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IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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CLECIA SIMONE GONÇALVES ROSA PACHECO (Org.)

DESAFIOS SOCIOAMBIENTAIS E
PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Petrolina – PE
2018
IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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Organizadora:
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco

Editoração eletrônica:
Kellison Lima Cavalcante

Capa:
Daniel Júnior Freire

Comitê Científico:
Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Dr. Paulo Roberto Ramos
Dra. Luzineide Dourado Carvalho
Dr. Ednaldo Gomes da Silva
Dra. Kátia Rose Silva Mariano
Me. Christianne Farias da Fonseca Andrade
Me. Rosimary de Carvalho Gomes Moura
Me. Armando Ferreira do Nascimento
Me. Geraldo Vieira de Lima Júnior
Me. Kellison Lima Cavalcante
Me. Farnézio Castro Rodrigues
Esp. Reinaldo Pacheco dos Santos
Esp. Maria Edneide Torres

P116r Pacheco, Clecia Simone Gonçalves Rosa (Org.).


Desafios socioambientais e proteção do meio ambiente. /
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco (Organizadora). –
Petrolina: Editor Kellison Lima Cavalcante, 2018.
259f.: il.
Vários autores

ISBN: 978-85-920549-6-0

1. Meio Ambiente 2. Sustentabilidade 3. Semiárido 4.


Resumos
I. Título. II. Pacheco, Clecia Simone Gonçalves

CDU 502.3

Nota: os conteúdos, a formatação de referências e as opiniões externadas nesta obra são de responsabilidade exclusiva
dos autores de cada trabalho

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COMISSÃO DE ORGANIZAÇÃO DO IV WORKSHOP NACIONAL DE


MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE NOS TERRITÓRIOS
SEMIÁRIDOS
Ana Tereza Brito Cordeiro de Andrade
Antonia Rodrigues da Silva
Armando Ferreira do Nascimento
Anne Rose Rodrigues Barboza
Alana Millena Lopes Sampaio
Amanda Marques Ribeiro
Carolline Rodrigues Mota Borges
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Clístenes Amorim Benicio
Cintia Carvalho Felisberto
Debora Andrade Lima
Fabianne Amorim da Silva Santos
Iasmim Pereira Oliveira
Ismael Holanda do Vale
Izadora Gomes de Souza
Jaine Rodrigues Carvalho
Jamile Santos Brito
Jenifer Quele Alves Felix
Jessica Rayane Alves Bezerra
Kaliny Rodrigues Gomes
Kathianny Neris de Castro
Kellison Lima Cavalcante
Maria Edneide Torres Coelho
Milena da Rocha Gomes
Roana Maria de Souza Menezes
Ruana Sertão de Castro
Tainá Louise Lima dos Santos
Tainara Araújo Amorim
Tamires de Souza
Thamires Rodrigues Gomes
Winny Brenda Alves da Silva

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APRESENTAÇÃO

Grandes são os desafios enfrentados pela sociedade planetária no que tange à utilização
racional dos recursos naturais, da convivência sustentável com os mesmos, especialmente no
Semiárido brasileiro. Os avanços das fronteiras comerciais num mundo globalizado e integrado têm
dificultado a racionalização e a sustentabilidade dos recursos naturais, provocando,
consequentemente, a degradação ambiental.
Mediante esta desafiadora realidade, é fulcral a necessidade de repensar e reduzir os
impactos ambientais causados pelos humanos aos ecossistemas naturais. É indispensável o
cumprimento do que versa o Capítulo VI, artigo 225, da Constituição Federal “todos têm direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-
lo para as presentes e futuras gerações”.
Os problemas vivenciados são reflexos da interferência antropogênica no planeta e nos
ecossistemas. Tem-se uma intensificação da destruição da biodiversidade e da extinção de espécies;
do aquecimento global; do crescimento desordenado da população mundial; da poluição e da
indisponibilidade de água potável; dos agrotóxicos, entre outros. A questão dos resíduos sólidos e
efluentes soma um dos mais preocupantes desafios, no que tange à produção e destinação, cuja
solução perpassa pela compreensão do indivíduo como parte pertencente ao meio em que vive.
Sendo assim, os desafios socioambientais e a proteção do meio ambiente, a gestão e a
educação ambiental, as questões hídricas e de energias renováveis, as construções sustentáveis, a
conservações da fauna em Unidade de Conservações, o manejo ambiental no rio São Francisco, a
urbanização urbana, os ecossistemas subterrâneos e os paleossistemas ambientais, validam os
debates no IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios
Semiáridos, realizado na cidade de Petrolina, no período de 23 a 27 de julho de 2018.
Os eixos temáticos abordados nos cinco dias de evento, fundamentaram ao tema geral ―
Desafios Socioambientais e Proteção do Meio Ambiente, não apenas apontando as problemáticas
existentes nesses territórios, mas também, sinalizando sugestões para resoluções dos conflitos e
problemas socioambientais cotidianos e, acima de tudo, indicando as diretrizes para o
desenvolvimento dos resumos acadêmicos e científicos apresentados nos artigos deste E-Book.

Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco

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SUMÁRIO

1. Potencialidades no desempenho de argamassas de revestimento mediante a adição de lodo


de esgoto calcinado – João Victor da Cunha Oliveira; Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira;
Leila Soares Viegas Barreto Chaga................................................................................................... 10

2. Educação ambiental contextualizada em escolas da zona urbana de Petrolina – Camila


Oliveira Gândala Viana; Rosimary de Carvalho Gomes Moura ...................................................... 18

3. A integração sustentável entre o homem e a natureza: o despertar para consciência


ambiental – Maria Letícia Gomes dos Santos; Sidney Silva Simplicio; Caio César Costa Alencar;
Yolanda Vitória Lima Pereira Maia; Maria Elisangela de Souza Magalhães; Edjane de Souza
Campos............................................................................................................................................... 27

4. A ludicidade e a Educação Ambiental: a importância da mudança de hábito e postura –


Patrícia da Costa Souza; Clécia Simone G. Rosa Pacheco .............................................................. 33

5. Contextualização do ensino de geografia e química: a vegetação da caatinga como foco


interdisciplinar na EJA – Reisiane da Silva Pinheiro; Katianne Fernanda de Souza Amorim;
Luzivete de Lima; Maria Elisangela de Souza Magalhães; Edjane de Souza Campos; Sidney Silva
Simplicio............................................................................................................................................. 38

6. Consciência ambiental e o conceito de Ecosofia na formação ecológica – Kellison Lima


Cavalcante ......................................................................................................................................... 42

7. Análise descritiva da precipitação, vazão afluente e vazão defluente do lago Serra da Mesa-
GO – Thaana de Paula Rodarte; Cássia Monalisa dos Santos Silva; João Victor da Cunha
Oliveira; Edna Maria Rodrigues ....................................................................................................... 47
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8. A vulnerabilidade socioambiental em Bodocó (PE) e os desafios da sustentabilidade –


Rosany Carvalho Lócio de Albuquerque; Cícero Harisson dos Santos Souza.................................. 56

9. Aspectos produtivos de alface (Lactuca sativa L) através da interação entre irrigação com
água em diferentes níveis de salinidade e biofertilizante – Cathylen Almeida Félix Galindo; Évio
Alves Galindo; Josevânia Alencar da Costa; Romário Monteiro Horas; Francisca Jayane Ferreira
da Cruz ............................................................................................................................................... 63

10. Alimentos transgênicos como tema interdisciplinar nas disciplinas de biologia e química
da educação de jovens e adultos (EJA) – Taliany Villa Verde; Sidney Silva Simplicio; Mônica
Dias de Souza Almeida ...................................................................................................................... 69

11. Mapeamento bibliográfico, sobre a “formação técnica de jovens do campo e sua relação
com a ecologia humana” – Alexandre Junior de Souza Menezes; Adelson Dias de Oliveira;
Ricardo Jose Rocha Amorim.............................................................................................................. 73

12. Aplicabilidade do lodo de esgoto calcinado em substituição ao cimento Portland para


argamassas de revestimento – Miriam de Normando Lira; João Victor da Cunha Oliveira; Leila
Soares Viegas Barreto Chagas; Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira .................................. 84

13. Utilização de Substratos Orgânicos no Cultivo do Tomate (Solanum lycopersicum) – Caio


César Costa Alencar; Edjane de Souza Campos; Katianne Fernanda de Souza Amorim; Maria
Elisangela de Souza Magalhães; Maria Letícia Gomes dos Santos; Reisiane da Silva Pinheiro;
Sidney Silva Simplicio; Yolanda Vitória Lima Pereira Maia ............................................................ 92

14. A logística reversa aplicada às embalagens de agroquímicos – Gessica Aline Costa dos
Santos; Rayane de Sousa Silva; Ianca Carneiro Ferreira; Clécia Simone G. Rosa Pacheco .......... 98

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15. La labor educativa desde el proyecto “Costa Viva” en comunidades vulnerables de la


Ciudad de Manzanillo – Maikel José Ortiz Bosch; Susel Noemí Alejandre Jiménez; Rafael Claudio
Izaguirre Remón ............................................................................................................................... 102

16. Efeito do extrato aquoso das sementes de araticum (Annona montana) no controle de
pulgão (Brevicoryne brassicae) – Marcos Xavier de Sousa ........................................................... 110

17. Potencialidade do reuso de água na agricultura irrigada: uma ferramenta da engenharia


ambiental – Kellison Lima Cavalcante ........................................................................................... 115

18. (Re)Educação ambiental no ensino médio na disciplina de Química: lixo reciclável com
garrafões de água – Izabel Pesqueira Ribeiro de Araujo;, Clecia Simone G. Rosa Pacheco ....... 121

19. Produção de sabão ecológico com alunos da EJA nas disciplinas de biologia e química –
Geisiele de Souza Teotonio; Katianne Fernanda de Souza Amorim; Reisiane da Silva Pinheiro;
Edjane de Souza Campos; Maria Elisangela de Souza Magalhães; Geazi Rosa Oliveira
Teotonio ........................................................................................................................................... 126

20. Zoneamento ecológico-ambiental em território fluvial urbano: um estudo da orla de


Petrolina/PE – Clecia Simone G. Rosa Pacheco; Reinaldo Pacheco dos Santos; Ketylen Jessica
Siqueira Silva ................................................................................................................................... 131

21. Estratégias de geoconservação e desenvolvimento local no sítio geomorfológico serrote do


Urubu, Petrolina-PE – Ericleide Macedo Fernandes; Luciana Freitas de Oliveira França; Lucas
Costa Souza Cavalcanti; Márcia Evangelista Sousa ........................................................................ 139

22. Comportamento mecânico das argamassas de revestimento através da inserção de cinzas


do lodo de esgoto – Rodolfo Barros de Araújo; João Victor da Cunha Oliveira; Leila Soares
Viegas Barreto Chagas; Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira ............................................ 147

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23. Construção e avaliação de secador solar de baixo custo com convecção forçada de ar para
a desidratação de frutas – Bruno Emanuel Souza Coelho; Itamara Rayanny Bessa de Carvalho;
Thais Almeida Cordeiro de Melo; Cícero Henrique de Sá; Laurenielle Ferreira Moraes da Silva;
Karla dos Santos Melo de Sousa; Neiton Silva Machado; Jenilton Gomes da Cunha ................... 155

24. O Uso da Fotografia como Instrumento Didático para o Ensino da Educação Ambiental
na Escola de Referência em Ensino Médio Otacílio Nunes de Souza – Keytti Marone Ferreira
Silva; Rosimary de Carvalho Gomes Moura ................................................................................... 162

25. Incorporação do resíduo da bauxita industrial como substituto parcial do agregado


miúdo em tijolos de solo-cimento para uso em alvenaria – João Victor da Cunha Oliveira;
Anekeli Soares de Oliveira; Cássia Monalisa dos Santos Silva; Aline Figueirêdo Nóbrega de
Azerêdo; Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira .................................................................... 177

26. La Educación Ambiental alternativa para el desarrollo sostenible desde la Cultura


Ambiental – Luis Manuel Díaz-Granado Bricuyet; Esteban de los Milagros Torres Ramírez;
Marlene Leyva Martínez .................................................................................................................. 186

27. Desenvolvimento do feijão-caupi irrigado com água proveniente do Açude Tamboril em


Ouricuri-PE e em diferentes níveis de salinidade – Évio Alves Galindo; Sebastião Lopes
Cordeiro Junior; Cathylen Almeida Félix Galindo; Farnézio de Castro Rodrigues; Marlon Gomes
da Rocha .......................................................................................................................................... 198

28. Inventário paleoambiental dunar da ecorregião dunas do São Francisco – Clecia Simone
G. Rosa Pacheco; Reinaldo Pacheco dos Santos; Ingrid Maria Gomes dos Santos Costa ............ 207

29. Potencialidades da baraúna (Schinopsis brasiliensis Engl.) e ameaça de extinção – Denilça


Souto Silva; Danilo Diego de Souza ................................................................................................ 212

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30. Impactos ambientais no bioma Caatinga dentro do projeto Curaçá NH-03, Distrito de
Itamotinga, Juazeiro-BA – Andreza Felizmina de Souza Subrinho; Rosimary de Carvalho Gomes
Moura ............................................................................................................................................... 219

31. La labor educativa desde el proyecto “Costa Viva” en comunidades vulnerables de la


Ciudad de Manzanillo – Maikel José Ortiz Bosch; Susel Noemí Alejandre Jiménez; Rafael Claudio
Izaguirre Remón ............................................................................................................................... 230

32. Recaatingamento: sustentabilidade das linhas de ações na comunidade de Curral Novo –


Juazeiro (BA) – Ayane Samilla Domingos da Silva; Clecia Simone G. Rosa Pacheco ................. 239

33. Importância da Educação Ambiental nas escolas estaduais de ensino fundamental II, da
zona urbana do município de Casa Nova-BA – Marina da Cruz Rocha; Rosimary de Carvalho
Gomes Moura ................................................................................................................................... 257

34. Hacia una integración multidisciplinaria en función del desarrollo agropecuario


sostenible en Inglés con Fines Profesionales – Yasmel Bertot Savòn ........................................... 258

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POTENCIALIDADES NO DESEMPENHO DE ARGAMASSAS DE


REVESTIMENTO MEDIANTE A ADIÇÃO DE LODO DE ESGOTO
CALCINADO

João Victor da Cunha Oliveira1, Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira2,


Leila Soares Viegas Barreto Chagas3
1,2
Instituto Federal da Paraíba – Campus Campina Grande. R. Tranqüilino Coelho Lemos, 671 - Dinamérica - Campina Grande –
Paraíba – Brasil. CEP: 58.432-300 / Telefone: (83) 2102.6233 / E-mail: 1 joaovictorwo@gmai.com; 2 frankslale.meira@ifpb.edu.br
3
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Salgueiro. BR 232, Km 508, s/n - Zona Rural - Salgueiro – Pernambuco –
Brasil. CEP: 56.000-000 / Telefone: (87) 3421.0050 / E-mail: 3 leila_viegas@hotmail.com

RESUMO: A correta destinação do lodo de esgoto é tratada de forma controversa, principalmente na atualidade, pela
geração de grandes volumes advindos das Estações de Tratamentos de Esgotos, que por sua vez, aumentaram sua
demanda de coleta de esgoto pelo crescimento desenfreado da população nas últimas décadas. As certificações
ambientais que regem as melhores formas de manuseio e descarte de resíduos com alto poder nocivo primam pelas
práticas ambientais que trazem benefícios consideráveis ao ecossistema danificado, da mesma forma que a criação de
propostas alternativas para designar uma aplicação efetiva do mesmo corrobora com a atuação enfática das leis e
normativas ambientais para redução da carga ambiental que é gerada diariamente. Como alternativa à destinação
incorreta do lodo de esgoto, as argamassas de revestimento surgem como mecanismo inovador na criação de um
material não convencional aditivado com resíduo que após tratamento térmico, confere melhores propriedades físico-
mecânicas em aspectos de durabilidade, além de favorecer com que as quantidades de cimentos e CO 2 sejam reduzidas
paulatinamente mediante a substituição do aglomerante pela adição mineral.

Palavras-chave: Argamassas de Revestimento, Lodo de Esgoto Calcinado, Potencial de Uso

Potential performance of coating mortars by adding calcined sewage sludge


ABSTRACT: The correct allocation of sewage sludge is treated in a controversial way, mainly at present, by the
generation of large volumes coming from Sewage Treatment Stations, which in turn, increased its demand for sewage
collection by the unbridled growth of the population in the last decades. The environmental certifications that govern
the best ways of handling and disposing of waste with high harmful power are due to environmental practices that bring
considerable benefits to the damaged ecosystem, in the same way that the creation of alternative proposals to design an
effective application of the same corroborates with the performance environmental laws and regulations to reduce the
environmental burden that is generated daily. As an alternative to improper disposal of sewage sludge, coating mortars
appear as an innovative mechanism in the creation of a non-conventional material added with residue that, after thermal
treatment, gives better physico-mechanical properties in terms of durability, besides quantities of cements and CO 2 are
gradually reduced by replacing the binder with the mineral addition.

Keywords: Coating Mortars, Calcined Sewage Sludge, Potential for Use

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(CUNHA OLIVEIRA; MEIRA; CHAGAS, 2018)

Introdução
Diante do crescimento acelerado dentro dos grandes centros urbanos atrelado à falta de
planejamento prévio na recepção de massas urbanas com aumento progressivo, a administração
pública impossibilita com que se execute de forma correta e sustentável modelos de gestão dos
resíduos gerados pela população. O aumento da demanda populacional faz-se aumentar os serviços
que geram qualidade de vida, e o saneamento básico é posto em ênfase pelo problemático ciclo no
tratamento dos esgotos (Bahadori & Hosseini, 2018), e na consequente geração do lodo de esgoto,
subproduto da etapa de decantação das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
A geração do lodo de esgoto, mediante o processo de tratamento dos efluentes produzidos
pela população, aumenta na medida que o processo de tratamento introduzido ao sistema das ETEs
prioriza atender os requisitos de qualidade cada vez mais rígidos na destinação do resíduo, e o
descarte correto com taxas de deterioração ambiental mais baixas tornou-se problema em muitos
países, utilizando aterros sanitários ou terras agrícolas, para adubação de determinadas culturas,
como destino da maior parcela produzida (Chen & Poon, 2016; Nakić et al., 2017).
Grande parte dos estudos desenvolvidos adotam como medida para dirimir tal volume de
lodo de esgoto o uso de tratamento térmico na formação de cinzas (Donatello & Cheeseman, 2013),
pois facilitam no processo de manego. Em regiões do mundo onde a extensão territorial da cidade é
restrita, opta-se pela incineração em grande escala, podendo calcinar volumes de até 2000 toneladas
de lodo de esgoto diariamente (Chen & Poon, 2017).
Cyr et al. (2007), relatam que anteriormente, por grande parte do lodo produzido possuir
destino de uso na agricultura, é recente a adoção de técnicas que incineram esse resíduo para
facilitar seu manuseio e sua inserção em outros setores industriais, bem como em materiais de
construção. Esse processo de queima em elevadas temperaturas reduz o peso do lodo bruto em
aproximadamente 70%, e em volume 90% (Nakić et al., 2018), e não obstante, prioriza-se assim
recuperar os resíduos como matéria-prima para fabricação de bens de consumo, ao invés de
descartá-los sem buscar formas de minimizar o aumento dos desequilíbrios ambientais (Valls &
Vàzquez, 2001).
Buscando atender aos requisitos ambientais expedidos para o melhor manuseio e destinação
do lodo de esgoto gerado no tratamento dos efluentes em ETEs, efetiva-se a ação sustentável
através da aplicação do resíduo tratado termicamente em materiais de construção, reduzindo a carga
ambiental advindos dos compostos deletérios que o compõem, e alavancando a criação de novos
materiais de construção a partir da aplicação do mesmo em produtos de matriz cimentícia,
convergindo para uma gradual redução na problemática destinação do lodo de esgoto por meio do
uso das cinzas em argamassas de revestimento.

Revisão
As exigências de mercado associadas à corrida pela entrega dos imóveis dentro dos prazos
estabelecidos, configuram-se como as principais causadoras da ineficiência dos materiais quanto ao
cumprimento das exigências mínimas de conforto e desempenho. Apesar de poucos os estudos que
avaliam a eficiência de argamassas (Balapour et al., 2018), atestar o comportamento adequado dos
materiais no aumento de sua durabilidade elevam o tempo de vida útil da edificação, onde Pimentel
(2004), ressalta esse parâmetro como a capacidade em resistir às intempéries, ataques químicos,
abrasão ou qualquer outro processo degradativo.
As adições minerais desenvolvidas a partir de resíduos gerados em processos industriais são
utilizadas, na maioria das vezes, como mecanismos de mitigação do avanço de agentes deletérios
até a matriz hidratada dos materiais a base de cimento Portland. O lodo de esgoto tem sido discutido
nas últimas décadas em pesquisas que o utilizam como matéria-prima na construção civil (Ingunza
et al., 2018), e pelo seu grande volume gerado atrelado à busca na redução da deposição em aterros,

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(CUNHA OLIVEIRA; MEIRA; CHAGAS, 2018)

a incineração tornou-se um fator alternativo, além de utilizar-se do próprio resíduo na recuperação


de energia durante a produção das cinzas (Lynn et al., 2018).
As cinzas coletadas após o processo térmico possuem potencial pozolânico, atuando como
material cimentício suplementar durante as reações de hidratação do cimento, ratificando melhor
resistência à argamassa (Vouk et al., 2017). Grande parte do lodo de esgoto calcinado é composto
por sílica, alumina e ferro, podendo ser definido como um metacaulim reciclado devido à
possibilidade de substituição do cimento justificada pela produção de calcita e caulinita,
argilominerais úteis à indústria da construção civil (Banfill & Frias, 2007; Liu et al., 2018).
O potencial cimentício que as cinzas do lodo de esgoto expõem, favorecem com que, além
da produção de composto hidratado de baixa densidade, conhecido como silicato de cálcio
hidratado (C-S-H), efetiva o refinamento da estrutura porosa (Huynh et al., 2018), proporcionando
um aumento considerável na resistência mecânica, bem como a produção de uma frente de
carbonatação substancialmente melhorada, restringindo a penetração de íons cloreto e íons sulfato
no material, ocasionando no aumento da durabilidade.
A exposição dos materiais de matriz cimentícia às situações de uso críticas, promovem à
realização de testes para mensurar e caracterizar como comporta-se os compostos hidratados em
condições de contorno diferenciadas, fazendo uso de metodologias que aceleram o processo
degradativo. Souza (2008), explana que ensaios de envelhecimento acelerado produzem o avanço
significativo das reações químicas, sendo o parâmetro que corroboram resultados mais confiáveis
por envolver o monitoramento de construções reais de uso. Mehta & Monteiro (2008), explanam
ainda que, todo e qualquer material que deteriora de tal forma a ponto de ser onerosa e insegura a
sua manutenção, compreende-se que o mesmo atingiu seu estado limite de durabilidade pelas
propriedades não atuarem mais em conformidade ao ciclo de vida útil da edificação.

Discussão
Os estudos de argamassas com o uso do lodo de esgoto calcinando substituindo parcialmente
o cimento Portland, salientam uma medida sustentável que abarca dois problemas atuais: redução
do uso do cimento pelas altas deposições de CO2 na atmosfera (Naamane et al., 2016), e adoção do
lodo de esgoto para uso em bens de consumo que envolvam materiais cimentícios, favorecendo,
através de tratamento térmico, seu uso ecológico como material secundário (Lynn et al., 2015).
É sabido que o processo de calcinação do lodo de esgoto é utilizado de forma excessiva e
promissora em ETEs de grande porte, e por mais que se suscite frações de poluentes durante o
processo, utiliza-se para criação de materiais de construção totalmente seguros a adoção da própria
cinza produzida como mecanismo estabilizador (Cieślik et al., 2018). Esse tratamento térmico
utilizado para reduzir consideravelmente o volume de lodo de esgoto produzido confere ao resíduo
o potencial de produzir propriedades cimentícias quando na presença de Ca(OH)2, consumindo-o
durante a reação para produção de C-S-H, aumentando a durabilidade da pasta quando endurecida
(Vouk et al., 2018; Costa, 2014).
As argamassas criadas mundialmente através da aplicação das cinzas do lodo de esgoto,
promovem aspectos benéficos às propriedades mecânicas durante e após o estado fresco. Aspectos
estéticos e técnicos foram estudados em argamassas com 20% de substituição do cimento,
utilizando separação eletrolítica de bancada para obtenção das cinzas do lodo de esgoto, o que
produziu efeitos similares ao traço base (Kappel et al., 2018), e através do aumento do tempo de
moagem, produziu-se argamassas mais avermelhadas e com menor desvio padrão nas resistências à
compressão (Kappel et al., 2017). Em idades de hidratação avançadas, as cinzas conferem
resultados positivos em argamassas com 25 e 30% de substituição do cimento Portland (Cyr et al.,
2007), enquanto que a substituição em 15% avaliada aos 90 dias de cura supera os valores das
argamassas de referência (Naamane et al., 2016). Em resistências mais inferiores, a mesma pode ser
aplicada como estabilização de sub-base de rodovias (Pavšiĉ et al., 2014).
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(CUNHA OLIVEIRA; MEIRA; CHAGAS, 2018)

O comportamento das argamassas quando hidratadas é objeto de estudo no que concerne a


capacidade de resistir aos esforços diários e incidência de agentes deletérios à matriz hidratada.
Parâmetros que configuram de forma coesa o modo com comporta-se o material a longo prazo
envolvem a identificação das fases cristalinas e avaliação da perda de massa, averiguando quais
compostos químicos são formados durante um processo de degradação forçada.
Estudar a estrutura e morfologia dos grãos do lodo de esgoto, quando calcinado, torna-se um
grande aliado acerca da compreensão de seu comportamento em argamassas após a incorporação do
resíduo em substituição ao cimento, da mesma forma que, a realização da identificação dos
compostos que favorece a correta liberação de C-S-H, de baixa densidade, é promovida quando
amostras são estudadas microestruturalmente. A Figura 1, com ampliação de 5 vezes, denota que as
cinzas do lodo de esgoto calcinado na temperatura de 600°C trazem uma rugosidade advindo do
processo degradativo em forno mufla, da mesma forma que a tortuosidade na morfologia dos grãos
promove boa reatividade com o hidróxido de cálcio, gerando durante o processo de hidratação do
cimento Portland o silicato de cálcio hidratado.

Figura 1: Microscopia óptica de lodo de esgoto calcinado à 600°C.

Fonte: Autores (2018).

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(CUNHA OLIVEIRA; MEIRA; CHAGAS, 2018)

Outra temperatura observada com o auxílio de microscópio óptico foi a de 700°C, também
bastante adotada nos estudos que desenvolvem novos materiais com esse tipo de resíduo. Através
do processo de desidroxilação da caulinita presente no material, a estrutura do resíduo torna-se
amorfa e altamente reativa em intervalos de queima de temperaturas superiores à 600°C, e
inferiores à 900°C, que por ventura estão suscetíveis à cristalização e redução do potencial reativo
na presença de hidróxido de cálcio quando já próximas de 1000°C. A Figura 2 mostra que a
estrutura do material após preparação para o uso efetivo em argamassas, expõe pequena diferença
de compostos químicos produzidos durante o tempo de isoterma, da mesma forma que a reação
buscada durante o procedimento natural de hidratação da matriz cimentícia na presença das cinzas
torna-se mais veemente quando a temperatura ultrapassa 700°C, conferindo melhores propriedades
às argamassas.

Figura 2: Microscopia óptica de lodo de esgoto calcinado à 700°C.

Fonte: Autores (2018).

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(CUNHA OLIVEIRA; MEIRA; CHAGAS, 2018)

Kulakowski (2002), afirma que em função da modificação microestrutural da matriz


hidratada mediante o uso de adições minerais, há a minoração do efeito de transporte de massa no
interior do compósito, ao qual infere no aumento da durabilidade frente às soluções aquosas que
danificam a sua estrutura porosa, fator de grande interferência na vida útil das argamassas (Mota et
al., 2016).
Laboratorialmente, existem três métodos que são favoráveis à avaliação da durabilidade:
envelhecimento acelerado por ciclos de molhagem e secagem, envelhecimento natural, e
deterioração em uso (Souza, 2008). A autora ensaiou argamassas com cinzas e cascas de arroz
submetendo os protótipos às condições inóspitas de ciclos de molhagem e secagem, avaliando a
perda de massa, bem como os compostos cristalinos até 360 dias de cura. Argamassas com resíduos
também foram avaliadas frente ao envelhecimento acelerando, e natural, em períodos de até 180
dias de cura, averiguando a resistência à compressão e diagrama de fases cristalinas frente à
quantidade de ciclos adotada para cada traço (Farias Filho et al., 2011).
Observa-se que a carbonatação dos materiais cimentícios, quando em contato com gases
como o CO2, ocorre mais rapidamente pela redução do pH do material, obstruindo os poros e
equilibrando as condições do compósito com o ambiente ao qual está exposto (Kulakowski, 2002).
A estudiosa afirma que em substituições do cimento por sílica ativa em até 10%, ratifica-se o
avanço da frente de carbonatação em velocidade semelhante às misturas de referência. A avaliação
estrutural da tortuosidade da rede porosa também é objeto de estudo atual, atentando-se ao teor de
cloreto e a profundidade carbonatada em ambientes que simulam ciclos de molhagem e secagem,
para induzir a uma decomposição das fases cristalinas formadas no processo de hidratação,
nomeado temporariamente como fenômeno máximo (Chang et al., 2018).
Logo, pode-se observar que promove-se, mediante a inserção do lodo de esgoto calcinado
nas argamassas, que os fatores cruciais na determinação da durabilidade dos materiais de
revestimento argamassado prosperem no aumento da vida útil, bem como, as cinzas do lodo de
esgoto, através da ativação térmica, confiram parâmetros físico-mecânicos mais elevados frente às
ações de agentes deletérios, que em comparação com composições convencionais adotadas do
mercado, estas últimas denotam maior passividade no ataque e deterioração do material.

Conclusões
Pode-se compreender que na atualidade, as tecnologias não convencionais que são estudadas
trazem um potencial de inovação que permeia a ciência junto da tecnologia de ponta produzida em
diversos centros de pesquisa, e aliado ao correto direcionamento de subprodutos com carga
ambiental considerável, como o lodo de esgoto, as argamassas de revestimento de alvenaria atuam
como agentes fundamentais na absorção desse resíduo como uma adição mineral com grande
favorecimento na melhora das propriedades das argamassas de forma inicial e a longo prazo.
Os fatores avaliados que envolvem as vertentes de durabilidade dos materiais de construção
são vislumbrados de forma sutil, pois pequenos percentuais de resíduos, após o processo de ativação
térmica e criação de estruturas amorfas e reativas, ressaltam que para a rede microestrutural possa
ser melhorada, e em paralelo, a cadeia que envolve a produção de cimento e descarte em massa do
lodo converte-se na redução do uso de cimento, grande produtor de CO2, além de uma destinação
mais plausível e ecoeficiente do lodo para determinando processo de produção de material com uso
em grande escala.

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL CONTEXTUALIZADA EM ESCOLAS DA ZONA


URBANA DE PETROLINA

Camila Oliveira Gândala Viana¹, Rosimary de Carvalho Gomes Moura²


1
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano – Instituto Federal do Sertão Pernambucano -
Petrolina. Endereço da instituição: Rua Maria Luzia de Araújo Gomes Cabral, 791 - João de Deus - Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP: 56316-686 / Telefone: (87) 2101-4300 / E-mail: 1 camilagandala@yahoo.com.br;
2
Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina. Endereço da instituição: Rodovia BR 203, Km 2, s/n - Vila Eduardo - Petrolina –
Pernambuco – Brasil. CEP: 56328-903 / Telefone: (87) 3866-6468 / E-mail: 2 netanel@uol.com.br;

RESUMO: O objetivo da pesquisa foi realizar um levantamento documental com publicações referentes a trabalhos de
educação ambiental contextualizada no bioma Caatinga, em escolas públicas da cidade de Petrolina. Foi vista a
necessidade de apresentar a preocupação que a educação da cidade possui com futuros cidadãos sobre o ensino e
aprendizagem através da educação ambiental em conjunto aos conhecimentos que eles adquirem da localidade onde eles
moram. Assim constatado que as publicações de projetos com o alunado na temática ambiental somente foram
encontrados na revista Contexto, na qual pertence à Secretaria de Educação de Petrolina, onde foi criada no ano de 2010
em caráter semestral, contando com 14 edições até a presente data. Para tanto as escolas Municipais realizam projetos
que não são contextualizados e em menor número, projetos contextualizados da região, à conservação e conhecimento
da Caatinga. Em conclusão parcial, percebeu-se que muitos trabalhos são desenvolvidos no âmbito escolar não sendo
publicadas ao término, em contrapartida são necessários mais projetos elaborados com contextualização desse
ecossistema nas escolas para a conservação.

Palavras-chave: Meio Ambiente; Bioma Caatinga; Semiárido; Sustentabilidade e Ensino Aprendizagem.

Environmental education contextualized in schools in the urban area of


Petrolina
ABSTRACT: The objective of the research was to carry out a documentary survey with publications referring to
environmental education work contextualized in the Caatinga biome, in public schools of the city of Petrolina. It was
seen the need to present the concern that the education of the city has with future citizens about teaching and learning
through environmental education together with the knowledge they acquire from the locality where they live. Thus it
was verified that the publications of projects with students in the environmental theme were only found in the magazine
Contexto, in which it belongs to the Education Department of Petrolina, where it was created in the year of 2010 in a
semiannual character, counting on 14 editions until the present date. For this purpose, the municipal schools carry out
projects that are not contextualized and in smaller numbers, contextualized projects of the region, conservation and
knowledge of the Caatinga. In partial conclusion, it was noticed that many works are developed in the school
environment and are not published at the end, in contrast, more elaborated projects are needed with contextualization of
this ecosystem in the schools for conservation.

Keywords: Environment; Caatinga Biome; Semiarid; Sustainability and Teaching Learning

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Introdução
A Educação Ambiental (EA) se consolida como política pública no Brasil, inserida no
ensino formal decorrente de exigência e mobilização (Ministério da Educação, 2015), como
também os conhecimentos prévios das experiências cotidianas dos educandos, que pode processar
no âmbito escolar e outros âmbitos da sociedade (Aguiar et al., 2017). Para Morales (2004), a
Educação Ambiental é a condição básica para alterar um estado crítico, perturbador e desordenado,
recheado de crescente degradação socioambiental, para que se torne importante no contexto
sociocultural privilegiar racionalidade no saber ambiental. Parte do pressuposto que a EA, é a
educação voltada ao conhecimento do Meio Ambiente (MA), estrutura, suas leis, funcionamento,
visando sempre uma mudança de pensamento, atitude e claro com conscientização da importância
da conservação ambiental, sempre pensando eticamente (Aguiar et al., 2017) em relação individual
e ao coletivo.
Portanto, a educação ambiental deve ser centrada e fazer parte do processo ensino
aprendizagem, ser peça motriz que efetiva formar um ser humano, e, portanto, não informativo,
com o objetivo de cumprir o papel da conscientização do alunado ajudando-o na aquisição da
cidadania (Santos, 2009), da ética e civilidade. Como a escola e instituições de ensino tem a
obrigação de se fazer entender e aumentar o esforço para a evolução desse tema e de como trabalhá-
lo em sua forma mais sublime, crítica e transformadora (Barros, 2009). É um processo de
aprendizagem permanente que deve desenvolver conhecimento, habilidades e motivações para
adquirir valores necessários para lidar com questões e problemas ambientais e encontrar soluções
sustentáveis (Dias, 2003 Apud Tannous & Garcia, 2008).
Em 1999 desponta a Política de Educação Ambiental (LEI N° 9795), em 27 de Abril.
Assim, a Lei define a educação ambiental, apresenta seus princípios básicos e objetivos
fundamentais, exalta sua importância, além de definir a sua educação formal e não formal. (Brasil,
2018; Ministério do Meio Ambiente, 2018; STJ, 2017). E assim, até os anos mais recentes ainda vê-
se muito esforço do Brasil e do mundo com a temática e a importância de se esforçar para cuidar
dos seres vivos e bem como do planeta como organismo único.
Atualmente, a região da Caatinga tem 47 unidades de conservação com variados regimes de
gerenciamento (16 federais, 7 estaduais e 24 privadas) que somam 4.956 km2, aproximadamente
6,4% do bioma (Silva et al., 2004), sendo que após a criação do Refúgio da Vida Silvestre do Tatu-
bola a partir de 2014 foi para 51 UC‟s. No entanto, apenas 11 unidades de conservação, cobrindo
menos de 1% da região, são áreas de proteção integral, como parques nacionais, estações ecológicas
e reservas biológicas. Possuindo o menor número de unidades de conservação e a menor área
protegida dentre todos os ecossistemas brasileiros. Porém, é de esperar, pois existem muito menos
estudos e interesses no Bioma. E para piorar a situação, as unidades de conservação falham em
proteger toda a biodiversidade da Caatinga. Por exemplo, dos 13 principais tipos de vegetação
reconhecidos para a Caatinga (Prado, 2003), quatro não têm nenhum tipo de unidade de
conservação (Silva et al., 2004; Leal et al., 2003).
Segundo Leal (2005) existe no momento três objetivos mais importantes para a conservação
do Bioma Caatinga e sua implementação: (1) evitar maiores perdas de habitat e desertificação; (2)
manter os serviços ecológicos-chave necessários para melhorar a qualidade de vida da população; e
(3) promover o uso sustentável dos recursos naturais da região.
Como em qualquer região do planeta não se preserva se não conhece. Como dito
anteriormente o Bioma Caatinga trata-se de um ecossistema carente de atenção, principalmente dos
órgãos públicos ambientais, de fiscalização e cuidados. Visto que o analfabetismo ambiental atinge
essas regiões devido ao grande número de pessoas em situações de pobreza extrema e falta de
informações básicas, é notória entender a necessidade de maior preocupação com a educação
ambiental inserida no cotidiano dos “Caatingueiros”. É um desafio claro a ser perpassado, em que

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as instituições de ensino da região Pernambucana, por exemplo, tem ciência e estudos para vencer a
realidade atual.
A escola é um ambiente que agrega valores morais e sociais, além de ser uma instituição
inclusiva, ela aborda temas de suma importância para o desenvolvimento do ser humano.
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN‟s (Ministério da Educação, 1998) não devem ser deixados
de serem trabalhados por parte dos docentes pela sua essencialidade. Os exemplos têm o Tema
Transversal - Meio Ambiente, com objetivos gerais de identificar-se como parte integrante da
natureza. Percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação
criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente (Campos, 2012).
De problema, a existência da descontextualização, da biologização dos conteúdos e da
prática docente e a abordagem disciplinar tendem a se tornar uma perspectiva, quase que
invariavelmente, encontrada na escola. Os frutos dessa perspectiva são em geral ações do tipo
individualista, que focam o comportamento dos indivíduos, mas não a crítica ao sistema que funda
tais comportamentos e os problemas socioambientais (Leal, et al., 2003).
A educação ambiental em si garante a importância de ser trabalhada na escola por ser
multifacetada em assuntos diversos, inclusive por falar sobre sua própria geração de resíduos, em
que se pode ser trabalhada no sentido de envolver os alunos, pais e funcionários, para que essa
situação se modifique, sendo transformado em novo hábito (Gomes, 2014). É de suma
importância que esse conhecimento seja contextualizado ao modo de viver de uma localidade. O
aprendizado na escola, além das disciplinas obrigatórias do currículo nacional, deverá existir os
temas que é de imprescindível aplicação para formação básica da criança, como o tema Ambiental,
apresentada pela nomenclatura Educação Ambiental, indo além da mediação do conhecimento e do
aprimoramento das habilidades e competências (Feitoza e Carvalho, 2017).
Espera-se sempre a aceitação de mudanças, de novas práticas para o tempo de vida útil dos
recursos materiais e ambientais, como a da separação de lixo para reciclagem, economia de água,
compostagem de material orgânico, e ainda construção de uma horta escolar com intuito de fazê-los
perceber a dinâmica da responsabilidade com a natureza, com desenvolvimento dos ecossistemas e
importância para com a vida. Assim, a escola se reinventa, por uma aprendizagem mais
significativa, cidadã e valorizada (Rodrigues, 2014). Sempre são aguardadas as transformações,
principalmente dos alunos e alunas, em agentes multiplicadores ativos para a comunidade local,
ensinando-os a tirar proveito da melhor convivência para maior qualidade de vida, cuidados e
conservação do meio ambiente e bioma Caatinga.

Material e Métodos
Toda a pesquisa permeou a investigação, se iniciando com muita leitura sobre os assuntos
definidos e similares, em publicações diversas com confiança, além de um olhar atento ao tema em
mídias e canais de comunicação. Houve a devida preocupação com a escolha das fontes, realizada
em revistas, artigos e sites preocupados com a verdade e transparência, devidamente publicados em
fontes confiáveis.
Exatamente como expõem os autores Manzo (1971) Apud Marconi e Lakatos (2003) e Gil
(2008), a bibliografia oferece meios para definir e resolver problemas já conhecidos e explora novas
áreas onde os problemas ainda precisam ser melhores discutidos, além da vantagem de permitir o
investigador a uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar
diretamente, no qual acontece, onde existem dados muitos dispersos pelo tema abrangente como o
Meio Ambiente e Educação Ambiental, que se objetiva nessa empreitada afunilar os objetivos às
escolas na região, com enfoque no Bioma Caatinga.
Ao definir os objetivos, percebeu-se que não foi exigida uma confirmação para obter os
resultados que se esperava alcançar, portanto o método dedutivo foi o que melhor se encaixou na
análise, onde, de acordo com Ruiz (1979) afirma que o processo dedutivo é um método racional que
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necessita somente de uma coerência lógica (Ruiz, 1979 Apud Marconi e Lakatos, 2003), sem
certificação total de confirmação experimental.
A fim de reforçar o método, posteriormente se pensou na análise que precisava para
confirmar os futuros resultados, e a escolha se encaixou no tipo de abordagem quantitativa
(Severino, 2016), pois desejou obter numericamente as publicações sobre a educação ambiental
contextualizada no semiárido pernambucano, mais precisamente no município de Petrolina,
diferenciando-as de trabalhos somente de cunho ambiental, em todos os seus aspectos.
Além da abordagem quantitativa, definida por Dafolvo et al (2008) em “tudo que pode ser
mensurado em números, classificados e analisados, utilizando-se de técnicas estatísticas”, no
presente trabalho foi realizado de forma muito simples, já que para definir a diferença quantitativa
das escolas e seu “modus operandi” de como se trabalha a educação ambiental, precisou-se de um
procedimento simples, utilizado aqui o programa EXCEL® (2007) da Microsoft Office®, a nível de
confirmar, somente graficamente, os resultados futuros.
A pesquisa de cunho documental serviu para completar de forma eficaz os dados quanto aos
procedimentos técnicos, onde o levantamento de qualquer que seja a natureza empregada, recolhe
informações de tudo que integra do universo pesquisado, para em seguida mediante análise
quantitativa obterem as conclusões correspondentes aos dados coletados (Gil, 2008), precisando ter
um parâmetro do que existirá no levantamento bibliográfico. A análise documental segundo
Triviños (1987) é um tipo de estudo descritivo que fornece a quem se propõe investigar, a
verdadeira possibilidade de reunir grande quantidade de informações. Para tanto, assim embasado
nesses reconhecimentos, foi exigido também, no intuito de melhor discussão posterior a abordagem
qualitativa (Severino, 2016).
A pesquisa qualitativa se define em análises que através de Flick (2009), no que
concerne a essa investigação, um de seus aspectos é a perspectiva de que “não se baseia em um
conceito teórico e metodológico unificado”, se fundamentando em várias abordagens com mais de
um método, e pontos de vista subjetivos, completando o pensamento com Gil (2008), que por sua
vez, confirma que nem sempre uma abordagem é suficiente para uma pesquisa, pois, existe a
possibilidade de combinar dois ou mais métodos, para assim, orientar todos os procedimentos ao
longo do trabalho. O que confirma a metodologia da presente investigação, que pretendeu chegar ao
máximo a uma argumentação completa e eficaz sobre o importante assunto destinado.
Após a leitura, em conjunto ao levantamento bibliográfico utilizado na fundamentação
teórica com os temas de maior amplitude, como a educação ambiental seu conceito e história,
bioma Caatinga e sua conservação.
Posteriormente foi feito uma análise quantitativa simples, através de gráficos mensurados a
partir de dados numéricos reais do levantamento feito, pesquisando as publicações sobre o tema
proposto e as descrições qualitativas serviram perfeitamente em consonância para a discussão, já
que a vista da presente pesquisa as duas abordagens (qualitativa e quantitativa) demonstraram
indissociáveis, se completando para explicar de forma plena os resultados.
Assim, de acordo com os resultados, sempre cruzando as informações das duas abordagens,
foi visto que corroboraram, com os conhecimentos prévios e observações “in loco” nas escolas e
ambientes de cunho educacional para confecção das considerações finais, percebendo todas as
nuances de interpretações ao longo do processo.

Resultados e Discussões
Foi encontrado somente através do levantamento documental nas publicações da Revista
Contexto publicada e pertencente à Secretaria de Educação do Município de Petrolina – SEDU. A
revista Contexto foi criada em 2010 sendo sua primeira publicação no segundo semestre do mesmo
ano, somando atualmente 14 revistas, de caráter semestral, suas páginas são recheadas com artigos e
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reportagens sobre todas as formas de educação e cultura da cidade de Petrolina. Com 16 seções:
Entrevista, Reportagem, Especial, Ateliê Educação, Canal do Saber, Desafios, Reinventando
Educação, Ação Social e Cidadania, Cultura, Saber & Ação, Educação Informa, Vida de Mestre,
Tecnologia, Dicas para Sala de Aula, SMEP Acontece e Agenda Informativa.
Em toda a extensão da revista e suas edições os profissionais ligados a educação detalham
algumas de suas atividades, seja em aulas de campo, em sala de aula, projetos de toda a escola,
assuntos mais falados do momento, entre outros. Sendo um importante vínculo de informação e
atualização de todo um trabalho feito em prol do saber. Portanto, foram através de suas páginas que
encontrados os resultados, onde foram percebidos poucos projetos no ambiente escolar sobre a
educação ambiental, notado que o tema parece ser utilizado por escolha dos educadores, não sendo
o caso proposto por lei, como os temas transversais.
Consequentemente, ao final de toda análise, acarretou em uma conclusão parcial sobre o
objetivo proposto. Pois houve dificuldade em encontrar publicações oficiais sobre a
contextualização do bioma Caatinga nas escolas, sobre a sua conservação, estratégias de
sobrevivência, sua fauna e flora, sua importância, sendo trabalhados ambientalmente e até
socialmente para os estudantes, publico alvo do futuro cuidado e pertencimento da região.
Ao analisar minunciosamente todos os exemplares da referida revista, totalizando 14
edições, entre os anos de 2010 a 2017, encontrou-se somente 14 artigos sobre a educação ambiental
contextualizada no Bioma Caatinga nas escolas da rede Municipal da cidade de Petrolina, e 10
publicações para a educação ambiental com diversos temas sem a contextualização do Bioma. Ao
que refere à temática “Educação Ambiental” em seu caráter mais abrangente, são 24 publicações ao
total. Abaixo percebe-se o simples gráfico (Gráfico 1), onde é demonstrado a ínfima diferença entre
a contextualização nos trabalhos escolares e a falta dela.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL
CONTEXTUALIZADA
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NÃO CONTEXTUALIZADA

Gráfico 1: Demonstra a educação ambiental contextualizada ao Bioma Caatinga e a educação não contextualizada ao Bioma
Caatinga, nas escolas da rede Municipal de ensino da cidade de Petrolina-PE.

Em decorrência da pesquisa e olhar atento para o assunto, a autora também registrou as


divulgações de reportagens com a temática ambiental, leia-se, educação ambiental, nas revistas
Contexto. Houveram 12 reportagens contextualizadas com o tema de educação ambiental, meio
ambiente e preocupação à Caatinga, contra 10 reportagens com esses mesmos temas, sendo sem sua
contextualização. Visto no Gráfico que segue (Gráfico 2), evidenciando a mínima diferença.
Demonstrando assim, a escassez de trabalhos na área.

REPORTAGEM
CONTEXTUALIZADA
REPORTEGEM NÃO
CONTEXTUALIZADA

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Gráfico 2: Evidencia a educação ambiental e a temática ambiental contextualizada ao Bioma Caatinga presentes em reportagens
presentes na revista em comparação com reportagens não contextualizadas ao Bioma Caatinga, nas escolas da rede Municipal de
ensino da cidade de Petrolina-PE.

Ao desenvolver a discussão pensou-se no público alvo desses trabalhos sobre o meio


ambiente e o intuito dos educadores, ao que foi constatado que para a educação contextualizada
existe uma pequena preocupação com os alunos do Fundamental II – F2 (6° ao 9° anos) do que os
alunos do Fundamental I – F1 (1º ao 5° anos) ou aqueles da Educação Infantil. Para a educação sem
contextualização do meio natural, percebe-se ao contrário. Em números (Gráfico 3), tem –se 0
trabalhos com o F1, 6 trabalhos com o F2, 6 trabalhos com o F1 e F2, portanto toda a escola, e 2
trabalhos com jovens que não se encaixam no F2, portanto sendo de estudantes também da rede
pública de ensino. Já no outro resultado (Gráfico 4), é apresentado 4 trabalhos para o F1, 2 trabalhos
para o F2, igualmente 4 trabalhos para o F1 e F2 e 0 para jovens. Evidente nos gráficos 3 e 4,
observe as divergências a seguir:

Projetos contextualizados
com alunos do F1
Projetos contextualizados
com alunos do F2
Projetos contextualizados
com alunos do F1 e F2
Projetos contextualizados
com Jovens

Gráfico 3: Projetos que quando contextualizados são preferências dos professores trabalharem com alunos do Fundamental II (6º ao
9º anos).

Projetos não contextualizados


com alunos do F1
Projetos não contextualizados
com alunos do F2
Projetos não contextualizados
com alunos do F1 e F2
Projetos não contextualizados
com Jovens

Gráfico 4: Projetos que quando não contextualizados são preferências dos professores trabalharem com alunos do Fundamental I (1º
ao 5º anos).

Houve a preocupação de expressar sobre os títulos e onde cada projeto (artigo) foi publicado
nas referidas edições. No esquema abaixo (tabela 2) estão os títulos dos artigos presentes nos
resultados. Assim, constata-se a partir daí a precariedade de publicações de educação ambiental,
visto que na prática, as escolas frequentemente inserem em seus planejamentos anuais e/ou
bimestrais.
Existiu uma enorme expectativa com as analises em todas as nuances, já que anteriormente,
em observações escolares “in loco” a autora registrou a preocupação dos editores da revista, da
Secretaria de Educação e de muitos professores/gestores com o cuidado do trabalho ao ecossistema
local, e á educação ambiental de qualidade. Como já mencionado a educação ambiental não
contextualizada é mais trabalhada na tenra infância, por acreditar que é preciso de alguma forma
introduzir os conceitos inicialmente. Posteriormente viu-se que a contextualização é trabalhada aos
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alunos que já tem preestabelecido o conhecimento básico da educação ambiental, conseguinte de


fácil entendimento a prática. Estudos como o de Machado & Abílio (2015), exemplificam sobre se
trabalhar o meio ambiente desde cedo, pois quando não visto na infância, na adolescência sentem
dificuldade em entender a importância, não despertando interesse para os cuidados dos subtemas
que possui a EA, por exemplo.
Sendo assim, mesmo sabendo que muitos trabalhos são realizados e existe a real
preocupação para educação do alunado pensando em futuros cidadãos decentes em todos os
aspectos, em paralelo existe a falta de preocupação com as publicações de trabalhos muitas vezes
importantes como parte do processo da falta de interesse em compartilhar experiências exitosas.
Porém, acredita-se ser falha da formação do profissional, como afirma Silva (2011), “este é um
aspecto da Política Nacional de Educação Ambiental que demanda mais iniciativas e o
desenvolvimento de ações que promovam a potencialização e ampliação do alcance da ação
pedagógica voltada para as questões socioambientais na escola”. Pois, ainda de acordo com a
PNEA, as formações desses professores possuem a necessidade de desenvolvimento com estudos,
pesquisas e experimentações (Brasil, 1999), ao que dá direito de se entender sobre a educação mais
participativa ligada ao saber ao científico, ao saber “conteudista”.
A saber, como traz o autor Silva, a frisar, sobre o que está presente na própria PNEA:
“(§3º, inciso I): o desenvolvimento de instrumentos e metodologias visando à incorporação da
dimensão ambiental, de forma interdisciplinar, nos diferentes níveis e modalidades de ensino;
(§3º, inciso V): a produção e divulgação de material educativo, com “apoio a iniciativas e
experiências locais e regionais incluindo a produção de material educativo”.
A divulgação de todo e qualquer material decorrente de resultados das práticas escolares
devem ser prioridades em sua maioria, se tornando uma ação comum a ser seguida dentro do
planejamento escolar. Deve ser o espelho do que se quer para toda uma educação unificada em fazer
a educação que “dá certo”, principalmente no tocante da contextualização regional, o que serve cada
projeto publicado em espelho a ser seguido.
Enfim, sabendo que o Bioma Caatinga é bastante antropizado, não se faz necessário a
preocupação com sua conservação ambiental, mas sim por ser o ecossistema mais habitado em
relação aos outros ecossistemas Brasileiros, e seus problemas socioambientais interferirem na
sobrevivência da vida sertaneja (Nascimento, 2015), portanto faz-se necessário a vinda da realidade
natural, mais precisa a vivência de todos à base da sustentabilidade e conhecimento do que os
cercam advinda através da educação consciente e vivificada em ambiental.

Conclusões

As considerações da presente pesquisa se apresentam de forma a ser uma conclusão parcial


de todos os resultados, visto que necessita de maior número de estudos minuciosos a respeito da
preocupação com a formação do cidadão consciente criticamente para o bem estar social e
ambiental, saudáveis, pois o objetivo alcançado serviu para embasar a necessidade de mais
publicações na área de educação ambiental preocupada com a realidade local, porque feito
observações atentas foi visto que muitos trabalhos são realizados nas escolas, sendo
contextualizados ou não, porém sem registro e subsequente publicação. Essa falha dificulta
trabalhos como este que foi desenvolvido sem muito aparato, enfrentando revés na procura por
registros de projetos que fossem prova da preocupação por uma educação de qualidade para a
região.
Isso se deve ao fato de professores por terem muitas atribuições, a publicação não se torna
uma prioridade básica a ser desenvolvida, juntamente com a certeza da falta de cultura brasileira a
preocupação de evidências publicadas para melhoria de qualquer processo, ou talvez nenhuma
preocupação de que o projeto se faça replicar. Já que um trabalho contextualizado seria de fácil
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execução em qualquer local que exista o bioma Caatinga. Sendo assim alcançando práticas exitosas
em diversas localidades em consonância com o meio ambiente saudável e sustentável.
Precisa-se de uma sensibilização de todos os membros escolares sobre a importância essa
temática e da sustentabilidade, é notória a expectativa de uma plena conscientização para diminuir
os impactos negativos e degradação ao meio ambiente. Toda a discussão é pertinente à preocupação
que vivemos atualmente, o mundo está querendo mudar, pensar nas gerações futuras, compreender
décadas de irresponsabilidade socioambiental. A problemática já foi percebida, a mudança vem de
forma mais lenta, até que se abra mão de algumas tecnologias, das facilidades e capital financeiro,
muita discussão ainda há de ser feita. Porém a dificuldade é que mesmo com todo o conhecimento,
o comportamento do ser humano pouco demonstra querer essa mudança para a sustentabilidade
ecológica. Retarda ainda a disseminação de mudanças práticas e de melhorias para o futuro da
humanidade e do próprio planeta. É com a proposta de mudança de pensamento, escolhas
sustentáveis e ensino ambiental que permeou a pesquisa. Devido à preocupação com a educação dos
alunos perante o meio ambiente, pela falta de cuidados com o lixo, escolhas do dia a dia com alguns
tipos de produtos, assim como, descarte dos mesmos.
Existiu a necessidade de trabalhar para uma visão melhorada do futuro onde sempre se
pretende projetar jovens cada vez mais conscientes, atores sociais, ambientalmente corretos e
politicamente capazes de reclamarem suas condições. Seres humanos preocupados com a
sustentabilidade ecológica regional, pois não seria diferente no semiárido brasileiro, onde o
analfabetismo ambiental está muito presente, bem como forte degradação ambiental no Bioma
Caatinga, tipicamente brasileiro. Ainda procura-se exaustivamente, desmistificar a visão errônea da
pobreza extrema, da seca interminável e principalmente da falta de conhecimento do sertanejo, no
semiárido brasileiro, demonstrando para os estudantes, os futuros coautores do processo, e a
importância deles inseridos no cenário local. Sendo pertinente discutir sobre a contextualização da
inserção do Bioma, na vivência cotidiana dos alunos.

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A INTEGRAÇÃO SUSTENTÁVEL ENTRE O HOMEM E A NATUREZA: O


DESPERTAR PARA CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

Maria Letícia Gomes dos Santos¹, Sidney Silva Simplicio², Caio César Costa Alencar³, Yolanda
Vitória Lima Pereira Maia4, Maria Elisangela de Souza Magalhães5, Edjane de Souza Campos6
1,2
Instituto Federal Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, s/n – Jardim São Paulo – Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP:56.314-520 / Telefone: (87) 2101.4300 / E-mail: 1 marialeticia.quimica@hotmail.com; 2 sid.simplicio@gmail.com
3,4
Universidade de Pernambuco. Rodovia BR 203, Km 2, s/n, Vila Eduardo - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56328-903 / Telefone:
(87) 3866-6468 / E-mail: 3 caiocca@hotmail.com, 4 yolanda_vitoria@htomail.com
5,6
Serviço Social do Comércio. Rua Pacífico da Luz, nº 618, Centro - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56304-010 / Telefone: (87) 3866-
7463 / E-mail: 5 magalhaeseli7@hotmail.com, 6 souza.jane@hotmail.com

RESUMO: A preocupação com o meio ambiente não é algo tão recente, porém percebe-se que ainda há muito a ser
feito para minimizar os impactos do homem sobre a natureza. Pensando nisso, objetivou-se comemorar a semana do
meio ambiente com alunos da EJA por meio de atividades interativas e atrativas, sensibilizando sobre a importância da
preservação ambiental, o gerenciamento de resíduos e a redução dos impactos ambientais. A metodologia buscou trazer
relevância ao tema por meio de palestras sobre a importância dos recursos naturais da caatinga e oficinas de produção
de sabão com óleo residual, detergente biodegradável, vassouras de garrafas PET‟s e confecção de blocos de notas com
papeis recicláveis. Os resultados dessa intervenção mostrou a mobilização dos alunos envolvidos e também do núcleo
pedagógico, todos engajados no projeto colaborando de alguma forma. O projeto promoveu a sensibilização dos
mesmos quanto a importância da preservação dos recursos naturais, e da necessidade da mudança de hábitos visando à
conservação do Meio Ambiente, através de alternativas dinâmicas e interativas com atividades práticas, dando aos
alunos dicas e alternativas de como eles podem reciclar alguns resíduos produzidos por eles.

Palavras-chave: Semana do Meio Ambiente, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Gestão de Resíduos.

The sustainable integration between man and nature: the awakening to


environmental awareness
ABSTRACT: Concern about the environment is not so recent, but there is still much to be done to minimize man's
impact on nature. With this in mind, the aim was to celebrate the environmental week with EJA students through
interactive and attractive activities, sensitizing the importance of environmental preservation, waste management and
reduction of environmental impacts. The methodology sought to bring relevance to the topic through lectures on the
importance of the natural resources of the caatinga and workshops of soap production with residual oil, detergent
biodegradable, brooms of PET bottles and making notepads with recyclable papers. The results of this intervention
showed the mobilization of the students involved and also of the pedagogical nucleus, all of them engaged in the project
collaborating in some way. The project promoted their awareness of the importance of preserving natural resources and
the need to change habits in order to conserve the environment through dynamic and interactive alternatives with
practical activities, giving students tips and alternatives on how they can recycle some waste produced by them.

Key-words: Environmental Week, Environmental Education, Sustainability, Waste Management.

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(SANTOS; SIMPLICIO; ALENCAR; MAIA; MAGALHÃES; CAMPOS, 2018)

Introdução

Sabe-se que a educação ambiental abre caminhos para que nós enquanto seres humanos, que
atuamos de forma direta e indireta no meio, repensemos nossas práticas e o nosso papel
socioambiental no planeta. A escola enquanto formadora de cidadãos deve buscar transmitir uma
educação voltada para cidadania, promovendo a motivação e a sensibilização das pessoas. Dessa
forma, “[...] a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a
corresponsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de
desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável”. (JACOB, 2003, p. 192).
(PELICIONI, 2014, p. 469) define que a “[...] educação Ambiental nada mais é do que a
própria educação, com sua base teórica determinada historicamente e que tem objetivo final de
melhorar a qualidade de vida e ambiental da coletividade e garantir sua sustentabilidade”. O
desenvolvimento sustentável, por sua vez, está intimamente ligado à educação ambiental. Sobre o
tema, (MERICO, 2008, p.12) define que “Sustentabilidade significa tornar as coisas permanentes ou
duráveis através dos tempos” Porém, o autor também salienta que “Um preço, entretanto, é cobrado
para que a sustentabilidade avance. O preço é nossa inserção pessoal e coletiva no processo de
transformação” (MERICO, 2008, p. 87).
O debate sobre as questões ambientais vem sido discutido a cada ano em conferências,
congressos e eventos afins no Brasil e no Mundo e assim está ganhando mais visibilidade. Golveia
(2012, p. 1504) exprime que “Desde então são buscado mecanismos que atenuem a pressão que o
conjunto da sociedade exerce sobre o ambiente [...]” tentando minimizar as alterações ambientais do
nosso planeta, que, apesar de ainda ter muito a ser feito, já é um progresso.
Vendo então a necessidade de debater mais temáticas relacionadas à questão ambiental e a
sustentabilidade, e aproveitando o ensejo da Semana do Meio Ambiente (SMA), aplicou-se o
projeto “a integração sustentável entre o homem e a natureza” e por meio deste buscou-se abordar
os impactos ambientais causados pelos seres humanos e a importância do gerenciamento de
resíduos, visando sensibilizar os alunos por meio de palestras e oficinas, dando-lhes alternativas de
como reutilizar alguns resíduos produzidos no nosso dia a dia.
As formas de reciclagem e reutilização de matérias são regidas pela a lei de nº 12.3051 de
agosto de 2010, que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) onde ela prevê a
prevenção e a redução na geração de resíduos, onde ela propõe a prática de hábitos de consumo
sustentável e aponta um conjunto de instrumentos que devem ser empregados para aumentar a
reciclagem e a reutilização dos resíduos sólidos, avaliando os impactos que a geração desses
resíduos podem causar no meio ambiente. Essa lei é fundamentalmente importante para definir
objetivos e metas que devem ser alcançados com a finalidade de reduzir os impactos ambientais
causados pelo homem.

Material e Métodos

Participaram das atividades os alunos do 1º, 2º e 3º ano da EJA com faixa etária
diversificada. Foi necessário um período de 30 dias para a construção do projeto, sendo que a
realização foi dividida por etapas.
Na primeira semana foi feita uma abordagem do tema do projeto “Integração sustentável
entre homem e a natureza” falando dos objetivos da sustentabilidade e a importância da reciclagem
de resíduos e da preocupação quanto aos impactos ambientais. Na segunda e terceira semana houve
uma sensibilização e a coleta de alguns materiais recicláveis como: garrafas PET‟s, papel usado e
óleo de cozinha residual. Os materiais coletados forma utilizados durante o evento da SMA para a
realização das oficinas.

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(SANTOS; SIMPLICIO; ALENCAR; MAIA; MAGALHÃES; CAMPOS, 2018)

E na quarta e última semana foi dado início ao evento com uma palestra sobre “O uso
sustentável dos recursos naturais da caatinga” na qual por meio desta os alunos entenderam a
preocupação sobre a sustentabilidade e a valorização de recursos do nosso bioma. Logo depois,
houve a realização de quatro oficinas: Produção de sabão a partir de óleo residual, Fabricação de
papel reciclável e confecção de cadernetas, confecção de vassouras com garrafas PET‟s e a
Produção de detergente biodegradável. Sendo que a proposta era apresentar alternativas para a
redução dos impactos ambientais além de dar enfoque para a reciclagem e a gestão de resíduos
urbanos.
Para a elaboração das oficinas a turma foi dividida em quatro grupos com cinco alunos cada.
Inicialmente foi ministrada uma aula expositiva onde os alunos foram questionados sobre o
conceito da palavra sustentabilidade os impactos ambientais causados pelo descarte incorreto de
materiais. Logo após, os alunos receberam um roteiro explicando o passo a passo para desenvolver
tais oficinas.
 O primeiro grupo recebeu o roteiro da prática de fabricação de papel
reciclável e confecção de cadernetas;
 O segundo grupo recebeu o roteiro da prática de produção sabão a partir de
óleo residual;
 A terceira equipe recebeu o roteiro relacionado a prática do detergente
biodegradável;
 O último ficou responsável pela prática da confecção de vassouras com
garrafas PET‟s.

Imagens 1, 2 e 3 - Reciclagem de Papel


As imagens 1, 2 e 3 mostram momentos de atividade na oficina de reciclagem de papel que
foi realizada na sala de ciências do SESC, na qual os alunos participaram de forma integrada,
aprendendo na prática cada etapa da reciclagem de papel. Para fixação dos temas abordados, foi
realizada uma segunda atividade integrada: a oficina de reciclagem de óleo doméstico, como está
mostrado nas imagens abaixo.

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Imagens 4, 5 e 6 - Reciclagem de Óleo

Já as imagens apresentadas abaixo mostram os alunos envolvidos na produção de detergente


e de vassoura de garrafa pet.

Imagens 6 e 7 - Produção de Detergente Biodegradável

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Imagens 8 e 9 - Confecção de Vassouras com Garrafas PET's

Resultados e Discussões
O projeto possibilitou uma ótima e extensa discussão sobre a preocupação sobre os impactos
ambientais e a ação sustentável do homem com relação ao meio em que ele vive. Com abordagens
diversificadas de palestras e oficinas pode-se envolver toda a comunidade escolar, promovendo
conhecimentos diversificados sobre a temática.
As palestras permitiram aos alunos a sensibilização e cuidado com o meio ambiente, dando-
lhes entendimentos sobre como ser sustentável, possibilitando debates voltados ao meio ambiente,
no qual a participação de todo foi notoriamente importante. Percebeu-se isso, principalmente no
momento em foi proposto a eles que juntassem óleo residual, papel usado e garrafas PET‟s que
seriam utilizados posteriormente. Nas oficina, os alunos tiveram a oportunidade de relacionar o que
já haviam aprendido durante as semanas com algo prático. Por meio de alternativas sustentáveis,
eles entenderam maneiras de como preservar o ambiente com o reaproveitamento do óleo, por
exemplo, que normalmente é descartado de maneira indevida causando degradação ao meio
ambiente e também aprenderam sobre a importância do detergente biodegradável, visto que ele não
prejudica o meio ambiente como o detergente comum.

Conclusões
Dessa forma viu se a importância de conhecer os métodos e atividades, para trabalhar com
alunos da EJA, conscientizando os mesmos da importância da preservação dos recursos naturais, e
da necessidade da mudança de hábitos visando à conservação do Meio Ambiente, através de
alternativas dinâmicas e interativas com atividades práticas, dando aos alunos dicas e alternativas de
como eles podem reciclar alguns resíduos produzidos por eles.

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em jul. 2018.

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A LUDICIDADE E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: A IMPORTÂNCIA DA


MUDANÇA DE HÁBITO E POSTURA

Patrícia da Costa Souza1; Clécia Simone G. Rosa Pacheco2


1
Estudante de Licenciatura em Química, no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE).
patriciacosta0510@hotmail.com
2
Coordenadora do Projeto, Pesquisadora do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE). clecia.pacheco@ifsertão-
pe.edu.br

RESUMO: A Educação Ambiental hoje é vista como um dos principais temas a serem tratadas no âmbito
escolar. Tem o propósito de sensibilizar aos cidadãos sobre os impactos ambientais, logo, isso vai
transformando aos poucos a visão que as pessoas têm do ambiente que estão inseridas. Mas sabemos que
muitas escolas ainda não tratam dessas questões, e essas em sua maioria, estão localizadas na Zona Rural
onde o ensino é precário. Isso não deveria existir, pois é nesses locais que deveria ser discutido muito mais a
temática, por se tratar de localidades onde se tem uma vasta vegetação nativa e maior contato com a
natureza. E dando enfoque nisso o trabalho foi realizado em uma escola da Zona Rural de Petrolina-PE onde
os mesmos não discutem essas questões e a educação ambiental não está presente no âmbito escolar. E,
portanto objetivou-se sensibilizar a comunidade escolar de forma lúdica sobre as questões ambientais dando
enfoque a conservação da caatinga, e o descarte correto do lixo para promover a mudança de hábito e postura
dos mesmos. Através de momentos de discussões e oficinas lúdicas, no intuito de modificar a realidade
vivida na comunidade em geral. É sempre muito instigante toda forma de intervenção em sala de aula e
certamente este trabalho contribuiu na formação das crianças e adolescentes envolvidos e teve muitos
impactos positivos, trazendo mudanças.
Palavras-Chave: Educação; Meio Ambiente; Ludicidade; Caatinga.

LUDICITY AND ENVIRONMENTAL EDUCATION: THE IMPORTANCE OF THE


CHANGE OF HABIT AND POSTURE

Abstract: Environmental Education today is seen as one of the main topics to be addressed in the
school context. It aims to raise citizens' awareness of environmental impacts, this is gradually
transforming people's view of the environment they are embedded in. But we know that many
schools still do not address these issues, and most of them are located in the rural area where
education is precarious. This should not exist, because it is in these places that the theme should be
discussed much more, because it is a place where there is a vast native vegetation and more contact
with nature. And focusing on this, the work was carried out in a school in the Rural Zone of
Petrolina-PE where they do not discuss these issues and environmental education is not present in
the school environment. And, therefore, the objective was to sensitize the school community in a
playful way on environmental issues, focusing on the conservation of the caatinga, and the correct
disposal of garbage to promote change of habit and posture. Through moments of discussions and
playful workshops, in order to modify the reality lived in the community in general. It is always
very stimulating every form of intervention in the classroom and certainly this work contributed to
the training of children and adolescents involved and had many positive impacts, bringing changes.
Keywords: Education; Environment; Ludicidade; Caatinga.

