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Direito Constitucional nas 5 Fontes

Aula Extra 6- Ordem Econômica e Financeira


Prof. Vítor Cruz e Rodrigo Duarte

Aula Extra– Jurisprudência STF


Direito Constitucional
Professor: Vítor Cruz e Rodrigo Duarte

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Direito Constitucional nas 5 Fontes
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Aula Extra Jurisprudência do STF

JURISPRUDÊNCIA DO STF PARA CONCURSOS:

Sumário:

1. Introdução e orientação de estudo: .......................................................................................... 2


2. Súmulas Vinculantes:................................................................................................................. 3
3. Súmulas “comuns” do STF: ........................................................................................................ 9
4. Julgados individuais relevantes do STF, organizados por temas: ............................................ 14
A) Preâmbulo ........................................................................................................................... 14
B) Princípios fundamentais...................................................................................................... 14
C) Direitos Fundamentais. ....................................................................................................... 15
D) Organização do Estado: ...................................................................................................... 31
E) Administração Pública. ........................................................................................................ 35
F) Poder Legislativo. ................................................................................................................ 38
G) Poder Executivo. ................................................................................................................. 44
H) Controle de Constitucionalidade. ....................................................................................... 46
I) Poder Judiciário. ................................................................................................................... 49
J) Funções Essenciais à Justiça. ................................................................................................ 51
K) Sistema Tributário Nacional. ............................................................................................... 51
L) Ordem Social........................................................................................................................ 53

1. Introdução e orientação de estudo:

A jurisprudência do STF é importante instrumento para correta interpretação do


texto constitucional, sendo assim, também é material farto para cobranças em
concurso.
Cada vez mais as bancas examinadoras, notadamente ESAF e Cespe, cobram a
jurisprudência do Supremo Tribunal em suas provas.
Os julgados preferidos são os mais recentes, que buscam avaliar a atualização
do candidato frente às matérias relevantes tratadas pela Corte Suprema, no

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entanto, julgados mais antigos, clássicos ou, então, que orientem uma forma
firme de interpretação constitucional também são alvo de cobranças.
Vale lembrar que, no que tange à jurisprudência do STF, a importância máxima
se dá nas súmulas, pois súmulas são orientações firmes, pacíficas, que
expressam de forma “quase definitiva” a forma de pensar do Tribunal sobre
aquele assunto.
Dentre as súmulas, temos duas espécies: as vinculantes (que possuem
observância obrigatória por toda a administração pública e Poder Judiciário,
cuja elaboração foi prevista pela EC 45/2004, a qual inseriu o art. 103-A na
Constituição) e as comuns, editadas, normalmente, antes da possibilidade das
súmulas vinculantes.
Por serem “mais fortes” e mais atuais, as vinculantes são as principais
jurisprudências cobradas, seguidas das súmulas “comuns” e, depois, pelos
julgados individuais (ainda não sumulados pelo Tribunal).
O STF, nos últimos anos, nos brindou com uma importante contribuição: a obra
“A Constituição e o Supremo” onde podemos encontrar uma compilação das
principais jurisprudências da corte alocadas ao longo do texto constitucional.
Embora reconheçamos esse importante auxílio, o estudo da Constituição e o
Supremo para fins de concurso público não se mostra muito eficiente, já que os
julgados são expostos de forma “seca” (ou seja, nas palavras exatas dos votos
dos Ministros, muitas vezes com português complicado e “juridiquês”
excessivo); eles são ainda muitas vezes mal posicionados em relação “assunto
tratado”; e, alguns deles, se repetindo por várias vezes ao longo da obra.
Desta forma, sugerimos o uso deste instrumento para fins de consultas e
embasamentos (de recursos, peças jurídicas e etc.), mas não para fim de
estudo sequencial.
Tentaremos neste material expor as principais súmulas (vinculantes e comuns)
do STF para fins de estudo para concurso, no que tange aos julgados
individuais, tentaremos selecionar aqueles mais relevantes e, na medida do
possível, “mastigá-los” para um estudo eficiente para provas de concursos e
demais exames jurídicos.

2. Súmulas Vinculantes:
(Estas súmulas também estarão presentes do item 4 – quando serão
apresentados os julgados sistematizados por assunto).

SÚMULA VINCULANTE 2
É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha
sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

SÚMULA VINCULANTE 3

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Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o


contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou
revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma
e pensão.

SÚMULA VINCULANTE 4
Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado
como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de
empregado, nem ser substituído por decisão judicial.

SÚMULA VINCULANTE 5
A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar
não ofende a Constituição.

SÚMULA VINCULANTE 6
Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário
mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.

SÚMULA VINCULANTE 10
Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte.

SÚMULA VINCULANTE 11
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de
fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou
de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de
nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.

SÚMULA VINCULANTE 12
A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no
art. 206, IV, da Constituição Federal.

SÚMULA VINCULANTE 13

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A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou


por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou,
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a
Constituição Federal.

SÚMULA VINCULANTE 14
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa.

SÚMULA VINCULANTE 15
O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público não incide
sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo.

SÚMULA VINCULANTE 16
Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 19/98), da Constituição, referem-
se ao total da remuneração percebida pelo servidor público.

SÚMULA VINCULANTE 18
A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não
afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal.
Obs. O Enunciado 18 da Súmula Vinculante do STF não se aplica aos casos de
extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges1.

SÚMULA VINCULANTE 21
É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro
ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

SÚMULA VINCULANTE 22
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de
indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de
trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que

1
RE 758461/PB, rel. Min. Teori Zavascki, 22.5.2014. (RE-758461)

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ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da


promulgação da Emenda Constitucional no 45/04.
SÚMULA VINCULANTE 23
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória
ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da
iniciativa privada.

SÚMULA VINCULANTE Nº 25
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.

SÚMULA VINCULANTE 28
É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de
crédito tributário.

SÚMULA VINCULANTE 29
É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais
elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não
haja integral identidade entre uma base e outra.

SÚMULA VINCULANTE 31
É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
– ISS sobre operações de locação de bens móveis.

SÚMULA VINCULANTE 32
O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras.

SÚMULA VINCULANTE Nº 33
Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral de
previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o art. 40 § 4º,
inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica.

SÚMULA VINCULANTE 37
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia.

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SÚMULA VINCULANTE 38
É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial.

SÚMULA VINCULANTE 39
Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.

SÚMULA VINCULANTE 40
A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal,
só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.
SÚMULA VINCULANTE 41
O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

SÚMULA VINCULANTE 42
É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.

SÚMULA VINCULANTE 43
É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente
investido.

SÚMULA VINCULANTE 44
Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a
cargo público.

SÚMULA VINCULANTE 45
A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual.

SÚMULA VINCULANTE 46
A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas
normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da
União.

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SÚMULA VINCULANTE 48
Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS
por ocasião do desembaraço aduaneiro.

SÚMULA VINCULANTE 49
Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação
de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.

SÚMULA VINCULANTE 50
Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se
sujeita ao princípio da anterioridade.

SÚMULA VINCULANTE 52
Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da
Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas
atividades para as quais tais entidades foram constituídas.

SÚMULA VINCULANTE 53
A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição
Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas
ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por
ela homologados.

SÚMULA VINCULANTE 54
A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda
Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta
dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição.

SÚMULA VINCULANTE 55
O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.

STF – Súmula Vinculante 56


A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nesta
hipótese, os parâmetros fixados no Recurso Extraordinário (RE) 641320.

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3. Súmulas “comuns” do STF:

(Estas súmulas também estarão presentes do item 4 – quando serão


apresentados os julgados sistematizados por assunto).

SÚMULA Nº 19
A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência
da União.

SÚMULA Nº 266
Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

SÚMULA Nº 267
Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição.

SÚMULA Nº 268
Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em
julgado.

SÚMULA Nº 279
Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário.

SÚMULA Nº 280
Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.

SÚMULA Nº 282
É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão
recorrida, a questão federal suscitada.

SÚMULA Nº 339
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.

SÚMULA Nº 347

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O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a


constitucionalidade das leis e dos atos do poder público.

SÚMULA Nº 356
O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos
declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o
requisito do prequestionamento.

SÚMULA Nº 365
Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.

SÚMULA Nº 419
Os municípios tem competência para regular o horário do comércio local, desde
que não infrinjam leis estaduais ou federais válidas.

SÚMULA Nº 429
A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso
do mandado de segurança contra omissão da autoridade.

SÚMULA Nº 430
Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o
mandado de segurança.

SÚMULA Nº 433
É competente o Tribunal Regional do Trabalho para julgar mandado de
segurança contra ato de seu presidente em execução de sentença trabalhista.

SÚMULA Nº 451
A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime
cometido após a cessação definitiva do exercício funcional.

SÚMULA Nº 454
Simples interpretação de cláusulas contratuais não dá lugar a recurso
extraordinário.

SÚMULA Nº 603

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A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e


não do júri.

SÚMULA Nº 624
Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de
mandado de segurança contra atos de outros tribunais.

SÚMULA Nº 625
Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de
segurança.

SÚMULA Nº 629
A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em
favor dos associados independe da autorização destes.

SÚMULA Nº 630
A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda
quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva
categoria.

SÚMULA Nº 632
É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de
mandado de segurança.

SÚMULA Nº 642
Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do distrito federal derivada
da sua competência legislativa municipal.

SÚMULA Nº 646
Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação
de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.

SÚMULA Nº 647
Compete privativamente à união legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar do Distrito Federal.
SÚMULA Nº 649
É inconstitucional a criação, por constituição estadual, de órgão de controle
administrativo do Poder Judiciário do qual participem representantes de outros
poderes ou entidades.

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SÚMULA Nº 650
Os incisos I e XI do art. 20 da Constituição Federal não alcançam terras de
aldeamentos extintos, ainda que ocupadas por indígenas em passado remoto.

SÚMULA Nº 651
A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda
Constitucional nº 32/01, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta
dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição.

SÚMULA Nº 654
A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI, da Constituição
da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.

SÚMULA Nº 666
A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição, só é
exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

SÚMULA Nº 667
Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada
sem limite sobre o valor da causa.

SÚMULA Nº 675
Os intervalos fixados para descanso e alimentação durante a jornada de seis
horas não descaracterizam o sistema de turnos ininterruptos de revezamento
para o efeito do art. 7º, XIV, da Constituição.

SÚMULA Nº 681
É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.

SÚMULA Nº 683
O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face
do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das
atribuições do cargo a ser preenchido.

SÚMULA Nº 684

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É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso


público.
SÚMULA Nº 685
É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente
investido.

SÚMULA Nº 686
Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a
cargo público.

SÚMULA Nº 691
Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus
impetrado contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a
Tribunal Superior, indefere a liminar.

SÚMULA Nº 693
Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou
relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a
única cominada.

SÚMULA Nº 694
Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou
de perda de patente ou de função pública.

SÚMULA Nº 695
Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.

SÚMULA Nº 702
A competência do Tribunal de Justiça para julgar prefeitos restringe-se aos
crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a
competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau.

SÚMULA Nº 704

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Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo


legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por
prerrogativa de função de um dos denunciados.

SÚMULA Nº 721
A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.

SÚMULA Nº 722
São da competência legislativa da união a definição dos crimes de
responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e
julgamento.

SÚMULA Nº 734
Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que
se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal.

SÚMULA Nº 736
Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir
o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e
saúde dos trabalhadores.

4. Julgados individuais relevantes do STF, organizados por temas:

A) Preâmbulo
− O Preâmbulo da Constituição não constitui norma central da Constituição,
não tendo força normativa, assim, a invocação da proteção de Deus não
se trata de norma de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais2.
− Embora não tenha força normativa, o preâmbulo possui valores que
servem de orientação para a correta interpretação e aplicação das normas
constitucionais3.

B) Princípios fundamentais.
Art. 2º - Separação dos Poderes:

2
ADI 2.076, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 15-8-02, Plenário, DJ de 8-8-03.
3
ADI 2.649, voto da Min. Cármen Lúcia, julgamento em 8- 5-08, Plenário, DJE de 17-10-08.

