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Maçonaria Brazileira.
PUBLICAÇÃO MENSAL,

Redactor em Chefe, o Gr.*. Secret;. Ger.*. da Ord.1.

N.° 12. —2.° ANNO.

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Or.-. do Rio de Janeiro.


DO GR.-. OR.'. DO BRAZIL.
TYPOGRAPHIA
K.
Valle do Lavradio 53
1873 (Es. Vs.)
Boletim
DO

GRANDE ORIENTE DO BRAZIL


É

AO VALLE DO LAVRADIO.

Jornal Ofiicial da Maç.*. Brasileira.

«um. 12 leprti 1873 l^Ãmtõ

Secção Dogmática.

As nossas mulheres.
A mais séria e profunda attenção deve merecer á Instituição
Maconica da actualidade a condição e a situação social daquellas
que são nossas mais, nossas esposas, nossas irmãs e nossas
filhas.
Não vimos aqui advogar a causa de umas exageradas doutri-
nas com que se pretende, no mundo de hoje, enroupar esta
parte
* Foi
interessante da humanidade. C
a mulher escrava.
Eis a amarga verdade da historia das mais dos homens.
Ella foi escrava que se permutava e se vendia, que se atre-
lava á charrua, que era servente do lar e do campo, a cozi-
nheira sem salário do homem á quem ella pertencia.
Não lhe bastarão as dores que a captivavão á maternidade,
os incessantes cuidados nos filhos; naquellas primeiras idades, o
senhor seu impunha-lhe suas violentas vontades e o seu exage-
rado mando.
Dos animaes domésticos daquelles tempos, era a mulher um
dos mais racionaes; mas, como elles, só tinha deveres, a ração
e as fadigas.
— 842 -

Parecia que a desobediência de Eva avassallava as suas des-


cendentes a essa punição, que perdurava ainda além das portas
do paraíso.
Mas dos séculos dessa barbaria indomita passou-se para o
período da regeneração do homem e da redempção de suas
crenças. -
Um dia, Deus o havia ordenado, baixou á terra o filho de sua
divindade, a personificação de tudo que as virtudes, as bondades
e os affectos têm de mais santo e mais purov
A verdade e a liberdade cio homem erão representadas por
Jesus Christo, que as ensinou praticando virtudes taes e com
tão philosophica luz que os homens recuavão dos erros seguidos
e entregavão-se ás leis do christianismo.
O Omnipotente lançava sua benção sobre aquella humanidade
que mais procurava conhecêl-o, e dava a essa humanidade a
lição immensa de todos os seus sagrados deveres.
Ahi está ella, essa magestosa lição, lançada nos Evangelhos
para que todos os séculos a admirem, a sigão comprehendendo-a.
Maria, o cândido lyrio da Judéa, fora a escolhida do Senhor
para ser Mãi de um Deus feito homem; e nessa escolha a mu-
lher remia-se de todas' as faltas, de todas as fraquezas e de
toda a escravidão que lhe era imposta.
Era uma nova formação da mulher; á costella de Adão addu-
zião as novas doutrinas a subliinidade de uma culta maternidade,
que era o tronco da humanidade christã.
Nenhuma epopéa, nenhuma narrativa, nenhum idyllio deu já-
mais á mulher tão meiga, tão suave, tão affectuosa missão como
o Evangelho; mas também nenhum livro de homem teve tantos
capítulos ungidos de singela poesia e santidade como aquelles
que descrevem Maria, a Immaculada Mãi!
Se ha amores duradouros, se ha affectos profundos e dignos,
se ha funda sensibilidade na família, é de tudo depositaria sa-
grada a mãi christã.
Que, a ella, não lhe assignou a fé do Divino Mestre, só a
materialissima reproducção, mas o complexo augusto de todas as
lições que tornão o homem moral um ser digno da origem que
lhe deu o Creador.
E essa origem, vede, tem lugar ahi, no momento em que os
apparecimentos da matéria em todas as suas fôrmas erão feitos.

*V;--,:iL'
- 843 -

Após tudo que o barro, o fogo, a água e todos os materiaes


da infinita officina da creação havião, em tremendas ou suaves
convulsões, creado e formado, apparece no palco, no proscênio
desse laboratório magestoso — o homem.
Elle tinha em si todas as solicitações e movimentos da mate-
ria, mas era também a ultima expressão da iinmaterialidade, tra-
duzida em todos os seus sentimentos e em todas as liberdades
da sua razão.
Esse novo creado vinha dizer á natureza inteira qual o seu
destino, e quaes os fins para que tudo havia sido feito.
Buchner c Helmholtz, que forão ao cérebro buscar, com o
escalpello em punho, os seios de cada sentimento, aptidão e
destino, descuidárão-se dos movimentos do coração e não conse-
guirão comprehender aquelles movimentos immateriaes do que
chamamos — a alma.
A esses esforços materialistas, a esse descuidoso- positivismo,
deve-se, sem duvida, o falseamcnto da educação da mulher.
A mulher, como de suas doutrinas se deve cleprehender, é,
pois, apenas só um ser destinado á procreação e ao prazer.
A mulher, tal como nôl-a pintão essas theorias incríveis e cie-
masiadamente anatômicas e fáceis, é apenas só um fasciculo de
todas as sensaçães galvanicas do sentimento e da luxuria.
Mas essa nao 6 nem Eva, nem tão pouco a mulher christà:
é um mytho materialissimo que vem deshonrar apoucando os
destinos do homem em sociedade culta.
Os destinos sérios e graves da mulher no seio da civilisaçào
nos devem obrigar a esclarecer as opiniões daquelles que não ousão
encarar cie frente a santidade da missão da mulher na christan-
dade, tal como a Franco-Maçonaria universal a admitte e requer.
Das tribunas niaçonicas, ainda ha pouco, em discursos claros
e luminosos, partirão vozes que acoroçoão o movimento generoso
da libertação cias nossas mulheres por meio da verdadeira com-
prehensão de seus destinos sociaes.
Ahi não se advogou nenhuma causa impia da moderna arte
de pensar na mulher, mas ergueu-se o seu pedestal acima do
nivel vulgar da actualidade. As idéas emittidas daquellas tribu-
nas cinzelárão a mulher culta nos traços característicos do chris-
tianismo. Fizerão-n'a o symbolo da fé, a sacerdotiza da espe-
r&nça e a companheira constante da caridade.
- 844 —

Venha para a mulher a educação e a cultura; que ella saiba


vêr e que ella saiba guiar: eis o seu destino.
Como mes^-a, ella iniciará o pequeno homem nas doutrinas da
sociedade christã; ella lhe traduzirá todos os" cathecismos de
seus deveres.
Como guia, sirva ella ao esposo que a respeite, ao filho
que
a adora e ao irmão que acata vendo nella a imagem de uma
mãi que já não existe, mas cujas virtudes soube transmittir.
Filhas de um paiz americano, descendentes de uma raça de
mulheres respeitáveis por suas virtudes domesticas e
particulares,
as mulheres deste Império representão em nossa sociedade, sem
duvida, importante papel. Dellas se não narrão nem ditos
pi-
cantes, nem heroísmos de espectaculo brilhante,
públicos e de-
cantados; mas essas qualidades moraes dignas e santificadas no
amor de família, essa ternura inexgotavel, e essa dedicação
vai até á Coragem inalterável, pertinaz, que
paciente e incessante.
E. desse seio materno, onde se engendrão heróes e homens
de
bem, que partirão os muitos actos de valor e desinteresse
abrilhantão os capítulos da expedição do Riachuelo e Paraguay. que
As escolas não formarão esses homens victoriosos e dignos:
não; elles sahirão feitos de junto de suas mais e de suas
irmãs,
outras tantas saudades que levavão n'alma
para a terra estran-
geira, que, juntas á fé e ao amor da pátria, engendrarão actos
prodigiosos.
Emquanto escriptores volúveis e despreoccupados
se encarre-
garem de descrever os vestuários mais ou menos luzidos das
mulheres brazileiras, nos bailes ou nos saráos,
é profundo o
prazer que sentimos em avaliar-lhes as virtudes e esboçar-lhes
as qualidades preciosas moraes, religiosas
e sociaes.
Nos nao a queremos bonita; apraz-nos
em consideral-a em to-
das as suas formosuras.
Os annos apagão esse viço
que o mundo chama bonito; mas
o mundo tem veneração duradoura todas as qualidades mo-
raes, nas quaes o tempo não ousa tocar por
senão lapidando-as.
be se cuidasse mais em commentar essas
se-nia menos nessa falhciosa e qualidades, fallar-
futil, que é apenas só um credito
de convenção, ou talvez uma hypochrisia
demasiadamente ex-
piorada.
Respeitai as mulheres que
passão; podem ellas ser vossas
— 845 —

esposas, as mais de vossos filhos, as conselheiras de vossa vida;


mas respeitai-as, respeitando-vos.
Sede do santuário de vossa casa os sacerdotes, os amigos ze-
losos e dedicados, os chefes solicites c prudentes, ós protectores
vigilantes.
Se em vossa casa não fôrdes nada disso; se apenas fôrdes os
déspotas impertinentes, os senhores de um feudo que vosso nome
social vos concede em futeis vaidades, não aceuscis as mulheres
quando dias se subtrahirein aos rigores de vosso caracter ou ás
imposições brutaes de vosso orgulho.
Elias são as vossas mais dedicadas amigas. Conservai-lhes
esses santos afiectos com que vos felicitão.

- .!
— 846 -

Instrucção Maçonica.
«

Maranhão.
Na sessão de 7 de Junho de 1873, da Aug.*. e Resp.'. Loj.'.
Firmeza e União 2.ft, foi pronunciado o seguinte discurso:
A' Gl.\ do Sup/. Arch/. do Univ/.

RResp/. Ilr/.
Mais dous cidadãos conspicuos por sua posição social vêm
abrilhantar as luzidas columnas desta Aug/. e Resp/. Loj/.;
mais dous caracteres probos e lidadores esforçados nos auxilia-
rão na improba tarefa de convencer ao obstinado mundo profano
que a Maçonaria é a sociedade dos homens virtuosos; mais dous
obreiros activos se unem á nós para a realisação da grande
obra da regeneração do universo.
Salve! novos Ilr.*., sede bemvindos, operários da luz, aposto-
los da tolerância, soldados da caridade, defensores zelosos do
dogma eterno da perfectibilidade humana. Salve!
Registre-se em letras d'ouro nos fastos da Instituição Maçoni-
ca mais este dia jubiloso, mais este triumpho esplendido: dia
jubiloso porque testemunhamos o real apreço em que é tida a
sublime Instituição Maçonica, na qual procurão alistar-se diária-
mente os mais eminentes caracteres da sociedade culta; trium-
pho esplendido, porque, quando os inimigos da luz, da tolerância
e do progresso se congrassão contra nós, é sobremodo grata a
acquisição de caracteres tão illibados e respeitáveis como dos
Ilr.'. iniciados, que, á par das mais nobres e eminentes quali-
dades sociaes, unem as mais felizes disposições de coração, de
valor e de energia, para o labor glorioso da Maçonaria que ba-
talha em prol das obras da luz!
Ainda uma vez salve! novos Ilr/. E sem embargo do respeito
que tributo ás vossas convicções e prévio conhecimento que sem
duvida tereis formado da sociedade a que viestes pertencer,
desculpai que delia vos falle, por momentos, em nome da lei e
do dever*
-— 847 —

Acabastes, Ilr.*. iniciados, de penetrar n'um recinto desconhe-


cido, no qual testemunhaes e tereis de observar o mais bello
espectaculo. Cidadãos de todos os paizes, crenças, posições,
fortunas e classes! Aqui se confundem a coroa e o scéptro do
soberano com a mitra o o baculo do pastor, a espada do militar
com a penna do publicista, a palavra fluente do jurisconsulto
com o dizer singelo do artista, o livro fecundo do sábio com o
instrumento cego do operário !
Grata harmonia sem duvida para o pensador que se recolhe
por espaço no segredo dVdnia e diz: O que é isto? Onde estou?
O que desejo? Para onde vou?
Formulareis estas perguntas no arcano de vossos peitos, cogi-
tareis na mente resposta cabal ás indagações suscitadas pela
justa curiosidade, ao espectaculo insueto desta respeitável assem-
bléa, e de prompto não encontrareis êxito satisfactorio.
Permitti, portanto, que vos explique suecintamente cada um
destes pontos aliás importantes para vós que pertenceis hoje a
uma associação completamente nova, essencialmente differente
das do mundo exterior que nos cerca.

I. — O que é isto ?

É a Maçonaria. E das sociedades de origem humana a mais


numerosa, forte e benéfica do universo. Mais numerosa, porque
em seu grêmio está encerrada a parte mais sã, illustracla e intel-
ligente das nações; mais forte, porque a união é o laço cie amor
que vincula seus membros; mais benéfica, porque tem por prin-
cipio, meio e fim a caridade, o bem-ser, o progresso, a perfeição
da humanidade.
II. — Onde estou ?

N'um recinto sagrado por seus fins e por seus usos, ou o


chamem Temp.\ de Salomão ou Oií.\ Maçon.'.: Temp.\, porque
tem a divindade por base; Off.\, porque tem o trabalho por
dogma.
Lançai as vistas em torno de vós, meus Ilr/., e observareis
que estas duas idéas se approximão, se tocão, se concilião.
Vede o Or/.: de um lado o astro vivificador da natureza, o
soberano do espaço, o rei dos orbes, o centro harmonioso das
o
» t

— 848 —

espheras; de outro, a rainha das noites, a languida e amena


companheira das estrellas, a branda e risonha lua, que ameiga e
suavisa a doce serenidade das noites, acompanhadas de plácidas
brisas, que trazem ao obreiro fatigado o repouso e a paz.
Pois bem, alli se retração, entre os mundos de além, as duas
imagens mais caras aos homens, mais eloqüentes ao conhecimento
dos sentidos, por serem as obras mais palpáveis de Deus.
Quando os antigos voltavãó as faces para a abobada celeste, e,
contemplando os astros, os adoravao, sem duvida que erravão,
porque acloravãõ a creatura e não o Creador: mas seu erro seria
desculpavel por falta cia precisa luz da revelação, e baseava-se
no espectaculo do universo.
O Maç.*., que é o philosopho da natureza, estampa no Or/.
de sua Off/. a imagem das mais palpáveis obras do Onmipotente,
chamando á consideração dos mais vulgares engenhos, convi-
dando-os á meditação dos altos mysterios da creação, provando
dess'arte que longe de ser um ente clestructor de toda a religião,
como soe apregoar o fanatismo, é o Maç/. a creatura mais res-
peitadora da Divindade.
Assim, pois, justifica-se o titulo de Teinp/. ciado a este recinto,
porque aqui reconhecemos a Divindade, adoramos, a invocamos
muitas vezes como tendes observado e continuareis a observar.

Chamamos Off/. porque o trabalho é nossa constante occupa-


ção. Trabalhamos em prol dos que soffrem; exercitamos a cari-
dade, distribuímos esmolas, ciamos pão, espalhamos instrucção,
ensinamos a tolerância, praticamos a obediência, cultivamos as
virtudes, abominamos o vicio, proíiigamos o crime, espancamos
as trevas, queremos, abraçamos e diffiindinios a luz. Eis nossos
trabalhos: a occupação constante de nossa Off.-. Eis do que
somos esforçados obreiros.
*

Nesta plácida Off.-. perguntareis: Onde estou?