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(SOUZA; PACHECO, 2018)

INTRODUÇÃO
A educação ambiental é vista como um instrumento sensibilizador, onde proporciona à
escola a propagação de conhecimentos ecológicos com o intuito de fazer com que os indivíduos
formulem seus pensamentos e atos para a conservação da natureza que o rodeia. Os resultados do
crescimento da educação ambiental são relatados pelo Censo Escolar publicado pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que relatou que a partir de
2001, incluiu uma questão: “a escola faz educação ambiental?”. Os dados de 2004 indicaram a
universalização da educação ambiental no ensino fundamental, com um expressivo número de
escolas – 94,95% – que declaram ter educação ambiental de alguma forma, por inserção temática
no currículo, em projetos ou, até mesmo, uma minoria, em disciplina específica. Em termos do
atendimento, existiam em 2001 cerca de 25,3 milhões de crianças com acesso à educação
ambiental, sendo que, em 2004, esse total subiu para 32,3 milhões.
Sabe-se que mesmo com esse crescimento ainda existem muitas escolas que não trabalham
com a temática, e essas na sua maioria são localizadas na Zona Rural onde o ensino é precário,
isso não deveria existir, pois é nesses locais que se faz necessária a discussão dessas questões por
se tratar de localidades onde se tem uma vasta diversificação de vegetação. As mesmas devem ter
no âmbito escolar o apoio pedagógico para entender o real significado do que é a conservação do
bioma no qual está presente em seu dia a dia, tudo isso feito com a parceria da direção escolar e os
professores. Dias (1998, p. 130) afirma que “a aprendizagem será mais significativa se atividade
estiver adaptada concretamente às situações da vida real da cidade, ou do meio, do aluno e do
professor”.
É necessária a formulação de estratégias para propagar a educação ambiental por conta do
tema ainda ser delicado, muitas pessoas ainda vê como uma perda de tempo por terem a concepção
de ser algo fora da realidade. Telles (2002, p. 41) frisa algo importante em uma de suas obras, ele
diz que “as diretrizes metodológicas existentes em Educação Ambiental são muito diversificadas e
estão muitas vezes distantes das reais necessidades das comunidades com as quais se pretende
desenvolver um projeto de trabalho”. Tendo isso em vista se faz necessário a discussão dos reais
problemas enfrentados pela comunidade em que a escola está inserida, pois é a partir daí que as
pessoas passam a ter um olhar mais atento as questões ambientais por se tratar de algo que está bem
perto.
Para se trabalhar a educação ambiental com pessoas que estão inseridas nesses tipos de
realidades recomenda-se o uso de estratégias metodológicas, o uso da ludicidade é uma enorme
aliada para a propagação de conhecimento e na sensibilização dessas questões. É como diz Cunha
(2005 p. 09) a ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano, precisa ser mais
considerada; o espaço lúdico para a criança está merecendo maior atenção, pois é o espaço para a
expressão mais genuína do ser, é o espaço da relação afetiva com o mundo, com as pessoas, com os
objetos e com ele mesmo. Portanto trabalhar nessa perspectiva de mostrar algo com o lúdico traz
bons resultados por se tratar de algo que traz ao indivíduo certa magia.
O lúdico também é uma ferramenta que promove o relato de questões difíceis de uma forma
menos impactante, e ao ser trabalhado com os discentes que estão começando ainda a vida
acadêmica faz com que estimule a criança a conhecer e a começar a se questionar sobre as questões
ambientais. É como Kishimoto (2002, p. 19) nos relata que a infância é, também, a idade do
possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação
moral, mostrando-nos o lúdico como um instrumento que permite às crianças a representação de
realidade.
E dando enfoque nisso o trabalho foi realizado na Zona Rural de Petrolina-PE chamada
Ponta da Serra onde os mesmos não discutem essas questões e a educação ambiental não está
presente no âmbito escolar. Nessa localidade predomina a vegetação caatinga, os moradores se
apropriaram da mesma para fazer carvão vegetal sem saber das consequências, isso trouxe uma
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enorme devastação da caatinga. Houve uma forte ação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
(IBAMA), e essas questões foram resolvidas mais ainda há ainda uma devastação enorme para
outros fins como, por exemplo, a criação de loteamentos (terrenos) para venda. Há também outra
questão que é a do lixo, na comunidade não existe coleta então os moradores jogão o lixo na rua,
trazendo inúmeros malefícios para o meio ambiente e para o ser humano. As crianças crescem nessa
realidade e isso faz com que elas achem normal o mau cuidado com a vegetação, e a maneira do
descarte do lixo, além de que crescem repetindo o habito dos pais.
Nessa perspectiva se faz necessário a intervenção no âmbito escolar a fim de tratar e
desmistificar esse tema, pois as crianças ainda estão formulando a sua de opinião pessoal, e
sensibilizar as mesmas pode proporcionar um futuro diferente para a comunidade, além de provocar
um impacto positivo na vida das crianças envolvidas e da escola. Portanto, foi seguindo essa
perspectiva que se deu todo o trabalho, sempre com a visão de que se pode construir um futuro
novo através da educação ambiental levando como ferramenta pedagógica a ludicidade, assim
modificando a realidade do hábito e da postura no âmbito escolar e na comunidade.

MATERIAIS E MÉTODO
O presente trabalho apresenta uma proposta de como trabalhar a educação ambiental de
forma lúdica para alunos do Ensino Fundamental I e II da Escola Municipal Joaquim Francisco da
Costa, na comunidade de Ponta da Serra situada na Zona Rural da cidade de Petrolina-PE. De início
foram feitas observações nos locais degradados da comunidade a fim de traçar estratégias para a
melhor forma de abordar as questões ambientais, pois se trata de um ambiente que vem sofrendo
vários tipos de degradação, e há resistência quando se trata de mudança de hábito, por isso, o
trabalho foi desenvolvido com crianças, pois se viu ai uma oportunidade de proporcionar o
conhecimento sobre como cuidar da riqueza caatinga, e como se pode descartar o lixo de maneira
correta, podendo propiciar um futuro diferente para a localidade.
Partindo desse pressuposto foram iniciadas as visitas à escola e uma conversa inicial com os
professores das turmas do Pré Escolar I; Pré Escolar II; Primeiro ano; Segundo ano; Terceiro ano,
Quarto ano e Quinto ano (do Ensino Fundamental); logo após com os professores do Ensino
Fundamental II, que é composto pelo Sexto ano, Sétimo ano, Oitavo ano e Nono ano. Em seguida
foram feitas várias rodas de conversa durante vários dias com os alunos das turmas envolvidas no
trabalho, a fim de discutir várias temáticas dando enfoque a caatinga, e ao lixo ouvindo a opinião
dos alunos em relação a essa temática, essas conversas eram feitas em sala de aula, na sua maioria
com todos os alunos juntos, mais em outros cada turma um bate papo. Nesta roda de conversa
foram mostradas várias alternativas de como conservar os recursos naturais do bioma, tendo em
vista a propagação dos conhecimentos ambientais, além de terem sido discutidas várias ideias sobre
o descarte e reaproveitamento do lixo. Todas as rodas de discussões eram iniciadas com algo lúdico
como histórias em quadrinhos, fantoches, músicas e outros.
Após todo esse período de discussões construtivas foi proposto aos alunos há participação na
oficina: #Somos todos Catingueiros, onde eles realizaram várias programações dinâmicas e lúdicas
todas dando enfoque ao desmatamento e ao lixo, na oficina houve reciclagem, momentos de relatos,
danças, peças teatrais, plantio de mudas entre várias outras atividades, isso ocorreu no pátio da
escola envolvendo todos os alunos, professores e funcionários, a oficina foi o momento que todos
conseguiram colocar em prática tudo o que antes foi discutido e conseguir perceber que há
caminhos alternativos para a proteção do meio ambiente e que podemos utilizar dos recursos da
natureza de forma consciente e educativa.

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RESULTADO E DISCUSSÃO

De início foi observado à vegetação predominante na comunidade e foi diagnosticada com


base nas informações dos moradores que em 1990 a caatinga ainda estava com 100% (cem por
cento) de sua vegetação e hoje em 2018 ela está só com 40% (quarenta por cento), isso ocorreu por
conta principalmente de uma enorme estiagem que duraram sete anos, além que muitos moradores
ainda não se atentam em conservar o restante. Foi observado também que o lixo em visualizado em
praticamente todas as ruas, houve relatos que na estiagem muitos animais como ovelhas e porcos
morreram por conta do consumo de sacolas plásticas. Depois foi traçada estratégias de como
abordar o assunto com os alunos, definiu-se que a melhor forma era trabalhar da maneira mais
dinamizada mais sem sair do foco dos objetivos.
No primeiro momento com as turmas reparou-se que as mesmas eram bastante curiosas,
mais aparentemente quietas. Ao dar-se inicio a primeira discussão, os alunos já mostraram o quanto
eram receptíveis e participativos, pois quando questionados quanto o que era o meio ambiente,
todos os alunos participaram dando suas opiniões, o mais espantoso é que só dois alunos entre 204
conseguiram definir corretamente a pergunta. Isso fez com que se percebesse o quanto era escasso
esse tipo de dialogo com os alunos, o lado positivo foi que isso despertou nos discentes o interesse
de aprender sobre o meio ambiente e entender o seu real significado.
Durante todos os dias de discussões sobre questões ambientais pode-se perceber o quanto os
alunos estavam absorvendo, pois eles sempre estavam fazendo o feedbeck das conversas anteriores,
era gratificante o que eles se maravilhavam por pequenas coisas. A troca de conhecimento era
mutua. Muitos alunos não conseguiam relacionar os conceitos com a realidade, e a partir do
momento que começaram a fazer o link entre realidade e fala (teoria), ficavam surpreendidos
positivamente. Os discentes começaram a trazer relatos dos pais ao intervirem em alguma atitude
deles, por exemplo, uma menina do 1º ano chegou relatando que a mãe havia jogado um papel de
bala no chão e ela explicou o quanto aquilo era errado, fazendo com que ela se espantasse e
recolhesse do chão, esse foi um relato entre vários outros. Isso fez com que se percebesse que o
trabalho já estava modificando a realidade daquelas crianças/adolescentes.
Na oficina #Somos todos Catingueiros os alunos ficaram eufóricos, pois segundo eles nunca
imaginariam que aprender sobre o meio ambiente era tão divertido. Os mesmos destacaram que não
tinham dinheiro para comprar brinquedos e a oficina mostrou para eles que de uma garrafa pet ele
teriam uma infinita possibilidades de fabricar seus próprios brinquedos, um pai que foi á oficina
acompanhando a sua filha destacou a importância da escolar fornece esses tipos de trabalhos, pois
trata-se de uma comunidade carente e ao longo da oficina o mesmo parabenizou pois até ele
conseguiu visualizar no lixo uma perspectiva de trabalho, e segundo a visão dele Deus deixou a
natureza como um tesouro a ser desfrutado mais acima de tudo protegida pois precisamos dela para
os nossos filhos
Houve várias atividades onde os alunos trabalharam com a temática conservação da
caatinga, e ao longo pude perceber a maturidade que os discentes adquiriram sobre essa temática.
Com tudo isso ficou perceptível como os alunos se sensibilizaram com as questões ambientais da
comunidade, a grande mudança no âmbito escolar e o grande impacto com os pais dos alunos e os
moradores. O trabalho foi feito com envolvimento, empolgação, dinamismo, entrega e amor dos
alunos, professores e funcionários da escola isso resultou no maior dos resultados o começo da
mudança de hábitos e postura dos mesmos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao término deste trabalho se fizeram perceptíveis as grandes dificuldades que é disseminar a
educação ambiental, pois se trata de um tema delicado e importante, e principalmente quando se
trabalha com as crianças que estão formulando suas ideias, traz para o educador uma enorme
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(SOUZA; PACHECO, 2018)

responsabilidade. Mais ficou nítido o quanto é prazeroso trabalhar com a temática, pois contribui
para a formação de um cidadão mais consciente e sensibilizado além de melhorar o ambiente em
que vivemos.
É notável também, que a partir do trabalho, que todos os envolvidos passaram a ter uma
visão diferenciada do ambiente em que estão inseridas, pois puderam perceber o que o cuidado nos
proporciona, isso traz uma realização de saber que foi possível ajudar todos a crescer
intelectualmente e moralmente fazendo com que propagação de conhecimento seja assim tão
gratificante e desafiadora.
Toda a comunidade escolar teve a oportunidade de vivenciar uma perspectiva de trabalho
diferenciada, o que antes não era visto no âmbito, fazendo com os discentes e docentes da
instituição pudessem repensar/modificar os seus hábitos diante das questões ambientais, trazendo
definitivamente um olhar mais sensível e cuidadoso. Ficou nítido o quanto a comunidade escolar
ficou impactada positivamente com esse trabalho, trazendo os melhores resultados. É sempre muito
instigante toda forma de intervenção em sala de aula e certamente este trabalho contribuiu na
formação das crianças e adolescentes envolvidos e teve impactos positivos na comunidade em
questão.

REFERÊNCIAS

CUNHA, Nylse Helena Silva. Brinquedos, desafios e descobertas. Petrópolis, RJ: ed. Vozes,
2005.
DIAS, G. F. Educação Ambiental: Princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1993.
KISHIMOTO. Tizuco Morchida. Jogos tradicionais infantis; O jogo a criança e a educação.
Petrópolis. Rio De Janeiro: Vozes,1993.
_____. Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação. Programa Nacional de
Educação Ambiental ProNEA. 3 ed. Brasília, 2005.
_____. Ministério do Meio Ambiente. Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação
ambiental na escola. Brasília: Departamento de Educação Ambiental: UNESCO, 2007.
_____. Ministério da Educação. Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Educação Ambiental. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao13.pdf>
Acessado em 09 de abril de 2018.
PULASKI, M. A. S. Compreendendo PIAGET: uma introdução ao desenvolvimento
cognitivo da criança. Rio de Janeiro: RTC, 1980.
TELLES, M. Q, et. al. Vivências integradas com o meio ambiente. São Paulo: Sá Editora, 2002.

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CONTEXTUALIZAÇÃO DO ENSINO DE GEOGRAFIA E QUÍMICA: A


VEGETAÇÃO DA CAATINGA COMO FOCO INTERDISCIPLINAR NA EJA

Reisiane da Silva Pinheiro¹, Katianne Fernanda de Souza Amorim², Luzivete de Lima³, Maria
Elisangela de Souza Magalhães4, Edjane de Souza Campos5, Sidney Silva Simplicio6
1,2,3,4,5
Serviço Social do Comércio. Rua Pacífico da Luz, nº 618, Centro - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56304-010 / Telefone: (87)
3866-7463 / E-mail: 1 reisinhapinheiro@gmail.com, 2 katianne.nanda@gmail.com, 3 luzivetedelima2008@hotmail.com, 4
magalhaeseli7@hotmail.com, 5 souza.jane@hotmail.com
6
Instituto Federal Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, s/n – Jardim São Paulo – Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP:56.314-520 / Telefone: (87) 2101.4300 / E-mail: 2 sid.simplicio@gmail.com;

RESUMO: A caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que detém uma das vegetações mais ameaçadas do planeta,
também possui uma vasta quantidade de plantas no qual muitas dessas são utilizadas para fins medicinais. Vendo a
necessidade de falar sobre a importância dos recursos naturais da caatinga, este trabalho buscou-se estudar algumas
plantas medicinais com alunos da EJA (Educação Jovens e Adultos), tendo como objetivo contextualizar a temática da
vegetação da caatinga, por meio de atividades envolvendo música e produção de sabonetes artesanais fitoterápicos com
plantas da região. A metodologia aplicada aconteceu de forma interdisciplinar, realizada em conjunto com a sala de
ciências, procurando trazer o conteúdo para mais próximo da vivência do aluno. Como o referido, observou que o
método utilizado promoveu um melhor aprendizado sobre as plantas da caatinga, facilitando o aprendizado dos alunos
por meio do ensino contextualizado, integrando saberes diferentes a uma mesma temática.

Palavras-chave: Bioma Caatinga, Sabonete Fitoterápico, Ensino Contextualizado, Interdisciplinaridade.

Contextualization of the teaching of geography and chemistry: the vegetation of


the caatinga as an interdisciplinary focus in the EJA
ABSTRACT: The caatinga, an exclusively Brazilian biome that has one of the most threatened vegetation on the
planet, also has a vast amount of plants in which many of these are used for medicinal purposes. Seeing the need to talk
about the importance of the natural resources of the caatinga, this work sought to study some medicinal plants with
students of the EJA (Young and Adult Education), with the objective of contextualizing the vegetation of the caatinga,
through activities involving music and production of handmade herbal soaps with local plants. The applied
methodology happened in an interdisciplinary way, carried out together with the science room, trying to bring the
content closer to the student's experience. Like the mentioned, it was observed that the method used promoted a better
learning about the plants of the caatinga, facilitating the learning of the students through the contextualized teaching,
integrating different knowledge to the same theme.

Key-words: Caatinga Biome, Phytotherapeutic Soap, Contextualized Teaching, Interdisciplinarity.

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(PINHEIRO; AMORIM; LIMA; MAGALHÃES; CAMPOS; SIMPLICIO, 2018)

Introdução

O Brasil é considerado como um dos maiores países quando se trata de biodiversidade, e


isso possibilita que o ser humano atue de forma benéfica ou maléfica sobre ela. A caatinga, por
exemplo, é bioma exclusivamente brasileiro tendo uma das vegetações mais ameaçadas do planeta.
No entanto, apesar disto, a caatinga possui uma vasta quantidade de vegetação, no qual muitas
dessas plantas são utilizadas para fins medicinais. Conforme destacado por Alves et al. (2007), o
país abriga uma das floras mais ricas do planeta, estimada em aproximadamente 20% do número
total de todo o globo (CALIXTO, 2003) e sendo considerado o maior em número de espécies
endêmicas (BARREIRO; BOLZANI, 2009),
A vegetação da Caatinga é um assunto abordado no currículo escolar, porém não se comenta
a respeito da utilização de plantas da Caatinga com finalidades medicinais para o tratamento de
enfermidades e algumas doenças. “Desta forma, considerando a importância de se conhecer a
diversidade de plantas com finalidades terapêuticas e os poucos estudos [...]” (RIBEIRO et.al.,
2014, p. 913) a ideia em abordar esta temática é justamente para informar aos discentes que além de
termos uma biodiversidade rica e vasta, podemos também usá-la como um benefício fitoterápico.
No que diz respeito às plantas medicinais, Simões e Schenkel (2002) argumentam que
apesar das plantas brasileiras serem importantes para a utilização em fins medicinais, elas ainda são
pouco conhecidas e muitos dos fitoterápicos utilizados aqui no Brasil foram desenvolvidos no
exterior, principalmente na Europa ou na América do Norte. Maciel et al. (2002) aponta que ainda
hoje, no Brasil, as plantas medicinais se configuram como um dos únicos recursos terapêuticos
disponível de diversas comunidades.
Desse modo, esse estudo visou relacionar conteúdo sobre vegetação da caatinga de forma
contextualizada, com a produção de sabonetes fitoterápicos utilizando plantas medicinais da
caatinga numa turma de EJA, buscando associar o conteúdo visto em sala de aula com a vivencia do
cotidiano. Para Amaral (1996 apud Kato e Kawasaki, 2010, p. 37) “contextualizar o ensino significa
trazer a própria realidade do aluno, não apenas como ponto de partida para o processo de ensino e
aprendizagem, mas como o próprio contexto de ensino”. Diante disso, a contextualização possibilita
que o estudante atribua sentido ao que está sendo ensinado.
Pires et al (2008) mostra que o ensino de Ciências Naturais no currículo do EJA está
passando atualmente por várias mudanças, almejando buscar um ensino mais dinâmico,
interdisciplinar e contextualizado, no qual se privilegia os temas de maior relevância para os alunos
buscando uma efetividade na aprendizagem significativa para que os mesmos possam interagir com
os conteúdos em sala de aula. Depende do professor então assumir essa responsabilidade de trazer
mais aulas diferenciadas para o contexto desses alunos, uma vez que a missão da educação é
promover o crescimento intelectual, moral e ético do estudantes através de ensinamentos e
experiências levados à escola.

Material e Métodos
Esta pesquisa trata-se de um relato de experiência realizado nas aulas de Química e
Geografia da turma 4ª fase e 10 ano da EJA do SESC/PE, por meio de uma aula interdisciplinar e
contextualizada coma intervenção da sala de ciências, onde os alunos puderam conhecer um pouco
mais sobre as plantas da caatinga, seus princípios ativos e seus efeitos fitoterápicos. Quanto ao
procedimento, o seguinte projeto realizou-se inicialmente nas aulas de geografia, coordenado pela
professora regente da turma Luzivete de Lima e por último houve uma aula prática, que ficou por
responsabilidade da equipe da Sala de Ciências do SESC-PE.
No primeiro momento foi apresentado aos alunos o conteúdo que seria trabalhado na
disciplina de geografia, por meio de uma introdução teórica sobre a vegetação da caatinga. Em
seguida, foi realizado um momento em que os alunos ao som da música “pra fazer chá”, de
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Matingueiros, puderam degustar e apreciar o chá de algumas plantas da caatinga que eram citadas
na música, tais como, Erva Cidreira, Hortelã e Capim Santo. Por último, foi pedido aos alunos que
se dividisse em grupos e fizessem uma pesquisa sobre as principais plantas da região que apareciam
na música e os seus benefícios fitoterápicos. Os dados das pesquisas realizadas pelos alunos foram
apresentados aos demais em sala de aula.
Depois dessa intervenção, a Sala de Ciências apresentou uma oficina de produção de
sabonetes fitoterápicos com plantas da caatinga. Na oficina, foi explicada a parte química envolvida
na produção de sabonetes, bem como os cuidados na preparação da infusão dos chás que seriam
usados na prática, os princípios ativos e a atividade de cada planta em nosso organismo. As plantas
utilizadas para a fabricação foram Aroeira, Alecrim e Maracujá do Mato, ambas também estavam
citadas na música e que fazem parte do bioma caatinga, no qual eles estavam estudando.
Para este momento, a sala foi dividida em três grupos, e cada equipe fez o sabonete de uma
planta medicinal diferente. No final, os alunos realizaram um teste para avaliar os conhecimentos
adquiridos e comparar os resultados com a avaliação anterior a fim de verificar a viabilidade de uma
aula contextualizada e interdisciplinar em turmas da EJA.

Resultados e Discussões
Foi observado que as aulas contextualizadas e interdisciplinares nas aulas da EJA funcionam
como uma ferramenta mais eficaz na promoção do conhecimento. Com a realização deste projeto
foi visto que houve uma interação e interesse por parte dos estudantes em aprender e participar da
aula. Sendo assim é possível integrar duas disciplinas que não são de áreas afins, mas, é percebido o
quanto se torna proveitoso fazer uma conexão entre elas, trazendo os conteúdos trabalhados de uma
forma prática para mais próximo da realidade do aluno.
Resultados semelhantes foram obtidos por Oliveira, Delsin e Rodrigues (2003) ao trabalhar
com alunos da EJA na disciplina de ciências. Os autores citados acreditam que a reformulação dos
conteúdos e das metodologias do ensino de ciências é indispensável, e que esses conteúdos devem
conter aspectos que promovam e estimulem a aprendizagem desses jovens e adultos, construindo
dessa forma uma proposta que favoreça a aprendizagem desse grupo.
Dessa forma, foi possível observar e compreender a efetividade da aplicação do conteúdo
teórico integrado com a prática de forma contextualizada realizada pelos alunos, promovendo nos
mesmos o desenvolvimento da capacidade investigativa, interativa e interpretativa com o ambiente
educacional, rompendo com a educação dita tradicional.

Conclusões
Diante do exposto, fica nítido a necessidade de buscar atrelar a prática com a teoria em
disciplinas que aparentemente não se correlacionam, utilizando a contextualização como ferramenta
de ensino, promovendo assim um melhor entendimento do conteúdo a ser abordado. A aula prática
possibilita que o educando vivencie a teoria de forma mais próxima, relacionando a mesma com o
seu cotidiano. Trabalhar de forma diferenciada nas aulas da EJA é fundamental para a melhor
formação dos estudantes, pois promove a oportunidade de visualização de conceitos ou de
processos que estão sendo construídos por eles na sala de aula.

Referências

ALVES, R. R. N. et al. Utilização e comércio de plantas medicinais em Campina Grande, PB,


Brasil. Revista Eletrônica de Farmácia, Goiânia, v. 4, n.2, p. 175-198, 2007.

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(PINHEIRO; AMORIM; LIMA; MAGALHÃES; CAMPOS; SIMPLICIO, 2018)

BARREIRO, E. J.; BOLZANI, V. S. Biodiversidade: fonte potencial para a descoberta de


fármacos. Química Nova, São Paulo, v. 32, n. 3, p. 679-688, 2009.
CALIXTO, J. B. Biodiversidade como fonte de medicamentos. Ciência e Cultura, Campinas, v.
55, n. 3, p. 37-39, 2003.
KATO, Danilo Seithi; KAWASAKI, Clarice Sumi. As concepções de contextualização do ensino
em documentos curriculares oficiais e de professores de ciências. Ciência & Educação 17:35-
50,2011.
MACIEL, M. A. M.; PINTO, A. C.; VEIGA JUNIOR, V. F. Plantas medicinais: a necessidade de
estudos multidisciplinares. Química Nova, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 429-438, 2002.
OLIVEIRA, C. A. de; DELSIN, F., e RODRIGUES, P. O ensino de ciências na educação de
jovens e adultos: relato de experiências do PEJA – Araraquara. In: I CREPA – Congresso Regional
de Educação de Pessoas Adultas, São Carlos. Anais... São Carlos: UFSCar, 2003.
PIRES, C. M. C. et al. (2008): Por uma proposta curricular para o 2.º segmento na EJA.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/vol1e.pdf. Acesso em: Jul. 2018.
RIBEIRO, D.A.; Et al. Potencial terapêutico e uso de plantas medicinais em uma área de
Caatinga no estado do Ceará, nordeste do Brasil. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, v.16, n.4,
p.912-930, 2014.
SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P. A pesquisa e a produção brasileira de medicamentos a
partir de plantas medicinais: a necessária interação da indústria com a academia. Revista
Brasileira de Farmacognosia, Curitiba, v. 12, n. 1, p. 35-40, 2002.

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CONSCIÊNCIA AMBIENTAL E O CONCEITO DE ECOSOFIA NA


FORMAÇÃO ECOLÓGICA
Kellison Lima Cavalcante1
1
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, s/n - Jardim São Paulo - Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP:56.314-520 / Telefone: (87) 2101.4300 / E-mail:4kellison.cavalcante@ifsertao-pe.edu.br

Resumo: A Ecosofia permite compreender que a natureza e os seres humanos fazem parte do mesmo ecossistema
comunicativo, propondo assim, discussões entre meio ambiente e filosofia. Dessa forma, esse trabalho teve como
objetivo refletir sobre o pensamento ecosófico, como um instrumento de conhecimento do sentido humano na natureza
e a contribuição no processo de aprendizagem no mundo contemporâneo, através de uma discussão teórica do assunto
abordado. Fundamentou-se a partir de aspectos provenientes do pensamento de Félix Guattari, que contribuiu e auxiliou
na problematização da prática acadêmica. A Ecosofia proposta por Guattari aborda a nossa compreensão, como parte do
meio em que vivemos, e como aprendemos e agimos sobre a problemática ambiental, tendo por base as três ecologias: a
do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana (mental). Assim, é possível compreender que a
Ecosofia é mais que uma reflexão sobre ecologia, natureza e subjetividade humana, é uma busca por ações concretas,
levando em consideração a interação do homem com o meio ambiente. Dessa forma, a Ecosofia estimula uma ampla
consciência ambiental, possibilitando extrair do campo da aprendizagem e do conhecimento o potencial de nos
tornarmos capazes de compreender o que o nosso planeta precisa e rever nossas ações.

Palavras-chave: filosofia; ecologia; meio ambiente.

THE ECOSOOPHY AND THE FORMATION OF THE ENVIRONMENTALLY


CONSCIOUS SUBJECT: THE CONTRIBUTION OF LEARNING IN A CLASSROOM

Abstract: Ecosophy allows us to understand that nature and human beings are part of the same communicative
ecosystem, thus proposing discussions between environment and philosophy. Thus, this work had as objective to reflect
on the ecosphonic thought, as an instrument of knowledge of the human sense in nature and the contribution in the
learning process in the contemporary world, through a theoretical discussion of the subject addressed. It was based on
aspects from the thought of Felix Guattari, who contributed and helped in the problematization of academic practice.
The Ecosophy proposed by Guattari addresses our understanding, as part of the environment in which we live, and how
we learn and act on environmental issues, based on the three ecologies: the environment, social relations and human
subjectivity ( mental). Thus, it is possible to understand that Ecosophy is more than a reflection on ecology, nature and
human subjectivity, it is a search for concrete actions, taking into account the interaction of man with the environment.
In this way, Ecosophy stimulates a broad environmental awareness, making it possible to extract from the field of
learning and knowledge the potential to become capable of understanding what our planet needs and reviewing our
actions.

Keywords: philosophy; ecology; environment.

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(CAVALCANTE, 2018)

1 INTRODUÇÃO

A sociedade atual discute com frequência sobre as questões ambientais, destacando a


preocupação na extinção dos recursos naturais, das várias formas de vida e o consequente fim da
própria espécie humana no planeta. Isso se deve, principalmente, à crescente ação de deterioração
da natureza, provocada pelo homem. Assim, a crise ambiental é resultado da nossa sociedade, que
interfere na natureza, sem preocupar-se com o futuro.
Guattari (2009) afirma que os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no
sentido de uma progressiva deterioração do nosso planeta. Nesse sentido, os problemas ambientais
da contemporaneidade são resultados das ações humanas sem projeção consciente ao longo do
tempo, prejudicando o futuro da natureza. Assim, torna-se relevante a discussão ecosófica abordada
pelo filósofo francês Félix Guattari, que procurou concatenar de modo lógico e heterogêneo os
conceitos do que é natural e do que é cultural, relacionando natureza e meio ambiente com o
humano.
De acordo com Guattari (2009), vivemos no planeta sob a aceleração das mutações técnico-
científicas que podem ser identificadas no tempo atual, onde vivemos uma crise ambiental, de
revoluções políticas, sociais e culturais. Através de três registros. Assim, a proposta ecosófica
defendida por Guattari busca resposta e ações para a problemática ambiental que vivenciamos no
cotidiano.
A tomada de consciência ecológica futura não deverá se contentar com a preocupação com
os fatores ambientais, mas deverá também ter como objeto devastações ambientais no campo social
e no domínio mental (GUATTARI, 2009, p. 41). Dessa forma, torna-se imprescindível a
compreensão da formação do sujeito ambiental atualmente em sala de aula, inserido no processo de
inclusão nas práticas ecológicas e ações ambientais para buscar soluções para as ações antrópicas de
destruição. Assim, sem transformações das mentalidades e dos hábitos coletivos haverá apenas
medidas ilusórias relativas ao meio material.
Para Guattari (2009), a Ecosofia é um modelo prático e especulativo, ético-político e
estético, não sendo uma disciplina, mas sim uma simples e eficaz renovação das antigas formas de
concepção do ser humano, da sociedade e do meio ambiente.
Nesse sentido, essa pesquisa partiu da problemática que Guattari (2009) afirma que os
modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva
deterioração. Dessa forma, esse trabalho teve como objetivo refletir sobre o pensamento ecosófico,
como um instrumento de conhecimento do sentido humano na natureza e a contribuição no processo
de aprendizagem no mundo contemporâneo.

2 MATERIAL E MÉTODOS

De acordo com Gil (2002), este trabalho caracteriza-se em uma pesquisa qualitativa,
requerendo o uso do método exploratório e descritivo a partir da dialética referente ao assunto em
questão e abordando uma análise de experiências e abordagens teóricas sobre a Ecosofia no
processo de formação do sujeito ambientalmente consciente e a contribuição da aprendizagem em
sala de aula, além da observação sistemática para delineamento de conceitos educacionais. Assim,
consistiu em uma análise e interpretação dos aspectos provenientes do pensamento de Félix
Guattari, que contribuiu e auxiliou na problematização.
Dessa forma, este trabalho foi realizado inicialmente a partir de um estudo teórico do
pensamento ecosófico de Guattari (2009) e para a investigação científica consistiu na utilização do
método dialético, para que resultados significantes e satisfatórios sejam atingidos.

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(CAVALCANTE, 2018)

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O conceito de Ecosofia foi criado pelo filósofo francês Félix Guattari, que expressa as
formas como os sujeitos interagem entre si e com o meio ambiente, a partir do conhecimento de
práticas ambientais sustentáveis no processo de educação e aprendizagem escolar. De acordo com
Guattari (2009) a Ecosofia aborda a nossa compreensão, como parte do meio em que vivemos, e
como aprendemos e agimos sobre a problemática ambiental, tendo por base as três ecologias: a do
meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana (mental).

Ecologia do meio ambiente - onde tudo é possível de acontecer, quanto às evoluções


flexíveis e quanto às piores catástrofes ambientais; “cada vez mais, os desequilíbrios
naturais dependerão das intervenções humanas”, principalmente quanto à regulação das
relações entre o oxigênio, o ozônio e o gás carbônico; Ecologia social - deve trabalhar as
relações humanas, reconstruindo-as em todos os níveis do socius; Ecologia subjetiva ou
mental - será levada a reinventar a relação do sujeito como o corpo, a psique
(inconsciência) e o consciente (GUATTARI, 2009, p. 52).

O pensamento ecosófico consiste em despertar a condição humana no meio ambiente como


consequência das nossas ações sem projeção consciente, que vêm ocorrendo ao longo das gerações
e que culminaram nos graves desequilíbrios ecológicos da contemporaneidade, além de enfatizar a
formação de um novo ser humano, com base nas três ecologias propostas pelo filósofo. Guattari
(2009) ressalta que os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma
progressiva deterioração. Assim, o enfoque do pensamento do filósofo através da Ecosofia está no
fracasso em entendermos e aprendermos sobre a problemática ambiental, sobre as ações que a
causaram e suas implicações ou projeções ao longo do tempo.
Nesse sentido, os problemas ambientais são resultados da evolução da sociedade, em seus
aspectos econômicos, políticos, sociais e educacionais, que sintetizam a subjetividade da condição
humana. Assim, essa subjetividade significa a nossa percepção sobre o mundo em que vivemos e
sobre nós mesmos, nosso modo de pensar e agir para preservar e cuidar do meio ambiente. De
acordo com a Ecosofia proposta por Guattari, o que está em questão é a maneira de viver daqui em
diante sobre esse planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do
considerável crescimento demográfico.
Assim, a Ecosofia consiste no entendimento e desenvolvimento de novas práticas sociais e
analíticas na busca da criação de novas subjetividades. Como afirma Guattari (2006):

Não seria exagero enfatizar que a tomada de consciência ecológica futura não deverá se
contentar com a preocupação com os fatores ambientais, mas deverá também ter como
objeto devastações ambientais no campo social e no domínio mental. Sem transformações
das mentalidades e dos hábitos coletivos haverá apenas medidas ilusórias relativas ao meio
material (p.173).

Nessa perspectiva, de acordo com Devall e Sessions (2004), Sofia vem do grego „sabedoria‟,
o que relaciona com a ética, as normas, as regras e a prática, assim, a Ecosofia implica um
deslocamento da ciência para a sabedoria. Assim, o que precisamos no mundo contemporâneo é a
expansão do pensamento ecológico em direção ao pensamento da Ecosofia. A condição humana
passa a ser um ser integrado no meio, um ser completo, holístico, que conjuga aspectos biológicos,
mentais, sociais e espirituais.
A Ecosofia insere-se no contexto de uma força potencializadora e/ou uma ação para refletir
sobre as problemáticas existentes no e pensar a educação e o meio ambiente, como destaca Guattari
(2009):

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A Ecosofia não considera a dimensão do meio ambiente como sinônimo de natureza coloca
em igualdade a qualidade das relações sociais, bem como a qualidade da subjetividade
humana, construídas a partir das relações do ser humano consigo mesmo, dos seres entre si,
com o ambiente planetário (p. 32).

Assim, as condições do meio ambiente não podem ser dissociadas da nossa condição de
existência no planeta. Essa condição está associada diretamente a nossa formação ecológica em sala
de aula, a nossa formação como um sujeito ambientalmente consciente. O ser humano precisa
aprender a desenvolver um pensamento transversal para compreender de fato e implantar em sua
essência, a fim de entender as frágeis relações que regem as aspectos globais do nosso planeta, em
uma esfera mais abrangente e os aspectos locais e pertinentes ao nosso desenvolvimento.
A Ecosofia tem como princípio a formação de cidadãos capazes de compreender o ambiente
em que vivem e buscar respostas para os problemas de um modo geral, como éticos, científicos,
culturais e, sobretudo ambientais. Em sala de aula, a Ecosofia tem como finalidade estimular o
educando a observar e compreender o mundo, como sendo parte integrante dele, oferecendo assim,
a possibilidade de agir, com respeito e consciência. É importante destacar que, nesse contexto, a
escola tem a finalidade de proporcionar condições para que o educando tenha uma aprendizagem
baseada na Educação Ambiental.
Diante desse cenário, o homem nasce para ser educado, e tem na formação escolar a
possibilidade de mudança e construção de um mundo ambientalmente mais consciente. Dessa
forma, as três ecologias descritas na Ecosofia de Félix Guattari na formação do estudante tornam
evidentes as problemáticas que estão acontecendo na nossa natureza, que exige cuidados especiais
para poder preservar e criar condições para manter o equilíbrio do meio ambiente. Assim, a
Ecosofia em sala de aula se configura como uma necessidade social, criando uma conscientização
de que todos devem cuidar e preservar o meio ambiente para as futuras gerações, formando
indivíduos atuantes.
Nós dependemos do meio ambiente para nossa sobrevivência desde a evolução dos nossos
ancestrais. Porém, como parte integrante da natureza e, sobretudo um ser social capaz de provocar
alterações no meio em que vivemos, podemos a partir da Ecosofia no convívio escolar, provocar
mudanças permanentes para cuidar da nossa natureza.
Dessa forma, foi possível identificar que a Ecosofia consiste em um modelo prático nos
campos ético e político, que tem como finalidade a ressignificação da concepção de ser humano, de
sociedade e de meio ambiente. Assim, foi possível identificar características da realidade vivenciada
pelos estudantes na prática da Ecosofia, como distribuído na Tabela 1.

Tabela 1 – Compreensão das características da Ecosofia


ECOLOGIA DE GUATARRI (2009) SENTIDO PARA OS ESTUDANTES
- Catástrofes;
- Desenvolvimento ou evolução;
AMBIENTAL
- Intervenções humanas;
- Natureza.

- Criar novos pensamentos e ações;


- Relação do sujeito com o corpo;
MENTAL
- Entender a finalidade do trabalho desenvolvido;
- Entender a finalidade do sujeito no meio ambiente.

- Compreender as relações humanas;


- Formas de pertencer ao meio social;
SOCIAL
- Formas de corrigir coletivamente o meio em que vive em
sociedade.
Fonte: dados da pesquisa.
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De acordo com Meksenas (1994), o gênero humano desenvolve de tal modo sua consciência
no tempo que chega um momento onde não basta sentir o mundo criando valores (mitos) sobre o
mundo. Surge o desejo de descobrir as leis que regem o nosso mundo, a querer entender o mundo
de modo racional e procurar soluções para os problemas resultantes de nossas ações. Nesse sentido,
é possível destacar que a filosofia se opõe ao mito, pois a consciência filosófica não se limita a
sentir o mundo. Assim a Ecosofia tem como finalidade interpretar de modo racional os
questionamentos e problemas do nosso meio ambiente para, em seguida, questionar a realidade.
Nessa perspectiva, o pensamento ecosófico de Guattari possibilita a relação do ser humano
com a realidade que o produz e o atravessa, em suas múltiplas dimensões. Assim, através da
compreensão das três ecologias torna-se imprescindível a nós, como seres humanos e parte
indissociável do meio ambiente, a procura da conciliação dessa relação de possibilidade no nosso
Planeta para minimizar os riscos de problemas ambientais e intervenções humanas na natureza.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Ecosofia proposta por Guattari aborda a nossa compreensão, como parte do meio em que
vivemos, e como aprendemos e agimos sobre a problemática ambiental, tendo por base as três
ecologias: a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana (mental). Assim,
foi possível compreender que a ecologia ambiental tem como características a possibilidade de
ocorrência naturalmente. A ecologia mental está relacionada aos conceitos de desempenho e
benefício humano como ser ambiental e consciente. Dessa forma, a ecologia social tem como
princípio o convívio humano em sociedade e a busca pela solução coletiva dos problemas
ambientais tanto na esfera local como global.
A Ecosofia apresenta aspectos fundamentais para desvelar a relação que nós precisamos
entender para a conscientização ambiental, garantindo a continuidade do mundo em que vivemos,
preservando a natureza e os seres vivos. Foi possível compreender que a Ecosofia é mais que uma
reflexão sobre ecologia, natureza e subjetividade humana, é uma busca por ações concretas, levando
em consideração a interação do homem com o meio ambiente. Dessa forma, a Ecosofia estimula
uma ampla consciência ambiental, possibilitando extrair do campo da aprendizagem e do
conhecimento o potencial de nos tornarmos capazes de compreender o que o nosso planeta precisa e
rever nossas ações.

REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, K. L. Potencial dos efluentes das estações de tratamento de esgoto doméstico


de Petrolina-PE para irrigação de sorgo sacarino. 2014. 121 f. Dissertação (Mestrado em
Tecnologia Ambiental) – Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Recife, 2014.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso
Muniz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
DEVALL, B.; SESSIONS, G. Ecologia profunda: dar prioridade à natureza na nossa vida. Águas
Santas: Edições Sempre-em-Pé, 2004.
GALLO, S. Deleuze e a educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GUATTARI, F. As três ecologias. 20ª ed. Trad. Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas: Papirus,
2009, 56p.
______. Caosmose: um novo paradigma estético. 4ª reimpressão. Rio de Janeiro: Editora 34, 2006.

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ANÁLISE DESCRITIVA DA PRECIPITAÇÃO, VAZÃO AFLUENTE E


VAZÃO DEFLUENTE DO LAGO SERRA DA MESA-GO

Thaana de Paula Rodarte 1, Cássia Monalisa dos Santos Silva 2,


João Victor da Cunha Oliveira 3, Edna Maria Rodrigues 4
1,2,4
Universidade Estadual de Goiás – Campus Niquelândia. R. Itabaiana, Qd. U, Lt. 1, s/n - Centro - Niquelândia – Goiás – Brasil.
CEP: 76.420-000 / Telefone: (62) 3354.1571 / E-mail: 1 thaanarodart@hotmail.com; 2 cassia.silva@ueg.br;
4
ednarodrigues@hotmail.com
3
Instituto Federal da Paraíba – Campus Campina Grande. R. Tranqüilino Coelho Lemos, 671 - Dinamérica - Campina Grande –
Paraíba – Brasil. CEP: 58.432-300 / Telefone: (83) 2102.6233 / E-mail: 3 joaovictorwo@gmai.com

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo analisar através de um processo estatístico descritivo a relação entre as
variáveis de precipitação, vazão afluente, e vazão defluente do Reservatório Serra da Mesa, que representa uma
importante massa d‟água no estado de Goiás. A análise dos dados nos permite compreender a dinâmica do clima e qual
sua influência sob o comportamento do lago, que consequentemente torna-se uma ferramenta importante para
compreender a problemática do baixo nível do reservatório. Os dados utilizados foram os da série temporal de vazão
afluente e vazão defluente da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, obtidas através do Operador Nacional do Sistema
Elétrico - ONS, bem como a serie temporal de precipitação que foi obtida através empresa SAMA de Mineração, no
período entre 1999 e 2017. Os resultados mostram uma relação entre as variáveis de precipitação e vazão afluente.
Quanto maior o volume de precipitação, maior a vazão, não existindo uma variação significativa de comportamento
durante o período analisado. A vazão defluente em vários momentos foi maior que a vazão afluente, favorecendo com
que o nível da água fora (na saída) do reservatório seja maior do que no interior (na entrada).

Palavras-chave: Reservatório, Vazão Afluente, Vazão Defluente, Precipitação

Descriptive analysis of the precipitation, affluent flow and defluent flow in the
region of Serra da Mesa-GO Lake
ABSTRACT: The objective of this paper is to analyze the relationship between the variables of precipitation, affluent
flow and defluent flow of the Serra da Mesa Reservoir, which represents a significant water body in the state of Goiás.
Allows us to understand the dynamics of the climate and its influence under the behaviour of the lake, which
consequently becomes an important tool to understand the problem of the low level of the reservoir. The data used were
those of the time series of tributary flow and defluent flow of the Serra da Mesa Hydroelectric Power Plant, obtained
through the National Electric System Operator, as well as the time series of precipitation that was obtained by SAMA
Mining company, the period between 1999 and 2017. The results show a relationship between the precipitation
variables and affluent flow. The higher the volume of precipitation, the higher the flow, and there was no significant
variation of behavior during the analyzed period. The defluent flow at various times was greater than the influent flow,
favoring that the water level outside (at the outlet) of the reservoir is greater than at the inlet.

Keywords: Reservoir, Influent Flow, Defluent Flow, Precipitation

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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)


Introdução

A Usina hidrelétrica de Serra da Mesa foi construída sob o curso do rio Tocantins, no estado
de Goiás, em uma região com um elevado potencial para construção de usinas hidrelétricas segundo
(Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos
Metropolitanos – SECIMA, 2015). Para a implantação da usina, foi construído um lago
(reservatório artificial), com um volume de 54,4 km³, o que o caracteriza como maior lago artificial
do Brasil, tornando-se de extrema importância para estudos hidrológicos.
Embora, seja um recurso aparentemente abundante a água é distribuída de maneira
heterogênea. Como descrito pelo Sistema de Auto avaliação da Eficiência Hídrica (Saveh, 2018)
cerca de 3% da água do planeta é doce, dessa pequena parcela 2,5% formam geleiras restando
apenas 0,5%, volume esse cuja maior parte encontra-se em aquíferos subterrâneos e somente 0,04%
encontram-se em rios, lagos e mangues.
Straskraba (2013) afirma que o aumento do consumo e a irregularidade da distribuição da
água resultaram na necessidade de armazenamento de água em diversas partes do planeta,
construindo lagos artificiais denominados reservatórios. Foram criados pelo homem para atender
um propósito específico, voltados a demandas humanas, tais como: o processo de irrigação,
armazenamento de água potável, produção de biomassa, recreação, lazer, e alguns com a finalidade
de produzir energia.
Os reservatórios são considerados lagos, pois apresentam um volume de água, uma
composição especifica, e possuem formas de vidas (Straskraba, 2013). São semelhantes aos lagos
naturais por possuir características como ser variáveis, e não são uniformes quanto a localização,
forma ou tamanho, além disso, possui diferenças, pois os reservatórios enchem vales de rios
barrados, enquanto os lagos naturais preenchem depressões naturais.
Segundo o Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB, 2013) as barragens fazem parte do
processo histórico e contribui como uma fonte de água confiável para as pessoas, pois permitem que
a população colete e armazenem água quando abundantes e utilizem em períodos de seca, portanto
são fundamentais para o estoque de água.
Rebouças (2006) utiliza-se da argumentação de que os reservatórios possuem um significado
econômico, ecológico, hidrológico e social em diversas regiões do país, tornando-se os responsáveis
pelo desenvolvimento da região onde está projetada.
Porém, de acordo com Müller (1995), existem controvérsias, sob a perspectiva de que a
construção de um reservatório provoca uma crise entre beneficiários da implantação dos
empreendimentos hidrelétricos e aqueles que sofrem seus impactos. Sua construção seja para qual
for sua função deve ser analisada e criteriosamente projetada, pois provocam diversos impactos
alguns positivos e outros negativos e quase sempre irreversíveis.
Sendo assim, o presente trabalho tem o objetivo de analisar e correlacionar de maneira
descritiva, as variáveis de precipitação local, vazão afluente e defluente do lago Serra da Mesa, em
uma série temporal de 19 anos (1999 a 2017) a fim de investigar se existe influência climática na
problemática do baixo nível de água do reservatório Serra da Mesa, que chegou a atingir volume
crítico de 8,86 % de sua capacidade útil em 17 de novembro de 2017 (ONS, 2018).

Materiais e Métodos
Em um primeiro instante, foram realizados estudos e pesquisas sobre o objeto de estudo,
para conhecer a dinâmica do mesmo, seu processo histórico, suas características, seus objetivos e o
seu volume, através de livros, artigos científicos, relatórios e visitas in locu. Também foram
levantados estudos sobre os aspectos físicos: Climáticos da região, de maneira a compreender como
esses fatores se comportam e como podem influenciar sobre a região e de que maneira se
relacionam com o objeto de estudo. O processo de estudos e pesquisa permitiu a construção e
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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

desenvolvimento de um referencial teórico que abordam o objeto de estudo, bem como a definições
do cenário histórico, definição de precipitação e vazão, na dinâmica de relação chuva/vazão.
Os dados utilizados foram tabulados e representam as variáveis de: precipitação (Quadro 1),
vazão afluente (Quadro 2), vazão defluente (Quadro 3) e volume (Quadro 4) em uma resolução
temporal de 19 anos, compreendendo o período de 1999 à 2017, tempo aproximado de início de
operação da Usina até os dias atuais, mais precisamente até o último dia útil do período de 2017.

Quadro 1: Dados mensais de Precipitação.


Precipitação
Ano Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro NovembroDezembro
1999 132,0 232,1 163,8 9,2 6,9 0,0 0,0 0,0 18,4 250,1 437,5 569,3
2000 229,8 329,9 184,7 80,4 0,0 0,0 0,0 1,2 72,2 81,2 259,2 385,3
2001 119,9 100,0 324,9 70,1 12,0 0,0 0,0 0,0 64,2 225,4 159,7 416,3
2002 267,0 192,2 68,2 44,0 28,0 0,0 0,0 0,0 49,7 76,2 114,9 301,2
2003 282,4 152,6 87,6 42,5 25,5 0,0 0,0 2,2 20,8 48,1 224,2 83,1
2004 491,5 348,9 183,7 80,6 0,3 0,3 0,3 0,0 0,0 118,6 113,5 171,9
2005 258,6 155,8 183,4 40,8 11,6 0,4 0,0 5,0 12,4 28,4 116,6 152,6
2006 61,0 51,2 106,8 78,6 0,2 0,0 0,0 0,0 20,6 150,6 129,6 103,6
2007 210,4 177,4 39,8 21,8 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2 23,0 122,6 73,6
2008 91,0 137,4 144,8 76,0 0,0 0,0 0,0 0,0 4,4 3,2 146,8 235,5
2009 221,6 146,5 188,3 179,2 60,7 4,7 0,0 5,6 25,7 144,5 219,0 327,3
2010 101,2 102,3 85,2 70,8 40,0 0,0 0,0 0,0 13,4 81,1 168,9 269,4
2011 229,6 125,2 262,6 76,8 3,2 0,0 0,0 0,0 4,6 133,6 322,4 219,4
2012 320,8 140,2 26,8 53,0 55,4 0,0 0,0 0,0 13,6 10,0 339,8 58,2
2013 377,6 54,0 214,0 65,0 5,2 16,2 0,0 0,0 18,6 83,0 293,8 443,6
2014 107,0 252,6 188,4 161,6 10,8 9,4 0,0 0,0 38,4 195,2 108,6 263,8
2015 81,4 235,2 111,2 158,8 38,0 0,0 0,0 0,0 28,6 109,6 114,4 85,6
2016 453,8 84,2 94,0 8,2 1,6 4,0 0,0 0,0 26,0 167,8 180,4 104,2
2017 98,0 229,6 72,4 27,6 0,0 0,0 0,0 0,0 45,4 21,8 165,4 239,8
Fonte: Adaptado de SAMA (1999 -2017).

Quadro 2: Dados hidrológicos/ Vazão Afluente.


Vazão Afluente
Ano Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro NovembroDezembro
1999 675 570 874 309 181 104 64 47 70 130 603 1361
2000 1794 1719 1757 836 424 297 220 157 172 136 680 1314
2001 792 593 971 535 295 173 138 82 106 299 587 972
2002 2058 1730 1037 629 374 264 195 121 116 114 324 602
2003 1180 1049 1129 905 395 259 160 96 112 125 265 332
2004 1277 2991 1861 1303 636 404 276 180 148 227 316 484
2005 974 1326 1590 765 423 245 188 136 82 81 386 1220
2006 663 790 1198 1014 438 262 177 140 116 392 599 837
2007 1147 2419 962 618 354 217 168 108 70 73 295 531
2008 591 1211 1776 1072 448 284 192 117 54 70 383 1246
2009 1189 1099 810 1267 598 359 229 163 175 496 697 1249
2010 1403 723 1028 727 246 166 122 85 38 179 633 1128
2011 2417 1314 2097 1118 540 362 257 118 52 280 654 1329
2012 2165 1458 942 605 339 266 157 63 82 217 536 566
2013 1373 1132 899 840 369 351 200 115 59 196 296 1093
2014 734 809 1224 1017 486 282 174 90 69 99 358 840
2015 346 802 913 846 563 288 189 103 64 82 146 215
2016 1456 842 717 291 200 124 69 96 50 135 370 428
2017 338 713 523 451 229 120 67 48 55 105 229 788
Fonte: Adaptado da ONS (2018).
IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

Quadro 3: Dados hidrológicos/ Vazão Defluente.


Vazão Defluente
Ano Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro NovembroDezembro
1999 389 471 532 584 651 715 634 643 683 805 740 887
2000 1028 904 764 716 872 697 744 657 577 695 865 894
2001 926 814 900 926 885 644 927 772 982 732 715 582
2002 413 413 405 422 416 409 406 409 424 958 986 660
2003 543 392 403 398 409 401 626 650 634 897 833 852
2004 622 571 580 583 587 583 595 496 610 452 341 330
2005 335 330 438 455 512 649 635 669 532 593 869 620
2006 320 307 303 305 362 424 589 700 941 1021 916 679
2007 425 297 339 292 324 517 674 717 752 1029 1099 1078
2008 851 311 308 293 349 591 611 698 896 923 800 379
2009 316 300 302 300 298 299 350 333 291 294 683 467
2010 356 524 493 505 707 605 700 655 1022 1097 1129 914
2011 406 635 383 330 451 606 597 741 1106 1079 1012 572
2012 450 642 705 735 929 647 605 769 1375 1766 1323 996
2013 710 609 641 319 643 597 610 626 863 924 970 751
2014 455 531 321 170 71 590 594 771 940 902 912 603
2015 532 432 402 292 310 511 568 644 812 839 827 685
2016 527 316 318 319 332 648 659 621 419 342 331 334
2017 322 325 314 314 315 332 330 325 313 306 314 305
Fonte: Adaptado da ONS (2018).

Quadro 4: Dados hidrológicos/ Volume útil.


Volume útil %
Ano Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro NovembroDezembro
1999 46,56 55,57 68,53 68,25 63,2 55,38 48,21 37,08 26,46 13,99 7,17 7,58
2000 26,74 43,03 54,13 51,2 43,26 37,99 31,44 22,66 19,82 11,02 12 19,06
2001 23,55 22,26 21,02 17,73 16,63 16,25 15,28 13,72 12,98 15,45 17,68 28,03
2002 43,71 69,07 81,3 85,66 85,19 83,33 76,78 68,73 65,93 59,69 56,21 62,99
2003 83,33 94,43 96,81 97,54 95,33 92,3 85,66 75,61 66,07 59,16 54,69 57,72
2004 67,7 83,1 93,53 98,44 98,53 98,36 98,03 92,55 86,21 85,27 81,97 93,53
2005 96,4 96,81 97,87 97,54 98,94 98,12 94,92 86,84 83,7 76,93 76,05 86,28
2006 89,6 94,02 96,56 96,07 92,06 84,72 78,44 67,57 55,75 45,31 38,94 46,91
2007 91,02 96,72 97,79 99,18 98,61 95,91 89,92 81,22 72,16 63,2 60,08 58,44
2008 64,36 81,52 97,87 99,26 98,53 96,31 91,1 84,64 77,08 71,15 72,52 84,72
2009 96,12 97,56 98,69 98,92 98,3 95,33 90,99 86,53 84,78 84,91 82,08 91,12
2010 93,78 94,51 98,36 96,89 93,86 87,63 80,47 71,32 61,19 53,13 52,23 58,38
2011 91,1 95,5 98,18 99,05 98,94 94,02 89,37 81,37 72,52 66,34 59,36 71,94
2012 94,02 94,59 89,76 84,17 78,66 76,93 71,08 61,07 48,27 28,3 16 12,47
2013 32,86 50,51 62,58 71,65 70,5 71,29 67,7 60,67 53,69 50,32 47,38 49,7
2014 45,9 34,2 27,55 29,01 29,4 29,11 28,54 27,58 21,94 13,3 11,31 13,21
2015 9,83 12,94 21,68 25,88 28,1 29,16 28,86 28,05 28,3 22,17 23,74 30,43
2016 50,14 62,31 74,88 77,32 76,19 78,44 73,53 65,12 57,97 51,13 48,98 46,79
2017 47,86 46,85 44,95 41,97 41,46 41,13 36,98 27,34 18,36 11,17 9,67 11,36
Fonte: Adaptado da ONS (2018).

Disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, dados de vazão


afluente (entrada de água) e vazão defluente (saída de água) do reservatório de Serra da Mesa,
foram correlacionados com dados de precipitação do mesmo período de estudo disponibilizado pela
empresa SAMA de mineração. A estação meteorológica da SAMA encontra-se nas adjacências da

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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, onde possui as seguintes coordenadas: Latitude 13° 31‟ 58” S
e Longitude 48° 14‟ 21” W, Altura 426 m, pressão Barométrica 722 hpa1.
Para compreender a distribuição dos dados foi realizada análise de estatística descritiva e
cálculo das médias anuais de precipitação, vazão afluente e vazão defluente através Equação 1:

̅ = ∑𝑿
𝑿 (1)
𝑵
Onde:
𝑋̅ : média
∑ 𝑋: somatório valores
N: número de elementos

Resultados e Discussão
A presente análise teve como objetivo compreender a distribuição das informações de vazão
afluente e defluente quando correlacionada com a variável de precipitação ao longo dos últimos 19
anos, com a finalidade de investigar se os níveis têm influência da instabilidade do regime
pluviométrico, conforme a Figura 1 abaixo:

Figura 1: Precipitação/ vazão afluente/ vazão defluente: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto,
Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro.

1
hpa: Unidade de medida de pressão atmosférica.
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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

Fonte: Autores (2018).

Os meses de Janeiro apresentam um volume de precipitação alta, com o máxima de 61,0


mm² em 2006, mínima de 491,5 mm² em 2004 e média de 217,6 mm²; a vazão afluente também é
alta, com máxima de 2.417,0 m³/s em 2011, mínima de 338,0 m³/s em 2017 e média de 1.188,0
m³/s; a vazão defluente foi menor em relação a afluência, em 2000 houve o maior volume de saída
com 1.028,0 m³/s, média de 552,4 m³/s. Dos 19 intervalos analisados 11 (57,8%) apresentam
volume de afluência superior a 1.000 m³/s. A vazão afluente foi maior que a vazão defluente, exceto
nos anos de 2008 e 2015.
Os meses de Fevereiro apresentam um volume de precipitação alta, com máxima de 329,9
mm² em 2004, mínima de 51,2mm² em 2006 e média de 170,9 mm²; a vazão afluente merece
destaque no ano de 2004 (situação atípica) com máxima de 2.991 m³/s, mínima de 570 m³/s em
1999 e média de 1.225,8 m³/s; a vazão defluente apresenta volume de 904 m³/s em 2000 e média de
480,2 m³/s. A vazão afluente foi maior que a vazão defluente em todos os anos. Assim como nos
meses de janeiro, dos 19 intervalos analisados, 11 (57,8%) apresentam volume de afluência superior
a 1.000 m³/s.
Os meses de Março apresentam um volume de precipitação médio com máxima 324,9 mm²
em 2001 e mínima de 26,8 mm² em 2012 e média de 143,7 mm²; a vazão afluente apresenta
máxima de 2.097,0 m³/s em 2011, mínima de 523,0 m³/s em 2017 e média de 1.174,1 m³/s; a vazão
defluente possui volume elevado, com máxima de 900,0 m³/s em 2001 e média de 465,8 m³/s. A
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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

vazão afluente foi maior que a vazão defluente em todos os anos. Dos 19 intervalos analisados, 10
(52,6%) apresentam volume de afluência superior a 1.000 m³/s.
Os meses de Abril apresentam um volume de precipitação menor quando comparados aos
meses anteriores, com máxima de 179,2 mm² no em 2009, mínima de 8,2 mm² em 2016 e média de
70,8 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de 1.267,0 m³/ em 2009 e mínima de 451,0 m³/s em
2017 e média de 797,3 m³/s; a vazão defluente apresenta máxima de 926,0 m³/s em 2001 e média de
434,6 m³/s. A vazão defluente foi maior que a vazão afluente nos anos de 1999, 2001, 2012 e 2016.
Dos 19 intervalos analisados, 6 (31,57%) apresentam volume de afluência superior a 1.000 m³/s.
Os meses de Maio apresentam um volume de precipitação baixo com máxima de 60,7 mm³
em 2009, volume nulo em 2000, 2007, 2008 ,2017 e média de 15,8 mm²; a vazão afluente
apresenta máxima de 636,0 m³/s em 2004, mínima de 181,0 m³/s em 1999 e média de 396,7 m³/s; a
vazão defluente máxima de 929,0 m³ /s em 2012 e média de 495,9 m³/s. A vazão afluente foi maior
que a vazão defluente somente nos períodos de 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2014 e 2015.
Os meses de Junho apresentam um volume de precipitação extremamente baixo, com
máxima de 16,2 mm² em 2013, vários períodos com precipitação nula e média de 1,3 mm²; a vazão
afluente é baixa com máxima de 404 m³/s em 2004, mínima de 104 m³/s em 1999 e média de 249,2
m³/s; a vazão defluente foi alta, com máxima de 715,0 m³/s em 1999. Em todos os anos a vazão
afluente foi menor que a vazão defluente.
Os meses de Julho apresentam uma precipitação extremamente baixa, com volume nulo em
quase todos os períodos, exceto nos períodos de 2004 com 0,3 mm², 2013 com 9,4 mm² e média de
0,5 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de 282,0 m³/s em 2013, mínima de 64,0 m³/s em 1999
e média 175,5 m³/s; a vazão defluente apresenta máxima de 927,0 m³/s em 2001 e média de 604,1
m³/s. Em todos os anos a vazão defluente foi maior que a vazão afluente.
Os meses de Agosto apresentam uma precipitação extremamente baixa, com volume nulo
em quase todos os períodos, exceto em 2000, 2003, 2005 e máxima de 5,6 mm² em 2009 e média
de 0,7 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de 180, 0 m³/s em 2004, mínima de 47,7 em 1999
e média de 108,7 m³/s; a vazão defluente apresenta máxima de 772,0 m³/s em 2001 e média de
626,1 m³/s. Em todos os anos a vazão defluente foi maior que a vazão afluente.
Os meses de Setembro apresentam um baixa precipitação com máxima de 64,2 mm² em
2001, volume nulo em 2004 e média de 25,3 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de 175,0 m³/s
em 2009, mínima de 38 m³/s em 2010 e média de 88,9 m³/s; a vazão defluente apresenta máxima de
1.375,0 m³/s em 2012 e média de 745,9 m³/s. Em todos os anos a vazão defluente foi maior que a
afluente. Os anos de 2010 e 2011 apresentaram vazão defluente acima de 1000 m³/s.
Os meses de Outubro apresentam uma precipitação média com máxima de 250,1mm² em
1999, mínima de 3,2 mm² em 2008 e média de 99,9 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de
496,0 m³/s em 2009, mínima de 70,0 m³/s em 2008 e média de 181,4 m³/s; a vazão defluente
apresentou o maior volume da história do Serra da Mesa com 1.766,0 m³/s em 2012 e média de
849,4 m³/s. A vazão defluente foi maior que a vazão afluente em todos os anos, com destaque para
2006, 2007, 2010, 2011 e 2012, que apresentaram volumes elevados de saídas de água com valores
acima de 1000 m³/s.
Os meses de Novembro apresentam uma alta precipitação com máxima de 437,5 mm² em
1999, mínima de 108,6 mm² em 2014 e média de 199,5 mm²; a vazão afluente apresenta máxima de
680,0 m³/s em 2000, mínima de 135,0 m³s em 2015 e média de 439,3 m³/s; a vazão defluente
apresenta máxima de 1.323,0 m³/s em 2012 e média de 798,9 m³/s. A vazão defluente foi maior que
a vazão afluente em quase todos os períodos, com destaque para 2007, 2010, 2011 e 2012 que
apresentaram volumes elevados de saídas de água com valores acima de 1000 m³/s.
Os meses de Dezembro apresentam uma alta precipitação, com máxima de 569,3 mm² em
1999, mínima de volume de 58,2 mm² em 2012 e média de 237,0 mm²; a vazão afluente apresenta
máxima de 329,0 m³/s em 2011, mínima de 332,0 m³/s e média de 870,3 m³/s; a vazão defluente
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(RODARTE; SILVA; CUNHA OLIVEIRA; RODRIGUES, 2018)

apresenta máxima de 1.078,0 m³/s em 2007 e média de 662,5 m³/s. A vazão defluente foi maior que
a vazão afluente nos períodos de 2002, 2003, 2007, 2012 e 2015. Dos 19 intervalos analisados, 5
(26,3%) apresentam volume de afluência superior a 1.000 m³/s.
O período analisado entre 1999 a 2017 apresenta um padrão de comportamento sem grandes
variações. Em relação a variável precipitação, observa-se que o volume é maior entre os meses de
janeiro a abril, seguido por um período de estiagem que vai de maio a agosto, que quase sempre
apresentam um volume nulo de precipitação, podendo ou não estender-se a setembro apresentando
posteriormente um segundo intervalo chuvoso, que vai dos meses de outubro a dezembro. Os meses
de maio e setembro são períodos de transição de uma estação a outra, assim, variando de um ano
para outro, em determinados momentos apresentam baixos índices de precipitação, e em outros
momentos apresentam volume nulo ou quase nulo de precipitação. A precipitação apresenta maior
média de 237,0 mm² referente a dezembro e menor média de 0,5 mm² em referente a julho.
A variável vazão afluente apresenta maior média de 1.225,8 m³/s referente aos meses de
fevereiro, seguida por janeiro com 1.188,0 m³/s, período em que houve bom índice de precipitação,
a menor média de afluência foi registrada em setembro com 88,9 m³/s, consequência de um período
de estiagem.
A variável vazão defluente apresenta volumes elevados e quase sempre superiores à
precipitação e vazão afluente, a maior média foi registrada em setembro 849,4 m³/s e a menor em
junho de 2014 com 71,0 m³/s.

Conclusões
Através das análises descritivas dos dados de precipitação, vazão afluente e defluente,
percebe-se que ao longo dos anos (1999 a 2017) não houve grandes variações relacionadas as
variáveis naturais (precipitação e vazão afluente), de modo a provocar uma queda abrupta no
volume do lago, exceto no ano final de 2016 e todo período de 2017 que apresentou um nível baixo
de precipitação, e largos períodos de escassez. Porém os impactos oriundos dessa condição
deveriam ser refletidos nos anos subsequentes, ou seja 2018 em diante.
A relação entre (vazão afluente – vazão defluente) do reservatório Serra da Mesa
apresentaram resultados negativos, com volume de saída maior que de entrada. Com destaque para
os intervalos de (outubro, novembro e dezembro) de 2007, bem como os meses de (setembro,
outubro e novembro) dos anos de 2010, 2011 e 2012. Nos referidos períodos o volume de vazão
defluente foi elevado, com valores superiores a 1.000 m³/s.
Assim, portanto, entende-se que os fatores naturais não foram determinantes para o
problema de baixo nível do reservatório, mas fatores humanos relacionados a um volume de vazão
defluente superior ao volume de afluente do reservatório.

Referências
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<http://www.cbdb.org.br/5-38/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20das%20Barragens>. Acesso em:
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REBOUÇAS et al. Águas doces no Brasil: capital ecológico, uso e conservação. / organizadores
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A VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL EM BODOCÓ (PE) E OS


DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE
Rosany Carvalho Lócio de Albuquerque¹, Cícero Harisson dos Santos Souza²
1
Secretaria de Meio Ambiente Urbano e Natural – Prefeitura Municipal de Olinda. Estrada do Bonsucesso, 306 – Bonsucesso –
Olinda – PE – Brasil. CEP: 53.240-150 / Telefone: (81) 3305.1006/ E-mail: 1 rosanylocio@yahoo.com.br;
2
Universidade Federal de Pernambuco – Recife. Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade Universitária - Recife – PE – Brasil. CEP:
50.670-901 / Telefone: (81) 2126.8277/ E-mail: 2 harisson.feeling@gmail.com;

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo construir uma reflexão sobre a vulnerabilidade socioambiental
bodocoense, elencando fatores que impossibilitam o desenvolvimento sustentável no município. O debate climático no
sertão pernambucano tem uma vasta literatura, pautada nas adversidades sociais ocasionadas pelos recursos hídricos.
Especificamente em Bodocó, a água enquanto recurso limitado que desempenha importante papel no processo de
desenvolvimento econômico e social, impõe custos crescentes para sua obtenção, tornando-se um bem de expressivo
valor. Contudo, contrariando as previsões climáticas para o primeiro semestre de 2018, chuvas torrenciais colocaram a
população sob condições de precariedade socioambiental. Tal fato demonstrou o despreparo regional em relação a
eficácia das políticas públicas implementadas. Com a finalidade reflexiva, o artigo apresenta o município através de
dados e análises que puderam mapear o seu condicionamento socioambiental, considerando o evento das enchentes
mais recentes. Após os devidos apontamentos, estão situados os desafios destacáveis para promover o desenvolvimento
sustentável no nível municipal.

Palavras-chave: Dinâmica climática, Meio Ambiente, Semiárido.

The socio-environmental vulnerability in Bodoco (PE) and the challenges of


sustainability
ABSTRACT: This study aims to evaluate the social and environmental vulnerability of the inhabitants of Bodocó,
listing the factors that prevent a sustainable development in the municipality. The climatic debate in the backlands of
Pernambuco has a vast literature, based on social adversities caused by water resources. Specifically in Bodocó, water
as a limited resource that plays an important role in the process of economic and social development, imposes
increasing costs for its attainment, becoming a property of significant value. However, contrary to climate forecasts for
the first half of 2018, torrential rains have put the population under conditions of socioenvironmental precariousness.
This fact demonstrated the regional unpreparedness regarding the effectiveness of the implemented public policies.
With the reflective purpose, the article presents the municipality through data and analyzes that could map its socio-
environmental conditioning, considering the event of the most recent floods. Following the appropriate notes, the
outstanding challenges are to promote sustainable development at the municipal level.

Key-words: Climatic dynamics, Environment, Semi-arid.

Introdução
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Na esfera ambiental existe uma preocupação latente quanto ao esgotamento dos recursos. As
próprias condições da evolução humana, desencadearam efeitos nocivos ao meio “natural” que vem
passando por constantes transformações. A ideia de sustentabilidade socioambiental advém de
“preocupações ambientais que não surgem espontaneamente, são influenciadas por três grandes
conjuntos de forças que interagem reciprocamente: governo, sociedade e mercado” (Pereira et al.,
p.610, 2011).
Em Bodocó, as “forças” do governo e da sociedade possuem uma relação adversa ao bioma
local. O município está localizado no Araripe pernambucano, dentro do semiárido nordestino. A
convivência da população com o seu lócus geográfico é pautada em desafios de toda natureza,
principalmente àqueles relacionados a crise hídrica. De acordo com Campelo (2013), o semiárido
de Pernambuco apresenta dificuldades e potencialidades que reforçam a necessidade de políticas
públicas, com uma nova estratégia para a sustentabilidade e promoção do desenvolvimento local.
Pereira (2010) afirma que o uso inadequado dos recursos naturais, sem considerar as
potencialidades dos agroecossistemas, é uma das principais causas da degradação ambiental em
sérios comprometimentos do solo, água, biodiversidade e da qualidade de vida das comunidades.
Historicamente o sertão se caracterizou pela deficiência de recursos hídricos perenes, com seus
vales estreitos em que predominam as planícies aluviais e a caatinga. A figura 1 mostra a
localização de Bodocó, diante do mapa topográfico pernambucano.

