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CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA

PORTARIA Nº 1.004 DO DIA 17/08/2017

MATERIAL DIDÁTICO

AUTISMO

0800 283 8380


www.faculdadeunica.com.br
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3
UNIDADE 1 – AUTISMO............................................................................................. 6
1.1 Primeiro uso da palavra e evolução dos estudos .............................................. 6
1.2 Epidemiologia .................................................................................................. 11
1.3 Sinais do autismo ............................................................................................ 13
1.4 Características ................................................................................................. 16
1.5 Diagnóstico ...................................................................................................... 18
UNIDADE 2 – A CLASSIFICAÇÃO CID-10 – TRANSTORNOS GLOBAIS DO
DESENVOLVIMENTO E A PREPARAÇÃO PARA CID-11...................................... 20
UNIDADE 3 – A CLASSIFICAÇÃO NO DSM-5 – TRANSTORNO DO ESPECTRO
AUTISTA ................................................................................................................... 25
3.1 Os critérios diagnósticos do DSM-5 para o autismo ........................................ 27
UNIDADE 4 – AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA ............................................................ 33
4.1 Desafios familiares .......................................................................................... 33
4.2 A equipe interdisciplinar ................................................................................... 34
UNIDADE 5 – DIREITOS DAS PESSOAS COM AUTISMO..................................... 39
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 45
ANEXOS ................................................................................................................... 48

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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INTRODUÇÃO

Eu, autista Nosso país não me cuida


Criaram para mim Com devida atenção
Um mundo paralelo Negligencia minha existência
Obscuro, ilusório Porém, tudo em vão
Um mundo que não quero
Sou alpinista
Olham-me, poucos Escalando muros de preconceito
Acolhem-me, menos Sou o autista
Entendem-me em sopros Humano e possuo direitos
De palavras ao vento
Um país carente de olhar
O chão que piso De informação
Também é teu Habitamos esse mar
É do teu mundo esse escuro De diferenças e confusão
Esse breu
Sou tantos Pedros,
Olho e percebo tudo ao redor Júlias e Marias
Deste mundo disforme Sou dois milhões
Inexato e abafador De aflições e alegrias

Nem só de verbo Existo e peço


se comunica o ser Que olhem mais para mim
Não são só palavras E meu endereço
É o corpo a dizer É o mesmo mundo sim!
(Gonçalves, 2011)

Uma forma diferente de ver e experienciar o mundo! Uma maneira diferente


de interpretar as coisas e os sentimentos! Dificuldade em expressar-se através das
palavras... a vivência em um mundo isolado, particular... reações diferentes ao que
se passa ao seu redor... ser tocado por outro, ah! Como é difícil! Mas não é por mal.
Essa é uma maneira poética de expressarmos o Autismo. Veremos muito
mais, num viés mais científico e acadêmico.
Segundo Di Nubila e Buchalla (2008), a Organização Mundial de Saúde tem
hoje duas classificações de referência para a descrição dos estados de saúde: a
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à

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Saúde, que corresponde à décima revisão da Classificação Internacional de


Doenças (CID-10) e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e
Saúde (CIF).
Uma classificação de doenças pode ser definida como um sistema de
categorias atribuídas a entidades mórbidas segundo algum critério estabelecido.
Existem vários eixos possíveis de classificação e aquele que vier a ser selecionado
dependerá do uso das estatísticas elaboradas. Uma classificação estatística de
doenças precisa incluir todas as entidades mórbidas dentro de um número
manuseável de categorias (DATASUS, 2008).
De imediato, deixemos claro que segundo a CLASSIFICAÇÃO
INTERNACIONAL DE DOENÇAS, mais conhecida como CID-10, ainda prevalece a
nomenclatura Transtornos Globais do Desenvolvimento – TGD. Mas, ressalte-se que
está para entrar em vigor uma nova revisão em 2017/18.
Por outro lado, no MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE
TRANSTORNOS MENTAIS que tem a pouco tempo a versão 5, para os TGDs agora
existe apenas um diagnóstico chamado de transtornos do espectro do autismo –
TEA, que engloba o que antes eram consideradas quatro doenças diferentes:
autismo, síndrome de Asperger, transtorno desintegrativo da infância (ou síndrome
de Heller) e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação, só que
ainda há controvérsias. Em inglês, a sigla seria ASD – Autism Spectrum Disorder.
As mudanças são muitas e nessa nova edição, por exemplo, a comunicação
e os domínios de interação social serão combinados em um só, intitulado “Déficits
sociais / Comunicação”.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes síndromes
marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características
fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. São elas:
1) Dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no
uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos.
2) Dificuldade de socialização.
3) Padrão de comportamento restritivo e repetitivo (VARELA, 2014).

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Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA ou ASD, em


inglês), recebe o nome de espectro (spectrum), porque envolve situações e
apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais
leve a mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau estão relacionadas com
as dificuldades de comunicação e relacionamento social.
Também vale a pena ressaltar que Estudos demonstram que a identificação
precoce dos sinais e dos sintomas de risco para o desenvolvimento do TEA é
fundamental, pois, quanto antes o tratamento for iniciado, melhores são os
resultados em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais
(DAWSON et al., 2010; HOWLIN et al., 2009; REICHOW, 2012 apud FONSECA,
2015).
De todo modo, sinais, características, diagnóstico são importantes sempre,
portanto, veremos inicialmente, o primeiro uso da palavra e a evolução dos estudos;
os sinais do autismo, um pouco de epidemiologia, características, diagnóstico,
tratamento e intervenções terapêuticas.
Não deixaremos passar em branco algumas reflexões acerca dos direitos
dessas pessoas, as dificuldades dos familiares no cotidiano e o trabalho
interdisciplinar.
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores,
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas
opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se
muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir
para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos.

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UNIDADE 1 – AUTISMO

1.1 Primeiro uso da palavra e evolução dos estudos


A expressão autismo foi utilizada pela primeira vez por Bleuler em 1911,
para designar a perda do contato com a realidade, o que acarretava uma grande
dificuldade ou impossibilidade de comunicação (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004).
A primeira definição de autismo como um quadro clínico ocorreu em 1943,
quando o médico austríaco Leo Kanner, que na época trabalhava no Hospital Johns
Hopkins (em Baltimore, nos EUA), sistematizou a cuidadosa observação de um
grupo de crianças com idades que variavam entre 2 e 8 anos, cujo transtorno ele
denominou de ‘distúrbio autístico de contato afetivo’.
Embora o termo “autismo” já houvesse sido introduzido na psiquiatria por
Plouller, em 1906, como item descritivo do sinal clínico de isolamento (CAMARGOS
et al., 2005), a criteriosa descrição de tais anormalidades por Kanner permitiu a
diferenciação do quadro de autismo de outros como esquizofrenia e psicoses
infantis.
O trabalho de Kanner foi de fundamental importância para formar as bases
da Psiquiatria da Infância nos EUA e também mundialmente (NEUMÄKER, 2003
apud BRASIL, 2014).
As 11 crianças descritas por Kanner tinham em comum comportamento
bastante original, assim ele sugeriu que se tratava de uma inabilidade inata para
estabelecer contato afetivo e interpessoal e que era uma síndrome bastante rara,

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mas, provavelmente, mais frequente do que o esperado, pelo pequeno número de


casos diagnosticados.
Nesses 11 primeiros casos, havia uma “incapacidade de relacionar-se” de
formas usuais com as pessoas desde o início da vida. Kanner também observou
respostas incomuns ao ambiente, que incluíam maneirismos motores
estereotipados, resistência à mudança ou insistência na monotonia, bem como
aspectos não usuais das habilidades de comunicação da criança, tais como a
inversão dos pronomes e a tendência ao eco na linguagem (ecolalia) (GADIA;
TUCHMAN; ROTTA, 2004).
Kanner foi cuidadoso ao fornecer um contexto de desenvolvimento para
suas observações, enfatizando a predominância dos déficits de relacionamento
social, assim como dos comportamentos incomuns na definição da condição.
Durante os anos 50 e 60 do século passado, houve muita confusão sobre a natureza
do autismo e sua etiologia, e a crença mais comum era a de que o autismo era
causado por pais não emocionalmente responsivos a seus filhos (a hipótese da
“mãe geladeira”). Na maior parte do mundo, tais noções foram abandonadas, ainda
que possam ser encontradas em partes da Europa e da América Latina. No início
dos anos 60, um crescente corpo de evidências começou a acumular-se, sugerindo
que o autismo era um transtorno cerebral presente desde a infância e encontrado
em todos os países e grupos socioeconômicos e étnico-raciais investigados (KLIN,
2006).
Devido a uma necessidade de diferenciação entre o autismo e a
esquizofrenia de início precoce, prevaleceu então o conceito de que os sinais e
sintomas devem surgir antes dos 30 meses de idade. Além disso, destacam-se em
seu quadro clínico:
a) problemas no desenvolvimento social que são peculiares e se manifestam
de inúmeras formas e não condizem com o nível de desenvolvimento intelectual da
criança;
b) atraso e padrão alterado no desenvolvimento de linguagem com
características peculiares que não condizem com o nível de desenvolvimento
intelectual da criança; e,

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c) repertório restrito e repetitivo de comportamentos e interesses, o que


inclui alterações nos padrões dos movimentos (RUTTER, 1978 apud BRASIL, 2014).
Em 1944, Asperger descreveu casos em que havia algumas características
semelhantes ao autismo em relação às dificuldades de comunicação social em
crianças com inteligência normal (KLIN, 2006).
E no início dos anos 1980, seu trabalho recebeu bastante atenção, cujo foco
de investigação se trata dos indivíduos “de alto funcionamento”, o que impulsionou o
campo para o conceito de espectro do autismo, que se mostrou útil tanto no campo
clínico quanto no âmbito das pesquisas genéticas (WOLFF, 2004 apud BRASIL,
2014).
Segundo Bordin (2006), o que dá a Kanner a notoriedade de o “descobridor”
do autismo é a sua originalidade em descrever e reunir os sinais deste distúrbio
sistematizando-os segundo o paradigma descritivo e classificatório das doenças
adotado pela Medicina no início do século XIX.
Kanner, na sequência dos seus estudos sobre o autismo infantil, reformulou
alguns princípios, dentre eles, aquele que trata da causa do autismo infantil.
Inicialmente, esse autor considerava para o autismo uma causa biológica, depois
(1954) essa causa passa a ser psicológica e, posteriormente (1956), de cunho
biológico e genético. Em 1956, também reformulou a idade do surgimento da
patologia admitindo como indicador desta a idade de até 30 meses reclassificando o
autismo em dois tipos: Primário, presente desde o nascimento (inato, com tendência
ao isolamento extremo), e Secundário, manifestado depois de um período normal de
desenvolvimento (quando começa a apresentar, então, dificuldade no campo social)
(BORDIN, 2006).
A Psicologia também demonstrou interesse para entender o autismo e, em
1956, Bender, para diferenciar o autismo do retardo mental, denominando o primeiro
de “pseudo retardo” ou “pseudo deficiência”, porque achava que o retardo do autista
era só aparente. Para Mahler (1968), psicóloga e psicanalista americana, o autismo
seria caracterizado, então, por uma regressão ou fixação em uma fase inicial do
desenvolvimento infantil, tendo como sintoma principal a dificuldade em integrar
sensações vindas do meio interno e externo. Para essa análise psicológica, o
autismo seria um subgrupo das psicoses infantis (BORDIN, 2006).

