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Levítico, p.

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BI210 – Exposição do Pentateuco


Seminário Batista do Cariri
Prof. Marcos Willson

LEVÍTICO
TEOLOGIA
(WENHAM, pp.15-32)

I. A PRESENÇA DE DEUS (um elemento essencial da aliança; Êx 29.43-46; 33.12-17)


A. Deus está presente . . .
1. No CULTO ou adoração (cps.1-16): os sacrifícios foram oferecidos perante o SENHOR, os
sacerdotes fizeram seu trabalho diante dEle (cf. 1.9; 8.9; 16.1).
2. Na VIDA diária (cps.17-27): o Livro de “Levítico não [reconhece] nada que esteja fora do
controle ou interesse de Deus. Toda a vida do homem deve ser vivido na presença de Deus.”
Deus ordena a vida do povo, porque “Eu sou o SENHOR vosso Deus”.
B. Aspectos correspondentes e contrários da presença de Deus
1. A presença PERMANENTE, que regulava a vida de Israel; e VISÍVEL, que se manifestava
em certas ocasiões especiais (e.g., Êx 19-20; 40).
2. A presença GERAL no acampamento (cf. Dt 23.9-14), e LOCALIZADA no tabernáculo.
C. A presença de Deus no NT
1. Na pessoa de Jesus Cristo por meio da encarnação (Jn 1.14 – o Verbo tabernaculava entre
nós; Mt 1.22-23 – Emanuel, Deus conosco)
a. A presença de Deus nos pontos anteriores se manifestou no CORPO, numa comunidade
de pessoas (Deus no meio do Seu povo). Na encarnação Ele esteve presente numa pessoa
INDIVIDUAL.
b. Deus também esteve presente em indivíduos durante o AT, quando Seu Santo Espírito
veio sobre pessoas, para capacita-los para alguma obra (e.g., Bezalel, os 70 anciãos,
vários juízes, Davi). Jesus, porém, foi habitado de uma maneira plena. Além disso, Ele
derramou o Espírito Santo sobre Seu povo, cumprindo a promessa.
c. Há um contraste entre o sentido corporal e individual da presença de Deus, mas há
também uma conexão entre os dois, porque o indivíduo é membro do corpo.
2. Na igreja
a. No sentido CORPORAL, a igreja é o Corpo de Cristo (Ef 1.22-23; et.al.), e o templo de
Deus (Pai), habitado pelo Espírito Santo (1Co 3.16).
b. No sentido INDIVIDUAL, o corpo de cada cristão também é templo de Deus, habitado
pelo Espírito Santo (1Co 6.19-20; cf. tb. Ef 5.18).

II. SANTIDADE (“Sereis santos, porque eu sou santo” – 11.44-45; 19.2; 20.26)
A. A condição de uma pessoa ou objeto, ou a nação inteira pode ser ilustrada
com o seguinte gráfico:
processos que
melhoram a condição:  santificação   purificação 
SANTO C O M U M
estados:
santo limpo (puro) imundo (impuro)
processos que pioram  profanação   poluição 
a condição:
Levítico, p.87

1. Há três estados: santo, limpo (ou puro, ou comum em relação ao estado de santo), e imundo
(ou impuro).
2. Há vários processos que levam algo ou alguém de um estado a outro:
a. Processos que melhoram o estado: purificação (leva do imundo para o limpo) e
santificação (leva do limpo para o santo).
b. Processos que pioram o estado: profanação (leva do santo para o comum) e poluição
(leva do limpo para o imundo).
B. Explicação
1. O “limpo” é o estado normal (do ser humano). O “santo” e o “imundo” são os extremos, que
nunca devem entrar em contato (cf. 7.20-21; 21.1-23; 22.3-8; Nm 6.6-12). O santo pode
santificar e o imundo polui, mas o limpo é o estado básico. A palavra tem o sentido de
“puro”, e também de “normal, dentro dos padrões”.
2. Algumas coisas são imundas em si (cf. cp.11). Outras podem ficar imundas temporariamente
(cf. cps.12-15), exigindo purificação. Às vezes, isolamento é necessário, para que o
acampamento e o santuário não sejam poluídos (cf. Nm 5.2-3).
3. A santidade é característica de Deus, e por isso, de tudo que Lhe pertence. Tudo que é
dedicado a Ele é santo e não deve entrar em contato com qualquer coisa imunda. Embora a
imundície seja condição física de processo natural (doença, mofo), ou resultado de ação
humana (pecado), a santidade se efetua pela ação de Deus e também do homem (o lado divino
– 20.8; 22.9; etc.; os dois lados – 21.8; o lado humano [que logicamente é a ênfase principal
desse manual para os homens] – cps.11-15; 19).
4. Resumo (WENHAM, p.23)
a. O limpo é o estado natural da maioria das criaturas.
b. A santidade é o estado de graça ao qual os homens são chamados por Deus, e é
alcançado por meio da obediência à lei, inclusive a oferta de sacrifícios.
c. A imundície é uma condição inferior à qual os homens descem através do pecado e de
processos corporais. Todo israelita deveria procurar livrar-se da imundície por lavagem
e sacrifício, pois ela é incompatível com a santidade do povo da aliança.
C. Ensino do NT
1. O ensino de Cristo e os apóstolos desenvolve o princípio de santidade nas mesmas linhas que
se encontram no AT: o chamado de Deus para ser santo (Lv 11.44-45; 19.2; 20.26; 21.8; cf.
1Pe 1.14-16; 2.9-10; Rm 1.7; 1Co 1.2; Ef 1.4; Cl 1.22); e o resultado na vida do crente – uma
vida santa, pura, obediente (cf. 1Pe 2.11-12; Rm 6.17-19; 1Co 6.18-20; 1Ts 4.3-8). O
princípio moral é tão eterno quanto o Deus cuja natureza este princípio reflete. O termo
“princípio moral” aqui se refere ao que regula os relacionamentos da pessoa – com Deus, com
os homens, e com o restante da criação (cf. 2Co 6.14 – 7:1); é o critério para determinar entre
a aprovação e a reprovação da parte de Deus.
2. O NT, sendo baseado no sacrifício de Cristo, que obteve real perdão, e na operação do
Espírito Santo, que produz real purificação, dispensa com a lei cerimonial, que era apenas
uma sombra da salvação realizada. Mas novamente, os princípios representados pela lei
cerimonial continuam. O princípio é eterno, mas não necessariamente a sua manifestação, ou
o meio para pratica-lo.
Conclusão
“Deus é totalmente diferente de qualquer outra coisa que podemos conceber ou imaginar. Ele é
infinitamente maior e mais poderoso, além de ser qualitativamente diferente de nós e do universo
que criou. … [¶] Ligadas à diferença qualitativa que eu mencionei, encontram-se a beleza ética e
perfeição moral. A santidade de Deus não consiste simplesmente numa separação total da
impureza, mas numa bondade positiva que supera nossa capacidade imaginativa. Os próprios
céus são impuros diante do Senhor. Mas é essa mesma bondade e beleza que ele quer que
compartilhemos consigo. Ele quer que sejamos iguais a ele. [¶] Você jamais o entenderá, mas é
chamado para conhecê-lo. Você é diferente do Criador, mas ele deseja lhe dar a qualidade que
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mais o distingue de você. Você é redimido a fim de ser separado para o uso especial de Deus,
tornando-se participante de sua perfeição moral.”1
[PESQUISA: Faça um estudo sobre santidade. O que era seu significado básico (talvez “secular”), o que
significava para o israelita, o que é o sentido teológico (o significado dentro da teologia do AT). Como este tema é
desenvolvido no NT. (Ao estudar o uso no NT, concentre-se nas passagens que desenvolvem algum texto do AT, e
não tanto o ensino geral do NT.) Faça aplicação para o crente neotestamentário.]

III. O PAPEL DO SACRIFÍCIO


A. Elaborando o gráfico acima ainda mais, observamos o seguinte:
meios:  SACRIFÍCIO 
processos:  santificação   purificação 
SANTO C O M U M
estados:
santo limpo (puro) imundo (impuro)
processos:  profanação   poluição 
meios:  PECADO ou ENFERMIDADE 

B. Explicação
1. O sangue do sacrifício purificava e santificava [cf. 17.11 – “a vida da carne está no sangue;
pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas vidas; porquanto é o
sangue que faz expiação pela vida”]. O sangue, a vida do animal, é o que efetua o processo
de expiar a vida do adorador.
2. Era através de sacrifício que as pessoas removeram a sua imundície, que os sacerdotes foram
consagrados, e que o povo chegou a ser nação santa, sacerdócio real, capacitado para apro-
ximar-se do Deus santo e representa-lo às outras nações. É interessante notar que o processo
de purificar o leproso tem certos paralelos com a santificação da nação (cf. Lv 14.6-7 // ——
Êx 12.22; Lv 14.12-18 // Êx 24.6-8 e Lv 8.22-24). “Em Sinai, toda a nação se tornou santa.
Se mais tarde, por causa de pecado, um indivíduo israelita tornasse imundo, ele precisava
passar novamente pelo processo de santificação. Ele tinha que nascer de novo na comunidade
pelo sangue e pela água (cf. João 3).” (WENHAM, p.27)
3. O ritual em si era insuficiente, pois o pecador precisava ser perdoado por Deus (cf. 4.20, 26,
31; 12.7-8; etc.).
4. O verbo “expiar” (kipper) provavelmente vem do substantivo “resgate” (kôfer). Assim,
expiar é “resgatar uma vida” (cf. Êx 21.30; Pv 6.35; Jó 33.19-28, esp. vv.24, 28; Sl 49.7-9,
15). Em Êx 30.11-16, Deus manda que cada homem traga um “resgate da sua alma” (kôfer
nafshô v.12), isto é, um “dinheiro de expiação” (késef hakkippurim v.16), “para fazer
expiação por vossas almas” (lekhappêr ‘al nafshoteykhém vv.15, 16; cf. tb. Nm 31.50).
5. O ensino do NT: o sacrifício de Jesus Cristo é a realidade da qual os sacrifícios do AT são
ilustrações (cf. Hb 9-10; Ef 1-2).

IV. A ALIANÇA DE SINAI


A. O Livro de Levítico continua a história começada em Êxodo.
Êxodo 29 contém as instruções para a consagração dos sacerdotes e Levítico 8 relata a execução
dessas instruções. Êxodo 40 termina com a edificação do tabernáculo e sua habitação pela glória
do SENHOR. Levítico 1-7 abre um parêntese para dar instruções sobre os sacrifícios que deverão
ser oferecidos, então depois da consagração dos sacerdotes em cp.8, o texto relata o início do seu
ministério, oferecendo os sacrifícios prescritos pelo SENHOR.
B. A aliança destaca três aspectos das leis de Levítico:
1. O contexto da graça divina (vd. “1. Propósito de Sinai” na exposição de Êxodo — o primeiro
ponto sob “I.C. Preservação”).
2. A responsabilidade do homem de responder em fé e obediência (cf. Êx 4.31 e 14.31, e em
contraste, Nm 14.11 e 20.12).
1
John White, A Luta (São Paulo: ABU, 1976), pp.171-172 (ênfase do próprio autor).
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3. A eternidade da aliança: dava esperança no meio do juízo sobre a desobediência (cf. 26.40-45
no contexto de vv.14-39). “A bênção divina depende da obediência, porém a desobediência
não resultará em rejeição total, e sim, apenas na continuação do juízo divino.” (WENHAM,
p.32)
C. Os profetas prometeram uma “Nova Aliança”, que foi inaugurada por Jesus
com Seu sangue derramado na cruz.

V. LEVÍTICO E O CRISTÃO
O cristão não está “debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6.14; cf. Gl 5), mas ele pode e deve utilizar o
texto bíblico “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de
que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. (2Tm 3.16-17).
Os reformados costumam falar de três aspectos da lei. Esses não servem realmente para categorizar
os mandamentos; são ênfases que se percebem na legislação mosaica. A “lei moral” se refere àqueles
trechos que determinam a conduta moral do israelita (cf. os Dez Mandamentos; Dt 6.4-9; Lv 19.11-
18), se bem que todos os mandamentos têm o aspecto moral, pois sendo ordens divinas, eles devem
ser obedecidos. O israelita obedecia literalmente, mas nós procuramos a orientação do NT para
entender a aplica-los. As leis nos orientam sobre a vontade de Deus para nós, ajundando-nos a nos
conduzir de maneira correta (cf. Sl 19.7-14; Sl 119). A “lei civil” se refere aos aspectos que tratam,
por exemplo, da punição e do governo. Israel era uma nação estruturada com governantes e um
sistema jurídico, mas a igreja não tem essa estrutura. Portanto, devemos buscar princípios norteadores
nas passagens caracterizadas como lei civil, em vez de tentar aplica-las diretamente. A “lei cerimo-
nial” se refere aos rituais e às leis de purificação. Elas simbolizam a obra de Cristo e se tornaram
obsoletas com a vinda dele. Elas servem como ilustrações, ajudando-nos a entender melhor o que ele
fez pelo pecador (cf. Mc 7.1-23 e esp. Hb 8-10).

