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Boletim informativo da Ordem Esotérica da Aurora Dourada – OEAD

Junho de 2019
Frater Kosmos - Imperator
A Newsletter Cruz & Triângulo é uma publicação para membros e não membros da OEAD - Ordem Esotérica da
Aurora Dourada. Distribuição Gratuita. Pode ser distribuída online, desde que não se altere o conteúdo. Ela
procura trazer conhecimentos sobre tudo que se refira à Golden Dawn, e seus artigos são provenientes de
diversas fontes, autores e grupos GD. Muitos dos artigos são inéditos e ainda não publicados em língua
Portuguesa. Não representam, necessariamente, a opinião oficial de nossa Ordem. Opiniões podem variar!

Dúvidas, perguntas, sugestões, enviar artigos para publicação? Contate-nos pelo site www.auroradourada.com

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Conteúdo
Editorial - 2
Advaita Vendanta e a Golden Dawn - 3
Magia e Respiração do Poder (artigo de David Griffin) – 8
Relato de uma Auto Iniciação na Ordem Esotérica da Aurora Dourada - 11

John Dee

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Advaita Vedanta
Artigo escrito pelo Frater S.C.F.V.

P: Gostaria de te fazer uma pergunta. Tenho estudado alguns excelentes livros baseados na
Golden Dawn e notei que parece haver um bocado de atenção sobre o conceito de vontade.
Pessoalmente, tendo estudado os ensinamentos do Budismo e de Advaita Vedanta, eu tendo a
não acreditar em “livre arbítrio” ou “vontade livre”.

Para mim, o mundo não faz muito sentido quando se aceita a existência de livre arbítrio. A
crença em livre arbítrio também tem um bocado de consequências problemáticas, relativas à
moralidade, uma alma/mente separadas do cérebro do corpo, que poderia resultar no que eu
posso chamar de “ilusões baseadas no ego, as quais entravam minha vida espiritual mais do
que trazem qualquer benefício. Qual sua visão sobre este assunto?

A: Esta é uma pergunta fantástica. Suas preocupações encontram ressonância com algumas das
mesmas que eu tive quando comecei a estudar a Golden Dawn, uma vez que, como você, eu
tinha treinado em Zen Budismo e também fui iniciado em Advaita Vedanta.

A abordagem Budista e a abordagem Advaita ambas negam o eu pessoal e desconstroem o


sentido de eu pessoal que, na Qabala, corresponde ao Ruach.

Advaita, em geral, começa por negar todos os aspectos de nosso


ser e simplesmente explica tudo como sendo o assim chamado
“Mais Alto Eu”, Atman-Brahman, ou a consciência da
Yechidah.

Quando o sábio Advaita Nisargadatta Maharaj fala sobre aderir


ao puro e simples senso do ser, o qual ele chama de “sentido Eu
Sou”, isto é, em última análise, consonante com o sistema da
Golden Dawn, uma vez que o Nome Divino de Kether (‫ )כתר‬é
Eheieh (‫ – אהיה‬Eu Sou).

Além de Keter (‫ )כתר‬existe a luz ilimitada da Consciência pura


(‫ – אין סוף אור‬Ain Soph Aur), além da qual está o Ain Soph ( ‫אֵ ין‬
‫ – סֹוף‬Ilimitabilidade) e Ain (‫ – אֵ ין‬Não existência), o qual está
além de todos os conceitos — eis o Absoluto de Nisargadatta.

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Isto também se relaciona ao Sunyata, a vacuidade do Budismo, a qual está além até mesmo da
Unicidade. Quando os mestres Zen dizem “todas as coisas retornam ao Um, mas para onde
este Um retorna?” eles estão apontando para o Absoluto ou para o Campo (Ground) da tradição
Dzogchen ou para o Deus místico Cristão, que é anterior à dualidade e à não dualidade, além da
duplicidade fenomenológica e mesmo a Unicidade em si.

A abordagem da Qabalah, conforme empregada pela Golden Dawn, é diferente da Advaita no


sentido em que ela não trabalha com a fixação na Yechidah, nem fica a negar constantemente o
Ruach, embora parte dos ensinamentos do grau 5=6 (Adeptus Minor) tenha a ver com a
humildade do eu pessoal, em rendição ao Divino.

