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Equação de Dirac e o Átomo de Hidrogênio

Rodrigo Andrade e Silva

Mecânica Quântica 2

Introdução

A equação de Dirac fornece o análogo da equação de Schrodinger para uma mecânica quan-
tica relativistica, isto é, uma equação diferencial covariante (no espaço-tempo de Minkowski)
que descreve os estados quânticos de uma partı́cula. Neste texto a equação de Dirac será in-
troduzida, mas a enfase será dada em alguns de seus resultados ao inves das suas motivações.
Como uma simples aplicação, mostrarei como o conceito de spin 1/2 surge naturalmente desta
equação, e como o fator giromagnético pode ser diretamente obtido quando consideramos a
presença de um campo eletromagnético. Por fim, e mais importante, desenvolverei a solução
exata (dentro de algumas hipóteses) para um atomo hidrogenóide, e assim poderemos comparar
os niveis de energia exatos com os niveis obtidos atraves de teoria de perturbação, no limite
pouco relativistico.

Equação de Dirac

Na mecanica classica a energia de uma particula livre, com massa m e momento linear p~ é
simplesmente

p2
E= (1)
2m
o que se traduz num hamiltoniano quântico (operador hermitiano atuando no espaço de Hilbert
dos estados quanticos),

P2
H= (2)
2m
sendo P o operador (vetorial) momento linear, que na representação de posição fica
~
P = ∇ (3)
i
e H, pela equação de Schrodinger,

H = i~ (4)
∂t
Desta maneira, se H atuar num autoestado do momento linear, ele retornará uma energia
dada pela relação de disperção classica, dada na equação (1). No caso relativistico devemos

1
modificar a equação de Schrodinger para torna-la covariante e para que ela forneça a relação
de dispersão relativistica,

E 2 = p2 c2 + m2 c4 (5)
A equação de Klein-Gordon foi uma tentativa de se fazer isto, simplesmente substituindo
E por H, dado em (4), e p por P , dado em (3). Assim obtemos uma equação hiperbólica de
segunda ordem que, em coordenadas inerciais, fica

∂µ ∂ µ + m2 Ψ(~x, t) = 0
 
(6)
Na equação acima foi usado um sistema de unidades em que c = ~ = 1. Este sistema de
unidades será adotado ao longo de todo o texto, a partir daqui. Também consideraremos a
assinatura da metrica como (+, −, −, −).
Um dos problemas da equação de Klein-Gordon é que a quantidade conservada (isto é,
que satisfaz a equação de continuidade) não é necessariamente positiva, o que torna dificil
de interpreta-la como densidade de probabilidade, como se faz na mecanica quantica não-
relativistica. Também podemos notar que esta equação depende da segunda derivada temporal,
e especificar o estado quantico numa dada seção espacial não é suficiente para saber como ele
evolui no tempo, o que é essencialmente diferente do caso não relativistico.
Dirac então buscou uma equação de primeira ordem no tempo, covariante, que satisfizesse
a relação de dispersão relativistica para partı́culas livres e que possuisse uma quantidade con-
servada positivo-definida. Vamos tentar algo da forma,

[iγ µ ∂µ − m] Ψ(~x, t) = 0 (7)


em que os objetos γ µ e m devem ser determinados. Supondo que m comute ∂µ (ou seja, m
é um objeto independente das coordenadas), e atuando com −iγ ν ∂ν − m na equação acima,
obtemos,
 ν
γ ∂ν γ µ ∂µ + m2 Ψ(~x, t) = 0

(8)
que é extramamente semelhante à equação de Klein-Gordon, se m for identificada com a massa
da particula. Mas sabemos que a equação de Klein-Gordon satisfaz a relação de dispersão
relativistica, então, supondo que γ µ comuta com a derivada, e impondo que γ ν γ µ ∂ν ∂µ = ∂µ ∂ µ ,
temos que
1 ν µ
(γ γ + γ µ γ ν ) = η µν (9)
2
sendo ηµν = diag(1, −1, −1, −1) a metrica de Minkowski.
Da equação acima então obtemos,

(γ µ )2 = ±1 (10)
sendo que o sinal + se aplica para o caso µ = 0 e o − para os outros. e também,

