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UFCD 9852 CUIDADOS BÁSICOS DE HIGIENE EM CRIANÇAS E

JOVENS

CESPU FORMAÇÃO
© 2019

Formador/a: José Paulo Xisto


UFCD 9852 CUIDADOS BÁSICOS DE
HIGIENE EM CRIANÇAS E JOVENS

ÍNDICE

Introdução……………………………………………………………………3
Âmbito do manual ............................................................................................................................ 3

Objetivos ........................................................................................................................................... 3

Conteúdos programáticos ................................................................................................................ 3

Carga horária..................................................................................................................................... 4

1.Higiene básica…………………………………………………………….5
2.Privacidade e integridade………………………………………………8
2.1.Regras e práticas......................................................................................................................... 8

2.2.Comunicação .............................................................................................................................. 9

3.Produtos de higiene, hidratação e conforto……………………..11


4.Cuidados de segurança, manutenção e higiene de materiais,
equipamentos e utensílios utilizados……………….………………14
5.Técnicas de higiene…………………………………………………..16
6.Cuidados de higiene e conforto……………………………………23
7.Muda de fraldas……………………………………………………….30
8.Técnicas de vestir e despir…………………………………………35
9.Ajudas técnicas de apoio……………………………………………38
10.Higienização dos espaços…………………………………………41
11.Recolha, separação e transporte de resíduos……………….44
1
12.Ocorrências e anomalias no apoio à prestação de cuidados
………………………………………………………………………………48
13.Procedimentos de registo e reporte…………………………..52
Bibliografia……………………………………………………………..54
Termos e condições de utilização……………………………….Error!
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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta duração
nº 9852 – Cuidados básicos de higiene em crianças e jovens, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Aplicar técnicas de prestação de cuidados de higiene em crianças e jovens.


 Efetuar a separação, recolha e transporte de resíduos decorrentes da prestação de cuidados de
higiene e conforto e da higienização dos espaços.
 Aplicar as técnicas de comunicação, de acordo com o tipo de interlocutor.

Conteúdos programáticos

 Higiene básica
 Privacidade e integridade
o Regras e práticas
o Comunicação
 Produtos de higiene, hidratação e conforto
 Cuidados de segurança, manutenção e higiene de materiais, equipamentos e utensílios utilizados
 Técnicas de higiene
 Cuidados de higiene e conforto
 Muda de fraldas
 Técnicas de vestir e despir
 Ajudas técnicas de apoio
 Higienização dos espaços

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 Recolha, separação e transporte de resíduos
 Ocorrências e anomalias no apoio à prestação de cuidados
 Procedimentos de registo e reporte

Carga horária

 50 horas

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1.Higiene básica

A falta de higiene é um problema que pode interferir com a saúde, mas que, além disso, contribui de
forma decisiva para uma diminuição da autoestima e dificulta a integração social.

Sublinhe-se que algumas crianças ou jovens podem já sentir-se diminuídos nestas áreas por não terem
criado hábitos de promoção da higiene, do bom “aspeto” e dos cuidados com o próprio corpo.

É responsabilidade de todos apoiá-los na manutenção da higiene, mas tendo presente que sempre que há
diferentes fases de desenvolvimento, e que o processo de autonomia deve ser no sentido de
responsabilizar a criança ou o jovem, progressivamente pelo cuidado da sua própria higiene.

Parece-nos no entanto importante que, com delicadeza e respeito pela intimidade, exista por parte dos
colaboradores uma supervisão e controlo da higiene diária, e se estimule ao gosto de cada criança ou
jovem pela sua imagem e aspeto.

Para isso também contribui a apresentação dos profissionais.

Reduzir o risco de doenças é um objectivo importante para ajudar a criança a crescer de uma forma
saudável. Bactérias e viroses causam doenças, e bons hábitos de higiene podem ajudar a prevenir a
difusão destes germes.

Partilhar objetos como a escova de dentes ou um copo pode também transmitir doenças.
É regra básica que todos os utensílios de higiene – escovas de cabelo, pentes, toalhas, escovas de dentes,
sabonetes, águas-de-colónia, máquinas ou lâminas de barbear e quaisquer outros – sejam
inequivocamente exclusivos e únicos para cada criança ou jovem.

Habituar as crianças a vestir roupa limpa, e tomar banhos diariamente ajuda-as a manterem-se limpas e a
sentirem-se melhor.

É importante ensinar as crianças a lavar as mãos. Os pais devem explicar às crianças que a pele é uma
defesa para a entrada de germes no corpo, e que o facto de a lavar reduz o risco de infecção, se tiver um
corte ou uma ferida.

Devem igualmente explicar que os germes e viroses podem ser transmitidos através de tosse ou espirros
e ensiná-las a cobrir a boca quando tossem ou espirram.

Banho e higiene: o que é importante?


• Lavar os dentes 2 vezes por dia, e no mínimo antes de se deitar.
• Tomar banho ou duche todos os dias.
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• Vestir roupa limpa.
• Limpar/lavar o cabelo regularmente.
• Lavar as mãos antes de comer.
• Lavar as mãos depois de ir à casa de banho.
• Não partilhar o pente, a escova de dentes, a escova para os cabelos, o copo, etc.
• Limpar as orelhas.
• Quando uma menina já tem ou poderá ter em breve a menstruação (a partir dos 9-10 anos já
pode aparecer), ensiná-la a ser higiénica durante o período menstrual. Como e quando utilizar
os pensos e os tampões, tomar banho todos os dias...

A instituição deve procurar criar um ambiente de cuidado que considere as necessidades das diferentes
faixas etárias, das famílias e as condições de atendimento da instituição.

Como as crianças pequenas se caracterizam por um ritmo de crescimento e desenvolvimento físico


variado, os cuidados devem incluir o acompanhamento deste processo.

É possível, principalmente na creche, que alguns grupos iniciem o ano com determinadas características
e necessidades, que se irão modificando no final do primeiro trimestre.

Algumas crianças começam a frequentar a creche ainda no seu primeiro mês de vida, outras serão
matriculadas próximo ao quarto mês ou no final do primeiro ano.

Assim nas instituições que atendem bebés e crianças pequenas, não se pode prever uma organização do
quotidiano de forma homogénea e que se mantenha o ano todo sem alterações.

A organização dos momentos em que são previstos cuidados com o corpo, banho, lavagem de mãos,
higiene oral, uso dos sanitários, repouso e brincadeiras ao ar livre, podem variar nas instituições de
educação infantil, segundo os grupos etários atendidos, o tempo de permanência diária das crianças na
instituição e os acordos estabelecidos com as famílias.

As atividades de cuidado das crianças organizam-se em função das suas necessidades nas horas do dia.

Isto exige uma programação conjunta com as famílias para a divisão de responsabilidades, evitando-se a
sobreposição ou a ausência de alguns dos cuidados essenciais.

O planeamento dos cuidados e da vida quotidiana na instituição deve ser iniciado pelo conhecimento
sobre a criança e as suas peculiaridades, que se faz pelo levantamento de dados com a família no ato da
matrícula e por meio de um constante intercâmbio entre familiares e educadores.

Algumas informações podem ser colhidas previamente à sua entrada na instituição, como os esquemas,
preferências e intolerância alimentar; os hábitos de sono e de eliminação; os controlos e cuidados
especiais com sua saúde.
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Outras serão conhecidas na própria interação com a criança e sua família, ao longo do tempo.

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2.Privacidade e integridade

2.1.Regras e práticas

A prestação de cuidados de higiene deve primordialmente ter em conta o conforto da criança ou jovem e
ser levada a cabo com total respeito pela privacidade do mesmo.

Neste sentido, os aspetos da higiene pessoal e estéticos são fundamentais à conservação ou melhoria da
qualidade de vida e da autoestima, não se resumindo por isso à limpeza e ao asseio.

Contemplar o cuidado na esfera da instituição da educação infantil significa compreendê-lo como parte
integrante da educação, embora possa exigir conhecimentos, habilidades e instrumentos que extrapolam
a dimensão pedagógica.

Ou seja, cuidar de uma criança em um contexto educativo demanda a integração de vários campos de
conhecimentos e a cooperação de profissionais de diferentes áreas.

A base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano.
Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades.

O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e implica em
procedimentos específicos.

O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem a dimensão afetiva e
dos cuidados com os aspetos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a
saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a
conhecimentos variados.

As atitudes e procedimentos de cuidado sofrem a influência de crenças e valores em torno da saúde, da


educação e do desenvolvimento infantil.

Embora as necessidades humanas básicas sejam comuns, como alimentar-se, proteger-se etc., as formas
de identificá-las, valorizá-las e atendê-las são construídas socialmente.

As necessidades básicas podem ser modificadas e acrescidas de outras de acordo com o contexto
sociocultural. Pode-se dizer que além daquelas que preservam a vida orgânica, as necessidades afetivas
são também base para o desenvolvimento infantil.

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A identificação dessas necessidades sentidas e expressas pelas crianças, depende também da compreensão
que o adulto tem das várias formas de comunicação que elas, em cada faixa etária possuem e
desenvolvem.

Para cuidar é preciso antes de tudo estar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser
solidário com suas necessidades, confiando em suas capacidades. Disso depende a construção de um
vínculo entre quem cuida e quem é cuidado.

Isto inclui interessar-se sobre o que a criança sente, pensa, o que ela sabe sobre si e sobre o mundo,
visando à ampliação deste conhecimento e de suas habilidades, que aos poucos a tornarão mais
independente e mais autónoma.

2.2.Comunicação

Como ajudar e apoiar as crianças durante as rotinas de cuidados corporais?

1. Integrar os cuidados corporais na atividade e exploração lúdica da criança.

O adulto deve respeitar o que quer que a criança esteja a realizar na altura em que os cuidados corporais
forem necessários.

É preciso antes de mais tentar entrar na experiência em que a criança está envolvida naquele momento.

O adulto deve reduzir o impacto de uma eventual perturbação fornecendo à criança uma indicação
prévia de que ela precisa de fazer uma pausa para um determinado cuidado corporal (mudar a fralda,
fazer chichi), dando-lhe algum tempo para chegar a um momento em que possa parar a sua brincadeira.

As crianças, gradativamente, devem tomar consciência de que, embora tenham de interromper a sua
atividade, elas podem brincar durante mais algum tempo antes de interromperem e que, depois das
rotinas de cuidados, podem prosseguir com a brincadeira que estavam a fazer.

O adulto deve falar e agir de modo adequado com as crianças, para que elas compreendam mais acerca
da próxima rotina de cuidados.

2. Centrar-se em cada criança durante a rotina de cuidados.

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O adulto deve estabelecer, reciprocamente, muitos contactos visuais durante os cuidados corporais. É
uma das formas de focalizar a atenção na criança.

Isso possibilita por um lado que o adulto se aperceba daquilo que a criança está a comunicar através da
expressão, ação e gesticulação e, por outro lado permite é criança ver e ler o rosto do adulto e ter a
sensação de estar a orientar e captar a sua atenção.

Responder aos indícios das crianças. Os bebés e as crianças confiam inteiramente na comunicação não-
verbal e dependem dos adultos para que aquilo que estão a querer comunicar seja compreendido.

Falar sobre aquilo que o adulto está a fazer. Estes devem comentar aquilo que estão a observar e aquilo
que percebem sobre a criança que estão a mudar, limpar ou vestir.