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− Os mecanismos de freios e contrapesos estão previstos na Constituição


Federal, sendo vedado à Constituição Estadual inovar criando novas
hipóteses de interferências de um poder em outro4.
− É inconstitucional lei estadual que prevê a destituição, no curso do
mandato, de dirigentes de agências reguladoras por decisão exclusiva da
Assembleia Legislativa, excluindo a participação do Governador. Por outro
lado, seria constitucional condicionar a nomeação dos dirigentes à prévia
aprovação da Assembléia, pois neste caso, já se guarda similaridade ao
modelo federal5.
− Configuram-se inconstitucionais novas exigências de aprovações, como,
por exemplo, a não observância do prazo de 15 dias – art. 83, CF – para
a necessidade de licença pela Assembléia Legislativa para que o
Governador ou Vice venha se ausentar do país. Ou seja, se a Constituição
Estadual previr, por exemplo, que precisa de autorização da Assembleia
para o governador se ausentar do país por qualquer prazo, será
inconstitucional, pois a CF (único documento capaz de estabelecer
contenções de um poder no outro) estabelece o prazo de 15 dias,
devendo este ser seguido pelas CE´s6.
− É inconstitucional norma que subordina convênios, acordos, contratos e
atos de Secretários de Estado à aprovação da Assembleia Legislativa por
ofensa ao princípio da independência e harmonia dos poderes7.
− É inconstitucional diploma legislativo que determine prazo para que o
Executivo exerça sua função normativa8.

C) Direitos Fundamentais.
Art. 5º, Caput – Estrangeiros no Brasil:
− Embora a literalidade do caput expresse o termo “residente”, o STF
interpretou o dispositivo de forma a ampliar o escopo desses direitos. O
Supremo decidiu que deve ser entendido como todo estrangeiro que
estiver em território brasileiro e sob as leis brasileiras, mesmo que em
trânsito. Assim o estrangeiro em trânsito estará amparado pelos direitos
individuais, e poderá inclusive fazer uso de “remédios constitucionais”
como habeas corpus e mandado de segurança. Ressalva-se que o

4
ADI 3.046, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 15-4-04, Plenário, DJ de 28-5-04.
5
ADI 1949/RS, rel. Min. Dias Toffoli, 17.9.2014. (ADI-1949)
6
ADI 738, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 13-11-02, DJ de 7-2-03.
7
ADI 676, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 1º-7-96, Plenário, DJ de 29-11-96.
8
ADI 3.394, voto do Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2-4-2007, Plenário, DJE de 15-8-2008,
precedentes: ADI 2.393, Rel. Min. Sydney Sanches, DJ de 28-3-2003, e a ADI 546, Rel. Min. Moreira Alves, DJ
de 14-4-2000.

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estrangeiro não poderá fazer uso de todos os direitos, pois alguns são
privativos de brasileiros como, por exemplo, o uso da ação popular.

Art. 5º, Caput – Direito à vida:


− As pesquisas com células-tronco embrionárias não violam o direito à vida
ou o princípio da dignidade da pessoa humana9.
− No mesmo julgado, que se referia proteção do direito à vida, e a
constitucionalidade da lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), o STF
entendeu que a Constituição Federal, quando se refere à “dignidade da
pessoa humana” e à proteção dos direitos e garantias individuais não se
estaria se referindo a todo e qualquer estágio da vida humana,
mas da vida que já é própria de uma concreta pessoa, porque
nativiva, e que a inviolabilidade de que trata o art. 5º diria respeito
exclusivamente a um indivíduo já personalizado10.
− ESTADO – LAICIDADE. O Brasil é uma república laica, surgindo
absolutamente neutro quanto às religiões. Considerações.
FETO ANENCÉFALO – INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ – MULHER –
LIBERDADE SEXUAL E REPRODUTIVA – SAÚDE – DIGNIDADE –
AUTODETERMINAÇÃO – DIREITOS FUNDAMENTAIS – CRIME –
INEXISTÊNCIA. Mostra-se inconstitucional interpretação de a
interrupção da gravidez de feto anencéfalo ser conduta tipificada
nos artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, do Código Penal.11

Art. 5º, I – Isonomia:


− STF - Súmula nº 339 - Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos dos servidores públicos sob
fundamento de isonomia.
− Não afronta o princípio da isonomia a adoção de critérios distintos para a
promoção de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeronáutica12.

Proibição de tratamento diferenciado entre a licença-maternidade e a


licença-adotante
O art. 210 da Lei nº 8.112/90, assim como outras leis estaduais e
municipais, prevê que o prazo para a servidora que adotar uma criança é
inferior à licença que ela teria caso tivesse tido um filho biológico. De
igual forma, este dispositivo estabelece que, se a criança adotada for
9
ADI 3.510, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 28 e 29-5-08, Plenário, Informativo 508
10
ADI 3.510, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 28 e 29-5-08, Plenário, Informativo 508
11
ADPF 54/DF, Rel. Min Marco Aurélio, julgamento em 12/04/2012. Plenário.
12
AI 443.315-AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 16.02.07 e RE 316.882-AgR, Relator o
Ministro Carlos Velloso, DJ de 30.09.05

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maior que 1 ano de idade, o prazo será menor do que seria se ela tivesse
até 1 ano. Segundo o STF, tal previsão é inconstitucional. Foi fixada,
portanto, a seguinte tese:
Os prazos da licença-adotante não podem ser inferiores ao prazo
da licença-gestante, o mesmo valendo para as respectivas
prorrogações. Em relação à licença-adotante, não é possível fixar
prazos diversos em função da idade da criança adotada. STF.
Plenário. RE 778889/PE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/3/2016
(repercussão geral) (Info 817).

Art. 5º, II - Legalidade


− Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, ou a ela se submeter, ainda
que emanada de autoridade judicial. É dever de cidadania opor-se à
ordem ilegal; caso contrário, nega-se o Estado de Direito13.
− O STF tem entendido que o princípio da legalidade expresso no art. 5º, II
da Constituição seria meramente uma "reserva de norma", ou seja, uma
legalidade ampla e não uma reserva de lei (formal) em sentido estrito14.
Assim, tal dispositivo poderia ser cumprido tanto através de uma lei
formal como também por outros atos expressa ou implicitamente
autorizados por ela.

Art. 5º, III – Vedação ao tratamento degradante:


− SÚMULA VINCULANTE 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de
resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física
própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar,
civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato
processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do
Estado.

Art. 5º, IV – Vedação ao anonimato


− Segundo o STF, não é possível a utilização da denúncia anônima como ato
formal de instauração do procedimento investigatório, já que as que
peças futuras não poderiam, em regra, ser incorporadas formalmente ao
processo. Nada impede, porém, que o Poder Público seja provocado pela

13
HC 73.454, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 22-4-96, 2ª Turma, DJ de 7-6-96
14
HC 85.060, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 23-9-2008, Primeira Turma, DJE de 13-2-2009.

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delação anônima e, com isso, adote medidas informais para que se apure
a possível ocorrência da ilicitude penal15.
− Para o STF, não serve à persecução criminal notícia de prática criminosa
sem identificação da autoria, consideradas a vedação constitucional do
anonimato e a necessidade de haver parâmetros próprios à
responsabilidade, nos campos cível e penal, de quem a implemente.16
− A defesa da legalização das drogas em espaços públicos constitui
exercício legítimo do direito à livre manifestação do pensamento, sendo,
portanto, permitida pelo ordenamento jurídico pátrio17.

Art. 5º, IX – Liberdade de comunicação (imprensa)


− Em uma ADPF, o STF declarou como não-recepcionado pela Constituição
Federal todo o conjunto de dispositivos da Lei 5.250/67 – Lei de
Imprensa18.
− Segundo o STF, a Constituição Federal de 1988 não recepcionou o art. 4º,
V, do Decreto-lei 972/69, o qual exige o diploma de curso superior de
jornalismo, registrado pelo Ministério da Educação, para o exercício da
profissão de jornalista. Para o Supremo, a norma impugnada seria
incompatível com as liberdades de profissão, de expressão e de
informação previstas nos artigos 5º, IX e XIII, e 220, da CF, bem como
violaria o disposto no art. 13 da Convenção Americana de Direitos
Humanos - Pacto de San José da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em
1992. Afirmou-se ainda que as violações à honra, à intimidade, à imagem
ou a outros direitos da personalidade não constituiriam riscos inerentes ao
exercício do jornalismo, mas sim o resultado do exercício abusivo e
antiético dessa profissão19.

Classificação indicativa dos programas de rádio e TV

É inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida


no art. 254 do ECA.
Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário
diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação:

15
Inq 1.957, Rel. Min.Carlos Velloso, voto do Min. Celso de Mello, julgamento em 11-5-05, Plenário, DJ
de 11-11-05
16
STF, em 2007, no HC 84827 / TO.
17
ADPF 187/DF, rel. Min. Celso de Mello, 15.6.2011.
18
ADPF 130, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 1º-4-09, Plenário, Informativo 541
19
RE 511.961, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 17-6-09, Plenário, Informativo 551

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Pena - multa de vinte a cem salários de referência; duplicada em caso de


reincidência a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da
programação da emissora por até dois dias.
STF. Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016
(Info 837).

Art. 5º, X – Intimidade e vida privada:


− Segundo o STF: a divulgação dos vencimentos brutos de servidores, com
seus respectivos nomes e matrículas funcionais, a ser realizada
oficialmente – em portal de transparência -, constituiria interesse
coletivo, sem implicar violação à intimidade e à segurança deles, não se
podendo fazer divulgação de outros dados pessoais como endereço
residencial, CPF e RG de cada um20.
− STJ - súmula - 227 → a pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

Art. 5º, X – Sigilo bancário:


− A LC 105/01 fornece respaldo para que a quebra do sigilo bancário seja
feita por autoridade fiscal. Porém, embora exista essa previsão legal,
ela é alvo de muitas críticas, inclusive a posição atual do STF21 indica que
seria inconstitucional, já que o sigilo possui um pilar na própria
Constituição Federal, não podendo ser relativizado por leis
infraconstitucionais - sejam elas ordinárias ou complementares -. Assim,
somente as autoridades judiciais - e a CPI, que possui os mesmo poderes
investigativos daquelas (CF, art. 58 §3º) - é que poderiam relativizar
estes sigilos.
− No julgamento das ADIS 2386, 2859 e 2397 o STF assentou a
Constitucionalidade do Artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01,
nos seguintes termos, de acordo com o Sítio do STF: “O Plenário do
Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta quarta-feira
(24) o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam
dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à
Receita Federal receber dados bancários de contribuintes
fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização
judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de
que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em
transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas
contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos
bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados,
portanto não há ofensa à Constituição Federal.”
20
Informativo – 630 - SS 3902 Segundo AgR/SP, rel. Min. Ayres Britto, 9.6.2011.
21
RE 389.808/PR - 15-12-2010

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Art. 5º, XI - Inviolabilidade domiciliar


− Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da
Constituição da República, o conceito normativo de ‘casa’ revela-se
abrangente e, por estender-se a qualquer compartimento privado não
aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade (CP, art.
150, § 4º, III), compreende, observada essa específica limitação espacial
(área interna não acessível ao público), recintos como os escritórios
profissionais, embora sem conexão com a casa de moradia propriamente
dita.
Assim, decidiu o STF que nenhum agente público, ainda que vinculado à
administração tributária do Estado, poderá, contra a vontade de quem de
direito (invito domino), ingressar, durante o dia, sem mandado judicial, em
espaço privado não aberto ao público, onde alguém exerce sua atividade
profissional22.
− Nenhum direito fundamental é absoluto, desta forma, o STF decidiu pela
não ilicitude das provas obtidas com violação noturna de escritório de
advogados para que fossem instalados equipamentos de escuta
ambiental, já que os próprios advogados estivam praticando atividades
ilícitas em seu interior. Desta forma, a inviolabilidade profissional do
advogado, bem como do seu escritório, serve para resguardar o seu
cliente para que não se frustre a ampla defesa, mas, se o investigado é o
próprio advogado, ele não poderá invocar a inviolabilidade profissional ou
de seu escritório, já que a Constituição não fornece guarida para a prática
de crimes no interior de recinto23.

