Você está na página 1de 80

CARACTERIZAÇÃO DE

PARTÍCULAS
INTRODUÇÃO:
1) Porque estudar a caracterização de partículas?
 O conhecimento das características de uma partículas ou de
uma população de partícula é importante não somente para o
conhecimento da matéria prima, como principalmente para
compreender a interação partícula-partícula e partícula-fluido.

 O estudo fenomenológico de tais interações caracteriza a


ciência de Sistemas Particulados; já a aplicação decorrente
de tais estudos diz respeito à tecnologia de Sistemas
Particulados:
- Adsorção;
- Ciclones;
- Elutriação;
- Filtração;
- Flotação;
- Secagem;
- Sedimentação.
CARACTERIZAÇÃO DE
PARTÍCULAS
Propriedades Importantes:
 Massa específica real e aparente;
 Porosidade, distribuição de tamanho de poros e tipos
de poros;
 Esfericidade (Morfologia);
 Área superficial;
 Distribuição de tamanhos

Essas propriedades influenciam processos importantes:


• Adsorção/dessorção de liquídos e gases em sólidos;
• Reações catalíticas;
• Processos de separação
Massa Específica de Materiais Sólidos

Massa Específica (): propriedades física definida como


massa por unidade de volume

Massa Específica
Aparente ou Efetiva:

Onde: Volume total = vol. de sólidos + vol. de poros (excluindo os espaços


interpartículas – EIP)

Massa Específica Real:


Métodos Experimentais para Massa Específica

Massa Específica de sólidos normalmente obtida por


deslocamento de líquido em equipamento chamado de
Picnômetro.

Picnômetro comum – recipiente com volume calibrado para


determinado fluido (normalmente água) à determinada temperatura.

Massa específica para sólidos


(picnometria)

Material insolúvel no líquido.
Métodos Experimentais para Massa Específica

 Para massa da amostra conhecida, determina-se a


massa específica do material.
 É considerado um método bastante preciso de
determinação de massa específica real de sólidos.
 Disponibilidade de modelos automatizados.
Métodos Experimentais para Massa Específica

Esquema do Picnômetro a Gás Hélio

Princípio de Medição:
 Volume da amostra é calculado pela mudança de pressão
observada no gás hélio quando este se expande de uma
câmara contendo a amostra para a outra câmara, sem
amostra.
Porosidade de Materiais Sólidos
Porosidade de Materiais Sólidos
0<<1

𝑉𝑉 𝑉𝑆 𝑎𝑝
𝜀= 𝜀 =1− 𝜀 =1−
𝑉𝑇 𝑉𝑇 𝑅
Porosidade de materiais Sólidos
Tipos de Poros: poros interconectados ou efetivos e poros
isolados (fechados) ou não-interconectados. Existem ainda os
poros cegos, que são interconectados apenas por um lado.
Porosidade de materiais Sólidos
 Poros vazios não-conectados ou poros isolados não contribuem para
o transporte da matéria através do material poroso, apenas os poros
interconectados (efetivos) podem contribuir.

 Poros cegos, ainda que possam ser penetrados por fluidos


contribuem pouco para o transporte de matéria.

MEV de aglomerado seco de levedura MEV de uma “partícula” de levedura


(300X) (3000X) – dporo = 53,7nm
Classificação dos Poros
Classificação dos tamanhos do poros
(IUPAC):

Megaporos > 7500 nm ( > 7,5 µm )

Macroporos 50 ~ 7500 nm (0,05 µm ~ 7,5 µm )

Mesoporos 2 ~ 50 nm (20 ~ 500 Å)

Microporos 0 ~ 2 nm (0 ~ 20 Å)
FORMA DOS POROS

Cilíndrica Fendas

Forma
dos
Cônica
Poros

Esférica ou Intertícios
“gargalo de garrafa”

F. Rouquerol, J. Rouquerol, K. S. W. Sing, Adsorption by Powders and Porous Solids, Academic


Press, 1-25, 1999
Medidas de porosidade
Três parâmetros são importantes para descrever a
porosidade; área superficial específica, volume médio dos
poros e diâmetro dos poros e sua distribuição.
Specific Surface Area, m2/g = Total surface area, m2
Mass of the solid, g

Porosity, % =
Volume of pores
X 100
Porosidade Volume of solid (including pores)

Specific Pore volume, cm3/g


Pore size and
Total pore volume, cm3
its distribution =
Mass of the solid, g
Métodos Experimentais para Porosidades
Métodos Experimentais para Porosidades
Métodos Experimentais para Porosidades
 A POROSIMETRIA POR INJEÇÃO DE MERCÚRIO tem sido
extensivamente utilizada como uma técnica experimental para se

caracterizar vários aspectos (Dp, Vp,  e ) dos materiais porosos e


dos pós.

