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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

Curso de Direito da URI


Professora Dra.Silvana Colombo

1. TEMAS E CONCEITOS FUNDAMENTAIS


Qualificação
Questões prévias
Normas indiretas
Elementos de conexão
Objeto de conexão

2. CASOS PRÁTICOS
CASO A
Dois moradores do estado de Nova Iorque alugaram um carro com o propósito
de fazer uma viagem de fim de semana para o Canadá. Convidaram uma amiga,
também residente em nova Iorque, para viajar com eles. Durante a viagem, já
no Canadá, os viajantes sofreram um acidente, no qual a convidada ficou
gravemente ferida. Devido aos ferimentos e prejuízos sofridos, a convidada
propôs ação contra o casal, em nova Iorque, reclamando indenização pelas
perdas e danos incorridos. A lei canadense veda a possibilidade de o carona
pleitear indenização contra o motorista do carro, enquanto a lei do estado de
nova Iorque reconhece tal direito. Levando-se em consideração o método
tradicional, qual seria a lei aplicável ao caso? E de acordo com o princípio da
proximidade?

CASO B
O problema da identificação da lei aplicável a um determinado contrato
multiconectado em diversos sistemas jurídicos é solucionado de forma simples
por meio de inclusão de cláusulas nas quais as partes escolhem expressamente
qual a lei que deve incidir sobre o contrato, como vemos a seguir: “cláusula 15
- legislação aplicável - este contrato será regido e interpretado de acordo com
as leis da Argentina.” Diariamente, cláusulas como essa, são incluídas em
contratos internacionais com algum ponto de conexão com o Brasil. Perguntas:
-São válidas essas cláusulas no direito brasileiro?
-Supondo que seja admissível a autonomia da vontade das partes no que diz
respeito à cláusula aplicável aos contratos, existiria alguma limitação à
aplicação do direito estrangeiro escolhido pelas partes?
-Por último, seria válida a cláusula de eleição de lei aplicável ao contrato se as
partes o fizerem propositalmente, para evitar a incidência de uma regra
inconveniente para o negócio por elas realizado?
-Supondo que a cervejaria Gelada e os bancos que lhe concederam o crédito
tivessem elegido a lei do estado de Massachusetts para reger as obrigações
estabelecidas no contrato de mútuo, deveria o juiz brasileiro respeitar a eleição
feita pelas partes?

3. QUESTÕES
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A.Paulo, brasileiro, celebra no Brasil um contrato de prestação de serviços de


consultoria no Brasil a uma empresa pertencente a François, francês residente
em Paris, para a realização de investimentos no mercado imobiliário brasileiro.
O contrato possui uma cláusula indicando a aplicação da lei francesa. Em ação
proposta por Paulo no Brasil, surge uma questão envolvendo a capacidade de
François para assumir e cumprir as obrigações previstas no contrato. Com
relação a essa questão, a Justiça brasileira deverá aplicar:
(a) a lei brasileira, porque o contrato foi celebrado no Brasil.
(b) a lei francesa, porque François é residente da França.
(c) a lei brasileira, país onde os serviços serão prestados.
(d) a lei francesa, escolhida pelas partes mediante cláusula contratual
expressa.

B. Um cidadão estrangeiro, com 20 anos de idade, pretende casar-se no Brasil,


onde está em viagem de turismo. O Oficial de Registro Civil brasileiro negou a
habilitação, ao argumento de que, embora no Brasil a capacidade civil se
alcance aos 18 anos, o habilitante é incapaz, segundo o direito de seu país de
domicílio. Assinalar a resposta CORRETA:
(a) o indeferimento é ilegal, porque a capacidade civil das pessoas que se
encontram no território nacional se rege sempre pelo direito brasileiro.
(b) o indeferimento é legal, porque a capacidade civil para o casamento se rege
pela lei do país de nacionalidade da pessoa.
(c) o indeferimento é legal, porque a capacidade civil para o casamento se rege
pela lei do país do domicílio da pessoa.
(d) o indeferimento é ilegal, porque quando o casamento se realiza no Brasil,
aplica-se o direito brasileiro quanto aos impedimentos dirimentes.

