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Faculdades Kennedy

Apostila de Português

Curso: Engenharia Civil


Professora: Ms. Renata Paula de Oliveira

Belo Horizonte
2010
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Interpretação de Textos
3

1.1 – Das noções textuais

De todas as mudanças sentidas ao se entrar no mundo acadêmico, talvez, as mudanças


que o “novo” texto exigirá possam ser consideradas as mais difíceis de serem aceitas. Baseado
em um linguajar culto, isento de expressões coloquiais, gírias, “achismos” etc. aos quais já
estamos acostumados, o texto acadêmico será agora regido por normas que devem ser
cuidadosamente obedecidas: a eventual aleatoriedade de pensamentos deve agora ceder o seu
lugar para idéias organizadas, estruturadas e bem fundamentadas.

1.2 – Das características textuais acadêmicas

Como qualquer outro texto, o texto acadêmico pode e deve possuir características
objetivas que atinjam o leitor de maneira rápida e eficaz, como por exemplo:

• Contexto: parte em que o leitor deve ser informado a respeito de qual assunto o
texto falará/fala. Deve-se ainda informá-lo sobre características que serão utilizadas
e, se possível, como serão desenvolvidas. É o assunto, tema. De maneira geral,
quando se diz que algo não faz parte do contexto é porque não tem relação com o
que se está tratando.

(Do lat. contextu-, «tecido», part. pass. de contexère, «tecer; entrelaçar»)

1. encadeamento das idéias de um escrito ou discurso;


2. argumento;
3. composição;
4. contextura;
5. GRAMÁTICA: enquadramento sintagmático de uma unidade discursiva;
6. situação comunicativa;
7. totalidade das circunstâncias e dos factores históricos, sociais, culturais etc., que
possibilitam, condicionam ou determinam a produção e a recepção de um texto;
8. partes de um discurso que precedem ou seguem determinado passo e lhe fixam o
significado;
9. conjunto de circunstâncias que rodeiam um acontecimento;

• Argumentação: a escolha por determinado caminho teórico deve ser sustentada por
argumentos que validem a proposta inicial e transmitam ao leitor a segurança de
quem sabe, de fato, (d)o que (se) está a falar.

• Referência: referir-se a algum nome, a alguma pessoa, a alguma situação concreta.


Normalmente aparece grafada entre aspas, ou deslocada do texto, quando se tratar da
fala ipsis litteris de algum renomado pensador, escritor, teórico etc. Todo e qualquer
pensamento/fala/texto que seja de outro autor deve ser devidamente reconhecido
como sendo pertencente a outrem. A maneira de citá-lo, reconhecendo seus créditos,
deve seguir as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
4

• Inferência: aquilo que é passado implicitamente para o leitor. Principal


características da Charge. Não deve ser usada em textos
acadêmicos/científicos/dissertativos.

_______________________________________________________________________

Os “Porquês”1

Porque

O termo porque é uma conjunção causal ou explicativa e o seu uso tem significado
aproximado de “pois”, “já que”, “uma vez que” ou ainda indica finalidade e tem valor
aproximado de “para que”, “a fim de”.

Exemplos: Vou fazer mais um trabalho porque tenho que entregar amanhã. (conjunção)
Não faça mal a ninguém porque não façam a você. (finalidade)

Porquê

Quando aparece nessa forma o porquê é um substantivo e denota o sentido de “causa”,


“razão”, “motivo” e vem acompanhado de artigo, adjetivo ou numeral:

Exemplos: Diga-me o porquê de sua contestação.


Tenho um porquê para ter contestado: meu cartão bancário foi clonado.

Por que

Pode ser usado com o sentido de “por qual razão” ou “por qual motivo”, e trata-se da junção
da preposição por + o pronome interrogativo que:

Exemplos: Não sei por que não quis ficar até mais tarde.
Por que ficar até mais tarde?

Ainda pode ser empregado quando se tratar da preposição por + pronome relativo que e,
neste caso, será relativo às expressões “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais”
ou ainda “para que”:

Exemplos: A rua por que passei ontem não era parecida com essa!
Quando votarmos, que seja por que nos próximos anos possamos ver mais obras.

Por quê

O uso do por quê é equivalente ao “por que”, porém, é acentuado quando vier antes de um
ponto, seja final, de interrogação ou exclamação:

Exemplos: Ficar na festa até mais tarde, por quê?

1
http://www.alunosonline.com.br/portugues/porques/
5

Texto 1.

Domine a comunicação (verbal, escrita, gestual...)

Usar a comunicação de forma eficiente é o caminho mais seguro para você


dar um impulso na sua carreira. Veja o que fazer para se tornar uma expert
nesta arte e sair por aí esbanjando segurança

TEXTO: ADRIANA NATALI

Os números assustam: 80% dos problemas numa corporação são provenientes de falhas na
comunicação. Parece até coisa de maluco, mas a realidade é essa. As pessoas não conseguem
se comunicar. E isso pode ser decorrente de vários fatores: política da empresa - inibe a
interação entre os colaboradores -, timidez, falta de conhecimento, arrogância, enfim, motivos
que justifiquem esse quadro nada favorável não faltam, sobram.

Faça uma pequena pausa agora. Pense como seria um mundo sem a comunicação, quero dizer
sem a linguagem oral, escrita, verbal, comportamental. Conseguiu? Claro que não, pois a
comunicação é o elo entre as pessoas, os grupos e as sociedades. Sem ela nada perdura, resiste
ou sobrevive. Entretanto não basta apenas se comunicar, é preciso fazer isso bem-feito, ou
melhor, com clareza e objetividade, ou então, você passará a ser mais uma a "encher
lingüiça". Portanto, é hora de fugir desse rótulo. E mais: se tornar uma expert na arte de
dominar a palavra.

QUEM NÃO SE COMUNICA SE ESTRUMBICA

A famosa frase do saudoso comunicador televisivo Chacrinha é mais valorizada do que nunca
no universo corporativo atual e você sabe bem disso. A comunicação está tão em foco que as
empresas estão se preocupando, cada vez mais, em divulgar suas imagens por meio da
chamada comunicação institucional. "Sempre e em qualquer situação, é necessário passar uma
mensagem clara e objetiva para o ouvinte e talvez essa seja uma tarefa difícil porque depende
de diversos fatores", afirma Fernanda Campos, sócia-diretora da Mariaca Intersearch.

Para despertar o interesse de alguém, mantenha a conversa agradável e atraia a atenção para
suas idéias, porém, não basta apenas ser clara e direta. É necessário mais do que isso. Tente
mostrar entusiasmo, interesse pelo outro, por exemplo. Não esqueça que a comunicação
envolve vários aspectos que variam de pessoa para pessoa.

A falta de hábito de expor seus pensamentos por medo de uma crítica ou por uma educação
muito repressiva é um desses aspectos. "Nestes casos a melhor solução é se conscientizar de
que esta causa existe e começar gradualmente a revelar suas opiniões com mais freqüência.
inicie mostrando seus pensamentos, para ganhar confiança, quando eles não forem opostos
excessivamente aos das outras pessoas envolvidas na conversa", aconselha o consultor Carlos
Hilsdorf.
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NINGUÉM PERDE, TODOS GANHAM

Comunicar é um verbo que exige mais de uma pessoa e não é uma disputa, portanto, não tente
sair vencedora de uma conversa. Alguns profissionais, nos ambientes de trabalho pensam ser
essencial sempre 'sair por cima do bate-papo'. Pura ilusão que pode inibir aquelas que não
estão dispostas a entrar no duelo verbal. Fazer conhecidos seus pensamentos e submetê-los à
crítica é muito mais um processo de aprendizagem do que uma competição.

Quando um indivíduo é criticado durante uma apresentação ou diálogo, diz Silvio Celestino,
diretor da Enlevo, ele acaba perdendo o foco e fala como se estivesse despreparado. "Com o
tempo isso se acentua e o profissional perde o desejo de se colocar em público ou mesmo de
arriscar-se a se aproximar de alguém que poderia ser relevante para sua carreira ou para o
propósito que deseja alcançar".

O AMBIENTE FAZ O COMUNICADOR

Com relação ao ambiente, há famílias que 'levantam' e outras que 'derrubam' a pessoa em
termos de qualificação. "Os pais não devem ser entraves à auto-estima dos filhos. Se o
indivíduo cresce em uma atmosfera que 'derruba' poderá ficar com a auto-estima
comprometida e desenvolver senso de inadequação.

