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AS AÇÕES DA GESTÃO DEMOCRÁTICA NA MODALIDADE EJA NUMA

PERSPECTIVA DE MUDANÇA E IGUALDADE SOCIAL


Ricardo Vasconcelos Fernandes 1
Ricardorpm43@gmail.com
Ana Maria da Silveira da Silva
Eurilândia Fontenele Sousa
Orientadora: Profa. Especialista Célia Ximenes Giraldes
celiaximenes91@gmail.com
RESUMO
A educação de jovens e adultos passou por várias transformações ao longo dos
tempos, e nos dias atuais essa modalidade de ensino vem ganhando cada vez mais
espaço e melhorias no cenário da educação brasileira, dando chance ao povo mais
pobre que não tiveram oportunidade ou que não concluíram o ensino básico na idade
certa, possibilitando as pessoas de ter uma vida mais digna, e assim tornando uma
sociedade mais igualitária. Esta pesquisa trata sobre a importância da EJA para a
sociedade brasileira e como uma gestão democrática pode melhorar o aprendizado
dos educandos, ainda faz uma análise geral de como era o ensino da EJA no passado
e os avanços até os dias atuais, mostrando que ouve mudanças significativas desse
ensino. Essa pesquisa tem como principal objetivo mostrar que a EJA tem um papel
importantíssimo dentro da sociedade brasileira, os métodos utilizados foram
observações em uma escola de educação de jovens e adultos, e pesquisas
bibliográficas.

PALAVRAS-CHAVE: gestão democrática, aprendizagem, igualdade social

INTRODUÇÃO
A educação no Brasil sofreu várias transformações ao longo dos tempos, e
durante muito tempo nem todos os brasileiros tiveram a oportunidade de estudar, pois
a educação era destinada apenas para a elite, deixando de lado o proletariado,
gerando uma grande desigualdade social, que afetou bastante o Brasil nos dias de
hoje, o país ainda tem um grande índice de pessoas analfabetas ou que ainda não
concluíram o ensino básico.
Pensado nesse povo que não tiveram a oportunidade de ter uma educação
no passando e também numa perspectiva de mudança no Brasil, foi criado a EJA,

1 Estudantes de pedagogia do Instituto de Estudos e Pesquisas Vale do Acaraú-IVA


proporcionando uma educação igualitária onde todos possam ter a oportunidade de
estudar e tornar uma sociedade mais digna
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O presente artigo surgiu a partir da disciplina de estágio de observação,


realizado em uma escola pública estadual de jovens e adultos, nos dias 09 a 18 de
agosto de 2017, localizada em um bairro de classe média, centro de Tianguá-CE, na
rua capitão Joaquim Lourenço s/n. Foram feitas observações como condições do
espaço escolar, funcionamento da gestão escolar.
A técnica utilizada na pesquisa, foram observações feitas na escola CEJA
entrevistas com coleta de dados, visto que este tipo de entrevista tem caráter
qualitativo. Para fundamentar e construir a pesquisa, tem como fundamentação
teórica autores que consideram a importância da EJA e da gestão democrática para
a aprendizagem dos educandos. (Bizone,2009; Castro,2009; Cruz,2016; Freire,1980;
Jardilino, Araújo 2005; Tamarozzi, Costa, 2009; Lück, 2009; Oliveira, 2012, Rios,
2011; Zurawski 2014; Segundo Ruffo, 2014; Lopes, 2010). A escolha da temática se
deu por perceber que durante o estágio, a escola tem um melhor funcionamento
quando a gestão trabalha em equipe com a participação da comunidade, e juntos
possam tomar decisões relevantes buscando melhorias e assim proporcionando uma
educação de qualidade para os alunos.
Esse artigo tem como principais objetivos, mostrar a importância da EJA
para a sociedade e sua qualidade de ensino, verificar o funcionamento de uma gestão
escolar de jovens e adultos, mostrando de que maneira uma gestão democrática pode
influenciar na aprendizagem dos alunos.
A modalidade EJA aos poucos vem sendo valorizada no meio social, mas
ainda sofre vários preconceitos, pois muitos acham que a EJA por ter um ensinamento
diferenciado do convencional, a qualidade do ensino não seja a mesma. Diante desse
contexto apresenta-se as seguintes perguntas: qual a importância da EJA para a
sociedade? Qual a qualidade do ensino na modalidade EJA? Como uma gestão pode
influenciar na aprendizagem dos alunos da EJA?

