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Aluno: Alexandre Augusto Poggio Heine Matrícula: 1711905

Exercícios - Introdução a IA

1 – Forneça uma explicação, com suas palavras, sobre o que é IA forte e IA fraca.

Inteligências artificiais fracas, normalmente, estão ligadas a máquinas com


resposta já pré-programada de alguma forma. Elas identificam as informações de
acordo com as similaridades entre o que eles já sabem e o que foi dado a elas como
entrada. Dessa forma, elas podem simular o comportamento humano a partir do que
foram programadas, mas sem compreender o significado do que estão fazendo.
Por outro lado, inteligências artificiais fortes se assimilam ao modo de pensar
humano, pois mesmo para uma dada entrada igual, as respostas podem ser
completamente diferentes a depender da interpretação da máquina. Para esse caso,
até poderia ser possível prever o resposta, mas, assim como para os seres
humanos, a resposta nem sempre seria a esperada. Uma máquina assim,
teoricamente, poderia passar pelo teste de Turing, explicado brevemente na questão
a seguir.

2 – Pesquise sobre o Loebner Prize, fale sobre ele com suas palavras e discuta o
quão perto estamos de passar nesse teste.

Loebner Prize é uma competição que ocorre anualmente, em que máquinas


são avaliadas por um teste de Turing, em que um júri deve descobrir quem é a
máquina e quem é humano a partir de perguntas feitas a eles e suas respostas.
Com isso, o objetivo da máquina é se parecer o máximo possível com um ser
humano e “enganar” o júri quanto à sua identidade.
Quanto ao quão perto estamos de passar nesse teste, acredito que as
máquinas ainda não são capazes de simular o comportamento humano em que
cometemos enganos de linguagem e mal entendidos, além de começarmos a pensar
de forma existencial, filosófica e questionadora sobre as perguntas feitas, ou seja,
entendemos a pergunta e damos uma resposta pensada, muitas vezes até mesmo
imprevisível a ela. Muitas máquinas também cometem erros ao imitar o
comportamento humano, pois respondem de forma instantânea, enquanto humanos
levam tempo para responder e também respondem de forma muito linear (uma
resposta para cada entrada) ao júri.
Sendo assim, esses e outros comportamentos me levam a pensar que,
apesar de as máquinas estarem melhorando, ainda estão longe de passarem no
teste de Turing por completo, pois ainda são inteligências artificiais fracas.
3 – Leia o artigo original de Turing sobre IA (Computating Machinery and
Intelligency, 1950) e faça um resumo sobre ele.

