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Curso de Especialização em Psicologia

Clínica GESTALT-TERAPIA E ANALISE


EXISTENCIAL (CEPC)

SETEMBRO 2019 - UFMG

PSICOTERAPIA INFANTO-
JUVENIL
FUNDAMENTOS CONCEITOS TEÓRICOS PRÁTICA CLINICA
FILOSÓFICOS

ATITUDE
FENOMENOLOGIA DASEIN FENOMENOLÓGICA
METODOLOGIA DE FACILITAÇÃO DO
AWARENESS PROCESSO DE DAR-SE
CONTA.
O LÚDICO
TEORIA DE CAMPO
CAMPO/ORGANISMO/
AMBIENTE COMPREENSÃO DA
CRIANÇA NO CAMPO.
EXISTENCIALISMO O LÚDICO COMO
DIALÓGICO CONTATO - RELAÇÃO FACILITADOR DA
EU-TU /EU-ISSO RELAÇÃO.

RELAÇÃO DIALÓGICA
O LÚDICO COMO
FACILITADOR.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


OBJETO POR CONHECER?
A CRIANÇA

QUEM BUSCA CONHECER?


O ADULTO

Telma Fulgêncio C.C. Melo


• O QUE É A INFÂNCIA?

• QUEM É A CRIANÇA?

Telma Fulgêncio C.C. Melo


Como pensar a criança? Mudando o
paradigma
• Como se pode conhecer a CRIANÇA?

• Como a CRIANÇA conhece o MUNDO?

• Quem é a CRIANÇA que Chega ao


encontro do PSICOTERAPEUTA?

Telma Fulgêncio C.C. Melo


PSICOLOGIA INFANTIL
TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO
CIENCIAS NATURAIS – METAFISICA
Princípios científicos da verdade universal.
Criança estudada a partir do ponto de vista e do
discurso do adulto.
São estabelecidos padrões comportamentais:
Normais e Anormais
PLURALIDADE ► SINGULARIDADE

Telma Fulgêncio C.C. Melo


PSICOLOGIA DA INFÂNCIA
TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO
• As primeiras produções nessa área
direcionaram para a compreensão da
infância na esfera patológica.
• As teorias foram construídas a partir do
olhar desenvolvimentista, descrevendo o
que é esperado que aconteça com a criança,
para que ela se torne um adulto realizado ou
um ser humano completo.
Telma Fulgêncio C.C. Melo
CRIANÇA
• As teorias de desenvolvimento parecem
compreender a criança a partir do que

• AINDA NÃO É
ou
• TERA QUE DEIXAR DE SER

Telma Fulgêncio C. C. Melo


PERSPECTIVA FENOMENOLOGICO
EXISTENCIAL
CRIANCA PENSADA COMO:
DASEIN – ( SER-AI)
ABERTURA – PODER-SER – SER-NO-MUNDO
Desenvolvimento como um acontecer, um movimento
que, ao mesmo tempo, mostra e esconde.
Caráter de INDETERMINAÇAO e LIBERDADE do
EXISTIR
SINGULARIDADE ►PLURALIDADE
Totalidade
Telma Fulgêncio C.C. Melo
• Com apreendê-la tal qual ela é?

• Como pensar o desenvolvimento no sentido próprio


do acontecer humano?

• Como é possivel resgatar a perspectiva da criança


sobre sua própria história e condição?
Telma Fulgêncio C.C. Melo
DESAFIO
• Como dar voz às crianças sobre sua própria
experiência.
• Como podemos, na condição de adultos, pensar
a infância a partir do campo de existência
infantil?
• Como apontou Merleau-Ponty (2006): A criança
não é um projeto a ser completado, como se lhe
faltasse algo para atingir o estatuto do humano.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


• Compreender a infância
fenomenologicamente é, empreender uma
tarefa em busca do significado do que é
propriamente humano. Buscar compreender
os existenciais.

• Neste sentido não diferencia uma


fenomenologia da INFÂNCIA de uma
fenomenologia do ADULTO

Telma Fulgêncio C.C. Melo


PARTICULARIDADES DA
INFÂNCIA
• Ao primeiro despertar dos sentidos
• As primeiras relações
• O seu horizonte corporal
• A sua vinculação especial com seus
cuidadores e com a comunidade humana
• Aquisição da autonomia

Telma Fulgêncio C.C. Melo


COMO PENSAR O SER DA CRIANÇA NA
PERSPECTIVA EXISTENCIAL
FENOMENOLÓGICA?
• Lançar mão do método fenomenológico. “Voltar
as coisas mesmas”.
• Descrever o desenvolvimento como um
caminhar e não como um caminho a ser
seguido.
• Desenvolvimento como um movimentar que
abre possibilidades de caminhos, pois é quando
caminhamos e que descobrimos o caminho que
trilhamos. (Cytrynowicz, Maria Beatriz)
Telma Fulgêncio C.C. Melo
O OLHAR
FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
• Olhar Indagativo e reflexivo. Postura de dúvida frente ao já
dado.
• Interrogar sobre as razões que nos fazem adotar determinada
postura ou atitude com a criança.
• Crença nas possibilidades da existência. Criança como Ser-ai.
• Ela afeta e é afetada pelo mundo.
• Tendência inata ao amadurecimento. Possibilidades de
atualização.

