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1 INTRODUÇÃO

Atualmente a sociedade enfrenta um sério problema no que concerne ao


abastecimento de água. Isto ocorre devido ao acelerado crescimento da população nos grandes
centros urbanos, a falta de chuva ocasionada pelas mudanças climáticas que está ocorrendo ao
redor do mundo, bem como a degradação contínua da qualidade dos recursos hídricos
existentes. Principalmente em função da má exploração pelo homem, que, muitas vezes,
promove o descarte sem o devido tratamento adequado de esgotos urbanos e efluentes
industriais nos mananciais.

Vale ressaltar que, apesar do Brasil possuir em seu território cerca de 12% de água
doce em superfície disponível e a maior bacia hidrográfica do planeta (ADEODATO, 2009), o
problema da falta de água para o consumo ainda é evidente. Muitas destas bacias se
encontram distantes dos centros urbanos e não existe uma política de gestão sustentável dos
recursos hídricos, o que leva, consequentemente, ao comprometimento dos mananciais, pela
sua poluição e contaminação.

Desse modo, a racionalização do consumo de água tem se tornado uma necessidade


social primordial, com a finalidade de tentar manter a qualidade dos mananciais, sendo uma
alternativa para a solução de tais problemas. Além do seu uso racional, a criação de sistemas
de aproveitamento de água é de notável importância e eficiência, o reuso planejado da água,
tanto no setor doméstico, como no comercial e industrial, também contribuem com o
planejamento e conservação dos recursos hídricos.

O reuso de água é um processo que permite usá-la novamente, tratada por mais de
uma vez ou não, para o mesmo fim ou diferente. Uma de suas vantagens é a redução da
exploração hídrica, através da substituição em determinadas funções e a utilização de água
potável por outra de qualidade inferior. O reuso destinado à lavagem de veículos ganha cada
dia mais destaque, já que grande quantidade de água potável é desperdiçada diariamente nesta
atividade.

No presente trabalho, será apresentado um sistema eficiente de operação, suas


vantagens e desvantagens, viabilidade técnica e econômica da utilização do sistema, bem
como dados relativos a alguns sistemas de tratamento e reuso dos efluentes oriundos da
lavagem de veículos em lava-jato.
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Devido a falta de água nos centros urbanos ser um grande problema atual, este
trabalho apresenta uma proposta para desenvolver um sistema de reuso que será implantado
em lava-jatos, no qual a água utilizada na lavagem de um veículo seria devidamente tratada e
reaproveitada na lavagem de outros, promovendo uma economia no uso da água e,
consequentemente, a preservação dos mananciais, de forma sustentável, levando em
consideração os aspectos ambientais e econômicos.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo geral

O objetivo geral do presente projeto é o de desenvolver um sistema de reuso de água


em lava-jato de veículos.

1.1.2 Objetivos específicos

Os objetivos específicos são:

• Dimensionar uma estrutura-modelo comercial de lava-jato para o consumo de água;

• Descrever as etapas e processos envolvidos no reaproveitamento de água;

• Avaliar o custo-benefício econômico e ambiental do projeto.

1.2 JUSTIFICATIVA

Este projeto é de suma importância, pois visa criar uma nova solução para o gasto
excessivo de água usada no setor de lava-jatos através do seu reuso, contribuindo para a
minimização dos problemas existentes no abastecimento de água, principalmente nos centros
urbanos.

Uma grande vantagem deste projeto se encontra no aspecto econômico, por meio da
redução no consumo da água potável utilizada na lavagem de veículos e, por conseguinte, no
valor das contas de água. O gasto com a implantação do sistema e sua manutenção, irá, a
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longo prazo, ser devidamente compensado pela redução na sua despesa mensal pertinente a
água tratada, tornando-se um aspecto positivo para o aumento do lucro da empresa.

Outra vantagem importante do projeto se baseia na esfera ambiental, pois a redução


no uso de água é uma forma de racionalização do consumo, portanto evita o seu desperdício e
contribui com o planejamento e conservação dos recursos hídricos que promove uma
diminuição da exploração dos mananciais e, consequentemente, auxilia na sua preservação.

1.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Em geral, os usos urbanos de água sob vias não potáveis envolvem problemas
menores e podem ser considerados como uma opção de reuso mais segura frente aos desafios
do abastecimento urbano. Os exemplos mais comuns abrangem a irrigação de jardins e
canteiros públicos, fins residenciais e industriais; reserva de proteção contra incêndios;
sistemas decorativos aquáticos, tais como fontes e chafarizes em praças e locais
contemplativos, espelhos e quedas d’água; descarga sanitária em banheiros públicos e em
edifícios comerciais e industriais; lavagem de trens e ônibus; dentre outros.

