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ATIVIDADES PARA A DISCIPLINA DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS

ATIVIDADE I – Leia o texto: “Surdez, funções cognitivas e Libras”, de Rosimar Bortolini


Poker e responda as questões abaixo:

1. Como o autor explicita as dificuldades da criança surda no desenvolvimento da


linguagem, da fala, da formação de conceitos e na interação social? Qual o
papel da educação neste processo?
2. Por que o trabalho com as pessoas surdas não pode ser igual para todas? Quais
as principais diferenças apontadas pelo autor?
3. Explique as três abordagens que existem no Brasil para o trabalho com a
pessoa surda? Qual delas você defenderia? Por que?
4. Quando se deve trabalhar Libras com a pessoa surda?
5. Quais são as ações necessárias para o trabalho educativo com a pessoa surda?

ATIVIDADE II - Leia os três textos abaixo e responda as questões:

1. Comente a diversidade da língua de sinais.


2. Quais os instrumentos utilizados na língua de sinais?
3. Explique o movimento das mãos
4. Como devem ser utilizadas as expressões faciais e corporais?
5. Explique o que entendeu da estrutura gramatical e da formação de palavras.

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS I


(Texto elaborado por Thais Faria Nogueira – prof. UNIMES)

A língua de sinais foi produzida dentro das comunidades surdas de cada país e
devido a isso é considerada como um idioma. Cada país possui a sua forma de
linguagem de sinais que diferem de um país ao outro. A Língua de Sinais Americana
(ASL) difere, por exemplo, da Língua de Sinais Francesa (LSF) e assim ocorre com todos
os países. Há também as variações regionais dentro de um mesmo país, ou seja, uma
palavra pode ser sinalizada de uma forma em São Paulo e de outra forma no Rio de
Janeiro, assim como gírias.
A língua de sinais tem um caráter natural e vai sendo ensinada e modificada de
geração em geração.
Para que isso seja melhor explicado, vamos conhecer um pouco sobre as
variações linguísticas.
Pode ser considerada uma variação regional quando os sinais variam de
Pode ser considerada uma variação regional quando os sinais variam de uma região
para outra no mesmo país. Por exemplo, a palavra verde é simbolizada de formas
diferentes no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba.
É considerada variação social quando se varia a configuração das mãos e ou do
movimento, sem modificar o sentido do sinal. Por exemplo, na palavra conversar, a
mão receptora pode estar aberta ou fechada.
Os sinais também podem sofrer mudanças históricas, ou seja, com o passar dos
anos, um sinal pode sofrer alterações de acordo com as gerações.
Estes foram alguns exemplos das variações linguísticas em LIBRAS. Entendamos
agora alguns exemplos de iconicidade e arbitrariedade nos sinais.
Para praticar a língua de sinais utiliza-se gesto, visão e espaço. Devido a isso,
muitas pessoas pensam que a LIBRAS é uma representação fiel do referente, ou seja,
de que são desenhos no ar daquilo a que se refere. Mas não é sempre assim. Existem
sinais icônicos, ou seja, que reproduzem a imagem do referente ou que fazem alusão a
ele. Mas também existem os sinais arbitrários, que são aqueles que não mantêm
relação de semelhança alguma com o referente.
São exemplos de sinais icônicos: avião, borboleta, árvore, livro, casa, telefone.
Estes sinais se assemelham muito com a forma ou com o uso atribuído a esses
referentes.
São exemplos de sinais arbitrários: depressa, perdoar, mas, por que, namorado.
Não existe uma relação entre significado e sinal, e isso serve de exemplo porque
qualquer palavra, qualquer que seja sua complexidade, é representada por um sinal.
Vejamos agora, um pouco da estrutura gramatical em LIBRAS. A estrutura
gramatical é organizada em três parâmetros principais que são: a configuração da
mão, o movimento e o ponto de articulação.
Configuração da mão é o desenho da mão durante a realização do sinal.
Segundo pesquisas, existem em LIBRAS quarenta e três configurações diferentes das
mãos, sendo que 26 destas são as representações das letras.
Ponto de articulação é o local do corpo onde será realizado o sinal. O sinal pode
ser indicado, por exemplo: na boca, na barriga, no peito.
Durante a realização do sinal, a mão se desloca no espaço. Isso é denominado
movimento. Existem várias direções do movimento. Um movimento pode ser
unidirecional quando se movimenta em uma única direção. Pode ser bidirecional
quando se movimenta para duas direções podendo usar uma ou ambas as mãos. E
também pode ser multidirecional quando explora várias direções.
Ainda detalhando os movimentos, eles podem ser retilíneos (movimentos
retos), helicoidais (espiral), circulares, semicirculares, sinuosos (curvilíneo) ou angular
(zigue-zague).
A realização dos sinais pode ser com a mão dominante ou ambas as mãos. A
posição da palma da mão poderá ser para cima, para baixo, para o lado, para a frente.
A mão poderá entrar em contato com o corpo de diversas formas, com um toque ou
um risco, por exemplo.