Figura 1. Localização de Bodocó em Pernambuco

Fonte: IBGE, adaptado pelo autor

Conforme Freitas (2012) a vulnerabilidade das sociedades é estreitamente relacionada ao


nível de desenvolvimento. Tais condições resultam de processos sociais e mudanças ambientais. Os
processos sociais estão relacionados à precariedade das condições de vida e proteção social
(trabalho, renda, saúde e educação, assim como aspectos ligados à infraestrutura, como habitações
saudáveis e seguras, estradas e saneamento). Já as mudanças ambientais são resultantes da
degradação ambiental (áreas de proteção ambiental ocupadas, desmatamento de encostas e leitos de
rios, poluição das águas e dos solos) que tornam determinadas áreas fragilizadas ecologicamente.
Em síntese, o autor defende que a vulnerabilidade socioambiental resulta de estruturas
socioeconômicas que produzem, simultaneamente, condições de vida precárias e ambientes
deteriorados.
Estudos urbanos e ambientais são circunscritos como desafios colocados pela “nova”
discussão sobre dinamismos climáticos. A busca pela sustentabilidade urbana parece passar pelos
mecanismos de desenvolvimento limpo, redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e

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economia verde, sem ter em vista que ainda existem diversas questões que merecem atenção aos
olhos das políticas públicas.
Entender as vulnerabilidades e, claro, mensurá-las é o primeiro passo para relacionar os
diversos aspectos de uma realidade complexa. É o que defendem os autores Ojima & Marandola
(2011). Nesta ótica a compreensão e a busca sobre as interações entre o meio ambiente e as cidades,
assim como o conceito de vulnerabilidade, permite incorporar tanto as dimensões geofísicas, como
os processos sociais que interferem na capacidade das pessoas de enfrentar problemas desta
natureza (Marandola & Hogan, 2006).
É importante frisar que o desafio da sustentabilidade nas cidades brasileiras assume padrões
de vulnerabilidade distintos, se for considerado o tamanho populacional dos municípios. Segundo
Ojima (2012), é evidente que as grandes cidades possuem um número mais expressivo de pessoas
atingidas por problemas ambientais, pois o estoque populacional coloca um maior contingente de
pessoas expostas aos fatores de risco. Todavia, são os pequenos municípios que sofrem com uma
maior incapacidade de se enfrentar os desafios ambientais, pois a falta de recursos financeiros,
qualificação técnica e infraestrutura fazem com que as prioridades de investimentos no campo dos
serviços sociais sejam muito mais emergenciais.
Quando pensamos nas catástrofes ambientais, que podem ocorrer a cada período de chuvas,
alguns pequenos municípios são totalmente afetados, colocando em situação de risco a manutenção
dos serviços mais essenciais para toda a população (Ojima & Marandola, 2012). Estes autores
fundamentam que podemos entender a vulnerabilidade como o reverso da sustentabilidade, num
mecanismo processual conjunto no qual o aumento da vulnerabilidade diminui o potencial de se
atingir a sustentabilidade. Assim, cria-se a oportunidade de promoção da sustentabilidade por ações
das cidades na redução da vulnerabilidade.

Material e Métodos
Através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi feita uma
caracterização de Bodocó, com um detalhamento local que pudesse apresentar o município. Alguns
dados selecionados foram: à incidência de pobreza, esgotamento sanitário, urbanização de áreas
públicas e vulnerabilidade social. O artigo também traz à discussão fatos recentes do primeiro
semestre 2018 (chuvas torrenciais) que agravaram a situação dos moradores, deixando prejuízos nas
áreas rurais e desabrigados nas áreas urbanas. O climograma e os relatórios da APAC (Agência
Pernambucana de Águas e Clima) foram considerados na exposição. A metodologia em relacionar
os números com as observações em campo, possibilita aos pesquisadores um reforço em suas teses,
correlacionando a experiência e a bibliografia. Outros municípios de entorno também são afetados
com a dinâmica climática e vulnerabilidade socioambiental, este artigo busca incentivar outros
trabalhos para promover um debate resolutivo à causa.

Resultados e Discussões

Bodocó tem um clima BSh segundo a classificação de Köppen & Geiger (2007), que seria
um clima de estepes quentes de baixa latitude e altitude. Sua temperatura média anual é de 24,7º C e
a pluviosidade média não costuma ultrapassar os 680 mm no ano.

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Figura 2. Climograma de Bodocó (PE)

(ALBUQUERQUE; SOUZA, 2018)

Fonte: Climate-data, 2018


De acordo com a figura 2 o mês de agosto é o de menor índice pluviométrico, chegando a 5
mm no acumulado. Já o mês de março é o que mais chove, a previsão é de 166 mm durante os 31
dias. As temperaturas são relativamente constantes, com destaque para novembro com a mais alta
(média de 26ºC) e julho a mais baixa (mês de inverno que apresenta 22,7ºC).
Embora sejam estimativas, o mês de abril em 2018 superou as previsões. Dados preliminares
da APAC mostraram que no dia 13/04 choveu 67 mm no território bodocoense, o acumulado mensal
foi de 256 mm (APAC, 2018)

Tabela 1. Dias que apresentaram Pluviosidade em Bodocó (abril/2018)


DATA ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO (mm)
02/04 14,0
05/04 65,2
07/04 42,0
08/04 32,0
09/04 30,0
13/04 67,0
15/04 6,3
Acumulado 256,5
Previsão 105,0
Fonte: APAC, 2018

As chuvas fizeram com que riachos e açudes transbordassem, deixando 1200 pessoas
desabrigadas, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do munícipio. Foi decretado estado
de emergência pela prefeitura por 180 dias, além de suspensão das aulas na rede ensino e o
rompimento do acesso à cidade através da ponte sobre o riacho Pequi (rodovia PE-545) na figura 3.

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As imagens foram registradas pela Prefeitura Municipal, durante os transtornos causados pelas
enchentes.
Figura 3. Ponte sobre o riacho do Pequi

Foto: PMB, 2018


A rodovia PE-545 liga Bodocó à cidade vizinha de Ouricuri (PE). É a principal rota para
quem trafega entre Pernambuco e Ceará. A ponte cedeu em decorrência do riacho que transbordou.
O governo do estado anunciou medidas de recuperação viária, entretanto, até o fechamento deste
artigo a situação permanece a mesma. Há dois meses as pessoas estão trafegando por um desvio que
aumenta o percurso entre Bodocó e as demais localidades, em uma hora.

Figura 4. Residências destruídas

Foto: PMB, 2018

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A situação dos desabrigados mobilizou os moradores, artistas locais e promoveu campanhas


de doações pelo Nordeste. Foram montados postos de coletas e shows beneficentes para acumular
donativos. Tal situação gerou algumas inquietações quanto a problemática no contexto
socioambiental. Os dados do IBGE revelaram que existem lacunas estruturais consideráveis em
Bodocó.
Tabela 2. Síntese Sociodemográfica de Bodocó
VARIAÇÃO DADOS
População Total 37.816
Taxa de Urbanização 36,5%
População Ocupada 2.306 (6,2% do total)
Salário médio mensal dos trabalhadores formais 1,7 salários mínimos
Percentual de vulneráveis à pobreza 70,4%
População em domicílios com banheiro e água encanada 34,5%
Esgotamento Sanitário 26,5%
Urbanização de vias públicas 2,8%
Fonte: IBGE, Censo demográfico (2010)

A tabela 2 possibilita análises interessantes. A taxa de urbanização está bem abaixo da


média nacional que é acima de 80%, os bodocoenses vivem em sua maioria na zona rural. Apenas
6,2% da população tinha uma ocupação. Dentre os 185 municípios de Pernambuco, Bodocó é o
116º em relação ao percentual de pessoas que exercem atividade formal remunerada. Os salários são
baixos no comparativo estadual e nacional. Com 1,7 salários mínimos de rendimento médio,
Bodocó ocupa a 71º posição em Pernambuco e a 3666º posição no Brasil. Durante o Censo IBGE
de 2010, cerca de 70% dos residentes estavam vulneráveis à pobreza e apenas 34,5% dos domicílios
tinham água encanada e banheiro. O esgotamento sanitário adequado foi de 26,5% e somente 2,8%
das vias públicas eram urbanizadas.
Os dados reforçam a ideia de vulnerabilidade socioambiental no município e que ela
condiciona Bodocó à desafios que precisam ser superados para atingir o tão almejado
desenvolvimento sustentável. Uma luta conjunta que deve partir da relação entre Estado e
sociedade.
O direito ambiental ganha notoriedade ao representar a consagração do ideal da democracia
participativa, em que as decisões políticas tomadas pela administração pública devem
primar pelo envolvimento do cidadão, seja individual ou coletivamente, nas questões de
interesse socioambiental. Isto posto, o direito ambiental busca resgatar os princípios
constitucionais de cidadania e da dignidade da pessoa humana, colocando o cidadão como
sujeito proativo nos processos de proteção ao patrimônio ambiental e de tomada de
decisões dos órgãos e das entidades municipais integrantes do Sistema Nacional do Meio
Ambiente (BORGES et al., 2017, p. 22)

Além disso, dentre os problemas apontados por Ojima & Marandol (2012) comum às
cidades pequenas em situação de vulnerabilidade, Bodocó precisa superar a falta de recursos
financeiros, qualificação técnica e a infraestrutura associada ao meio ambiente.

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(ALBUQUERQUE; SOUZA, 2018)

Considerações Finais

Diante da dinâmica climática ocorrida no município de Bodocó, a sustentabilidade é um


grande desafio. A situação dos moradores do município quanto a convivência com o semiárido e
suas adversidades, trouxeram para o debate a intensificação da ação degradadora do homem, as
alterações dos mananciais, bem como a ausência de práticas ambientais constantes,
impossibilitando superar os entraves locais. As políticas públicas, apesar de existirem, não são
suficientes. Elas não têm tido êxito em planejar e desenvolver medidas sustentáveis para promoção
da qualidade de vida. Parafraseando Euclides da Cunha, “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

Referências

APAC. Agência Pernambucana de Águas e Clima. Disponível em: < http://www.apac.pe.gov.br/> .


Acesso em 22 Jun. 2018.
BORGES, A.E.A.; LIMA, V.W.N.; VASCONCELOS, W.B.C.; CRUZ,O.R.M. Sustentabilidade
Socioambiental: princípio fundamental para a obtenção do desenvolvimento nacional. Direito e
Desenvolvimento, João Pessoa, v. 6, n. 12, p. 11-26, 2017.
CAMPELO, D. A. O desenvolvimento sustentável da agricultura familiar: uma análise comparativa
no sertão do Pajeú/PE. Disponível em: < http://www.files.scire.net.br/atrio/upe-
gdls_upl//THESIS/55/dissertao_daniel_alves_campelo.pdf>. Acesso em 22 Jun. 2018
CLIMATE-DATA. Climograma de Bodocó. Disponível em: < https://pt.climate-
data.org/location/42432/> Acesso em 24 Jun. 2018
FREITAS, C. M. Vulnerabilidade socioambiental, redução de riscos de desastres e construção da
resiliência: lições do terremoto no Haiti e das chuvas fortes na Região Serrana, Brasil. Ciênc. saúde
coletiva [online]. 2012, vol.17, n.6, pp.1577-1586. ISSN 1413-8123.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível em: <
https://cidades.ibge.gov.br/v3/cidades/home-cidades> . Acesso em 20 Jun. 2018.
MARANDOLA, E.; HOGAN, D. J. As dimensões da vulnerabilidade. São Paulo em Perspectiva, v.
20, n. 1, 2006.
M. C. and Finlayson, B. L. and McMahon, T. A. (2007). " Updated world map of the Köppen-
Geiger climate classification". 'Hydrol. Earth Syst. Sci.' 11: 1633-1644. Disponível em:
<https://portais.ufg.br/up/68/o/Classifica____o_Clim__tica_Koppen.pdf>. Acesso em 21 Jun. 2018
OJIMA, R. As dimensões demográficas das mudanças climáticas: cenários de mudança do clima e
as tendências do crescimento populacional. Revista Brasileira de Estudos de População (Impresso),
v. 28, p. 389-403, 2011.
OJIMA, R.; MARANDOLA, E. O desenvolvimento sustentável como desafio para as cidades
brasileiras. Cadernos ADENAUER. Fundação Konrad-Adenauer: São Paulo. 2012.
PEREIRA, G.M.C.; Tsangb, C.Y.; MANZINIC, R.B.; ALMEIDA, N.V. Sustentabilidade
socioambiental: um estudo bibliométrico da evolução do conceito na área de gestão de operações.
Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0103-
65132011000400006&lng=pt&nrm=iso&tlng=en >. Acesso em 24 Jun. 2018.
PEREIRA, J.S. et al. Recuperação e manejo da nascente “chorona” na comunidade rural de Uruçu.
Extensão em foco, Curitiba, n.6, p.81 – 89, Jul./Dez. 2010. Editora UFPR.

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ASPECTOS PRODUTIVOS DE ALFACE (LACTUCA SATIVA L) ATRAVÉS


DA INTERAÇÃO ENTRE IRRIGAÇÃO COM ÁGUA EM DIFERENTES
NÍVEIS DE SALINIDADE E BIOFERTILIZANTE

Cathylen Almeida Félix Galindo1, Évio Alves Galindo2, Josevânia Alencar da Costa3, Romário
Monteiro Horas4, Francisca Jayane Ferreira da Cruz5
1,2,3,4,5
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – campus Ouricuri. Avenida Tamboril, s/n, Zona Rural – Ouricuri –
Pernambuco – Brasil. CEP: 56.200-000 / Telefone: (87) 8122.3778 / E-mail: 1 cathylen.galindo@ifsertao-pe.edu.br; 2
evio.galindo@ifsertao-pe.edu.br; 3vaniaalencar@gmail.com; 4romariomontteiroh@gmail.com; jayaneferreira17@hotmail.com

RESUMO: O uso de água salina na agricultura deve ser considerado como uma alternativa importante na utilização dos
recursos naturais escassos. O biofertilizante bovino na forma líquida apresenta na sua composição microrganismos
responsáveis pela, decomposição da matéria orgânica, produção de sais e adição de compostos orgânicos e inorgânicos.
O trabalho tem como objetivo avaliar os efeitos de diferentes concentrações de sal da água de irrigação associadas à
utilização de biofertilizante, sobre o desenvolvimento da alface. O experimento foi conduzido em ambiente protegido
do IF Sertão PE – Campus Ouricuri. O delineamento empregado foi em blocos casualizados com quatro repetições, em
esquema fatorial 2 x 5, referente ao solo sem e com biofertilizante, irrigado com águas de salinidade 1,5; 3,0; 4,5 dS m -1
e água salina proveniente de poço de propriedade rural de Ouricuri-PE. As avaliações que foram das seguintes
variáveis: Massa verde da parte aérea; Área foliar; Stand inicial e final das plantas. O aumento dos níveis salinos inibiu
a parte produtiva da alface, sendo menos afetado na presença do biofertilizante bovino.

Palavras-chave: água salina, fertilizante líquido, cultivo orgânico.

Aspects of lettuce (Lactuca sativa L) through the interaction between irrigation


with water at different levels of salinity and biofertilizer.

ABSTRACT: The use of saline water in agriculture should be considered as an important alternative in the use of
scarce natural resources. The bovine biofertilizer in liquid form has in its composition microorganisms responsible for
the decomposition of organic matter, production of salts and addition of organic and inorganic compounds. The
objective of this work was to evaluate the effects of different salt concentrations of irrigation water associated with the
use of biofertilizer on the development of lettuce. The experiment was conducted in a protected environment of the IF
Sertão PE - Campus Ouricuri. The experimental design was a randomized complete block design with four replications,
in a 2 x 5 factorial scheme, for soil without and with biofertilizer, irrigated with salinity water 1,5; 3.0; 4.5 dS m -1 and
saline water from the well rural of Ouricuri-PE. The evaluations were of the following variables: Green shoot mass;
Leaf area; Initial and final stand of plants. The increase of saline levels inhibited the productive part of the lettuce, being
less affected in the presence of the bovine biofertilizer.

Key-words: saline water, liquid fertilizer, organic farming.

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(GALINDO; GALINDO; COSTA; HORAS; CRUZ, 2018)

Introdução
A alface (Lactuca sativa L.) é originária da região do mediterrâneo, sendo a hortaliça
folhosa mais consumida atualmente na forma de saladas e in natura (SALA e COSTA, 2012). É
tradicionalmente cultivada pela agricultura familiar, que lhe confere grande importância
econômica e social (MEDEIROS et al., 2007). Uma das principais etapas do sistema produtivo da
alface é a produção de mudas, pois influencia no desempenho final e nutricional das plantas
(FREITAS et al., 2013
O uso de água salina na agricultura deve ser considerado como uma alternativa importante
na utilização dos recursos naturais escassos. Entretanto, a qualidade da água para irrigação das
regiões semiáridas apresenta grande variabilidade, tanto em termos geográficos (espacial), como
ao longo do ano (sazonal). Dentre as características que determinam a qualidade da água para a
irrigação, a concentração de sais solúveis ou salinidade, é um dos principais fatores limitante ao
crescimento e desenvolvimento de algumas culturas (BEZERRA et al., 2010). De acordo com
Ayers e Westcot (1999) os efeitos da salinidade da água de irrigação sobre os vegetais, variam
entre espécies e genótipos de uma mesma espécie.
O biofertilizante é o resultado de uma fermentação, ou seja, produtos de síntese microbiana
sobre a matéria orgânica e mineral, com formação de açúcares, lipídeos, aminoácidos, peptídeos,
polipeptídeos, proteínas (enzimas), vitaminas e outros dispersos em solução coloidal, com ação
sobre o metabolismo secundário e repercussão na saúde das plantas (PINHEIRO e BARRETO,
2011).
A utilização de biofertilizantes na forma de fermentados microbianos enriquecidos tem
sido um dos processos mais utilizados no manejo trofobiótico de culturas, contribuindo para o
incremento da resistência natural das plantas ao ataque de pragas e de patógenos, além de
exercerem ação direta sobre os fitoparasitas (ALVES et al., 2009).
Na produção agroecológica o uso de biofertilizante permite manter o equilíbrio nutricional
das plantas entre os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, e sua aplicação em
pulverizações foliares, diluído em água em proporções que variam entre 1 a 5% para fruteiras
mensais e 0,1 a 3% para hortaliças em aplicações semanais (PINHEIRO; BARRETO, 1996).
A produção e uso de biofertilizantes fosfatados e potássicos produzidos de rochas em
mistura com matéria orgânica como húmus de minhoca tem mostrado elevada eficiência em
trabalhos realizados com diferentes solos e culturas (LIMA et al., 2010).
O trabalho tem como objetivo avaliar os efeitos da aplicação de biofertilizante líquido
bovino sob irrigação com águas de salinidade crescente na cultura da alface (Lactuca sativa L.).

Material e Métodos
O experimento foi conduzido em ambiente protegido do Instituto Federal do Sertão
Pernambucano – Campus Ouricuri, em Ouricuri - PE. O solo utilizado como substrato foi coletado
na camada de 0-20 cm de profundidade em propriedade da zona rural do município. Realizou-se
análise do solo antes do início do trabalho para determinação dos atributos físicos e químicos.
Foram produzidas mudas de alface da Cultivar Monica SF 31 e em seguida transplantadas
para sacos de mudas com capacidade 5 kg.
O delineamento foi empregado em blocos casualizados com quatro repetições, em esquema
fatorial 2 x 5, referente ao solo sem e com biofertilizante, irrigado com águas de salinidade 1,5; 3,0;
4,5 dS m-1; água salina proveniente de poço de propriedade rural de Ouricuri-PE e água de
abastecimento público. O volume aplicado foi de 300 mL do insumo, quantidade calculada com
base no volume do solo e na profundidade efetiva do sistema radicular. A comparação das médias
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(GALINDO; GALINDO; COSTA; HORAS; CRUZ, 2018)
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foram feitas através teste de Tukey a 5% de probabilidade. As análises foram realizadas com o
auxilio de software SAEG 7.1 (SAEG, 1997).
Os tratamentos utilizados foram:
T1 – Água de abastecimento público;
T2 – 1,5 dS m-1;
T3 - 3,0 dS m-1;
T4 – 4,5 dS m-1;
T5 - Água de poço;
T6 - Água de abastecimento público + biofertilizante;
T7 – 1,5 dS m-1 + biofertilizante;
T8 - 3,0 dS m-1 + biofertilizante;
T9 - 4,5 dS m-1 + biofertilizante;
T10 - Água de poço + biofertilizante.

O biofertilizante líquido foi obtido pela fermentação de 40 L de digesta bovina e 160 L de


água, no interior de uma bombona plástica com capacidade para 240 L. Após 72 horas, será
adicionado 250 g de MB-4 (pó de rocha de duas pedras), que contém diversos nutrientes (magnésio,
ferro, fósforo, potássio, cálcio, enxofre, cobre, zinco e manganês, entre outros). Ao final, foi
mantido o sistema sob fermentação aeróbica por mais de 30 dias para em seguida proceder a
aplicação nas plantas (MARTENS et al., 2008). Empregado numa proporção de 50 mL para cada 5
litros de água a cada 15 dias. Ao mesmo foi realizada uma análise química para conhecer seus
componentes químicos e suas respectivas quantidades.
O preparo das soluções salinas constou dos sais de NaCl, CaCl2 .2H2O e MgCl2 .6H2O, na
proporção de 7:2:1, obedecendo-se à relação entre CE e sua concentração (mmol c L-1 = CE x 10)
(RHOADES et al., 2000). A irrigação com as fontes de água de diferentes salinidades foi iniciada
após o transplante das mudas para os sacos e a quantidade de água aplicada diariamente às plantas,
a qual foi calculada de acordo com o princípio do lisímetro de drenagem (BERNARDO et al.,
2008), mantendo-se o solo na capacidade de campo.
Todas as coletas foram feitas de propriedades rurais do município de Ouricuri. Logo após foi
feito o preparo do solo, semeio nas bandejas no total de 256 células sendo duas sementes por célula
dando um total de 512 sementes.
Foi feita contagem das mudas durante 10 dias, e após 20 dias foi feito desbaste nas mudas
deixando apenas uma muda por célula. Após 27 dias do semeio foi feito o transplante das mudas
para os saquinhos.
As avaliações feitas foram as seguintes variáveis:
Massa verde da parte aérea - foi coletada imediatamente após a colheita, coletando-se três
amostras do material vegetal por parcela, em seguida, seca em estufa a 65° C até atingir massa
constante.
Área foliar – foi medida a altura e a largura de 5 folhas de 10 plantas da parcela, onde foi
feita uma média e expressa em mm².
Stand inicial e final das plantas - foi verificado na parcela útil (1 m²) o número de plantas,
10 dias após o semeio (DAS) e prévio à colheita.

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(GALINDO; GALINDO; COSTA; HORAS; CRUZ, 2018)

Após a coleta das plantas o solo de cada vaso foi homogeneizado e amostras foram
utilizadas na determinação da condutividade elétrica do extrato de saturação, adotando-se a
metodologia contida em Richards (1954), como também foi realizada análise química dos mesmos.

Resultados e Discussões
A massa verde da parte área das plantas (Tabela 1) da alface é um dado muito importante em
questões de mercado. Então, para esse resultado pode-se perceber que a água de abastecimento
público obteve melhores resultados em relação aos demais tratamentos quando não se utilizou o
biofertilizante. Já quando foi utilizado o biofertilizante, o tratamento água de abastecimento público
teve seu resultado significativamente reduzido diferindo estatisticamente de quando não foi
utilizado o biofertilizante.
Tabela 1: Massa verde da parte aérea de plantas de alface, formadas em solo com e sem biofertilizante e irrigadas com
água de abastecimento público, águas com salinidade 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1, e água de poço de uma propriedade rural.
Água
Solo 1,5 3,0 4,5
Poço Média Solo
Abast. público dS m-1 dS m-1 dS m-1
MVPA - Massa verde da parte aérea
Sem 33,17 aA 20,83aAB 17,33 bAB 11,83 aB 12,83aB 19,27
Com 10,33 bB 33,33 aA 10,83 aB 8,67 aB 18,83aAB 19,2
CV=46,29
Média Água 21,75 AB 25,33 A 15,83 AB 10,25 B 15,83 AB %

A área foliar é uma variável analisada muito importante em questões de mercado, pois o
consumidor quando vai comprar a alface observa-a em primeiro lugar. Para essa variável quando
não se utilizou biofertilizante obteve-se os melhores resultados quando foi aplicado água com
salinidade 1,5 dS m-1 já no que diz respeito ao incremento do biofertilizante percebeu-se que os
resultados melhores foram obtidos também quando foi utilizada água de poço, porém só diferiu
estatisticamente do tratamento em que foi aplicada água de abastecimento público na irrigação
(Tabela 2).

Tabela 2: Área foliar de plantas de alface, formadas em solo com e sem biofertilizante e irrigadas com água de
abastecimento público, águas com salinidade 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1, e água de poço de uma propriedade rural.
Água
Solo 1,5 3,0 4,5
Poço Média Solo
Abast. público dS m-1 dS m-1 dS m-1
AF - Área Foliar (cm²)
Sem 25,87 bAB 40,13 aA 29,33 aAB 17,57 aB 21,82 bA 35,23
Com 44,48 aA 49,44 Aa 46,33 aA 23,85 aA 44,92 aA 33,38
CV=31,34
Média Água 35,17 AB 44,78 AB 37,72 AB 20,71 B 33,37 AB %

Em relação ao STAND final de plantas (Tabela 3) de alface foi observado que algumas
plantas morreram quando utilizou-se a água com salinidade de 4,5 dS m-1 e a água de poço. Ambas
indiferentemente da utilização de biofertilizante, porém as mesmas não obtiveram diferença
estatística entre os tratamentos, mas as que foram observadas o STAND final reduzido, foram nos
tratamentos com água salina 4,5 dS m-1 e da água do poço.

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(GALINDO; GALINDO; COSTA; HORAS; CRUZ, 2018)

Tabela 3: STAND de plantas de alface, formadas em solo com e sem biofertilizante e irrigadas com água de
abastecimento público, águas com salinidade 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1, e água de poço de uma propriedade rural.
Água
Solo 1,5 3,0 4,5
Poço Média Solo
Abast. público dS m-1 dS m-1 dS m-1
STAND FINAL
Sem 5,00 aA 5,00 aA 5,00 aA 4,33 aAB 3,67 bB 4,6
Com 5,00 aA 5,00 aA 4,67 aAB 3,67 aB 4,67 aAB 4,6
CV=10,91
Média Água 5,00 A 5,00 A 4,83 AB 4,00 B 4,17 AB %

Conclusão

O aumento dos níveis salinos da água de irrigação inibiu o a parte produtiva da cultura da
alface, sendo menos afetado na presença do biofertilizante bovino.

Referências

ALVES, G. S.; SANTOS, D; SILVA, J. A.; NASCIMENTO, J. A. M; CAVALCANTE, L. F.;


DANTAS, T. A. G. Estado nutricional do pimentão cultivado em solo tratado com diferentes tipos
de biofertilizantes. Revista Acta Scientiarum, v.31, p.661-665, 2009.
AYERS, R. S.; WESTCOT, D. W. A qualidade da água na agricultura. 2. ed. Campina Grande:
UFPB, 1999. 153 p.
BEZERRA, A. K. P. et al. Rotação cultural feijão caupi/milho utilizando-se águas de salinidades
diferentes. Revista Ciência Rural, v. 40, n. 05, p. 1075-1082, 2010.
COTTA, J. A. O.; CARVALHO, N. L. C.; BRUM,T. S. REZENDE, M. O. O., Composting versus
vermicomposting: comparison of techniques using vegetal waste, cattle manure and sawdust,
Engenharia Sanitária Ambiental. vol.20 no.1 Rio de Janeiro, 2015.
FREITAS, G. A.; SILVA, R. R.; BARROS, H. B.; MELO, A, V.; ABRAHÃO, W. A. P. Produção de
mudas de alface em função de diferentes combinações de substratos. Revista Ciência Agronômica,
v. 44, n. 1, p. 159-166, 2013.
LIMA, F. S.; STAMFORD, N. P.; SOUSA, C. S.; LIRA JÚNIOR, M. A.; MALHEIROS, S. M. M.;
VAN STRAATEN, P. 2010. Earthworm compound and rock biofertilizer enriched in Nitrogen by
inoculation with free living diazotrophic bacteria. World Journal of Microbiology &
Biotechnology, v. 27, p. 1-7.
MEDEIROS, D. C; LIMA, B. A. B.; BARBOSA, M. R.; ANJOS, R. S. B.; BORGES, R. D.;
CAVALCANTE NETO, J. G.; MARQUES, L. F. Produção de mudas de alface com biofertilizantes
e substratos. Horticultura Brasileira, n. 25, p. 433-436, 2007.
NASCIMENTO, J. A. M.; CAVALCANTE, L. F.; SANTOS, P. D.; SILVA S. A.; VIEIRA,
M. S.; OLIVEIRA, A. P. Efeito da utilização de biofertilizante bovino na produção de mudas de
pimentão irrigadas com água salina. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, Recife, v. 6, n. 2, p.
258-264, 2011.

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68
(GALINDO; GALINDO; COSTA; HORAS; CRUZ, 2018)

NUNES, J. C.; CAVALCANTE, L. F.; REBEQUI, A. M.; LIMA NETO, A. J.; DINIZ, A. A.;
SILVA, J. J. M.; BREHM, M. A. S. Formação de mudas de noni sob irrigação com águas salinas e
biofertilizante bovino no solo. Engenharia Ambiental, Espírito Santo do Pinhal v. 6, n. 2, p. 451-
463, 2009.
PINHEIRO, S.; BARRETO, S. B. MB-4 Agricultura sustentável, trofobiose e biofertilizantes.
Blumenau. Cooperativa Ecológica Colméia, 1996.
SALA, F. C.; COSTA, C. P. Retrospectiva e tendência da alfacicultura brasileira. Horticultura
Brasileira, n. 30, p. 187-194, 2012.

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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ALIMENTOS TRANSGÊNICOS COMO TEMA INTERDISCIPLINAR NAS


DISCIPLINAS DE BIOLOGIA E QUÍMICA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS (EJA)

Taliany Villa Verde¹, Sidney Silva Simplicio², Mônica Dias de Souza Almeida³
1,2,3
Instituto Federal Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, s/n – Jardim São Paulo – Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP:56.314-520 / Telefone: (87) 2101.4300 / E-mail: 1 talianyvilla@gmail.com; 2 sid.simplicio@gmail.com; 3 monica.dias@ifsertao-
pe.edu.br

RESUMO: A utilização da biotecnologia e da engenharia genética está ganhando destaque em várias áreas nos últimos
anos, porém a falta de informação por meio dos alunos com relação a essa temática é muito grande. Nesta perspectiva,
este trabalho teve como finalidade apresentar o relato de uma experiência realizada através do estudo de alimentos
transgênicos com alunos do EJA (Educação Jovens e Adultos), da cidade de Petrolina - PE, tendo como objetivo
relacionar conteúdos de biologia e química com os alimentos transgênicos. A metodologia aplicada aconteceu de forma
progressiva, realizado em cinco etapas, sempre integrando o conteúdo com a realidade social do aluno. Desse modo, a
temática de alimentos transgênicos, adicionou ao processo de ensino-aprendizagem a interdisciplinaridade entre as áreas
da biologia, química e do contexto social dos alunos, permitindo que os mesmos reconheçam a importância da
engenharia genética em suas vidas e que a alimentação tem uma relação intrínseca com as disciplinas trabalhadas, assim
como compreender que aprendizagem pode se dar de forma interdisciplinar envolvendo não só química e biologia, mas
também, outras áreas do conhecimento, tornando as aulas na EJA mais dinâmicas.

Palavras-chave: Biotecnologia; Engenharia Genética; Transgenia, Ensino das ciências, Interdisciplinaridade.

Transgenic foods as an interdisciplinary subject in the disciplines of biology and


chemistry of youth and adult education (EJA)
ABSTRACT: The use of biotechnology and genetic engineering has been gaining prominence in several areas in recent
years, but the lack of information through the students in relation to this subject is very great. In this perspective, this
work had the purpose of presenting the report of an experiment carried out through the study of transgenic foods with
students of the EJA (Young and Adult Education) of the city of Petrolina - PE, aiming to relate contents of biology and
chemistry with the transgenic foods. The applied methodology happened in a progressive way, realized in five stages,
always integrating the content with the social reality of the student. In this way, the subject of transgenic foods, added to
the teaching-learning process the interdisciplinarity between the areas of biology, chemistry and the social context of
students, allowing them to recognize the importance of genetic engineering in their lives and that food has an intrinsic
relationship with the disciplines worked, as well as to understand that learning can take place in an interdisciplinary way
involving not only chemistry and biology, but also other areas of knowledge, making classes in the EJA more dynamic.

Key-Words: Biotechnology; Genetic engineering; Transgenia, Teaching of sciences, Interdisciplinarity.

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(VERDE; SIMPLICIO; ALMEIDA, 2018)

Introdução

A busca incessante por uma vida melhor tem levado o homem ao campo do conhecimento
científico de forma ilimitada. A engenharia genética vem ganhando um destaque dentro do campo
da ciência, economia, política e isso tem acontecido em decorrência do potencial de transformação
nos mais diversos campos da humanidade. Dessa busca por aperfeiçoamento e melhorias nessas
áreas, surgem os alimentos transgênicos. O termo transgênico é designado a organismos que foram
geneticamente modificados. A origem da palavra “trans”, originário do latim, significa “posição
além de, através de mudança” e “gênico” significa "pertencente ou relativo ao gene".
Segundo Marinho (2003), os organismos transgênicos são aqueles no qual o genoma foi
modificado com a finalidade de lhes conceder novas características ou alterar alguma característica
já existente, através da inserção ou eliminação de um ou mais genes por técnicas de engenharia
genética.
O conceito surgiu na Europa do século XX, fortemente relacionado à capacidade de os
países produzirem sua própria alimentação no caso de eventos de guerra e catástrofes. Assim, seu
percurso histórico iniciou-se associado às noções de soberania e segurança nacional e foi
impulsionado pelas consequências da 1ª Guerra Mundial, que evidenciou o poder de dominação que
poderia representar o controle do fornecimento de alimentos (Maluf, 2007).

Os OGMs surgiram em 1973 quando os cientistas Cohen e Boyer, que coordenavam um


grupo de pesquisas em Stanford e na University of Califórnia davam o passo inicial para o
mundo da transgenia. Eles conseguiram transferir um gene de rã para uma bactéria, o
primeiro experimento ocorrido com sucesso usando a técnica do DNA recombinante. Essa
técnica posteriormente passou a ser chamada de engenharia genética. (ALVES, 204, p. 3)

De acordo com Furtado (2003, p. 28) “essa conquista tem sido compara à domesticação do
fogo e à descoberta da fissão nuclear, entre outros eventos de grande impacto sobre o destino
humano”. Daí por diante, essa tecnologia adquiriu asas e alçou voo para o planeta. “Em 1996, havia
1,6 hectares de transgênicos em todo o mundo; em 2002, o número pulou para 58,7 milhões de
hectares” (AMORIM, 2003, p. 41).
Percebe-se então que os alimentos transgênicos já fazem parte do cotidiano de boa parte da
população, da alimentação dos mesmos, de suas vidas. Porém, apesar de não ser um termo tão
recente, percebe-se a necessidade de trabalhar esse e outros assunto relevantes em sala de aula que
não estão integrados no currículo escolar. Por ser um tema que abrange várias áreas, foi possível
trabalhá-lo de forma interdisciplinar na aula de biologia e química, visando também suprir uma
falha frequente do sistema educacional que é não conseguir aplicar a interdisciplinaridade na sala de
aula.
Sobre isso, Aragão de Sá e Silva (2005) comenta que a abordagem do ensino das ciências
hoje em dia está fragmentada, no qual não percebe-se correlação entre as disciplinas científicas,
tornando o ensino descontextualizado e sem ligação entre as disciplinas. Assim, a
interdisciplinaridade surge como uma ferramenta de superar essa fragmentação das disciplinas.
Desta maneira, este estudo visou relacionar conteúdos químicos e biológicos com a temática
dos alimentos transgênicos numa turma de EJA de forma interdisciplinar, buscando desenvolver
uma visão crítica sobre os efeitos destes alimentos na saúde alimentar. Afim de investigar o que
alunos da educação básica sabem sobre estes alimentos, por meio da exposição e exploração do
conteúdo, no qual os mesmos tiveram que passar tudo que lhes foi aprendido para toda a
comunidade escolar no final do projeto.
A importância da pesquisa baseia-se na necessidade que os alunos da Educação Jovens e
Adultos têm em compreender assuntos relacionados à engenharia genética e a biotecnologia, pela
complexidade gerada pelo desconhecimento do assunto. Além disso, se faz necessário trabalhar nos
IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(VERDE; SIMPLICIO; ALMEIDA, 2018)

alunos o senso crítico, investigação e pesquisa de assuntos que fazem parte do cotidiano dos
mesmos.

Material e Métodos
Esta pesquisa está embasada em uma abordagem de natureza qualitativa do tipo exploratória
e descritiva realizada nas aulas de Biologia e Química da turma 4ª fase - E do EJA, durante as
intervenções do PIBID. O mesmo foi realizado entre os dias treze de fevereiro a dez de abril de
2017. Os materiais utilizados durante todo a aplicação do referido trabalho foram: Pré-teste; Texto
gerador; Computador; Netshow e Folha Cartão.
Quanto ao procedimento, o seguinte projeto se realizou em cinco etapas. No primeiro
momento foi-se aplicado um pré-teste com 23 alunos presentes em sala de aula para analisar o
conhecimento prévio dos alunos sobre o tema Alimentos Transgênicos. As questões elaboradas
foram exploratórios e abrangeram conceitos básicos sobre transgênicos.
Após o pré-teste foi feita a leitura de um texto gerador, no qual o texto abordou o tema
transgênico de forma geral, dando informações necessárias aos alunos a fim de que houvesse um
direcionamento do assunto para realizar a segunda etapa do projeto. No segundo encontro foi
ministrada uma aula mais abrangente sobre os benefícios e malefícios dos transgênicos, para
informar os alunos, incentivando-os sempre a participar, e procurar esclarecer as dúvidas dos
mesmos ao longo da palestra.
Depois da apresentação, a turma foi convidada a elabora um pequeno texto opinativo,
respondendo alguns pontos, como: o que aprendeu, opinião sobre o tema, o que a aula aderiu ao
conhecimento do aluno, finalizando assim a terceira etapa do projeto. Na quarta intervenção, a
turma ficou dividida em cinco grupos e foi proposto
que os mesmos criassem um simbolismo que na Você já ouviu falar sobre os
opinião deles condizia com o que estava sendo transgênicos?
aprendido sobre o conteúdo abordado, que poderia ser
NÃO SIM
negativa ou positiva.
No final da intervenção, a turma passou para a
comunidade escolar o que foi estudado durante todo o
período sobre alimentos transgênicos. Neste 35%
momento, houve uma exposição de um cartaz criado 65%
pelos discentes, com todos os materiais produzidos
pelos os alunos durante o período de aplicação do
projeto.

Resultados e DiscussõesA partir das respostas dos alunos no pré-teste pode-se fazer um tratamento
Você saberia formular uma Gostaria de saber mais sobre os
opinião sobre o consumo de alimentos transgênicos?
transgênicos?
NÃO SIM
NÃO SIM
Gráfico
17%1
0%

100% 83%

com os dados como visto nos gráficos 1, 2 e 3 e dos mesmos observou-se que a maioria não tinham

Gráfico
IV Workshop Nacional 2
de Meio Ambiente Gráfico
e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 3 978-85-920549-6-0
2018 | ISBN
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(VERDE; SIMPLICIO; ALMEIDA, 2018)

ainda conhecimento sobre a temática e tampouco sabia formular uma opinião a respeito do assunto.
Ainda ficou claro que grade maioria tinha interesse em aprender, e foi partindo desse pré-
teste que traçamos o desenvolvimento do trabalho.
Com a aula sobre os benefícios e malefícios dos alimentos transgênicos pode-se informar
aos alunos do que se tratava o tema, sua importância e frequência no dia a dia, além de também
sanar as possíveis duvidas que surgiam durante a explicação. Este momento foi fundamental para
mostrar-lhes que alguns conteúdos podem ser trabalhados de forma interdisciplinar, fazendo
correlação ainda com o cotidiano no qual os mesmos estão inseridos. Percebeu-se que a aula foi
esclarecedora no momento da escrita dos textos opinativos e do simbolismo que os mesmos foram
convidados a produzir sobre o que eles tinham aprendido sobre o conteúdo.
Sobre o simbolismo, houve a participação de todos da turma. Ambos estavam divididos em
grupos, no qual cada equipe criou algo diferente e interessante relacionada ao que eles tinham
entendido na explicação. As produções foram postas em um cartaz e colocadas em um local
acessível a toda comunidade escolar, para que todos da escola tivessem a possibilidade e
curiosidade de conhecer mais sobre os alimentos transgênicos.

Conclusões

Os resultados obtidos nos permitiram avaliar a importância do projeto e da


interdisciplinaridade em sala de aula, bem como a necessidade das aulas serem conciliadoras dos
conteúdos didáticos e da realidade do aluno. Viu-se que os alunos interagem e aprendem mais
quando as aulas são mais dinâmicas, interativas e menos monótonas. Por se tratar de um tema
abrangente, permitiu-se também explorar assuntos relacionados a alimentação, saúde e sociedade, o
que despertou a presença dos alunos em sala de aula e incentivo no ensino aprendizagem podendo
até melhorar questões de evasão e desistência principalmente no ensino noturno, com acontece na
maioria dos EJA‟s.

Referências

ALVES, G. S. A biotecnologia dos transgênicos: precaução é a palavra de ordem. HOLOS, 2004.


MARINHO, Carmem Luiza Cabral. Discurso polissêmico sobre plantas transgênicas no Brasil:
estado da arte. Tese (Doutorado) – Escola Nacional de Saúde Pública, Fiocruz, Rio de Janeiro.
2003.
MALUF, Renato. Segurança alimentar e nutricional. Petrópolis: Vozes. 2007.
AMORIM, Cristina. Transgênicos: os dois lados da moeda. Revista Galileu. n. 148, Novembro de
2003.
FURTADO, Rogério. A controvérsia dos OGMs nos 30 anos da engenharia genética. Revista
Scientific American. v. 2, n. 18, novembro 2003.
ARAGÃO DE SÁ, H. C.; SILVA R. R. A interdisciplinaridade e a educação. XIV Encontro
Centro-Oeste de Debates Sobre Ensino de Química I Simpósio de Licenciatura Plena em Ciências
Naturais e Matemática – V Semana de Química, 2005.

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MAPEAMENTO BIBLIOGRAFICO, SOBRE A “FORMAÇÃO TECNICA DE


JOVENS DO CAMPO E SUA RELAÇÃO COM A ECOLOGIA HUMANA”
Alexandre Junior de Souza Menezes¹, Adelson Dias de Oliveira2, Ricardo Jose Rocha Amorim3
1
Mestrando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental – PPGEcoH – Universidade do Estado da Bahia - UNEB – Departamento
de Tecnologia e Ciências Sociais – DTCS. R. Edgar Chastinet, s/n – São Geraldo - Juazeiro – BA – Brasil. CEP: 48.905-680 /
Telefone: + 55 (87) 9 9810 - 5915 / E-mail: 1 alexandrejuniorsm@hotmail.com; alexandrejrsm@gmail.com.
Bolsista CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)
2
Professor Assistente no Colegiado de Ciências Sociais – UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco, Campus
Juazeiro-BA/ Mestre e Doutorando em Educação e Contemporaneidade – PPGEduC – Universidade do Estado da Bahia - UNEB –
Departamento de Educação – DEDC, Campus I. R. Silveira Martins, n. 2555, Cabula. Salvador-BA, CEP: 41.150-000 /
E-mail: 2 adelsonjovem@gmail.com. Bolsista FAPESB (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia)
3
Professor Adjunto e Orientador no Ecologia Humana e Gestão Socioambiental – PPGEcoH – Universidade do Estado da Bahia -
UNEB – Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais – DTCS. R. Edgar Chastinet, s/n – São Geraldo - Juazeiro – BA – Brasil.
CEP: 48.905-680 / Professor titular da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina. Cidade Universitaria, s/n – Vila
Eduardo, Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56.328-000/ E-mail: 3 amorim.ricardo@gmail.com

RESUMO: Esse estudo é parte de uma pesquisa de mestrado, no qual propomos com a escrita deste texto, um
levantamento de dados no campo bibliográfico, buscando construir um diálogo entre a temática formação técnica de
jovem do campo e sua relação com a Ecologia Humana. Sendo assim o principal objetivo é realizar uma pesquisa de
revisão sistêmica aqui nomeado de mapeamento bibliográfico. Os núcleos de sentido da pesquisa, estão centrados na
tríade: Formação Técnica do Campo, Juventude Rural e Ecologia Humana. Emprega a metodologia da revisão
sistêmica, sendo utilizado os principais bancos de dados nacionais de teses e dissertações. A ênfase das pesquisas
realizadas está na discussão da formação técnica, comunidades e mercado de trabalho, o que possibilita a entrada da
discussão com a tríade a que se propõe este estudo, a necessidade de ampliação e unificação dos núcleos de sentido
utilizado para uma investigação maior.
Palavras-chave: Revisão Sistêmica - Juventude do campo - Formação técnica - Ecologia Humana - Desenvolvimento
Sustentável.

BIBLIOGRAPHIC MAPPING ON THE RESEARCH INTITLED


"TECHNICAL TRAINING OF YOUNG PEOPLE OF THE FIELD AND ITS
RELATIONSHIP WITH HUMAN ECOLOGY".
ABSTRACT: This study is part of a master's research, in which we propose with the writing of this text, a survey of
data in the bibliographic field, seeking to build a dialogue between the thematic technical training of young people in
the field and their relationship with Human Ecology. Therefore, the main objective is to carry out a systematic review
research called bibliographic mapping. The nuclei of research are centered on the triad: Field Technical Training, Rural
Youth and Human Ecology. It uses the methodology of the systemic revision, being used the main national databases of
theses and dissertations. The emphasis of the researches is on the discussion of technical training, communities and the
labor market, which makes it possible to enter the discussion with the triad to which this study is proposed, the need to
expand and unify the sense nuclei used for a larger investigation .
Key-words: Systematic Review - Youth in the field - Technical training - Human Ecology - Sustainable Development.

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(MENEZES; OLIVEIRA; AMORIM, 2018)

INTRODUÇÃO

Este trabalho faz parte de uma das etapas do processo do desenvolvimento de uma pesquisa
de mestrado que tem por objeto de estudo a formação técnica de jovens do campo e sua relação com
a Ecologia Humana. Para tanto, a questão central é saber qual o estado da arte das pesquisas que se
aproximam da temática do estudo nos trabalhos desenvolvidos em programas de mestrado e
doutorado no território brasileiro.
Com essa perspectiva a centralidade do texto é identificar o quantitativo de pesquisas que
abordem a formação técnica de jovens do campo no âmbito, metodológico e epistemológico
vinculado a área da Ecologia Humana, assim buscando compreender o cenário nacional de
pesquisas e desta maneira ampliar as possibilidades de entradas no debate que acercam o objeto de
estudo e seu fortalecimento no campo científico. Acredito ser também uma forma de identificação
de possíveis lacunas no campo da pesquisa em torno do objeto de pesquisa e quiçá nortear a
construção teórico-metodológica do estudo em epigrafe.
Para tanto elegemos as palavras juventude do campo e juventude rural, sendo que para
Wanderley (1999), são sujeitos que vivem no meio rural e compreende esse contexto como seu
meio de vida. Nesta perspectiva, incluímos o entendimento de que é um público marcado por uma
diversidade de elementos relacionado a assuntos econômico, social e políticos que os constituem
(Carneiro, 1998; Oliveira, 2012; Silva,2004; Stropasolas, 2002; Wanderley, 2003; Menezes, 2006).
Porém, daremos evidencia às questões sobre a formação destes sujeitos jovens. De acordo
com Oliveira (2012) e Silva (2004), os jovens que vivem no campo, convivem com um modo de
vida, voltada para a adversidade, na maioria dos casos estes saem de sua comunidade para viver em
centros urbanos em busca de continuar seus estudos, que em muitos casos focam na
formação/qualificação técnica. A formação desses jovens muitas vezes acontecem em paralelos,
digo, ambientes e condições diferentes, onde se deslocam de suas comunidades e vão para centros
urbanos, em busca de ensino e formação de qualidade, mesmo com o que definem as diretrizes
operacionais para a educação básica nas escolas do campo, em que se torna obrigatória a oferta de
todas as etapas de formação básica no campo, é observado que os jovens ao longo do Brasil
continuam a fazer o deslocamento entre a cidade e o campo para continuar os estudos, constituindo
dessa maneira um processo híbrido de formação.
Com relação a formação desses jovens em trânsito, mais especificamente a técnica,
observamos que existem bases divergentes a realidades desses jovens, no estudo realizado por
Oliveira, com jovens do semiárido baiano, as experiências e narrativas dos mesmos apontam esse
déficit, uma vez que,
A formação não preenche as necessidades especificas para que a força de trabalho
dos jovens que vivem no campo possa ser canalizada para esse ambiente. Ocorre
um processo inverso que gera conflitos quanto à construção dos percursos
formativos desses sujeitos e à contribuição com a sua constituição identitária no
campo. (OLIVEIRA, 2014, p. 76)

Como o autor retrata, existe um conflito com relação as ideologias e realidades vivenciadas
por esses jovens do campo, onde a maioria vem da prática de culturas agrícolas sustentáveis ligada
a agricultura familiar e se encontra em um modelo de educação tecnicista, voltada para o
agronegócio. Deste modo, há uma inversão de valores dos sujeitos do campo.
Compreender estes processos humanos e subjetivos desses sujeitos é considerado um desafio
e por isso trazemos como possibilidade de mediar o entendimento e ampliar o universo
compreensivo quanto as práticas formativas desses sujeitos, as bases da Ecologia Humana, no que
diz respeito a relação do homem com o meio ambiente incluindo os fatores sociais, econômicos e
psicológicos (MACHADO, 1984). utilizando-se das teorias sujeitos, subjetividade e relação com

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(MENEZES; OLIVEIRA; AMORIM, 2018)

meios, afim de construir uma compreensão de como este processo se dá, sendo perceptível que
ocorrem mudanças, transformações e rupturas na identidade e ideologias.
Assim, para este estudo, buscamos desenvolver um trabalho de Revisão Sistêmica – R.S do
tipo estado da arte, no âmbito de pesquisas de mestrado e doutorado, levando em consideração que
são trabalhos consistentes, no qual há uma parceria entre autor e orientador para o desenvolvimento
da pesquisa, além disso, são trabalhos completos com resultados que nos possibilitam inferir novas
possibilidades de interpretação e construção de dados de pesquisa.
Sendo assim, este trabalho é planejado em dois momentos centrais: o primeiro trata da
contextualização e desenvolvimento metodológico da pesquisa, ou melhor, da busca sistemática de
dados, não da pesquisa em sua totalidade. Nesse caso apresentamos quais foram as opções e bases
metodológicas em que nos sustentamos para construir uma base de análise que pudesse apresentar
com clareza os da dos encontrados dentro da R.S. Esta seção traz o detalhamento do procedimento
adotado e como passamos a registrar os dados que por ventura eram eminentemente pertinente ao
estudo. Num segundo momento, apresentamos a seção em que estão sistematizados os resultados,
em que fazemos uma composição do portfólio dos trabalhos selecionados e ao final, sinalizamos
elementos que nos possibilitam tecer comentários conclusivos para o trabalho em tela.

CONTEXTUALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO DA PESQUISA

É pertinente sinalizar, antes de seguirmos com a descrição do desenvolvimento


metodológico que, a proposta de metodologia para o desenvolvimento da R.S é QUALI-
QUANTITATIVO, uma vez que busca compreender o número (quantitativo) de trabalhos
científicos realizados e produzido ao longo dos anos no território nacional, ao mesmo tempo
qualitativo, por fazer uma análise do conteúdo produzido, buscando compreender o
desenvolvimento da temática e consistências das pesquisas realizadas.
Seguindo tal perspectiva, nesta seção, apresentamos inicialmente um apanhado
teórico/argumentativo do que seja a R.S e num segundo momento a definição da pesquisa e como se
estruturou, desde a argumentação para a temática, os bancos de dados e finalizando com o
desenvolvimento metodológico da pesquisa e/ou R.S em questão.

- Reflexões sobre a pertinência da R.S para o desenvolvimento de pesquisa científica

Com os avanços no campo tecnológico, mais preciso na informação e comunicação, tornou


o conhecimento mais acessível às pessoas, apenas com a utilização de um equipamento de
informática e acesso à internet, a pessoa pode ter em suas mãos um portal de conhecimento e
informação, associando que nos últimos anos, o número de produção acadêmica tem crescido
rapidamente, por conta da abertura de diversos programas de mestrado e doutorado no Brasil e no
mundo (CIRANI et al, 2015)2, triplicando a produção acadêmica e trazendo novas perspectivas de
investigação, no qual só vem a contribuir com o desenvolvimento técnico-científico.
As bases de dados podem ser definidas como os suportes informacionais compostos de
trabalhos técnicos e acadêmicos, classificados desde resumos, periódicos ou artigos científicos,
trabalhos de conclusão de curso, seja monografia, dissertações e teses, nas diversas áreas do
conhecimento. Por essa razão, o que mais comumente ocorre é a pesquisa na Internet e em bases de

2
CIRANI, Claudia Brito Silva; CAMPANARIO, Milton de Abreu; SILVA, Heloisa Helena Marques. A evolução do ensino da pós-
graduação senso estrito no Brasil: análise exploratória e proposições para pesquisa. Avaliação. Campinas; Sorocaba, SP, v. 20, n. 1,
p. 163-187, mar. 2015

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dados que possuem credibilidade científica, usando mecanismos de busca para localização do
material bibliográfico.
Porém, com esse aume nto científico, por meio de abertura de novas universidades ou de
programas de pós-graduação, os estudos em algumas áreas triplicaram, por isso, alguns cuidados
devem ser tomados para evitar a repetição de estudos. Assim é indicado que os estudantes e
pesquisadores, antes de iniciar uma investigação, seja feito uma pesquisa bibliográfica, objetivando
encontrar as semelhanças e o diferencial no estudo a ser pesquisado, ou até trabalhos que a
contribuam com o estudo a ser desenvolvido.
Por existirem uma série de possibilidades para a revisão de literatura, focamos para esse
estudo a construção de uma R.S, que, assim como outros tipos de estudo de revisão, é uma forma de
pesquisa que utiliza como fonte de dados a literatura sobre determinado tema. Esse tipo de
investigação disponibiliza um resumo das evidências relacionadas a uma estratégia de intervenção
específica, mediante a aplicação de métodos explícitos e sistematizados de busca, apreciação crítica
e síntese da informação selecionada. As R.S são particularmente úteis para integrar as informações
de um conjunto de estudos realizados separadamente sobre determinada terapêutica/ intervenção,
que podem apresentar resultados conflitantes e/ou coincidentes, bem como identificar temas que
necessitam de evidência, auxiliando na orientação para investigações futuras (WILLICH, 2003).
A R.S, é organizada em diversas etapas até a conclusão do seu portfolio, somente depois
inicia-se o estudo e análise dos trabalhos encontrados. Para iniciar o estudo, exige do pesquisador
um bom planejamento e organização, onde a divisão das etapas até a elaboração do conjunto de
questionamento norteará a investigação, no quais as mesmas devem ser claras e objetivas, afim de
que não deixem brechas para não serem eliminadas futuramente (MANGINI et al, 2016)3.
Assim, a revisão é dividida em cinco etapas, no qual, cada uma tem um propósito, afim de
montar um portfólio e sistematizar as informações de forma clara e de fácil compreensão, conforme
podemos verificar nos itens que seguem.

- Procedimentos para a realização da R.S


Como foi relatado anteriormente, o processo de organização e planejamento, são
fundamentais para o desenvolvimento com êxito da R.S, Bereton et al. (2007) sinaliza que uma R.S
possibilita ao pesquisador/leitores, uma avaliação criteriosa e confiável das pesquisas realizadas
dentro de um ou mais temáticas, a seguir será detalhado o procedimento de estruturação das etapas.
1ª ETAPA: esta é conhecida como a primeira etapa/fase ou primeiros estudos, onde é
planejado, organizado e montado o plano de execução da R.S, no qual são definidos textos
referenciais para servir de base para a demarcação dos núcleos de sentido até os bancos de dados a
serem pesquisados. Para este momento, diversas perguntas devem ser formulados, que tem o
objetivo de eliminar os possíveis erros, além de evitar questionamentos futuros, para Gil (2007), um
problema deve ser formulado na forma de pergunta, ser claro e preciso, suscetível de solução e
delimitado a uma dimensão viável.
Assim foram eleitas as perguntas norteadoras da pesquisa: Como a formação técnica
vivenciada pelos jovens estudantes são significadas? Como a relação ambiente, sociedade e sujeito
aparece na vida dos jovens estudantes? Quais mudanças são observadas nas práticas pessoais e
profissionais dos jovens antes e após conclusão do curso técnico? Existem trabalhos do cunho
tese/dissertações que abordam a temática formação técnica de jovens do campo e sua relação ou
abordagem teórico/metodológico da Ecologia Humana?

3
MANGINI, CLAYTON GERBER. Sistema lean production e o agronegócio: uma perspectiva do uso das técnicas e ferramentas
baseado nas publicações nacionais. Anais do evento ENGEMA-Encontro Internacional Sobre Gestão Empresarial e Meio
Ambiente, 2016.
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Ainda na primeira etapa, são definidos os núcleos de sentidos 4, que seria o mesmo da
centralidade da pesquisa ou temas norteadores, no qual são formulados a partir da questão da
pesquisa, com isso, são definidas as palavras-chave e seus sinônimos5. Neste sentido para esta
pesquisa sistemática foi definido os dois principais bancos de teses e dissertações do Brasil, para
investigar os trabalhos existente com os termos definidos nesta etapa.
Os bancos de dados escolhidos foram o Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, sendo considerado o maior banco
nacional de trabalhos destas categorias, onde possui um vínculo direto com todos os programas de
pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) que a partir de 2013, toda a produção
acadêmica é disponibilizada no formato completo, anterior a esta data, apenas com as informações
básicas das obras. E o segundo banco definido, foi a Biblioteca Digital brasileira de Teses e
Dissertações – BDTD, onde é considerada a segunda maior fonte de trabalhos de mestrado e
doutorado, com atualizações diárias, possui um acervo de 569.432.
E por fim, é aconselhado segundo Bereton 2007, que seja organizado uma equipe para a
realização desta atividade, objetivando validar e avaliar as etapas de desenvolvimento da pesquisa,
assim como auxiliar na geração dos prot ocolos6 da pesquisa, afim de documentar e registrar os
resultados encontrados.
2ª ETAPA: Esta etapa é conhecida no campo da investigação de R.S da literatura, como a
fase de identificação, onde é feita a organização dos procedimentos. Inicialmente são definidas as
strings7 para então iniciar os procedimentos. O primeiro é a quantificação dos trabalhos
encontrados, com o uso dos operadores booleanos8 e as técnicas de aspas (“”), podemos fazer uma
quantificação geral dos trabalhos encontrados. Nesta etapa foi primeiramente feita uma pesquisa
com todos os termos (T1+T2+T3) objetivados, como descrito abaixo:
Ex: Formação Técnica do Campo AND Juventude Rural AND Ecologia Humana;
Formação Técnica no Campo AND jovens do Campo AND Ecologia Humana; entre outras
combinações.Porém, pesquisando desta forma, não houve resultado, mesmo utilizando dois termos
(T1+T2, T2+T3 OU T1+T3), não foi encontrado resultado significante, tendo assim que refazer o
planejamento.
Entre outros formatos, no qual não tivemos sucesso, apenas com a formulação dos termos
separadamente, alcançamos algum resultado. Porém o número alcançado era alarmante, além da
distorção e fuga da temática pesquisada, um bom exemplo, podemos citar os dez primeiros
trabalhos pesquisados de forma livre utilizando o termo “Formação Técnica do Campo”, no
catálogo de teses e dissertações da CAPES:
1: Caos e Complexidade nas Organizações; 2: O Significado do aprender e do ensinar a[...];
3: As concepções e práticas de educação profissional da FETRAF-BA [...]; 4: Formação de
professores: um olhar [...]; 5: Licenciatura em ciências agrícolas: perfil e contextualização 6: A
Educação e as novas tecnologias do campo de telecomunicações. 7: Gerência de Operações Através
da Cadeia de Processos - A[...]. 8: O Espaço Agrário, a Educação do Campo e a formação[...]. 9: A

4
Os núcleos de sentidos, estão centralizados na tríade: formação técnica no/do campo, Jovens do campo e a Ecologia humana.
5
São formulados e detalhados na segunda etapa.
6
O roteiro para a condução de R.S apresentado, detalhamento e as questões centrais da pesquisa, incluindo o objetivos, núcleo de
sentido e palavras-chave, Strings de busca e o método de inclusão e execução, ou seja o detalhamento metodológico e resultados.
Podendo ser divido em três parte (Entrada (organização/planejamento), Processamento (execução) e Saída (resultados e portfolio).)
assim explica, Levy e Ellis (2006)( LEVY, Y.; ELLIS, T.J. A system approach to conduct an effective literature review in support of
information systems research. Informing Science Journal, v.9. 2006.).
7
São as palavras chaves a criada após uma avaliação dos núcleos de sentido, além disso, as strings devem passar por um processo de
validação, onde é definido os sinônimos correspondente a mesma.
8
Operadores booleanos são palavras que têm o objetivo de definir para o sistema de busca como deve ser feita a combinação entre os
termos ou expressões de uma pesquisa. São eles: and, or, and e not.
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disciplina prática de ensino como reveladora da História da [...] e 10: Ensino de Ciências no Alto
Sertão[...].
Como visto no exemplo a cima, a margem de erro na busca dos termos é grande e foge
muito do resultado esperado, deste modo, uma outra forma de pesquisa é a utilização das aspas,
para limitar as palavras desejadas, assim, chegamos a um resultado positivo, como mostra na
imagem a baixo:

Figura 1 – tabulação da pesquisa com os termos com e sem aspas.


Fonte: Autores (2017).

Assim, com o uso das aspas, podemos delimitar o número de trabalhos e comprovar a
relação com o termo e área desejada. Deste modo, foi definido que para a seleção dos trabalhos para
a análise do conteúdo (resumo ou texto completo) na primeira pesquisa, deveria atender a um
critério de relação, onde os termos da pesquisa deveria ter relação com outro, ou os dois, como
demostro na imagem abaixo:
3ª ETAPA: Esta fase, é conhecida como a etapa de seleção, após realizar uma análise dos
títulos dos trabalhos encontrados nos bancos de dados, e feita a relação entre os termos, são
recolhidos os trabalhos que tem relevância aos termos da pesquisa. Após esta etapa foram
selecionados 42 trabalhos do catálogo de teses e dissertações da capes e 25 da biblioteca digital
brasileira de teses e dissertações, que apresentaram correlação entre os termos, como sistematizado
na imagem abaixo:

Figura 3 e 4 – tabulação dos resultados da primeira pesquisa nos bancos de dados, com a leitura dos títulos e associação
dos termos.
Fonte: Autores (2017).
Logo após a sistematização dos trabalhos com correlação entre os termos, passamos para a
quarta etapa, para uma análise, aplicando neste momento os critérios de inclusão/exclusão, a partir
de uma leitura mais detalhada dos trabalhos.
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4ª ETAPA: esta etapa é chamada de elegibilidade, pois é considerada a principal e mais


importante do processo, no qual é feito uma análise do conteúdo dos textos selecionados, no qual
tem relação com a temática e compreende-se que há uma relação com os outros termos da pesquisa,
a partir daqui é feito uma leitura mais detalhada dos resumos e se necessário do texto original
(completo) para uma melhor compreensão.
Nesta etapa são aplicados os critérios de inclusão e exclusão. Para tanto apresentamos a
seguir aqueles utilizados para a realização deste estudo.
Para a EXCLUSÃO foram considerados trabalhos onde: as obras que estão duplicadas, ou
seja, repetidas, os trabalhos com abordagem de um único termo e que não relaciona com os outros
termos (T1=T2=T3). No caso do trabalho em destaque, que abordam a educação básica, ensino
médio, educação do campo, escola do campo, etc, como centralidade, trabalhos incompletos ou sem
resultados.
Para a INCLUSÃO sinalizamos como critérios: textos tenham relação pelo menos com um
outro termo (formação técnica do campo e juventudes rurais; jovens do campo e ecologia humana,
formação técnica no campo e ecologia humana, etc) e trabalho com resultado completo.
5ª ETAPA: esta é a última é denominada de inclusão, no qual os trabalhos já foram
selecionados e será sistematizado no formato de tabela, esse material também é denominado
PORTFÓLIO, com informações para a compreensão e uma melhor análise dos dados.
Como foi visto, a R.S, é composta por diversas etapas, sendo estas distintas e de extrema
importância, no qual podemos fazer uma avaliação detalhada do processo, além de compreender
melhor o procedimento, e se configura como um instrumento para mapear trabalhos publicados em
bancos de dados, utilizando um tema de pesquisa específico, possibilitando ao pesquisador a
capacidade de elaborar uma síntese do conhecimento existente sobre um determinado assunto
(BIOLCHINI et al., 2007).
Diante do que vem sendo exposto, foi possível então realizar a construção de dados
significantes para que o estudo tomasse forma e possibilitasse adentrar ao campo de pesquisa.
Consideramos que é pertinente a realização da R.S para possibilitar segurança e solidez aos
resultados que serão originados a partir do desenvolvimento do estudo. Desta forma, a seguir,
apresentamos o resultado/síntese das etapas ora evidenciadas, no presente fluxograma.

Figura 5 – fluxograma da sistematização das etapas da pesquisa de revisão sistemática.


Fonte: Autores (2017).
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RESULTADOS
No início deste estudo, foi contabilizado um total de 3.844.495 trabalhos, entre teses e
dissertações, com à aplicação das aspas, objetivando delimitar o campo, foram encontrados 2. 327
textos, desses com a leitura dos títulos e fazendo uma relação com os outros termos, foram
selecionados 67 trabalhos dos dois bancos de dados e por fim, com a leitura dos resumos e textos,
passaram para a última etapa, denominado portfólio 15 trabalhos, de acordo com o fluxograma
apresentado na figura 5 presente neste trabalho.
Deste modo, a seguir, apresento o resultado dos trabalhos que foram selecionados e suas
descrições para uma melhor compreensão.

Figura 6 – tabulação do portfólio da pesquisa com as informações dos resultados.


Fonte: Autores (2017).

Ainda tratando dos resultados deste trabalho, trago alguns apontamentos importantes para a
discussão acerca da temática, primeiramente sobre a etapa três que diz respeito a seleção dos
trabalhos. Algo chamou atenção pelo número de trabalhos desenvolvidos em algumas áreas
temáticas ou melhor dizer subáreas dos termos da pesquisa, porém a centralidade estava em outros
sujeitos ou lócus, motivo para serem descartados e não serem selecionados, no total foram 42 temas,
que ia da abordagem da infância, ensino médio, fase adulta, entre outros.
Podemos apontar que a maior parte dos trabalhos descartados tinha como centralidade
projetos de vida, seguindo com um número também significante, por escola do campo e trânsito de
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jovens entre cidade e campo e egressos. Porém vale destacar, que a temática, escola família
agrícola, vivência no campo, práticas educativas e construção identitária dos jovens, toma lugar de
destaque ao longo dos resultados encontrados ao longo da pesquisa, todavia, usando os critérios de
exclusão não foram validados uma vez que aparecem apenas em uma das strings usadas na busca.
Além dos trabalhos citados que foram descartados, dez textos que estavam repetidos, tendo
trabalhos duplicados e triplicado, isto nos revela o número de trabalhos que foram anexados no
sistema dos bancos com falhas, os que aparecem mais de três vezes, tem origem no banco da
biblioteca digital brasileira de teses e dissertações, sendo que o mesmo aparece no banco da capes.
Com relação aos trabalhos selecionados para o portfólio, algumas informações são
importante para uma reflexão, lembrando que a escolha por pesquisar apenas resultado de trabalhos
completos desenvolvidos em programas de pós-graduação, inicialmente pela complexidade do
conteúdo e qualidade do material, no qual boa parte dos periódicos são fragmentos ou capítulos de
teses e dissertações, tornando muitas vezes o temática repetitiva ou incompleta para uma maior
compreensão.
Os trabalhos selecionados na quinta etapa, totalizaram quinze textos, dentre eles o trabalho
mais antigo é de 2008, tendo dez anos trata-se de um estudo desenvolvido em uma escola
agrotécnica federal de São João Evangelista – MG, no qual hoje é um Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia, tendo em 2010 três trabalhos de mestrado, em que possibilitam
uma inserção direta na discussão objeto de estudo desta pesquisa.
Onde o primeiro fala da inserção socioprofissional de jovens do campo, que passam por um
processo de formação, parte deles na perspectiva técnica e retornam para onde cursou a educação do
campo, o segundo sobre o papel de educar para a sustentabilidade, onde os jovens do campo passam
por um processo de reflexão ecológica para saber o papel social com o meio ambiente e o último,
sobre a formação técnica de jovens, onde é aplicado os conceitos da ecologia humana (relação
homem, meio ambiente e subjetividade), para uma reflexão de como se dá a formação dos jovens,
pensando no ecossistema.
Tendo mais dois trabalhos em 2014 e o maior número em 2016 com quatro, sendo uma tese
e três dissertações, o primeiro trata-se das vivências e experiências dos jovens do campo, que foram
alunos do PRONATEC, buscando compreender os resultados e a subjetividades geradas nesta
formação, com sujeitos do campo, o segundo faz uma abordagem tem como centralidade a
subjetividades de jovens rurais, sendo uma das bases da ecologia humana , o terceiro escrito, faz
uma análise dos últimos sete anos de um curso técnico voltado para jovens do campo e o último, faz
uma abordagem do papel social de jovens do meio rural que atuam em uma reserva ecológica
extrativista, fazendo uma reflexão do convívio de forma sustentável.

CONCLUSÃO
Com o aumento de programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) no âmbito nacional
e mundial, o incentivo e realização de pesquisas, tem aumentado e resultando no crescimento
número de trabalhos científicos publicados diariamente, em muitas áreas é impossível sintetizar o
estado do conhecimento atual, tão pouco, atualizar esta base com certa periodicidade (DYBA e
DINGSOYR, 2008), resultado deste processo é grande número de estudos e a necessidade de
conhecer de conhecer o cenário atualizado na área. Deste modo, as revisões sistemáticas, na visão
do autor, é uma ferramenta, que indicam um balanço nas bases de dados, evidenciando as
pesquisadas até então realizados, além de identificar os que já foram desenvolvidos.
Assim concluímos que o aumento de pesquisas em diversos campos do conhecimento, tem
incentivado o desenvolvimento de trabalhos de R.S da literatura, sendo uma forma de se atualizado
ou identificar a originalidade de alguma pesquisa, assim como a necessidade de novos estudos e
cabimentos de pesquisa em uma área ou temática especifica.
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Deste modo, as Revisões Sistemáticas d a Literatura, segundo Kitchenham 2004 e Mergel


2014, como estudos secundários, possuem um papel importante na pesquisa, uma vez que
sintetizam o trabalho existente de maneira não tendenciosa, avaliam e interpretam as pesquisas
relevantes disponíveis para uma determinada questão de pesquisa, tópico da área ou fenômeno de
interesse e para isso utilizando-se de protocolos pré-estabelecidos para busca e identificação de
estudos primários, além disso, a estratégia adotada em uma revisão deve ser clara o bastante para
permitir sua repetição por outros pesquisadores.
Para esta pesquisa, foi utilizado como os principais bancos de dados nacionais, que
armazena teses e dissertações, são eles: Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES e a Biblioteca
Digital Brasileira de Teses e Dissertações – BDTD do Instituto Brasileiro de Informação e
Tecnologia - IBICT. Inicialmente foram encontrados 2.327 trabalhos produzidos no âmbito de
mestrado e doutorado, e após os tratamentos e análise de seleção com critérios de inclusão e
exclusão, restaram 15 trabalhos para compor o portfólio.
Estes trabalhos apontam ainda numa breve análise, que os estudos que versam por esta
temática estão concentrados de forma separadas e não há nenhum trabalho que versa sobre os três
núcleos de sentido.
A ênfase das pesquisas realizadas está na discussão da formação técnica profissionalizante e
seus egressos ou inserção nas comunidades e mercado de trabalho, o que deixa abertura em uma
lacuna que possibilita a entrada da discussão com a tríade (Formação Técnica do Campo, Juventude
Rural e Ecologia Humana) a que se propõe este estudo, a necessidade de ampliação e unificação dos
núcleos de sentido utilizado para uma investigação maior, sendo o desafio futuro para minha
dissertação.