• ,
Telma Fulgêncio C.C. Melo
• Criança como ser de possibilidades, ativo, capaz de
construir recursos para lidar com situações adversas.
Ela sabe de si.
• Criança como ser de liberdade e responsabilidade.
• Criança como ser relacional que se constitui no mundo
com os outros.
• Crença de que o estado de unidade é a conquista básica
para a saúde emocional de todo ser humano.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


Psicoterapia

• É se dizer a si mesmo.

• É saber do estar sendo e do estar dizendo.

• Conscientizar-se de si e responsabilizar-se
por sua existência. (Entregar-se ao seu
próprio cuidado)
O QUE LEVA A PESSOA BUSCAR
PSICOTERAPIA
• Geralmente o paciente busca psicoterapia
quando apresenta uma incapacidade
momentânea de se dizer a si mesmo de
forma satisfatória ou suficiente.
• No caso da criança é o outro (adulto) quem
decide que a sua forma de estar no mundo
não é satisfatória. Ela é levada ao encontro
do psicoterapeuta.
Telma Fulgêncio C.C. Melo
PSICOTERAPIA INFANTIL
• O trabalho psicoterapêutico infantil na
abordagem existencial fenomenológica
(Gestalt-Terapia) é um convite de encontrar
a criança ONDE ELA ESTÁ.
É um convite PARA COM ELA encontrarmos
ajustamentos criativos, que a sintonize com
as diferentes situações que emergem na vida
cotidiana. ACOMPANHÁ-LA.
Telma Fulgêncio C.C. Melo
Quem ou Como é a Criança?
• Curiosa
• Imediatista
• Egocêntrica
• Busca o Prazer
• Vive intensamente o prazer e a frustração.
• A relação com o mundo é rica em possibilidades e
a mobilidade de significados é uma constante.
• O enredo da sua brincadeira é a articulação do
passado e futuro no presente.
Telma Fulgêncio C.C. Melo
COMO A CRIANÇA CHEGA?
• A Criança não busca a psicoterapia.
• Ela não escolheu estar alí.
• Ela não escolheu o terapeuta.
• Na maioria das vezes ela não sabe porque
está ali.
• Pobre em autonomia.
• Aos olhos do adulto ,é aquele que não sabe
se cuidar.
Telma Fulgêncio C.C. Melo
.
Desafios da Relação
Terapeuta/Criança
• Como pensar fenomenologicamente a
criança no campo do aqui e agora sem
correr o risco de congelá-la em sua faixa
etária. (Teorias do Desenvolvimento)
• Como trabalhar sem uma teoria de
desenvolvimento?
• Como não sucumbir aos pedidos do mundo?

Telma Fulgêncio C. C. Melo


PROCESSO TERAPEUTICO

• Busca pela aproximação e entendimento do


viver próprio.
• Superação das dificuldades que restringem
o viver de cada um.
• Cuidar daquele que está em sofrimento em
suas elações mais significativas com o
mundo próprio e compartilhado.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


O fundamento do cuidado
terapêutico
• O poder-ser livre do ser-no-mundo.
• O foco do Cuidado Terapêutico deve ser: A
libertação do paciente para os seus modos mais
específicos e próprios.
• Como fazê-lo? Como cuidar do paciente?
O Cuidado que deve servir sobretudo, para a
espera e a escuta do sentido das palavras, isto é, para
o que elas apontam e não para a realidade comum
que elas induzem de imediato.” (Medrado Boss)
Telma Fulgêncio C.C. Melo
SAÚDE NA PERSPECTIVA EXISTÊNCIAL
FENOMENOLÓGICA

Fluidez das Interações - A saúde está focalizada na


possibilidade de fluidez, na satisfação contínua das
necessidades emergentes de acordo com o contexto e o
momento em que a criança se encontra.
Denominamos saudável o indivíduo que relaciona
criativamente com o meio enquanto indivíduo único,
mantendo, ao mesmo tempo, uma relação respeitosa com o
outro em sua unicidade.
Ser singular na pluralidade do mundo.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


Saúde
• Perls diz: É através das Funções de Contato que
nossa percepção poderá se organizar e nossos
sentimentos poderão adquirir significados
singulares, configurando assim um
desenvolvimento saudável. São os ajustamentos
criativos .
• Winnicott diz: Para que haja uma integração
criativa (comportamento saudável) o homem
depende fundamentalmente no início da vida, da
presença de um ambiente facilitador que forneça
cuidados suficientemente bons.
DOENÇA
• Para Boss, doença é o modo de vida na restrição.
• Para Perls o adoencimento emocional se dá
quando há bloqueio ou distorções na função de
contato.
• O relacionamento, a interação organismo/meio se
dá, através de padrões cristalizados e repetitivos,
fazendo com que a expressão e satisfação das
necessidades sejam distorcidas ou suprimidas ,
com vista a manter a relação com o outro.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