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS II

A comunicação em LIBRAS não se baseia só em gestos manuais, mas também


em expressão facial ou o movimento do corpo. São estes que tornarão a sentença mais
completa e mais compreensível. As expressões facial e corporal é que traduzirão
alegria, ódio, tristeza, nojo, amor, dando mais sentido e compreensão ao que se quer
dizer. Por exemplo, se alguém gesticular algo calmamente tem uma conotação
diferente se esse mesmo gesto for feito de forma brusca e séria.
As expressões facial e corporal também são usadas para dar conotação
à frase a fim de torná-la uma pergunta, uma afirmação, uma negação, ou uma dúvida.
É importante ressaltar que fazer as expressões facial e corporal é de extrema
importância já que não existem esses sinais em LIBRAS. Se você disser a frase “Você
comeu restaurante”, precisará dar conotação diferente dependendo do sentido da
frase.

Por exemplo:

• Se for uma pergunta, deverá fazer uma expressão de questionamento.


• Se for uma afirmação, deverá fazer uma expressão positiva.
• Se for uma exclamação, deverá fazer uma expressão de alegria, surpresa,
espanto.
• Se for uma dúvida, deverá fazer uma expressão de desconfiança.
• Se for uma negação, deverá fazer uma expressão negativa.
•Se for uma interrogação negativa, deverá associar duas expressões.

Agora, vamos entender um pouco sobre a estrutura sintática de LIBRAS. Tem


uma gramática diferenciada da Língua Portuguesa, ou seja, não obedece aos critérios
gramaticais, pois como já sabemos é uma comunicação diferenciada. A ordem dos
sinais na elaboração das sentenças obedece a uma regra própria que reflete a forma
como o deficiente auditivo processa suas ideias e percebe visual e espacialmente a
realidade. Usando como exemplo a frase acima “Você comeu restaurante”, percebe-se
que para torná-la mais correta seria adequado usar “Você comeu no restaurante.”,
mas em LIBRAS não se usam preposições nem contrações porque está incorporado ao
verbo.
Outro exemplo é que se eu digo em LIBRAS “presente eu dar irmão”, eu quero
dizer “Eu dei um presente pro meu irmão”. Se eu digo “nome você”(expressão
interrogativa), quero perguntar “Qual é o seu nome?”. Se eu digo “porque isto”
(expressão interrogativa), quero perguntar “para que serve isso?”.
Em LIBRAS não se usam preposições, contrações, artigos e conjunções porque
estão incorporados ao sinal.
É comum usar os chamados classificadores em uma frase. Os classificadores
estabelecem um tipo de concordância, pois através de recursos corporais explicam
melhor uma ação, um objeto ou o ser como um todo. Se eu quiser me referir a um
objeto que caiu, eu posso gesticular o objeto caindo, ou se quero dizer que a porta
bateu, posso gesticular a porta batendo. Se quiser dizer que a bola é grande, posso
gesticular a bola e encher a boca de ar para simbolizar a bola grande. Esses são alguns
exemplos, pois existem muitos outros gestos que englobam uma única ação.

Formação de palavras

Iniciaremos agora uma parte muito interessante em LIBRAS que se trata da


formação de palavras. Mas antes, vamos recapitular alguns tópicos importantes antes
de prosseguir:

• Em LIBRAS não se usam preposições, artigos, contrações e conjunções


nas frases.
• Existem sinais icônicos e arbitrários.
• Um sinal é composto de configuração de mão, ponto de articulação e
movimento.
• Existem vários tipos de movimentos.
• As expressões corporal e facial é que darão sentido à frase.
• A LIBRAS não é formada só por gestos, os recursos corporais são usados a todo o
momento.
Relembrados esses tópicos, prossigamos com a formação das palavras.
Existem muitas palavras que não têm um gesto específico, por isso é muito
comum em LIBRAS, usar os processos de derivação e composição.

A seguir, alguns exemplos:

Palavras simples: café, pessoa, mãe, cantar.

Palavras compostas:

• zebra : cavalo listras (LIBRAS)


• açougueiro : homem vender carne (LIBRAS)
• calmante : pílula calma (LIBRAS)
• pediatra : médico criança(LIBRAS)
Pode-se usar também um sinal convencional com outro indicando a forma
do objeto especificado.
• Tijolo : retângulo construção
• Cédula : retângulo dinheiro
Quando quer indicar uma categoria, usa-se um sinal por categoria ou grupo
e o sinal variados.
• Meios de transporte: carro variados
• Animais: leão variados

Em LIBRAS não existe gênero do substantivo, então quando quiser identificar


quanto ao gênero, basta acrescentar o substantivo e o sinal indicativo do sexo (homem
ou mulher).

• Homem primo: primo


• Mulher primo: prima

Geralmente os adjetivos (qualidades) aparecem na frase após o substantivo


referido.

• Menina bonita, feliz e esperta.

Há plural na LIBRAS quando se indica a quantidade ou usa-se repetidamente os


sinais.
• Muito - ano/ dois - dia/ três – semana

Quando quer intensificar uma ação, usa-se a repetição exagerada, ou os


advérbios de modo, muito ou rápido.

Exemplo
• Comer sem parar: COMER - COMER - COMER
• Beber sem parar: BEBER - BEBER – BEBER

Existem sinais que apesar de terem uma única forma, têm vários significados.
Ex.: Mergulhar/ mergulhador/ mergulho
• Doce/ adocicado/ dulcificar/ adoçar/ edulcorar/ guloseima

Em LIBRAS faz-se também o uso de gírias que não podem ser traduzidas para a
Língua Portuguesa, pois variam de acordo com o contexto e porque partem de uma
ideia criada pelos deficientes auditivos. Além das gírias, há também os gestos
informais para determinadas palavras, criados para conversas entre jovens e pessoas
íntimas.

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