γ ν γ µ = −γ µ γ ν (11)

e com esta relação vemos que γ µ não podem ser numeros complexos, pois eles não comutam.
De fato, se estes objetos puderem ser realizados com matrizes, então elas teriam traço nulo,
já que tr(γ µ ) = ±tr(γ ν γ ν γ µ ) = ±tr(γ ν γ µ γ ν ) = ∓tr(γ µ γ ν γ ν ) = −tr(γ µ ) = 0. Portanto estes

2
γ µ também não poderiam ser realizados por matrizes bidimensionais, uma vez que matrizes
2x2 de traço nulo cobrem um espaço tridimencional apenas. A primeira realização possivel é
com matrizes quadridimensionais. Neste caso, Ψ pode ser pensado como um vetor coluna de 4
componentes, e m seria m1, sendo 1 a matriz identidade (mas isto será omitido).
Usando as definições usuais do hamiltoniano e do momento, dadas em (4) e (3), podemos
reescrever a equação de Dirac como

γ µ pµ − m = 0 (12)
ou, alternativamente, multiplicando esta equação por γ 0 ,

H=α ~ · p~ + βm (13)
sendo αi = γ 0 γ i e β = γ 0 . Note que este conjunto de matrizes é completamente equivalente
ao conjunto γ µ . Para que o hamiltoniano acima seja hermitiano, α ~ e β também devem ser e
podemos escolhe-los como,
 
0 ~σ
α
~= (14)
~σ 0
e  
1 0
β~ = (15)
0 −1
sendo que cada entrada das matrizes acima são matrizes 2x2, com os ~σ indicando as matrizes
de Pauli. Pode-se verificar que os γ µ correspondentes satisfazem as equações (10) e (11).
Antes de terminar esta seção introdutória, vale citar que a quantidade Ψ† Ψ satisfaz a equação
da continuidade e é claramente positiva, podendo ser naturalmente interpretada como densidade
de probabilidade1 .
Particula Livre
Para entender o significado das componentes da função de onda vamos considerar uma
µ
solução do tipo onda plana para uma particula livre, isto é, proporcional a e−ip xµ . Note que
aqui pµ é um 4-vetor comum, e não um operador. Por simplicidade, consideremos que o seu
momento está na direção ẑ, ou seja, sua função de onda é proporcional a e−i(Et−pz) . A equação
para as auto energias então fica
   
  ψ1 ψ1
m pσz   ψ2  = E  ψ2 
  
(16)
pσz −m  ψ3   ψ3 
ψ4 ψ4
e podemos ver que sóp há acoplamento entre as componentes ψ1 e ψ3 ou ψ2 e ψ4 . As auto-
energias são E = ± p2 + m2 , ou seja, consistentes com a relação de dispersão relativistica,
mas há possibilidade de estados com energia negativa.
Para energia positiva podemos ter uma superposição dos estados,

1 0
   
 0  +  1 
u+ R =  √ p

,u = 
 L  0

 (17)
p2 +m2 +m −p

0 p2 +m2 +m
1
A 4-corrente associada é j µ = Ψ† γ 0 γ µ Ψ e satisfaz ∂µ j µ = 0.

3
e para energia negativa temos algo similar,
 √ −p
0
  
p2 +m2 +m
 −  √2 p 2
u− 0
 
=  , u =  p +m +m  (18)
R L
 1   0 
0 1

Podemos observar que no limite pouco relativistico (p  m) a função de onda para energia
positiva é praticamente apenas constituida das duas componentes superiores. Podemos pensar
no spinor Ψ como tendo as duas primeiras componentes associadas a uma função de onda
de energia positiva e as duas ultimas componentes associadas a energia negativa. Isto não é
perfeitamente verdade pois, como vimos, sempre há um acoplamento da parte superior e inferior
de Ψ. Este aspecto dos autoestados da equação de Dirac leva à ideia de anti-particulas: uma
anti-particula é um buraco no mar de particulas de energia negativa.

Particula num Campo Eletromagnético

Da mesma maneira que se faz em mecanica quantica não-relativistica, em que se obtem o


hamiltoniano classico e então o promove para operadoes, podemos fazer aqui. Se há um campo
eletromagnetico caracterizado pelo 4-potencial Aµ , então o hamiltoniano de uma particula de
carga e é obtido pela substituição pµ → pµ − eAµ , ou seja,

