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FISCALIZAÇÃO DO MTE REVELA IRREGULARIDADES GRAVES NO PLANTIO DE CANA ÀS USINAS NA REGIÃO DE GUARIBA

REPORTAGEM E FOTOGRAFIAS DE JUAN TORO

Na última semana de março a FERAESP acom- panhou a operação do Ministério do Trabalho e Emprego na equipe do Grupo Móvel de Fis- calização do Estado de São Paulo. Na ação desenvolvida nas propriedades de terra dos fornecedores de cana foram encontrados, em diversas frentes de trabalho da plantação de cana-de-açúcar, irregularidades, como a de que centenas de trabalhadores se encontravam sem registro, e pior, sem equipamento de segurança, sem banheiros, sem refeitórios, além de esta- rem expostos ao veneno do agrotóxico sem utili- zar nenhum equipamento de proteção.

A fiscalização ocorreu nas proximidades de Guariba e contou com dois grupos de fiscaliza- ção envolvendo seis fiscais do MTE no Estado de São Paulo.

A reunião de planejamento da ação fiscalizadora ocorreu na tarde de 26 de março às 15h no Mi- nistério Do Trabalho de Jaboticabal entre os fis- cais e diretores da FERAESP – Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo.

A cana-de-açúcar cultivada na região de Guariba alimenta principalmente três grandes USINAS, sendo: Usina Santa Adélia; Usina São Martinho do Grupo São Martinho; Usina Bonfim (Unidade Raízen).

grandes USINAS, sendo: Usina Santa Adélia; Usina São Martinho do Grupo São Martinho; Usina Bonfim (Unidade
grandes USINAS, sendo: Usina Santa Adélia; Usina São Martinho do Grupo São Martinho; Usina Bonfim (Unidade

O ESQUEMA

Os trabalhadores são atraídos por “gatos” que montam a equipe de trabalho de forma irregu- lar, onde os trabalhadores exercem sua força de trabalho sem vínculo empregatício e nenhuma proteção legal e social.

Os gatos viabilizam o transporte e o pagamento aos trabalhadores, mas sem qualquer direito tra- balhista. Os direitos previdenciários são os mais lesados, mas, também há fraude aos trabalha- dores quanto ao décimo terceiro salário, férias, insalubridade e não cumprimento do uso de EPI (Equipamentos de Proteção Individual), entre outros.

EPI (Equipamentos de Proteção Individual), entre outros. Quem é o dono do “GATO” É muito importante
EPI (Equipamentos de Proteção Individual), entre outros. Quem é o dono do “GATO” É muito importante

Quem é o dono do “GATO”

É muito importante visualizar a realidade, en- tender como ela funciona para poder responder com medidas efetivas e assim acabar com as ilegalidades que trazem prejuízo para a qualida- de do trabalho, para o respeito aos direitos tra- balhistas e à saúde dos trabalhadores.

O prejuízo que os trabalhadores sofrem serve

para alimentar a ganância daqueles que lucram

com a cana, e por incrível que pareça, o “gato” não é o maior beneficiado. Sabemos que a ca- na-de-açúcar não é vendida em supermercados, nem no sacolão, a cana-de-açúcar não chega

ao varejo, sabemos disso. A cana tem compra-

dor certo, que são as USINAS. Ou seja, o maior beneficiado com esse tipo de trabalho irregular são as USINAS.

Mas como isso funciona?

Pois bem, é uma rede muito bem planejada, para dar calote nos direitos trabalhistas e aumentar o lucro das USINAS, mas essa rede precisa não só do gato, precisa de terra. A rede é formada pela Usina que compra, pelo fazendeiro dono da terra que assina contratos de fornecimento de cana com a USINA e finalmente o Gato, que articula a força de trabalho para atender aos in- teresses do capital.

A Usina faz acordo com o Fornecedor que faz acordo com o Gato, e esse monta as equipes de trabalho e a cana no final da colheita vai às Usinas.

Um negocio redondo que atende aos usineiros e que maltrata os trabalhadores.

a cana no final da colheita vai às Usinas. Um negocio redondo que atende aos usineiros

PRECARIZAÇÃO E RISCOS

As frentes de trabalho fiscalizadas entre 27 e 28 de março de 2018 revelaram que os trabalha- dores se encontram exercendo seu trabalho de forma ilegal, sem carteira assinada e nenhum tipo de contrato, tendo seus direitos trabalhistas ignorados. Também revelou péssimas condi- ções de trabalho, pois os trabalhadores não re- cebem nenhuma refeição do empregador, estão sem banheiros, sem refeitórios e sem EPI, o que acarreta maior possibilidade de ocorrências de acidentes laborais graves, tais como cortes pro- fundos provocados pelo facão.

Uma jornada de trabalho extenuante que exige movimentos sistemáticos das 07:00h às 16:00h com pausa para que os trabalhadores comam a refei- ção trazida por eles mesmos e que guardam dentro do ônibus a tempera- turas nada recomendáveis.

dentro do ônibus a tempera- turas nada recomendáveis. Homens e mulheres que trabalham no plantio de

Homens e mulheres que trabalham no plantio de cana de forma irregular estão expostos a es- ses problemas, e muitos outros, no curto e longo prazo, com seus direitos desrespeitados obser- vam que a chance de receber aposentaria são mínimas, inexistentes caso a Reforma Previden- ciária proposta pelo Governo Temer seja votada e aprovada; problemas de saúde relacionados com os movimentos sistemáticos do plantio e, principalmente, a insalubridade provocada pela falta de espaços higiênicos e pelo uso de agro- tóxicos.

do plantio e, principalmente, a insalubridade provocada pela falta de espaços higiênicos e pelo uso de
FISCALIZAÇÃO SURPREENDE APLICAÇÃO DE AGROTÓXICO Na tarde do dia 27 de março a equipe de

FISCALIZAÇÃO SURPREENDE APLICAÇÃO DE AGROTÓXICO

Na tarde do dia 27 de março a equipe de fiscais surpreende aplicação do agrotóxico simultanea- mente com o plantio da cana-de-açúcar, os trabalhadores estavam totalmente expostos aos males provocados pelo agrotóxico. A fiscalização logrou encontrar as embalagens do veneno BORAL 500 SC, assim como sua bula, e nela pode-se ler “PRECAUÇÕES APÓS APLICAÇÃO: - Não entre na área tratada com o produto até o término do período de reentrada (24h)”.

Devemos lembrar que no Brasil houve entre 2007 e 2014 mortes por intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola que chegaram a 1.186 casos registrados.

entre 2007 e 2014 mortes por intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola que chegaram a 1.186