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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

DOUGLAS DE CARVALHO MOTTER

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE INDICADORES DE


COMPOSIÇÕES DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA

CURITIBA
2019
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

DOUGLAS DE CARVALHO MOTTER

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE INDICADORES DE


COMPOSIÇÕES DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Engenharia Civil
da Faculdade de Ciências Exatas e de
Tecnologia da Universidade Tuiuti do
Paraná, como requisito parcial para
obtenção do grau de Engenheiro Civil.
Orientador: Prof. M.e Ricardo Muller.

CURITIBA
2019
TERMO DE APROVAÇÃO

DOUGLAS DE CARVALHO MOTTER

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE INDICADORES DE


COMPOSIÇÕES DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA

Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de


Bacharel no curso de Engenharia Civil da Universidade Tuiuti do
Paraná.

Curitiba, 18 de Junho de 2019.

Bacharelado em Engenharia Civil


Universidade Tuiuti do Paraná

Orientador Prof. Mestre Ricardo Muller


UTP – FACET

Profª. Mestre Geni de Fatima Portela Radoll


UTP – FACET

Profª. Mestre Monigleicia Alcade Orioli


UTP – FACET
AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pela saúde, oportunidade e privilégio de poder estar


estudando.
À minha família pela compreensão das ausências cometidas, pelo apoio
moral, financeiro, pelo incentivo constante a continuar na busca deste objetivo.
Em especial ao meu pai, Engenheiro Civil Amilcar Motter, pelo exemplo de sua
carreira profissional e por explicar de maneira técnica e prática muitos
conhecimentos acerca do tema. À minha mãe Carmen de Carvalho Motter, por
sempre estar me incentivando a alcançar meus objetivos e contribuir para
isso, desde meus primeiros cuidados até a vida adulta, aos meus irmãos, à
minha esposa Fabiana Furman Motter e minha filha Sofia Furman Motter, por
minha ausência e dedicação aos estudos, pelo apoio e o amor.
Ao meu ex-chefe e amigo Engenheiro/Arquiteto Odilmar Gerson Merlin, pelos
conhecimentos e ensinamentos acerca do tema estudado.
Ao professor Engenheiro Civil Mestre Ricardo Muller, por me orientar de forma
clara e didática, estando sempre disposto a me auxiliar durante o trabalho de
conclusão. À todos os professores que com grande carinho nos passaram
seus conhecimentos técnicos e de vida, em especial ao Professor Amaro
Furtado Neto, Liliane Klemann, Simone Maren Gunther, Cleverson Alessandro
Thoaldo, Tiago José Antoszczyszyn e Júlio Russi, por terem sido exemplos
de grandes professores, pela didática pedagógica e pelo prazer em transmitir
conhecimentos aos seus alunos. Este trabalho tem um pouco de cada um
deles.
RESUMO
O presente estudo refere-se à comparação de indicadores de composições de
serviço, através de dados de aferições de obras já realizadas. Vivemos no momento
diante de um cenário não muito favorável para a construção civil brasileira, sendo
muito importante para o setor, redução de custos, de desperdícios e da manutenção
da qualidade dos serviços executados, sendo muito importante para a engenharia
civil, contar com tabelas de composições de serviço que tragam confiabilidade ao
planejamento de obras e serviços de engenharia. O objetivo do trabalho é realizar
análises em relação a 3 serviços comuns na construção civil, sendo eles, “Emboço
traço 1:2:8, espessura 2cm, preparo mecânico da argamassa”, “Chapisco traço 1:3,
espessura 0,5cm, preparo mecânico da argamassa” e “Contrapiso em argamassa
traço 1:4, espessura 5cm, preparo manual”. O estudo tem como foco, verificar as
variações em cada insumo das composições de serviço, as considerações técnicas
contidas nas descrições dos serviços, análise estatística dos indicadores base do
estudo, e do comparativo entre tabelas de composições de serviços conhecidas no
Brasil. Para atingir tais objetivos, foi realizada a fundamentação teórica, através de
pesquisas bibliográficas mostrando conceitos e a importância do estudo, assim como
outros trabalhos existentes na literatura referentes ao tema. Em seguida foi
apresentado os serviços em estudo, identificando os respectivos indicadores de
consumo, suas perdas incidentes, sendo os mesmos, lançados na planilha de dados
apresentada. Os indicadores lançados na planilha passaram por análise estatística,
através de limites superiores e inferiores de controle, no qual ao final da compilação
dos dados, definiu-se uma “composição de estudo TCC”, sendo posteriormente
comparada com outras composições de mesmo tipo de serviço. Os resultados
obtidos mostraram aproximadamente 20 variações percentuais nos indicadores
frente aos comparativos, diferenças em relação a perdas consideradas e às
características técnicas dos serviços executados, sendo suas variações expressas
através de quadros, histogramas e descrições.

Palavras-Chave: Composição de serviço, indicadores, comparação.


ABSTRACT
The present study refers to the comparison of indicators of service composition,
through data from measurements of already performed works. We are currently
facing a scenario not very favorable for the Brazilian civil construction, being very
important for the sector, reducing costs, waste and maintaining the quality of services
performed, being very important for civil engineering, have tables of service
compositions that bring reliability to the planning of engineering works and services.
The objective of the work is to perform analyzes in relation to 3 common services in
the civil construction, being: "Trace 1: 2: 8, thickness 2cm, mechanical preparation of
the mortar", "Trace 1: 3, thickness 0.5cm, mechanical preparation of the mortar "and"
Underlayment in mortar 1: 4, thickness 5 cm, manual preparation ". The study aims
to verify the variations in each input of the service compositions, the technical
considerations contained in the service descriptions, statistical analysis of the
baseline indicators of the study, and the comparison between service composition
tables known in Brazil. In order to reach these objectives, the theoretical basis was
made, through bibliographical research showing concepts and the importance of the
study, as well as other works in the literature related to the subject. Next, the services
under study were presented, identifying the respective consumption indicators, and
their incident losses, being the same ones, launched in the data sheet presented.
The indicators released in the spreadsheet went through statistical analysis, through
upper and lower limits of control, in which at the end of the compilation of the data, a
"composition of study TCC" was defined, being later compared with other
compositions of the same type of service . The results obtained showed
approximately 20 percentage variations in the indicators compared to the
comparative ones, differences in relation to losses considered and the technical
characteristics of the executed services, being their variations expressed through
tables, histograms and descriptions.

Key Words: Service composition, indicators, comparison.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1 - CICLO PDCA ......................................................................................... 17
FIGURA 2 - TRANSPORTE HORIZONTAL DE ARGAMASSA................................. 76
FIGURA 3 - PRODUÇÃO MECÂNICA DE ARGAMASSA......................................... 76
FIGURA 4 - ANTEPARO SOBRE O PISO PARA REAPROVEITAMENTO DE
ARGAMASSA DE EMBOÇO ..................................................................................... 76
FIGURA 5 - NIVELAMENTO E ALINHAMENTO DAS TALISCAS ............................ 76
FIGURA 6 - NIVELAMENTO E PRUMO PARA DEFINIÇÃO DAS LINHAS MESTRAS
.................................................................................................................................. 76
FIGURA 7 - DETALHE DA ESPESSURA DE 2CM DO EMBOÇO EXECUTADO .... 76
FIGURA 8 - APLICAÇÃO DE ARGAMASSA DE EMBOÇO ...................................... 77
FIGURA 9 - DESEMPENAMENTO DA ARGAMASSA DE EMBOÇO ....................... 77
FIGURA 10 - REVESTIMENTO DE EMBOÇO FINALIZADO.................................... 77
FIGURA 11 - VISTA DE UMA PAREDE SENDO CHAPISCADA .............................. 79
FIGURA 12 - INÍCIO DO PROCESSO DE CHAPISCO NESTA PAREDE ................ 79
FIGURA 13 - PAREDE RECEBENDO ARGAMASSA DE CHAPISCO ..................... 79
FIGURA 14 - LIMPEZA DA LAJE DE CONCRETO ANTES DO LANÇAMENTO DA
ARGAMASSA............................................................................................................ 81
FIGURA 15 - CONTRAPISO DESEMPENADO ........................................................ 81
FIGURA 16 - CONTRAPISO SENDO REGUADO .................................................... 82
FIGURA 17 - CONTRAPISO SENDO DESEMPENADO .......................................... 82
FIGURA 18 - CONTRAPISO ACABADO .................................................................. 82
FIGURA 19 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - EMBOÇO ................. 92
FIGURA 20 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - EMBOÇO ................ 93
FIGURA 21 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - EMBOÇO ............. 94
FIGURA 22 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - CHAPISCO .............. 94
FIGURA 23 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - CHAPISCO ............. 95
FIGURA 24 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - CHAPISCO .......... 96
FIGURA 25 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - CONTRAPISO ......... 96
FIGURA 26 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - CONTRAPISO ........ 97
FIGURA 27 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - CONTRAPISO ..... 97

QUADRO 1 - OBRAS EXECUTADAS ....................................................................... 13


QUADRO 2 - COMPOSIÇÃO "APLICAÇÃO MANUAL DE MASSA ACRÍLICA" ....... 26
QUADRO 3 – DESMEMBRAMENTO DA COMPOSIÇÃO ........................................ 27
QUADRO 4 - SERVIÇOS/ATIVIDADES A SEREM ESTUDADAS ............................ 32
QUADRO 5 - SERVIÇO EMBOÇO 1:2:8 .................................................................. 32
QUADRO 6 - SERVIÇO CHAPISCO 1:3 ................................................................... 33
QUADRO 7 - SERVIÇO CONTRAPISO TRAÇO 1:4 ................................................ 33
QUADRO 8 - FATOR PARA CÁLCULO DE LIMITES DE CONTROLE .................... 35
QUADRO 9 - EXEMPLO DE LANÇAMENTO DE AFERIÇÕES EM PLANILHA ....... 36
QUADRO 10 - SELEÇÃO DOS INDICADORES DE ARGAMASSA ......................... 36
QUADRO 11 - LIMITES DE CONTROLE PARA AMOSTRAGEM DE ARGAMASSA
.................................................................................................................................. 37
QUADRO 12 - CONTROLE DE LIMITES SUPERIORES E INFERIORES ............... 37
QUADRO 13 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS - OBRA 1 ................................ 39
QUADRO 14 - INDICADORES ARGAMASSA TRAÇO 1:2:8.................................... 40
QUADRO 15 - LIMITES DE CONTROLE PARA ARGAMASSA ............................... 41
QUADRO 16 - INDICADORES PEDREIRO .............................................................. 42
QUADRO 17 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR PEDREIRO........... 43
QUADRO 18 - INDICADORES SERVENTE ............................................................. 44
QUADRO 19 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR SERVENTE .......... 45
QUADRO 20 - INDICADORES DA COMPOSIÇÃO DA PRIMEIRA OBRA ............... 46
QUADRO 21 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS ........................... 48
QUADRO 22 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA....................................................... 49
QUADRO 23 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS OBRA 1 .................................. 51
QUADRO 24 - INDICADORES PARA ARGAMASSA ............................................... 52
QUADRO 25 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR ARGAMASSA....... 53
QUADRO 26 - INDICADOR PEDREIRO ................................................................... 54
QUADRO 27 - LIMITES DE CONTROLE PARA PEDREIRO ................................... 55
QUADRO 28 - INDICADOR SERVENTE .................................................................. 56
QUADRO 29 - LIMITES DE CONTROLE PARA SERVENTE ................................... 57
QUADRO 30 - COMPOSIÇÃO FINAL DA PRIMEIRA OBRA ................................... 58
QUADRO 31 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS ........................... 60
QUADRO 32 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA....................................................... 61
QUADRO 33 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS OBRA 1 .................................. 63
QUADRO 34 - INDICADORES PARA SERVENTE................................................... 64
QUADRO 35 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR SERVENTE .......... 65
QUADRO 36 - INDICADORES PARA PEDREIRO ................................................... 66
QUADRO 37 - LIMITES DE CONTROLE PARA INDICADOR PEDREIRO .............. 67
QUADRO 38 - INDICADOR PARA ARGAMASSA .................................................... 68
QUADRO 39 - LIMITES DE CONTROLE PARA ARGAMASSA ............................... 69
QUADRO 40 - COMPOSIÇÃO FINAL DA PRIMEIRA OBRA ................................... 70
QUADRO 41 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS ........................... 72
QUADRO 42 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA....................................................... 73
QUADRO 43 - COMPOSIÇÃO FINAL PARA EMBOÇO 1:2:8 .................................. 74
QUADRO 44 - COMPOSIÇÃO FINAL PARA CHAPISCO ........................................ 78
QUADRO 45 - COMPOSIÇÃO FINAL CONTRAPISO .............................................. 80
QUADRO 46 - COMPOSIÇÃO TCC - EMBOÇO ...................................................... 83
QUADRO 47 - COMPOSIÇÃO TCPO - EMBOÇO .................................................... 83
QUADRO 48 - COMPOSIÇÃO SINAPI - EMBOÇO .................................................. 84
QUADRO 49 - COMPOSIÇÃO ORSE - EMBOÇO.................................................... 85
QUADRO 50 - COMPOSIÇÃO SEOP - EMBOÇO .................................................... 85
QUADRO 51 - COMPOSIÇÃO SIURB - EMBOÇO ................................................... 86
QUADRO 52 - COMPOSIÇÃO TCC - CHAPISCO.................................................... 86
QUADRO 53 - COMPOSIÇÃO TCPO - CHAPISCO ................................................. 87
QUADRO 54 - COMPOSIÇÃO SINAPI - CHAPISCO ............................................... 87
QUADRO 55 - COMPOSIÇÃO ORSE - CHAPISCO ................................................. 88
QUADRO 56 - COMPOSIÇÃO SEOP - CHAPISCO ................................................. 88
QUADRO 57 - COMPOSIÇÃO SIURB - CHAPISCO ................................................ 89
QUADRO 58 - COMPOSIÇÃO TCC - CONTRAPISO............................................... 89
QUADRO 59 - COMPOSIÇÃO TCPO - CONTRAPISO ............................................ 90
QUADRO 60 - COMPOSIÇÃO SINAPI - CONTRAPISO .......................................... 90
QUADRO 61 - COMPOSIÇÃO ORSE - CONTRAPISO ............................................ 91
QUADRO 62 - COMPOSIÇÃO SEOP - CONTRAPISO ............................................ 91
QUADRO 63 - COMPOSIÇÃO SIURB - CONTRAPISO ........................................... 92
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 11

