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bruno

Esse trecho de “As baratas”, texto (conto ou capítulo de romance?) de “Lojas de canela”, seu
principal livro, foi determinante para que o escritor polonês Bruno Schulz (1892-1942) ficasse
marcado pela sombra de Franz Kafka.

A ligação entre os dois nomes foi estimulada pelo próprio Schulz, que chegou a assinar uma
tradução de “O processo” que não fez, mas tem valor dúbio: se fornece algumas balizas para o
leitor situar a vida e a obra do polonês, pode obscurecer o fato de que sua literatura não deve
nada a ninguém, tem uma originalidade estonteante e sabor inteiramente distinto daquela do
escritor tcheco.

O melhor é tomar Schulz em seus próprios termos, como os leitores brasileiros têm agora a
melhor oportunidade que jamais tiveram de fazer, com o lançamento de “Bruno Schulz – Ficção
completa” (Cosac Naify, tradução caprichadíssima feita do polonês por Henryk Siewierski).

O volume em capa dura inclui, além dos dois únicos livros publicados por Schulz, quatro contos
inéditos no Brasil e uma desconcertante participação especial de Witold Gombrowicz, seu amigo
e cúmplice na vanguarda das letras polonesas dos anos 1930. O lançamento tem como único
defeito o preço de R$ 89,00, que, embora possa ser economicamente justificável, é digno de
lamento como empecilho à circulação da obra de um gênio. Schulz é bom demais para se
restringir às estantes da elite.