A Importância da EJA para a sociedade


Muitos jovens e adultos de classe baixa hoje não sabem ler e escrever e os
que sabem não concluíram o ensino básico devido a falta de oportunidade no
passado, pois a educação era para poucos, apenas as pessoas com mais condições
financeiras tinham acesso, deixando de lado o sonho de ler e escrever do povo mais
pobre.
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Segundo Castro (2009), a educação, tem como objetivo mais importante a


escolarização, capaz de desenvolver nos indivíduos suas habilidades permitindo o
“pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho”, como previsto na Constituição de 1988. Quando é
distribuída de forma igualitária é uma das ferramentas mais importantes para a
promoção de oportunidades entre membros de um país. É, ainda, mais importante em
situações de alta desigualdade, quando então ganha maior relevo a responsabilidade
do poder público.
Partindo desse entendimento, é possível observar que nos dias atuais a
EJA traz uma proposta de igualdade social, oferecendo educação a pessoas que não
tiveram oportunidade de ler e escrever ou que não concluíram o ensino básico na
idade certa devido as dificuldades da vida. Preparando e dando oportunidade aos
jovens e adultos a ingressarem no mercado de trabalho, e ter uma visão mais ampla
da sociedade em que vivem, conhecendo seus direitos, possibilitando que esses
jovens possam ter o direito de crescer na vida que nem os demais. Por outro lado a
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos mostra que:

A EJA foi vista como uma compensação e não como um direito. Esta tradição
foi alterada em nossos códigos legais, na medida em que a EJA, tornando-se
direito, desloca a ideia de compensação substituindo-a pelas de reparação e
equidade. Mas ainda resta muito caminho pela frente a fim de que a EJA se
efetive como uma educação permanente a serviço do pleno desenvolvimento
do educando. (BRASIL, 2000 p 66).

Nessa perspectiva, pode-se observar que a EJA foi criado para equilibrar
uma situação que houve lá no passado e quem vem refletindo nos dias de hoje, que
foi a falta de educação de qualificação, que acarretou em vários problemas sociais
como a falta de emprego, gerando uma grande desigualdade social, pois muitos
jovens não tiveram a oportunidade de uma qualificação, assim não tiveram a
oportunidade de um trabalho digno e alguns acabaram procurando o mundo do crime,
por achar a saída mais fácil, e os que não entraram no crime vive em pobreza extrema.
Portanto, essa modalidade é de suma importância para o Brasil, pois de
alguma forma tenta corrigir alguns problemas sociais no pais, através desse ensino é
possível transformar a sociedade em uma sociedade mais digna, e assim tentando
dinamizar os problemas que o país enfrenta.
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A qualidade do ensino na modalidade EJA


A alguns anos atrás por volta dos anos 40 o ensino da EJA era apenas de
interesses políticos, pois o governo queria apenas que o povo aprendesse a ler e
escrever, não estava preocupado em formar pessoas críticas que lutassem pelos seus
direitos.
Segundo Tamarozzi, Costa (2009), nesse período a preocupação era
formar eleitores já que nessa época os adultos analfabetos não poderiam votar, esse
grupo totalizava 55% da população com mais de 18 anos, podemos imaginar que isso
representava um interesse bastante razoável para a realização de tal ação.
Desse modo, o ensino dessa modalidade no passando não era de boa
qualidade, era um ensino tradicional voltado apenas para a alfabetização das
pessoas, e não para preparara-las para exercer o seu papel na sociedade e
transforma-la, pois, o governo não queria que a sociedade interferisse nos seus
planos. Devido esse ocorrido, a EJA sofre alguns preconceitos atualmente pois
muitos jovens ainda acham que a EJA e só para alfabetização de adultos.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, Eliane Ribeiro acredita que
ainda existe preconceito da sociedade com relação à EJA. Sem dúvida
nenhuma ainda há preconceito. A sociedade ainda não incorporou a
educação como um direito que pode ser exercido ao longo de toda a vida. Os
alunos de EJA sentem-se culpados por sua trajetória escolar. Não têm
consciência de que é toda a sua situação de vida que os leva a deixar de
estudar", pondera a professora da UniRio. Além disso, ressalta a educadora,
a alfabetização deve ser apenas o primeiro passo para um processo de
escolarização. "Antigamente, havia essa visão que a educação de adultos
devia se restringir a ensinar a ler, escrever e contar. (BIZONE,2010)