Ou seja, em vez de fixar-se (ou negar constantemente) e desconstruir o eu pessoal numa


aderência ao Mais Elevado Eu, o sistema da Golden Dawn simplesmente coloca ambos em um
contexto equilibrado. Nos graus da Ordem Externa, o aspirante trabalha na construção da
confiança e no equilíbrio dos elementos dentro do seu ser, a fim de treiná-lo para o trabalho
interno e mágico que se seguirá.

No grau de Adeptus Minor, conforme o sistema foi designado para ser trabalhado, a pessoa
integra o que ela aprendeu e, no entanto, se humilha em rendição à sua Natureza Divina, a
Interna e Externa, sobre a qual o Corão escreve: “para onde quer que te vires, lá está a Face de
Deus!”

“O Anjo dos Pássaros” de Franz Dvorak, 1910.

Na seguinte passagem do seu What You Should Know About the Golden Dawn/My
Rosicrucian Adventure, (O que Você Deveria Saber sobre a Golden Dawn/ Minha Aventura
Rosacruz), o Adepto Golden Dawn Israel Regardie fala da abordagem Hermética de enxergar
através das ilusões do ego e de nossos mais fundamentais impulsos e ânsias, e de como a
magia trabalha para trazê-las em equilíbrio, em vez de ignorá-las ou negá-las para fixar-se no

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mais elevado Eu (o que acaba por fazer com que elas causem inconscientemente um estrago
em nossas vidas).

Esta tendência em direção ao desequilíbrio é, infelizmente, o que tenho frequentemente, e


tristemente, observado na comunidade Advaita – que muitos na comunidade falam o dia todo
sobre consciência e o não-eu, mas suas vidas são uma bagunça de narcisismo, ansiedade,
depressão, niilismo e solipsismo, frequentemente abusando de outras pessoas e
racionalizando isso, e assim em diante. Isso não era verdade da maioria dos estudantes, mas
certamente era o caso de muitos. Eu observei isso também entre meus irmãos e irmãs no Zen.

Estas são as armadilhas de um Caminho místico sem equilíbrio, conforme Regardie aponta:

“Deixe citar algumas poucas linhas especialmente apropriadas de Jung em conexão com
esta Queda, quando as bases fundamentais do Ruach tenham sido atraídas para o reino das
cascas, e quando Malkuth tenha sido completamente isolado das outras Sephirot:

“Consciência, assim rompida de suas raízes, e não mais capaz de apelar para a autoridade
das imagens primordiais (os Arquétipos), possui uma liberdade Prometeana, é verdade, mas
ela também compartilha da natureza de uma arrogância não divina. Ela plana acima da
terra, mesmo acima do gênero humano, mas o perigo de cair ali está, não para todos, é
claro, mas coletivamente, para os membros fracos de tal sociedade, que novamente,
semelhantes a Prometeu, são atados pelo inconsciente ao Cáucaso”.

Não será útil, então, que o Adepto seja cortado de suas raízes, mas ele deve unir e integrar
toda sua Árvore, e treinar e desenvolver as forças titânicas do inconsciente de modo a que
elas se tornem como uma poderosa, mas dócil, besta sobre a qual possamos cavalgar.

Israel Regardie e Chic Cicero.

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Assim, conforme trabalhamos para trazer as dimensões de nosso ser em alinhamento e
equilíbrio Qabalístico, buscamos a harmonização entre nosso corpo (G’uph), suas funções
básicas sensoriais e receptoras de impressões (Nephesh), uma personalidade humana e corpo
energético astral (Ruach), mas também um Eu mais profundo, uma Percepção-Eu, e um senso
de Vontade (Yechidah, Chiah, Neshamah).

Nenhuma destas dimensões absolutamente ou separadamente existe, como afirma o


Budismo; elas, e tudo mais no Universo, “inter-são” (existência relativa interdependente). O
senso de Vontade também surge interdependentemente, como todos os outros fenômenos
manifestados no universo.

Contudo, embora Absolutamente nenhuma Vontade exista, relativamente ela existe, e é uma
força da Mente com a qual podemos trabalhar.

Assim é como eu entendo o trabalho que fazemos na Magia e no caminho da Grande Obra da
Golden Dawn; nós estamos a operar, não como uma entidade isolada e separada, mas como o
Todo trabalhando em e consigo mesmo, refletido através do prisma de nossa consciência
humana e condições únicas de corpo-mente.