ESBOÇO
I. O CAMINHO PARA A SANTIDADE (1-16)
A. Sacrifícios (1-7)
B. Sacerdócio (8-10)
C. Purificação (11-16)
II. O CAMINHO DA SANTIDADE (17-26)
A. Santidade Pessoal (17-20)
B. Santidade Cerimonial (21-25)
C. Conclusão (26)
Apêndice: Redenção de votos (27)
Passagens importantes no Livro de Levítico:
cps.1-7 – os sacrifícios cp.19 – relacionamentos entre as pessoas
cp.11:43-45 – comentário sobre animais limpos e imundos cp.21 – os sacerdotes
cp.16 – o Dia de Expiação (Yom Kippur) cp.26 – sanções: bênção e maldição
cp.17 – o sangue do sacrifício

EXPOSIÇÃO
I. O CAMINHO PARA A SANTIDADE (1-16)
A. Sacrifícios (1-7)
Estes capítulos interrompem a narrativa do início do culto no tabernáculo. Em Êx 40
Moisés montou a tenda com todos os móveis e a cerca. Em Lv 8 ele consagra os
sacerdotes, que começam seu ministério em Lv 9. Os cps.1-7 formam um parêntese
explicando os sacrifícios que os sacerdotes iriam oferecer. Qual a atitude do crente
israelita ao oferecer seu sacrifício? Um exemplo disso seria Sl 66, que faz menção dos
votos, “que, no dia da angústia, prometeu a minha boca” (cf. vv.13-15). No momento de
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necessidade o israelita apelava a Deus, pedindo livramento. Muitas vezes fazia um voto,
prometendo algo se Deus o livrasse. Depois de receber a resposta das orações, ele pagava
o voto e trazia uma oferta, que talvez tenha sido o pagamento.2 (A maior parte do
material aqui apresentado depende da exposição de WENHAM.)
1. O Holocausto
a. Referências Bíblicas
Lv 1; 6.8-13; 8.18-21; 16.24; Nm 28.1-8, 9-10, 11, 19, 27; 29.2-8, 13, 17, 20, 23, 26, 29,
32, 36; Gn 8.20-22; 2Sm 24.18-25; Jó 1.4-5; 42.7-9; Sls 4, 5, 20, 40, 50 e 66.
b. Significado
“O holocausto era o mais comum dos sacrifícios do AT. Sua função principal era
fazer expiação pelos pecados do homem por meio de propiciar a ira de Deus. A imolação
do animal, geralmente um cordeiro, simbolizou a ira de Deus contra o pecado humano, o
animal sofrendo no lugar do homem. Pela imposição da mão na cabeça do animal e pela
confissão do pecado, o adorador reconheceu sua culpa e responsabilidade pelos seus
pecados. O cordeiro foi aceito como o resgate do homem culpado. O uso diário deste
sacrifício no culto do tabernáculo e do templo era um lembrete constante da pecaminosi-
dade do homem e da santidade de Deus, como também o uso ocasional depois de doença,
parto e votos. Ao trazer um sacrifício a pessoa reconheceu sua pecaminosidade e culpa.
Também ela confessou publicamente a sua fé no Senhor, sua gratidão por bênçãos no
passado e sua resolução a viver de acordo com a santa vontade de Deus todos os dias da
sua vida.” (WENHAM, p.63)
c. O Holocausto no NT
1) O conceito de RESGATE, ligado com o sacrifício de Cristo: cf. Mc 10.45; Ef 5.2; —
1Pe 1.18-19. Cf. Hb 7.27 – uma só vez.
2) A oferta do FILHO, ligando Isaque (Gn 22) e Cristo: cf. Jo 3.16; Rm 8.32.
3) A ideia do cristão oferecer sacrifícios agradáveis a Deus: cf. Hb 13.15-16; Fp 4.18;
1Pe 2.5.
d. O Holocausto e o Cristão
1) Por causa do resgate pago por Cristo, podemos entrar na presença de Deus, a
despeito dos nossos pecados (cf. Rm 5.1; Hb 10.19-25, 26-39).
2) Por outro lado, devemos reconhecer a seriedade do pecado, que só pode ser
expiado pela morte (cf. Rm 6.23; Hb 9.16 – 10.18).
3) Esta era a oferta diária, nos lembrando da necessidade de confissão diária dos
pecados (cf. 1Jo 1.7-9; cf. Hb 10.1-18).
2. A Oferta de Manjares
a. Referências Bíblicas
Lv 2; 6.14-23; Nm 15.1-21; cf. Dt 26.1-15.
b. Significado
“A oferta de manjares, então, era um presente do adorador para Deus. Ela
normalmente seguia o holocausto [cf. Nm 28 e 29]. Deus tendo perdoado os pecados pelo
holocausto, o adorador respondeu, dando a Ele uma parte dos produtos das suas mãos
nesta oferta. Era um ato de dedicação e consagração a Deus como Salvador e Rei pactual.
Expressava, não somente gratidão, como também obediência e disposição a guardar a lei.
Como o holocausto, a oferta de manjares era um sacrifício que era repetido muitas vezes
na vida do adorador. A natureza pecaminosa do homem exige que ele procure o perdão
divino repetidamente e que ele renove a sua dedicação a Deus e a seus votos pactuais.”
(WENHAM, pp.71-72) Se esta avaliação é correta, pode explicar em parte por que Deus
rejeitou a oferta de Caim: ele tentou chegar a Deus em “adoração” e “dedicação” sem
primeiro arrepender-se dos pecados e procurar perdão pela oferta de sangue.
c. A oferta de manjares e o NT, e o Cristão
1) A dedicação da vida e do trabalho do crente: cf. Rm 12.1-2; Hb 13.15-16.
2) Esta oferta supria grande parte do alimento dos sacerdotes e assim os instruídos
devem sustentar seus líderes: cf. 1Co 9.3-14 (Lc 10.7); Gl 6.6.

2
Cf. Sl 22.25; 50.14; 56.12; 61.5, 8; 65.1; 66.13; 76.11; 116.14, 18; 132.2.
Levítico, p.91

3) A essas referências que WENHAM fornece, podemos acrescentar as advertências


contra os efeitos do pecado, usando a figura do lêvedo: cf. Mt 16.5-12; 1Co 5.6-8.
3. O Sacrifício Pacífico
a. Referências Bíblicas
Lv 3; 7.11-34; 1Sm 1.10-11, 24-28; 2Sm 24.18-25; Sls 50, 56, 66. Geralmente, era oferecido
junto com o holocausto: Jz 20.26; 21.4; 2Sm 24.25; cf. tb. Êx 24.5; Dt 27.7; 1Rs 8.63.
b. Significado
A interpretação tradicional, ligando o sacrifício com “paz”, é ainda a mais aceitável.
“A verdadeira paz quer dizer saúde, prosperidade e paz com Deus, i.e., salvação.”
(WENHAM, p.77) Uma forma da raiz verbal quer dizer “recompensar, retribuir”. Este
sentido é visto nos três tipos de sacrifício pacífico (7.11-21):
1) A confissão, ou de pecado (cf. 2Sm 24.25 – antes do livramento), ou da misericórdia
de Deus (cf. Sl 56.12-13 – às vezes depois do livramento). Aqui o adorador está
retribuindo louvor pela salvação que Deus providenciou (cf. Sl 50.15; 116.17).
2) O voto, uma promessa de dedicação (de si mesmo ou de alguma coisa) a Deus,
procurando a resposta de uma oração (cf. Gn 28.20-22 & 35.1-7; 1Sm 1.10-11 & 24-
28; Sl 22.25; 50.14; 56.12; 61.5, 8; 65.1; 66.13-15 – junto com holocaustos; 76.11;
116.14, 18; em Pv 7.14 a mulher adúltera pratica a sua religião enquanto seduz o
jovem simples). Aqui a recompensa era o pagamento do voto, acompanhado pelo
sacrifício.
3) A oferta voluntária, “um ato espontâneo de generosidade pelo adorador, estimulado
pela bondade de Deus, e.g. na colheita (Dt 16.10; cf. Sl 50.14-15, 23 [cf. tb. Sl 54.6];
119.108). Os outros tipos de sacrifício pacífico eram estreitamente ligados à petição,
...a oferta voluntária, porém, veio como resposta à generosidade inesperada de
Deus.” (WENHAM, p.79) Novamente, o homem está retribuindo louvor a Deus pela
bênção recebida.
Outro aspecto importante neste sacrifício era a comunhão (a NVI traduz a frase por
“oferta de comunhão”). Este era o único sacrifício em que o adorador participava da
carne do animal. Era uma refeição festiva, um momento de alegria perante o Senhor —
(cf. Dt 12.7, 12, 18; 16.10-12; cf. tb. 26.1-15; mas veja Pv 7.14).
c. O Sacrifício Pacífico e o NT, e o Cristão
1) É visto principalmente em conexão com a Ceia do Senhor. Na última ceia, Jesus
disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”, aludindo à ratificação do pacto
em Sinai (Êx 24.8). Esta ceia era uma refeição (cf. Êx 24.9-11). A Páscoa era um
tipo especial de sacrifício pacífico. Há muitas semelhanças entre a Ceia do Senhor e
este sacrifício: a necessidade de purificação (Lv 7.20 & 1Co 11.27), o elemento de
comunhão (cf. 1Co 10.16-21), e a ideia de votos e dedicação.
2) Em geral, as festas e os sociais em que os crentes ou famílias crentes se reunem para
celebrar a bênção de Deus (num aniversário, casamento, ou qualquer oportunidade).
4. O Sacrifício pelo Pecado
a. Referências Bíblicas
Lv 4.1 – 5.13; 6.24-30; 8.14-17; 16.3-22; Nm 15.22-31; 28.15, 22, 30; 29.5, 11, 16, 19,
22, 25, 28, 31, 34, 38.
b. Significado
1) O nome do sacrifício
“Sacrifício pelo pecado” realmente não é muito exato, porque todo sacrifício era
pelo pecado. Sem pecado, i.e., sem uma falta quanto às exigências da lei, nenhum
sacrifício seria necessário. Portanto, queremos outro nome que identifique a função
exata deste sacrifício. Uma indicação se encontra no nome (hatta't), que às vezes
significa “pecado”, mas que vem de uma forma do verbo que quer dizer “des-pecar”
(i.e., tirar os efeitos do pecado cometido, ou, em outras palavras, purificar). Seria mas
acurado chama-lo de “sacrifício de purificação”.
2) Sacrifício “pelo pecado”
Tradicionalmente este é considerado o sacrifício especificamente pelo pecado,
enquanto que os outros representam outros aspectos da vida espiritual, e.g.,
consagração ou comunhão. É notável, por exemplo, que a frase “fazer expiação”
aparece 10 vezes na discussão do sacrifício pelo pecado e pela culpa, enquanto que
aparece uma só vez em cps.1-3. Por outro lado, cada parte da cerimônia de
Levítico, p.92

