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Maçonaria Brazilcira.
PUBLICAÇÃO MENSAL.

Redaetor em Chefe, o ftr,\ Seeret.-. Ger.*. da Ord.*.

N.° 5. —2.° ANNO.

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do Rio de Janeiro.
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TYPOGRAPHIA DO GR/. OR/. DO BRAZIL.
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PUBLICAÇÃO MENSAL,

Redactor em Chefe, o Gr/. Secret/. Ger/. da Ord/.

N.° 5.— 2.° ANNO.

maio

Or/. do Rio de Janeiro.


TYPOGRAPHIA DO GR/. OR/. DO BRAZIL.
Valle do Lavradio 53 K.
1873 (E.\ V.'.)
Boletim
DO

GRANDE ORIENTE DO RRAZIL


AO VALLE DO LAVRADIO.

Jovial Mftdal áa Maç.*. BrasdMra.

ífoTl üttio 1873 2.' Mn


'
y^/\^/\/\/V^/V^V^/^'-'V'V/
• N'

Secção Dogmática

A Instituição Maeoniea.
ao fundo da antigüidade architectonica buscar a
Não iremos
definição desta generosa Instituição da humana liberdade.
ao Hindoo, nem ao Hebraico, nem ao Phe-
Não iremos pedir
Árabe, nem ao Egypciaco que nos decifrem este
nicio, nem ao
congregado de todas as idéas honestas, justas e adian-
sublime

Obra de séculos, não cabida em ruinas, mais que as pyramides


intelli-
duradoura, é esta Instituição um livro aberto a todas as
que
gencias que buscão cultura, e a todas as almas generosas
pretendem aquilatar a humanidade. an-
No pedestal da terra das tradições ergue-se esta columna
nos dão a conhecer epopéas de sa-
tiga, e nella as inscripções
crificios humanos, e idyllios de amor e de beneficência.
Os claustros antigos guardarão em seu silencio horas de me-
ditação, de paz e devoção. .
Os templos maçonicos guardão a historia palpitante de sociedades
se devotavão ao bem e ao adiantamento do homem em so-
que
ciedade.

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BoLET.I Ia
i 1)0

Grande Oriente do Brazü


AO VALLE DO LAVRADIO.

Ma.;/. Brazile.ira, publicado por ordem


O Tornai Official da dogmáticos, reçhos
artigos originaes
do gSoS, conterá a matena legr
S cie revisías maçoniças esteiras T.!,»,:

das sessões do Gr,. Oriente e £


Hvn «Wretada os extractos importante „
noticiário do 4ne de mais
C^ Cíiòres, um a correspondência do Cnculo,
nas diversas Potências maçoniças,
em trance, das noticias de «da numero,
bem èomi, nn, resumo
intelligencia dos Maçons estrangeiros. ..' " v

para
/'

são franqueadas a todos o • •


As paginas do Jfrletim. interessantes a Ordem,
artigos úteis e
„ue desejarem inserir Kedaccao
sujeitos ao juizo da Com,, de
Lendo ser as
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da Ordf, a cada Loj,. do Circudo, ás Potenç.as
d S-
Maçoniças alliadas e aos Redactores dos jornaes. -,
é obrigatória por um anno, de !
A assignatura ?*__*adiantada.
de 1873, paga em uma so prestação
1872 a Dezembro , Jx
,'/

Corte e Nictherohy.
68000

¦ •
-

Anno (12 números)


Províncias (Registrado).
Anno (12 números) 7Í>000
Numero avulso 18000
a assignatura varia conforme a
Para os paizes estrangeiros
importância dos portes do correio. das
e remessa do importe
Toda a correspondência de redacção Secret..
dirigidas ao Redactor em Chefe, Gr.-.
assignaturas serão
Ger.-. da Ordem, á
2tua do Lavradio Jf. 53 K.
te
M$K,
¦*»8e1í
— 318 -

Entre o claustro e a eternidade havia o céo.


Entre a Maçonaria e o infinito havia a meditação, a veneração,
a pratica, o estudo e a caridade.
Aquelle occupava-se de Deus e de sua congregação.
Esta adorando a Deus em cada palpitaç.ão de coração, occu-
pava-se da vida social, da piedade humana e de todas as virtu-
des que fazem do homem a digna creação de Deus.
O monge fora sempre triste e só.
O maçon era o companheiro activo das sociedades, o obreiro
do bem, da liberdade e da justiça, o instrumento que talhava no
coração do homem moldes de caridade.
O mundo profano accusa a Maçonaria de mysteriosa.
Mas também a ignorância accusa as sciencias de incompre-
hensiveis.
O casto véo que encobre o sanctuario do bem e da justiça
será um mysterio para os impudicos; mas para os homens ra-
zoaveis é apenas só o manto da discrição.
Esse manto só é denso ás almas grosseiras, cujos olhos baços
não têm vista; mas esse manto é para os espíritos cultos apenas
só tênue véo transparente, que não encobre as scenas benéficas
e formosas que se passão naquellas officinas de luz, que só of-
fusca néscios ou mentecaptos. .
Mysterios maçonicos?
Onde estão elles nesta actualidade curiosa e ávida de leitura?
Entre a Instituição Maçonica e uma sociedade secreta vai a
diferença que ha entre um templo de verdade e pureza e um
ergastulo culposo. *
E absurdeza inqualificável denominar nestes tempos — secreta
—a Maçonaria; quando qualquer discursador com pruridos de
eloqüência parlamentar vai ás bibliothecas ler delia verdades
sublimes e heresias estupendas, inventadas por detractores.
BBBbs4
É requintada insensatez dizer que é secreta uma Instituição
j/r
de cujas doutrinas se apoderarão os zoilos, para, desvirtuando-as,
censural-as.
Este capricho insistente, esta pertinácia, pois, que o mundo
não esclarecido tem em denominar de — secreta e perigosa — a
Maçonaria deve ter uma causa qualquer, ainda mesmo absur-
dissima.
Que nos ensina a razão?
319

tolerantes; a ter liberdade de pensamento, mas nos li-


A ser
.. (i0 justo e da possível verdade admittida pela razão do
homem de bem.
altamente chnstã.
Mas a tolerância é uma virtude
religião nossa, a que seguimos, aquella que nos dá a fé, o
A do
legado do Divino Mestre, que,
cliristianismo pliilosophico,
de todas as virtudes adoráveis formão a doutrina do
coniuneto
essa religião que adoramos e defendemos nos ordena
Evangelho,
e a docilidade no caracter e nas acções é a tole-
(locilidade;
rancia. " . tolerante.
se diz: Amai-vos uns aos outros „; e-se
Quando o sorriso e a
amor, é o conselho, a advertência,
Porque o que
é também a desculpa ou o perdão.
lagrima, " Não façais aos outros aquillo que não que-
Quando se diz :
facão „; é-se tolerante. Significa isto: Pensa, tio-
reis que vos e aos teus
és, no que fazes, no que deves a Deus
mem no que
e depois o teu semelhante como se te julgas-
semelhantes, julga
ses a ti próprio. " Não julgueis, porque assim como
Quando se diz ainda:
é-se altamente tolerante. Que es
julgardes sereis julgados „; ?
tu, homem, para te arvorares em juiz infallivel do teu próximo
Que fé podes ter em tuas decisões ? " Aquelle
E finalmente quando a sabia sentença exclama:
iVentre vós que estiver limpo de culpa jogue-lhe esse a primeira
Não será ser-se tolerante^ reflectir primeiro em si e
pedra! „
depois julgar aquelle que é aceusado ?
Nunca se comprehendeu no mundo esta santa doutrina como
nesta época de progresso e de raciocínio.
a dons declamadores, um
A que propósito vêm, pois, publico
Mando-nos do Anti-Christo, da cormpção, da impedade
pessimista
do século e outros horrores que sua esperteza propagandista
lança ao papel com o fim de achar-se-lhe novidade no estylo e
na these ? O outro, esse é ultra-fanático, quiçá por conveniência:
não escreve; discorre, cita carcomidas e suspeitas edições, estu-
detractores da Maçonaria, e nos entretem com a theona
pidos
das sobrenaturalidades.
ao devera ser de mais piedosas^ e revê-
Quanto primeiro, que
rentes expressões, essa denominação de Anti-Christo é apenas
só uma grosseira irreverência e blasphemia. Fora melhor, soara
- 320 —

melhor a ouvidos christãos o nome de Satanaz. Os monoma-


niacos, pedantes e esdrúxulos é que inventarão esse contrasenso
linguistico.
ao segundo, que por falta de reflexão não comprehende
Quanto
a divindade na pura e elevada concepção que delia se forma,
acolhe o termo sobrenatural para explicar o que se passa fora
do alcance da comprehensão humana, como se os vocábulos
— além da vida — eterno — immortal — infinito e outros não
dfofno
bastassem para exprimir tudo o que revela os destinos da alma.
Este termo—sobrenatural — nos parece mais próprio para classi-
ficar os phenomenos mágicos do espiritismo ou da feitiçaria.
Estes dous vultos, classificados de talentosos, serão talvez fos-
seis de velhas theorias de Salamanca, que homens da actualidade,
de certo, o não são. Le Sage e Cervantes, se vivessem, terião
ainda occasião de nelles estudar typos semelhantes áquelles que
descreverão com esmerada paciência e verdade. A estes pode-
mos juntar os tartufos do magistério que arrebanharão todas as
absurdezas para fazerem praça de sua requintada ignorância,
Eis os advogados do poder temporal; eis os representantes
de velhas seitas reprovadas, que pretendem nesta actualidade
culta arvorar ainda o pendão da revolta contra a razão e contra
as honestas aspirações do saber.
Escrevem e fallão, e ninguém lhes responde, ou ninguém lhes
pulverisa os erros um a um!
E pois já que tudo é silencio em redor desses bem aventura-
dos, já que ninguém toma a peito a defesa da civilisação brazi-
leira, faça a Instituição Maconica o que sempre fez: instrua,
argumente, lute e salve o porvir das mãos da barbaria satânica
que ameaça o Estado e a família.
Este anno de 1873 é uma época assignalada para a Instituição
Maconica. O seu concurso poderoso e eloqüente é chamado á
contenda do fanatismo contra o espirito esclarecido pelas scien-
cias. A todos os seus filhos cabe parte na luta.
União, força e prudência constituem a divisa sua.
O poder exorbitante que nos ameaça traz as faces injectadas
de ódio. Esse poder deixou a Cruz de lado, por inútil, e traz
na mão o anathema a desafiar iras e revoltas. Mas essa mão,
cruel e covarde, que se ergueu para a excommunhão não ousa
deixal-a cahir sobre cabeças innocentes. É porque o malefício
321

da fé, é como um cataleptico, involuntário: á altura a


nome ahi ficou pa-
lhe ergueu o braço para amaldiçoar
que o StjUabus
ralEm impiedade consummada, em século
nome de Deus tanta
cheio de fé, fora um crime imperdoável e digno de
esclarecido e
hoajiffó severo.
o erro, a imprudência, o absurdo, em uma pasto-
A iniustiea, da verdade das
conseguirão demover os homens
vai ainda não nesta têm sua
nnras doutrinas da Instituição Maçonica, pois que
mais christães do que em todas as
I e sua tolerância garantias
não respeitão as sabias Leis de Deus
autoridades espiritas que
p as leis de um paiz constituído e civilisado. revivei o
o supplicio, accendei fogueiras,
Luei cruzes para nao me-
excommungai aquelles que vos
sambenito e as torturas, - os maçons -; e amda mm
i;Zo «entorna
Tem injustiça crnel
a terra c um deserto vasto o aru o v
julgardes quo Instituição Maçonica, cheia
vereis surgir de todos os pontos a
o bem, exercendo-o e am-
de vigor e de vida activa, pregando vícios.
humanidade presa de erros e de
parando a
Fora da Igreja não ha salvação.
a Instituição Maçoniea está
KmVtsde: seeulos remotos Deus exerce,>de, a
humilhada ante
na-STJate, snpplicante, =™«g*
caridade/aceitando e beijando as phra»
do Senhor, ou ^J?
aquelles que Maphemao
e repellindo es inimigos i todoo
Ella foi, é e ha de ser p
de suas divinas doutrinas. , Estella
da Igreja a que lembra
seeulos a columna do Oriente Beta, onde
da tona as portas de
Matutina que levava os povos
Deus no meio da magnificência *
surgia um ^**™m a toma
entre as mulheres
Ella recorda Maria, a Santíssima de
e o seio castíssimo
culada Mãi, a fonte de todos os perdões
todas as liberdades da alma e do coração. Divina
Deus, que lhe dava a _Mai
O homem era remido por da
nas horas atribuladas
para delia implorar conforto e perdões
de júbilo o de WMração
A Instituição Maçonica estremecia em
ao Todo Poderoso
ante a redempção, è em cada psalmo se ie
cada phrase, recordava esse instante em que a üivmclade,
uma forma visível e adorável.
velara á humanidade debaixo de
— 322 —

Seguem-se virtudes, doutrinas, sacrifícios que o ingrato mundo


esqueceu; mas que a Instituição Maçonica guardou em seu sane-,
tuario e religiosamente jurou seguir c venerar.
E esta é a Instituição que os injustos e os homens do erro c
da política mundana atacão e anathematisão!
Elles não ignorão o que ella é e quaes são seus fins.
Para elles secreta não é; mas é coherente e philosophica.
Por que pois a condemnão e pretendem apresental-a como an-
tagonista da Igreja?
Uma historia de séculos passados na lapidação de erros e cos-
tumes, na luta permittida contra o mal e contra o fanatismo, é
de certo vivo e irrecusável documento da excellencia cia Institui-
ção Maçonica. "sagrado
Ella ergueu a Igreja sempre no seu pedestal e ma-
gestoso.
Ella combateu os seus inimigos c os mercadores do templo.
Ella arrancou á hypocrisia a mascara.
Ella inutilisou a fogueira e o punhal que deshonravão as dou-
trinas christães.
Ella iniciou em seus-mysterios os monges solitários e virtuo-
sos, os pontífices irreprehensiveis e os bispos seguidores do
Evangelho.
Ella foi e é o povo samaritano, os protestantes dos erros ju-
daicos e dos mal intencionados.
Os frondosos ramos da acácia que a ahrigão desde séculos
enxertárão-se nas oliveiras da Gcthesemani, e constituirão tenda
christã a todas as aspirações de piedade. , , -.
Que perseguição é pois, neste século culto, a que lhe fa-
zem seus fantasiosos inimigos, que não sabem como achar-lhe
cidpa% : * '
Dizem-nos os ultramontanos:
Desobedeceis a Igreja.
Como?
Não seguimos nós o Evangelho, tanto quanto cabe em possi-
bilidade de homens?
Não assistimos ás praticas religiosas?
Não veneramos nós os nossos sacramentos catholicos?
Não educamos nós a família nos mais puros preceitos do ca-
tholicismo?
— 323 —

a autoridade da Igreja em todas as suas


aceitamos nós
ra0
santas funcções?
e na-o tem razão de
é secreta, portanto
fS»
ante a Igreja catholica.
ser
"em de sermos silenciosos na caridade
«'priva do direito
E
todas «tj» acçSes? conscienciosameute obrigar-
, em
dizer' ene fazemos em casa, na nossa
^IrTprTça P^lica

nome de Deus- ^.^

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«jar-se e recolher-se
em
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e de coito ™n f
inconfessável; a face com a hethon-
trama infernai contra a
1— e do
SV3SCSa humanas
e das socied*
Í lls"co„sciencias »e *'X
Os «**- -f- ^ J-s Christo e em tudo
Elles crêm em Deus, f em seu
é de crença arraigada e <*****£**
que e a fraternidade.
Elles seguem a caridade
Elles amão a luz e a sabedoria.
Elles honrão o trabalho e a humanidade.
mais, vós que tanto exigis trabalho
Que quereis instiumentos
Que vos importa nossos mnocentes
franco-maçonico? fi ieb t ou os symbolos
importa a decência de nossa
Que vos Mto nos^heg
de demonstração de «ossos applausos
nossos s.gnaes, passes P
Qne vos importa
Nunca desrespeitamos a vossa ?.^^B nem as borlas
nem vossas nutras, nem vossos chap^P^ me1^ m. —(las
de seda custosa de que usais, nem as . exte.
havemos ,,spe^ o >n^
qaetrazeis. Se pois nós vos ^
rior, para qne pretendem com tao^«^ nenmu vos gtóo feito?
sos distinetivos e nossos signaes, que mal
324

E pois que nos condemnais, accusai-nos. Formulai vossas


queixas, declarai ao mundo nossos erros e nossos crimes. Tende
a coragem de accusadores conscienciosos, mas não a injusta
aggressão do caprichoso contendor, que sem saber quem ferir,
vai ferir innocentes e culpados em sua cega raiva.

A Maçonaria e a reação religiosa.


A historia, magestoso quadro onde vemos cinzelados todos os
factos dignos de memória, que nos levão á convicção da existen-
cia de um Ente Superior, á quem elevemos amor e respeito, a
historia, dizemos, é o maior inimigo do christianismo, no entender
dos padres ultramontanos.
Mas a historia, commemorando com a devida imparcialidade os
actos da Igreja de Koma, não desconhece os benefícios que tem
ella prestado á humanidade, quando bem dirigida.
O historiador serio e reflectido é o primeiro a assignalar as
vantagens que as doutrinas do Martyr do Golgotha imprimirão á
civilisação e aos costumes dos povos do Occiclente.
Se assim é, a historia, longe de ser infensa ao christianismo,
tem contribuido em larga escala para a sua propagação, pondo
ao mesmo tempo em relevo a excellencia dos seus princípios.
Entretanto, Roma ultramontana repudia a historia, como here-
tica. Segundo o seu modo de ver, ella constitue uma fonte de
perennes males para os espíritos verdadeiramente catholicos.
No seu entender a historia, em vez de nos instruir, corrompe;
e corrompe porque expõe aos olhos da humanidade inteira os
lastimáveis erros dos Vigários de Christo e de seus delegados,
,
erros que tendem a fazer desapparecer aquelle prestigio, de que
tanto precisão para dignamente cumprir a sua alta e invejável
missão.
A despeito, porém, da má vontade dos padres fautores do poder
de Roma, a instrucção progride; e com o desenvolvimento das
sublimes verdades, que concorrem para o aperfeiçoamento intel-
lectual e moral dos povos, o fanatismo se vai extinguindo. Com
— 325 —

o ultramontanismo vê, bem contra a sua


° u desapparecimento restos de uma supremacia, que a
Ttade fugirem os escassos
Ido' o transe procurão manter.
são os esforços, embora titanicos, empregados pelos
Debalde
brazileiros para consecução de semelhante resul-
actuaes prelados
tatO observando os
deste paiz, eminentemente catholico,
povo
se têm dado entre nós nestes últimos tempos, e ava-
fictos que
o procedimento dos nossos Bispos, acabará
liando devidamente religião de
que elles não curão da verdadeira
por convencer-se
Jesus Christo. e florescente
plantar e firmar neste vasto
A que elles procurão
bem raízes, é uma religião exclusivamente
Império com profundas
inteiro, é
é o avassallamento de um povo
sua, é seu predomínio,
finalmente o despotismo theocratico. §
vimos do alto da tribuna sagrada um dos chefes jesui-
Assim
a urgente e indeclinável necessidade de ser o ensmo
tas pregar
elles.
da nossa mocidade dirigido unicamente por
mesma oceasiâo invectivou, com a maior acrnnonia, todas
Nessa
conquistas feitas pela civilisação moderna.
essas grandes
o telegrapho electrico, o aperfeiçoamento em todos
O vapor,
essas questões
os ramos dos conhecimentos humanos, e todas os
se oecupão os homens
transcendentes, com que presentemente
deste século, e que tendem ao engrandeci-
mais proeminentes
humano, são considerados a obra de batan.
mento do gênero
ou antes furor se apodera desses homens?
Que aberração, que
trevas subjugado sempre pela brilhante luz que
O espirito das
abrir á humanidade uma era toda
emana de Deus, como poderá
cie felicidades.
vela incessantemente pela obra do Crea-
E a Providencia que
nossos
dor e que nos procura encaminhar para a realisação de
apertei-
destinos, indicando-nos os meios indispensáveis ao nosso
comprehender-se, que se conserve muda e queda
çoamento, como
diante da obra devastadora do inimigo da luz, do anjo decaindo.
Onde iremos parar com semelhantes doutrinas ?
?
Porventura não conteráõ ellas uma verdadeira heresia
Mas não: serião heréticas essas doutrinas se não fossem pro-
feridas e sustentadas por um chefe jesuíta superior do nosso
Bispo diocesano.
326

Somente serião heréticas se sahissem dos lábios ou do bico


da penna de algum membro da Maçonaria, considerada pela grey
um invencível obstáculo á realisação de seus tenebrosos
jesuitica
intentos. Ainda no juizo desse pregador, á que nos referimos,
todas essas descobertas importantes do século cegão os homens
tal forma a lhes não deixar tempo algum para cuidar n'alma.
por
Precisa a Igreja de Roma, pois, condenmal-as, como de facto
condemna, por se opporem ellas á salvação do espirito, o qual
só deve viver em pura contemplação para com Deus, sem o que
terá de soffrer as penas eternas!
D'ahi deduz elle a imprescindível necessididade de serem ex-
clusivamente entregues aos poderes ultramontanos a instrucção
e educação de nossos filhos, único meio de poder prosperar a
religião do crucificado e de salvar-se a humanidade das garras
de Satanaz.
Entretanto o povo, que vê, o povo, que pensa, que reflecte e
ri-se; e nesse riso, que significa descrença, que traduz
julga,
indifferença, demonstra elle a convicção de que a nova Igreja de
Roma não é a mesma edificada por S. Pedro e nem é também
a depositaria dos sublimes e santos preceitos do Divino Mestre.
A nossa razão nos diz muito claramente que Jesus Chnsto,
a humildade, como uma suprema virtude, não pôde sa-
pregando todos os es-
tisfazer-se vendo o chefe da sua Igreja empregar
conservar separado um povo irmão, somente no
forços para
de usufruir as vantagens que resultão do poder tem-
intuito
poral. exaltou o
Menos ainda poderá ser agradável áquelle que tanto
das oftensas recebidas, ver o chefe do catholicismo lançar
perdão
mão da excommunhão para fulminar o Rei, que ousou trabalhar
pela unidade de um povo soberanamente livre. e
Não obstante, o Papa procura reivindicar o poder temporal;
o Papa mostra-se rancoroso inimigo de Victor Emmanuel.
esses factos e vemos a cúria romana
Quando presenceamos
empenhada em questões de interesse puramente temporal, e que
só dizem respeito ao seu poderio mundano, não podemos nos
outros acreditar na sinceridade de suas doutrinas.
Se os que têm a seu cargo a espinhosa tarefa de nos guiar
verdadeiro caminho, nos leva á gloria eterna, são os
pelo que
a desviar-se delle e a cuidar exclusivamente dos
primeiros
— 327 —

é claro que não podem condemnar os princípios


materiaes,
fazer e felicitar a humanidade inteira.
tendem a progredir
séculos do cristianismo acreditou-se sincera-
%os primeiros mundo.
approximação do fim do
Wfà na diante de Deus,
com o intuito de achar graça
Tssa época,
° monachismo e a virgindade como os únicos estados
Mêm
L-ndaveis ao Soberano Arbitro do universo,
a todo o momento chegasse esse termo fa-
esperança que
k'fono-se
os séculos suecedendo e com elles as terríveis e
1
lutas entre o enristianismo, que nascia, e o deca-
intermináveis
dente paganismo. ... .
tivera») lugar e que a historia com-
As acenas horrorosas que
exbuberantemente que as armas de que se ser-
memora provão
não forão por certo as que legara o Divino
viâo os'contendorcs, outros a terra da
conduzir a nós
Mestre a seus discípulos para
comprehendêrão os Vigários de Christo, que,
^ogfporém, que tendia
consummação dos séculos, a humanidade
em vez da supposta religiosa, os
de fundar a humanidade
a progredir, sob o pretexto
um predomínio absoluto em seu proveito.
vimos procurar plantar levava a cega e
resultado, a que os
Para conseguir esse tocar ao ex-
não trepidarão alguns delles
descomedida ambição,
tremo recurso da tyrannia.
',¦:¦
-.
.

terminantemente disse: meu reino


Entretanto, Jesus-Cliristo na anti-
não é deste mundo e sim do outro „: e quando presidio
desigualdade, seus próprios discipino
guidade a mais revoltante e a dos
respeito ao império pessoa
professarão o mais decidido
imperantes. ,é . tocos , _ Aü
a intolerância religiosa em o
E' facto averiguado, que nos
tempos tem feito correr muito sangue, já no cadaíalso, ja
campos de batalha.
no século XIX, renovar e.sas se-
Quererão os nossos Bispos, o uu-
nas de horror, tendo em mente realizar no Brazil que
conseguir os padres sectários
rante tantos séculos não puderão
do predomínio de Roma? , o -
a de excommunhao a nos
Para que, pois, lançarem pena
1 tros catholicos e bons catholicos, pelo simples facto de peiten-a
ÜK
mm em nada absolutamente oftende
WÊÊÈÊ cermos a uma instituição, que
Wm religião do Crucificado?
I

^"ÍS»

•fiM
— 328 —

Não consintaes, senhores Bispos, que a vossa intolerância se


anteponha á caridade, que emana do próprio Evangelho. Lem-
brai-vos que, perguntando os doutores a Jesus Christo o que de-
" amar
vião fazer para alcançar a vida eterna, Elle respondeu:
a Deus sobre todas as cousas e ao próximo como a vós mesmos. „
E lembrai-vos ainda que, pedindo elles a significação da pa-
lavra — próximo — e da maneira "de se o amar, para cumprir a
lei, disse-lhes o Divino Mestre: um homem que vinha de Je-
rusalém para Jerichó encontrou uns ladrões, que depois de o
roubarem e haverem ferido, o deixarão quasi morto. Acon-
teceu que um sacerdote e depois um levita, passando pelo
um Sa-
mesmo caminho e o vendo nesse estado, seguissem. Mas
viajava, chegou-se perto delle, e o vendo nesse
maritano, que
teve delle compaixão. Destes três, qual vos parece ter
estado,
sido o próximo daquelle, que cahira entre os ladrões? „
E porventura ignoraes vós, senhores Bispos, o que era para
os Judeus um Samaritano?
de ser um excommungado, achou graça diante do Di-
Apezar
vino Mestre, de ao sacerdote e ao levita de coração
preferencia
endurecido.
Esta citação, que certamente não poreis em duvida, e a prova
a mais evidente do caminho errado que levaes.
Christo de vós, senhores Bispos, parta o
Jesus prefirirá, que
exemplo da bem entendida tolerância, pois fora Elle próprio que
dissera a seus discípulos: •« o Filho de Deus não veio ao mundo
para perder as almas, mas veio para as salvar. „ dos
Para que procuraes vós, senhores Bispos, desviando-vos
do nosso Redemptor, perder as nossas almas?
preceitos
Suspendei a vossa cólera.que ainda é tempo.
C. B.
Rio, Maio de 1873.

v;
329

Instrucção Maçonica.

