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Perdas de carga

Enviado em 08 Junho 2018, 11:08 AM

As perdas de carga são perdas de energia hidráulica que acontecem


devido à viscosidade da água e ao seu atrito com as paredes internas dos tubos
ou conexões. Elas têm por consequência uma queda de pressão global, em
redes por gravidade e gastos de energia suplementares com bombeamento
(recalque).
Para calcular essas perdas, normalmente são utilizadas fórmulas como a
Darcy, Colebrook-White e Hazen-Williams. Além disso, para escolher o diâmetro
de uma canalização em ferro dúctil, revestida internamente com argamassa de
cimento, adota-se geralmente um coeficiente de rugosidade (k) = 0,1mm.

FÓRMULA DE DARCY
A fórmula de Darcy é a fórmula geral para o cálculo das perdas de carga:

j: perda de carga (em m de carga do fluido por m de tubo)


λ: coeficiente de atrito, adimensional, determinado pela fórmula de Colebrook-
White
D: diâmetro interno do tubo (m)
V: velocidade do fluido (m/s)
Q: vazão (m3/s)
g: aceleração da gravidade (m/s2).

FÓRMULA DE COLEBROOK-WHITE
A fórmula de Colebrook-White é hoje universalmente utilizada para
determinar o coeficiente de atrito λ:

Re =
(Números de REYNOLDS)

µ: viscosidade cinemática do fluido à temperatura de serviço (m2/s)


k: rugosidade da superfície interna equivalente do tubo (m); observa-se que não
é igual à altura real da rugosidade da superfície; é uma dimensão fictícia relativa
à rugosidade da superfície, daí o termo “equivalente”.

Os dois termos da função logarítmica correspondem:


• para o primeiro termo

à parte das perdas de carga devidas ao atrito interno do fluido com ele mesmo.
• para o segundo termo

à parte das perdas de carga causadas pelo atrito do fluido com a parede do tubo;
para os tubos idealmente lisos (k=0), este termo é nulo e as perdas de
carga são simplesmente devidas ao atrito interno do fluido.

FÓRMULA DE HAZEN-WILLIAMS
A fórmula de Hazen-Williams, com o seu fator numérico em unidades
métricas, é a seguinte:
j =10,643 Q1,852 x C-1,852 x D-4,87
onde:
Q = vazão (m3/s)
D = diâmetro interno do tubo (m)
j = perda de carga unitária (m/m)
C = coeficiente que depende da natureza (material e estado) das paredes dos
tubos.

RUGOSIDADE DA SUPERFÍCIE DOS REVESTIMENTOS INTERNOS DE


ARGAMASSA DE CIMENTO
Os revestimentos internos feitos de argamassa de cimento centrifugado
apresentam uma superfície lisa e regular. Uma série de testes foi realizada para
avaliar o valor k da rugosidade da superfície dos tubos novos revestidos
internamente com cimento e foi encontrado um valor médio de 0,03mm, o que
corresponde a uma perda de carga suplementar de 5 a 7% (conforme o diâmetro
do tubo) comparada a um tubo perfeitamente liso com um valor de k = 0
(calculado com uma velocidade de 1m/s).
Contudo, a rugosidade da superfície equivalente de uma canalização não
depende somente da uniformidade da parede do tubo, mas do número de curvas,
de tês e de derivações, além das irregularidades do perfil da canalização. A
experiência mostra que k = 0,1mm é um valor razoável para ser adotado no caso
de canalização de distribuição de água potável. Nos casos de grandes
canalizações, que apresentem um pequeno número de conexões por quilômetro,
k pode ser ligeiramente inferior (0,06 a 0,08mm).
Contudo, três observações podem ser feitas sobre as perdas de carga
que ocorrem em canalizações de água funcionando sob pressão:
1) As perdas de carga correspondem à energia que é preciso fornecer para que
a água circule na canalização; sendo constituídas da soma de 3 parcelas:
• o atrito da água com ela mesma (ligado à sua viscosidade)
• o atrito da água com a parede do tubo (ligado à rugosidade)
• as modificações locais de escoamento (curvas, juntas etc.)
2) O atrito da água com ela mesma (parcela a) que constitui, na prática, o
essencial das perdas de carga; o atrito da água com as paredes (parcela b), que
só depende do tipo de tubo, é bem menor: pouco mais de 7% da parcela a para
um tubo de ferro fundido cimentado (k=0,03mm).
3) O diâmetro interno real da canalização tem uma influência considerável:
• para uma dada vazão (caso geral), a cada 1% a menos no diâmetro,
corresponde a 5% a mais nas perdas de carga
• para uma determinada carga (condução por gravidade), a cada 1% a menos
no diâmetro, corresponde a 2,5 % a menos de vazão obtida.

EVOLUÇÃO ATRAVÉS DO TEMPO


Uma série de pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre as canalizações
antigas e recentes em ferro fundido, revestidas internamente com argamassa de
cimento, revelou valores de C (segundo a fórmula de HAZEN-WILLIAMS) para
uma larga gama de diâmetros de tubos e de tempo de serviço.
Entretanto, em alguns casos de transporte de água bruta a baixa vazão,
a experiência mostra que qualquer que seja a natureza do material da
canalização, é preciso prever um aumento de k no decorrer do tempo.
Estes resultados referem-se a diferentes tipos de revestimentos internos
de cimento e de águas provenientes de zonas geográficas muito diversas.
Pode-se concluir que:
• as canalizações revestidas internamente com argamassa de cimento
asseguram uma grande capacidade de vazão constante ao longo do tempo; e
• um valor global de k = 0,1mm constitui uma hipótese razoável e segura para o
cálculo das perdas de carga em longo prazo, para os tubos revestidos
internamente com argamassa de cimento e destinados ao transporte de água
potável.

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