Do mesmo modo, há países, escolas, empresas, departamentos e comunidades que fazem mais
pela expressão pessoal e outros menos, aponta José Antônio Rosa, consultor da Manager. Aí,
é essencial buscar força interior para se sobrepor aos círculos inibidores.

A eficiência na comunicação também está atrelada a outras razões, como temperamento, que é
inato ao próprio ambiente. Algumas pessoas nascem mais tímidas, outras mais extrovertidas.
São os tipos psicológicos 'naturais', que vêm sendo descritos desde Aristóteles.

Segundo José Antônio Rosa, nos casos de temperamento, é preciso lutar contra si mesmo, é a
chamada auto-superação, necessária para o crescimento pessoal e a realização plena.

Justificar falhas de comunicação, baseada no temperamento é uma saída pela "tangente" e isso
não vai resolver os problemas do dia-a-dia nem faz com que os outros sejam tolerantes.
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Texto 2.

A Internacionalização do Mundo

Cristovam Buarque2

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate,


nos Estados Unidos. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a
resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor
determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato,
como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso
imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a
Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos


também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-
estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das
reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o
seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a
Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela
vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego
provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as
reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes


museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é
guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse
patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo
gosto de um proprietário ou de um País. Não faz muito, um milionário japonês decidiu
enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido
internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns
presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira
dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser
internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim
como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua
beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de


brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já
2
Cristovam Buarque, 58 anos, é Doutor em economia e professor do Departamento de Economia da UnB
(Universidade de Brasília). Foi governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98). Autor, entre outras obras, de
A Segunda Abolição, da editora Paz e Terra.
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demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de
vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates,
os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as
reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir
que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram,
como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a
Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um Patrimônio
da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem, quando deveriam estudar; que morram,
quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo


me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

(Texto datado de 1/11/2000.


Retirado de http://www.cristovam.com.br/index.php?secao=secoes.php&sc=8&id=14)
9

Texto 3.

Charge 1.

(Fonte: www.chargeonline.com.br)

Charge 2. Charge 3

Fonte: http://wwwhenriquedutra-dutra.blogspot.com Fonte: http://fellyp2010.esporteblog.com.br/r1978/CHARGES-TIRINHAS/

Charge 4 Charge 5

http://fellyp2010.esporteblog.com.br/r1978/CHARGES-TIRINHAS/
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Texto 4.

A donzela e o sapo

Era uma vez uma donzela que caminhava pela beira de um rio quando ouviu um “psiu”. Parou
e olhou em volta e não viu ninguém. Viu uma floresta de conto de fadas e um límpido rio de
antigamente, e um céu de puro azul com nuvens brancas e muitos pássaros, mas não viu
ninguém. Recomeçou a caminhar, e de novo ouviu um “psiu”. E então descobriu que quem
fazia o “psiu” era um sapo. Levou um susto, mas o olhar do sapo era tão triste e a donzela tão
boa que ela se curvou para ouvi-lo. E o sapo contou que era, na verdade, um príncipe
amaldiçoado. Fora transformado em sapo por uma bruxa vingativa com poderes mágicos, que
fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, e só se transformaria de novo em príncipe se uma
donzela boa o beijasse. A donzela acreditou e beijou o sapo, que se transformou num príncipe
lindo que a levou para o seu castelo feudal. E os dois viveram felizes para sempre, explorando
os camponeses.

Anos depois, outra donzela caminhando pela beira do mesmo rio ouviu o mesmo “psiu”.
Olhou em volta, temendo que fosse um dos tantos salteadores que, com o fim do feudalismo,
infestavam a floresta, mas descobriu que quem fazia “psiu” era um sapo, que contou a mesma
história. Era um príncipe transformado em sapo por uma bruxa vingativa com poderes
mágicos, que fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, e só se transformaria de novo em
príncipe se etc, etc. A donzela concordou, com uma condição:
- Beijo de língua, não!

E o príncipe a levou para seu castelo, e os dois viveram felizes para sempre, vendendo a
prataria e os móveis e tudo que restara dentro do fausto medieval.

O episódio seguinte aconteceu muitos anos mais tarde, depois da revolução industrial. Uma
donzela desempregada caminhava pela beira do mesmo rio, no meio da mesma floresta quase
toda abatida para fazer carvão para os fornos, quando ouviu o “psiu”. A mesma história.
Bruxa com poderes mágicos, maldição, tudo. Só que quando o sapo se transformou de novo
em príncipe, era um príncipe muito feio, deformado por gerações e gerações de casamento
consangüíneo. A donzela protestou que esperava um príncipe mais bonito e o príncipe fez
pouco do seu desdém:
- Ué, pra quem já beijou sapo!

Mas foram morar na cidade, onde o príncipe ganhava a vida explorando seu título para tirar
dinheiro da burguesia nascente, e foram felizes para sempre.

Já neste século. Anos vinte. A mesma história. “Psiu”, sapo, bruxa com poderes mágicos. A
única diferença é que o beijo foi atrasado por uma questão técnica:
- Precisa ser donzela?

Aparentemente, não precisava, porque o beijo funcionou, e o príncipe e a mulher ganharam


muito dinheiro no comércio de chapéus, armamentos e Fords e foram felizes para sempre.

Anos sessenta. A história é a mesma com uma variação: a mulher que caminhava pela beira
do rio poluído era feminista. Quando ouviu o que bruxa vingativa com poderes mágicos, que
fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, fizera ao príncipe, concluiu:
- Alguma você andou aprontando!
11

E solidarizou-se com a bruxa.

Jovem com espírito empresarial caminhando pela beira do rio artificial de seu condomínio
fechado ouve o “psiu”, depois a conversa do sapo, a história da bruxa vingativa que faz
qualquer coisa virar qualquer coisa, e mais que ligeiro coloca o sapo no bolso do jeans. Diante
dos protestos do sapo – “Um beijo, um beijo, e você será a mulher de um príncipe!” – ela
raciocina em voz alta.
- Um príncipe, hoje, não vale muita coisa. Mas você faz idéia do que eu posso ganhar com um
sapo falante, só em cachês? E ela fez uma fortuna em contratos publicitários, e viveu feliz
para sempre.

Variação final. Foi anteontem. Jovem ouviu a proposta do sapo mas não decidiu em seguida.
Procurou seu consultor financeiro, que sempre lhe dizia que era preciso saber interpretar um
relatório e lhe lembrou que nada é mais valioso no mercado do que a informação privilegiada.
Ou seja:
- Esquece o sapo e encontra essa bruxa!

Só o que ela ganharia transformando nominativas em preferenciais seria uma fábula.


12

Texto 5.

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA A FORMAÇÃO DE ALUNOS CRÍTICOS3

Acadêmica: Ana Maria J. Ramires

RESUMO: este artigo tem como objetivo abordar a questão da importância da leitura na
formação de alunos conscientes e críticos, onde os mesmos possam fazer do ato de ler uma
condição essencial para viver a sua cidadania, Esta pesquisa buscou por meio de observação e
análise compreender o processo do ensino e do hábito de leitura no ensino fundamental. A
partir desse aspecto desenvolveu-se o trabalho enfatizando a importância da leitura no
contexto escolar, apontando a problemática da falta de leitura e suas conseqüências no
processo de ensino-aprendizagem e seus reflexos no comportamento dos alunos.

ABSTRACT:

Palavras-chave: Leitura, alunos, formação e comportamento.

Introdução

As políticas de leitura vêm sendo discutidas nos diversos segmentos da educação, destacando-
se a sua relevância para a aquisição do conhecimento, da cultura, do saber e da
conscientização política, face aos desafios do mundo. Saber ler tornou-se, pois, condição
indispensável para o acesso a qualquer área do conhecimento e, mais ainda, à própria vida do
ser humano, uma vez que a leitura apresenta função utilitária e transformadora da sociedade.
Porém, pesquisas indicam que a falta de leitura não se concentra apenas no ensino
fundamental, mas prossegue no ensino médio e, por efeito dessa constatação, alcança o ensino
superior. Sendo assim, nem sempre é correto acreditar que o aluno chega à universidade
adotando práticas sistemáticas de leitura. Embora a problemática da leitura esteja em todos os
níveis da educação, este trabalho busca identificar as possíveis relações entre as experiências
de leitura no ensino fundamental. Já que foi esta a etapa observada e analisada durante o
estágio supervisionado.