Fé, Esperança e Caridade.


tudo dccáe, por falta de comprchensão e de luzes;
Quando
vícios e virtudes se confundem, por falta de crenças;
quando
o homem, despido de fé e de robustez cValma, se en-
quando a vontade e a licença.
trega cá animalidade de seu ser, impera
no cahos da absurdeza, decretão-se leis ás sociedades
Então,
e impõe-se usos singulares aos obreiros da verdade,
tresloucadas, - mas daquella instituída
ao sol da civilisação
que trapalhão
santas cruzadas do christianismo de séculos.
pelas sentenças de Je-
O mundo, arrancado ás trevas pelas divinas
Christo, inclina-se de novo para esse lado
rusalém libertada por
fatídico da sensualidade do homem.
os sentidos imperão, é preciso uma redempção nova,
E quando
colloque a humanidade na altura que lhe traçou a ultima
que do co-
agonia do Golgotha—que foi a salvação do espirito e
ração. i* i
Ha nas paginas daquella epopéa, escripta no meio de dores de
salvação e de provas de divina verdade, tanta uncção, tanta luz,
destruil-as, amesquinhando-as e esquecendo-as, é um crime.
que
A luz dessas verdades espalhadas, aquecia o mundo e lhe íllu-
minava o caminho da perfeição; mas ahi veio, através dos se-
culos, a horda de vândalos da desvergonha e pretenderão tornar
da sociedade uma prostituta que se vende a baixo preço de ouro
e a troco da infame moeda dos prazeres sensuaes. Essa horda
não entrou ás claras pela humanidade a dentro, veio mentirosa-
mente transvestida de hábitos de trabalho e de honesta apparen-
—obreiros da civilisação —
cia; denomina-se do futuro—-soldados
— monges — jorna-
pensadores livres—materialistas escholasticos
listas —e o que mais pretenderão que soasse bem aos ouvidos
dos incautos. Falsos prophetas, aprégoadores de praças publicas,
armados de buzina e lentejoulas, charlatães brilhantes, saltim-
bancos audazes e astuciosos, inventarão uns ares sérios com que
enganão, e umas tendências singulares para se insinuarem. Na

*araiM0mwtfmu-'-w
— 330 —

tribuna ornavão de palavras sua falsa eloqüência, nos palácios


rojavão-se á ourella dos thronos, nos clâustros fingião piedade, c
toda a os encontrava o mundo, de dia, sérios c reser-
por parte
vados - á noite, loucos, ébrios c na perfeita nudez de sua hc-
dionda verdade.
A Europa descobrio, sob o borel dos inquisidores e dos jesui-
tas, o tigre tornado homem; sob a toga dos magistrados, a infa-
mia de borla e capello; sob os ricos brocados dos palacianos,
salteadores da honra e bandidos da piedade. Esse velho conti-
nente, 'e de virtudes patriarchaes, onde se armarão cavalleiros chris-
tãos cruzadas, não pôde extinguir a raça vil dos clecahidos,
apezar das polemicas, das lutas e das revoluções sem fim. O mal
medrava sempre, se lhe não cortava pela raiz o veneno
porque
que o gerava. — antiga
Eis o mais brilhante período desta nobre corporação
raça de homens de bem—que se denomina—Maçonaria! Em-
nos séculos, de Memphis até Christo, e deste
penliára primeiros
Homem-Deus até á época dos materialistas do século XVIII, todo
o seu poder, toda a sua honra, toda a sua possibilidade, em lutar
contra vícios sociaes e contra sociedades corruptas.
grandemente
Este nobre esteio da humanidade, que estava já de pé, inabala-
firme, a Redempção échoou através do mundo, é o
vel e quando
formidável inimigo esses reprobos encontrarão no ca-
mais que
minho de sua peregrinação.
o formidável adversário, que a virtude e a
Quando sentirão
honra lhes antepunha, começarão as vociferações contra a Maço-
naria; ensinarão ao povo erros eivados de má fé, preconceitos
ignóbeis, e o mergulharão no mais estúpido fanatismo.
Eis o inundo, como o havião tornado os ignorantes atrevidos
e os sábios de má fé.
De um lado as columnas maçonicas, abrilhantadas de luz, h-
1 dando homens e verdade da redempção; — do outro
pelos pela
lado, os arraiaes dos beduinos e dos janisaros das sociedades,
levando a ferro, a fogo e a fanatismo tudo que se oppunha á sua
horrível marcha.
Da corrupção geral salvava-se a multidão a sabedoria e
que
maçonicos podião arregimentar e disciplinar no trabalho;
poder
arrancava-se, por encanto, ao cadafalso e ao pelourinho victimas
innocentes; por magia, abrião-se os cárceres inquisitoriaes; e, a
— 331 —

todos, as galeras que cruzavão no oceano despejavão,


nto de
eSPavarias
das terras longínquas, emigrantes da civilisação
partes
6 advertidas e bem educadas principiarão a
í8 sociedades bem
•aduzir o Evangelho em lingua mais moderna, em phrase mais
comprebensivel.
A Fé, tornou-se Liberdade.
Igualdade.
A Esperança, tornou-se
A Caridade, tornou-se Fraternidade.
' segredo os monges,
Fste socialismo christão, cujo guardarão
luz do mundo os melhores e os mais esforçados
.vnlicárão-n'0 á os templos.
de todos os paizes e de todos
S es da Maçonaria, do Universo deu
o Supremo Architecto
A fé é a liberdade que a toda a sua su-
seu a Elle e
ao homem para erigir pensamento
fanatismo e da igno-
o liberta das pêas do
Le ei ação A fé tão hvre
livre os seus semelhantes,
»À aTo torna perante
na terra, perante
Adão, sna sublime feitura,
«Deus depôz desprender o voo da
A té o faz
Maravilhas da ereação. uuico reconhece
o Supremo Senhor, que
toa lelhar perante ao condor,as alturas
Tdora -assim a liberdade o eleva,como
aspirar intelligencia pe o gemo, pelo
„„e todos podem pela
honra e pelo amor. A fé e a liberdade
tabalho, pela cornmum
sempre; e a mimortahdade
A alma immortal espera to
o Supremo Arclute .do
a todos os homens. Igualou-os ^
recom-
mesmos bens, as mesmas
verso fazendo todos esperar os A esperança em
eternidade
p« a mesma calma e a mesma é votada s mpre a me-
todos os homens, grandes e humildes,
O saber e o trabalho mvelao
lhor bem e á maior felicidade.
todas as esperanças, dão a todos igualdade.
A igualdade é, pois, a esperança! -
No frontispicio Sa obra de Deus á hmnamdade #* olad r e o
sens.vel e con
dade. A caridade! esse amor único, do no-
do pai para o filho
sentimento do irmão para o irmão,
mem para o seu semelhante. Deus é o pai fl^^ft
como taes devem-se amar mutuamente
mens são todos irmãos, e
—fraternalmente.
Eis porque a caridade é" fraternidade. Mà&
sublime encravada Mtaw
A Maçonaria, essa humanidade mais
dade profana, rendendo culto á luz e á verdade, pode^ que
- 332 —

os apóstolos de todos os vínculos políticos. Suas arrhas de au-


tiga supremacia tem vindo através de séculos illustrando e liar-
nionisando; têm vindo por caminhos escabrosos o no meio de
multidões confusas trazendo o seu Evangelho de verdades divi-
nas e praticas, sustentando o Divino Evangelho dado aos homens
como lei suprema de redempção, esclarecendo os cegos e os
incautos, e arrancando-o das sacrilegas mãos de monges mercê-
narios e de padres corruptores e corrompidos, que jogão com
as sentenças do Pai Onmipotente, como se jogão cartas nos ai-
pendres da clevassidão. Importadores da mentira, sarcásticos
amotinadores dos pobres de espirito, amedrontão com bullas im-
placaveis o mundo inteiro. A religião que lhes ensina a bran-
dura e o perdão é pára elles apenas uma palavra escripta! — a
realidade de seus esforços é a satisfação dos sentidos! Misera-
veis e mentirosos, que se arreceião da polemica e da luz da
verdade, porque seus actos os conclemnão.
Elles temem a Maçonaria, fogem delia: tanta virtude e tanta
honestidade lhes faria mal.
A voz que se ergue entre vós, meus irmãos, é quiçá a menos
autorisada a vir apontar essas ulceras sociaes; reparai bem, e
cabe aqui dizêl-o franca e lealmente: a cada obreiro deste lumi-
noso centro convém a tarefa civilisadora da propagação maço-
nica, onde usos e costumes vão eivados de erros, de caprichos,
de egoismo, e de estúpidas e egoisticas convenções.
Nas variadas lutas de meu ser profano, resta-me o consolo de
haver seguido sempre a senda de meus antepassados, maçons
todos, victimas. ás vezes, sacrificadas á ferocidade dos inimigos
desta sapientissima Instituição. Vem cPalii, desse berço honrado
mas modesto, o enthusiasmo que nutro por tudo quanto tende
ao bem e á utilidade geral.
D'ahi, de tudo quanto me animei a expor entre vós se deduz,
que só anhelo, só quero, só ambiciono o máximo progresso da
Maçonaria neste bello Império, como única salvação possivel de
uma sociedade ameaçada de fanatismo e tyrannia. Mais que
nunca a unidade maçonica é para aqui :\ damacla. Pretende-se
muito: pretende-se erguer o grito de alarma contra nossas sabias
instituições; amotina-se o povo declarando-nos hereges; e até os
prelados da Santa Religião da brandura e da piedade, ousão fallar
em revolver a terra na qual jazem maçons de alto prestimo e
•QO
3?,?,
t

virtudes. Ê lá por fora, nesses centros profanos, cha-


grandes
~ (je progresso e de luzes uma época na qual se recusa até
a liberdade do pensamento.
Não* por Deus, por S. João ^Escosaia! meus irmãos, assim
deve, assim não ha de ser. Os laços que nos unem frater-
não
nalmente, são de paz, de concórdia, de trabalho e de —caracter
firme • ergamo-nos unidos e fortes—como um só vulto e faça
cada um o que os nossos mestres nos ordenarem e o voto de nossa
consciência nos indicar. Façamos de coração um appello sincero
e grave a todos os nossos que vivem em dissidências.
Congreguemo-nos sob um único tecto, augmentemos o numero
obreiros nesta officina; e seja a loja — Dezoito de
de nossos
Julho — a que lance o primeiro brado a todos os obreiros de
grande vontade. Lutemos calmos e vigilantes como lutarão nos-
sos antepassados; e que o Sup/. Arch/. do Un.*. nos ajude e
assista em oppôr cliques á desmoralisação.
Por Deus e por S. João d'Escossia marchemos sempre unidos
na romaria de luz e de salvação, honrando o deposito sagrado
mys-
que tantos séculos nos confiarão, legando-nos seus sublimes
terios.
Amen. ¦ £
L. C.
33* --

Secção OfficiaL

Actos do Sap/. Gr.*. M.\ Gr.\ Cora/, da Ordem.


12 de Maio. —Nomeia Delegado do Gr.'. Or.'. e Supr.'. Cons.-.
do Brazil, na província do Paraná, ao 111.'. e Pod.'. Ir.-. 33.-.
Pedro Aloys Scherer.

Muito Pod/. Supr.*. Conselho.


ASSEMBLÉA DO 1.» DE MAIO DE 1873.
Presidência do Pod.: e III.: Ir.: 33,. Conselheiro Barão de Angra,
Lur/.: Ten.: Commend.:

Achando-se presentes 15 membros effectivos e 5 honorários,


foi aberta a sessão, sendo lida e approvada a acta da antece-
dente.
Forão juramentados e empossados nos seus respectivos cargos
os PPod.'. llr.'. José Maria Pereira, Ministro de Estado, e Dr.
Luiz Corrêa de Azevedo, Gr.'. Secret.'. Ger.'. do Santo Império.
Forão juramentados como SSob.'. GGr.'. IInsp.'. GGer.'. 33.'.
J. L. de Magalhães, F. de Paiva Loureiro, J. A. Fajardo, J. M.
de Siqueira e C. A. B. Corrêa de Sá.
Forão elevados ao Gr.', de Sob.'. Gr.'. Insp.'. Ger.'. 33.'. os
im.?. e RResp/. IIr.\ 32/. J. de Sá e Oliveira, Obr.'. da Aug.'.
Loj.'. Cap.'. Honra e Hunanidade; Carlos Antônio Petra de Bar-
ros, Obr.'. da Aug.'. Loj.'. Cap.'. Perfeita Amizade; Dr. Francisco
Leopoldino de Gusmão Lobo, Obr/. da Aug/. Loj/. Cap/. Es-
;*¦
trella do Norte; e Dr. Pedro de Atayde Lobo Moscoso, Obr/.
da Aug/. Loj/. Conciliação.
Finalmente, forão nomeados Membros honorários do Supr/.
Cons/. os PPod/. llr.'. 33/. Dr. Ricardo Gomes da Costa, Ven.'.
'da Aug/. Loj/. Cap/. Firmeza Portuense; e José Joaquim de
Lima Bairão, Obr/. da Aug.'. Loj/. Cap/. Conciliação.
335 -

Grande Loja Central.


N. 220 de 14 DE MAIO DE 1873, E.\ V.'.
SESSÃO

do Pod.'. é IU.'. Ir.: 33.'. Antônio Alvares Pereira


Presidência
Coruja, Ven.\ de Honra.

¦ Achando-se presentes 172 membros, foi aberta a sessão, lida


e annrovada a acta da antecedente.
as eleições geraes para o presente anno maçon.'.
Anprovárão-se SSub.'. CCap.'.
Loj.'. Industria e Caridade, as dos
5873 da Aug.'.
Confraternidade Maçonica e Reunião Beneficente, e
FsDerança
das AAug.'. LLoj.'. Esperança, Pedro Segundo eLuz
as parcíaes
Transatlântica. . da .
Loj..
a installação, filiação e regulansaçao
Anprovou-se da
do Sul, ao Or.'. de Bagé, dependendo porém
Prov.-. Estrella
sancção do Muito Pod.'. Sup.'. Cone.
o sello e timbre da Aug.-. Loj.'. Umao e Pro-
Approvou-se
arresso, ao Or.'. daVictoria.
as elevações ao gr.'. 18.'. conferidas a diversos
Sanccionárão-se do
CCap.'. Amor ao Trabalho, Estrella
OObr.'. seus pelos SSub.'.
Rio, Grêmio Philantropico, Industria e Caridade,
Norte, Estrella do
Rio-Grandense.
Progresso, Seis de Março, Luz e Ordem e Acácia Aug.'.
Sanccionou-se o actp de filiação livre conferido pela
Gomes.
Loj.'. Acácia ao R.'. e 111.'. Ir.'. 33 Pedro Antônio
4 e 18 o R.'. Ir.', do grão 3 José Fer-
Elevou-se aos gráos
da Aug.'. Loj.'. Symb.'. União Fraternal.
reira Quirino, Obr.'.
da 111.'. Com.'. Gente', em referen-
Adiárão-se os pareceres
Aug.'. Loj.'. Fraternidade Sub
cia ás consultas feitas pela
e R/. Ir.'. Francisco Marinho
Cap.'. Dous de Dezembro, pelo
Bastos. , T%11.
da 111..
Submetteu-se ao M.'. Pod.'. Sup.'. Cons.'. o parecer
eleições do Sub.'. Cap.. .ue-
2.» Secção em referencia ás geraes
zoito de Julho.
Ficou inteirada das seguintes communicações:
1.» De ter a Aug.'. Loj.'. Acácia Rio-Grandense eleito para
seu Rep.'. o R.\ e 111.'. Ir.', conselheiro Francisco Xavier Pmto
Lima, e para seu Dep.'. o R.'. e 111.'. Ir.'. José Maria Pereira
Lemos.

ÍÉâftSüS*"
— 330 —

2.* De ter o R/. e 111/. Ir.', coronel Francisco Teixeira do


Amaral, Presid/. da Com.-. Regul/. da Loj.-. Prov/. de Adopção
Perseverança, recebido os respectivos documentos.
3." De ter tomado força e vigor a Aug/. Loj.-. Fidelidade e
Firmeza, ao Oriente de Porto-Alegre.
4.", 5.», 6.*, 7/ e 8.ft De terem as AAug/. LLoj.*. Dezoito de
Julho, Pedro Segundo, Reunião Beneficente, Acácia e Sub/. Cap.-.
Estrella do Norte empossado seus DDig/. e Off/.
Foíão juramentados e tomarão assento na Gr/. Loj.'. Centiv.
os ER/. Ilr/. Antônio Joaquim Pinto de Oliveira e Antônio Joa-
quiin Pinto de Araújo, és*e como Dep/. e aquelle como Ven.-.
da Aug/. Loj/. Reunião Beneficente, Dr. João Baptista dos San-
tos como Ven/. da Aug/. Loj.-. Pedro Segundo, Cláudio José da
'
Silva Júnior e Domingos José de Freitas Castellões como DDep.'.,
este da Aug.'. Loj/. União Fraternal e aquelle do Sub/. Cap.-.
Conciliação.
Forão ainda juramentados e tomarão assento na Gr/. Loj.-.
Centr/., como seus membros natos, vários IÍ11.% Ilr/. encarta-
dos no gr/, de Gr/. El/. Kad/, Sub/.

*t>

¦>¦;-¦
¦

¦¦
337

Gr.'. Cap/. Ger/. dos Ritos Azues.


21 DE MAIO DE 1873, E.\ V.-. •
SESSÃO N. 208 DE
ík Tll • Ir '. Antônio Alvares Pereira Coruja, Éepres.'. Part.'.
Pm'dò
Gr.' M-'- c Vm''' de Honm ã0 Gr''' Cm'' Ger'''
Azues.
35 membros, foi aberta a sessão, lida e
Estando presentes
a acta da antecedente com a emenda feita pelo 111/.
approvada
tI- Nicoláo José da Silva Gonçalves.
as eleições geraes para o presente anno maçon/.
Áimrovárão-se do
CCap/. Redempção e Alliança e a parcial
5873 dos SSub/.
Imparcialidade. ;
cargo de Dep/. da Augv. Loj/. em reíerencia a
Lrovou-se o parecer da 111/. Com.-. Cent/.
Aug/. Loj.-. Cap/. Commercio e Artes, de-
consulta feita pela
da saneção do Sap.-. Gr/. Or/.
pendendo porém 7/. conferidas pelos
Sanccionárão-se as elevações ao gr/.
Esperança de Nictheroy e Caridade a vanos
SSub.'. CCap/.
OObiv. seus do gr/. 6/. o 13..
ao Muito Pod.-. Sup/. Cone.-, gr..
Resolveu-se solicitar
do 12.-., OObr/. da Aug.-. Loj.-. Re-
para vários Ilr/. gr/.
dempção. .. ./ . A vi-
terem as AAug/. LLoj/.- Commercio e A
Ficou inteirada de
Alliança, Esperança de Nictheroy, Igual-
tes, Asylo da Prudência, DDig..
seu Sub/. Cap/. empossado seus
dade e Beneficência e
e OOff'
membro da 111/. Com/. Centr/. o R/. e 111/.
Nomeòu-se para
visto ter fallecido o 111/. ü'.. 1 cauio
Ir/. Zeferino José Gonçalves,
Lopes de Araújo Braga. .
assento no Gr.. Cap.. os im,..
Forão juramentados e tomarão
Santos, Ven/. da Aug/. Loj/. Alliança,
Ilr/. João Antônio dos
José do Carmo e Oliveira, Sap/. Sub/. Cap/. Francs-Hiranntes;
e José Maria da Silva bm-
Antônio Gomes da Costa Figueiredo
marães, este Sap/. e aquelle Dep/. do Subi.:. Cap/. Igualdade
re-
e Beneficência; Antônio Teixeira de Mattos Carvalho; José
reira da Silva Penafiel e Justino de Lima Vianna como DDep..
e Beneficência, o ... cta
das AAug. LLoj/., o 1." da Igualdade
Vigilância e o 3.° do Asylo da Prudência.
-8# ?.
.X

rfJ. ¦ m^.rt^iHfVfe .«^jjéi»*iiS^í-'RiHãi«^


338 -

Secção Histórica

Discursos notáveis pronunciados em defesa de nossa causa


no anno de 1873 (E.\ V.)

Os attentados que contra a boa lógica e a razão echoárão na


câmara alta brazileira merecem particular menção neste século,
cheio de fé e de luz.
Que negra fatalidade nos entorna ainda em nosso seio chris-
tão e culto estes discursadores eivados de preconceitos, ignoran-
tes do que devem saber e expor, e só fazendo alarde do mais
grosseiro fanatismo!
Tiverão tempo de sobra para vociferar aleijadas imprecações,
sustentar absurdezas, negar a verdade, calumniar e infamar a
nossa Instituição, citar autores de contestadissima autoridade,
recordar factos e escândalos que partirão de associações monas-
ticas, conspurcando a verdadeira, a sublime, a puríssima doutrina
de Nosso Senhor Jesus Christo.
E, pois, aguardem agora o que com alta justiça a verdade e
a consciência oppoem a taes declamações grosseiras e inju-
riosas.
Aqui a questão não é de religião; não é de pontos de fé ca-
tholica, é pura e simplesmente questão em que o erro deve ser
castigado, e aliás de uma maneira severa e grave.
A este seguem os discursos de notável simplicidade, e por-
tanto de uma eloqüência que leva a convicção a todos os es-
piritos.
O caracter, o espirito e o saber desses oradores estão acima
de qualquer suspeita.
Ê uma resposta que damos com a fé que • raciocina áquelles
fanáticos adoradores do ultramontanismo, que catholicismo não e.
Ê uma resposta cathegorica, illuminando sempre o assumpto,
conscienciosamente inspirada e lançada na arena da civilisaçao
brazileira, onde, por fatalidade, ainda se distingue alguns pontos
negros, que indicão erros e tropeços ao progresso humano.

:
ri
00 u

nós os consideramos tocos de luz espalhando


*<«« discursos illummando-lhe
vis em todas as clirecções deste Império,
QPllS laivo ^***
fcunola, que é-a-teia-Cm. neste escnpto nao
a nroiosito omitimos os apartes, porque
da verdade adorada por
^

a feias denegações
damos entrada
t0 Sr. Vieira da Silva, senador, o
o
Eni t de Maio pronunciou
seguinte discurso:
a religiosa dos bispos de algumas
« qr m-esidente, política o espmto publico
trai de tempos a esta parte
diocese»s "do BrS... v,ra7ueira em sobresalto.
,,i„i
agíd°-1? pronunciou-se uo voto de graças
JV1 âtfiSttreduto illustração muito res-
ItZv nela m nha província,
mui cuja contra a
o nobre senadoi pela
mas de cujas opmioe ncsi i que
peito, religiosa do 8ftbinete, no , presidente,
i
politica tenn
ainda nentana^ftMbm* a d
membros do mimsteiiojnGSw explicações quanto
tte0riaS Spreteuda não só em relação
ter
tS „t
ao procedimento que otovem
o governo ág sen.
i politica religiosa dew^^,'0^ cont^a a^ d desses bispos,
tações que lhe forao dnigidas Pará<
leinanitaco
e'especialmente contra os Jjgwto nao fôo ^
O corpo legislativo, Sr. presidente,
a fartos de tamanha gravidade,a íamiha. Mg*^*^ como' ao fa-
nao so c» aoj ,
de perto interessao o. pode v
turo da Igreja brasileira, nem goveno
as que da sua soiiciume B
fazer esperar providencias
povos. p. , mm^
de T„ne;r0 Rio-Grande do Sul,
Os bispos das dioceses do Rio bobei ano p
lon tifice 0 di.
Pará e de Pernambuco, attnbiundc.ao
rei» de vigilância e de reforma ^fJ^^SS inte-
das as leis, e medidas que mesmo ^f^^l^a «gg do So-
ressar á fé e á moral christã, proclamao como no espumai, ^*n
berano Pontífice, tanto no temporal osPapaj. n
que
política como na religiosa, omn.potenca de Gieg VH,
verão nem mesmo no_ tempo ^
e o exercício ue
gando poderes que nao tem civil.
que lhes é contestada pelo poder
' 'sinto disporto a
esto»
O governo, dizêl-o, pois nesta questão toldo, co i
acompanhal-o parece que se acha estupefacto
assombrado perante tão extraordinários acontecimentos
v

r.«nn*rstf!&n
- 340 -

Até onde, Sr. presidente, pretendem esses bispos levar a in-


tolerância religiosa? Até o ponto de fazerem com que os povos
não enxerguem no clero senão um inimigo? Quererão que a li-
berdade, em vez de procurar um apoio na fé, o vá pedir á iu-
credulidade, confundindo a sua com a causa do materialismo, do
atheismo, das falsas opiniões? Para onde caminhão? Tara a fé,
ou para a anarchia? Porque hão de privar a Igreja da sua me-
lhor arma, a persuasão?
O que pretendem esses bispos, cujo fervoroso zelo tanto exalta
a admiração do nobre senador pela minha província? Se o que
pretendem, o que querem é, com o terror que porventura possão
infundir em espíritos fracos com as penas do inferno decretadas
neste mundo, plantar o seu despotismo, a reacção não se fará
esperar. Peior para a Igreja do que Luthero foi incontestável-
mente a philosophia do século XVIII, e a reacção que provocao
ha de transportar para o nosso paiz os arsenaes philosophicos do
século passado. Se o que querem é a guerra, têl-a-hão, nos sa-
loes, na imprensa, nas associações, nas academias, na escola
mesmo.
O programma ultramontano é hoje muito conhecido. AMaçona-
ria é um pretexto. Ninguém se illude mais a respeito das teu-
dencias ultramontanas e do plano concertado e assentado entre
os discípulos do collegio romano. A luta aberta pelos bispos é
essencialmente politica. Não se dirige contra a incredulidade nem
contra o racionalismo ou o atheismo, como se proclama, é uma
luta de supremacia; é a luta cie todos os tempos, que revive; é
a luta pela omnipotencia do Soberano Pontífice; é a luta pelo
poder político do Papa; e portanto a invasão, a usurpação do
poder temporal pelo espiritual, é a sujeição do Estado pela
Igreja.
Sr. presidente, já o disse, o programma ultramontano é muito
conhecido. De que se trata hoje no Brazil senão de dar-
se-lhe execução? Elle se acha definido no Syllabus, onde se
nega a independência do Estado, onde se considera um erro a
doutrina do placet, o recurso á Coroa, onde se proclama a omni-
potência do Papa e a sujeição do poder civil.
E não é só no Syllabus que se acha definido este programma;
ahi está também a bulla JEtemi Patris9 em que o Soberano Pon-
tifice, depois de declarar que reúne um synodo geral para reme-
diar o estado tão triste das cousas sagradas e das cousas publicas,
descreve esse lamentável estado do modo seguinte:
" A Igreja Catholica, sua doutrina salutar e seu
poder vene-
ravel, a suprema autoridade da. Sé Apostólica atacados e calcados
aos pés; as cousas sagradas desprezadas, os bens ecclesiasticos
341

•n dos* os bispos, os homens os mais recommendaveis votados


e as pessoas que se distinguem por seus senti-
a° ministério, de todas as maneiras; as famílias
"Ssâs tos Vttholicos perseguidos
supprimidas; os livros Ímpios de todo gênero, jornaes
uma multidão de seitas das mais perniciosas se es-
ítilenciaes do casa-
Ktfo por todas as partes; a dignidade e a santidade
p to violadas; a educação da infeliz mocidade quasi por toda
arrancada do poder do clero e confiada aos mestres da
parte
iniqüidade e do erro.... „
E acerescenta: i.leis divinas . .
« O concilio corrigindo estas violações das e nu-
mnms eme abatem a religião e a sociedade civil de uma doutrina, maneira
PiVoravel e estendendo o poder da Igreja e da sua
tão somente a salvação eterna dos homens, mas
m nrocurará a sua verda-
contribuirá para o bem temporal dos povos, para
a boa ordem e tranqmllidade que devem
lia prosperidade, para e a das
reinar em seu seio, assim como aos progressos perfeição
sciencias humanas.... *, ¦
dar nova direcçao
Assim o concilio do Vaticano reunio-se para
humanas, endireitar a sociedade civil e as suas leis,
ás sciencias as mais
corrigir os nossos males, deliberar sobre as questões
das relações cio Estado e da Igreja e sobre ellas decidir
clifficeis
soberanamente pelos seus decretos, sem ^^.^S™8' mfallibilidade do
Foi este concilio que proclamou o dogma da
o é o dogma da infallibilidade do Papa, Sr. pre-
Pana E que Proclamado esse
sidente, senão a consagração da theocracia!
'
dogma, o que é o padre senão o apóstolo da theocracia/e este ^o
I este programma que executão os nossos bispos;
papel que elles representão.
* definido nabulla
Ó programma é o'do Syllabus, e'está também
citei? Agora vejamos o que se passa no nosso paiz; piocu-
que
remos saber como nelle se vai executando ««te programma. a im-
Merece a especial attenção dos altos poderes do Estalo
* Nela se diz, combatendo o
prensa episcopal de Pernambuco. e considerada um
placet, cuja doutrina, segundo o Syllabus,
«'O beneplácito é lei injusta; porque nega aos ministros da re-
ligião verdadeira a independência que reconhece nos da talsas
" É lei absurda; subordina ao poder civil o podei ecem
; porque
siastico, que lhe é superior. TJesus
« É lei Ímpia;
porque offende a independência que
Christo deu aos pastores da Igreja. con
repetidas vezes tem sido
\ E lei anti-catholica; porque
demnada pela Igreja.
— 342 —
.*"¦"

« Ê lei prejudicial ao bem commum; porque obsta a direcção


espiritual dos subditos do Estado.
w Finalmente, é lei contraria a outros artigos da Constituição,
a saber: ao citado art. 179 § 4o, ao art. 5°, que reconhece como
religião do Estado a religião que anathematisa o beneplácito, e
ao art. 103, que impõe ao soberano o juramento de manter
aquella religião. .,111 a
É assim que a imprensa episcopal daquella província prega a
desobediência ás leis do paiz e á Constituição....

.... em nome daquellês que exigem para si toda a obediência


e a sujeição de todas as consciências.
No Pará dá-se o mesmo. Donde se ve que e plano concer-
tado e assentado. Provoca-se, quer-se a luta! artigo Um periódico
O Santo Officio, publicou o seguinte,
daquella província,
que extractámos da Verdade, folha do Recife: nosso numero en-
" Hontem, á hora avançada em que este
de ante-hon-
trava para o prelo recebemos a Boa-Nova, datada
tem, e traz publicada a donclusão da celebre e prolixa pastoral
do bispo diocesano. ' , .
« Aguardávamos ancioso a conclusão dessa pastoral que devia
Maçona-
ter duplo fim: acarretar o odioso e a aversão sobre a en-
ria e condemnar o Pellicano, órgão official desta instituição
trfí no^
« Não nos enganávamos, porém S. Ex. não se limitou somente

« Para a salvação das almas e para a gloria de Deus (tex-


adorável houve por bem, depois de ter
tuaes) o nosso pastor
ouvido o seu conselho episcopal, decretar o seguinte:
« 19 O Pellicano é reprovado, condemnado e prohibido, pelas
heresias, blasphemias jò maiores impiedades que tem publicado,
assim como todos os outros papeis que propagão perniciosas
doutrinas.
....... "

" %'.' Só terá absolvição do Sacramento o Maçon que for per-


juro. "" . ., c_
u 3." Só poderá casar o Maçon que perjurar, isto e, que se
l reconciliar com o Sr. bispo. ,
" 4.° Só terá sepultura ecclesiastica o Maçon que antes ue
morrer se reconciliar com o Sr. bispo, isto é, perjurar.
" 5.° Para evitar conflictos o cemitério fica privado da antiga
benção, é um campo atoa, por já ter recebido corpos de Maçons;
d'ora em diante se benzerá em particular cada sepultura dos que
não forem sinceros Maçons. . . ,
" 6.° Só continuaráõ a fazer parte das confrarias e irmanaa-
— 343 -

perjurarem. Os que assim não fizerem se-


Maçons que
pxnulsos como rebeldes. „ do
1 a attenção do governo para o procedimento
rhnmo também sahe da sua diocese, abandona
i.bltn.do Eio-Grande do Sul, que
e como bem lhe parece, e vai a Europa
0 ebanho quando
InVhs do Norte, onde demora-se o tempo que quer! Jul-
C^desligado, facto de ser bispo, de seu juramento ao
pelo
gando-se f811^10^1- só stí reconhece subdito do Papa! Se
8Sbléa lhe pede informações sobre assumptos de
a provincial do maior desprezo pelos
lluetencia, elle, fazendo praça
da nação, responde-lhe com descortez.a sem
$wTconSdos
igual....
" 'diriee-se' legislativo como de superior
ao corpo provincial
infeSor e com intolerável sobranceria.
para
" dos'nobres senadores o modo porque a :
M no conhecimento em susten-
• en PríqoSastica do Império se ha pronunciado,
bispos e que escitão amoj
SoTos ficados Velos e como çpiocuia
tem tomado na provocação
a parte activa que
sustentar o programma ultramontano.
' 'ó Igreja romana desde
4, íonho' é'o'sonho que'alimenta'a mas um sonho que
V, i um sonho,
q„e preSe ser universal;
resurgio depois da tomada de Constantraopla assumida por essesbr^
0
O que se' deve esperar da altitude
a anarchia, a desoidem, a peitaioa
E' fácil prevêl-o. Teremos
das relações entre o Estado e^a
ção ahi esta, ^greja^
exemplo seguiuo .
O exemplo da Itália si *oD
Hespanha, onde a Igreja abandonada a «£a0Se
nível do direito commum, sem autoridade sem eia.
pimcipw.
A respeito das relações entre o Estado gW^^or
oPWesPmnito d— das umu afreja
perfeita
^J^fEg
de uai se
pela minha província. Ou ha destes dou podei.s Apeiiei
e o Estado ou a co-existencia
unidade da Igreja e do Estado só P^^^^lSI
quando a vida religiosa e as suas *pg»fp e coi^
g
tica, a ponto de tornarem-se completamen «« ^culaies neto o.L
. acontecia1 nos estados da antigüidade_ ckss, , qu
tado serve de preferencia aos fins m^^§, Atzeb se tem visto
tornando-se uma theocracia pura, como poi
no Oriente. 5e c0.existencia
A existência de uma religião do hstacio
religiosa, ^Pl
o Es tado e a
j » j
ja_
das duas sociedades, a civil e a destes cious i
As difficuldades qui resultão cia co-existencia
— 344 —

deres sociaes são manifestas; e assim, desde que não existe entre
os dous poderes um poder superior para o qual possa haver
recurso, como manter-se .a harmonia entre ambos? Só ha três
hypotheses. A primeira hypothesc verifica-se quando ha um ver-
dadeiro dualismo, isto é, quando as duas sociedades com os
respectivos poderes existem completamente separadas e indepen-
dentes. Em caso de comiicto, cada qual usará, como puder e
quizer, da força que tiver.
A segunda hypothese dá-se no caso da supremacia de um
sobre o outro poder, embora separados e reconhecendo-se mutua-
mente. Se a supremacia é exercida pela Igreja, dá-se uma theo-
cracia baseada na preferencia do que é religioso sobre o civil....