purificação do leproso fazia expiação: a manipulação do sangue e do azeite do


sacrifício pela culpa (Lv 14.18,21), o sacrifício pelo pecado (v.19), e o holocausto
(v.20). No Dia de Expiação tanto o sacrifício pelo pecado (Lv 16.6, 11, 16) como
também o holocausto (v.24) faziam expiação. Todos os sacrifícios tratavam do
pecado, mas cada um visava certos aspectos. Este sacrifício tratava do problema de
poluição, levando o ofertante do estado de imundo para o de limpo.
3) O sangue do sacrifício
No holocausto e no sacrifício pacífico, o sacerdote espargia o sangue sobre o altar
ao redor, mas no sacrifício de purificação, ele pôs o sangue nos chifres do altar e, em
oferta pelo sacerdote ou pela nação, ele o espargiu diante do véu. No Dia de
Expiação, ele entrou no Santíssimo Lugar com o sangue. A ideia é que o tabernáculo
era a habitação de Deus no meio do povo. O pecado do povo poluia o tabernáculo,
fazendo necessário que fosse purificado (cf. Lv 8.14-15). O sacrifício também
purificava o ofertante (cf. Lv 12.6-7; 14.19-20).
c. O Sacrifício para Purificação e o NT
1) No AT o sangue purificava o tabernáculo e o adorador. No NT esses dois são unidos,
visto que o corpo do cristão é o tabernáculo de Deus (cf. 1Pe 1.2; 1Jo 1.7; 1Co 6.19).
2) O livro de Hebreus desenvolve o significado do sacrifício de Cristo (cps.9; 10; cf. tb.
13.10-16 / Lv 4.11-12).
d. O Sacrifício para Purificação e o Cristão
1) Ilustra a necessidade de purificar a habitação do Espírito Santo de qualquer poluição
causada pelo pecado. A cerimônia do sangue vai até onde o ofertante tem acesso.
2) Há alguns graus de responsabilidade – exige-se mais do líder do que do membro em
geral, e mais ainda do sacerdote. Mas quanto ao pecado em si, seja quem for o
pecador, é algo sério e exige sacrifício.
3) Confissão do pecado faz parte integral do processo de expiação.
5. O Sacrifício pela Culpa
a. Referências Bíblicas
Lv 5.14 – 6.7; 7.1-6; 14.12-18, 23-29; Nm 5.5-10; 6.9-12; Is 53.10.
b. Significado
O elemento distintivo neste sacrifício era a restituição. O pagamento ao próximo o
compensava pelo prejuízo que sofreu, e o sacrifício pela culpa compensava a Deus,
pagando o que devia a Ele. O leproso, excluído da comunidade, não prestava serviço a
Deus e acumulava uma dívida, que seria paga no dia da purificação (Lv 14.12-18). O
nazireado que foi contaminado, ficou devendo a Deus e precisava oferecer um sacrifício
de recompensa (Nm 6.12). “Assim a oferta de reparação demonstra que há outro aspecto
do pecado que não é coberto pelos outros sacrifícios. É o aspecto de satisfação ou com-
pensação. Se o holocausto traz reconciliação entre Deus e o homem, o sacrifício para
purificação, ou pelo pecado, traz purificação, enquanto que a oferta de reparação traz
satisfação pelo pagamento pelo pecado.” (WENHAM, p.111)
c. O Sacrifício de Compensação e o NT, e o Cristão
1) Não há menção desse sacrifício no NT, mas há citações e muitas alusões a Is 53 (cf.
v.1 = Jo 12.38 & Rm 10.16; v.4 = Mt 8.14; vv.5-6 = 1Pe 2.24-25; v.9 = 1Pe 2.22; v.12
= Lc 22.37). O único tipo de sacrifício mencionado no capítulo inteiro é a oferta pela
culpa ou de compensação. Concluímos, então, que a morte de Cristo é cumprimento
de cada um dos sacrifícios de Levítico, e que nenhum é uma descrição exaustiva.
2) Visto que este sacrifício vinha junto com a compensação, nós também devemos
reconhecer que nosso relacionamento com os homens é intimamente ligado ao nosso
relacionamento com Deus (cf. Mt 6.14-15; 1Jo 4.20; cf. tb. Mt 5.23-24; Lc 19.8-9).
Conclusão
a. A distinção entre as primeiras três ofertas (holocausto, manjares, pacífica) e as últimas
duas (pelo pecado e pela culpa).
1) A frase repetida na regulamentação dessas primeiras três ofertas é “oferta queimada
de aroma agradável ao SENHOR” (1.9, 13, 17; 2.2, 9, 11-12, [16]; 3.[3], 5, [9, 11, 14],
16; mas só uma vez em 4.1 – 6.7 [4.31]). Parece indicar uma ênfase em
APAZIGUAR A IRA DE DEUS contra o pecado.
Levítico, p.93

2) A frase repetida nessas últimas duas ofertas é “o sacerdote por ele fará expiação
[realizando o ritual do sacrifício], e ele será perdoado” (4.20, 26, 31, 35; 5.6, 10, 13,
16, 18; 6.7; mas só uma vez em cps.1-3 [1.4]). Parece indicar uma ênfase em
EXPIAR o pecado (i.e., pagar o resgate ou penalidade – cf. 5.5-6 e 6.4-7).
Em Números 28-29, que especifica as ofertas obrigatórias para o calendário religioso,
notamos a mesma distinção. Haviam holocaustos, acompanhados de ofertas de manjares
e libações, “em oferta queimada de aroma agradável ao Senhor” (cf. 28.2, 3, 6, 8, 13,
19, 24, 27; 29.2, 6, 8, 13, 36) e sacrifícios pelo pecado “para fazer expiação por vós”
(cf. 28.22, 30; 29.5).
b. A distinção entre as duas ofertas de expiação (pelo pecado e pela culpa).
1) No primeiro caso, a culpa parece ser resultado mais da desobediência contra alguma
regra. Para tirar a culpa é necessário CONFESSAR o pecado e trazer a oferta (5.5-6).
2) No segundo caso, o pecador parece ser culpado de defraudar outrem. Para tirar a
culpa é necessário fazer RESTITUIÇÃO e trazer a oferta (6.4-7).
c. A relação de cps.6-7 a cps.1-5.
1) “O tema principal [de cps.6-7] é o consumo da carne sacrificial…: quem é permitido
comer o que, e onde. Na maioria dos casos somente os sacerdotes podiam comer
os sacrifícios, mas os leigos podiam participar na oferta pacífica, e isso leva à
introdução de regras mais gerais acerca do consumo em 7.22-27 e acerca das
porções da oferta pacífica reservadas para os sacerdotes em 7.28-36.” (WENHAM,
p.116)
2) Os “cps.1-5 se dirigem a qualquer israelita que precisa oferecer um sacrifício. Eles
se concentram em o que o adorador precisa fazer. (¶) Em contraste, cps.6-7
focalizam no papel do sacerdote no culto.” (WENHAM, p.117)
3) “Em cps.1-5 o motivo pelo arranjo parece ser teológico: as ‘ofertas de alimento’
[ofertas queimadas] produzindo ‘um aroma suave ao Senhor’ são agrupadas (cps.1-
3), e então vêm as ofertas de purificação e reparação (cps.4-5) assegurando o
perdão dos pecados. [As últimas duas ofertas são tradicionalmente chamadas de
oferta pelo pecado e pela culpa, respectivamente.] Em cps.6-7 os sacrifícios são
organizados em ordem de frequência.” (WENHAM, p.118)
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 5.1-13 — pecados exigindo uma oferta pelo pecado; faça uma exposição de
Lv 5.14 – 6.7 — pecados exigindo uma oferta pela culpa.]
d. Observações sobre alguns detalhes.
1) “Tudo que tocar neles será santo” (6.18, 27; cf. Êx 29.37; 30.29; cf. tb. Dt 22.9). O
propósito desta declaração é obscuro, o que dificulta a tradução exata. Parece ser
uma advertência ao israelita comum para evitar contato com o santo, para que não
fique restrito, tendo que se redimir (cf. cp.27).
2) Fermento (proibido) e sal (exigido) nos sacrifícios.
a) Fermento (cf. Êx 23.18; Lv 2.4-5, 11-12, 6.16-17;)
b) Sal (cf. Lv 2.13; Ez 43.22 [cf. vv.18-27])
3) A proibição do consumo de gordura e sangue (7.22-27; veja a exposição sobre
17.10-16). É proibido o consumo da gordura de qualquer animal de sacrifício (gado
bovino, ovino e caprino), pois deveria ser queimado no altar. A mesma proibição se
aplica a qualquer animal que não foi abatido, só que a gordura dele poderia ser
aproveitada de outra maneira. Supõe-se então que seria permitido o consumo da
gordura de animal de caça, que não podia ser sacrificado. Quanto ao sangue, a
proibição é geral. Referências associando gordura e sangue:
a) Proibição do consumo de gordura e sangue: Lv 3.17; 7.22-27; cp.17.
b) No contexto do culto, representando sacrifícios: Êx 23.18; Lv 7.33; 17.6; Is 1.11;
Ez 44.7, 15.
c) No contexto de guerra, usando a figura de sacrifício (i.e., o inimigo morto na
batalha era um sacrifício oferecido a Deus – Is 34.6-7 & talvez 2Sm 1.22; ou as
aves de rapina devorando as carcassas dos mortos, como se fossem sacrifícios
– Ez 39.17-20).
d) Outro uso figurado, representando o produto melhor: Dt 32.14b.
Levítico, p.94

4) O significado da “oferta movida” (7.30 – ARA & ARC) e da “oferta alçada” (7.32 – ARC).
(cf. WENHAM, pp.126-127)
“Oferta movida” (tenupáh) “Oferta alçada” (terumáh)

Etimologia: A raiz napáh tem vários significados, A raiz rûm significa ‘ser alto,
dependendo da forma do verbo, mas elevado’ (forma simples do
esta forma específica tem a ideia de verbo); ‘criar’, ‘levantar’;
‘mover’ ou ‘balançar’. É usado de ‘levantar, alçar’, ‘retirar,
implemento, da mão (em sinal), e do remover’, ou ‘oferecer,
ato cerimonial ligado a esta oferta. contribuir’; ‘exaltar-se a si
mesmo’.

Interpretação da Uma oferta movida horizontalmente. Uma oferta movida


tradição judaica Esta explicação se complica na passa- verticalmente.
(baseada nas gem sobre a consagração dos levitas
raízes): em Nm.8:5-26, onde diz que “Arão os
apresentou por oferta movida perante o
Senhor”.

Interpretação de É uma oferta dedicada a Deus, um ato É uma contribuição, com


alguns comenta- religioso, algo sagrado. origens seculares, que não
ristas modernos: exige nenhuma cerimônia
especial.

[PESQUISA: 1–Escolha UM dos tipos de sacrifício tratados em Lv 1-7 para fazer um estudo sobre ele. Faça uma
descrição precisa do ritual ligado à oferta. Elabore o significado do sacrifício, baseando-se rigorosamente no texto
bíblico: a passagem em Lv 1-7 e outras passagens que mencionam o sacrifício ou algum aspecto dele. Faça aplica-
ção ao crente neotestamentário. 2– Faça uma comparação entre os tipos de sacrifício em um dos seguintes pares:
holocausto X oferta pacífica, ofertas queimadas de aroma suave X ofertas de expiação, oferta pelo pecado X oferta
pela culpa. O propósito é descrever o significado de ambos da maneira mais exata possível. Procure basear-se
rigorosamente no texto bíblico, demonstrando as afirmações com referências e explicando essas referências (Lv 1-7
e outras passagens que mencionam o sacrifício ou algum aspecto deles).]
B. Sacerdócio (8-10)
Há certos paralelos na estrutura destes três capítulos (adaptado de WENHAM, p.133; ele
diz que os capítulos são três pinturas desenhadas com o intuito de serem expostas juntas,
a fim de iluminar e enriquecer o significado uma da outra, ou, em termos musicais,
podem ser descritos como um tema e duas variações).
Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10
1 O S ENHOR diz a Moisés 2 Moisés diz a Arão
2 “Toma” 2 “Toma”
4 Moisés fez 5 [sacerdotes] trouxeram 1 Nadabe e Abiú …trouxeram
como lhe ordenara o que ordenara o que NÃO lhes ordenara
2 fogo de diante do SENHOR … morreram
5 Moisés diz: “Esta é a coisa…” 6 Moisés diz: “Esta é a coisa…” 3 Moisés diz: “Isto é…”
6 Moisés faz chegar a A. e filhos 7 Moisés diz a Arão: 4 Moisés diz aos primos de Arão:
“Chega-te” “…tirai vossos irmãos … para fora”
7 Moisés veste Arão 6 Moisés diz a Arão:
“Não … rasgueis as vossas vestes”
12 Moisés unge Arão 7 Arão não pode sair, por causa da unção
14 Moisés oferece a of. p/ pecado 8 Arão 1º oferece sua of. p/ pec.
15 e depois a of. do povo 8-11: O S ENHOR instrui Arão,
18 Moisés oferece o holocausto 12 Arão 1º oferece seu holocausto para que faça distinção
16 e depois o holocausto do povo entre o santo e profano, etc.
22 Moisés oferece o sac. pacífico 18 Arão oferece o sac. pac. do povo
31 Moisés diz a Arão e seus filhos: 12 Moisés diz a Arão e seus filhos:
Comer no santuário Comer no santuário
33 Permanecer no santuário 22ss Benção sobre o povo, 20 Moisés satisfeito
para que não morrais fogo de diante do SENHOR
Levítico, p.95