Art. 5º, XII – Inviolabilidade das Comunicações e provas ilícitas:


− Segundo o STF é necessária a edição de lei para regulamentar a
interceptação telefônica. Esta lei foi criada somente em 1996 (Lei nº
9.296/96), antes disso o STF entendia que nem por ordem judicial
poderia se afastar este sigilo, já que estava pendente de regulamentação.
− Embora a literalidade da Constituição refira-se expressamente à
possibilidade de relativização apenas das comunicações telefônicas, o STF
já decidiu que as outras inviolabilidades (correspondência, dados e
telegráficas) também poderão ser afastadas, já que nenhum direito
fundamental é absoluto e não pode ser invocado para acobertar ilícitos.
Destarte, estas inviolabilidades poderão ser quebradas quando se abordar
outro interesse de igual ou maior relevância. Por exemplo: É
perfeitamente lícito que uma carta enviada a um presidiário seja aberta
para coibir a prática de certas condutas, já que a disciplina prisional e a

22
HC 82.788, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 12-4-05, 2ª Turma, DJ de 2-6-06
23
Inq 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 19 e 20-11-08, Plenário, Informativo 529

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segurança são interesses mais fortes do que a privacidade da


comunicação do preso.
− Para o STF, é lícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos
interlocutores, ou com sua autorização, sem ciência do outro, quando há
investida criminosa deste último24 (não há interceptação telefônica
quando a conversa é gravada por um dos interlocutores, ainda que com a
ajuda de um repórter25).
− Também é lícita a utilização de conversa telefônica feita por terceiros com
autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do outro,
quando há, para essa utilização, excludente da antijuridicidade26 (no caso,
legitima defesa).

Art. 5º, XIII – Liberdade Profissional.


− O Supremo decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do diploma de
jornalismo e da obrigatoriedade de registro profissional para exercer a
profissão de jornalista27.
− O Supremo entendeu pela inconstitucionalidade da exigência legal de
inscrição na ordem dos músicos do Brasil e de pagamento de anuidade,
para efeito de atuação profissional do músico, e a fundamentação foi a de
que a música é uma forma de manifestação artística, estando protegida
pela garantia da liberdade de expressão28.

Art. 5º, XXXVI – Irretroatividade da lei:


− SÚMULA Nº 654: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art
5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade
estatal que a tenha editado.

Art. 5º, XXXVII – Juiz Natural:


− SÚMULA Nº 365: Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação
popular.
− SÚMULA Nº 451: A competência especial por prerrogativa de função não
se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício
funcional.
− SÚMULA Nº 704: Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa
e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do
24
HC 75.338, Rel. Min. Nelson Jobim, julgamento em 11-3-98, Plenário, DJ de 25-9-98.
25
RE 453.562-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 23-9-08.
26
HC 74.678, Rel. Min. Moreira Alves, julgamento em 10-6-97, 1ª Turma, DJ de 15-8-97.
27
(RE) 511961
28
RE 635023 ED / DF - DISTRITO FEDERAL

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processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos


denunciados.

Art. 5º, XXXVIII - Tribunal do Júri:


− STF - SÚMULA Nº 603: A competência para o processo e julgamento de
latrocínio é do juiz singular e não do júri.
− STF - SÚMULA Nº 721: A competência constitucional do Tribunal do Júri
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido
exclusivamente pela Constituição Estadual.
− O princípio constitucional da “soberania dos veredictos” no Tribunal do júri
não é violado pela determinação de realização de novo julgamento pelo
Tribunal do Júri, quando a decisão for manifestamente contrária à prova
dos autos, pois a pretensão revisional das decisões do Tribunal do Júri
convive com a regra da soberania dos veredictos populares (e não
“imutabilidade” dos vereditos)29.

Art. 5º, XLVI – Individualização da pena:


− STF – Súmula Vinculante 56: “A falta de estabelecimento penal
adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional
mais gravoso, devendo-se observar, nesta hipótese, os parâmetros
fixados no Recurso Extraordinário (RE) 641320”.
− (RE 641320) Constitucional. Direito Penal. Execução penal. Repercussão
geral. Recurso extraordinário representativo da controvérsia. 2.
Cumprimento de pena em regime fechado, na hipótese de inexistir vaga
em estabelecimento adequado a seu regime. Violação aos princípios da
individualização da pena (art. 5º, XLVI) e da legalidade (art. 5º, XXXIX).
A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso. 3. Os juízes da execução
penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes
semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes.
São aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia
agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, § 1º, alíneas “b” e
“c”). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos
regimes semiaberto e aberto com presos do regime fechado. 4. Havendo
déficit de vagas, deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de
sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade
eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou
é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de
penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao
regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas
29
HC N. 111.207-ES - RELATORA : MIN. CÁRMEN LÚCIA

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propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. 5.


Apelo ao legislador. A legislação sobre execução penal atende aos direitos
fundamentais dos sentenciados. No entanto, o plano legislativo está tão
distante da realidade que sua concretização é absolutamente inviável.
Apelo ao legislador para que avalie a possibilidade de reformular a
execução penal e a legislação correlata, para: (i) reformular a legislação
de execução penal, adequando-a à realidade, sem abrir mão de
parâmetros rígidos de respeito aos direitos fundamentais; (ii)
compatibilizar os estabelecimentos penais à atual realidade; (iii) impedir o
contingenciamento do FUNPEN; (iv) facilitar a construção de unidades
funcionalmente adequadas – pequenas, capilarizadas; (v) permitir o
aproveitamento da mão-de-obra dos presos nas obras de civis em
estabelecimentos penais; (vi) limitar o número máximo de presos por
habitante, em cada unidade da federação, e revisar a escala penal,
especialmente para o tráfico de pequenas quantidades de droga, para
permitir o planejamento da gestão da massa carcerária e a destinação
dos recursos necessários e suficientes para tanto, sob pena de
responsabilidade dos administradores públicos; (vii) fomentar o trabalho e
estudo do preso, mediante envolvimento de entidades que recebem
recursos públicos, notadamente os serviços sociais autônomos; (viii)
destinar as verbas decorrentes da prestação pecuniária para criação de
postos de trabalho e estudo no sistema prisional. 6. Decisão de caráter
aditivo. Determinação que o Conselho Nacional de Justiça apresente: (i)
projeto de estruturação do Cadastro Nacional de Presos, com etapas e
prazos de implementação, devendo o banco de dados conter informações
suficientes para identificar os mais próximos da progressão ou extinção
da pena; (ii) relatório sobre a implantação das centrais de monitoração e
penas alternativas, acompanhado, se for o caso, de projeto de medidas
ulteriores para desenvolvimento dessas estruturas; (iii) projeto para
reduzir ou eliminar o tempo de análise de progressões de regime ou
outros benefícios que possam levar à liberdade; (iv) relatório deverá
avaliar (a) a adoção de estabelecimentos penais alternativos; (b) o
fomento à oferta de trabalho e o estudo para os sentenciados; (c) a
facilitação da tarefa das unidades da Federação na obtenção e
acompanhamento dos financiamentos com recursos do FUNPEN; (d) a
adoção de melhorias da administração judiciária ligada à execução penal.
7. Estabelecimento de interpretação conforme a Constituição para (a)
excluir qualquer interpretação que permita o contingenciamento do Fundo
Penitenciário Nacional (FUNPEN), criado pela Lei Complementar 79/94; b)
estabelecer que a utilização de recursos do Fundo Penitenciário Nacional
(FUNPEN) para financiar centrais de monitoração eletrônica e penas
alternativas é compatível com a interpretação do art. 3º da Lei
Complementar 79/94. 8. Caso concreto: o Tribunal de Justiça reconheceu,
em sede de apelação em ação penal, a inexistência de estabelecimento
adequado ao cumprimento de pena privativa de liberdade no regime
semiaberto e, como consequência, determinou o cumprimento da pena
em prisão domiciliar, até que disponibilizada vaga. Recurso extraordinário

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provido em parte, apenas para determinar que, havendo viabilidade, ao


invés da prisão domiciliar, sejam observados (i) a saída antecipada de
sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade
eletronicamente monitorada do recorrido, enquanto em regime
semiaberto; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou
estudo ao sentenciado após progressão ao regime aberto.

(RE 641320, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado


em 11/05/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-159 DIVULG 29-07-2016
PUBLIC 01-08-2016)

Art. 5º, LIV – Devido processo legal:


− STF - SÚMULA Nº 620: sentença proferida contra autarquias não está
sujeita a reexame necessário, salvo quando sucumbente em execução de
dívida ativa.
− O STF entende que os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade
no ordenamento jurídico brasileiro estão implícitos no devido processo
legal. E que tal proporcionalidade deve ser entendida tanto como uma
“vedação ao excesso” quanto uma “proibição da proteção insuficiente”30.

Art. 5º, LV – Contraditório e ampla defesa:


− SÚMULA VINCULANTE 5: A falta de defesa técnica por advogado no
processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
− SÚMULA VINCULANTE 14: É direito do defensor, no interesse do
representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de
defesa.
− SÚMULA VINCULANTE 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou
arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso
administrativo.
− STF - SÚMULA Nº 667: Viola a garantia constitucional de acesso à
jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa.

Art. 5º, LXVII – Prisão civil por dívida:


− SÚMULA VINCULANTE Nº 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel,
qualquer que seja a modalidade do depósito.

30
HC 140.410. Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 06-03-2012, Segunda Turma, DJE 27-3-2012

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Art. 5º, LXVIII – habeas corpus


− STF – Súmula nº 693 → Não cabe HC contra decisão condenatória a
pena de multa, ou relativo a processo em que a pena pecuniária seja a
única cominada. (Isso porque Habeas Corpus é para discutir a liberdade
de alguém. Não serve para discutir multa e penas em dinheiro).
− STF – Súmula nº 695 → Não cabe habeas corpus quando já extinta a
pena privativa de liberdade. (Se a pena que privava a pessoa da liberdade
já foi extinta. Para que se quer um habeas corpus?).
− STF - SÚMULA Nº 694: Não cabe habeas corpus contra a imposição da
pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública.
− STF - Súmula nº 606 (com adaptação de outros precedentes ) →
Não cabe impetração de "habeas corpus" para o plenário contra decisão
colegiada de qualquer das Turmas (ou do próprio Pleno) do STF, ainda
que resultante do julgamento de outros processos de "habeas corpus" ou
proferida em sede de recursos em geral, inclusive aqueles de natureza
penal.
− Embora a CF expresse que não cabe HC contra punições disciplinares, o
STF tem flexibilizado a situação quando a punição privativa de liberdade
foi imposta de forma ilegal. Assim, decidiu o Supremo: a legalidade da
imposição de punição constritiva da liberdade, em procedimento
administrativo castrense (afeto ao regime militar), pode ser discutida por
meio de habeas corpus31.
− É cabível habeas corpus contra instauração irregular de inquérito, já que a
mera instauração de inquérito, quando evidente a atipicidade da conduta,
constitui meio hábil a impor violação aos direitos fundamentais, em
especial ao princípio da dignidade humana32.
− Não é cabível impetrar habeas corpus em língua estrangeira, a petição
deve se dar em português, sob pena de não conhecimento33.
− Embora o STF reconheça a grande importância do habeas corpus, repudia
o seu uso indiscriminado como substitutivo de ações próprias. Assim, se
existe a previsão de, por exemplo, um recurso ordinário ao Tribunal, não
se pode usar um habeas corpus como substituto de tal recurso, sob pena
de indeferimento, como extinção do processo sem resolução do mérito,
por inadequação da via eleita34.

