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TRABALHO DE ANTROPOLOGIA DA ARTE SOBRE

ANTIGAS BANDAS DE BAILE DE SANTARÉM


BREVE HISTÓRICO DA BANDA “JET SOM”

Docente: Luciana França


Discentes: Francisco Edison de Sousa
Jéssica de Miranda Matos
Data: 13/09/2018
BREVE HISTÓRICO DA BANDA “JET-SOM”

Santarém é uma cidade musical, terra de grandes músicos como o


maestro Wilson Fonseca e seu irmão Wildes Fonseca, Sebastião Tapajós,
mestre Moacir, Chico Malta, Maria Lídia, entre outros...

Muitas bandas de baile fizeram história e se destacaram em Santarém,


entre elas Os Hippies, Banda Tapajoara, Quinta Dimensão, Jet Som, entre
outras...

Falaremos sobre a Banda JET SOM, idealizada por Laurimar Queiroz,


através de entrevista concedida muito gentilmente via WhatsApp por seu filho,
Nédson Queiroz, que herdou o talento do pai e hoje é baterista profissional,
atuando em Belém.

Não podemos falar da JET SOM, sem começarmos pela fantástica história
de seu fundador, o músico Laurimar Queiróz, que certamente merece ser
contada em um livro, de tão fascinante que é.

Nascido no interior de Santarém, hoje praticamente um bairro de nossa


cidade, em São Braz, Laurimar mudou-se para Santarém ainda jovem em busca
de emprego, isso era na década de quarenta, nessa época a Radio Rural
organizou uma companhia de teatro com orquestra que continha números
musicais, logo Laurimar entrou para a companhia com um sonho de tocar
bateria, daí começou sua paixão pela música.

Já na década seguinte, uma companhia de teatro vinda em um navio de


Belém, indo para Manaus, passou por Santarém para fazer apresentações,
nessa ocasião viram Laurimar tocar e gostaram, foi quando o convidaram para
fazer parte da companhia, ele topou e viajou por sete anos pelo Brasil, viajando
de norte a sul, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e chegou a
morar por quatro anos em Recife, viajou também para a Bolívia, Uruguai,
Paraguai, sempre tocando com a companhia.

Ao voltar pra Santarém, já com bastante experiência, montou a Banda


LAURI E SEU CONJUNTO, em seguida com a parceria de Jorge Marcião,
Fernando Siroteau e Bazinho Siroteau, montou a KING ORQUESTRA.
No final da década de setenta, com o prêmio que ganhou na loteria
esportiva, foi até a zona franca de Manaus e adquiriu uma banda completa com
os mais modernos equipamentos da época, a banda SOM QUARENTA.

Nos anos oitenta mudou o nome para JET SOM, com seguinte formação:
Na bateria: Bacana, na guitarra solo: Fragoso, na guitarra base: Marcelo, nos
vocais; Marilene e Eudes. No teclado: Edson, no Baixo: Lucivaldo. Alguns desse
componentes ainda exercem a profissão de músicos em Santarém, como o
vocalista Eudes, que atua como seresteiro e se apresenta em clubes aqui na
cidade.

Seu filho caçula, Nedson Queiroz, chegou a tocar bateria na banda JET
SOM, no final dos anos noventa, já em sua formação final, hoje Nedson Queiroz
é baterista profissional e atua em Belém.

Foto da primeira formação da banda JET SOM

FOTO: arquivo pessoal Nedson Queiroz

O Repertório contava com músicas de todos os estilos; Discoteca, Rock´n


Roll, Jovem Guarda, Forró, xote, Sertanejo e carimbo.

Se apresentavam em vários clubes de Santarém, como São Francisco,


São Raimundo, Fluminense, entre outros, além das cidades vizinhas como,
Itaituba, Monte Alegre, Óbidos, Prainha, Alenquer, Curuá, Mujui dos
Campos...Etc. Mas seu forte era tocar no interior de Santarém, como a Costa
do Tapará, a região do Lago Grande, Rio Arapiuns entre outros.

A banda JET SOM durou do início dos oitenta até o final dos anos noventa,
deixando o nome na história e na cultura de Santarém, graças ao esforço de seu
fundador, o visionário Laurimar Queiroz, que movido pelo amor à música e a
família, nunca mediu esforços para levar a cultura musical aos mais distantes
lugares da Amazônia, onde sabemos que as dificuldades de transporte sempre
foram e ainda são um grande obstáculo para qualquer ramo de atividade.