.... se é exercida peio Estado, a Igreja é considerada como


uma corporação altamente privilegiada, mas subordinada ás leis
do Estado, pelo menos no tocante ás suas instituições externas
e no que interessa ao Estado.
Verifica-se a terceira hypothese pela abstenção por parte do
Estado de toda e qualquer intervenção na Igreja. Neste caso o
Estado não reconhece nella posição igual á sua, não lhe concede
privilegio algum, considera-a como uma associação particular, que
pôde estabelecer-se como quizer e puder, sujeitos os seus mem-
bros á lei commum. Neste caso a Igreja é completamente livre.
Temos na Bélgica e na Prússia o exemplo do dualismo puro
da primeira hypothese.
¦¦'

Talvez. Na segunda hypothese, ao dualismo com preponde-


rancia da Igreja aspirão os Papas; o dualismo com preponde-
rancia do poder temporal existe na Igreja gallicana. E, final-
mente, os Estados-Unidos offerecem o exemplo da mais completa
liberdade da Igreja. É completamente livre e também o Estado
livre.
Não posso agora, Sr. presidente, desenvolver o meu pensa-
mento, indicando as bases em que poderia assentar a harmonia
entre a Igreja e o Estado; levar-me-hia isto muito longe, pois
teria de tratar de assumptos importantíssimos, o que não cabe
na justificação de um requerimento. Se os systemas lógicos, isto
é, aquelles que se apresentão como conclusões cie um pensa-
mento lógico, não podem ser applicados em toda sua originalidade
e rigor, o que cumpre é examinar se por combinações, excepçoes,
se pela renuncia ás conseqüências extremas (apoiados)9 pode-se
crear entre o Estado e a Igreja relações que tenbão por base a
harmonia, e quando ellas não se adaptem perfeitamente ás theo-
rias, trate-se cie fazêl-as corresponder ao desenvolvimento histo-
rico e á variedade da natureza humana.
— 345 -

nkce o nobre senador pela minha província, quando faltou no


a religiosa do gabinete: " O des-
í ã «raças sobre política
mysterio; duas dou-
l° n da humanidade é um grande e profundo
!* «o explicão: a doutrina catholica e o nacionalismo em todas
manifestações, que é a doutrina representada pela Maço-
(
suas
"Time
época e a que paiz refere-se o nobre senador?
cio Brazil não conspira nem contra o Estado,
A Maçonaria
nem contra a Igreja. (Apoiados.)
* christã com o racionalismo....
q acordo cía doutrina
' * se-
renresentado, não pela Maçonaria como quer o nobre eterno.
idor mas pela sciencia, pela pnilosòpnia, é um problema
não admittem que a intervenção divina possa
Se os racionalistas das leis naturaes; e chegao
n1Pesterturbar a regularidade necessária
meio á negação da revelação, também ha catholicc*, da razão,
Sr «residente que, temendo a sciencia, desconfiando
ás verdades as mais evidentes e se fazem scep-
fechão os olhos entre a razão e a fe nao
Ss por devoção; pai estes o limite
é o símbolo, mas um decreto do Index. a cegueira volunto-
Ora senhores, será partilha do catholico
poder crer, servir-nos da razão
ria? Se não é possível para
onde está aqui a fé? Que mérito haverá ^^m.crer^| creio. A le, neste
creio, não devo raciocinar; se raciocino, nao
uma virtude? Onde esta a fe repito? to e
caso como será razão, desde
antes uma incredulidade! Desde que fujo da que
crer, sou antes um incrédulo....
não quero raciocinar para poder
' 'não
ha mérito nessa fé, nessa crença.
Ê' antes incredulidade;
' "prejudica
A sciencia, senhores! não a'reÍigião; P^o
mais serviços ^ari \a
piestaia
quanto mais independente for, tanto
um aparte a que não P^ res-
O meu nobre collega deu-me e a da supe
a ver dada eterna
ponder logo. Disse S. Ex. que se leaise
macia da Igreja sobre o Estado. Supponhamos> que
isto; que de males não se originarião! 4fWffiM
ficada a essa preponderância seria a liberdade de n™?™**>*
Igreja preponderante havia de impôr-se como umea e ve daclena a ms_
havia de erguer-se como um embaraço permanente paiae as m
trucção superior do paiz; mandaria supprinur ao estudo
vestigaçoes ramos inteiros dos conhecimentos humanos, comoj
tem acontecido em relação ás mathematicas e a historia natural.
«5 T
— 346 —

Onindo em 1815, Fernando VII restabeleceu em Hespanha a


de Jesus e mandou-lhe entregar em 1816 o collegio
Companhia de mathematicas abrio o
de Madricl, o padre jesuita professor
com um discurso em que, alem de outras cousas dizia
seu curso " sobre a Europa ha 30
o seguinte: Todos os males que pesão
devidos á lamentável mstrucçao e edii-
annos são principalmente os homens a rebelhao
S do século anterior, que arrastavão
Limitarei, portanto, o meu ensino a anth-
eá incredulidade. infelizmente os outros ra-
metica álgebra e geometria, visto que
mos dás nuthematicas podem conduzir «««M"*"*- .
Eis o aue ha de ser sempre o ensino duigiüo poi jesuítas c
com o programma ultramontano conseqüente-
de conformidade da Igreja sobre o Estado,
mente desde que se dér a supremacia
UmSr constituição entenderão que
Residente os autores da nossa
nao existir sem religião,,fonte de todos
a sociSe *il podia um eu to a
as consolações; que era precrso
os Es, de todas falta de uma crença estabe-
toda associação humana; que na
centenares de seitas, como acontece na Ame-
ecida levantão-se vergonhosas, como na
rka do Norte, ou surgem superstições
estabelecerão que a religião catholica, apostólica
Chma e assim, Estado A par, porem
e mmana eouüuuaria a ser a religião do
do Estado permittirão os outros cultos, peimittnao
da religião
tacetonassem com a restricção dejer em.casas parüculam
que A religião do Estado nao exciue,
e sem apparencia de templo. de reunião e de
consciência, de imprensa,
Pa s a Uberdade de
U
liberdades imporSo a^toerdade da
ociaçs» e nem estas (lo ^mai
. ligião, a liberdade de negação, de subvenção, a liberdade
enOramoanosso deixar de ser conce-
código criminal não podia
com estes salutares; mas o>neu»ote
bido de accõdo principies
collega dedarou-o maçou, herético! Eu taana juyoílj*
sesse o que entende, pois, o que e ^.cfodfof™ e os eiimescentia X
lico? Será aquelle que pune o sacrilégio, isto
religioso desde qutodo ,os
a religião? E pôde haver crime a sociedade e
cultos são permittidos? O sacrilégio para com
cousa inintelligivel. ae os
Em caso contrario, faça-se reviver a Ord. do hv. 5 , concebei pio
cessos de bruxaria e contra feiticeiros. Eu não possocathohec e
o que o nobre senador entende por código criminal doutiin^
não catholico. Senhores, onde vamos parar com taes o nosso coaigo
Hoje é o nobre senador que declara-se contra
criminal e exige um código catholico; a imprensa ^trunontona
prega a desobediência á constituição; amanha, PrmclPa™^
tomarem conta dos seminários, veiemos
desde que os jesuítas
347 -

como herética e taxar-se de lutherana


avM. se a bgrammatica
prescrevei-^ ^fcitotèfeog gxemplog na historia?
a orteogtapnia ft reforma (lo ensm0
Sa ?8,SuriO S o allen.no » Evangelho e fêl-o adoptar
Prlínar!S,l Zangarão-se com isto os jesuítas, não so porque o
naHlfnã bárbaro, como estava de aceôrdo com a sramma-
era
estjio »<w^m(. 0Tfl11(le ceicuma, declararão herética a linguagem
tic ;• n » lutherana a sua orthographia.
d0n" que era fanático pelos jesm as cha-
°, MM Ségensburgo,conego, que havia tido a audácia de ai-
nTontas o pobre an Gott vez
orhographia e escrever glmbenjm
tevai * *frf ben
?t%«* Â beuin), servindo-se da preposição an e

rónü, v^Mu™í~aO do in 0«***


lieodoio,ci) ' on e8Se como os jesuítas escreviao
Slto"nem
decicho-se que se 11esci
escute,
^» rc q
tebelece entre nós a cen-
Emquantobi
'™ ossos o taes
SdS s mas t o,4 nos trazem jornaes
¦rt barbadinhos, lazanstas, etc.
livros, í,™íiPm imnortuo
também nos mipou^ rfcesentá uo racionalismo.
lepiesenia
A Maçonaria, disse o nobre senador,
Se o racionalismo trmmpbo,
Pot que'? Se ^^^^wmj
,he dá este tnumpho, o. a^serenem.
á Maçonaria, e se e isto o que o nobre ^nau"1 j
«om anhai-a lá, discuti, P«^^Xtetffiw«
Uma das cousas que mais duo que ^^
e „„e mais o trazem W*"^ W*? m lK ü f
mas dos maçons. O que haveia ae -
e como no e ui passado
p
Muitas associações, que no presen meA adepto
8e formarão o so formão sem to™
hoje adoptão os emblemas, os symbolos^o ^
nico. Foi assim que no século P^^tonnou^ aos tas
a loja dos Illuminados em opposiçao jesu
responsabilidade pôde caber a; veidadeuaa^s
Que conUa a oiüem^
illuminados e os carbonarios conspirao
levar a effeito uma ç
religiosa, se se associão para
S°t? maço»iejg, e^o
importa esses emblema, essas msigmas
na Uina_e ?
que provão? Os missionários jesuítas wmo togwn e
se fazião mandarins, não se aprejentevao ado^P«toO|
aso confundião a idolatria con, o etowmsmo
das bullas aqr<q i
chinezes e malabares? e não appellarao
o Imperador da China? . ,
' malabares o chi-
Veja a baila « «* á«'proscrevendo oi ritos
348

nezes Desta bulla os missionários jesuítas- recorrerão para olm-


invocando a doutrina
perador da China, assim como de outras
do beneplácito, que contestão quando dominão!
Sr presidente, se os estados da Europa adquirirão maior es-
resuscitou, tam-
tabilidade depois da tomada de Constantinopla, da Roma da idade média,
bem como eu disse ha pouco, o sonho
romano universal e christão. Se se realizasse este
o império esse
sonho (é sonho felizmente); se isto fosse possível, poder
a sua dominação sobre as três maiores instituições so-
exerceria Na família elle recebe o
ciaes a• Família, a Igreja e o Estado.
no berço, acompanha-o na escola, e se o emancipa ao
homem vigilância no casa-
entrar na vida activa é para sujeital-o a nova
mento, no confissionario, na hora da morte.

ia Igreja constrange-o a abdicar a sua liberdade


Na

de pensar e
que se possa implantar no mundo a unida-
de investigação para
de de fé. . . .
" 'No , , . , . • •

Estado suffoca todo o sentimento de nacionalidade para


substituil-a pela da unidade christã.
um clero separado exteriormente das outras cias-
Exercido por de toda
ses da sociedade, e, interiormente, resguardado do perigo
e qualquer alteração, progresso ou reforma pela ordenação esse
que
faz delle uma aristocracia incrustando-se a si mesmo, poder
seria immenso. . , . . o
Sr. que este clero, formando as-
Accresce ainda, presidente,
¦ sim uma casta á parte, com um direito particular, servindo-se
lingua especial para o exercício de suas funcçoes reli-
de uma natureza toda
dosas, pela sua educação, pelo celibato e pela
interesses communs, está collocado acima cie
particular de seus
todos os laços da familia, do Estado e da pátria. (Apoiados.) dependen-
Imagine-se agora este clero universal, cathohco, na
do Soberano Pontífice, revestido de um poder arbi-
cia absoluta haver
trario e da infallibilidade de Deus e diga-se se seria possível
vida política fora do seio da Igreja? (Apoiados.) -ultramontaiio e
Bem disse o meu nobre collega, o programma e
um sonho; é irrealisavel, é impossível com a nossa civilisaçao,
incompatível com a vida das nacionalidades independentes.
. ... • • • • ri
Sr. presidente, com o desenvolvimento da civilisação moderna
ás guerras e aos interesses da religião succedêrão os interesses
e estes interesres, que não podião deixar de ser
do commercio re-
attendidos na arte de governar, dictarão as leis, provocarão
e as condições das convenções e
yoluções, guerras prescreverão
349

xtrataüob
hAm de naz; .g assim,^ como desde a independência da America,
e(Mca(;ri0 (Io novo edifício político, já
%>T£á os princípios religiosos' que se achão em jogo mas os
na- abstractas,
S* noliticop, que lançarão raízes nas theorias novo agente
PfnScas e tornarão conhecida a acção de um
em política, a influencia da sciencia e da
ké então desconhecido
1Utf'Sanha descobrio o novo mundo, mas emquanto as suas
as de Portugal, fundadas no espirito do despotismo
nínníw e definhavão lambem as res-
Scoe religioso, definharão, como
Pitlvns metrópoles, prosperavão as colônias mglezas. (Apoiados).
a principio de um modo ainda mais
K utrenomeno proLio-se e tão depressa esta
!Svêl 21e a guerra dos Paizes Baixos,
' independência, que foi a primeira a por em
1 mmou a éúl
do globo, precipitando
Ses reguLe os diversos pontos exhaurido as minas do Peru.
n ban arota o Estado que havia
a Inglaterra rivalisou com a Manda,
trios denois quando com seus pro-
ÍToolff inglezas se forão transformando
mu novos Estados e com novas formas de governo,
IÍ íecursos levarão vantagem ate ao
inglezas
ES companhias de commercio a hurguezia ta>«.^o Norte
r r o Sdo, foi então que. cujo êxito foi incontestável
r
fe «o sins cruzadas commerciaes.
bXante do que o da cavaUaria nas cruzadas guer-
mente inaTs
'te/^ifpSdonte, vantagens da liberdade de um
as cie-
sob o peso da hierarchia
novo sobie outro povo opprimido sobre o despo-
S, ís são os Multados da liberdade política
tisrao. (Apoiados.) ..

o Visconde do Eio-Branco o nosso


Em 17 de Maio pronunciou discurso.
Gr.-. Mest/., o seguinte
muito caro 111.'. Resp/. PodV.
- Não me proponho discutir largamente o ass™P^^^ seu
versou o discurso cio
o requerimento, ou antes sobre que a *WJ «f»
auto.? e menos pedi a palavra P^contestar. dees^.
o Sr. Can^do ™e^
do nobre senador pelo Maranhão,
meida, oração que corre impressa em folheto nado sobi e o¦o vo
^Xe de
voto cie
ciai, não de"discurso proferido perante o se
fora um contra a denominada
graças, mas como se pamphleto
política religiosa do gabinete. _ e, informai «senado.
ao senaüo
O que me cumpre fazer nesta oceasiao 'u4&

em nome do governo, que esse assumpto ha, de tei S5g$g


tomada sobre o recurso que uma das ^ggJ&S|ég lhe puzera
Recife interpôz para a coroa, contra o interdicto que

... . •
..rfsssa-í*.iail«ii'1i^r"'
350

daquella diocese. Este negocio loi commettido


o levm prelado de Estado, que con.
ao estudo da illustrada secção do conselho
sulta sobre os negócios do Império; provavelmente será ouvido
conselho de Estado pleno, e então o governo ha de
também o competência e o caso
a decisão que for de sua que
proferir
6X1Creio, senador Pará em seu
como disse ha pouco o nobre pelo
ha recurso, e que nosso direito ecclesiastico nao é
aparte, que Maranhão, quando ;
felizmente o que expôz o nobre senador pelo
a legitimidade do placa, entendendo que em coinunc-
negou até ir a Roma.
turas como estas não há outro remédio senão
esta informação ao senado, eu nao posso deixar de
Ao prestar muito breves porque
accrescentar algumas reflexões, que serão
não o discurso do nobre senador pela Bahia,
desejo prejudicar lhe fiz, As reflexões,
além da promessa solemne que ha pouco
alludir, são as que derivao naturalmente de mi-
a que acabo de brazileira....
nha posição especial relativamente a Maç-onaria
' 'senador v

Maranhão, que tomou a si defender os


Ô nobre pelo
actos dos exerceu um exame «rf^nT«rte
prelados, contra ou poi parte
torial sobre tudo quanto se tem publicado
em todo o mundo; e d'aln concirnoi que a Ma-
de sas associações da Euro^ nap
está identificada com a
çonaria brazileira mas ate nos ^no
fins que são communs a todas, ^W^M
meio das ellas vivem. Poi essa lógica
das sociedades em quaes
deduzir a Maço-
absoluta e fatal, o nobre senador chegou a quei
conseqüência próxima e inevitável, a communa.de
naria tem por so^|P|^u^
Pariz. Proposições desta ordem, Sr. presidente,
um ou pela dejeza cie
ciar quem está allucinado por principio,
uma causa e não conhece o que é a Maçonaria no brazil.-
• . * *
' offeiisa
Creio que nas palavras que acabo de proferir, não ha
ao nobre senador. (Apoiados.) Dizer que elle estiwallucanado nao connece
por um principio ou pela causa que defende, e que
Franco-Maçonaria do Brazil, não é irrogar-lhe uma mjmia.
a
- Dizer, porém, que uma associação a que tenho a honra ce per-
com a communa de Pariz, é certamente uma
tencer se parece
» proposição offensiva....
.... não só ao orador ora se dirige ao senado, mas ainda
que
a um grande numero de Brazileiros.

O nobre senador disse que era conseqüência dos princípios


sociedades maçonicas a communa de Pariz ou
professados pelas
351

se isto não está no seu discurso, eu creio ter-


a internacional;
lhe ouvido. . . ,
Seja assim.... 'a 'do*
' * lii rectificação nobre senador isto é, que
• estimo brazileira como eu
tanto a Maçonaria
S ExÊâ maldissesse "eu^entrei
ST^Sbíente na Maçonaria ha muitos annos, e
bl; oecupasse com a religião nem com a poli-
se
1UmCi f WB*i sempre a meus olhos, pela experiência que
tica do E<So-foi
Esuuo,
dlestiüafl a soGcorrer os seus membros e
te"h0:Zer moral e intellectnal do homem.
o aSiçoamento se tem creado poucas
*!5tata ponco neste segando empenho,
S beneficência são incontestáveis (apoiados);
ilm
eSC°^'fnmiira actos de se pre-
recebem auxilio dessas sociedades, que
se mesmo negar os foro, de
*e metendo
SSS?«S&?
W^6JI?roBr^,conYÍdado uma das lojas inaçonicas, em
para

Brito, Visconde, do Uruguay....


' •de-Cayru,;
1 Barão Visconde de ***<£&**'fgffi£
nossa independência, o bi . -d a0
patriareba da ^10^
essa^ a%$%$*
deste Império. Aceitando uc cneie Zle
Furtado, nossos
mesmo tempo eleito para o cargo m*^ •
homens mais respeitáveis, que hoje janao
'^ ^ ev;
também considerado como Per*elt^ foic^XMisericordia, pêrmittic o ao Sr. José
muito longe de prever que o que usa c por

Clemente Pereira, provedor da Santa
muitos annos, ao Sr. Marquez de Abran^ to» ™ ^ uma here.
administração da mesma San a Ca a
do Estacio, quaim mim.
sia, uma offensa a religião d aflio
Lamdm e não
Aceitei o encargo dos maçons do emento
Wm me arrependo: decretem os nobres S^^'J|| xcmonlro s quizerem; .,
theologia e direito canonico qnatóas íeiaçoes ç
minha consciência está tranquilla, minhas
as, de um perfeito cbristão. riüfmuipv d fendei a religião do
aieUj
Não julgo conveniente, Sr. presidente,
Estado/ co°mo o fazem os V^^^J^^lUnJo,
ritos illuminados, que, como o nobre senauui y?
352
os interesses da
possuem tanto saber ecclesiastico, promovessem
religião no Brazil por outro modo, concorrendo para que se
eduque melhor o nosso. clero, para que se regenere o actual
(apoiados), para que os prelados edihquem os seus rebanhos,
evangelisando, diffundinclo a luz e a fé religiosa com as palavras
apostólicas, com o exemplo de sua dedicação a Deus e á socie-
dade, de quem são pastores. É assim que se deve fallar ás
consciências e não começando por expellir da Igreja Catholica os
membros de uma associação, que existia no Brazil ha tantos
annos, sempre como associação pacifica e beneficente. (Apoiados.)
É difficil a discussão com o nobre senador pelo Maranhão
nestas matérias, porque, além de ser elle muito competente por
sua erudição, o que digo sem ironia, tem o defeito de suppôr
os outros nada sabem inteiramente da historia e direito
que
ecclesiastico.

De sorte que nem mesmo quanto a Maçonaria, que estou


\

vendo, que estou praticando, me permitte S. Ex. que eu saiba


alguma cousa. ,
Seja-me, porém, relevado o recordar que em outros tempos íoi
a Maçonaria muito favorecida pelos papas; quando os maçons
tinhão o nome de pedreiros livres, gozarão de privilégios como
corporações mecânicas ou de artistas, e a esses obreiros se de-
vem os grandes monumentos do christianismo na Europa.
Bonifácio IV, Nicoiáo III, Benedicto XII protegerão os pedrei-
ros livres, conferindo-lhes importantes privilégios. (Apoiados.)
' ", ' ' '
•••••;.

E' que V. Ex. conhece a Maçonaria pelos livros de seus \


de-
tractores, interessados em quebrar o que julgão um extenso e
forte elemento do progresso social.
Depois que, no principio do século XVIII, a Maçonaria se con-
verteu em associação philosophica e em alguns paizes tomou
activa na política do dia, desde então começou a perse-
parte se li-
guição contra ella. Essa perseguição, Sr. presidente, não
mitou á excommunhão; muitos maçons subirão ao cadafalso, fo-
rão victimados. O que, porém, ganhou com isso a religião e a
política? Triumphou a verdade; a Maçonaria continuou a existir,
propagou-se ainda mais e hoje é por toda parte respeitada;
apenas em dous ou três Estados éra ainda proMbida até época
moderna, creio que na Áustria, na Rússia e na Hespanha; neste
ultimo paiz, o senado sabe que a Maçonaria está restaurada; em
toda a Allemanha ella floresce.
., Os maçons não forão perseguidos somente em nome do ca-
tholicismo; até o sultão de Constantinopla os perseguio: donde

V
— 353 —

» rtnp a nerseguição tinha outra origem que não a religião;


se yei!V influencia que elles exercerão por esses tempos so-
Pr0Vin Ireessos de alguns paizes. Sabe-se, por exem-
bre os mkx políticos
B,.etanha a Maçonaria concorreu para a restau-
^-t ínonarchia destruída por Cromwell; Carlos II subio ao
influencia dos maçons da Inglaterra e
Wní.«wntp de seu pai por
• dos da Escossia. , .,
PT Maçonaria que tem sido inútil para a
t B aS a quasi
á e neutra, de
Sn tem vivido inteiramente parte, pacifica
P de todos os credos encontrão-se nessas reu-
S^OC! te aueí políticos
fraternidade.
"o im a maior de que tanto se fallou, são allegonas
svmbolos maçonicos
nada significão contra a religião; não-se delles
„ trLSes que tanta dizem amen a ex-
senaaujp , que com piedade
r
os nobres senadores,
^!bres h alleguem 1SS0 como
heretkS ou heresiarcas. O te,nPlo de Salomão,
fide auefsS como uma das suas pedras
SraneS onobre senador considera
a manifestação do dogma de um
fesSdaf nl é senão primeira alluswa ás obras de arte dos
I Deus verdadeiro, uma recordação templo moral e imiver-
lio uedretro lvres, um symbolo do
ação christã deve reunir toda a humanidade.
Sem" aue a dvili
t re/syilos são tirados da *%>**£*«£&
não se dedignao de usai cia mymoiogid
«5n «ei pomo os que
até vêm uma blasphemia na, expreao
iPíopaganLo, com«rgws|ao tosse o
«Supremo Architecto do Universo ,,
essa formula na^jegore a sua
creador do mundo, e por
bedoria, o seu poder e a sua bondaue. sei (AP°lf°s;'. .
tudo o da Maçonana e que
T7mfim Sr presidente que e a nrtude
eximas St-amor de Deu!, do próximo

não só ™a «pstjçm t«^
Penso, pois, que é
erro grave, na política e na religião, o querey? . .
cruzada perseguidora contra sociedades Mg g^
dicadas no paiz, até hoje tão. pacificas as JMJI&S^ em que a
devem os auxílios de que vivem, contra sociedades
sinceros e dedicados, exemplos
religião catholica tem adeptos
" vivos das virtudes domesticas e soçiaes. suscitarão
nuestão
inna questão
Os actos do prelado de Pernambuco d°
de direito ou de competência, que esta submeti da
decisão a tempo, bem |^°
consideiaao
governo; este proferirá sua
negocio em toda a sua gravidade e alcance. ao
senador
nobie senaüoi
Pelo que respeita á questão de facto, peço
saber o que e a Maçonaua
pelo Maranhão que, quando quizer
no Brazil.... ......
' ' ' ' ' *, " ' '„„™ se deixe levar
• •i* converse com algum maçon biazneiro, Kvayilpirô u«w
não

-^a^íSKÍSÈSiliiaíi
354

os inquisidores disserão dessas associações, ou pelo que ura


pelo que
ou outro inaçon escreve no Brazil, usando da sua plena liberdade
de pensamento. Quantas cousas não se escreve sobre a religião
catholica que os próprios catholicos rejeitão e condemnão ? Quan-
tas heresias não se dizem a respeito do nosso direito constitu-
sem que seus-autores sejão proscriptos da nossa comnm-
cional 'política?
nhão Eu não seria muito temerário se, apoiado na
autoridade do nobre senador pelo Pará e em outras de igual
importância, observasse ao nobre senador pelo Maranhão que era
suas theorias, que me permittirá qualificar de ultramontanas, ha
verdadeiras heresias políticas, sendo que encontrão com máximas
expressas do nosso direito constitucional, como a que é relativa
ao placet.
6 nobre senador não julgue mal da Maçonaria, porque ella
a tolerância religiosa, porque em seu sem tem lugar
professa
todas as crenças e todas as nacionalidades. Sc isto e um crime,
a sociedade civil o está commettendo a todo o momento, porque
Sr. que o Brazil, por ser uma nação catho-
penso, presidente,
ica, não deixa de ter boas relações com as nações protestantes,
e até com a Turquia. de re-
Desde que a Maçonaria não trata nem de política nem
ligião; desde sua missão é puramente moral e beneficente,
que
fissa. fraternidade é natural e muito conforme á religião enrista
e aos interesses geraes da humanidade.
Sr. esta matéria — a Maçonaria no
Èu creio,' presidente, que
Brazil — está sob o domínio da razão e da censura publica, que
nao é um ponto de fé. (Apoiados.) Deus nos livre de queo carac- passe
semelhante principio, que nega-uos o direito de apreciar luncia-
ter e tendências de uma associação civil brazileira, sob o
mento de que o poder espiritual a declarou anti-religiosa. |e
amanlia
hoje admittir-se esse principio em relação á Maçonaria, no ana-
o mesmo poder dirá que outra instituição civil incorre
thema, proscreverá os seus membros, e a estes não restara outro
recurso senão calar, obedecer e soffrer....
.... e quem responderia á sociedade civil pelos profundos aba- se-
los que proviessem de tão extrema doutrina, á qual o nobre
nador pelo Maranhão poderia com propriedade chamar política
religiosa?
Não, senhor presidente, o carate/ das sociedades maçomcas no
Brazil e em toda parte não é dogma, não é matéria de te reli-
é questão de facto, que está sob o pleno domínio da razão
giosa, senacioi
publica. (Apoiados). Não pretenda, portanto, o nobre
- 355 -

. com a palavra de um juiz superior, que se diz


impor-m silencio , Maconaria. ¦ ...
ter condemnaau £ondetíinação contrft as sociedades brazilei-
Ne80M^onar a condenmada foi a da Europa em tempos remo-
ras; a !S Pontitice actual, mas por outros motivos e sem
t0S' i -S? se quer ô dar entre nós a essa censura cede-
civis que
qi
os effeitos & instM 5o Maç0mca na
a eoufusSo dapolítica com a religião; esse
***ít»â
Eiu-opa teve nofSa
poi
> »dc »'UrcnOYÍUio, mas não com a mtoleran-
wttona o. ^ conseqüência dos sueces-
^ ^
cia ^Tfífiá Sos que estão ameaçando exercer uma pen-
m da m oníh some sol c os sentimentos
prudencia da religiosos de toda a chns-
gpSa «Vencia parte daquelles
interpretes e os mais estrenuos de-
^ttem os melhores
Sores do catholicismo.
Tenho concluido. y
comprehenc erao que aquele
o mundo e a Maconaria cm geral M=,nomple-
«J* o «o
: ^defende k

*&8?*L'*toÍ SUP-'- Gr,. Mest,.! O povo Maço-


vossos talentos e
a^au^ cheio de enthnsiasmo por
* vos
vessas eminentes virtudes!

