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CONCEITO DE DERIVADA E DIFERENCIAL: CONCEPÇÕES E

RELAÇÕES

Rogério de Aguiar – rogerville2001@gmail.com


Ivanete Zuchi Siple – ivazuchi@gmail.com
Graciela Moro – gracimoro@gmail.com
Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Tecnológicas – CCT-UDESC
Rua Paulo Malschitzki, s/n - Campus Universitário Prof. Avelino Marcante - Bairro Zona
Industrial Norte. CEP: 89219-170.
Joinville-SC

Resumo: Os conceitos de derivada e diferencial por serem muito abstratos apresentam


dificuldades de entendimento por parte dos alunos já que estes vêem estes conceitos quando
estão em geral no segundo semestre de um curso graduação. Apresentaremos neste trabalho
os conceitos de derivada e diferencial para funções em  e a relação destes conceitos com
os conteúdos de álgebra linear ressaltando que existem diversos fatores que dificultam o
entendimento destes conceitos.

Palavras-chave: Derivada, Diferencial, Cálculo integral, Ensino de cálculo

1 INTRODUÇÃO

O conteúdo de Cálculo é muito importante para estudantes universitários das áreas de


ciências exatas, mas também é consenso, segundo o ponto de vista dos estudantes, que o
aprendizado desta matéria é muito difícil. Como ensinar Cálculo de uma maneira mais efetiva
é um problema delicado para os professores. Entre a grande maioria dos professores
universitários ainda se mantém a metodologia tradicional, quer seja pelo grau de abstração
que a disciplina envolve, quer seja pelo tempo disponível para se desenvolver o conteúdo.
Esta metodologia de ensino, geralmente, não promove um entendimento aprofundado dos
conceitos de derivada e diferenciabilidade, e muitos estudantes que concluíram as disciplinas
que abordaram tais conceitos continuam sem compreender o conceito ou a aplicação destes.
Segundo Mandler et al (2008), em uma pesquisa realizada na UDESC, o conteúdo de
derivadas foi apontado pelos professores, como sendo um dos conteúdos que os alunos
apresentavam maiores deficiências de aprendizagem. Na ótica dos docentes estas deficiências
são oriundas da falta de raciocino lógico e pela dificuldade dos discentes em estabelecer
conexões entre os conteúdos.
Podemos observar que as nossas metodologias tradicionais de ensino não tem propiciado
o caráter investigativo dos alunos, sendo que geralmente são reproduzidas técnicas de
resolução de exercícios, deixando de lado a busca por soluções fundamentada no
entendimento do conceito. Esta falta de entendimento do conceito e das representações
matemáticas dificulta a sua aplicação em disciplinas mais avançadas dos cursos de ciências
exatas. Por outro lado, observa-se que há uma grande desmotivação por parte dos alunos para
ultrapassar as barreiras encontradas durante o processo de ensino aprendizagem.
Segundo o dicionário Michaelis a palavra “entendimento” significa: “sm
(entender+i+mento2) 1 Ato de entender. 2 Faculdade de conceber e entender as coisas;
intelecto, inteligência. 3 Capacidade de julgar (de entender). 4 Compreensão, percepção. 5
Interpretação (daquilo que se diz ou se escreve). 6 Combinação, concerto.” (MICHAELIS,
2012)
O conceito de entendimento trata da capacidade de percepção e interpretação daquilo que
se diz ou se escreve e está ligado a faculdade da inteligência. A palavra entendimento pode
ser usada em diferentes discursos e tem vários significados. Podemos fazer uma classificação
do “entendimento”, mas devemos levar em conta que o processo de aquisição de
conhecimento e a interiorização deste conhecimento são um ato contínuo, como bem ressalta
Ana Sierpinska:

Nós também falamos de ‘mútuo entendimento’, da expressão de entendimento de


alguém ou da escrita de alguém, do entendimento de uma palavra, uma expressão,
um conceito, um fenômeno. Nós qualificamos entendimento como 'bom', 'profundo',
'pobre', 'complexo', 'significativo', 'cheio', 'incompleto', 'intuitivo', ou 'errado'. Nós às
vezes falamos de "algum" entendimento para dizer que esse entendimento ainda não
é muito elaborado.” (SIERPINSKA, 1994, p. 1. Tradução livre.)