Nossos agradecimentos à esse grande visionário da cultura musical


santarena LAURIMAR QUEIROZ. ( in memoriam)

Entrevista com Nedson Queiroz (filho de Laurimar Queiroz: o


fundador do JET Som)
 Perguntas:

1- A Banda Jet Som durou quanto tempo?

2- Quais seus componentes originais?

3-Onde costumavam tocar?

4-Qual tipo de repertório

5- Tem algum componente ainda em atividade?

6- Fale sobre a influência que seu pai lhe seu como profissional de música.

“Como primeira formação foi essa ai, e essa formação foi que mais durou
agora não sei quanto tempo mas por que já viu né banda é um entra e sai danado
né...”

Mas aí tem na bateria o Bacana; na guitarra Fragoso; cantando Marilene


e Eudis; no teclado Edson e no baixo o Lucivaldo . Esse outro de guitarra base
que tá cantando, que está aparecendo ele cantando é o Marcelo ...

Onde eles tocavam era muito nos interiores muito muito muito nos
interiores tipo Costa do Tapará aquela região do Lago Grande aqueles interiores
todos, no Rio Arapiuns aqueles interiores todos, Jacamim, ai na cidade vizinha
Itaituba, Monte Alegre, qual é aquela outra Curuá, Alenquer, Prainha, Mojuí dos
Campos... Essa área ai todinha, que abrange ao redor de Santarém toda, eles
tocavam.

Aquelas músicas da Jovem Guarda também tenham muito tocavam muito.


O repertório eram músicas da época né , tipo discoteca, começo do sertanejo
naquela época, flashback, muito flashback, Rock aqueles rocks antigos, era o
repertório básico né, forró aqueles primeiros forró ainda aquele xote também
muito xote.

No caso o Bacana é o baterista eu não sei o nome dele, só conheço ele


como “bacana” desde que eu era moleque... Ah, lembrei o nome dele Osmar
Simoes uma figura muito ilustre de Santarém.

Agora o papai começou a vida dele os anos 40 e aí ele veio do interior né


do interiozinho lá em São Brás no meio do mato ali de quem vai pra Alter do
Chão. Ele foi para Santarém... Mora na casa da irmã dele que é lá na Barão
canto com a Borges Leal que ela mora ainda até hoje ainda tem 85 anos se eu
não me engano a tia Olinda - irmã dele-, Então ele foi para lá e o sonho dele era
trabalha algo né só que ele acabou entrando em orquestra, antigamente não era
conjunto e muito menos banda era orquestra, aí orquestra como todo, entendeu?
Era atores... Ai tinha companhia de teatro, tinha peças teatrais, aquela coisa
toda, entendeu? Rolava muito teatro. Ai o papai entrou numa companhia de
teatro que se tinha em Santarém organizada pelo pessoal da Rural quando
começou também a Radio Rural, ixe foi uma história de antiga mais ou menos
por volta dos anos 50 eu acho era o Osvaldo de Andrade que fazia isso tinha
mais o outro que chamava de chacrinha pra ele.

Componente em atividade é esse cantor ainda é vivo ele ainda faz ele faz
seresta né participações em Santarém, deixa eu ver quem mais... o Marcelo ele
faz muita também ele faz com aquele outro violonista conhecido Moacir também
faz muita seresta em Santarém no Fluminense nesse locais que tem ai em
Santarém que faz muita seresta. O Edson: Nunca mais ouvi falar nele, o
tecladista, mas me disseram que ele está em Itaituba. Esse Lucivaldo já é
evangélico a muito tempo ele ainda está em Santarém deve tocar na igreja. Essa
Marilena Paraná eu já ouvi um comentário, guitarrista solo, o Fragoso, ele morreu
e esse Bacana ele sumiu nunca mais ouvi falar nele.

Ele era Chacrinha da época, dá oportunidade aquela coisa toda... Era tipo
um programa, acontecia muito lá na praça Sebastião. Então o papai foi se
encaixando com esse pessoal ai e o sonho dele era tocar bateria, ele sempre
quis toca bateria, mas nunca tinha visto uma bateria na vida dele, Aí veio uma
companhia de teatro, como eu falo, tava rodando o Brasil todo veio de Belém e
de Belém pra Santarém e de Santarém para Manaus na época de navios só
andava de navios aqueles navios grandes, então gostaram viram o papai
tocando gostaram e levaram ele. Com isso papai passou sete anos fora... Da
família, fora de Santarém.