o Pr. Jobim o seguinte


Na sessão do 17 do Maio pronunciou
discurso *
. Sr. presidente, tratando-se deste «j*^,^ eu oibs
V. Ex que tenha alguma tolerância quando, | ^_
a
cousa que não seja absolutamente sobre em m^Ç^ e,™ta.^ este
ti. a ser relativa a ella e ao fim que me auv ^
Ex
pedido, porque ordinariamente |. e tou 101a, ,
do que a outros, quando pensa que
cousa que mio e immecnatanit
quando digo alguma
matéria.... ...
• '««^tSTqSÕ
.'...porque ás Ve.es'é necessário orno q^
para chegar melhor ao fim a que n s pr pomos, &
se dirige um tiro, que é preciso atastarmo nob
objecto para melhor acertar. reproduzidas iep em
Principiarei citando estas palavras, que loiao
outro recinto: 6
— 356 -

" E' invencível aquelle que resiste aos homens para obedecer
a Deus. .
São palavras que li em um discurso que se distnbmo com
nesta casa e que são de um arcebispo que desobedc-
profusão
ceu desapiedadamente ao seu governo. E é necessário que atten-
damos ao sentido em que ellas forão proferidas. O que seu au-
tor quiz entender por Deus? Pelo conteúdo do seu discurso
entende-se que Deus è a cúria romana ou o Papa, e por homens
dizer os governos, os civis, os soberanos de todas as nações.
quiz
Este sentido é evidente.
Por conseqüência, a preposição, no verdadeiro sentido que lhe
dar o seu autor, é uma blasphemia, uma impiedade. Não
quiz
se pôde dizer, no sentido em que elle a tomou, que c invenci-
vel aquelle que resiste ao governo de sua nação como resistio
Haneman para obedecer ao Papa; isso é uma blasphemia hór-
rivel.
Sr. presidente, é inadmissível, é anarchico e muito peri-
Isto, 'porque
a historia ecclesiastica que pôde ser estudada, c
goso,
consultada por todos, nos mostra quantos Papas tem havido que
tem errado mesmo em matérias de religião; houve um que sus-
tentou uma heresia horrorosa, que se assemelhava de alguma
maneira ao atheismo, ou arianismo, que foi o Papa Honorio, que
sustentou o monothelismo, e em conseqüência disto não somente
foi considerado herege, mas destituído do poder pontificai. Não
houve outros Papas que commettêrão também erros que forão
reconhecidos pela mesma Igreja e banidos delia? E não houve
um Papa chamado Estevão VII, cuja historia é conhecida? Tendo
um Portuguez bispo do Porto, chamado Formoso, ido para Roma,
suas virtudes conseguio ser eleito Papa, mas como fosse ri-
por
vai desse Estevão, que também pretendia então a thiára, logo
desenter-
que morreu, Estevão alcançando o pontificado, mandou em
rar o cadáver do Papa falleciclo, cortar-lhe a cabeça, plena
cúria, os dedos, os braços e atirar ao Tibre o corpo assim muti-
lado, que depois foi recolhido por pescadores e enterrado por
nma mulher piedosa em lugar que não era sagrado? Não houve
um João VIII, a papesse, como lhe chamão os francezes, e um
Alexandre VI, etc, etc?
Como, pois, podemos dizer que obedecer ao Papa é obedecer
V a Deus? Deixão elles de ser homens? As apparencias não são
¦Bi

essas. E' certo que quem vai á Roma vê, como eu tive occa-
sião de ver, no Vaticano, que quando passa o Papa todos se
ajoelhão e batem nos peitos, entretanto que quando passa o Sa-
cramento parece-me que fazem menos caso. Eu não aceito, por-
tanto, esta doutrina; o Papa para mim não ó Deus, para que se
deva obedecer-lhe em tudo, e por tudo, não senhor.
357

se fosse licito a qualquer, em algum caso rego-


q m-esidente,
- J com as desgraças do seu paiz, seria certamente occasiâo
Sljal bispos,
ikso o procedimento que têm tido agora os nossos oppuze-
Ç£ motivo para regosijo, digo, daquclles abulio que aqui se
suas forças ao decreto que o recurso aco-
Sn com todas
* rins decisões dos bispos, abolição, ainda que nao absoluta,
roa0 T*
fnuito os animou como muito bem foi aqui previsto. o nosso
raL os aue fizerão essa opposição muito se distinguio
saudosa memória (apoiados), o Sr. Furtado, que em
X„ fie
! fWurso que todos podem ver nos nossos annaes, mostrou
a illegalidade com que esse decreto tinha sido pu-
evidentemente c manifestamente muitas leis, e
S porque revogou clara
ás objecções que apresentou aquelle nobre se-
II se' respondeu nullo semelhante decreto;
nl mostrando que é inteiramente
senão com sophismas, com paralogismos e
Sn se lhe respondeu
Ô as, com argumentos a contrario sensu, com argu-
e lanações nenhum valor tm ao
S de analogia, com argumentos que
nada valem. Ninguém ate hoje
m consideracõel genéricas que
de Refuta? o discurso do nosso finado collega, que po-
Tcapaz
ripmns consultar em nossas collecçoes. de vista a re-
Senhores é necessário que nós não percamos
fez um nobre Portuguez, homem velho, espe-
commS SO qne ta S£
rimem* nas cousas deste mundo, que
de 10 annos, em que £*&*
elle o ent egou %
ao je
bastião até a idade enao
da avo do Rei, D. Cathann^
sinta Gonçalves por ordem« e a por onde
regente. Elle lhe disse: A Igreja, senhor, porta
tem entrado muitos desgostos para esta ^anarcTna.^ tngueza, _E^com
effeito, senhores, desde o principio da monarçh^p» foreirofc> Jto
D. Affonso Henriques foi obrigado a constituir-se
ma; porque? Para que Roma W>*lhe fizesse o^m^\
tempo de treva unndo s a
fazer na sua omnipotencia, nesse foio todos
Hespanha; por isso obrigou-se elle a pagar-lhe como
os annos quatro onças de ouro. „„*«,*„ an mou-o n pomo
como
Essa sujeição de Affonso Henriques ao Papa,
como os animou agoia este
animou aos bispos também, assim de.quem era
decreto que revogou o direito do recurso a coroa
direito soberano em todos os casos O resultado foi hgislai quãosbis
como
em Portugal direito de
pos assentarão que tinhão tivessem a menor rela
B em casa sua sobre todas as cousas que
ção com a religião, e legislavão de tal maneira^emefMm bens de raiz aos con
aos povos a deixar em testamento alguns
ventos, aos bispos e ás igrejas pro Uno ««g*« que
a mina completa do reino de Poisai,
que o resultado era a Roma ou ao 1 apa,
vinha a ficar pertencente na sua totalidade
que era o senhorio directo daquelle paiz.

r íauoáarfüà^^'**-
358

Então o 4 °
'e rei de Portugal, D. Sancho II, óppôz-se a isto por
contra esta opposição saldo a campo o arcebispo
um decreto, o decreto do rei, que
de Bra-a não querendo que se cumprisse
nenhum sacerdote, bispo, irmandade ou convento
determinava que mais bens de raiz sem o
compra ou legado
pudesse possuir por o rei esta representação do ar-
seu consentimento. Desprezando
de Braga, veio em soecorro o Papa excommiingando o rei,
cebispo da obediência que
e desligando o povo portuguez do juramento
sorte Sancho II teve de perder a coroa e ser
lhe devia de que
o qual achava-se nessa
substituído por seu irmão Affonso III,
Pariz, onde tinha ido aprender alguma cousa por-
oceasião em nem assignar seu nome sabiao.
que até então os reis de Portugal
' aprendendo a ler e
Ê' facto conhecido*que Affonso IlI-estava
Pariz, onde soube também o que se tmha passado
escrever em a«MlMta
com S. Lniz na pragmática sancçSo e le domínio umveis.il
paizes da Europa oppunhão ás pretençoes
veio para Portugal na intenção ,1
de Roma. Tendo aprendido, com effeito, e ella nao
vim ás pretençoes de Roma; resistio
senão conformar-se c calar-se, porque também
te?e remédio com a dos
nesse tempo se via em grandes dificuldades questão
um dos preceitos era condemnar os pa-
Sences dos quaes
to?m ndales e* ordens religiosas ^r^m^Ztl^i III, e dep)i e -|
Estas difficuldades fizerão com que Affonso
o desejavao, libeitai-se do
D. Diniz, seu filho, conseguissem que
domínio de Roma. se estabelece» oj£
1SSTo" reinado de D. Diniz qne
do estava estabelecido em ou ti os
atum regium, á imitação que
ate D. João 11,
este regium subsistio
paizes da Europa; e placitum
nos absolutos muitas
deixando então de existir porque governos
resultados se observão, por um motivo futi 1 e, t|
vezes grandes nações. Aimioi
culo relativamente aos interesses geraes das
D. João II revogou o placitum regium, para que o K^lll'
que tinha e muito amava
nhecesse como legitimo um filho natural que
vnem
de nome Jorge; e a conseqüência d'essa revogação ioi
depois para Portugal os jesuítas e a santa inquisição.
' 'e
Vierão* os jesuítas a santa inquisição, que tanto se afastavão soi,
#
de Christo, como a terra esta longe do
da Índole da religião a nob
manda amemos o próximo como
porque se Jesus Christo que
de religião,, um
mesmos, como é admissível que por diferenças
simples uma só palavra, se leve um noniem
por pensamento, por
a ser queimado vivo! n íeap-
E' o que fazia a santa inquisição e o que se deseja que
entre nós, é esse predomínio de Roma sobre nos, que
pareça
359

sustenta-se que a Igreja é independente, , e qne


«tende quando m a nossa
*> riso revogar o que está sabiamente estabelecido
l)ctituicrio isto é o plaeitum regium, para que toda a milícia
r\
•Si do'Papa possa fazer quanto quizer, e o nosso governo
Isto não é possível, não é admissível neste se-
Sxe a cabeça.
Miift desenganem-se. a Maconaria ,vinha desde o
% Presidente aqui, se disse que
iJmío de Jerusalém, que foi destruído maçons por Vespasiano c princi-
nor seu filho Tito; e que os não tem outro fim
Sente um ou
Co restabelecer o templo de Salomão. E' natural que
escreva cousas que não sejão exactas, porque a
Sv maçon a anti-
Sade é natural no coração humano: presume-se que
a nobreza, e que quanto maus antiga e uma
Idade augmenta Mas a origem da Maconaria data
iSão mais nobre é ella.
mais á nossa, data da idade media lemo
iSa próxima e a historia da
liuma obra escripta com muita gravidade,
f-|e da escravidão na idade média, obra dedicada ao bispo de
Armando Rivière: ahi se mostra de maneira bem
S Diniz por
ovidente ciual foi a origem da Maconaria. séculos, os bispos
Suelll época, particularmente no VIII e IX
inauditas contra seus eaptivos; erao elles, as
exercião crueldades maior numero de escra-
Imldades e os conventos que possuião os
tinirão em grande quantidade, exercião, para
, s e como estão *j
conter, as crueldades que nesta obra .^™P'^»
de Carlos Magno e das leis religiosas cie Alfiedo,iei
pitulares barbara, feita pelos bispos
de Inglaterra. Por essa legislação
o direito de arrancar o nariz de
inh o senhor sobre o escravo c ecepar-1 he as nmos,
cortar-lhe a língua, de cortar-lhe os dedos,
de castigal-o de qualquer maneua com-
emfim tinha o direito neste caso ma
tanto que o não matasse immediatamente, porque
três dias depois do ca,stigo nao
preso; mas se o escravo morria o escravo tmla o d-
havia motivo para prisão. Além disto
homem livre, P^»»^^
reito de queixar-se de qualquer
derado homo infamis, e os homens livres erao gentw-homens metacie
e os escravos constituiao quasi
(d'onde vem gentil-homem),
da população da Europa.
' masi tem-
Não erâo* escravos somente ôs povos conquistados
bem por muitos motivos se obrigava um homem livieia^ornar-se e nao tm m
captivo; assim, se um indivíduo contrahia dividas
meios de pagál-as, ficava; captivo de seu credor, e este podia
* vendêl-o porque era pecunia sua. , n
Car-
Tinhão os bispos esse poder e legislavão; os monarchas cia
los Magno e Alfredo de Inglaterra, era com os bispos lei, que
es
vão a lei, porque somente estes erão os que sabiao
3G0 -

fazer alguma cousa: os próprios livres que sabião crão


crever e
1*11*0 s
Ora essas crueldades extraordinárias praticadasfizerão pelos próprios
bisDOS aue erão os legisladores dessa época, com que
soecorro, porque no
amoarècessem essas sociedades de mutuo homens acre-
meio dessa barbaridade sempre havia alguns que
no essencial de Jesus Christo: amarmos a Deus
ditassem preceito
todas as cousas e o próximo como a nós mesmos; sempre
sobre conseqüência
houve quem acreditasse neste grande preceito; por livres, verda-
formavão essas sociedades em que entravão alguns desgraçados, para
deiros christãos bemfazejos, para soecorrer os de todo o modo
libertal-os, para, emfim, beneficial-os e protegel-os
qUpermittaev; desta obra em
Ex. que eu leia uma passagem " Quand Ia liberte est
que se faz referencia a esses actos. (Lê:)
arrêtée dans son cours, et son expansion naturellc,
moscrite, dans les tenebres
elle se creuse au lit souterrain, elle chemme
tortueuses, elle devient conspiration. Quand le des-
Dar des voies un Ia couche
notisme croit 1'avoir tuée et enterrée; pénétrez peu
(Pune nation, semble immobile et vouec; aunmorne
populaire qui
vous trouverez Ia liberte a letat latent, et me-
asservissement, en conjuration
le 1'opprime. Elle s'orgamse
naçant pouvoir qui Franc-Maçonnene, Samt
et s'appelle Ghilde, commune jurée,
Wahme, Jacquerie, etc. ..
feitas bispos,
E denois de descrever essas leis barbaras, pelos
vários extractos, como, por exemplo de ar-
das quaes apresenta eiao
rancarem-se reciprocamente os cabellos e as barbas, quando
'apanhados sociedades, continua dizendo: No le vm
nestas
le véritable droithumam, ne sont pas danslj ghse,
christianisme, dans les con-
mais dans les Ghildes, dans Ia Franc-Maçonnene,
de ces esclaves, de ces artisans, de ces pay-
jurations pauvres de l,eiu li-
sans asservis, qui s'unissent pour rever Ia conquete
be.rte s *
verdadeira da Maçonaria, senhores não toi
Eis-aqui a origem o-
sociedades que sonriao
outra. As demais pelas perseguições mas esta
rão-se transformando de outro modo e desapparecendo,
sua bondade foi continuando ate nos-
pela sua discrição e pela Ia toi
sos dias. Em Portugal ella só entrou em 1797, quando
destinada a assegurar a independência e n-
uma força ingleza muito
herdade de Portugal, pela qual sempre os inglezes tiverao
á Hespanha, do que por amoi d
zelo, talvez mais por aversão
Portugal.
• ••••*

Pois
V. Ex! está mais inteirado do que o autor desta obra?
não! Não acredito; pôde pregar quanto quizer, não o creio.
- 361 —

no requerimento de que se trata, per-


Mo* Sr presidente, tem tomado a res-
X% uúacs são as medidas que o governo
&£ L procedimento dos nossos bispos. Eu não sei quaes
Peí°n í? iovidencias que o governo possa tomar a respeito do
S<3J
a« hisnos estão praticando: elle o dirá. a conhscaçao das
qiFm no tempo do despotismo,
outío tempo, recurso, de lançavao mao os
\ ^nralidades era um grande que
bispos; mas hoje elles podem levar seu
SÍSeonter os e achão apoio, porque m-
relfum ponto extraordinário,
em matéria de religião está muito dado
SSStofVSw povo
ao fanatismo e ás superstições.
'
vêm aqui vender amuletos, nominas, pa-
fk harbadinhos, que estou persuadido que
ti e bShos (apoiados e não apoiados),
mal, o fanatismo e a supers^çao
2? fezeTSde' promovendo é muito maior do
S ensinarem que preste. Este mal
nos ter feito; um ou outro bene-
S? 2um Sc^É possão mal que
resultado não compensa o grande
21 imaeíleT tenha Aqui mesmo em orna
Sf tem vendendo bentinhos o patuás.
negocio.
da serra andão elles fazendo esse
' "*•

é a moral de Roma; venhão com


Eu sei qual' cousas; nao ^°*|||
faz difteiença
bem lá estive, e soube de muito boas
de qualquer outra grande cidade ck Emopa mtQ fanatism0j
Se em matena de ', 1» também
muita superstição e bem pouca^^Jl^S^àL, iui0i<w , neces_
em politica muita propensão para a l^^í^l^S- salm das m»
sario que procuremos por todos os modos
achamos, e eu nao vejo ouüo meio
cias desgraçadas em que nos
senão promovermos a instrucção publica o^mM assim ficaia o poj
|||S o em
e por todos os modos possiveis, porque do fanatismo
circumstancias de poder resistir ás seducçoes
demagogia. (Apoiados.) continua tu. a ser
.
Além disso nós vemos quanto o nosso povo
reprehensivel que e m^1
victima de uma avareza muito
tratarmos de acabar. Ouvi a um dos nosso ffg|^Í
gas, e em muito acredito, que os taPjJWg^J
quem lhes mandem cimie ornais
mèndando a todos os vigários que
dinheiro para ser remettidopara Roma. Ora, ^«to«e^o^omo
creio q„ePé, pois tenho
pergunto eu: ^^Z^?V2X^-
direito tem os bispos ueie dinheiro,
Que nao remete cUnlicno
neira um tributo? Se o desgraçado vigário
tem o bispo á sua disposição a e» informou comnmüa que po
o nao tem mais dneito
mm
w- ser elástica, suspende-o, e governo

^a^Gi*»s«rWi. <*¦>*•'*
/>"*-.
^

- 36» -

reintegral-o. Por conseguinte, ainda hoje, os bispos podem deste


modo estabelecer tributos. .
Demais, estamos vendo as quantias extraordinárias que elles
exigem por qualquer dispensa de casamento. O senado deve
lembrar-se do requerimento que aqui fiz ha tempos, pedindo ao
do Rio-Grandc
governo que mandasse perguntar ao Sr. bispo
com que direito exigia 500fj e 1:000jj por qualquer dispensa de
casamento; e o bispo respondeu que tinha direito, não sei fim-
dado em que, de exigir 2 % % da fortuna de qualquer pessoa
esse motivo. Ora, se o indivíduo tem 200:000$, o bispo
por
tem direito a exigir 5:000$ por uma dispensa; onde vai isto pa-
rar, Sr. presidente? E como pode elle saber ao certo que o
indivíduo possue 200:000^000?
A' vista deste procedimento parece que alguns dos nossos bis-
depois de terem estado em Roma, onde se portarão de ma-
pos as
neira pouco airosa ao nosso paiz, porque forão collocar-sc vigário nosso,
sopas do Papa, o que foi muito reparado por um
o qual achou extraordinário que os bispos allemães e de outras
ao
nações procurassem habitação sua e vivessem á sua custa,esta-
os nossos forão ser coramensaes do Papa, para
passo que dizia eu, os
rem por tudo quanto elle quizesse; parece-me, que
bispos vierão com a esperança de voltar depois de arranjarem
muito dinheiro para se fazerem cardeaes. Será satisfactono acon- para
nós vermos Brasileiros cardeaes, c mesmo papas, mas pode a cujo
tecer-lhes o que aconteceu ao bispo do Porto, Formoso,^ reten.
cadáver Estevão VI mandou cortar o pescoço, como ja
(Riso).
Portanto, Sr. presidente, não sei a solucção que o governo nos
a este requerimento nas circumstancias em que
poderá dar a ex mformata
achamos, visto o decreto, a meu ver nullo, relativo
tei,
conscientia. Não sei se o governo terá coragem, como deveao
cie acabar com esse decreto inteiramente nullo, que tirou go-
verno o direito de tomar conhecimento de todos os recursos sao
que
excom-
os padres em geral podião procurar, ou aquelles que
mungados podião ter para o governo, o poder soberano cia nação.
Sr.' aqui, porque para ser
Não continuarei, presidente, paro cuio
considerado herege, como tenho sido, basta o que ja tenho
no interesse do paiz e por amor da verdade.
— 363 —

19 de Maio pronunciou o Visconde de Souza Franco o


No dia
seguinte discurso:

« Pedi a palavra, Sr. presidente, para apresentar um requeri-


?i n respeito dos actos de invasão das autoridades ecclesias-e
o temporal, que assombrão o Brazil inteiro
fas sobre poder
em risco a sua tranquillidade.
lem mas
wrn é provável que d'alii resulte derramamento de sangue;
• e na minha qualidade de representante immediato da
A „ft«ivel a entrar na
Pará, eu me julgo duplamente obrigado
ISa do tardia do outro requerimento
SSSo sem esperar a discussão
religiosa, porque na província do Tara e
íe trata de matéria excitado o espirito talvez
E começou a luta e nella está publico,
outra província
São menos do que em qualquer de entrar nas dis-
Reconheço a necessidade que tem o senado
do orçamento, que hoje começa e da resposta
ru soes importantes ler. Como, nao cos-
Ulla do throno que se acaba de porem,
tempo á casa, espero que o senado me disculpe
umo tomar muito de matéria tao impor-
selhe tomar meia hora com a discussão
taNão não vou converter
vou tratar das questões theologicas;
senado em •** «£
JltíZ a converter'» çoncüicm»
e essas d sei s
rendas theologicas; e a razão principal po que>
soes, embora importantes, não trazem J^^JJ^2L(^ sobre elas. .
dos.) O senado não decide, não resolve nada de alguns dos
A minha questão é outra: socegar o espirito
Jw*d? Império qne ainda temem ,p* fflgffiJZ
blica, demonstrando eu que na Constituição ^«$y»
es
rio em o meios de conter as autorida
governo as mmedir de |*||||
semvrtvwem
na orbita das suas attribuições; de
usurpando junsdic ao tempo aL
nas dos poderes temporaes, ce cumprir o seu
E devemos ter esperanças que o governo ha
a Constituição do Impeno e a leis^mesmo
dever sustentando a sua auto
do Estado que esta firmada
porque é na Constituição força e com a
ridade; é das leis que provêm a sua governativa
execução da Constituição e das leis que um governo pode ganhar
a gloria de contribuir para a felicidade do paiz. ^ serei eu
Alguma demora tem havido nas providencias Nao desejavao
a censure, se bem que tenha sido d que
quem demora memo se
promptas decisões. Mas observo que dessa
e é o govori o tem üdo to
pôde tirar argumento favorável, que dacio
das as attenções com a autoridade eclesiástica; tem-lhe ao as
tempo para reflectir nos inales que viráõ a accarretai paiz
o

¦ '

^3Ííi**ÉÍÍ"*^
— 364 -

suas ultimas tentativas, os seus actos invasores. Portanto, sem


excusar a demora, ou censural-a, espero da energia do governo,
energia que nunca exclue a prudência, que elle tomará as pro-
videncias autorisadas pela Constituição e pelas leis e decretos em
Senhores, a questão vai-se tornando emmaranhada pela con-
fusão que se faz entre religião e Igreja; pela falta de descrimi-
nação dos actos espirituaes ou religiosos, dos temporaes ou mix-
tos attribuindo á autoridade ecclesiastica poderes que não têm,
nação e o senado não
que por sua natureza não pode ter. A do Império,
podem consentir que contra a Constituição taes actos. que jura-
mos sustentar, se pratiquem impunemente
Senhores, a luta começou na província do Pará. Em o dia 2
de Dezembro de 1871 appareceu publicada uma portaria do
Revm. bispo do Pará condemnando doutrinas de uma folha e pro-
hibindo a sua leitura, assim como a de outras diversas folhas ou
jornaes.

Pois eu vou mostrar o contrario. O nobre senador sabe que


não me atrapalhão os apartes, mas em uma questão destas, em
é sustentar o ,fio das idéas (apoiado), elles podem
que preciso
ser algumas vezes inconvenientes. (Apoiados.) Não é uma cen-
sura que faço ao nobre senador; dê S. Ex. quantos apartes en-
tender; eu tomarei nota daquelles que em minha humilde opi-
nião pareça que merecem immediata resposta. "
O Revm. bispo do Pará declarou na portaria que condemnava
as doutrinas de algumas folhas diárias ou periódicas. „ Nenhum
catholico negará a S. Ex. Rvma. o direito de reprovar doutrinas
contrarias á religião de Jesus Christo. Sou muito bom catholico
que vá até ahi. Mas a condemnação diz mais alguma cousa
para
do que reprovação e suppõe julgamento, depois da audiência das
- E, comtudo, não farei grande questão sobre esta expies-
partes.
são inconveniente da portaria. Nella, porém, continua o Rev. bispo
dizendo: " e prohibimos aos nossos caros diocesanos a leitura desse
Liberal do Pará), assim como de dous outros intitulados
jornal (o
a Tribuna e o Santo Officio.... e declaramos que commettem pec-
hh,
cado grave..*. »

A imprensa, esta salvaguarda das liberdades publicas,^ esta


alavanca do progresso e da civilisação, está sob a protecção da
Constituição do Império. A imprensa é livre em nosso paiz, e
embora alguns males cause, esses males cura-os a mesma mi-
prensa. TT .
O que diz a Constituição? Diz no art. 179 § 4.°... Vou ler
— 365 -

(lendo) « IV. Todos podem communicar


. m-onrias palavras: e escnptos; e
Fona pensamentos por palavras pubhcal-os pela
?s I«ci sem dependência de censura... „
imffo " communicar „ se comprehendem dous elemen-
pxmessão
: MjSmm e leitura. Prohibir que se escreva, e prolnbir
que se leia, é prohibir que se escreva,
o' s/leia• prohibir
f|| ;iingUem escreverá, ninguém fará publicações pela im-
^° L nara não serem lidas.
PTonheco legislação para regular as publicações e mesmo impe-
ha legislação nenhuma contra a leitura de folhas
JlTZb não lembrou-se de
o bispo do Pará quem primeiro
eriodicas. Foi
tnmá"vTolação «a Constituição; e se ella pas-
Tta «ffi£ bispo do Pará teria riscado este § 4;
JTcomo regra, oRevm.
E tendo tentado riscar ou feito riscar este § 4-
ifronstítuicão.
a Constituição m% na clisp0S1<ra0 do
d* mm
" Tentar direitamente e por
qp do código penal que diz:
igum ou alguns artigos da Constituição: Penas
fif d^nnf o crime se con-
tSho por % a 12 annos. Se
?e misso com trabalho 20 annos no grão ma-
suX Penas de prisão e com por
v L nor 12 no médio por 6 no mmimo. „ no nosso nem em
não são irresponsáveis e sagrados
Os £os tribunal os julgar, o Su-
i? fl têm no Brazil um para
do Império, pela lei de 18 de. Agosto
S5Tt& d" Justiça seus actos, sao passíveis de
§e 1851 Respondem, pois, pelos

toda anotado,o numej^ta.f*»™^


pela população
as tentaüvas de que o
sÊí

;„£!\f leis°T Serio^n/ra ™.mrmpia


bHhf

Revm. bispo é instrumento. dando tempo


Ü
Eu disse que a questão se acalmaria nP"™»fg|
9 m
re*çay»ea sPua
|ausu>
ao governo imperial para tomar qualquer
sabedoria lhe dictasse, porque houve r^SCeToRevm. bispo 1^
Pe"
pação do poder e jnrisdicção temporal—toda
t mporal ob a s 8
A imprensa é um estahelec.mend mogue ^
Constituição, sob a protecçao das 1 eis, ^
calar: o mesmo governo nao o podia, ojron nã0*tem
nao ju-
J
menos; e o Sr. bispo ainda menos o podia, porque
risdicção nenhuma nos negócios tempOTaes. da coroa v
.
Cabia então ao desembargador procurador