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APLICABILIDADE DO LODO DE ESGOTO CALCINADO EM


SUBSTITUIÇÃO AO CIMENTO PORTLAND PARA ARGAMASSAS DE
REVESTIMENTO

Miriam de Normando Lira ¹, João Victor da Cunha Oliveira ²,


Leila Soares Viegas Barreto Chagas ³, Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira 4
1,2,4
Instituto Federal da Paraíba – Campus Campina Grande. R. Tranqüilino Coelho Lemos, 671 - Dinamérica - Campina Grande –
Paraíba – Brasil. CEP: 58.432-300 / Telefone: (83) 2102.6233 / E-mail: 1 miriamnormando1@hotmail.com;
2
joaovictorwo@gmai.com; 4 frankslale.meira@ifpb.edu.br
3
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Salgueiro. BR 232, Km 508, s/n - Zona Rural - Salgueiro – Pernambuco –
Brasil. CEP: 56.000-000 / Telefone: (87) 3421.0050 / E-mail: 3 leila_viegas@hotmail.com

RESUMO: A partir das premissas ambientas que permeiam por entre a atuação dos pesquisadores em possibilitar o uso
de resíduos em bens de consumo, utilizar o lodo de esgoto em material de consumo humano tornou-se objeto de estudo
mundial pelo potencial que o mesmo carrega. Objetivando cumprir o papel sustentável mediante a criação de
mecanismos que favorecem a convivência ecológica entre meio ambiente e seres humanos, viabiliza-se através dos
materiais de construção, ditos como convencionais, o uso do lodo de esgoto calcinado como potencializador nas
propriedades do material, melhorando significativamente o comportamento frente aos esforços mecânicos. As
argamassas de revestimento são avaliadas na atualidade por exporem, a partir da substituição do cimento pelo material
calcinado, uma efetiva aplicabilidade no que concerne sua resistência à agentes deletérios. Entende-se que idealizar
materiais não convencionais com o uso de resíduos que possuem alto poder degradativo ao meio ambiente, ratifica-se a
tentativa de mitigar grandes e irreversíveis impactos ambientais advindos do descarte impróprio e mal planejado.

Palavras-chave: Lodo de Esgoto Calcinado, Argamassas de Revestimento, Viabilidade de Uso

Applicability of calcined sewage sludge instead of Portland cement for coating


mortars
ABSTRACT: Based on the environmental assumptions that permeate the role of researchers in enabling the use of
waste in consumer goods, using sewage sludge in human consumption material has become the object of worldwide
study because of the potential that it carries. Aiming to fulfill the sustainable role through the creation of mechanisms
that favor the ecological coexistence between environment and human beings, the use of the calcined sewage sludge as
a potentiator in the properties of the material is made possible through the construction materials, behavior. Coating
mortars are currently evaluated by exposing, from the replacement of the cement by the calcined material, an effective
applicability with respect to its resistance to deleterious agents. It is understood that to idealize unconventional materials
with the use of residues that have high degradation power to the environment, ratifies the attempt to mitigate large and
irreversible environmental impacts arising from improper and poorly planned disposal.

Keywords: Calcined Sewage Sludge, Coating Mortars, Feasibility of Use

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(LIRA; CUNHA OLIVEIRA; CHAGAS; MEIRA, 2018)

Introdução
No Brasil, já na segunda metade do século XX, fatores como crescimento das cidades e dos
aglomerados urbanos com o aumento dos fluxos imigratórios, agravaram os problemas de
saneamento, com as epidemias se reproduzindo periodicamente (Passeto, 2006). Esta rápida
inversão fez com que a falta do saneamento tenha se transformado em um dos principais problemas
ambientais e de saúde pública brasileiros.
O Ministério do Meio Ambiente do Brasil estima que cerca de 10% dos esgotos urbanos são
tratados nas estações de tratamento de esgotos (ETEs). Deste tratamento resulta a produção de um
lodo rico em matéria orgânica e em nutrientes.
Segundo Waldemar (1992), nos meios urbanos os lodos sanitários são gerados diariamente
em grande volume, dependendo diretamente do percentual de esgotos que é tratado. Estima-se que
podem chegar a uma quantidade na ordem de 1000g/habitante/dia, de material parcialmente seco, o
qual pode conter entre 70 e 90% de água em sua composição.
Quando totalmente desidratado, transforma-se, em média, em 150g/habitante/dia. Quando
realizada a calcinação do lodo totalmente desidratado, obtêm-se de cinza aproximadamente, em
massa, 33% do material seco (Geyer et al., 1995).
A disposição do lodo mais utilizada, até a década de 60, dava-se em aterros sanitários,
porém, com o crescimento das cidades e consequente aumento da quantidade de resíduo, esta
alternativa passou a ser ineficaz sob o ponto de vista ambiental.
Nas grandes cidades, a legislação ambiental restringe cada vez mais a disposição de lodo em
aterros, sendo a grande problemática, a escassez de locais adequados e os altos custos para tal
disposição.
Segundo John (2008), a construção civil é o setor responsável pelo consumo de maior
volume de recursos naturais, em estimativas que variam entre 15 e 50% dos recursos extraídos,
além de seus produtos serem grandes consumidores de energia, e por estas razões, é de fundamental
importância o desenvolvimento de materiais alternativos que atendam a essa atividade.
O alto consumo energético dos materiais industrializados utilizados na construção civil
deveria ser estímulo acerca de estudos e de ações para planejar a reutilização de resíduos em seus
processos. Conforme Lerepio (2004), na China, país de extensão territorial considerável e com altos
índices de adensamento populacional, a população considera os resíduos como sendo uma
responsabilidade do cidadão, isto é, do gerador. Com o apoio da consciência da população aliada a
uma cultura milenar, o país tem facilidade de implantar ações de controle e reuso de resíduos.
A reciclagem de resíduos é um tema que tem ocupado papel de grande destaque nas
pesquisas desenvolvidas nos últimos anos. Segundo Geyer (2001), dentre os resíduos urbanos, um
dos mais problemáticos é o gerado nos processos de tratamento de esgotos sanitários domésticos, o
chamado Lodo de Estações de Tratamento de Esgotos Sanitários, Lodo Sanitário ou Lodo Orgânico.
A disposição final do resíduo de lodo de esgoto tem sido alvo de diversos estudos, uma vez
que tem se tornado um grave problema ambiental, porque se por um lado promove-se o saneamento
básico e a saúde pública através do tratamento de esgotos, por outro se gera nos processos
compostos indesejáveis devido à alta carga poluidora que carregam.
Estabelece-se, então, um problema: onde e como dispor o lodo sanitário de grandes centros
urbanos de uma forma segura? É então necessário que se busque o desenvolvimento de alternativas
que substituam de maneira eficiente o simples descarte desses resíduos.
A melhor forma para a redução do resíduo é seu reaproveitamento em outras atividades, tais
como sua utilização na indústria da construção civil, isto é, substituindo parcialmente o cimento
Portland, que é um dos materiais utilizados na construção que mais ocasiona a emissão de CO 2. O
processo produtivo do cimento tem sido apontado como gerador de impactos tanto ambientais,
como sociais, portando a redução de seu uso geraria a minimização de impactos ambientais, e

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(LIRA; CUNHA OLIVEIRA; CHAGAS; MEIRA, 2018)

implantar medidas que visem reduzir esse alto consumo configurado na atualidade acontece a partir
do uso dessas adições em materiais convencionais, como argamassas de revestimento.

Revisão
A disposição do lodo mais utilizada, até a década de 60, dava-se em aterros sanitários e a
maioria das cidades brasileiras jogava seu esgoto diretamente nas coleções hídricas, poluindo-as e
resultando em situações caóticas como por exemplo, a do rio Tietê em São Paulo. Para amenizar o
problema, foram criadas políticas de incentivo ao saneamento básico e políticas de incentivo à
instalação de estações de tratamento de esgotos nas cidades.
Existem três principais razões que motivam os países a reciclarem seus rejeitos industriais;
primeiro, o esgotamento das reservas de matérias-primas confiáveis; o crescente volume de resíduos
sólidos, que põem em risco a saúde pública e degradam os recursos naturais e, por fim, a
necessidade de compensar o desequilíbrio provocado pelas altas do petróleo (Neves et al., 2002).
Vários estudiosos de países em desenvolvimento analisam em seus estudos a inserção de
resíduos na construção civil. Tay (1987), realizou estudos e pesquisas objetivando o
reaproveitamento do lodo de esgoto na indústria da construção civil visando a inserção do resíduo
para a produção de blocos cerâmicos. A construção civil é uma indústria que possui considerável
potencial para a incorporação de resíduos em suas etapas construtivas com possibilidade de redução
de custos e redução de danos ambientais e em argamassas de revestimento tal prática necessita
também ser avaliada e pesquisada.
A argamassa de revestimento, possui diferentes tipos, de acordo com a função que
apresentam. O chapisco é a camada inicial de preparação da base, com a finalidade de melhorar a
aderência das outras camadas. O emboço é executado acima do chapisco e tem como finalidade
regularizar a superfície para receber o reboco (acabamento também em argamassa para receber a
pintura) ou para a argamassa colante quando o acabamento for em peças cerâmica.
Segundo Recena (2012), as argamassas devem ser consideradas como um elemento de um
sistema e não isoladamente como um material. Ainda segundo o autor, as argamassas de
revestimento devem apresentar características que possibilitem um bom acabamento, absorção das
deformações naturais que a estrutura está sujeita, impermeabilização do substrato, etc. O estudo
sobre o índice de atividade pozolânica das argamassas executadas utilizando o lodo de esgoto
calcinado substituindo parcialmente o cimento é de grande importância para avaliar se o material
não convencional possui características semelhantes às do aglomerante.
Segundo Mehta & Monteiro (2008), um dos principais constituintes primários do cimento
Portland são as fontes de silicato de cálcio. A descoberta de atividade pozolânica em um
determinado resíduo pode direcionar sua utilização na fabricação de cimentos, onde são
aproveitados para garantir as propriedades ligantes do material. O estudo da reação álcali agregado
em argamassas utilizando lodo de esgoto calcinado é necessário para avaliar a durabilidade da
argamassa executada utilizando o material não convencional, no caso o lodo de esgoto calcinado
que será substituído parcialmente pelo cimento.
De acordo com Couto (2008), existem três principais condicionantes para que ocorram as
reações álcali agregados: a presença de um agregado com minerais reativos, uma concentração
elevada de hidróxidos alcalinos (NaOH, KOH) nos poros do concreto e, por fim, a presença de
umidade suficiente para expandir o gel e formar as fissuras no concreto, no qual o lodo de esgoto
calcinado demonstra potencial na redução do processo expansivo pela estrutura amorfa produzida
através do processo de calcinação e pela pozolanicidade obtida quando atua como substituto do
cimento Portland (Oliveira, 2017).
Além da prática que a construção civil aborda no que diz respeito à absorção dos resíduos
nos materiais cimentícios, Geraldo (2016), propôs um modelo de criação de um aglomerante com
propriedades semelhantes ao cimento Portland, através de ativação alcalina, constituído por lodo
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proveniente de Estação de Tratamento de Águas e cinza de casca de arroz. O autor substituiu o


metacaulim pelo lodo e cinza de casca de arroz, separadamente, durante o processo de ativação de
aglomerante a partir do hidróxido de sódio (NaOH) com cura em temperatura ambiente. Pôde-se
obter, aos 28 dias de hidratação, uma argamassa com resistência de 25 MPa quando o metacaulim
foi substituído em 15% pelo lodo, valor este dentro dos parâmetros aceitáveis na construção civil
quando envolve-se argamassas. Outro parâmetro relevante para o estudo foi o fato do componente
denotar baixa eflorescência, patologia associada à lixiviação de compostos solúveis até a superfície
do material, deteriorando-o fisicamente e propiciando perca parcial do seu desempenho, e o lodo
aplicado no estudo trouxe redução significativa nesse quesito avaliado.
Viana (2013), buscou aplicar o método de pirólise para extrair o potencial adsorvente que o
lodo de esgoto denota quando submetido à altas temperaturas. A pirólise consiste em submeter o
material seco, macerado e peneirado em malha ABNT #200 a um processo térmico degradativo,
mais conhecido como calcinação, à 500°C por 5 isotermas diferentes. Os tempos de 30 e 60
minutos expuseram resultados satisfatoriamente superiores em comparação ao carvão ativado para
retirada de poluentes, como o fenol e a tartrazina, de meios aquosos.
Assim, observa-se que através do uso do lodo de esgoto, in natura ou calcinado, pode-se
obter diversos benefícios nos âmbitos ambiental e tecnológico. Os produtos que se criam na
tentativa de dirimir os impactos ambientais caracterizam-se pela viabilidade provada através de
testes laboratoriais, que caracterizam de forma inorgânica, as propriedades do material criado e do
resíduo na sua forma de aplicação.

Discussão
Os problemas ambientais que o lodo pode produzir pelo mal planejamento estão atrelados à
busca por burlar as legislações ambientais vigentes sobre o assunto, como também fazer mau uso
das mesmas com procedimentos incompletos no descarte, não garantindo a menor influência do
resíduo no desequilíbrio da fauna e flora em contato.
Utilizar o lodo produzido é uma tarefa que permeia aspectos de viabilidade técnica e
econômica, da mesma forma que os estudos produzidos tentam abranger essas duas esferas em
equilíbrio. Castro et al. (2015), mostram que o cenário de coleta de esgoto no brasil, e seu
respectivo tratamento, é totalmente assimétrico (Gráfico 1).

Gráfico 1: Índices de coleta e tratamento de esgoto em cada unidade federativa.

Fonte: Castro et al., (2015).


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Andreoli et al. (1998), explicam que “a quantidade e qualidade do lodo produzido por uma
ETE depende da vazão de esgoto tratado, das características do esgoto, do tipo de tratamento e da
operação da ETE”, devendo ser levado em consideração que para cada região do país, diversos são
os produtos gerados através do processo de tratamento escolhido, o que irã variar em cada
realidade.
Pedroza et al. (2010), afirmam que, por ano, a produção de lodo margeia de 150 a 220 mil
toneladas de material seco, e que considerando que apenas 30% da população possui seu esgoto
devidamente coletado e tratado, supõe-se que em 100% de coleta, o volume anual produzido
ultrapassaria a marca de 400 mil toneladas.
Esse grande volume de lodo gerando demanda de altos custos operacionais da própria
estação de tratamento de esgoto na designação do descarte, e a consequente aplicabilidade desse
subproduto em materiais de construção se caracteriza como viável a partir do processo de
calcinação, eliminando a matéria orgânica e promovendo reações químicas importantíssimas na
obtenção de fases cristalinas que corroborem atividade pozolânica ao material calcinado quando em
contato com o hidróxido de cálcio, produto de hidratação do cimento Portland.
Lessa (2005), avaliou algumas propriedades de argamassas com inserção do lodo de esgoto
calcinado à 550°C, para 3 traços diferentes (1:3, 1:4,5 e 1:6), substituído o cimento em percentuais
fixos de 5, 10 e 20% para aferir as resistências à compressão aos 28 dias de cura das argamassas
(Figura 1). O autor observou que para todos os traços, todos os percentuais de lodo adicionados,
favoreceu o respectivo aumento da resistência comparado ao traço de referência (Figura 2),
possibilitando aplicar te forma efetiva as cinzas advindas do processo de calcinação em substituição
ao cimento, também agente gerador de deposições significativas de CO2 na atmosfera.

Figura 1: Resistências à compressão axial das argamassas aditivadas com cinzas de lodo de esgoto.

Fonte: Lessa, (2005).


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Figura 2: Comportamento de cada traço em função da quantidade de cinzas adicionada.

Fonte: Lessa, (2005).

Outra alternativa estudada para uma melhor destinação do lodo é utilizando-o como matéria-
prima na fabricação do cimento. Chen et al. (2010), afirmam que a substituição da rocha calcária
em percentuais até 7% proporciona resistências mais elevadas ao material. De 4 até 10% de
substituição, o cimento obteve resistências mais elevadas aos 3 e 7 dias de idade em comparação à
composição base do cimento. Para a idade de 28 dias, o percentual de 7% é o mais favorável a
utilização, atingindo resistências em torno de 73 MPa.
Lin et al. (2012), observaram o comportamento do uso de lodo de esgoto seco como aditivo
nas propriedades do cimento durante o processo de queima do clínquer. Adições de 5 e 15% de lodo
seco foram adicionadas à farinha crua, para então serem misturadas e calcinadas à 1450°C por 2
horas, onde pôde-se constatar que os componentes do clínquer do cimento ecológico com lodo eram
equivalentes ao do cimento simples. Os resultados referentes a resistência à flexão e compressão
das pastas de ecocimento endurecidas mostraram que de 0,5 até 15% de uso do lodo houve um
equilíbrio nos resultados, não excedendo 2% para a flexão, e 11% para a compressão frente ao traço
base.
Banfill & Frias (2007), consideram o lodo calcinado como metacaulim reciclado, por
produzir propriedades similares quando calcinado à 700°C, e por tornar-se material cimentício
suplementar quando usado em argamassas. Da mesma forma que pode-se substituir o metacaulim
pelas cinzas do lodo, contribui-se para uma significativa redução na produção dessa adição mineral
a partir de recursos naturais de caulinita, associada a carga ambiental reduzida com a destinação do
grande volume de lodo gerado diariamente nas ETEs.

Conclusões
Diante de inúmeros problemas ambientais vividos, é preciso que cientistas e pesquisadores
promovam o desenvolvimento acerca da utilização de materiais e componentes que sejam
facilmente reincorporados pela natureza e que reduzam a poluição. A utilização de resíduos em
processos construtivos é um método de inserção da prática da sustentabilidade que proporciona
viabilidade ambiental, econômica e social, mas especificamente em canteiros de obras, existem
muitos entraves em se aplicar tecnologias que promovam qualquer forma de execução na
construção civil que seja diferenciada dos sistemas construtivos tradicionais.
Aplicar o lodo de esgoto calcinado em materiais com metodologias convencionais que
colmata significativamente vários fatores negativos atribuídos ao descarte incorreto e atitudes que
negligenciam os danos ambientais provocados, e conclui-se que são diversas as formas de atribuir
um destino cada vez mais efetivo, consonante com as premissas ambientais e com as normas de
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qualidade e desempenho dos materiais de construção, atribuindo potencial similar ou superior aos
mesmos quando adicionado o lodo de esgoto, calcinado ou in natura, à composição.

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Paraná. In: I Seminário sobre Gerenciamento de Biossólidos do Mercosul, Curitiba, 1998.
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UTILIZAÇÃO DE SUBSTRATOS ORGÂNICOS NO CULTIVO DO


TOMATE (SOLANUM LYCOPERSICUM)

Caio César Costa Alencar¹, Edjane de Souza Campos2, Katianne Fernanda de Souza Amorim3,
Maria Elisangela de Souza Magalhães4, Maria Letícia Gomes dos Santos5, Reisiane da Silva
Pinheiro6, Sidney Silva Simplicio7, Yolanda Vitória Lima Pereira Maia8.
1,8
Universidade de Pernambuco. Rodovia BR 203, Km 2, s/n, Vila Eduardo - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56328-903 / Telefone:
(87) 3866-6468 / E-mail: 1caiocca@hotmail.com; 5yolanda_vitoria@htomail.com
2, 3, 4, 6
Serviço Social do Comércio. Rua Pacífico da Luz, nº 618, Centro - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56304-010 / Telefone: (87)
3866-7463 / E-mail: 2souza.jane@hotmail.com; 3katianne.nanda@gmail.com; 4magalhaeseli7@hotmail.com;
6
reisinhapinheiro@gmail.com
5,7
IF Sertão. Rua Maria Luiza de Araújo Gomes Cabral, s/n, João de Deus - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56316-686 / Telefone: (87)
2101-4300 / E-mail: 5 marialeticia.quimica@hotmail.com; 7sid.simplicio@gmail.com

RESUMO: Objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito dos substratos orgânicos formulados à base de casca de
laranja (testemunha 1), casca de banana (testemunha 2) e casca de ovo (testemunha 3) no desenvolvimento germinativo
do tomate (Solanum lycopersicum). O experimento foi conduzido na Sala de Ciências do SESC Petrolina-PE no período
de 18/05/2018 à 29/05/2018, observando-se a taxa de germinação de 225 sementes divididas em 3 testemunhas cada
uma com 75 sementes. A semeadura foi feita em papel toalha de folha dupla da marca Absoluto. Diariamente analisou-
se o número de plântulas emergidas, para a determinação do índice de velocidade de emergência e germinação. No geral, o
substrato feito à base de casca de ovo teve os melhores resultados, obtendo uma taxa de germinação de 94,67%. Além
disso, notou-se que houve uma antecipação na quebra da dormência da semente estudada.

Palavras-chave: Germinação; Hortaliças; Substrato orgânico; Tomate.

Utilization of Organic Substrates in Cultivation of Tomato (Solanum


lycopersicum)

ABSTRACT: The objective of this study was to evaluate the effect of the organic substrates formulated with orange
peel (control 1), banana peel (control 2) and egg shell (control 3) on tomato germination development (Solanum
lycopersicum). The experiment was conducted in the Sala de Ciências of SESC Petrolina-PE from 05/18/2018 to
05/29/2018, with a germination rate of 225 seeds divided into 3 Witnesses each with 75 seeds. The sowing was done on
double foil paper towel of the brand Absoluto. The number of emerged seedlings was analyzed daily to determine the
rate of emergence and germination. In general, the substrate made from egg shell had the best results, obtaining a
germination rate of 94,67%. In addition, it was noticed that there was an anticipation in the dormancy breaking of the
studied seed.

Key-words: Germination; Vegetables; Organic Substrates; Tomato.

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(ALENCAR; CAMPOS; AMORIM; MAGALHÃES; SANTOS; PINHEIRO; SIMPLICIO; MAIA, 2018)

Introdução

Um vegetal não se desenvolve normalmente se não adquirir os nutrientes necessários que


proporcionem o seu crescimento. Os elementos como nitrogênio, fósforo e potássio representam os
macronutrientes primários, já o cálcio, enxofre e magnésio representam os macronutrientes
secundários, pois são absorvidos em maiores quantidades. Já os micronutrientes são representados
pelo o boro, o cloro, o cobre, o ferro, o manganês, o molibdênio e o zinco, que são absorvidos em
menores quantidades (OLIVEIRA, 2015).
Diante disso, o uso de substratos se faz necessário pelo fato de condicionar um suporte mais
nutritivo para a planta. Existem diversos tipos de substratos comerciais empregados na produção e
na melhoria de mudas hortícolas (SANTOS et al., 2011, apud. CMO, 2010), porém a crescente
preocupação com o meio ambiente vem mobilizando vários segmentos do mercado. Os resíduos
industriais, depois de gerados, necessitam de destino adequando, pois, além de criarem potenciais
problemas ambientais, representam perdas de matérias-primas e energia, exigindo investimentos
significativos em tratamentos para controlar a poluição (KLEIS, 2015, apud PALIZER et all.,
2007).
A produção de substratos alternativos vem sendo estudado como uma alternativa de
proporcionar melhores condições de desenvolvimento e formação de mudas de qualidade. Para que
um substrato seja considerado de boa qualidade para o desenvolvimento da planta ele deve ser leve,
absorver e reter adequadamente a umidade e reunir macro e micro nutrientes, cujos teores não
podem ultrapassar determinados níveis, a fim de evitar efeitos fitotóxicos, deve ser livre de
organismos saprófilos, permitir boa germinação e emergência das plântulas (SANTOS et al., apud.
(MIRANDA et al.,1998; SMIDERLE et al., 2001.)
O uso de substratos orgânicos é aconselhado pelo fato de possuir características adequadas à
espécie cultivada a fim de reduzir o tempo de cultivo e diminuir a necessidade de aplicação de
fertilizantes químicos e defensores agrícolas (ARAÚJO et al., 2012, apud. HOFFMANN et al.,
2001).
Segundo Klein (2015), o preparo do substrato é de total importância para a produção de
mudas de qualidade. Mediante a escassez de recursos naturais, é crescente a procura por materiais
alternativos a serem utilizados para o cultivo de mudas e plantas. Estes materiais devem ser de fácil
obtenção, ambientalmente correto, ter estrutura estável, tempo de decomposição razoável, serem
homogêneos, de baixo custo e conterem características físicas, químicas e biológicas compatíveis
com a muda a ser produzida.
Com isso, o presente trabalho teve como objetivo analisar o efeito de diferentes substratos
orgânicos no desenvolvimento germinativo do tomate (Solanum lycopersicum).

Material e Métodos
O experimento foi realizado na Sala de Ciências do SESC Petrolina no período de
18/05/2018 à 29/05/2018, observando-se o processo germinativo de 225 sementes de tomate
(Solanum lycopersicum). A escolha dessa espécie para realização do trabalho se deve a
característica da mesma ser uma das plantas hortícolas mais cultivadas no mundo todo. Seu fruto, o
tomate, é amplamente utilizado na culinária de diversos países. Além disso, O tomateiro se adapta a
uma ampla variedade climática, podendo ser plantado em hortas e vasos, ao ar livre ou em estufas.
Após a escolha da semente, a etapa seguinte foi definir quais substratos seriam utilizados
para avaliar as respectivas diferenças nas taxas de germinação. Com a crescente preocupação
ambiental, optou-se por utilizar substratos orgânicos formulados à base de casca de laranja
(testemunha 1), casca de banana (testemunha 2) e casca de ovo (testemunha 3), pois o

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(ALENCAR; CAMPOS; AMORIM; MAGALHÃES; SANTOS; PINHEIRO; SIMPLICIO; MAIA, 2018)

aproveitamento desses restos representa uma alternativa para problemas ambientais, além de
fornecerem nutrientes necessários para o desenvolvimento inicial do vegetal.
Dentre os nutrientes encontrados em cada casca destaca-se: a casca da laranja é rica em
nitrogênio, ajudando as plantas e as flores a crescerem naturalmente. Também contém altos teores
de cálcio, ferro, magnésio e zinco. Na casca da banana contém vitamina B6, magnésio e potássio. Já
na casca de ovo, além do carbonato de cálcio, também apresenta quantidades importantes
de magnésio e potássio.
No primeiro momento, as cascas foram colocadas para secar durante 3 dias. Em seguida,
foram trituradas no liquidificador até formarem uma farinha bem fina. Para preparação dos
substratos, utilizou-se 500 ml de água para 25g de farinha de cada casca. As soluções foram
colocadas em borrifadores, esperando-se 3 dias para que o processo de fermentação ocorresse.

Figura 1: Preparação dos substratos.


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(ALENCAR; CAMPOS; AMORIM; MAGALHÃES; SANTOS; PINHEIRO; SIMPLICIO; MAIA, 2018)

A semeadura iniciou-se no dia 22/05/2018, ela foi feita em papel toalha de folha dupla da
marca Absoluto com característica de ser resistente à umidade. Para cada tratamento (1, 2 e 3),
foram distribuídas 75 sementes enfileiradas em folhas do papel toalha dobradas em forma de leque.
Em seguida borrifou-se as soluções já fermentadas e fechou-se cada papel que foi colocado em um
saco plástico tipo “zip loc” e identificadas com pincel.

Figura 2: Organização das sementes em fileiras no papel toalha.

Resultados e Discussões
Assim como o ser humano, as plantas necessitam de nutrientes para o seu desenvolvimento.
Nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, boro, manganês, cobre e zinco representam alguns exemplos
de elementos essenciais para o seu crescimento.
Alguns são denominados macronutrientes e fazem parte de moléculas essenciais, são
necessários em grandes quantidades e tem função estrutural, são eles: nitrogênio, fósforo, potássio,
magnésio, enxofre, cálcio, carbono, hidrogênio e oxigênio, sendo esses três últimos retirados do ar e
da água. Os micronutrientes fazem parte das enzimas e tem função reguladora, sendo necessários
em quantidades menores, são eles: boro, cloro, manganês, ferro, níquel, cobre, zinco e molibdênio.

Data Nº de sementes Nº de sementes Nº de sementes


germinadas. germinadas. germinadas.
Tratamento: 01 Tratamento: 02 Tratamento: 03
R1 R2 R3 R1 R2 R3 R1 R2 R3
23/05/18 - - - - - - - - -
24/05/18 - - - - - - - - -
25/05/18 - - - - - - - - -
26/05/18 02 - - 01 - 01 14 11 09
27/05/18 18 04 03 01 01 02 23 20 24
28/05/18 25 06 10 06 02 02 24 20 25
29/05/18 25 11 17 13 06 02 25 21 25
Tabela 1 – Número de sementes germinadas no decorrer dos dias observados.

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(ALENCAR; CAMPOS; AMORIM; MAGALHÃES; SANTOS; PINHEIRO; SIMPLICIO; MAIA, 2018)

Houve efeito dos substratos na produção de mudas de tomate para todos os substratos
analisados (Tabela 1). O substrato feito à base da farinha da casca de ovo proporcionou os melhores
resultados, tendo um total de 71 sementes germinadas das 75 sementes estudadas. Os maiores
valores observados pelo Tratamento 3 (figura 3) se deu pelo fato da casca de ovo ser rica em cálcio,
magnésio e potássio, macronutrientes essenciais para o desenvolvimento da planta.
Segundo o site SuperBAC (2017) o cálcio é a substância mais absorvida pela planta em
níveis percentuais. Ele atua no crescimento das raízes, transporte de substâncias e síntese de
enzimas. Já o magnésio é o principal constituinte da clorofila, sendo essencial, portanto, para que a
fotossíntese ocorra da melhor maneira possível. O magnésio deixa, ainda, as folhas mais verdes e
vivas. O potássio é responsável por controlar a abertura e fechamento dos estômatos, permitindo o
fluxo de gases e a saída de água nas plantas. Sua disponibilidade equilibrada favorece a resistência
contra doenças e pragas, exigindo uma maior dosagem, em especial, no inverno.
Além disso, houve a quebra da dormência da semente de tomate por parte de todos os
substratos analisados. Tendo em vista que a semente demora de 7 a 9 dias para que ocorra a sua
germinação, como se é observado na Tabela 1 as sementes germinaram no quarto dia (26/05/2018).

Figura 3: número de sementes germinadas pela utilização do substrato feito com a farinha da casca do ovo.

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(ALENCAR; CAMPOS; AMORIM; MAGALHÃES; SANTOS; PINHEIRO; SIMPLICIO; MAIA, 2018)

Conclusões

O substrato preparado com a farinha da casca de ovo foi o que proporcionou os maiores
valores para o crescimento inicial do tomate. Assim, dependendo de sua disponibilidade na
propriedade, este pode ser o substrato mais viável para a preparação de mudas desta hortícula.

Referências

CAETANO, Mayra Cristina Teixeira. Substratos Orgânicos para a Produção de Mudas de


Tabebuia Heptaphylla Irrigadas com Água Potável e Residuária. 2016.
SANTOS, Marlei Rosa dos; SEDIYAMA, Maria Aparecida Nogueira; SALGADO, Luís Tarcísio;
VIDIGAL, Sanzio Mollica; REIGADO, Felipe Rodrigues. Produção de Mudas de Pimentão em
Substratos a Base de Vermicomposto. 2010.
KLEIN, Claudia. Utilização de Substratos Alternativos para Produção de Mudas. 2015.
NETO, Sebastião Elviro de Araújo; AZEVEDO, José Marlo Araújo de; GALVÃO, Robson de
Oliveira; OLIVEIRA, Elizângela Barbosa de Lima; FERREIRA, Regina Lúcia Félix. Produção de
Muda Orgânica de Pimentão com Diferentes Substratos. 2009.
TRANI, Paulo Espíndola; FELTRIN, Deise Maria; POTT, Cristiano André; SCHWINGEL, Márcio.
Avaliação de Substratos para Produção de Mudas de Alface. 2007.
ARAÚJO, Afrânio César de; ARAÚJO, Ariosto Céleo de; DANTAS, Max Kleber Laurentino;
PEREIRA, Walter Esfrain; ALOUFA, Magdi Ahmed Ibrahim. Utilização de Substratos
Orgânicos na Produção de Mudas de Mamoeiro Formosa. 2013.
BRANCO, Alice. Como Fazer Adubo de Casca de Ovo - 2 Receitas Fáceis. 2017. Disponível
em:< https://www.greenme.com.br/morar/horta-e-jardim/4331-adubo-casca-de-ovo-2-receitas>
Acessado em: 27/06/2018.
SUPERBAC. Entenda a Importância dos Macronutrientes e Micronutrientes para as Plantas. 2017.
Disponível em: < http://www.superbac.com.br/entenda-a-importancia-dos-macronutrientes-e-
micronutrientes-para-as-plantas/> Acessado em: 27/06/2018.

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A LOGÍSTICA REVERSA APLICADA ÀS EMBALAGENS DE


AGROQUÍMICOS

Gessica Aline Costa dos Santos¹, Rayane de Sousa Silva², Ianca Carneiro Ferreira³, Clécia Simone
Gonçalves Rosa Pacheco4

1,2,3
Instituto de Educação e Ciência do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. Petrolina – Pernambuco – Brasil. CEP: 56304-
060 / Telefone: (87) 2101-4300 / E-mail:1ges.alinesantos@gmail.com;2 rayanedesousa13@hotmail.com; 3ianca_cf@hotmail.com;
4
clecia.pacheco@ifsertao-pe.edu.br

RESUMO: O presente trabalho objetiva relatar as atividades desenvolvidas durante capacitações de


trabalhadores rurais a respeito da utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e a
destinação correta de embalagens vazias de agroquímicos na cidade de Petrolina (PE). Durante as
capacitações foi abordando os riscos e as possíveis consequências da não utilização desses
equipamentos durante a aplicação dos produtos, assim como, os impactos ambientais gerados pela
destinação incorreta dessas embalagens, enfatizando a importância da aplicação da logística reversa
na região. Cerca de 30 moradores e trabalhadores da Zona rural de Petrolina – PE foram alcançados
diretamente pela capacitação, sendo que os ouvintes avaliaram a metodologia adotada (linguagem e
recursos áudios visuais), compreensão e importância do conteúdo, por meio de um breve
questionário respondido. De acordo com os resultados obtidos foi possível observar a grande
importância de trabalhos educativos que visam à instrução de trabalhadores rurais quanto ao tema,
sobretudo em regiões que se destacam pelo setor agrícola no cenário nacional, como é o caso do
Vale do São Francisco.
Palavras-chave: Vale do são Francisco, Zona Rural, EPI, químicos.

Reverse logistics applied to agrochemical packaging

ABSTRACT: This paper aims to report on the activities developed during training of rural workers regarding the use of
Personal Protective Equipment (PPE) and the correct devolution of empty agrochemical containers in the city of
Petrolina (PE). During the training, the risks and possible consequences of not using these equipment during the
application of the products were discussed, as well as the environmental impacts generated by the incorrect destination
of these packages, emphasizing the importance of the application of reverse logistics in the region. Approximately 30
residents and workers from the rural area of Petrolina - PE were directly reached by the training, and the listeners
evaluated the methodology adopted (language and visual aids), comprehension and importance of the contents, through
a brief questionnaire answered. According to the results obtained, it was possible to observe the great importance of
educational work aimed at educating rural workers on the subject, especially in regions that stand out for the
agricultural sector in the national scenario, such as the São Francisco Valley.

Key-words: San Francisco Valley, Rural Area, EPI, Chemical.

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(SANTOS; SILVA; FERREIRA; PACHECO, 2018)

Introdução

A agricultura moderna formou-se durante os séculos XVIII e XIX em diversas áreas da


Europa. Num período de intensas mudanças tecnológicas, sociais e econômicas, denominado
atualmente como Revolução Agrícola, que desempenhou importante papel na dissociação do
feudalismo e implantação do capitalismo (VEIGA, 2007).
No Brasil, na década de 1930 a produção agrícola expandiu com a transferência da
acumulação do setor agrícola exportador para o setor industrial. Ao mesmo passo que a produção
agrícola para o mercado interno cresceu devido ao aumento do excedente comercializado pelos
pequenos produtores de subsistência. Ainda neste período ocorreu a chamada reorganização do
espaço produtivo, com especializações regionais em determinados tipos de produtos, e a divisão
social do trabalho na agricultura nacional (VEIGA, 2007).
O atual cenário agricultor é caracterizado pela utilização de novas técnicas e equipamentos,
elevação do numero de pesquisas agronômicas e o uso de diversos insumos, como agrotóxicos e
fertilizantes (STOPELLI; MAGALHÃES, 2005).
A produção dos agrotóxicos surgiu durante a segunda guerra mundial, com a síntese de
diversos compostos químicos de atividade antibiótica ou inseticida. As descobertas iniciais desses
compostos promoveram uma dispersão sem controle em vários lugares do mundo. Porém, a partir
da observação dos efeitos a longo prazo em insetos, que se tornavam cada vez mais resistentes, no
meio ambiente, com o acumulo gerado pela lenta biodegradação dessas substâncias e, a crescente
onda de estudos que demonstravam efeitos carcinogênicos em animais, governos de vários países
sentiram a necessidade de promover ações capazes de restringir e controlar o uso desses compostos
(STOPELLI; MAGALHÃES, 2005).
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo (CASSAL et al., 2014). A
exposição ocupacional a essas substâncias exerce forte impacto na saúde pública, uma vez que os
trabalhadores rurais estão suscetíveis a exposição aguda, com sintomas de dor de cabeça, tontura,
náusea e vômitos, e a exposição crônica envolvendo defeitos no sistema neurológico, imunológico,
distúrbios de comportamento e entre outros. Dentre as causas dessas intoxicações e até mortes
causadas pelos agrotóxicos, está o manuseio inadequado dos resíduos e embalagens, abrangendo a
inadequada ou inexistente lavagem das embalagens e o aproveitamento para armazenar alimentos e
água, além do desrespeito aos padrões de segurança estabelecidos, a exemplo a não utilização de
EPIs (CASSAL et al., 2014).
O país ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de frutas, ficando atrás
apenas da China e da Índia (SEBRAE, 2014). Sendo a região nordeste, a principal região produtora
e exportadora de frutas do Brasil, através da participação dos seus pólos irrigados. O vale do Rio
São Francisco, que engloba a cidade de Petrolina-PE, atualmente é uma das regiões agrícolas mais
dinâmicas do nordeste Brasileiro, exercendo forte papel na economia da região e do país.
Apresentando vantagens naturais para a produção de frutas de padrão internacional o ano inteiro, a
partir da irrigação (BUSTAMANTE, 2009). De acordo com CODEVASF (Companhia de
Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) a zona rural da cidade ocupa cerca de
20.361 hectares, dos quais a maior parte é ocupada por produtores familiares, os colonos, e a menor
por pequenas, médias e grandes empresas (CODEVASF, 2018).
Acredita-se que fatores socioeconômicos dos trabalhadores rurais, somados a deficiente
instrução prestada pelos vendedores no momento da aquisição, colaboram para o uso e descarte
inadequado dos produtos e embalagens vazias. Em razão disso o presente trabalho tem por objetivo
a capacitação de trabalhadores rurais quanto à utilização de Equipamento de Proteção Individual
(EPI) e a destinação correta de embalagens vazias de agroquímicos, na cidade de Petrolina-PE.
Visando informar e conscientizar os trabalhadores rurais quanto aos temas propostos e dessa forma
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(SANTOS; SILVA; FERREIRA; PACHECO, 2018)

contribuir, não só profissionalmente para os colaboradores, mas, sobretudo socialmente para a


região.

Material e Métodos

O trabalho foi desenvolvido na cidade de Petrolina-PE, localizada no submédio do Vale do


São Francisco (Figura 01), na zona rural, Projeto Senador Nilo Coelho, n-3.

Figura 1: Localização geográfica;


a) Mapa da cidade de Petrolina – PE; b) Mapa de Pernambuco com área da cidade em
destaque.

a) b)
Fonte:https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/2980/momun_ne_pe_petrolina.pdf

Para elaboração do material informativo, buscou-se desenvolver o conteúdo de forma


dinâmica e de fácil entendimento, valendo-se principalmente de imagens ilustrativas.
Foi produzido um banner para auxilio das palestras, no qual foi descrito o processo de
tríplice lavagem e devolução das embalagens vazias.
Para obter um feedback do método foi elaborado um questionário rápido, de 3 perguntas, em
escala de avaliação, quanto a metodologia adotada (linguagem e recursos áudios visuais),
compreensão e importância do conteúdo.
O contato com os produtores e trabalhadores rurais deu-se principalmente por telefone e E-
mail. A busca foi realizada inicialmente pela internet, priorizando os estabelecimentos e
propriedades localizadas na zona rural da cidade.

Resultados e Discussões
Cerca de 30 (trinta) trabalhadores e moradores da área rural foram alcançados diretamente.
Todos avaliaram as informações passadas como muito importante e compreendidas, e consideraram
a dinâmica das palestras como ótima.
A maioria confessou que mesmo ciente da necessidade da utilização de EPI‟S, já haviam
manipulado agroquímicos sem usá-los totalmente, e todos relataram conhecer trabalhadores que
foram intoxicados devido à ausência dos equipamentos de segurança (Informação Verbal). Dados
que corroboram aos encontrados por Bedor et al., (2009). Ao pesquisarem as características
sociodemográficas dos agricultores na fruticultura do submédio do Vale do São Francisco
constataram que os trabalhadores que alegavam não utilizar EPI estavam entre os trabalhadores e
produtores de pequenas e médias propriedades. O que sugere a necessidade de trabalhos voltados à
sensibilização dos mesmos no que diz respeito à importância e necessidade do uso de EPIs para a
saúde do trabalhador.
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(SANTOS; SILVA; FERREIRA; PACHECO, 2018)

Quanto ao destino das embalagens vazias de agroquímicos, a maior parte dos ouvintes
declarou ter devolvido mais de uma vez à Associação do Comércio Agropecuário do Vale do São
Francisco (ACAVASF), porém, alguns ainda relataram guardar as embalagens vazias no próprio lote
(Informação Verbal). De acordo com Bedor et al., (2009), na região 78% das embalagens vazias de
agroquímicos são entregues a (ACAVASF), 2% são devolvidas à loja onde foram compradas, 7%
são queimadas e 13% ficam retidas nas propriedades. Tal realidade demonstra a necessidade de uma
fiscalização eficaz, de politicas de incentivo a devolução e a importância de trabalhos educativos
que visem à orientação e conscientização quanto à destinação correta das embalagens vazias de
produtos químicos.

Conclusões

A prática de trabalhos no âmbito da pesquisa-ação é de grande importância, uma vez que


possibilita a mudança e aprimoramento da sociedade a partir da pesquisa. Tal pesquisa não tem um
cunho conclusivo, levando em consideração que o tema em debate é de grande relevância e chega a
ser necessário que as instituições de ensino tenham essa preocupação, com o desenvolvimento de
projetos que venham favorecer a produção do conhecimento sistematizado.

Referências
BEDOR, C.G. et al. Vulnerabilidades e situações de riscos relacionados ao uso de agrotóxicos na
fruticultura irrigada. Rev. Bras. Epidemio. São Paulo. p.39-48, 2009.
BUSTAMANTE, Paula Margarita Andrea Cares. A Fruticultura no Brasil e no Vale do São
Francisco: Vantagens e Desafios. Ren, Rio de Janeiro, v. 40, n. 01, p.159-171, mar. 2009.
CASSAL, V. B. et al. Agrotóxicos: uma revisão de suas consequências para a saúde
pública. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, v. 18, n. 1, p.437-445,
7 abr. 2014. Universidade Federal de Santa Maria. http://dx.doi.org/10.5902/2236117012498.
CODEVASF (Pernambuco). Senador Nilo coelho. 2018. Disponível em:
<http://www.codevasf.gov.br/principal/perimetros-irrigados/elenco-de-projetos/senador-nilo-
coelho>. Acesso em: 19 abr. 2018.
VEIGA, J.E. O desenvolvimento agrícola: uma visão histórica. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2007.
234 p.
STOPPELLI, I.M.B.S. MAGALHÃES, C.P. Saúde e segurança alimentar: a questão dos
agrotóxicos. Revista Ciência e Saúde Coletiva, 2005.

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LA LABOR EDUCATIVA DESDE EL PROYECTO “COSTA VIVA” EN


COMUNIDADES VULNERABLES DE LA CIUDAD DE MANZANILLO
Dr. C. Maikel José Ortiz Bosch1. MSc. Susel Noemí Alejandre Jiménez2. Dr. C. Rafael Claudio Izaguirre Remón3.
1,2,3
Universidad de Granma –Bayamo – Granma – Cuba / E-mail: 1mortizb@udg.co.cu, 2salejandrej@udg.co.cu,
3
rizaguirrer@udg.co.cu

RESUMEN

Ante los inminentes cambios de época y con ello, la aparición de problemáticas medioambientales agudizadas, se
impone la necesidad social de asumir conductas responsables ante el entorno, que propicien la subsistencia y
perdurabilidad de la especie humana. El cambio climático y sus nefastas consecuencias es un problema a atender, dadas
las urgentes circunstancias del calentamiento global y las consecuencias que trae aparejado en los diversos ecosistemas
del planeta. Como parte del accionar dinámico que emprende Cuba, se ha concebido a nivel del estado, un Plan de
Enfrentamiento al cambio climático, conocido como Tarea Vida, el cual forma parte de la Estrategia Ambiental
Nacional para enfrentar los efectos del clima. Es por ello que, desde la labor educativa en la universidad de Granma, se
ha concebido la elaboración de un proyecto llamado “Costa Viva”, el cual está integrado por estudiantes y profesores de
las carreras de Biología y Geografía, proyecto que se enmarca en el desarrollo de intervenciones comunitarias en las
comunidades costeras vulnerables de la ciudad de Manzanillo, dado que el municipio, constituye una de las zonas
claves de atención por la Tarea Vida. En el presente trabajo se ofrecen algunos argumentos de la labor educativa que se
realiza en este proyecto para contribuir a elevar la percepción de riesgos en los pobladores de estas comunidades.

PALABRAS CLAVES: cambio climático, comunidades vulnerables, adaptación, mitigación

THE EDUCATIONAL WORK FROM THE PROJECT "ALIVE COAST" IN


VULNERABLE COMMUNITIES OF MANZANILLO CITY

ABSTRACT

In the face of the imminent time changes and with it, the appearance of problematic environmental made worse, the
social necessity is imposed of assuming responsible behaviors before the environment that you/they propitiate the
subsistence of the human species. The climatic change and their disastrous consequences are a problem to assist, given
the urgent circumstances of the global heating and the consequences that he/she brings harnessed in the diverse
ecosystems of the planet. As part of working dynamic that Cuba undertakes, it has been conceived at level of the state, a
Plan of Confrontation to the climatic change, well-known as Task Life, which is part of the National Environmental
Strategy to face the effects of the climate. It is for it that, from the educational work in the university of Granma, the
elaboration of a project call has been conceived "Alive Cost", which is integrated by students and professors of the
careers of Biology and Geography, project that is framed in the development of community interventions in the
vulnerable coastal communities of the city of Tree, since the municipality, one of the key areas of attention constitutes
for the Task Life. Presently work offers some arguments of the educational work that he/she is carried out in this project
to contribute to elevate the perception of risks in the residents of these communities.

KEY WORDS: climatic change, vulnerable communities, adaptation, mitigation

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(ORTIZ BOSCH; ALEJANDRE JIMÉNEZ; IZAGUIRRE REMÓN, 2018)

Introducción
En el mundo contemporáneo se advienen numerosas problemáticas que han condicionado la
vida en el planeta, por lo cual se impone la necesidad social de asumir estrategias medioambientales
para enfrentar los actuales cambios que afectan la integridad de los ecosistemas del planeta. Una de
estas problemáticas que incide de manera notoria es el calentamiento global y por consiguiente el
cambio climático, fenómeno que trae aparejado un desequilibrio global que no solo afecta a los
países industrializados, como principales artífices de estas transformaciones atmosféricas, sino que
implica y condiciona la subsistencia de las naciones menos adelantadas repercutiendo
negativamente sobre los estados insulares y países subdesarrollados.
Cuba, como país subdesarrollado y nación insular, no está exenta de esta situación
planetaria, por lo cual ha sido protagonista en variados cónclaves para pronunciarse a favor de
políticas internacionales que tracen una adecuada estrategia para minimizar los efectos del cambio
climático.
Por ello, el país ha adoptado un Plan de Estado para el enfrentamiento al cambio climático
denominado “Tarea Vida”, y que está inspirado en el pensamiento del Comandante en Jefe Fidel
Castro Ruz, cuando expresó: “Una importante especie biológica está en riesgo de desaparecer por la
rápida y progresiva liquidación de sus condiciones naturales de vida: el hombre”.(Cumbre de Río,
1992), como uno de los principales abanderados en la promoción de la cultura ambiental en el
mundo. La Tarea Vida constituye una prioridad y una responsabilidad para con el presente del país y
las futuras generaciones, por ello el parlamento cubano aprobó este plan con el objetivo de
contrarrestar los efectos del cambio climático, sobre la base de identificar las áreas y zonas del país
donde resulta más urgente actuar, en aras de propiciar la recuperación de playas y costas, mitigar los
efectos de las frecuentes sequías, entre otros aspectos de interés medioambiental.
Este plan presenta un carácter integral y recoge los pasos ordenados de acuerdo con las
prioridades de las acciones tanto a corto plazo (año 2020), a mediano plazo(2030), a largo
plazo(2050) y a más largo plazo(2100), que incluye definir económicamente los recursos que se
necesitan, ya que la principal amenaza que enfrenta Cuba es el ascenso del nivel medio del mar, en
tanto se estima que pueda ascender 27 centímetros para el año 2050, y 87 centímetros para el 2100,
lo cual trae como consecuencia la disminución de la superficie terrestre y la salinización de los
acuíferos subterráneos.
Como la sobreelevación del nivel del mar se erige como la amenaza fundamental, por el
peligro que representa ante el paso de huracanes y eventos meteorológicos extremos, la ciudad de
Manzanillo, en la provincia de Granma, constituye un municipio donde se debe acometer un
accionar dinámico para contrarrestar estos efectos y evitar las serias inundaciones costeras, la
destrucción del patrimonio natural y construido cercano a la costa. (Figura. 1.)

Figura. 1. Mapa de la ciudad de Manzanillo, Granma.


IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(ORTIZ BOSCH; ALEJANDRE JIMÉNEZ; IZAGUIRRE REMÓN, 2018)

Por ello, la Universidad de Granma como centro de formación, lleva a cabo proyectos
extensionistas para incidir en las comunidades vulnerables y elevar la percepción de riesgo de los
pobladores que residen en las zonas costeras. El proyecto “Costa Viva” es uno de estos proyectos
que se acometen por la universidad para contribuir, desde la labor educativa a minimizar las
consecuencias del cambio climático.
El proyecto “Costa Viva” está integrado por los estudiantes que cursan la carrera
Licenciatura en Educación Geografía y Licenciatura en Educación Biología, el cual está dirigido a
elevar la percepción de riesgo de la población manzanillera que reside en las comunidades costeras
vulnerables, para enfrentar las consecuencias del cambio climático y adoptar actitudes responsables
ante el medio ambiente.

Materiales y Métodos
Para la concepción de este trabajo, se utilizaron los métodos teóricos, tales como: el análisis
y crítica de fuentes, método que permitió penetrar en la esencia del proceso investigado; así como
también los métodos empíricos: observación geográfica, la entrevista a miembros de las
comunidades y el trabajo de campo, los cuales permitieron arribar a las generalizaciones teórico-
prácticas de este trabajo.

Análisis y Discusión

El trabajo educativo del proyecto extensionista “Costa Viva” se basa en el desarrollo de


intervenciones comunitarias en los centros educativos escolarizados que se encuentran en las
comunidades vulnerables del municipio de Manzanillo, así como otras entidades de interés
educativo que radican en este radio de acción.
La labor de los miembros que conforman este proyecto está dirigida a elevar la percepción
de riesgo de los pobladores que conviven en las comunidades vulnerables de la zona costera, a
partir de un accionar educativo en los estudiantes que pertenecen a estas comunidades. Se parte
primeramente de concebir un sistema de preparación a estos estudiantes de la carrera Biología y
Geografía, a partir de la utilización de materiales didácticos audiovisuales, integrados por:
multimedias, videos informativos, conferencias, talleres, entre otros medios que contribuyen a la
visualización de la situación existente en las zonas costeras con el cambio climático y la Tarea Vida,
por lo cual se utilizan estos recursos para incentivar el proceso de aprehensión de estos temas
relacionados con el medio ambiente y el cambio climático.
La preparación del proyecto consta de tres fases:
1. Diagnóstico de la situación actual
2. Preparación-ejecución de los temas para la intervención
3. Evaluación de los resultados

1. Diagnóstico de la situación actual

La primera fase dirigida al diagnóstico de la situación existente en la zona muestreada como


objeto de estudio, por lo cual se desarrollaron diversas entrevistas a los pobladores de las
comunidades de: El Palmar, Calle Ancha, Guasimal, y El Manglar, como ejemplos de aquellos
asentamientos poblacionales que se consideran vulnerables en la zona costera.
Para el diagnóstico realizado se escogió una muestra de 50 habitantes de estas poblaciones
(Figura. 2) que arrojó los siguientes resultados:
 Existe una baja percepción de riesgo por parte de los habitantes de estas comunidades.

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(ORTIZ BOSCH; ALEJANDRE JIMÉNEZ; IZAGUIRRE REMÓN, 2018)

 Insuficiente involucración en los temas informativos que se divulgan por la radio y la


televisión relacionado con la Tarea Vida.
 Presencia de actitudes indiferentes hacia las posibles inminencias de fenómenos
meteorológicos
 Bajo nivel de conocimiento sobre el cambio climático y la proyección futura del ascenso del
nivel del mar.
 Deterioro de las condiciones higiénico-sanitarias, dado por la negligencia de algunos
pobladores para con la higienización de las áreas.
 Bajo nivel de conocimiento sobre la importancia de los manglares como barrera de
protección contra fenómenos hidrometeorológicos.
 Insipiente conocimiento sobre los planes de estrategias que toma el estado cubano para
minimizar los efectos del cambio climático.
 Limitado accionar para la adaptación al cambio climático desde la planificación de la
agricultura que se desarrolla en esta zona agraria.
 Insuficiente accionar desde los Consejos Populares para elevar la percepción de riesgo de la
población.
 Insuficiente imbricación de los habitantes en la concientización de los peligros,
vulnerabilidades y riesgos.
 Insuficiente conocimiento de las acciones y tareas de la Tarea Vida como plan de
enfrentamiento al cambio climático.

Figura. 2. Entrevista a pobladores de las comunidades vulnerables

La entrevista realizada a estos miembros de las comunidades seleccionadas, es una muestra


de que aún falta conocimiento para enfrentar la situación existente con el calentamiento global, la
incidencia del cambio climático y la necesidad de su enfrentamiento desde las estrategias locales.
Por ello, se evidencia la necesidad de recurrir a métodos educativos que, desde la
universidad, como centro de expansión cultural, contribuyan a minimizar los efectos del cambio
climático y eleven la percepción de riesgo en las comunidades vulnerables del municipio de
Manzanillo.

2. Preparación-ejecución de los temas para la intervención

Teniendo en cuenta los aspectos relevados en el diagnóstico, se procedió a la segunda etapa


donde se desarrolló la preparación de los estudiantes del proyecto para asumir la responsabilidad de
liderar las intervenciones educativas en los centros educativos de la zona costera. En este sentido,
se llevó a cabo una integral de los estudiantes de las carreras Geografía y Biología, con el objetivo
de elevar el nivel de conocimientos que presentan con respecto a los temas medioambientales
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relacionados con la mitigación y la adaptación al cambio climático. Por lo cual participaron en
varios talleres de preparación para asumir la responsabilidad de trasmitir estos nuevos saberes a los
pobladores de estas comunidades (Figura. 3)
Por su parte, el colectivo de profesores de las carreras, lideraron este proceso de preparación
de los estudiantes para enfrentar esta tarea en las inmediaciones de la zona costera como principal
polígono donde residen comunidades vulnerables.

Figura. 3. Preparación de los miembros del proyecto “Costa Viva”

En la preparación de los miembros del proyecto recibieron temas relacionados con:

 El efecto invernadero y el calentamiento global


 Vulnerabilidad de las zonas costeras
 El Plan de Enfrentamiento al cambio climático. Tarea Vida
 Los desastres naturales y la percepción de riesgos
 Mapas de riesgos y recursos de la comunidad
 Estrategias de intervención educativa
 Importancia de los ecosistemas de manglar y arrecifes coralinos
 Planes estratégicos para mitigar los efectos del cambio climático
 Adaptación de la agricultura al cambio climático

Las principales bibliografías estudiadas para la preparación de los miembros del proyecto
fueron las siguientes:

 Estrategia Ambiental Nacional Cubana 2016-2020


 Estrategia Ambiental Provincial de Granma 2016-2020
 Informe de la Agenda 2030 y los Objetivos de Desarrollo Sostenible
 Informe de la Convención Marco sobre Cambio Climático
 Metas de Aichi para la Diversidad Biológica

El desarrollo de las intervenciones educativas estuvo liderado por los estudiantes y


profesores que conforman el proyecto, donde se desarrollaron actividades de preparación cultural
con respecto a los temas relacionados con el cambio climático y la Tarea Vida. La ESBU Paquito
Rosales Benítez, fue el primer escenario donde se comenzaron a desarrollar estos temas. Los
estudiantes de 9no grado de este centro, fueron los primeros destinatarios de esta actividad; se
escogió esta institución porque parte de sus estudiantes y profesores residen en la zona de El
Manglar. (Figura. 4)

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Figura. 4. Intervención educativa sobre la Tarea Vida en la ESBU Paquito Rosales Benítez
La Escuela Primaria de la zona de El Palmar, fue otro de los centros educativos escogidos
para realizar esta preparación. En esta escuela se pudo desarrollar un tema alegórico al 21 de marzo,
Día Mundial de los Bosques, donde los estudiantes del proyecto enfatizaron en la importancia de la
barrera natural del manglar para contrarrestar los efectos del cambio climático, dado que en la zona
objeto de análisis existe este tipo de formación vegetal, la cual constituye una de las principales
reservas naturales del municipio de Manzanillo. (Figura. 5)

Figura. 5. Intervención educativa sobre el Día Mundial de los Bosques en la Escuela Primaria de El Palmar
Los estudiantes pudieron asistir además, al Vivero Santa Rosa de El Palmar, centro de
reforestación que lleva a cabo diversos proyectos de restauración de los bosques en el municipio. La
visita a esta entidad de interés medioambiental, propició el intercambio de los estudiantes con los
técnicos e ingenieros que laboran en estas tareas, con el objetivo de contribuir a elevar la cultura
ambiental de estos obreros e intercambiar con respecto a los planes de reforestación en el
municipio, así como conocer las principales especies que se conservan en este centro. (Figura. 6)

Figura. 6. Visita al Vivero Santa Rosa de El Palmar


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En esta intervención educativa, se desarrolló una excursión geográfica hacia las inmediaciones de la
zona de manglar, donde los estudiantes pudieron constatar el estado actual de los manglares de
Manzanillo, comprobando que durante la última década esta zona ha sido talada
indiscriminadamente, pese a los planes estratégicos que lleva a cabo el gobierno por revertir la
ruptura ecológica que ha sido propiciada por la intensa actividad antrópica.
En este sentido, los habitantes de la zona expusieron que el manglar tiene gran importancia para
minimizar los efectos de las mareas y el manejo de plagas.
Por su parte los estudiantes comprobaron el estado actual de la cuña de instrucción salida que viene
acompañada de la pérdida de la fertilidad de los suelos, su degradación, así como el cambio en la
línea costera y las transformaciones en la agricultura (Figura. 7)

Figura. 7. Excursión geográfica en la zona de manglar.

3. Evaluación de los resultados

Con el objetivo de evaluar los resultados alcanzados con las intervenciones educativas del
proyecto “Costa Viva”, se desarrollaron talleres de socialización con los estudiantes y profesores del
proyecto, así como miembros de los agentes y agencias socializadoras de las comunidades
vulnerables de la ciudad de Manzanillo, por lo cual se arribó a las siguientes consideraciones
finales:
 Se evidencia un adecuado intercambio y comunicación entre los miembros del proyecto y
las entidades educativas que fueron objeto de intervención.
 En las entidades educativas se presenció un clima de responsabilidad ante las tareas
realizadas por los integrantes del proyecto, mostrando interés y motivación por el
aprendizaje de estos temas.
 Se logró elevar la percepción de riesgo en los estudiantes y pobladores que asistieron a las
intervenciones educativas.
 Se elevó el nivel de conocimientos relacionados con la Tarea Vida y su implementación en
municipio de Manzanillo.
 Se logró elevar la preparación cultural de los docentes de las escuelas objetos de estudio.
 Se articularon acciones mancomunadas entre el Ministerio de Ciencia, Tecnología y Medio
Ambiente en Manzanillo y la Universidad de Granma.
 Se evidencia una adecuada interrelación entre la Universidad de Granma y las agencias
empleadoras del municipio.
 Se establecieron convenios de trabajo extensionista dirigidos a continuar perfeccionado la
labor educativa en las comunidades costeras.

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Conclusiones

 El proyecto “Costa Viva”, constituye una estrategia educativa de las carreras Biología y
Geografía de la Universidad de Granma que labora esencialmente en elevar la percepción de
riesgo de los pobladores que radican en las comunidades costeras del municipio de
Manzanillo.
 Desde el accionar educativo del proyecto “Costa Viva” se contribuye a la elevación de la
cultura ambiental de los habitantes en las zonas vulnerables del municipio de Manzanillo, a
partir del desarrollo de intervenciones educativas desde las escuelas que se encuentra en
polígono de esta zona.

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EFEITO DO EXTRATO AQUOSO DAS SEMENTES DE ARATICUM (Annona


montana) NO CONTROLE DE PULGÃO (Brevicoryne brassicae)
Marcos Xavier de Sousa1
1
IF Sertão Pernambucano, Campus Petrolina Zona Rural - Petrolina– Pernambuco – Brasil. CEP: 56318835 / Telefone: (87) 98173-
1312 / E-mail: e-mail_agro.mxs@gmail.com;

RESUMO - A utilização de extratos vegetais tem mostrado crescente destaque como opção ao controle de pragas,
usados tanto para substituir, como em conjunto ao uso de inseticidas químicos que, criam grande polêmica quanto aos
problemas causados ao meio ambiente e à saúde do ser humano. O presente trabalho objetivou analisar a ação
bioinseticida do extrato vegetal de sementes de Araticum (Annona montana) no controle do pulgão (Brevicoryne
brassicae) na cultura da couve, em diferentes concentrações. Para o experimento foram 5 tratamentos nas concentrações
de 0%, 10%, 25%, 75% e 100%. E 5 repetições. As Folhas contendo os pulgões foram coletadas no campo colocadas
em placas de petri fechados com tampa de modo a permitir entrada de oxigênio. Para o preparo dos extratos aquosos
foram utilizadas sementes secas e trituradas do araticum 100 g para 1L de água e feita extração por 72 horas. As folhas
de couve foram pulverizadas com os extratos, cada folha contendo 10 pulgões e avaliou-se a mortalidade após 48 horas.
Foram observadas diferenças significativas entre as concentrações.

Palavras- chave: Bioinseticida, praga, controle.

EFFECT OF AQUEOUS EXTRACT FROM ARATICUM SEEDS (Annona


montana) IN THE CONTROL OF APHIDS (Brevicoryne brassicae)
ABSTRACT - The use of vegetal extracts has been increasing emphasis as an option to pest control, used both to
replace, as well as to the use of chemical insecticides, which create great controversy regarding the problems caused to
the environment and human health. The present work aimed to analyze the bioinseticidal action of the Araticum
(Annona montana) seed extract in the control of the aphid (Brevicoryne brassicae) in the cabbage crop, in different
concentrations. For the experiment were 5 treatments in the concentrations of 0%, 10%, 25%, 75% and 100%. And 5
repetitions. The leaves containing the aphids were collected in the field and placed in closed petri dishes with a lid to
allow oxygen to enter. For the preparation of the aqueous extracts were used dry and crushed seeds of araticum 100 g to
1L of water and extracted for 72 hours. The cabbage leaves were sprayed with the extracts, each leaf containing 10
aphids and the mortality was evaluated after 48 hours. Significant differences were observed between concentrations.

Key words: Bioinsecticide, pest, control.

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(SOUSA, 2018)

Introdução
O araticum (Annona montana) é uma frutífera pertencente a família das anonáceas com
fruto tipo baga, sua casca tem coloração verde, a cor da polpa varia do branco ao amarelo e é
bastante valorizada pelo seu aroma m arcante, porem desagrada no seu sabor, pois contem pequenos
teores de açúcar na sua polpa. (Sano & Almeida 1998).
O araticunzeiro é uma arvore nativa da América do Sul, pertence à família das anonáceas,
amplamente distribuída na região sul e sudeste do Brasil, frequentemente encontrada em quintais e
capoeiras. (Cavalcante, 1976).
Esta distribuída pela América central, América do norte e América do sul, e esta presente nas
regiões Norte, Nordeste, Centro-oeste sudeste do Brasil. Ocorrendo eventualmente no cerrado.
(PEREIRA, 2017)
Diversos trabalhos realizados com a família das annonaceae desde os anos 90 mostram que
espécies pertencentes a ela apresentam potencial para controle de pragas. Os trabalhos mostraram
eficiência no controle de algumas espécies de insetos, nematicida e bactericida, sendo as sementes
uma fonte promissora na elaboração de extrato vegetal, descartada no processamento das frutas.
(HERNÁNDEZ & ANGEL, 1997).
Tendo em vista os diversos problemas relacionados à utilização incorreta dos inseticidas,
estão sendo realizados estudos buscando novas alternativas e estratégias para o controle de pragas;
no qual, a utilização de extratos de plantas tem apresentado resultados satisfatórios na elaboração de
composições com efeito inseticida (COSTA et al., 2004), sobretudo devido conterem reduzida
toxidade e baixa permanência no ambiente, podendo ser utilizado em conjunto com outras técnicas
de controle (CAVALCANTE et al., 2006).
Os pulgões também conhecidos como afídeos são pragas de grade importância agrícola, por
causarem prejuízos econômicos. Esse afídeo infestam as brassicáceas (crucíferas), que e uma das
hortaliças consumida na alimentação muito importante na nutrição humana, pois contem vitaminas
e minerais (FRANCO, 1960).
Quando adultos os pulgões tem formas ápteras, seu comprimento varia de 1,6 a 2,6 mm,
possuem corpo verde acinzentado. Os afídeos causam grandes problemas no cultivo de hortaliças,
devido a sua rápida reprodução, tem acelerado desenvolvimento de gerações, com isso conseguem
desenvolver resistência a muitos produtos químicos usados contra essa praga (BUENO, 2005).
Tais afídeos são sugadores que acarretam graves problemas as plantas, podendo leva-las a
morte. A distorção das plantas, por causa da sua ação parasitária reflete de forma significativa na
queda da atratividade das colheitas na comercialização, uma vez que se nutrem da seiva do vegetal
hospedeiro e causam injurias como encarquilhamento das folhas e o murchamento (GODFREY;
ROSENHEIM; GOODELL, 2000).
O problema de injurias causado por pragas em hortaliças, resultando na perca de dez a trinta
por cento (PICANÇO; GUSMÃO; GALVAN, 2000) e a propagação de viroses através de pulgões
tem incentivado a procura de alternativas para a proteção destas culturas. Deste modo, o presente
estudo teve como proposta avaliar o extrato aquoso de sementes de Araticum(Annona Montana) em
diferentes concentrações, com indicação de efeito bioinseticida ou repelente, no controle dos
pulgões (B. brassicae) em plantas de couve.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Laboratório do Centro Vocacional Tecnológico em


Agroecologia, IF Sertão Pernambucano Campus Petrolina Zona Rural, município de Petrolina
(latitude 09°23'55” e 40°30'55”). Os pulgões (B. brassicae) utilizados nos biotestes foram coletados
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(SOUSA, 2018)

de infestações naturais em plantas de couve-manteiga Brassica oleracea, cultivadas a campo numa


área de hortaliças em cultivo convencional, no campus. Selecionaram-se indivíduos com tamanho
aproximado de 2 mm, correspondente à fase adulta, indicada como a adequada para a realização
destes testes (KUBO, 1993).
Para o experimento foi selecionado sementes de araticum (Annona Montana). Estas sementes
foram utilizadas no preparo dos extratos e submetidas à extração a frio– Os órgãos vegetais foram
pesados 100 g, onde foram triturados. A obtenção dos extratos aquosos foi dada pela adição dos 100
g do material triturado a 1L de água deionizada, as misturas mantidas em frascos por 24 h para
extração dos compostos hidrossolúveis. Após esse período, a mistura foi filtrada e a partir das quais
obteu-se diluições nas concentrações de 0%, 10%, 25%, 75% e 100% correspondem aos
tratamentos T0, T1, T2, T3 e T4 (SOUSA, SANTOS e MIRANDA, 2017).
Para a montagem do experimento foram selecionadas folhas de couve que antes de sua
utilização, foram lavadas em água corrente e secas com papel absorvente. Foi utilizado um tamanho
padrão da folha de couve, sendo estas cortadas em forma de quadrado com medidas de 3x3 cm cada
folha. Os quadrados foram dispostos em placas de petri cobertas com tecido Voal e tampa para
entrada de oxigênio. Com auxílio de um pincel de ponta fina serão inoculados 10 pulgões adultos
por placa sobre as partes foliares e, em seguida, foram pulverizados os extratos nas diferentes
concentrações com um pulverizador manual (cerca de 2mg de calda. cm-2) (RANDO, et al.,2011)
No tratamento controle T0, a testemunha foi utilizada água destilada. As placas contendo os
insetos ficaram fechadas, mas de modo a permitir a aeração, e mantidas a temperatura ambiente. O
delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, em parcelas subdivididas no
tempo, com os produtos nas parcelas, sendo utilizados 5 tratamentos com cinco repetições, e cada
parcela constituída por 10 pulgões para cada placa. As avaliações foram realizadas com 24 e 48
horas após a pulverização. Com auxílio de lupa com 75 mm de diâmetro e aumento 4x foi registrada
a mortalidade dos pulgões. Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias
comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Na análise estatística dos dados
foi utilizado o programa SISVAR® (FERREIRA, 2008).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O extrato sementes de Araticum (Annona Montana) no controle de pulgão, preparado nas


concentrações de 10%, 25%, 75% e 100% apresentaram diferença estatística, quando comparadas ao
teste Tukey a 5% de probabilidade, diferenciando-se da testemunha onde não houve mortes dos
pulgões.
Tabela 1. Mortalidade média de adultos de Brevicoryne brassicae submetidos à aplicação de extrato vegetal
aquoso de sementes de araticum após 48 horas, nas concentrações de 0%, 10%, 25%, 75% e 100%.
Concentração (%) Mortalidade
0 0.000000 a1
10 2.000000 a1
25 4.800000 a2
75 7.400000 a 3
100 7.600000 a3

CV% 25.28
*Médias seguidas por mesmo numero na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade; CV%=
coeficiente de variação.

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Pode-se perceber que nas diferentes concentrações, com exceção da testemunha, estas
influenciaram num aumento significativo do percentual de mortalidade, onde as concentrações
atingiram medias crescentes de mortalidade, ao serem analisadas após 48 horas.

Gráfico 1. Sobrevivência média de adultos de Brevicoryne brassicae submetidos à aplicação de extrato vegetal aquoso
de sementes de araticum após 48 horas, nas concentrações de T0=0%, T1=10%, T2=25%, T3=75% e T4=100%.

Sobrevivencia após 48 h
12
10 Sobrevivenci
8 a após 48 h

6
4 Linear
(Sobreviven
2 cia após 48
0 h)
T0 T1 T2 T3 T4

Em um caso isolado apresentou nove mortes de pulgões, mas em média, prova- se que o
número fica de 7,4 a 7,6 pulgões mortos, em até 48 horas nas maiores concentrações. Com isso
apresentou uma taxa de mortalidade crescente conforme foi aumentando a dose do extrato testado,
apresentando em media 76% de mortalidade na maior dose, sessa forma pode auxiliar no manejo de
pragas, sendo aliadas as técnicas agroecológicas, e Deste modo diminuindo o a utilização de
inseticidas químicos que causam efeitos impactantes sobre insetos de interesse, como adultos de A.
mellifera, que tem uma diminuição populacional considerável de tais insetos polinizadores
(THOMAZONI ET AL. 2009). Testes em campo podem auxiliar na elucidação da eficácia do
araticum no controle de pulgão.

