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PCDF

POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL

LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE


Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade

Livro Eletrônico
PÉRICLES MENDONÇA

Péricles Mendonça de Rezende Júnior é Agente


da Polícia Civil do Distrito Federal (aprovado no
concurso realizado pelo CESPE em 2013).
Hoje, com 32 anos, tem em seu histórico apro-
vações em concursos como o do BRB, Serpro
(Analista), Secretaria de Educação (Analista de
Gestão Educacional), MPU (Técnico e Analista),
PMDF/2009 e PCDF/2013 (Agente e Escrivão).

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LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
Prof. Péricles Mendonça

SUMÁRIO
1. Conceitos Iniciais.....................................................................................6
2. Finalidades da Lei....................................................................................6
3. Tríplice Responsabilização.........................................................................7
4. Direito de Representação..........................................................................9
5. Sujeito Passivo...................................................................................... 11
6. Autoridade............................................................................................ 12
7. Das Penas............................................................................................. 15
8. Competência......................................................................................... 16
9. Prescrição............................................................................................. 21
10. Dos crimes.......................................................................................... 21
10.1. Liberdade de Locomoção.................................................................... 21
10.2. Inviolabilidade de Domicílio................................................................ 22
10.3. Sigilo de Correspondência.................................................................. 24
10.4. Liberdade de Consciência e de Crença e Livre Exercício do Culto Religioso.25
10.5. Liberdade de Associação.................................................................... 25
10.6. Exercício do Voto............................................................................... 26
10.7. Incolumidade Física do Indivíduo......................................................... 26
10.8. Exercício Profissional......................................................................... 27
10.9. Ordenar ou Executar Medida Privativa da Liberdade Individual, sem as
Formalidades Legais ou com Abuso de Poder................................................. 27
10.10. Submeter Pessoa sob sua Guarda ou Custódia a Vexame ou a
constrangimento não Autorizado em Lei....................................................... 28
10.11. Deixar de Comunicar Imediatamente ao Juiz Competente a Prisão ou
Detenção de qualquer Pessoa...................................................................... 28

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10.12. Deixar o Juiz de Ordenar o Relaxamento de Prisão ou Detenção Ilegal


que lhe seja Comunicada............................................................................ 29
10.13. Levar à Prisão e nela Deter quem quer que se Proponha a Prestar
Fiança, Permitida em Lei............................................................................. 29
10.14. Ato Lesivo da Honra ou do Patrimônio de Pessoa Natural ou Jurídica,
quando Praticado com Abuso ou Desvio de Poder ou sem Competência Legal..... 30
10.15. Prolongar a Execução de Prisão Temporária, de Pena ou de Medida
de Segurança, Deixando de Expedir em Tempo Oportuno ou de Cumprir
Imediatamente a Ordem de Liberdade.......................................................... 30
11. As Perícias nos Crimes de Abuso............................................................ 30
Resumo.................................................................................................... 32
Questões de Concurso................................................................................ 37
Gabarito................................................................................................... 45
Gabarito Comentado.................................................................................. 46

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Vamos dar início ao estudo da Lei de Abuso de Autoridade, Lei n. 4.898/1965,

para o concurso da PCDF.

Eu sei que o nosso edital vem sempre recheado de “pequenas” leis que temos

que estudar e que, na hora da prova, nem é garantia que teremos uma questão

sobre o assunto. Porém, a Lei de Abuso de Autoridade, quando colocada no edital,

a banca costuma cobrar pelo menos uma questão, já que tem uma certa relação

com o nosso trabalho.

Outro aspecto que vou chamar a atenção logo no início da aula é sobre a alte-

ração do Código Penal Militar, que possibilitou que o abuso de autoridade praticado

por militar seja julgado pela Justiça Militar. Comentaremos melhor sobre isso du-

rante a nossa aula.

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1. Conceitos Iniciais

A Lei n. 4.898/1965 é uma lei bem antiga, porém com uma temática bem atual.

Temos visto constantemente nos noticiários que existem algumas propostas para a

alteração do abuso de autoridade.

Existem dois projetos de lei, o PLS n. 280/2016 e o PLS n. 85/2017, que buscam

alterar a responsabilização do autor de abuso de autoridade no Brasil. O Senador

Roberto Requião propôs um substitutivo que inclusive foi aprovado pelo plenário do

Senado Federal e aguarda votação pela Câmara dos Deputados.

Você não precisa se preocupar com as alterações previstas neste substitutivo, já

que seu edital é bem específico quanto à Lei de Abuso de Autoridade.

2. Finalidades da Lei

Bom, então do que se trata a Lei n. 4.898/1965? Somente define os crimes de

abuso de autoridade? Não, meu(minha) querido(a). A lei, além de definir os crimes

de abuso em seus artigos 3º e 4º, traz a tríplice responsabilização e o direito de

representação.

A lei tutela dois bens jurídicos, quais sejam: o regular funcionamento da Admi-

nistração Pública e os direitos e garantias fundamentais previstos em nossa Cons-

tituição Federal.

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3. Tríplice Responsabilização

O que seria essa tríplice responsabilização? Bom, meu(minha) querido(a), a Lei

de Abuso de Autoridade é uma lei penal especial que trouxe em seu texto a possi-

bilidade de responsabilização do autor do abuso.

Essa responsabilização pode ser tanto na esfera penal, quanto cível e funcional,

ou administrativa. Ou seja, o autor poderá ser ao mesmo tempo réu em um pro-

cesso criminal, requerido em uma ação civil e investigado por uma Processo Admi-

nistrativo (PAD) pela Corregedoria do órgão a que pertence.

Essa é uma previsão expressa na lei, tanto no artigo 1º como no artigo 6º.

Vejamos:

Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrati-


va civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem
abusos, são regulados pela presente lei.
Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e
penal.

Então, conforme o legislador, o autor de abuso de autoridade é alcançado nas

três esferas. Isso significa um único juiz proferirá todas as sentenças? Negativo,

meu(minha) querido(a), os processos correrão em separado, cada um na sua res-

pectiva esfera.

A lei, nos parágrafos do artigo 6º, traz as possíveis punições em cada esfera

(civil, criminal e administrativa).

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso co-


metido e consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;

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c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com
perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.
§ 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no paga-
mento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.
§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do
Código Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

O parágrafo 4º deste mesmo artigo ainda afirma que o autor poderá ser respon-

sabilizado ao mesmo tempo nas três esferas.

§ 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumu-


lativamente.

Outra informação importante, que devemos levar para a nossa prova, é que a

lei traz ainda expressamente a proibição da paralisação do processo administrativo,

com o intuito de aguardar que as demais esferas sejam concluídas.

Art. 7º
§ 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar
a decisão da ação penal ou civil.

Só a título de curiosidade, no substitutivo aprovado pelo Senado Federal, caso

uma excludente de ilicitude seja reconhecida no processo criminal, fará coisa julga-

da também nas demais esferas (civil e administrativa).

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4. Direito de Representação

O que seria o direito de representação constante na Lei n. 4.898/65? Seria o

mesmo que a representação nos crimes de ação penal pública condicionada a re-

presentação?

Negativo meus queridos, até mesmo porque as condutas tipificadas em nossa

lei são todos de ação penal pública incondicionada.

Essa representação é o direito de petição da vítima para representar contra o

autor dos fatos. Isso não quer dizer que uma vítima de abuso de autoridade não

poderá comparecer a uma Delegacia de Polícia para narrar os fatos à autoridade

policial, o legislador apenas garantiu mais uma forma de noticiar os fatos.

1. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL/2015) Com base na Lei

Antitortura e na Lei contra Abuso de Autoridade, julgue o item subsequente.

Nos crimes de abuso de autoridade, a ação é pública condicionada à repre-

sentação da vítima, pois a falta dessa representação impede a iniciativa do

Ministério Público.

Errado.

Por diversas vezes o examinador tentará te confundir sobre a representação, já que

a lei dispõe sobre uma representação, mas os crimes previstos nesta lei são crimes

de ação penal pública incondicionada.

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Essa representação não é condição de procedibilidade, tem natureza de notitia criminis.

2. (CESPE/TRT – 8ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com base


na legislação penal, assinale certo ou errado.
A representação prevista na lei que trata dos crimes de abuso de autoridade é mera
notícia do fato criminoso, inexistindo condição de procedibilidade para a instaura-
ção da ação penal.

Certo.
Exatamente como vimos: a representação não é condição de procedibilidade, seria
uma notitia criminis.

Então essa representação se refere ao exercício do direito de petição, que tem


a finalidade de narrar os fatos formalmente à autoridade competente.
Essa representação será uma petição escrita feita pela vítima, mas devemos
lembrar que não é uma condição para que a polícia judiciária apure o fato ocorrido.
A peça deverá ser endereçada ao Ministério Público ou à autoridade adminis-
trativa superior que tenha competência para apurar o fato, conforme previsto nas
alíneas “a” e “b” do artigo 2º da lei.
Na prática, alguns advogados acabam encaminhando a representação ao dele-
gado de polícia, porém, a lei é bem clara, e não lista a autoridade policial como uma

das autoridades a quem deve ser endereçada a representação.