No entanto, muitos jovens nos dias atuais tem um certo receio de procurar
a EJA para concluir o ensino básico, pois levam na cabeça que o ensino ainda tem a
mesma metodologia do passado, e pensam que o ensino não tem a mesma qualidade
do ensino convencional e que se restringe apenas as pessoas analfabetas.
Com a nova LDB de 96 a EJA ganha um espaço maior dentro da sociedade
brasileira com novos objetivos e fundamentos que proporcionou uma educação com
mais qualidade para os jovens e adultos.
De acordo com Jardilino, Araújo (2015), Logo depois da nova LDB entrar
em vigor o conselho nacional de educação (CNE) publicou em 1997 um parecer
propondo a regulamentação dessa lei para toda a educação básica, e em relação e
EJA trazendo a denominação educação de jovens e adultos, definindo as idades que
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poderiam ingressar na EJA que foram 15 anos para ensino fundamental e 18 para
ensino médio, e no ano de 2001 com o movimento dos pioneiros da educação foi
criado a ideia de uma Plano Nacional de Educação (PNE) com metas e objetivos
propondo melhorias para a educação básica inclusive para a EJA, o documento
propôs que todas as escolas que atendem a EJA deve ser observadas as funções
reparadoras que dá o direitos as pessoas que não tiveram a oportunidade de ter uma
educação no passado ou que não concluíram o ensino básico na idade certa a
continuar com seus estudos, equalizadora que estende o ensino a todos os
trabalhadores , a diferentes segmentos sociais proporcionando o retorno ao sistema
educacional possibilitando novas inserções no mercado e maior participação na vida
social e por último qualificadora propiciando numa perspectiva de educação por toda
a vida tendo como base a ideia de que, como seres humanos somos seres
incompletos em desenvolvimento e, portanto, em permanente educação, seja em
espaço escolares ou não.
Nessa linha de raciocínio, é possível observar que a EJA teve avanços
significativos nos últimos tempos, deixando de lado aquele ensino tradicional com
materiais descontextualizado com repetições de palavras voltado apenas para o
interesse do governo, e trazendo uma nova metodologia que visa preparar o ser para
o mercado de trabalho e para exercer seu papel na sociedade criticamente, buscando
seus direitos. Essa modalidade de ensino tem como principal inspiração um dos
grandes ícones da educação brasileira Paulo Freire onde diz que.

Para ser válida, toda educação, toda ação educativa deve necessariamente
estar precedida de uma reflexão sobre o homem e de uma análise do meio
de vida concreto do homem concreto a quem queremos educar (ou melhor
dito: a quem queremos ajudar a educar-se). (FREIRE, 1980, pp. 33-34).

Dessa forma, a EJA vem crescendo cada vez mais no contexto social
brasileiro com novos caminhos que buscam pensar no homem como ser humano, com
novos métodos que façam parte da realidade dos educandos, transformando-os para
exercer o seu papel na sociedade de uma maneira mais justa e igualitária.

