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PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA CARACTERÍSTICAS E

APLICABILIDADE

Estabelece que o Direito Penal só deve atuar na defesa dos bens jurídicos
imprescindíveis à coexistência pacífica das pessoas e que não podem ser
eficazmente protegidos de forma menos gravosa. Desse modo, a lei penal só deverá
intervir quando for absolutamente necessário para a sobrevivência da comunidade,
como ultima ratio.

O princípio da intervenção mínima é o responsável não só pelos bens de maior


relevo que merecem a especial proteção do Direito Penal, mas se presta, também,
a fazer com que ocorra a chamada descriminalização. Se é com base neste princípio
que os bens são selecionados para permanecer sob a tutela do Direito Penal, porque
considerados como de maior importância, também será com fundamento nele que o
legislador, atento às mutações da sociedade, que com sua evolução deixa de dar
importância a bens que, no passado, eram da maior relevância, fará retirar do
ordenamento jurídico-penal certos tipos incriminadores.

JURISPRUDÊNCIA

Ementa

APELAÇÃO. CRIME DE OFENSA AVILTANTE A INFERIOR. ARTIGO 176 DO CPM.


MANUTENÇÃO DA ABSOLVIÇÃO. Militar absolvido em primeira instância, da
suposta prática do crime de ofensa aviltante a inferior. A Denúncia narra que, em
tese, Soldados passaram mal e se sentiram humilhados em razão dos exercícios
físicos aplicados pelo Réu, que, na mesma oportunidade, os teria agredido verbal e
fisicamente. Não merece conhecimento o requerimento da Defensoria Pública da
União, após a colocação do feito em mesa para o julgamento. Matéria arguida
extemporaneamente, que não é de ordem pública, e foi trazida apenas em segunda
instância. Unanimidade. No mérito, não se caracteriza o crime do art. 176 do CPM,
posto que inexistiu qualquer ato capaz de atingir a honra de subordinado e que, por
sua natureza ou pelo meio empregado, se considera aviltante, humilhante. Ademais,
todos os Ofendidos registraram que não sofreram qualquer tipo de agressão verbal
ou violência física por parte do Réu e que não se sentiram humilhados pela prática
dos exercícios impostos. Impossibilidade de o Réu ser apenado sem provas de que
tenha havido qualquer ofensa aviltante, como exige o artigo 176 do CPM. Desprovido
o apelo ministerial, com a consequente manutenção da Sentença absolutória.
Unanimidade.

(STM - APL: 00000169820137100010, Relator: MARCUS VINICIUS OLIVEIRA DOS


SANTOS, Data de Julgamento: 03/03/2015, Data de Publicação: 16/03/2015)

Resumo Estruturado
MILITAR EXÉRCITO, ABSOLVIÇÃO, CRIME OFENSA AVILTANTE INFERIOR.
MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR, RAZÕES APELAÇÃO, REFORMA SENTENÇA A
QUO, NECESSIDADE CONDENAÇÃO. ACERVO PROBATÓRIO,
COMPROVAÇÃO PRÁTICA CRIME, IMPOSSIBILIDADE DESCLASSIFICAÇÃO
CONDUTA ACUSADO TRANSGRESSÃO DISCIPLINAR. DEMONSTRAÇÃO
CONDUTA ABUSIVA HUMILHANTE SUPERIOR DESFAVOR OFENDIDO
SUBALTERNO. DEFESA, CONTRARRAZÕES, DESPROVIMENTO APELO
PARQUET. ATIPICIDADE CONDUTA ACUSADO, INOCORRÊNCIA
DEMONSTRAÇÃO DOLO. PROCURADORIA-GERAL JUSTIÇA MILITAR,
DESPROVIMENTO APELO PARQUET. MANUTENÇÃO ABSOLVIÇÃO ACUSADO.
DEFENSORIA PÚBLICA UNIÃO, OPORTUNIDADE INTIMAÇÃO COLOCAÇÃO
FEITO MESA JULGAMENTO, ARGUIÇÃO NULIDADE FEITO. APLICAÇÃO
ARTIGO 400 CÓDIGO PROCESSO PENAL COMUM, INVERSÃO ORDEM RITO
PROCEDIMENTAL, MOMENTO REALIZAÇÃO INTERROGATÓRIO TÉRMINO
INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA CIENTIFICAÇÃO ACUSADO DIREITO PERMANÊNCIA
SILÊNCIO. SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR, UNANIMIDADE, REJEIÇÃO
PRELIMINAR, EXTEMPORANEIDADE ARGUIÇÃO NULIDADE.
IMPOSSIBILIDADE SUSCITAÇÃO NULIDADE FEITO, ARGUIÇÃO MOMENTO
INTIMAÇÃO DEFESA ATINÊNCIA COLOCAÇÃO PROCESSO MESA FINALIDADE
JULGAMENTO. MÉRITO, UNANIMIDADE, NEGATIVA PROVIMENTO APELO
PARQUET, MANUTENÇÃO ABSOLVIÇÃO. ACERVO PROBATÓRIO,
DEMONSTRAÇÃO ATIPICIDADE CONDUTA ACUSADO, INOCORRÊNCIA DOLO
CRIME OFENSA AVILTANTE CONTRA INFERIOR. INEXISTÊNCIA
DEMONSTRAÇÃO VOLUNTARIEDADE CONDUTA ACUSADO OBJETIVO
HUMILHAÇÃO ULTRAJE SUBORDINADO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO
RELAÇÃO ESTADO SAÚDE OFENDIDOS EXCESSO EXERCÍCIOS.
POSSIBILIDADE SOLUÇÃO CONDUTA ACUSADO ÂMBITO DISCIPLINAR,
APLICAÇÃO PRINCÍPIO INTERVENÇÃO MÍNIMA DIREITO PENAL.

Referência legislativa
CÓDIGO PENAL MILITAR (DECRETO-LEI 1.001/1969) ARTIGOS 19; 176; 209, §
6º; 240, § 1º, 260. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL MILITAR (DECRETO-
LEI 1.002/1969) ARTIGO 439, B, E. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-
LEI 3.689/1941) ARTIGO 400. REGULAMENTO DISCIPLINAR DO EXÉRCITO
(DECRETO Nº 4.346/2002) ANEXO I, ITEM 28.

Sucessivo
SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR - APELAÇÃO Nº 13-42.2007.7.04.0004,
RELATORA MINISTRA MARIA ELIZABETH GUIMARÃES TEIXEIRA ROCHA.
SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR - APELAÇÃO Nº 14-25.2010.7.03.0303,
RELATORA MINISTRA MARIA ELIZABETH GUIMARÃES TEIXEIRA ROCHA.
ROSSETTO, ÊNIO LUIZ. CÓDIGO PENAL MILITAR COMENTADO. SÃO PAULO:
REVISTA DOS TRIBUNAIS, 2012, PP. 553. ASSIS, JORGE CÉSAR DE. CÓDIGO
PENAL MILITAR COMENTADO. CURITIBA: JURUÁ, 2011. DOTTI, RENÉ ARIEL.
ALTERNATIVAS PARA O DIREITO PENAL E PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO
MÍNIMA. REVISTA DOS TRIBUNAIS, ANO 87, NOV/1998. P. 402.
Referências

https://jeanseeger.jusbrasil.com.br/artigos/458024218/principios-do-direito-penal-
facil-de-entender

https://stm.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/750952943/apelacao-apl-
169820137100010?ref=serp

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