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Na França, nos anos cinquenta, o termo “psicose infantil” foi diferenciado de


“esquizofrenia infantil” tomando como base a época da instalação da doença, já que
“psicose” destinava-se ao que surgia na primeira infância (e por esse motivo o
autismo foi incluído nessa classe), enquanto que o termo “esquizofrenia”
empregava-se para a patologia que ocorria mais tardiamente, depois de um período
normal de desenvolvimento (BORDIN, 2006).
Na Inglaterra, o autismo se manteve associado à esquizofrenia por muito
mais tempo embora se registrasse o fato de que todo caso de autismo não se
revertia, necessariamente, para a esquizofrenia.
Ritvo e Freedman, em 1978, elaboraram a definição da síndrome autista,
que passou a ser considerada como uma inadequação de desenvolvimento que
surge nos primeiros três anos de vida da criança e permanece por toda a vida,
sendo mais comum em meninos do que em meninas. Os autores acrescentaram
ainda que o autismo possa ser uma consequência de afecções cerebrais
decorrentes de infecções virais e problemas metabólicos em tenra idade e
frequentemente é acompanhado de epilepsia. Os diagnósticos diferenciais ficaram
mais abrangentes e incluíram a deficiência mental, esquizofrenia, alterações
sensoriais (dentre estas, a surdez) e as afasias receptivas ou expressivas (BORDIN,
2006).
Essa definição da síndrome autista foi adotada pela National Society for
Autistic Children e, no ano de 1979, ela passou também a fazer parte da
Classificação Internacional das Doenças (CID) de origem francesa, tornando o
autismo independente da esquizofrenia com a qual se mantinha associado. Sua
definição estava agora vinculada aos “Transtornos Psicóticos da Infância” (BORDIN,
2006).
Em 1980, na Revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios
Mentais (DSM), realizado pela Associação Americana de Psiquiatria, o autismo
recebeu um sistema de classificação multifatorial que obedece à tríade clássica:
isolamento social, distúrbio de comunicação verbal e não verbal e repetição de
movimentos e de fala com início na primeira infância, sendo a idade máxima de
manifestação de 36 meses de idade. A característica dessa revisão é o balizamento
mais orgânico do que psiquiátrico que foi também acatado pela Classificação

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Internacional de Doença. Portanto, os manuais de diagnóstico do autismo infantil


nasceram na área da Psiquiatria, mantendo uma relação inicial entre autismo e
esquizofrenia, depois com a psicose, caminhando para uma consideração cognitiva
e organicista (BORDIN, 2006).
Em 1981, Wing formulou uma expressão mais abrangente para o quadro de
autismo infantil – Espectro autístico, ou Espectro de desordens autísticas –
sugerindo uma variação gradual da patologia incluindo tanto a descrição de kanner
como a de Asperger.
Na atualidade, mundialmente continuam sendo usados pelos profissionais
da Medicina para o diagnóstico no autismo e encontram-se revisados na CID-10 e
DSM-5.
Enfim, o conceito de autismo infantil (AI), portanto, modificou-se desde a sua
descrição inicial, passando a ser agrupado em um contínuo de condições com as
quais guarda várias similaridades, que passaram a ser denominadas de transtornos
globais (ou invasivos) do desenvolvimento (TGD).
Mais recentemente, denominaram-se os transtornos do espectro do autismo
(TEA) para se referir a uma parte dos TGD: o autismo, a síndrome de Asperger e o
transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação (portanto, não
incluindo a síndrome de Rett e o transtorno desintegrativo da infância). Assim, duas
questões tornaram-se fundamentais: a importância da detecção de sinais iniciais de
problema de desenvolvimento em bebês que podem estar futuramente associados
aos TEA e a necessidade do diagnóstico diferencial. A primeira se refere à
necessidade de uma intervenção, o que aumenta a chance de maior eficácia no
cuidado dispensado. A segunda questão se refere à construção de procedimentos
que devem ser utilizados pela equipe multiprofissional responsável para o
estabelecimento do diagnóstico e a identificação de comorbidades.
Nesses manuais, o autismo infantil é um dos transtornos que compõem um
quadro maior designado por Transtornos globais ou Transtornos invasivos do
desenvolvimento. Assim temos, praticamente, as mesmas patologias vistas pelos
mesmos critérios sob rótulos diferentes (BORDIN, 2006).

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1.2 Epidemiologia
Segundo Klin (2006), o primeiro estudo epidemiológico sobre o autismo foi
realizado por Victor Lotter, em 1966. Nesse estudo, ele relatou um índice de
prevalência de 4,5 em 10.000 crianças em toda a população de crianças de 8 a 10
anos de Middlesex, um condado ao noroeste de Londres. Desde então, mais de 20
estudos epidemiológicos foram relatados na literatura e milhões de crianças foram
pesquisadas pelo mundo todo.
Os índices de prevalência resultantes, particularmente nos estudos mais
recentes, apontam para um índice conservador de um indivíduo com autismo
(prototípico) em cada 1.000 nascimentos; cerca de mais quatro indivíduos com
transtorno do espectro do autismo a cada 1.000 nascimentos; e índices muito
menores para a síndrome de Rett e menores ainda para o transtorno desintegrativo
infantil.
Conforme pesquisa do governo dos Estados Unidos, os casos de autismo
subiram para 1 em cada 68 crianças com 8 anos de idade — o equivalente a 1,47%.
O número foi aferido pelo CDC (Center of Diseases Control and Prevention), do
governo estadunidense — órgão próximo do que representa, no Brasil, o Ministério
da Saúde. Os dados são referentes a 2010 e foram divulgados em 27 de março de
2014.
Houve aumento de quase 30% em relação aos dados anteriores, de 2008,
em que apontava para 1 caso a cada 88 crianças. Quase 60% para 2006, que era
de 1 para 110. Mesmo o autismo podendo ser detectado a partir dos 2 anos de
idade, a maioria das crianças foi diagnosticada após os 4 anos (PAIVA JUNIOR,
2014).
As possíveis razões para o grande aumento na prevalência estimada do
autismo e das condições relacionadas são:
1. A adoção de definições mais amplas de autismo (como resultado do
reconhecimento do autismo como um espectro de condições).
2. Maior conscientização entre os clínicos e na comunidade mais ampla sobre
as diferentes manifestações de autismo.
3. Melhor detecção de casos sem retardo mental.

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4. O incentivo para que se determine um diagnóstico devido à elegibilidade para


os serviços proporcionada por esse diagnóstico.
5. A compreensão de que a identificação precoce (e a intervenção) maximizam
um desfecho positivo (estimulando assim o diagnóstico de crianças jovens e
encorajando a comunidade a não “perder” uma criança com autismo, que de
outra forma não poderia obter os serviços necessários).
6. A investigação com base populacional (que expandiu amostras clínicas
referidas por meio do sistemático “pente-fino” na comunidade em geral à
procura de crianças com autismo que de outra forma poderiam não ser
identificadas). É importante enfatizar que o aumento nos índices de
prevalência do autismo significa que mais indivíduos são identificados como
tendo esta ou outras condições similares. Isso não significa que a incidência
geral do autismo esteja aumentando (KLIN, 2006).

Em 2000, a Associação Brasileira de Autismo estimou em 600 mil pessoas


com a síndrome (BOSA; CALLIAS, 2000), sem contar aqueles que não se
enquadram em sua forma típica. Já dados mais recentes de pesquisas de Mello et
al. (2013), as projeções giram em torno de 1,2 milhões de pessoas conforme tabela
abaixo.
Estimativa da população com autismo com base na população de cada região
brasileira (destaque para São Paulo).
População com
Região População em 2010 autismo
(0,62%)
CO 14.050.340 87.112
N 15.865.678 98.367
NE 53.078.137 329.084
S 27.384.815 169.786
SE 80.353.724 498.193
Totais 190.732.694 1.182.643
SP 41.252.160 255.763
Fonte: Mello et al. (2013, p. 44).

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O autismo pode ocorrer em qualquer classe social, raça ou cultura, sendo


que cerca de 65 a 90% dos casos estão associados à deficiência mental (GADIA;
TUCHMAN; ROTTA, 2004).
Essa incidência vem contra a noção estereotipada, derivada das descrições
clássicas, de que crianças autistas possuem uma inteligência secreta e superior.
Crianças com autismo de alto funcionamento (perfil cognitivo diferenciado em
algumas das áreas de testes padronizados) representam apenas 30% dos casos
diagnosticados (BOSA, 2002).
Desse modo, é possível perceber a notável variação na expressão de
“sintomas” do autismo. Crianças com funcionamento cognitivo mais baixo
geralmente tendem a ser mudas e isoladas.
Em outro nível, a criança pode aceitar passivamente a interação, mas
raramente a procura, enquanto em um funcionamento mais alto, é possível que a
criança se interesse pela interação, mas o faz de modo bizarro (KLIN, 2006). De
qualquer modo, destaca-se que a noção de uma criança não comunicativa, isolada e
incapaz de mostrar afeto não corresponde às observações atualmente realizadas.
De acordo com Bosa (2002), a ausência de respostas das crianças autistas
deve-se, muitas vezes, à falta de compreensão do que está sendo exigido dela, ao
invés de uma atitude de isolamento e recusa proposital. Nesse sentido, julgar que a
criança é alheia ao que acontece ao seu redor restringe a motivação para investir na
sua potencialidade para interagir.

1.3 Sinais do autismo


Conforme Brasil (2014), de acordo com as Diretrizes de Atenção a
Reabilitação da Pessoa com TEA, a identificação de sinais iniciais de problemas
possibilita a instauração imediata de intervenções extremamente importantes, uma
vez que os resultados positivos em resposta a terapias são tão mais significativos
quanto mais precocemente instituídos. A maior plasticidade das estruturas anátomo-
fisiológicas do cérebro nos primeiros anos de vida e o papel fundamental das
experiências de vida de um bebê, para o funcionamento das conexões neuronais e
para a constituição psicossocial, tornam este período um momento sensível e
privilegiado para intervenções.

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Assim, as intervenções em casos de sinais iniciais de problemas de


desenvolvimento que podem estar futuramente associados aos TEA podem ter
maior eficácia, devendo ser privilegiadas pelos profissionais. Sabe-se que, para fins
de diagnóstico, manifestações do quadro sintomatológico devem estar presentes até
os 3 anos de idade.
Nas ações de assistência materno-infantil da Atenção Básica, por exemplo,
as equipes profissionais são importantes na tarefa de identificação de sinais iniciais
de problemas de desenvolvimento.