H − eφ = α ~ + βm
~ · (~p − eA) (19)
Como eφ é proporcional à identidade, as auto-energias deste hamiltoniano são
~
  +   + 
m ~σ · (~p − eA) ψ ψ
− = (E − eφ) (20)
~
~σ · (~p − eA) −m ψ ψ−
onde ψ + e ψ − são spinores de dimensão dois.
No limite pouco relativisticos, para energias positivas, E ≈ m, de modo que uma das
~ + ≈ 2mψ − , e a outra fica
equações fica ~σ · (~p − eA)ψ

" #
~ 2
(~σ · (~p − eA)) ~ 2
(~p − eA) i~σ  
+
ψ = + ~ × (~p − eA)
· (~p − eA) ~ ψ + ≈ (E − eφ − m)ψ + (21)
2m 2m 2m

~ × (~p − eA)ψ
com um calculo bastante simples podemos mostrar que (~p − eA) ~ = ie(∇ × A)ψ
~ =
~
ieBψ, de modo que
" #
~ 2
(~p − eA)
m+ −µ ~ + eφ ψ + = Eψ +
~ ·B (22)
2m
sendo µ
~ = (e~/2m)~σ .
Portanto, a menos da massa de repouso, este é exatamente o hamiltoniano que se obteria
na mecanica quântica não relativistica. Além disto, observamos que S~ = (~/2)~σ atua em ψ +
exatamente como o operador de spin, então reescrevendo a expressão para o momento magnético
e ~
µ
~ =g S (23)
2m

4
com g = 2. Ou seja, o fator g de Landé surge naturalmente das equações.
Este exemplo então ilustra de maneira bastante clara o surgimento do spin 1/2, diretamente
da equação de Dirac.

Particula num Potencial Central

Considere uma partı́cula num campo eletrico estático, então existe um referencial no qual
~
A = 0, e neste sistema de coordenadas o hamiltoniano discutido acima fica H = α ~ · p~ + βm +
eφ(~x). Conforme sugerido por esta expressão, vamos considerar uma particula sob efeito de
uma interação tal que em algum sistema de coordenadas possamos escrever

~ · p~ + βm + V (~x)
H=α (24)
sendo que V faz o papel de uma energia potencial. Vale ressaltar que esta expressão só possui
esta aparência num referencial particular, como pode ser visto no caso eletromagnético (em
qualquer outro referencial a particula sentirá também um campo magnético, além do elétrico).
Vamos supor que V é esfericamente simétrico em relação a origem2 , na esperança que
possamos encontrar algumas quantidades conservadas, isto é, operadores que comutem com
o hamiltoniano. Podemos esperar que o momento angular total e o operador paridade sejam
fortes candidatos.
Primeiro notamos que o momento angular orbital L ~ = ~x × p~ obviamente comuta com V ,
~
pois L só atua nas coordenadas angulares, e com mβ, pois β = γ 0 comuta tanto com ~x quanto
com p~ = −i∇. Então [H, Li ] = [~α · p~, Li ], que é ijk αl [pl , xj ]pk = −iijk αj pk , sendo que somas
(de 1 a 3) estão subentendidas nos indices repetidos.
Defina agora o operador de spin S ~ como
 
~ ~ ~σ 0
S= (25)
2 0 ~σ
Então, S claramente comuta com V e mβ, de modo que [H, Si ] = [~ α · p~, Si ] = iijk αj pk .
~ ~ ~
Portanto temos que J = L + S comuta com H.
Segundo, como V automaticamente terá simetria de inversão pela origem, esperamos que
os autoestados desse hamiltoniano também possua essa simetria. Deve existir então algum
operador associado a esta simetria, que portanto comute com o hamiltoniano. Seja Π o operador
de inversão espacial, que troca ~x → −~x. Consequentemente Π~p = −~pΠ, e portanto Π não
comuta com o hamiltoniano. Suponha que exista um operador U , que comute com ~x e p~, e tal
que ΠU comute com o hamiltoniano. Então U deve ser tal que ele não afetará o termo com V ,
deve comutar com β e deve anticomutar com α. Pedindo algumas propriedades interessantes ao
operador de paridade, como o fato de ele ser igual ao seu proprio inverso, temos que o próprio
β satisfaz estes requerimentos. Portanto Πβ também comuta com o hamiltoniano.
Desta maneira, existe uma base de autoestados do hamiltoniano que também são simultane-
amente autovetores do momento angular numa dada direção Jz , do momento angular quadrado
J 2 e do operador paridade Πβ. Então escrevendo Ψ como um vetor composto por dois spinores,
 + 
ψ (~x)
Ψ(~x) = (26)
ψ − (~x)
2
V (~x) = V (|~x|)