As crianças muito novas poderão não compreender exatamente o que o adulto está a dizer, mas sabem
que as suas ações e palavras expressam preocupação põe elas. No entanto, as mais velhas percebem esses
comentários e sabem que os adultos têm prazer na interação com elas.

Daí que o interesse demonstrado pelo adulto em relação à criança, fortalecerá o elo de ligação entre
ambos, bem como os sentimentos de confiança e segurança por parte da criança.

3. Proporcionar às crianças opções sobre partes da rotina.

As decisões simples das crianças que possam ocorrer, poderão à partida parecer insignificantes para os
adultos, mas envolvem os bebés e as crianças como alguém que desempenha um papel ativo em vez de
ser intervenientes passivos, proporcionando-lhes um sentido de responsabilidade sobre os seus cuidados
corporais.

As crianças devem ter oportunidade com o apoio dos adultos, de fazerem escolhas durante cada rotina de
cuidados corporais, como por exemplo: escolher o tipo de alfinetes (para quem usa fraldas), optar pelo
tipo de cuecas que quer vestir, decidir qual é a fralda descartável que a criança irá dar ao adulto, escolher
qual a toalha ou esponja a utilizar, se quer um pano ou um toalhete descartável para limpar a cara ou as
mãos, decidir se sentam no bacio ou na sanita, etc…

Outro modo de proporcionar às crianças algum poder de escolha é através do ambiente físico. Atenção
ao modo como se dispõe a área de vestir, de mudança de fraldas e a casa de banho, pois este
envolvimento determina as escolhas que as crianças fazem sobre aquilo para que olham ou observam
durante os cuidados corporais.

Uma forma de enriquecer o ambiente físico é, por exemplo, colocar estrategicamente um espelho, uma
janela, um dispositivo rotativo com as fotografias de família, quadros, plantas, etc…

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Estes exemplos podem proporcionar à criança um largo leque de escolhas sobre aquilo para que querem
olhar quando não estão com o olhar fixo no rosto do adulto ou a meter os dedos do pé na boca.

As crianças aprendem em termos sensório motores, mesmo durante as rotinas de cuidados corporais.
Apreciam a ter alguma coisa para poderem ver de perto, sentir, levar à boca, cheirar ou ouvir.

O importante é ajudar as crianças a encontrar algo que não seja excessivamente grande ou que se suje
com facilidade. Há que recordar, também, que os objetos que as crianças vêem e seguram durante os
cuidados corporais podem originar algumas conversas.

4. Estimular a criança a fazer as coisas sozinha.

Os adultos devem apoiar as primeiras tentativas das crianças de cuidarem do seu próprio corpo.

Devem ajudá-las nessas tentativas, do mesmo modo que dão um apoio paciente quando estas aprendem a
comer sozinhas, a empilhar blocos ou a andar sem ajuda.

Permitir que os bebés e as crianças experimentem e treinem as suas competências de auto ajuda através
das rotinas de cuidados corporais.

Alguns exemplos de atuação das crianças são:


• Segurar em fraldas limpas, panos ou toalhas e pequenas peças de roupa.
• Limpar a cara ou as mãos.
• Subir as escadas até à mesa de mudar as fraldas.
• Lavar os dentes.
• Puxar as cuecas para baixo e depois para cima quando utilizam o bacio.
• Enfiar os braços nas mangas e as pernas nas calças.
• Tirar as meias e tentar enfiá-las nos pés.
• Tirar a muda de roupa lavada do seu armário ou caixa.
• Pôr o chapéu.
• Abrir e fechar fechos, etc…

Este procedimento fará com que os adultos fiquem mais disponíveis para as observarem em ação e
apreciarem, comentando, as competências que vão emergindo.

3.Produtos de higiene, hidratação e conforto

Material para a mudança da fralda:


 Proteção da superfície onde vai mudar a fralda

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 Lenços de papel
 Fralda; adequada ao tamanho, e se descartável, ao sexo da criança
 Tigela com água morna, ou loção de bebé
 Algodão ou toalhetes para bebé
 Creme gordo e/ou de vitamina A (não utilizar pó de talco)
 Caixote de lixo ou saco de plástico
 Muda de roupa se necessário

Material para a limpeza do bebé:


 Tigela com água fervida
 Bolas de algodão
 Luvas (se o adulto tiver verrugas)
 Gel de banho
 Óleo de bebé
 Vit. A ou creme gordo
 Toalhas
 Roupa e fralda
 Recipiente para recolher de algodões sujos
 Pente
 Cotonetes

Material para o banho do bebé:


 Banheira
 Tapete antiderrapante
 Champô
 Esponja
 Luvas (se o adulto tiver verrugas)
 Gel de banho
 Óleo de bebé
 Vit. A ou creme gordo

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 Toalhas
 Roupa e fralda
 Recipiente para recolher de algodões sujos
 Pente
 Cotonetes.

Material para a higiene oral:


 Copo
 Pasta dentífrica
 Escova de dentes
 Fio dental
 Toalha.

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4.Cuidados de segurança, manutenção e higiene de materiais,
equipamentos e utensílios utilizados

Os afogamentos são uma das principais causa de morte entre 1-14 anos, no entanto estes acidentes
também podem acontecer a bebés.

Os afogamentos dentro de casa acontecem geralmente quando as crianças ficam sozinhas no banho.

Uma criança pode afogar-se em apenas 10 cm de água, não tendo antes dos dois anos de idade,
capacidade para se tentar pôr em pé.

Durante o banho a vigilância próxima é fundamental, mas pode falhar devido à grande atividade da
criança.

A hora do banho é sempre muito divertida e esperada pela criança, que adora brincar na água e explorar
o que a rodeia. Para além da presença constante de um adulto, é desejável tomar medidas
complementares que reduzam a probabilidade de ocorrência de um acidente grave.
 Nunca deixe a criança sozinha no banho, nem à guarda de outras crianças, mesmo que seja só
por alguns instantes.
 Retire e guarde as tampas do bidé e da banheira em locais altos, longe da vista e alcance da
criança e esvazie a banheira assim que terminar o banho.
 • Para evitar queimaduras, verifique a temperatura da água antes de começar o banho. Comece
por deitar a água fria e só depois a quente. Prefira torneiras misturadoras ou termoestáticas e
reduza a temperatura da água no esquentador ou termoacumulador.
 As quedas na banheira são frequentes: coloque um tapete ou faixas antiderrapantes para a criança
não escorregar.
 Para evitar intoxicações, guarde os produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza em
armários altos e fechados à chave. Não guarde os medicamentos na casa de banho.
 A utilização de aparelhos elétricos na casa de banho, onde a água está sempre próxima, pode
provocar choques elétricos.
 Evite utilizar aquecedores portáteis ou outros aparelhos elétricos e seque o cabelo da criança no
quarto.
 Brincar com água na casa de banho é uma atração natural para as crianças. Por isso, mantenha a
porta sempre fechada. O afogamento é rápido e acontece em menos de um palmo de água.
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Risco de afogamento: primeiros socorros

Bebé
1. Retire o bebé da água
2. Se o bebé fica inconsciente levante-o, pegue-lhe de modo a ficar com a cabeça abaixo do tronco, para
evitar que a água que vomita entre para os pulmões.
3. Veja se respira
 Se respirar
o Coloque-o em PLS (posição lateral de segurança), leve-o consigo até ao telefone e
chame a ambulância (112)
 Se não respirar
o Faça V.A. (respiração artificial) soprando com mais força que o indicado uma vez que os
pulmões estão com água.

Criança
1. Retire a criança da água enquanto lhe mantém a cabeça mais baixa do eu o corpo para evitar que
aspire a água ou vómito.
2. Deite a criança de costas e desobstrua as vias aéreas.
3. Verifique a respiração,
 Se respirar,
o Coloque-a em PLS (posição lateral de segurança) e chame a ambulância (112)
 Se não respirar
Prepare-se para fazer Ventilação Artificial, soprando com mais força que o indicado
uma vez que os pulmões estão com água.
4. Se está consciente previna a hipotermia (arrefecimento):
 Retire-lhe as roupas molhadas
 Cubra-a com roupas secas.
 Coloque-a em Posição lateral de segurança (PLS)
5. Chame a ambulância (112)
6. Avise os pais, e vá vigiando a criança até chegar ajuda.

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5.Técnicas de higiene

O banho do bebé

Os bebés e crianças pequenas que ainda usam fraldas e que permanecem durante muitas horas na
instituição educativa podem precisar de um banho, tanto para maior conforto como para prevenção de
assaduras.

Entretanto é aconselhável que o banho sirva também para relaxar, refrescar, proporcionar conforto e
prazer e preservar a integridade da pele.

No momento em que é incluído na rotina, o banho precisa ser planeado, preparado e realizado como um
procedimento que tanto promove o bem-estar quanto um momento no qual a criança experimenta
sensações, entra em contacto com a água e com objetos, interage com o adulto e com as outras crianças.

A organização do banho na creche precisa prever condições materiais, como banheiras seguras e
higiénicas para bebés, água limpa em temperatura confortável, sabonete, toalhas, pentes etc.

É aconselhável que se leve em conta a idade das crianças, os hábitos regionais e as recomendações
sanitárias de prevenção de doenças por uso de objetos pessoais entre as crianças.

Esses objetos de uso pessoal podem ser rotulados com o nome da criança e cuidados por elas conforme
vão adquirindo capacidade para isso.

É necessário organizar o tempo de espera para o banho, oferecendo materiais, jogos e brincadeiras em
um espaço planeado para isso.

As crianças que já andam e que permanecem em pé com segurança e conforto, podem tomar banho de
chuveiro em companhia de outras, respeitando-se a necessidade de privacidade de algumas delas e de
atenção individualizada que cada uma requer.

É importante prever tempo para essa atividade, permitindo que as crianças experimentem o prazer do
contacto com a água, aprendam a despir-se e a vestir-se, a ensaboar-se e enxaguar-se.

Para que a criança possa ir gradualmente aprendendo a cuidar de si, é preciso que as condições
ambientais permitam que ela possa alcançar o chuveiro, a saboneteira, a toalha, o espelho etc.

Por outro lado, as condições ambientais e materiais precisam garantir a segurança das crianças e prever o
conforto dos adultos que as ajudam, para evitar quedas, choques elétricos e queimaduras com água

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quente ou dores no corpo ocasionadas pelo mal posicionamento do adulto na hora de exercer as
atividades com as crianças.

Os acessórios básicos

Existem vários tipos de banheiras para bebés, todas elas válidas:


 existem as de plástico rígido, que podem ser colocadas sobre qualquer superfície firme a uma
altura adequada, ou diretamente sobre o chão e até dentro da banheira da casa de banho;
 existem outras dobráveis e muito práticas, devido ao facto de ocuparem pouco espaço e porque
a sua altura é a ideal, além de poderem igualmente ser constituídas por uma tampa que as
converte em muda-fraldas e por bolsas onde se pode ter vários complementos à mão.

Dado que as toalhas constituem uma parte essencial do equipamento para o banho do bebé, deve-se ter
algumas exclusivas para este fim, as quais devem ser lavadas e guardadas à parte.