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Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:


a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade
civil ou militar culpada, a respectiva sanção;
b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-
-crime contra a autoridade culpada.

“Professor, e o que deve conter nessa representação?”

Meu(minha) querido(a), a lei também trouxe essa informação, no parágrafo

único do artigo 2º. A representação deverá conter um resumo dos fatos, a quali-

ficação dos envolvidos, e, se houver, o rol das testemunhas, no máximo 3. Outra

exigência da lei é que ela seja feita em duas vias.

Art. 2º
Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do
fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a
qualificação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as houver.

5. Sujeito Passivo

A doutrina afirma que nos crimes de abuso de autoridade nós temos uma dupla

subjetividade passiva, ou seja, os crimes sempre possuem duas vítimas.

Temos uma vítima imediata ou direta, que é a pessoa sobre a qual recai dire-

tamente a conduta abusiva, e uma outra mediata ou direta, também chamada de

vítima permanente, que seria o Estado, já que a conduta de abuso sempre macu-

lará o Estado.

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6. Autoridade

Os crimes de abuso de autoridade são crimes próprios, já que só podem ser

praticados por autoridades. Mas e quem seriam essas autoridades?

O próprio legislador já definiu o conceito de autoridade no artigo 5º da lei. Au-

toridades são aqueles que exercem cargo, emprego ou função pública de natureza

civil, ou militar, mesmo que transitoriamente ou sem remuneração.

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, empre-
go ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração.

Portanto, não podemos falar em abuso de autoridade quando o autor exerce

uma atividade privada, como, por exemplo, um vigilante de um banco.

E aquelas pessoas que exercem o “múnus público”, são abrangidos por essa lei?

“Professor, em primeiro lugar, o que é ‘múnus público’?”

Meu(minha) querido(a), o “múnus público” é uma obrigação imposta pela lei,

em atendimento ao poder público, em benefício da coletividade, como, por exem-

plo, o advogado dativo, o tutor etc.

Então essas pessoas cometem ou não abuso de autoridade? Conforme a juris-

prudência, essas pessoas não estão inseridas no conceito de autoridade previsto

na Lei n. 4.898/1965, portanto, não podem responder pelo abuso de autoridade.

“Professor, então se essas pessoas não podem responder, o particular também

não pode, né?”

Não vamos nos precipitar, o particular responde sim, em caráter excepcional,

por abuso de autoridade. Responderá quando atuar em companhia da autoridade e

souber dessa condição, portanto, agirá como coautor ou como partícipe.

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O artigo 30 do Código Penal, garante que as elementares do crime se comunicam.

Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo


quando elementares do crime.

3. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL/2015) Com base na Lei

Antitortura e na Lei contra Abuso de Autoridade, julgue o item subsequente.

O particular que atuar em coautoria ou participação com uma autoridade pública

no cometimento de crime de abuso de autoridade não responderá por esse crime

porque não é agente público.

Errado.

Meu(minha) querido(a), um particular sozinho não praticará o delito de abuso de

autoridade, certo?

Como vimos em nossa aula, o particular responde, em caráter excepcional, por

abuso de autoridade. Responderá quando atuar em companhia da autoridade e

souber dessa condição, portanto, agirá como coautor ou como partícipe.

O artigo 30 do Código Penal, garante que as elementares do crime se comunicam.

Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo


quando elementares do crime.

4. (MPE-SC/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2014) A Lei n. 4.898/65, que prevê

os crimes de abuso de autoridade, é aplicável inclusive aos que exercem cargo,

emprego ou função pública de natureza civil, ainda que transitoriamente e sem

remuneração.

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Certo.

Questão bem simples cobrando o conhecimento do artigo 5º da lei, ou seja, quais

as pessoas que se enquadram como autoridade para nossa lei em estudo.

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego
ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração.

Devemos observar o elemento subjetivo do crime, pois não existe abuso culpo-

so. Os crimes de abuso são punidos somente a título de dolo e o dolo deverá ser

específico, conforme a doutrina, deve existir um dolo de abusar.

5. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) No que se re-

fere ao crime de abuso de autoridade, admitem-se as modalidades dolosa e culposa.

Errado.

Não temos muito o que comentar nessa questão, pois é uma questão bem direta.

Sabemos que os crimes de abuso de autoridade só serão cometidos dolosamente,

então, se a questão afirmar que existe abuso culposo, a questão estará errada.

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7. Das Penas

Antes de analisarmos os crimes previstos na lei, vamos ver quais são as penas

cabíveis nos casos de sanção penal.

Seja qual for o crime previsto nesta lei, a pena sempre será a mesma.

• detenção de 10 dias a 6 meses;

• multa;

• perda do cargo.

A perda do cargo ainda poderá vir combinada com a inabilitação para o exercício

de qualquer outra função pública pelo prazo de até 3 anos.

Uma outra sanção específica que a lei traz é nos casos em que o autor é um po-

licial, civil ou militar. Nesse caso, poderá ainda ser cominada uma pena autônoma

ou acessória, em que o acusado não poderá exercer funções de natureza policial ou

militar no município da culpa, pelo prazo de um a cinco anos.

Art. 6º
§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Có-
digo Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública
por prazo até três anos.
§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de
qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o
acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo
de um a cinco anos.

Essas penas podem ser aplicadas isoladas ou cumulativamente, ou seja, pode

um condenado pelo crime de abuso receber somente a pena de multa, ou somente

a detenção.

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“Então quer dizer, professor, que nem sempre o condenado perderá o cargo?”

Exatamente, meu(minha) querido(a). Diferentemente do crime de tortura, em que

a perda do cargo é um efeito automático da condenação, aqui, no abuso de auto-

ridade, a perda do cargo é uma possibilidade de sanção penal que o magistrado

poderá aplicar ou não ao condenado.

8. Competência

Os crimes de abuso de autoridade são infrações de menor potencial ofensi-

vo, já que a pena máxima não ultrapassa os 2 anos.

“Na prática, o que significa isso, professor?” Meu(minha) querido(a), o crime de

abuso de autoridade é apurado, em regra, mediante Termo Circunstanciado (TC),

ao final do qual não existe um oferecimento de denúncia, o que ocorrerá, via de

regra, é uma proposta de Transação Penal por parte do Ministério Público.

“Professor, eu já li a lei toda e não fala nada sobre isso, de onde veio essa infor-

mação?” Meu(minha) querido(a), a Lei n. 4.898/1965 traz um rito especial que não

fala nada sobre Transação Penal, porém, o STJ entendeu que a Lei n. 9.099/1995

derrogou a parte procedimental prevista na Lei n. 4.898/1965.

Ainda estudaremos a Lei dos Juizados Especiais (Lei n. 9.099/1995), mas posso

adiantar que existem alguns requisitos para que o Ministério Público ofereça a Tran-

sação Penal, entre eles, se o autor não foi condenado anteriormente pela prática

de crime a uma pena privativa de liberdade, e não ter o agente transacionado nos

últimos 5 anos.

Caso não seja o caso de Transação Penal, será aplicado o rito sumaríssimo da

Lei n. 9.099/1995.

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Agora, preste atenção no que eu vou dizer. Esse não é um entendimento com-

pletamente pacificado, sendo que alguns doutrinadores entendem que o rito da Lei

n. 4.898/1965 deve continuar sendo aplicado.

Algumas bancas já cobraram sobre o rito da Lei de Abuso, principalmente no

que se refere aos prazos, mas a maioria das bancas já entende pela aplicação da

Lei dos Juizados Especiais.

Eu sempre digo que nas leis extravagantes você deve fazer um estudo da legis-

lação “seca”, já que algumas bancas cobram a literalidade da lei, então, nesse caso,

leia a lei por completo, mesmo a parte procedimental.

6. (CESPE/TCE-RN/AUDITOR/2015) A respeito dos crimes de lavagem de dinheiro

e de abuso de autoridade, julgue o item subsequente.

Conforme o entendimento do STJ, ao acusado de crime de abuso de autoridade

pode ser feita proposta de transação penal.

Certo.

Questão corretíssima, já que, conforme vimos aqui, o STJ entende que a Lei n.

9.099/1995 derrogou a parte procedimental da Lei n. 4.898/1965.

Alguns doutrinadores entendem que os crimes de abuso de autoridade não seriam

de menor potencial ofensivo (Guilherme Nucci é um deles), por terem a possibili-

dade da perda do cargo como sanção penal.

7. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/2014) Julgue o

próximo item, referente às penas e aos crimes de abuso de autoridade e de tráfico

ilícito de entorpecentes.

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Em razão do patamar das penas cominadas na Lei de Abuso de Autoridade, não

é possível a suspensão condicional da pena aplicada devido à prática de delito de

abuso de autoridade.

Errado.