1. Consagração de Arão e seus filhos: o primeiro dia (cp.8). Moisés fez o papel do sacerdote.
Introdução: a ordem de Deus aqui (8.1-4) subentende as ordens registradas no livro de
Êxodo; é uma narrativa só. “Toma Arão, e seus filhos, e as vestes, e o óleo da unção,
como também o novilho da oferta pelo pecado, e os dois carneiros, e o cesto dos pães
asmos.” Que vestes são estas? As que Deus mandou fazer em Êx 28 e que foram
confeccionadas em Êx 39.1-31. Que óleo? Veja a receita e instruções acerca do uso em
Êx 30.22-33. Que novilho, etc.? São as ofertas para a cerimônia de consagração que o
SENHOR ordenou em Êx 29 e 40.12-15. Levítico 8 ressalta a obediência de Moisés a estas
instruções (6X indica que Moisés fez “como o SENHOR lhe ordenara”: cada passo da
cerimônia; no final do capítulo, o texto afirma que Arão e seus filhos assim fizeram; a
frase aparece um total de 8X no capítulo – veja nota sob Êx 7.6 e as observações em —
Êx 39.1-39 e Lv 9). Esta ênfase no fato que o sacerdócio foi estabelecido segundo as
instruções de Deus se torna importante mais adiante quando alguns levantam sérias
questões sobre quem deveria servir no santuário (Nm 16-18), dando a ideia de que
Moisés e Arão estavam aproveitando a sua posição de liderança no êxodo para sujeitar o
povo a eles próprios.
a. Primeiro, Moisés lavou e vestiu os sacerdotes, e ungiu o tabernáculo e os sacerdotes
(8.5-13; cf. Êx 29.1-9).
b. Então ele ofereceu uma série de sacrifícios (8.14-30).
1) Oferta pelo pecado (8.14-17; cf. Êx 29.10-14)
2) Holocausto (8.18-21; cf. Êx 29.15-18)
3) Oferta de ordenação (8.22-30; cf. Êx 29.19-34).
a) Era um tipo de sacrifício pacífico (cf. Êx 29.28; era uma oferta queimada em que
os ofertantes comeram parte da carne [vv.31-36]; cf. tb. o paralelo em 9.18-21),
mais especificamente um sacrifício de confissão (cf. Êx 29.34 & Lv 7.15).
b) Tinha também alguns aspectos da oferta pela culpa (a cerimônia de pôr sangue
na orelha e polegares – cf. 14.12 & 14, 24-25, onde é feito com o leproso curado
da sua doença). Como esta cerimônia fazia parte do processo de trazer o
imundo para dentro da congregação dos puros, assim também funcionava para
trazer o puro para dentro do santuário, lugar onde os santos ministravam. O
leproso também trazia os mesmos três sacrifícios, mas eram oferecidos em
ordem diferente. Moisés também aspergiu Arão e seus filhos com óleo de unção
e com sangue do altar (v.30; cf. a ratificação da aliança – Êx 24.8).
c) A cerimônia de “mover” o sacrifício (vv.25-29; Êx 29.22-26) era ligada a ambos
os tipos de oferta: cf. sacrifício pacífico em Lv 7.30 e a oferta pela culpa em ——
Lv 14.12, 24. Contudo, os detalhes aqui, especificando as partes que seriam
queimadas no altar, combinam melhor com o sacrifício pacífico.
c. Finalmente, Arão e seus filhos tomaram a refeição do sacrifício de ordenação (8.31-36).
2. O início do ministério sacerdotal: o oitavo dia da consagração (cp.9). Os sacerdotes agiram
conforme a ordem de Deus por meio de Moisés (cf. vv.5, 6, 7, 10, 21 – veja nota sob ——
Êx 7.6, o comentário sobre Êx 39.1-31, e as observações sobre Lv 8 e 16.34), para que a
glória do SENHOR aparecesse ao povo. Deus respondeu em Sua glória revelada a todo o povo
e com fogo que consumiu as ofertas (v.24; cf. 2Cr 7.1; 1Rs 18.38). WENHAM chama aten-
ção ao fato que Arão, um dos principais vilões no pecado do bezerro de ouro, recebeu pleno
perdão e seu ministério foi aceito aqui. O comentarista compara isso com a restauração de
Simão Pedro.
3. O pecado e a morte de Nadabe e Abiú (cp.10)
 O que foi o pecado deles?
 Eles tentaram oferecer “fogo estranho…, o que lhes não ordenara” (v.1). É possível que
fosse uma cerimônia pagã, ou talvez apenas a sua própria ideia. De qualquer modo não
foi conforme o que Deus havia ordenado. Na Sua casa, quem manda é Ele: a frase “o que
lhes não ordenara” está em forte contraste com a obediência com relação ao sacerdócio
que já foi observada nas atividades em Êx 39 e Lv 8-9 e nas ações subsequentes aqui em
cp.10 (2X; cf. tb. 1Co 3.16-17; 6.19-20).
 É muito interessante que logo após o ocorrido, o SENHOR proibe o uso de bebidas alcoó-
licas quando servindo no tabernáculo (v.9). Isso provavelmente está indicando a razão
porque Nadabe e Abiú agiram irresponsavelmente – eles estavam bêbados (cf. Is 28.7).
Interessante também é o fato de Deus falar diretamente a Arão (v.8). É a única vez que
Levítico, p.96

isso acontece no livro (o SENHOR fala mais uma vez a Arão em Nm 18.8).3
 Em 16.1-2, o texto diz: “Falou o SENHOR a Moisés, depois que morreram os dois filhos
de Arão, tendo chegado aqueles diante do SENHOR … Dize a Arão, teu irmão, que não
entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está
sobre a arca, para que não morra…” O que segue são as instruções para o Dia de Expia-
ção, a única ocasião em que alguém entrava no Santo dos Santos. Era com o sangue do
sacrifício e com a fumaça do incenso (“para que a nuvem do incenso cubra o propiciató-
rio, que está sobre o Testemunho, para que não morra”, v.13). É possível que eles tenham
entrado, ou tentado entrar no Santo dos Santos na ocasião que eles escolheram, sem o
sangue do sacrifício e com fogo que Deus não havia ordenado.
 Note o paralelo entre o fogo que consumiu as ofertas (9.24) e o fogo que consumiu Nadabe
e Abiú (10.2). São exatamente as mesmas palavras, menos o objeto direto do verbo. O
sacrifício sofre no lugar do ofertante o que o ofertante no seu pecado deveria sofrer. Se o
ofertante não seguir as normas que Deus ordenou para as ofertas, ele mesmo sofre. 4 Em
ambos os casos, Deus manifesta a Sua glória (9.23-24 e 10.3).
 A santidade de Deus é algo que exige grande responsabilidade (cf. v.3).
“Serei santificado entre aqueles que se aproximarem de mim
“e serei glorificado diante de todo o povo.”
Note o paralelismo: quando os sacerdotes, que têm maior acesso a Deus, o tratam com a
devida reverência, eles o engrandecem diante do povo em geral. Qualquer intimidade com
Deus necessita que Ele seja reconhecido como Deus. O SENHOR nem permitiu que Arão
entrasse em luto pelos próprios filhos, visto que ele estava servindo no tabernáculo (vv.6-7).
Do mesmo modo, não podemos encarar uma posiçã de liderança na igreja como oportuni-
dade para engrandecer-se, mas de servir a Deus com temor e tremor, e servir os irmãos com
amor e humildade. Ao tratar com o povo de Deus, por mais difícil que seja, o líder nunca
deve esquecer que é povo DE DEUS. Moisés e Arão descobriram isso nas águas de Meribá
(Nm 20.1-13).
Uma observação final: Quais as funções do sacerdote? Podemos reduzir tudo que faziam a uma
função básica, de intermediário entre Deus e os homens. Este relacionamento se realiza nas
duas direções, de Deus para o homem e do homem para Deus. Quanto à primeira, o sacerdote
é fonte de instrução, indicando o caminho de Deus para os homens (cf. Dt 17.8-13; Ne 8.1-8;
Jr 18.18; Ml 2.1-9; Mt 5-7 e o ensino de Jesus em geral). No contexto de Lv 10, o SENHOR
fez a proibição de bebidas alcoólicas…
“para fazerdes diferença entre o santo e o profano
e entre o imundo e o limpo
“e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos
que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de Moisés.” (vv.10-11)
Quanto à segunda função, o sacerdote representa o homem pecador diante do Deus santo
fazendo expiação e intercessão (Lv 9.15-22; 10.16-18; cf. Nm 14.5; 16.43-50; Jr 14-15; ——
Hb 5.1-10 [cf. Hb 5-10]).
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 10.1-11 — Nadabe e Abiú.]
C. Purificação (11-16)
1. Animais puros e impuros (cp.11) Cf. o ensino de Cristo em Mt 15.10-20 / Mc 7.14-23, a lição
dada a Pedro em At 10-11 (esp. 10.9-20, 34-35 & 11.1-18), e o ensino de Paulo em Rm 14.1 –
15.13; cf. tb. 1Tm 4.4-5; Tt 1.15.
a. Animais terrestres, i.e., gado (11.1-8). Era considerado limpo qualquer animal que tinha
unhas fendidas e que ruminava.
b. Animais aquáticos (11.9-12). Era considerado limpo qualquer todos que tinham
barbatanas e escamas.

3
Em 11 ocasiões Deus se dirigiu a Moisés e Arão, mas normalmente ele fala a Moisés, que então comunica a quem
diz respeito (14 vezes em Êxodo, 29 em Levítico e 43 em Números).
4
A narrativa em Nm 16.35 usa quase a mesma frase para relatar a morte de Coré e os 250 homens que chegaram
paraa oferecer incenso no tabernáculo. Deus deixou claríssimo que somente as pessoas que Ele autorizou poderiam
aproximar-se dEle. Em Hb 10.22 o autor nos convida a nos aproximarmos de Deus porque Cristo abriu o caminho
(veja vv.19-25). O contexto veterotestamentário indica que esta aproximação trata do serviço sacerdotal.
Levítico, p.97

c. Aves e morcegos (11.13-19). Não havia regra geral; em vez disso, uma lista de animais
voadores imundos.
d. Insetos voadores (11.20-23). Somente aqueles cujas pernas traseiras eram mais
compridas, para saltarem, eram limpos.
e. Resumo (11.24-28): quem tocasse a carcassa de animal imundo precisava lavar as
roupas e permanecia imundo até a noite.
f. Animais terrestres menores: mamíferos, répteis e insetos (11.29-45). Como no caso das
aves, a lei não apresenta regra geral, e sim, uma lista de animais imundos. Se a carcassa
de um animal caísse em água, ela também ficava imunda, e tudo que tocasse, a não ser
que fosse uma quantidade grande. Os vv.44-45 enfatizam o princípio-base para a
proibição destes animais, que é a santidade de Deus, a qual deve ser refletida no Seu
povo. O lema (“sede santos porque eu sou santo”) aparece em vários trechos e é citado
em 1Pe 1.15-16.
g. Conclusão (11.46-47)
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 11 — animais puros e impuros.]
2. Purificação depois do parto (cp.12; vv.2 & 5: cf. 15.19-24). WENHAM observa que a
estrutura desta lei se vê em outros casos nos próximos capítulos:
Parto Doença e mofo Fluxos 1 Fluxos 2
O período de imundície 12.2ss. 13.1ss. 15.1ss. 15.25ss.
O sacrifício 12.6-7 14.1ss. 15.14-15 15.29-30
Sumário 12.7 13.59; 14.32, 54 15.32-33
Provisão para os pobres 12.8 14.21ss. Lucas e se refere à provisão para os pobres
(12.8) ao narrar a purificação de Maria
depois em Lc 2.22-24. Também cita Êx 13.1.
Comentando sobre o fato aparentemente estranho de que o parto, um processo natural e que é
sinal de benção, torna a mulher imunda durante 40 ou 80 dias, WENHAM diz: “…o sangue é
ao mesmo tempo o meio mais eficaz de purificação ritual (“é o sangue que fará expiação”
17.11) e a substância mais poluidora quando está no lugar errado. Isto é profundo. Nossas
maiores tristezas são resultados da corrupção do nosso bem maior….” (WENHAM, p.188)
Não há explicação médica por que o período de imundície para meninas é o dobro do período
para meninos. Provavelmente é questão da posição da mulher naquela sociedade (cf. 27.2-7).
3. Identificação e purificação de doenças na pele e mofo na casa (cp.13-14).
Introdução (WENHAM, pp.192-197).
1) A estrutura básica destes capítulos: cada seção é introduzida pela frase “Disse o
SENHOR a Moisés (e Arão)…” e concluída pela frase “Esta é a lei…”.
2) Quanto ao tipo de doença, não é exclusivamente a lepra (hanseníase). Parece ser
algo em que a pele se descascava. Quando isto acontece a pele se torna branco, mas
a cor não é o fator essencial, e sim, o descascamento. Um comentarista (Hulse)
sugere psoríase (13.2ss.), favo (13.29ss.), e vitiligo ou leucodermia (13.38-39).
3) O método de tratamento era basicamente exames repetidos e quarentena (no caso
em que a doença fosse confirmada). Quando curado, a pessoa precisava passar por
uma cerimônia de purificação e então rapar todo o cabelo e lavar o corpo e a roupa.
Para reentrar na congregação era necessário trazer sacrifícios (oferta pela culpa,
pelo pecado, holocausto e oferta de manjares).
a. Diagnóstica e tratamento de uma doença da pele (13.1-59).
1) Doença da pele (vv.1-46).
2) Mofo numa roupa ou um objeto (vv.47-59).
b. Purificação ritual depois da cura de uma doença da pele (14.1-32). Algo interessante
neste ritual é a aplicação do sangue da oferta pela culpa na orelha, no polegar e no
dedão do pé (v.14). A única outra ocasião em que se fazia isso era a consagração do
sacerdote (8.23), mas era o sangue do carneiro da consagração, que era uma oferta
pacífica (veja a exposição ali). A razão da diferença é que a pessoa recuperada de uma
doença da pele estava sendo restaurada à comunhão com Deus no culto.
“A linha de conexão que sai de Êxodo 19.6a, onde o Senhor designa todo o Israel para
ser um ‘reino de sacerdotes’, passa pela ratificação da aliança e pelo ritual de
Levítico, p.98