A importância de uma gestão democrática em uma escola EJA


Uma gestão bem organizada pode influenciar e muito na aprendizagem dos
alunos, uma gestão que trabalhe sempre em equipe buscando melhorias, que esteja
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sempre preocupada no aprendizado dos educandos irá proporcionar um ensino de


qualidade aos mesmos.
Segundo Lück (2009,) a gestão democrática é proposta como condição de
aproximação entre escola, pais e comunidade na promoção de educação de
qualidade; de estabelecimento de ambiente escolar aberto e participativo, em que os
alunos possam experimentar os princípios da cidadania, seguindo o exemplo dos
adultos. Sobretudo, a gestão democrática se assenta na promoção de educação de
qualidade para todos os alunos, de modo que cada um deles tenha a oportunidade de
acesso, sucesso e progresso educacional com qualidade, numa escola dinâmica que
oferta ensino contextualizado em seu tempo e segundo a realidade atual, com
perspectiva de futuro.
Tal esclarecimento permite entender que, a escola deve ser um espaço
aberto a toda a comunidade, a gestão precisa ouvir os alunos, pais, professores etc.
É ouvindo essas pessoas que a gestão vai obter informações relevantes e verificar
quais são as necessidades dos alunos, de que realmente eles precisam para
aprenderem e juntos possam tomar decisões em busca de soluções.

[...] entendemos que a democratização começa no interior da escola, por


Meio da criação de espaços nos quais professores, funcionários, alunos, pais
de alunos etc. possam discutir criticamente o cotidiano escolar. Nesse
sentido, a função da escola é formar indivíduos críticos, criativos e
participativos [...] (OLIVEIRA, MORAES; DOURADO, 2012, p. 10).

Neste sentido, fica claro que uma gestão democrática nas escolas de
modalidade EJA, é de suma importância para o crescimento dos alunos, pois a maioria
desses alunos têm pouca instrução, e a maioria não conhecem os seus direitos o
pouco que aprenderam foi em escolas tradicionais, que não estava preocupados em
formar cidadãos críticos como citado no tópico 2 e através da gestão democrática
esses jovens vão dá sua opinião afim de transformar o espaço escolar em um
ambiente propício a aprendizagem é ao mesmo tempo vão aprender a serem
participativos e críticos.

Metodologia
O método utilizada para a construção desse artigo, foram observações
feitas na escola CEJA, onde foram observados a rotina do diretor, coordenador,
secretaria escolar e também todo o ambiente físico socioeconômico e cultural da
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escola, entrevista de caráter qualitativo e pesquisas bibliográficas que tem como


fundamentação teórica autores que consideram a importância da EJA e da gestão
democrática para uma sociedade mais igualitária.

Análises de discussões e resultados


Com base no estágio de observação realizado na escola Centro
educacional de jovens e adultos, professora Ofélia Portela moita- Dona Estrela (CEJA)
foi possível obter resultados que comprovam que o ensino de jovens e adultos
melhorou bastante nos últimos anos, foram feitas observações do ambiente físico e
socioeconômico cultural tendo como objetivo verificar se a escola está oferecendo um
ambiente aconchegante propício a uma educação de qualidade, foi observado
também toda a gestão da escola objetivando verificar se a gestão é realmente
democrática onde a comunidade também possa fazer parte da tomada de decisões
em busca de melhorias para a aprendizagem dos educandos.
Quanto ao ambiente sócio econômico e cultural, a escola está localizada
em um bairro de classe média, de fácil acesso considerado fora da zona de risco,
oferecendo mais segurança aos estudantes, mas os frequentadores são alunos de
baixa renda que moram nas mediações em cidades próximas, Os funcionários da
escola são super educados, o diretor e a coordenadora recebe todos com o máximo
de atenção. A relação dos professores com os alunos, é muito boa, pois a maioria dos
alunos já são adultos, que realmente estão ali para aprender, e não para brincar com
o estudo, permitindo que os professores possam passar seus conhecimentos da
melhor forma possível, sempre respeitando os limites de cada educando, assim
criando um vínculo afetivo entre professor-aluno.
Segundo Rios (2011), o ambiente escolar - como um espaço público no
qual grande parte de nossas crianças e jovens passam seu tempo - é um dos lugares
que permitem exercitar tal convívio. A estrutura física da escola, assim como sua
organização, manutenção e segurança revela muito sobre a vida que ali se
desenvolve.
Durante a observação do ambiente físico, foi observado que a escola,
CEJA oferece uma excelente estrutura para acomodar os alunos, com banheiros
masculinos e femininos, banheiro com chuveiro, banheiro adequado à alunos com
deficiência ou mobilidade reduzida, bebedouros, Sala de diretoria, Sala de secretaria,
despensa, almoxarifado, um pátio bem espaçoso e arejado onde são ministradas as
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aulas, dispensando salas, exceto para os alunos do Atendimento Educacional