A partir do questionamento sobre “Can machines think?”, Turing propôs um


jogo chamado de “Imitation Game” de três participantes, em que um deles é uma
mulher, o outro um homem e um terceiro “júri”, o qual deve descobrir qual dos outros
dois é uma mulher a partir de perguntas e respostas. Voltando ao tema sobre
máquinas, Turing questiona o que ocorreria se uma dos participantes que não o júri
fosse uma máquina e se o resultado seria o mesmo, retornando ao questionamento
inicial.
Além disso, Turing explica que para ser justo, o “júri” não pode ter contato
físico ou por voz com os participantes avaliados (máquina e humano), pois o objetivo
do jogo está ligado a testar o quanto a máquina consegue se aproximar do
comportamento humano natural em suas respostas.
Outra questão relacionada ao jogo envolve que tipo de computador o jogo
tem como propósito avaliar. Nesse caso, Turing propõe avaliar máquinas que
utilizem qualquer tipo de técnica de engenharia, inclusive técnicas experimentais
feitas por um indivíduo ou equipe, desde que não sejam feitas da maneira usual e
que obedeçam à regra de serem máquinas digitais.
Nesse sentido, Turing afirma que máquinas digitais são aquelas que se
dividem em 3 partes: uma relativa a armazenamento de informações; uma unidade
de execução de operações individuais como soma, multiplicação e escrever um
número; e uma unidade de controle, a qual verifica se a máquina está obedecendo
um conjunto de regras ou instruções como o caso de reutilizar uma instrução dada
anteriormente a partir de sua posição. Ele também explica que uma máquina digital,
não é obrigatoriamente elétrica só por conta que o sistema nervoso humano é
elétrico, dando o exemplo da máquina de Babbage que era puramente mecânica e
se comportava como uma máquina digital, apesar de suas limitações.
Então, é levantada a hipótese que máquinas digitais teoricamente poderiam
ser classificadas como máquinas discretas, pois dadas as condições iniciais de seu
funcionamento seria possível prever o resultado em um determinado instante como
sugerido por Laplace quando falou que conhecidas todas as variáveis no universo
em um determinado momento, seria possível prever resultados futuros. Assim,
afirma que usando do “Imitation Game”, proposto por ele anteriormente, máquinas
digitais simulando máquinas discretas e máquinas discretas agiriam de forma
semelhante, de forma a não poder distinguir entre as duas.
Logo, Turing afirma que acredita que em breve, máquinas digitais poderão
chegar ao ponto de quando forem imitar um ser humano no “Imitation Game”, terem
uma porcentagem alta de enganar o “júri” quanto à sua identidade. Com isso, cita
opiniões com objeção ou argumentos que contrariam sua teoria e explica o porquê
de discordar das mesmas como abaixo:
● A objeção teológica que propõe que somente o ser humano tem a capacidade
de pensar por conta de sua alma imortal. Turing explica por meio de
argumentos teológicos como essa não tem base teórica e depois afirma que,
além disso, ele aponta que argumentos tais como dessa objeção já foram
refutados no passado por matemáticos e físicos diversas vezes e diante do
conhecimento atual, é totalmente sem fundamento.
● A objeção “Heads in the Sand” em que por conta do medo do que seria uma
máquina digital ter a capacidade pensar, desejar que isso nunca aconteça.
Nesse caso, Turing afirma que não há necessidade de refutar um argumento
que é tão sem fundamento quanto a objeção anterior.
● A objeção matemática propõe que máquinas tem limitações e por isso não
seriam capazes de simular o comportamento humano. Dessa forma, Turing
explica que mesmo que máquinas tenham limitações, não é possível afirmar
que o ser humano também não tenha limitações quanto ao seu intelecto.
Sendo assim, pode haver um humano que perca para uma máquina e
vice-versa, tornando essa objeção um assunto de discussão teórica e não
uma verdade.
● O argumento da consciência propõe que uma máquina não é capaz de
demonstrar consciência sobre o que responde e aprende, e logo não seria
capaz de criar poemas e frases com sentido conotativo. Em resposta a isso,
Turing afirma que antes de podermos falar de consciência para máquinas,
deve-se responder àquela questão inicial: “Can machines think?”.
● O argumento das várias não-habilidades propõe que máquinas não podem
executar diversas ações que um humano pode fazer como ter sentimentos,
reconhecer gostos, ter uma opinião sobre um assunto, ter a capacidade de
errar, entre outros; e por isso não seria capaz de pensar como um humano. A
partir disso, Turing discorda desse argumento, pois muitas dessas ações não
tem relevância alguma para serem programadas ou ainda tem limitações
teóricas demais relativas ao conhecimento humano e por isso não valem o
esforço programador nesse momento ou mesmo não há espaço de
armazenamento o suficiente para tal.
● A objeção de Lady Lovelace propõe que uma máquina não poderia criar nada
e assim só poderia executar ações que o ser humano sabe como ordenar
elas a fazer. Com isso, Turing cita a Hartree que a partir do argumento de
Lady Lovelace afirma que esse não é possível concluir se uma máquina pode
ou não ser construída com a capacidade de pensar por si mesma, mas que
podia afirmar que até aquele momento não haviam máquinas com aquela
capacidade.
● O argumento da continuidade do sistema nervoso propõe que não é possível
um sistema discreto simular um sistema contínuo como o sistema nervoso
humano. Turing diz que concorda que um sistema discreto é diferente de um
sistema contínuo, mas que em um “Imitation Game”, um “júri” não seria capaz
de distinguir entre os dois tipos de máquina.
● O argumento da informalidade do comportamento propõe que não podemos
ser máquinas, pois não há um conjunto de regras de conduta que possamos
seguir para cobrir qualquer tipo de eventualidade. Até esse ponto Turing
afirma concordar, mas discorda quando esse argumento é usado para dizer
que seguir um determinado conjunto de regras de conduta levaria a fazer um
ser humano se comportar como uma máquina e como ele não faz isso não é
uma máquina. A essa argumentação ele afirma que máquinas seguem leis de
comportamento, mas não há prova científica que argumente que seres
humanos também não o façam.

Por fim, Turing fala sobre máquinas que aprendem as quais se modificam
conforme vão aprendendo a partir de um processo de punições e premiações sobre
se estão se comportando como esperado ou se estão apresentando um
comportamento errôneo.

Referências

https://www.machinedesign.com/robotics/what-s-difference-between-weak-and-stron
g-ai
https://chatbotsmagazine.com/how-to-win-a-turing-test-the-loebner-prize-3ac275225
0f1
Mauldin, Michael L. "Chatterbots, tinymuds, and the turing test: Entering the loebner
prize competition." ​AAAI.​ Vol. 94. 1994.
Turing, Alan M. "Computing machinery and intelligence (1950)." ​The Essential
Turing: The Ideas that Gave Birth to the Computer Age. Ed. B. Jack Copeland.
Oxford: Oxford UP​ (2004): 433-64.