D.José, de nacionalidade brasileira, era casado com Maria, de nacionalidade


sueca, encontrando-se o casal domiciliado no Brasil. Durante a viagem, na
França, Maria, após o jantar, veio a falecer, em razão de uma intoxicação
alimentar. Maria, quando ainda era noiva de José, havia realizado testamento
em Londres, dispondo sobre os seus bens, entre eles dois imóveis situados no
Rio de Janeiro. Assinale a afirmativa correta.
(a) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito
à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação brasileira, pois
Maria encontrava- se domiciliada no Brasil.
(b) Se houver discussão acerca da validade do testamento, no que diz respeito
à observância das formalidades, deverá ser aplicada a legislação inglesa, local
em que foi realizado o ato de disposição de última vontade de Maria.
(c) A autoridade judiciária brasileira não é competente para proceder ao
inventário e à partilha de bens, porquanto Maria faleceu na França, e não no
Brasil.
(d) Se houver discussão acerca do regime sucessório, deverá ser aplicada a
legislação sueca, em razão da nacionalidade do de cujus.
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Professora Dra.Silvana Colombo

E. Maria, brasileira e domiciliada no Brasil, casou-se com John, norte-


americano e domiciliado em Nova York. O casamento foi celebrado no Uruguai
e o casal estabeleceu como primeiro domicílio conjugal a cidade de Boston, nos
EUA. Após um período de convívio conjugal, Maria deseja divorciar-se de John
e retornando ao Brasil procura a você para esclarecer qual será lei aplicável ao
regime de bens do casal?
Resposta: Domicílios diferentes, aplica-se a lei do primeiro domicílio conjugal,
independente da nacionalidade ou local da celebração do casamento.

F. Um contrato de financiamento, entre uma empresa brasileira e um Banco


comercial holandês com filial em Barcelona, acaba de ser assinado pelos
representantes legais das partes em Madrid. Como garantia, a empresa
brasileira deu em hipoteca dois imóveis situados no Brasil. O contrato nada
dispõe sobre a lei aplicável ao mesmo, limitando-se a indicar Madrid como foro
competente para as disputas que vierem a surgir entre as partes. Segundo o
disposto na legislação brasileira, qual é a lei aplicável a esse contrato?
Resposta: A lei aplicável será a de Londres, por ser o local em que o contrato foi
concluído.

G. Diante da realização de um casamento com conexão internacional, no Brasil,


entre um italiano, domiciliado no Brasil, e uma italiana, domiciliada na Índia,
quanto ao regime de bens, é correto afirmar quanto à lei aplicável:
(a) a lei brasileira, tendo em vista que ambos possuem a mesma nacionalidade;
(b) a lei italiana, tendo em vista a nacionalidade de ambos os nubentes;
(c) a lei japonesa, tendo em vista que aqui estabelecerão o primeiro domicílio
conjugal;
(d) a lei italiana, tendo em vista que, sendo o domicílio dos nubentes diversos,
aplica-se a lei da nacionalidade de ambos.
(e) a lei brasileira, pois ambos têm o mesmo domicílio.

H. Em 2013, uma empresa de consultoria brasileira assina, na cidade de


Londres, Reino Unido, contrato de prestação de serviços com uma empresa
local. As contratantes elegem o foro da comarca do RJ para dirimir eventuais
dúvidas, com a exclusão de qualquer outro. Dois anos depois, as partes se
desentendem quanto aos critérios técnicos previstos no contrato e não
conseguem chegar a uma solução amigável. A empresa de consultoria brasileira
decide, então, ajuizar uma ação no TJ/RJ para rescindir o contrato. Assinale a
afirmativa correta.
(a) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação brasileira.
(b) O Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a
lide, pois o foro para dirimir questões nesta matéria é o do local em que o
contrato foi assinado.
(c) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua
decisão na legislação do Reino Unido, pois os contratos se regem pela lei do
local de sua assinatura.
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(d) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na
legislação brasileira, pois, a litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros,
aplica-se a lex fori.

I. Paulo, brasileiro, celebra no Brasil um contrato de prestação de serviços de


consultoria no Brasil a uma empresa pertencente a François, francês residente
em Paris, para a realização de investimentos no mercado imobiliário brasileiro.
O contrato possui uma cláusula indicando a aplicação da lei francesa. Em ação
proposta por Paulo no Brasil, surge uma questão envolvendo a capacidade de
François para assumir e cumprir as obrigações previstas no contrato. Com
relação a essa questão, a Justiça brasileira deverá aplicar:
(a) a lei brasileira, porque o contrato foi celebrado no Brasil.
(b) a lei francesa, porque François é residente da França.
(c) a lei brasileira, país onde os serviços serão prestados.
(d) a lei francesa, escolhida pelas partes mediante cláusula contratual
expressa.

4. LEITURA
MAZZUOLLI, Valério. Direito Internacional Privado. Rio de Janeiro: Forense,
2017.

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