Ana Sierpinska também ressalta que o processo de entendimento não ocorre de maneira
imediata, sendo um processo lento:

Um ato de entendimento é uma experiência que ocorre em algum ponto do tempo e


é muito rápido. Mas, especialmente em educação nós também falamos de
entendimento como uma atividade cognitiva que tem lugar ao longo de um grande
período de tempo – então usamos algumas vezes o termo “processo de
entendimento” no qual o ato de entender constitui um passo importante enquanto
que o conhecimento adquirido constitui um suporte para um desenvolvimento
posterior. (SIERPINSKA, 1994, p. 2. Tradução livre.)

No contexto da matemática nós freqüentemente falamos do entendimento de conceitos


matemáticos dentro de algum ramo específico da matemática. Em cálculo falamos “o
entendimento” do conceito de limite, derivada, diferencial, transformação linear, etc. Segundo
Piaget (apud SIERPINSKA, 1994, p. 5, tradução livre), “a palavra entendimento tem um
sentido prático (construir um muro, ordenar um conjunto de varetas pelo tamanho)”, neste
contexto entender significa basicamente compreender como o processo funciona, ou quais as
operações necessárias para se atingir um determinado objetivo.
Nos cursos de Cálculo Diferencial e Integral observamos que o entendimento dos alunos
se dá principalmente no contexto do “entender como fazer” com objetivos imediatos de
realizar uma avaliação sem muitas vezes alcançar aquele entendimento mais profundo do
conceito e de suas implicações. Este fato deve-se principalmente ao curto espaço de tempo em
que as disciplinas de Cálculo são desenvolvidas. Esta falta de “entendimento” faz com que o
aluno tenha dificuldade em disciplinas posteriores, como por exemplo, em Cálculo Vetorial,
Equações Diferenciais e Álgebra Linear, as quais irão exigir do estudante um grau de
abstração maior e um melhor entendimento dos conceitos iniciais.
Na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral II fica mais evidente a falta de
entendimento da relação entre os conceitos de derivada e diferencial, pois devido ao curto
espaço de tempo em que este conteúdo é ministrado, as relações entre derivada e diferencial e
a relação entre diferencial e transformação linear em geral não são enfatizadas. A diferença
entre derivada e diferencial não é percebida em funções reais de uma variável real, pois para
as funções de uma variável, a diferencial e a derivada se confundem, sendo entendidas como a
mesma coisa (o que constitui uma falha de entendimento). A diferença entre derivada e
diferencial (uma transformação linear) fica mais evidente para funções de várias variáveis
onde a diferencial terá um papel importante em aplicações práticas e que é diferente da
derivada parcial (inclinação da reta tangente a uma curva sobre o gráfico da função). Este é
um problema que será mais evidenciado pelos alunos do curso de matemática, onde a
aprendizagem e entendimento destes conceitos são importantes para uma boa formação do
futuro profissional do ensino. Este problema pode advir de três fatores: a relação entre os
conceitos que é pouco explanada, a falta de recursos didáticos específicos para o ensino dos
conteúdos e o pouco tempo dedicado para desenvolver o conteúdo. A falta de tempo é um
problema estrutural que não poderá ser solucionado em curto prazo, mas em relação aos
outros dois fatores, estes podem ser amenizados ou até solucionados mediante um
aprofundamento do conteúdo e de elaboração de recursos didáticos específicos para o ensino
de derivada e diferencial.