Os lava-jatos colaboram para o desenvolvimento das cidades, ao participar da


distribuição de renda, empregar pessoas e atender outros setores da economia além do público
em geral. Mas também precisam se adequar à sustentabilidade ambiental, não desperdiçando
água e nem insumos, tratando seus efluentes e reutilizando a água residuária (SEBRAE,
2004), pois as cidades enfrentam crises de abastecimento, das quais não escapam nem mesmo
as localizadas na Região Norte, onde estão perto de 80% das descargas de água dos rios do
Brasil (REBOUÇAS, 2003).

O planejamento do reuso de água propicia o uso sustentável dos recursos hídricos em


geral, minimiza a poluição hídrica e captação de água dos mananciais, estimula o uso racional
desse recurso em vários empreendimentos, minimizando os impactos de descargas de
efluentes urbanos diversos nas redes pluviais e comprometendo de certa forma o
abastecimento de água e tratamento de esgotos pela utilização múltipla da água reduzida
(CUNHA, 2008).

Aliás, o termo “água de reuso” que passou a ser empregado com maior frequência,
na década de 1980, justamente quando as águas de abastecimento foram se tornando cada vez
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mais caras e oneravam o produto final no processo de fabricação, tem sido amplamente
estudado por vários autores (MANCUSO; SANTOS, 2003).

Nessa ótica, o “reuso” reduz a demanda sobre os mananciais e redes pluviais


urbanas, devido à substituição da água potável. Em termos gerais, a potabilidade da água
atenderá às necessidades para os diversos fins. No entanto, por não se dispor de padrões de
potabilidade para todos os constituintes da água, surge a necessidade de estabelecer critérios
relativos à fonte de água utilizada, especificando sua análise e confiabilidade do tratamento
(TEIXEIRA, 2003).

Para o mesmo autor, o sistema de tratamento a ser implantado para viabilizar a


reutilização da água de lavagem de carros deve atender algumas prioridades, como eliminar
os riscos à saúde dos usuários e operadores que estão diretamente ligados à etapa de lavação,
e evitar danos aos veículos. Há com certeza, minimização da necessidade de diluição dos
efluentes tratados e de seu lançamento na rede esgotos, em águas superficiais ou em fossas.

Os benefícios estão relacionados à minimização das descargas nos corpos receptores,


a diminuição da carga de poluente tóxicos na rede de esgoto, e a economia de água. Para
Teixeira (2003), os principais problemas a serem enfrentados no desenvolvimento de
tecnologias para a reciclagem de água de lavagem de veículos são a área ocupada pelo sistema
de reuso e o custo de implantação, operação e manutenção.
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2 METODOLOGIA

2.1 FINALIDADE DO REUSO DE ÁGUA

Com o intuito de diminuir o desperdício da água tratada utilizada em lava-jato e, com


isso, promover a sua preservação para a utilização em fins que necessitem de água com esse
nível de qualidade, e visando também a diminuição da quantidade de efluentes, não tratados
adequadamente, despejados nos mananciais, evitando, assim, sua poluição, foi proposta a
criação de um modelo de sistema de tratamento para o reuso da água no lava-jato.

2.2 COMPONENTES DO SISTEMA

O sistema de reuso de água proposto nesse trabalho é composto por:

• Canaletas em alvenaria, para o escoamento da água ao redor da plataforma;

• Tubos e conexões de PVC interligando as etapas;

• 1 caixa separadora de água e óleo;

• 1 reservatório de 400 litros em alvenaria;

• 1 sistema de Venturi Standard;

• Snatural 5024;

• 1 bomba de alta pressão 3,5 CV ¾;

• 1 caixa de filtragem de 1000 litros;

• 1 tanque de 1000 litros em alvenaria, para armazenar a água tratada;

• Hipoclorito de Sódio.

Grande parte do processo será construída numa área subterrânea, assim, quando
implantado não prejudicará a circulação dos carros no estabelecimento. Entretanto, a bomba
de alta pressão e os sistemas Venturi ficarão expostas. Os reservatórios serão parcialmente
fechados com tampas de alvenaria para facilitar a locomoção dos veículos no local.

No quadro 01 estão descritos os componentes do sistema de reuso e seus respectivos


objetivos.
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Quadro 01 – Componentes do sistema de reuso de água.