*SW

.. ¦ owí
-rt ,..^JHm JÜT-.*-***¦* -'" ¦'•"**
""J** „.; ¦ ¦ ¦ a ¦ ¦•— ¦
366

recurso á coroa, ex-officio, porque o art. 10 do decreto n. 1,711


de 28 de Março de 1857 diz que deve interpor.
Cabia ao presidente da província, pelo art. 3o do mesmo de-
creto, decidir provisoriamente a questão como conflicto de júris»
dicção. ,-.''- \das
E dado ao recurso ex-of/icio ou a reclamação partes o
effeito suspensivo (art. 12 do decreto citado), a portaria do bispo
ficaria suspensa e serenavão os ânimos até a decisão do governo
imperial.
Reclamação houve e logo, porém o presidente da província,
recebendo-a, remetteu-a ao governo imperial, sem declarar que
com o effeito suspensivo, como era da lei, e os ânimos conti-
nuárão excitados.
A imprensa é porém adversário muito poderoso para que os
bispos e a cúria romana, cujas ordens dizem que cumprem, per-
sistissem em lutar com ella. Parou-se ahi. Não recuou o Revm.
bispo do Pará e tanto não recuou que nas conclusões de sua
portaria de 25 de Março do anuo corrente, repetio a tomou prohibição,
a que aliás não deu grande andamento, e a luta outra
direcção. Escolhida a sociedade Maçonica para alvo da persegui-
ção começou ella e muito activa contra este supposto inimigo
da religião.
Sabemos todos que a congregação dos jesuítas é antiga adver-
saria da Maconaria, e dominando ella actualmente a cúria ro-
mana não quiz perder a occasião de os aggredir.
Expellidos da Allemanha, mal vistos na Itália, sem guarida na
Hespanha, com o poder e a influencia diminuídos na França, na
Suissa e em toda a Europa, escolhem o Brazil como anima ville
das suas tentativas.
Extincto pela occupação de Roma o poder temporal do Papa,
questão que não nos pertence, porém aos romanos, pensão os
jesuítas em restabelecêl-o e em estendêl-o a todo o mundo chris-
tão. E porque é que não começão pela Itália e vem perturbar
o pacifico solo brazileiro? Mostrem primeiro lá seu poder reco-
nhecido sobre a cúria romana, sobretudo depois que o ancião
respeitável e respeitado que occupa o pontificado, trabalhado ¦ pe-
los achaques de uma grande idade, e pelos desgostos de uma
longa vida amargurada, não tem forças para os cohibir nos seus
excessos.
Neste propósito de começar pela Maconaria, e escolhida a pro-
vincia de Pernambuco para seu primeiro theatro, expedio seu
Revm. bispo diocesano a circular de 27 de Dezembro de 1872,
em que manda aos vigários de Santo Antônio do Recife, da Boa-
Vista, do Recife, de S. José, da Capunga, e ao guardião de
367

dirigindo-se sem perda


Francisco e provincial do Carmo que,
i tempo ás irmandades, ordenem a seus juizes que exortem a
• ~os cujos nomes as circulares designão, a que abjurcm a
M^onâria. E se esses e mais maçons nãoirmandades, abjurasscm, mandou
p immediatamente fossem expulsos das porquanto
p taes instituições são excluídos os excommungaaos. as irmandades estão,
A luta começava de novo mal, porque
da exclusão de seus membros, sujeitas ás leis e au-
este ponto não cumprirão a
íoridades judiciarias. As irmandades, portanto, feito, incorrerião em res-
ordem do Revm. bispo: se o tivessem
e serião obrigadas a indemnisar seus irmãos, ille-
nonsabilidade, e Talvez tam-
ealmente expulsos, dos damnos, injuria prejuizos.
tinhão da
bem lhes pezasse na consciência o conhecimento que expellir. Não
religiosidade e catholicismo dos irmãos mandados
os bispos que têm consciência, e a de ninguém é isenta
sãoV
de respeitar as leis e autoridades. socie-
Ha até contradicção em suppôr que a Maçonana e uma mesmo
ao
dade política conspiradora no niuudo inteiro, e entender a deixar
tempo que ella escolhe religiões e obriga seus membros forças. Acrech-
a catholica 'contrario,
perdendo assim desnecessariamente
ta-se pelo e eu também acredito, que a Maçonana não
tem princidios religiosos exclusivos. maçons, os
Tivesse-os embora (admitíamos o que dizem dos
os cousiderão anti-christãos), não cabia ao bispo expediria
que esta exclusão
portaria para os expellir das irmandades, porque
mix-
excede as suas attribuições. As irmandades são instituições
tas, em muito pequena parte religiosas, em quasi tudo civis.
Diz-se que em outro tempo as irmandade forão meramente
religiosas; ignoro. O que sei é que as irmandades precisarão
sempre de alguns recursos para as despezas do seu culto^ Desde
que adquirião propriedade e meios, precisavão autonsaçao parae
possuil-os. Nenhuma corporação pôde possuir juridicamente
apparecer em juizo sem ser incorporada pelo poder competente.
Outra razão havia para precisarem a intervenção do poder
temporal: o thesoureiro de uma irmandade não incorporada peio
delapidar seus bens sem receio de aceu-
poder competente podia
sação por falta de pessoa juridica aceita em juízo em nome da
associação. _. .. . .AO
As irmandades podem contrahir grandes dividas e os irmãos
não são responsáveis senão pelas jóias e mensalidades com que-
são obrigados a contribuir, porque a sua responsabilidade e um
tada. Ora, não é possivel que governo nenhum deixasse de> en-
gir conhecimento de corporações com responsabilidade limitada
capazes no entretanto de contrahir grandes dividas com prejuízo
de seus credores; nem haveria indi\iduos que incorressem íes-

//
— 368 —

illimitada entrando em taes corporações não appro-


ponsabilidade
vadas O resultado seria que taes irmandades não existirião
senão' com a responsabilidade limitada conferida pelo poder tem-
a e bens.
poral, único competente para legislar sobre sãopropriedade civis; forão in-
Desde annos immemoriaes as irmandades
corporadas antigamente pelo desembargo do paço; passarão de-
autonsadas pelo
pois pela lei de 22 de Setembro de 1828 a ser
com o acto addicional, que separou das geraes as quês-
governo;
toes provinciaes e locaes, as irmandades passarão para a júris-
dicção das assembléas provinciaes, que pelo art. 10, § 10, são
competentes para decretarem leis sobre as associações políticas
e religiosas da respectiva província. n, ,
A intelligencia que dou ao acto addicional, e que as assembléas
decretem as regras para a incorporação e as appliquem os presi-
dentes das Não acho muito próprio das assembléas
províncias.
tomar conhecimento de actos particulares; mas esta
provinciaes
tem sido a pratica na falta de lei.
A lei n. 1082 de 22 de Agosto de 1860, assim como o decreto
de 19 de Dezembro do mesmo anno, nos arts. 27 e 33,
n 2711
firmarão e explicarão a quem compete approvar as irmandades.
A approvação do governo abrange quazi todas as disposições
dos compromissos; a da autoridade ecclesiastica limita-se a muito nos
a parte religiosa é muito pequena, sobretudo
poucas, porque
últimos annos, em que as irmandades se vão convertendo em as- de
sociações beneficentes, de soccorros mútuos, e até em espécie
monte-pios. Como irmandades já estavão sujeitas ao poder jutli- co-
ciario. Seus tribunaes e juizes desde tempos immemoriaes
or-
nhecem dos negócios das irmandades, segundo o disposto nas
denações do reino, leis e regulamentos. Quem o quizer saber cie
leia principalmente o art. 46 do decreto de 2 de Outubro
1851, das correiçoes. .
Como, portanto, em um bello dia o Revm. bispo de Pernambuco
ousa mandar por uma circular que sejão expulsos daé irmancla-
des alguns de seus membros? Era illegal o seu acto; as irman-
dades não podião obedecer-lhe nesta usurpação de attnbuiçoes
do poder temporal, nesta usurpação de jurisdicção temporal que
pode trazer sérios distúrbios.
Não era difficil acalmar a agitação em que tem estado a pro-
vincia de Pernambuco, se o procurador da coroa interpuzesse cie
logo o recurso lhe determina o art. 10 do decreto de 28
que
Março de 1857, se o presidente da província decidisse logo a
como conflictos de jurisdicção (art. 3 cio
questão provisoriamente
decreto citado) ou se, interposto o recurso, declaresse o presi-
dente que tinha effeito suspensivo por versar sobre usurpação cio
podnr temploral (art. 12).

j
369

n pffeito suspensivo repunha as cousas no antigo osestado, interdictos


sus-
rVa ordem de expulsão, as cxcommunhõcs,
até a decisão do governo imperial, cessando assim a
f areias
dos espíritos.
SJção
' observância'da Constituição? nem com a das leis?
Nem com'a
' do meu nobre collega revelão cousa muito
nh l estas palavras
«wlo^a' Ha plano de não obedecer á Constituição, de não
««W as leis! Não seria obedecida a decisão do presidente
* !?r meia não teria effeito o recurso interposto pelo desem-
da coroa! As leis se calaráõ porque ha
- ÍSS procurador
força superior que as lia de dominar.
uma
* senador em senado! As leis não
TTi« as'naiavras'de um pleno
os actos dos bispos; as (lispos.ções da Con-
,£ nada contra as sentenças dos juizes legues
tiSãò os dictames das leis,
força contra as dos bispos em matéria temporal, que
ní têm o senado ouve
O quer dizer isto, que
2 lhes compete! que
de certo com pasmo?
" com um elemento, do
Ó meu nôbrê collega'parece ter'contado
nestas oceasiões: o fanatismo da população,
«uai Te faz emprego „ obser-
TtS&S. ao governo e ás leis Felizmente que
a é a população obedece as m^M
vamos por
™2J, toda parte que eu Aqueles
esperando as decisões do poder compe
esses meios illegaes, com esse meios capazes
que contavão com do Império, de faz baqueai
de fazer retrogradar a prosperidade ;i
desenganar se
as suas instituições, esses eu creio que devem
c de patriotismo que nesta queb_
avista das provas de civilisação da coite cio ím
tão têm dado os habitantes das províncias e

como verdade, tudo quanto se diz contra


TdmSli-ém,
' o catolicismo dos maçons. A autoridade ec^sms|a^||o|a nao podia fulminai
excluil-os por acto próprio das irmandades;
interdicto contra as igrejas....
' se cor-
À autoridade ecclêsiastica faria mesmo muito mal para
rigir um ou outro indivíduo que entendesse que ° ™^L catno
cretasse interdicção que privasse a maioria dos devotos
licos dos officios divinos nas igrejas mterdictas.
' 'dirigidas' • • • . • *

Estas palavras nãô são a mim; são «|p|g i


verno imperial, cuja autoridade o nobre senador contesta
sustentai a oonsu
procureis diz o nobre senador ao governo,
— 370 —

tuição; não façais executar as leis, porque não tendes força para
as sustentar. '
Supponhamos que, como dizia, é verdade que os maçons não
são catholicos; que quem entra na Maçonaria deixa de ser bom
catholico; devião os bispos esperar a decisão do poder compe-
tente sobre a expulsão dos maçons das irmandades a que per-
tencem pela escolha dos outros membros.
No entretanto não se limitarão os bispos do Pará e de Per-
nambuco a dar como causa da expulsão os princípios religiosos.
A portaria do Revm. bispo do Pará, quero dizer, as instruções
de Março deste
pastoraes que elle publicou, com data de 25temporaes,
anno, trazem diversas outras razões e motivos e des-
tes motivos temporaes tira a conclusão que os maçons devem
ser perseguidos....
Ê a conclusão que tiro das proposições da longa e indigesta
pastoral de 25 de Março.
... . * . . . . * * * *

Desde quê um homem é expulso de uma irmandade como in-


capaz de nella permanecer em razão de suas opiniões religiosas e
políticas, esse homem que não pode ser supportado em uma irman-
dade, menos pôde ser supportado nas famílias, nas sociedades,
nas convivências; é pois, expulso de toda parte, é pois perseguido.
São'conclusões lógicas: á expulsão das irmandades se faria
seguir a exclusão da entrada nas famílias catholicas, que os ul-
tramontanos exigirião ou somente insinuarião se vencessem jis
exclusões das irmandades. Logo taes homens e suas associações
estão sendo perseguidos, e o serão cada vez mais....
Pelos bispos do Pará, de Pernambuco e do Rio de Janeiro: se
o poder temporal competente não impedir taes excessos, a auto-
ridade ecclesiastica, ou os jesuítas, irão ao ponto de fazer salnr
do Império os maçons e todos aquelles a quem lhes approuver
chamar hereges.
Esta confissão de V. Ex. satisfaz-me um pouco; livra-me de
algum desassocego. Não tem força, não pôde ter força para
impedir a execução das leis!...
Vou-me alargando mais do que desejo, mais mesmo do que
prometti. Não pode, porém, deixar de ser assim, visto que pre-
ciso demonstrar que não tem base a maior parte dos crimes que
o prelado do Pará attribue á Maçonaria, não a uma ou outra
loja, mas a todas, fazendo responsável, pelo menos moralmente,
todos os maçons pelo crime da communa de Pariz, pelos exces-
— 371 —

,a* revolução de 1789 eivada por certo de grandes attenta-


S0S
revolução de que o mundo tem tirado muitas vantagens
-o sua civilisação e progresso.
PalJL excessos são imputados á Maçonaria na pastoral do bispo
p£á como se os filhos e netos devessem responder pelos
?a« dos nais e dos avós; como se os maçons se entendessem o crime
toda Parte, fossem solidários e o crime denãoum fosse entrão na ca-
í01,nrfns' Todas essas aceusações absurdas
que tenha senso commum. Ninguém acredita
to de ninguém a Maçonaria, sejao
2tantos homens respeitáveis, pertencentes
nem ainda moralmente cúmplices de violências de
Hmosos e uma ou outra loja.
Slides e de escândalos commettidos por
cidade a Maçonaria não se entende entre si
£ ST nesta se admittir que
fl X e nem obra de accordo, como poderá
todo o mundo se entenda e concorra para actos
o Maçonaria de
dão o* nm ou outro paiz? Era dar a Maço-
rSso Veso superior á ella tem.
S nma força de cohesão que
o tem com isso a autoridade ecclesiastica ?
SnZío caso que estes actos pura-
Í tirou eTl'a'o poder de regular ou punir
muito obrigado ao pai commum dos
Üff «aes? Somos temporal dos
lÉáS^o que mostra na prosperidade
o incumbio de promovel-a directamente,
Soí mas Suguem e de ter nas
! dec etarl rnefo ! de fiscalisar-lhe i dos a execucção,
Stmpomes influencia superior P^^Ã.
*P0°t
HfiO lhe pertencem taçs »«f
diz o ^m
íteym. ui&i Scon-
Se fosse verdade tudo quanto dewao nu„c_
to a Maçonaria, meros conselhos ornaria P«toj
O piorou c
sentenças e ordens. governo js
nada. tona t
sarias, elle que sabe perfeitamente, qu
lojas maçonicas do Império, P^.ffif^^^Étó
Maçonaria por agentes seus, e ate pelo piesidente
de ministros. t0fi0 0 tempo l in-
Mas diz-se: é um grêmio prepara do para ^
fluir na política. Senhores, esta
outros ^^^S9©fe
fins e conspirai no W ,Vper-
pode a Maçonaria tomar
sigão-na desde já? A regra ^^«.^SStótS^ d sde os quep,
sociações seria intolerável: puna-se ja
metter crimes ou conspirar daqui a u,^ rriminoSos ouso-
alguns indivíduos v.r a ser .grand d ,
çue podem desde ]^~0\Y ^™
mente perigosos ao paiz sejao da actual Ma-
Nem é verdade que estes receios t#g*]-
do Brazil, nem é justa a pmiiçao picve ecretas.
çonaria
Christo de Ou-
' Diz-se ainda que Jesus leis as ^Mf autor sao¦ a
^ ei
lei *^
de 20
Será verdade? As nossas estaainu
tubro de 1823, que revogou a de 1818,
— 372 —

ellas estão muito legalmente estabelecidas, sem duvida porque


os nossos legisladores não acreditavão na veracidade da pro-
hibição divina, e que nem a Igreja acredita a prova a exis-
tencia da congregação jesuíta, a mais secreta de quantas asso-
ciaçoes conhecemos.
Quem não sabe, porém, que a Maçonaria não e sociedade se-
creta entre nós no rigor do termo? A designação não é bem
applicada, ao menos em rigor a sociedades maçonicas no Impe-
rio. Sociedade secreta é aquella cujo chefe, cujas autoridades,
cujas doutrinas são também secretas; e á sociedade maçonica
não está neste caso entre nós. Seu chefe é conhecido, são co-
nhecidos os outros membros officiaes, seus actos são sabidos,
publicados até em boletins.
No entretanto, o tal ou qual desgosto, a tal ou qual indispo-
sição dos governos para com as sociedades secretas foi um dos
motivos que fez que a guerra contra, os maçons tivesse a prio-
ridade. biiifríni
Contando os Revms. bispos do Para, de Pernambuco c do Rio
de Janeiro com o apoio do governo para inutilisar a sociedade
maçonica, ou ao menos diminuir o numero de seus membros,
trouxerão a luta para este terreno: enganárão-se.
Não desejo entrar hoje na distincção entre religião e igreja,
não discutirei, pois, quando foi que depois de pregada e aceita
a religião santa, que nós todos seguimos, a Igreja se foi orga-
nizando e tendo pastores, bispos, patriarchas, até chegar-se á
sujeição ao bispo de Roma, chefe aceito successivamente por to-
dos os christãos.
O meu douto collega que fez o primeiro requerimento e cuja
ausência sinto, aventou a proposição que esta luta é effeito de
uma propaganda, na qual a cúria romana tem vistas politicas e
nas quaes alguns bispos do Império a acompanhão; contestou-se,
porém, esta «asserção do illustrado Sr. Vieira da Silva.
¦'•'¦:'¦¦'' '

..•......*•••• •••••••••

Data, sim, dos séculos da idade média, dos séculos de barba-


rismo; teve interrupções, e, vencida muitas vezes> se levanta de
novo desde alguns annos, e com insistência agora no Brazil, com
esperanças cie melhor resultado. Agora, que o Summo Pontífice
foi privado de sua soberania em parte da Itália, tentão os jesuítas
restabelecêl-a no seu interesse próprio. Levantão, pois, cie novo
a questão, excitão-n'a por toda a parte, e o Brazil foi escolhido
como um dos paizes em que ella deve começar.
O Syllabus previnio os reis e os povos de que o Summo Pon-
tifice é superior nas questões mesmo temporaes, e as deve exercer
em todos os paizes catbolicos.
Senhores, esta propaganda vê-se, pois, até do Syllabus. Disse-

Q Q —
0/0

ciue o Syllabus era a cousa mais innocente do mundo. Não


terei ao senado, para seu melhor conhecimento, para não lhe
o' tempo; direi, porém, que o Syllabus é uma compilação
? mar
1 diversas peças, a saber: encyclicas, allocuçoes do Papa, letras
ostolicas, e a começar da encyclica de 20 de Novembro de
iluf primeira do actual pontificado, forão publicadas e vem col-
no Syllabus. Na encyclica de 8 de Dezembro de 1S64,
1 idas
Suinmo Pontífice, fazendo resumo de todas as disposições, ana- or-
Sena que- ellas tenhão força eas que vigorem, de sorte que
contestem.
thema sit a todos aquelles que
nessa encyclica de S de Dezembro se cliz que é também
Ora
bem-estar temporal dos povos que Sua Santidade promove.
E não tendo essas encyclicas, letras apostólicas, allocuçoes, rece-
o do governo do Império, são todos os seus princi-
bido placet em execu-
nios em grande parte sobre matéria temporal, postos do Syllabus que
cão'pelos*bispos do Brazil! E' em virtude de alguns de
tentão fazer calar a imprensa, expurgar irmandades
seus membros a pretexto de maçons, e se o conseguissem pro-
screverião a liberdade da consciência, que a Constituição garante
e o Syllabus condemna.
amostra do que contém o Syllabus, citarei alguns dos
Como me
80 números em que está distribuído; e devo declarar que
edição authentica da 5' pastoral do Revm. bispo do Ma-
sirvo da e o Syllabus
ranhão, na qual vem a encyclica de 8 de Dezembro,
traduzidos na língua nacional.
e condemnadas pela encyclica as
São reprovadas, prescriptas
seguintes doutrinas ou princípios:
« N. 24. Que a Igreja não tem poder de empregar força, nem
poder algum temporal directo ou indirecto. _ .,
encyclica de 1864, com referencia as
Condemnado assim pela
letras apostólicas de 22 de Agosto de 1851, o |MM* teppw*
Igreja não tem de empregar a força, nem poder
poder romana entende que a
algum, o que se segue é que a cuna
Igreja tem temporal e pôde empregar a força. MWe
' poder este deve en-
nenhum paiz civilisado lhe tem concedido poder,
o reclama: que começou a^ pi opa-
tender-se que a cúria romana
ganda desde 1864, pelo menos; e que os. actos as&$*»$£ ip§»Mf|
Pará, de Pernambuco e do Rio de Janeiro contra começo cia
instituições mixtas, e na sua parte temporal, sao o
usurpação dos poderes do Estado.
de que fallou o illustiacio
E' uma das provas da propaganda
senador pelo Maranhão. , ,e-he ,, , ..
„ a^buido
« N. 25. Além do ao episcopado
poder inherente ou tacitamente pelo im
outro poder temporal, concedido expressa
- 374 —

perio civil, que o mesmo império civil pôde revogar quando lhe
aprouver. (Letras apostólicas supra.) „
Da condemnação deste principio se segue que os bispos não
são empregados da nação; que os bispos não podem ser incuni-
bidos pelo poder civil do Império de nenhuma funcção publica
que elle possa exercer; ou que, conferida a autoridade, não lhe
pôde mais ser retirada, porque o governo do Estado não lhe é
superior, e nem elle subdito brazileiro.
Quem admitte estas proposições, admitte que a soberania da
nação brazileira não é completa a respeito de todos seus func-
cionarios; que o art. l.° da Constituição que diz que a,nação é
independente, não admitte laço algum de união ou de federação
que se opponha á sua independência é letra morta. Com taes
princípios a respeito dos funccionarios denominados bispos, o
art. l.° estaria nullificado, e, serião os bispos subditos do chefe
da Igreja e não do Imperador. A obediência ao chefe do Es-
tado nas matérias temporaes estaria coarctada e estabelecida uma
espécie de federação sob a suprema clirecção do chefe da Igreja.
Proclamar estas proposições e executa-las é riscar o art. l.° da
Constituição, é tentar pelo menos riscal-o; e se ellas vigorassem
na pratica, estaria riscado por esses que proclamão e estão pondo
em execucção os princípios do Syllabus.
Ora, tentar contra os poderes do chefe do Estado, riscar ar-
tigos da Constituição do Império, são crimes previstos pelo Co-
digo Criminal.
'lhe
Êu citarei o art. 68, o art. 86, o art. 87 na segunda parte,
e o art. 90 do Código Penal.
Art. l.° da Constituição: "O Império do Brazil é a associa-
ção política de todos os Brazileiros; elles formão uma nação li-
vre e independente, que não admitte com qualquer outro laço....
Não se diz só isso; e sim que os Pontífices têm força e po-
der temporal, logo têm força e poder temporal sobre o Brazil,
e alguns bispos a estão exercendo em matéria temporal.
Eu os li; e também os li ao senado que nos ouve.
Não duvido. Lerei ainda alguns; o ultimo, n. 80, diz: " O Pon-
tifice romano pôde e deve transigir com o progresso, com o libera-
lismo, com a civilisação moderna. „
Os que tal dizem são anathematisados, e taes princípios re-
provados, proscriptos e condemnados na encyclica de 8 de De-
zembro de 1864, e na alloc. de 18 de Março de 1861, e pois
375

Summo Pontífice se declara assim inimigo do progresso, co: com


não pôde transigir; e inimigo do liberalismo, com quem nâ„ IO
w

nuem da civilisação moderna, com quem não


nóde transigir; e inimigo
nóde transigir e nem acompanhar em sua marcha triumphante.
* 'do*
ge n. 80 se conclue que o Summo Pontífice não pode
transigir com o progresso, com o liberalismo e com a civilisa-
cão moderna, segue-se média; que é melhor o atrazo, o despotismo, e
barbarismo da idade e que os seus agentes fieis o
o
elevem acompanhar na propaganda para voltar a esses tempos
felizes da Igreja. Muitos Pontífices pensarão o contrario.
Se sntenclem que no Brazil é licito conspirar para privar o
chefe do Estado, o governo, de algumas de suas attribuiçoes
constitucionaes, permittão ao menos que também proclamemos o
dever de obedecer á Constituição e ás leis. Sao membros da
Igreja os que se dizem unidos e que recebem ordens do Summo
Pontífice, ordens que os catholicos do Império tem entendido
partirem'da congregação dos jesuitas.
Subserviente ou director a questão seria a mesma. Devo, po-
rém, fazer ao Summo Pontifico a justiça de crer, porque res-
muito o chefe da Igreja, que elle não toma parte nessas
peito
ordens que violão a Constituição e leis do Império, que atacão a
autoridade do governo e põem em sobresalto os habitantes do
paiz. • -
• -. •
.•

A grande idade consente muitas vezes condescendencias que


não se terião no vigor delia.
Sem duvida' é conjectura, porém com bases, porque estamos
vendo que os jesuitas açodem em grande numero ao paiz e que
os actos de usurpação da autoridade temporal têm coincidido com
a recente chegada de agentes jesuitas e são por elles defendidos
no púlpito e na imprensa.
Para chegar ao ponto de arrostarem as leis começou-se por
desprezar e abertamente violar o alvará das faculdades de U de
Abril de 1781.
• • • •

Não é dogma, mas é lei para todos e também para os bispos,


que estão obrigados a cumpril-a. Estaremos, os Brazileiros, so-
mente sujeitos ao cumprimento dos dogmas, e sem leis que re-
guiem nossos actos e os actos dos funecionanos ecclesiasticos i
E' o que pode parecer do aparte do nobre senador.
O alvará das faculdades determina que os prelados, assim que
se der vacância de qualquer beneficio ecclesiastico e cura d alma,
o ponhão em concurso e apresentem até o numero de três, os
— 376 -

que melhor provas tiverem, ao governo para escoler um, a quem


'collação.
a autoridade ecclesiastica confere a A maior parte dos
bispos do Império não pôz mais em concurso as igrejas paro-
chiaes, tentando assim evitar que o poder temporal tenha influen-
cia sobre a escolha dos parochos.
Esta escolha que a lei confere ao governo supremo, os bispos
de grande parte das dioceses brazileiras chamarão a si para do-
minarem os parochos que, sendo pela mór parte enconimenda-
dos ou temporários, estão sujeitos á demissão ou remoção á
vontade dos prelados.
E agora a regra, que vê-se nos jornaes, é a nomeação tempo-
raria para as parochias do Rio de Janeiro: vigário encommen-
dado para tal freguezia, por um anno, para tal outra por um
anno, é o que publicão os jornaes da corte.
Sempre se disse que o vigário se casa com a sua igreja, é
perpetuo; hoje não. E como isto não era ainda bastante come-
çou-se a nomear para vigários encommendados a sacerdotes es-
trangeiros que são hoje os preferidos aos sacerdotes nacionaes.
Senhores, eu não deixei passar desapercebida esta nova espe-
cie. Em pareceres do conselho de Estado, em 1863 e 1864,
notei a inconveniência da escolha de padres estrangeiros, deixam
do-se á margem Brazileiros muito dignos, sacerdotes de tanto ou
maior mérito do que os estrangeiros desconhecidos, e os quaes
me parecião poder melhor desempenhar os encargos de parodio.
Agora accrescentarei outro argumento: o lugar de parodio é em-
prego publico, o estrangeiro não o pôde exercer....

.... não ha exemplo de sua collação. Também os padres es-


trangeiros nomeados são muitos delles regulares, quando nunca
regular nenhum Brazileiro foi escolhido parodio: os regulares
não têm direito a empregos públicos. .
Como se ainda não bastasse, veio a suspensão e interdicçao
ex informata conscientia pôr os sacerdotes brazileiros á mercê dos
bispos.
Temos noticia de um ultimo acto do Revm. bispo de Peniam-
buco praticado contra um dos sacerdotes de mais illustração, de
mais respeitabilidade, de mais moralidade no Brazil (apoiado),
suspenso ex informata conscientia. -.-. .
/ E o que quer dizer suspenso ex informata conscientia^ Quer
dizer suspenso pelo-único juizo do bispo sem provas nem pro-
cesso; suspensão a que não se dá recurso algum, e dura o tempo
o bispo a *
que quizer: até perpetuidade!...
......... «.»..•••••••

Não tem recurso nenhum; não o pôde ter aproveitável, porque


não ha processo nem provas que regulem o juizo ad quem, e se

#
— 377 -

, gge recurso deixaria de ser decisão ex informata conscientia,


hindo por si mesmo o dictame da consciência do bispo, quando
sSjeito a outro juiz.
• a negação do não aclopto) é
gerja também principio (que que
n ciso c|ar aos bispos toda a força para disciplinar o clero....
' foi o poder temporal quem deu esta autorisação
Pelo contrario,
aos bispos no decreto de 28 de Março de 1857. A respeito de
exercito, em que uma disciplina rigorosa é precisa, ninguém se
tem lembrado de dar aos generaes, aos chefes e aos subalternos
o direito de impor penas á sua vontade e nem ainda na mari-
nha Foi só a classe sacerdotal, aliás mais illustrada e na qual
a desobediência é rara, e sem perigo eminente, que seé julgou a ver-
necessário sujeitar ao arbítrio dos bispos, porque esta
(ladeira traducção da ex informata conscientia.
'
Se a consciência se leva pelos factos, se ella está sujeita ao
juiz a vontade também o está, e quando se diz a vontade pôde-
não
se suppôr a vontade illustrada, bem dirigida. No entretanto seus
ha uma autoridade que tenha o direito de impor penas aos
subordinados, de os condemnar á sua vontade....
*

. estava este arbítrio reservado aos bispos que captrvarao


."¦;
:...-. ~

assim o clero do Brazil, onde ha tantos sacerdotes que, estou


certo, se declararião contra os últimos abusos e invasões do
temporal, se não estivessem sujeitos ao arbítrio dos bis-
poder Faria, alias carregado
pos, do qual não escapou nem, deão Dr.
de annos, de serviços, c que tem oecupado os mais altos cargos
da Igreja pernambucana. .informata
O deão da cathedral de Olinda, ha pouco suspenso ex
conscientia pelo Revm. D. Vital, disse que o íoi porque se üic
attribuia alguns artigos a respeito dos jesuítas. Este iacto, se
houvesse dellc recurso para o juízo ecclesiastico, o Eevm. bispo
de certo o não praticaria. Não se sujeitaria elle de certo ao
exame judiciário de acto, a que se assignala motivo, que sencio
tão condemnavel, me parece até inacreditável. Fosse porem qual
fosse o motivo, o acto é merecedor de censura.
Senhores,' todos respeitamos os nossos prelados. Eu acato os
bons....
'não •

Vou acabar." Eu os acato,' mas os supponho superiores


aos outros homens, não lhes attribuo qualidades, que^so penen-
cem á divindade, para lhes conferir poderes de que nao haja re-
— 378 —

curso Sobretudo nunca concorreria para que tenhão attribuições


contrárias á Constituição, que não consente que ninguém seja
iuleado senão em virtude de lei anterior, pelos tramites nella
marcados e com as penas também anteriormente fixadas.
O beneplácito também está condemnado no Syllabus n. 20 e
condemnaclo por todos os nossos bispos que escrevem até pela
imprensa contra elle; entretanto, estando elle prescripto no § 14
do art 102 da Constituição do Império, o governo tem obriga-
cão dê o sustentar. E nem se diga que a assembléa geral, por
exemplo não é competente para conhecer da tem conveniência da
das bullas. A assembléa geral não de conhecer
publicação
das doutrinas theologicas ou religiosas, mas se a bulla ou cartas
apostólicas, respeitando as doutrinas aceitas pela Igreja, não
usurpão poder e jurisdicção temporal.
Eis o fim do beneplácito: garantir o poder temporal contra as
as usurpações da cúria romana. |
Sr presidente, vou cumprir a recommendaçao de V.Ex. pondo
fim âo meu discurso. Em outra occasião darei maior desenvolvi-
mento a algumas das questões de que tratei.
Felizmente temos na Constituição, 'autoridadesnas leis e decretos em vigor,
de conter as invasões das ecclesiasticas, c
os meios neces-
todos esperamos que o governo os execute com a energia
cio
saria, energia que.não exclue a prudência. E não o demovao se-
cumprimento desse dever as palavras ou ameaças do nobre Des-
nador que diz: " Tentem-o se são capazes, facão, etc. „ com
de nosso paiz se os ultramontanos pudessem dizer
graçado em
razão ao governo:—não executai a Constituição, não ponde
execução as leis contra as usurpações das autoridades ecclesias-
tica porque sereis vencido e derrotado.