Art. 5º, LXIX – mandado de segurança:

31
RHC 88543/SP - São Paulo – 03/04/2007.
32
HC 82.969, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 30-9-03, 2ª Turma, DJ de 17-10-03.
33
HC 72391 QO / DF - DISTRITO FEDERAL, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO , Julgamento: 08/03/1995 - DJ
17-03-1995
34
HC N. 112.116-SP - RELATORA: MIN. ROSA WEBER

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− STF – Súmula nº 625: Controvérsia sobre matéria de direito não impede


a concessão de mandado de segurança (veja que a matéria de fato ale-
gada deve ser incontroversa, líquida e certa. Porém, nada impede que o
direito em que este fato esteja se baseando seja controverso, complexo,
por exemplo, uma lei que esteja sendo objeto de impugnação).
− STF – Súmula nº 429: A existência de recurso administrativo com efeito
suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão
da autoridade (a palavra principal desta súmula é a "omissão", ou seja,
de que adiantaria um recurso suspensivo se a autoridade não está agindo
e sim se omitindo em agir?).
− STF – Súmula nº 266: Não cabe mandado de segurança contra lei em
tese. (Não se pode usar o MS para impugnar diretamente uma lei, pois
isto é privativo da ação direta de inconstitucionalidade)
− STF – Súmula nº 267: Não cabe mandado de segurança contra ato ju-
dicial passível de recursos ou correição.
− STF - Súmula nº 268: Não cabe mandado de segurança contra decisão
judicial com trânsito em julgado.
− STF - Súmula nº 629: A impetração de mandado de segurança coletivo
por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização
destes (veja que diferentemente do que ocorre na representação
processual, em se tratando de MS coletivo - substituição processual -
basta autorização genérica, o que se dá com o simples ato de filiação,
prescindindo-se que a entidade esteja expressamente autorizada para
tal).
− STF - Súmula nº 630: A entidade de classe tem legitimação para o man-
dado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas
a uma parte da respectiva categoria.
− O STF concluiu pelo não cabimento de mandado de segurança contra
decisões interlocutórias proferidas no âmbito dos Juizados Especiais35
(Grosso modo, decisões interlocutórias seriam aquelas que ocorrem
durante o trâmite processual sem tocar na questão de mérito).

Prazo
− STF – Súmula nº 430: Pedido de reconsideração na via administrativa
não interrompe o prazo para o mandado de segurança.
− STF – Súmula nº 632: É constitucional a lei que fixa o prazo de deca-
dência para a impetração de mandado de segurança (120 dias).

35
AG. REG. NO AI. N. 857.811-PR - RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI

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Competências
− STF – Súmula nº 624: Não compete ao STF conhecer originariamente o
mandado se segurança contra atos de outros tribunais (a competência
para apreciar o mandado de segurança contra atos e omissões de tribu-
nais é do próprio tribunal).

Desistência:
− No entendimento do STF, o impetrante pode desistir de mandado de
segurança a qualquer tempo, ainda que proferida decisão de
mérito a ele favorável, e sem anuência da parte contrária, já que o
mandado de segurança, enquanto ação constitucional, com base em
alegado direito líquido e certo frente a ato ilegal ou abusivo de
autoridade, não se revestiria de lide, em sentido material. Eventual má-fé
do impetrante que desistisse seria coibida com instrumental próprio36.

Art. 5º, LXXIII – Ação popular:


− SÚMULA Nº 365: Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação
popular.
− Quando ajuizada contra ato do Presidente da República a ação popular
não será julgada pelo Supremo Tribunal Federal.
− AÇÃO POPULAR – AJUIZAMENTO CONTRA A PRESIDENTE DA
REPÚBLICA – PRETENDIDA DECRETAÇÃO DA PERDA DO MANDATO
PRESIDENCIAL E DA PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS –
FALTA DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL – REGIME DE DIREITO ESTRITO A QUE SE SUBMETE A
DEFINIÇÃO CONSTITUCIONAL DA COMPETÊNCIA DA CORTE
SUPREMA – DOUTRINA – PRECEDENTES –AÇÃO POPULAR NÃO
CONHECIDA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. – A jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal – quer sob a égide da vigente Constituição
republicana, quer sob o domínio da Carta Política anterior – firmou-se no
sentido de reconhecer que não se incluem na esfera de competência
originária da Corte Suprema o processo e o julgamento de ações
populares constitucionais, ainda que ajuizadas contra atos e/ou omissões
do Presidente da República. Doutrina. Precedentes.37

Art. 5º, § 3º – tratados internacionais:

36
RE 669367/RJ, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Rosa Weber, 2.5.2013. (RE-
669367)
37
Pet 5856 AgR / DF - DISTRITO FEDERAL. Min. CELSO DE MELLO. 25/11/2015 - Tribunal Pleno

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− Segundo o STF, como os tratados internacionais são equiparados às leis


ordinárias, não podem versar matéria sob reserva constitucional de
lei complementar, pois em tal situação, a própria Carta Política
subordina o tratamento legislativo de determinado tema ao exclusivo
domínio normativo da Lei Complementar.
− Em se tratando do art. 5º §3º, ainda que não aprovados pelo rito das
Emendas, se os tratados versarem sobre direitos humanos, o STF entende
que possuem “supralegalidade” podendo revogar leis anteriores e
devendo ser observados pelas leis futuras. É assim, por exemplo, que
vigora em nosso ordenamento o "Pacto de San Jose da Costa Rica" -
status acima das leis e abaixo da Constituição.

CF, art. 6º combinado com o art. 208, IV – Direito a educação –


obrigação constitucional ao Poder Público.
− Segundo o STF, a educação infantil representa prerrogativa constitucional
indisponível, assegurada às crianças, para efeito de seu desenvolvimento
integral, e como primeira etapa do processo de educação básica. Assim,
ocorre a imposição de uma obrigação constitucional de criar condições
objetivas que possibilitem, de maneira concreta o efetivo acesso e
atendimento em creches e unidades de pré-escola, sob pena de
configurar-se inaceitável omissão governamental. Desta forma, a
educação qualifica-se como direito fundamental de toda criança, não se
expõe, em seu processo de concretização, a avaliações meramente
discricionárias da Administração Pública, nem se subordina a razões de
puro pragmatismo governamental38.
− No entendimento do STF, é possível ao Poder Judiciário determinar a
implementação pelo Estado, quando inadimplente, de políticas públicas
constitucionalmente previstas, sem que haja ingerência em questão
que envolve o poder discricionário do Poder Executivo39.

CF, art. 7º, IV – Salário Mínimo:


− SÚMULA VINCULANTE 4: Salvo nos casos previstos na Constituição, o
salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de
vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por
decisão judicial.

38
RE 436.996-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 22-11-05, 2ª Turma, DJ de 3-2-06.
39
AI 734.487-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 3-8-2010, Segunda Turma, DJE de 20-8-2010.
No mesmo sentido: ARE 635.679-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 6-12-2011, Primeira Turma, DJE
de 6-2-2012.

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− SÚMULA VINCULANTE 6: Não viola a Constituição o estabelecimento de


remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de
serviço militar inicial.
− O STF decidiu não ser inconstitucional a sentença fixada em
salários mínimos, desde que a futura atualização seja de acordo
com índices oficias. Assim, assentou o tribunal. Nas palavras do
Supremo40: A Constituição Federal, em seu art. 7º, IV, apenas proíbe a
utilização do salário-mínimo como forma de indenização. A sentença que
fixa a condenação em salários-mínimos, mas prevê posterior atualização
de acordo com índices oficiais de correção monetária, é consentânea com
a jurisprudência da Corte.

CF, art. 7º, VI – Fixação de vencimentos por convenção coletiva:


− STF – Súmula nº 679: A fixação de vencimentos dos servidores públicos
não pode ser objeto de convenção coletiva.

Art. 7º, XIV – Jornada de trabalho:


− STF – Súmula nº 675: Os intervalos fixados para descanso e alimenta-
ção durante a jornada de 6h não descaracterizam o sistema de turnos
ininterruptos de revezamento para o efeito do art. 7º, XIV, da CF.

Art. 8º - Sindicatos:
− O STF decidiu que a estabilidade sindical provisória (art. 8º, VIII, CF), não
alcança o servidor público, regido por regime especial, ocupante de cargo
em comissão e, concomitantemente, de cargo de direção no sindicato da
categoria.
− SÚMULA Nº 666: A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV,
da Constituição, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

Art. 12, §4º, “b”.

• Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card


decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá perder a
nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente
situação se enquadre na exceção prevista na alínea “b” do § 4º do
art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o green card, não
havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana
como condição para permanência ou para o exercício de direitos
civis. O estrangeiro titular de green card já pode morar e trabalhar

40
AI-AgR 643578/SP, Min. RICARDO LEWANDOWSKI.

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livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da


cidadania americana ocorreu por livre e espontânea vontade.
Consequentemente, perdendo a nacionalidade, ele também perderá
os direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato, de forma que, se
cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser
extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da
CF/88.41

Art. 14 §5º – Reeleição dos chefes do Poder Executivo:


− O art. 14, §5º da Constituição admite uma única reeleição para os cargos
de chefia do Poder Executivo, porém o STF confirmou entendimento do
TSE no sentido de não admitir um terceiro mandato consecutivo de
prefeito, ainda que em municípios distintos, devido as tentativas de
candidatos burlarem o efeito do dispositivo constitucional, exercendo seus
mandatos consecutivos em distintos municípios42.

Art. 14 §7º – Inelegibilidade reflexa:


− SÚMULA VINCULANTE 18: A dissolução da sociedade ou do vínculo
conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no §
7º do artigo 14 da Constituição Federal.
− O Enunciado 18 da Súmula Vinculante do STF não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal
pela morte de um dos cônjuges43.

Art. 16 – Anualidade da Legislação sobre Eleições:


− Ao julgar a aplicabilidade da “Lei da Ficha Limpa” às eleições de 2010, o
STF decidiu que o art. 16 da Constituição, ao submeter a alteração legal
do processo eleitoral à regra da anualidade, constitui uma garantia
fundamental para o pleno exercício de direitos políticos, sendo integrante
do rol de cláusulas pétreas da Constituição Federal imunes a qualquer
reforma que vise a aboli-las44.

Art. 17 - Fidelidade Partidária:


− No entendimento do STF45, o cargo político que for obtido nas eleições
proporcionais (Deputados Federais, Estaduais e Vereadores) pertence ao
partido político e não ao candidato eleito.

41
STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016.
42
RE 637.485/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, 01.08.2012
43
RE 758461/PB, rel. Min. Teori Zavascki, 22.5.2014. (RE-758461)
44
RE 633.703, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 23-3-2011, Plenário,DJE de 18-11-2011
45
MS 26.604. Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 4-10-2007, Plenário, DJE de 17-10-2008.

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Para o STF, o povo vota em candidatos que foram escolhidos por um


determinado partido, candidatos estes que estão ali para, se eleitos,
concretizarem os ideais partidários.
O candidato eleito possui a liberdade de se desfiliar, não pode ser impedido de
tal. Porém, a desfiliação imotivada acarreta a perda automática do cargo
(assegurada a ampla defesa). Isso não é uma sanção por ato ilícito, mas
apenas a consequência lógica do exercício deste ato lícito.

D) Organização do Estado:

Art. 18 §3º - Reorganização Territorial de Estados:

− o STF decidiu (no caso do Plebiscito que visava dividir o Estado do Pará)
que na reorganização territorial de Estados, o termo “população
diretamente interessada” deve ser entendido como “toda a população do
Estado”.

Art. 20, §2º - Faixa de fronteira e terras indígenas:


− Segundo o STF, há compatibilidade entre o usufruto de terras indígenas e
a faixa de fronteira. A alocação indígena nesses espaços estratégicos em
muito facilita e até obriga que as instituições do Estado, principalmente as
forças armadas e polícia federal, se façam presentes e sem precisar de
qualquer licença de quem quer que seja46.
− SÚMULA Nº 650: Os incisos I e XI do art. 20 da Constituição Federal não
alcançam terras de aldeamentos extintos, ainda que ocupadas por
indígenas em passado remoto.