Entre Ilr/. Os indivíduos tão diversos na apparencia, como os
vedes, são accordes e homogêneos n'um só pensamento, n'úma
só vontade, n'uma só aspiração, n'uma só realidade: Somos Ilr.-.!
- 849 —
•Não ha perigo que se não afronte; obstáculo
que se não des-
trua, liga que se não dissolva, inimigo que se não vença, força
que se não derrote, entrave que se não arrede, barreira que se
não abata, impossível que se não supere se lordes verdadeiros
maçons.
Somos Ilr.-.! nem as ondas do revolto oceano, nem as torren-
tes impetuosas das montanhas, nem as feras indomitas dos de-
sertos, nem os sanliudos tyrannos dos thronos", nem os intolè-
rantes pontífices dos templos, nem as chammejantes fogueiras
dos inquisidores, nem a prepotência despotiça das autoridades,
nem a emmaranhada rede de iníquos processos, nem as grades
férreas de mortíferos calabonços, nem as humidas abpbadas de
sombrias prisões, nem todo o cortejo sinistro da morte agrupado
ein torno de vós —vos venerarão — se fôrdes verdadeiros maçons.
Trabalhai com fé, meus Ilr/.; medi vossos acçoes com comp.\
da justiça; aprumai vossos actos com o [>erp.: da virtude; escla-
• recei vosso procedimento com o sol da verdade; amenisai vossa
condueta com a lua da benignidade; guiai-vos com a calma tran-
quilla das estrr. cujos esplendores imitareis, e não só vos torna-
reis dignos do nosso apoio, da nossa união, da nossa fraterni-
dade, da nossa força, mas também vos honraréis de pertencer a
uma sociedade, que, sendo o verdadeiro laço dos povos pelo seu
prestigio e esplendor, vos apresentará como o modelo dos ma-
çons do Universo.
Eis, ITiv. iniciados, d'onde provem o nosso valimento ; eis o
segredo de nossa existência e do nosso futuro. Recebei, por-
tanto, a chave dos nossos mvsterios, e sede bemvindos e entra-
dos no Templ.-. e na OiiV. Maçou.'.

III.—O que desejo íV

O bem do meu semelhante e o meu próprio.


E o escopo da Maçou.'. — trabalhar em prol da humanidade,
para ter os júbilos da consciência e aperfeiçoar-se na virtude.
A' semelhança da vasta sociedade universal, a Inst.'. Maçon/.
é uma associação, que, aspirando o bem-estar do gênero hu-
mano, volve suas vistas para a humanidade e a encara sob três
aspectos: o gênero humano em si; a sociedade maçonica em
geral; o Maç.-. em particular. Dedicando-se ao aperfeiçoamento
— 850 —

humanitário, a Maçon.\ consagra e concentra seus esforços em


dar á humanidade o bem-estar geral; á Inst/. Maçou.', a prós-
peridade; e ao Maç/. isolado protecção, auxilio, cooperação,
emfhn, tudo quanto é applicavel ao Ir:, a quem vinculão os
laços de sangue.
Eis o que desejamos, e para o que trabalhão todos os MMaç:.
unidos, firmes e baseados em princípios maçonicos.

IV.—Para onde vou?

Para o futuro. O Maç/. é o romeiro do porvir. É um ope-


rario que nunca esteve e não estará jamais inerte. Desconhece
o ócio e não conhecerá o repouso.
Por que? Seria preciso, meus Ilr:., traçar aqui a historia
da humanidade, se pretendesse desenrolar á vossa consideração
a historia da Maçou:., seu passado e seu futuro. Mas quem,
como nós, conhece o presente, e contempla o passado através
das eras que se escoarão na amplidão dos tempos, também po-
dera, levantando a espessa cortina que vela o porvir, apontar o
futuro reservado á Inst:. Maçon:.
Meus Ilr:., a historia da Maçon:. é, portanto, a da humani-
clade; é a historia do fraco contra o forte; do oppfimido contra
o oppressor; é, conseguintemente, a historia mais antiga e vene-
randa que porventura existe nos archivos dos séculos,
porque é
a historia escripta com as lagrimas cios pacientes, com o suor
dos opprimiclos e com o sangue das victimas.
Ora, desde que houve homens carentes de outros
# para os
ajudar a soífrer, a chorar e a padecer, houve também MMaç:.
para auxiliar os pacientes, enxugar as lagrimas, ^derramar o bal-
samo da consolação e do conforto sobre as chagas causadas,
quer no espirito pelo estylete da injustiça, quer no corpo pelo
ferro do tyranno.%
Logo, viajamos para o futuro, isto é,
para a regeneração da
espécie humana, para a aurora da ventura,*da
paz, da harmonia
e da consolação universal.
_ Quando sobre a face da terra não mais houver lagrimas, vic-
tunas, sangue, intolerância, fanatismo, ignorância, miséria, esses
hediondos espectros que apertão, suffocão e atrophião a humani-
dade—, então, nos horizontes do mundo moral e
physico terá
50l

surgido o jubiloso dia da - perfeição -, única aspiração da


então hu-
manidade; a missão da Maçou/, estará finda;
digo mal
então a Maçou/, terá executado e realizado seu no uni'
desappareccr papel
verso: deve cheia de gloria e magestade seme-
lhante ao grandioso astro ela luz, que, tendo attingido seus
aphe-
lios, engolpha os dourados raios „0 vasto Sèplilcrô elo oceano
após ter derramado ingente claridade em todo o
período de seu
curso!
Eis, meus Ilr/., como e para onde caminhamos. Os
Israeli-
tas viajarão 40 annos no deserto em busca da terra da
são: tinhão o maná do céo por alimento; as águas promis-
puras das
rochas por bebida; as vestes e calçados conservados, apezar
do
uso e marcha constantes: nós temos também nossa Canaan;
réin, novos Israelitas, nossa viagem é de tempo illimitado, ou po-
'são só
conhecido nos arcanos divinos: o maná que tragamos os
amargores da vida; as águas, difficuldades da
jornada; nossos
calçados e vestes dilácerão-se com os cardos e agruras do
transito.
Entretanto não esmoreçamos jamais; trabalhemos e marchemos
sempre. Cobrir-nos-ha o Alt/, com a columna de sombra
batalharmos as pelejas da luz, e nos allumiará com a columna pára
de luz para desbancarmos as ciladas das trevas.

Eis, CCar/. Ilr/. iniciados, nossos desejos. O Sup/. Arch/.


do üniv/. vos auxilie e conforte,
para que nos acompanheis na
romaria do futuro, e nos auxilieis nos trabalhos e aspirações da
Maçon.*. espalhada na superíicie da terra. Sao nossas esperan-
Ças e nellas confiamos.
*

Terminando, IlResp/. Ilr/., permitti que, obedecendo ás tra-


(lições, agradeça aos 111/; e RRespz. Ilr/. VVen.\ de outras
uuü\ que se dignarão assistir á
presente sessão.
i™-'. e RResp.\ Ilr.'. VYeiv. é sempre grato
\ para mim o sa-
grado dever que ora cumpro. A Resp.\ Loj/. Cap.'. Firmeza e
União Segunda, da sou debilissimo órgão, vos envia espon-
qual
taneo e sincero voto de reconhecimento
por mais esta prova de
— 852 —

fraternidade existente entre Ilr/. do mesmo Vai/. Ao receber-


vos em seu grêmio, sente-se esta Resp/. Loj/. assás orgulhosa,
porque sem duvida muito realce dais ás nossas festas, e somente
lamento que o obscuro Orad.\ não possua palavras eloqüentes e
dignas de tão conspicuos ouvintes; mas desculpai o pouco ele-
vado da phrase, e recebei o grande e sincero agradecimento que
vos tributamos.
Aceitai, portanto, nossa affectuosa gratidão • como prova do
muito apreço ern que temos vossa nobilissima visita, e ficai cer-
tos que é mais um motivo de vos sermos reconhecidos de toda
a abundância de coração.
Tenho concluido.
ti. X. IO. Jj.,
Orad.\ interino, gr.-. 7.\

0 aprendiz maçon.
Todo aquelle que deveras quer pertencer á nossa Ord/., que
deseja seriamente compenetrar-se de nossas instituições, que tenta
comprehender nossos mysterios, deve apresentar-se á Off/. cheio
de dedicação e completamente esquecido das discussões do mundo
profano e das velleidades de sua vaidade.
O isolamento está na cella do claustro — a sociedade está no
templo maçonico — a confusão e os erros vivem no mundo pro-
fano.
Isolar-se um homem de seus semelhantes ou é erro ou é a
supremacia da virtude. O isolamento, dizem os philosophos, ou
é dos brutos ou dos anjos.
Viver-se no meio da confusão e dos erros cia sociedade pro-
fana é um mal. A verdade não está ahi; porque ahi só impe-
rão a vontade, o capricho, o orgulho e a voluptuosidade.
É pois ao seio da Maçonaria que vêm*todos os homens pro-
curar allivio e protecção. Nella está a fé, estão todas as virtu-
des, estão todas as qualidades distinetivas da humanidade. Ella
é uma escola, uma tribuna, um templo, uma mansão.
Nessa escola aprende-se o abecedario da caridade, soletra-se
a beneficência;—nessa tribuna fortifica-se a palavra, adquire-se
- 853 —

a eloqüência, diz-se a verdade, c illumina-se o discurso frater-


nalmente; - nesse templo commungâo todas as creaturas
Deus e lhe tributílo que
amão adoração por todos os sens actos e
por toda a sua creação, por meio da fé, esperança q caridade •
-nessa mansão repousa o obreiro das fadigas do mundo
amado, pro-
fano e sente-se acariciado e protegido.
Hiram erguera o templo de SiSo em honra de Deus e em
nome da luz e da verdade. Cm pensamento divino
presidio á
sua feitura; e ás suas fôrmas ai^hitectonieas assistirão todos os
sentimentos generosos dos obreiros do bem.
Aquelles que pensarão, que amarão o trabalho,
que procura-
vão àpêrfeiçoar-sé e que educarão o coração tinhão entrada nessa
officina como obreiros da liberdade do homem.
Assim devia ser.
Nas éynagogas e nas escolas congregavão-se os
que estudavão
e discutião um curso qualquer do saber humano: era
preciso que
para todas as virtudes humanas, juntas ao saber, houvesse tam-
bem um pallio que. as abrigasse.
Esta e não outra foi a origem da officina hiramita.
Todos os symboios alli representarão o conjuneto da magna
pliilosophia humana.
E emquanto os exploradores dos paizes, os exércitos
guerrei-
ros, os bandidos, os caçadores assolavao
povoações em nome da
conquista, os obreiros de 11 iram. recolhidos e retirados do movi-
mento profano, laboravão em favor do bem e da
justiça.
Compenetrado destas verdades, deve o aprendiz maçou enca-
minhar seus passos para o trabalho
probo de sua officina com
toda a regularidade de um homem de bem
que cumpre com to-
dos os seus deveres.
Ahi vive elle inim mundo de confraternidade e de crenças,
onde o sentimento dá em
palavras aüectuosas a proveitosa lição
da caridade, e aliás com aquella simplicidade recommendada
pela
consciência do dever.
Alli não se fazem ^transacções mundanas com a Providencia
divina: dá-se á
pobreza e á viuvez, não para tornar o.niaçon
credor de muitos dons, mas
pura e simplesmente para cumprir
com o preceito da beneficência
que torna o homem maçon per-
feito.
^e tal falseada andar a Maçonaria em um
paiz que o apren-
— 854

diz intelligente estremeça ante o absurdo de seus erros e indis-


ciplina, convém não desanimar: torne-se elle mestre da Arte
Real e em nome de tudo que é sagrado e da coherencia das
doutrinas erga-se e discuta; aponte os erros e castigue-os; de
luz ao templo e regularidade ao trabalho.
Em todos os tempos houve gente de revolta e desordem que
levava a ousadia até a manchar a dignidade da Ordem Maço-
nica. Esses forão a origem da transformação de nossos créditos,
e a elles se deve o anathema que nos lanção os imprudentes
sectários do poder temporal da actualidade.
Mas taes excepções não podem constituir a regra maçonica.
Em opposição á tal gente levantão-se os verdadeiros hiramitas e
pugnão com efficacia pela causa de nossa Ord.*. Subi/.
Saiba o aprendiz maçon entrar no templo; saiba elle dirigir-se
á Off/. e ao Alt/, e advogue a causa de nossa Instituição, que
tão eloqüentemente a traduzem séculos de sua existência.
Convém, porém, ser cauteloso e reflecticlo; convém estudar os
erros e os abusos, para depois expôl-os e dar-lhes o correctivo.
Altamente recommendada ao aprendiz maçon é a freqüência
regular á sua Off/.
Só o tempo consegue clarear no espirito o que parece velado
ou obscuro. A discussão é a pedra de toque dos pensamentos;
nella apparece o que é digno de nota e de commento, e delia
resulta a luz da comprehensão.
Porque convém nada fazer emquanto se não comprehende bem
o que tem de ser feito. Aquelle que cumpre com deveres cujo
alcance não comprehende, mal os desempenha e peior os utilisa.
Batei á porta do templo regularmente. Annunciai-vos. Avan-
çai entre columnas levando a mão á ordem e dando os passos
de nossos symbolos. Saudai o Veneravel e saudai os Vigilantes,
como vos ordena a nossa Instituição; mas fazei tudo isso com
ar digno, respeitoso e grave.
Nunca abandoneis taes preceitos, nem tão pouco profaneis a
entrada em uma Off/., tornando esse acto profano.
Habituai-vos a ser maçon em todo o sentido da expressão, e
estudai a nossa doutrina com afinco e crescente desejo cie chegar
a todos os nossos mysterios, para por fim avaliardes o quanto
são ignorantes aquelles que nelles vêem conspiração e impiedade.
O aprendiz maçon deve saber que elle não vem pertencer a
coo

um partido qualquer, mas sim a um povo que venera todas as


tradições, todas as exposições da verdade e da justiça.
Convém igualmente, que o aprendiz maçon guarde inviolável-
mente o segredo de tudo que em loja lhe fôr dito ou ensinado;
acostume-se elle á discrição e ao silencio necessíirio. A falta
deste habito, cm gráps inferiores, leva para diante o gerinen do
perjúrio e da infidelidade. É dahi qne vierão para o mundo
profano alguns maçons irregulares, e, transformando a verdade,
calumniárão esta nobre c illustre Instituição, expondo-a ás iras
dos interessados em mover-lhe guerra.
São estes os conselhos que julgamos devem ser dados a todos
os aprendizes maçons.
L. C.
— 856 —

Secção OfficiaL

Actos do Sap.\ Gr.*. M.\ Gr.\ Com.-, da Ord.\


v

19 de Dezembro.—Manda soccorrer com a quantia de 1OO800O


ao Ir-'- > Obr/. de uma das Lojas da jurisdicção do Sup/.
Cons.\ Argentino.

Grande Oriente do Brazil.