2 A DERIVADA E A DIFERENCIAL EM 

Em quase todos os ramos da atividade humana aparecem problemas e fenômenos que


envolvem variação, em biologia estuda-se a taxa de crescimento de uma população de
bactérias, em economia estuda-se a evolução do custo marginal, em medicina estuda-se a taxa
de crescimento de um tumor, em mecânica estuda-se os fluidos em movimento, em
eletricidade descreve-se a variação da carga elétrica e da corrente em um circuito elétrico. Na
física a derivada está presente na própria de definição de velocidade e aceleração onde a
velocidade é definida como a derivada do espaço em função do tempo e a aceleração é a
derivada da velocidade em função do tempo. Em várias áreas, diversos problemas de
máximos e mínimos são resolvidos utilizando-se a derivada. Além disso, por meio do
Teorema Fundamental do Cálculo (TFC) dois conceitos aparentemente independentes têm
uma relação muito estreita, o conceito de derivada e o de integral. Denotaremos o conjunto
dos números reais por , se uma função f : [a,b] →  é integrável, então a integral de f no
intervalo [a,b] é a área da região delimitada pelo eixo x , as retas x = a , x = b e o gráfico da
função f ; se encontrarmos uma função F : [a, b] →  tal que a derivada de F é f , então o
cálculo da integral de f fica reduzido a calcular F(b) − F(a) . Portanto, por meio do teorema
fundamental do cálculo o cálculo de áreas que antes necessitava do extenuante cálculo de um
limite de somas de Riemann fica reduzido à aplicação de uma função em dois pontos, o que
torna TFC é uma ferramenta poderosa.
O ensino de derivada e diferencial é imprescindível para todos os cursos de ciências
exatas e este conteúdo está presente no currículo dos cursos de todas as engenharias e no
currículo das chamadas ciências básicas (matemática, física e química). Em nível avançado a
derivada está presente em todas as áreas do conhecimento. Mas o que é derivada? O que é
diferencial?
A derivada e uma função real de uma variável real pode ser definida como;
“a derivada de uma função f em relação a uma variável x é a função f ′ cujo
valor em x é dado por
f (x + h ) − f (x )
f ′( x) = lim ,
h→0 h

desde que o limite a direita exista” (THOMAS, 2009, p. 308-309)

Definições equivalentes da derivada são:

f ( x + ∆x ) − f ( x )
f ′( x) =lim , (1)
∆y → 0 ∆x

f ( x1 ) − f (x )
f ′( x ) = lim , (2)
x1 → x x1 − x

∆y
f ′( x ) =lim . (3)
∆y → 0 ∆x

Dependendo do contexto, a derivada de uma função no ponto x assume várias notações,


como por exemplo y' ( x ) , Dx f ( x ) ,
dy
. A derivada também é definida como uma taxa de
dx
variação e como uma velocidade. Graficamente a derivada é interpretada como o coeficiente
da reta tangente ao gráfico de f em um ponto. Neste breve comentário podemos perceber que
o objeto “derivada” tem várias notações, várias definições (todas equivalentes) e uma
interpretação geométrica. Portanto a noção de derivada envolve o entendimento de várias
representações, a representação simbólica, a representação algébrica, a representação gráfica,
e a descrição da derivada na língua natural como, por exemplo, se dissermos a alguém “a
derivada de uma função f no ponto x ”. Portando o entendimento das diversas
representações da derivada é essencial para o entendimento do conceito de derivada.
Segundo Thomas (2009, p. 243), a diferencial de uma função real f de variável real x
é definida como: “A diferencial dx é uma variável independente. A diferencial dy = f' (x )dx
”. Neste momento já vemos um dificuldade para a aprendizagem do conceito de diferencial, a
dy
confusão de notações. Ora, dissemos antes que a derivada é denotada por dx e agora
definimos dy como uma função da variável dx . Este simples fato já é suficiente para
demonstrar a dificuldade de entendimento dos conceitos de derivada e diferencial e as
dificuldades que aparecem quando do estudo destes conceitos.
Utilizaremos a abordagem de Edwards (1973, p. 56-57) para a definição de diferencial
por entendermos ser esta abordagem menos confusa e mais interessante.
Consideremos agora uma função :  →  que é derivável em um ponto a , portanto,