Antes de se dar o banho, deve-se preparar uma toalha grande, para que se possa envolver totalmente o
bebé, e outra mais pequena, destinada a secar a sua cabeça e as partes mais delicadas do seu corpo, ambas
suaves e absorventes.

Uma boa forma de manter o bebé distraído quando este já está nu e enquanto se trata dos preparativos,
consiste em cantar para o bebé, enquanto que a utilização de uma toalha com capuz ou um robe é
extremamente útil para o proteger do frio após a primeira secagem, antes de o vestir.

Em relação aos produtos de higiene, deve-se utilizar champô ou gel de banho especiais para bebés, de pH
neutro, suaves e pouco perfumados.

Embora se costume recorrer à utilização de colónias, deve-se destacar que estas não são imprescindíveis
e que, quanto menos produtos químicos forem aplicados sobre a pele do bebé, melhor: caso sejam
utilizados, devem ser suaves e hipoalergénicas, específicas para bebés.

Como complementos básicos, convém contar com algum recipiente, independentemente de ser para
lavar a cara ou para passar o champô por água, e uma luva ou uma esponja suave para ensaboar o bebé,
uma escova pequena de filamentos firmes, mas moles, ou um pente para pentear o bebé depois do banho
e uma tesoura de pontas redondas para cortar as unhas.

Preparativos

Embora não exista qualquer "técnica" especial para dar banho ao bebé, nas primeiras vezes, deve-se
prestar atenção a determinados pontos básicos e planear bem o que se vai fazer.

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Antes de se iniciar o banho, deve-se ter em conta duas questões essenciais: por um lado, a comodidade
do bebé e, por outro, a sua segurança.

Tendo em conta estas duas premissas, deve-se ter tudo preparado para não se deixar o bebé sozinho um
único segundo - por isso, antes de se iniciar o banho, convém rever os acessórios e comprovar, quando o
bebé já estiver nu, que se tem à mão todos os elementos que devem ser utilizados.

Dado que o bebé, sobretudo quando é muito pequeno, é muito sensível às alterações de temperatura,
deve-se tomar uma série de precauções para que não passe frio.

A mais importante é o quarto onde se dá o banho estar quente, entre 22°C a 25°C, não ter correntes de
ar e, também, manter o bebé abrigado tanto antes de se iniciar o banho como, sobretudo,
imediatamente após, devendo-se ter à mão um robe ou uma toalha grande para o envolver.

A primeira coisa a fazer corresponde ao enchimento da banheira, devendo-se primeiro deitar a água fria
e, depois, acrescentar gradualmente água quente até que se alcance uma temperatura entre os 34°C e os
37°C, já que caso seja inferior o bebé arrefece rapidamente e, caso seja superior, o bebé pode queimar-
se.

Embora existam termómetros de banho ideais para se ter a certeza de que a temperatura da água é
ótima, também se pode comprovar a mesma por meios mais básicos: por exemplo, introduzindo-se o
cotovelo ou mesmo a parte interna do braço, onde a pele é mais sensível, mas nunca as mãos,
acostumadas a suportar temperaturas mais elevadas e, consequentemente, não muito fiáveis.

Caso se utilize um gel líquido, este deve ser colocado ao mesmo tempo em que se enche a banheira,
para que esteja tudo preparado quando se iniciar o banho do bebé.

O Banho

Depois de se encher a banheira de água à temperatura ideal e de se ter todos os acessórios à mão, deve-se
iniciar o banho.

Todavia, antes de se começar o banho e à semelhança do que ocorre quando se mudam as fraldas, deve-
se limpar a região genital e as nádegas, para que a água da banheira não fique suja.

Deve-se igualmente lavar a cara previamente, como já foi anteriormente referido, porque caso se realize
esta tarefa ao longo do banho o bebé pode não gostar de ver o rosto salpicado.

Caso se realize estas acções depois de se ter enchido a banheira, deve-se comprovar novamente a
temperatura da água e acrescentar-lhe água quente, se for necessário.

Só depois de tudo estar preparado é que se pode colocar o bebé na banheira.


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Dada a importância do momento de introdução do bebé na banheira, este deve ser colocado com
suavidade e, ao mesmo tempo, com firmeza, para que se sinta cómodo e seguro.

A melhor maneira de segurar o bebé é passar-lhe um braço sob as costas, de modo a que a mão fique por
baixo da axila do lado oposto e o bebé apoie a cabeça no antebraço, enquanto que a outra mão deve
segurá-lo à altura das coxas.

Ao colocarem-se num dos lados da banheira, os pais apenas se têm de inclinar para que o bebé fique em
contacto com a água numa posição cómoda e sem que a cabeça fique submersa - por isso, nunca se deve
largá-lo.

A mão que segura a cabeça deve ocupar-se desta função, enquanto que a outra, após o bebé já se
encontrar comodamente no interior da água, o irá ensaboar e enxaguar.

Deve-se ensaboar o bebé com uma luva ou esponja suave de cima para baixo, começando pelo pescoço,
já que a cara deve ser lavada com água fervida, e prosseguir pelo peito, abdómen, braços, nádegas e
pernas.

Embora existam bebés que gostam bastante das fricções, normalmente não é preciso esfregar muito,
apesar de se ter de eliminar bem a sujidade acumulada nas pregas.

Em seguida, deve-se virar o bebé, de modo a sentá-lo na banheira, para lhe lavar a cabeça e as costas.

Para mantê-lo nessa posição, sem que exista qualquer risco de o bebé escorregar subitamente e
submergir totalmente na água, o melhor é colocar-lhe um braço cruzado sobre o peito, de modo a que a
mão segure a axila do outro lado, tendo o antebraço como ponto de apoio quando o bebé se inclina para
a frente.

Ao lavar-lhe a cabeça e, sobretudo, ao enxugá-la, deve-se evitar que lhe caia água no rosto, já que o
bebé não costuma gostar, sendo preferível fazê-lo com a ajuda de um recipiente.

Embora o bebé goste muito de estar imerso na água, o banho não se deve prolongar por muito tempo,
pois a água começa a arrefecer.

O banho deve durar cerca de cinco minutos, após os quais se deve retirar o bebé da água, mas sem
realizar qualquer movimento brusco.

Depois de se levantar o bebé, deve-se envolvê-lo de imediato numa toalha grande para que não fique
com frio e secá-lo suavemente.

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Em seguida, deve-se colocá-lo no muda-fraldas, deixar que recupere um bocado antes de se lhe colocar
as fraldas e vesti-lo.

O banho de esponja

Este tipo de banho pode estar indicado em situações como o bebé com muito sono, angustiado, limpeza
após uma refeição atribulada ou tão simplesmente porque não há tempo ou meios.

Como atuar
 Dispa o bebé, deixando a fralda, e embrulhe a sua parte inferior com uma toalha;
 Coloque-o no colchão de banho
 Lave, enxague e seque a cara, o pescoço, o tronco e os braços, com especial atenção para as
pregas da pele nestas zonas;
 Limpe os olhos
 Vista a parte lavada;
 Tire a fralda e lave e seque as pernas, os pés e o rabinho da frente para trás; se necessário aplique
um creme adequado
 Coloque a fralda, vista a roupa, e faça-lhe o resto da higiene.
 Pode hidratar-se a pele da criança com uma loção própria para o tipo de pele do bebé e se
indicado pelos pais.

A higiene da cara

Embora se possa lavar a cara do bebé durante o banho, caso o bebé ainda seja muito pequeno, no mínimo
até aos 6 meses, deve-se fazê-lo à parte, por vários motivos: por um lado, porque costuma ficar
incomodado quando lhe salpicam o rosto enquanto lhe dão banho; por outro lado, porque convém não
utilizar sabonete, sendo preferível utilizar água esterilizada, previamente fervida e arrefecida, ou soro
fisiológico.

Deve-se passar pedaços de gaze ou de algodão humedecido em água esterilizada, uma para cada
passagem, pelas diferentes zonas do rosto, nomeadamente pelo contorno da boca e do queixo, de modo
a eliminar os restos de leite, por cada olho, por cima das pálpebras, desde o ângulo interno até ao
exterior, de modo a arrastar as secreções, por cada orelha, de modo a repassar todo o pavilhão auricular
e sem se esquecer da parte de trás, mas sem entrar no canal auditivo e sem se tirar a cera.

Para secá-lo, o melhor é utilizar uma gaze.

As unhas
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A menos que o bebé nasça com as unhas muito compridas, não costuma ser necessário cortá-las durante,
no mínimo, o primeiro mês, já que os seus dedos são muito delicados e convém já estar habituado a
segurar o bebé antes de se atrever a cortar-lhe as unhas.

Para além disso, de início, as unhas do bebé costumam ser muito frágeis e partem-se sozinhas.

A partir do momento em que as unhas começam a crescer e a ficar duras, existindo o risco de o bebé se
arranhar, deve-se começar a cortar as unhas com alguma regularidade, por exemplo 1 vez por semana,
devendo-se utilizar uma tesoura especial, de pontas redondas e lâminas curtas, e cortar ao longo da
extremidade do dedo, respeitando a sua curva, mas sem cortar demasiado.

A tarefa necessita de muita calma e, como costuma ser muito difícil caso o bebé esteja inquieto, o
melhor é aproveitar um momento em que se encontre tranquilo e pouco ativo, por exemplo após as
refeições.

Cordão umbilical

O cordão umbilical fornece ao bebé oxigénio, nutrientes, anticorpos e hormonas, durante a sua vida
intrauterina.

O coto umbilical é o que resta do cordão após este ser cortado, e que vai secar, escurecer e cair.
Durante este processo é natural que surja um líquido, no entanto os pais devem ser alertados para:
 O caso de surgir sangue ou pus
 Existirem sinais inflamatórios (inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura) na zona que
rodeia o coto.

Cuidados ao umbigo
 Não tape o umbigo com cuecas plásticas, fraldas ou pensos, quanto mais ao ar mais depressa seca
 Evite as infeções e ajude a que seque passando com um algodão embebido em álcool no umbigo
e na zona que o rodeia

Após a queda do cordão umbilical


 Limpe diariamente o umbigo, com algodão embebido em álcool, até estar cicatrizado

Se após algum tempo, dias ou meses, ainda houver restos de sangue no umbigo, aplique creme gordo
durante a noite que retirará no dia seguinte com a ajuda de um cotonete.

Caso seja necessário pode recorrer à ajuda da água oxigenada. Que ajudará a destacar a sujidade.

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Cuidados ao cabelo

A “crosta” láctea, é um conjunto de crostas amareladas que vulgarmente se forma no couro cabeludo por
volta das seis semanas. E que dada a localização (fontanela – moleirinha), faz com que a maioria das
pessoas tenha receio de tocar, pelo que se vão acumulando.
 Massaje com óleo de amêndoas doces ou óleo de bebé, deixando permanecer durante a noite
 Penteie o cabelo em sentido contrário antes de o lavar com champô suave e hipoalérgico
 De seguida lave, seque e penteie o cabelo. Não tente tirar tudo de uma só vez. Sugira aos pais da
criança uma ida ao médico se este sintoma continua, para que seja prescrito medicamento
adequado
 Em crianças mais crescidas esteja atento à presença de piolhos (pediculose), alertando os pais.

Cuidados ao nariz

O nariz de uma criança é muito delicado pelo que só deverá ser limpo se obstruído, mediante aplicação
de soro fisiológico.