ordenação / consagração para esse reino de sacerdotes, em Êxodo 24, em direção à


ordenação e consagração dos ‘sacerdotes do reino’ araônicos, em Levítico 8. Em
seguida, volta novamente a Levítico 14, à reconsagração da pessoa que tinha sido
separada do ‘reino de sacerdotes’, por causa de sua condição enferma.”5
c. Mofo nas casas: diagnóstica, tratamento, e purificação (14.33-57).
4. Fluxos que causam imundície e seu tratamento (cp.15). Fluxos de longo prazo requeriam
sacrifício para reentrar na congregação. Contato com pessoas imundas, e fluxos ocasionais
eram tratados apenas com a lavagem da roupa e do corpo (cf. Ef 5.25-27; Tt 3.4-7). A ESV
Study Bible6 observa uma estrutura simétrica:
a. Homens: casos mais sérios de fluxo (15.1-15).
b. Homens: emissão do sêmen (15.16-17).
c. Homens e mulheres: coabitação (15.18).
d. Mulheres: Menstruação (15.19-24).
e. Mulheres: casos mais sérios de fluxo (15.25-30)
Conclusão: O propósito desta lei (15.31) que os israelitas se separem da imundície que
poluiria a habitação de Deus no meio de Israel, que por sua vez traria a morte. O capítulo
encerra com um resumo dos assuntos tratados (15.32-33).
5. O Dia de Expiação (cp.16). WENHAM (p.228) analisa o capítulo assim:
Introdução (16.1-2)
a. Os animais e as roupas necessárias para as cerimônias (16.3-5)
b. Esboço das cerimônias (16.6-10)
c. Descrição detalhada das cerimônias (16.11-28)
1) Os rituais em que o sangue era aspergido (vv.11-19)
2) O bode emissário (vv.20-22)
3) A purificação dos participantes (vv.23-28)
d. O dever do povo (16.29-34). É notável que a cerimônia dos sacerdotes não era suficiente
em si. O povo também tinha uma participação importante, o arrependimento, afligindo
as suas almas (cf. Sl 35.13).
“E fez Arão como o Senhor ordenara a Moisés” (v.34b – veja nota sob Êx 7.6 e
observação sobre 24.23).
Conclusão: O significado do Dia de Expiação:
 O santuário era purificado pela cerimônia no tabernáculo.
 O pecado era afastado do povo simbolicamente pela cerimônia com o bode emissário, visto
pelo público em geral.
 O povo se arrependia do seu pecado diante de Deus.
O livro de Hebreus especialmente desenvolve o ensino sobre o Dia de Expiação. Na Nova
Aliança, nós temos um sacerdote perfeito, que oferece um sacrifício perfeito, e por causa
disso ele o oferece uma vez por todas. Portanto devemos perseverar na nossa fé em Jesus,
com ousadia, firmeza, e atenção uns aos outros para ajudar onde necessário. Não há outro
caminho, portanto, ai daquele que o abandona!
Jerry Bridges oferece uma explicação simples e clara dos dois bodes usados neste dia:
“A propiciação é direcionada à ira de Deus. É a obra de Cristo salvando-
nos dessa ira e recebendo-a no nosso lugar. A expiação, que significa
basicamente ‘remoção’, acompanha a propiciação e fala da obra de
Cristo em remover ou afastar o nosso pecado. Isso é o simbolismo dos
dois bodes usados no Dia da Expiação (Levítico 16.20-22). O primeiro
bode representava a obra propiciatória de Cristo, sendo morto e seu
sangue sendo aspergido no propiciatório. O segundo bode reprentava a

5
Richard E. Averbeck, em Darrell L. Bock e Mitch Glaser, O Servo Sofredor (São Paulo: Cultura Cristã, 2015),
p.46.
6
ESV Study Bible (Wheaton: Crossway, 2008), p.236.
Levítico, p.99

obra expiatória de Cristo, removendo ou apagando os pecados que eram


contra nós. O objeto da propiciação é a ira de Deus; o objeto da expiação
é o nosso pecado, que precisa ser removido da presença dEle.
Os dois bodes juntos constituíam uma oferta, e ambos representam a obra
de Cristo por nós. Seria blasfêmia contra o santo Deus soltar um bode no
deserto sem primeiro sacrificar o bode cujo sangue simbolizava o sangue
Cristo que única e exclusivamente propicia a ira de Deus.
Você consegue ver como a obra de Cristo é infinitamente maior do que a
maior profundeza do seu pecado? A obra de Cristo foi consumada. Não
há mais nada a fazer. A ira de Deus foi propiciada. Nossos pecados
foram removidos. A pergunta é se nós iremos aprecia-la, não apenas no
momento inicial da salvação mas para aceitação diária diante de Deus?
Somente ao fazer isso começaremos a apreciar verdadeiramente a glória
da cruz e as riquezas insondáveis de Cristo.” 7
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 16 — o dia de expiação.]

II. O CAMINHO DA SANTIDADE (17-27)


A. Santidade Pessoal (17-20)
1. Ordenanças quanto ao abatimento de animais para comida (cp.17; cf. At 15.29)
a. Ordenança para trazer todo animal para o tabernáculo e sacrifica-lo como sacrifício
pacífico (vv.1-9). O efeito era de tornar o tabernáculo em açouge autorizado para Israel,
assim eliminando os sacrifícios idólatras e abatimento irregular (que não tratasse o
sangue do modo devido). Hoje em dia, há um sistema de fiscalização pelos rabinos que
serve este propósito e o alimento é chamado de kosher.
b. Proibição do consumo de sangue (vv.10-16). Cf. WENHAM, pp.244-245. Esta regra foi
dada pela primeira vez a Noé, depois do dilúvio, quando foi permitido que o homem
comesse carne, mas só na condição de que evitasse o sangue (Gn 9.4). O princípio foi
reafirmado em Lv 7.26-27; aqui; Dt 12.16, 23; 15.23; e 1Sm 14.32ss. Deus dá duas
razões nesta passagem pela proibição:
1) “Porque a vida da carne está no sangue.” (v.11a) Se um animal perder seu sangue,
ele perde a sua vida, portanto a vida está envolvida no sangue. O princípio aqui,
conforme WENHAM, é o respeito à vida (cf. esp. Gn 9.2-6). Deus está proibindo o
homem de desprezar a vida do animal, ingerindo o seu sangue. É possível que haja
outro princípio aqui também, o de evitar qualquer ligação com a ideia de que pode-
mos tomar a vida, i.e., a vitalidade do animal, ingerindo o seu sangue (ou o coração,
como algumas culturas têm feito).
2) “Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é
o sangue que fará expiação em virtude da vida.” (v.11b) Entendendo expiação como
o pagamento de um resgate, a segunda frase pode ser parafraseada assim: “é o
sangue que resgata a custa de uma vida” (cf. a explicação do termo ‘expiar’ na
Teologia de Levítico no início desta apostila (seção III.B.4), e WENHAM, p.28-29).
Nos casos exigindo sacrifício, um valor monetário (como, por exemplo, em Êx 21.30;
30.12) não era suficiente para resgatar o culpado; era necessário pagar com a vida,
derramando o sangue da vítima no altar. Por isso é sagrado e pertence a Deus.
2. Relações sexuais proibidas (cp.18; cf. cp.20).
a. Mandamento básico (vv.1-5; cf. v.26; Dt 18.9): note as repetições e os arranjos — v.3
(mandamento negativo) introduz vários dos termos e vv.4-5 (afirmativo), que introduz
outros e organiza todos poeticamente, formando dois quiasmos e uma repetição “junto e
separado”.
2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes:
Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
3 Não fareis segundo as práticas da terra do Egito, onde habitastes, (Fazer e prática são
nem fareis segundo as práticas da terra de Canaã, para onde vos levo; da mesma raiz.)
nem andareis nos seus ESTATUTOS.

7
Jerry Bridges, Holiness, Day by Day (Colorado Springs: NavPress, 2008), p.114, da sua obra anterior The Gospel
for Real Life (Colorado Springs: NavPress, 2002).
Levítico, p.100

4 Fareis os meus JUÍZOS a D


e guardareis os meus ESTATUTOS, b E
andando neles. c
Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
5 Guardareis, então, os meus ESTATUTOS e JUÍZOS; b DE (E, então D, produ-
os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles. a zindo um quiasmo)
A declaração “…os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles” (v.5b) é citada várias
vezes no AT, onde ressalta a teimosia e loucura de Israel por escolher a morte em vez do
caminho da vida indicado nos estatutos do SENHOR (Ne 9.29; Ez 20.11, 13, 21). Embora
não citem esta frase, os Salmos 19 e 119 nos fornecem um bom exemplo de Lv 18.5 em
ação (cf. Sl 119.25-32, 153-160)8. Outras passagens também fazem a mesma conexão
entre a obediência e a vida (cf. Dt 4.1; 5.33; 8.1; 30.16; vários provérbios – 10.27; 14.27;
19.23; 22.4; Is 55.3; Ez 18.5-9 – cf. o capítulo inteiro e a promessa em 36.25-27; 33.19;
Am 5.4-6; cf. tb. Gn 42.18; Nm 4.19). No NT, é citada por Paulo em Rm 10.5 e Gl 3.12
(cf. tb. At 15.29), e pelo menos dois diálogos nos evangelhos ligam a obediência com a
vida eterna: o jovem rico (Mt 19.17 – vv.16-30; Mc 10.19 – vv.17-31; e Lc 18.20 –
vv.18-30) e a ocasião em que Jesus contou a parábola do bom samaritano (Lc 10.28 –
vv.25-37).
O ensino bíblico deixa claro que somente Jesus Cristo obedeceu a lei completamente. Ele
não ganhou a vida eterna por causa disso; ele já tinha a vida e continuou no caminho da
vida indicado na lei a qual ele se submeteu. Quanto aos demais, a lei apontava o caminho
da vida, como indicado nesta passagem. Este caminho incluía os sacrifícios, pelos quais o
pecador buscava expiação pelos seus pecados. Este caminho levava o crente do AT em
direção de Cristo, que fez real expiação. (Veja a introdução à seção “A aliança estabele-
cida” (II.A) da apostila sobre Êxodo.)
[PESQUISA: Faça um estudo de Lv 18.5b — “…os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles”. O que signfica?
O que significa o verbo “viver”? Exatamente o que precisa “fazer” para viver? Quer dizer então que a lei
proporcionava vida? Como assim? Como isso se relaciona com Hc 2.4 “…o justo viverá pela fé”? Considere o
uso desta declaração nas outras passagens da Bíblia.]
b. Uniões consideradas incestuosas (vv.6-18): “Nenhum homem se chegará a qualquer
parenta da sua carne”. Estas leis não se limitam à imoralidade sexual. Elas também
limitavam as opções para casamento (cf. os paralelos em 20.14, 17, 21). Deus exigia que
os israelitas casassem somente com mulheres do povo escolhido e a tendência era de
casar dentro da tribo. Esta lei proibia ao homem se unir…
 A uma mulher da sua própria família (mãe / esposa do pai, ou irmã / meia-irmã –
parece que não era costume casar com a filha [ainda bem!]).
 A uma mulher da própria família de alguém da sua própria família (tia [pelos pais],
cunhada [pelos irmãos], nora ou neta [pelos filhos], filha ou neta da esposa, ou sua
irmã).
A lei não fazia diferença entre parentesco consanguíneo ou por casamento: tanto um
como o outro é proibido. Obviamente, a lei do levirado era uma exceção (Dt 25.5-10).
c. Outros costumes cananeus proibidos, principalmente perversões (vv.19-23).
1) A questão em v.19 é de imundície (cf. Lv 15.18 & 24; 2Sm 11.4). Também servia
para proteger a mulher contra um marido desconsiderado. Por outro lado, a
penalidade, “ambos serão eliminados do meio do seu povo” (20.18; cf. 18.29-30) é
diferente do que emcontramos em 15.24 (“será imundo por sete dias”). É possível
que o caso aqui em Lv 18 envolva outros elementos, ou que a eliminação não seja a
morte, mas talvez a expulsão. (cf. HARRIS, p.)9

8
A raiz ‘viver’ ocorre 16x no Sl 119: vv.17, 25, 37, 40, 50, 77, 88, 93, 107, 116, 144, 149, 154, 156, 159, 175.
9
Há três passagens que acrescentam uma frase que explica a expressão “ser eliminado do meio do seu povo”. Em
Êx 31.14, o “ser eliminado do meio do seu povo” é morte (por violar o sábado, vv.12-18). Em Lv 17.3-4, quem
abate um animal de sacrifício fora do tabernáculo, sem trazê-lo como oferta, será considerado culpado de derramar
sangue e será eliminado (cf. vv.8-9). Em Nm 9.13, a pessoa que, sendo apto para celebrar a Páscoa, não a celebra
será eliminada, “tal homem levará sobre si o seu pecado”. Números 15.22-31 faz a distinção entre pecados
cometidos “por ignorância, pelo qual há expiação, e o pecado cometido “atrevidamente”, que é blasfêmia contra o
SENHOR e pelo qual a pessoa será eliminda do meio do seu povo.
Levítico, p.101