f (a + h ) − f (a )
f ′( x) = lim , (4)
h →0 h

que é equivalente a
f ( x + h ) − f ( x ) − f' (a )h
lim = 0. (5)
h→0 h

Chamando ∆f a (h ) = f (a + h ) − f (a ) e df a (h ) = f' (a )h temos que

∆f a (h ) − df a (h )
lim = 0, (6)
h→0 h

o que nos diz que df a (h ) é uma boa aproximação de ∆f a (h ) . Considere a aplicação linear
df a :  →  definida por df a (h ) = f' (a )h , cuja matriz em relação à base canônica de  (note
que a base canônica de  é o vetor u=1, considerando  como um espaço vetorial sobre e )
é a matriz 1x1 dada por [ df a ] = [ f' (a ) ]. Como a matriz da aplicação diferencial é uma matriz
1x1 e, portanto um número, a confusão entre derivada e diferencial é comum. A aplicação
df a é a diferencial da função f no ponto a e, comparando com a notação usada por
THOMAS (2009), vemos que df a = dy e h = dx . Portanto, a aplicação df a é uma boa
aproximação da função f em pontos próximos do ponto a e df a é linear, assim a aplicação
df a é uma linearização da função f em uma vizinhança do ponto a .

3 A DERIVADA PARCIAL PARA FUNÇÕES DEFINIDAS EM 

Nos cursos de cálculo diferencial e integral, a abordagem de funções deriváveis para


funções reais definidas em um subconjunto de  se dá apenas parcialmente com a
definição das derivadas parciais. É fornecida a definição e em seguida a visão geométrica,
mas não é feita a definição de “derivada” de uma função f : D ⊂  →  onde D é um
subconjunto aberto de , pois este conceito envolve uma maior abstração, além de um
conhecimento prévio de transformações lineares. Como as derivadas parciais suprem às
necessidades práticas dos profissionais das áreas exatas, não surge a necessidade de
aprofundamento nos conceitos de derivada e diferencial para função definidas em .
Veremos mais adiante que existe uma estreita relação entre derivadas parciais, derivada e
diferencial. Seja f : D ⊂  →  uma função onde D é um conjunto aberto de  . Segundo
THOMAS (2009),

“A derivada parcial de f ( x, y ) em relação a x no ponto (x0, y0 ) é


∂f f ( x0 + h, y0 ) − f (x0, y0 )
( x0 , y0 ) = lim ,
∂x h→0 h
e,

∂f f ( x0 , y0 + h ) − f (x0, y0 )
( x0 , y0 ) = lim ,
∂y h→0 h
desde que os limites existam”. (THOMAS, 2009, p. 308-309)

∂f
Geometricamente, ( x0 , y0 ) é o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico de
∂x
∂f
g ( x ) = f ( x, y0 ) no ponto x0 e ( x 0 , y 0 ) é o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico
∂y
∂f
de h( y ) = f (x0, y ) no ponto y0 , portanto (x0, y0 ) = g' (x0 ) . Com isso a noção de derivada
∂x
parcial para uma função de duas variáveis reais é remetida a noção de derivada de uma função
de uma variável real. Porém existe uma dificuldade de entendimento dos alunos em relação às
derivadas parciais por exigir uma visualização espacial mais elaborada, o conceito é simples,
mas a visualização não é tão simples assim, conforme ilustram as Figuras 1 e 2. Na Figura 1,
o plano z = y 0 intercepta o gráfico de z = f(x, y) na curva z = f(x, y 0 ) . A inclinação da reta
∂f
tangente a esta curva no ponto P(x 0 , y0 , z ( x0 , y0 )) é a derivada parcial (x0, y0 ) .
∂x

Figura 1: Reta tangente a z = f ( x, y 0 ) . Fonte (THOMAS, 2009, p. 308)