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ....................................................................... 15

3 ESTUDO COMPARATIVO .............................................................................. 31

3.1 SELEÇÃO DOS SERVIÇOS E SUAS CONSIDERAÇÕES .......................... 31

3.1.1 Serviço – Emboço traço 1:2:8 ................................................................... 32

3.1.2 Serviço – Chapisco traço 1:3 .................................................................... 33

3.1.3 Serviço – Contrapiso em argamassa traço 1:4 ......................................... 33

3.2 CEP – CONTROLE ESTATÍSTICO DO PROCESSO .................................. 33

3.3 COMPILAÇÃO E PÓS-PROCESSAMENTO DOS DADOS ......................... 38

3.3.1 Serviço – Emboço traço 1:2:8 ................................................................... 38

3.3.3 Serviço – Chapisco traço 1:3 .................................................................... 50

3.3.4 Serviço – Contrapiso em argamassa traço 1:4 ......................................... 62

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................... 74

4.1 ANÁLISE DOS RESULTADOS - EMBOÇO TRAÇO 1:2:8.......................... 74

4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS - CHAPISCO TRAÇO 1:3 .......................... 77

4.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS - CONTRAPISO TRAÇO 1:4 ..................... 80

4.4 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS ......................................................... 82

4.4.1 Tabelas das composições a serem comparadas ...................................... 83

4.4.1.1 Emboço traço 1:2:8................................................................................ 83

4.4.1.2 Chapisco traço 1:3 ................................................................................. 86

4.4.1.3 Contrapiso traço 1:4 .............................................................................. 89

4.4.2 Gráficos comparativos .............................................................................. 92

4.4.2.1 Emboço traço 1:2:8................................................................................ 92

4.4.2.2 Chapisco traço 1:3 ................................................................................. 94

4.4.2.3 Contrapiso traço 1:4 .............................................................................. 96

5 CONCLUSÃO .................................................................................................. 99
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 101

ANEXO A – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – EMBOÇO – OBRA 1 ............ 103

ANEXO B – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – CHAPISCO – OBRA 1 ......... 104

ANEXO C – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – CONTRAPISO – OBRA 1 .... 105

ANEXO D – CONTRATO SEIL/TECPAR 006/2012.............................................. 106


11

1 INTRODUÇÃO

De acordo com Mattos (2010 p.19) “a construção civil é uma atividade


que envolve grande quantidade de variáveis e se desenvolve em um ambiente
particularmente dinâmico e mutável”.
Diante deste real contexto a ideia de desenvolver o trabalho em
questão, foi o fato de ter observado durante alguns anos a dinâmica em que
uma obra se insere e a velocidade com que a evolução de novos materiais e
técnicas são empregados para determinados serviços em uma construção.
Com base no Caderno de Encargos da extinta SEOP (Secretaria de
Estado de Obras Públicas do Paraná) atualmente PRED (Paraná Edificações),
e pesquisas desenvolvidas pelo TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná),
foram realizados estudos referentes à produtividade na construção civil.
Observou-se a importância relacionada aos indicadores e seus insumos
constituintes, como materiais, mão-de-obra e equipamentos.
Uma composição de custos é definida pela especificação do
serviço a ser executado, sua unidade de medida e a identificação
dos componentes a serem utilizados, ou seja, insumos (materiais,
mão-de-obra e equipamentos) necessários à sua execução,
associados às respectivas unidades e coeficientes de consumo,
para executar uma quantidade unitária de serviço (TCPO, 2000 p.7).

De acordo com a tabela de composições TCPO, coeficientes de


consumo são gerados através de levantamentos em obras e procuram mostrar
as médias de consumos dos insumos utilizados, considerando as perdas
durante execução, no transporte, bem como o rendimento dos equipamentos e
a produtividade da mão-de-obra (TCPO, 2000 p.7).
Este trabalho tem como contextualização a comparação entre
“indicadores de produtividade de insumos” em composições de serviço, sendo
estes, “Emboço traço 1:2:8, espessura 2cm, preparo mecânico da
argamassa”, “Chapisco traço 1:3, espessura 0,5cm, preparo mecânico da
argamassa” e “Contrapiso em argamassa traço 1:4, espessura 5cm, preparo
manual”. Devido ao fato de que atualmente a maioria das tabelas de
composições de serviço conhecidas não apresentam referências atuais de
indicadores de produtividade, bem como não possuem detalhamentos
técnicos em relação à especificações de insumos ou técnicas consideradas, o
que dificulta na prática a utilização de uma tabela de composições. A falta de
12

especificações técnicas, assim como o que é considerado em cada


composição de serviço, leva o profissional a não estar ciente do que está
sendo calculado, como perdas por exemplo.
A relevância do estudo proposto é de suma importância para
orçamentos públicos e privados, pois de modo geral as tabelas de
composições de serviços têm como base a atualização de custos unitários, e
seus indicadores geralmente são baseados em levantamentos mais antigos,
sendo muito raras suas revisões, pois demandam uma complexidade maior
para que haja sua devida atualização.
Mudrik (2006 p.02) sugere “importante a revisão de coeficientes de
produtividade a cada 2 anos, em função de alterações de insumos,
modernização de equipamentos, eventual aumento de produtividade entre
outros”.
A preocupação e importância devido à atualização destes tais
indicadores de produtividade, se dá também por órgãos Federais (Caixa
Econômica Federal), Estaduais (Secretaria de Infraestrutura e Logística do
Paraná) e empresas privadas nos últimos anos, pois são muito importantes e
impactantes nos orçamentos de obras, visto que eles definem valores unitários
de serviços, que por sua vez definem um orçamento, seja ele de construção,
reparo ou ampliação.
Goldman (1997 p.27) enfatiza que “a construção de um modo geral é
complexa, e que deve ser bem caracterizada quanto aos seus insumos
(materiais, mão-de-obra e equipamentos), sendo necessário ter uma boa
organização”.
O presente trabalho irá descrever a seguir, o objetivo geral no qual
o estudo comparativo se norteará.

Objetivo geral:

O objetivo geral do trabalho será analisar dados de indicadores de


produtividade e consumo com base em dados de obras já executadas na
região de Curitiba entre os anos de 2013 e 2014.
Com base nestes dados de produtividade e consumo, pretende-se
tratá-los estatisticamente, formando novas composições de serviço.
Consequentemente a análise entre estes determinados serviços irá ser feita
13

comparando com composições de serviços de outras tabelas nacionalmente


conhecidas.
A comparação entre as composições de serviços estudadas e as já
existentes em outras tabelas, levarão a realização de uma análise no qual se
pretende discutir suas eventuais discrepâncias, variações entre consumo,
produtividade e demais considerações técnicas que se fizerem necessárias.
De acordo com os objetivos gerais definidos, a seguir serão definidos
quais objetivos específicos deverão ser atingidos.
Objetivos específicos
Os objetivos específicos:
 Analisar os dados das obras já executadas em relação a cada
serviço realizado;
 O estudo será baseado em dados de 7 obras executadas entre 2013
e 2014. No Quadro 1 observa-se as obras executadas neste
período.
QUADRO 1 - OBRAS EXECUTADAS

Obra Empresa Endereço da Obra


1 Ganho Rua Bento Viana esquina com rua Brasílio Itiberê, Água Verde,
Curitiba - PR
2 Atenas Obra I Rua Vitória, 496, Cabral, Curitiba – PR
3 Atenas Obra III Rua Vitória, 577, Cabral, Curitiba – PR
4 Furyama Rua Dr. José A. de Moura Negrini, 704, Cajuru, Curitiba – PR
5 Plaenge Rua 29 de Junho, 267, Bacacheri, Curitiba – PR
6 Equilíbrio Rua Costa Rica, 365, Bacacheri, Curitiba – PR
7 Tha/Rossi Rua Capitão Tenente Máris de Barros, 313, Portão, Curitiba - PR
Fonte: Autor (2019)

 Análise dos seguintes serviços:


- Emboço traço 1:2:8 (Fase da obra: Revestimentos e isolamentos de
paredes e tetos);
- Chapisco traço 1:3 (Fase da obra: Revestimentos e isolamentos de
paredes e tetos);
- Contrapiso em argamassa traço 1:4 (Fase da obra: Revestimento de
pisos).
 Analisar estatisticamente os indicadores de composições de
14

serviços aferidos base do estudo (proveniente das obras), pois os


dados de aferições possuem variações dentro de um universo de
amostragem. A análise estatística através dos Limites Superiores e
Inferiores de Controle ajudará a verificar se os dados estarão sob
controle ou fora de controle (MELO, 2004). Caso algum dado esteja
fora dos Limites, seu indicador de insumo estará fora da média final,
sendo considerados apenas os insumos dentro do intervalo.
 Comparar as composições existentes em tabelas conhecidas no
país (TCPO, SINAPI, ORSE, SEOP e SIURB), e as composições
dos três serviços que serão gerados ao final do estudo (Emboço,
Chapisco e Contrapiso).
A limitação do trabalho consiste na utilização de dados aferidos em
obras já executadas, pois a coleta destes dados durante o período de
realização do estudo de conclusão seria inviável, pois demandaria um período
considerável, visto que a metodologia adotada para efeito de uma boa
amostragem será de dados aferidos de um mesmo tipo de serviço em obras
diferentes.
Metodologia
A metodologia para o desenvolvimento do trabalho consiste em realizar
a análise dos dados obtidos em obras já executadas, a partir dos dados de
produtividade e consumo dos insumos pertencentes a cada serviço escolhido.
Com estes dados teremos uma planilha com informações de período de
realização das aferições, endereço das obras, características técnicas
relacionadas a cada serviço, memoriais de cálculo, fotos e vídeos. Com base
na análise destas aferições já realizadas, obteremos indicadores que serão
inseridos em uma análise estatística, pois seus dados terão que fazer parte de
um universo de amostragem confiável. Através de limites de controle superior
e inferior, estes dados serão filtrados.
Com o tratamento dos indicadores, a montagem da estrutura de uma
composição de serviço poderá ser realizada, consequentemente pretende-se
comparar a outras composições de mesmo tipo de serviço existente em outras
tabelas. O comparativo se dará entre os indicadores de produtividade e
consumo entre os serviços de tabelas diferentes e os serviços estudados.
15

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A composição de custos de serviços é uma ferramenta relacionada à


engenharia de custos, utilizada na elaboração de orçamentos de obras e
serviços. Em geral, são considerados os índices de produtividade da mão de
obra e o consumo de materiais e equipamentos para a execução de uma
unidade de serviço, como por exemplo, (m²), (m³) etc.