Isto é particularmente verdadeiro na magia altruísta do grau 6=5, e o trabalho de serviço


místico como o Todo servindo ao Todo no grau 7=4, o qual é semelhante ao Caminho do
Bodhisattva no Budismo Mahayana.

Relevo da bodhisattva Avalokitesvara no Monte Jiuhua, Anhui, China

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A chave prática para o trabalho em todos estes níveis e camadas é trazer todos os aspectos
Qabalísticos de nosso ser a um alinhamento, e trabalhar em direção ao Bem Maior ou
Summum Bonum do indivíduo, família, comunidade, sociedade e todos os seres.

Desta forma, almejamos evitar cair no imperioso auto centralismo de um Ruach caído em um
egotismo autocentrado, ou na armadilha da total desconexão, dissociada de nossa humilde
condição humana, na qual muitos Budistas e Advaitas caem ao se apegar ao Eu/Natureza de
Buda/Yechidah.

No Caminho do Adepto, nós igualmente almejamos treinar a nós mesmos para evitar viver
servilmente à mercê de nossos desejos e ânsias básicas baseadas no Guph e Nephesh, os
quais, como o Buda apontou, podem nos servir no curto prazo, mas enfim dão origem ao
sofrimento.

Como eu vejo isto, o Caminho do Adepto é, numa análise final, muito semelhante ao
Caminho de um Buda, Arhat, Maharaj ou Bodhisattva, em que é um Caminho de Equilíbrio.

Os Pilares na Qabalística Árvore da Vida.

Este ensinamento é evidente (no Sistema da Golden Dawn) desde o papel do Hegemon
durante a Cerimônia do Grau de Neófito até os Mistérios de Tipheret no Grau de Adeptus
Minor, bem como no Pilar do Meio do Poder Equilibrado entre o Pilar da Severidade/Força e
o Pilar da Misericórdia/Amor/Gentileza na Árvore da Vida.

Citando as sábias palavras do Hiereus sobre o tema durante a Iniciação 0=0, a tarefa do
Iniciado é...

“Estude bem aquele Grande Arcano, o equilíbrio correto da misericórdia e severidade, pois
qualquer delas, desequilibrada, não é bom; severidade desequilibrada é crueldade e

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opressão; misericórdia desequilibrada é apenas fraqueza e permitiria que o mal exista
impune, assim fazendo de si mesmo como que um cúmplice daquele mal”.

Ou, em resumo, a tarefa do Adepto é almejar por equilíbrio, mesmo ao estudar e trabalhar
com as dinâmicas da polaridade e o yin-yang da dualidade, o Mistério da não dualidade e o
Absoluto além de ambos...

Luz em Extensão,
Frater S.C.F.V.,
Dia do Sol, 25 de Fevereiro, 2018

MAGIA E RESPIRAÇÃO DE PODER (parte 1)


Por David Griffin

Caros Magistas,

Hoje, na primeira parte de Magia e Respiração de Poder, discutiremos como o ar fresco é uma
chave para carregar de poder vosso templo, que é teu corpo.

Místicos Orientais, especialmente na China e Japão, entendiam que o corpo era de fato um
templo, diferentemente dos ascetas que sacrificam o corpo para tentar ascender.

Estes mestres verdadeiramente iluminados, por meio de mitologia bem como por pergaminhos
não verificáveis, alegam que estes mestres viveram bem além de 300 ou 500 ou até mesmo 800
anos em seus corpos físicos.

Um dos sistemas chave na magia Oriental bem como nos perdidos sistemas mágicos e
herméticos Ocidentais, do Egito, Grécia e antiga Roma, envolvia carregar o corpo com poder, o
que por sua vez carregava os centros de energia por meio da respiração, bem como atraia
energias sutis.

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Hoje vamos dar uma olhada na respiração. Mais tarde examinaremos as energias sutis que, de
fato, atraímos quando praticamos exercícios maravilhosos tais como o Rito da Cruz Cabalística
e o exercício do Pilar do Meio.

Se examinarmos o momento em que nascemos, a primeira coisa que fazemos é tomar uma longa
e profunda inspiração, e a última coisa que fazemos é uma última expiração, antes de pararmos
de respirar.

Devemos reconhecer que durante este tempo entre nascimento e morte, nossa vida é
completamente mantida por nossa respiração.