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Portanto, inventários de desenvolvimento geral e de sinais de alerta para


problemas são um importante material para instrumentalizar as equipes de saúde na
tarefa de identificação desses casos. Entretanto, quanto mais nova for a criança,
mais inespecíficos são os sinais de problemas de desenvolvimento, o que significa
ser difícil a previsão do diagnóstico que a criança poderá receber. Não se deve fazer
diagnóstico precipitado sob o risco de que a natureza da condição do bebê seja
ofuscada pela suposta possibilidade de prever seu quadro de TEA. As
consequências de diagnóstico precipitado podem vir a ser ruins para a família e para
o desenvolvimento do bebê (BRASIL, 2014).
Desde a detecção dos sinais até o diagnóstico propriamente dito, são
necessários o acompanhamento e a intervenção. Existe um rol de sinais de
problemas de desenvolvimento (BAIR et al., 2006 apud BRASIL, 2014) e um rol de
características sugestivas de TEA que são encontrados com frequência no histórico
clínico e nas pesquisas com pacientes diagnosticados com TEA (BARBARO;
RIDGWAY; DISSNAYAKE, 2011 apud BRASIL, 2014) que está disponível em
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_
autismo.pdf
Isso não quer dizer que todas as crianças que os apresentarem
necessariamente receberão tal diagnóstico. O local e o âmbito (serviço de atenção
primária ou de atenção especializada) de detecção e intervenção serão decididos
em função da especificidade do caso e da sua disponibilidade no território onde a
família vive.

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1.4 Características

Comportamentos incomuns não são bons preditores de TEA, porque várias


crianças com TEA não os apresentam e, quando os têm, costumam demonstrá-los
mais tardiamente. Em alguns casos, são observados comportamentos atípicos,
repetitivos e estereotipados severos, o que indica a necessidade de
encaminhamento para avaliação diagnóstica de TEA, como descrito a seguir pelo
Manual de Diretrizes (BRASIL, 2014, p.32-5):

a) Motores:
movimentos motores estereotipados – flapping de mãos, “espremer-se”,
correr de um lado para o outro, entre outros movimentos;
ações atípicas repetitivas – alinhar/empilhar brinquedos de forma rígida;
observar objetos aproximando-se muito deles; prestar atenção exagerada a
certos detalhes de um brinquedo; demonstrar obsessão por determinados
objetos em movimento (ventiladores, máquinas de lavar roupas, entre outros);
dissimetrias na motricidade, tais como: maior movimentação dos membros de
um lado do corpo; dificuldades de rolamento na idade esperada; movimentos
corporais em bloco e não suaves e distribuídos pelo eixo corporal; dificuldade,
assimetria ou exagero em retornar os membros superiores à linha média;
dificuldade de virar o pescoço e a cabeça na direção de quem chama a
criança.

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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
17

b) Sensoriais:
hábito de cheirar e/ou lamber objetos;
sensibilidade exagerada a determinados sons (como os do liquidificador, do
secador de cabelos, entre outros), reagindo a eles de forma exacerbada;
insistência visual em objetos que têm luzes que piscam e/ou emitem barulhos,
bem como nas partes que giram (ventiladores, máquinas, entre outros);
insistência tátil – as crianças podem permanecer por muito tempo passando a
mão sobre uma determinada textura.

c) Rotinas:
tendência a rotinas ritualizadas e rígidas;
dificuldade importante na modificação da alimentação. Algumas crianças, por
exemplo, só bebem algo se utilizarem sempre o mesmo copo. Outras, para se
alimentarem, exigem que os alimentos estejam dispostos no prato sempre da
mesma forma. Certas crianças com TEA se sentam sempre no mesmo lugar,
assistem apenas a um mesmo DVD e colocam as coisas sempre no mesmo
lugar. Qualquer mudança de sua rotina pode desencadear acentuadas crises
de choro, grito ou intensa manifestação de desagrado.

d) Fala:
algumas crianças com TEA repetem palavras que acabaram de ouvir (ecolalia
imediata). Outras podem emitir falas ou slogans e vinhetas que ouviram na
televisão sem sentido contextual (ecolalia tardia). Pela repetição da fala do
outro, não operam a modificação no uso de pronomes;
podem apresentar características peculiares na entonação e no volume da
voz;
a perda de habilidades previamente adquiridas deve ser sempre encarada
como sinal de importância. Algumas crianças com TEA deixam de falar e
perdem certas habilidades sociais já adquiridas por volta dos 12 aos 24
meses. A perda pode ser gradual ou aparentemente súbita. Caso isso seja
observado em uma criança, ao lado de outros possíveis sinais, a hipótese de

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um TEA deve ser aventada, sem, no entanto, excluir outras possibilidades


diagnósticas (por exemplo: doenças progressivas).

e) Aspecto emocional:
expressividade emocional menos frequente e mais limitada;
dificuldade de se aninhar no colo dos cuidadores;
extrema passividade no contato corporal;
extrema sensibilidade em momentos de desconforto (por exemplo: dor);
dificuldade de encontrar formas de expressar as diferentes preferências e
vontades e de responder às tentativas dos adultos de compreendê-las
(quando a busca de compreensão está presente na atitude dos adultos).

1.5 Diagnóstico
O diagnóstico de TEA é essencialmente clínico, feito a partir das
observações da criança, entrevistas com os pais e aplicação de instrumentos
específicos. Os critérios usados para diagnosticar o TEA são descritos no Manual
Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM (GADIA,
TUCHMAN, ROTTA, 2004).
Esses critérios têm evoluído com o passar dos anos. O DSM-5, lançado em
maio de 2013, compõe o mais novo instrumento para guiar o diagnóstico médico dos
indivíduos portadores de TEA. Além do DSM-5, há outros testes de rastreamento
para o TEA, como, por exemplo, a Escala de Classificação de Autismo na Infância e
Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil.
O diagnóstico de TEA, ainda que constitua um estressor para a família, pode
também ser uma experiência que potencializa os recursos familiares, tais como
flexibilidade na mudança de seus valores, suas expectativas, prioridades na vida e
na qualidade das relações entre os membros da família (MARQUES; DIXE, 2011;
SCHMIDT; BOSA, 2007; SCHMIDT; DELL’AGLIO; BOSA, 2007 apud BRASIL,
2014).
Esta segunda condição, conhecida como “resiliência familiar”, tem como
premissa básica a noção de que a família pode se desenvolver mesmo na presença

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de um contexto estressante, como no caso dos problemas de saúde e/ou de


desenvolvimento dos filhos (YUNES, 2003 apud BRASIL, 2014).
O desenvolvimento familiar depende da qualidade dos serviços de saúde, da
rede de apoio, dos recursos econômicos, das características da própria família e do
evento “estressor”, entre outros fatores. Há evidências sobre alguns dos focos de
trabalho, na área da Saúde Mental, que podem acarretar o desenvolvimento dos
processos de resiliência em famílias de pessoas com TEA (SEMENSATO;
SCHMIDT; BOSA, 2010; SEMENSATO; BOSA 2013 apud BRASIL, 2014) e que
podem subsidiar, por exemplo, os serviços voltados a grupos de pais com ênfase na
percepção da família sobre as capacidades da pessoa com TEA e não somente
sobre os déficits nas diferentes etapas do desenvolvimento da pessoa com TEA.
Isso equivale a dizer que a organização de serviços com foco na família
deve ser realizada de acordo com as necessidades das diferentes etapas do ciclo
vital familiar e com base em ações que promovam a resiliência.
Nesse sentido, o enfoque multi e interdisciplinar, integrando diferentes
serviços (por exemplo: Psicologia e Serviço Social), tende a ser o mais efetivo
(BRASIL, 2014), ou seja, a interdisciplinaridade, aqui entendida como uma
superação da fragmentação do conhecimento, isto é, um trabalho conjunto que
envolve as novas tecnologias de diagnóstico e intervenção, profissionais e
estudiosos de várias áreas como Educação, Saúde, Psicologia é o caminho para
compreender essas etiologias e tratá-las levando em conta o indivíduo cidadão.

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UNIDADE 2 – A CLASSIFICAÇÃO CID-10 – TRANSTORNOS


GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO E A PREPARAÇÃO
PARA CID-11
A Classificação Internacional de Doenças (CID) veio sendo estruturada, por
mais de um século, primeiro como forma de responder à necessidade de conhecer
as causas de morte. Passou a ser alvo de crescente interesse e seu uso foi
ampliado para codificar situações de pacientes hospitalizados, depois consultas de
ambulatório e atenção primária, sendo seu uso sedimentado também para
morbidade.
A sua Décima Revisão, denominada “Classificação Estatística Internacional
de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde”, ou de forma abreviada “CID-10”, é
a mais recente revisão da “Classificação de Bertillon” de 1893, e apenas a partir da
Sexta Revisão, em 1948, passou a ser uma classificação que incluiu todas as
doenças e motivos de consultas, possibilitando seu uso em morbidade (DI NUBILA;
BUCHALLA, 2008).
O conceito de uma “família” de classificações foi surgindo na medida da
percepção dos usuários de que uma classificação de doenças não seria suficiente
para todas as questões relacionadas à saúde. Segundo esse conceito, a CID
atenderia as necessidades de informação diagnóstica para finalidades gerais,
enquanto outras classificações seriam usadas em conjunto com ela, tratando com
diferentes enfoques informações sobre procedimentos médicos e cirúrgicos e as
incapacidades, entre outros. Assim, a partir da Décima Revisão foi aprovada a ideia
de desenvolver uma “família” de classificações para os mais diversos usos em
administração de serviços de saúde e epidemiologia (OMS, 1996; LAURENTI,
1991).
Lembrando: uma classificação de doenças é uma sistematização das
doenças, sintomas, sinais e motivos de consultas que são agrupados segundo
características comuns e basicamente serve para finalidade estatística de descrição
e análise quanto à distribuição das doenças em uma população definida.
Conforme anunciado recentemente pela mídia, a CID-11 que está sendo
preparada e deverá ser submetida à Assembleia Mundial da Saúde, em 2018, já
vem provocando polêmica ao propor mudanças em uma das esferas que ainda hoje
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é considerada como tabu para uma parcela significativa da população: a


sexualidade, mas não adentraremos à questão por não ser foco do nosso estudo.
No Brasil, a discussão e coordenação das pesquisas e análises sobre as
novas propostas para a CID estão a cargo da Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP).
Segundo o Centro Brasileiro de Classificação de Doenças (CBCD), a CID-10
tem um cronograma de atualização no qual são corrigidos erros, alterados códigos e
incluídas novas doenças. Por dificuldades relacionadas ao processo de edição de
novos livros a cada 3 anos, as atualizações da edição em Português foram
incorporadas até 2008.
Para ver o andamento da revisão, sugerimos o site:
http://apps.who.int/classifications/icd11/browse/l-m/en.
Vamos falar um pouco mais sobre a CID-10!
O trabalho para a Décima Revisão da CID iniciou-se em 1983, a partir de
várias reuniões dos diversos centros colaboradores da Organização Mundial de
Saúde (OMS) para classificação de doenças. Estabeleceram planos de ação,
inclusive de comitês de peritos em Classificação Internacional de Doenças, entre
1984 e 1987.
Além das contribuições técnicas oferecidas por vários grupos de
especialistas, bem como de peritos individuais, muitos comentários e sugestões
provieram dos Países Membros da OMS e dos Escritórios Regionais da OMS; esses
comentários e sugestões resultaram na circulação, pelos países, dos rascunhos das
propostas da Revisão em 1984 e 1986. Ficou claro, pelos comentários recebidos,
que muitos usuários desejariam que a CID incluísse outros tipos de dados além da
“informação diagnóstica” (no sentido mais amplo do termo) que sempre havia
incluído. Visando atender às necessidades desses usuários, surgiu o conceito de
uma “família” de classificações tendo como núcleo central a tradicional CID com sua
forma e estrutura já conhecidas.
A CID, em si mesma, atenderia as necessidades de informação diagnóstica
para finalidades gerais, enquanto várias outras classificações seriam usadas em
conjunto com ela e tratariam com diferentes enfoques a mesma informação ou

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tratariam de informação diferente (principalmente procedimentos médicos e


cirúrgicos e incapacidades).
Vários modelos alternativos de estrutura foram avaliados seguindo
sugestões apresentadas quando se preparava a Nona Revisão da Classificação,
pois havia sugestões de que uma estrutura básica diferente poderia atender melhor
às necessidades de muitos, assim como os mais variados tipos de usuários. Ficou
claro, porém, que o modelo tradicional de eixo com variável única da classificação,
assim como outros aspectos de sua estrutura que davam ênfase a afecções que
eram frequentes, que representavam altos custos ou, por outro lado, eram de
importância em saúde pública, resistiu ao tempo e que muitos usuários não se
satisfaziam com os modelos apresentados como possíveis substitutos.
Consequentemente, foi mantida a tradicional estrutura da CID, porém um
esquema de código alfanumérico substituiu o anterior que era apenas numérico. Isso
levou a um sistema com muito maior número de códigos deixando espaços para que
em futuras revisões não haja rompimento da ordenação, como ocorria nas revisões
anteriores.
Esses códigos são importantes no momento do diagnóstico, servindo como
uma chave para abrir várias portas e sanar dúvidas.
Na CID-10, o capítulo V é dedicado aos transtornos mentais e
comportamentais, com código (F00-F99), incluindo os transtornos do
desenvolvimento psicológico e excluindo sintomas, sinais e outros achados clínicos
e laboratoriais anormais não classificados em outra parte (R00-R99).

