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S. E. McNAIR

A BIBLIM
Atenção
T O D A S A S P Á G I N A S QUE ESTÁ F A L T A N D O É PORQUE. N O
D O C U M E N T O O R I G I N A L A P Á G I N A ESTÁ E M B R A N C O !

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sembléias de Deus.

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Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

McNair, S.E.
M146b A Bíblia explicada/S.E. McNair. - 4\ ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicado ia
das Assembléias de Deus , 1983.

1. Bíblia - Critica e interpretação 2. Bíblia - Estudo - Livros-texto I. Titulo

C D D - 220.6
220.07
268.62
CDU-22.01
83-0730 268

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Casa Publicadora das Assembléias de Deus
Caixa Postal 331
20001-970 Rio de Janeiro, RJ, Brasil

1985 - 4 4 Edição (1* Edição C P A D )


1985 - 5* Edição (21 Edição C P A D )
1985 - 6 1 Edição (3* Edição C P A D )
1985 - T Edição (4 i Edição C P A D )
1986 - 8* Edição (5* Edição C P A D )
1987 - 9* Edição (6 1 Edição C P A D )
1990 - 101 Edição ( T Edição C P A D )
1992- I P Edição (8* Edição C P A D )
1993 - 121 Edição (9* Edição C P A D )
1994- 13* Edição (IO 1 Edição C P A D )
= Índice *
y

Introdução .. — ..... .... — 9


Prefácio — i I i............. — -— —
Abreviaturas. 13
Anngo testamento
Genes is
Êxodo .. ..- ; . 37
Cl
Números — — —— - — - 59
Deuteronómio ~ , r- ***
•Josué
Juizes. - . 89
Rute ! " ,1, 1
1 Samuel
2 Samuel - 1 íoü Í J i l d T Ã tu r r j 1 fl ,0Q
1 Reis cii ~ • - " 1 1 » ,iq
2 Reis — • • • • — ••••
LO
1 Crônicas - 141
— 147
Esdras 155
Ncem ias
Ester 163
Jó 167
Salmos 171
Provérbios —
Eclesiastes - —~— 225
• <yv>
Can tares
Os Drofetas 231
1 na ias ã 233

Jeremias —
Lamentações de Jeremias 253
Rzenuiíl 255
Daniel 261
Oséias
Joel
Amos 277
Obadias - 281
.Jonus...................................... 283
Miquéias — — - 287
Naum _ — 289
Ha ba cuque 291

295
'. 297
- — - 301
Novo Testamento
Prefácio
Abreviaturas. — ....... _ 307

333

João 373
Atoa 389
Romanos — — —
I PnWnfina 415
2 Coríntios
GAIatas 431
Efésioe 435
PÍIÍMIIMS 441
445
1 Tessalonicenses
2 Tetwalonic^nm . . 453
1 Timóteo 457
2 Timóteo ... 461
Ti to 465

469
Tiago „ - - 477
481
2 Pedro .. .. 485
1 João

- - 495
ADOcalÍDse Â&7
• . . . . . . . . . . . . .
Introdução
y

o principio não havia o Ve- "Nós seguimos o agrupamento da Vulgata Lati-


lho Testamento. Enoque na, que. por sua vez, se baseia no da Versão grega
"andou com Deus" sem dos Setenta ( L X X ) , nome que lhe vem dos seus [ su-
nenhuma palavra escrita postos] setenta tradutores.
que o guiasse. Abraão de- "Faz-se a divisão, segundo o assunto principal,
pendia de comunicações desta maneira; Lei (cinco livros), História (doze li-
com Deus para conhecimento da vontade di- vros), Poesia (cinco livros), e Profecias (dezessete li-
' Jo6é. no Egito, não podia consolar-se com a lei- vros). Na coleção hebraica vê-se bem que não está
da Bíblia, mas certamente recordava as tradi- claramente fundamentada a divisão. Provavelmente
daquilo que Deus tinha falado com seus ante- obedece esta ao processo seguido no colecionamento
passados, e que ele, José, tantas vezes tinha ouvido dos sagrados escritos, isto é, à história do Cánon.
repetir durante a sua mocidade. marcando trés períodos. A primeira Biblia hebraica
Quando o Salmista escreveu o salmo 119, com foi a 'Lei' - os cinco livros de Moisés, ou o Pentateu-
176 versículos, engrandecendo a Palavra de Deus, tal- co. Mais tarde foi aumentada, e era já a 'Lei e os Pro-
vez não possuísse dessa Palavra mais do que o Pen- fetas'. No decurso dos anos foi reconhecido como
tateuco, e Josué. Juizes e Rute, porque pareço que tendo autoridade divina um derradeiro grupo de li-
nenhum do6 profetas tinha ainda escrito qualquer vros: ficou o Cânon completo: 'a Lei, os Profetas, e os
coisa. Hagiógrafos'.
"Cánon, Os vinte e dois livros das Escrituras
O Velho Testamento desenvolveu-se durante o hebraicas (ou os trinta e nove da nossa versão) cons-
período de uns mil anos pelo aumento de um livro tituem o que se chama o Cánon do Velho Testamen-
sagrado após outro, começando com Gênesis e aca-
to. Diz-se a respeito de cada livro que ele é canònico,
bando em Malaquias.
para o distinguir dos considerados apócrifos.
Diz o Dr. Joseph Angus:
"As Escrituras hebraicas acham-se assim dividi- "Apócrifos. A Vulgata Latina (a Bíblia da Igreja
das: A lei (Torá). O* Profetas (Habbim), Os Escritos Romana), contém em adição aos livros do Cánon
(Kethubhim). Pelos tradutor» gregos (os L X X ) . foi hebraico os seguintes: Históricos: Tobias, Judite, 1
a última parte chamada Os Hagiitgrufos. ou santos Macabeus. 2 Macabeus, e complementos ao livro de
escritos. Ester. Sapiénciais: Sabedoria, Eclasiástico. Proféti-
"Entre os profetas são conaideradoe cm classe se- cos: Baruque. Apêndices ao livro de Daniel: História
parada alguns dos livros históricos. Nota-se que o de Suzana, História de Bel, e Epiaódio do Dragèo.
número de livros é na Bíblia hebraica consideravel- Estas adições... procedem da Versão dos Setenta
mente menor que no nosso Velho Testamento; geral- ( L X X ) . ainda que com algumas diferenças quanto
mente vinte e quatro para trinta e nove. Ê porque é ao número dos livros e sua ordem. Na verdade, os li-
considerado como um só livro cada grupo dos seguin- vros apócrifos constituem um aumento da Vulgata
tes: os dois de Samuel, os dois dos Reis. os dois das Latina sobre o Velho Testamento hebraico."
Crônicas, Esdras e Neemias, os doze profetas meno- O mesmo Dr. Angus diz o seguinte sobre o verda-
res. etc. deiro lugar do Velho Testamento: "Convém agora

9
apreciar devidamente os dois Testamentos. Precisa- nova, é 'obscuridade*. 'carne', 'letra*, 'escravidão*,
mos estudar o Antigo para ver o que Deus fez, e 'os rudimentos do mundo* (G1 4.3). ao passo que no
quem Ele é. Nessa parte das Escrituras acharemos Evangelho há 'luz', 'espírito', 'liberdade* e 'um reino
um protesto solene contra a idolatria, e uma prova celestial*. Importantes princípios de interpretação se
de que ninguém pode ser justificado pelas obras da vêem deste modo sugeridos, não sendo, por isso. de
Lei; e, além disso, uma manifestação gradual da menor importância as particulares obrigações da
vontade divina e do plano da redenção. nossa posição. Requer-se. pois, de nós, cristãos, que
"Por todas estas razões devemos estimar o Antigo nos aperfeiçoemos em tudo, que é da vontade de
Testamento, mas devemos também lembrar de que Deus. Como a nossa dispensação é luz, sejamos sá-
inspirados escritores, comparando-» com o Novo, fa- bios; como é espírito, aejamoa santos; e. como é po-
lam dele era termos de importância transitória. A der, sejamos fortes".
antiga dispensaçào, à parte do seu cumprimento na

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10
sta parte segue mau ou plamente discutida no livro "The Romance of the
menos o mesmo estilo de Hebrew Language", na página 65L
"O Novo Testamento Ex- O leitor pode ter a certeza de que nenhuma
plicado", que publiquei emenda foi feita sem motivo inteiramente satisfató-
primeiro, no ano de 1937. rio. Por isso, não convém desprezar qualquer delas
Isto é, procuro esclarecer meramente por ser estranha ao acostumado.
nela treéios do Velho Testamento que parecem care- Livros referidos com mais freqüências vão apon-
de duplicação; contudo, não recapitulo todas as tados com as respectivas abreviaturas, assim "A"
que o Livro Sagrado contém. Em algumas significa •The Christian's Armoury"; "J", "How to
quando não parece haver a possibilidade Enjoy the Bible": "R", "The Romance of the
de elucidar casos problemáticos, confesso franca- Hebrew Language"; "T", "The Treasury of Scriptu-
mente que o assunto deve ficar sem explicação até re Knowledge".
ser interpretado por alguém mais sábio, ou até o dia Ninguém sabe tudo, e ninguém poderá explicar
em que "conheceremos como somos conhecidos cada parte da Bíblia de modo cabál; por isso o leitor
Isso se dá, por exemplo, com a formação do primeiro não deve estranhar que alguns capítulos sofram um
homem "do pó da terra", e da mulher "da costela tratamento mais resumido que outros.
[ou dos lados] do homem". Precisamente como isto Assim, há expositores que percebem no Cântico
se fez, é mais prudente não tentarmos afirmar. Tam- dos Cânticos alusões misteriosas e proféticas à Igreja
bém como a jumenta de Balado chegou a falar, fran- de Cristo, e que encontram em quase cada versículo
camente, não sabemos; par isto cremos tenha sido algum sentido espiritual Não vamos acompanhar
um milagre de Deus. essa interpretação, porque não é autorizada por ne-
E claro que não pode haver uma explicação satis- nhuma referência do Novo Testamento. Por outro
fatória sem primeiro verificar se a tradução é corre- lado, o N. T. autoriza-nos a perceber alusões a Cristo
ta. No caso do Velho Testamento, não é possível na Rocha ferida (1 Co 10.4), em Melquisedeque (Hb
reimprimir o texto todo. Contudo, vem a ser essen- 7), no Tabernáculo (Hb 9.11), nos Sacrifícios (Hb
cial valermo-nos de todas as correções mais impor- 10.1-8), etc. Ao investigar um sentido parabólico e
tantes das traduções anteriores, e isso temos feito profético, em tais casos, estamos em terreno seguro.
por meio de notas, com os dizeres: "uma tradução O estudante que deseje saber o verdadeiro senti-
mais correta seria...", ou "proposta emenda de tra- do do Velho Testamento precisa consultar freqüen-
dução". temente, se não exclusivamente, a Versão Brasileira
Emendas muitas vezes tém bastante importân- (V.B). Em inúmeros casos a V.B., por ser uma tra-
cia, pois mudam completamente o sentido. Por falta dução mais correta, elucida o sentido, quando Figuei-
de espaço, é impossível justificar cada correção; redo ou Almeida pouco esclarecem. As emendas de
mas, para que os interessados não fiquem sem base tradução que sugerimos são as que nem mesmo a
comprovada, geralmente fazemos referência a algumV.B. tem oferecido.
livro onde a emenda é plenamente discutida. Por Parece inevitável dar maior espaço ás partes do
exemplo, em Josué 24.19, em vez de ler "Não podeis V.T. que mais ocupam o pensamento da maioria dos
servir ao Senhor" damos a tradução provavelmente leitores, e onde se costuma achar mais edificação.
mais correta: "Não cesseis de servir ao Senhor" com Por isso vamos dar mais atenção aos salmos de Davi
a referência R. 65, que significa que a emenda é am- do que às palavras de Elifaz, o temanita; Bildade, o

11
I-

quais Deus mesmo Nnsso esforço será. sempre que possível, colher
' que ara reto" {Jó 42.7). do trecho que estudamos algum ensino de valor prá-
palavras desses trés tico e espiritual, para que nosso estudo do Velho
que nós havemos de Testamento não proporcione um conhecimento das
achar muita edificação nelas. verdades divinas, mas resulte em algum notável re-
Das partes proféticas do V.T.. especialmente forço na nossa vida espiritual.
aquelas ainda não cumpridas, havemos de tratar
com muita prudência, evitando uma interpretação Na confecção desta parte, consultamos os escri-
dogmática quando sabemos que há muita diferença tos dos mais eruditos ao nosso alcance. Várias veses tra-
de pensamento entre os expositores mais eruditos. duzimos as suas próprias palavras, porulo a citação
Por exemplo, consta-nos que há ao menos umas se- entre aspas. Por isso, o leitor não fica limitado ao re-
tenta diferentes interpretações referentes ás "seten- sultado dos estudos de um só. mas aproveita o ensino
ta semanas" de Daniel 9.24-27. Podemos apresentar de muitos. Em alguns casos de mais importância,
sobre eise trecho o parecer de um ou outro expositor, damos os nomes dos autores ou dos livros consulta-
mas sem afirmar que seja o único aceitável. dos.

12
;

Abreviaturas

A - The Christian's Armoury, por W.R. Brad- T - The Treasury of Scripture Knowledge.
ia ugh. Scofield - The Scofield Bible.
Angus - História, Doutrina, etc., por J. Angus. Goodman - Dr. Geo. Goodman, em Notas Diárias,
C -Causes of Corruption, par Burgon & etc.
Miller. Scroggie - Dr. Graham Scroggie, em Notas Diá-
G - The Giver and His Gifts, por Bullinger. rias, etc.
J - How to Enjoy the Bible, por Bullinger. RR. - The Revision Revised, por Burgon.
Lee - The Outline Bible, por Robert Lee. K - The Doctrine of the Prophets, por Kirk-
Grant - The Numerical Bible, por F. W. Grant. patrick.
R - The Romance of the Hebrew Language, GAS - The Book of the Twelve Prophets, por
por Saulez. George Adam Smith.

13
fintiqo Testamento
D I G I T A L I Z A D O POR

R.OLIVEIRA
Gênesis (

ênesis é o livro dos come- " O Gênesis tem cinco divisões principais: (1)
ço®. Recorda não somen- Criação (1.1 - 2.25). (2) Queda e Redenção (3.1 - 4.7).
te o começo do Céu e da (3) As diversas descendências: Caim e Abel ao Dilú-
Terra, mas da vida vege- vio (4.8 - 7.24). (4) O Dilúvio a Babel (8.1 - 11.9). (5)
tal, animal e humana, e A cha- ada de Abraão até a morte de José (11.10 -
todas as instituições e relações humanas; 50.26) . (Scofield).
, fala do novo nascimento: a nova criação,
um estado de caos e ruína, A N Á L I S E DO GÊNESIS
o Gênesis, começa também a progressiva 1. História primitiva (cape. 1 a 11.9)
auto-revelação de Deus, que se completa em Cristo. 1.1. Da Criação á Queda (caps. 1 a 3).
No Gênesis encontramos os três principais nomes da 1.1.1. A Criação, e a semana de trabalho di-
divindade: Elohim, Jeová e Acionai, e também os vino (caps. 1.1 a 2.3).
MU» cinço mais importantes nomes compostos: 1.1.2. O Jardim. • a prova do homem (caps.
1) Jeová-jireh (O Senhor provê); 2.4-26).
2) Jeová-nissi (O Senhor é minha bandeira); 1.1.3. A Serpente. • a queda de Adão e Eva
3) Jeová-shalom (O Senhor é paz); (cap. 3).
4) Jeová-tsidkenu (O Senhor é nossa justiça); 1.2. Da Queda ao Dilúvio (caps. 4 a 8.14).
5) Jeová-shammah (O Senhor está ali) e tudo 1.2.1. Caim e Abel e as suas ofertas (cap.
isso de uma certa ordem que não podia ser alterada
sem haver confusão.

O problema do pecado na vida humana, e a sua


relação com Deus, se encontram no Gênesis na sua
essência. Dos oito grandes pactos que se referem á
vida humana e á redenção divina, quatro deles, o
Edênico, o Adâmico, o Noéico e o Abraámico, estão
neste livro; e estes são os fundamentais, aos quais os
outros quatro: o Mosáico, o Palestiniano. o Davídi-
co e o Novo Pacto, estão relacionados maiormente
como desenvolvimentos.
O Gênesis entra profundamente na estrutura do
Novo Testamento, em que é citado mais de sessenta
vezes, em 17 livros. Em sentido profundo, por isso,
as raízes de toda a revelação subseqüente estão lan-
çadas em Gênesis, e quem quiser compreender a re-
velação divina precisa começar aqui.
A inspiração do Gênesis e seu caráter como reve-
lação são autenticados, tanto pelo testemunho da A M E N S A G E M DO GÊNESIS
história como pelo de Cristo (Mt 19.4-6; 24.37-39;
Mc 10.4-9; Lc 11.49-51: 17.26-29, 32; Jo 1.61; 7.21- *'l. Devemos estudar este livro primeiro histori-
23; 8.44,56). camente. marcando com cuidado as suas maiores e

17
Gênesis _

menores divisões, e os detalhes da história que de- da: fé e vista. A Arca, tipo do meio de salvação e li-
senvolve. O livro se apresenta em 12 seções; a partir bertação na hora do juízo que virá sobre a Terra. Jo-
da segunda, essas seções começam com as palavras: sé, o mais perfeito tipo de Cristo que temoa na
'Estas são as gerações de'. Essas onze sáo as seguin- Bíblia. Estes, e muitos outros podem ser verificados.
tes: 'as gerações': 1) dos céus e da tara (2.4 a cap. Não devemos entretanto dogma ti zar sobre o estudo
4); 2) de Adào (5 a 6.8); 3) de Noé (6.9 a 9.29); 4) dos aqui traçado, nem descobrir fantasias, mas o olho es-
filhos de Noé (9.1 a 11.9): 5) de Sem (11.10-26); 6) de piritual perceberá muito do que fica oculto ao racio-
Tera (11.27 a 25.11); 7) de Ismael (25.12-17); 8) de nalista.
Isaque (25.19 a cap. 35); 9) de Esaú (36.1-8); 10» dos "5. Finalmente, devemos, por certo, descobrir os
filhos de Esaú (36.9-43). e 11) de Jacó (37.2 a 50.26). valores espirituais do livro. Por exemplo, a revelação
" A história é, maiormente. cronológica; mas deve de Deus, o desenvolvimento da graça divina, o pro-
ser observado que o capitulo 11.1-9 precede em tem- gresso do pecado, os vários concertos, a demonstra-
po ao capitulo 10, e recorda as razões da dispersão. ção de fé, as orações do livro, as duas descendências:
"Esta história do Gênesis nào é geral, mas especi- a presença, poder e propósito de Satanás; as visões e
fica. Contém pouco do que desejaríamos saber. Esta sonhos, as manifestações de Jeová, o ministério de
é a história, nào por amor da historicidade, mas anjos, e muitos outros temas. Notemos no Gênesis os
como o veiculo de uma revelação divina. E por isso três grandes períodos da vida de Abraão-o desperta-
que mais de 2000 anos ficam comprimidos dentro mento, a disciplina, e o aperfeiçoamento: os quatro
dos primeiros onze capítulos do livro..enquanto trin- períodos na vida de Jacó: Suplantador. Servo, Santo
ta e nove capítulos sào dedicados ã história de 300 e Vidente. O livro é rico de sugestões espirituais, e
anos. A ênfase divina não é sobre o que é material, cada página dará ao paciente investigador tesouros
mas moral. sem preço" (Scroggie).
"2. Então o Gênesis devo ser estudado profética'
mente. É o livro manancial de toda a profecia. A pri- Capítulo 1
meira e fundamental profecia está no capítulo 3.15;
e nesse único versículo toda a revelação divina está A criação do mundo. "No princípio criou
compreendida em resumo. Podemos estudar as pro- Deus..." A palavra Deus está no plural, e o verbo no
fecias referentes á Terra (8.22): aoa filhos de Noé singular (no hebraico há três números: singular, d uai
(9.35-37); a Abraão (12.1-3; caps. 15,17,18); a Ismael e plural); assim, a natureza de Deus é revelada nas
(17.20); a Isaque (18); a Esaú e .Jacó (25.23); a
primeiras palavras do Gênesis: uma Trindade, po-
Efraim e Manasses (cap. 48). e aos doze filhos de Jacó
(cap. 49). Eetas, e outras profecias são maravilhosas rém um só Deus. Em outros lugares aprendemos que
em si mesmas, e surpreendentes no seu cumprimen- foi o Filho que criou todas as coisas (Jo 1.3; Cl 1.16;
to. Nenhuma peaeoa razoável pode duvidar do fato e Hb 1.2). Foi o Pai que propôs, e o Filho que agiu
da realidade da profecia bíblica se estudar a história pela energia do Espírito. As três pessoas da Trindade
de Israel à luz das predições do Gênesis. são reveladas na obra da criação (Jo 5.17,18).
"3. Além disso, o livro deve ser estudado com re- A terra já criada ( v . l ) chegou a ser "sem forma e
lação ás Dispensações. Isto é, os métodos pelos quais vazia" (v.2), mas não fora criada assim (Is 45.18).
Deus agiu para com os homens em diferentes épocas Há uma semelhança entre a criação do mundo
e sob diferentes circunstâncias devem ser cuidadosa- material e a "nova criação" da alma regenerada: a)
mente notados. Há quatro dispensações no Gênesis: inocência ( w . 1 e27; b) ruína (v. 2a); c) restauração
1) o período da Inocência, durante o qual Deus fez (v.2b); d) iluminação (w.3-5); e) separação (w.6-£);
prova do homem; 2) o da Consciência, quando Ele 0 libertação (w.9,10); g) fruto (vv. 11-13); h) teste-
suportou o homem; 3) o do Governo humano, duran- munho (w.14-19).
te o qual Ele refreou o homem, e 4) o da Promessa.
no qual Ele agiu em favor do homem. Outras dispen- Notemos que a palavra "criou" me encontra ape-
sações seguirão estas no restante da Escritura, e de- nas três vezes neste capítulo ( w . 1,21,27). Alguns
vem ser estudadas mais tarde. têm achado uma diferença entre o que Deus "criou"
"4. Faria muita falta se não estudássemos o Gê- e o que Ele " f e z " . Assim os mares foram feitos de á-
nesis tipicamente, porque está cheio de tipos. O mo- guas já existentes (9,10). O Sol e a Lua foram feitos
tivo de perceber um sentido típico está claro (veja-se 'ou levados a aparecer através das espessas nuvens*,
Gn 5.7 e 1 Co 10.6.11, etc.h e tal estudo traz grande no dia quarto, mas foram criados no dia primeiro
galardão. Entre os tipos mais evidentes do Gênesis, (v.3).
podem-se nomear os seguintes: E possível admitir um mui grande período de
" A criação e reconstrução da terra (1.1 a 2.3), que tempo entre o v. 1 e o v. 2 - um recurso mais aceitá-
tipificam a história do homem, criado perfeito: ar- vel do que entender que os "dias" da criação foram
ruinado; e restaurado. O primeiro Adão é tipo de Je- períodos de milhares de anos, - uma teoria que não
sus Cristo, o último Adão (cap. 2 e R n 5.12-21). O combina com Êxodo 31.17. "Um ato de criação ne-
sacrifício de 3.21, tipo do Cordeiro de Deus, que tira cessariamente será num tempo imediato e definido.
o pecado do mundo. Abel e Sete. tipos da morte e Isto é evidente no caso da criação do homem. Pela
ressurreição de nosso Senhor (cap. 5 e Hb 12.24). Palavra de Deus, ele foi criado à imagem de Deus;
Enoque, tipo da Igreja arrebatada, antes do Dilúvio, desde o seu começo era ele dotado de imagem e se-
que é tipo do dia da tribulação de Jacó (caps. 5 a melhança de Deus, uma semelhança vista na sua
8.14). Noé, tipo de Cristo. Os oito salvos na arca sáo perfeição naquele que era Deus manifesto na carne,
tipo dô Restante de Israel que será salvo através da o Homem Perfeito. Esta semelhança consiste em ter
Tribulação. Caim e Abel. tipos das duas naturezas. vontade livre: poder de agir por si mesmo; de esco-
Ismael c Isaque, tipos das dispensações da Lei, e lher entre o bem e o mal, e de possuir uma personali-
Graça. Abraão e Ló, tipos dos dois princípios da vi- dade e uma responsabilidade moral" (Goodman).,

18
O Dr. Scroggie diz: " A 'imagem" é a substância 2) Subjugar a terra para o proveito humano.
espiritual da alma. e não pode ser perdida. A 'seme- 3) Ter dominio sobre a criação animal.
lhança* é o caráter moral separável da substância, e 4) Comer ervas e frutas.
foi perdida na Queda; assim os filhos de Adão nasce- 5) Zelar o jardim.
ram na sua semelhança e não na de Deus (5.3). Ima- 6) Abster-se de comer da árvore da ciência do
gem e semelhança não sâo para entender material e bem e mal.
sim moralmente". A Penalidade pela desobediência desta última
O luzeiro maior (v. 16) é um tipo de Cristo, o "Sol ordenação era a morte.
da Justiça" (Ml 4-2). Ele tomará este caráter na sua As outras alianças são: a Adámica, (3.15); a com
9egunda vinda. Moralmente, o mundo está agora no Noé (9.1); a com Abraão (15.18) a com Moisés (Êx
estado entre Gênesis 1.3 e 1.16; At 26.18; Ef 6.12; 1 19.25); a da Palestina (Dt 30.3); a com Davi (2 Sm
Pe 2.9): o sol não se vê. mas a luz existe. Cristo é essa 7.16); a Nova Aliança (Hb 8.8) (Scofield).
luz (Jo 1.4,5.9). mas "resplandece nas trevas" sendo
compreendido somente pela fé. Como o "Sol da Jus- Capitulo 2
tiça" Ele anulará todas as trevas. Sob o ponto de vis-
ta da dispensação, a Igreja está no lugar do "luzeiro Deus descansa. Podemos notar com cuidado o
menor", a lua. que reflete a luz do Sol quando este versículo 3: "A hençoou Deus o dia sétimo e o san ti fi-
não é visível. As estrelas (1.16) representam crentes cou. porque nele descansou de toda a obra que fizera
individualmente que sào "lureiroa" (Fp 2.15,16) como Criador", e ver a sua aplicabilidade a um dia
(Scofield). com manhã a tarde (tarde e manhã, segundo a con-
Um tipo é uma ilustração divinamente proposta tagem dos israelitas, visto que com eles o dia come-
de alguma verdade. Pode ser: (.1) uma pessoa (Rm çava às 18 horas do nosso tempo».
5.14); (2) um acontecimento (1 Co 10.11); (3) uma Se o descrente não pode admitir que o universo
coisa (Hb 10.20); (4) uma instituição (Hb 9.11); (5) tenha sido feito por um só Deus todo-poderoso. cabe-
uma cerimônia (1 Co 5.7). Os tipos se encontram lhe enunciar outra explicação para a origem. Encon-
mais freqüentemente no pentateuco. mas podem ser trará apenas duas alternativas: que a criação foi
achados em outras partes da Bíblia. O antitipo ou obra de uma variedade de Beres sobrenaturais, agin-
cumprimento do tipo se encontra geralmente no do em perfeito acordo; ou que se fez a si mesmo. Esta
X . T . (Scofield). última hipótese pode ser resumida na frase: "Do na-
"Seres viventes" (V.B.) ou "Alma vivente" ( A L . ) da. o Ninguém fez tudo"
nos versículos 20,21.24. etc. é, no hebraico, Parece-nos mais razoável admitir, de acordo com
"nephesh". Esta palavra traz o sentido de vida e o ensino da Bíblia, ser o universo a criação de um
consciência diferentes da vida das plantas, que têm Deus infinito em poder, sabedoria e benevolência.
vida inscônsciente. Neste sentido os animais tam- É muito natural qüe a nossa inteligência fique as-
bém têm "alma". sombrada pelo estupendo milagre de Deus criar (ou
A criação do homem (v. 26). O homem foi criado, " r e " criar) o mundo "em seis dias"em tempos muito
e náo evoluído de algum ser inferior durante muitos remotos e sem haver ninguém presente para relatar o
milênios. Isto é expressamente declarado aqui, e a processo da operação. Por isso podemos estudar ou-
declaração é confirmada por Cristo (Mt 19.4; Mc tra operação do poder criador em ponto menor, pre-
10.6). "Existe um vasto espaço, uma divergência, senciada por milhares de testemunhas e reportada
praticamente infinita" (Huxley) "entre o homem por quatro diferentes escritores, um pelo menos tes-
mais baixo e a besta mais alta". " A besta não tem temunha ocular: A multiplicação de cinco pães e
traço algum de consciência de Deus: não tem uma dois peixes em alimentação para mais de cinco mil
natureza religiosa. As investigações cientificas nada pessoas c um milagre do criação instantânea, igual-
têm feito para desfazer essa divergência" {Scofield). mente incompreensível á nossa inteligência. O des-
Com o versículo '28 começa a "Primeira Dispen- crente deve cancelar com provas o milagre recente,
sação". Uma dispensação (El 1.10) é um período de antes de afirmar que não existe um Ser no universo
tempo em que o homem é provado com respeito à capaz de fazer o milagre remoto.
sua obediência e alguma revelação específica da von- A alusào à criação do homem no primeiro capitu-
tade divina. Sete de tais dispensações podem ser dis- lo é geral, referindo-se à raça humana; no segundo,
cernidas. A primeira foi a da Inocência o homem foi fala mais particularmente da formação de Adão "do
colocado num ambiente perfeito, sujeito a uma lei pó da terra" (v.7), e da Eva duma das costelas (la-
simples, e advertido das conseqüências da desobe- dos) de Adão (v.21). E inútil tentar adivinhar como
diência. A mulher caiu pelo orgulho, o homem, deli- Adão foi formado do pó e Eva tirada "dos lados" de-
beradamente (1 Tm 2.14). Deus restaurou as suas le. embora tenha havido muitas engenhosas explica-
criaturas pecaminosas, mas a dispensaçáo da ino- ções oferecidas por vários escritores eruditos. [Al-
cência terminou com o julgamento e expulsão (Gn guns têm achado no profundo sono de Adão. que re-
3.24). Ah outras dispensações são: da Consciência sultou cm ele adquirir uma noiva, um tipo da morte
(Gn 3.23); do Governo humano (Gn 8.20); da pro- de Cristo, pela qual Ele obteve por companheira a
messa (Gn 12.1); da Lei (Êx 19.9); da Graça (Jo sua Igreja.]
1.17); do Reino (Ef 1.10) (Scofield). E neste capitulo que podemos ver o homem num
Nesse versículo 28, temos também a primeira das estado de inocência, num jardim de delicias, com
oito grandes Aliança* da Bíblia, a Edênica, que de- serviços e deveres leves (v. 15) sob o imediato jpver-
termina a vida e a salvação do homem. Esta aliança no e direção do Criador. Do capitulo três em diante,
tem seis elementos. O homem e a mulher no Éden o homem é um ser decaído, e sua mais sublime aspi-
haviam de: ração náo é mais a inocência, mas a santidadde.
1) Encher a terra de uma nova ordem - a huma- Notemos, de passagem, algumas expressões inte-
na. ressantes neste capítulo: O "exército"da terra e céus

19
é, já se vê, sem qualquer alusão militar, mas apenas A tentação começa com uma dúvida sobre o que
no sentido de multidão, imensidade, variedade. Vá- Deus dissera: "Ê assim que Deus disse?" E Eva na
rias vezes na Biblia Deus é referido como o Senhor sua resposta náo tem o cuidado de citar as palavras
dos exércitos, sem qualquer significação militar, mas de Deus corretamente. Acrescenta "nem nele toca-
por ser Ele quem dispõe de uma multidão de seres ás reis" e muda o sentido, pondo "no meio" do jardim
suas ordens. uma das árvores, quando ali Deus pusera outra (2.9),
Vemos que Deus "santificou" o sétimo dia. nâo Devemos ter imenso cuidado em não torcer a Pala-
em qualquer sentido de o purificar de pecado, mas vra de Deus quando a citamos.
no de pôr á parte, distinguir, especializar o dia. E assim, desobedecendo, pecaram, e trocaram
Outras alusões bíblicas á criação sáo as seguin- sua inocência por uma consciência acusadora, sua
tes: ignorância por um conhecimento do bem que tinham
Deus fez oa céus (1 Cr 16.26; Jó 26.13; SI 8.3; desprezado e do mal que não podiam remediar. Ti-
33.6; 96.5; 136.5; Pv 8.27). nham agora seus olhos abertos para descobrir o que
Deus fez a terra (Jó 38.4; Pv 8.28; Is 48.28; At teria sido mais feliz ignorar; e, impelidos por um
17.24; Rm 1.20; Cl 1.16,17; Hb 1.2; 11.3>. sentimento de vergonha, trabalharam (inutilmente)
Deus fez oa céus e a terra (Ex 20.11; 31.17; Ne para cobrir a sua nudez.
9.6; SI 89.11,12; 102.75; 115.15; 121.2; 124.8; 134.3; Notemos que Adão e Eva podiam estar tranqüi-
146.6; Pv 3.19; Is 37.16; 42.5; 44.24; 45.18; 51.13,16; los com os aventais de folhas que fizeram, enquanto
Jr 10.12; 32.17; 51.15; Zc 12.1; At 4.24; 14.15; EÍ3.9; lhes parecia que Deus estava longe, mas em vindo o
2 Pe 3.5; A p 4.11; 10.6; 14.7) Senhor, logo se esconderam, sentindo-se. aos olhos
Em seis dias (Ex 20.11; 31.17). divinos, descobertos e envergonhados.
Fez por sua Pala%Ta (SI 33.9; 148.5; Hb 11.3; 2 Pe
3.5). Deus, porém, lhes fez "túnicas de peles", e assim
ensinou, por uma figura, a necessidade da morte de
"Deus-Jeová" v.4). O sentido primário do nome
uma vítima inocente para que o pecador pudesse fi-
Jeová é " o que exi.. • por si". Literalmente (como em
car coberto e justificado perante Deus. "Sem derra-
Ex 3.14): "Aquela é quem é " por isso, " o eterno
mamento de sangue nào há remissão de pecados ": e
Eu sou".
em folhas de figueira náo há sangue derramado.
É significativo que o primeiro aparecimento do
nome Jeová rui Escritura segue a criação do homem. Notemos no pecado de Eva: a) o concupiscéncia
Foi Deus (Elohimj que disse "façamos o homem à da carne: "boa para se comer", b) a concupiscéncia
nossa imagem '' (1.26); mas quando o homem, como dos olhos: "agradável aos olhos", e c) a soberba da
no segundo capitulo, vai encher a cena. é o Senhor vida: "desejável para dar entendimento". As primei-
Deus (Jeová Elohim) que age. Isto claramente indica ras conseqüências do pecado foram a vergonha, uma
uma especial reiação da divindade, no seu caráter consciência acusadora. o receio, a morte espiritual,
jeóvico. para com o homem: e toda a Escritura con- pois "por um homem entrou o pecado no mundo, e a
firma isto. morte, pelo pecado" (Rm 5.12).
Jeová é evidentemente o nome redentor da divin- Mais uma coisa nos-interessa neste capitulo: que
dade. Quando entrou o pecado no mundo, e a reden- foi Deus quem procurou o pecador, náo o pecador a
ção tornou-se necessária, foi Jeová Elohim quem Deus. E essa atividade divina resultou na chamada,
procurou os pecaminosos (Gn 3.9-13) e os vestiu de na descoberta, na interrogação, na confissão, na sen-
peles (3.21), um lindo tipo de uma justiça fornecida tença. na justiÇcação (as túnicas de peles), e na dis-
por Deus, mediante o sacrifício (Rm 3.21,22). A pri- ciplina: foram expulsos do Eden.
meira distinta revelação de Deus pelo seu nome Jeo- Sobre a sentença contra a serpente, R. Winter-
vá foi com relação à redenção do Egito, do povo esco- botham oferece uma interessante explicação:
lhido (Ex 3.13-17) (Scofield). "Importantes dificuldades aparecem noa (versí-
culos. 14.15:)
Capítulo 3 "1) Dificuldade científica. A serpente hoje não
apresenta nenhum sinal de degradação: sua estrutu-
7>nfaçao e queda Até o fim do capitulo 2 tudo ra é tão admiravolmente adaptada ao seu lugar na
que temos contemplado é "muito bom", mas agora a natureza como a do leão ou a da águia. Nem pode-
cena muda e o mal aparece. O Tentador, com o as- mos dizer que ela come pó: sua comida consiste dos
pecto de uma serpente, tenta a mulher, e ela cai no pequenos animais que são suas presas.
pecado da desobediência, acompanhando-a Adão. "2) Dificuldade moral. Por que foi punida a ser-
Sobre a serpente, lemos no "Christian Armou- pente por uma coisa que não fez? Será que Deus pu-
ry": " É afirmado por Matthew Pool e outros emi- niu a astúcia do Diabo sobre seu inconsciente instru-
nentes comentadores que o artigo definido ora Gêne- mento?
sis 3.1 é enfático, e por isso se refere a uma serpente " A resposta é que estas duas dificuldades neutra-
especial. E no hebraico, 'hennachash:' esta serpente, lizam-se. Se o moralista nos diz que Deus náo podia
ou essa serpente, significando que não era uma ser- ter resolvido punir a serpente por uma coisa que ela
pente qualquer, mas um réptil influído ou personifi- nào fez, o homem de ciência nos assegura que Ele
cado por Satanás. náo fez isso. O verdadeiro peso da sentença recai
"Se a serpente era simplesmente influenciada sobre o verdadeiro ofensor, o Diabo, enquanto a
pelo Maligno ou se era uma positiva materialização mera forma da referida sentença foi acomodada á
dele, não sabemos; não resta dúvida, porém, que Sa- evidente estrutura e natureza da serpente.
tanás foi a causa original da tentação (Ap 12.9 e "Mas se foi o Tentador que pecou, por que Deus
20.2). Ao menos é evidente que a serpente foi possuí- nâo o sentenciou como tentador?
da por Satanás e que chegou a ser identificada com "Resposta: Porque no V.T. há uma notável reser-
ele. e o que Satanás falou por ela. se diz que a ser- va referente à personalidade de Satanás. A razão
pente faíou". disto é evidente: os homens não podiam suportar o

20
Gênesis _

conhecimento do seu grande inimigo espiritual até a ceu as túnicas para Adão e Eva. Tinham ouvido que
vinda do seu Libertador. Se percebermos que náo foi as folhas da figueira costuradas em aventais - embo-
da vontade de Deus nesse tempo revelar a existência ra representassem esforço, trabalho, imaginação -
do Maligno, podemos compreender por que Ele per- para nada serviam, porque nelas náo havia derrama-
mitiu-lhe manter o aspecto da serpente". mento de sangue. E Caim. que trouxe O frUtõ da sua
A Aliança Adámica determina a vida do homem lavoura, devia ter compreendido que isso náo seria
decaído, marcando condições que prevalecerão até a uma oferta que Deus pudesse aceitar.
época do Reino, quando "a própria criatura será li- A narrativa é bem resumida: "e falou Caim com
bertada do cativeiro da corrução para a liberdade da o seu irmão Abel" e em seguida o matou. Ficamos
glória dos filhos de Deus" (Rm 8.21). São os seguin- imaginando se porventura teriam tido uma longa
tes os elementos da Aliança Adámica: discussão; se Abel mostrou-se paciente e cordato, ou
1) A serpente, instrumento de Satanás, amaldi- se, pelo contrário, brigaram. Era a primeira conten-
çoada. da entre irmãos, e desde então quantas têm havido,
2) A primeira promessa de um Redentor (v. 15). resultando em ódios, separações e mortes!
3) A condição da mulher, mudada (v. 16) em três Vemos em Hebreus 11.4 que a oferta "mais exce-
sentidos: a) conceição multiplicada; b) maternidade lente" de Abel foi feita pela fé: pelos atributos que
ligada com sofrimento; c) sujeição ao homem (com- ele via em Deus. De 1 João 3.12 aprendemos que ha-
parar com 1.26,27). A entrada do pecado, que signifi- via bastante diferença na conduta e caráter dos dois
ca desordem, toma necessário o governo, que compe- irmãos, e isto. talvez, durante anos. O versículo 7
te ao homem (1 Co 11.7-9; Ef 5.22-25; 1 T m 2.11-14). pode ser traduzido: "Ese não fizeres bem, uma ofer-
4) A terra amaldiçoada por causa do homem (v. ta pelo pecado jaz á porta " Caim também se podia
17). Ê melhor para um homem caído lutar com uma ter valido de um cordeiro como oferta.
terra difícil, do que viver sem trabalho. Caim faz uma pergunta a Deus no versculo 9.
5) O inevitável cansaço da vida (v. 17). Como é que a responderíamos, se ela nos fosse feita
6) O leve trabalho do Édem (2. 15), mudado para hoje?
serviço laborioso ( w . 18,19). Alguns problemas aparecem neste capitulo: de
7) A morte física (v. 19; Rm 5.12-21), para a mor- quem teve Caim medo quando disse "será que todo
te espiritual, veja-se Gênesis 2.17 e Efésios 2.5 (Sco- aquele que me achar me matará"?
field). Depreendemos do capitulo 4.25 que o assassinio
A Segunda Dispensação: da Consciência (v. 22). de Abel teve lugar um pouco antes do nascimento de
Pela sua desobediência, o homem chegou a ter um Sete, isto é. uns 130 anos depois da criação do ho-
conhecimento pessoal e experimental do bem e do mem. Por isso náo devemos pensar que Caim e Abel
mal - do bem como a obediência, e do mal como a fossem os únicos filhos de Adão e Eva. Lemos que
desobediência ã conhecida vontade de Deus. Me- Adão "gerou filhos e filhas" (5.4) e esses natural-
diante esse conhecimento, a sua consciência acor-
mente tiveram descendência; por isso, quando Abel
dou. Expelido do ívdem. e posto sob a segunda
Aliança, a Adámica, o homem era responsável para morreu, provavelmente havia muito mais gente no
fazer todo o bem que conhecia, abster-se de todo o mundo do que se pensa.
conhecido mal, e aproximar-se de Deus mediante o "E pós o Senhor um sinal em Caim" (4.15). A
sacrifício. O resultado desta segunda prova do ho- tradução de Almeida náo é tão correta como a V.B.:
mem é declarado em Gênesis 6.5, e a dispensação "Deu Jeová um sinal a Caim ". Não havemos de en-
terminou com o julgamento do Dilúvio (Scofield). tender que ele fosse marcado, e sim que Deus. de al-
gum modo, assinalou-lhe a proteção divina.
Proposta emenda de tradução de 3.16: "A mulher Uma pergunta bem freqüente é esta: "Com quem
disse: Um laço tem aumentado a tua tristeza e o teu casou Caim?" A resposta deve ser, por suposto,
gemido. Em tristeza darás á luz filhos. Virar-te-ás ao "com uma das suas irmãs". Casamentos entre pa-
teu marido, e ele te dominará". rentes foram proibidos uns 2500 anos mais tarde ( L v
O dr. K . Bushnell tem investigado cuidadosa- 18.6), mas sabemos que tais uniões, ilícitas para os
mente o sentido verdadeiro deste versículo e afirma israelitas, eram praticadas por outros povos ( L v
que a tradução supra está de acordo com a versão 18.24).
Septuaginta, a Pesita, a Samaritana, a Velha Lati- A palavra "gênesis" quer dizer começos, e nestes
na, a Cóptáca e muitas outras. A palavra "concei- quatro capítulos temos visto o começo do universo,
ção" não está no original hebraico. do mundo, do trabalho, do pecado, da família, das
Proposta emenda de tradução do v. 22: "o ho- cidades, da música, da metalurgia.
mem. que tem estado como nós, tem chegado a co- Propostas emendas de tradução (v.7): "Uma
nhecer o bem mediante o mal" (R. 99). oferta pelo pecado jaz á porta". (V. 15): Isso não; pois
qualquer que matar a Caim. (R. 104). ou: quem ma-
Capítulo 4 tar a Caim será castigado. Ele (Caim) ficará por sete
gerações (A. 63).
Para entendermos a significação das duas ofer-
tas, uma aceita por Deus e a outra reprovada, pode- Capítulo 5
mos subentender que Caim e Abel ouviram muitas
vezes contar a história do primeiro pecado e do pri- Este é o livro das gerações de Adão (v.l). Deve-
meiro sacrifício: a morte do animal cuja pele forne- mos notar não somente os nomes mchiídoe na lista.

Noim do Editor. ARA: "EémmUtmr diooo: Multiplicar* nbficrf» — mmtrimontoo dm tmm grwidm*: mm mtmio de dorom
émrt!J*gêê à mulher-. Multiplicarei os frfrimento. do teu paru»; « U r i . á luz com do-
n a ; toas d i n j n to l m p e i M o para o toa marido • tu estarás aob o sea domínio".

21
Gênesis _

mas os nomes omitidos. Nada se fala de Caim, por- Capítulos 6 a 8


que ele "saiu de diante da face do Senhor" (4.16), e
assim saiu da história do povo de Deus. Abel não é O Dilúvio. Em tempos mais remotos alguns pen-
mencionado, provavelmente porque nâo deixou pos- savam que "os filhos de Deus" em Gênesis 6.2 eram
teridade. Nenhuma mulher é nomeada, embora leia- anjos caídos, mas nenhum comentador moderno de
mos que Adão "gcruu filhos e filhas" • quantos não confiança adota essa idéia, exceto o dr. Bullinger.
sabemos. Lemos em Mateus 22.30 que "na ressurreição nem
Dois nomes prendem a nossa atenção: Enoque, catam nem são dados em casamento; mas serão
um homem de fé (Hb 11.5,6) e Metusala, o mais ido- como os nnjit* de Deu* no céu". A expressão "toma-
so de todos. Deste diz o dr. Goodman: "Seu nome ram para st mulheres "è usada no V. T . somente com
significa 'Quando ele for removido, virá' ü Dilúvio referência ao casamento legitimo: nunca às relações
veio realmente logo depois de sua morte. A sua lon- sexuais ilícitas.
gevidade apareci' como um sinal da misericórdia d» E claro que havia nesse tempo duas raças distin-
vina, dando aos homens tempo de se arrependerem. tas. a descendência de Sete e a de Caim. Os exposi-
O seguinte quadro comparativo mostra que ele fale- tores modernos concordam que "os filhos de Deus"
ceu no ano do Dilúvio: foram a descendência de Sete. e "as filhas dos ho-
Metusala. no nascimento de Lameque tinha 187 mens" a descendência de Caim
anos. Lameque, no nascimento de Noé tinha 182 Se aceitarmos esta interpretação, a lição do inci-
anos. O Dilúvio veio quando Noé tinha 600 anos. dente será que um jugo desigual com os descrentes
Assim vemos que o Dilúvio veio quando Metusa- pode resultar em maior corrução e num castigo divi-
la tinha 969 anos, e nesse mesmo ano ele morreu." no. Logo em seguida. lemos da maldade humana
No caso de Enoque, há muitas coisas que podem multiplicada, até não haver mais remédio, e seguiu-
recompensar-um longo estudo. Podemos, por exem- se um dilúvio destruidor.
plo. estudar seu andar, sua fé (Hb 11.5,6); ma profe- A interpretação do dr. Bullinger. apesar de não
cia (.Jd 14> e sua trasladaçáo s«*r geralmente aceita pelos expositores, porque acar-
Em Gênesis 5.24 lemos apenas que "Deus para st reta problemas físicos incompreensíveis para nós
o tomou ". um dos casos mais extraordinários relata- contudo merece ser estudada. Diz ele:
do com grande economia de palavras. Quando algo " O titulo filhos de Deus é ligado precisamente
semelhante se deu com Elias (2 Ra 2.1-11). foi conta- com a Igreja de Deus, pois, segundo o uso de Paulo, é
do com pormenores Os dois incidentes fazem-nos o título particular dos que sáo uma nova criação em
pensar na ascensão do Senhor -Jesus Cristo ( A t 1.9). Cristo .Jesus. Isto vemos em todas as epístolas às
É interessante notar que Metusala foi contempo- igrejas, especialmente em Romanos 8.
râneo de Adão por uns 240 anos, e o seu filho U m e - "Porém não devemos transportar este uso para o
que dev i.i ter conhecido Adão por mais de 50 anos. Velho Testamento e interpretar no mesmo sentido a
Nào podemos ser muito positivos sobre qualquer expressão 'filhos de Deus' que encontramos ali oito
interpretação da idade dos patriarcas, devido às di vezes, em tíénesis 6.2.5; .fó 1.6.2.1; 38.7; Salmo
ferenças nos antigos manuscrito». As traduções para 29.1; 89.6; e Daniel 3.25 .
o português sào todas feitas dos manuscritos hebrai- "Km todos estes textos a expressão 'filhos de De-
cos. dos quais náo existem exemplares mui antigos. sus' significa anjos.
O manuscrito hebraico mais antigo leva n data de " A explicação destes dois uso» distintos da frase <
830 a.C. com um sentido no V.T. e outro no N.T» com refe-
Os manuscritos samaritanos (somente o Penta- rência a diferentes classes de seres, é a seguinte: que
teuco) apresentam o texto hebraico em letras sama- um 'filho de Deus' se refere a um ser que existe por
ritanas. Datam provável mente do quinto século an- um ato criador de Deus; produzido por Ele em vez de
tes de Cristo. ser produzido pelo homem.
A Versão Grega do V. T.. chamada "dos Setenta" "Os anjos são chamados 'filhos de Deus" porque
(ou L X X ) . foi feita durante os séculos terceiro e se- são uma criacáo separada distinta de todas as ou-
gundo antes de Cristo. Todas as versões diferem nas tras. O primeiro Adão podia ser chamado um 'filho de
idades em Gênesis 5 e 11. Os expositores mais erudi- Deus' no mesmo sentido (Lc 3.38), porque Deus o
tos acham que as genealogias na versão dos L X X são criou. Mas os descendentes de Adão não eram preci-
de mais confiança do que as dos outros manuscritos. samente criação de Deu», porque Adão, 'criadit... na
Ao menos aquela admite haver um "segundo Cai- semelhança de Deus' (Gn 5.1). gerou um filho à sua
nã". filho de Arpachade, em Gênesis 11; isso concor- semelhança (3) Assim que, por sermos filhos do pri-
da com Lucas 3.36. meiro Adão, somos 'filhos dos homens* e nào pode-
mos ser chamados filhos de Deus por geração natu-
Quem deseja investigar o assunto pode estudar ral
"Heptadic Structure of Scripture" por R Mc Cor "Quando, porém, somos 'feitura dele' criados em
mack. Cristo Jesus (Ef 2.10) e 'nova criação' em Cristo (2
Enoque. "trasladado para não ver a morte" (Hb Co 5.17), então. nele. podemos ser chamados 'filhos
11.5) antes do julgamento do Dilúvio, é um tipo dos de l>eus". Então somo» seus filhos pelo ato de rege-
santos que hão de ser trasladados antes dos julga- neração espiritual, porque Ele tem criado em nós
mentos apocalípticos (1 T s 4.13-17). Noé. deixado uma nova natureza, e nos tem dado um espirito de
sobre a terra, mas conservado durante o julgamento adoção, pelo qual clamamos 'Abba'. istoé. 'meu Pai'
do Dilúvio, é um tipo do povo judaico, que será con- (Rm 8.15; Gl 4.6).
servado através dos julgamentos apocalípticos (Jr "Este uso por Paulo da expressão 'filhos de
30.5-9; Ap 12.13-15) e levado, como um povo terres Deus', é. por isso. inteiramente distinto do que en-
tre, para uma nova terra e um novo céu (1*65.17-19; contramos no V.T. Se iaso tivesse sido discernido, e a
66.2U-22; Ap 21.1) (Scofield) presente dispensaçào náo tivesse sido atribuída ao

22
Génesú
passado, ninguém teria pensado que a expressão 'fi- que a sua felicidade foi realmente interrompida por
lhos de Deus' em Gênesis 6.2,4 pudesse ser emprega- aquilo que viu nas suas criaturas, pois Ele é imutá-
da em referência aos 'filhos de Sete!' (J. 144)". vel na sua felicidade como na sua natureza.
Mais adiante, no mesmo livro, numa exposição A linguagem do texto acomoda-se à nossa débil
detalhada de 1 Pedro 3.19, o dr. Bullinger diz o se- compreensão: é como se fala dos homens quando es-
guinte em referência a Gênesis 6.2: tão desapontados nas suas espectações e esforços.
" O propósito de Satanás era frustrar o conselho Quer dar a entender que Deus náo fica como expec-
de Deus predito em Gênesis 3.15." tador indiferente para com as ações humanas".
E resume: A história da salvação de Noé na arca é resumida
"Pelo fato de não ter conhecimento da descen- em Hebreus 11.7 assim: "Peta fé Noé, divinamente
dência pela qual 'a semente da mulher' (Cristo) ha- avisado a respeito das coisas que ainda náo se viam.
via de vir ao mundo, sua primeira tentativa foi de sendo temente a Deus, construiu uma arca para a
corromper e destruir toda a raça humana. Isto ele salvação da sua casa, pela qual condenou o mundo, e
quis fazer conforme a referência de Gênesis 6 e Judas tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé"
6. 'Os filhos de Deus' eram anjos; 'os anjos que peca- O meio de salvação, a arca. era uma simples e
ram'. Todos os seres que são a imediata criação de clara figura de Cristo: passando pelas éguas da mor-
Deus são chamados seus filhos. Adão era um filho de te, saiu a salvo numa criação - um mundo além do
Deus (Gn 5.1; Lc 3.38). Nós não o somos. Por geração juízo. Os refugiados na arca escaparam da sorte dos
natural somos filhos de Adáo. gerados nâ sua seme- Ímpios- Assim Cristo nos salva pela sua morte e res-
lhança (Gn 6.3). A nova natureza em nós faz-nos 'fi- surreição. se somos achados nele (Fp 3.9); "não há
lhos de Deus' porque isso é a nova criação de Deus nenhuma condenação para os que estão em Cristo
(Rm 8.14-17; 2 Co6.17, Ef2.18). Pela mesma razão, Jesus" (Rm 8.1), e "se alguém está em Cristo é uma
os anjos também são chamados 'filhos de Deus' por- nova criação" (2 Co 5.17).
que são a imediata criação de Deus. No V.T., a frase Notemos como Noé, movido pelo temor, cons-
sempre tem este sentido. Em Gênesis 6 não podem truiu a arca: não esperou para ver o começo do juízo
ser da semente de Sete como geralmente se ensina, antes de a construir. Alguns pensam que jamais ti-
porque são contrastados com 'as filhas dos homens', nha chovido antes (2.5,6). Contudo. Noé obedeceu e
o que demonstra serem de uma natureza diferente. agiu, construindo a arca.
"Sabemos por Gênesis 6 que este grande propósi- O resultado foi salvar a família e condenar o
to satânico quase teve êxito, pois toda a terra estava mundo, que não fez caso do meio da salvação.
corrompida e cheia de violência (Gn 6. 11,12). O incidente do Dilúvio é. sem dúvida, o exemplo
"Toda a raça, exceto a família de Noé, era conta- clássico de juízo divino e. por isso. deve ser aceito
minada com essa geração chamada 'Nefilim*. Noé como o tipo e ensino do Espirito Santo sobre o assun-
era 'tamim Visto é. sem mancha, como a palavra tra- to.
duzida 'perfeito' no versículo 9 significa. Era preciso Lemos que juízo é uma obra estranha de Deus (Is
destruir todos pelo Dilúvio, mas os anjos que peca- '28.21), ou seja. é diferente da obra em que Ele tem
ram são 'reservados em cadeias' {1 Pe 3.19; 2 Pe 2.4 prazer: a misericórdia. O juízo tem cinco aspectos:
Jd 6) para serem julgados num dia ainda futuro". 1) E para a glória de Deus. 2) £ para a inst rução das
O leitor pode agora escolher entre as duas inter- nações (Is 26.9). 3) Ê purificador (Gn 15.16 e Lv
pretações. Pode notar que o dr. Bullinger náo cita 18.25). 4) Ê. conseqüentemente, uma libertação do
Mateus 22.30 nem considera o fato de Gênesis 6.2 re- mal. 5) É profético (Lc 17.26.27) (Goodman).
ferir-se a casamentos legítimos. Tradução aita-nativa (6.1): "E aconteceu que,
como Adáo começasse a multiplicar-se sobre a face
Notemos que. antes de haver um dilúvio, havia a da terra e lhe nascessem filhas... então disse o Se-
pregação da justiça (2 Pe 2.5), a provisão de um meio nhor: o meu fôlego náo ficará sempre em Adão. por-
de salvação, a arca. a paciência divina, esperando que. ele também é carne, porém seus dias serão mais
120 anos antes de mandar o castigo e o fechamento 120 anos (J 374).
da porta da arca. quando não havia mais esperança Citamos o seguinte de "The Bible and Modem
de os iníquos valerem-se do refúgio. A história da Research" par dr. Rendell Short:
Arca é resumida em Hebreus 11.7. "Se fosse razoável interpretar a Bíblia no sentido
Gênesis 6.6 apresenta alguns problemas de or- de ensinar que todo o mundo» como agora o conhece-
dem moral que têm preocupado o pensamento de mos. incluindo a América do Sul. a Antártica, etc. fi-
muitos e que não podem ser facilmente resolvidos. casse submergido de uma vez. e que cada uma das
Linguagem humana aplicada a um ser divino pode 790.000 espécies de animais fosse representada na
ser inadequada para expressar toda a verdade. O arca, que tinha apenas 180 metros de comprimento,
versículo ao menos ensina que Deus náo é indiferen- a dificuldade seria deveras formidável. Ê esse preci-
te para com as ações humanas. samente o tipo de dificuldade que alguns críticos
Aprendemos do capítulo 6 que o homem decaído, gostam de levantar contra a Bíblia. Mas é um ultra-
longe de evoluir para um estado cada vez melhor, de- ge ao uso das palavras argumentar assim. As pala-
genera-se, até Deus resolver destrui-lo da face da ter- vras da Bíblia, como em qualquer outro livro, são em-
ra. Sua degeneração é marcada por inclinação carnal pregadas no sentido que.levaram na ocasião de es-
e sensual (Mt 24.38), uma completa depravaçáo crever, e não no sentido t^ue vieram ú ter hoje. Foi o
(6.5) e impenitência obstinada (1 Pe 3.20). mundo en(ão~con)ieciõo que ficou submergido, e os
Quanto ao versículo 6 o dr. Goodman cita Carlos animais então conhecidos foram conservados em vi-
Simeon: da. Quando Lucas diz que todo o mundo havia de ser
" N ã o havemos de supor que Deus não previu o recenseado (2.1). evidentemente não inclui a Améri-
que ia acontecer, porque presciéncia é essencial á ca do Sul. Nem. quando se nos diz que 'todos os reis
perfeição da sua natureza. Nem havemos de supor da terra procuravam ver o rosto de Salomao' (2 Cr

23
Gênesis _

9.23), náo é para incluir o Japão e a Austrália. Gêne- inocência, o h o m e m fracassou inteiramente, e o jul-
sis 7.19 diz que 'todos os montes que havia debaixo g a m e n t o d o Dilúvio marca o f i m da segunda dispen*
d o céu foram cobertos". Entre os ouvintes de P e d r o saçáo e o c o m e ç o da terceira. A declaração da alian>
no Dio de Pentecoste havia homens ' d e todas as na- ça com N o é sujeita a humanidade a uma prova. Sua
ções d e b a i x o d o céu' ( A t 2.5), e em cada caso é evi- feição distintiva é a instituição, pela primeira vez,
dente que o sentido é 'o mundo então conhecido'. Se do governo humano - o governo d o homem pelo ho-
o m o n t e de Arara te onde a arca descansou é o m e s m o m e m . A função mais alta do governo é tomar a vida
A r a r a t e de hoje. é caso p r o b l e m á t i c o " . humana (9.6). T o d o s os poderes inferiores governa-
N o v . 4 notemos que o " s é t i m o m è s " é o s é t i m o mentais estão incluídos nisto. Segue-se que a tercei-
d o ano: não d o D i l ú v i o ( T ) . ra dispensação é essencialmente a d o governo huma-
N o é esteve na arca um ano inteiro, ou 365 dias. no. O homem é responsável para governar o mundo
pois entrou no dia 17 d o segundo mês. quando tinha de acordo com a vontade de Deus. Essa responsabili-
600 anos. e continuou até o dia 27 d o segundo mês no dade pesou sobre toda a raça: judeu e gentio. até que
ano seguinte ( T ) . o fracasso de Israel sob a Aliança Palestiniana ( D t
A Terceira Dispensaçào começa em 8.20. E a d o caps. 28 a 30.1-10) resultou no j u l g a m e n t o dos cati-
Governo H u m a n o . S o b a consciência, como sob a veiros. quando começaram " o s tempos dos g e n t i o s "

Nota do Editor: A teoria apraMoUdâ pai» autor (inundação local) também encontra dificuldade* j
plieãçáo. São Ln ame roa oo comentaristas que a contestam. Náo podemos cita-los a todos, m u
qufloos trecho* da obra " M e r e c e « a a f c o p o Antigo Testamento?", ãe Gioaoon L. Archer. Jr..
pela Edições Vida Nova - São Paulo fia. 228/30. 233/334:
" N ã o é possível, contudo, sustentar que mesmo uma inundação local seja uma explicação que i difi-
culdades científicas. Gênesis 7.19 declara muito explicitamente que o nível da água cobriu todoe os altos i
havia debaixo do céu. Entendendo-aa que as montanhas em questão fossem meramente as daquela região ( i
pretação que o texto dificilmente comportaria), ao mínimo a água deve ter coberto os picos do Monte Ararate. visto
que a arca foi eocalhar no pioo mais alto (além de 5.000 metro» de altura). A infor tecia inevitável t que o nivH da á-
gua tenha subido até maia do que 5.000 metros acima do atual nível do mar. Isto cria para a teoria do âmbito restrito
do OUúvio dificuldades quase tão graves como aquela* que a teoria procura evitar. Como 4 que o nível
ume do Ararate sam ter suhédo á mesma altura do mundo inteiro? Só durante um surto
i da pororoca, é que a água não conserva um nível igual. Admitir que a Armênia tíveeee: 5.000
i ter havido nenhuma inundação em Auvergne, na França, i propor um milagret
implicada pela maneira tradicional de crer num Dilúvio universal.
da lenda de Mano preservada entre oa hindus (segundo o qual Manu e i
i navio duma inundação de alcance mundial); ou a dç Ffth-he entre os chineses (foi êle o i
té, éòm sua esposa, três filhos e três filhas); ou a de Nu-u entre os havaianos; ou a de Tezpi entre oa i
ou a de Manahoao entre os algonquina? Todas estas concordam em declarar que a raça humana tenha sido inteira-
mente destruída por um grande dilúvio (usualmente descrito como tendo sido de alcance mundial), como resultado do
desgosto divino perante o pecado humano, e que um único homem, com sua família e pouquissii
sobrevivido á catástrofe por meio dum navio, duma balsa ou duma canoa, daigum tipo.
" N á o são todaa as tradições primitives que incluem uma arca como meio de aalvação. Entre certos |
aborígenes das Ilhas Andami. foi um pioo montanhoso multo a Ho que oüweueu o refúgio vital ao único i
Mas fera desta detalhe, aa linhas bãaicae da landa seguem a estrutura básica da narrativa de Gênesis. Os quurai
(tribo da sborlgsoes da Austrália); aa hahétaataa das Ilhas da Fijí. aa nativos da PoUnéeia, Micronéeia. Nova Guiné.
Nova Zelândia. Novas Héfaridas, os aatiteecétticse do Pai* de Galas, ae tribais do Lago Caudie no l
tém suas tradições dum Dilúvio, da destruição universal.

t a narrativa de Gteesis tem sido criticada como sendo não plausível por causa da i
i da arca segundo as dimensões registradas. Mas &a base de um cóvade de 52 cm (podia i
de 4€ cm), a arca teria 183 m de comprimento. 30,5 de largura. 18,3 m de profundidade. Ent
aido a forma duma caixa (arca) - hipóte** altamente piuvátel em viata de teu propósito
i de perto de 102.000 m\ espaço suficiente para 2.000 caminhões de gado (cada um contendo 181
ou 80 a 100 ovelhas). Atualmente, sé existam 200 tipos de animais
i; há 757 espécies entre o tamanho da ovelha e o do rato, e 1.35» menores do que ratos.
ivelmente na capacidade cúbica da Arca.

um Dilúvio locai.
obre um dilávie
objeção a um dilúvio a terra é a quantidade de água para iaao oscal-
volume de água suficiente,
Foz, pois Dests o s seporoçdo entre ao água» debaixo do firmamento e ao
" (ARA).
Parece que todaa aa águaa (antes) se en-
o Armamento, i quantidade de águas (a menor) foi ;

sobre o Armamento parece que não desciam. Gteesis 2.5


tmha feito chover sobre a terra...". o mo versículo 6: "Um subia da terra, « regava toda a
ite da água que estava so6 o Armamento,
pode calcular a quantidade de água que havia
incalculável de água sabre a terra quando pela primeira i todo
" a " a s /anelae de eéa se abriram teriam a libertação das á-
a atração que aa
água ainda a i Dilúvio de caráter geral.

24
Gênesis _

(Lc 21.24), e o domínio do mundo passou definitiva- da de Jafé; assim a história tem confirmado o exato
mente para as mãos dos gentios (Dn 2.36-45; Lc cumprimento dessas declarações (Scofield).
21.24: At 15.14-17). Que Israel, como os gentios. tem
governado para si e nào para Deus é tristemente evi- Capítulo 11
dente. o julgamento da confusáo de línguas terminou
a prova das raças: a doa cativeiros, a de Israel; en- A torre de Babel. Neste capitulo do Gênesis ("co-
quanto a prova dos gentios terminará com o ferimen- meços") encontramos o começo da confederação e do
to da imagem descrita em Daniel 2.34 e o julgamento engrandecimento humano. E Deus desaprovou essa
das nações com o que se vê em Mateus 25.31-46 confederação: impediu o projeto de fazer uma alta
(Scofield). torre e "um nome", confundiu as línguas e espalhou
Proposta emenda de tradução (6.9): "Noé era va- os povos sobre a face da terra. É interessante con-
rão justo e reto em seus tempos. Noé andava com frontar com este começo o desenvolvimento de con-
Deus entre o povo" (J. 375). federações humanas de hoje, e a multiplicidade de
nomes partidários.
Capítulos 9 e 10 A descendência de Sem. Vemos que a posterida-
de abençoada por Deus nem sempre seguiu pela li-
Noé e seus descendentes. Este trecho contém al- nha do primogênito. Arpachade era o terceiro filho
guns pontos que prendem a nossa atenção: a bênção de Sem (10.22) e náo o primogênito.
e promessa de Deus e o pacto que fez com Noé e com No capitulo 5 vemos que a média da idade para o
"toda a alma vwente" (9.16). nascimento de um filho era acima de cen- anos. No
O arco-íris (9.12-17). Alguns pensam que antes capitulo 11. era de 349 anos. E cm todo o livro de Gê-
do Dilúvio nunca houve chuva (Gn 2.6) e por isso o nesis as idades dos patriarcas vão quase sempre di-
aparecimento do arco-íris depois da chuva havia de minuindo.
ser bem notável. Quando Ezequiel viu em visão o Porventura seria h'cito entender que os anos
trono de Deus. viu que tinha "a aparência do arco eram, no principio, mais curtos do que depois? So-
que se vê na nuvem no dia de chuva" (1.28). mente assim poderemos compreender o caso de uni
Lemos neste capítulo acerca da embriaguez de homem esperar uns cem anos antes de nascer-lhe um
Noé (9.21) que nos faz ver que até um homem rica- Hlho.
mente abençoado por Deus pode ser vencido por pe- Proposta emenda de tradução (11.6): "porventu-
cados carnais De passagem notamos o procedimen- ra não haverá retribuição para tudo o que eles inten-
to correto de Sem e Jafé. que. em tempos tão remo- tarem fazer V
tos. tiveram um sentimento moral tão desenvolvido
como o dos mais ilustrados de hoje. Notemos tam- Capitulo 12
bém como a maldição caiu sobre Canaá, o filho mais
moço de Cão. e não sobre Cão mesmo, e que desde A chamada de Abráo. e as promessas que Deus
então os cananitas foram adversários do povo de lhe fez. Neste capítulo podemos estudar:
Deus até que chegou a ser necessário enxotá-los da V- i a) A escolha divina. Deus escolheu Abrão, e isto
terra *<Ja 17.18). importa conhecimento, aprovação, confiança, pre-
Se a Bíblia náo tivesse recordado a embriaguez paração para o fim destinado.
de Noé. o adultério de Davi. e a mentira de Pedro, V â.b b) .0 plano de (mediante o escolhiao de Deus)
poderíamos imaginar que os homens piedosos dos abençoar muitos povos.
tempos antigos eram bem diferentes de nós mesmos, V i c) A chamada divina - uma chamada positiva,
que temos tido os nossos próprios lapsos da aenda da individual, imperativa.
retidão; com esta diferença, porém, os lapsos deles V-5bd) A proteção divina - "amaldiçoarei os que te
ficaram recordados para aviso das gerações futuras, amaldiçoarem ".
e os nossos ficam ocultos. V 3 - A revelação divina - "apareceu o Senhor a
De certos netos de Noé vieram vários povos bíbli- Abrão".
cos: de Lude os lidios; de Assur os assírios; de Elam V1b f) A promessa divina - "d tua descendência darei
os elamitas; de Madai os midianitas; de Javã, os jô- esta terra".
nios; de Tiras os tracianos (T). A chamada é descrita em Atos 7.2.3. e a resposta
A Aliança com Noé (9.1-17). As bases são: em Hebreus 11.8.
1) Confirmação de que o homem seria relaciona- Abrão desce ao Egito (v.10). Isto nos parece um
do á terra, conforme a Aliança adãmica (8.21). desvio da senda da fé. pois ai Abrão perde a sua con-
2) Confirmação da ordem na natureza (8.22). fiança na proteção de Deus e pretendo valer-se de
3) Estabelecimento do governo humano (Gn 9.1- um subterfúgio para evitar o ciúme do rei da terra.
6). Contudo. Deus o protegeu sem que ele esperasse.
4) Garantia de que a terra náo sofreria outro dilú-
vio (Gn 8.21; 9.11). i a) Agiu sem consultar a Deus (v. 10)
5) Declaração de que procederia de Cão uma pos- ib) Escolheu seu destino, confiando na própria in-
teridade inferior e servil (Gn 9.24.25). teligência (v.ltl)
6) Declaração profética de que haveria uma rela- òc) Valeu-se da duplicidade para conseguir seu
ção especial entre Jeová e Sem (Gn 9.26.27). (De fa- propósito (v.13)
to. a revelação divina tem vindo mediante a raça d) Perdeu de vista a perspectiva e o plano da sua
acraítica; e Cristo, segundo a sua natureza humana, vida (rv. 2,12)
procede de Sem). £e) Sua astúcia parecia alcançar bom êxito
7) Declaração profética de que de Jafé procede- (w.14,15)
riam as raças "dilatadas" (Gn 9.27). Governos, ciên- •o f ) Achou-se mais tarde enlaçado na trama que ele
cias. artes, têm provindo, geralmente, de gente vin- mesmo fizera (v.18)

25
tínau

1 g) Foi censurado por um rei pagão, e mandado úlümo propósito divino transpareça (Gn 12.3; Is 2.2-
para sua própria terra ( w . 18-20). 4, etc.)
A Quarta Dispensaçào (Gn 12.1 a Êx 19.8): a da 2) Que a raça humana, doravante chamada gen-
promessa. Ê evidente que para Abráo e seus descen- tia em contraste com Israel, continua sob as alianças
dentes a aliança de Deus com ele fez uma grande di- com Adào e Noé. e que para essa raça (fora de Israel)
ferença. Vieram a ser herdeiros da promessa. A continuam ac dtspcfuaçôca da consciência e do go-
aliança é de graça por nào ter condições. Os descen- verno humano. A história moral do grande mundo
dentes de Abrão teriam apenas de ficar na sua terra gentilico conta-se em Rm 1.21-32, esua responsabili-
para herdar a bênção. No Egito perderam as bên- dade morai em Rm 2.1-16. A consciência nunca jus-
çãos. mas não a aliança. A Dispensaçào da Promessa tifica: ela ou "acusa" ou "desculpa". Onde a Lei é
terminou quando Israel táo facilmente aceitou a Lei conhecida pelos gentios. vem a ser para eles, como
(Ex 19.8). A Graça tinha fornecido um Libertador para Israel, uma muxistraçáo de morte, um meio de
(Moisés), um sacrifício para o culpado, e. por divino "maldiçáo" (Rm 3.19,20; 7.9-10; 2 Co 3.7; G1 3.10).
poder, libertado Israel da escravidão (Êx 19.4), mas Uma responsabilidade inteiramente nova surge
no Sinai trocaram a graça pela Lei. A Dispensaçào quando o judeu ou o gentio conhece o Evangelho (Jo
da Promessa se estende de Gn 12.1 a Êx 19.8. e era 3.18.19,36, 15.22-24; 16.9; 1 Jo 5.9-12) (Scofield).
exclusivamente para os israelitas. Importa distin-
guir entre dispensaçào e aliança. A dispensaçào é um Capítulo 14
modo de experimentar o estado espiritual do povo: a
aliança é eterna, porque é incondicional. A lei não Esta é a primeira vez que lemos de "reis" na
anulou a aliança abraámica (G1 3.15-18), mas era Bíblia, e uma palavra mais adequada na linguagem
uma medida disciplinária "até que viesse a posteri- de hoje seria "chefes". No Brasil, o chefe de uma ci-
dade a quem fora dada a promessa" (G1 3.19-29: 4.1- dade. como a de Sodoma (v.17). é chamado "prefei-
7). A dispensaçào somente, como meio de provar a to".
Israel, terminou com a aceitação da Lei (Scofield). Nesta contenda entre chefes rivais, vemos Ló en-
volvido, visto que era morador de Sodoma. Abrão,
Capitulo 13 morando a parte, foi quem salvou a situação, depen-
dendo da ajuda divina (v. 20).
Separação para Vens. Agora Abráo volta do Egi- Dois reis o encontram na sua volta: o de Sodoma,
to e vira o rosto para a terra prometida. Notemos as e Melquisedeque. Tudo quanto sabemos de Melqui-
três coisas que caracterizam sua vida de peregrino: a sedeque está neste capitulo, no Salmo 110 e em
tenda, o altar, e o poço. Náo lemos nada de um altar Hebreus capítulos 5.6 e 7. Ele é também o primeiro
no Egito. sacerdote mencionado na Bíblia: um sacerdote real,
Mas as riquezas que ele e Ló tinham acumulado e por isso uma figura do Senhor Jesus Cristo. Tam-
no Egito vêm a ser motivo de contenda na terra: re- bém aqui pela primeira vez lemos sobre "o Deus
sultam numa separação. altíssimo".
Abrão, confiante na proteção divina, pode deixar Depois da divina bênção pronunciada por Mel-
a escolha de destino a Ló, e este escolhe segundo as quisedeque, vem a tentação material, por parte do
aparências (v.10) nào, porém, após fervorosa oração. rei de Sodoma: Há um ditado que "cada homem tem
O crente, quando precisa escolher um ponto de o seu preço" mas um homem de Deus como Abrão
morada, deve pensar, náo somente na fertilidade dos nào pode ser comprado, nem quer receber favores de
terrenos, mas também na piedade dos vizinhos. Por- um rei mundano.
ventura haverá uma casa de oração bem perto? " E na volta de Abráo 'da matança doe reis' que a
Notemos que "a senda da fé é a senda da separa- misteriosa figura de Melquisedeque aparece. Ele
ção". Abrão nunca foi plenamente abençoado en- vem ter eom Abráo, traz-lhe pào e vinho, e o aben-
quanto não se separou de Ló (v. 14). Em cada ponto çoa: e Abráo dá-lhe o dízimo de tudo. Tanto se fala
onde Abráo demora vemos a tenda e o altar (v. 18). deste incidente no N . T . que devemos estudá-lo. Va-
Gênesis 11 e 12 marcam uma Importante linha mos notar os seguintes pontos:
divisória nas relações de Deus para com os homens. 1) Por ser ele o primeiro sacerdote mencionado
Até aqui a história tem sido a de toda a raça adámi- na Bíblia, tem sido escolhido pelo Espírito Santo
ca. Náo tem havido nem judeu nem gentio: todos como um tipo de Cristo, um Sacerdote maior que
têm sido um no primeiro Adão. Doravante, no relato Aarào
bíblico, a humanidade é considerada como um vasto 2) Ele era rei e também sacerdote. Rei de Salém
rio, do qual Deus. na chamada de Abrão e na forma- (da paz) e seu nome significa Rei da justiça (Zc
ção de Israel, tem separado um pequeno córrego, 6.12,13; Hb 7.2)
para por ele. afinal, purificar o mesmo grande rio. Is-
rael foi chamado divinamente para testificar a uni- 3) Assim, no Salmo 110.4 está escrito de Cristo:
dade de Deus no meio da prevalecente idolatria uni- 'Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de
versal (Dt 6.4, Is 43.10-12), para ilustrar a bem- Melquisedeque'
8venturança de servir o verdadeiro Deus (Dt 33.26- 4) Nào existe nenhuma mençáo do seu pai ou sua
29): para receber e preservar as divinas revelações máe, do seu nascimento ou morte; por isto, é tomado
(Dt 4.5-8; Rm 3.1-2), e dar ao mundo o Messias (Gn em Hebreus 7.3 como um tipo de Cristo: o sacerdote
3.15; 12.3: 28.13.14; 49.10; 2 Sm 7.16.17; Ia 11.1-5; eterno. Para estudar o assunto mais completamente
Mt 1.1). é preciso ler com cuidado Hebreus capítulos 5-7"
(Goodman).
O leitor da Bíblia deve ter sempre na memória:
1) Que no Velho Testamento as Escrituras têm Capitulo 15
em vista principalmente Israel, o pequeno córrego, e Promessa de uma posteridade. Neste capítulo,
nào o grande rio doe gentios. embora vez após vez o pela primeira vez. a fé é mencionada, e lemos "creu

26
l
Génesú

ele no Senhor, e foi-lhe imputado isso por justiça ". em 12.7 e a terceira em 18.1. Esta vez Ele se revela
Este versículo é referido em Romanos 4.3 e Tiago como o "Deus todo-poderoso" (Êx 6.3) e repete ain-
2.23. Abrão tinha então 85 anos. e nenhum filho. da mais detalhadamente as suas promessas. Os sé-
Mas tinha a promessa de Deus. e creu nessa promes- culos passados não têm visto a semente de Abraão
sa. A sua fé é relatada em Romanos 4.18-22: "O qual. em "perpétua possessão" da terra de Canaã, e pode
em esperança, creu contra a esperança [perspectiva | parecer que a incredulidade de Israel tenha perdido
de que seria feito pai de muitas nações... e não enfra- o gozo da promessa. Em Gálatas 3.16-29 o apóstolo
queceu na fé... e náo duvidou da promessa de Deus dá a entender que o pleno cumprimento de tudo de-
por incredulidade... estando certíssimo de que o que pende de Cristo, a verdadeira "posteridade" de
Ele tinha prometido também era poderoso para o fa- Abraão: "E se sois de Cristo, então sois descendência
zer'. Pena é que no capitulo 16 a sua fé fraquejou de Abraàn. e herdeiras conforme a promessa".
bastante, e ele teve a idéia infeliz de conseguir o pro- Neste capítulo ( w . 9 a 14) Deus estabelece o si-
pósito de Deus mediante um plano carnal seu. que nal da circuncisáo para Abraão e sua posteridade, e
mais tarde teve conseqüências funestas (SI 83.5.6), este rito continua a ser até hoje o distintivo de todo
por causa da descendência de Ismael, que sempre foi israelita. Ê interessante notar que o escravo, com-
inimiga dos israelitas. prado por dinheiro, havia de recebo' o mesmo rito
A promessa divina foi detalhada e explicita. In- (v.12).
cluía a asseveração de Deus ser escudo e galardão. Mas não podemos dizer que o rito teve sempre a
Prometida uma posteridade, e referia-se á escravi- mesma significação. No caso de Abraão podia ser " o
dão de Israel no Egito (v. 13). sinal da sua f é " (Rm 4.11), mas no de Ismael, com 13
Sobre isto o dr. Bullinger dá uma importante anos. ou de Isaque, com 8 dias, náo havia de ter a
emenda de tradução no versículo 13: "será peregrina mesma significação. Não vamos pensar que Isaque
em terra alheia [e será reduzida à escravidão e aflita | fosse "muito crente" com 8 dias de idade!
por quatrocentos anos". A peregrinação começou
com a chamada de Abrão. Capitulo 18
Explicou o motivo da demora no Egito (v.i6). Fa-
lou de toda a extensão das terras que Deus pretendia Aqui a narrativa fica interrompida para relatar o
dar aos israelitas. Contudo nunca tomaram posse de incidente da destruição de Sodoma e de Gomorra e a
tudo "desde o rio do Egito até ao grande rio Eufra- salvação de Lá.
tes" (v. 18). Sabemos por este capitulo que a aparência dos
" A aliança cora Abrão (começada em Gênesis três visitantes celestiais que falaram com Abraão era
12.1-3 e confirmada em 13.14-17; 15.4-5,17,18) tem de homens: "três varões", e dos três um era "o Se-
sete partes distintas: nhor" (v.l). Vemos esta mesma aparência humana
1) 'Farei de ti uma grande nação' (12.2) em um em Josué 5.13 e Marcos 16.5, mas é somente rate úi-
sentido natural e espiritual. timo versículo que acrescenta a aparência de moci-
2) Abençoar-te-ei", em dois sentidos, material- dade. O leitor pode decidir se, porventura, isto lança
mente (13.14,15,17) e espiritualmente (15.6 e Jo qualquer luz sobre o fato de o homem ser criado
8.56) "conforme a imagem e semelhança de Deus" (Gn
3) 'Engrandecerei o teu nome'. Abrão toma-se 1.26). F. bem possível que chegue á conclusão de que
um doe nomes universais. "não". A maioria doe estudiosos concorda em que a
4) 'Tu serás uma bênção' (G1 3.13,17) imagem e semelhança deviam ser entendidas moral
5) 'Abençoarei os que te abençoarem' e não materialmente.
6) 'Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. (Até Os visitantes começam com mais uma comunica-
hoje costuma ir mal a nação que persegue os judeus) ção, referente ao nascimento de Isaque. Esta vez é
7) 'Por meio de ti serão benditas todas as famílias Sara que ri, desconfiada, e depois nega que riu. Con-
da terra'. Esta é a grande promessa evangélica, cum- tudo. não havemos de pensar que ela era totalmente
prida na descendência de Abrão. personificada em descrente, pois lemos em Hebreus 11.11: "Pela fé
Cristo (Jo 8.56-58: G1 3,16)" (Scofield). tam bem a mesma Sara recebeu a virtude de conce-
ber. e deu à luz um filho já fora de idade". Notemos
Capítulo 16 que Deus tinha predito o nome do filho que havia de
nascer: "Isaque , ou "riso". Os dois tinham rido na
Um recurso carnal. Ficamos surpreendidos ao ver sua incredulidade, mais tarde podiam rir da sua cre-
que, pouco tempo depois, Abrão fraqueja na sua fé, dulidade, recordando a pergunta: "Haverá coisa al-
e, persuadido pela esposa, lança mão de outro meio, guma difícil ao Senhor?" (v. 14). Nesta ocasião
sugerido pela sua desconfiança quanto a conseguir as Abraão tinha 99 anos e Sara 89.
promessas de Deus. Toma a serva egípcia da sua
mulher, e por ela tem mu filho Ismael. Nos versículos 17 a 21 parece que ouvimos Deus
E a fé de Abrão vai ser provada durante mais tre- conversando com os dois anjos, e A brado, de pé, Um
ze anos quando não há sinal algum do cumprimento pouco afastado, ouvindo tudo. Os dois anjos haven-
da promessa de Deus. do seguido para Sodoma, Abraão aproxima-se. e faz
Proposta emenda de tradução (v.13): "porque ela a sua célebre intercessão. Estaê a primeira e grande
disse, tenho eu também aqui visto aquele que me oração intercéssória recordada na Bíblia. O dr.
vê?" (R. 48). Scroggie analisa a oração intercessória de Abraão da
seguinte maneira:
Capítulo 17 1) A base da oração é dupla: Primeiro, o reconhe-
cimento de Deus e da liberdade que tinha para falar
Muda-se o nome de Abrão. Ê a segunda vez que com Ele. Segundo, o Concerto de Deus (17.19).
Jeová aparece a Abrão e fala com ele. A primeira foi Abraão tinha sido chamado por Deus a interessar-se

27
com Ele no» seus propositos. referentes no mundo, e mos de um grave lapso na vida espiritual de Abraão.
por isso sente liberdade em falar-lhe. Saindo de Manre. onde vivera uns cinco anos, tal-
2) Características da oração de Abraão. vez. por motivo do escândalo causado pela família
a) Discriminação (24.25) entre os justos e os de Ló. ele se transfere para Gerar, na terra doa filis-
ímpios, e interesse em todos oa dois teus. e ali repete o mesmo subterfúgio que praticara
b) Confiança na justiça de Deus <w.23,25); a gra- no Egito, muitos anos antes. Fala de Sara como sua
ça de Deus (v.24); o poder de Deus (v.25) irmã. sem confessar que ela era sua esposa. E coisa
c) Precisão (vv.28-32). E lembremo-nos que peti- bem triste quando o crente, por motivo de seu mau
ções em termos gerais náo teráo respostas precisas procedimento, chega a ser reprovado pelos descren-
d) Importunidade Seis vezes Abraão pede que te». Notemos neste capítulo que:
Sodoma seja poupada e cada vez reforça seu pedido a) E possível descobrir que o descrente é mais
e) Humildade (v.27). Ele jamais se esquece de consciencioso do que pensamos ( v . l l )
que fala com Deus. b) Deus pode guardar qualquer um do pecado,
3) O êxito da oraçao de Abraão. Náo obteve tudo uma vez que tenha uma consciência sensitiva (v. 6)
que desejava, mas obteve tudo que Sodoma tornou c) Quando o homem de Deus faz uso da astúcia
possível. (Veja-se Jeremias 5.1.) mundana, o resultado só pode ser prejuízo
d) Um simples erro pode tornar-se pecado mor-
Capitulo 19 tal, se uma advertência náo for atendida (v.7)
Salvação de Ló e destruição de Sodoma. Note- e) O crente, uma vez restaurado espiritualmente,
mos que os "varões" do capítulo 18.2 sáo "anjos" em poderá orar pelos seus semelhantes (v.7)
19.1. Ló parece ser táo hospitaleiro como Abraão 0 Pode haver providências preventivas divinas
(v.2). mas os anjos náo querem entraT na sua casa. (v. 18)
Preferem passar a noite na rua. Poderemos imaginar g) Ê possível descobrirmos a piedade onde menos
Deus recusando entrar na casa de algum crente ho- se espera. Evidentemente Abimeleque era um ho-
je? Quais os motivos? Afinal os anjos consentiram e mem temente a Deus.
entraram. Precisamos acreditar que Sara. apesar doa seus
Ló parece ser o tipo do "meio-crente", convenci- noventa anos. era uma mulher bem-apes soada. Evi-
do, mas não convertido. A vida de uma tal pessoa dentemente havia nela qualquer coisa que cativou a
costuma ser uma contenda, uma inutilidade e talvez simpatia do rei Abimeleque.
uma catástrofe Seu testemunho uos genroti ficou Notemos que Deus falou com Abimeleque por so-
nulo (v.I4). nhos, mas a Abraão, face a face.
Sodoma figura o mundo e sua sensualidade. Proposta emenda de tradução (v.16): "eis que
Kgilo simboliza o mundo e sun comodidade ( Ê * sua prata é para comprares um vêu" (R. 67).
16.3).
Babilônia simboliza o mundo e sua grandeza (Js Capitulo 21
7.21; Ap 18.10).
A história de Ló nos ensina que. embora o cristáo Isaque nasce - Ismael ê despedido. Afinal nasce
mundano possa conseguir para si a salvação, pode, Isaque, depois de muitos anos de fé alternada com
contudo, perder a sua família. Filhos e filhas, criados incredulidade da parte dos pais. Em Cálalas 4 o
num meio devasso podem ser corrompidos. A mulher apóstolo encontra um sentido simbólico em cada um
que olha saudosa para as vaídades do mundo, em dos dois filhos. Na alegoria que Paulo percebe na
pouco tempo nâo poderá mais trilhar a senda da sal- história de ambos. Hagar representa o monte Sinai e
vação <v. 26). tudo que a Lei pode produzir, enquanto Isaque é o
Ló não agiu de acordo com o ensino de 2 Corintios fruto da fé. e mostra o que Deus faz para o crente.
6.17. Em Sodoma ele ganhou uma porção de triste-
Vemos que Ismael, o filho "nascido segundo a
zas: 1) Ele foi "atribulado pela vida dissoluta dos vi-
carne" (G1 4.29), persegue o filho da promessa, e é
zinhos" (2 Pe 2.7) 2) Ele foi desprezado por aqueles a
despedido, porque não pode herdar com este. Esses
quem procurou conciliar (v.9) 3) Ele nâo pôde evitar
que nâo sáo das obras da Lei (G1 3.10) náo herdarão
a ruína da família 4) Ele chegou a ser semelhante
as promessas dadas a Abraão, mas sim aqueles que
aos crentes de 1 Corintios 3.15. A graça de D e i s sal-
têm fé em Cristo (G1 3.12-14). Uma religião carnal é
vou Ló. e isso por força, contra a sua vontade (v. 16).
sempre inimiga da religião espiritual.
Quào solene é o aviso de Apocalipse 18.4. "Sai dela
povo meu!..." (Goodman). I Abraão e Abimeleque ( w . 22-34). Abimeleque
Notemos que Abraão, de manhã cedo, no dia era rei de Gerar (20.2). ao sul da Palestina. Abimele-
imediato á notável entrevista com os anjos "foi para que parece ter tido algum conhecimento de Deus
aquele lugar onde estivera diante da face do Se- (20.3,4 embora o temor de Deus náo estivesse na
nhor". Nós também podemos, de vez em quando, sua terra (20.11); e ele aprendera que Abraão era
voltar ao ponto onde temos provado mais evidente- profeta (20.7). Evidentemente observou Abraão bem
mente a presença de Deus: talvez na casa de oração, de perto, pois diz: "Deus é contigo em tudo o que fa-
na reunião da Santa Ceia. E desse lugar solitário zes" (v.22). um testemunho excelente da vida e an-
Abraão viu a fumaça de Sodoma incendiada, e com- dar do patriarca. Isto é ainda mais notável porque
preendeu que nem aempre a intereessáo de um ho- Abimeleque já tivera ocasião de o repreender por ter
mem piedoso pode salvar o iníquo de um merecido mentido (20.9). Assim os dois chegam a um acordo
suplício. sobre o negócio do poço, e fazem uma aliança (Good-
man).
Capítulo 20
Proposta emenda de tradução (v.16): "assentou-
Abraão na terra dos filisteus. Mais uma vez le- se sozinho, afastando-se" (R. 90).

28
Gênesis _

Capítulo 22 nham-se regozijado juntos com o nascimento de Isa-


que e acompanhado seu crescimento. E talvez esse
O altar sobre o monte. Este incidente é talvez o mandado de o sacrificar tivesse ferido o coração de
mais misterioso e sublime na história de Abraão. So- ambos. E agora Sara está morta e Abraão e Isaque
mente após longos anos de preparo espiritual pode- choram. • , »
ria Deus submetê-lo a tal provação da sua fé. com a Para sepultá-la, ele compra um campo por 400 si-
certeza de que havia do sair triunfante. Era sem dú- dos de prata. Esta é a primeira transação comercial,
vida uma experiência penosa á vista do mundo recordada na Bíblia, e os detalhes são muito interes-
cruel. Mas o resultado final havia de ser um notável santes.
engrandecimento da vida espiritual de Abraão, e o Não devemos pensar que os filhos de Hete (v.5,6)
conhecimento, mediante a sua própria experiência ou Efrom (w.10.111 tinham em mente que Abraão
de verdades bem importantes. Notemos os seguintes obtivesse a propriedade sem pagar nada. mas agi-
pontos: ram de acordo com os costumes do tempo, e Abraão
1) A certeza da palavra divina. Para agirmos em bem compreendia (w.7,12). Seu procedimento com-
algum sentido contrário ao sentimento natural, ao bina com a cortesia ensinada em 1 Pedro 3.8.
procedimento comum, aquilo que nossas convicções " E extraordinário pensar que a primeira proprie-
e as dos vizinhos aprovam, precisamos ter uma pala- dade de Abraão na Terra Prometida fosse um sepul-
vra de Deus mui positiva, que não admite dúvidas. cro emprestado". (Scmggie).
2) A falta de explicação. O mandado divino náo Diferenças têm sido notadas entre Gênesis 22.19
trouxe consigo um "porquê", contudo havia um raio e 23; 50.13; Josué 24.32 e Atos 7.15,16. Isto Scofield
de luz nas palavras "a quem amas", revelando que explica pela suposição de que, durante o intervalo de
Deus não estava esquecido da forte afeição natural 80 anos entre a compra por Abraão da sepultura (Gn
de Abraão para com o filho. 23.4-20) e a compra por Jacó (Gn 33.19), os descen-
3) A completa confiança de Abraão nos faz pen- dentes de Hamor (ou "Emor", At 7.15,17) tinham
sar nas palavras de Jó: "Ainda que me mate. nele es- novamente tomado posse do terreno. Jacó, em vez de
perarei" (Jó 13.15). A explicação dada em Hebreus alegar o seu direito á antiga propriedade, comprou o
11.18 é que Abraão "considerou que Deus era pode- terreno outra vez.
roso para até dos mortos o ressuscitar [a Isaque}". Abraão lembrou-se de que já era tempo de o filho
4) O conhecimento de Deus, fruto de longos anos contrair matrimônio. Ele marcou duas condições: a
de experiência da divina proteção e bondade, progre- noiva havia de ser da mesma parentela, e Isaque náo
diu até que. afinal, Abraão podia obedecer cegamen- havia de sair da Terra Prometida em procura da es-
te. posa.
5) A submissão de Isaque à vontade do pai. Um Felizmente Abraão tinha um empregado fiel e
belo tipo da obediência de Cristo até a morte. competente para tratar do negócio.
6) A palavra profética de Abraão. Disse Abraão: Abraão receava que Isaque se casasse com uma
Deus proverãpara si o cordeiro". Também havia um moça de Canaã. ou que voltasse para a terra donde
sentido profético no nome que Abraão deu ao lugar: tinha sido chamado. Ainda hoje, ás vezes, os pais sa-
Jeová-jireh, "o Senhor proverã". João 8.56 permite- bem melhor do que os próprios moço6 que tipo de ca-
Doe pensar que ele tinha alguma vaga previsão do samento será bom para seus filhos. Entre os chineses
"Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". são os pais que escolhem as noivas para seuB filhos, e
7) A lição de substituição. O carneiro "travado parece que todos acham essa maneira mais proveito-
pelas suas pontas num mato", veio a ser o substituto sa.
do moço; e quantos moços desde o tempo de Isaque Notemos, em relação ao empregado Eliézer (Gn
têm dado graças a Deus por Ele ter "fornecido um 15.2), os seguintes pontos:
substituto"! a) Era um homem de. idade, e pessoa de confian-
8) A maneira maravilhosa como que Deus operou ça. Ê bem possível que Abraão não tivesse outro a
em Abraão, uma semelhança a si mesmo. Num dia quem pudesse confiar uma tarefa tão delicada.
futuro Deus havia de ceder seu Filho, em sacrifício b» Era homem prevenido. Levou consigo tudo
pelo pecado. Mas então não haveria outro cordeiro que era necessário para o bom êxito da sua missão.
para tomar o lugar dele: "Nem mesmo a seu próprio c> Era homem piedoso Orou a Deus pelo serviço
Filho poupou, antes o entregou por todos nós" (Rm que havia de fazer.
8.32). d) Era homem cauteloso Pediu um sinal, uma
" A obediência de Abraão era agradável aos olhos coisa que nem sempre é preciso, e que o Deus miseri-
de Deus, por isso o mandamento foi dado. A morte cordioso às vezes fornece.
de Isaque náo teria sido agradável a Deus, visto que e) Era homem eloqüente quando precisava falar
o ato da matança foi impedido". do seu senhor.
Proposta emenda de tradução (v.14): "No monte f ) Fira homem pontual, e não quU perder tempo
o Senhor proverã". 54).
Eliézer é o servo modelo: ele 1) não vai sem ser
mandado (24.2-9). 2) Vai para cmde o mandam
Capítulos 23 e 24
(w.4,10). 3) Não se ocupa com outra coisa. 4) Ora. e
Quando Isaque tinha trinta anos. sua mãe fale- dá graças (w.12.14,26,27). 5) É sábio para persua-
ceu. Foi um dia triste para Abraão. Ele tinha 137 dir: vv.17,18,21). 6) Fala. não de si. mas das riquezas
anos, e tinham viajado juntos desde Ur, e visto Tera do amo, e da herança do filho (22.34-36; At 1.8). 7)
morrer em Harã, e viajado à Terra Santa, e mais tar- Apresenta o caso sem equivocação e requer uma de-
de ao Egito. Tinham conversado juntos sobre a pro- cisão positiva (v.49) (Scofield).
messa de Deus. e cometido certos erros, como no Vamos agora considerar Re beca:
caso de Hagar. sofrendo juntos as conseqüências. Ti- Era uma virgem formosa (v.16): trabalhadeira

29
Gênesis _

(v.19); hospitaleira, corajosa, decidida (v.58); mo- em tranqüilidade e beber sua água em paz. Apesar
desta (v.65). da sua grandeza e riqueza, tais misericórdias lhe são
El iézer enfeita a noiva com as jóias da rasa pater- negadas om Gerar. Isaque. por um processo lento e
na, mesmo antes de ela encetar a viagem. O Espírito penoso, é instruído no sentido de que deve totalmen-
Santo procura enfeitar a Igreja com as lindas rega- te abandonar a terra dos fílisteus". Assim, ele deixa
lias da casa do Pai. antes de ela chegar ali (v.53). Gerar e vem a Berseba, onde o Senhor lhe aparece
Isaque saiu a orar ("meditar" sobre o falecimento novamente, com mais promessas de bênçãos. Isaque
de sua màe-J.199) no campo (v.63), talvez por falta responde renovando as três características de um pe-
do sossego necessário na tenda, e ali mesmo levanta regrino: o altar, a tenda e o poço (Gn 26.25).
os olhos e vê chegando os camelos bem conhecidos.
Na oração solitária podemos ver coisas maravilho- Capítulo 27
sas.
Jacó engana seu pai. Agora, pela primeira vez,
Capítulo 25 Rebeca aparece num caráter menos amável. Ensinar
um filho a ser mentiroso é conduta péssima. Vemos a
Quctura c 3cus filhos. A vida de Abraão eslá mesma coisa hoje quondo o mãe dir à criança que
cheia de surpresas. Contraiu outro matrimônio, e um pássaro vai sair da máquina fotográfica. Note-
teve mais seis filhos - e, possivelmente, alguma filha mos as características do pecado de Jacó:
também. Contudo, "deu tudo que tinha a Isaque" a) Era um pecado contra um pai cego e idoso.
(v.5). Então faleceu com 185 anos de idade.4e b) Foi praticado num momento solene, quando o
Lemos que fsaque habitava junto ao povo Lahai- pai ia dar a sua última bênção.
rói (16.14), que significa "aquele que vive e me vê". c) Referia-se a um assunto sagrado. (Porventura
Um bom posto para morada. Ali nascem Esaú e Jacó a bênção de Deus se obtém mediante engano e frau-
- uma resposta, mais abundantemente dó que ele de?)
pensava, às suas orações. d) Foi tudo planejado deliberadamente: nào foi
A venda da primogenitura (27-34). Esaú repre- uma tentação repentina, aceita sem reflexão.
senta o homem meramente natural (Hb 12.16,17). e) Começou com uma mentira positiva: "Eu sou
Em alguns sentidos era um homem mais nobre do Esaú teu primogênito"
que Jacó, mas ora destituído de fé, c desprezou a pri- f ) Chego»i a «ser uma blasfêmia: " O Senhor teu
mogenitura porque era uma coisa espiritual, com va- Deus a mandou a meu encontro".
lor somente onde havia fé. g) A mentira foi repetida solenemente (v.24).
A primogenitura tinha três elementos: 1) Até o h) Foi confirmada por um beijo (w.26,27); o mes-
estabelecimento do sacerdócio aarônico: o cabeça da mo que Judas fez quando traiu seu Senhor.
família exercia direitos sacerdotais. 2) A família de i) Era um cruel roubo do seu irmão (vv.34).
Abraão tinha a promessa Edênica de "esmagar a ca- De Esaú notamos que era uma pessoa profana
beça da serpente" (Gn 3.15). 3) Esaú. como primogê- (Hb 12.16,17), que fizera pouco caso da primogeni-
nito, estava na linha direta da bênção (Gn 12.3). Se- tura (25.32). Vemos que:
gundo a revelação divina, as grandes promessas mes- 1) Há perdas que não podem ser recuperadas e
siânicas poderiam ter sido realizadas em Esaú. Esta apetites que precisam ser controlados (25.30).
primogenitura, Esaú vendeu por uma passageira 2) O arrependimento pode ser tardio. Esaú não
gratificação carnal. Sem dúvida, a idéia de Jacó, achou lugar para o arrependimento. O que vemos
quanto â primogenitura era, np«Íta rtcasião, carnal c nele é mais remorso do que arrependimento
inadequada, mas seu desejo de a obter mostrou uma 3) Ninguém precisa ficar sem alguma bênção di-
verdadeira fé (Scofield). vina. embora tenha perdido a bênção especial. Al-
guém pode perder a bênção da inocência, mas ainda
Proposta emenda de tradução (v. 32): estou sujei-
assim pode adquirir a bênção da santidade.
to a morrer" (R.49).
Proposta emenda de tradução (v.39): "a tua ha-
Capítulo 26 bitação será longe das gorduras da terra e longe do
orvalho dos céus do alto" (R. 86).