CONCLUSÃO
O extrato de sementes de Araticum (Annona Montana) demonstrou ação significativa no
controle dos pulgões (B. Brassicae) apresentando uma porcentagem de mortalidade media de 76 %
na concentração de 100% diferindo significativamente entre concentrações testadas de 10% e 25%
que apresentaram uma menor mortalidade. São necessários novos testes com proporções diferentes
para determinar a concentração mais eficiente.

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POTENCIALIDADES DO REUSO DE ÁGUA NA AGRICULTURA


IRRIGADA: UMA FERRAMENTA DA ENGENHARIA AMBIENTAL
Kellison Lima Cavalcante1
1
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, s/n - Jardim São Paulo - Petrolina – Pernambuco – Brasil.
CEP:56.314-520 / Telefone: (87) 2101.4300 / E-mail:4kellison.cavalcante@ifsertao-pe.edu.br

RESUMO: O reuso de água na agricultura irrigada consiste na utilização de efluentes tratados com capacidade de
suprir as necessidades hídricas e nutricionais do setor agrícola, minimizando os impactos ambientais decorrentes do
aumento da demanda hídrica, da utilização de fertilização química e do despejo de efluentes nos mananciais de água
potável. Assim, esse trabalho tem como objetivo analisar as potencialidades do reuso de água no desenvolvimento da
agricultura irrigada, identificando instrumentos para minimização dos impactos ao meio ambiente. Consistiu em uma
pesquisa básica com abordagem qualitativa do tipo descritiva através do levantamento bibliográfico, baseando-se nas
ideias de pesquisadores como: Batista et al. (2017); Cary et al. (2015); Deon et al. (2010); Oliveira et al. (2013);
Oliveira et al. (2017) e Santos et al. (2016). Considerando os problemas de disponibilidade hídrica, o reuso de água na
agricultura irrigada, insere-se nos debates a respeito do uso racional e eficiente dos recursos hídricos. Os efluentes
tratados quando aplicados na agricultura irrigada podem substituir a água de irrigação e parcialmente a fertilização
química por meio dos nutrientes presentes. O reuso de água torna-se uma alternativa potencial de racionalização dos
recursos hídricos, como técnica viável para o suprimento de água e fonte de nutrientes, promovendo o desenvolvimento
sustentável do setor agrícola e minimizando os riscos de impactos ambientais.

Palavras-chave: Agricultura irrigada. Recursos hídricos. Desenvolvimento sustentável.

POTENTIALITIES OF WATER REUSE IN IRRIGATED AGRICULTURE: AN


ENVIRONMENTAL ENGINEERING TOOL
ABSTRACT: Water reuse in irrigated agriculture consists of the use of treated effluents with the capacity to meet the
water and nutritional needs of the agricultural sector, minimizing the environmental impacts resulting from the increase
in water demand, the use of chemical fertilization and effluent disposal in water sources. Thus, this work aims to
analyze the potential of water reuse in the development of irrigated agriculture, identifying instruments to minimize
impacts to the environment. It consisted of a basic research with qualitative approach of the descriptive type through the
bibliographical survey, being based on the ideas of researchers like: Batista et al. (2017); Cary et al. (2015); Deon et al.
(2010); Oliveira et al. (2013); Oliveira et al. (2017) and Santos et al. (2016). Considering the problems of water
availability, the reuse of water in irrigated agriculture is part of the debates about the rational and efficient use of water
resources. The effluents treated when applied in irrigated agriculture can replace irrigation water and partially the
chemical fertilization through the nutrients present. The reuse of water becomes a potential alternative for the
rationalization of water resources, as a viable technique for water supply and source of nutrients, promoting the
sustainable development of the agricultural sector and minimizing the risks of environmental impacts.

Key words: Irrigated agriculture. Water resources. Sustainable development.

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Introdução
A água é um recurso natural finito e essencial à vida que, segundo Mainier, Correia Neto e
Monteiro (2011) tornar-se-á, ao longo do século XXI, tão importante e disputado do ponto de vista
econômico, social, ambiental e político, quanto foi o carvão e o petróleo para a economia mundial
ao longo dos últimos 150 anos. Dessa forma, considerando os problemas de disponibilidade hídrica,
o reuso de água, insere-se nos debates a respeito do uso racional e eficiente dos recursos hídricos
em busca de alternativas tecnológicas e implementação de programas de reaproveitamento da água
a partir do tratamento de esgotos, auxiliados pelos conhecimentos da Engenharia Ambiental.
Sob o reflexo da evolução da humanidade, a água representa elemento significativo de
valores sociais e culturais, determinante no desenvolvimento das atividades agrícolas. De acordo
com dados da Agência Nacional de Águas (2012), em 2010 foram derivados 2.373 m3/s de água dos
mananciais e que 54% da parcela dos recursos hídricos captados atenderam à irrigação. A
agricultura irrigada caracteriza-se como grande consumidora da água destinada a atender aos
diversos usos consuntivos e expansão de áreas agrícolas e solos produtivos, gerando graves
impactos ao meio ambiente.
A disponibilidade de água e o seu alto consumo na atividade de irrigação consistem em fator
limitante do desempenho produtivo. Conforme Mantovani, Bernardo e Palaretti (2009), é preciso
saber o significado da água e sua importância no futuro da agricultura irrigada, destacando a
produtividade e a rentabilidade, com eficiência no uso da água e dos insumos e com respeito ao
meio ambiente.
O desenvolvimento e a expansão da agricultura irrigada nos últimos anos são resultados do
crescimento do consumo de água, provocando impactos ambientais nas fontes de recursos hídricos.
O equilíbrio ocorre quando se implementam estratégias de uso racional da água na agricultura
irrigada, que permitam a sustentabilidade (MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2009).
Com isso, o reuso planejado da água resulta em uma menor necessidade de captação dos recursos
hídricos primários bem como na redução da poluição e contaminação dos mananciais, constituindo-
se, portanto, em uma estratégia eficaz para a conservação desse recurso natural, em seus aspectos
qualitativos e quantitativos. Assim, foi construída a seguinte questão norteadora:
 Qual a contribuição do reuso de água no desenvolvimento da agricultura irrigada e
preservação dos recursos hídricos?
Nessa perspectiva, esse trabalho tem como objetivo analisar as potencialidades do reuso de
água no desenvolvimento da agricultura irrigada, identificando instrumentos para minimização dos
impactos ao meio ambiente. Assim, consistiu em uma pesquisa básica com uma abordagem
qualitativa do tipo descritiva, realizando uma análise e discussão teórica através da pesquisa
bibliográfica como procedimento técnico. A pesquisa foi realizada baseada nas ideias e concepções
de pesquisadores como: Batista et al. (2017); Cary et al. (2015); Deon et al. (2010); Oliveira et al.
(2013); Oliveira et al. (2017) e Santos et al. (2016).

Desenvolvimento
A disponibilidade de água e o seu alto consumo na atividade de irrigação consistem em fator
limitante no desempenho produtivo das culturas. Conforme Oliveira et al. (2017) a dificuldade de se
identificar fontes alternativas de águas para irrigação, o custo elevado de fertilizantes e as garantias
de serem mínimos os riscos de contaminação à saúde pública e ao meio ambiente caso as
precauções adequadas sejam efetivamente tomadas, levaram a importância e necessidade do
desenvolvimento de atividades de reuso de água no setor agrícola.
De acordo com Feigin, Ravina e Shalhevet (1991), o reuso de águas na agricultura irrigada é
uma prática antiga e bastante utilizada em todo o mundo, com relatos de uso de efluentes para

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irrigação em fazendas datados de 1531 em Bunzlau (Alemanha) e 1650 em Edimburgo (Escócia). A


prática tem avançado com o conhecimento dos benefícios ambientais e as vantagens agronômicas.
Assim, conforme Cary et al. (2015) com o problema da escassez e a contaminação dos recursos
hídricos, o reuso de água tem avançado como técnica viável na agricultura irrigada.
Dantas e Sales (2009) destacam que o reuso de água consiste no aproveitamento de água
previamente utilizada, uma ou mais vezes, para suprir as necessidades de outros usos, incluindo o
original. Assim, o uso de efluentes pressupõe o uso de uma água de menor qualidade que a água
potável, resultado de processos de tratamento que satisfaçam as demandas de água menos
restritivas. Portanto, Batista et al. (2017), destacam que fundamentalmente em regiões que sofrem
com o estresse hídrico, pode-se liberar água de melhor qualidade para usos mais nobres e evitar o
desperdício de água com o reuso da água. Além da redução do desperdício, Telles e Costa (2010)
destaca que o reuso tem a capacidade potencial de reduzir a emissão de poluentes aos corpos
hídricos quando a água de reuso é incorporada ao produto, prevenindo impactos ambientais.
O reuso de água na agricultura com a aplicação de esgotos tratados tem o objetivo de
garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade das culturas irrigadas, bem como o controle da
poluição e proteção dos mananciais de água potável. Essa atividade é possível, adotando-se técnicas
e práticas que avaliem possíveis impactos negativos ao sistema agrícola, bem como problemas
ambientais e riscos à saúde pública, e suas medidas mitigadoras.
Nesse contexto, as formas que consistam em minimizar as cargas poluidoras dos recursos
hídricos, como o reuso de água, promoverá o desenvolvimento de modelos sustentáveis como
prioriza a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (2012),
preconizados na Agenda 21, que destacam a proteção da qualidade das fontes de água de
abastecimento, mencionando a importância do reuso e recomendando a implementação de práticas
de gestão dirigidas para o uso e reciclagem de efluentes.
O uso e aproveitamento dos efluentes de estação de tratamento de esgoto na irrigação é um
método estudado com diversas culturas, como cana-de-açúcar (FREITAS et al., 2013), girassol
(ANDRADE et al., 2012), pimentão (DUARTE et al., 2008), flores ornamentais (SANTOS et al.,
2012), milho (COSTA et al., 2012) e mamona (SIMÕES et al., 2013). Consiste em uma prática que
garante a produtividade das culturas, em razão do fornecimento de água e nutrientes (TELLES;
COSTA, 2010), permitindo reduzir a fertilização nitrogenada (DEON et al., 2010), bem como
melhor destinação dos resíduos líquidos e minimização de problemas ambientais (MELO, 2010).
Como instrumento efetivo na gestão dos recursos hídricos, Nobre et al. (2010) destacam que
o uso de água residuária na produção agrícola visa promover a sustentabilidade da agricultura
irrigada, economizando águas superficiais não poluídas, mantendo a qualidade ambiental e servindo
como fonte nutritiva às plantas.

O manejo criterioso da água residuária na fertirrigação permite fornecer nutrientes e suprir


parcialmente as necessidades hídricas das plantas, o que reduz os problemas ambientais,
devido ao menor lançamento de poluentes em cursos hídricos, e a demanda por outras
fontes de água de melhor qualidade (SANTOS et al., 2016).

Os nutrientes dos efluentes tratados colaboram para o desenvolvimento das produções


agrícolas. Assim, verifica-se que com a utilização de corpos d‟água, contendo esgoto sanitário,
poderá não haver falta de nutrientes, possibilitando boa produtividade agrícola, sem gastos com
fertilizantes (TELLES; COSTA, 2010).
Dessa forma, Oliveira et al. (2013) destacam que o aproveitamento agrícola controlado dos
esgotos domésticos tratados proporciona aumento da produtividade e da qualidade do produto
agrícola. Assim, o reuso de água favorece o desenvolvimento agrícola e minimiza riscos de
impactos ambientais.
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O esgoto doméstico após tratamento adequado, normalmente, apresenta baixa concentração


da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e teores apreciáveis de macros e
micronutrientes necessários ao desenvolvimento dos cultivos agrícolas e que se forem
lançados em corpos hídricos potencializam o problema da eutrofização (BATISTA et al.,
2017).

O reuso de água destinado a atividade agrícola ajuda a resolver um grande problema das
metrópoles, a destinação dos esgotos domésticos, cujo volume cresce consideravelmente
(DANTAS; SALES, 2009). Conforme Cary et al. (2015), o efluente tratado poderá ser transformado
em recurso econômico ambientalmente seguro, desde que seja observada política criteriosa de
reutilização de efluentes na agricultura. Dessa forma, pode-se reduzir a necessidade de uso de
fertilização química, aumentando a qualidade e a produtividade das culturas irrigadas.
Sistemas de reuso de água na agricultura, adequadamente planejados e administrados,
proporcionam melhorias ambientais e sanitárias, bem como econômicas. De acordo com Telles e
Costa (2010), destacam-se como vantagens a preservação dos recursos subterrâneos, a conservação
do solo e o aumento da produção agrícola e de acordo com Dantas e Sales (2009), constitui método
que minimiza a produção de efluentes e o consumo de água de qualidade superior devido à
substituição da água potável por água que já foi previamente usada.
Pode-se dizer que do ponto de vista agronômico e ambiental, estabelecendo-se um manejo
adequado, os esgotos tratados constituem uma água residuária que pode substituir eficientemente a
água de irrigação (SANTOS et al., 2016). De acordo com Batista et al. (2017), a aplicação de águas
residuais constitui alternativa para disposição dos efluentes tratados ou não, que pode ser
ambientalmente correta e economicamente viável. Assim, pode-se acrescentar o uso sustentável dos
recursos hídricos, estimulando o uso racional da água e principalmente o controle da poluição e dos
impactos ambientais.

Conclusão
Diante do crescente processo de escassez hídrica e o crescimento da atividade agrícola
irrigada, o reuso de água pode ser considerado como uma ferramenta necessária e fundamental para
a redução da poluição hídrica e aumento da disponibilidade de água e nutrientes no setor. O reuso
de água tem a capacidade de suprir as necessidades hídricas e nutricionais na agricultura irrigada,
minimizando os impactos ambientais decorrentes do aumento da demanda hídrica, da utilização de
fertilização química e do despejo de efluentes nos mananciais de água potável.
Assim, pode-se afirmar que os esgotos tratados quando aplicados na agricultura irrigada
podem substituir a água de irrigação e parcialmente a fertilização química por meio dos nutrientes
presentes. O reuso de água torna-se uma alternativa potencial de racionalização dos recursos
hídricos, como técnica viável para o suprimento de água e fonte de nutrientes, inserindo-se no
contexto do desenvolvimento sustentável, propondo o uso deste recurso de maneira equilibrada e
sem prejuízos para as futuras gerações.
Nesse sentido, o reuso de água na agricultura irrigada tem como potencialidades o controle
de perdas e desperdícios de água que pode ser destinada para o consumo humano, a minimização da
produção de efluentes descarregados nos mananciais e a poluição hídrica, bem como a redução do
consumo de água e a reciclagem de nutrientes presentes nos efluentes.

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(RE)EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO MÉDIO NA DISCIPLINA DE


QUÍMICA: LIXO RECICLÁVEL COM GARRAFÕES DE ÁGUA

Izabel Pesqueira Ribeiro de Araujo1, Clecia Simone G. Rosa Pacheco²

1,2,
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. BR 407, Km 08, Jardim São Paulo - Petrolina – Pernambuco –
Brasil. CEP: 56314-520 / Telefone: (87) 2101 - 4300/ E-mail: 1 _izabelraujo@hotmail.com.br; 2 E-mail: clecia.pacheco@ifsertao-
pe.edu.br.

RESUMO: No Brasil há um grande número de descartes de materiais plásticos no meio ambiente, lixões a céu aberto,
forma inadequadas de descartes e até queimadas, resultando sempre em um grande prejuízo ao nosso ecossistema.
Então a partir desse pensamento, é necessário haver uma (re)educação ambiental, porém, é necessário que esse hábito
ou essa educação, seja oriunda da escola, já que em muitas não há a cultura desse tipo de educação. O presente artigo
tem como principal objetivo a (re)educação ambiental de jovens do ensino médio, trabalhando com o reaproveitamento
de garrafões de água mineral vazios, sendo este projeto de reutilização, uma forma prática e contextualizada de reeducar
esses jovens e instigá-los a ter bons hábitos para com o ambiente em que se vive. O trabalho aconteceu com os alunos
do Ensino Médio do Colégio Pimentinha, na cidade de Casa Nova – BA, e foi perceptível que pode se ter uma nova
maneira de educar as gerações vindouras, e isso só é possível se as escolas colocarem a disciplina de Educação
Ambiental na grade curricular, fazendo com que os alunos possam ter visão de meios para colaborar na salvação do
geossistema em que se vive.

Palavras-chave: Lixo; meio ambiente; (re)educação.

(RE) ENVIRONMENTAL EDUCATION IN MIDDLE SCHOOL IN CHEMISTRY


DISCIPLINE: RECYCLABLE WASTE WITH WATER BOTTLES

ABSTRACT: In Brazil there are a large number of discards of plastic materials in the environment,
open dumps, inadequate form of discards and even burned, always resulting in a great damage to
our ecosystem. So from that thought, it is necessary to have an environmental (re) education, but it
is necessary that this habit or this education, comes from the school, since in many there is the
culture of this type of education. This Article has as main objective the (re) environmental education
of high school youths, working with the reutilization of empty bottles of mineral water, and this
project of reuse, a practical and contextualized way of reeducating these young people and instigate
them to have good habits for the environment in which they live. The work happened with the
students of Escola Politécnica, in the city of Casa Nova - BA, and it was noticeable that there could
be a new way to educate future generations, and this is only possible if schools put the discipline of
Education In the curriculum, so that students can have a vision of ways to collaborate in the
salvation of the geosystem in which one lives.

Keywords: Garbage; environment; (re) education.

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(ARAÚJO; PACHECO, 2018)

Introdução

Os brasileiros estão cada vez mais acostumados a beber água mineral no seu dia a dia.
Mesmo com a oferta de purificadores e filtros modernos, a busca por garrafões e garrafas de água
mineral continua crescendo no país. Em muitas residências, comércios e hospitais o bebedouro com
o garrafão está presente, pois o consumidor se sente mais seguro com este produto. Porém foge do
pensamento humano que esses garrafões podem sem muito prejudiciais ao meio ambiente,
exatamente, pelo tempo que levam para se degradarem quando dispostos no meio natural. É
assustador saber que um objeto plástico pode demorar mais de 500 (quinhentos) anos para se
degradar. O plástico vem das resinas derivadas do petróleo e pertence ao grupo dos polímeros
(moléculas muito grandes, com características especiais e variadas). A palavra plástico tem origem
grega e significa aquilo que pode ser moldado. Além disso, um importante característica do plástico
é manter a sua forma após a moldagem (SITE RECICLOTECA, 2017).
A fabricação de garrafas PET (politereftalato de etilenoconsome) pelo menos 1,5 (um e
meio) milhão de toneladas de plástico, entre os anos de 2007 e 2010 foi vendido mais de 9,0 (nove)
bilhões de litros de água mineral em garrafas PET. O brasileiro tem em sua concepção que beber
água mineral é menos prejudicial à saúde, por considerarem que suas propriedades ou composições
químicas possam auxiliar no bom funcionamento da saúde. Porém, esquecem que quanto mais
garrafas são produzidas, mais prejudicial ao meio ambiente. O hábito do filtro de barro aos poucos
está se tornando algo do passado. Hoje, cerca de quatro entre dez consumidores já preferem utilizar
a água mineral, número que só cresceu nos últimos anos e que tende a crescer ainda mais nos
próximos, segundo os dados publicados anualmente (REVISTA MERCADO DE ÁGUAS, 2012).
Os impactos ambientais quando esses produtos não são tratados com as devidas precauções
e cuidados, podem sem catastróficos. Eles podem causar entupimentos de valas e bueiros podem
causar enchentes e desabrigar pessoas, principalmente as moradoras de periferias. Outros prejuízos
também são causados aos animais, sendo que pesquisas já demonstraram que o plástico, no
ambiente marinho, sofre ações do meio (sol, altas temperaturas, diferentes níveis de oxigênio,
energia das ondas e presença de fatores abrasivos, como areia, cascalho ou rocha), fragmenta-se e
passa a ter aparência de alimento para muitos dos animais marinhos, causando a morte deles e
interferindo no ciclo reprodutivo de muitas espécies (ALBERTO CERRI, 2017).
É necessário que haja uma reeducação ambiental em relação aos produtos derivados do
plástico, principalmente os garrafões de 20 litros, sendo que são um dos principais vilões do
ecossistema, na qual todos tem uma data de validade e após o vencimento, muitas empresas tem o
costume de não cuidarem do seu reaproveitamento, deixando a mercê de chuvas, causando a
proliferação de mosquitos como o Aedes Aegypti, ou até mesmo queimam, liberando mais gases
poluente para a atmosfera causando danos maiores ao meio ambiente.

Material e Métodos

No primeiro momento houve uma conversa com os alunos sobre a forma que descartamos
nossos resíduos cotidianos, e logo após os alunos ficaram curiosos em saber como se descartavam
as garrafas de plástico, principalmente os garrafões. Então em conversa com alguns revendedores
do produto, foi perceptível reconhecer que não há um descarte adequado para o produto, sendo que
quando os garrafões estão vencidos eles queimam ou acumulam em algum depósito ou no quintal
de suas residências, causando acúmulo de água e transmissão de doenças.
Após toda a investigação inicial, os alunos tiveram a ideia de resolver dois problemas de
uma única maneira: pegar os garrafões e reutilizá-los para fazer lixos recicláveis para a escola,
sendo que a mesma não tinha muitos lixeiros e os itens nele não era separado. Ao conversarmos
com uma distribuidora, ela nos concedeu 6 (seis) garrafões que estavam jogados no depósito sem
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(ARAÚJO; PACHECO, 2018)

nenhum uso. Depois de conseguir os garrafões, foi necessário, outros materiais para o sustento dos
resíduos, e os alunos conseguirem alguns pedaços de canos de PVC (policloreto de vinilo), e outros
canos de papelão.
Foi utilizado na confecção, seis garrafões de 20L, dois canos de PVC de 1,5m (um metro e
meio), dois canos de papelão para sustento do lixo, seis abraçadeiras auto travantes e cola quente.
Os garrafões foram levados até a serraria mais próxima, para serem cortado no formato desejado
pelos discentes, as partes que seriam jogadas fora, foi-se reutilizada para fazer a parte inferior do
lixeiro, encaixando o cano de papelão a parte de cima (Imagem 1).

Imagem 1 – Lixeiro reciclável produzido por alunos do Ensino Médio

Fonte: Araújo (2017)

Resultados e Discussões

É necessário ressaltar que todo o projeto foi desenvolvido com o mínimo de custo possível,
sendo que a maioria dos itens utilizados foram doados ou os discentes possuíam em casa. O único
custeio que houve, foi na serraria, no momento em que os alunos foram cortar os vasilhames.
No final do trabalho, os alunos apresentaram os lixeiros (Imagem 1) e fizeram um pequeno
seminário sobre o material do qual era composto os vasilhames, as formas certas de descartes, tipos
de reaproveitamento dos materiais, os prejuízos ao meio ambiente nas maneiras erradas de descartes
(Imagem 2). Eles concluíram afirmando que os novos lixeiros vão ajudar na reeducação dos alunos
da escola, colaborando para que os mesmos possam aprender a separar o lixo e a manter a escola
limpa.

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(ARAÚJO; PACHECO, 2018)

Imagem 2 – Apresentação do seminário sobre o presente trabalho

Fonte: Araújo (2017)

Portanto, no rendimento dos discentes no projeto é importante salientar que houve um


grande avanço na disciplina, principalmente com a relação de cada um com a educação ambiental, a
docente chegou até a questionar qual principal mudança foi adicionada na vida de cada um, e eles
poderam responder que o seu cotidiano mudou, a visão em relação aos materiais que são jogados
fora, ou ao menos queimados, sendo que é possível e necessário fazer uma reutilização de tudo
aquilo que não se pode ver um método de reciclagem, sendo que para todos os objetos descartados
há sim, uma possibilidade de reutiliza-los de inúmeras formas.

Conclusões

O projeto foi de grande aprendizado para a vida de cada aluno, sendo perceptível a mudança
deles e de sua visão sobre o meio ambiente e, o quanto cada um pode colaborar para que nosso
ecossistema não venha a morrer, porque de acordo com nossos antigos e maus costumes, o meio
natural vai desaparecendo aos poucos, pois os nossos resíduos descartados de forma incorreta vão
tomando a visão de grandes maravilhas que poderíamos ter. É necessário que disciplina de
Educação Ambiental não venha a ser colocada em prática apenas no Ensino Superior, mas que ela
tenha o início no Ensino Básico, para que as novas gerações possam a ter hábitos saudáveis e
respeito para com o meio ambiente onde elas vivem.
Portanto, é fundamental que a Lei 9.795/99 que dispõe sobre a Política Nacional de
Educação Ambiental seja posta em prática nas escolas, conforme institui o Art. 10, quando diz que
“A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e
permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal” visando cumprir o Art. 13 que
afirma que a educação ambiental não-formal deve produzir ações e práticas educativas voltadas à
sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na
defesa da qualidade do meio ambiente (BRASIL, 1999).

IV Workshop Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos, 2018 | ISBN 978-85-920549-6-0
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(ARAÚJO; PACHECO, 2018)

REFERÊNCIAS

BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental. 1999. Disponível em


<HTTP://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 29 de abril de 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGEM (ABRE). Brasileiro consomem mais água
mineral. 2012. Disponível em: <http://www.recicloteca.org.br/material-reciclavel/plastico/> Acesso
em: 02 de janeiro de 2018.
CERRI, Alberto. Pós e contras do plástico para o meio ambiente. eCycle. Disponível em: <
https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/686-pros-e-contras-do-plastico-para-o-
meio-ambiente.html> Acesso em: 15 de janeiro de 2018.
CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE RECICLAGEM E MEIO AMBIENTE
(RECICLOTECA). Plástico: história, composição, tipos, produção e reciclagem. 2017. Disponível
em: <http://www.abre.org.br/noticias/brasileiros-consomem-mais-agua-mineral/> Acesso em: 02 de
janeiro de 2018.
PHILIPPI, A.J.M e PELICIONI, C.F.. Educação Ambiental: Desenvolvimento de Cursos e Projetos.
São Paulo: SIGNUS, 2000.
JERUSHA MATTOS. A importância da Educação Ambiental nas escolas. Disponível
em:<https://pedagogiaaopedaletra.com/a-importancia-da-educacao-ambiental-nas-escolas-3/>
Acesso em: 02 de janeiro de 2018.

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PRODUÇÃO DE SABÃO ECOLÓGICO COM ALUNOS DA EJA NAS


DISCIPLINAS DE BIOLOGIA E QUÍMICA
Geisiele de Souza Teotonio¹, Katianne Fernanda de Souza Amorim², Reisiane da Silva
Pinheiro ³, Edjane de Souza Campos4, Maria Elisangela de Souza Magalhães 5, Geazi Rosa
Oliveira Teotonio6
1
Universidade de Pernambuco. Rodovia BR 203, Km 2, s/n, Vila Eduardo - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56328-903 /
Telefone: (87) 98802-4222 / E-mail: 1ggbiologialove@hotmail.com
2,3,4,5
Serviço Social do Comércio. Rua Pacífico da Luz, nº 618, Centro - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56304-010 /
Telefone: (87) 3866-7463
6
Universidade do Vale do São Francisco, Campus Ciências Agrárias, Rodovia BR 407, Km 12, Lote 543, Projeto de
Irrigação Senador Nilo Coelho, s/nº-C1, Petrolina, PE - CEP 56.300-000/ Telefone: (87)988423613/ E-
mail: geazi.roteotonio@univasf.edu.br

RESUMO: A produção do sabão a partir dos resíduos do óleo comestível é uma alternativa de fundamental
importância para a preservação do meio ambiente, pois evita o descarte inadequado, o que acarreta danos ao meio
ambiente. O objetivo desse trabalho foi produzir o sabão a partir da reciclagem do óleo de cozinha, com os alunos do
ensino EJA do SESC-PE, da cidade de Petrolina-PE, como ferramenta para a aprendizagem de conteúdos de biologia e
química. A teoria vivenciada em sala pôde ser demonstrada experimentalmente. Os alunos vivenciaram os conteúdos
como: sustentabilidade, impactos ambientais do descarte inadequado do óleo e as reações de saponificação, unindo a
teoria à prática. Como resultado pôde-se observar maior interesse na disciplina de biologia e química e cuidado com as
questões ambientais. Assim, conclui-se que a utilização do óleo residual para a fabricação de sabão é uma alternativa
que promove à preservação do meio ambiente e ajuda o aluno a ter mais interesse pelos conteúdos abordados, visto
que as aulas práticas aproxima o aluno ao seu cotidiano.

Palavras-chave: Óleo comestível, Sabão Ecológico, Aulas práticas, Ensino de biologia e química, Sustentabilidade.

Production of ecological soap with EJA students in the fields of biology and
chemistry
ABSTRACT: The production of SOAP from the waste of edible oil is an alternative of fundamental importance for
the preservation of the environment, therefore, avoids the inappropriate disposal, which causes damage to the
environment. The objective of this work was to produce SOAP from cooking oil recycling, with the EJA school
students of SESC-PE, the city of Petrolina-PE, as a tool for learning contents of biology and chemistry. Experienced in
theory room might be demonstrated experimentally. Students have experienced the contents as: sustainability,
environmental impacts of improper disposal of oil and the reactions of saponification, uniting the theory to practice.
As a result one could observe great interest in the discipline of biology and chemistry and environmental issues. Thus,
it is concluded that the use of residual oil for SOAP making is an alternative that promotes the preservation of the
environment and helps the student to have more interest in content, since the practical lessons coming the student to
your daily life.

Key-words: Edible oil, SOAP, practical lessons, teaching biology and chemistry, sustainability.

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(TEOTONIO; AMORIM; PINHEIRO; CAMPOS; MAGALHÃES; TEOTONIO, 2018)

Introdução

A escola ocupa um papel fundamental na sociedade, que vai além da transmissão e


acumulação de conhecimentos. A educação pode se constituir como afirmadora dos direitos
humanos ajudando na construção de uma sociedade cidadã, no entanto, pela diversidade social e
pelas contradições socioeconômicas e culturais presentes na sociedade observamos que a educação
ambiental precisa também ser voltada para o currículo escolar a fim de conscientizar os alunos
acerca dos problemas ambientais.
A educação ambiental tem sido apontada como uma das melhores formas de conscientização
dos problemas ambientais e tem como princípio contribuir para uma sociedade mais justa e
ecologicamente consciente e equilibrada, buscando uma mudança urgente na atual conduta dos
seres humanos e destes com o meio que o cerca. A educação ambiental se apresenta como uma
nova dimensão a ser incorporada no processo educacional e, atualmente, mais que uma realidade,
conscientizar e refletir sobre o meio ambiente é uma necessidade humana.
No que se menciona à educação não podemos esquecer que os educadores enfrentam
diariamente a realidade da sala de aula e frequentemente, necessitam, além da teoria, de uma
prática que efetive sua ação pedagógica para consolidar uma mudança de comportamento a partir
de uma metodologia e prática de ensino que favoreçam o trabalho integrado entre o pensar e o
fazer. (BRANCO, 2003).
As práticas em laboratório permitem ao aluno desenvolver uma reflexão crítica, tornando-o
sujeitos ativos que participam da construção do conhecimento através do trabalho em equipe,
investigação e discussão de resultados, proporcionando o desenvolvimento cognitivo.
Uma boa alternativa na educação ambiental é a reutilização do óleo usado. No Brasil parte
do óleo vegetal residual oriundo do consumo humano é destinado a fabricação de sabões.
Entretanto, a maior parte deste resíduo é descartado na rede de esgotos, causando prejuízos ao
meio ambiente. A pequena solubilidade dos óleos vegetais na água constitui como um fator
negativo no que se refere à sua degradação em unidades de tratamento de despejos por processos
biológicos e, quando presentes em mananciais utilizados para abastecimento público, causam
problemas no tratamento da água (WILDNER e HILLIG, 2012).
Vale ressaltar, que nos dias atuais, o lixo tem se destacado como um grande problema para o
meio ambiente. Por essa razão vem-se buscando medidas que auxiliem na mudança de hábito, ou
seja, ações que minimizem o descarte inadequado dos resíduos gerados em atividades domésticas
através da reciclagem destes resíduos. O reaproveitamento do resíduo de óleo comestível
caracteriza-se como uma atitude de desenvolvimento sustentável (REIS, 2007).
A produção do Sabão Ecológico é uma forma de fazer o sabão que lembra bem os métodos
mais antigos de se produzir sabão e atualmente uma maneira de reciclar, além de ser uma medida
que proporciona preservação do meio ambiente e diminui o descarte inadequado do óleo residual e
da gordura animal (ALBERICI e PONTES, 2004). Todo esse processo permite o desenvolvimento
humano por meio da preservação ambiental.
Assim, considerando que o livro didático é o apoio principal em um conteúdo extenso onde
cada série é cursada em seis meses na EJA, é necessário que se trabalhe com aulas práticas,
associando o conteúdo a vivência do aluno, facilitando a aprendizagem.
Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo produzir o sabão ecológico a partir da
reciclagem do óleo de cozinha, com os alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) em aulas
práticas, como ferramenta para a aprendizagem de conteúdos interdisciplinares de biologia e
química.

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(TEOTONIO; AMORIM; PINHEIRO; CAMPOS; MAGALHÃES; TEOTONIO, 2018)

Material e Métodos

Participantes e local

Os participantes desse trabalho foram os alunos do 3° ano do ensino médio EJA, do turno
noturno, do SESC-PE de Petrolina, com duração de 6 aulas de 50 minutos cada.

Planejamento

Foram pesquisados assuntos sobre o tema, levando em consideração os aspectos sobre a


sustentabilidade, impactos ambientais e reutilizações do óleo residual, a partir destas informações
foram estruturadas as práticas adotadas para abordar as questões propostas e estratégias de ação
para sensibilização dos alunos.
As estratégias de ação propostas foram aulas interdisciplinares no ensino da biologia e
química, recolhimento do óleo residual e aula prática para a produção de sabão.

Aulas de biologia e química

Para a aula interdisciplinar foi realizado aulas expositivas, dialogadas abordando conteúdos
teóricos como: contaminação das águas, impacto ambiental, reação de saponificação e
sustentabilidade.

Recolhimento do óleo residual

Nas disciplinas de biologia e química, os alunos foram instruídos a trazerem óleo residual de
suas residências, para ser entregue na sala de ciências do SESC-PE, para posteriormente ser
filtrado e utilizado na aula prática de produção de sabão.

Aula prática: produção de sabão ecológico

Para a produção do sabão, é necessário primeiramente realizar o preparo da soda líquida.


Para o seu preparo pesou-se numa balança de precisão 500 g de soda em escamas 98%
(hidróxido de sódio – NaOH),em um béquer com capacidade de um litro foi acrescentado água até
a capacidade total, logo após foi colocado no agitador magnético até a completa dissolução,
deixando-se descansar até que a solução estivesse em temperatura ambiente.
Com o óleo filtrado e a soda preparada, foi produzido o sabão. Para isso precisou-se dos
seguintes materiais: um béquer para medir 800 mL de óleo comestível, uma proveta para medir
140 mL de soda, outra proveta para medir 10 mL de essência; um recipiente plástico com
comprimento 17 cm de comprimento por 12,5 cm de largura e 11 cm de altura e um bastão de
vidro para mexer.
Inicialmente, no recipiente foram colocados 800 mL de óleo e 10 mL de essência e
misturados com movimentos circulares, em seguida acrescentou-se a soda lentamente sem parar de
mexer até mudança de sua consistência.

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(TEOTONIO; AMORIM; PINHEIRO; CAMPOS; MAGALHÃES; TEOTONIO, 2018)

Resultados e Discussão

A aula prática do sabão ecológico permitiu o contato direto com a teoria e prática
possibilitando o envolvimento e interação dos alunos com situações reais, além de permitir
práticas socioambientais que proporcionam uma convivência com as relações ambientais.
Foi observado que os alunos estavam mais curiosos a respeito da produção do sabão e
ficaram motivados em saber como aquele ato ajuda a minimizar impactos ambientais. A respeito
das etapas para a realização do sabão os alunos comentaram entre si e também com as professoras
regentes da turma, que o método aplicado era prático e de fácil realização, o que demonstrou
interesse em utilizar dessa prática em suas casas.
Dessa forma, considerando a produção do sabão, percebe-se que a mesma é uma excelente
ferramenta de aprendizagem, no entanto, é necessário destacar que o papel do professor é de suma
importância, pois este tem o papel fundamental de planejar e desenvolver atividades que instiguem
a curiosidade, motivação, raciocínio e interesse, fazendo com que o aluno associe os conteúdos no
seu processo de construção do conhecimento, assim como foi percebido com os alunos do EJA do
SESC-Petrolina.
A educação quando voltada para o bem humano, propõe, através da prática, repensar a
posição do homem diante das mudanças sociais, ecológicas e psicológicas em que estamos sujeitos
(BRANCO, 2003), dessa forma, quando os alunos perceberam que uma simples ação de produção
de sabão ajuda a melhorar o cuidado com o meio ambiente, eles passam a repensar a sua posição
diante do meio ambiente e enxergam que fazem parte do mesmo, propondo-se a melhorá-lo. Na
educação, as novas metodologias de ensino precisam relacionar o que é vivenciado na sala de aula
com aquilo que o aluno vivencia no seu cotidiano.
Morais (2009) defende, que ao selecionar os conteúdos de maior expressão na realidade
prática dos alunos da EJA proporciona a estes alunos a oportunidade de visualização de conceitos
ou de processos que estão sendo construídos por eles na escola, sendo assim, ao utilizarmos de
aulas práticas para trabalhar conceitos como sustentabilidade, preservação ambiental, reações
químicas, estamos aproximando o conteúdo a realidade do aluno, consequentemente, ajudando na
aprendizagem.

Conclusões

A produção do Sabão ecológico a partir do óleo residual é uma ferramenta de fundamental


importância no processo de reciclagem, que possibilitou a reflexão a cerca da sustentabilidade e
reafirmou que a utilização de aulas práticas no ensino é uma estratégia eficaz que possibilita a
aprendizagem dos conteúdos de biologia e química, promove o engajamento dos alunos, sendo que
à medida que o público alvo passa a ser informado sobre o tema, o mesmo reflete sobre as
problemáticas ambientais.
Conclui-se que o trabalho desenvolvido proporcionou a reflexão e a aprendizagem dos
alunos da EJA sobre a educação ambiental e mostrou que com pequenos atos pode-se cuidar do
meio ambiente.

Referências

ALBERICI, R. M. & PONTES, F. F. F. Reciclagem de óleo comestível usado através da


fabricação de sabão. Eng.ambient., Espírito Santo do Pinha, v.1, n.1, jan./dez., 2004.

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(TEOTONIO; AMORIM; PINHEIRO; CAMPOS; MAGALHÃES; TEOTONIO, 2018)

BRANCO, S. Educação Ambiental: metodologia e prática de ensino. Rio de Janeiro,


Qualitymark/Duya, 2003.
CAON, C. M. Concepções de professores sobre o ensino e a aprendizagem de ciências e de
biologia. 2005. 93f. Dissertação (Mestrado em Educação de Ciências e Matemática) - Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre - RS, 2005. Disponível em:
<http://meriva.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/3032/1/000333931-texto%2bcompleto-0.pdf>.
Acesso em: 30 de junho de 2018.
REIS, M. F. P. et. al. Destinação de óleos de fritura. Anais: 24º CONGRESSO BRASILEIRO DE
ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL, Belo Horizonte, 2007.
MORAIS, F. A. A. O ensino de Ciências e Biologia nas turmas de EJA: experiências no município
de Sorriso-MT. Revista Iberoamericana de Educación, v. 48, n. 6, 2009.
WILDNER & HILLIG. Reciclagem de óleo comestível e fabricação de sabão como instrumentos de
educação ambiental. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental
REGET/UFSM, v. 5, n. 5, p. 813 - 824, 2012.

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ZONEAMENTO ECOLÓGICO-AMBIENTAL EM TERRITÓRIO FLUVIAL


URBANO: UM ESTUDO DA ORLA DE PETROLINA/PE
Clecia Simone G. Rosa Pacheco1, Reinaldo Pacheco dos Santos2, Ketylen Jessica Siqueira Silva3
1, 3
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – campus Petrolina. BR 407, Km 08 - Jardim São Paulo - Petrolina –
Pernambuco – Brasil. CEP: 56314-520 / Telefone: (87) 2101-4300;
2
Universidade de Pernambuco. Av. Gov. Agamenon Magalhães - Santo Amaro - Recife – Pernambuco – Brasil. CEP: 50100-010 /
Telefone: (81) 3183-3674;
E-mail: 1 clecia.pacheco@ifsertao-pe.edu.br/ E-mail: 2 pachecoreinaldo6@gmail.com/ E-mail: 3 ketylensiqueira@hotmail.com;

RESUMO: O zoneamento é visto como um instrumento da legislação ambiental e urbanística brasileira, que tem o
propósito de delimitar geograficamente áreas estabelecendo regimes especiais quanto ao uso, ocupação e utilização dos
solos. Os padrões utilizados para a demarcação das zonas devem atender aos interesses coletivo-sociais. A área foco da
presente pesquisa é a Orla fluvial de Petrolina, às margens do rio São Francisco, visando à análise ambiental,
contribuindo assim para delimitar áreas críticas, especificar problemas, vulnerabilidades do meio físico e biótico e, a
partir daí, separar as zonas com restrições de uso e ocupação na área fluvial. As bases metodológicas que sustentam tal
pesquisa fundamentam-se na Teoria Geossistêmica (Sotchava, 1977), no Método Ecodinâmico (Tricart, 1977) e, na
Teoria GTP (Bertrand; Bertrand, 2007). Portanto, é mediante a compreensão do processo de vulnerabilidade eminente
na área não zoneada e a compatibilidade com os tipos de usos definidos para cada zona (industrial, comercial,
residencial e turística) que são definidos os padrões de uso e ocupação do solo na referida área.

Palavras-chave: sustentabilidade, rio São Francisco, qualidade da água.

Ecological-environmental zoning in river urban territory: a study of the border


of Petrolina / PE
ABSTRACT: Zoning is an instrument of environmental legislation and Brazilian urban, which is intended to
geographically delimit areas by establishing special arrangements regarding the use, occupation and land use. The
standards used for the demarcation of the zones must meet the collective and social interests. The focus area of the
present research is the border of Petrolina, on the banks of the São Francisco River, passing through an environmental
analysis, contributing to delimit critical areas, define problems, vulnerabilities of the physical and biotic environment
and, from there, separate the zones with restrictions of use and occupation in the fluvial area. The methodological bases
that support such research are based on the Geosystemic Theory (Sotchava, 1977), the Ecodynamic Method (Tricart,
1977) and the GTP Theory (Bertrand, Bertrand, 2007). Therefore, it is through understanding the process of eminent
vulnerability in the non-zoned area and the compatibility with the types of uses defined for each zone (industrial,
commercial, residential and tourist) that are defined the patterns of use and occupation of the soil in that area.

Key-words: sustainability, São Francisco river, water quality

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(PACHECO; SANTOS; SILVA, 2018)

Introdução

No Brasil, até meados do século XX, as cidades multiplicaram de forma desordenada, sendo
que poucas passaram pelo processo de planejamento e ordenamento. De acordo com Carvalho e
Braga (2005) a questão do zoneamento só foi introduzida no ordenamento urbano brasileiro a partir
da década de 50 sendo vista pelas elites da época como um instrumento para padronizar
loteamentos “cidade-jardim”, com o intuito exclusivo de valorização e especulação imobiliária.
Contudo, na década de 1970, há uma nova preocupação, com a organização da
verticalização como significado do crescimento desordenado das cidades e da necessidade de
multiplicação dos solos. A partir daí o zoneamento foi se aprimorando, mas sempre partindo da
premissa de uso e valorização do solo, de especulação e a proteção de áreas nobres.
Nesse sentido, o zoneamento é visto como um instrumento da legislação ambiental e
urbanística brasileira, que tem o propósito de delimitar geograficamente áreas estabelecendo
regimes especiais quanto ao uso, ocupação e utilização dos solos. Os padrões utilizados para a
demarcação das zonas devem atender aos interesses coletivo-sociais. Apesar de as diretrizes
norteadoras de ocupação das zonas urbano-fluviais existirem na legislação brasileira, estas não são
cumpridas devidamente. Ademais, pouco se tem refletido sobre as reais possibilidades destes
critérios serem utilizados em favor do melhoramento da qualidade ambiental e da aplicabilidade da
legislação.
Contudo, é inegável a relevância da bacia hidrográfica do rio São Francisco para a região do
Vale do São Francisco, essencialmente, para o bi polo Juazeiro/Petrolina, não apenas pelo volume
de água transportado em uma região semiárida, mas, também, pelo potencial hídrico passível de
aproveitamento e por sua contribuição histórica e econômica para a região.
Mediante a tal premissa, a área foco desse artigo é a Orla fluvial de Petrolina, às margens do rio São
Francisco, visando à análise ambiental, contribuindo assim para delimitar áreas críticas, especificar
problemas, vulnerabilidades do meio físico e biótico e, a partir daí, separar as zonas com restrições
de uso e ocupação na área fluvial.
A metodologia utilizada está fundamentada na Teoria Geossistêmica de preconizada por Sotchava
(1977) e, no Método Ecodinâmico elaborado por Tricart (1977), além da Teoria GTP (Geossistema
– Território – Paisagem) defendida por Bertrand e Bertrand (2007).
Portanto, buscou-se compreender o processo de vulnerabilidade eminente na área não zoneada,
mediante critérios socioespaciais, analisando o uso e atividades desenvolvidas, a densidade
populacional e a disponibilidade, bem como, a organização da infraestrutura urbana. É mediante tais
critérios e a compatibilidade com os tipos de usos definidos para cada zona (industrial, comercial,
residencial e turística) que são definidos os padrões de uso e ocupação do solo na referida área.

Material e Métodos

Localização:

O município de Petrolina (Figura 1) esta localizado no estado de Pernambuco na região


nordeste do Brasil, dispondo de uma área com cerca de 4.561,874 km² e uma população em torno
de 343.219 habitantes de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017).
A área foco da pesquisa é a orla fluvial de Petrolina (Figura 2) situada entre as coordenadas
latitudinais de 9º24‟13” S e longitudinais de 40º30‟00” W, às margens rio São Francisco, na região
denominada Submédio São Francisco, fazendo divisa com o município de Juazeiro – BA.
De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF – esta
abrange 639.219 km2 de área de drenagem (7,5% do país) e vazão média de 2.850 m3/s (2% do
total do país). O rio São Francisco possui 2.700 km de extensão, nasce na Serra da Canastra em
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(PACHECO; SANTOS; SILVA, 2018)

Minas Gerais, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco, quando altera seu curso para
este, chegando ao Oceano Atlântico através da divisa entre Alagoas e Sergipe. A Bacia possui sete
unidades da federação – Bahia (48,2%), Minas Gerais (36,8%), Pernambuco (10,9%), Alagoas
(2,2%), Sergipe (1,2%), Goiás (0,5%), e Distrito Federal (0,2%) – e 504 municípios (cerca de 9%
do total de municípios do país). (CBHSF, 2013).

Figura 2- Município de Petrolina. Fonte: Google Maps (2018)

Figura 3- Trecho do rio São Francisco entre a orla de Petrolina-PE e Juazeiro-BA.


Fonte: Google Eath (2018)

Levantamento bibliográfico:

As bases metodológicas que sustentam tal pesquisa estão fundamentadas na Teoria


Geossistêmica de preconizada por Sotchava (1977) e, o Método Ecodinâmico elaborado por Tricart
(1977), além da Teoria GTP (Geossistema – Território – Paisagem) defendida por Bertrand (1997).
Em 1973 Sotchava introduziu o termo geossistema para traçar a esfera físico-geográfica
como um sistema. Segundo este autor, os geossistemas são sistemas territoriais naturais que se
distinguem na envoltura geográfica, em diversas ordens dimensionais, generalizadamente nas
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dimensões regional e topológica. São subsistemas de envoltura geográfica sendo ela própria um
geossistema de nível planetário. (SOTCHAVA, 1977). Sendo assim, o tratamento geossistêmico
visa, a priori, à integração por uma etapa de análise das variáveis naturais e antrópicas.
Já o método ecodinâmico de Tricart representa uma relevante viabilidade de aplicação do
método sistêmico para o estudo da dinâmica das paisagens físicas. Para Tricart (1977, p. 32) “uma
unidade ecodinâmica se caracteriza por certa dinâmica do meio ambiente que tem repercussões
mais ou menos imperativas sobre as biocenoses”. Complementa ainda que “o conceito de unidades
ecodinâmicas é integrado no conceito de ecossistema”.
Entretanto, a pesquisa ambiental para o geógrafo implica na compreensão das relações entre
a sociedade e a natureza, levando em consideração o método sistêmico para explicar acerca dos
elementos que compõem a paisagem geográfica, que resulta numa unidade dinâmica e suas inter-
relações dos elementos físico, biológico e antropogênico. Foi nessa perspectiva, Bertrand em 1997
elaborou uma nova roupagem conceitual para geossistema, que ele denominou de GTP
(Geossistema – Território – Paisagem), onde ambos podem ser analisados separadamente, mas
encontram-se intrinsecamente integrados.

Análise sistemática de quatro parâmetros considerados cruciais:

1. Estrutura superficial da paisagem; 2. Uso do solo; 3. Vegetação; 4. Processos superficiais.


Para cada um dos parâmetros citados, corresponde um nível categórico de equilíbrio,
numericamente definido, a fim de medir a intensidade dos processos diagnosticados de forma
macroscópica, segundo a classificação de Tricart (1977).

Categorização em ordem crescente de instabilidade ambiental:

1. Áreas estáveis; 2. Áreas intergrades; 3. Áreas fortemente instáveis. Após a busca de dados
in locos os mesmos foram analisados e discutidos, onde os resultados obtidos dirão o nível de
estabilidade da área foco da pesquisa.

Resultados e Discussões

Durante a pesquisa in loco foram identificados vários impactos ambientais na orla fluvial de
Petrolina, gerados, sobretudo, pela ação antrópica. Segundo Paulino & Teixeira (2012), entre os
diversos os fatores, na maioria das situações, o aumento populacional é o principal fator, direto ou
indireto, que têm contribuído para o aumento da poluição hídrica.
Um dos principais impactos encontrados foi a poluição do rio com o lançamento de esgoto
domestico de vários bairros da cidade e do centro.
O lançamento de esgoto in natura em corpos hídricos pode trazer as seguintes
consequências: 1) Depleção do oxigênio dissolvido devido à sua utilização por bactérias aeróbias na
oxidação da matéria orgânica solúvel; 2) Toxicidade aos organismos aquáticos devido à presença de
metais pesados; 3) Demanda de maiores quantidades de produtos químicos para tratamento de água,
interferência na fotossíntese e problemas estéticos causados pela presença de substâncias que
conferem cor e turbidez à água; 4) Eutrofização de corpos de água favorecida pela presença de
nutrientes, principalmente, nitrogênio e fósforo, ensejando a proliferação de fitoplâncton e de
plantas aquáticas superiores. (PAULINO & TEIXEIRA, 2012)
Essa eutrofização se faz evidente em vários trechos do rio, onde era pra ser água, foi tomado
por algumas plantas aquáticas como Egeria densa ou Egeria brasiliensis (Elodea), Eichhornia
crassipes (baronesas), Eichhornia crassipes (jacinto d‟água) e depois deram lugar para as plantas
arbóreas e arbustivas, tomando cerca de 50 a 60 metros do rio.
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(PACHECO; SANTOS; SILVA, 2018)

O processo de eutrofização tem, entre outros, os seguintes efeitos nos sistemas aquáticos:
aumento da biomassa e da produção primária de fitoplâncton; diminuição da diversidade de
espécies; diminuição da concentração de oxigênio dissolvido; diminuição na concentração de íons;
aumento do fósforo total no sedimento; aumento da frequência do florescimento de cianobactérias,
etc. Estes efeitos podem induzir a ocorrência de mortandade de peixes, aumento muito rápido dos
custos de tratamento, perda do valor estético, impedimento à navegação e à recreação, etc.
(TUNDISI, apud PAULINO & TEIXEIRA, 2012, p. 236 e 237).
Um agravante a essa problemática é a diminuição da vazão da barragem de Sobradinho, que
diminui o volume de água corrente e a quantidade de oxigênio, aumentando, assim, a concentração
de nitratos e fosfatos já existentes no subsolo, contribuindo para o acumulo de sedimentos de
matéria orgânica favorecendo a formação de pequenas ilhas e proporcionando o desvio do curso
natural do rio.
Embora uma parte do esgoto advinda dos restaurantes locais, ter sido removida pela
prefeitura com o projeto “Orla Nossa”, a região em pesquisa ainda se encontra em estado de
poluição altíssimo, pois esta sendo contaminada com o esgoto de outras locais da cidade.
Diante disso, foram feita análises química e microbiológica da água, coletadas em vários pontos da
orla fluvial, a fim de monitorar e avaliar mensalmente a qualidade da água, visto que é uma área
utilizada para atracadouros de embarcações pequenas, pesca, banho e outras atividades de lazer.
A qualidade das águas de um corpo hídrico é o resultado de todos os fatores naturais e
antrópicos que agem na sua bacia hidrográfica. A ação dos fatores antrópicos produz a poluição
hídrica, que abrange aspectos que vão além da contaminação, e contemplam a degradação da
qualidade ambiental por alteração das qualidades físicas, químicas e biológicas da água. Estas
podem, além de prejudicar a saúde humana e o bem-estar da população, criar condições adversas às
atividades sociais e econômicas, afetar a biota desfavoravelmente ou as condições estéticas e
sanitárias (BRASIL, 1981, apud PAULINO & TEIXEIRA, 2012).
Os parâmetros utilizados para analisar as amostras da água do rio São Francisco foram:
Potencial Hidrogeniônico (pH), oxigênio dissolvido (OD), Demanda Química de Oxigênio (DQO),
alumínio, condutividade, dureza, cloretos, sílica, ferro, fosfato, alcalinidade, sulfito, cloro ativo, cor
aparente, coliformes totais, bactérias totais, bolores e leveduras.
Conforme Resolução do CONAMA nº 357/2005 Art. 14 e nº 430/2011 Art. 16, os ensaios relativos
ao pH, OD, alumínio, condutividade, dureza, cloretos, sílica, alcalinidade, estão dentro das
condições e padrões aceitáveis.
Apesar disso, os resultados encontrados indicam atividade biológica intensa, possivelmente
pela carga orgânica elevada do lançamento de esgoto in natura que traz como uma das
consequências a diminuição do oxigênio dissolvido, devido à sua utilização por bactérias aeróbias
na oxidação da matéria orgânica solúvel. Foi encontrada em todas as amostras a presença de
coliformes totais, bem com a presença de colônias de bactérias totais, chegando até 19500 UFC, que
podem dá origem às doenças de veiculação hídrica; além da ausência de cloro total. Ademais,
apresentaram quantidade de ferro e sulfito elevados. Algumas amostras, também, constaram a
presença de bolores e leveduras.
Outros impactos encontrados foram: a ausência da mata ciliar no trecho analisado
comprometendo a dinâmica fluvial; o processo erosivo na borda do rio agravado pelo deslocamento
intenso de pessoas que dessem a orla para travessia de barco entre as cidades de Juazeiro e Petrolina
e pelo atracamento das barcas diariamente na margem do rio; o carreamento de material sedimentar
para o leito do rio contribuindo ainda mais para o assoreamento do São Francisco, a construções de
embarcações embaixo da ponte Presidente Dutra e coleta de água diretamente do rio por carros
pipas.

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(PACHECO; SANTOS; SILVA, 2018)

Figura 4- Principiais impactos ambientais encontrados na orla fluvial de Petrolina-PE. Fonte:


Silva, 2018.

Mediante aos impactos ambientais e aos processos de vulnerabilidade a partir dos critérios
socioespaciais, atividades desenvolvidas, densidade populacional e a disponibilidade, bem como a
organização da infraestrutura urbana que são definidos os padrões de uso e ocupação do solo para
cada zona (industrial, comercial, residencial e turística). Área pesquisada pode-se classificar em três
níveis de estabilidade preconizados por Tricart (1977): estáveis, são as áreas as quais se encontram
com níveis muito baixos de vulnerabilidade ou não são vulneráveis; intergrades, que se encontra em
uma fase de transição entre o meio estável e instável; e fortemente instáveis, que se apresenta em
um estágio de vulnerabilidade elevada, constando impactos severos ao meio ambiente promovido,
principalmente, pela ação antrópica.
Após caracterização de cada meio pode-se elaborar a indicação de um plano estratégico de
convivência sustentável embasado na teoria GTP (Geossistema-Território-Paisagem) de Bertrand e
Bertrand (2007) a fim de conter, amenizar ou reverter os impactos já provocados nos ambientes
estudados. Nesta perspectiva, traçaram-se as seguintes propostas de conservação:
O Plano de Manejo de Conservação Ambiental (PMCA) é aplicável em áreas estáveis,
visando conservar o que resta dos ambientes vegetacionais e fluviais para manter em equilíbrio,
primando por uma convivência sustentável entre sociedade e natureza.

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(PACHECO; SANTOS; SILVA, 2018)

O Plano de Controle e Conservação Ambiental (PCCA) tem como objetivo construir


estratégias de controle da degradação ambiental nas áreas intergrades, ao mesmo tempo, monitorar
e conservar as áreas ainda em fase transitiva para evitar o agravamento.
Por fim, o Plano de Revitalização e Conservação Ambiental (PRCA) que tem como objetivo
a implementação de uma proposta recuperação da área fluvial em estado avançado de degradação e
vulnerabilidade, bem como, traçar uma análise da capacidade de resiliência dos respectivos
ambientes.

Conclusões

É inegável, portanto, a relevância da bacia hidrográfica do rio São Francisco para a região
do Vale do São Francisco, essencialmente, para a região semiárida, sobretudo, pelo potencial
hídrico passível de aproveitamento e por sua contribuição histórica e econômica para a região.
A presente pesquisa na Orla fluvial de Petrolina denota a influência negativa das diversas
atividades antrópicas que vem comprometendo e diminuindo qualitativamente e quantitativamente a
oferta hídrica com práticas irregulares proporcionadas pelo aumento da densidade populacional,
bem como da urbanização histórico espacial. Diante dos resultados encontrados, mediante ao grau
de vulnerabilidade, as propostas de conservação desse estudo irão contribuir com os órgãos
competentes auxiliando-os no planejamento e gestão direcionados a restauração e manutenção de
um equilíbrio dinâmico do meio ambiente, colaborando para delimitação das zonas de ocupação e
uso dos solos de forma sustentável. É importante reforçar a relevância da educação para compreensão,
intervenção e preservação ambiental, visto que, sendo o homem o principal causador de danos ao meio
ambiente, esse também é um dos principais prejudicados pela sua ação.

Referências

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ESTRATÉGIAS DE GEOCONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO


LOCAL NO SÍTIO GEOMORFOLÓGICO SERROTE DO URUBU,
PETROLINA-PE

Ericleide Macedo Fernandes1, Luciana Freitas de Oliveira França2, Lucas Costa Souza
Cavalcanti3, Márcia Evangelista Sousa 4

1,2,4
Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina. Rodovia BR 203, Km 2, s/n - Petrolina – Pernambuco- Brasil. CEP: 56328-
903/ Telefone: (87) 3866-6468 / E-mail: 1 ericleidemacedo@gmail.com; 2 luciana.franca@upe.br; 4 marah-sousa@hotmail.com
2
– Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Geografia. Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Recife – PE-Brasil, CEP:
50670-901 Telefone: (81) 2126-8000/ E-mail: lucascavalcanti3@gmail.com

RESUMO: O município de Petrolina, situado na mesorregião do Sertão do São Francisco, encontra-se no domínio das
caatingas e do clima Semiárido. A cidade está inserida na Unidade Geoambiental da Depressão Sertaneja que é
representada pelos pedimentos e inselbergs. Estes inselbergs, estruturados em rochas metamórficas do
Paleoarqueano/Mesoarqueano (ortognaisse) e Neoarqueano (quartzitos) representam a maior parte da geodiversidade
municipal. Dentre esses inselbergs destaca-se o Serrote do Urubu, objeto de estudo deste artigo. O Serrote foi avaliado
de forma quali-quantitativa a partir da ficha de campo de Sousa (2017) e dos sete valores de Gray (2004), com objetivo
de propor estratégias de geoconservação a partir de práticas geoturísticas. O sítio geomorfológico Serrote do Urubu
apresentou potencialidade geoturística, entretanto, serão necessárias algumas medidas pontuadas em um plano de ação
para que essa proposta tenha eficácia.

Palavras-chave: Geodiversidade, relevo, semiárido.

STRATEGIES FOR GEOCONSERVATION AND LOCAL DEVELOPMENT


IN THE GEOMORPHOLOGICAL SITE OF THE URUBU SERROTE,
PETROLINA-PE
ABSTRACT: The municipality of Petrolina, located in the mesorregion of the Sertão do São Francisco, is located in
the domains of caatingas and semi-arid climate. The city is inserted in the Geoenvironmental Unit the Sertaneja
Depression, represented by the pedimentos and inselbergs. These inselbergs, structured in metamorphic rocks of the
Paleoarchean / Mesoarchean (ortognaisse) and Neoarchean (quartzite) represent the greater part of the municipal
geodiversity. Among these, inselbergs stands out the Serrote do Urubu, object of study of this article. The Serrote was
evaluated qualitatively and quantitatively from the field data sheet of Sousa (2017) and the seven values of Gray (2004),
with the objective of proposing geoconservation strategies based on geotourism practices. The geomorphological site of
the Serrote do Urubu has potential geotourism, however, it will be necessary some measures punctuated in a plan of
action so that this proposal has effectiveness.

Key-words: Geodiversity, relief, semi-arid.

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Introdução
As paisagens do município de Petrolina são marcadas por um relevo característico da região
semiárida representada por superfícies aplainadas e relevos residuais ou inselbergs, resultantes da
erosão diferencial atuante sobre as rochas da região.
De acordo com Sousa (2017) as paisagens de Petrolina são representadas por 32 sítios de
geodiversidade cuja maioria é representada pelas Serras, Serrotes e Morros. Estes inselbergs,
estruturados em rochas metamórficas do Paleoarqueano/Mesoarqueano (ortognaisse) e
Neoarqueano (quartzitos) (Helman et al., 2014), representam a maior parte da geodiversidade
municipal. Dentre os morros representativos da geodiversidade de Petrolina, a referida autora cita o
morro ou Serrote do Urubu como uma das paisagens com grande potencial turístico e pedagógico
para município.
França (2015) enumera quatorze sítios de geodiversidade representativos do município de
Lagoa dos Gatos, localizado no agreste pernambucano, e novamente o fator geomorfológico
influencia nessa representatividade, já que as serras são citadas como os principais sítios.
Assim, o que se observa em ambos os trabalhos, é que o fator geomorfológico é o elemento
preponderante da geodiversidade, sempre atrelada a discussões acerca das estratégias de
geoconservação, com o objetivo de proteger os sítios de geodiversidade ou o patrimônio geológico
(Meira & Morais, 2016).
De acordo com Bacci et al. (2009), uma das estratégias de geoconservação estaria associada
ao programa da rede global dos geoparques sob os auspícios da Unesco (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Este programa tem como um dos pilares a atividade
geoturística, que estimula criação de atividades econômicas e turísticas voltadas para divulgação do
patrimônio geológico e sua importância, bem como o incentivo a geoconservação do território.
A criação dos geoparques necessita da aprovação da UNESCO, através da aprovação de um
dossiê submetido à referida organização (Bacci et al., 2009).
No Brasil temos o Geoparque Araripe, único no Brasil, e as propostas para o Quadrilátero
Ferrífero (MG), Campos Gerais (PR), Alto da Ribeira (SP), Serra da Bodoquena e Pantanal
(MS), entre outros. Entretanto, apesar de algumas dessas propostas já terem sido submetidas à
avaliação da Unesco: Quadrilátero Ferrífero (MG) e Serra da Bodoqueira e Pantanal (MS),
nenhuma das propostas recebeu a aprovação da mesma (Bacci et al., 2009). Bacci et al. (2009, p.
15) ressaltam que há muitos desafios por parte da gestão e implantação desses projetos
educacionais e econômicos vinculados aos futuros geoparques, pois:
[...] Apesar da grande diversidade geológica e paleontológica do Brasil, não
existe ainda uma cultura geocientífica como nos demais países. Iniciativas ainda
incipientes, mas crescentes de divulgação desse patrimônio natural demonstram
o aumento do interesse da comunidade científica sobre o assunto.

Diante deste quadro, é importante que as iniciativas de geoconservação do Brasil não se


resumam a propostas de geoparques, mas de outras ações de caráter mais nacional, que priorizem
práticas de conservação baseadas no geoturismo (BACCI et al. 2009). Algumas dessas ações já
podem ser contempladas em alguns Estados do Brasil como o Projeto Caminhos Geológicos, do
Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro (DRM - RJ), liderado pela geóloga Kátia
Mansur desde 2000 (BACCI et al., 2009). Além desse, existe também o Projeto Monumentos
Geológicos do estado de São Paulo e Monumentos Geológicos do Rio Grande do Norte.
Brilha (2005) traz os roteiros turísticos como estratégia de geoconservação para que sejam
criados nos geossítios, a fim de divulgar e valorizar essas áreas, enfocando os de menor degradação
ou baixa vulnerabilidade como os mais indicados. Para os que apresentam alto grau de

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vulnerabilidade é importante se pensar, a priori, em um plano de gestão para protegê-lo e só depois


divulgá-lo como área geoturística.
De acordo com o referido autor, geossítio consiste nas ocorrências geológicas com inegável
valor científico, pedagógico, cultural, turístico entre outros. O geossítio é o elemento abiótico
singular que compõe a paisagem natural, servindo de substrato para os elementos bióticos.
Diante dessa nova forma de se pensar a conservação do patrimônio natural, o presente artigo
tem como objetivo propor estratégias de geoconservação, através de práticas geoturísticas, na área
do Serrote do Urubu, muito utilizada pela população local, com feições geológicas que reportam o
passado geológico do município de Petrolina, com finalidade de ajudar o desenvolvimento local da
Vila Salu, a qual está inserido o Serrote, através das aulas de campo ou visitas turísticas.

Material e Métodos
A área de estudo corresponde ao Serrote do Urubu, um relevo residual às margens do Rio
São Francisco. Este inselberg está localizada no município de Petrolina, mesorregião do Sertão do
São Francisco. O acesso ao Serrote é feito através da estrada das Pedrinhas, a cerca de 17 km da
sede municipal e altitude de 422m, com as seguintes coordenadas: 9°21'37.93" S 40° 23'3.39" O.
O Serrote do Urubu tem esse nome em função da presença de muitos urubus que ficam no
topo do Serrote.

Aspectos Fisiográficos

O município de Petrolina apresenta uma paisagem típica do semiárido, vegetação composta


por Caatinga Hiperxerófila, caducifólia, inserida na unidade geoambiental da Depressão Sertaneja.
Possui área com superfície de aplanamento recoberta por sedimentos, predominando processos de
erosão, com grande ocorrência de inselbergs.
Ao realizar o trabalho de campo, observou-se que a área de estudo pode ser classificada, de
acordo com os aspectos geomorfológicos, em serras e serrotes, estando limitado pelos pediplanos e
várzeas e terraços fluviais, já que se encontra às margens do São Francisco.
Petrolina está inserida no Cráton do São Francisco, com unidades geológicas representadas
pelos:
Complexo Gnáissico-migmatito Sobradinho/Remanso, do Greenstone Belt Rio
Salitre, do Complexo Saúde, dos Granitóides Sim e Pós-Tectônicos, das
Formações Mandacaru 1e 2, do Grupo Casa Nova, da Suíte Metaluminosa e
Peraluminosa Rajada, dos depósitos Dentríticos e/ou Lateríticos, Colúvio-
eluviais e Aluvionares e das Paleodunas Continentais (CPRM, 2007, p.10).

De acordo com o folha geológica Itamotinga na escala de 1:100.000 da década de 90, o


Serrote do Urubu corresponde a um ortognaisse quartzo/feldspático, fazendo contato com outras
unidades litológicas: ortognaisses bandados tonalíticos e quartzo-xisto ambas as unidades datadas
do Arqueano. Às margens do São Francisco o Serrote entra em contato com os depósitos areno-
argiloso aluviais que datam do Quaternário (Gomes, 1990).
Segundo estudos da Embrapa (2005), o município possui clima semiárido, apresenta
elevada evapotranspiração no verão por conta das altas temperaturas. O período de chuvas tem
duração de novembro a abril, com concentração pluviométrica de 93%. Porém entre os meses de
dezembro a março ocorrem71% do total pluviométrico anual que é de 430 mm.
Os solos de maior abrangência nesta região são os Latossolos, Argissolos, Neossolos
Quartzarênicos e Litólicos, Planossolos e Vertissolos. (EMBRAPA, 2005).

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O sítio Serrote do Urubu está situado às margens do rio São Francisco, município de
Petrolina-PE, que está nos domínios da Macro bacia do Rio São Francisco, da Bacia Hidrográfica
do Rio do Pontal e do Grupo de Bacias de Pequenos Rios Interiores, ainda com vários rios
tributários. (CPRM, 2005).
O método de pesquisa utilizado no trabalho foi o exploratório com abordagem quali-
quantitativa. O trabalho foi realizado com os seguintes processos metodológico:

Revisão bibliográfica: Foi realizada com os temas relacionados à geodiverdidade,


geoconservação e geoturismo, os dados físicos e geográficos do município de Petrolina, onde está
localizada a área de estudo. A revisão consta de artigos científicos, dissertações de mestrado,
livros, dados do IBGE e CPRM e cartas geológicas de 1:100.000 do município de Petrolina.
Visita de campo: Esta etapa foi desenvolvida no Serrote do Urubu. Foram feitas descrições sobre
os aspectos físicos do Serrote, com ênfase aos aspectos geológicos e geomorfológicos. Foi
aplicada a ficha de campo produzida por Sousa (2017) levando-se em conta os elementos
bióticos, abióticos, risco de degradação e informações estruturais sobre o percurso da paisagem;
finalizando a visita foram avaliados os elementos que dão valoração aos sítios analisando os sete
valores da geodiversidade estabelecidos por Gray (2004), referentes aos valores: intrínsecos,
estéticos, cultural, econômico, funcional, científico e educacional.
O trabalho de gabinete: Nesta etapa houve avaliação dos dados qualitativos observados em
campo da área de estudo e posteriormente aplicados a análise quantitativa de acordo com o
resultado da quantificação do Serrote segunda a ficha de campo (Sousa, 2017); e com os sete
valores da geodiversidade propostos por Gray (2004).

Resultados e Discussões
O sítio de geodiversidade Serrote do Urubu foi avaliado como base na ficha de campo de
Sousa (2017) e Gray (2004). Foram observados os elementos da geodiversidade, biodiversidade e
os riscos de degradação associado à vulnerabilidade.
Os dados do campo foram coletados com tempo nublado, no dia 04 de julho de 2017, porém
sem chuvas nas vinte e quatro horas anteriores a visita de campo. A área contém várias intrusões de
veios e diques de quartzo e pegmatito (Fig. 1), muitas marcas de intemperismo físico, químico e
bioquímico, mas, com predominância para o físico, com diversas fraturas na rocha.

Figuras 1: Intrusões de diques de quartzo

Fonte: A autora, 2017

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O intemperismo químico foi atuante no paleoclima mais úmido presenta na região, que
resultou em matacões provenientes de processos de esfoliações esferoidais, observados pelo
arredondamento dos blocos rochosos.
Embora a região apresente o clima atual semiárido, o Serrote é ainda influenciado pela
umidade proveniente do Rio São Francisco, já que o mesmo está às margens do Rio. Há ainda a
atuação do intemperismo bioquímico, através dos liquens que liberam ácidos orgânicos
carboxílicos intemperizando a rocha (França et al.,2011).
De acordo com os elementos encontrados no morro, o potencial pedagógico da paisagem é
alto, com grande importância didática, podendo ser utilizada como local de aulas de campo por
professores do ensino médio e superior. Não é aconselhável para jovens menores de 15 anos por
haver áreas com risco de queda.
O Serrote, como já foi mencionado, está localizado às margens do rio São Francisco,
próximo a algumas ilhas, denotando grande valor estético. Possui belas paisagens que podem ser
vislumbradas por turistas e alunos, pesquisadores e comunidade em geral.
De acordo com aplicação da ficha de campo (Sousa, 2017), a paisagem natural do Serrote
do Urubu está com médio risco de degradação, associada à atividade agrícola, pecuária, além de
atividades esportivas (ciclismo) realizadas no entorno do sítio.
É importante que se proponham algumas medidas de conservação, já que o Serrote já foi
utilizado por uma pedreira para extração de rochas.
Foram encontrados os seguintes elementos da biodiversidade: Aves como o Tico-tico
(Ammodramus humeralis), cardeal do Nordeste (Paroaria dominicana), golinho (Sporophila
albogularis), rolinha (Columbina); lagartos; cactáceas como: Facheiro (Pilosocereus
pachycladus), Mandacaru (Cereus jamacaru), Coroa-de-frade (Melocactus zehntneri), Xique-
Xique (Pilosocereus gounellei), além de Jurema Preta (Mimosa tenuiflora), Carnaúba
(Copernicia prunifera) e Angico (Anadenanthera colubrina).
O acesso ao inselbergs apresenta o nível alto de dificuldade, pois há riscos de
deslizamento, exposições a trechos íngremes, existência de animais peçonhentos, trechos que
necessita o apoio das mãos, presença de plantas urticantes.
O Serrote do Urubu foi avaliado ainda de acordo com os sete valores de Gray (2004), e
foram obtidos os seguintes resultados observados na tabela abaixo (Tabela 01):

Tabela 01:Valores de geodiversidade do Serrote do Urubu

Sítio Intrínseco Cultural Estético Econômico Funcional Científico Educativo


Serrote do A I A B A A A
Urubu
A – Alto; M – Médio; B – Baixo; I – Inexistente
Os valores intrínseco, estético, funcional, educativo e científico apresentaram valores
altos. O valor intrínseco está associado ao valor do próprio sítio independente da valoração
antrópica. O valor estético se destaca pela grande beleza cênica local, palco de books de
casamento e formatura. O valor funcional é visto na presença de uma flora rupestre que encontra
vida nos afloramentos rochosos, e na presença de Urubus que habitam as partes de maiores cotas
altimétricas do Serrote. O valor didático é observado na presença de estudantes do nível médio e
superior para observação dos aspectos geológicos e geomorfológicos presentes no Serrote. O
valor científico se destaca também no Serrote, pois foi alvo de estudo de Sousa (2017) em sua
dissertação de mestrado. A figura a seguir representa os valores estético, funcional e intrínseco da
área de estudo (Fig. 2).

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Figuras 2- Vista do rio São Francisco e seus canais anastomosados

Fonte: Autora, 2017


O valor econômico é baixo, por haver poucas fontes de renda relacionadas ao sítio, embora
no passado fossem extraídos rochas para construção civil, gerando renda, mas atualmente só
restaram as marcas nos matacões das detonações das dinamites.
O valor cultural foi considerado inexistente, pois não foi observada nenhuma associação com
aspectos culturais da região.
A partir desses resultados observa-se a necessidade de algumas práticas de geoconservação
associadas a ações geoturística, já que o Serrote apresentou potencialidade para essa atividade
econômica.
Em algumas excursões pedagógicas feitas no sítio já se observa uma modesta
movimentação na renda da comunidade do Serrote, com venda de pastéis e picolés para os alunos,
porém, são necessárias algumas medidas para melhorar essa potencialidade do Serrote. Abaixo
segue o plano de ação que podem ser desenvolvido na área do Serrote (Tabela 02).

Tabela 02: Plano de Ação para o Serrote do Urubu


O QUE FAZER? QUAL O PRAZO? COMO FAZER? QUEM FARÁ?
Sinalizar o acesso ao
Serrote Médio/longo Placas indicativas nas rodovias Prefeitura

Médio/Longo Construção de corrimãos,


Facilidade de acesso escadas, cercas. Prefeitura

Médio/longo Criações de blogs, grupos de


Divulgação do sítio excursões, aulas de campo. Prefeitura e universidade

Curso de guia de Médio Promover na comunidade um


curso de guia de geoturismo. Universidade
geoturismo
Curto Formação de grupos de Promovida pela
Prática de esportes Interesse. Comunidade

Aplicativo Curto Utilizar as geotecnologias Universidade


fundamentadas em Linguagens
interativas para mapeamento
web.

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A questão de indicativos de localização do Serrote seria importante a instalação de pelo


menos uma placa sinalizando o Serrote na Avenida Cardozo de Sá que integra à estrada das
Pedrinhas e umas três ao longo da estrada, uma na entrada que dá acesso ao inselberg, pois facilita
a localização aos turistas e visitantes em geral.
Devido a declividade do Serrote, é necessário construir corrimãos, escadas com cercas que
podem ser utilizados os rejeitos de gnaisse para tal ação, associados com a implantação de
corrimãos para dar segurança aos visitantes.
Para divulgar o geossítio serão confeccionados panfletos, banners, folders com imagens e
informações da área, bem como também promoção de palestras nas escolas do município.
O curso de guia será feito com pessoas da própria comunidade, com objetivo de receber e
orientar os visitantes, e explicar a formação geomorfológica do Serrote; serão ministrados ainda as
aulas de campo executadas pelas universidades com alunos do ensino superior e da educação
básica.
A comunidade será incentivada a criar grupos para a prática de esportes na área do Morro,
como o rapel, que pode ser executado em uma das áreas do inselberg, desde que sejam tomadas
medidas de segurança, com pessoas especializadas.
O aplicativo web pode conter a localização do Serrote, bem como pode conter
informações das atividades que poderão ser realizadas no Serrote; informações geológicas e
geomorfológicas, florísticas e faunísticas.

Conclusões
O município de Petrolina possui um grande potencial abiótico, com destaques para os sítios
geomorfológicos, representados pelos morros, serras e serrotes associados em grande parte a
presença do Rio São Francisco e a unidades litológicas bastante antigas do complexo gnáissico-
migmatítico que remontam a história geológica do município.
De acordo com a avaliação quantitativa da ficha de campo de Sousa (2017) o Serrote do
Urubu apresenta grande potencial pedagógico e médio risco de degradação, embora no passado a
região já tenha sido alvo da extração de rocha, o que sugere prática de geoconservação para a
localidade.
Quanto aos valores de Gray (2004) apenas o valor cultural não foi pontuado, pois não
encontramos nenhum fator que pudesse justificar sua inserção. Os valores intrínseco, estético,
funcional, educativo e científico apresentaram valores altos e o econômico foi considerado baixo.
Este valor baixo se justifica pelo fato de no momento não haver nenhuma atividade
econômica está sendo desenvolvido no serrote, apenas vendas de lanches para os alunos tanto do
ensino médio como superior após suas aulas de campo, que ocorrem esporadicamente.
Dessa maneira, o sítio tem grande potencial geoturístico, seja pela interpretação da
paisagem natural feitas pelos alunos e professores em aulas de campo, ou pela prática de esportes
que já ocorre na região, como o ciclismo.
Os turistas poderão apreciar vários afloramentos rochosos, as intrusões magmáticas de
veios de quartzo e pegmatito, a geomorfologia do Rio, as culturas irrigadas, a vegetação rupestre
sobre as rochas, as marcas de intemperismo, entre outros elementos.
Levando em consideração a avaliação feita no Serrote do Urubu foram sugeridas algumas
ações referentes à infraestrutura local, divulgação e valorização da geodiversidade pontuadas no
plano de ação para o Serrote do Urubu.
Recomendam-se estudos mais aprofundados sobre a demanda turística local, e, por
conseguinte a elaboração de um roteiro geoturistico, já que próximo ao sítio já se tem uma
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considerável demanda turística para banho no Rio São Francisco, na área denominada balneário
das Pedrinhas.
Referências

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COMPORTAMENTO MECÂNICO DAS ARGAMASSAS DE


REVESTIMENTO ATRAVÉS DA INSERÇÃO DE CINZAS DO LODO DE
ESGOTO

Rodolfo Barros de Araújo ¹, João Victor da Cunha Oliveira ², Leila Soares Viegas Barreto Chagas ³,
Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira 4
1,2,4
Instituto Federal da Paraíba – Campus Campina Grande. R. Tranqüilino Coelho Lemos, 671 - Dinamérica - Campina Grande –
Paraíba – Brasil. CEP: 58.432-300 / Telefone: (83) 2102.6233 / E-mail: 1 rodolfo.barros@hotmail.com;
2
joaovictorwo@gmai.com; 4 frankslale.meira@ifpb.edu.br
3
Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Salgueiro. BR 232, Km 508, s/n - Zona Rural - Salgueiro – Pernambuco –
Brasil. CEP: 56.000-000 / Telefone: (87) 3421.0050 / E-mail: 3 leila_viegas@hotmail.com

RESUMO: Através das políticas ambientais que proporcionam uma paulatina discussão a respeito da destinação dos
rejeitos produzidos nos mais diversos setores industriais, o lodo de esgoto é posto em ênfase pela problemática
destinação advinda da quantidade de compostos tóxicos que o compõe, comprometendo o seu descarte. A partir da
necessidade de implantar medidas mitigadoras dos impactos ambientais através da produção de materiais ecoeficientes,
utiliza-se atualmente como estudo, em argamassas de revestimento, a aplicação das cinzas do lodo de esgoto sanitário
como substituto parcial do cimento Portland. Essa substituição possui enfoque, além da redução do grande volume de
lodo gerado pelas Estações de Tratamento de Esgoto, de possibilitar uma atenuação no consumo de cimento, um grande
gerador de CO2 durante seu processo de fabricação. Pôde-se observar que por meio do uso do resíduo calcinado
aplicado em argamassas, ratifica-se uma relevante performance físico-mecânica ao material, que comparando ao
material sem o uso do mesmo, possui melhores resultados advindos da sua reatividade proporcionada mediante ação do
processo térmico de degradação.

Palavras-chave: Cinzas do Lodo de Esgoto, Argamassas de Revestimento, Comportamento Mecânico

Mechanical behavior of coating mortars through the insertion of ash from the
sewage sludge
ABSTRACT: Through environmental policies that provide a gradual discussion about the disposal of waste produced
in the most diverse industrial sectors, sewage sludge is emphasized by the problematic destination of the toxic
compounds that compose it, compromising its disposal. Based on the need to implement measures to mitigate
environmental impacts through the production of eco-efficient materials, the application of the ashes of sanitary sewage
sludge as a partial substitute for Portland cement is currently being used as a coating mortars study. This replacement
has a focus, besides reducing the large volume of sludge generated by Sewage Treatment Plants, to allow an attenuation
in the consumption of cement, a large CO2 generator during its manufacturing process. It could be observed that the use
of the calcined residue applied in mortar, ratifies a relevant physical-mechanical performance to the material, which
compared to the material without the use of it, has better results coming from its reactivity provided by action of the
thermal process of degradation.

Keywords: Sewage Sludge Ash, Coating Mortars, Mechanical Behavior

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Introdução

O crescimento populacional acelerado e ausência de infraestrutura que acompanhe tamanho


crescimento, gera problemas relacionados ao saneamento básico, pois ocasiona o aumento da
produção de lodo em estações de tratamento.
A produção de lodo pode ser considerada como um problema de saneamento, devido ao
crescimento populacional que eleva sua produção, e devido à crescente demanda de área para sua
disposição final adequada ambientalmente. O planejamento da disposição final de lodo de esgoto
oriundo de Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs, requer conhecimento técnico, ambiental e há
questões econômicas que norteiam a ausência desta prática. De acordo com Von Aperling (2001), o
processamento e a disposição final do lodo podem representar até 60% do custo operacional de uma
ETE.
As ETEs vêm buscando soluções de reciclagem para o lodo gerado em seus processos de
tratamento, pois em algumas cidades do Brasil o lodo gerado é descartado em aterros sanitários,
estações de tratamento (quando possuem), e em algumas, apenas é descartado devido à problemas
relacionados à falta de saneamento básico que esteja em conformidade com as normas ambientais
vigentes.
Fávero (2009), afirma que o impacto ambiental causado pela extração de materiais é cada
vez maior e sua disponibilidade se torna cada vez menor com o passar do tempo, além dos danos
causados na natureza, que são irreversíveis. Para reduzir tal impacto, a solução seria utilizar
resíduos que estão dispostos de forma abundante.
Os aterros sanitários utilizados para o destino final do lodo de esgoto, disponibilizam de
muita área, provocando desmatamento, e prejudicando o equilíbrio ecológico da região, uma vez
que ao receber o lodo, a área dificilmente recupera sua composição de fauna e flora anterior.
Uma proposta para amenizar a problemática acerca do lodo de esgoto seria o ingresso de
técnicas que buscassem sua utilização através de sua inserção na argamassa, onde a utilização do
cimento seria reduzida, avaliando desempenho e potencial de aderência ao substrato de alvenaria e
tração na flexão, que são alguns dos parâmetros de fundamental importância para ratificar a
viabilidade final do resíduo com aplicação em grande escala.
Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento - SNIC (2012), apontam que no Brasil
o consumo de cimento superou a marca de 69 milhões de toneladas. Atrelado à produção e ao
consumo, estima-se que cerca de 5% de toda a produção de gás carbônico, que é altamente
poluente, tenha origem diretamente na indústria do cimento (Damtoft et al., 2008). Em termos
absolutos, estimativas mais recentes apontam um volume total de emissões da ordem de 2,3 bilhões
de toneladas de CO2 (IEA, 2012).
Desta forma, qualquer medida que vise a redução do consumo de cimento será de grande
auxílio ao meio ambiente, de modo a reduzir os possíveis impactos gerados a este. Diante deste
contexto, pesquisas em diversos setores estão sendo desenvolvidas buscando soluções que
minimizem impactos projetuais e ambientais e maximizem a conservação dos recursos naturais
decorrentes do uso e da produção de materiais e componentes utilizados nas diversas etapas da
construção civil.
Para tanto, o uso de resíduos pode ser considerado como uma prática para a sustentabilidade
na construção civil, sendo o uso de cinza de lodo de esgoto oriundo de estações de tratamento de
esgotos uma alternativa para a destinação final destes resíduos que no meio urbano se constitui hoje
em um problema ambiental enfrentado pela engenharia sanitária, pois são gerados diariamente e em
grande volume.
A inserção de resíduos em processos executivos da construção civil é uma forma de
minimização dos impactos ambientais causados pela indústria devido ao uso de tantos recursos
naturais, pois segundo Agopyan (2000), na indústria da construção civil, a produção de cimento e de
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concreto, devido aos elevados volumes, tem sido um grande consumidor de resíduos, cumprindo o
papel de neutralizar materiais que, se ficassem na natureza, seriam nocivos.
Neste contexto, um setor que apresenta um enorme potencial para contribuir para a
minimização de problemas ambientais através do uso de resíduos é a indústria da construção civil,
visto que mediante a literatura enfatizada, são várias as soluções para que a mesma incorpore
resíduos em suas etapas, e uma das possibilidades de inclusão do lodo de esgoto é através de sua
calcinação para que seja utilizado em argamassas de revestimento, substituindo o cimento Portland.

Revisão

Diante dos avanços tecnológicos que o setor da construção civil está imergido, estão sendo
cada vez mais palatadas medidas que possam proporcionar inovação, economia e menos impactos
ambientais devido ao uso de recursos naturais.
A necessidade de inovação nos produtos e processos oriundos das atividades de construção
devido aos impactos ambientais causados, está diretamente ligada com os estudos relacionados ao
uso de materiais alternativos, pois os esforços para a redução dos impactos ambientais devido ao
uso dos recursos naturais, devem estar focados na utilização de materiais e componentes que
proporcionem a melhoria da qualidade das obras, na redução do consumo energético, na redução do
tempo de execução das atividades relacionadas às etapas construtivas, na redução dos custos, na
redução dos resíduos, bem como na sustentabilidade, tornando o projeto eficiente.
A Lei nº 12.305/2010 esclarece sobre a prevenção e a redução da geração de resíduos, tendo
como proposta, a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para
propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação
ambientalmente adequada dos rejeitos, isto é, aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado. A
Lei é a base da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que quanto à suas diretrizes, institui
a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, de modo que a destinação final de cada
resíduo seja ambientalmente adequada.
A Lei nº 11.445/2007 estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a
política federal de saneamento básico; prioridade, nas aquisições e contratações governamentais
para produtos reciclados e recicláveis e bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis
com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis; integração dos catadores de
materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo
ciclo de vida dos produtos; estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto;
incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a
melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a
recuperação e o aproveitamento energético e estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo
sustentável.
De acordo com Moura (2000), a preocupação com o grave problema da geração de resíduos
vem, cada vez mais, despertando na sociedade a conscientização da necessidade de realização de
estudos com vistas a melhorar o ciclo de produção e adequar a destinação dos resíduos gerados.
Incontáveis são os resíduos provenientes de atividades urbanas que ainda não foram
estudados para uso na indústria da construção civil e que possuem um grande potencial de
reaproveitamento/reciclagem minimizando seus descartes na natureza, um deles é o lodo de esgoto
gerado em ETEs, pois a sua aplicação na agricultura é uma prática utilizada mundialmente com
abundantes estudos, porém para viabilização do uso na indústria da construção civil os estudos
precisam ser ampliados.
A inserção do lodo calcinado na indústria da construção proporciona vantagens tais como: a
redução do volume do resíduo em aterros sanitários, visto que sua produção é considerada
problemática devido à grande quantidade de produção diária; a redução do risco de contaminação
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ao meio ambiente, pois nem todo lodo produzido é armazenado em conformidade ambiental; a
redução do uso do cimento Portland que é considerado um dos maiores poluidores do meio
ambiente devido ao seu processo de fabricação que emite grande quantidade de CO2 no ar.
De acordo com o que foi supracitado, pode-se observar que existe relevância nos estudos
dos materiais que compõem a faixa dos ditos sustentáveis na esfera da construção civil a nível
internacional, e dessa forma, o estado da arte referente aos subprodutos industriais aplicados em
materiais de matriz cimentícia, torna-se mais amparado e com maior perfeição nos resultados
expressos mediante cada estudo confeccionado.

Discussão

O alto consumo energético dos materiais industrializados favorece ao estudo de ações para
planejar a reutilização de resíduos. Dentre os resíduos urbanos, um dos mais problemáticos é o
gerado nos processos de tratamento de esgotos sanitários domésticos, o chamado Lodo de Estações
de Tratamento de Esgotos Sanitários.
A reutilização do logo gerado em ETEs foi testada em alguns trabalhos científicos; em
relação à inserção do lodo, a mesma contribuiu para um aumento de 5% na resistência em testes de
compressão, além de reduzir os custos com a produção (Cordeiro, 2002).
Brosch et al. (1976), produziu os primeiros agregados leves utilizando lodo de esgoto. O
lodo de esgoto deste estudo foi primeiramente utilizado no estado bruto e em seguida triturado e
desidratado da Estação de Tratamento de Pinheiros, da cidade de São Paulo. O processo utilizado
foi o de sinterização que consistiu nas seguintes etapas: secagem do lodo; pelotização e
transformação em agregados leves através sinterização, onde os aglomerados são calcinados por
autocombustão. A qualidade destes agregados foi considerada satisfatória quanto ao ensaio de
resistência à abrasão e de resistência mecânica ao esmagamento.
O lodo de esgoto produzido na cidade de Londrina foi utilizado para produzir agregado leve.
Dos estudos realizados pôde-se concluir que o produto final apresentou características compatíveis
com os requisitos e critérios estabelecidos pelas especificações brasileiras no que tange à produção
de elementos de concreto para alvenaria, produção de concreto estrutural ou para isolamento
térmico (Morales & Agopyan, 1992).
Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), efetuaram uma pesquisa
experimental de aproveitamento do lodo digerido da ETE de Pinheiros - São Paulo, e conseguiram
um material que após a britagem foi classificado dentro das especificações de agregado leve para
fins de uso na indústria da construção civil, com empregos em estruturas de concreto, isolamento
térmico, enchimento de vazios, pré-fabricação de edifícios e blocos para alvenaria e pisos. Uma
instalação semi-industrial, cujo projeto foi desenvolvido por empresas brasileiras, foi implantada
junto à ERQ Leopoldina (Estação Recuperadora da Qualidade das Águas), com componentes
mecânicos e elétricos de fabricação nacional, e esteve em operação de junho até o final de 1989
(Santos, 1992).
O processo de produção do agregado leve, a partir do lodo oriundo dos esgotos, passava
pelas seguintes operações unitárias: desidratação do lodo; pós-secagem do lodo centrifugado;
dosagem e mistura dos componentes; pelotização; secagem das pelotas por leito de fluidizado;
sinterização (Brosch et al., 1976).
Onaka (2000) testou o processamento de lodo durante nove meses consecutivos em uma
fábrica de cimento, com bons resultados. O processo iniciava-se com a secagem do lodo,
transformando-o em péletes, porém conservando seu teor de matéria orgânica e energia. Esses
péletes, de 2 a 10mm de diâmetro, foram lançados no forno junto com o restante da matéria-prima
do cimento. A matéria orgânica foi utilizada como fonte complementar de calor e a parte inorgânica
integrou o clínquer. Os traços de metais pesados foram fixados em teores ainda mais diluídos na
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massa do cimento. O monitoramento dos gases e o controle de qualidade do produto não indicaram
nenhuma alteração em relação aos valores sem o uso do lodo. Os resultados revelaram que a
incorporação de 2% de lodo seco como matéria-prima em fornos de clínquer permitiria consumir
todo o lodo gerado no Japão.
Observa-se que para a avaliação de materiais que promovem a incorporação do resíduo
calcinado em sua composição denotam comportamentos equilibrados frente aos testes com artefatos
sem o resíduo, que a partir de estudos prévios pode-se viabilizar uma efetiva aplicação de um
material não convencional com propriedades satisfatórias, além de deter potencial ecoeficiente.
Desempenho Mecânico
Verificou-se que os parâmetros utilizados no estudo de viabilidade para aplicar-se o lodo de
esgoto em materiais de construção, expõem resultados efetivos da aplicação do mesmo. Simoka et
al. (2016), ao avaliarem a aplicação do lodo de esgoto em argamassas concluíram que, mediante
testes físicos para o estado endurecido do material, como o desempenho da compressão axial e
tração na flexão, em até 15% de uso, não há danos ao material, sendo passível de incorporar o lodo
de esgoto calcinado em 850°C e 3 horas de isoterma, à mistura (Figura 1):

Figura 1: Análise físico-mecânica das argamassas com lodo de esgoto calcinado.

Fonte: Simoka et al., (2016).

Costa (2014), ao incorporar as cinzas do lodo de esgoto, calcinadas à temperatura de 850°C


por 3 horas, em argamassa como adição mineral, percebeu que o percentual de 20% torna-se o
ideal para aplicação a partir de uma análise conjuntural de todos os parâmetros analisados,
corroborando inclusive resultados mais satisfatórios quando comparando com a argamassa isenta do
lodo para os testes de compressão axial (Figura 2).

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Figura 2: Resistência mecânica das argamassas aos 28 e 91 dias aditivadas com as cinzas do lodo de esgoto.

Fonte: Costa, (2014).

Ecocimento

Em estudos que visaram aplicar a técnica de desenvolvimento de um ecocimento, a exemplo


de Yen et al. (2011), as resistências à compressão e as avaliações microestruturais realizadas aos 28
dias revelaram a aplicabilidade desse novo aglomerante, envolvendo durante o processo de
fabricação, o lodo de esgoto em substituição ao calcário, principal matéria-prima utilizada no
mundo na obtenção de cimento Portland. Em teores de até 50% de substituição do calcário, pôde-se
verificar que os produtos de fabricação do cimento que formam o clínquer produzem fases
hidratadas com aumento na densificação da mistura frente o avanço da cura do material.
Diante do desempenho mecânico das pastas onde testaram o ecocimento, os autores
notaram que a composição de clínquer com uso total do resíduo bruto do lodo de esgoto com lodo
da estação de tratamento de água, alcançou-se resistências da ordem de mais de 100 MPa, enquanto
que o traço de referência margeou de 85 a 90 MPa de resistência aos 28 dias de hidratação.
Lin e Lin (2005), também estudaram a viabilidade do ecocimento com lodo de esgoto bruto
compondo a matriz dos produtos de fabricação do cimento Portland, que para adições de até 20%
do material em substituição da matéria-prima, obtém-se resultados superiores aos obtidos com o
cimento convencional. Ademais, a produção dos compostos do cimento Anidro sobressaiu-se com
melhores resistências à compressão aos 90 dias de hidratação em comparação ao traço com 0% de
resíduo do lodo de esgoto, alcançando mais de 100 MPa, com o de referência na faixa dos 90 MPa.
Nos estudos de Malliou et al. (2007), buscou-se uma alternativa viável para o descarte final
de lodo de esgoto de estações de tratamento de esgoto urbano, utilizando-o como aditivo para o
desenvolvimento de materiais de base cimentante, avaliando a tração na flexão de argamassas aos
28 dias de hidratação mapeando os produtos originários na fase de cura do material através de
difração de raios-x e microscopia eletrônica de varredura. Os autores perceberam que, através da
aplicação do resíduo, estabilizando-o e solidificando-o na mistura e aplicando o cloreto de cálcio e o
hidróxido de cálcio com aditivos aceleradores no processo de hidratação, melhora-se a resistência à
compressão, pois essa adição detém um efeito positivo. Os melhores resultados foram observados
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(ARAÚJO; CUNHA OLIVEIRA; CHAGAS; MEIRA, 2018)

para as amostras contendo 3% de CaCl2 e 2% Ca(OH)2, por meio da equivalência nos quantitativos
de cimento e lodo de esgoto adicionado, produzindo propriedades satisfatórios para um ecocimento
que utilizou aditivos para o avanço imediato na produção das fases hidratadas das argamassas.

Conclusões

Verificando que existe total aplicabilidade do lodo de esgoto, tanto em seu estado bruto
desidratado como as suas cinzas advindas do processo de calcinação, observou-se que em diversas
localidades, buscam-se otimizar o processo produtivo de materiais não convencionais a partir das
técnicas mais comuns aplicadas no dia a dia, que através de testes para avaliar o comportamento
mecânico dos materiais em composições específicas, é possível com que desenvolva-se em larga
escala produtos que possuam propriedades superiores no que diz respeito à durabilidade e vida útil
das edificações, comparando com os ditos convencionais utilizados mundialmente.
Foi possível observar que dados de resistência à compressão axial, e os de tração na flexão,
obtidos pelos estudos supracitados, denotaram total potencial de aplicabilidade para temperaturas de
calcinação em 850°C com tempo de isoterma de 3 horas, produzindo uma estrutura amorfa e reativa
para trazer aos materiais que levam o cimento em sua composição, um avanço considerável nas
propriedades avaliadas.
O ecocimento atua de forma equiparada à adição do lodo em argamassas, contribuindo de
forma singular comparado à inserção direta no compósito, mas que possui fundamental importância
para atentar-se na redução do uso de matérias-primas como o calcário e a argila, que são
fundamentais na obtenção do cimento Portland, porém que acarretam em problemas ambientais
como a produção de espaços desertificados, erosão e modificação drástica do espaço geográfico,
envolvendo a fauna e flora local.

Referências

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CONSTRUÇÃO E AVALIAÇÃO DE SECADOR SOLAR DE BAIXO CUSTO


COM CONVECÇÃO FORÇADA DE AR PARA A DESIDRATAÇÃO DE
FRUTAS
Bruno Emanuel Souza Coelho¹, Itamara Rayanny Bessa de Carvalho2, Thais Almeida Cordeiro de
Melo3; Cícero Henrique de Sá4; Laurenielle Ferreira Moraes da Silva5; Karla dos Santos Melo de
Sousa6; Neiton Silva Machado7; Jenilton Gomes da Cunha8.
1,2,3,4,5,6,7,8
Universidade Federal do Vale do São Francisco – campus Ciências Agrárias, Colegiado de Engenharia Agronômica,
Rodovia BR 407 - KM 119 - Lote 543 PSNC, s/nº - C1, Petrolina-PE-Brasil. CEP: 56300-990/ Telefone: (87) 2101-4833 / E-mail: 1
souza.coelho.18@gmail.com; 2 itamara.rayanny@hotmail.com; 3 thaisacmelo@hotmail.com; 4cicero_sa@live.com; 5
laura_nielle01@hotmail.com; 6 karla.smsousa@univasf.edu.br; 7 neiton.machado@univasf.edu.br; 8 jeniltongomes@hotmail.com

RESUMO: O uso da energia solar no Brasil é pouco explorado, mas apresenta-se como alternativa viável por ser limpa,
gratuita e abundante, principalmente no Nordeste. O objetivo deste trabalho foi construir um secador solar de baixo
custo e de exposição direta, e avaliar a sua viabilidade técnica no município de Petrolina-PE. O secador solar foi
construído á partir de um tambor metálico coberto com vidro sendo adaptado um sistema de circulação forçada de ar
com uma ventoinha de corrente alternada alimentada por energia elétrica, e para permitir a saída de ar frio, foi
confeccionado um orifício, em um protótipo com dimensão de 8 mm de diâmetro, e no outro protótipo com dimensão
de 12 mm respectivamente. A temperatura ambiente foi determinada pelos dados obtidos da Estação Meteorológica
Automática do Laboratório de Meteorologia da Univasf, e a dos secadores com o auxílio de um termômetro de pistola.
Ao final dos testes, verificou-se uma diferença média entre os dias de avaliação de 20,54 ºC para o secador com
abertura de 12 mm, e o protótipo com abertura de 8 mm, que apresentou uma diferença média de temperatura de 19,30
ºC, valores consideráveis para uma boa eficiência do sistema.

Palavras-chave: Tecnologia de baixo custo, sustentabilidade, energia solar, agricultura familiar, materiais alternativos.

Construction and evaluation of low cost solar dryer with forced air convection
for fruit dehydration
ABSTRACT: The use of solar energy in Brazil is little explored, but is presented as a viable alternative because it is
clean, free and abundant, mainly in the Northeast. The objective of this work was to construct a solar dryer of low cost
and direct exposure, and to evaluate its technical feasibility in the municipality of Petrolina-PE. The solar dryer was
constructed from a glass-covered metal drum and a forced-air circulation system was fitted with an alternating current
fan powered by electric power, and to allow cold air to escape, an orifice was made in one prototype with a dimension
of 8 mm in diameter, and in the other prototype with a dimension of 12 mm respectively. The ambient temperature was
determined by the data obtained from the Automatic Weather Station of the Laboratory of Meteorology of Univasf, and
that of the dryers with the aid of a thermometer of pistol. At the end of the tests, there was a mean difference between
the evaluation days of 20.54 ° C for the 12 mm aperture dryer and the 8 mm aperture prototype, which had a mean
temperature difference of 19.30 Significant values for good system efficiency.

Key-words: Low-cost technology, sustainability, solar energy, family farming, alternative materials.

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(COELHO; CARVALHO; MELO; SÁ; SILVA; SOUSA; MACHADO; CUNHA, 2018)

Introdução

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo (FAO, 2016). E a agricultura irrigada
tem sido uma importante estratégia para otimização da produção mundial de alimentos,
possibilitando o desenvolvimento do país, com geração de empregos e renda (Mantovani et al.,
2009). Nesse contexto, a fruticultura tem grande importância para a região semiárida do Nordeste
brasileiro, principalmente para o Submédio do Vale do São Francisco.
O Nordeste vêm se destacando na produção de frutas em função das condições
edafoclimáticas que são bem mais favoráveis quando comparada ao sul e sudeste. Entretanto, o
grande desfio hoje não é a produção, mas sim a preservação do que foi produzido, sendo que na
maioria das vezes os produtores não têm a opção de armazenar o fruto in natura para comercializar
quando o mercado oferecer altos preços ou usufruir de tecnologias que mantenham a qualidade do
produto (Campos, 2015).
O mercado agroindustrial está em constante expansão e desenvolvimento, porém uma das
grandes dificuldades do setor é conseguir manter o vigor e a qualidade de seus produtos por um
longo período de tempo. Sendo a desidratação, um dos meios de conservação mais antigos e
utilizados para a preservação dos alimentos, com mínima perda em seus valores nutricionais. Sendo
que o maior alvo deste processo é atingir um maior aproveitamento do que é produzido, ou seja,
frutas, hortaliças, plantas medicinais e aromáticas, que são altamente perecíveis e com vida de
prateleira curta (Madamba et al., 2007).
A conservação de frutas através da desidratação ou secagem é um dos processos comerciais
mais usados na conservação de produtos agropecuários, baseia-se na redução de água do alimento,
dificultando a atividade microbiana, enzimática e todo o mecanismo metabólico que necessita de
uma alta atividade de água, que podem deteriorar o produto tornando-o impróprio para o consumo,
além disso, proporciona a redução de peso e volume barateando as embalagens e o transporte,
elimina a sazonalidade desses vegetais, dispensa a necessidade de refrigeração e por fim concentra
os nutrientes (Gava, 2008; Madamba et al., 2007).
A secagem de frutas e hortaliças é um mercado promissor e com grande potencial de
crescimento e muito pouco explorado industrialmente no Brasil (Souza et al., 2007). A secagem
utilizando a energia solar apresenta-se como alternativa viável de grande interesse pelas suas
qualidades e características de ser limpa, gratuita e de grande potencial, largamente disponível em
todo o Brasil e principalmente no Nordeste (Ferreira et al., 2008), uma vez que esse processo
minimiza as perdas do fruto in natura no campo, e consequentemente agrega valor aos seus
produtos e melhora a renda dos produtores (Machado, 2008).
Sendo assim, a secagem solar busca atender um mercado em amplo desenvolvimento, pois
além da conservação dos alimentos e de agregar valor ao produto, não causa danos ao meio
ambiente, e é mais rentável do que a secagem utilizando energia elétrica, sendo que o uso de um
secador solar permite uso de energia renovável e de baixo custo, sem contar que utiliza uma fonte
de energia limpa que não libera resíduos na atmosfera (Silva, 2010).
O objetivo do presente trabalho foi construir um secador solar de baixo custo e de exposição
direta, e avaliar a sua viabilidade técnica no município de Petrolina-PE.

Material e Métodos

O secador solar foi desenvolvido e construído em parceria com o Laboratório de


Agroindústria e do Laboratório de Construções Rurais do Campus de Ciências Agrárias da
Universidade Federal do Vale do São Francisco.

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(COELHO; CARVALHO; MELO; SÁ; SILVA; SOUSA; MACHADO; CUNHA, 2018)

Construção do secador solar

O secador solar construído foi denominado de versão 2.0, derivado da primeiro versão do secador
(versão 1.0) construído entre o período de 2015 e 2016 (Figura 1), com o intuito de aperfeiçoar o
processo de secagem, e acelerar o processo, por meio da convecção forçada, uma vez que a primeira
versão atingia um ganho médio de 18 ºC em relação a temperatura do ambiente. Trata-se de um
sistema de secagem de exposição direta, que trabalham em regime de convecção natural.

Figura 1. Versão 1.0 do secador solar

Para a construção do secador solar verão 2.0 (Figura 2), foi utilizado um tambor metálico
com capacidade para 200 L, pintado de preto fosco com intuito de aumentar a temperatura no
interior, e foi cortado ao meio obtendo-se 02 secadores. Após o corte, foi afixada uma cantoneira
retangular metálica 5/16 polegadas, para apoiar um vidro de 4 mm de espessura, com comprimento
de 80,5 cm e largura de 69,5 cm, fixado com cola pneumática de silicone. Em uma das laterais foi
afixado uma ventoinha de corrente alternada alimentadas por energia elétrica.

Figura 2. Versão 2.0 do secador solar

Na outra lateral foi adaptada adaptado uma porta, para permitir a entrada matéria prima, e
saída do produto final (fruto seco). Por fim, para permitir a saída de ar frio, nesta porta foi
confeccionado um orifício, em um protótipo com dimensão de 8 mm de diâmetro, e no outro
protótipo com dimensão de 12 mm respectivamente (Figura 3).

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(COELHO; CARVALHO; MELO; SÁ; SILVA; SOUSA; MACHADO; CUNHA, 2018)

Figura 3. Secador solar versão 2.0 com orifício de 8 mm de dâmetro (A) e com 12 mm de diâmetro
(B).

Para evitar a passagem de insetos, os orifícios foram cobertos com telas mosquiteiras de
polietileno com 1,0 mm de abertura, contra a entrada de insetos, pragas e vetores. E por fim, com
uso de cantoneiras rentangular metálica 5/16 polegadas e uma tela, foram construídas duas bandejas
que irá receber a matéria-prima para desidratação.

Avaliação da eficiência do secador solar

Para a avaliação da eficiência do secador solar, a temperatura interna (do secador solar), foi
verificada com o auxílio de um termômetro de pistola, e a temperatura do ambiente foi obtida a
partir dos dados fornecidos pela Estação Meteorológica Automática do Laboratório de
Meteorologia da Univasf, com coordenadas de -9°19'28''S e -40°33'34''W. Os testes ocorrem no dia
19 e 20/02/2018, no horário das 09:00 ás 17:00. Ao final do processo, os dados foram plotados em
forma de gráfico de barras, utilizado o softawere Sigmaplot 10.

Resultados e Discussões

O material utilizado para a construção do secador solar foi um tambor metálico, que é
considerado um bom condutor térmico, além disso, o secador foi pintado de preto, e isso resulta em
maior absorção da energia solar (Galle et al., 2016). Já a cobertura do secador foi utilizado vidro,
que quando comparado ao plástico possuiu custo elevado, no entanto o uso de plástico implica na
construção de um secador em local longe de poeiras, pois as partículas carreadas pela poeira
diminui a eficiência do material (Martins, 2002). E ainda de acordo com Martins (2002), o material
utilizado em um coletor solar aumenta sua eficiência quando é utilizado vidro em sua cobertura.
Ao decorrer dos testes, no dia 19/02/2018, a temperatura média registrada foi de 30,4 ºC e
umidade média de 44%, já no dia 20/02/2018, á temperatura média registrada foi de 29,9 ºC e
umidade média de 47,3%. Com tempo parcialmente nublado, e precipitação de 0 mm, uma vez que
Petrolina-PE é um município de clima classificado como BSh segundo a classificação de Köppen e
Geiger, com pouca pluviosidade, quente e seco, com temperatura média de 24,8 ºC. Regiões como
essa, onde o clima é mais quente e pouco úmido, tem um maior destaque na utilização do secador
solar, já que sua eficiência é condicionada pela incidência de insolação e baixa umidade (Galle et
al., 2016).
Analisando a Figura 4, é possível notar que durante o decorrer da secagem o secador solar, o
secador solar atingiu uma temperatura média de 49,3 ºC para o protótipo com abertura de 8 mm de
diâmetro e 50,5 ºC para o protótipo com abertura de 12 mm de diâmetro, com valores máximos e
mínimos de 55,3 e 40ºC, e de 57,9 ºC e 40,5ºC, respectivamente. Para a temperatura do ar, obteve –
se um valor mínimo de 26,1ºC e máximo de 32,9 ºC para o dia 19/02/2018.
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65
60
55
50
45
Temperatura (ºC)

40
35
30
25
20
15
10
5
0
09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00
Horário

Temperatura interna (ºC) do secador solar com abertura de 8 mm.


Temperatura interna (ºC) do secador solar com abertura de 12 mm.
Temperatura do ambiente (ºC)

Figura 4. Avaliação da eficiência do secador solar do dia 19/02/2018.

Já para o dia 20/02/2018 (Figura 5), é visível que durante a avaliação da eficiência, o secador
com abertura de 8 mm de diâmetro para o escoamento de ar frio apresentou valor máximo de 57,5
ºC, mínimo de 39,2 ºC e médio de 47,9 ºC, e o secador com abertura de 12 mm, apresentou valor
máximo de 58,3 ºC, médio de 49,1 ºC e mínimo de 40ºC. E para a temperatura do ambiente,
observou–se uma temperatura mínima de 26,5 ºC e máxima de 32,6 ºC.

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Temperatura (ºC)

40
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09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00
Horário

Temperatura interna (ºC) do secador solar com abertura de 8 mm.


Temperatura interna (ºC) do secador solar com abertura de 12 mm.
Temperatura do ambiente (ºC)

Figura 5. Avaliação da eficiência do secador solar do dia 20/02/2018.

Ao final dos testes, pode–se observar uma diferença média entre os dois dias de 20,5 ºC para
o secador com abertura de 12 mm, superior a do secador com abertura de 8 mm, que apresentou
uma diferença média de temperatura de 19,3 ºC. A diferença da temperatura entre o ar e interior do
secador chegou a 25 ºC e a 29 ºC para os aberturas com 8 e 12 mm de diâmetro respectivamente.
De acordo com Silva (2000) o aumento de 5º dado por um coletor solar ao ar de secagem já é
um valor considerável para uma boa eficiência do sistema, sendo assim, ambos os protótipos
apresentaram boa eficiência.

Conclusões

Durante todo o processo, a temperatura interna (do secador) foi maior em relação à do ar
(ambiente).
Os dois protótipos desenvolvidos apresentam boa eficiência e viabilidade técnica.

Apoio

Programa Institucional de Bolsas de Extensão da Univasf (PIBEX 2018-2019).

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(COELHO; CARVALHO; MELO; SÁ; SILVA; SOUSA; MACHADO; CUNHA, 2018)

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O USO DA FOTOGRAFIA COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO PARA O


ENSINO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA DE REFERÊNCIA EM
ENSINO MÉDIO OTACÍLIO NUNES DE SOUZA
Keytti Marone Ferreira Silva1; Rosimary de Carvalho Gomes Moura2
1
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade de Pernambuco –Campus Petrolina.
2
Orientadora e Porfa. MSc. da Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina.

RESUMO: Este trabalho tem como propósito analisar o uso da fotografia como instrumento didático no ensino da
Educação Ambiental. Foi observado como o trabalho com fotografias podem contemplar o ensino da Educação
Ambiental de forma inovadora, uma vez que, nas atividades relacionadas ao estudo do meio ambiente, os próprios
alunos podem ser fotógrafos, sendo esta uma forma de oportunizá-los participar do processo de construção da
aprendizagem, exercitando a sua percepção através de um olhar crítico. Portanto, o objetivo desta pesquisa foi associar
a proposta didática do instrumento fotográfico com o ensino da Educação Ambiental, partindo da vivência do Projeto
Interdisciplinar com Fotografias do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência – PIBID, no presente ano,
mais as aulas de Educação Ambiental sobre os quais possibilitou o estimulo da habilidade de observação e interpretação
para o desenvolvimento da consciênciasocioambiental dos alunos do 2º ano da Escola de Referência em Ensino Médio
Otacílio Nunes de Souza. Para a realização desse projeto, o trabalho foi dividido em três etapas: 1. Pesquisa
bibliográfica para embasamento teórico a cerca do tema tratado;2. Conhecer a escola campo e proporcionar aos alunos
uma visita a Trilha Ecológica da EMBRAPA-Semiárido, a fim de fazer uso da fotografia, registrando imagens
relacionadas ao Bioma Caatinga;3. Foi feita uma análise do material produzido em campo, momento que os alunos
articularam as imagens com as questões de conhecimento local e os impactos, degradação e preservação. Após a coleta
de dados e análise dos mesmos, o resultado foi positivo sobre a prática realizada e o quanto ela foi importante para a
percepção dos alunos acerca de áreas preservadas como também para o conhecimento dos impactos ambientais
existentes em um determinado meio.

Palavras-chave: Ensino; Educação Ambiental; Fotografia; Pibid.

The Use of Photography as a Teaching Tool for the Teaching of Environmental Education in
the High School Reference School Otacílio Nunes de Souza
ABSTRACT: This work aims to analyze the use of photography as an educational tool in teaching environmental
education. It was seen as working with photos can contemplate the environmental education teaching in an innovative
way, since in the activities related to the study of the environment, the students themselves can be photographers, which
is a form of gives opportunity them participate in the process of construction of learning, exercising their perception
through a critical eye. Therefore, the objective of this research was to associate the didactic proposal of the
photographic instrument with the teaching of environmental education, starting from the experience of the
Interdisciplinary Project with Photos of the Institutional Program Initiation Grant to Teaching - PIBID, this year, more
classes Education Environmental upon which enabled the stimulation of the ability of observation and interpretation for
the development of environmental awareness of students of 2nd year Reference School in School OtacílioNunes de
Souza. To carry out this project, the work was divided into three steps: 1. Literature search for theoretical basis about
the topic addressed; 2. Know the field school and provide students with a visit to the Ecological Trail-EMBRAPA
semiarid in order to make use of photography, recording images related to the Caatinga biome; 3. An analysis was made
of the material produced in the field, now that students articulated the images with the local knowledge of issues and
impacts, degradation and preservation. After data collection and analysis; the result was positive about the practice
performed and how much it was important for the students' perception about conservation areas but also for the
knowledge of existing environmental impacts in a given medium.

Keywords: Education; Environmental Education; Photography; Pibid.

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(SILVA; MOURA, 2018)

1INTRODUÇÃO

Na educação vigente, percebe-se um amplo debate em torno da necessidade de se modificar


as práticas pedagógicas. Ensinar e aprender hoje exige muito mais flexibilidade na exposição dos
conteúdos curriculares. Nesse contexto, é necessário agregar novos saberes ao ensino tradicional,
rompendo com a concepção do currículo isolado, descontextualizado, que não permite a construção
e compreensão daquilo que nos cerca.
Em meio a essedebate no âmbito educacional, surgem às novas possibilidades de tornar o
ensino da Educação Ambiental mais atrativo e inovador, isso é possível através do uso de
tecnologias e multimídias que, quando usadas de forma direcionada e consciente, possibilita
integrar todas as áreas do conhecimento promovendo a interdisciplinaridade.
Repensar o ensino da Educação Ambiental de forma interdisciplinar é necessário, e a forma
de tornar isso possível está em acrescentaràs tecnologias disponíveis e acessíveis aos professores e
alunos.
Um exemplo de envolvê-los na busca paradespertar suas percepções quanto ao estudo da
Educação Ambiental é usar a fotografia, sendo esta uma ferramenta educacional eficaz e criativa
que conscientiza de forma lúdica os alunos, fazendo com que estes assimilem o conteúdo,
problematize e compreenda a realidade socioambiental estudada na qual estão inseridos. Tal
instrumento auxilia no aguçamento do imaginário do aluno, colocando-o a par dos acontecimentos e
fenômenos de sua realidade local, permitindo a análise da realidade socioambiental.
Portanto, o objetivo desta pesquisa foiassociar a proposta didática doinstrumentofotográfico
com o ensino da Educação Ambiental, partindo da vivência do Projeto Interdisciplinar com
Fotografias do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência – PIBID, no presente ano,
mais as aulas de Educação Ambiental sobre os quais possibilitou o estimuloda habilidade de
observação e interpretação para o desenvolvimento da consciênciasocioambiental dos alunos do 2º
ano da Escola de Referência em Ensino Médio Otacílio Nunes de Souza.

2. Referêncial Teórico

2.1 Educação Ambiental

De acordo com Chacon, com referência a I Conferência Intergovernamental sobre Educação


Ambiental - Tbilisi, Geórgia (ex URSS), a:

Educação Ambiental foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da
Educação, orientada para a solução dos problemas concretos do meio ambiente, através de
enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da
coletividade. (CHACON, 2011, p. 22).

Ainda assim, após essa Conferência, os problemas ambientais persistiram e denotam


gravidade e urgência de solução, que estão interligados a escassez de água potável e uso inadequado
da mesma, desmatamento, aquecimento global, buraco na camada de ozônio, chuva ácida, lixo,
perda da biodiversidade, poluição de diferentes ordens, queimadas, superprodução, e que ainda não
foram solucionados.
Os problemas acima apresentados já foram assimilados pelo senso comum de uma grande
parte da população, no entanto, poucos são os que já se apropriaram dos mecanismos que os
desencadearam. Para compreender estes mecanismos é preciso considerar que as questões
ambientais têm, ao mesmo tempo, raízes históricas e culturais.
O homem transitou das técnicas mais rudimentares às mais elaboradas e organização social
cada vez mais complexa. Das criações humanas com vista a manter o sistema capitalista está a
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Revolução Industrial, que trouxe ao meio ambiente um modelo de desenvolvimento insustentável,


que acabou por eclodir na destruição de ecossistemas e diminuição da biodiversidade.
Partindo de um desenvolvimento insustentável, foi necessário que se consolidasse o saber
ambiental, com alguns programas de formação interdisciplinar, com temas como políticas de
desenvolvimento sustentável, economia ecológica, entre outros, visando“formar cidadãos
capacitados na melhoria das condições do meio ambiente. Essa formação deve buscar o
desenvolvimento sustentável a fim de que todos os segmentos sociais possam participar”
(D‟OLIVEIRA et. all, p. 2).Assim, fica claro que, em se tratando das questões ambientais, é
necessário considerar os aspectos sociais, econômicos, políticos, culturais e éticos. De acordo com
Mauro Grun:

A educação ambiental não deveria ser pensada em termos da criação de uma nova
disciplina específica. Tampouco deveria ela ficar confinada a algumas das disciplinas já
existentes, mas ser reorientada e articulada nas diversas disciplinas e experiências
educativas que facilitem a visão integrada do meio ambiente (GRUN, 1996, p. 106).

Entretanto, a formação ambiental avançou lentamente por falta de profissionais e políticas


ambientais eficazes. Por isso, foi necessário criar a Lei 9.795/99 que, segundo Correa:

Dada à importância do assunto, promulgou-se, no ano de 1999, a Lei 9.795, que


estabeleceu a Política Nacional de Educação Ambiental. De acordo com os preceitos
normativos, a educação ambiental deve ser instituída em todos os níveis e modalidades do
ensino formal como um tema transversal, ou seja, tema a ser abordado em todas as
disciplinas ministradas (CORREA et. all, 2010, p. 14).

“Uma visão da educação para o meio ambiente mais ampla deve envolver as pessoas da
comunidade, os currículos escolares e a preparação dos professores em geral” (TRAVASSOS, 2004,
p. 15). Pois, para haver sucesso no ensino da Educação Ambiental, é necessário basear-se na
reformulação de conhecimentos que orientem os comportamentos sociais, valores e ética para
alcançar objetivos de sustentabilidade e equidade social, a fim de desenvolver a
interdisciplinaridade e sua incorporação a conteúdos integrados. É justamente isso que visa a
Política Nacional de Educação Ambiental:

A Política Nacional de Educação Ambiental aponta caráter humanístico e participativo e


democrático que permita entender a complexidade do meio ambiente envolvido de aspectos
econômicos, políticos, culturais, éticos e sociais, no intuito de construir uma sociedade
ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios de liberdade, igualdade, solidariedade,
democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade (DIAS & OLIVEIRA, 2014,
p. 6).

Levando em conta a resistência de alguns profissionais em aderir / integrar conteúdos à


Educação Ambiental, pelo fato dela não ser somatória ao currículo escolar é, portanto, necessário
oferecer programas de formação que possibilite o avanço na construção de novos objetos
interdisciplinares de estudo através do questionamento de paradigmas, ou seja, um processo que
leve a autoformação e formação coletiva de professores, de elaboração de estratégias de ensino e
definição de novas estruturas curriculares.Pois, considerando que a Educação Ambiental deve ser
abordada permanentemente na escola, os professores:

Precisam envolver-se em estudos e reflexões para desenvolver os saberes necessários à


prática de uma educação ambiental crítica e usar criatividade para propor ações
diversificadas. Os professores precisam atuar de forma mais integrada e em equipe,

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aprendendo a diagnosticar possibilidades reais de trabalho e socializando suas reflexões e


ações (DIAS & OLIVEIRA, 2014, p. 13).

Ainda, segundo Leff:

A Educação Ambiental se funda em: 1) uma nova ética que oriente os valores e
comportamentos sociais; 2) Uma nova concepção de mundo que leve a um novo saber e a
uma reconstituição do conhecimento. Para isso a Educação Ambiental terá que avançar na
construção de novos objetos interdisciplinares de estudo através do questionamento dos
paradigmas dominantes, da formação de professores e da incorporação do saber ambiental
emergente em novos programas curriculares (LEFF, 2001, p. 237).

2.2 Fotografia

Mesmo nos dias atuais, ou na era da globalização, ainda nos deparamos com o ensino
tradicional e com professores avessos a tecnologia. Sendo assim, é necessário pensar numa estrutura
de aprendizagem que favoreça a formação do sujeito que saiba relacionar o ensino às tecnologias, e
a escola deve se apropriar desses meios a fim de criar condições para o aluno desenvolver sua
capacidade de produzir conhecimento. Pois, como nos alerta Silva:

A era da globalização impõem a melhoria da qualidade do ensino, surgindo assim à


necessidade de se utilizar novas metodologias e implantação de recursos multimídias, que
proporcionem prazer, interesse e despertem motivação no aprendiz (SILVA, 2011, p. 8 apud
SILVA et. all, 2014, p.3).

Desta forma, o professor deve buscar novos meios de chamar atenção do seu aluno,
desenvolvendo competências que permitam unir teoria à prática através do uso de recursos
multimídias. A inclusão dessas ferramentas no ensino proporciona “a interdisciplinaridade
garantindo a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com os limites das
disciplinas” (GADOTTI, 1999 apud WIETH & RODRIGUES, 2013, p. 14), sendo esta uma
alternativa de levar o aluno a despertar a percepção e conhecer o mundo que está além da sala de
aula, além de possibilitar a contextualização das diversas áreas do ensino. Conforme Silva:

Diante da disponibilidade de recursos tecnológicos atrativos e de fácil acesso, tem sido cada
vez menos atrativo debruçar-se sobre numerosas páginas de textos didáticos, ou mesmo
ouvir professores com apresentações desinteressantes e desvinculadas com o que se ouve e
se vê fora da escola. Isso resulta no desinteresse dos alunos, pois se tornam meros
expectadores, sem nenhuma participação crítica e desvinculada da realidade cotidiana.
(SANTOS, 2009, p. 3-4 apud SILVA et. all, 2014, p. 5).

Em meio a essas transformações, surge a fotografia, como produto dessas tecnologias, que
tem sido cada vez mais popularizada nas diversas camadas sociais. A escola, por sua vez, deve criar
mecanismos que proporcione a alfabetização do olhar crítico dos alunos, já que estes, dentro e fora
da escola, estão em contato com os diversos meios de comunicação, com uma variedade riquíssima
de imagens.

Como ferramenta de ensino, a fotografia é útil para explicar, exemplificar, sensibilizar,


provocar dúvidas e questionamentos. Dessa forma, pode ser utilizada como metodologia
didática de diversas maneiras em diferentes áreas de estudo, dependendo das necessidades
de cada professor (CAVALCANTE, et. all, 2014, p. 11).

O uso de fotografias pode proporcionar formas interativas de aprendizagem aos alunos.


Como estratégia metodológica possibilita que eles sejam participantes do processo de construção do
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conhecimento, trazendo assim, significado e agregação ao conteúdo escolar. A inserção da


fotografia ao ensino da Educação Ambientalé uma maneira de interligar os saberes, superando a sua
fragmentação. Esse tipo de proposta estabelece ligações entre as disciplinas curriculares, pois, “todo
conteúdo por mais específico que seja sempre está associado e, portanto será aprendido junto com
conteúdos de outra natureza” (ZABALA, 1998, p. 40 apud WIETH; RODRIGUES, 2013, p. 2).
A fotografia oferece enriquecimento às aulas através da leitura visual e o seu uso como uma
linguagem educacional, que se agrega as disciplinas curriculares, pode influenciar na sensibilização
e transformação, formando sujeitos mais conscientes e com uma melhor percepção do meio que está
inserido.

2.3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL X FOTOGRAFIA

A ação devastadora do homem em prol a ascensão econômica é preocupante, visto que, tem
prejudicado o desenvolvimento e a evolução vital da natureza. Nesse sentido, a escola tem como
papel conhecer os problemas ambientais e buscar formas inovadoras de trabalhar a Educação
Ambiental em sala de aula, e assim, despertar nos alunos a criticidade a partir da percepção da
realidade que os rodeia.

[...] a educação ambiental surge para favorecer a aquisição de conhecimentos, valores e


comportamentos; propiciar uma percepção de Meio Ambiente como interação de vários
aspectos; contribuir para formação de uma consciência sobre a preservação da qualidade do
Ambiente, entre outros aspectos, tudo isso significa uma realidade a ser construída por um
indivíduo ou grupo. A Fotografia entra não somente como um meio de informações e
documentações visuais – como ocorre geralmente com o uso desta linguagem – mas
também oportuniza a aplicação dessas imagens como forma de mudança de
comportamentos e atitudes em relação aos problemas ambientais e ecológicos (BORGES
et. all, 2010, p. 4).

Percebe-se que a explanação de conteúdos relacionados aos temas transversais, como é o


caso da Educação Ambiental, têm se restringido à utilização de poucos materiais didáticos. Isso se
deve, principalmente, às amarras pelas aulas expositivas, que se faz presente em pleno século XXI.
É necessário apresentar aos alunos uma aprendizagem que os torne participantes na construção do
conhecimento, assim, permitindo que estes pensem, avaliem, exponham suas ideias e seus
conhecimentos acerca dos assuntos trabalhados.

Fotografias podem atuar como instrumento motivador de ações voltadas para a Educação
Ambiental, pois as imagens fotográficas podem aproximar o aluno do real, apresentando
variados temas. Conhecer determinado assunto propicia argumentos para a sua exploração e
defesa, contribuindo para o aumento de informações que poderão respaldar a atuação de
estudantes e da comunidade em geral em ações de Educação Ambiental (D‟OLIVEIRA et.
all, p. 11).

Sendo assim, é necessário desenvolver a consciência ambiental nosalunos, pois,poderão


participar como cidadãos críticos nas decisões políticas da sociedade em que habitam.
Embora, não possa resolver todos os problemas ambientais, a Educação Ambiental pode
influir decisivamente para isso, quando num futuro próximo, poderá tornar as pessoas em cidadãs
conscientes dos seus direitos e deveres com relação a proteção do meio ambiente. Por isso, cabe aos
professores desenvolver um comportamento reflexivo, desde cedo, em seus alunos, dando sentido
para que eles desenvolvam atitudes de preservação ambiental.

Durante o processo de ensino-aprendizagem é preciso criar situações que estimulem a


curiosidade dos alunos. Segundo os PCN's (1998), o interesse e a curiosidade dos
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estudantes pela natureza, ciência, tecnologia e a realidade local e universal, facilitam a


aprendizagem, bem como, o conhecimento adquirido através dos meios de comunicação
também contribuem para o seu desenvolvimento, pois neles encontram mais facilmente o
significado daquilo que estão aprendendo. Portanto, é papel do professor criar oportunidade
aos alunos para a realização de estudos sobre o ambiente onde vivem, relacionando teoria e
prática, de forma a tornar esse estudo prático e não apenas livresco (MACHADO &
STANGE, 2013, p. 4-5).

Porém, observa-se que há uma deficiência da escola pública incorporar a temática


ambiental, desta forma, depara-se com um discurso oficial presente nos documentos e propostas
curriculares enquanto que o fazer pedagógico dos professores nem sempre vai ao encontro de tais
propostas.

Parte destas propostas [...] encontra-se expressa na reformulação dos Parâmetros


Curriculares Nacionais, como um instrumento de referência mínima para os currículos das
escolas públicas. Este documento recomenda que a escola trabalhe atitudes, formação de
valores, de habilidades e procedimentos(BRASIL, 1998 apud VALENTIN& SANTANA,
2004).

São poucos os professores que se baseiam por esse documento e que repensam na sua
prática educacional, sendo assim necessário criar oportunidades inovadoras para se trabalhar o
ensino da Educação Ambiental no ambiente escolar que possibilite refletir na prática docente
enquanto sujeito formador de opiniões e de cidadãos conscientes.
Assim, a dimensão do ensino da Educação Ambiental ainda não foi assimilada pela maioria
dos professores, ficando restrita apenas aos projetos relacionados ao meio ambiente, sendo assim,
necessário desenvolver uma consciência ambiental – já que esta é uma das exigências da atualidade
– por meio do ensino interdisciplinar da Educação Ambiental.
Diante dessa perspectiva, é preciso um olhar sobre a formação dos professores quanto ao uso
das novas tecnologias educacionais a fim de desenvolver a formação de sujeitos ecológicos
participativos, pois, como afirma Santana:

O trabalho com essas representações exige conhecimento, criatividade e dinamismo por


parte do professor, afinal muitas são oriundas da conquista das novas tecnologias da
sociedade contemporânea, e para isso o educador precisa ter conhecimento e saber lidar
com essas inovações (SANTANA et. all, p. 5).

As ferramentas tecnológicas de ensino é um meio de facilitar a abordagem ambiental,


tornando os alunos participantes na construção da aprendizagem. “Nesse sentido, a escola é
desafiada a ser mais que um ambiente de apropriação do conhecimento, por isso os professores
precisam estar atentos aos novos interesses de seus alunos” (RODRIGUES, p. 1-2).
Sabendo explorar corretamente esse recurso, pode-se ter em mãos um poderoso instrumento
que mostrará a realidade de diversos lugares sem a necessidade de deslocamento (SANTANA et.
all, p. 6). Esse procedimento pedagógico deve orientar o aluno a desenvolver uma postura crítica em
relação aos fatores naturais e sociais, contribuindo na formação de sujeitos pensantes capazes de
argumentar e modificar a realidade a sua volta. A Educação Ambiental:

Auxiliada pela arte de fotografar e as imagens como recurso científico, indica de que
maneira se pode olhar a paisagem e levar o aluno a desbravar o mundo além da sala de aula
a fim de compreender melhor a sua realidade (SANTANA, p. 5).

“Como tema transversal de caráter interdisciplinar, a educação ambiental centra seus


princípios na construção de uma nova forma de ver o mundo e de reflexão e ação no meio onde o
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sujeito está inserido” (RODRIGUES&LABURU, 2014, p. 3).De tal modo, o meio de trabalhar as
disciplinas curriculares juntamente aos temas transversais de forma interdisciplinar é criar
oportunidades de se agregar as ferramentas tecnológicas de ensino a fim de se buscar a inserção da
prática ambientale o uso dos instrumentos didáticos dentro da sala de aula, porque inovando e
facilitando a prática pedagógica do professor,a Educação Ambiental poderá ser trabalhada
efetivamente, não se restringindo apenas aos projetos relacionados ao meio ambiente.

Entre as diversas formas de se promover a construção de saberes em educação ambiental, a


linguagem fotográfica se coloca como um instrumento de informações capaz de oferecer a
aproximação com o lugar a ser analisado e, com isso, desenvolver sentimentos pela
aproximação com a realidade (SANTANA & MOURA, p. 2).

Portanto, a fotografia“precisa ser pensada enquanto obra e produção de um indivíduo


humano e que sua composição estética pode trazer tanto elementos naturais, quanto elementos
construídos ou alterados por ele” (RODRIGUES, p. 4).Assim, quando bem direcionados, os alunos
podem usar as imagens fotográficas para revelar e denunciar a ação predatória dos seres humanos,
como o desmatamento e a poluição. Consequentemente, a fotografia pode ser utilizada como
instrumento didático no ensino da Educação Ambiental com o propósito de divulgar e denunciar os
problemas enfrentados pelo planeta Terradecorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

3METODOLOGIA

3.1 Tipo de Pesquisa

A pesquisa se baseou em estudo de revisão bibliográfica para embasamento teórico a cerca


do tema tratado, discutindo os pressupostos filosóficos da Educação Ambiental. Assim como uma
introdução aos conceitos da fotografia como um instrumento didático. Realizou-se também uma
pesquisa de campo, de forma orientada, para que os alunos, fazendo uso da fotografia, registrassem
imagens relacionadas ao Bioma Caatinga. Em um terceiro momento foi feita uma análise do
material produzido em campo, articulando as imagens com as questões de conhecimento local e os
impactos, degradação e preservação.
Nessa perspectiva, a ideia do trabalho com fotografias, como ferramenta tecnológica e
didática é que, além de contemplar as disciplinas curriculares, visto que, a inserção da prática
fotográfica em sala de aula tem perspectiva integradora das diversas disciplinas, superando o
isolamento de cada campo científico (SILVA & COSTA, 1999 apud TRAVASSOS, 2001), também
podem estar voltadas para temas transversais como a Educação Ambiental, pois as imagens
fotográficas materializam o local ou a paisagem a ser analisada que, nesse caso, são voltadas para as
interferências positivas e negativas do homem no meio ambiente.

3.2 Local e Período

A pesquisa de campo foi realizada na Escola de Referência em Ensino Médio Otacílio


Nunes de Souza, localizada naRua Tchecoslováquia, s/n, no bairro Areia Branca, Petrolina-PE,
durante o segundo semestre letivo de 2015. Nesse período foi observado como o trabalho com
fotografias podem contemplar o ensino da Educação Ambiental de forma inovadora, uma vez que,
nas atividades relacionadasao estudo do meio ambiente, os próprios alunos podem ser fotógrafos,
buscando locais que houve interferência humana e fazer um comparativo com aqueles que ainda
não sofreram interferências.Assim, oportunizando ao aluno participar da construção do
conhecimento, exercitando a sua percepção através de um olhar crítico.

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3.3 Participantes do Estudo

Fizeram parte do projeto/pesquisa em torno de 40 alunos, cursando o 2º ano da Escola de


Referência em Ensino Médio Otacílio Nunes de Souza. Os participantes da pesquisa são moradores
do município de Petrolina-PE.
A Escola foi uma das contempladas para o desenvolvimento do Projeto Interdisciplinar por
meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência – PIBID, que tem como objetivo
a isenção de alunos licenciandos na Escola Pública, a fim de garantir a valorização do Magistério,
em especial, à formação de professores de Ciências / Biologia para a Educação Básica.
Dentre as atividades realizadas a partir do projeto PIBID, houve uma visita a EMBRAPA-
Semiárido para que os alunos tivessem acesso a áreas rurais, a fim de que todos pudessem tirar fotos
no contexto ambiental de áreas nativas. Os alunos foram orientados a observarem que, a partir de
um “clik” da câmera fotográfica, é possível ver a diferença de um ambiente que teve e não teve
intervenção humana e que as fotos produzidas por eles mesmos podem tornar-se material riquíssimo
a ser usado em sala de aula, cabendo ao professor usá-las de forma dinâmica e interativa, pois há
diversos assuntos relacionados à Educação Ambiental a serem abordados e relacionados ao contexto
ambiental de área nativa usando imagens fotográficas.
Após a visita, os alunos apresentaram em slides as fotografias, relacionando-as a questões de
conhecimento local, aos impactos, degradação e preservação do meio ambiente e, por fim,foi
solicitado que os alunos respondessem um questionário direcionado aos conhecimentosgerais que já
tinham com relação ao meio ambiente e os adquiridos a partir da experiência vivenciada.

Quando o aluno faz uma atividade prática, quando ele tem uma vivência interessante, tal
qual a fotografia proporciona, o aluno mesmo que inconscientemente, estabelece relações
com sua vida. No momento em que o professor proporciona um momento de reflexão,
debate, discussão sobre a prática, sobre as imagens produzidas e “consumidas” por cada
aluno, ele está proporcionando uma grande produção de sentido sobre suas realidades
(BAZILI et. all, p. 6).

3.4 Método de Coleta de Dados

O método escolhido para coletar as impressões e experiênciasdos participantes foi uma aula
– os próprios alunos planejaram essa aula: usaram as fotografias relacionando-as a conhecimento
local, aos impactos, degradação e preservação do meio ambiente– de análise e discussões sobre as
imagens, assim como o preenchimento por partes dos mesmos de um questionário, em que
registraram suas opiniões e demostraram sua aprendizagem quanto ao desenvolvimento da temática
proposta.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Análise dos Dados

Os dados coletados foram organizados para facilitar a compreensão dos objetivos ao qual o
trabalho se propôs: instigar o uso das imagens fotográficas como instrumento de ensino da
Educação Ambiental, bem como avaliar a sua influência na aprendizagem dos alunos.
No momento de realização das fotografias foi bem satisfatória; os alunos deixaram
transparecer que estavam gostando da atividade. Os alunos produziram as fotos sem que houvesse
necessidade de muita orientação.
A análise feita do material produzido em campo e organizado para ser usado em sala de aula
pelos alunos se mostrou positiva na aprendizagem e compreensão da importância de preservar o
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meio ambiente, pois os alunos souberam associá-las a preservação da natureza e aos impactos
sofridos por ela quando não há conscientização quanto ao seu uso como também,ao usar a
criatividade na produção do material usado em sala. Isso foi possível porque os próprios alunos,
além de serem autores das fotos, às apresentaram em slides, relacionando-as a questões de
conhecimento local, aos impactos, degradação e preservação do meio ambiente – temas propostos –
ou seja, as interferências positivas e negativas do homem sob esse meio. Desta forma, eles puderam
expor suas considerações sobre as fotos produzidas como da atividade em geral e do conteúdo
pesquisado/aprendido.
Dentre os temas apresentados com o uso das fotografias, e a partir delas, foi discutido que a
degradação ambiental tem aumentado devido a expansão da produção agrícola e industrial como
consequência do aumento da população e urbanização; a trilha ecológica (a trilha tem um percurso
de 300 metros dentro de uma área de 11 hectares de Caatinga preservada) da EMBRAPA-Semiárido
foi apresentada com o objetivo de mostrar a diversidade da flora e fauna preservada/conservada do
Bioma Caatinga, tendo como um dos exemplos o umbuzeiro – árvore representativa na
agroindústria da região.
Ao final dessa etapa, os alunos receberam e responderam um questionário para avaliar a
visita e a atividade em geral – apenas 32 se propuseram a responder.

4.2 Análise das Respostas do(s) Questionário(s)

A seguir, a análise dos questionários usados para conhecer o nível de conhecimento geral
dos alunos sobre Educação Ambiental/Meio Ambiente a partir da atividade em geral e a visita
feitana Trilha Ecológica EMBRAPA-Semiárido:

Quadro 1: Respostas dos questionários. Nº de entrevistados=32.


PERGUNTA(S) SIM NÃO
1. Você considera que as imagens fotográficas da Trilha Ecológica
EMBRAPA-Semiárido, organizadas de forma interativa, são capazes de
estimular ações de Educação Ambiental? 96,88% 3,12%
2. Você acredita que a fotografia ajuda nas aulas de Educação
Ambiental? 87,5% 12,5%
3. Você considera que a trilha/atividade contribuiu para ampliar o seu
conhecimento sobre a Educação Ambiental? 100% 0%
4. Você tem contato frequente, em campo, com a Caatinga? 31,25% 68,75%
5. Você avalia a atividade de forma positiva? 100% 0%
6. O que chamou sua atenção na atividade de campo?
R:_________________________________________________________________
7. A escola promove hábitos de conscientização e preservação do Meio
Ambiente com o uso de recursos multimídias? 28,12% 71,88%
8. É importante a participação do aluno na construção de atividades que
o instigue a refletir criticamente frente aos problemas ambientais? 100% 0%
9. A Educação Ambiental deve considerar o Meio Ambiente em sua
totalidade, deve ser contínua, atingir todas as faixas etárias e ocorrer
dentro e fora da escola? 100% 0%
10. Os impactos ambientais podem afetar os componentes bióticos
(componentes vivos do meio ambiente, como a fauna e a flora),
abióticos (elementos não vivos, como a água, a atmosfera e o solo) e
antrópicos (compreende os fatores sociais, econômicos e culturais da
sociedade humana)? 96,88% 3,12%
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Gráfico 1: corresponde a questão 1

Gráfico 2: corresponde a questão 2

Gráfico 3: corresponde a questão 3

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Gráfico 4: corresponde a questão 4

Gráfico 5: corresponde a questão 5

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Gráfico 7: corresponde a questão 7

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Gráfico 8: corresponde a questão 8

Gráfico 9: corresponde a questão 9

Gráfico 10: corresponde a questão 10

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As respostas dadas as questões 1, 2 e 10 foram satisfatórias já que a maioria dos alunos


mostrou ter algum conhecimento a cerca do meio ambiente como da dimensão dos impactos
ambientais sofridos pela natureza, além de associarem as imagens fotográficas como instrumento
denunciador das más ações antrópicas, podendo estas serem um recurso útil às aulas de Educação
Ambiental.
Já as respostas dadas as questões 3, 5, 8 e 9 surpreenderam quanto a sinceridade dos alunos,
ou seja, os mesmos conseguiram refletir de forma positiva como esse tipo de atividade proporciona
ampliar os conhecimentos em Educação Ambiental,que seu ensino instiga refletircriticamente frente
aos problemas ambientais e estimula a tomada de atitudes que levem o indivíduo buscar alternativas
de preservar a natureza.
As respostas dadas a questão4mostrou que a Trilha Ecológica foi estimuladora para a
ampliação dos conhecimentos dos alunos quanto a riqueza existente no Bioma Caatinga, dando
ideia da importância de preservação e conservação do meio ambiente;as respostas à questão 7 dá
entender que, pela primeira vez, os alunos tiveram contato com a fotografia como instrumento
didático no ensino, sendo, portanto, necessário os professores terem mais familiaridade com esse
tipo recurso, pois torna as aulas mais interativas e instiga a participação do aluno no processo de
construção do ensino-aprendizagem.