 A técnica foi proposta em 1921 por Washburn, que sugeriu ser


possível obter a distribuição de diâmetros de poros a partir dos dados
de pressão-volume durante a penetração de um material poroso pelo
mercúrio.

 O princípio do método baseia-se no fato de que o mercúrio se


comporta como um fluido não-molhante em relação à maior parte das
substâncias. Por consequência, não penetra espontaneamente em
pequenos furos ou fissuras destes materiais a menos que se aplique
uma pressão sobre ele.
 Uma amostra de um sólido poroso é colocada num recipiente
dotado de um capilar, sendo feito o vácuo sobre a mesma e sendo
preenchido o recipiente e o capilar com mercúrio, ao se aumentar a
pressão sobre o líquido este penetrará nos poros da amostra
reduzindo seu nível no capilar.

 Registrando-se a redução do nível de mercúrio no capilar,


juntamente com a pressão aplicada, uma curva porosimétrica é
obtida informando que volume de poros do material foi penetrado
pelo mercúrio a uma dada pressão.
 Esta redução do mercúrio livre é detectada pelo penetrômetro, que
consiste de um capilar conectado ao compartimento da amostra
(Figura A1). O espaço entre a amostra e o capilar da haste é
completado com mercúrio, a baixas pressões, no início da análise.

Figura A1 - Penetrômetro e componentes de vedação


(Micromeritics,
Figura A1 - Penetrômetro e componentes 1997)(Micromeritics, 1997)
de vedação
Métodos Experimentais para Porosidades
VOLUME DE VAZIOS ocupado pelo mercúrio requer
a obtenção prévia da massa do penetrômetro vazio
Mp, da massa de amostra Ma, e da massa total do
penetrômetro cheio M, incluindo o mercúrio.
Massa específica aparente:

Onde: Vp é o volume do penetrômetro vazio (calibrado); VHg(EIP) é o volume de


mercúrio nos espaços interpartículas.

Massa específica real:

Onde: VHg (P) é o volume de mercúrio nos poros.

Porosidade real da amostra: 𝑎𝑝


𝜀 = 1− 100
𝑅
Métodos Experimentais para Porosidades
Representação Típica de Curva de
Porosimetria
Representação da Curva de Porosimetria
ao mercúrio em função da variação de volume para
um incremento de pressão
Área Superficial de Sólidos

Área superficial específica (m2/g): definida como a


área superficial dos poros por unidade de massa (S) ou
volume (Sv) do material poroso.
 Existem diferentes métodos para determinar o valor a ÁREA
SUPERFICIAL ESPECÍFICA:

1. Advém de cálculos dos valores do diâmetro da partícula ou da


distribuição de diâmetros de partículas em um aglomerado;

2. Por meio da adsorção gasosa ou líquida, baseia-se na


quantidade em que um determinado soluto (espécie química)
é adsorvido fisicamente sobre a superfície da amostra, de
modo a formar uma monocamada desse soluto, que é
proporcional à sua área superficial. A quantidade de gás
adsorvido (nitrogênio ou criptônio) pode ser determinada por
gravimetria, volumetria ou por técnica de fluxo contínuo.
Métodos Experimentais para Área Superficial
Métodos Experimentais para Área Superficial
Morfologia das Partículas

Forma das Veloc. terminal;


partículas Superf. de contato das partículas.
(Import.)

Diversas definições para representar a forma das partículas:

 nas razões entre os eixos ortogonais,


Baseadas  no volume do sólido;
 na área dos sólido;
 na área superficial.
 Um dos fatores de grande importância a ser
considerado na determinação da distribuição do
tamanho de partícula é qual dimensão da partícula
está sendo medida.

Somente para as esferas, o tamanho


de uma partícula pode ser representada
por um único parâmetro, por exemplo,
seu diâmetro.

 Porém partículas com formatos irregulares


necessitam de mais de uma medida para a
quantificação do seu tamanho. Para expressar este
valor em um único número, normalmente adota-se o
valor de uma esfera equivalente.
Maioria está baseada nas dimensões características de uma
partícula (d1, d2, d3).