Isaque em Gerar. Abimeleque talvez seja filho Capítulo 28


desse do capitulo 21. Diz "Treasury of Bible
Knowledge": "Ficol. tanto como Abimeleque (rei Visão e voto de Jacó. Em conseqüência das dis-
paterno), bem pode ser o nome de um ofício entre os córdias na família, .Jacó é agora fugitivo, em deman-
fílisteus. pois não é provável serem as mesmas pes- da de um patrão e uma esposa.
soas referidas em Gênesis 21.22,32". Reaparece ou- Então, dormindo no caminho, tem o sonho da es-
tra vez uma desinteligência referente a um poço cada entre a Terra e o Céu, e de Deus falando com
(21.25 e 26.18). Vemos que o filho fez questào de be- ele, fazendo novas e grandiosas promessas. Nesta vi-
ber onde seu pai tinha bebido (2 Cr 34.3). e hoje, às são Jacó aprende:
vezes, dá-se a mesma coisa. a) Que Deus está mais próximo do que ele pensa-
Isaque estava habitando em Gerar, no meio dos va (v.16).
fílisteus que eram inimigos do povo de Deus. Assim b) Que a presença de Deus torna o lugar terrível
diz J.B.Stoney: " O Senhor tem de ensinar a Isaque o (v.17) ou melhor temível. O reconhecimento de estar
pouco proveito de lucro em Gerar. Pode ser enrique- na presença de Deus pode consolar o aflito, conser-
cido, e seu trigo render cem vezes mais (v.12) até ele var o tentado, animar o desalentado, ensinar o igno-
ser engrandecido (v.13), mas qual a vantagem de tu- rante, acalmar o agitado. Podemos nós indagar
do? A posição de um peregrino lhe teria sido mais fe- quanto conhecemos desta realização da presença de
liz, porque, nesse caso, teria podido comer seu pão Deus, e que influência tem sobre nós?

30
Gênesis _

c) Que o Céu está mais perto do que parece. É nhor*. 'Casem-se..., contanto que seja no Senhor' (1
muito natural pensar no Céu como um lugar remoto, Co 7.36,39), é um conselho que é loucura desobede-
e, às vezes» necessitamos uma visào espiritual para cer. *No Senhor' quer dizer, não meramente que os
vê-lo perto. crentes devem casar com outro crente, e sim que
d) Que existe um caminho - Jacó percebeu uma todo o enlace deve ser na vontade de Deus. ordenado
escada entre o Céu e a Terra. Nós pensamos em Cris- e guiado por Ele. Que foi assim no caso de Jacó é evi-
to como sendo esse caminho para o Pai. Evidente- dente pelos fatos seguintes:
mente. a escada tinha contato em baixo e em cima: 1) Jacó atendeu aos conselhos paternos
com a Terra e com o Céu. Anima-nos lembrar que (28.1,2,7), diferente de Esaú, que tomou mulheres
Jesus vivia em intimo contato com os homens, ao das filhas de Canaã (26.34,35). Deus sempre honra
mesmo tempo que se sentia repousado no Céu (Jo aqueles que honram seus pais.
3.13). 2) Deus conduziu Jacó pelo caminho por onde po-
e) Que os anjos ministram entre o Céu e a Terra deria achar o amor sem nenhum sentimento de ver-
(Mt 18.10). Esta verdade é pouco explicada na gonha ou impropriedade.
Bíblia. 3) O amor de Jacó era uma verdadeira devoção:
0 Que o mesmo Deus que protegera seus antepas- serviu sete anos por amor a Raquel.
sados (os de Jacó) havia de ser seu recurso, guardan- 4) Seu amor tornou o serviço leve: pareciam-lhe
do-o nas suas peregrinações, e. mais tarde (depois de poucos os dias. Por este amor natural podemos
20 anos), iria trazê-lo à terra donde saíra. aprender a verdadeira devoção daqueles que conhe-
O voto de Jacó foi baseado nas palavras que ouvi- cem o amor de Cristo. Como no caso de Jacó, o amor
ra na visào. Parece-nos quase como linguagem de nos ensina a considerar-nos mortos para o pecado e
uma permuta. mas talvez Jacó não pensasse assim. vivos, não para nós mesmos, mas para aquele que
No voto de Jacó vemo-lo resolvido a ser raonoteísta. por amor de nós morreu e ressuscitou" (Goodman).
isto é, adorar somente a Jeová e não aos muitos ído- "Jacó em Harã vem a ser uma notável ilustração,
los dos pagáos em redor; a dedicar ura determinado senão um tipo da própria nação que descendeu dele,
lugar a Deus - chamando esse lugar de a "Casa de na sua longa dispersão. Como essa nação, ele estava:
Oração"; a dedicar a Deus a décima parte das suas 1) fora do lugar de bênção (Gn 26.3); 2) sem um altar
colheitas. (Os 3.4,5); 3) ganhou um mau nome (Gn 31.1; Rm
"Betei veio a ser, devido à visão de Jacó ali, um "2.17-24); 4) mas estava sob a proteção de Jeová (Gn
dos lugares significativos das Escrituras. Para o cris- 28.13,14; Rm 11.1,25-30); 5) foi por fim restaurado
tão significa uma realização (embora imperfeita) do (Gn 31.3; 35.1-4; Ez 37.21-23).
conteúdo espiritual da fé. correspondendo à oração " A lição principal é evidente: embora Jacó não
de Paulo em Efésios 1.17-23. seja abandonado, é permitido colher as conseqüên-
" N o sentido dispensacional, o incidente fala de cias do caminho da sua própria escolha" (Scofield).
Israel lançado fora por causa do seu mau procedi- Proposta emenda de tradução (31.24): "que não
mento, mas retendo a promessa de restauração e fales a Jacó primeiro bem e depois mal" (R. 46).
bénçào (Gn 28.15: Dt 30.1-10).. Falando com um ver-
dadeiro israelita , Cristo fala de a visão de Jacó ter Capítulo 32
seu cumprimento no Filho do homem" (Gn 28.12 e
Jo 1,47-51) (Scofield)
Jacó e os anjos. Vemos que Jacó, apesar de ser,
pelo visto, um homem de pouca espiritualidade,
Capítulos 29 a 31
nunca foi abandonado por Deus, mas várias vezes na
Jacó e Labáo. Nestes três capitulos vemos as sua história acidentada teve experiências da inter-
manobras de dois homens astuciosos, cada um dis- venção divina. Em Gênesis 31.3, ao fim dos vinte
posto a enganar o outro, mas Labáo começou primei- anos de desterro. Deus toma a falar com ele, e o
ro. manda voltar à terra dos seus pais. No primeiro
"Acabada a semana desta; então te daremos versículo do cap.32. "encontram-no os anjos de
também a outra" (29.27). " A festa nupcial pública Deus" e no fim do capitulo, um anjo luta com ele.
parece ter sido o método regular de celebrar um ca Notemos que esse anjo é chamado varão (v.28) e
samento, e essa festa durava sete dias. Não teria sido deve ser o anjo do Senhor, a segunda pessoa da Trin-
conveniente interromper as solenidades, estando dade. i.iq :iác . - to o j
presentes todos os homens do lugar t'v.22). É certo Jacó chamou aquele lugar de "Maanaim': "dois
que Jacó não serviu mais sete anos antes de receber bandos", a saber, a comitiva da sua companhia, e o
Raquel" (T). bando celestial: os anjos de Deus.
Dr. Scroggie resume a vida de Jacó em quatro Neste misterioso conflito podemos notar o se-
períodos, em que ele é Usurpador. Servo, Santo e Vi- guinte:
dente. Nestes caracteres ele morou em Berseba, Ha- 1) Jacó encontrava-se a sós com Deus, em intima
rã. Hebrom e Egito e os capitulos que o apresentam realização da sua presença e poder. Quão raras vezes
são 25-28; 29.31; 32-45; 46-50. Os capitulos 29 a 31 temos uma experiência semelhante, mesmo nas nos-
mostram-no no segundo destes quatro caracteres. sas horas de oração íntima!
Hará. onde o patriarca havia de passar vinte anos da 2) Jacó sentiu-se em conflito com Deus, e, por is-
sua vida (28.10: 31.41) significa "seco". Padã-Arã é o so, devia compreender que com ele havia coisas que
distrito e Hará a vila ou ponto da morada de Labão. Deus não aprovava.
"Náo há período mais perigoso na vida de um 3) Jacó quis conhecer mais perto esse que luta-
moço do que o tempo do amor. A triste e patética va com ele, e pertuntou-lhe pelo nome.
ruína de um casamento errado é evidente em todos 4) Jacó sentiu a urgente necessidade da bênção
os lados. Como é bom quando o matrimônio é 'no Se- divina.

31
Gênesis _

5) Jacó prevaleceu quando mais do que nunca para Siquém e ali arma a sua tenda, e levanta um al-
sentiu a própria fraqueza. tar.
A visão dos céus abertos em Betei era a primeira Mas parece que esta vida de peregrinação e pie
grande experiência de Deus na vida de Jacó: a luta dade nào satisfaz a filha, "e saiu Dina... a ver as fi-
com o anjo foi a segunda. O bispo Boyd Carpenter lhas da terra", e disso resultou a sua desgraça e a
escreveu: vingança dos irmãos, Simeão e Levi. Porém os cren-
"Em que posição achamos o estado espiritual de tes se lembram que a "vingança é do Senhor" (Rm
Jacó na ocasião deste segundo incidente sobrenatu- 12.19).
ral da sua vida? Durante o primeiro período ele era Proposta emenda de tradução (34.29): "os seus
simplesmente um homem do mundo. Depois da vi- meninos e as suas mulheres levaram presos, e despo-
são em Betei, era um homem religioso: via-se na sua jaram tudo que havia nas casas" (Our Translated
vida uma influência religiosa. Depois do conflito no Gospels 150).
vau de Jaboque chegou a ser um homem espiritual.
Estava voltando para sua terra, sentindo na alma o
Capítulos 35 e 36
peso do seu pecado sem perdão, sem purificação. Be-
tei era a casa de Deus, onde aprendeu que não podia
pisar um pedaço qualquer da terra sem descobrir Jacó volta a Betei. Deus tudo está vendo, e serve-
que o Governador do mundo estava ali. Aqui temos o se dos infortúnios de Jacó e sua família para o enca-
desenvolvimento de uma verdade mais ampla: a in- minhar novamente a Betei, "a Casa de Deus", onde
tercomunhão e relação pessoal entre a alma do ho- ele tivera sua primeira visáo espiritual. Mais uma
mem e seu Criador. vez ele constrói ali um altar, e este por expressa or-
dem divina. O culto doméstico com toda a família é
"Os que confiam no Deus de Betei e na sua provi- de uma vantagem inestimável. Indo para um lugar
dência preocupam-se com o que Ele dá, mas as aspi- tão sagrado como Betei, Jacó sente a necessidade de
rações do homem espiritual são inteiramente dife- se ver livre de todo o compromisso com a idolatria
rentes. Em Betei Jacó dissera: 'Se Deus for comigo e (35.4); por isso deixa as jóias e os ídolos escondidos
me guardar. Em Jaboque seu primeiro pensamento debaixo de um carvalho em Siquém. E o altar que
era: 'Dá-me, peço-te, a saber teu nome! Ele deseja- faz ali ele chama "El-Beth-El": o Deus da Casa de
va conhecer mais de Deus, e náo receber mais de Deus. Deus. Primeiro ele estivera preocupado com o lugar
Ganhar mais experiência espiritual é o anelo do ho- santo, e chamou-o "Betei". Agora a sua preocupação
mem copiritual. Fazer amizade com Deus por moti- é com a pessoa no lugar.
vo do bem que pode obter é a idéia do homem mera-
mente religioso". "Os deuses estrangeiros que se encontram no
meio de vós" (v.2). O dr. Bullinger explica esta es-
Jacó vem a ser Israel (v. 28). Ambos os nomes sáo tranha alusão assim: "Isto parece dar a idéia, à pri-
aplicados à nação dele descendente. Quando emprega- meira vista, que Jacó e sua família tornaram-se idó-
do caracteristicamente, "Jacó" é o nome da posteri- latras. É verdade que lemos dos "terafins' que Ra-
dade natural de Abraão, Isaque e Jacó, e "Israel" o quel levara quando fugira com Jacó da casa do pai
da posteridade espiritual. (Veja-se Isaías 9.8.) A pa- (31.19), mas isso nâo dá a idéia que eram para serem
lavra foi enviada a Jacó - todo o povo - , mas ela caiu adorados. Provavelmente eram dé ouro e prata, e fo-
sobre Israel: a parte espiritual. ram levados pelo seu valor, em lugar do salário ainda
devido por Labâo e Jacó.
Capítulos 33 e 34 " É difícil acreditar que a idolatria fosse comum
na família de Jacó, como Gênesis 35.2 parece dar a
Esaú e Jacó. Podemos aprender deste incidente entender.
as seguintes lições: " N ã o precisamos ir muito longe para achar a ex-
1) Que gozar de notáveis experiências espirituais plicação. Poucos versículos antes (34.26-29) lemos
nem sempre aprimora o caráter da pessoa. Para isso que os filhos de jacó tinham saqueado a cidade de Si-
é preciso julgar em si as más disposições, confessá- quém e tomado o gado 'e todos os seus bens... e des-
las diante de Deus, e procurar com Ele graça para se pojaram-nos: levaram tudo quanto havia nas casas'.
corrigir. "Aqui, pois, temos a explicação destes estrangei-
2) Que um pecado de há vinte anos pode ainda ros e seus deuses estranhos? Vemos também por que
ter conseqüências hoje. Jacó deu este mandamento não somente á sua casa,
3) Que o melhor remédio para o medo é uma mas a todos quantos estavam com ele".
consciência tranqüila e serena. Uma libação (v.14). Esta é a primeira vez que le-
4) Que o descrente., às vezes, apresenta um proce- mos de uma libação. e entre as várias ofertas de
dimento bastante amável. O crente deve sempre Levítico caps. 1 a 7 -não se fala de libação: Somente
apreciar isto, e dar-lhe o devido valor. É provável que em Números 15.5-7. Era sempre para derramar nun-
cada um de nós conheça alguns descrentes caridosos, ca para beber, e pode ser considerada como um tipo
abnegados, altruístas. de Cristo no sentido de Salmo 22.14 e Isaías 53.12
5) Que embora Jacó chame Esaú cinco vezes de (Scofield).
"meu senhor" isso é linguagem de lisonja. Nascimento de Benjamim (v.18). Chamado Be-
6) Que uma reconciliação malfeita pode náo noni (filho da minha tristeza) pela màe, e Benja-
agüentar a prova do tempo. Pode ser mais prudente mim (filho da minha destra) pelo pai. Era dupla-
uma separação. Acontece, ás vezes, haver irmão6 em mente um tipo de Cristo. Como Benoni. o Sofredor,
Cristo que acham mais prudente viverem distantes por cuja causa uma espada também transpassou a
uns dos outros. Duas famílias de crentes numa só alma de sua mãe (Lc 2.35); como Benjamim, cabeça
casa nem sempre sáo felizes. de uma tribo de guerreiros (Gn 49.27), ligada firme-
Jacó continua em movimento. Faz uma casa mente com a tribo real (Gn 49.8-12; 1 Rs 12.21),
para ai em Suco te (33.17) mas náo fica ali. Segue ele veio a ser o tipo de Cristo vitorioso. E de notar

32
Gênesis _

que Benjamim era especialmente honrado entre os nome de Tamar na genealogia de Mateus capítulo
gentios (Gn 45.22). primeiro - Perez (Fares) foi "nascido em pecado" e
Tflo numerosos são os distintivos de Cristo que Salomão também, mas na providência divina, figu-
necessitam de muitos tipos. José é o tipo mais com- ram na genealogia do Salvador do mundo, porque
pleto, Benjamim representa apenas o Sofredor, que Deus conhece os corações.
ainda há de ter poder sobre a terra (Scofield).
Proposta emenda de tradução (36.24): "Ana, que Capítulos 39 a 41
encontrou os Emins no deserto".
José no Egito. Parece-nos que José nunca teve as
Capítulos 37 e 38 sublimes revelações da imediata presença de Deus
que Jacó experimentou, mas ainda assim mostra
Onde Isaque outrora fora peregrino, Jacó é ha- uma espiritualidade que não vemos no pai. Porven-
bitante ( v . l ) e, na história da Igreja, uma coisa se- tura Jacó legou ao penúltimo filho qualidades que
melhante tem sucedido. No capítulo 35 faleceram ele mesmo não possuía? Preferimos pensar que José
Débora, Raquel e Isaque, e mais uma vez vemos devia seu caráter mais nobre à sua mãe Raquel e que
Esaú e Jacó reunidos, na ocasião do enterro. seus irmãos deviam, cm parte, as eu as más qualida-
Agora Jacó perde o lugar principal da história, e des» (cap. 49) às escravas de quem nasceram.
José vem à frente, e nessa época ele é o único filho de O capitulo 39 pode ser dividido em quatro partes,
Jacó que parece ser realmente piedoso. com os títulos Prosperidade (vv.1-6). Pureza (vv.7-
Jacó nunca tinha ouvido a exortação de Paulo a 12). Perfídia (vv. 13-19) e Prisão (w.20-23).
Timóteo: "nada fazendo por parcialidade", e assim Sabemos que José tinha trinta anos quando saiu
demonstra forte preferência por José, fazendo-lhe da cadeia (41.46), mas não sabemos a sua idade
uma túnica de várias cores. Isso naturalmente au- quando foi encarcerado. Contudo não é de supor que
mentou o ódio dos seus irmãos que não tinham con- seu patrão tivesse entregado à sua mão "tudo que ti-
quistado do pai tal simpatia (cap.49). nha" (v.4) enquanto era ainda moço.
Os sonhos de José e a "má fama" das coisas que E foi "depois destas coisas" que ele foi tentado,
relatou ao pai com respeito aos irmãos contribuíram denunciado e encarcerado quando tinha talvez uns
de algum modo nesse mesmo sentido. Sendo rapaz 25 anos.
de apenas 17 anos, José talvez, tivesse pouca prudên- A resistência e vitória de Joac são mair. notáveis
cia no falar, e assim, quase inconsciente, ia aumen- quando pensamos nas circunstâncias desfavoráveis
tando contra si o aborrecimento dos irmãos. da sua - ida. Encontrava-se longe da familia, oprimi-
No começo do capítulo 37 vemos o jovem José em do, esc avizado, privado da afeição dos seus queri-
todo o conforto do lar paterno, e por fim toma-se es- dos. rodeado de gente incrédula, sujeito aos assaltos
cravo no Egito. Como essa mudança se fez é bem sa- do mundo, da carne e do Diabo (representado por
bido e náo precisamos repetir. uma mulher iníqua).
Ismaelitas ou midianitas. Gênesis 37.25 fala de José venceu porque "o Senhor estava com ele"
ismaelitas; v.28 fala de midianitas e ismaelitas; v.36 (v.3), e ele vivia como na presença de Deus: porque
fala de midianitas, e 39.1 fala de ismaelitas. Afinal, tinha o costume de contar com a aprovação divina
José foi levado ao cativeiro por ismaelitas ou midia- em tudo o que fazia; porque a sua preocupação não
nitas? era principalmente com a gente que o rodeava mas
"Em Juizes 8.24 lemos dos midianitas que Gi- com Deus mesmo; porque ele tinha tido prévias ex-
deão acabara de vencer, que usavam jóias de ouro, periência» de vitória sobre a came antea dc aparecer
'porque eram ismaelitas'. Por isso evidentemente to- esta provação maior. Quando nos sobrevém uma
dos os midianitas eram ismaelitas, mas nem todos os tentação pequena, devemos reconhecer que isso po-
ismaelitas eram midianitas. deria desenvolver em nós o poder de resistir às tenta-
"Para descobrir como isto podia ser, temos de ir ções maiores.
mais longe. A primeira indicação está em Gênesis As conseqüências da vitória de José náo foram so-
16.11,12, onde aprendemos que Ismael era filho de mente por ser ele forte na sua vida espiritual, e por
Abraão pela sua mulher Hagar, enquanto aprende- ser animado a suportar as conseqüências penosas da
mos de Gênesis 25.2 que Midiã e Medã eram filhos acusação falsa, mas também em chegar a ser um
de Abraão pela sua mulher Quetura, Assim Ismael e exemplo e modelo para animar milhares de pessoas
Midiã eram irmãos do mesmo pai e, sem dúvida, ti- tentadas por concupiscências carnais, durante todos
veram a vida associada. Mas em Gn 37 não era preci- os séculos subseqüentes. Desde então até hoje um
so explicar isso, por ser coisa bem conhecida. sem número de homens tem dito: "Se José venceu
devido ã sua comunhão com Dcuo, ou poeso vencer
"Assim é claro que, enquanto a caravana era per- do mesmo modo".
cebida na distância e reconhecida como ismaelita,
uma inspeção mais de perto mostrou que havia nego- Notemos que José sempre se salienta como admi-
ciantes midianitas com a comitiva, conhecidos por nistrador: na casa de Potifar, no cárcere, e no reino
usarem as jóias de ouro, que sabemos, por Jz 8, se- do Egito. Nem todos têm as qualidades necessárias
rem sinal de todos os ismaelitas" (J.288). para isso: inteligência, energia, simpatia, previsão,
Judá e Ta mar. Não precisamos nos deter com as coordenação, etc.
relações ilícitas entre Judá e Tamar. a não ser para A respeito de Davi, Deus disse a Samuel, falando
notar que nesse tempo parece que havia certos de Jessé: "dentre seus filhos me tenho provido de um
princípios morais bem reconhecidos e observados e rei" (1 Sm 16.1). Os magos, indagando com respeito
que então havia mais severidade para a mulher que a Jesus, perguntaram: "Onde está aquele que é nas-
claudicava ante a moralidade do que para o homem. cido rei?" e lemos que Jessé gerou "ao rei Davi".
Ficamos deveras impressionados ao encontrar o Bem pouca gente nasce com qualidade para admi-

33
nistrar. governar, guiar o povo: nem todos nascem numerosas para serem acidentais. Ei-las: Ambos
rei. eram o objeto especial do amor de um pai; ambos
José. que em toda sua história parece ter sido ir- eram odiados pelos irmãos; a superioridade de am-
repreensível, era em muitas coisas semelhante a bos era negada pelos seus irmãos; seus irmãos cons-
Cristo: o amado do pai. o melhor dos irmãos, o mais piraram para os matar; José foi, em intenção e figu-
odiado e rejeitado pelos seus; foi vendido por umas ra. morto por seus irmãos, como foi Cristo; cada um
moedas de prata; sofreu grande tentação sem pecar; chegou a ser uma bénçáo entre os gentios, e ganhou
foi rebaixado e acusado falsamente, mas perdoou até uma noiva dos gentios; como José reconciliou seus ir-
os seus "assassinos" e, em tudo, foi o filho e a espe- mãos consigo e depois os exaltou, assim será com
rança de Israel. Cristo e seu irmáos judeus (Dt 30.1-10; Os 2.14-20;
Podemos resumir o caráter de José assim: Rm 11.1,15,25,26)" (Scofield).
1) Era senhor de si mesmo, capaz (devido à ener- Proposta emenda de tradução (45.26): O coração
gia de sua vida espiritual) de subjugar seus apetites de Jacó não "desmaiou" (Alm.) nem "entorpeceu-
e paixões. se" (V.B). mas ficou dividido" (entre receio e espe-
2) Era h<tmem de fé. e. por isso, na provação da rança). (Veja-se "Our Translated Gospels", 27.)
cadeia, estava sereno e confiado em Deus, sendo, "Como podemos explicar a conduta de José para
apesar dos sofrimentos (SI 105.18), capaz de se ocu- com seus irmãos quando voltaram e trouxeram Ben-
par com os outros. jamim com eles? Estranhamos ainda servir-se ele de
3) Era sábio administrador, e competente para enganos. A provável explicação é: 1) José procurou
aconselhar o rei. Podemos crer que a sua secreta co- descobrir a disposição dos dez irmãos para com Ben-
munhão com Deus na adversidade o tinha capacita- jamim. Ele planejava trazer toda a família para o
do a enfrentar as provações da subseqüente prosperi- Egito, e era necessário descobrir se estavam todos
dade. em harmonia. 2) Ele também quis assegurar-se de
José como tipo de Cristo: que os filhos de Raquel eram agora tão queridos de
1) Ele fez provisão para o povo para uma necessi- Jacó como em tempos passados. Havia tanto de afei-
dade imprevista. Uma provisão suficiente para "to- ção como de sabedoria nestas multiplicadas demo-
das as terras" (41.57). (Porém José não sofreu ao fa- ras, que, à primeira vista, parecem desnecessárias, e
zê-la.) que tanto adiaram o momento da reuniáo.
2) O lugar de destaque que ele ocupava fora de- "Duas coisas eram necessárias aqui: a primeira,
terminado pelo rei (41.41) como o domínio de Cristo que José tivesse oportunidade de observar a conduta
foi determinado pelo Pai (At 5.31). dos outros para com seu irmáo mais novo, que agora
3) A palavra então era: "ide a José! fazei tudo o ocupava o lugar de José nas afeições do pai: a segun-
que José vos disser!" E hoje é: "Vinde a Jesus! Ele é da, que por algum tratamento que ele mesmo rece-
o único « c u r s o " . bera dos irmáos. provasse se podia despertar neles
Podemos acreditar que José, em conseqüência uma viva recordação e uma penitente confissão da
das provações que lhe sobrevieram do desamparo de culpa passada.
todos os seus, sentiu-se mais do que nunca atraído " O trato de José com seus irmãos é, em parte, o
para Deus, seu único recurso; e assim os males con- mesmo de Deus para com os homens. Deus nos vê
tribuíram para o desenvolvimento do seu caráter es- descuidados, mui dispostos a fazer pouco caso dos
piritual. Pode dar-se uma coisa semelhante em nos- velhos pecados: e então; mediante apertos, adversi-
sa própria experiência. dades e dores, Ele traz esses pecados à nossa memó-
ria. e afinal obtém de nós a confissão 'na verdade so-
Capítulos 42 a 45 mos culpados' (42.21). E então, quando a tribulação
tem feito a sua obra, Ele está pronto a confirmar seu
José e seus irmãos. Este é o grande c clássico tre- amor para conosco como foi José para com seus ir-
cho bíblico sobre perdão e reconciliação. Notemos o mãos" (R. C.. Trench).
seguinte: Embora José fale da sua glória (45.9) ele é humil-
1) Não pode haver perdão sem arrependimento. de. Diz "Deus me enviou"; "Deus me fez senhor".
2) Pode ser preciso tempo para conseguir um ar- Desde o princípio ele relacionara a sua vida com
rependimento completo. Deus - com a divina permissão, o divino plano, a di-
3) A presença de pessoas antipáticas pode emba- vina vontade.
raçar a reconciliação (45.1). Virá o dia em que Cristo se tornará conhecido dos
4) O momento próprio para a reconciliação deve seus irmãos, e nesse dia lamentarão, mas depois se
ser discernido por um método de orar. meditar, ob- regozijarão.
servar e agir. Achamos estranho Judá, na V.B. chamar Benja-
5) A emoção nem sempre pode (ou deve) ser re- mim um "menino " quando já era pai de 10 filhos
primida. (46.21). Aqui Almeida explica melhor, dizendo:
6) Manifestação de amor fraternal nem sempre "moço".
vence imediatamente a desconfiança. Note a pala- Proposta emenda de tradução (42.30): "o grande
vra "depois" em Gênesis 45.15. senhor da terra" (R. 56)
7) De grandes males podem resultar maiores bens
Capítulos 46 a 48
(45.5).
8) A mensagem ao pai (45.9) nào se referiu ao pe- Reunião familiar. Jacó então viaja para o Egito, e
cado dos irmãos. O mal passara: o proveito era atual. mais uma vez ouve a voz de Deus (46.2) encorajan-
Na pregação do Evangelho, pouco nos referimos, tal- do-o.
vez, ao pecado dos judeus em crucificar seu Messias. Lendo a genealogia dos filhos de Jacó, descobri-
"Embora a Escritura jamais diga ser José um mos que Benjamim já tinha vários filhos. Nessa oca-
tipo de Cristo, as semelhanças são acentuadamente sião ele podia ter tido uns trinta anos de idade. Sáo

34
67 pessoas (v.26) ou, contando Jacó, José e os dois fi- 'Tutmosis n i vence a Siria e faz de Canaá uma
lhos deste, 70 pessoas (v. 27), que vào ao Egito. Em província egípcia, em março de 1503 a fevereiro de
Ato* 7.14 o número é dado como 75. 1449.
Jacó tinha 130 anos quando se encontrou com Fa- "Amenófis (Khu-en-aten) o *rei herético' procura
raó (47.9) e nessa ocasião José tinha uns 40 anos introduzir reformas religiosas: 1400.
(41.46 e 45.6). Jacó ainda viveu no Egito mais 17 "Queda da dinastia XVIII e levantamento da
anos (47.28) e José mais 70 (50.22). Não sabemos se X I X sob Ramsés I: 1380.
ele continuou a ser Primeiro Ministro do reino, du- "Ramsés II (o Sostris dos gregos), o Faraó da
rante todo esse tempo, mas é pouco provável. opressão, edifica Pi tom 1348.
O Egito nunca foi o lugar para o povo de Deus, e "Seu filho Merneptá II lhe sucede: 1281.
as visitas feitas por Abraão, Isaque e Jacó não foram " O Êxodo teria acontecido no seu reinado ou no
determinadas por Deus. Scofield diz: " Ê importante dos seus sucessores imediatos.
distinguir entre a vontade permissiva e a vontade "Guerra civil; fim da dinastia X I X ; perda das
positiva de Deusr O lugar para os filhos do Concerto províncias asiáticas, etc. O trono é tomado por um
era Canaá e náo o Egito (Gn 26.1-5). Em Gênesis 46 siro: Arioso em 1240.
temos um caso tocante da vontade permissiva de "Jacó abençoa os filhos de José. Vemos que Jacó
Deus. Com a família dc Jacó dividida, c cm parte já quis adotar os dois netos que nasceram a José antes
no Egito, a compaixão de Jeová não proibiu Jacó de de ele, Jacó, chegar ao Egito, contando-os entre seus
seguir para ali. Deus protege o seu povo até mesmo próprios filhos, de maneira que desde então figuram
quando não está no melhor dos lugares que a sua entre 'os filhos de Israel'. A história recorda que José
vontade propõe para ele. Quando Israel escolheu um teve, em tudo, nove filhos. Quando receberam esta
rei; quando voltou de Cades-Barnéia; quando man- bênção do avô os dois moços tinham 17 anos para ci-
dou os espias; no caso de Balaáo, vemos exemplos ma. Podemos entender que os outros filhos de José já
disto. E escusado dizer que a vontade permissiva de tinham nascido, mas não partilharam da bênção en-
Deus nunca se estende às coisas iníquas; e a maior tão pronunciada. Percebemos em Jacó, apesar da
bênção possível sempre está no caminho da sua von- idade avançada e da cegueira, algum discernimento
tade positiva". profético" (48.19).
Examinando Gênesis 46.34 parece haver uma
contradição ou ao menos uma inconseqüência inex- Capítulo 49
plicável sem algum conhecimento da história do
Egito. Declarações proféticas referentes aos filhou He Ja-
Segundo diz Angus, quando Abraão desceu ao có. Rúben. o primogênito, que devia ter sido o exem-
Egito, e mais tarde a sua família, o pais era gover- plo e guia dos outros, é reprovado, devido à sua imo-
nado pelos odiados hicsos, ou "Reis pastores", chefes ralidade. praticada uns 40 anos antes (35.22). Si-
de uma tribo árabe que tinha vencido os governado- meào e Levi ficam reprovados pela sua violência
res egípcios. Pelo espaço de mais de 500 anos (259 (34.25) e sentenciados:. "Eu os espalharei em Israel".
anos, segundo o Treasury) dominaram aqueles reis o No caso de Levi, esta sentença resultou em bênção,
Egito. Compreende-se, pois, a cordial recepção de pois Levi chegou a ser a tribo sacerdotal, repartida
Abraão e, depois, de Jacó na corte dos Faraós, bem em todo o Israel.
como a cessão da terra de Gósen para os israelitas Judá era tribo real. da qual nasceram Davi e Je-
habitarem, sendo os pastores uma abominação para sus Cristo. No versículo 10 parece haver uma vaga
os egípcios, por cujo motivo convinha haver alguma profecia acerca de Cristo: "até que venha Siló e a ele
separação entre os israelitas, pastores de profissão, e se congregarão os povos".
o povo Agípcio. que odiava os pastores.
"A palavra Siló se refere a uma pessoa ou a um
"O novo rei, que não conhecia José" (Êx 1.8) per- lugar? Era todos os demais lugares da Escritura onde
tencia à dinastia que se seguiu à expulsão dos hicsos; se encontra, essa palavra indica o ponto onde o ta-
e provavelmente o Faraó da grande opressão foi Ra- bemaculo foi colocado depois da conquista da terra
messés II da X I X dinastia, o Sostris dos gregos, que prometida; e neste sentido aparece pela primeira vez
mandou edificar cidades de tesouros, cujas ruínas em Josué 18.1. E situada em Efraim, uns trinta quilô-
ainda hoje se vêem. Sendo um povo estrangeiro, cer- metros ao norte de Jerusalém... Siló significa a segu-
tamente o povo israelita, foi inteiramente emprega- rança: quem segura; o salvador" (J. C. Murphy).
do nessas construções. Notemos que um lugar na Bíblia geralmente toma o
Segundo Davis, o Faraó do Êxodo foi Manepta, o nome de uma pessoa. Não havemos de pensar que a
décimo-terceiro filho de Ramesés II. profecia de Jacó aludia à "vinda" do Siló que deu
O "lllustrated Bible Treasury" dá a seguinte cro- seu nome à vila, porém a outro Siló vindouro - o Se-
nologia do Egito: nhor Jesus Cristo - a quem havia de congregar-se o
" A dinastia X I V foi derrotada pelos hicsos ou povo de Deus. Com relação a esta profecia, podemos
pastores, invasores, vindos da Ásia. Houve três di- consultar Apocalipse 5.5.
nastias de Faraós hicsos (com sua capital em Zoan)
Por falta de espaço, não podemos comentar deta-
a última foi contemporânea de uma dinastia nativa
lhadamente as profecias de Jacó referentes a todos
em Thebes. Abraão e José provavelmente vieram ao
os seus filhos, mas, de passagem, devemos notar a
Egito durante o período dos hicsos. A tradição diz
abundância das bênçãos de José. Dele se diz: "Seus
que José era ministro de Apohis II (Aa-Kenen-Ra),
ramos correm sobre o muro", assim repartindo seus
em cujo reinado arrebentou a guerra de independên-
abundantes frutos mais longe do que se havia de es-
cia, chefiada pelos príncipes de Thebes.
perar. Que seja assim também com outros que náo
"Os hicsos foram expelidos e a dinastia XVIII têm o nome de José!
fundada por Ames I com sua capital em Thebes. O
começo do Novo Império foi em 1600 a.C. A referência a Benjamim deve ter sido também

35
Gênesis _

ditada pelo espírito de profecia, e não só pelo senti- Há freqüentes referências e episódios e persona-
mento paternal, que era grande. gens do Gênesis, como:
Propostas emendas de tradução (49.4): "Ferven- Gn 3.4 - Eva enganada pela serpente (2 Co 11.3; 1
te como água ", (v.26) "as bênçãos de teu pai preva- T m 2.14).
leceram sobre as bênçãos dos meus pais". Gn 4.4 - Sacrifício de Abel (Hb 11.4).
Gn 5.24 - Caráter e trasladaçào de Enoque (Hb
Capitulo 50 11.5.6).
Enterro de Jacó na cova que fora comprada aos Gn 14.18-20 - Melquisedeque (Hb 7).
filhos de Hete (49.32). Seu corpo foi embalsamado Gn 19.24-26 - Destruição de Sodoma e de Go-
pelos médicos (mencionados pela primeira vez) egíp- morra (Lc 17.29,32 e 2 Pe 2.6,7).
cios, e foram tantos egípcios ao enterro que o nome Gn 22.9 - O sacrifício de Isaque (Tg 2.21).
dele ficou ligado ao lugar ( v . l l ) . A expressão "foi Gn 25.33 - A venda que Esaú fez do seu direito de
congregado ao seu povo" (49.33) é um dos poucos si- primogenitura (Hb 12.16).
nais no V.T. de haver uma compreensão de uma Gn 47.31 - Jacó adorando, apoiado no seu bordão
existência além da morte. (Hb 11.21).
Morte de José. O caráter exemplar de José conti - Juntai a isto toda a série de referências que fez
nua até o fim dos seus 93 anos no Egito. Vemo-lo nós Estêvão, quando estava sendo julgado (At 7).
seus últimos anos não mais preocupado com deveres
políticos, mas no meio da família, e com a preocupa- A frase "no princípio" (6.1) aparece como uma
ção de que seus ossos nào deviam ficar para sempre profunda significação em João l . l . O homem criado
no Egito. à imagem e semelhança de Deus (5.1 e 9.6) é uma
Este primeiro livro da Bíblia termina com "um verdade reconhecida em 1 Corintios 11.7. Efésios
caixão no Egito " e o apocalipse com "a graça de nos- 4.24, Colossenses 3.10, Tiago 3.9. A santidade do ca-
sos Senhor Jesus ( risto". samento é fortalecida com as palavras de Gênesis
2.24 por Jesus Cristo em Mateus 19.5, e por Paulo e 1
REFERENCIAS NO NOVO T E S T A M E N T O AO Corintios 6.16 e Efésios 5.31. A fé de Abraão (15.5,6)
LIVRO DE GÊNESIS é repetidas vezes mencionada como sendo tipo do ca-
As passagens seguintes são citadas, segundo a ráter cristão (Rm 4.3, G1 3.6 e Tg 2.23). A palavra
fórmula geral, "está escrito", "Jesus disse", etc.: "Paraíso" leva o pensamento ao Jardim do Éden (Gn
Gn 1.27 - Mt 19.4 2.8,9, Ap 2.7 e 22.1,2). A escada de Jacó toma-se
Gn 2.2 - Hb 4.4 como símbolo de notável expressão (Gn 28.12 e Jo
Gn 2.7 - 1 Co 15.45 1.51).
Gn 12.3 - A t 3.25, G1 3.8
Gn 17.7 - G1 3.16,19 Muitas frases no Novo Testamento mostram que
Gn 21.10,12 - G1 4.30, Hb 11.18 o Gênesis era um livro familiar aos escritores inspira-
Gn 22.16.17 - Hb 6.13,14 dos, sendo reputado como divino (Angus).
Gn 25.23 - Rm 9.12

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xodo ("saída") recorda a re- 1.3. Sua tarefa prolongada, e êxito final (cape. 5 a
denção doe descendentes de 12.36).
Abraão da escravidão no ,2. Israel do Egito ao Sinai (caps. 12.37 a 19.2).
Egito, e figura, tipicamen- 2.1. A Lei da Páscoa, e a coluna de fogo (caps.
te, toda a redenção. Ê, por 12.37 a 13).
isso, iín livro que ensina uma libertação que resulta 2.2. Através do mar Vermelho, e oa cânticos
numa nova relação com Deus, expressada por adora- (caps. 14,15).
ção, pómunháo e serviço. Assim, o Êxodo, mediante 2.3. Fornecimento divino para manutenção e go-
a Lei, os sacrifícios e o sacerdócio, vem a ser, nào so- verno (caps. 16 a 19.2).
mente o livro da redenção, mas, tipicamente, o 3. Israel no Sinai (caps. 19.2 a 40).
exemplo das condições em que subsistem quaisquer 3.1. Revelação do concerto (caps. 19.2 a 24).
relações com Deus.
3.2. Estabelecimento do tabemáculo (caps. 25 a
O livro ensina que a redenção é essencial para ha- 27, e 30 a 40).
ver comunhão com um Deus santo, e que mesmo um
povo remido nâo pode ter comunhão com Ele sem ser
constantemente purificado de qualquer contamina- M E N S A G E M DO ÊXODO
ção.
Nunca se poderia considerar este livro lido de-
Em Êxodo, Deus, até então relacionado com o mais nem as suas verdades aplicadas demasiada-
povo de israel somente pelo seu concerto com mente à alma individual. Ele partilha com Levíticc
Abraão, leva esse povo para si nacionalmente, pela da característica de ser, em ensino típico, o livro
redenção, põe-no sob o pacto Mosaico, e habita no mais rico na Bíblia. Náo podemos fazer mais do que
seu meio através da nuvem de glória. A carta aos Gá- apontar resumidamente as suas grandes verdades,
latas explica a relação da Lei ao pacto Abraâmico. que são três. n !

Nos mandamentos, Deus ensinou a Israel as suas


justas exigências. A experiência sob os mandamen- 1. ISRAEL ESCOLHIDO (capa. 1 a 12).
tos convenceu Israel do seu estado pecaminoso; o for-
necimento do sacerdócio e dos sacrifícios (ricos de Isto pode náo ser imediatamente aparente, meu
preciosos tipos de Cristo) proporcionou a um povo se voltarmos a Gênesis 12, veremos como a nação de
culpado um meio de alcançar o perdão, a purifica- Israel foi escolhida e abençoada por Deus na pessoa
ção, a restauração, a comunhão e o culto. de Abraão, e que desde então foi o seu povo particu-
Êxodo tem três divisões principais: 1) Israel no lar, por quem Ele propõe trazer bênçãos ao mundo.
Egito (1-15). 2) Do mar Vermelho ao Sinai (16-18). Contudo, pouco mais de doiB séculos depois, encon-
3) Israel no Sinai (19-40). tramo-la como nação de escravos, sob a vara de Fa-
raó, no Egito.
ANÁLISE DE ÊXODO 1.1. Um Povo esmagado. A mão de faraó estava
contra Israel, e ele promoveu meios para enfraquecer
1. Israel no Egito (cape. 1 a 12.36). e destruir a nação. Expediu um decreto para que to-
1.1. A opressão no Egito (cap. 1). dos os meninos fossem mortos ao nascerem e que os
1.2.0 nascimento, a educação e a chamada israelitas fossem obrigados com rigor a construir ci-
de Moisés (caps. 2 a 4). dades para os tesouros do Egito. Vemos no capítulo 5
txoáo
um aspecto da degradação de Israel. E o decorrer do municação divina a Moisés, seu representante efeti-
tempo não melhorou a sua condição: crueldades vo. São pronunciadas então as dez Palavras que es-
eram seguidas de crueldades. tabelecem os princípios do Governo divino, de apli-
1.2: Um POVO suplicando Por tanta opressão, o cação perpétua maa adaptadas entào às necessida-
povo levantou a sua voz num grande clamor que ale- des daquela Nação. Segue depois o Livro do Concer-
gou de uma vez o seu sofrimento e a sua incapacida- to (caps. 21-24), em que se apresentam leis judiciais,
de; e esse clamor subiu a Deus, e Ele escutou o gemi- morais e cerimoniais, com avisos e promessas. Desta
do deles. maneira o povo é instruído acerca de Deus. e exorta-
Nada pode ser pior do que contentamento com o do a reconhecer a soberania da sua vontade, bem
pecado, ou dúvida quanto à possibilidade de um me- como a obedecer à sua Palavra.
lhoramento. Israel tinha saído desse caso, e havia es- 3.2. Um povo estabelecido. Se a Lei era o padrão
perança no meio do sofrimento. Mas sua libertação da sua vida, o Tabernáculo era o símbolo da sua se-
não era para já. Deus tinha levantado um homem, e gurança - Jeová no meio do seu povo. Instruções mi-
o estava preparando (no palácio e no deserto), para, nuciosas foram dadas a Moisés referentes à sua cons-
na plenitude do tempo, libertar o seu povo. É certo trução; o sacerdócio foi instituído para exercer as
que a vontade de Deus é soberana, mas também é suas funções. Então "uma nuvem cobriu a tenda de
certo que. para efetuar essa vontade, algumas condi- reunião, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo".
ções foram estabelecidas. Nem Moisés nem Aarão O antitipo disto, como se vê em Joáo 1.14. é Cristo
estavam ainda prontos para o serviço; muito tinham mesmo, que "se fez carne e habitou [Tabemaculou]
a suportar e a aprender. Golpe após golpe havia de entre nós. cheio de graça e verdade" e cuja glória
cair sobre Faraó; a fé de Moisés havia de ser prova- contemplamos: é na presença do Cristo vivo que seu
da; o cálice da aflição de Israel havia de ser enchido, povo é estabelecido para sempre.
e então o povos chamado havia séculos, seria liberta- Assim, os escolhidos são chamados, e os chama-
do. dos são constituídos: e o povo que outrora era esma-
gado, e clamara na sua miséria, está agora libertado,
2. ISRAEL C H A M A D O (caps. 13 a 19). conduzido, alimentado, ensinado e estabelecido. As-
sim vemos a Eleição de Gênesis consumada na liber-
2.1. Um povo libertado. Os egípcios haviam sido tação do Êxodo (Scroggie).
atormentados pelas pragas, e aparentemente sem re-
sultado: o dia da libertação parecia distante como Há muita diferença entre os estudiosos quanto à
nunca. Mas as trevas, às vezes, parecem mais densas cronologia bíblica, mormente na parte que se refere
antes da aurora; Deus tinha mais uma praga para o aos tempos dos patriarcas e do êxodo. O dr. Scroggie
Egito, a qual havia de ser para Israel uma Páscoa. resume os p&receree quando diz que entre a ida de
Sangue foi derramado e espargido, e o povo tribula- Jacó ao Egito, e o êxodo, havemos de contar nem
do ficou sob o seu abrigo, e somente assim podia ser menos de 134 anos nem mais de 278. Investigar o as-
libertado. Sem a cruz de Cristo não há liberdade do sunto pouco havia de adiantar à nossa vida espiri-
pecado, mas somente escravidão; cada tentativa de tual.
se livrar pelo esforço próprio prova ser inütiL Ê sob a Os "quatrocentos anos"de Atos 7.6 e os 430 de Ê-
cruz de Cristo que precisamos nos colocar para os laços xodo 12.40 podem ser contados desde a chamada de
do pecado serem rompidos, ou o peso da culpa ser le- Abraão, de acordo com Gálatas 3.17.
vantado das nossas almas. Assim, numa só noite, Is-
rael foi libertado da escravidão de séculos, e come- Pode-se dizer o mesmo sobre a investigação da
çou uma vida nova e livre. identidade do Faraó do êxodo. Os eruditos concor-
dam que o Faraó da opressão é um, e o do êxodo ou-
2.2. Um povo conduzido e sustentado. Liberdade tro (2.23). O êxodo pode ser provisoriamente fixado
em Cristo nunca importa em licença: os que Ele re- no ano 1320 a.C. Outras autoridades concordam em
dime, dirige, e assim vemos a coluna de nuvem e o que Ramsés foi o Faraó da opressão.
fogo de Deus guiando e iluminando. Nenhum de nós
duvida da sua necessidade de luz nas trevas, mas todos Capitulos 1 e 2
precisamos aprender que na luz também carecemos
de direção, e que, se andarmos na luz divina, sere- .4 escravatura no Egito. Pouco ou quase nada sa-
mos poupados de muitas das experiências penosas de bemos acerca do período que essa escravatura durou.
Israel. É certo que foi mais de 80 anos, pois começou antes
Havia provisões também para as necessidades do nascimento de Moisés. E durante todo esse tempo
temporais do povo, mediante o maná e a rocha feri- náo tinha aparecido nenhum "capitão de salvação"
da, e prosseguiram a provar que o Cordeiro (12) que para livrar o povo escravizado.
está no meio do Trono os conduziu (13-14) e os ali- Divide-se a vida de Moisés em três períodos de 40
mentou (16-17) como fará novamente quando enxu- anos. N o primeiro, na corte de Faraó, ele aprendeu a
gar toda lágrima dos seus olhos (Ap 7.17). ser alguém, isto é, uma pessoa instruída em toda a
ciência dos egípcios (At 7.22); no segundo, no deserto
3. C O N S T I T U Í D O O POVO DE ISRAEL (caps. 19 de Midiã, ele aprendeu que nada era, até quando
* à «C9)n*v a doe . Deus quis empregá-lo no seu serviço, ele escusou-se
(3.11; 4.10); no terceiro período ele aprendeu que
Esta é uma parte mui importante do livro, que Deus é tudo, e o suficiente para salvar uma nação in-
merece especial atenção. teira.
3.1. Um povo instruído. Deus se revela a Israel no Ao estudar a mocidade de Moisés podemos pen-
Sinai como seu único Governador: seu poder e sua sar em 1) Ambiente. 2) Hereditariedade. 3) Carac-
santidade são manifestos. O povo é avisado a não se terísticas.
aproximar do monte fumegante, mas esperar a co- 1) Ambiente. Sob tal título vamos incluir todas

38
txêdo
as circunstâncias e influências exteriores que o ro- Neste incidente aprendemos a respeito de Deus:
deavam. Notemos, por exemplo: 1) Que nào estava esquecido dos seus pactos com
a) O meio em que nasceu: um estado de escrava- os patriarcas (v.6).
tura; uma opressão política, muito natural à nature- 2) Que Ele tinha visto, ouvido, conhecido e desci-
za humana, que geralmente procura subjugar e re- do.
primir, em vez de proteger e ganhar amizade. (Go- 3) Que ia enviar um salvador para Israel e livrar
verno benévolo é o que consulta em tudo a vontade seu povo da mào dos egípcios.
de Deus: isso Faraó náo fez.) Vemos em Moisés acanham ento, receio, falta de
b) A pobreza em que viviam seus pais: náo pode- confiança em Deus, ignorância dos recursos divinos;
mos pensar em serem eles abastados. tinha língua tarda quando era questão de levar uma
c) A proteção da filha de Faraó, que revela com- mensagem de Deus, apesar de ser ele "poderoso em
paixão, bondade, simpatia, recurso e persistência. A palavras" (At 7.22). E, contudo, parece-nos que não
essa proteção Moisés devia a vida, o sustento, a edu- havia outro tão apto como ele para ser o capitão da
cação, o desenvolvimento físico e intelectual. Mas salvação de Israel.
devia à influência de sua mãe o seu patriotismo e o Moisés, tipo de Cristo, o Libertador (Is 61.1; Lc
seu desenvolvimento espiritual. 4.18; 2 Co 1.10; 1 Ts 1.10). Um libertador divina-
mente escolhido (Êx 3.7-10; Jo 3.16; At 7.25). Rejei-
2) Hereditariedade. Moisés jamais teria sido o li- tado por Israel, ele se volta para os gentios (Êx 2.11-
bertador de Israel se não tivesse sido um filho de Is- 15; At 7.25). Durante sua rejeição ele ganha uma
rael; se não tivesse tido pais piedosos. noiva gentilica (Êx 2.16-21; Mt 12.14-21; 2 Co 11.2;
3) Características do moço Moisés. Nele nota- Ef 5-30-32). Mais tarde ele reaparece como o liberta-
mos. dor de Israel, e é aceito (Êx 4.29-31; At 15.14-17; Rm
a) Patriotismo. Apesar de ter todas as vantagens 11-24-26). Oficialmente, Moisés tipifica Jesus Cristo
do palácio, ele se preocupou com o estado miserável como Profeta (At 3.22,23); Advogado (Êx 32.31-35; 1
dos seus compatriotas. Jo 2.1,2); Intercessor (Êx 17.61; Hb 7.25), e Guia ou
b) Energia. Ele matou o egípcio que feriu o israe- Rei (Dt 33.4,5; Is 55.4; Hb 2.10). Mas, com relação à
lita. Vemos que a sua simpatia não era apenas um Casa de Deus, ele está em Contraste com Cristo:
sentimento, mas expressava-se em atos. Contudo a Moisés era fiel como um servo sobre a casa de outro;
violência resultou, afinal, na sua fuga para longe. Jesus Cristo, como filho, sobre a sua própria Casa
c) Prudência e prevenção. "Olhou para uma e (Hb 3.5,6) (Scofield).
para outra banda" (não olhou para cima) e contudo Neste trecho, vemos Moisés:
essa prevenção não foi suficiente para evitar as con- a) Acanhado, quando devia ter sido confiante.
seqüências do seu ato. b) Informando a Deus o que Ele bem sabia (4.10).
d) Reconciliador (v. 13) malsucedido, porque es- c) Querendo passar o serviço para outros (4.10).
tava comprometido por sua conduta anterior. Quan- (Comparemos com isto Colossenses 4.17.)
tas vezes o servo de Deus sente-se inútil, devido ao d) Convencido, afinal, de que devia obedecer à
seu próprio procedimento passado! chamada divina. Podemos acreditar que, à medida
e) Receoso. Não podendo enfrentar as conseqüên- que ele obedecia, ganhava mais confiança no seu tes-
cias dos seus próprios atos, fugiu. temunho.
f ) Cavalheiroso (2.17). Ele protegeu as filhas de Notemos em toda a entrevista a persistência de
Reuel ou Jetro. Deus; como Ele não abandonou o seu propósito;
como sempre tinha uma solução para cada dificulda-
Capítulos 3 e 4 de, como prometeu ser sua presença um suficiente
recurso.
Deus na sarça ardente. Esta visão de Deus e a en- Ix>go em seguida Moisés e Aarão convocam os an-
trevista com Ele é uma das mais notáveis da Bíblia, ciãos de Israel e pregam o evangelho de uma salva-
antes da encarnaçáo. E verdade que no versículo 2 ção do Egito. O povo ouviu, creu e adorou (4.31).
quem se manifesta é chamado "o anjo do Senhor", O sinal da mão leprosa (4.6,7). " O seio (coração)
mas no versículo 4 é a voz de Deus mesmo que fala significa o que somos; a mão o que fazemos. O que
com Moisés. somos determina, afinal, o que faremos. Isto era um
O dr. Goodman diz da sarça ardente: "Simboli- sinal, de acordo com Lucas 6.43-45). Os dois sinais,
zava a nação na fornalha da aflição, mas não des- da vara e da mão, falam de preparação para o servi-
truída; semelhante a Sadraque, Mesaque e Abedne- ço. Deve ser pura a mão que maneja a vara do poder
divino, e movida por um coração novo" (Scofield).
O simbolismo da sarça ardente tem sido interpre- Este misterioso-incidente da hospedaria (4.24-
tado de uma variedade de maneiras. Sem ser dogmá- 26), para ser compreendido direito, precisa de escla-
tico no assunto, creio perceber nela uma figura da recimento: parece que Moisés tinha explicado à es-
graça divina. O fogo bem-chegado a uma sarça com- posa a lei da circuncisão, mas ela não tinha consenti-
bustível, mas sem a consumir, faz-nos pensar de do que o filho fosse circimcidado. Ao vê-lo, aparente-
como Deus ia chegar-se para um povo pecaminoso, mente, em luta com Deus. ela compreende que devia
Israel; e, em vez de o destruir, ser seu Salvador. ser por isso mesmo. e. num acesso de raiva, circunci-
Se Deus, porém, se revela em graça, continua a da o filho e briga com Moisés. Este, então, segue so-
ser santo, e Moisés precisa aproximar-se descalço, e zinho, e manda a família para o sogro.
com todo o respeito. Ainda hoje é necessário conser-
var na memória estas duas características divinas, e, Capitulo 5 a 11
ao tempo em que nos regozijamos com o conheci-
mento da graça de Deus, reconhecer também que Moisés e Faraó. Moisés tem coragem para exigir
Ele é sempre santo. (v. 1) porque tem conhecimento de Deus; Faraó tem

39
txoáo

coragem para recusar, porque ignora quem é Deus teu rosto", e 11.4, em que Moisés fala outra vez com
Cv.2). Faraó.
Vemos que a primeira entrevista resultou em au- A explicação está provavelmente numa tradução
mento das aflições do povo: um momento penoso mais exata de 11.1: "E o Senhor dissera a Moisés".
para Moisés e Aarâol Antes da entrevista com Faraó, recordada em
Mas Deus não abandona os seus servos, pois faz 10.28,29, Moisés já tinha sido avisado de que 08 pri-
ainda outras comunicações e promessas (6.12-13). mogênitos seriam mortos pelo anjo destruidor, e ele
Assim, apesar das circunstâncias contrárias, os dois náo saiu da presença de Faraó sem dar-lhe esta últi-
continuando seu testemunho. ma advertência. No fim do capitulo 10, Moisés não
Nestes capítulos algumas coisas carecem de ex- sai, porém depois de dar essa última e tremenda ad-
plicação. O capítulo 6.3 "pelo meu nome Jeová não vertência. ele "saiu de Faraó em ardor de ira " (11.8).
lhes fui conhecido", parece não ser para entender ao Proposta emenda de tradução (8.22): "eu separa-
pé da letra. Almeida procura evitar a dificuldade rei milagrosamente a terra" (R. 79).
formando a frase "perfeitamente conhecido".
"Deus era conhecido como Jeová pelos patriarcas Capitulo 12
(Gn 15.7; 22.14; 28.13). Em verdade encontramos o
nome tão cedo como em Gênesis 4.1, por isso o senti- A Páscoa. Na nossa meditação, poderíamos per-
do aparente não pode ser o verdadeiro. Ai está a difi- guntar: a Páscoa seria um evangelho sem uma obra
culdade. Pode ser que Deus não tenha revelado todo expiatória? um perdão de pecados sem qualquer sa-
o poder deste nome na história dos patriarcas" tisfação para com a jutiça ultrajada? um ensino mo-
(Scroggie). (Veja-se também " T h e Christian's Ar- ral sem a inspiração de um supremo sacrifício? a lei
moury", pp.265-269.) de Deus sem a revelação do seu amor?
"Os magos do Egito fizeram também o mesmo Mas na instituição da Páscoa certos fatos são
com os seus encantamentos" (7.11,22; 8.7,18). Tem apontados: o pecado humano; o juízo divino; o valor
havido várias explicações disso, mas não temos en- do sangue; a obediência da fé, etc.
contrado nenhuma que pareça de todo satisfatória. Podémos considerar:
A mágica de hoje em dia nem sempre tem explica- 1) Para os egípcios a noite da Páscoa significava:
ção. a consumação do juízo predito; a recompensa dos pe-
O endurecimento do coração de Faraó. Dez vezes cados cometidos; a revelação da justiça de Deus; a
isto é atribuído a Faraó mesmo (7.13,14,22; inutilidade dos deuses pagãos: a retirada do povo de
8.15,19,32; 9.7.34,35; 13.15) e dez vezes lemos que Deus do seu meio; a destruição do orgulho nacional.
Deus o endureceu (4.22; 7.3; 9.12; 10.1,27; 11.10; 2) Para Israel, a Páscoa importava numa revela-
14.4,8,17). Empregam-se três diferentes palavras ção da base do perdão: eles também eram pecadores
hebraicas. e mereciam o castigo de um Deus santo, mas numa
Theodoret assim explica o caso: " O sol pelo seu certeza da proteção divina, e como um meio de sal-
calor toma a cera mole e o barro duro. endurecendo vação, o sangue era derramado, na apropriação da fé;
um e amolecendo o outro: produzindo pela mesma o sangue espargido dava a certeza (pela Palavra de
ação resultados contrários. Assim, a longanimidade Deus) da isenção do juízo; pelo principio da substi-
de Deus faz bem a alguns e mal a outros: alguns são tuição, ó cordeiro era imolado.
amolecidos e outros endurecidos". 3) Para nós. Cristo crucificado é o cordeiro pascal
A V.B. de Êxodo 9.15,16 remove outra dificulda- (1 Co 5.7) e nós, à semelhança dos israelitas, reco-
de: "Agora eu poderia ter estendido a mão e ferido a nhecemos o juízo que merecemos; compreendemos
ti e ao teu povo com pestilência e tu terias sido corta- que Deus promove a nossa salvação; que o sangue
do da terra; mas deveras para isso te hei mantido em derramado é a base suficiente para o perdão; que
pé, para te mostrar o meu poder e para que o meu esse sangue necessita ser apropriado (espargido)
nome seja anunciado em toda a terra". pela fé; que nossa segurança depende do valor que
"Assim Deus deu a saber a este rei ímpio que foi Deus dá ao sangue de Cristo; que podemos ficar
em conseqüência da divina providência que tanto ele tranqüilos ainda que a justiça de Deus se revele; que
como seu povo não tinham sido destruídos por pra- na Ceia do Senhor, nossa festa espiritual, recorda-
gas anteriores, e que Faraó havia sido conservado mos o preço do nosso resgate.
para ainda maiores manifestações do divino poder, Ao aplicar o ensino deste capitulo à nossa yida
para dar uma plena convicção aos hebreus e egíp- espiritual, podemos indagar: a) qual era o dever do
cios" (The Christian's Armoury). chefe da casa (12.3)? b) por que devia ser o cordeiro
Obediência incompleta. Ê interessante notar as sem mácula? c) em que sentido é Cristo nossa Pás-
propostas que Faraó faz a Moisés para haver uma coa? d) que significa para nós espargir o sangue do
obediência incompleta ao mandado de uma separa- cordeiro?
ção total entre Israel e Egito. O dr. Goodman escreve o seguinte: "Muitos .mal
Primeiro: "Ide, sacrificai a vosso Deus nesta ter- entendem as palavras vendo eu sangue, passarei por
ra": .religião, sem separação (8.25). cima de vós. Isto não significa que Deus fosse o des-
Segundo: "Somente que, indo, não vades lon- truidor, e passasse pela casa espargida de sangue.
ge"; separação, mas não muita (8.28). Exatamente o contrário: Deus era o Salvador. Isto é
Terceiro: "Deixa ir os homens somente, e os fi- evidente pelo versículo 23 'o Senhor...não deixará o
lhos fiquem no Egito" - figura do mundo (10.7). destruidor entrar em vossas casas para vos ferir'.
Quarto: "Fiquem vossas ovelhas e vossas vacas". " N ã o é que Ele 'passa pela porta\ mas como em
O negóçio, o interesse material, não aantificados e Isaías 31.5, 'Como as aues voam, assim o Senhor dos
não sujeitos à vontade de Deus (10.24). Exércitos amparará Jerusalém: Ele a amparará e a
Alguns têm achado uma contradição entre 10.29: livrará, e, passando, a salvará'. A figura é a de um
"Disse Moisés: Bem disseste; eu nunca mais verei o pássaro que voa sobre seu ninho para o defender".

40
txodc

A Páscoa é um tipo de Cristo, nosso Redentor (Êx de regozijo nacional depois de verificar notavelmen-
12.1-28; Jo 1.29; 1 Co 5.6.7; 1 Pe 1.18,19): te a salvação de Deus. N o Egito tinha havido gemi-
1) O cordeiro tinha de ser sem mancha, e para ve- dos, lamentações e orações. Chegou agora o tempo
rificar isto havia de ser guardado quatro dias (Êx de vitória e cânticos de louvor a Deus.
12.5,6). Assim a vida pública de nosso Senhor sob a O cristão pode considerar todos os seus inimigos
observação hostil dos adversários foi a experiência mortos quando ele nào é mais assaltado pela tenta-
que provou a sua santidade (Lc 11.53,54; Jo 8.46; ção. Porém, se o conflito ainda continua, a vitória
18.38). pode ser constante pela graça de Deus e pela salva-
2) O cordeiro, assim provado, havia de ser morto ção que há em Cristo. (Convém consultar V.B. espe-
(Êx 12.6; Jo 12.24; Hb 9.22). cialmente nos versículos 5-7 e 14-Í6.)
3) O sangue havia de ser aplicado (Êx 12.7). Isto Redenção. Resumo: Êxodo é o livro da redenção,
corresponde à fé individual, e nega o universalismo e ensina: 1) que a redenção é toda de Deus (Êx 3.7,8;
(Jo 3.36). Jo 3.16); 2), que a redenção é por uma pessoa (Jo
4) O sangue assim aplicado, por si mesmo, sem 3.16,17); 3) que a redenção é por sangue (Êx
acrescentar nada, constituía uma perfeita proteção 12.13.23,27: 1 Pe 1.18); 4) que a redenção é por poder
do julgamento (Êx 12.13; Hb 10.10,14; 1 Jo 1.7). (Êx 6.6; 13.14; Is 59.20; Rm 8.2).
. 5) A festa tipificava Cristo, o pão da vida, rela- Logo depois do regozijo, chegou a murmuração
cionando-se com a Santa Ceia ( M t 26.26-28; 1 Co (v.24). A provação era real: a necessidade urgente: á-
9.23-26). gua amarga não serve para beber. Oração a Deus
Observar a festa era um dever e um privilégio, era o recurso evidente, mas era vez disso o povo mur-
mas não uma condição de segurança. De fato, a festa murou contra o servo de Deus, Moisés. No lenho da
não foi comida pelos israelitas na noite em que foram cruz de Cristo o crente encontra aquilo que adoça as
guardados do julgamento sobre os primogênitos (Ex amarguras da vida atuai.
12.34-39).
A "grande mistura de gente" (12.38) correspon- Capitulo 16
dendo aos membros não-convertidos nas igrejas, era
um elemento de fraqueza e divisão, então, como ago- Pão do céu. No capítulo anterior os israelitas
ra (Nm 11.4-6): Manifestara-se o poder divino, e murmuravam pela sede; neste, pela fome. Para cada
muitos foram atraídos sem haver qualquer mudança necessidade Deus mostrou ser um recurso suficiente.
nos seus corações. Podemos notar as primeiras etapas da viagem
Proposta emenda de tradução: (v. 40): "Ora a dos israelitas:
vida da peregrinação dos filhos de Israel [que habita- 1) de Ramessés a Sucote (12.37 a 3.19);
uam no Egito] foi de 430 anos" (Bullinger). Nào de- 2) de Sucote a Età (13.20-22);
vemos entender que passaram todos os 430 anos no 3) de Età a Pi-Hairote (14.1-4);
Egito. 4) de Pi-Hairote através do mar Vermelho (14.5
a 15.21);
Capítulos 13 e 14 5) do mar Vermelho a Mara (15.22-26);
6) de Mara a Elim (15.27);
Aprendemos certas lições destes dois capítulos, 7) de Elim ao mar Vermelho (Nm 33.10);
por exemplo: 8) do mar Vermelho a Sim (Êx 16.1);
1) Que Deus reclamou todo filho primogênito em 9) de Sim a Dofcá (Nm 33.12);
Israel como sendo seu (13.2). Um direito que deve tei
10) de Dofcá a Alus (Nm 33.13);
a sua aplicação ainda hoje, e não somente aos israeli-
tas. 11) de Alus a Refidim (Êx 17 e 1);
12) de Refidim ao Sinai (Êx 19.2).
2) Que Deus ensinou a Israel o princípio da subs-
tituição (13.13): O filho primogênito havia de ser A viagem até o Sinai levou uns dois meses
"remido". Esse assunto é mais explicado em Núme- (Scroggie).
ros 18.13-18, e o preço do resgate é marcado em cinco Para entender a significação espiritual do maná
devemos estudar João 6.30-58.
ciclos.
Da parte dos israelitas vemos dependência: espe-
3) Que os pais devem ensinar a seus filhos que
rando do céu a provisão diária; diligência: ao colher
Deus tem direitos sobre a pessoa e a vida de cada
o maná; prontidão: ao sair de madrugada; perseve-
um, e explicar a grande salvação de Deus (para Is-
rança: ao colher diariamente; gratidão, por uma pro-
rael, salvação do Egito; para o cristão, salvação do
visão gratuita; compreensão da bondade de Deus em
pecado).
prover o fornecimento.
4) Que o caminho mais curto pode nào ser o de
mais proveito (13.17). Da parte de Deus vemos longanimidade, no suprir
as necessidades do povo, apesar das suas murmura-
5) Que um povo sem espiritualidade pode mur- ções; recurso inesperado, ao fornecer pão do céu;
murar do capitão da sua salvação (14.11). continuado interesse, no fornecer diariamente; po-
6) Que, às vezes, convém "estar quietos e ver o li- der criador, ao mandar pão do Céu; vontade sobera-
vramento do Senhor" (v.l3), e outras, "marchar" <na: interrompendo o fornecimento aos sábados.
(v.15).
Neste capítulo, nosso principal interesse pode ser
7) Que a nuvem de Deus pode ser escuridão para
o maná, porque simboliza Cristo como o pão do Céu.
alguns e luz para outros (v. 20).
A carne que duas vezes Deus mandou (Êx 16.13 e
8) Que o Senhor é capaz de destruir os inimigos N m 11.31), parece mais um símbolo da sua ira (SI
do seu povo (14.27-31). 78.27-31), em conseqüência das murmura ções do po-
vo.
Capítulo 15
Podemos estudar: 1) O maná fornecido. 2) O ma-
O primeiro cântico da Bíblia. Era um momento ná colhido. 3) O maná interpretado.

41
txodc
1) No maná fornecido, vemos: Prometida (as nossas bênçãos espirituais em Cristo -
a) que Deus sabe das nossas necessidades, e pode Ef 1.3), o inimigo que assalta o cristão é a carne.
supri-las; que Ele ouve as nossas orações; Nesse conflito vemos os vários contribuintes para
b) que Deus sabe não ser possível o deserto deste a vitória: Josué (mencionado pela primeira vez) em
mundo alimentar a nossa vida espiritual: Ele tem contato com o inimigo; Moisés (apoiado por Aaráo e
abundante» bens para encher nossas almas: seu for- Hur) em contato com Deus mediante a oração. Uma
necimento será suficiente, diário, disponível. intercessão continuada consegue a vitória.
c) que o pão do Céu é uma coisa que podemos, no "Então veio Amaleque e pelejou contra Israel"
principio, estranhar (v.15) e que um gosto carnal (v. 8). Às vezes uma só palavra é significativa. Ime-
pode não querer ( N m 21.5). Mas quanto mais nos diatamente depois do milagroso fornecimento de á-
alimentamos de Cristo, mais satisfação achamos ne- gua recordado nos versículos 1-7, "então veio Amale-
le. que".
2) O maná colhido. Para aproveitar bem o maná, Nenhum motivo por esse assalto se dá, senão a ú-
era necessário atender a certas condições: níca palavra "então".
a) era preciso colher cedo: o alimento espiritual Estudando o contexto remoto, compreendemos
deve ser a nossa primeira preocupação cada manhã; que, numa terra de tal natureza, um manancial de á-
b) era preciso colher para o próprio sustento; gua facilmente seria ocasião de contendas, e um be-
c) era preciso colher para a família (para o culto nefício para ser tomado à força.
doméstico); Em Gênesis 21.25 lemos de Abraáo reprovar Abi-
d) era preciso comer todo o colhido. A verdade de meleque por causa de um poço de água que os servos
Deus na cabeça mas náo na vida pode tornar-se desse tinham tomado por violência.
motivo de contenda entre os crentes. O pão do Céu, Em Gênesis 26.19,20 lemos que os servos de Isa-
guardado mas não comido, "criou bichos e cheirava que acharam uma nascente de água, e os pastores de
mal". Gerar contenderam com os pastores de Isaque, di-
e) era preciso não colher no sábado. Em um dia da zendo que a água lhes pertencia.
semana nossa preocupação maior pode ser o dar e Em Êxodo 2.17 lemos que os pastores enxotaram
não o receber. Quem se alimenta com Cristo toda a as filhas de Reuel que vieram tirar água, e que Moi-
semana terá alguma coisa para dar a Deus no do- sés as ajudou.
mingo, em culto e adoração. Em Números 20.19 lemos que Israel propôs (em
3) O maná interpretado. Para entendermos a sig- vão) comprar água, caso atravessasse Edom; e que
nificação simbólica do maná, a comida de Israel no depois se fez a mesma oferta ao rei dos Amorreus.
deserto, devemos compará-lo com o "trigo da terra " Em Juizes 5.11 Débora conta sobre os poços se-
(Js 5.12), que comeram na Palestina. rem cenas de conflitos. Por isso não é de estranhar
O maná estava no deserto, mas não era do deser- que um suprimento milagroso de água em Refidim
to. Era pão " d o céu". Seu sabor não era terrestre. se tornasse imediatamente ocasião de um assalto (J.
Era uma figura de Cristo na sua humilhação aqui no 358).
mundo, o verdadeiro pão do Céu (Jo 6.32>. Amaleque, neto de Esaú (Gn 36.12), que "nasceu
O trigo era "da terra'. Seu sabor era do lugar segundo a carne", (G14.22-29), é progenitor dos ama-
onde se encontrava. Era uma figura de Cristo exalta- lequitas, inimigos constantes de Israel, e é um tipo
do na glória. da carne no crente (G1 4.29). Mas o conflito com
E nós podemos alimentar nossas almas do "ma- Amaleque no capítulo 17 ilustra os recursos do ho-
ná" e do "trigo" também. mem sob o regime da Lei. O homem sob o regime da
Lei podia lutar e orar ( w . 9-12). Sob o Espírito San-
to o crente ganha a vitória sobre a carne (Rm 8.2-4;
Capitulo 17 G1 5.16,17), mas esta vitória é somente quando o
crente anda no Espirito. N o caso de agirmos com in-
A Rocha ferida. Um símbolo de Cristo (1 Co dependência ou em desobediência, "Amaleque" ga-
10.4). Mais uma vez vemos o povo esquecido do po- nha uma fácil vitória ( N m 4.42-45). Como Saul, ten-
der de Deus. e queixoso, e Moisés em oração conse- demos a poupar a carne (1 Sm 15.8,9), esquecendo-
guindo o recurso necessário. A rocha ferida fornece a nos de Romanos 8.8 (Scofield).
água desejada: Cristo ferido satisfaz a nossa sede es-
piritual (Jo 7.37).
" O incidente da rocha ferida simboliza vida me- Capítulo 18
diante o Espírito, por graça.
1) Cristo é a rocha (1 Co 10.4). O sogro de Moisés. Neste capítulo vemos a reu-
2) O povo é de tudo indigno (Ex 17.2rEf 2.1-6). nião de Moisés com sua esposa Zipora, depois de
3) Características da vida, por graça divina: a) uma ausência de uns 15 meses. Aprendemos mais al-
Livre (Jo 4.10; Rm 6.23; Ef 2.8). b) Abundante (SI guma coisa a respeito dela em 2.16-22 e 4.24-26,
105.41; Jo 3.16; Rm 5.20). c ) Perto (Rm 10.8). d) O Neste capitulo temos a chegada, o culto, e o con-
povo só precisara tomar (Is 55.1). A rocha ferida fala do selho de Jetro, particularidades que merecem um es-
derramamento do Espírito como conseqüência da re- tudo detalhado.
denção consumada, e não se ocupa com nossa culpa. Ele chegou com o projeto de reunir sua filha com
E o lado afirmativo de João 3.16. 'Não perecer' fala o marido, desfazendo assim a desinteligência referi-
do sangue que expia, 'mas ter' fala de vida" (Sco- da em 4.24-26, e então ouve acerca da grande salva-
field). ção de Deus consumada no mar Vermelho.
O conflito com Amaleque é o primeiro combate Disso resulta em ele chegar a conhecer o verda-
depois de Israel ter saído do Egito. Quando livre do deiro Deus: "Agora sei que o Senhor é maior que to-
Egito (o mundo), mas não no pleno gozo da Terra dos os deuses" (v. 11) e, em conseqüência disao,

42
1 r
txoào

presta culto de adoração a Deus, mediante holocaus- I a razão fundamental porque "a lei nada fez perfeito"
tos e sacrifícios. (Rm 8.3; Hb 7.18,19). " A aliança com Abraão, e a
Em seguida, lemos do seu conselho - que o pesado Nova Aliança (Gn 15.18 e Hb 8.8-12) ministram sal-
serviço de julgar o povo fosse distribuído entre vários vação e certeza porque impõem somente uma condi-
homens escolhidos e competentes. Sobre isto o dr. ção: a f é " (Scofield).
Scroggie faz as seguintes observações: Nos versículos 3-6 Deus faz lembrar ao povo que
I ) Que os sábios podem não ver uma necessida- Israel tinha sido o objeto da sua espontânea graça:
de evidente aos outros. "Vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim ".
2) Que um homem do povo pode muitas vezes A Lei nào é proposta como meio de vida, mas como o
fazer uma contribuição importante para o bem meio para o povo ser "propriedade peculiar", e "po-
comum, como fez Jetro. vo santo". A Lei não foi imposta como regra antes foi
3) Que no serviço de Deus não deve haver mono- proposta ao povo e aceita por ele.
pólio de poder. " A resposta do povo (v. 8) revela pouco conheci-
4) Que convém haver distribuição do trabalho. mento dele mesmo ou de Deus. É possível julgarmos
5) Que ninguém é capaz de fazer tudo. que Deus seja muito fácil de contentar, e nós outros
6) Que mais cedo ou mais tarde cada um de nós muito competentes para conseguir isso" (Scofield).
há de ser substituído e, contudo, a obra de Deus há "Tudo o que Jeová tem falado, faremos" (v. 8).
de prosseguir. Por isso, enquanto vivemos devemos "Aqui começa a quinta dispensaçào, a da Lei. Esta
ensinar os outros a tomarem responsabilidade. dispensaçào se estende do Sinai ao Calvário; do Êxo-
7) Que náo convém trabalhar demais, nem de do à Cruz. A história de Israel no deserto e em Canaã
menos. é uma longa história de violação da Lei. A prova ter-
8) Que devemos reconhecer a necessidade de ou- minou no julgamento dos cativeiros, mas a dispensa-
tras pessoas. çào propriamente terminou na Cruz. Podemos consi-
9) Que sempre existe uma quantidade de poder derar:
nào empregado e uma capacidade oculta. Havia isso 1) O estado do homem ao começo (Êx 19.1-3).
entre os israelitas. 2) Sua responsabilidade (Êx 19.5,6; Rm 10.5).
10) Que ninguém deve tentar fazer mais do que 3) Seu fracasso (2 Rs 17.7-17; At 2.22,23).
pode. 4) O julgamento (2 Rs 17.1-6,20; 25.1-11; Lc
I I ) Que nunca devemos cansar demasiadamente 21.20-24).
a paciência do público (v. 13). As outras seis dispensações são: Inocência (Gn
12) Que, para um cargo de responsabilidade, pre- 1.28); Consciência (Gn 3.23); Governo humano (Gn
cisa-se de capacidade, piedade, integridade e probi- 8.20); Promessa (Gn 12.1); Graça (Jo 1,17); Reino
dade (v. 21). (Ef 1.10)" (Scofield).
13) Que homens entendidos náo devem hesitar Notemos neste capitulo o cuidado que Deus tem
em dar conselhos aos governadores, e que os chefes de desenvolver era Israel uma compreensão da santi-
náo se devem recusar a receber conselhos e aprovei- dade divina. N o Egito tinham-se acostumado com as
tá-los. imundas divindades do paganismo, e agora precisam
Não sabemos por quanto tempo este arranjo con- aprender que Jeová é um Deus santíssimo e temível.
tinuou, mas em Números 11.11-16 vemos Moisés " A Lei foi dada de três maneiras:
queixando-se de estar sobrecarregado e sozinho no Primeiro verbalmente, em Êxodo 20.1-17. Isto
serviço, e então Deus manda escolher 70 anciãos era lei pura, sem nenhuma provisão de sacerdócio ou
para o ajudarem no governo do povo. sacrifício, e foi acompanhado das 'ordenanças' (Ex
21.1 a 23.13) relativas às relações de hebreus com
hebreus; a isto foram acrescentadas (Êx 23.14-19),
Capitulo 19
direções referentes às três festas anuais, e (Êx 23.20-
33) instruções sobre a conquista de Canaã. Estas pa-
Israel chega ao monte Sinai depois de uma via- lavras Moisés comunicou ao povo (Êx 24.3-8). Ime-
gem de quase três meses (v. 1). diatamente, na pessoa dos seus anciãos, foram ad-
N o Sinai Israel aprendeu as seguintes lições: mitidos á presença de Deus (Êx 24.9-11).
1) Mediante os mandamentos, aprendeu a santi-
dade de Deus. Segundo.. Moisés foi então chamado ao monte
2) Mediante seu próprio erro, aprendeu a sua fra- para receber as tábuas de pedra (Êx 24.12-18). A his-
queza e pecaminosidade. tória então se divide. Moisés no monte recebe instru-
3) Mediante a provisão do sacerdócio e do sacrifí- ções referentes ao tabemáculo, ao sacerdócio e aos
cio, aprendeu a bondade de Deus. sacrifícios (Êx caps. 25 a 31). No entanto o povo (Êx
O cristão aprende, mediante a experiência de Ro- 32) chefiado por Aarão, transgride o primeiro man-
manos 7.7-24, o que Israel aprendeu no Sinai. Esta damento. Moisés, voltando, quebra as tábuas escri-
parte de Êxodo deve ser lida conjuntamente com Ro- tas pelo dedo de Deus (Êx 31.18; 32.16-19).
manos 2.19-26; 7.7-24; Gálatas 4.1-3. Terceiro. As segundas tábuas são feitas, e a Lei
Em Gálatas 3.6-25, aprendemos a relação da Lei escrita novamente (por Moisés?) na presença de Jeo-
para com a Aliança Abraámica: 1) a Lei náo pode vá (Ex 34.1,28,29)" (Scofield).
anular esta aliança; 2) foi "acrescentada" para con-
vencer do pecado; 3) servia de pedagogo até a vinda Capítulo 20
de Cristo; 4) era uma disciplina preparatória "até
que viesse a Semente". Os Dez Mandamentos. A aliança mosaica foi
"Se atentamente ouvirdes" (v. 5). Aquilo que, dada a Israel com três divisões, cada uma ligada às
sob a Lei. era condicional, é, sob, o regime da graça, outras, e, conjuntamente, formando a Aliança Mo-
dado livremente ao crente. O " s e " do versículo 5 é a saica. Sáo: os Mandamentos, expressão da vontade
essência da Lei como um método de ação divina, e é de Deus para seu povo (Êx 20.1-26); os Juízos, gover-

43
txoáo
no da vida social de Israel (Êx 21.1 a 24.11), e as Or- O versículo 7 pode ser traduzido: "Não ligarás o
denanças, governando a vida religiosa de Israel (Êx nome do Senhor teu Deus com a perversidade" (R.
24.12 a 31.18). Estes três elementos formam "a Lei" 50).
como essa palavra se emprega no N. T . (Mt 5.17, O Esangelho ensina-nos uma santa intimidade
18). Os mandamentos e ordenanças formaram um só ao falarmos com Deus mas nunca uma familiarida-
sistema religioso. Os mandamentos foram um "mi- de.
nistério de condenação" e de "morte" (2 Co 3.7-9); d) Não matar (v. 13). Este mandamento pode in-
as ordenanças deram ao povo, na pessoa do sumo sa- cluir toda classe de ofensas contra a pessoa do nosso
cerdote, um representante perante Jeová; e, nos sa- semelhante. O assassínio é, geralmente, a consuma-
crifícios. havia uma expiaçáo pelos seus pecados em ção do ódio, e devemos cuidar de nunca permitir o
antecipação da Cruz (Rm 3.25,26; Hb 5.1-3; 9.6-9). começo desse mal, com receio de não poder evitar a
O cristão não está sob a aliança condicional mosaica triste consumação (1 Jo 3.15). Este crime é impossí-
de obras - a Lei, mas sob a Nova Aliança, incondicio- vel onde há amor ao próximo.
nal de graça (Rm 3.21-27; 6.14,15; G1 2.16; 3.10-14, e) Não adulterar. Podemos entender isto como
16-18, 24-26; 4.21-31; Hb 10.11-17). incluindo a proibição de todas as ofensas contra a
Para as outras alianças, veja-se a do Éden (Gn pureza. Ensina-nos o sagrado dever de o povo de
1.28); a com Adão (Gn 3.15); a com Noé (Gn 9.1); a Deus controlar as suas paixões.
com Abraão (Gn 15.18); a Palestina (Dt 30.3); a com Aqui também o mal começa no pensamento, e
Davi (2 Sm 7.16) e a Nova Aliança (Hb 8.8) (Sco- toda a criatura humana pode, com a graça de Deus,
field). controlar seus pensamentos. Podemos ç devemos re-
Ao estudar a Lei de Deus contida nos Dez Man- provar todo pensamento impuro, receando a consu-
damentos, devembs sempre ter em memória o resu- mação em atos impuros.
mo da Lei dado por Cristo: "Amarás ao Senhor teu f ) Não roubar. Porque cada um pode ganhar seu
Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e sustento pelo próprio trabalho, sem dar prejuízo ao
de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimen- seu próximo: porque o amor nos ensina a dar ao nos-
to. e ao teu próximo como a ti mesmo" (Lc 10.27), e so próximo e não a tirar dele; porque o roubo, o furto,
as palavras de Paulo: "o cumprimento da lei é o o jogo d es t roem, em quem os pratica, todos os mais
amor" (Rm 13.10). nobres sentimentos do coração: altruísmo, brio, con-
1) Prefácio. "Eu sou o Senhor teu Deus, que te ti- tentamento, trabalho, fé, paciência.
rei da terra do Egito, da casa de servidão ". Este pre- g) Não dizer falso testemunho. Proíbe todas as
fácio merece ser profundamente ponderado. Revela ofensas contra a verdade. O mentiroso é uma pessoa
que Deus se ocupa com seu povo: que seu interesse é em quem ninguém confia. Os pais podem ensinar a
particular e individual (te tirei); que compreende a verdade pelo preceito, pelo exemplo, pela aprovação,
natureza das nossas provações: que tem recursos su- e pela Escritura.
ficientes para nos valer; que tem propósitos de bên- h) Não cobiçar (v. 17). A cobiça quer para si o
ção a nosso respeito, e tudo isto apesar de nos reco- que pertence ao próximo. Náo é cobiça o menino
nhecer indignos de tamanhos favores. querer chupar bala quando vê outro menino chupan-
Alguém que é protegido por um grau do deste do bala, mas se quer exigir a baia do outro, então é
mundo, naturalmente sente gratidão por isso. No cobiça. A cobiça revela características reprováveis,
caso de ser protegido por Deus mesmo, apesar de como descontentamento, inveja, egoísmo, descon-
toda a indiferença ou frieza individual, a pessoa de- fiança do amor de Deus, descrença da bondade divi-
veria amar o Senhor seu Deus de todo o coração. na, falta de amor ao próximo.
2) Preceitos negativos 3) Preceitos positivos
a) Não ter outro Deus. É perfeitamente com- a) Santificar o sábado. Embora a guarda do sá-
preensível que Deus, disposto a ser o único e sufi- bado fosse um sinal entre Deus e os "filhos de Israel"
ciente recurso sobrenatural do seu povo, proiba um (Êx 31.17), essa parte da lei tem preciosa instrução
apelo a quaisquer outros poderes sobrenaturais. Por para nós cristãos. Ensina-nos:
isso entendemos que o espiritismo é proibido a quem (1) Que trabalhar seis dias em sete é o suficiente.
crê no Deus vivo. (2) Que um descanso semanal é proveitoso física,
Proposta emenda de tradução (v. 3): "Não terás mental e espiritualmente.
outros deuses acrescentados a mim" (R. 89). (3) Que uma preocupação constante com o traba-
b) Não fazer imagem alguma do objeto de nossa lho material pode resultar em prejuízo espiritual.
adoração. É impossível a criatura humana fazer uma (4) Que Deus compreende melhor do que nós
representação superior à sua própria idéia, por isso qual o nosso maior proveito.
é-lhe impossível representar dignamente a divinda- , i (5) Que o povo de Deus. nos seus dias disponí-
de, pois Deus há de ser infinitamente superior ao veis. tende a ocupar-se com serviço espiritual.
nosso mais sublime pensamento. (6) Que o homem precisa trabalhar seis dias para
Os homens que têm feito imagens de seres indig- merecer o descanso no sétimo.
nos, e as têm adorado, têm-se tomado, por isso. de- b) Honrar os pais. Aprendemos que os seres mais
pravados. próximos que devemos amar são os pais, que mere-
c) Náo proferir o nome de Deus levianamente. A cem nosso primeiro respeito. Visto que os filhos não
freqüência com que este pecado se comete pelos des- nascem sabendo: os pais precisam ensinar-lhes tudo.
crentes mostra a necessidade da proibição. Para o filho poder respeitar o pai, este necessita
Vários pensamentos relacionam-se com esta proi- ser respeitável. Se a mãe diz â criança que um passa-
bição: a necessidade de reverência; a conveniência rinho vai sair da máquina fotográfica, a criança não
do asseio; a significação do silêncio (Ec 5.2); o decoro pode respeitar a sua veracidade; se o pai grita com
no canto dos hinos, a modéstia e humildade que con- seus filhos, estes não podem respeitar a sua serenida-
vém na Casa de Oração, etc. de; se ele é preguiçoso, o filho não há de respeitar o

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seu trabalho; se ele dá prejuízo aos vizinhos, o filho A ocupação do momento foi a confirmação da
não respeitará a sua bondade. aliança ou pacto (v. 7). "Há dois tipos de alianças: 1)
A honra devida ao pai inclui obediência, respeito, um concerto mútuo, com condições de parte a parte;
atenção, submissão e, mais tarde, socorro (Mc 7.10- e 2) um concerto de graça, quando todas as promes-
13). sas são de um lado, sem condições. Aqui temos um
caso do primeiro. Em Hebreus 8.10-12, do segundo"
Capítulos 2l e 22 (Goodman).
De 20.22 em diante mencionam-se certas leis da- Capitulo 25
das a Moisés por Jeová. Podemos notar:
a) O cuidado divino para com os servos ou escra- Objetos simbólicos. Daqui até o fim do Êxodo, o
vos - provavelmente pessoas que se tinham vendido povo está acampado em volta do Sinai. Moisés está
para pagar dividas, ou por outros motivos (21.1-11). no monte, onde fica por quarenta dias (24.18) e pare-
b) A lei da pena capital para o assassínio (12-14), ce que Josué está com ele (24.13 e 32.17). Ali, a sós
de acordo com o ensino de Gênesis 9.6. com Deus, Moisés ouve revelações e recebe instru-
c) A lei da restituição (17-36). ções referentes aos objetos do culto simbolizado que
d) A lei do furto (22.1-5). havia de haver em Israel.
e) A lei do aceiro (22.6). Este capitulo fala em ajuntar os materiais neces-
0 A lei do empréstimo (7-15). sários para a construção do tabernáculo, mas é nos
g) A lei da sedução (16). capítulos 26 e 27 que ele é descrito detalhadamente.
E seguem ainda outras leis para o governo da vi- "Compreendemos que o livro de Êxodo tem valor
da social dos israelitas. típico, no que diz respeito às pessoas e acontecimen-
Proposta emenda de tradução (22.2): for achado tos, pelo ensino de 1 Corintios 10.1-11. E no que diz
arrombando uma casa. respeito ao tabernáculo. por Hebreus 9.1-24. Tendo a
certeza de que no tabernáculo tudo era típico, os de-
Capitulo 23 talhes também haviam de ser. Dois avisos sáo neces-
sários: 1) nada pode ser dogmaticamente chamado
Este capítulo ensina como o povo de Israel devia um tipo sem que haja expressa autoridade para isso
agir com diferentes classes de pessoas: o perverso (1); no Novo Testamento, e 2) todos os tipos que carecem
o pobre (3,6); o inimigo (4,5); o inocente e o justo (7); dessa autenticidade devem ser reconhecidos como
o peregrino (9); o filho de uma escrava (12); o anjo do tendo apenas a autoridade de uma analogia. O valor
Senhor (20,23). típico dos materiais e das cores é geralmente inter-
"Não cozerás um cabrito no leite da sua mãe" (v. pretado assim: ouro, divindade manifestada, glória
19). O verdadeiro sentido deste versículo parece ser a divina; prata, redenção (Êx 30.11-16; 38.27); latão
interpretação dada pelo dr. Cudworth, e tirada de (cobre), figura do juízo, como no altar de latão e a
um manuscrito pertencente a um judeu caraita. "E- serpente de cobre (Nm 21.6-9); azul, o que é celes-
ra o costume dos antigos pagáos, depois da colheita tial, em natureza ou origem; púrpura, realeza; escar-
das primícias, tomar um cabrito e fervê-lo no leite da lata, sacrifício" (Scofield).
mãe; e então, como uma espécie de mágica, espargir
o leite sobre as árvores, campos, hortas, etc., pensan-
do que assim haviam de os tomar mais frutíferos. " O tabernáculo havia de ser em todas as suas
Por isso Deus proibiu ao seu povo usar tais ritos ido- partes um tipo de Cristo, que era 'o verdadeiro ta-
latras" (T). bernáculo que o Senhor armou, e não o homem' (Hb
O texto áureo do capítulo bem poderá ser o versí- 8.2). Cristo veio 'por meio do maior e mais perfeito
culo 8: "Não aceitarás peita, pois ela cega aos Que tabernáculo, não feito por mãos de homens' (Hb
têm vista, e perverte as palavras dos justos". 9.11). O corpo sem pecado e santo que Deus lhe pre-
parou era esse mais perfeito tabemáeulo, em que Ele
cumpriu, tudo que o tabemáeulo no deserto simboli-
Capítulo 24 zava" (Goodman).
Uma visão de Deus. Por expresso convite divino, A arca. Uma caixa feita de madeira de acácia
os setenta anciãos, com Moisés, Aarão, Nadabe e (V.B.) e coberta de ouro (v.10) com uma tampa cha-
Abiú, têm uma visão de Deus, e adoram "de longe": mada o propiciatório, ou lugar de encontro de Deus
somente a Moisés é permitido aproximar-se. com o seu povo. Cristo é nosso ."propiciatório " (Rm
Ficamos pensando se estes setenta anciãos se- 3.25 e 1 Jo 2.2), onde podemos encontrar com Deus e
riam os mesmos de Números 11.16, escolhidos para ter comunhão com Ele, e achar misericórdia e graça
tomar parte no governo do povo. Certamente um (Hb 4.16). Nas duas extremidades da tampa, havia
bom preparo para um cargo de responsabilidade se- figuras de querubins, feitas em ouro; e, dentro da ar-
ria ter uma• visão de Deus. ca, segundo diz Hebreus 9.4. um vaso de ouro con-
Moisés sobe ao monte sozinho, e fica ali a espera, tendo maná, a vara de Aarão, e as duas segundas tá-
seis dias, coberto pela nuvem, e no sétimo, ouve e vê buas da Lei. Podemos entender que a Arca era uma
a divina revelação. Havia de sentir-se muito afasta- figura de Cristo, o qual podia dizer como o salmista:
do do povo, muito chegado a Deus, muito impressio- "A tua lei está dentro do meu coração". Ele é o ver-
nado pelas circunstâncias extraordinárias do mo- dadeiro páo do Céu, e exerce um sacerdócio maior do
mento, muito preparado para ouvir a revelação da que o de Aarão (Hb 7.11).
vontade de Deus. O crente ainda hoje pode ter algu- " O pátio continha a Tenda; a Tenda continha o
ma experiência parecida, talvez quando uma gTave Santíssimo; o Santíssimo continha a Arca, a Arca
doença o leva para um período de afastamento do continha a Lei, e a Lei era a vontade revelada de
mundo em redor, e ele se sente mais chegado a Deus Deus, da qual Cristo era a personificação e a expres-
e mais disposto a ouvir a voz divina. são" (Scroggie).