Santos (2012) define Engenharia de Custos como:


um dispositivo que estabelece critérios para estudo de
serviços de construção, sequenciados por suas atividades,
decompostas por tarefas, todos identificados por especificações,
procedimentos, ciclos, prazos, precedências, interdependências e
desempenho. É uma ferramenta que tem como principais alvos a
construção e prestação de serviços com foco na dinâmica de seus
processos correspondentes a fluxos de materiais (consumos) e
de trabalho (produtividade e produção), fluxos financeiros, no
tempo e no espaço.

A engenharia de custos não acaba com a previsão de custos, mas


continua, na fase de construção, com planejamento, controle,
acompanhamento e definição dos custos de manutenção. Serve para
levantamento de banco de dados com as composições de custo dos serviços
da empresa, com base nos resultados das obras que vão sendo executadas,
uma vez que isto ajudará na previsão de custos de obras futuras (DIAS, 1999
p.09).

É muito importante para o profissional a preparação correta de um


orçamento, pois aplica-se aos princípios da engenharia de custo. Os
orçamentos tem seus desenvolvimentos atuais em períodos cada vez mais
curtos, através de métodos atuais de execução, mas principalmente, atrelar
um preço competitivo e mínimo. A Lei número 8.666/93, complementada pela
Lei 8.883/94, preconiza que considerada a empresa vencedora, a empresa
que apresentar menor preço, portanto, com a correta aplicação das técnicas
de engenharia de custo, a construtora poderá ser beneficiada, ao elaborar o
orçamento perfeito, ou seja, de menor valor global, e assim ter direito a
executar a obra e obter o lucro esperado (DIAS, 1999 p.09).

Goldman (1997, p.27) cita que “o primeiro passo necessário para que
se tenha um bom planejamento e controle de obras é a organização. A
16

construção de um modo geral é um complexo que deve ser bem caracterizado


quanto aos seus insumos (materiais, mão-de-obra e equipamentos)”.

As empresas têm realizado investimentos em torno do planejamento e


controle de obras, pois a competitividade e globalização tem se tornado
constantes. Os mais importantes indicadores são os prazos, lucros, retorno
sobre o investimento e fluxo de caixa. Ainda segundo o autor, estudos
internacionais e nacionais provam que as principais causas da baixa
produtividade do setor da construção, como elevadas perdas e baixa
qualidade, estão ligadas a deficiências no planejamento e controle de obras
(MATTOS, 2006 p.21).

É importante que se tenha projetos com qualidade e devidamente


compatibilizados, pois um bom planejamento e consequentemente o
“conhecimento dos serviços, seus insumos relacionados, o dimensionamento
de equipes e métodos construtivos a serem empregados”, tem sua origem na
correta interpretação dos projetos”. No final da década de 1980, o princípio da
melhoria contínua passou a nortear o gerenciamento das obras, no qual o
conjunto de ações ordenadas e interligadas entre si, onde cada quadrante
corresponde a uma fase do processo do ciclo PDCA (MATTOS, 2010 p.38)

P – plan: significa planejar;

D – Do: significa desempenhar;

C – Check: significa checar, controlar;

A – Act: significa agir, atuar.

Na Figura 1 a seguir, destacam-se as fases dos processos citados


anteriormente, de uma maneira cíclica.
17

FIGURA 1 - CICLO PDCA

Adaptado de MATTOS, 2010 p.37.

O presente trabalho engloba este conceito em sua fundamentação, pois


os preceitos do Ciclo PDCA encaixam-se perfeitamente no mundo da
construção civil. Mattos (2010, p.38) descreve que “por decorrência da grande
quantidade de variáveis envolvidas, como mão-de-obra, suprimento,
intempéries, interferências, retrabalho e perdas periódicas de produtividade,
tornam importante o papel do Ciclo PDCA”.

Significados de cada quadrante do Ciclo PDCA (MATTOS, 2010 p.38).

Planejar - pode ser dividido em três partes:

“Projeto: Análise dos projetos, visita técnica, identificação e avaliação


de interferências”;

“Metodologia: processos construtivos, sequência das atividades,


logística de materiais e equipamentos, consulta a documentos de obras, etc”;

“Cronogramas e programações: Consideração quanto aos quantitativos,


produtividades, mão-de-obra, influência de chuvas locais, etc”.

Desempenhar – pode ser dividido em duas partes:

“Informar e motivar: envolvimento e interesse que as equipes


desenvolvem quando o planejamento e as programações de serviço são
18

apresentadas”;

“Executar a atividade: realização física da tarefa, executando o que foi


planejado para o período em questão”.

Importante salientar que nem sempre o que acontece em campo, pode


não acontecer conforme planejamento inicial, podendo ter variáveis em que
ocasionaram tal situação, como falta de comunicação, falta de entendimento,
inadequações, inexequibilidade do planejamento, entre outros (MATTOS,
2010 p.39).

Checar – Etapa que aparece o monitoramento e o controle do projeto,


separado em duas partes de acordo com o autor:

“Aferir o realizado: consiste em levantar em campo o que foi executado


no período de análise. Etapa de apropriação de dados, na qual se compilam
as quantidades de cada serviço efetuado no período”.

“Comparar previsto e o realizado: Observam-se desvios e os impactos


que eles trazem, assim como possíveis adiantamentos da obra e os seus
benefícios”.

As informações devem ser colhidas e disponibilizadas para a fase


seguinte, sendo importante verificar se o desvio foi pontual ou se representa
uma tendência.. De acordo com Mattos (2010, p.40) é “importante gerar os
indicadores de desempenho, pois eles representam fielmente as condições de
campo, ou seja, circunstâncias em que as atividades foram executadas”.

Agir – Onde há o encontro de opiniões e sugestões, o que é importante


em decisões a serem tomadas, como aperfeiçoamento do método,
identificação de erros, mudança de estratégia, entre outros.

O ciclo PDCA é muito importante para o processo de melhoria contínua,


em que primeiramente se tem um planejamento da obra, através de dados
como orçamento, equipes e planos de ataque, depois parte-se para a
execução conforme o planejamento.

Mattos (2010 p.40) ressalta que “é preciso aferir o que foi realizado,
podendo ser apropriados índices de campo e produtividades reais das
equipes, além da necessidade de avaliar os desvios em relação ao
19

planejamento”. O PDCA pode gerar programações de serviços subsequentes,


atualizando cronogramas e podendo tornar a realização de simulações de
impacto possíveis, mostrando mudanças de métodos, por exemplo, segundo o
autor, o PDCA pode ser completado sucessivas vezes até o final do projeto.

Goldman (1997, p.69) destaca que “o orçamento detalhado em uma


obra é a mais importante ferramenta para o planejamento e acompanhamento
dos custos”. De acordo com o autor, para a sua elaboração é necessária,
entre outras, a seguinte documentação relativa ao empreendimento:

- projeto arquitetônico completo;

- projeto de cálculo estrutural;

- projeto de instalações;

- Memorial descritivo das especificações técnicas e de acabamentos da


obra.

Com base nestes dados, o orçamentista estará capaz de fazer o


levantamento dos quantitativos de cada serviço. O levantamento das
quantidades por serviço é importante, por que é nela que se definirão
praticamente as quantidades de materiais que serão comprados na obra e o
dimensionamento de equipes de trabalho em função dos prazos (GOLDMAN,
1997 p.69).

As composições de serviços apresentam em sua estrutura cada um de


seus insumos, cada um com um índice de consumo por unidade de serviço
que, multiplicado pelo referente custo unitário, gera o valor unitário do insumo
para a execução da unidade daquele serviço (GOLDMAN, 1997, p.70).

Mattos (2010, p.76) descreve que: “Composições de custo unitário são


tabelas que contêm os insumos do serviço em questão, com seus respectivos
índices (ou coeficiente de consumo), custo unitário e custo total”.
Índice é a incidência de cada insumo na execução de uma
unidade do serviço, sempre expresso como unidade de tempo por
unidade de trabalho (h/kg, h/m², min/un, dia/m³, semana/t etc).
Opostamente, produtividade é definida como a taxa de
produção de uma pessoa ou equipe ou equipamento, isto é, a
quantidade de unidades de trabalho produzida em um intervalo de
tempo especificado, normalmente hora. Quanto maior a
produtividade, mais unidades do produto são feitas em um
determinado espaço de tempo, Quanto mais produtivo um
20

recurso, menos tempo ele gasta na realização da tarefa, sendo a


produtividade o inverso do índice (MATTOS, 2010 p.77).

As composições de custos são obtidas geralmente de acordo com


Goldman (1997, p.70):

- Apropriações de serviços feitos pela própria empresa em diversas


obras;

- Utilização de composições de revistas técnicas tradicionais no


mercado;

- Utilização de composições de livros técnicos tradicionais no mercado;

- Utilização de composições de empresas de consultoria especializadas


em planejamento de custos de construção;

- Utilização de composições de fabricantes, fornecedores e/ou


empreiteiras de materiais e serviços de construção.

As especificações técnicas tem caráter importante para o planejamento


e a execução da obra. De acordo com Goldman (1997, p.87) estão ligados em
diretamente em:

- custos da construção;

- métodos construtivos para a execução dos serviços;

- prazo técnico da obra;

- padrão de acabamento do empreendimento.

De acordo com Goldman (1997, p.87) estas informações são muito


importantes para a elaboração do orçamento, para efeito de acompanhamento
físico financeiro. Sem estas informações, o orçamentista acaba fazendo
considerações à respeito das características técnicas da obra que, muitas
vezes, não condizem com a realidade.

. Novas técnicas e procedimentos surgem com a evolução da


tecnologia, tendendo aperfeiçoar o trabalho, barateando custos, simplificando
soluções, reduzindo prazos e atendendo necessidades do mercado. A busca
por novos métodos podem ser realizadas através de livros técnicos, revistas
técnicas especializadas, visitas a fabricantes e empreiteiros, visitas e
21

encontros com empresas da mesma atividade, participação em congressos e


exposições, entre outros (GOLDMAN, 1997 p.126).

Em nota em seu site, a Caixa Econômica Federal, detentora da tabela


SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção
Civil), descreve que: “As composições não aferidas, ainda disponíveis no
SINAPI, foram cedidas à Caixa por diversas instituições até os anos 90, sem
informações quanto às especificações ou metodologias empregadas, o que
impossibilita o desenvolvimento de Cadernos Técnicos, contando,
exclusivamente, com a descrição da composição e de seus itens de
formação”.

O SINAPI é indicado como fonte oficial de referência de preços de


insumos e de custos de composições de serviços pelo Decreto 7983/2013,
que estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência
de obras e serviços de engenharia, contratados e executados com recursos
dos orçamentos da União, e pela Lei 13.303/2016, que dispõe sobre o
estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de
suas subsidiárias.

O estudo em questão, mostra sua relevância em virtude da importância


no cenário atual, em que empresas públicas e privadas buscam manter seus
dados orçamentários atualizados e os mais confiáveis possíveis, considerando
novas tecnologias, produtividade e equipamentos.

Segundo Goldman (1997, p.126), para se controlar a quantidade


produzida por serviço, primeiro é necessário possuir condições de cumprir
algumas tarefas específicas, como:

- “organização de planilha de controle. Apartamentos, pavimentos,


outros;”

- “bom entrosamento, entre mestre, encarregado, apontador,


almoxarife;”

-“ percorrer periodicamente a obra, indicando, seja em projeto ou no


local, os serviços executados de tal forma que, ao final do serviço, estas
indicações possam ser transformadas nas quantidades executadas reais. Na
22

maioria das vezes, além das indicações de serviço, o profissional necessita


informar também o operário que executou a tarefa e a respectiva data;”

- “obter as quantidades desejadas em tempo hábil’”;

- “ser perseverante e preciso nas anotações dos serviços, pois o seu


trabalho será a base para o trabalho de avaliação dos resultados das
execuções dos serviços”.

Os dados dos coeficientes de produtividade das obras já executadas,


estudo de caso deste trabalho, partem dos princípios descritos por Goldman.
Os dados serão extraídos de levantamentos de aferições realizadas em
campo entre 2013 e 2014.