• •*. / ¦
379

Secção de Correspondência.

Do Pod/. e 111/. Ir.-. 3o Albert G. Goodall,


Qrf. Represr. do Gr.*. Or.\ c Supr. Consr. do Brasil, junto ao Supr.
Consr. de Boston.

(traducçao.)
— Recebi pelo
Pod/. e íll.;. Iiv. 33/. Dr. L. C. de Azevedo.
ultimo paquete os boletins ofíiciaes do vosso Gr/. Corpo, aos
pães tenho prestado a devida consideração. Incluso encontra-
reis uma carta do Resp/. Ir/. Harvey W. Walter, vosso Gr/.
Repres/. junto á Gr/. Loj/. de Mississippi. O diploma do vosso
Gr/. Repr/., que lhe foi enviado por intermédio do Gr/. Secret/.
da mencionada Gr.*.Loj/., extraviou-se no correio; peço-vos pois
lhe envieis outro, devendo ser-me dirigido afim de lh'o re-
que
metter.
Parto para Europa no dia 3 de Maio c regressarei em Agosto.
Sou muito fraternalmente vosso Ir/, e amigo. (Assignado) Albert
0. Goodall, 33.-., Gr/.Repres/. New-York, 22 de Abril de 1873.

Do Pod.'. c 111.'. Ir/. Harvey 1. Walter,


Gr.-. Repres.'. do Gr.\ Or.'. do Brazil, junto à M.: B.'. Gr.'. Loj.'.
de Mississippi, ao Or.\ de Jackson.
(traducçao.)
Azevedo, Gr/. Secret/. — O 111/.
Caro e 111/. Ir/. Dr. L. C. de
Ir/. J. L. Power, Gr/. Secret/. da Gr/. Loj/. de Mississippi,
communicou-me, logo que cheguei para assistir a annual sessão
da dita Gr/. Loj/. e effectuada no mez de Fevereiro ultimo,
ter-me remettido o meu diploma de Gr/. Repres.'. do Gr/. Or/.
do Brazil ao Valle do Lavradio, junto ao Gr/. Corpo maçomco
de Mississippi. Extraviou-se no correio, visto como o nao re-
cebi. Certo porém de ter sido designado para tal cargo, con-
senti ser apresentado como tal, sendo recebido na qualidade de
— 380 —

Gr.'. Repres.*. do vosso Gr.'. Corpo pela Gr.-. Loj.-. de Missis-


sippi, fazendo-se-me as devidas honras. A' vista do que expuz,
a Gr.'. Loj.*. de Mississippi reconheceu o Gr.*. Or.-. do Brazil,
ao Valle do Lavradio, como o legitimo representante da nossa
Ordem nesse Império.
Brevemente vos enviarei os Proceedings da nossa Gr.-. Loj.*.
Envidarei sempre os meus esforços em advogar a causa do vosso
Gr.-. Corpo e em manter as fraternaes relações que existem en-
tre a Gr.-. Loj.-. de Mississippi e o Gr.-. Or.*. do Brazil ao Valle
do Lavradio, a quem peço apresenteis meus cordiaes agradeci-
mentos pela distincta honra que conferio-me nomeando-me seu
Gr.'. Repres.*.; quanto á vós, aceitai os protestos de minha es-
tima e consideração. Sou muito fraternalmente vosso Ir.-, e
amigo. (Assignado) H. W. Walter. Holly Springs Mississippi, 22
de Março de 1873. r

íiii\ '

> ;>2
381

Bulletin pour PÉtranger.

Nous publions dans ce présent numero le discours du séna-


teur Vieira da Silva, l'un des plus beaux talents de notre aréo-
page législatif.
On ne peut s'exprimer mieux et avec plus de concision.
Cest qu'une opinion arrêtée, une idée éclairée par Ia réfléxion,
ne demande qu'une simple énonciation pour être comprise et
jugée.
Ce discours est une victoire remportée sur les orateurs char-
gés de propager à outrance rultramontanisme monstrueux devenu
politique cléricale, qui par le temps qui court n'est que dur et
irréfléchi.
Tous les jours les journaux profanes publient des articles qui
prouvent aux lecteurs attentifs que notre Institution marche
pleine de confiance dans les lois du pays et dans le dévouement
de cliacun de ses membres.
Ce qui démontre cette grande vérité c'est Ia correspondance
active que nous entretenons avec les puissances étrangères pour
lesquelles nous sommes souvent les intermédiaires ou les arbi-
três des SSupr.*. CCons.-. et des GGr.'. LLog.'.
Que Charlestown se souvienne de nos bons services envers le
Supr/. Cons.\ de France, ou nous avons accompli nos devoirs en
vrais et fidèles Franc-maçons.
II se peut que les journaux quotidiens parlent davantage d'un
centre franc-maçonnique quelconque mais, à coup súr, nos efforts
et nos travaux sont considérables.
Nous marchons régulièrement; et dans ce moment nous soute-
nons une lutte pleine d'accidents qui reclame de notre part de
Ia prudence et de Ia fermeté.
Notre journal accompagnera le granel mouvement qui se fait
autour de nous.
La loi se fait entendre au sénat par Ia voix autorisée du Pré-
sident du Conseil, le Vicomte de Rio-Branco, notre cher et 111.'.
Gr.'. M.-.
Son discours, prononcé le 18 courant, a été une splendide
— 382 -

victoire remportée par le parlement sur les ennemis de notre


Ord.\
La parole conciliante exprímant une idée digne et juste, trai-
tant les contradicteurs en argumentateurs autorisés, montre au
monde jusqu'oü peut s'élever un peuple libre qui n'aspire qu'à
Ia justice.
Ceux qui ne le connaissent pas trouveront dans son discours
le type de son noble caractère et un rare esprit cVappréciation.
Le Vicomte de Rio-Branco, homme cVÉtat et éloquent orateur,
possède tous les avantages d'un homme supérieur.
Sa taille et sa physionomie nous retracent 1'image des grands
apôtres de Ia civilisation.
Rien n'y est dur, tout y est expressif, mais aussi tout y porte
1'empreinte de Ia force du caractère et de l'énergie Ia plus
décidée. b'í1kÒd â ittOfc$o'i{\ ftikj
A Ia douceur du caractère brésilien il joint cet esprit fin et
bienveillant qui sied si bien à un homme haut placé.
A Ia tribune, comme au salon, on le trouvera toujours rempli
de cette délicate courtoisie qui remi 1'homme du monde sympa-
thique et le fait respecté de ceux qui l'entourent.
Tel est notre Gr.-. M.\, cher au peuple maçonnique; telle est
Ia figure de 1'homme d'État supérieur, tel est le Président du
conseil actuel.
II brava naguère aux chambres les discussions à 1'égard de
1'élément servile; aujourd'hui, au sénat, il défend en vaillant
champion Ia liberte de Ia pensée et Ia civilisation du Brésil, me-
nacée par quelques esprits retrogrades.
Nous publions à Ia section historique son demier discours au
sénat, répondant catégoriquement à tous les partisans des idées
exagérées cVun ultramontanisme outré.
Le jour suivant Ia parole a été accordée au Vicomte de Souza
Franco, ancien Ministre des Finances, qu'il a dignement adminis-
trées et homme d'État remarquable par ses vastes connaissances
en jurisprudence; ala tribune, il est un type de Ia sévérité ân-
glaise se jouant des difficultés avec toutes les ressources d'un
savoir profond.
Ayant Ia parole facile et claire, il est rigoureusement logique.
Son dernier discours se basait surtout sur Tinterprétation du
placet et son application, faisant parfois des citations de nos lois,
BBB —

ceux qui ne connaissent ni le Brésil


dignes (Vêtre appréciéeséminents.- par
"e i5P„ hommcB d'État dilemmes, de
réfutations dans des
fermant ses propres
tout 1'avantage de 1'orateur victoneux et Ia u-
fr,il remporta encore franchi les
Ia discussion n'avait pas
lüère se fit là ou
umifPQ du vrai et du faux.
"Te ,
sena-
Franco avait été précédé par le
Vi* de Souza de Médecme de Km de
Ia Faculte
te„r Job m, jadis directeur de
t3 livn càractère grave, observateur spirituel et piquant. a„*
ornements; c'est un lacédcmonien
m- Tmi ne les Connalssan le monde
sévères.
formt p éci s et aux ddcteiries kurs maladies mova es II -
í ta holes, 11 connait aussi de son esptt caustrque et de
te les te*, non sans les tléttir
" il a èontracte rbabitude de
Zt «riongtempts professem-, ancune hes.ta.tiou,
sans contrainte et sans
JlTl d SL recente paüem-
e„ face d'un auditoire qui
Sfc croU tou^s amsi i
ment Et pourquoi n'eh serait-il pas
son caraetere, son sa
N'est-il pas un homme respectable par
voir et ses services au pays ...^p
<les droits que nul autre ne possede.
Son air paternel lui donne
Son discours annonce 1'homme.
II est clair et positif.
le cadavre il disseque Phomme pene
IZ Se —e sue
arriver à ses défauts et à ses passions. «n
II nous donne le compte-rendu de son Ia banchante,
' II fféloquence phrase
prefere à toute espèce de¦ liaee. g
vérité devoilée; enfin, l'anatomie
Et son discours fut ainsi une !f «^ trouvei Zstú
u «* k
mis qui ont assiste à leur defaite sans

mot à répondre ? Non ^


Tans tiouver un seul
lis répondirent tout bas, o» tan »P dénégat.iolls.
bert
nonçant des absurdités ou fa,sant a ^ras",
tout P les
Aussi, après une plus ample connawsaace
a-t-il abandonnés et a refusé de «**%»j£^ ««"
vaganees de jésuitisme greffées sur toute cette période
p re-
La presse fut trop silencieuse pendant

¦..."'V
V-.^„-:t
- 384 -

de Tunité de 1'Italie; on accorda trop de répit aux cons-


muante
de Ia conscience, et le Byllabus apparut.
pirateurs
Rome devint menaçante.
Tous les peuples furent envahis par des ambitieux portant
1'étendart des mystères d'Antonelli.
Les secrets conspirateurs du monde défendaient 1'existence des
sociétés secrètes.
La Franc-maçonnerie figurait à Ia tête de Ia liste des excom-
munications.
Anathema sit à Ia liberte et à 1'unité.
Anathema sit à Ia raison éclairée produisant Ia civilisation
chrétienne. \
Anathema sit à tous ceux qui réfléchissent et qui admettent Ia
possibilite du scanclale romain.
Dans 1'opinion de ces messieurs de Rome le monde devrait
être noyé dans un océan d'anathèmes.
On établissait un purgatoire vivant à 1'usage de tous les franc-
maçons.
Cette nouvelle théorie de 1'hydre cléricale se presente partout.
On pourrait penser comme on voudrait, mais le monde mar-
cherait trop vite une fois qu'il serait débarrassé de Ia Savnte
Inquisition.
Malheureusement aujourd'hui il se sent trop habitue à Ia to-
lérance et à Ia liberte de conscience pour accepter des idées
vieilles et usées.
Ceei ne veut pas dire qu'on ne trouve pas dans tous les pays
des amateurs d'antiquités d'autant plus précieuses qu'elles sont
plus rares.
La France, Ia Suisse et 1'Allemagne possèdent ces diffamateurs
du talent et du savoir.
Pascal mourant laissa trop beau jeu aux ignorants.
II eüt mieux valu qu'il emportât au tombeau ses maximes si
connues et ses appréciations si respectés; mais comme ce ne
sont que des maximes, les ignorants, toujours liardis, n'en tien-
nent aucun compte.
Nous possédons aussi au Brésil quelques amateurs de ces an-
tiquités, admirateurs du Syllàbus et le suivant rigoureusement.
Nous ne chercherons pas à savoir s'ils sont tous sincères;
385

nullement de notre compétence, mais nous pouvons


ceei n'est
'amrmer qu'ils ne sont pas franc-maçons.
monde pensera ce qu'il voudra de ces hommes qui pour
Le Dumas. /

des liommes-femmes, dignes de Tétude de M.


nous sont
Ils ne portent pas de barbe.
Ils se tiennent à 1'écart,
Ils sont vindicatifs et haineux. instruments
d'aimer les enfants pour en faire des
Ils feignent
de leur secte. leurs
Us se servent de Ia parole pour déguiser pensees.
Ils sont en contradiction avec tout le monde.
désire des colons actifs, honnêtes et ge-
Cet Empire posséder sur
de ces hommes-femmes qui arnvent
néreux, mais non pas
nos plàees comme des hirondelles fuyant l'orage. leur
et telle est Ia coníiance que
Us sont déjà parmi nous, deja
chrétien se considerent
inspire ce peuple doux et qu'ils
comme chez eux. du
..
Ils n'ont même pas besoin de posseder Ia langue vmg*
les langues, afin d'ête morna facilement
prêchent dans toutes
compris. s a tou* ,
douce ignorance, que de biens tu accordes
Sainte et
tes enfants!...
Tu abaisses les graneis et les puissants. ont
faibles, le pain à ceux qm
Tu donnes le courage aux *
Mm, et à cause de toi et par toi Ia
un ff^lZe
dro.t de 1 homme et j'iu-
bifem une grandeur, Ia cupidité .^
famie un jeu des graneis intérêts. ¦„
des feres i, h><***£
Tu es devenue Ia seconde période n'efaus avec eux,
A Ia premiève période de leur grandeur tu pas
ils te haissaient. mnnA& pt tu
aujourftai Ia matasse 4M^ ¦-£
Ignorance! Tu es de lhumamte, rep
sais amassec des millions pour le bien-ctre
sente par 1'égoisme! .- . i fleurs
<%%£££
Jadi! les écussons des grands P»ten«e. todaWe, de g
cie lys; aujourd'hui les écussons de Ia
sont surmontés d'oreilles de Midas et surtout parsemes
' coup d'écus d'or. de Por; . p ;us_
jus
*«t tout se paye,
Ce que Von veut aujourfhui

* '
,'.>t*«»-"--si'"i49*!r '
*."* <;

386

de ceux qui veulent clevenir des gens respec-


qu'à Ia conscience
tables par leur avoir. vous qui ne vou-
moins 1'opinion que vous admettez,
Voilà du
de Ia raison et du savoir.
lez pas entendre parler Ia Franc-maçonnene
bien, voilà ce que
Mais aussi sachez-le
n'admet, ni n'admettra jamais. ignorants.
1'absurdité et éclaire les
Elle repousse sacres.
1'ignorance qui s'arroge des droits
Elle lutte contre
du teinple, de 1'école et de Ia famille, parce
Elle Ia chasse
qu'elle est pernicieuse.
Voilà les torts dont on nous accuse!
1'ont veut à toute force suppnmer!
Voilà les mystères que

! \) KG1.»;
387 -

Secção Noticiosa.

Revista Estrangeira,
• do Sup/. Cons.-. de França
rr „ A Gr Loi.\ Cent.'.

00ff''' ultimo a Loj/. Le Libre exa-


ã rlía 27 de Março

da Loj.*. novamente mstallada.

d-JJ- —
M^erru.- O «o£co d
£«j
ultimo a festa
35 de Fevereiro a esta ^
s°^ fes ' . al ^
Príncipe de Galles presidio ^ 0 Marquez
mais de quatrocentos maço*.« ^ ^
presentes
le Eipon, Gr.-. M, . »r**TS, Conqde de Lime-
donderry, o Conde de She wsi3U'ê
ord d
Tenserden, os Tenentes-coroneis
rick, lord Skelmersdale, Itavey,
e Bnrdett, e John
Lyne, Adair Galles> yê.se
Segundo o relatório W^^JZl 147 viuv. maçons, despen-
fran_
que em 22 annos soccorrerao-se
soccorros quantia ig« 'g
dendo-se com estes 352 maçon e ^
cos; forão igualmente soccorndos
genteS\ • • ? ~„ ,ln ,svlo propoz elevar a pensão dos maçons
A administração do asyio piopv a ^;.
das viuvas f
velhos a 900 francos e a ««to nu carg ^^ ^
Lord Skelmersdale foi empo ^
re-Ou*em ^^ na
Prov,. do, condado de Lanças
vendo por este motivo uma ^ponentó en ^ ^ ffiaçons<
cidade de Liverpool. Estoera, Ir ^
^ ^
-A escola maconica de menino8 anuiu, i
fo. dlda
Março a sua festa
brou no dia 12 de ^

/ \

5_.iMilií»«S»W*rUiíB
j^^^^^iá^a^Mw-
— 388 —

Duque de Saint-Albano, Gr/. Mest/. Prov/. do condado de


pelo
Lincoln. Assistirão a esta solemnidade mais de 300 maçons e
um grande numero de senhoras. O numero cãctual dos alumnos
é superior a 144. Desde sua intallação têm sido educados 1,198
meninos, graças á munificencia da Maçonaria ingleza que ainda
nessa occasião demonstrou sua sublimidade por donativos impor-
tantes que excederão a 7,000 libras esterlinas.
— A Gr/. Loj/. de Inglaterra effectuou no dia 5 de Março a
sua sessão trimestral sob a presidência do Ir/. John Huyslie,
Gr/. Mest/. Prov/. de Devonshire.
Depois de abertos os trabalhos, o presidente communicou que
o Gr/. Mest/., o Marquez de Ripon, partira para Cannes afim
de visitar seu filho, o Conde de Grey, que acha-se enfermo.
Por proposta dos Ur/. Philbrick e Rucker, o Marquez de
Ripon foi unanimemente reeleito Gr/. Mest/. para o corrente
anno 1873.
A Gr/. Loj/. deliberou que fossem soccorridos com a quantia
de 550 libras esterlinas três maçons e uma viuva.

Uâimbur(/o.— 0 Ir/. Mac-Convar deixou um avultado legado


á caixa de soccorros do Gr/. Or/. de França.

Altemanâa. — Segxmáo o calendário maçonico, publicado no


L'Union Maçonnique da Suissa, vê-se que existem na Al-
jornal
lemanha 307 Loj/. sob a jurisdicção das 8 GGr/. LLoj/. e que
- seu pessoal é de 34,863 membros.
Estas 307 LLoj/. pertencem á jurisdicção das seguintes GGr/.
LLoj/., a saber: Lojas.
Membros.
Gr/. LojV. nacional Aux Trois Globes. 108 12,453
Gr;. Loj.'. nacional da Allemanha . . 77 8,347
Gr/. LojV. Royal-York ....... 46 5,283
Gr.\ Loj;. de Hamburg . ... . 23 2,629
Gr/. Loj/. nacional de Saxe 17 2,694
Gr/. Loj/. Au Soleil 16 1,234
Gr/. Loj/. de 1'Alliance éclectique... 10 1,396
Gr/. Loj/. A Ia Concorde 10 8%Y
'
307 34,863
— 389 -

Itália. — Os jornaes italianos annuncião que reina uma des-


intelligencia entre o Gr.*. Or.*. de França e o Gr.*. Or.*. Italiano,
a Loj/. Amici Veri dei Virtuosi, ao Or.*. de Livourne, da
porque
iurisdicçao do Gr.'. Or.\ cie França, recebe como visitantes ma-
irregulares pertencentes a grupos dissidentes da Itália.
çons

Ilespanha.— O Ir/. Juan Bravo, Gr.*. Mest.*. Adj.'. do Gr.*.


Or.*. de Hespanha, resignou tão alto cargo, sendo substituído
Ir/. Gonzalo de Córdoba.
pelo

Estados•-Unidos.— A Gr.*. Loj.*. do Estado da Marylandia


effectuou sua sessão annua nos dias 18, 20, 21, 22, 25 e 26 do
mez de Novembro de 1872, E.\ V.*. Além de varias resoluções
importantes sobre a reforma de sua Constituição e outros as-
sumptos, resolveu nomear uma commissão encarregada de con-
cordar com as outras GGiv. LLoj.*. dos Estados-Unidos a for-
mação de uma Gr.*. Loj.*. Geral para todos os Estados-Unidos,
afim de que haja completa uniformidade nos trabalhos e seja
ella a cabeça da Maçonaria americana.
-Está se construindo em Philadelphia um sumptuoso templo
maçon, e em New-York um templo e asylo maçon. No dia 10
de Dezembro de 1872 effectuou-se a consagração de um templo
erecto em Charleston.

índias.- A Gr.\ Loj.*. do districto de Benguela effectuou


sua sessão trimestral no dia 27 de Dezembro de 1872, sob a
do Gr/. Mest/. do districto, o Ir.'. Hugh David Sand-
presidência
mann.

Egypto.-k Gr.*. Loj.*. Prov.'. do Egypto, da dependência


da Gr.'. Loj.*. de Inglaterra, por occasião do casamento do Prm-
cipe Tanfik Pachá, dirigio ao Kedive a seguinte felicitação:
" A' S. A. Ismail Pachá, Kedive do Egypto.
« Alteza. A Gr.*. Loj.*. Prov.*. dos maçons M'-I4V. e Aj«.-.
de Inglaterra, ao Or.'. do Egypto, tomão a liberdade de felicitar
a V, Alteza pelo consórcio de S. A. o Príncipe herdeiro. Ao e-
licitar V. Alteza por tal motivo, esta Gr.'. Loj.'. apressa-se, nesta
390
em dirigir-vos seus sinceros agradecimentos pela
soiemne uctao
solemne occasiâo, Esvpto, roga ao Altíssimo que conceda
e
e feliz vida, afim de que possa cnm-
ff
a„A SaX2 Prospm tão «*#*,*#&
5 de geração Ten. 6l..
« Or* do Cairo, 16 de Dezembro de 1872--Lug .Ten Gi..
Mest/. Prov/. int/., Balph Borg.-yGv.^
MP,t- Prov , Gr.'. Gr/ Vig/. Prov/., John C.
mProvE\W. T. Tmney,-r
Thes, Prov,, K T. Bogm.- Gr, Secret.
mouZ-Gr.:
Prov/., W. B. Brougk ,, a supracitada

felicitação
A deputação nomeada para entregar
Kedive em Abdeen no dia » de Fevereiro ul-
foi recebida pelo Borg dmgio ao Kedive a
timo. Ao entregar a felicitação o Ir.'.
seguinte allocução: .
« Senhor -Entregando-vos a felicitação da Orr/, loj.\ iro-
Vossa Alteza que lhe agradeça as provas de
vinc permitta-me dado ao mundo inteiro.
Zeresso e civilisação que tem
pr"gA Senhor, do Egypto por causa de sua
Macon• , proscripta de Vossa
mâÊ^ÁÉ levanta-se hoje sob os auspícios
da que lhe é concedida em vosso
- Xa^Zrgmha-se posição ao patronato que
iefe'e p6deTéclMr-se regenerada, graças
H& WÊ lhe concede reconhecendo sua existência legal.
V°« constituída no Egypto,
Em Se po"nossa Instituição
espalhada sobre a superfície da terra,
e ein nome dá kaçon/. favor lhe concede
padeço a Vossa Alteza o insigne que
«Estou certo, Senhor, que, assim exprnnindo-me, expimo
também os sentimentos de meus collegas,«H^ orgulho te\?f Slf^° es
£**.
Alteza que reputamo-nos cheios de poi
Loj/. Prov/. para entregar a Vossa Alteza
colhidos pela Gr/.
sua felicitação. tu,.mpt
O Kedive, em uma pequena allocução summamente cortez, piomet- alcance
da Maçon/. tudo o que estivesse a seu
teu fazer em prol exis-
Alegremo-nos pelas amistosas relações que actualmente
tem entre o governo do Egypto e a Maçon/.
uma Gr/. Loj/. nesta co-
Columbia Ingleza.—Installou-se El a
lonia da Grã-Bretanha, no dia 26 de Dezembro de 1871.
dependentes da Gr/. Loj/. ae
foi constituída por três LLoj/.
Londres, pore cinco da da Gr/. Loj.'. da Escossia.
jurisdicção o ir..
Foi eleito Gr/. M.\ o Ir/. Powel, Dep/. do Gr/. M.'.
Mc Creight, e Gr/. Secret/. o Ir/. Heistermann. de van-
A sede da Gr/. Loj/. é ao Or/. da Victoria, na Ilha
couver. As 8 LLoj/. fundadoras têm um pessoal de 297 memmos.
391

menção honrosa a assiduidade


fiuenos-Ayres.-Ü digna de ao Or/. de
1 Mo dos Ilr/. OObr/. da Aug/. Loj/. Progresso,
cinco annos que funcciona, em
íJnns-Avres, visto como durante
o Ven,. pelo 1.» Vig.- ., eeste
2S *U forao substituídos seus DDig..
demonstra que
1 9.', o que exuberantemente
nunca faltarão ás sessões.
Exemplo digno de ser imitado.

uma Loj/. ao Or/. deLevuka,uma


Wjw^.-Installou-se
das ilhas da Polynesia.
- Loj.-. do Chile elegeu para seu Gr, Mest•
Chüe. A Gr.'. Secret.. o. Ir.. José
seu Gr/.
o Ir/. Javier Villanueva, e para
Maldonado.

Discurso do Ir.-. Sarmiento.


minha gràth», pelo senti-
Ilr,., ao manifestados profunda

rs* .WT** ^ -reunem e m m,, a


ThtSo": do povo a oceupar, p.hneh,fatura
sua totahdA, ne s.to to_
de uma Republica catholica em ser a nossa
timoratos que julgao
quilhsar os ânimos dos

desde já declaro que não sou Maç.. elevado .


Declaro ainda mais, que tendo
Ilr _s,. os ^
gráos juntamente com os meus des>g ^^
por unanime consenso d.** ^s
ouJom ^
nestes altos gráos, manifesto-vos que,
e ^T6^'! '
enganados, ou taes desígnios eTnodem exis-
mente affirmo que taes intenções wgl%*£$* compo * nossa
tir, porque isso seria contrario a própria
grande e universal confraternidade. intenção da
. Temos milhões de MMaç,. ProtestentelSl£s/esSes rehgmsas, mi-
nossa Instituição fosse destruir as crenças
" -
392 —

lhoes de protestantes estarião conspirando contra o protestam


tismo em favor do catholicismo de cuja communhão achão-se se-
gregados ?
E' verdade que Sua Santidade o Summo Pontífice pronun-
ciou-se contra a nossa associação. Com o devido respeito ás
opiniões do chefe da Igreja, cumpre-me fazer algumas observa-
ções afim de tranquillisar os espíritos.
Ha muitos pontos que não são dogmas, os quaes, sem deixa-
rem de ser pontos apostólicos romanos, os povos e os governos
christãos podem deixar de seguir nelles a Santa Sé.
Citarei alguns.
No famoso Syllabus Sua Santidade declarou que não reconhe-
cia como sã doutrina nem principio legitimo a soberania popular.
Se admittirmos esta doutrina papal, pertencemos de direito á
coroa de Hespanha.
Mas tranquillisai-vos, podemos ser christãos e mui catholicos,
tendo por base do nosso governo a soberania popular.
O Syllàbus declara-se abertamente contra a liberdade da cons-
ciência e a liberdade do pensamento humano.
O que, porém, o redactor do Syllàbus não fez, foi segregar da
communhão catholica as nações cujas instituições estão fundadas
sobre a liberdade do pensamento humano, com receio de perma-
necer completamente isolado no mundo com o Syllàbus em
punho.
Pelo que nos diz respeito, temos por felicidade o padroado
das igrejas da America, o que torna o chefe do Estado tutor,
curador e defensor dos christãos que existem sob o império de
nossas leis, contra toda e qualquer imposição que não for de
accôrdo com as nossas instituições fundamentaes.
O Presidente da Republica Argentina deve ser, segundo a cons-
tituição, catholico-apostolico-romano, assim como o Rei de Ingla-
terra deve ser protestante-catholico-anglicano. Isto importa a
ambos os governos sustentar o culto respectivo, e lealmente fa-
vorecêl-o em todos os seus legítimos designios.
Este é o meu dever que plenamente desempenharei. Um ho-
mem publico não leva ao governo suas convicções para fazêl-as
lei e regra do Estado. Mr. Guizot, ministro de um rei catholico,
apezar de protestante, foi sempre a fiel expressão das leis de
uma nação catholica.