Silva (1992, p.42) enfatiza que a leitura está intimamente relacionada com o sucesso
acadêmico do ser que aprende, e, contrariamente, à evasão escolar. Mais adiante, o autor
conclui que escrever e ler são atos complementares: um não pode existir sem o outro (idem, p.
64). Sendo assim, para escrever bem, esse aluno terá na leitura o suporte do conhecimento a
ser armazenado em sua memória de longo prazo (Smith, 1989; Lencastre, 2003), na
organização do repertório lexical e semântico, à semelhança de fontes matriciais.
Por tal motivo, defendemos que ler é estabelecer relações entre o texto e o conteúdo
sistematicamente internalizado sob a forma de conhecimentos. Abordamos a questão do
conhecimento como resultado de experiências que se sobrepõem àquilo que se é e já se sabe.
Essa idéia reforça nossa concepção de que a prática da escrita também pode estar atrelada às
experiências de leitura.

3
Artigo cientifico solicitado para o trabalho de conclusão de graduação do curso de Letras, ministrada pelos
professores Ms. Márcia Rita Trindade Leite Malheiros e Ms. Renata Pessoa Silvano, oferecido pela Universidade
para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP Interativa.
13

Quando evidenciamos aqui a questão da importância da leitura na formação de alunos


críticos, não se entenda a situação de decodificar palavras e frases para depois proclama-las
ensaidamente, porém compreender os textos para além das linhas, identificando seu sentido e
expondo opiniões e raciocínio próprio sobre o conteúdo lido.

Algumas considerações sobre a importância da Leitura na formação de alunos críticos

O acesso ao aprendizado da leitura apresenta-se como um dos múltiplos desafios da escola e,


talvez, como o mais valorizado e exigido pela sociedade. Como afirma Foucambert (1994,
p.123), o acesso à escrita é o único meio de alcance da democracia e do poder individual, o
qual ele define como "a capacidade de compreender por que as coisas são como são" e que
não se confunde com os "poderes" permitidos ou facilitados pelo status social do indivíduo.
Desta forma, ele diferencia o "Poder" dos "poderes", dizendo que o primeiro permite ir além
do que é evidente, possibilitando a descoberta das relações por detrás das circunstâncias,
situações ou coisas, estando, portanto, ligado à transformação; enquanto os poderes
encontram-se na reprodução e na compreensão estática e não reveladora do real.
Ainda de acordo com Foucambert (1994), o acesso ao "Poder" só é possível a partir da
reflexão, distanciamento e teorização do real. Ou seja, através de uma atitude científica frente
ao mundo, a qual, nos moldes da própria Ciência, favorece a transformação da realidade.
Contudo, segundo esse autor, isto só é possível através do acesso ao processo de produção do
saber e não, apenas, por meio da transmissão dos saberes, os quais são imbuídos de
neutralidade e se apresentam como objetos separados dos processos que os geram,
promovendo a uniformidade entre os indivíduos que a eles têm acesso.
Sendo assim precisam-se oportunizar diferentes leituras aos alunos e assim, estabelecer uma
ampla rede de relações de indivíduos que buscam no universo da leitura o gosto, o
aprendizado e a formação de cidadãos críticos, reflexivos e atuantes. É imprescindível que,
criem diferentes oportunidades para levar aos seus alunos a ler. Tarefa não muito fácil, mas
estudos mostram que é possível explorar esse universo e torna-lo atrativo nas escolas com
diferentes textos que usamos no dia-a-dia. Despertar esse prazer no aluno de ler, de descobrir
e de crescer humano e intelectualmente, deve ser o objetivo central de toda instituição e de
ensino e dos professores.

Neste sentido o autor Smith (1999), fala que a concepção para estimular a leitura consiste em:
“Somente por meio dela que as crianças aprendem a ler, e que os professores devem, portanto
garantir que a leitura seja acessível e agradável a todas as crianças [...] mostro que elas podem
aprender a ler somente pelo uso de materiais e atividades que elas entendam e que desperta
seu interesse, que possam relacionar com atividades que já conhecem.”Os únicos livros que
devem ser lidos para as crianças ou que elas devem ler são aqueles que realmente despertam
interesse, que contêm rimas e histórias fascinantes, e não a prosa desinteressante e artificial a
que muitas crianças são obrigadas a prestar a atenção, como por exemplo, ler sobre um dia
entediante na vida de duas crianças fictícias ou então ler frases tipo vovó viu a uva” (SMITH,
1999, p. 134).

Portanto, o que acontece em sala de aula referente à leitura é de extrema importância, pois
essas experiências são determinantes para que os alunos tornam-se leitores ou não;
considerando que ser leitor não é apenas decodificar códigos, mas ler, entender e opinar sobre
o que foi lido.
14

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS

1 - A coesão textual4

Um texto é uma unidade construída não por uma soma de frases, mas pelo encadeamento
semântico delas. Tal encadeamento, também chamado de coesão, é que será responsável
pela trama semântica a que damos o nome de textualidade.

“Os fatores de coesão são aqueles que dão conta da seqüenciação superficial do texto, ou
seja, são os mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer, entre os
elementos lingüísticos do texto, relações de sentido.” (KOCH, 2000a, p.35). Trata-se de
uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A.

Observe alguns mecanismos de coesão textual:

Eles foram testemunhar sobre o caso. O juiz disse, porém, que tal testemunho não era
válido por serem parentes do assassino.

Ele não suportou a desfeita diante de seu próprio filho. Desfeitear um homem de bem não
era coisa para se deixar passar em branco.

Os quadros de Van Gogh não tinham nenhum valor em sua época. Houve telas que serviram
até de porta de galinheiro.

São Paulo é sempre vítima das enchentes de verão. Os alagamentos prejudicam o trânsito
provocando engarrafamentos de até 200 quilômetros.

A propaganda, seja ela comercial ou ideológica, está sempre ligada aos objetivos e aos
interesses de classe dominante. Essa ligação, no entanto, é ocultada por uma inversão: a
propaganda sempre mostra que quem sai ganhando com o consumo de tal ou qual produto
ou idéia não é o dono da empresa, nem os representantes do sistema, mas, sim, o consumidor.
Assim, a propaganda é mais um veículo da ideologia dominante.

O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher um sem-número de papéis.


Depois, pagar uma infinidade de taxas. Todas essas limitações acabam prejudicando o
importador.

Amigos, fãs e funcionários da rádio procuravam se organizar. Todos queriam ver a cantora
famosa.

O presidente pretende anunciar as novas medidas que mudarão o imposto de renda, mas
não deverá fazer isso nesta semana.
Um encapuzado atravessou a praça e sumiu ao longe. Que vulto era aquele a vagar, altas
horas da noite, pelas ruas desertas?

Renata lançou os olhos pelas terras que se estendiam a perder de vista. Tudo isso era seu!

4
KOCH, Ingedore Villaça. A coesão Textual. 13 ed., São Paulo: Contexto, 2000.
VALENÇA, Ana et al. Roteiro de Redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998. (texto adaptado).
15

Os candidatos foram convocados por edital. Os mesmos deverão apresentar-se munidos de


documentos.

As crianças estão viajando. Elas só voltarão no final do mês.

Luis e Márcio trabalham juntos num escritório de advocacia. Este dedica-se a causas
criminais, aquele a questões tributárias.

Haverá prêmios para os melhores trabalhos. O primeiro será uma viagem à Europa.

Marta, Lúcia e Inês são esportistas. A primeira joga tênis, a segunda basquete e a terceira
(a última) pratica natação.

Antônio, José e Pedro estudam muito desde pequenos. Os três pretendem formar-se em
Medicina.

Bem defronte à entrada da penitenciária fica um pequeno café. Tarde da noite, estava eu ali
sentado.

Mais adiante, um casebre e um pequeno pomar. Aí se avistavam mangueiras, arbustos e


laranjeiras.

Não podíamos deixar de ir ao Louvre. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: A “Mona


Lisa”.

Manuel da Silva Peixoto foi um dos ganhadores do maior prêmio da Loto. Peixoto disse que
ia gastar todo o dinheiro na compra de uma fazenda e em viagens ao exterior.

Fernando Henrique Cardoso esteve, há pouco tempo, em Moscou. Da capital da Rússia,


Cardoso disse que o Brasil tomará definitivamente, em seu governo, o rumo do
desenvolvimento.

O governo tem se preocupado com os índices de inflação. O Planalto diz que não aceita
qualquer remarcação de preço.

Santos Dumont chamou a atenção de toda Paris. O Sena curvou-se diante de sua invenção.

2 - A coerência textual5

“A coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto,


ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo, portanto, ser
entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa
situação de comunicação e capacidade que o receptor tem para calcular o sentido deste texto.