Almeida (2009) em seu artigo, realizou uma análise comparativa entre o


Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil
(SINAPI) e o sistema adotado pelo Governo do Estado de Sergipe (ORSE),
em que os resultados indicaram a variedade de métodos utilizados na
formulação de composições unitárias de serviços para uso na construção civil
e obras públicas. O autor em seu artigo comparou dois orçamentos para um
mesmo projeto de casa térrea padrão popular do Programa Minha Casa Minha
Vida. Um com custos unitários extraídos do SINAPI e o outro com custos
unitários originários do ORSE, ressaltando que não houve análise específica
dos indicadores de composições, mas sim analisando as composições
existentes e seus valores finais, chegando a conclusão da dificuldade em
relacionar os serviços constantes do orçamento. Outra questão foi a demora
em relacionar determinados serviços em um sistema ao seu equivalente no
outro sistema, uma vez que foram identificados diversos serviços com títulos e
preços unitários semelhantes, cuja diferenciação só é possível mediante
acesso às suas composições de custos.

Diferenças de valores nos orçamentos foram encontrados, segundo


Almeida (2009 p.23) surgidos da metodologia – especialmente quanto aos
índices de consumos de insumos – adotada na elaboração das diversas
composições de custos utilizadas e dos preços unitários dos insumos. Ainda
de acordo com o autor do estudo, da mesma forma, não houve uniformidade
das metodologias adotadas na formulação das composições de preços. O
23

autor ressalta que sem aferição é difícil apontar qual a melhor composição,
uma vez que, em tese, ambas foram elaboradas de acordo com as
especificações técnicas de cada serviço do banco de dados de cada um dos
sistemas.

Dentro deste contexto, Almeida (2009), delineia a necessidade de um


estudo sobre o comparativo entre os indicadores de composições de serviços,
pois com seu artigo, comparando orçamentos, chegou-se evidentemente a
diferenças das mais variadas possíveis, resultante das composições com
descrições diferentes e indicadores diferentes para um mesmo tipo de serviço.

Entre vários fatores estudados, Marchiori (2009 p.84) em sua tese de


Doutorado, analisou bancos de dados de tabelas como SINAPI, SIURB,
TCPO, e RS Means Building Construction Cost Data, e entre os aspectos
analisados, os coeficientes de produtividade da mão-de-obra, de
equipamentos e de consumo de materiais.

Na análise geral da autora, levantaram-se alguns problemas como


estruturas de classificações deficientes, ou até em alguns casos inexistentes,
especificações de serviços e insumos incompletas, falta da definição de uma
terminologia padrão, lógica de agrupamento de composições não explícita ou
não existente. Em relação a produtividade da mão-de-obra, estudos
mostraram variações, modelos matemáticos com o passar dos anos
assumiam a existência de uma condição padrão de trabalho, sob a qual, a
produtividade diária era a de referência. Variações no conteúdo ou no
contexto do trabalho faziam a produtividade real variar em relação à de
referência.

A autora em sua Tese destaca que:

- variações no conteúdo do trabalho: dizem respeito ao trabalho que


precisa ser feito e abrange os componentes físicos do trabalho, especificações
exigidas e detalhes de projeto dentre outros;

- variações no contexto do trabalho: estão relacionadas ao ambiente de


trabalho e como ele é organizado e gerenciado, incluindo, também, condições
atmosféricas, disponibilidade de materiais e equipamentos, sequência de
trabalho, etc.
24

Tais variações podem ser quantitativas, sendo avaliados através de


mensurações de sua intensidade (por exemplo: a temperatura, mensurada em
graus Celsius; a seção dos pilares a serem concretados, medido em m²), ou
qualitativas, em relação aos quais se faz uma simples constatação quanto à
sua presença ou não (exemplo: uso de bomba de concretagem ou não; uso
predominante de tirantes externos para fôrmas de pilares ou não)
(MARCHIORI, p.89 2009).

Existem algumas ocorrências, às vezes associadas ao conteúdo, mas


normalmente relacionadas ao contexto, que, em função da sua intensidade,
provocam grandes distúrbios na produtividade. Tais ocorrências são
denominadas anormalidades Souza (1996) apud Marchiori (2009 p.89). São
exemplos de anormalidades: a quebra de uma grua, responsável pelo
transporte de grandes painéis de fôrmas, no início da jornada de trabalho;
chuva torrencial durante a execução de revestimento de fachada; entre outros.

Em meio à importância do estudo da produtividade da mão-de-obra, há


que se discutir como proceder à avaliação da mesma. Uma das grandes
dificuldades quando se estuda a produtividade diz respeito à não existência de
uma padronização quanto à mensuração da produtividade, sendo necessário,
portanto, que algumas regras sejam estabelecidas para que não se mensure
produtividades com métodos e considerações distintos (MARCHIORI, 2009
p.89).

A conclusão que Marchiori (2009) estabeleceu, é que os coeficientes de


produtividade da mão-de-obra e consumo de materiais apresentados nas
composições dos manuais de orçamentação tradicionalmente utilizados tanto
no Brasil (TCPO, SIURB, SINAPI) quanto no exterior (RSMeans) levam em
conta uma situação de obra que representa uma média do que ocorre no
mercado, entretanto, esta postura, apesar de ser útil nas fases iniciais do
projeto, não atende ao orçamento voltado para a produção. Por isso, acredita-
se ser necessário a elaboração de composições mais específicas, que levem
em conta as tecnologias executivas com maior aprofundamento e definindo, já
na composição, as características de situações extremas que poderão ocorrer
em obra. Ainda segundo a autora, ao analisar os bancos de composições
pesquisados, percebeu-se alguns pontos em comum a serem aprimorados,
25

como por exemplo: a pobre especificação dos insumos, indefinições quanto ao


escopo dos serviços, indefinição quanto às equipes de trabalho envolvidas
nos serviços, incoerência na adoção de indicadores, incoerências e falta de
padronização de uma metodologia para calculo do custo horário dos
equipamentos.

Em um texto publicado no site “Mais Controle” do Centro Regional de


Inovação e Transferência de Tecnologia da Universidade de Juiz de Fora –
MG (UFJF), realizado pelo Engenheiro Marcel Ribeiro em Outubro de 2017, a
utilização da composição de custos unitários de serviços traz muitos
benefícios na elaboração dos orçamentos, tais como:

- Agilidade nos cálculos;

- Auxílio no dimensionamento de equipes;

- Auxílio na estimativa de quantitativos de materiais e equipamentos;

- Estimativa de prazos de execução.

- Com a composição de custos, é possível se antecipar as


necessidades de insumos e estimar os custos diretos de cada serviço dentro
de uma obra.

De acordo Ribeiro (2017), orçamentistas costumam utilizar bases como


referência para a composição de custos, como SINAPI, TCPO entre outros.
Sua função conforme ele, é servir como referência, porém sem representar
uma verdade única. Pois cada composição de custos é individual e necessita
ser elaborada de acordo com suas condicionantes, tais como: experiência e
motivação da equipe, clima, dificuldades de acesso, horário de trabalho e etc.
Quanto maior a experiência, por exemplo, maior é a habilidade e,
consequentemente, melhor é a produtividade.

Ribeiro (2017) recomenda que o ideal é que a empresa construtora se


baseie em dados próprios, apurando índices de produtividade de mão de obra
e o consumo de materiais e equipamentos nos serviços executados, a fim de
que se crie um próprio banco de dados.

No Quadro 2, Ribeiro (2017) demonstra a composição do serviço


“Aplicação manual de massa acrílica em paredes externas de casas, duas
26

demãos”, da base de dados da tabela SINAPI, da Caixa Econômica Federal.


QUADRO 2 - COMPOSIÇÃO "APLICAÇÃO MANUAL DE MASSA ACRÍLICA"

Base: SINAPI Código: Referência: 09/09/2017 Localidade:


96135 Belo Horizonte

Descrição do Serviço: Aplicação manual de Unidade: m²


massa acrílica em paredes externas de casas,
duas demãos

Insumo Tipo Unidade índice Custo Unitário Custo Total


(R$)
(R$)

Lixa em folha para Material Un. 0,100 0,53 0,05


parede
interior/exterior

Massa acrílica para Material Gl. 0,244 24,44 5,96


paredes
interior/exterior

Pintor com encargos Mão-de- h 0,571 18,87 10,77


complementares obra

Servente com Mão-de- h 0,143 13,41 1,91


encargos obra
complementares

Custo Unitário do Serviço R$ 18,69/m²

Adaptado de: RIBEIRO, 2017.

De acordo com este Quadro, podemos observar as especificações


dos Insumos (material e mão-de-obra) para o determinado serviço, sua
unidade de execução do serviço, que é o m² de “Aplicação manual de massa
acrílica em paredes externas de casas, duas demãos”. Os insumos relativos
da composição possuem suas unidades de consumo para materiais e
produtividade para mão-de-obra, e os indicadores e/ou índices multiplicado
pelo custo unitário, resultando em um custo total do ítem, que somados à
outros itens, formam o custo unitário do serviço, que neste caso foi de
R$18,69/m².

No Quadro 3, Ribeiro (2017), especifica cada componente da


composição:
27

QUADRO 3 – DESMEMBRAMENTO DA COMPOSIÇÃO

Componente Função

Insumos Representam cada um dos elementos necessários para a realização do


serviço em questão. Os insumos podem ser referentes à mão-de-obra,
materiais ou equipamentos.

Unidade É a unidade de medida da compra/cotação de cada insumo, por exemplo:


metro, m², m³, quilograma, tonelada, unidade, etc.

Índice Referente ao coeficiente de utilização de cada insumo utilizado no projeto. Ou


seja, é a quantidade de insumo necessária para obter uma unidade de serviço.

Custo unitário É o valor representativo do custo de cada unidade de insumo.

Custo Total É o valor total do insumo necessário para a realização de uma unidade de
serviço. Fórmula= Custo total x Custo Unitário

Adaptado de: RIBEIRO, 2017.

Neste trabalho, os indicadores de produtividade e consumos de


serviços levantados em obras já executadas, serão definidos em estrutura
similar à esta apresentada, onde casa insumo terá sua descrição técnica, com
sua unidade, indicador e custos, para que se realize um comparativo entre
outras bases já existentes.

Ribeiro (2017) destaca que para calcular a produtividade da mão de


obra, é necessário acompanhar a equipe na execução do serviço, marcando o
número de horas dos profissionais necessárias para a realização de uma
unidade do serviço, observando também a quantidade de materiais que foram
gastos para essa unidade de serviço.

De acordo com a literatura Araújo (2008); Araújo et al, (1999) (2), 1999
(3), (2001), (2006); Póvoas et al, (1999); Souza (2001); apud Filho (2009 p.9),
vários fatores básicos que devem ser levados em consideração na
comparação de índices:

- Planejamento e Controle da Produção;

- A existência de um sistema produtivo pode gerar subsídios para a


eliminação de desperdícios. O planejamento seqüencial dos serviços e a
utilização de pacotes de trabalho influenciam diretamente nos índices de
28

produtividade;

- Composição da equipe – A equipe produtiva pode se dividir em três


grupos. O primeiro deles se refere aos profissionais que efetivamente
executam o serviço (o pedreiro que executa a alvenaria, por exemplo). O
segundo grupo se refere à equipe auxiliar e que não executa o serviço
efetivamente (os serventes que auxiliam na movimentação local das
ferramentas e dos materiais, por exemplo). O último grupo se refere à equipe
de suporte à produção e que pode estar direcionada exclusivamente para o
serviço ou não (betoneiros ou guincheiros que produzem e transportam
materiais de apoio à produção, por exemplo). Os 10 índices de produtividade
podem englobar todos os grupos ou apenas parte deles, o que influencia os
índices de produtividade;

- Política de incentivo;

- A forma como a produtividade é recompensada implica diretamente no


esforço empregado pelo funcionário durante a execução do serviço;

- Serviços auxiliares;

- Alguns serviços (o aço para armação pode ser fornecido em barras ou


previamente cortado e dobrado, por exemplo) podem estar incluídos ou
excluídos nos planos de trabalho ocasionando perda ou ganho de
produtividade;

- Tipologia do produto;

- Algumas edificações possuem características particulares que


determinam índices diferentes. A execução da fachada de um prédio pode
gerar um índice de produtividade diferente da execução da fachada de uma
casa, por exemplo;

- Acabamentos específicos;

- Alguns serviços podem demandar acabamentos diferentes o que gera


índices distintos. O nível de qualidade de um material também influenciará no
tempo consumido para se executar o serviço. Cerâmicas de alta qualidade
são aplicadas com maior eficiência. As cerâmicas de baixa qualidade
possuem defeitos que dificultam o seu assentamento;
29