Se a idade da criança o permitir, peça-lhe que se assoe, exteriorizando as secreções.

Se não forem expelidas, se estiverem infetadas, as secreções nasais infetarão a garganta.

Cuidados aos ouvidos

Igualmente delicados, só deverão ser limpas as partes externas, da frente para trás, para não haver perigo
de danificar o tímpano.

Não lave os ouvidos, mas sim as orelhas.

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6.Cuidados de higiene e conforto

Massagem

Receber carinho é fundamental, onde o carinho físico – tocar, acariciar, pegar, embalar, fazer festas,
beijar e outros, tem um papel importante devendo estar garantido desde o início.

Se se pensar na posição em que o bébé se encontra na barriga da mãe e nas festinhas que esta faz,
podemos de algum modo assemelhá-las ás que faz nas costas de um bébé ao colo, e no bem estar que
provocam.

Bébés e crianças gostam de estar junto dos adultos, de ser pegados ao colo, embalados.

A massagem é também uma expressão de amor e afeto, e por tal um contributo importante para um
desenvolvimento feliz e harmonioso, só conseguida na sua plenitude quando quem recebe e quem dá
estão disponíveis para que isso aconteça,

É provável que a/o cuidador/a tenha oportunidade de partilhar com os pais o papel da massagem ou
mesmo de a fazer a um bébé ou criança mais velha, sendo importante que:
• Saiba a técnica e goste de a pôr em prática;
• Esteja calma/o e disponível física e psicologicamente;
• Não tenha anéis, relógios e pulseiras;
• Tenha as unhas curtas e sem arestas;
• Fale e cante em voz baixa;
• Não esteja a meio de outra tarefa.

Se tiver de interromper, por qualquer motivo, não deixe o bébé sozinho, agasalhe-o e leve-o consigo.

O bébé que vai receber a massagem deve:


• Estar sem sono e/ou fome;
• Permanecer despido, mas se não for do seu agrado poderá estar com uma peça de roupa de
algodão, através da qual se sinta o corpo ( ex. Body );
• Manifestar agrado pelo que lhe estão a fazer.

O efeito da massagem será tanto maior se o local estiver:


• Aquecido;
• Houver ambiente calmo, gravação de um bater de coração tranquilo; etc.
• Com luminosidade agradável e propícia ao relaxamento:

Quando estiver a fazer massagem:


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• Trabalhe em movimentos circulares, lentos e suaves;
• Massage ambos os lados do corpo em simultâneo;
• Mantenha o seu rosto perto do bébé e olhe-o nos olhos;
• Empregue uma pressão suave com a mão, ou o indicador e o polegar;
• Aqueça as mãos e ponha um pouco de loção de bébé para estas deslizarem melhor.

Com tudo preparado, dispa a criança e deite-a numa superfície rígida mas forrada de um tecido
agradável, como se fosse mudar a fralda.

Comece então a massagem:


 Cabeça – Afague suavemente com as 2 mãos o topo da cabeça e váas deslizando, com
movimentos circulares até ás fontes.
 Com as pontas dos dedos massage a testa e as faces, sempre do meio para os lados.
 Pescoço e ombros – Massage suavemente o pescoço e as orelhas até aos ombros e do queixo até
ao peito.
 Braços – Massage com as pontas dos dedos cada um dos braços do bébé, no sentido pulso,
cotovelo e ombro, e depois com toda a mão “aperte” devagar ao longo do braço, agora debaixo
para cima.
 Mãos e dedos – Esfregue individualmente os pulsos e as mãos massajando na direção dos dedos,
e depois cada um por si, no sentido da ponta dos mesmos.
 Peito e abdómen – Massage devagar e com pouca pressão, o peito no sentido das linhas das
costelas. De seguida massage o abdómen (barriga) em movimentos circulares a partir do umbigo
para fora.
 Pernas – Tal como os braços, as pernas são massajadas em separado. Coloque uma mão em cima
da barriga, que dará à criança mais segurança, e com a outra aperte delicadamente a coxa e faça-
a deslizar em direção ao tornozelo.
 Pés e dedos dos pés – Esfregue individualmente os tornozelos e os pés da criança massajando do
calcanhar para os dedos e depois cada um por si.

Vá avaliando a reação da criança. Pretende-se que aceite um contacto físico, e se possível relaxe.

Evacuação: bacio e sanita

O controlo dos esfíncteres não é um reflexo fisiológico simples, mas sim um comportamento da criança
no seu todo, que depende de um processo de amadurecimento.

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O treino deve ser iniciado quando a criança se encontra física e emocionalmente pronta, quando começa
a ser capaz de ter micções abundantes e espaçadas e quando começa a perceber que tem vontade de
eliminar fezes ou urina.

O início do treino para utilizar o bacio não tem idade determinada, podendo ocorrer entre os 1 e 3 anos.
Não se deve insistir com a criança para evacuar, e muito menos urinar antes que seja capaz de perceber o
que está acontecer.

Não é necessário ensinar a um bebé a controlar a urina e porque faz parte do seu desenvolvimento
natural. Pode é dar-se oportunidade e coragem para o fazer.

Pode começar-se pelas fezes, e será tanto mais fácil se a criança tiver uma hora habitual. Quando sentir
que esta manifesta vontade de o fazer, sugira mas não obrigue o uso do bacio.

A hora de ir ao bacio deve ser calma e sem pressa, podendo ser acompanhada de um brinquedo, livro,
conversa, história ou de um ursinho ou boneco que também precisa de ir à casa de banho.

O treino para urinar no bacio deve iniciar-se quando as fraldas começam a ficar secas, podendo ser
retiradas por períodos, durante o dia em que a criança pode utilizar o bacio, que deve estar acessível,
fomentando assim a sua autonomia.

As cuecas de treino, mais reforçadas e fáceis de tirar pela criança podem ajudar nesta fase.

Crianças há que vendo os adultos utilizarem a sanita os querem imitar preferindo-a ao bacio, o que deve
ser estimulado verificando-se se ela necessita de ajuda, como abrir um fecho, desabotoar um botão ou
puxar o autoclismo.

O apoio dos pés auxilia a evacuar, pelo que criança deverá contar com um banco de apoio aos pés, que
pode ser utilizado para facilitar o acesso ao lavatório.

Um adaptador ao tampo da sanita é fundamental, deixando-a mais segura e à vontade, pois pensa que
pode cair ou ser sugada pela sanita, à semelhança com o que sucede com a urina e as fezes.
 Lembre a criança para lavar as mãos após a utilização da casa de banho.
 Ajude a que a ida ao bacio ou à sanita antes de dormir se torne um hábito.
 Deixe ficar o bacio junto à cama e vista-lhe um pijama que seja fácil de tirar, fomentando assim a
autonomia durante as sestas diurnas e noturnas.
 Proteja a cama com um resguardo de borracha para o caso de virem a existir acidentes durante o
sono.

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 Nunca ridicularize uma criança que fez “xixi”, ou mesmo mais, na cama. Seja cúmplice não
“queixinhas”, como os adultos estão sempre a dizer-lhe.
 Ensine um rapazinho a urinar de pé, bem como a colocar um pouco de papel higiénico no pénis
quando está sentado no bacio ou sanita.
 Vá alertando para a necessidade de, aquando da utilização de sanitas, verificarem o seu estado de
higiene bem como puxar o autoclismo, antes e depois de utilizar a sanita, especialmente se
ocorrer fora de casa.

Higiene oral

A prevenção da cárie dentária – a doença crónica mais comum nas crianças e jovens portugueses –, é
uma prioridade e passa por vários aspetos, todos eles passíveis de realizar no dia-a-dia das crianças:
 racionalização do consumo de açúcares
 escovagem dos dentes e higiene oral
 suplementação de fluor
 colocação de selantes de fissuras
 visitas regulares ao dentista

A escovagem dos dentes e a higiene oral

Se o conteúdo de açúcares for removido do dente, as hipóteses de as bactérias encontrarem substrato


para se multiplicarem será, evidentemente, menor.

Durante os momentos em que a criança está acordada, com a acção da língua (mastigar, falar,
movimentos normais deste músculo) e da saliva (alcalina, combatendo o ácido produzido pelas
bactérias), há um “mecanismo de limpeza natural”, que não deve ser supra-estimado, mas que
desempenha um papel importante.

Claro que o ideal seria escovar os dentes sempre depois de comer, o que ainda é difícil, dada a carência
de tempo e a inexistência, na maioria dos locais, de casas de banho apropriadas, bem como de escovas de
dentes portáteis.

À noite, contudo, é fundamental uma escovagem bem feita e uma higiene oral cuidadosa.

As crianças devem se ensinadas a escovar todo o dente, ou seja, deve-se lembrar que o dente tem uma
parte da frente, uma de trás e ainda uma de cima.

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A escovagem deverá ser feita em movimentos circulares (pelo menos 15 por dente) e “apanhando” a zona
em que a gengiva encontra o dente.

Por vezes este local pode sangrar, sobretudo se há acumulação de placa bacteriana e gengivite – há que
dizer à criança que isso é normal e que um bochecho com água fria pára logo o sangramento.

Por outro lado, a higiene oral deve ser completada com a limpeza entre os dentes, nas superfícies laterais
onde a escova não chega – o uso do fio dentário, a partir dos 6-7 anos (conforme a criança), é essencial,
para remover alimentos e placa bacteriana desse espaço interdentário e da superfície lateral do dente.
Também pode sangrar, pelos mesmos motivos.

O uso de líquidos para bochecho é importante – há várias cores e sabores -, e dá à boca a sensação de
frescura, para além da acção sobre as bactérias.

Por vezes as crianças escovam os dentes e depois vão para a cama e comem um doce, bebem leite ou
outra bebida.

Se isso acontecer, terão que repetir tudo outra vez – é importante explicar isto às crianças, para
realmente a escovagem dos dentes e a restante higiene oral serem a última coisa a fazer antes de
adormecer.

É fundamental que a estrutura residencial proporcione às crianças um espaço-local e um espaço-tempo


onde possa ser feita esta higiene, de modo tranquilo e correto.

Da mesma forma, não se pode “regatear” em escovas de dentes, que têm uma duração limitada (no
máximo 6 meses, mas por vezes menos), fio dentário, dentífrico e soluções de bochecho.

E todo este material tem que ser individual, pelo risco de transmissão de doenças infeciosas, e também
por uma questão de autoestima, individualidade e higiene geral.

Os ensinamentos que visam a promoção de uma boa saúde oral têm que começar desde que a criança
tem dentes.

Nos bebés pequenos dever-se-á pincelar os dentes com água morna, depois dos biberões, logo que
nascem os primeiros dentes e até antes, quando as gengivas começam a ficar inchadas.

Fio dental ou jato de água


O objetivo de utilização do fio dental ou jato de água, é remover os restos alimentares que ficam retidos
nos espaços entre os dentes, onde a escova não consegue limpar.

Para isso:

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1- O fio cujas extremidades estão seguras entre as duas mãos, deve ser introduzido
cuidadosamente entre dois dentes, curvando-o à volta de um dente, fazendo movimentos de “vai
e vem”~
2- Curve-o à volta de um dente, continuando a fazer movimentos de “vai e vem” , para afrente e
para trás, para cima e para baixo, percorrendo todos os dentes sem se esquecer de nenhum.
3- O fio deve ser substituído sempre que necessário.
4- Esta técnica deve terminar com um bochecho vigoroso de água.