5
ERNANI & NICOLA. Práticas de linguagem: leitura & produção de textos. Ensino médio: Volume único.
São Paulo: Scipione, 1995. (texto adaptado).
16

Este sentido, evidentemente, deve ser do todo, pois a coerência é global.” (KOCH, 2000b, p.
21).

Um texto pode não ter coesão e mesmo assim ter coerência. Exemplo:

“O dia segue normal. Arruma-se a casa. Limpa-se em volta. Cumprimenta-se o vizinho.


Almoça-se ao meio dia. Ouve-se rádio à tarde. Lá pelas cinco horas, inicia-se o sempre.”
(Miniconto publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais, nº. 686)

“O Pedro vai buscar as bebidas. A Sandra tem que ficar com os meninos. A Teresa arruma a
casa. Hoje vou precisar da ajuda de todo mundo.” (Marcuschi).

“Corrupção, criminalidade, violência, fome, guerras. O novo milênio começa mal.” (texto de
abertura de um telejornal).

Todos os textos acima são estruturados a partir de enumerações, o que dispensa os elementos
coesivos. No entanto, o sentido dos textos deve-se à coerência global. No último texto, a
coerência acontece em decorrência, também, da situação de comunicação (telejornal).

3 - A relação entre coerência e coesão

A coesão textual é elemento facilitador para a compreensão do texto, mas não garante seu
sentido. É a coerência que dá sentido ao texto. Podemos encontrar textos desprovidos de
elementos de coesão, mas coerentes (como vimos anteriormente), bem como textos que
apresentam mecanismos de coesão, mas que não são coerentes.

Vejamos alguns exemplos de não-textos (passagens desprovidas de coerência):

(1) O time não jogou bem, mas perdeu.

Nesse exemplo, temos a conjunção mas funcionando como importante elemento coesivo,
estabelecendo um tipo de relação entre as duas orações. O texto, no entanto, é incoerente, pois
não há relação de adversidade entre o fato de o time Ter jogado bem e ter perdido; pelo
contrário, seria possível estabelecer uma relação de adição: o time não jogou bem e perdeu.

(2) No rádio toca um rock. O rock é um ritmo moderno. O coração também tem ritmo. Ele é
um músculo oco composto de duas aurículas e dois ventrículos.
(3) “João vai à padaria. A padaria é feita de tijolos. Os tijolos são caríssimos. Também os
mísseis são caríssimos. Os mísseis são lançados no espaço. Segundo a teoria da Relatividade,
o espaço é curvo. A geometria Rimaniana dá conta DESSE fenômeno.” (Marcuschi).

Enquanto a coesão se manifesta no plano da expressão (relações semânticas e gramaticais), a


coerência se manifesta no plano do conteúdo (plano das idéias).
4 - Os conectivos como elemento de coesão textual

A coesão também é resultante da perfeita relação de sentido que deve haver entre as partes de
um texto. Por isso, o uso adequado de conectivos (palavras que relacionam partes da oração
ou orações de um período) é importante para que haja coesão textual. Observe a frase abaixo:
17

Embora saísse de casa com bastante antecedência, Luciana chegou atrasada à reunião que
decidiria a compra do material, porque seu carro quebrou no caminho.

A conjunção embora introduz uma oração que encerra idéia de concessão; o pronome relativo
que retoma o substantivo reunião da oração anterior; e finalmente a conjunção subordinada
porque introduz uma oração que exprime idéia de causa.

Conectivos são elementos que relacionam partes do discurso estabelecendo entre elas relações
de significado. Possuem valores próprios: usamos embora para exprimir concessão; porque
para exprimir causa; mas para exprimir condição etc. Dessa forma, a troca de um conectivo
por outro de valor diferente implicará a quebra da coesão.

Há conectivos distintos para estabelecer valores idênticos. Na frase acima, para estabelecer a
relação de concessão, poderíamos substituir embora por apesar de; para estabelecer a relação
de causa, poderíamos substituir porque por já que ou uma vez que. Veja:

Apesar de sair de casa com bastante antecedência, Luciana chegou atrasada à reunião que
decidiria a compra do material, já que (ou uma vez que) seu carro quebrou no caminho.

_________________________________________

Abaixo, uma lista dos principais elementos CONECTIVOS, agrupados pelo sentido6.

Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes de tudo, em princípio,
primeiramente, acima de tudo, precipuamente, principalmente, primordialmente, sobretudo, a
priori (sempre em itálico), a posteriori (sempre em itálico).

Tempo (freqüência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterioridade):


então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, no momento em que,
pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim,
finalmente agora atualmente, hoje, freqüentemente, constantemente às vezes, eventualmente,
por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente,
nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quando, antes que, depois que, logo
que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem
bem.

Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma forma, assim também, do


mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira
idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de
vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.

Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.

Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda mais, ainda cima, por
outro lado, também, e, nem, não só … mas também, não só… como também, não apenas …

6
Lista baseada no autor Othon Moacyr Garcia, em Comunicação em Prosa Moderna. Para maiores detalhes,
conferir o site http://enemnota100.blogspot.com/2007/06/conexo.html
18

como também, não só … bem como, com, ou (quando não for excludente).
Dúvida: talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é
que.

Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem


dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.

Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito, subitamente, de repente,


imprevistamente, surpreendentemente.

Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para exemplificar, isto é, quer
dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou seja, aliás.

Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propósito de, com a
finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.

Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais
adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante,
a.

Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo,


portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte,
destarte, assim sendo.

Causa e conseqüência. Explicação: por conseqüência, por conseguinte, como resultado, por
isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito, tão (tanto, tamanho) … que,
porque, porquanto, pois, já que, uma vez que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que
(= porque), de tal sorte que, de tal forma que, haja vista.

Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto,
menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo
que, posto que, posto, conquanto, se bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo
que.

Idéias alternativas: Ou, ou… ou, quer… quer, ora… ora.

_______________________________________________

Exercícios de fixação:

Questão 1:

As frases abaixo apresentam problemas de coesão e coerência. Identifique-os e depois


reescreva as frases, tornando-as coesas e coerentes.
a - Mais de cinqüenta mil pessoas compareceram ao estádio para apoiar o time onde seria
disputada a partida final.
19

b - Naquela manhã Paulo ligou para o amigo, cumprimentando-o, leu no jornal que seu amigo
havia entrado na faculdade e acordou bem cedo.

c - Não concordo em nenhuma hipótese com seus argumentos, pois eles vão ao encontro dos
meus.

d - A ciência já demonstrou que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas é extremamente


prejudicial à saúde. Adolescentes, aos dezesseis anos, ainda não têm maturidade suficiente
para avaliar os malefícios que o consumo imoderado de bebidas alcoólicas lhes poderá causar.
Além disso, nessa idade, gostam de novidades e, como muitas vezes são tímidos, utilizam-se
de bebidas alcoólicas para ficar extrovertidos sem pensar nas conseqüências nefastas desse
tipo de atitude. Por esses motivos a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores
de dezoito anos deveria ser revogada.

Questão 2:

Reúna as diversas frases num só período por meio de conjunções e pronomes relativos. Faça
as devidas alterações de estrutura.

a) O camembert é um dos queijos mais consumidos no mundo. Só se tornou popular


durante a Primeira Guerra. Conquistou os soldados nas trincheiras.

b) As moscas conseguem detectar tudo o que acontece à sua volta. Têm olhos compostos.
Seus olhos lhes dão uma visão de praticamente 360 graus.
20

c) Tratava-se de uma pessoa. Essa pessoa tinha consciência. Seu lugar só poderia ser
aquele. Lutaria até o fim para mantê-lo.

d) Ele ficava à cata das pessoas. Queria conversar. As pessoas não lhe davam a menor
atenção.

e) Ele era auxiliado em suas pesquisas por uma professora. Ele morava numa pensão. Ele
se casaria mais tarde com essa professora.

f) Era um cais de quase dois quilômetros de extensão. Gostávamos de caminhar ao longo


desse cais. O tempo era sempre feio e chuvoso.

g) Era um homem de frases curtas. A boca desse homem só se abria para dizer coisas
importantes. Ninguém queria falar dessas coisas.

Questão 3:

Agrupe em um único período composto os períodos simples que se seguem.

A fome dizima o Nordeste. A sociedade civil procurar minorar o problema. O governo deixou
o social de lado.
21

CONCORDÂNCIA VERBAL

Regras básicas

O verbo e o sujeito de uma oração mantêm entre si uma relação de mútua solidariedade
chamada concordância verbal. De acordo com essa relação, verbo e sujeito concordam em
número e pessoa:

Reconheço os próprios erros.