Art. 21, X - Serviço Postal – Serviço Público indelegável


− O serviço postal constitui serviço público, portanto, não atividade
econômica em sentido estrito. A prestação do serviço postal por empresa
privada só seria possível se a CF afirmasse que o serviço postal é livre à
iniciativa privada, tal como o fez em relação à saúde e à educação, que
são serviços públicos, os quais podem ser prestados independentemente
de concessão ou permissão por estarem excluídos da regra do art. 175,
em razão do disposto nos artigos 199 e 209. Ausência de ofensa à livre
iniciativa e à livre concorrência47.

46
Pet. 3.388. Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 19-3-2009, Plenário, DJE de 1º-7-2010.
47
ADPF 46, Rel. p/ o ac. Min. Eros Grau, julgamento em 5-8-09, Plenário, Informativo 554.

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Art. 21, XII, e - Transporte rodoviário interestadual de passageiros


− Transporte rodoviário interestadual de passageiros. Não pode ser
dispensada, a título de proteção da livre iniciativa, a regular autorização,
concessão ou permissão da União, para a sua exploração por empresa
particular48.

Art. 22, I – Legislação privativa:


− SÚMULA Nº 722: São da competência legislativa da união a definição
dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas
normas de processo e julgamento.

Art. 22, VII - Política de crédito, câmbio, seguros e transferência de


valores;
− Afronta a regra de competência privativa da União para legislar sobre
direito civil e comercial, e sobre política de seguros (CF, art. 22, I e VII,
respectivamente), a norma estadual que determina prazos máximos para
a autorização de exames, que necessitem de análise prévia, a serem
cumpridos por empresas de planos de saúde, de acordo com a faixa etária
do usuário49.

Art. 22, XI – Trânsito e transporte:


− Somente a União pode anistiar ou perdoar as multas de trânsito. Sendo
formalmente inconstitucional lei estadual que disponha sobre o
cancelamento de multas de trânsito anotadas em rodovias estaduais,
tendo em vista a competência privativa da União para legislar sobre
trânsito e transporte, e que o cancelamento de toda e qualquer infração é
anistia, não podendo ser confundido com o poder administrativo de anular
penalidades irregularmente impostas, o qual pressupõe exame
individualizado50.
− Norma estadual não pode autonomamente autorizar o parcelamento de
multas de trânsito, pois trata-se de matéria da competência privativa da
União (Legislar sobre trânsito e transportes)51.
− Não pode norma estadual legislar, sem respaldo em legislação federal,
sobre o uso de carros particulares apreendidos e que se encontram nos
pátios das delegacias e no Departamento Estadual de Trânsito – Detran.52

48
RE 214.382, Rel. Min. Octavio Gallotti, julgamento em 21-9-99, 1ª Turma, DJ de 19-11-99.
49 ADI 4701/PE, rel. Min. Roberto Barroso, 13.8.2014. (ADI-4701)
50
ADI N. 2.137-RJ - RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI – Info 705 – Maio 2013
51
ADI 4734/AL, rel. Min. Rosa Weber, 16.5.2013. (ADI-4734)
52
ADI 3639/RN, rel. Min. Joaquim Barbosa, 23.5.2013. (ADI-3639)

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Art. 22, XX sistemas de consórcios e sorteios:


− SÚMULA VINCULANTE 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo
estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e
sorteios, inclusive bingos e loterias.

Art. 22, XXI – Material bélico:


− O estado-membro não tem competência para legislar sobre uso de armas
de fogo apreendidas, competência que seria privativa da União para
legislar sobre comércio de material bélico e direito processual penal 53.

Art. 29, X – Julgamento do prefeito:


− SÚMULA Nº 702: A competência do Tribunal de Justiça para julgar
prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum
estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao
respectivo tribunal de segundo grau.
− Segundo o STF54, é harmônico com a Carta da República preceito de lei
orgânica de município prevendo a competência da câmara municipal para
julgar o prefeito nos crimes de responsabilidade definidos no Decreto-Lei
nº 201/67.

Art. 30 - Competência do Município para legislar sobre assunto de


interesse local:
− STF - SÚMULA Nº 419: Os municípios tem competência para regular o
horário do comércio local, desde que não infrinjam leis estaduais ou
federais válidas.
− STF – Súmula nº 646: Ofende o princípio da livre concorrência a lei mu-
nicipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do
mesmo ramo em determinada área.
− É inconstitucional a fixação de distância mínima para a instalação de
novas farmácias e drogarias55.
− Segundo o STF, é inconstitucional lei municipal que, na competência
legislativa concorrente, utilize-se do argumento do interesse local para
restringir ou ampliar as determinações contidas em texto normativo de
âmbito nacional56.

53
ADI 3193/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 9.5.2013. (ADI-3193)
54
RE 179852 / MG - MINAS GERAIS - 21/11/2000
55
ADI 2327 / SP - SÃO PAULO
56
RE 596489 AgR / RS - RIO GRANDE DO SUL - 27/10/2009

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− O fornecimento de água potável, serviço local inserido na competência


municipal, não pode sofrer interferência por lei estadual, que altera
condições formalmente estipuladas em contrato para fornecimento. Desta
forma, é inconstitucional a Lei Estadual que obriga o fornecimento por
empresa da qual o Estado mantenha controle acionário e fornece isenção
tarifária, por invasão da esfera de competência dos Municípios57.

Segundo o STF, trata-se de assunto de interesse local:


− Legislar sobre horário de funcionamento de estabelecimento comercial58
(inclusive farmácias e drogarias)59;
− A Definição de tempo máximo de espera de clientes em filas de
instituições bancárias60 bem como sobre a instalação de sanitários,
bebedouros e equipamentos de segurança nas agências bancárias61 (já
que não são atividade fim das agências bancárias);

Observação: Não confunda: STF - SÚMULA Nº 19 - A fixação do horário


bancário, para atendimento ao público, é da competência da União - já que o
STF entende que neste caso trata-se de atividade fim das agências bancárias,
atraindo assim a Competência da União para tratar sobre o sistema financeiro.
− Legislar sobre limite ao tempo de espera em fila dos usuários dos serviços
prestados pelos cartórios62;
− Legislar sobre a vocação sucessória dos cargos de prefeito e vice-prefeito
em caso de dupla vacância. Assim, é inconstitucional dispositivo da
Constituição Estadual que venha a regular tal matéria, já que estaria
desrespeitando à autonomia Municipal63

Art. 32 §4º – Lei federal sobre polícias civil e militar do Distrito


Federal:
− SÚMULA Nº 647: Compete privativamente à união legislar sobre
vencimentos dos membros das polícias civil e militar do Distrito Federal.

57
ADI N. 2.340-SC - RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI – Info 705 – Maio 2013
58
STF - Súmula nº 645.
59
RE 408373 AgR / SP - SÃO PAULO - 23/05/2006
60
RE 610221 RG / SC - SANTA CATARINA - 29/04/2010.
61
AI 453178 AgR / SP - SÃO PAULO - 13/12/2006 e AI 574296 AgR / RS - RIO GRANDE DO SUL
23/05/2006
62
RE 397094 / DF - DISTRITO FEDERAL - 29/08/2006
63
ADI 3549 / GO - GOIÁS - 17/09/2007

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E) Administração Pública.
Art. 37, II – Concursos públicos:
− STF – Súmula nº 683: O limite de idade para a inscrição em concurso
público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da CF, quando possa ser
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.
− STF – Súmula nº 684: É inconstitucional o veto não motivado à parti-
cipação de candidato a concurso público.
− STF – Súmula nº 685: É inconstitucional toda modalidade de provimen-
to que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concur-
so público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a car-
reira na qual anteriormente investido."
− STF – Súmula nº 686: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico
a habilitação de candidato a concurso público.
− É constitucional a regra denominada “cláusula de barreira”, inserida em
edital de concurso público, que limita o número de candidatos
participantes de cada fase da disputa, com o intuito de selecionar apenas
os concorrentes mais bem classificados para prosseguir no certame64.
− Os candidatos em concurso público não têm direito à prova de segunda
chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais,
ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo contrária
disposição editalícia65.
− Candidato aprovado em certame para formação de reserva não tem
direito subjetivo à nomeação, mas mera expectativa66.
− O edital do concurso público não pode, sem respaldo em lei formal, prever
restrição de altura míninma67, lembrando que isso deve ser interpretado
de forma ampla, com base na isonomia, só a lei formal podendo inovar –
com base na busca da isonomia material – sobre restrições em concurso
público.
− Segundo o STF, viola o princípio constitucional da isonomia norma que
estabelece como título o mero exercício de função pública68.
− A exigência de exame psicotécnico para ingresso no serviço público
requer a edição de lei formal prevendo-o como requisito e ainda a adoção
de um grau mínimo de objetividade e de publicidade dos atos em que se
desdobra69.

64 RE 635739/AL, rel. Min. Gilmar Mendes, 19.2.2014. (RE-635739)


65
RE 630.733,rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 15-5-2013, Plenário, Informativo 706.
66
AG. REG. EM MS N. 31.790-DF, rel. min. Gilmar Mendes
67
AG. REG. NO AI N. 764.423-SE
68
ADI 3.443, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 8-9-05, Plenário, DJ de 23-9-05
69 RE 417.019-AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14-8-07, 1ª Turma, DJ de 14-9-07

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− Não ofende o princípio da igualdade o regulamento de concurso público


que, destinado a preencher cargos de vários órgãos da Justiça Federal,
sediados em locais diversos, determina que a classificação se faça por
unidade da Federação, ainda que dai resulte que um candidato se possa
classificar, em uma delas, com nota inferior ao que, em outra, não
alcance a classificação respectiva70;
− Sob a égide da Constituição de 1988, é inconstitucional qualquer forma de
provimento dos serviços notariais e de registro que não por concurso
público. Não há direito adquirido à efetivação em serventia vaga sob a
égide da Constituição de 198871 (vide CF, art. 236 §3º);
− Os conselhos de fiscalização profissional têm natureza jurídica de
autarquias, sendo assim, se submetem a obrigatoriedade da realização de
concurso público para provimento de seus quadros72. Tal natureza jurídica
decorre dos seguintes fatores:
(i) estas entidades são criadas por lei, tendo personalidade jurídica de
direito público com autonomia administrativa e financeira;
(ii) exercem a atividade de fiscalização de exercício profissional que, como
decorre do disposto nos artigos 5º, XIII, 21, XXIV, é atividade
tipicamente pública;
(iii) têm o dever de prestar contas ao Tribunal de Contas da União (art.
71, II, CRFB/88).
É de se notar ainda que a fiscalização das profissões, por se tratar de uma
atividade típica de Estado, que abrange o poder de polícia, de tributar e
de punir, não pode ser delegada (ADI 1.717), excetuando-se a Ordem dos
Advogados do Brasil (ADI 3.026).
− Os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito
privado e não integrarem a Administração Pública, mesmo que
desempenhem atividade de interesse público em cooperação com o ente
estatal, não estão sujeitos à observância da regra de concurso público
(CF, art. 37, II) para contratação de seu pessoal73.

Art. 37, V – Nepotismo:

70 RE 146585/DF de 1995

71 AG. REG. EM MS N. 28.273-DF - RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI - Info stf 695 10/03/2013

72 AG. REG. EM MS N. 28.469-DF - RED. P/ O ACÓRDÃO: MIN. LUIZ FUX

73 RE 789874/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 17.9.2014. (RE-789874)

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− SÚMULA VINCULANTE 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou


parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau,
inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa
jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o
exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função
gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a
Constituição Federal.
− Inaplicabilidade da súmula vinculante nº 13 → À nomeação de irmão
de Governador de Estado no cargo de Secretário de Estado, não se aplica
a súmula vinculante nº 13 por se tratar de cargo de natureza política, já
que secretários de Estado são agentes políticos74.