A utilização do jato de água é mais eficaz, bem como mais divertida para a criança.

Aplicação de selantes

O selante é uma proteção que é aplicada pelo dentista ou pelo/a higienista oral nos dentes definitivos,
com o objetivo de os tornar impermeáveis à acumulação de açúcar.

Deve ser iniciada com o aparecimento do 1º dente molar definitivo.

Quando ir ao dentista?

Em linhas gerais, mesmo que não se notem problemas ou malformações na dentição da criança, esta deve
ser levada ao dentista, pela primeira vez, por volta de 6 anos de idade.

É nesta altura que aparece o primeiro molar definitivo. Estes molares têm de evoluir e encaixar entre si
de uma determinada maneira. Se o primeiro começar mal, os restantes dentes não encaixarão
corretamente.

Uma segunda razão para iniciar as visitas aos 6 anos resulta do facto da criança já ser suficientemente
crescida para se sentar na cadeira do médico e permitir, com mais ou menos paciência, que este
manipule a sua boca.

Ainda se poderia apontar uma terceira razão: a criança deve habituar-se, desde a infância, a visitar
regularmente o dentista.

Podem classificar-se os problemas que requerem tratamento ortodôntico em duas categorias, conforme
sejam ósseos ou na dentição (os primeiros, obviamente, têm uma solução mais complexa).

Quando a anomalia é óssea, o paciente deve ser tratado numa idade precoce, entre os 6 e os 8 anos,
altura em que ainda é possível aumentar e corrigir a estrutura dos ossos. Quando se ultrapassa esta etapa,
resta tratar os dentes diretamente.

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Se a criança já tem a dentição completa - dos 11 aos 13 anos - e não há espaço suficiente para que os
dentes se coloquem corretamente, pode extrair-se um dente, sem que isso comporte qualquer
problema.

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7.Muda de fraldas

A organização do ambiente e o planeamento dos cuidados e das atividades com o grupo de bebés deve
permitir um contacto individual mais prolongado com cada criança.

Enquanto executa os procedimentos de troca, é aconselhável que o educador observe e corresponda aos
sorrisos, conversas, gestos e movimentos da criança.

Para evitar que esse cuidado individualizado implique num longo tempo de espera para as demais
crianças, ou se torne uma rotina mecanizada, é importante considerar o número de bebés sob a
responsabilidade de cada educador, a localização e as condições do local de troca e a organização do
trabalho.

Tipos de fraldas

As fraldas servem para revestir e, sobretudo, proteger as nádegas e a região genital do bebé, de modo a
que as fezes e a urina não irritem essa zona.

De facto, como a principal característica das fraldas é a sua capacidade de absorção, esta é precisamente a
qualidade que mais se deve ter em conta quando se selecionar as fraldas, já que a sua principal função é
proporcionar um ambiente seco.

Atualmente, existe uma grande variedade de fraldas: as clássicas, independentemente de ser de gaze ou
de pano, que podem ser lavadas e repetidamente utilizadas, e outras mais modernas, descartáveis, de
uma única utilização, que embora sejam mais cómodas, implicam custos mais elevados.

Fraldas de pano

Numa primeira fase, é preferível utilizar as de gaze, já que são muito mais suaves e mais fáceis de lavar e
secar do que as de pano, uma questão a ter em conta quando a troca de fraldas é efetuada com muita
frequência.

Contudo, como as de pano são mais absorventes, têm a tendência para serem mais utilizadas durante a
noite e à medida que a urina vai sendo cada vez mais abundante.

Para além disso, podem ser utilizadas em simultâneo, mediante a colocação de uma gaze do- brada,
como se fosse uma compressa, diretamente sobre a pele do bebé e outra de pano por cima.

Pode-se igualmente manter uma compressa de gaze no mesmo sítio, caso seja com tiras para ajustar na
cintura, ideais para o recém-nascido.
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Por cima, deve-se igualmente colocar uma protecção de plástico, que pode estar interiormente forrada
com material absorvente, de modo a segurar a fralda e evitar que a roupa se molhe; todavia, como esta
fralda tem o inconveniente de reter a humidade, favorecendo as irritações, não se costuma recomendar a
sua utilização nas primeiras semanas de vida do bebé.

Fraldas descartáveis

Existem igualmente vários tipos. As mais simples apresentam-se em forma de rolo de algodão ou
celulose forrada que deve ser cortado à medida precisa ou vendido em compressas já preparadas, sendo
nestes casos necessário segurá-los com uma fralda de pano.

As outras, mais cómodas, mas também mais caras, são as fraldas descartáveis, que se caracterizam pela
sua única peça formada por uma compressa absorvente e com um revestimento impermeável, com tiras
autoadesivas que permitem um fechar fácil, tornando desnecessário um sistema de sustentação
complementar.

Existem fraldas descartáveis de diferentes tamanhos e também para as meninas ou meninos, com um
reforço de material absorvente na parte que mais se suja consoante o caso.

Os acessórios

Embora se possa mudar as fraldas em qualquer superfície firme e com uma largura suficiente, de
preferência com proteções laterais para prevenir quedas, deve-se sempre que for possível optar por uma
banheira ou cobertor.

O tipo mais prático corresponde à banheira desdobrável que, para além de também servir para dar banho
ao bebé, é constituída com uma cobertura de superfície suave, um pouco côncava e bem protegida nos
dois lados, o que permite agir com segurança e, dada a altura, com ergonomia.

É igualmente muito prático o típico mudafraldas, forrado e com extremidades elevadas, que pode ser
colocado sobre qualquer superfície e até sobre o chão.

Os restantes acessórios destinam-se à higiene e protecção da pele do bebé.

Para se limpar a zona das fraldas, apenas são necessários toalhetes de papel, algodão, gazes ou uma
esponja e um recipiente para a água morna, à qual se pode adicionar algumas gotas de gel líquido infantil.

São muito úteis os toalhetes húmidos vendidos em embalagens muito práticas.

Embora estes acessórios sejam mais que suficientes para uma boa mudança de fraldas, também se pode
utilizar óleos, loções, pomadas protetoras ou pó de talco para deixar a pele mais suave, mas nunca em
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quantidades excessivas, porque o contacto com a urina favorece a formação de coágulos, sendo
conveniente consultar o pediatra.

Por último, caso se utilizem fraldas de pano, deve-se utilizar alfinetes-de-ama, enquanto que, caso se
utilizem fraldas descartáveis, deve-se ter à mão uma fita adesiva já que estas fraldas não colam muito bem
por si, sobretudo quando for necessário abri-las e voltar a fechá-las.

Primeiro passo: a limpeza

Antes de se proceder à mudança de fraldas, deve-se colocar todos os utensílios necessários à mão, para
que não se tenha de deixar o bebé por um único instante.

Deve-se lavar sempre as mãos antes de se mudar as fraldas.

Depois de se organizar todos os utensílios, a primeira coisa a fazer é retirar a fralda molhada ou suja e,
depois, proceder à devida lavagem e cuidadosa secagem da zona em contacto com a urina ou fezes, ou
seja, os genitais e as nádegas.

Após se colocar o bebé no muda-fraldas e colocá-lo nu ou retirar-lhe o vestuário da parte inferior do seu
corpo, deve-se abrir a fralda, mas sem a tirar imediatamente, sobretudo se o bebé for um rapaz, pois
estes têm a tendência para urinar nesse preciso momento, salpicando tudo o que o rodeia, sendo
preferível aguardar alguns momentos, segurando a fralda sobre o seu pénis .

Em seguida, deve-se abrir a fralda e comprovar se o bebé está sujo; neste caso, deve-se levantar as suas
pernas, mantendo os pés do bebé levantados com uma mão, e passar, com a mão livre, uma toalha para
arrastar as fezes, de preferência de frente para trás, em direção à fralda.

Após se dobrar e retirar a fralda suja com a mão livre e manter os pés levantados com a outra mão, deve-
se limpar o bebé.

A limpeza pode ser efetuada com um algodão molhado em água morna, à qual se deve juntar algumas
gotas de gel líquido, caso o bebé esteja muito sujo, ou com um toalhete húmido.

Caso se trate de uma menina, deve-se começar pelos genitais, limpando-se sempre da frente para trás e
nunca ao contrário, pois assim pode-se favorecer o arrastamento dos microrganismos da região anal para
a genital.

Em seguida, deve-se limpar a região do ânus, nádegas e coxas e limpar novamente as pregas.

No caso de um rapaz, deve-se agir de maneira semelhante, sempre da frente para trás, limpando o pénis,
mas sem nunca forçar a retração do prepúcio, o escroto, o ânus, as nádegas e as pregas da coxa.

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Depois, deve-se secar bem, com especial atenção às pregas, de modo a eliminar totalmente a humidade.

Por fim, deve-se colocar pó de talco ou algum produto protetor em forma de óleo ou creme, embora
nunca as duas coisas ao mesmo tempo, porque podem formar coágulos.

Em seguida, deve-se colocar a fralda limpa, sem pressa, depois de se deixar o bebé movimentar as pernas
livremente durante algum tempo.

Colocação da fralda de pano

Caso se utilizem fraldas de pano, estas já devem estar dobradas sob a forma de cometa e de compressa. A
primeira coisa a fazer é a colocação da parte posterior da fralda em forma de cometa, com uma
compressa absorvente por cima, por baixo do corpo do bebé.

Em seguida, deve-se levantar as pernas do bebé pelos pés com uma mão e com a outra, deslizar a fralda
por baixo das mesmas, de modo a que a extremidade superior fique alinhada ao nível da sua cintura, para
que não se formem pregas.

Depois, deve-se libertar as pernas do bebé e passar a parte da frente da fralda entre elas, subindo-a o
máximo possível (caso seja um menino, virar o pénis para baixo), devendo-se igualmente, caso seja
necessário, retificar as pregas, de modo a que a zona genital fique totalmente revestida e que a parte
inferior das coxas fique bem justa, para evitar fugas.

Por fim, deve-se segurar a fralda com alfinetes-de-ama. Enquanto se segura a parte da frente da fralda
com uma mão, para que não afrouxe, com a outra deve-se dobrar um dos cantos para o centro e exercer
tração até que seja possível segurá-la com a primeira.

Em seguida, deve-se realizar o mesmo com o outro canto, devendo-se igualmente constatar se a fralda
não fica nem muito folgada nem muito apertada, para por fim se proceder à união de ambas as partes
através de um alfinete com a mão livre, tentando não picar o bebé.

Apenas falta revestir a fralda com uma protecção de plástico, embora não seja recomendável fazê-lo
quando o bebé tem poucas semanas de vida.

Colocação de uma fralda descartável

A primeira coisa a fazer é abrir a fralda e colocá-la sobre o muda-fraldas, ao pé do bebé, com as fitas
adesivas para cima.

Deve-se levantar as pernas do bebé pelos pés com uma mão e com a outra deslizar a fralda por baixo das
pernas até que a extremidade superior fique alinhada com a cintura, assegurando-se de que está bem
centrada.
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Em seguida, deve-se libertar as pernas do bebé e passar a parte dianteira da fralda entre elas (caso seja
um menino, virar o pénis para baixo), até que a extremidade fique à altura da cintura.