EXTRACTO DA SESSÃO ORDINÁRIA DE 22 DE DEZEMBRO DE 1873
E.-. V.-.
Presidência do Sap.-. Ir.-. 33.-. Conselheiro Visconde do Rio-Branco,
Sob.-. Gr.-. Mr. Gr.-. Com.-, da Ord.'.
Achando-se presentes 106 membros, foi aberta a sessão, lida
e approvada a acta da antecedente.
O Gr/. Or.\ do Brazil ficou inteirado das seguintes communi-
caçoes:
1." Do Resp/. 111/. Ir.-. 33/. Dr. Ricardo Gomes da Costa,
agradecendo a concessão do titulo de membro honorário, lhe
fizera o Gr.\ Or.\; que
2.a De diversas Officinas do Circulo, participando concorrerem
em auxilio das victimas da inundação
que assolou a província do
Rio-Grande do Sul. (No próximo numero
publicaremos os seus
títulos e as quantias com que concorrerão).
Forão approvados os seguintes pareceres da 111/. Com/, de
Beneficencias:
1.° Julgando ser beneficiado com uni soccorro o
pecuniário
nosso Ir/. N.,..., membro da Aug/. Loj/. Confraternidade Ma-
çonica, sendo-lhe arbitrada a quantia de 100§000, conforme
requererá o Ir/. Gr/. Secret/. Geral;
2.° Julgando dever ser concedida a mensal de 20#000
fa pensão
viuva do nosso Ir/. , ex-Obr/. da Aug/. Loj/. Commercio,
emquanto durarem os embaraços
que actualmente soffre.
- 857 —

Foi igualmente approvado o parecer das 1111/. CCom "o¦ de


Be
neficencias e Finanças, julgando dever ser concedido auxilio
de 50OJO0O em favor das victhnas da inundação
que assolou a
província do Rio-Grande do Sul. O Resp/. Ir,. Pereira Coruja
ficou encarregado da applicação deste auxilio, bem como
dos
A
concedidos pelas Aug/. LLoj,. do Circulo.
Também foi approvado o parecer da 111". Com,, de Finanças
julgando dever ser approvado o balancete do 1., semestre findo
apresentado pelo Resp.'. Ir/, (ir.-. Thes/. Geral.
Forão anprovados os seguintes pareceres da 111.-. Com.-.
Cen-
trai, a saber:
l.o Dispensando do pagamento dos ggr/. 4 a 17 aos Ilr-
installadores da Loj.-. Afalaya do Norte, ao Or.'. da Diamantina-
do gr/. 1S, a dous OOI.r,. da Aug/. Loj,. Cap.-. Dezoito

Julho, por serviços especiaes; c das contribuições animas á Aug.-.
Loj.-. Cap/. Regeneração, pelos embaraços
que lhe acarreta a
demanda que-pleitêa actualmente com um
grupo dissidente;
2.° Indeferindo a pretenção do 111.-. Ir,. José J. de Magalhães
Abreu, Obr,. da Aug.-. Loj,. Cap/. Esperança, de dispensa de
lapso de tempo para collação de
gráo conferido pelo Decreto de
21 de Dezembro de 1872;
3.° Autorisando a reimpressão de mil exemplares da Const/.
da Ordem;
Dispensando do pagamento da jóia do gr,. 33 com
^4.° que
fora galardoado o 111/. Ir.-. Francisco Ferreira de Freitas, instai-
lador de diversas Lojas;
o.° Dispensando do pagamento das
jóias dos ggr/. 4. a 17
aos Ilr.-. installadores da Loj/. União e Crença, ao" Or/. do Rio
Novo; e igual graça concedendo aos reinstalladores da Aug/.
Loj-'. Feliz Lembrança, ao Or/. de Iguape;
6.° Prorogando a graça especial
que goza a Aug/. Loj/. Cap/.
Maternidade, ao Or/. de Santos, e dispensa de contribuições,
em attenção ás
grandes despezas que fizera com a edificação do
seu templo, sendo esta
prorogação por mais um anno;
7«° Julgando que o
juramento é de rigor nas filiações, e que
esse juramento não
pode ser prestado senão pelo próprio Ir/.
<l«e se filiar;
8-° Conservando em vigor as disposições cio Decreto de 21 de
Junho de 1869, em referencia á maneira
pratica de propor-se e
— O K Q
ooo —

approvar-se os profanos que devem ser iniciados nas LLoj/. do


Circulo.
Foi rejeitado o parecer da Com/. Central, julgando dever ser
deferido o pedido do Ir/. C. A. Plaisant, Obr/. da Loj/. Amparo
da Virtude, sobre dispensa de lapso de tempo para gozar dos
favores do Decreto de 21 de Dezembro de 1872.
- 859 -

Muito Pod.\ Supr/. Conselho.


ASSEMBLEA EM 3 DE DEZEMBRO DE 1873, E.\ V.-.

Presidência do Pod.-. e Ill.\ Ir.'. 33.-. Conselheiro Barão de Angra,


Lug.\ Ten.\ Comm.\
Achando-se presentes 11 membros eftectivos e 5 honorários,
foi aberta a sessão, sendo lida e approvada a acta da antece-
dente.
O Supr/. Conselho ficou inteirado da communicação do Sob.-.
Gr/. Com.-, sanccionando a elevação ao gr/. 33.-. dos III.-. Ilr.-.
Vasco da Silva Feijó, Barão de Pirapitinga, José Olegario de
Abreu e José Luiz da Costa Nogueira.
Forão tomadas as seguintes resoluções:
l.« Sanccionando os actos da Sap.'. Gr/. Loj.-. Central, appro-
vando a installação, regularisação e filiação da Loj/. Prov/.
Atalaya do Norte, ao Or/. da Diamantina, em Minas-Geraes; e
concedendo a benefic.-. de 50S000 á viuva do Ir/.
2." Concedendo o titulo, honras e prerogativas de seu membro
honorário aos PPod.\ e líll.\ Ilr/. 33.-. conselheiro João Alfredo
Corrêa de Oliveira, conselheiro Manoel Francisco Corrêa, conse-
lheiro Manoel Antônio Duarte de Azevedo, Francisco de Paiva
Loureiro, Hermenegildo Nunes Cardoso e Domingos Antônio de
Amorim.
Forão elevados em gráos os seguintes 1111/. Ilr/.:
Ao 33/., Francisco Antônio Teixeira de Carvalho, Obr/. da
Aug/. Loj/. Cap/. Dezoito de Jfolho; %j^
Ao 32/., Antônio Caetano dsroilva Kelly, Obr/. cia Aug.'. Loj/.
Cap/. Amparo da Virtude; Justino, cie Lima Vianna, Obr/. da
Aug/. Loj/. Cap/. Commercio; Manoel Francisco Gomes Ribeiro,
José Pinto Bessa, José Antônio de Oliveira Moraes, Manoel da
Costa Sampaio e Antônio Maria dos Santos, OObr.'. da Aug/.
Loj/. Cap/. Dezoito de Julho; José Gomes Penna e Bernardo
José Pereira Bastos, OObr,'. da Aug/. Loj.'. Cap/. União Es-
cosseza;
Ao 31/., Antônio Ignacio de Mesquita Neves, Victor Maria
dos Guimarães Velloso, Joaquim Antônio Piancitini e Pedro Pio
de Almeida Gralha, OObr.'. da Aug/. Loj.'. Cap/. Pedro II.
860 —
irò

Grande Loja Central.


SESSÃO N. 227 DE 16 DE DEZEMBRO DE 1873, E.*. V.-.
Presidência do Resp.: e BI.', Ir.: 33.: Antônio Alvares Pereira
Coruja.
Achando-se presentes 130 membros, foi aberta a sessão, lida
e approvada a acta anterior.
Resolveu-se:
Approvar as eleições geraes para o futuro anno maçon.*. 5874
das AAug.*. LLoj.*. Estrella do Rio, ao Or.-. do Gr.-.
Pod.-.
Cent.'.; Fidelidade e Firmeza e Luz Transatlântica, aos
OOr*
de Porto-Alegre e Jaguarâo, e dos SSub.-. CCap.'. das
citadas
ultimas duas LLoj.*.
Sanccionar as elevações ao gr.-. 18.-. dos RResp.-. Ilr.-. do
17.'., OObr.-. dos SSub.-. CCap.-. Estrella do Rio, Esperança, gr.-
Amor
da Patna, Regeneração, Dezoito de Julho, Estrella do
Occidente
e Fidelidade e Firmeza.
Elevar aos ggr.\ 4.-. a 18.-. o Resp.'. Ir.', do
gr.'. 3.'. T. J
Cardoso Abranches Júnior, Obiv. da Aug.'. Loj.'.
Symb.'. União
Fraternal, ao Or.-. de Barbacena.
Solicitar ao Sap.-. Gr.'. Or.-. não só a dispensa
do aluguel do
edifício e futuras quotas animas de uma
Aug.-. Loj.'., ao Or.-.
do Gr.'. Pod.-. Cent.-., mas também a
dispensa do pagamento
das jóias do gr.-. 18.'. a
que forão elevados dous 1111.'. Ilr.-.,
OObr.'. de uma Aug.-. Loj.-. do nosso Circ ¦
Conceder a Aug.-. Loj.-. Cap.-.fidelidade
e União o denominar-
se d ora avante sob o titulo distinctivo -
Heptarchia-.
Adiar vários documentos em referencia
ás occurrencias da
Aug.-. Loj.'. Cap.-. Grêmio Philantropico.
Ficar inteirada:
1.° Da communicação dirigida Gr.'. Secret.-. Ger.'. do
Santo Imp.'. de ter o M.*. Pod.*. Sup.*.pela
Cons.'., em assembléa
de 3 do corrente mez, tomado varias
resoluções
3.í Da communicação dirigida Sub.'. Cap.'. Asvlo
pelo
de ter sido regularisado em 27 de Novembro " da Paz
findo.
3/ Da communicação dirigida Sub.'. Cap.'. Artista de
ter empossado sua administração. pelo
4.» Das communicações dirigidas
pela Aug.'. Loj.-. Grêmio

•n*"l«"M*tULiifc»«iWte*J»JMw
•**>^*****i»mm,mar.mmm4*»MuuM»L»-ZMj,i,1,±.
- ¦¦^^¦UMI «14W*sWMEiVittólM**ít*.« «U«H -
«W
— 861 —

Philantropico, em data de 22 de Novembro e 10 de Dezembro


referencia ao 111.-. Ir.'. '
em A. B. '
Forão juramentados e tomarão assento na Gr;. Loj.-. Cent ¦
os RResp.-. Ilr.-. M. T. José dos Santos, Vcn.\ dá Aug.'-. Loj'-'
Cap.'. Santa-Fé; Joaquim dos Santos Leal de Almeida e'Manoel
Eibas, este como Arth.v, e aquelle como Dep.-. do Sub.-. Cap-
Santa-Fé; Conselheiro M. F. Corrêa de Azevedo, como Dep \ da
Aug.-. Loj.-. Cap.-. Fidelidade e União (actualmente denominada
Heptarchia), e Gasimiro Alves Villela, como membro nato da
Sap.'. Gr.-. Loj.-., visto achar-se encartado no gráo de Gr.-. El.-.
Kad/. Sub/.
862

Gr/. Cap.\ Ger/. dos Ritos Azues.


SESSÃO N. 216 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1873, E.-. V.-.

Presidência do llespr. c Ill.\ Ir.'. Antônio Alvares Pereira Coruja,


Repres:. Part:. do Gr.-. M:. e Ven.-. de Honra do Gr.-. Cap.-.
Ger,-. dos Ritos Azues.
Estando presentes 41 membros foi aberta a sessão, lida e ap-
provada a acta da antecedente.
Deliberou-se:
Approvar o parecer da 111/. Com/, de Symb/., em referencia
ás occurrencias havidas na Aug/. Loj/. Cap/. Commercio e Artes.
Nomear uma commissao, composta dos RResp/. Ilr/. Dr. J. T.
P. Guimarães, J. de A. Apollinario e F. G. de A. Guimarães,
afim de solicitarem do Resp/. Ir/. Gr/. Orad/. a retirada de sua
exoneração.
Tributar um voto de louvor e agradecimento aos RResp/. Ilr/.
Dr. J. M. de Gouvêa, J. de C. R. Vianna e N, J. da S. Gon-
çalves, membros da 111.-. Com.'. Esp.\ designada pelo Gr.*. Cap.*.
Ger/. dos Ritos Azues, afim de harmonisar as divergências ha-
vidas na Aug/. Loj/. Cap/. Igualdade e Beneficência, visto como
actualmente reina a paz e a concórdia nessa citada Aug/. Loj/.,
archivando-se os respectivos documentos.
Aguardar as informações da Gr/. Secret/. em referencia á
prancha da Aug.-. Loj.-. Cap.-. Amizade Fraternal.
Solicitar da 111/. Com/. Cent/. a remessa de vários clocu-
mentos que lhe forão affectos.
Não tomar em consideração a representação do 111/. Ir/. F.
B. da S. G.
Mandar entregar ao 111/. Ir/. M. J. de Oliveira os seus di-
plomas que vierão annexos a vários documentos.
Prestarão juramento e tomarão assento no Gr/. Cap/. Ger/.
dos Ritos Azues os RResp/. Ilr/. Antônio T. da F. Bastos e
Dr. J. T. P. Guimarães, este como Sap/. e aquelle como Dep/.
do Sub/. Cap/. Luz Brazileira.
863 —

Or/. Cap/. Noachita.


SESSÃO N. 7 DE 10 DE DEZEMBRO DE 1873, E.\ V.-.

presidência do Resp.-. e IU.-. Ir.\ Antônio Alvares Pereira Coruja,


Repres.: Pari.-, do Sob.-. Gr.-. M.\ c Yen.-, de Honra do Gr.-'.
Cap:. Noachita.
Estando presentes 28 membros, foi aberta a sessão, lida e
approvada a acta da anterior.
Deliberou-se:
Sanccionar a resolução tomada pela Augv. Loj.'. Cap/. Re-
dempção, em referencia ;í isenção de mensalidades, dados certos
e determinados casos.
Sanccionar a elevação ao gr.-. 12/., conferida pelo Subv. Cap.-.
Redempçao a vários OOlnv. seus do gr/. 11.-.
Relevar ao 111.-. Ir/. B. .1. Maia as faltas commettidas nas
sessões anteriores á vista das razoes allegadas.
Enviar á 111.-. Com.-, Gentr.-. a consulta do 111/. Ir/. Gr/.
Orad/. Adj/. F. A. X. da Fonseca.
Prestou juramento e tomou assento no Gr/. Cap/. Noach/.
como seu membro nato o 111/. Ir/. José Ribeiro Bastos de Frei-
tas, visto achar-se collado no gr/. 13/.

"^JU^
— 864 —
i

Secção Histórica.
Discurso pronunciado na Aug.-. Hesp.-. Loj.-.—Firmeza e
União
Segunda—do Maranhão.
Sessão n. 883, em 10 de Maio de 1873.
Á GL.\ DOSUP.-. ARCH.-. DO UNIV.-.
S.\ F.\ e u.\
Ven.'. Mest/.—RResp.-. llr/.
É sempre com o mais elevado respeito,
junto ao sentimento
intimo de júbilo, que levanto minha débil voz
para congratular-
me comvosco pela admissão de novos e illnstres IIiv.
Sei que não disponho dos recursos exigidos enunciar
_ para
ideas novas, mas tal é o impulso da consciência,
que, cedendo a
elle, me esqueço da fraqueza de quem falia, e só me
lembro da
força e robustez da verdade, da razão, do
principio cuja defesa
me mcumbistes, elevando-me ao lugar eminente,
que, sem mere-
cel-o, occupo.
Assim, pois, seja permittido que, saudando hoje os
nobilissimos
caracteres, que vierão se alistar em nossas columnas,
desenvolva
um assumpto assás melindroso, contemporâneo,
agitante e de
summa importância para os membros da
grande e sublime Inst •
Maçon/.-a condemnação papal ou a excommunhão -.
—a luz do direito, da historia da Maçou
e da razão.

llr.'., que viestes do mundo


profano, tendes, porventura, con-
sciencia do arriscado passo
que acabastes de dar?
.Como! Vós, cidadãos bemquistos no século, de invejável
posi-
çao social, filhos obedientes da augusta religião catholica-aposto-
hca-romana, ousastes infringir os sábios
decretos da Santa Sé,
vos inscrevendo na sociedade Maçon.-.,
condemnada pela suprema
e legitima autoridade da Igreja?
Vós, meus llr/., não estais ouvindo
a celeuma acalorada dos
bispos do Brazil, que se erguem todos
em torno do Pontífice
Romano, defendendo o
principio catholico, e com elle condem-
nando as sociedades secretas?
— 865 —

Não tendes lido nas folhas publicas as eloqüentes


dos nossos dircctores espiritúaes, pastoraes
prelados, guardas do deposito
da fe, pastores sagrados do rebanho de Jesus-Christo
que so-
mos nós? '
Não sabeis que em duas dioceses, Pernambuco e
Pará além
de excommungados em vida, forão os maçons excommungados
apos a morte?
Não sabeis que era pouco terem os anathemas da
igreja gra-
vitado sobre nossos Ilr.-., os expulsando das confrarias os
dos Sacramentos, pri-
vando de serem padrinhos e testemunhas dos
actos religiosos, os eliminando dos suffragios
públicos, fechando-
lhes ao rosto as portas do sanctuário de um Deus' de miseri-
cordia e clemência? que era pouco o rigor,
que foi iinpellido além
da campa, deixando insepultos os cadáveres dos nossos Ilr.-
,
cujos parentes e amigos debalde ferirão as
portas do cemitério
catholico, debalde pediráõ as supplicas do sacerdote de
paz, e só
terão repulsa acerba, porque o padre e o coveiro lhes dirão: —
retirai-vos, — sois excommungados ?
Eis, meus Ilr.-., a sociedade a que,
por solemne juramento, vos
viestes ligar!
Que cegueira obstinada foi a vossa? Que desobediência formal
commettestes aos vossos deveres de christãos?
Que transgres-
são completa da primeira palavra do vosso baptismo, no
qual á
Igreja pedistes — fé — ?
Como! Estáveis enganados? Tostes illudidos? Desobedeces-
tes? Faltastes a fé á Igreja?
Parece-me estar lendo no intimo do vosso coração resposta
decisiva: « Não me enganei, não me illudirão, não desobedeci,
nao faltei á minha fé. „ Sim, meus ITr.\, esta deve ser vossa
resposta, vossa linguagem, vossa convicção.
Quem vos falia as-
sim meditou, assim concluio, assim
praticou, sendo por sem du-
vida mais melindrosos seus compromissos. Permitti
que vos apre-
sente minhas convicções a respeito.