2) O adultério (v.20) era mais restrito na lei mosaica, limitando-se a um caso entre um
homem casado e a esposa de outro homem. Se um marido tivesse relações com
uma mulher solteira, a lei não exigia a morte (cf. Êx 22.16-17; Dt 22.28-29).
3) Ossos carbonizados de crianças descobertas num templo em Amã, atual capital da
Transjordânia, demonstram a prática de sacrifício de crianças (v.21) no período
antes da conquista sob Josué. Será que tenha sido uma forma de aborto??
4) A homossexualidade (v.22) foi um dos pecados de Sodoma (Gn 19.4-11; cf. ———
Jz 19.22-28) e é condenada em toda a Escritura (Rm 1.26-27; 1Co 6.9-10; 1Tm 1.8-
11; cf. Ap 22.15).
5) A proibição da bestialidade (v.23) pode parecer absurda e desnecessária, mas é
conhecida de fontes egípcias, cananeias, e hititas: “Havia uma seita no Delta Oriental
que envolvia a coabitação de mulheres e bodes. Deveras, Ramsés II … reivindicava
ser progenitura do deus Ptá, que tomava a forma de bode. Textos ugaríticos falam
de deuses copulando com animais (PRITCHARD, p.109). As leis hititas (c. 1500
a.C.) proibiam certas formas de bestialidade, ao passo que permitiam outras.”
(WENHAM, p.252 & notas 11-14)
d. Advertência sobre as consequências de ignorar estas leis (vv.24-30). Deus enfatiza
novamente que o Seu povo deve evitar as práticas abomináveis dos cananeus (5X nestes
versículos). Todos os que se contaminarem praticando esses costumes “serão eliminados
do seu povo” (v.29).
3. Ordenanças quanto aos relacionamentos pessoais (cp.19). Este capítulo se divide em 15
parágrafos, marcados pela frase “Eu sou o SENHOR (vosso Deus)”, com uma introdução (cf.
WENHAM, pp.263-264).
Introdução (19.1-2): “Sereis santos, porque eu, o SENHOR vosso Deus, sou santo.” Este é o
lema do livro de Levítico (cf. a seção “II. Santidade” no início da apostila; esta frase é
citada em 1Pe 1.16 – “Não há nenhuma instância sequer no ensino do Novo Testamento
sobre a santidade onde somos instruídos a depender do Espírito Santo sem corresponder-
mos com Ele no exercício da disciplina.”10). Todas as obrigações impostas pela lei se
resumem no mandamento “Sereis santos”. O que então é santidade? É ordem, em vez
de confusão; portanto, cada pessoa deveria cumprir as suas responsabilidades e agir
corretamente. A santidade de Deus é o padrão da vida do crente, tanto do ponto de vista
de Deus, que ordena a nossa vida segundo a Sua natureza, como do nosso ponto de vista,
porque nós tentamos imita-lo.
“A santidade não é tanto uma ideia abstrata ou mística como um princípio
regulador na vida cotidiana de homens e mulheres. . . . Santidade é atingida,
não por fugir do mundo, nem por renunciar os relacionamentos humanos de
família ou posição, tal qual um monge, mas sim, pelo espírito em que
cumprimos as obrigações da vida nos seus detalhes mais simples e comuns:
desta maneira – por praticar a justiça, amar a misericórdia, e andar
humildemente com o nosso Deus – a vida cotidiana é transfigurada.”
(WENHAM, p.265, citando J. H. Hertz; note a referência a Mq 6.8)
a. Deveres religiosos (19.3-10): Consiste em três parágrafos, cada um terminando com a
frase “Eu sou o SENHOR vosso Deus”.
1) Honrar os pais e o sábado (v.3): repete os 4º e 5º mandamentos (Êx 20.8-11, 12).
2) Proibição da idolatria (v.4): repete o 2º mandamento (Êx 20.4-6).
3) O consumo de sacrifícios pacíficos, especificamente para votos e ofertas voluntárias
(vv.5-8; cf. 7.16-18) e provisão pelos pobres e estrangeiros ao fazer a colheita (vv.9-
10; cf. Rt 2).
b. Ser um bom vizinho (19.11-18): quatro parágrafos, cada um terminando em “Eu sou o
SENHOR”. Esta seção é uma unidade temática e literária. O pensamento chega a um

10
Jerry Bridges, The Discipline of Grace [A Disciplina da Graça] (Colorado Springs: NavPress, 2006), p.132.
Podemos talvez colocar o processo assim: Deus é quem efetua a santificação e nosso papel é de cooperar com Ele.
Nossa cooperação não produz santidade em nós, isso só Deus pode fazer; mas nós devemos nos esforçar em buscar a
santificação.
Levítico, p.102

clímax com o mandamento “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. A repetição de


palavras também produz um clímax:
vv.11-12 compatriota Eu sou o SENHOR (um termo para “próximo”)
vv.13-14 próximo Eu sou o SENHOR (outro termo)
vv.15-16 compatriota povo próximo Eu sou o SENHOR (os dois mais um terceiro)
vv.17-18 irmão compatriota povo próximo Eu sou o SENHOR (os três mais um quarto)
XXXXX XXXXX XXXXX

1) Honestidade (19.11-12)
11 Não furtareis,
nem mentireis,
nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;
12 nem jurareis falso pelo meu nome,
pois profanaríeis o nome do vosso Deus.
Eu sou o SENHOR.
“não furtareis” (‫)לא ִתּגְ ֹ֫נבוּ‬: Repete o 8º mandamento (Êx 20.15). É roubar os bens de outra
pessoa sem que ela perceba; por isso é associado à falsidade. Quem gosta de ser chamado
de ladrão? Deus aqui está dizendo que não devemos ser ladrões.
“nem mentireis (enganareis)” (‫א־ת ַכחֲשׁוּ‬ ְ ‫)וְ ל‬: Aplica o 9º mandamento (Êx 20.16). A palavra é
usada em situações diversas, entre elas, negar um depósito ou penhor, ou um valor perdi-
do que achou, ou ser falso, trair alguém (Js 24.27 – cf. Jó 31.26-28 e Pv 30.7-9 e Is 59.13
[vv.12-15a]; 1Rs 13.18). Pode ser que a ideia básica seja de algo que decepciona, por
agir de modo falso e desleal (cf. Os 7.3-7). Quem gosta de ser chamado de mentiroso?
Deus aqui está dizendo que não devemos ser falsos.
“nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo (nem mentireis uns aos outros)”
(‫ע ִמיתוֹ‬ ֲַ ַַ‫א־תשַׁ קְּ רוּ ִאישׁ בּ‬
ְ ‫)וְ ל‬: Aplica o 9º mandamento (Êx 20.16). Esta palavra “é usada de
quebrar uma promessa, ser falso em relação a um tratado ou compromisso, indicando
então uma promessa falsa” (DITAT, s.v. ‫)שׁקר‬. Quando nos comprometemos por meio de
um contrato ou acordo, é com a intenção de cumprir tudo? (cf. Sl 15.4b; Is 63.7-10)
“nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus”
(‫ַשּׁקר וְ חִ לַּלְתַֹּ֫ את־שֵׁ ם ֱאֺלהַֹ֫יָך‬
ָ֑ ‫א־תשּׁבְ עוּ בִ ְשׁ ִמי ל‬ִ ‫)וְ ל‬: Relaciona o 9º mandamento com o 3º
(Êx 20.7, 16; cf. tb. Êx 22.7ss.; Lv 6.1ss.; Js 7.11; Os 4.2). A expressão ‘jurar falso’
utiliza um substantivo derivado do verbo traduzido ‘usar de falsidade’ em v.11. A mesma
coisa está acontecendo, só que agora é no tribunal usando o nome de Deus. A falsidade
aparece duas vezes na lista das coisas que Deus abomina (Pv 6.16-19). Tiago exorta seus
leitores: “Não jureis […] para não cairdes em condenação” (5.12).11
Acã desobedeceu estes mandamentos quando ele furtou as coisas de Jericó e dissimulou,
escondendo-as entre os seus bens como se fossem dele (Js 7.11). Ele levou o que não era
dele e tratou como se fosse dele.
2) Não explorar o próximo, esp. o mais fraco (19.13-14): cf. Dt 24.15; 27.18; cf. tb.
‘oprimir’ – Lv 6.2; Dt 28.29-33; Pv 14.31; Ec 4.1; ‘roubar’ – Gn 21.25; Jz 9.25; Mq 2.2;
Sl 35.10.
13 /Não oprimirás o teu próximo,
\nem o roubarás;
a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.
14 /Não amaldiçoarás o surdo,
\nem porás tropeço diante do cego;
mas temerás o teu Deus.
Eu sou o SENHOR.
“Não oprimirás o teu próximo” (ַ‫ת־רעֲָך‬ ֵֽ ֵ ‫)לא־תֵ ע ֲֺ֥שׁק א‬: A palavra ‘oprimir’ “trata de atos de
abuso do poder ou da autoridade, de sobrecarregar, de pisar, ou de esmagar os que estão
em uma posição inferior” (DITAT, s.v. ‫ ;עשׁק‬cf. Pv 14.31; Ec 4.1-3)
“nem o roubarás” (‫)וְ ֺ֣לא ִתגְ ָ֑זל‬: cf. Gn 21.25; Jz 9.25; Mq 2.2; Sl 35.10. É roubar os bens de
outra pessoa por meio da agressão, de ameaças ou violência; envolve a humilhação da
vítima. O povo de Israel seria “oprimido” e “roubado” no juízo de Deus sobre o seu
pecado (2X cada em Dt 28.28-34). Os próximos três mandamentos apresentam ocasiões
em que pessoas sofrem opressão e roubo.
“a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã (o pagamento do diarista não ficará
contigo até a manhã seguinte)” (‫ַד־בּקר‬ ֵֽ ‫)לא־תלִִ֞ ין פְּ עֻלַּ ֺ֥ת שׂ ִ ִ֛כיר ִא ְתָּךַ ע‬: A sabedoria nos
ensina a ser justos com nosso vizinho (Pv 3.27-35; cf. Dt 24.15); Tiago menciona este
abuso (Tg 5.4).

11
Walter C. KAISER, Jr. apresenta uma série de correspondências entre Lv 19.12-18 e o livro de Tiago em O Plano
da Promessa de Deus (São Paulo: Vida Nova, 2011), p.270.
Levítico, p.103

“Não amaldiçoarás o surdo” (‫)לא־ ְת ַקלֵּ ֺ֣ל חֵ ֵ ֵ֔רשׁ‬: Existem duas palavras para ‘amaldiçoar’
(ambas são usadas em relação ao juízo de Deus). Uma é mais associada a uma decisão
judicial (cf. Dt 27.14-26), mas esta tem a ideia de desprezar.
“nem porás tropeço diante do cego” (‫תּן ִמכְ ָ֑שׁל‬ ֵַ ‫)וְ לִ פְ נֵ ֺ֣י עִ ֵ֔ ֵוּר ֺ֥לא ִת‬: cf. Dt 27.18.
“mas temerás o teu Deus” (‫)וְ י ֵ ֺ֥ראתַ מֵּ אֱֺלהיָך‬: cf. v.32; Lv 25.14-17, 39-43; Dt 5.29.
Vários dos atos proibidos nestes quatro versículos aparecem na lista de pecados em Lv 6.1-7,
que trata de basicamente duas situações: 1º o culpado roubou do seu vizinho de alguma
maneira, usando de falsidade ou de violência, e 2º o culpado encontrou algum valor e
disse que era dele. Nesses casos, o culpado deveria fazer restituição plena, acrescentando
20%, e trazer uma oferta pela culpa, para que seu pecado seja expiado.
3) Justiça no tribunal (19.15-16). Os juízes não deveriam dar preferência, nem para o
pobre, nem para o rico (cf. Êx 23.2-3, 6-7; 2Cr 19.6-7). As testemunhas não
deveriam espalhar boatos, muito menos acusar falsamente (cf. Pv 11.13; 20.19; e
esp. Ez 22.9a).
15 Não farás injustiça no juízo,
nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande;
com justiça julgarás o teu próximo.
16 Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo;
não atentarás contra a vida do teu próximo.
Eu sou o SENHOR.
“Não farás injustiça no juízo” (‫)לא־תַ ע ֲֺ֥שׂוּ ָ֨עולַ בַּ ִמּ ְשׁ ֵ֔פּט‬: Em várias passagens, incluindo esta, o
termo ‘injustiça’ é o contrário de ‘justiça’ (são de raízes diferentes em hebraico). A ideia
é de desviar do padrão correto. Além de parcialidade, indicado aqui (cf. Tg 2.1), pode ser
desonestidade nos negócios (Dt 25.16) roubo (Ez 33.15), assassinato (2Sm 3.34),
opressão (Mq 3.10; Hq 2.12), e palavras más (Jó 15.16).
“nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande (nem honrarás o poderoso)” ----------
(‫ֵי־דלַוְ ַֺ֥לאַת ְה ַדרַפְּ נֵ ֺ֣יַג ָ֑דוֹל‬
ֵ֔ ‫א־תשֺ֣אַפְ נ‬
ִ ‫)ל‬: Aqui temos duas maneiras gerais de perverter a
justiça. Os reis e juízes tinham responsabilidade de defender a causa dos órfãos e viúvas,
e dos estrangeiros (provavelmente refugiados), mas a justiça tinha que prevalecer. Tiago
dedica uma seção da sua carta à questão do favoritismo (Tg 2.1-13). Ele está tratando dos
relacionamentos e não do tribunal, mas se é injusto fazer acepção de pessoas em geral,
quanto mais aquelas que estão aguardando a decisão do juiz.
“com justiça julgarás o teu próximo” (‫יתָך‬ ֵֽ ‫קַתּ ְשׁ ֺ֥פּטַע ֲִמ‬
ִ ‫)בְּ צד‬: Como aqui, é qualidade
intimamente ligada ao julgamento.
“Não andarás como mexeriqueiro (não divulgarás calúnias) entre o teu povo” ------------------
(‫ַבּע ֵַ֔מּיָך‬
ְ ‫)לא־תֵ לֵ ְֵ֤ךַרכִ יל‬: A palavra ‘mexeriqueiro’ ocorre somente 6X na Bíblia Hebraica e
cinco destas na frase ‘andar como mexeriqueiro’. Tal pessoa é tagarela que revela
segredos; fique longe dela (Pv 11.13; 20.19). Os contemporâneos de Jeremias eram “os
mais rebeldes” e andavam “espalhando calúnias” (Jr 6.28). Deus mandou o profeta atuar
no meio do povo como alguém que trabalha na purificação de metais, mas era em vão,
“porque os iníquos não são separados (v.29); por mais que passasse pelo processo, as
imperfeições não saíam. A situação era tal que não podia confiar em ninguém (9.4; cf.
vv.1-6). Em Ez 22.1-16 o profeta condena os pecados do povo e pronuncia juízo. Entre
os pecados estão “homens caluniadores” (v.9). E não foi apenas naquela época, pois
Tiago combate atitudes semelhantes (Tg 4.11; cf. 3.13 – 4.12).
“não atentarás (conspirarás) contra a vida do teu próximo” (‫ֺ֣םַרעָָ֑ך‬ ֵ ‫ַל־ד‬
ַ ‫) ֺ֥לאַתַ עֲמדַע‬: A ideia é
de se colocar como testemunha contra alguém num caso de vida e morte (cf. a
conspiração contra a vida de Nabote em 1Rs 21.8-14).
4) Amar ao próximo (19.17-18; cf. vv.33-34 – Lc 10.30-37; 17.3-4).
17 Não [odiarás o] teu irmão no teu íntimo;
repreenderás o teu próximo
e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.
18 Não te vingarás,
nem guardarás ira contra os filhos do teu povo;
mas amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Eu sou o SENHOR.
“não aborrecerás (odiarás) o teu irmão no teu íntimo (no coração)” ----------------------------
(‫א־ת ְשׂנֺ֥אַאת־א ִחיָךַבִּ לְ בבָָ֑ך‬ ִ ‫) ֵֽל‬: O que devemos fazer quando sofremos uma ofensa? Em
vez de ficar remoendo as mágoas (cf. Pv 10.18; 26.23-26), Deus quer que sigamos o
caminho da sabedoria, indicado na próxima linha.
Levítico, p.104