Especializado (AEE), pois os alunos são atendidos individualmente com hora
marcada, por isso não há necessidade de salas de aula, dispõe de um laboratório de
informática com computadores de última geração ligado à internet, funcionando com
um profissional formado na área para auxiliar os alunos, biblioteca com um grande
acervo de livros disponível para os alunos fazer pesquisas e leituras, ainda oferece
uma sala de atendimento educacional especializado - AEE dotada de equipamentos ,
recursos pedagógicos que auxiliam na promoção da escolarização eliminando
barreiras que impedem a plena participação dos alunos alvo da educação especial. A
sala funciona manhã e tarde, os alunos são atendidos individualmente com hora
marcada, professora é atenciosa, ensina os alunos com afeto passando segurança
aos mesmos.
Para que a escola possa proporcionar um boa educação aos alunos é
preciso que tenha um líder que trabalhe junto com os demais na organização do
espaço escolar, transformando-o em um ambiente atrativo aos educandos
possibilitando que possam aprender com mais qualidade.
O diretor e relevante dentro do contexto escolar, Garantir o bom
funcionamento da escola é papel desse profissional. Como o regente de uma
orquestra, ele deve coordenar todos os aspectos que envolvem a vida de uma escola
– articulando-os sempre com os objetivos pedagógicos. Acompanha a evolução dos
alunos, garantindo que todos aprendam os conteúdos a que têm direito, o que inclui
ter conhecimento dos resultados das avaliações educacionais aplicadas na escola.
(Cruz 2016).
Durante a observação da gestão da escola, foi observado que o diretor está
sempre de olho na aprendizagem dos alunos acompanhando o cotidiano das aulas e
o avanço na aprendizagem dos mesmos, trabalhando democraticamente, propondo
medidas administrativas necessárias ao enfretamento de situações surgidas no
cotidiano escolar, preparando e presidindo as reuniões da direção e do conselho
escolar, acompanhando, dinamizado e avaliando as ações administrativas e financeira
da escola.
Já o coordenador tem como principal foco auxiliar os professores na
aprendizagem dos alunos, é uma de suas principais funções fazer com que os
estudantes aprendam, por isso está sempre planejando a melhor maneira de aplicar
o conteúdo na sala de aula.
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Segundo Zurawski 2014, o trabalho do coordenador é fazer com que a


equipe de professores seja colaborativa, as crianças aprendam e as famílias
participem do projeto educativo da escola. Ser coordenador na escola contemporânea
é, portanto, um desafio. O coordenador participa do projeto pedagógico organizando
uma rotina formativa capaz de explicitar problemas e desafios, promover o
compartilhamento de práticas e a resolução de problemas. Qualificar as experiências
de aprendizagem e de convivência dos alunos é a meta que deve nortear essa rotina
formativa.
Durante o estágio foi observado que, as coordenadoras tem uma rotina
bem extensa, está sempre planejando, organizando, dirigindo e controlando todo o
processo escolar, dando orientações pedagogias e gerenciando o corpo docente,
substituindo o diretor em suas faltas, elaborando atividades significativas que estimule
o raciocínio do aluno, prestando cooperação técnica aos professores sugerindo
atividades propondo inovações, promovendo estudos, seminários, encontros
favorecendo a apropriação, administrando os professores os recursos matérias e
pedagógicos da escola e articulando com as famílias e a comunidade criando
processos de integração da sociedade com a escola.
Ainda dentro do contexto escolar tem a secretaria, uma peça de suma
importância para manter a documentação da escola organizada.
Segundo RUFFO (2014) O secretário escolar é um profissional essencial
para o estabelecimento de ensino, o seu papel hoje é de Gestor Administrativo. Suas
atribuições compreendem atividades essenciais como: indicar aos gestores (diretores)
decisões a serem adotadas; receber a comunidade; analisar os documentos dos
alunos e averiguar se há irregularidades; estabelecer ação conjunta com a orientação
pedagógica e demais setores.
A secretaria do CEJA está sempre mantendo as pastas organizadas com a
legislação-leis decretos portarias, resoluções oficias recebidas e expedidas, editais
atas referente ao ensino, assinando juntamente com o diretor a documentação oficial
da escola, organizando a folha de frequência dos professores e funcionários,
assessorando o diretor da organização da escola de férias do pessoal administrativo
e providenciando para que não falte o material de expediente e por fim manter a
preservação dos documentos.
Portanto, é possível observar que dentro da escola um precisa do outro é
impossível trabalhar sozinho, é preciso o trabalho em equipe para oferecer uma boa
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educação, planejar é relevante para se alcançar metas, toda a escola e também a