¦ •¦¦:
393 —

Este dever, porém, não impõe a obrigação de desfavorecer,


ontrariar, molestar e perseguir os que seguem outras religiões.
A liberdade de consciência é não só a pedra angular de nossa
tituição, mas também uma das maiores conquistas da espécie
humana a grande conquista por excellencia, pois delia dimana a
mancipação do pensamento, que submetteu as leis da creação
w'domínio do homem.
Ainda mais, o governo civil instituio-se para assegurar o livre
das faculdades humanas, afim de que a razão
desenvolvimento
illustrando-se corrija seus erros, e que a utopia de hoje
publica
só homem
seia a realidade de amanhã. Se ha uma minoria, um
divirja honrada e sinceramente do sentimento da maioria,
ciue
que não pretenda violar as leis, mas sim modifical-as,
comtanto
encar-
modificando a opinião dos que estão constitucionalmente
regados de fazêl-as, seu pensamento será protegido pela consti-
visto como nella tem elle as suas garantias. A Rainha
tuição,
de Hespanha, prsetando ouvido ao visionário Colon contra
Izabel
o sábio parecer da humanidade inteira de sua época, por acaso
fez vêr a liberdade do pensamento, o que muitas vezes depois
aconteceu, sem mendigar o favor de uma Rainha. O século
actual, graças á liberdade do pensamento, é um Colon collossal,
múltiplo, eterno e immortal.
O vapor, o cabo submarinho, o governo republicano dos Es-
transformando o mundo em horas, porque annos é
tados-Unidos,
um espaço de tempo mui longo, são a obra de Colombos á quem
se não attenção, porque são vulgares, plebêos, o pão
já presta
quotidiano do nosso século.
Já que fallei do cabo submarino, uma das mais maravilhosas
as
applicações da electricidade afim de pôr em contato todas
nações da terra, que direi dessa outra electricidade moral que
liga a parte mais selecta da humanidade, aMaçonaria? Em mi-
nhas longas viagens bastava-me apertar a mão de um desconhe-
cido, quer elle fosse príncipe, pastor, artista ou soldado, para
ao meu contato electnco, eu visse H-
que, correspondendo elle
luminar-se seu semblante e transformar-se esse homem de es-
tranho em amigo. . ,
em New-York, extraviou-se-me a mmna
Quando desembarquei oncie
mala| de viagem. Roupas, objec tos de valor, a carteira
levava minhas credenciaes de ministro plenipotenciano, tudo pei-

•«•
< — 394 —

deu-se. Dias depois recebi de um Ir.', os documentos que por


meu intermédio o Sup.*. Cons.'. de Buenos-Ayres enviava ao
Gr.*. Cons/. das LLoj.*. de New-York. Foi a única cousa que
salvei.
Dizem alguns que a nossa associação foi útil na idade média,
visto como servio para defender os homens das tyrannias, mas
liberdade garante to-
que hoje não tem razão de ser, porque a
das as aspirações legitimas. Emquanto porém a diversidade da
linguagem impedir os homens de comniunicarem-se,- emquanto a
diferença das crenças os separarem, emquanto as nacionalidades
os agruparem em campos hostis, e emquanto finalmente as opi-
niões de partidos os distanciarem, e que tanto em Inglaterra
como em Entre-Rios houver um protestante ou um quaker, um
Francez ou Italiano, um unitário ou federal, ser-me-ha bastante
um aperto de mão para fazer-me sympathicamente comprehender
ainda que não fallemos a mesma lingua, para tornar-me tolerante
se não creio o que elle crê; para não ser ao menos odiado se não
sou do mesmo partido. A' vista disto será supérflua e má a
nossa Instituição ?
Vejamos os effeitos que ella produz em nossa vida interna.
Era falso o dinheiro que os MMaç.\ enviarão para Mendoza
afim de soccorrer os infelizes que escaparão ao terremoto ? São
inefficaveis seus esforços, sua caridade amparando os desvalidos ?
Estes soccorros não serão dignos de gratidão? O Evangelho
expressamente o definio com a parábola do Samaritano.
O Samaritano era o protestante do judaísmo, assim como os
MMaç.*. são o Samaritano do Evangelho, de quem por^ sua ca-
ridade, segundo a palavra de Jesus, seria o reino do céo.
São estes os benefícios exteriores da Maçon.\
Os que ella tem produzido, moderando as paixões, attenuando
. os ódios civis e religiosos, são immensos.
Ella ensina a pratica da caridade prescripta pelo Divino Mes-
tre, porém limitada a funcção sacerdotal. Nisto a Maçon.\ at-
tende ao espirito e ao fundamento do christianismo, que é amar
ao próximo como a nós mesmos.
Os MMaç.-. professão o amor do próximo sem distincção de
nacionalidades, de crenças e de governo, e põem em pratica o
que professão.em todas as occasioes e lugares.
Feitas estas considerações, afim de que não se julgue que
— 395 -

minhas crenças, communico-vos que, de hoje em diante,


dissimulo
da nossa associação.
ponsiderar-me-hei afastado
Chamado a desempenhar altos cargos públicos, nenhum trato
ha de desviar-me do cumprimento de meus deveres;
pessoal
um dia a ajudar-vos em vossa philan-
simples cidadão, volverei
tropica missão, esperando que pelos benefícios que tendes feito
continuareis a merecer a estima publica, e que por vossa abs-
tenção em tomardes como corporação parte nas questões politi-
cas ou religiosas que se agitão, chegareis a extinguir as preoc-
cupaçoes dos que ignorão nossos estatutos, nao os considerando
como o mais firme apoio dos bons governos, o mais salutar
exemplo da pratica das virtudes christãs, e finalmente o mais
carinhoso amigo dos que soffrem.
(Revista Masonica Americana, ano 1.°, n. 11).

Washington.
George Washington, primeiro presidente da republica ameri-
cana, nasceu em Westmoreland (Virgínia), no dia 22 de Feve-
reiro de 1731.
Iniciou-se, em 4 de Novembro de 1752, na Loj.*. Fredericksburg,
na cidade de Fredericksburg (Virginiíi), tomou o gr.-, de Comp.\
em 3 de Março de 1753 c foi recebido Mesf. em 4 de Agosto
de 1753.
Foi eleito Ven.\ Mest.-. da Loj.-. Alexandria, em 28 de Abril
de 1788, sendo governador e Gr.-. Mest.'. do Estado da Virgínia
Edmund Randolph. Até o dia de sua morte, em 14 de Dezembro
de 1799, foi sempre membro activo da citada Loj.-. Sepultou-se,
em 16 de Dezembro de 1799, em Mount- Vernou, com todas as
honras maçon.\
É digno de menção o seu avental maçon.-. E de setim branco,
tendo todos os emblemas maçon.-. bordados a sedas de cores e
a ouro, bordado de summa perfeição. A esposa do general La-
fayette (também maç.-.) foi quem o bordou, em signal da fra-
terna amizade que seu marido consagrava a Washington, e íoi-
lhe oferecido por ambos os esposos em 1794.
Depois do fallecimento de Washington, seus herdeiros presen-
teárão o dito avental á Sociedade WasJdngton Society of Pinta-
396

delphfa; dissolvendo-se, porém, esta sociedade, os membros da


mesma fizerâo presente do dito avental á Gr.*. Loj.*. da Pensyl-
vania, onde actualmente se conserva em seu Templo maçon.-., ao
Or/. da Philadelphia.
(Boletin Oficial dei Oriente de Espana: num. 48, ano 3.*)

Martyrologio maçonico na Hespanha.


No dia 9 de Setembro de 1825 forão enforcados em Granada
os tenentes D. Francisco Melro, D. Ramon Alvarez de Toledo,
D. Francisco Alvarez; os coronéis D. Phelipe Azó e D. José
Ubarreta; o capitão Sanchez e o tabellião Lopez Quintanilha.
Estes Ilr.*. forão presos no dia 5 de Agosto do citado anno, ás
5 horas da tarde,'" dentro da sua Loj.-., por terem sido denun-
ciados, denuncia 'que' 6"'chefe de policia, Francisco Enriquez, pa-
gou com 10,000'réàlès.
Era então presidente da província D. Ignacio Alvarez Campana.
De nada servirão as supplicas das famílias dos nossos Ilr.-. e
as provas irrefràgaveis de que não tramavão conspiração alguma.
Forão condemnados á morte, porém morrerão como leáes e
dignos mmaç.*.

Estatística Papal.
O papado, desde Simão Bar Jonas (S. Pedro) até Pio IX,
conta duzentos e noventa e três papas.
Trinta e um destes papas forão reputados usurpadores ou anti-
papas, da mesma maneira que os Bourbons consideravão usur-
padores a Napoleão, e Pio IX considera usurpador a Victor Em-
manuel.
Entre os duzentos e sessenta e dous papas legítimos, vinte e
nove morrerão violentamente, e têm tanto direito ao titulo de
martyres como teria Mazzini se tivesse aprisionado e enforcado
Carlos Alberto depois da sua expedição á Saboia, ou Garibaldi
depois do seu desembarque em Marselha.
Outros trinta e cinco papas mjorrêrão também violentamente,
dezoito envenenados, que forão João XI, Clemente II, Damazo IL
Estevão IV, João XIII Paschoal II (o mesmo que mandou desen-
terrar e insultou o cadáver do Imperador Henrique IV e de Cie-
397

II, Benedicto XI, Alexandre V, P o III, Atoa-


mente U), Gelasio II, Urbano VII, Clemente VIII,
7 VI Adriano VI, Marcello
XI e Leão XII; finalmente, Leão X, que
íLenie"* XIV, Leão ou de sypbilisou *£^«£
se morreu envenenado
assassinados: João VIII, Leão VI,
rousa Quatro papas forão differentes — Leão™
Svile João XII. Treze üverão
~ João X suffocado, Benedicto IV, Este-
t
e-rxiY»oyvt mutilados
estrangulados, Lúcio II apedrejado, Grego-
XIV
de ferro, Celestino V com um cravo
"° vm nreso u-nma gaiola Vffl suicidou-se por ter sido esbo-
«li no
nó neito
pe>to, Bonifácio de um
pegado VI de uma quéda
**'aS do esmagador de sua t,ara
Pai n debaixo peso
etsldee~Sp^:eem duetos e — e dou,, mo,

"ZZtufvffl, llí, urbano V, urbano VI,


S& xm SiWesC
II, Innocencio VI, Adnano IV,
SíÜ?M «cm
Pio VI, VII e IX e João XXII
Lúcio III, na ciivmuaue
nao cierao
Além de quatorze papas, que
vinte un. forão hereges e «^
Christo,
• de «££*£ ^ , oito
.m
Muitos papas forão accusados
appellávão para o estrange,ro ata
^ ^ depos.
Resumo: noventa Papas moiwb identica por
tos e exilados, trinta e cinco que WcewM e,o| V
^
instituição pontifícia, vinte
iufidelidade á nao Mta*.-»
estrange.ra os
mesmo se a intervenção e dous, que
e cincoenta e três, em duzentos e sessenta
dignos* • *•* vsn «n mu mundo*> teve ^ igual historia?
no
Qne dynastia que msbtmça xe ^ ^m,
a(luiiatado
Em poucas linhas, e com o m etragave sei
vê-se o que tem sido o papado, que pode
pelas suas acções. y p^buc-ell! deixa Gatina.
Ano 1.-, Num. 11.)
Masónica Americana,
(Revista

"••'•'¦
."-•<¦
„JX: 55-» Sí**"-<
-.i.
398

Noticiário Interno.
*fy-

SESSÃO DA GRANDE LOJA CENTRAL (no dia 14 de Maio).


--Se o grande numero reunido dá em resultado a verdade e a
elucidação das melhores questões é o que nos não é dado re-
solver. A nossa incompetência perante numero tão respeitável
de votos é por nós sentida desde logo.
Em maconaria a idéa avulta e embelleza-se ahi onde a mais
fina cultura do espirito e do coração é patente e incontestável.
A autoridade do numero será hoje uma potência; para nós
ainda é contestada e contestável.
Se ao menos ficasse no mundo profano o que é profano; ao
entrar-se no templo maçonico para lá só iria o que o homem
tem de mais fraternal, coherente e discreto em seus sentimentos.
Mas a nossa raça ainda é eruptiva de mais; nella a contesta-
ção é um gozo, e a loquacidade um excesso de temperamento.
A par das grandes virtudes latinas que derão heróes á huma-
nidade, temos estes defeitos.
Mas nessa numerosa sessão deu-se úm incidente digno de ser
consignado nestas paginas. Assistio aos trabalhos dessa noite o
distincto e illustre Ir.*, nosso, o Dr. Camargo, Veneravel da Loja
Amizade, de S. Paulo, sem duvida, daquella província o mais im-
portante núcleo maçonico, e cujos trabalhos regulares são dignos
de serem imitados.
Temos em nosso poder a brochura que narra a esplendida
festa que teve lugar no dia 4 de Janeiro, deste anno, por occa-
sião da intallação do novo, brilhante e espaçoso templo, ao Valle
de Tabatinguera. *
Nessa minuciosa narrativa vemos que a Arte Real ainda pos-
sue dedicados cultores, quanto aos ritos, symbolos, palavras e
phrases.
Não se omittio nesse ceremonial nenhuma das formulas consa-
gradas pela tradição.
Ao lêr-se, transportamo-nos áquellas idades em que a nossa
Ordem, ciosa de seu ritual, respeitava escrupulosamente a mais
insignificante minudencia.
399

os zoilos da actualidade e os alvitreiros do


Deixe-se pairar
ha em nossos rituaes magníficas e imponentes
H amontanismo;
fallão eloqüentemente á imaginação, e recordão de
nas Que
Sma'maneira
magestosa e santa aquellas agonias do Gethesemani
os martyrios do Homem-Deus. ,
Ttodos atacão e do Evangelho
A-Instituição que os ignorantes junto
a coroa de espinhos do Salvador - a cruz
„m livro que recorda
üo horto —as parábolas sagradas-as proinessas-os perdões
Ze a viva fé em Deus.
a verdade que os esbirros romanos desconhe-
Esta é grande
ou mesmo não saberião avaliar.
cem e íllustre \ e-
a presença de um tão prestante
Já se vê que e aliás com
Loja fôra saudada unanimemente
neravel na grande a Maconaria do Brazil
digno Maç/. espera
enthusiasmo. Desse
serviços, erguendo cada vez mais a nossa Subi,.
importantíssimos importância social e
tem direito por sua
Ord.'. á altura a que
religiosa. *
* *

POSSE DA LOJ.'. COMMERCIO.- Sumptuosa


SESSÃO DE
foi a festa dessa Resp.'. Loj.-. Utteralmente
sua entrada e escadaria, estava
O templo, em Nos cantos er-
e festões de verdura
guarnecido de arbustos
de folhagem caprichosa. Era a imagem da
guião-se palmeiras de luz.
entrada em um valle verdejante e animado
Off/. havião-se esforçado poi ostentai
Os OObiv. daquella fornece as
naquélla noite todas as galas singelas que a natureza
Elles não pedirão as artes^ oina-
grandes festividades da vida. onde a verdade tem
mentos e flores; houverão-n'os da natureza,
um encanto que seduz e dá vida. nu-
adornos, e um brilhante e
A Off.'. trajava seus mais ricos e o
meroso concurso de llr.'. enchia o espaço das colunmas
oriônte em
estavão representadas, e
Todas as LLoj/. do Circ/. ahi
todos os semblantes transluzia a satisfação. ^
oradores, houve occasiao de apieciai
Dada a palavra a vários
a da eloqüência, havia ca-
magníficos discursos, nos quaes, par
bedal de saber maçonico. e de lição variaaa.
Eis o que fazemos em Loj/. em dias de festa e devoção.

-.- , . í/i, ••¦íüUíív*"


— 400 —

O mundo, ávido de distracções quiçá sensuaes, não sentiria


e humildes obreiros
prazer em taes centros; nós, porém, calmos
da luz, temos grande prazer em assistir á festa onde o saber c
a beneficência revelão a fé christã que nos dá alento e nos exer-
cita a razão e o coração.
Nós cremos firmemente, porque raciocinamos. A nossa ié é
profunda e inabalável, porque a razão nos deu convencimento.
Nunca podemos ser autômatos; eis porque o pensamento nos
rehabilita com foros de homens de bem, e a fé fervorosa nos
religa ao nosso Deus de Bondade e de Misericórdia, que, fazendo
o homem á sua imagem, deu-lhe por certo como dever sagrado
a liberdade do pensamento e a força da razão, únicos meios
com que o homem ppde adorar o seu Creador de uma maneira
digna e mais conforme ao Evangelho.
Repetimos: cremos, porque raciocinamos.
Raciocinamos, porque lá está escripto que fora o homem feito
á imagem do seu Creador.
Roubai ao homem a razão, e elle não comprehenderá o sentido
em que se dirige ao Pai Celeste na sua oração: Padre nosso,
que estás no cèo, santi/icado seja o teu nome, etc.
Não será o raciocinio que obriga o homem a pensar em Deus?
Sentindo-se viver e pensar, observando os instrumentos de seu
organismo, admirando as bellezas da creação, não tem o desejo
de agradecer dádivas tão grandes A'quelle que foi de certo o
seu Autor Omnipotente?
Até na lagrima do agradecimento por tantas dores soffridas na
cruz para remir o homem; até na oração da manhã, que ao céo
envia uma alma grata e reconhecida por todos os benefícios re-
cebidos, está o raciocinio a formular preces condignas com a
gíandeza do Bemfeitor!
E, pois, aquelles que nos querem privar do raciocinio, da li-
herdade santa do pensamento, querem roubar-nos a fé.
A idéa maçonica foi dignamente representada na Aug.'. Loj/.
Commercio naquella noite memorável.
A essa Off.\ desejamos prosperidade e crescente dedicação
pela nossa Instituição.

SESSlO DE POSSE DA LOJA CARIDADE.—Se jamais um


titulo adequado indica o pensamento de uma congregação, este
401

mais expressão dos sentimentos da officina


duvida é a pura
A solemne. Nada faltou naquella noite para mais
fuf festa foi
•lUontp tornar-se o acto.
da congregão-se nesses dias solemnes com
Os obreiros paz
«MtàcSo e cheios de enthusiastico prazer. flores e contenta-
depor no altar votos de dedicação,
Vão
"Ceada a cordial fraternidade dando louvo-
discurso sente-se
o tviis e á verdade da Instituição maçonica.
de muitos membros dando festivas demonstra-
É uma familia
nxac rl« seus sentimentos generosos.
do discurso se debucha algum aeto profano que
% se na tela brilho e ma,s vaha
outras tintas de mais
1 crad o« absurdo,
Jflrôo a impressão dura da narrativa. e ma.s _
amd
ao, que nos fazem mal,
T e eb istão perdoar um eego tatano
olíensas que
„ é aquelle que esquece graves c abrilhanta.
inflige a tudo que a razão suprema esclarece
naquella festa da Crffafc em cada pbrase
E por im, alli,
I* OM* conta com um porvir
T&tfSSK

que é digna.

LOJA PEKFEITA -™f DE-A


SESSÃO DE POSSE DA rema
amizade perfeita que
sua festa modesta era realçada pela
entre seus obreiros. , _ ,. Am«de. x^unArf
ornato de mór valia se desejaria á Per/*
Que em uma peiteta
0 sentimento fraternal que une seus membros
festão para ornai suas
amizade é fora de duvida o melhor
lumnas em dias de festa. , , i r(V
de seu erário para as festas
Ella guarda os cabedaes
ração em actos de beneficência. ãáãikp cai Uac e
da
.Deve ser grande a alegria daquelles obreiros
da luz, quando levão á obscuridade da desventura o pharol
beneficência. AV.Aln uPm
tem fome; e o oboio
0 pão enxuga as lagrimas do que
— 402 —

empregado sustem acima do abysmo da perdição o desventurado


que descrê da piedade humana.
Nenhum lyrio em fino jarro do Japão ornou melhor o templo
dos obreiros em festa do que o coração aberto em flor a todos
os impulsos generosos da piedade, e que reconta alli, nas narra-
tivas era louvor do acto solemne da posse, todas as beneficen-
cias feitas á pobreza, á viuvez e á orphandade.
Quando o secretario ergueu-se e discorreu, com o relatório cm
punho, a respeito dos actos da officina, era um ramo que offer-
tava na festa da caridade, e convinha atal-o em fita symbolica,
inscrevendo nella, em letras de ouro: Perfeita Amizade.
*
* tk
1*

SESSÃO DE POSSE DA LOJA FRANCEZA FRANCS-HYRA-


MITES.— Seus obreiros são, sem duvida, os franco-hyramitas
da actualidade. Trazem no cunho de suas virtudes e amor á
ordem ainda aquellas doutrinas tradicionaes que distinguirão sem-
pre os architectos, discípulos de Hiram.
Ha um dia de festa para elles. Abrem o compasso, medem
as possibilidades, marcão os pontos de distancia, e dão um nome
a cada angulo de sua equação.
A pedra bruta entre suas mãos adquire formas regalares e
expressivas.
O mestre perfeito e todos os mais que o acompanhão na di-
recção da architectura do templo são investidos em suas dig-
nidades.
É meio-dia a pino.
Soa o malhete na mão do mestre.
E através das columnas passão os obreiros a contemplar o
acto ceremonioso em que cada dignidade e cada official jura so-
'
bre o livro sagrado de bem cumprir seus deveres maçonicos.
A
Cada um de vós, franco-hyramitas, levava o ramo da acácia e
o sorriso do contentamento.
Vossa Loja estava em festa, trajava galas, e de sua tribuna
partião hosannas ao Creador dos Mundos e á Instituição que pro-
cura piedosamente seguir á risca as doutrinas do seu Evangelho.
Salve! franco-hyramitas; vós sois poderosas columnas do templo
de Sião!
403

DE POSSE DA LOJA COMMERCIO E ARTES.—O


SESSÃO
laborioso e probo entre obreiros do bem não poderá
umercio
dar em resultado senão bênçãos c votos de gratidão
mis
^ttélles que sabem comprchender quanta honra, quanta ventura,
utilidade ha no trabalho honesto e aturado do commercio
tanta
p das artes.
os infelizes que nunca baterão debalde as portas da
Dígão-n'0 é
e Artes; diga-o o nosso Circulo, do qual
officina Commercio
Loja um vivo molde de beneficência bem comprehendida.
sta mas com todos
festa sem esplendores de ostentação,
%ôra sua
dá a alegria da família reunida em dia de festa
aquelles que
intima e cordial. ,
a Commercio e Artes quanto a singeleza ex-
Comprehendeu
prime de intimo e cordial. sem ostentação, anda
Sente-se que em toda aquclla ecremoma,
autorisada e eloqüente do seu fiscal da Lei.
a voz e toda a
a sensibilidade de um homem de coração
Elle tem e
de um Samaritano O seu conselho
coherencia da verdade ungida de seve-
a que o da e
ouvido, porque também palavra
VI íi i\ (\ P
respeito que saudámos todos os membros
É com profundo se ornao
será lembrada entre aquellas que
desta Loja, cuja festa
c de coherencia em todos os seus pnn-
de perfeita fraternidade

do Univ.'. conceda a esta boa officina todas


TV'.*- Arch.'. o exemplo
união fraternal, de queja da
as venturas e toda a
mais a regeneração da Instituição
contribuindo cada vez para
maçonica de nossos dias.
Nós lhe enviamos um abraço fraternal.

DA LOJA ESPERANÇA DE MÇTHEROY.


SESSÃO DE POSSE i com
-A' posse desta officina concorrerão muitos ML'. Ilr..
juramento
primentar aquelles obreiros que havião prestado
bem cumprir seus deveres na árdua tarefa da direcça°-
É sempre com grande satisfação que se corre pressuroso
— 404 —

àquellas fesfeas, cujo simples ceremonial tem o concurso do en-


thusiasmo, cordialidade e fraternidade.
Como brilhão nossos symbolos naquellas solemnes occasiões!
Como são imponentes todos os votos que se dirigem ao céo,
para que abençoe os obreiros do progresso, da paz, e da bene-
ficencia culta e christa!
Fora mister uma eloqüência prolifera para poder narrar, a
propósito e com sentimento, todas as scenas de uma sessão de
posse de uma officina.
Se nos falta esse cabedal, abunda em nós o bom desejo e a
grande vontade de a descrever tal como a experimentamos.
Avante, obreiros da verdade e do bem! enriquecei-vos de vir-
tudes evangélicas, illustrai-vos nas sciencias, augmentai vossos
esforços em bem da nossa sublime Ordem, e vereis como resurge
a nossa Instituição brilhante e formosa do cháos da indifferença
de uns e da inactividade de outros.
Deus vos guarde e vos guie no caminho do bem que trilhais,
dando brilho á caridade e enriquecendo a fé na religião santa
de nossos pais.

#
*V> C-

SESSÃO DE POSSE DA LOJA UNIÃO ESCOSSEZA. —Seja


_ *V»

S. João da Escossia comvosco, caros e II11.\ IIiv. desta officina!


Depois de haverdes em vossa festa invocado o nome do Supiv.
Arch.\ do Univ.'., vós invocastes também o santo nome daquelle
seguro esteio do christianismo, daquelle Apóstolo da fé maçonica,
cheio de fervorosas virtudes e lembrado no mundo entre os
bemfeitores da humanidade.
Sob tal invocação não se abrigão senão homens cie lealdade e
de fé, que taes são os obreiros dedicados desta officina, e que
se reunirão em singela festa para dar posse solemne a todos os
"^>5fe seus
eleitos.
Louvores sejão dados a esta officina pela regularidade de seus
trabalhos, e de certo razão temos para esperar de todos os seus
membros a mais decidida cooperação para o engrandecimento da
Instituição maçonica, que carece de regeneraçõo zelosa e pro-
gressiva.
A União Escosseza envidará todos os esforços para que a Ma-
çonaria pura seja uma verdade, não se cifrando suas sessões só
405

discussões, mas em lições da mais sã moral e no


em estéreis
cuidadoso de todas as doutrinas da beneficência bem
exercido
itencnaa.
entendida.
União Escosseza enviamos nossas congratulações pela esco-
A'
lha acertada de todos os seus funccionarios.

DE POSSE DA LOJA PHILANTROPIA E ORDEM.


SESSÃO
—A legenda que caracterisa esta officina é uma definição com-
e eloqüente da Instituição Maçonica.
pleta
Com efteito é a Maçonaria—a pbilantropia e a ordem.
do
Amor á humanidade, e mais ainda todas as faculdades
os
hom-senso presidindo aos actos daquelles que assim amão
homens.
Digão os séculos que passão, digão as potências que nos con-
?
templão, se essas virtudes não einanão do puro christianismo
E de certo christianissimos são os obreiros desta officina, que
todos os meios tornar-se digna de seu titulo.
procura por
Nos tempos que correm mente-se á pMlantropia, representan-
cômicos, e altera-se a ordem pela mais simples
do-se papeis
questão da vaidade pessoal. de
Não vedes como se forjão brazões e famas nas associações
beneficência profana?
Chamão-se philantropos, esses.
Não vedes como nas associações é a ordem a mais completa
vaidades nas paixões contrariadas e nos
desordem nas picadas,
interesses chocados?
Chamão-se homens da ordem, esses também. _
da ordem e applaudem as revoltas, ammao
Chamão-se homens
a indisciplina e pagão os instrumentos da desordem social.
ordem, e á guisa de flibusteiros fazem
Chamão-se homens da
na honra e na consciência de seus
pressão na independência,
semplhímfp^^
e apregôão a lei e perturbão a
Chamão-se homens da ordem,
machinações da satislaçao aa
paz com suas imprudentissimas
vaidade pessoal. , ,
Os obreiros, porém, desta sensata officina bem compreendem
com
a sua missão de philantropia e ordem, e a nós se juntao,
— 406 —

toda a sua dedicação e vigor, para combater erros e castigar os


emissários do erro que o jornalismo impuro e a discussão envião
a todos os arraiaes humanos em busca de nomeada.
Salve! pois, a officina Fhilantropia e Ordem, que em sua festa
de posse demonstrou, na boa escolha dos directores de seus
trabalhos, que tomou a peito a luta do progresso contra o obs-
curantismo, da verdade contra a mentira, da sinceridade contra
a presumida soberba.
Cumpra ella o seu dever, e terá diante de si um porvir cheio
de honra e de pacificas conquistas da civilisação.

* *

SESSÃO DE POSSE DA LOJA AMOR AO TRABALHO. -


Abençoado seja o amor ao trabalho e tudo que é honesto e
generoso, porque grande será a satisfação dos que delle gozâo,
e as suaves delicias da vida commoda e cheia de ordem!
Esta officina, com grande pompa e muita alegria, fez a sua
sessão de posse.
No vasto templo compacta era a multidão dos MMaç/. que
assistião áquella solemne ceremonia.
Os estandartes resplandecião no Oriente no meio de flores e
de alegres obreiros.
Os discursos suecedião-se sem interrupção.
E a poesia, que é a branca nuvem que se alevanta no horizonte
do acampamento dos hiramitas satisfeitos, erguia-se no espaço
derramando harmonias sobre aquelle povo eleito alli reunido.
Erão os psalmos de Sião abemolando os votos que, contrictos,
da terra, os hiramitas enviavão ao Senhor.
O 111/. Ven/., ainda reeleito, que preside aos trabalhos desta
augusta officina, é um caro Ir/, digno obreiro da caridade, dis-
tineto pelo caracter e por todas aquellas apreciáveis qualidades
que o tornarão digno filho do trabalho zeloso e probo.
Esse Veneravel reúne á prudência paternal um não sei que
de affavel e sympathico que o torna credor da estima de todo o
nosso Circulo, onde elle em cada Ir/, conta um amigo ou um
admirador de seus dotes.
O amor que elle consagra á nossa Instituição é de tal fôrma
profundo e contagioso, que aquella officina é, fora de contesta-

»««»*.»•»•• - -'*i4à*m**iarKt!iísmtttá
- 407 —

"o uíh asylo de maçons dedicados e unidos na mais estreita


fraternidade.
0 exemplo do Mestre e a doutrina da lei não podião deixar
le influenciar no caracter dos obreiros do Amor ao Trabalho.
Dizei meus Ilr/., á democracia exclamatoria e pretenciosa,
mie vós sois os verdadeiros democratas cia humanidade, pois que
os filhos do amor ao trabalho; nelle vos instruistes, nelle
sois
vos fortificastes e nelle haveis comprehendiclo como se pode ser
independente respeitando a pátria, como nôl-a derão, e a lei,
como nós jurámos manter.
E se acaso um dia pátria e lei tiverem de receber o baptismo
do progresso das idéas cultas e christãs; se uma e outra soffre-
rem as alterações que o correr do tempo imprime ás instituições,
então vós, homens do trabalho, filhos do trabalho, sereis após-
tolos da ordem, e dareis á sociedade o exemplo da mais louva-
vel prudência.
A Deus só compete as rápidas e súbitas revelações da creação.
O homem, porém, pequeno c incerto, fallivel e sujeito ao erro,
deve ser prudente em modificar e cauteloso em dar á revolução
o cunho da regeneração.
A sabedoria do Supremo Crcador é infinita.
A sabedoria do pequeno homem é imita e duvidosa.
destas verdades os modestos obreiros do Amor
Certos grandes
ao Trabalho irão por diante na obra de seu desenvolvimento; e
tempo virá em que esta ofíicina ha de ser uma das mais bn-
r
lhantes estrellas do nosso Circulo.
direc-
Para lá caminha a passos rápidos; e garantia nos é a
seu 111/. Veneravel dá a essa ofíicina digna de nossos
ção que
encomios e saudações.
Fiquem certos os OObr/. da Loja Amor ao Trabalho que sua
sessão de posse esteve brilhante e digna de tão dedicados
obreiros.
fra-
A cada um desses obreiros, pois, o nosso cordial abraço
ternal maçonico.
*

MA-
SESSÃO DE POSSE DA LOJA CONFRATEKNIDADE
a festa de sua posse, se a eloqüência
ÇONICA.-Fôra singela
408

daquella real confraternidade maçonica não viesse abrilhantar


deveras o acto solemne do empossamento de suas luzes.
Que mais se poderá exigir dos modestos obreiros da luz do
que essas festas cheias de simplicidade, para que nellas o cora-
ção tome a maior parte possivel e dê todo o brilho de sua sen-
sibilidade ?
Preferimos o ramo de acácia, que o humilde hiramita vai de-
pôr no altar em signal de regozijo, a todos os lirios e rosas
entremeadas de luzentes fios de ouro que a vaidade depõe ao
pé dos bustos do feudo humano, nas grandezas do orgulho e
das riquezas.
É por isso que muito nos apraz recordar aqui aquella festa
singela da Confraternidade Maçonica, por isso que na eloqüência
de sua simplicidade nos provou quanto valor dá á communhao
das idéas maçonicas naquelle congresso festivo, em que o cora-
ção e a razão reunidos saudão os verdadeiros obreiros da luz e
da confraternidade maçonica.
*
* *

SESSÃO DE POSSE DA LOJA PEDRO SEGUNDO.-Os


distinctos obreiros desta officina, que é uma das mais activas do
nosso Circulo, empossarão as suas dignidades eleitas em sessão
festiva.
A essa festa presidia a maior satisfação e a melhor frater-
nidade.
Muitos llr.\ visitantes a ella concorrerão, e a palavra correu
garrida e eloqüente de columna em columna.
Convinha que o mundo ignorante de nossos actos pudesse pe-
netrar no seio desses congressos, e avaliasse quanto se chris-
tianisa o homem nestes nossos centros maçonicos instruindo-se e
imitando os exemplos dos mais provectos.
Mas o mundo ignorante anda demasiadamente occupado do
seu fanatismo e do seu orgulho. Os doutores dessa seita ab-
surda não admittem conclusões senão as da sua pouquidade
scientifica, e não aceitão conselhos dos que pregão contra o or-
gulho e improbidade sociaes.
Longe não está o dia em que a luz da justiça e da verdade
espalhe-se por toda a parte no Brazil, e então os comediantes
409 -

é ridículo e inaceitável o papel infa-


ultramontanos verão quanto
" sua missão também é guarda
nlder 5*4» na philosoplnca
ha de, com o favor de Deus, compeliu* esses
Ü i r^vaníielno deveres
entrar no caminho de seus grandes
«*££ et!\
«nra com Deus e para com a pátria. ,
mais ac-
P como dissemos,-uma das
A officina P«Jro Segundo, de seus
- cooperará com toda a regularidade
Ê* rCh-culo tem de dar aos
lição que a razão
atlnos^T a generosa
hnmens do erro e da mentirosa propaganda.
h°Sdes
são as esperanças que o nosso tolo,eposrtana maço
e, de certo, delia sahirao doutimas
Loia P«áro S^undo; de nossa Ordem.
rins que tendão á regeneração progressiva

contra o apostolado nefando de que e


e «nTsonas em clamar
momentânea este Império. offic.ua
victima "erto ,
to-
a parte que esta «lustre
E de grande será
acontecimentos que tendem a apresentar-nos
nwá nos proxtaos ambicionamos.
mundo como somos e o que
aos olhos do Loja SeguM
com a augusta **.
E Deus esteja sempre
*

(de Pernambuco) SEIS


A LOTA DE NOSSA JURISDICÇÃO
- Nesta augusta Loja são iniciados constantemente
DE MARÇO.
illustres em nossos AAugv. Myst.*.
profanos da iniciação de o piota
Ainda ha pouco tempo, por oceasião
discurso:
nos, o seu Orad/. pronunciou o seguinte
DO UN.-.
A' GLOR.-. DO SUIV. ARCH,'.
meus irmãos, que ornais estas Aug,.
Resp,. Ir,. Ven,., e vós todos,
e Ven,. Col,., eu vos saudo. ,
M, sómente o
irmãos,
Esta saudação, meus caros e respeiteve« a cml saçao
a cortem e
cumprimento de um dever, que
maaL ,» rendamos ^P™\^é™a S.rti e Ia
de mao, e um abraço
para mim, hoje, é um aperto
felicitação é uma demonstração sincera de sincero J*M%M^ cheio de
mir tudo, os parabéns que vos dou pelo espectaculo grandioso,
esplendor, que aqui presenciamos devia
se em outios tempo
Sim, por esta festa de iniciação, que,
nunca, porque
enchei de prazer e justo orgulho, hoje, mais que
— 410 —
zada que se arma contra nós para fazer sobresahir e triumphar o
tismo, essa cruzada ainda não foz echo lá no mundo jesui-
profano pára
deixarmos de povoar essas Col.\ com Irs.\ de lá, conduzidos
entro
as trevas da ignorância, a receberem aqui a luz da sabedoria. por
E porque ? E porque em nossa instituição existe tudo
quanto pôde
haver de santo e grato a Deus, e Deus, esse Deus que o
jesuitismo lá
para seus fins, quer fazer crer aos incautos que o não amamos, o não
reconhecemos como verdadeiro, e esse mesmo Deus que
protege a nossa
causa, porque Elle, e somente Elle, e quem pode perscrutar o arcano
da nossa consciência para saber o que somos e o que fazemos.
Deus, sim, Deus, á quem aqui chamamos, com toda a propriedade e
reverencia, o Sup/. Arch.\ do Un.-., porque na immensidade do
que
vemos, vemos também a belleza de uma forma que nos enche de mara-
vilha e contemplação, e que não sendo obra do acaso, devendo ter um
creador, outro não foi senão esse Deus, a quem adoramos,
porque só de
suas mãos e de sua cabeça poderia sahir obra tão cheia de magnitude
e assombro!
E, entretanto, esse titulo, esse nome que, com tanta propriedade e
sabedoria, damos ao nosso Creador, esse nome deu motivo ao
jesuitismo
nos acoimar de atheus, e sobre nós atirar o anathema, hoje tão bara-
teado, que já cahe no ridiculo!
Nós, atheus? nós, excommungados?!...
Nós, que protegemos o orphão desvalido, dando-lhe o amparo de
que
precisa; nós, que olhamos para a viuva desolada com olhos de piedade
e protecção; nós, que amparamos os passos trôpegos do ancião decrépito
que se precipita sobre as varandas do túmulo; nós, que guardamos,
como preceito santo e inviolável, aquelle que nos foi mandado
guardar
pela lei de Moysés, nas palavras: — diligc proximum tuum sicut te
ipsum, — ; emfim, nós que, em tudo e por tudo, só temos
por verdade
Deus e somente Deus!
E somos atheus ?! E a excommunhão
que se nos atira pode chegar
até nós, sendo aceita por esse Deus, á
quem amamos e que sabe quem
somos ?
Não.
Excommungados e verdadeiramente atheus são esses filhos de Santo
Ignacio de Loyola, que desde 1534 constituem o completo flagello da
humanidade!
Lede a historia, e vereis
que a morte de Henrique IV, as tentativas
contra Elisabeth, a conspiração contra Mauricio de Nassau, os massacres
do Japão, a queda dos Stuarts, a morte de Ganganelli,
e outros tantos
factos semelhantes forão obra delles!
Corruptores de toda a moral, mercadores da religião, inimigos, até ao
assassinato, do poder civil, de
que elles não podião apoderar-se, corra-
ptores dos costumes da mocidade, passando do
do commercio á banca-rôta, elles contarão juramento ao perjúrio,
por isso com a animadversão
publica, e os Reis, os Papas, os povos, todos os repellirão com horror!
— 411 —
um Napoleão, um
im quo vomos um Frederico, um Alexandre,
te XIV, um José II, um Marqnez de Pombal, o outros, depois
^0mÔ úteis educação da mocidade, o santos para o
para
d6' ^terioceitar^como
da religião, depois do seus foitos os ropollir com horror.
mp1S cllos armados da astucia e disfarçados com a mas-
a
toda parte,
hypocrisia, cllos proclamâo um poder gigantesco por suas
da
^7 des e saber; mas a voz de Cornelia Barochia ainda escapa e se
deserto de um túmulo para denunciar um Pedro Arbuez!
°T do na descripção minuciosa dessa historia, cheia
enfadar-vos proseguir
deve ser estranha.
Juntos horrores, quo não vos
• eu não prosoguirei, o aceitai os meus parabéns, como eu
P bem
aceito os vossos, por mais esta festa que hoje solemnisamos, a
11 entre nós, aqui
mo é simplesmente uma festa maçonica, passada
neste Aug.-. Temp.-.; é mais do que isto é um exemplo para
Tolhidos de hoje e uma lição
uma gloria para os contemporâneos
humanidade,
do amanhã, porque toda esta festa revela o adianta-
1T os vindouros vemos que
o effeito da. revolução das idéas, quando
!L!to do século,
e triumphamos sobro os obstáculos oppostos por esse poder
Seguimos Ia nesses
fazer victimas c proclamar-se gigante,
Ülco que só pôde ate ao
em que um Torro-Queimada penetrava
Zos da ignorância, com a mascara da hy-
o thalamo conjugai
2 da virgem, profanava de sua hbidmagem!
despotismo do poder, para pasto
pocrisia e o
Meus caros e Resp.'. Irs.-. reccm-iniciados! _
com a vossa acquisiçãq, porque sois outros tantos
Folgamos muito resistir e debellar,
no batalhão dos martyres para
soldados que se alistão á frente com a bandeira
o inimigo que temos
com hon?a e dignidade,
de extermínio contra nós.
do com as vossas luzes c vu-tedos teremos de
Estamos certos ,»e,
do traba ho, mW^»
nos instruir o chegarmos á perfeição de confusão e ^t envol
o inimigo astucioso cheio
deixando por esse modo
vido no pó da indiffercnça o do esquecimento. de
momento, eu, como qualquer
A lei auo nos rege manda que, neste inet™ como no-
da arte real, vos
INS. vetámos co t, coalhe
«£. tnet,taj-,
viços, soero o fim . n.ystecies da aoss. i
o a cabeça^ ^ pie
ainda ha pouco, tinheis a venda aos olhos nosso mimi e*
malignas, que os
desses prejuízos, dessas insinuações aca
o passo acertado que
vos deverião ter feito crer para embaraçar
bastes de dar. , i:
como «!>
Não posso cumprir o preceito da lei nesta parte
pejava,
-taJLtai a dlev-voa: que esta
^^V^TSZ
Ia no mundo piotano so
os calumniadores e intrigantes, que
depveciaUa com o fi„ * «^ «-f^
olotdteTo
Deus quer, porque a nossa divisa aqui, e amai
r
"a-':ní0*
próximo como a nós mesmos. .
symbolos toques e,sig| es ma
Temos mysterios em nossas palavras,
ao^conüario,
nada disto importa uma offensa ao Martyr do Golgotha-,
— 412 —

uma homenagem ás suas leis, porque nestes signaos o palavras, nestes


symbolos, em tudo, tomos sempre em vista Deus sobro todas as cousas.
Assim, pois, permitti que eu termine, deixando que a lição sobro
essas verdades vos seja dada com a pratica, na qual vereis que as mi-
nhas palavras de hoje sorão amanha verdades para vós; para vós, que
se hoje ainda não tendes um desenho perfeito o bem acabado do quadro
que se vos apresenta, amanhã o tereis em alto relevo, o então vos feli-
citareis pelo passo acertado que acabastes de dar.
Disse.
Miguel Amorim.
Recife, 5 de Abril de 1873.
*p
•í» *>

LOJAS DE ADOPÇAO NO BRAZIL. —Fôra-nos prazer im-


menso vermos as companheiras de nossa vida reunirem-se á
nossa communhão maçonica, formando por toda a parte Lojas de
adopção. Ouro Preto e a cidade de S. Paulo já contão grande
numero de respeitáveis Irmãas, constituindo Lojas, e dando-lhes
vida e animação.
Aqui, no seio destas nossas officinas, ha campo vasto c se-
guro, onde as mais generosas idéas engrandecem o espirito.
A pratica e a palavra são nossos instrumentos de lição; e as
nossas lições, depois de as havermos do mais puro christianismo,
as abrilhantamos no estudo das sciencias que nôl-o revelão.
Puro o recebemos, puro o transmittimos e puríssimo o con-
servaremos em nossa Instituição.
Mais! vós tereis junto do berço, que é o ninho do homem
pequeno, grandes emoções que vos revelão os destinos; entrai
no templo, e ahi vereis, nesse seio da humanidade culta, como
vos venerão os obreiros do progresso, porque de vós partirão os
filhos illustres e robustecidos que clerão brilho a Maconaria, ras-
gando a carta de escravidão que tornava uma porção cie huma-
nidade vassalla submissa da outra.
Mais! entrai nesses templos symbolicos, e ahi conhecereis os
filhos e descendentes dos que descobrirão mundos, ensinarão e
remirão raças, partirão cadafalsos e grilhões, destruirão fogueiras
inquisitoriaes e obstruirão para sempre os negros e fundos sub-
terraneos do Santo Officio, que forão vórtices por onde a flor da
humanidade desappareceu.
Esposas! entrai no templo hiramita e prefazei ahi os nossos
votos de obediência; que ahi achareis os vossos inclinados ante
413

de Deus luzes e auxilio para dou-


Qunremo Poder pedindo-lhe Cing,
SS. e dontrinarem o mundo em snas santas leis. e
do trabalho como vossos mandos,
Shoras o avental cândido caridade, vós qne so.s as
e da
TZ-mestras da beneficência de Christo. ; .
SL dilectas da Puríssima Mãi
o ante o altar onde vossos pa.s virtao- i *

l fihaÍS joelho a
I

feires da Inz e do bem. Elles trabalhava» para


ÍS esclarecida e ge-
S2 que emana de uma sociedade
esforços não fizerão os antepassados em
Toa C* èraUne sentidos, eom qne na meia idade
Taíranear ao eaptiveiro dos
os senhores feudaes em seus castel-
Z manie avão de pérolas
depois, perdidas e loncas, por qnalqner
Z rZdonandPo
vú mie mais aguçasse seus caprichos. arte real, onde
as ohreiras alegres da
VM «imnoseo sereis é viver no mais
razão, que
se acende a viver pela suprema
nós somos uma pleiade de homens
Í™* Sai-™ a' que
virtudes tendes e
qne
de bè: e jnstos; que vos adoramos pelas S—,i
-15*5 " StSS o Oriente de
--»V; tóree°oa=tor:Sd0n7Ul
os costumes e usos que a*e,
vando-se e policiando-se em todos
a Lei, a Sociedade e a família impõem. templos, qne seleis
Batei regularmente ás portas de nossos
recebidas em amplexo de puríssima fratermdaüe; o °^ contm»ente
concorrei com .consente
Formai Lojas de adopção; e ayatr ain creve
real; o mundo
para a suhlimidade da arte eleitos do «f»^~
áõ vossos nomes na liste dos nos, « J™°
Mais, esposas, filhas, irmãs, chega.-vos a
nós somos vossos pela piedade, pelo
de nossas colnmnas, que
amor e pela veneração.

NA LOJA DEZOITO DBJULm


SESSÃO DE INSTRDCÇAO
-A noite de 20 de Maio foi consagrada »P*^S
a nossa dontnna, de fazer,
oficina tem o habito, segnndo

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,'Ki«'-

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414

no seu templo entrada franca a todos os Ilr.*. do Circulo e suas


famílias que a ellas desejem assistir. ê
Tem a palavra o Orad.\ da Loja, e orou sobre o thema —
A mulher tal como a Instituição maçonica a comprehende e admitte.
Elle trouxe a mulher remida do christianismo até nossos dias,
quaes seus direitos e deveres, a seu destino, considerando-a
como mãi, como esposa, como irmã e como filha, e fixou a at-
tenção do numerosíssimo auditório na contemplação das grandes
qualidades que distinguem a mulher do Brazil, mãi de sábios,
mãi de crentes e mãi de maçons.
O assumpto era grave e santo.
Se esteve na altura de sua magna importância digão-n'o os
que o ouvirão.
Após o que o Dr. Soeiro Guuarany, membro dessa Loja, orou,
pedindo a palavra para a seguinte prelecção.
Terminou esta ceremonia com a leitura que o nosso Ir/. Gui-
lherme Lopes nos fez da sua poesia, que transcrevemos:
O que traduz um concurso
De tantas flores mimosas?
Porque ouvi do nosso curso
As doutrinas luminosas?
São nossas ternas irmãs,
Qu'entre —Acácia e as Romãs,]
Da virtude escutão a lei,
Que buscão a luz da verdade,
Que, offuscando a escuridade,
Lhes illumine. Dizei:
Onde está a hypocrisia
Pelo vulgo presumida ?
Onde negra philosophia
Na doutrina aqui bebida?
Mulheres, filhos risonhos,
Esperança, doces sonhos
De nossos irmãos queridos,
Fechai os olhos ao drama
Que a cegueira, o erro trama
Contra homens reflectidos!
Não vistes pobres á porta,
Implorando a caridade
Daquella mão que conforta,
Que lhes dá serenidade?
São elles, elles, coitados,
Os guardas, fortes soldados
Que defendem esta morada
Dos projectis da discórdia,
Que perturbão a concórdia
Da familia socegada.
- 415 -

Bomdizei a magestade
Uo Supremo Croador,
Aqui, onde a piedade
Vem beber o seu amor;
Contemplai hoje a grandeza
Deste templo, a singeleza
Dos homens crentes na fó,
Que dão risos —ao quo chora,
Dão esmolas —ao que implora,
Sem saber quem elle ó!
E quando cPaqui voltardes,
Como nós, bom doutrinadas,
E aos vossos lares chegardes
Em tacs idéas versadas,
Imitai vossos maridos,
Polo ódio perseguidos,
Que temem ver a consorte
Escapar-se aos seus carinhos,
Ver fugirem-lhes os filhinhos,
Por quem dao a vida á morte!
Olvidai esses conselhos
Do atroz jesuitismo,
Qu'inda mesmo de joelhos
Brilha n'alma o fanatismo,
D'ambição sempre a cegueira;
Temei a grelha, a fogueira
Da cruel inquisição,
Volvei o seio ao esposo,
Restitui-lhe o repouso,
Aquella paz de então!
Fazei morrer a suspeita
Do amor no doce enleio,
Ao esposo dai perfeita,
Doce paz ao seu receio
De perder filho e mulher!
Dai-lhes, sim, é Deus que o quer,
Pois só Elle ordenará,
P'ra que saibíio os jesuítas
Que igual ás parasitas
Nenhuma de vós será!
Filhinhos ternos, gentis,
Enlevos gratos, saudosos,
Volvei risos infantis
Aos vossos pais extremosos;
Vós, senhoras, imitai-os,
Segui os passos, ajudai-os
Nas obras da caridade;
Dai-lhes perfume e ardores,
Porque sois as lindas flores |
Dos jardins da humanidade!
416

UM DISCURSO PARLAMENTAR NOTÁVEL. ~- No dia 8 de


Maio o illustre e eloqüente senador o Sr. Vieira da Silva, to-
mando a si a defesa da causa da justiça e do poder civil, me-
noscabados pelo poder ultramontano, fez saber ao paiz, que o
admira, que elle é um dos poderosos sustentaculos da civilisação
e da honra deste grande Império.
Ante aquella sua argumentação vigorosa e clara perdia o
Syllabus toda a sua razão de ser, e o consummado orador des-
vendava aos olhos dos espectadores attentos aquelle torvelinho
ultramontano, absurdo e incrível, em que se pretende inutilisar
as instituições da pátria.
Ahi cahira a mascara dos representantes do fanatismo, e a
fatalidade do saber emmudecia os apóstolos do erro e do pie-
tismo religioso.
Era o verbo dos Evangelhos a perpassar as obscuridades ca-
balísticas dos agentes romanos, e lançando luz em cheio naquel-
les vultos ou da ignorância ou da má fé.
A razão, que é o instrumento sacrosanto da fé, aniquilava
naquellas phrases esclarecidas as doutrinas sophisticas dos plia-
riseus da actualidacle.
Era o Samaritano, crente e dedicado, ungindo a doutrina que
expunha, a verdadeira do seu Deus, contra os inimigos do chris-
tianismo, que taes são os familiares actuaes do ultramontanismo
emperrado na palavra de passe que recebeu de seus chefes.
Um tal discurso é digno da maior publicidade. Nós o damos
no Boletim para que a Europa admire, em um dos bons talentos
desta terra, o fervoroso e philosophico catholico, tal como a Santa
Igreja o concebe e idealisa.
Estamos em época cheia de luz e de boa vontade; scepticos
não os temos, mercê de Deus; e, pois, convém desfazer no
mundo civilisado a má impressão que produz a exposição de
crenças grosseiras, barbarisando o catholicismo.
Correndo risco de descrédito em nossas idéas adiantadas, erga-
se o Sr. Vieira da Silva e traduza em phrase eloqüente o como
no Brazil se comprehende, segundo a lei, os attributos da Igreja
e os do Estado.
Estamos satisfeitos.

— .. -
jilÉMniliMtlIfiiiÉtilMiliiii miW i. il <V I i ít I iiml^i1»
417

UM DISCURSO DO NOSSO POD.-. ILL.\ E CARO


AINDA
Senado Brasileiro).—
« Na SeSSri° (1° dÍíl 21 dC
pn,n-. ' MEST/.
flfiETX.-. (no -
o respeitável e illustre Presidente do Conselho,
M respondeu
Rio-lívanco> a um membro dessa casa que se tornou
iTconde (1°
de todos os ódios ultramontanos contra a nossa Institui-
°~! Io c a felizmente nunca terá a
que elle não conhece, qual
de o conhecer em seu seio, taes e de tal monta são
ntagem
a respeito do progresso e da humanidade.
luas' opiniões
discurso, que primou pela elegância da fôrma, pela cor-
Esse
termos, c, mais que tudo, pela solida argumentação
tP7ia" dos
a sua dignidade pessoal e a suprema liberdade de
defendendo
é irrecusável documento da generosidade de ca-
consciência, aca-
critério daquellc á quem todos nós admiramos,
racter e do
tamos e amamos. o que
não pôde ser transcripto neste numero,
Esse discurso onde
o archivaremos nestas colunmas,
sentimos Proximamcntc
c sublime liberdade não é pregada por partidários
a verdadeira
mas por philosophos c homens de bem.
intolerantes, mil saudações
Gr.'. Mcsf. de nossa Ordem, pois,
Ao distineto
attitude entre os obreiros do bem e da verdade.
por sua brilhante
*

DO NOSSO HL.. E RESP-.'. R'. DE8EMBAR-


DISCURSO Depu-
sessão da Câmara dos
GADOR ALENCAR ARARIPE (na
de Maio).-Esperávamos con, ançiedade que
tados do dia 24 r com
na arena a abrülianti
este illustre orador se apresentasse
autorisada esta questão da civihsaçao
sua erudição e palavra
contra o poder invasor do fanatismo.
Nossas esperanças forão coroadas de êxito.
Araripe soube tirar todo o pai tido
O Desembargador Alencar
em defesa da causa do Brazil
de seus conhecimentos variados
livre e da justiça ameaçada. ^iV<#íri««i
c ouvio-o a Câmara com religiosa
Sua attitude foi brilhante,
attenção. . M *vn
e con ia sc1ino
.
Contra aquellas citações da verdade histórica
transviada
claríssimas deducçoes nenhum poder da razão
adversários poderia prevalecer. .
Salve! 111.. c Resp.-. Ir.-.! Dos romeiros do patriotismo pie
- 418 -

claro e da razão esclarecida pela religião, que é a grande scicn-


cia, vós sois um dos mais vigorosos e mais cheios de fé.
Deste lugar em que vos rememoramos e vos applaudimos re-
cebei o osculo e o amplexo fraternaes de coração e com toda a
lealdade de amigo respeitador. *
Infelizmente, por vir tarde, não publicamos o seu luminoso
discurso neste Boletim, o que será feito no próximo numero.

DEZOITO DE JULHO.—Na sessão de posse desta Aug.-.


Off.\, cuja noticia dêmos no numero passado, foi apresentado o
resumo do balancete da respectiva thesouraria, á cargo do 111/.
Ir.*. F. Lôhrs, o qual publicamos hoje, afim de ser conhecido o
lisongeiro estado da OftV. Dezoito de Julho:
Receita.
Admissões, 77 3:740jj000
Donativos . l:970j}000
Mensalidades . . 3:059#000
Juros do capital '. L3UpOO
Tronco de benef/ 603g0
Total Rs. . . 10:6868570
Despeza.
Ordinárias L657Ç390
Extraordinárias. 649JJ510
Pensões e beneficencias 878$820
Prêmios e despezas de apólices........ 350|000
mmmmmmmmm^^mWmm^m^mm^mmm^mmWámWt

Total Rs. . . 3:535§720


Capital da OftV.:
25 apólices da divida publica do valor nominal
de l:000jf000 25:000$000
Dinheiro em caixa 3:376$350
Rs. . ... 28:3768350
Pedimos ás AAug.-. OOftV. do Circulo que nos ministrem dados
semelhantes para serem igualmente publicados.

tgtnvr-gms -.-^MM.l„^MWWMMm-,
419

Administrações de LLoj.-. e CCap.-. para o presente


anno maçon.-. 5873.

LOJ.". INDUSTRIA E CARIDADE, ao Or.-. de Nova-Friburgo.


—Vén.v, Jo«ão José Zamith, 30.-.
Vig/., Manoel Fernandes Ennes. C.\ R/, ^:.

í" Vig/.', Felicio Vieira Mendes, 3/.
Bravo, 3/.
Orad/!, Ernesto de Azevedo Coutinho
Secret.'., Porfirio Guebel Velloso, 3.*.
Thes.'., Manoel José de Souza, 3.\
*
* *
C

LOJ/. AMIZADE, ao Or/. de S. Paulo.—Ven/., Dr. Joaquim


Augusto de Camargo, 33.-.
1.» Vig/., Capitão João Soares. 33.-.
2.o Vig/., Victorino José Gomes Carmillo, 32/.
Orad/., Dr. João Floriano Martins de Toledo, 31.-.
33/.
Secret.'., Commendador Francisco Martins de Almeida,
Thes/., Aurélio Joaquim de Souza Fernandes, 33/.
*

CAP/. INDUSTRIA E CARIDADE, ao Vai.*, de Nova-Friburgo.


-Arth/., Joaquim Vieira da Costa, 32/.
de Amõrim, C*. R-*. -f-'-
1.° Vig.*., Joaquim Ferreira
da Silva, C.\ R/. -f/.
2.° Vig.-., Rodrigo Joaquim
Orad/., Júlio Jardim da Silva Vellasco, C*. R/. %.'.
Secret.*., João José Zamith, 30.-.
-f--
Thes/., Manoel Fernandes Ennes, C*. R.*.
*
*

MAÇONICA, ao Vai/, do Gr/.


CAP.*. CONFRATERNIDADE
Pod.*. Cent/.—Arth/., Luiz Ferreira da Silva Cabral, 31.*.
l.° Vig.*., Tristão Augusto Pimentel, 30.*.
2.° Vig/., Benedicto Contardo, 30.*.
Orad/., Agostinho José de Araújo, 30.*.
Secret.-., João Manoel Salgueiro, C*. R.\ fl*/.
Thes.*., Manoel Antônio Furtado, 30.'.

. mmss?
- 420

CAP.-. REUNIÃO BENEFICENTE, ao Vai/, do Gr/. Pod.-.


Centr/.—Arth/., Antônio Álvaro Barboza, 31.*.
l.° Vig/., José Joaquim de Souza Valença, 30.-.
2.° Vig.'., Francisco Luiz Alves de Lima, 30/.
Orad/., Raymundo Joaquim de Moraes Rego, C.\ R.\ f.-.
Secret/., José de Campos Freitas, C.\ R.\ %/.
Thes/., Antônio Corrêa Coutinho, C.\ R/. ftf;
*

CAP/. ESPERANÇA, ao Vai.'. doGiv.Pod/. Centr/.—Arth.*.,


Manoel Francisco Pinto Guimarães, 30.-.
1.° Vig.-., Albino Ferreira da Silva Sabrosa, 30.-.
2.° Vig/., Antônio Martins Alves de Castro, 30/.
Orad.-., Antônio Alvares Pereira Coruja, 33/.
Secret.'., Cândido Alves da Silva Porto, C.\ R.\ 1».\
Thes/., Antônio Alves de Abreu, 30/.

CAP/. REDEMPÇAO, ao Vai.-, do Gr/. Pod/. Centr.-.


Sapientis/., Carlos Adolpho Borges Corrêa de Sá, 13/.
l.o Vig.-., Marcellino José da Silva, 13.-.
2>° Vig.'., José da Costa Lima, 12.'.
Orad/., Antônio José da Rocha Machado, 13.*.
Secret/., Leonardo Antônio Ferreira, 12/.
Thes/., José Antônio da Silva Pinto, 13/.

CAP/. ALLIANÇA, ao Vai.-, de Nictheroy.—Sapientis/., Pedro


Antônio Gomes Júnior, 13.'.
l.° Vig/., Prudencio Luiz Ferreira Travassos, 12/.
2.° Vig.-., Manoel Alves Velloso, 12/.
Orad/., Pedro Antônio Gomes, 13.'.
Secret/., Belarmino Ferreira da Silva, 12/.
Thes/., Antônio Leite da Silva Bastos* 12/.
- 421

AMIZADE, ao Vai.*, de S. Paulo.—Arth., Antônio Ma-


CAP.'-
Costa, 32.-.
ria Mendes da Costa, 33.\
\ o Vig.'., Serafim Gonçalves
a'« Vig.'., Major Manoel Cândido 0. Chaves, 33.*.
Dr. Manoel Augusto de Mendonça Brito, 30.'.
Orad/t,
Commendador Francisco Martins de Almeida, 33.-.
Secret'.,
Aurélio Joaquim de Souza Fernandes, 33/.
Thes/.,

•U$/ò
422

EXPEDIENTE.
*-

A Grande Secretaria Geral da Ordem, ao Valle do Lavradio


n. 53 K, acha-se aberta diariamente, das 9 ás 2 horas.

O Sob:. Gr:. M.\ Gr:. Com:, da Ordem despacha todos os


dias, devendo as petições ou requerimentos serem entregues na
Gr:. Secret:. Ger:.

O Gr:. Secret:. Ger:. da Ordem attende a todos os Maçons


que o procurarem na Gr:. Secret:. Ger:., á 1 hora da tarde de
todos os dias úteis.

Todas as noticias ou informações que tenhão de ser publica-


das no Boletim Official devem ser dirigidas ao Kedactor em
chefe, rua do Lavradio n. 53 K.

Nous prlons tous les rédacteurs auxquels nous envoyons notre


Butteiin de vouloir bien nous rcmettre en échange ré&ulièrement leurs
journaux.
Adresse du Secretarial; — Rua do Lavradio n. 53 K.
Rio de Janeiro. — Brésil.

\ir\S\S\'\<'\*\S\ir\S\S<\S

Typ. do Grande Oriente, ao Valle do Lavradio 53 K.