4.3Análise das respostas à pergunta aberta do(s) questionário(s) – questão 6

Quanto as respostas dadas a questão 6 a “atividade de campo”, Trilha Ecológica


EMBRAPA-Semiárido, proporcionou conhecimentos a cerca da “diversidade de plantas e da sua
importância para o Sertão Nordestino”, que o “Bioma Caatinga é muito rico”, precisando ser
preservado a suas características naturais, além de curiosidades sobre o “processo de produção de
vinho da região”, fazendo uma relação da sua importância para a economia local.

 21,875% dos alunos consideraram a visita a Trilha importante, pois apresenta uma área
conservada levando-os fazer uma relação à Educação Ambiental;
 50% dos alunos adquiriram conhecimentos sobre a flora e fauna características do Bioma
Caatinga;
 12,5% dos alunos passaram a desconsiderar que o sertão Nordestino não só apresenta seca ou
estiagem, mas tem suas belezas naturais, apresenta riqueza em diversidade na flora e fauna;
 6,25% dos alunos acharam significante o processo de produção de vinho e da sua importância
para a economia da região;
 9,375% dos alunos fugiram do assunto.

5 CONCLUSÃO

Espera-se que este projeto possa colaborar para a ampliação da reflexão acerca da
importância do uso da fotografia como instrumento didático voltado para a prática interdisciplinar,
visto que, contribui para a educação e trabalha a percepção e criticidade do aluno ao oportunizá-lo
relacionar o ensinoda Educação Ambiental a situações cotidianas através das imagens fotográficas,
tornando-os participativos na construção do conhecimento – já que a ideia foi que os mesmos
produzissem as fotos – além de promover a sensibilização no meio que está inserido.
A Trilha Ecológica EMBRAPA-Semiárido promovida pelo Projeto Interdisciplinar do
PIBID, se mostrou como promotora da Educação Ambiental, pois desenvolveu nos alunos o
sentimento de conservação, preservação e valorização do meio ambiente.
Assim, fica claro que, usar a fotografia como instrumentoeducativo leva os alunos a
despertar o interesse e curiosidade naquilo que os cerca a partir da observação, interpretação e,
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consequentemente, o desenvolvimento da aprendizagem através da contextualização integrada da


prática através das fotos, juntamente com a teoria, advinda dos conteúdos que contemplem a
Educação Ambiental.

6 REFERÊNCIAS

BORGES, Marilia Dammski; ARANHA, José Marcelo; SABINO, José. A Fotografia de Natureza
como Instrumento para Educação Ambiental. (Ciência & Educação, v. 16, n. 1, p. 149-161).
Pombinhas-SC, 2010.
CHACON, Giovana de Castro. Educação Ambiental no Ensino Fundamental: análise da visão
dos alunos sobre a disciplina e o uso da fotografia como recurso para a mesma. 2011. 49 F.
Monografia (Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação
– Especialização em Ensino de Ciências). Medianeira-PR, 2011.
CORREA, Adriane Kochenborger Menezes; ESPOLADOR, Rita de Cássia Resqueti Tarifa;
SPAGOLLA, Vânya Senegalia Morete. A Lei 9.795/1999 e a Consciência Ecológica: caminho
para a conservação. 2010. 16 F. Artigo (Revista de Direito Público, Londrina, v. 5, n. 2, p. 12-27,
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INCORPORAÇÃO DO RESÍDUO DA BAUXITA INDUSTRIAL COMO


SUBSTITUTO PARCIAL DO AGREGADO MIÚDO EM TIJOLOS DE SOLO-
CIMENTO PARA USO EM ALVENARIA
João Victor da Cunha Oliveira 1, Anekeli Soares de Oliveira 2, Cássia Monalisa dos Santos Silva 3,
Aline Figueirêdo Nóbrega de Azerêdo 4, Frankslale Fabian Diniz de Andrade Meira 5
1,5
Instituto Federal da Paraíba – Campus Campina Grande. R. Tranqüilino Coelho Lemos, 671 - Dinamérica - Campina Grande –
Paraíba – Brasil. CEP: 58.432-300 / Telefone: (83) 2102.6233 / E-mail: 1 joaovictorwo@gmai.com; 5 frankslale.meira@ifpb.edu.br
2,3
Universidade Estadual de Goiás – Campus Niquelândia. R. Itabaiana, Qd. U, Lt. 1, s/n - Centro - Niquelândia – Goiás – Brasil.
CEP: 76.420-000 / Telefone: (62) 3354.1571 / E-mail: 2 anekelisoares@gmail.com; 3 cassia.silva@ueg.br
4
Instituto Federal da Paraíba – Campus Princesa Isabel. BR 426, s/n - Zona Rural – Princesa Isabel – Paraíba – Brasil. CEP: 58.755-
000 / Telefone: (83) 3065.4901 / E-mail: 4 alinefnobrega@hotmail.com

RESUMO: Existe uma real preocupação ambiental desde a extração da bauxita até a reutilização dos insumos que não
possuem mais utilidade para as mineradoras, e com o objetivo de atender aos requisitos ambientais no desenvolvimento
de materiais para a construção civil, desenvolveu-se protótipos de tijolos de solo-cimento, incorporando o resíduo da
extração da bauxita industrial em substituição ao agregado miúdo (solo), e a escolha desse resíduo ocorreu mediante a
realização de caracterizações química e mineralógica por meio de fluorescência e difração de raios-x. Objetivou-se
avaliar parâmetros de absorção de água e grau de saturação dos protótipos após 28 dias de cura, e através de gráficos
para interpretar o comportamento global dos traços frente à adição do resíduo, pôde-se entender que o traço com
melhores resultados é o T-09, com 80% de resíduo incorporado, para os dois parâmetros estudados. O traço com 100%
de resíduo (T-11), também expôs resultados satisfatórios, pois além de superar de forma coerente os valores do traço de
referência, atende aos requisitos de qualidade exprimidos na literatura enfatizada nesse estudo.

Palavras-chave: Resíduo, Caracterizações, Bauxita Industrial, Tijolos de Solo-cimento, Alvenaria

Incorporation of the industrial bauxite residue as a partial substitute of the


small aggregate in soil-cement bricks for use in masonry
ABSTRACT: There is a real environmental concern from the extraction of bauxite to the reuse of the inputs that are no
longer useful for mining companies, and in order to meet the environmental requirements in the development of
materials for the civil construction, prototypes of soil bricks have been developed incorporating the residue from the
extraction of industrial bauxite in replacement of the small aggregate (soil), and the choice of this residue occurred
through chemical and mineralogical characterization by means of fluorescence and x-ray diffraction. The objective of
this study was to evaluate water absorption parameters and saturation of the prototypes after 28 days of cure, and
through graphs to interpret the overall behavior of the traces in front of the addition of the residue, it was possible to
understand that the trait with better results is the T-09, with 80% of incorporated residue, for the two parameters
studied. The trait with 100% residue (T-11) also exhibited satisfactory results, since in addition to consistently
surpassing the values of the reference trace, it meets the quality requirements expressed in the literature emphasized in
this study.

Keywords: Waste, Characterization, Industrial Bauxite, Soil-cement Bricks, Masonry.

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(CUNHA OLIVEIRA; OLIVEIRA; SILVA; AZERÊDO; MEIRA, 2018)

Introdução

Os mecanismos atuais que proporcionam a utilização de resíduos e subprodutos industriais


em materiais de construção estão tomando proporções relevantes. Leonel et al. (2017) explicam que
os resíduos gerados em atividades econômicas são as principais fontes de materiais que possuem a
viabilidade de serem aplicados em setores de habitação e da indústria rural, como também em
pavimentação rodoviária, urbana e rural.
A Lei Complementar no 140/2011 (apud Lei n° 6.938/81 - Política Nacional do Meio
Ambiente), no seu Art. 10, rege que agentes utilizadores de recursos ambientais, que possuem
potencial poluidor ou que induzam à degradação ambiental, necessitam de prévio licenciamento
ambiental. Isso significa que no Brasil, há mais de três décadas e até os dias de hoje, é visado o
equilíbrio ecológico, preservação dos ecossistemas e proteção das áreas ameaçadas de degradação,
para que as atividades industriais, quando iniciadas e posteriormente interrompidas, não causem
diversos danos permanentes na região.
No Brasil, o solo-cimento aplica-se em determinadas etapas construtivas, em especial para
correções de solos e camadas de base para fundações diretas, pavimentos e alvenarias monolíticas,
produzindo melhores propriedades físico-mecânicas que prolongam a vida útil das construções. É
um material que possui grande aplicação em localidades que estão em processo de
desenvolvimento, denotando vantagens econômicas referente ao seu uso quando comparando com
tijolos de argila cozida, com propriedades melhoradas e baixo custo atrelado (Siqueira et al., 2016).
Rodrigues & Holanda (2013) definem-no como um material de classe cerâmica, produto da
mistura de cimento, solo com propriedades arenosas, e água para homogeneização a úmido em
quantidades adequadas, denotando elevado potencial termo acústico atrelado à boa resistência,
baixo custo de fabricação e durabilidade, no qual o baixo teor de cimento Portland confere ao tijolo
estabilização química que geram retornos físicos pertinentes com os componentes ativos do solo
(Rocha & Rezende, 2017).
Essas proporções apropriadas auxiliam na interação físico-química que provoca a
estabilização do solo por meio da adição de cimento Portland, propiciando de acordo com Ferreira
& Freire (2005), a realização de um tratamento com álcalis fortes para favorecer as reações do
quartzo com estabilizadores alcalinos, preenchendo os vazios da mistura e expulsando a água do
solo.
Os tijolos de solo-cimento caracterizam-se pela incorporação de grande parte de sua matriz o
solo, classificado como areno argiloso e detendo em sua composição no mínimo 10% de argila
(material passante na # 200 mesh), totalizando 90% em massa, e os 10% restantes constitui-se de
cimento, e a etapa de queima com o alto consumo de energia é eliminada, correspondendo a um
material “endurecido formado por pressão e cura de uma mistura íntima homogênea de solo,
cimento Portland e água em proporções apropriadas” (Siqueira & Holanda, 2015).
Ferreira & Cunha (2017) relatam ainda que, de uma maneira geral, o modo de aferir a
qualidade final de misturas que envolvam solo e cimento permeiam os ensaios destrutivos e não-
destrutivos, e a absorção de água encontra-se como parâmetro destrutivo, possuindo seu método de
ensaio regido pela NBR 10836/2013.
Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (2016), a produção mineral da
bauxita é de 50.105.016 toneladas, compondo a soma dos cinco estados que têm a maior quantidade
de reservas do minério, como Pará, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Santa Catarina, que lideram a
maior produção de bauxita bruta no Brasil. Como principais produtoras de bauxita, a mineradora
Santo Expedito, localizada no estado de Goiás, está em quinto lugar com a maior produção do
minério possuindo grande participação na economia brasileira.
Em consonância com o supracitado, objetivou-se com esse trabalho realizar as
caracterizações química e mineralógica dos resíduos da bauxita industrial e metalúrgica, por meio
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de testes de fluorescência de raios-X e difração de raios-X, respaldando a escolha do resíduo


utilizado na fabricação dos protótipos de solo-cimento, onde aferiu-se o teor de absorção de água e
grau de saturação do material quando no estado endurecido.

Materiais e Métodos

A pesquisa foi desenvolvida na UEG – Campus Niquelândia, onde foram realizados os testes
de absorção de água e grau de saturação, e na Universidade Federal de Campina Grande – Campus
I, onde realizaram-se os ensaios de difração e fluorescência de raios-X.
A composição consistiu em determinar 90% da massa do tijolo para ser composta por solo
de classe areno argiloso, e os 10% restantes por cimento do tipo CP II Z-32 (Cimento Portland
Composto com Adição de Pozolana e Resistência aos 28 dias de 32 MPa) de marca InterCement. O
solo é proveniente da Cerâmica Calistrato Guimarães possuindo propriedades areno argilosas
(utilizado após passar pelo peneiramento em malha nº 4# com abertura de 4,76 mm) que facilitaram
no processo de homogeneização do material, a água de homogeneização é proveniente do
abastecimento público da cidade de Niquelândia-GO, e os resíduos da extração da bauxita
(industrial e metalúrgica) é proveniente da mineradora Santo Expedito, com sede em Barro Alto-
GO.
A substituição do solo por resíduo ocorreu de forma simultânea à subtração de solo,
executando-se em faixas de 10 em 10% até o total de 100% de resíduo na mistura do material
(Quadro 1) correspondente à razão de 90% de massa de solo que compõe o tijolo, e a água para
homogeneização a úmido contabilizou cerca de 10% em peso do tijolo (200 ml para 2 kg).

Quadro 1: Quantitativos dos materiais adotados para desenvolvimento dos tijolos de bauxita.
Percentuais
Composição
Cimento Solo Resíduo
T-01 10 % 100 % 0%
T-02 10 % 90 % 10 %
T-03 10 % 80 % 20 %
T-04 10 % 70 % 30 %
T-05 10 % 60 % 40 %
T-06 10 % 50 % 50 %
T-07 10 % 40 % 60 %
T-08 10 % 30 % 70 %
T-09 10 % 20 % 80 %
T-10 10 % 10 % 90 %
T-11 10 % 0% 100 %
Fonte: Autores (2018).

O processo de fabricação deu-se por meio da homogeneização prévia dos materiais secos
com uso de sacola plástica, prosseguindo para a etapa de homogeneização a úmido em recipiente
portátil para então transferir a mistura para as fôrmas duplas de madeira, executando a conformação
manualmente, e após as primeiras 24 horas os mesmos foram desformados. Após esse processo, os
tijolos passaram por cura a úmido durante os 7 primeiros dias em temperatura ambiente e com
molhagem periódica, garantindo a correta hidratação dos compostos cimentícios para evidenciar aos
28 dias resultados com melhores características físico-mecânicas.
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Para a realização dos testes de difração de raios-x (DRX) e fluorescência de raios-x (FRX),
as amostras foram previamente secas em estufa à 110°C por 24 horas, e peneiradas em malha
ABNT #200 (0,074mm). Para o DRX, as amostras foram colocadas em porta amostras de alumínio
do equipamento XRD 6000 de marca Shimadzu. A radiação utilizada foi a Kα do Cu (40kV/30mA),
com velocidade do goniômetro à 2°/min e passo de 0,02°, em intervalo de 5° à 60°, e
posteriormente, produziu-se os gráficos de DRX com o auxílio do software Origin versão 6.0. Para
o FRX utilizou-se o equipamento EDX 720 de marca Shimadzu, com geração de raios-x mediante
tubo com alvo de Rh, utilizando de análise semi quantitativa para identificação dos elementos
presentes nas amostras através da radiação aplicada na superfície das mesmas.
Para a realização do ensaio de grau de saturação, Friori & Carmingani (2009) afirmam que
esse parâmetro é obtido através da relação entre o volume de água (Va) que percola o material, e o
volume de vazios (Vv), sendo expressado em % (Equação 1).

𝑽𝒂
𝑮 = 𝑽𝒗 (1)

Onde,
G = Grau de Saturação (%); Va = Volume de Água (cm³); Vv = Volume de Vazios (cm³).

Para a realização do ensaio de absorção de água, a NBR 10836/2013 determina que, utilize-
se água potável para cada uma vez realizado o teste. Os tijolos foram imersos em água por um
período de 24 horas, sendo anotado seu peso seco (antes da imersão), e seu peso úmido (após a
imersão) com suas superfícies enxutas superficialmente com pano levemente umedecido depois de
três minutos fora da água, obtendo-se o teor de absorção de água, expresso em %, através da
Equação 2 a seguir:

𝒎𝟐−𝒎𝟏
𝑨= 𝒙 𝟏𝟎𝟎 (2)
𝐦𝟏

Onde,
A = Absorção de Água (%); m1 = Massa Seca do Tijolo (g); m2 = Massa Saturada do Tijolo (g).

Resultados e Discussão

A seguir, pode-se observar nos Quadros 2 e 3 os resultados de FRX para as amostras de


bauxita industrial e bauxita metalúrgica.

Quadro 2: FRX da bauxita industrial.


Elementos Percentuais (%)
Al2O3 71,163
SiO2 24,446
Fe2O3 3,705
TiO2 0,322
CaO 0,201
K2O 0,052
SO3 0,041
BaO 0,029

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Cr2O3 0,028
CuO 0,011
Zr2O 0,004
C 0,000
Fonte: Autores (2018).

Pode-se ressaltar que para a amostra de bauxita industrial, a quantidade de alumina e sílica
prevalecem com os maiores percentuais, e além deles, o óxido de ferro é o único com percentual
acima de 1%, com os demais estando presentes em menos de 0,5%, não possuindo riscos de
interferir no comportamento final do material quando endurecido.

Quadro 3: FRX da bauxita metalúrgica.


Elementos Percentuais (%)
Al2O3 85,362
Fe2O3 11,349
SiO2 1,747
TiO2 1,043
SO3 0,221
CaO 0,112
Cr2O3 0,051
V2O5 0,041
K2O 0,031
MnO 0,024
CuO 0,020
C 0,000
Fonte: Autores (2018).

Nota-se que na amostra de bauxita metalúrgica, a alumina é o composto que está em maior
quantidade, seguido do óxido de ferro, da sílica, e do óxido de titânio, com os esses dois últimos
compondo não mais que 3% do material. Os outros compostos que foram identificados não
alcançam 1% de participação na constituição do material, sem oferecer, também, riscos de
danificação do material depois de fabricado.
O Gráfico 1 a seguir denota as fases cristalinas presentes nas amostras de bauxita industrial
(a) e bauxita metalúrgica (b), que por sua vez, possuem ambos picos de gibbsita [α-Al(OH)3], e
apenas a amostra de bauxita industrial possui a presença do argilomineral caulinita
[Si2Al2O5(OH)4].

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Gráfico 1: DRX da bauxita industrial (a) e da bauxita metalúrgica (b).

Fonte: Autores (2018).

Compreende-se que, mediante a identificação dos compostos químicos com o auxílio da


fluorescência de raios-x, entende-se que os picos encontrados mediante o processo de identificação
das fases cristalinas das amostras caracterizadas amparam-se, para a bauxita industrial, que os picos
de gibbsita estão associados à presença de 71,163% de alumina, da mesma forma que a caulinita
está associada à presença de 24,446% de sílica, bem como da alumina. Em contrapartida, a amostra
de bauxita metalúrgica apenas apresentou a gibbsita como fase predominante, relacionada aos
85,362% de alumina presente na amostra, e pelo percentual de óxido de ferro presente na amostra,
esperou-se encontrar hematita [α-Fe2O3] no material, porém não foi possível, ou pela intensidade
presente ser ínfima, ou por ineficiência do software utilizado para o mapeamento.
A partir das análises química e mineralógica realizadas para caracterização dos dois resíduos
(bauxita industrial e bauxita metalúrgica), observa-se que a bauxita industrial possui maior
aplicabilidade na fabricação de tijolos de solo-cimento, pela identificação de sílica e de picos
cristalinos de caulinita em sua composição, favorecendo melhor comportamento físico-mecânico do
material, depois de fabricado, pela semelhança com os constituintes do solo comumente utilizado na
fabricação dos tijolos. Dessa forma, respalda-se a escolha da bauxita industrial para fabricação dos
protótipos, que foram submetidos aos testes de absorção de água e grau de saturação.
Tendo em vista os resultados obtidos após a fabricação dos tijolos de solo-cimento, com o
auxílio do Quadro 4 é perceptível que, a medida em que se incorpora o resíduo da bauxita industrial
em substituição ao solo, a capacidade de absorver água é reduzida, e no Gráfico 2 pode-se visualizar
o comportamento geral de todos os traços, acrescido da respectiva linha de tendência.

Quadro 4: Resultados do teste de absorção de água.


Composição Absorção de Água
T-01 20,28 %
T-02 22,87 %
T-03 22,93 %
T-04 18,82 %
T-05 16,69 %
T-06 17,45 %
T-07 16,95 %
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T-08 11,08 %
T-09 10,02 %
T-10 14,47 %
T-11 15,78 %
Fonte: Autores (2018).

Gráfico 2: Curva característica da absorção de água e sua respectiva linha de tendência.

Fonte: Autores (2018).


O traço de referência absorveu uma massa de água correspondente à 20,28%, que em
comparação com os traços que envolveram o resíduo, o traço com menor teor de absorção foi o que
deteve 80% de resíduo da bauxita industrial em sua composição, com 10,02%. O traço com 100%
de resíduo obteve 15,78% de absorção, que além de superar o traço de referência em melhor
eficiência frente à absorção, atende os requisitos da NBR 10836/2013, que determina que a amostra
ensaiada (cada traço analisado) deva apresentar média dos valores de absorção de água igual ou
menor que 20%, e valores individuais iguais ou menores que 22%, com idade mínima de 7 dias.
Para o grau de saturação, o comportamento do material foi semelhante quando comparado
ao teste de absorção de água. O Quadro 5 expõe todos os percentuais obtidos para os traços
estudados, da mesma forma que o Gráfico 3 apresenta a amostragem global através de curva
característica e respectiva linha de tendência.

Quadro 5: Resultados do teste de grau de saturação.


Composição Grau de Saturação
T-01 17,27 %
T-02 18,61 %
T-03 18,65 %
T-04 15,83 %
T-05 14,30 %
T-06 14,86 %
T-07 14,49 %
T-08 9,55 %

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T-09 9,11 %
T-10 12,64 %
T-11 13,63 %
Fonte: Autores (2018).

Gráfico 3: Curva característica do grau de saturação e sua respectiva linha de tendência.

Fonte: Autores (2018).

O traço de referência obteve 17,27%, que comparado ao traço com 100% de resíduo, que
obteve 13,63% de saturação, notou-se relevante redução da saturação do material, podendo
compreender que o resíduo proporciona com que ocorra uma melhor resistência frente à percolação
da água no tijolo. O traço com 80% de resíduo incorporado demonstrou menor potencial de
saturação, com 9,11% de volume saturado, sendo o traço com melhor desempenho para essa
variável analisada.

Conclusões

As premissas ambientais que são adotadas para o desenvolvimento de estudos que visem o
envolvimento de resíduos gerados em grande volume na atualidade, protuberam como uma
alternativa na redução dos impactos ambientais que são gerados constantemente. O resíduo da
extração da bauxita industrial corrobora excelente viabilidade para desenvolvimento de uma
tecnologia não convencional que possibilita construir alvenarias com estanqueidade dentro dos
parâmetros nacionais de classificação de qualidade.
As caracterizações química e mineralógica realizadas com os dois resíduos da bauxita
(industrial e metalúrgica), serviram de justificativa na escolha de qual resíduo adotar para o
desenvolvimento dos protótipos, da mesma forma que, conhecer as propriedades aderidas para cada
amostra possibilitou identificar que, para os protótipos de solo-cimento, a bauxita industrial traria
melhores resultados, e que a metalúrgica apesar de possivelmente não ratificar resultados
satisfatórios, sua aplicação em outros materiais, como concretos ou argamassas, poderia trazer
benefícios em vários aspectos.
Os resultados de absorção de água e grau de saturação confirmam que, o melhor traço para
se proporcionar melhor desempenho é o T-09, com 80% de resíduo da bauxita industrial
substituindo o solo na composição do tijolo de solo-cimento. O traço com 100% de resíduo (T-11)

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também é viável, pois supera positivamente os valores do traço de referência (T-01), e atende aos
requisitos normativos.

Agradecimentos

À Cerâmica Calistrato e Guimarães pelo suporte na fabricação dos tijolos de solo-cimento, e


à Mineradora Santo Expedito pela doação do resíduo da extração da bauxita.

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LA EDUCACIÓN AMBIENTAL ALTERNATIVA PARA EL DESARROLLO


SOSTENIBLE DESDE LA CULTURA AMBIENTAL

Dr. C. Luis Manuel Díaz-Granado Bricuyet¹; MSc. Esteban de los Milagros Torres Ramírez²; MSc.
Marlene Leyva Martínez³

¹ Metodólogo de superación – Dirección Municipal de Educación. Bayamo. luisdg@gr.rimed.cu;


² Profesor. CP “Conrado Milanés Lemes”. Bayamo. Granma. maae@nauta.cu;
³ Profesora Universidad de Granma. mleyvaM@udg.co.cu.

Resumen: El proyecto educativo cubano concibe la formación integral de las nuevas generaciones sustentada en una
cultura científica comprometida con un entorno de sostenibilidad. En esta ponencia se abordan las insuficiencias que se
presentan en el proceso de formación de los estudiantes, en relación con la educación científico-ambiental en el Sistema
Educativo cubano. Se planteó como objetivo la elaboración de una estrategia pedagógica sustentada en un modelo de
formación de la cultura científico-ambiental desde enfoque martiano. Se aplicaron métodos y técnicas investigativas que
permiten demostrar las transformaciones logradas en el modo de actuación de los estudiantes y profesores en el
municipio Bayamo, Granma.

ALTERNATIVE ENVIRONMENTAL EDUCATION FOR SUSTAINABLE


DEVELOPMENT FROM ENVIRONMENTAL CULTURE

Abstract: The Cuban educational project conceives the integral formation of the new generations based on a scientific
culture committed to a sustainability environment. This paper addresses the shortcomings that arise in the process of
student training, in relation to scientific-environmental education in the Cuban Educational System. The objective was
to elaborate a pedagogical strategy based on a model for the formation of a scientific-environmental culture from a
Martian perspective. Research methods and techniques were applied to demonstrate the transformations achieved in the
way students and teachers act in the municipality of Bayamo, Granma.

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(DÍAZ-GRANADO BRICUYET; TORRES RAMÍREZ; LEVYA MARTÍNEZ, 2018)

INTRODUCCIÓN

La Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco) ha


reconocido que la acumulación del saber científico y de las aplicaciones tecnológicas que de él se
derivan, han transformado la vida humana en los últimos tiempos al convertir sus progresos en
bienestar de la humanidad, pero también por sus implicaciones en los procesos de deterioro del
medio ambiente, tanto a nivel local como planetario al decir de Leff (2006); “La crisis ambiental es
la primera crisis global generada por el desconocimiento del conocimiento”.
Es por ello que urge ubicar el acceso al conocimiento científico y a la cultura científica,
como base de la formación que habilite a todo ciudadano conformar explicaciones y predicciones
para aportar soluciones a los procesos y fenómenos naturales y sociales, desde el conocimiento de
lo mejor y más actualizado de las ciencias, para desarrollar habilidades, sentimientos y formas de
actuación, dirigidas a la toma de decisiones responsables y comprometerse con la construcción de
un futuro sostenible.
En la solución a este gran desafío del contexto histórico-social actual se han dedicado
muchos estudiosos e investigadores, como Novo (1989), Leff (1996), García, (2000), Sauvé
( 2002), Tovar ( 2012), Medina (2014) y la Unesco (2015); entre otros, que se han pronunciado por
la necesidad de que los estudiantes adquieran las herramientas científicas indispensables para tratar
los problemas de su entorno educativo, aunque dichos intentos precisan de aproximaciones teóricas
y metodológicas que favorezcan su singularización y donde se reconozcan las potencialidades
formativas que ofrecen tanto las diferentes materias del currículo como la diversidad de entornos
educativos.
Los temas que se relacionan con la Educación Ambiental han recibido la atención de la
máxima dirección política y gubernamental del Estado cubano (Constitución de la República,
artículo 27; Ley 81 del Medio Ambiente, 1997; Estrategia Nacional de Educación Ambiental,
1997; 2005 - 2010, entre otras). En esta dirección, la Educación Preuniversitaria se plantea entre sus
objetivos formativos: ¨...evidenciar con su actitud cotidiana y consciente una cultura
medioambiental sustentable y de ahorro que favorezca la responsabilidad individual y colectiva en
el cuidado y preservación del entorno escolar, comunitario y mundial.¨ (Ministerio de Educación,
2012, en lo adelante Mined). En el caso específico de los institutos preuniversitarios urbanos, se han
aplicado alternativas para el tratamiento de la perspectiva científica que han permitido cambios en
la percepción de las problemáticas socioambientales en los estudiantes, sin embargo, todavía
persisten las siguientes insuficiencias:
 Se presentan carencias al relacionar los fenómenos y procesos del entorno socionatural con los
contenidos de las asignaturas.
 Es limitada la argumentación de los riesgos/beneficios e implicaciones ambientales que tiene el
desarrollo científico-tecnológico actual en su comunidad.
 Limitaciones en las valoraciones de las consecuencias de los modos de actuación dentro de la
institución educativa y en el entorno socionatural.
Estos elementos condujo a darle tratamiento a la solución delk problema científico
definido que consistió en las insuficiencias en el comportamiento de los estudiantes en el entorno
socionatural en relación con los diferentes ámbitos de la educación científica, que limitan la
pertinencia de la Educación Preuniversitaria.
Atendiendo a este elemento la propuesta persigue como objetivo: la elaboración de una
estrategia pedagógica, sustentada en un modelo de formación de la cultura científico-ambiental
desde un enfoque martiano de lo ambiental en la Educación Preuniversitaria.

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(DÍAZ-GRANADO BRICUYET; TORRES RAMÍREZ; LEVYA MARTÍNEZ, 2018)

Desarrollo
La educación, como factor de cambio y desarrollo, se considera el instrumento más poderoso para
resolver una de las mayores preocupaciones que presenta la humanidad: la problemática medioambiental.
De esta manera, la educación ambiental para los efectos de esta investigación, se asume como un: ...
proceso continuo y permanente, que constituye una dimensión de la educación integral de todos los
ciudadanos, orientada a que en el proceso de adquisición de conocimientos, desarrollo de hábitos,
habilidades, actitudes y formación de valores, se armonicen las relaciones entre los hombres y entre estos
con el resto de la sociedad y la naturaleza, para con ello propiciar la reorientación de los procesos
económicos, sociales y culturales hacia el desarrollo sostenible. (Citma, 1997)
Por otra parte, la Educación Preuniversitaria se constituye en un espacio educativo de
trascendental importancia pues tiene como misión: lograr la formación integral del joven en su forma de
sentir, pensar y actuar en los contextos escuela-familia-comunidad, a partir del desarrollo de una cultura
general (Jardinot, 2005), es por ello, la necesidad de lograr en este nivel de educación una comprensión
integral y holística de los contenidos ambientales.
Es por ello que urge ubicar el acceso al conocimiento científico y a la cultura científica, como
base de la formación que habilite a todo ciudadano y ciudadana a conformar explicaciones, predicciones y
a aportar soluciones a los procesos y fenómenos naturales y sociales, desde el conocimiento de lo mejor y
más actualizado de las ciencias, a desarrollar habilidades, sentimientos y formas de actuación, dirigidas a
la toma de decisiones responsables y a comprometerse con la construcción de un futuro sostenible.
De esta forma la cultura científica, según Pino (2008), comprende los conocimientos sobre los
objetos y los procesos relacionados con la ciencia y la tecnología, así como los procedimientos y las
habilidades para su aprehensión, su trasformación, producción, aplicación y transmisión por el hombre
desde posiciones éticas y en contexto histórico social determinado, así como los intereses, sentimientos
valores y comportamientos que le posibiliten relacionarse en armonía con la naturaleza y la sociedad.
Se requiere, para los efectos de esta investigación, precisar el término educación científico-
ambiental como aquel “... proceso continuo y permanente, orientado a la adquisición de contenidos
ambientales sobre la base de la indagación científica, de manera que al tener en cuenta la percepción del
riesgo ambiental se armonicen las interacción naturaleza –cultura y con ello garantizar un desarrollo
sostenible. (Díaz-Granado, 2010).
Ello proyecta la necesidad de una cultura científica que tenga una orientación ambiental y una
cultura ambiental sustentada con un basamento científico que destierre la construcción de conocimientos
alternativos o seudocientífico en la cosmovisión del sujeto que aprende. La reconstrucción y apropiación
de una cultura que integre elementos de ciencia y la orientación ambiental en el proceso educativo debe
incluir, entre otros aspectos: capacidad de interpretar desde una base científica los fenómenos naturales y
los cambios climáticos, la comprensión de mensajes científico-naturales y asimilar la perspectiva
conocimiento/valor en una sociedad en riesgo y emergencias socionaturales.
El modo en que se organice el contenido de aprendizaje y se conciba su sistematización, debe
contemplar que el que aprende, de acuerdo con sus conocimientos y experiencias previas, debe transitar
por los diferentes niveles del conocimiento, así como tomar en consideración la riqueza en los modos de
interacción del sujeto con los objetos, cuestión importante por reconocer su carácter epistemológico. No
obstante, los estudios realizados sobre la sistematización en el proceso pedagógico ( Fuentes,2008; Plat,
2000; Balbe, 2010) todavía distan mucho de haber sido agotados pues aún denotan insuficiencias al
explicitar de manera intencionada las perspectivas complejas del entorno medioambiental y revelar una
visión fragmentada de la realidad, al tiempo que se aprehende el mundo a partir de objetos de estudios o
elementos constitutivos de partes de la naturaleza, en vez de referirse a sistemas que funcionan como un
todo complejo medioambiental.
En virtud de esta concepción, la cultura científico-ambiental se incorpora a los diferentes
contextos que propician la formación de los estudiantes en la Educación Preuniversitaria, a través de las
influencias educativas que se materializan en estos (Novo, 1989; Díaz, 1998; McPherson, 2004; Gil,
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(DÍAZ-GRANADO BRICUYET; TORRES RAMÍREZ; LEVYA MARTÍNEZ, 2018)

2005; Roque, 2007; Rodríguez, 2008; Calvo, 2010; Martínez, 2011; Santos, 2012; Bosh, 2012, Santos,
2013); sin embargo, en las diversas propuestas estudiadas, aunque ofrecen importantes aportes desde el
plano teórico y metodológico, el tratamiento de la cultura ambiental requiere un reconocimiento mayor de
la interacción inclusiva: parte-todo en los diferentes escenarios y de la existencia de emergencias no
predecibles en los procesos que condicionan la relación hombre-sociedad-naturaleza, desde una
perspectiva de ciencia- tecnología.
El estudio epistemológico realizado permite precisar (Novo, 1989; Left, 2005; Montoya, 2005;
Lahera, 2007 y Santos, 2012), que la contextualización del contenido de naturaleza científico y ambiental
queda concretado, por general, a partir de la introducción de los problemas globales y nacionales acerca
del medio ambiente, lo que ha provocado dificultades en el tratamiento de lo local más cercano al
estudiante.
De esta manera, el sujeto construye e integra los contenidos a partir de una
sistematización epistemológica y con una intencionalidad formativa que le
permite la aplicación de lo aprendido a los nuevos problemas en contextos
diferentes y con factores nuevos que a la vez, focalizado en el riesgo y la
emergencia, que propician una generalización de carácter formativa y con ello
enfrentar retos en los cuales no basta con trasladar, sino replantear las propias
estructuras de contenido (Fuentes, 2008).

Hoy la generalización formativa requiere incluir y comprender la relación hombre-naturaleza-


sociedad-desarrollo sostenible a partir de aspectos esenciales vinculados a lo que se ha dado en llamar
saberes emergentes (Morín,1999; Leff, 2001; Delgado, 2008) y que se orientan hacia la salvación del ser
humano desde una perspectiva ético-humanista, compleja y con sentido cultural; la interpretación y
comprensión de los problemas ambientales desde una visión global y local orientadas a la sostenibilidad y
de una propuesta de acciones epistemológicas para la educación desarrolladora de sujetos responsables en
su medio ambiente como base para la actuación humana.
A partir de la pauta martiana de que “para estudiar las posibilidades de la vida futura de los
hombres, es necesario dominar el conocimiento de las realidades de su vida pasada”. (Martí, t.8. p347) se
realiza el análisis histórico-tendencial del proceso de educación científico-ambiental en la Educación
Preuniversitaria, con énfasis en la formación de la cultura científico-ambiental desde un enfoque martiano.
Para ello se declara los siguientes criterios de periodización: las principales políticas educativas que
inciden en el proceso de la educación científico-ambiental en la Educación Preuniversitaria, los enfoques
pedagógicos acerca del mencionado proceso y la proyección del pensamiento ambientalista martiano en el
proceso pedagógico en la Educación Preuniversitaria.
Desde estos criterios se declaran las siguientes etapas del proceso de educación científico-
ambiental en la Educación Preuniversitaria:

 Primera etapa (1979-1989): Reconocimiento fragmentado de lo científico-ambiental.


 Segunda etapa (1989–2000): Intencionalidad formativa de lo científico-ambiental.
 Tercera etapa (2000-2015): Profundización de lo científico-ambiental orientado a la sostenibilidad.
De esta manera quedaron precisados los indicadores siguientes:
 La proyección de lo universal-contextual en la cultura científico-ambiental y su normatividad
pedagógica.
 La relación sistematización–contextualización en la práctica pedagógica predominante para el
tratamiento de la cultura científico-ambiental.

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 La generalización del pensamiento ambientalista de José Martí en las actividades curriculares y


extracurriculares.
Del análisis realizado de las etapas se llega a la conclusión que el proceso de educación científico-
ambiental desde un enfoque martiano revela las siguientes tendencias:
 Perfeccionamiento de las normativas sobre la Educación Ambiental, hacia las exigencias de la relación
universalidad-contextualidad, que propician cambios necesarios en los programas y comportamientos,
aunque todavía se precisa de materiales didáctico –metodológicos que revelen una formación contentiva
de la perspectiva compleja y holística de los contenidos medioambientales.
 Avances hacia una concepción pedagógica de reconocimiento de la necesidad de formar en los
estudiantes un pensamiento y un comportamiento hacia la sostenibilidad ambiental desde la ciencia,
pero persiste la insuficiencia de una formación que resignifique su sistematización y posibilite una
lógica coherente de apropiación contextualizada de los contenidos científico-ambientales.
 Creciente interpretación y generalización del pensamiento de José Martí desde la urgencia
medioambiental, que da cuenta de su trascendencia en el contexto escolar, pero todavía se adolece de
una articulación pedagógico-contextual que armonice, desde una perspectiva interdisciplinaria, el
contenido de aprendizaje, el contenido medioambiental y el pensamiento ambientalista martiano, como
vía formativa frente a las problemáticas del contexto natural y social.
Bajo la sentencia martiana de que: ”Conocer un problema es ya más de la mitad de su resolución”
(…), pero “los que intentan resolver un problema, no pueden prescindir de ninguno de sus datos.” (Martí
t4, p205), se procede en este epígrafe a diagnosticar la situación que presenta la formación de la cultura
científico-ambiental alcanzada por los estudiantes, así como el nivel de desempeño de las estructuras de
dirección y de los docentes. Los resultados obtenidos son los siguientes:
 Insuficiencias en el proceso pedagógico desde una perspectiva medioambiental, que afectan la formación
científica de correctos modos de actuación, el desarrollo de los conocimientos y la formación de valores
en los estudiantes lo cual incide en la pertinencia sociocultural del mencionado proceso.
 Bajo nivel de comprensión, por parte de los sujetos que intervienen en el proceso educativo, de las
acciones transformadoras necesarias y permisibles de un escenario medioambiental coherente con la
supervivencia humana, lo cual limita la proyección de sostenibilidad, desde una percepción científica
global hasta su entorno escolar y comunitario.
 Limitaciones didácticas-metodológicas en el desempeño de los profesores que revelan la necesidad de
una concepción holística-compleja y de un enfoque científico humanista para enfrentar la formación de
un enfoque ambiental martiano.
Tomando en consideración los elementos abordados se elaboró el modelo, que se sustenta, en
primer lugar, en los presupuestos filosóficos de la teoría marxista-leninista y, particularmente, en el
principio de la concatenación universal de los fenómenos, como base epistémica de la interacción
hombre-naturaleza-sociedad, posición que asegura los niveles de interdisciplinariedad en las actividades
del currículo en la Educación Preuniversitaria.
Desde lo epistemológico, se asume para la modelación del proceso la Teoría Holística-
Configuracional (Fuentes 2008), que aporta el basamento teórico-metodológico que permite caracterizar
y revelar su esencia desde el establecimiento de sus dimensiones esenciales, a partir del reconocimiento
de las configuraciones y relaciones que expresan la sucesión de los complejos movimientos por los que
transita el proceso de formación de la cultura científico-ambiental en la Educación Preuniversitaria.
En el proceso de educación científico-ambiental, las configuraciones se convierten en lo más
esencial, permiten comprender niveles superiores de sistematización e interpretación. En este proceso las
relaciones dialécticas que se dan configuran rasgos, cualidades, movimientos, sucesiones de
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movimientos, relaciones y estructuras de relaciones que, al interpretarlas, pueden explicar el


comportamiento del proceso.
Igualmente, la categoría dimensión “expresa el movimiento y la transformación del proceso y
como resultado de estos, en el mismo se desarrollan cualidades, las transformaciones se expresan
mediante las dimensiones y el resultado de las transformaciones por las cualidades” (Fuentes, 2008).
Por otra parte hoy se requiere de un mayor acercamiento, precisión y operacionalidad, de manera
que permita distinguir formas de actuación con el término enfoque. El autor de la tesis, con esta
intención, lo asume como un “sistema entrelazado de referentes teórico-metodológicos que conciernen a
la realidad y a las formas particulares para conocer acerca de esa realidad con una orientación
preferente, dinamizados por un núcleo teórico esencial que da unidad y coherencia al tratamiento de un
fenómeno, hecho o proceso. (Díaz-Granado, 2015)
La sistematización y estudio de la obra martiana permite al autor definir el enfoque martiano de lo
ambiental, como un cuerpo teórico, estructurado en sistema de ideas básicas de referencia y núcleos de
saberes esenciales, expresión holística orientadora, que sustenta la manera en que la interacción
naturaleza-cultura se direcciona y dinamiza desde lo universal y lo contextual, a partir de un proceso
hermenéutico del pensamiento ambientalista de José Martí, que garantiza una unidad en la proyección
formativa de los sujetos implicados. (Díaz-Granado, 2015).
El enfoque martiano está estructurado en ideas básicas de referencias y núcleos de saberes
esenciales. Desde esta perspectiva, la relación entre la existencia de los rasgos del pensamiento
ambientalista en José Martí y la necesidad del desarrollo de una cultura científico-ambiental tiene su
expresión pedagógica en cinco núcleos de saberes esenciales, que guiarán el quehacer de los profesores
para su accionar durante la sistematización de la cultura científico-ambiental, ellos se concretan en:
Comprensión de la responsabilidad ético-estética en la interacción naturaleza- cultura, Interpretación
holística, compleja y armónica de la interacción naturaleza- cultura, Explicación significativa de los
procesos identitarios en la interacción naturaleza- cultura, Argumentación en la aprehensión protagónica
durante la interacción naturaleza- cultura y la Valoración de las investigaciones tecnocientíficas en la
interacción naturaleza- cultura.
Desde esta perspectiva, lo ambiental presupone el reconocimiento en el Modelo de formación de
la cultura científico-ambiental de:

 Procesos formativos que se sustenten en la valoración-actuación protagónica de los estudiantes para


contribuir al logro de la responsabilidad ético-estética ambiental desde situaciones universales
contextualizadas a su entorno.
 Valoración de la complejidad y el holismo ambiental como cualidades esenciales y novedosas en el
contenido de enseñanza-aprendizaje, que comprende la interrelación parte-todo y sus contradicciones.
 Significación del desarrollo de capacidades trasformadoras que, desde el basamento universal de
sostenibilidad ambiental se contextualicen en el entorno comunitario–escolar y reconozca la existencia
de una identidad cultural ambiental en relación con la diversidad contextual.
En el modelo se concibe la formación de la cultura científico-ambiental con enfoque martiano
como el proceso de apropiación de los significados y sentidos científico-ambientales que se sistematizan,
desde la indagación científica, en la diversidad de contextos de actuación de los sujetos, donde los núcleos
de saberes emanados del pensamiento martiano propician la práctica protagónica, ética y participativa en
perspectiva de sostenibilidad ambiental.
De esta manera, la apropiación de los contenidos científico- ambientales se reconoce, como el
proceso de internalización que, de modo consciente y dirigido, se desarrolla en los diferentes escenarios
educativos, a través del conjunto de acciones, sucesos, y actos humanos que conforman la práctica
pedagógica donde se sintetizan los saberes científicos necesarios para comprender e interpretar los
cambios medioambientales y las transformaciones del contexto. En la integración del sistema de saberes
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sobre las relaciones entre lo natural, lo social, lo cultural, lo socioeconómico y el hombre, este a la vez que
se adapta, lo transforma en su utilización para satisfacer sus necesidades lo que presupone un modo de
actuar y pensar.
Para lograr lo anterior es imprescindible la comprensión de los significados ambientales, como
proceso constructivo, en el que la recepción-aprehensión de un estímulo, evento medioambiental,
circunstancias y/o condiciones ambientales; se relaciona con otro previamente construido por el
estudiante, que le posibilita descubrir las causas objetivas de los hechos y fenómenos naturales, así como
comprender la relación que lo une con su medio natural, desde la perspectiva de su protección,
conservación y desarrollo.
Lo anterior permite reconocer la relación dialéctica entre la Significación sociocultural de los
contenidos científicos y la Reinterpretación ético-estética ambiental del contexto, interrelación que
permite el movimiento del proceso formativo.
La Significación sociocultural de los contenidos científicos se concibe como el proceso donde
los estudiantes logran aprehender e interiorizar los contenidos sobre la base del significado que adquieren
en su entorno sociocultural, lo cual conlleva a una sensibilidad hacia lo ambiental, pues de la comprensión
e interpretación como expresión del autodesarrollo se propicia un pensamiento que conduce a la
elaboración de nuevos conceptos relacionados, fundamentalmente, con la aspiración de garantizar para
futuras generaciones un medio ambiente sano.
Es preciso, entonces, la Reinterpretación ético-estética ambiental del contexto, configuración
que en el proceso de formación de la cultura científico-ambiental marca la dirección a través de la cual se
ha de propiciar y gestar el proceso de formación de los futuros bachilleres. Ello posibilita que la
estructuración de los contenidos formativos no se conciba de forma aislada, sino siempre en relación
directa con la capacidad de lograr juicios de valor y tomas de decisiones frente al medio ambiente que
garanticen altos niveles de significatividad para la correcta inserción ecosocial de los estudiantes.
Esta configuración permite superar la dicotomía entre el conocimiento científico y los valores
humanos, desfigura la imagen lineal, benefactora y neutral de la ciencia, lo que propicia una visión
integradora del saber con la vocación ambientalista en los estudiantes, que se proyecten a la búsqueda de
soluciones a los problemas de supervivencia de la humanidad y a estimular la capacidad apreciativa y
vivencial de los atributos y cualidades estéticas del entorno.
La significación sociocultural de los contenidos científicos y la reinterpretación ético-estético
ambiental del contexto del entorno, como par dialéctico se contradicen entre sí, al ser la significación
sociocultural de los contenidos científicos un proceso subjetivo que se proyecta hacia lo universal de la
cultura científica, contrapuesto a ser reinterpretada desde puntos de vistas éticos ambientales, según las
particularidades del entorno, revela la concreción del proceso de apropiación de la cultura científico-
ambiental en el contexto social del estudiante; al mismo tiempo, ambas se presuponen a la vez que no
existirá reinterpretación ético- ambiental sin tener en cuenta la existencia de una cultura científica que
signifique lo universal de esa problemática.
La anterior configuración relacional alcanza su síntesis dialéctica en la Sistematización compleja
contextual, que se interpreta como la configuración que expresa la continuidad y consecución lógica de la
construcción del contenido medioambiental, en un proceso cíclico y progresivo que permite la reflexión,
valoración, organización y análisis de la cultura científico-ambiental y que integra en un sistema, los
conocimientos previos que posee el estudiante y los nuevos adquiridos desde una perspectiva
interdisciplinaria, compleja y sociocultural, que transita hacia estructuras más esenciales y generales para
comprender las relaciones cultura- naturaleza.
El tránsito por estas configuraciones en que discurre el modelo se concreta en la dimensión de
Significatividad científico-ambiental, estadio que propicia el autodesarrollo cognitivo ético-estético
ambiental del estudiante, en virtud de las relaciones entre las categorías que revelan la interacción
formativa sujeto-contexto y sujeto-sujeto, con vistas a potenciar la aprehensión de una visión compleja y
holística del medio ambiente, desde un proceso de apropiación significativa y hacia la resignificación del
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respeto a la relación cultura-naturaleza, en su consideración de cualidad superior con relevancia contextual


formativa, mediada por la sistematización de la complejidad contextual.
La dimensión Significatividad científico-ambiental, representa los atributos característicos de la
cultura científico- ambiental en la formación del estudiantes en la Educación Preuniversitaria, como
expresión de un proceso de autodesarrollo cognitivo ético- ambiental, que facilita y cualifica el aspecto
investigativo y académico del proceso desde una arista compleja, integradora y científica como lo es la
apropiación significativa de contenidos proambientales; así como sobre el fundamento que presupone
como síntesis de ella, la sistematización de la complejidad contextual en la expresión del reconocimiento
de la armonía en la relación hombre-naturaleza-desarrollo como valor para los estudiantes en la Educación
Preuniversitaria.
La configuración Contextualización indagativa se define como el proceso con fines formativos
que posibilita la integración y la interacción de forma consciente de los significados de las situaciones
ambientales, en relación directa con los contenidos culturales, a partir de reconocer la interacción inclusiva
parte-todo en los diferentes escenarios, matizados por la emergencia de procesos no previsibles que
condicionan la relación cultura-naturaleza.
La contextualización indagativa tiene su concreción a partir de una socialización ambiental, como
el proceso que contribuye a que los sujetos, mediante la interrelación del contexto social y el contexto
escolar y desde una perspectiva sociocultural única, dentro y fuera del proceso pedagógico, asimilen
críticamente las nuevas experiencias socioambientales, desde la interrelación parte-todo en los diferentes
escenarios y de criterios científicos, como base para su autotransformación.
La organización del proceso, bajo estas concepciones, debe propiciar el enfrentamiento de los
estudiantes a contradicciones, a partir de la unión de situaciones que, aunque se excluyan mutuamente, son
indisociables en la realidad del entorno donde viven y se desarrollan y que deben resolver a partir de un
aprendizaje que, desde la perspectiva interdisciplinaria, les permita la interpretación holística y
contradictoria de las relaciones cultura-naturaleza, lo que conduce así a la configuración
Problematización participativa del proceso formativo.
Esta configuración, en su esencia, concibe que la enseñanza no ha de ser una transferencia pasiva
del legado histórico-cultural de la humanidad, sino un ejercicio de indagación interdisciplinario
proambiental, donde se refleja la relación contradictoria entre el sujeto y el objeto de conocimiento en el
proceso de aprendizaje, lo que permite activar el pensamiento de los estudiantes, mantener el movimiento
de lo que conoce a lo que desconoce y propiciar así la sistematización desde la esencia problematizadora
del contenido medioambiental.
Ella expresa las oportunidades que tiene el alumno para participar de manera protagónica, no
como tareas impuestas por el profesor, sino como acciones que él desea realizar y que le proporcionan
satisfacción y placer, a la vez que le generan inquietudes, necesidad de asimilar nuevos conocimientos y
habilidades, como expresión de las contradicciones, que lo lleva a asumir un rol activo en la solución y/o
transformación de la situación presentada. Aquí se entrelazan lo afectivo y lo cognitivo que constituyen
una unidad fundamental, pues el contenido se convierte en regulador del comportamiento al poseer una
carga emocional que posibilita la implicación por parte del sujeto al asumir la responsabilidad de su
comportamiento.
Estas dos configuraciones devienen en unidad dialéctica, expresión de la relación recíproca que se
establece entre la conciencia social y la conciencia individual. La unidad está dada ya que, a través de la
contextualización indagativa, las instituciones educativas potencian en los sujetos su reconocimiento,
como sujeto transformador y de cambio, con una individualidad propia, a partir de fomentar sus libertades
innovadoras en un contexto determinado, pero en la misma medida que estimula la participación en la
solución de situaciones problematizadoras de ese contexto, promueve la reflexión sobre las consecuencias
del comportamiento individual en el desarrollo de las relaciones sociales.
Entonces, de la interacción entre la contextualización indagativa y la problematización
participativa subyace la impronta de un proceso de generalización trasformativa sostenible como proceso
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intencional y de autodesarrollo formativo del sujeto, desde la dialéctica entre lo social y lo individual,
expresión de síntesis, conceptualización, diversificación y universalización, configurado en el proceso de
apropiación de la cultura científico-ambiental, en el que se resignifican los conocimientos y se permite el
tránsito complejo de lo contextual a lo individual y viceversa, y de éste a lo universal; con lo que se llega a
niveles superiores en el proceso de comprensión, explicación, interpretación y reconstrucción conceptual
del objeto de estudio e investigación, y se propicia el desarrollo de cualidades esenciales en los sujetos
como son: su compromiso y responsabilidad social, el reconocimiento de la diversidad y complejidad del
universo, su trascendencia en los ámbitos de desarrollo y de amor por la vida universal y la conservación
de la existencia humana.
Entonces, de la interacción entre la contextualización indagativa y la problematización
participativa subyace la impronta de un proceso de generalización trasformativa sostenible como proceso
intencional y de autodesarrollo formativo del sujeto, desde la dialéctica entre lo social y lo individual,
expresión de síntesis, conceptualización, diversificación y universalización, configurado en el proceso de
apropiación de la cultura científico-ambiental, en el que se resignifican los conocimientos y se permite el
tránsito complejo de lo contextual a lo individual y viceversa, y de este a lo universal; con lo que se llega a
niveles superiores en el proceso de comprensión, explicación, interpretación y reconstrucción conceptual
del objeto de estudio e investigación
De este modo, las relaciones que se establecen entre la Sistematización compleja contextual y la
Generalización trasformativa sostenible, mediada por la Contextualización indagadora y la
Problematización participativa, constituyen un segundo movimiento en el desarrollo del proceso de
formación de la cultura científico- ambiental, que conforman la dimensión Sentido socio-transformador
participativo, expresión de la vía o el camino para el cambio esencial en esta formación, estadio de
desarrollo en la dinámica modelada que reconoce, en unidad dialéctica, los procesos de sistematización,
contextualización, problematización y generalización, lo que denota la relación entre los saberes culturales
y los contenidos de las ciencias.
Finalmente, se asume como regularidad más esencial: la apropiación de la cultura científico-
ambiental, que alcanza la máxima expresión en la generalización trasformativa sostenible, condicionada
por una sistematización compleja contextual, propicia la significación científico-ambiental y el sentido
transformador de la participación de los sujetos en contexto.

Estrategia pedagógica para la formación de la cultura científico-ambiental de los estudiantes en la


Educación Preuniversitaria.
El objetivo general de la estrategia pedagógica está orientado hacia el desarrollo de la educación
científico-ambiental de los estudiantes, a partir del reconocimiento de la dinámica de formación de la
cultura científico-ambiental desde un enfoque martiano de lo ambiental.
Etapa 1. Diagnóstico de la apropiación científico-ambiental
Objetivo: Caracterizar el estado actual y perspectivo de los estudiantes, profesores y del entorno
socionatural, a partir de limitaciones y potencialidades que, desde la significación y sentido transformador,
se han alcanzado.
Etapa 2. Proyección contextualizada de las acciones
Objetivo: Diseñar las acciones que permitan la preparación de los profesores y estudiantes para encontrar
significado de los contenidos.
Etapa 3. Ejecución sistematizadora contextualizada
Objetivo: Contribuir a la formación cultural de los docentes de manera que se revierta en que los
estudiantes realicen la transferencia sistematizada de los saberes en el proceso pedagógico con base en
problemas reales del entorno y el pensamiento martiano.
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Esta etapa está estructurada en dos momentos: el primero de proyección cultural que se concreta
en la apropiación contextualizada; y el segundo momento con una proyección metodológica revelado
en una problematización trasformativa.
El primer, momento de apropiación contextualizada, tiene como objetivo: la formación cultural de
los docentes de manera que contribuya a lograr cambios en los niveles de conocimiento, el modo de
actuación y actitudes de los estudiantes ante los diversos fenómenos medioambientales del contexto
sociocultural.
El segundo, momento de problematización participativa, tiene como objetivo la transferencia
sistematizada de los saberes en el proceso pedagógico de la Educación Preuniversitaria, con base en
problemas reales del entorno y el pensamiento martiano como eje articulador del proceso.

Etapa 4. Evaluación de los niveles de generalización transformativa


Objetivo: Constatar los logros alcanzados en la transferencia de los saberes durante el proceso pedagógico
con base en problemas reales del entorno, las experiencias y actividades en el contexto escolar.
Corroboración de los resultados conforme a la factibilidad del modelo y de la estrategia pedagógica
Se desarrollaron dos talleres de Socialización donde participaron 32 profesionales con
experiencias en el tema de Educación Ambiental y en la vida y obra de José Martí, que reconocen
que el tema es pertinente y actual, además de novedoso en el contexto de la práctica pedagógica, al
penetrar en las relaciones del proceso de formación de los estudiantes con un contenido eminentemente
medioambiental, desde la fundamentación de la condición humana y su relación con la preservación de la
vida. De igual manera ponderan la validez de la construcción del modelo de formación de la cultura
científico-ambiental con enfoque martiano, en función de desarrollar la problematización participativa y la
generalización trasformativa de carácter sostenible en este nivel de educación.
La utilización de la evaluación por criterio de expertos permitió perfeccionar tanto el modelo
como la estrategia. Los expertos consideraron como muy bien concebido el valor trascendental de la
categoría lo ambiental en Martí, como elemento orientador del modelo pedagógico y de la investigación
de manera general, así como la concepción teórico-práctica de la estrategia propuesta. Asimismo, los
expertos consideraron de muy bien concebida la secuencia y logicidad de las acciones diseñadas para
lograr la efectividad de la estrategia.

Valoración de la efectividad de la estrategia pedagógica: estudio de caso


Durante la aplicación del estudio de caso se constató que el propósito de la estrategia se sintetizó y
materializó en el protagonismo, el comportamiento de los estudiantes y en la labor del docente,
concretados en un mayor nivel de participación en la transformación de su contexto.
Durante la profundización de la situación del caso después de la aplicación de la propuesta: se
realizaron entrevistas a los docentes, padres, y estudiantes; de ellos 15 docentes enuncian que la estrategia
puesta en práctica está en correspondencia con los problemas identificados durante la etapa fáctica,
primordialmente en lo relacionado a los conocimientos, las habilidades, así como con la formación en
valores relacionados con el medio ambiente. Por otra parte, 28 padres, exponen que las actividades
realizadas permitieron que sus hijos sean más responsables y más participativos en las tareas de la casa,
con una perspectiva de ahorro; 10 de ellos plantean que las acciones dedicadas a la higienización en su
entorno de vida resultaron las de mayor relevancia; 19 precisan que ahora identifican mejor dónde una
acción puede provocar afectación al medio ambiente.
De la observación a 24 actividades docentes, 11 fueron evaluadas de Muy Bien y el resto de
Bien, logrado superar los resultados del diagnóstico inicial. Durante los análisis de las clases, los
docentes comprendieron la necesidad de contextualizar el contenido al utilizar como principal
fuente de información la caracterización realizada sobre la comunidad escolar y social, y la clase se
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asumió como la vía fundamental para orientar los intereses, motivaciones y actitudes científicas de
los estudiantes, en un contexto cultural exigente y en constantes cambios ambientales.
De igual manera, durante las discusiones de las clases visitadas se constata que los docentes
se encuentran en mejores condiciones para modelar situaciones de aprendizaje donde concurran
diversas expresiones de conflicto de la vida cotidiana o tecnológica en la comunidad del estudiante.
Los profesores en su desempeño hicieron énfasis en inducir a los estudiantes a la crítica y la
autocrítica desde situaciones de connotación ética, que no solo los proyecte a actuar bien, sino que
contribuyan a que sus compañeros también lo hagan.
La aplicación del test pedagógico y la observación final corroboró el cambio significativo de 23
estudiantes, los cuales están en condiciones de reconocer los problemas ambientales del contexto, los
identifican y son capaces de establecer las relaciones complejas de causa-efecto entre ellos. Igualmente
están en condiciones de no solo identificar problemáticas ambientales presentes en el entorno, sino
al planteamiento de hipótesis de solución e incrementar la participación durante los proyectos
socioproductivos y en las actividades extracurriculares.

CONCLUSIONES GENERALES
Una vez concluido el proceso investigativo se revela el enfoque martiano de lo ambiental como
herramienta pedagógica útil para garantizar una visión de interrelación y de complementariedad entre lo
cognitivo, lo afectivo y lo conductual, y desde lo docente, extradocente y lo extraescolar.
Se elaboró un modelo pedagógico de formación de la cultura científico-ambiental en
correspondencia con el fin de la Educación Preuniversitaria cubana y se fundamenta en la Teoría
Holístico-Configuracional, así como en el pensamiento ambientalista fundacional de José Martí; lo que
posibilita el establecimiento de relaciones esenciales entre las dimensiones: Significación científico-
ambiental y Sentido transformador de la participación de los sujetos, expresión de un proceso participativo
y contextual.
Se corroboró la pertinencia y factibilidad del modelo y la efectividad de la estrategia pedagógica
propuesta, a través de los talleres de socialización, el estudio de caso y de la aplicación del método de
evaluación por criterio de expertos, apreciándose como viables para perfeccionar la pertinencia
sociocultural de los estudiantes que se forman en la Educación Preuniversitaria. De esta manera se
soluciona el problema científico, se cumple con el objetivo de la investigación y se obtiene información
cualitativa acerca de la veracidad de la hipótesis formulada.

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DESENVOLVIMENTO DO FEIJÃO-CAUPI IRRIGADO COM ÁGUA


PROVENIENTE DO AÇUDE TAMBORIL EM OURICURI-PE E EM
DIFERENTES NÍVEIS DE SALINIDADE

Évio Alves Galindo1, Sebastião Lopes Cordeiro Junior2, Cathylen Almeida Félix Galindo3, Farnézio
de Castro Rodrigues4, Marlon Gomes da Rocha5
1,2,3,4,5
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Campus Ouricuri. Avenida Tamboril, s/n, Zona Rural – Ouricuri –
Pernambuco – Brasil. CEP: 56.200-000 / Telefone: (87) 8122.3778 / E-mail: 1evio.galindo@ifsertao-pe.edu.br;
2
sebastiaolopes1995@gmail.com; 3cathylen.galindo@ifsertao-pe.edu.br; 4farnezio.castro@ ifsertao-pe.edu.br;
5
marlon.gomes@ifsertao-pe.edu.br

RESUMO: Os reservatórios de água do semi-árido são pouco profundos e, portanto, inúteis em épocas de seca. Além
disso, as águas de barreiros, de açudes e das baixadas são geralmente poluídas e salinas. O experimento foi conduzido
em ambiente protegido, no IF-Sertão Pernambucano, Campus Ouricuri. O delineamento empregado foi o inteiramente
ao acaso, num esquema 3 x 5 (três blocos e cinco níveis de salinidade) com quatro repetições. Para realização da
primeira etapa da pesquisa foi utilizado o feijão-caupi da variedade Canapu. Para distribuição dos tratamentos utilizou-
se T1 (água de abastecimento municipal para testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água adicionada
com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1). As variáveis analisadas foram: altura da planta; número de folhas; diâmetro do colo. As
plantas de feijão-caupi sofreram redução no crescimento inicial, quando submetidas aos altos níveis de salinidade. O
feijão-caupi é tolerante até nível de salinidade 3,0 dSm-1. A água do açude tamboril apresenta um nível de salinidade em
média de 4,0 dSm-1, não sendo, portanto indicada para irrigação do feijão-caupi.

Palavras-chave: Vigna unguiculata, produtividade, tolerância.

DEVELOPMENT COWPEA CROP WITH WATER FROM THE ANGLER IN OURICURI-


PE AND AT DIFFERENT LEVELS OF SALINITY

ABSTRACT: Water reservoirs in the semiarid are shallow and therefore useless in times of drought. In addition, the
waters of pits, weirs and downloaded are usually polluted and saline. The experiment was conducted in a protected
environment, the IF-Sertão Pernambucano, Campus Ouricuri. The experimental design was completely randomized in a
3 x 5 (three blocks and five levels of salinity) with four replications. To implement the first stage of the research the
cowpea variety Canapu was used. For distribution of the treatments we used T1 (municipal water supply for control);
T2 (the reservoir water angler); T3, T4 and T5 (salt water added with 1.5, 3.0, 4.5 dS m -1). The variables analyzed were:
plant height; number of sheets; collar diameter. Plants of cowpea were reduced initial growth, when subjected to high
levels of salinity. Cowpea is tolerant to salinity 3.0 dS m-1. The water reservoir has a Monkfish salinity averaged 4.0 dS
m-1, and therefore not suitable for irrigation of cowpea.

Keywords: Vigna unguiculata, productivity, tolerance.

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(GALINDO; CORDEIRO JÚNIOR; GALINDO; RODRIGUES; ROCHA, 2018)

Introdução

O semiárido brasileiro é um dos maiores, mais populosos e também mais úmidos do mundo.
Estende-se por 969.589,4 km², abrangendo o norte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os
sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma
parte do sudeste do Maranhão. A precipitação pluviométrica é de 750 mm anuais, em média. Em
condições normais, chove mais de 1.000 mm. Na pior das secas, chove pelo menos 200 mm, o
suficiente para fornecer água de qualidade à uma família de cinco pessoas por um ano nas áreas
rurais (SUDENE, 2013).
Porém, a chuva não é distribuída uniformemente, física e temporariamente. Devido às
características climáticas da região, onde o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação
média anual do Brasil, sendo superior a 2.000 mm, temperatura média elevada de 23 a 27° C, alta
insolação (média de 2.880 h/ano) e precipitações pluviais bastante irregulares, em torno de 500 a
600 mm/ano, tendo assim poucas áreas para o manejo agrícola rentável, que sustentem os
produtores (ARRUDA et al., 2004).
Os reservatórios de água são poucos profundos e, portanto, inúteis na época da seca. Além
disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a água da chuva, encontram-se
geralmente poluídas e salinas. Essa água é responsável por muitas doenças na população (seres
humanos e animais) e na maioria das vezes é inviável para o desenvolvimento da agricultura
(FEBRABAN, 2013).
O feijão-caupi, (Vigna unguiculata (L.) Walp.), também conhecido por feijão-de-corda,
feijão-macassar, feijão vigna, feijão miúdo ou feijão-da-praia, é uma leguminosa de alto conteúdo
protéico, constituindo-se em um dos principais componentes da dieta alimentar nas regiões
Nordeste e Norte do Brasil, especialmente na zona rural. É uma excelente fonte de proteínas (23-
25% em média) e apresenta todos os aminoácidos essenciais, carboidratos (62%, em média),
vitaminas e minerais, além de possuir grande quantidade de fibras dietéticas, baixa quantidade de
gordura (teor de óleo de 2%, em média) e não conter colesterol (LIMA FILHO et al., 2013). É uma
das culturas de elevada relevância socioeconômica para o Brasil.
Devido à sua rusticidade, a espécie expõe reconhecida capacidade de adaptação frente a
estresses hídrico, térmico e salino. Além disso, pode ser utilizada como adubo verde por apresentar
eficiente produção de biomassa (FREIRE FILHO et al., 2005). Além do papel relevante na
alimentação do brasileiro, o feijão é um dos produtos agrícolas de maior importância econômico-
social, devido principalmente à mão-de-obra empregada durante o ciclo da cultura. O Brasil é o
maior produtor mundial de feijão (ABREU, 2005).
Por haverem poucos estudos enfocando a utilização da água do Açude Engenheiro Camacho
(Tamboril) na irrigação de pequenas lavouras às margens do mesmo, o presente trabalho foi
realizado com o objetivo de avaliar os efeitos da utilização da água deste açude comparado aos
diferentes níveis de salinidade na cultura do feijão e seus efeitos no solo.

Material e métodos

O experimento foi conduzido em ambiente protegido, no Instituto Federal do Sertão


Pernambucano, Campus Ouricuri. Em agosto/2013 a casa de vegetação foi preparada para o
recebimento dos blocos. No dia 24/08/2013 as sementes de feijão-caupi foram semeadas, sendo
realizado o teste de capacidade de campo para observar a quantidade ideal de água para as
irrigações. Para isso, o solo foi saturado com 1.700 ml de água. A partir do dia 27/08/2013 foram
iniciadas as irrigações diárias sempre no mesmo horário, às 9 horas da manhã.

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Como substrato foi utilizada amostra da camada de 20 cm de solo coletado em propriedade


localizada no município de Ouricuri-PE. Para realização da primeira etapa da pesquisa foram
utilizadas sementes do feijão-caupi da variedade Canapu.
Foi encaminhada uma amostra desse solo para o laboratório de solos do IF-Sertão campus
Zona Rural. Os resultados dessa análise estão expressos na Tabela 1.

