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RESENHA
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Ginástica Rítmica Popular: uma proposta educacional

GAIO, R. Ginástica Rítmica Popular: uma proposta educacional. 2ª edição, Jundiaí: Editora
Fontoura, 2007.

Marília Del Ponte de Assis


Graduada em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Especialista em
Ginástica Rítmica pela Universidade Norte do Paraná e Especialista em Dança pela Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul.

Pode-se dizer que muitas vezes os componentes curriculares da Educação Física


são tratados erroneamente na escola, tanto por falta de recursos materiais quanto por
déficit na formação profissional dos educadores. Percebe-se isso claramente nos
discentes de Educação Física que, ao ingressarem no curso superior, apresentam
falhas de movimentações básicas e essenciais a todo ser humano, e supõe-se que isso
seja resultado dos (des) estímulos que receberam enquanto alunos na Educação Física
no ensino fundamental.
O livro de Roberta Gaio “Ginástica Rítmica “Popular” – Uma Proposta
Educacional”, com 2ª edição ampliada e atualizada, tem como um dos principais
objetivos apresentar a Ginástica Rítmica enquanto um conteúdo da Educação Física a
ser abordado em espaços escolares e não-escolares, e então, apreciá-la de uma forma
“Popular”, como foi intitulada a obra.
No período que esteve como docente da Universidade Metodista de
Piracicaba/SP, através de um convênio com a Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo
daquela cidade, a autora idealizou e coordenou um Projeto de Extensão em Ginástica
Rítmica e, a partir de experiências adquiridas junto às crianças e jovens, criou
princípios pedagógicos, que surgiram após a aplicação da metodologia do lúdico na
iniciação da modalidade.
A obra, dividida em três capítulos, que nesse momento passo a relatar é fruto
das vivências da autora com a comunidade e, da sua relação com o poder público, no
desafio de tornar a modalidade acessível, sem descaracterizá-la, como também criar
espaços para que as possíveis crianças talentos possam dar continuidade ao
treinamento.

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No capítulo I, Histórico Geral da Ginástica Rítmica, a autora traça um


panorama da Ginástica Rítmica no mundo, no Brasil, e especificamente na cidade de
Piracicaba, onde se desenvolveu o projeto “Ginástica Rítmica Popular”.
Aborda também o surgimento da modalidade, explanando sobre as influências
das correntes da dança, artes cênicas, música e pedagogia na sua evolução histórica,
destacando alguns mestres e suas obras. Apresenta de forma clara e objetiva as
nomenclaturas que definiram ao longo dos anos essa Ginástica, até chegar a Ginástica
Rítmica e seu reconhecimento como modalidade olímpica, porém ainda,
essencialmente feminina, nos dizeres da Federação Internacional de Ginástica. Nesse
momento a autora aproveita para discutir e comentar questões de gênero, valorizando
a participação de meninos e meninas em co-educação no desenvolvimento da
modalidade.
As principais precursoras da Ginástica Rítmica no Brasil e os principais títulos
conquistados pela equipe nacional, comandada pela técnica Bárbara Laffranchi do
centro de treinamento da Universidade Norte do Paraná – Londrina/PR também são
temas relatados neste capítulo.
A autora encerra esse capítulo após apresentar o desenvolvimento da Ginástica
Rítmica na cidade de Piracicaba/SP através do seu projeto e destaca argumentos que
viabilizam a inclusão dessa modalidade no conjunto de modalidades oferecidas para
comunidade pelo poder público.
Atividade de baixo custo, praticada pelo sexo masculino e feminino, na faixa
escolar ou não, a Ginástica Rítmica Popular não nega o alto nível de desempenho,
mas sim, visa “[...] propiciar pedagogicamente às crianças a oportunidade de
vivenciarem as atividades motoras baseadas na modalidade, onde o importante é
participar... podendo até competir... e quem sabe “vencer”!“ (p. 52)
Ela pode ser praticada em qualquer lugar, numa nova perspectiva de esporte,
com prazer, criatividade, espontaneidade e valorização das possibilidades de
movimento de cada um, sem que somatotipo, habilidades ou outros fatores venham a
excluir qualquer participação.
Já no capítulo II, A criança “vivendo, crescendo e aprendendo” a autora
aborda o desenvolvimento da motricidade da criança na faixa escolar, bem como trata
de aspectos afetivo-sociais e do sistema nervoso a nível maturacional. Após fazer uma
breve explanação de suas idéias sobre política educacional, política econômica e
política esportiva e como estas se refletem na criança e nos jovens brasileiros, ela
divide o capítulo em momentos, a saber:

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1º Momento: Da psicomotricidade à motricidade - aborda conceitos


relacionados ao Eu corporal – a identidade da criança, bem como estruturação das
noções espacial e temporal;
2º Momento: Aspectos neurofuncionais – referentes ao desenvolvimento
humano desde o período embrionário até os primeiros anos de vida, bem como
formação e desenvolvimento específicos do sistema nervoso face aos outros sistemas
do organismo;
3º Momento: Aspectos afetivo-sociais do desenvolvimento - trata das relações
da criança com a família, a escola e a Educação Física.
Intitulado de “Ginástica Rítmica ”Popular”: a desmistificação de um
esporte” no capítulo III, a autora descreve o projeto e suas características
fundamentais. Inicialmente, são apresentadas generalidades da Ginástica Rítmica
enquanto modalidade regida pela Federação Internacional de Ginástica, bem como
seus aparelhos, elementos corporais e critérios de julgamento presentes no Código de
Pontuação. Bases indispensáveis da Ginástica Rítmica, os elementos corporais devem
ser executados coordenados ao manejo dos aparelhos; dessa combinação surge uma
seqüência coreográfica que, para os árbitros, determina o grau de dificuldade
praticado pela ginasta, o nível de qualidade de execução e o valor artístico da
composição.
Das ações realizadas no projeto, surgem os princípios norteadores da Ginástica
Rítmica Popular, que passo a relatar sinteticamente:
Princípio nº 1 - Os movimentos corporais são construídos a partir nos
movimentos naturais que as crianças apresentam;
Princípio nº 2 - Os aparelhos são utilizados sem a obrigatoriedade de seguir
as normas de cor, peso e tamanho; e os movimentos obrigatórios fundamentais
também não possuem regras;
Princípio nº 3 - O/A professor/a deve incentivar e orientar os/as alunos/as na
criação e exploração de seus próprios aparelhos e possibilidades de manuseio e
movimento;
Princípio nº 4 - Deve ser proporcionada à criança a oportunidade de identificar
as diversas formas que se tem de usar o corpo no solo, de modo a produzir
movimentos acrobáticos e pré-acrobáticos;
Princípio nº 5 - A presença do lúdico e a não descaracterização da
modalidade;
Princípio nº 6 - Presença de atividades ritmadas, baseadas no canto, na
mímica, e nas brincadeiras;

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Princípio nº 7 - Vivenciar a modalidade por um grupo amplo, composto por


pessoas de qualquer idade, sexo, apresentando deficiências ou não. Deixando as
diferenças de lado, visando um ambiente de igualdade e inclusão social.
Entendemos então, que não só nos 13x13 podemos praticar a Ginástica
Rítmica. Nesta proposta, ela pode ser praticada em qualquer lugar, com aparelhos
diferentes e interessantes, visando uma nova visão desta modalidade, a fim de que
ela seja executada com prazer, espontaneidade e criatividade, valorizando as
potencialidades de cada um.
Portanto, faz-se necessário repensar a Educação Física sendo aplicada
principalmente no âmbito escolar, local aonde esta venha a ser comprometida com o
ser humano, numa proposta dirigida aos alunos e as alunas, em sua totalidade,
visando o ser humano como fim em si mesmo.
Nesse momento final, convido os/as profissionais de Educação Física, em
especial os/as que trabalham na escola, a lerem o livro, e que esse possa auxiliá-
los/las na inclusão da Ginástica Rítmica no planejamento pedagógico, na árdua
tarefa de ampliar a cultura corporal das crianças e jovens brasileiro

Data de recebimento: 01/ 03//09


Data de aceite: 31/03/09

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