45
txodc

A mesa para os pães (23-30). Os pães havemos de res, que deviam ser derrubadas, serradas, aparelha-
estudar em Levítico 24.5-9. Aqui temos apenas a das para remover tudo o que havia de obstar chegas-
mesa onde eles deviam ser postos. Devemos notar sem a ser tábuas boas e lisas. Depois foram nova-
que enquanto no .Santíssimo - o recinto interior do mente levantadas, colocadas sobre as bases de prata,
tabernáculo - havia somente a arca, no Lugar Santo o metal que simboliza a redenção (Ex 30.12-16; L v
- o recinto exterior - havia a mesa. o castiçal e o altar 5.15), e cada tábua coberta de ouro. Então haviam
de incenso. de ser coordenadas, cada uma no seu devido lugar no
O candeeiro de ouro. (31-40). Assim como nas santuário de Deus, e cada uma ligada com as cinco
moradias humans há comida e luz artificia!. Deus travessas de madeira de acácia coberta de ouro (26-
consentiu em haver as mesmas coisas na casa dele. 30). Podemos fazer uma comparação disto com o
Porém, visto que Deus náo precisava comer o pão, caso dos crentes imprestáveis no seu estado natural
isso era dado aos sacerdotes para seu sustento ( L v para construir a Casa de Deus, mas, derrubados pela
24.9); e a luz do candeeiro, que pode falar de teste- convicçáo do seu pecado, aparelhados pelo ensino da
munho, faz-nos pensar que a luz que brilha no povo Palavra, firmados sobre a redenção que há em Cris-
de Deus para a iluminação do mundo ( M t 5.14) bri- to, revestidos do "ouro", de um caráter irrepreensí-
lha. ao mesmo tempo, perante Deus no seu santuário vel - revestidos de Cristo colocados por Deus mes-
(Rm 1.9; 2 Co 2.15). mo na sua Igreja (1 Co 12.28), ligados uns aos outros,
"Compare-se com Apocalipse 1.12-20 e notem-se e, assim unidos, constituindo um santo templo do
as semelhança» e diferenças. Aqui sete lâmpadas em Senhor (2 Co 6.16).
um só castiçal, simbolizando unidade; ali sete dife- O véu que separava o lugar santo do santíssimo
rentes candeeiros, simbolizando diversidade: uma, (v. 33). Para compreender a significação desse véu
característica da velha dispensação; outra, da nova" devemos consultar Mateus 27.51 e Hebreus 9.3,6-9,
(Scroggie). 10.20.
Quando estive em Roma, em 1905, vi no Arco de " O véu interior é tipo do corpo humano de Cristo
Triunfo, construído pelo imperador T i t o em come- ( M t 26.26; 27.50; Hb 10.20). Este véu. vedando a en-
moração da captura de Jerusalém, uma escultura do trada ao santíssimo, era um símbolo expressivo da
sagrado castiçal dos judeus, tirado então, por supos- verdade que 'pelas obras da Lei nenhuma carne será
to, do templo de herodes, mas, provavelmente, con- justificada' " (Rm 3.20; Hb 9.8). Rasgado por mão
servando o mesmo aspecto do castiçal primitivo do invisível quando Cristo morreu ( M t 27.51), dando
tabernáculo. S.E.M. assim acesso imediato a Deus para os que chegassem
pela fé, significa o fim de todo o legalismo: o cami-
Capitulo 26 nho para Deus ficou aberto. É significante que os sa-
cerdotes devem ter remendado o véu qiiA Deus rasga-
As cortinas (1-14). Há uma interpretação que ra. pois os serviços do templo continuaram por quase
percebe um simbolismo instrutivo e espiritual em to- mais 40 anos. Esse véu remendado é o legalismo re-
dos os pormenores do tabernáculo, seus materiais e provado na carta aos Gálatas (e tem seu equivalente
suas medidas. Neste livro não havemos de acompa- hoje no sabatismo). é a tentativa de colocar o crente
nhar minuciosamente essa interpretação, mas os que sob o regime da Lei (G1 1.6-9). Tudo que anuncia ou-
desejam investigá-la podem consultar " T h e Nume- tra coisa a não ser 'a graça de Deus' é 'outro evange-
rical Bible", por F. W. Grant. A seguir damos algu- lho' e está sob anátema" (Scofield).
ma coisa do que ele escreve sobre as cortinas:
" A s cortinas falam, como seu material mostra, A divisão do santuário pelo véu em lugar santo e
da justiça prática, como faz também o linho fino que lugar santíssimo era característica do judaísmo ( H b
cobre a noiva em Apocalipse 19. 'O linho finíssimo 9.2-8), e para nós tal divisão não existe - o rompi-
são os atos da justiça dos santos' (Ap 19.8,V.B.) e mento do véu tem feito dos dois, um só lugar. Isto
tais vestimentas precisam ser lavadas no sangue de nos mostra de que maneira a Lei, "sendo a sombra
Cristo para serem embranquecidas (Ap 7.14 e 22.14) dos bens vindouros", não era a mesma imagem delas
- u m a clara prova de Que elas (as vestimentas) não (Hb 10.1), um fato cheio de significação, que não dá
são um símbolo de Cristo nossa justiça, que náo ne- motivo para fazermos pouco caso do ensino simbóli-
cessita ser purificado. co do V.T. Pelo contrário, tal significação na Lei está
cheia de sentido. "O caminho para o lugar santíssi-
" M a s náo temos apenas o linho fino: azul, púrpu- mo", para a própria presença de Deus, não podia ser
ra e escarlata entram na combinação. Quase não ne- aberto enquanto a humanidade ainda dependesse da
cessitamos a garantia de Maimonedes, que afirma ser aprovação da Lei: como teria ela se gloriado em si
a primeira destas cores 'a cor do firmamento', para mesma se tivesse sido assim! Por outro lado, para os
reconhecermos aqui o símbolo do celestial. A púrpu- pecadores confessadamente sob a condenação da
ra e a escarlata são cores reais, e bem se podem refe- Lei, a morte de Cristo tem rasgado o véu e espargido
rir à dupla realeza de Cristo, como Rei de Isfoel, 'a raiz sangue sobre o propiciatório. A palavra para nós -
de Jessé é aquele que se levanta para governar os tão diferente do mandado a Israel - é "cheguemo-nos
gentios'. Para isso, o apóstolo cita Isaías em Roma- com um coração sincero em plena certeza da fé" ( H b
nos 15.12. E isto fica ainda mais claro se, como Keil 10.22) (Grant).
diz, e a tradução literal parece confirmar, que o azul,
a púrpura e a escarlata referem-se ás figuras de que- " É necessário distinguir entre o Tabernáculo
rubins que eram bordadas nesUc» cortinas e no véu. (mishkan) e a Tenda (ohet). Km resumo, a constru-
Os querubins simbolizam governo divino, como já ção toda era o tabernáculo, e aquela parte chamada
temos visto, e assim achamos aqui o Rei do reino de o Lugar Santo, era a tenda (27.21). Todo o conjunto
Deus mui claramente declarado..." simbolizava a presença de Deus com seu povo (Jo
As tábuas do tabernáculo (15-30). N e m sempre 1.14) e também o meio de o povo aproximar-se de
haviam sido tábuas. N o estado natural eram árvo- Deus ( H b 9.1-12)" (Scroggie). Mas em 40.19 lemos:

46
txo4c

"Estendeu a tenda por cima do tabernáculo, e pós a No peitoral havia as doze pedras diferentes, cada
coberta da tenda por cima". uma com o nome de uma das tribos. Assim vemos a
Em 39.32 e 40.2 temos as duas palavras juntas: totalidade do povo de Deus levada nos ombros do
"o tabernáculo da tenda da congregação" ("revela- sumo sacerdote - no lugar de poder - e, individual-
ção" V . B ) , mente, cada tribo com uma distinta preciosidade
Precisamos investigar o sentido da palavra atribuída, e levada no peitoral "sobre seu coração"
hebraica "moed" que Almeida traduz congregação. (v. 30) no lugar de afeição.
Figueiredo testemunho. V.B. revelação, e a versão Quanto ao Urim e Tumim, o dr. Scofield diz: " U -
hespanhola de Pratt "reunion" ou "de entrevista". rim e Tumim significam 'luzes e perfeições'. Alguns
O sentido literal da palavra, segundo Dr. Robert entendem que isto é simplesmente um nome coletivo
Young. é um encontro ou um lugar de encontro. pelas pedras no peitoral, de maneira que o efeito total
Parece que o sentido simples é que o tabernáculo das doze pedras é manifestar a 'luz e perfeição' da-
(ou. mais explicitamente, o propiciatório dentro do quele que é o antítipo do antigo sumo sacerdote. Mas
tabernáculo) era o lugar onde Deus havia de se en- isto não combina com Levítico 8.8, que parece mos-
contrar com seu povo - representado por Moisés ou trar evidentemente que *o Urim e Tumim* são acres-
os sacerdotes - e revelar a sua vontade. centados às pedras do peitoral. No seu uso o U. e T .
Aprendemos de 33.7-11 que mesmo antes da eram ligados, de algum modo não claramente expli-
construçáo do tabernáculo havia uma "Tenda de re- cado, com a indagação da vontade divina em certos
velação (encontro)" provisória onde "falava Jeová a casos difíceis (Nm 27.21; Dt 33.8: 1 Sm 28.6; Ed
Moisés frente a frente, como um homem fala ao seu 2.63)".
amigo".
Capitulo 29
Capítulo 27
Ensino sobre a consagração dos sacerdotes. Neste
O altar e o átrio. O israelita piedoso, querendo capitulo temos o ensino, e em Levítico 8.1 vemos
aproximar-se do Senhor para o servir, descobria ime- esse ensino posto em prática.
diatamente que a Casa de Deus estava cercada; e, As divisões deste capítulo podem ser:
para chegar mais perto, havia de entrar pela porta 1-4 - A consagração dos sacerdotes: as ofertas.
do átrio (Jo 10.9). A primeira coisa que ele encontra- 5-7 - Referentes ao sumo sacerdote.
va dentro do átrio era o altar, o tabernáculo, e a pia 8-9 - Referentes aos sacerdotes.
(30.18), que lhe falava de purificação. Então, para 10-25 - Referentes aos sacrifícios.
poder entrar no santuário e tomar parte no serviço 26-37 - A comida dos sacerdotes.
divino, era preciso pertencer ã família sacerdotal 38-46 - O holocausto continuo.
um "novo nascimento". Notemos:
a) O propósito do sacerdócio era servir a Deus: "a
Capitulo 28 fim de que me sirvam no ofício sacerdotal" (v. 1).
Sacerdotes e vestes sacerdotais. A ocupação dos b) Para o serviço ser aceitável, era preciso haver
sacerdotes era servir a Deus (v. 1) e a dos levitas, ser- sacrifício, e o sangue ser aplicado na orelha, no dedo
vir aos sacerdotes (Nm 3.5-9; 9.19). No cristianismo, polegar, e no pé (v. 20) - a obra expiatória de Cristo
toda a igreja local deve ser como um sacerdócio san- aplicada a todas as nossas atividades.
to, a fim de oferecer sacrifícios espirituais (1 Pe 2.5); c) Além da expiação, tinha de haver purificação
e os crentes que têm ministério de proveito e ajudam (v. 4). Com isto podemos ligar João 13.10 e Tito 3.5.
os "sacerdotes" no seu serviço espiritual são compa- d) Os servos de Deus deviam ser revestidos dig-
ráveis aos levitas do Velho Testamento. namente. O aspecto exterior, é evidente, havia de ser
Vemos que os sacerdotes precisavam não somen- o que Deus pudesse aprovar.
te ter parentesco com o sumo sacerdote (Hb 2.11), e) Os sacerdotes eram nutridos com a carne dos
mas haviam de ser revestidos exteriormente com sacrifícios (v. 28). Com isso podemos comparar João
"vestiduras, para glória e formosura". O crente re- 6.54-56.
nascido que é bem "revestido de Cristo" pode me- "Expiação" (v. 33. etc.) A palavra hebraica
lhor oferecer sacrifícios de louvor (Hb 13.15). "kaphar" geralmente traduzida por expiação signifi-
Em Hebreus 5.1-3 temos outro aspecto do serviço ca cobrir. Segundo o ensino bíblico, o sacrifício pres-
sacerdotal. Um sacerdote é "constituído a favor dos crito pela Lei "cobria" o pecado do ofertante e conse-
homens nas coisas pertencentes a Deus", isto é, ele guia o perdão divino. Deus cobriu, ou "deixou de la-
entra na presença de Deus a favor dos outros. do" (Rm 3.25) o pecado, na perspectiva do sacrifício
Aarão, o sumo sacerdote, era uma figura de Cris- de Cristo, porque "não era possível que o sangue de
to, nosso Sumo Sacerdote (Hb 7.26-28). Suas vesti- touros e de bodes tirasse pecados" (Hb 10.4). A pala-
mentas falam-nos da dignidade do seu caráter e sua vra não se encontra no N . T . (Scofield).
obra.
Três objetos nos ocupam neste capitulo: o Efode Capitulo 30
(estola), o Peitoral, o Urim e Tumim. F.W. Grant,
com outros expositores, entende que este último é o O altar do incenso. "Tipo de Cristo nosso inter-
conjunto de pedras preciosas no peitoral, e, visto que cessor (Jo 17.1-26; Hb 7.25) por quem nossas orações
mui pouco se encontra na Bíblia a seu respeito, po- e louvores sobem a Deus (Hb 13.15; Ap 8.3,4). Tipo
demos aceitar a idéia, ao menos provisoriamente. também dos sacrifícios de culto e louvor dos crentes-
O éfode era a parte das vestimentas sacerdotais sacerdotes (Hb 13-15).
que ia sobre os ombros do sumo sacerdote e nele ha- " A descrição do altar do incenso encerra o assun-
via as duas pedras de ônix, cada uma gravada com to da consagração dos sacerdotes, e outro assunto é
os nomes de seis tribos de Israel. introduzido com as palavras: "Disse mais Jeová a

47
txodc
Moisés' (v. 11). Para encontrar estas palavras ante- em seguida é o bezerro de ouro. " S e fosse preciso al-
riormente, teríamos de voltar ao capitulo 25, visto guma coisa para ensinar-nos a incapacidade da Lei
que todo o assunto referente ao tabernáculo é um só para mudar o coração humano, encontramo-la nesta
discurso continuado. Contudo, essas palavras ocor- história do bezerro de ouro. Depois das notáveis ce-
rem seis vezes dentro dos limites de dois capítulos" nas de glória em volta do monte Sinai, era de pensar
( Grant) que o povo tivesse medo de ultrajar os mandamentos
O lavatório (v. 18) tipo de Cristo purificador de e quebrar o solene concerto de sangue em que entra-
toda a contaminação (Jo 13.2-10; Ef 5.25-27). E sig- ra. Mas tal é 'a carne', e a Lei náo podia efetuar a li-
nificante que o sacerdote não podia entrar no san- bertação do homem, por ser 'fraca pela carne' (Rm
tuário depois de servir ao altar de bronze, até ter la- 8.3). Tal é a lição principal que Deus quer ensinar
vado as mãos e os pés. aos homens por essa dispensação da Lei. Há somente
Este capitulo interroga sobre quem pode chegar- um remédio: 'necessário vos é nascer de novo' (Jo
se a Deus em adoração, e a resposta é: 1) os remidos 3.7)" (Goodman).
(11-16); 2) os purificados (17-21); 3) os ungidos (22- O capítulo contém muitos ensinamentos. As tá-
33). buas da Lei foram arrojadas ao chão por Moisés, no
Notemos com respeito ao óleo santo e ao santo in- momento da sua indignação (v. 19). Segue-se uma
censo, que nem um nem outro podia ser empregado vingança sanguinária e os filhos de Levi são os ins-
vulgarmente: foram reservados para fins sagrados trumentos dela (v. 26). N o dia seguinte, Moisés in-
(32,38). Parece-nos quase um sacrilégio cantar as tercede pelo povo (v. 30-32). Ele confessa a extensão
músicas dos hinos com palavras profanas. do pecado: roga o perdão divino: oferece-se como
substituto do povo pecaminoso (32) e, afinal, torna a
Capitulo 31 aceitar a tarefa de chefiar o povo de Deus nas suas
futuras peregrinações (33.1).
Os artífices da obra do tabernáculo. "Deus agora
chama por nome os obreiros humanos que deviam le- Capítulo 33
var adiante seus planos pelo poder do Espírito. Em
Bezaleel, Judá vem à frente na obra do santuário, de Deus retira a sua presença, mas promete mandar
acordo com o sentido do seu nome ('na sombra de um anjo com o povo (v. 2).
Deu3*) e com a profecia de Jacó (Gn 49.9,10). Dá for- Notamos uma diferença no versículo 7: "Ora
nece seu ajudante na pessoa de Aoiiabe. Mas, além Moisés costumava tomar a tenda & armá-la fora do
disso. Deus pôs sabedoria nos corações de todos os arraial" na V.B., e não: "Moisés tomou a tenda"
homens hábeis (v. 6) e os empregou na construção da como em Almeida, que parece dar a entender que o
sua morada. Isto é fácil de interpretar, mas convém costume se originou nessa ocasião, devido ao pecado
compreendermos mais da sua significação!" do povo. Podemos subentender duas palavras na V.
(Grant). B. "Moisés costumava [deste então] tomara tenda".
O sábado, um sinal. Notemos o ensino explícito Em qualquer caso vemos que a presença de Deus não
que "o sábado é um sinal perpétuo entre mim e os fi- havia de estar desde então no meio do povo, "porque és
lhos de Israel" (v. 17). Foi assim que Deus teve por povo de cerviz dura; para que não te consuma eu no
bem fazer diferença entre Israel e os gentios em re- caminho" (v. 3).
dor. Não há nenhuma escritura que diga ter Deus A Tenda referida aqui não era o tabernáculo, que
concedido aos gentios o privilégio desse dia de des- ainda não tinha sido construído. Era alguma Tenda
canso. provisória consagrada, para onde "todo aquele que
Na roça, às vezes, ouve-se tocar uma cometa na buscava a Jeová saía'' (v. 7).
hora do almoço a fim de reunir os empregados para a Moisés pede uma revelação de Deus. Vemos dois
refeição. Um estranho, passando, pode p e r g u n t a r a pedidos: "Mostra-me os teus caminhos" (v. 13). e
significação da cometa, e ser assim informado: "Isso "Mostra-me a tua glória" (v. 18). O primeiro faz-nos
é um sinal entre o patrão e seus empregados. Náo lembrar o Salmo 103.7: "Manifestou os seus cami-
tem nada com outra gente". nhos a Moisés: os seus feitos aos filhos de Israel". Is-
Se o cristão tem o costume de guardar o domingo, rael podia observar " o quê", mas Moisés queria sa-
isso não pode ser porque aos israelitas foi mandado ber "por quê?"
guardar o sábado, nem ele faz isso "porque em seis Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus,
dias fez Jeová o Céu e a Terra, e ao sétimo descansou pediu mais do que podia receber. A glória de Deus. a
e achou refrigério": O cristão provavelmente pensa plena revelação de tudo quanto Ele é, nenhum peca-
mais na ressurreição de Cristo do que propriamente dor pode contemplar sem a obra expiatória que tire o
na criação do mundo. seu pecado. Mas Deus misericordiosamente mos-
Israel chegara ao Sinal pelo fim do capítulo 19, e trou-lhe a sua bondade e a sua misericórdia (v. 19) e
ainda permanece ali até o fim do capítulo 31. Todos Moisés teve de se contentar com isso. Séculos de-
esses capítulos se ocupam com as instruções recebi- pois. Moisés e Elias viram a glória de Deus na face
das por Moisés sobre o monte; e, por suposto, foram resplandecente de Jesus Cristo, e falaram sobre a
escritas por ele ali mesmo , para depois serem incor- morte exoiatória que Ele ia táo logo sofrer (2 Pe
poradas no livro de Êxodo. 1.16,17).
Êxodo 33.20 e 23 ensina-nos que as palavras "ca-
Capitulo 32 ra a cara", no versículo 11, náo são para entender ao
pé da letra. São um bem-conhecido hebraísmo que
O bezerro de ouro. Depois de onze capítulos ocu- não significa mais do que "intimamente". Contudo
pados com ensinos referentes ao tabernáculo e seu compreendemos que Moisés gozava de muito mais
serviço, continua a narrativa histórica, e Moisés está intimidade com Deus do que qualquer dos patriarcas
pronto para descer do monte. O que encontra logo anteriores.

48
txodc
A vida eterna que Cristo dá aos seus discípulos é 3) Contudo, como um concerto de obras, era pro-
caracterizada por um conhecimento íntimo do Pai e visória, e ia passar.
do Filho (Jo 17.2). (Veja-se também Joáo 14.21.) " O Homem nunca podia achar descanso na Lei.
Mas, ao momento, Israel nâo devia* saber isso. Por
isso Moisés cobriu seu rosto para que náo descobris-
Capítulo 34 sem o caráter transitório da Lei. Israel ainda procura
descansar na Lei: seu coração ainda está com véu,
A renovação das tábuas, etc. Neste capítulo os como é o de todo pecador que espera ser justificado
versículos 18 a 20. com seu ensino sobre os primogê- pela Lei. Somente quando os homens se voltam para
nitos, repetem o que já lemos em 13.11 a 13, e o ensi- Cristo é que é removido o véu (2 Co 3.16), e descobre-
no de 21 a 26 repete o que temos em 23.12 a 19. Gran- se o fato de que a Lei tem seu cumprimento em Cris-
de parte do ensino deste capítulo é recapitulada em to; que somente nele há liberdade, e que somente em
Deuteronômio 10. contemplar a glória mais excelente manifestada na
O fermento (v. 25). " O emprego desta palavra é sua pessoa podem ser "transformados na mesma
sempre em sentido mau na Escritura". imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o
1) Havia de ser banido na ocasiáo da Páscoa (Êx Espírito' (2 Co 3.18)" (Goodman).
12.15). Proposta emenda de tradução (v. 13): "os seus
2) Nào podia estar em contato com qualquer sa- bosques de idolatria cortarás".
crifício (Êx 34.25; Lv 2.11; 10.12). Aparentemente há uma contradiçáo entre o
3) Ê parecido com as doutrinas corruptas dos fa- versículo 1, onde Deus diz que Ele vai escrever a Lei
riseus e saduceus (Mt 16.6), e de Herodes (Mc 8.15). sobre as novas tábuas, e o versículo 28 onde lemos
4) Foi mandado à igreja de Corinto "purificar-se que Moisés a escreveu. Todos os outros trechos do
do velho fermento" (1 Co 5.7), porque um pouco de V.T. que falam do assunto dizem que Deus escreveu.
fermento leveda toda a massa (v. 6). Talvez a explicação se encontre em 2 Corintios 3.7
5) Ê usado como um símbolo de "malícia e ini- que fala da Lei como "ministério da morte, escrito e
qüidade" (1 Co 5.8). gravado em pedras". Podemos entender que Deus
Em face de tudo isto, como poderá alguém inter- escrevesse nas segundas pedras, e que Moisés gra-
pretar o fermento em sentido totalmente oposto, vasse as palavras mais tarde.
como se fosse uma coisa boa em si e na sua operação
e seus efeitos?
Capítulos 35 a 39
As supostas exceções são:
"1) Levítico 23.9-20: O 'molho-movido' das primí- Estes capítulos descrevem a construção do taber-
cias era sem fermento. Mas no versículo 17 os 'dois náculo. referindo-se às coisas que já temos conside-
pães para serem movidos' oferecidos 50 dias depois, rado: cortinas, tábuas, arca, mesa, castiçal, altares,
deviam ser feitos com fermento. Esta distinção se fez etc. de maneira que náo precisamos tornar a explicá-
porque o 'molho movido' representava Cristo, prímí- las. Notemos a contribuição (35.4-9) dos materiais; o
cias da ressurreição, sem pecado (1 Co 15.23); en- trabalho (35.10), não somente dos dois artífices prin-
quanto os dois pães representavam os que receberam cipais, mas de todo homem hábil, cooperando as
seus dons 50 dias depois (At 2.1-4). e que tinham pe- mulheres também (35.25). E nós ainda podemos
cado e corrução em si. É por isso que o fermento es- contribuir e trabalhar para a construção do templo
tava nos pães, e não no molho. espiritual de Deus!
"2) Amós 4.4,5. Mas aqui o oferecer um sacrifício Em 38.8 "os espelhos das mulheres" não eram,
de ação de graças com fermento é chamado 'multi- nesse tempo, de vidro, mas de cobre polido.
plicação de transgressões'. Lemos em 39.32: "Assim se acabou toda a obra do
"3) Mateus 13.33. A parábola do fermento escon- tabemáeulo da tenda de encontro", mas ainda falta-
dido em três medidas de farinha. Isto é uma das pa- va a ordem divina para armá-lo. Em todo o caso
rábolas do Reino, e por isso, náo tem nada com a Moisés examinou tudo, aprovou a obra, e abençoou
Igreja" (J. 261). o povo (39.43).
O rosto de Moisés resplandece. "Este incidente é
referido em 2 Corintios 3.7,13: "os filhos de Israel
não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés em ra- Capítulo 40
zão da glória do seu rosto, a qual se estava desvane-
cendo... Moisés... punha um véu sobre o seu rosto, Deus manda levantar o tabernáculo, e Ele esco-
para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no lhe o dia da inauguração exatamente depois de ter
final daquilo que se desvanecia". Para entender isto completado um ano desde a saída do Egito (v. 17).
devemos ler o versículo 33 deste capítulo como está Tudo está posto no seu devido lugar, e o véu dividin-
na V.B. "Tendo Moisés acabado de falar com eles, do o santo do santíssimo (v. 21).
pôs um véu sobre o rosto", pois é evidente que viram É evidente que o conjunto harmonioso de todo o
seu rosto sem véu (35) e não podiam suportar a gló- tabernáculo dependia de cada tábua, cada cortina
ria, e que Moisés cobriu-o depois, nâo meramente estar no seu devido lugar. E é assim com a Casa de
para aliviar os olhos deles, mas para que náo desco- Deus hoje? Um só crente que não esteja no seu lugar
brissem que a glória passava. As lições espirituais junto com os outros, faz falta, e a casa está defeituo-
que devemos colher deste fato sáo: sa.
1) Que a Lei era gloriosa, isto é, cheia de dignida- Afinal "erigiu o átrio ao redor do tabemáeulo e do
de e majestade. altar, e pendurou o anteparo da porta do átrio"
2) Que os homens náo podiam encará-la. A Lei os (v.33). O átrio separava a Casa de Deus do arraial de
condenava: exigia aquilo que, no seu estado decaído, Israel, como a Igreja de Deus hoje deve estar separa-
nâo podiam fazer. da do mundo em redor.

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txodc

A glória do Senhor encheu o tabernáculo, e sem Êx 21.24 Mt 5.38


isso toda a riqueza de ouro. púrpura e linho fino de Êx 22.28 At 23.5
nada valia. " O Tabernáculo. havendo sido construí- Êx 25.40 At 7.44 e Hb 8.5
do de acordo com o modelo divino, foi enchido da di- Êx 32.6 1 Co 10.7
vina glória, mas somente depois de ter sido espargi- Êx 33.19 Rm 9.15
do com sangue precioso (Nm 19.4), e ungido de azei-
te santo (Lv 3.10). Na Dispensação da Graça, so- Passagens referentes a incidentes e pessoas:
mente na Pessoa de um Salvador crucificado e ungi- Êx 6.6 - Libertação do jugo egípcio (At 13.17).
do, pode Deus habitar entre os homens" (Students Êx 19.12.13 - Israel defronte do Sinai (Hb 12.18
Commentary). 20).
" O que a glória divina era para o Tabernáculo e o Êx 26.33 - Construção do Tabernáculo (Hb
Templo, é o Espírito Santo para o "santo templo" 9.2,3).
que é a Igreja, como também para esse "templo" que Êx 30.10 - O sumo sacerdote no lugar santíssimo
é o corpo do crente (1 Co 6.19) (Scofield). (Hb 9.7).
Êx 34.33 - O véu na face de Moisés (2 Co 3.13).
Lede Atos dos Apóstolos (cap. 7), onde Estêvão
REFERÊNCIAS A O ÊXODO NO NOVO TESTA- se refere muitas vezes a narrações do Êxodo.
MENTO Alusões e paralelos: - 33.14; ao nome divino: "Eu
sou" referem-se João 8.58; Apocalipse 1.4,8, 11.17, e
As citações sáo geralmente feitas com esta fór- 16.5. Comparai também 4.19 com Mateus 2.20; 8.19
mula "Está escrito", e também com outras. Os dev com Lucas 11.20, "o dedo de Deus"; 12.40 com Gála-
mandamentos (Êx 20) são citados em Mateus tas 3.17, "quatrocentos e trinta anos"; 19.5,6 com
5.21,27,33, e J5.4.6 e 19.18; Lucas 13.14 e 23.56; Ro- Ti to 2.14, 1 Pedro 2.5,9, e Apocalipse 1.6, 5.10, 20.6;
manos 2.22, e 7.7; 13.9; Efésios 6.2,3; e Tiago 2.11 24.8 com Mateus 26.28, Hebreus 9.19,20; 31.18 com 2
Vede também as seguintes referências: Corintios 3.3; 32.33, "o livro da vida", com Lucas
Êx 3.6 Mt 22.32 e Mc 12.26 10.20; Filipenses 4.3; Hebreus 12.23, Apocalipse 3.5,
Êx 9.16 Rm 9.17 e 22.19.
Êx 12.46 Jo 19.36 Há também várias concordâncias de palavras,
Êx 16.18 2 Co 8.15 como no caso do Gênesis (Angus).
Êx 21.17 Mt 15.4; Mc 7.10

50
levítico

evítico está em relação ao


Êxodo como as Epístolas,
aos Evangelhos. Êxodo
fala da redenção, e põe a
base da purificação, do 3. Conclusão (cap. 26), referente ao Concerto.
do
culto I d serviço de um povo remido. Levítico dá os 4. Apêndice (cap. 27), referente aoe votos.
detalhes do andar, do culto e do serviço desse povo.
todo Deus fala desde o monte, ao qual era proi-
E m ÉXOÍ M E N S A G E M DE LEVÍTICO
bido^ chegar; em Levítico Ele fala desde o taberná-
culo, onde habita no meio do povo, e diz-lhe o que Para entender Levítico devemos entender o que
convém à sua santidade na aproximação desse povo já temos estudado. Em Gênesis temos um povo esco-
a Ele mesmo, para com Ele ter comunhão. lhido de Deus; em Êxodo, um povo libertado por
A palavra-chave de Levítico é "santidade" que Deus: sua vontade revelada na Lei, e sua presença
ocorre 87 vezes. O versículo-chave é 19.2. no tabernáculo. Em Levítico se nos diz como se pode
Levítico tem nove divisões principais: 1) As ofer- aproximar de Deus e o que Ele requer daqueles que
tas (cap. 1 a 6.7). 2) A lei das ofertas (6.8 a 7.38). 3) estão na sua presença. Em outras palavras, temos
Consagração (8.1 a 9.24). 4) Uma transgressão e um em Gênesis, eleição divina; em Êxodo libertação di-
exemplo (10.1-20). 5) Um Deus santo exige um povo vina, e em Levítico culto divino. As lições ensinadas
santo (caps. 11 a 15). 6) Expiação (cap. 16). 7) A con- aqui são duas, e são propostas com tanta clareza e
duta do povo de Deus (caps. 17 e 22). 8) As festas de ênfase que é impossível perder a sua significação.
Jeová (cap. 23). 9) Instruções eavisos (cape. 24 a 27). São estas:
1. O caminho para Deus é somente pelo sacrifício
A N Á L I S E DE LEVÍTICO (caps. 1 a 10).
2. 0 andar com Deus é somente pela santifica-
1. O Caminho para Deus mediante o sacrifício, um ção (caps. 11 a 27).
privilégio (caps. 1 a 10). O primeiro se refere ao privilégio; o segundo, à
A Obra do Filho por nós - Judicial: O que Ele é e prática. Ao considerar o primeiro, devemos nos lem-
faz. brar de que o povo contemplado não é de pecadores se-
1.1. A lei das ofertas - Oblaçáo (capa. 1 a 7): parados de Deus, como as nações em redor, mas é o
holocausto; manjares; pacifica; pecado; seu povo escolhido. Nâo fala dos sacrifícios da reden-
transgressão. ção. Doraue esta foi efetuada pelo sangue espargido
1.2. A lei do sacerdócio - mediação (caps. 8-10). da Páscoa (Êx 12), mas fala de como pode ser manti-
consagração (cap. 8); inauguração (cap. 9); da a relação com Deus para a qual o povo fora leva-
transgressão (cap. 10). do, e constitui uma maravilhosa revelação do que a
2. O Andar com Deus pela santificação. (Prática) morte de Cristo significa para com Deus, e deve signi-
(caps. 11 a 25). ficar para nós. Ê muito importante compreender is-
A Obra do Espírito em nós! Experimental: o que to. No começo da vida cristã, a única idéia que se
havemos de ser e fazer. costuma ter do Calvário é que ali morreu alguém
2.1. A lei da pureza. Separação (caps. 11-16). para salvar as nossas almas da culpa do pecado e pu-
a. O requerimento (caps. 11-15). riflcar-noa dos nosso® pecados; mais tarde, porém,
b. O fornecimento (cap. 16). na nova vida começamos a compreender os muitos e
Xevftico

diversos aspectos desse sacrifício, simbolizados em Cristo levando toda a culpa do pecador. Ambas têm
Levi tico; e somente quando compreendemos bem o caráter de substituição. Por amor de nós. Cristo, no
essa obra da Graça é que entramos na plenitude da holocausto, supre a falta da nossa devoção, e, nas
bênção do Evangelho. Em 1 João 1.5 a 2.1 temos a ofertas pelo pecado e pela transgressão, sofre por
aplicação deste assunto de Levítico. O grande fato é nossas desobediências.
que o homem pecador pode aproximar-se de Deus, 1) O holocausto. O holocausto simboliza Cristo
mas somente da maneira apontada. Para Israel, oferecendo-se sem mácula a Deus (Hb 9.14) no seu
acesso a Deus era possível somente no lugar que Ele desejo de fazer a vontade do Pai, mesmo até a morte.
escolhera e mediante o mediador que Ele apontara, e Tem valor expiatório, porque o crente nem sempre
bem como pelos sacrifícios e ordenanças que Ele de- tem tido esse prazer de fazer a vontade de Deus; tem
terminara. Nem sacerdote nem levita tinha liberda- valor de substituição (v. 4), porque Cristo morreu
de para inventar qualquer outro método de aproxi- em vez do pecador. Mas o pensamento de castigo náo
mação, ou acrescentar detalhe algum à ordem divina é saliente (SI 40.6-8; Fp 2.8; Hb 9.11-14; 10.5-7). As
(Rm 5.1,2; Ef 2.18). expressões principais ( L v 1.3-5) sáo "holocausto",
A segunda parte do livro trata do "andar" de Is- "da sua própria vontade" (Almeida), "aceitação", e
rael (e do nosso) para com Deus, que é baseado sobre "expiação".
nossa relação com Ele. Relacionamento é sempre a Os animais aceitáveis para sacrifícios são cinco:
primeira coisa, comunhão sempre a segunda; e co- 1) O novilho ou boi, simboliza o Servo paciente (1
munhão pelo andar, isto é. peto proceder: "Se andar- Co 9.9,10; Hb 12.2,3), obediente até a morte (Is
mos... temos comunhão" (1 Jo 1.7). (Ver Gênesis 52.13-15; Fp 2.5-8). A oferta neste caráter é como
5.24; Amós 3.3: Efésios 4.1; 5.2,8,15.) A coisa que há substituto, visto que o ofertante não tem sido obe-
de caracterizar-nos, e sem a qual náo podemos andar diente assim.
com Deus de maneira alguma, é a santidade. Entre 2) A ovelha simboliza Cristo submisso, mesmo
os capitulos 11 e 16 a palavra "limpo", ou seu equi- nessa fase da morte sobre a cruz (Is 53.7; At 8.32-35).
valente, ocorre mai de 160 vezes, mostrando clara- 3 ) A cabra simboliza o pecador (Mt 25.33). e
mente onde deve cair a ênfase. Purificaçáo é tanto a quando empregada em sacrifício, simboliza Cristo
condição como a conseqüência de andar com Deus, e "contado com os transgressores" (Is 53.12; Lc 23.33),
um cuidadoso estudo desta parte do livro mostrará que e "feito pecado" e "maldição" (2 Co 5.21; G1 3.13),
a santidade prática deve caracterizar a nossa vida, como substituto do pecador.
sem omitir coisa alguma. (Consultar 1 Coríntios (4 e 5) Rolas ou pombinhos. Símbolos de tristeza
10.31; Colossenses 3.17; 1 Pedro 4.10,11.) Tudo deve e inocência (Is 38.14, 59.11; Mt 23.37; Hb 7.26), asso-
ser marcado com "Santidade ao Senhor". A base e ciados com a pobreza em Levítico 5.7; falam de
motivo de tudo é "Porque eu sou santo". quem por amor de nós se fez pobre (Lc 9.58) e cujo
Mais uma ou duas observações poderão ser úteis: caminho de pobreza começou com o lagar "a forma
1) O equivalente de Levítíco no N . T . é Hebreus. de Deus" e terminou com o sacrifício pelo qual fomos
Esses livros devem ser lidos conjuntamente. enriquecidos (2 Co 8.9; Fp 2.6-8) (Scofield).
2) O capítulo central de Levítico é o 16, que fala
do grande Dia da Expiaçáo. Capitulo 2
3) Com exceção dos capítulos 8-10 e 24.10-12,
Jeová mesmo dá todas as instruções neste livro. As ofertas de suave cheiro. 2) A oferta de manja-
4) Ü livro é um cumprimento de Êxodo 25.22. res. Na oferta de manjares a flor de farinha fala da
5) O livro é referido ao menos 40 vezes no N . T . igualdade do caráter de Cristo; dessa perfeição em
6) Os assuntos que devem receber especial aten- que nenhuma qualidade era excessiva e nenhuma
ção em Levítico são : as ofertas; o sacerdócio; o gran- ausente; o fogo tipifica sua provação pelo sofrimen-
de Dia de Expiaçáo; e a vida santa (Scroggie). to, mesmo até a morte; o incenso, a fragrãncia da sua
As crianças aprendem melhor por meio de coisas vida perante Deus (Ex 30.34-37), a ausência de fer-
e figuras do que por argumentos e razões. Tenho vis- mento: seu caráter como "a Verdade" (Ex 12.15). a
to uma palmatória pendurada num lugar bem á vis- ausência de mel: nele não havia a mera doçura natu-
ta para fazer lembrar às crianças que a desobediên- ral que pode haver onde não existe a graça de Deus; o
cia resulta em dor. Na infância da raça quis Deus en- azeite misturado: Cristo nascido do Espirito (Mt
sinar o seu povo que o pecado importa, não somente 1.18-23); ungido com azeite: Cristo batizado pelo
em dor, mas em morte, e serviu-se dos sacrifícios Espírito (Jo 1.32; 6.27); o forno: os sofrimentos ocul-
como lições objetivas para esse fim. E ao mesmo tos de Cristo ( M t 27.45,46; Hb 2.18); a frigideira:
tempo, por método idêntico, ensinou em figura ou- seus sofrimentos mais evidentes (Mt 27.27-31); o sal:
tras lições espirituais, como substituição, expiaçáo, o sabor da verdade.de Deus - aquilo que impede a
santidade, etc. Quem desejar compreender isto me- ação do fermento (Scofield).
lhor pode ler " A História de um Sacrifício" no livro
"Palestras com os Meninos".
Levítico trata do ritual da Lei. Quem desejar se- Capitulo 3
guir a história de Israel precisa passar de Êxodo a
Números. As ofertas de suave cheiro. 3) As ofertas pacifi-
cas. " A oferta pacífica fala de paz com Deus consu-
Capítulo 1 mada, do homem reconciliado, e da salvação realiza-
da. Por isso, a oferta, em vez de subir a Deus como o
As ofertas de suave cheiro. As ofertas de suave holocausto, ou ser dada ao sacerdote como a oferta de
cheiro são assim chamadas porque tipificam Cristo manjares, fornece, em figura, uma refeição em que
na sua própria perfeição e na sua dedicação à vonta- Deus. o sacerdote e o ofertante se encontram. Por-
de do Pai. As ofertas sem suave cheiro tipificam que. se temos paz com Deus. isso náo pode ser me-

52
levítico
ramente a paz: Deus na obra da salvação satisfaz o "Mostra-nos o versículo, numa figura, a resposta
seu próprio coração, e atrai o nosso a Ele. Assim a à pergunta - Como pode o sacrifício de Cristo chegar
oferta pacifica é também a oferta de louvores, e, a ser eficaz para mim?
mais do que qualquer outra, a expressão da boa von- Aprendemos:
tade do ofertante, sendo também (junto com o holo- "I. A significação do símbolo
causto e a oferta de manjares) um suave cheiro para " D Importava numa confissão de pecado: de ou-
Deus" (Grant). tro modo nào seria preciso uma oferta.
"Acrescenta-se a isto uma confissão do mereci-
mento de castigo, porque a vitima havia de ser mor-
Capitulo 4 ta.
"Havia o abandono de quaisquer outros meios de
As ofertas sem suave cheiro. 1) Sacrifício pelo pe- remover o pecado. As mãos eram vazias, e postas
cado. O sacrifício pelo pecado, embora simbolize sobre a oferta pelo pecado somente.
Cristo, simboliza-o carregando o pecado no lugar do "Podemos fazer isto com Cristo crucificado, pois
pecador, e não. como nas ofertas de suave cheiro, somente pela Cruz foi o pecado removido.
onde Cristo é visto na sua própria perfeição. E a "2) Importava num consentimento com o plano
morte de Cristo como no Salmo 22; Isaías 53; Ma- de substituição.
teus 26.28; I Pedro 2.25 e 3.18. Mas repare como a "Alguns duvidam da justiça e certeza deste mé-
essencial santidade daquele que foi "feito pecado por todo de salvação; aquele que pofém quer ser salvo
nós" (2 Co 5.21) é resguardada. Os sacrifícios pelo não faz isso, pois vê que Deus mesmo é quem sabe
pecado têm aspecto de expiação e substituição ( L v melhor qual o método correto, e, se Ele aceita o subs-
4.12. 29.35). tituto, nós bem podemos aceitá-lo.
"Fora do arraial" (v. 12). (Compare com Êxodo " A substituição grandemente honra a lei de
29.14; Leviticol6.27; Números 19.3; Hebreus 13.10- Deus, e vindica a sua justiça.
13.) Este último t recho é a chave. O arraial era o ju- " N ã o existe outro plano de salvação que enfrente
daísmo - uma religião de formas e cerimônias. "Je- o problema da expiação do pecado. O sentimento de
sus também, para que santificasse o povo pelo seu culpa náo encontra satisfação de outra maneira.
sangue, sofreu fora da porta" (Hb 13.13). - Mas Mas esta traz descanso à consciência mais sensitiva.
como é que isto santifica um povo? - Santifíca quan- "3) Importava numa aceitação da vítima.
do obedecemos a isto: "Saiamos, portanto, a Ele fora "Jesus é o mais natural substituto, porque Ele é o
do acampamento | fora do judaísmo; fora de um segundo Adão, o segundo cabeça da raça. o homem
cristianismo cerimonial; fora de qualquer meio reli- verdadeiro.
gioso que o nega como o sacrifício pelos nossos peca- " É o único exclusivamente competente para ofe-
dos], levando o seu opróbrio" (v. 13). A oferta pelo recer satisfação, por ter uma perfeita humanidade li-
pecado, queimada fora do arraial, tipifica este aspec- gada com sua divindade.
to da morte de Cristo. A Cruz vem a ser um novo al-
"Somente Ele é aceitável a Deus: bem pode ser
tar, um novo lugar, onde, sem terem o mínimo mere-
também aceitável a nós.
cimento em si. os remidos se reúnem, como crentes-
sacerdotes, para oferecerem sacrifícios espirituais "4) Importava numa transferência do pecado
(Hb 13.15; 1 Pe 2.5). mediante a fé.
"Pela imposição das mãos, o pecado era, em figu-
Os corpos dos animais das ofertas pelos pecados ra, tansferido para a vítima.
não eram queimados fora do arraial (como alguns "Era posto ali. para não estar mais sobre o ofer-
têm pensado), por estarem "impregnados do peca- tante.
do", e impróprios para um arraial santo. Pelo con- "5) Importava numa dependência da vitima.
trário, um arraial impuro era um lugar impróprio "Porventura não há um apoio seguro em Jesus
para um sacrifício santo. O corpo morto do nosso Se- para o coração dependente?
nhor não estava impregnado do pecado, embora nele "Considera a natureza do sofrimento e morte
tivessem sido levados os nossos pecados (1 Pe 2.24) pelo que a expiação foi feita, e descansarás nela.
(Scofield). "Considera a dignidade e valor do sacrifício por
Nas "Notas de Sermões" de C.H. Spurgeon en- quem a morte foi sofrida. A glória da pessoa de Cris-
contramos somente um caso sobre Levítico, mas esse to aumenta o valor da sua expiação (Hb 10.5-10).
é tão bom que merece ser traduzido para o V. T. Ex- "Considera que nehum dos santos agora no Céu
plicado: tem tido qualquer outro sacrifício expiatório. 'Jesus
"Levítico 4.29: 'Porá a mão sobre a cabeça da somente' tem sido a esperança de todos os justifica-
oferta do pecado'. dos. 'Ele ofereceu para sempre um só sacrifício' (Hb
"Aqui temos uma figura da maneira pela qual 10.12).
um sacrifício vem a ser eficaz para o ofertante. Ação "Todos os salvos descansam ali somente, por que
idêntica é prescrita nos versículos 4,15,24,33 e em náo tu, e todos os espiritualmente necessitados?
outros lugares; é por isso importante e instrutiva. "DL A simplicidade do símbolo
" O problema com muitas pessoas é como obter " 1 ) Não havia nenhuns ritos antecedentes. Ali
um interesse em Cristo de maneira que sejam salvas está a vitima, e as mãos postas sobre ela: nada mais.
por Ele. Não podemos investigar um assunto de Não acrescentamos a Cristo nem prefácio nem re-
mais importância. trospecto: Ele é o Alfa e o Omega.
" E certo que isto é absolutamente necessário "2) O ofertante vinha em todo seu pecado. Foi
para todos; mas. infelizmente, tem sido negligencia- para ter seu pecado tirado que o ofertante trouxe o
do por muitos. Em vão morreu Cristo se náo há fé ne- sacrifício: nâo porque ele já o tivesse tirado.
le Ê um assunto que necessita ser atendido imedia- rt3) Não trazia nada na sua mão, de merecimento
tamente. ou preço.

53
(Lcvftfco

"4) Náo tinha nada sobre a mão. Nenhum anel nunca poderá apreciar, ou sustentar a sua alma com
de ouro pra indicar riqueza: nenhum símbolo de po- Cristo, o divino holocausto.
der: nenhuma jóia que denunciasse a sua categoria. N o versículo 18 devemos ler "todo o que tocar ne-
O ofertante vinha como homem, e não como sábio, las precisa ser santo " ( T ) . Os utensílios sagrados não
rico ou honrado. podiam ser usados para serviços comuns.
"5) Ele náo demonstraua nenhuma destreza com
a mão. Encostando a mãos sobre a uitima, ele toma- Capitulo 7
va essa como seu representante; não se valia porém
de quaisquer atos cerimoniais. Continua a lei das ofertas. A oferta pela culpa (1-
"6) Nada se fazia à sua mão. A base da sua con- 10). A lei do sacrifício das ofertas pacificas (v. 11).
fiança era o sacrifício, náo as mãos. Queria ter mãos " N a lei das ofertas, a oferta pacífica é tirada do seu
limpas, mas não confiava nesse asseio para seu per- lugar como o terceiro dos sacrifícios de suave cheiro,
dão. e posta à parte, depois de todas as ofertas de cheiro
"Vem, pois, querido ouvinte, santo ou pecador, e suave. A explicação é tão simples como lindo é o fa-
descansa em Jesus. Ele tira o pecado do mundo. to.
Confia-lhe o teu pecado, e esse será para sempre ti- " A o revelar as ofertas. Deus opera de si mesmo
rado. Estende a mão, e aceita a expiaçáo feita sobre em direção ao pecador (Êx 20.24). Vem primeiro o
a cruz pelo teu Redentor". holocausto, porque trata daquilo que satisfaz às afei-
ções divinas, e a oferta pela culpa por último, porque
Sermões como este são como as janelas de uma trata do mais simples aspecto do pecado: o prejuízo
casa; como as ilustrações de um livro. & pena que que dá. Mas o pecador começa necessariamente com
não temos lugar para muitos deles. aquilo que está mais próximo de uma consciência
novamente despertada - o reconhecimento de que,
Capitulo 5 pelo pecado, está em inimizade contra Deus. Por isso
necessita primeiro de paz com Deus. E isto é precisa-
As ofertas sem suave cheiro. 2) O sacrifício pelos mente a ordem no Evangelho. A primeira palavra de
pecados ocultos. Estes sacrifícios consideram mais o Cristo é 'Paz' (Jo 20.19) e depois Ele lhes mostra as
prejuízo do que a culpa do pecado. mãos e o lado. Em 2 Coríntios 5.18-21 vemos primei-
A oferta do pobre (v. 11). E interessante ver aqui ro 'a palavra de reconciliação' (v. 19), por isso as
o caso de alguém incapaz de trazer uma oferta com- ofertas pelo pecado no versículo 21. Tal experiência
pleta, incluindo o derramamento de sangue, e notar troca a ordem da revelação" (Scofield).
que nesse caso Deus podia aceitar "a décima parte "Bolos de pão levedado" (v.13). Um dos raros ca-
de um efa de flor de farinha". Aqui certamente não sos em que o fermento entrava nos sacrifícios. Sco-
temos o pensamento de Deus sobre o que era neces- field explica assim: " O emprego de fermento aqui é
sário para a expiaçáo do pecado, pois não se encon- significativo. Paz com Deus é alguma coisa que o
tra o sangue que faz a expiaçáo; mas vemos o que crente goza junto com Ele. Cristo é nossa paz (Ef
Deus pode aceitar, na sua misericórdia, quando 2.14). Qualquer agradecimento pela paz precisa, an-
o ofertante náo é capaz de trazer outra coisa. tes de tudo, se referir a Ele. N o versículo 12 temos
E Cristo, já se vé, em quem se confia, embora a uma figura disto, por isso náo há fermento. No versí-
alma possa ser táo profúndamente ignorante que culo 13 é o ofertante que agradece a sua participação
nem compreenda que a morte dele era necessária na paz, e assim o fermento significa que, embora te-
para haver expiaçáo. Deus sabe a necessidade, e nha ele paz com Deus mediante a obra de outro, o
Cristo a tem suprido, até para esses dektodo ignoran- mal ainda existe nele. Isto é ilustrado em Amós 4.5,
tes do preço que Ele pagou por isso. Que bem- onde o mal em Israel está perante Deus."
aventurança! Pois é a Cruz que salva, e não a nossa
inteligência a seu respeito! Contudo devemos nos Vemos em 7.22-27 que Deus proibiu comer a gor-
lembrar de que a ignorância da Cruz e uma oposição dura e o sangue dos sacrifícios. Gordura geralmente
a éla são coisas diferentes, embora seja verdade que é interpretada como a "excelência" da vítima, o su-
Pedro, quando primeiro ouviu dela, se opôs ( M t perlativo, e em Cristo há uma excelência que ne-
16.21-23). Aqui precisamos deixar aquele que conhe- nhum crente pode compreender: é para Deus somen-
ce os corações fazer a distinção (Grane). te. O sangue - a parte da vitima que faz expiação -
satisfaz às exigências santas de Deus, e somente Ele
pode apreciar todo o seu valor.
Capítulo 6
Capítulo 8
O sacrifício petos pecados voluntários. Notemos
neste caso que, além de ser preciso trazer um sacrifí- A consagração dos sacerdotes. Na primeira par-
cio a Deus, era necessário também fazer restituição á te deste üvro (caps. 1 a 10) temos: Expiação (caps. 1 a
pessoa ofendida. Isto é uma coisa muitas vezes igno- 7) e Mediação (8 a 10). Primeiro sacrifício, depois sa-
rada ou esquecida pelos crentes! Deus pode perdoar cerdócio. O sacerdote não é para servir a pecadores,
ao crente arrependido que desobedeceu ao mandado mas a santos, isto é, a gente convertida. Cristo não é
"a ninguém devais coisa alguma ", mas ainda assim sacerdote para o mundo, mas somente para a Igreja
ele precisa pagar a dívida, com juros de 20% (v. 5). (Jo 17.9). Assim vemos que o caminho para Deus é
Nos capitulos de 1 a 6.7 temos as características por expiação e mediação, e que Cristo é o sacrifício e
das diferentes ofertas. Com 6.8 seguem as leis dessas o sacerdote. O melhor comentário sobre Levítico é a
ofertas. A lei de uma oferta se ocupa com a maneira Epístola aos Hebreus (Scroggie).
de a oferecer, e diz se tal oferta pode ser comida pe- Os sacerdotes não se consagraram a si mesmos.
los sacerdotes ou se deve ser totalmente queimada. Tudo foi feito por outro. Neste caso, por Moisés,
Para poder comer dos sacrifícios era preciso ser dos agindo por Deus. Os sacerdotes simplesmente apre-
filhos de Aarão (6.18). Quem não é füho de Deus sentaram seus corpos, de acordo com Romanos 12.1.

54
"Vemos duas importantes diferenças no caso do lhes desta legislação importa forçar 1 Corintios 10.1-
sumo sacerdote, que confirmam a idéia de que ele é o 11 e Hebreus 9.23,24, além de tudo, o que é razoável"
tipo de Cristo, nosso Sumo Sacerdote. (Scofield).
"1) Aarão é ungido (v. 12) antes de matar os sa- "A lebre" (v. 6). No hebraico "arnebeth", um
crifícios, mas no caso dos sacerdotes a aplicação do animal desconhecido, que certamente não é lebre.
sangue precede a unção (v. 24). Cristo, o Imaculado,
náo precisava de nenhuma preparação para poder Capítulos 12-fc 15
receber a unção, símbolo do Espírito Santo.
" 2 ) Somente sobre o sumo sacerdote foi derrama- Várias contaminações. Estes capítulos frisam a
do o azeite (v. 12). 'Não lhe dá Deus o Espírito por necessidade de constantes purificações para que o
medida' (Jo 3.34 Al). 'Portanto Deus, o teu Deus, te povo de Deus seja um povo santo, e em condições de
ungiu com óleo de alegria acima dos teus compa- comparecer perante Ele, "tendo os corações purifica-
nheiros' (Hb 1.9)" (Scofield). dos de uma consciência má, e lavados os corpos com
A unção dos sacerdotes (v. 24). " O sentido deste água pura" (Hb 10.22).
versículo é fácil de entender: santificação pelo san- Descobrimos que sempre pode haver contamina-
gue de Cristo é aqui tipificada: do ouvido, para escu- ção mesmo onde nào haja pecado, e que o pensamen-
tar a Palavra de Deus; da mão para servir; e do pé to de Deus é que o necessário progresso de purifica-
para andar nos seus caminhos. Não podemos fazer ção seja empregado quanto antes, para que a comu-
qualquer serviço aceitável, nem podemos viver uma nhão com Ele e com seu povo sofra a menor interrup-
vida aceitável, até que o sangue da expiação nos te- ção possível.
nha consagrado para isto, como salvos e purificados" Com respeito à lepra, Scofield diz: " A lepra é
(Grant). uma figura do pecado: 1) porque existe primeiro no
Notemos .que a carne do sacrifício neste capítulo sangue - na natureza da pessoa; 2) porque se torna
havia de ser cozida e comida, enquanto a do cordeiro manifesta de diferentes maneiras; 3) porque é incu-
pascal havia de ser assada e não cozida (Êx 12.8,9). rável por tratamento humano. O antítipo na sua
Alguns expositores acham significação nesta diferen- aplicação ao povo de Deus é 'o pecado', que requer o
ça. julgarmo-nos a nós mesmos (1 Co 11.31); e 'os peca-
Capitulo 9 dos', que precisam ser confessados e purificados (1
Jo 1.9)".
Os sacerdotes começam o seu ministério. Esse N o 13.13 "a lepra tornou-se branca (cobertura de
dia foi um dia de vários sacrifícios - holocausto, ofer- uma espécie de caspa): o homem é limpo". Dizem
ta pelo pecado, ofertas pacíficas - , mas o ponto cul- que quando tinha esse aspecto não era mais conta-
minante foi o aparecimento da glória divina, prome- giosa ( T ) .
tido no versículo 4 e consumado no versículo 23. Aqui podemos resumir algumas das observações
Uma prolongada preocupação com Deus e seu servi- de Matthew Henry sobre a lepra:
ço pode muito bem resultar numa compreensão " A lepra era mais uma impureza do que uma
maior da sua glória, como se deu então com o povo doença; ao menos foi assim que a Lei a considerou,
de Israel. por isso ocupou os sacerdotes e não os médicos com
Capítulo 10 ela. De Cristo se diz que Ele purificou leprosos e não
que os curou.
O pecado de Nadabe e A biú. Muitos expositores "Era um açoite infligido diretamente pela mão
concordam em ligar este pecado com o "culto volun- de Deus.e por isso havia de ser tratada de acordo
tário" de Colossenses 2.23. No original a palavra gre- com a lei divina. A lepra de Miriam e Geazi e a do rei
ga é "ethelo-threskeia", e o sentido dado pelo dicio- Uzias foram castigo de pecados e, se era geralmente
nário é culto de acordo com a vontade própria. assim, nào é de estranhar que houvesse tanto cuida-
O certo é que Nadabe e Abiú não agiam de acor- do em distingui-la de uma doença comum, para que
do com nenhum mandado divino: não pediram a di- ninguém fosse considerado como sob esse notável si-
reção divina para o seu serviço; não esperaram o im- nal do desagrado divino, a nâo ser os casos completa-
pulso do Espírito Santo. Pelo visto, estavam meio mente verificados.
embriagados, e, por isso, atrevidamente fizeram um "Era uma praga agora desconhecida. O que hoje
serviço ditado pela sua própria imaginação e não en- se chama lepra é uma coisa bem diferente. Parece
sinado pela Palavra de Deus. ter sido um castigo reservado para os pecadores da-
Mesmo hoje, grande parte do serviço prestado a queles tempos.
Deus segue um estilo ditado pela imaginação e von- "Havia outras lesões do corpo mui semelhantes à
tade humanas, e não obedece à direção do Espírito lepra que podiam afligir o doente, mas náo torná-lo
de Deus Co 12.11); porém é motivado por ignorân- imundo no sentido cerimonial.
cia e náo por embriaguez, por isso Deus o contempla " A discriminação do mal competia aos sacerdo-
com longanimidade. tes. Os leprosos eram considerados como açoitados
Capitulo 11 por Deus, por isso seus servos haviam de examinar
os casos.
Comidas permitidas e proibidas. "Os regulamen- " A lepra é uma figura da contaminação da mente
tos referentes à dieta, impostos sobre os israelitas, humana pelo pecado, que é a lepra da alma contami-
devem ser considerados primeiramente no seu as- nando a consciência, e que somente Cristo pode pu-
pecto sanitário. Israel, é preciso lembrar, era uma rificar.
nação na terra sob o governo teocrático (de Deus). " O sacerdote havia de tomar tempo com seu exa-
Necessariamente, a legislação divina se ocupou com me do caso. Sete dias, e mais sete. Os servos de Deus
a vida social e náo apenas com a vida religiosa do po- não devem ser apressados nas suas censuras, nem
vo. Exigir algum sentido simbólico de todos os deta- condenar nada antes do tempo."
Xevfóo

Lepra numa casa (14.34) ou num vestido (14.55) Capítulo 17


sâo casos problemáticos que hoje são (talvez) desco-
nhecidos. A matança dos animais. Em qualquer ocasião
que ee matasse o boi, a ovelha, ou a cabra, era pieci-
Com respeito ao "fluxo da sua carne" (15.2),
so reconhecer a necessidade de expiação antes de co-
Matthew Henry presume que se refere às doenças
mer o animal, assim Deus ordenou que cada refeição
que resultam da imoralidade, e supõe que " é efeito e
fosse em comunhão com o altar: uma festa sobre um
conseqüência da impureza e de uma vida dissoluta,
sacrifício.
enchendo os ossos do homem com os pecados da sua
mocidade". Contudo, não é muito certo que esse seja Proposta emenda de tradução (v. 14): "Porque,
o sentido. enquanto à vida de toda carne, o sangue dela é unido
com a vida dela".
"Alguns têm descoberto nos regulamentos deste
capitulo, concernente a um caso de lepra, elabora- A primeira vista parece que esta proibição de
das provisões para o exercício da disciplina na igreja matar animais a nào ser à porta do tabernáculo se
local. Disso tem resultado bastante orgulho espiri- referisse a toda classe de matanças. Contudo alguns
tual, e crueldade. As instruções explícitas do N . T . comentadores entendem que se refere apenas aos
são para nós a única e suficiente regra de discipli- animais oferecidos em sacrifício.
na". O ensino aqui limita a matança de sacrifícios,
que outrora eram oferecidos nos campos (v. 5), com
Capitulo 16 certas conseqüências de desordem e idolatria, então
veio o lugar determinado por Deus. E esta lei tinha a
Ritual da expiação anual. Este dia de expiação é sua aplicação aos estrangeiros residentes em Israel
referido também no capitulo 23.26-32. <v. 8).
Vemos que Aarão precisa primeiro oferecer sa- "Nenhum de vós comerá sangue" (v. 12). Uma
crifício por si mesmo (v. 11) - um novilho. Depois ele proibição repetida várias vezes (3.17 e 7.26) e pri-
mata um dos bodes que é o sacrifício pelo povo (v. meiro encontrada em Gênesis 9.4. Este parece ser o
15). Os dois bodes ele já os tinha reservado (v. 7) e único preceito do cerimonial judaico que passou
deitado sortes sobre eles para ver qual devia ser sa- para o cristianismo (At 15.29). Notemos que a pena
crificado e qual devia ser o "bode emissário" (v. 8 - pela transgressão era severa (v. 10). O motivo da
Almeida). p r o i ^ á o é. "Porque é o sangue que faz expiação"
Não há motivo suficiente para aceitar a tradução
da V.B. que dá "para Azazel" em vez de bode emis- E o íonpuc derramado da caça sobre o chão, ha-
sário. U ponto é discutido amplamente por F. W. via de ser coberto com terra (v. 13).
Grant. que escreve: "Para o povo há dois bodes, e
aqui também há diversidade, pois servem fins dis-
Capítulo 18
tintos. isto é dado detalhadamente, e carece de algu-
ma explicação.
Casamentos ilícitos, l .niões de parentes, permiti-
"Lançam-se sortes sobre os dois bodes para de-
das no começo da raça humana, são proibidas aqui, e
terminar seu destino. Um é 'para Jeová', o outro 'pa-
a proibição deve ser respeitada ainda hoje. Abun-
ra bode emissário . Neste último caso a Versão Revi-
dam exemplos de males físicos e mentais que resul-
sada, com muitas outras autoridades, põe 'para Aza
tam de tais casamentos ilícitos.
zel', com alternativa na margem 'para mandar em-
bora', que vem a ser quase a mesma coisa como a O versículo 24 lança uma luz funesta sobre o mo-
tradução antiga. Azazel é meramente uma adapta- tivo da destruição das nações de Canaã por manda-
ção da palavra hebraica, cujo sentido e emprego têm do divino. As abominações da imoralidade das na-
sido tão dÍKmt.idna que alguns consideram o caso um ções pagãs tinham chegado a um tal extremo que,
enigma insolúvel. Mas é certo que as duas primeiras afinal, "a medida da iniqüidade dos amorreus estava
letras da palavra significam 'bode', e que é um bode cheia " (Gn 15.16). Por isso Deus advertiu o seu povo:
sobre o qual cai a sorte. O restante da palavra signi- "Não fareis segundo as obras da terra de Canaã" (v.
fica 'ir embora' ou 'partir', e isso é exatamente o que 3). As abominações referidas nos versículos 19 a 30
faz o bode: por que então haver qualquer dúvida não são de todo desconhecidas entre os povos civili-
sobre o sentido?" zados de hoje.
Kiel argumenta, porém, que "as palavras 'uma
sorte para Jeová e uma para Azazel' requerem posi- Capítulo 19
tivamente que Azazel seja tomado no sentido de um
ser oposto a Jeová", mas isto é apenas a afirmação Diversas leis. Embora todas estas leis tenham
dele: ninguém que não tivesse um preconceito havia sido dadas a Israel, elas têm muita instrução para
de perceber tal necessidade. Contudo, uma longa lis- nós. O versículo 16 precisa sempre ser atendido. O
ta de comentadores, judeus e cristãos, declaram ser versículo 19 pode ter uma aplicação maior ou menor
Azarei um nome para Satanas. Com isto Kiel con- hoje, segundo a inteligência espiritual de cada cren-
corda, e também que o bode é enviado a Satanás; a te. É interessante que a proibição do versículo 26
causa não pode esclarecer, pela simples razão de que passou para o cristianismo (At 15.29). Bem poucos
a Escritura nada diz a esse respeito. A verdade é que homens crentes de hoje observam a proibição do
os dois bodes são uma só oferta pelo pecado (v.5) e, versículo 27. Os marinheiros freqüentemente deso-
evidentemente, uma dupla representação de Cristo, bedecem o versículo 28, e. não sendo israelitas, a sua
e o ponto principal é que os pecados pelos quais o consciência não os acusa. Pelo mesmo motivo nào
primeiro morre são levados embora pelo segundo. guardamos o sábado (v. 30). Notemos que o espiritis-
Tudo isto é bastante simples, e não precisa de idéias mo é positivamente proibido.
esquisitas, que somente obscurecem o sentido. As- Proposta emenda de tradução (v. 17): "teu próxi-
sim o bode não é de modo algum enviado a Satanás. mo, e por causa dele não levarás pecado".

56
tevftko

"Não cortarús o cabelo em redondo, nem destrui- ficado por nós, não na infância quando Herodes quis
rás o canto da barba " (v. 27). Matteu- Henry entende matá-lo, mas como homem feito".
que esta, e outras proibições deste capítulo, tém re- 3) Nenhuma vaca com a cria podia ser sacrifica-
ferência aos costumes dos pagãos em redor: "Esses da no mesmo dia (v. 28). Em Deuteronômio 22.6 há
que adoravam os astros, para honrá-los. cortavam uma lei semelhnte com respeito aos pássaros.
seu cabelo para que as cabeças fossem semelhantes 4) A carne do sacrifício havia de ser comida no
ao globo; mas o costume não somente era tolo em si, mesmo dia (29,30). Isto é uma repetição de 7.15 e
mas sendo feito com referência aos deuses falsos, era 19.6,7.
idolátrico".
Não era permitido fazer incisões na carne pelos Capitulo 23
mortos (v. 28) por ser esse também mais um costume
pagão. "Profanar a filha, fazendo-a prostituta" (v. A lei das festas anuais. Os primeiros três versícu-
29). tinha a mesma referência aos-costumes do paga- los não se referem às festas, mas separam os sábados
nismo. Ainda hoje a prostituição faz parte da reli- das festas. Havia sete principais festas religiosas
gião em algumas partes da índia. para serem observadas cada ano:
1) A Páscoa ( w . 4,5). Esta festa é comemorativa,
Capítulo 20 e recorda a redenção, de que toda a bênção depende.
Em figura significa "Cristo, nossa páscoa, sacrifica-
Várias proibições. Notemos a expressão "povo da do por nós" (1 Co 5.7).
terra" neste capítulo, pela única vez em Levítico, 2) A Festa dos Pães Asmos ( w . 6-8). Esta festa
salvo em 4.27. Em Esdras e Neemias a mesma ex- simboliza comunhão com Cristo, o pão sem fermen-
pressão refere-se evidentemente aos cananitas, mas to, na plena bem-aventurança da sua redenção, e
em Ageu 2.4 parece referir-se a Israel. ensina um andar santo. A ordem divina aqui é linda:
A proibição de "dar seus filhos a Moleque", está primeiro, redenção, depois um viver santo. (Veja-se
também em 18.21. Parece ter havido um costume 1 Corintios 5.6-8; 2 Corintios 7.1; Gálatas 5.7-9.)
antigo de oferecer crianças em holocausto a Molo- 3) A Festa das Primícias ( w . 10-14). Esta festa é
que, ou de as "passar pelo fogo " como símbolo de tal um símbolo da ressurreição, primeiro de Cristo, de-
holocausto. Creio que o romanismo no Brasil tem um pois dos que são de Cristo, na sua vindatl Corintios
costume semelhante na noite de S. João. que bem 15.23; 1 Tessalonicenses 4.13-18.
podia ter a sua origem nesse rito pagáo. Deus repro-
vou rigorosamente tal prática (v. 5). 4) Pentecoste, a nova oferta de cereais ( w .
15-22). Desta feita o antitipo é a descida do Espirito
Neste capítulo o espiritismo é proibido outra vez Santo para formar a Igreja. Por isso o fermento está
(v. 6) e a santidade é requerida. Pecados sexuais são presente (v. 17), porque existe o mal dentro da Igreja
reprovados, e casamentos com parentes. ( M t 13.33; At 5.1-10; 15.1). Notemos que agora fala-
Nos últimos versículos a separação do povo de se de pães e não de um molho de espigas soltas. Im-
Deus é insistida, e notamos as palavras "eu vos sepa- porta uma verdadeira união das partículas, forman-
rei dos povos para serdes meus". do um corpo homogêneo. A descida do Espírito San-
to no Pentecoste uniu os discípulos em um só orga-
Capítulos 21 e 22 nismo (1 Co 10.16,17; 12.13,20). Os "pães movidos"
eram oferecidos cinqüenta dias depois de oferecer o
Os sacerdotes. As cinco divisões destes capítulos "molho da oferta movida"(v. 15). Isto é precisamen-
vão marcadas, como nos outros capítulos, pelas pa- te o período entre a ressurreição de Cristo e a forma-
lavras "Disse Jeouá a Moisés". ção da Igreja no Pentecoste pelo batismo com o Espí-
Notamos que o sacerdote com defeito não podia rito Santo (At 2.1-4, 1 Co 12.12,13). Com o molho
exercer seu ministério (21.16-24), embora pudesse não havia fermento, porque em Cristo não existe o
comer do pão do seu Deus (v. 22). Hoje todos os cren- mal.
tes são chamados para serem sacerdotes (Ap 1.6), e
devem oferecer os sacrifícios de louvor (Hb 13.15) e 5> A Festa das Trvmbetas ( w . 23-25). Esta festa
alimentarem as suas almas do pão do Céu, que é tem um valor profético e se refere à futura restaura-
Cristo. ção de Israel. Passa-sé um longo período entre Pen-
otecoste e Trombe Las. correspondendo ao longo perío-
No fim do capítulo 22 há quatro leis concernentes
do ocupado no trabalho penteoostal do Espírito Santo
aos sacrifícios:
na atual dispensação. Consulte-se Isaías 18.3;
1) Não deviam oferecer a Deus um animal com 27.13; 58 (todo o capítulo) e Joel 2.1 a 3.21 com rela-
defeito. Vemos em Malaquias 1.8, 13,14 como Deus ção à festa das trombetas e verificar-se-á que estas
reprovou o povo decadente que lhe ofereceu sacrifí- trombetas, sempre relacionadas com um testemu-
cios defeituosos. nho, referem-se ao ajuntamento e arrependimento
Ê verdade que em nossos sacrifícios de louvor, há de Israel depois de terminar o período pentecostal,
às vezes, muitos defeitos, e o louvor cantado pode ter que é o da Igreja. Esta festa é seguida imediatamen-
defeitos de harmonia, mas o maior defeito de todos te pelo Dia da Expiação.
seria a falta de sinceridade ou uma vaidade, como
quando o crente canta os louvores a Deus em voz 6) O Dia da Expiação (26-32). O dia é o mesmo
muito alta, para chamar atenção para si. descrito em levítico 16, mas aqui a ênfase está sobre
Quem põe na coleta da igreja uma nota rasgada a tristeza e arrependimento de Israel. Em outras pa-
ou suja pode pensar que ofereceu a Deus um sacrifí- lavras, seu valor profético é saliente, e isso antecipa
cio com defeito. o arrependimento de Israel, depois do seu reajunta-
2) Nenhum animal podia ser oferecido em sacrifí- mento sob o concerto palestiniano (Dt 30.1-10), logo
cio antes de ter oito dias de idade (27), nem podia ser antes do segundo advento do Messias e do estabele-
assim comido. Diz Matthew Henry: "Cristo foi sacri- cimento do Reino.

57
(Levítico

7) A Festa dos Tabemáculos (w.33-44) é (seme- cia da história de Israel, e inclui um período não me-
lhantemente à Ceia do Senhor para a Igreja) tanto nor de 3.500 anos.
memorial como profética - memorial da redenção do (Este capítulo deve ser estudado junto com Deu-
Egito (v. 43): profética Ho descanso milenial de Is teronômio 28.29 e 3U.)
rael depois da sua restauração, quando a festa virá a O versículo parece terminar o livro, por isso al-
ser outra vez um memorial, não somente para Israel guns pensam que o capítulo 27 devia vir antes do 26.
mas para todas as nações (Zc 14.16-21) (Scofield). Outros, que o 27 foi escrito mais tarde.
Capitulo 24 Capítulo 27
Os pães da proposição (vv. 5-9). Notamos que Pessoas e coisas dedicadas. Expositores eruditos
este pão consagrado era para ser comido somente pe- têm achado ensinos profundos neste capítulo - espe-
los sacerdotes (v. 9), mas que em certa ocasião Davi cialmente F.W. Grant - mas não podemos nos demo-
e seus companheiros o comeram (1 Sm 21.6; M t rar numa larga exposição das possíveis interpreta-
12.4), o que nos ensina que, em momentos de neces- ções dele. Uma coisa podemos notar: que cada pes-
sidade maior, o ritual pode ficar suspenso para que "o soa e cada animal e cada campo tem valor aos olhos
ungido de Deus" seja alimentado. de Deus. Cada um tem seu préstimo. Qual é o présti-
rno de cada um de nós no serviço de Deus? Se pensa-
Capítulo 25 mos que valemos apenas "cinco ciclos" quando Deus
nos avalia em cinqüenta, é provável que havemos de
O descanso da terra, e o jubileu. "Este sistema de prestar pouco serviço de valor na sua obra.
sabatismos está cheio de instrução. Significa que N o versículo 30 temos uma declaração bem posi-
todo o tempo pertence a Deus. E a lei do ano sabáti- tiva sobre o dízimo: "Todos os dízimos da terra...
co ensina também que a terra lhe pertence. Durante pertencem a Jeová; santos são a Jeová". Ê uma afir-
esse ano, a terra não era lavrada, o fruto era livre, e a mação que merece ser ponderada, e se os ensinos do
confiança do povo em Deus era provada. Aprende- Velho Testamento foram escritos para nossa instru-
mos de Deuteronômio 31.10-13 que este ano era em- ção (1 Co 10.11), podemos indagar o que devemos
pregado para dar instrução religiosa. Durante os 490 aprender disso.
anos da monarquia esta lei não foi observada, como
devia ter sido 70 vezes. Por isso foram dados ao povo R E F E R Ê N C I A S AO L E V Í T I C O N O N O V O TES-
70 anos de cativeiro (Lv 26.34,35). O ano do Jubileu
(8-55) era um período importante em Israel. Sete ve- TAMENTO
zes sete a noa consumavam todas as estações aponta- A frase característica deste livro é: "santo, por-
das, e traziam alivio e liberdade ao povo. Era 'o ano que Eu [Jeová 1 sou santo" (11.44,45; 19.2; 20.7,26),
aceitável do Senhor' e era uma figura da dispensação repete-se em 1 Pedro 1.16 com a fórmula "Está escri-
do Evangelho. Então, era liberdade da escravatura; to".
agora, liberdade do pecado. Então, perdão de dívi-
das; agora, perdão de pecados. Seguia-se imediata- Também aqui se acha o grande mandamento, em
mente o Dia da Expiação (v. 9) porque o jubileu da 19.18; "Amarás a teu próximo como a ti mesmo", o
alma agora e na eternidade é o resultado da Cruz. qual é citado em Mateus 19.19. e 22.39; Marcos
Todas as estações e cerimônias de Israel têm seu pa- 12.31; Lucas 10.27; Romanos 13.9; Gálatas 5.14, e
ralelo agora em Cristo, que é a consumação de todas Tiago 2.8.
elas (Cl 2.16,17)" (Scroggie). Alusões especiais a sacrifício: a um par de rolas
por motivo de purificação (12.6,8) em Lucas 2.22,24;
ao novilho e ao bode para expiação do pecado
Capítulo 26 (16.18,27) em Hebreus 9.12,13 e 10.4 e 13.11-13; a sa-
crifício de louvor ou de ação de graças (7.12) em
Favor para os fiéis. Este capitulo é maiormente Hebreus 13.15.
profético. Pode ser dividido em cinco partes: intro- Em Levítico 26.11,12 está a grande promessa que
dução (1,2); obediência e bênção (3-13); desobediên- Deus fez aos israelitas de que havia de pôr o seu ta-
cia e castigo (14-39); arrependimento e restauração bernáculo no meio deles. (Comp. Ez 37.27; Jo 1.14; 2
(40-45): e conclusão (46). E a primeira grande profe- Co 6.18; Ap 7.15 e 21.3.)

58
úmeros
y

ste livro deriva sem nome 3. Recuo. Interrupção da viagem (caps. 15 a 19).
do fato de recordar a enu- 3.1. Legislação para o futuro (cap. 15).
meração de Israel. Histo- 3.2. Vindicaçào do sacerdócio (caps. 16 a 18).
ricamente falando, Nú- 3.3. Purificação dos contaminados (cap. 19).
meros continua a história 4. Volta. Continuação da viagem (cape. 20 a 36).
Eodo a deixou, e vem a ser o livro das peregri- 4.1. Renovado progresso do pais (caps. 20 a 21).
deserto de um povo remido, que nào con- 4.2. Ampla perspectiva para o pais (caps. 22 a
entrar na terra por Cades-Barnéia. 25).
Tipicamente, é o livro de serviço e caminhada, e, 4.3. Ricas promessas à nação (caps. 26 a 36).
assim, completa, com os livros precedentes, uma lin-
da ordem moral: Gênesis, o livro da Criação e Que- M E N S A G E M DE NÜMEROS
da; Êxodo, o da Redenção; Levítico, o de Culto e Co-
munhão; Números, o daquilo que deve seguir - Ser- Visto que a análise do livro é bem ampla, resta
viço e Conduta. apenas frisar seu grande aviso, que vem a ser a men-
Ê importante ver que não se deixa nada à vonta- sagem principal - a história da triste rebelião de Is-
de própria. Cada servo foi contado, compreendia seu rael nos capítulos 13.1 a 14.45.
lugar na família, e tinha seu serviço definido. O caso Entendamos os fatos. Um mês depois da constru-
paralelo no N . T . é 1 Corintios 12. ção do tabernáculo, a Coluna guiou Israel para avan-
A segunda liçáo típica é que, provado pelas cir- çar, e avançou mesmo até Cades-Barnéia. Então
cunstâncias do deserto, Israel fracassou inteiramen- chegou a crise. Doze espias foram enviados a ver a
te. Ji.i "wtjnjfrãTTrLiijn terra, e voltaram com seu relatório: dez deles desani-
maram o povo e dois encorajaram-no.
Números tem cinco divisões: 1. A ordem do povo Então rebelou-se o povo de Israel, e olhou para
(1.1 a 10.10). 2. De Sinai a Cades-Barnéia (10.11 a trás, para o Egito, e até quis eleger um capitão e
12.16). 3. Israel em Cades-Barnéia (13.1 a 19.22). 4. voltar. Quando Josué e Calebe protestaram, o povo
As peregrinações no deserto (20.1 a 33.49). 5. Instru- quis apedrejá-los. Isto foi o GRANDE PECADO de
ções finais (33.50 a 36.13) (Scofield). Israel, e trouxe seu terrível castigo. Por isso o Senhor
lhe disse: "Dos homens que, tendo visto a minha gló-
A N Á L I S E DE N Ü M E R O S ria e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, e toda-
via me puseram à prova já dez vezes, e náo obedece-
lAparelhamento. Preparação para a viagem (cape. ram à minha voz, nenhum deles verá a terra que com
1 a 9.14). juramento prometi a seus pais, sim, nenhum daque-
1.1. O peregrino como guerreiro (caps. 1 e 2). les que me desprezaram a verá. Tornai-vos amanhã
1.2. O peregrino como obreiro (caps. 3 e 4). e caminhai para o deserto em direção ao mar Verme-
1.3. O peregrino como adorador (caps. 5 a 9.14). lho" (14.22,23,25).
2. Avanço. Desafeiçáo na viagem (caps. 9.15 a 14). Desse ponto voltaram de Cades para o deserto,
2.1. Direção divina no caminho (cape. 9.15 a 10). vaguearam ali 38 anos, fora do círculo da vontade di-
2.2. Descontentamento pecaminoso com o forne- vina, e então morreram (cap. 26.64,65). Ora, é vital
cimento (caps. 11 e 12). distinguir entre as duas viagens: uma dentro da von-
2.3. Descrença fatal das promessas (caps. 13 e tade divina, e outra fora dela. Esta última o Salmis-
14). ta chama a "tentação no deserto" (SI 95.8-11). O po-

.59
vo podia ter, e devia ter, subido à Terra Prometida dire- para dentro, isto é, para Deus: é esta a distinção em
tamente de Cades, mas não quis. Este ato de Israel todos os tempos entre ministério (aos homens) e ser-
aqui era totalmente diferente de qualquer outro ato viço sacerdotal (a Deus). Devemos lembrar que no
na história do Êxodo. Não era uma mera murmura, cristianismo o povo de Deus tem os dois serviços, e
çao pelas asperezas do caminho ou o desagrado da náo apenas alguns do povo, mas todos. 'Vós sois um
comida: era um ato de deliberada rebelião, um ato sacerdócio santo' - é o que se diz de todos os crentes.
de apostasia nacional Em Cades Israel deliberada- Aqui temos a atitude sacerdotal: o rosto para Deus,
mente recusou consentir com os propósitos de Deus. embora os sacrifícios agora não tenham um caráter
Aqui a viagem terminou e a vagueação começou, e expiatório, havendo Cristo se oferecido uma vez para
todos esses anos foram um período de castigo. Quase sempre.
nenhuma recordação resta desse período, mas sem "Por outro lado, o serviço levítico é de Deus e por
dúvida foi uma temporada bem triste. Uma geração Deus, para com os homens; e isto inclui o ministério
inteira marcava passo ã espera da morte. A história da palavra hoje, e de diversas maneiras: não somen-
dos anos é resumida numa lista de lugares, a maior te a pregação pública, pois, por exemplo, quando a
parte deles inteiramente desconhecida hoje. onde o mulher 'sem palavra* ganha o seu marido descrente
acampamento parou por algum tempo. (1 Pe 3.1), mesmo assim é mediante a palavra mani-
festada nos seus efeitos no caráter da mulher, e ela,
Quantas vezes consideramos a murmuração nesse ato, é mais verdadeiramente ministra da pala-
como um pecado pequeno, e somente quando tenta- vra do que alguns pregadores verbosos. Todos os
mos nos corrigir é que descobrimos quanto ela nos crentes são, assim, ministros: embora o sacerdócio já
tem prejudicado, e quão facilmente caímos nova- não seja uma classe especial (mas todos os crentes
mente nela. Notemos a descida de Israel, em Núme- são sacerdotes), assim tampouco é o ministério uma
ros, do descontentamento á concupiscência, despre- classe especial, embora haja diferentes tipos de mi-
zando o Senhor, falando contra seus servos, provo- nistério. Nem tampouco há entre os santos de Deus
cando, desconfiando, tentando a Deus: rebelião, pre- uma classe especial, mais santa pelo seu oficio do
sunção, desânimo. Combatendo a Deus e falando que as outras. Todos são santos, embora seja um lei-
contra Ele, e, afinal, aberta imoralidade e idolatria. go e outro clérigo" (Grant).
Estejamos avisados!
Ser salvo da murmuração é um passo para a per-
feição. (Veja-se Filipenses 2.14.) Se isto parece nega- Capitulo 4
tivo demais, olhemos para 1 Tessalonicenses, para
ver o lado positivo. "Em tudo dai graças" [em tudo Serviços dos filhos de Levi. Três eram os filhos de
- mesmo nas vossas circunstâncias especialmente Levi (3.17): Gérson, Coate e Merari. Esses tinham
penosas, com vrm*fl8 tentações especiais, com vuo- serviços especificados referentes ao tabernáculo, nas
sos fracos nervos e deprimento de espírito - em tudo suas viagens. Coate com os vasos sagrados (v. 15);
dai graças, e ao brado da fé, ao cântico de louvor, o Gérson com as cortinas (w.24,25), e M ara ri com as
inimigo fugirá e a vitória será vossa ] (Scroggie). tábuas e colunas (31,32).
As divisões do capitulo sáo:
Capitulos 1 e 2 O serviço dos Coatitas (1-15).
O ofício de Eleazar, filho de Aaráo (16-20).
A ordem das tribos. Notemos, referente ás comu- O serviço dos Gersonitas (21-28).
nicações que se seguem: a localidade - "no deserto de O serviço dos Meraritas (29-45).
Sinai'; o ponto - "na tenda de encontro"; a ocasião - O número dos levitas (46-49).
"no primeiro dia do segundo mês. no segundo ano" Aprendemos deste capítulo a distribuição do ser-
depois de ter saído do Egito; o sentido - "Tirai a viço da Casa de Deus, como também em Efésios
soma de toda a congregação". Um recenseamento 4.11,12, e não a sua concentração nas mãos de um só
geral de todo o Israel. ministro.
Notemos em 2.33: "os levitas, porém, não foram Proposta emenda de tradução (v. 20): "não en-
contados entre us filhos de Israel" e o número de 12 trarão para ver, nem por um momento, quando
tribos é completado por incluir na lista os dois filhos cobrirem " (R. 42).
de José (1.32-35).
Vemos que foram numerados somente homens
crescidos, de vinte anos para cima, homens compe- Capitulo 5
tentes para a peleja (1.3). Na Igreja de hoje quantos
são homens feitos, e quantos meninos? (Ef 4.14). A purificação do arraial. Depois de promover a
Vemos que os guerreiros numerados foram boa ordem no arraial, Jeová fala a respeito da sua
603.550, aos quais devemos acrescentar outro tanto purificação.
de homens velhos e meninos, fazendo 1.207.100, e N o leproso e no que padece do fluxo achamos, em
outro tanto de mulheres, perfazendo um total de diferentes graus, as manifestações da carne ( v . l ) . A
2.414.200 almas (Christian's Armoury p. 250). contaminação da vida natural pelo pecado facilmen-
te se percebe nestes símbolos que são, de fato. pena-
Capítulo 3 lidades do pecado. Disso não poderia haver nenhu-
ma libertação, nenhum auxílio, se nfio pudessemos
O serviço do tabernáculo. "Números é o livro dos receber uma nova vida, de origem divina, e por isso
levitas, como Levítico é o dos sacerdotes. Estes per- sem mácula.
tencem ao santuário quando estabelecido, e têm seu Contaminação por contato com os mortos é ca-
serviço nele como intercessores e adoradores; aqueles racterística do livro de Números: encontramo-la ou-
cuidam dele exteriormente, e o atendem nas suas tra vez na lei dos nazireus, na Páscoa adiada (9.6-
viagens. Os levitas olham para fora, e os sacerdotes 11), e, principalmente, na lei da novilha vermelha.