Art. 37, XVI – Acumulação de cargos públicos:

− Segundo o STF devem ser entendidos por de natureza técnica os cargos


que exigem, no desempenho de suas atribuições, a aplicação de
conhecimentos especializados de alguma área do saber. Não estariam
nessa categoria, por exemplo, os cargos que implicassem a prática de
atividades meramente burocráticas, de caráter repetitivo e que não
exigissem formação específica. Sendo assim, estes cargos burocráticos da
área meio (ainda que recebam nomenclatura de técnico, comumente
usado para cargos de nível médio) não se enquadrariam no conceito
constitucional para fins de permitir a acumulação com o cargo de
professor75.

Art. 39 – Remuneração do Servidor Público:


− SÚMULA VINCULANTE 15: O cálculo de gratificações e outras
vantagens do servidor público não incide sobre o abono utilizado para se
atingir o salário mínimo.
− SÚMULA VINCULANTE 16: Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC
19/98), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida
pelo servidor público.
− SÚMULA Nº 339: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento
de isonomia.

74
STF – Rcl–MC–AgR 6650 / PR – PARANÁ – 16/10/2008 - Entendimento firmado com base no R.Ex.
579.951/RN.
75
RMS 28497/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, 20.5.2014. (RMS-28497)

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− SÚMULA Nº 681: É inconstitucional a vinculação do reajuste de


vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de
correção monetária.
Art. 39 – Indenização por férias não gozadas:
− A jurisprudência do STF é no sentido de que o servidor público faz jus à
indenização por férias que não foram gozadas por vontade da
Administração, tendo em vista a responsabilidade objetiva desta e a
vedação ao enriquecimento sem causa por parte do Estado76.

F) Poder Legislativo.
− Art. 51, I - autorizar, por dois terços de seus membros, a
instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente
da República e os Ministros de Estado;

- Ao julgar a ADPF 378, o STF alterou seu entendimento sobre a vinculação do


SENADO FEDERAL para o julgamento do processo de impeachment do
Presidente da República autorizado pela Câmara dos Deputados, nos moldes do
artigo 51, I da CF/88. A partir desse julgamento, o SENADO não está mais
obrigado a julgar o presidente. A Casa Superior faz, também, juízo de
admissibilidade antes de instaurar o processo de julgamento, por maioria
simples. Notem a decisão, na parte referida:

ADPF 378 > 3. RITO DO IMPEACHMENT NO SENADO (ITENS G E H DO PEDIDO


CAUTELAR): 3.1. Por outro lado, há de se estender o rito relativamente
abreviado da Lei nº 1.079/1950 para julgamento do impeachment pelo
Senado, incorporando-se a ele uma etapa inicial de instauração ou não
do processo, bem como uma etapa de pronúncia ou não do denunciado,
tal como se fez em 1992. Estas são etapas essenciais ao exercício,
pleno e pautado pelo devido processo legal, da competência do Senado
de processar e julgar o Presidente da República. 3.2. Diante da ausência
de regras específicas acerca dessas etapas iniciais do rito no Senado, deve-se
seguir a mesma solução jurídica encontrada pelo STF no caso Collor, qual seja,
a aplicação das regras da Lei nº 1.079/1950 relativas a denúncias por crime de
responsabilidade contra Ministros do STF ou contra o PGR (também processados
e julgados exclusivamente pelo Senado). 3.3. Conclui-se, assim, que a
instauração do processo pelo Senado se dá por deliberação da maioria
simples de seus membros, a partir de parecer elaborado por Comissão
Especial, sendo improcedentes as pretensões do autor da ADPF de (i)
possibilitar à própria Mesa do Senado, por decisão irrecorrível, rejeitar

76
AG. REG. NO ARE N. 731.803-RJ

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sumariamente a denúncia; e (ii) aplicar o quórum de 2/3, exigível para o


julgamento final pela Casa Legislativa, a esta etapa inicial do processamento

Art. 52, III - Aprovação de dirigentes da Adm. Pública Indireta pelo


Poder Legislativo.
− Segundo o STF, a aprovação, pelo Legislativo, da indicação dos
Presidentes das entidades da Administração Pública Indireta restringe-se
às autarquias e fundações públicas, dela excluídas as sociedades de
economia mista e as empresas públicas. A intromissão do Poder
Legislativo no processo de provimento das diretorias das empresas
estatais colide com o princípio da harmonia e interdependência entre os
poderes. A escolha dos dirigentes dessas empresas é matéria inserida no
âmbito do regime estrutural de cada uma delas77.

Possibilidade de afastamento de Deputado Federal do cargo por decisão


judicial
Os §§ 2º e 3º do art. 55 da CF/88 outorgam às Casas Legislativas do
Congresso Nacional a competência para decidir a respeito da perda do
mandato político. Isso não significa, no entanto, que o Poder Judiciário
não possa suspender o exercício do mandato parlamentar. A legitimidade
do deferimento das medidas cautelares de persecução criminal contra
Deputados e Senadores encontra abrigo no princípio da inafastabilidade
da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF/88) e no fato de que as imunidades
parlamentares não são absolutas, podendo ser relativizadas quando o
cargo não for exercido segundo os fins constitucionalmente previstos.
Vale ressaltar que os membros do Poder Judiciário e até o chefe do Poder
Executivo podem ser suspensos de suas atribuições quando estejam
sendo acusados de crime. Desse modo, não há razão para conferir
tratamento diferenciado apenas aos Parlamentares, livrando-os de
qualquer intervenção preventiva no exercício do mandato por ordem
judicial. STF. Plenário. AC 4070/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
5/5/2016 (Info 579).

Art. 58 §3º, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI):

Independência dos Poderes X CPI:

77
ADI 1.642, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 3-4-08, Plenário, DJE de 19-9-08.

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− Atos jurisdicionais, como o acerto ou desacerto da concessão de liminar


em mandado de segurança, não podem ser examinados no âmbito do
Legislativo, diante do princípio da separação de poderes78.
− Ofende o princípio a independência dos poderes a intimação de
magistrado para depor perante Comissão Parlamentar de Inquérito sobre
ato jurisdicional praticado79.
− Não é possível que a maioria parlamentar frustre o direito das minorias de
instalar CPI, no termos do art. 58 §3º da Constituição, já que reunidos os
requisitos constitucionais (1/3 dos membros, fatos determinados e
temporariedade), a instalação não se submete à vontade da maioria.
Assim, trata-se de tema que extravasa os limites "interna corporis"
sendo, assim, viável o controle judicial - prerrogativa das minorias,
expressão do postulado democrático80.
− Comissão Parlamentar de Inquérito não tem poder jurídico de requisitar
perante as operadoras de telefonia as cópias de decisão nem de mandado
judicial de interceptação telefônica com finalidade de quebrar sigilo
imposto a processo sujeito a segredo de justiça81.

Indiciados e testemunhas:
− O privilégio contra a auto-incriminação – que é plenamente invocável
perante as Comissões Parlamentares de Inquérito – traduz direito público
subjetivo assegurado a qualquer pessoa, que, na condição de
testemunha, de indiciado ou de réu, deva prestar depoimento perante
órgãos do Poder Público. O direito de silêncio impede, quando
concretamente exercido, que aquele que o invocou venha, por tal
específica razão, a ser preso, ou ameaçado de prisão, pelos agentes ou
pelas autoridades do Estado82.
− Se o objeto da CPI é mais amplo do que os fatos em relação aos quais o
cidadão intimado a depor tem sido objeto de suspeitas, ainda assim o
cidadão não poderá recusar-se a comparecer para depor, mas terá o
direito de não responder às perguntas cujas repostas entenda possam vir
a incriminá-lo. 83

Princípio do colegialidade (decisões por maioria):


− Deve-se necessariamente observar o princípio da colegialidade nas
deliberações tomadas por qualquer comissão parlamentar de inquérito
78
HC 86.581, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 23-2-06, Plenário, DJ de 19-5-06.
79
HC 80.539, Rel. Min. Maurício Corrêa, 21/03/2001.
80
MS 24.831, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 22-6-05, DJ de 4-8-06.
81
MS 27.483-REF-MC, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 14-8-08, Plenário, DJE de 10-10-08.
82
HC 79.812, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 8-11-00, DJ de 16-2-01.
83
HC 79.244, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 23-2-00, Plenário, DJ de 24-03-00.

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(não poderá um único integrante decidir, mas somente a maioria da


comissão, pois é um órgão colegiado), notadamente quando esta, no
desempenho de sua competência investigatória, ordena a adoção de
medidas restritivas de direitos, sob pena de essa deliberação reputar-se
nula84.

Sigilos e limitações aos poderes da CPI:


− O princípio constitucional da reserva de jurisdição – que incide sobre as
hipóteses de busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), de interceptação telefônica
(CF, art. 5º, XII) e de decretação da prisão, ressalvada a situação de
flagrância penal (CF, art. 5º, LXI) – não se estende ao tema da quebra de
sigilo, pois, em tal matéria, e por efeito de expressa autorização dada
pela própria Constituição da República (CF, art. 58, §3º), assiste
competência à Comissão Parlamentar de Inquérito, para decretar, sempre
em ato necessariamente motivado85.
− Não pode haver quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico por CPI
quando estiver apoiada em formulações genéricas, sem a necessária e
específica indicação de causa provável para fundamentar a quebra. São
medidas de caráter excepcional. Assim, pode haver controle jurisdicional
dos abusos praticados por comissão parlamentar de inquérito, o que não
ofende o princípio da separação de poderes86.
− O sigilo telefônico capaz de ser quebrado pela CPI incide sobre os
dados/registros telefônicos e que não se identifica com a inviolabilidade
das comunicações telefônicas87.

É incompetente a CPI para expedir decreto de indisponibilidade de bens
de particular, já que não é medida de instrução88.
− Comissão Parlamentar de Inquérito não tem poder jurídico de, mediante
requisição, a operadoras de telefonia, de cópias de decisão nem de
mandado judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo imposto a
processo sujeito a segredo de justiça. Este é oponível a Comissão
Parlamentar de Inquérito, representando expressiva limitação aos seus
poderes constitucionais.89

CPI estadual:

84
MS 24.817, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 3-2-2005, Plenário, DJE de 6-11-2009.
85
MS 23.652, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 22-11-00, DJ de 16-2-01.
86
MS 25.668, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 23-3-06, DJ de 4-8-06.
87
MS 23.452, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 16-9-1999, Plenário, DJ de 12-5-2000.
88
MS 23.480, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 4-5-00, DJ de 15-9-00.
89
MS 27.483-REF-MC, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento, em 14-8-08, Plenário, DJE de 10-10-08

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− Ainda que seja omissa a Lei Complementar 105/2001, podem essas


comissões estaduais requerer quebra de sigilo de dados bancários, com
base no art. 58, § 3º, da Constituição90.

Habeas Corpus contra ato praticado por CPI e competência para


julgamento:
− Os habeas corpus ou mandados de segurança contra atos praticados
pelas CPI deverão ser julgados originariamente no STF, por se
enquadrarem na hipótese do art. 102, I, d e i91.
− A extinção da Comissão Parlamentar de Inquérito prejudica o
conhecimento do habeas corpus impetrado contra as eventuais
ilegalidades de seu relatório final, notadamente por não mais existir
legitimidade passiva do órgão impetrado92.

Art. 59 – Diretrizes do Processo Legislativo:


− Processo legislativo da União: observância compulsória pelos Estados de
seus princípios básicos, por sua implicação com o princípio fundamental
da separação e independência dos Poderes: jurisprudência do Supremo
Tribunal93.

Art. 61 §1º - Constituição Estadual X Lei de iniciativa do chefe do


Executivo.
− É da jurisprudência assente do Supremo Tribunal que afronta o princípio
fundamental da separação a independência dos Poderes o trato em
constituições estaduais de matéria, sem caráter essencialmente
constitucional – assim, por exemplo, a relativa à fixação de vencimentos
ou a concessão de vantagens específicas a servidores públicos –, que
caracterize fraude à iniciativa reservada ao Poder Executivo de leis
ordinárias94.