Por fim, enquanto se segura com uma mão um canto no seu lugar, com a outra deve-se colar a fita
adesiva de um lado na parte anterior e paralela à extremidade superior da fralda, para depois fazer o
mesmo do outro lado, mantendo sempre a extremidade esticada.

Deve-se comprovar se a fralda fica ajustada à cintura, sem ficar demasiado folgada nem apertada.

Em qualquer dos casos, deve-se descolar as fitas e voltar a colá-las convenientemente.

Dermatite das fraldas

Um contacto prolongado com as substâncias corrosivas presentes nas fezes e, sobretudo, na urina, como
o amoníaco, pode irritar a delicada pele do bebé, que fica vermelha na zona das nádegas e nas pregas da
zona, e favorecer o desenvolvimento, nos bebés mais sensíveis e nos casos mais graves, de uma
dermatite, que se manifesta através de ardor e do aparecimento de pequenas vesículas que, por vezes,
podem formar pus.

A melhor forma de prevenir estas situações consiste em mudar as fraldas com frequência, sempre que se
detetar que o bebé está sujo ou tenha empapado as fraldas, deixando-o nu, como é óbvio num ambiente
quente, o máximo de tempo possível.

Caso o bebé tenha a tendência para comichões, para além da adoção destas precauções, deve-se optar
pela utilização de fraldas de algodão hidrófilo (que devem ser passadas por abundante água quando forem
lavadas, para que não fiquem restos dos produtos de limpeza), mas sem protecção de plástico em cima,
ou fraldas descartáveis que garantam uma boa absorção e pela aplicação de um creme protetor, de
preferência indicado pelo pediatra, sobre a zona que costuma estar irritada.

Caso a irritação persista ou caso se evidenciem lesões com pus, deve-se consultar o médico para que este
indique o tratamento mais adequado.

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8.Técnicas de vestir e despir

A mudança de roupa a um recém-nascido ou bebé de baixo peso pode parecer difícil, dificuldade essa,
que vai sendo diminuindo, com o passar do tempo, bem como com a escolha de roupa adequada.
 Ao escolher a roupa, não esqueça que esta deve ser prática e confortável para o bebé, simples de
vestir e despir, e de lavagem e secagem rápida;
 Escolha roupas suficientemente largas, com elásticos laços de abertura fácil, preferencialmente
de fita de velcro, e sem botões;
 Deve evitar roupa de pura lã, e preferir o algodão;
 Preferir roupas não inflamáveis;
 A roupa deve permitir liberdade de movimentos, fácil acesso ás fraldas e adequada à
temperatura ambiente;
 Botas ou meias antiderrapantes devem ser usadas quando o bebé começa a dar os primeiros
passos.

Mudar a roupa a um bebé:


 Deite sempre o bebé de costas numa superfície rígida e protegida por um tecido confortável;
 Coloque em primeiro lugar a fralda
 Se vestir a roupa pela cabeça, comece por alargar o decote com as duas mãos, enfie a roupa por
cima da cabeça, enquanto a levanta um pouco, e puxe-a para o pescoço. Alargue uma manga ou
cava e faça-a passar por um braço, repetindo com o outro. Puxe a roupa para baixo, ajustando-a
ao corpo.

Se vestir um baby-grow:
 Desaperte todos os botões, molas ou fecho, e coloque a peça de roupa na superfície onde irá
mudar o bebé;
 Deite a criança em cima do fato alinhando o pescoço com a gola;
 Enfie as pernas, uma de cada vez nas pernas do fato e aperte os fechos até à fralda; para que as
pernas não saiam

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 Enrole uma manga, mantendo-a aberta com uma das suas mãos, que vai segurar a mão do bébé,
do braço que vai ser guiado para a manga, enquanto que a outra mão puxa a manga. Repetir com
o outro braço.
 Se tiver de vestir várias peças de roupa, esta deve estar aberta nos mesmos locais, como por
exemplo, todas para trás.
 Vista todas as peças pela frente, voltando o bebé uma só vez para as apertar.
 Se por acaso forem de apertar, à frente, coloque o bebé deitado de costas, enfie todas peças de
roupa num só braço, faça-as passar por detrás do corpo, e recomece a vestir o outro braço pela
mesma ordem pelo que o fez anteriormente.
 Pode também enfiar todas as peças de roupa umas nas outras e vesti-las de uma só vez quando,
por qualquer motivo, achar que tal se mostra vantajoso, como por exemplo, doença, muita
fome ou falta de tempo.

Geralmente entre os 12 e os 18 meses, os bebés já demonstram a necessidade de se despirem sozinhos,


por exemplo puxando as meias pelas extremidades.

Por volta dos 2 anos despem-se sozinhos e tentam vestir-se, conseguem-no de forma desalinhada,
necessitam de mais um ano para que todas as peças sejam vestidas corretamente.

Aos 4 ou 5 anos, dependendo das crianças, tentam efetuar as tarefas mais complicadas, como abotoar
botões ou atar os atacadores dos sapatos.

Durante o processo de aprendizagem em que a criança aprende a vestir-se sozinha, é muito importante
que lhe dê seja dada a liberdade para que tente, as vezes que ache necessárias.

Quando a criança for mais crescida, ou por falta de superfície apropriada, poderá vesti-la ao colo e para o
distrair faça jogos como: “Onde está o pé?”; Enumere as partes da roupa: o chapéu, o casaco…; “As
mãos estão a fazer uma viagem pela manga”; “Os sapatos fazem ninhos nos sapatos”, e outros.

A criança cresce e muitas vezes quer escolher a roupa e vesti-la sozinha. Seja paciente, deixe-a fazer o
que puder incentivando a autonomia que é de elogiar.

Deixe escolher a roupa, indo corrigindo algumas situações como mangas de cava no Inverno, meias-
calças no Verão bem como algum sentido estético.

Seja permissiva, mesmo que as cores não fiquem muito bem aos seus olhos, torná-la-á mais confiante em
si mesma.

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Quanto ao vestir-se sozinha, ajude-a desapertando antecipadamente todos os botões e dando os arranjos
finais.

Exemplos para orientar a criança a aprender a vestir-se:


1) Entregue-lhe as peças de vestuário preparadas para serem vestidas – viradas do direito – com
a parte de frente virada de forma a que seja corretamente vestida, para que não troque as voltas.
2) Enquanto se veste elogie-o de forma amável e vá dando orientações de como deve vestir as
diferentes peças.

1. Roupa interior
 Ajude-a a colocar as pernas na cueca e deixe que ela puxe a peça até cima.
 Após várias repetições, motive-a a fazer sozinha. Caso não consiga, reforce a ajuda e volte a
motivá-la.

2. Camisolas e casacos
 No caso de camisolas sem botões, devemos ensinar-lhe, primeiro, a colocar a cabeça e, em
seguida, os braços, um depois do outro.
 Caso seja necessário, podemos guiar a criança.
 Repita as vezes que for necessário, até que a criança saiba realizar todos os passos.
 Se forem camisolas ou casacos com botões, é mais fácil. Só têm que colocar as mangas! Depois,
deve ensinar-se a criança a abotoar os botões.
 É importante ensinar como as etiquetas indicam a parte da frente ou de trás da roupa.

3. Calças ou saias
 Ensinar a criança a vestir uma saia não é difícil: Basta que aprendam a colocar as pernas e subir a
saia até cima.
 A calça segue o mesmo princípio da roupa interior. Basta que aprendam a introduzir as pernas
em cada lado da calça e, depois, subi-la.
 Se tiver fecho zíper, a dica é verificar se funciona bem e depois mostrar-lhe como subi-lo com
precaução para evitar incidentes.

4. Calçado
 Primeiro, há que ensinar a distinguir o pé direito do esquerdo. Uma dica é marcar um dos pés
com uma cor, para que a criança reconheça mais facilmente.

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 Também pode oferecer sapatos sem atacadores, para facilitar o trabalho às crianças.
 Se o calçado tiver atacadores é pouco provável que consigam fazer por si só antes dos cinco anos.

9.Ajudas técnicas de apoio

A preocupação crescente com o bem-estar da pessoa com deficiência, associada ao avanço da tecnologia,
tem permitido desenvolver Ajudas Técnicas facilitadoras das Actividades de Vida Diária, não só para as
pessoas com deficiência, como também para os seus cuidadores.

O banho, fazendo parte da higiene pessoal, é uma atividade de vida diária que, num indivíduo com
deficiência, se pode tornar uma tarefa de tal modo difícil, que tenderá a ser “esquecido”.

Para que a ajuda técnica seja eficaz terá que permitir uma atividade mais independente ou com menor
dispêndio de esforço, de outro modo, provavelmente não será utilizada.

A avaliação da necessidade de ajuda técnica deve ser feita por uma Equipa de Reabilitação especializada, e
a sua subsequente prescrição deverá ser feita pelo Médico Especialista, com experiência nesta área.

Aspetos importantes a tomar em consideração, sempre que é feita uma prescrição:


Em relação à ajuda técnica:
• Conforto
• Segurança
• Estabilidade
• Facilidade de utilização
• Tipo de banheiro – para banho de imersão ou duche
• Tamanho
• Peso

Em relação ao meio ambiente:


• Relação entre a largura das portas e a largura das cadeiras
• Arrumação
• Durabilidade
• Estética
• Relação custo/benefício

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Quando a criança com deficiência é pequena, o banho não levanta problemas difíceis de resolver, sendo
nesta idade muito importante o contacto físico entre os pais e o bébé.

Existem no entanto algumas situações para as quais queremos chamar a atenção:


 Se há alterações de sensibilidade, como por exemplo na criança com Espinha Bífida, o
termómetro para medir a temperatura da água antes de iniciar o banho é imprescindível.
 Na criança muito hipotónica (os músculos têm muito pouca força), uma cadeira de banho tipo
Paralisia Cerebral pode impedi-la de escorregar, enquanto é lavada.

Na escolha da ajuda adequada para o banho, há que considerar aspetos importantes:


• Idade da criança
• Patologia
• Alterações do tónus muscular
• Alterações da sensibilidade
• Existência ou não de movimentos involuntários
• Controlo motor:
• Controlo cefálico
• Equilíbrio sentado
• Capacidade de executar ou ajudar nas transferências
• Deformidades ou limitações posturais

Esta cadeira tem as seguintes características:


• Estável
• Encosto regulável
• Apoios laterais da cabeça
• Cintos ajustáveis
• Diferentes tamanhos
• Pode ser aplicada sobre suporte, fora ou dentro da banheira ou em chuveiro
• Pouco leve
Diferentes tipos de apoio na banheira

2. Cadeira artesanal
Esta cadeira, embora não comercializada, pode ser executada artesanalmente.

Características:
• Fabricada em metal cromado e forrada com material sintético
• Muito leve
• Facilmente lavável
• Pode ser feita em diferentes tamanhos
• Encosto flexível
• Pouco estável
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• Não suporta muito peso
• Encosto não regulável
• Sem apoios laterais
• Contraindicado na presença de muitos movimentos involuntários

3. Cadeira de banho com assento longo

Características:
• Estrutura metálica cromada e forro em material sintético
• Permite o apoio completo dos membros inferiores em extensão (importante na ausência de
movimentos, na hipotonia dos membros inferiores, na hipertonia em extensão ou ainda na
ausência de sensibilidade).
• Pode ser usada na praia
• Ocupa pouco espaço quando fechada

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10.Higienização dos espaços

Plano de limpeza e higienização

Está estabelecido um Plano de limpeza e higiene das infraestruturas que prevê a periodicidade de limpeza
dos espaços, equipamentos/utensílios.