Componentes Objetivos

Canaletas em alvenaria, para o Coletar a água para reuso para o


escoamento da água ao redor da escoamento até a caixa separadora de
plataforma. água e óleo.

Tubos e conexões de PVC interligando as Conduzir a água de uma etapa à outra.


etapas.

Caixa separadora de água e óleo. Reter o óleo e graxa proveniente da


lavagem dos veículos.

Reservatórios / Tanques. Fazer o tratamento da água e armazená-la


até o próximo processo.

Sistema de Venturi Standard. Responsável pela inserção do Snatural


5024 ao processo.

Snatural 5024. Responsável pelo clareamento da água no


processo.

Bomba de alta pressão 3,5 CV ¾. Retirar a água do reservatório e passar


pelo sistema de Venturi e encaminhar
para a filtragem.

Caixa de filtragem de 1000 litros. Fazer a filtragem da água e reter areias e


outros sólidos pequenos.

Hipoclorito de Sódio. Eliminar as bactérias para evitar


contaminações com a água, elevar o PH e
clareá-la ainda mais.

Fonte: Elaborado pelos autores.


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2.3 DIMENSIONAMENTO E FUNCIONAMENTO DO SISTEMA

Durante a lavagem dos veículos, a água irá escoar para as canaletas ilustrada na
figura 01, sendo conduzida à caixa de separação água e óleo, representada na figura 02, onde
serão retidos o óleo e as graxas.

Figura 01 – Canaletas em alvenaria. Figura 02 – Caixa de separação água e óleo.

FONTE: <www.solucaoperfis.com.br> FONTE:<http://produto.mercadolivre.com.br/MLB


-693706337-caixa-separadora-de-agua-e-oleo-
1000-litroshora-_JM>.

Em seguida, a água escoará até o tanque de 400 litros em alvenaria, igual o modelo
de reservatório de 1000 litros e ficará armazenada. Nesse tempo, será acionada a bomba de
3,5 CV como mostra a figura 03, para continuar o processo e a água será sugada para a caixa
de filtragem passando pelo sistema de Venturi Standard demonstrada na figura 04, para a
adição do Snatural 5024 responsável pelo clareamento da água, representada na figura 05.

Figura 03 – Bomba de 3,5 CV ¾.

FONTE: <http://www.piramidemotor.com/home/lista_produtos.php?cod_cat=38>.
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Figura 04 – Sistema de Venturi Standard. Figura 05 – Snatural 5024.

FONTE:<http://www.aquasuper.com/venturiecon/> FONTE:<http://www.snatural.com.br/Produtos-
quimicos-tratamento-agua-Floculantes.html>.

Dessa forma, a água chegará até a caixa de 1000 litros de acordo com a figura 06,
para realizar sua filtragem com utilização de pedregulhos de tamanhos diferentes, compostos
de cascalhos e areia para retenção de pequenos detritos, conforme ilustra a figura 07.

Figura 06 – Caixa d’água de 1000 litros, com o Figura 07 – Técnica de tratamento por filtragem.
filtro.

FONTE:<http://www.fortlev.com.br/produto/filtro-
de-entrada-caixa-dagua/>.
FONTE:<https://www.google.com.br/search?q=sist
ema+de+filtragem+de+%C3%A1gua+cascalho+e+
areia&espv=2&biw=1024&bih=643&source=lnms
&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiOkeef5tLJAh
WBkpAKHQ9tBPMQ_AUIBigB#tbm=isch&q=filt
ragem+de+%C3%A1gua+cascalho+e+areia&imgrc
=bH8FdHaqLkMw4M%3A>.

Então, a água será conduzida ao próximo reservatório de 1000 litros em alvenaria,


ilustrado como modelo, na figura 09. Logo após, será adicionado o Hipoclorito de Sódio para
fazer o controle na eliminação de bactérias, elevar novamente o PH da água e ajudar, ainda
mais, no clareamento da mesma, representada na figura 10.

A adição será feita manualmente pelo condutor do processo.


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Figura 09 – Reservatório de água de 1000 litros em Figura 10 – Hipoclorito de Sódio.


alvenaria.

FONTE:<http://www.ecocasa.com.br/cisternasasp> FONTE:<http://www.startquimica.com.br/br/produt
os/detalhe/id/26/catp/2>.

Todas as etapas desse sistema são interligadas por tubos e conexões de PVC, que
conduz a água para o próximo processo, de acordo com as figuras 11 e 12.