Dimensões característica de uma partícula


(d1, d2, d3 = dimensões menor, intermediária e maior da partícula)
DIÂMETRO EQUIVALENTE

Para partículas que possuem uma forma geométrica


canônica, a determinação do tamanho das mesmas se dá
pela medida, como:

Esfera: Raio ou Diâmetro


Cilindro: Diâmetro da base e Altura
Cubo: Comprimento da aresta

Nas plantas de beneficiamento de minérios, as partículas


na grande maioria das vezes possuem forma irregular, daí
o uso do conceito de tamanho equivalente, que é
determinado pela medida de uma propriedade dependente
do tamanho da partícula, relacionando-a com uma dimensão
linear.
DIÂMETRO EQUIVALENTE
 Diâmetro da esfera de igual volume que a partícula (dv)

π dv3 Se conheço Vp – encontro dp


Vp 
6

Como encontrar Vp?


dv  d p

Picnometria

 Diâmetro da esfera de igual superfície que a partícula


(ds)
2
Asup  π d S ds  d p

Onde dS é definido como sendo o diâmetro da esfera que


possui a mesma área superficial da partícula.
 Diâmetro de peneiras (d#)

Dimensão características: abertura da peneira.

Notas:
As peneiras são especificadas, pelo mesh, que é o número de
aberturas em cada polegada linear, medida ao longo de um
fio (série Tyler).
Perry: 19-20
(SOLID-SOLID OPERATIONS AND EQUIPMENT)
 Diâmetro de Stokes:
 diâmetro da esfera de mesmo material que a partícula que
sedimenta no fluido de referência em regime laminar com a
mesma velocidade terminal da partícula.
 É o diâmetro da esfera que possui o mesmo
comportamento dinâmico que a partícula num movimento
lento (baixo Regime de Stokes).
 Diâmetro da esfera que cai com a mesma velocidade
terminal que a partícula (para as mesmas condições,
mesmo material, mesmo fluido, temperatura, pressão, etc.)

Vt 
L ρs  ρ  g d St
2
Vt 
t 18 μ
Exemplo Aplicação
Elutriação:

D1 D2 D3
D1 < D2 < D3 ....

Se U1 = Vt A partícula fica parada.


Se U1 > Vt A partícula é arrastada;
Se U1 < Vt A partícula cai.

D1 < D2 < D3 .... dP1 > dP2 > dP3 ....


U1 > U2 > U3 .... Para o material recolhido
Vt > U
 Diâmetro do circulo com a mesma área de
projeção da partícula (da)

Método: Microscopia ótica

• Área Projetada da partícula:

Onde da é definido como sendo o diâmetro da esfera que


possui a mesma área projetada da partícula.

Nota: Uma mesma partícula medida por diferentes métodos apresenta


diferentes valores de diâmetro (diâmetro característico) (d#, dv, dst, da)
Morfologia das Partículas
Dentre os diversos fatores de formas, destacam-se:

 Arredondamento (Ar) e circularidade (C);


 Alongamento (Al);
 Esfericidade ().

a) Arredondamento (Ar) e circularidade (C) – Comparam a superfície


do objeto com a superfície do disco do mesmo perímetro, ou

Onde:
1 4𝜋𝑆𝑃
𝐴𝑟 = = Pe – perímetro
𝐶 𝑃𝑒 2 Sp – área superficial da partícula
Morfologia das Partículas
Onde:
1 𝐴𝐶 AC – área relativa ao menor diâmetro
𝐴𝑟 = = de uma esfera circunscrita (dcc);
𝐶 𝐴𝑃
Ap – área projetada da partícula em
posição de repouso

dic – diâmetro inscrito

dcc – diâmetro circunscrito


Morfologia das Partículas
Classificação das partículas pela circularidade (Souza, 2007)
Circularidade Classificação
C < 1,25 Circular
1,25 < C < 2,0 Angular
C > 2,0 Comprida

Padrão de imagens de arredondamento (McLane, 1995)


Morfologia das Partículas
b) Alongamento (Al) – razão entre o maior e menor eixo
do objeto, ou
𝑑3
𝐴𝑙 =
𝑑1

Se o alongamento for igual a 1, o objeto é circular ou


quadrático; para valores superiores a 1, o objeto se torna
alongado.
Morfologia das Partículas
Morfologia das Partículas