60
O contato que contamina, já se vê. tem uma in- to, é um erro. Como salvaguarda, é ineficiente, pois
terpretação espiritual. É esse apego ao mundo que o somente o poder de Deus pode guardar o coração, e,
apóstolo lamenta até nos que professam o cristianis- em nosso serviço devemos estar livres para fazer ou
mo, e que, no seu pleno desenvolvimento, toma-os aer tudo quanto noseo Senhor deseja" (Goodman).
tais "cujo deus é o ventre, e a sua glória assenta no
que é vergonhoso, e só cuidam de coisas terrenas" Capitulo 7
(Fp 3.19). Estes ele chama inimigos da cruz de Cris-
to, porque é por ela (a cruz) que somos crucificados As ofertas dos príncipes. Este é um dos capítulos
para o mundo e o mundo para nós (G1 6.14) -(Grant). mais compridos da Bíblia. Podia ter sido muito resu-
A segunda coisa na purificação do arraial é a res- mido, visto que cada um dos príncipes ofereceu as
tituição (v.7) com mais'2<yf. Deus não está satisfeito mesmas coisas; cada oferta, porém, é relatada sepa-
por ser o prejuízo apenas desfeito; precisa haver uma radamente, como se Deus apreciasse a devoção indi-
compensação para quem sofreu o prejuízo, e nisso vidual do seu povo, e não somente seu serviço coleti-
Deus também é glorificado. Isto simboliza o lado po- vo.
sitivo da vitória no conflito com o mal, e para isto a A ocasião das dádivas era a dedicação do altar (v.
cruz de Cristo é necessária, como se vê no sacrifício 10), uma figura da cruz de Cristo. Séculos depois,
apontado. quando os israelitas voltaram do Cativeiro, a primei-
O terceiro caso (vv. 11-31) não trata de um peca- ra coisa que fizeram foi levantar um altar (Ed 3). A
do provado, mas de uma suspeita de pecado. verdadeira religião começa com o Calvário.
O simbolismo da oferta de "farinha de cevada" Mattheu Henry tem alguns pensamentos inte-
(nào de trigo) tem sido estudado pelos expositores ressantes com respeito às ofertas dos príncipes. Re-
entendidos. F. W. Grant diz: " A farinha de cevada, sumimos o que ele diz:
mais grossa e ordinária do que a de trigo, bem podia No que diz respeito às ofertas dos príncipes, ob-
servir para simbolizar uma vida que, aos olhos de servemos:
Deus. não podia ser de grande valor, embora nào cor- 1) Quando foi. Somente depois de o tabemáculo
rupta como a acusação alegava. Esta, oferecida pela ser levantado (v. 1). Quando tudo ficara pronto com
mão da mulher, podia fazer seu apelo a Deus. A respeito ao tabemáculo e ao acampamento, então
omissão de azeite ou incenso havia de falar de al- começaram com as suas contribuições. Provavel-
guém que chegava com o coração triste, e não no ale- mente no oitavo dia do segundo mês. Notemos que
gre espírito de louvor". os atos necessários devem ser praticados primeiro, e
depois seguem se os ofertas voluntárias.
2) Quem ofereceu: os príncipes de Israel, cabeças
Capitulo 6 das casas dos pais (v. 2). Notemos que os que têm
maior poder ou dignidade devem ir adiante e dar o
A lei do nazireado. O nazireu era uma pessoa se- exemplo aos outros. De quem mais tem. mais se es-
parada inteiramente para Deus. A abstenção de vi- pera.
nho expressava uma dedicação que achava todo o 3) Que ofereceram. Seis carros cobertos, e doze
seu gozo no Senhor (SI 87.7; Fp 3.1-3; 4.4,10). O ca- bois, e estes carros não foram recusados, embora ne-
belo comprido, naturalmente uma desonra para um nhum modelo fora dado sobre o monte. Notemos que
homem (1 Co 11.14), era de uma vez o sinal visível não é de esperar que a divina instituição de ordenan-
da separação do nazireu. e da sua disposição de so- ças desça a todos os detalhes que podem ser resolvi-
frer o opróbrio por amor de Jeová. A figura achou seu dos pela nossa prudência e inteligência.
pleno cumprimento em Jesus, que era "santo, ima- Logo que o tabemáculo é levantado, faz-se esta
culado. separn/in das pecadores" (Hb 7.26); que era provisão para o caso de sua remoção. Embora esteja-
inteiramente dedicado ao Pai (Jo 6.38); que não per- mos bem arraigados no mundo, devemos estar pre-
mitiu que qualquer consideração meramente natural parados para qualquer mudança, conforme a vonta-
nele influísse (Mt 12.46-50) (Scofield). de de Deus, especialmente para a grande mudança
"Neste capitulo não aparece um motivo para al- deste para o outro mundo.
guém tomar esse voto de nazireu. Podia ter sido pe- 4) A disposição da oferta. Os carros e bois foram
nitencial ou devocional. No caso de Samuel e Sansão dados aos levitas para o serviço do transporte do ta-
era sem dúvida para que estivessem sem impedi- bemáculo. Os gersonitas, que tinham uma carga le-
mento no seu trabalho especial. No caso de Paulo era ve, receberam dois carros. Os meraritas. que tinham
provavelmente em reconhecimento de alguma espe- as coisas mais pesadas, receberam quatro carros: e
cial misericórdia que recebera (At 18.18; 21.26). No os coatitas, que levavam as peças mais sagradas, não
caso de Cristo tais coisas foram realizadas, não de receberam carro nenhum, porque haviam de levar
uma maneira cerimonial ou legal, mas espiritual- tudo nos ombros (v. 6). Quando, no tempo de Davi,
mente. Ele reconheceu que Deus o santificara e o en- levaram a arca num carro novo, Deus mostrou seu
viara (Jo 10.36), e por isso santificou-se (Jo 17.19). d e s a g r a d o , "porque não o buscamos segundo a orde-
Isto tomou o lugar do voto de nazireado, e deve ser nança" (1 Cr 15.13).
assim com o crente. O crente também reconhece que As ofertas de valores ( w . 12 a 83) são chamadas
tem sido 'santifiçado pela oferta do corpo de Jesus "dádivas dedicatórias do altar" (v. 84). Notemos:
Cristo, feita uma vez para sempre' (Hb 10.10; 13.12), 1) Os príncipes, os homens graúdos, foram os pri-
e responde a isto por se apresentar a si mesmo, e seu meiros a adiantar a obra de Deus.
corpo como 'um sacrifício vivo' (Rm 6.13; 12.1). En- 2) As ofertas foram de muito valor. Alguns obje-
tão procura andar em santidade de vida, 'renuncian- tos. para serviço permanente: pratos, bacias, colhe-
do a impiedade e as paixões mundanas' ( T t 2.12), 'a- res, etc. Outros para o gasto imediato - farinha, novi-
perfeiçoando a santidade no temor do Senhor' (2 Co lhos, carneiros, etc.
7.1) e dedicando-se ao serviço do Mestre. Qualquer
3) Cada um trouxe sua oferta no seu dia marca-
tentativa de desvendar o futuro por meio de um vo-
do, e assim a cerimônia durou doze dias, incluindo

61
'.ftiuncros.

um ou dois sábados. Era um serviço santo, próprio Os levitas haviam de agir pelo povo. Foram to-
para um dia santo. mados "para fazerem o serviço dos filhos de Israel na
4) Todas as ofertas eram idênticas, demonstran- tenda da reunião" (v. 19). Isto é, náo somente para
do, assim, que cada tribo tinha igual interesse no al- fazerem serviços em vez de Israel, mas também para
tar e igual parte nos sacrifícios oferecidos ali. servirem a Israel em serviços que haviam de redun-
5) Naassom, príncipe de Judá, ofereceu primeiro, dar em honra, segurança e prosperidade da comuni-
porque Deus dera a essa tribo o lugar de honra no dade inteira. Notemos que esses que fazem a obra de
acampamento. Deus fielmente prestam um dos melhores serviços
6) Embora sejam idênticas as ofertas, cada uma é que se pode dar ao público.
relatada individualmente. Temos certeza de que não
há repetições inúteis na Bíblia, e aprendemos deste Capítulo 9
caso como Deus toma sentido na devoção individual
do seu povo, e não somente no culto coletivo. A Páscoa (v. 1-14). A primeira divisão de Núme-
7) Ao fim, o total de tudo é mencionado, para de- ros chega a 10.10, e considera o peregrino corno guer-
clarar que grande soma se faz quando cada um traz a reiro, obreiro e adorador. Ao fim desta divisão há
sua parte. Como o santuário de Deus havia de ser en- três leis: a lei da Páscoa (9.1-14); a lei da Nuvem
riquecido nos nossos dias, se cada crente trouxesse a (9.15-23) e a lei das Trombetas (10.1-10). Estas leis
contribuição que lhe compete na pureza e devoção, são dadas em vista da marcha do Sinai, que havia de
na caridade e serviço! começar em seguida. A lei da Páscoa é dada mui ex-
Depois de tudo isto, Moisés entra na tenda da re- plicitamente: primeiro, o requerimento geral (1-5);
velação e ouve a própria voz de Deus, falando-lhe depois, casos especiais: o contaminado (6-12); o de-
"de cima do propiciatório". Isto é o cumprimento de sobediente (13); e o estrangeiro (14). A primeira Pás-
Êxodo 25.22. A voz de Deus é referida também em Ê- coa foi observada na noite da saída de Israel do Egito
xodo 19.19 e Deuteronômio 5.22, onde é ouvida por (Êx 12), e a última na semana da Paixão de Jesus
toda a assembléia. Cristo.
Todos podem valer-se dela, os nativos e os es-
Capítulo 8 trangeiros (14), mas ninguém tem o direito de mudar
o seu caráter ou modificar as suas exigências. Ao
As lâmpadas e o candeeiro (w,l~4). Devemos no- atravessarmos um mundo como este há contamina-
tar que no versículo 2 as palavras da V.B. "o espaço ções que não podemos evitar, semelhantes à poeira
em frente" não estão no original, nem podemos dis- que pega nos pés dos viajantes, mas acerca desta
cernir qualquer significação espiritual na iluminação contaminação podemos dizer duas coisas: primeiro,
de um espaço. que ela náo precisa privar-nos da cruz de Cristo, e,
Provavelmente devemos ler, como dizem Grant e segundo, que essa contaminação deve sempre en-
outros expositores, "para iluminar o candeeiro". O viar-nos à Cruz (10). Ê excluído somente o homem
candeeiro - um tipo de Cristo - sustenta as lâmpadas que não tem lugar na sua vida para o Calvário (v. 13)
e as lâmpadas realçam a beleza do candeeiro de ouro - (Scroggie).
que as mantém. O apóstolo disse: "que Cristo seja A nuvem ( w . 15-23). Com este trecho leia-se
engrandecido no meu corpo, seja pela morte ou pela 10.1-10. porque os sinais para marchar foram divinos
vida " (Fp 1.20). e humanos, a nuvem e as trombetas. O primeiro fala
A purificação dos levitas. Aqui temos (v. 7) um do Pai nas suas providências, para que sejamos pa-
dos "vários batismos" referidos em Hebreus 9.10. " A cientes e preparados; o segundo, do Espírito nas Es-
água de expiação" é descrita mais detalhadamente crituras, para nossa missão e progresso ( w . 29-34); e
no capitulo 19.8,17. Notemos que não era a água a Arca era Cristo no meio (10.33). Pode-se dizer duas
uma separação suficiente para o serviço deles. Ne- coisas referentes à nossa peregrinação cristã; que o
cessitavam também de vários sacrifícios (v. 8). Náo tempo da nossa espera e caminhada é incerto; e se-
podemos servir a Deus devidamente sem a obra ex- gundo, que a direção infalível de Deus é certa. Deve-
piatória da Cruz. mos estar prontos a parar ou a avançar, e sempre
Os levitas foram aceitos, para o serviço divino, prontos a obedecer (Scroggie).
em lugar de toda a congregação, mas, para isso. era
necessário "os filhos de Israel porem as mãos sobre Capitulo 10
os levitas" (v. 10), identificando-se, assim, com
eles. Além disso, haviam de ser oferecidos diante de As trombetas de prata. Notemos:
Jeová pelo sumo sacerdote. Somente por Cristo po- 1) Seu feitio: de prata, obra batida (não fundi-
deremos oferecer serviço aceitável a Deus. da), e somente duas trombetas. N o tempo de Salo-
Notemos no versículo 19 a descrição do serviço mão lemos de 120 sacerdotes com trombetas (2 Cr
dos levitas. O serviço de qualquer deles podia conti- 5.12).
nuar por 25 anos ( w . 24,25). 2) Quem havia de usá-las: os sacerdotes, filhos de
Os levitas - uma dádiva a Aarão e seus filhos (v. Aarão (v. 8). "Isto significa que os ministros de Deus
19). Diz Mattheu Henry: "São dados a Aarão e seus devem levantar a voz como uma trombeta, para
filhos, mas de maneira que seu serviço seja disponí- mostrar ao povo os seus pecados (Is 58.1) e chamá-lo
vel a todo o Israel. Aarão oferece os levitas a Deus (v. a Cristo (Is 25.13)" (Matthew Henry).
11) e então Deus os devolve a Aarão {19). Notemos 3) Quando haviam de ser usadas: a) para ajuntar
que o que oferecemos a Deus Ele tomará a dar-nos, e a congregação (v. 2); b) para pôr em marcha as tri-
muito para nosso proveito. Nossos corações, nossos bos (v. 5); c) para tocar alarme no dia de batalha (v.
filhos, nossos bens nunca são nossos mais verdadei- 9); d) para solenizar as festas sagradas (v. 10).
ramente e mais vantajosamente do que quando os Os israelitas partem do Sinai ( w . 11-28). O sinal:
oferecemos a Deus". a nuvem levantada (v. 11); a marcha: "á ordem de

62
Jeová" (v.13). Como é bom quando podemos dizer o 2) Ele se queixa demasiadamente de uma peque-
mesmo sobre cada mudança de localidade da nossa na tribulação e se importa demais com um cansaço
parte' passageiro.
O ponto de parada. Saindo do deserto de Sinai, 3) Ele engrandece o seu trabalho, dizendo "pu-
descansaram no deserto de Pará (v. 12). As nossas seste sobre mim a carga de todo este povo" (v. 11).
mudanças aqui no mundo sáo de um deserto para 4) Não reconhece a sua obrigação de fazer tudo
outro, enquanto Cristo nào exercer a soberania uni- quanto possível para desempenhar o serviço que lhe
versal. fora confiado.
Hobabe, cunhado de Moisés. O sogro de Moisés é 5) Ele toma responsabilidade demais sobre si
chamado Reuel aqui em Êxodo 2.18, e Jetro em Êxo- quando diz: "Donde teria eu carne para dar a todo
do 3.1 e capítulo 18. Por isso concluímos que tinha este povo " (v. 13), como se fosse ele o provedor, e não
os dois nomes. Jetro, que visitara Moisés no deserto, Deus.
voltou depois para a sua terra (Êx 18.27), mas parece 6) Ele tem em pouco a graça divina quando diz:
que seu filho Hobabe tinha ficado, e agora vemos "Eu só náo posso levar este povo" (v. 14). Se a tarefa
Moisés convidando-o a servir de guia (v. 31). Contu- tivesse sido muito menor, ele também nào teria podi-
do. parece que esse expediente humano náo era ne- do dar conta dela pelas suas próprias forças, mas se
cessário, porque "a arca da aliança de Jeová ia tivesse Sido muito maior, p«la ajudít divina teria po-
adiante deles... para lhes buscar um lugar de des- dido agüentar com ela.
canso" (v. 33). 7) Pior de tudo, ele quer que Deus o mate. em vez
Em Juizes 4.11 Hobabe é chamado "sogro de de pedir graça divina suficiente para seu trabalho.
Moisés", mas a palavra hebraica tem as duas signifi- Podemos tomar como texto áureo o versisculo 23:
cações: "cunhado" e "sogro". "Porventura é curta a mão de Jeová?" e pensar como
Este capítulo nào diz que Hobabe aceitou o con- a resposta a tal pergunta pode ter sentido para nós
vite de Moisés, mas estudando Juizes 1.16; 4.11 e 1 nos dias da nossa provação.
Samuel 15-6 ficamos sabendo que ele aceitou mes- Com respeito à profecia dos setenta anciãos, no-
mo. tamos uma diferença de tradução no versículo 25. Fi-
Esta é a primeira vez (v. 33) que lemos da "arca gueiredo tem: "e não cessaram de o fazer"; Almeida:
da aliança". "mas depois nunca mais", e V. B. "porém nunca
mais o fizeram". Almeida e V. B. tém aqui a tradu-
Capitulo 11 ção correta. (Vcja-uc R. p. 216.)
Do caso de Eldade e Medade, aprendemos que
Murmurações dos israelitas. Depois de uma pa- pode haver ministério da Palavra náo somente "à
rada de quase um ano no distrito do Sinai (Êx 19 e entrada da tenda de encontro", mas também "no ar-
Nm 10.11) a peregrinação dos israelitas continua. raial".
Queixam-se. Não mais se contentam com o "pão do
céu". Um dos males que havia com Israel era "a
grande mistura de gente" (v. 4) no seu meio. gente Capitulo 12
sem espiritualidade e sem fé. A presença de descren-
tes na igreja promove muitas murmurações. Uma desinteligência de família. Notemos neste
Moisés se desanima, e queixa-se da sua pesada triste incidente: que a contenda foi promovida por
carga. O povo. na sua falta de espiritualidade, pede Miriá, cujo nome figura primeiro; que não sabemos
carne (v. 18) e o comentário do salmista é que Deus se Zípora ainda vivia; que nada se nos diz da "mu-
"deu-lhes o que pediram, mus enviou magreza às lher cusita" se era ppRsna espiritual OU não: que OS
suas almas" (SI 106.15). queixosos mostraram inveja e carnalidade; que Moi-
sés mostrou humildade (v. 3); que Deus o defendeu,
sem aludir ao casamento problemático; que o juízo
Resumimos de Matthew Henry o seguinte: caiu sobre Miriã. a principal ofensora; que o castigo
A culpa dos murmuradores foi que: produziu resultado imediato e suficiente.
1) Engrandeceram as iguarias do Egito (v. 5), Alguns pensam que "a mulher cusita" se refere
como se Deus lhes fizera um grande mal ao tirá-los ao segundo matrimônio que Moisés contraíra; ou-
dali. tros, que é uma alusão a Zípora com um apelativo de
2) Ficaram enjoados da boa provisão que Deus desprezo. Matthew Henry sugere que poderia ter ha-
lhes fizera (v. 6). Era pão do céu. e para mostrar vido alguma desinteligência entre Miriã e Zípora
como era sem razão a queixa do povo, o maná é aqui que motivou a animosidade.
descrito ( w . 7-9). A queixa não é de Moisés ter governado mal, mas
3) Não podiam contentar-se Rpm ter came para de ter governado sozinho, e é expressada com a per-
comer. Troxeram manadas e rebanhos em abundân- gunta: "Ê verdade que Jeová falou só com Moisés?"
cia do Egito, mas por qualquer razão isto nào servia. Notemos:
4) Duvidaram do poder e da bondade de Deus, 1) O juízo divino sobre Miriã. "A nuvem retirou-
dizendo "Quem nos dará carne a comer?" (v.4), se de cima da Tenda", como sinal do desagrado de
como se nào valesse a pena pedir isso a Deus. Deus com os queixosos, e Miriã é ferida de lepra.
5) Comeram com gidodice (v. 33), demonstrando 2) Em seguida Aarão se arrepende e se humilha
assim a sua carnalidade. ( w . 11,12) confessando a sua culpa e pedindo per-
O comportamento de Moisés não foi muito exem- dão.
plar: 3) A intercessào de Moisés por Mirià (v. 13): Ele
1) Ele deu pouco valor à honra que Deus lhe dera, clamou alto porque a nuvem se retirara, e Deus pare-
fazendo-o ilustre instrumento da sua graça na liber- cia estar afastado. Um caso semelhante é quando a
tação do povo. mão paralisada de Jeroboão é restaurada ao pedido

63
•Jfameros

do profeta contra quem ela fora estendida (1 Rs ceios, de desobediência e fracasso. A intercessáo de
13.6). Moisés pelos desobedientes faz-nos pensar naquele
4) O assunto harmonizado: misericórdia e saúde que vive para fazer intercessáo por nós, e assim nos
para Miriã: perdão da parte de Moisés; justiça satis- salva das conseqüências da nossa loucura" (Good-
feita, por Miriã estar excluída do arraial durante man).
sete dias. A presunção da incredulidade ( w . 2 6 - 4 5 ) . Depois
5) O progresso do povo impedido por sete dias (v. de ouvirem a solene sentença de Deus a respeito da
15).Isto podia ser uma admoestaçào para todos os sua incredulidade, os rebeldes repentinamente vol-
que se sentiram culpados, como Miriã, de um espiri- tam a face e se atrevem a desafiar o julgamento pro-
to queixoso. Mostrava também respeito por Miriã. O nunciado: náo haviam de morrer no deserto (como
povo todo esperou por ela. outrora desejaram - v.2) nem voltar ao Egito (como
Embora saibamos que Moisés escreveu o Penta- tinham falado - v.4). Estão resolvidos a entrar na
teuco (Mt 19.7: At 6.14; etc.), alguns pensam que o terra. A sua loucura tem os sinais comuns dos peca-
versículo 3 foi acrescentado mais tarde por um edi- dos presunçosos: a) confessam seu pecado leviana-
tor, como também a narrativa da sua morte em Deu- mente: "Temos pecado" (v. 40); b) seguem, apesar
teronòmio 34. de aviso ao contrário (v. 41): c) marcham sem a Arca
do Concerto (v. 44). O resultado foi uma derrota ig-
Capitulo 13 nominiosa (v. 45).

Os doze espias. Capitulos 13 e 14 recordam "A Capitulo 15


apostasia em Cades-Barnéia". um acontecimento de
imensa importância, por ser uma das três grandes Diversas leis repetidas. Este capitulo interrompe
rebeliões de Israel entre a saída do Egito e a ida para a narrativa histórica com instruções referentes a cer-
a Babilônia - um período de 900 anos. A segunda é tos sacrifícios, instruções para serem observadas
recordada em 1 Samuel 8 e a terceira em 1 Reis 12. "quando entrardes na terra" (v. 2). Com certeza esta
Cades. embora a localidade náo possa ser agora referência à posse da terra nesse momento - precisa-
determinada com exatidão, é um lugar de grande mente quando Israel tinha voltado as costas a ela - é
importância histórica, pois marcou o termo da pri- um evidente encorajamento à fé e uma prova da con-
meira viagem dos israelitas, o começo das suas pere- tinuada graça de Deus para com o povo.
grinações, e o ponto de partida da sua última cami- Para os pecados de ignorância ( w . 27-29), há sa-
nhada. (Leiam-se os versículos 1-3 com Deuteronô- crifício e há perdáo, mas não para um "adversário"
mio 1.20-25.) As duas narrativas dão impressões (Hb 10.27) que peca "afoitamente" (v. 30), diz F. W.
bem diferentes. A verdade parece ser que a idéia de Grant:
mandar espias se originou com o povo, que Moisés "Sem dúvida há certos pecados que vêm entre os
aprovou-a (erradamente) e que então Deus condes- pecados de ignorância, e há os pecados voluntários
cendeu com o desejo do povo, para revelar a perversi- daqueles que, apesar de terem conhecimento da ver-
dade dos seus corações. Leia com cuidado as instru- dade, demonstram ser 'adversários'. Pedro, no palá-
ções de Moisés (17-20). Desde o princípio ao fim lan- cio do sumo sacerdote, ilustra o caso. Quando ele
çam dúvidas sobre a sabedoria, poder e fidelidade de com imprecações negou ter conhecimento do 'ho-
Deus. Toda essa informação Deus já tinha dado (Gn mem', certamente não era a ignorância que falava;
15.18-21; Ex 3.8). Nenhuma investigação humana contudo, náo era também um 'adversário'. Tinha ele
pode tornar mais garantido o que Deus já disse. chegado, por confiança em si mesmo, a um ponto
Os espias foram e voltaram. Concordaram quan- onde as circunstâncias o venceram, e o medo arran-
to ao relatório (27-29) mas discordaram quanto ao cou dele palavras iníquas e covardes, para serem
conselho (Scroggie). mais tarde reprovadas amargamente. Mas adversá-
rio ele náo era: e a graça de Deus agiu para com ele
Capítulo 14 em restauração. Tais pecados não são contemplados
neste trecho de Números 15".
Querem voltar ao Egito. Notemos a diferença en- A punição pela violação do sábado ( w . 32-36).
tre a linguagem da descrença e a linguagem da fé. A Notemos que a Lei náo admite exceções; quem está
descrença diz que é melhor voltar à escravidão do debaixo da lei de Moisés é culpado de um pecado
Egito. A fé diz que "Deus nos introduzirá nesta ter- mortal se esquenta seu café ao lume no dia de sába-
ra" (v. 8). Ainda hoje há pessoas que desconfiam do do.
poder de Deus para satisfazer o seu povo com bên- O crente em Cristo não está debaixo da Lei, mas
çãos espirituais, e voltam aos prazeres mundanos - debaixo da graça (Rm 6.14); mas ele recebe muita
aos pecados pelos quais outrora estavam escraviza- instrução da santa lei que Deus deu a Israel, e no
dos caso de ele andar sob o controle do Espirito Santo, a
Perdoados, mas proibidos de entrar na Terra (vv. exigência justa da Lei se cumpre nele (Rm 8.4).
11-25). "Muitos pecadores acham misericórdia: em
verdade, todos os que se refugiam em Cristo acham- Capitulo 16
na, mas muitos filhos de Deus (pecadores perdoa-
dos) carecem de entrar no pleno gozo das promessas A rebelião de Core. Datãe Abirão. N o capitulo 14
divinas (nossa Terra Prometida') por causa da deso- os israelitas estão em Cades e em 20.1 estão outra
bediência. Como Israel outrora. tentam a Deus (v. vez em Cades, por isso os capitulos 15 a 19 represen-
22) e náo escutam a sua voz, apesar de toda a sua mi- tam 38 anos. Nestes cinco capítulos descobrimos so-
sericórdia. Assim, em vez de uma vida vitoriosa em mente um acontecimento de importância histórica
Canaá, e do gozo da sua herança em Cristo, são obri- (cap. 16), sendo o restante do trecho raaiormente le-
gados a perambular pelo deserto de dúvidas e re- gislativo, e referindo-se ao futuro (15.2). Durante es-

64
frúmeros

ses 38 anos a história de Israel estava paralisada. Is- Capitulo 18


rael tinha desobedecido a Deus, e, em vez de serem
peregrinos sob a sua proteção, tornaram-se viajantes A iniqüidade do santuário (v.l). É difícil sermos
da morte. A parte da nossa vida passada fora da von- mui positivos sobre o sentido desta expressão.
tade de Deus não é recordada no relatório dele. Matthew Henry oferece os seguintes pensamentos:
Este incidente é de bastante importância para "Se o santuário fosse profanado pela intrusão de es-
ser referido no N.T. como "a revolta de Core" (Jd trangeiros ou pessoas imundas, a culpa estaria sobre
11). Coré, um primo de Moisés, parece ter tido ciú- os levitas e sacerdotes, que deviam ter vedado a en-
me de Moisés e Aarão, e conspira com os rubenitas trada de tais pessoas. Embora o pecador que entras-
Datã e Abirão para fazerem uma revolta contra esses se presumidamente mon-esse pela sua iniqüidade,
que Deus tinha apontado como chefes do seu povo. contudo seu sangue seria requerido dos responsáveis.
Podemos dividir este capítulo assim: a) a revolta
(1-15); b) a prova (16-19); c) a separação (20-27); d) "Ou pode ser entendido em termos mais gerais:
o julgamento (28-35). 'Se quaisquer dos deveres ou ofícios do santuário fo-
As pessoas envolvidas na revolta: Os principais: rem negligenciados; se qualquer serviço não for feito
Coré, Datã e Abirão; as suas famílias (v. 27); toda a na ocasião própria ou de acordo com a ordenança; se
congregação (v. 19); os 250 homens (v. 2). qualquer objeto for pedido ou mal colocado na remo-
Qualidades manifestadas: com Coré e seus com- ção do santuário, vós sacerdotes serieis os responsá-
panheiros: inveja, presunção, atrevimento, religiosi- veis.'
dade. "Os próprios sacerdotes levariam 'a iniqüidade
Com Moisés: humildade, piedade e espírito de do sacerdócio', isto é, se negligenciassem qualquer
oração, ira (v. 15), confiança em Deus (v. 16). conci- parte do seu trabalho, ou permitissem qualquer ou-
liação, intercessão ( w . 22,45). tra pessoa intrometer-se e fazer seu trabalho, a culpa
Com Deus: retribuição, justiça (v. 35), misericór- seria deles".
dia (v. 46). Esta é uma explicação que podemos não achar de
Com o povo: insensatez espiritual, murmuração, todo satisfatória.
rebelião, falta de espiritualidade. F. W.Grant oferece uma interpretação mais espi-
No versículo 1 devemos preferir a tradução de Al- ritual e mais diretamente ligada com Cristo:
meida ( T ) . "Aqui vemos um (o nosso Sumo Sacerdote) que é
Os filhos de Coré. A primeira vista, parece que competente para manter seu povo. Por isso vemos a
Coré. Datã e Abirão e suas famílias todos sofreran: o 'iniqüdade do santuário' posta sobre Ele, 'para que
mesmo suplício. Vemos no versículo 27 que os filhos não l jante outra vez indignação sobre os filhos de
de Datã e Abirão estiveram junto com os pais em pé, Israel' (v.5). No serviço de intercessão, a casa de Aa-
e no versículo 32 que "todos os homens que perten- rão pode tomar parte com Aarão - os sacerdotes infe-
ciam a Coré. com toda a sua fazenda" foram traga- riores com o sumo sacerdote, mas sempre lembrando
dos pela terra que abriu a sua boca. que foi a vara do sumo sacerdote que brotou, e que.
Mais adiante, porém, no contexto remoto do afinal, tudo está sob a sua responsabilidade. Assim
capítulo 26.11, lemos "Todavia não morreram os fi- Cristo que morreu por nós leva-nos para a plena e fi-
lhos de Coré". nal salvação, 'no poder de uma vida indissolúvel'
Sem dúvida eles obedeceram ao mandado de ('incorruptível*, Almeida). Ele sempre vive para fa-
Moisés, e fugiram do tabemáculo que os rebeldes ti- zer intercessão por nós; junto com o valor de uma
nham levantado, e assim foram salvos. obra de eficácia infinita, temos uma poderosa mão
Estes "filhos de Coré", assim salvos do suplício, e que nos sustenta - tudo posto no poder de quem é
sendo monumentos da graça de Deus, mais tarde ti- 'Filho sobre a casa de Deus' (Hb 3.6) e, em todo sen-
veram proeminência no serviço do Templo, "o ver- tido, divinamente competente".
dadeiro tabernáculo". sob Davi e Ezequias (Rullin- Deveres, direitos e dízimos. O sustento dos sacer-
ger). dotes vinha dos sacrifícios (8-20) e o dos levitas dos
dízimos (21-32). Mas vemos que os levitas também
eram dizimistas, e desse dizimo deles era dado aos
sacerdotes (v. 28).
Capítulo 17
Aprendemos desta contribuição dos levitas que o
A vara de Aarão floresce. O sumo sacerdote, re- ministério paga seu tributo ao culto de adoração, e
provado pelo povo insensato, é manifestamente do melhor que tem (v. 29). Como é agradável perce-
aprovado por Deus, mediante um sinal milagroso. ber em tudo isto que Cristo deseja e recebe a sua par-
Isto faz-nos pensar em Cristo, nosso Sumo Sacerdo- te do serviço espiritual (Grant).
te, reprovado pelos homens descrentes, mas elevado
por Deus ao supremo lugar (At 4.11). Capítulo 19
Os expositores percebem na vara de Aarão um
tipo de ressurreição - evidência de vida numa vara A novilha vermelha. "Este notável tipo é inter-
seca e aparentemente morta. Cristo nosso Sumo Sa- pretado para nós em Hebreus 9.13. Trata-se do caso
cerdote vive para sempre. de um povo remido ser contaminado por contato
com a morte, isto é, um verdadeiro crente ocupar-se
" O príncipe de cada tribo trouxe uma vara com- novamente com as coisas mortas do seu tempo de in-
pletamente morta: Deus deu vida somente à de Aa- credulidade, e assim pecar, de maneira que a sua
rão. Assim todos os autores das religiões têm morri- consciência fica contaminada. Um filho de Deus pre-
do. e Cristo entre eles, mas somente Cristo ressurgiu cisa guardar sempre uma boa consciência perante
dos mortos, e foi exaltado a ser o Sumo Sacerdote Deus e os homens. Isto devia ser seu "regozijo", o
diante de Deus (Hb 4.14; 5.4-10)" (Scofield). testemunho da sua consciência quanto à sua simpli-

65
cidade e sinceridade perante Cristo (2 Co 1.12). Capitulo 21
Quando a sua consciência novamente o acusa, ele é
como o israelita que tocou no morto e carecia da A serpente levantada ( w . 1-9). " A serpente de
"purificação da carnc" mediante aa cinzas da novi- metal e um tipo de Cristo 'feito pecado por nós' (Jo
lha. 3.14,15; 2 Co 5.20) e levando ao juízo que nós me-
" A novilha foi sacrificada somente uma vez, e as recíamos" (Scofield).
suas cinzas foram guardadas para uso futuro. Assim " O meio de salvação e vida era 'Olhar... e viver'.
Cristo morreu uma vez, para nunca mais morrer. Olhar é a mais simples expressão da fé. Inclui dirigir
Seu sacrifício, 'um sacrifício pelos pecados' (Hb a atenção para Cristo; obsevá-lo; esperar dele; de-
10.10-14), santificou o seu povo uma vez para sem- pender dele. Dava-se vida a quem olhasse. Notemos
pre, e os aperfeiçoou. Se eles se contaminam nova- o cuidado do Espírito Santo no emprego das pala-
mente pelo contato com coisas mortas, nào é neces- vras. Não diz 'foi sarado'ou 'melhorou', mas 'vivia'.
sário que Cristo morra outra vez, nem que sejam re- A vida eterna é dom de Deus" (Goodman).
midos novamente. Uma vez arrependidos, banha-
dos, sâo de todo purificados (Jo 13.10) e necessitam Notemos neste trecho que a murmuraçáo dos is-
apenas da lavagem dos pés. Assim as cinzas da novi- raelitas esta vez foi "por causa do caminho": falta de
lha sào um símbolo do único e perfeito sacrifício. O pão e água, e aborrecimento do maná (v.5). Se por-
'espargir' (v.18) da água com cin7«R simboliza a fé ventura o crente alguma vez checar a t»r fastio do
que aplica ao coração a memória da morte expiató- "pão do Céu", que pensa fazer se quer ficar sem
ria, e que reconhece a sua continuada eficácia. Preci- Cristo: sem a proteção de um grande amigo, sem a
sa-se da 'água da purificação' (v.9), isto é, da Palavra direção de um divino guia. sem o ensino de um sábio
de Deus aplicada ao coração, e da obediência que re- mestre, sem a expiação de uma obra redentora, sem
sulta em renunciar as coisas iníquas" (Goodman). os socorros do seu Sumo Sacerdote, sem a esperança
da Segunda Vinda?
"As cinzas da novilha não eram para quem pecou
atrevidamente, como fez Coré e os que com ele esta- A caminhada e o conflito (vv. 10-35). Os inimigos
vam mas para aqueles que inconscientemente con- ao leste do Jordão eram diferentes dos cananitas ao
traíram alguma contaminação (v. 11). A imundícia oeste. Aqueles eram todos relacionados com Israel:
não é menos imunda quando é inevitável ou incons- eram inimigos que podiam ter sido amigos se não ti-
ciente. Cada um nas suas ocupações diárias tem con- vesse havido desinteligência entre parentes no pas-
tatos que sujam. O meio de purificação para nós se sado. Devemo-nos preparar hoje para o dia de ama-
encontra em Cristo, mas precisa ser apropriado e nhã. Não havemos de pensar que essa gente se tenha
aplicado ( w . 11-12)" (scroggie). oposto a Israel por querer combater contra Deus,
mas sua oposição chegou a ser isso mesmo.
Capítulo 20 Notemos que as vitórias ao leste do Jordão deram
às duas tribos e meia a sua herança futura (32.33).
A rocha novamente ferida. Outra vez a falta de á- Isto era um benefício duvidoso. Ficaram, afinal,
gua e outra vez a murmuraçáo. O povo está cheio de aquém da terra prometida. E nós temos entrado,
queixas, e briga com Moisés. porventura, em todos os benefícios espirituais que
Entre os capítulos 14 e 20, os israelitas têm anda- Deus deseja proporcionar-nos? Ou estamos conten-
do no deserto por 33 anos. Toda uma geração pere- tes em ter "um bilhete para o Céu" e mais nada?
ceu, e agora os filhos chegam ao lugar - Cades - onde
seus pais tinham apostatado. Eles murmuraram Capítulos 22 a 24
como seus pais fizeram, e pelo mesmo motivo (Êx
17): não houvera progresso espiritual. Balaáo, o profeta. Balaão é o tipo do profeta mer-
" E m Horebe. e também em Cades, o Senhor mi- cenário, que procura vender.seu dom. Isto é o cami-
sericordiosamente fez provisão pela necessidade do nho de Balaão (2 Pe 2.15), e caracteriza os ensinado-
povo, dando-lhe água, mas indicou um modo dife- res falsos.
rente. Em Horebe mandou ferir a rocha, mas aqui O erro de Balaão (Jd 11) era que podia enxergar
Ele diz: 'falai à rocha' (v. 8). A palavra hebraica apenas a moralidade natural, e por isso ele calculou
para rocha não é a mesma em ambos os casos, mas que um Deus santo havia forçosamente de amaldi-
em ambos 'a rocha é Cristo' (1 Co 10.4). Em Horebe, çoar um povo rebelde como Israel. Como todos os en-
Cristo ferido; em Cades, Cristo suplicado. A signifi- sinadores falsos, ele ignorava a moralidade mais
cação da diferença vê-se na severidade do castigo sublime de uma expiação vicária, pela qual Deus po-
que seguiu à desobediência de Moisés (v. 12). Cristo dia ser justo e contudo o justificador dos pecadores
não pode ser ferido mais de uma vez; desde então o arrependidos e crentes (Rm 3.26).
recurso que há nele se obtém mediante a oração" A doutrina de Balaáo (Ap 2.14) se refere ao seu
(Scroggie). ensino a Balaque sobre como podia corromper o povo
Evitando contenda entre irmãos ( w . 14-21). ao qual não podia amaldiçoar ( N m 25.1-3 •© 31.16 e
"Embora Esaú fosse homem 'profano', contudo T g 4.4) (Scofield).
Deus o abençoou com a boa terra do monte Seir, ao "Um jumento mudo... refreou a loucura do profe-
sudeste do mar Morto. Para entrar na Palestina, Is- ta" (2 Pe 2.16). " A loucura de Balaão consistia em
rael devia passar por este distrito montanhoso, onde ele perseverar num curso errado depois de ter recebi-
há poucos desfíladeiros. Embora os israelitas apelas- do expressa ordem do Senhor: 'Não irás!., não amal-
sem para o rei de Edom pelo seu 'irmão Israel' (v. 14 diçoar ás!' Tornar a interrogar a Deus depois disto,
- Jacó era irmão gêmeo de Esaú) não somente o pedi- era pedir a resposta que recebeu, que veio a ser. pra-
do foi repelido, mas foram atacados violentamente. ticamente: 'Muito bem: segue o teu próprio cami-
Porém a falta de fraternidade de Edom mais tarde nho, e aprende pela experiência o teu erro'. E contu-
trouxe o juízo sobre a terra, como aprendemos de do Deus marcou uma condição que Balaáo não aten-
Obadias 10.15" (Goodman). deu: 'Se os homens te vierem chamar' (v. 20).

66
ftómems

"Para a fé não há dificuldade em a jumenta falar expiatória que ia para sempre anular o pecado que
com voz humana. Se os homens podem ensinar um séculos antes tinha vedado a sua entrada em Canaã.
papagaio a falar, por que dizer que Deus não pode Deus, que retira seus servos, continua sua obra. e
ensinar uma jumenta a fazer uma coisa parecida?" Josué é apontado para chefiar o povo de Israel e leva-
( Goodman). -lo para a Terra Prometida.
É preciso ler 23.23 na V.B. Em 22.22 devemos Moisés viu a Terra do monte Abarim (Nm 27.12)
traduzir: "A ira de Deus acendeu-se, porque ele esta- ou Pisga (Dt 3.27) ou Nebo (Dt 32.49). Pisga é parte
va resolvido a ir". dos montes de Abarim, dos quais Nebo é o pico mais
O versículo 17 deve ler-se: "uma estrela proce- alto (A. 415).
deu" (R. 118).
Capitulos 28 e 29
Capítulo 25
Várias ofertas. Notemos como Deus instruía seu
O pecado de Peor. Vemos agora o resultado fu- povo durante a sua infância espiritual por meio de
nesto do iníquo conselho de Balaão (Nm 31.16). e Is- símbolos e figuras, por sacrifícios e cerimônias, e
rael seduzido à idolatria e à imoralidade. O zelo e como mais tarde, no Novo Testamento, mudou por
energia de Finéias vingou o mal. e "fes expiação pc completo, c ensinou por parábolas e preceitos.
los filhos de Israel" (v. 13). Não devemos imaginar que Deus tivesse algum
Neste capitulo vemos os moabitas e midianitas prazer em cheirar a carne queimada de um cordeiro,
identificados ( w . 1 e 14,16). mas queria preocupar seu povo continuamente com
a verdade da expiaçáo.
Capitulo 26
Capitulo 30
Segunda numeração das tribos. Podemos compa-
rar esta numeração, feita uns 38 anos depois com Israel debaixo da Lei estava sujeito à lei dos vo-
aquela descrita no capitulo primeiro, e ver que com tos. Israel nunca cumpriu seu voto de perfeita obe-
algumas tribos houve aumento e com outras dimi- diência à lei de Deus (Êx 19.8). No terreno do legalis-
nuição. E ao mesmo tempo podemos pensar se por- mo eles fracassaram - e nós também.
ventura nossa vida espiritual, e nosso desejo pela "Por isso o Senhor, no sermão da montanha,
verdade de Deus. aumentam com o decorrer do tem- proibe tomar o compromisso de um voto: 'Tendes
po. ouvido que foi dito aos antigos: nao juraras falso,
Em forma de tabela as duas listas são as seguin- mas cumprirás para com o Senhor os teus juramen-
tes: tos. Eu, porém, vos digo que absolutamente não ju-
reis' ( M t 5.33,34). Isto é baseado naquela imperfei-
cap. 1 cap. 26 ção humana que a Lei demonstrou ser a sua condi-
ção moral" (Grant).
Rúben 46.500 43.730 (menos)
Simeão 59.300 22/200 (menos)
Gade 45.650 Capitulo 31
40.500 (menos)
Judá 74.600 76.500 (mais)
Issacar 54.400 64.300 (mais) Vitória sobre os midianitas. Vemos que nesta ba-
Zebulon 57.400 60.500 (mais) talha Balaão morre (v. 8), mas não morre da morte
Manassés 32.200 52.700 (mais) que desejara: a de um justo (23.10). Identificando-se
Efraim 40.500 32.500 (menos) com os inimigos do povo de Deus, partilhou da sorte
Benjamim 35.400 15.600 (mais) deles.
Dan 62.700 64.400 (mais) Diz Matthew Henry: "Este trecho (vv. 7-12) fala
Aser 41.500 53.400 (mais) da descida do pequeno exército de Israel (que estava
Nafta li 53.400 45.400 (menos) sob a divina comissão, conduto e comando) sobre o
603.550 601.730 país de Midiã. 'Pelejaram contra Midiã'. Ê bem pro-
vável que primeiro tenham publicado seu manifesto,
mostrando os motivos da guerra e exigindo a entrega
Levi 23.000 dos responsáveis pela grande iniqüidade, pois isso
depois veio a ser lei (Dt '20.10; Jz 20.12,13). Mas os
midianitas, não justificando seus atos e apoiando os
Visto que foram numerados somente 06 homens responsáveis, foram atacados pelos israelitas com
de 20 anos para cima, devemos multiplicar por quatro fogo e espada, e cheios de zelo santo".
para saber aproximadamente o total dos israelitas "Mataram todos os homens" (v. 7), isto é, os ho-
incluindo mulheres, velhos e crianças. mens com quem se encontraram. Sabemos que não
mataram todos oe homens do pais, pois vemos Midiã
Capitulo 27 como um poderoso e formidável inimigo nos dias de
Gideáo.
.4 morte de Moisés predita ( w . 12-14). Vê Moisés "Mataram os reis de Midiã" os mesmos que são
a terra pometida; nela. porém, não entra, devido à chamados anciãos de Midiã (22.4) e príncipes de
sua desobediência. Avista-a de longe, do alto da Seom (Js 13.21).
montanha, e percebe as suas belezas naturais sem "Também mataram Balaão". Há várias conjetu-
ver detalhadamente todas as coisas imundas e a ido- ras sobre o que motivara estar Balaão entre os mi-
latria daquela terra. Muitos séculos depois ele põe dianitas nesse tempo. Pode ser que 06 midianitas,
seu pé na terra, sobre outro monte, e, junto com tendo notícias da marcha de Israel, tivessem manda-
Elias, conversa com o seu Salvador sobre essa morte do buscar Balaão para os ajudar com seus encanta-

67
ffumcros

mentos; ou, se ele nào pudesse agir ofensivamente pecador do juízo vindouro (Êx 21.13; Dt 19.2-13; SI
contra Israel, ao menos agisse defensivamente, invo- 46.1; 142.5; Is 4.6; Rm 8.1,33,34; Fp 3.9; Hb 6.18,19)
cando uma bênção sobre Midiã. Qualquer que fosse (Scofield).
o motivo de ele estar ali, foi uma providência divina O refúgio era para o homicida involuntário, nào
que agiu no caso, e ali a justiça o atingiu. para o assassino. Alguns percebem sentido na signi-
"Matança das mulheres" (v. 17). Ê preciso ficação dos nomes das cidades. Consulte o "Pequeno
lembrar que as mulheres midianitas tinham sido um Dicionário Bíblico".
laço especial para os israelitas. O casamento das herdeiras. Sobre isto Grant co-
menta:
Capítulo 32 "Aqui mais uma vez aparecem as filhas de Selo-
fade (referidas primeiro em 27.1-11) mediante a re-
Duas tribos e meia escolhem a sua sorte aquém presentação dos chefes das famílias de Manassés. A
do Jordão. Diz Matthew Henry: primeira sentença a seu favor tinha garantido que a
"Muita gente procura seu próprio interesse e não herança de seu pai lhes pertencia, mas havia o peri-
o bem geral nem os interesses de Cristo, e assim fica go, no caso de contraírem casamento fora da tribo,
aquém da Canaã celestial. A escolha dessas tribos de que a herança passasse para qualquer outra tribo,
importa: 1) um desprezo da terra prorr^ida; 2) uma e assim toda a estabilidade para posse segundo as
desconfiança do poder de Deus; 3) uma negligência tribos fosse prejudicada. Ordenou-se, por isso, que
dos interesses dos seus irmãos; 4) uma consulta ba- em tal caso a herdeira casasse dentro da tribo e as-
seada nos seus próprios interesses e riquezas. É para sim a herança da tribo seria garantida perpetuamen-
notar-se que estas tribos, as primeiras a serem colo- te. Tudo tinha de ceder à primeira necessidade, isto
cadas, anos depois foram as primeiras a serem desa- é, que a herança determinada por Deus ficasse com a
possadas". tribo que Deus determinara. Nada havia de mudar
isto, nada. Bendito seja Deus, que não há de impedir
"Nós, porém, nos armaremos... diante dos filhos qualquer um dos seus do gozo eterno da herança pre-
de Israel" (v. 17). ' <to nâo quer dizer que todos os ho- parada".
mens foram à guerra. No último censo havia de Rú-
ben 43.730, de Gade 40.500 e de Manasses 52.700, da
qual a metade é 26.350, perfazendo um total de
110.580. Ora Josué 4.13 diz-nos que 40.000 atraves- REFERÊNCIAS AO LIVRO DE N Ü M E R O S N O
saram o Jordão, por isso ficaram 70.580 homens para NOVO T E S T A M E N T O
defender as famílias.
Nm 12.7 - Moisés fiel em toda a sua casa (Hb
Capítulos 33 e 34 3.5,6).
Nm 14.16 - Prostrados no deserto (1 Co 10.5 e Hb
No capítulo 33 temos uma lista dos pontos visita- 3.17).
dos pelos israelitas desde que partiram do Egito "aos Nm 16.5 - "Jeová mostrará quem sáo os seus" (2
quinze dias do primeiro mês" (v. 3) até afinal acam- Tm 2.19).
parem-se "junto ao Jordão... nas planícies de Moa- Nm 17.8 - A vara de Aarão floresce (Hb 9.4).
be" (v. 49). Uma lista comprida que, hoje em dia, Nm 19.1-9 - A respeito da bezerra ruiva (Hb
não parece ter muito interesse ou instrução para nós. 9.13).
Mas não podemos dizer que carece inteiramente de Nm 22.5 - Balaão. filho de Beor ou Bosor (2 Pe
ensino sem investigar o sentido de cada nome recor- 2.15. Jd 11 e Ap 2.14).
dado, e sua possível significação para um povo pere- Nm 24.6 - Como árvore do sàndalo, que o Senhor
grino. plantou (Hb 8.2).
A comparação "como ovelhas que não têm pas-
Capítulos 35 e 36 tor" aparece pela primeira vez em Números 27.17.
Compare-se com 1 Reis 22.17; 2 Crônicas 18.16; Eze-

V
Cidades dos levitas e cidades de refúgio. " A s ci- quiel 34.5; Zacarias 10.2 e no Novo Testamento com
dades de refúgio sáo tipos de Cristo como o abrigo do Mateus 9.36 e Marcos 6.34 (Angus).

68
Deuteronômio

euteronômio trata "Os tradutores para o grego chamaram-no 'Deu-


dos últimos conselhos teronômio*, que significa segunda lei. ou segunda
de Moisés a Israel em edição da lei. não emendada, mas acrescentada para
vista de sua próxima a direção do povo em certos casos não mencionados
entrada na Terra, antes" (Matthew Henry).
das peregrinações de Israel no
a uma geração que nasce-
dá as instruções necessárias para a ANÁLISE DO DEUTERONOMIO
__ , Terra, e contém o pacto pales- 1. Uma revista às peregrinações de Israel e às longa -
tiniano (30.1-9). O Livro respira a inflexibilidade da nimidades de Deus (caps. 1 a 4.40).
Lei. Introdução (cap. 1.1-5).
E importante notar que, enquanto a Terra foi 1.1. De Horebe a Cades (cap. 1.6-46).
dada incondicionalmente a Abraão e à sua semente 1.2. De Cades a Hesbom e Bete-Peor (caps. 2 e 3).
no Pacto Abraâmico (Gn 13.15; 15.7), foi sob o con- 1.3. Exortações à obediência com um aviso (cap.
dicional Pacto Palestiniano que Israel entrou na Terra, 4.1-40).
sob a chefia de Josué. Havendo transgredido com- Nota histórica (cap. 4.41-43).
pletamente as condições desse pacto, a nação foi pri- 2. A repetição e Exposição da I^ei (caps. 4.44 a 26).
meiro dividida (1 Rs 12) e depois banida. (2 Rs 17.1- Introdução (cap. 4.44-49).
18; 24.1-25.11). Mas o concerto incondicional prome- 2.1. Parte 1. A Lei sinaitica (caps. 5 a 11).
te a Israel uma restauração nacional ainda futura 2.1.1. Recitação do Decálogo (cap. 5.1-21).
(Gn 15.18).
2.1.2. Discurso sobre o Decálogo (caps. 5.22
O Deuteronômio tem sete divisões: 1) Resumo da a 11.32).
história de Israel no deserto (1.1 a 3.29). 2) A repeti-
ção da Lei, com avisos e exortações (4.1 a 11.32). 3) 2.2. Parte 2. Leis especiais (caps. 12 a 26).
Instruções, avisos e predições (12.1 a 27.26). 4) As 2.2.1. Concernentes à religião (caps. 12.1 a
profecias finais, resumindo o futuro de Israel até a 16.17).
segunda Vinda de Cristo, e o Pacto Palestiniano 2.2.2. Concernentes ao governo (cape. 16.18
(28.1 a 30.20). 5) últimos conselhos aos sacerdotes, ao 20).
aos levitas e a Josué (cap. 31). 6) O cântico de Moi- 2.2.3. Concernentes á vida privada e soei
sés e suas bénçáos finais (caps. 32 a 33). 7) A morte ai (caps. 21 a 26).
de Moisés (cap. 34) (Scofield). 3. Uma revelação dos futuros propósitos de Deus re-
Este livro é uma repetição de muito da história e ferentes a Israel (caps. 27 a 30).
das leis contidas nos três livros anteriores, e dada ao 3.1. A vista de longe (caps. 27,28).
povo por Moisés pouco antes da sua morte. Não con- 3.2. A vista de perto (caps. 29,30).
tém história nova, a não ser a morte de Moisés, nem 4. Relatório dos últimos acontecimenos da vida de
nenhuma nova revelação a Moisés, por isso não en- Moisés (caps. 31 a 34).
contramos as palavras: "o Senhor falou a Moisés di- 4.1. Quatro solenes avisos (cap. 31.1-29).
zendo", mas as leis dadas anteriormente são repeti- 4.2. O cântico profético de Moisés (caps. 31.30 a
das, comentadas e explicadas, e alguns preceitos 32.44).
acrescentados, com bastantes razões para a obediên- 4.3. Moisés mandado subir o Nebo e morrer (cap.
cia. 32.48-52).

69
(Deuteronômio
4.4. As bênçãos de Moisés sobre as 12 tribos (cap. lhes deu a terra; Deus abençoou a obra das suas
33). mãos: o amor estava detrás de todo o trato de Deus
com Israel Foi o infinito amor de Deus que escolheu
Apêndice (cap. 34). Israel em Gênesis, que o livrou em Êxodo, que o cha-
mou a adorar e a andar dignamente em Números.
A MENSAGEM DO DEUTERONÔMIO Mas então o povo tinha somente os sinais desse
Este é o último livro do Pentateuco, mas não é o amor! Agora o tem declarado. E não é assim em
menos importante. De algum modo, é um resumo de qualquer retrospecto das nossas vidas? Porventura
todo o procedente, e por isso se relaciona com Gêne- náo percebemos que os acontecimentos e experiência
sis, Êxodo e Levítico, como o Evangelho de João se do passado, que em tempos ressentimos, foram o
relaciona com os sinópticos; mas aqui, como em propósito do amor infinito? Que esta lição nos ensine
João, novas feições são acrescentadas que lançam uma completa submissão àquele Deus que é amor!
para trás nova luz sobre toda a história precedente. 2) Os requerimentos do amor
A importância excepcional deste livro é revelada de Aqui temos a Lei dada pela segunda vez. e um
vários modos, um ou dois deles podemos notar: comprido discurso sobre ela, sendo revelada a sua re-
1) A palavra "Ouve" é empregada, para chamar lação com a vida espiritual e prática. Desta sef?unda
atenção, mais de 20 vezes, e a exortação "Lembrai parte, o livro toma seu nome de "Segunda Lei".
vos" umas 15 vezes. Ora, lendo o livro, se vê que a nota predominante
2) Seu conteúdo havia de ser decorado e repetido nele é obediência, e sente-se que o requerimento do
incessantemente durante as gerações de Israel (6.4-9 Amor é isto mesmo: "Sois meus amigos, se fazeis o
e 11.18-21). Ainda mais. esta Lei havia de ser lida que vos mando". "Fazer", neste sentido, ocorre mais
aos ouvidos de todo o povo de sete em sete anos, para de 50 vezes, e, pela referência á história do povo, é
que nunca se esquecessem do que o Senhor tinha di- claro que, quando obedecia, prosperava, mas, quan-
to, e nunca deixassem de observá-la (31.10-13). do desobedecia, decaia. O amor de Deus é firme, e
também eterno; consistente, e também compassivo;
3) Fez-se uma disposição especial para a conser-
justo, e também generoso. Se nós lhe desobedece-
vação deste livro: "Tomai este livro da lei, e ponde-o
mos. náo é a sua ira que nos castiga, mas seu amor; e
ao lado da arca da aliança de Jeová vosso Deus. para
quando pecamos, ofendemos, não somente a divina
que ali esteja por testemunha contra vós" (31.26).
justiça mas o infinito amor. Sendo assim, se não te-
4) A eficácia do seu emprego legítimo contra os mos receio da justiça divina, devemos ter vergonha
poderes das trevas é demonstrada em Mateus 4.1-11. de ofender o seu amor. Não pecar por medo das con-
onde o Senhor u cita três vezes em resposta às tenta- seqüências é, em si. um pecado, mas o não pecar
ções de Satanás, e assim vence o Tentador. O empre- pelo receio de ferir o amor eterno, é conhecer a Deus.
go da mesma palavra e do mesmo modo trará a cada Que esta parte do livro nos ensine os requerimentos
um de nós o mesmo resultado. do amor: a) Na nossa vida espiritual (12.1 a 16.7); b)
5) O livro é citado ao menos 90 vezes no N.T. na nossa vida cívica e nacional (16.18 a cap. 20); c)
"Podemos dizer que a grande mensagem do Deu- na nossa vida privada e social (cap. 21 a cap. 26); e
teronômio é o amor divino. Ê bom notar que o amor então, no nome de Cristo e no poder de Cristo, obe-
de Deus nunca é referido entre Gênesis e Números, deçamos!
mas ocorre pela primeira vez no Deuteronômio, onde
é revelado como o grande segredo de tudo o que Deus 3) .4 revelação do amor
fizera para seu povo durante todos os séculos ante- A primeira parte do Deuteronômio é histórica; a
riores. 'Porque amou a teus pais. escolheu a sua se- segunda legislativa; e a terceira profética. É nesta
mente' (4.37); 'Jeová não vos teve afeição, nem vos que temos a revelaçáo do amor de Deus num grau es-
escolheu, porque éreis mais numerosos que qualquer pecial. Us juízos preditos contra um povo desobe-
povo... mas porque Jeová vos amou' (7.7,8); 'Tão- diente não são decretos arbitrários de um tirano
somente Jeová teve afeição a teus pais para os amar' cruel, mas os fortes avisos de um amor infinito. Se ti-
(10.15). 'Todavia Jeová teu Deus não quis ouvir a vesse obedecido a Deus, Israel nunca tena sido en-
Balaão; porém trocou-te em bênção a maldição, por- vergonhado, mas não quis fazer assim. Ao fim da sua
que te amava' (23.5). Aqui aprendemos com gTata vida, Moisés divisou: a) uma nova geração, pois to-
admiração que Deus ama a seu povo, embora peque- dos os de mais de 20 anos que vieram do Egito, exce-
no em número, e que torna cada maldição em bên- to Josué e Calebe. pereceram: b) uma nova terra, e
ção. Bem pode ser o amor divino a mensagem deste ele agora, pela segunda vez, está na divisa dela,
livro. Mil louvores ao nosso grande Redentor! apreciando as suas possibilidades, mas para os ou-
O tema do Deuteronômio pode ser ligado, em re- tros; c) uma nova vida a ser passada nessa terra: ca-
lação ao passado, presente e futuro de Israel (e indi- sas em vez de tendas; o Templo em vez do Taberná-
retamente a nós mesmos) da seguinte maneira: culo; uma vida permanente em vez de peregrinação;
1) O retrospecto do amor passado (1 a 4). a terra em vez do deserto; o trigo em vez do maná -
2) Oe requerimento» do amor presente (5 a 26). tudo novo e apreciável; d) novos deveres para com
3) A revelação do amor futuro (27 a 34). Deus, e uns para com os outros, que são revelados
Isso geralmente, embora náo exclusivamente, mui detalhadamente nestes últimos capítulos. E em
vem a ser o assunto das três grandes divisões deste li- pouco tempo Moisés havia de dar lugar a: e) um
vro. novo guia. Assim, no capítulo 31 ele entrega a Josué
1) O retrospecto, do amor o encargo, e então se despede do povo.
Na revista que Moisés dá da história do povo, ele Com tanta coisa nova, quão urgente é a necessi-
apresenta o quadro das peregrinações no deserto, os dade de uma nova revelaçáo do divino amor, que en-
reveses e sucessos, e sempre frisa o fato de que o povo contramos neste livro! A vontade de Deus é declara-
devia tudo a Deus: Deus apontou o caminho; Deus da, bem como as conseqüências da obediência e da
aumentou o povo; Deus entregou os inimigos: Deus desobediência. Basta estudar a história subseqüente

70
VeuUronômio

de Israel para verificar a veracidade destas predi- Capítulo 2


çòes. A significação de tudo isto para nós é demasia-
damente evidente para precisar ser discutida, mas Diversas peregrinações. Notemos as diversas ma-
lembremo-nos, ao terminar a leitura do livro, que: neiras por que Israel havia de tratar as diferentes na-
1) Todo o nosso passado tem sido ordenado pelo ções - por um lado Edom, Moabe e Amom, e por ou-
amor de Deus. tro os amorreus. Não havia de molestar o primeiro
2) Esse amor requer uma obediência implícita grupo, mas com os amorreus a ordem era "fazer-lhes
cada dia e cada hora do presente. guerra " (v. 24). Assim para nós também é importan-
3) Esse infinito amor está agindo em prol de todo te discernir com quem havemos de contender, e o que
o nosso futuro (Scroggie). devemos simplesmente tolerar. Tudo isto da história
de Israel é para nosso ensino, pois "estas coisas lhes
Capitulo 1 aconteciam como figuras" (1 Co 10.11).
O conflito começa antes de chegar á Terra ( w .
Moisés reconta a partida de Horebe, etc. Deve- 26-37), e em nossa experiência espiritual pode haver
mos ter bastante cuidado em entender corretamente conflito, talvez coin concupiscências carnais, antes
a expressão várias vezes repetida: "além do Jordão" de começarmos a tomar posse das bênçãos espiri-
(v.l. etc.) O sentido depende do ponto de vista de tuais na "Terra Prometida " ao povo de Deus hoje. É
quem escreve. Quem escreveu o versículo 1 evidente- preciso nunca pensar que a terra da promessa seja
mente estava na Terra, pois fala de estar além do uma figura do Céu. Pode ser mais uma figura dos
•Jordão o deserto, o Arabá. Sufe, etc. por isso quando "lugares celestiais" referidos várias vezes em Efé-
diz "além" quer dizer "ao leste". Mas em 3.25 quan- sios: lugares de conflitos e também de bênçãos espi-
do Moisés diz "Deixa-me passar a ver a boa terra rituais.
como está além d<> Jordão", é claro que por "além"
ele quer dizer "ao oeste" Assim cada vez que encon- Capitulo 3
tramos a expressão precisamos verificar onde está o
escritor, para ver em que direção ele está olhando. Moisés continua relatando as conquistas ao leste
Este capítulo começa com um discurso de Moi- do Jordão, incluindo a do gigantesco rei Ogue de Ba-
sés, e nota o lugar ("além do Jordão, na terra de sá. Depois conta como rogou a Deus para revogar a
Moabe") e o dia ("depois de ter derrotado a Seom "). sentença proibindo-lhe a entrada na Terra Prometi-
Mas notemos que Moisés olha para trás 40 anos da. por causa da sua desobediência ( w . 23-29). Não
quando começa: "Jeová nosso Deus falou-nos em há, porém, arrependimento com Deus, pois Ele nun-
Horebe". pois se refere à ocasião em que Deus dera a ca fala precipitadamente nem pode emendar o que
Lei sobre o monte Sinai. diz. O pedido é recusado, por amor ao povo, que pre-
Sobre Horebe, diz Davis: "Os nomes Horebe e Si- cisa aprender os caminhos de Jeová; mas de Pisga, a
nai aparecem designado em diversos lugares o mes- Moisés é permitido ver a Terra (Grant).
mo monte. Este fato tem sido explicado por vários
modos. Dizem que os dois termos não se referem exa- Capitulo 4
tamente ao mesmo lugar. Horebe é o nome da cordi-
Exortação à obediência. Antes mesmo de entrar
lheira. e Sinai um dos pontos salientes". Outras au-
na Terra, Israel é avisado de como. pela sua desobe-
toridades dão explicações diferentes.
diência, poderia perdê-la mais tarde (vv. 23-26). E
Vemos a grande extensão da Terra dada a Israel
não devemos pensar que Israel era um povo excep-
por Deus: "até o rio Eufrates". mas nunca assim
cionalmente perverso; era antes uma amostra da hu-
possuída por Israel. E nós. porventura, tomamos
manidade. E nós também facilmente perdemos bên-
posse de tudo que é nosso, segundo o plano e promes-
çãos espirituais se consentimos em pecados carnais
sa de Deus? O apóstolo diz: "todas as coisas são vos-
ou mundanos.
aos", e por isso devemos poder tirar algum resultado
e proveito de todas elas (1 Co 3.21). Matthew Henry chama atenção a diversas exor-
tações de Moisés neste capítulo, a saber:
No versículo 19. quando Moisés diz: "chegamos a
1) A uma diligente atenção á Palavra de Deus (v.
Cades-Baméia". refere-se á primeira visita ali. des-
crita em Números 13 e não á segunda, de Números 1).
20.1, uns 39 anos mais tarde. 2) A conservar a divina Lei pura e integral (v.2).
3) A guardar os mandamentos divinos (v.2), e
obedecer-lhes (vv. 5,14), a observá-los (v. 6), e a
Os espias enviados (vv. 22-25). Descobrimos aqui guardar a aliança (v.13).
o que não aparece em N"úmeros, que a missão dos es- 4) A ser muito pontual e cuidadoso na observação
pias foi primeiramente uma sugestão do povo. E ver- da Lei ( w . 9; 15: 29).
dade que Moisés concordou com isso e Deus mesmo 5) A fugir da idolatria ( w . 15,16).
o permitiu, pois em Números são enviados a seu 6) A ensinar a Lei aos seus filhos ( w . 9,10).
mandado. É claro, pois, que não há nada errado na 7) A não esquecer a aliança (v. 23).
idéia, mas podia ter havido erro no motivo do povo. Junto com estas exortações. Moisés acrescenta
A incredulidade deseja, como sabemos, ver bem o oito motivos por que devem elas ser atendidas. Estes
caminho que vai trilhar; quer saber o que vai encon- motivos o leitor poderá procurar por si mesmo.
trar, e informar seus planos. Deus podia consentir is-
so, como mais uma prova de grandeza da terra, sen- Capítulo 5
do o fruto uma prova inegável. Nada há, porém,
mais insensato do que a incredulidade (Grant). A repetição dos Dez Mandamentos. Neste capi-
Proposta emenda de tradução (v. 5): Moisés vo- tulo vemos um motivo diferente de o de Êxodo 20,
luntariamente empreendeu a declarar (R. 79). (v. 6): para a guarda do sábado. Quanto a isto F. W. Grant
Bastante tempo haveis estado. escreve:

71
Deuterononuo
" N a recapitulaçáo da Lei é evidente, como no Escola Dominical. Importa que haja o ensino da ver-
quarto mandamento, especialmente, que Moisés não dade de Deus no seio da família. Dois livros que aju-
se limita a citar textualmente as palavras divinas. A dam os pais neste precioso dever sâo "Palestras com
base da observação do sábado é aqui, nào os seis dias os Meninos", e "Catecismo Rimado".
de formar os céus e a terra, mas a redenção de Israel Comentando os primeiros versículos deste capi-
no Egito (v. 15). Já se vê, um motivo não desfaz o ou- tulo, Matthew Henry diz: Observemos:
tro; e, em verdade, o segundo é um suplemento ne- 1) "Que Moisés ensinou ao povo tão-somente o
cessário ao primeiro". que Deus lhe mandara (v. 1). Assim os servos de
No quinto mandamento, as palavras "como Jeo- Deus hoje devem ensinar às igrejas da mesma forma.
vá teu Deus te ordenou" mostram claramente que 2) "Que o propósito do ensino era que o povo obe-
Moisés não está apenas repetindo. Ele acrescenta decesse - pusesse em prática - os ensinos.
ainda mais, comentando: "para que te vá bem na 3) "Que Moisés procurou dar ao povo uma dispo-
terra que Jeová teu Deus te dá". sição e direção piedosa agora que iam entrar na terra
Moisés torna a recordar ao povo como ficara im- e provar seu conforto, ao mesmo tempo que haviam
pressionado, amedrontado, ao ouvir a voz de Deus. de enfrentar seus perigos.
"Agora pois por que havemos de morrer? Este gran- 4) "Que o temor do Senhor será o mais poderoso
de fogo nos consumirá; se nós tomarmos a ouvir a motivo para a obediência (v.2).
voz de Jeová nosso Deus. morreremos." E nós, na 5) "Que uma herança de religião numa família é
plena bênçáo do Evangelho, devemos dar graças a a herança mais proveitosa.
Deus que temos ouvido a voz divina falando-nos, 6) "Que a religião e a retidão promovem e garan-
com palavras cheias de graça e verdade. tem a prosperidade de qualquer povo (v. 2)".
Como em Êxodo, o Decálogo está em duas tá- Sobre o amor a Deus ensinado no versículo 5, o
buas. A primeira se ocupa com o homem relacionado mesmo comentador diz que havemos de amar: a)
com Deus (6-15) e a segunda com o homem relacio- Como o Senhor, o melhor de todos os seres e o mais
nado com seu semelhante (16-21). excelente em Si. b) Como nosso Deus e nosso Pai - o
Nas leis da primeira tábua nosso pensamento es- melhor dos amigos e o mais beneficente dos benféito-
tá dirigido para quatro coisas: res.
1) A pessoa de Deus (6,7) estabelecendo a verda- Devemos amá-lo com amor sincero, não somente
de do monoteísmo (um Deus) em contraste com o de palavra, mas de coraçào; com um amor forte, com
politeísmo (muitos deuses) ou o panteísmo (que tudo ardor e fervor; com um amor superlativo. mais do
é deus). Israel era distinguido das outras nações pela que qualquer criatura; cora um amor integral, pois
sua crença em um só Deus. que toda a corrente da nossa afeição deve ir na dire-
ção dele. Que o amor de Deus seja derramado em
2) O culto de Deus (8-10). Náo basta que Jeová
nossos corações!
somente seja servido: precisa ser servido de maneira
própria, conforme for indicada. Aqui se frisa a espiri- Aprendamos aqui o que devemos fazer com a Pa-
tualidade de Deus. Ele não há de ser materializado lavra de Deus:
por meio de imagens. 1) Ela deve estar no coraçào (6). Primeiro de tudo
3) O nome de Deus (11). Visto que o nome de aprendamos a amar a Deus (v. 5) e a prezar as suas
Deus representa a sua natureza, qualquer uso irreve- palavras.
rente dele é uma blasfêmia. 2) Ensiná-la aos filhos, de maneira, já se vê, que
4) O descanso de Deus (12-15): "Isto encerra um sejam aceitáveis às suas inteligências pouco desen-
problema que merece a nossa inteligente considera- volvidas.
ção. Podemos dizer com certeza que o último dia da 3) Conversar a respeito dela na família (7) - mas
semana era dia de guarda de todo o israelita" este ensino nem sempre tem sido praticado!
(Scroggie). 4) Conversar sobre ela quando passeando.
Na segunda tábua da Lei o movimento é do exte- 5) Ser ela o nosso último pensamento ao deitar.
rior para o interior, das obras (16-19) às palavras 6) E o mesmo pensamento ao levantar (7).
(20), ao coração (21). 7) Atá-la como "sinal na tua mão" (dá idéia de
O desprezo dos pais é um golpe nos alicerces da que nossas obras devem ser sujeitas à Palavra de
sociedade. Depois seguem-se as proibições do assas- Deus).
sinato. da falta de castidade, e da desonestidade. O 8) Ser ela "como frontais entre teus olhos" (ensi-
progresso da civilização não dispensa tais manda- na que devemos ser guiados por ela).
mentos. 9) Atá-la "nos umbrais da tua casa" o que dá a
Neste capitulo, no último parágrafo, Moisés rela- idéia de que nossa vida caseira deve ser submetida à
ta como foi apontado para ser mediador entre Israel vontade divina.
e Jeová (22.23). Primeiro, Israel fala e Moisés escuta 10) Tê-la "nas tuas portas", para que todos os
(23-27); segundo, Deus fala, e Moisés ouve (28.31), e que passem possam vê-la (Goodman).
então Moisés fala e Israel ouve (32-33). O mesmo que
Moisés fez para Israel, Cristo faz por nós; Ele fala Capítulo 7
por nós a Deus e então fala de Deus a nós (Scroggie). O capítulo começa com o aviso de que não podia
Proposta emenda de tradução (v. 33): "para que haver qualquer comunhão com ídolos ou idolatras
vivais uma vida abundante" (R. 32). ( w . 1,2); nem casamentos com eles ( w . 3,4) - mais
um motivo para o crente evitar o jugo desigual no
Capítulo 6 matrimônio. Haviam de destruir todos os apetrechos
da idolatria passada (v. 5). Seguem promessas da
O fim da Lei é o obediência. Notemos especial- continuada proteção divina no caso da obediência
mente a exortação a ensinar as verdades divinas aos (v. 13) e que Deus seria seu suficiente amparo (v.
filhos (v. 7). Não é suficiente mandar os meninos à 21).

72
Na justa retribuição de Deus, os iníquos canani- Capítulo 10
tas haviam de ser extirpados (v. 2). e assim Israel
veio a ser a vara que Deus empregou para infligir- Matthew Henry nota neste capitulo que havia
lhes o merecido castigo. Não podendo deixar de pen- quatro sinais de Deus ter resolvido a continuar pro-
sar que um dever tão sanguinário havia de precisar tegendo Israel:
ser executado bem solenemente para não resultar em 1) Deu-lhe a sua Lei, por escrito, como prova do
condenação moral para os próprios israelitas. seu continuado favor: As tábuas foram quebradas
A grande lição do capitulo é a separação de tudo porque a Lei fora quebrada, e Deus podia ter quebra-
e de todos que Deus desaprova. Contudo, ao mesmo do seu pacto. Mas quando a sua ira passou, Ele reno-
tempo que nos afastamos da lepra e do leproso, deve- vou as tábuas.
mos nos compadecer da pessoa doente. Temos com- 2) Ele conduziu o povo na direção de Canaá. em-
paixão do pecador, mas reprovamos os seus pecados. bora esse povo pretendesse voltar ao Egito ( w . 6,7).
Levou-o a uma terra de rios de água.
3) Levantou no seu meio um ministério espiri-
Capítulo 8 tual, separando a tribo de Levi para esse fim. talvez
porque Levi tinha sido fiel no incidente do bezerro de
Avisos e exortações. Aprendemos deste capítulo: ouro (Êx 32.29).
1) Que o povo de Deus precisa, de vez em quan- 4) Ele aceitou Moisés como advogado e interces-
do, considerar o passado e lembrar-se "de todo o ca- sor, e assim o constituiu príncipe e guia de Israel (v.
minho pelo qual Jeová teu Deus te há conduzido" (v. II).
2). O versículo 16 ensina-nos. como aprendemos
2) Que o povo de Deus deve perceber nas prova- também de Deuteronômio 30.6; Jeremias 4.4 e Ro-
ções passadas, propósitos divinos de instrução ( w . manos 2.28,29, que a circuncisáo tinha alguma signi-
2.3). ficação espiritual que os cristãos também podem
3) Que o povo de Deus pode discernir a evidência aproveitar, embora eles náo usem rito material idên-
da proteção divina e dos socorros milagrosos no pas- tico aos judeus.
sado: "o teu vestido não te caiu de velho, nem se em- O capítulo termina com uma declaração do cará-
polgou teu pé, por estes quarenta anos" (v. 4). ter e majestade de Deus, à qual podemos acrescentar
4) Que o povo de Deus deve perceber a disciplina ainda outras características mais preciosas, revela-
divina nas experiências da sua peregrinação (v.5). das em Cristo.
5) Que o povo de Deus deve ser encorajado pela
perspectiva de futuras bênçãos (v. 7). Capítulo 11
6) Que o povo de Deus precisa guardar-se do es-
quecimento das providências passadas, e deve obe- As lições do passado precisam ser ponderadas e
decer aos mandamentos divinos (v. 11). aprendidas (vy. 3-7). A obediência é o caminho da
7) Que é possível ao povo de Deus imaginar que prosperidade (v. 9).
poderes próprios têm conquistado as bênçãos que Notemos a expressão "regar com o pé" no versí-
goza ( w . 12-17). culo 10, que no Brasil pode não ser bem entendida.
8) Que é sempre possível o próprio povo de Deus Em Portugal regar as hortas com o pé é freqüente,
ser seduzido a andar atrás de outros deuses (v. 19). como antigamente no Egito. Fazem-se canais na su-
como fazem os descrentes. Ou confiar, por exemplo, perfície da terra, laterais e transversais, e quando a
no dinheiro em vez de confiar em Deus e na sua pro- água está correndo num canal lateral e é preciso des-
teção. viá-la para outro transversal, abre-se o barranco do
canal principal com o pé, para a água poder entrar
no canal transversal. A promessa é que na Terra
Capitulo 9 Santa este trabalho não será preciso, porque as chu-
vas serão suficientes para regar a terra (v. I I ) . No
Moisés lembra aos israelitas as suas murmura- Egito há falta de chuva, e a terra é regada pelo rio
ções e infidelidades. Neste capítulo Israel é encoraja- Nilo mediante os tais canais superficiais. A chuva é
do com a promessa da presença protetora de Deus prometida como prêmio da obediência (v. 14).
(v. 3); é advertido a não imaginar que a posse da ter- Nos versículos 18 a 21 vemos a Palavra de Deus
ra prometida seria o prêmio da sua bondade, mas. decorada, escrita, ensinada aos filhos e obedecida. A
pelo contrário, seria por motivo das maldades dos família que pratica isto hoje é uma família abençoa-
seus primitivos habitantes ( w . 4,5); é reprovado pe- da.
las suas rebeliões passadas (v. 7); é lembrado de "Todo lugar que pisardes será vosso" (v. 24)? Ê
como Deus dera a I^ei em Horebe (versículo 9 em neçessário tomar posse de tudo que Deus nos dá. O
diante); é argüido da sua idolatria passada (v. 16); e homem espiritual sabe lucrar de tudo, mas a maioria
incredulidade (v. 23). somente sabe tomar posse das coisas agradáveis e
O certo é que, apesar de Israel ter sido constante- não lucrar nada dos apertos e provações. Podemos
mente rebelde, Deus continuou a interessar-se pelo ter certeza de que temos "tomado posse" quando pu-
seu povo, e a protegê-lo. dermos dar graças a Deus por tal experiência.
Com certeza Israel muito devia à intercessáo de
Moisés, relatada nos versículos 26-29. E nós pode- Capitulo 12
mos usar este mesmo ministério de intercessáo.
O lugar de culto escolhido por Deus. Vemos neste
"Não é pela tua justiça..." (v. 5). Muitas vezes, capítulo que o lugar central do culto divino em Israel
na história do mundo. Deus tem castigado os iníquos não havia de ser deixado à preferência do povo, mas
pela instrumentalidade de homens tão maus como que Deus mesmo havia de escolher o ponto "para ali
eles. por o seu nome" ( w . 5-18).

73
Hoje o centro da congregação do povo de Deus levita, ao peregrino, ao órfão e á viúva". O cristão
não é mais um ponto geográfico, e muito menos um hoje náo está debaixo de nenhuma Lei do dizimo,
método de governo ou um rito qualquer, mas é "onde mas reconhece que "o dízimo é do Senhor" (Lv
dois ou três estdo congregados em seu nome". Ali 27.30) e por isso contribui com o seu dizimo para o
Cristo está no meio deles. Qualquer grupo cristão trabalho do Senhor, dando-o à igreja a que pertence.
hoje pode bem indagar qual é o vinculo da sua união. F. W. Grant diz: "Este dizimo é uma das leis su-
Sérã, porventura, uma opiniào, ou um parecer sobre plementares do Deuteronômio; um segundo dizimo,
doutrina? Será um acordo sobre o governo da igreja? não o primeiro que pertence somente a Deus. Este
Será um método de batismo? ou um interesse co- era para ser comido junto ao santuário pela pessoa
mum em Cristo? que dizimara seus terrenos, junto com sua família, e
Notemos no versículo 23 a proibição de comer o sem se esquecer do levita. Assim ele vem perante
sangue, a única proibiçáo cerimonial que passou Deus, para reconhecer as suas misericórdias e gozá-
para o cristianismo (At 15.19). las com Deus".
Capitulo 15
Capitulo 13
O ann da remissão. Parece haver na V. B. uma
Falsos profetas. Algum falso profeta poderia, tal- contradição entre o versículo 4 "Contudo não haverá
vez, "mostrar um milagre ou prodígio" (v. 1) mas o entre ti pobre algum" e o versículo 11 "Pois nunca
seu ensino iria desencaminhar o povo de seguir a deixará de haver pobres na terra". Por isso pode ser
Deus. Por isso havia de ser morto. Nós podemos pro- preferível adotar a tradução de Almeida no versículo 4:
var as doutrinas novas pelo seu valor espiritual: se "Somente para que entre ti não haja pobre". F. W.
promovem a espiritualidade ou se afastam os adep- Círant diz: "Deus não quer que haja pobres entre seu
tos do seu contato com Deus. Caso o sabatista tenha p<*vo. embora sempre os haverá".
a sua vida espiritual ressicada e murcha, isto por si Do versículo 12 em diante temos o caso de um is-
só condenaria a doutrina que professa prova que
raelita que se vendera como escravo. Devemos notar
ela afasta de Deus os adeptos da sua doutrina.
a grande diferença entre esse tipo de escravatura e a
Nos versículos 6 a 11 supõe-se o caso da tentação escravatura forçada em séculos passados, quando os
para a idolatria vir mediante um parente chegado, africanos foram roubados das suas famílias e vendi-
como vemos que a tentação de Adão chegou-lhe pela dos; ou a escravatura de hoje. quando milhares, de
própria esposa. povos subjugados, sáo levados das suas terras para
Mesmo assim, o ofensor havia de ser denunciado trabalhar para os seus conquistadores. [Isto foi escri-
aos juizes, e o parente que ele quis seduzir seria o pri- to em 1942. j
meiro a atirar a pedra de condenação contra ele (v. No versículo 17 temos o caso interessante de um
9). Devemos dar a Deus e à sua verdade o supremo escravo que queria servir para sempre, e nesse caso
lugar nas nossas afeições, náo consentindo que a "tomarás uma sovela, e furar-lhe-ás a orelha á porta,
afeição de parentesco nos desencaminhe. Diz e ele ficará teu escravo para sempre". Ainda hoje dá-
Matthew Henrv: "São esses os nossos maiores inimi- se o caso de que alguns servos de Deus não têm am-
gos, os que querem afastar-nos de Deus, e qualquer
bição de serem aposentados. Acham todo seu prazer
cilada que nos alicia para o pecado ameaça nossa
vida espiritual, e precisa ser repelida energicamen- no serviço, como disse o Senhor Jesus, nas palavras
te". do salmista: "Em fazer a tua vontade. Deus meu, eu
me deleito" (SI 40.8). Alguns julgam haver uma refe-
Notemos que a morte do iníquo náo era mera vin- rência a isto nas paiavras "as minhas orelhas furas-
gança, mas um meio de salvação para os outros: te" (SI 40.6) e pensam que ali temos uma alusão a
"Todo o Israel ouvirá e temerá e não se tornará a fa- Deuteronômio 15.17.
zer uma coisa má como esta. no meio de ti" (v. 11).
O certo é que o serviço de Deus é a ocupação mais
Que coisa boa quando nossa vida contribui para o bem-aventurada que uma criatura humana pode ex-
bem dos nossos semelhantes, e quando ninguém há perimentar.
de desejar a nossa morte!
A última hipótese no capitulo ( w . 12 a 18) é de Capitulo 16
uma cidade revoltada contra Deus, e essa cidade ha-
via de ser destruída, depois de o caso ter sido bem in- As três festas. Podemos comparar este capítulo
vestigado (v. 14). Por suposto, a grande maioria dos com Levítico 23, que discrimina sete festas nacionais
habitantes teria adotado a mesma idolatria, e os fiéis em cada ano.
a Deus teriam saído do lugar antes da sua destrui- "Aqui a Páscoa e a festa dos Tabernáculos são es-
ção. Leis tão severas como estas não prevalecem ho- pecialmente marcadas como figurando o começo e
je, porque Deus náo está preocupado em reformar o consumação dos caminhos de Deus para com Israel:
mundo, mas em salvar dele um povo arrependido e a primeira falando da redenção, a base de tudo; a úl-
remido. tima. da reunião de Israel abençoada no reino mile-
nial. Entre elas, em Deuteronômio 16.9-12, vem a
Capitulo 14 festa das semanas - o gozo de um povo remido, ante-
cipando maiores bênçãos vindouras. Vemos o parale-
Animais limpos e imundos. Podemos notar que lo disto em Romanos 5.1,2."
os animais proibidos aos israelitas sob a Lei quase Notemos no versículo 4 que nada do sacrifício po-
todos eram nocivos à saúde; por isso nós, que não es- dia ser guardado até o dia seguinte. Tudo havia de
tamos debaixo da Lei, fazemos bem em atender ás ser comido. Toda a verdade que conhecemos precisa
mesmas proibições. ser apropriada na nossa vida. Saber e náo praticar é
No que diz respeito aos dízimos (v. 22 em diante) um prejuízo.
vèmos aqui que o dízimo era para comer diante do Podemos ligar certos pensamentos com estas três
Senhor, e não, como no capitulo 26.12, para dar "ao festas referidas no capitulo 16.

74
(Deuteronômio
1) Recordação. O propósito da Páscoa era recor- N o caso de haver o pecado mortal de idolatria,
dar anualmente a saída do Egito, uma grande salva- vemos o cuidado de exigir duas ou três testemunhas.
ção de Deus. Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por E mesmo no caso de ofensas menores uma só teste-
nós. e recordamos a sua obra redentora cada vez que munha náo é suficiente para condenar o ofensor.
tomamos a Santa Ceia. Podemc» reconhecer que tais Contudo, à» vezes, o pecador, sendo confrontado
recordações são de sumo proveito espiritual, e que pela única pessoa que presenciou o mal. testifica
seriamos sensivelmente empobrecidos se fôssemos contra si, confessando seu pecado.
privados delas. Em casos difíceis demais para resolver pelos tri-
2) Expiação. O sacrifício do cordeiro pascal havia bunais comuns, o santuário veio a ser o último lugar
de lembrar ao israelita a necessidade de expiação de apelo (v.9) e a voz do sacerdote confirmou a do
pelo pecado, e no vinho de Santa Ceia temos a mes- juiz. E dessa sentença não havia apelação (Grant)
ma lembrança.
A escolha de um rei havia de ser em sujeição à
3) Santificação era sugerida pela ausência de fer- vontade divina (w.14-20). O desejo de ter um rei e
mento. ser semelhante às nações em redor era muito natu-
4) O centro único: "o lugar que Jeová teu Deus ral, porém, não tinha a aprovação divina (1 Sm 8.7)
escolher". Hoje o divino centro para a reunião do embora houvesse de ser permitido, com as condições
povo de Deus é "o meu Nome" ( M t 18.23), onde po- estabelecidas neste capítulo. Vemos a proibição do
dem caber todos os que têm interesse no nome de versículo 17: "Nem multiplicará para si mulheres",
Cristo. e notamos como Salomão era transaléasor deste de-
o) Kegozijo (v. 11). As festas do Senhor eram oca- creto (1 Rs 11.1-4).
siões de santa alegria espiritual. E é assim mesmo
ainda hoje. Capítulo 18
6) Comunhão: O regozijo era de todos: filhos, fi- Herança e direitos de sacerdotes e levitas. Em Is-
lhas. escravos, peregrinos, órfãos, viúvas. Nosso gozo rael Deus contempla com especial interesse as pes-
espiritual na Santa Ceia não tem nada de egoísmo soas cuja preocupação é o serviço divino, e dá instru-
ou isolamento. ções referentes ao seu sustento (v.3). Hoje. no cris-
7) Preocupação com coisas espirituais, com Deus tianismo, todos devem ser sacerdotes (1 Pe 2.9). "As-
e as festas dele, havia de ter uma profunda influên- sim também ordenou o Senhor aos que proclamam o
cia sobre a vida individual de cada israelita. Evangelho, que vivam do Evangelho" (1 Co 9.14).
Nos versículos 18 a 20 vemos o cuidado de Deus Nos versículos 9-14 temos avisos positivos contra
em promover a justiça entre o povo. mandando esta- o espiritismo moderno, que certamente é praticado por
belecer juizes em todas as cidades. Lemos em Roma- pessoas que nunca prestaram atenção a este trecho
nos 13.1: "Não há autoridade que não venha de da Palavra inspirada. O povo de Deus náo deve con-
Deus; e as que têm (tido ordenadas por Deus". sultar os mortos, por ser coisa proibida ( v . l l ) : Não
N o versículo 21 Almeida tem: "Não plantarás ne- há nada na Bíblia que contrarie a idéia comum entre
nhum bosque de árvores (na V.B. diz: 'um Aserá de alguns crentes de que demônios respondem às pes-
qualquer sorte de árvore ) junto ao altar do Senhor soas não-crentes que procuram falar com seus paren-
teu Deus". Tais bosques (ou aserás) eram sempre as- tes falecidos.
sociados com a idolatria, e por isso Deus não quis
Podemos ouvir de casos em que espíritos de fale-
nada semelhante no serviço divino. Um serviço espi-
cidos têm falado ou aparecido a alguém sem serem
ritual náo precisa imitar o estilo de uma religião car-
chamados ou consultados. Por exemplo, Saul con-
nal. Se o romanismo inventou o "reverendo" para
sultou o falecido Samuel (1 Sm 28.8-25). Por isso não
seus ministros, o cristianismo puro não precisa to-
era coisa impossível. Mas ele foi morto na batalha,
mar dele emprestado o mesmo titulo.
por ter feito uma coisa proibida (1 Cr 10.13). E, na
Capítulo 17
nossa opinião, parece ter sido Samuel mesmo que fa-
Vemos no versículo 1 que Deus reprovou qual- lou com Saul. e não um demônio. [Esta é a idéia do
quer sacrifício com defeito, e náo o aceitou. Ainda autor, que respeitamos. Mas abaixo está a Nota do
hoje aleuns podem faw»r qnastSo de não pôr na coleta Editor, que expresaa a interpretação que julgamos
da igreja qualquer nota defeituosa. correta.]
Nota do Editor. Sobre o assunto, transcrevemos o seguinte do livro " S u l e a F e i t k n r a " . d e i - J f . Ortxz. editado pela
CPAD:
"Assim Samuel subiu, mas, apenas na Cala da pitonisa. Até o fim d a teria de faaer o sen jogo, para evitar que
Saul desconfiasse.
" S e a bruxa houvesse acreditado que o 'aparecido' era realmente Samuel, ela é que teria tido medo. pois o profeta
era intransigente no que concernia às feiticeiras.
"'Qm 4 qmo vémt', perguntou Saul. Notemos que ele não via nada. A feiticeira é que via ou diz ver. 'Vejo deuses
que «oòem na terra': 'dou***' (espíritos). Note-se que eram muitos. O pedido foi que viesse um, e vieram muitos. Se,
por uma exceção Deus tivesse deixado sair o espirito de Samuel, permitiria que M i n e m muitos?
"Saul perguntou â feiticeira oomo era a figura do espirito. Ela respondeu: *Vem subindo um homem ancião, e está
envolto numa capa\ £ lógico que sabendo ser Saul o seu consulente, a pitonisa deduziu querer ele falar a Samuel e,
assim, descreveu-lhe a popular figura de Samuel. Apesar de sabermos que os demônios assumem a forma de seres
humanos que morreram, náo se pode afirmar se a pitonisa via realmente uma figura que parecia Samuel ou se ape-
nas que via para contentar SauL 'Saul entendeu, então, que era Samuel', mas Saul nada viu. Elo m firmava ao
que dizia a pitonisa!
"Acreditar que foi realmente o espírito de Samuel que apareceu seria crer no absurdo, isto é, seria acreditar que
Deus se tenha negado a responder a Saul por meios bíblicos: sonho, Urim. profeta para responder-lhe por meio de
uma feiticeira. Deus não pode violar a sua própria Palavra. Se Deus náo lhe respondeu por estes meios legítimos e
bíblicos, muito menos, podia respondo- por um meio abominável e condenável pelo próprio Deus tantas vezes nas Es-
crituras. Se náo respondeu a Saul. através do Espirito Santo, oomo poderia reaponder-lhe através do Diabo?"

75
Dtutiwncinic

O Grande Profeta ( w . 15-19). Aqui temos uma Cristo, o único Refúgio para quem receia as conse-
das notáveis profecias sobre Cristo, a base da espe- qüências dos seus atos.
rança em Israel com respeito ao Messias. Notemos as "Não removerás ns marc<*s do teu próximo" (v.
características do Profeta: 14). Antes de haver terrenos cercados, os marcos ti-
1) "Do meio de ti" - ele havia de nascer na terra nham muita importância para dividir as proprieda-
santa. des.
2) "Dentre teus irmãos" - ele havia de ser israeli- A lei das testemunhas ( w . 15-21). Este é o trecho
ta. principal que estabelece a necessidade de haver mais
3) "Semelhante a mim " - ele havia de ter as ca- de uma testemunha para provar uma culpa.
racterísticas de Moisés: ser um salvador do poder do O homem que maliciosamente trouxesse falso
inimigo; ser um legislador, com ensinos espirituais; testemunho contra seu próximo havia de sofrer o
ser um guia através do deserto; ser um profeta, que mesmo castigo que pretendia trazer sobre o acusado
representasse Deus ao povo. Notemos o mandado: (v.19). Pode parecer duro demais castigar um ho-
"a este ouvirás" (v.15). mem tão severamente por umas palavras faladas, es-
" Ê certo que Cristo é com exclusividade o com- pecialmente quando não resultam mal algum, por
pleto cumprimento desta profecia, e também que isso acrescenta-se no versículo 21: "Não terá piedade
cada profeta levantado por Deus era um cumpri- dele teu olho". Nenhum homem precisa ser mais mi-
mento parcial e incompleto. Nestes capítulos temos sericordioso do que Deus. O benefício dessa severida-
o triplo caráter da autoridade principal em Israel de para o público recompensará abundantemente o
Rei, Sacerdote e Profeta, e de cada um podemos di- castigo aplicado (v.20): os restantes ouvirão e teme-
zer a mesma coisa. Todos olhavam para Cristo, e rão. Tais castigos exemplares avisarão aos demais a
sem Ele qualquer cumprimento seria trivial e insufi- não tentarem semelhantes males, quando virem que
ciente. Mas a linguagem mostra claramente que ou- quem cavou a cova nela caiu (Matthew Henry).
tros anteriores eram contemplados..." (Grant).
O capitulo termina com um aviso contra os falsos Capítulo 20
profetas.
Diz Matthew Henry dos versículos 20-22: As leis acerca da guerra. O assunto aqui é a
guerra, e se divide em trés partes: primeira Israel;
"Vemos primeiro uma advertência aos preten-
depois, seus inimigos: e finalmente a própria terra
dentes proféticos. Quem se apresenta como profeta e onde haviam de estar.
apresenta credenciais de um deus falso, como fize-
"Quanto a Israel, haviam de contar que Deus es-
ram os profetas de Baal, ou uma fingida comissão do tava com eles. Devemos nos lembrar que isto supõe
verdadeiro Deus, será julgado réu de alta traição que eles estavam com Deus. e por isso que a sua saí-
contra a coroa e dignidade do Rei dos reis, e esse trai- da e entrada estavam de acordo com a sua palavra.
dor será condenado á morte (v.20) pela sentença do Então seus inimigos seriam deveras os inimigos de
grande Sinédrio que, no devido tempo, foi estabele- Deus, e a resistência a Israel seria resistência a Deus.
cido em Jerusalém; e por isso nosso Salvador disse Se Israel tivesse guardado o pacto, como isto teria
que 'não convém que um profeta pereça fora de Jeru- sido evidente a todo o mundo, e com que poder irre-
salém' (Lc 13.33). sistível teriam sido revestidos!" (Grant).
"Em segundo lugar vemos a direção dada ao po-
Prx»p<psta emenda de tradução (v. 19): "pois que é
vo, para nào ser iludido por charlatáes. Quais eram a árvore do campo, homem, para que fosse sitiada
os sinais de um verdadeiro profeta? Fica reprovado por ti?"
qualquer ensino repugnante ao sentido comum ou á
luz e à lei da natureza, ou ao sentido claro da Pala- Capitulo 21
vra já revelada, como também qualquer ensino que
dê licença ao pecado ou que tenda a prejudicar a pie-
Filhos desobedientes ( w . 18,21). Vemos neste
dade ou a caridade. - Longe esteja de Deus que Ele
trecho o castigo severo do filho desobediente. E os
se contradiga! A regra dada no versículo 22 refere-se pais, ao mesmo tempo que iam denunciar as culpas
mais particularmente às profecias de ensino proble- do filho, deviam ter sentido a sua própria incompe-
mático, caso em que era possível o profeta apresen- tência de não os haver influído para o bem! "este
tar algum sinal. nosso filho é contumaz e rebelde, não obedece a nos-
"Em último lugar, o povo não havia de ter temor sa voz", mas como foi que chegou a ser depravado
do falso profeta, isto é, de recear as ameaças dele, assim? Que educação espiritual tinha recebido dos
nem havia de desistir de executar sobre ele a senten- pais? Que exemplo de piedade lhe haviam dado?
ça da lei. Esse mandamento de não ter temor do fal- O defunto pendurado (v. 22). Isto não trata de
so profeta, ensina que o profeta verdadeiro devia ser um enforcado, mas de um homem apedrejado, e de-
temido (respeitado)". pois pendurado numa árvore como aviso aos outros
(Nm 25.4.; 2 Sm 4.12).
Capítulo 19

Cidades de refúgio (w.1-13). Notemos que o re- Capitulo 22


curso das cidades de refúgio era para o homicida in-
voluntário e não para o assassino. Diversos pecados cometidos para com mulheres
Aos filhos de Noé fora dito "Se alguém derramar ( w . 13-30). Sobre este trecho diz Matthew Henry:
o sangue do homem, pelo homem será derramado o "Se um homem, por desejar outra mulher, quisesse
seu sangue" (Gn 9.6) e, pelo visto, esse dever cabia ver-se livre da sua esposa, e a difamasse, alegando
ao parente mais próximo. Essas cidades de refúgio que ela nào tinha a virgindade que professava ter
são referidas também em Êxodo 21.13 e Números quando se casou com ele, seria castigado, caso a sua
35.10. Hoje o meio da salvação apontado é recorrer a acusação fosse comprovadamente contestada. Os ex-

76
positpres nào concordam sobre quais podiam ser as 1) Que um homem não se podia divorciar de sua
provas de virgindade da filha que seu pai havia de esposa sem ter encontrado nela "alguma coisa inde-
apresentar, nem é preciso sabermos, porque é de en- cente" (v. 1).
tender que esses para quem era a tal lei. haviam de 2) Que havia de fazer isto. nào verbalmente, mas
entendê-la. Para nós é suficiente saber que este mau por escrito, evitando assim um ato apressado e irre-
marido, que assim pretendia arruinar a reputação da fletido.
sua esposa, havia de ser castigado e multado. 3) Que a tal carta o marido havia de dar na mão
" O segundo caso é de uma mulher, tida por vir- da mulher, e mandá-la embora. Isto alguns enten-
gem. ser desmascarada pelo fat« de náo o ser. Essa dem significar que havia de lhe dar alguma recom-
havia de ser apedrejada à porta do seu pai ( w . pensa material.
20.21). Se o pecado tivesse sido cometido antes de 4) Que depois de ser divorciada, podia contrair
ela ser desp<>sada, o crime não teria sido castigado segundas núpcias (v. 2).
como mortal: ela. porém, tinha de morrer pela des- 5) Que se o segundo marido morresse, ou se di-
lealdade para com esse com quem se casou, sendo vorciasse dela. podia ela casar novamente, mas nào
ela consciente da própria culpa, mas tingindo ser com o primeiro marido ( w . 3,4). Os judeus dizem
mulher casta e modesta. que isto foi para evitar um costume vil e iníquo que
" O terceiro caso é o de adultério <v. 22). e as duas havia entre os egípcios, de permutarem esposas
pessoas haviam de ser apedrejadas. (Matthew Henry).
"Seguem-se os casos quarto (v. 23), quinto (v Alguém pode querer saber como havia de ser o
25) e sexto (v. 28). cada um. um tanto diferente, mas procedimento da mulher no caso de "encontrar algu-
todos merecendo a disciplina competente. Todos es- ma coisa indecente" no marido!
tes exemplos mostram o cuidado que havia, nesses Notemos no versículo 15 o cuidado que havia em
tempos primitivos, de salvaguardar a moralidade do Israel com os empregados, de náo atrasar o paga-
povo de Israel. E certamente estas coisas também mento do seu ordenado, mas "no seu dia lhe darás
são escritas para nossa instrução e governo". seu jornal". Pagar adiantado um serviço empreitado
geralmente dá mau resultado, mas pagar alguma
Capitulo 23 coisa por conta no fim de cada dia de serviço, caso
seja necessário, tira qualquer motivo de queixa da
Pessoas excluídas das assembléias santas (w. parte do empreiteiro pobre.
1.4). Diz Mattheur Henry: "Os expositores náo estão O costume modemíssimo de matar reféns pelos
de acordo sobre o que significa 'não entrar na as- crimes de outros é proibido no versículo 16, onde diz
sembléia do Senhor', o que foi proibido aos edomitas "cada homem será morto pelo seu próprio pecado".
e egípcios até a terceira geração.
Capítulo 25
"Entre os escritores judaicos, a palavra 'bastar-
do' não se aplicava a todas as pessoas nascidas fora
A pena de açoites. Notemos o cuidado para que
do matrimônio, mas aos que nasceram das uniões ilí-
náo houvesse em Israel qualquer castigo excessivo.
citas detalhadas em Levítico 18. Segundo esta regra.
Hoje em dia pode ser preciso atender a isso também.
•Jefté. embora filho de uma prostituta, uma mulher
A boca do boi (v. 4). Há bem pouco na Bíblia
estranha (Jz 11.1.2), contudo náo era bastardo pe-
sobre o cuidado que se deve ter com os animais, e o
rante a lei.
cão, esse fiel amigo do homem, é geralmente referido
"Quanto aos eunucos, embora por esta lei pare- como um símbolo do mal (Jó 30.1; SI 22.16; Mt 7.6;
cessem lançados fora da vinha como árvores secas, Fp 3.2 etc.), provavelmente devido à abundância de
de que se queixaram (Is 56.3), contudo foi-lhes prome- cachorros vagabundos que havia no Oriente. Aqui ao
tido ali (Is 56.4,5) que. se zelassem pelos seus deve- menos vemos ensinada a consideração aos animais,
res para com Deus naquilo que lhes fosse permitido, que é um dos sinais de um povo civilizado. Ê verda-
guardando seus sábados e escolhendo as coisas que de que o apóstolo apropria o ensino em benefício dos
lhe eram agradáveis, a falta de outros privilégios lhe obreiros cristãos (1 Co 9.7-10), mas não havemos de
seria recompensada por bênçãos espirituais'*. entender que os bois devam ficar de todo privados do
Capricho sanitário ( w . 12-14). A proibição de preceito.
imundicie no acampamento tem um motivo bastan- Pesos diversos ( w . 13.14). Não somente foram os
te forte: "porque Jeová teu Deus anda no meio do israelitas proibidos de usar pesos diversos - um gran-
teu acampamento " (v. 14). Se todos os moradores no de com que comprar, e um menor com que vender - ,
interior do Brasil tivessem obedecidos ao ensino des- mas nem ter tais pesos nas suas casas.
te trecho, a opilação náo teria se alastrado tão larga-
mente! Capítulo 26
"Não entregarás... o escravo" (v. 15). Não pode-
mos crer que o israelita havia de agasalhar o escravo- No versículo 5 podemos usar uma tradução
ladrão, ou um que tivesse abandonado o patrão sem emendada: "um aram eu [LaòanJ quis matar meu
razão, mas somente os maltratados, especialmente pai" (R. 100).
das nações vizinhas (T). Este capitulo também mostra quào intimamente
a vida do israelita era ligada com Deus. mediante
Capitulo 24 ofertas, ações de graças, etc. E pode ser a mesma coi-
sa conosco. A verdadeira felicidade consiste em pro-
Divórcio, penhores, ladrões, lepra e pobreza. O var a bênção de Deus em todas as nossas ocupações.
versículo primeiro é a permissão que os fariseus erro- Comentando este capitulo, Matthew Henry diz:
neamente chamaram um preceito ( M t 19.7). Apren- "Quando ura homem ia ao campo ou à vinha no tem-
demos: po dos frutos amadurecerem, havia de marcar o que

77
(Deuteronômio

parecia mais adiantado e pô-lo à parte para as Escutemos: "Encolhe a vida. para que vivas, tu e tua
primicias, fosse trigo, cevada, uvas. figos, romãs, semente.'"
azeitonas, támaras, etc; algum de cada espécie havia Prop<tsta emenda de tradução (29.4): "Porventu-
de ser colocado num cesto, com folhas entre as fru- ra não vos tem dado o Senhor um coração para en-
tas, e apresentado ao Senhor no lugar que escolhes- tender. e olhos para ver, e ouvidos para ouvir até o
se". Desta lei aprendemos: dia de hoje?" (R. 66).
1) a reconhecer a Deus como o doador de tudo que É interessante ver como o apóstolo Paulo, em Ro-
é bom para sustentar ou confortar a nossa vida natu- manos 10.6-9, se refere a Deuteronômio 30.11-14.
ral. e por isso servi-lo e honrá-lo com tais frutos; 2) a Não precisamos pensar que Moisés, ao falar as pala-
negar a nós mesmos. Aquilo que amadurece primeiro vras recordadas em Deuteronômio 30, estava cons-
é o que mais apetecemos: "a minha alma deseja um cientemente apresentando também uma profecia de
figo temporão (Mq 7.1). Quando, pois. Deus ensi- Cristo, como fizera em Deuteronômio 18.15-22. Mas
nou a Israel a reservar tais primicias para Ele, ensi- em Romanos 10, o apóstolo está aplicando a Cristo
nou a preferir honrar o seu nome mais a satisfazer esse trecho da Lei, e ele quer dizer: "Para nós. cris-
aos próprios apetites; 3) a dar a Deus do melhor que tãos. essas palavras do Deuteronômio significam:
t emos, como aqueles que crêem ser Ele o primeiro e Cristo. Cristo, vindo do alto. Cristo, ressuscitado
melhor dos seres. Esses que consagram os dias da dentre os mortos. Cristo, o objeto da fé de todo cren-
suja mocidade. o melhor das suas horas, ao serviço e te". Ou, em resumo, onde Moisés estava vendo so-
honra de Deus. trazem-lhe as primicias: e com tais mente a Lei, o apóstolo vê Cristo, em quem o propó-
ofertas Ele se agrada! "Lembro-me da beneficência sito da Lei é consumado.
da tua mocidade" (Jr 2.2).
Capitulo 31
Capítulos 27 e 28 Moisés nomeia Josué seu sucessor. Primeiramen-
Bênçãos e maldições. Clara e detalhadamente te Moisés anima o povo (v. 6) porque, embora ele
Deus revela a felicidade que acompanha uma vida não o conduzisse ã Terra Prometida, contudo Deus
de obediência, e as tristes conseqüências da desobe- estaria sempre com esse povo (v. 5).
diência à voz divina. Depois ele anima Josué, seu sucessor, que, apesar
Notemos as condições de receber a bênção divi- de ser um general experimentado, havia de sentir a
na: sua dependência de Deus e ser encorajado com Ele.
1) Ouvir atentamente a voz de Jeová (28.1). Sua comissão foi pública, "à vista de todo o Is-
2) Observar e fazer, andando nos caminhos de rael" (v. 7), para que todo o povo tivesse confiança na
Deus (28.9). sua liderança.
3) Não se desviar de nenhuma das suas palavras Moisés assegura a Josué a promessa da presença
(28.14). divina (v. 8). Não convém tentar qualquer empreen-
As características da bênção divina eram: dimento sem a convicção de que Deus estará conos-
1) Uma vida tranqüila e abençoada em qualquer co, fortalecendo-nos. r
parte, na cidade ou no campo (28.3). Capitulo 32
2) Família abundante (28.4).
3) Abundância de bens materiais (28.11). O cântico de Moisés. Traduzimos de "The Nu-
4) Bom êxito nos trabalhos manuais (28.8). merical Bible" uma análise do cântico:
5) Honra entre as nações vizinhas (28.1). w . de 1-4 A fidelidade e a majestade de Deus.
6) Vitoria nas guerras (28.7). 5-7 - A perversidade do seu povo.
De tudo isto aprendemos que a piedade é o me- 8-14 Como Deus estimara seu povo.
lhor amigo da prosperidade. Embora bênçãos mate- 15-18 - A apostasia do povo.
riais não ocupem tanto lugar no ensino do N. T., 19-33 - Como Deus havia de recompensar esta
basta-nos que o Senhor tenha dito que. se buscarmos apostasia.
primeiro o reino de Deus e a sua justiça, todas estas 34-43- A disciplina - e, afinal, a expiação (v. 43).
coisas (materiais e necessárias) nos serão acrescenta- Proposta emenda de tradução (v. 17): "novos
das ( M t 6-33) (Mattheu Henry). deuses que vêm da vizinhança" (R. 223).
Capítulos 29 e 30 Capítulo 33
A aliança confirmada, e diversos regulamentos. Moisés abençoa Israel
Notemos o constante perigo de o povo cair na idola- w . de 1-5 - Deus, o Guia do seu povo.
tria (29.18) e os contínuos avisos contra isso. Que sig- 6-11 - A salvação de Israel é dele.
nifica este ensino para nós hoje? Certamente de es- 12-7 - Seu quinhão é a presença dele.
perarmos em Deus e não em qualquer outro recurso 18-19 - A extensão da bênção aos gentios.
sobrenatural, tal como o espiritismo. Deus é a sufi- 20-25 - Conseqüências do governo de Deus.
ciência do seu povo, por isso não precisamos recorrer 26-29 - A vitória da divina bondade.
aos defuntos, que. aliás, nada podem fazer. Proposta emenda de tradução (v. 25): "De ferro e
Há pessoas ainda hoje que confiam em mascotes, de bronze sejam os teus ferrolhos. Com o decorrer
em imagens de santos, etc., em vez de esperar unica- dos teus dias virá a tranqüilidade" (R. 230).
mente em Deus. No versículo 2 devemos íer: "santos anjos".
Notemos outra vez em 30.6 a circuncisào do cora-
ção. não somente dos pais mas de seus filhos tam- Capítulo 34
bém.
A grande escolha de 30.19 vem a ser proposta ain- .4 morte de Moisés. Moisés faleceu bem velho -
da hoje a cada indivíduo, de uma forma ou de outra. 120 anos mas morreu em todo o seu vigor físico:

78
Tkutennômio

"nào se lhe escureceu a vista, nem se lhe fugiu o vi- Dt 4.24 - "Jeová, um fogo consumidor" (Hb
gor" (v. 7). Para subir a um alto monte com essa ida- 12.29).
de havia de precisar de bastante força física. Dt 6.4.5 - "Ouve. 6 Israel" (Mt 22.37.38: Lc
Morreu na montanha, mas foi sepultado no vale 10.27).
(v. 6) e parece-nos que Deus o sepultou. Dt 10.17 - "Que não faz acepção de pessoas" (At
Já se vê, não havemos de pensar que ele escreves- 10.34: Rm 2.11; G1 2.6; Ef 6.9; Cl 3.25; 1 Pe 1.17).
se o relatório da sua morte, nem que ele mesmo se Dt 18.15 - Um profeta semelhante a Moisés" (At
chamasse "mais humilde do que todos os homens 3/22; 7.37).
que havia sobre a face da terra" (Nm 12.3). "Moisés Dt 30.11 a 14 - "O mandamento não está longe de
escreveu" (Mc 12.19) e por isso "Moisés é lido" (2 Co ti" (Rm 10.6 a 8).
3.15), mas precisamente quando ele escreveu, a Dt 31.6 a 8 - "Não te deixará nem te abandona-
Bíblia nào declara: e não convém sabermos mais que rá" (Js 1.5; Hb 13.5).
a Bíblia. Compare-se também:
Há unia alusão a Moisés em Judas 9: "Mas quan- 4.35 com Mc 12.32.
do Miguel, o arcanjo, discutia com o Diabo, alter- 17.6 a 19.15 com Mt 18.16, 2 Co 13.1, e Hb 10.28.
cando sobre o corpo de Moisés, não ousou fulminar- 21.23 com G1 3.13.
lhe sentença de blasfemo, mas disse: o Senhor te re- 24.1 com Mt 5.31 e 19.7.
preenda!" Tem sido sugerido que Satanás, tendo o 25.4 com 1 Co 9.9 e 1 Tm 5.18.
poder da morte, ressentiu-se que o corpo de Moisés 27.26 com G1 3.10.
fosse levantado, para estar com o Senhor no monte 29.4 com Rm 11.8.
da transfiguração ((ítxidman). 29.18 com Hb 12.15.
30.4 com Mt 24.31.
REFERÊNCIAS AO D E U T E R O N Ô M I O NO 32.31 com Rm 10.19 e 1 Co 10.22.
NOVO T E S T A M E N T O 32.35,36 com Hb 10.30.
São muito numerosas as citações que se fazem 32.43 ( L X X ) com Hb 1.6 e Rm 15.10.
deste livro. As respostas de Jesus ao Tentador no de-
serto são todas daqui tiradas, acompanhando a fór- O número e o caráter destas citações mostram a
mula: "Está escrito". consideração em que este livro era tido por -Jesus
Outras passagens importantes: Cristo e pelos escritores do Novo Testamento (.An-
Dt 13.1 - "Ele te leva como um filho" (At 13.18). gus).