No agrupamento: Transtornos do desenvolvimento psicológico – os


transtornos classificados em F80-F89 têm em comum:
a) Início situado obrigatoriamente na primeira ou segunda infância.
b) Comprometimento ou retardo do desenvolvimento de funções estreitamente
ligadas à maturação biológica do sistema nervoso central.
c) Evolução contínua sem remissões nem recaídas. Na maioria dos casos, as
funções atingidas compreendem a linguagem, as habilidades espaço-visuais
e a coordenação motora. Habitualmente, o retardo ou a deficiência já estava
presente mesmo antes de poder ser posta em evidência com certeza,

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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
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diminuirá progressivamente com a idade; déficits mais leves podem, contudo,


persistir na idade adulta.

Este agrupamento contém as seguintes categorias:


• F80 – Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem;
• F81 – Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares;
• F82 – Transtorno específico do desenvolvimento motor;
• F83 – Transtornos específicos misto do desenvolvimento;
• F84 – Transtornos globais do desenvolvimento;
• F88 – Outros transtornos do desenvolvimento psicológico;
• F89 – Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado (CID-10,
2010).

A CID-10 fala que uma classificação de doenças pode ser definida como um
sistema de categorias atribuídas a entidades mórbidas segundo algum critério
estabelecido. Existem vários eixos possíveis de classificação e aquele que vier a ser
selecionado dependerá do uso das estatísticas elaboradas. Uma classificação
estatística de doenças precisa incluir todas as entidades mórbidas dentro de um
número manuseável de categorias.
Os Transtornos Globais do Desenvolvimento têm como unitermos: Distúrbios
Globais do Desenvolvimento (DSM-III-R, 1989); Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento (DSM-IV,1994); Transtornos Abrangentes do Desenvolvimento
(CID-10,1993).
No Brasil, por uma questão de tradução, utiliza-se o termo Transtornos
Invasivos do Desenvolvimento (DMS-IV) com os critérios diagnósticos da CID-10.
Segundo Menezes e Santos (2002), o termo é definido pela Secretaria de
Educação Especial do Ministério da Educação (MEC) nas diretrizes curriculares do
ensino especial como manifestações de comportamento típicas de portadores de
síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionam
atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social, em grau que
requeira atendimento educacional especializado. Está relacionado ao aluno especial

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que possui neuroses, psicoses, autismo, esquizofrenia, entre outras manifestações


de comportamento.
O agrupamento dos TGD fica assim (todos explicados em anexo):
F84 – Transtornos globais do desenvolvimento;
F84.0 – Autismo infantil;
F84.1 – Autismo atípico;
F84.2 – Síndrome de Rett;
F84.3 – Outro transtorno desintegrativo da infância;
F84.4 – Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a
movimentos estereotipados;
F84.5 – Síndrome de Asperger;
F84.8 – Outros transtornos globais do desenvolvimento;
F84.9 – Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

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UNIDADE 3 – A CLASSIFICAÇÃO NO DSM-5 –


TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais é uma
publicação da American Psychiatric Association (APA), Washington D.C., sendo a
sua 4ª edição conhecida pela designação “DSM-IV”.
Em 1840, os EUA empreenderam um censo que contava com a categoria
“idiotia/loucura”, procurando registrar a frequência de doenças mentais. Já no censo
de 1880, as doenças mentais eram divididas em sete categorias distintas (mania,
melancolia, monomania, paresia, demência, dipsomania e epilepsia). Observa-se
assim que as primeiras classificações norte-americanas de transtornos mentais
aplicadas em larga escala, tinham objetivo primordialmente estatístico (ARAÚJO;
LOTUFO NETO, 2014).
No início do século XX, o Exército norte-americano, juntamente com a
Associação de Veteranos, desenvolveu uma das mais completas categorizações
para aplicação nos ambulatórios que prestavam atendimento a ex-combatentes. Em
1948, sobre forte influência desse instrumento, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) incluiu pela primeira vez uma sessão destinada aos Transtornos Mentais na
sexta edição de seu sistema de Classificação Internacional de Doenças – CID-6.
A primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM) foi publicada pela Associação Psiquiátrica Americana (APA), em
1953, sendo o primeiro manual de transtornos mentais focado na aplicação clínica.
O DSM-I consistia basicamente em uma lista de diagnósticos categorizados, com um
glossário que trazia a descrição clínica de cada categoria diagnóstica (ARAÚJO;
LOTUFO NETO, 2014).
Apesar de rudimentar, o manual serviu para motivar uma série de revisões
sobre questões relacionadas às doenças mentais. O DSM-II, desenvolvido
paralelamente com a CID-8, foi publicado em 1968 e era bastante similar ao DSM-I,
trazendo discretas alterações na terminologia.
Desde a publicação original da DSM-IV, em 1994, observaram-se já muitos
avanços no conhecimento das perturbações mentais e das doenças do foro
psiquiátrico. Neste sentido, existem já várias publicações que incorporam os
resultados das investigações mais recentes, com destaque para a DSM-IV-TR.
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Este manual fornece critérios de diagnóstico para a generalidade das


perturbações mentais, incluindo componentes descritivas, de diagnóstico e de
tratamento, constituindo um instrumento de trabalho de referência para os
profissionais da saúde mental.
O DSM-IV-TR, que adota o termo “Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento”, apresenta como característica do quadro o prejuízo severo e
invasivo em diversas áreas do desenvolvimento, tais como: habilidades de interação
social recíproca, habilidades de comunicação, ou presença de comportamento,
interesses e atividades estereotipados. Os prejuízos qualitativos que definem essas
condições representam um desvio acentuado em relação ao nível de
desenvolvimento ou idade mental do indivíduo.
O quadro de transtornos globais do desenvolvimento abrange o autismo
clássico, a Síndrome de Asperger, a síndrome de Rett e o transtorno global do
desenvolvimento sem outra especificação.
Mas, chegamos ao DSM-5 que foi atualizado em 2013 e segundo consta no
site da American Psychiatric Association
(http://www.dsm5.org/about/Pages/faq.aspx), o manual é usado por profissionais de
saúde nos Estados Unidos e grande parte do mundo como o guia oficial para o
diagnóstico de transtornos mentais.
O DSM contém descrições, sintomas e outros critérios para o diagnóstico de
Transtornos Mentais, Desordem Mental. Ele fornece uma linguagem comum para os
médicos para se comunicar com seus pacientes e estabelece diagnósticos
consistentes e confiáveis que podem ser usados na pesquisa de transtornos
mentais. Ele também fornece uma linguagem comum para os investigadores que
buscam estudar os critérios para potenciais futuras revisões e para auxiliar no
desenvolvimento de medicamentos e outras intervenções.
O DSM tem sido periodicamente analisado e revisto desde que foi publicado
pela primeira vez em 1952. A versão anterior do DSM foi concluída há quase duas
décadas; desde essa altura, tem havido uma riqueza de novas pesquisas e
conhecimentos sobre os transtornos mentais.
Muitas das mudanças no DSM-5 foram feitas para melhor caracterizar os
sintomas e comportamentos dos grupos de pessoas que atualmente procuram ajuda

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clínica, mas cujos sintomas não são bem definidos pelo DSM-IV (o que significa que
eles são menos propensos a ter acesso ao tratamento).
Ressalte-se que o DSM-5 é um manual para a avaliação e diagnóstico de
transtornos mentais e não inclui informações ou orientações para o tratamento de
qualquer doença. Dito isto, determinar um diagnóstico preciso é o primeiro passo
para ser capaz de tratar adequadamente qualquer condição médica, e transtornos
mentais não são exceção. Ele também será útil para medir a eficácia do tratamento,
como avaliações dimensionais e irá auxiliar os médicos na avaliação de mudanças
nos níveis de gravidade como uma resposta ao tratamento.
Uma mudança bem sentida foi a exclusão do numeral romano tradicional (V
para 5) que reflete a intenção da APA para tornar os processos de revisão futuros
mais sensível aos avanços na pesquisa com atualizações incrementais até que seja
necessária uma nova edição. Como a base de transtornos mentais, a investigação
tende a evoluir a taxas diferentes para diferentes doenças, as diretrizes de
diagnóstico não serão vinculadas a uma data de publicação estática, mas sim para
os avanços científicos. Essas atualizações incrementais serão identificadas com
decimais, ou seja, DSM-5.1, DSM-5.2, entre outros, até que é necessária uma nova
edição.
Frise-se ainda que DSM-5 e a CID deve ser pensados como publicações de
companhia. DSM-5 contém a maioria dos critérios de up-to-date para o diagnóstico
de transtornos mentais, juntamente com extenso texto descritivo, fornece uma
linguagem comum para os médicos para se comunicar com seus pacientes. A CID
contém os números de código utilizados no DSM-5 e toda a medicina, necessários
para o reembolso do seguro e para o monitoramento de estatísticas de morbidade e
mortalidade por agências nacionais e internacionais de saúde. A APA trabalha em
estreita colaboração com o pessoal da OMS, CMS, e CDC-NCHS para garantir que
os dois sistemas são maximamente compatível.