5
e impondo que ele é autoestado do operador paridade (que só possui autovalores ±1), temos
 +   + 
ψ (−~x) ψ (~x)
=± (27)
−ψ − (−~x) ψ − (~x)

então, em cada caso, ψ + e φ− tem paridade bem definida. Impondo que eles também são
autovetores de Jz e J 2 eles devem ser spinores do tipo |j, m; l, 1/2i, que podem ser escritos em
termos de produtos tensoriais de kets associados ao momento orbital |l, ml i e kets de spin |±i.
Os primeiros kets são harmonicos esféricos na representação de coordenadas e os segundos são
spinores (1 0)T ou (0 1)T . Temos

" r r #
1 1 1
|l±1/2, M i = √ ± l ± M + |l, 1/2; M − 1/2, +i + l ∓ M + |l, 1/2; M + 1/2, −i
2l + 1 2 2
(28)
que em notação spinorial fica,
 q 
1 m−1/2
j=l±1/2,m 1 ± l ± M + 2 Yl (θ, φ)
Υl =√  q
m+1/2
 (29)
2l + 1 l ∓ M + 21 Yl (θ, φ)

Desta maneira, a solução para Ψ deve ter o formato


!
u(r)Υj,m
l∓1/2 (θ, φ)
Ψ(~x) = (30)
−iv(r)Υj,m
l±1/2 (θ, φ)

A equação de Dirac para este problema então resulta,

(E − m − V (r)) ψ + (~x) − (~σ · p~)ψ − (~x) = 0 (31)


(E + m − V (r)) ψ − (~x) − (~σ · p~)ψ + (~x) = 0 (32)
Investigando o termo com a matriz de Pauli,
" #
1 ~
L
~σ · p~ = 2 (~σ · ~x)(~σ · ~x)(~σ · p~) = (~σ · r̂) r̂ · p~ + i~σ · (33)
r r
~ = 2S
E vemos que r̂ · p~ = −i∂/∂r atua apenas na parte radial, ~σ · L ~ ·L
~ = J 2 − L2 − S 2 não
atua na parte radial,
 
~ j,m 3
(~σ · L)Υl = j(j + 1) − l(l + 1) − Υj,m
l (34)
4
mas no nosso caso há apenas duas possibilidades: l = j + 1/2 ou l = j − 1/2 e temos que o
autovalor na equação acima pode ser −(λ + 1) ou (λ − 1), respectivamente, sendo λ = j + 1/2.
Por fim calculamos o efeito de ~σ · r̂, que não atua na parte radial,
 
cos θ e−iφ sin θ
(~σ · r̂)Υj,m
j±1/2 (θ, φ) =
 eiφ sin θ  Υj,m (θ, φ) = −Υj,m (θ, φ)
j±1/2 j∓1/2 (35)
− cos θ
Aplicando isto às equações (31) e (32) obtemos

6
 
d ±λ + 1
(E − m − V (r)) u(r) − + v(r) = 0 (36)
dr r
 
d ±λ − 1
(E + m − V (r)) v(r) − − u(r) = 0 (37)
dr r
sendo que o sinal ± que aparece nestas equações vem dos autovalores do operado de paridade,
mais especificamente da equação (27).
Vamos agora considerar um átomo hidrogenoide, com Z protons no nucleo e apenas um
elétron. Supondo que o nucleo seja muito mais pesado que o eletron de modo que possamos
tratar o problema como o de um elétron sob efeito do potencial central
Ze2
V (r) = − (38)
r
Vamos introduzir os parametros adimensionais
E
= (39)
m
x = mr (40)

e a constante de estrutura fina α = e2 ≈ 1/137, de modo que as equações (36) e (37) fiquem
   
Zα d ±λ + 1
−1+ u(x) − + v(r) = 0 (41)
x dx x
   
Zα d ±λ − 1
+1+ v(x) − − u(r) = 0 (42)
x dx x
Aproximando a solução no infinito (x  1), obtemos

1−2 x
u(x) ∝ v(x) ∝ e− (43)

que é uma exponencial decrescente3 .