- Condições de contorno – As condições em que a equipe recebe o


produto para dar continuidade ao processo construtivo influenciam a
produtividade. O local pode ser entregue limpo e com todo o material
distribuído no ambiente. Isso aumentaria a produtividade dos funcionários que
consumiriam menos tempo para dar início ao processo seguinte. A existência
de um projeto específico de execução (paginação de alvenaria ou detalhes de
armação de armaduras, por exemplo) e o grau de instrução do funcionário
sobre a utilização deste projeto é um fator importante no índice de
produtividade, pois oferece subsídios para o planejamento individual de cada
equipe;

- Equipamentos e ferramentas;

- A utilização de instrumentos adequados e/ou específicos e o seu uso


correto são fatores essenciais na racionalização da produção, o que pode
gerar índices variados;

- Jornada de trabalho;

- As horas de trabalho diárias podem ser disponibilizadas de forma


diferente em cada empresa. A inclusão ou não dos tempos de descanso
produz diferença nos índices de produtividade, por exemplo;

- Regime de contratação;

- A exigência de experiência e o tipo de contrato de trabalho (carteira


assinada ou subempreitada, por exemplo) podem influenciar no perfil do
funcionário, o que poder gerar um índice de produtividade diferente para
algumas empresas;

- Investimento intelectual;

- Os programas de reciclagem profissional e os programas oficiais de


capacitação e formação influenciam na capacidade gerencial do funcionário
que tem a oportunidade de se planejar de forma a incrementar sua
produtividade;

- Condições ambientais – Alguns serviços, principalmente os


executados ao ar livre, possuem suas produtividades afetadas por fatores
espaciais. A temperatura local, a umidade, a iluminação e o espaço livre
30

poderão alterar o grau de dificuldade de um serviço, modificando os índices de


produtividade;

- Condições sociais – Algumas empresas direcionam esforços para


oferecer condições sociais que possam incentivar a produtividade do
funcionário através do bem estar. Uma alimentação de qualidade, apoio à
alfabetização e tratamento dentário são alguns exemplos praticados com este
intuito. Entender os fatores que influenciam a produtividade em uma obra de
construção civil é essencial por várias razões. Um erro no orçamento pode
representar a perda de uma licitação ou levar à utilização de um preço de
venda de um imóvel que seja impraticável ao mercado. Tal erro também pode
alocar recursos demasiados ou insuficientes para a sua realização. O bom
prognóstico, com base em fatores que influenciarão a produção, favorece a
redução de problemas gerenciais ao se deparar com condições imprevistas
Souza et al, (2003) apud Filho, (2009 p.11).

Diante de todos os autores citados e suas considerações acerca do


tema, fica reforçada a relevância do estudo, e dentre os trabalhos
pesquisados, em nenhum momento encontrou-se um tema igual, onde se
propõe criar composições novas a partir de aferições realizadas em obras
executadas, através de registros de memoriais de cálculo, registros
fotográficos, comparando-os com outras bases de dados para um mesmo
serviço, o que pôde-se observar, foram comparações diretas entre bases de
dados já existentes somente.
31

3 ESTUDO COMPARATIVO
3.1 SELEÇÃO DOS SERVIÇOS E SUAS CONSIDERAÇÕES

O presente estudo comparativo tem como base, os indicadores aferidos


pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) entre os anos de 2013 e
2014. Os indicadores de material e mão-de-obra foram adotados neste
trabalho para os três serviços já apresentados anteriormente, pois a
complexidade em realizar as medições não cabe a este trabalho de
conclusão, pois envolve metodologias específicas e estudos aprofundados a
cerca das aferições, atualmente no Brasil de acordo com pesquisas
realizadas, apenas dois órgãos públicos trabalharam na aferição de
indicadores de composições de serviço, sendo eles o TECPAR e a CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL. As obras em que foram realizadas as aferições
possuíam certificado pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade
do Habitat (PBQP-H), através do Regime SiAC - Sistema de Avaliação da
Conformidade de Serviços e Obras, tendo este programa como um de seus
objetivos a avaliação da conformidade, o que significa que as empresas que
neste período participaram do levantamento dos dados, possuíam um bom
nível técnico e construtivo perante a grande gama de empresas existentes no
mercado.

A metodologia adotada para aferições de campo seguiram categorias e


critérios de classificação de acordo com Instituto de Tecnologia do Paraná. Os
dados constantes neste estudo são provenientes da análise de aferições
realizadas nas obras visitadas, conforme “tipo de aferição” (Contrato
TECPAR/SEIL006/2012), Tipo I, II, III ou IV).

A seguir são descritos os tipos de aferições realizadas.

TIPO I, TIPO II, TIPO III e TIPO IV

- Tipo I: Pesquisas e Medições em Campo – referências obtidas por


meio de 5 medições em campo em ao menos seis obras distintas.

- Tipo II: Pesquisas e Medições em Campo – referências obtidas por


meio de 5 medições em campo em ao menos três obras distintas.

- Tipo III: Testes e Ensaios Laboratoriais – referências obtidas por meio


32

de testes e medições realizadas em laboratórios.

- Tipo IV: Pesquisa Bibliográfica e Consultoria Técnica – referências


obtidas por meio de pesquisas bibliográficas e pareceres técnicos de
consultores especializados.

Os serviços estudados neste comparativo fazem parte dos Tipos I e II e


apresentados no Quadro 4.

QUADRO 4 - SERVIÇOS/ATIVIDADES A SEREM ESTUDADAS

Serviços / Atividades Tipo

Emboço traço 1:2:8 (cimento, cal e areia média), espessura 2,0cm, I


preparo mecânico da argamassa.

Chapisco traço 1:3 (cimento e areia média), espessura 0,5cm, II


preparo mecânico da argamassa.

Contrapiso em argamassa traço 1:4 (cimento e areia), espessura 5 II


cm, preparo manual.
Adaptado de: TECPAR

3.1.1 Serviço – Emboço traço 1:2:8


O serviço de Emboço traço 1:2:8 (cimento, cal e areia média),
espessura 2,0cm, preparo mecânico da argamassa, foi aferido em 6 empresas
em 5 períodos diferentes (Tipo I), conforme a ficha de medição no anexo A.
No Quadro 5 observa-se as obras em que o serviço de “Emboço traço 1:2:8”
foi executado, assim como as empresas e o período de aferição.
QUADRO 5 - SERVIÇO EMBOÇO 1:2:8

Obras Empresas Período das aferições

1 Ganho 28/02/13 à 06/03/13

2 Atenas – Obra I 20/08/13 à 26/08/13

3 Atenas – Obra III 30/09/13 à 4/10/13

4 Furyama 05/08/13 à 09/08/13

5 Plaenge 23/09/13 à 27/09/13

6 Equilíbrio 01/10/13 à 08/10/13


Fonte: Autor
33

3.1.2 Serviço – Chapisco traço 1:3

O serviço de Chapisco traço 1:3 (cimento e areia média),


espessura 0,5cm, preparo mecânico da argamassa, foi aferido em 3 empresas
em 5 períodos diferentes (Tipo II), conforme a ficha de medição em anexo B.
No Quadro 6 observa-se as obras em que o serviço de “Chapisco traço 1:3” foi
executado, assim como as empresas e o período de aferição.
QUADRO 6 - SERVIÇO CHAPISCO 1:3

Obras Empresas Período das aferições

1 Ganho 18/03/13 à 24/09/13

2 Plaenge 17/09/13 à 23/09/13

3 Atenas –Obra III 27/09/13 à 04/10/13

Fonte: Autor
3.1.3 Serviço – Contrapiso em argamassa traço 1:4

O serviço de Contrapiso em argamassa traço 1:4 (cimento e areia),


espessura 5 cm, preparo manual, foi aferido em 3 empresas em 5 períodos
diferentes (Tipo II), conforme a ficha de medição em anexo C. No Quadro 7
observa-se as obras em que o serviço de “Contrapiso traço 1:4” foi executado,
assim como as empresas e o período de aferição.
QUADRO 7 - SERVIÇO CONTRAPISO TRAÇO 1:4

Obras Empresas Período das aferições

1 Atenas – Obra I 04/07/13 à 10/07/13

2 Tha/Rossi 08/01/14 à 14/01/14

3 Ganho 19/02/14 à 25/02/14

Fonte: Autor

3.2 CEP – CONTROLE ESTATÍSTICO DO PROCESSO


O Controle Estatístico do Processo (CEP) é denominado como conjunto de
técnicas estatísticas utilizadas para avaliação de um processo, com o objetivo de
controle e melhoria da qualidade. As Cartas (ou gráficos) de controle são utilizados
para monitorar o desempenho de um processo de medição, determinando
34

estatisticamente uma faixa denominada limites de controle, que é limitada por uma
linha superior (limite superior de controle-LSC) e uma linha inferior (limite inferior de
controle-LIC). Quando todos os pontos amostrais estiverem dispostos dentro dos
limites de controle de forma aleatória, considera-se que o processo está “sob
controle". Mas, se um ou mais pontos estiverem dispostos fora dos limites de
controle, há evidência de que o processo está “fora de controle”, e que investigações
e ações corretivas são necessárias para detectar e eliminar causas especiais no
processo (LUTZ, 2013 p.13).
De acordo com (LUTZ, 2013 p.14) a teoria geral dos gráficos de controle foi
proposta inicialmente por Walter Shewhart na década de 20 e os gráficos
desenvolvidos segundo esses princípios são denominados cartas de controle de
Shewhart. As cartas de controle têm por objetivo mostrar evidências de que um
processo está operando sob controle estatístico, detectar a presença de causas
especiais de variação, monitorar e aprimorar o desempenho do processo.
O estudo comparativo exigiu que fosse desenvolvida uma planilha Excel, com
o intuito de que os dados de produtividade de mão-de-obra, e consumo de materiais
sejam selecionados dentro de um universo de indicadores que representem uma
amostragem confiável. Para a análise dos indicadores levantados em campo,
adotou-se a análise de Limites Superiores e Inferiores de Controle.

Os indicadores coletados de acordo com a metodologia de aferição de


campo (Tipo I, II, III, IV), alimentam a planilha de “Lançamento de dados”,
onde pode ser visualizada a sequência dos indicadores das composições e o
número de aferições realizadas por obra.

No exemplo a seguir, é obtido o fator 0,483, sob a coluna A2, para uma
amostra de 6 unidades. A2 representa uma constante utilizada para o cálculo
dos LSC e LIC, de acordo com o tamanho da amostra.

Com estes dados foram determinados os LSC e LIC, tendo sido


utilizadas as seguintes fórmulas:

LSC = Y + A2 * K

LIC = Y - A2 * K
35

Em que:
Y : representa a média dos valores;

A2: representa uma constante utilizada para o cálculo dos LSC e LIC,
de acordo com o tamanho da amostra; esta pode ser encontrada no quadro
abaixo;

K: representa a amplitude; sendo definida como a diferença entre o


maior e o menor valor do conjunto de dados coletados;

LM: representa a média das amostras, ou seja, Y.

QUADRO 8 - FATOR PARA CÁLCULO DE LIMITES DE CONTROLE

Fatores para cálculo de limites de controle

n A2

2 1,88000

3 1,02300

4 0,07300

5 0,57700

6 0,48300

7 0,41900

8 0,37300

9 0,33700

10 0,30800

Adaptado de: (MONTGOMERY, RUNGER, 2003)

A seguir é mostrada a aplicação exemplificada da “Planilha de


Lançamento de Dados”, onde constam todos os valores aferidos em campo
incluindo perdas. No exemplo do Quadro número 9, apresenta-se um exemplo
de composição de serviço (Alvenaria de Bloco cerâmico 8 furos), onde
observa-se que os insumos deste serviço estão organizados ao lado esquerdo
do quadro, acompanhados de suas respectivas unidades, como volume de
argamassa em “metro cúbico”, tempo do pedreiro em “hora”, servente com
36

tempo em “hora” e o bloco cerâmico de 8 furos em “unidade”. Neste quadro


podemos visualizar o número de aferições numeradas de 1 à 6, com seus
respectivos valores aferidos em campo.
QUADRO 9 - EXEMPLO DE LANÇAMENTO DE AFERIÇÕES EM PLANILHA

Fonte: Autor

No Quadro 10, podemos observar isoladamente somente os indicadores de


argamassa, para uma primeira análise detalhada. Neste quadro também pode-se
visualizar os intervalos máximos e mínimos entre estes indicadores, o que serve
para determinarmos a amplitude da amostra.