• Para Winnicott o adoecimento se dá a partir
da dificuldade ou ausência do
estabelecimento da integração soma-psiqué
no inicio da vida a partir das relações.
• Ele diz: “Nenhum bebê, nenhuma criança,
pode vir a tornar-se uma pessoa real, a não
ser sob os cuidados de um ambiente que dá
sustentação e facilita os processos de
amadurecimento. (Dias, Elsa 2003,p.96)

Telma Fulgêncio C.C. Melo


Considerações para estabelecer uma relação
terapêutica com a criança
• 1- Relação de confiança e cuidado – a criança
precisa perceber apoio e respaldo ante os seus
temores, inseguranças, e seu modo de ser.
• 2- Prioridade da saúde –Perceber o problema
psicológico como sofrimento de alguém que não
consegue viver de forma mais rica . Pouca
flexibilidade.
• Considerar quais as motivações e faltas já estão
presentes nos modos como cada criança sente e age.

Telma Fulgêncio C.C. Melo


3- Prioridade da história de vida e não da história da
queixa
• Queixa entendida como fenômeno.
• Suspender o juízo moral ou psicológico.
• Não ficar em torno da busca de causa ou explicação
para o sintoma.
• O sentido da ação ou o que a criança almeja é
fundamental para o entendimento dela.
• A compreensão dos sentimentos é fundamental para
a compreensão da criança e do seu mundo.
4- A Proximidade é a condição necessária para
a compreensão da criança.

• Proximidade com os Pais e com a criança.


• A criança deve ser mantida em seu modo original,
ou seja, o terapeuta ir ao seu encontro.
• Abster-se dos seus a priores teóricos e morais.
• Postura não pedagógica.
• O segredo da saúde emocional está na harmonia da
relação.
RELAÇÃO DIALÓGICA
ENCONTRO EXISTENCIAL

• Terapeuta e cliente são ativos, os dois são


afetados na relação. Relação de mutualidade.
• Possibilita um encontro.
• Para o encontro é necessário uma atitude
natural, atitude original. Ou seja, presença
genuína de ambas as partes. Respeito a
singularidade.
• O encontro genuino é restaurador do fluxo
vital.
Atitude Dialógica
• O simples falar, ainda que seja sincero, não é
suficiente para caracterizar o diálogo. É
preciso que seja um FALAR-AO-OUTRO e
não simplesmente um falar voltado para o
outro. (Buber)
• Na mutualidade o inter humano desabrocha.
• A atitude genuina cria, restaura ou resignifica
o ser.
• Na psicoterapia Infantil, usa-se o lúdico como
facilitador do encontro.
O Brincar COMO O PODER SER MAIS
LIVRE DO EXISTIR HUMANO
“Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em
uma hora de brincadeira do que em um ano de
conversa.” (Platão)
•Brincadeira é coisa séria. (Dito popular)
•Brincar é um estar-junto-com-mundo na afinação
do encantamento. (Heidegger)
•Brincar a partir do significado original significa
fazer ligações, prender,encantar e enredar. (B.
Cytrynowicz)
BRINCAR COMO INSTRUMENTO
TERAPÊUTICO
• Está mais próximo da brincadeira chamada
“seguir o mestre”. A criança conduz o terapeuta
acompanha.
• É o brincar que propicia ã criança encontrar a sua
liberdade frente ao mundo e o conhecimento mais
amplo de si e do outro.
• O brincar na relação terapêutica prioriza o sentido
para o qual aponta o enredo e as relações de cada
brincadeira.
Psicoterapeuta Infanto-juvenil
Atitude gestáltica
 Precisa compreender a criança para além de suas
características isoladas, articulando-as não só a
outras características do seu ser total, como
também a totalidade do contexto mais amplo do
qual ele faz parte.
 È necessário considerar a inevitável vinculação,
reciprocidade e retroalimentação entre fatores
emocionais, cognitivos, orgânicos,
comportamentais, sociais, históricos, culturais,
geográficos e espirituais. “ O MUNDO”
PSICOTERAPEUTA INFANTO-JUVENIL
Formação e Habilidades
• Precisa-se de conhecimento teórico e filosófico que
embase sua concepção de homem e de mundo.
• Necessita investir constantemente no seu crescimento
pessoal.
• Precisa estar familiarizado com a linguagem lúdica,
possuir espontaneidade, flexibilidade e disposição para
lidar com situações diversas.
• Ter disponibilidade para brincar e expor-se na brincadeira
o que inclui dramatizar, movimentar-se, sentar-se no
chão, tirar sapatos, sujar as mãos de tinta ou argila,sair
descabelado da sessão, arrumar e limpar a sala.
• Gostar de crianças. “Ter sido criança”.