Sujeito da primeira pessoa do singular.

Reconhecemos os próprios erros.


Sujeito da primeira pessoa do plural.

Qualquer pessoa razoável reconhece os próprios erros.


Sujeito da terceira pessoa do singular.

Pessoas razoáveis reconhecem os próprios erros.


Sujeito da terceira pessoa do plural.

O sujeito composto equivale a um sujeito no plural:


Pai e filho conversaram longamente.
Pais e filhos devem conversar com freqüência.

Nos sujeitos compostos de que participam pessoas gramaticais diferentes, a concordância no


plural obedece às seguintes prioridades: a primeira pessoa prevalece sobre a segunda pessoa,
que por sua vez prevalece sobre a terceira. Observe:

Nossos amigos, tu e eu formaremos um belo time de futebol*.


*Primeira pessoa do plural.

Tu e teus colegas formareis um belo time de futebol*.


*Segunda pessoa do plural.

Devido ao limitado uso das formas verbais de segunda pessoa do plural (vós) no português
atual, tem surgido com bastante freqüência a concordância:

Tu e teus colegas formarão um belo time de futebol.


(Já aceita por grande parte dos gramáticos como legítimas.)

Em todos os casos vistos até agora, os sujeitos compostos estão antepostos ao verbo com que
concordam. No caso de sujeitos compostos pospostos ao verbo, abre-se uma nova
possibilidade de concordância: o verbo pode deixar de concordar no plural com a
totalidade do sujeito para estabelecer concordância com o núcleo do sujeito mais
próximo. Essa possibilidade é extensiva aos demais casos de concordância com os sujeitos
compostos que estudaremos mais adiante.

Bastaram determinação e capacidade.


Bastou determinação e capacidade.
22

Pouco opinamos eu e meus colegas.


Pouco opinei eu e meus colegas.

Quando há reciprocidade, no entanto, a concordância deve ser feita no plural. Esse


fenômeno é extensivo aos demais casos de concordância que ainda serão estudados:

Agrediram-se o deputado e o senador. (Isto é, agrediram um ao outro)


Ofenderam-se o jogador e o árbitro. (Isto é, ofenderam um ao outro)

ATIVIDADES

1) Complete as frases seguintes com a forma apropriada do verbo entre parênteses:

a) ______________ várias coisas inesperadas na tarde de ontem. (acontecer)


b) ______________-nos poucos dias de férias. (restar)
c) ______________ alguns poucos amigos fiéis no fim da festa. (ficar)
d) ______________ alguns doces. (sobrar)
e) ______________ alguns bons amigos para o alegrar. (bastar)
f) Ainda ______________ bons motivos para ficarmos juntos. (dever existir)
g) Ainda ______________ surpresas nesse campeonato. (poder ocorrer)
h) É provável que ainda ______________ lembranças daquele passado. (sobreviver)
i) Devem-se preservar os poucos indivíduos que ______________. (restar)

2) Este exercício é semelhante ao anterior:

a) Torcedores e dirigentes ______________ ontem à tarde, depois do jogo. (discutir)


b) ______________ torcedores e dirigentes ontem à tarde, depois do jogo. (discutir)
c) Meus pais e eu ______________ nas próximas férias. (viajar)
d) ______________ meus pais e eu nas próximas férias. (viajar)
e) ______________ eu e meus amigos uma advertência ontem. (receber)
f) Você e seus amigos ______________ das reuniões da classe. (dever participar)
g) Tu e teus amigos ______________ das reuniões da classe. (dever participar)
h) Por que não ______________ tu e teus amigos às reuniões da classe?
(comparecer)
i) ______________ minha irmã e meu irmão para o curso. (inscrever-se)
j) ______________ minha irmã e meu irmão quando se encontraram. (abraçar-se)

3) Leia atentamente as frases seguintes e responda. É possível apontar alguma


diferença entre elas? Explique.

Após a batida, desceram do ônibus o motorista e os passageiros.


Após a batida, desceu do ônibus o motorista e os passageiros.

4) Leia atentamente a frase seguinte e indique formas de evitar as possíveis


ambigüidades.

Feriram-se o pai e o filho.


23

Casos de sujeito simples que merecem destaque

Há casos em que o sujeito simples assume formas que nos fazem hesitar no momento de
estabelecer a concordância com o verbo. Em muitos desses casos, a concordância puramente
gramatical é contaminada pelo significado de expressões que nos transmitem noção de plural
apesar de terem uma forma de singular ou vice-versa. Por isso, vamos analisar com cuidado
algumas dessas expressões.

a) Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (parte de..., uma
porção de..., o grosso de..., metade de..., a maioria de..., a maior parte de..., grande
número de...) seguida de um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar no
singular ou no plural:

A maioria dos alunos participou/participaram da reunião.


Metade dos candidatos à prefeitura não apresentou/apresentaram qualquer proposta
consistente.

Nesses casos, o uso da forma singular do verbo enfatiza a unidade do conjunto; já a forma
plural destaca os elementos que formam esse conjunto.

b) Quando o sujeito é formado por expressão que indica quantidade aproximada


(cerca de..., mais de..., menos de..., perto de...) seguida de numeral e substantivo, o verbo
concorda com o substantivo.

Cerca de vinte corpos foram resgatados dos escombros.


Perto de quinhentas pessoas compareceram à cerimônia.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas Olimpíadas.

Quando a expressão mais de um se associar a verbos que exprimem reciprocidade ou for


repetida, o plural é obrigatório:

Mais de um parlamentar se ofenderam na tumultuada sessão de ontem.(= ofenderam um ao


outro)

Mais de um casal, mais de uma família já perderam qualquer esperança num futuro melhor.

c) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido plural (quais,


quantos, alguns, poucos, muitos, quaisquer, vários) seguido de de (ou dentre) nós (ou
vós), o verbo pode concordar com o primeiro pronome (na terceira pessoa do plural)
ou com o pronome pessoal. Observe:

Quais de nós sabiam/sabíamos disso tudo?


Alguns de vós temiam/temíeis novas revelações.
Vários de nós participaram/participamos das discussões.

Observe que a opção por uma ou outra forma indicada há inclusão ou exclusão de quem fala
ou escreve. Quando alguém estabelece a concordância “Muitos de nós sabíamos de tudo e
nada fizemos.”, está-se incluindo num grupo de omissos, o que não ocorre com a
concordância “Muitos de nós sabiam de tudo e nada fizeram.”, que soa como uma denúncia.
24

Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver no singular, o verbo ficará na terceira
pessoa do singular:

Qual de nós sabia de tudo?


Algum de vós fez isso.

d) Quando o sujeito é um plural aparente, ou seja, é uma palavra ou expressão


com forma de plural, mas sentido de singular, o verbo concorda no singular.
Observe:

Flores não recebe mais acento.


Nós é um pronome pessoal do caso reto.

Quanto se trata de nomes próprios, a concordância deve ser feita levando-se em conta a
ausência ou presença de artigo (que pode ou não fazer parte do título de obras literárias).
Observe:

Os Estados Unidos impuseram uma nova ordem mundial.


Poços de Caldas continua agradável.
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz laticínios de boa qualidade.
Os lusíadas consumiram anos de dedicação do poeta.
As Memórias póstumas de Brás Cubas renovaram a estética do romance.

e) Quando o sujeito for indicação de uma porcentagem seguida de substantivo, o


verbo pode concordar com o numeral ou com o substantivo. Observe:

25% do orçamento do país deve destinar-se/devem destinar-se à educação.


85% dos entrevistados declararam sua insatisfação com o prefeito.
1% da classe recusou-se a colaborar.
1% dos alunos recusou-se/recusaram-se a colaborar.

f) Quando o sujeito é pronome relativo que, a concordância em número e


pessoa é feita com o antecedente desse pronome. Observe:

Fui eu que fiz isso.


Fomos nós que fizemos isso.
Não és tu que me provocas riso.

Com as expressões um dos... que... e um dos que, o verbo costuma assumir a forma plural:

O Amazonas é um dos rios que cortam a floresta equatorial brasileira.


O ministro é um dos que defendem tal postura.

Nesses dois casos, há muitos gramáticos que consideram aceitável a concordância no singular.

g) Quando o sujeito é o pronome relativo quem, pode-se utilizar o verbo da


terceira pessoa do singular ou em concordância com o antecedente do
pronome. Observe:
25

Fui eu quem fez isso.