“repreenderás (não deixarás de repreender) o teu próximo” (‫יתָך‬ ֵ֔ ‫)הוֹכֵ ֵ֤ ַחַתּוֹכִ יחַ ַאת־ע ֲִמ‬: A
palavra ‘repreender’ é um dos termos para instrução no livro de Provérbios (Pv 3.12;12
9.7, 8; 15.12; 19.25; 24.25; 25.12; 28.23; 30.6). O substantivo ‘repreensão’ ocorre 16X
no livro de Provérbios (1.23, 25, 30; 3.11; 5.12; 6.23; 10.17; 12.1; 13.18; 15.5, 10, 31, 32;
27.5; 29.1, 15). O próprio Deus aplica este mandamento nas repreensões proferidas por
meio de Malaquias. Merece notar também que é o primeiro passo de disciplina na igreja
(Mt 18.15-22; Gl 6.1; cf. Tg 5.20). Quando eu sou o irmão que está sendo confrontado,
devo lembrar que a marca do sábio é aprender da repreensão, mas o néscio não quer
aceita-la (Pv 9.8 – cf. vv.7-9 e 1.7; 15.12; 19.25).
“e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado (para que não sofras por causa do pecado dele)”
(‫יוַח ְטא‬
ֵַֽ ֵ ‫א־תשֺ֥אַעל‬
ִ ‫)וְ ל‬: O confronto evita o pecado de duas maneiras:
1º - procura cortar o pecado do irmão, impedir que continue, e…
2º - não deixa a reação do ofendido se tornar pecaminosa, de modo que os dois estejam
em pecado. A expressão ‘levar pecado’ tem a ideia de levar culpa e sofrer as
consequências (cf. Nm 18.22-23).
“Não te vingarás” (‫א־ת ֵ֤קּם‬ ִ ‫) ֵֽל‬: Em vez de buscar a justiça própria (caluniando, maltratando,
processando, etc.), devemos entregar a nossa causa a Deus e à autoridade que Ele
estabeleceu (cf. 1Co 6.1-11; Rm 12.17-21; v.19 cita Dt 32.35).
“nem guardarás ira (ódio) contra os filhos do teu povo” (‫א־תטרַאת־בְּ נֵ ֺ֣יַע ֵַ֔מָּך‬ ִ ‫)וְ ֵֽל‬: Guardar ira
ou ódio se refere ao ressentimento, quando guardamos uma mágoa no coração, lembrando
e remoendo alguma ofensa e desenvolvendo amargura em nossas atitudes. Tiago diz:
“Irmãos não vos queixeis uns dos outros” (5.9). Nós não conseguimos conter as mágoas
que sofremos. Podemos externa-las por meio da vingança, ou podemos escolher agir de
outra forma. Mas se não fazemos nada, o vulcão vai explodir em algum momento. A
próxima linha nos indica o caminho de Deus, que conduz à vida.
“mas amarás o teu próximo como a ti mesmo” (‫)וְ ֵֽא ַהבְ ֺ֥תַּלְ ֵרעֲָךַכ ָ֑מוָֹך‬: Veja as seguintes
observações…
 Jesus chamou este do “segundo mandamento” (Mt 22.39 / Mc 12.31; Lc 10.27; cf. —
Jo 13.34; cf. tb. Mt 5.21ss.; 1Jo 2.9; 3.15). No Sermão do Monte Ele citou o manda-
mento e esclareceu as suas implicações (Mt 5.43-48; cf. Lv 19.33-34, onde Deus ordena
que o mesmo amor deve ser mostrado ao estrangeiro peregrinando no meio dos israeli-
tas). Ele também citou este mandamento junto com outros ao jovem rico (Mt 19.19).
 É citado por Paulo, dizendo que engloba toda a lei (Rm 13.9 & Gl 5.14), e por Tiago,
como o contrário do favoritismo (2.8).
 É subentendido aqui que a pessoa já se ama a si mesma (cf. Ef 5.28-29). Não
precisamos aprender isso; ao contrário, é necessário que nos disciplinemos para
direcionar este amor ao próximo.
 Calvino comentou: “O que a mente de todo homem deve ser para com seu próximo não
poderia ser melhor expresso em muitas páginas, do que nesta única sentença”
(WENHAM, p.269).
c. Diversos deveres (19.19-37): esta seção começa e termina com o mandamento
“Guardarás(eis) os meus estatutos”.
1) Várias leis (19.19-25)
a) Cruzamentos proibidos (v.19). “A santidade cerimonial requer que as coisas
permaneçam na sua devida esfera, assim como Israel deve observar a sua
separação das nações (20.22-26).”13
b) Caso de relações com uma escrava desposada (vv.20-22): Não era tratado como
adultério, que exigia a morte de ambos (20.10; Dt 22.22-24, cf. vv.25-27). Em
vez disso, o homem deve oferecer um sacrifício pela culpa e seria perdoado (cf.
Dt 22.28-29). Quanto à escrava, seu dono resolveria seu caso.
c) O fruto de uma árvore plantada (vv.23-25).
2) Proibição de práticas pagãs (19.26-28, cf. 21.5). Aparentemente era prática fazer inci-
sões e rapar a cabeça quando estava em luto (v.28, cf. Jr 16.6). O deus El e a deusa
Anate se cortaram lamentando a morte de Baal (PRITCHARD, p.110). Ainda hoje, os
xiitas se cortam na cerimônia em que lamentam a morte de Hussein na batalha de
Karbala em 680 d.C.
3) Proibição da prostituição “sagrada” (19.29-30; cf. Ez 23.36-39). A raiz em v.29 é
zanáh, que é “prostituir-se”. Há outra palavra para prostituta sagrada: qedesháh, lit.

12
Cf. Dt 8.5, que utiliza um sinônimo ‘disciplinar, corrigir’: “…como um homem disciplina a seu filho, assim te
disciplina o SENHOR, teu Deus”. Os dois substantivos estão paralelos em Pv 3.11 (musar ‘disciplina, correção’ ‖
tokáhat ‘repreensão’).
13
Na nota sobre este versículo na ESV Study Bible (Wheaton: Crossway, 2008), p.243.
Levítico, p.105

“sagrada, santa”. Mesmo assim, é provável que está proibindo os pais de


“dedicarem” a filha à esta profissão em algum santuário pagão (cf. Gn 38.15 & 21,
onde os dois termos são equivalentes).14 Deus diz que na realidade isso contamina
a pessoa. Em contraste com tal conceito pagão da santidade, Deus apresenta a Sua
ideia, representada pelo sábado e o santuário.
4) Proibição de necromancia (19.31).
5) Respeito pelo idoso (19.32).
6) Amor pelo estrangeiro (19.33-34). Do mesmo modo que deveria amar ao próximo (é
subentendido que seria um israelita), assim também deveria amar ao estrangeiro
morando perto (provavelmente residente no território israelita, talvez refugiado).
Como ama-lo? Do mesmo jeito que se ama a si mesmo (cf. v.18). Muitas culturas
fazem exatamente o contrário: despreza-lo como inferior.
7) Negócios honestos (19.35-36).
8) Exortação final (19.37).
4. Punição de pessoas culpadas (cp.20; cf. cp.18). Jesus citou v.9 junto com o 5º mandamento
(honrar aos pais) para mostrar a hipocrisia dos escribas, que anulavam a lei de Deus com suas
tradições humanas (Mt 15.4 / Mc 7.10). Este capítulo trata dos mesmos assuntos vistos em
cps.18-19, mas a forma é diferente: eles fazem proibições (lei apodíctica), mas este determina
o procedimento em certos casos (lei casuística – as consequências de quem violou a leis
apodícticas no material anterior). WENHAM (p.276) percebe uma ordem quiástica no
capítulo:
a. Pecados contra a religião (vv.1-6; vv.1-5 – cf. 18.21 [a penalidade era apedrejamento];
v.6 - 19.26b, 31). Deus declara: “Voltar-me-ei contra esse homem, e o eliminarei do
meio do seu povo” (vv.3, 5, 6).
b. Em contraste com quem praticasse costumes pagãos, o povo de Deus é exortado a se
dedicar à santidade (vv.7-8). Como? Pela obediência à lei. Isso envolve o esforço do
homem (“santificai-vos”), mas também depende de Deus (“que vos santifico”).
c. Pecados contra a família (vv.9-21; v.10 – cf. 18.20; v.11 – 18.8; v.12 – 18.15; v.13 –
18.22; v.14 – 18.17; vv.15-16 – 18.23; v.17 – 18.9; v.18 – 18.19; v.19 – 18.12-13; v.20 –
18.14; v.21 – 18.16).
d. Exortação à santidade (vv.22-26; vv.22-24 – as práticas imundas vistas nesses capítulos
é o motivo pelo qual Deus está expulsando o povo cananeu para dar a terra aos israeli-
tas; vv.25-26 – cf. 11.43-47).
e. Pecados contra a religião (v.27; cf. 19.26b, 31).
WENHAM faz um excurso (pp.281-286) sobre a questão de punição na lei mosaica, no qual
ele, entre outras coisas, descreve cinco propósitos da punição:
1) A punição retribui ao ofensor o que ele legalmente merece. Não se trata de vingança
individual, mas de justiça equivalente ao crime (cf. Gn 9.6, a “lei do talião”).
2) A punição serve para “eliminar o mal do meio de ti” (Dt 13.5, et. al.; vd. observações
sobre esta passagem), i.e., remover a culpa que resulta do pecado, culpa essa que
atinge a comunidade se ela não removê-la.
3) A punição deve deter outros de cometer a mesma ofensa (cf. Dt 19.20 – “para que os
que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer semelhante mal no
meio de ti”).
4) A punição permite o ofensor a fazer expiação e ser reconciliado com a sociedade.
5) A punição fornece oportunidade ao ofensor para recompensar a vítima.
A visão apresentada aqui não busca reabilitar o culpado. A deficiência dele não é social
nem profissional, mas sim, legal e moral. Ele é responsável pelos seus atos e é dado a
oportunidade de fazer justiça consigo mesmo e então ser restaurado. Em alguns casos,
porém, não há possibilidade de restauração porque a justiça exige a morte dele.