Meus Ilr/., os impulsos da nossa consciência não devem ser


n}ais vehementes
por sermos os excommungados da Igreja. As-
Slm, pois, sem rècriminaçõès,
que sempre arredei das discussões,
86U

apalparei a exeoimmmluTo papal debaixo de dous pontos de vista:


do direito e do facto.
i.
A Igreja goza do direito de excommungar, porque, sendo uma
sociedade perfeita, carece não só de leis brandas
para as faltas
leves, como de leis severas para os grandes delictos.
A Igreja, porém, deve usar desse direito consoante á
gravi-
dade e importância delle, isto é, com toda prudência, moderação,
critério e discrição, dentro dos casos que a lei estabelece.

Ora, propor a questão é resolvêl-a; porque não se negar


a autoridade que tem a Igreja de impor pôde
penas, como também
não se pôde negar que as penas devem ser applicadas com
dis-
cernimento.
Sendo a pena de excommunhão a maior da Igreja, é obvio
que somente o maior delido, em verdadeira urgência, no ultimo
recurso, para a salvação ou emenda do delinqüente,
deve ser
imposta.
Os antigos chamavão a excommunhão—castigo ou
pena mor-
tal-, porque separava o fulminado com
ella da communhão
cnrista: do mesmo modo
que a autoridade civil, applicando a
pena de morte a um réo o elimina do catalogo dos vivos no
tibulo. pa-
Eis, em duas palavras, a
gravidade da excommunhão sob o
ponto de vista do direito.
II.
Entremos no facto. A excommunhão
é uma censura ecclesias-
nca, uma pena canonica e medicinal,
que priva o christão do di-
rato e do uso dos bens espirituaes
da Igreja, no intuito de
íazel-o entrar em si.
(Abbé André. Cours de Droit Can., tom. 3.»,
pag. 321). ' i
E a maior das penas espirituaes,
por isso só pode ser infli-
giaa por peccados consideráveis
summados. (Monte). (Ibid.) externos, mortaes e con-
(i).
w^M,*-1*»"'»»a»aMM_M.___.

(1) Theol. MoraíTrõ^. 3.«, p^l477 ~~"~


".¦¦.-' ¦. ¦¦¦¦',¦¦¦•. .-¦.'.:
867

05 im Pito da Igreja aasi, ,,„ jllls,lio,


No
d. sociedade chns a, no tempo dos Apóstolos, na época •-
do fe
vor e pureza do christiamsmo quando a Esposa de Jesus
seu tono lado, salüa
d, ainda lépida do saagae derramado
S Paulo lançou no Ca*
vario, fora da igreja de Corintho
a um fiel
transviado. "BJ
E por que? Por crime publico e escandaloso
de incesto o
maior dos crimes perante a lei natural, social e divina
O ihcés
tuoso e um monstro perante as leis eternas da
natureza, que
inverte; e um perverso perante o lar da familia,
um sacrilcgo perante a lei divina, que transgride. que polluè- é
Portanto,' o
acto de S. Paulo se tosse praticado nas crébras
ondas de luz do
século xix mereceria, certamente, os applausos
unanimes dos
contemporâneos.
Neste facto e nas palavras de Jesus,
pelas quaes dava autori-
dade judiciaria aos Apóstolos, fundão-sé a tradição
e o direito
da excommunhão.
*

Após S.Paulo vierão os bellòs e


profundos espíritos da Igreja
que a illumu.árão con, o talento, ilustração, bom senso
tocle: b. Ambrozio que chamou a excommunhão e vir-
lei terrível- S
(jregorio de Nyssa que reputou-a lei
paterna; S. Thoinaz que
comparou-a á uma operação da mais alta
e sabia cirurgia Veio
Ungines que considerou-a uma injuria,
por separar o homem do
Povo de Deus e da Igreja. Veio 8. Agostinho
que disse: "Para
que a excommunhão produza seus effeitos, é mister aos
que chegarão pastores,
a essa extremidade, contribuírem suas lagri-
fflas e suppücas a alcançar a por
graça do peccador; é mister aos
Pastores obrigarem a curvar-se a isso a misericórdia de
D*us! „ (André). própria
segundo, pois, tão autorisados testemunhos,
os maiores e mais
valentes gênios da Igreja
e do século nos ensinão quaes sejão a
maior circumspecção, o mais
eminente critério, as mais sólidas
des da(luelle
que applica a gravíssima pena de excommunhão.
*

° c°rrer dos tempos,


quando se empanarão os dias mais
pulos da Igreja, apparecêrão também as tempestades,
que,
-- 868 —

como o céo carregado de sombrias nuvens, derramarão densas


trevas por sobre a serena residência dos papas, e obscurecê-
rão as nem sempre esclarecidas cabeças dos successores de S.
Pedro! É por isso que ainda hoje os catholicos mais adianta-
dos lastimâo os passos retrógrados de Roma e dos bispos, aliás
tão acertados e luminosos em occasiões momentosas
para a hu-
manidade.
" Convimos, diz um escriptor insuspeito,
o abbade Bergier,
mui notável por sua vasta erudição, aferro ás idéas romanas, e
importantes serviços ás sciencias ecclesiasticas; convimos
que nos
séculos de trevas e de perturbação os pastores da Igreja tives-
sem abusado da excommunhão; que elles a tivessem lançado
por
motivos que nenhuma relação tivessem com a religião e contra
pessoas cuja dignidade terião devido respeitar. „ (Dicc. Theol.,
palavra Excom.)
Logo, a excommunhão, arma terrível, espada afiada, lei
paterna,
cirurgia sabia e discreta, foi, por aberração dos homens—Papas
e Bispos — convertida em elemento de abuso, de destruição e
de morte.
Não desejando abusar de vossa paciência citando factos
(1),
chamarei vossa attenção para o pontífice Gregorio IX
que a to-
dos excedeu no rigor das excommunhões innovando mesmo o
direito estabelecido, e não reconhecendo limites a seu
poder ab-
soluto. Gregorio IX introduzio a distincção arbitraria e odiosa
entre excommunhão maior e menor, dando-lhe talvez uma latitude
fora das vistas do manso, cândido, terno e indulgente Jesus,
fundador da Igreja, sempre disposto a minorar
penas, compade-
cer-se dos que sonrem, derramar o balsamo da consolação sobre
as chagas do peccado!
Gregorio IX sem duvida não tinha as vistas dirigidas sobre as
grandes scenas do Calvário, onde o immenso perdão concedido
por Christo aos atrozes algozes do grande crime do deicidio foi
mais eloqüente que uma excommunhão ! onde as lagrimas das
mulheres de Jerusalém, gotejadas nos
pés ensangüentados do
Christo, não forão por elle pisadas, mas abençoadas! onde o
sangue do verdadeiro Abel não bradou ao céo vingança, mas
clemência! onde o Crucifiado não fechava os lados abertos com
(1) Lede o curso de Dir. Can. do abbade André, palavra Excommu-
riication.
— 869 —
*

as. mãos para que as gerações nao entrassem, mas estendia as


mãos e os braços para abranger o universo! Eis como Jesus
no martyrio do Golgotha cimentou as bases da Igreja —no sof-
frimento, na tolerância e no perdão!
Gregorio IX, portanto, exorbitou dos limites de seu poder;
abusou de sua posição; ludibriou cias supremas leis divinas; op-
primio a humanidade, publicando uma lei extremamente injusta e
odiosa aos olhos de Deus e dos homens!
Dous canonistas distinctos pela sciencia cie que são dotados e
apego ás doutrinas de Roma assim fallao: " Gregorio IX, cliz
o abbade André, foi o primeiro autor dessa famosa clistincção. „
4k De todos os Papas, accrescenta Gilbert, cujas constituições
entrão na composição do direito canonico, nenhum ha antes de
Gregorio IX que distingua expressamente a excommunhão em
maior e menor, e que marque o que é próprio a uma e a ou-
tra. „ (And., p. 322).
Logo, a excommunhão maior é pelo menos uma innovação no
direito da Igreja; é a invenção de um Papa; é uma antithese
do procedimento de Christo; é uma conquista do poder absoluto;
é um aggravo na jurisprudência universal que manda restringir
os ódios e ampliar, os favores; é uma injustiça á humanidade; é
uma injuria á razão humana.
Logo, a excommunhão papal é uma exorbitância do poder e
da qual se tem abusado (1); é uma lei suspeita, caprichosa e
iniqua, que se tem convertido em espantalho para os fracos, lu-
dibrio para os fortes, indifferença para os crentes, e escarneo
para os livres pensadores e philosophos! \
<¦¦ \
. .

¦'•¦•¦',¦• \

Reduzamos, porém, a questão ás suas justas proporções, cha-


mando, sentenciando mesmo a excommunhão no terreno da theo-
logia.
Ella é a exclusão do fiel da communhão christã (Lancelot); a
privação de certos bens espirituaes que são próprios da sociedade
dos christãos (Gilbert).
E por que? Quaes as causas? Responda por nós o eminente
"
bispo do Rio de Janeiro, fallecido Conde de Irajá. As censuras,
(1) Veja-se Monte, Tom. 3.», pags. 144 e 145.

B.mfttf»*i*m <*»l'W i Mt^mMaMújÊGfMSÜi^^


¦ ¦¦...¦¦¦.-...¦¦¦¦.¦ ¦¦
— 870 -
¦¦¦¦¦-.. ¦ ¦¦ ¦.-..¦¦. ¦ ¦ ¦¦

que são a espada da Igreja, diz o antecessor do Sr. D. Lacerda,


só devem ser empregadas nas causas de sua competência, isto é,
nas causas espirituaes, e quando houverem crimes e crimes gra-
vissimos, cujos réos se tornem contumazes (1). Os peccados
internos não devem ser punidos com censuras, porque a Igreja
só julga do exterior (2). Só os peccados mortaes podem ser
matérias das censuras, e não todos, mas só aquelles que são
graves. É preciso que o peccado seja consummado ou seguido do
effeito para ter lugar a censura. Portanto, conclue o mesmo
bispo, a matéria da censura são —os peccados exteriores, mortaes,
graves e consummados.,, (3).
Eis a doutrina theologica sobre a excommunhão, pois que entre
as censuras é ella a mais grave. Appliquemol-a á Maçon/.

Quaes os peccados externos, graves e consummados praticados


pela Maç/.
Somente compulsando as leis da Ord/, poderemos responder.
Abramps sua constituição, vejamos os fins e os meios desta Inst/.
fulminada com anathemas dos papas, visto como, somente conhe-
cendo a Igreja dos actos externos e consummados, estes actos
externos e consummados devem ser ordenados pelas constituições
da Maçon/. X,,._
Art. 1,° A Maçon/. no Brazil é uma associação de homens
livres, independentes ^'observadores das leis do paiz, reunidos
em sociedade, segundo os dictames e princípios universaes da
Maçon.-. espalhada pela superfície da terra.
Art. 2.° O fim da Maçon/. é o exercicio pleno da beneficência
e caridade, a illustraçao e moralidade da espécie humana e a
pratica das virtudes sociaes e domesticas.
Eis o fim da Maçon/. Em vez de peccados externos e mor-
taes — virtudes esplendidas e theologaes; em vez de peccados
graves e consummados — o exercicio pleno da beneficência e
caridade, a illustraçao e moralidade da espécie humana, a pratica
das virtudes sociaes e domesticas!

(1) Monte, T. 3. pags. 141 e 145.


(2) H. Pag. 146.
(3) Id. Pag. 147.
— 871 —

Como! Será possível que esta Constituição ainda não che-


gasse ao conhecimento do papa e dos bispos do Brazil?
Será possível que estes caracteres tão eminentes, encarregados
do bem-estar das consciências, não tivessem o critério c a reflexão
de ler a Constituição da Maçon/., e lhe infligisse a mais
grave
das penas ecclesiasticas, a excommunhão! ?
Será possível que a Igreja, cultora das virtudes,
puna rigorò-
samente aquelles que em suas leis, logo nos dous
primeiros
artigos, fazem \ rofissao das mais esplendidas virtudes! ?
Sim, já temos lido vossas constituições, respondem;
porém se
os fins dizeis bons, os meios são perniciosos!
Quaes os meios? A juneção, a união, a associação, emfim,
de varias pessoas que se chamão maçons ? E quem são os
maçons? Homens livres, independentes, observadores das leis
do paiz, maiores de 21 anãos completos, que gozem geralmente
dos foros de homens conceituados e intelligentes, que tenhão
oecupação livre e decente donde tirem sua subsistência, como
exigem os arts. 1." e 4.° da nossa Constituição.
Pois são estes os homens condemnados e excommungados
pelo
papa? São estes homens contra quem se arremessão os nossos
compatriotas — bispos do Brazil?!
Meus Ilr.-., infelizmente — sim. Qual será a virtude cultivada
pelos maçons que merecerá a excommunhão do supremo chefe
do catholicismo ou dos nossos ] astores ?
Porventura as virtudes mais acrysoladas do christianismo se
converterão em vícios hediondos, em peccados.... só pelo facto de
serem praticadas pelo maçon ?
Porventura a esmola que abre as portas do céo èm favor
daquelle que a dá,
por ser distribuída pelo maçon, lhe grangeará
um lugar no inferno ?
Porventura a liberdade concedida ao escravo será menos doce
e aprazível porque o maçon a conferio ?
Porventura o pão distribuído pelo maçon se converterá em
cascalho na boca do faminto ?
^Porventura a luz do ensino se converterá em treva do erro
s° porque o mestre foi maçon ?
Porventura o amparo á viuva, a protecção á donzella, o asylo
ao orphão, o arrimo ao indigente, a consolação ao enfermo, serão
menos eficazes, não cumprirão seu fim humanitário, caridoso e
5
872

divino, somente porque forao dispensados pelo maçon? Serão


peccados? Serão crimes que mereção excomraunhão?
Não! São virtudes que ornão e esmaltão a religião christã!

Ora, se as virtudes que ornão e esmaltão a religião christã


se encontrão cultivadas com esmero na Maçon/., como e porque
é a Maçon/. condeumada e excommungacla, e a religião christã
continua esplendida a derramar sua influencia benéfica pela face
do globo? Então —se o Papa condemna a Maçon/. que pratica
virtudes por que é que não condemna a religião christã que ali-
menta e ordena as mesmas virtudes?
Blasphemia! me dirá o mundo profano, condemnar a religião ! ?
Blasphemia! dirá com razão o mundo maçonico, condemnar a
Maçonaria.
Então, religião e Maçonaria serão iguaes? Não confundamos
as idéas, nem Aludamos a quem quer que seja. A religião é o
primeiro elemento da vida de um povo, é o mais antigo funda-
mento das sociedades, é o principio gerador das existências terres-
três e celestes, é o pensamento de Deus, coexistente com Deus,
e manifestado por Deus.
A Maçon.'. é uma instituição humana, respeitável por sua
antigüidade, venerancla por seus fins, santa por seus benéficos
resultados; é a providencia animada, operadora e agente do bem;
é uma instituição universal que fortifica os tíbios, anima os fracos,
esclarece os cegos, veste os nus, sacia os famintos, desaltera os
sedentos, ensina os ignorantes, visita os enfermos, cura os doen-
tes, consola os tristes e enterra os mortos; é a família humana,
vasta, grandiosa e espalhada aos quatro ventos sob a abobada
celeste!
Logo, a verdadeira Maçon.'. é a religião em acção, é a religião
praticada, é a religião ensinando e operando as virtudes, os pre-
ceitos e as obras do christianismo! Logo, não ha razão, segundo
os princípios da moral theologica, da moral evangélica, da moral
natural, para que seja condemnada a Maçon.'.
Analysando ainda os maiores peccados
que os theologos dão
como causa ou matéria da excommunhão, Vê-se que ainda sob
|sse ponto de vista claudica a condemnação papal.