3.1 Os critérios diagnósticos do DSM-5 para o autismo


Segundo o DSM-5, houve fusão de transtorno autista, transtorno de
Asperger e transtorno global do desenvolvimento no transtorno do espectro autista,
porque os sintomas desses transtornos representam um continuum único de

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prejuízos com intensidades que vão de leve a grave nos domínios de comunicação
social e de comportamentos restritivos e repetitivos em vez de constituir transtornos
distintos. Essa mudança foi implementada para melhorar a sensibilidade e a
especificidade dos critérios para o diagnóstico de transtorno do espectro autista e
para identificar alvos mais focados de tratamento para os prejuízos específicos
observados.
No diagnóstico do transtorno do espectro autista, as características clínicas
individuais são registradas por meio do uso de especificadores (com ou sem
comprometimento intelectual concomitante; com ou sem comprometimento da
linguagem concomitante; associado a alguma condição médica ou genética
conhecida ou a fator ambiental), bem como especificadores que descrevem os
sintomas autistas (idade da primeira preocupação; com ou sem perda de habilidades
estabelecidas; gravidade).
Tais especificadores oportunizam aos clínicos a individualização do
diagnóstico e a comunicação de uma descrição clínica mais rica dos indivíduos
afetados. Por exemplo, muitos indivíduos anteriormente diagnosticados com
transtorno de Asperger, atualmente receberiam um diagnóstico de transtorno do
espectro autista sem comprometimento linguístico ou intelectual.
Igualmente para um diagnóstico diferencial, uma investigação adequada da
função intelectual no transtorno do espectro autista é fundamental, com reavaliação
ao longo do período do desenvolvimento, uma vez que escores do QI no transtorno
do espectro autista podem ser instáveis, particularmente na primeira infância.
No espectro, o grau de gravidade varia de pessoas que apresentam um
quadro leve, e com total independência e discretas dificuldades de adaptação, até
aquelas pessoas que serão dependentes para as atividades de vida diárias, ao
longo de toda sua vida.
Os TEAs apresentam uma ampla gama de severidade e prejuízos, sendo
frequentemente a causa de deficiência grave, representando um grande problema
de saúde pública. Há uma grande heterogeneidade na apresentação fenotípica do
TEA, tanto com relação à configuração e severidade dos sintomas comportamentais
(GESCHWIND, 2009 apud FONSECA, 2015).
Na comunicação:

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Os critérios diagnósticos do DSM-V, em sua versão original pode ser


acessado no link em inglês:
http://www.dsm5.org/Documents/Autism%20Spectrum%20Disorder%20Fact%20She
et.pdf

DSM-5: Transtorno do Espectro do Autismo


Deve preencher os critérios 1, 2 e 3 abaixo:
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1. Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e


nas interações sociais, manifestadas de todas as seguintes maneiras:
a) déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para a
interação social;
b) falta de reciprocidade social;
c) incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade
apropriados para o estágio de desenvolvimento.
2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades,
manifestados por, pelo menos, duas das maneiras abaixo:
a) comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos
sensoriais incomuns;
b) excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualísticos de
comportamento;
c) interesses restritos, fixos e intensos.
3. Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não
se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de
suas capacidades.
Segundo Fonseca (2015), são justificativas para essa mudança:
1. Novo nome para a categoria: a diferenciação entre Transtorno do
Espectro do Autismo, desenvolvimento típico/normal e de outros Transtornos “fora
do Espectro” é feita com segurança e com validade. As distinções entre os
Transtornos têm se mostrado inconsistentes com o passar do tempo. Variáveis
dependentes do ambiente e frequentemente associadas à gravidade, nível de
linguagem ou inteligência, parecem contribuir mais do que as características do
Transtorno.
2. Como o Autismo é definido por um conjunto comum de sintomas, admite
que seja melhor representado por uma única categoria diagnóstica, adaptável
conforme a apresentação individual, que permite incluir especificidades clínicas
como Transtornos Genéticos, Epilepsia, Deficiência Intelectual, entre muitos outros.
3. Um Transtorno na forma de espectro único reflete melhor o estágio de
conhecimento sobre a patologia e sua apresentação clínica.

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4. Três domínios se tornam dois: deficiências sociais e de comunicação e os


interesses restritos, fixos e intensos e comportamentos repetitivos.
Fonseca (2015) ainda completa suas justificativas afirmando que não tem
como separarmos os déficits na comunicação e os comportamentos sociais. Eles
são observados como um único conjunto de sintomas com especificidades
contextuais e ambientais.
Os Transtornos de Linguagem também não são características únicas dos
Transtornos do Espectro do Autismo. São fatores que influenciam nos sintomas
clínicos dos Transtornos do Espectro do Autismo.
Exigir que ambos os critérios sejam preenchidos, melhora a especificidade
do diagnóstico do Autismo sem prejudicar sua sensibilidade. Fornece exemplos a
serem incluídos em subdomínios para uma série de idades cronológicas e níveis de
linguagem, aumenta a sensibilidade ao longo dos níveis de gravidade e, ao mesmo
tempo mantém a especificidade que temos quando usamos apenas dois domínios.
A decisão desta mudança foi feita em cima de revisão de literatura,
consultas a especialistas e reuniões/discussões de grupos de estudos. Foi
confirmada pelos resultados de análises secundárias dos dados feitas pelo CPEA
(Collaborative Programs of Excellence in Autism) e pelo STAART (Studies to
Advance Autism Research and Treatment) da Universidade de Michigan, e pelas
bases de dados da SSC (Simons Simplex Collection-Foundation Autism Research
Initiative), da Universidade de Washington.
O Transtorno do Espectro do Autismo é um Transtorno do Desenvolvimento
Neurológico e deve estar presente desde o nascimento da criança ou no começo da
sua infância, porém pode não ser observado antes por conta das demandas sociais
mínimas, na mais tenra infância, e do intenso apoio dos pais e/ou responsáveis nos
primeiros anos de vida.
O DSM-5 também reconhece que indivíduos afetados variam com relação a
sintomas não específicos do TEA, tais como habilidade cognitiva, habilidade de
linguagem expressiva, padrões de início, e comorbidades psicopatológicas. Estas
distinções podem proporcionar meios alternativos para identificação de subtipos
dentro do TEA.

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32

Assim, visando aumentar a especificidade do diagnóstico de TEA, o DSM-5


identifica tanto os sintomas diagnósticos principais como características não
específicas do TEA que variam dentro desta população.
Apesar dos avanços genéticos em relação ao TEA, as bases genéticas
associadas aos fenótipos ainda permanecem desconhecidas devido à grande
heterogeneidade genética e fenotípica da doença, pois o TEA não é visto como uma
doença atrelada a um único gene, mas sim uma doença complexa resultado de
variações genéticas simultâneas em múltiplos genes junto com uma complexa
interação genética, epigenética e fatores ambientais (PERSICO; BOURGERON
2006, EAPEN 2011 apud FONSECA, 2015).
Como há uma enorme variabilidade em termos de comportamento
(gravidade dos sintomas), cognição e mecanismos biológicos, construindo-se a ideia
de que o TEA é um grupo heterogêneo, com etiologias distintas, eles se beneficiam
de avaliação individualizada para propor a melhor composição de acompanhamento
para o caso.
Aproximadamente 60-70% têm algum nível de deficiência intelectual,
enquanto que os indivíduos com autismo leve apresentam faixa normal de
inteligência e cerca de 10% dos indivíduos com autismo têm excelentes habilidades
intelectuais para a sua idade (BRENTANI, et al. 2013 apud FONSECA, 2015).

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UNIDADE 4 – AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA


4.1 Desafios familiares
Segundo estudos de Braga e Ávila (2004) citados por Gomes et al. (2015),
os pais da criança com diagnóstico de TEA são confrontados por uma nova situação
que exige ajuste familiar. O desejo fantasiado da gestação precisa de uma
adequação àquele que nasce e que tem características próprias.
As crianças diagnosticadas com TEA frequentemente apresentam maior
grau de incapacidade cognitiva e dificuldade no relacionamento interpessoal.
Consequentemente, exigem cuidado diferenciado, incluindo adaptações na
educação formal e na criação como um todo. Essas peculiaridades levam à
alteração da dinâmica familiar, que exige um cuidado prolongado e atento por parte
de todos os parentes que convivem com uma criança com TEA. Logo, são relatados
com frequência níveis de estresse aumentado, o que pode impactar na qualidade de
vida de todos os membros da família (FAVERO-NUNES; SANTOS, 2010;
BAGAROLLO; PANHOCA, 2010).

A condição especial da criança requer que os pais encarem a perda do filho


idealizado e desenvolvam estratégias de ajustes à nova realidade. O convívio dos
pais com as manifestações específicas do TEA em seus filhos pode culminar, muitas
vezes, com o próprio afastamento familiar em relação à vida social (BRAGA e
ÁVILA, 2004 apud GOMES et al., 2015).
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As autoras acima buscaram descrever os desafios encontrados pelas


famílias na convivência com crianças portadoras de transtorno do espectro autista
(TEA) no Brasil e as estratégias de superação empregadas, utilizando como fonte de
dados, revisão sistemática da literatura com inclusão de artigos publicados até
setembro de 2013, sem restrições de idioma. Os artigos incluídos foram submetidos
à avaliação de qualidade metodológica por meio do Amstar e Casp/Oxford.
Em síntese, o trabalho incluiu estudos provenientes de São Paulo e Rio
Grande do Sul com alta e moderada qualidade metodológica. A literatura mostrou
sobrecarga emocional dos pais como um dos principais desafios encontrados pelas
famílias, inclusive com grande tensão sobre as mães. Dentre os fatores relacionados
ao estresse estão: postergação diagnóstica, dificuldade de lidar com o diagnóstico e
com os sintomas associados, acesso precário ao serviço de saúde e apoio social.
Dentre as estratégias de superação destacaram-se: troca de informações entre as
famílias afetadas e assistência integralizada da rede de saúde no atendimento do
paciente e suporte à família.
Elas concluíram que o TEA exerce forte influência na dinâmica familiar com
sobrecarga dos cuidadores, geralmente da mãe e sugeriram que o Sistema Único de
Saúde necessita prover cuidado integral, longitudinal e coordenado com vistas ao
fortalecimento do binômio paciente-família e o pleno desenvolvimento e a plena
inserção dessas crianças na sociedade.
Vale a pena ler na íntegra a pesquisa que se encontra em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-
75572015000200111&script=sci_arttext&tlng=pt

4.2 A equipe interdisciplinar


O Manual de Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com
Transtornos do Espectro do Autismo (BRASIL, 2014) tem dentre seus objetivos,
oferecer orientações às equipes multiprofissionais dos pontos de atenção da Rede
SUS para o cuidado à saúde da pessoa com transtornos do espectro do autismo
(TEA) e de sua família nos diferentes pontos de atenção da Rede de Cuidados à
Pessoa com Deficiência, no que passamos a alguns pontos de destaque.