Eu quero que tenhas uma longa e saudável vida…Os benefícios e sabedoria, experiências extra,
e tempo para se permitir verdadeiramente experimentar tudo que a vida tem a oferecer, de bom
e de ruim, irá atualmente acrescentar a todo vosso ser.

Vamos dar uma olhada mais de perto. Muito frequentemente, especialmente no passado, uma
das primeiras coisas que os médicos costumavam prescrever para as pessoas era respirar muito
ar fresco, de dia e de noite. As consequências de não fazer isto convidavam complicações de
longo prazo extremamente severas para tua saúde.

A função da respiração, se a examinarmos, é uma de nutrição invisível. É o único sustento que


nós, absolutamente e sem questão, não podemos viver sem.

Se você ficar privado de ar por mais de 5 a 7 minutos, então a morte se seguirá.

Você é miraculoso no sentido em que és uma máquina de respirar maravilhosa – Portanto, você
deveria honrar e nutrir tua vida ao máximo.

Como magistas, sabemos que isto é verdade. Sabemos que nossos corpos são nossos templos e é
importante para nós viver uma longa e saudável vida, nutrindo nossos corpos para nutrirmos e
desenvolvermos nossa Alma. O Ar supre você como o oxigênio dador de vida, o qual é vital
para cada célula em nosso corpo.

Oxigênio é levado pelo sangue até os pulmões, onde um grande milagre ocorre, que é a troca de
oxigênio dador de vida pelo mortal dióxido de carbono.

Nós na verdade criamos toxinas mortais no processo de viver, aas quais são carregadas para fora
de nossos corpos por meio do dióxido de carbono. Estas toxinas são coletadas pelo nosso
sangue, trazidas a nossos pulmões e então expelidas, conforme o novo oxigênio dador de vida
entra em nossa corrente sanguínea.

Durante o processo de metabolismo, a construção e rompimento das células do corpo, e no


próprio processo de viver, o veneno do dióxido de carbono é constantemente expelido e
queimado.

Eu vos convido a dar uma sincera examinada em tua própria vida, pois este exame vai afetar teu
sucesso mágico também.

Pergunte a si mesmo esta questão: Minha vida se tornou extremamente complexa? Estou na
verdade sobrecarregado por muitas posses ou responsabilidades?

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Agora, tome uma profunda inspiração e pergunte a si mesmo quais passos poderá dar para
reduzir a desordem, de modo a poder viver a vida simplesmente e frutiferamente, em completa
felicidade e alegria?

Como magistas, sabemos que nossos corpos são templos. Portanto, você é aquilo que come,
bebe, respira, pensa e pratica!

Quando você não obtém suficiente ar fresco, ou se você respira de maneira rasa, e tua ingestão
de oxigênio não é igual à saída de dióxido de carbono, então este veneno vai se alojar e
aumentar em teu corpo. Eis como você eventualmente fica doente ou envelhece
prematuramente, ou desenvolve alergias.

O dióxido de carbono retido em teu sistema pode ser concentrado em outras partes do corpo e
poderá causar sofrimento ou até mesmo intensos problemas físicos, como discutido acima.

Você precisa manter tua força vital. A Cruz Cabalística e o Pilar do Meio se encarregam disto
energeticamente, especialmente quando, no nível físico, você as combina com a correta e
rítmica respiração profunda, preferivelmente ao ar livre.

Você está ciente de que a qualidade do ar dentro de tua casa é normalmente bem pior do que do
lado de fora, exceto em circunstâncias não usuais?

Portanto, a menos que viva em uma cidade poluída e cheia de neblina, é melhor fazer teus
exercícios e respiração ao ar livre, na natureza.

A menos que viva em temperaturas congelantes, é melhor quando você pode sair e encontrar um
agradável pasto ou campo ou praia, onde possa tirar teus sapatos e meias e centrar-se, sentindo
as solas dos pés entrosadas diretamente com as energias da terra.

Aguarde a próxima parte de Magia e Respiração de Poder!

Em abundância, cavalaria e verdade,

Bispo David Griffin


Imperator HOGD RR+AC AΩ

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Relato de uma Auto Iniciação na Ordem
Esotérica da Aurora Dourada

Por Soror Sofrosine

03/05/2019

Hoje foi o grande dia, o dia que calhou positivamente para que eu conseguisse realizar sem
interrupções ou imprevistos o ritual de auto-iniciação do grau de Neófito. Preparei todo o
ambiente, fiz a limpeza do espaço onde seria o templo de iniciação do ritual, onde eu já estava a
preparar o ambiente desde a noite anterior para que eu pudesse iniciar o ritual na aurora do dia
seguinte, que foi no dia de hoje.