QUADRO 10 - SELEÇÃO DOS INDICADORES DE ARGAMASSA

Fonte: Autor

No quadro número 11, observam-se os valores aferidos para volume de


argamassa. Os limites superiores (LSC) e inferiores (LIC) de controle são
visualizados e são definidos por valores fixos, calculados pelas fórmulas
anteriormente descritas, também são visualizados os limites médios, e a coluna
intervalo e ordem, em que através de análise no programa Excel, são descartados
os valores que extrapolam o LSC e LIC.
37

QUADRO 11 - LIMITES DE CONTROLE PARA AMOSTRAGEM DE ARGAMASSA

Fonte: Autor

No Quadro 12, é mostrado o gráfico de controle de limites superiores e


inferiores, onde pode-se observar que na primeira aferição do insumo argamassa, o
indicador fica abaixo do limite inferior de controle, e o restante das amostras dentro
das faixas dos limites.
QUADRO 12 - CONTROLE DE LIMITES SUPERIORES E INFERIORES

Fonte: Autor

Neste exemplo a primeira aferição em relação à argamassa encontra-


se abaixo do limite inferior de controle, sendo neste trabalho adotada a
exclusão deste valor para o cálculo da média aritmética final, sendo que ele
não configura um valor confiável estatisticamente a ser considerado, pois
configura como fora de controle. Sob esta análise estatística fica definido
neste trabalho que todos os indicadores que ficarem fora dos limites de
controle, serão descartados da média aritmética final.

Um processo pode apresentar-se em duas situações: Sob controle ou


fora de controle. O primeiro é aquele em que o processo é encontrado entre
os valores do LSC e do LIC, onde as causas são consideradas comuns de
variação e então o processo é chamado de estável e previsível. Já o segundo
38

é aquele em que o processo apresenta valores acima do LSC e abaixo do LIC,


onde as causas são consideradas comuns e especiais de variação, e então o
processo é chamado de instável e imprevisível (MELO, 2004).

O gráfico de controle também é definido como:


“um instrumento para descrever exatamente o que se entende por
controle estatístico e como tal, pode ser usado de várias maneiras,
sendo um componente essencial de uma implementação efetiva de
Controle Estatístico do Processo, podendo ser usado também como
um instrumento de estimação. Montgomery; Runger (2003, p.363),
apud Pierret (2004, p.15).”

3.3 COMPILAÇÃO E PÓS-PROCESSAMENTO DOS DADOS

3.3.1 Serviço – Emboço traço 1:2:8


Os dados constantes neste item são provenientes das fichas de
medição de campo, envolvendo considerações de perdas percentuais
inseridas em cada indicador. A compilação dos dados do serviço de emboço
traço 1:2:8 (cimento, cal e areia média), espessura 2,0cm, preparo mecânico
da argamassa, foram realizados de acordo com os passos a seguir:

 Lançamento de indicadores para a Planilha da Primeira Obra,


(Construtora Ganho). Cada insumo e Composição auxiliar possui
seus indicadores nas 5 medições que foram realizadas, computadas
nas aferições, conforme imagem da Planilha Excel;

 Foram inseridos os percentuais de perdas computados nas


aferições;

 A planilha gera os limites superiores e inferiores e seleciona os


indicadores dentro deste universo, caso algum valor fique fora
destes limites, a planilha descarta este valor, gerando uma média
entre os outros valores válidos.
39

QUADRO 13 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS - OBRA 1

Fonte: Autor
40

QUADRO 14 - INDICADORES ARGAMASSA TRAÇO 1:2:8

Fonte: Autor
41

QUADRO 15 - LIMITES DE CONTROLE PARA ARGAMASSA

Fonte: Autor
42

QUADRO 16 - INDICADORES PEDREIRO

Fonte: Autor
43

QUADRO 17 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR PEDREIRO

Fonte: Autor
44

QUADRO 18 - INDICADORES SERVENTE

Fonte: Autor
45

QUADRO 19 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR SERVENTE

Fonte: Autor
46

QUADRO 20 - INDICADORES DA COMPOSIÇÃO DA PRIMEIRA OBRA

Fonte: Autor
47

Neste primeiro lançamento realizado na “Planilha de coleta de dados”,


observa-se o lançamento dos indicadores da primeira obra referente ao
serviço de Emboço, no qual seus insumos (material e mão-de-obra) são
analisados em relação ao tempo e ao consumo de materiais.

No lançamento dos dados do serviço de “Emboço”, foram realizados


nas 6 obras, 5 aferições em cada obra, gerando 48 páginas na planilha excel,
contendo todas as variações de indicadores, perdas, seus gráficos para cada
insumo. No último item Composição “proposto”, segue os indicadores
selecionados para a primeira obra (Construtora Ganho).

Esta demonstração realizada foi em relação a uma obra, como ficaria


muito extensa a demonstração de todas as obras, a seguir segue a
“compilação final dos dados”, tendo todas as médias selecionadas entre os
dados das 6 obras, nota-se que o fator A2 muda, o percentual de perdas
também reflete a média das obras. Nesta Planilha são confrontados os dados
de todas as obras, gerando novos histogramas, gráficos e limites de controle.
48

QUADRO 21 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS

Fonte: Autor
49

QUADRO 22 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA

Fonte: Autor
50

3.3.3 Serviço – Chapisco traço 1:3


Os dados constantes neste item são provenientes das fichas de
medição de campo, envolvendo considerações de perdas percentuais
inseridas em cada indicador. A compilação dos dados do serviço de Chapisco
traço 1:3 (cimento e areia média), espessura 0,5cm, preparo mecânico da
argamassa, foram realizados de acordo com os passos a seguir:

 Lançamento de indicadores para a Planilha da Primeira Obra,


(Construtora Ganho). Cada insumo e Composição auxiliar possui
seus indicadores nas 5 medições que foram realizadas, computadas
nas aferições, conforme imagem da Planilha Excel;

 Foram inseridos os percentuais de perdas computados nas


aferições;

 A planilha gera os limites superiores e inferiores e seleciona os


indicadores dentro deste universo, caso algum valor fique fora
destes limites, a planilha descarta este valor, gerando uma média
entre os outros valores válidos.
51

QUADRO 23 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS OBRA 1

Fonte: Autor
52

QUADRO 24 - INDICADORES PARA ARGAMASSA

Fonte: Autor
53

QUADRO 25 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR ARGAMASSA

Fonte: Autor
54

QUADRO 26 - INDICADOR PEDREIRO

Fonte: Autor
55

QUADRO 27 - LIMITES DE CONTROLE PARA PEDREIRO

Fonte: Autor
56

QUADRO 28 - INDICADOR SERVENTE

Fonte: Autor
57

QUADRO 29 - LIMITES DE CONTROLE PARA SERVENTE

Fonte: Autor
58

QUADRO 30 - COMPOSIÇÃO FINAL DA PRIMEIRA OBRA

Fonte: Autor
59

Neste primeiro lançamento na “Planilha de coleta de dados”, observa-se


o lançamento dos indicadores da primeira obra referente ao serviço de
Chapisco, no qual seus insumos (material e mão-de-obra) são analisados em
relação ao tempo e ao consumo de materiais.

No lançamento dos dados do serviço de “Chapisco”, foram realizados


nas 3 obras, 5 aferições em cada obra, gerando 32 páginas na planilha excel,
contendo todas as variações de indicadores, perdas, seus gráficos para cada
insumo. No último item Composição “proposto”, segue os indicadores
selecionados para a primeira obra (Construtora Ganho).

Esta demonstração realizada foi em relação a uma obra, como também


ficaria muito extensa a demonstração de todas as obras, a seguir segue a
compilação final dos dados, contendo todas as médias selecionadas entre os
dados das 3 obras, nota-se que o fator A2 muda, o percentual de perdas
também reflete a média das obras. Nesta Planilha são confrontados os dados
de todas as obras, gerando novos histogramas, gráficos e limites de controle.
60

QUADRO 31 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS

Fonte: Autor
61

QUADRO 32 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA

Fonte: Autor
62

3.3.4 Serviço – Contrapiso em argamassa traço 1:4

Os dados constantes neste item são provenientes das fichas de


medição de campo, envolvendo considerações de perdas percentuais
inseridas em cada indicador. A compilação dos dados do serviço de
Contrapiso em argamassa traço 1:4 (cimento e areia), espessura 5 cm,
preparo manual, foram realizados de acordo com os passos a seguir:

 Lançamento de indicadores para a Planilha da Primeira Obra,


(Construtora Atenas). Cada insumo e Composição auxiliar possui
seus indicadores nas 5 medições que foram realizadas, computadas
nas aferições, conforme imagem da Planilha Excel;

 Foram inseridos os percentuais de perdas computados nas


aferições;

 A planilha gera os limites superiores e inferiores e seleciona os


indicadores dentro deste universo, caso algum valor fique fora
destes limites, a planilha descarta este valor, gerando uma média
entre os outros valores válidos.
63

QUADRO 33 - PLANILHA DE COLETA DE DADOS OBRA 1

Fonte: Autor
64

QUADRO 34 - INDICADORES PARA SERVENTE

Fonte: Autor
65

QUADRO 35 - LIMITES DE CONTROLE PARA O INDICADOR SERVENTE

Fonte: Autor
66

QUADRO 36 - INDICADORES PARA PEDREIRO

Fonte: Autor
67

QUADRO 37 - LIMITES DE CONTROLE PARA INDICADOR PEDREIRO

Fonte: Autor
68

QUADRO 38 - INDICADOR PARA ARGAMASSA

Fonte: Autor
69

QUADRO 39 - LIMITES DE CONTROLE PARA ARGAMASSA

Fonte: Autor
70

QUADRO 40 - COMPOSIÇÃO FINAL DA PRIMEIRA OBRA

Fonte: Autor
71

Neste primeiro lançamento na “Planilha de coleta de dados”, observa-se


o lançamento dos indicadores da primeira obra referente ao serviço de
Contrapiso, no qual seus insumos (material e mão-de-obra) são analisados em
relação ao tempo e ao consumo de materiais.

No lançamento dos dados do serviço de “Contrapiso”, foram realizados


nas 3 obras, 5 aferições em cada obra, gerando 32 páginas na planilha excel,
contendo todas as variações de indicadores, perdas e seus gráficos para cada
insumo. No último item Composição “proposto”, segue os indicadores
selecionados para a primeira obra (Construtora Atenas).

Esta demonstração realizada foi em relação a uma obra, como também


ficaria muito extensa a demonstração de todas as obras, a seguir segue a
compilação final dos dados, contendo todas as médias selecionadas entre os
dados das 3 obras, nota-se que o fator A2 muda, o percentual de perdas
também reflete a média das obras. Nesta Planilha são confrontados os dados
de todas as obras, gerando novos histogramas, gráficos e limites de controle.
72

QUADRO 41 - COMPILAÇÃO FINAL DOS DADOS DAS OBRAS

Fonte: Autor
73

QUADRO 42 - COMPOSIÇÃO FINAL GERADA

Fonte: Autor
74

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Através das análises envolvendo considerações de perdas percentuais


inseridas em cada indicador, assim como a análise estatística realizada nos
indicadores coletados, com representação de cada indicador por Histogramas
e aplicação de Limites de Controle Superior e Inferior, assim como a
compilação de dados das análises das obras, com os quais se define os
indicadores apresentados.

4.1 ANÁLISE DOS RESULTADOS - EMBOÇO TRAÇO 1:2:8

Neste item estarão sendo mostrados os resultados finais gerados


através da planilha para o serviço “Emboço traço 1:2:8”.
QUADRO 43 - COMPOSIÇÃO FINAL PARA EMBOÇO 1:2:8

Composição gerada Unidade da


composição “m²”

Tipo de Insumo Emboço traço 1:2:8 (cimento, Unidade Quantidade


ou Composição cal e areia média), espessura
2,0cm, preparo mecânico da
argamassa

Composição Argamassa traço 1:2:8 (cimento,


auxiliar cal e areia), preparo mecânico
m³ 0,02054
da argamassa

Insumo Pedreiro h 0,41868

Insumo Servente h 0,27716

Fonte: Autor

Este Serviço de execução de emboço por m² tem como característica


possuir, uma composição auxiliar e dois insumos. A composição auxiliar é
outro serviço que possuirá também dentro de si, insumos e até mesmo outra
composição auxiliar, dependendo do que for considerado para tal composição.

Considerado nesta composição o tempo de transporte da argamassa


até o local de sua aplicação, nivelamento, execução de mestras, aplicação do
revestimento, reguagem e desempenamento, além de apoios diretamente
realizados pelo servente, como montagem de cavalete e plataforma para
75

trabalhos acima de 1,6 m de altura.