Art. 61 §1º - Emenda parlamentar em leis de iniciativa do chefe do


Executivo.

90
ACO 730, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 22-9-04, Plenário, DJ de 11-11-
05.
91
MS 23.452, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 16-9-99, DJ de 12-5-00.
92
HC 95.277, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 19-12-2008, Plenário, DJE de 20-2-
2009.
93
ADI 774, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 10-12-98, Plenário, DJ de 26-2-
99
94
ADI 104, Rel. Min.Sepúlveda Pertence, julgamento em 4-6-07, Plenário, DJ de 24-8-07

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− Segundo o STF, as restrições ao poder de emenda em se tratando leis de


iniciativa reservada ao Poder Executivo ficam reduzidas à proibição de
aumento de despesa e à hipótese de impertinência da emenda ao tema
do projeto95.

Art. 62
Medidas Provisórias:
− STF - SÚMULA Nº 651: A medida provisória não apreciada pelo
congresso nacional podia, até a Emenda Constitucional nº 32/01, ser
reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os
efeitos de lei desde a primeira edição.
− SÚMULA VINCULANTE 54: A medida provisória não apreciada pelo
congresso nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser
reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os
efeitos de lei desde a primeira edição.

− Alegada violação ao princípio da independência e harmonia entre os


poderes (...) Orientação assentada no STF no sentido de que, não sendo
dado ao Presidente da República retirar da apreciação do Congresso
Nacional medida provisória que tiver editado, é-lhe, no entanto, possível
ab-rogá-la por meio de nova medida provisória, valendo tal ato pela
simples suspensão dos efeitos da primeira, efeitos esses que, todavia, o
Congresso poderá ver estabelecidos, mediante a rejeição da medida ab-
rogatória. Circunstância que, em princípio, desveste de plausibilidade a
tese da violação ao princípio constitucional invocado96.
− Embora a Constituição vede que medida provisória venha a versar sobre
Direito Penal, a posição do STF é de que esse impedimento não ocorre
quando se tratar de favorecimento do réu (ou seja, as medidas
provisórias que abolem crimes ou lhes restringem o alcance, extingam ou
abrandem penas ou ampliam os casos de isenção de pena ou de extinção
de punibilidade)97. – Atenção, esta posição já foi ignorada pela ESAF em
dois concursos um em 2002 e outro em 2006, cuidado quando se tratar
de provas para esta banca.

Art. 71, III.

95
Precedentes do STF: RE 140.542-RJ, Galvão, Plenário, 30-9-1993; ADI 574, Galvão; RE
120.331-CE, Borja, DJ de 14-12-1990; ADI 865-MA, Celso de Mello, DJ de 8-4-1994."
(RE191.191, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 12-12-1997, Segunda Turma, DJ de
20-2-1998.) No mesmo sentido: ADI 3.288, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 13-10-
2010, Plenário, DJE de 24-2-2011.
96
ADI 1.315-MC, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 10-8-95, Plenário, DJ de 25-8-95
97
RE 254.818, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 8-11-2000, Plenário, DJ de 19-12-
2002.

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− SÚMULA Nº 347: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições,


pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público.

Art. 71, III.


− SÚMULA VINCULANTE 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas
da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que
beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de
concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Art. 71, VI – Fiscalização do TCU sobre a compensação pela exploração


de recursos naturais.
− Segundo ao STF não compete ao TCU fiscalizar os recursos repassados
pela União aos entes da federação no que tange à compensação pelo
resultado da exploração de petróleo, xisto betuminoso e gás natural, já
que no entendimento do STF, estes recursos são “receitas originárias” de
tais entes e não se enquadram no conceito de “recursos repassados por
convênio ou acordos” de forma que possa se enquadrar na hipótese do
art. 71, VI98.

G) Poder Executivo.
Art. 86 §§ 3º e 4º - Imunidade do presidente x imunidade do
governador
− Segundo a jurisprudência do STF, é inadimissível a extensão da
imunidade à prisão cautelar ao governador de Estado pela Constituição do
Estado, bem como é inadimissível que a Constituição Estadual confira
imunidade ao governador para que ele não seja responsabilizado por
delitos estranhos à sua função.
Segundo as palavras do Supremo, os govenadores possuem, então, unicamente
a prerogativa de foro de serem julgados perante o STJ, após licença da
Assembléia Legislativa, devendo estes serem ali julgados ainda que por delitos
penais estranhos às suas funções. Somente a Constituição Federal pode conferir
prerrogativas de foro ou imunidades e ela não o fez para os governadores.
Assim, os Estados-membros não podem reproduzir em suas próprias
Constituições o conteúdo normativo dos preceitos inscritos no art. 86, §§ 3º e4º

98
MS 24.312, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 19-2-03, DJ de 19-12-03

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da CF, pois essas prerrogativas são unicamente compatíveis com a condição de


Chefe de Estado - que somente o Presidente da Republica possui99.

Réu em processo criminal não pode assumir, como substituto, o cargo


de Presidente da República
Réu em processo criminal não pode assumir, como substituto, o cargo de
Presidente da República. Os substitutos eventuais do Presidente da
República a que se refere o art. 80 da CF/88, caso ostentem a posição de
réus criminais perante o STF, ficarão impossibilitados de exercer o ofício
de Presidente da República. No entanto, mesmo sendo réus, podem
continuar na chefia do Poder por eles titularizados.
Trata-se do caso que referente ao então Presidente do Senado Renan
Calheiros, que era réu em processo criminal, de forma que o STF entendeu
que ele não poderia assumir a Presidência da República na forma do art. 80
da CF/88; porém, ele pode continuar normalmente como Presidente do
Senado, não precisando ser afastado deste cargo.

Art. 97 – Cláusula da Reserva de Plenário:


− SÚMULA VINCULANTE 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF,
artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não
declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.
− CUIDADO!! O STF entende que a cláusula de reserva de plenário do artigo
97 somente se aplica aos textos normativos editados APÓS a Constituição
de 1988, podendo o órgão fracionário de Tribunal avaliar a recepção ou
não de normativos anteriores. Note-se a decisão abaixo.
− AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM
AGRAVO. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. LEI 4.156/62. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. ARGUIÇÃO DE AUSÊNCIA DE
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. OFENSA REFLEXA. ALEGAÇÃO DE
VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (ARTIGO 97
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL). INOCORRÊNCIA. NORMA ERIGIDA
SOB A ÉGIDE DA CONSTITUIÇÃO ANTERIOR. RECEPÇÃODA LEI
POR ÓRGÃO FRACIONÁRIO. POSSIBILIDADE. 1. Os princípios da
legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório,
da motivação das decisões judiciais, bem como os limites da coisa
julgada, quando a verificação de sua ofensa dependa do reexame prévio
de normas infraconstitucionais, revelam ofensa indireta ou reflexa à
Constituição Federal, o que, por si só, não desafia a instância
extraordinária. Precedentes 2. A cláusula de reserva de plenário (full
bench) é aplicável somente aos textos normativos erigidos sob a

99
ADI 1023 / RO - RONDONIA, Min. CELSO DE M ELLO,19-10-1995

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égide da atual Constituição. 3. As normas editadas quando da


vigência das Constituições anteriores se submetem somente ao
juízo de recepção ou não pela atual ordem constitucional, o que
pode ser realizado por órgão fracionário dos Tribunais sem que se
tenha por violado o art. 97 da CF. Precedentes: AI-AgR 582.280,
Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 6.11.2006 e AI 831.166-
AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, Dje de 29.4.2011. 3.
Agravo regimental desprovido.100

Art. 102 – Remédios constitucionais no STF:


− SÚMULA Nº 691: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer
de habeas corpus impetrado contra decisão do relator que, em habeas
corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar.

H) Controle de Constitucionalidade.

Controle de Constitucionalidade Concentrado:


Cabimento da Ação Direta contra decisões administrativas:
− O STF considerou legítimo o uso de ADI contra decisão administrativa de
Tribunal de Justiça que aumentou inadequadamente a remuneração de seus
servidores através de ampliação da gratificação, sendo assim uma decisão
dotada de generalidade e abstração, usurpando o poder conferindo apenas à lei.
Conclusão: caso seja dotada de generalidade e abstração, o Supremo entende
pela adequação do instrumento da ação direta para impugnar decisões
administrativas que usurpem a competência legislativa101.

Admissão de terceiro como “amicus curiae”:


− A admissão de terceiro, na condição de ‘amicus curiae’, no processo
controle abstrato (permitida pelo art. 7º, § 2º, da Lei nº 9.868/99),
qualifica-se como fator de legitimação social das decisões da Suprema
Corte, enquanto órgão de composição de conflitos políticos, mas é
necessário observar para tal admissão que as instituições efetivamente
representem os interesses gerais da coletividade ou que expressem os
valores essenciais e relevantes de grupos, classes ou estratos sociais102.
− Por não satisfazerem a condição de “representatividade adequada”, o STF
tem negado a pessoas físicas ou naturais, a possibilidade de intervirem,
na condição de “amicus curiae”103.

100
ARE 705316 AgR / DF - DISTRITO FEDERAL AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Relator(a): Min.
LUIZ FUX Julgamento: 12/03/2013. Primeira Turma
101
ADI 3202/RN, rel. Min. Cármen Lúcia, 5.2.2014. (ADI-3202)
102
ADI 5.022-MC/RO
103
RE 659.424/RS

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Art. 102, I, a - Controle X Lei que venha ser revogada.


− SÚMULA Nº 642: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do
distrito federal derivada da sua competência legislativa municipal.
− AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO
SUPERVENIENTE DO ATO ESTATAL IMPUGNADO. A revogação
superveniente do ato estatal impugnado faz instaurar situação de
prejudicialidade que provoca a extinção anômala do processo de
fiscalização abstrata de constitucionalidade, eis que a ab-rogação do
diploma normativo questionado opera, quanto a este, a sua exclusão do
sistema de direito positivo, causando, desse modo, a perda ulterior de
objeto da própria ação direta, independentemente da ocorrência, ou não,
de efeitos residuais concretos. Precedentes104.

Fungibilidade das ações diretas no Controle de Constitucionalidade:


− É perfeitamente legítimo conhecer como ADPF uma causa levada ao
Supremo impropriamente como ADI. Assim, pode o Supremo converter a
ADI em ADPF sejam satisfeitos todos os requisitos exigidos à sua
propositura (legitimidade ativa, objeto, fundamentação e pedido)105.

Reclamação ao Supremo e a Transcendência dos motivos


determinantes:
− Para o STF, a reclamação não pode ser usada como atalho processual
para submeter um litígio ao exame direto da Suprema Corte, em
detrimento das vias ordinárias. A reclamação só pode ser provida se
observar uma identidade material entre a decisão reclamada e o
julgado tido como paradigma. Já que, atualmente, considera-se que
a teoria da transcendência dos motivos determinantes foi
rejeitada pelo Supremo Tribunal106. Desta forma, por exemplo, se
uma lei X de um Estado da federação foi declarada inconstitucional, não
se pode admitir que o fundamento da declaração impeça a aplicação de
uma lei Y em outro Estado, ainda que de conteúdo similar, pois, no
entendimento do Supremo, o sistema brasileiro admite o controle de

104
ADI 1442 / DF - DISTRITO FEDERAL - Julgamento: 03/11/2004)
105
ADI N. 4.163-SP - RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO
106
Rcl 5.703-AgR/SP, de minha relatoria, DJe 16.9.2009; Rcl 5.389-AgR/PA, de minha relatoria,
DJe 19.12.2007; Rcl 9.778-AgR/RJ, Rel Min. Ricardo Lewandowski, DJe 10.11.2011; Rcl 9.294-
AgR/RN, Rel. Min. Dias Toffolli, Plenário, DJe 3.11.2011; Rcl 6.319-AgR/SC, Rel. Min. Eros Grau,
DJe 6.8.2010; Rcl 3.014/SP, Rel. Min. Ayres Britto, DJe 21.5.2010; Rcl 2.475-AgR/MG, Redator
para o acórdão o Ministro Marco Aurélio, DJe 31.1.2008; Rcl 4.448-AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, DJe 8.8.2008; Rcl 2.990-AgR/RN, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 14.9.2007;
Rcl 5.365-MC/SC, Rel. Min. Ayres Britto, decisão monocrática, DJ 15.8.2007; Rcl 5.087-MC/SE,
Rel. Min. Ayres Britto, decisão monocrática, DJ 18.5.2007.