¦%
— 873 -

E quaes são esses peccados? O direito e a theologia nos


ensinão serem os seguintes: a heresia, o sacrilégio, a apostasia
e a simonia. Estes são os mais graves c condemnaveis.
Ora, em que commettemos o crime de heresia? Qual é o
erro voluntário e pertinaz contra a fé catholica que a Maçon.-.
professa? Sendo vedadas as discussões religiosas nos TTemp.-.
MMaçon.-., como é que podem ser heréticos os maçons? Qual
é o corpo de doutrina religiosa, o symbolo, a profissão de fé, a
religão nova, proposta e abraçada pela Maçon.-.? Nenhuma.
Logo, não somos heréticos.
Em que consiste o crime de sacrilégio? Como é que a
Maçon.-. viola ou offende as cousas, lugares ou pessoas sagradas?
Como é sacrilega uma sociedade que assenta suas bases, começa
seus actos, conclue suas praticas com o glorioso titulo e em
nome do Gr.-. Archit.-. do Univ.-., que é Deus? Uma sociedade
que tem por alicerce a santidade do juramento ? Que tem tido
e ainda tem arcebispos, bispos e sacerdotes seculares e regulares
em seu grêmio ? Uma sociedade que süffragà seus irmãos falle-
cidos, que erige templos, e cujos IIiv. fórmão a maioria das
confrarias religiosas ? Logo, não somos sacrilegos.
Em que consiste o crime de simonia? Em mercadejar e ven-
der as cousas sagradas, benefícios ecclesiasticos, etc. Ora, quem
nas sociedades maçonicas é que dispõe de cousas ecclesiasticas ?
Logo, não somos simoniacos.
Em que commettemos o crime de apostasia? Apóstata é
aquelle que abandona de todo a religião catholica para abraçar
outra ou viver sem nenhuma. Mas sendo a Maçon/. essencial-
mente tolerante, permittindo plena liberdade de cultos, como
poderá ser apóstata o maçon? Quem exige que abjure sua re-
ügião para entrar na Maçon/. ? Quem já descreu de sua religião
entrando para a Maçon/. ? Pelo contrario, todo o maçon catho-
lico diz francamente: " Se a Maçon.'. fosse contra minha religião
eu não seria maçon. „ Logo, não somos apóstatas.
Ora, se não temos commettido nenhum dos crimes pelos quaes
a Igreja julga um fiel digno de merecer a excommunhão; se não
offendemos as virtudes, nem commettemos os maiores peccados
sobre os quaes se acha ipso facto imposta a pena de excommu-
«hão, não somos excommungados ou não nos devemos reputar
como taes.
) •

— 874 —

Logo, a pena é mal anplicada, é injusta. Porém se a pena é


injusta, não obriga em consciência; se não obriga em consciência
não tem valor algum; se não tem valor algum, é nulla; e se é
nulla, é digna de desprezo.

Meus Ilr/., estas conseqüências são obrigatórias pelas leis do


raciocínio: eu as encontro nos autores mais illustres da Igreja.
Lê-se na obra de theologia moral do Sr. Bispo Monte, Conde de
Irajá, antecessor do Sr. Bispo do Rio, D. Lacerda: " Quando a
censura é injusta e nulla, o sujeito que soffreu-a não tem obri-
gação de portar-se como censurado; pode participar dos bens
espirituaes da Igreja, porque neste caso tem lugar o dito do
Papa Gelasio: — Se é injusta a sentença com ella se não deve
importar, porque uma sentença iniqua não pode aggravar alguém
perante Deus ou perante a Igreja. „ (1).
Portanto, está desmoronado o castello da excominunhão papal!
Perante o direito —é disposição injusta e nulla, porque não as-
senta-se sobre as causas que dão motivo a tão enorme pena!
Perante a historia —é uma innovação cie Gregorio IX, uma con-
quista do poder absoluto. Perante a moral, o senso commum e
a razão —é um attentado contra a consciência!

Eu quizera, meus Ilr/., não ter occasião cie censurar a res-


peitavel autoridade do Papa, mas agora me recordo só do abuso
do poder e. não do sublime vigário de Jesus-Christo.
Eu quizera vêr no Pontífice a cândida figura de Jesus assen-
tado no throno de S. Pedro a ensinar ás turbas a doutrina mansa
e pacifica do sermão da montanha!
Eu quizera vêr o successor de Christo, forte e enérgico, le-
yantando-se contra os falsos apóstolos do Templo, contra os falsos
juizes da verdade, dizendo aos accusadores da adultera: —quem
não fôr culpado atire a primeira pedra!
Eu quizera vêr o Romano Pontífice distribuindo graças á Sa-

(1) Monte, tom. 3.", pag. 147.


875 —

maritana, que pede água; á Cananéa, que pede migalha de


vida; pão-
ao Lázaro, que pede ao pagão, ao gentio, que pedem ò
baptismo! Eu não quizera vêr a soberba Roma christã com os
ódios e os rancores da Roma paga!
Para que abaixar as mãos, descarregando anathemas,
e mais quando
é mais bello edificante levantal-as e supplicar as bênçãos
do céo e espalhal-as com os pobres filhos de Christo! Eis a
missão do papado, eis a missão do episcopado, Bispos e Ponti-
fices de Jesus-Christo!

Meus Ilr/., são minhas convicções profundas, creadas na me-


ditação c geradas no estudo. Supponho partilhardes dos subli-
mes princípios da liberdade de consciência, e quando não os
professasseis, bastaria lordes os autores que não querem sacri-
ficar a verdade.
Ilr/. iniciados, mui satisfeito no repouso de nossa alma ficarei
se no fundo de vossa consciência julgardes que a Maçonaria em
vez de uma seita de excommungados é uma sociedade de homens
sensatos, religiosos e verdadeiros catholicos.
Sede bons maçons e vereis que sereis melhores christãos.
A nossa associação, já o sabeis, é uma sociedade pacifica, aben-
coada por Deus, porque pratica o bem e abomina o mal. Taes
são os caracteres conspicuos que íormão a Maçonaria, e seria
injuria manifestar-lhes de minha parte outros menos nobres sen-
timentos.
ni.
RResp/. Ilr/. VVen/., recebei aindo uma vez a humilde pa-
lavra do orador obscuro com toda a indulgência. Vós, a quem
summa bondade e cavalheirismo chamão a abrilhantar nossos
trabalhos, sede, como estou certo de vossa generosidade, brandos
para commigo, perdoando-me as faltas que a pouca intelligencia
e afazeres profanos devem encher esta peça, que não aspira
outra honra além da vossa indulgência e alguma luz sobre a
questão da época. De envolta com as minhas desculpas, recebei
os sinceros agradecimentos desta Aug/. Loj/., cujo órgão sou,
Polo concurso honroso que destes á presente sessão. Vossa co-
operação espontânea e brilhante dá sempre maior e esplendente
'{¦&

— S76 —

esmalte ás nossas festas. Recebei, 1111.-. RResp.-. Ilr.-. VVen.-.,


nosso reconhecimento. O Sup.-. Arclv. do Univ.*. estreite entre
nós a nitida cadêa maçonica para que haja a mais deliciosa,
santa e fraternal paz. Tenho concluído.

R. P. S. L.,
Orad/. Int.\, gr/. 7/.

\
*

877

Secção de Correspondência.

Bulletin pour 1'Étranger.


À Ia scdion dopmaUqm nous nous prononçons à Tégard de
1'éducation de nos femmes. Devant Ia crise ultramontaine, c'est-
à-dire en face de Ia lutte entamée par ce parti soi-disant clé-
rical, échâppé aux poursuites de Ia loi civile européenne, nous
imaginons tous les dangers qui de 1'éducation de Ia femme s'en-
suivent parmi nous.
La femme et 1'enfant furent tonjours Ia puissance de Ia pro-
pagation jésuitique de tous temps.
La crédulitc de rime et rapprivoisement de 1'autre présen-
tent des chances de propagande à Ia victoire d'un parti, pour
lequel tous les moyens de parvenir au succès sont bons.
Nous avons forte foi aux habitudes d'édncation de nos femmes:
le fanatisme n'y joue pas grand role; mais aussi au nom de
notre Institution nous désirons bien les progrès moraux de nos
femmes. II leur será toujours de grand recours pour 1'élévation
de leur condition sociale, chaque fois meilleure, un caractère mar-
que aux sceaux des grandes vertus sociales.
Qu'on sHmagine bien que nos femmes furent ou sont encore
les mères et les sceurs de ces braves que le Brésil envoya au
Paraguay pour y établir Ia liberte nationale, tout en vengeant les
outrages faits brutalèment à PEmpire. Quand les gareliens de
rhonneur nationale sont de Pétalon de ceux qui cueillirent des
victoires suecessives sur les champs de bataille, il faut avouer
que 1'école de leur cceur—Ia faniille — devrait être complete et
généreuse.
Le jour oü Fhistoire de Phumanité cessera Ia partialité de ne
parler que des peuples de Ia civilisation conventionnelle, le Bré-

Sl1 y aura aussi ses chapitres grandioses. La guerre de Trentc
r

Ws et Ia guerre de Se§t ans, si renommées, trouveront dans Ia


campagne de Cinq ans du Pàragmy un penclant digne de figurer
parmi les grands faits de riuimanité chrétienne.
— L'ordre d'arrêt
pour révêque de Pernambuco fut expédié.
D aura lieu, sans revolte et sans pronomiations de Ia part du
— 878 —

peuple, qui sait, malheureusenient, tout ce qu'il doit savoir à


l'égard d'un citoyen brésilien désobéissant à la loi.
II restera dans la mémoire des peuples de 1'avenir cette époque
néfaste oü le pouvoir spirituel voulait inonder le monde de son
non possumus. Étrange tyrannie, avenue cies mains et des coeurs
oü la charité et la piété de 1'Évangile dèvraient former des anges
de pardon au lieu de seigncurs féodaux, pleins de colère eWle
pouvoir monclain!
Non possumus! c'est un cri de revolte contre tous les
pardons
et toute la douceur du christianisme.
Non possumus! c'est la loi de celui qui veut être le
plus fort
sur la terre, quand la loi des nations lui accorde
placê célestiale
et de vénération dans toutes les consciences chrétiennes!
La prudence guidant le monde, la vérité l'éclairant dans la
vraie civilisation, rayera ce non possumus, et à la
place brillera
une exclamation plus paternelle et plus d'accord avec nos senti-
ments et nos paisibles aspiratione.
Notre Suprême Tribunal de Justice rendra
justice, telle qu'elle
doit être faite dans une cause si digne de 1'attention de la
part
des hommes de la loi.
Ces juges respectables et vénérables, rien les empêchera d'ac-
corder à Dieu ce qui est à Dieu d à César ce
qui est à César,
d'une manière grave et solennelle.
La supême raison les a placés là pour rendre des
jugèments
libres et légaux.
La cause qu'on va plaider, basée sur une importante accusa-
tion, annoncera au monde entier quel est l'esprit de
rend tous les citoyens du Brésil égaüx devant la loi dejustice qui
la terre,
qui est, à notre avis, aussi, une émanation de la loi de Dieu.
Le Dieu des chrétiens accorde aux sociétés chrétiennes des
droits respectables, parce qu'ils
proviennent de toutes les vertus
sanctionnées dans rÉvarigile.
Celui qui désobéit à la loi du
pays, désobéit à Dieu: la loi du
pays n'étant que le résultat de toutes les révélations divines à
rhomme honnête et juste.
Ce bulletin doit donc contenir à sa suite le rapport d'événe-
ments d'une hauíe considération
pour les sociétés de 1'Amérique
du Sud,
— 870 -

Qu'il nous soit permis d'attendre q.fune rédaction supérieure à


Ia presente se charge de cette belle et noble tache
Ouvrier fatigfiblc, nous demandons à accorder Ia à ceux
parole
qui ont plus de mérite, et nous nous contenterons à applaudir
tous les beaux progrès introduits dans notre Journal, nous
que
considérons digne de 1'accucil franc-maçonnique.

.^vyrj^---

s
- 880

Secção Noticiosa.
Revista Estp^ngeira.
Gr:. Or:. de Í>rança.-Este Gr:. Corpo, durante o
mez
de Setembro de 1872 a Setembro de 1873, teve o seguinte
mo-
vimento:
Iniciações 1049
Profanos reprovados 60
MMaç:. reintegrados 25
MMaç/. riscados 381
Elevações ao gr:, de Mest:. ... 1 359
'l02
Breves • • •
Patentes 54
Installou cinco LLoj:., e concedeu força e vigor aos trabalhos
de uma. Seis LLoj:. adormecerão e sessenta e duas suspende-
rão seus trabalhos.
(Revista Mason.\ Americana).
Entre varias propostas submeltidas á apreciação do
Gr • Or •
de França, durante o primeiro semestre do corrente
anno, por
diferentes LLoj:. e MMaç:., encontramos as seguintes-
1.* Reforma dos rituaes em harmonia com a
época actual e
a sciencia, tornando-os uniformes.
2.» Admissão das esposas, irmãs e filhas dos
iniciados nos
banquetes maçonicos, como meio efficaz de
propaganda.
3.» Exigir do prof:. que tem de ser iniciado
uma declaração
conforme as leis e doutrinas da Ord:.
d°S brÍnd6S qUe °S fÍtUaeS prescrevem ao Chefe
do4Esta^o°1ÍÇã0
CÍrCUlaÇa° de um tronco esPecial destinado
ao ensino
publico
6.a Fundação de um monte-pio maçonico.
7.» Prohibição de ingresso 11'uma Offic:.
com insígnia de
gr.. superior ao que ella confere.
8.a Abolição dos altos
gráos.
a°S VVen/' de serem MeP--- «ates de suas
Jllf^^0
respectivas LLoj:.
m

ESlis-i , -^'.-iví>-r -i- ¦ .¦>:>-u-- ...¦¦


— 881 -

10.» Expulsão da Ord.-. do Mac.-, duellista ou


de testemunha em que tenha ser
vido um duéllo.
11." Abolição das provas physicas
11. AboliçSo da fórmula: A' (il: ,fo (?,,, M,: <h ffn.
tW Abolição da pergunta: O m deve o homem a Deus*
m Gommunicaçao aos AAp.-. do signal de
soccorro dos
15.» Dispensa das provas physicas conforme
o caracter do
Eecip/. '•
16.» Fundação de nin cassino onde se congreguem
os MMaç
17.» Communicaçào anticipada dos dias das sessões
das Altas
Offic/.
18.» Abolição da declaração de que a Maçon.-. tem
por base
a existência de Deus e a immortalídade da alma.
19.» Prohibição de serem os Monarchas iniciados.
20.» Concessão aos AAjp/. do direito de voto desde
o dia de
sua iniciação.
21.» Não poderem ser eleitos senão os MMest/.
22.» Que o gr.-, de Mest.\ só
possa ser concedido pelos
Vlestv.
23.» Independência das corporações maçonicas.
(Boletin Oficial dei Oriente de Espaíia, num. 62, aíio 3.°)

*
* *

Mespanhar. — (Continuação do Manifesto da Maçonaria


de
Barcelona). « Não é de nossa competência a
política contem-
poranea, bem como não nos compete adoptàr este ou aquelle
partido. Temos aprendido á custa de uma triste e
experiência que a prolongada
política é uma das principaes causas da divi-
sao existente entre os homens, e é nossa
principal obrigação
respeitarmos as leis do nosso
paiz.
«
i Assim, pois, appellando essas leis para nossa sacrosanta di-
Visa, nós não só as respeitaremos, mas também collocar-nos-
aemos a seu lado, defendel-as-hemos como seus mais fortes sus-
tentáculos.
£ Filhos da verdade, primeiro que tudo, estamos habituados a
uizel-a com toda a sinceridade: inimigos da licença, não bajula-
mos os potentados,
porque não necessitamos de seus favores;
— 8fíJ —

não lisonjeainos as massas, porque não almejamos a


populari-
dade: conservamo-nos, sim, na sã região do trabalho e do es-
tudo, guardamos a independência e a tranquillidade de espirito;
livres, em nossos recantos, das febris agitações da sociedade, e
educados na discussão pacifica pela qual aprendemos a vencer
nossas paixões, podemos com calma avaliar a profundidade do
abysmo aberto aos pés de nossa pátria, advertil-a do
perigo para
o qual cegamente marcha, antes que arrastada pelas ultimas de-
mencias que tem commettido não se precipite cm tão terrível
Precil)ici0- (Continua).
*
* *

2?aj*celona,—Çominúo-sQ nesta cidade, em frente á cathe-


dral, um templo maçonico, pouco distante do local onde nos
tempos da Santa Inquisição os MMaç.\ soifrêrão tantos tormen-
tos em prol da verdade e da liberdade.