Na Figura 2, o plano z = x 0 intercepta o gráfico de z = f(x, y) na curva z = f(x 0 , y) A


inclinação da reta tangente esta curva no ponto P(x 0 , y0 , z ( x0 , y0 )) é a derivada parcial
∂f
(x0, y0 ) .
∂y
Figura 2: Reta tangente a z = f ( x 0 , y ) . Fonte (THOMAS, 2009, p. 309)

Quando tomamos funções definidas em  (n > 2) perde-se a noção geométrica e o


entendimento fica ainda mais comprometido por exigir um grau maior de abstração. De
maneira análoga a definição dada para funções definidas no , são definidas as derivadas
parciais em . Seja f : D ⊂  →  uma função, D um conjunto aberto, a derivada parcial
∂f
∂ xi
(
de f no ponto x1,0 x2,...
0
)
, xn0 é definida por

∂xi
) (
x1, x2,... , xn =
h
) ( )
∂f 0 0 0 f x10 , x20 ,..., xi0 + h,..., xn0 − f x10 , x20 ,..., xi0 ,..., xn0
( . (7)

Veremos a seguir que a noção de derivada e diferencial em  tem uma estreita relação
com transformações lineares e derivadas parciais mostrando que as duas disciplinas, álgebra
linear e cálculo, têm uma conexão bastante interessante.
4 A DERIVADA E A DIFERENCIAL EM  .

Para uma função de várias variáveis temos:

A aplicação f : D ⊂  → , D um aberto de , é diferenciável no ponto


a ∈ D se e somente se existe uma aplicação linear
:  →  , tal que

F (a + h ) − F (a ) − L(h )
lim =0. (8)
h →0 |h|
A aplicação L é denotada por dFa e é chamada a diferencial de F no ponto a . A
matriz da aplicação linear dFa , denotada por F ′( a ) é chamada a derivada de F
no ponto a ”. (EDWARDS 1973, p. 67. Tradução livre)

Note que neste caso a diferença entre derivada (matriz da aplicação linear) e diferencial
(aplicação linear) é mais evidente, pois neste caso a matriz de dFa em relação à base canônica
de  é uma matriz 1 × n dada por:

 ∂F ∂F ∂F 
F' (a ) = [dFa ]=  L  . (9)
 ∂x1 ∂x2 ∂xn 
Se a função F é tal que F : D ⊂  → , portanto uma curva no espaço, então temos

 ∂F1 
 ∂x 
 
 ∂F2 
F' (a ) = [dFa ] =  ∂x  . (10)
 M 
 
 ∂Fn 
 ∂x 
 

Vemos assim que a derivada de F é o vetor gradiente enquanto que a diferencial de F é a


aplicação linear dFa . Usando a aplicação linear dFa podemos obter boa uma aproximação
para ∆F = F(a + h) - F(a) desde que h seja suficientemente próximo de a , pois neste caso
dFa (h ) ≈ ∆F (usamos o símbolo ≈ para denotar aproximação, ou seja, está bem próximo).
Este fato fica mais fácil de ser visualizado para funções definidas em  já que neste
caso z = F ( x, y ) é uma superfície em  A variação de F , ∆F , é dada por
∆F = F ( x + ∆x, y + ∆y ) − F ( x, y ), portanto, tomando h = ( ∆x, ∆y ) tem-se dFa (h ) ≈ ∆F , ou
seja, dFa ( ∆x, ∆y ) = ∆F . Como vimos anteriormente

[dFa ] =  ∂F ∂F 

 , (11)
 ∂x1 ∂x2 

daí,
 ∂F ∂F   ∆x  ∂F ∂F
∆F = dFa ( ∆x, ∆y ) =     = ∆x + ∆y , (12)
 ∂x1 ∂x2   ∆y  ∂x1 ∂x2
que coincide com a definição de diferencial total:

“Se nos movermos de (x 0, y0 ) para um ponto ( x0 + dx, y0 + dy ) próximo, a


( ) ( )
variação resultante df = f x x0, y0 dx + f y x0, y0 dy na linearização de f é
chamada diferencial total de f ” (THOMAS, 2009, p. 308-309).