Tabela 1. Características químicas do solo utilizado no experimento antes do plantio da cultura do


feijão-caupi. Ouricuri-PE, 2013.
Profund.
pH (1:25) CE MO Pdisp. K Na Ca Mg
(cm)
H2O dS.m-1 g. kg-1 mg.dm-3 ------------Cmolc. dm-3-------------
0-20 4,85 0,16 10,95 12 0,49 0,03 3,08 0,79

Os níveis de salinidade foram obtidos pela adição de (NaCl) de acordo com a formula de
0,001(CEs  CEan) Peq
Richards, 1954, sendo CS  , onde: CS = concentração (g L-1); CEs =
0,97
condutividade elétrica a 25°C da água da mistura (dS m-1); CEan = condutividade elétrica da água
utilizada (dS m-1); Peq = peso equivalente do sal utilizado e 0,97 = porcentagem de pureza estimada
do cloreto de sódio.
As soluções foram preparadas no laboratório de química e posteriormente armazenadas em
balde com quantidade suficiente para uma semana.
Cada unidade experimental foi representada por uma planta/saco, com capacidade de 2,5
dm³ de solo não adubado.
Para distribuição dos tratamentos utilizou-se T1 (água de abastecimento municipal para
testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água adicionada com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS
m-1).
As irrigações foram realizadas diariamente, onde os níveis de salinidade da água do tamboril
foram determinados por meio de um condutivímetro de bancada.
As avaliações foram sendo realizadas uma vez por semana, onde as variáveis analisadas
foram: Altura da planta, número de folhas e diâmetro do colo. A altura da planta foi medida com
auxilio de uma régua graduada em centímetros, o número de folhas foi contado visualmente a cada
avaliação e o diâmetro do colo foi mensurado com auxilio de paquímetro digital graduado em
milímetros.
O delineamento empregado foi em blocos ao acaso, num esquema de 3 x 5 (três blocos e
cinco níveis de salinidade) com dez repetições. Foram semeadas três sementes por vaso, onde
permaneceu apenas uma planta por vaso após o desbaste, realizado cinco dias após a emergência.
As atividades foram sendo realizadas de acordo com o cronograma do projeto.
Para o teste de germinação foram utilizadas quatro bandejas com substrato, nas quais foram
semeadas 25 sementes por bandeja, totalizando 100 sementes, a fim de testar o potencial
germinativo da cultura. A coleta de água foi realizada no açude tamboril a cada quinze dias.
Para verificar a capacidade de campo do solo, o mesmo foi saturado com 1.700 ml de água
antes de iniciar as irrigações.
As soluções foram preparadas de acordo com fórmula de Richard (1954), onde se utilizou
recipientes com capacidade de 51 litros. Então, a quantidade de cloreto de sódio equivalente a cada
tratamento foi dissolvido na água.
Para o preparo do defensivo natural de Neem (Azadirachta indica), utilizou-se 100 gramas
das folhas em 2 L de água triturando-as em um liquidificador. Para a aplicação colocou-se 200 ml
da solução num pulverizador com capacidade para 5 litros.
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Resultados e discussão

Observou-se que dos sete aos 35 dias após o semeio de feijão-caupi, os diâmetros do caule
analisados, não apresentaram diferenças significativas de acordo com as fontes de água de
abastecimento municipal (T1), da salinidade provocada pela mistura dos sais e nem da água de
proveniente do açude tamboril (Tabela 2). A partir dos 42 dias após o semeio, percebe-se que há
diferença estatística entre os tratamentos, sendo que T5 foi o mais afetado pelo estresse salino, onde
percebe-se decréscimo no diâmetro do caule, apesar de o mesmo não diferir estatisticamente de T2
e T4. Aos 49 dias, inferi-se que T5 difere estatisticamente dos demais tratamentos, sendo o
tratamento que apresenta menor valor (2,55 cm). Nota-se aos 56 dias após o semeio que o T1
proporciona maior diâmetro (4,79 cm) em relação á T5 (1,84 cm). De forma semelhante aos 63 dias
de avaliação, o tratamento 1 apresentou maior valor (4,97 cm). O tratamento onde foi utilizada água
do tamboril para irrigação (T2) e o tratamento 5 (maior nível de salinidade), apresentaram os
menores saldos para o diâmetro do caule, 1,50 e 0,53 cm, respectivamente.
Souza Júnior et al. (2005) trabalhando com algodoeiro colorido registraram decréscimos no
que se refere ao crescimento de diâmetro do caule de 3,23% quando incrementaram unitariamente a
condutividade elétrica (C.E.).
Já Souza et al. (2007) relatam que a salinidade afeta mais o crescimento vegetativo à medida
que a composição iônica da água de irrigação provoca maiores efeitos sobre a nutrição mineral das
plantas de feijão-de-corda. De acordo com Morales et al. (2001), nem todas as partes da planta são
igualmente afetadas pela salinidade, bem como, a adaptação ao estresse salino que varia entre
espécies e em um mesmo genótipo pode variar entre estádios fenológicos.
Souza Júnior et al. (2005) constataram que a salinidade da água de irrigação afetou o
diâmetro do caule (DC) aos 120 dias de estudo, proporcionando decréscimo no algodoeiro colorido.
A salinidade crescente da água de irrigação proporcionou decréscimo linear do diâmetro
caulinar de girassol de 0,18 e 0,62 mm do DC por aumento unitário da condutividade elétrica da
água de irrigação, respectivamente, aos 26 e 50 DAS (NOBRE et al., 2010).

Tabela 2. Diâmetro do caule (cm) de feijão-caupi irrigado com diferentes fontes de água: T1 (água
de abastecimento municipal para testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água
adicionada com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1).
Dias após a Fontes de água de irrigação
semeadura 1 2 3 4 5
07 2,44 A* 2,61 A 2,40 A 2,79 A 2,68 A
14 2,66 A 2,78 A 2,85 A 2,83 A 2,86 A
21 2,99 A 3,14 A 3,14 A 3,09 A 3,01 A
28 3,04 A 2,67 A 2,82 A 2,51 A 2,29 A
35 3,37 A 2,96 A 3,05 A 2,89 A 2,45 A
42 5,10 A 4,40 AB 4,70 A 4,11 AB 2,98 B
49 5,08 A 4,35 A 4,54 A 4,35 A 2,55 B
56 4,79 A 2,91 BC 4,11 AB 3,93 AB 1,84 C
63 4,97 A 1,50 CD 3,46 AB 2,52 BC 0,53 D
y =
Regressão y = 0,0542x + y = -0,0019x2 + y = 0,0302x + y = -0,0283x +
0,0151x +
polinomial 1,9323 0,1307x + 1,3513 2,3971 3,3456
2,6940
r2 0,84 0,40 0,51 0,16 0,49

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202

(GALINDO; CORDEIRO JÚNIOR; GALINDO; RODRIGUES; ROCHA, 2018)

*As médias seguidas pela mesma letra na linha não diferem estatisticamente entre si, ao nível de
5 % de probabilidade.
Na Tabela 3, observa-se que após sete dias de estresse salino, as plântulas de feijão-caupi
apresentaram diferença estatística entre os níveis de salinidade, sendo que o T1 e T3 diferiram
estatisticamente de T5. Este último apresentou menor altura de plantas (3,77 cm), não diferindo
estatisticamente, portanto de T2 e T4.

Tabela 3. Altura de planta (cm) de feijão-caupi irrigado com diferentes fontes de água: T1 (água de
abastecimento municipal para testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água
adicionada com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1).

Fontes de água de irrigação


Dias após a
semeadura 1 2 3 4 5

07 6,45 A* 5,92 AB 6,24 A 5,37 AB 3,77 B


14 8,13 A 7,68 AB 7,08 AB 6,99 AB 5,43 B
21 8,37 A 7,68 AB 8,06 A 7,28 AB 5,63 B
28 8,15 A 7,39 AB 7,78 AB 7,36 AB 5,57 B
35 8,78 A 8,43 AB 8,19 AB 8,00 AB 6,23 B
42 8,98 A 8,17 A 8,37 A 8,03 A 5,43 B
49 8,93 A 8,19 A 8,25 A 8,43 A 4,28 B
56 8,88 A 5,52 B 7,99 A 6,83 AB 2,98 C
63 8,82 A 2,19 C 6,55 B 4,88 B 1,15 C
2 2
y= y = -0,0022x y = -0,0036x y = -0,0043x2
Regressão y = -0,0054x2 +
0,0325x + + 0,1634x + + 0,2551x + + 0,2506x +
polinomial 0,3356x + 3,363
7,2511 5,4156 3,7196 2,3697
2
r 0,61 0,85 0,82 0,84 0,97
*As médias seguidas pela mesma letra na linha não diferem estatisticamente entre si, ao nível de
5 % de probabilidade.

Aos 14 dias, observa-se que à medida em que o nível de salinidade foi incrementado, houve
uma redução do crescimento das plantas, obtendo-se maior crescimento quando as mesmas foram
submetidas à irrigação com água onde não havia nível de salinidade elevada (T1) (8,13 cm), porém
este diferiu significativamente apenas do T5. Dos 21 aos 56 dias o T5 apresentou uma redução de
crescimento estatisticamente mais alta em feijão-caupi. Diferentemente, dos demais dias, aos 63
dias de avaliação o T2 teve comportamento semelhante ao T5, obtendo os menores resultados no
que diz respeito à altura de plantas (2,19 e 1,15 cm respectivamente).
Nunes Filho (1993), estudando o comportamento de duas cultivares de algodoeiro, irrigadas
com águas de condutividade elétrica variando de 0,7 até 12,0 dS m-1, observou, também, redução da
altura de planta, com o aumento da concentração salina na solução do solo. Siqueira (2003) obteve
decréscimo de 5,92 %, na altura de algodoeiro, para cada incremento unitário de C.E., valor
próximo do observado neste trabalho (5,68%). Outros autores também constataram redução de
características agronômicas, em função da elevação da salinidade (NUNES FILHO, 1993;
JÁCOME et al., 2003).
Nery et al. (2009) em trabalho com o pinhão-manso, também verificaram redução da AP em
função do aumento da CEa, indicando que aos 58 DAS houve decréscimo de 8,6% na AP quando
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(GALINDO; CORDEIRO JÚNIOR; GALINDO; RODRIGUES; ROCHA, 2018)

submeteram-se as plantas a salinidade da água de 3,0 dS m-1 em relação as plantas cultivadas sob
salinidade de 0,6 dS m-1.
De acordo com Tester e Davenport (2003), entre os mecanismos de adaptação ao estresse
salino fazem parte mudanças organográficas nas plantas, como redução no tamanho de folhas, uma
maneira de as plantas reduzirem a taxa de respiração. Essas mudanças são provenientes do aumento
da pressão osmótica da água de irrigação, devido a se tornar mais negativo o potencial osmótico,
dificultando a sua absorção, tornado o Na tóxico ás plantas e consequentemente interferindo na
disponibilidade de outros íons.
Conforme Bosco et al. (2009) plantas cultivadas sob salinidade tendem a absorver menos
nitrogênio, por isso explica-se a redução do crescimento do feijão-caupi nos maiores níveis de
salinidade. De acordo com Travassos et al. (2009) o aumento da CEa de 1 a 5 dS -1 promoveu,
decréscimos linear de 0,32 e 2,67 cm na altura e de 0,15 e 0,62 mm no diâmetro caulinar de plantas
de girassol em avaliações realizadas aos 18 e 28 dias após o semeio, respectivamente.
O número de folhas (NF) não diferiu significativamente entre os tratamentos, quando
avaliados dos sete aos 21 dias após o semeio. Já aos 28 dias de cultivo, o NF variou
estatisticamente, sendo T1 e T3 iguais estatisticamente (13,67 e 10,63, respectivamente). Aos 35
dias os menores resultados foram obtidos no T5, com número médio de folhas de 5,87, diferindo
significativamente dos demais tratamentos, exceto de T4 (8,87). Percebe-se aos 42 dias após o
semeio que o T2 é estatisticamente igual à T3 e T4, diferindo dos demais tratamentos. Aos 49 dias
de cultivo do feijão-caupi, observa-se que T1 diferiu significativamente, obtendo o maior número
de folhas em relação aos demais tratamentos (20,07) e que T2, T3 e T4 são estatisticamente iguais.
Infere-se que T5 aos 56 dias de avaliação teve uma redução no seu número de folhas maior que os
demais tratamentos e que os mesmos diferiram significativamente entre si, com exceção de T2 e T4,
que são estatisticamente iguais. Aos 63 dias após o semeio, pode-se perceber que T1 obteve o maior
incremento no número de folhas (15,13), como pode-se perceber na Tabela 4.

Tabela 4. Número de folhas de feijão-caupi irrigado com diferentes fontes de água: T1 (água de
abastecimento municipal para testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água
adicionada com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS m-1).

Dias após a Fontes de água de irrigação


semeadura 1 2 3 4 5
7 2,00 A* 2,00 A 1,93 A 1,87 A 1,87 A
14 4,83 A 4,13 A 4,57 A 4,47 A 3,37 A
21 7,73 A 5,90 A 6,50 A 5,47 A 4,63 A
28 13,67 A 8,07 BC 10,63 AB 7,10 BC 5,30 C
35 16,87 A 10,80 BC 12,90 B 8,87 CD 5,87 D
42 19,93 A 10,70 BC 13,93 B 9,40 C 5,37 D
49 20,07 A 9,37 B 12,47 B 8,73 B 3,93 C
56 19,77 A 6,90 C 13,40 B 7,67 C 2,90 D
63 15,13 A 2,27 C 7,40 B 4,60 BC 0,83 C
y = -0,0097x2 y = -0,0102x2 y = -0,0067x2 y = -0,0055x2
Equação de y = 0,3054x +
+ 0,8331x - + 0,7569x - + 0,5421x - + 0,3667x -
regressão 2,6444
4,7413 4,0325 2,0444 0,5579
r2 0,72 0,91 0,91 0,94 0,98

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(GALINDO; CORDEIRO JÚNIOR; GALINDO; RODRIGUES; ROCHA, 2018)

*As médias seguidas pela mesma letra na linha não diferem estatisticamente entre si, ao nível de
5 % de probabilidade.

Cavalcanti et al. (2004) analisando o crescimento inicial da mamoneira submetida a


diferentes níveis de salinidade da água de irrigação (0,7 a 4,7 dS m -1) também não observaram
efeito significativo da salinidade sobre esta variável. O número de folhas de girassol não variou
significativamente conforme o teste F em função dos diferentes níveis de salinidade da água de
irrigação, em avaliações realizadas aos 26 e 50 DAS (NOBRE et al., 2010).
Já Travassos et al. (2009) estudando o crescimento inicial de girassol sob CEa variando de 1
a 5 dS m-1, constataram aos 28 DAS, decréscimo linear do NF com o aumento da salinidade da
água. Oliveira et al. (2010), analisando a salinidade na cultura do girassol verificaram que o número
de folhas por plantas reduziu linearmente com o aumento da salinidade da água utilizada na
irrigação.
O experimento também apresentou a morte e redução no crescimento de plantas do
tratamento que tinhao maior nível de salinidade (T5).
Na caracterização de desenvolvimento da cultivar de feijão-caupi, foi registrado durante as
avaliações dos tratamentos a presença e ataque de pulgão (Aphis craccivora) e mosca branca
(Bemisia argentifolii), onde para o controle foi aplicado um defensivo natural de Neem
(Azadirachta indica) que atua de forma eficiente no controle contra pragas e doenças.
Após a retirada do experimento, foi coletada uma amostra de solo de cada tratamento e
encaminhadas para o laboratório de solos do IF-Sertão campus Zona Rural (Tabela 5).
Podemos observar que todos os tratamentos sofreram alterações na CE, MO, P, K, Na, Ca e
Mg após serem submetidos as irrigações com água em diferentes níveis de salinidade. O tratamento
que foi submetido a irrigação com água do açude tamboril obteve um acréscimo mais acentuado na
CE em relação aos outros tratamentos 13,57 dS.m-1, isso se deu devido a grande quantidade de sais
existentes na água. O tratamento com maior nível de salinidade T5 (4,5 dS.m-1) apresentou uma CE
3,17 dS.m-1 sendo inferior aos demais tratamentos. O fato da morte das plantas de algumas parcelas
do tratamento antes do fim do experimento resultou a não irrigação nesses vasos causando um
acumulo inferior de sais no solo.

Tabela 5. Características químicas do solo utilizado no experimento depois do plantio da cultura do


feijão-caupi irrigado com diferentes fontes de água: T1 (água de abastecimento municipal para
testemunha); T2 (água do açude tamboril); T3, T4 e T5 (água adicionada com sais 1,5; 3,0; 4,5 dS
m-1). Ouricuri-PE, 2013.

Profund. pH
Amostra CE MO Pdisp. K Na Ca Mg
(cm) (1:25)
H2O dS.m-1 g. kg-1 mg.dm-3 ------------Cmolc. dm-3------------
T1 - 5,90 0,54 19,88 15,22 0,61 0,10 1,74 1,14
T2 - 6,12 13,57 18,81 16,46 1,39 5,66 2,10 2,07
T3 - 5,48 7,44 17,73 15,78 1,41 7,18 1,31 0,54
T4 - 5,25 7,96 19,13 14,33 1,13 7,18 1,43 1,19
T5 - 5,45 3,17 18,81 36,93 0,89 2,02 1,23 0,26

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Conclusões

As plantas de feijão-caupi sofrem redução no crescimento inicial, quando submetidas aos


altos níveis de salinidade.
O feijão-caupi é tolerante até nível de salinidade 3,0 dSm-1.
A água do açude tamboril apresenta um CE em média de 4,0 dSm-1, não sendo, portanto
indicada para irrigação do feijão-caupi.

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INVENTÁRIO PALEOAMBIENTAL DUNAR DA ECORREGIÃO DUNAS


DO SÃO FRANCISCO
Clecia Simone G. Rosa Pacheco¹, Reinaldo Pacheco dos Santos ², Ingrid Maria Gomes dos Santos
Costa ³
1
Orientadora – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF SERTÃO-PE) – campus Petrolina.
BR 407, Km 08 – Jardim São Paulo – Petrolina-PE – Brasil. CEP: 56314-520 / Telefone: (87) 2101-4300 / E-mail:
¹clecia.pacheco@ifsertao-pe.edu.br;
2
Pesquisador Colaborador – Universidade de Pernambuco (UPE) – campus Petrolina. Km 02, s/n – Vila Eduardo – Petrolina–PE –
Brasil. CEP: 56328-903/ Telefone: (87) 3866-6468 / E-mail: 2 pachecoreinaldo6@gmail.com;
3
Bolsista PIBIC-Jr – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF SERTÃO-PE) – campus
Petrolina. BR 407, Km 08 – Jardim São Paulo – Petrolina-PE – Brasil. CEP: 56314-520 / Telefone: (87) 2101-4300 / E-mail:
ingridmaria764@gmail.com

RESUMO: A caatinga é o bioma mais negligenciado dos biomas brasileiros, em diferentes aspectos, sendo
intensamente ameaçado devido a centenas de anos de ocupação e uso de forma indevida dos ambientes e recursos
naturais. Dentre os vastos campos dunares, este estudo deteve-se a investigar os campos de Casa Nova/BA/Brasil,
situado às margens do rio São Francisco, na APA Lago de Sobradinho. Objetivou-se Inventariar a Ecorregião Dunas do
São Francisco, conhecendo os processos naturais e antropogênicos que permeiam o ecossistema, interpretando causas e
consequências dos impactos socioambientais, visando a construção de Planos de Conservação das dunas. As bases
metodológicas utilizadas estão fundamentadas na Teoria Geossistêmica preconizada por Sotchava e, o Método
Ecodinâmico elaborado por Tricart, além da Teoria GTP (Geossistema – Território – Paisagem) defendida por Bertrand.
Os resultados encontrados indicam instabilidades na área e elevados índices de degradação do paleoambiente. Nesse
aspecto, é relevante plano de desenvolvimento sustentável e de conservação da micro-ecorregião, apresentado,
assegurando assim a eficiência e eficácia de ações que venham contemplar o melhoramento do manejo em áreas
fragilizadas.

Palavras-chave: bioma; meio ambiente; semiárido.

Paleoenvironmental dune inventory from the San Francisco dune ecoregion


ABSTRACT: The caatinga is the most neglected biome of the Brazilian biomes, in different aspects, being intensely
threatened due to hundreds of years of occupation and undue use of environments and natural resources. Among the
vast dune fields, this study was to investigate the fields of Casa Nova / BA / Brazil, located on the banks of the São
Francisco River, at the APA Lago de Sobradinho. The objective was to Inventory the Dunes Ecoregion of São
Francisco, knowing the natural and anthropogenic processes that permeate the ecosystem, interpreting causes and
consequences of the socioenvironmental impacts, aiming at the construction of Dune Conservation Plans. The
methodological bases used are based on the Geosystemic theory advocated by Sotchava and the Ecodynamic Method
elaborated by Tricart, as well as the GTP (Geosystem - Territory - Landscape) theory defended by Bertrand. The results
found indicate instabilities in the area and high rates of paleoenvironment degradation. In this respect, a plan for the
sustainable development and conservation of the micro-ecoregion is relevant, thus ensuring the efficiency and
effectiveness of actions that include improving management in fragile areas.

Key-words: biome; environment; semiarid.

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(PACHECO; SANTOS; COSTA, 2018)

Introdução

Na maior parte de sua extensão o bioma Caatinga é caracterizado por um clima quente e
semiárido (BSh), fortemente sazonal, dispondo de menos de 1.000 mm de chuva/ano, distribuídas
de forma irregular. Contrastando com as baixas e erráticas precipitações, a evapotranspiração
potencial é elevadíssima, estando entre 1.500 a 2.000 mm/ano. Como resultado dessa dinâmica
natural, a vegetação está submetida à deficiência hídrica sazonal, agravada nos anos com estiagem
prolongada. Apesar das condições severas o bioma caatinga apresenta uma surpreendente
diversidade de ambientes, proporcionado por um mosaico de tipos vegetacionais, (a arbórea e a
arbustiva, a mata seca e úmida, o carrasco, as formações abertas com domínio de cactáceas e
bromeliáceas, entre outros), nas áreas de relevo mais elevado e variado.
Partindo desses pressupostos, pode-se dividir o bioma caatinga em Ecorregiões. Por
ecorregião denomina-se uma unidade relativamente grande de terra e água delineada pelos fatores
bióticos e abióticos que regulam a estrutura e função das comunidades naturais que lá se encontram,
sendo, portanto, um bloco geográfico que engloba diversos sistemas biológicos, diversos entre si,
mas que se difere de outros por possuírem grandes processos bióticos que os conectam de alguma
maneira. (VELLOSO; SAMPAIO; PEREYN, 2002).
De acordo com Velloso; Sampaio e Pereyn (2002) o bioma caatinga está subdividido em oito
ecorregiões, a saber: 1. Complexo do Campo Maior; 2. Complexo Ibiapaba – Araripe; 3. Depressão
Sertaneja Setentrional; 4. Planalto da Borborema; 5. Depressão Sertaneja Meridional; 6. Dunas do
São Francisco; 7. Complexo da Chapada Diamantina; 8. Raso da Catarina.
Nesse sentido, o presente projeto possui um cunho transdisciplinar e objetiva inventariar a
Ecorregião Dunar do São Francisco - campos de Casa Nova - bem como explorá-la,
geograficamente, e conhecer os processos naturais e antropogênicos que permeiam tal geossistema,
buscando interpretar as causas e consequências dos impactos socioambientais nas áreas em tese,
visando maior familiaridade com o espaço semiárido brasileiro e, levando em consideração a
relevância de se trabalhar uma geografia contextualizada.

Material e Métodos

As bases metodológicas que sustentam tal projeto estão fundamentadas na Teoria


Geossistêmica de preconizada por Sotchava (1977) e, o Método Ecodinâmico elaborado por Tricart
(1977), além da Teoria GTP (Geossistema – Território – Paisagem) defendida por Bertrand (1997).
Além deste, o Método da Geoecologia das Paisagens (Rodriguez et al, 2010), para análise dos
resultados da paisagem. As teorias acima citadas serviram de elemento fundante para elaboração
deste projeto, por entender, que a base de sustentação de qualquer pesquisa necessita estar
respaldada em teóricos renomados que já validaram pesquisas nessa temática.
Com base nos objetivos a referida pesquisa apresenta-se como descritiva, porque tem por
objetivo conhecer e descrever os atores de um mercado específico bem como entender o seu
comportamento para a formulação de estratégias, assim como retratar os impactos socioambientais
que a ecorregião Dunas do São Francisco vêm sofrendo no decorrer de décadas (VERGARA, 1988,
p. 35) visando observar, registrar, analisar e correlacionar fenômenos ou fatos, sem interferir no
ambiente analisado, sendo o tipo de pesquisa mais utilizado nas ciências sociais. (VIEIRA, 2002 e
MALHOTRA, 2001). No entanto, quanto aos fins, a mesma é do tipo exploratória e ativista.
Exploratória porque não se encontraram informações cientificamente produzidas que atendessem as
necessidades da pesquisa proposta. Ativista porque tem também por objetivo inventariar a região
dunar para que haja uma preservação e restauração de toda a área afetada pelas ações naturais e,
principalmente, antropogênicas. Assim, a mesma constitui-se numa pesquisa exploratória, descritiva
e ativista.
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(PACHECO; SANTOS; COSTA, 2018)

O objeto dessa investigação é uma microporção geomorfológica do semiárido nordestino (os


campos dunares), mais precisamente localizada no Município de Casa Nova/BA, fazendo este limite
geográfico com o Estado de Pernambuco.
Partindo destes pressupostos, para se chegar aos objetivos propostos traçou-se o seguinte
caminho: inicialmente foi feita uma leitura aos teóricos que abordam acerca da ecodinâmica e da
Teoria Geossistêmica, bem como, de autores que abordam sobre os processos que dão origem a
campos de dunas costeiras fluviais. Para isso, fez-se a escolha de artigos científicos publicados no
Scielo e de alguns livros de autores renomados que tratam destas questões. Após a leitura houve
uma breve fixação dos pontos mais relevantes da leitura e uma breve discussão entre coordenador e
orientando para clarificação de conceitos fundamentais à pesquisa. Após leituras, fichamento e
discussão, partiu-se para a pesquisa em campo, onde foi feita uma análise sistemática de quatro
parâmetros considerados cruciais: estrutura superficial da paisagem, uso do solo, vegetação e
processos superficiais. Para cada um dos parâmetros citados, corresponde um nível categórico de
equilíbrio, numericamente definido, a fim de medir a intensidade dos processos diagnosticados de
forma macroscópica, segundo a classificação de Tricart (1977). Estes níveis são categorizados em
ordem crescente de instabilidade ambiental: 1. Áreas estáveis; 2. Áreas intergrades; 3. Áreas
fortemente instáveis. Após a busca de dados in loco os mesmos foram analisados e discutidos, onde
os resultados obtidos disseram o nível de estabilidade da área foco da pesquisa.
Para análise e discussão da pesquisa utilizou-se os dados obtidos em campo e tracejou-se
uma comparação entre os dados encontrados em campo e o que discutem os teóricos elencados
como embasamento para tal pesquisa. Feito isso, foi elaborada uma proposta de intervenção e
conservação do geossistema. Além disso, promoveu-se um seminário para demonstração das
propostas de conservação sugeridas a partir da conclusão da pesquisa, oferecido a toda a
comunidade ribeirinha envolvida na pesquisa. Por fim, chega-se a conclusão da situação real dessa
paisagem fluvial, traçando assim o perfil da paisagem e do seu grau de estabilidade, perpetuado por
um inventário para que haja um preservação e restauração da área dunar degrada, pois se trata de
um dos cartões postais naturais do Vale do Submédio São Francisco e porque não dizer, do Nordeste
brasileiro.

Resultados e Discussões

Os resultados dos impactos naturais obtidos indicam que a área dos campos paleodunares
estudados apresentam os três níveis de estabilidade recomendados por Tricart (1977): estáveis, com
densa cobertura vegetal (Figura 4a); intergrades que está em uma fase de transição entre o meio
estável e instável (Figura 4b); e fortemente instável, apresentado em estágio de degradação, sem
cobertura vegetal consistente e vulnerável a impactos antropogênicos (Figura 4c). Para cada
ambiente caracterizado, um plano estratégico para a sustentabilidade coexistência foi indicada, ou
seja, uma proposta para a conservação da ecorregião.
Quanto aos impactos antropogênicos, foi verificado por meio de pesquisa in loco e
entrevista com os atores sociais, que grandes são os impactos existentes no paleoambiente, e poucos
são aqueles que se identificam com o território ambiental e entende como algo a ser conservado. Foi
realizada uma entrevista aos moradores locais, com um total de 06 (seis) questões relacionadas ao
tempo que os entrevistados viviam na região, sua coexistência com os campos de dunas e o rio São
Francisco, e para indagar sobre seus conhecimentos sobre a implementação de políticas públicas e
ambientais de preservação da área. Ao todo, 50 (cinquenta) pessoas de ambos os sexos (feminino e
masculino) foram entrevistadas.
Dos entrevistados, 72% responderam que sim, quando perguntados se residiam na região
pesquisada. Contudo, 28% disseram que não eram moradores da área. A diferença significativa
entre a maioria residente in loco é então percebido. Quando perguntados por quanto tempo
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(PACHECO; SANTOS; COSTA, 2018)

moravam na área, 10% dos entrevistados disseram que tinham entre 01 e 10 anos de idade e 12%
disseram que viviam lá entre 11 e 20 anos. Já 50% disseram ter vivido na região por mais de 20
anos. Os outros (28%) afirmaram que não moravam na área. Assim, pode-se perceber que a maioria
dos entrevistados residem na região e, com um tempo considerável, o que é deduzido para
proporcionar maior conhecimento sobre a realidade da região em discussão.
Dos entrevistados, 28% disseram que viam as dunas como uma paisagem natural; 4%
entendem essa área como uma paisagem sociocultural e 36% a entendem como uma paisagem
degradada. Do total de entrevistados, nenhum compreende os campos de dunas como sendo uma
paisagem cultural. Finalmente, 32% optaram por ver a região com outra perspectiva - um obstáculo
para a obtenção de água no rio São Francisco - já que representa uma barreira natural onde limita a
comunidade que vive no entorno, ao rio São Francisco.
Cerca de 36% dos entrevistados entendem que a coexistência dos sujeitos locais com a tese e
o ambiente é sustentável. Já 24% vêem essa relação entre os sujeitos sociais e a área natural como
insustentável. No entanto, 40% consideram outros problemas. De acordo com 26% dos
entrevistados, a relação é de total exploração e, eles apontaram as causas que seriam - remoção de
areias e poluição do rio e, 14% também considera uma relação de exploração, apontando para a
remoção de madeira e água do rio, para explorar indevidamente com agricultura irrigada,
degradando a vegetação da margem do rio para plantar também gramíneas para o gado.
Quando questionados sobre a participação da área na APA Dunas e na Veredas do São
Francisco, 14% disseram que estavam cientes do fato, embora não vissem nenhuma vantagem nisso.
No entanto, 86% afirmaram que nunca ouviram dizer que a área estava protegida e, justificando
dizendo que nunca viram qualquer inspeção no referido panorama.
Nesse sentido, é possível afirmar que não houve audiência pública com a comunidade do
entorno, quando ocorreu a criação da área na APA, indicando a pouca preocupação do poder público
em efetivar a preservação do local, sendo que a comunidade seria uma das maiores responsáveis em
preservar e denunciar qualquer agressão nesta área.
Dos 100% entrevistados, 86% afirmaram não ter o senso de pertencer à ecorregião, justificando os
transtornos causados pelos campos dunares em suas vidas diárias. Já 14% disseram sentir que
pertencem ao meio ambiente e gostaria de contribuir de alguma forma para preservá-los, mas não
sabem como prosseguir.

Conclusões

Cerca de metade da paisagem foi degradada pela ação do homem e de 15% a 20% está em
alto grau de degradação (com risco de desertificação). “A região perdeu suas riquezas naturais sem
gerar riqueza para a população local, ainda uma das mais pobres do país”, diz o biólogo José Maria
Cardoso da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Pode-se concluir que a coexistência da população do entorno com os dunares ecoambientes
não é sustentável e, portanto, não existe uma preocupação real com a conservação. Muitos deles
entendem que dunas são apenas areia amontoada e nem sabem que vivem em uma área de proteção
ambiental, e que eles precisam cuidar do ambiente natural onde se inserem como sujeitos sociais. É
essencial ter uma intervenção sobre a conservação das areias, antes da implementação do que
CONAMA (2012) [23] Resolução n. 10, de dezembro de 1988, em seu artigo 6º. É crucial
considerar a aplicabilidade e/ou aprimoramento da Educação Ambiental (EA) no currículo das
escolas locais, considerando que esta é uma importante ferramenta para mediar a relação dos
moradores com o meio ambiente. Finalmente, é de fundamental importância a implementação, pela
APA, da gestão da conservação proposta (inventariar a área em questão) sugerida para os três
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ambientes (caracterizados) existentes na ecorregião, visando conservar o que ainda é possível dos
aspectos naturais e restaurar o que já se encontra em estado avançado de degradação ambiental.

Referências

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POTENCIALIDADES DA BARAÚNA (SCHINOPSIS BRASILIENSIS


ENGL.) E AMEAÇA DE EXTINÇÃO
Denilça Souto Silva¹, Danilo Diego de Souza²
1
Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina. Endereço da instituição - Petrolina – PE – Brasil. CEP: 56.328-903 / E-
mail: denysouto26@hotmail.com;
2
Secretaria de Produção Rural, Recursos Hídricos e Meio Ambiente – Prefeitura de Ouricuri-PE. Ouricuri – PE – Brasil.
CEP: 56.200-000 / E-mail: danilodiegos@hotmail.com

RESUMO: Schinopsis brasiliensis é uma espécie arbórea típica da Caatinga. Seus recursos florais têm papel
importante como fonte alimentar para as abelhas durante as épocas de seca, no qual os alimentos são escassos. A
espécie apresenta grande potencial madeireiro e medicinal. O estudo teve como objetivo reunir informações acerca dos
aspectos botânicos e ecológicos, como também das potencialidades que a espécie apresenta e o risco ambiental que a
mesma se encontra, devido sua exploração predatória. Para tal, foi feito um estudo bibliográfico acerca da importância
ecológica da baraúna e dos impactos causados pelo seu uso indiscriminado. O uso insustentável dessa espécie, ao
longo dos anos, ocasionou sério risco de extinção. Portanto, foi observado que a espécie em estudo está inserida na
lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. Ações governamentais são fundamentais para subsidiar programas e
projetos para minimizar o impacto ambiental sobre a espécie, como um manejo sustentável e programas de educação
ambiental para sensibilizar as comunidades e, dessa forma, buscar retirá-la da lista de espécies ameaçadas de extinção.

Palavras-chave: Schinopsis brasiliensis, risco de extinção, Caatinga.

Potentialities of barauna (Schinopsis brasiliensis Engl.) and threat of extinction

ABSTRACT: Schinopsis brasiliensis is a typical arboreal species of the Caatinga. Its floral resources play an
important role as a food source for bees during times of drought, in which food is scarce. The species presents great
wood and medicinal potential. The objective of the study was to gather information about botanical and ecological
aspects, as well as the potentialities of the species and the environmental risk that it is due to predatory exploitation.
For this, a bibliographic study was done about the ecological importance of the baraúna and the impacts caused by its
indiscriminate use. The unsustainable use of this species over the years has caused a serious risk of extinction.
Therefore, it was observed that the species under study is included in the official list of species threatened with
extinction. Government actions are fundamental to subsidize programs and projects to minimize the environmental
impact on the species, such as sustainable management and environmental education programs to sensitize
communities and thus seek to remove it from the list of endangered species.

Key-words: Schinopsis brasiliensis, extinction risk, Caatinga.

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(SILVA; SOUZA, 2018)

Introdução

A Caatinga abrange os Estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do


Norte, Sergipe, Ceará, Piauí, Maranhão e parte de Minas gerais (IBGE, 2004). Este bioma, do
ponto de vista biológico, é extremamente importante, pois tem sua distribuição totalmente restrita
ao Brasil (Brasil, 2002). A cobertura vegetal das áreas da região Nordeste representa cerca 800.00
km², o que corresponde a 70% dessa região (Kiill, 2011; Drumond et al., 2000).
A vegetação da Caatinga é constituída especialmente de espécies lenhosas de pequeno
porte, herbáceas, cactáceas e bromeliáceas. Algumas são dotadas de espinhos, sendo geralmente
caducifólias. A diversidade florística é muito grande e estima-se pelo menos 932 espécies vegetais,
das quais 318 são endêmicas (Brasil, 2002; Giulietti et al., 2002).
As plantas da Caatinga têm potencialidades variadas, destacando-se como medicinais,
madeireiras, frutíferas e forrageiras (Kiill, 2011). Como consequência da degradação e falta de
preservação, muito já se perdeu em biodiversidade, com 19 espécies ameaçadas, e destas 18 são
consideradas vulneráveis e uma em perigo de extinção (Biodiversitas, 2001).
A Caatinga é um dos biomas brasileiros mais alterados pelas atividades humanas
(Capobianco, 2002). Dentre as espécies consideradas como ameaçadas de extinção e de grande
importância ecológica, encontra-se a espécie Schinopsis brasiliensis Engl., popularmente
conhecida por baraúna ou braúna (Brasil, 2008).
A espécie S. brasiliensis é uma das principais árvores na composição das paisagens vegetais
do sertão nordestino e associa-se à fauna local, onde suas folhas e flores servem de alimento para
répteis, aves, mamíferos e insetos, principalmente abelhas (Kiill, 2011).
A baraúna apresenta grande potencial econômico devido principalmente ao seu
aproveitamento madeireiro, como também seu uso na medicina popular, utilizada contra histeria,
nervosismo, dores de dente e de ouvido. Na medicina veterinária é usada no tratamento de
verminoses, e é considerada forrageira para caprinos e ovinos. Na indústria é usada em curtume
devido a produção de taninos de sua casca (Figuerôa et al., 2005).
Os diversos usos irracionais atribuídos à baraúna propiciaram uma intensa e indiscriminada
exploração, fazendo com que seu nome fosse incluído na lista oficial das espécies ameaçadas de
extinção. Diante disso, o objetivo deste trabalho de revisão foi caracterizar as potencialidades da
baraúna, seus aspectos ecológicos e abordar as alterações decorrentes do seu uso irracional que
levou a espécie ao risco de extinção.

Material e Métodos

Para o desenvolvimento deste estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o tema
por meio da base de dados Google Acadêmico (Scholar Google), como também em livros
impressos. O levantamento bibliográfico foi desenvolvido no período de junho a outubro de 2016.
Para a busca, utilizaram-se as seguintes palavras-chave: “uso da baraúna (Schinopsis
brasiliensis)”, “importância ecológica de Schinopsis brasiliensis”, “importância econômica de
Schinopsis brasiliensis”, “extração de Schinopsis brasiliensis”, “ameaça de extinção da Schinopsis
brasiliensis”, “degradação da Caatinga”, “impactos ambientais sobre Schinopsis brasiliensis”,
dentre outros termos.

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(SILVA; SOUZA, 2018)

Resultados e Discussões

Impactos ambientais no bioma Caatinga

A Caatinga está com 45,3% da sua área alterada, ocupando o terceiro lugar do bioma
brasileiro mais modificado pelo homem, sendo ultrapassado apenas pela Mata Atlântica e o
Cerrado (Castelletti et al., 2004). Por consequência da exploração insustentável dos recursos para
fins energéticos, medicinais, entre outros, a paisagem da Caatinga está passando por um intenso
processo de modificação (Kiill & Lima, 2011). O desmatamento da vegetação nativa para
atividades agropecuárias, como abertura de áreas para produção animal e áreas para cultivo de
espécies de importância agrícola, também é um dos principais fatores que contribuem para
degradação da Caatinga.
Normalmente a Caatinga é descrita na literatura como pobre e de pouca importância
biológica, no entanto possui um considerável número de espécies endêmicas, e que devem ser
consideradas como um patrimônio biológico de valor incalculável, que não se encontra em
nenhum lugar do mundo além do Nordeste brasileiro (Kiill, 2011). É considerado como um dos
biomas brasileiros mais modificado pela atividade humana, e até o momento, não existe
levantamento sistemático sobre a evolução de sua cobertura vegetal ao longo do tempo
(Capobiano, 2002).
Além da falta de informações, as áreas da Caatinga vêm sofrendo intensamente
influência antrópica, que a utiliza sem nenhum controle dos recursos vegetais encontrados e não se
preocupam com o manejo adequado da vegetação. É notoriamente visível que boa parte da
população que vive na Caatinga depende do uso dos recursos, e o uso indiscriminado por muitos
anos acarreta em danos, como a inserção de espécies na lista de extinção ou vulnerável.
Segundo Kiill & Lima (2011), apesar de sua importância biológica e das ameaças à sua
integridade, somente 3,56% da Caatinga estão protegidos em Unidade de Conservação Federais
(UCs), sendo apenas 0,87% em Unidades de uso indireto, como Parques Nacionais, Reservas
Biológicas. Apesar da área está devastada é possível identificar o grande potencial da flora da
Caatinga.

Aspectos botânicos e ecológicos da espécie Schinopsis brasiliensis

A espécie Schinopsis brasiliensis é considerada como uma árvore típica da Caatinga.


Pertence à família Anacardiaceae, vulgarmente conhecida como baraúna, braúna, baraúna-do-
sertão, coração-de-negro, maria-preta-da-mata, quebracho ou ubirarana (Figura 1) (Carvalho,
2009).

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(SILVA; SOUZA, 2018)

Figura 1. Indivíduo de Schinopsis brasiliensis registrado em Casa Nova-BA.

Foto: Danilo Diego de Souza.


Esta espécie tem grande ocorrência na região Nordeste, como no estado do Piauí, Rio
Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, como também em outras regiões do
Brasil, como no norte de Minas Gerais e Goiás, penetrando a oeste até Mato Grosso e
Rondônia, sendo atualmente difícil o conhecimento da real área de ocorrência, por causa do corte
sistemático ao qual a espécie é submetida (Maia, 2004).
Sua fenologia está relacionada à perda das folhas durante a estação seca, e o florescimento
geralmente ocorre no final da estação chuvosa e início da seca (Kiill & Lima, 2011). Quanto às
informações ecológicas, a baraúna é uma planta decídua, heliófita e seletiva higrófita,
características de várzeas da região semiárida. Habita as terras altas da Caatinga dominadas por
solos de tabuleiro, férteis e profundos. É mais frequente em solos calcários, podendo ocorrer
mesmo em afloramentos pedregosos onde geralmente não cresce muito (Maia, 2004).
Além de seu papel biológico na comunidade vegetal, a baraúna associa-se à fauna local,
onde suas folhas e flores servem de alimentos para aves, répteis, mamíferos e insetos. Quando sua
floração ocorre principalmente na estação seca, abastece as colmeias nativas e exóticas, época em
que as fontes de alimentos são escassas. A resina da baraúna também é uma importante fonte de
sais minerais para a fauna, principalmente pequenos primatas. Além de fonte alimentar, estas
árvores funcionam como abrigo para uma diversidade de animais e suporte para os ninhos de
muitas aves (Kiill & Lima, 2011).
Em estudo realizado por Kiill & Lima, (2011), verificaram que as flores são pequenas e
apresentam coloração creme, abrem-se por volta das 5 horas da manhã e o tempo de vida é de 10
horas. Neste período são visitadas por himenópteros e dípteros, com destaque para as abelhas
Frieseomelitta doederleini (abelha branca) e Trigona spinipes (irapuá), consideradas os principais
agentes polinizadores desta espécie. As plantas são dióicas (Kiill et al., 2010) e reproduzem
exclusivamente por sementes. Sua copa é quase globosa, não muito densa, os ramos são providos
de espinhos fortes de até 3,5 cm, a casca é cinza, quase negro. O fruto é seco alado do tipo
samaroide, mesocarpo esponjoso atingindo até 3,5 cm de comprimento, cor castanha claro, cheia
de massa esponjosa, e adaptada à dispersão pelo vento. No início do desenvolvimento, os frutos
são verdes, adquirindo tons avermelhados quando maduros (Maia, 2004).

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Potencialidades

A espécie Schinopsis brasiliensis tem grande valor econômico e apresenta grandes


potencialidades. A madeira apresenta cerne duro resistente a fungos xilófagos (Paes et al., 2004) e
antigamente foi bastante utilizada para feitura de dormentes e vigamentos, excelente para usos
externos, principalmente mourões, estacas e poste e é excelente para usos externos, principalmente
mourões, pois é bastante durável mesmo quando posta em contato com o solo resiste aos terrenos
mais úmidos por longos anos. É utilizada também na construção civil, para obras internas, na
carpintaria como vigas, linhas, caibros, ripas, portais, dormentes para estrada de ferro, moendas,
prensa de casa de farinha, esteios, pilões, cabos de ferramentas, obras de torno, entre outras
utilidades (Maia, 2004).
Essa espécie destaca-se pela sua importância, atribuída tanto ao valor econômico como nas
suas virtudes medicinais, onde é extraído o extrato da casca e usado na medicina popular, sendo
vendido em calçadas, ruas, e feiras livres nas cidades. A baraúna pode ser usada contra histeria,
nervosismo, dores de dente e de ouvido, inflamação dos nervos e ossos, hemorragias externa e
uterina. Na medicina veterinária é usada no tratamento de verminoses de animais domésticos. Na
indústria é usada em curtume devido à produção de taninos de suas cascas (Figuerôa et al., 2005).

Processo de extinção

Como consequência da degradação ambiental e uso de seus recursos e da falta de


preservação, muito já se perdeu em biodiversidade. Entre os fatores que podem ser marcados como
causa do processo de extinção destaca-se o consumo de madeira, considerado como principal fonte
da matriz energética do Nordeste. Outro aspecto importante que merece destaque é a utilização da
espécie na farmacopeia popular, onde suas cascas e sementes são extraídas e vendidas no comércio
informal, a retirada das cascas dos troncos pode comprometer a longevidade da baraúna e a
retirada das sementes impede que novos indivíduos se estabeleçam no mesmo local (Kiill & Lima,
2011).
Nascimento (1999) identificou que a baraúna se destaca entre as espécies mais frequente
para o consumo de lenha, com 50% de preferência entre os consumidores da região de Petrolina-
PE e Juazeiro-BA. Trovão et al. (2004), também relataram em estudo etnobotânico realizado na
região dos Cariris Velhos, estado da Paraíba, que os povos utilizavam com frequência a madeira da
espécie Schinopsis brasiliensis.
Estudos etnobotânicos indicam que as pessoas afetam a estrutura de comunidades vegetais
e paisagens, não apenas sob aspectos negativos, mas beneficiando e promovendo os recursos
manejados. Albuquerque (1999) cita que a relação plantas/pessoas pode ser interpretada sob vários
aspectos e que pode contribuir para o progresso tendo como exemplo a ecologia evolutiva,
esclarece que na ecologia genética as pessoas agem como agentes seletivos para as plantas, na
biologia de populações, alterando ciclo de vida, e na ecologia química, as pessoas modificam e
tiram vantagens das defesas químicas das plantas para seu benefício.
Grande parte do bioma vem sendo alterado, causando danos irreversíveis à biodiversidade e
suas relações ecológicas. Os principais impactos que a extinção da espécie Schinopsis brasiliensis
poderia causar neste bioma já fragilizado podem ser percebidos pela alteração da paisagem, pois
essa espécie destaca por representar porte mais elevado no decorrer do tempo. Dessa forma, a
retirada dessa espécie causaria uma diminuição significativa no componente arbóreo da vegetação,
que, por conseguinte, poderia alterar a dinâmica das populações do estrato arbustivo (Kiill &
Lima, 2011). A retirada dessa espécie dos ambientes de Caatinga também provocaria danos
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erosivos ao solo, pois as raízes dessa espécie arbórea protege o solo contra os processos erosivos
por meio da fixação das raízes.
Além disso, existiriam também alterações nos diversos processos ecológicos existentes,
tanto em relação aos polinizadores quanto aos dispersores. A extinção da baraúna representaria
uma diminuição na oferta alimentar para abelhas. Por florescer no período seco, as flores da
baraúna conseguem atrair vários visitantes e com a redução da oferta alimentar os visitantes teriam
que procurar outras espécies para se alimentar, isso acarretaria uma diminuição de plantas que
florescem na época seca. Assim, a vida das abelhas também seria ameaçada por falta de alimento.
Associando a extinção da baraúna, haverá também uma redução na oferta de substrato para
nidificação das abelhas nativas, uma vez que estas utilizam das cavidades encontradas nos troncos
das árvores para construir seus ninhos (Kiill, 2011).
Neste sentido, é de fundamental importância estudos sobre a dinâmica ecológica da
Caatinga, pois segundo Pereira et al. (2001) a exploração racional de qualquer ecossistema só pode
ser planejada a partir do conhecimento de suas dinâmicas biológicas.

Conclusões

A espécie Schinopsis brasiliensis tem múltiplos usos, nos quais a exploração dos seus
recursos, principalmente madeireiro, de forma não sustentável, acarretou em risco de extinção.
Fato que a coloca na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. A extinção
dessa espécie pode causar prejuízos ecológicos nos ecossistemas da Caatinga, uma vez que essa
espécie serve de alimento, abrigo e reprodução da fauna.
Ações governamentais são fundamentais para subsidiar programas e projetos para
minimizar o impacto ambiental sobre essa e outras espécies ameaçadas, como um manejo
sustentável e programas de educação ambiental para sensibilizar as comunidades e, dessa forma,
buscar retirá-la da lista de espécies ameaçadas de extinção. Assim, deve ser considerado um plano
para o manejo adequado de espécies ameaçadas de extinção, levando-se em conta o fator humano,
que por vezes é tido como negativo por ocasionar os problemas que levam diversas espécies à
extinção, mas que pode influenciar positivamente, se trabalhado da forma correta, ou seja, de
forma sustentável.

Referências

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IMPACTOS AMBIENTAIS NO BIOMA CAATINGA DENTRO


DO PROJETO CURAÇÁ NH-03, DISTRITO DE ITAMOTINGA,
JUAZEIRO – BA

Andreza Felizmina de Souza Subrinho¹; Rosimary de Carvalho Gomes Moura²

¹ Graduada em Ciências Biológicas, pela Universidade de Pernambuco – UPE – Campus Petrolina. E-mail:
andrezasubrinho@gmail.com
² MSc. Professora Coordenadora do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, na Universidade de Pernambuco – UPE -
Campus Petrolina. Email: rosimary.moura@upe.br; netanel.@uol.com.br

RESUMO
Os impactos ambientais estão intimamente relacionados com o desenvolvimento econômico humano, já que este
recorre principalmente à extração de recursos naturais como fonte primaria de produção, neste caso dentro da caatinga,
provocando assim a aceleração da degradação deste bioma. Nesse contexto, a pesquisa buscou identificar os tipos de
degradações, encontrada no Projeto Curaçá NH-03, Distrito de Itamotinga, Juazeiro – BA, uma vez que este fica
localizado no bioma caatinga e tem apresentado vários impactos ambientais como o desmatamento, o uso de forma
abusiva de agrotóxicos e o pastoril. Dentro desse cenário, pode-se também abordar tipos de métodos que tem
colaborado para a recuperação e conservação do meio ambiente nessa localidade. Para isto, foi realizado um
levantamento bibliográfico sobre o tema, identificando assim os principais meios de degradação ambiental na área de
estudo, além de apresentar alguns métodos alternativos, que podem ser implantados neste local de forma sustentável,
reduzindo assim os impactos ambientais provocados pela ação humana.

Palavras chaves: biodiversidade, degradação ambiental, recuperação.

ABSTRACT
Environmental impacts are closely related to the human economic development, since this mainly uses the extraction
of natural resources as a primary source of production, in this case within the caatinga, thus causing the acceleration of
the degradation of this biome. In this context, the research sought to identify the types of degradations found in the
Curaçá NH-03 Project, Itamotinga District, Juazeiro - BA, since it is located in the caatinga biome and has presented
several environmental impacts such as deforestation, abusive form of agrochemicals and pastoralism. Within this
scenario, one can also address types of methods that have collaborated for the recovery and conservation of the
environment in that locality. For this, a bibliographic survey was carried out on the subject, identifying the main means
of environmental degradation in the study area, besides presenting some alternative methods, which can be
implemented in this place in a sustainable way, thus reducing the environmental impacts caused by the action human.

Key words: biodiversity, environmental degradation, recovery.

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(SUBRINHO; MOURA, 2018)

Introdução

A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro segundo pesquisas bibliográficas


levantadas e estudadas, esta ocupa uma área de 800.000 km², cerca de 10% do território nacional,
englobando de forma contínua a região Nordeste e parte do norte de Minas Gerais. Sendo assim um
dos biomas mais degradados do país, pois a degradação chega em termos de desmatamento, com
cerca de 45,32% do bioma já modificado pelo homem. (Castelleti et al. 2003).
Nesse cenário, percebe-se que o uso insustentável dos recursos naturais, associados à
imagem de uma caatinga seca e pobre, tem contribuído para que este bioma seja extremamente
alterado, apresentando inclusive muitas áreas em processo de desertificação.
Segundo Carvalho & Filho (1997) esse processo vem aumentando com o passar dos anos, e
cresceu com maior proporção no Brasil a partir da colonização feita em especial pelos portugueses e
posteriormente,com o advento da industrialização quando houve um alavanque no modo de
produção, passando de produtos manufaturados para industrializados e como consequência uma
maior devastação da natureza.
Portanto, o bioma caatinga não ficou de fora das implicações estabelecidas pela
industrialização e outras demandas que tem sido observadas com o passar do tempo. Isso ocorreu
provavelmente pelo fato de que o capitalismo e consumo na maioria das vezes exagerado, não
prioriza a preservação da natureza, ou seja, não visa o desenvolvimento sustentável, que é um das
formas mais eficientes de garantir qualidade de vida a todos e ainda proporcioná-la para as futuras
gerações.
E de acordo com Carvalho & Filho (1997), na atualidade os recursos naturais estão sendo
colocados como algo a mercê da humanidade, e às vezes esta trata como se estes fossem infinitos, e
que não precisam de preservação e conservação, o que provoca a degradação não apenas da
Caatinga, mas do meio ambiente que está presente em todos os continentes.
Dentro desse contexto, o artigo tem como finalidade identificar os principais impactos que
tem causado a devastação do bioma caatinga em terras do distrito de Itamotinga, buscando mapear
os principais meios de sua degradação dentro do Projeto Curaçá NH-03, Município de Juazeiro –
BA, como também abordar os principais projetos voltados para a recuperação do bioma dentro da
localidade citada.

Metodologia

Para o desenvolvimento desta pesquisa foi realizado primeiramente um levantamento


bibliográfico de diversos autores, em livros e artigos publicados, sempre buscando conhecer os
principais impactos ambientais presentes no bioma caatinga.
Em seguida, foi realizada a identificação dos meios de degradação ambiental mais
frequentes no Projeto Curaçá NH-03, Distrito de Itamotinga, Juazeiro – BA, por meio de
observações na localidade e informações obtidas na revisão bibliográfica anteriormente citada.
Ademais, foi realizada uma pesquisa de campo, na área estudada através de imagens
fotográficas, registrando os impactos ambientais presentes no projeto, de forma complementar a
pesquisa aqui realizada.
Com isso, foram selecionados alguns métodos alternativos que, segundo pesquisas
bibliográficas, devem ser implantadas no Projeto Curaçá NH-03, para diminuir de forma
considerável os impactos ambientais na região, provocados pelo uso inadequado da terra e pela falta
de informações dos habitantes locais.

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Resultados e Discussão

Características da área de estudo

A área de estudo será o Projeto Curaçá NH03, Distrito de Itamotinga, Município de Juazeiro – BA,
que fica localizado no polo de irrigação do Vale do Rio São Francisco, como mostra a figura 1. Ele
possui aproximadamente 20.000 habitantes, segundo dados do Censo de 2010, fornecidos pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2010).(apud SUBRINHO, 2013).
O projeto foi criado na década de 70 (setenta) e produz principalmente Manga e Uva para
consumo interno e para exportação. Ademais, o tipo de vegetação e o clima que predomina na
região é a Caatinga e o semiárido, respectivamente, sendo que as chuvas são concentradas no
período de Dezembro a Abril, podendo ocorrer variações.

Figura 1: Localização da área de estudo: Projeto Curaçá NH-03, Distrito de Itamotinga,


Juazeiro - BA

Fonte: SUBRINHO(2013, p. 22).

Dentro desse contexto, e de acordo com a CODEVASF(2010) o distrito estudado,


juntamente com os perímetros de Maniçoba, Tourão, Mandacaru, Senador Nilo Coelho e
Bebedouro, formam um total de 44.145 ha em operação. Vale ressaltar que o Projeto Curaçá possui
15.076 hectares, onde cada lote possui cerca 40 hectares, o que representa em torno de 370 lotes.
Sendo que20% da vegetação de cada lote devem ser destinadas a área de preservação ambiental, no
entanto, isso só ocorre quando há uma parte da área improdutiva.

Histórico da caatinga

Os antigos habitantes do bioma caatinga, segundo Sampaio & Batista (2004), concentravam-
se, durante todo o ano, nas áreas mais úmidas, como por exemplo, as serras com fontes perenes, os
brejos de altitudes e os vales de rios perenes. Com a colonização, os portugueses, caboclos
brasileiros, índios e negros começaram a pastorear, estabelecendo seus currais nessas áreas,
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principalmente no curso do rio São Francisco, o que favoreceu também a atividade agrícola, que
produzia principalmente cana-de-açúcar.
Assim surge a monocultura, método já comprovado para o empobrecimento do solo,
levando-o ao processo de devastação, já que é necessário o desmatamento de grandes áreas da
vegetação nativa, queimadas e o uso de agrotóxicos para seu plantio, provocando assim, uma
grande perda da biodiversidade nativa.
Logo em seguida, a este processo (monocultura), segundo Sampaio & Batista (2004) houve
um aumento populacional no bioma caatinga, fazendo com que no final do século XlX, ao longo
das ferrovias, já existisse comercio de grande porte e posteriormente, no decorrer de mais ou menos
350 (trezentos e cinqüenta) anos, essa região já apresenta numerosos perímetros irrigados de várias
dimensões e cidades desenvolvidas, com grandes centros comercias.
Surge aqui um novo cenário de devastação, pois com o crescimento da população no bioma
caatinga, surgiu também uma maior demanda por produtos agrícolas, provocando impactos
significativos na fauna e flora local.
Por isso, de acordo com Carvalho & Filho (1997) desde a ocupação do sertão por volta do
século XVII, a caatinga vem sendo degradada indiscriminadamente, sendo hoje caracterizada
economicamente por atividades como a pecuária e extrativismo de minerais, todos de forma
extensiva de produção e muitas vezes acompanhados pelo desmatamento da vegetação nativa, o que
gera um comprometimento dos recursos hídricos, salinização, compactação do solo, erosão, redução
da diversidade biológica, entre outros.
Com isso, percebe-se que o uso da terra para a atividade agrícola, associada à pecuária
causou sérios danos a esse bioma, pois não havia o sentimento de preocupação nos agricultores, em
relação à área cultivada, fazendo com que o período de recuperação dos nutrientes do solo não fosse
respeitado, além de ocorrer logo em seguida o uso dessas terras para a criação de gado, provocando
assim a degradação tanto do solo, como da vegetação, muitas vezes ainda em forma arbustiva.
Dentro desse contexto, foi possível observar, segundo as referências bibliográficas
estudadas, que quanto mais o Nordeste brasileiro se desenvolvia, mais o bioma caatinga seguia
sendo degradado. Isso faz com que hoje se sinta o reflexo no percentual de mais de 46% da caatinga
já desmatada e consequentemente perdas consideráveis na biodiversidade nativa, sendo que
algumas espécies tanto da flora como da fauna local, já estejam em processo de extinção e também
consideradas extintas.

Impactos ambientais na caatinga

Os impactos ambientais atuais estão cada vez mais intensos e frequentes, estando
intimamente relacionados com o desenvolvimento de uma sociedade capitalista e pouco
sustentável.
Um exemplo disto é fato de o bioma caatinga ser hoje um dos ecossistemas mais
modificados do Brasil, perdendo apenas para a Mata Atlântica e o Cerrado. Ademais, segundo
Castelletti et al. (2003) os impactos ambientais gerados pela atividade agrícola somada a área de
impacto provocada pelas estradas pode variar de 223.100Km², (30,38%) a 379.565Km² (51,68%).
Dessa forma, pode-se observar que o desenvolvimento insustentável da sociedade nesse
bioma, tem causado muitos danos a biodiversidade local. Isso por que se faz necessário o
desmatamento da vegetação nativa, substituindo por culturas de uvas, mangas e outros tipos de
fruteiras, além da monocultura, provocando em muitos casos o processo de desertificação e erosão
do solo. Vale ressaltar também que ocorre uma perda considerável da fauna nativa nessas áreas, pois
os animais são obrigados a sair de seu habitat natural e invadir áreas urbanas, onde são alvos fáceis

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e muitas vezes acabam morrendo ao atravessar as rodovias que também foram realizadas para
facilitar o acesso ao projeto, nesse caso o Projeto Curaçá.
Pensando nisto, Junior & Souza (2012) definem impactos ambientais como qualquer
alteração,exercida pelo homem, das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente,
que prejudique direta ou indiretamente a saúde, a segurança e o bem estar da população; as
atividades sociais e econômicas; a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a
qualidade dos recursos ambientais.
Dentro desse cenário, pode-se perceber que só são considerados como impactos ambientais,
as modificações causadas pelo homem. Sendo assim, o projeto já estudado e observado, apresenta
tais modificações antrópicas.

Desmatamento
O desmatamento não é uma prática utilizada exclusivamente na caatinga, pode-se afirmar
que é um problema ambiental, provocado pelo homem,pertinente a todos os tipos de vegetação,
estando quase sempre associada à expansão da atividade agrícola e pecuária. (Souza, Artigas&
Lima, 2015).
Nesse cenário a agricultura é uma das maiores responsáveis por grandes alterações na
biodiversidade local. Segundo Filho & Souza (2006), ela é um processo de elevado grau de
degradação ambiental, já que ocorre o desmatamento da vegetação nativa, exposição do solo a força
erosiva das chuvas e do uso agrotóxicos.
Diante disso, pode-se observar na figura 2, que no ano de 1991, o Projeto Curaçá NH-03,
apresentava mais de 70% de sua área total coberta por vegetação de caatinga esparsa e
concentrada.Ademais, também é possível observar uma área do território que foi desmatada para o
uso da agricultura irrigada.
Já na figura 3 é apresentado o Projeto acima citado, 20 anos depois, em 2012. Onde é
possível perceber, por meio de comparações, mudanças significativas na área de estudo, pois a
agricultura irrigada se expandiu grandemente em detrimento da vegetação nativa.
Figura 2: Uso e cobertura da terra – 1991

Fonte: SUBRINHO (2013, p. 29)

Diante disso, pode-se observar que a expansão do cultivo de plantações, principalmente de


Manga e Uva nessa localidade, proporcionou o desmatamento de grandes áreas de vegetação nativa,
restando apenas fragmentos desta na região. Isso é preocupante, pois segundo Castelletti et al.
(2003, p. 720) “o desmatamento e as culturas irrigadas estão levando a salinização dos solos,

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aumentando ainda mais a evaporação da água contida neles e acelerando o processo de


desertificação”.
Sobre o comentário anteriormente exposto, percebe-se que o desmatamento pode provocar
grandes impactos ambientais, que muitas vezes são irreversíveis, como também o desaparecimento
de animais e plantas nativas, sendo possível até a perca de espécies endêmicas da caatinga presentes
nessa localidade.

Figura 3: Uso e cobertura da terra – 2012

Fonte: SUBRINHO (2013 p. 31).

Uso de agrotóxicos

O crescimento populacional e a concentração demográfica em determinadas áreas territoriais


aumentam e intensificam os danos ambientais, causando vários problemas, entre eles a poluição da
água, de alimentos e do solo pelo uso de insumos e agrotóxicos, como mostra a figura 4.

Figura 4: Pote de agrotóxico encontrado no Projeto Curaçá NH-03.


Fonte: Própria autora, 2017.

Diante disso, é possível perceber na área de estudo, que desde a fundação do projeto de
irrigação na década de setenta, a atividade agrícola vem se multiplicando com o passar dos anos e
trazendo consigo indícios dessa poluição, além de apresentar problemas de saúde relacionados ao
uso exagerado desses agrotóxicos.
Dentro desse contexto, de acordo com Augusto (2003) “a agricultura irrigada nessa região é
insustentável, pois a cultura viável deveria ser a de sequeiro, como era antes do advento da
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„revolução verde‟.” No entanto, percebe-se que com as novas tecnologias, a mecanização, o uso de
agrotóxicos e fertilizantes, a monocultura e a irrigação, estão avançando sem se preocupar com as
futuras conseqüências que seu uso desordenado e insustentável poderá trazer para o ambiente em
questão.
Ademais, é possível perceber no Projeto Curaçá NH-03, que em alguns casos esses
agrotóxicos são usados sem a orientação de um especialista em agronomia, o que aumenta a
possibilidade do uso incorreto e em exagero desses produtos pelos agricultores locais.
Diante isso, surge uma maior degradação ambiental na localidade e problemas de saúde,
como intoxicação alimentar, não apenas para a população da área em estudo, mas para todos os
seres vivos que consumirem esses alimentos.

Queimadas

A queimada é uma prática cultural presente no nordeste brasileiro desde a época da


colonização e vem resistindo até os dias atuais, mesmo com o crescente apelo da humanidade por
praticas sustentáveis.
Um exemplo disto, é que segundo Castelletti et al. (2003, p. 720) no nordeste os solos “estão
sofrendo um processo intenso de desertificação devido à substituição da vegetação natural por
culturas, principalmente através de queimadas”. Isso ocorre por que durante as queimadas o solo
perde grande parte de seus nutrientes e dos microrganismos que garantem sua fertilidade e como
logo seguida ocorre plantações nesses locais, o solo se desgasta ainda mais, até ficar improdutivo.
Além disso, também ocorre uma perda total da fauna e da flora nativa, muitas endêmicas da
caatinga. Alem de emitir gases poluentes na atmosfera, que favorecem o aquecimento global,
devido ao aumento do buraco na camada de ozônio.
Dentro desse contexto, a queimada embora não seja em grandes proporções, ainda é uma
pratica muito utilizada no Projeto em estudo pelos agricultores, principalmente para limpar uma
área a ser cultivada ou para a criação de gado e caprinos, usados na maioria das vezes como um
complemento para a renda familiar.

Pecuária

Com o crescimento populacional no bioma caatinga o uso da terra para plantio e pastoril tem
aumentado e conseqüentemente tem ocorrido uma maior degradação da biodiversidade local.
Segundo Garda (1996), a presença da vegetação nativa da Caatinga, é o único impedimento para a
transformação do nordeste brasileiro em um imenso deserto.
Isso é preocupante, pois muitos agricultores nessa localidade usam a pecuária como um
complemento para ajudar na renda familiar e utilizam a caatinga como pastagem para animais como
ovinos, caprinos e bovinos, que se alimentam diretamente da vegetação nativa.
Ademais, isso também contribui para uma maior degradação do solo, pois para Giulietti
(2004, p. 50) “os animais pisoteiam o solo úmido, destruindo sua estrutura e produzindo condições
eutróficas, insatisfatórias para os organismos nativos”, provocando assim desequilíbrios ecológicos,
muitas vezes irreparáveis.
Com isso, o solo fica improdutivo mais rapidamente, obrigando os agricultores a mudarem
as terras de cultivo, devastando novas áreas, através de desmatamentos e queimadas, provocando
assim um ciclo vicioso, que se repete cada vez com mais frequência.
Diante do apresentado, também é possível observar segundo Carvalho& Filho (1997) que pode
ocorrer uma redução da biomassa vegetal e posteriormente uma diminuição na sua capacidade de
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carga, fazendo com que a vegetação definhe, deixando o solo exposto a intempéries naturais, além
de prejudicar seus recursos hídricos.

Métodos de recuperação e conservação

Após observações “in locus”, foi estudado através de bibliografias, como interferir nesse
processo sem agredir o ambiente e moradores do projeto pesquisado através de levantamento
bibliográfico.
Nesse sentido, usou-se:

Educação ambiental

A educação ambiental é de fundamental importância na formação do indivíduo, como


mostra o Capítulo 36 da Agenda 21, (apud Marcatto, 2002, p. 14) que a define como um processo
que tem por objetivo:
“(...) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os
problemas que lhes são associados. Uma população que tenha conhecimentos, habilidades, atitudes,
motivações e compromissos para trabalhar, individual e coletivamente, na busca de soluções para os
problemas existentes e para a prevenção dos novos (...)”
Com isso, quando se fala em bioma caatinga, não é interessante levar em consideração
apenas a fauna e flora da região, mas também as pessoas que vivem nessa localidade, pois não
adianta criar parques de preservação ambiental, se a comunidade não for incluída no processo ou
como em alguns casos removidas de sua terra natal.
Dentro desse contexto, segundo a Constituição Federal de 1998 (apud Henriques et al.,
2007) é dever do Estado “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente (art. 225, §1º, inciso VI)”,
reconhecendo assim, o direito dos cidadãos brasileiros à Educação Ambiental.
No entanto, mesmo com essa Constituição é possível observar que grande parte dos
moradores e agricultores do Projeto em estudo não possui o conhecimento necessário para manejar
a terra de forma eficiente e sustentável.
Por essa razão, faz-se necessário a implantação da educação ambiental nas escolas locais de
forma eficiente e prática, pois esta pode promover eventos que contemple toda a comunidade, com
a finalidade de informá-los sobre os problemas ambientais causados pela ação humana e também
apresentar formas sustentáveis de preservação ambiental.

Drenagem do solo

A drenagem é um método bastante utilizado nas áreas agrícolas, no intuito de conservar a


produção do solo. Esse método é muito usado no Vale do São Francisco, para controlar o excesso
de água e sais no solo, ajudando desta forma o desenvolvimento das plantações e no aumento da
produtividade.
Para Costa (2008) um conceito conciso, mas bem explícito é que a drenagem é a retirada da
água do solo, para aumentar sua vida de alta produção, dando qualidade ao desenvolvimento das
plantas, bem como proporcionar um padrão no porte das plantas, pois quando o solo apresenta
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variação de acúmulo de água, as plantas também vão apresentar variação no porte, e


consequentemente a produção vai diminuir gradualmente.
Segundo Guerra & Cunha (2006) e Kondo (2008) a drenagem vai ser predominante no
desenvolvimento das características do solo, pois vão determinar a forma e o tempo que o solo vai
levar para escorrer a água, deixando assim o solo livre de encharco, proporcionando um bom
ambiente para o crescimento das plantas.

Rotatividade de culturas

O Brasil é conhecido mundialmente como um dos maiores produtores agrícolas,


abastecendo o mercado interno e ainda exportando grandes quantidades de alimentos para outros
países. Pensando nisso, o governo e indústrias privadas estão investindo cada vez mais em novas
tecnologias e métodos que forneçam uma maior produtividade e menos gastos na
produção.(Franchini et al., 2011)
Com isso, um método que se destaca é a rotação de culturas que segundo Franchini et al.
(2011, p. 14) “é definida como sendo a alternância ordenada de diferentes culturas, em determinado
espaço de tempo (ciclo), na mesma área e na mesma estação do ano”. Ademais, ela também
proporciona uma maior fixação de Nitrogênio na superfície, o que irá aumentar a qualidade do solo,
ocorrendo assim um aumento na sua produção.
Dentro desse contexto, a implantação da rotatividade de culturas no Projeto Curaçá NH- 03,
seria extremamente benéfico não apenas para o ecossistema local, como também de forma
financeira para os agricultores, pois estes não ficariam completamente dependentes do mercado
produtor.

Considerações finais

Diante da pesquisa realizada, foi possível perceber que desde a colonização o Nordeste
brasileiro tem sido explorado, para o desenvolvimento da nação, de forma insustentável segundo o
levantamento bibliográfico, sendo que muitas áreas degradadas do bioma caatinga precisam em
média de cinco décadas para se recuperar.
Com o Projeto Curaçá NH-03,não ocorreu de forma diferente, pois seus habitantes também
buscam seu desenvolvimento econômico através da extração dos recursos naturais encontrados no
meio ambiente, contribuindo assim para que hoje o bioma caatinga seja um dos mais degradados do
país.
De acordo com isso, foram observados no local de estudo vários tipos de degradação
ambiental, destacando-se o desmatamento e as queimadas, comumente utilizadas nessa região para
limpar áreas consideradas produtivas para a agricultura irrigada. Esta por sua vez também é um
grande meio de degradação ambiental, juntamente com o uso de agrotóxicos e fertilizantes, além do
pastoril que também é muito utilizado pelos agricultores, como fonte de renda auxiliar.
Pensando nisto, foi apresentado métodos para a recuperação do bioma caatinga dentro dessa
localidade, sendo elas a drenagem do solo, a rotatividade de culturas e a educação ambiental. Todas
com a finalidade de contribuir para a diminuição dos impactos ambientais encontrados, melhorando
assim a qualidade da terra e sua produtividade, além de possibilitar que os moradores da
comunidade tenham acesso a informações sobre o ambiente onde habitam e sobre formas
sustentáveis de garantir sua renda familiar.

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Agradecimentos

Quero agradecer primeiramente a Deus por ter me dado forças e sabedoria, para nunca
desistir e conseguir mais essa vitória.
A minha família e amigos, que sempre me apoiaram e nunca desacreditaram que eu iria
conseguir, pelo contrário, me incentivam a lutar pelos meus sonhos.
A professora Rosimary de Carvalho Gomes Moura por ter me ajudado na construção desse
trabalho e por ter dado crédito aquilo que escrevi.
Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente estão presentes em minha vida e tem me
ajudado a realizar essa conquista.

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LA LABOR ED