Áustria.—Os Ilr.-. da sociedade maçonica Humanitas e da


Loj.-. Humanitas, ao Or.-. de Vendorfel, na Hungria,
professão
somente o Rit.\ de S. João, e não admittem senão os três
gráos
symbolicos: Ap.\, Comp.\ e Mest.\ A Loj.-. Humanitas func-
ciona sob a jurisdicção da Gr.-. Loj.-. da Hungria,
que não re-
conhece senão os três gráos do Rit.\ Az.-.
As LLoj.-. do Rit.-. Esc.-, funccionão sob a
jurisdicção do
Gr.-. Or.-. da Hungria: este Gr.-. Corpo e a Gr.-. Loj.-. são
completamente independentes.
As LLoj.1. mais próximas de Vienna são a Humanitas, Zur
Verschwiegenheit e Zur Wahrheit.
A Loj.-. Humanitas conferio o titulo de membros correspon-
dentes aos Ilr.-. Hubert e Caubet.

>,

Hungria.—§ Ir.-. Sigismund Pereny, Rep.-. da Gr.-. Loj/.


Un,-. de Inglaterra, junto ao Gr.-. Or.-. da Hungria, foi nomeado
membro honorário da citada Gr.-. Loj.-.
bS3 —
A receita do (ir/. Or/. da Hungria, cm 1872 foi
de 34 722
francos e a despeza de 28,645, havendo -o saldo de 6W7 francos.

* %

flerlw.—O Ir/. Bornemiann demittio-se do cargo de Gr-


M.\ da Gr/. Loj/. Orei Welt Kugeln, declarando
porém que'
em consideração e estima á Maçou/., permaneceria ligado ao
Or.'. de Wiesbaden.

Milão.— O Ir/. Dr. Pine projecto fundar .mi Milão uma es-
cola especial para a educação dos meninos de constituição ra-
chitica e aleijados. A educação será moral e physica.

. New-York. — Pelos dados estatísticos presentes ;í Gr/. Loj/.'


de Néw-York, em sua ultima reunião, verificou-se que esta Pot/.
Maçou/, tem sob sua jurisdicção 665 LLoj/., as quaes têm um
pessoal de 79,079 MMaç/. O numero das iniciações e filiações
foi, durante o corrente anuo, de 6,615. A bibliotlieca desta
Gr.*. Loj.*. possue 1,200 volumes.

* *

'Buenos-Arras. —k
Loj/. franceza Amie des Naufragés, ao
Or.*. de Buenos-Ayres, da jurisdicção do Gr/. Or/. de França,
concorreu com a quantia de 5,000 piástras para a subscripção
agenciada pelo (ír.\ Or/. argentino em favor das victimas da
ultima epidemia de Montevidéu.

* *

Chile. — A (ir/. Loj/. do Chile conta sob sua jurisdicção as


seguintes LLoj/.:
Union Fraternal, em Valparaiso;
Aurora, dito;
Germania, dito;
8S4 —
Justicia y Libertad, em Santiago;
Deber y Constância, dito;
Virtud, dito;
Avenir et Liberte, dito;
Progreso, em Copiapó.
A du Pacifi(iue, ao Or/. de Valparaiso,
. 1L°Í'- V^oile é da
junsdicçao do Gr/. Or/. de França.
y Ac?Ga« ,l0 Rit-- de York, e Starand
PhtlLIí0J*p>ekTla
Plnsle, do Rif Esc/., ambas ao Or/. de Valparaiso,
são da
junsdicçao da Gr/. Loj/. de Massachussets.
A Maçon/. chilena possue um templo magnífico
e tem escolas
gratuitas prescindindo porém da educação religiosa,
ao cuidado dos pais ou tutores. que deixa

Magara.-^ MMaç . ^ 0r.


^.^ ^ ^
um asylo maçomco nas vizinhanças da celebre
cascata. Já tem
em caixa 8,000 duros.
*

¦ ¦¦¦, - -¦
i

Canaâá.-K Gr/. Loj/. de Canadá reunio-se


ultimamente
em Montreal. Duzentas e cincoenta LLoj/. de sua
torao representadas pelos respectivos Delegados jurisdicção
No discurso pronunciado pelo 111/. Ir.-. Wilson, Gr/. M/.
da
dita Gr/. Loj/., lê-se o seguinte trecho:
c Recebi no mez de Fevereiro uma carta
do Gr/. Secret/. da
Gr/ Loj/. da Luisiama, pela qual soube esta Gr/. Loj/.
que
resolveu interromper suas relações com a Gr/. Loj/.
de Canadá,
visto considerar como uma ofensa a continuação de
nossas rela-
çoes fraternaes com o Gr/. Or/. de França. Julgo
Loj.. da Luisiama nesta questão não tem comprehendido que a Gr/.
bem
nosso modo de obrar.
« Ha dez annos que a Gr/. Loj/. do
Canadá entretem frater-
naes relações com o Gr/. Or/. de França: a reciproca
nomeação
de nossos RRep/., ainda que demorada, effectuou-se
sem a me-
nor allusao ás questões que suscitárão-se entre essas
duas PPot/.
Confesso que na questão entre o Gr/. Or/. de França
e a Gr/.
Loj/. da Luisiama minha opinião
privada é em favor desta; po-
— 885 -

rém não vejo a razão pela qual a Gr.-. Loj.-. da Luisiania por
causa de tal controvérsia, suspende suas relações com uma Pof.
amiga.
i É verdadeiramente impossível comprehender como homens
que são MMaç.\ nutrem ódios tão inveterados contra seus Ilr-
Concordo e comprehendo «pie a, (ir/. Loj.-. da Luisiania rom-
pesse suas relações com o (ir.-. olv. de França, se tem ou julga
ter razões para isso, apezar de ser uma medida a meu ver triste-
o que porém não comprehendo e com «pie não concordo é
leve seu resentimento que
ella a querer excluil-o do seio da grande
família: isto é inadmissível, e tental-0 é um acto de demência
Se applicassemos as doutrinas da (ir.-. Loj.-. da Luisiania ao
curso ordinário da. vida. não haveria no mundo uma só nação,
um único individuo que vivesse em paz.
Julgo, pois, que a (ir.-. Loj.-. do Canadá deve ser neutra em
\â questão, visto que delia interesse algum tira, e
penso que
assim obrando teremos a apprOvação da maioria dos MMaç.1. »
(Le Monde Maçon.'., n. 6, Octobre 1873).

Bombaim—A (ir.-. Loj.-. de Bengala effectuou no dia 31


de Junho ultimo sua sessão trimestral, resolvendo tomar luto
í»or seis inezes cm signal de dó pelo fallecimcnto do Duque de
Zetland.

Jfyjjpto. — O Gtv. Or.*. do Egypto elegeu,


por unanimidade
de votos, para seu lir.-. M.\, S. A. o Ir.-. Zola,

* *

^strc0á.~r— Trata-se de installar uma Gr.-. Loj.'. neste paiz,


tendo-se já começado os trabalhos preparatórios.

; The Masonic Recova of Western índia, tratando da etymolo-


gia da palavra Franc-Maronaria, diz que o vocábulo Maçon é
886
composto de duas palavras cophtas Mai,
que significa amor, e
Son, que significa irmão, as quaes, unidas,
podem traduzir-se
por irmão carinhoso.
A palavra Phre significa Deos da luz. Se,
pois, a palavra,
Maçon ê traduzivel por irmão carinhoso, e Phre significa
Deos
da Lm, Phre-maison deve significar Filho da Ias.
Havendo grande semelhança nas
palavras Phre-maison, Phre-
mason, Franc-mason e Fram-maeon, talvez seja esta a
ctymolo-
gia mais razoável; se o não é, pelo menos é curiosissima.

Maçonaria na Hespanha.
A origem da Franco-maçonaria na Hespanha data de remotas
eras.
Em 1727 installou-se uma Loj/. ao Or.". de Gibraltar com
au-
tonsação de Lord Cochrane, Gr.-. M.\ da Gr.-. Loj.-.
da Ingla-
terra.
Em 1729, novo luarrant da Gr.-. Loj.-. da Inglaterra,
conce-
(ido pelo Duque dlnchiquih, Gr.-. M.-. autorisou a
installacão
de uma Loj.-. ao Or.-. de Madrid, a
qual denominou-se Flor de
Lys.
Finalmente, em 1739, installou-se uma Loj.-. ao Or.-. de
Cadiz.
I orem de curta duração
^ podião ser os'progressos maçonicos
n um paiz onde reinava não só o despotismo
político com toda
a sua brutalidade, mas também a inquisição
com toda a sua
crueldade.
Em 1740 Philippe V, Rei de Hespanha,
prohibio a Maçonaria
e promulgou contra seus membros as
penas as mais severas.
Mmtos MMaç.-. das LLoj.-. de Madrid e
Cadiz forão presos,
mortos e comdemnados a
galés.
Registrando estes factos sem commentarios,
o historiador é com-
tuclo obrigado a declarar
que estas crueldades erão praticadas
em nome da religião, do amor e da
caridade que tem por base
o texto do Evangelho.
Não terminarão porém as sangrentas
perseguições, visto como
Por diversas vezes, durante o tempo de mais
de um século, ellas
lançavao a consternação no
grêmio das LLoj.-. de Hespanha.
— 887 -

A sede da Franco-maçonaria hespanhola conservou-se


durante os ao uue
parece, primeiros tempos de sua origem entra
al*un
membros da Loj.'. de Madrid intitulada Flor deLys. Esta S
era symlv., trabalhava em segredo, c seus trabalhos
erão maís
ou menos regulares. Buscando evitar as perseguições,
nem não teve
autoridade caracter d», um poder central, nada
mais era do
que um foco que poderia um dia iHumihar a Franco-maçonaria
na Hespanha. >
Os três primeiros "• VVen * • ÜLÍ,ca 1 m • todos
desta L0J--- todo, nomeados
„„ i ad
viam, forao da casa Vülena até 1780, época em
que o Conde
d Arenda foi nomeado para presidil-a,
Fernando VI, süccessor de PhilippeV, continuou como
este a
perseguir a Franco-maçonaria; consta porém que Carlos III se
cretamente os protegeu: ao menos durante o seu reinado
cessa
rão as perseguições e a Loj/. de .Madrid
pôde funecionar sob
condição de íazêl-o no mais profundo segredo. O contrario
suecedeu no reinado de Carlos IV. visto como os MMaç,.-. forão
de novo sujeitos a uma severa vigilância e as LLoj.-. virão-se
obrigadas a suspender completamente seus trabalhos.
Este era o estado em que se conservava a Franco-maçonaria
e que durou até 1808, época da queda de Carlos IV e da
ele-
vação ao throno de Jósepb. Bonaparte.
Então^ o Conde de Montijo collocou-se á frente dos MMaç..-.
hespanhóes e tentou uma activa propaganda, visto o novo
verno declarar-se abertamente o go-
protector da Franco-maçonaria,
e ter abolido a inquisição da Hespanha.
O Rei Jo.sepb fundou em Madrid um Gr.-. Cap.-. do Rito
Esc-. Ant.-. e Ac/., do qual elle foi o Gr/. Mest/. tornando-se
curioso o ter sido installado <lste Gr/. Cap/. no
próprio local
onde funecionava o Grande Conselho da Inquisição.
A Maçon/. nacional não quiz aceitar nem reconhecer a
Maçon/. do Rei Joseph, e resolutamente oppoz-se á ella.
Lsta luta seria pouco durável se o novo
governo pudesse
obter o assentimento nacional visto como a Maçon/.,
que tinha
Por chefe o Conde de Montijo, estava enfranquecida, sendo sua
existência incerta
para poder sustentar-se energicamente em face
e uma autoridade regular completamente organisada.
A Maçon/. installada Rei Joseph terminou com elle, sendo
a lmciativa de pelo
grande parte dos MMaç/. da Hespanha a causa
7
— 888 —
*

dos acontecimentos que se derão depois de 1808. Subindo ao


throno Fernando VII, fácil seria o installarem-se muitas LLoj/.
e constituir uma obediência nacional, se o novo governo, inimigo
nato da Franco-maçonaria não tivesse immediatamente entregue
a Ord/. á cólera da Inquisição reintegrada em Hespanha logo
depois de sua elevação ao throno.
Cumpre observar o seguinte facto, que, apezar de ter findado
com a queda do Rei Joseph a obediência creada sob sua pró-
tecção, comtudo o Rito Esc/, não deixou de ficar arreigado
na Hespanha. Nenhuma duvida ha que os MMaç/. do Ant.\
Rito, bem como os do Rito Esc/., entrarião immediatamente em
luta de influencia se não os preoccupasse muito seriamente sua
própria salvação.
Em 1817 effectuárão os dous Ritos uma fusão que concluio-se
em Granada.
Os MMaç/. tomarão uma parte activissima na insurreição de
1820, e perdendo a paciência pelas cruéis perseguições que
soffrião, resolvêrão-se a aggredir o governo que teimava em per-
seguil-os e tratal-os como criminosos, tornando-se pois a Franco-
maçonaria uma associação política secreta e confundio-se com as
sociedades dos Carbonarios e Communeros, em vista do que vio-
lentas perseguições não tardarão a seguir-se logo que a insur-
reição foi supplantada.
Rafael de Riego, successor do Conde de Montijo, nas funcções
de Chefe da Ord/., foi preso, sentenciado á morte e executado
em 1823. '
V

Em 1825 o Chefe de Policia (1) surprendeu em Granada,


graças a uma infame traição, uma Loj/. em plenos trabalhos
maçonicos.
Sete MMaç/. forão presos, condemnados á morte e enforcados,
apezar de serem conhecidos como homens de summa probidade
e de ter a maior parte delles prestado grandes serviços como
militares.
- A historia deve registrar os nomes destes illustres martyres:
O Tenente-Coronel D. José Ibaretta, Ven/.;

(1) Este Chefe de Policia chamava-se Francisco Enriquez : seja seu


.nome votado a execração de todos os MMaç.-., bem como o do Capitão
benerai da província de Granada, D. Ignacio Alvarez Campana, autor
principal da atroz; execução que effectuou-se em 7 de Setembro de 1825,

r
- 889 -

O Tenente-Coronel D. José Filipo Azo;


O Capitão D. Juan Sànchez;
O Escrivão D. Antônio Lopez Quintinilla;
O Tenente I). Francisco Meslo;
0 Tenente D. Francisco Alvarez;
O Alferes I). Francisco Alvarez de Toledo
Depois da morte de Rafael de Riego, a Franco-maçonaria
seu Chefe ele-
geu para o infante I). Francisco, irmão do Rei Prin
cipe mui illustrado e cujo liberalismo o tinhão tornado'
muito
popular.
Seria difficil o precisar o titulo por meio do
qual D Francisco
foi chamado a collocar-se á frente de alguns MMaç ¦
sistião em afirmar a existência da Ord/. em Hespànha que per-
Segado
todas as probabilidades, este Príncipe não exerceu
senão uma
espécie de protectorado análogo ao
que elle tinha concedido á
sociedade dos Comnmneiros.
No emtanto a franco-mâçonaria, aterrorisada
pelas temíveis
execuções que tinhão-se celebrado e
que ainda a ameaçava a
todos os instantes, vio-se pouco a
pouco obrigada a realmente
adormecer. Alguns centros còmtudo
persistirão em seus traia-
lhos, mas sendo seus membros
pouco numerosos, reunião-se
poucas vezes, dissimulando sempre suas assembléas com toda a
cautela sob a apparenciâ de reuniões
privadas.
A Franco-maçonaria, durante o reinado da rainha Isabel,
soffreu quasi que tanto como no reinado de Fernando
VII, e
não obstante ter
por protector o infante D. Francisco, não pôde
ninccionar visto as
perseguições horríveis por que passou desde
1823 até 1825. Era-lhe mister tempo reunir novos adep-
tos e organisar-se. para
Lste trabalho effectuou-o com o maior sigillo, tanto em
1848 encontramos de novo a Maçonaria nas fileiras que
da revolução.
flsssà época installárão-se rapidamente muitas LLoj/. em cliver-
s*s localidades e então seriamente tentar a organisaçao,
de um Gr.-. pôde-se
Qr/. Nac. em Madrid.
tentativa porém frustrou-se, visto como o Gr/. Or/. de
^Lsta
ttespanha? apenas installado, foi coagido a abater suas columnas
' es n^smo cie
ter assignalado sua existência ás potências es-
""angeiras. (Continua).
*
i
— 890 (I

Ritual de Ap/. maçon.


(Continuação.)

6. P. Como comeqastes a conhecer a Franco-maqonaria?


R. Principiei a conhecêl-a pela idéa que delia
fiz em
meu espirito.
No Rit.\ inglez encontra-se o seguinte:
P. Por que quizestes ser iniciado na Franco-inaçonaria ?
R. Porque estando na escuridão desejava ver a luz.
Em outros RRit.\ ha ainda a seguinte pergunta e resposta:
P. Qual é a razão porque assistis aos trabalhos da Loj.-. ?
R. Para aprender a vencer minhas paixões, conter meus de-
sejos e progredir em conhecimentos maçonicos.
7. P. Onde meditastes antes de entrar em Loj:.?
R. N'uma câmara contígua a ella.
Os Allemães denominâo esta câmara de câmara negra, e os France-
zes de câmara das reflexões.
No cathecismo de Zinnendorf ha ainda o seguinte:
P. Por que não vos derão ingresso na Loj.-. pelo caminho mais
curto?
R. Porque quizerão fazer-me sentir as difficuldades e os obs-
taculos que é mister vencer antes de deparar-se com a senda da
virtude.
8. P. Como estavas?
R. Não estava vestido nem despido, e não estava cal-
qado nem descalqo e tinha uma venda nos olhos; assim foi
que conduzirão-me á porta da Loj:.
9. P. Por que vos vendarão os olhos?
¦ R. Para
que meu coraqão pudesse comprehender o si-
lendo, antes que meus olhos vissem cousa alguma.
10. P. Por que vos tirarão o vosso dinheiro e
jóias?
R. Para que eu me lembrasse
que tendo sido iniciado
na Franco-maqonaria,
pobre e sem recursos, devia soccorrer
conforme minhas
posses, a todo o Ir:, honrado que de mim
necessitasse.

É
ff

891 —

NoRit.'. ingloz ro.poudo-.so a esta pergunta da seguinte,maneira^


R. Para que eu nada levasse com que pudesse aggredir
ai-
guem ou defencler-me.
No cathecismo do Zinnendorf encontra-se também esta
resposta-
R. Para lembrar-me da época em que o homem não se
dei-
xava corromper por dinheiro ou metal algum
precioso.
Os Francozos dizem que o dinheiro ó a causa do todos
os vicios os
quaes um Franco-maçon deve evitar. '
No antigo Rit.-. francez o iniciando ontra cm Loj.-. com
o peito des-
coberto afim do que possa sabor-.so que 6 um homem o não uma mulher
O cathecismo do Sehroeder explica a entrada do iniciando com
o peito
descoberto, dizendo que o porque um Maç.-. deve sempre ser
leal e fiel
para com seus irmãos, nunca tendo máos intentos.
11. P. Por que vos abrirão as
portas?
R. Porque dei três grandes
pancadas.
12. P. Que signi/icão cilas?
R. Signi/icão as três seguintes sentenças: " Procurai
que achareis, pedi que vos darão, batei que se vos abrirá.,,
13. P. Por que applicais estas sentenças á Franco-maço-
nana ?
R. Applico-as porque buscava um amigo em
quem con-
fiasse, e batendo a uma porta, a da Franco-maqonaria me
foi aberta.
Em alguns RRit.\ ha a seguinte
pergunta e resposta:
P. Por que porta entrastes na Loj/.?
R. Pela porta do oeste, conhecendo eu ser uma porta pela
resistência que encontrei.

*/$A
892 -
«

Noticiário Interno.

CONFERÊNCIA LITTERARIA, no Edifício novo Escola


Popular da Freguezia da Gloria, pelo Conselheiro Manoel para
Fran-
cisco Corrêa.—No domingo, 23 de Novembro, em um
magnífico
salão daquelle edifício, replecto de uma sociedade culta
e res-
peitavel, subio á tribuna o nosso 111.-. Ir.-. Conselheiro Manoel
Francisco Corrêa, cujo saber erudito é
por nós altamente avalia-
do. Versou a sua these sobre o Ensino Obrigatório;
e por tal
arte se houve o illustre orador em sua argumentação,
vou a necessidade de assim ser considerado que pro-
por nós todos o
único ensino possível.
Espíritos nimiamente susceptíveis das liberdades sociaes,
rerao talvez disputar á lógica dos factos este acto consummado que-
O vocábulo obrigatório irrita os nervos dos
pensadores sociaes;
e comtudo lá está o berço da verdadeira liberdade
da civilisa-
çao humana—a Allemanha £ provando ao mundo essa
obrigação emana da liberdade. quanto
Aquelles que considerão o dever como uma santa
faculdade da
liberdade do homem, porque é esse dever o resultado
da com-
prehensao dos direitos, todos seus, não devem
parar ante a ex-
pressão ensino obrigatório, porque significa elle apenas só o
dever de saber, o que é de todos os cidadãos
da communhão
da civilisação.
O estado deve ensinar, assim como o cidadão
deve saber. Se,
pois, o estado tem essa obrigação por que não deve o cidadão ter
esta outra obrigação?
O mais nobre de todos os impostos é sem
duvida o ensino
obrigatório; porque por meio delle aprende
o cidadão a conhe-
cer seus direitos assim como se inicia
em todos os santos deve-
res a cumprir em sociedade e na família.
Não basta esperar que o homem do trabalho
mande seu filho
para a escola, que é a universidade do ensino
impor-lhe essa obrigação, e aliás com primário; convém
aquelle lógico rigor de
que se serve a lei.
Vastíssimo será o circulo das liberdades
humanas, quando a
— 893 -

instrucção se espalhar mais geralmente; vastíssimas serão as as-


pirações legitimas daquelles que se lil.ertão da ignorância e entrão
no mundo de luz da intelligencia esclarecida.
Menos, muito menos fizorào os chefes officiaes da democracia
do que esse Pestalozzi, que será sempre o evangelista do ensino
das crianças, e que inociüava logo cedo. no campo, na choupana
no curral, á beira da fonte, sob as arvores e nos
jardins a her-
meiieutica do pensamento nos rapazinhos que o seguião ou in--
teiTOgavao.
Pestalozzi era um sábio do coração e do cérebro humano.
Elle sabia o como invocai- a attenção e o raciocinio dos
peque-
nos: fixava-lhes a. attenção eni unia folha, uma herva, 'razão
uma raiz,
uma gôtta de orvalho. e levava-os pelo caminho da fora
até poder fartarem-se da verdade, do facto ou da grandeza da
. 1 o
idea.
A sua. gloria, infelizmente, expirou na poquidade da considera-
"ção
que o mundo dá aos mestres dr escola de aldeia.
Ninguém coinprehendõia como Pestalozzi a invocação de Jesus
Christo, chamando a si as crianças. Na inferioridade de sua
essência humana, foi Pestalozzi uni discípulo que traduzio chris-
tãmente o pensamento sublime do Divino Mestre:
Deixai as crianças chegarem â mesa da commanhao do saber,
e ahi prvfazcmn o ceremonial de sua
fé e de sua ramo!
Nenhum século teve tanta urgência em decretar o ensino obri-
gatorio, como o actual.
Parece que o homem, dando de mão á potência de sua con-
çpeta e sensata voluntariedade. só deve reconhecer e ter vontade
7

no tocante aos interesses materiaes. Em seu espirito, pátria e


humanidade tem apenas só lugar oficial e loquaz.
O germanismo e o slavismo avançao para o oceidente da ei-
^
vilisaçao e do
poderio latino. Èlles vêm armados de cultura
mtellectual e moral, baluartes inexpugnáveis e invencíveis. Tra-
zem o corpo de músculos amestrados em mil exercidos, e tra-
zem a mente prenlie de todas as sciencias e de todos os conhe-
cimentos úteis com
que uni homem se torna poderoso em sua
individualidade.
Nós, sonhando liberdades de toda a casta, só esquecemos a
verdadeira, a
positiva liberdade cio homem, isto é, o saber.
Para conseguil-o,
pois, convém dar á instrucção publica uma
-%'

- 894 —

fôrma rigorosa e com a máxima possibilidade de bom êxito; isto


só o consegue o ensino obrigatório.
Já prevemos as objecções de toda a ordem.
É preciso, porém, que taes objecções sejão sérias, reaes e ba-
seadas na verdade.
Fallão-nos pensadores francezes em inconvenientes,
que forão
excepcionalmente descobrir em alguns lugares da Prússia, como
por exemplo, o desenvolvimento do lymphatismo, da pobreza de
sangue, das escrofulas, etc, que se desenvolvem com a impo-
sição ás crianças de irem para a escola, a certas horas, muitas
vezes com sacrifício de sua alimentação e suas forças. È outros
inconvenientes que apontão, que porém não destróem a suprema
verdade do ensino obrigatório.
Não erão de certo lymphaticos, escrofulosos e
pobres de
sangue esses illustres soldados com que a Allemanha se lançou,
em pleno inverno, no coração da França. Essa
gente discipli-
nada physica e moralmente levava cartas topographicas, mas não
levava barracas: dormia no campo, nos charcos e nas florestas,
deitava a cabeça sobre o braço musculoso recurvado, e,
pois!
não era effeminada.
Não ser effeminado destróe a idéa de lymphatismo, escrofu-
lismo, spanemismo, etc.
Tudo alli respirava robustez e grandeza — força intellectual,
physica, social e nacional.
Bem vedes que esses erão os filhos do ensino obrigatório.
Perante exemplo tão eloqüente, basta só relembrar aqui á ad-
miração dos que o ouvirão as sympathicas expressões
rão daquella tribuna, autorisada que parti-
pelo saber e todas as virtudes
pessoaes e patrióticas do Conselheiro Manoel Francisco Corrêa,

O JUIZO QUE FORMA O ULTRAMONTANISMO ACERCA


DA MAÇONARIA.—Em um escripto
que se publicou, fragmen-
tado, em dias do mez de Novembro, lê-se com espanto cousas
incríveis a respeito da Maçonaria.
Julgámos ao principio que um brinco clerical dera origem a
pensamentos taes; mas com um pouco de reflexão observámos o
quanto andão falseadas a modéstia e a seriedade evangélicas.
— 895 -

Ahi, pene esòipto, ha velleidades de epigramma,


e de agude-
m, que fariao honra a língua portugueza culta,
se ao menos
fosse essa composição conecta e escoimada de francezismo
zansta. h-
É para lastimar que autoridades
graves e respeitáveis enxer
tem em sua penua o dicterio de máo
gosto e o rancor sob a
forma de epigramma.
Nós os MMaç, devemos ficar satisfeitos vendo-nos
fôrma tao burlesca; julgados
por porque ninguém no mundo tomará ao
serio accusações banaes, e satyras deprimentes e injuriosas
De resto, nós já sabemos d.- mais o (pie e como se
diz e es-
creve contra nós nos conciliabulos ,1o jesuitis.no. Perante
accu-
saçoes tão desbragadas é a defesa inútil, senão indecorosa
á
causa da verdade dos princípios
que defendemos e sustentamos
E preciso ter grande paciência na
presença da revolta de ho-
meus, que considerávamos sérios e calmos, contra as
autoridades
civis que suo. na teria, as respeitáveis
garantias do homem em
sociedade.
*

ELEIÇÕES DA AUG.-. OFF.-. DEZOITO DE JULHO.-


No
dia 9 de Dezembro teve lugar a sessão de eleição
para os car-
gos desta iílustre <>tí.\
Ainda desta vez o Veneravél, Secretario, Orador e mais
Offi-
«aos forão reeleitos. A escolha de 1." e 2.° Vigilantes
recahio
nos Ilr.-. Dr. Fazenda e Moraes.
Applaudimos esta escolha,
porque colloca dous dignos e incan-
saveis obreiros na immediatá direCção daquella Loja.
Como sempre, sem cabalas foi feita esta eleição. Ao vêr-se
os MMeinlv. daquella Off.\ concorrerem á urna satisfeitos,
dir-
se-lua um acto de membros de uma família
que se entende e se
estima, e para os
quaes cada individualidade merece considera-
Ções e atíectos.
isto é o espirito da verdadeira Maçonaria: congraça homens
em estreito laço de amizade respeitável e cordial.
Esta cordialidade
proverbial que reinou sempre na Demito de
diilho é que armou o braço da dissidência,
pretendendo dar-lhe
golpe formidável.
Mas tal não aconteceu.
»

8
896
A Dezoito de Julho ficou de pé, dedicada sempre ao bem ck *e
nossa Sub.'. Ord.-. e fornecendo ás altas OOff. não pequeno nu-
mero de obreiros zelosos e àctivos.
Honra, pois, á Aug.-. Off.\ Demto de Julho, que sabe avaliar
os serviços de seus mais activos obreiros, e aproveita-lhes a ca-
pacidacle e o enthusiasmo pelo nosso Circulo, em bem da Maço-
naria!