Me certifiquei de ter todos os elementos exigidos para o ritual, montei todo o espaço de acordo
as coordenadas das monografias anteriores. Gravei os áudios das três etapas separadamente no
meu celular e preparei o monofone de ouvido sem fio que se usa em uma orelha só como um
ponto eletrônico, onde eu recebia os comandos de todos os passos descritos na monografia por
meio desse ponto eletrônico, favorecendo a imersão no rito e a repetição mais fluida de todas as
falas do ritual.

Em jejum, tomei o meu banho normal, coloquei num recipiente água com um punhado de sal
grosso e minhas pedras cristais imantadas que eu já havia deixado no sol e lua do dia anterior.
Assim preparei esta água para realizar o banho purificador. Fechei todas as portas e janelas da
casa, escureci os ambientes com cortina, e dei início ao banho purificador onde proferi todas as
palavras mágicas.

Vesti minhas roupas pretas, como não tenho robe, vesti roupas íntimas pretas, calça e blusa
pretas com meias vermelhas.

Ao terminar o banho purificador me dirigi ao quarto do lado esquerdo que é o quarto que fica
mais escuro durante o dia, onde lá dentro se encontravam a corda e a venda. Dei três voltas da
corda sobre minha cintura, amarrei a venda em meus olhos e sentei confortavelmente. Ao
abaixar para sentar, minhas costas estralaram, então senti vontade de fazer alongamento antes de
continuar, me alonguei ali no quarto mesmo, e então voltei a me sentar novamente e iniciei a
meditação. Aos poucos fui silenciando minha mente, fui deixando de ouvir os ruídos externos, e
me concentrando apenas na respiração na entrada e saída de ar nos pulmões. Tive que me
policiar para não fazer a projeção visual, me visualizando por fora de meu corpo como eu tenho
adquirido o hábito de fazer. Me concentrei apenas no silêncio, ouvindo o silêncio que se
encontrava dentro de meu corpo, até que visualizei um Anubis gigante, a me observar com
curiosidade. Meditei mais um pouco, agora sentindo essa presença dentro do ambiente, até que
senti que era o momento de me levantar e me apresentar à sala para início ao ritual. Eu estava
pronta, o grande momento havia chegado.

Me levantei, retirei a venda dos olhos, e prendi a venda em uma das voltas da corda em minha
cintura. Ao passar pela porta, deixei meu corpo físico de sentinela ali naquele cômodo e adentrei
a sala com o meu corpo espiritual pronto para receber o ritual de iniciação.

Acendi todas as velas e o incenso, enchi a taça com o vinho. Olhei ao meu redor, e ao ver o meu
ambiente todo montado, iluminado, com tudo tão preparado, tão bonito, uma emoção e alegria
vieram ao meu peito, eu estava feliz, estava sendo tudo tão especial, e tão significativo para

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mim que mal pude acreditar que eu mesma consegui montar sozinha tudo aquilo. Eu estava
diante de um verdadeiro altar, de uma verdadeira preparação ritual, uma sensação de honra,
orgulho e gratidão me invadia. E aí venho o sentimento de responsabilidade e sobriedade
para auto-controle da emoção. Eu estava agora verdadeiramente pronta para começar.

● Posicionada de frente para o leste, iniciei o RMBP.

● Dei uma batida com a base da espada e proferi as palavras mágicas.

● Fiz a invocação de Thme - (Ao invocar Thme a percebi aparecendo diante de mim
primeiramente como um feixe de luz branca que foi sendo apurado pela minha visão e de
repente comecei a ver uma espécie de silhueta como se fosse aquela imagem de quando a gente
visualiza uma áurea. Era uma silhueta como nesse formato. Imediatamente vi Thme se
manifestar a mim como alguém que já me conhecia, senti uma empatia vindo dela para comigo,
e com essa receptividade facilitou para que eu direcionasse o raio de luz saido do meu coração
para se conectar a ela.)

● Após, fui seguindo as falas conforme cronograma.