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Segundo o manual acima, as diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa


com TEA se iniciam com a vigilância acerca dos sinais iniciais de problemas de
desenvolvimento e estendem-se para o de avaliação diagnóstica.
O diagnóstico nosológico objetiva:
a) examinar em que medida os comportamentos observados são suficientes
para a classificação diagnóstica (pela CID-10), levando-se em consideração
diagnósticos diferenciais; e,
b) fornecer subsídios para o delineamento do Projeto Terapêutico Singular
(PTS) e para o encaminhamento para as intervenções adequadas a cada caso.
Ressalta-se que há casos em que não é possível chegar a um diagnóstico
preciso e imediato de acordo com a CID-10; porém, vale lembrar que sempre é
possível avaliar o indivíduo como um todo em suas necessidades de saúde,
reabilitação e tratamento.
O objetivo da avaliação não é apenas o estabelecimento do diagnóstico por
si só, mas a identificação de potencialidades da pessoa e de sua família. Isso pode
ser alcançado extraindo das equipes interdisciplinares o que elas têm de expertise
em seus respectivos campos de atuação, ao mesmo tempo em que cada área
interage com a outra. Considerando-se:
a) que o diagnóstico de TEA envolve a identificação de “desvios qualitativos”
do desenvolvimento (sobretudo no terreno da interação social e da linguagem);
b) a necessidade do diagnóstico diferencial; e,
c) a identificação de potencialidades tanto quanto de comprometimentos, é
importante que se possa contar com uma equipe de, no mínimo, psiquiatra e/ou
neurologista e/ou pediatra, psicólogo e fonoaudiólogo.
A avaliação médica, independentemente da especialidade, inclui anamnese
e exame físico e, se necessário, exames laboratoriais e de imagem. Quando
existirem, por exemplo, alterações emocionais e comportamentais muito
importantes, alterações de sono, apetite, consciência, marcha, excesso de
agressividade e agitação psicomotora que necessitem de avaliação mais precisa e
de intervenções medicamentosas, geralmente é recomendada a atuação dos
especialistas das áreas de neurologia e/ou psiquiatra. A indicação é feita caso a
caso.

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A avaliação psiquiátrica classicamente inclui dois tipos de entrevista:


1) A subjetiva (avaliação direta do paciente).
2) A objetiva (avaliação do comportamento do indivíduo por meio do relato
de familiares, cuidadores ou outras pessoas da convivência do indivíduo).
Na avaliação de indivíduos em idade escolar ou em fase de
desenvolvimento, além da observação direta do comportamento, é necessário o
relato de professores e outros profissionais que atuam na comunidade, pois é
comum haver diferenças significativas no comportamento de acordo com o
ambiente. A avaliação neurológica objetiva avaliar os aspectos funcionais do sistema
nervoso central suscetíveis de análise pelo exame clínico-neurológico. Como
exemplos, temos o sistema motor (força, coordenação, entre outros), o sistema
sensorial (tato, percepção de temperatura, entre outros) e os sistemas integrativos
(equilíbrio, reflexos, entre outros).
Sobre as avaliações psicológicas e fonoaudiológicas, tanto o psicólogo
quanto o fonoaudiólogo podem avaliar os desvios qualitativos nas áreas de interação
social e de linguagem, encontrados nos casos de TEA (BRASIL, 2014).
O fonoaudiólogo é habilitado a avaliar aspectos linguísticos que diferenciam
os TEA de outras condições, sobretudo dos distúrbios de linguagem na presença de
deficiência auditiva ou de quadros primários de linguagem. A avaliação
fonoaudiológica visa à compreensão do funcionamento da linguagem da pessoa
diagnosticada com transtorno do espectro do autismo, o que permite eleger focos
para o Projeto Terapêutico Singular (PTS) e avaliar sua eficácia. Para tanto, deve-se
atentar para os seguintes aspectos:
1) A anamnese deve ser realizada preferencialmente em entrevistas
familiares voltadas para o levantamento do histórico geral (de nascimento e
crescimento) e da história de alimentação e o detalhamento da história de
linguagem.
2) Os dados fornecidos por entrevistas complementares (com a escola e
outros profissionais).
3) O exame do paciente deve objetivar a descrição das condutas verbais
e/ou não verbais e a identificação dos processos simbólicos a elas subjacentes, bem
como a identificação da disponibilidade interacional com diferentes interlocutores e a

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descrição dos recursos comunicativos utilizados com a análise de sua extensão e


eficácia enquanto iniciativa e responsividade.
4) O exame do paciente deve objetivar a detecção de dificuldades e/ou
idiossincrasias alimentares e a identificação de condições orgânicas e/ou simbólicas
a elas subjacentes.
5) O exame do paciente deve esclarecer as condições e qualidades vocais e
identificar as condições orgânicas e/ou simbólicas a elas subjacentes.
Já a avaliação psicológica compreende entrevistas de anamnese com os
familiares e a avaliação da interação social por meio de brincadeiras (no caso de
crianças) e de entrevistas (no caso de adolescentes e adultos que apresentam
linguagem oral). Envolve ainda a avaliação nas áreas cognitiva e neuropsicológica
(quesito importante tanto para o diagnóstico diferencial quanto para o PTS) e a
entrevista de devolução dos resultados para os familiares. As avaliações cognitiva e
neuropsicológica auxiliam a avaliação psiquiátrica e neurológica e a elaboração do
PTS. Isso significa que as intervenções planejadas para uma pessoa com deficiência
mental e TEA, por exemplo, podem ser diferentes daquelas formuladas para as
pessoas com funcionamento cognitivo esperado para a idade.
A avaliação psicológica identifica os alvos que farão parte do trabalho clínico
no PTS, mais especificamente os aspectos emocionais, sociais e comportamentais.
Finalmente, atua avaliando e intervindo no impacto emocional da comunicação do
diagnóstico e em intervenções mais especificamente voltadas para a família.
As intervenções psicológicas podem constituir um espaço de escuta e de
orientações que objetivem o empoderamento da família (BRASIL, 2014).

Vale guardar...
A família pode colaborar de maneira muito especial para o desenvolvimento
da criança portadora de autismo na escola, principalmente fornecendo aos
profissionais informações sobre as formas de comunicação da criança. Havendo
pelo menos uma forma de comunicação utilizada pela criança, outras podem ser
desenvolvidas (PETEERS, 1998).
A matrícula da criança portadora de autismo na escola pode trazer
alterações no seio familiar, na medida em que a criança está frequentando mais um

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grupo social e tendo a oportunidade de conviver com outras crianças. Os pais, por
sua vez, passam a conviver com outros pais nesse novo universo e a acreditar nas
possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem sistemática de seus filhos.
A parceria entre família e escola é enfatizada pela Declaração de Salamanca
(AIELLO, 2003), e o envolvimento entre as duas partes asseguraria uma ativa
participação dos pais na tomada de decisão e no planejamento educacional dos
seus filhos, com a adoção de uma comunicação clara e aberta. De maneira geral, os
pais têm críticas a fazer em relação às escolas, que não atendem de forma ampla às
suas expectativas. No entanto, a maioria dos familiares considera que a escola é um
lócus privilegiado para o desenvolvimento global dos filhos (GLAT, 2003).
É muito importante que haja uma parceria entre familiares e escola, pois os
pais são portadores de informações preciosas que podem colaborar com o
planejamento das intervenções educacionais das crianças autistas. A parceria entre
família e escola pode se configurar especialmente por meio dos serviços de
aconselhamento para amenizar o estresse e garantir a motivação para a
continuidade do tratamento do filho e das técnicas dentro de casa.
Diminuir os estressores familiares é importante para evitar que os pais
deixem de manter um relacionamento afetivo com seus filhos e isolem-se do
ambiente social (SPROVIERI E ASSUMPÇÃO JR., 2001; GOMES E BOSA, 2004
apud SERRA, 2010).
A escola também pode colaborar dando sugestões aos familiares de como
estes podem agir em casa, de maneira que se tornem coautores do processo de
educação de seus filhos. Muitas vezes, as estratégias educacionais desenvolvidas
em sala de aula não têm uma continuidade dentro de casa, e isso só pode ser
resolvido com um intenso processo de aconselhamento dos pais.
Enfim, os programas educacionais para crianças autistas envolvem também
os familiares, e, muitas vezes, o sucesso dos mesmos depende da continuidade da
utilização das técnicas dentro de casa, e, para isso, é muito importante que, após a
avaliação, o profissional conscientize os pais sobre as dificuldades de seus filhos,
mas também ressalte quais são as potencialidades, e que os familiares, por sua vez,
por meio de um constante acompanhamento profissional, acreditem nessas
potencialidades e auxiliem nas intervenções (GLAT, 2002).

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UNIDADE 5 – DIREITOS DAS PESSOAS COM AUTISMO

As pessoas com autismo têm os mesmos direitos, previstos na Constituição


Federal de 1988 e outras leis do país, que são garantidos a todas pessoas.
Também tem todos os direitos previstos em leis específicas para pessoas
com deficiência (Leis 7.853/89, 8.742/93, 8.899/94, 10.048/2000, 10.098/2000, entre
outras), bem como em normas internacionais assinadas pelo Brasil, como a
Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Além disso, enquanto crianças e adolescentes também possuem todos os
direitos previstos no Estatuto da Criança e Adolescente (Lei 8069/90) e quando
idosos, ou seja, maiores de 60 anos, tem os direitos do Estatuto do Idoso (Lei
10.741/2003).
Mais recentemente, temos a Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que
institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do
Espectro Autista e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112/90.
Segundo a Cartilha da Defensoria Pública do Estado de São Paulo,
igualmente, a Assistência Social é um direito do cidadão e dever do Estado,
prestada independente de contribuição, sendo prevista na Constituição Federal de
1988 e regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS – Lei
8.742/93).
Busca garantir o atendimento das necessidades básicas dos indivíduos e
suas famílias, permitindo que todas as pessoas tenham seus direitos assegurados
no que diz respeito ao acolhimento, renda, convivência familiar e comunitária,
desenvolvimento da autonomia individual, familiar e social e sobrevivência a riscos
circunstanciais.
As pessoas com autismo e sua família podem se beneficiar de tudo que a
Assistência Social tem a oferecer no município onde residem. As informações sobre
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os benefícios, programas, serviços e projetos existentes e como acessá-los podem


ser obtidas no CRAS na cidade de sua residência, ou nas Secretarias de Assistência
Social das Prefeituras.
Também, a educação é direito de toda criança e, conforme o art. 54 do
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é obrigação do Estado garantir
atendimento educacional especializado (AEE) às pessoas com deficiência
preferencialmente na rede regular de ensino, já que toda a criança e adolescente
têm direito à educação para garantir seu pleno desenvolvimento como pessoa,
preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.
Nessa direção, a inclusão escolar enquanto política que busca perceber e
atender às necessidades educativas especiais de todos os alunos, em salas de
aulas comuns, em um sistema regular de ensino, de forma a promover a
aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos, só tem a contribuir para o
desenvolvimento dessas pessoas.
Na proposta de educação inclusiva, todos os alunos devem ter a
possibilidade de integrar-se ao ensino regular, mesmo aqueles com deficiências ou
transtornos de comportamento, de preferência sem defasagem idade-série.
A escola, segundo essa proposta, deverá adaptar-se para atender às
necessidades destes alunos inseridos em classes regulares. Portanto, requer
mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das escolas, na formação
dos professores e nas relações família-escola.
A principal importância da inclusão escolar é considerar as características de
cada criança, garantindo o convívio entre crianças e adolescentes com e sem
deficiência, com aprendizado do respeito e da tolerância às diferenças.
Evidentemente que os portadores de TEA também têm direito ao esporte,
cultura e lazer – saúde – trabalho e transporte.
A prática de esportes por crianças e adolescentes com autismo contribui no
desenvolvimento social, psíquico e motor e as pessoas com TEA têm direito à
cultura e não se trata apenas do acesso aos bens e espaços culturais, como, por
exemplo, frequentar salas de cinema, exposições de arte, espetáculos teatrais e
apresentações musicais.