Sempre que os serviços de higiene das instalações e equipamento são subcontratados, o estabelecimento
deve assegurar que a entidade prestadora do serviço respeita os procedimentos e a legislação em vigor.

Devem ser afixadas nos diversos locais as instruções relativas à limpeza e desinfeção dos locais, bem
como a nomeação de um responsável pela verificação e cumprimento das mesmas.

É aconselhável que os colaboradores possuam a competência necessária para alcançar os resultados


esperados, devendo possuir, entre outros, os seguintes conhecimentos, habilidades e atitudes:

Conhecimentos:
 Técnicas de limpeza;
 Arrumação e higienização aplicáveis a instalações e equipamentos de uso habitacionais e áreas
sociais;
 Técnicas de arrumação de cama;
 Requisitos de higiene pessoal e segurança no trabalho adequados à ocupação;
 Operação dos equipamentos e aparelhos de uso mais comum nas unidades;
 Procedimentos para assegurar a privacidade e segurança do utente;
 Primeiros socorros;

Habilidades
 Cálculo das quatro operações aritméticas;
 Leitura e escrita para preenchimento de formulários e registos de ocorrências simples;
 Manipulação de objetos com firmeza e coordenação motora

Atitudes/Atributos
 Tranquilidade, paciência e diálogo permanente com o utente nas tarefas que executa,
procurando promover a sua participação, nomeadamente ao nível da decisão;

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 Atenção com o utente;
 Honestidade em relação aos pertences do utente;
 Equilíbrio emocional diante de situações constrangedoras de doença de SOS, ou outras;
 Memória visual para identificar a ausência de elementos, produtos ou outros, para recordar
detalhes de layout e arrumação;
 Prática e dinamismo nas funções a desempenhar;
 Atenção para detalhes;
 Disciplina para respeitar padrões e rotinas;
 Segurança no relacionamento interpessoal.

Higiene e limpeza dos espaços

• Os espaços onde são realizadas as actividades com as crianças (salas e refeitórios) são limpos e
arrumados no final de cada dia.
• Nos espaços destinados às crianças mais pequenas (berçário) só é permitida a utilização de
sapatos por parte dos adultos, desde que devidamente protegidos.
• A área de mudança das fraldas deve estar separada da área de refeições e deve:
• ser utilizada só para esse efeito;
• ser limpa e desinfetada depois de cada muda;
• estar junto de uma área com água quente corrente;
• estar próxima da área de arrumação do equipamento e utensílios necessários
para o efeito (p.e. toalhetes, fraldas, pomadas, contentor de fraldas sujas).
• O contentor destinado às fraldas sujas e toalhetes encontra-se selado e fora do alcance das
crianças.
• Os espaços de preparação e confeção da alimentação dos bebés (p.e. bancada,
esterilizador de biberões) e os respetivos utensílios individuais (p.e. biberão) são
arrumados após cada utilização.
• A desinfestação das instalações é efetuada, no mínimo, anualmente, de acordo com o Plano de
Desinfestação.

Higiene e limpeza equipamento/utensílios

O Plano de limpeza e higiene das infraestruturas prevê:


• A mudança semanal da roupa de cama (i.e. catre e berço) das crianças ou sempre que
necessário.
• A limpeza e desinfeção semanal dos berços e catres ou sempre que necessário.

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• A limpeza e desinfeção diária dos objetos utilizados nos cuidados de higiene das crianças (p.e
bacios, contentor de fraldas, sanitas). Esta tarefa deverá ser realizada num local específico,
separado do espaço onde se realizam as actividades com crianças.
• A limpeza semanal do material lúdico-pedagógico ou sempre que necessário.

O estabelecimento deve garantir que este material se encontre nas condições de higiene e segurança
estipulados na legislação em vigor e seja avaliado, pelo menos, uma vez por ano, para verificação da
manutenção das condições iniciais.

Os objetos individuais para os cuidados de higiene das crianças devidamente identificados e mantidos em
perfeitas condições de limpeza, conservação e arrumação (p.e. bacios, copos, escovas de dentes,
dentífricos são lavados depois de cada utilização).

Os berços e os catres nunca são utilizados por outra criança sem antes serem higienizados
adequadamente.

Os berços e os catres são colocados de forma a evitar a propagação de germes. Os catres devem ser
colocados de forma a permitir que as crianças, quando colocadas a dormir, se encontram separadas, no
mínimo, por 70 centímetros.

Depois de todas as crianças terem acordado, os catres são arrumados e o espaço é arejado.

Os lençóis e mantas de cada criança são sacudidos e colocados dobrados dentro de sacos individuais e
arrumados.

Higiene pessoal

Os colaboradores mantêm uma higiene pessoal cuidada, lavando as mãos como rotina (p.e.
sempre que chegam à creche, antes de começar a trabalhar, antes e depois de prestar primeiros socorros,
antes de dar de comer às crianças, antes e depois de cada muda de fraldas, depois de ir à casa de banho
ou de ter ajudado a criança nessa tarefa, depois de utilizar um lenço, depois de manusear lixo, depois de
tocar nos olhos, orelhas, nariz, cabelo ou boca, sua ou da criança, depois dos intervalos de descanso,
depois de tocar em animais).

Os colaboradores usam vestuário e calçado adequado e confortável à realização das actividades com as
crianças.

O estabelecimento disponibiliza contentores de toalhas em rolo ou toalhas de papel para secar as mãos.

Poderão ser utilizados toalhetes em situação de emergência (p.e. falta de água), de forma a manter uma
barreira protetora dos germes.

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11.Recolha, separação e transporte de resíduos

Conceito

Não existe uma definição única de resíduos hospitalares (RH) e, portanto, os termos de resíduos
biomédicos, RH, lixo médico e resíduos infeciosos têm sido frequentemente utilizados alternadamente.

No entanto, todos os resíduos que consistem total ou parcialmente em tecidos humanos ou animais,
sangue ou fluidos corporais, excreções fármacos ou outros produtos farmacêuticos, cotonetes ou
curativos e seringas, agulhas ou outros instrumentos cortantes, podem revelar perigos infeciosos
(incluindo microbianos), toxicológicos e/ou físicos (cortantes) a qualquer pessoa que entrar em contacto
com os mesmos.

O universo alargado de produtores de RH associado a diferentes atividades conduz a uma produção de


resíduos de características muito diversas e específicas, não só no que respeita ao seu risco real, mas
também ao nível de questões culturais e éticas, ou da simples perceção do risco.

Nos resíduos produzidos pelas unidades de prestação de cuidados de saúde (UPCS), cerca de 80% são
resíduos equiparados aos domésticos.

São os resíduos provenientes das funções administrativas, das cantinas, de lavandarias, embalagens de
materiais e outras substâncias que não necessitam de cuidados especiais no seu manuseamento ou que
não constituem risco para o homem e ambiente.

Os restantes 20% são considerados perigosos e podem criar riscos para a saúde. Destes 20%, estão
contemplados cerca de:
 15% de resíduos infetados e anatómicos,
 1% de cortantes e perfurantes,
 3% de resíduos químicos e farmacêuticos,
 1% resíduos radioativos e incluindo metais pesados.

Classificação

Estes resíduos são atualmente considerados em quatro grupos, em conformidade com o quadro legal em
vigor:
 Grupo I - resíduos equiparados a urbanos;
 Grupo II - resíduos hospitalares não perigosos;

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 Grupo III – resíduos hospitalares de risco biológico;
 Grupo IV – resíduos hospitalares específicos.

RESÍDUOS NÃO PERIGOSOS – GRUPOS I E II

GRUPO I - RESÍDUOS EQUIPARADOS A URBANOS


 Resíduos provenientes de gabinetes, salas de reuniões e de convívio, instalações sanitárias,
vestiários, resíduos provenientes de serviços de apoio (bares, cozinhas/ refeitórios, oficinas e
armazéns);
 Papéis de todos os tipos, incluindo toalhetes de limpeza de mãos, desde que não estejam
contaminados (contenham sangue);
 Embalagens vazias e invólucros comuns;
 Restos de alimentos, embalagens de aerossóis/sprays;
 Garrafas de água, flores, jornais, revistas, latas e embalagens de sumos/refrigerantes.

GRUPO II - RESÍDUOS HOSPITALARES NÃO PERIGOSOS (EQUIPARADOS A URBANOS)


 Fraldas e resguardos de uso único, não contaminados (não contenham sangue);
 Material de protecção individual (batas, luvas, máscaras) que não contenha sangue;
 Embalagens vazias de medicamentos ou de outros produtos de uso clínico comum, ampolas e
frascos de injetáveis vazios, frascos de vacinas vazios. Para evitar acidentes com risco físico
(corte), estes materiais podem ser colocados em saco de plástico preto resistente, previamente
introduzido em recipiente rígido de uso múltiplo;
 Frascos de soro não contaminados com sangue ou com produtos do Grupo IV;
 Material ortopédico (talas, gessos, etc.), não contaminado com sangue.

Triagem: SACO PRETO

Nota: Os sacos não devem ser cheios a mais de 2/3 da sua capacidade, de modo a poderem
ser fechados e evitar a sua abertura ou extravasamento.

Destino: RECOLHA E TRANSPORTE – SERVIÇOS COMPETENTES DA AUTARQUIA

GRUPO III - RESÍDUOS HOSPITALARES DE RISCO BIOLÓGICO


 Material de pensos (pensos, ligaduras, compressas, algodão, pus) e material ortopédico (talas,
gessos, etc.) que contenham sangue ou outra matéria orgânica;
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 Material de protecção individual (luvas, batas, aventais e máscaras) que contenha sangue ou
outra matéria orgânica;
 Sacos de plástico de transporte das roupas contaminadas;
 Espátulas após utilização, DIU, luvas (utilizadas no planeamento familiar, nas salas de tratamento
ou vacinação), material contaminado (contenha sangue);
Seringas;
 Restos de alimentos de doentes infetados ou suspeitos;
 Material exteriorizado aos doentes: algálias, sondas, catéteres, drenos;
 Exsudados, vómitos, tecido humano, fluidos;
 Sistemas de administração de soro e/ou outros medicamentos, com exceção dos do Grupo IV;
 Peças anatómicas de pequenas dimensões (não identificáveis), material de biópsia;
 Amálgamas (não contendo mercúrio) e extrações dentárias;
 Todos os resíduos que contenham sangue;
 Sacos/sistemas coletores de fluidos orgânicos.

Triagem: SACO BRANCO NÃO REUTILIZÁVEIS COM INDICAÇÃO DE RISCO BIOLÓGICO

Nota: Os sacos não devem ser cheios a mais de 2/3 da sua capacidade, de modo a poderem ser fechados
e evitar a sua abertura ou extravasamento.

Destino: CONTENTOR/ AUTOCLAVAGEM OU INCINERAÇÃO

Nota: Os sacos devem estar colocados em suportes próprios ou ser armazenados dentro de recipientes
de plástico ou metal, com tampa e facilmente higienizáveis

GRUPO IV - RESÍDUOS HOSPITALARES ESPECÍFICOS


 Seringas quando acopladas a agulhas;
 Objetos cortantes e perfurantes (agulhas e lâminas de bisturi);
 Frascos e/ou ampolas contendo pelo menos uma dose de vacina.