● Observei a interseção de Thme aos guardiões do salão e senti um frio na barriga percebendo
todo o processo acontecendo. Para mim, fui me comportando como se estivesse na atmosfera de
uma iniciação presencial, enxergando as entidades envolvidas realmente manifestas, como num
verdadeiro ato.

● Guiada por Thme ao quadrante do norte, após invocação, assumi pela primeira vez o papel de
Stolistes, consagrando com água.

● Guiada por Thme ao quadrante do sul, após invocação, assumi pela primeira vez o papel de
Dadouchos, consagrando com o fogo.

● Após visualização de Anubis, assumo o papel de Kerux.

● Volto a ser conduzida por Thme.

● Vibrei o nome de Horus que apareceu diante de mim. (Temos uma tendência em nos sentir
temente à sua figura).

● Assumi o oficio de Hiereus, sempre me sentindo empoderada quando vou assumindo cada
forma divina.

● Assumi o oficio de Hierofante.

● Após invocar a radiância branca, fazendo com que a luz desça, realizo a circumbência para
equilibrar a luz pelo templo. O sentimento da emanação desta luz é potente.

● Vou terminando os procedimentos da primeira etapa. Paro para respirar um pouco, mantendo
o clima formado no ambiente, e no meu celular inicio o segundo áudio com o roteiro da parte 2.
Mais uma vez olho para o altar, e para tudo ao redor e é muito linda a imagem do ambiente com
as luzes das velas, o aroma do incenso e de algumas velas, aproveito para me certificar de cada
chama se está tudo certo, se nada apagou ou está pegando em algum lugar errado. Me certifico
que tudo está certo, tudo ok e no controle. Vale a pena observar a importância das velas no
processo, pois é incrível como as chamas parecem corresponder quando estou proferindo os
diálogos no ritual, parece que a chama se comporta como sendo a manifestação da entidade,
numa sincronia inacreditável. É emocionante.

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● Inicio a segunda parte da cerimônia.

● Inicio as batidas e as falas.

● Realizo a purificação com a água e a consagração com o fogo.

● Agora diante de Osiris e fazendo as afirmações pela busca dos mistérios e a luz, e reafirmando
o meu juramento me fez sentir a responsabilidade e compromisso perante cada afirmação
proferida.

● Ao ajoelhar e colocar a mão sobre a cruz e triangulo, percebendo a manifestação das formas
astrais, senti intensamente várias presenças energéticas no ambiente, e de repente comecei a
sentir um calor, um abafamento fora do comum. Olhei ao redor para me certificar de que nada
estava a queimar, ou produzindo calor excessivo, mas o ambiente continuou abafado, aquecido,
comecei a me sentir mal. Senti necessidade em tirar as meias por conta do calor, mas
rapidamente pausei o áudio, e fui até a cozinha e abri a janela da lavanderia para o ar circular
melhor. Voltei ao ritual, fiz um breve silêncio para me concentrar, todas as formas permaneciam
ali me observando e esperando os próximos passos, e assim continuei.

● Após a breve pausa, retomei o juramento, iniciando com meu nome de batismo e seguindo
com as palavras do juramento, e a cada palavra proferida eu internalizava aquele compromisso
dentro do meu coração e minha mente reafirmando o dever de cumprí-los.

● Inclinei meu pescoço sob a espada do Hiereus, um sentimento de honra me veio ao coração.
Ao terminar a fala soei uma batida.

● Perante as vozes dos oficiais me ergui do chão como Neófito do grau 0 = 0 da Aurora
Dourada.

● Visualizei as formas retornando às suas estações e peguei o copo com àgua e o incensário,
Thme pega minha mão e ao norte voltada para o leste profiro as palavras do juramento.

● Inicio a circunambulação mística.

● Passando pelas estações e ouvindo as pancadas, sou interrompida por Anubis. E assim
novamente me purifico com àgua e me consagro com o fogo. agora duas vezes purificada, duas
vezes consagrada.

● Barrada por Horus. Digo teu nome, e com firmeza nas palavras provo conhecê-lo. Sigo.
● Novamente parada por Anubis, me purifico e me consagro. Diante Thme agora três vezes
purificada e três vezes consagrada.

● Barrada por Osíris, digo teu nome com firmeza e reverência ao espírito da luz.

● Após aprovação, devolvo a taça e o incensário e me volto ao altar.

● Thme à minha direita, Hiereus a esquerda, Stolistes, Keryx e Dadouchos em triângulo atrás de
mim. (começo a sentir meu calcanhar e tornozelo, sinais de cansaço).