DMT – A Distância Máxima de Transporte considerada nas medições é


de 30 m em relação ao local de produção da argamassa até o local de
aplicação, esta consideração é realizada, pois transportes horizontais acima
desta distância configuraria outro serviço, neste caso, como “transporte
horizontal com distância acima de 30 m”, como pode ser encontrado em
algumas tabelas de composições, como da SINAPI. Desconsiderado o
indicador tempo em relação ao transporte vertical, pois configuraria também
outro serviço, tendo ainda como exclusividade seu tipo, pois muitas obras
utilizam diferentes tipos de transportes verticais, como elevadores de carga,
polias mecânicas, polias manuais, rampas e etc, não sendo possível definir
um padrão comum, assim também como suas distâncias, pois possuem
muitas variações para cada situação.

Considerado o cálculo de perda de argamassa durante o transporte e


aplicação. As perdas foram consideradas sobre os indicadores de argamassa,
e podem ser observados através das fichas de medição de campo.

De acordo com os dados obtidos, temos que, para execução de 1m² de


Emboço traço 1:2:8, utiliza-se aproximadamente 0,02054m³ de argamassa,
tendo como o pedreiro, o responsável direto na execução do serviço, através
de um tempo de aproximadamente 25,12 minutos e o servente dando apoio
ao pedreiro com o tempo de aproximadamente 16,63 minutos.

A seguir, algumas imagens referentes a algumas obras, em que foram


aferidos os indicadores do serviço “Emboço”.
76

FIGURA 2 - TRANSPORTE HORIZONTAL DE FIGURA 3 - PRODUÇÃO MECÂNICA DE


ARGAMASSA ARGAMASSA

Adaptado de: TECPAR (2013) Adaptado de: TECPAR (2013)

FIGURA 4 - ANTEPARO SOBRE O PISO PARA FIGURA 5 - NIVELAMENTO E


REAPROVEITAMENTO DE ARGAMASSA DE ALINHAMENTO DAS TALISCAS
EMBOÇO

Adaptado de: TECPAR (2013)


Adaptado de: TECPAR (2013)

FIGURA 6 - NIVELAMENTO E PRUMO PARA FIGURA 7 - DETALHE DA ESPESSURA DE


DEFINIÇÃO DAS LINHAS MESTRAS 2CM DO EMBOÇO EXECUTADO

Adaptado de: TECPAR (2013) Adaptado de: TECPAR (2013)


77

FIGURA 8 - APLICAÇÃO DE ARGAMASSA DE FIGURA 9 - DESEMPENAMENTO DA


EMBOÇO ARGAMASSA DE EMBOÇO

Adaptado de: TECPAR (2013)


Adaptado de: TECPAR (2013)

FIGURA 10 - REVESTIMENTO DE EMBOÇO FINALIZADO

Adaptado de: TECPAR (2013)

4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS - CHAPISCO TRAÇO 1:3


Neste item estarão sendo mostrados os resultados finais gerados
através da planilha para o serviço “Chapisco traço 1:3”.
78

QUADRO 44 - COMPOSIÇÃO FINAL PARA CHAPISCO

Composição gerada Unidade da


composição “m²”

Tipo de Insumo Chapisco traço 1:3 (cimento e Unidade Quantidade


ou Composição areia média), espessura
0,5cm, preparo mecânico da
argamassa.

Composição Argamassa traço 1:3 (cimento e


auxiliar areia média peneirada), preparo
m³ 0,00505
mecânico

Insumo Pedreiro h 0,03186

Insumo Servente h 0,02590

Fonte: Autor

Este Serviço de execução de chapisco por m² tem como característica


possuir também uma composição auxiliar e dois insumos. A composição
auxiliar é outro serviço que possuirá também dentro de si, insumos e até
mesmo outra composição auxiliar, dependendo do que for considerado para
tal composição.

Considerado nesta composição sobre o indicador do pedreiro, o tempo


de aplicação do chapisco, para o servente foi considerado o tempo de
transporte da argamassa e limpeza do local onde é executado o serviço.

DMT – A Distância Máxima de Transporte considerada nas medições é


de 30 m em relação ao local de produção da argamassa até o local de
aplicação, esta consideração é realizada, pois transportes horizontais acima
desta distância configuraria outro serviço, neste caso, como “transporte
horizontal com distância acima de 30 m”, como pode ser encontrado em
algumas tabelas de composições, como da SINAPI. Desconsiderado o
indicador tempo em relação ao transporte vertical, pois configuraria também
outro serviço, tendo ainda como exclusividade seu tipo, pois muitas obras
utilizam diferentes tipos de transportes verticais, como elevadores de carga,
polias mecânicas, polias manuais, rampas e etc, não sendo possível definir
um padrão comum, assim também como suas distâncias, pois possuem
muitas variações para cada situação.
79

Considerado o cálculo de perda de argamassa durante o transporte e


aplicação. As perdas foram consideradas sobre os indicadores de argamassa,
e podem ser observados através das fichas de medição de campo.

De acordo com os dados obtidos, temos que, para execução de 1m² de


Chapisco traço 1:3, utilizou-se aproximadamente 0,00505m³ de argamassa,
tendo como o pedreiro, o responsável direto na execução do serviço, através
de um tempo de aproximadamente 1,91 minutos e o servente dando apoio ao
pedreiro com o tempo de aproximadamente 1,55 minutos.

A seguir, algumas imagens referentes à algumas obras, em que foram


aferidos os indicadores do serviço “Chapisco”.

FIGURA 11 - VISTA DE UMA PAREDE SENDO FIGURA 12 - INÍCIO DO PROCESSO DE


CHAPISCADA CHAPISCO NESTA PAREDE

Adaptado de: TECPAR Adaptado de: TECPAR

FIGURA 13 - PAREDE RECEBENDO ARGAMASSA DE CHAPISCO

Adaptado de: TECPAR


80

4.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS - CONTRAPISO TRAÇO 1:4


Neste item estarão sendo mostrados os resultados finais gerados
através da planilha para o serviço “Contrapiso traço 1:4”.
QUADRO 45 - COMPOSIÇÃO FINAL CONTRAPISO

Composição gerada Unidade da


composição “m²”

Tipo de Insumo Contrapiso em argamassa Unidade Quantidade


ou Composição traço 1:4 (cimento e areia),
espessura 5 cm, preparo
manual

Servente
Insumo h 0,22802

Insumo Pedreiro h 0,32681

Composição Argamassa cimento/areia 1:4 m³ 0,05046


auxiliar preparo manual

Fonte: Autor

Este Serviço de execução de contrapiso por m² tem como característica


possuir também uma composição auxiliar e dois insumos. A composição
auxiliar é outro serviço que possuirá também dentro de si, insumos e até
mesmo outra composição auxiliar, dependendo do que for considerado para
tal composição.

Considerado nesta composição o tempo de transporte dos materiais,


nivelamento das taliscas (mestras) e aplicação da argamassa de contrapiso. O
serviço consistiu na limpeza do substrato (laje de concreto), lavagem,
umedecimento, nivelamento das mestras (determinação da altura e
delimitação da reguagem), lançamento da argamassa sobre o piso bruto, seu
espalhamento, reguagem e desempenamento.

Considerado nesta composição sobre o indicador do pedreiro, o tempo


de aplicação do contrapiso, para o servente foi considerado o tempo de
transporte da argamassa e limpeza do local onde é executado o serviço.

DMT – A Distância Máxima de Transporte considerada nas medições é


de 30 m em relação ao local de produção da argamassa até o local de
81

aplicação, esta consideração é realizada, pois transportes horizontais acima


desta distância configuraria outro serviço, neste caso, como “transporte
horizontal com distância acima de 30 m”, como pode ser encontrado em
algumas tabelas de composições, como da SINAPI. Desconsiderado o
indicador tempo em relação ao transporte vertical, pois configuraria também
outro serviço, tendo ainda como exclusividade seu tipo, pois muitas obras
utilizam diferentes tipos de transportes verticais, como elevadores de carga,
polias mecânicas, polias manuais, rampas e etc, não sendo possível definir
um padrão comum, assim também como suas distâncias, pois possuem
muitas variações para cada situação.

Considerado o cálculo de perda de argamassa durante o transporte e


aplicação. As perdas foram consideradas sobre os indicadores de argamassa,
e podem ser observados através das fichas de medição de campo.

De acordo com os dados obtidos, temos que, para execução de 1m² de


contrapiso traço 1:4, utilizou-se aproximadamente 0,05046m³ de argamassa,
tendo como o pedreiro, o responsável direto na execução do serviço, através
de um tempo de aproximadamente 19,61 minutos e o servente dando apoio
ao pedreiro com o tempo de aproximadamente 13,68 minutos.

A seguir, algumas imagens referentes à algumas obras, em que foram


aferidos os indicadores do serviço “Contrapiso”.

FIGURA 14 - LIMPEZA DA LAJE DE FIGURA 15 - CONTRAPISO DESEMPENADO


CONCRETO ANTES DO LANÇAMENTO DA
ARGAMASSA

Fonte: TECPAR Fonte: TECPAR


82

FIGURA 16 - CONTRAPISO SENDO FIGURA 17 - CONTRAPISO SENDO


REGUADO DESEMPENADO

Adaptado de: TECPAR Adaptado de: TECPAR

FIGURA 18 - CONTRAPISO ACABADO

Adaptado de: TECPAR

4.4 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS


Os resultados de cada composição do presente estudo (Emboço,
Chapisco, Contrapiso) serão comparados a outras bases de composições
existentes. As tabelas que serão comparadas através dos serviços
equivalentes são: tabela TCPO (editora Pini), SINAPI (Caixa Econômica
Federal), ORSE (Estado de Sergipe), SEOP (Secretaria de Obras do Paraná),
SIURB (Prefeitura de São Paulo).
83

4.4.1 Tabelas das composições a serem comparadas

4.4.1.1 Emboço traço 1:2:8

QUADRO 46 - COMPOSIÇÃO TCC - EMBOÇO

Fonte: Autor

No Quadro 46 é apresentada a composição gerada pelo trabalho


de conclusão “Composição TCC”, sua descrição técnica, seus insumos e
composição auxiliar possuem os indicadores por unidade, sendo a
unidade da composição de emboço o m².

QUADRO 47 - COMPOSIÇÃO TCPO - EMBOÇO

Adaptado de: TCPO


84

No Quadro 47, observa-se que a composição da tabela TCPO “não é


compatível”, pois, trata-se de uma composição que considera o preparo manual da
argamassa. Isto não está descrito na composição do serviço, mas a descrição dos
insumos deixam claro esta condição, não existe um insumo que denote o uso de
betoneira, por este motivo os indicadores de produtividade, pedreiro e servente
apresentam-se mais elevados, por que neste caso os profissionais gastam mais
tempo para executar o serviço por m².

QUADRO 48 - COMPOSIÇÃO SINAPI - EMBOÇO

Adaptado de: SINAPI


No Quadro 48, observa-se que a composição da tabela SINAPI “não é
compatível”, pois, possui espessura diferente o que acarreta em quantidade de
argamassa diferente por m², a composição também considera a utilização de tela de
aço soldada para fechamento de vãos, o que gera um tempo maior da mão-de-obra
para aplicação do m² de emboço, isto comprova os tempos maiores em relação à
“composição TCC”.
85

QUADRO 49 - COMPOSIÇÃO ORSE - EMBOÇO

Adaptado de: ORSE

No Quadro 49, observa-se que a composição da tabela ORSE “não é


compatível”, pois, possui espessura diferente o que acarreta em quantidade de
argamassa diferente por m², a composição também considera um traço diferente de
argamassa (1:4), o que gera indicadores de produtividade e consumo diferentes em
relação à “composição TCC”.

QUADRO 50 - COMPOSIÇÃO SEOP - EMBOÇO

Adaptado de: SEOP


No Quadro 50, observa-se que a composição da tabela SEOP pode ser
considerada “compatível”, pois, considera o preparo mecânico da argamassa, sendo
a espessura a mesma, e especifica argamassa mista de cimento, cal e areia, o que
86

resulta em indicadores que podem ser comparados.


QUADRO 51 - COMPOSIÇÃO SIURB - EMBOÇO

Adaptado de: SIURB


No Quadro 51, observa-se que a composição da tabela SIURB pode ser
considerada como “não compatível”, pois, considera o preparo manual da
argamassa, traço diferente (1:3:12), além de não especificar a espessura do
emboço, o que pode justificar os indicadores mais altos em relação à “Composição
TCC”.