Triagem: CONTENTORES IMPERFURÁVEIS

 Fármacos fora de validade

Triagem: SACOS VERMELHOS (NÃO REUTILIZÁVEIS)


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Destino: CONTENTOR/ INCINERAÇÃO

Notas:
 Os sacos devem estar colocados em suportes próprios ou ser armazenados dentro de recipientes
de plástico ou metal, com tampa e facilmente higienizáveis.
 Os sacos não devem ser cheios a mais de 2/3 da sua capacidade, de modo a poderem ser
fechados e evitar a sua abertura ou extravasamento.

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12.Ocorrências e anomalias no apoio à prestação de cuidados

Primeiros socorros: noções gerais

O primeiro socorro é o tratamento inicial e temporário dado à criança que sofreu um acidente, ou que
apresenta doença súbita.

Quem presta primeiros socorros não substitui a equipa de saúde mas tem um papel fundamental em
alertar os serviços e ajudar a vítima, evitando o agravamento da situação, exigindo uma atuação
responsável.

É necessário saber atuar com eficácia e prontidão, tendo sempre em mente a idade da vítima, pois o
socorro em algumas situações é diferente. Assim podemos diferenciar, as vítimas nos seguintes grupos
etários:
• Recém – Nascido (criança até 28 dias de vida)
• Lactente (criança desde 29 dias de vida até 1ano de idade)
• Criança (criança com idade compreendida entre 1ano e 8 anos)
• Pré – Adolescente (entre os 9 e os 13 anos)
• Adolescente (entre os 14 e os 17 anos)
• Adulto (idade superior a 18 anos).

Não podemos esquecer que as crianças na atuação da emergência têm implicações diferentes das dos
adultos, nomeadamente doenças diferentes e reagem de modo diferente.

Na idade pediátrica é fundamental o suporte emocional, acompanhado sempre por alguém conhecido e
querido.

É importante que o/a cuidador:


 Se sinta Autoconfiante, mas tenha a noção das suas limitações
 Tenha uma atitude de compreensão e paciência.
 Seja capaz de tomar decisões, organizar e controlar a situação.

Atuação em caso de acidente/ doença e informação à família

Em todas as situações de acidente, o colaborador respeita as normas de higiene estabelecidas no âmbito


dos cuidados de primeiros socorros.
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Nas situações em que a criança fique doente ou ocorra um acidente durante a sua permanência no
estabelecimento, o responsável realiza uma avaliação sumária da gravidade da situação:
• Se a criança necessitar de cuidados médicos urgentes, o responsável entra em contacto com a
família e dirige-se ao serviço de saúde. Caso a criança regresse ao estabelecimento, deve
permanecer em local destinado para o efeito e se necessário acompanhada até à chegada da
família;
• Se a criança não necessitar de cuidados médicos urgentes, o estabelecimento entra em contacto
a família, para a entregar aos seus cuidados.

Para prevenir situações de contágio a criança deve permanecer acompanhada num espaço destinado para
o efeito.

No caso em que a criança tenha que permanecer em casa por motivos de saúde, o estabelecimento entra
em contacto com a família para tomar conhecimento da situação de saúde da criança.

Existe uma caixa de primeiros socorros em todas as salas de atividades para as crianças, acessível aos
colaboradores e fora do alcance das crianças.

O seu conteúdo é verificado regularmente (p.e. prazos de validade e respetivo conteúdo) e reconhecido
pelas autoridades nacionais de saúde.

Existe um colaborador responsável pelos procedimentos necessários em situação de acidentes ou de


doença.

Estes procedimentos estão sempre acessíveis a todos os colaboradores.

O estabelecimento disponibiliza informação às famílias sobre cuidados de saúde e de desenvolvimento


das crianças (p.e. nutrição, doenças relacionadas com crianças e respetivos procedimentos, serviços e
locais de saúde, reconhecimento de problemas de saúde, encaminhamento das situações e despistagem
de saúde gratuitos).

Todos os contactos necessários para resolução de situações de emergência de uma criança (p.e. contactos
da família, do médico assistente, de seguros de saúde, do número de emergência nacional, do serviço de
bombeiros, do hospital), estão em local acessível aos colaboradores.

Maus-tratos: procedimento

Os maus-tratos são acções ou omissões que desrespeitam direitos fundamentais da pessoa.

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Para além de possíveis efeitos físicos, é muito elevada a probabilidade de graves consequências
emocionais e psicológicas muito gravosas a curto, médio e longo prazo.

As crianças e jovens podem ser maltratados ou negligenciados pelo prestador de cuidados, pela sua
família, por si próprios ou por qualquer pessoa que com eles tenha contacto.

Detetar uma dessas situações nem sempre é fácil. Só através de uma avaliação complexa e interdisciplinar
se pode chegar a conclusões seguras.

Assim, é importante ter em conta uma série de indicadores que apontam para a existência de maus-
tratos.
 Físicos – ferimentos, fraturas, queimaduras, equimoses, golpes ou marcas de dedos, sinais de ter
estado amarrado, medicação excessiva ou insuficiente, má nutrição ou desidratação sem causa
clínica aparente, falta de higiene.
 Comportamentais ou psicológicos – alterações dos hábitos alimentares, perturbações do sono,
medo, confusão, resignação excessiva, apatia, depressão, desespero, angústia, agressividade,
fuga aos contactos físicos, olhar ou comunicação, tendência para o isolamento.
 Sexuais – alterações do comportamento sexual, alterações bruscas do humor, agressividade,
depressão, automutilação, dores abdominais, hemorragias vaginais ou rectais, infeções genitais
frequentes, equimoses nas regiões mamária ou genital, roupa interior rasgada ou com manchas,
nomeadamente de sangue.

Tem de haver uma política de tolerância zero em relação aos maus-tratos com procedimentos claros de
deteção, avaliação e encaminhamento de casos.

Os procedimentos disciplinares e legais em caso de maus-tratos ou negligência devem estar bem


definidos e as crianças e jovens, familiares e colaboradores devem conhecê-los na íntegra.

Existem situações como é o caso dos maus-tratos físicos e sexuais em que é importante considerar alguns
aspetos.

Sempre que estes ocorram, é imprescindível a deslocação a uma unidade de saúde ou de medicina legal,
uma vez que lesões aparentemente insignificantes, ou mesmo não visíveis no imediato, podem implicar
ameaça à saúde da criança ou jovem, constituírem elementos de prova e fonte de observações médicas
que facilitem intervenções futuras.

É também importante lembrar que a criança ou jovem que não deve, nas situações acima referidas,
tomar banho ou lavar a roupa usada na altura da agressão. Podem eliminar-se com esses atos elementos
muito relevantes para a compreensão e prova do ocorrido.
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Em situações de maus-tratos deve-se:
 comunicar o caso ao superior hierárquico o mais rapidamente possível (se este não for este o
pretenso abusador); o propósito de comunicar um maltrato é proteger as pessoas de
comportamentos abusivos.
 escrever toda a informação numa folha ou ficha de ocorrência (sugestão em anexo) para não se
esquecer de nenhum detalhe e para que este registo possa ser utilizado por outros técnicos que
venham a intervir no caso.

Como avaliar uma situação de maus-tratos?


 se possível, observar o facto que constitui maltrato.
 ouvir em separado as pessoas supostamente envolvidas no caso – vítima, agressor, testemunhas
– além de outros colaboradores e técnicos que possam contribuir para o apuramento da
verdade;
 perguntar diretamente sobre violências, abusos, meios de contenção inadmissíveis ou eventual
negligência;
 averiguar do relacionamento entre a criança e o jovem e o eventual agressor;
 fazer uma avaliação detalhada do caso, tendo em conta os elementos clínicos, funcionais, os
indícios de reflexos emocionais, intelectuais e sociais, os sinais de disfuncionalidade.

Todas as queixas devem ser escutadas, analisadas, investigadas e objeto de decisão num espaço de tempo
razoável.

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13.Procedimentos de registo e reporte

Numa instituição muita da informação circula em documentos escritos.

São disso exemplo os processos individuais das crianças ou jovens, registos médicos, gráficos de
observação, prescrições de medicamentos e dietas, registos no livro de reclamações, ocorrências;
processo escolar, entre outros.

Na instituição deve haver documentos que orientam os colaboradores no desempenho das suas funções,
como por exemplo:
 Plano de cuidados, que descreve aqueles a que o utente tem direito e qual o papel de cada
colaborador na sua prestação.
 Procedimentos de segurança, para atuação em caso de acidente ou incêndio.

Outros, produzidos pelos próprios colaboradores, servem para transmitir informação aos colegas e aos
técnicos sobre as crianças ou jovens:
 Os registos de ocorrências permitem aos colaboradores terem conhecimento, por exemplo,
 de perturbações que um residente manifeste; também servem para que a direção saiba que
 tipo de medidas de saúde e segurança precisa de adoptar;
 Os registos diários informam os colegas de cada turno do estado das crianças ou jovens;

A informação escrita é especialmente sensível. Em caso de dúvida, o recetor nem sempre pode
confirmar junto do emissor os objectivos ou conteúdos da mensagem.

Assim, é essencial que a informação escrita seja legível e compreensível.

É porém importante que, nas mudanças de turno, haja momentos de comunicação verbal sobre as
ocorrências entre os colaboradores que prestaram serviço e aqueles que o vão continuar.

Toda a informação escrita deve ser clara, objectiva e concisa, dizendo apenas o que é relevante para a
mensagem que se quer transmitir.

Outro cuidado a ter na produção de informação escrita é o de registar apenas factos que possam ser
verificados.

O que escrevemos influencia o serviço prestado por quem nos lê, pelo que devemos ser, tanto quanto
possível, exatos e objectivos.
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Em suma, a informação escrita que circula na estrutura residencial deve ser:
 Fácil de ler
 Fácil de entender
 Concisa
 Relevante
 Factual
 Verificável.

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Bibliografia

AA VV. Apoio ao desenvolvimento infantil: manual do formando, Projeto Delfim – subprojecto igualdade de
oportunidades, Ed. EQUAL, 2001

AA VV., Creche: manual de processos-chave, Programa de cooperação para o desenvolvimento da qualidade


e segurança das respostas sociais, Instituto da Segurança Social, 2005

AA VV., Lar de Infância e Juventude: manual de processos-chave, Programa de cooperação para o


desenvolvimento da qualidade e segurança das respostas sociais, Ed. Instituto da Segurança Social, 2005

AA VV. Manual de boas práticas: acolhimento residencial de crianças e jovens, Ed. Instituto da Segurança social,
IP, 2003

AA VV., Pensar formação – Formação de pessoal não-docente (animadores e auxiliares/ assistentes de ação
educativa), Ministério de Educação: Departamento de Educação Básica, 2003

Reis, Isabel, Manual de primeiros socorros: situações de urgência nas escolas, jardins-de-infância e campos de férias,
Ed. Ministério da Educação, 2010

Sousa, Anabela, Manual de socorrismo infantil, Ed. APPC Leiria, 2006

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FICHA TÉCNICA

© 2019 CESPU FORMAÇÃO José Paulo Xisto


Todos os direitos reservados

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