79
fosué

osué recorda a consumação do res- tes. Depois da divina escolha, da libertação, do cul-
gate de Israel do Egito, pois a reden- to, do governo e do amor, vem o divino descanso.
ção tem duas partes: "externa" e Este livro, junto com o Pentateuco (cinco livros),
"interna" (Dt 6.23). A frase-chave forma o Hexateuco (seis livros). Ê inesgotável na sua
do livro é "Moisés, meu servo, é riqueza de ensino, e não podemos fazer mais do que
(Js 1.2). A Lei, da qual Moisés é o represen- abrir i porta da tesouraria. Note-se primeiro que
jamais poderia dar a vitória a um povo peca- Moisés, Aarão, e Miriã todos morreram antes de Is-
(Rm 6.14; 8.24; Hb 7.19). rael atravessar o Jordão; eles representavam a Lei, o
Sacerdócio e a Profecia, que não nos podem introdu-
5m sentido espiritual, "Josué" é o "Efésios" do zir no descanso de Deus, mas que precisam ser cum-
V. T . Os "lugares celestiais" de Efésios para o cris- pridos antes de podermos entrar. Moisés passara, e
tão correspondem à Terra Prometida para Israel - sua exortação a "tomar posse" em Deuteronômio
um lugar de conflito, e, por isso, não um tipo do Céu, vem a ser a realização da posse em Josué. O novo Ca-
mas um lugar de bênção e poder divino (Js 21.43-45; pitão fora apontado por Deus (Njn 27.18; Dt 34.9) e
Ef 1.3). plenamente reconhecido pelo povo (Js 1.16-18). Moi-
A forma de governo continua a ser a teocrática: sés tipificava Cristo libertando-nos da escravatura.
Josué sucedeu a Moisés, sob a direção de De\is. Josué o tipifica introduzindo-nos no descanso.
O livro tem quatro divisões: 1) A conquista (caps. Os livros equivalentes no N. T . são Atos e Efé-
1 a 12). 2) A divisão da herança (caps. 13 a 21). 3) O sios, que devem ser lidos conjuntamente. A palavra
começo de contenda (cap. 22). 4) Ültimos conselhos de exortação que ressoa para nós em todos os capítu-
e morte de Josué (caps. 23 e 24) (Scofield). los é Preparai! - Passai! - Possuí! - e podemos en-
tender o ensino do Livro somente mediante a obe-
A N A L I S E DE JOSUÉ diência.
Há certas feições que se destacam mui evidente-
1. Entrando na Terra (cap. 1 a 5.12). mente aqui, e que devem ser observadas. São a pala-
1.1. Preparação do povo (1 a 3.13). vra, a fé, a coragem, e o descanso, na sua relação
1.2. Passagem do povo (3.14 a 4.24). com a vitória.
1.3. Purificação do povo (5.1-12). 1. A palavra, a base da vitória (1.8; SI 1.2,3; Tg
1.25).
2. Vencendo a Terra (5.13 a 12.24).
2. A fé, a confiança na vitória (1.6; 1 Jo 5.4, etc.).
2.1. A Campanha do Centro (5.13 a 9.27). 3. A coragem, a força para a vitória (1.7,8; At
2.2. A Campanha do Sul (10.1-43). 4.13,29,31).
2.3. A Campanha do Norte (11.1 a 12.24).
4. 0 descanso, o resultado da vitória (21.43-45;
3. Possuindo a Terra (cape. 13 a 24). Hb 4.1-11).
3.1. A divisão da Terra (capa. 13 a 19). Se a Palavra de Deus não é o que diz ser, então
3.2. As cidades dos levitas (caps. 20,21). não podemos nela confiar, e onde não há fé não há
3.3. Últimos atos e palavras de Josué (caps. 22 a coragem, e sem coragem não há vitória, e sem vitória
24) (Scroggie) não há descanso. Tudo depende do lugar e poder que
se atribui à Palavra de Deus no coração e na vida.
A M E N S A G E M DE JOSUÉ Vamos agora nos colocar em algum lugar alto, e
tomar uma vista compreensiva desta boa terra (de
Continua-se aqui a história dos livros preceden- verdade), que se nos descreve em Josué.
A

81
ENTRANDO. VENCENDO. TOMANDO POSSE 1) Havemos de começar reconhecendo o capitão
do exército de Jeová (5.13-15), e prostrando-nos aos
1. E N T R A N D O (caps. 1 a 5). seus pés, porque nós somos de todo incapazes de fa-
zer o que é preciso, mas Ele pode (10.14).
Primeiro precisamos reconhecer que: 2) Devemos reconhecer, por uma inteligente e
a) Há uma terra para nela entrarmos (1.2; 18.3). profunda convicção, que todos os nossos inimigos
b) Recebemos ordem para entrar (1.2). nos estão entregues, antes mesmo de darmos qual-
c) Para todos os que entram, a vitoria é prometi- quer golpe: "Eu vos tenho dado" (6.2; 8.1,2; 10.8,19;
da, sob certas condições (1.5,8,9; 3.10). 11.6). Nada que possamos fazer fará a vitória mais
Convém notar dez condições de entrada: completa, mas o que fazemos poderá anular a vitó-
1) Nosso esforço náo nos levará para a terra da ria.
bem-aventurança, porque o entrar é dádiva de Deus, 3) Outrossim, havemos de vencer os inimigos,
e náo pode ser merecido (1.3.6,11,13.15; 2.14). não de acordo com nossa sabedoria, mas de acordo
2) Tem de ser apropriado individualmente e des- com as instruções do nosso chefe, embora nos pare-
frutado por um ato de fé. Isto. já se vê. não se refere ã çam insuficientes ou loucas (6.1-16; 7.2-5) e, ás ve-
nossa relação com Deus. mas ao nosso andar comEle zes. não exista relação alguma entre o meio e o resul-
(1.3). tado, como no capitulo 6
3) Esta fé precisa ser baseada sobre a vontade re- 4) Quando vencemos, não havemos de tomar a
velada de Deus que se nos dá na sua Palavra, e que glória para nós (6.17-19,24; 7.1). Os despojos perten-
deve ser sempre a regra das nossas vidas (1.8). cem a Deus, náo a nós, e se nós os tomamos, isto re-
4) Esta divina revelaçáo podemos conhecer so- sulta em perda de poder e no desagrado do Senhor.
mente mediante a obediência, e essa obediência 5) Havendo pecado, precisa ser julgado imediata-
deve ser alegre, imediata e completa (1.8; 3.9: Jo mente (7.6-26), senão seremos fracos perante nossos
13.17). inimigos.
5) Cristo, que é o assunto desta revelação, e que é 6) Contra qualquer adversário havemos de reunir
tipificado pela Arca do Concerto, precisa ser seguido todo o nosso esforço espiritual (8.1).
inteiramente, e assim descobriremos que sua presen- 7) Devemos empregar, em nosso conflito espiri-
ça e poder são mais que suficientes (3.3-17; 4.5-18). tual. habilidade santificada (8.3-29).
6) Isto significará que tudo que não é do agrado 8) Cada vitória deve ser a ocasião de um sacrifí-
dele, não somente o pecado positivo, mas toda coisa cio de louvor a Deus (8.30,31).
duvidosa tem de ser abandonada, para perder o seu 9) Precisamos ter todo cuidado de náo fazer qual-
atrativo e poder sobre nós (3.5; Hb 12.1). quer aliança com os nossos inimigos (9.3-27; 10.23-
7) Descendo ao Jordão, o lugar de sepultura, e 28.30,40, etc.)
saindo dali em novidade de vida, temo-nos reconhe- 10) Por toda a vida devemos levantar monumen-
cido como mortos pelo corpo de Cristo e vivos na sua tos de vitória para o louvor e glória de Deus (12.7-
ressurreição, com não somente uma nova vida, mas 24). As coisas que devemos combater são o mau gê-
com um novo poder para novos fins (1.2; 3.8.13,15). nio. os ciúmes, a impaciência, a inveja, o egoísmo, a
8) Esta experiência precisa ser definida, comple- amargura, etc. Os segredos da vitória estão em Sal-
ta. final. É um ato e uma crise - atravessar o Jordão mos 44.1-3; 78.55; Hebreus 11.30.
(3.11.14.16,17; 4.1,3.5,7,8.10.11,12,13,19,22,23; 5.1).
9) O propósito da aventura é o conflito (4.13). As
dificuldades não se acabam no Jordão, mas ali fica- 3. T O M A N D O POSSE (caps. 13 a 24).
mos acima delas, e não somos nem precisamos ser
esmagados por elas. (Veja-se 2 Corintios 10.3-5; Elé- É bom notar a diferença entre "herança" e "pos-
sios 6.10-20.) se". A herança é toda a terra, a livre dádiva de Deus
10) O lugar do nosso primeiro descanso na nora a Israel, e a posse significa precisamente aquilo de
vida é Gilgal. onde os israelitas foram circuncidados que nos apropriamos pela fé. A herança diz "toda a
(Js 5.2-10), isto é, onde toda a contaminação do co- terra vos tenho dado". A posse diz "todo o lugar que
ração e espírito é reprovada. (Veja-se Deuteronômio pisares será vosso" (Dt 11.24). Os limites da herança
10.16; Romanos 2.25-29; Fílipenses 3.3; 2 Corintios de Israel eram indicados pela promessa de Deus; os
da sua posse, pelas conquistas que realizou. Cristo é
7.1.)
para nós, na experiência, aquilo que nossa fé abraça
Estas são as condições marcadas por Deus. e o nele. Notemos aqui também dez fatos:
caminho para a plenitude de bênção. Entremos ou-
sadamente, e por nossa fé podemos meter medo no 1) Nunca nos apropriamos tão completamente
coração do inimigo. que não fique mais nada para conquistar (13.1).
2) Embora toda a terra pertencesse a Israel como
2 V E N C E N D O (caps. 6 a 12). nação, cada tribo tinha seus limites. Participamos
das bênçãos divinas somente de acordo com a nossa
A conquista de Josué é progressiva, como toda a capacidade espiritual. Mas a bênção aumenta a ca-
conquista há de ser, embora algumas batalhas sejam pacidade e a capacidade aumentada lança mão de
muito mais importantes que outras, como, por novas bênçãos.
exemplo, essa de Jerico. Ocupa-se primeiro o vale do 3) Quem "persevera em seguir ao Senhor" tem
Jordão (caps. 6 a 8); depois a Judéia e Samaria para sua posse o lugar alto (14.12,13,14). "Este mon-
(caps. 9 e 10), e finalmente a Galiléia (caps. 11,12), te Hebrom" significa comunhão (Gn 13.18).
vencendo, assim, essas partes da Terra. 4) O nosso "Josué", que nos conduz á terra, dá-
Será bom conhecer algumas das condições e se- nos nosso quinhão nela, e somente Ele pode manter-
gredos da vitória continuada, e mais uma vez damos nos ali (23.4). Notemos os nomes: Jehoshua, Josué.
dez: Oshea, Jesus.

82
Josué

5) Toma-se posse somente mediante a conquista. princípio anunciado abertamente pelo profeta mais
Quem já alcançou deve ajudar os outros a obter. As tarde (Jr 18.7,8), podiam ter escapado da sua sorte
duas tribos e meia haviam de fazer isso (Nm 32; caso se tivessem arrependido e voltado para Deus
Js 1.1-15; cap. 13). Obtemos a bênçáo principalmen- como fez Raabe. Esta história é um evangelho de fa-
te para partilhar com os outros. tos antes que pudesse haver um evangelho de pala-
6) Não é pela subjugação, mas pela expulsão que vras".
a plenitude de bênção é conhecida; e porque Israel Raabe esconde os espias, identificando-se, assim,
não expeliu o inimigo totalmente, náo tomou posse apesar do perigo, com o povo de Deus. Suas obras
inteiramente. justificam-na como uma crente; mostram, pelo seu
7) Na Terra providencia-se para o caso de pecado caráter, que ela possuía fé, e isso é o que Tiago afir-
involuntário. As cidades de refúgio sáo uma figura ma. As obras não a justificam diante de Deus. que é
de Cristo como nossa segurança (cap. 20; SI 19.12- a coisa que Paulo nega absolutamente no caso de
13; 1 Jo 1.7). Abraão (Rm 4.2). A meretriz Raabe não tinha ne-
8) Desinteligências aparecerão entre o povo de nhuma justiça em que confiar, nenhum caráter mo-
Deus na Terra (cap. 22), mas podemos resolvê-las na ral para recomendá-la a Deus, mas tinha a fé de uma
presença do nosso sumo sacerdote - Cristo. pobre pecadora que confia na misericórdia divina.
9) Não estamos isentos de perigo, mesmo na terra
de descanso, como o livro de Juizes demonstra, por
isso devemos "cuidar diligentemente" (23.11). Capítulo 3
10) Deus nunca desaponta os que confiam nele
(21.43-45; 23.14; 24.1-15). A passagem do Jordão. Duas vezes Israel passou
milagrosamente pelas águas: primeiro no mar Ver-
Capitulo 1 melho, quando fugia do poder do inimigo; depois no
Jordão, quando queria tomar posse de novas bên-
Josué escolhido para chefe. Notemos: promessa çãos, apesar dos inimigos na terra. Alguma coisa pa-
(1-5); encorajamento (6,7); instrução (8.9). recida pode dar-se na história espiritual de todo o
As palavras "Depois da morte de Moisés", logo crente. Para ver-se livre do poder do inimigo da sua
no começo, têm um valor típico: Moisés o mediador alma. ele não conta apenas com as próprias forças
da Lei, não podia conduzir o povo à terra prometida. para ganhar a vitória. Conta com o Senhor Jesus
Assim a Lei não pode conduzir-nos às bênçãos do Cristo, o Capitão da sua salvação, e com o poder mi-
Evangelho... Todos os nossos esforços para guardar lagroso de Deus que é capaz de lhe abrir um caminho
os mandamentos de Deus e achar as bênçãos não seguro através das dificuldades insuperáveis. Tam-
bastam: precisamos ser achados "em Cristo", e so- bém para entrar no gozo de todas as suas bênçãos es-
mente nele podemos, pela fé e paciência, herdá-las pirituais, ele conta com Deus para lhe abrir o cami-
(Hb 6.12). nho, e fortalecê-lo para o conflito.
Josué é um tipo do Senhor ressurgido, que leva
seu povo ao pleno gozo de sua salvação. O nome Jo-
sué significa o mesmo que Jesus: "Jeová, um Salva- Capítulo 4
dor" (Scroggie).
A herança fora dada, mas era necessário tomar Os dois memoriais. "As doze pedras tiradas do
posse. Toda a terra do Mediterrâneo ao rio Eufrates -Jordão e erigidas em Gilgal, e as doze pedras deixa-
foi dada a Israel, mas nunca tomaram posse de tudo. das no Jordão para serem cobertas pelas águas sáo
Era preciso haver coragem e resolução para to- memoriais assinalando a distinção entre a morte de
mar posse de tudo quanto fora dado (v. 7). Cristo sob o julgamento divino em lugar do crente
Meditação diária na santa lei de Deus era o se- (SI 42.7. 88.7; Jo 12.31-33). e a perfeita libertação do
gredo da vitória (v.8). crente desse juízo. As pedras no Jordão referem-se.
tipicamente, ao Salmo 22.1-8" (Scofield).
Capítulo 2 " A recordação das misericórdias de Deus é um
assunto da máxima importância para a fé. Perdemos
Fé e obras: Raabe. Raabe é um nome muito hon- o proveito daquilo que esquecemos. As verdades fi-
rado na Bíblia. Ela é referida três vezes no N. T.: em cam sem valor devido ao esquecimento: se lembra-
Hebreus 11.31 como ilustração de uma pessoa salva das, teriam imenso valor nas nossas vidas.
pela fé; em Tiago 2.25 como ilustração da justifica- "Para ajudar a memória. Deus se tem servido de
ção pelas obras; e em Mateus 1.5, na genealogia do três meios:
Senhor Jesus. 1) Erigir memoriais (v. 7). 2) Ensinar os fJhos (v.
A sua fé é manifestada neste capitulo pelo seu te- 6). 3) Relatórios escritos, para serem constantemen-
mor (v. 11); pela sua confissão do verdadeiro Deus te lidos e meditados.
(v. 11) e pelo seu pedido de misericórdia (v. 12), por " A s doze pedras, como a maioria dos memoriais
ela ter recebido os espias amigavelmente (Hb 11.31). dados por Deus, têm um sentido típico. Doze pedras
Mas a fé em Raabe foi uma fé que operou. Note- foram postas no leito do Jordáo no lugar onde parara
mos que o que ela fez não era uma boa obra segundo a arca (v. 9), e doze pedras foram tiradas do Jordáo e
a lei do seu pais. Era contra a lei trair a cidade e aga- levadas para a Terra Prometida. Pela fé, somos asso-
salhar espias. Não era uma obra meritória, mas uma ciados com Cristo, de maneira que "fomos sepulta-
obra de fé, isto é, um ato ditado somente pela fé que dos com ele pelo batismo" (Rm 6.4), mas, como as
ela possuía no meio de salvação indicado para ela e pedras levadas para a Terra, somos ressurgidos com
sua família. Ele. para que andemos em novidade de vida. na se-
Diz F. W. Grant: " A história de Raabe mostra melhança da sua ressurreição (Rm 6.4,5)" (Good-
que até os condenados cananitas, segundo um man).

83
jmi

Capitulo 5 ser proferida, nenhum grito de vitória, até o momen-


to marcado.
A circuncisão dos israelitas (1-9). " A circuncisão 4) O triunfo era da fé, isto é. completa submissão
simboliza o julgamento da carne, a reprovação dela e absoluta confiança no invisível Capitão do exército
como pregada na cruz de Cristo (Gn 17; Fp 3.3; Cl do Senhor.
2.11, etc.)" (Grant). Depois:
"Poder para a mortificação da carne - poder para 1) Toda iniqüidade havia de ser destruída (v. 21).
guardá-la no lugar de morte onde pertence - não 2) A cidade fica sob maldição (v. 26).
pode ser mantido meramente pelo gozo de salvação, 3) Raabe está salva (22).
de libertação do Egito. Ê preciso haver entrada na O versículo 26 é uma profecia, que se cumpriu em
terra, a apropriação de um quinhão celestial, o gozo 1 Reis 16.34" (Goodman).
que fica além desse mundo sujeito á morte, pelo qual
passamos" (Grant). Capitulo 7
"Cessa o maná (v. 12) depois que os israelitas co-
meram do produto da terra". "O maná cessa um dia Israel derrotado, e por quê? As lições deste capi-
depois da Páscoa, e então comem do trigo da terra tulo são:
para onde vieram. Isto também, já se vê. é uma figu- 1) Quando há uma derrota, deve haver uma in-
ra de Cristo, pois Ele é todo o sustento da alma; não vestigação. Isto é necessário na vida individual como
é. porém mais como o pão do Céu, mas Cristo na sua na nacional.
humilhação descido do Céu. A Terra Prometida era 2) A desobediência traz derrota na vida cristã.
um tipo do Céu, e o povo come o produto da terra - 3) Um pecador traz o fracasso ao acampamento
um Cristo celestial. É nosso privilégio conhecé-lo todo (v. 11).
não somente cor. .:' descido para este mundo, mas su- 4) A desobediência precisa ser julgada cabalmen-
bido para onde estava antes. Mas Ele é a mesma te (v. 15).
pessoa bendita qu- as circunstâncias não podem al- 5) O Senhor ajuda na descoberta do mal.
terar. Se Ele fosse uterente agora daquele que temos Vamos agora estudar:
visto revelado ao mundo, não o poderiamos conhe- 1) A investigação (vv. 17,18). Imaginemos a ago-
cer, pois nosso conhecimento dele vem da sua vida nia do homem quando a indagação ia-se aproximan-
terrestre. E isto é o que o maná levado para Canaã - do dele.
'maná escondido' - significa para nós" (Grant). 2) O apelo de Josué (v. 19). Positivo, urgente,
O Capitão do Exército (vv. 14,15). Esta notável simpático.
figura é certamente "o Capitão da nossa salvação". 3) A confissão de Acà (21). Vi, cobicei, tomei, es-
Sem dúvida temos aqui uma das manifestações de condi.
Cristo no Velho Testamento, geralmente com o titu- 4) A inclusão de sua família (24) sugere que toma-
lo "o Anjo do Senhor" aparecendo, a começar com ram parte no furto, e que o pecado que envolve a
Gênesis 16.7 e 21.17 e depois a Abraão, Moisés. Gi- morte de muitos arrasta outros para seu castigo.
deáo, Manoá, Davi (?). Elias e a outros santos do Mas no "Christian 's Armoury" pág. 505 entende-
V.T. se que a família não foi destruída, e o versículo 25 é
"Notemos as características: 1) É um homem (v. traduzido: "Todo o Israel o apedrejou \a Acaj e quei-
13), mas, 2) aceita a adoração devida a Deus (v. 15). maram (os seus òens] e os apedrejaram ", isto é, os
3) Seu ofício é o mesmo atribuído ao Messias - bens que não podiam destruir com fogo. "Levanta-
Guia e Capitão do povo. 4) Ele imediatamente as- ram sobre ele [A cá] um grande montão de pedras",
sume o comando supremo, e diz como a batalha há mas nào sobre sua família.
de ser" (Goodman).
Capitulo 8
É preciso notar que a entrevista com o anjo conti-
nua em 6.2.
A cidade de Ai é tomada e destruída. Sem dúvi-
da. os cananitas gloriavam-se. pensando que haviam
Capítulo 6 ganho uma vitória, porém não foram eles mas o pe-
cado que derrotara Israel. O fracasso de dentro é
"Jericó vencida. O resumo do sentido e a signifi- mais para temer do que um assalto pelo lado de fora.
cação desta vitória encontramos em Hebreus Por isso Deus torna a animar a Josué. O braço do Se-
11.30,31. A ênfase está nas palavras 'pela fé'. Essen- nhor nào estava enfraquecido.
cialmente, é uma lição da vitória da fé. Notemos que Ai nào havia de ser vencida mila-
Considerando o lado negativo. grosamente como Jericó. Os milagres não são para
1) Não foi por sabedoria humana - o plano de as- usa habitual. São sinais para reforçar a fé, mas a ver-
salto parecia uma loucura perante a ciência militar. dadeira fé não precisa de uma repetição de sinais
2) Não foi por uma energia camal. Em verdade o ( Goodman).
desejo de combater havia de ser restringido. Depois da vitória ( w . 24-35). A cidade de Ai foi
3) Nào foi depois de uma longa luta ou sítio. A vi- totalmente destruída e reduzida a ruínas ( w . 26-28).
tória foi dada num momento. A lição para nós é que Deus deseja um completo fim
Pelo lado positivo aprendemos que: ao pecado nas nossas vidas. Nada do mal deve ser
1) A vitória foi dada aos fracos, sem o emprego de poupado. Por isso Cristo morreu, para que destruísse
armas militares. para nós e em nós as obras do Diabo (1 Jo 3.8). De-
2) A arca de Deus, símbolo da sua presença entre pois vemos:
o seu povo, garantiu a vitória. Um altar construído (v. 30). A hora de triunfo
3) A obediência era essencial (v. 10). Durante torna-se a hora de culto. Fizeram uma cópia da Lei,
toda a marcha silenciosa, nenhuma palavra podia de acordo com o ensino de Deuteronômio 11.29. e

84
Josué

27.12,13. "Esta pausa no progresso da vitória é ins- e contudo contém um dispositivo secreto mediante o
trutiva. Serviu para reabilitar o povo no temor de qual posso fazê-lo andar para trás. E quem sabe
Deus e da sua Lei. Nunca devemos permitir que nos- quais sào os poderes naturais ainda não descober-
so conflito ou nosso serviço nos leve a esquecer de tos?" O assunto está largamente estudado no "Con-
Deus e da sua palavra" (Goodman). sultório Espiritual" pág. 78.
O restante do capitulo relata ainda mais vitórias
Capitulo 9 de Josué, até que ele "feriu toda a terra... e a todos os
seus reis" (v. 40).
Cilada dos Gibeonitas. Notemos que eles:
1) Fingem propósitos pacíficos, oferecendo alian-
ça. Aqui havia o perigo de uma desobediência positi- Capitulos 11 e 12
va (Dt 7.4).
2) Fingem submissão: "Nós somos teus servos". Outras vitórias de Josué. Ao ler de tanta matan-
Toda a tirania eclesiástica no mundo começou com a ça de povos e reis, havemos de constantemente nos
oferta de serviço. lembrar que tudo isto foi castigo divino por causa da
3) Fingem piedade: ".suo vindos teus servos por iniqüidade do povo (Gn 15.16; Lv 18.25,28, etc.) E
causa do nome de Jeová teu Deus" (v. 9). Há muitos assim aconteceu que as crianças inocentes sofreram
enganadores hoje que usam a capa de religião. pelos pecados dos pais, como sucede ainda hoje,
" O erro de Israel foi que 'náo pediu conselho á quando, por exemplo, uma criança nasce sifilítica.
boca de Jeiná'. É perigoso agir apressadamente e "Por muito tempo pelejou Josué..." (11.18). Ca-
chegar a uma decisão sem ter tempo para orar e es- lebe tinha 40 anos quando foi espiar a terra e tinha
perar em Deus. George Müller foi consultado por um 85 no fim da guerra. Quase 39 destes anos foram pas-
homem que rçcebera a oferta de um negócio que prn- sados no deserto, e assim ficaram 6 ou 7 para as guer-
metia grandes lucros. 'Preciso dar uma resposta den- ras de Josué ( T ) .
tro de uma hora", disse o homem. O sr. Müller res-
pondeu: "então a resposta é Náo'. Pois aquilo que
náo deixa tempo para a oração não pode estar certo" Capitulo 13
( Gtxtdman).
Os gibeonitas foram condenados, não tanto a ser- Terras ainda não conquistadas. Josué chegou a
viços pesados, mas a serviços humilhantes (23), Em ser velho sem ter tomado posse de tudo quanto Deus
vez de levar armas como homens, haviam de apa- lhe dera. Quando lemos "todas as coisas são vossas,
nhar lenha e carregar água como mulheres. seja Paulo ou Apoio, ou Cefas, ou o mundo, ou a vi-
Apesar de tudo. Deus. depois de muitos anos, do da, ou a morte, ou as corsas presentes, ou as futuras;
mal tirou o bem. Encontramos Ismaias o gibeonita tudo é vosso" (1 Co 3.21). porventura podemos dizer
entre os homens valentes de Davi (1 Cr 12.4), e Me- que temos tomado posse de tudo o que é nosso? A
latias e outros gibeonitas entre os edificadores dos prova de alguém ter tomado posse é que ele dá gra-
muros de Jerusalém nos tempos de Neemias (Ne 3.7; ças a Deus por isso.
7.25) e até um profeta. Azur, de Gibeom (Jr 28.1).

Capitulo 10 Capitulo 14

Gibeom é sitiada. A promessa feita sem oração .4 herança de Calebe. Ele era um dos dois espias
envolve Josué numa mudança de tática. A iniciativa que tiveram ânimo e fé 45 anos antes, e encorajaram
passa das suas mãos. Precisa desviar-se para prote- o povo a avançar e tomar posse da terra. Ele ainda
ger seu aliado. Mas Deus o sustentou, e houve uma está com o mesmo vigor de então (v. 11) e o mesmo
grande vitória. desejo de possuir a terra, apesar de haver ali "ana-
O sol e a lua detidos ( w . 12-15). "Deteve-se o sol quins" e cidades grandes e fortificadas. Com a idade
e pamu a lua". Os sábios têm escrito muito sobre de oitenta e cinco anos a maioria pensa somente em
este milagre, mas não vale a pena citar todas as suas descansar, mas Calebe ainda pensava em conquis-
explicações. Sem dúvida aconteceu um fenômeno tar. Josué deu-lhe Hebrom em herança (v. 13) e al-
extraordinário em resposta ao pedido de Josué. guns pensam que esse nome significa "comunhão
Como sucedeu, quase não vale a pena imaginar, ape- fraternal". Quase não podemos tomar posse de uma
sar de haver muitas idéias engenhosas a seu respeito. coisa melhor do que isso, no fim dos nossos dias.
A maneira mais provável é ter havido um aparente Notemos, no caso de Calebe, que:
afrouxamento no percurso do sol, e o fenômeno com 1) Recorda a promessa de Deus (v. 6) dada em
a lua teria sido mediante uma diminuição da rotação Deuteronômio 1.36.
da terra. Alguns, porém, imaginam que o fenômeno 2) Diz "perseverei em seguir a Jeová" (v. 8) e isso
fosse causado pela passagem de um cometa aquoso não é jactáncia, mas é o que Deus mesmo dissera
entre o sol e a terra, que podia ter refratado a luz so- dele (Dt 1.36).
lar. Mas pouco adianta imaginar possibilidades. Que 3) Ele está forte como nunca (v. 11). Uma ilustra-
houve alguma coisa de extraordinário sabemos, não ção da promessa "os que esperam em Jeová renova-
somente só pelo testemunho do escritor do livro de rão as suas forças; subirão com asas como águias;
Josué, mas até pelo livro que ele cita: O "livro de Ja- correrão e não se cansarão: andarão, e não desfalece-
sar". rão" (Is 40.31).
"Afirmar que o milagre era cientificamente im- 4) A sua coragem não tem diminuído (v. 12).
possível é presumir que compreendemos todos os re- Neste versículo temos a verdadeira linguagem da fé.
cursos da natureza: uma proposição absurda. Meu A linguagem de Paulo era: "Tudo posso naquele que
relógio de algibeira anda sempre no mesmo sentido, me fortalece" (Fp 4.13).

85
Josué

Capítulos 15 a 17 Capítulos 21 e 22

.4 herança de diversas tribos. Vemos que a filha A colocação das tribos restantes. As duas tribos e
de Calebe, Acsa, tinha o mesmo espírito e coragem meia agora voltam para os terrenos que tinham esco-
do pai, e náo se contentou com pouca coisa (15.16- lhido a leste do Jordáo, e em seguida fazem uma coi-
19). Sempre que a V. B. emprega a palavra "Negue- sa que desperta indignação e receio nos corações dos
be" Almeida traduz "o sul". israelitas a oeste do Jordão: "edificaram ali um altar
Nestes capítulos notemos especialmente o que Is- junto ao Jordão, um grandíssimo altar" (v. 10).
rael não conseguiu possuir, para ver se tem algum O resultado imediato disso foi quase uma guerra
sentido para nós. Judá náo pôde expelir os jebuseus civil, embora fosse feito com os melhores motivos.
que habitavam em Jerusalém (15.63) que era justa- Diz Matthew Henry: "Este altar foi designado mui
mente o ponto onde Deus tinha proposto "pôr o seu inocente e honestamente, mas teria sido bom. para
nome" (Dt 1'2). Isto não combina com Juizes 1.8 evitar a aparência do mal, se tivessem consultado os
onde lemos que Judá tomou Jerusalém e queimou-a. oráculos divinos primeiro, ou ao menos avisado seus
Contudo parece ter sido uma conquista incompleta, irmãos com respeito ao propósito, dando-lhes antes
segundo aprendemos de Juizes 1.21 e 2 Samuel 5.6. as mesmas explicações que deram depois. Seu zelo era
Os cananitas não foram expelidos de Gazer (16.10) e louvável, mas não era discreto. Náo era preciso ha-
os filhos de Manasses não puderam expelir os habi- ver pressa em edificar esse altar. Podiam ter tomado
tantes de Megido (17.12). tempo para considerar o caso e pedir conselho. Con-
"Disseram os filhos de José: As montanhas não tudo, quando a sua sinceridade ficou manifesta, não
nos bastam" (17.16); e nós depois de entrarmos no parece que foram censurados. Deus é capaz de tole-
gozo dos lugares elevados da experiência cristã no rar os erros de um zelo honesto".
meio dos crentes reunidos, podemos voltar para casa Entre as lições que o caso pode ter para nós hoje
e para as provações no meio de uma família descren- está a conveniência de agir em comunhão com os
te, e ser vitoriosos ali também? nossos irmãos em tudo que possa comprometer os in-
teresses coletivos. Antes de estabelecer mais uma
Capítulos 18 e 19 igreja local, com a Ceia do Senhor e outros serviços
coletivos, é bom pedir a cooperação e comunhão das
O tabernáculo levantado em Siló. O tabernáculo outras igrejas da vizinhança, para que o novo grupo
não seja argüido mais tarde de ter agido independen-
ficou em Siló desde os dias de Josué até os de Sa-
temente, sem reconhecer que constitui "um corpo"
muel, quando a arca foi para o cativeiro entre os fí- com os outros crentes em redor.
listeus, e nunca mais voltou a Siló.
Mas em Siló a primeira palavra é de censura: "a-
té quando sereis remissos em entrardes a possuir a Capítulo 23
terra ? " (18.3). Porventura nós também merecemos a
mesma censura? Josué, já velho, exorta o povo. Seu discurso tem
três divisões: 1) Retrospecto (1-4). 2) Conselho (5-
10). 3) Aviso (11-16).
Capitulo 20
D Retrospecto. Aqui ele atribui toda a vitória a
Deus. Fala de as promessas terem sido plenamente
As cidades de refúgio. Os fatos referentes a estas
cumpridas (v. 14).
cidades sáo os seguintes:
2) O conselho que ele dá é coragem (v. 6); obe-
1) Deveria haver seis, três de cada lado do Jor-
diência (v. 6); separação (v. 7); e, por último, mas de
dáo.
máxima importância: "uni-vos a Jeová vosso Deus"
2) Eram um refúgio para o homicida, mas náo
(v. 8). (Veja-se Atos 11.23.)
para o assassino.
3) No caso de o golpe ser resultado de ódio e dado 3) O aviso é contra o "voltar e unir-se ao restante
propositadamente, seria considerado como assassi- destas nações" (v. 13). Contra armadilhas, laços,
nato. açoites e espinhos (v. 13), com o perigo de "perecer
desta boa terra" (Goodman).
4) Se o matador era inocente do propósito de ma-
tar, ainda assim havia de ficar na cidade até a morte
do sumo sacerdote. Capitulo 24
5) As cidades eram cercadas de um alto muro,
com portas em cada extremidade, que podiam ser fe- Josué reúne o povo em Siquém e faz outro discur-
chadas para impedir a chegada do vingador. so. Vemos pelos versículos 14,15 que tinha havido
6) A entrada para a cidade havia de ser desempe- muita idolatria entre os israelitas, tanto no Egito
dida, para dar ao homicida toda a oportunidade como no deserto. Há alguma coisa patética no pro-
possível. testo do povo: "Nós, porém, havemos de servir a Jeo-
7) O refugiado arriscaria a vida se saísse da cida- vá" repetido três vezes (18,21 e 24). Sem dúvida
de em qualquer ocasião. eram sinceros.
No procurar o sentido da ordenança das cidades A morte de Josué (v. 29). Morreu de velhice, e
de refúgio é preciso haver prudência. Cristo é mais náo. apesar de ser guerreiro, na batalha. É notável
que uma cidade de refúgio. Ele é o que aquelas cida- que Lutero. nos tempos de tantos martírios (veja-se
des não eram: um refúgio para os culpados. Uma se- "História do Cristianismo"), faleceu tranqüilamente
melhança podemos descobrir: a cidade de refúgio na cama, na sua vila natal. "Israel serviu a Jeová to-
veio a ser a morada do homicida até a morte do sumo dos os dias de Josué". Ê extraordinário o que a devo-
sacerdote. Assim Cristo vem a ser a nossa morada es- ção e o exemplo de um só homem de Deus podem
piritual, e ele nunca mais morrerá (Is 32.2). conseguir.

86
Josué

Vemos também os ossos de José sepultados em AS PRINCIPAIS REFERÊNCIAS AO LIVRO DE


Siquém (v. 32) depois de terem sido levados pelos is- JOSUÉ N O NOVO T E S T A M E N T O :
raelitas em todas as suas peregrinações. Js 1.5 - Hb 13.5
Js 2 - T g 2.25
No versículo 19, em vez de "Não podeis servir ao Js 6.20 - Hb 11.30
Senhor", devemos ler "Não cesseis de servir ao Se- Js 6/23 - Hb 11.31
nhor" (R. 65). Js 14.1,2 - At 13.19
Js 24.32 - At 7.16 e Hb 11.22

87
juizes

ste livro toma seu nome 3.1.Em geral (caps. 3.7 a 16). Doze juizes.
dos treze homens levanta- 3.2.Em particular (cap. 17 a Rute). Três episó-
dos para libertar Israel dios.
durante a decadência e a 3.2.1.Mica e seus deuses (caps. 17 e 18).
desunião que se seguiram 3.2.2.Gibeá e Benjamim (caps. 19 a 21).
à morte le Josué. Mediante estes homens, Jeová 3.2.3.Noemi e Rute. O Livro de Rute.
continue seu governo pessoal de Israel. O versículo-
chave dí condiçâo de Israel é 17.6: "Cada qual fazia MENSAGEM DE JUlZES
o bem é lhe parecia".
Este é um dos mais importantes e um dos mais
Salientam-se dois fatos: o completo fracasso de tristes livros da Bíblia. Aqui achamos a proliferação
Israel e a persistente graça de Jeová. do pecado e a graça divina em constante ação; por
Na escolha dos juizes, são notórias as palavras de isso o pensamento-chave tem de ser "A divina mise-
Zacarias 4.6: "Não por força nem por poder, mas por ricórdia".
meu Espírito, diz Jeová", e as de Paulo em 1 Corin- O livro toma seu nome dos homens que guiaram
tíos 1.26, "não muitos sábios segundo a carne, nem Israel nesse tempo, e são chamados salvadores em
muitos poderosos, nem muitos nobres são chama- alguns lugares (3.9.15). Os juizes começaram real-
dos". mente com Moisés, e sua história estende-se de Jo-
O livro recorda sete apostasias. sete servidões, sué a Samuel, até o estabelecimento da monarquia.
sete nações pagãB e sete livramentos. O paralelo es- Houve três tipos principais de juizes, o juiz-
piritual se encontra na história da igreja professa guerreiro, como Gideão e Sansáo; o juiz-sacerdote,
como Eli; e o juiz-profeta, como Samuel. Os juizes
desde os apóstolos, no aparecimento de seitas e na
foram levantados por Deus para libertar o seu povo
perda da verdade sobre a unidade do corpo (1 Co através de um período de 400 anos (1 Rs 6.1). O livro
12.12,14). de Juizes é uma continuação da história de Josué.
Juizes divide-se em duas partes: Capítulos 1 a 16, Divide-se em três partes:
versículo-chave 2-18. Capítulos 17 a 21, versiculo-
chave 21.26 (Scofield). 1. Retrospectiva (olhando para trás).
2. Perspectiva (olhando para diante).
ANÁLISE DE JUIZES 3. Introspectiva (olhando para dentro).
Na primeira parte revisa-se a história do livro de
1. Retrospectiva: Olhando para trás (Caps. 1 a 2.10). Josué. Na segunda, olhamos para os séculos vindou-
2. Perspectiva: Olhando para diante (Caps. 2.11 a ros, e «temos amostras do seu caráter. O seguimento é
sempre o mesmo:
3 6)
Rebelião: "Os filhos de Israel fizeram mal à vista
2.1.Rebelião (2.11-13,17,19). de Jeová".
2.2.Retribuiçáo (2.14,15). Retribuição: "Acendeu-se a ira de Jeová contra
2.3.Arrependimento (2.18). Israel".
2.4.Descanso (2.16). Arrependimento: "Clamaram a Jeová".
(Nota-se a repetição do mesmo seguimento no Descanso: "Suscitou-lhes um salvador".
restante do Livro.) Esta parte refere-se a doze juizes (se omitirmos
3Jntrospectiva. Um olhar para dentro (Cap. 3.7 a Abimeleque), seis dos quais são apenas mencionados
Rute).

89
por nome - Elorn. Tola, Ajalom, Jair, Abdom, Ebsã e migos para tomar posse de toda a sua herança. Estão
Sangar; e seis cujo trabalho é relatado mais detalha- constantemente sob o domínio dos inimigos que
damente. Deus mandara destruir.
A terceira parte, "Introspectiva", ocupa a maior No castigo de Adôni-Bezeque pelo poder de Israel
porção do livro. Pelo lado humano, nada há senão vemos um notável exemplo de retribuição ( w . 6,7).
anarquia e apostasia; pelo lado divino, se vê ação, Foi levado a Jerusalém, onde morreu, e em seguida a
misericórdia e graça. Já temos encontrado antes a cidade foi tomada e queimada, segundo lemos no
graça libertadora de Deus, mas em Êxodo era liber- versículo 8. Segundo o versículo 21 e Josué 15.63, é
tação da escravatura e aqui é libertação da reinci- possível que a conquista do versículo 8 deva ser en-
dência. á qual há cinqüenta alusões no Livro. A raiz tendida num sentido parcial, incompleto. Josué (cap
do mal com Israel foi não expulsar o inimigo: subju- 10) tinha conquistado outro Adôni-Bezeque ("Se-
gaçáo não era bastante. Assim lemos 1.19-36 de nove nhor de Bezeque") rei de Jerusalém, e o tinha enfor-
nações inimigas que ficaram na terra, apesar das ins- cado. Talvez fosse o pai deste. Parece que a cidadela
truções positivas de Êxodo 23.27-33; 34.11-16; Nú- de Jerusalém só foi conquistada no tempo de Davi.
meros 33.51-56; Deuteronômio cap. 7; 9.1-5; 12.1-3; Os versículos 12 a 15 repetem o que temos lido em
20.16-18; cap. 31; Josué cap. 23. Josué 15.16-19. Ficamos em dúvida se a conquista de
Não é de estranhar que esta falta de obediência Hebrom foi antes da morte de Josué ou depois.
resultasse na retribuição recordada em 2.21 e 3.4. Terras não conquistadas. Nos versículos 21 a 36
Justamente os povos que pouparam haviam de ser temos uma triste lista de terras não conquistadas.
laços, açoites e espinhos para Israel (Js 23.13), para Ainda hoje ouvimos tanta gente que professa conhe-
sua humilhação e ensino. Nós, cristãos, haveremos cer Cristo como o Salvador, o libertador do pecado,
de ser. ou os vencedores ou os servos do pecado (Rm mas costuma dizer: "Tenha paciência, mas isso é
8.16). Notemos que a cena de todo este sofrimento é um vício que não posso largar", por isso podemos ver
a Terra Prometida, e não o Egito ou o deserto: um em Israel, no tempo dos juizes, um espelho que reve-
solene aviso para aqueles que pensam estar livres de la as nossas fraquezas. Quão bom é quando podemos
tentação quando desfrutam das bênçãos divinas. dizer: "Mas graças a Deus que nos dá a vitória, por
Quanto maior nosso conhecimento, quanto mais in- nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 15.57).
tenso o nosso zelo, tanto mais terrível nossa queda,
se concordarmos com o pecado. "Quem pensa estar Capítulo 2
em pé. cuide que não caia". É tristemente possível
que aqueles que gozam de uma vocação celestial vi- O anjo do Senhor repreende os israelitas. Depois
vam uma vida bastante terrena, apesar das abun- de ler a história de tanta pusilanimidade por parte
dantes bênçãos do Evangelho. Uma tal vida é sem- de Israel, não é de estranhar que agora ouçamos o
pre caracterizada por duas coisas que constantemen- anjo do Senhor reprovando o povo. Não seria nada
te aparecem neste Livro: condescendência com ini- impossível vermo-nos reprovados também, se não vi-
migo e conflito entre irmãos. Era somente em face de giarmos.
alguma grande calamidade que as tribos resolviam O restante do capítulo ( w . 6 a 23) vem a ser uma
agir de acordo. Todos os departamentos da sua vida espécie de resumo do livro todo, no seguinte sentido:
nacional estavam corrompidos - na esfera religiosa, 1) Enquanto vivia Josué e os anciãos que lhe
na familiar, na pública e na pessoal. Porventura não sobreviveram, as coisas iam bem ( w . 7-10).
se vê tudo isso no atual estado da Igreja de Deus? 2) Depois o povo abandonou a Jeová e serviu a
Sim. vê-se náo somente na sua falta de unidade, mas Baal e a Astarote (v.13).
no seu compromisso com o adversário? 3) Isto resultou em fracasso e derrota, e eles fica-
ram muito desanimados (v. 15).
A senda de restauração poderá ser penosa, mas 4) Contudo Deus levantava libertadores de vez
quando começa o juízo, deve começar com a Casa de em quando, que os salvaram dos seus inimigos, mas
Deus. Sempre que o povo de Israel era vencido, es- sempre por pouco tempo.
cravizado e esmagado pelo inimigo, suplicava a Deus Referente ao culto ao falso deus Baal, Grant diz:
na sua agonia, e era libertado. Essa libertação cor- " 'Baal' significa "marido' ou 'senhor' com a idéia de
responde a uma revivificaçào espiritual nos nossos propriedade. Um pássaro é um 'baal de asas' e um
dias, que precisa ser, como então, a conseqüência di- homem cabeludo 'um baal de cabelo". Não significa,
reta do clamor a Deus daqueles que sentem o poder portanto, um que governa, que é o sentido de 'adon*.
de Satanás operar. Este livro nos é dado para que Nem sempre tem um sentido mau: como 'marido'
ninguém desanime. Há remédio para a reincidência Deus emprega a palavra a respeito de si mesmo.
(Os 14) e há também, quando o arrependimento é 'Teu Criador é teu baal' (Is 54.5); 'embora eu fosse
sincero, perdão e amor divino. Os anos do cativeiro um baal para eles' (Jr 31.32). Contudo, Deus final-
de Israel não são contados no calendário divino da mente repudiou a palavra. Em Oséias Ele diz: 'Na-
sua história, porque os israelitas estavam fora do quele dia me chamarás Ishi, e nunca mais me cha-
círculo da vontade de Deus. Mas náo precisa haver mar ás Ba a li. pois da sua boca tirarei os nomes de
um cativeiro, nem para eles nem para nós (SI 78.55- Baal, e os seus nomes não serão mais mencionados'
64; 106.34-45; 1 Sm 12.6-25; 1 Co 15.33; Tg 4.4; 2 Pe (Os 2.16,17)'*.
2.20,21), pois em Deus há graça para guardar.
Notemos a decadência crescente: "Mas depois
que o juiz era morto, reincidiam e tornavam-se pio-
Capítulo 1 res do que seus pais. seguindo após outros deuses
para os servir e adorar" (2.19).
A vitória incompleta de Israel. O livro de Juizes é
talvez o mais triste na Bíblia. Relata uma história Capítulo 3
bem infeliz; porém com alguns incidentes brilhan-
tes. Relata o fracasso das tribos em subjugar os ini- Otniel, um salvador de Israel. Parece-nos Otniel

90
um vulto simpático. Filho de Quenaz, irmáo mais Inimigos Libertadores
moço de Calebe, tinha ele ilustre parentesco e a re- 1) O rei da Mesopotâmia (3.8) Otniel
cordação das façanhas do tio. Talvez em pequeno 2) Moabitas (3.12) Eúde
ouvira o tio Calebe contar as suas experiências quan- 3) Cananitas (4.2) Débora e Baraque
do explorava a Terra Prometida: tinha visto as suas 4) Midianitas (6.1) Gideão
proezas quando tomava posse da herança, e se tinha 5) Amonitas (10.7) Jefté
embebido do seu espirito guerreiro. 6) Filisteus (13.1) Sansão
Mas sobrevivia aos seus parentes ilustres, e che- O período incluído na história dos Juizes deve ser
garam tempos de desânimo e derrota. Israel, desvia- de uns 400 anos. Em 1 Reis 6.1 o período entre o Êxo-
do do verdadeiro Deus, estava escravizado pelo rei do e a construção do templo é dado como sendo de
da Mesopotâmia, e Otniel dedicou suas forças, sua 480 anos.
energia, sua coragem ao serviço desse povo decaden- Jabim, rei de Canaá, reinava em Hazor. Josué
te; e tudo fez por amor do Deus de Israel. matara outro rei deste nome (Js 11.1) e incendiara a
Tudo isto faz-nos pensar em tempos então futu- cidade, destruindo tudo. Evidentemente o inimigo
ros, quando, no auge da sua prosperidade material, derrotado tinha recuperado o poder, reedificado a ci-
com um povo unido atrás dele, Davi preparou mate- dade, e agora, sob outro rei do mesmo nome, oprimia
rial abundante para que houvesse em Jerusalém Israel por 20 anos.
uma Casa digna do Deus de Israel.
Débora, a profetisa, manda a Baraque uma men-
Mas não achamos em Davi nada parecido com sagem do Senhor, que ele receia executar sem que
Otniel. Antes vemos isso naquela pobre e ignota mu- ela o acompanhe (4.8). Nos dias da opressão, há pou-
lher, que, em tempos ainda mais futuros, havia de ca coragem ou fé. É uma das misérias do pecado que
dedicar tudo quanto tinha, não para construir o pri- os homens se acostumem com sua escravatura, e
meiro templo glorioso, mas, ao menos, para conser- percam a esperança da libertação. Contudo é Bara-
var o último templo em Jerusalém, poucos anos an- que e não Débora que aparece na lista dos heróis da
tes da sua final e completa destruição (Lc 21.1-4).
fé em Hebreus 11.32. Ele, pela fé. "fez-se poderoso
Decadente, sob o controle romano, quase abandona-
do por Deus, esse templo era para ela ainda a "Casa na guerra e pôs em fuga o exército dos estrangeiros".
de Deus" e o objeto de toda a sua solicitude. Jael mata Sísera (4.17-22). "Tem havido muitas
tentativas para justificar o ato de Jael, mas não pre-
Podemos descobrir um paralelo em nossos dias? cisamos fazer isso. Deus propusera que Sísera mor-
No tempo próprio, os apóstolos, r* |11 -v grandes ho- resse, e permitiu que a mulher executasse o juízo de-
mens de Deus, prepararam com imenso entusiasmo, terminado, como muitas vezes tem Ele permitido
os alicerces desse novo Templo que é a Igreja do que ações más cumpram a sua vontade. Não precisa-
Deus vivo, a qual nos seus primeiros dias, estava mos supor que Ele aprovasse, e muito menos que
unida, nova, entusiasmada com as glórias do Evan- louvasse a ação. Débora louva-a no seu cântico
gelho. Mas agora, uma grande parte do cristianismo (5.24), mas não lemos nenhuma palavra da divina
está decadente, dividida em inúmeras seitas, enve- permissão. Judas traiu o Senhor, e assim fora predi-
nenada com doutrinas erradas, muitas vezes numa to na Escritura, como também mãos malvadas cru-
luta fratricida, desviada do caminho da verdade e cificaram o Senhor, e lemos que era 'para fazerem
apostatando da "fé que uma vez foi entregue aos tudo o que a tua mão e o teu conselho predetermina-
santos". ram que se fizesse' (At 4.28), contudo, isso era iní-
Mas, por outro lado, a verdadeira Igreja, que é o quo, e foi severamente castigado.
verdadeiro cristianismo, sem se desviar do Caminho, " A lição de todo o capítulo é uma lição de fé e co-
prossegue seguindo a Cristo e se preparando para a ragem num dia mau, depois de longa escravidão sob
sua breve vinda. Ela pode ser chamada de ".4 igreja cruéis opressores".
do Deus vivo, coluna e firmeza da verdade". Proposta emenda de tradução (5.26): "estendeu
Eúde livra Israel da servidão de Eglom ( w . 12- devagar a sua mão à estaca" (R. 112).
30). Não podemos simpatizar com Eúde. apesar de
ele ter destruído o rei inimigo. Parece-nos um ho-
mem antipático e assassino. Capítulos 6 a 8
Ele era canhoto, e assim conseguiu enganar o rei
de Eglom. Nessa entrevista secreta, a desconfiança A história de Gideão. Três capítulos relatam as
do rei podia se ter desvanecido ao ver o homem com proezas deste homem valente, que libertou Israel dos
a mão direita vazia; mas não olhou para a esquerda, midianitas.
que, de repente, pegou na arma, e o matou. Em tempos de grande angústia e aperto (seme-
De Sangar (v. 31) sabemos bem pouco, salvo sua lhantes à situação de alguns povos hoje) Deus revela
façanha de matar 600 homens com a aguilhada de seu empenho pela salvação de Israel, mandando pri-
um boi. Não sabemos se ele julgou Israel, nem por meiro um profeta (6.8), e depois um anjo (v. 11). O
quanto tempo. serviço do profeta era recordar a Israel a sua desobe-
diência (v. 10); e o do anjo. encorajar Gideão na re-
sistência ao inimigo.
Capitulos 4 e 5 Notemos que o anjo é duas vezes chamado "Jeo-
vá" ( w . 16 e 23) e por isso os expositores entendem
Débora e Baraque. Nas suas "Notas Diárias" de que isso foi mais uma das manifestações de Cristo
1917, Geo. Goodman dá uma lista de seis inimigos nos tempos do Velho Testamento.
que invadiram a terra dos israelitas nos tempos dos Notemos os passos tomados por Gideão no cum-
juizes, e dos libertadores, a saber: primento da comissão divina:

91
D O altar de Baal há de ser derrubado, porque a não desprezar ninguém por motivo de ser seu nas-
Gideâo tem feito um altar a .íeová. e não pode haver cimento humilde ou vergonhoso.
dois: "Não podeis servir a dois senhores". Enxotado de casa pelos irmãos, filhos legítimos
2) Ele tem de enfrentar a ira do mundo (6.30). Os do pai, agregaram-se a ele "homens miseráveis", e
que estão resolvidos a servir a Deus sofrerão perse- saíam com ele como seu chefe. Um homem de cora-
guição. gem e caráter pode, às vezes, inspirar ânimo aos ou-
3) O Espírito do Senhor veio sobre Gideào. Ê so- tros, e guiá-los para grandes empresas.
mente quando o Espirito nos dominar que seremos Alguns expositores dizem que nào é certo ter sido
levados na senda da vitória. a màe de Jefté uma prostituta, pois a palavra pode
4) Logo que o Espírito o anima. Gideão anda co- ser traduzida "hospedeira". É provável ter ela sido
rajosamente, toca a trombeta. e reúne o povo. cananita, visto ser chamada "ishah achereth", mu-
5) O sinal do velo. "Isto ensina duas lições. Pelo lher de outra raça (v. 2) ( T ) .
velo molhado do orvalho, quando tudo em redor fi- Vemos como, na hora da necessidade, os anciãos
cou seco, Gideão aprendeu que ele podia estar cheio de Gileade reconheceram que Jefté tinha qualidade
do Espírito quando todos em redor dele estavam de- para ser "cabeça sobre todos os habitantes de Gilea-
sanimados e secos. A lição que se segue é mais humi- de ". Poucos são os que têm as qualidades de lideran-
lhante: que ele podia estar seco quem to tudo em re- ça. Deus discerniu no moço Davi as qualidades de
dor estava cheio do Espírito. um rei. e enviou Samuel para ungi-lo (1 Sm 16.1). E
Gente demais (7.2). "Para as batalhas do Senhor alguém na igreja local hoje pode ser mais apto do que
precisam-se homens de f é " . Por isso duas provas são qualquer outro para ser o superintendente de Escola
propostas para verificar a qualidade dos voluntários: Dominical ou presidir às reuniões da mocidade.
1) Primeiro coragem. Fé e medo não têm nada em O voto de Jefté ( w . 29-40). Notemos que a pala-
comum: que os medrosos voltem para casa: dois ter- vra traduzida por holocausto no versículo 31 não traz
ços se retiram. necessariamente a idéia de um sacrifício queimado.
2) Depois urgência. Alguns beberam descansada- O sentido literal é " o que sobe", e a "subida" pela
mente (7.5-7) e outros apressadamente, como ho- qual Salomão ia à casa de Jeová (1 Rs 10.5) é escrita
mens ansiosos por prosseguir. E bom ter uma fé que com a mesma palavra.
não receia, e ainda melhor é um espirito agressivo e "Quanto ao voto de Jefté, parece ter havido pres-
urgente. Tal era a fé do apóstolo Paulo (Fp 3.11-14). sa e fracasso nele, mas certamente não há idéia de
A lição da vitória é que um com Deus pode vencer sacrifício humano, como muitos tém imaginado. A
mil sem Ele (Dt 32.30 e Js 23.10). maioria dos comentadores recentes concorda nisto, e
Note-se que, no livro de Juizes, Deus se serve de crê que a filha de Jefté foi simplesmente dedicada a
instrumentos estranhos para conseguir seus propósi- Deus para viver uma vida de solteira, como os versí-
tos. Aqui temos trombetas, cântaros e archotes; em culos 37-39 demonstram. Não há nenhuma palavra
5.26 uma estaca; em 6.37 um velo; em 9.53 uma pe- de morte a seu respeito. As palavras de Jefté ao rei
dra de moinho; em 14.8 o cadáver de um leão e em de Amom mostram que ele conhecia a Lei, e pela Lei
15.16 a queixada de um jumento. tal oferta seria uma abominaçáo (Lv 18.21, etc.) O
É coisa triste ver Gideào, afinal, contribuindo, hebraico permite traduzir o versículo 31: "...será de
talvez inconscientemente, para a idolatria (8.24-27). Jeová, ou eu a oferecerei em holocausto" (Grant).
Proposta emenda de tradução (12.6): "dois mil e
Capítulo 9 quarenta" (J. 365).

O reino de Abimeleque. Há um ditado que diz: Capítulos 13 a 15


"Cada povo tem o governo que merece", e vemos Is-
rael, novamente idolatra, sob o domínio de Abimele- A visão de Manuá. Sobre isto diz dr. Goodman:
que, um homem depravado, com um nome (signifi- "Vamos virar a nossa atenção outra vez para essa
cando "meu pai era rei") semelhante aos nomes dos gloriosa e única figura 'O Anjo de Jeová'. Notemos o
reis dos filisteus. Ê uma história sórdida, que acaba que se diz dele:
tragicamente. O comentário divino é: "Assim Deus 1) Ele é um homem ( w . 6 e 11). Mas nada se diz
fez cair sobre A bimeleque o mal que tinha feito a seu de características extraordinárias, como asas ou au-
pai, tirando a vida a seus setenta irmãos" (v. 56). reóla, como os homens gostam de delinear os anjos
de Deus.
Capitulo 10 2) Ele é também Deus (v. 22). O versículo 16 su-
gere que ao princípio Manuá não reconheceu que foi
Tola e Jair, juizes dos israelitas. Estes dois pare- com Jeová que falara, mas depois (v. 21) descobriu
que não fora com nenhum outro.
cem ter julgado o povo sem haver guerras ou outros
distúrbios. De Jair uma das coisas dignas de menção 3) Ele declara ser seu nome secreto, ou 'admirá-
foi que teve trinta filhos que montavam em trinta ju- vel* (v.18). E a mesma palavra traduzida 'maravi-
mentos. Que recordações haverá do leitor, depois da lhoso' naquela gloriosa profecia messiânica de Isaías
9.6.
sua morte, mais importantes do que isso? Talvez te-
nha tido somente três filhos, mas se os educou na Jacó lutara com esse mesmo ser Maravilhoso (Gn
doutrina e admoestação do Senhor, isso tem impor- 32) 'um homem* (Gn 32.24) e 'Deus' (Gn 32.28,30), e
tância. queria saber o seu nome, mas o pedido foi recusado.
Esse nome não foi revelado até muitos anos meus tar-
Capítulos 11 e 12 de, quando foi anunciado a Maria pelo anjo Gabriel:
'chamarás seu nome JESUS [ Jeová, o So/uodor],
Jefté como juiz de IsraeL Um homem "ilustre em porque ele salvará seu povo dos pecados deles' ( M t
valor, mas filho de uma prostituta", o que nos ensina 1.21). Este é o nome sobre todo nome (Fp 2.9).

92
4) O Anjo 'subiu com a chama de fogo sobre o al- Capitulo 17
tar para o céu' (v. 20). Uma figura do dia quando,
sobre o Calvário, havia de derramar a sua alma na Mica e seus ídolos. Podemos acreditar que temos
morte, e oferecer-se sem mácula a Deus. 'oferta e sa- neste capitulo uma amostra da idolatria que preva-
crifício a Deus em odor de suavidade' (Ef 5.2). leceu em todo o período dos juizes.
"Sansáo, em certos sentidos, é um dos mais notá- A primeira coisa que notamos é que nenhuma das
veis caracteres na Bíblia. E robusto e atrevido, mui- traduções portuguesas conserva o nome primitivo
to abençoado e empregado por Deus. e contudo mau deste homem: Micajehu ("quem é como Jeová?")
e desobediente. Quando lemos a estranha história como deveria ser nos versículos 1 e 4. Encontro-o tra-
que o Espirito de Deus assim nos revela, sentimos duzido corretamente apenas na tradução espanhola
que o Senhor tem muito que nos ensinar por ela. Náo de Pratt, e no "Numerical Bible" de F. W. Grant.
sentimos repugnância pelo homem violento, apesar " O homem adota a religião de sua mãe, e a mudança
das suas notáveis fraquezas, porque reconhecemos é indicada pela abreviação do seu nome. que de Mi-
alguma coisa semelhante em nossos próprios cora- cajehu ("quem é semelhante a Jeová?") vem a ser
ções. Quem quereria a história dos seus próprios Mica, significando provavelmente "quem é curto de
pensamentos secretos escrita para todo o mundo ler? vista?" (Grant). (Pratt dá o sentido de Mica "quem
Tal história do coraçào nào seria muito diferente da como • ?")
de Sansáo. Que Deus pudesse usar um como ele nào Mica, evidentemente, respeitava a Jeová, entre
é nada estranho, porque muitos de nós podemos di- os vários deuses que tinha na sua capelinha (v.5); e
zer: 'Pois Ele porventura náo me tem usado a mim?' ficou todo contente quando pôde contratar um moço
Sansáo se enamora de uma mulher dos fílisteus. e levita como seu capelão particular, pois disse: "Ago-
quer casar com ela. Seus pais protestam. Era coisa ra sei que Jeová me fará bem, visto que tenho um le-
expressamente proibida (Dt 7.3) como também é vita para sacerdote" (v. 13).
proibido o casamento de crente com descrente (2 Co
6.14). Capitulo 18
O enigma de Sansáo (14.14). Uma coisa incom-
preensível para todos os convidados à festa nupcial: Os danitas buscam uma herança. Os seiscentos
"Do comedor saiu comido. danitas cujas proezas são relatadas neste capitulo
E do forte saiu doçura", parecem-nos pouco melhor do que ladrões, e sem
e. contudo, na providência divina, as coisas mais es- mais nem menos roubam a imagem de Mica e subor-
tranhas têm acontecido. Nós sabemos que náo so- nam seu moço sacerdote para que a idolatria que era
mente houve nesses dias passados mel que saiu dum de apenas uma família fosse a religião de uma tribo.
leão morto, de maneira que uma coisa tão repugnan- Seu procedimento iníquo faz-nos recordar a profecia
te como a morte falou de doçura e satisfação, mas sa- de Jacó: "Dá será uma serpente no caminho, uma
bemos também de um caso mais maravilhoso ainda cerasta na vereda, que morde os calcanhares ao ca-
em que a maior doçura da vida espiritual está rela- valo" (Gn 49.17). O moço levita, cujo nome era Jôna-
cionada com o Homem morto sobre a cruz. tas, descendente de Moisés (v. 30). é um exemplo
No capitulo 15 lemos de diversas proezas de San- típico do sacerdote mercenário, que anda atrás de in-
sáo, e também lemos da sua derrota. teresses monetários.
No versículo 30 o nome do antepassado do jovem
Capitulo 16 é dado corretamente na V.B. como sendo Moisés, e
náo Manassés como em Almeida.
Sansáo traído por Dalila (vv. 1-22). Notemos os
passos da sua queda: Capítulos 19 e 20
1) Ele foi para o lugar de tentação e pecado.
2) O inimigo serviu-se da mulher para o aliciar Os homens de Gibeá. Nesta detalhada narrativa
(v. 5). de pecado, cheia de brutalidades e vinganças, pode-
3) O propósito do inimigo está bem explicado (v. mos notar alguns pontos de interesse.
5): mediante o suborno consegue seu propósito. Pelo visto, Jerusalém fora duas vezes retomada
4) Sansáo começa por zombar deles (vv. 7.11.13). das máos dos israelitas, e agora é mais uma vez uma
mas com os inimigos de Deus náo convém brincar, "cidade dos jebuseus" (19.11), tendo tanto os de Ju-
para não se relacionar. dá como os benjamitas perdido seu poder sobre ela.
5) Sansáo fica cansado pela persistência da mu- Náo querendo alojar-se ali, o levita segue para
lher (v. 16). Ele devia ter fugido da tentaçáo e da uma cidade israelita chamada Gibeá. onde encontra
tentadora. mais perversidade e mais perigo do que em Jerusa-
6) Afinal ele peca deliberada mente contra seu lém. Ali sacrifica a concubina para salvar a própria
voto de nazireu (v. 17). vida, e em seguida planeja uma grande vingança
7) Enquanto dorme, o inimigo rouba-lhe as forças contra os iníquos benjamitas.
(Pv 24.30-34; Mt 13.25). Todo o Israel se reúne para castigar o mal, e, coi-
8) Acorda desenganado e fraco, e é vencido pelos sa estranha, nos dois primeiros dias da batalha, sofre
inimigos. pesado castigo. Facilmente ficamos indignados ao
9) Perde a vista, a liberdade e o descanso, mas. ouvir dos pecados alheios, e apressamo-nos a lançar
afinal, prova a restauração do seu poder, pela miseri- a primeira pedra, mas, para esse solene dever, é pre-
córdia de Deus. ciso que nós mesmos estejamos "sem pecado".
O versículo 13 acaba incompleto. A versão dos
L X X completa o versículo com as palavras "e as se- Capítulo 21
guras ao prego na parede, ficarei fraco como qual-
quer outro homem" ( T ) . A ruína deJabes de Gileade. F. VV. Grant comen-

93
Mes

ta este capitulo da seguinte maneira: "Afinal, quan- positivo onde a paciência e a longanimidade teriam
do a espada tem feito seu trabalho ousado, e algu- sido apropriadas; tolerante nas ofensas contra Deus,
mas centenas de moços, privados de tudo que preza- feroz e sem misericórdia no vingar ofensas contra si
ram na vida. ficam sozinhos, o povo desperta para a mesmo; escrupuloso em guardar um juramento lou-
realização do resultado da sua própria obra, como se co; mas procurando evitar as suas conseqüências por
fosse de uma providência inescrutável, e indaga por um jesuitismo que a ninguém enganou. Assim foi o
que terá isso sucedido. 'povo de Deus' de então, e (talvez) a 'cristandade' de
"Acham-se presos pelos seus atos passados, em hoje; e tal terá ela sido em ocasiões passadas. Esqua-
que parecem ter deliberadamente contemplado a ex- drinhemos os nossos corações ao lermos esse relatório
tinção de uma tribo, o que quase conseguiram, e ago- - recordado não sem propósito. Quão solene é a repe-
ra querem atribuir isso á vontade de Deus. -Juraram tição daquilo que tem sido o texto destes últimos
não dar esposa a qualquer benjamita. Mas, em vez capítulos: 'Cada um fazia o que bem lhe parecia".
de apresentar isto com tristeza penitencial perante o (Traduzi a exposição deste último capítulo de
Senhor, pedindo uma libertação da sua loucura, to- "The Numerical Bible" sem a resumir, para que o
mam mais uma vez o negócio nas suas mãos cruéis. leitor possa provar à vontade o sabor do ensino bíbli-
"Os habitantes de Jabes de Gileade não tinha co do erudito F.W.Grant. Em outros lugares tem
mandado auxílio à guerra, e isto Israel tinha denun- sido possível dar apenas um resumo das exposições
ciado, com mais outro juramento atrevido, ser um dele, que, na sua totalidade, encheriam cinco livros
crime digno de morte. Um novo juramento é feito do tamanho deste.)
como meio de escapar do anterior; e despacham uma
expedição contra a infeliz cidade para infligir-lhe o REFERÊNCIAS AO LIVRO DOS JUIZES N O
extermínio, salvo umas quatrocentas moças destina- NOVO T E S T A M E N T O
das a serem esposas dos moços benjamitas.
Juizes 2-16, At 13-20
"Mas isto náo chega, e lançam mão de outro ex- 4, Baraque
pediente. Respeitando o próprio juramento, não de- 6 a 8, Gideáo
vem dar as suas filhas, mas náo tem dúvida em per- 11 e 12, Jefté "j> Hb 11.32
mitir aos moços furtá-las. e. positivamente, propõem 14 a 16, Sansão
uma festa a Jeová como uma boa ocasião para isto!
" T a l se tornou Israel, o povo de Deus. Fraco e in-
deciso quando era preciso fazer o bem; apressado e

94
M e

f-cj

Livro de Rute é eviden- Rute era moabita, pertencente a um povo que se ori-
temente uma narrativa ginou de um ato impuro e indigno relatado na histó-
dos tempos doe juizes ria do Velho Testamento (Gn 19), um povo que foi
(1.1), que olha adiante sempre inimigo ferrenho do povo escolhido, recusan-
para os tempos de Davi do-lhe pão e água quando saiu do Egito, e empregan-
ím, fica entre Juizes e Samuel. Seu do contra ele Balaão filho de Beor (Nm cap. 22 a
iritual claramente liga os dois. 25.3; 31.16; Dt 23.3,4). Foi uma mulher dessa nação
má a escolhida para ser a bisavó de Davi, de cuja
No sentido literal, o livro de Rute nos mostra co- descendência havia de vir o Cristo. O povo escolhido
mo, apesar do fracasso de Israel, a salvação de Deus bem compreendeu que Deus se revelara a ele, mas
podia atingir, até os próprios gentios. náo entendeu porque Deus fez isso; consideravam
As divisões acompanham os capitulos: 1) Rute e seus privilégios como direito exclusivo, privilégios
suas resoluções; 2) Rute e os seus serviços; 3) Rute e que não podiam ser gozados por qualquer outra na-
o seu descanso; 4) Rute e a sua recompensa (Sco- ção. Mas, durante toda a sua história, Deus estava
field). corrigindo esse erro. Mandou Melquisedeque, um
gentio, para o revelar a Abrão como o Deus Altíssimo
(Gn 14). Empregou Raabe, a prostituta gentilica,
A M E N S A G E M DE RUTE para ajudar na destruição de uma fortaleza iníqua,
para depois casar-se com um judeu e ser a mãe de
Este é um dos dois livros da Bíblia que têm por Boaz, que neste livro se casa çom Rute, a gentia.
título nomes de mulheres, e as duas mulheres apre-
sentam notáveis contrastes. Rute é uma gentia. leva- Há outros casos que tornam claros os propósitos
da para o meio de Israel, onde passa toda a sua vida. de Deus para com os gentios séculos antes de o povo
Ester, uma judia levada para o meio dos gentios, on- escolhido ser rejeitado, e o apóstolo Paulo ser envia-
de, com igual fidelidade, desempenha o que lhe é do aos gentios. A graça divina é mais vasta do que
destinado por Deus. costumamos pensar, e algum dia. quando seu povo
Este livro brilha com várias e importantes verda- todo for manifestado, muitas surpresas nos esperam.
des com referência a todos 06 aspectos da nossa vida. Também devemos notar que a história de Rute
Vem ainda com mais aceitação depois de Juizes. aparece no momento em que Israel se afasta do culto
Passar da atmosfera pesada de Juizes para o ar puro a Jeová. Isto vem a ser uma figura da chamada dos
de Rute é como passar de um bairro indigente para gentios para formarem, junto com os israelitas cren-
um à beira-mar. tes. a Igreja de Deus, o Corpo de Cristo. Esta voca-
Mas devemos nos lembrar de que Rute pertence ção lhes veio quando a nação escolhida rejeitou o
ao tempo do6 juizes. Ê semelhante a uma linda flor Messias (At 13.46; 18.6). Então aqueles que estavam
num jardim abandonado, ou a uma luz clara que longe foram trazidos para perto e chegaram a ser co-
aparece na escuridão da noite. Os períodos mais te- herdeiros, e membros da família da fé. Esta história
nebrosos da história nunca têm estado sem alguma em todos os seus detalhes e na sua interpretação ge-
fragráncia, algum raio de esperança, algum córrego ral está muito cheia de ensino espiritual e de auxilio
cristalino, porque Deus nunca se deixa sem testemu- para os que tal ensino procuram mediante a oraçáo.
nho. Seguem aqui alguns pensamentos sobre assuntos
A mensagem principal deste livro parece ser as para estudo:
relações e propósitos de Deus para com os gentios. 1) O assunto da escolha e as suas conseqüências

95
TLute

(1.14). Cada um tem de escolher de vez em quando: da). Não "homem ilustre em riquezas" como na
Ló (Gn 13); Israel (Js 24.13). V.B. Que experiência para Rute descobrir que nesse
2) O assunto da reincidência (caps. 1 e 2). Elime- pais estrangeiro havia um parente poderoso (v. 20).
leque e Noemi não podiam confiar em Deus para o Faz-nos pensar em nosso Redentor, que se aparentou
pão em tempo de fome. Nem podiam Abraão (Gn 12) conosco, tomando parte na nossa condição humana.
nem Isaque (Gn 26). Aqueles que confiaram em Vemos com Boaz:
Deus com respeito ao futuro, não podiam confiar l)Corfesia e piedade. Ele cumprimenta seus em-
nele no presente. Então Noemi lançou a culpa sobre pregados. e com uma saudação piedosa.
Deus (1.20-21), como já Abraão fizera (Gn 12). Um DObservaçâo. I^ogo percebeu a presença da
passo errado, não sendo corrigido imediatamente, moça estrangeira, e indagou a seu respeito.
leva a outro. Foram a Moabe para "peregrinar" 3)Sí'mpaíia. Boaz conversa com ela. convidando-
(1.1), mas ali ficaram morando, e ali três deles mor- a a rabiscar sempre nos seus campos.
reram (1.3-5). (Veja-se Oséias capitulo 14.) 4)Conhecimento. Já tinha ouvido a respeito dela,
3) O assunto da providência (2.3). A vida de Rute por isso estava predisposto a ser-lhe condescendente.
foi transformada pela "sorte", conforme este versí- b)Testemunho. Desde já começa a falar com a
culo. Grandes conseqüências podem resultar de pe- moça moabita com respeito a Jeová (v.12).
quenos incidentes. Uma noite sem sono salvou os ju- 6)Bondade. Convida Rute a comer com ele
deus do Cativeiro (Et 6.1). A espera de um amigo re- (v. 14).
sultou em Atenas ouvir o Evangelho (At 17.16). Coi- 7) Txirgueza. "Deu Boaz ordem aos seusmoços. di-
sas insignificantes podem melhorar ou prejudicar a zendo: Permiti-lhe rabiscar entre as gavelas, e não a
nossa vida. Entregue o crente a Deus as coisas insig- censureis" (v. 15).
nificantes!
4) O assunto de Boaz como tipo de Cristo: como Capítulo 3
senhor da seara (2.2); como provedor de pão (3.15);
como parente redentor (2.20); como doador de des-
canso (3.1); como homem de riqueza (2.1). Rute vai deitar-se aos pés de Boaz. Todo o inci-
5) O assunto do sentido dos nomes. Elimeleque - dente recordado neste capitulo parece bastante es-
"Meu Deus é Rei". Rute - "Satisfeita". Boaz - "For- tranho. segundo os costumes e educação de hoje.
taleza". Malom - "Canção". Quiliom - "Perfeição" Matthew Henry o comenta mui sabiamente, no se-
(Scroggie). guinte sentido: "Rute deitar-se aos pés de Boaz
quando ele estava dormindo tem uma certa aparên-
Capítulo 1 cia de mal; parece uma aproximação do mal, e podia
ter sido uma ocasião para o mal; tudo isso custa-nos
Rute e suas resoluções. Neste capítulo podemos justificar. Muitos expositores consideram isso injus-
estudar: tificável. Não devemos fazer mal para que venha o
1) Uma triste experiência (1-5): fome, desterro, bem. E perigoso ajuntar a faísca à mecha, e 'vede
morte, viuvez. como um pouco de fogo abrasa um grande bosque!'
2) Uma crise repentina (6,7): chegam as notícias (Tg 3.5). Todos concordam em que o caso náo esta-
de que a fome terminara. Noemi resolve repentina- belece um precedente. Mas, nem nossas leis nem
mente voltar para a sua terra. As noras a acompa- nossos tempos são idênticos aos de então, por isso es-
nham. tou disposto a interpretar o incidente de maneira
mais favorável.
3) Uma prova carinhosa (8,9): chegam ao fim da
primeira etapa da viagem, \oemi aconselha as mo- "Sendo Boaz o parente mais chegado, ela, peran-
ças a que voltem para a sua gente. te Deus, e pela tradição, havia de ser a esposa dele.
4) Um acordo aparente (10): as moças respondem Faltava apenas uma cerimônia para completar as
positivamente: ".iremos contigo para o leu povo". núpcias, e Noemi não havia de querer que ela esti-
5) Uma prova positiva (11-13): Noemi não vai ca- vesse com ele senão como esposa. Ela sabia ser Boaz
sar outra vez; israelitas não devem casar com moabi- não somente um homem de idade, mas sóbrio, vir-
tas: poderiam ter um futuro risonho entre a sua pró- tuoso, religioso e temente a Deus. Sabia ser Rute
pria gente. Nesta história já temos visto Felicidade, uma mulher modesta. Ê verdade que os israelitas ti-
Fome. Emigraçáo. Casamento, Viuvez, Desolação, nham sido seduzidos por filhas de Moabe (Nm 25.1),
Esperança e Perplexidade. mas esta moabita não era assim. Noemi nada propôs
6) O ponto de partida (14): Oría compreende senão o que era honesto e honrado, e a sua caridade
tudo o que vai "perder" em seguir a Noemi, e resolve (que 'tudo crê e tudo espera') baniu toda a suspeita
voltar. de que Boaz ou Rute fariam qualquer coisa senão o
7) Uma resolução sublime (15-19). Orfa amava a que era honesto e honrado. Se o que ela aconselhou
Deus, porém amava mais a Moabe. Rute amava a tivesse sido (segundo os costumes de então) indecen-
Moabe. mas a Deus muito mais. Isto é sempre uma te e imodesto, como parece a nós, não podemos acre-
prova para nós também. Onde é que colocamos a ditar que Noemi teria tido tão pouca virtude ou tão
Deus? A linguagem dos versículos 16 e 17 é sublime. pouco juízo de propor, visto que uma imoralidade te-
ria prejudicado o casamento que ela queria para Ru-
8) Uma queixa injusta (19-22): não é direito atri- te, e teria alienado as afeições de um homem sério e
buir a Deus tudo que é amargo na vida. "Noemi'' bom como Boaz. Havemos de pensar, por isso, que a
quer dizer doce; "Mara", amargo (Scroggie). coisa não era indecente então, como nos parece agora.
Capítulo 2 "Noemi enviou sua nora a Boaz para direção. De-
pois de ter feito o seu apelo, Boaz, que «-a mais entendi-
O parente-redentor. Neste capítulo encontramo- do na Lei e nos costumes, havia de dizer-lhe o que con-
nos com Boaz, "homem valente e poderoso" (Almei- vinha fazer".

96
È provável que o leitor concordará que Matthew mulher, e nào convém trazer outra para minha casa;
Henry conseguiu o seu propósito, de "interpretar o isso poderia suscitar contendas, e assim prejudicar a
incidente da maneira mata favorável que pudesse". minha herança"). Boaz aceita a responsabilidade, e
náo somente redime a herança hipotecada, mas
Capitulo 4 toma Rute para sua esposa.
Podemos acreditar que tudo isto é escrito com
A herança resgatada. A obrigaçáo do parente ura sentido típico, para podermos achar na narrativa
mais próximo de, não somente resgatar a proprieda- uma semelhança com o nosso Parente-Redentor, o
de. mas de tomar a viúva do irmáo falecido, é referi- Senhor Jesus Cristo, que se deu para remir-nos de
da em Deuteronômio 22.5-10 e Mateus 2.24. Prova- toda iniqüidade, e purificar para si um povo todo
velmente os terrenos de Elimeleque que ficaram sem seu. zeloso de boas obras (Tt 2.14).
valor durante a fome, foram pesadamente hipoteca- E afinal a moça gentia. a moabita, na providên-
dos, e somente poderiam ser resgatados pelo paga- cia de Deus. vem a ser uma ancestral do rei Davi, e
mento da hipoteca, uma coisa que Noemi náo podia do Salvador do mundo!
fazer.
O parente mais chegado que por Boaz foi intima- RUTE NO NOVO T E S T A M E N T O
do a cumprir a obrigação; julgou-se incapaz. As pa-
lavras "para que náo prejudique a minha própria he-
rança ".significam provavelmente que, para levantar Rute é uma das quatro mulheres mencionadas na
a hipoteca sobre tais terrenos, seria necessário hipo- genealogia do Messias (Mt 1). A seleção destes no-
tecar os terrenos dele. (O Targum dos judeus dá outra mes ilustra em grau notável a soberania e o mistério
interpretaçáo:"jVõó posso redimi-la, porque já tenho da graça divina (Angus).

