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Questões – Mudança Social

Primeira Avaliação

Dividindo por "temas":


1, 2 = Mudança
3, 4, 5 = Progresso
6, 7, 8 = Modernidade
9, 10 = Globalização

1) A partir da leitura dos capítulos de “A Sociologia da mudança social” de Piotr Sztompka, o


que é ​mudança social​?

2) Para Sztompka, a noção de sistema pode ser aplicado em níveis diversos de complexidade
social, tais como macro, meso e micro. A partir disso, explique como esses conceitos estão
relacionados com o que se caracteriza como mudança “na” e “da” sociedade.
1, 2 (Mudança)

Piotr Sztompka, em seu livro intitulado "​A sociologia da mudança social​", traz uma
reflexão teórica e histórica de conceitos fundamentais em análises sociais da mudança. Em
seu capítulo inicial, detalha uma linha temporal que vai desde o início da sociologia, com
metáforas orgânicas para explicar as mudanças sociais, até abordagens que mostram o campo
social como algo dinâmico.
O tema da mudança social está presente desde o surgimento da sociologia, no século
XIX; sua motivação principal era compreender a transição da sociedade tradicional para a
moderna. O pai da nova ciência, Auguste Comte dividia seu sistema teórico em duas partes:
"estática social" e "dinâmica social", onde estudava, por meio de analogias entre sociedade e
organismo biológico, a organização e os processos da sociedade. Tais processos seriam os
geradores do desenvolvimento da sociedade.
O legado metodológico da separação entre estruturas e funções foi apenas reforçado
com os pensadores seguidos a Comte. Este legado pode ser resumido com a oposição entre
dois procedimentos, a busca de leis de coesxistência (razão por que certos fenômenos
invariavelmente aparecem juntos) e leis de sucessão (razão por que certos fenômenos
precedem ou sucedem outros). Os modernos estudos da mudança social, pesquisa diacrônica,
têm sofrido grande influência dessas ideias.
Dado o contexto, Sztompka considera como mudança social aquela que ocorre dentro
do sistema social ou que o abrange, correspondendo à diferença entre os vários estados
sucessivos de um mesmo sistema. Em uma palavra, estamos tratando com a diferença entre o
que pode ser observado antes de determinado instante e o que vemos depois. Segundo
Sztompka, este conceito básico de mudança social envolve três ideias: diferença, ocorre em
instantes diversos, entre estados de um mesmo sistema. Leva-se em consideração também o
fato de que, dependendo do que se é analisado, vários tipos de mudança podem ser
distinguidos.
Assim, podemos perceber que a recorrente noção de sistema denota uma totalidade
complexa constituída de múltiplos elementos ligados entre si por inter-relações; podendo ser
aplicada em níveis diversos de complexidade social: macro, meso e micro.
Um conceito generalizado como esse pode ser aplicado às sociedades humanas em
diferentes níveis de complexidade. Em um nível macro, toda a humanidade ou sociedade
global pode ser enxergada como um gigantesco sistema; no nível meso, os países, assim
como as alianças regionais, podem ser vistos como sistemas; no nível micro, as comunidades
locais, famílias, grupos mais reduzidos, podem ser tratados como pequenos sistemas.
Independente da unidade de análise, Sztompka mostra que as mudanças às vezes são
apenas parciais, têm sua abrangência bastante limitada, sem afetar profundamente outros
aspectos da vida. O autor chama esse tipo de mudança de ​no sistema​. Nesses casos, o sistema
como um todo permanece intacto, nenhuma mudança de natureza global em seu estado apesar
das mudanças parciais internas; são apenas mudanças "adaptativas".
Em outros casos, a mudança pode chegar a abranger todos os aspectos de um sistema,
produzindo uma alteração global, o que o autor chama de mudança ​do sistema​ . O novo
sistema passa a ser tratado como fundamentalmente diferente do anterior; essas mudanças
podem ser consideradas verdadeiras revoluções sociais. A linha entre esses dois casos, no
entanto, é bastante fluida. Mudanças no sistema podem se acumular e acabar atingindo seu
núcleo, transformando-se em mudanças do sistema.
Sztompka indica que um dos desafios cruciais da sociologia continua sendo, pois, o de
explicar como as sociedades mudam ou não. É certo que cada geração de sociólogos tende a
acentuar o caráter radicalmente diferente da sua era de mudança, do mesmo modo parecem
inexistir condições cognitivas suficientes para que se possa falar em consenso sobre o
“sentido” da mudança social, mesmo entre os sociólogos de uma mesma geração.
Em compensação, para a maioria parece ser crucial a mudança estrutural nos
relacionamentos, organizações, laços, entre os componentes da sociedade. Isso porque
mudanças simples raramente aparecem isoladas. Somente a partir de complexas interações
em um sistema social é possível que emerja todas as características globais desse sistema. É o
que defendem as teorias e modelos alternativos que buscam entender a realidade social como
um campo social dinâmico.
Estudos sociológicos formularam conceitos complexos para lidar com as formas típicas
dessas ligações. A ideia de "processo social" surgiu para descrever uma sequência de
mudanças inter-relacionadas. O que denota essa ideia são: a pluralidade das mudanças;
referência ao mesmo sistema; relações causais recíprocas; as mudanças se seguem umas às
outras em uma sequência temporal. A tendência é de tratar dos eventos e não das coisas, dos
processos e não dos estados, como componentes fundamentais da realidade. A sociedade
deveria, então, ser concebida como um processo dinâmico; não como um estado constante,
mas como um fluxo, um campo flexível de relações.
3) Todo progresso se constitui a partir de uma causa, e essa causa pode ser atribuída a
diversos agentes. A partir desse pressuposto várias correntes e autores atribuíram diferentes
natureza às forças propulsoras do progresso, tais quais o domínio sobrenatural, o domínio
natural e os agentes humanos (individuais ou coletivos). Explique e diferencie o que significa
esses tipos.