● Invoquei o poder da luz, e pedi o poder da cura com força, aproveitando para me afastar o
cansaço. Me ajoelhei.

● Proferimos as frases mágicas, e os oficiais cruzam seus implementos sobre minha cabeça.

● E por eles sou recebida na corrente da Aurora Dourada.

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● Com honra e glória, profiro a frase mágica e sinto uma luz branca se formando um triângulo
sobre minha cabeça. E os oficiais baixam seus implementos.

● Thme me leva para o leste e me vejo caminhando sobre uma serpente, nesse momento me
veio à mente, imagens e recordações de momentos onde estive tomada pela raiva e ira,
desequilibrada. Senti vergonha de mim mesma. Prometi para mim, não mais me deixar tomar
por esses sentimentos, mantendo, praticando o equilíbrio e autocontrole.

● Recepcionada por Hórus, avanço um passo com o pé esquerdo, adentrando o portal. Me


ensina os sinais, aperto de mão e palavras mágicas.

● Aprendo como responder aos sinais de Saudação e Silêncio, significado do toque de mão e a
grande palavra.

● Me posiciono pronta para a saudação final.

● Purifiquei e consagrei nos quadrantes.

● Removi a corda e a venda as lançando para longe.

● Coloquei sobre o ombro a faixa de Neófito, e mais uma vez me manifesta o sentimento de
honra, glória, compromisso e responsabilidade.

● Inicia-se a circunambulação mística no caminho da luz.

● Todos os oficiais e formas divinas voltam a seus lugares.

● Devolvo os objetos correspondentes no altar, e repito o discurso mágico.

● É aí que o ápice do momento mágico me acontece, de fato a venda cai de meus olhos, minha
mente se abriu para receber os ensinamentos. Pela primeira vez senti como se um portal
luminoso tivesse se aberto e diante de mim se estava sendo revelada a verdade. Uma das
respostas que eu mais tinha dúvidas era sobre qual o significado dos hieróglifos nos pilares do
leste, de onde aqueles símbolos haviam sido retirados e o quê representavam. Eu sabia que ali
uma mensagem estava sendo passada e era uma mensagem mágica. Minha mente clareou de tal
forma que eu havia lido várias vezes essa passagem da monografia e nunca me atentei, como se
aquelas palavras não estivessem fazendo sentido algum, não fiz nenhuma correlação dentro da
minha mente. Mas agora, imersa no ritual tudo estava fazendo sentido, tudo tinha lógica, tudo
estava claro na minha mente. Ali, naquele momento eu me senti recebendo os verdadeiros
mistérios da Golden Dawn, pequenas gotas de luz do mar dos mistérios me estavam sendo
ofertadas.

Senti muita gratidão como se eu estava recebendo uma aula, um treinamento, e essa era a
recompensa final que eu estava sendo agraciada sendo digna de receber. Um sentimento de
gratidão e compaixão me invadiu e eu chorei, com emoção e com alegria, e com a certeza de
que seria o começo. Naquele momento eu estava em outro plano, eu não estava na Terra. Senti
como se estivesse no céu, nos jardins do paraíso ouvindo as palavras vindas da boca de um
mestre, um anjo que estava revelando um ensinamento para mim e as entidades presentes me
observavam sem surpresa quanto às informações, me senti acolhida pelas maiores energias e
egrégoras do universo.

● Fiquei em forma de cruz tau, mais radiante do que nunca, e com entusiasmo proferi as
palavras mágicas.

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● Abaixei os braços e continuei sendo inundada de conhecimento e revelação, cada palavra
fazia sentido, coerência, eu repetia as palavras, mas estava atenta e absorvendo cada linha do
conhecimento revelado.

● Diante de Anubis no leste e de posse da vara e lanterna, caminhei ao nordeste e proferi as


palavras mágicas, pronunciando pela primeira vez meu motto mágico que é Sofrosine, e
devidamente proclamando ter iniciado a mim mesma na corrente de magia da Aurora Dourada,
da Ordem Esotérica da Aurora Dourada, como um Neófito de grau 0=0.

● Entregando a vara e a lâmpada, retornei ao oeste e jurei me lembrar de minhas obrigações,


compromissos de estudo, e das penalidades.