97
1 Samuel

ate livro apresenta a histó- MENSAGEM DE 1 SAMUEL


ria individual de Samuel,
o último dos juizes. Recor- Que o rei é contemplado desde o começo do livro
da o fracasso moral do sa- é evidente pelo cântico de Ana. O próprio Samuel
cerdócio sob Eli, como unge tanto Saul como Davi. Mas ao mesmo tempo é
também <ádos juizes na iniciativa de Samuel de fa- claro que ele, como profeta, para quem a proposta do
zer o ofício hereditário (1 Sm 8.1). povo de ter um rei nào é outra coisa senão uma espé-
cie de rebelião contra Deus (o que o Todo-poderoso
No s4u ofício profético, Samuel era fiel, e nele co- mesmo reconhece: 1 Sm 8.7), é, de certa maneira,
meça a linha dos profetas-escritores. Doravante, o adverso ao reino. Durante o reinado, os profetas fi-
profeta e nào o sacerdote é notável em Israel. Neste cam de vigilância; não são contrários à monarquia,
livro, a teocracia, exercida mediante os juizes, termi- porque ela tem sido legitimada pela autoridade da-
na (8.7) e a linha dos reis começa com Saul. quele que é ,a fonte de toda autoridade, mas a con-
O livro tem quatro partes: 1) A história de Sa- templam com uma certa prevenção.
muel até a morte de Eli (1.1 a 4.22). 2) Da tomada da Isso não é de estranhar, se, deveras, " o homem
arca até o pedido de haver um rei (5.1 a 8.22). 3) O não permanece em dignidade: antes é semelhante
reinado de Saul até a chamada de Davi (9.1 a 15.35). aos animais que perecem" (SI 49.12). Eles perecem
4) Da chamada de Davi até a morte de Saul (16.1 a porque não têm comunhão com Deus, a quem, devi-
31.13). do à sua natureza pecaminosa, não querem conhe-
cer. O homem não é incapaz de conhecer a Deus, e
nisso está a sua responsabilidade; mas é capaz, infe-
ANÁLISE DE 1 SAMUEL lizmente, de se esquecer de Deus, e, quanto mais for
exaltado, tanto mais fácil será esse esquecimento.
1. Samuel, o profeta-juiz (caps. 1 a 12). Torna-se semelhante aos animais: e nisto vemos a
1.1. Pedido a Deus (cap. 1). propriedade do castigo de Nabucodonosor (Dn 4),
1.2. Dedicado a Deus (cap. 2). que foi obrigado a tomar lugar entre as bestas até
1.3. Chamado por Deus (cap. 3). que fosse humilhado e reconhecesse que "o Altíssimo
1.4. Silencioso perante Deus no tempo de julgar domina nos reinos dos homens".
(caps. 4 a 6). Em Daniel ouvimos a voz do profeta ao monarca,
1.5. Vitorioso por Deus em Ebenezer (cap. 7). e compreendemos o lugar dele: o profeta representa o
1.6. Ungindo Saul, por mandado de Deus (caps. domínio do Altíssimo, com que o domínio humano
8 ja 11). tão freqüentemente contende. Tal é sempre a sua vo-
1.7. Exortando o povo da parte de Deus (cap. 12). cação, e dai o antagonismo de Samuel contra a mo-
2. Saul, o rei humanamente empossado (caps. 13 a narquia em Israel. Ele prevê, e então adverte o povo
31). quanto ao que será o caráter do governo - advertên-
2.1. Seu pecado contra Samuel ( c á ^ . 13 a 15). cia que sabemos ter sido realizada, conforme a histó-
2.2. Seu pecado contra Davi (caps. 16 a 30). ria subseqüente.
2.3. Seu pecado contra si mesmo (cap. 31). Contudo, o governo dos juizes' chegou ao seu fim
E todos esses pecados foram contra Deus (Scrog- com a história dos males que aconselhavam a neces-
gie). sidade de um rei. Os próprios juizes eram apenas li-

99
iSamuei

bertadores, levantados pro%isoriamente por Deus mas, rejeitado por Israel, foi tomar outro trono nas
para remediar a condição de decadência em que o alturas, sabemos ainda: que Ele é descendente de
povo tão freqüentemente caia, e que era a conse- Davi e Senhor de Davi; que nas suas mãos o reino es-
qüência de cada um fazer o que lhe parecia bem (Jz tá seguro; que o tempo de restabelecer o seu reino foi
21.25). Quão poucos podem fazer bom juízo do seu adiado até o cumprimento de outros propósitos; que
próprio caso! O ofício de juiz mostrava a necessidade por este Rei a terra ainda espera, e náo terá a sua
de algum governo mais forte e permanente. plena bem-aventurança até que Ele venha com um
Mas sabemos que a habitação de Deus estava no reinado de poder e justiça (Grant).
meio de Israel, havendo já um sacerdócio organizado
mediante o qual o povo podia ter acesso a Ele, e, me- Capitulo 1
diante o Urim e Tumim, sua voz podia ser ouvida no
meio do seu povo. Contudo, exceto bem cedo na his- Ana em oração pede um filho. Notemos neste
tória dos juizes, e no caso da guerra contra Benja- capítulo:
mim (cap. 20), náo lemos da consulta aos oráculos 1) Os males da poligamia, que, neste caso, se-
divinos durante todo esse período! meou amarguras no meio de uma família.
N o começo do presente livro, voltamos a Silo e ao 2) Uma tentativa de consolação (v. 8).
sacerdócio, mas somente para nos mostrar tudo em 3) Uma oração com promessa (v. 11).
ruínas ali. Os sacerdotes são iníquos, e a oferta do Notemos a expressão "Jeová dos exércitos" (v.
Senhor desprezada. No seu conflito com os fílisteus, 3), empregada agora pela primeira vez é "Jeouá-
o povo serviu-se da Arca, mas quase como instru- Sabaoth". ( N o restante da Bíblia se encontra umas
mento de mágica, o que demonstrava ter perdido de 280 vezes.) Significa "Deus das multidões", e prova-
todo a idéia da santidade divina, trazendo sobre si, velmente se refere às multidões de anjos que vivem á
por isso, uma catástrofe que resultou em ser inter- disposição de Deus.
rompida por longo tempo toda a comunicação com A "casa de Jeová" e o "templo de Jeová" ( w . 7 e
Deus. Silo está abandonado: a arca num lugar e o ta- 9) era o tabernáculo em Silo porque o templo de Sa-
bernáculo em outro, enquanto Samuel, como profeta lomão ainda não tinha sido construído.
do Senhor, oferece sacrifícios em diferentes lugares, O voto de uma mulher casada não tinha força no
reconhecendo, assim, e claramente o fracasso do ri- caso de ser desfeito pelo seu marido (Nm 30.6-8),
tualismo legal. A arca não volta mais ao tabernácu- mas sendo conhecido dele e sem protesto da sua par-
lo, mas é levada por Davi a Siáo, e seu filho Salomão te, então era válido. Por isso lemos (v. 21) de o voto
edifíca ali o templo para a habitação dela. ser de Elcana, porque sem dúvida Ana informou-o
Neste livro tudo está em transição: e o rei apre- desse voto, que foi por ele aprovado.
senta-se como o inaugurador da nova ordem. Assim Ê bom lembrar que Ana vivia sob a Lei. Isto é
a necessidade de haver um rei é firmada, e o assenti- evidente pelo caráter da sua oração. Essa oração pa-
mento divino posto sobre a instituição. recia uma troca de favores com Deus: caso Deus lhe
Ajuntemos a isto a provisão já feita na própria desse um filho, ela prometia dedicá-lo a Ele.
Lei (Dt 17.14-20) para suprir tal necessidade e pedi- Tem-se dito que náo devemos pedir nada ao Se-
do da parte do povo. Contudo, o estilo do pedido e o nhor a não ser a dádiva da sua graça. Jacó prometeu
desejo de ser semelhante às nações marcam o propó- a Deus o dízimo de tudo em troca de ser alimentado,
sito como sendo a vontade humana em descrença. vestido e protegido (Gn 28.20-22) - uma boa troca de
Por ter sido previsto e atendido, de maneira alguma favores. Mas os que conhecem o Deus da graça sa-
prova ser aprovado por Deus. Mas o fato de o pedido bem que não é necessário fazer isso. Náo podemos
ser atendido mostra que continha alguma coisa de enriquecer a Deus pelas nossas dádivas, e Ele náo
acordo com o plano divino, mediante o qual os pro- vende seus favores. Sua palavra é: "Pedi e recebe-
pósitos de Deus seriam consumados. reis, para que o vosso gozo seja completo" (Jo 16.24)
O primeiro rei foi logo posto de lado. Depois Da- (Goodman).
vi, um homem segundo o coração de Deus, é promo- Nestes capítulos, Eli não demonstra muito dis-
vido à soberania, que, sob seu controle.estende-se cernimento ou espiritualidade. Contudo ele acaba
além dos limites da antiga promessa a Israel, e a ele por dizer: "Vai-te em paz; o Deus de Israel te conce-
é prometida a perpetuidade do reino para a sua des- da a petição que lhe fizeste".
cendência, apesar de suas falhas. Podia parecer que
doravante não haveria qualquer interrupção da Capítulo 2
bem-aventurança ligada à presença de um rei.
Mas o livro seguinte mostra, em contraste, um Os filhos de Eli. Os moços eram maus (v. 17) e
quadro inteiramente diferente e oposto. Salomáo, imorais (v. 22). Podemos pensar que ele os teria cria-
em verdade, começa com a construção do templo, do desde pequenos "na doutrina e admoestaçào do
com crescentes glórias; mas, no reinado de seu filho, Senhor"? Ainda hoje os pais, às vezes, merecem cen-
de repente, dez tribos se separam, e, desde então, se- sura pela desobediência dos filhos. A maneira como
gue-se a franca decadência. Finalmente, ambos os Deus disciplina seus filhos, que somos nós, deve en-
tronos são derrubados, e o de Davi, que parecia ser sinar-nos muitas coisas preciosas. Na infância da ra-
tá o estável, nunca mais foi restaurado. A monarquia ça. o povo de Deus estava sob uma lei, e no começo
se acaba com um "Icabõ" mais completo do que o da vida a criança precisa aprender a obedecer sem
anterior (1 Sm 4.21), prolongado agora por mais de demorar e sem questionar. Mais tarde, Deus falou
2500 anos. em escrever a sua lei nos corações do seu povo, e os
Que devemos compreender de tais contradições? pais sensatos fazem isto também: em vez de obrigar
Graças a Deus. como cristáos, a chave está nas nos- os moços com mandamentos, procuram inspirar ne-
sas mãos. Sabemos que Davi e Salomáo eram apenas les ideais nobres e santos, para que a sua boa condu-
ta seja voluntária.
sombras do verdadeiro Rei; sabemos que Ele já veio,

100
1 Samuel

Mas o menino Samuel foi criado num ambiente cessidade de devolver a arca nos impressiona triste-
de piedade. Bem chegado ao tabernáculo de Deus, mente. A presença de Deus entre eles parecia-lhes
acostumado com o serviço divino: e amparado pelos maldição, mas náo precisava ser assim. Para um
cuidados de sua mâe (v. 16), ele se ia desenvolvendo povo arrependido e crente, seja israelita ou gentio, a
física e espiritualmente. presença de Deus poderá ser proteção e felicidade.
Na profecia do homem de Deus, neste capitulo, Os filisteus reconheceram que convinha mandar
notemos o "texto áureo" no versículo 30. com a arca uma oferta pelo pecado (v. 3). Conhe-
Proposta emenda de tradução (v. 25): "por isso o ciam a história das pregas do Egito (v.6), e fizerem fi-
Senhor os queria matar" (R. 60). guras. em ouro ( v . l l ) , dos ratos e tumores que os
afligiam, confessando, assim, que a mão de Deus es-
Capitulo 3 tivera contra eles nos seus sofrimentos, e apelam a
Deus para mostrar-lhes a sua aceitação da oferta,
Viiâo de Samuel. Naqueles dias a palavra de por meio das vacas paridas, e tornar evidente que
Deus era "preciosa" (V.B.) ou "de muita valia" (Al- fora a sua mão que os afligira.
meida), porque náo havia visáo manifesta. Vemos que os israelitas de Bete-Semes náo mos-
O incidente da visáo de Samuel é muito tocante. traram o devido respeito para com a arca. e por te-
Vemos o menino ministrando a Jeová, sem o conhe- rem olhado para dentro dela sofreram um castigo di-
cer (v. 7) e muito preocupado com o sacerdote Eli. vino (19-21).
Corre, pressuroso, para atender à chamada que julga Nào havemos de entender que 50.070 homens
ser dele; volta para a sua cama e deita-se de novo; morreram. Grant diz: " Ê impossível supor que Bete-
outra vez a mesma voz e o mesmo procedimento; afi- Semes tivesse 50.000 habitantes, muito menos 'ho-
nal, recebe instruções claras de Eli: "Se alguém te mens', e o texto hebraico tem sinais de que terá havi-
chamar, dirás: Fala, Senhor, porque teu servo ou- do possivelmente um engano de copista. Josefo e al-
ve". guns manuscritos omitem o número maior e regis-
Mas Samuel náo o faz: responde apenas "Fala, tram 70 homens". O assunto está estudado em
porque o teu servo ouve", omitindo a palavra "Se- "Consultório Espiritual", p.82, onde escrevi: "O dr.
nhor". Isto faz-nos recordar a tradução preferível de Robert Young diz que a palavra hebraica 'aleph*,
1 Corintios 12.3: "Ninguém pode dizer que Jesus é o mil, significa também chefe ou príncipe, e traduz o
Senhor, senão pelo Espirito Santo". versículo: 'Ele mata entre o povo setenta homens,
Vemos que Almeida chama Samuel de um man- cinqüenta homens principais'."
cebo, mas a V.B. é provavelmente mais correta em Bullinger diz: "O hebraico da última cláusula lé-
chamá-lo de um menino. O historiador Josefo diz se: 'Jeová feriu sessenta homens, dois grupos de cin-
que Samuel tinha então uns 12 anos. Em Lucas 2 le- qüenta. e mil', ou seja, 1170 homens" (J. 365).
mos de outro menino de 12 anos no templo conver- No capitulo 7 vemos arrependimento (3,4); vitó-
sando com os homens de idade. ria (5-14), e bom governo (15,17).
Eli insiste em que Samuel lhe diga toda a verda-
de (v.17) e ouve a sua sentença da boca do menino. Capitulo 8
Proposta emenda de tradução (v. 13): "porque
seus filhos maldisseram a Deus, e não os repreen- Os israelitas pedem um rei. E triste ver que Sa-
deu" ( R 73). muel náo foi muito mais feliz na educaçáo dos filhos
do que fora Eli. Os dele também eram maus. e ele,
Capítulo 4 em vez de consultar a vontade de Deus, "constituiu
seus filhos por juizes ".
Israel e os filisteus. Este capitulo revela a supers-
O povo de Israel sente o desejo de ser "como as
tição em que Israel tinha caído, pois o povo imagina-
nações", com a mesma realeza e o mesmo aparato.
va que a arca o havia de salvar do inimigo (v.3). Ain-
Esta ambição de ser semelhante aos pagáoe circun-
da hoje vemos nossos vizinhos igualmente supersti-
jacentes ainda existe hoje: não vemos mulheres cren-
ciosos, e esperando de imagens, cruzes, quadros,
tes com a cara pintada, somente para serem seme-
amuletos ou mascotes o que deviam esperar de Deus.
lhantes às descrentes? E pastores crentes usando o
For isso Deus permitiu que a arca fosse tomada, para
"reverendo" que o romanismo inventou?
que o povo aprendesse a confiar nele e não nela.
Nada adianta ter os símbolos da religião, se nos falta Seis vezes se diz do rei que "ele tomará". Deus ti-
o espírito. É possível ter a forma de piedade e privar- nha dado tudo; o rei tudo havia de tomar.
se do poder dela. A resposta do povo (19-22). Este trecho deve ser
Este é um capítulo cheio de mortes: de Eli. de lido com 10.17-27. Ê um exemplo notável da vontade
própria, que pouco caso faz da vontade de Deus. Mas
seus iníquos filhos, e da mulher de Finéias.
gente estouvada precisa aprender pela experiência
Capítulo 5 (v. 22).

A arca na casa de Dagom. A arca, que servira Capítulo 9


para animar 06 israelitas, estava causando perturba- Saul e as Jumentas. Neste capítulo estudemos:
ção aos filisteus. Foi levada para três pontos diferen- 1) Qualificações. Saul era de boa idade - 30 anos
tes, e em todos veio a ser um símbolo de juízo: o ídolo - e de boa estatura e aparência. Contudo, nada se
não podia ficar em pé perante ela, pois representava diz das suas qualidades espirituais. Era um tipo de
a presença de Deus. homem que havia de ser aceitável ao povo.
Capítulos 6 e 7 2) Providências (3-14). As circunstâncias combi-
nam para que haja um contato entre Samuel e Saul:
A arca devolvida. Que os filisteus sentissem a ne- a perda das jumentas, a necessidade de direçáo, a

101
1 Samuel

lembrança do criado, as moças que saíram para tirar 4) Consola o povo com novas promessas de socor-
água. ro divino (20-25).
3) Revelações. A primeira, do Senhor a Samuel Bedá (v. 11) não é mencionado como juiz de Is-
(15-17), a segunda, por Samuel a Saul (18-27). rael em qualquer outro lugar. A versão dos L X X , a
A revelação a Saul veio gradualmente. Primeiro Siriaca e a Arábica têm, em vez de Bedá, Baraque e
Samuel despertou nele uma grande perspectiva (18- as duas últimas, em vez de Samuel tem Sansào (T).
21); então deu-lhe muita honra na presença do povo
(22-24); depois teve uma longa conversa com ele (25- Capítulo 13
27). Saul percebeu o propósito de Samuel, conser-
vando-se modesto (v.21). Guerra entre israelitas e filistçuç A tradução do
Proposta emenda de tradução (v. 20): "para primeiro versículo é problemática. Grant traduz:
quem é tudo que é desejável em Israel? " "Saul tinha... anos quando chegou a ser rei e reinou
dois anos sobre Israel" e numa nota explica: "Falta
Capítulos 10 e 11 um algarismo neste versículo, e esse não pode ser su-
prido de qualquer fonte conhecida. O outro algaris-
Saul ungido. Podemos estudar: mo é duvidoso. A septuaginta omite o versículo in-
1) Saul e Samuel (1-8). Notemos: teiramente, e parece que tem razão".
a) A conversa (9-27) em que Samuel comunicava O fim do versículo 12 deve ser traduzido: "depois
a palavra de Deus - provavelmente falando dos pri- de hesitar bastante, ofereci holocausto" (R. 81).
vilégios. responsabilidades e deveres de um rei. Há uma dúvida sobre os anos que Saul reinou.
b) .4 unção com azeite (10.1), era a praxe de en- Diz o historiador Josefo que foi 20 anos. Atos 13.21
tão, ao empossar alguém num cargo de autoridade. parece dizer 40. Traduzo a seguinte nota do "Bible
Comparemos isto com Lucas 4.18 - Jesus ungido por Treasury": "Tem sido afirmado com bastante pro-
Deus para evangelizar os pobres. babilidade que os 40 anos deste reinado quase não
c) Notemos os três sinais preditos por Samuel. O podem ser aceitos. Naás rei de Amom estava no tro-
primeiro ensinou que ele estava livre dos cuidados no antes de Saul e viveu dez anos no reinado de Davi
da vida anterior. O segundo (3,4) reconhecia sua (1 Sm 11 e 1 Cr 19.1). Também Jónatas era homem
nova dignidade, e a força que lhe seria concedida maduro e comandava um exército dois anos depois
para a manter. O terceiro (5-8) importava uma ins- de seu pai tomar o trono (1 Sm 13.3). A batalha de
piração divina, mais exaltada do que qualquer expe- Gibeom. onde ambos morreram, dificilmente podia
riência anterior (Scroggie). ter sido 38 anos mais tarde. Ainda mais, Davi tinha
d) Os sacrifícios. Samuel ensina a Saul que seu 30 anos quando Saul morreu (2 Sm 5.4), e, por isso,
ofício de soberano devia ser ligado com submissão a se Saul reinou 40 anos teria nascido no décimo ano
Deus, e ser tal que pudesse merecer a bênção divina. do seu reinado, e sua amizade com Jónatas teria sido
2) Saul com os profetas. Mais uma experiência quase impossível. Os expositores mais recentes, ge-
nova para o filho de Quis. E provável que até então ralmente adotam o período menor - 20 anos".
tivesse ele tido pouca intimidade com gente dedica-
da ao serviço de Deus. Uma experiência análoga po- Neste capitulo, a primeira coisa que Saul fez de-
dia ser de algum estranho ao visitar uma escola pois de tomar o trono foi formar um exército sob o
bíblica. comando dele e de seu filho Jónatas. Logo depois ele
provocou os inimigos tradicionais de Israel, os filis-
Parece que Saul sentiu a influência espiritual do teus. Quando os reis obtém exércitos, são como o me-
meio, e ele também "profetizou". "Profetizar aqui nino que ganha um canivete: logo quer servir-se dele.
não significa predizer, mas cantar fervorosamente os Assim. Jónatas. loucamente, atacou a guarnição de
louvores de Deus (v.5)" (Scroggie). Geba, e Saul ajuntou-se a ele com o seu exército em
3) Saul com seu tio. O fato mais notável aqui pa- Gilgal. Os israelitas acharam-se em apertos, e corre-
rece ser o silêncio de Saul referente ao "negócio do ram para se esconderem. Se não tivessem escolhido
reino". um rei, isto não teria acontecido. Samuel nunca te-
Nem sempre convém contar tudo a todos. O ria procedido de uma maneira tão provocativa. Era o
apóstolo Paulo ouviu palavras inefáveis, que não era começo da loucura de Saul.
licito repetir. Nós podemos ter experiências espiri- Este nào é caso único nas Escrituras, de algum
tuais que não nos é licito relatar nem aos nossos ínti- rei de Israel provocar uma guerra que não podia sus-
mos. A intimidade recente com Samuel e com os fi- tentar. Acabe e Jeosafá fizeram-no para a sua pró-
lhos dos profetas parece ter estabelecido uma reserva pria derrota (1 Rs 22.1-4); Josias igualmente o fez e
na alma de Saul, que seu tio não conseguiu prejudi- perdeu a vida (2 Cr 35.20-24) (Goodman).
car.
"Trinta mil carros" (v. 5) provavelmente deve se
ler "Três mil" (T).
Capítulo 12 Proposta emenda de tradução (13.12): "depois de
hesitar bastante, ofereci holocausto" (R. 81).
Samuel renuncia o seu cargo. Neste capítulo ve-
mos que Samuel: Capítulo 14
1) Sempre tinha procedido corretamente, e com
isto o povo concorda. A vitória de Jónatas. Aqui vemos Jónatas como
2) Alega que Deus sempre tinha protegido e liber- um homem de fé. Notemos como ele manifesta isso:
tado seu povo. Falando dos libertadores, inclui seu 1) "Talvez Jeová opere por nós": a sua preocupa-
próprio nome na lista! (v. 11). ção é com Deus. e o que Ele pode.
3) Demonstra o desagrado divino com o povo, 2) "Nada há que proiba a Jeová de livrar com
mediante uma trovoada quando não era tempo de muitos ou com poucos". Esta é a linguagem da pura
chuva (16-18). fé.

102
I SMÉKJ

3) Ele pede um sinal, para ter certeza de que está cia progressiva. Sente-se atormentado espiritual-
na senda da vontade divina (9.10). mente. O calmante proposto é a música, e o moço
4) Sua corajosa aventura por Deus (v. 13) seguida pastor (19), Davi, é chamado para tocar harpa (23).
pelo «eu triunfo. O atrevido juramento de Saul ( w . Não devemos tomar as palavras lisonjeiras do
24,42) quase arruinou tudo, se náo fora o povo ter um mancebo no versículo 18 em sentido demasiadamen-
pouco mais juízo do que ele (v. 45). te literal. Ao menos dào a entender que Davi era um
moço desenvolvido e robusto, destro no uso das ar-
Capitulo 15 mas; não precisamos pensar que tinha estado em
qualquer batalha, apesar de ele ser chamado guerrei-
Obediência imperfeita. Amaleque, que muitos ro.
expositores consideram um tipo da natureza carnal
do povo de Deus, é condenado á destruição. Saul Capítulo 17
aceita a obrigação de executar a sentença, mas faz
isso apenas em parte. Por isso o profeta Samuel pro- Davi e Golias. Como podemos resumir em meia
nuncia a sua final reprovação (v. 23). página o ensino de um capítulo que tem inspirado
Se quiséssemos escolher um "texto áureo" é pro- tantos sermões? Aprendemos:
vável que havíamos de preferir o versículo 22. 1) Que um homem possante e atrevido pode as-
Devemos emendar a tradução do versículo 32 sustar muita gente (v. 11).
para "Na verdade chegou a amargura da morte" (R. 2) Que Davi ficara pouco tempo como harpista de
49). Saul, e logo voltou a cuidar das ovelhas de seu pai (v.
16).
Capitulo 16 3) Que Davi, apesar de náo ser guerreiro como
seus irmãos, era o mensageiro de seu pai para lhes le-
Davi ungido rei. Notemos a expressão "um rei var alimento (17-21).
entre os seus filhos" (v. 1). Poucos têm as qualidades 4) Que nessa tarefa, Davi mostrou-se obediente,
de rei ou governador, competentes para guiar e entu- pronto ("de manhã cedo"), prevenido (providenciou
siasmar os outros. Alguns meninos nascem "princi- com respeito ao rebanho), corajoso ("chegou às trin-
pe-herdeiro". Jesus "nasceu rei" (Mt 2.2). cheiras"), prudente ("deixou sua carga entregue ao
O rei que Deus escolhe é primeiro piedoso; depois cuidado de uma guarda de bagagem"), indagador
justo, magnânimo, corajoso, compassivo e cuidadoso (26).
do bem-estar dos seus súditos. Podemos descobrir 5) Que o irmão mais velho, de Davi, Eliabe, era
todas estas qualidades em Davi. iracundo, desconfiado, ignorante do coração de Da-
1) A missão de Samuel a Belém. Era missão difí- vi, indigno de ser atendido.
cil. que podia ser interpretada como traição ao go- 6) Que a sua experiência no passado ( w . 34-36)
verno constituído. Samuel mostrou-se receoso (v. 2) encoraja Davi a enfrentar o futuro, confiado em
e o povo do lugar tinha medo dele(v. 4). Deus.
O serviço de Deus pode requerer prudência, sabe- 7) Que não convém pelejar com armas desconhe-
doria, um espírito pacífico que inspire confiança nos cidas (v. 39).
outros. 8) Que o gigante morreu pela mão do adversário
Notemos que Samuel ligou seu serviço político que desprezara.
com um sacrifício a Deus. (Em um dos países da Eu- 9) Que Saul, vendo o seu jovem harpista no cará-
ropa as sessões do parlamento começam com ora- ter de um guerreiro, começou a indagar mais parti-
ção!) É um bom exemplo a seguir. cularmente a respeito do seu parentesco - quis saber
2) Os filhos deJessé examinados. Toda a vida an- quem era o pai de um rapaz tão atrevido (v. 58).
terior dos moço® era a preparação para esse dia de O escritor de " T h e Treasury of Scripture
exame, mas não agüentaram a prova. Tinha Eliabe, Knowledge" diz que a cópia do manuscrito dos L X X
aparentemente, o aspecto de um rei, mas interior- no Vaticano de Roma omite 17.12-31, e 18.1-5, 9-12 e
mente não: seu coração não estava direito com Deus. 17-19. " A justa conclusão é que 16.14-23 tem sido
De quem é que se pode dizer hoje: "o Senhor não tem deslocado, e pertence ao texto entre 18.9 e 10". Este
escolhido a este"? parecer pode remover algumas dificuldades, mas
Podemos acreditar que alguns doe moços eram talvez não todas.
bem-vistos pelos seus companheiros, mas para o ser-
viço de Deus não serviam. Capitulo 18
3) Davi escolhido e apontado. Notemos dele que
de todos os moços era o único que estava trabalhan- Amizade de Jõnatas para com Davi ( w . 1-5). Jô-
do. Era formoso de semblante. Três coisas contri- natas tinha visto, de longe, a proeza de Davi e sua vi-
buem para a beleza do rosto: as feições, que depen- tória sobre o inimigo; o seu medo se dissipara
dem da hereditariedade; a saúde, que depende em (17.24), e tinha tomado a sua parte nos despojos da
parte da pureza da vida que é refletida no semblan- vitória (17.53). Ele vê bem de perto o seu salvador,
te; a expressão: Bons pensamentos dão uma expres- "ruivo, e de gentil aspecto" (17.42), perante o pai (v.
são ao rosto. Não devemos pensar ser sem significa- 57), e agora, acrescenta-se ao brilho da pessoa desse
ção o tratamento a Davi de "formoso de semblante". jovem o encanto da sua voz, quando fala do pai coro
Davi se assemelha a Jesus no fato de que, embora Saul. e então "ligou-se a alma de Jõnatas com a de
desprezado pelos irmãos, veio a ser o ungido de Davi" (18.1) e Jõnatas amou-o como a si mesmo.
Deus. Porventura nós concordamos com Deus em es- Seu primeiro empenho é de engrandecer o seu
timar as pessoas pelo seu valor espiritual? salvador, com os vestidos e armas de um príncipe,
4) Saul atormentado por um espírito maligno que ele considera mais apropriados a Davi do que a
(14-23). Saul parece estarem um estado de decadên- si próprio. (Náo nos esqueçamos, contudo, que Jõna-

103
1 Samuel

ias era já um guerreiro experimentado, e general do 1) Jõnatas sofre um insulto público (v. 30).
exército: 13.2.) 2) Jónatas é reprovado por causa de Davi (v. 30):
Poderemos querer descobrir a idade dos dois, pois "Escolheste o filho de Jessé para vergonha tua, e
é uma idéia comum de que ambos eram moços. O para vergonha de tua mãe".
mais provável, porém, é que Jónatas era bem mais 3) Jõnatas é mandado renegar seu amigo (v. 31).
idoso do que Davi. Se devemos tomar ao pé da letra 4) Jõnatas ousadamente defende o seu amigo (v.
Atos 13.21, então Davi nascera somente depois de 32).
Saul ter reinado dez anos, muito tempo depois de Jó- 5) Ele enfrenta a morte e a vergonha por Davi (v.
natas ser chefe de um exército. Veja-se, porém, sobre 33).
o capítulo 13.) 6) Ele se consola com uma última entrevista com
O restante deste capítulo ocupa-se com a sempre seu amigo (v. 41) (Goodman).
crescente inveja de Saul contra Davi, e suas tentati-
vas de o matar, direta ou indiretamente ( w . 22-29). Capitulo 21
No versículo 25, "cem prepücios de filisteus" (que
era gente incircuncisa) seria prova de que Davi ma- Davi com o sacerdote Alimeleque. Este incidente
tara inimigos e não israelitas ( T ) . é referido nos três evangelhos sinópticos para ilustrar
e reforçar as palavras do Senhor de ser Ele o Senhor
Capitulo 19 do sábado (Lc 6.5). Aqui Davi é Senhor dos pães da
proposição que, embora santos segundo a Lei, eram,
Neste capitulo devido às circunstâncias extraordinárias, em algum
1) Jõnatas intercede por Davi (1-7). A inimizade sentido, comuns.
de Saul aumenta (v. 1). mas, em contraste, a lealda- A conduta de Davi aqui não é muito admirável,
de de Jõnatas se manifesta, quanto a Davi: nem mesmo no incidente seguinte. Ele mente no
a) na prova de amá-lo muito (v. 2); versículo 2, e não sabemos se falou a verdade no
b) em adverti-lo do perigo (v. 2); versículo 5. A coisa mais certa é que estava resolvido
c) na sua prontidão em interceder por ele (v. 3); a obter o pão para si e seus moços.
d) no seu apelo eloqüente ao pai que. no momen- Davi foge para o rei dos filisteus. É impossível
to, produziu algum efeito (v. 7). imaginar um homem de Deus cair num maior abis-
2) Mical engana seu pai e salva Davi (8-17). O ó- mo de vergonha do que temos aqui. O grande cam-
dio de Saul torna a prevalecer, e outra vez tenta ma- peão de Israel precisa fingir-se louco para escapar de
tar Davi (v. 10). "Mical, filha do rei. é uma ilustra- uma situação em que nunca devia ter entrado. Tam-
ção desse amor natural que não resulta de nenhuma bém a nossa própria vida espiritual tem, provavel-
verdadeira comunhão de coração ou comum interes- mente, sofrido alguns abalos, mas com esta diferen-
se e simpatia. Ela gostou de Davi por causa da sua ça: a vergonha de Davi ficou para sempre registrada
bela aparência e náo por sua vida piedosa (18.20). nas páginas inspiradas, enquanto a nossa fica oculta
Mais tarde mostrou que não tinha por ele uma afei- entre nós e Deus.
ção verdadeira (2 Sm 6.16). Salvou-o na hora de pe-
rigo. mas zombou dele no seu triunfo. Mentiu para o Capitulo 22
salvar, e jamais podemos desculpar a mentira"
( Goodman). Davi na caverna Achamos neste capítulo inte-
3) Saul e seus mensageiros profetizam (18-24). ressantes comparações entre Davi e Cristo. O rei un-
"Que terrivei e lamentável a situação de Saul! Em gido. e não coroado encontra-se na rejeição, refugia-
momentos, era impelido ao assassinato por um espi- se na caverna de Adulão. Mesmo assim, ele é o cen-
rito mau (v. 9); depois, despindo-se, ficava sob um tro de atração para uma variedade de pessoas, a sa-
espirito de profecia durante 24 horas. Parece ser um ber:
dos descritos em Hebreus 6.4-6, feito participante do 1) Pessoas que têm parentesco com Ele.
Espirito Santo, provando a boa vontade de Deus e os 2) Todos os oprimidos: "Vinde a mim, todos os
poderes do mundo vindouro, mas ainda com o cora- que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei"
ção endurecido e rebelde. Outrora. escolhido e ungi- ( M t 11.28).
do e tendo outro coração; agora um objeto de escár- 3) Todos os amargurados de espírito, que nenhu-
nio, de maneira que se dizia: 'Está também Saul en- ma satisfação haviam encontrado no mundo, mas
tre os profetas11" (Goodman). que esperavam coisas melhores com Davi.
"E ele se fez chefe sobre eles". Partilharam da
Capítulo 20 sua rejeição, mas submeteram-se à sua soberania.
Seu empenho doravante seria fazer a vontade do seu
Davi e Jónatas. Todo o capítulo se ocupa com os senhor.
dois amigos. Davi, como o ungido do Senhor, é um E com Davi está o profeta Gade, aconselhando e
tipo de Cristo. Na sua rejeição temos um quadro do animando (v. 5). Parece-nos que esta é a primeira
presente estado de coisas: "Deus ungiu a Jesus" (At comunicação divina que Davi jamais recebera. Do-
10.38) e um dia o colocará sobre seu santo monte de ravante ele havia de ser claramente instruído por
Sião (SI 2.5), e dar-lhe-á as extremidades da terra Deus no caminho que devia seguir (23.2).
para a sua possessão. Até chegar esse grande dia, Ele .4 matança dos sacerdotes ( w . 6-19). Um trecho
é desprezado e rejeitado pelos homens, e combatido terrível, demonstrando a impiedade excessiva de
pelo príncipe deste -mundo. Mas nestes dias da sua Saul. Doegue, o instrumento da sua iniqüidade, era
rejeição, há muitos que o amam como á sua própria idumeu, e principal pastor (21.7). Ele é denunciado
alma e estão prontos a sofrer o opróbrio pelo seu no- no Salmo 52.
me; e na nobre defesa que Jõnatas faz de seu amigo O único sacerdote que escapou da terrível matan-
Davi temos uma figura dos tais. ça foi Abiatar ( w . 20-23). Notemos a linguagem de

104
lSomud

Davi para com ele: "Fica comigo, não temas... comi- caverna para dormir. (A tradução da V.B. e Figuei-
go estarás em segurança ". Porventura quem é maior redo torna a façanha de Davi por demais incrível).
que Davi não vos diz a mesma coisa? Quando o ini- Ali ele dorme, e Davi "indo de mansinho, corta a
migo, o príncipe das trevas, procura destruir a nossa orla do seu manto".
vida espiritual, é bem chegado a Cristo que encon- Davi facilmente podia ter-se vingado de Saul.
tramos segurança. matando-o ali mesmo. Seus companheiros incita-
Vemos agora o profeta, o sacerdote, e o rei ungi- ram-no a fazer isso, mas Davi não se aproveitou da
do. reunidos com o mesmo propósito e na mesma oportunidade. Para ele. Saul ainda era "o ungido do
causa. Senhor" (v.6).
Parece que Deus quis dar a Saul mais uma opor-
Capitulo 23 tunidade para o arrependimento, e a ação de Davi
cooperou com esse propósito. Ê muito bom quando
Davi livra Queila (vv 1-14). A característica da fé nossas ações combinam com o que Deus procura fa-
é nada fazer sem consultar ao Senhor (v. 2). Nâo age zer com os corações dos homens.
cegamente, na esperança de que Deus há de intervir. Saul mostra um certo remorso pelo seu péssimo
A fé pergunta, e. tendo a resposta, age sem receio. procedimento, levado a isso: 1) pelo fato de que seu
Assim vemos Davi. passo a passo, consultando a nobre adversário tinha procedido com tanta magna-
Deus. mediante a oração. nimidade (É claro que Davi não o tratara como ele
Tinha consigo uns 600 homens (v. 13), mas por teria tratado Davi); 2) pelo fato de que Deus, eviden-
enquanto eram medrosos (v. 3) e levaram bastante temente. o entregara na mão de Davi; 3) pela certa
tempo para aprender (30.6), como acontece também confirmação do propósito divino de fazer Davi rei.
conosco, mas Davi os treinou com paciência perseve- Ele bem viu que estava lutando contra Deus, e a lou-
rante, e afinal fê-los homens de guerra. cura (mas não o pecado) de fazer isso o impressio-
Davi. o rei rejeitado, vem a ser o salvador dos nou. Não mostra sinais de um verdadeiro arrependi-
oprimidos (v. 5); com o povo, porém, nâo há gratidão mento: a) não pede perdão a Davi pela sua crueldade
querem entregá-lo ao seu adversário (v. 12) (Good- e injusta perseguição. (O verdadeiro arrependimento
man). é descrito em 2 Corintios7.il); b) mesmo no seu ale-
Davi e os zifitas (vv. 15-29). Foram tempos de gado remorso, é egoísta, querendo que Davi jure por
provaçáo para Davi, e o Salmo 54. escrito "quando Jeová náo exterminar a sua descendência (v. 21).
os zifitas" vieram a Saul e disseram: 'Porventura Davi consente, mas nâo confia no homem, e vai para
não se esconde Davi entre nós?', mostra a sua con- um lugar seguro em vez de acompanhar o rei (Good-
fiança em Deus no meio das provações. Nós podemos man). "
ser provados por outras maneiras - porventura a pro- "Davi ganhou uma grande vitória: venceu a
vaçáo descobre em nós também a mesma confiança? Saul. e. ainda mais, venceu-se a si mesmo. Demons-
Porém Davi, no meio de tudo, teve uma consola- trou o habitual domínio sobre a vontade própria, ca-
ção: a continuada amizade de Jônatas (vv. 16-18). racterística de quem anda deveras perante Deus. In-
Com esse amável príncipe notamos somente uma felizmente, só vemos isso depois de um completo fra-
falta: que ele nào acompanhou seu amigo fugitivo casso. que mostra a nossa fraqueza que. como no
nos dias da sua rejeição. Também não se realizou seu caso de Davi. acabara de provar-se tão forte. No seu
pensamento: "Tu reinarás sobre Israel, e eu serei o trato com Nabal (cap. 25) teria sido fácil mostrar a
segundo depois de ti". magnanimidade que no caso de Saul era bem difícil
de revelar" (Grant).
Notamos, incidentemente, que Davi, apesar de
ser fugitivo, escondendo-se nos desertos e cavernas,
levou consigo pena e tinha com que escreveu os lin- Capitulo 25
dos salmos, que eram as suas orações nesses dias de
angústia. Davi e Nabal. É aqui que Davi falha deveras.
Não somente não é magnânimo, mas é terrivelmente
Vemos que Jônatas "o confortou em Deus" (V.B.) severo e injusto. Recusado aquilo a que não tinha ne-
e esse é o melhor conforto. Um verdadeiro amigo, nhum direito legal, e sentindo-se insultado, ele desa-
que sempre dirige nosso pensamento para o recurso ta num acesso de fúria que ameaça Nabal e todos os
divino, é o companheiro de mais valor que podemos seus homens de destruição. Porventura este é o mes-
ter. mo homem que acabamos de admirar pelo seu nobre
Deus permite que uma incursão do inimigo de Is- domínio sobre si e pelo seu altruísmo? Será este o
rael - os filisteus - seja o meio de libertar Davi mais rei-pastor de Israel, o governador no temor de Deus,
uma vez da mão do adversário (v. 27). o homem que sofreu a injustiça humana e foi disci-
plinado na escola da aflição? E o mesmo, sim, mas
Capitulo 24 está mui diferente. Ê Davi. mas não mais sob o con-
trole da presença de Deus. pois, de repente, tudo que
é amável e sublime, tudo que é de Deus. todo fruto
Davi poupa a vida de Saul. Em seguida, depois do seu ensino, parece ter passado. Existe, porventu-
de ter conquistado os filisteus, Saul volta a perseguir ra, um "Saul" dentro de um "Davi", pronto a mos-
Davi. Neste capitulo, o dr. Scroggie nota: (1) A opor- trar-se logo que cesse o controle? É mesmo assim ; e a
tunidade de Davi (1-7), e (2) a magnanimidade de melhor coisa é reconhecê-lo, para que sintamos nos-
Davi (8-15). sa completa dependência de Deus em todas as oca-
O incidente na caverna é dramático. Davi com siões. Náo é como pecadores, mas como santos que
alguns companheiros (não, por suposto, todos os somos exortados a "não ter confiança na carne". A
600) está no interior da caverna, quando Saul lá en- oração é uma necessidade constante; e. esperando no
tra "para cobrir os pés", como Almeida traduz ao pé Senhor, nossa força será renovada. Que lição temos
da letra, permitindo a idéia de que Saul entrara na

105
iSoimid

aqui em Davi! Nenhum "éfode" foi empregado "Davi nem vai a Moabe. mas a Gate, a cidade do
quando os 400 sairam para Carmel na sua funesta gigante que ele vencera pela fé: e onde. também, an-
missão. Mas a advertência divina, que Davi não pro- teriormente. pela sua falta de fé ele tinha falhado tão
curara, veio-lhe (pela misericordiosa graça de Deus) tristemente (21.10). Porém, quanto maior a subida
pela boca de uma mulher (Grant). maior a queda, e uma vez cedendo á descrença, um
A versão dos L X X omite "os inimigos de..." no passo errado envolve outro para o confirmar; a cruel-
versículo 22. dade é acrescentada ao engano, e muitas vidas sáo
No caráter de Nabal não há nada que possamos sacrificadas para conservar a sua própria. Que coisa
admirar, mas Abigail se realça como uma mulher medonha é a incredulidade!
sensata, prudente e ajuizada. E Davi se arrepende, " A exposição encontra as suas dificuldades, mas
mediante as palavras dela, a ponto de dizer: a lição moral é evidente, e é isso que carece ser frisa-
"Deus... me impediu de fazer o mal" (v. 34). Sim, o do. Podemos notar que um homem piedoso, desenca-
impediu por meio da pronta intervenção deia. O que minhado e afastado de Deus. pode ser um mui zeloso
Deus pensou de Nabal podemos compreender do destruidor de males liem evidentes ( w . 8,9) e contu-
versículo 38. do ficar mais afastado de Deus que nunca; até um
zelo aumentado contra os males dos outros pode
Capítulo 26 acompanhar um estado em que se evidencia uma
falta de julgamento próprio" (Grant).
Davi poupa Saul outra vez. Mais uma vez encon-
tramos a traição dos Zifitas (v. 1). Mais outra vez o Capitulo 28
mesmo Saul, cheio de malícia e inimizade, vai com
3.000 homens escolhidos para apanhar um fugitivo. Saul e a pitonisa de Endor. Neste capitulo vemos
Mais uma vez vemos Davi, sagaz, vigilante, corajo- Saul numa situação deveras lastimável. O inimigo
so, enérgico, reverente, paciente e generoso. A lança avança, e Saul está medroso. Sente a necessidade de
de Saul fica. afinal, com quem a merece (v. 8). conselho, de conforto, de direção. Mas Samuel, que
Todo o procedimento de Davi para com Saul era durante tantos anos tinha sido seu mentor e conse-
baseado no fato de Saul ser "o ungido do Senhor", e, lheiro. está morto, e Deus não lhe responde. Nessa
contudo, Davi era também o ungido do Senhor (1 extremidade o rei. impaciente, recorre a um meio de-
Sm 16.13). Mas ele compreendeu que seu tempo ain- sesperado e proibido: o espiritismo.
da não chegara, e que Deus requeria dele a paciência Mas, porventura, não haveria outro alvitre? Não
que espera a hora divinamente marcada. Davi podia poderia ter atendido aos conselhos piedosos dos sa-
ter destruído Saul, mas não quis. Saul queria des- cerdotes? Não devia ter consultado o parecer dos ge-
truir Davi, mas náo pôde. nerais? E o próprio Deus, em face do sincero arre-
Saul confessa ter procedido nesciamente (v. 21). pendimento, e da confissão das iniqüidades passa-
Reconhece a loucura do seu pecado, mas não a sua das, não teria, afinal, atendido á sua oração?
culpabilidade.
Porém a hora da provação descobre, fatalmente,
"Quanto a Davi, a sua retidáo é mais uma vez de- a tendência de toda a vida. O homem que constante-
monstrada, e proclamada aos ouvidos de todo o povo mente domina seu gênio, que reprova em si os come-
pelo seu inimigo persistente. Uma justificação mais ços da ira e amargura, quando chega a maior provo-
completa não teria sido possível, junto com o teste- cação pode responder com mansidão e prudência. O
munho da lança e da bilha de água. E Davi conse- homem que "espera no Senhor" sempre, mesmo
guiu tudo isto mediante a persistência do seu perse- quando náo recebe uma resposta clara às suas ora-
guidor. Como Davi devia ter ficado livre de todo o re- ções, humildemente espera ainda. As pequenas vitó-
ceio quando mais uma vez salvara Saul tão notavel- rias espirituais de todos os dias são necessárias como
mente!" (Grant). uma preparação para o dia da maior provação. Por-
Capítulo 27 que Davi. que já matara um leão e um urso encon-
trados no decorrer do seu trabalho diário, podia, con-
Davi outra vez com Aquis, rei de Gate. Em vista fiado em Deus, enfrentar o gigante.
do passado imediato, é espantoso ver Davi agora
completamente desanimado, e dizendo: "Ora. pere- Saul procura uma pitonisa e a pitonisa invoca a
cerei ainda algum dia pela mão de Saul. Pensamos Samuel - e parece assustada quando Samuel mesmo
imediatamente: "Porventura nós também somos tão responde ã chamada (v. 12). Que fosse Samuel mes-
volúveis, tão descrentes? Para nós também as mise- mo quem "subiu" náo é somente o que a Escritura
ricórdias passadas de Deus significam tão pouco, . diz, mas com isso concordam "-Justino Mártir, Origi-
que olhamos medrosos para o futuro?" nes. S. Agostinho e outros, e a maior parte dos co-
mentadores judáicos"!
E este extraordinário lapso da parte de Davi náo
somente prejudica a sua própria vida espiritual e o As palavras de Samuel sáo pesadas, e não podem
põe no poder do inimigo, para batalhar a favor dos ser outras. "Anos de impenitência terminam com
iníquos, mas envolve no mesmo desvio os 600 com- uma ruína completa. O caráter moral é o elemento
panheiros seus. Um dos pensamentos mais funestos decisivo em determinar nossa condição presente e
do homem que de novo se torna servo do pecado, futura. Precisamos viver agora como queremos con-
com certeza deve ser que ele vai arrastar consigo to- templar nossa vida desde seu fim. Samuel, chamado
dos quantos estáo sob sua influência: filhos, amigos e do SheoL, somente confirma o que dissera a Saul em
admiradores. vida ( w . 16 a 19)" (Scroggie).

Nota do Editor: Sobre Saul e a pitonisa óe Eador, vede a N.E. ao comentário mo capitulo 18 de Deuteronômio. nee
obra. Outroasim, aconselhamos a leitura do livro ali mencionado, pois, em que pesem m argumento* apresentad
pelo autor. nAo ee pode, pelo contexto bíblico, aceitar que tenha «ido o espirito de Samuel que "subiu" para falar co
SauL

106
1 Samuel

Nota: Embora nosso capítulo não diga expressa- 4) O despojo (21-31). Esta parte divide-se em
mente que Samuel foi chamado do Sheol, podemos duas seções. Na primeira, vemos Davi e seus compa-
demorar um pouco para investigar essa palavra, em- nheiros (21-25). Somos provados pelo bom êxito
pregada 65 vezes no V.T. como pelo mau sucesso. Alguns dos 400 julgaram que
Em Almeida é traduzida sepultura 31 vezes, in- os 200 não tinham direito a participar dos despojos,
ferno 31 vezes e sepulcro 3 vezes. Na V.B. (salvo en- porque não tinham ido à frente. São bem chamados
gano) é sempre escrita sheol, sem traduzir. "malvados" (v. 22), e, sem dúvida, foram os mesmos
Não é certo que seja forçoso ligar a idéia de locali- que antes votaram que Davi fosse apedrejado. Os
dade com a palavra sheol (ou seu equivalente no 200 tinham prestado serviço importante e mereciam
N.T., hades). É possível que deva ser entendida algum reconhecimento (v. 24).
como um estado: " o estado de morte". Esse sentido Na segunda seção, vemos Davi e seus amigos (26-
tem cabimento em todos os lugares onde a palavra se 31). Na hora da sua vitória ele se lembra de todos os
encontra. que o tinham protegido quando andava fugitivo.
Porventura tem sido assim conosco? No dia da pros-
Capítulo 29 peridade lembramo-nos dos amigos da nossa adver-
Davi marcha com Aquis contra os israelitas. sidade?
F.W. Grant comenta assim: Davi "se confortou no Senhor seu Deus" (v. 6). É
"Neste capítulo, vemos Davi mais uma vez em assim que fazemos em cada hora da adversidade? O
terrível decadência espiritual. Visto que ele positiva- remédio soberano para todas as provações é recorrer
mente sai para acompanhar o rei filisteu à guerra, os a Deus e contar com a sua proteção.
chefes militares, com mais discernimento do que o
Capitulo 31
nào suspeitoso Aquis, recusam tal cooperação duvi-
dosa. Mui naturalmente não podem acreditar que A morte de Saul e seus filhos. "Há três notas
Davi vá renegar a sua história toda, e pensam que ele principais neste capítulo.
há de reconciliar-se com Saul, traindo seus aliados. 1) Derrota (1-6): derrota completa e final; derro-
"Nisto percebemos que Deus forneceu um meio ta ignominiosa e trágica; derrota do culpado e do
de salvação para Davi do laço em que se ele se envol- inocente; derrota retribuitiva e patética. O juízo
vera, e com que agrado fervoroso havíamos dè espe- sempre chega afinal. A justiça se cumpre. O fim de
rar vê-lo aceitar. Mas nada disso. Ele continua a ser uma vida está de acordo com seu caráter e curso - es-
hipócrita. Alega que, para ele, os israelitas nào são tas são algumas das lições da vida de Saul. Como po-
outra coisa senão 'os inimigos do rei meu senhor' (v. dia ter sido diferente esse fim!
8), contra quem é seu dever e privilégio lutar, e ainda Comparemos dois homens com o nome Saul: um
se atreve a apelar para sua conduta irrepreensível de Gibeá e o outro de Tarso. As suas histórias podem
durante todo o tempo em que tem servido aos filis- ser resumidas em duas palavras - um repeliu o plano
teus - bem sabendo que em tudo isto ele não é outra divino para sua vida. O outro aceitou e cumpriu esse
coisa senão hipócrita. Tal é a conduta de um santo plano.
quando afastado de Deus. Quão fácil é ser endureci- E o inocente sofre com o culpado (v. 2). Essa
do pelo engano do pecado!" grande alma, Jónatas, cai, lutando lealmente ao
lado de seu pai já desamparado de Deus. Todo o Is-
Capítulo 30 rael está envolvido na derrota.
2) Desumanidade (vv. 7-10). Davi sempre recu-
Ziclaque saqueada pelos amalequitas. Podemos sou fazer mal ao "ungido do Senhor", mas os bárba-
dividir este capítulo assim: 1) A descoberta; 2) a per- ros filisteus não hesitaram em desonrar os cadáveres
seguição; 3) o socorro; 4) o despojo. de Saul e seus filhos.
1) A descoberta (1-6). No rumo do pecado se- 3) Gratidão (11-13). É preciso tornar a ler o capi-
guem muitas tribulações. Davi tinha-se aliado com tulo 11. Os homens de -Jabes-Gileade foram os pri-
Aquis, rei de Gate, mas os príncipes dos filisteus não meiros a ser protegidos por Saul, e disso não se es-
consentem que eie os acompanhe, por isso é civil- queceram. pois ele se arriscara por eles. Agora eles se
mente despedido. Mas ao regressar a Ziclaque. seu arriscam por Saul. embora já falecido. "Não há nada
quartel general (27.6), ele faz uma triste descoberta: mais desprezível do que um homem ingrato".
a cidade queimada, e todos os seus habitantes cati- Este livro começa com o nascimento de Samuel e
vos, incluindo duas das suas mulheres. Que fazer? termina com a morte de Saul. Que temos aprendido
Os homens de Davi não tinha outra proposta melhor dele? (Scroggie).
do que apedrejar seu chefe (v. 6). Mas como podia a
morte de Davi resolver o problema? REFERÊNCIAS NO NOVO T E S T A M E N T O AO
2) A perseguição (7-15). Davi tratou a dificuldade LIVRO DE 1 S A M U E L
de outra maneira: foi ter com Deus (6 a 8). Orou. 1 Sm 2.1 - Lc 1.46,47
Perguntou. O Senhor respondeu, e então Davi agiu. 1 Sm 8.5.10.1 - At 13.21
3) O socorro (16-20). A derrota dos amalequitas 1 Sm 13.14 - At 13.22
foi tão completa quanto fora no começo a sua con- 1 Sm 15.22 - Mc 12.33
fiança. Nào tinham pensado em Deus. Davi recupe-
1 Sm 21.6 - Mt 12.3,4; Mc 2.25.26; e Lc 6.3,4 (An-
ra tudo, pela bênção divina. Ele mostra fé, coragem,
energia. gus).

107
I
2 Samuel

orno o "primeiro de Sa- A M E N S A G E M DE 2 S A M U E L


muel" o livro recorda a
falha do homem, em Morto Saul, Davi, que tinha sido ungido secreta-
Eli, em Saul e até em mente na sua mocidade em Belém, é agora ungido
Samuel, assim o "se- publicamente em Hebrom para reinar sobre a Casa
gundo de Samuel" descreve a restauração da ordem de Judá, por enquanto, pois dez das tribos estão re-
pela entrénização do rei segundo o coração de Deus, voltadas sob Abner e Isbosete. Isto continuou por
a saber Davi. sete anos e meio; então uma briga entre Abner e o rei
Es te livro também recorda o estabelecimento do resultou no desmoronamento da rebelião e em Davi
centro pólítico de Israel em Jerusalém (2 Sm 5.2-6), ser convidado a reinar sobre todo o Israel, e ser ungi-
e seu centro religioso em Sião (2 Sm 5.7; 6.1-17). do pela terceira vez. Por mais 33 anos ele ocupa o
Quando tudo está assim ordenado, Jeová estabelece trono de Israel. Devemos notar duas coisas:
a grande Aliança Davidica (7.8-17), segundo a qual 1. A política interna de Davi Isto pode ser resu-
se desenvolve toda a verdade referente ao reino. Da- mido em uma palavra: Centralização de poder e cul-
vi, nas suas últimas palavras (23.1-7), descreve o rei- to. Até então tinha havido muitos e diversos centros
no milenial que virá no cumprimento dos tempos. de culto, mas Davi percebeu que a estabilização do
O livro « t á dividido em quatro partes: 1. Da reino dependia, no futuro, de haver, não somente
morte de Saul à unçáo de Davi sobre Judá em um lugar único para culto, mas de um só centro de
Hebrom (1.1-2.7). 2. Da unçáo em Hebrom ao esta- governo.
belecimento de Davi sobre o Israel unido (2.8 a 5.5). 2. A política externa de Davi. Isto pode ser resu-
3. Da conquista de Jerusalém á rebelião de Absaláo mido na exterminação de todos os adversários. Ve-
(5.6 a 14.33). 4. Da rebelião de Absaláo è compra do mos isto no capítulo 8, onde lemos das suas vitórias
terreno para o templo (15.1 a 24.25). sobre a Síria, Moabe. Amaleque, Zobá e a Filistia.
Aqui náo lemos de nenhuma derrota; enquanto a
casa de Saul tornou-se cada vez mais fraca, a de
Davi tornou-se cada vez mais forte. O segredo do seu
A N Á L I S E DE 2 SAMUEL Jbom êxito foi a sua dependência de Deus em tudo.
O pecado de Davi (caps. 11a 18). Sua decadência
1. Davi rei sobre Judá em Hebrom (cape. 1 a 4) - sete começou em 11.1: quando o exército saiu para a
anos e meio. guerra, ele ficou em casa. Tal preguiça resultou nes-
1.1. Lamento sobre Saul (cap. 1). se pecado que era uma terrível mancha sobre seu ca-
1.2. Revolta de Abner (cap. 2). ráter nobre: o mais notável fracasso de uma grande
1.3. Volta e morte de Abner (cap. 3). carreira.
1.4. Morte de Isbosete (cap. 4). Notemos: a) Seu grande pecado. Começa com a
2. Davi rei de Judá e Israel em Jerusalém (cape. 5 a preguiça e a concupiscéncia dos olhos, e culmina no
24) - trinta e três anos. assassinio de um homem inocente, b) Seu pesado
2.1. O trono de Davi (caps. 5 a 7). castigo. Primeiro: a reprovação do seu pecado pelo
2.2. As conquistas de Davi (caps. 8 a 10). profeta Na tá; a morte do menino; o pecado e morte
2.3. O pecado e sofrimento de Davi (cape. 11 a de Amnon; o desterro e rebelião de Absalão; o des-
18). tronamento de Davi, etc. c) Seu sincero arrependi-
2.4. A restauração de Davi (caps. 19 a 24). mento. (Vemos isto no Salmo 51.) Davi náo perdera

109
2 Scmud

a salvação, mas o gozo da salvação. Ele reconhece adversidade, iam ser companheiras no reino. Parece
que fizera mal tanto a Urias como a Betseba. mas so- que ainda nào tinha filhos. O primeiro nasceu em
mente contra Deus tinha pecado. (Entendemos as- Hebrom (3.2). c) A honra que recebeu dos filhos de
sim, apesar da nota do bispo Horsley ao Salmo 51.) -Judá ungiram-no rei sobre Judá - não sobre todo
A restauração de Davi (2 Sm 19 a 1 Rs 2.11). Davi Israel. Nós podemos reconhecer o domínio de Cristo
volta ao trono. Seu primeiro ato é perdoar um dos sobre nós mesmos, e deixar para um dia futuro ser
culpados (19.22,23). Os fiéis são premiados, os inimi- Ele reconhecido Rei por todos, d) A mensagem res-
gos derrotados. Não estava sem dificuldades nesses peitosa que ele mandou aos homens de Jabes-Gi
dias derradeiros, mas também não estava sem Deus leade, Davi continua a honrar a memória do seu pre-
(Scroggie). decessor. Saul, demonstrando que nâo era usurpa-
dor.
O U T R A A N Á L I S E Ê: Revolta de Abner e Isbosete (8-17). Uma rivali-
dade entre dois soberanos: um feito rei por Deus e o
1. Os triunfos do rei (caps. 1 a 10). outro por Abner. Um encontro entre duas forças ar-
Rei em Hebrom sobre Judá madas - nào. ao que parece, dois exércitos inteiros,
Rei em Jerusalém sobre todo Israel visto que as baixas foram poucas ( w . 30,31).
2. A s tributações do rei (caps. 11 a 20). Nesta batalha. Abner era agressor: a localidade
Seu pecado do conflito foi Gibeom (v. 13). A luta começou com
Seu castigo uma peleja proposta por Abner entre doze moços de
Sua restauração cada lado - talvez uma espécie de combate a estilo
3. Os tempos do rei (caps. 21 a 24). dos gladiadores romanos, em tempos mais recentes.
A fome Mais tarde a batalha tornou-se geral, e Abner foi
Os cânticos» derrotado
Os heróis
O censo Asael persegue Abner ( w . 18-28). E uma cena
impressionante: o moço ligeiro e atrevido, ambicioso
Capítulo 1 de fazer presa do general inimigo; Abner, mais pos-
sante. avisando-o do seu perigo em persegui-lo. e
A mentira do amaleouita. Este amalequita pare- aconselhando-o a contentar-se com uma presa me-
ce ter sido um vagabundo que depois da batalha pro- nor. O moço, estouvado. não atendendo o aviso, mor-
curava despojos, e casualmente encontrou o corpo re pelo seu atrevimento. A lição para nós pode ser
morto de Saul. Apanhou sua coroa e bracelete e le- que precisamos distinguir entre o serviço que é preci-
vou-os a Davi, esperando ser recompensado. Depois so fazer, e a pessoa competente para fazé-lo. Às ve-
lembrou-se de enfeitar o seu relatório, contando que zes, um moço crente pensa na necessidade de evan-
ele mesmo matara Saul, que sabemos ser mentira gelizar um homem idoso, e somente consegue ofen-
pela descrição em 1 Samuel 31.1-6. dê-lo. devido à sua falta de perícia no serviço.
Mas a mentira custou-lhe a vida. pois Davi, em Os dois generais. -Joabe e Abner desafiaram-se:
vez de o premiar, mandou matá-lo. porque, segundo nem um nem outro era homem piedoso, e ambos,
a sua própria afirmação, "estendeu a mão para ma- mais tarde, cada um por sua vez, morreram de morte
tar o ungido de Jeová". violenta.
O cântico do arco (17-27). Assim chamado prova-
velmente por motivo da referência ao arco de Jôna- Capítulos 3 e 4
tas no versículo 22. E uma canção fúnebre incluida
numa coleção de cânticos heróicos chamada " O Li- Abner faz aliança com Davi (7-21). Abner brigou
vro de Jaser" ou " o Reto'*, uma espécie de antologia com seu amo Isbosete porque não quis ser admoesta-
nacional. É referido aqui e em Josué 10.13. do (v. 8). Ainda hoje há muitos que não toleram uma
Matthew Henry nota que o poema revela ser Da- admoestação. Pensam que assim mostram brio, mas
vi: antes provam seu egoísmo e falta de humildade.
1) Um homem de espirito excelente, em quatro Por isso. Abner abandona seu senhor e vai a Da-
coisas: a) É generoso para com o seu declarado ini- vi, com quem está seu maior inimigo. Joabe. A con-
migo Saul. b) Ê grato para com o seu declarado ami- seqüência é imediata: ele é assassinado por Joabe
go Jônatas. c) Está muito preocupado com a honra um pouco mais tarde (27-30). Disso resulta um es-
de -Jeová, não querendo que os filhos dos íncircunci- friamento entre Davi e seu general, Joabe.
sos triunfem sobre o povo de Deus. d) Está muito de- O capitulo 4 conta o assassinio de Isbosete e a
sejoso do bem do povo - sente que a glória de Israel morte judicial dos assassinos (12). Em tudo isto Davi
tem sido ferida (v. 19). mostrou um espirito reto e justiceiro, e provou a todo
2) Um homem sábio e santo, de uma imaginação o Israel ser um soberano que havia de governar o
refinada. N ã o deseja que o ocorrido seja publicado: povo com retidão. O crente hoje, que não é rei, pode
"Não o noticieis em Gate". Amaldiçoa as monta- ser patrão, e pode merecer a estima dos empregados
nhas de Gilboa, onde sucedeu a desgraça (21), etc. pelo seu procedimento correto em todas as circuns-
tâncias.
Capítulo 2
Capitulo 5
Davi é aclamado rei de Judá (1-7). Notemos: a) A
direção que ele procurou de Deus, e obteve. Embora Davi, rei sobre todo o Israel. "Esta é a terceira
seu caminho parecesse evidente, contudo consulta a vez que Davi é ungido rei. Primeiro em 1 Samuel
direção e a vontade divina, b ) Seu cuidado com a 16.13; depois em 2 Samuel 2.4, e afinal aqui, em 5.3.
família (v. 2). As mulheres, suas companheiras na Apesar de toda a malícia de Saul, o propósito e a

110
1 Samuel

promessa de Deus se cumprem, e Davi é o rei do que, se Jeová era Deus, o gado havia de lhe obedecer
povo eleito, o primeiro dessa linha real da qual o pró- sem qualquer direção humana, e até contra seus pró-
prio Senhor Jesus será a grande consumação. Ele se- prios instintos. Mas os israelitas, ao entregarem a
rá o Príncipe da Casa de Davi. o Leão da Tribo de arca ao carro, querem que Uzá e Aío guiem o gado.
Judá. a Raiz e Semente de Davi" (Goodman). Não têm confiança no seu próprio expediente e já es-
A soberania de Davi é baseada em três coisas: tão entregues á obra perigosa de contar com os pró-
DO direito de parentesco: "Eis-nos aqui, somos prios recursos no caso de aparecer qualquer dificul-
teus ossos e a tua carne", dizem as tribos de Israel. dade. Nada mais então tinham aprendido durante
Assim o crente pode regozijar-se em Cristo: "somos todos os anos em que a arca estivera na casa de Abi-
membros do seu corpo, da sua carne e dos seus os- nadabe!
sos" (Ef 5.30). Quem podia ser mais próprio para rei-
nar sobre nós do que esse que foi feito "semelhante "Contudo a coisa vai bem no princípio. Há rego-
aos seus irmãos?" «Hb 2.17). zijos e abundantes demonstrações de lealdade da
2) O direito de redenção. Foi Davi que, mesmo parte do povo, até que, chegando ao lugar prepara-
nos tempos de Saul. livrara o povo dos seus inimigos, do, os bois tropeçam e Uzá estende a mão e segura a
os filisteus. E nosso "Davi" tem o mesmo direito de arca. Uzá significa 'força', mas ele não se havia me-
reinar sobre nós. pois Ele lutou por nós, e, no Calvá- dido na presença de Deus, nem aprendido a verda-
rio. ganhou a vitória sobre o pecado, a morte e o In- deira fonte da força. Seu ato revela o que a arca sig-
ferno. nifica para ele - o ato de uma alma ignorante de
3) O direito de uma designação divina: "Jeová te Deus e de si mesmo. E ele é ferido, e o eirado prepa-
disse... tu serás príncipe sobre Israel". Ê assim com o rado vem a ser Perez-L"zá, 'o quebramento da força'.
Senhor Jesus. Lemos: "Ungi o meu Rei sobre o meu " E estranho que no serviço do santuário Davi fos-
santo monte de Sião" (SI 2.6). se tão ignorante; mas casos semelhantes abundam
Nos versículos 13-16 vemo-lo, semelhante aos reis entre nós hoje. O fato de ser bem-intencionada mui-
gentios em redor, "tomando para si concubinas e tas vezes impede a pessoa de procurar indagar a von-
mulheres de Jerusaléme tendo uma porção de fi- tade do Senhor, ou de verificar tudo pela sua Pala-
lhos. Em algumas coisas podemos pensar de Davi vra. Se a coisa proposta for boa em si, por que tanto
como um tipo de Cristo, e em outras ele é bem dife- escrúpulo quanto a modos e métodos? Quão pouco
rente. A vida do crente é a Bíblia do seu vizinho des- compreendemos a falta de reverência que jaz sob
crente, na qual esse lê todos os dias. Bom é quando uma aparência de devoção honesta, onde presume-se
representamos nosso Salvador fielmente, pois nossa que a sabedoria humana é suficiente para tomar
conduta é a revelação única de Deus que muitos dos uma resolução sem consultar a Deus, ou a força hu-
nossos vizinhos jamais terão. mana suficiente para operar a sua vontade! Quantas
vezes nossos 'Uzás' são feridos, justamente quando
O restante deste capítulo se ocupa com mais vitó- imaginamos que nosso serviço deve ser bem aceitá-
rias de Davi sobre os jebuseus e os filisteus. vel a Deus!
Capítulo 6 " E m seguida vem a reação de toda esta confiança
vã. 'Davi teve medo de Jeová naquele dia, e disse:
Davi traz a arca para Perez-Uzá. O comentário Como virá a mim a arca de Jeová?' Assim passamos
de F. W. Grant sobre este capítulo é muito instruti- de um extremo a outro, e de acordo com a medida da
vo, e merece ser cuidadosamente ponderado. Diz ele: nossa primeira confiança, vem a ser a profundeza do
"Davi, embora quisesse ser um servo fiel, comete um nosso desespero. Onde esperamos encontrar as pro-
grande erro que acarreta conseqüências graves. E vas de uma benigna aceitação e aprovação de Deus,
bastante estranho que. num assunto como este, ele temos, por vezes, achado os sinais do seu desagrado.
não indague nada de Deus nem se lembre da direção "Mas, como temos visto, o caso é simples. Como
dada na Lei referente ao transporte da arca e vasos podia Deus aceitar o completo abandono da sua pa-
sagrados. Ainda mais estranho é que. de todas as lavra e a adoção dos meios dos filisteus. quando Ele
pessoas apartadas para o serviço do santuário, não tinha revelado a sua vontade? E isto feito bem publi-
tenha havido nenhum sacerdote ou levita para ad- camente. e por todo o povo".
vertir o bem-intencionado rei sobre o modo prescrito
de conduzir a arca. Muito já tinham sofrido os filis- Muito ainda escreve F. W. Gran t sobre o mesmo
teus devido à desonra feita á arca. Muito sofreram os ponto, mas nosso espaço não permite traduzir mais.
homens de Bete-Semes. Contudo o expediente dos
filisteus - o carro de vacas - para descobrirem, da Davi traz a arca para Jerusalém (12-23). Neste
melhor maneira que sabiam, se deveras foi a mão de trecho podemos estudar 1) Obede-Edom; 2) Davi; 3)
Jeová que os ferira: esse é o modo que Davi adota Mical
para levar a arca a Sião! 1) Obede-Edom. Receber a arca de Deus na sua
casa era uma experiência inesperada. Dias antes ele
" É verdade que Deus permitira aos filisteus não teria sonhado em tal coisa. Isso significa receber
aprender a sua lição desse modo, e isso talvez fosse o Cristo no coração. Para alguns, é uma experiência
motivo de Davi adotar o mesmo meio, mas essa imi- gloriosa e abençoada. Para outros é uma experiência
tação não tinha desculpa. Deus falara sobre o assun- ainda a ser realizada.
to e a ignorância do que Ele determinara mostrava Podemos crer que Obede-Edom recebeu a area
descuido, ou esquecimento culpável. Como podia reverente, humilde, esperançosamente, crendo que
Deus neste frisante exemplo, perante os olhos da na- nisso ele fazia a vontade de Deus.
ção inteira, estabelecer um precedente para os tem- Receber a arca de Deus na sua casa era uma ex-
pos futuros, e fazer pouco caso da sua própria honra? periência passageira. A arca não ficaria ali para sem-
" E vão atrás dos filisteus, como todos os imitado- pre. Era necessário aproveitar bem as semanas, por-
res costumam fazer. Os filisteus tinham pensado que no ano seguinte não haveria oportunidade.

111
2 5cmud

A hora no monte da transfiguração passou. A vi- "Mas isto náo quer dizer que o zelo e o fervor não
são que Paulo teve do Paraíso era passageira (2 Co são aceitáveis a Deus: certamente são. Por isto Deus
12.2); depois seguiram dias comuns, cheios de inci- prossegue, ao mesmo tempo que recusa a proposta
dentes ordinários. Nós podemos, ás vezes, experi- de Davi. em lhe assegurar o que há de fazer para ele:
mentar momentos de exaltação espiritual, períodos 'Também Jeová te diz que Ele mesmo te fará uma
de mais íntima comunhão com Deus. e recordá-los casa' (v. 11).
depois com gratidão. A nossa natureza náo pode su- " U m filho lhe será levantado em que o reino será
portar um excesso de incidentes sublimes, como nos- estabelecido, e que cumprirá o desejo que agora está
so paladar não pode suportar um excesso de açúcar no coração de Davi, e seu trono será estabelecido
no café. para sempre.
2) Davi, neste trecho, parece-nos ser um homem "Salomão está primeiro em vista nesta promessa,
piedoso, desejoso, sobretudo, de ter bem perto dele como sabemos; mas Cristo é o único filho de Davi em
sempre o símbolo da presença de Deus. Somos as- que a profecia pode ser plenamente cumprida. O fi-
sim. porventura, também desejosos de sentir Deus lho que está perto é apenas uma sombra do Filho
bem perto, mesmo nas nossas horas mais íntimas? maior mais ao longe; e a casa feita por mãos é apenas
Davi era um homem instruído, e compreendia uma antecipação da gloriosa Casa contra a qual as
que náo podia aproximar-se de Deus sem o devido portas do Inferno náo poderão prevalecer. Assim ve-
sacrifício (v. 13). mos como a instabilidade da descendência mera-
Davi era um homem entusiasta, que não se pou- mente humana náo pode invalidar a palavra que
pava em demonstrar o seu fervor religioso. tem saído da boca de Jeová" (F.W.Grant).
Davi era um homem generoso, que fez uma festa
para o povo ao mesmo tempo que adorava a Deus. Capítulo 8
3) A47caí é o tipo de uma pessoa carnal, que des-
prezava porque não compreendia um entusiasmo es- As vitórias de Davi. Este capítulo está cheio de
piritual. Evidentemente, era indigna de ser esposa conflitos, batalhas e vitórias. Em verdade, Davi era
de Davi, porque ela náo podia compreender seu culto "homem de guerra", como seu filho Salomão era
a Deus; porque náo era submissa, como deve ser uma "príncipe da paz".
esposa; porque usava um exagero malicioso e menti- A expressão no primeiro versículo: "as rédeas da
roso em descrever a cena que presenciara (v. 20); não metrópole" (V.B.) é problemática. Diz Grant: "Isto
podemos pensar que Davi tenha feito qualquer coisa náo pode significar que Davi tirou o domínio dos fi-
indecente com o uso do vestuário de sacerdote. (Ve- listeus sobre Israel, pois isso com certeza já findara
ja-se Levítico 16.4.) havia muito. Por isso parece-nos referir-se ao gover-
no interno do pais, uma cidade (Gate 1 Cr 18.1) que
A conseqüência para Mical desta crítica carnal tem domínio sobre o resto".
de um ato religioso foi perder a intimidade com Davi Ê provável que devemos ler o versículo 3: "quan-
que, como esposa, havia de esperar (v. 33). do ele [ Davi] foi estender o seu poder até o rio f Eu-
Devemos recear que, em conseqüência de senti- frates]". Parece-nos que Davi tinha um propósito
dos carnais em assuntos espirituais, percamos nossa deliberado de tomar posse das terras até o limite da
intimidade com Cristo. promessa a Abraão em Gênesis 15.
Capitulo 7 Os "escudos de ouro" dos servos (náo soldados)
de Hadadezer eram provavelmente escudos usados
Davi deseja edificar o templo. "Davi está no seu no palácio desse rei em ocasiões de grande gala.
trono e em paz; tem descanso de todo6 os seus inimi- Nos versículos 10 e 11 vemos o ouro, a prata e o
gos em redor. Mora na sua casa de cedro, e julga ser bronze que Jorão trouxe a Davi consagrados a Jeová.
uma coisa sem cabimento que a arca de Jeová esteja Os valores que nós recebemos podemos semelhante-
numa tenda. mente consagrar a Deus.
"Aqui vemos imediatamente como o coração do Temos mais satisfação em ler que Davi "admi-
homem pode estar direito perante Deus, e seus pen- nistrava o juízo e a justiça a todo o seu povo" (v. 15)
samentos errados. Davi revela seu desejo a Natá, que do que em todas as suas vitórias. Os servos de Deus
primeiro aprova seu propósito, dizendo: 'Vai, faze ainda hoje precisam combater o erro e ganhar vitória
tudo o que tens no teu coração. porque Jeová está sobre ensinos falsos, mas o melhor mesmo é empre-
contigo'. garem as suas energias no ensino da verdade.
"Mas a Palavra de Deus é uma coisa mui diferen- Proposta emenda de tradução: "Davi subjugou a
te dos melhores pensamentos das melhores pessoas, metrópole dos filisteus" (8.1) (R. 56).
e logo Natã tem muitas palavras mui diferentes pos-
Capítulo 9
tas na sua boca por Deus. Aqui também Deus mos-
tra a Davi que seu pensamento é errado, pelo fato de Davi e Mefibosete. " N a hora da sua prosperida-
não ser baseado em qualquer prévia intimaçáo da de. Davi náo se esqueceu do amor de Jõnatas na sua
vontade divina. Porventura um homem pode pensar adversidade, e por amor dele quis mostrar benevo-
por Deus? Podemos antecipar a sua mente? É im- lência a qualquer remanescente da família de Saul.
possível: tudo que o espírito mais fervoroso pode fa- Recomendaram-lhe então Mefibosete, o príncipe co-
zer é obedecer-lhe. Por isso Davi há de ser errado, xo. que vivia da outra banda do Jordão, numa cida-
como qualquer outro que pretenda acrescentar algu- de de Manassés chamada Lo-Debar. que significa
ma coisa á perfeita Palavra de Deus. 'lugar sem pastor", 'terreno deserto'.
"Assim Deus diz: 'Em todos os lugares em que te- "Por isso Davi manda buscá-lo para mostrar-lhe
nho peregrinado com todos os filhos de Israel, falei 'a bondade de Deus', restaurando-lhe os terrenos de
jamais palavra a alguma das suas tribos... por que Saul e deixando-o comer continuamente à mesa do
não me tendes edificado uma casa de cedro?' rei. Tudo isto não somente mostra a generosidade do

112
2Samiu\

coração de Davi, mas pode ser empregado como uma náo podia ter procedido com a dignidade de esposa
ilustração do Evangelho: de um homem valente? Não podia ter gritado por so-
1) O triste caso do pecador. Como Mefibosete. ele corro? (Dt 22.24).
tem caido e é coxo, assim incapaz de andar nos ca-
minhos de Deus. Ainda mais, está bem longe, numa Capítulo 12
terra deserta.
2) A graça do rei. Está no seu coração mostrar Natã repreende Davi. Logo a seguir, Deus. que
bondade (Ef 2.4-7; Tt 3.4). Manda procurar o aleija- tudo vê. manda o profeta Natã repreender o rei cri-
do. leva-o junto a si, e outorga paz ao seu coração. minoso. Sobre isto o dr. Goodman diz:
3) O motivo da graça não se encontra no objeto 1) "Deus não faz acepção de pessoas. Os reis não
dela. Mefibosete confessou que era 'um cdo morto' podem pecar e fugir às conseqüências mais do que
(veja-se Mateus 15.27), e a salvação não é de mereci- quaisquer outras pessoas. Podem estar acima das
mento nem de obras, mas é a dádiva de Deus por leis humanas, mas náo das divinas.
amor de Cristo. 2) " O homem mais santo é capaz de cair no peca-
4) O enriquecimento e dignidade (9.11). Como do mais terrível. Nossos corações sáo todos seme-
acontece conosco. Mefibosete tomou a receber tudo lhantes, e. a náo ser pela graça de Deus, capazes das
que seu pai perdera, e ainda mais. foi colocado à ações mais vis. Somente na medida que aprende-
mesa do rei como um dos príncipes. Assim nós tam- mos a andar no Espirito poderemos cessar de obede-
bém temos sido 'abençoados... com todas as bênçãos cer às concupiscências da carne (G1 5.16).
espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Ef 1.3) e 3) "Nenhum pecado está escondido aos olhos de
somos feitos filhos de Deus' (Jo 1.12)" (Goodman). Deus. O que Davi fez desagradou a Deus. Seus olhos
Neste capítulo aparece pela primeira vez Ziba, o santos tudo vêem.
servo de Mefibosete. Mais tarde ele torna a aparecer 4) "Os homens condenam nos outros o que des-
em circunstâncias mais funestas. culpam em si. Davi sentenciou-se à morte (v. 5),
pensando que era crime de outro que estava julgan-
Capítulos 10 e 11 do. 'O homem... morrerá' disse ele. 'Tu és o homem!'
disse Natã.
Vitória material e derrota moral. O capitulo 10. 5) " O pecado, embora perdoado, é disciplinado.
relatando palavra por palavra o que temos em 1 Crô- Natã foi instruído a dizer-lhe: 'Jeová fez passar o teu
nicas 19, descreve as vitórias de Davi sobre Amom pecado; não morrerás', mas diz também: 'não se
e Síria. No capítulo 11 temos seu tenrível pecado de apartará jamais a espada da tua casa*. Deus tem em
adultério. Aqui mais uma vez descobrimos (porque vista áo somente a salvação do pecador, mas tam-
náo é novidade) que um sincero homem de Deus bém a disciplina da 'família da fé'. O pecador per-
pode cair no pecado no caso de não andar bem che- doado precisa ser o santo disciplinado".
gado a Deus, e por consentir nos desejos da carne. Um rei, dispondo de muitos recursos e extensos
Ao mesmo tempo que reprovamos o adultério de poderes. precisa refrear-se voluntariamente de cer-
Davi, devemos nos lembrar de que, quando Jesus se tos excessos de que a maioria é resguardada por cir-
referiu ao mesmo pecado, chamou a atenção, não cunstâncias inevitáveis. Por isso, a Lei em Deutero-
para a conduta mas para o coração (Mt 5.28). Assim nômio 17.17 diz que o rei "não multiplicará para si
quem tem o coração mais puro do que o de Davi pode mulheres, para que não $e desvie o seu coração; nem
ser o primeiro a lançar pedra contra a reputação de- multiplicará muito para si a prata e o ouro". Davi, e
le. ainda mais Salomão, desobedeceram este mandado
Estudando este pecado de Davi, Matthew Henry e se entregaram a muitos excessos carnais que gente
nota: mais humilde e pobre não podia praticar. E, contu-
"A ocasião do pecado: Descuido do dever. Quan- do. Davi escreveu muitos salmos piedosos e espiri-
do devia ter estado com o exército no campo, ele es- tuais, e a Salomão são atribuídos ao menos três li-
tava descansando na cama. Preguiça. 'Dormindo a vros da literatura sagrada de Israel!
sesta' em vez de ocupações ativas. Um olhar descon- Porventura não nos ensina este trecho da Escri-
trolado, quando devia ter orado: 'Desvia meus olhos tura que, embora haja com alguém coisas reprová-
de verem a vaidade' (SI 119.37). veis ou mesmo vergonhosas, isto náo quer dizer que
"Os passos do pecado. Viu, e desejou. Indagou não haja nele valores apreciáveis. Contudo, temos
quem era. Mandou chamá-la, talvez com o pensa- conhecido casos era que todo o ensino passado e sub-
mento de uma mera conversa inocente. Pecou, por- seqüente de um servo de Deus tem sido banido da
que o começo do pecado é uma descida fácil. aprovação e apreciação dos seus irmãos, devido tão-
"O agravamento do pecado. Já era de uma certa somente, a um lapso espiritual, mais tarde reprova-
idade: alguns pensam que de uns 50 anos. Tinha mu- do com arrependimento e lágrimas.
lheres e concubinas (12.8). Urias, a quem ofendeu, Com respeito ao primeiro filho de Batseba, que
era um dos seus valentes. Batseba era uma mulher morreu porque Jeová o feriu (15), vemos que Davi:
de boa reputação. Davi era um rei. com o dever de 1) Compreendeu como o pecador devia proceder
exercer a justiça, e dar um bom exemplo." perante o Deus ofendido. Humilhou-se na confissão,
Um pecado resulta em outro. Ao adultério acres- vergonha, e julgamento do seu pecado (v. 16).
centa-se o assassínio do valente e fiel marido de Bat- 2) Orou pela criança (v. 16) com lágrimas e je-
seba. Que fracasso moral na história de um dos mais jum. Não procurou ver a compaixão divina, por emo-
amáveis caracteres da Bíblia! ção.
Alguns podem pensar que a própria Batseba não 3) Quando a criança faleceu, Davi aceitou a von-
era de todo sem culpa. Porventura não podia achar tade de Deus, e cessou de orar (vv. 19.20). Os servos
lugar mais privado para banhar-se senão imediata- esperavam alguma demonstração de pesar e emoção,
mente em frente ao palácio? Na entrevista com o rei, mas, apesar de tudo, Davi era um homem de fé, e

• 113
iSflmud

conformou-se com a vontade divina: As suas pala- da. Tal desculpa de pecado podia trazer somente de-
vras no versículo 23 são sensatas e tocantes. sastre, e o filho malvado logo começa a conspirar
contra seu pai.
Capitulo 13 A graça somente pode reinar pela justiça. E so-
mente na base da satisfação feita sobre a cruz de
Amnon, Tamar e Absalão. "Entre os capítulos 13 Cristo que o santo Deus pode reconciliar o pecador a
a 20 podemos descobrir sete ou oito conseqüências si mesmo, e dar-lhe o beijo do perdão (Goodman).
do pecado de Davi. A primeira foi o incesto de Am-
non; a segunda, o assassinio de Amnon; a terceira foi Capítulo 15
a fuga de Absalão. É mais fácil promover o mal nos
outros do que o bem, e um mau exemplo anima as A bsalão se revolta, e Davi foge. Notemos no pro-
tendências más naqueles que nos rodeiam. Um filho cedimento de Absalão:
de Davi imita o pai na imoralidade, outro no assassi- 1) Uma demonstração de grandeza. Os príncipes
nato. Ê uma perpétua dor moral alguém ver seus fei- orientais costumavam ter servos que corriam adian-
tos reproduzidos nos seus filhos (Scroggie). te dos seus carros. Dois ou quatro, Absalão tinha cin-
" O castigo para Davi nasce no seio da própria qüenta.
família. O mal não controlado no seu próprio caráter 2) A presunção de emprego público (v. 2). Presu-
reflete-se nas paixões dos seus filhos, em que o poder mia fazer-se juiz, sentado á porta da cidade.
da hereditariedade se mostra tão evidente. 3) Fingimento de pena por náo haver oficiais
"Nem podemos duvidar de que a influência do apontados pelo rei.
pecado do pai tinha, com um indivíduo como Am- 4) Adulaçáo e lisonja. Em vez de aceitar a reve-
non. agindo sem o freio do arrependimento paterno. rência devida a um filho do rei, ele levantava o que o
Amnon havia de ver que seu pai pecara, aparente- saudava e o beijava (v. 5).
mente sem sofrer, ele não podia discernir que os pró- 5) Piedade fingida (v. 8). Alegou ter feito um voto
prios vícios do filho haviam de ser o açoite dos peca- a Deus. e assim enganou o rei.
dos do pai. Há uma cegueira inevitável que pertence 6) Astúcia (v. 11). Muitos ficaram envolvidos na
àqueles que rejeitam a sabedoria divina. Tinha tudo revolta sem perceberem seu verdadeiro caráter
isso operado para tornar Amnon um déspota cruel, (Goodman).
sensual - um espectro que bem podia assustar o pai
Hebrom é uma cidade a uns 30 quilômetros ao sul
de um tal filho, visto que ele tinha contribuído tanto
de Jerusalém, e foi ali que Absalão levantou o estan-
para fazer de Amnon o que era" (Grant).
darte de revolta (v. 9). Era tão perto da capital que
teria sido perigoso Davi ficar em Jerusalém sem dis-
Capitulo 14 por de um exército suficiente para se defender.
O dia da sua calamidade foi o dia de provar a
A mulher sábia (1-24). Técoa, sete quilômetros lealdade dos seus amigos e servos. A lealdade de Itai
ao sul de Belém, é tida como sendo a vila de Amós, o é especialmente notável (19,23). Ele era de Gate, ca-
profeta (Am 1.1). pital da Filistia, e por isso podia bem ter sido um ini-
Uma "mulher sábia " era a que desfrutava a fama migo de Davi, e nisso é um tanto parecido com al-
de poder resolver questões difíceis; em alguma coisa guns dos convertidos de hoje.
semelhante a uma feiticeira, porém, sem a má fama A arca devolvida a Jerusalém (25-29). As razões
desta. Uma destas mulheres sábias salvou a cidade por que Davi resolveu mandar a arca para Jerusalém
de Abel quando Joabe a sitiou na sua perseguição de foram provavelmente:
Seba (2 Sm 20.16-22). 1) Porque não quis expô-la aos perigos do campo
Joabe empregou esta mulher para interceder com de batalha. Ele podia ter-se lembrado do que lhe
Davi a favor de Absalão. Serviu-se ele de um caso su- aconteceu na terra dos filisteus.
posto, como Natá fizera. Ela mostrou tanta sabedo- 2) Ele náo tinha nenhuma reverência supersticio-
ria e empregou palavras tão persuasivas, que duran- sa para o símbolo em si. Contava com a presença do
te os séculos têm servido como textos para sermões Senhor consigo.
evangélicos: 3) Ele havia de preferir pensar na arca como des-
1) A necessidade humana: "Morremos, e somos cansada na tenda que fizera para ela (6.17) e nào le-
como a água derramada sobre a terra" (v. 14). vá-la aos campos de batalha.
2) O Evangelho: "Deus... cogita meios, para que 4) Ele estava esperançoso de que Deus o havia de
o banido não fique desterrado da sua presença". restaurar ao trono em Jerusalém (v. 25).
Para receber os "meios", nós olhamos para o Calvá- 5) Permaneceu submisso à vontade de Deus em
rio. qualquer caso (v. 26). Assim, na adversidade, agiu
Absalão restaurado (28-33). Notamos a diferença como homem de fé. Contudo náo havemos de justifi-
entre ele e o pródigo (Lc 15.20). Nessa parábola, o car todas as suas ações. Espionagem e falsidade (34-
Senhor frisa o verdadeiro arrependimento do Olho 37) sáo armas mundanas, náo recomendáveis ao ho-
pródigo, e a sua confissão de pecado. Mas de Absalão mem de Deus. Porventura um homem de fé e cora-
não ouvimos nenhuma palavra de arrependimento. gem como Davi náo podia ter contado com Deus
Pelo contrário, ele pediu justiça: "se houver em mim para o libertar sem tais expedientes? Deus náo o ha-
culpa, que me tire a vida" (v. 32). Era um pecador via de desamparar, e "do Senhor é a batalha"
querendo justificar-se, e náo podia ter falado since- ( Goodman).
ramente, pois sabia que era culpado, e condenado
pela lei de Deus. Seu apelo era uma mentira senti- Capitulo 16
mental que esperava poder tocar o coração de Davi,
e nisso teve bom êxito. Atitudes reveladoras. O centro de interesse é Da-
Mas a retidão era ultrajada e a justiça despreza- vi, e os homens ficam divididos de acordo com as

114
2Samuá
suas relações para com ele. De um lado Itai, Zado- gem. Um incidente mui insignificante pode ter con-
que, Abiatar, Aimáas, Jónatas e Usai. e do outro seqüências bem graves.
Absalão, Aquitófel, Ziba e Simei. Como então Davi 3) A lealdade de "um certo homem" (10,12,13).
era o ponto de divisão, assim é Cristo hoje. Podemos Ele respeitava a palavra do rei (12).
notar: 4) A crueldade de Joabe (14). Este feroz sobrinho
1) A avareza de Ziba (1-4). Na esperança de obter de Davi muitas vezes manchou suas màos com san-
bens e poder, Ziba pregou a Davi uma grande menti- gue. Matara Abner e Amasa, "dois homens mais jus-
ra com respeito a Mefibosete, e o filho de Jónatas fi- tos do que ele" (1 Rs 2.32). e. afinal, ele mesmo havia
cou sob a sombra dessa mentira por todo o tempo em de morrer pela espada.
que Davi permaneceu fora de Jerusalém. Davi devia É patético ouvir Davi chorando sobre seu filho re-
ter esperado ouvir o outro lado (v. 4). Lembremo-nos belde. Ê provável que seu lamento tenha sido em
de quç sempre existe o outro lado. parte devido á própria culpa no caso:
2) Os insultos de Simei (6-8). Leiam-se os Salmos 1) Davi tinha desposado a filha do rei Gesur
3,4,69 e 109, que descrevem os acontecimentos deste (3.3), uma mulher pagá. Este casamento profano
triste dia. Se Deus permite ao seu povo sofrer assim, teve as suas conseqüências tristes.
isso não diminui o pecado de Simei. 2) Ele sabia que esta rebelião era parte do castigo
3) O zelo de Abisai (9). Nós todos reconhecemos pelo seu próprio pecado (12.11).
que isto foi despertado naturalmente, embora erra-
damente manifestado e devidamente reprovado. O 3) Talvez recordasse seu erro em tornar a receber
zelo de um cristão nunca deve ser vindicativo. a Absalão não arrependido pelo assassinio do seu ir-
mão. Davi devia ter atendido à justiça da matéria.
4) A paciência de Davi (10-13). Durante este tris-
Graça com desprezo da justiça não opera o verdadei-
te período, o rei aprendeu algumas das grandes li-
ro arrependimento.
ções da sua vida. Apesar de o caminho ser áspero,
sempre há lugares de refrigério (v. 14) - (.Scroggie). Ao fim do versículo 22 devemos ler. com V.B.
"pois não receberás recompensa pelas novas".
Capitulo 17
Capitulo 19
Husai derrota o conselho de Aquitófel. O conse-
lho acertado de Aquitófel, primeiro aprovado, é de- Joabe e Davi. " A história de Joabe está cheia de
pois rejeitado peia oposição de Husai. Seu discurso, instruções. Ele ocupou um lugar de destaque; disse e
bem adaptado ao homem com quem fala, opera fez coisas boas, e era homem de muitas habilidades e
sobre os receios e a vaidade de Absalão. Nada mais poder, mas fracassou, e não é mencionado entre os
sensato do que a sua recomendação, uma vez admi- valentes de Davi. Capacidade não é tudo: precisa
tido aquilo que o novo rei aceita sem questão: que a haver graça também. Duas coisas podemos dizer do
vontade de todo o povo o colocara onde ele está. seu discurso a Davi (5.7):
Aquitófel sabe melhor, por isso o seu desespero Primeiro. Está cheio de severo bom senso e con-
quando o conselho de Husai é preferido ao seu. selho acertado. Havia uma crise em Israel que de-
Quando os mensageiros saem, não sem perigo, a le- mandava habilidade política. Era necessário que
var as not ícias a Davi, Aquitófel volta a casa, coloca- Davi dominasse seu pesar pessoal e mostrasse seu
a em ordem, e se enforca (v. 23): éo primeiro suicídio cuidado pela nação.
da Bíblia. Segundo, era áspero e rude. Afinal de contas,
Joabe falava com um rei, e ainda mais, mostrava-se
"Que Davi escapou mediante o serviço de Husai. indiferente ao pranto de Davi. Contudo o discurso
é verdade, mas não sabemos quanto ele teria perdido produziu bom resultado.
de experiência da mão salvadora de Deus. Quão fa-
cilmente nós também nos privamos, semelhante- O rei esperou para ser convidado a voltar (11.12).
mente, de gloriosas visões do poder divino! Quanto Porventura não há outro Rei que espera haver um
mais nos enriquecemos em expedientes, tanto mais povo disposto e ansioso pela sua volta? "Por que en-
empobrecemos as nossas vidas espiritualmente!" tão sois vós os últimos em fazer voltar o rei? " (Scrog-
(Grant) gie).
No versículo 23, em vez de "pós em ordem a sua Mefibosete encontra-se com Davi (24-30). O
casa", devemos ler "fez seu testamento" (R. 52). modo como Davi o trata é o de um homem que não
No versículo 25 "Jetra israelita " provavelmente pode deixar de reconhecer seu erro anterior, sem, po-
deve ser "ismaelita" de acordo com a versão dos rém. ter vontade de admitir a injustiça do seu pró-
L X X e 1 Crônicas 2.17. prio procedimento. Enganado pelo seu servo e obri-
gado à inação pela sua incapacidade. Mefibosete
evidentemente lastimava a ausência do seu benfei-
Capítulo 18 tor e amigo. Davi compromete-se com a sua cons-
ciência e a sua promessa a Ziba, mostrando por sua
A morte de Absalão. Neste capítulo podemos no- irritação falta de sossego e serenidade. O filho de Jó-
tar: natas manifesta o mesmo espirito do pai, numa afei-
1) O amável empenho de Davi pelo seu filho re- ção que não pode ser comprada e não pode ser dimi-
belde (v. 5). Como Deus não quer, Davi também nào nuída pela mudança do procedimento do seu prote-
queria a morte do pecador (embora fosse preciso lu- tor. "Fique ele muito embora com tudo, uma vez que
tar contra ele), e sim que fosse levado ao arrependi- o rei meu Senhor já voltou em paz à sua casa" (30)
mento e reconciliação. (Grant).
2) O incidente que resultou na morte de Absalão Admiramos a atitude e a conduta de Barzilai, um
(9): sua cabeça presa num carvalho. Possivelmente velho de respeito e recursos, "um homem muito ri-
sua cabeleira abundante (14.26) prendeu-o à rama- co", que antes quer servir do que ser servido.

115
1 Samuel

Barziiai, que nada quis para si, mandou o seu fi- tians Armoury (p. 406) oferece a sugestão que ela.
lho acompanhar Davi, e parece bem possível que não tendo filhos próprios, criou os filhos de Merabe;
Davi lhe tenha dado a velha casa paterna em Belém, e. por isso. segundo o uso judaico, foram chamados
chamada em Jeremias 41.17 "Gerate-Quimá" (hos- seus. De semelhante modo se diz de Moisés, quando
pedaria de Quimá, na versão espanhola de Pratt) adotado pela filha de Faraó, que veio a ser filho dela
que muito bem poderia ser a pousada onde o Senhor (Êx 2.10).
Jesus nasceu: aquele que é maior que Davi nasceu,
assim, no mesmo lugar onde o menino Davi nascera
séculos antes. Capítulo 22

Capitulo 20 Cântico de Davi. Este cântico é quase uma exata


repetição do salmo 18. As divisões podem ser como
A sediçáo de Seba. Não chegara o rei a Jerusalém segue:
antes que aparecesse a sombra daquilo que. uma ge- 1) Libertação produz louvor (1-7). Davi, estando
ração mais tarde, havia de resultar na independên- em perigo (5,6), recorre à oração (7); é-lhe outorgada
cia de Israel. a divina proteção (2,3) e ele levanta a sua voz em
A contenda entre Israel e Judá rebentou na pró- louvor (v.4). Porventura Deus é para nós o que foi
pria presença do rei. e Seba. filho de Bicri, benjami- para Davi - Rocha, Fortaleza, Libertador, Escudo,
Força, Torre, Refúgio, Salvador? (2,3).
ta, chefia uma nova revolta contra Davi. Os homens
de Israel, reunidos para honrar a Davi. seguem-no. e 2) Uma Revelação do Libertador (8-16). Todos os
a faísca de rebelião ameaça desenvolver-se em laba- recursos da poesia são empregados sem descrever as
reda. O rei chama Amasa para reunir Judá em perse- maravilhas da libertação divina e a grandeza do di-
guição de Seba. mas ele é moroso quando tudo de- vino Libertador.
pende de rapidez. Por isso Davi confia a Abisai a ta- 3) Davi relata o que Deus fez para ele (17-20).
refa de perseguir a Seba com a sua tropa. Os homens Havia muitos inimigos, mas Deus veio em seu socor-
de Joabe acompanham os outros, com Joabe á sua ro.
frente. O assassinio de Amasa restaura Joabe ao seu 4) Davi fala da sua justiça (21-35). Náo é de su-
antigo lugar à cabeça das tropas, onde seu bom êxito por que ele se julgue sem pecado. Apenas afirma a
na captura de Seba o retém. Tanto político e corajo- sua sinceridade, integridade e fidelidade em contras-
so como pouco escrupuloso, a figura de Joabe domi- te com as calúnias dos inimigos. Diz: "Não me apar-
na toda a última parte do reinado de Davi (Grant). tei impiamente do meu Deus" (22 Alm.)
5) Davi declara os princípios do divirto procedi-
mento (26-28). Ê sempre importante saber, não so-
Capitulo 21 'i mente como Deus faz, mas porque Ele faz.
6) Davi relata o que tem sido capacitado a fazer,
Fome em Israel. Davi consultou ao Senhor por sendo Deus o que é (29-32). Nosso comentário é:
motivo da fome, e recebeu a resposta surpreendente "Tudo posso, por Cristo que me fortalece".
"Há sangue sobre Saul e sobre sua casa, porque ma- 7) Louvor a Deus, por causa dos inimigos final-
tou os gibeonitas" (v. 1). mente subjugados. Devemos notar que o ânimo ma-
Foi um castigo atrasado, que não é o único referi- nifestado no V.T. não deve ser julgado pelo padrão
do na Bíblia, mas podemos notar como a própria Na- do N.T. A revelação e a experiência são progressivas,
tureza costuma agir de semelhante maneira. Quan- e sentimentos que podemos reconhecer como inevi-
tos homens na sua velhice sofrem dores e mágoas em táveis numa dispensação anterior são sem cabimen-
conseqüência de imoralidades praticadas na sua mo- to nesta presente dispensação. Comparemos o versí-
cidade? Podemos ter a certeza de que "o que o ho- culo 41 com Lucas 23.34. Nós náo podemos nos glo-
mem semeia isto ceifará", mas se a colheita será riar no infortúnio dos outros, por maus que sejam.
imediata ou não. no tempo presente ou na eternida-
de. nem sempre podemos dizer. Sabemos que essa Parece claro que este. e outros salmos têm um
fome foi "nos dias de Davi", mas náo sabemos preci- sentido profético. A Escritura afirma por toda parte
samente quando. que, afinal, os inimigos do Senhor serão destruídos.
Pode haver a aplicação pessoal, e os "inimigos" po-
Sem dúvida Davi fez bem em consultar a Deus dem representar para nós pecados e adversários espi-
sobre a causa do mal; mas, porventura, fez igual- rituais (Scroggie).
mente bem em consultar os gibeonitas sobre a cura?
Não havia, então, nenhuma lei em Israel para um tal
caso? Ou não podia ter pedido instruções a Deus Capitulo 23
sobre o procedimento adequado?
Mas, longe de procurar o parecer divino, Davi fez As últimas palavras de Davi (1-7). Notemos a
uma promessa incondicional aos gibeonitas: "O que descrição tríplice de Davi: 1) o homem que foi exal-
vós disserdes, isso vos farei" (v.4), e ouvindo a sua tado: 2) o ungido do Deus de Jaco (náo "de Israel");
exigência que sete filhos de Saul fossem enforcados, 3) o suave salmista de Israel (palavras, por suposto,
ele responde "EAX os darei". Nada de consultar nova- do editor e náo de Davi).
mente a vontade de Deus, e, em verdade, isso náo Notemos também, com cuidado, que Davi sen-
era preciso para recusar o pedido sanguinário. Já es- tiu-se inspirado por Deus ("o Espirito de Jeová fala
tava escrito no código de Israel "Nao se farão morrer por mim e a sua palavra está na minha língua", v.
os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada ho- 2).
mem será morto pelo seu próprio pecado" (Dt 24.16). Podemos pôr estas palavras de Davi na mesma
Lemos em 2 Samuel 6.23 que Mical náo tinha fi- classe das dos profetas quando disseram "A palavra
lhos e em 2 Samuel 21.8 que tinha cinco. O Chris- de Jeová veio a mim, dizendo" (Jr 1.4, etc.)