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constitucionalidade apenas de leis ou normas específicas, não se


aceitando declaração de inconstitucionalidade de matéria ou tema107.

Controle de Constitucionalidade Difuso:


Recurso Extraordinário – Necessidade de Prequestionamento:
− Segundo o STF, o prequestionamento da questão constitucional é
requisito indispensável à admissão do recurso extraordinário108. Ou seja,
quando o sujeito decidir por interpor um Recurso Extraordinário ao STF, a
questão constitucional que ele alegar para fins do recurso deve já ter sido
levantada anteriormente no processo, deve ter sido “pré – questionada”,
não podendo alegar algo novo que não foi analisado pelo juízo anterior.
Trata-se de entendimento sumulado:
− SÚMULA Nº 282: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não
ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada.
− SÚMULA Nº 356: O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram
opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso
extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento.

Ação civil pública no controle de constitucionalidade difuso:


− Segundo o STF, é legítima a utilização da ação civil pública como
instrumento de fiscalização incidental de constitucionalidade, pela via
difusa, de quaisquer leis ou atos do Poder Público, desde que a
controvérsia constitucional não se identifique como objeto único da
demanda, mas simples questão prejudicial, indispensável à resolução
do litígio principal109.
Ou seja, nada impede que em um controle incidental, no caso concreto, decida-
se pela inconstitucionalidade da lei em no curso do processo de uma ação civil
pública, ou qualquer outra ação, como mandado de segurança. É de se advertir,
no entanto, que em se tratando da ação civil pública, existem casos em que a
decisão se daria com efeitos abstratos, abrangendo uma coletividade
indeterminada de pessoas e, nestes casos, não poderia haver a declaração da
inconstitucionalidade por parte da autoridade judicial, pois assim, a ação civil
pública acabaria tendo os efeitos de uma decisão em ADI, que é ação de
controle abstrato que só poderia ser impetrada do STF ou TJ. Fora isso, seria
perfeitamente possível haver a declaração da inconstitucionalidade no curso de
um processo de ação civil pública.

107
Rcl 5.087-MC/SE – 2007.
108
AG. REG. NO ARE N. 791.695-PB RELATOR: MIN. LUIZ FUX
109
Rcl 1.898/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO em Informativo STF nº571.

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I) Poder Judiciário.
Art. 102, I, f
− Em relação ao art. 102, I, f da Constituição, o STF tem o entendimento de
que tal dispositivo autoriza o tribunal a conhecer originariamente de
causas que estejam "colocando em xeque" o pacto federativo. Assim, o
conflito entre uma autarquia federal e um Estado-membro pode ter 2
caminhos:
Competência originária do STF - Se colocar em risco o pacto federativo.
X
Competência da Justiça Federal - Se não colocar em risco o pacto federativo110.

Art. 102, I, l:
− SÚMULA Nº 734: Não cabe reclamação quando já houver transitado em
julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do
Supremo Tribunal Federal.

Art. 102, I, 0: Conflito de competências STJ x TJs e TRFs


− Embora a CF seja literal (art. 102, I, o) ao dizer que caberia ao STF
julgar os conflitos de competência entre o STF e quaisquer
tribunais, é muito importante frisarmos que para o STF111 não cabe ao
Supremo solucionar conflitos de competência entre o STJ e os Tribunais
Regionais Federais ou os Tribunais de Justiça dos Estados, pois, no caso,
trata-se de um mero problema de hierarquia constitucional e não de
conflito de competência, já que os TRFs e TJs estão na cadeia hierárquica
direta do STJ na justiça comum. Para concursos, muita atenção! Se a
questão pegar a literalidade da Constituição estaria certa: Compete ao
STF os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e

110
"1) A imunidade recíproca, por sua vez, assenta-se basicamente no princípio da
Federação. Configurado conflito federativo (...) é competente o Supremo Tribunal Federal para
o julgamento da ação cível originária, nos termos do disposto no artigo 102, I, f, da
Constituição." (ACO 765-QO, Rel.p/ o ac. Min. Eros Grau, julgamento em 1º-6-05, DJE de 7-11-
08)
2) "Competência originária. Conflito entre autarquia federal e Estado-Membro. Ausência
de risco ao pacto federativo. Inaplicabilidade do artigo 102, I, “f”, da CF/88. Competência da
Justiça Federal. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que a
competência originária que lhe é atribuída pelo art. 102, I, “f”, da Constituição Federal, tem
caráter de absoluta excepcionalidade, restringindo-se a sua incidência às hipóteses de litígios
cuja potencialidade ofensiva revele-se apta a vulnerar a harmonia do pacto federativo (...)
Incompetência deste Supremo Tribunal para processar e julgar, originariamente, causas entre
Estado-Membro e autarquia federal com sede ou estrutura regional de representação no
território estadual respectivo. Competência da Justiça Federal (...).” (RE 512.468-AgR, Rel. Min.
Eros Grau, julgamento em 13-5-08, DJE de 6-6-08)
111
CC-QO 7094 / MA – MARANHÃO.

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quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer


outro tribunal. Porém, se a questão especificar os TJs e TRFs, dizendo que
compete ao Supremo solucionar conflitos de competência entre o STJ e os
Tribunais Regionais Federais ou os Tribunais de Justiça dos Estados, ela
estaria errada, pois aqui sequer pode se falar em conflito de competência,
mas questão meramente hierárquica.

Art. 102, III:


− Não cabe recurso extraordinário contra decisões que meramente
concedem ou que denegam a antecipação dos efeitos da tutela
jurisdicional ou provimentos liminares, já que não são decisões
definitivas, mas mera verificação não conclusiva da ocorrência do
“periculum in mora” e da relevância jurídica da pretensão112.

Art. 103-B – CNJ e Controle da magistratura:


− SÚMULA Nº 649 - É inconstitucional a criação, por constituição
estadual, de órgão de controle administrativo do Poder Judiciário do qual
participem representantes de outros poderes ou entidades.
− O STF entende que as deliberações negativas do Conselho Nacional de
Justiça não estão sujeitas a revisão por meio de mandado de segurança
impetrado diretamente no Supremo Tribunal Federal. Ou seja, não se
pode impetrar um MS no Supremo, alegando que os indeferimentos
administrativos manifestados pelo CNJ em deliberações de sua
competência causaram ofensa a direito líquido e certo113.
− O STF reconhece as resoluções normativas do CNJ como atos normativos
primários, dotados de generalidade, abstração e impessoalidade, e que,
diante disso, a via idônea para controlá-las são as ações diretas e não
mandado de segurança114.

Art. 111 – Justiça do Trabalho:


− SÚMULA VINCULANTE 22: A Justiça do Trabalho é competente para
processar e julgar as ações de indenização por danos morais e
patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam
sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda
Constitucional no 45/04.

112
AG. REG. NO ARE N. 706.127-SP
113
AG. REG. EM MS N. 27.764-DF - RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI - Info stf 695 10/03/2013
114
MS 32077/DF – sobre a resolução 175/2013 do CNJ que veda às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento
civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo.

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− SÚMULA VINCULANTE 23: A Justiça do Trabalho é competente para


processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício
do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
− SÚMULA Nº 433: É competente o Tribunal Regional do Trabalho para
julgar mandado de segurança contra ato de seu presidente em execução
de sentença trabalhista.
− SÚMULA Nº 736: Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que
tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas
relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores.

J) Funções Essenciais à Justiça.


Art. 129, III - Ação Civil Pública:
− É pacífico no STF que em ações civis públicas em que se discutem
interesses individuais homogêneos dotados de grande relevância social,
reconhece-se a legitimidade ativa do Ministério Público para seu
ajuizamento115.
− O Ministério Público possui legitimidade ativa para ações civis públicas nas
quais se discute a validade de atos potencialmente lesivos ao patrimônio
público, neste conceito se enquadra a impugnação de benefício fiscal116.

Art. 134 §2º - Autonomia das Defensorias Públicas Estaduais:


− É inconstitucional toda norma que, impondo a Defensoria Pública
Estadual, para prestação de serviço jurídico integral e gratuito aos
necessitados, a obrigatoriedade de assinatura de convênio
exclusivo com a Ordem dos Advogados do Brasil, ou com qualquer
outra entidade, viola, por conseguinte, a autonomia funcional,
administrativa e financeira daquele órgão público117.

K) Sistema Tributário Nacional.


Art 150 – Limitações ao poder de Tributar:
Imunidade IPTU – cemitério extensão de entidade religiosa
− Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho
religioso estão abrangidos pela garantia contemplada no artigo 150 da

115
AG. REG. NO AI N. 813.045-RJ- RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI

116
AG. REG. NO RE N. 547.532-DF
117
ADI N. 4.163-SP - RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO

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Constituição. Impossibilidade da incidência de IPTU em relação a eles. A


imunidade aos tributos de que gozam os templos de qualquer culto é
projetada a partir da interpretação da totalidade que o texto da
Constituição é, sobretudo do disposto nos artigos 5º, VI, 19, I e 150, VI,
“b”118.

Imunidade IPTU X instituições de educação:


− Consoante dispõe o artigo 150, § 4º, da Constituição Federal, as
instituições de educação apenas gozam de imunidade quando o
patrimônio, a renda e os serviços estão relacionados a finalidades
essenciais da entidade. Imóveis locados e lotes não edificados ficam
sujeitos ao Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU119 (Diferentemente
do que ocorre para as entidades religiosas.

Princípio do não-confisco (art. 150, IV).


− Segundo o STF, a instituição de alíquotas progressivas para a contribuição
previdenciária dos servidores públicos ofende o princípio da vedação à
utilização de qualquer tributo com efeito de confisco120.

Natureza jurídica do pedágio cobrado pelo Poder Público (art. 150, V).
− O pedágio cobrado pela efetiva utilização de rodovias conservadas pelo
Poder Público não tem natureza jurídica de taxa, mas sim de preço
público, não estando a sua instituição, consequentemente, sujeita ao
princípio da legalidade estrita121.

Art. 155 – ICMS x fornecimento de água potável por empresas


concessionárias
− O fornecimento de água potável por empresas concessionárias desse
serviço público não é tributável por meio do ICMS, já que as águas em
estado natural são bens públicos e só podem ser exploradas por
particulares mediante concessão, permissão ou autorização, assim, o
fornecimento de água tratada à população por empresas concessionárias,
permissionárias ou autorizadas não caracteriza uma operação de
circulação de mercadoria122.

118
RE 578.562, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 21-5-08, Plenário, DJE de 12-9-08
119
AG. REG. NO AI N. 661.713-SP
120
AG. REG. NO RE N. 346.197-DF
121
ADI N. 800-RS RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
122
RE N. 607.056-RJ - RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI

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L) Ordem Social.
Art. 206, IV – Gratuidade do ensino público:
− SÚMULA VINCULANTE 12: A cobrança de taxa de matrícula nas
universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição
Federal.
− A cobrança de “taxa de alimentação” por instituição federal de ensino
profissionalizante é inconstitucional. O STF entende que o princípio
constitucional da gratuidade de ensino público em estabelecimento oficial
alcança não apenas o ensino em si, mas também as garantias de
efetivação do dever do Estado com a educação previsto na Constituição.
Nessas garantias, estaria englobado o atendimento ao educando em todas
as etapas da educação básica, incluído o nível médio profissionalizante,
além do fornecimento de alimentação123.

123
RE 357148/MT, rel. Min. Marco Aurélio, 25.2.2014. (RE-357148)

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