∂f ∂f
Na definição acima temos f : D ⊂  → , f x = e fy = . Note que na definição foi
∂x ∂y
utilizada a notação dx para ∆x e dy para ∆y . Em geral nos cursos de graduação somente é
trabalhada a definição acima e algumas de suas aplicações, sem entrar nos detalhes sobre a
transformação linear dFa . Geometricamente, em para uma função definida em ℜ 2 a aplicação
dFa (h ) é o plano tangente à superfície z = f ( x, y ) no ponto (x0, y0 ) .
Portanto temos aqui três conceitos que são vistos em diferentes disciplinas, o conceito de
derivada que é visto na disciplina de cálculo, o conceito de matriz de transformação linear que
é visto na disciplina de álgebra linear e o conceito de gradiente que é visto na disciplina de
cálculo vetorial e às vezes nos cursos de cálculo diferencial, mas que por falta de tempo ou
outro motivo não são feitas as devidas correlações entre os três conteúdos. Como se pode
observar existem vários entraves ao entendimento do conceito de derivada e diferencial, além
disso, existem as diversas representações que a derivada e a diferencial possuem fazendo com
que o entendimento da relação entre derivada e diferencial fique comprometido.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ressaltamos que a diferença entre derivada e diferencial não é tão evidenciada e até se
confundem para funções de uma variável real, no entanto, para funções de várias variáveis a
diferença é mais evidenciada. Com isso vemos que existem várias dificuldades para o
entendimento do conceito de derivada e diferencial para funções de várias variáveis: o nível
de abstração, a perda de visão geométrica (caso n>2), as várias representações da derivada e
diferencial, o pouco tempo dedicado ao assunto nos cursos de cálculo. Um dos fatores mais
determinantes para a falta de entendimento dos conceitos de derivada e diferencial supomos
ser o pouco tempo dedicado a este assunto nos cursos de cálculo, mesmo dentro dos cursos de
matemática. Também o relacionamento das diversas disciplinas não é explorado em
profundidade, seja pela falta de maturidade dos alunos que em geral encontram-se no segundo
ou terceiro semestre da universidade, seja pela falta de tempo.
Consideremos que a diferença entre derivada e diferencial pode ser mais explorada e
também que o uso de recursos tecnológicos e artefatos podem vir a ser um auxiliar no ensino
das aulas de cálculo. Surge então a questão: que recursos tecnológicos podem ser utilizados?
Que artefatos podem ser utilizados? Deixamos estas questões para futuras pesquisas e como
motivador para a introdução de recursos tecnológicos no ensino de derivada e diferencial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DUVAL, R. Registros Semióticos y Aprendizajes Intelectuales. Segunda Edición.


Universidade del Valle. Colombia. 2004
EDWARDS, C. H., Advanced Calculus of Several Variables. Academic Press Inc. London.
1973

MANDLER, M. L.; HENNING, E. ; BARZ, L. L. ; LIMA, L. R. . Deficiências no


embasamento matemático como fator de retenção no ciclo profissionalizante. In: XXXVI
Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia - COBENGE 2008, São Paulo.

MICHAELIS. Dicionário da Língua Portuguesa. Disponível em:


http://michaelis.uol.com.br/ Acesso em: 28 de março de 2012.

SIERPINSKA A. Understanding in Mathematics. Studies in Mathematics Education


Series: 2. The Falmer Press. London, 1994.

THOMAS, G. B., Cálculo, Volume 1. Pearson Addison Wesley. São Paulo. 2004.

THE CONCEPTS OF DERIVATIVE AND DIFFERENTIAL: CONCEPTIONS AND


RELATIONS

Abstract: The concepts of derivative and differential for being too abstract have difficulty of
understanding by the students because they see these concepts when they are usually in the
second half of an undergraduate course. This paper shows the concepts of derivative and
differential of functions defined in ℜ and their relationship with subjects of linear algebra
n

content emphasizing that there are several factors that hinder the understanding of these
concepts

Keywords: Derivative, Differential integral calculus, Teaching calculus