comunidade precisa fazer parte desse planejamento, a comunidade não pode ficar de
fora, pois o projeto político pedagógico tem que ser construído de acordo com as
necessidade dos alunos.
Segundo Lopes (2010) Toda escola tem objetivos a serem alcançados,
metas a cumprir e sonhos a realizar e para isso precisa se planejar, o conjunto dessas
aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma e vida ao
chamado projeto político-pedagógico - o famoso PPP. Se você prestar atenção, as
próprias palavras que compõem o nome do documento dizem muito sobre ele. É
projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado
período de tempo. É político por considerar a escola como um espaço de formação
de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e
coletivamente na sociedade, modificando os rumos que ela vai seguir. É pedagógico
porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao
processo de ensino e aprendizagem.
O projeto político pedagógico da escola CEJA, foi construído
democraticamente, juntamente com funcionários da escola, e membros do conselho
escolar representando a comunidade, propondo uma educação transformadora
propicia a formação nos aspectos biopsíquico social, político e cultural num processo
formativo e continuo do desenvolvimento humano, tendo como fundações
pedagógicas para esta ação educativa são as teorias críticas- social dos conteúdos a
pedagogia da autonomia defendida por Paulo Freire e a pedagogia construtivista, por
entender-se que estas se preocupam em educar e formar o indivíduo para a vida.
Foi observado que a escola CEJA trabalha democraticamente junto com a
comunidade em busca de melhorias. A última reunião para a formação do conselho
escolar foi no dia 5 de agosto de 2016, reuniram-se em assembleia geral professores,
funcionários, estudantes e pais de alunos do CEJA DONA ESTRELA, após a reunião
por segmentos e discursão geral foram eleitos os novos representante do conselho
escolar. Presidente, vice-presidente, representantes de professores, secretária,
representantes dos funcionários, representante dos alunos, suplentes, representantes
de pais, comprometendo-se a adotar imediatamente as providencias necessárias para
fins de direito.
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Conclusão
Ao pesquisar sobre a educação de jovens e adultos, percebe-se que a
educação no Brasil teve muitas reviravoltas ao longo dos tempos, marcada por uma
grande desigualdade social, pois nem todos tinham acesso à educação, o povo mais
pobre acabava sendo o mais desfavorecido.
Esta pesquisa procurou esclarecer um pouco a relevância da EJA para a
sociedade, trazendo uma perspectiva de mudança, foi possível ver que esse ensinou
teve um avanço muito grande em relação ao passado, e que hoje o ensino da
educação de jovens e adultos diferentemente do passado é voltado a formar pessoas
críticas que busque seus direitos podendo assim formar uma sociedade mais
igualitária.
Por meio desse estudo observa se também que para oferecer um ensino
de qualidade, a gestão da escola precisa trabalhar em equipe, ouvir a opinião dos
outros e juntos buscar o melhor, uma gestão precisar está sempre de olho na
aprendizagem dos educandos e voltar todas as ações da escola em prol da
aprendizagem alunos.

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