Aí o papai rodou o Brasil todo com essa companhia de teatro foi pro Rio
de Janeiro, São Paulo, morou em Recife ele passou 4 anos Recife, foi para a
Bolívia, Paraguai, Uruguai, foi para o sul do Brasil, para o Nordeste, Fortaleza,
Mato Grosso... tudo com essa companhia de teatro, sabe.

E aí quando ele voltou para Santarém ele já voltou um super super


profissional e aí ele voltou já moderno porque ele foi buscar modernidade pra
fora pra Santarém que era uma cidade que tava se evoluindo ainda na época de
40, 30, 50 no caso, da música aí ele veio com uma bateria, veio com
equipamento bom e começou a fazer um uma companhia também uma
companhia de Teatro pra botar música dança e tudo, foi quando ele conheceu
minha mãe nessa época gostou da mamãe na época achou ela bonita quis
colocar ela como dançarina aquela história toda e a mamãe já estava vindo de
Bragança pra Santarém ai eles acabaram casando né, aí era para o pai voltar
com essa companhia de teatro novo, eles iam passar de navio de novo para o
papai, pois ele veio só a passeio para ver a família porque estava muito tempo
longe.

E quando o papai voltou e aí se encantou com a mãe e aí ficou com ela e


não quis mas ir embora, abandonou tudo pra ficar com ela. Aí, resumindo, ele
formou com essa banda se chamava a primeira banda que ele formou, era
“conjunto" Lauri e seu Conjunto porque seu nome era Laurimar mas só
chamavam ele de Lauri ai ficou “Lauri e Seu Conjunto”.
Aí depois ele se juntou com Jorge Macião, se juntou com o Fernando
Sirotheu, se juntou com o Bazinho Sirotheu Só da família Sirotheu. Ai fez o King
Orquestra. Outra banda era outro nome também que papai formou.

Veio o Oscar Pantoja não sei nem se ele é vivo ainda - cantou muita
seresta-, ele também como cantor da época aí depois veio o Juca acho que ele
está vivo até hoje há 8 anos quando eu fui em Santarém falei com ele aí tava
bem velho aí foi vindo os músicos de Santarém. Foi aparecendo

Essa formação (Jet som) eu não lembro cara, lembro que tinha um tal de
Dominó que ele falava que era muito amigo dele um negro que veio de Recife
que tocava tudo quanto era tipo de instrumentos. Antigamente, não era uma
banda completa, era só assim metade de uma banda, só pra faz um barulho e
tinha um tal de Paulo Bolero que de Santarém também muito conhecido e um tal
de banzeiro também.

E quando chega na década de 80 não 80 não era 70 foi quando papai


ganhou na famosa loteria hoje é mega sena é a loteria esportiva Papai ganhou
milhões de milhões de cruzeiros Ele foi embora pra Manaus que tava surgindo a
zona franca de Manaus que era o maior sucesso na década de 70 todo mundo
indo pra lá trabalha todo brasileiro tava indo pra la e ele comprou o equipamento
tudo de primeira da época. Tudo à vista lá em Manaus. Comprou a bateria, o
teclado, caixa de som, Guitarra, pedaleira, tudo que era moderno... Ele comprou
ai ele formou “Som 40” foi quando surgiu “Som 40” na década de70.

Os milhões de cruzeiros ganhou na época ai ele comprou aquela casa lá


na Barão. Comprou aquela casa comprou uma Kombi que era o maior sucesso,
comprou um Fusca. E aí foi embora, anos 80 surgiu “Jet-som” e mudou de nome
de novo.

Inclusive eu ainda toquei com dezessete anos fui o baterista dele passei
ainda uns oito meses, nove meses sendo baterista dele. Foi quando aconteceu
aquele problema com meu irmão mais velho que sumiu até hoje não apareceu.
Não voltou. Ai papai sofreu a doença de Mal de Parkinson devido ao choque que
ataca o sistema nervoso. Ele lutou por 18 anos contra essa doença e acabou
falecendo aqui em Belém.
O som 40 a formação eu lembro de uma delas eu lembro Oscar Pantoja,
Antônio Von, Moacyr Franco, Sebastião Tapajós passou rápido, bateria era o
papai mesmo, tecladista não existia, naquela época o baixista do Fernando e
Sirotheu e o Bazinho Sirotheu era o saxofonista.

Fotos:

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