Figura 11 – Tubos de PVC. Figura 12 – Conexões de PVC.

FONTE:<http://www.ramosdistribuidora.com.br/pa
gina.php?tipo=produto&id=7>. FONTE:<https://www.google.com.br/search?q=TU
BOS+DE+pvc&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ve
d=0ahUKEwiVrYjixtPJAhVFhpAKHUAyA-
IQ_AUIBygB&biw=1024&bih=643#tbm=isch&q=
conex%C3%B5es+de+pvc+cor+branca&imgrc=w
ASYBxIx_lq1aM%3A>.

A partir desse último reservatório a água já poderá ser reutilizada, visando apenas
que o condutor do processo insira sua bomba manual de água para lava-jato.

O processo em questão faz o tratamento de 600 litros de água por hora, e poderá ser
repetido em até seis vezes (SETTI, 1995). Devido a essa informação, a proposta deste
trabalho é a de reutilizar a água a cada seis vezes (dias da semana em que o lava-jato
funciona), e dependendo dos resultados, esse tempo poderá ser reduzido ou prolongado.
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2.4 MANUNTEÇÃO DO SISTEMA

O sistema apresentado requer atenção nas seguintes manutenções:

• Atentar ao recipiente em que ficará armazenado o SNatural 5024, pois o mesmo


necessita de reposição;

• Certificar a caixa separadora de água e óleo, para evitar que o óleo armazenado no
recipiente transborde;

• Fazer a manutenção quinzenal do sistema de filtragem e, dependendo dos detritos


acumulados, torna-se necessário trocar o filtro;

• Adicionar manualmente o Hipoclorito de Sódio, se possível, no horário de almoço,


pois o sistema prossegue seu processo sem parar e necessita tratar a água, e no final do
expediente, o sistema é desligado e a água fica parada.
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3 RESULTADOS

Através dos estudos realizados no presente projeto, verifica-se que, o resultado


obtido com a implantação do sistema de reuso de água em lava-jato, em termos econômicos,
só seria vantajoso a longo prazo. Visto que o custo final gasto com a sua construção,
instalação e manutenção, ainda é um pouco elevado comparado com o baixo custo da água
tratada. Entretanto, a tendência atual é de que a água se torne cada vez mais escassa,
consequentemente seu custo subirá. Então, o sistema de reuso de água em lava-jato será mais
vantajoso em um menor prazo de utilização.

Quanto aos aspectos ambientais, o sistema de reuso de água em lava jato mostrou-se
de suma importância à minimização dos problemas pertinentes ao abastecimento de água,
principalmente nos grandes centros urbanos. Além de contribuir como uma forma de
racionalização do seu consumo, evitando seu desperdício e promovendo a conservação dos
recursos hídricos, de forma sustentável, irá também proporcionar uma diminuição da poluição
hídrica e os impactos de efluentes urbanos nos mananciais sem o tratamento adequado.

3.1 VIABILIDADE ECONÔMICA

Nesta etapa do trabalho, foi elaborado um orçamento para a construção de um


sistema de reuso de água, no qual o preço de custo final do sistema ficou em
aproximadamente R$ 4.000,00, inclusa a mão de obra. É necessário também, um gasto mensal
de aproximadamente R$ 25,00 com a manutenção do sistema.

3.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CUSTO

O célebre binômio “escassez-utilidade” é um dos mais importantes conceitos


utilizados quando se trata da valorização econômica dos bens utilizados pelo homem. A água,
apesar dos problemas atuais de abastecimento, ainda é um bem extremamente útil e, de certa
forma, abundante. Ainda hoje, ela é considerada barata, e em boa parte do mundo, gratuita.
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Mas esse quadro de fartura tende a mudar, e em um curto espaço de tempo, a água deverá se
tornar escassa (MANCUSO, 2003).

Repise-se que o preço final gasto na construção, instalação, e manutenção do


sistema, só terá retorno após um longo período de tempo, pois a instalação de um sistema para
o reuso de água atualmente ainda é caro, e hoje a água ainda é abundante e barata.

Mas isso tende a mudar, pois já estão em andamento as negociações para o aumento
do custo pelo uso da água no Brasil, que levará inevitavelmente, ao aumento nos gastos
mensais dos lava-jatos. Além disso, deve ser levada em consideração a escassez de água, que
está cada vez mais próxima.