14
Quando Tamar enlaçou Judá, ele pensava que ela era “prostituta” (zonáh, Gn 38.15); quando seu amigo o
adulamita foi atrás dela com o pagamento, ele perguntou onde estava a “prostituta sagrada” (vv.20-21).
Levítico, p.106

B. Santidade Cerimonial (21-25)


1. Regulamentos para os sacerdotes (cps.21-22)
a. A pessoa do sacerdote (cp.21)
1) Restrições sobre luto e casamento para o sacerdote (21.1-9). Não era permitido se
fazer imundo (por contato com uma pessoa morta), a não ser que o falecido fosse da
sua própria família (vv.1-4). O caso de uma irmã indica que a mulher não tinha posi-
ção autônoma na sociedade; estava sempre sob a autoridade de um homem: primeiro
o pai, depois o marido, ou na ausência desses, um dos irmãos. O sacerdote só era
permitido contato com uma irmã falecida se ela estivesse sob a sua autoridade. A
proibição de rapar o cabelo era também para a população em geral (vv.5-6; cf. 19.27-
28). O sacerdote só podia casar-se com uma mulher virgem ou viúva (vv.7-8). Se a
filha de um sacerdote consagrado para serviço no santuário se prostituir, ela deveria
morrer (v.9; cf. Dt 22.20-21, 23-24). O sacerdote deveria se manter totalmente
afastado da prostituição, como também do divórcio (v.7).
2) Restrições sobre luto e casamento para o sumo sacerdote (21.10-15). A ele não era
permitido nenhum contato com uma pessoa morta (vv.10-12). Quanto à esposa, só
era permitido casar-se com uma virgem israelita. WENHAM (p.292) sugere que isso
garantiria que o seu primeiro filho fosse dele mesmo, da linhagem sacerdotal (v.15).
3) Características físicas que impedem que um descendente de Arão possa exercer as
funções do sacerdote (21.16-24). A ideia é que a santidade se manifesta fisicamente
no corpo que não tem defeito.
b. O serviço do sacerdote (cp.22)
1) A comida reservada para sacerdotes (22.1-16).
a) O que impede ao sacerdote participar dessa comida (vv.1-9).
b) Os direitos dos parentes de sacerdotes a essa comida (vv.10-16).
2) Características físicas que impedem que um animal seja usado como sacrifício
(22.17-33).
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 21.1 – 22.16 — leis para os sacerdotes.]
2. As festas religiosas (cp.23)
Introdução: o Sábado (23.1-4). WENHAM (p.301), baseado nas observações de Keil, diz que
“o princípio sabático [tanto o número sete como o dia dedicado a Deus] informa todas
as leis do Pentateuco sobre as festas. Há sete festas no ano…”:15
a. As festas da primavera (23.4-22)
1) Páscoa e Pães Asmos (vv.4-8)
2) Primícias (vv.9-14).
3) Pentecoste (vv.15-21)
Apêndice: Mandamento promovendo generosidade (v.22).
b. As festas do outono (23.23-43)
1) Trombetas, ou Rosh Hashanáh (vv.23-25)
2) Dia de Expiação (vv.26-32)
3) Tabernáculos (vv.33-43)
Conclusão (23.44).
[PESQUISA: Faça um estudo sobre as festas anuais. Prepare um calendário indicando as datas (no calendário
judaico). Fale sobre o evento histórico ou as atividades com quais eram associadas. O que era o significado para o
israelita? O que é a aplicação para o crente do NT?]
3. Óleo para o castiçal e o pão para o SENHOR (24.1-9). A cada sábado, doze pães foram
colocadas na mesa (vv.5-8). Este pão pertencia aos sacerdotes, que deveriam comê-lo num
lugar santo (v.9).16 Assim, “a mesa … era o lugar em que o Senhor e seu povo, representado
pelos sacerdotes, simbolicamente, partiam o pão juntos.” (MERRILL, p.347)
4. O blasfemador (24.10-23). A “lei do talião” aparece em vv.17-20, citada por Cristo no
Sermão na Montanha (Mt 5.38; vd. observações a respeito da “lei do talião” no material sobre
Êx 20.22 – 23.33, o Livro da Aliança).

15
A divisão entre as festas é diferente de comentarista para comentarista.
16
Supõe-se que os sacerdotes comiam o que foi recolhido no sábado seguinte, quando novos pães foram colocados.
Por outro lado, é possível que os sacerdotes colocavam pão a cada dia (cf. 2Cr 13.11).
Levítico, p.107

a. A ocasião (24.10-12): uma briga entre um homem, filho de uma israelita e um egípcio, e
um israelita, em que aquele blasfemou o nome de Deus amaldiçoando o outro. O povo
prendeu-o até que o SENHOR julgasse o caso.
b. Deus responde a Moisés com Sua decisão (24.13-22):
1) Apedrejar o réu por blasfemar o nome do SENHOR (vv.13-16).
2) A pena da morte (vv.17-22): Quem toma a vida de outro homem deve sofrer a pena
da morte. No caso de matar um animal, ele fará restituição – se matar ou se ferir;
quem, porém, toma a vida de um ser humano deverá ser morto.
c. Moisés comunica a decisão do SENHOR ao povo “e os filhos de Israel fizeram como o
SENHOR ordenara a Moisés”: o homem é apedrejado (24.23). É importante lembrar em
relação a este caso que o povo de Deus precisa manter disciplina no seu meio, em
obediência as orientações dEle. Veja nota sob Êx 7.6 e observação sobre Nm 1.19.
[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 24.10-23 — julgamento do blasfemador.]
5. O ano sabático e o jubileu (cp.25). O propósito do jubileu era de evitar que alguém fosse
arruinado pelas dívidas. “Não oprimais ao vosso próximo; cada um, porém, tema a seu Deus;
porque eu sou o Senhor, vosso Deus” (v.17; veja também v.23). A lei do jubileu não permitia
dívidas permanentes; no ano do jubileu, a pessoa (ou seus filhos) teria uma nova oportuni-
dade. Não existiria latifundiários nem teria um “movimento sem terra”. Quando alguém
precisava vender um terreno, o preço variava conforme o número de anos desde o jubileu,
porque era o número de colheitas que se vendia e não o terreno em si (v.16). A terra pertencia
a Deus; era uma concessão temporária ao Seu povo e nenhum homem tinha direito perma-
nente sobre ela. A cada 50 anos, os terrenos voltavam aos donos originais, isto é, às suas
famílias. Infelizmente, Israel não obedeceu esta lei e séculos depois o profeta Isaías disse:
Ai dos que ajuntam casa a casa,
reúnem campo a campo,
até que não haja lugar,
e ficam como únicos moradores no meio da terra! (Is 5.8)
WENHAM (p.316), divide o capítulo em três partes:
Introdução (25.1)
a. O jubileu, um sábado para a terra (25.2-22)
1) O ano sabático (vv.1-7). Neste ano era proibido plantar e colher, nem colher o que
nasceu de si mesmo. Porém, era permitido comer o que nasceu. Parece que a
diferença entre o que foi proibido e o que foi permitido é que “colher” implica em
armazenar e talvez vender, enquanto que “comer” tem a ideia de colher cada dia
somente o necessário para a refeição, deixando o resto. O v.12 diz literalmente: “do
campo comereis o seu produto”, colocando “do campo” no lugar de ênfase. A ACR
traduz: “diretamente do campo comereis o seu produto” (cf. tb. a NIV em inglês).
Deus prometeu abundância, eliminando a motivação para açambarcar (cf. Pv 11.26).
2) O jubileu (vv.8-22)
a) Determinando o ano do jubileu (vv.8-12).
b) Terreno ancestral (vv.13-17).
3) Promessa de benção no sexto ano, bastante para três anos, fornecendo o alimento
necessário para o ano sabático e o próximo enquanto não havia colheita (vv.18-22).
b. O jubileu e a redenção de terrenos (25.23-38).
1) Terreno ancestral (vv.25-28). Se fosse necessário vender um terreno, o valor seria
conforme o número de anos até o próximo jubileu. Mas primeiro, o parente mais
próximo deveria redimi-lo. Se o próprio vendedor conseguisse bastante para redimir
seu terreno ancestral, a propriedade voltaria a ele, mas ele teria que remunerar o
comprador pelos anos restantes até o jubileu, o valor pelo qual ele não poderia lucrar
do terreno. Se o vendedor não conseguisse redimi-lo, o terreno seria devolvido no
jubileu, porque o comprador apenas comprou o direito de usar o terreno durante um
determinado número de anos.
2) Casas nas cidades (vv.29-34). O período de redenção era apenas um ano. Se o
vendedor não conseguisse compra-la de volta, seria posse permanente do compra-
dor. As casas dos levitas, nas suas cidades, eram tratadas como terrenos rurais.
3) Os israelitas deveriam ajudar os necessitados, emprestando sem juros e vendendo a
custo (vv.35-38). Se as pessoas fizessem assim, não existiria o triste ditado “os ricos
enriquecem e os pobres empobrecem”.
Levítico, p.108

c. O jubileu e a redenção de escravos (25.39-55).


1) Se um israelita se vendesse, o comprador não deveria considera-lo como escravo, e
sim, como servo de outro Mestre, emprestado por um determinado período, e que
deve ser devolvido em plena saúde (vv.39-43).
2) Os escravos propriamente seriam adquiridos dos povos estrangeiros, morando
dentro ou fora do território israelita (vv.44-46).
3) O israelita que se vendesse a um estrangeiro morando em Israel ainda tinha direito
de redenção e a libertação no jubileu (vv.47-55). Os outros deveriam reforçar este
direito. Às vezes, isso era complicado (cf. Jl 3.6).
C. Conclusão: as Sanções da Aliança (26)
Introdução (26.1-2): idolatria e o sábado.
1. Bênçãos decorrentes da obediência (26.3-13)
a. Abundância (vv.3-5).
b. Paz e vitória sobre os inimigos (vv.6-8).
c. Abundância e intimidade com Deus (vv.9-13). Paulo cita v.12 em 2Co 6.16, exortando os
leitores a se separarem para Deus.
2. Maldições decorrentes da desobediência (26.14-45)
a. Doença e derrota (vv.14-17).
b. Se ainda persistirem nos pecados: mais juízo (vv.18-20) – “tornarei a castigar-vos sete
vezes mais por causa dos vossos pecados”, com seca e escassez.
c. Se ainda persistirem nos pecados: mais juízo (vv.21-22) – “trarei sobre vós pragas sete
vezes mais, segundo os vossos pecados”: feras do campo .
d. Se ainda persistirem nos pecados: mais juízo (vv.23-28) – “eu também serei contrário a
vós outros e eu mesmo vos ferirei sete vezes mais por causa dos vossos pecados”:
invasão – cidades sitiadas, com peste e escassez.
e. Se ainda persistirem nos pecados: mais juízo (vv.27-35) – “eu também, com furor, serei
contrário a vós outros e eu mesmo vos castigarei sete vezes mais por causa dos vossos
pecados”: a destruição e matança resultantes da invasão, como também o exílio; assim a
terra gozará seus anos sabáticos.
f. Quanto ao restante do povo depois de tanto juízo, eles ficarão temerosos e perecerão nos
seus pecados (vv.36-39).
g. Se houver arrependimento, Deus irá lembrar a Sua aliança; Ele não destruirá o povo
completamente, por amor da Sua aliança (vv.40-45).

Conclusão das leis (26.46)


[PESQUISA: Faça uma exposição de Lv 26.1-13 — bênção sobre a obediência; faça uma exposição de Lv 26.14-45
— maldição sobre a desobediência.]

Apêndice: Redenção de Votos (27)


A. Provisões para resgate do que foi dedicado (27.1-25)
Introdução: Os vv.1-25 tratam de votos (nêder), onde há possibilidade de voltar para trás,
pagando uma multa, ou resgate.
1. Pessoas dedicadas (vv.1-8).
2. Um animal aceitável como sacrifício (vv.9-13).
3. Uma casa (vv.14-15).
4. Parte do terreno herdado (vv.16-21).
5. Um campo dedicado (vv.22-25).
Levítico, p.109

B. Casos em que não há resgate (27.26-33)


Introdução: Estes versículos tratam de casos de dedicação de algo que Deus já exigiu, ou que
foram dedicados de modo irreversível (hêrem).
1. Os primogênitos – já exigido por causa da 10ª praga (vv.26-27; cf. Êx 13.1-16).
2. Algo que alguém dedica irrevogavelmente (v.28).
3. Pessoa dedicada (por Deus) à destruição (v.29; cf. 1Sm 15 – o pecado de Saul em não
exterminar completamente os amalequitas e seus animais, o que levou à sua rejeição com rei
sobre Israel).
4. O dízimo – já exigido (vv.30-33).

Conclusão (Lv 27.34)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DITAT—Dicionário Internacional da Teologia do Antigo Testamento, org. R. Laird Harris, Gleason
Archer, e Bruce Waltke. São Paulo: Vida Nova, 1998.
HARRIS, R. Laird. Leviticus, Expositor’s Bible Commentary, vol.2. Grand Rapids: Zondervan, 1979.
MERRILL, Eugene H. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações, 2009.
PRITCHARD, James B, org. The Ancient Near East, Vol. 1. Princeton: Princeton University Press,
1958.
VOGT, Peter T. Interpreting the Pentateuch. Grand Rapids: Kregel, 2009.
WENHAM, Gordon J. Leviticus, New International Commentary on the OT. London: Hodder and
Stoughton, 1979.

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