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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS

FILIPE GOMES DE ANDRADE

FICHAMENTO COMENTADO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCOLA DOS


ANNALES: O DEBATE ENTRE PETER BURKE E FRANÇOIS DOSSE

SOBRAL - CEARÁ
2019
“As correntes de pensamento que influenciaram os historiadores têm-se formulado e
reformulado no tempo. Dentre esses movimentos A Escola dos Annales se apresentou
hegemônica no ocidente...” (Pag. 01)
A Escola dos Annales é um movimento historiográfico que se iniciou no século XX.
Fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch em 1929, tendo uma ideia diferente da visão
positivista que era de forma crônica de acontecimentos, substituindo o tempo breve da história
dos acontecimentos pelos processos de longa duração, com o objetivo de tornar inteligíveis a
civilização e as mentalidades.

“Outra fronte para entendimento dos Annales implica na investigação das contribuições
de outras correntes historiográficas dentro do grupo franco. Historicismo, Marxismo e
estruturalismo, por exemplo, compõem essa miríade conceitual e epistemológica que envolve
esse grupo de historiadores.” (Pag. 02)
Os Annales não possuíam uma visão progressista continuísta da história, eles defendem
que a tarefa das ciências humanas é explicar o social complexificando-o e não simplificando
através de abstrações.

“A historiografia dos Annales se consolida como corrente dominante a partir de uma


crítica a história realizada em seu tempo.” (Pag. 03)
Os Annales trouxeram inovações ao campo historiográfico em vários aspectos, como no
conceito de história-problema e na ampliação das fontes. Essa geração veia a refletir sobre a
história, refletir questões importantes para o avanço historiográfico, assim, ampliando as
analises históricas, pensando em uma história total ou global. Elaboraram uma nova forma de
pensar a construção histórica a partir de uma problemática.

“François Dosse é partidário da visão de que há uma ruptura entre as duas primeiras
gerações dos Annales e a chamada Nova História, da terceira geração.” (Pag. 07)
François Dosse é um historiador e sociólogo francês especialista em História dos
Intelectuais. A primeira geração é composta por seus criadores, Marc Bloch e Lucien Febvre
que inauguram o conceito de história-problema.
A segunda geração dos annales tem na direção Braudel. Ele teve grande importância
para a inovação no conceito de tempo e da geo-história. Como afirma Braudel, “a história é
filha de seu tempo”.
Já a terceira geração foi composta por diversos historiadores, tendo estabelecido um
novo paradigma historiográfico, diferenciando muito da originalidade que tinha as duas
primeiras gerações.
A terceira geração dos Annales, sensível como as outras as interrogações do presente, muda
o rumo de seu discurso ao desenvolver a antropologia histórica” e, neste sentido “o preço a
pagar por essa nova readaptação é o abandono dos grandes espaços econômicos braudelianos,
o refluxo do social para o simbólico e para o cultural (DOSSE, 1992:249).

“Para o autor o grupo da Nova História não amplia a visão do social para o cultural, mas
faz uma substituição daquele por este. Esse desequilíbrio entre o social e o cultural, segundo
Dosse, é nocivo, pois impossibilita enxergar a totalidade envolvida complexamente na
realidade.” (Pag. 09).
A terceira geração fez uma fragmentação e foi marcada por ela. Com abordagens
inovadoras e pioneiras a chamada Nova História ou História Cultural. Utilizam-se do método
das narrativas, voltando-se para uma História unida com a Literatura, resgatando do valor da
narrativa e do estudo biográfico, mas consideraram apenas o lado cultural e não o lado social,
pois a difusão da cultura passa pelo social.
A Nova História privilegia o que os franceses chamam de tout est histoire e não apenas
a história das elites. Essa Terceira Geração tem o mérito de incluir as pessoas comuns e as
vivencias das pessoas anônimas.

“Perda da profundidade de análise, avaliando superficialmente e descritivamente


eventos cotidianos que são parte da demanda francesa nos meios mediáticos e perda de uma
visão da totalidade com o fito de uma contribuição a mudança social...” Pag. 09).
Estratégia política usada pelos annales para a continuidade de sua dominação, pois nesse
período já tinham hegemonia e o poder de como a história deveria ser feita pelo historiador,
adaptando-se as classes dominantes.

“Toda a construção das duas primeiras gerações sucumbe diante desta nova realidade e
postura dos Annales” (Pag. 10).
Nesse raciocínio é perceptível a mudança de rumo dos annales, agora com uma troca de
algo que era objetivo por algo que é subjetivo. Abandonando suas raízes do social mais amplo
para o cultural local.