O nosso fallecido Ir.*. P. J. Barbosa Velho.


i
Francisco José Barbosa Velho, natural do Rio de Janeiro,
era um desses caracteres tradicionaes fluminenses que vão
aos poucos desapparecendo nas dobras de uns novos usos
e costumes trazidos de além-mar.
Era membro de uma família numerosa, na qual se contão
não poucos Brazileiros notáveis, mas sobretudo o
que dá
realce e dignidade erão e são homens de proverbial
pro-
bidade.
Era Membro Effectivo do Supremo Conselho por bons
serviços constantes á Maçonaria do Brazil, da
qual era de-
dicado membro.
Barbosa. Velho, maçon fervoroso, era um .dos
que sabia
com rara piedade alliar seus sentimentos á Ordem Maçonica
e á Igreja de Nosso Senhor Jesus-Christo, da
qual era um
fiel dedicado por fé profunda, bebida nessa boa educação
que dá a comprehender fé e deveras sociaes. Essa edu-
cação sã é o escudo contra o fanatismo que, com ares de
cousa séria, se propaga por toda a parte.
Foi Veneravel das Lojas Dezoito . de Julho e Lm Brasil
ira.
Frua elle na vida de além daquella bémaventurança
a terra recusa aos seus melhores filhos, que
-caridade, porque os obreiros
da -os homens
pios neste mundo só conhecem
espinhos, e só fórmão ingratos; flores e
gratidões o céo
guarda para outorgar aos que nelle entrão, depois de ha-
verem despido a túnica de terra e ossos
que volvem ao pó
e ao esquecimento.
i
- 897 —
PEDIDO A TODOS OS NOSSOS LEITORES
nisso nao vai vaidade ou interesse Tf r
' ,
quando ""*
Este nosso Boletim é do nosso Circulo indivitol
sua e SSí
»unílc e a ,
despeza
que faz impressão. '
Sem advogarmos a cansa de sua reânerf*
eápenhamos, e muito, na Sna maior °°S
resse de nossa Subi/ Ord* i*°P<VK.io. ^^'^ Nisto vai inte-
Ora, se jornaes das dimensões rl,> .«
aceitação, apezar da micros* ,a *"
jo aii^lZ^"!¦
pedimos nu, com maior razão,' coadjn^
Cada um dos hv de nos<?n r;,.,. ,1 , &UüísCnPtores.
%&£*»
dever que
aevei nuo lhe coitp deI proteger esta
ute cone (!eve C()raPenetrar-se do
mais que nem sempre nossa i!if1.,.-„1.*,1,publicação toda ' local t»2 nto
¦ ~ i
kbre missão mrenondade se encarreeará ria da nn
no-
de redacçSo : ' imwfidl-
princinal i^^d™ ^^^egara
cansados, nao norém'Vvp^pí^ao
,
encostamo-nos á estacada da luta e ouotL. a l0S'
melhores ev, mais applaudir outros
iiidi^ ilWres ,,„, têm^erem°s
uiubtres que de prirarrafra** *rt da ,i
já fatigada. encarregar-se penna
Já se vê que esta ultima razão nos
autorisa a pedirmos com

;J» nosso Circulo, felizmente, ha em demasia llr*


dem deàcar ei redacçao do*. que se
Boletim con, brilho e gr nd
Proveito para o nosso Circulo. e

PAt-UAIf^AÇAO DA LOJA VIRTUDE,


J ÜÍE/A, em 29 de LIBERDADE E
mmht0 de 1873( 0rieQte & ^ __
dG P1f ar-Se' ren°vada
ilÉL"0' Pat'a *> °)ra da r^neraÇ^ (lMaçon.*.
e fül'Ças> cheia dí
eli Z e para a
m*m Propaganda da verdade, da justiça, da liberdade e da
1SS0 acdtíl ° aistinetivo de suas
ÊÊ fara qualidades: virtude,
*

MAÇOMRIA NO MARANHÃO.-Cartas
ao os torpes manejos dos dissidentes que recebemos nos
naquella província, para
Passagem das LLoj.*. de nossa
stamos calmos a respeito dos jurisdicçao.
nossos; sabemos que homens
808 —
de caracter e de crenças não se deixão levar por
propagadores
de erros.
Estamos calmos a respeito, porque confiamos na verdade
de
nossa causa e na lealdade de nosso proceder maçonieo.
Parece que os dissidentes espalhados no Brazil, sem saber
como proceder para representarem um papel qualquer de acti-
vidade e propaganda, se divertem com subterfúgios ridículos
e
com discursos incríveis.
A toda parte, como os ultramontanos, mandão elles os seus
exploradores, que de tal fôrma se compenetrão da missão
levão, que, ás vezes, julga á gente séria que
que elles estão séria-
mente engajados em um pensamento digno. Mas, como
tudo
que não é verdadeiro cahe por terra, assim seus manejos, inha-
bilmente exercitados, os apresenta taes como são.
Os marà-
nhenses constituem um povo adiantado e culto; sabem
o que são
dissidentes, e melhor os comprehendem vendo-os entre
si a fazer
adeptos a todo o transe e a pretender subhmr LLoj.-,
MMaçon'
Vigoremos, meus Ilr.-., a cadêâ de união nos liga e dei-
que
xemos passar as velleidades dissidentes, como cousas
cno profano. de capri-
L
*
* *

UMA RESPOSTA A PROPÓSITO. - Uma folha


mente tomou o titulo de Apóstolo, como tomaria que infeliz-
outro qualquer,
e que se publica no Rio de Janeiro, á rua Nova
do Ouvidor,
por isso que vive acercada á rua do Ouvidor que é a passa-
gem das novidades, dos despropósitos, das calumnias e das mia-
nas de que uma cidade populosa se alimenta
na dias a noticia magnífica e esüipeuda, diariamente, deu
de que:
No edifício do Gr:. Or.: ha uma typographia
montada, ~á custa do Governo—para a impressão
do Boletim e outros folhetos.
dGSta moxinifada ^tá convencido de
,im°n,rCrÍP+t0r Wm aSmÍm; que é isto
mas lá foi e^aixando a noticiasinha,
2ÜPÍ " C°nta daI"a'
~ Calumniar! cal™™r i q^ grande
2
consolo nao e para os
nada conseguem, nada valem, pequenos espíritos cujas armas nullas
nada significâo!
fce deu a noticia para
que o seu grande publico a lesse, nós
— 899 —

damos esta, aliás autorisada e verdadeira, para


que o nosso
publico sensato e christão possa ainda desta vez avaliar o como
ultramontanos ousados fazem guerra de modo vil.
O Apóstolo se não sabe, deve saber, que os nossos GGiv.
CCof.*. dispensão auxílios do mundo profano,
que delles não
carecem e nunca carecerão.
O Apóstolo, jornal que se diz religioso, deveria ser mais res-
peitador do Governo Imperial, que é o governo do seu paiz, e
nunca Lançar á sua conta despropósitos deste jaez, e
que revelão
ausência de senso commum.
Para escrever jornaes não basta só ser-se um pouco intelli-
gente ou um pouco vivo, precisa ter juízo e critério, a menos
que estas excellentes qualidades não estejão proscriptas pelo
ultramontanismo ou mesmo por elle ignoradas.
Para escrever jornaes não basta, einfim, ter essas qualidades
moraes, precisíi-se sobretudo ser cortez e discreto. Accusar
grosseiramente, lançar apostrophes brutaes a corporações res-
peitaveis, é ser-se vilão;
As accusações que, infelizmente, pesão sobre os prelados de
Pernambuco e do Pará nada têm que fazer com a Maçonaria:
esses prelados «atacarão as leis fundamentaes do Império, que
são venerandas e respeitáveis, e pois o processo que se lhes
instaura não é maçonico, como o denomina malignamente o
Apóstolo, mas um processo criminal, formulado pela Lei contra
os que são réos de lesa-nação.
O Apóstolo fica sabendo que maçonico é o que lhe dizemos,
punindo-lhe as asperezas de sua linguagem e a rudeza de seus
vocábulos; e se lhe nao bastar a presente advertência, nós te-
mos, neste Boletim, campo vasto maçonico onde entrincheiral-o
e castigar-lhe as malevolencias e as grosserias.
Em demasia sabemos, e sabem todos os homens sérios, quaes
sao os fins do Apóstolo, inimigo declarado do catholicismo, tal
como todos os verdadeiros crentes o comprehendem, aquelle que
provem cio Evangelho.
Catholicismo não é, não será nunca, um poder temporal pe-
sacio, absurdo, material, rancoroso, mas um poder espiritual, ma-
gestoso, suave, sanctuario cie todos os perdoes, de todos os
affectos e de todas as virtudes da Igreja, que é nossa Mãi.
900

* *

O CABO-TELEGRAPHO SUBMARINO entre a Europa e a


capital deste Império, — Á praia de Copacabana, um dos arre-
baldes do Rio de Janeiro, ao sul da barra deste porto, aportou,
felizmente, o cabo conduzido pelo lloopcr, desde o Pará, pela
costa do Brazil, até esta cidade.
E' com immenso júbilo, que saudámos este novo motor de
civilisação e riqueza.
A Europa pode fallar ao Brazil rapidamente; pode saudal-o
pelas conquistas de sua civilisação e pela sua incessante gene-
rosidade.
No verbo da telegraphia electrica ha para as communicações
mais vibração de vida, mais expressão do que na commumeação
epistolar levada por dias a bordo de um barco a vapor, mesmo
de grande velocidade. O cabo electrico riscou as latitudes e
longitudes em gráos, e inscreveu em lugar desses, minutos e se-
gunclos. E' quasi tão rápido como o pensamento que transmitte
a idéa.
Mais perto do velho mundo, quasi nas suas costas marítimas,
por assim dizer, supprimido o Oceano Atlântico, que é vasto,
temos esperança que o Brazil se tornará mais conhecido a todos
esses povos antigos, que infelizmente só crêm ser mundo o que
está comprehendido nesse quasi quadrado da Europa.

PRISÃO DO PRELADO DE PERNAMBUCO—O sapientissimo


e integerrimo Supremo Tribunal de Justiça deu ordem para que
fosse preso frei Vital de Oliveira, bispo de Pernambuco, e viesse
á sua presença defender-se das graves accusações que. pesão em
nome rigoroso da lei sobre S. Ex. Revina., desobediente e con-
tumaz.
Por telegramma transmittido pelo cabo submarino sabe-se que
se eífectuára a prisão, e aliás como o havíamos previsto.
Perante as sabias leis deste Império nenhuma hierarchia social
pôde eximir-se á acção do ministério publico; que todos são ei-
cladãos perante a lei.
Causou-nos espanto como um prelado assumisse a si a ousada
Li*
901

autoridade contra a pátria e contra a Constituição. Ha posiçSes


sociaes que garantem a generosidade das aceSes e a justiça na
conducta. Mais do que ninguém, um bispo, que é na nação um
empregado respeitável e altamente collocadò, deve ser o typo do
perfeito cidadão, porque se presuppõe ser o typo do verdadeiro
christão. E quem diz christão, diz homem policiado, culto, pru-
dente e discreto.
Nós queremos crer que frei Vital de Oliveira, joven ainda,
passara por um período de menos reflexão, e que uma vez vol-
vido á calma de seu raciocínio, comprehenderá que é generosi-
dade confessar erros involuntários e entregar-se com prudência e
dedicação á sua missão evangelisadora.
Aos illustres bispos do Brazil cabe grande parte do renome
deste Império no porvir; convém que a fé e o amor da pátria
os torne dedicadamente brazileiros. Não esqueção elles nunca
que o episço] ado brazileíro, desde séculos, conta homens respei-
tabilissiinos e pastores cujas virtudes erão o ornamento da terra
de Santa-Cruz, nomes que a historia pátria nos apresenta como
brilhantes luzeiros da Igreja Catholica na America do Sul.

Administrações de LLoj/. e CCap/. para o futuro


anno maçon/. 5874.

¦ LOJ/. ESTRELLA
DO I!IO, ao Or/. do Gr/. Pod/. Cent/.-
Ven/., Hermenegildo Nunes Cardoso, 33/.
l.° Vig.-., Carlos Adolpho Borges Corrêa de Sá, 33/.
2.° Vig.-., José Ribeiro Bastos de Freitas, C.\ R.\ >f/,
Orad/., José Joaquim Bastos Jorge, 30/.
Secret/., Pedro Fernandes Vianna da Silva, 30/.
Thes/., Antônio Pereira de Souza e Silva, 33/.
*

LOJ.-. LüZ TRANSATLÂNTICA, ao Or.-. do Jaguarão.-


Ven/., Francisco Carlos Pereira Caldas, Ca Ra *£</.
1.° Vig/., João Chrysostomo da Costa, 31/.
2." Vig.-.. Augusto César da Silva, 30/. .
902 —
Orad.-., Antônio Augusto Sarmento e Mello, 17.-.
Secret/., Thomaz Henriques de Carvalho, 30/.
Thes/., Manoel Soares, 32.'.

LOJ/. FIDELIDADE E FIRMEZA, ao Or/. de Porto-Alegre.


—Ven/., Dr. Antônio Pereira Prestes, 30/.
1.° Vig.-., Domingos José Ferreira Bastos, C.\ R.\ ^:.
2.° Vig/., João de Castro do Canto e Mello, 30/.
Orad/., João Affonso de Freitas Amorim, 33/.
Secret/., João Corrêa Leans, 30/,
Thes/., Antônio Maria de Freitas Santos, 3.-.

CAP.-. LUZ TRANSATLÂNTICA, ao Vai/, do Jaguarão.-


Arth/., Francisco Estacio Belmondy, 33/.
1.° Vig/., Carlos Resin, 33.-.
2.° Vig/., João Chrysostomo da Costa, 31/.
Orad/., Theotonio de Bittencourt Pereira e Mello, C/.R/. ft.-.
Secret.*., Thomaz Henriques de Carvalho, 30/.
Thes.'., Manoel Soares, 32.*.
*

CAP.-. FIDELIDADE E FIRMEZA, ao Vai.-, de Porto-Alegre.


—Arth.-., João Affonso de Freitas Amorim, 33.'.
l.° Vig.-., Antônio Gonçalves Pereira Duarte, 33.-.
2." Vig/., João de Castro do Canto e Mello, 30/.
Orad/., Dr. Antônio Pereira Prestes, 30/.
• Secret/., Domingos José Ferreira Bastos, C.\ R.\ «f./.
Thes.-., Leandro Antônio de Andrade, 30/.

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^m^-^i^i--.,\-í/.v^v:í^^]-,.,¦,_¦¦
O0.(i

Legislação.
DECRETO N. ^'-Interpreta a legislação vigente
sobre effeclividade
de membros das Lojas e fôrma de seus
juramentos.
Nós, Visconde do Rio-Branco, (ir,. Mest,. (ir,.
Com * da
Ord,. Maçon.*. no Brazil:
Fazemos saber a todas as OOÍ17. da nossa
sua íntelhgencia e governo, que o Sap,. Gr,. jurisdicção, para
Or,. do Brazil
em sua sessão de 22 de Dezembro, houve
por bem decretar o
seguinte:
l.° Só pôde ser considerado membro effectivo de
uma Loja
o Maç,. que nella tenha prestado o respectivo
juramento.
2.» O juramento de filiação, regularisação ou iniciação
tado nas Lojas, só o pode ser feito pres-
pessoalmente pelo candidato,
nao sendo admittido, em circumstancia alguma,
procuração ou
dispensa dessa formalidade substancial.
3.° Revogão-se as disposições em contrario.
O nosso Car,. e 111,. Ir,. Sob,. Gr,. Insp,. Ger,. 33,.
Or. Luiz Corrêa de Azevedo, Gr,. Secret,. (ier,. da Ordem,
é
encarregado da promulgação e
publicação rio presente Decreto.
Dado e traçado no Gr,. Or,. do Brazil, ao Valle do Lavradio,
no Rio de Janeiro, no 2o dia do 10° mez do anno da V,. L.\
5873 (22 de Dezembro de 1873, E.\ V,.)

O Gr.*. M.-. Gr.'. Com.-.,


Visconde do Rio-Branco, 33.'.
O Gr.-. Secret.-. Ger.*. da Ordem,
Dr. Luiz Corrêa de Azevedo, 33.'.
O Gr. \ Chanc.-.,
Dr. Pedro Isidoro de Moraes, 33.'.

9
i — 904

¦
EXPEDIENTE
.,f ¦ ¦ •'

-*-

A Grande Secretaria Geral da Ordem, ao Valle do Lavradio


n. 53 K, acha-se aberta diariamente, das 9 ás 2 horas.

'

O Sob/. Gr/. M.'. Gr.-. Com/, da Ordem despacha todos os


-V-i *

¦¦¦: 'dam
.: I

dias, devendo as petições ou requerimentos serem entregues na


vi**^ «

Gr/. Secret/. Ger/.

O Gr/. Secret/. Ger/. da Ordem attende a todos os Maçons


que o procurarem na Gr.-. Secret.*. Ger/., á 1 hora da tarde de
todos os dias úteis.

Todas as noticias ou informações que tenhão de ser publica-


das no Boletim Official devem ser dirigidas ao Redactor em
chefe, rua do Lavradio n. 53 K.

Nous prions loas les rédacteurs auxquels nous envoyons no Ire


Bulietin de vouloir Iiicn nous remettre en échan^e réguliòremcnt leurs
journaux.
Adresse du Secretaria^: - Bua do Lavradio n. 53 K.
Rio de Janeiro. — Brésil.

^..SU^^flS^^L^ •-

'\',\'r\^\^K'r\y\f\Jr^y\/-^\,^
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Typ. do Grande Oriente, ao Valle do Lavradio 53 í.'

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