4.4.1.2 Chapisco traço 1:3


QUADRO 52 - COMPOSIÇÃO TCC - CHAPISCO

Fonte: Autor
No Quadro 52 é apresentada a composição gerada pelo trabalho de
conclusão “Composição TCC”, sua descrição técnica, seus insumos e composição
auxiliar possuem os indicadores por unidade, sendo a unidade da composição de
chapisco o m².
87

QUADRO 53 - COMPOSIÇÃO TCPO - CHAPISCO

Adaptado de: TCPO


No Quadro 53, observa-se que a composição da tabela TCPO pode ser
considerada como “não compatível”, pois, considera o preparo manual da
argamassa, o que justifica os indicadores mais altos em relação à “Composição
TCC”, isto se deve ao fato de que a equipe de execução demanda mais tempo
envolvido no preparo manual da argamassa de chapisco.

QUADRO 54 - COMPOSIÇÃO SINAPI - CHAPISCO

Adaptado de: SINAPI


88

No Quadro 54, observa-se que a composição da tabela SINAPI pode ser


considerada como “compatível”, pois, o traço é o mesmo, preparo mecânico, única
consideração é em relação à espessura, que não é definida na descrição, mas que
pelo volume de argamassa, pode-se estimar ser na ordem de 0,4cm considerando
perdas, o que justifica a diferença na quantidade de argamassa por m² de chapisco.

QUADRO 55 - COMPOSIÇÃO ORSE - CHAPISCO

Adaptado de: ORSE

No Quadro 55, observa-se que a composição da tabela ORSE pode ser


considerada como “compatível”, pois, considera o preparo mecânico da argamassa,
mesma espessura e mesmo traço.
QUADRO 56 - COMPOSIÇÃO SEOP - CHAPISCO

Adaptado de: SEOP


89

No Quadro 56, observa-se que a composição da tabela SEOP pode ser


considerada como “compatível”, pois, considera o preparo mecânico da argamassa,
mesma espessura e mesmo traço.
QUADRO 57 - COMPOSIÇÃO SIURB - CHAPISCO

Adaptado de: SIURB


No Quadro 57, observa-se que a composição da tabela SIURB pode ser
considerada como “compatível”, pois, considera a mesma espessura e mesmo traço.

4.4.1.3 Contrapiso traço 1:4

QUADRO 58 - COMPOSIÇÃO TCC - CONTRAPISO

Fonte: Autor
No Quadro 58 é apresentada a composição gerada pelo trabalho de
conclusão “Composição TCC”, sua descrição técnica, seus insumos e composição
auxiliar possuem os indicadores por unidade, sendo a unidade da composição de
contrapiso o m².
90

QUADRO 59 - COMPOSIÇÃO TCPO - CONTRAPISO

Adaptado de: TCPO


No Quadro 59, observa-se que a composição da tabela TCPO pode ser
considerada como “não compatível”, pois, considera outro tipo de traço, concreto
leve, o que descaracteriza a composição principal que considera argamassa traço
1:4.
QUADRO 60 - COMPOSIÇÃO SINAPI - CONTRAPISO

Adaptado de: SINAPI


No Quadro 60, observa-se que a composição da tabela SINAPI pode ser
considerada como “compatível”, pois, considera mesmo traço, mesma espessura,
preparo manual.
91

QUADRO 61 - COMPOSIÇÃO ORSE - CONTRAPISO

Adaptado de: ORSE


No Quadro 61, observa-se que a composição da tabela ORSE pode ser
considerada como “não compatível”, pois, considera traço diferente, espessura
diferente e preparo mecânico.
QUADRO 62 - COMPOSIÇÃO SEOP - CONTRAPISO

Adaptado de: SEOP


No Quadro 62, observa-se que a composição da tabela SEOP pode ser
considerada como “não compatível”, pois, a unidade da composição é o m³ e não o
m², a espessura não é definida.
92

QUADRO 63 - COMPOSIÇÃO SIURB - CONTRAPISO

Adaptado de: SIURB

No Quadro 63, observa-se que a composição da tabela SIURB pode ser


considerada como “não compatível”, pois, o traço e a espessura são
diferentes.
4.4.2 Gráficos comparativos

Neste item, serão mostrados somente os gráficos comparativos entre


as composições de serviços “compatíveis”, como ressaltado nos itens
anteriores. Os gráficos a seguir mostrarão as variações para cada composição
compatível.
4.4.2.1 Emboço traço 1:2:8

FIGURA 19 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - EMBOÇO

Fonte: Autor (2019)


93

Na Figura 19, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela


planilha Excel, onde o insumo pedreiro é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Emboço, (composição gerada TCC e
composição SEOP).

FIGURA 20 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - EMBOÇO

Fonte: Autor (2019)


Na Figura 20, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela
planilha Excel, onde o insumo servente é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Emboço, (composição gerada TCC e
composição SEOP).
94

FIGURA 21 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - EMBOÇO

Fonte: Autor (2019)


Na Figura 21, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela
planilha Excel, onde o consumo de argamassa é comparado entre as composições
de serviço compatíveis, no caso do serviço de Emboço, (composição gerada TCC e
composição SEOP).
4.4.2.2 Chapisco traço 1:3
FIGURA 22 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - CHAPISCO

Fonte: Autor (2019)


95

Na Figura 22, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela


planilha Excel, onde o insumo pedreiro é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Chapisco, (composição gerada TCC,
SINAPI, ORSE, SEOP e SIURB).
FIGURA 23 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - CHAPISCO

Fonte: Autor (2019)


Na Figura 23, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela
planilha Excel, onde o insumo servente é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Chapisco, (composição gerada TCC,
SINAPI, ORSE, SEOP e SIURB).
96

FIGURA 24 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - CHAPISCO

Fonte: Autor (2019)


Na Figura 24, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela
planilha Excel, onde o consumo de argamassa é comparado entre as composições
de serviço compatíveis, no caso do serviço de Chapisco, (composição gerada TCC,
SINAPI, ORSE, SEOP e SIURB).
4.4.2.3 Contrapiso traço 1:4
FIGURA 25 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR PEDREIRO - CONTRAPISO

Fonte: Autor (2019)


97

Na Figura 25, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela


planilha Excel, onde o insumo pedreiro é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Contrapiso, (composição gerada TCC e
composição SINAPI).
FIGURA 26 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR SERVENTE - CONTRAPISO

Fonte: Autor (2019)


Na Figura 26, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela
planilha Excel, onde o insumo servente é comparado entre as composições de
serviço compatíveis, no caso do serviço de Contrapiso, (composição gerada TCC e
composição SINAPI).
FIGURA 27 - COMPARAÇÃO DO INDICADOR ARGAMASSA - CONTRAPISO

Fonte: Autor (2019)


98

Na Figura 27, observa-se o comparativo através do histograma gerado pela


planilha Excel, onde o consumo de argamassa é comparado entre as composições
de serviço compatíveis, no caso do serviço de Contrapiso, (composição gerada TCC
e composição SINAPI).
99

5 CONCLUSÃO

Com base nos comparativos entre as “composições compatíveis”, ou seja, de


mesmas características técnicas de acordo com a descrição, chegou-se às
conclusões e percentuais descritos a seguir. No serviço de “Emboço”, analisando-se
cada insumo separadamente, o insumo pedreiro apresentou um indicador 14,67%
maior pela “composição SEOP” em relação à “composição TCC”. O insumo servente
apresentou um indicador 107,8% maior pela “composição SEOP” em relação à
“composição TCC”, já o consumo de argamassa foi 34,85% maior pela “composição
SEOP”. Nesta composição de serviço, o aumento significativo de tempo em relação
ao servente se deve ao fato de que a composição SEOP, considera o preparo
mecânico da argamassa, desmembrado dentro da composição, diferentemente da
“composição TCC” que considera o volume de argamassa sob uma composição
auxiliar, estas estruturas de composições variam de acordo com cada tabela de
composições de serviço. No consumo de argamassa a variação se deve às perdas
consideradas em cada composição.
No serviço de “Chapisco”, o insumo pedreiro apresentou um indicador
119,71% maior pela “composição SINAPI” em relação à “composição TCC”.
Servente apresentou um indicador 270% maior pela “composição TCC” em relação à
“composição SINAPI”, já o consumo de argamassa foi 20,23% maior pela
“composição TCC”. A composição SINAPI não especifica a espessura do chapisco,
mas pelo volume de argamassa, compreende-se que a espessura é de 0,4cm
considerando perdas, o que justifica a diferença acima no consumo de argamassa
por m² pela “composição TCC”, as diferenças de tempo para mais e para menos em
relação ao pedreiro e ao servente em ambas as composições, se deve ao fato da
consideração da divisão de trabalho entre os profissionais, se somarmos os tempos
de pedreiro e servente teríamos uma diferença entre as composições SINAPI e TCC
em relação à mão-de-obra de 33,31%. Para o mesmo serviço de “Chapisco”, o
insumo pedreiro apresentou um indicador 213,87% maior pela “composição ORSE”
em relação à “composição TCC”. Servente apresentou um indicador 286% maior
pela “composição ORSE” em relação à “composição TCC”, já o consumo de
argamassa foi 1,0% maior pela “composição TCC”. A composição ORSE não
especifica espessura, mas pelo consumo de argamassa por m², verifica-se que a
espessura é de 0,5cm, sem consideração de perdas, o que justifica a variação para
100

mais pela “composição TCC”, já que considera perdas. As grandes variações nos
indicadores de insumo pedreiro e servente se devem ao fato de uma menor
produtividade pela composição ORSE, pois todas as características técnicas do
serviço são as mesmas entre as duas composições. Ainda para o mesmo serviço de
“Chapisco”, o insumo pedreiro apresentou um indicador 151,09% maior pela
“composição SEOP” em relação à “composição TCC”. Servente apresentou um
indicador 363,32% maior pela “composição SEOP” em relação à “composição TCC”,
já o consumo de argamassa foi 60,99% maior pela “composição SEOP”. Nesta
“composição SEOP”, as altas em relação à “composição TCC”, foram pelo fato da
“composição SEOP” possuir os insumos referentes ao preparo mecânico, incluídos
na composição, diferentemente da “composição TCC”, que adota o volume de
argamassa para aplicação do chapisco, considerando o preparo mecânico da
argamassa como uma composição auxiliar. Para o serviço de “Chapisco”, temos que
o insumo pedreiro apresentou um indicador 213,87% maior pela “composição
SIURB” em relação à “composição TCC”. Servente apresentou um indicador 286%
maior pela “composição SIURB” em relação à “composição TCC”, já o consumo de
argamassa foi 1,0% maior pela “composição TCC”. Neste serviço, a descrição da
composição SIURB não especifica a espessura, mas pelo volume de argamassa,
observa-se a espessura de 0,5cm sem consideração de perdas, o que justifica o
indicador mais alto da “composição TCC”, que considera perdas. Analisando a
“composição SIURB”, os indicadores de insumos pedreiro e servente, possuem
valores mais altos em relação à “composição TCC”, nesta descrição não se
especifica se o preparo é manual ou mecânico, mas procurando pela composição na
tabela SIURB, chega-se a conclusão de que o preparo é manual, o que justifica os
tempos mais elevados em relação à “composição TCC”.
No serviço de “Contrapiso”, o insumo pedreiro apresentou um indicador
7,09% maior pela “composição SINAPI” em relação à “composição TCC”. Servente
obteve um indicador 30,29% maior pela “composição TCC” em relação à
“composição SINAPI”, já o consumo de argamassa foi 20,29% maior pela
“composição SINAPI”. A “composição SINAPI” apresentou pequena variação em
relação ao insumo pedreiro, já em relação ao servente a “composição TCC” obteve
um indicador maior de tempo, o que significa uma menor produtividade por parte da
“composição TCC”, no volume de argamassa houve um aumento pela SINAPI,
justificado por uma maior consideração de perdas.
101

REFERÊNCIAS

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sistema adotado pelo Governo do Estado de Sergipe. Trabalho de Conclusão
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TCPO. Tabela de composição de preços para orçamentos. 1. ed. São Paulo:


PINI, 1999.
103

ANEXO A – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – EMBOÇO – OBRA 1


104

ANEXO B – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – CHAPISCO – OBRA 1


105

ANEXO C – FICHAS DE MEDIÇÃO DE CAMPO – CONTRAPISO – OBRA 1


106

ANEXO D – CONTRATO SEIL/TECPAR 006/2012