● Visualizei a chegada de Horus e a picada da espada. Por um momento pensei em realizar este
procedimento, mas eu não tinha preparado instrumento para fazer esse pacto de forma física,
então o fiz no plano espiritual. A espada que usei no ritual não é afiada, pois o athame utilizado
para magia não se afia porque ele não foi feito para cortar nada no plano físico e sim no plano
espiritual.

● E assim, proferi as palavras finais do juramento.

● Na parte final de encerramento, parei para acender a vela da lanterna que havia acabado de
apagar, substitui o incenso também, me certifiquei de que estava tudo certo e me dei início ao
processo final, mesmo com o cansaço já abatendo.

● Soei as pancadas, dei o sinal de neófito, assumi o ofício de Stolistes, aspergi os triângulos, e
purifiquei com água.

● Assumi o ofício de Dadouchos e aspergi os triângulos, e consagrei com o fogo.

● Iniciei a circumbulação Mística Reversa.

● Todos os oficiais se alinharam no sudeste.

● Com um sinal dado por Keryx a circumbulação tem início no sentido anti-horário.

● A luz atraída para o centro do tempo vai desvanecendo, Hiereus e Hegemon vão saindo da
procissão ao passarem pelo leste. (Com um olhar de gratidão, internamente vou me despedindo
de cada oficial).

● Realizei o sinal reverso da luz espiralada.

● Todos os oficiais retornam aos seus lugares, Osiris traça o sigilo da cruz e do círculo.

● Assumo o ofício de Hierofante e...

● Retiro a luz divina do símbolo do altar trazida para dentro do templo, para de volta para
dentro do meu coração em direção ao Keter do Universo.

● Realizo a cruz cabalística para o equilíbrio das energias e digo as palavras mágicas para a
finalização da circumbulação reversa.

● Realizei a adoração ao Senhor do Universo.

● Os três oficiais erguem seus implementos, saúdam a luz e os abaixam.

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● Saio do ofício do Hierofante e digo os palavras para a partilha do Místico Repasto.

● No leste dou o sinal de entrante para Thme que me responde com o sinal de silêncio.

● Profiro as palavras para a partilha, e cheiro a rosa, passo a mão sobre a chama, como o pão
com o sal e traço a cruz com o cálice e bebo o vinho. (Após cheirar a rosa, senti o cheiro do
vinho e do pão, imediatamente me veio à memória afetiva o cheiro do vinho e da hóstia na
eucaristia quando eu tomava a comunhão na igreja católica, a sensação foi a mesma como se eu
estivesse tomando a eucaristia para consagrar esse momento. E assim pude reafirmar mais uma
vez o poder, a seriedade e legitimidade desta cerimônia).

● Terminei de tomar o vinho, afastei a cruz para colocar a taça entre a cruz e o triângulo e
proferi: “Está acabado”. (Ao tomar o vinho, senti um incômodo no estômago, pois eu estava em
jejum, de estômago vazio, não me senti bem, o gosto desceu bem amargo.)

● Thme retorna a sua estação, após uma pancada digo “TETELESTETAI”

● E após mais duas pancadas digo “Luz em Extensão” em egípcio antigo, grego, soando uma
pancada a cada palavra.

● Dei os sinais de Neófito e proferí as últimas palavras finalizando o ritual.

● Thme e eu caminhamos para o sul, realizamos as saudações e me despeço dela com uma
gratidão enorme, e um sorriso e certeza no coração de agora estarmos mais próximas do que
nunca, agradeço imensamente por todo o apoio que me deu na condução e intercessão neste
ritual, pois sem o apoio e presença não seria possível.

● Thaum-Esh-Neith começa a desvanecer e juntamente todas as outras formas astrais no salão.


Thme é a última a desaparecer, e mais uma vez a saúdo e me despeço com enorme gratidão,
meu coração se alegra com o laço que criamos.

● retraio de volta para o meu coração o raio de luz branca que me ligava a Thme, e faço a cruz
cabalística para equilibrar a energia.

● Peguei a espada no oeste e realizei o RMBP e declarei o templo devidamente fechado. Assim
seja!

Soror Sofrosine

(Esta é provavelmente a mais bela e luminosa descrição de auto iniciação feita por um membro
de nossa Ordem. Pode ser, igualmente, esclarecedora para os que possuem dúvidas sobre a
“validade” de uma cerimônia de auto iniciação. – Frater Kosmos)

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