Medições dos diâmetros menor e maior das partículas ou


aglomerados presentes nas microfotografias.
Morfologia das Partículas
c) Esfericidade ou grau de esfericidade () –
á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑎 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑙 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑡í𝑐𝑢𝑙𝑎
=
á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑎 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑡í𝑐𝑢𝑙𝑎

𝜋𝑑𝑝2
ou =
𝑆𝑝

Ressaltando que o diâmetro dp, refere-se àquele de igual volume ao da


partícula. Neste caso, obtém-se experimentalmente por picnometria, a
partir do volume da partícula,

𝜋𝑑𝑝3
𝑁𝑜 = 𝑉𝑝 Onde No é o número de partículas
6
Metodologia

Diâmetro da esfera de igual volume que a partícula (dp)

π dv3
Vp 
6
Se conheço Vp – encontro dp

dv  d p

Como encontrar Vp?

Picnometria
Morfologia das Partículas

De acordo com Mohsenin (1970), o grau de esfericidade é


calculado através da média geométrica dos três eixos
mutuamente perpendiculares do sólido pelo maior eixo,
como segue:

3 d 1 .d 2 .d 3

d3
Morfologia das Partículas
PEÇANHA E MASSARANI (1986)

dic – diâmetro inscrito

dcc – diâmetro circunscrito

1 𝑑𝑖𝑐
= =
𝐴𝑙 𝑑𝑐𝑐
Morfologia das Partículas
Análise granulométrica das Partículas

EQUIPAMENTOS
Análise granulométrica das Partículas
Microscopia eletrônica de varredura - MEV
Análise granulométrica das Partículas

Difração de Luz
Análise granulométrica das Partículas

Difração a laser: para partículas inferior a 75 m

 Nos instrumentos que utilizam do princípio da difração da luz, um feixe


de laser é enviado em direção à amostra a ser analisada. Quando o
feixe paralelo encontra as partículas, parte do laser é difratado e, em
sequencia, focado, por meio de lentes, no detector.
 O diâmetro das partículas é inversamente proporcional ao ângulo do
desvio sofrido pelo raio laser; quanto menor o tamanho da partícula,
maior o ângulo de difração.
Análise granulométrica das Partículas

Peneiramento – é o método clássico de se obter uma análise


granulométrica. As peneiras (padronizadas) são agrupadas em
ordem crescente de mesh, de cima para baixo, ou em ordem
decrescente de diâmetro de peneira.

Organiza-se as peneira em ordem decrescente de abertura


Análise granulométrica das Partículas
Análise granulométrica das Partículas
Análise granulométrica das Partículas
Análise granulométrica das Partículas

PENEIRAMENTO

Decrescente em tamanho
243,1 g de areia
Há várias formas de demonstrar graficamente uma
análise granulométrica.

Seja:

D – dimensão característica

X- fração em massa das partículas com diâmetro


menor que D

Δx- fração em massa retida em cada peneira


Análise granulométrica das Partículas

Diâmetro Médio de Volume

Diâmetro Médio de Superfície


Análise granulométrica das Partículas

3
𝑑𝑝
Diâmetro da partícula cuja relação volume/superfície, 2 ,
𝑑𝑝
é a mesma para todas as partículas presentes em uma
certa amostra.
Modelos de Distribuição Granulométrica

A aplicação de modelos estatísticos de distribuição que relacionam


a quantidade de material com o tamanho das partículas de um
dado sistema, facilita a manipulação dos dados e os cálculos
computacionais. A utilização destes modelos torna mais simples o
projeto dos equipamentos de separação de partículas.

Os modelos a 2 parâmetros de Gates-Gaudin-Shaumann (GGS),


Rosin-Rammler-Bennet (RRB), Log- Normal (LN) e Sigmoide;
descrevem satisfatoriamente a maioria dos casos de interesse
tecnológico.
GGS - Gates-Gaudin-Shaumann
A estimativa dos parâmetros poderá ser feita através da
regressão não linear ou ainda usando a regressão linear.

D
RRB – Rosin, Rammler e Bennet
Log- Normal
Sigmoide
Superfície Específica e Diâmetro Médio de Sauter
𝑀 ∆𝑥 𝑖 𝑀 ∆𝑥 𝑖
𝑆 = 𝑁𝑖 =
𝑉𝑖 𝑁𝑖 𝑆 𝑉𝑖

𝑀 ∆𝑥 𝑖
𝑁𝑖 =
𝜌𝑠 𝐶𝑖 𝐷𝑖3