116
Aqui, ao menos, temos a afirmação de "inspira- Capítulo 24
ção verbal" mui positiva, referindo-se aos sete versí-
culos que estamos estudando. A numeração do povo. Este último capitulo do li-
É quando Davi se torna simplesmente uma voz vro é um anticlimax. Que diferença entre 22.7 e capí-
(como o Batista), que fala de Outro, pelo qual toda a tulo 24!
doçura e melodia e caráter divino se manifestam. O dr. Goodman comenta assim:
Davi nos recorda aqui da sua origem humilde e da "Uma praga como esta, que destruiu 70.000 pes-
graça que o levantou. Ele é o ungido do Deus de Ja- soas, não é coisa rara entre as nações. (A epidemia
có. Aquele cuja glória é fazer da matéria mais humil- "espanhola" de 1918/19 matou muito mais do que is-
de um vaso para seu louvor. Assim, como o ungido to!) A coisa notável neste caso é que o motivo da ca-
de Deus, ele é mais o "suave salmista" de Israel de lamidade se revela, quando isso geralmente tem de
que o seu rei. E assim nossos corações o apreciam. ser adivinhado.
Que é o rei comparado com o salmista?" (Grant)
1) Originou-se em que "Tornou-se a acendera ira
O versículo 5 deve ser traduzido, provavelmente: a dizer [a JoabeJ: 'Numera a Israel eJudá'. Isto pa-
"Não é, em verdade, a minha casa assim com Deus? do reinado de Davi, a nação tinha caído numa deca-
Pois ele tem feito comigo um concerto eterno, orde- dência moral, e provocado a ira de Deus.
nado em todas as coisas e seguro. Ora, este concerto 2) Ao Diabo foi permitido incitar Davi a levantar
é toda a minha salvação e todo o meu desejo, pois o censo de Israel e Judá (1 Cr 21.1). Ele pôde fazer
não fará ele prosperar a minha casa?" isto somente pela permissão de Deus; por isso lemos
Os valentes de Davi (8-39). Há alguma dificulda- aqui que o pensamento veio de Deus, e em 1 Crôni-
de em determinar os nomes dos valentes de Davi cas que veio de Satanás. Satanás, por vezes, é o ins-
pelo presente relatório comparado com o de 1 Crôni- trumento de Deus em juízo. (Veja-se Jó 1 e 2; 1 Crô-
cas 11. Podemos entender que os primeiros três eram nicas 5.5; 1 Timóteo 1.20.) No Consultório Espiritual
a) Josebe-Basebete, o taquemonita, que enfrentou escrevi: " N o livro Christians Armoury temos a se-
800 (em 1 Crônicas 11.11 é 300) sozinho. As palavras guinte explicação: 'Uma tradução preferível de 2 Sa-
"este era Adino o esnita", sáo provavelmente uma muel 24.1 seria: outra vez a ira do Senhor se acendeu
tradução errada, e talvez deva-se ler "ele levantou a contra Israel, porque alguém moveu Davi contra eles
sua lança" (Goodman); b) Eleazar, filho de Dodó; e a dizer [o Joabe): 'Numera a Israel e Judá'. Isto pa-
c) Sama, cujo nome não está em 1 Crônicas 11 (tal- rece ser a verdadeira versão" (Consultório p. 77).
vez por erro de um copista). Ele defendeu um pedaço 3) O pecado de Davi tomou-se a ocasião da visi-
de terra cheio de lentilhas. tação (10-12). Foi um pecado de orgulho, de desobe-
Estes trés praticaram outra façanha notável diência, pois a Lei proibia numerar o povo sem que
quando, para matar a sede de Davi, buscaram água fosse pago um preço de redenção para cada homem
do poço em Belém, um ato atrevido, inspirado pelo (Êx 30.12). Foi pecado de blasfêmia, porque despre-
seu amor ao chefe. Impressiona-nos a abnegação e zou a expiação necessária; foi pecado contra a luz,
piedade de Davi, que recusou tomar a água que cus- porque Joabe já tinha protestado contra ele.
tou tão caro, e a derramou perante o Senhor. Uma consciência acusadora desperta-se, em se-
Com respeito a estes valentes, o dr. Scroggie no- guida, porém tarde demais. "O coração de Davi o
ta: acusou " e ele confessou o seu pecado e pediu perdão.
1) As notabilidades referidas, na sua maioria, gen Notemos que:
te obscura (24 a 29), eram valores diversos mencio- a) Foi o Senhor que mandou parar o anjo destrui-
nados (8 a 12; 13 a 23; 24 a 39). Tudo isto dá-se com dor (16).
os discípulos de Cristo hoje, e nos deve animar. b) Trouxe Davi ao verdadeiro arrependimento
2) As qualidades notadas. Coragem (8); lealdade (17).
(9.10); firmeza (11,12), e sacrifício (13 a 17). Que va- c) Ofereceram-se holocaustos e ofertas pacificas
lor teria a vida se lhes faltassem estas qualidades? (25) sobre o altar erigido na eira de Araúna, o jebu-
seu. Davi havia-se descuidado deste dever, quan-
3) Os inimigos encontrados. Eram numerosos, do fez o recenseamento, e a praga era o castigo pro-
variados, gigantescos. Nossos problemas espirituais metido pela negligência. (Veja-se Êxodo 30.12, "pa-
são complexos; nossas provações náo são monótonas. ra que não haja entre eles praga alguma por ocasião
4) As armas empregadas. Então náo era o tempo do alistamento".) O profeta Gade teve de adverti-lo
de canhões e trincheiras. Empregando lança e espa- a que não fizesse pouco caso do pecado, pela segunda
da, tiveram de lutar corpo a corpo com o inimigo. vez, na negligência, da expiação, mediante a qual
Confiados em Deus, fizeram uso dos recursos à sua esse pecado podia ser desfeito (v. 18).
disposição. Porventura fazemos nós o mesmo? d) A eira de Araúna sobre o monte Moriá, no qual
Abraão oferecera Isaque (Gn 22.2), e conhecida de-
5) O fim obtido. O reino ficou estabelecido pela
pois como área do templo, chegou a ser o lugar predi-
sua ação unida e individual; pelas suas empresas to em Deuteronômio 12.11,14. Foi ali que Salomão
particulares e públicas; pela sua completa devoção edificou seu templo (2 Cr 3.1) e ainda é o lugar santo,
ao rei. Ê somente assim que o reinado de Cristo pode o desejo de Israel, o único lugar onde é permissível
ser estabelecido. oferecer sacrifícios, embora esteja atualmente pisa-
6) O prêmio da fidelidade. Quando Davi chegou do pelos gentios, de acordo com a palavra do Senhor
ao trono, não se esqueceu dos seus amigos. Nem se em Lucas 21.24.
esquecerá Cristo dos seus.
A resolução de Davi "Não oferecerei ao Senhor
7) Os nomes omitidos. O galardão será para os holocaustos que não me custem nada" (v. 24) merece
leais e verdadeiros; não para os egoístas. a nossa imitação.
1 Samuel

Analisando o recenseamento aqui e em 1 Crôni- REFERÊNCIAS NO NOVO T E S T A M E N T O A O


cas. diz o dr Scofield: " A força militar total de Israel • LIVRO DE 2 SAMUEL
era 1.100.000 e de Judá 500.000. O número de ho-
mens em serviço ativo era, de Israel 800.000 e de Ju- 2 Sm 7.12,13 At 2.30, e 13.36
dá 470.000". 7.14 Hb 1.5
12-24 Mt 1.6 (Angus).

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1

Mi

118
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rimeiro Reis recorda a 4.6. O regozijo do rei e do povo (8.52-66; 2 Cr 7.1-
morte de Davi, o reina- 10).
do de Salomão, a edifi- 4.7. A consagração do templo (9.1-9; 2 Cr 6.11-22).
cação do templo, a divi- 4.8. As possessões do rei <9.10-28; 2 Cr cap. 8).
são do reino sob Reo- 4.9. A visita da rainha de Sabá (cap. 10; 2 Cr cap.
e a história dos dois reinos até o rei- 9).
nado sobre Judá e Acazias sobre Samaria. 5. O pecado e a queda de Salomão (cap. 11).
Inclui ministério de Elias, 5.1. O declínio do rei (11.1-13).
sete partes: 1. Da rebelião de Adonias 5.2. A divisão do reino (11.14-43).
a morte Davi (1.1 a 2.11). 2. Da ascensão de Salo-
mão à dedicação do templo (2.12 a 8.66). 3. Da con- O REI S A L O M Ã O
firmação da aliança davidica até a morte de Salo-
mão (9.1 a 11.43). 4. Da divisão do reino à morte de
Jeroboão e Reoboào (16.1 a 14.31). 5. Os reinados até "Abraão era 'o amigo de Deus' e Davi 'o homem
a ascensão de Acabe (15.1 a 16.28). 6. Da ascensão de segundo o coração de Deus', mas Salomão não andou
Acabe até a sua morte (16.29 a 22.40). 7. Do reinado nos caminhos deles. Sua história tem algumas boas
de Josafá á ascensão de Jorão sobre Judá e Asa sobre notas; sua primeira humildade, sua sensata escolha
Samaria (22.41-54) - (Scofield). de sabedoria, a construção do templo e sua notável
oração à dedicação. Mas, salvo isso, que mais há
ANALISE DE 1 REIS CAPS. 1 a 11 e 2 CRÔNICAS 1 para seu crédito? Era homem de muita habilidade:
botânico, zoólogo, arquiteto, poeta e filósofo moral;
a9
contudo, era um homem que carecia de energia e ca-
1. Salomão apontado como rei (cap. 1 a 2.9). ráter.
1.1. A usurpação de Adonias (1.1-31). "Moisés tinha avisado que os futuros reis de Is-
1.2. A ordenação de Salomão (1.32-53). rael não deveriam multiplicar para si riquezas, cava-
1.3. As instruções a Salomáo (2.1-9). los nem mulheres (Dt 17.14-20), mas Salomão fez
2. O estabelecimento de Salomão como rei (caps. tudo isto, e 'as mulheres estrangeiras o fizeram catr
2.10-46). no pecado' (Ne 13.26) de sensualidade e idolatria.
2.1. A matança dos seus inimigos (10-46). Ele tomou para si 700 mulheres, e algumas delas
3. A sabedoria e riqueza de Salomão (caps. 3 e 4). dentre as próprias nações contra quem Israel tinha
3.1. A revelação a Salomão (3; 2 Cr 1.7-13). sido advertido (1 Rs 11.1,2).
3.2. A reputação de Salomão (cap. 4). "Disto resultou a .introdução de falsos cultoa,
4. O templo, e a casa de Salomão (caps. 5 a 10). pelo que o juízo de Deus foi pronunciado contra ele.
4.1. A preparação para o templo (cap. 5;2 Cr cap. "Se qualquer homem pudesse ter ficado satisfei-
2).
4.2. A construção do templo (cap. 6 e 7; 2 Cr cap. 3 to por haver adquirido tudo quanto queria, esse ho-
mem teria sido Salomáo; contudo, ele escreveu (no
a &.1). Eclesiastes) que tudo debaixo do sol é vaidade e ve-
4.3. A dedicação do templo (8.1-21; 2 Cr cap. 5.2- xame de espirito. Em Salomão vemos o egoísmo no
14) 4.4. A súplica do rei (8.22-53; 2 Cr cap. 6.12-42). seu pleno desenvolvimento, com o resultado de fas-
4.5. A bênção do rei (8.54-61; 2 Cr cap. 6.1-11). tio e aborrecimento" (Scroggie).

119
1 'Reis
Capítulo 1 Capitulo 3
Velhice de Davi e revolta de Adonias (1-31). Re- Salomão pede sabedoria. Começa o capitulo com
cordamos a sentença contra Davi em 2 Samuel Salomão entrando em jugo desigual com uma des-
12.10: "Agora da tua casa não se apartará jamais a crente, mas ao mesmo tempo lemos que ele "amava
espada". De seu» Olhos, Amnom fora assassinado a Jeová" (v. 3).
por Absalão. e Absalão morto na batalha contra seu Deus queria abençoá-lo, mas deixou a ele a esco-
pai; e agora outro filho, Adonias, procura lançar mão lha. Se nós estivéssemos no mesmo caso, que bênção
do trono do pai, e morre assassinado (2.24,25). havíamos de escolher? A coisa que o fiel servo de
O caráter desenfreado de Adonias compreende-se Deus mais aprecia é poder melhor desempenhar o
do versículo 6: "Nunca o seu pai o contrariou, dizen- serviço que lhe compete. Por isso Salomão pediu um
do: Por que fizeste isto?" Os filhos criados sem disci- coraçào dócil e inteligente.
plina, como Adonias (e talvez seu irmão Absalão?), E ele recebeu mais do que pediu, pois Deus gosta
chegam a ser homens malcriadas. de dar abundantemente. Quando, porém, Deus lhe
Estranhamos ver o sacerdote Abiatar tomando deu riquezas, ele devia ter usado um pouco da sabe-
parte nesta revolta mais do que Joabe. doria que Deus lhe dera para saber como empre-
Mas o profeta Natã é fiel, e toma as providências gá-las.
necessárias (11-14), e Davi, compreendendo bem a "Mulheres prostitutas" (v. 16). A palavra zanoth
urgência da situação, manda ungir Salomão como traduzida aqui "prostitutas" é traduzida pelo targu-
rei. Ele, Davi, é bastante sensato para náo tentar go- mista (o melhor juiz nestes casos), "donas de pensão
vernar quando lhe faltam as forças para isso. Note- ou taberna", como em Josué 2.1 e Juizes 11.1. Se as
mos que Davi tinha uma especial afeição por Salo- mulheres tivessem sido prostitutas, náo é provável
mão e dedicoü-lhe dois dos seus salmos - 72 e 127. Ê que tivessem ousado comparecer perante o rei.
provável que ele tenha reconhecido que em Salomão
a promessa de 2 Samuel 7.12,13 havia de ser cumpri- Capítulo 4
da.
Prosperidade do reinado de Salomão. Três coisas
O fracasso da trama de Adonias (41-53). O dr. distinguem este reinado - uma figura do reino mile-
Goodman nota as seguintes lições: nial:
1) Como fica fraco o amotinador quando abando- 1) Aumento e prosperidade (v. 20). A expressão
nado pelos companheiros. "como a areia que está à beira do mar" faz-nos pen-
2) Quão facilmente homens maus abandonam sar em Gênesis 22.17. Em prosperidade material, a
uma causa desacreditada. naçào nunca passou além deste período.
3) Quão terrível era a notícia: "O rei Davi, nosso 2) "Paz por todo o derredor" (v. 24). Significa
senhor, constituiu rei a Salomão". que as nações vizinhas estavam em sujeição.
4) As pontas do altar para onde Adonias fugiu 3) Segurança. "Cada qual... debaixo da sua vi-
não lhe deram segurança.
deira e debaixo da sua figueira" (v. 25).
5) O novo rei agiu com misericórdia: Adonias náo
Quanto a Salomão mesmo, ele foi abençoado
tinha desculpa nem defesa: era culpado, e, por isso, com:
sua única esperança era a misericórdia.
1) Sabedoria, entendimento e targueza de cora-
6) A condição que Salomão marcou (52) era se-
ção. Contudo vemos no versículo 26 mais um despre-
melhante á palavra: "Há perdão contigo, para que
zo da lei de Deus, na multiplicação de cavalos (Dt
sejas temido" (SI 130.4). A graça nâo pode ser me-
17.16). Se Salomão mesmo escrevesse para si uma
nosprezada. Quando existe o propósito de abando-
cópia da Lei, como fora mandado (Dt 17.18), ele ha-
nar o pecado é que se oferece o perdão.
via de saber que era desobediente.
2) Habilidade literária e poética. Alguns dos seus
Capítulo 2
provérbios e palavras sábias têm sido conserv ados no
livro de Provérbios.
Davi dá conselhos a Salomão, e morre. Neste
3) Amor pela história natural (v. 33). Ele estudou
capítulo quatro homens morrem: Davi. de velhice; e
botânica e a biologia. Se a alma de Salomão tivesse
os outros três pelas suas iniqiiidades.
prosperado como seu reino terrestre, ele náo teria re-
O conselho que Davi dá a Salomão sobre seu pró- sumido a sua experiência nas palavras amargas de
prio procedimento é sensato e necessário. Aconse- Eclesiastes 2.17: "assim aborreci a vida" (Good-
lhou energia, coragem e piedade espiritual. Ensinou- man).
lhe a obediência à lei de Deus e referiu-se á promessa
condicional do Salmo 132.12.
Capítulos 5 a 7
Refere-se a última parte da advertência ao reto
juízo que havia de apanhar três homens iníquos. E
A construção do templo. "Segundo os cálculos de
triste quando as últimas horas de um servo de Deus
Anstey, os alicerces do templo foram postos no ano
precisam ser ocupadas com retribuições. Contrasta-
950 a.C. ou 3039 anos depois da criação de Adáo. A
mos com isto a mensagem de Paulo a Timóteo: "Mas
construção levou sete anos e meio". Salomão cons-
o fim desta admoestaçáo é o amor" (1 Tm 1.5).
truiu-o de pedra, e em silêncio.
O Christian 's Armoury, p. 394, prova ser necessá-
O templo foi construído 480 anos depois do Êxo-
rio uma emenda na tradução do versículo 9: "Náo o
do (v. 61), e destruído por Nabucodonosor (2 Rs 25)
tenhas por inocente |porque tu és um homem sábio e
430 anos mais tarde. Na volta do Cativeiro sob Ee-
saberás o que hás de fazer com eleJ. Não farás, po-
dras e Neemias, foi construído outro templo, que foi
rém, que as suas cãs desçam com sangue á sepultu-
aumentado e embelezado por Herodes. Este era o
ra ". Simei foi morto mais tarde (v. 46) por uma nova
templo do tempo de nosso Senhor: foi destruído por
desobediência.
T i to em 70 a.C.

120
me»

0 tabemáculo fora construído segundo o plano 6) O dia de batalha (44,45).


mostrado a Moisés no monte Sinai, e o templo se- 7) O cativeiro (46-48).
gundo a planta dada por Davi a Salomão (1 Cr O templo havia de ser para Israel o que o trono da
28.11,12): "Foi por um escrito da sua mão, disse Da- graça é para nós: o lugar donde recebemos misericór-
vi, que Jeová me revelou tudo isso, todas as obras do dia e graça (Hb 4.16).
modelo" (1 Cr 28.19). Assim, tanto o tabemáculo Quando Jonas estava nas entranhas do grande
como o templo tiveram Deus por seu arquiteto. Ne- peixe, ele orou: "todavia eu tornarei a olhar para o
nhum outro edifício no mundo tem semelhante dig- teu santo templo" (Jn 3.4).
nidade. "Vinte dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas
Ambos tinham o mesmo estilo: um pátio exterior sacrificadas" (8.63). "Não havemos de entender que
onde estava o altar de bronze e o lavatório; um san- todos foram sacrificados no mesmo dia ou no mesmo
tuário, dividido em lugar santo e lugar santíssimo, e, altar, mas durante todos os 14 dias". É provável que
neste último, a arca com o propiciatório, formando, a carne tenha servido para o sustento da multidão
assim, em figura, o trono de Deus. Como o tabemá- reunida.
culo, o templo havia de ser a morada de Deus no
meio de Israel (6.13). Capitulo 9
1 Reis 7.14 dá a mãe de Hiráo como da tribo de
Naftali, e 2 Crônicas 2.14 como "mulher das filhas Deus adverte Salomão. "Apareceu-lhe segunda
de Dá". Quatrocentos anos antes (Jz 18.1-29), os da- vez, como lhe tinha aparecido em Gibeom" (v. 2).
nitas tinham tomado posse de um vale nos limites de Notemos:
Naftali, e mudado o nome da cidade de Laís para 1) A resposta a oração. A casa ficou consagrada.
Dâ. Assim a mulher era de Dã e também de Naftali Era de pensar que uma tal honra como ter o nome de
(A. 393). Jeová ligado para sempre ao templo que fizera, teria
"As duas colunas de bronze" (7.15) com a altura resguardado Salomão da idolatria.
de 18 cúbitos, ou, em Crônicas, de 35 cúbitos. "The- 2) A promessa referente ao reino (v. 5). "Estabe-
millius explica esta diferença por observar que o cú- lecerei o trono do teu reino sobre Israel para sem-
bito comum era a metade do cúbito do santuário" pre". Se Salomão tivesse tido bastante interesse em
(T.237). estabelecer a sua dinastia, não teria deixado a seu fi-
lho tão mau exemplo (1 Rs 12.4).
Capítulo 8 3) O aviso solene. N o caso de haver desobediên-
cia e idolatria: a) Israel havia de ser desterrado; b) o
A dedicação do templo (1-11). " O templo estava templo havia de ser "lançado longe da presença de
no Monte Moriá, enquanto Sião, a cidade de Davi, Deus" (v. 7); c) Israel havia de ser um provérbio e
ocupava o sítio da velha cidadela jebusita, de manei- motejo de todos os povos. Tem-se verificado isto por
ra que não era longe para levar a arca da cidade de toda a parte para onde os judeus têm sido dispersos.
Davi ao templo" (v. 1).
Neste capítulo vemos que "Oferecia Salomão
A arca do concerto, que foi levada nos ombros dos três vezes cada ano holocausto e ofertas pacíficas
coatitas, continha somente as tábuas de pedra (v. 9). sobre o altar que edificara a Jeová", por isso ainda
Em Hebreus 9.4 lemos que antigamente continha não tinha caído na idolatria - ou estava misturando
também o vaso de maná e a vara de Aarão (Êx 16.33; o culto de Deus com o culto dos ídolos!
Nm 17.10).
Salomão fala ao povo (12-21). Estranhamos as
suas primeiras palavras, "Jeová disse que habitaria Capítulo 10
na escuridão". Não há nenhuma escritura nesse sen-
tido; e não concorda com 1 Timóteo 6.16. A explica- A rainha de Sabá visita Salomão (1-13). Aqui te-
ção é, provavelmente, que Salomão se referiu ao mos uma linda figura do Evangelho de Cristo, aquele
santíssimo, onde não havia luz. A arca estava na es* que é maior do que Salomão,
curidão, exceto pela glória divina e luminosa. "Duas coisas impressionaram a rainha: a sabedo-
Oração dedicatória (22-63). A oração mais longa ria de Salomão e a sua prosperidade, reveladas no
da Bíblia, e uma das mais notáveis. Salomão esten- magnífico templo, e no aspecto dos seus ministros e
deu as mãos para o Céu (v. 22) e orou de joelhos (v. servos.
54). A sua oração: a) engrandece a Deus como quem "Ela trouxe questões difíceis, mas ele respondeu
guarda a sua aliança (v. 23); b) relembra a sua pro- a tudo. Ela ouvira um boato da grandeza de Salo-
messa a Davi: "não te faltará diante de mim um su- mão e veio verificar a verdade. Ao descobri-la, não
cessor" (v. 25); c) reconhece que nenhum edifício é tinha mais orgulho de si como uma grande rainha (v.
suficiente para conter Deus (v. 27). 5), pois descobriu que o boato estava 50% aquém da
" A oração é dividida em sete seções, cada uma realidade:
considerando um caso de necessidade que podia 1) "Ela faz uma confissão: 'Eu não dei crédito ás
acontecer em Israel; repete-se sete vezes a sentença: palavras até que vim' (7).
"Ouve no céu, lugar da tua habitação; e, quando ou- 2) "Ela declara serem felizes as pessoas que esta-
vires, perdoa". vam perante o rei e ouvem a sabedoria dele (v. 8).
Os casos contemplados são: 3) "Ela bendiz o Deus de Israel por dar um tal rei
1) Um juramento entre duas partes (31,32). ao povo (v. 9).
2) Uma derrota do exército (33,34). 4) "Ela abre seus tesouros e dá abundantes pre-
3) Tempos de seca (35,36). sentes ao rei. Parece que ela abriu o caminho para
4) Fome e peste (37-40). Salomão negociar com a índia, pois o território dela
5) Um estrangeiro que invoca o nome do Senhor não era longe de Ofir, o porto pelo qual o comércio da
(41-43). índia chegava ao Oeste (v. 11).

121
1 M s

5) "Ela recebeu de Salomão tudo o que desejava tivo desejo de servir a Jeová tinha sido vencido pelo
e ainda mais (v. 13), pois um rei tão grande não ha- desejo de agradar as suas mulheres pagãs. Seus últi-
via de ficar-lhe devendo. mos anos são caracterizados por decadência moral, e
"Tudo isto gostamos de transferir em figura a idolatria. Nem tampouco ouvimos do seu arrependi-
Cristo. Ele é maior que Salomão, e seu suprimento mento no final da vida. Alguns pensam que ele es-
real excede ao de Salomão em toda a sua glória. creveu Eclesiastes no fim da vida, mas é difícil acre-
Muitos pecadores, ouvindo a fama de Cristo, como ditar que um idolatra idoso tivesse escrito semelhan-
de um Salvador grande e misericordioso, têm vindo te livro religioso.
ter com Ele, e verificado que a notícia é verdadeira, e O lar de Salomão era afligido pela praga da poli-
confessam que não acreditavam antes de vir, mas já gamia. e seu reinado com a praga do despotismo, por
descobriram que 'nem a metade se lhes disse', por- isso a sua prosperidade era oca e falsa. As alturas sáo
que a sua graça ultrapassa a sua fama. Felizes deve- lugares perigosos. Quanto maiores nossos privilégios,
ras sáo os seus servos!" (Goodman).
mais pesadas as nossas responsabilidades.
Riquezas de Salomão (14-28). Este relatório, que
revela a magnificência da corte de Salomão, e a pros- Jeroboão e Atas, o servo e o profeta. Salomão viu
peridade a que Israel atingiu nos seus dias, descorti- que Jeroboão "era um moço laborioso", mas não
na, em parte, a causa da sua queda. teve o cuidado de verificar o seu caráter, o que era
mais importante do que seu serviço.
Em todo o relatório, nada se diz da sua vida reli-
giosa. Prosperidade material não promove cresci- Jeroboão é referido muitas vezes na Bíblia com
mento espiritual. Salomão ocupa um bom lugar na um apelativo terrível: "Jeroboão, o filho de Nebat,
história sagrada, mas náo tem lugar em Hebreus 11. A que fez pecar a Israel". A sua influência sobre o povo
sua história é triste, e na perspectiva dos séculos ele que chegou a governar era péssima. Cada um hoje
é pouco mais do que uma sombra. tem alguma influência, ao menos sobre a sua própria
"Desejo chamar a atenção da mocidade para o família.
versículo 17 ligado com 14.26. Salomão fez 300 escu-
dos de ouro, e todos eles foram levados mais tarde Mas Deus. às vezes, emprega os homens maus
por Sisaque, rei do Egito. Reobão, filho de Salomão, para castigar os seus servos desobedientes: e esta vez
substituiu-os por escudos de latáo (14.27). Há mui- serve-se de Jeroboão, advertindo-o disto pela boca
tos escudos de ouro que são a nossa herança, que de- do profeta Aías. E até lhe faz uma promessa da pro-
vemos guardar com todo o cuidado:, teção divina, no caso de ele ser obediente à santa lei
1) " O escudo da simplicidade, singeleza, e can- de Deus (v. 38).
dura. Quando uma pessoa se torna vaidosa e orgu- A morte de Salomão (41-42). Salomão morre com
lhosa. ou está mais preocupada com o que traja do a idade de 58 a 59 anos, havendo reinado 40 anos
que com o que é, então tal pessoa perde o seu escudo sobre Israel. Nada se diz sobre seu possível arrepen-
de ouro e obtém um de latáo. dimento da imoralidade e idolatria dos seus últimos
2) " O escudo da verdade. O dr. Arnold de Rugby, anos.
o célebre professor, considerou a veracidade como a
base de toda a verdadeira hombridade. Confiou ab- De passagem, podemos notar a alusão aos livros
solutamente na palavra dos seus alunos, e os rapazes (por suposto, apócrifos ou não inspirados) conheci-
disseram: 'Seria uma vergonha pregar uma mentira dos nesses tempos primitivos. Um é mencionado no
a Arnold, porque ele sempre acredita na nossa pala- versículo 41, "o Livro dos atos de Salomão", e mais
vra'. É melhor ser verídico do que habilidoso. três em 1 Crônicas 29.29; a História do vidente Sa-
3) " O escudo da pureza. Este é muito fácil de se muel, a História do profeta Natã e a História do vi-
perder: pensamentos impuros, palavras impuras, qua- dente Gade. O livro de Jaser é referido em Josué
dros impuros contaminam. Que sejamos asseados 10.13 e 2 Sm 1.18.
em corpo e mente! Somente os puros de coração ve-
rão a Deus. A seguir, damos a Análise do restante dos livros
Pensem também dos escudos da honra, da reve- dos Reis, traduzida do escrito do dr. Scroggie. A es-
rência, do amor. Mas como podemos guardar os nos- pecial importância desta Análise é que apresenta os
sos escudos? Leiam-se Gênesis 15.1 e Provérbios diversos profetas nos seus lugares cronológicos e refe-
30.5. Cristo é o grande Escudo, capaz de guardar to- ridos aos diferentes reis em cujo reinado profetiza-
dos os nossos, se contamos com E l e " (Scroggie). ram.
O reino de Judá, é o reino do Sul (S). O de Israel é
Capítulo 11 o do Norte ( N ) .
Alianças fatais (1-13). "O seu coração não era Reoboáo e Jeroboão antes da separação (1 Reis
perfeito para com Jeová seu Deus" (v. 4). Seu primi- 12.1-19; 2 Cr 10).

ANÁLISE DE 1 REIS cap. 12 a 2 REIS cap. 25. E de 2 CRÔNICAS cap. 10 a 36:


Rei Reino Caráter Referência

Reoboão Sul Mau 1 Rs 12.20-24; 14.21-31; 2 Cr 11 e 12


Jeroboão Norte Mau 1 Rs 12.25 a 14.20
Abião Sul Mau 1 Rs 15.1-8;2 Cr 13 a 14.1
Asa Sul Bom 1 Rs 15.9-24; 2 Cr 14.1 a cap. 16
Nadabe Norte Mau 1 Rs 15.25-28
Baasa Norte Mau 1 Rs 15.28 a 16.7
Ela Norte Mau 1 Rs 16.8-10

122
1 'Reis

Zinri Norte Mau 1 Rs 16.10-20


Onri Norte Mau 1 Rs 16.21-28
Acabe Norte Mau 1 Rs 16.29 a 22.40
Ministério de Elias 1 Rs 17 a 2 Rs 2
Josafá Sul Bom 1 Rs 22.2-33,41-50; 2 Cr 17 a 21.1
Acazias Norte Mau 1 Rs 22.51 a 2 Rs 1.18
Ministério de Eliseu 2 Rs 2 a 13
Joráo Norte Mau 2 Rs 1.17 a 9.26
Jeorão Sul Mau 2 Rs 8.16-24; 2 Cr 21.1-20
Acazias Sul Mau 2 Rs 8.25-9.29; 2 Cr 22.1-9
Jeú Norte Mau 2 Rs 9 a 10.36
Atália Sul Má 2 Rs 11; 2 Cr 22.10 a 23.21
Joás Sul Bom 2 Rs 12; 2 Cr 24
Ministério de Joel 2 Rs 12 a 17
Joacaz Norte Mau 2 Rs 13.1-9
Jeoás Norte Mau 2 Rs 13.10-25
Ministério de Jonas 2 Rs 13 a 14
Amazias Sul Bom 2 Rs 14.1-20; 2 Cr 25
Jeroboão II Norte Mau 2 Rs 14.23-29
Ministério de Amós 2 Rs 14.21 a 15.7
Aza rias (ou Uzias) Sul Bom 2 Rs 14.21,22,15.1-7; 2 Cr 26
Zacarias Norte Mau 2 Rs 15.8-12
Salum Norte Mau 2 Rs 15.13-16
Menaém Norte Mau 2 Rs 15.17-22
Ministério de Oséias 2 Rs 14.23 a 29
Pecaia Norte Mau 2 Rs 15.23-26
Peca Norte Mau 2 Rs 15.27-31
Jotâo Sul Bom 2 Rs 15.32-38; 2 Cr 27
Ministério de Isaías 2 Rs 15 a 20; 2 Cr 26 a 32
Acaz Sul Mau 2 Rs 16; 2 Cr 28; Is 7 a 12
Oséias Norte Mau 2 Rs 17
(último rei do reino de Israel)
Ministério de Miquéias 2 Rs 15.32 a cap. 20; 2 Cr 27 a 32
Bzequias Sul Bom 2 Rs 18 a 20; 2 Cr 29 a 32; Is 36 a 3
Manassés Sul Mau 2 Rs 21.1-18; 2 Cr 33.1-20.
Ministério de Naum 2 Rs 21 a 24-7; 2 Cr 33 a $6.8
Amom Sul Mau 2 Rs 21.19-26; 2 Cr 33.21-25
Josias Sul Bom 2 Rs 22 a 23.30; 2 Cr 34 e 35
Ministério de Sofonias 2 Rs 22 a 24.7; 2 Cr 34 a 36.21
Joacaz Sul Mau 2 Rs 23.31-34; 2 Cr 36.1-4
Joaquim Sul Mau 2 Rs 23.34 a 24.6; 2 Cr 36.5-8.
Ministério de Habacuque 2 Rs 23.31 a 24.16; 2 Cr 36.1-10
Ministério de Daniel 2 Rs 23.35 a 25.30; 2 Cr 36.5-23
Joaquim Sul Mau 2 Rs 24.8-16; Cr 36.8-10
Zedequias Sul Mau 2 Rs 24.17 a 25.21; 2 Cr 36.11-21; Jr
52.1-30
Ministério de Ezequiel 2 Rs 24.17 a 25.30; 2 Cr 36.11 (574 a.C.)
Ministério de Obadias, Lamentações 'f? \ f " 2 Rs 25.22-26; 2 Cr 36.17-21

Gedalias governador, ^ T» — -- 2 Rs 25.22-26


Joaquim restaurado 2 Rs 25.27-30; Jr 52.31-34

M E N S A G E M DO REINO DIVIDIDO denúncia de Obadias da exaltação de Edom sobre a


queda de Jerusalém, à mensagem de Jonas e Nínive,
1 Rs 12 a 2 Reis 2õ; 2 Crônicas 10 a 36 uns 200 anos antes. Não é de est ranhar, por isso, que
a maioria tenha uma idéia mui vaga da história do
Para a maioria dos leitores da Bíblia, o período V. T . Proponho-me aqui a mostrar, resumidamente,
que agora vamos estudar é o mais difícil de entender. o curso deste período para que seja lido e estudado
Quando, porém, entendido, é talvez o de maior pro- inteligentemente.
veito. A ordem dos livros do V. T., nas nossas Temos visto que o reino unido foi governado por
Bíblias, náo é cronológica, e isso explica a dificulda- três reis, Saul, Davi e Salomão, durante um período
de que surge aqui. Costumamos ler a Bíblia seguida- de 120 anos. Depois o reino foi dividido, como o pro-
mente; e sem dificuldade passamos do livro de Es- feta dissera, por causa do pecado de Israel. As duas
ter ao de Jó, que viveu uns 1.000 anos mais cedo. partes foram;
Passamos do fim do Cativeiro, em Daniel, aos últi- 1) O Reino do Norte (Israel) com seu centro, pri-
mos dias do reino de Israel em Oséias. Passamos da meiro em Siquém, e depois em Samaria. Era com-

123
lHeis
posto de dez das doze tribos e foi governado por 19 este trecho em quatro partes: 1) O rogo (2-4). 2) A re-
reis, dividido em nove dinastias. Estas tribos foram solução (6-11). 3) A resposta (12-15). 4) A revolução
afinal levadas ao cativeiro para a Assíria, por Salma- (16-20).
nezer, e nunca mais voltaram. Reoboão herdou um reino no auge da prosperida-
2) O Reino do Sul (Judá), com seu centro em Je- de, e dentro de poucos dias, pela sua irresolução, or-
rusalém. composto de duas das doze tribos foi gover- gulho, estupidez e insoléncia o desorganizou. Note-
nado por 19 reis e uma rainha, todos da mesma di- mos o seu desprezo pela experiência (6-8); o seu re-
nastia. Estas tribos foram levadas ao cativeiro por curso à loucura (9-11); a sua jactáncia (14); o seu
Nabucodonosor, para a Babilônia, mas depois um abuso de poder (14); e, mais notável ainda, a sua fal-
grande número dos seus componentes voltou. ta de oração a Deus (Scroggie).
Ê de imensa importância compreender aqui Dez tribos rebelam-se (16-19). A glória mundana
como os profetas foram distribuídos nesta história e de Salomão somente se obteve á custa da opressão.
a qual dos reinos suas profecias se referiam. Para Fez pesado o jugo do povo. Isso exatamente Samuel
descobrir isto, vamos dividir os profetas em três clas- predissera (1 Sm 8.11-18). O povo das dez tribos pro-
ses (esses cujas profecias aparecem em livros ) como cura alivio na rebelião, mas isso resultou somente se
segue: acharem em pior situação, sob um rei mais iníquo.
1) Profetas antes do Cativeiro: O reino dividido (21-33). O reino unido, que con-
a) Em Israel: Jonas. Amós, Oséias, Miquéias. tinuara por 120 anos, está terminado. A capital do
b) Em Judá: Joel, Isaías, Miquéias, Naum, reino do Sul era Jerusalém e a do Norte, primeiro Si-
Sofonias, Habacuque e Jeremias. quém (v. 25), e depois Samaria. O reino do Norte
2) Profetas durante o Cativeiro: (chamado o de Israel) teve 19 reis, todos maus; e o do
Obadias, Ezequiel, Daniel. Sul (chamado o de Judá) teve 19 reis e uma rainha,
3) Profetas depois do Cativeiro: alguns dos quais foram bons.
Ageu, Zacarias, Malaquias. Notemos duas coisas: 1) A tentativa de Reoboão
Ocupa-se o estudo presente com a primeira clas- de remediar o mal que fizera (21-24), da qual logo
se, e havemos de indagar em qual reinado cada um teve de desistir, porque Jeová lhe disse pela voz do
profetizou, pois isso é a chave da própria profecia e profeta Semaías: "Isso veio da minha parte" (v. 24).
lança uma nova luz sobre as circunstâncias que a 2) Jeroboão reconhece o poder da religião na vida
motivaram. do povo. Os que não têm Deus precisarão de deuses
Na maioria dos casos, esta investigação histórica (v. 28). Há duas coisas que podemos observar no pro-
pode ser feita por examinar os começos da mesma cedimento de Jeroboão: ensinou o povo que era "de-
profecia, mas em alguns casos isso não pode ser defi- mais " ir a Jerusalém para o culto divino, e fez o culto
nitivamente resolvido. falso parecido com o culto verdadeiro.
Durante os reinados dos dez primeiros reis de Is-
rael, isto é, de Jeroboão a Jeú, e dos nove primeiros Capítulo 13
reis de Judá, de Reoboão a Amazias, não houve ne-
nhum profeta que deixasse um livro escrito. Mas, Enquanto Jeroboão está oferecendo sacrifícios
durante esse período, houve muitos outros profetas aos bezerros de ouro que fizera èm Betei, vem um
sem livros, a saber: Aias, Semaías, Azarias, Jeú, Ha- profeta de Deus (cujo nome não sabemos) e denun-
nani, Elias, Eliseu, Micaías e Jaaziel. cia o altar idolátrico.
Os dez dos 16 profetas com livros, que floresce- Jeroboão estende a mão para o prender, e em se-
ram antes do Cativeiro, devem ser lidos juntamente guida a sua mão fica paralisada e o altar da idolatria
com a história dos reis em cujos reinados profetiza- é milagrosamente fendido.
ram. Imediatamente Jeroboão deseja a cura, e roga ao
Sem dúvida, o relatório duplo dado em Reis e profeta: "Consegue o favor de Jeová teu Deus, e ora
Crônicas, tem confundido alguns leitores; torna-se, por mim ". Mas ele não ora por si mesmo nem reco-
porém, simples se nos lembramos de certos fatos: nhece Jeová como seu próprio Deus!
a) A história dos dois reinos é dada simultanea- Em seguida o profeta anônimo recebe dois convi-
mente desde I Rs 12 a 2 Rs 17, o capítulo em que Is- tes para jantar: um do rei, que recusa, e outro de
rael é levado cativo. "um velho profeta", que aceita, apesar de ter sido
b) A história de Judá continua por si só de 2 Reis proibido por Deus de comer em Betei.
18 a 25. O velho profeta ganhou seu hóspede mediante
c) A história de Israel è omitida em Crônicas. uma mentira - por que não sabemos - e assim conse-
d) O grande período desde a morte de Salomão ao guiu a desobediência e a morte de um colega.
cativeiro de Judá está recordado de três pontos de A lição do incidente é que devemos obedecer á
vista distintos: Palavra de Deus ao pé da letra; que uma aparência
1) O ponto de vista Real nos livros dos Reis. de espiritualidade pode ser enganosa; que o compa-
2) O ponto de vista Sacerdotal nos livros de Crô- nheiro da nossa desobediência pode ser o primeiro a
nicas. nos denunciar (v. 21).
3) O ponto de vista Profético nos livros dos Pro- Notemos que o primeiro não é chamado profeta
fetas. mas "um homem de Deus" (v. 1). Pode bem ser que
Estes três aspectos da história são independen- nunca tivesse estudado na "escola de profetas". E
tes, mas todos necessários para um completo enten- provável que tivesse considerado o "vçlho profeta"
dimento do período. do versículo 11 como seu superior eclesiástico, e, por
isso, obedecesse mais facilmente.
Capítulo 12 As palavras "que o tinha feito voltar", no versí-
culo 20, devem ser provavelmente "a quem tinha fei-
Reoboão segue maus conselhos (1-15). Divide-se to voltar", como no versículo 23. Não havemos de

124
1 'Reis

entender que Deus dera a sua revelação ao falso pro- 6) Suas tributações. Guerras constantes com
feta, mas falara diretamente ao "homem de Deus". Baasa; e, no fim da vida, a gota nos pés, talvez por
Isto é comprovado pelo versículo 26 "a palavra que conseqüência de sempre ter comido bem.
Deus lhe falou". Nadabe reina sobre Israel (25-32). No começo do
reinado de Asa sobre Judá. Jeroboáo ainda reinava
sobre Israel. Sucederam-lhe Nadabe, Baasa, Ela,
Capítulo 14 Zinri. Tibni e Onri, todos no meio de contendas e tri-
butações e todos durante o longo reinado de Asa
Jeroboão é sentenciado profeticamente pela boca sobre Judá.
de Aias (1-19). A doença de um filho predileto é a
ocasião de Jeroboáo mais uma vez reconhecer que No reinado de Baasa, toda a família de Jeroboáo
somente com o Deus verdadeiro pode haver recurso. é exterminada, náo porque Baasa reprovasse os pe-
Porém ele era homem iníquo, e por isso apenas podia cados desse, mas pela sua própria ambição e malí-
ouvir tristes notícias de um Deus santo. Notemos os cia.
passos: a criança adoece; Jeroboão se lembra do ve- Proposta emenda de tradução (v. 13): "para que
lho profeta que uns 20 anos antes lhe tinha prometi- nào fosse rainha-mãe".
do o reino; manda a mulher, disfarçada, indagar do
profeta; ouve o aviso: náo somente a criança morre- Capitulo 16
rá, mas Deus há de castigar o rei iníquo.
Neste trecho Deus se chama "o Deus de Israel" -Jeú. o profeta. Precisamos distinguir entre Jeú o
(v. 7); lembra a Jeroboáo como o tinha elevado de profeta, neste capitulo, e Jeú o príncipe, filho de Jo-
um lugar humilde para ser rei sobre Israel (v. 7); safá, em 2 Reis 9.
acusa-o de impiedade e apostasia (v. 9); prediz a A profecia de Jeü é mais precisamente contra a
completa ruína de Jeroboáo (10-11); a morte imedia- posteridade de Baasa, e nào contra a sua pessoa, em-
ta da criança (12); e o estabelecimento de outra di- bora Baasa fosse um homem bem iníquo (13). Baasa
nastia para reinar sobre Israel (uma profecia cum- "dormiu com seus p>ais" (6) em paz, mas as suas ini-
prida em Baasa de Issacar, que conspirou contra Na- qüidades prejudicaram a sua descendência. Seu fi-
dabe. filho de Jeroboáo, e matou-o com toda a sua lho Ela sucedeu-lhe (8) e, depois de dois anos, foi as-
família); prediz juízos sobre o povo, por conformar- sassinado por seu servo Zinri (9), numa ocasião em
se com a idolatria introduzida por Jeroboáo (15). que o rei estava embriagado.
A mulher de Jeroboão nada tem a dizer contra a Zinri reinou apenas sete dias (15) e então o povo
sentença do Senhor. levantou-se contra ele e fez Onri rei. Onri, pratican-
do o mal de acordo com o exemplo dos seus antepas-
sados, reinou 12 anos. os primeiros seis em Tirza (23)
Capítulo 15 e os outros seis em Samaria, que assim chegou a ser a
capital da nação de Israel. Ali ele morreu e foi sepul-
Abião imita a impiedade de seu pai Reobodo. Em tado, e ali seu filho Acabe começou o seu reinado, e
2 Crônicas 13 ele tem um aspecto melhor, pois ali se reinou 22 anos (v. 29).
relata a sua guerra com Jeroboáo e sua vitória. Ali, ele Onri, Tibni e Acabe, três reis de Israel, e todos
é chamado Abias. "meu pai é Jeová", porque ali não homens maus. Cada filho excedeu seu pai na perver-
se fala da sua iniqüidade, mas aqui, onde lemos das sidade. A infelicidade de Acabe foi ter casado com
suas perversidades. "Jah", o nome de Deus, lhe é ti- uma mulher pagã, chamada Jezabel, uma das mais
rado, e ele é chamado Abião. iníquas mulheres de todo o Velho Testamento.
Sentindo-se orgulhoso e seguro pela sua grande
vitória sobre Jeroboáo (2 Cr 13.21), Deus o tirou para
dar lugar ao seu filho Asa, que seria um homem me- Capitulo 17
lhor (Matthew Henry).
Proposta emenda de tradução (v. 6): Leia-se O profeta Elias. De repente aparece em cena esse
Abião em vez de Reoboáo (T. 245). No versículo 17 grande homem de Deus, Elias, o tesbita (provavel-
leia-se fortificou Ramá em vez de edificou Rama. mente natural de uma cidade chamada Tisbe - Da-
O bom reinado de Asa (9-24). Podemos conside- vis).
rar neste reinado: Elias e Eliseu sáo os dois grandes profetas que
1) Sua duração: 41 anos (v. 10). Entre os reis de operaram milagres em nome de Jeová. Aparecem no
Judá houve bons e maus: mas os bons geralmente tempo da decadência de Israel, como um testemu-
reinaram mais anos do que os maus. Comprimento nho para Deus nesses tempos maus.
de dias é o galardão da sabedoria (Pv 3.16). A história de Elias compõe-se de onze incidentes
2) Seu bom caráter (v. 11). Ele tomou sentido no principais, três dos quais estáo neste capítulo.
procedimento de Davi e imitou-o. 1) O profeta em Carite onde ele é milagrosamente
3) Sua ação em reprimir o mal e promover o sustentado pela providência divina. "Algumas pes-
bem. Combateu a imoralidade (12); reprimiu a idola- soas de grande promessa e poder pouco tem conse-
tria (12); purificou a própria família (13); restabele- guido. porque nunca se esconderam em suficiente re-
ceu o que era bom (15). tiro (v. 3). Lembremo-nos de Moisés e seus quarenta
4) Seu procedimento político era sensato (23). anos no deserto; de Paulo e os três anos na Arábia; e,
Edificou cidades e impediu a construção de uma for- mais maravilhoso de tudo. de Jesus e seus primeiros
taleza perigosa (22). 30 anos na obscuridade. Carite significa 'separado'.
5) Seus erros. Baniu a idolatria, mas deixou os Você tem estado ali? Se não, isso pode explicar o seu
"lugares altos" (14). Trouxe á casa de Deus as coisas pouco êxito. Quando Elias chegou a Carite, Deus
dedicadas, porém mais tarde entregou-as a Benada- providenciou o seu sustento de maneira estranha
de, para comprar sua cooperação contra Baasa (18). (5,6)" (Scroggie).

125
ISeú
A teoria de alguns, de que os "corvos" que sus- mo tempo que não hesita em tomar ainda mais difí-
tentaram Elias eram "negociantes", ou habitantes ceis as condições em que Jeová vai vencer (33-35).
de uma vila nos arredores, é rejeitada pelos comen-
tadores mais eruditos ( T . 247). Capítulo 19
2) A viúva de Sarepta (8-24). Notemos que;
a) Deus guia os passos do seu servo: primeiro ao Elias e Jezabel (1-8). Notemos neste trecho:
córrego Carite, depois á casa de uma pobre viúva (9). 1) O motivo do ódio de Jezabel: Elias tinha des-
b) Ele manda seus provedores: "ordenei aos cor- truído os falsos sacerdotes, e isso preocupava mais a
vos" (V. 4) e "ordenei ali a uma mulher viúva " (v. 9). mulher iníqua do que a bênção da chuva fornecida
c) Seus caminhos são vários. Uma vez serve-se milagrosamente (18.45).
dos corvos; outra de um vaso de farinha e um vaso de 2) A ameaça da rainha de matar o profeta na
azeite. A incredulidade poderá perguntar: "Porven- primeira ocasião possível (v. 2). Parece que ela, e
tura pode Deus preparar uma mesa no deserto?" (SI não Acabe, realmente governava o país.
78.19), ou "Ainda que Jeová fizesse janelas no céu, 3) A fuga de Elias, o seu desânimo: "Eu não sou
poderia isso suceder?" (2 Rs 7.2), mas a fé está des- melhor do que meus pais". Parece que ele estava um
cansada na verdade de que Deus tem seus provedo- tanto preocupado consigo mesmo, e náo com o poder
res em toda a parte. de Deus e sua obra.
d) Ele, às vezes, muda os seus métodos. A fé pode 4) As consolações de Deus, e forças renovadas
ver o córrego secar; confia, porém, em que haverá (compare-se 2 Crônicas 1.4): comida, bebida, confor-
um vaso de azeite em seguida (Goodman). to, proteção, encorajamento (6-8).
3) O menino doente. Ainda que seja uma expe- Elias no monte Horebe (9-21). Elias tinha viaja-
riência penosa, devemos apreciar qualquer sucesso do para o Sul. e chegara a Horebe, o distrito monta-
que desperte em nós o reconhecimento do pecado nhoso no centro do qual estava o monte Sinai, onde
(18); que nos leve à oração fervorosa (20); que ofere- Israel recebera a Lei.
ça a Deus uma oportunidade para revelar seu poder Aqui continua a sua queixa. Gloria-se ele no seu
e glória (22) ou que nos leve a uma confiança mais zelo por Deus; fala contra Israel em vez de interceder
perfeita (24). pela nação, e alega ser ele de resto o único homem
Aprendemos muito da oração de Elias: era inter- piedoso. Tudo isto é inverdade.
cessória: a favor de outro; era solitária, e ninguém Vamos considerar:
poderá orar eficazmente em público se não ora muito 1) Elias dentro da caverna.
em particular: era positiva, e muitas vezes Deus nos 2) Elias na entrada da caverna.
pergunta: "Que queres?"; era fervorosa; custou ao 3) Elias volta ao serviço profético.
profeta alguma coisa. Quanto custam as nossas ora- 4) Aplicação. •
ções? Era eficaz: leiam os Tiago 5.17,18. 1) Elias na caverna, onde dorme, e em sonhos
Podemos aprender deste incidente como ganhar sente-se na presença de Deus. (Nós, entrando em
crianças para Cristo. "Estendeu-se sobre o menino nosso quarto e fechando a porta, podemos também
três vezes". Para ganhar as crianças havemos de nos estar a sós com Deus.) Algumas coisas próprias à ca-
chegar a elas: havemos de ser pacientes e persisten- verna ou ao quarto: descanso; isolamento; reflexão:
tes com elas e, já se vê. a oração há de ser acompa- contato com o mundo invisível em visões de terremo-
nhada de tudo içso (Scroggie). tos. ventos e da voz do Senhor.
2) Elias na entrada da caverna, obediente à pala-
Capitulo 18 vra divina. Agora ele ouve repetida a mesma voz que
ouvira (provavelmente) em sonhos, e responde de
Elias encontra-se com Obadias. (1-15). "Obadias maneira idêntica. Notemos:
é um homem de quem podemos desejar saber mais. a) que Elias se preocupa com o serviço feito;
Ele vivia no reinado de Acabe e Jezabel, nos tempos b) que pensa ser só ele fiel ao Senhor;
de grande apostasia. c) que Deus o ocupa com novos serviços futuros;
"Ainda mais, vivia na capital e até no palácio; e d) que Deus pode tratar de mais 7.000 fiéis.
estava ali, não como criado, e sim como governador 3) Elias volta ao serviço profético, depois de ter
(3). Contudo era servo de Deus! Quem, depois disto, aprendido a:
pode dizer que lhe é impossível ter uma vida cristã a) não se prender ao passado;
no meio onde vive? Os lírios podem florescer na la- b) não pensar que só ele é fiel;
ma: Moisés na corte do Egito; Daniel na corte da Ba- c) buscar aquele que deve continuar o serviço
bilônia; Joana na corte de He rodes; santos sem nome profético (16).
na corte de César (Fp 4.22); e Obadias na corte de 4) Aplicação. Nós não somos profetas, mas deve-
Acabe. Mas ele tivera um bom começo (12). Esta mos ter algum préstimo espiritual. Qual seria? Que
história relata um conflito entre fidelidade e o receio sabe o leitor do desânimo, isolamento, visão do "in-
(3,9,16), um conflito em que todos nós estamos em- visível"? (Hb 11.27). Em que seria Elias semelhante
penhados. Qual dos dois prevalecerá?" (Scroggie). ao Senhor Jesus, e em que era diferente?
Elias e os profetas de Baal (20-40). Este é um in- Proposta emenda de tradução (v. 20): "Vai, mas
cidente dramático e impressionante. Um só homem sem falta volta, pois vês que grandes coisas te tenho
de Deus enfrenta uma multidão de idolatras, e os feito" (R. 62).
vence completamente. Elias propõe uma prova (21)
e o povo aceita (24). Capítulo 20
Podemos notar a diferença entre a conduta dos
adoradores de Baal e a de Elias. Com eles: fanatis- Jactáncia de Benadade (1-15). Ficamos admira-
mo, histeria, esforço físico; com ele: serenidade, con- dos de que Deus prestasse qualquer atenção a um
fiança. desprezo dos recursos dos idolatras, ao mes- homem tão depravado como Acabe (16.30), porém

126
1 'Reis

Deus é misericordioso até para os que nada mere- opressão operando, e resultando na retribuição divi-
cem. na sobre todos os malfeitores.
Acabe não podia esperar uma intervenção divina, " O mesmo princípio ainda opera e pode ser ob-
nem a pediu, assim esta misericordiosa intervenção servado na história do presente como do passado. O
foi imerecida e não rogada. mesmo Deus vinga o oprimido e exerce o juízo no de-
Sentindo-se em transes apertados, Acabe escuta vido tempo sobre o opressor.
o profeta (13), e, com a sua própria vida em perigo, " N o século X V n i , a Prússia, a Rússia e a Áustria
atende e obedece (14). uniram-se para depor o rei da Polônia e dividir a sua
O rei é semelhante nisto a muita gente que não terra entre eles. Foi talvez o maior crime político da
tem interesse algum na igreja nem nos servos de história moderna, e abalou a consciência da Europa.
Deus, que despreza a Bíblia e persiste no pecado. Po- No mesmo território roubado, as mesmas três nações
rém. quando a morte chega, lembram-se de Deus. lutaram na Primeira Guerra Mundial e, literalmen-
Benadade não tinha nenhum motivo para atacar te, molharam a terra com seu sangue, enquanto o
Israel, e não podia queixar-se das conseqüências. monarca de cada uma foi lançado fora do seu trono.
Acabe nunca fora tão vil como quando mandou sua Foi uma repetição da história da vinha de Nabote."
primeira resposta a Benadade (v. 4); mas depois me- Notemos do rei Acabe:
lhorou (9,11). 1) Sua avareza. Está escrito "Não cobiçarás" e a
Benadade humilhado (16.30). Sua segunda der- cobiça é idolatria (Cl 3.5), visto que nela o coração
rota (26-30). Notemos o contraste; o rei da Síria, almeja algo mais do que a aprovação de Deus. E isso
confiando na sua sabedoria mundana, e o rei de Is- é egoísmo.
rael, dirigido pela Palavra de Deus, proferida pelo 2) Seu mau gênio. "Tendo-se deitado na sua ca-
profeta (22,28). Notemos o raciocínio dos sírios: ma. voltou o rosto e não quis comer".
1) Tinham errado na escolha do campo de bata- 3) Sua submissão à mulher iníqua. Aquilo que ele
lha. No futuro iam pelejar na planície, porque "seus não tinha coragem de fazer, deixa que faça essa pa-
deuses [de Israel] são deuses das montanhas"; uma gâ.
tola superstição. 4) Seu ardente desejo: ir tomar posse da mal-
2) Não tinham empregado capitães competentes. adquirida vinha.
Geralmente é erro escolher um rei como general. 5) Sua confissão rebelde: "Achaste-me, ó meu
3) Seu exército havia de ser ao menos igual ao da inimigo?" E coisa ruim, quando um homem tem de
primeira vez. Mas o que não reconheciam era que "a confessar que Deus é seu inimigo.
vitória é do Senhor".
Capítulo 22
Israel é advertido por Deus com antecedência (v.
22) e Deus promete vingar seu nome contra a asser- Aliança entre Acabe e Josafá. Um profeta verda-
ção de que Ele era somente Deus das montanhas e deiro entTe os profetas falsos.
não da planície. "Estes capítulos relatam três conflitos entre Is-
Cair o muro de Afeque sobre 27.000 pessoas é rael e a Síria (20.1-21; 20.22-30; 22.1-40). Os primei-
atribuído por alguns comentadores a um terremoto. ros dois eram defensivos, e Israel venceu. O terceiro
No Consultório Espiritual oferece-se outra tradução: era ofensivo, e Israel perdeu.
"o muro caiu sobre vinte e sete homens principais "Aqui vemos Josafá aliado com Acabe (v. 4). Se
que restavam" (p. 82). tivesse sido ajuizado, jamais teria feito tal coisa.
Vitória anulada (31-43). Apesar de toda a bonda- Mas o pecado cega a vista. Ramote havia sido toma-
de de Deus a Acabe, o coração deste era ainda como da de Israel pela Síria, e os israelitas não se tinham
pedra: a misericórdia não o levou ao arrependimen- importado de a reaver (20.34).
to, como este trecho prova. "Embora estivesse Josafá numa posição falsa,
O pecado do rei era grande. Durante todas essas contudo ele sugere a Acabe que. antes de entrar na
experiências, ocupando provavelmente vários anos, luta, consultem a vontade de Deus (v. 5). Acabe con-
ele não ofereceu nenhuma oração a Deus, não ex- corda com isto, na aparência, mas chama 400 profe-
pressou nenhuma gratidão pelo livramento recebido, tas que, bem sabe, hão de dizer o que ele quer ouvir.
não confessou que Jeová era Deus, não mostrou ne- " O que os 400 profetas careciam era honestidade,
nhuma tristeza pelos seus muitos pecados, e. delibe- coragem, conhecimento, e lealdade à vontade de
radamente, desprezou a maior oportunidade da sua Deus. Mas estas qualidades só Mica possuía.
vida. "Instigado por Josafá, Acabe manda buscar a
Há uma caridade que convém a todos, e outra Mica da cadeia. Este fala primeiro ironicamente,
que importa numa traição. Desta úttima Acabe era mas em linguagem problemática: 'Jeová [oj entre-
culpado. Chamou o inimigo de Deus e dele de "ir- gará nas mãos do rei'. A palavra *o* não está no origi-
mão". e levou-o para a sua casa (32.34). Isso não era nal. Entregar o que? e em mão de quem?
ocasião de mostrar generosidade, e Acabe não tinha " A voz, atitude e olhar de Mica convencem Aca-
o direito de atirar de si a presa que Deus lhe dera. be de que o profeta está zombando dele. (Veja-se
Nunca faça aliança com seus inimigos (34); quer 18.27.)
dizer, com seus pecados, com a tentação, com a car- "Então o profeta fala claramente (17) e deixa
ne, o mundo, ou o Diabo. transparecer esse Trono e esse Concilio que vem
Um profeta do Senhor frisa a lição do incidente atrás dos sucessos da história (19-23, e Jó 1.6; 2.1).
por meio de uma parábola em ação (35-42). Que coisa misteriosa e solene é que o Iníquo tenha
acesso ao Divino; que possa propor o mal e obter li-
Capitulo 21 cença para agir (22)! E que coisa terrível é que os que
professam ser o povo de Deus e seus profetas oossam
A vinha de Nabote. "Aqui vemos a avareza e a ser agentes do Diabo!

127
1-Heis

"Josafá, por guardar silêncio, estava consentindo do a palavra que Jeová proferira" (v. 38). Seu fim
em tudo" (Scroggie). trágico fora predito três vezes (20.42; 21.19; 22.17-
A morte de A cabe"(29-40). Acabe pensa, por meio 28) e chegou a hora do cumprimento. A justiça, afi-
de um fingimento, safar-se do perigo de entrar na nal, atinge o iníquo.
batalha como rei. A ordem do inimigo ê fazer guerra A vida de Josafá termina abruptamente, quase
somente a ele; e, disfarçado, pensa ficar ileso. Mas, no meio de uma conversa (49,50); e "em seu lugar


por acaso, uma flecha o atinge, e ele recebe uma feri- reinou seu filho Joráo".
da mortal, "e os cães lamberam-lhe o sangue, segun-

128
ste livro continua a histó- lógica dos reis do reino dividido, traduzida do livro
ria dos dois reinos até o Ilustrated Bible Treasury.
Cativeiro. Inclui a trasla-
daçâo de Elias. Durante Desde já é preciso prevenir o leitor de que o as-
este período, Amós e sunte é muito complexo, e, às vezes, é quase im-
"etizaram em Israel, e Obadias, Joel, possível pôr em perfeita ordem. A confusão é aumen-
iquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, e Je- tada mais ainda pela existência de diferentes reis do
Judá. mesmo ou quase do mesmo nome, e a confusão da or-
tografia, pela qual um ou outro com o nome de Jorão
de-se Segundo Reis em sete partes: 1. Último
ou Jeorão, aparece como rei, tanto de Israel como de
ministério e trasladação de Elias (1.1 e 2.11). 2. O
Judá.
ministério de Eliseu, desde a trasladação de Elias à
unção de Jeú (2.12 a 9.10). 3. O reinado de Jeú sobre Na tabela, a priméira coluna dá o ano antes de
Israel (9.11 a 10.36). 4. Os reinados de Atália e Joáa Cristo, segundo a cronologia recebida (do dr.
sobre Judá (11.1 a 12.21). 5. Os reinados de Joacaz e Ussher?). A segunda coluna dá uma cronologia revis-
Joás sobre Israel e o último ministério de Eliseu ta de acordo com os mais recentes estudos. A última
(13.1-25). 6. Da morte de Eliseu ao cativeiro de Israel coluna ( K ) dá o ano a.C. de acordo com o parecer do
(14.1 a 17.41). 7. Da ascensão de Ezequias ao cativei- sábio expositor Dr. Adolfo Kamphansen.
ro de Judá (18.1 a 25.30) (Scofield).
Embora nem todos tenham interesse em estudos Imediatamente, depois do nome do rei, segue, en-
cronológicos, vamos incluir aqui uma Tabela Crono- tre parênteses, os anos do seu reinado.

O REINO DIVIDIDO
Rec. Rev. Judá Israel
975 940 Reoboão (17 anos) Jeroboão (22 anos) 937
971 936 ano 5 - Sisaque invade. 920
957 923 Abião (3 anos) ano 18 de Jeroboáo 917
955 920 Asa (41 anos) ano 29 de Jeroboáo

O paralelo mostra que havemos de contar os 3 anos de Abião como dois anos com-
pletos. Haverá semelhantes casos mais adiante na tabela.
954 918 ano 2 de Asa Nadabe (2 anos) 915
953 916 ano 3 de Asa Baasa (24 anos). Fim da
dinastia de Jeroboáo 914
946 910 ano 10 (ou 13) de Asa. Invasão de Zerá o
etíope.
"No trigésimo-sexto ano do reinado de Asa" Baasa declarou guerra contra Judá
(2 Cr 16.1-13). Mas nessa época Baasa tinha sido morto havia dez anos. Por isso leia-
mos "vigésimo-sexto".

129
lHãs

R®c. Rev. Judá Israel


930 893 ano 26 Ela (2 anos)
929 Zinri (7 dias)
929 892 ano 27 Unri (12 antM)

"Os doze anos de (Jnn incluem 4 anos de conflito com Tibni. Onri foi estabeleci-
do sobre o reino de Israel no trieésimo-primeiro ano de Asa (1 Rs 16.23).

918 880 ano 38 de Asa Acabe (22 anos) Elias


9IV
Uma inscrição de Salmanasar II recorda uma vitória em Qarqar no sexto ano de
%eu reinado (a.C. 864) sobre doze reis aliado*, um dos quais parece ter sido "Acabe
35 V5 de Israel' e outro Benadade (II) da Sina"
914 878 Josafá (25 anos) ano 4

Aliança dos reis contra Benadade II da Síria. Acabe morto cm Ramote de Gilea-
de.
898 858 ano 17 Acazias (2 anos)
857 Revolta de Mesa, rei de Moabe. após a
morte dc Acabe.
896 856 ano 18 Jorão (12 anos)
Trasladarão de Elias.
ElUeu. o profeta
Jeorâo, regente Ano 2. Guerra com Moabe. Josafá alia-
do com Jorãu. Sitio de Samana por
Benadade II. rei da Síria.
892 853 Jeorão, rei <8 anofO ano 5
£ provável que Jeorão (de Judá) tenha chegado a ser recente 2 ou 3 anos antes da
morte de seu pai. Josafá. Jorão começou a reinar sobre Israel no segundo ano de Jeo-
rão (de Judá) (2 R* 1.17) pode ser um erro dr copista
885 844 Acazias (1 ano) chamado Joacaz (2 Cr ano 12
21.17).
Os dois reis. Acazias e Jorão. foram mortos ao mesmo tempo.
Fim da dinastia de Onri.
884 843 Atdlia (7 Jeú (28 nnos)
Tributário da Assíria.
878 838 Joás (40 anos)
Joás tinha sido escondido 6 anos (2 Rs
11.3). por isso os 7 anos de Atdlia foram
realmente 6L Vitórias da Síria sob Hazael.
856 816 ano 23 Joacaz (17 anos)
839 799 ano 37 Jeoás (16 anos)

Segundo o cálculo de Joás de Judá, a ascensão de Jeoás foi 14 anos depois da dc


Joacaz. Provavelmente os dois reis de Israel remaram juntamente por uns 3 anos.
839 Amazias (29 anos) ano 2

Eliseu morre após um ministério de


uns 60 anos. Guerra entre Israel e Síria
Vitória sobre Edom. (Benadade III).

Israel e Judá em guerra; Jerusalém despojada por Jeoás.


825 784 ano 15. Jeroboão II (41 anos)
profeta Joel (ou mais tarde). profeta Oséias.
810 770 Amazias morto; Azarias, ou Uzias reina ano 27
(52 anos).
Amazias sobreviveu a Jeoás 15 anos (2 Rs 14.17). Ma* Amazias morreu no ano 27
do reinado de Jeroboão II. Segue, por isso. que Jeroboão tinha reinado conjuntamen-

130
IMs

Rec. ev. Judá Israel


te com Jeoàs por 12 anos.
Uzias reinou 52 anos, incluindo regências
ao começo e fim do seu reinado.
752 Jotão, regente
773 741 ano 38 (de Uzias) Zacarias (6 meses)
772 741 ano 39 Salum (2 meses). Fim da
dinastia de Jeú.
772 740 Menaém (10 anos ou 3 anos?)
Invasão por pul, rei da Assíria (Tigla-
te-Pilneser 111). Israel feito tributário.

Os monumentos de Tiglate-Pilneser os nomes de Azarias e Joacaz (Uzias e


Acaz), de Judá, e de Oséias, de Israel. Tanto Uzias como Menaém aparecem nos mo-
numentos como tributários a Tiglate-Pilneser.

761 737 ano 50 Pecaia (2 anos)


759 736 ano 52 Peca (20 anos)
758 736 Jotão, rei (reina ao todo 16 anos) ano 2
Acaz (16 anos - ou 7 ou 8?) ano 17

Síria (sob Rezim) e Peca fazem uma confederação contra Judá. Acaz manda bus-
car auxílio de Tiglate-Pilneser. Damasco tomada pelo rei da Assíria (a.C. 732) a
quem Acaz paga tributo.
730 729 ano 12 (ou 5?) Oséias (9 anos)
Peca foi morto por Oséias, que reinou no seu lugar (2 Rs 15.30). Isto "no vigésimo
arw de Jotão" é geralmente interpretado como sendo o quarto ano de Acaz, visto que
Jotão reinou apenas 16 anos. Como fazer esta data corresponder com o ano 12 de
Acaz é uma dificuldade, geralmente resolvida por supor um intervalo de anarquia
entre o assassínio de Peca e a ascensão do assassino - contra o evidente sentido do
texto. A chave parece estar em alguma interpretação diferente de "o vigésimo ano de
Jotão", ou em considerar a frase como uma corrução de copista.
Profetas Isaías e Miquéias

726 727 Ezequias (29 anos) ano 3


Ezequias tinha 25 anos da sua ascen- Invasão por Salmanasar IV. Oséias fei-
são, mas seu pai Acaz parece ter morrido to tributário.
com 36 anos (2 Rs 16.2). Provavelmente o Tentativa de aliança com o Egito (rei
manuscrito Vaticano LXX é correto, dan- So ou Sabaco).
do a Acaz 41 anos quando morreu. Nova invasão, Samaria sitiada 3 anos.
Israel conquistada por Sargom, sucessor
de Salmanasar.

721 122 ano 6

à C MONARQUIA DE JUDÁ
Rçç,
Ezequias (continuação).
712 Invasão da Palestina e Egito por Sargom. Doença e restabelecimento de Ezequias. Em-
baixada de Merodaque-Baiadã da Babilônia.
704 Acesso de Senaqueribe filho de Sargom ao trono da Assíria.
701 Senaqueribe invade Judá. Vrilas e cidades tomadas. Jerusalém ameaçada. Destruição
do exército Assírio.
Esta invasão é dada como sendo no ano 14 de Ezequias (2 Rs 18.13; Is 36.1). Afas Sena-
queribe não subiu ao trono até a.C. 705 e sua expedição á Palestina foi 3 anos mais tarde.
Por isso havemos de ler 24 por 14, ou entender que a alusão é a prévia invasão de Sargom
(711). misturada por algum copista com a de Senaqueribe. O relatório da doença de Eze-
quias deve preceder ao da invasão de Senaqueribe. (Veja-se Isaias 38.6.)
697 Manassés (55 anos)
681 Assassínio de Senaqueribe, acesso de Esar-Hadom.
Manassés tributário a Esar-Hadom: levado cativo á Babilônia. Seu arrependimento e

131
2 2ds

A.C. MONARQUIA DE JUDÁ


Rec.
restauração. Tributário a Assurbanipal (Sardanapalus). Esar-Hadom manda colonizar a
terra de Israel.
668 Destruição de No-amon. o Thebes do Egito, pelos assírios.
642 Amon (2 anos) 640
640 Josias (31 anos) 638
626 Nabópolassar vice-rei em Babilônia. Descoberta do Livro da Lei (Deuteronômio) no
Templo. Revivificaçáo nacional da religião.
609 Faraó-Neco tenta invadir a Assíria. Josias. tentando obstar sua passagem através da
Palestina, é morto em Megido.
Profetas Jeremias, Sofonias e Naum.
608 Joacaz (3 meses). Capturado por Faraó e enviado ao Egito. 608
608 Joaquim (11 anos) 607
606 Nabucodonosor captura Ninive para seu pai Nabopolassar e a sujeita à Babilônia. Ela
ataca o reino de Judá e o torna tributário.
Começo do cativeiro de 70 anos.
Profeta Habacuque.
605 Nabucodonosor rei da Babilônia. Grande batalha em Carquemis. em que o poder do
Egito é derrubado 597
597 Jcconias, Comas ou Jeoiaquim (3 meses) 596
Jerusalém tomada pelos caldeus. Jeconias exilado para a Babilônia.
597 Zedequias ou Matanias, vassalo da Babilônia (11 anos).
Jeremias continua a profetizar - seu ministério durou desde 622 a 586.
590 Ezequiel profetiza na Babilônia - seu ministério desde 595 a 594.
587 Sitio de Jerusalém pelos caldeus. 686
Jerusalém tomada e destruída. Zedequias um cativo na Babilônia.
Profeta Obadias.
Fim da monarquia judaica.

Capítulo 1
Acazias em conflito com Elias. O rei, querendo trada na vida celestial (2 Pe 1.11). Também os que
consultar um deus falso, recebe pela boca de Elias estiverem vivos na vinda do Senhor nunca morrerão.
uma mensagem do Deus verdadeiro, e fica zangado Como Elias, eles serão arrebatados ao Céu (Jo 8.51;
com isso. 11.26; 1 Ts 4.15-17).
Manda soldados para prenderem o profeta, e dois A escolha (v. 9). Eliseu. em ver H*» pedir que fosse
dos grupos morrpm por uma intcrpoeíção milagrosa. feito herdeiro dos bens materiais de Elias, pede "u-
O terceiro capitão, com seu grupo de 50, humilha-se ma porção dobrada do seu espirito ". Ele tanto apre-
e pede misericórdia, uma coisa que os anteriores não ciava o poder, o caráter e a espiritualidade do seu
fizeram. Só então é que aparece um anjo de Deus e mestre, que quis ser como ele, e ainda mais. Que coi-
manda o profeta descer do monte e ir com os solda- sa importante é quando os filhos admiram tanto o
dos. Depois de reconhecerem com ele poderes sobre- caráter de seus pais, que desejam imitá-los em tudo
naturais, com certeza o trataram com mais respeito (e ainda mais) depois de os pais falecidos!
e consideração. Então Elias vai e dá seu recado ao rei A condição (v. 10). "Se me vires quando de ti for
pessoalmente. "Assim morreu o rei conforme a pala- arrebatado, assim se te fará". Eliseu necessitava de
vra de Jeová que Elias tinha pronunciado". Alguma visão espiritual para receber a bênção desejada. Po-
coisa há incompreensível nas palavras: "Jorão come- deria ele ver os carros e os cavalos de fogo quando
çou a reinar no seu lugar no ano segundo de Jeorão, chegassem? Seu criado não podia (6.17). A visão di-
filho de Josafá" (2 Rs 1.17 A l ) . Os expositores calcu- vina é dada somente pela fé.
lam que foi no ano 18 de Josafá. O espírito de Elias repousou sobre Eliseu (13-22).
Em seguida Eliseu recebeu poder para operar um
Capitulo 2 milagre (v. 14), e os filhos dos profetas reconheceram
que o espírito de Elias estava aubre ele.
O arrvbuiamento de Elias. Se tivéssemos obriga- Zombando do profeta (23-25). Almeida diz que
ção de verificar por que Deus levou Enoque e Elias foram "rapazes pequenos" que zombaram do profe-
para si, sem verem a morte, poderia ser difícil des- ta, e V.B. fala de "rapazes". Outra tradução diz
cobrir na sua vida e personalidade motivo suficiente. "moços", e a versão espanhola de Pratt tem "mozue-
Mas se alguém nos disser que Deus o fez porque quis, los ". Em qualquer caso podemos entender ter havido
não poderemos dizer que isso não era razão suficien- algum defeito na educação dos jovens que nunca
te. E os dois chegaram assim a apresentar uma figu- aprenderam a reverência. Uma criança malcriada é
ra das multidões de remidos que, em um dia ainda uma criatura desagradável a todos.
futuro, subirão ao encontro do Senhor nos ares. Porém neste incidente Eliseu não conquista a
Foi bom que Deus não respondeu á súplica de nossa admiração, nem parece muito semelhante À-
Elias (1 Rs 19.4) no sentido de que morresse. Deus ti- queie que "sendo injuriado, não injuriava, mas en-
nha uma coisa melhor no seu plano! tregava-se àquele que julga justamente" (1 Pe 2.23).
O carro de fogo e o redemoinho pelo qual Elias Contudo, pode ser que Eliseu se tenha considera-
subiu podem ensinar-nos que há uma abundante en- do como um militar ofendido, que deve reagir, não

132
2 TUis

tanto por motivos pessoais, mas para manter a dig- ção. (Notemos a mobília do quarto: cama, mesa, ca-
nidade do seu ofício. deira e candeeiro. Pouca, mas suficiente. Se tivesse
N o Treasury o caso tem um aspecto ainda mais acrescentado um lavatório, teria sido quase de-
grave: "Os moçoe profano», tendo ouvido do arreba. mais.);
lamento de Elias sem o acreditar, com blasfêmias c) A sunamita está contente. Quando chamada e
mandam que Eliseu o siga. O venerável profeta, por interrogada sobre seus desejos, ela responde serena-
um impulso divino, pronuncia-lhes uma maldição mente e com dignidade: "Eu habito no meio do meu
em nome do Senhor". povo". Podemos acreditar que ela era uma boa vizi-
nha e bem estimada, e sabia ter muitas amigas em
Capitulo 3 redor.
Quando ela se retira, o servo Geazi fala com Eli-
Uma campanha desastrosa (1-12). O rei de Judá seu de uma falta evidente para com essa mulher
fez mal em aliar-se com o iníquo rei de Israel, e não bondosa e seu velho marido: ela não tem filhos. Eli-
falou a verdade quando disse: "Como tu és, sou eu, o seu chama-a novamente, e faz-lhe uma intimação
meu povo como o teu povo" (v. 7). Há uma diferença profética que lhe parece mentira: "Daqui a um ano
radical entre o servo de Deus e o homem ímpio. abraçarás um filho".
Notemos que nenhum dos três reis tinha procura- Podemos entender que ela contou ao marido a es-
do a direção de Deus, e somente um grande aperto tranha promessa, e ele, sendo bom israelita,
relembrou a Josafá a omissão. Então concordam em lembrou-se imediatamente de Abraão e Sara.
buscá-la. Notemos de passagem que o pai náo era tão velho
O conselho de Eliseu (13-20), e em seguida des- que, uns anos mais tarde, náo pudesse sair com os
cobrem que ele nâo quer prestar atenção alguma a ceifeiros. A criança, quando caiu doente, parece ter
qualquer deles, a não ser a Josafá (v. 14). sido acometida de insolação.
Contudo, Eliseu pôde revelar que Deus era um O espaço disponível não nos permite entrar deta-
recurso suficiente nesse momento de necessidade por lhadamente nos pormenores desta tocante história,
falta de água: e também fala de vitória sobre o ini- que, sem dúvida, recompensará um estudo minucio-
migo. so da parte do leitor.
"Trazei-me um tangedor". O profeta quis sere- Diz o dr. Scroggie: "Para promover a vida espiri-
nar seu espirito com a música antes de profetizar tual entre as crianças, que devemos fazer? Precisa
" N á o precisamos entender que Eliseu mandou prati- haver oraçáo (33) e oraçáo não somente pela criança
car as brutalidades referidas nos versículos 19 e 25, e sim com a criança. Este contato espiritual é de im-
mas antes que ele predisse a maneira selvagem em portância vital. Mas muitos que têm tal contato não
que a campanha seria conduzida. A guerra é sempre têm êxito, porque náo adaptam sabiamente os meios
odiosa, mas quando praticada com barbaridade é ao fim proposto; por isso, a terceira coisa é adapta-
duplamente má, pois "as misericórdias dos perver- ção. O versículo 34 certamente nos ensina a falar a
sos sáo cruéis" (Pv 12.10) (Goodman). linguagem da criança, ver pelos seus olhos, e entrar
nos seus recreios: nosso contato precisa ser adaptado
Capítulo 4 á sua boca e olhos e mãos. A isto haverá logo uma
resposta: 'e voltou calor d carne do menino'.
Eliseu aumenta o azeite da viúva de um profeta "Então precisa haver perseverança e paciência
(1-7). O trecho ocupa-se com uma viúva, pobre, en- (35); não se podem forçar resultados divinos. E, afi-
dividada, e ameaçada por um credor sem misericór- nal, é necessário reconhecer os primeiros e mais fra-
dia. cos sinais de vida espiritual: o menino apenas espir-
Náo é pecado ser pobre, mas é pena dever. Por- rou, mas isso mostrou a restauração da vida".
ventura não teria podido recorrer a Deus antes disso Morte na panela (38-41) e pão suficiente (42-44).
e náo depois? " U m incidente fala de um prejuízo evitado; o outro
Em todo caso foi uma feliz lembrança apresentar de uma provisão divina. Do primeiro aprendemos:
a sua necessidade ao homem de Deus, e isso teve como é fácil sermos enganados pelas aparências; que
uma recompensa abundante. as melhores intenções podem ter conseqüências fu-
Mas a provisão milagrosa lhe vem mediante o nestas; que um pouco de veneno pode estragar muita
que ela já tem: um vaso de azeite. Nós podemos nem comida. Aprendemos mais: quão simplesmente os
ter isso, e, contudo, podemos ter conosco alguma coi- profetas viviam (38), e também que podemos pagar
sa que Deus é capaz de abençoar abundantemente. bem caro por uma ignorância indesculpável.
.4 sunamita e seu filho (8-37). Notemos com ela: " D o segundo incidente aprendemos: que coisa
a) recurso que deseja repartir com o homem de linda é a generosidade (42); que coisa ruim é espírito
Deus; ela é hospitaleira, e faz questão de empregar cobiçoso (43); que coisa maravilhosa é a providência
seus recursos materiais com o servo de Jeová. Ainda divina (43,44). Um caso fala de corrigir o mal: outro,
hoje há tais pessoas, e seus serviços podem ser apre- de suprir o bem".
ciados pelos homens, e abençoados por Deus; Naturalmente este último incidente faz-nos pen-
b) a sunamita era inteligente: ela percebe que o sar na alimentação milagrosa de 4.000 e de 5.000 ho-
homem de Deus necessita de um cômodo à parte: mens, recordadas nos evangelhos.
um retiro onde pudesse estar a sós com Deus e, por
isso, fez-lhe "um pequeno quarto sobre o muro". Capítulo 5
Ainda hoje há crentes que fazem questão de poder
acomodar os servos de Deus que viajam, e fornecer- NaanuS é curudu da lepra. Na expoeiçáo deste
lhes um quarto particular. Outros há que acham capítulo não podemos fazer melhor do que copiar a
difícil arranjar isso nas suas casas; fazem um quarto lição que escrevemos para 19 de janeiro de 1941:
| para um pregador itinerante, junto á Casa de Ora- Título do estudo: " A Salvação de Deus".

133
2 Seis
A mensagem: "Deus pode purificar aquele que é sesse um caso hipotético, e pedisse permissão para
o mais contaminado pelo pecado". freqüentar um lugar de culto não de acordo com a
Divisões do assunto: sua nova fé, no caso do seu senhor pedir. Mui longe,
1) Introdução. porém, de Naamã pensar que poderia jamais tomar
2) A salvação de Deus necessitada. parte na idolatria futuramente,. ele pede perdão ao
3) A salvação de Deus proclamada. homem de Deus, porque reconhece a idolatria no
4) A salvação de Deus recebida. passado; o versículo deve ser lido: "Nisto perdoe
5) A salvação de Deus recompensada. Jeová o teu servo; quando meu amo entrou [não 'en-
6) Aplicação trar'] na casa de Rimom para ali adorar, e se encos-
1) Introdução. Na introdução costumamos tomar tou na minha mão, e eu me prostrei na casa de Ri-
uma vista geral do assunto, e ligá-lo com a^ coisas mom, perdoe Jeová que me prostrei Indo 'quando
conhecidas desta vida presente. ali me prostrar,] na casa de Rimom" (R. 118).
Trata-se da cura de um homem morfético, e, nes-
ta doença, como em todas as outras, o principal inte- Capítulo 6
resse estava na cura. Devemos dar graças que, para
os males espirituais, há salvação, e que ela vem de O ferro de um machado bóia (1-7). " O aumento
Deus. de estudantes de teologia é um sinal de revivificaçáo
2) A salvação de Deus necessitada. Por que Naa- religiosa (v. l ) , Eles propõem melhorar a casa e mos-
mã precisava da salvação de Deus? Era porque não tram disposição para o trabalho. Os moços eram
podia achá-la nos homens: a lepra era considerada bem disciplinados: pediram permissão do mestre, e
uma doença incurável. mostraram indústria. 'Cada um de nós uma viga'
Naamã tinha muitas vantagens (cinco delas são ninguém havia de ser preguiçoso. Teria sido um dia
referidas no versículo I), porém era leproso. E seu mau para os moços se tivessem ido ao bosque sem
mal pesava-lhe mais dó que todas as vantagens. Eliseu".
Como é consigo? Também tem vantagens (quais Mas apareceram dificuldades. Um dos moços
sáo? - saúde, mocidade, inteligência, forças, amigos, perdeu o poder de trabalhar - caiu o ferro do seu ma-
conselheiros, etc.), mas é pecador: e, porque não chado. Alguns com quem tem acontecido o mesmo,
pode expiar seus pecados, precisa da salvação de tém continuado a trabalhar com o cabo!
Deus. "Onde caiu?" Ele lhe mostrou o lugar (v. 7).
3) A salvação de Deus proclamada. Quem anun- Deve-se reconhecer onde se perdeu o poder, e como.
ciou a salvação foi uma pequena criada. Como ela E para reavé-lo, a confissão precisa ser explicita. Se
sabia? Por ter ouvido? por ter experiência própria do mostrarmos a Cristo o lugar, o perdido será achado
poder do profeta? por alguma amiga ter sido curada? (6,7).
A mensagem que ela deu foi positiva, porém não Eliseu adivinha os conselhos do rei da Síria (8-
foi bem compreendida. Ela apontou "o homem de 23). A presença de Deus no meio do seu povo é um
Deus", mas Naamã foi apresentar-se ao rei. Há oca- fato geralmente ignorado pelos seus inimigos. Israel
siões em que um homem de Deus vale mais do que o foi protegido por Deus, não por causa de Jeorão, mas
chefe de uma nação. de Eliseu. Uma nação pode devermais do que pensa
4) A salvação de Deus recebida. Naamã procura à presença da Igreja de Deus na pátria.
a salvação do seu mal, mas erra muito: O moço de Eliseu estava cheio de medo ao ver as
Erra quanto ao preço - levou dinheiro. hostes do inimigo, por isso Eliseu orou: "Jeová, abre
Erra quanto à pessoa - vai ao rei em vez de ir ao seus olhos para que veja!" e então o moço percebeu
homem de Deus. "o monte cheio de cavalos e carros de fogo ao redor
Erra quanto ao espirito - vai com orgulho em vez de Eliseu" (v. 17).
de ir humildemente. O desfecho deste incidente (20-23) é mais agradá-
Erra quanto ao lugar - seu orgulho nacional o faz vel do que o da maioria dos conflitos relatados nos li-
preferir os rios Abana e Farfar ao Jordão. (Ele não vros dôs Reis. O inimigo é vencido pela bondade! O
sabe que com o rio Jordão há associações sagradas: a sentido do versículo 23 é problemático.
arca de Deus estivera ali, e os pés dos sacerdotes.) Samaria cercada (24-33). Não sabemos quanto
Porém, afinai, foi persuadido a receber a bênção tempo passara até Benadade novamente atacar Is-
da maneira apontada. rael. e sitiar Samaria. A fome na cidade acarreta
5) A salvação de Deus recompensada. Naamã de- uma variedade de aflições e dificuldades (27-31). É o
sejava recompensar a bênção recebida; um desejo homem de Deus que tem palavras de conforto e espe-
natural e correto ("Que darei ao Senhor por todos os rança para o rei e o povo; e, contudo, o único remédio
benefícios que me tem feito?"), mas nesse momento para a situação desesperada que o rei pode imaginar
náo podia ser. Ele precisava compreender que a gra- foi matar o profeta! (v. 31).
ça divina é gratuita, e que o homem de Deus não era
levado pelo próprio interesse. Capítulo 7
6) Aplicação. Devemos procurar a salvação de
Deus humildemente: náo andar atrás da nossa pró- O fim da fome. Neste capitulo encontramos: Des-
pria opinião ("Eis que eu dizia comigo"); evitar o çrença, quando o profeta falou de uma salvação ime-
orgulho que pode obstar-nos de receber a bênção: diata. Deserção da parte dos quatro leprosos que
escutar os bons conselhos dos mais humildes: ir a pouco podiam esperar em Israel, e para quem os sí-
Cristo e não a outro nosso preferido. E é necessário rios pouco mais contrários podiam ser. Pânico da
fazer isso agora. parte dos sirios, perturbados por um milagroso es-
" 2 Reis 5.18 tem um sentido mui diferente, quan- trondo de carros e cavalos (v. 6). Egoísmo, quando os
do os tempos dos verbos recebem seu verdadeiro va- leprosos, beberam e roubaram para si, sem se
lor. E citado muitas vezes como se Naamã propu- lembrarem dos seus patrícios famintos.

134
ITUis

Afinal resolvem dar parte do ocorrido, náo por ser cos, e sofrem toda a vida. e morrem, pelo pecado dos
seu dever, mas pelo receio de algum mal maior poder seus pais!
acontecer-lhes (v. 9). Se um homem não foge do pecado pelo amor de
O castigo da descrença do versículo 2 nâo tarda Deus ou por amor da sua própria vida, poderia fugir
(v. 17). dele ao menos por amor dos seus filhos ainda náo
nascidos!
Capítulo 8 Jeú mata os servos de Baal. " O entusiasmo de
Jeú exemplifica um erro comum: ele era incansável
A sunamita volta para a sua terra (v. 6). De novo em executar julgamento sobre os outros, mas não se
encontramos duas pessoas conhecidas: a sunamita e julgou a si mesmo. Gloriou-se na destruição das ima-
Geazi. o ex-servo de Eliseu. que falava com o rei de gens de Baal mas persistiu no culto dos bezerros de
Israel. Por suposto, Geazi já estava curado de sua le- ouro em Betei e Dá. Parece até que Jeú gostava da
pra. pois não havemos de imaginar um morfético vi- sua missão de juiz, e podia jactar-se do seu "zelo
sitando um rei. pelo Senhor". Afinal o julgamento que ele executou
Outrora, a sunamita não sentia a necessidade de sobre os outros, caiu "sobre ele mesmo (v. 32)".
alguém falar a seu favor com o rei (4.13), mas agora
precisa de proteção real, e a obtém (v. 6). Capitulo 11
Hazael mata Benadade (7-15). Neste trecho no-
tamos algumas coisas estranhas. Primeiro. Eliseu Atália, a mulher iníqua. Este capítulo ocupa-se
longe da pátria, pois está em Damasco. Segundo, o outra vez com o reino de Judá. cujo povo Atália se
rei pagáo, Benadade, querendo consultar um profeta fez rainha, depois de matar todos os que pudessem
de Deus com respeito à sua enfermidade. Terceiro, a disputar a sua soberania - exceto o menino Joás, que
maldade de Hazael predita, e sua inimizade contra ficou escondido no templo por 6 anos.
Israel antecipada. Atália era filha de Acabe, rei de Israel, e de Jeza-
Contudo, não é certo que Hazael matasse Bena- bel; e igualava a sua mãe em perversidade.
dade. O Dr. Geddes e outros entendem que o " e l e " Depois de reinar sete anos, ela provou a verdade
que tomou o pano molhado foi Benadade. que em- da palavra que "todos os que tomam a espada mor-
rerão d espada" (Mt 26.52). Ela teve a morte violen-
pregou essa compressa fria como meio de curativo e
ta que tão bem merecia.
que este tratamento impediu a transpiração normal
e ocasionou a sua morte (T. 259). Joás, o menino-rei (4-20). O vulto mais notável
neste capítulo é o sumo sacerdote Joiada, que apre-
N o versículo 8 devemos preferir Almeida e não
senta o menino real ao povo e promove a sua coroa-
V.B. mas no versículo 11 devemos preferir V.B. e náo çâo.
Almeida.
Joás foi um rei próspero e bom durante toda a
vida de Joiada, e muito devia ã direção desse homem
Capítulo 9
de Deus.
Jeú ungido rei sobre IsraeL Notamos a expressão Notemos a coroação: o "testemunho" dado; a
no primeiro versículo "filhos dos profetas", que tam- "unçáo", e a "aliança" (17). Foi um bom começo,
prometendo um próspero reinado.
bém encontramos em 2.3. Parece que náo é para se
entender ao pé da letra, isto é, que os pais de todos os
moços eram profetas, e que os rapazes eram o que Capítulo 12
hoje se chama "seminaristas" ou estudantes para o
ministério. O reinado de Joás sobre Judá. Nestes capítulos, à
Elias tinha sido dirigido por Deus no monte Ho- V.B. chama o rei às vezes de Joás e outras de Jeoás.
rebe a ungir Jeú rei sobre Israel (1 Rs 19.16). Não há Almeida o chama de Joás.
recordaçáo de ele ter feito isto, mas agora Eliseu Em 13.9, a V.B. fala do filho de Jeoás, que o suce-
manda um dos jovens profetas fazer esse serviço, que deu no trono de Israel, como tendo também o nome
o moço fez em seguida de uma maneira dramática e de Joás, mas no versículo seguinte o chama de Jeoás,
impressionante (5.10). e nos versículos 12 e 13 torna a chamá-lo de Joás: De
É preciso notar que Joráo tinha acabado de lutar maneira que o leitor descuidado pode bem ficar con-
contra Hazael em Ramote de Gileade, onde ficara fe- fuso entre os dois reis, quase contemporâneos, ura de
rido; tinha ido a Jezreel para se tratar das feridas Judá e outro de Israel, e ambos chamados de Joás,
(8.23.29), e ali Acazias de Judá estava com ele de vi- ou Jeoás.
sita. Por amor da uniformidade, vamos continuar a
O dia da vingança tinha chegado, e lemos da chamar este rei de Joás, e notar como ele começou
morte violenta de Jorão (v. 24) e Acazias (v. 27) e Je- bem o seu reinado, e que o terminou muito mal,
zabel (33). como lemos em 2 Crônicas 24.
Proposta emenda de tradução; no versículo 8 ler, Ele passou seus anos mais impressionáveis no
como em V.B.: "tanto o escravo como o livre em Is- Templo, sob a influência de Joiada, e quando come-
rael". çou a reinar teve o apoio de um povo unido e entu-
siasmado. Ainda mais, teve zelo religioso, e mandou
Capítulo 10 consertar as partes dilapidadas do templo.
Mas ele era um homem fraco, carecendo de inde-
Jeú extermina a casa de Acabei 1-14). É um capi- pendência de juízo, firmeza de vontade e lealdade ás
tulo de sangue. O3 setenta rapazes morreram pela suas obrigações. E tudo isto porque seu coraçáo não
culpa do seu pai Acabe. Parece duro, mas ainda hoje era reto para com Deus. Notemos: a) O bom começo:
sucede a mesma coisa: quantos filhos nascem sifiliti- sua submissão ao sacerdote de Deus e seu zelo pela

135
2 Heis

Casa de Jeová, b) Sua rápida apostasia (2 Cr 24.17- dez anos, e não teve morte violenta. Seguiram-no
19), sua capitulação aos iníquos príncipes e sua rejei- Pecaia e Peca. todos estes durante o longo reino de
ção dos profetas de Deus. c) Seu fim trágico: derrota- Azarias (Uzias) rei de Judá.
do pelos sirios, e afinal assassinado pelos seus servos. Nos dias de Peca, começou o cativeiro de Israel: o
Algumas pessoas andara bem enquanto sob a in- rei da Assíria conquistou uma porção de cidades e le-
fluência de uma personalidade piedosa, que parece vou os habitantes para a Assíria (v. 29).
quase como seu anjo de guarda. Jotão, rei de Judá, apesar de ser um bom rei, so-
freu alguma disciplina de Deus quando "naqueles
Capitulo 13 dias começou Jeová a enviar contra Judá e Rezim,
rei da Síria, e a Peca filho de Remalias, rei de Israel"
Doença e morte de Eliseu (15-25). Vemos Eliseu (v. 37). O começo foi nos dias de Jotào, mas. segundo
preocupado até o fim com o bem-estar de Israel, e Isaias 7, a invasão foi nos dias do filho dele, Acaz.
dando conselhos ao rei Jeoás.
Eliseu morre e é sepultado, e acontece uma coisa Capítulo 16
estranha: quando puseram um cadáver na sepultura
dele, o defunto tornou a viver! Isto faz-nos pensar Acaz reina sobre Judá, mas ele não foi um bom
que o serviço de um homem bom pode não acabar rei: "Nào fez o que era reto aos olhos de Jeová seu
com a morte dele. Fica ainda com valor o exemplo Deus, como Davi seu pai" (v. 2). De quantos reis e
que deixou e talvez os livros que tenha escrito. Mes- governadores hoje podemos dizer que fazem isso?
mo que ele não torne a viver, vivifica os outros. Pen- Durante um certo período, tinha havido paz e
samos também como nossa vida espiritual começou aliança entre Israel e Judá, mas agora mais uma vez
quando pela fé tivemos contato com Cristo na sua contendem. Então Acaz se lembra de pedir aliança
morte expiatória. com os assírios contra Israel, e tomou a prata e ouro
consagrados, para pagar ao rei Tiglate-Pilneser, que
Capítulo 14 em seguida invade a Síria, sitia Damasco, e mata
Rezim, o rei siro.
Amazias, rei de Judá. N o primeiro versículo te- O altar de Damasco (10-19). Então Acaz, visitan-
mos dois reis com o nome de Joás, um sobre Israel e do Damasco, fica bem impressionado com um altar
outro sobre Judá. O rei Amazias procede bém, não, pagão que vê ali, e manda fazer outro igual em Jeru-
porém, muito bem, como fizera Davi. Notemos, de salém. Vemos assim que a sua conduta vai de mal a
passagem, como toda a recordação de Davi agora é pior. O caso é descrito mais detalhadamente em Crô-
boa. Seus feios pecados, sua falta de fé, suas cruelda- nicas.
des, tudo foi esquecido, e a história sagrada recorda
apenas o que houve de valor no seu reinado. Afinal ele morre, e seu filho Ezequias reina.
"Ele procedeu em tudo como seu pai Joás tinha
feito" (v.3), de maneira que se limitou ao extremo do Capítulo 17
seu progenitor e em nada melhorou. Oséias, último rei de Israel. Este rei acaba seus
Pelo versículo 5 aprendemos que a retribuição se- dias num cárcere na Assíria (v. 4) e o povo de Israel
guirá o crime, mas que não há de haver vingança passa para o cativeiro em "Haia, e nas cidades dos
contra os inocentes. medos" (v. 5).
Há somente duas fábulas na Bíblia, esta no versí- Os motivos deste cativeiro:
culo 9 e a de Juizes 9.7-15. Disto podemos aprender 1) A prática secreta do paganismo (8,9). O desvio
que a fábula pode ser um meio importante de ensino, costuma começar secretamente, e mais tarde resulta
correção ou aviso. em apostasia aberta.
No fim do capitulo ( w . 23-29), vemos outro Jero- 2) Endureceram a sua cerviz (v. 14). Eram peca-
boão reinando sobre Israel, e a perversidade dele é dores obstinados.
semelhante à do infame Jeroboão, filho de Nebate 3) "Seguiram a vaidade" (v. 15); não sabemos
(24). Ele reinou 41 anos - um dos reinados mais com- precisamente em que sentido, mas devemos reco-
pridos de todos. nhecer que ainda hoje há bastante "vaidade" em re-
dor, com que Deus é desonrado.
Capitulo 15 4) Fizeram imagens dos deuses falsos (16) e assim
praticaram a idolatria.
Azarias, rei de Judá. Começou bem moço: com 5) Fizeram seus filhos passar pelo fogo (17). Não
apenas 16 anos, e depois do assassínio do seu pai sabemos precisamente o que era este rito; porém não
(14.19). Felizmente ele seguiu o bom exemplo do pai precisamos pensar que queimassem seus filhos vivos.
- possivelmente por ter sido criado por sua mãe Je- Talvez fosse alguma coisa parecida com o uso dos ro-
colia. manistas, de passar as crianças pelas fogueiras na
Em 2 Crônicas 26, este rei é chamado Uzias, e a noite de S. João.
origem da sua lepra é explicada. Isto havemos de es- 6) Praticaram o espiritismo (v. 17):
tudar mais adiante. O Livro de Crônicas dedica-lhe Judá ficou contaminado com o mesmo mal (v.
um capítulo inteiro, e aqui tudo é resumido em sete 19); contudo, Judá continuou por mais 133 anos, e
versículos. então foi para o cativeiro na Babilônia.
Zacarias, rei de Israel (8-12), em apenas 6 meses Origem dos "samaritanos". (Veja-se João 4.9 -
teve tempo para mostrar que era tão ruim como o w . 24-41.)
pior dos reis de Israel. Foi morto por Salum, e o as- "Temos interesse nestes samaritanos por causa
sassino reinou no seu lugar. do contato de nosso Senhor com eles séculos depois,
Este reinou somente um mês antes de ser morto e por causa da bênção que receberam quando Filipe
por Menaém, que conseguiu sobreviver sua vitima foi á sua cidade e pregou-lhes o Evangelho (At 8.5).