É exatamente o contrário, em razão do patamar das penas cominadas na Lei de

Abuso de Autoridade é que é possível a suspensão condicional da pena, já que es-

tamos diante de infrações de menor potencial ofensivo.

8. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2015) No que se refere a cri-

me de abuso de autoridade e ao seu processamento, julgue o próximo item.

O crime de abuso de autoridade, em todas as suas modalidades, é infração de

menor potencial ofensivo, sujeitando-se seu autor às medidas despenalizadoras

previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais cíveis e criminais, desde que

preenchidos os demais requisitos legais.

Certo.

Com os conhecimentos que adquirimos até agora em nossa aula, já conseguimos

ser Advogados da União (rs).

Brincadeiras à parte, meu(minha) querido(a), veja que as bancas consideram o en-

tendimento do STJ, no qual devemos aplicar o rito sumaríssimo da Lei dos Juizados

Especiais.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Então, compete à Justiça Comum, Federal ou Estadual, processar e julgar o de-

lito de abuso de autoridade. A regra é que seja julgado na justiça comum estadual,

competindo à justiça federal somente quando causar violação a bens e interesses

da União.

A simples condição de o agente que pratica o delito de abuso de autoridade per-

tencer aos quadros da Administração Pública Federal não determina a competência

da Justiça Federal para processar e julgar o delito.

E se o crime for praticado por um militar em serviço? A competência será da

Justiça Militar?

O STJ tem esse entendimento sumulado, por meio da Súmula n. 172, que esta-

belece que “compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso

de autoridade, ainda que praticado em serviço”.

Porém, a Lei n. 13.491/2017 alterou o Código Penal Militar em seu arti-

go 9º, II, considerando como crimes militares os previstos naquele código

e os previstos na legislação especial (que é o nosso caso), quando pratica-

dos nas situações descritas naquele inciso.

Então, meu(minha) querido(a), analisando essa lei, que é bem recente, abriu-se

a possibilidade de os militares que incorrerem na prática de abuso de autoridade,

nas situações previstas no art. 9º, II, do CPM, serem julgados pela Justiça Militar.

Apesar de não termos um posicionamento jurisprudencial a respeito do assunto, os

estudiosos do direito entendem que esses delitos, se praticados nas condições previs-

tas no artigo 9º do Código Penal Militar, serão de competência da Justiça Militar.

Portanto, com a edição desse novo diploma legal, abriu-se a possibilidade de a

Justiça Militar julgar o delito de abuso de autoridade.

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E se o crime de abuso for conexo com um crime militar? Deverá ocorrer a sepa-

ração dos processos, sendo que a justiça especializada julgará o crime militar, e o

JECrim, o abuso de autoridade. O STJ também tem esse entendimento sumulado.

Súmula n. 90
Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial militar pela prática do
crime militar, e à Comum pela prática do crime comum simultâneo àquele.

Porém, aqui acredito que se enquadra de forma semelhante ao que vimos logo

acima, de acordo com a Lei n. 13.491/2017, não teria motivo para o julgamento

ocorrer em separado.

“O que eu tenho que responder na minha prova, professor? E as Súmulas do

STJ?”

Apesar de o STJ não ter se manifestado a respeito de suas súmulas, o enten-

dimento doutrinário é de que elas deixaram de ter validade, já que agora o julga-

mento se dará pela Justiça Militar nas duas situações que vimos.

A súmula então perde o seu fundamento embasador, cai por terra, devendo ser

tida como superada pela Lei n. 13.491/2017.

Acredito que seja importante você possuir esse conhecimento de como era e

como está agora, para o caso de uma questão discursiva sobre o assunto.

Agora me responda, e se o crime de abuso de autoridade for conexo com um

crime doloso contra a vida? Pelo que vimos até agora, deverá ocorrer a separação

dos processos, né? Não, meu(minha) querido(a), nesse caso não.

O artigo 78, I, do Código de Processo Penal, traz expressa previsão de que o

Tribunal do Júri será o órgão competente para processar e julgar os dois delitos.

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Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observa-


das as seguintes regras:
I – no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum,
prevalecerá a competência do júri (CPP);

9. Prescrição

Os crimes previstos em nossa lei têm a pena máxima de 6 meses de detenção,

portanto, conforme previsão do artigo 109 do Código Penal, em seu inciso IV, te-

mos uma prescrição de 3 anos.

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto


no § 1º do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade
cominada ao crime, verificando-se:
VI – em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.

10. Dos crimes

Os crimes de abuso de autoridade estão previstos nos artigos 3º e 4º da nossa lei.

Os crimes previstos no artigo 3º são classificados como crimes de atentado, que

são aqueles que já trazem a figura da tentativa como elemento do tipo. Conforme

diz o professor Gabriel Habib, seria correto, portanto, afirmar que nesses crimes,

o tentar já é consumar. Dessa forma, o delito não admite a figura da tentativa.

Por serem vagos, os tipos penais deste artigo ferem o princípio da taxatividade.

10.1. Liberdade de Locomoção

A conduta do agente viola o direito fundamental previsto na Constituição em

seu artigo 5º, XV, que dispõe que “é livre a locomoção no território nacional em

tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permane-

cer ou dele sair com seus bens”.

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Isso não quer dizer que esse é um direito absoluto, afinal de contas, não existe

um direito fundamental absoluto, haverá momentos em que a restrição a esse di-

reito será lícita em ponderação com a garantia de outros direitos.

10.2. Inviolabilidade de Domicílio

Agora a conduta do agente fere outro direito fundamental, com previsão no

artigo 5º, XI, da CF/1988, que dispõe que “a casa é asilo inviolável do indivíduo,

ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de

flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por deter-

minação judicial”.

A inviolabilidade do domicílio é muito pouco questionada quando se trata de

cumprimento de ordem judicial ou para prestar socorro. O maior questionamento

ocorre no caso do flagrante delito.

Geralmente a polêmica ocorre nos casos de crimes permanentes. O que são os

crimes permanentes? São aqueles que a consumação se protrai no tempo, ou seja,

a pessoa estaria em flagrante a todo tempo.

Vamos analisar o entendimento das Cortes Superiores sobre o assunto. O Su-

premo entende que a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é

lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devi-

damente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação

de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente

ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados.

O caso analisado pelo Supremo foi o seguinte: a Polícia estava investigando

determinados traficantes e conseguiu abordar um caminhão que transportava de-

terminada quantidade de drogas.

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Ao ser entrevistado, o motorista indicou a residência de seu sócio e afirmou que

lá teria o restante da droga. Diante dessa informação, a polícia se dirigiu ao ende-

reço e localizou 8,5kg de cocaína em um veículo na garagem da residência.

Perceba que mesmo sem a ordem judicial, a polícia já tinha um investigação

em andamento sobre aqueles “alvos”, portanto, tinha convicção de que eles eram

traficantes e que naquela residência teria droga.

No julgamento do Supremo, o Ministro Gilmar Mendes afirmou que, nesse caso,

a polícia poderia entrar na casa, mas deve enviar a posteriori as fundadas razões

que justifiquem a violação do domicílio.

Essas fundadas razões não podem ser um juízo de mera suspeita ou intuição

policial.

Corroborando esse entendimento, o STJ, recentemente, absolveu uma pessoa

acusada de tráfico de drogas por entender que a polícia localizou as drogas violan-

do o domicílio do autor, sendo então as provas ilícitas.

A situação foi a seguinte: uma guarnição da polícia militar estava em patrulha-

mento em um local conhecido como ponto de venda de drogas, e um indivíduo, ao

avistar a viatura, correu para dentro de casa.

Os policiais entraram na casa do sujeito e nas buscas no interior da residência

localizaram pedras de crack no banheiro e no quarto do agente, sendo ele conde-

nado em primeira instância.

O Tribunal absolveu o acusado por considerar ilícita a violação domiciliar. O caso

chegou ao STJ que disse que a mera intuição acerca de eventual traficância prati-

cada pelo recorrido, embora pudesse autorizar a abordagem em via pública, para

averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu

domicílio, sem o consentimento do morador e sem determinação judicial.

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Entendeu o STJ a prova como sendo nula, como decorrência da doutrina dos

frutos da árvore envenenada e manteve a absolvição do réu.

Então as duas cortes entendem que o conceito fático anterior à entrada na re-

sidência é que validará a entrada da polícia.

“Professor, e se mesmo com as fundadas razões a polícia entrar na residência e

não se deparar com o crime permanente? Incorrerá em abuso?” Não, meu(minha)

querido(a), veja que, conforme o Supremo, a polícia deverá, em ato posterior, co-

municar as fundadas razões ao judiciário, afastando a possibilidade de responsabi-

lização criminal por abuso, já que não agiu com o dolo específico.

10.3. Sigilo de Correspondência

Essa é mais uma garantia aos direitos fundamentais, dessa vez ao direito fun-

damental previsto no artigo 5º, XII, da CF/1988.

Como já vimos nesta aula, os direitos não são absolutos, assim, os casos autori-

zados pela lei e pela jurisprudência não ferem esse direito. Por exemplo, o conheci-

mento justificado pelo diretor do estabelecimento prisional do conteúdo da corres-

pondência escrita e recebida pelo preso, ou até mesmo na busca domiciliar, na qual

se pretenda apreender cartas fechadas, destinadas ao acusado ou em seu poder,

quando haja suspeita de que seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato.

Outro ponto que devemos observar é que, para falarmos em sigilo de corres-

pondência, ela deve estar lacrada.

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10.4. Liberdade de Consciência e de Crença e Livre Exercício


do Culto Religioso

Esses dois incisos são muito parecidos e tutelam os direitos fundamentais pre-

vistos no artigo 5º, incisos VI e VIII, “é inviolável a liberdade de consciência e de

crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na for-

ma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” e “ninguém será priva-

do de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,

salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se

a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.

Por estarmos em um Estado laico, nenhuma autoridade poderá impedir a práti-

ca desses direitos, mas como também não temos direitos absolutos, os cultos não

poderão atentar contra outros direitos.

Outra situação que poderia a autoridade pública intervir seria nos casos dos

cultos em que ocorrem sacrifícios animais ou que atentem contra a ordem pública.

10.5. Liberdade de Associação

Perceba que o legislador quis garantir o exercício dos direitos fundamentais,

punindo aquelas autoridades que atentarem contra o exercício desses direitos.

Muito próximo a esse direito temos ainda o direito de reunião, previsto na alínea “h”.

Agora, é lícito que a autoridade impeça a reunião com fins ilícitos, ou mesmo

que atentem contra outros direitos de interesse coletivo, direitos fundamentais de

outras pessoas, ou simplesmente para garantir a ordem pública.

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10.6. Exercício do Voto

O voto é um direito constitucional garantido a todos os cidadãos, o exercício do

voto é o pilar que sustenta o Estado Democrático de Direito.

É possível que a autoridade atente contra o direito de voto do cidadão? Sim.

Como venho dizendo em todos esses tópicos, não existe um direito absoluto, por-

tanto, em razão de séria e provável lesão ou ameaça de lesão ao Estado Democrá-

tico de Direito ou à ordem constitucional, é lícito que uma autoridade atente contra

o direito de voto do cidadão sem cometer nenhum ilícito.

10.7. Incolumidade Física do Indivíduo

Esse tipo penal abrange qualquer tipo de violência física. Então pode ir de uma

“vias de fato”, até a morte da vítima. Nesses casos, a autoridade responderá pelos

dois crimes em concurso material.

É importante ressaltar que o Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento

que tanto o crime previsto nesse inciso, quanto o crime previsto no artigo 322 do

Código Penal, violência arbitrária, coexistem no Brasil, ou seja, essa alínea não

revogou o Código Penal.

“Professor, qual seria a diferença entre esses dois institutos?”

Uma das diferenças é a seguinte: no crime de abuso de autoridade, o sujeito

se excede em sua discricionariedade, ou seja, o agente tinha o direito de realizar a

conduta, porém se excedeu.

No tipo previsto no Código Penal, o comportamento não era autorizado pelo or-

denamento jurídico, então o agente nunca pôde praticar aquele ato.

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10.8. Exercício Profissional

Quando o legislador falou no atentado contra o exercício profissional, ele estava

pensando no trabalho lícito, ou seja, essas ações governamentais para retirar os

“camelôs” de locais não autorizados não configura o tipo penal aqui estudado.

Como eu havia dito anteriormente, os crimes do artigo 3º são tipos penais va-

gos, genéricos, que ferem o princípio da taxatividade.

Já os crimes previstos no artigo 4º observam o princípio da taxatividade, são

bem claros e admitem tentativa para as condutas comissivas.

10.9. Ordenar ou Executar Medida Privativa da Liberdade In-


dividual, sem as Formalidades Legais ou com Abuso de Poder

A nossa Carta Magna garante que ninguém poderá ser preso se não em fla-

grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de uma autoridade judiciária

competente.

Portanto, não pode a autoridade privar alguém de sua liberdade individual por

mero capricho. Perceba que o legislador resolveu punir tanto quem ordena como

quem executa, abrangendo todas as pessoas envolvidas no ato ilícito.

“Professor, e a prisão disciplinar militar? Aplica-se nesse inciso?”

Meu(minha) querido(a), é bem verdade que a Constituição dispõe que não cabe

habeas corpus contra as punições disciplinares militares, porém, esse óbice é so-

mente para a análise do mérito, podendo o Judiciário fazer uma análise da lega-

lidade da prisão, como, por exemplo, a competência do superior hierárquico para

aplicar a pena de prisão.

Por isso que nesse caso a autoridade pública militar pratica o delito que estamos

analisando.

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10.10. Submeter Pessoa sob sua Guarda ou Custódia a Vexa-


me ou a constrangimento não Autorizado em Lei

Esse inciso resguarda a vontade do custodiado, ou seja, a autoridade comete

o ilícito quando sujeita a pessoa a algo contra a sua vontade, acabando com sua

voluntariedade.

Quando o legislador se refere a constrangimento não autorizado em lei, ele se

refere, por exemplo, à Lei de Execuções Penais, que garante os direitos do preso.

Então, se o diretor do presídio, por exemplo, impedir os presos de tomarem sol,

impedir as visitas, submeter alguém ao Regime Disciplinar Diferenciado sem funda-

mentos, estará cometendo abuso de autoridade tipificado neste inciso.

10.11. Deixar de Comunicar Imediatamente ao Juiz Compe-


tente a Prisão ou Detenção de qualquer Pessoa

Imediatamente hoje é sinônimo de 24 horas. O Brasil tem adotado a prática dos

Núcleos de Audiência de Custódia (NAC), portanto, nos locais em que já estiverem

ocorrendo essas audiências, a comunicação se dará pela realização destas.

“Professor, mas eu estudei no Processo Penal que a prisão de qualquer pessoa

e o local onde se encontre devem ser comunicados imediatamente ao juiz compe-

tente, ao Ministério Público e à família do preso ou pessoa por ele indicada, e em

alguns casos à Defensoria Pública. Então, se deixar de comunicar qualquer um,

incorrerá em abuso de autoridade?”

Não, apesar de o CPP trazer essas previsões, a Lei de Abuso não as trouxe, por-

tanto, seria abuso somente a ausência de comunicação ao juiz.

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10.12. Deixar o Juiz de Ordenar o Relaxamento de Prisão ou


Detenção Ilegal que lhe seja Comunicada

Esse é um delito que só poderá ser cometido pela autoridade judicial, e não se

trata simplesmente do não relaxamento da prisão.

O que quero dizer é que o magistrado só incorrerá neste delito se a prisão for

manifestamente ilegal, ou ele souber de algo que torne a prisão ilegal, e, mesmo

assim, não relaxar a prisão, ao contrário, convertê-la em prisão preventiva.

10.13. Levar à Prisão e nela Deter quem quer que se Propo-


nha a Prestar Fiança, Permitida em Lei

A maioria dos crimes são afiançáveis, temos uma minoria em nosso ordena-

mento que não aceitam fiança.

E quem pode arbitrar a fiança? A autoridade policial, ou seja, o delegado de

polícia poderá arbitrar fiança nos casos de infração penal cuja pena privativa de

liberdade máxima não seja superior a quatro anos.

Nos demais casos, somente a autoridade judiciária poderá conceder fiança.

Então, se uma dessas autoridades deixa de arbitrar fiança para um delito afian-

çável ou deixa de recolher a fiança dolosamente, de quem esteja disposto a pagar,

incorrerá em abuso.

Obs.:
 as alíneas “f” e “g” são inaplicáveis em nosso ordenamento jurídico, já que não

existem no sistema carcerário brasileiro quaisquer custas ou emolumentos ou

outras despesas semelhantes que possam ser cobradas pelo carcereiro.

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10.14. Ato Lesivo da Honra ou do Patrimônio de Pessoa Natu-


ral ou Jurídica, quando Praticado com Abuso ou Desvio de Poder
ou sem Competência Legal

Vamos iniciar diferenciando o abuso do desvio do poder. No abuso de poder, a au-

toridade tem competência para realizar o ato, mas excede o seu limite legal. No des-

vio de poder, a autoridade também tem competência para realizar o ato, mas o exe-

cuta com o desvio de finalidade, ou seja, com um fim diferente do interesse público.

Imagine que uma equipe policial vai cumprir um Mandado de Busca e Apreensão

expedido pela autoridade competente. Ao chegar no local, um dos agentes percebe que

o morador da casa é seu desafeto e ao realizar as buscas causa diversos danos ao pa-

trimônio da pessoa. Nesse caso, o agente incorrerá em abuso conforme este inciso.

10.15. Prolongar a Execução de Prisão Temporária, de Pena


ou de Medida de Segurança, Deixando de Expedir em Tempo
Oportuno ou de Cumprir Imediatamente a Ordem de Liberdade

Esse é um delito que pode ser cometido por qualquer autoridade no que se re-

fere a deixar de cumprir o alvará de soltura.

Já na modalidade “deixar de expedir” somente a autoridade judiciária poderá

praticar esse delito.

11. As Perícias nos Crimes de Abuso

A regra trazida pelo Código de Processo Penal, em seu artigo 158, é que nos cri-

mes que deixarem vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, sendo

que nem a confissão do acusado poderá suprir esse exame.

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Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de


delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Então, regra geral, se uma infração penal deixar vestígios (infrações penais não

transeuntes), será obrigatória a perícia.

Eu disse regra geral porque, por própria previsão do CPP em seu artigo 167, se

não for possível a realização da perícia pelo desaparecimento dos vestígios, a prova

testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os
vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

A Lei de Abuso de Autoridade é um pouco diferente, ela prevê que se o fato tiver

deixado vestígios, a vítima poderá realizar a comprovação por meio de 2 testemu-

nhas ou poderá requerer a perícia.

Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios


o ofendido ou o acusado poderá:
a) promover a comprovação da existência de tais vestígios, por meio de duas testemu-
nhas qualificadas;
b) requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julga-
mento, a designação de um perito para fazer as verificações necessárias.

Terminamos a nossa aula por aqui. Vamos agora fazer um breve resumo de tudo

que estudamos e depois fazer alguns exercícios para fixar a matéria.

Espero que tenha gostado da aula. Coloco-me à disposição para maiores escla-

recimentos, dúvidas, críticas e sugestões por meio do e-mail profpericlesrezende@

gmail.com e pelo Instagram @vemserpolicial.

Grande abraço e bons estudos.

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RESUMO

Vamos iniciar nossa revisão relembrando o conceito de autoridade.

Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, empre-

go ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamen-

te e sem remuneração.

Os crimes previstos em nossa lei são crimes próprios, ou seja, exigem uma

qualidade especial do agente, porém admitem coautoria ou participação.

O particular pode praticar crimes de abuso de autoridade quando em coautoria

ou participação com uma das autoridades previstas na lei.

Quais as finalidades da lei?

• tríplice responsabilidade;

• direito de representação;

• definição dos crimes de abuso de autoridade.

A tríplice responsabilização afirma que a responsabilidade do agente autor do

fato poderá ser tanto na esfera civil como na administrativa e penal.

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 Obs.: o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de

aguardar a decisão da ação penal ou civil.

O direito de petição será exercido por meio de uma petição:

• dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à au-

toridade civil ou militar culpada, a respectiva sanção;

• dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar pro-

cesso-crime contra a autoridade culpada.

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Essa representação não é condição de procedibilidade, tem natureza de

notitia criminis.

A ação penal nos casos de abuso de autoridade é Ação Penal Pública Incon-

dicionada.

Os crimes de abuso de autoridade são infrações de menor potencial ofensivo,

já que a pena máxima não ultrapassa os 2 anos.

Vamos relembrar também a Súmula n. 172 do STJ:

Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autorida-
de, ainda que praticado em serviço.

A Lei n. 13.491/2017 alterou o artigo 9º, II, do Código Penal Militar, incluindo a

possibilidade de um crime de uma legislação especial (que é o nosso caso), se pra-

ticado nas situações descritas naquele inciso, seja tratado como crime militar, ou

seja, seja julgado pela Justiça Militar. A súmula perdeu o seu fundamento em-

basador, devendo ser tida como superada pela Lei n. 13.491/2017.

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LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Art. 3º (atentado) Art. 4º


Ordenar ou executar medida privativa da liberdade
À liberdade
individual, sem as formalidades legais ou com
de locomoção
abuso de poder
À inviolabilidade Submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a
do domicílio vexame ou a constrangimento não autorizado em lei
Ao sigilo da Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz com-
correspondência petente a prisão ou detenção de qualquer pessoa
À liberdade de consci- Deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão
ência e de crença ou detenção ilegal que lhe seja comunicada
Ao livre exercício do Levar à prisão e nela deter quem quer que se pro-
culto religioso ponha a prestar fiança, permitida em lei
Cobrar o carcereiro ou agente de autoridade poli-
cial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer
Crimes de À liberdade de
outra despesa, desde que a cobrança não tenha
Abuso de associação
apoio em lei, quer quanto à espécie quer quando
Autoridade ao seu valor
Recusar o carcereiro ou agente de autoridade poli-
Aos direitos e garantias
cial recibo de importância recebida a título de car-
legais assegurados ao
ceragem, custas, emolumentos ou de qualquer
exercício do voto
outra despesa
O ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa
Ao direito de reunião natural ou jurídica, quando praticado com abuso
ou desvio de poder ou sem competência legal
Prolongar a execução de prisão temporária, de
À incolumidade física pena ou de medida de segurança, deixando de
do indivíduo expedir em tempo oportuno ou de cumprir imedia-
tamente ordem de liberdade
Aos direitos e garantias
legais assegurados ao
exercício profissional

Lembre-se de que não existem no sistema carcerário brasileiro quaisquer custas ou

emolumentos ou outras despesas semelhantes que possam ser cobradas pelo carcerei-

ro ou agente policial de carceragem, razão pela qual o tipo penal se torna inaplicável.

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E se o fato deixar vestígios? Como devemos proceder? Se o fato tiver deixado

vestígios, a vítima poderá realizar a comprovação por meio de 2 testemu-

nhas ou poderá requerer a perícia.

 Obs.: apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no

prazo de quarenta e oito horas, denunciará o réu.

 Se o MP não apresentar a denúncia no prazo previsto, será admitida a

ação privada.

A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justifica-

ção por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima

do abuso.

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Havendo dúvidas quanto à pos-

sibilidade de condenação na esfera criminal, o processo administrativo deve ser

suspenso até o fim da ação penal, no intuito de se evitarem decisões conflitantes.

2. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) A representação da vítima do

abuso, mesmo que desacompanhada de inquérito policial, é documento hábil para

subsidiar a denúncia do Ministério Público e iniciar a ação penal.

3. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções penais previstas

para o delito de abuso de autoridade incluem multa e detenção e podem ser apli-

cadas autônoma ou cumulativamente.

4. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Nos termos da lei, é possível a

responsabilização civil, hipótese em que a sanção consistirá no pagamento do valor

do dano cumulado com quantia indenizatória arbitrada pelo juiz.

5. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções administrativas pre-

vistas para o crime de abuso de autoridade aplicam-se de acordo com a gravidade

da conduta praticada e incluem a perda do cargo e a inabilitação para o exercício

de qualquer outra função pública pelo prazo legal.

6. (CESPE/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2016) Em relação à Lei de Abuso de Au-

toridade — Lei n. 4.898/1965 —, assinale a opção correta.

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a) Para os efeitos da referida lei, são considerados autoridade aqueles que exercem

um múnus público, como, por exemplo, tutores e curadores dativos, inventarian-

tes, síndicos e depositários judiciais.

b) Nessa lei, há condutas tipificadas que caracterizam crimes próprios e crimes

impróprios, admitindo-se as modalidades dolosa e culposa.

c) O particular coautor ou partícipe, juntamente com o agente público, em concur-

so de pessoas, responderá por outro crime, uma vez que a qualidade de autoridade

é elementar do tipo.

d) Se uma autoridade policial determinar a seu subordinado que submeta pessoa

presa a constrangimento não autorizado por lei, e se esse subordinado cumprir a or-

dem manifestamente ilegal, ambos responderão pelo crime de abuso de autoridade.

e) Não há crime de abuso de autoridade por conduta omissiva, já que, para tanto,

deve ocorrer a prática de ação abusiva pelo agente público.

7. (CESPE/TJ-PB/JUIZ SUBSTITUTO/2015) A condenação por crime previsto na lei

de abuso de autoridade (Lei n. 4.898/1965) poderá importar na aplicação de san-

ção penal de

a) Inabilitação para contratar com a administração pública por prazo determinado.

b) Reclusão.

c) Inabilitação para o exercício de qualquer função pública por prazo determinado.

d) Advertência.

e) Prisão simples.

8. (CESPE/TCE-PR/AUDITOR/2016) Assinale a opção correta acerca da tipifica-

ção de condutas e das sanções penais constantes da Lei n. 4.898/1965 (abuso

de autoridade).

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a) As sanções penais previstas no citado diploma para os crimes de abuso de au-

toridade limitam-se a detenção, perda do cargo e inabilitação para o exercício de

qualquer outra função pública por prazo de até três anos.

b) As sanções e os tipos penais previstos na referida lei não se aplicam aos milita-

res, que se sujeitam somente à legislação militar.

c) Constitui abuso de autoridade previsto na lei mencionada qualquer atentado ao

sigilo de dados telefônicos constitucionalmente garantido.

d) As sanções penais previstas no citado diploma para os crimes de abuso de au-

toridade restringem-se a multa pecuniária e detenção.

e) Situação hipotética: José, suspeito da prática de homicídio, foi conduzido —

algemado e submetido a violência física — à delegacia de polícia pela autoridade

policial, sem mandado judicial, para prestar depoimento a respeito de fatos em

apuração naquela delegacia, tendo sido liberado somente setenta e duas horas de-

pois. Assertiva: Essa situação, além de constituir conduta criminosa da autoridade

policial, com pena cominada pela lei em apreço, configura expressão concreta do

que a doutrina moderna denomina Sistema Penal Subterrâneo.

9. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) Durante fiscalização

em sociedade de economia mista, policiais federais que acompanhavam a opera-

ção perceberam que um dos empregados daquela sociedade portava ilegalmente

arma de fogo de uso permitido. Na delegacia de polícia, embora tenha verificado

que se tratava de hipótese de arbitramento de fiança e que o flagrado se dispunha

a recolhê-la, a autoridade policial preferiu não arbitrar a fiança, e remeteu o auto

de prisão em flagrante delito para o juiz de direito competente. Nessa situação, a

autoridade policial cometeu abuso de autoridade.

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10. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) O militar em serviço

não responde pelos crimes de abuso de autoridade previstos na Lei n. 4.898/1965.

11. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) A sanção

penal, em abstrato, prevista para o crime de abuso de autoridade consiste em mul-

ta, detenção ou perda de cargo e inabilitação para o exercício de função pública.

12. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) O agente

que retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício para satisfazer a

interesse ou sentimento pessoal cometerá o crime de abuso de autoridade.

13. (CESPE/SEGESP-AL/PAPILOSCOPISTA/2013) O ato lesivo ao patrimônio de

pessoa jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem compe-

tência legal, constitui abuso de autoridade.

14. (CESPE/PC-DF/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2013) Se, por ter cerceado ilegalmente

a liberdade de locomoção de um cidadão, um policial civil estiver respondendo por

abuso de autoridade nas esferas administrativa, civil e penal, o processo adminis-

trativo deverá ser suspenso pelo prazo máximo de um ano, para que se aguarde a

decisão penal sobre o caso

15. (CESPE/TJDFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) A punição à prática do crime de

abuso de autoridade condiciona-se à presença do elemento subjetivo do injusto,

consistente na vontade consciente do agente de praticar as condutas mediante o

exercício exorbitante do seu poder na defesa social.

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16. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2015) Constitui abuso de autoridade im-


pedir que o advogado tenha acesso a processo administrativo ao qual a lei garanta
publicidade.

17. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO/2013) Marcelo, agente penitenciário


federal, não ordenou o relaxamento da prisão de Bernardo, o qual se encontra
preso sob sua custódia. Bernardo foi preso ilegalmente, fato esse que é de conhe-
cimento de Marcelo. Nessa situação, é correto afirmar que Marcelo cometeu crime
de abuso de autoridade.

18. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO/2013) Um agente penitenciário fe-


deral, no presídio em que trabalha, determinou que César, preso sob sua custódia,
traje roupa íntima feminina e “desfile” no pátio durante o horário de visitas. Nessa
situação, o agente não praticou crime de abuso de autoridade tipificado na Lei n.
4.898/1965, visto que não se trata o agente de autoridade.

19. (CESPE/PC-AL/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2012) Pratica o crime de abuso de au-


toridade o agente que, mesmo não tendo a intenção ou o ânimo específico de
exorbitar do poder que lhe for conferido legalmente, excede-se nas medidas para
cumpri-lo, com o objetivo de proteger o interesse público.

20. (CESPE/PC-ES/DELEGADO DE POLÍCIA/2011) Considere que um agente poli-


cial, acompanhado de um amigo estranho aos quadros da administração pública,
mas com pleno conhecimento da condição funcional do primeiro, efetuem a prisão
ilegal de um cidadão. Nesse caso, ambos responderão pelo crime de abuso de au-

toridade, independentemente da condição de particular do coautor.

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21. (CESPE/PC-ES/PERITO PAPILOSCOPISTA/2011) O processo administrativo para

apurar a prática de ato de abuso de autoridade deverá ser sobrestado para o fim de

aguardar a decisão da ação penal ou civil, interposta concomitantemente àquele, a

fim de evitar decisões contraditórias.

22. (CESPE/PC-ES/PERITO PAPILOSCOPISTA/2011) Submeter pessoa sob sua

guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei não

constitui abuso de autoridade, mas sujeita o infrator ao pagamento de indenização

civil por danos à moral da vítima.

Trouxe também algumas questões de outras bancas para que você pos-

sa continuar praticando.

23. (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2018) Nos termos da Lei n.

4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade), é correto afirmar:

a) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

b) o direito de representação será exercido por meio de petição dirigida exclusiva-

mente ao Ministério Público.

c) não constitui abuso de autoridade deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de

prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.

d) não contempla qualquer sanção administrativa.

e) a legislação possui penal de reclusão para determinadas modalidades de abuso

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24. (VUNESP/PC-BA/INVESTIGADOR/2018) A Lei n. 4.898/1965 regula o Direito de


Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos
casos de abuso de autoridade. Acerca de referida lei, assinale a alternativa correta.
a) Para os efeitos da Lei, considera-se autoridade quem exerce cargo, emprego ou fun-
ção pública, de natureza civil ou militar apenas de forma permanente e remunerada.
b) Caso haja necessidade de se aguardar decisão de ação penal ou civil, o processo
administrativo poderá ser sobrestado.
c) O início da ação penal depende de inquérito policial relatado e encaminhado ao
órgão do Ministério Público
d) Nos termos da lei, constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guar-
da ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.
e) As testemunhas de acusação e defesa não poderão ser apresentadas em juízo,
já que é imprescindível sua intimação

25. (VUNESP/TJM-SP/JUIZ DE DIREITO/2016) Analisando em conjunto as Leis n.


4.898, de 9 de dezembro de 1965 e n. 7.960, de 21 de dezembro de 1989, é cor-
reto afirmar que constitui abuso de autoridade
a) decretar a prisão temporária em despacho prolatado dentro do prazo de 24 (vin-
te e quatro) horas, contadas a partir do recebimento da representação.
b) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de seguran-
ça, deixando de expedir em tempo oportuno ordem de liberdade.
c) executar a prisão temporária somente depois da expedição de mandado judicial.

d) decretar a prisão temporária pelo prazo de 5 (cinco) dias, e prorrogá-la por igual

período em caso de comprovada necessidade.

e) determinar a apresentação do preso temporário, solicitar informações e esclare-

cimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame pericial.

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26. (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2014) Hércules, delegado de po-

lícia, efetuou uma prisão em flagrante delito, mas deixou de comunicar ao juiz

competente, de imediato, a prisão da pessoa, mesmo estando obrigado a fazê-lo.

Segundo as leis brasileiras, essa omissão de Hércules constitui crime de

a) Omissão delituosa

b) Tortura

c) Omissão de socorro

d) Abuso de autoridade

e) Usurpação de poder

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GABARITO

1. E
2. C
3. C
4. E
5. E
6. d
7. c
8. e
9. C
10. E
11. C
12. E
13. E
14. E
15. C
16. C
17. E
18. E
19. E
20. C
21. E
22. E
23. a
24. d
25. b
26. d

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GABARITO COMENTADO

1. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Havendo dúvidas quanto à pos-

sibilidade de condenação na esfera criminal, o processo administrativo deve ser

suspenso até o fim da ação penal, no intuito de se evitarem decisões conflitantes.

Errado.

Questão bem recente sobre o nosso conteúdo. Conforme preconiza o artigo 7º, §

3º, o processo administrativo não poderá ser sobrestado para aguardar alguma

decisão na esfera criminal ou civil.

2. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) A representação da vítima do

abuso, mesmo que desacompanhada de inquérito policial, é documento hábil para

subsidiar a denúncia do Ministério Público e iniciar a ação penal.

Certo.

Conforme o artigo 12 da Lei n. 4.898/1965, para o início da ação penal, não é ne-

cessário o IP ou a denúncia do MP, basta a representação da vítima do abuso.

Art. 12. A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justi-


ficação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima
do abuso.

3. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções penais previstas

para o delito de abuso de autoridade incluem multa e detenção e podem ser apli-

cadas autônoma ou cumulativamente.

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Certo.

As sanções penais estão previstas no parágrafo 3º do artigo 6º, e dentre elas temos

a pena de multa e detenção, conforme previsto na questão.

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Có-


digo Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

4. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Nos termos da lei, é possível a

responsabilização civil, hipótese em que a sanção consistirá no pagamento do valor

do dano cumulado com quantia indenizatória arbitrada pelo juiz.

Errado.

Conforme a lei, existe a previsão da responsabilização civil do agente, porém não

da forma como dito pelo examinador.

O parágrafo segundo do artigo 6º afirma que “a sanção civil, caso não seja possível

fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma indenização de qui-

nhentos a dez mil cruzeiros”.

5. (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções administrativas pre-

vistas para o crime de abuso de autoridade aplicam-se de acordo com a gravidade

da conduta praticada e incluem a perda do cargo e a inabilitação para o exercício

de qualquer outra função pública pelo prazo legal.

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Errado.

As sanções administrativas estão previstas no parágrafo 1º do artigo 6º da lei.

Vejamos:

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso co-


metido e consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta
dias, com perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.

Vai ser muito comum o examinador tentar te confundir com essa questão, afirman-

do que ocorrerá a perda do cargo, quando, na verdade, ocorrerá a suspensão do

cargo, portanto, fique atento(a).

6. (CESPE/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2016) Em relação à Lei de Abuso de Au-

toridade — Lei n. 4.898/1965 —, assinale a opção correta.

a) Para os efeitos da referida lei, são considerados autoridade aqueles que exercem

um munus público, como, por exemplo, tutores e curadores dativos, inventarian-

tes, síndicos e depositários judiciais.

b) Nessa lei, há condutas tipificadas que caracterizam crimes próprios e crimes

impróprios, admitindo-se as modalidades dolosa e culposa.

c) O particular coautor ou partícipe, juntamente com o agente público, em concur-

so de pessoas, responderá por outro crime, uma vez que a qualidade de autoridade

é elementar do tipo.

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d) Se uma autoridade policial determinar a seu subordinado que submeta pessoa

presa a constrangimento não autorizado por lei, e se esse subordinado cumprir a or-

dem manifestamente ilegal, ambos responderão pelo crime de abuso de autoridade.

e) Não há crime de abuso de autoridade por conduta omissiva, já que, para tanto,

deve ocorrer a prática de ação abusiva pelo agente público.

Letra d.

a) Errada. Como vimos em nossa aula, as pessoas que exercem um múnus público

não são consideradas autoridades para a lei que estamos estudando.

b) Errada. Os crimes previstos nessa lei são crimes próprios e não admitem a mo-

dalidade culposa.

c) Errada. O particular, coautor ou partícipe responderá pelo mesmo tipo penal, já

que a condição de autoridade é uma elementar do tipo.

d) Certa. Responderão os dois pelo mesmo fato, já que a ordem era manifesta-

mente ilegal e mesmo assim o subordinado a cumpriu.

e) Errada. Existem fatos omissivos previstos na lei, como, por exemplo, “deixar

de comunicar”.

7. (CESPE/TJ-PB/JUIZ SUBSTITUTO/2015) A condenação por crime previsto na lei

de abuso de autoridade (Lei n. 4.898/1965) poderá importar na aplicação de san-

ção penal de

a) Inabilitação para contratar com a administração pública por prazo determinado.

b) Reclusão.

c) Inabilitação para o exercício de qualquer função pública por prazo determinado.

d) Advertência.

e) Prisão simples.

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Letra c.
Veja que mesmo em uma prova para a magistratura estadual o examinador vem co-
brar do candidato o conhecimento das sanções, nesse caso, as sanções penais. Então
é importante saber quais são as sanções? Só se quiser passar no concurso (rs).
O único item que se molda à nossa lei estudada é a inabilitação para o exercício de qual-
quer função pública por prazo determinado, que a lei traz um prazo de até três anos.

8. (CESPE/TCE-PR/AUDITOR/2016) Assinale a opção correta acerca da tipificação


de condutas e das sanções penais constantes da Lei n. 4.898/1965 (abuso de au-
toridade).
a) As sanções penais previstas no citado diploma para os crimes de abuso de au-
toridade limitam-se a detenção, perda do cargo e inabilitação para o exercício de
qualquer outra função pública por prazo de até três anos.
b) As sanções e os tipos penais previstos na referida lei não se aplicam aos milita-
res, que se sujeitam somente à legislação militar.
c) Constitui abuso de autoridade previsto na lei mencionada qualquer atentado ao
sigilo de dados telefônicos constitucionalmente garantido.
d) As sanções penais previstas no citado diploma para os crimes de abuso de au-
toridade restringem-se a multa pecuniária e detenção.
e) Situação hipotética: José, suspeito da prática de homicídio, foi conduzido —
algemado e submetido a violência física — à delegacia de polícia pela autoridade
policial, sem mandado judicial, para prestar depoimento a respeito de fatos em
apuração naquela delegacia, tendo sido liberado somente setenta e duas horas de-
pois. Assertiva: Essa situação, além de constituir conduta criminosa da autoridade
policial, com pena cominada pela lei em apreço, configura expressão concreta do

que a doutrina moderna denomina Sistema Penal Subterrâneo.

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LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Letra e.
a) Errada. A alternativa está errada, porque o artigo 6º, § 3º, da lei ainda prevê
como sanção penal a pena de multa.
b) Errada. Os militares também são considerados militares para os efeitos da Lei
n. 4.898/1965. O artigo 5º dispõe que “quem exerce cargo, emprego ou função
pública, de natureza civil ou militar...”.
c) Errada. O sigilo dos dados telefônicos não é protegido por essa lei.
d) Errada. A alternativa trouxe novamente as sanções penais incompletas.
e) Certa. A questão trouxe um conceito que poucas pessoas já leram a respeito.
Segundo o professor Zaffaroni, o sistema penal subterrâneo é exercido pelas agên-
cias executivas de controle (a polícia, por exemplo) à margem da lei e de maneira
violenta e arbitrária, conforme narrado na situação hipotética.

9. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) Durante fiscalização


em sociedade de economia mista, policiais federais que acompanhavam a opera-
ção perceberam que um dos empregados daquela sociedade portava ilegalmente
arma de fogo de uso permitido. Na delegacia de polícia, embora tenha verificado
que se tratava de hipótese de arbitramento de fiança e que o flagrado se dispunha
a recolhê-la, a autoridade policial preferiu não arbitrar a fiança, e remeteu o auto
de prisão em flagrante delito para o juiz de direito competente. Nessa situação, a
autoridade policial cometeu abuso de autoridade.

Certo.
As condutas que constituem abuso de autoridade estão previstas nos artigos 3º e 4º.
Constitui delito de abuso de autoridade levar à prisão e nela deter quem quer que
se proponha a prestar fiança, permitida em lei (art. 4º, “e”), exatamente conforme

a conduta da autoridade policial descrita na questão.

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10. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) O militar em serviço

não responde pelos crimes de abuso de autoridade previstos na Lei n. 4.898/1965.

Errado.

E aí, meu(minha) querido(a), o que você marcaria nessa questão se ela estivesse

hoje em sua prova?

A questão não está perguntando a competência para julgar o crime de abuso de

autoridade, mas sim se o militar comete ou não o abuso.

O militar comete sim o crime de abuso, o que alterou foi a competência para julga-

mento, que antes era competência da justiça comum e atualmente é da justiça militar.

11. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) A sanção

penal, em abstrato, prevista para o crime de abuso de autoridade consiste em mul-

ta, detenção ou perda de cargo e inabilitação para o exercício de função pública.

Certo.

Questão bem direta com a cobrança da letra da lei. Vejamos o previsto no artigo

6º, § 3º:

A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código


Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

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12. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) O agente

que retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício para satisfazer a

interesse ou sentimento pessoal cometerá o crime de abuso de autoridade.

Errado.

A nossa aula não é sobre Direito Penal propriamente dito, porém, essa conduta nos

traz um delito previsto no artigo 319 do Código Penal, que é de Prevaricação.

Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo


contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

13. (CESPE/SEGESP-AL/PAPILOSCOPISTA/2013) O ato lesivo ao patrimônio de

pessoa jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem compe-

tência legal, constitui abuso de autoridade.

Errado.

Mais uma das questões que exige o conhecimento literal da lei. Vejamos:

Art. 4º
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando prati-
cado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal;

14. (CESPE/PC-DF/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2013) Se, por ter cerceado ilegalmente

a liberdade de locomoção de um cidadão, um policial civil estiver respondendo por

abuso de autoridade nas esferas administrativa, civil e penal, o processo adminis-

trativo deverá ser suspenso pelo prazo máximo de um ano, para que se aguarde a

decisão penal sobre o caso

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Errado.
Como vimos anteriormente, o processo administrativo não poderá ser sobrestado
para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

15. (CESPE/TJDFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) A punição à prática do crime de


abuso de autoridade condiciona-se à presença do elemento subjetivo do injusto,
consistente na vontade consciente do agente de praticar as condutas mediante o
exercício exorbitante do seu poder na defesa social.

Certo.
Como vimos, além dos crimes só serem punidos a título de dolo, esse dolo deverá
ser específico, deve existir o dolo de abusar.
A doutrina chama o dolo específico de “elemento subjetivo do injusto”, é só um
nome a mais para nos confundir, mas esse não será o seu caso.

16. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2015) Constitui abuso de autoridade im-


pedir que o advogado tenha acesso a processo administrativo ao qual a lei garanta
publicidade.

Certo.
Vamos lá para a previsão do artigo 3º da lei. A alínea “j” traz a previsão de que
constitui abuso de autoridade qualquer atentado “aos direitos e garantias legais
assegurados ao exercício profissional”.
Portanto, o impedimento ao acesso de processo que a lei garanta publicidade cons-

titui abuso de autoridade.

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17. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO/2013) Marcelo, agente penitenciário

federal, não ordenou o relaxamento da prisão de Bernardo, o qual se encontra

preso sob sua custódia. Bernardo foi preso ilegalmente, fato esse que é de conhe-

cimento de Marcelo. Nessa situação, é correto afirmar que Marcelo cometeu crime

de abuso de autoridade.

Errado.

Esse pode ser aquele tipo de item que durante a prova marcamos com a maior

certeza do mundo, e, quando conferimos o gabarito, não entendemos em um pri-

meiro momento.

Marcelo, sabendo que a prisão era ilegal, não ordenou o seu relaxamento. “Porque

não é crime, professor?” Porque Marcelo não é juiz, e sim agente penitenciário.

Veja o que diz a conduta: “deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou

detenção ilegal que lhe seja comunicada”. Então, no caso do agente penitenciário,

não terá ele cometido o crime de abuso de autoridade.

18. (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO/2013) Um agente penitenciário fe-


deral, no presídio em que trabalha, determinou que César, preso sob sua custódia,

traje roupa íntima feminina e “desfile” no pátio durante o horário de visitas. Nessa

situação, o agente não praticou crime de abuso de autoridade tipificado na Lei n.

4.898/1965, visto que não se trata o agente de autoridade.

Errado.

O agente penitenciário federal se enquadra no conceito apresentado de autori-

dade, e, portanto, nesse caso terá cometido o ilícito, conforme o artigo 4º, “b”

(submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não

autorizado em lei).

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19. (CESPE/PC-AL/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2012) Pratica o crime de abuso de au-

toridade o agente que, mesmo não tendo a intenção ou o ânimo específico de

exorbitar do poder que lhe for conferido legalmente, excede-se nas medidas para

cumpri-lo, com o objetivo de proteger o interesse público.

Errado.

Conforme vimos em nossa aula, devemos sempre observar o elemento subjetivo do

crime, pois não existe abuso culposo.

Os crimes de abuso são punidos somente a título de dolo e o dolo deverá ser es-

pecífico, conforme a doutrina, deve existir um dolo de abusar.

Dessa forma, o examinador deixou bem claro que o agente não tinha a intenção,

portanto, não tinha o dolo.

20. (CESPE/PC-ES/DELEGADO DE POLÍCIA/2011) Considere que um agente poli-

cial, acompanhado de um amigo estranho aos quadros da administração pública,

mas com pleno conhecimento da condição funcional do primeiro, efetuem a prisão

ilegal de um cidadão. Nesse caso, ambos responderão pelo crime de abuso de au-

toridade, independentemente da condição de particular do coautor.

Certo.

O examinador deixou todas as condições bem claras. O particular participou da

ação com pleno conhecimento funcional de seu amigo, portanto, responderá pelo

abuso de autoridade como se autoridade fosse.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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21. (CESPE/PC-ES/PERITO PAPILOSCOPISTA/2011) O processo administrativo para

apurar a prática de ato de abuso de autoridade deverá ser sobrestado para o fim de

aguardar a decisão da ação penal ou civil, interposta concomitantemente àquele, a

fim de evitar decisões contraditórias.

Errado.

Nessa pequena lista de exercícios, quantos já resolvemos que tratam sobre esse

assunto? Será que a banca gosta ou não dessa temática?

Como bem sabemos, o processo administrativo não precisará ficar sobrestado para

aguardar as decisões dos processos civil e penal.

22. (CESPE/PC-ES/PERITO PAPILOSCOPISTA/2011) Submeter pessoa sob sua

guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei não

constitui abuso de autoridade, mas sujeita o infrator ao pagamento de indenização

civil por danos à moral da vítima.

Errado.

As condutas que constituem o abuso estão previstas nos artigos 3º e 4º. No artigo

4º, “b”, temos a previsão da conduta do agente que submete pessoa sob sua guarda

ou custódia a vexame ou a constrangimento, exatamente como diz o examinador.

Portanto temos o crime de abuso de autoridade.

23. (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2018) Nos termos da Lei n.

4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade), é correto afirmar:

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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a) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

b) o direito de representação será exercido por meio de petição dirigida exclusiva-

mente ao Ministério Público.

c) não constitui abuso de autoridade deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de

prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.

d) não contempla qualquer sanção administrativa.

e) a legislação possui penal de reclusão para determinadas modalidades de abuso

Letra a.

a) Certa. Essa é a exata previsão do artigo 7º, § 3º: “O processo administrativo

não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.”

b) Errada. Conforme prevê o artigo 2º da lei, o direito de representação poderá

ser exercido por meio de petição dirigida à autoridade superior que tiver compe-

tência legal para aplicar; à autoridade civil ou militar culpada, a respectiva sanção;

e ao Ministério Público.

c) Errada. Temos a previsão no artigo 4º, “d”: deixar o Juiz de ordenar o relaxa-

mento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.

d) Errada. Temos no artigo 6º, § 1º, quais seriam as sanções administrativas para

o delito de abuso de autoridade.

e) Errada. O artigo 6º, § 3º, traz a previsão das sanções penais, e dentre elas não

temos a pena de reclusão, somente multa, detenção e perda e inabilitação do cargo.

24. (VUNESP/PC-BA/INVESTIGADOR/2018) A Lei n. 4.898/1965 regula o Direito de

Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos

casos de abuso de autoridade. Acerca de referida lei, assinale a alternativa correta.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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a) Para os efeitos da Lei, considera-se autoridade quem exerce cargo, emprego ou fun-

ção pública, de natureza civil ou militar apenas de forma permanente e remunerada.

b) Caso haja necessidade de se aguardar decisão de ação penal ou civil, o processo

administrativo poderá ser sobrestado.

c) O início da ação penal depende de inquérito policial relatado e encaminhado ao

órgão do Ministério Público

d) Nos termos da lei, constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guar-

da ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

e) As testemunhas de acusação e defesa não poderão ser apresentadas em juízo,

já que é imprescindível sua intimação

Letra d.

a) Errada. Conforme o artigo 5º, “considera-se autoridade, para os efeitos desta

lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar,

ainda que transitoriamente e sem remuneração”.

b) Errada. O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de

aguardar a decisão da ação penal ou civil.

c) Errada. A ação penal será iniciada independentemente de inquérito policial, a

denúncia do MP poderá ser embasada na representação da vítima de abuso.

d) Certa. Conforme previsão do artigo 4º, “b”, constitui abuso de autoridade sub-

meter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não

autorizado em lei.

e) Errada. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em

juízo independentemente de intimação.

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25. (VUNESP/TJM-SP/JUIZ DE DIREITO/2016) Analisando em conjunto as Leis n.

4.898, de 9 de dezembro de 1965 e n. 7.960, de 21 de dezembro de 1989, é cor-

reto afirmar que constitui abuso de autoridade

a) decretar a prisão temporária em despacho prolatado dentro do prazo de 24 (vin-

te e quatro) horas, contadas a partir do recebimento da representação.

b) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de seguran-

ça, deixando de expedir em tempo oportuno ordem de liberdade.

c) executar a prisão temporária somente depois da expedição de mandado judicial.

d) decretar a prisão temporária pelo prazo de 5 (cinco) dias, e prorrogá-la por igual

período em caso de comprovada necessidade.

e) determinar a apresentação do preso temporário, solicitar informações e esclare-

cimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame pericial.

Letra b.

Eu sei que estamos em nossa aula sobre a Lei de Abuso de Autoridade, e não sobre

prisão temporária, que nem é objeto de cobrança em sua prova, porém, não preci-

samos conhecer a Lei n. 7.960/1989 para respondermos a essa questão.

A Lei n. 4.898/1965, em seu artigo 4º, alínea “i”, traz a seguinte previsão:

Art. 4º
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, dei-
xando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.

Veja que o examinador costuma cobrar a letra da lei.

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26. (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2014) Hércules, delegado de po-

lícia, efetuou uma prisão em flagrante delito, mas deixou de comunicar ao juiz

competente, de imediato, a prisão da pessoa, mesmo estando obrigado a fazê-lo.

Segundo as leis brasileiras, essa omissão de Hércules constitui crime de

a) Omissão delituosa

b) Tortura

c) Omissão de socorro

d) Abuso de autoridade

e) Usurpação de poder

Letra d.

Na Lei de Abuso de Autoridade, temos a seguinte previsão no artigo 4º, “c”:

Art. 4º
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de
qualquer pessoa;

Portanto, Hércules cometeu crime de abuso de autoridade.

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