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O conceito de cidadania cultural significa também garantir que qualquer


cidadão, inclusive crianças e adolescentes, tenha a possibilidade de ser produtor de
cultura. Para isso, devem existir espaços públicos que possibilitem a manifestação
cultural dessa parcela da população nas diversas artes.
O direito à saúde está previsto no art. 196 da Constituição Federal, sendo
direito de todos e dever do Estado.
As pessoas com autismo contam também com a proteção especial da Lei
Federal 7.853/89, que garante o tratamento adequado em estabelecimentos de
saúde públicos e privados específicos para a patologia que possuem.
O atendimento deve ser garantido em todas as áreas necessárias para o
bem-estar e saúde da pessoa com autismo. Deve ser feita uma avaliação inicial e
específica de várias especialidades.
Em geral os atendimentos terapêuticos ocorrem de forma multidisciplinar
com equipe formada por diversos profissionais da área de saúde como médicos,
fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e assistentes
sociais. A equipe trabalha em conjunto, estudando cada caso de forma global.
Também lhes é garantido tratamento dentário, afinal significa efetivar o
direito à saúde em toda a sua amplitude. Assim, o acompanhamento por parte de
um dentista deve fazer parte da rotina das pessoas com autismo, devendo o Estado
oferecer profissionais capacitados para este atendimento na rede pública de saúde.
Quanto ao trabalho, o principal objetivo da educação profissional é a criação
de cursos, voltados ao acesso ao mercado de trabalho, que busque ampliar
qualificações de estudantes e profissionais.
Nos casos de autismo sem deficiência intelectual ou com deficiência
intelectual leve, há a possibilidade de inclusão do indivíduo no mundo do trabalho, o
que pode ser realizado por meio de programas de capacitação direcionados às
realidades mais emergentes do trabalho e também às potencialidades e interesses
de cada pessoa.
Por fim, quanto ao transporte, se a pessoa com autismo é comprovadamente
carente, segundo a Lei Federal nº 8.899/94, ela tem direito a passe livre no
transporte estadual interestadual.

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No caso de São Paulo, a Lei Estadual 10.419/91 também prevê o passe


gratuito intermunicipal, concedido às pessoas com deficiência física, mental e visual.
Os municípios também costumam ter sua própria legislação para concessão
de passe gratuito para deslocamentos dentro da cidade. Na capital de São Paulo,
por exemplo, a concessão do bilhete único especial é realizada pela SPTRANS.
As pessoas com autismo também podem se utilizar dos bancos reservados
no transporte coletivo, já que são destinados às pessoas com deficiência.
Por fim, quanto à discriminação que é todo tipo de conduta que viola os
direitos das pessoas com base em critérios injustificados e injustos como cor,
religião, orientação sexual, idade, aparência, doenças e deficiências, entre outros, as
pessoas com autismo podem sofrer diversos tipos de discriminação (como
agressões verbais ou físicas), seja em espaços públicos (escolas, postos de saúde,
shoppings, ônibus) ou mesmo em suas próprias casas.
A discriminação ocorre quando, por exemplo, em virtude da deficiência, o
acesso à saúde, à educação ou ao mercado de trabalho é dificultado ou negado, ou
quando a própria família impede a convivência comunitária da pessoa com autismo,
isolando-a e impedindo seu contato com outras pessoas e o exercício de sua
cidadania.
A pessoa que foi discriminada ou seu responsável deve ir a uma Delegacia
de Polícia e fazer um Boletim de Ocorrência (BO).
É importante relatar a situação de discriminação com o maior número de
informações possíveis, como data, horário, local, nome completo do ofensor e de
testemunhas.
Depois, com a cópia do BO, deve contatar um advogado ou, se não tiver
condições financeiras, a Defensoria Pública para propositura das medidas judiciais
cabíveis.
No caso de discriminação contra crianças e adolescentes, o Conselho
Tutelar também deve ser notificado (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2011).

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43

Guarde...

No DSM – IV, o autismo está inserido na categoria de Transtorno Global do


Desenvolvimento, junto com Transtorno de Rett, Transtorno Desintegrativo da
Infância (síndrome de Heller, demência infantil ou psicose desintegrativa),
Transtorno de Asperger, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem Outra
Especificação.
Na CID 10, o autismo também é classificado como um Transtorno Global do
desenvolvimento. Fazem parte dessa classificação: Autismo Infantil, Autismo
Atípico, Síndrome de Rett, Outro Transtorno Desintegrativo da Infância,
Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos
Estereotipados, Síndrome de Asperger, Outros Transtornos Globais do
Desenvolvimento, Transtornos Globais não Especificados do
Desenvolvimento (TID SOE).
Hoje o autismo é conhecido como Transtorno do Espectro do Autismo,
descrito assim na mais nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais, o DSM-5 (2013), da Associação de Psiquiatria
Americana. Nele, o autismo passa a ser visto como um espectro, ou seja, o
transtorno passa a ser visto por um conjunto de condutas e deve ser
caracterizado de acordo com a gravidade, leve, moderada e severa.
Com essa mudança, alguns transtornos como Síndrome de Asperger, por
exemplo, passam a não ter mais uma classificação separada do autismo,
sendo assim, vistos como um Transtorno de Espectro do Autismo com níveis
que variam.
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As mudanças na forma de enxergar o autismo aconteceram por conta de


todos os avanços nos estudos sobre o transtorno e também pela forma como
a gente passou a ver a transtornos mentais. Muita coisa ainda está por
conhecer, como por exemplo, a causa do autismo, porém, é inegável o
quanto buscamos saber sobre o autismo em tão pouco tempo, e é o maior
conhecimento sobre ele que fará com que as pessoas diagnosticadas com o
transtorno tenham uma qualidade de vida cada vez melhor.

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REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS BÁSICAS

BRASIL. Lei n. 12.764 de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de


proteção dos Direitos da pessoa com transtorno do espectro autista. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm
MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNO. DSM-5 / American
Psychiatric Association. Tradução de Maria Inês Corrêa Nascimento et al. Revisão
técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. Porto Alegre: Artmed, 2014.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, OMS. CID 10 – Classificação De
Transtornos Mentais e de Comportamento: Descrições Clínicas e Diretrizes
Diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.

REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

AIELLO, A L.R. Família inclusiva. In: PALHARES, M.S e MARINS, S.C.F. Educação
Inclusiva. São Carlos: EdUFSCar, 2002.
ARAÚJO, Álvaro Cabral; LOTUFO NETO, Francisco. Nova Classificação Americana
Para os Transtornos Mentais – o DSM-5. Revista Brasileira de Terapia
Comportamental e Cognitiva, 2014, Vol. XVI, no. 1, 67 – 82.
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, APA. DSM IV – Manual diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais. 4 ed. rev. – Porto Alegre: Artmed, 2002.
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, APA. DSM V – Manual diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais. 5 ed.rev. – Porto Alegre: Artmed, 2014.
ASSOCIAÇÃO DE DEFICIENTES E FAMILIARES - ASDEF. Mudança na
classificação do transtorno do espectro do autismo (2015). Disponível em:
http://asdef.org.br/artigos/09/07/2015/mudancas-na-classificacao-do-transtorno-do-
espectro-do-autismo
BAGAROLLO, M.F, PANHOCA, I. A constituição da subjetividade de adolescentes
autistas: um olhar para as histórias de vida. Rev Bras Ed Esp Marília. 2010;16:231-
50.
BORDIN, Sonia Maria Sellin. Fale com ele: um estudo neurolinguístico do autismo.
Campinas: Unicamp, 2006 (Dissertação de Mestrado).
BOSA, Cleonice Alves. Autismo: intervenções psicopedagógicas. Rev. Bras.
Psiquiatr. [online]. 2006, vol.28, suppl.1, pp. s47-s53. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28s1/en_a07v28s1.pdf
BOSA, Cleonice. Atenção compartilhada e identificação precoce do autismo. Psicol.
Reflex. Crit. [online]. 2002, vol.15, n.1, pp. 77-88. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/prc/v15n1/a10v15n1.pdf
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BRASIL, Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009 (Promulga a Convenção
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BRASIL. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do
Espectro do Autismo (TEA) / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
46

Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Ministério da Saúde,


2014.
BRASIL. Lei 13.146 de 6 de julho de 2015. Estatuto da pessoa com deficiência.
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CAMARGOS, Jr., Walter (coord.). Transtornos Invasivos do Desenvolvimento: 3º
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DI GIUSEPPE, Alessandro. Direitos das pessoas com transtorno do espectro autista
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PAIVA JUNIOR, Waldir Toledo de. Casos de autismo sobem para 1 a cada 68
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VARELLA, Drauzio. TEA – Transtorno do Espectro Autista II (2014). Disponível em:
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ANEXOS

ANEXO 1

ÍNTEGRA DA CLASSIFICAÇÃO DOS TGD,


DE ACORDO COM A CID-10

F84 Transtornos globais do desenvolvimento


Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das
interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de
interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Estas anomalias
qualitativas constituem uma característica global do funcionamento do sujeito, em
todas as ocasiões.
Usar código adicional, se necessário, para identificar uma afecção médica
associada e o retardo mental.

F84.0 Autismo infantil


Transtorno global do desenvolvimento caracterizado por a) um
desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos; e,
b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos
três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento
focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno se acompanha comumente de
numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo, fobias, perturbações
de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (autoagressividade).
Autismo infantil.
Psicose.
Síndrome de Kanner.
Transtorno autístico.

Exclui:
Psicopatia autista (F84.5).

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F84.1 Autismo atípico


Transtorno global do desenvolvimento, ocorrendo após a idade de três anos
ou que não responde a todos os três grupos de critérios diagnósticos do autismo
infantil. Esta categoria deve ser utilizada para classificar um desenvolvimento
anormal ou alterado, aparecendo após a idade de três anos, e não apresentando
manifestações patológicas suficientes em um ou dois dos três domínios
psicopatológicos (interações sociais recíprocas, comunicação, comportamentos
limitados, estereotipados ou repetitivos) implicados no autismo infantil; existem
sempre anomalias características em um ou em vários destes domínios. O autismo
atípico ocorre habitualmente em crianças que apresentam um retardo mental
profundo ou um transtorno específico grave do desenvolvimento de linguagem do
tipo receptivo.

Psicose infantil atípica


Retardo mental com características autísticas.
Usar código adicional (F70-F79), se necessário, para identificar o retardo
mental.

F84.2 Síndrome de Rett


Transtorno descrito até o momento unicamente em meninas, caracterizado
por um desenvolvimento inicial aparentemente normal, seguido de uma perda parcial
ou completa de linguagem, da marcha e do uso das mãos, associado a um retardo
do desenvolvimento craniano e ocorrendo habitualmente entre 7 e 24 meses. A
perda dos movimentos propositais das mãos, a torsão estereotipada das mãos e a
hiperventilação são características deste transtorno. O desenvolvimento social e o
desenvolvimento lúdico estão detidos enquanto o interesse social continua em geral
conservado. A partir da idade de quatro anos manifesta-se uma ataxia do tronco e
uma apraxia, seguidas frequentemente por movimentos coreoatetósicos. O
transtorno leva quase sempre a um retardo mental grave.

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F84.3 Outro transtorno desintegrativo da infância


Transtorno global do desenvolvimento caracterizado pela presença de um
período de desenvolvimento completamente normal antes da ocorrência do
transtorno, sendo que este período é seguido de uma perda manifesta das
habilidades anteriormente adquiridas em vários domínios do desenvolvimento no
período de alguns meses. Estas manifestações são acompanhadas tipicamente de
uma perda global do interesse com relação ao ambiente, condutas motoras
estereotipadas, repetitivas e maneirismos e de uma alteração do tipo autístico da
interação social e da comunicação. Em alguns casos, a ocorrência do transtorno
pode ser relacionada com uma encefalopatia; o diagnóstico, contudo, deve tomar
por base as evidências de anomalias do comportamento.
Demência infantil.
Psicose: desintegrativa; simbiótica.
Síndrome de Heller.
Usar código adicional, se necessário, para identificar a afecção neurológica
associada.
Exclui:
Síndrome de Rett (F84.2).

F84.4 Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos


estereotipados
Transtorno mal definido cuja validade nosológica permanece incerta. Esta
categoria se relaciona a crianças com retardo mental grave (QI abaixo de 34),
associado à hiperatividade importante, grande perturbação da atenção e
comportamentos estereotipados. Os medicamentos estimulantes são habitualmente
ineficazes (diferentemente daquelas com QI dentro dos limites normais) e podem
provocar uma reação disfórica grave (acompanhada por vezes de um retardo
psicomotor). Na adolescência, a hiperatividade dá lugar em geral a uma
hipoatividade (o que não é habitualmente o caso de crianças hipercinéticas de
inteligência normal). Esta síndrome se acompanha, além disso, com frequência, de
diversos retardos do desenvolvimento, específicos ou globais. Não se sabe em que

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medida a síndrome comportamental é a consequência do retardo mental ou de uma


lesão cerebral orgânica.

F84.5 Síndrome de Asperger


Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração
qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo,
com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele
se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um
retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os
sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As
anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno
se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta.
Psicopatia autística.
Transtorno esquizóide da infância.

F84.8 Outros transtornos globais do desenvolvimento.

F84.9 Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

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ANEXO 2

QUADRO COMPARATIVO CID-10, DSM-IV, DSM-V


CID-10 DSV-IV DSM-V
F84: TRANSTORNOS TRANSTORNOS TRANSTORNOS DO
GLOBAIS DO GLOBAIS DO ESPECTRO AUTISTA
DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO (TEA)
F84.0 Autismo Infantil Transtorno Autista Grau leve
F84.1 Autismo Atípico Transtorno de Rett Grau moderado
F84.2 Síndrome de Rett Transtorno Desintegrativo Grau severo
F84.3 Outro Transtorno da Infância
Desintegrativo da Infância (síndrome de Heller,
F84.4 Transtorno com demência infantil ou
Hipercinesia Associada a psicose desintegrativa)
Retardo Mental e a Transtorno de Asperger
Movimentos Transtorno Invasivo do
Estereotipados Desenvolvimento Sem
F84.5 Síndrome de Outra Especificação.
Asperger
F84.8 Outros Transtornos
Globais do
Desenvolvimento
F84.9 Transtornos Globais
não Especificados do
Desenvolvimento (TID
SOE).

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ANEXO 3

SUGESTÃO DE FILMES PARA CONHECER O AUTISMO

1. Autismo – O Musical
Ano: 2010
Duração: 165 min
O filme acompanha os esforços de 11 crianças autistas que se preparam para
montar um musical ao vivo em Los Angeles.

2.Temple Grandin
Ano: 2010
Duração: 120 min
Cinebiografia da jovem autista Temple Grandin (Claire Danes) que tinha sua
maneira particular de ver o mundo, se distanciou dos humanos, mas chegou a
conseguir, entre outras conquistas, defender seu doutorado. Com uma percepção de
vida totalmente diferenciada, dedicou-se aos animais e revolucionou os métodos de
manejo do gado com técnicas que surpreenderam experientes criadores e ajudaram
a indústria da pecuária americana.

3. Um Amigo Inesperado (After Thomas)


Ano: 2006
Duração: 93 min
Kyle Gram é um menino frágil que sofre de autismo. Seus pais fazem de tudo
para tentar se comunicar com ele, até que um cachorro chamado Thomas consegue
criar uma relação com o menino que o ajudará a escapar do seu silêncio.

4. Rain Man
Ano: 1988
Duração: 132 min.
Rapaz (Tom Cruise) viaja a asilo e descobre que tem um irmão autista (Dustin
Hoffman) para quem o pai deixou toda sua fortuna. Resolve então ‘raptar’ o irmão
para tentar forçar um ‘acordo’ financeiro com os tutores do irmão, porém em sua
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viagem de volta, passa a conhecer as dificuldades e os ‘dons’ do irmão e surge um


sentimento de amor e carinho. Oscars de melhor filme, ator, direção e roteiro.
Inspirando em vários autistas adultos.

5. Meu Filho Meu mundo (Son-Rise, A miracle of Love)


Ano: 1979
Duração: 98 min
Raun parecia um saudável bebê, mas com o passar do tempo, vai ficando
claro o porquê de seu ar sempre ausente: ele sofre de autismo. Começa então o
comovente e difícil trabalho dos pais para penetrar no mundo particular de Raun.
História autobiográfica da família que fundou o método Son-rise.

6. Molly Experimentando a Vida (Molly)


Ano: 1999
Duração: 102 min
Molly McKay é uma mulher de 28 anos que é intelectualmente “lenta”, pois
sofre de autismo desde a infância. Ainda muito jovem foi internada, mas agora, com
o fechamento da instituição, Buck McKay, seu irmão, fica com sua guarda. Buck não
a via desde quando ela era criança, assim apesar de irmãos eram dois estranhos.
Além disto, Buck está atravessando problemas em sua vida profissional. Quando
Buck fica sabendo através dos médicos de uma arriscada cirurgia experimental que
pode curar Molly, ele dá seu consentimento. A operação é um sucesso e Molly deixa
de sofrer de autismo, sendo que paralelamente revela um genial intelecto. Mas a
intensa concentração da sua personalidade autista permanece e Buck constata que
a nova Molly vai enfrentar outro grande desafio.

7.Uma Família Especial (Magnificent 7)


Ano: 1985
Duração: 84 min.
Dos sete filhos de Maggi, quatro são autistas em maior ou menor grau.
Determinada, Maggi empreende então uma surpreendente luta, repleta de

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momentos mágicos, alegres e tristes, para ajudar seus filhos especiais a ter uma
vida feliz. Drama baseado na história de Jackie Jackson.

8. O Balão Preto (The Black Baloon)


Ano: 2008
Duração: 97 min
Quando Thomas e sua família mudam-se para uma nova casa ele tem de
começar em uma nova vida, nova escola, tudo que ele quer é que continue a
normalidade de sua vida Quando sua mãe fica grávida, seu pai Simon o coloca para
cuidar de seu irmão mais velho Charlie, que é autista

9. Adam
Ano: 2009
Duração: 99 min
Adam (Hugh Dancy) é um jovem nascido com Síndrome de Asperger que
vivem em Manhattan. Seus pais morreram, mas ele tem um amigo Harlan (Frankie
Faison), que está sempre lá para Adam. Ele tem dificuldades de comunicar com os
outros e gosta de fugir para o seu amor pela exploração do espaço. Quando Beth
(Rose Byrne), uma professora da escola, se muda para o apartamento em cima
dele, ele começa a construir o relacionamento pessoal com ela que ele tão
desesperadamente desejos.

10. Um certo olhar


Ano: 2006
Duração: 112 minutos
Quando Alex (Alan Rickman) relutantemente decide dar boleia à jovem e
energética Vivienne (Emily Hampshire), mal imagina que o mundo dele irá virar-se
do avesso. Durante a viagem, eles sofrem um terrível acidente de automóvel e
Vivienne tem morte instantânea. Alex visita a mãe de Vivienne, Linda (Sigourney
Weaver), e vem a descobrir que esta é autista; e mesmo compreendendo o
sucedido, ela não demonstra qualquer emoção. Aos poucos Alex começa a
compreender e a sentir carinho por Linda, mas à medida que o funeral de Vivienne

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56

se aproxima os segredos obscuros do passado de Alex emergem. Com a ajuda e


compreensão de Maggie (Carrie-Anne Moss), e com a visão única de Linda em
relação ao mundo, ele consegue reconciliar-se com o seu passado possibilitando-o
de confrontar tanto a tristeza como o rancor que foram crescendo nele.

11. O menino e o cavalo


Ano: 2009
Duração: 93 min.
Rupert Isaacson tinha sonhado o melhor para o filho, imaginava as
brincadeiras, as conversas, os passeios… Depois de Rowan nascer, porém,
começou a perceber que o seu sonho nunca se iria realizar. O menino não falava,
não reagia, refugiava-se no seu mundo, fechado numa concha invisível. Era autista.
O Menino e o Cavalo é a história real, extraordinária, de um pai que vai até aos
confins do mundo para curar o filho. É a aventura de uma família única, que arrisca
tudo, movida por uma fé inabalável. E que, nas distantes estepes da Mongólia,
consegue finalmente o milagre de abrir a concha, e entrar no mundo misterioso de
Rowan.

12. Querido John (Dear John)


Ano: 2010
Duração: 105 min.
Dirigido por Lasse Hallström e baseado no romance do aclamado autor
Nicholas Sparks, Dear John conta a história de John Tyree (Channing Tatum), um
jovem soldado que foi para casa durante uma licença e de Savannah Curtis
(Amanda Seyfried), a jovem universitária idealista por quem ele se apaixona durante
as férias de faculdade. Durante os próximos sete tumultuosos anos, o casal é
separado pelas missões cada vez mais perigosas de John. Apesar de se
encontrarem apenas esporadicamente, o casal mantém o contato por meio de uma
enxurrada de cartas de amor. Essa correspondência acaba por provocar uma
situação com consequências nefastas.

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13. Forrest Gump – O contador de historias


Ano: 1994
Duração: 142 minutos
Quarenta anos da história dos Estados Unidos, vistos pelos olhos de rapaz
com QI abaixo da média que, por obra do acaso, consegue participar de momentos
cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate.

14. Documentário – Coragem de mãe: falando sobre o autismo (A Mother’s


Courage: Talking Back to Autism)
Ano: 2011
http://www.amotherscourage.org/the-film- ainda não lançado no Brasil.

15. Ocean Heaven


Ano: 2010
Duração: 96 minutos
A história do amor incansável de um pai pelo seu filho autista, Dafu, que
parece distraído, repete o que as pessoas lhe dizem, nada com maestria, mantém
tudo em casa em lugares determinados e talvez não esteja totalmente ciente da
morte de sua mãe, ocorrida há alguns anos. Disponível em:
http://www.revistaautismo.com.br/livros-e-filmes-sobre-autismo

Alguns sites sugestivos para, além de informações, atividades sensoriais,


estruturadas, estratégias para serem usadas e ferramentas de apoio:
https://nadjafavero.wordpress.com/ :atividades sensoriais e estruturadas que
servirão de apoio para o trabalho com TEA.
http://downloads.autismoerealidade.org/estrategias-para-serem-usadas-em-
casahttp://autismoerealidade.org/ferramentas-de-apoio/downloads/
http://autismoerealidade.org/videos-sobre-autismo/
http://autismoerealidade.org/artigos-sobre-autismo/
http://autismoerealidade.org/filmes-sobre-autismo/

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