Você está na página 1de 22

Candidíase Vaginal

Identificação
● MPCO

● Feminino

● 43 anos
Subjetivo
Paciente queixa que apresenta há mais de mês um corrimento,
tipo leite talhado sem odor, associado a bastante prurido. “Coça
tanto que chega a sangrar”. Já fez uso de pomadas e medicações,
porém não lembra o nome, no ano passado chegou a fazer o
tratamento quatro vezes. Conta que após o uso de medicação
ficou bem algumas semanas, mas os sintomas acabaram
voltando. Traz um resultado de mamografia e se mostra
preocupada, sua irmã de 48 anos está em tratamento para câncer
de mama, está em um estágio avançado, “que nem adianta mais
fazer a cirurgia, porque já atingiu o osso”. Nega doenças. Usando
apenas anticoncepcional injetável.
Objetivo
● DUM: 10/03/2018

● G2 P2 A0 - Última gestação em 2015

● Mamografia (18/09/2017): sem alterações. BIRADS 1.

● Exame físico ginecológico:


○ Vulva: grandes e pequenos lábios hiperemiados.
○ Exame especular: Parede da mucosa vaginal hiperemiada.
Presença de secreção esbranquiçada tipo leite talhado. Colo
uterino grosso, mediano, hiperemiado, OE puntiforme.
○ Indolor a mobilização do colo.
Avaliação
● Corrimento vaginal sugestivo de candidíase recorrente

● Medo de câncer de mama

● Irmã com câncer de mama estágio avançado.


Plano
● Orientações sobre cuidados de higiene.

● Prescrevo: Miconazol pomada aplicar na vagina por 7 dias e


Fluconazol 1cp por semana durante 6 meses.

● Explico detalhadamente o resultado da mamografia.

● Abordo o medo da paciente.


Candidíase
Candidíase
● Candida é considerada parte normal da flora vaginal, mas seu
aumento excessivo e a penetração nas células epiteliais podem
resultar em vulvovaginite.

● Não é considerada infecção sexualmente transmissível.

● Sua prevalência é maior em mulheres em idade fértil, sendo pouco


frequente na pós-menopausa, exceto em mulheres em uso de
estrogênio

● Grande parte dos casos de candidíase é esporádica e não tem


nenhum fator predisponente ou precipitante identificado.
● No entanto, vários fatores de risco estão associados ao aumento na
incidência de candidíase e, nessas mulheres, deve-se ter maior
suspeição do diagnóstico.

FATORES DE RISCO PARA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL

Diabetes melito (DM) Mulheres com controle glicêmico inadequado.

Uso de antibióticos Até um terço das mulheres desenvolvem candidíase após antibioticoterapia
sistêmica.

Níveis aumentados de Uso de contraceptivos hormonais (especialmente com doses mais altas de
estrogênio estrogênio), gestantes ou terapia de reposição com estrogênio.

Imunossupressão Terapia de imunossupressão com corticosteroides e outros fármacos ou


infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Fatores comportamentais Candidíase é mais frequente em mulheres com atividade sexual regular.
● Sintomas:
○ prurido vulvar,
○ eritema,
○ ardência e sensibilidade vulvar,
○ disúria e dispareunia.

● Ao exame físico:
○ eritema vulvar, ocasionalmente associado a escoriações e até
mesmo fissuras.
○ leucorreia como características clássicas uma aparência
branco-grumosa, espessa e aderida à parede vaginal, muitas
vezes descrita como aspecto de leite coalhado, e a ausência de
odor.
Candidíase

Secreção grumosa em parede vaginal e colo uterino

Hiperemia Vulvar e lesões satélites


Vaginose Bacteriana
Tricomoníase
Cervicite

Corrimento mucopurulento e o colo friável Disúria, dispareunia e sinusiorragia


Mucorréia
● Diagnóstico:
○ presuntivo a partir da apresentação clássica;
○ confirmação se dá através da presença de hifas ou de micélios e
esporos de levedura na microscopia a fresco;
○ porém, em até metade dos casos, a microscopia pode ser
negativa.
○ a avaliação do pH pode ser útil para sua diferenciação da
vaginose bacteriana e da tricomoníase, estando abaixo de 4,5
nos casos de candidíase.
○ a cultura exceto em casos selecionados, especialmente nas
mulheres com sintomas persistentes ou recorrentes, pois,
nesses casos, o patógeno pode ser uma Candida não albicans
resistente a imidazólicos.
TRATAMENTOS DE CANDIDÍASE NÃO COMPLICADA

Via Indicação/Posologia

VO ● fluconazol 150mg, em DU.


● itraconazol 200mg, de 12 em 12 horas, por um dia.

Via vaginal* ● miconazol creme a 2%, um aplicador (5g) ao se deitar, por sete dias.
● clotrimazol creme a 1%, um aplicador (5g), uma vez ao dia, por sete dias;
ou
● óvulo de 100mg em aplicação única.
● tioconazol creme a 6%, um aplicador (5g) ao deitar-se, por sete dias;
ou
● óvulo de 300mg em aplicação única.

* O tratamento da candidíase com nistatina por via vaginal deve ser evitado, em decorrência da grande
resistência a esse tratamento.
TRATAMENTO DE CANDIDÍASE COMPLICADA

Sintomas intensos ● Duas doses de fluconazol 150mg, por VO, com intervalo de três dias entre as
de candidíase doses

Candidíase ● ácido bórico (600mg em cápsula) intravaginal, diariamente, à noite, por 14


complicada dias;
(Candida glabrata) ou
● flucitosina em creme vaginal, diariamente, à noite, também por 14 dias
*medicação manipulada

Candidíase ● três doses iniciais de fluconazol 150mg, com intervalo de três dias entre elas,
recorrente seguidas de uma dose semanal de fluconazol 150mg, por seis meses;
ou
● itraconazol 400mg, dose mensal, por seis meses.
Tratamento de candidíase em gestantes

Via Indicação/Posologia

Vaginal ● miconazol creme a 2%, um aplicador (5g) ao se deitar, por sete dias.
● clotrimazol creme a 1%, um aplicador (5g), uma vez ao dia, por sete dias.

Oral ● contraindicado durante toda a gestação, por causa da possível associação


com malformações congênitas.

● Orientações:
○ dar preferência ao uso de roupas íntimas de algodão;
○ evitar roupas apertadas;
○ retirar roupa íntima para dormir.

● Não há benefício em tratar parceiro de mulher com candidíase.

● Não existe indicação de rastreamento de infecções sexualmente


transmissíveis nessas mulheres e em seus parceiros.
Voltando ao caso
● Sempre que possível fazer o exame físico.

● Lembrar de investigar os fatores de risco.

● Pensar em troca do método anticoncepcional.

● Lembrar que o diagnóstico de candidíase é presumível.

● A avaliação do pH pode ser útil para diagnóstico diferencial.

● Caso não resolva com a medicação prescrita, fazer cultura.


Referências
Plá ALB, Soares JO. Abordagem da pessoa com corrimento
vaginal em atenção primária à saúde. In: Sociedade Brasileira de
Medicina de Família e Comunidade; Augusto DK, Umpierre RN,
organizadores. PROMEF Programa de Atualização em Medicina
da Família e Comunidade: Ciclo 11. Porto Alegre: Artmed
Panamericana; 2016. p.31-50. (Sistema de Educação Continuada
a Distância, v. 2).
Obrigada !!!