136
2 Heis

"Recordemos como os judeus desprezavam e re- Ezequias ao restante de Israel para tomar parte na
cusavam amizade com eles. Neste trecho, lemos celebração da Páscoa. Nada disto se relata em Reis.
como esse povo começou. Ezequias, o bom rei de Ju- "Porém Reis conta o que não iemos em outra par-
dá, teve compaixão de Israel na sua aflição e man- te: a sua infeliz tentativa de entrar num acordo com
dou-lhe missionários, convidando o restante que es- o rei da Assíria, mediante o pagamento em dinheiro.
capara da mão do rei da Assíria a vir a Jerusalém e Mas a tentativa fracassou, e Ezequias preparou-se
servir ao Deus de seus antepassados. Sua mensagem para resistir."
é recordada em 2 Crônicas 30.6-9. Proposta emenda de tradução (v. 17): "E o rei da
"Embora alguns tenham zombado do convite, Assíria mandou Tartã e Rabsaris; e Rabsaké, de La-
contudo 'alguns de Aser, de Manassés e de Zebulom' quis, ao rei Ezequias, com um grande exército".
(2 Cr 30.11) e outros de Efraim e Issacar, 'uma mul-
tidão de povo' (v. 18), com os levitas, uniram-se com Capitulo 19
Judá. (Veja-se também 2 Crônicas 15.9.) Isto, com
os que voltaram mais tarde do cativeiro com Judá, Ezequias faz seu apelo a Deus. Notemos as carac-
resultou em uma reunião das doze tribos. (Veja-se terísticas da sua oração:
Esdras 7.13; Neemias 11.20; Atos 2.36.) 1) Ele engrandeceu a Deus: "Tu, só tu, és o Deus
de toda a terra".
"Mas os que não aceitaram o convite, junto com 2) Ele implorou a Deus: "Inclina, ó Deus, os teus
as famílias que o rei da Assíria transportou para Sa- ouvidos ".
maria de Babilônia e outros lugares (2 Rs 17.24), for- 3) Ele reconheceu a verdade, que outras nações
maram a raça mais tarde chamada os samaritanos. tinham sido destruídas, porque seus deuses eram
"Desta raça sobreviviam em 1933 uns 200 em fabricados de pau e pedra.
Nablus (antigamente Siquém). Possuíam o célebre 4) Ele desejou a glória de Deus: "para que todos
'Pentateuco Samaritano', um doa manuscritos mais os reinos da terra saibam que tu, só tu, és Deus Jeo-
antigos da lei de Moisés. vá" (19).
" A dificuldade que encontraram com os leões na Isaías conforta Ezequias (20-34). O grande profe-
terra despovoada (v. 26), porque 'não temeram a ta é o mensageiro de Deus para trazer a consolação
Jeová', resultou em pedirem um sacerdote israelita divina ao rei. Termina a sua profecia com as pala-
para os instruir acerca do 'Deus da terra', que o rei vras: "o rei da Assíria não chegará a esta cidade,
assírio entendeu ser Jeová. Este homem procurou nem atirará aqui uma seta" (v. 32).
ensinar-lhes como deviam temer a Jeová (v. 28)"
(Goodman). A derrota do inimigo foi mediante um milagre de
Deus (v. 35). Hoje não vemos tais milagres. E pode
O resumo da religião dos samaritanos é dado no ser que as nações de boje não mereçam vê-los.
versículo 33: "Eles temiam a Jeová e serviam os seus
deuses", mas o escritor segue dizendo: "Até o dia de Capítulo 20
hoje seguem os antigos costumes; não temem a Jeo-
vá nem fazem segundo os próprios estatutos e orde- Doença de Ezequias. O reinado de Ezequias du-
nanças dele, ou segundo a lei e mandamento que rou 29 anos (18.2). Sua vida foi prolongada por 15
Jeová deu aos filhos de Jacó". Por isso não é de es- anos depois da sua doença, e assim essa doença foi
tranhar que os judeus ortodoxos nos dias de Cristo no décimo-quarto ano do seu reinado. A invasão de
náo queriam amizade com os samaritanos. Sennaqueribe começou no mesmo ano (18.13). O
versículo 6 parece sugerir que a doença do rei come-
Capítulo 18 çou durante o sítio. E possível que tenha resultado
dos apertos da guerra.
Reinado de Ezequias sobre Judá. Ezequias foi O uso de um remédio (v. 7) para o curar anima-
um bom rei, e possivelmente devia muito á sua mãe nos também a esperar a resposta às nossas orações
Abi, filha de Zacarias e neta de Joiada. Lemos dele mediante o sensato emprego dos meios ao nosso al-
que: cance. Quando pedimos em oração a cura. podemos
1) "Fez o que era reto aos olhos de Jeová", se- pedir ao mesmo tempo que Deus aponte o remédio,
guindo o ilustre exemplo de Davi. como fez no caso de Ezequias ÍGoodman).
2) Ele não era supersticioso: destruiu a serpente Não vemos a necessidade de ter pedido um sinal
de cobre que tinha sido venerada pelos israelitas por (8). Era de pensar que a palavra de Jeová teria sido
uns mil anos. bastante para o rei, sem qualquer confirmação visí-
3) Ele "confiou em Jeová", "apegou-se a Jeová" vel. O oficial em Joào 4.50 fez melhor: ele acreditou
e guardou os mandamentos. na palavra que Jesus falara.
4) Ele prosperou, mas nem por isso ficou sem pro- A embaixada do rei da Babilônia (12-21). Todo
vações. este capítulo 20 é resumido em 2 ou 3 versículos em 2
Sennaqueribe invade Judá (13-36). A história da Crônicas 32, onde aprendemos que a demonstração
libertação de Ezequias do rei da Assíria é dada três das suas riquezas que Ezequias fez à embaixada ba-
vezes na Bíblia: aqui, em 2 Crônicas 32 e em Isaías bilônica, era resultado do orgulho, do qual o rei de-
36 e 37. pois se arrependeu (2 Cr 32.26).
" O reinado de Ezequias é relatado brevemente
em 2 Reis, mas muito mais em detalhes em 2 Crôni- Capitulo 21
cas. onde temos pormenores da grande revivificação
espiritual que houve no seu tempo, começando com Manassés reina sobre Judá. Começou a reinar
o primeiro mês do seu reinado, quando ele abriu as ainda criança de 12 anos e reinou 55 anos, e foi um
portas da Casa do Senhor (2 Cr 29.3). Três longos rei mau. Notemos que os 15 anos que Ezequias ga-
capítulos contam esta revivificação, e o convite de nhou com tantas lágrimas, não deram resultado

137
2 'Reis

muito satisfatório. Obteve um filho herdeiro, que em tempos passados outros reis reformadores ha-
veio a ser um mau rei, e caiu no pecado da ostenta- viam feito.
ção, e foi por isso denunciado pelo profeta (20.16-18). 2) Destruiu a imagem que estava no templo e a
As perversidade» de Manassés foram inúmeras: desfez em pó (6).
1) Ele tornou a edificar os altos - lugares de culto 3) Legislou contra a imoralidade (v. 7). Notemos
idolátrico. que essa imoralidade estava aninhada na Casa do
2) Ele levantou altares a Baal (v. 3) e até pós uma Senhor. Até hoje a tendência do paganismo é asso-
imagem dele no próprio templo de Deus acrescen- ciar a imoralidade com a religião.
tando o sacrilégio á idolatria (v. 7). 4) Acabou com os lugares altos de idolatria. Infe-
3) Ele fez passar seu filho pelo fogo (v. 6), por su- lizmente. a moralidade e a religião não podem ser
posto, um tanto mais tarde, depois de ser homem. impostas por lei, e a tendência do povo era pecami-
4) Ele se entregou ao espiritismo (v. 6) coisa sem- nosa. por isso o juízo divino estava apenas adiado.
pre proibida na Bíblia. A celebração da Páscoa (21-23). Esta grande Pás-
5) Ele derramou muito sangue inocente, mos- coa foi celebrada quando Josias tinha reinado 18
trando ser de todo malvado e perverso (v. 16). Por anos e tinha 26 de idade. Há cinco páscoas celebra-
isso disse Deus: "Limparei a Jerusalém como quem das na Escritura: A instituição (Ex 12); a celebração
limpa a escudela. a limpa e a vira sobre a sua face" no deserto (Nm 9 1-14: 30.15-22); a do Joeias (2 Cr
(v. 13). 35.1-19); a de Esdras (6.19-22), e, por último, a em
que estava presente nosso Senhor ( M t 26.19).
O relatório deste reinado em 2 Crônicas 33 conta
algumas coisas melhores de Manassés: seu cativeiro, A morte de Josias (28-30). Ele se envolveu numa
seu arrependimento, sua restauração ao reino e sua guerra sem ser preciso, e sofreu as conseqüências.
tentativa de endireitar a situação ali. Por isso ele é Lemos que Jeremias lamentou a morte de Josias (2
um notável exemplo da abundante graça divina para Cr 35.25). Porventura as palavras de Jeremias 6.1 fo-
com o atrevido pecador. ram escritas nessa ocasiáo?
"Era uma coisa o rei voltar e humildemente ree- Joacaz reina sobre Judá, por somente três meses,
dificar o altar de Jeová e mandar que o povo servisse mas teve bastante tempo para mostrar a sua perver-
o Senhor Deus de Israel (2 Cr 33.16), mas era outra sidade "conforme tudo que haviam feito seus pais"
coisa induzir o povo a fazer isso. Não era coisa tão fá- (v. 32).
cil corrigir a idolatria do povo". O rei do Egito prendeu-o, e pôs no seu trono seu
Amom, que o sucedeu, reinou só dois anos, e mor- irmão mais velho, Eliaquim (mudando seu nome
reu assassinado, c fizeram seu filho Josias rei. para Joaquim) que reinou 11 tinue eui Jerusalém, e
foi tão mau como os outros.
Capítulo 22
Capítulo 24
Josias, o último rei bom de Judá. Com oito anos a
criança começou seu reinado; com 16 começou a bus- Aparece Nabucodonosor. De Eliaquim escreve
car o Senhor Deus de Davi (2 Cr 34); com 20 come- Jeremias: Não o lamentarão, dizendo: Ah! meu ir-
çou a abolir a idolatria; com 26 começou a restaurar mão! nem Ah! irmã! não o lamentarão, dizendo: Ah!
o templo. senhor' nem: Ah! sua glória! Com a sepultura de um
jumento será ele sepultado, sendo arrastado e lança-
"Enquanto estavam limpando o templo, Hil- do fora das portas de Jerusalém" (Jr 22.18,19).
quias achou o 'Livro da Lei' (8), que se havia perdi- Segue a reinar Joaquim, filho de Joaquim, com
do, talvez por 60 anos. Esse livro era o Pentateuco, 18 anos de idade, e reina apenas 3 meses. Em Crôni-
do qual existiam poucos exemplares. Durante os cas fala-se dele como tendo 8 e não 18 anos, mas isto
maus reinados de Manassés e Amom. o sagrado livro é provavelmente um erro de copista. Um menino de
não foi consultado. Hilquias o achou e deu-o a Safá, 8 anos náo teria podido fazer em três meses tanto
que o levou ao rei (9), e ele, ao ver seu conteúdo, fi- mal "conforme tudo o que seu pai fizera" (v. 9). Je-
cou compungido com tristeza e receio (10,11), e vi- remias fala dele com desprezo assim: "Acaso este ho-
rou-se para seus amigos espirituais, um grupo piedo- mem [Jeconias] é algum vaso desprezado e quebra-
so, para obter conselho. Jeremias náo é mencionado do?... Assim diz Jeová: Escreve que este homem não
aqui, mas certamente foi ele o mais influente de to- terá filhos... pois nenhum da sua linguagem prospe-
dos. (Compara-se versículo 3 com Jeremias 1.2.) rará, sentado sobre o trono de Davi" (Jr 22.28,30), e
Juntos consultaram Hulda, a profetisa (14), que res- "ainda que Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá,
pondeu que a ira de Jeová estava acesa e não se apa- fosse o anel do selo na minha mão direita, contudo
garia (15-17), e que o juízo seria adiado por causa da dali te arrancaria" (Jr 22.24).
humildade do rei (18-20). A sugestão de que esta
descoberta foi 'uma fraude piedosa' não tem proba- Ele foi levado prisioneiro para a Babilônia e pas-
bilidade alguma. Reformas religiosas náo se efetuam sou 37 anos no cativeiro (2 Rs 25.27), até que afinal
por meio de embuste, nem triunfo» espirituais por Evil-Merodaque teve compaixão dele (25.27-30).
enganos" (Scroggie). Podemos também notar que te- Keinado de Zedequias (18-20). Este tio de Joa-
ria sido bastante difícil compor todo o Pentateuco quim é posto no trono de Judá por Nabucodonosor
durante os dias em que fizeram a limpeza do templo. (v. 17) e reina 11 anos, fazendo mal, como de costu-
me. Afinal ele se rebelou contra o rei da Babilônia (v.
20).
Capitulo 23
Capitulo 25
A última revivificaçào espiritual em Jerusalém.
Josias agiu prontamente. Notemos o que ele fez: Jerusalém sitiada e tomada. Ezequiel tinha esta-
1) Destruiu o culto de Baal mais uma vez, como do doze anos no cativeiro, quando as notícias lhe

138
Heis 2

chegaram: "Está ferida a cidade" (Ez 33.21). PRINCIPAIS REFERÊNCIAS N O N O V O T E S T A -


Podemos imaginar o susto que as palavras trou- M E N T O AOS LIVROS DOS REIS
xeram ao saber que Jerusalém fora deetruida, incen-
diada, arrazada - o lugar que fora "o gozo de toda a
terra", a "cidade do grande rei", o centro onde Deus
pusera o seu nome! 1 Rs 2.10 At 2.29 e 13.36
Jeremias podia escrever: "Como está sentada so- 1 Rs 10.1 Lc 11.31
litária a cidade que estava cheia de povo! Tornou-se 1 Rs 17.1-9 Lc 4.25,26
viúva a que era grande entre as nações" (Lm 1.1). 1 Rs 17.22 Hb 11.35
Este capítulo marca o fim da monarquia judaica 1 Rs 18.42 Tg 5.17,18
e o começo do "tempo dos gentios", em que vivemos, 1 Rs 19.10-18 Rm 11.3,4 e T g 5.17,18
e cujo programa está descrito nas profecias de Da- 2 Rs 1.10 Lc 9.54
niel. 2 Rs 4.34 Hb 11.35
O capítulo termina com um ato de misericórdia 2 Rs 5.14 Lc 4.27
da parte do rei da Babilônia (27-30). 2 Rs 24.15 Mt 1.12 e At 7.43

» u

139
1 Crônicas

s dois livros de Crôni- 9) O comentário ao livro dos Rei» (2 Cr 24.27).


cas (como os dois de 10) Os atos de Uzias. de Isaias. o filho de Amó» (2
Reis) sáo um só livro C r 28.22).
no cánon judaico. 11)A visào de lsafas. o profeta, filho de Amos <2
Juntos cobrem o Cr 32.32).
período deade a morte de Saul até os cativeiros. Fo- 12) As palavras dos videntes (2 Cr 33.19)" (An-
ram escritos provavelmente durante o cativeiro ba- gus).
bilónico, o se distinguem dos dois livros de Reis por
maior preocupação com Judá, e pela omissão de Capítulos 1 a 9
muitos detalhes. A bem-aventurança do povo terres-
tre de Deus durante a monarquia davidica é prova- As genealogia* de Crônica*. Seria possível ocupar
velmente a principal significação destes livros. muitas páginas com uma análise critica destas ge-
Primeiro Crônicas está dividido em trés partes: 1. nealogia». que podia ter bastante interesne para o es-
Genealogias oficiais (1.1 a 9.44). 2. Da morte de Saul tudante de história ou o critico da literatura sagra-
à ascensão de Davi (10.1 a 12.40). 3. Da ascensão de da.
Davi á sua morte (13.1 a 29.30). Nosso propósito, porém, no presente volume é
" O fato de que as Crônicas são uma compilação mais a edificação, do que a verificação de fatos histó-
de documentos antigos que certamente foram obra ricos; por iaso havemos de nos limitar a poucas ob-
dos profetas, evidentemente »e deduz dos próprios li- servações.
vros. Esses documentos são. segundo parece, muitas O nosso proveito espiritual náo depende de po-
vezes citados literalmente (vede 2 Crônica» 5.9 e dermos verificar se um dos filhos de Lotá tinha o
8.8). sendo o fim do compilador estabelecer uma re- nome de Hemâ (Gn 36.22) ou Homá (lCr 1.39) ou se
lação entre os documentos e a sua própria narrativa, o nome do filho de Sobal era Haroé (1 Cr 2.52) ou
e não modificá-los. Além disso muitas passagens são Reaia» (1 Cr 4.2). Contudo é interessante saber que
idênticas, ou quase idênticas, a outras nos mesmos estes dois nomes tém a mesma significação ( T . 276).
anais. Das genealogia» diz o dr. Angu*. " A s tábuas ge-
Os documentos a que se faz referência ou que fo- nealógicas de Crônicas, embora para nós tenham in-
ram citados são: teresse relativo, eram altamente importantes entre
1) O livro dos reis de Judá e de Israel (2 Cr 16.11; os judeus, que, em virtude de promessas proféticas,
25.26 e 28.26). Que na citação deste livro náo se com- se tornavam extremamente observadores destas par-
preendem os livros canônicos dos Reis. é evidente ticularidades. Estas tábuas apresentam a sagrada li-
pelas alusões feitas a acontecimentos que nestes náo nha. por meio da qual foi transmitida a promessa,
se acham registrados. durante quase 3.500 anos. fato que de si mesmo não
2) A história de Samuel, o vidente (1 Cr 29.29). tem exemplo na história da humanidade. A de Zoro-
3) A história de Natâ. o profeta(l Cr 29.29). babel foi certamente feita até o tempo de Alexandre
4) A história de Gade. o vidente (1 Cr 29.29). (1 Cr 3.19-24), por um escritor posterior".
5) A profecia de Aías, o silonita (2 Cr 9.29). Mattheu• Henry tem o seguinte comentário no
6) A visão de Ido, o vidente (2 Cr 9.29). começo do capítulo oito: "Quanto às dificuldades
7) A história de Semaías. o profeta (2 Cr 12.15). que ocorrem nesta e nas precedentes genealogias,
8) A história de Jeú, o filho de Hanani (2 Cr náo precisamos ficar perturbados. Suponho que Es
20.34). dras tomou-as como estavam nos livros deu Rei* de

141
1 Crônicas

• Israel e Judá (1 Cr 9.1), conforme foram entregues que duas delas tivessem sido destruídas quando o li-
pelas tribos, cada uma observando o método que vro de Crônicas foi escrito.
achava melhor. Assim alguns ascendem e outros des- 7.6. Filhos de Benjamim. Aqui sáo três. Em Gê-
cendem; algumas tem números marcados, e outras, nesis sáo dez e em Números cinco. Devemos entender
lugares; algumas têm observações históricas acres- que alguns chamados filhos eram netos dele ( T . 280).
centadas, e outras nào; algumas são compridas, ou- 7.14. " O texto deste versículo é quase incom-
tras curtas; algumas concordam com outras genealo- preensível. Provavelmente deve-se ler: 'Os filhos de
gias, outras não concordam; algumas, por suposto, Manassés foram Asriel, filho da concubina sira, e
foram rasgadas, corrigidas, borradas, e outras mais Maquir pai de Gileade, filho da sua esposa. Maquir
legíveis foram aproveitadas. As de Dá e Rúben esta- tomou para sua mulher e Maacal, irmã de Hupim e
vam de todo perdidas". Este homem santo escreveu Supim m (T. 280).
como foi movido pelo Espírito Santo; mas não havia N o meio destes capítulos tão cheios de nomes
necessidade de (milagrosamente) consertar os rela- difíceis, encontramos a jóia brilhante que chamamos
tórios que recebera, ou tanto deles quanto precisava "A oração de Jabes" (4.9,10). Notemos:
para o fim proposto, que era a direção dos cativos na 1) O seu começo, que foi triste; por isso sua mãe o
sua volta, para poderem morar o mais perto que pu- chamou Jabes, ou "que causa dor".
dessem da sua própria família. 2) O seu caráter: "mais ilustre do que seus ir-
Refere-se tudo isto às genealogias em geral. Em mãos". Era um dos fidalgos de Deus: as pessoas
particular, podemos acrescentar as seguintes notas Deus tem por graúdas, não devido aos seus conheci-
avulsas: mentos, proezas, riquezas, influência, etc., mas por
1.7. Quitim, etc. Os nomes que acabam em " i m " causa da sua piedade.
não são de pessoas, mas de povos (T. 275). 3) A sua oração, dirigida "ao Deus de Israel", ao
2.16. Davi. Parece, dos trechos paralelos em Sa- Deus dos séculos passados, que sempre tinha sido o
muel, que Jessé tinha oito filhos, dos quais Davi era recurso do seu povo. como era do seu ilustre antepas-
o último. Mas um podia ter morrido antes de Davi sado Jacó.
vir ao trono (ou antes de a família ser registrada ofi- Ele sentiu necessidade de orar a Deus. Sentiu
cialmente). confiança em orar a Deus. Sentiu prazer em orar a
3.1. Daniel, chamado Quileabe em 2 Samuel 3.3. Deus. Sentiu esperança em orar a Deus.
N o Targum se diz que ele tinha dois nomes. 4) O que Jabes pediu em oração: Quatro coisas:
3.6. Elisama e Elifelete, e outros dois com os a) A divina bênção: a certeza da divina proteção;
mesmos nomes no versículo 8. E possível que os pri- o conforto do divino controle; a consolação do divino
meiros dois tenham morrido na infância e Davi te- socorro; o gozo do divino interesse.
nha querido perpetuar seus nomes. No Brasil, um b) Engrandecimento: Que "estendas os meus ter-
crente meu conhecido deu ao primogênito o nome do mos". Porventura nós também pedimos " M A I S " ? -
pai, e quando o menino faleceu com poucos meses, mais preocupação com Deus e seus interesses? mais
chamou o segundo pelo mesmo nome. poder no seu serviço? mais interesse pela sua Pala-
" O único nome famoso que temos entre o® des- vra? mais oportunidades para fazer a sua vontade?
cendentes de Davi nesta lista é o de Zorobabel, cha-
c) O desejo de que a mão de Deus estivesse com
mado em outro lugar o filho de Salatiel, mas aqui
ele: reconheceu a própria fraqueza; quis conhecer
seu neto (3.17-19), o que é freqüente na Bíblia. Bel- mais do poder divino; quis ser guiado, guardado, ins-
sazar é chamado filho de Nabucodonosor, mas era truído, protegido.
seu neto. Salatiel é chamado filho de Jeconias por
ter sido adotado por ele, e porque, como alguns pen- d) O desejo de ser preservado do mal Jabes reco-
nheceu a presença do mal em si e em redor dele; re-
sam, o sucedeu na dignidade a que foi restaurado por
conheceu que não era capaz de resguardar-se a si
Evil-Merodaque (2 Rs 25.27-30). A não ser assim, Je-
mesmo; reconheceu que em Deus havia todo o bem,
conias não tinha filhos (Jr 22.30). Ele era 'o anel de
e que o mal não poderia prevalecer na presença de
selo arrancado da máo direita de Deus' (Jr 22.24), e
Deus.
Zorobabel foi ponto no seu lugar; e por isso Deus lhe
5) O resultado da sua oração. Deus concedeu-lhe
disse (Ag 2.23): "Far-te-ei como um selo'. A posteri-
o que tinha pedido. Pela graça divina ele prosperou
dade de Zorobabel não leva aqui os mesmos nomes material e espiritualmente. Provou a bem-
que tem nas genealogias de Mateus e Lucas, mas es- aventurança de uma vida controlada por Deus em
sas foram sem dúvida copiadas dos registros públi- todos os seus pormenores.
cos que os sacerdotes tinham de todas as famílias de
Desde os primeiros tempos Deus tem escutado as
Judá, especialmente de Davi" (Matthew Henry).
orações dos piedosos, e seu ouvido ainda não está pe-
3.16. Zedequias. "Visto que os filhos de Jeconias sado.
são enumerados no versículo 17 e Zedequias nunca é
chamado filho de Jeconias, mas filho de Josias, é de Capítulo 10
entender que filho aqui quer dizer sucessor. Era seu
tio" ( T . 277).
A tragédia de Saul. As lições que aprendemos da
3.22. Seis filhos de Semaías, mas a lista dá so- vida de Saul são:
mente cinco. Podemos entender que o pai está in- 1) Que uma vida errada será, mais cedo ou mais
cluído na contagem. tarde, julgada (v. 13).
4.17. Erza parece ser a pessoa chamada Asareel 2) Que embora o julgamento venha pelos ho-
no versículo 16 ( T . 277). mens, é do Senhor (4,14).
6.28 é preciso corrigir de acordo com V.B. 3) Que o pecado de um importa no sofrimento de
6.60. "Treze cidades". Somente onze sáo enume- muitos (v. 6).
radas, mas no livro de Josué há mais duas: Judá e 4) Que um bom princípio náo garante um bom
Gibeom. Nenhuma das listas dá as treze. E possível fim da vida.

142
1 Crônicas

5) Que é fácil ter uma forma de piedade sem o po- 3) O homem nào deve ser atrevido perante Deus.
der de Deus (v. 4). Saul era um homem circuncida- A ação irrefletida de Uzá talvez revelasse uma falta
do, e desprezava os povos incircuncisos. de reverência e apreciação da divina dignidade. O
6) Que embora os inocentes possam ter parte na fato é que náo sabemos precisamente como ele esco-
calamidade que segue o pecado, não têm parte na rou a arca, nem o seu aspecto e atitude em fazê-lo.
culpa. Isto deu-se com Jônatas. Daquilo que parece um desastre pode sair o bem!
7) Que grandes poderes podem ser fatalmente Davi e o povo aprenderam a reverência; e Obede-
mal-empregados. Edom recebeu uma grande bênçáo.
8) Que uma nobre vocação pode nunca ser reali-
zada. Capítulos 14 e 15
9) Que está o espiritismo tão longe da espirituali-
dade como o Inferno está longe do Céu (13,14). lavando a arca para Jerusalém. A lição desta se-
10) Que devemos recordar por muito tempo a gunda tentativa de levar a arca para Jerusalém é re-
bondade que os outros nos mostram, e fazer todo o consideração. A primeira vez Davi náo foi bem-
possível para provar a nossa gratidão (11,12) (Scrog- sucedido, e podia ter abandonado seu propósito com
gie). bastante prejuízo para si e para o povo.
Mas ele reconsidera o caso, indaga em que errara
Capítulo 11 a primeira vez, e afinal faz tudo de acordo com a
vontade de Deus.
Davi e seus valentes. O primeiro era Jasobedo o Notemos:
hacmonita (chamado taquemonita em 2 Samuel 1) Um lugar preparado (v. 1). Quem deseja rece-
23.8), onde as palavras "o mesmo era Adino o ezni- ber Cristo no seu coraçào deve cuidar que haja um
ta" devem ser traduzidas, provavelmente, "ele le- lugar disponível para Ele, um lugar desocupado de
vantou a sua lança". tudo que náo esteja em harmonia com a sua presen-
Segundo, Eleazar, filho de Dodó. ça.
Terceiro, Sama, de quem lemos em 2 Samuel 2) Cuidadosa atenção á Palavra de Deus. Os sa-
23.11,12. Seu nome desapareceu de 1 Crônicas 11.13, cerdotes sáo chamados e preparados para seu legíti-
por isso temos que ir buscá-lo em 2 Samuel. mo serviço (v. 11).
Ê provável que devemos ler o versículo 15 assim: 3) Muita atenção à "ordenança divina" (v. 13).
"Estes trés dos trinta chefes... " E o versículo 20: "A- Quando Deus tem determinado como qualquer coisa
bisai. irmão de Joabe, era chefe [ do segundo grupo] • deve ser feita, devemos seguir o método estabeleci-
de três". Depois dele vem Benaia (v. 22). O terceiro do. Quando Deus não tem determinado o processo de
deste grupo nào é nomeado. qualquer rito, nào devemos nos preocupar demasia-
Havia também o grupo de trinta valentes, e entre damente com o método.
eles Asael e Urias hetita (v. 41). 4) "Deus ajudou os levitas " (26). Quando temos a
Hoje quais são os valentes que empreendem certeza de que estamos de acordo com a Palavra di-
grandes aventuras por amor de quem é maior de que vina, podemos ter experiência da ajuda de Deus.
Davi? 5) Havia louvor e regozijo com o serviço. Fazer a
obra de Deus alegra o coraçào, e podemos cantar os
Capitulo 12 seus louvores quando trabalhamos de acordo com a
sua vontade.
Os que vieram a Davi. Neste capítulo há três lis- 6) Houve quem viu tudo isto com desprezo. Mi-
tas: a primeira em 1-15; a segunda em 16-22; a ter- cal, filha de Saul, julgou haver uma falta de dignida-
ceira em 23-40. Alguns dos homens chegaram a Davi de da parte do rei quando Davi dançou perante a ar-
quando ele era fugitivo; outros quando fora reconhe- ca. Ainda hoje uma pessoa carnal náo aprecia um
cido rei. culto espiritual.
E nosso privilégio sermos associados com Cristo
na sua rejeição, para depois termos parte com Ele na Capítulo 16
sua exaltação (2 T m 2.12).
Quem costuma ler a versão de Almeida precisa Um salmo em ação de graças (7-36). Este salmo é
corrigir o versículo 14 pela V.B. - "o que era menor, semelhante a três outros, que nào levam o nome de
valia por cem homens, e o maior por mil". Davi. A primeira parte (8-22), é parecida com o Sal-
mo 105.1-15; a segunda (23-33), é semelhante ao Sal-
Capitulo 13 mo 96.1-13; a terceira (34-36), encontra-se no Salmo
106.1,47,48.
A Arca em casa de Obede-Edom. Ekta solene his- '.'Este salmo pode ser tomado como um modelo
tória ensina várias lições importantes: dos hinos sagrados, visto que se ocupa com:
1) Boas intenções não bastam. Davi quis fazer 1) " O poder e a bondade de Deus (8,9,12).
bem esta vez, como numa ocasião subseqüente (2 Cr 2) "Sua relação conosco e com o mundo todo
6.8). Mas precisa haver obediência. (13,14).
2) Grande cerimônia não é aceitável a Deus, no 3) "Ações de graças em memória da sua bondade
caso de náo ser "segundo a devida ordem". Ainda e misericórdia (8,9).
hoje um grande ritual, ou procissões magníficas, nâo 4) " O gozo e a comunhào com Ele (10,11), e mui-
sendo de acordo com a Palavra divina, nada valem, to mais" (Scroggie).
porque "Deus é espirito, e os que o adoram precisam A arca da aliança (37-43). "Devemos entender
adorá-lo em espírito e em verdade". Lemos em 2 Sa- que o antigo serviço do tabemáeulo está agora divi-
muel que nada menos de 30.000 pessoas tomaram dido. A arca foi levada a Sião (1 Cr 11.5), enquanto o
parte nesta grandiosa ocasião. altar de cobre e provavelmente os vasos sagrados fi-

143
1 Crônicas

caram no lugar alto de Gibeom A safe e os cantores lavras dele eram um exagero. Ele tomou toda a culpa
(1 Cr 6.31-39: 15.16-19; 16.5; 25.6) ficaram diante da sobre si.
arca' (1 Cr 16.37), enquanto os sacerdotes ministra- 3) A angústia de Davi (9-13). Escolher, enti* três
vam 'diante do tabernáculo* (1 Cr 16.39). Tudo isto males, o mais aceitável. Era todo caao achamos a sua
importava na confusão do serviço. Com a construção escolha acertada e o "porquê" dela (v. 13) tem toda a
do templo, a divina ordem parece ter sido restaura- razão de ser.
d a " (Scofield)
Vemos que o resultado final de toda esta discipli-
na foi uma maior compreensão das misericórdias di-
Capítulo 17 vinas e um aumento do culto espiritual.
Davi levanta um altar a Jeová (18-30). Seria
Davi deseja edificar o templo (1-15). As divisões muito bom se a conseqüência das disciplinas que so-
deste trecho podem ser: fremos da mão de Deus fosse sempre um desenvolvi-
1) Um bom propósito (1,2). Se tivesse sido egoís mento maior da nossa vida espiritual.
ta. Davi podia ter pensado em edificar para si um Davi comprou de Orná "a eira e os bois" por 50
grande palácio, mas seu desejo mais ardente era siclos de prata (2 Sm 24.24) ou "o lugar" por 600 si-
construir a Casa de Deus: "Não entrarei na tenda da cios de ouro (1 Cr 21.25). A quantia marcada em
minha casa .. até que eu ache um lugar para Jeová, Crônicas dá a idéia de ter Davi resolvido adquirir
um tabernàculo para o Poderoso de Jacó" (SI 132 3- muito maior parcela de terra para a construção futu-
5). ra do templo.
2) O propósito frustrado (3-6): "Tu náo edificará*
casa para Eu habitar". Sem dúvida, um desaponta-
mento para Davi. mas ele havia de compreender a Capítulo 22
razão da palavra divina. Alguns são chamados para
guerrear, outros para edificar: poucos para ambos os Este capítulo pode ser dividido assim:
trabalhos. Trabalhando para o futuro (1-5,14-16). Davi, em-
3) Certeza do favor divino (7-10), Esta certeza é bora não lhe fosse permitido construir o templo, fez
dada A pessoa (7.8); ao povo <9.10); e A posteridade muitos preparativo* para ele. Primeiro comprou o
(10). alto do monte. Foi ali que Abraão tinha posto Isaque
4) Pai e filho (11-14). A alusão aqui é dupla, pri- sobre o altar: ali foram edificados os templos de Sa-
meiro a Salomão e depois a Cristo. "Seu trono paro lomão, de Zorobabel e de Herodes. Presentemente
sempre" não se realizou era Salomão, mas terá seu estã ali a mesquita de Omar. Para a obra projetada.
cumprimento em Cristo <Lc 1,31-33). Davi ajuntou uma imensa quantidade de material e
No restante do capítulo, ouvimos Davi em oração dinheiro.
referente á casa dele mesmo, que Deus prometera es Recusas divinas justificadas (6-10). Davi chama
tabelecer. Isto também pode ter a sua completa rea- o jovem príncipe Salomão e explica-lhe seus projetos
lização em Cristo, o descendente de Davi referentes ao templo, e por que Deus mandara adiar
o serviço. A vontade de um crente pode ir além da
Capítulos 18 a 20 sua capacidade. Todos temos de agir dentro de cer-
tos limites.
Davi vence seus inimigos. O capitulo 17 conta a Condições de prosperidade (11-13). Toda a pros-
piedade e a oração de Davi. e agora lemoe da sua peridade é condicional. Deveos procurar todos oe
prosperidade e das suas vitórias. meios de ser úteis: as oportunidades, o espirito de fé
Primeiro ele suhjugn os filisteus, que por tanto e devoção, a energia e boa vontade, as dons intelec-
tempo tinham afligido Israel; depois vence o« moabi- tuais. etc.
ta*. (18.2) e o rei de Zobá (v. 3). Em seguida derrota
os siros (v. 6) e os edomítas (v. 13). Mais tarde, os Uma chamada d ação (17-19). Devemos reconhe-
amonitas (20.1). e. então, outra vez vence os filisteus cer e usar a oportunidade presente: "Levanta-te, e
(20.4). mete mãos d obra" (16) (Scroggie).

Capítulos 23 a 28
Capitulo 21
Davi faz Salomão rei. O capitulo 23 começa com
Davi numera o povo. O leitor deve consultar a ex- uma alusão ao fato de que Davi na sua velhice "coru-
plicação dada sobre este incidente em 2 Samuel 24. tituiu a seu filho Salomão rei"; depois segue com vá-
Podemos ter toda a certeza de que esta proposta rios detalhes dos cargos e ofícios em Israel, em todos
de numerar o povo veio de Satanás, como lemos no os capítulos até o 27. No capítulo 28. recomeça com o
versículo 1, mas precisamente por que isso era tão re- mesmo assunto: as instruções a Salomão.
preensivel e contra a vontade de Deus. náo é declara-
do. Do versículo 2 a 8 Davi entrega a Salomão oe mo-
delos e a» plantas do Templo. A linguagem do versí-
As divisões do trecho podem ser: culo 19 é bem notável: "Foi por um escrito da sua
1) O pecado de Davi. Que tal numeração era pe- mão. disse Davi. que Jeová me revelou tudo isto, to-
cado. Davi mesmo reconheceu imediatamente de- das as obras do modelo". Ele é tão positivo de ter re-
pois, por isso nós não precisamos ter quaisquer dúvi- cebido a planta do templo diretamente de Deus.
das sobre o assunto. E notável que Joabe. que náo como foi Moisés no que diz respeito A planta do ta-
era nada espiritual, tão positivamente protestou bernáculo.
contra o alistamento.
Ê provável que Davi tenha julgado Salomão mui-
2) A confissão de Davi (7.8). "Cometi um grande to moço (18 anos), para levar adiante a grandiosa
pecado em fazer isso". Ele com certeza sabia isso obra do templo, por isso o exortou: "Èsforça-te e tem
melhor do que nós e não precisamos supor que as pa- bom ânimo, e mete mãos d obra" (v. 20).

144
1 Crônicas

Capítulo 29 Davi termina orando pelo povo e pelo jovem Sa-


lomáo.
As ofertas para a construção do templo (1-9). " S e Morte de Davi (26-30). Davi começou a reinar
todo o povo de Deu» fosae tão zeloso para a constru- com 30 anos e reinou 40 anos. antes de entregar o rei-
ção da casa espiritual de que lemo» em Bfésio» no a Salomáo. Náo se nos diz quantas anos mais ele
2.21.22 (o "santo templo no Senhor", e "uma habita- viveu, ou se faleceu em seguida, mas "morreu numa
ção de Deus pelo Espírito"), e a de 1 Pedro 2.5: (a boa velhice, cheio de dias. de bens e de honra" (28).
casa espiritual feita de pedras vivas); como foi Davi O dr. Scroggie faz a seguinte comparação entre
no que se referia ao templo material, com quanta ra- Davi e Salomáo: "Ambos reinaram sobre Israel; am-
pidez seriam acrescentadas as pedras vivas! Note- bos escreveram literatura imortal. Mas eram mais
mos o zelo de Davi neste assunto: diferentes do que semelhantes. Davi foi elevado de
uma posição humilde; Salomáo começou com um
1) Ele reconheceu a dignidade do templo, pois resplendor real. Davi lutou para ganhar o trono; Sa-
chamou-o um "palácio" (v. 1). lomáo vivia pacificamente em majestade imperial-
2) Preparou com todas as forças (v. 2) e empregou Davi era culpado de pecados passageiros, mas Salo-
material legítimo, sem procurar substitutos. máo entrou numa continuada decadência. Sabedo-
3) Pôs seu coraçáo no serviço: "pus meu afeto na ria divina se vê nos escritos de Davi. e sabedoria hu-
casa de meu Deus" (3). mana nos de Salomáo. Davi era um homem segundo
o coraçáo de Deus, mas Salomáo náo o era. Seremos
4) Deu um bom exemplo, contribuindo liberal-
julgados afinal, náo por nossos atos isolados, mas por
mente (3). todo o complexo e tendências da» nossas vidas.
5) Pediu consagração voluntária (5).

145
2 Crônicas

ste livro contjnua a histó- que foi firmado: é o monte Moriá. onde o pecado ti-
ria começada em Primeiro nha aido severamente reprovado (1 Cr 21.15-17), e
Crônicas. Compreende onde uma oferta de substituição tinha aido oferecida
dezoito divisões, de acor- (Gn 22). O templo de Deus que nós conhecemos está
do com os reinados, desde edificado sobre Cristo e seu sacrifício (Mt 16.18) e
Salomáo tá cm cativeiros; recorda a divisáo do reino "outro fundamento ninguém pode pôr".
de Saio o sob Jeroboão e Reoboào, e é caracteriza - " O templo havia de ser construído de pedras es-
do por a crescente apostasia, melhorada parcial- colhidas, e a construção feita por operários escolhi-
mente as reformas sob Asa (14-16); Josafá (16- dos. Membros descrentes de igrejas, e ministros sem
17); Joás (24); Ezequias (29-32), e Josia» (34-35). Po- piedade, são uma abominaçáo ao Senhor Nós somos
rém o estado religioso do povo é descrito em Isaias 1 tanto os obreiros como a obra, mas Deus é o Arquite-
a 5 (Scofield). to e o Morador do templo. A obra de Deus deve ser
feita pelo povo de Deus e pelo modo que Deus deter-
mina" (Scroggie).
Capitulo 1
"Segundo a primitiva medida" (v.3). Supõe-se,
Salomão começa a reinar. O capítulo fala primei- com muita probabilidade, que a primitiva medida
ro do sacrifício (1-6) e depois da visão (7-13). As duas significa o cúbito empregado no tempo de Moisés,
coisas são vitalmente relacionadas. Quero nunca distinto do de Babilônia que os israelitas emprega-
chega ao altar náo será digno do trono. vam depois do cativeiro. Visto que estes livros foram
Nessa ocasião, a Arca e o Altar estavam separa- escritos depois do cativeiro, era necessário para o es-
dos (v.4,5). mas assim náo deve ser: náo podemos se- critor fa/.er esta observaçáo, para que ninguém pen-
parar de Cristo a cruz, e ainda ter a salvação. sasse que se referia ao cúbito babilônico, que media
A Salomão foi-lhe permitido pedir. Foi uma oca- um palmo e um sexto menos que o cúbito de Moisés"
sião de momento, e ele a aproveitou bem. <T).
"Altura do pórtico: 120 cúbito*" (v.4). Visto que
Capitulo 2 a altura do templo era apenas de 30 cúbitos, 120 cú-
bitos parece ser demais para o pórtico. As versões
Salomão faz preparativos para a construção do siriaca. arábica e dos L X X no códex Alexandria dáo
templo. Notemos como ele sem demora começa a fa- "vinte" (T).
zer o que Davi propusera. Ele conta com a coopera-
ção de muitos: de Hirão. rei de Tiro (v.3), de um ho- Capitulo 4
mem perito chamado Hirio-Abi, e de milhares de
outros que haviam de ajudar com o carregamento de ü altar, e o mar de bronze (1-6). Há alguma dúvi
materiais, etc. da quanto à palavra traduzida "bois" no versículo 3;
Notemos que era preciso também empregar 3.600 se náo deve ser "botões". "Dez bois em cada cúbito"
fiscais "para fazerem trabalhar o povo" (v.18). parece demais, e o versículo 16 fala de haver, ao to-
do. doze bois O assunto é estudado no Treasury.
Capítulo 3 p.297.
"Am portas... eram de ouro" (v. 22). Provavelmen-
A construção do templo. Notemos o terreno em te. como em 1 Reis 7.80. "as dobradiças dat portas

147
2 Crôniau

O è 'mar" podia conter 3.000 batos quando com- rá (14). Notemos que a responsabilidade é individual
pletamente cheio, ou 2.000 (1 Rs 7.26) como geral- (17) e coletiva (19.20) (Scroggie)
mente se enchia.
Parece-nos incrível que um homem como Salo-
mão. possuidor de tão notável revelação de Deus, ou-
Capítulo 5 vindo advertências táo solenes, dele apostatasse tão
completamente. Porventura podemos acreditar que
A Arca levada para o santuário do templo. Tinha semelhante coisa acontece hoje?
a Arca estado na tenda, mas agora é levada para o
templo; e a Arca era uma figura de Cristo. Antiga- Capitulo 8
mente ela ocupava o lugar principal no templo,
como Cristo deve ocupar o principal lugar na Igreja.
Serviços religiosos (12-18). Primeiro Salomão
Então náo havia nada na Arca senão as duas tá- teve o cuidado de remover sua mulher pagá da cida-
buas de pedra da Lei (v.10). Estas existiam por 490 de santa para a casa que lhe edificara; e então cuida
anos. Onde estava o maná e a vara? (Hb 9.4). E per- de promover os necessários serviços religiosos. Náo
feitamente verdadeiro dizer de Cristo que a lei de vamos pensar que ele mesmo oferecesse oa sacrifícios
Deus estava no seu coração (SI 40.8), • ae queremos sobre o altar, como mais tarde fez Uziaa (2 Cr 26.16-
ser semelhantes a Ele. ela deve estar também em 20), e sim que se serviu dos sacerdotes devidamente
nosso coração (Hb 10.16). apontados (14).
EBte trecho fala do começo do culto no templo, e
vemos que era caracterizado por obediência, sacrifí- Capítulas 9
cio, reverência, gozo e glória. Porventura tudo isto
entra em nosso culto também?
A rainha de Sabá. A história da rainha de Sabá é
Ê um grande dia na história de qualquer alma instrutiva no seguinte sentido:
quando dá a Cristo seu devido lugar. Tal ato é sem- 1) Ela ouviu a fama de Salomão (v. 1). Quem é
pre caracterizado por preparaçáu (2,3) e consumação que nunca ouviu a fama de Cristo? - E divulgada por
(11-14). Sacrifício e louvor estão relacionados: todo o mundo.
"Quando começou o holocausto, começou também o 2) Ela não acreditou (6) Parecia-lhe um exagero
cântico de Jeová" (29.27); e há pouco louvor na vida ou uma mentira.
de muitos porque há pouco sacrifício (Scroggie).
3) Ela resolveu ir ver para crer (6). Há bastante
evidência da verdade da salvação de Deus em Cristo
Capitulo 6 para persuadir qualquer um a indagar por ai, e dei-
xá-lo sem desculpa se ele se descuida de tão grande
Oração dedicatória de Salomão. Notemos as suas salvação, e continua nos seus pecado*.
atitudes: primeiro, com as costas viradas para o po- 4) Ela resolveu provar Salomão por enigmas. O
vo. ele se dirige a Deus (1,2). Depois ele se vira outra Senhor convida cada um a trazer-lhe seus problemas
vez. e abençoa o povo (v. 3). Então, na oração princi- espirituais e todas as suas dificuldades
pal (v. 12). com as mãos estendidas, ele m conserva
5) Ela ficou abundantemente satisfeita, e des-
em pé por uns momentos. Ajoelha-se afinal (13) e, cobriu que Salomão excedeu toda a fama que ela ou-
ainda com as mãos estendidas, ora. Diz-se que esta é vira (6).
a primeira vez na Bíblia que alguém ora de joelhos.
Visto que Salomão estava sobre uma plataforma ti) Ela relata o que mais lhe agradou (3,4): A sa-
com três cúbitos de altura, havia de ser bem visível bedoria (1 Co 1.24); a casa que ele edificara (Eí
2.22); a comida da sua mesa (1 Co 10.16) (Good
ao povo. man).
Na primeira parte desta oração há quatro peti- O resto do capitulo relata sobre toda a magnifi-
ções: pela rasa de Davi (16); pelo templo (18); por cência de Salomão, mas contém pouco que satisfaça
ele mesmo (19); e por todos os que futuramente ha- o coração. Afinal, ele morreu e deixou tudo. Pouco
veriam de pedir (21).
ou quase nada se diz aqui da sua idolatria ou da sua
Depois deste profundo começo, a oração continua sensualidade. Durante os 40 anos do seu reinado, ele
com sete pedidos distintos (22,23; 24,25; 26 27 28- fez pouco ou quase nada que possamos imitar.
31; 32,33; 34,36; 36-39).
Na conclusão, Salomão roga a Deus ouvir (30); Capítulo 10
levantar-se, abençoar (41); e lembrar-se (42).
Reoboão reina Eate capitulo descreve como o rei-
Capítulo 7 no unido chegou a ser dividido. Leia-se 1 Reis 11.26
40 para ver como isto sucedeu.
Deus aparece a Salomão pela segunda vez (11- Reoboão era filho de um pai possuidor de conhe-
22). Depois desta ocasião de revivificação espiritual, cimento de Deus, de mãe pagá. Ele herdou o reino e
durante as vigílias da noite. Deus aparece outra vez a riqueza do pai, mas náo a sua sabedoria. Tinha o
a Salomão e faz-lhe promessas, maa condicionais. direito, mas não a capacidade de reinar. Eate capítu-
A visão segue à obediência; oa que agradam a lo revela o despotismo de Salomão (v. 4), e mostra
Deus o verão e o ouvirão. A manifestação teve tr^s que grande parte da sua glória era apenas dourada e
propósitos: a) asseverar a Salomão que a sua oração náo de ouro maciço.
fora ouvida, b) assegurar-lhe que, se ele e o povo fos- O pedido de "todo o Israel" era moderado e ra-
sem fiéis. Deus seria o protetor; c) declarar que, no zoável, pois havia motivo aceitável de queixa (3,4), e
caso de ser infiel, haveria a devida retribuição. o rei consultar seus conselheiros era sensato e bom,
Os olhos, oa ouvidos e o coração de Deus estão mas seu procedimento imediato revela loucura in-
pcrpetuamente atentos ao seu povo (15,16). Se nós desculpável. Ele meamo estava no meio da vida (1
nos arrependermos, Ele nos perdoará e nos abençoa- Ra 14.21), e consultou homens mais idosos, e mais

148
iCrônUés

novo» do que ele (6,8); e. em vez de tomar o melhor "moço e medroso" (apesar dos seus 41 anos: 1 Rs
conselho, tomou o pior (7-11), 14.21) e. por iaao. incapaz de resistir á revolta.
Também havemos de considerar Jeroboáo. Note- Abias, com 400.000 homens e Deus, derrota Jero-
mos seu nascimento humilde, sua coragem, sua pro- boão que estava com uma consciência acusa do ra
moçáo, sua traição, sua fuga. sua volta e propósito O relatório do reinado de Abias em 1 Reis 15.1-8
ultenor < 1 Rh 11.26-40). Foi uma hora critica quando relata muito da sua perversidade nada da sua vitó-
Reoboâo e Jeroboáo se enfrentaram (3). Israel se re- ria. Nesse capítulo devemos ler. no versículo 6. "A-
voltou contra Judá, mas sabemos que esta loucura bias" e nâo "Reoboâo".
humana cumpriu um propósito divino (Scroggie).
Capítulo 14
Capitulo 11
O bom reinado de Asa, Ele reinou por 41 anos
Deu* pn>ibe uma guerra civil em Israel. "Volte sobre Judá. A sua história é relatada em 1 Reis 15.8-
cada um para sua casa, porque isto prttcede de mim " 54, em 17 versículos, mas aqui ocupa 48 (cap. 14 a
(v. 4). Assim evitou-se uma contenda entre irmáos e 16). Ele foi um dos melhores reis de Judá. O capitulo
os dois reinos continuaram separados. divide-se em duas partes: Paz e Guerra.
Contudo vemos que a influência espiritual cha- 1) Paz (1-8). Durante dez anoso rei tratou de des-
mava para Jerusalém. Os levitas todos concorreram truir o mal e construir o bem. Foi um período carac-
para ali (13), e outros homens piedosos também (16). terizado por petição, paz e prosperidade (v. 7).
Jeroboáo quis remediar o caso fazendo sacerdotes de 2) Guerra (9-15). Notemos: o invasor (9); a ação
todas as classes do p<»vo (1 Rs 12.31 e 13.33). do rei e do povo de Judá (10,11); o que Deus fez (12-
A família de Reoboâo (18-23). Entre outras mu- 15).
lheres. ele casqu-ae com "Abigail, filha de Eliabe", o Onde há dependência de Deus. haverá vitória
irmão mais velho de Davi. mas, visto que mais de 80 sobre 06 inimigos.
anos passaram desde que Davi. com a idade de 30.
começara a reinar, devemos entender que a moça era Capítulo 15
neta de Eliabe, e náo filha. E freqüente na Escritura
um neto ser chamado filho. Um pacto solene. Podemos notar:
No que diz respeito à moralidade, Reoboâo nâo 1) A ocasião Um momento de vitória: oa etíopes
foi muito melhor do que seu pai, mas nesses tempos derrotados; o povo de Judá ganhara muitos despoja*.
primitivos, parece que era usual aos reis o terem Foi justamente nesse momento glorioso que necessi-
muitas mulheres e concubinas. tavam escutar a voz de DeuB.
2) A mensagem profética:
Capitulo 12 a) Originou-ae numa inspiração do Espirito de
Deus talvez durante uma hora de oração.
A invasão de Sisaqur. Notemos o avanço, o efei- b) Foi dada ao rei e a todo o seu exército.
to, o resultado. c) Referiu-se ao passado. (Nós devemos estudar o
O avanço (1-4). Considere o homem, o exército, o passado para aprender dele.)
progresso, e, especialmente, a mão divina atrás da d) Citou a ocasião de uma angustiosa oração e a
ação humana (2b). resposta favorável (v. 4).
O efeito (5-8). Há primeiro uma palavra de aviso e) Terminou com uma exortação ao esforço, e
(5) e então uma palavra de misericórdia (7.8). Entre prometeu uma recompensa.
estas há penitência e confissão da parte do rei e seus 3) O que o rei fez:
príncipes (6). As ações de Deus são muitas vezes de- a) Tirou as abominaçôes que impediam o culto
terminadas pelas nossas. Ele náo pode fazer o que divino. Que abominaçôes temos tirado da nossa vi-
quer, porque nós náo fazemos o que devemos. A mi- da?
sericórdia se mostra somente aos contritos. b) Renovou o altar. Há qualquer coisa na nossa
O resultado (9-12). O serviço a Deusé substituído vida espiritual que carece de ser "renovada"?
por servidão aos homens, para que todos aprendam c) Ajuntou o povo de Israel e Judá o quanto pôde.
que é melhor a submissão ao Senhor do que ao estra- Procuramos nós reunir, ou dividir o povo de Deus?
nho (8). 4) O que o povo fez:
O rei procura agora manter as aparências, substi- a) Dirigiu-se a Jerusalém - o centro divinamente
tuindo ouro por latão (10,11): conformou-se com apontado para todo o Israel. Qual é o centro hoje?
(Mt 18.20).
uma coisa inferior.
"Ainda se acharam coisas boas em Judá" (12). b) Ofereceu dos seus lucros ao Senhor (v. 11).
Havia algumas jóias na areia. Havia alguma virtude c) Entrou no concerto de buscar o Senhor, de se
no meio de tanto vício. O mundo nâo pode perecer submeter em tudo á vontade divina.
enquanto a Igreja está nele (Scroggie). Que coisas podemos achar neste capítulo como
um espelho que nos reflita? Que coisas nos parecem
um aviso para nós nos endireitarmos?
Capitulo 13
Capitulo 16
O reinado de A bias sobre Judá. Começa agora a
guerra entre Judá e Israel, pois nem um nem outro Últimos anos de Asa. "As primeiras palavras des-
atende mais à Palavra de Deus que a proibira (11.4). te capitulo apresentam uma dificuldade, visto que
Abias faz um discurso em que pretende explicar o ê- aprendemos de 1 Reis 15.28 e 16.8 que Baasa. rei de
xito da revolta doa "homens sem valia, filhos de Be- Israel, subiu ao trono no terceiro ano de Asa e reinou
liai" (7) pelo simples fato de que seu pai era então 24 anos.

149
2 Cr&nküs
'"Há duas explicações possíveis. Uma. que « um "Mica então relata uma visáo que recebera, que
erro de copista. O historiador Jateio põe a guerra nos leva atrás dos acontecimentos e permite-nos por
com Baasa no ano 26 de Asa, o que elimina a dificul- um momento ver os modos divinos de agir (18-22).
dade. Outra explicação é que 'o trigésimo sexto ano Aprendemos aqui: que Deus opera por meio de agen-
de Asa' significa o trigésimo sexto ano desde a divi- tes secundários, que podem ser maus ou bons; que
são do reino. Alguém traduz: 'No décimo sexto ano'. Ele. às vezes, permite serem enganados os que o de-
"Asa, corno muitos outros, parece ter degenera- sejam ser, que uma retribuição justa apanha oe que
do nos seus últimos anos: persistem no pecado. Muito de misterioso necessa-
1) "Na sua fé (1-6). A confiança em Deus que Asa riamente se encontra numa revelação como esta.
mostrara quando venceu os etiopes não aparece mas ao menos torna claro que, na execução da von-
quando Baasa invade a terra. Serviu-se do expedien- tade divina, multidões de inteligências angélicas es-
te de pedir a cooperação de um rei pagâo. Ele ga- tão empregadas, e aprendemos de outras escrituras
nhou a vitória, mas perdeu muito na dignidade e no que tanto maus espíritos como bons agem com res-
testemunho. peito a este mundo e seus habitantes (Jó 1 e 2; Dn
2) "No seu gênio (7-10). Caiu na prática de cruel- 10).
dade: 'oprimiu a algun» do povo'. Encarcerar um "Grande era a coragem do profeta e surpreenden-
profeta de Deus por lhe ter falado a verdade era uma
te o seu oráculo; notemos agora a recompensa que ele
grande tirania.
recebeu (23-27). A malícia e a insolência caracteri-
3) "Na sua saúde (12). Buscar os médicos prova- zam o que Zedequias fez. Mica foi á cadeia, mas
velmente quer dizer servir-se dos encantos e magia Acabe foi ao sepulcro.
dos charlatáes do seu tempo. Contudo, teve um "Como saiu. afinal? Acabe perdeu, Benadade ga-
grande enterro (14): tinha reinado bem, e era queri- nhou, Josafá escapou (28-34)" (Scroggie).
do do povo" (Goodman).

Capitulo 17
Capítulo 19
Josafá reina. A primeira coisa que lemos dele é
que "fortificou-se contra Israel", o que nos faz pen- O profeta Jeú repreende Josafá (1-3). Jeú em ou-
sar como, às vezes, os crentes contendem uns com os tra ocasião tinha repreendido o rei Baasa de Isrsel, e
outros, em vez de combater o inimigo comum. agora traz uma palavra de reprovação ao rei Joeafá,
Em todo o caso, mais tarde, fez ainda pior do que de Judá: "Deves tu «ocorrer oc iníquos e amar os que
guerrear contra Israel: aliou-se a ele (cap. 18). aborrecem o Jeovát" E. pelo visto, o rei náo reagiu
Josafá é louvado porque: contra a repreensão.
1) "Andou pelos primeiros caminhos de Davi", No restante do capítulo, Josafá se ocupa com re-
seu pai (3), isto é, antes de Davi cometer seu maior formas administrativas no seu reino.
pecado.
2) "Andou noa mandamentos de Deus", e evitou
as obras de Israel (4). Capitulo 20
3) "Foi alentado seu coraçáo ftrad esp.) nos ca-
minhos do Senhor" (6). Lemos de Davi que ele se Josafá pede auxílio divino contra Moabe e
confortou em Jeová seu Deus (1 Sm 30.6). E um bom Amom. Neste capitulo há sete pontos não referidos
costume. no correspondente trecho de 1 Reis. Eles são:
4) "Tirou de Judá os altos e os bosques" (v. 6). 1) Perigo (1-5). Há sempre inimigos em redor:
Consultando 20.33 e 1 Reis 22.44, concluímos que ao amonitas e moabitas.
mente tirou os altos de Baal. Os altos dedicados a 2) Prece (6-12). O recurso do crente é sempre a
Jeová, embora proibidos, eram menos ofensivos, e oração a Deus.
por isso ficaram ainda. 3)PromeMêa (13-17). Essa vez a mensagem divina
5) "Procurou educar o povo na lei de Deus, me- veio pela boca de Jaaziel: "Náo tenhais medo nem
diante um sistema e método de instrução (9). vos assusteis por causa desta grande multidáo " (15).
4) Louvor (18-21). Qualquer um pode cantar de-
Capitulo 18 pois de uma vitória, mas somente a fé pode cantar
antes.
Josafá faz aliança com Acabe. "Este capitulo é 5) Punição (22-24), que sobreveio a esse» inimi-
uma revelação de caráter. Temos aqui. Josafá en gos.
trando em decadência. Acabe, sutilmente perverso. 6) Posse (2) para os vencedores, que apanharam
Mica. corajoso e verdadeiro; e Zedequias, cínico e os despojos.
cruel. 402 homens maus; dois bons, mas um deles 7) Paz (26-30) em conseqüência da vitória.
decaindo. A bitola por que todos eles são medidos é Proposta emenda de tradução no versículo 25 em
Jeová. vez de "fazenda e cadáveres em abundância" leia-se
"Temos notado a coragem de Mica (9-13); vamos "fazenda e vestidos" (T).
agora considerar o oráculo que ele pronunciou Notemos que, embora o rei seja bom e piedoso,
(14.22). Que ele falou ironicamente é evidente pela nem sempre o povo acompanha a sua piedade: "náo
maneira por que o rei respondeu (14.15). Sem dúvi- tinha ainda o povo disposto o seu coração para o
da, as palavras foram acompanhadas de um gesto, e Deus de seus pais" (v. 33).
olhar que a página impressa náo pode reproduzir. Afinal de tudo, mais uma vez Josafá tropeça, e
Apertado por Acabe, o profeta dá-lhe um aviso figu- faz aliança com o iníquo filho do ainda maiB perverso
rado (Nm 27.17; 2 Cr 18.16), que predizia a morte de Acabe (35); e mais outro profeta denuncia a aliança
Acabe, e ele assim o entendeu (17). funesta.

150
2 írõnicãs

Capitulo 21 trasse no templo, mas somente os sacerdotes e 06 le-


vitas (6,7).
Jeorão reuia sobre Judá. Matthew Henry nota: 5) Um homem de grandes resoluções. Havendo
que Jeoráo fora tratado com muita indulgência pelo empreendido o negócio, levou-o ao fim. Arriscou a
pai. e que. contudo, seus irmáos eram mais dignos do sua cabeça, mas numa boa causa.
que ele (v. 13); que ele tratou seus irmãos com bar- No restante do capitulo vemos:
baridade. matando todos eles; que. como rei, ele era 1) O povo satisfeito: "Todo o povo da terra se re-
corrupto e iníquo; que ele abandonou a Deus, e en- gozijava e tocava trombetas" (v. 13).
tregou-se à idolatria; que, contudo. Deu» o tratou 2) Atdlia morta (v. 16). Ela. que era uma gTande
com uma certa brandura, por amor de Davi (7). traidora, clamava "Traição!", mas ninguém a
O profeta Elias, pouco antas da sua trasladaçáo. apoiava.
escreveu uma carta admoestando o rei e avisando-o 3) Uma aliança ratificada (v. 16), no sentido de
de que as suas perversidade» resultariam em doença serem o povo de Jeová.
e morte. Lemos dele que "morreu sem deixar de si 4) Baal destruído (v. 17) Era preciso manter náo
saudades" (v. 20). O mesmo pode acontecer com al- somente os direitos do rei mas oe direito* de Deus.
guém hoje, no caso de viver sempre e somente para si 5) O serviço do templo restaurado (18,19). Tinha
mesmo. isto sido negligenciado durante os reinados anteno-
Uma emenda de tradução perece necessária no res.
v.2. Josafá era rei de Judá e náo de Israel. Parece ser 6) O governo civil restabelecido (v. 20). Levaram
erro de copista nos manuscritos hebraicas E "Judá" o rei ao seu palácio e colocaram-no sobre o trono do
nas versões arábica. L X X e vulgata (T). reino.

Capitulo 22 Capitulo 24

Acazias reina um ano sobre Judá. Ele era o filho Joás começo bem. "Este capítulo pode ter três
ma is moço de Jeorão. e o único sobrevivente (21.17). divisões: 1) um começo esperançoso (1-16); 2) uma
E chamado Jeoás (21.17) e Azarias (22.6). Em 2 Reis rápida apostasia (17-22); 3) um fim trágico (23-27).
8.25 ele é chamado Acazias. 1) Um começo esperançoso. Notemos:
A idade de Acazias é dada no versículo 2 como 42 a) "Sua áeferência ao sacerdote de Jeovd En-
anos, mas isso é evidentemente errado, porque faz quanto Joiada vivia. Joás fana o bem (v. 2); o sacer-
ter ele mais dois anos do que seu pai, que começou a dote escolheu-lhe as mulheres (3); ajuntaram di-
reinar com 32 anoe e reinou 8 anos Devemos ler nheiro para o conserto do templo (11); as ofertas reli-
"vinte e dois anos", como em 2 Reis 8.26. giosas foram restabelecidas (14).
Depois de reinar um ano "andando nos caminhos b) "Seu zelo pela Casa de Deus. Nesse tempo o
da casa de Acabe" (3). vai visitar seu tio Jorão, rei de estado do templo era uma indicação do estado do po-
Isrsel, e é morto por Jeú, filho de Ninsi (não Jeú, o vo. Onde a perversidade reina, o santuário cai em
profeta, filho de Hanani). ruínas (7), mas quando a retidão está no trono, os
O pecado de Jeorão, pai de Acazias, em matar to- reparos começam (4).
dos seus irmãos encontra a sua retribuição quando 2) "A rápida apostasia. A bondade de Joás era
todos oe seus filhos, exceto Azarias. sáo mortos pelos derivada principalmente de outro mais forte do que
árabes (v. 1), e todos os filhos de Azarias. menos um ele. Ele brilhou com uma luz emprestada. Quando
(Josias), são mortos pela iniqua rainha Atália (v. carecia da influência de Joiada, ele capitulou aos
10). Assim, embora a casa real de Davi sofresse, de- príncipes perversos ((17,18). Quem antes era refor-
vido às suas iniqüidade», não podia ser exterminada, mador vem a ser renegado. Quem parecia ser apósto-
porque era o propósito de Deus que dessa linhagem lo, mostrou-se apóstata. O segundo pecado de Joás
real viesse o Cristo. foi sua rejeição dos profetas de Deus (19-22). Muito
As diferenças entre as narrativas da morte de do trabalho dos profetas antigos era o protesto.
Acazias em 2 Reis 9.27-29 e 2 Crônicas 22.9 são expli- Eram protestantes não somente em nome mas em
cadas no livro Treasury. pg. 308, mas o trecho não verdade, o sofreram por isso (20,21). Que ingratidão
tem grande importância para merecer a tradução. abominável da parte de Joáa! (v. 22).
3) "O fim trágico Joás, com um grande exército,
é castigado por poucos sírios, e, afinal, assassinado
Capitulo 23 pelos próprios servos. Onde não há piedade não pode
haver prosperidade" (Scroggie).
Reinado de Joás sobre Judá. Matthew Henry fala Proposta emenda de tradução (v. 22): "O Senhor
do sacerdote Joiada como sendo: o verá e o vingará".
1) Um homem de grande paciência. Ele esperou
seis anos. com o menino real guardado e escondido, Capítulo 25
até chegar o momento oportuno.
2) Um homem de grande influência. Os capitães. Reina Amazias filho de Joás sobre Judá. Ele tem
levitaB e principais homens de Jerusalém, responde- bom procedimento mas "náo com um coração perfei-
ram á sua chamada. to". por isso erra de vez em quando, e precisa ser cor-
3) Um homem de grande fé Ele tinha confiança rigido.
que o herdeiro havia de reinar, por ser esee o propósi- Ele empreende uma campanha contra os eoomi-
to divino. tas, mas cai no erro de alugar o auxilio de Iarael. Um
4) Um homem de grande religiosidade. Fez quee- profeta protesta, e, felizmente, ele atende, apesar de
tão de ligar a proclamação do menino-rei com o tem- ter pena do* 100 talentos de prata que ia perder na
plo. Porém deu ordem para que nenhum do povo en- transação.

151
IftWm

Deus lhe deu a vitória; mas náo o mandou massa- Capitulo 28


crar os prisioneiros (v. 12). Esss brutalidade foi dele
mesmo.
Acar. um rei moço e mau. Com este capitulo
Porém Amazias ganhou mais do que uma vitória: deve ler-se Isaías 7 a 12. Podemoa ler uma lista dos
ganhou alguns ídolos pagáos e começou a adorá-los, pecados deste rei nos versículos 1-4 deste capitulo.
apesar de esses ídolos náo terem podido livrar os edo- Nem Síria nem Israel pensavam em fazer a von-
mitas da máo do próprio Amazias. tade de Deus; mas fizeram-na. porque seu triunfo
Depois disto Amazias tomou conselho (17), mas sobre Judá era um castigo divino.
náo de Deus; e mandou desafiar Joás rei de Israel " O incidente recordado nos versículos 8-15 é ex-
Batalhou com ele, sendo vencido e feito prisioneiro
traordinário. ft raro a vitória promover a virtude,
(23).
conquista nem sempre resulta em consideração; nem
O leitor incauto pode ficar confuso entre oa diver- teria sido assim aqui, se nào fora a coragem e fideli-
sos reis de nomes semelhantes. Entre Joás o filho de dade de um profeta (9). Quem jamais ouviu de
Joacaz filho de Jeú, rei de Israel (17), e Amazias, rei •200.000 cativos serem libertados, vestidos, alimenta-
de Judá, filho de Joás, filho de Joacaz - todos de Ju-
dos e devolvidos á sua terra!" (Scroggie).
dá (23).
Acaz em franca decadência. Torna-se idólatra
Amazias vive ainda mais 15 anos, e entáo é assas (22-27) e morre sem ser assassinado. Nào o sepultam
sinado (v. 27). no sepulcro dos reis "de Israel", ou, como nós tería-
mos dito, "de Judá".

Capítulo 26 Capítulos 29 e 30
Próspero remado de Uzias. Ele se valeu dos bons Reinado de Ezequias. " O propósito de Crônicas
conselhos do profeta Zacarias, e "buscou o Senhor"; não é relatar a política exterior de Judá. mas exibir
e entáo prosperou. os aspectos morais e religioso» da sua história inte-
Eate profeta Zacarias náo é o mesmo desse nome rior. De acordo com este plano. 2 Reis 18,1-6 aqui
referido no capítulo 24.20 nem o filho de Ido, o profe- ocupa t rés capitulo* (29-31); enquanto o capitulo 32
ta que escreveu o penúltimo livro do V.T. Eate nào é de 2 Crônicas ocupa três capitule* em 2 Reis 18 7 a
mencionado em qualquer outra parte do V.T. O rei 20.21.
Uzias é chamado Azarias em 2 Reis 15.1. A sua pros- "Judá teve somente quatro reis realmente bons
peridade foi vista da seguinte maneira: entre todos oa 19, e Ezequias foi um deles. Entregou-
1) Na derrota dos filisteus e árabes (6,7) e na su- se energicamente á obra de reforma, e começou com
jeição doe amomtas (8): todos eles inimigos antigos. o templo (29.3-19).
2) Na fortificaçdo de Jerusalém, na construção de "Notemos a ordem no capítulo 29: Expiação,
torres no deserto. com a oferta pelo pecado (21): Dedicação, com o ho-
3) No coração de diversos poços - uma coisa mui- locausto (27): Comunhão, com a oferta pacífica (31).
to boa numa terra sedenta Esta è a ordem rnoral, e náo pode ser invertida. Não
4) JVo aumento da agricultura. Se ele tivesse con- pode haver comunhão com Deus onde náo há aceita-
tinuado com tais coisas, em que fora ajudado por ção, e não pode haver aceitação onde náo há propi-
Deus (15), tudo teria ido bem. Porém, ficou orgulho- ciaçào.
so- "elevou-se o seu coração" (16) e transgrediu a lei
"A musica entra no programa: Quando começa-
de Deus. Ele teimou em exercer o oficio sacerdote!, ram os holocausto*, começaram também os cânti-
uma coisa proibida na Lei (Nm 16.40; 18.7); foi cas- cos" (29.27).
tigado com a lepra maligna, e foi obrigado a ceder o
Preparação para uma Páscoa nacional (30.1-17).
governo ao seu filho Jotáo como regente. Ele reinou
O convite era para todo o Israel (30.1). Houve uma
mais tempo do que qualquer outro rei de Israel ou
grande limpeza moral e religiosa de Jerusalém
Judá. exceto Manassés (55 anos), pois reinou 52
(30.14). A festa realizada foi tão satisfatória que o
anos
povo resolveu continuar por mais sete dias (23). Ha-
via canções de santa alegria (21), confissão de peca-
Capitulo 27 dos (22), e ofertas generosas (24).
Jotão reina bem sobre Judá, mas - uma nota tris- Capítulo 31
te - "o povo ainda se corrompia" (2).
"Três profetas profetizaram neste reinado - Abolição da idolatria (v. 1). Depois desta grande
Isaías. Miquéias e Oaéias. Todos revelam o estado revivificação espiritual, o povo foi por toda a parte
decadente e imoral do país, confirmando o fato de fazendo uma limpeza geral da idolatria.
que 'o povo ainda se corrompia'.
"Assim fez Ezequias em todo o Judá. Fez o que
"Contudo Jotáo se tornou poderoso 'porque orde- era bom. reto e fiel perante Jeová, seu Deus, em toda
nou seus caminhos perante Jeová' (v.9). a obra que começou no serviço da casa de Deus. e
"Ele era um grande construtor; fez cidades e cas- atentou na Lei e nos mandamentos, para buscar o
telos. Podia ter sido melhor se tivesse cuidado de seu Deus; tudo o que fez ele o fez de todo o seu cora-
corrigir a corrupção do povo: os altos ná<? foram re-
ção, e foi bem-sucedido" ( w . 20.21).
movidos e o povo ainda sacrificava neles (2 Rs
15.35). Capítulo 32
"Seu reinado náo foi sem perturbações, pois le-
moe que Rezim. rei da Síria, e Peca, rei de Israel, co- Senaqueribe invade Judá (1-23). A história aqui
meçaram a vir contra Judá (2 Rs 15.37) mas não há
é abreviada, a fim de apresentar Ezequias num as-
pormenores" (Goodman).
pecto mais favorável do que em 2 Reis e Isaías. Pou-

152
1 Crônicas
co se diz da sua falta de fé, da coragem e da fidelida- Essa limpeza levou uns seis anos (8), e então Jo-
de para com aa coisas sagradas do templo. sias começou a construir (8-13). Foi ai que fizeram
Mas Exéquias tomou as providências possíveis uma descoberta importante: Livro da Lei de Jeová.
para a proteção da cidade. Fez um aqueduto secreto Provavelmente o original do Pentateuco ou de Deu-
na rocha para abastecer Jerusalém e ao mesmo tem- teronômio. que teria a idade de uns oitocentos e cin-
po privar o inimigo das águas (v. 4). Este aqueduto qüenta anos.
foi descoberto pelo dr. Schick em 1880. Hulda a profetisa consultada (22-28). Podemos
Ezequias tomou conselho com os príncipes (v. 3), entender que o profeta Jeremias náo estava em Jeru-
reconhecendo a necessidade de muitos conselheiros. salém no momento, por isso recorreram á profetisa.
Arrumou as defesas da cidade (6) e animou a fé do Ela fala do reino (23-25) e do rei (26-28).
povo (7). Josias agiu. 1) Fez um grande ajuntamento, e
O resultado final foi uma grande libertaçAo, me- leu o livro aos ouvidas do povo (30). 2) Fez uma
diante o poder de Deus. Tanto o rei como o profeta aliança entre o povo e Deus (31). 3) Destruiu os ído-
Isaías oraram a Deus, e Ele mandou um anjo exter- los (33).
minar o inimigo (21).
A doença e morte de Exéquias (24-32). A doença Capítulo 35
e restauração de Ezequias, referidas com brevidade
aqui. são relatadas detalhadamente em 2 Reis 20.1- A última Páscoa antes do cativeiro. Josias tinha
11 e Isaías 38.1-22. então 26 anos, havendo reinado 18 anos. Tudo foi fei-
Ele errou no caso dos embaixadores do rei da Ba- to de acordo com a divina ordem: sacerdotes e levi-
bilônia (v. 31) como muitos outros homens bons têm tas nos seus respectivos serviço*. Os cantores esta-
errado. Em todo o caso ele se humilhou (26), e por vam nos seus lugares (15), "Não se celebrou uma fes-
isso a ira divina não caiu sobre a nação durante a sua ta em Israel semelhante a esta desde os dias do pro-
vida. Assim também proporcionou ao povo algum feta Samuel" (18).
tempo para arrependimento. Então houve um período de paz e prosperidade
Terminou a vida com honra, e teve um grande durante 13 anos, e, afinal, Josias comete o grande
enterro "na parte de cima dos sepulcros de Davi" erro de envolver-se nas contendas dos outros, e per-
(33). deu a vida. E "Jeremias fez uma lamentação sobre
Josias".
Capitulo 33
Capítulo 36
O reinado de Manassés. Mais outro menino-rei. e
o reinado mais comprido de todos, é o dele. "Fez o Final do reino de Judá. Houve quatro reis depois
mal á vista de Jeová". Nos versículos 1-10 temos de Josias: dois de seus filhos. Joacaz e Joaquim e
uma longa lista das suas perversidades. que conclui dois de seus netos, Joaquim e Zedequias. Nos dias
com as palavras referentes ao rei e ao povo: "fizeram deste último rei veio o juízo. O templo foi queimado,
o mal ainda mais do que as nações que Jeová des- o muro de Jerusalém derrubado, os palácios destruí-
truiu diante dos filhos de Israel" (9). dos pelo fogo.
Por isso Deus permitiu que ele fosse levado cativo O mau procedimento do rei Zedequias é patente:
á Babilônia (11), onde se arrependeu das suas mal- quebrou aeu juramento a Nabucodonosor (13); endu-
dades, e fez oração a Deus. Foi-lhe permitido voltar receu seu coração contra Deus (13); deixou os sacer-
a Jerusalém, e continuou a reinar sobre Judá. dotes fazerem coisas abomináveis (13). Assim se
Se Ezequias tivesse morrido na ocasião da sua cumpriu a profecia de Levítico 26.33-35: "Espalhar-
grande doença. Manassés nunca teria nascido, e a vos-ei por entre as nações, e desembainharei a espa-
história de Judá teria sido, talvez um tanto diferen- da e vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as
te. vossas cidades se tornarão em solidão. Então a terra
Amom reina (21-25), felizmente, por apenas dois gozará seus sábados, todos os dias da sua assolação,
anos, pois ele foi outro rei iníquo, mas com esta dife- e estareis na terra dos vossos inimigos; nesse tempo
rença: que não se arrependeu das suas perversidades descansará a terra, e gozará os seus sábados".
(23). Ele morreu assassinado pelos seus próprios ser-
vos.
Data e autoria de Crônicas. Diz o dr. W. H Ben-
Capitulo 34 nett em "The Books of Chronicles":
"Uma comparação de Crônicas com Esdras •
Reinado de Josias. Sendo criança de oito anos Neemias mostra que os três originalmente formaram
quando chegou ao trono, podemos crer que devia um só livro. Estão escritos no mesmo estilo de
muito á piedosa educação de sua mãe Jedida. E pro- hebraico recente; citam os documentos antigos do
vável que ela lhe tenha falado muito do seu ilustre mesmo modo; mostram o mesmo espírito eclesiásti-
antepassado Davi, e lhe tenha lido alguns dos seus co; e sua ordem eclesiástica e doutrina descansam
salmos piedosos, de maneira que o menino tivesse fi- sobre o Pentateuco completo e especialmente sobre o
cado entusiasmado com a história; e quando tinha código sacerdotal...
16 anos "começou a buscar o Deus de Davi, seu pai ", "Esdras e Neemias formam uma continuação
acreditando que seria muito bom se esse Deus fosse evidente de Crônicas, que termina no meio de um
seu protetor. parágrafo que devia introduzir a história da volta do
Com 20 anos ele cuidou, não somente do bem- cativeiro; Esdras repete o parágrafo e dá a sua con-
estar da sua própria vida espiritual, mas das obriga clusão. Semelhantemente o registro dos sumo sacer-
ções da sua elevada posição. Ele "começou a expur dotes é começado em 1 Crônicas 6.4-15 e completado
gar Judá. Jerusalém dos altos e dos bosaues " (v. 3). em Neemias 12.10,11.

153
ICHtáfs

" O conflito macabeu revolucionou o sistema na- PRINCIPAIS REFERÊNCIAS N O N O V O T E S T A -


cional e eclesiástico que Crônicas sempre reconhece M E N T O AOS LIVROS DE CRÔNICAS
como prevalecente; e o silêncio do autor quanto a
easa revolução é uma prova conclusiva de que ele es- 1 Crônicas 2.5,9; Mt 1.3,4 e Lc 3.32
creveu antes dela. 1 Crônicas 3.10-16; Mt 1.7-12
" N á o existe nenhuma evidência com respeito ao 1 Crônicas 29.9; 2 Co 9.7
autor, mas seu vivo interesse nos levitas e no serviço 1 Crônicas 29.11; I Tm 1.17
musical do templo, com sua orquestra e coro, torna 2 Crônicas 18.16; Mt 9.36
muito provável que ele tenha aido um Ievita e cantor 2 Crônicas 24.20,21; Mt 23.35 e Lc 11.51
ou músico do templo".

154
sdras, o primeiro doe li- Capítulo 1
vros depois do Cativeiro
(Esdraa, Neemiaa, Ester, "Ciro convida os judeus a voltarem para Jerusa-
Ageu, Zacarias e Mala- lém. Para entender o* livro* de Eadras, e Neemias
recorda a volta á convém saber as datas dos reis persas referido* neles.
•eto de Ciro, de um "Ciro chegou a ser rei da Babilônia em 536 a.C. e
que pôs os alicerces do templo (536 morreu em 528 a.C. Dario chegou a ser rei em 521
a.C. e reinou 36 anos, morrendo em 485 a.C. Artaxer-
xes (chamado Longimanus. porque tinha uma das
tarde, em 458 a.C., Esdraa seguiu e resta- mãos mais comprida do que a outra), começou a rei-
Lei e o ritual. Mas a maior parte do povo, e nar em 465 a.C. e morreu, ou em derembro de 425 ou
muitos doe príncipes, ficaram ainda na Babilônia e janeiro de 424.
na Assíria, onde prosperavam. Estes livros depois do "O* 70 anos de cativeiro, preditos por Jeremias
Cativeiro ocupam-se com esse fraco restante dos que (25.11,12; 29.10) tinham decorrido seu curso. Isaías
tinham o coração voltado para oe interesses divinos. tinha escrito de Ciro, que ele chama o 'pastor' de
" O livro está dividido em duas partes: 1. Do de- Deus (44.28) e 'ungido'de Deus (45.1) 'dizendo tam-
creto de Ciro á dedicação do templo restaurado (1.1 bém a Jerusalém: Sé edificada; e ao templo: Funda-
a 6.22). 2. O ministério de Eadras 7.1 a 10.44" (Sco- te
fitld). "Assim Ciro recorda que o Senhor Deus do Céu o
tinha incumbido de lhe edificar uma casa em Jeru-
ANÁLISE DE ESDRAS salém. lato foi no primeiro ano do seu reinado (536
a.C.)
1. Volta do Cativeiro sob Zorobabel (caps. 1 a 6). "Esdras mesmo não foi a Jerusalém até o sétimo
1.1. A restauração dos judeus (cap*. 1 e 2). ano de Artaxerxe* (Ed 7.7,8). isto é. 78 ano* depois
1.1.1. O decreto de Ciro (cap. I). do decreto de Ciro e 57 depois do* incidentes recor-
1.1.2. A volta dos cativo* (caps.2) dados em Esdras capitulo* 1 a 6.
1.2. A oposição à obra (cap*. 3 e 4). "Neemias não saiu até o vigésimo ano de Arta-
1.2.1. O* sacrifícios renovado*, e oe alicerces xerxe*. isto é. 445 a.C. (Ne 2.1). 91 ano* depoia do
do templo posto* (cap. 3). decreto de Ciro. (O Neemias de Eedraa 2.2 náo é o
1.2.2. O* aamaritano* resistem,e o trabalho mesmo homem.)
pára (cap. 4). "Daniel ainda vivia no terceiro ano de Ciro (Dn
1.3. A dedicação do templo (capa. 5 e 6). 10.1) mas era então um homem muito velho, e não
1.3.1. A indagação de Tatenai, e o decreto de saiu da Babilônia" (Goodman).
Dario (cap. 5).
1.3.2.0 templo completado]e a Páscoa (cap. Capítulo* 2 e 3
6).
2. A volta do Cativeiro sob Esdras (cape. 7 a 10). Os alicerces do templo. "No* livro* da Restaura-
2.1. A proclamação de Artaxerxes (cap. 7). ção de Judá, há seis nome* notáveis para se lembrar.
2.2. A libertação do* judeus (cap. 8). São, segundo Goodman:
2.3. A intercessão de Eadras (cap. 9). 1) Zorobabel (Ed 3.2; 4.2; 5.2) que era o príncipe
2.4. A reforma do povo (cap. 10) - (Scroggie). herdeiro de Judá. embora nunca sentara sobre o tro-

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laén»

no de Devi. Ele veio com oe primeiro® 42.360 exila- 520 a.C. ou 16 anos depois do decreto de Ciro. Então,
dos, e oe 7.337 s e r v o » (Ne 7.66.67) que voltaram da encorajados pelos dois profetas, recomeçam o traba-
Babilônia (536 a.C.). Era governador, e é um dos lho.
dois ungidos de Zacarias 4.11.14. Os antigos adversários náo agem mais, mas o go-
2) Jesua, ou Josué, como se chama em Zacarias vernador Tatenai, havendo investigado o assunto,
3.1, que era o outro ungido, era o sumo sacerdote. escreve uma carta sensata ao rei Dario. na qual cita
3) Zacarias, filho de Ido, é o grande profeta da a resposta dos anciãos de Israel, concluindo por pe-
Restauração de Judá, cujas maravilhosas visões sáo dir ao rei dissesse qual a sua vontade na matéria (v.
recordadas no livro que leva seu nome. Ele e Ageu 17).
animaram o povo a edificar o templo, apesar da opo- O dr. Kirkpatrick explica que o Sesbazar do
sição (6.14). versículo 14 é Zorobabel. Quem escreveu o livro não
4) Ageu, o profeta companheiro de Zacarias, cu- havia de chamar um estrangeiro "príncipe de Judá"
jas palavras estão no livro que leva seu nome. (1.8).
5) Esdras, também um descendente de Aaráo
(7.1,5). Ele veio com um grupo no sétimo ano de Ar- Capítulo 6
taxerxes, rei da Pérsia (459 a.C.), depois de o templo
estar pronto (6.15; 7.1). O rei Dario confirma a ordem de edificar o tem-
6) Neemias, chamado o tirnata. Significa o gover- plo. Visto que o rei deu uma resposta favorável, a
nador. Ele tomou o lugar de Zorobabel. que também obra foi adiante, e a Casa ficou terminada em 515
era chamado o tirsata ou governador Ele chegou com a.C.. no terceiro dia do més de adar, no sexto ano do
mais um grupo. 12 anos depois de Eadraa, e edificou rei Dario. O próximo més era o mês da Páscoa, sendo
a cidade e muro de Jerusalém 445-432 a.C. primeiro més do novo ano (19). Por isao a festa da
Neste capítulo vemos os primeiros chegados do Páscoa seguiu logo depois da dedicação do Templo.
cativeiro. Edificam o altar, compreendendo o valor A oferta de 100 novilhos, 200 carneiros e 400 cor-
do sangue na expiação. e então guardam a festa dos deiros era muito modesta comparada com a de Salo-
tabernáculo®, a última grande festa do ano judaico mão. quando ae ofereceram 22.000 novilhos e 120.000
(Lv 23.34) e põem oe alicerces do templo. Cantaram carneiros (2 Cr 7.5).
as palavras que Jeremias prometera seriam cantadas
na volta do Cativeiro (Jr 33.11).
Capitulo 7
Capitulo 4
Esdras vai a Jerusalém. Devemos reconhecer um
Os adversários. O povo da terra procurou impedir intervalo de 58 anos entre oa capítulos 6 e 7.
a obra de trás maneiras: 1) procurando promover Dario está morto, e Artaxerxes (Longimanus) rei-
uma união fingida (v. 3); 2) por **enfraquecer as na na Pérsia. Ê o sétimo ano do seu reinado, 458
mãos do povo de Judá" (v. 4), isto é, por impedir os a.C., e Esdras obtém licença de ir a Jerusalém.
necessários fornecimentos; 3) por acusações dirigi- Ele, como Neemiaa, pediu licença de ir a Jerusa-
das a Aasuero e Dario. A primeira era a mais sutil e a lém. mas sendo sacerdote seu primeiro interesse foi o
mais perigosa (Scofield). Templo de Deus. Neemias foi para restaurar a cida-
"Duas cartas históricas são incorporadas neste de e edificar os muros.
capitulo nos versículos 6-16 e 17-23. Alguns comen- Notemos que o rei providenciou para aa despesas
tadores consideram os versículos 6-23, como um lon- da missão (21.22); ele exonerou os sacerdotes de tri-
go parêntese, e ligam o versículo 5 com o versículo butos (24). Mandou Esdras apontar magistrados e
24. juizes (25), e por tudo Esdras dá graças a Deus
" A interpretação que havemos de escolher de- (27,28).
pende de como entendemos oe versículos 6 e 7. Se
Assuero é o célebre Xerxes, e se Artaxerxes é Longi-
manus. então oe versículos 6-23 sáo parentéticos. Capitulo 8
Mas se Assuero é Cambises e Artaxerxes é Gaumata,
então o capítulo segue a ordem cronológica. A viagem a Jerusalém (21-36). Esdras enfrentou
"Este capitulo ilustra a atitude dos servos de a viagem com oração, fé e coragem. Ele tinha decla-
Deus ao patrocínio oferecido pelo mundo. O bom ser- rado ao rei a sua confiança em Deus, e por isso teve
viço para Deus não poderá continuar por muito tem- vergonha de pedir uma escolta. Jejuou e fez oração a
po sem oposição. Mas a oposição vem por diversas Deus, e teve certeza de que Deus ouvira a sua peti-
formas. Às vezes, como aqui, vem mediante ajuda ção (33).
oferecida (1,2). Estas pessoas, chamadas 'o* adver- A grande viagem que durou para Esdras quatro
sários de Judá (1). ofereceram seu auxilio, dizendo meses, podia-se fazer hoje por ônibus em poucas ho-
terem a mesma fé (2), mas seu verdadeiro propósito ras.
era corromper o povo e f a x » parar a obra" (Scrog-
gie) Capítulos 9 e 10
Depois a oposição muda de caráter. Os inimigos
escrevem cartas para envenenar a mente do rei. E O jugo desigual. Casamentos com os pagãos fo-
por meio de mentiras conseguem seu fim: "A obra da ram expressamente proibidos na Lei (Dt 7.3.4), mas
casa de Deus... foi interrompida" (v. 24). havia sempre a tendência á transgressão. E ainda
hoje há, de vez em quando, casamentos de crentes
Capítulo 5 com descrentes, de vivos em Cristo com mortos em
pecado.
Oa profetas Ageu e Zacarias animam o povo. A ( Como é do conhecimento geral, aa Assembléias
obra cessou até o segundo ano de Dario, isto é, até de Deus náo aceitam o casamento misto.]

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Eadra* lastima o mal. e em oração eonfe Mas náo conseguiu o seu propósito sem oposição.
como ee fosse dele mesmo (6). Houve certos homens que "se opuseram a uso" (v.
Porém Esdras náo somente lastima o mal, mas 15).
trata de corrigi-lo. Obrigou os malfeitores a renun- Entre os transgressores havia até alguns filho* de
ciar ás suas mulheres estrangeiras (10.11). Jesua (v. 18). um dos chefes dos regressado* (2.2).

157
iVeemias

a torre anoe depois de Ea- não parece mais ser governador, e o povo tem volta-
dra» chegar a Jerusalém. do para seus antigos pecadoa. A narrativa de Nee-
Neemiaa lavou para ali miaa tem eatas circunstâncias para seu fundo.
um grupo de companhei- Podemos resumir o assunto deste livro nas pala-
e restaurou oa muros e vras: Os obreiros de Deus e a sua obra. e com este
a autoridade civil. Eate livro recorda oa aconteci- pensamento podemos considerar cinco pontos prin-
mentos./Tem oito diviafle*: 1. A viagem a Jerusalém cipais:
(1.1 a 2j20). 2. A construção do muro (3.1 a 6.19). 3.
O censo (7.1-73). 4. A revivificação (8.1 a 11.36). 5. O 1)A obra a ser feita. O estado dos judeus e de Je-
censo dos sacerdotes e levitas (12.1-26). 6. A dedica- rusalém, reportado por Hananí (um irmão de Nee-
ção do muro (12.27-43). 7. A restauração do culto do mias), era deveras deplo