4) Se considerarmos o modo operante do progresso, é possível admitir que duas formas se


destacam, a primeira se configurando como um processo passivo que se constitui de forma
lenta, gradual e incremental, assim como nas visões evolucionistas de Spencer e Durkheim, e
a segunda configurando o progresso como um processo desigual e revolucionário, a partir do
conflito, assim como é na visão marxiana. Portanto, discorra sobre essas formas e
configurações que assume o processo, estabelecendo diferenciações entre as visões desses
autores.

5) Como aponta Sztompka, a ideia do progresso parece ter sofrido um declínio a partir da
modernidade. O que leva o autor a realizar essa afirmação e como a ideia de progresso está
relacionada aos valores sociais constituídos?

A ideia de progresso parece ter começado a entrar em declínio em meados do século


XX, mediante a fatos históricos que contrariam essa ideia, assim como algumas correntes
intelectuais de fundamental explicação do mesmo.
Ao encaminhar do século XX, foi notório acontecimentos que balançaram a época,
concebendo o que chamamos de “o século do horror”, fazendo com que ocorresse uma
grande desilusão e desencantamento do mundo, junto a ideia de progresso. Ora, se a própria
ideia de progresso refere-se a uma noção reflexiva que interage com a realidade social, que
floresce nos períodos de progresso e cai nos períodos em que o progresso real se torna
questionável, é possível que o desuso e o declínio dessa ideia seja ainda mais severo se
juntarmos aos acontecimentos ocorridos (guerras mundiais, conflitos locais, desemprego,
pobreza, fome, tiranias e etc.); sendo assim, o que restou, analisando e vivendo esses
acontecimentos, foi a incerteza do futuro, agora aberto a desenvolvimentos totalmente
aleatórios. A “morte” do conceito de progresso e de sua ideia, deu-se pela ascensão de uma
crise crônica, desenvolvida por um estado de ânimo popular em que a experiência social não
se encontra em seu momento de ápice épico.
Ao seguir uma linha em que a ideia de progresso levou a uma crise social, e,
consequentemente, a um desencantamento do mundo, o mesmo, ainda sim, está fixado a uma
possível crença em valores sociais da vida terrena, pois sua ideia é importante para a mente
humana, fundamentada para o alívio de tensões e incertezas. Levando a isso, o progresso,
mesmo sofrendo colapsos e crises em suas ideias, irá sempre se recuperar na imaginação
humana e nas realidades sociais.

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3, 4, 5 (Progresso)

Sztompka dedica um capítulo inteiro para discutir a variabilidade da ideia de


progresso na história da humanidade e das teorias sociais. Segundo o autor, as origens
intelectuais da noção de progresso remontam a um passado muito distante, tendo exercido
enorme influência desde seu aparecimento na antiguidade. "Progresso" faria parte da
condição humana, relação entre o "como é" e o "como deveria ser"; apresenta, portanto, uma
dimensão valorativa, isto é, sustenta como fato empírico a realização necessária de alguns
valores
A ideia de progresso está ligada aos valores sociais constituídos em contextos
específicos e só faz algum sentido quando associado à ideia de transformação, mudança da
sociedade. Sztompka, buscando uma maior precisão analítica, decompõe o conceito de
progresso em seus elementos principais. São eles: a noção de tempo irreversível, tempo que
flui de modo linear garantindo a continuidade entre passado, presente e futuro (o progresso
seria, por definição, a diferença entre o passado e o presente); a ideia de movimento
direcional, onde nenhum degrau se repete, em que cada estágio superior está mais próximo de
um estado-final; ideia de processo cumulativo; distinção entre "estágio necessários"
característicos; ênfase nas causas internas do processo; concepção de processo inevitável,
necessário; e noção de aperfeiçoamento, melhoria.
Todo progresso se constitui a partir de uma causa, e essa causa pode ser atribuída a
diversos agentes. A partir desse pressuposto várias correntes e autores atribuíram diferentes
natureza às forças propulsoras do progresso, tais quais o domínio sobrenatural, o domínio
natural e os agentes humanos (individuais ou coletivos).
As primeiras raízes da ideia de progresso podem ser encontradas já na Grécia antiga.
Os gregos observavam seu mundo em processo de crescimento, de desdobramento gradual de
potencialidades, passando por estágios determinados que produziam avanços e melhorias.
Filósofos como Aristóteles buscavam entender o desenvolvimento do estado político grego,
concebido como a estrutura política ideal.
A segunda origem do conceito de progresso é encontrada na tradição religiosa judaica
que implica uma visão da histórica como sagrada, guiada pela vontade ou providência divina.
Sendo, portanto, predeterminada, irreversível e necessária. A história da humanidade revela o
curso e a direção impostos "de cima", seu itinerário é progressivo, tendo todas suas
mudanças, etapas e final já determinados. Ambas as vertentes de pensamento, grega e
judaica, reúnem-se na tradição judaico cristã, dominante na cultura ocidental.
Outra visão do conceito de progresso denota um domínio natural das forças
propulsoras de progresso. As tendências e potencialidades inerentes à sociedade eram
consideradas responsáveis pelo curso progressivo dos processos sociais. Surgiu na época das
grandes descobertas geográficas quando se tornaram visíveis as diferenças culturais, políticas,
econômicas, entre as sociedades humanas. Toda essa diversidade foi justificada a partir dos
diferentes graus de desenvolvimento ou progresso atingidos de forma natural pelas diferentes
sociedades. Era o início da longa tradição de viés etnocêntrico comum às teorias de mudança
social.
É apenas na modernidade que os pensadores se inclinam por considerar os agentes
humanos como produtores, construtores dos processos que levam ao "progresso", deixam
para trás explicações de cunho religioso e natural. Assim, a visão que se tem do progresso
passa a ser de algo que se deve alcançar, construir, fazendo do esforço humano uma busca
por atitudes apropriadas. Admite-se a contingência do progresso, que pode ou não ocorrer,
dependendo dos conjuntos de ações realizados pelas pessoas. Assim, diferencia-se das
correntes anteriores que podem ser lidas como passivas, adaptativas, conotam uma ideia de
"esperar para ver", enquanto que ela reclama um compromisso ativo, criativo e construtivo.
Considerando o modo operante do progresso as visões evolucionistas de Herbert
Spencer e Émile Durkheim, por exemplo, configuram o progresso como um processo passivo
que se constitui de forma lenta, gradual e incremental. O primeiro concebe a evolução como
princípio comum subjacente a toda a realidade, natural e social. A realidade social é vista
essencialmente como material, consistindo em matéria, energia e movimento.
Segundo Spencer, a evolução se dá por meio da diferenciação estrutural e funcional,
de um estado simples para outro mais complexo, da amorfia para a articulação das partes, da
homogeneidade para a heterogeneidade, da fluidez à estabilidade, em um processo universal.
Buscando destacar a direção em que se move o processo evolucionário, o autor introduz a
primeira tipologia dicotômica das sociedades. Modelos ideais são colocados em oposição,
tomados como ponto de partida e de chegada de sequências cronológicas. O próprio Spencer
utiliza, por exemplo, a oposição entre sociedade militar e sociedade industrial em suas
análises.
Durkheim explicita sua visão da evolução social em Da Divisão do Trabalho Social.
Ao analisar a sociedade industrial europeia do Século XIX, observa que a crescente divisão
do trabalho e diferenciação de tarefas, deveres e funções ocupacionais, à medida que a
sociedade avança no tempo, é a principal tendência da evolução. Tal tendência estaria
relacionada a fatores demográficos; população crescente que resulta em densidade
demográfica crescente e produz "densidade moral" crescente, intensificação das interações e
complexidade dos relacionamentos sociais.
O sociólogo propõe, então, uma nova tipologia dicotômica das sociedades,
baseando-se na diferença qualitativa dos vínculos sociais existentes: a chamada
"solidariedade mecânica" assenta na similaridade de funções e tarefas indiferenciadas; já a
"solidariedade orgânica" está estabelecida na complementaridade, cooperação e caráter
mutuamente indispensável de funções e ocupações altamente diversificadas. Essa tipologia
serve como esquema cronológico que narra os pontos inicial e terminal da evolução social, da
"solidariedade mecânica" para a "solidariedade orgânica".
Uma segunda visão que configura o progresso como um processo desigual,
revolucionário, a partir do conflito, é o pensamento marxiano. A teoria de Karl Marx estava
profundamente enraizada no clima intelectual do século XIX. No que diz respeito à história
humana, os pressupostos da época implicavam um processo "natural", regular e inteligível. O
grande objetivo de Marx era especificar as "leis de ferro" da história a fim de moldá-la com
uma orientação progressista.
O pensador possuía a crença no progresso como uma direção global do processo
histórico, enfatizando o aperfeiçoamento constante da sociedade, observava a história
passando por uma sequência de estágios distintos, enxergava também a complexificação e
diferenciação crescentes das sociedades como tendências históricas. A verdadeira
especificidade do materialismo histórico em relação ao evolucionismo reside na utilização de
conceitos de Hegel, em especial a "dialética" como forma, padrão ou lógica do processo
histórico.
Marx aproximou-se de Hegel seletivamente, aceitou sua ideia formal da dialética, mas
recusou o conteúdo idealista da teoria. Assim, a ideia hegeliana de um curso dialético da
história, seguindo determinadas formas e padrões é encontrada na obra de Marx, no entanto
reformulada em termos materiais, com referência ao mundo tal como existe objetivamente.
Para Marx, a história se caracteriza como sequência das mudanças da sociedade humana, seu
princípio propulsor dever ser buscado na "atividade humana sensível, a Práxis."
Após, no século XIX, a ideia de progresso ter tomado conta do senso comum, além
das mais diversas áreas do conhecimento (filosofia, literatura, arte e ciência), o século XX
traz o início de seu declínio. Holocausto, guerras mundiais, desemprego e pobreza em massa,
ditaduras de ambos extremos políticos, medo constante de uma guerra nuclear, causaram um
novo desencantamento do mundo, fizeram com que a fé no progresso perdesse força. Autores
como Nisbet tratam esse fenômeno como "deslocamento do Ocidente", isto é, o declínio da fé
nos valores e instituições das sociedades modernas desenvolvidas. O autor encontra seus
sintomas no irracionalismo, misticismo, na revolta contra a razão, além do pessimismo
crescente, na imagem de deterioração do mundo.
O que restou, após todos esses acontecimentos, foi a incerteza do futuro, agora aberto
a desenvolvimentos totalmente aleatórios. A “morte” do conceito de progresso e de sua ideia,
deu-se pela ascensão de uma crise crônica, desenvolvida por um estado de ânimo popular em
que a experiência social não se encontra em seu momento de ápice épico.
Para Sztompka, o conceito de progresso deve ser visto como uma noção reflexiva, isto
é, interage com a realidade social objetiva. Assim, floresce nos períodos de progresso
observável e decai nos períodos em que o progresso se torna questionável. O
desencantamento costuma ser mais severo quanto mais altas tenham sido as esperanças, as
aspirações, ligadas ao progresso.
Diante de tal situação, surge um conceito alternativo de progresso. A partir da
chamada doutrina do "construtivismo", a ênfase se volta a indivíduos socializados reais,
situados em contextos sociais reais, a força propulsora das mudanças está situada, então, nas
atividades sociais cotidianas. Assim, a agência passa, finalmente, a ser humanizada e
socializada ao mesmo tempo. As propensões e capacidades humanas asseguram uma
autotranscedência e progresso constante da humanidade. Ainda que não haja nenhuma
"necessidade" de progresso
6) Para Piotr Sztompka, existem duas maneiras de conceituar a Modernidade: a histórica e a
analítica. A histórica seria a conceituação da Modernidade como oriunda de revoluções
políticas (Revolução Francesa e a Independência dos EUA) e econômicas (Revolução
Industrial). Já sobre a segunda, Sztompka cita três autores que buscam conceituar
Modernidade analiticamente. São eles: Auguste Comte, Max Weber e Talcott Parsons. Faça
comentários gerais sobre as visões desses três autores.

Auguste Comte indica várias características próprias da ordem social moderna:


concentração da força de trabalho nos centros urbanos em contraponto a trabalho rural;
organização do trabalho guiada pela eficácia e pelo lucro, resultando em uma diferenciação e
especialização de funções realizadas; ampliação da ciência e tecnologia à produção, de forma
que os princípios que regem o processo produtivos são lógicos e racionais, princípios últimos
do último estágio de desenvolvimento das sociedades, o estado positivo; surgimento de um
antagonismo latente ou manifesto entre patrões e empregados, desenvolvido mais tarde por
Karl Marx sob a temática da luta de classes; contrastes e desigualdades sociais crescentes;
sistema econômico com base na livre empresa e na competição aberta.
Com base em conceitos abstratos, Max Weber procura analisar a sociedade moderna e
o desenvolvimento do capitalismo a partir de categorias puras, tipos ideias, para guiar sua
análise, afastando-se de casos particulares e buscando levantar características gerais. Essas
categorias são parte de um modelo teórico que busca indicar as motivações e mecanismos por
trás das iniciativas dos agentes sociais que desempenham um papel fundamental de
reprodução do sistema capitalista. O principal conceito abordado por Weber, e que descreve
simultaneamente a modernidade e o capitalismo, é o de racionalização. Para o autor, esta
última possui uma capacidade de expansão que se estende para os demais âmbitos da vida
social.
Características cruciais da modernidade para Parsons: 1) a completa diferenciação dos
quatro subsistemas de uma sociedade (sistema AGIL); 2) o papel dominante da economia,
caracterizada pela produção em massa, pela organização burocrática e pela disseminação do
mercado e do dinheiro, respectivamente, arena e troca generalizada; 3) desenvolvimento do
sistema legal como principal mecanismo de coordenação e controle social; 4) a estratificação
com base em critérios universalísticos de realização; 5) a extensão das redes de relações
sociais impessoais, mediatas e complexas.

7) Krishan Kumar, sociólogo contemporâneo, busca trazer aspectos que deram origem e
sustentação a Modernidade. Para o autor, cinco aspectos essenciais: 1) o Individualismo; 2) a
Diferenciação; 3) a Racionalidade; 4) o Economicismo; e 5) a expansão. Traga comentários
sobre esses aspectos, buscando encontrar conexões entre eles.
Elaborado por Krishan Kumar, existe um modelo teórico que fornece os aspectos
gerais da modernidade para em seguida apontar suas repercussões em áreas mais restritas da
vida social, com a economia, estratificação, política, a cultura e o cotidiano.
Dos aspectos gerais, Kumar cita e descreve cinco: o Individualismo, a Diferenciação,
a Racionalidade, o Economicismo e a Expansão. O primeiro princípio que rege a
modernidade é a individualização e independência, e se concentra na liberdade dos indivíduos
em relação a vínculos grupais e responsabilidades coletivas impostas; o indivíduo moderno é
responsável por suas próprias ações, seus ganhos e fracassos. Com a diferenciação, eleva-se
enormemente o campo de alternativas em todos os âmbitos sociais, desde o trabalho, ao
consumo, educação, estilo de vida, etc. Durkheim já trabalhava essa característica no conceito
de Divisão do Trabalho Social, mostrando como esse fenômeno generalizável e inevitável era
responsável, na sociedade moderna, por um crescimento das demandas materiais e
fortalecimento dos vínculos sociais, visto o aumento de interdependência dos indivíduos com
funções distintas e complementares.
O princípio da Racionalidade e o Economismo aparecem de mãos dadas: o cálculo, a
impessoalidade, a despersonalização, e o conhecimento científico/lógico parecem
imprescindíveis ao domínio de toda a vida social pela atividade econômica, com interesse
primordial em objetivos econômicos e critérios econômicos de realização. A partir do
princípio de expansão, é notório o a​ umento de extensão e intensidade de todos esses
processos descritos sobre toda e qualquer área da vida social, incluindo limites geográficos,
resultando no processo de globalização. É interessante observar a relação entre essas
características como comuns ao processo de racionalização e burocratização descrito por Max
Weber: todos os setores da sociedade passam por uma tendência de intensificação dos
processos racionais e acelerados ditos modernos; a vida passa a funcionar a partir do aumento
de processos mecânicos de repetição dessas condições e diminuição de processos criativos a
serviço de interesses humanizados.

8) Qual a argumentação central daqueles que se desencantaram com a Modernidade?

Se o século XIX a modernidade foi vista com certo otimismo, ainda neste século
fortes teorias criticam essa ideia e ganham reforço no século XX. As principais ideias de
oposição à modernidade surgem ligadas ao conceito de “alienação” de Karl Marx; essa ideia
pode ser resumida enquanto “a decadência das potencialidades humanas”, que é observada
sendo estendida para as demais áreas da vida social. Weber também utiliza o conceito de
“desencantamento” para tratar da objetificação do ser humano; para o autor, a racionalização
das diversas esferas sociais transforma o indivíduo em um mero meio, e não um fim em si
mesmo. Com Durkheim, uma ideia semelhante foi trabalhada de maneira oposta a partir do
conceito de “anomia”; a falta de regras e ordem social provocam instabilidade no indivíduo,
uma vez que a coesão social e a solidariedade entre indivíduos estão fortemente associadas às
normas sociais. Tönnies utilizou o conceito de massificação para designar na modernidade as
pessoas perderam sua identidade individual.
Relativamente recente, a noção de “consciência ecológica” se concentra na
perspectiva dos impactos ambientais, observando a destruição do meio ambiente,
esgotamento de recursos naturais, repercussões genéticas e impactos ecológicos sobre a
população humana. Por fim, o “imperialismo global” chama atenção para a internalização de
desigualdades e desequilíbrios na escala global, resultando em exploração e divisão de
regiões centrais, periféricas e semiperiféricas.
Todas essas questões chamam atenção para a escala de destruição e conflitos no
mundo, que banalizam a vida humana e transforma os atores sociais em meros instrumentos
para realização de objetivos pessoais. É interessante notar que de maneira direta ou indireta,
os autores e correntes buscam levantar questionamentos quanto a maneira otimista como a
modernidade é vista, apontando que muitos dos mecanismos de aprimoramento trazidos por
ela são também responsáveis por destruição na mesma ordem.

9) Quais as descrições clássicas da Globalização?

A globalização é um movimento tendencial e histórico da era moderna, fazendo com


as sociedades se tornem interdependentes em todos os aspectos de suas vidas, agregado a
uma estrutura de relações políticas, econômicas e culturais, se estendendo a fronteiras
tradicionais em um único sistema. Existem três formas teóricas que podem ser tratadas
como clássicas e presentes no processo de Globalização: a teoria do imperialismo, a da
dependência e a do sistema mundial.
A teoria do imperialismo, desenvolvida por Vladimir Lenin, é considerado o último
estágio na evolução do capitalismo, em que as superproduções e as taxas de lucro exigem
medidas mais defensivas. A expansão imperial visa cumprir os três objetivos principais do
capitalismo: mão-de-obra barata, materiais baratos e abertura de novos mercados. Como
resultado, há um fluxo assimétrico de lucros e recursos.
A teoria da dependência, fundamentada por Paul Prebisch, semelhante a teoria do
imperialismo, tem origem na América Latina e baseia-se na ideia de que existe uma relação
assimétrica e de dependência entre países centrais países satélites, uma espécie de
neocolonialismo.
Por fim, a teoria do sistema mundial, elaborado por Immanuel Wallerstein, se
distingue apresentando três estágios e uma interdependência em meio a econômica mundial.
O primeiro estágio, chamado de “minissistemas”, apresenta unidades pequenas e
economicamente autossuficientes; o segundo estágio são os “impérios mundiais”, em que se
reúne um conjunto de minissistemas de maneira mais articulada, tendo a sua permanência
graças ao crescimento do aparato burocrático e das vastas atividades administrativas; o
terceiro estágio é, finalmente, o “sistema mundial”, que nasce no século XVI, paralelo ao
capitalismo como sistema econômico dominante, comandando o poder político e militar, o
que facilita seu domínio, assim como o transporte, tecnologia e comunicação, acelerando seu
avanço, resultando em desigualdade e hierarquia global.
10) Como o ideal da Modernidade alavancou o processo de Globalização?

Segundo Anthony Giddens, o processo de globalização é inerente à modernidade,


abrangendo áreas geográficas maiores, alcançando todo o globo. Isso se dá devido às duas
características principais da modernidade: aceleração das mudanças e processos sociais, que
não ocorrem de maneira isolada, e expansão sem precedentes, resultante dessa relação. A
modernidade também se expande em esferas de vida cotidiana, como por exemplo
preferências de consumo, lazer, educação e afins, fazendo com que uma quantidade nova de
fenômenos se manifestem nas sociedades modernas, dentro de área econômica, política,
social, cultural.
Na área econômica, em primeira instância, podemos observar, através do processo de
globalização e da modernidade, a velocidade e amplitude sem precedentes do crescimento
econômico, assim como o deslocamento da produção agrícola em favor da indústria, a
concentração da produção nas cidades e aglomerações urbanas, a utilização de fontes de
energia para a substituição da força animal e humana, novas tecnologias, abertura de mercado
e uma concentração de trabalho em fábricas e complexos industriais.
Uma esfera econômica não sofre mudanças sem provocar uma reformulação em toda
estrutura social de classes e de estratificação. As mudanças provocadas e encontradas nessa
esfera social podem ser vistas em situações em que a posse de propriedades e a posição no
mercado irá depender de determinado status social, assim como grandes esferas da população
passam a se tornar proletários e a entrar no estágio de pauperização, enquanto que
proprietários capitalistas continuam a acentuar sua base de lucros, aumentando a
desigualdade social.
No domínio político, as transformações podem ser vistas em uma crescente
participação do Estado na regulação da coordenação da produção e da redistribuição da
riqueza, assim como a disseminação da lei, ligando os cidadãos ao Estado, uma grande
ascensão da cidadania e uma disseminação da organização burocrática.
Na área cultural, podemos perceber uma importância decrescente em mitos, valores e
normas mágicas ou religiosas, sendo substituídas por ideias legitimadas e de razão, assim
como um papel central da ciência, que propicia o conhecimento, para uma democratização da
educação e um surgimento de uma cultura de massa.

Na vida cotidiana, agregada a áreas econômicas, sociais, políticas e culturais, é visto


uma notável extensão do mundo do trabalho e sua separação da vida familiar, assim como
uma privatização da família e seu isolamento e controle social, um aumento de tempo de
lazer, junto a uma preocupação com consumo e aquisição de bens.
As condições modernas, adquiridas junto a globalização, deixam marcas na
personalidade humana e em todas as esferas que se remetem a ela, nos dando uma ideia de
qualidade de vida e de pessoas que vivem nela.

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