece no primário do transformador, induzindo uma tensão pulsante no seu
secundário.
A largura de pulso pode ser aumentada colocando-se um capacitor C em paralelo com o resistor
R, como mostrado na figura b).

Em muitos cicloconversores com cargas indutivas, o período de condução de um tirístor depende


do factor da potência da carga, portanto o início de condução de um tirístor não é bem definido.
Nessa situação, é sempre necessário disparar os tirístores continuamente, através de um conjunto
de pulsos, que pode ser conseguido por um enrolamento auxiliar (𝑁3 ), como mostrado na figura
c).

Quando o transístor 𝑄1 é ligado, uma tensão é também induzida no enrolamento auxiliar 𝑁3 na


base de 𝑄1 de forma que o diodo 𝐷1 seja inversamente polarizado e 𝑄1 desligue.

Em vez de utilizar um enrolamento auxiliar como um oscilador de bloqueio, uma porta lógica
“AND” com um oscilador (ou um temporizador) poderia gerar um conjunto de pulsos, como
mostra a figura d). Na prática, a porta lógica “AND” não pode excitar o transístor 𝑄1
directamente, e um estágio amplificador é conectado antes do transístor.