Propomos então soluções do tipo de Frobenius, mas evidenciando este carater no infinito,
√ X
2
u(x) = e− 1− x xη ak x k (44)
k≥0

e analogamente para v(x), mas com coeficientes b, ao invés de a. Tentaremos encontrar uma
solução assumindo que possamos usar o mesmo η em ambas as expressões.
O termos de menor ordem em x fornecem as equações,

Zαa0 − (η + λ + 1)b0 = 0 (45)


(η − λ + 1)a0 + Zαb0 = 0 (46)
sendo que o sinal ± foi embutido no λ.
Para as outras ordens,

(1 − )ak−1 − Zαak − 1 − 2 bk−1 + (λ + 1 + η + k)bk = 0 (47)
3
Note que como estamos procurando estados ligados, E < m, o que implica  < 1.

7

(1 + )ak−1 + Zαbk − 1 − 2 ak−1 − (λ − 1 − η − k)ak = 0 (48)
então vemos que nãp pode ocorrer a0 = b0 = 0, pois senão todos os coeficientes serão nulos.
Deste modo, devemos impor que o sistema de equações (45) e (46) admite soluções não-triviais,
ou seja, seu determinante é nulo. Isto corresponde a uma equação do segundo grau para η, cuja
solução é
p
η = −1 ± λ2 − (Zα)2 (49)
note que o sinal de λ não faz diferença nesta expressão. Supondo que (Zα)2 é pequeno (bem
menor que 1), e lembrando que λ é maior que 1/2, devemos sempre pegar o caso +, para que a
função de onda não exploda de uma maneira não-normalizael na origem, isto é, queremos que a
função não cresça mais rapidamente que 1/r. Se (Zα) ∼ 1 então η poderia ser complexo, mas
nesse regime o campo elétrico poderia ser grande o suficiente para tornar provavél criação de
pares eletron-positron, o que fugiria da equação de Dirac, então não devemos confiar no nosso
resultado neste regime.
A partir das relações de recorrencia (47) e (48) podemos obter a razão entre os coeficientes
a e b,
√ √
bk Zα 1 +  + (λ − 1 − η − k) 1 − 
= √ √ (50)
ak Zα 1 −  + (λ + 1 + η + k) 1 + 
e para k muito grandes, temos ak /ak−1 ∼ 1, o que caracteriza um crescimento exponencial e,
portanto, não normalizavél. Como de costume, devemos truncar as series. Supondo que para
algum n0 tenhamos an0 +1 = bn0 +1 = 0, então

(1 − )an0 − 1 − 2 bn0 = 0 (51)

(1 + )bn0 − 1 − 2 an0 = 0 (52)
como o determinante destas equações já é automaticamente nulo, elas fornecem a razão bn0 /an0 .
Comparando com (50) obtemos

(1 + η + n0 ) 1 − 2 = Zα (53)
e podemos resolver para , que já determina as autoenergias E,

mc2
E=r (54)
(Zα)2
1 + √ 2
(j+1/2)2 −(Zα)2 +n0

E vemos que esta energia depende de n0 e j, apenas. Isto é capaz de explicar a estrutura
fina do atomo de hidrogenio, mas não a hiperfina. Por exemplo, os niveis 2s1/2 e 2p1/2 possuem
a mesma energia de acordo com a expressão acima, já que possuem o mesmo numero quantico
principal e mesmo momento angular total j = 1/2. No entanto sabemos que estes niveis se
degeneram devido ao Lamb shift. É esperado que não tenhamos obtido isto, já que despresamos
qualquer outro efeito do nucleo, fora o eletrotático, e portanto perdemos no nosso modelo a
interação spin-spin, do nucleo com o eletron. Alem disto também tem as limitações da propria
equação de Dirac, que não leva em conta, pelo menos não nesta nossa descrição, a criação de
pares particulas-antiparticulas: nós consideramos o eletron como a unica particula relevante do
nosso universo.

8
Conclusão

Neste trabalho então foram discutidas as ideias básicas da equação de Dirac, bem como al-
guns de seus resultados mais imediatos. Interessantemente, estes resultados imediatos e comple-
tamente naturais foram, na realidade, extremante profundos, evidenciando a beleza da equação
de Dirac. Pudemos ver facilmente que ela prevê a existencia de antiparticulas, prevê a existen-
cia do spin (e fornece naturalmente o fator g de Landé para particulas de spin 1/2 interagindo
apenas com um campo eletromagnético) e também explica as correções finas para os niveis
de energia de atomos hidrogenóides. Portanto, apesar da teoria de Dirac ser incompleta e ser
necessario considerar teorias mais precisas, como teoria quantica de campos, ela se mostrou
demasiadamente elegante.

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