Fui eu quem fiz isso.
Fomos nós quem fez isso.
Fomos nós quem fizemos isso.

ATIVIDADES

1) Complete as frases seguintes com a forma apropriada dos verbos entre parênteses:

a) Os preparativos para a conferência intercontinental ______________ ontem.


(terminar)
b) As acusações ao antigo presidente do partido ______________ a polícia a abrir
investigações. (levar)
c) As mensalidades do curso preparatório para o exame de medicina ______________
muito nos últimos dois meses. (subir)
d) Uma pesquisa recente revelou que a grande maioria dos adolescentes não se
______________ contra a AIDS. (prevenir)
e) A maior parte dos acidentes de trânsito ______________ pela imprudência dos
envolvidos. (ser provocado)
f) Cerca de dez mil pessoas ______________ das manifestações contra a corrupção.
(participar)
g) Mais de um sonhador ______________ seu dinheiro em loterias. (gastou)
h) Mais de um torcedor ______________ naquela tarde infeliz. (agredir-se)

2) Explique as diferenças de significado que se podem perceber entre as frases de


cada um dos pares seguintes:

a) Grande número de pessoas participou do ato público./Grande número de pessoas


participaram do ato público.

b) Alguns de nós são culpados de omissão./Alguns de nós somos culpados de


omissão.

c) Mais de um atleta feriu-se durante a partida./Mais de um atleta feriram-se durante


a partida.

3) Complete as frases seguintes com a forma apropriada dos verbos entre parêntese:

a) Quantos de vós _______________ de tudo e _______________ calar-se? (saber,


preferir)
b) Poucos dentre nós _______________ realmente dignos do cargo que
_______________. (ser, ocupar)
c) Qual de nós _______________ isso? (fazer)
d) Alguns de nós _______________ essa negociata. (aceitar intermediar)
e) Andradas _______________ no Sul de Minas. (ficar)
f) Os Estados Unidos _______________ intervir nos conflitos sul-africanos.
(decidir)
g) Alguns editorialistas de jornal vivem pedindo aos Estados Unidos que
_______________ a humanidade. (policiar)
26

h) Alagoas _______________ praias belíssimas. (ter)


i) Ouvi dizer que as Alagoas _______________ praias belíssimas. (ter)
j) Os sertões _______________ jornalismo, história e literatura. (reunir)
k) As memórias do cárcere _______________ indispensáveis a quem acredita na
dignidade humana. (ser)

4) Complete as frases seguintes com a forma apropriada dos verbos entre parênteses:

a) 40% dos candidatos nunca _______________ de um concurso antes. (haver


participado)
b) 1% dos entrevistados _______________ seu voto. (negar-se a declarar)
c) 32% do orçamento _______________ nos meandros da burocracia. (desaparecer)
d) 1% do capital investido nesta bicicleta _______________ a mim! (pertencer)
e) Fui eu que _______________ esses pacotes. (trazer)
f) Fui eu quem _______________ esses presentes. (comprar)
g) Somos sempre nós que _______________ tarde. (chegar)
h) Foste tu que _______________ suco de laranja? (pedir)
i) Não fui eu quem _______________ isso. (falar)
j) Lá vai um dos que _______________ que a lei é para os pobres. (pensar)
k) Ela é uma das candidatas que _______________ a pena de morte. (repudiar)

Casos de sujeito composto que merecem destaque

Além do que já foi dito nas regras básicas sobre o sujeito composto, devemos considerar
alguns casos em que a concordância verbal indica matizes particulares de significação.
Observe:

a) Quando os núcleos do sujeito composto são sinônimos ou quase sinônimos ou estabelecem


uma gradação, o verbo pode concordar no singular:

O desalento e a tristeza minou-lhe/minaram-lhe as forças.


Um acento, um gesto, uma palavra, um estímulo faria/fariam muito por ele.

Com o verbo no singular, enfatiza-se, no primeiro caso, a unidade do sentimento formado pela
combinação desalento/tristeza. No segundo caso, o singular enfatiza o último elemento da
série gradativa.

b) Quando os núcleos do sujeito composto são unidos por ou ou nem, o verbo no plural indica
que a declaração contida no predicado pode ser atribuída conjuntamente a todos os núcleos:

Um sorriso ou uma lágrima o tirariam daquela incerteza.


Nem poder, nem dinheiro o corrompiam.

O verbo no singular com esse tipo de sujeito indica alternância ou mútua exclusão. Observe:

Milão ou Berlim sediará a próxima Olimpíada.


Nem você nem ele será o novo representante da classe.
27

c) Com a expressão um outro e nem um outro, a concordância costuma ser feita no singular,
embora plural também seja praticado. Com a locução um e outro, o plural é mais freqüente,
embora também se use o singular. Não há uniformidade no tratamento dado a essas
expressões por gramáticos e escritores. Em todos esses caos, parece razoável adotar o mesmo
procedimento usado com outros sujeitos unidos por e, ou e nem.

d) Quando os núcleos do sujeito são unidos por com, a forma plural do verbo indica que esses
núcleos recebem o mesmo grau de importância. Com, nesses casos, tem sentido muito
próximo ao de e:

O professor com o aluno montaram o equipamento. O presidente com seus ministros


reuniram-se hoje à tarde.

O verbo no singular dá destaque ao primeiro elemento:


O velho patriarca, com sua mulher e filhos, fazia-se notar pela elegância do porte.

Nesse caso, não se tem propriamente o sujeito composto, e sim um sujeito simples
acompanhado de um adjunto adverbial de companhia.

e) Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões correlativas como não só... mas
também..., não só... como também..., não só... mas ainda..., não somente... mas ainda, não
apenas... mas também..., tanto... quanto... o verbo concorda de preferência no plural:

Não só a seca mas também o descaso assolam o Nordeste.


Tanto o pai quanto o filho costumavam passar por ali.

f) Quando os elementos de um sujeito composto são seguidos de um aposto recapitulativo, a


concordância é feita com esse termo resumidor:

Carros, casa, prédios, viadutos, pontes, tudo foi destruído pelo terremoto.
Luxo, riqueza, dinheiro, nada o tentava.

ATIVIDADES

1- Complete as frases seguintes com a forma apropriada do verbo entre parênteses:

a) O ardor e a paixão ______________ aquele coração exaltado. (alimentar)


b) Uma foto, uma imagem, uma lembrança, uma sombra ______________ para
atormentá-lo. (bastar)
c) A dignidade ou a cidadania ______________ de nós um país melhor. (fazer)
d) Nem a omissão da maioria, nem a corrupção impune ______________ a qualquer
projeto de nação. (conduzir)
e) Tenho certeza de que você ou seu irmão ______________ a eleição para a presidência
do clube dos calvos. (vencer)
f) Nem um nem outro vereador ______________ a presidência da câmara. (ocupar)
g) Nem um nem outro ______________ falta ao grupo. (fazer)
h) Um e outro pouco ______________ para o bem-estar de todos. (colaborar)
i) A rainha, com sua comitiva, ______________ ontem de manhã. (desembarcar)
28

j) O técnico da seleção brasileira com seus colaboradores ______________ entrevista


coletiva à tarde. (conceber)
k) Não apenas o menor abandonado mas também o menor carente ______________
direito à educação. (ter)
l) Doces, salgados, sucos, refrigerantes, tudo ______________ logo que as crianças
chegaram. (desaparecer)

__________________________________________

Concordância de alguns verbos e estruturas verbais

O verbo haver, quando indica existência ou acontecimento, é impessoal, devendo permanecer


sempre na terceira pessoa do singular:

Ainda há pontos obscuros nessa versão.


Ainda havia pontos obscuros naquela versão.
Sempre houve pontos obscuros naquela versão.
Parece haver pontos obscuros nessa versão.
Deve ter havido pontos obscuros na versão apresentada.
Houve várias manifestações de protesto após a reunião.
Deve ter havido várias manifestações de protesto após a reunião.
Deverá haver várias manifestações de protestos após a reunião.

Haver e fazer são impessoais quando indicam tempo. Nesse caso, devem permanecer na
terceira pessoa do singular:

Há anos não o vejo.


Faz anos que não o vejo.
Havia anos que não nos víamos.
Fazia anos que não nos víamos.
Deve fazer anos que nada de novo acontece.

A expressão haja vista admite várias construções. Observe:


Participar é indispensável: haja vista as recentes manifestações contra a corrupção.

Votar bem é indispensável: hajam vista as últimas eleições municipais.


Desrespeito e arrogância matam: haja vista aos acidentes de trânsito.

A concordância do verbo ser é muito rica em detalhes. Em muitas situações, esse verbo deixa
de concordar com o sujeito para concordar com o predicado. Em outras, pode concordar com
um ou com outro, de acordo com o termo que se quer enfatizar. Observe:

- quando colocado em um substantivo comum no singular e outro no plural, o verbo ser tende
a ir para o plural. Poderá ficar no singular por motivo de ênfase:

A sua paixão era os filmes de terror.


29

Aquele amor é apenas cacos de um passado.

- quando colocado entre um nome próprio e um substantivo comum, o verbo tende a


concordar com um nome próprio. Entre um pronome pessoal e um substantivo comum ou
próprio, o verbo concorda com o pronome:

Garrincha foi as maravilhas do drible.


O responsável pela expedição sou eu.
Eu sou José da Silva.
José da Silva sou eu.

- quando colocado entre um pronome não pessoal e um substantivo, o verbo ser tende a
concordar com o substantivo:

Tudo eram alegrias naquela noite.


Isso são manias de um ocioso.
Quem são os vencedores?
Que são idéias?

Nos dois primeiros casos, há gramáticos que consideram possível também a concordância
com o pronome.

- nas expressões que indicam quantidade (medida, peso, preço, valor), o verbo ser é
invariável:

Dois quilos é pouco.


Vinte mil cruzeiros é demais.
Dez minutos é mais do que eu preciso para ir daqui até lá.
Um milhão de cruzeiros já foi muito, hoje é pouco, é bem menos do que eu estou
precisando.

- nas indicações de tempo, o verbo ser concorda com a expressão numérica que o acompanha:

É uma hora.
São duas horas.
São três e vinte.
Já é mais de uma hora.
Já são mais de duas horas.
São cinco para uma.
Hoje são vinte de setembro.
Hoje é dia vinte de setembro.

ATIVIDADES

1) Passe para o plural os termos destacados em cada uma das frases seguintes e faça
as mudanças necessárias em cada caso:

Houve um problema durante a viagem.


Ocorreu um problema durante a viagem.
Não havia motivo para tanto.
30

Existia algum motivo para tanto?


Parece ter havido uma dúvida durante a realização da prova.
Parece ter surgido uma dúvida durante a realização da prova.
Ele acredita que deve ter havido algum transtorno durante a viagem.
Ele acredita que deve ter ocorrido algum transtorno durante a viagem.
Faz um ano que ele viajou.
Faz mais de um hora que ela saiu.
Deve fazer uma década que o país está nessa situação.

2) Complete as frases seguintes com a forma apropriada do verbo ser:

a) Maria ____________ as alegrias da avó.


b) Tudo ____________ tristezas naquela tarde.
c) Hoje ____________ dia trinta de setembro.
d) Hoje ____________ vinte e três de abril.
e) Vinte milhões ____________ muito!
f) ____________ vinte para as três.
g) Seu problema ____________ eu?
h) – Quem ____________? ____________ nós.
i) Tu ____________ o professor dessa matéria.
j) O país ____________ nós. Nós ____________ a nação brasileira.
k) A vida ____________ momentos.
l) Isso ____________ idiossincrasias de um chato.
m) Aquilo ____________ criancices de um adolescente.
n) Vinte quilos ____________ pouco: preciso de pelo menos cinqüenta.

_______________________________________

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Ao conceituarmos Concordância Nominal, faz-se necessário lembrar que os nomes


(substantivos, adjetivos, numerais, artigos e pronomes) se harmonizam em suas flexões.

1. O artigo, o numeral, o pronome, e o adjetivo concordam com o substantivo a que se referem


em gênero e número.

“A primeira infância determina a nossa personalidade afetiva.”

2. Os advérbios são palavras invariáveis, sem relação de concordância com os termos a que se
referem.

A população ficou meio decepcionada com o decreto.


31

II. CONCORDÂNCIA DO ADJETIVO COM MAIS DE UM SUBSTANTIVO

Adjetivo Posposto Adjetivo Anteposto


 Concorda com o substantivo mais  Concorda com o substantivo mais
próximo próximo
 Concorda com o conjunto
 Comprou apartamento e carro novo.  Comprou novo apartamento e carro.
 Comprou apartamento e carro novos.
Obs. 1.: Se os substantivos formarem uma Obs. 1.: Se o adjetivo for usado na função de
gradação ou forem sinônimos, o adjetivo só predicativo do sujeito (com verbo de ligação), a
poderá concordar com o substantivo mais concordância poderá ser feita com o substantivo
próximo. mais próximo ou com o conjunto.
 Com um olhar, um sorriso, um beijo  Era bonita a roupa e o sapato.
terno, despediram-se.  Eram bonitos a roupa e o sapato.
 Era visível o seu talento, o seu engenho Obs.2.: Se os substantivos forem nomes
raro para a música. próprios, a concordância será feita com o
conjunto.
 Os célebres Chico e Caetano.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1) Nas frases abaixo, faça a concordância com a palavra entre parênteses:

a) Escolheu ____________________ hora e momento para falar. (péssimo)


b) Encontrou ____________________ revistas e livros na prateleira. (velho)
c) Comprou ____________________ quadros e livros. (moderno)
d) Respondia com gesto e expressão ____________________. (irônico)
e) Possuía simplicidade e franqueza ____________________. (raro)
f) Manifestava um respeito e uma dignidade ____________________. (frio)
g) Era possuidor de uma força e uma fé ____________________ de mover montanhas.
(capaz)
h) ____________________ o colégio e a faculdade. (estava fechado)
i) ____________________ o aluno e a aluna. (parecia calmo)
j) Considerou ____________________ o argumento e a decisão. (perigoso)
l) Comeu peixe e banana ____________________. (maduro)
m) Trouxeram cerveja e lombo ____________________ para a festa. (assado)

2) (UFMG) A palavra destacada admite outra flexão em todas as opções, EXCETO em:

a) Evitaria, de qualquer maneira, reencontrar tristes, em demasia, os filhos e a jovem esposa.


b) Revendo livros e fotos, cuidadosamente colecionados conseguia vivenciar o passado.
c) O júri considerou o homem e as mulheres inteiramente culpados pelo assassinato.
d) Pareciam claras as referências e os desejos manifestados pela dama.
e) Solicitou argumentos e opiniões sólidas, imbatíveis.
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3) (UFMG) Todas as sentenças estão corretas, segundo padrões da língua culta,


EXCETO:

a) Ao entrarem na cidade, encontraram destruído o bar e a praça.


b) Logo que acordaram, viram o carro e a lancha sonhadas no jardim.
c) O diretor revelou um interesse e uma atitude mais que suspeita.
d) Os homens daquele lugar tinham o saber e a inteligência mais que expressivos.
e) Eram crianças e animais completamente tranqüilos e amigos.

III. CONCORDÂNCIA DE DOIS OU MAIS ADJETIVOS COM UM SUBSTANTIVO

1. O substantivo fica no singular e coloca-se o artigo antes do último elemento.


• O crime envolveu a polícia civil e a militar.

2. O substantivo fica no plural e omite-se o artigo antes do adjetivo.


• O crime envolveu as polícias civil e militar.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1) Reescreva as frases que seguem, de acordo com o modelo, fazendo as devidas


concordâncias.

MODELO: Estudo as literaturas portuguesa e americana.


Estudo a literatura portuguesa e a americana.

a) Valeu-se dos recursos americano e japonês.


___________________________________________________________________________
b) Inspirou-se nas obras italianas e francesa.
___________________________________________________________________________
c) No acidente, foram cortados os dedos indicador e médio.
___________________________________________________________________________
d) A atitude prejudicou os comércios brasileiro e americano.
___________________________________________________________________________
e) Fizeram referências aos artigos 5º e 8º.
___________________________________________________________________________
f) Este livro será usado pelo 2º e 3º anos.

g) O elevador pára no 7º e 8º andares.


___________________________________________________________________________
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IV. CASOS ESPECIAIS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL

1. Obrigado, quite, anexo, incluso, próprio, nenhum.


• Muito obrigada, disse ela.
Determinantes de substantivos; têm valor • Enfim, estava quite, com o banco.
adjetivo e são variáveis, concordando com o • Segue anexa a fotografia.
termo a que se referem. • Vão inclusos os documentos.
• Eu própria pinto meu cabelo.
Obs.: “em anexo” é expressão invariável. • Vocês não são nenhuns coitados.
• As certidões seguirão em anexo.

2. Mesmo, só, meio, barato, caro.

Quando funcionam como advérbio, essas palavras são invariáveis. Quando têm função adjetiva,
concordam com o termo a que se referem.

Obs.: a locução adverbial “a sós” é invariável.


• Os políticos estipularam mesmo seus
próprios salários?
• Os políticos mesmos estipularam seus
próprios salários.
• Depois da investigação, só restaram • A reforma custou caro/barato.
suspeitas. • A calça estava cara/barata.
• Crianças raramente gostam de brincar
sós.
• A nação parece meio atormentada.
• Não gostava de meias verdades.
3. Menos, alerta, abaixo
• Houve menos abstenções neste ano.
• Os seguranças estavam alerta.
São palavras invariáveis
• As abaixo-assinadas reivindicavam
aumento de salário.
4. É proibido, É necessário, É permitido, É bom

Se, nessas expressões, o sujeito vier • É proibida a entrada.


determinado por artigo, pronome ou adjetivo, • É necessária muita coragem.
tanto o verbo como o adjetivo concordam com • São permitidas as perguntas.
ele. • Nossa água é boa.
• É proibido saídas durante a aula.
Se o sujeito não vier determinado, tanto o
• É necessário cautela.
verbo como o adjetivo ficam invariáveis.
• Água é bom para a saúde.
5. O mais... possível, O menos... possível
• Quero um carro o mais barato
possível.
Nessas expressões, a palavra possível
• Usava ternos os mais caros possíveis.
concorda com o artigo que inicia a expressão.
• Selecione candidatas o menos burras
possível.
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• Comprei presentes os menos fúteis


possíveis.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1) Nas frases abaixo, faça a concordância com a palavra entre parênteses:

1) Ela mesma falou _______________. (obrigado)


2) Ele estava _______________ com o banco. (quite)
3) A receita segue _______________. (anexo)
4) Os cartazes seguem _______________. (anexo)
5) Os documentos vão _______________. (incluso)
6) Os formulários seguem _______________. (em anexo)
7) Ela _______________ confeccionou o vestido. (próprio)
8) Eles não parecem ser _______________ coitados. (nenhum)
9) Ela _______________ entregou o requerimento. (mesmo)
10) É possível que ela tenha acreditado _______________ na história. (mesmo)
11) Naquela tarde, eles preferiram ficar _______________.(só)
12) Depois de tudo, _______________ restaram lembranças. (só)
13) Ela estava _______________ aborrecida com o caso. (meio)
14) Deve haver alguns _______________ mais eficientes. (meio)
15) Esses privilégios custam _______________. (caro)
16) A reforma da loja acabou ficando _______________. (caro)
17) Comprou a casa e não pagou _______________. (barato)
18) Na sala, havia _______________ moças a atender. (menos)
19) Os estudantes devem ficar _______________ para a data das provas. (alerta)
20) Os _______________-assinados foram encaminhados ao Secretário. (abaixo)
21) Ainda _______________ muita prudência. (é necessário)
22) _______________ a instalação de indústrias na região. (era proibido)
23) _______________ saídas durante o feriado. (foi permitido)
24) Enfrentamos pessoas o mais arrogantes _______________. (possível)
25) Encontrou argumentos os mais razoáveis _______________. (possível)

2) Para o exercício a seguir, adote o seguinte código:

a) se apenas a sentença nº 1 estiver correta.


b) se apenas a sentença nº 2 estiver correta.
c) se apenas a sentença nº 3 estiver correta.
d) se todas estiverem corretas.
e) se nenhuma estiver correta.

a) I – O livreto segue anexo à carta.


II – Seguem anexo os livros.
III – Vai incluso à carta a minha preocupação.

b) I – Estão inclusos os meus documentos.


II – Vão anexo à procuração os meus documentos.
III – Vai incluso à carta a minha fotografia.
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c) I – Ela mesmo disse: obrigado.


II – Ela próprio falou: obrigado.
III – Muito obrigada, respondeu a baronesa.

d) I – Aquelas mercadorias eram baratas.


II – Aquelas mercadorias custaram caras.
III – Eles pagaram caros aqueles sapatos

3) (UFMG) As lacunas podem ser preenchidas por apenas uma das formas entre
parênteses, EXCETO:

a) Comprou duas camisas e dois sapatos que custaram ______________ . (caro/caros)


b) Envio-lhe ______________ os documentos que você solicitou. (incluso/inclusos)
c) Eles ______________ prestaram tais depoimentos contra o réu. (próprio/próprios)
d) Não se esqueça de enviar, hoje, ______________, os seus retratos. (anexo/anexos)
e) Estava ______________ desconfiada de que havia se enganado. (meio/meia)

4) (UFMG) Todas as opções apresentam sentenças incorretas, segundo normas cultas da


língua padrão, EXCETO em:

a) Etelvina estava meio irritada e, a meia voz, porém com bastante razões, dizia desaforos.
b) Elas mesmas escolheram as fotos, que enviariam anexas aos envelopes, como provas
bastantes de sua inocência.
c) Conhecia mulheres meio loucas que nunca estavam alertas aos perigos e nem bastantes
informadas.
d) Há crianças sem educação que são o mais insuportáveis possíveis e meio desajustadas.
e) Anexo ao envelope, vai a minha carta que tem revelações as mais prováveis corretas.

5) (FUMEC) Assinale a alternativa em que a concordância nominal esteja de acordo


com a norma culta:

a) Para combater o tráfico de drogas, foi necessário a intervenção do exército.


b) Fica proibido por prazo indeterminado a formação de novos consórcios.
c) Serão distribuídos entre os estados de mais baixa renda per capita o restante da verba
destinada à aquisição de materiais escolares.
d) Para se lidar com bancos é necessário, antes de mais nada, paciência.

QUESTÕES DE APROFUNDAMENTO

1) (M. Campos) Assinale a alternativa inaceitável quanto à concordância:

a) Na hora e ocasião adequada direi o que penso.


b) Ele tem uma educação e uma cultura invejável.
c) O candidato tinha limpos os bolsos e as mãos.
d) Filha, não pense apenas em si mesmo.
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2) (UFMG) Os termos destacados estão corretamente flexionados, EXCETO em:

a) Foi-me penosa a indecisão, o medo e a fraqueza.


b) Embora fosse tarde, saíram apressadas e sós.
c) Vinha com bolso e mãos cheios de dinheiro.
d) Felizmente, hoje está quites com seus credores.
e) Apesar da idade, não era homem de meias palavras.

3) (PUC – Campinas) Até agora, já foram encontradas oito torres e um pedaço do


grande muro que protegia a cidade.

Ocorreu um caso de concordância equivalente ao grifado acima em:

a) Mandou-me, pelo emissário, livros e frutas maduras.


b) Perdido o orgulho e a fé, nada mais lhe restou senão a morte.
c) Foram reconhecidos, pelas famílias, o corpo e as vestes do morto no acidente.
d) São necessárias todas as providências, para que fatos dessa natureza não mais ocorram.
e) A rudez e a violência alheia assustam mais do que as nossas próprias.

4) Assinale a opção INCORRETA quanto à concordância do termo em destaque:

a) Existem meios bastantes para resolver os problemas mais difíceis.


b) Ela ficou meio envergonhada pelas acusações graves.
c) Bebia sozinha meia garrafa de cachaça Januária.
d) Certamente, eles se encontrariam ao meio dia e meio em ponto.
e) As mães sempre estavam meio preocupadas com seus filhos.

5) Todas as sentenças são corretas conforme prescreve a língua padrão, EXCETO:

a) Muito obrigado, respondeu ao motorista a senhora tão bem educada.


b) É proibida a entrada de estranhos no gabinete do presidente.
c) Escolheu o momento e a hora adequada para o ataque.
d) Aqueles fatos eram importantes para a resolução do conflito.
e) Bastantes motivos obrigaram-no a faltar às aulas de natação.

6) (UFMG) A flexão masculina do adjetivo só é admissível em:

a) Foi o dinheiro que as tornou ambiciosas.


b) Seguem inclusas as fotografias e as revistas.
c) Segue anexa a declaração e a certidão.
d) Declararam criminosa a ré.
e) Ela usava vestido, sapato e luva branca.

9) A palavra indicada entre parênteses preenche, corretamente, as lacunas, EXCETO na


opção:

a) Os guardas-civis continuavam apreensivos e muito ______________. (alerta)


b) Quando ela chegou, a porta estava ______________ aberta. (meia)
c) Ainda ______________ preocupada, ela precisou de se ausentar. (meio)
d) Toda aquela mercadoria custou muito ______________. (caro)