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ETE ~Curso Técnico em Regénca (Ourinnos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet ‘Apostle -Estturasio ¢Linguagam Musical | 204 as de altura iguais, os A escala maior foi formada a partir de duas partes de difer tetracordes. Cada tetracorde da escala maior é formado de quatro notas com diferencas de altura de tom/tom/semitom entre elas; na escala maior ha dois tetracordes superpostos, com diferencas de altura de 1 tom entre eles: bo RE Mr FA sou. la st D0 ae Exemplo 67 - tetracordes da escala de Do maior. > TONALIDADE: é a nota mais relaxada de uma escala musical, a partir da qual é formada a escala: RE MI FAH SOL A si Do# RE ™ Fatt SOL# LA $I Do# Re# MI tom tom tom tom tom Exemplo 68 - escalas de Re maior e Mi maior. Assim, as alteragies necessarias para 2 formacao de uma escala maior fazem com que a tonalidade (a nota de relaxamento) mude automaticamente. As escalas esto relacionadas entre i pelos tetracordes que podem ter em comum. Por exemplo, 0 tetracorde de sol (sol-la-si-do) pode ser o segundo tetracorde da escala de do maior, o primeiro stracorde de outra escala; no caso, a escala de sol maior. Assim, ¢ possivel criar toda uma série de escalas maiores relacionadas entre si por terem tetracordes comuns entre elas. Nessa maneira de formagao de escalas, é 0 segundo tetracorde da escala que se altera em relagao 4 escala anterior, sempre na iiltima nota da escala, que fica um semitom mais agudo (associada a um sustenido) para 7 ETE ~Curso Técnico em Regéncia (Ourinhos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet ‘Aposti—Estruturagio_e Linguager Musical (2014) que as diferencas de altura dentro do tetracorde estejam corretas: Do MAIOR tom tom semitom semitom tom os tom SOL MAIOR tom tom Sem tom tom semitom tom oy e RE MAIOR tom tom tom Semitom tom __semitom : semitom tom tom « tom LAMAIOR tom tom semitom aw semitom om tom MI MAIOR ion tom tom semitom semitom tor semitom tom tom tom SIMAJOR — tom fom —_semiton y xf ‘A# MAIOR semitom tom. F ! tom tom semitom = tom {= " DO# MAIOR semitom tom oa tom ain _. — Exemplo 69 ~ escalas maiores construidas com sustenidos Da mesma forma, o primeiro tetracorde da escala de do maior pode ser considerado o segundo 18 ETE ~Curso Técnico em Regéncia (Ourinhos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet ‘Aposti—Estruturagio_e Linguager Musical (2014) tetracorde de outra escala maior; no caso, a escala de Fa maior. Assim, a ultima nota do primeiro tetracorde desta escala (a quarta nota da escala) é alterada, de maneira a criar a escala maior adequadamente; ¢ toda uma outra série de escalas maiores pode ser formada a partir deste principio: DO MAIOR ti tom semitom semitom tom NOR, semitom J of tom tom tom tom tom semitom ——— MAIOR semitom tom tom fo Slb MAIOR tom tom — semitom eo me ON e MI, MAIOR tom tom semitom tom _ semitom tom a, semitom LAPMAIOR jo ion snitom tom tm to a ae D RE} MAIOR semitom ~, tom tom semitom tom , SOL bMAIOR fom tom seitom fom fa _ v DO} MAIOR tom tom emitom : semitom __ tom — . i) Exemplo 70 - escalas maiores construidas com bemdis. 79 Regénca (Ourinhos - $P) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet ETE— Curso Técnico Apostle Estrus Linguagar Musical (2044 ARMADURA DE CLAVE: é a representacdo, no inicio de uma pauta, da escala maior vigente naquela pauta. A armadura de clave indica as notas que devem ser alteradas dentro da escala, para que a > tonalidade daquela escala seja estabelecida. Como a metodologia de construcio de escalas maiores, apresentada acima, pode tomar duas diregdes (dependendo dos tetracordes usados), existem dois tipos de armaduras de clave: com sustenidos, as notas alteradas seguem a sustenidos e com beméis. Nas armaduras de clave co: ordem de aparicéo de acordo com a alteracdo dos sustenidos nas escalas. Ou seja, nas armaduras de , © a nota tonica da escala |tima nota com sustenido é a ultima nota da escal clave com sustenido, a sera a prixima nota a partir do iltime sustenide a © REMAIOR ‘© LAMAIOR MI MAIOR ‘© SOL MAIOR pethes SS hyo g SIMAIOR 2 FA# MAIOR @, DO# MAIOR Exemplo 71 - armaduras de clave construidas com sustenidos. Nas armaduras de clave com bemBis, as notas alteradas seguem a ordem de aparigio de acordo com a alteraco dos beméis. Ou seja, nas armaduras de clave com bemol, o pentiltimo bemol nalidade da escala: % FAMAIOR Sih MAIOR Mi, MAIOR JOR RE, MAIOR LA ae 4 SOL} MAIOR DO} MAIOR Exemplo 72 - armaduras de clave construidas com beméis. vo apenas para fins iluetrativas) am usadas nos diferentes tipos de armadura de cl (as claves diferentes > GRAU: € cada uma das notas de uma escala independentemente de sua tonalidade. De acordo com os esquemas acima, o funcionamento das escalas nao depende de notas especificas [0 DO, ou o RE), mas da posigao que ocupam na escala (ex. a primeira nota da escala) 80 ETE ~Curso Técnico em Regénca (Ourinnos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet Apostle Estrus Linguagar Masia | 2014) Cada posicao de nota dentre da escala sera associacia a uma dete: © harmonica (a uma determinada tensdo ou relaxamento), Sendo assim, é ffcil perceber a vantagem de se estudar a relagéo puramente formal entre as notas, mais do que as relagdes entre notas coneretas dentro de uma tonalidade especifica: inada fur D0 RE mp FA so. w st J 00 RE ™ rat | sou. a sI poe | RE mi Fan sous | La st Dow ren | mi ub sib po | Reb Mb FA sot Jw I 1 uijiv Vv VI vit} I Exemplo 73 - exemplo de graus de varias tonalidades. Os graus so tradicionalmente indicados em ntimeros romanos. E © estudo das relacdes entre os graus (abstrata, esquemAtica) que definira as relacdes harménicas. E é 0 estudo por graus o primeiro exemplo da ini -acao do sistema tonal no estudo de outros sistemas musicais, associando as propriedades de cada grat 4 sua distancia da ténica, a ponto de se poder falar no “grau V" de uma escala pentaténica, por exemplo, como coincidente escala maior, embora néo seja a quinta nota da escala: Do RE MI SOL La Do v Exemplo 74 - exemplo de escala pentatonica (cinco notas) classificada a partir da escala maior. > INTERVALO: ¢€ a diferencga de altura entre dois graus de uma escala. Os intervalos sao indicades em ntimeros orclinais, identificando a principio a quantidade de graus existentes entre dois graus de uma escala. 1 u WI Iv v vi vin I YS nS — Exemplo 76 - exemplos de intervalos. 81 btto:lwww.marcelomellove.cib.net ETE — Curso Técnica em Regénca (Ournhas ~ $P) stig -Estuuragio « Linguager Musical | (20 Qualidade Intervalar: serve para distinguir a diferenca de altura exata entre as notas de um intervalo. Da figura acima, pode-se distinguir que diferencas de altum diferentes podem ser classificadas como o mesmo intervalo. Da mesma forma, notas similares podem indicar intervalos diferentes (ex. do-fatt / do-solb), A qualidade intervalar desfaz essas ambigliidades, e serve também para determinar relagdes especificas entre os intervalos. No exemplo acima, a 3¢ com 2 tons (entre os graus Ve VII) €a 3* maior; ¢ 2 3* com um semitom © meio (entre os graus I e IV}, a terea menor. Sao dois os tipos de qualidade intervalar: - Maior (M) ou menor (m): sao 0s intervalos de 2a, 32, 6a, 7a. - Justo (J), aumentado (aum) ou diminuto (dim): s8 o os intervalos de da, 5a. Quando se inverte a ordem das notas de um intervalo, tem-se uma inverséo intervalar. Das propriedades das inversdes: 2a torna-se 7* 3a torna-se 6* 4a torna-se 5* J torna-se J Mtorna-sem | aum torna-se dim e vice-versa. Consonancia e dissonancia: A definieao destes termos é muito variavel e mesmo polémica em teoria musical, principalmente por ser muito evidente a influéncia de fatores culturais e histéricos; isto é, cada cultura e cada periodo histérico tera sua propria classificacao de consonancias e dissonancias. A idéia basica é a de que determinados intervalos séo mais "agradaveis', ou mesmo mais "estaveis" harmonicamente (consonantes), ¢ outros intervalos séo mais "desagradaveis", ou mais "instéveis’ harmonicamente (dissonantes} Hoje em dia so usadas trés classificacdes para intervalos quanto 4 sua consonancia: = Consonaneia perfeita: sao 0s intervalos de 4ae Sa justos, e 8a - Consondncia imperteita: so os intervalos de 3a e 6* maiores e menores. - Dissondneia: sao os intervalos de 2a ¢ 7a maiores ¢ menores, ¢ todos os intervalos aumentados e diminutos. ConsonAncias perfeitas: 4J, 5J, 8 Consonancias imperfeitas: 3m, 3M, 6m, 6M 2m, 2M, 2 aum, 4dim, 4aum, Sdim, Saum, 7 dim, 7m, 7M, Dissonancias: 82 ETE ~Curso Técnico em Regénca (Ourinnos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet Apostle Estrus Linguagar Musical (2044 > Propriedades dos intervalos: Sendo relacdes entre graus, os intervalos revelam também relagées harménicas entre as notas. As relagées intervalares devem revelar necessariamente relagdes harménicas. Assim, alguns intervalos considerados "possiveis" dentro da teoria musical (ex. 3a aumentada, Sa mais que diminuta ete.) néo tem sentido algum do ponto de vista funcional As relacdes de consondncias perfoitas sao similares entre si ( 4aJ é inversio de SaJ). Blas condicionam nao sé as relacées entre a proximidade das relagdes harménicas entre as tonalidades s de tense e (ciclo da Sas e ciclo das 4as ~ abaixo), mas também os principios tonais das relac relaxamento entre os graus (como veremos mais abaixo). Observe as simetrias do ciclo das Sas abaixo): elas reproduzem nao s6 as relacdes de consonancia perieita (as ¢ Sas}, mas também os iores do campo harmbnico e os graus principais das trés fungdes harménicas basicas (ver sustenidos (em Sas) ou em beméis (em acordes abaixo), e também a ordem 4as), nas armaduras de clave yue as notas stio alteradas 0 das 5as ise sb Exemplo 76 - 0 ciclo das 6as e das as. > Acordes: sao organizagées de notas simultaneas. > Trlades: séo acordes formadas por duas tercas sobrepostas. A triade é 0 modelo do tipo de acorde utilizado tradicionalmente na musica européia tonal. Se so dois os tipos de intervalo de terga, sd quatro os tipos de combinagées de triades possiveis: Sa oR — DIMINUTA —— AUMENTADA isn damental Exemplo 77 - exemplos de triades. 83 ETE ~Curso Técnico em Regénca (Ourinnos ~ SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet Apostle Estrus Linguagar Musical (2044 > Cifras: simbolos que representam a nota em que esté fundado um acorde @ seu tipo de organizacao (maior, menor ete.) Os nomes da nota fundamental da triade séo representados com seu antigo nome, ainda vigente nos paises anglo-saxdes (Inglaterra, Alemanha ete. A B a) E F G| LA sl po | RE MI FA so. | Aos nomes de cada triade assim indicada, podem ser associados sinais que indicam de que tipo cla é: Fm = Fa monor; Fdim ou F*: Fé diminuto; etc.) > Tétrades: acordes com quatro notas — a triade mais uma terca sobreposta & nota mais aguda (formando uma sétima com a nota fundamental) > Triades com notas acrescentadas: A principio pode ser associada as triades qualquer nota, sempre considerada como um intervalo da nota mais grave (ou fundamental). De acordo com as varias possibilidades dadas pelos graus das diferentes escalas, pelos intervalos, pelas qualidades intervalares ¢ pelos métodos de ciftagem, 0 estudo da harmonia através dos acordes pode se tornar bastante complexo: 1a aumentada Ta menor Tamenor 7a menor 7a diminuta pp semey og A | —— e 7 Fo Fm7 FCS)e 44 Fm7(>5) F F4 maior com nona Exemplo 78 - exemplos de triades com notas acrescentadas. Assim: Tipo de acorde notas que Exemplo da Exemplo de compéem | melhor cifragem cifragens o acorde (ex. do) evitaveis (ex. do) ‘Acorde maior do-mi-sol nenhum sinal adicional | CM; C+ (C=do maior) ‘Acorde menor do-mb-sol cm c ‘Triad diminuta do-miysol, | Caim cms); Trfade aumentada domisol# — | C(#5) ‘Tetrade1-Triade com sétima menor | do-ml-sol-slp | C7 o7- (um tom abaixo da oitava) 84 ETE ~ Curso Téenico Regencia(Ouinhos - SP) bitp:dwummarcelonelloweb.cibunet ‘Aposti—Estruturagio_e Linguager Musical (2014) ‘Tétrade2- Triade com sétima maior | do-mi-sol-si_ | C7M c7 (um semitom abaixo da oitava) Triades com notas acrescentadas, | do-mb-solla | C6 formando intervalos maiores ¢ do-mi-sobre | C9 justos do-mi-solfa | C11 Triades com notas acrescentadas, | do-mi-soblay | Ch6) formando intervalos manors. | go misotret | C(H9) diminutos ou aumentedos do-mbsobta# | C(#11) > Fungées: sao os niveis de tensdo harménica associados a cada um dos graus da escala. ‘Sao trés as fuungées principais: - Funelio de tonica: Associada a sensactio de relaxamento, & produzida principalmente pelo grau I, ¢, em menor quantidade, pelos graus VI ¢ IIL - Funeio de dominante: Associada 4 sensaco de tenséo. 8 produzida principalmente pelo grau V, ¢, em menor quantidade, pelos graus IIT ¢ VIL. - Fungo de sub-dominante: Associada 4 sensacao de preparacéo cia tensa. & produzida principalmente pelo grau IV, e, em menor quantidade, pelos graus II ¢ VI Ainda é necessério frisar que em geral o acorde (a triade) 6 mais importante para a determinacao da funcao harmonica de um trecho musical (sua *tensao” harmonica| do que as notas isoladamente. > Campo harménico: é 0 resultado de triades (ou tétrades) formadas a partir de cada grau de uma escala, usando apenas as notas da respectiva escala: c Dm F GS Am Bam é # SS ee tim tim Mm Ving Exemplo 79 - campo harménico das triades de Do maior. Da nogao de campo harménico pode se deduzir o seguinte: - Trés graus estao associados a triades maiores: sao os graus I, IV, V. Estes graus estao separados por intervalos de 5a perfeita (IV/I /V; em do maior: F/C/ G) - Trés graus estdo associados a triades menores, também separadas por intervalos de 5a (lm / Im / Vim; em do maior: Dm / Am / Emi) 85 ETE ~Curso Técnico em Regénca (Ourinnos ~ SP) btto:lwww.marcelomellove.cib.net stig -Estuuragio « Linguager Musical | (20 - Um grau esta associado a uma triade ciminuta (o grau Vil). Este grau tera assim propriedades especiais, diferentes dos demais graus. - Acordes com fundamentais separadas por intervalos de terga tém notas em comum. Assim, 0 grau I (C: do-mi-sol] tem notas em comum tanto com 0 acorde do grau VI, uma terca abaixo (Am: la-do-mi) quanto com o acorde do grau Ill, uma terga acima (Em: mi-sol-si) . Na harmonia “funcional, estes acordes so chamados de relativas ou anti-relativas entre si. Assim: I Il III Iv Vv VI VII T relativa menor de IV anti-relativa menor de TV. I Il Ill Iv Vv VI MII I relativa maior de VI anti-relativa maior de V1 Exemplo 80 exemplos de relativas ¢ anti-relativas. © campo harménico de tétrades (triades com sétimas acrescentadas] tera uma distingdo um pouco mais clara entre os diferentes acordes, destacando-se a singularidade da sétima do grau V (também chamado de acorde de sétima da dominante} c7™M Dm7 Em7 F7M c7 Am7 = Bm7(>5) 1M Um? Him? 7M v7 Vim7 ——Vilm74,5) Exemplo 81 - campo harmonico de tétrades em Do maior. > Escala Relativa menor: Em nossa cultura, o “cultivo” de expectativas © resolucdes na melodia vem desde a Idade Média. As formas de seqiiéncias e modos fixos de notas, herdados dos cantos da liturgia judaica, formavam a base das regras dos modos © das melodias do canto gregoriano, género imposto na mlisica sacra até cerca do séc. X. Este tipo de aviisica, baseado principalmente na forma ou modo fixo em que eram feitas as melodias, é chamado de musica modal A missica fonal (com tonaldiade, isto é, baseada nas fungées harménicas) comegou a se desenvolver baseada no tipo de movimento que a linha melédica fazia, qual o intervalo que esse vimento produzia, qual sua relacdo com o movimento da outra linha melédica ete. A partir do inicio da Renascenca (ca. 1400), sao cada vez mais adotados como modelos para aplicacdo destas técnicas as. escalas maiores (com uma terga maior entre os eraus I ¢ Ill) ¢ menores (com uma tera menor entre 86