Desta forma, se torna necessária a criação e utilização de um sistema de gestão da


água, incluindo a sua racionalização com modificação de processos e escolha do melhor
método de tratamento para o seu despejo e/ou reuso total ou parcial. Para muitas indústrias,
estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços (caso do lava-jato), a gestão
sistemática e o reuso de água deverá, no futuro, ser um fator preponderante para sua
viabilidade e própria sobrevivência.

3.3 QUANTIFICAÇÃO DE ÁGUA

No presente trabalho foi criada uma estimativa da quantidade de veículos lavados


diariamente no lava-jato, assim como o volume médio de água utilizado, obtendo-se uma
média geral. No quadro 02 estão representados os resultados das coletas desses dados.

Quadro 02 – Quantificação de Água

Litros/Carro Média de Carros Gasto Diário Gasto Mensal Gasto Anual

100 litros 17 1.700 litros 40.000 litros 480.000 litros

FONTE: Elaborado pelos autores.

Em média, nos lava-jatos são consumidos de 800 a 2000 litros de água por dia, ou
seja, de 90 a 110 litros de água por carro, e lava-se de 15 a 20 carros por dia.
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Com o sistema de reuso proposto neste trabalho, considerando-se o gasto em média


de 1.400 litros diários, utilizados na lavagem de veículos, e uma perda de 10% de acordo com
o gráfico 01, correspondente à possível quantidade de água que ficará retida nas caixas de
óleo ou nos tanques. Assim, a economia de água com o reuso será em média de 1.260 litros
por dia. E a quantidade diária de água que deixará de ser despejada nos mananciais sem o
tratamento adequado será menor.

Gráfico 01 – Porcentagem de aproveitamento da água.

Porcentagem de Aproveitamento

10%

Água Reutilizada
Perda de Água
90%

FONTE: Acervo pelos autores.


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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O “reuso de água” torna-se importante para possibilitar maior disponibilidade de


água e também garantir uma melhor qualidade quando lançadas nos mananciais, por isso
tecnologias inovadoras e o aperfeiçoamento de tecnologias nativas (Amazônicas), são
necessárias para o aproveitamento dos recursos hídricos limitados e para protegê-los da
poluição.

Analisou-se nesta pesquisa, que os lava-jatos pertencem a uma categoria que


desperdiçam grandes volumes de água, tornando-se necessário uma medida de minimização
dessa perda, como o reuso dessa água. Desta forma grande quantidade de água potável pode
ser poupada e utilizada para outros fins que necessitam desse nível de qualidade, além de
diminuir o despejo de águas poluídas nos mananciais.

Assim, constatou-se que é possível a realização de um sistema de reuso de água para


lavagem de veículos, havendo uma redução na quantidade de água e diminuindo o volume de
efluente lançado.

O sistema de reuso proposto nesse trabalho é de tecnologia simples em relação à


manutenção e implantação, portanto torna-se fácil a instalação deste sistema em lava-jatos.
Contudo, é necessário redimensiona-lo de acordo com o tamanho da área do estabelecimento.

O reuso da água ainda é considerado de alto custo, e a água ainda é abundante e


barata. Mas isso irá mudar, pois a iminente escassez, somada à futura cobrança pela captação
de água e liberação de efluentes nas bacias hidrográficas, vem introduzindo novas prioridades
nas indústrias e outros estabelecimentos, entre eles o lava-jato.
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REFERÊNCIAS

ADEODATO, Sérgio. Poluição e desperdício reduzem a água disponível no Brasil.


Disponível em:
<http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_345578.shtml>. Acesso
em: nov. 2009.

CUNHA, Vanessa Dias. Estudo para a proposta de critérios de qualidade da água para
reuso urbano. 2008. 94 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo, São Paulo.

MANCUSO, Pedro C. S.; SANTOS, Hilton F. Reuso de Água. São Paulo: Manole, 2003.
550 p.

REBOUÇAS, Aldo da Cunha. Água no Brasil: abundância, desperdício e escassez.


Disponível em: <http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/cd17/abundabras.pdf>. Acesso em: 6 out.
2010.

SEBRAE. Experiência Sebrae com implantação de gestão ambiental em micro e


pequenas empresas. Brasília: SEBRAE, 2004. 76 p.

SETTI, M. do C. B. de C.S. Reuso de água: condições de contorno. 1995. Dissertação


(Mestrado em Engenharia Civil) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

TEIXEIRA, Priscila da Cunha. Emprego da filtração por ar dissolvido no tratamento de


efluentes da lavagem de veículos visando a reciclagem de água. 2003. 199 p. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Civil) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas.