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Resistência ao Cisalhamento e Deformabilidade de Solos Residuais da

Região Metropolitana de São Paulo


M. M. Futai
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
M. O. Cecílio Jr.
Bureau de Projetos e Consultoria Ltda., São Paulo, SP, Brasil
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
M. Abramento
CEG Engenharia, São Paulo, SP, Brasil
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

RESUMO: O presente estudo reúne a compilação de dados encontrados sobre os solos residuais da Região
Metropolitana de São Paulo, os quais estão organizados de acordo com a litologia de sua rocha mater. São
apresentados e discutidos resultados de índices físicos e caracterização, granulometria e composição miner-
alógica, microestruturação, permeabilidade, estado de tensões in-situ, envoltória de escoamento, compressi-
bilidade edométrica, módulos de deformabilidade, deformação lenta (fluência) e resistência ao cisalhamento.
Por fim, são discutidas como tais propriedades podem ser influenciadas pela condição não saturada do solo
residual.

1 INTRODUÇÃO dimentares no mundo. Esta opinião já era difundida


por Milton Vargas desde a década de 1950, quando
Este trabalho tem o intuito de reunir as informações escreveu sua tese para Cátedra para a disciplina de
disponíveis sobre o comportamento dos solos resi- Mecânica dos Solos da Escola Politécnica da USP
duais existentes na Região Metropolitana de São (Vargas, 1951).
Paulo. Todavia, não se tem a presunção de serem es- Terzaghi tomou conhecimento sobre os solos re-
tabelecidos regras e padrões de comportamento, mas siduais quando Milton Vargas esteve em Harvard.
sim, pretende-se apresentar um panorama geral do Foi no Brasil que Terzaghi viu pela primeira vez um
conhecimento atual deste tipo de solo. solo tropical. Milton Vargas relatou em entrevista
O histórico de ocupação de grandes cidades se para o e-ABMS (boletim 34 de 2009) o seguinte:
deu principalmente sobre bacias sedimentares, em “Quando eu comentava sobre a diferença do solo du-
busca da proximidade de cursos d’água e de geo- rante as aulas, Terzaghi se interessava, mas o rosto
morfologia plana. Não obstante, em São Paulo, os dele ao tocar o nosso solo dispensou qualquer co-
estudos geotécnicos foram concentrados em sedi- mentário. Sim, ele estava surpreso. Sim, nós
mentos Quaternários, Neógenos e Paleógenos, nas tínhamos um solo diferente. Eles estavam muito
áreas de maior relevância econômica, onde se locali- acostumados com a argila sedimentar de Boston,
zavam as obras de grande porte, importância e noto- mas nunca tinham visto solos tropicais”.
riedade. Atualmente, após a expansão do centro ur- Não foi encontrada uma quantidade de resultados
bano e consequente conurbação dos limites da experimentais suficientes para se formar um banco
cidade, o conhecimento geotécnico dos solos residu- de dados que pudesse ser considerado representativo
ais das periferias e cidades vizinhas começou a se dos solos residuais da Região Metropolitana de São
tornar cada vez mais importante. Paulo.
Na edição de 1992 do livro “Solos da Cidade de O estudo mais detalhado é de 1989, sobre o solo
São Paulo”, foram abordados exclusivamente os so- residual de gnaisse do Campo Experimental da
los da Bacia Sedimentar de São Paulo, razão pela EPUSP, publicado pela ABEF em ocasião do XII
qual este capítulo sobre solos residuais não teve uma ICSMFE. Posteriormente, esses dados foram anali-
base de dados pré-existente a ser revisada e atualiza- sados por Pinto e Nader (1991) e mais recentemente,
da. Cecílio (2009) fez um estudo com técnicas mais
De fato, o estudo dos solos residuais no Brasil modernas nas proximidades do Campo Experimen-
ainda está em um estágio em que não se pode afir- tal.
mar a existência de uma Mecânica dos Solos Resi- Observou-se que a maior parte dos dados coleta-
duais, tal como para as argilas sedimentares satura- dos é de solos residuais de gnaisse, concentrados na
das. Isso porque não existe grande quantidade de zona oeste da cidade de São Paulo.
informação acumulada, se comparado aos solos se- Dispõe-se de parâmetros de resistência de solos
residuais de todas as unidades litológicas presentes duais do interior do Estado de São Paulo e de outros
na Região Metropolitana, porém, o mesmo não se Estados para complementar as análises e correlações
pode dizer dos demais parâmetros. Especificamente, apresentadas neste trabalho. A divulgação de dados
foram escassos os resultados encontrados de ensaios em reduzido número precisa ser realizada com as
de adensamento e de permeabilidade. devidas ressalvas, uma vez que poderia conduzir a
A Tabela 1 apresenta um resumo dos solos anali- generalizações indevidas.
sados, contendo a unidade litológica da rocha matriz Uma característica marcante dos solos residuais é
do solo residual, sua localização, a referência da fon- sua heterogeneidade, notada em resultados de ensai-
te de informação e os parâmetros geotécnicos de ca- os com quantidade significativa de amostras. Os da-
racterização, índices físicos, permeabilidade, com- dos isolados provenientes de um único ensaio, por-
pressibilidade e resistência efetiva. tanto, não devem ser assimilados como indicativo de
As localizações dos solos analisados estão indi- comportamento médio ou representativo. Dessa
cadas no mapa da Figura 1 (a), tendo sido numera- forma, salienta-se que os parâmetros e suas correla-
das pelos algarismos romanos indicados na Tabela 1. ções devem ser utilizados com cautela, por terem si-
Devido à escala do mapa, tais localizações devem do concebidos a partir de informações escassas que
ser tomadas como indicações aproximadas. não representam a totalidade dos solos residuais da
Em razão da limitada quantidade de dados, tam- Região Metropolitana de São Paulo.
bém foram utilizadas informações sobre solos resi-

Tabela 1. Resumo do banco de dados sobre solos residuais da Região Metropolitana de São Paulo.
Valores médios e (desvios-padrão).
________________________________________________________________________________________________________
Identificação Caracterização Índices físicos Permeabilidade Compressibilidade Resistência
________________________________________________________________________________________________________
Gnaisse Argila 40% γnat=16,7,kN/m3 Cc=0,39 c’=34kPa
Vila Anastácio (I) Silte 38% e=1,1 Cr=0,02 φ’=29,3º
Vargas (1951) Areia 22% wL=50% Cc/(1+e0)=0,19
IP=16% σ’vm=130kPa
Gnaisse Argila 8,7% (5,0) γnat=18,3kN/m³ (1,2) 2,7x10-4cm/s Cc=0,3 (0,08) c’=53kPa (28)
(”Migmatito”) Silte 57,7% (6,9) e=0,85 (0,19) a Cr=0,04 (0,012) φ’=26,8º (3,2)
CE-EPUSP (II) Areia 31,4% (6,4) wL=44,4% (5,1) 6,3x10-6cm/s Cc/(1+e0)=0,19 (0,035) φr’=20,4º (2,4)
ABEF (1989) IP=17,1% (3,9) σ’vm=680kPa (310)
Gnaisse silte arenoso γnat=17,4kN/m3 (5,1kN/m3) c’=1 a 71kPa
Real Parque (III) micáceo e=0,78 (0,15) φ’=23,9o (5,9º)
Pellogia (1997) wL=47,6% (13,7%)
IP=17,3% (10,5%)
Gnaisse Argila 13,8%(5,5%) c’=0 a 20kPa
Caxingui (IV) Silte 49,1%(8,7%) wL=28,4%(2,0%) φ’= 26º a 28º
Abramento e Areia 35,1%(3,1%) IP=9,4%(1,0%)
Pinto (1998) Maduro (até 20m)
Gnaisse Argila 0% Não Plástico c’= 24kPa
Caxingui (IV) Silte 63,2%(6,5%) φ’= 28,5º
Abramento e Areia 36,8%(6,5%)
Pinto (1998) Jovem (20 a 30m)
Gnaisse γnat=19,0kN/m3 (0,9kN/m3) Cc=0,18 (0,04) c’=34kPa (23kPa)
Morumbi (V) e=0,53 (0,07) Cc/(1+e0)=0,11(0,019) φ’=36,5° (1º)
EPT (2004) σ’vm=570kPa(115kPa)
Gnaisse Argila 5,3% (0,6) γnat=18,9kN/m³ (1,2) c’=14kPa (12)
Pinheiros (VI) Silte 28,3% (12,0) e=0,68 (0,13) φ’=36,2º (10,6°)
Futai e Areia 50,3% (13,8) wL=35,3% (0,4) φr’=29,5º (8,4°)
Gonçalves (2007) IP=5,4% (0,8)
Gnaisse Argila 18% (12,1%) γnat=17,0kN/m3 (1,0kN/m3) c’=30kPa (17,4kPa)
Rodoanel-Sul (VII) Silte 34,2% (9,2%) e= 0,84 (0,20) φ’=31,7o (3,1º)
EPT (2007) Areia47,6% (7,1%) wL=49,5% (9,7%)
IP=24,4% (6,8%)
Gnaisse Argila 10% γnat=20,4kN/m³ 1,7x10-6cm/s Cc=0,21 c’=37,3kPa
Caxingui (IV) Silte 42% e=0,60 Cr=0,06 φ’=26,2º
Cecílio (2009) Areia 40% wL=47,3%% (5,1) Cc/(1+e0)=0,13
Jovem (36m) IP=20,0% (3,9) σ’vm=370kPa
________________________________________________________________________________________________________
(continua)
Tabela 1. Resumo do banco de dados sobre solos residuais da Região Metropolitana de São Paulo.
Valores médios e (desvios-padrão).
________________________________________________________________________________________________________ (continuação)
Identificação Caracterização Índices físicos Permeabilidade Compressibilidade Resistência
________________________________________________________________________________________________________
Gnaisse Argila 43% γnat=16,3,kN/m3 c’=39 kPa (20kPa)
Santo André (VIII) Silte 17% e=1,2 φ’=30o (4,4º)
Lima (2009) Areia 40% wL=52%
IP=22%
Gnaisse Argila 44% γnat=18,3,kN/m3 c’=23 kPa (10kPa)
Osasco (IX) Silte 14% e=0,83 φ’=34,4o (5,2º)
Lima (2009) Areia 42% wL=55%
IP=23%
Gnaisse Argila 15% γnat=15,kN/m3 c’=14-34kPa
Jandira (X) Silte 53% e=1,18 φ’=29º
Futai (2010) Areia 32% wL=68%
IP=26%
Gnaisse γnat=18,6,kN/m3 c’=164 kPa
Av. Santo Amaro (XI) e=0,81 φ’=23,9o
EPT (2010) γnat=17,3,kN/m3 c’=45kPa
e=0,78 φ’=31,1
Gnaisse granítico Argila 5 a 30% γnat=16,1kN/m3 (0,3kN/m3) Cc=0,46 c’=0 a 50kPa
Interior de SP Silte 25 a 50% e=1,05(0,16) Cr=0,03 φ’=27,6º a 31,2º
Pinto et al. (1993) Areia 20 a 70% wL=47,5%(1,2%) σ’vm=218
IP=21,64%(1,7%)
Granito Argila 40% γnat=16,7kN/m3 Cc=0,39 c’=34kpa
Mandaqui (XII) Silte 38% e=1,1 Cr=0,02 φ’=29,3º
Vargas (1951) Areia 22% wL= 68% Cc/(1+e0)=0,19
IP=26% σ’vm=130kPa
Granito Argila 45% γnat=18,9kN/m3 Cc=0,27 c’=16,5kPa
Vila Albertina (XIII) Silte 20% e=0,81 Cr=0,07 φ’=30,1º
Godóis (2011) Areia 34% wL= 63% Cc/(1+e0)=0,15 φr’=29,7º
IP= 40,6% σ’vm=130kPa
Granito Argila 10 a 55% γnat=15,5kN/m3 (1,1kN/m3) Cc=0,34 c’=11,3 a 15,9kPa
Interior de SP Silte 20 a 30% e=1,18(0,17) Cr=0,05 φ’=27º a 33º
Pinto et al. (1993) Areia 25 a 60% wL=54,2%(7,4%) Cc/(1+e0)=0,17
IP=20,2%(6,0%) σ’vm=170
Filito silte areno γnat=17,4kN/m3 (5,1kN/m3) paralela xistosidade: c’=15kPa
Tremembé (XIV) argiloso e=0,78 (0,15) φ’=29º
Pellogia (1997) wL=48% perpendicular xistosidade: c’=44kPa
IP=16% φ’=30º
Filito Argila 15% a 77% γnat=18,7kN/m3 (0,4kN/m3) Cc=0,20 c’=5 a 60kPa
Interior de SP Silte 15% a 73% e=0,94(0,1) Cr=0,02 φ’=24º 32º
Pinto et al. (1993) Areia 8 a 12% wL=68,9%(17,2%) Cc/(1+e0)=0,12
IP=34,4%(11,1%) σ’vm=850kPa
Quartzo-micaxisto Argila 13% γnat=17,8kN/m3 Cc=0,22 c’=32kPa
São Mateus (XV) Silte 52% e=0,76 1,2 x 10-4 Cr=0,05 φ’=35kpa
Franch (2008) Areia 35% Cc/(1+e0)=0,13
wL= 40% σ’vm=100kPa
IP=4%
Micaxisto Argila 6% γnat=19,6kN/m3 Cc=0,40 c’=15kPa
Av. Água Espraiada Silte 24% e=0,97 Cr=0,10 φ’=30o
Yoda (2000) (XVI) Areia 70% Não Plástico Cc/(1+e0)=0,20
σ’vm=100kPa
Micaxisto Argila2% a 12% γnat=187kN/m3 a 22,5kN/m3 Cc=0,53 c’=0 a 40kPa
Interior de SP Silte 18% a 48% e=0,55 a 0,98 Cr=0,02 φ’=30º a 31º
Pinto et al. (1993) Areia 40% a 80% wL=51,2% (0,6%) Cc/(1+e0)=0,5
IP=24,4%(3,2%) σ’vm=540kPa
________________________________________________________________________________________________________
2 ASPECTOS GEOLÓGICOS-GEOTÉCNICOS ropolitana em relação ao seu embasamento cristali-
no. Nesta mesma figura indicou-se a localização
aproximada das amostras estudadas neste trabalho,
2.1 Embasamento cristalino cuja numeração foi apresentada na Tabela 1.
A ocorrência dos solos residuais na Região Metro- Durante a era Neoproterozóica (Pré-Cambriano),
politana de São Paulo está intimamente ligada ao terrenos distintos foram justapostos por um processo
embasamento cristalino que os originou e, conse- tectônico, que resultou em um complexo conjunto de
quentemente, à sua história geológica. falhas transcorrentes, atualmente com orientação
O mapa geológico da Figura 1 (a) apresenta a lo-
calização dos municípios integrantes da região met-

Terreno
Terreno
Socorro-Guaxupé
Apiaí
N

NE
Terreno
Embu

ha
Fal uvira
di
Jun XIV
XII
XIII
I
X IX II VI
IV
V
Falha III XV
Terreno
ara XVI
Taxaqu i XI VIII
Serra do Mar
Jaguar
VII

a
Falh aia
uc
Ca

LEGENDA

Sedimentos Cenozóicos

Granitóides intrusivos
Falha 0 10 20 30
o km Terreno Apiaí :
Cubatã escala gráfica
Terreno Embu :
Filitos Gnaisses
SW

Xistos Xistos
a) Mapa geológico da Região Metropolitana de São Paulo

NE SW
Santana Av. Paulista
800
Rio Pinheiros

Falha
Taxaquara
Jaguari
Rio Tietê

750
Elevação (m)

700

Terreno Terreno
Apiaí Embu
sem escala
650
b) Seção esquemática NE-SW do embasamento da Região Metropolitana de São Paulo

Figura 1. Localização dos principais litotipos presentes na região metropolitana de São Paulo. Mapa modificado a partir de
Coutinho (1981), Juliani (1992), Heilbron (2004) e Perrota et al. (2005). Seção esquemática modificada a partir de Vargas (1980),
Riccomini e Coimbra (1992) e Vargas (1992).
predominante ENE-WSW e aproximadamente par- sendo de gnaisses migmatíticos (bandados).
alelas à costa do sudeste brasileiro. No contexto da De modo simplificado, podem ser encontrados
região metropolitana, o embasamento cristalino é solos residuais resultantes da alteração de xistos e
formado pelo Terreno Apiaí (Grupos São Roque e filitos a norte do rio Tietê (Guarulhos, Cajamar,
Serra do Itaberaba) e pelo Terreno Embu (Complexo Mairiporã e zona norte de São Paulo), de gnaisses e
Embu), separados pela Falha Taxaquara-Jaguari, de xistos a sul (Embu, Taboão da Serra, São Bernardo,
acordo com Perrota et al. (2005). Santo André, Mauá e Mogi das Cruzes) e de granitos
Durante o período Paleógeno, novos eventos sís- por toda a região metropolitana (Serra da Cantareira
micos reativaram as falhas do embasamento e en- e Parelheiros, na cidade de São Paulo).
cadearam um deslocamento normal (mecanismo de Apesar de alguns locais da Bacia Sedimentar de
graben), como ilustrado na seção esquemática da São Paulo apresentarem sedimentos a até 300 metros
Figura 1 (b), ocasionando abatimento de blocos de profundidade, em alguns outros é possível encon-
desde a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, pas- trar solos residuais do Complexo Embu relativamen-
sando por São Paulo e se estendendo até Curitiba no te rasos, como nas bordas da bacia e nos locais onde
Paraná, gerando o Rift Continental do Sudeste Bra- o embasamento está mais superficial ou aflorante
sileiro, conforme Riccomini (1989). (Pacaembu, Vila Prudente e Avenida dos Bandei-
Por apresentarem o mesmo tipo de formação geo- rantes).
lógica, São Paulo e Curitiba são conhecidas como Além de depósitos tecnogênicos e de solos aluvi-
“twin cities”. onares quaternários ao longo das várzeas dos rios e
Esta depressão formada foi então preenchida du- córregos, também podem ser encontradas sobre os
rante o período Cenozóico com depósitos sedimen- solos residuais porções isoladas de solos
tares de idades Paleógena-Neógena e Quaternária, paleógenos-neógenos correlatas à Bacia Sedimentar
conforme Riccomini et al. (2004). Na região de in- de São Paulo, em áreas externas à sua delimitação.
teresse, estes depósitos conformam atualmente a Ba-
cia Sedimentar de São Paulo, limitada a norte de
modo bem delineado pela falha Taxaquara-Jaguari e 2.2 Os horizontes de solo residual
a sul de forma sinuosa pelo relevo do Terreno Embu. A Mecânica dos Solos foi inicialmente concebida
O Grupo Serra do Itaberaba é composto por ro- tendo como base o conhecimento sobre solos sedi-
chas metavulcanossedimentares, principalmente xis- mentares de países de clima temperado, principal-
tos e metarenitos, além de metacalcáreos. O Grupo mente na Europa e na América do Norte. Nos países
São Roque também é constituído por metamorfis- de clima tropical, entretanto, a ocorrência de solos
mos de rochas vulcânicas e sedimentares, todavia residuais é mais pronunciada.
com um menor grau de metamorfismo, predominan- Em região tropical, os valores elevados de tem-
do filitos (Juliani, 1992). peratura e precipitação média são responsáveis por
O Complexo Embu é uma unidade bastante het- um intemperismo físico-químico-biológico mais in-
erogênea, na qual se destacam gnaisses biotíticos, tenso do que nas regiões frias e secas, resultando em
migmatíticos (bandados), e graníticos (ortognaisses), um perfil de alteração com presença de solo residual
além de metassedimentos (xistos e metarenitos). As a grandes profundidades. É importante ressaltar que
rochas metamórficas e seus solos de alteração nem todo solo tropical é residual, nomenclaturas, al-
apresentam estruturas aproximadamente paralelas às gumas vezes, usadas erroneamente como sinônimos.
zonas de cisalhamento, possuindo forte mi- Para questões de projeto, é interessante subdividir
lonitização nas regiões mais próximas às falhas o perfil de alteração do solo residual em camadas, a
(Heilbron et al., 2004). fim de designar a elas propriedades distintas. Algu-
Além destes Grupos litológicos, um intenso mas tentativas de padronização destas subdivisões
magmatismo foi responsável pela intrusão de gran- foram realizadas, como exemplo a definida por
itos em ambos os Terrenos, Embu e Apiaí. Deere e Patton (1971), que serviu como base para os
O mapa geológico apresentado simplifica o com- horizontes apresentados inicialmente por Vargas
plexo embasamento cristalino em unidades litológi- (1980) e reiterados por Pastore e Fontes (1998). A
cas nas quais predominam gnaisses, xistos, filitos e Companhia do Metropolitano de São Paulo, possu-
granitos. Localmente, outros litotipos de rochas indo obras de escavação inseridas em maciços de so-
metassedimentares podem ser encontrados, como os los sedimentares e residuais em uma área que
metarenitos e metacalcáreos, todavia em porções re- abrange grande parte da Região Metropolitana,
stritas difíceis de serem mapeadas na escala apresen- desenvolveu nomenclatura própria baseada em
tada. Kutner e Bjornberg (1997). Apesar da existência
Dados sobre solos residuais de migmatito do destas padronizações, é comum encontrar variações
campo experimental da USP (Terreno Embu) foram de nomenclaturas que descrevam os horizontes de
apresentados por ABEF (1989) e Pinto e Nader alteração.
(1991). Todavia, conforme discussão apresentada Esta padronização das classificações é fundamen-
por Pellogia (1997), estes dados serão tratados como tal para possibilitar correlações e comparações de
dados entre autores e locais distintos. Todavia, mais A seguir é apresentada discussão sobre estes
importante ainda é o consenso das diferenças de fatores, além da caracterização dos solos residuais e
propriedades entre cada horizonte. do estudo de sua permeabilidade.
Para a prática atual, ao menos em relação aos pro-
jetos, a subdivisão do maciço de solo residual em
3.1 Microestrutura e mineralogia
horizontes distintos é norteada pelo agrupamento em
faixas dos valores de NSPT. Idealmente, dever-se-ia A estrutura do solo foi definida por Leroueil e
subdividi-lo, pelo menos, em função de sua textura e Vaughan (1990) como a combinação do efeito do ar-
granulometria, adicionalmente ao NSPT. ranjo das partículas e da cimentação.
O presente trabalho não tem a presunção de ditar As alterações físico-químicas dos minerais e a
quais seriam os melhores termos a serem utilizados. lixiviação dos materiais assim formados aumentam a
Contudo, com o intuito de explicitar a subdivisão do porosidade do solo residual formado neste processo.
perfil de alteração considerada para este estudo, Os diferentes graus de intemperismo da rocha são
apresenta-se a descrição dos três horizontes consid- responsáveis pela diferenciação da microestrutura
erados: existente no solo, sendo ela de modo geral menos
▪ o solo residual maduro, ou solo laterítico, que preservada em solos maduros.
não apresenta texturas reliquiares da rocha Todavia, o efeito da cimentação por depósito de
originária, é mais homogêneo e possui maior teor de óxidos de ferro, processo conhecido como later-
argila; ização, se acentua em horizontais superficiais, acima
▪ o solo residual jovem, ou solo saprolítico, que do lençol freático. Deste modo, solos residuais ma-
apresenta menor evolução pedológica, possui menor duros podem apresentar cimentação entre partículas,
teor de argila e preserva estruturas remanescentes o que altera a estrutura do solo em comparação com
(foliação e descontinuidades); e horizontes menos intemperizados.
▪ o saprólito, ou solo de transição, que possui ma- Algumas propriedades geotécnicas podem ser in-
ior teor de areia e apresenta matacões e fragmentos fluenciadas pela estrutura existente entre as partícu-
de rocha, sendo normalmente detectado somente por las do solo, sofrendo forte dependência da qualidade
prospecção rotativa com baixa recuperação, e não da amostragem. A perda de estruturação pode chegar
por sondagens a percussão. a ser completa no caso de remoldagem da amostra.
Observa-se uma predominância da fração silte A forma mais direta de visualizar a microestru-
nos perfis de alteração. Salienta-se que a mudança tura do solo é através da microscopia eletrônica de
entre horizontes é gradativa, sendo sua divisão varredura (MEV), com a qual o solo pode ser foto-
difícil de determinar, por vezes variando de acordo grafado com ampliação que permita observar o ar-
com o avaliador. ranjo das partículas, cimentações e até mesmo iden-
O termo “laterítico”, referente ao solo residual tificar alguns minerais.
maduro, deve ser utilizado com cautela. A later- As únicas imagens de MEV encontradas para so-
ização é um processo de evolução pedológica, los residuais indeformados da Região Metropolitana
usualmente relacionada ao depósito de óxidos entre de São Paulo foram obtidas por Cecílio (2009),
as partículas do solo, resultando em uma coloração apresentadas na Figura 2, referentes a um solo resid-
alaranjada ou avermelhada. Este processo não é ex- ual jovem silto-arenoso, de biotita-gnaisse mi-
clusivo de solos residuais, existindo também solos lonitizado. O solo estudado foi coletado da frente de
transportados lateríticos. escavação do túnel Caxingui-Morumbi, da Linha 4-
O saprólito, material de transição entre solo e ro- Amarela do Metrô-SP, na zona oeste da cidade de
cha, é de difícil representação geomecânica, uma vez São Paulo.
que possui blocos de rocha sã envoltos por solo, Cecílio (2009) notou um reduzido volume de va-
apresentando comportamento intermediário de meio zios, característico do baixo grau de alteração do so-
contínuo e descontínuo. lo residual jovem. Na Figura 2 (a), observa-se que as
partículas de tamanho silte são de mica biotita, de
formato placóide. A fração silte encontra-se envolta
3 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS por uma massa argilosa, ampliada na Figura 2 (b),
composta principalmente pelo argilo-mineral mica
Baseada no conhecimento sobre solos sedimentares, biotita, resultado da alteração do silte. Não foi ob-
a Mecânica dos Solos tradicional utiliza a variação servada cimentação entre as partículas, sendo a mi-
da densidade do solo (índice de vazios) e seu histó- croestrutura do solo formada pelo empilhamento de
rico de tensões para compreender e justificar seu placas micáceas, interconectadas por conglomer-
comportamento. Para os solos residuais, entretanto, ações argilosas.
seu comportamento pode ser governado pelas carac-
terísticas remanescentes da rocha mater, como a
mineralogia, o tamanho e o formato das partículas e
a microestrutura.
A ausência de cimentação novamente acentua a
observação do solo não ser evoluído pedologicamen-
te.
Na Figura 3 estão apresentadas imagens de MEV
de solos residuais de gnaisse de Ouro Preto, obtidas
por Futai (2002), que possibilitam visualizar as
diferenças de estruturação existentes entre os distin-
tos graus de alteração do solo.
Observa-se na imagem do solo residual maduro
laterizado, Figura 3 (a), uma massa amorfa com vol-
ume de vazios bem expressivo, não sendo possível
identificar as partículas de silte ou argila. Este solo
laterizado apresenta estrutura porosa conformada por
grãos envoltos por grumos e pontes de argila, com
a) fração silte
cimentação por argilo-minerais e óxidos, de caráter
metaestável.
O solo residual maduro da Figura 3 (b), ao con-
trário, apresenta pouca ou nenhuma cimentação,
sendo possível observar o entrosamento entre as par-
tículas argilosas, placas de caulinita.
A imagem do solo residual jovem, Figura 3 (c),
permite observar os detalhes do empilhamento da
caulinita de tamanho silte. Nota-se a formação de
vazios inter-partícula, que retrata a fase inicial de
seu processo de alteração, o qual poderá promover a
divisão do empilhamento das caulinitas em outras de
tamanho menor. Nenhum mecanismo de cimentação
foi observado.
A imagem da Figura 3 (d) é referente a um solo
residual jovem, exposto na parede de uma voçoroca.
b) fração argila Por sua exposição, este solo encontra-se mais altera-
do do que o da Figura 3 (c). As placas de caulinita
Figura 2. Microscopia eletrônica de varredura de solo residual
de gnaisse, a partir de Cecílio e Futai (2008).
formam pilhas e arranjos intertravados, sem nenhu-
ma cimentação.
As imagens de MEV obtidas por Futai (2002) e
Cecílio (2009) demonstraram como a conformação
dos vazios em solos residuais é bem diferente daque-
la relativa ao arranjo de partículas dos solos trans-
portados. Para a análise da porosidade destes solos,
as partículas de formato planar precisam ser consid-
eradas tridimensionalmente. Os macroporos são
formados pelo contato das placas em diferentes dire-
10µm 10µm ções, enquanto que os microporos dependem dos es-
1000x 1000x paços entre as placas empilhadas. No caso das argi-
a) residual maduro laterizado b) residual maduro las lateríticas, se formam pacotes de agregações de
argilas que geram solos com dupla porosidade.

3.2 Índices físicos e caracterização


As curvas granulométricas e os dados de limites de
Atterberg de solos residuais presentes em literatura
foram reunidos segundo a litologia da rocha original
10µm 10µm (gnaisses, granitos, filitos e xistos) e estão resumidos
1000x 1000x na Figura 4, cujas informações mais detalhadas para
c) residual jovem d) residual jovem exposto cada solo podem ser consultadas na Tabela 1. Tam-
bém foram incluídos resultados de Pinto et al.
Figura 3. Microscopia eletrônica de varredura de solo residual (1993), sobre solos residuais do interior do Estado
de gnaisse, a partir de Futai (2002).
de São Paulo, para complementar as informações
das litologias com menos dados.
Areia Pedregulho
ABNT Argila Silte Fina Grossa
Média Fino Médio Grosso
Peneiras: 270 200 100 60 40 30 20 10 4 3/8 1/2 3/4 1 11/2 2 3
100 50
(a) Gnaisse (b) Gnaisse e

wL = 50%
90

ìndice de Plasticidade, IP (%)


80 40
Percentagem passando

0)
70

L -2
Campo Experimental

(w
60 da USP - Butantã (ABEF, 1989) 30

58
0,
50 Estação Caxingui (até 30m)

=
(Pinto e Abramento, 1998)

IP
40 20
Estação Caxingui (35m)
30 (Cecílio Jr, 2009)
Rodoanel (EPT, 2007)
20 10
Jandira (Futai, 2010)
10 Caxingui Vila Anastácio (Vargas, 1951)
20 a 30m
0 0
0.001 0.01 0.1 1 10 0 20 40 60 80 100
100 50
(d) Granitos

wL = 50%
90 (c) Granitos

ìndice de Plasticidade, IP (%)


80 40
Percentagem passando

70

60 30

50

0)
L -2
(w
40 Mandaqui 20

58
(Vargas, 1951)

0,
30

=
Vila Albertina

IP
20 (Godóis, 2011) 10
Interior de SP
10
(Pinto et al., 1993)
0 0
0.001 0.01 0.1 1 10 0 20 40 60 80 100
100 50
(f) Filito
wL = 50%

90 (e) Filito

ìndice de Plasticidade, IP (%)


80 Tremembé: silte arenos argiloso
40
(sem curva granulométrica)
Percentagem passando

70

60 30

50
0)
L -2
(w

40 20
58
0,

30
=

Tremembé - Siricita filito


IP

20 (Pellogia, 1997) 10
Interior de SP
10 (Pinto et al., 1993)
0 0
0.001 0.01 0.1 1 10 0 20 40 60 80 100
100 50
wL = 50%

90 (g) Xistos (h) Xistos


ìndice de Plasticidade, IP (%)

80 40
Percentagem passando

70
0)
L -2
(w

60 30
58
0,

50
=
IP

Micaxisto (Yoda, 2000)


40 20
Av. Água Espraiada
30
Quarto-xisto
20 São Mateus (Franch, 2008) 10
Interior de SP
10 (Pinto et al.,1993)
0 0
0.001 0.01 0.1 1 10 0 20 40 60 80 100
Diâmetros das partículas (mm)
Limite de liquidez, wL (%)

Figura 4. Curvas granulométricas e cartas de plasticidade para os diferentes solos residuais em estudo.
Dispõe-se de mais dados de caracterização para O índice físico que melhor representa as carac-
solos residuais de gnaisse, Figura 4 (a), os quais terísticas mecânicas e hidráulicas do solo residual é
apresentam teor de argila menor que 30% e predom- o índice de vazios. Na medida em que o solo é mais
inância de silte ou areia. O índice de plasticidade alterado pelo intemperismo, ele se torna mais po-
(IP) destes solos varia entre 10% e 40%. Quando roso. Os solos residuais maduros tendem a apresen-
estão pouco alterados (solos jovens) podem não tar uma condição mais homogênea e menos ani-
conter argila e não apresentar plasticidade. sotrópica, porém, a distribuição espacial de
Há pouca informação dos solos residuais de gran- porosidade pode ser mais heterogênea do que no so-
ito (uma amostra do Mandaqui e outra da Vila Al- lo jovem.
bertina), de filito (apenas uma amostra do Tremem- O peso específico dos grãos reflete a média das
bé) e de xisto (micaxisto da Av. Água Espraiada e densidades dos minerais que constituem o solo. Na
quartzo-xisto de São Mateus), cujos dados podem análise dos solos residuais apresentados na Tabela 1,
ser vistos na Figura 4 (c,d), (e,f) e (g,h), respectiva- observou-se uma faixa de variação pequena
mente. Em termos granulométricos e de plasticidade, (26,5 kN/m³ a 27,5 kN/m³), devida à pouca variação
esses solos são semelhantes aos que ocorrem no in- litológica.
terior do Estado de São Paulo, conforme se observa Apresenta-se na Figura 5 o perfil de propriedades
na Figura 4. do solo residual de gnaisse do Campo Experimental
As variações da curva granulométrica e da carta da EPUSP, obtido a partir da execução de três poços,
de plasticidade para uma mesma litologia podem ser incluindo resultados de sondagens a percussão. A
explanadas pelos diferentes graus de alteração das comparação permite identificar a variação das pro-
amostras analisadas. priedades com a profundidade e também a própria
Os minerais primários nos países de clima tropi- heterogeneidade do solo.
cal se alteram com uma velocidade maior que nos Na Figura 5 (b), verifica-se que o índice de vazios
países de clima temperado, o que gera perfis de al- reduz com a profundidade, assim como sua varia-
teração mais espessos. bilidade. O índice de vazios é o reflexo direto da es-
O grau de alteração do solo tende a ser maior em trutura formada pelo arranjo das partículas, como
superfície e se reduzir em profundidade. Entretanto, discutido no item anterior.
esse raciocínio linear nem sempre é válido, pois a O peso específico natural, Figura 5 (c), apresenta
variação espacial do intemperismo é função da het- tendência de aumento com a profundidade, todavia
erogeneidade da rocha, das condições de drenagem e também com diminuição de sua variabilidade.
da própria topografia. O nível freático no Campo Experimental da
Conforme já discutido, os solos residuais são ca- EPUSP está a 15 m de profundidade e, por isso, o
racterizados por uma possível heterogeneidade grau de saturação obtido foi em geral abaixo de 90%
herdada da rocha matriz, além da anisotropia e para profundidades de até 10 m, como observado na
feições geológicas, como descontinuidades e fo- Figura 5 (d), com tendência de aumento para a total
liações. saturação abaixo do nível freático.

SPT Índice de vazios γnat (kN/m3) S (%) Limites (%) Composição granulométrica (%)
0 15 30 45 0.6 0.9 1.2 1.5 16 18 20 60 70 80 90 20 40 60 0 20 40 60 80 100
0 0
coluvio
1 1

2 2
argila

areia
Profundidade (m)

3 3
IP
4 (a) (b) (c) (d) (e) (f) 4
silte

5 5

6 wL 6
wP
7 7
NA=15m

8 8

9 9
Campo Experimental EPUSP - Butantã - dados ABEF (1989) Poço I Poço II Poço III

Figura 5. Perfil das propriedades geotécnicas do Campo Experimental da EPUSP, ABEF (1989).
A composição granulométrica dos solos residuais influencia a condutividade hidráulica, sendo que o
depende da composição da rocha matriz e também reduzido tamanho das partículas e a presença de
do grau de alteração. Solos menos alterados, da água adsorvida dificultam a percolação d’água pelos
mesma rocha, têm proporção de argila menor, razão poros. Entretanto, percebe-se que a permeabilidade
pela qual os solos maduros são mais argilosos que os não depende exclusivamente do índice de vazios, da
jovens. Como exemplo, podem ser citados os re- porosidade ou da quantidade de finos presentes no
sultados obtidos por Pinto e Abramento (1998) em solo, mas também da estruturação das partículas (ar-
amostras de um solo residual de gnaisse coletadas a ranjo e cimentação). Mais importante do que a quan-
diferentes profundidades no Poço Caxingui, da Lin- tidade de vazios no solo, a distribuição e interconec-
ha 4 do Metrô-SP. Observou-se a presença de solo tividade dos poros são os fatores de maior
maduro até 20 m de profundidade, com média de importância para a permeabilidade.
13,8% de teor de argila, ao passo que o solo jovem Cecílio (2009) determinou coeficientes de perme-
subjacente foi caracterizado como não plástico e abilidade para amostras indeformadas de um solo re-
com teor de argila nulo (Tabela 1). sidual jovem de gnaisse e também para uma amostra
Uma das características dos solos residuais tropi- remoldada do mesmo solo, desestruturada e colo-
cais é a presença de argilominerais na fração silte, o cada acima do limite de liquidez, com aspecto de
que faz com que solos com pouca argila apresentem lama. Assim como obtido por Vargas (1978), a per-
certa plasticidade. Um exemplo típico dessa tendên- meabilidade determinada para a amostra remoldada
cia é o solo do Campo Experimental da EPUSP, tal foi muito menor do que para a amostra natural,
como mostrado na Figura 5 (e) e (f). Em geral, os devido à perda dos caminhos de percolação decor-
solos são pouco plásticos e não são ativos porque o rentes da estruturação das partículas. Isto reflete a
argilomineral predominante possui formato de placa, importância da estrutura natural do solo.
como a caulinita e a mica. Essas características A Figura 6 apresenta os valores de coeficiente de
fazem com que o índice de atividade de Skempton permeabilidade de solos residuais da Região Metro-
não funcione bem para os solos residuais, pois é co- politana de São Paulo. Percebe-se que os solos têm
mum encontrar solos com pouca argila que tenham diferentes faixas de permeabilidade variando com o
valor de IP associado com a plasticidade da fração índice de vazios, demonstrando que além deste
silte. De qualquer forma, os limites de Atterberg não índice físico, a condutividade hidráulica também é
têm a mesma utilidade e aplicação prática para os influenciada pela composição granulométrica e min-
solos residuais como para os sedimentares, tal como eralógica do solo e pela estruturação existente (ar-
na caracterização de argilas moles. ranjo e cimentação das partículas, incluindo dis-
tribuição e interligação entre os poros e microporos),
tal como discutido no item de microestrutura do so-
3.3 Permeabilidade lo.
Valores de coeficiente de permeabilidade obtidos em Dentre todos os parâmetros geotécnicos, a condu-
laboratório são comumente criticados quanto ao fato tividade hidráulica é a que normalmente apresenta
dos corpos de prova não representarem toda a heter- maior dispersão de valores. Analisando-se os dados
ogeneidade, anisotropia, xistosidades, fissuras e encontrados para os solos residuais, observam-se
outras características encontradas em campo, rema- valores variando de 10-3 a 10-7 cm/s.
nescentes da rocha original. Entretanto, as condições
de ensaio são mais bem estabelecidas, resultando em 10-2
uma caracterização mais bem controlada, inde-
pendente das variações de campo. 10-3 III
Permeabilidade, k (cm/s)

I
A permeabilidade de solos intactos pode ser de-
terminada em laboratório por meio de permeâmetros 10-4
II IV
convencionais ou de parede flexível e por ensaios
edométricos com carga hidráulica variável. 10-5
Ao serem realizados ensaios de permeabilidade
em campo, utilizando-se cavas, furos, Gelph ou 10-6
bombeamento, a direção do fluxo não pode ser to- Gnaisse - Campo Exp. EPUSP (ABEF, 1989)
Gnaisse - Caxingui (Cecílio Jr., 2009)
talmente controlada. Nestes casos, o fenômeno é ca- 10-7 Gnaisse - Ouro Prero (Futai, 2002)
Granito - Vila Albertina (Godóis, 2011)
racterizado por um fluxo tridimensional, composto Quartzo-xisto - São Mateus (Franch, 2008)
por contribuições horizontal e vertical que depen- 10-8
dem da anisotropia do maciço e do formato e di- 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2 2.2
Índice de vazios
mensões da cava ou furo.
A variação da permeabilidade saturada com o es- Figura 6. Variação da permeabilidade saturada com o índice de
tado do solo é bem conhecida: a diminuição do vazios.
índice de vazios torna o solo menos permeável. Foram incluídos na Figura 6 resultados obtidos
Além disso, a porcentagem de fração argila também por Futai (2002), para solos residuais de Ouro Preto
e faixas de valores para solos residuais de diferentes te é considerada como a principal propriedade a ser
localidades. A partir destes resultados e de outros so- determinada, talvez pelo fato de estar associada à
los residuais brasileiros, Futai (2002) sugeriu faixas ruptura das obras (capacidade de carga, estabilidade,
distintas em função da gênese dos solos, sendo: segurança). Entretanto, a deformabilidade dos solos
I) Solos porosos argilosos, maduros, possuindo muitas vezes é fator determinante para projeto, sen-
menor permeabilidade que solos do horizonte C com do que o estado limite de serviço da obra pode ser
mesmo índice de vazios. O IP é, em geral, maior que alcançado antes do estado limite último. Como ex-
25% e a fração de argila maior que 50%; emplos, podem ser citadas as escavações sub-
II) Solos saprolíticos siltosos, micáceos, com IP terrâneas, que podem causar danos inaceitáveis às
menor que 20%; estruturas na superfície, e os casos de obras que so-
III) Solos saprolíticos arenosos, não-plásticos e brecarregam o solo promovendo recalques elevados,
com teor de argila menor que 10%; sem o levar à condição de ruptura, como aterros e
IV) Comportamento particular, solos residuais fundações.
saprolíticos de granito e solos coluvionares, ambos A seguir são apresentadas discussões sobre en-
arenosos. voltórias de escoamento de solos residuais, além de
Pinto et al. (1993) apresentaram alguns dados de serem apresentados dados encontrados sobre com-
permeabilidade de solos residuais do interior do Es- pressibilidade edométrica e módulos de deforma-
tado de São Paulo e também de um solo residual de bilidade, sendo também discutida a influência do
gnaisse (migmatito) da Região Metropolitana de São tempo no comportamento destes solos.
Paulo, listados na Tabela 2. Em comparação com os
resultados da Figura 5, esses solos apresentam carac-
terísticas semelhantes aos da Região Metropolitana. 4.1 Envoltória de escoamento
Nota-se que a anisotropia de condutividade hidráuli- A deformabilidade dos solos sempre está associada à
ca (kh/kv) apresentada não gerou informações con- alteração do seu estado de tensões. Em muitas obras,
clusivas. Contudo, o valor menor ou maior que a un- tais como fundações, é prática corrente impor um
idade depende das orientações das descontinuidades valor limite para o recalque, abaixo do qual poderia
que condicionam o fluxo. se considerar um comportamento pseudo-elástico
para o solo. Nos casos em que o nível de deformação
Tabela 2. Resultados médios de permeabilidade para solos re- é mais elevado, deformações elastoplásticas podem
siduais (Pinto et al., 1993).
__________________________________________________ ocorrer. Em ambas as condições, é preciso saber o
Solo e kv (cm/s) kh/kv
__________________________________________________ limite elástico do solo, a partir do qual ele passa a
Filito 0,87 5,6 x 10-5 3,2 apresentar deformações parcialmente irrecuperáveis.
Gnaisse 1,21 5,7 x 10-3 0,1 Tal limite pode ser melhor interpretado com o
Granito 1,25 7,0 x 10-4 5,0 conhecimento da curva de escoamento do solo.
Micaxisto 0,79 2,0 x 10-3 0,1
Migmatito 1,09 1,1 x 10-4 2,4
A envoltória de escoamento delimita a região do
__________________________________________________ espaço de tensões dentro da qual o solo apresenta
comportamento essencialmente elástico, sendo tam-
A condutividade hidráulica do solo residual de bém conhecida como envoltória de plastificação do
quartzo-xisto de São Mateus foi investigada com de- solo.
talhes por Franch et al. (2006) e Franch (2008). Na A tensão de escoamento obtida por meio de
direção vertical obteve-se 1,2 x 10-4 cm/s e na hori- ensaio de adensamento para as argilas sedimentares
zontal 9,0 x 10-5 cm/s, sendo a mesma ordem de saturadas define a sua história de tensões e é conhe-
grandeza para ambas as direções (horizontal 1,4 cida como tensão de pré-adesamento. Entretanto, pa-
vezes maior). A descontinuidade desse solo está a ra os solos residuais a mudança no comportamento
45 graus e, moldando o solo de modo que o fluxo tensão-deformação pode ser devida à perda de sua
passe ao longo da xistosidade, a condutividade au- estruturação. Deste modo, denomina-se de tensão de
menta para 4,5 x 10-4 cm/s, ou seja, cinco vezes ma- cedência o valor a partir do qual o solo começa a
ior que na direção horizontal. Esse exemplo ilustra a perder sua cimentação e alterar seu arranjo de par-
importância do condicionante geológico na direção e tículas, sendo um processo de dano contínuo. Como
magnitude do fluxo. A permeabilidade em campo, o fenômeno de mudança da rigidez é semelhante pa-
medida através do permeâmetro de Gelph, forneceu ra ambos os casos, é aceitável a utilização apenas do
coeficiente de 2,0 x 10-4 cm/s, valor intermediário en- termo escoamento, desde que feita ressalva sobre o
tre a direção da xistosidade e a vertical (ou horizon- efeito envolvido.
tal). A determinação da tensão de escoamento pode
ser tópico de controvérsia, pois em alguns casos não
se observa um ponto nítido de mudança de compor-
4 DEFORMABILIDADE tamento mecânico. Para tal, normalmente são uti-
lizadas curvas tensão-deformação ou de índice de
A resistência ao cisalhamento dos solos normalmen- vazios em função da tensão. No caso particular de
ensaios edométricos, os métodos mais conhecidos para o campo.
para determinação da tensão de pré-adensamento são Esses resultados dão subsídios para reavaliar a in-
o de Casagrande (1936) e o de Pacheco Silva (1970). terpretação de ensaios de laboratório em solos resid-
Conforme discutido por Graham et al. (1982) e uais, assim como também ponderar a qualidade de
Pinto et al. (1993), deve-se ter cuidado ao ser uti- sua amostragem.
lizada escala logarítmica nos gráficos para determi-
350
nação do escoamento do solo. A mudança de rigidez

(σ'v - σ'h)/2
deve ser notada também em escala natural. 300

O escoamento por perda da estruturação, caso de 250


grande parte dos solos residuais, pode ser de difícil 200
determinação por métodos tradicionais. Com isto em (2)
150 (4)
mente, outro método pode ser aplicado, menos usu-
al, utilizado por Graham et al. (1982, 1983), Ku- 100
(1)
(5)

wano e Jardine (2007) e Smith et al. (1992), o qual 50


(6)
identifica a mudança de comportamento mecânico 0
(3)

em gráficos de energia de deformação por volume -50


0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700
(σ'v + σ'h)/2
unitário (W) em função do comprimento do vetor
-100
tensão (LSSV).
a) estado inicial de tensões nulo
Cecílio (2009) determinou o escoamento do solo 350
residual de gnaisse a partir de curvas LSSV-W de

(σ'v - σ'h)/2
300
ensaios triaxiais, uma vez que as tradicionais curvas
250
tensão-deformação não possibilitaram identificação (7)
da perda de estruturação. A curva de escoamento as- 200

sim obtida é apresentada na Figura 7 (a). 150

Os estados de tensões referentes ao escoamento 100


foram determinados durante o cisalhamento dos 50 (8)
final do
ensaios (1) e (2), durante o adensamento isotrópico adensamento

do ensaio (3) e durante o adensamento anisotrópico 0


0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700
dos ensaios (4), (5) e (6). Observa-se que a curva de -50 (9) (10)
(σ'v + σ'h)/2
escoamento é inclinada, não centrada no eixo isotró- -100
pico, tal como observado por Futai (2002) para um b) estado de tensões de campo
solo residual de gnaisse. Para baixos níveis de con-
finamento, a curva de escoamento fica acima da lin- Figura 7. Envoltórias de escoamento obtidas por Cecílio
(2009).
ha de estados críticos, sendo referente à resistência
de pico.
Com o intuito de melhor representar a condição 4.2 Compressibilidade edométrica
in-situ, Cecílio (2009) adensou anisotropicamente o
Algumas curvas de compressão edométrica típicas
solo até o estado de tensões aproximado de campo, a
dos solos residuais da Região Metropolitana de São
partir do qual foram realizados outros quatro ensaios
Paulo estão apresentadas na Figura 8, separadas de
de descarregamento – (7), (8), (9) e (10) – com
acordo com a litologia da rocha original.
diferentes trajetórias de tensões, apresentados na
Dispõe-se de várias curvas de compressão edo-
Figura 7 (b). Os resultados indicaram que houve es-
métrica para solos residuais de gnaisse, e algumas
coamento nos quatro ensaios, o que possibilitou de-
delas estão apresentadas na Figura 8 (a). Porém, há
terminar outra curva de escoamento, referente à
poucos dados de solos de granito e de xisto, inseri-
condição de campo.
dos respectivamente na Figura 8 (b) e (d). No caso
Demonstra-se a possibilidade da curva de escoa-
do solo residual de filito, Figura 8 (c), não se encon-
mento não passar pela origem do espaço de tensões.
trou ensaio de compressão edométrica, razão pela
Mais ainda, é evidenciado que o alívio de tensões,
qual essa informação foi complementada com a cur-
tal como o causado por uma escavação, pode causar
va de um solo do interior do Estado de São Paulo.
o escoamento do solo.
A interpretação das curvas foi realizada de forma
A envoltória de escoamento apresentada tem ca-
convencional, para obtenção do índice de com-
ráter essencialmente cinemático, ou seja, ao ser
pressão (Cc), de recompressão (Cr) e da tensão de
atingida, ela não sofre rotação, expansão ou redução
pré-adensamento (σ’vm), tal como se faz para os so-
significativas. O alívio de tensões causado pela
los sedimentares.
amostragem deslocou a envoltória para a origem do
espaço de tensões. Deste modo, os resultados obti-
dos em laboratório não condizem com o esperado
1.5 Vila Anastácio (Vargas, 1951) 1.5
(a) Gnaisses CE EPUSP (ABEF, 1989) (b) Granitos Mandaqui (Vargas, 1951)
Vila Albertina (Godóis, 2011)
Caxingui (Cecílio Jr., 2009)
Morumbi (Tecnogeo, 2007) Interior SP (Pinto et al., 1993)
Interior SP (Pinto et al., 1993)
1.2 1.2
Índice de vazios, e

0.9 0.9

0.6 0.6

0.3 0.3
1 10 100 1000 1 10 100 1000
1.5 1.5 São Mateus, quartzo-xisto
(c) Filitos Interior SP (Pinto et al., 1993) (d) Xistos (Franch, 2008)

Micaxisto do interior de SP e
Quarto-xisto do Interior de SP
1.2 1.2 (Pinto et al., 1993)
Índice de vazios, e

0.9 0.9

0.6 0.6

0.3 0.3
1 10 100 1000 1 10 100 1000
Tensão vertical efetiva, σ'v (kPa) Tensão vertical efetiva, σ'v (kPa)

Figura 8. Resultados de ensaios edométricos para os diferentes solos residuais em estudo.

Os valores médios dos parâmetros de compressi- ibilidade dos solos residuais é o índice de vazios. A
bilidade dos solos estudados estão listados na variação de Cc com o índice de vazios apresenta
Tabela 1, sendo que para os solos residuais de uma nuvem dispersa de pontos, mas cuja tenência é
gnaisse foi determinado Cc = 0,29 (± 0,09) e clara: o aumento do índice de vazios reflete no au-
σ’vm = 630 kPa (± 300 kPa). Para os demais solos, o mento de Cc, conforme mostrado na Figura 9 (b).
número de dados não permite realizar uma análise A tensão de escoamento também foi correlacion-
estatística significativa. ada com o índice de vazios e o resultado está
Com os dados disponíveis, foram realizadas al- apresentado na Figura 9 (c). Nos solos residuais com
gumas correlações para Cc e σ’vm, tal como mostra- índice de vazios menores que 1,0 a tensão de escoa-
do na Figura 9. Nesta figura também foram incluídos mento pode ser elevada (maior que 300 kPa, che-
dados do interior do Estado de São Paulo e também gando a até 1100 kPa). A maioria dos dados coin-
de outros estados (Futai, 2002). cidiu com a correlação proposta por Futai (2002)
A correlação de Cc com o limite de liquidez, Fig- para solos residuais de granito e gnaisse, porém, as
ura 9 (a), não forneceu bons resultados. Contrari- tensões de escoamento do Campo Experimental da
amente ao que ocorre com as argilas saturadas sedi- EPUSP se aproximaram da correlação para solos re-
mentares, a plasticidade dos solos residuais não é um siduais de origem metamórfica.
bom parâmetro para representar sua compressi-
bilidade. As faixas de valores apresentadas por Pinto
et al. (1993) corroboram essa afirmação.

O melhor parâmetro para se entender a compress-


1 deformação, sendo que a rigidez do solo se reduz
legenda de números na Figura (b)
legenda de símbolosa na Figura (c) com o aumento do nível de deformação a ele im-
0.8
posto. Modelos constitutivos que consideram esta
degradação da rigidez normalmente necessitam co-
mo parâmetro o módulo de deformabilidade tan-
0.6 4 gente inicial (E0). Entretanto, para os modelos mais
1 simples que não consideram esta variação da rigidez
Cc

5 em função da deformação, se faz necessária a uti-


0.4
lização de um módulo secante. São exemplos o
1
módulo secante a 50% da tensão de ruptura (E50) e o
0.2 11 módulo secante a 1% de deformação (E1).
4 3 São apresentados na Figura 10 (a) valores de E50
(a) determinados a partir de ensaios triaxiais em solos
0
residuais da Região Metropolitana. Novamente
0 20 40 60 80 100
Limite de liquidez, w L (%) ressalta-se que, infelizmente, foram encontradas in-
1 formações unicamente para os solos de gnaisse da
Solos do interior
(Pinto et al., 1993):
10 - Micaxisto
11 - Migmatito
zona oeste de São Paulo, da ABEF (1989) no Campo
1- Arenito Baurú 12 - Quartzo-Xisto Experimental da EPUSP e de Cecílio (2009), no
0.8 2 - Pegmatito
túnel Caxingui-Morumbi do Metrô de SP.
3 - Argilito/Siltito 4
4 - Basaltos 5 Para o solo do Campo Experimental, observa-se a
5 - Colúvios
0.6 6 - Filitos não usual diminuição do módulo com o aumento da
7 - Gnaisse confinante, possivelmente em razão da quebra de
Cc

8 - Granito 10
9 - Metabasito grãos a maiores tensões. Optou-se então por
0.4 apresentar o módulo normalizado em função da
3 1
11 tensão confinante, na Figura 10 (b).
(Banco de
0.2 dados
1 Futai, 2002) 80
Moulo de deformabilidade, E'50% (MPa)

CE EPUSP 2,8m (ABEF, 1989)


Sowers (1963)
(b) CE EPUSP 5,8m (ABEF, 1989)
0 CE EPUSP 8,8m (ABEF, 1989)
0 0.5 1 1.5 2 2.5 60 Caxingui 36m (Cecílio Jr, 2009)
Índice de vazios, e
1500
Gnaisses:
Campo Exp. EPUSP (ABEF, 1989)
40
Tensão de escoamento, σ'vy (kPa)

Caxingui - 36m (Cecílio jr, 2008)


1200 Vila Anastácio(Vargas, 1951)
Morumbi (EPT, 2007)
Mandaqui - Granito
20
900 (Vargas, 1951)

Av. Água Espraiada


Micaxisto(Yoda, 2000) (a)
0
600 Quartzo-xisto
0 200 400 600 800 1000 1200
(Franch, 2008)
800
CE EPUSP 2,8m (ABEF, 1989)
300 Metamórficos CE EPUSP 5,8m (ABEF, 1989)
Moulo normalizado, E'50%/σ´c

(Futai, 2002)
Granitos e CE EPUSP 8,8m (ABEF, 1989)
Gnaisses 600 Caxingui 36m (Cecílio Jr, 2009)
(Futai, 2002) (c)
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
Índice de vazios, e 400

Figura 9. Correlações entre os parâmetros de compressibilidade 200


para os solos residuais estudados.

(b)
4.3 Módulos de deformação 0
0 200 400 600 800 1000 1200
Os resultados de ensaios de laboratório que for- Tensão confinante, σ'c (kPa)
necem dados de curvas tensão-deformação, tal como
os ensaios triaxiais axissimétricos ou cúbicos, são Figura 10. Módulos E50 para solos residuais de gnaisse.
subsídios fundamentais para definir o modelo consti-
tutivo que melhor representa o comportamento Outros ensaios triaxiais foram realizados por Pin-
mecânico do solo. A relação tensão-deformação to e Nader (1991) no mesmo solo residual de gnaisse
usualmente é representada por meio de módulos de do Campo Experimental, com o intuito de analisar a
1200
aplicabilidade do modelo constitutivo por eles

q: tensão desviadora (kPa)


1100
proposto (Pinto e Nader, 1994), chamado de SUEF – 1000 (6)
modelo de superposição de efeitos. Este modelo 900
considera módulos de deformação e coeficientes de 800 (4)

Poisson diferentes para a situação de carregamento e 700


(7)
descarregamento, superpondo estas componentes pa- 600
500
ra o caso de uma trajetória de tensão qualquer. (3)
400
Com o intuito de analisar o mesmo modelo con- 300
stitutivo, desta vez sob condição anisotrópica de 200
(2)
adensamento, Anjos (1996) realizou novos ensaios 100
(1)
triaxiais no mesmo solo residual de gnaisse do Cam- 0
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
po Experimental. (8)
-100
εa: deformação axial (%)
Para ambos os casos, demonstrou-se que a rigidez (9)
-200
-300
do solo varia em função da trajetória de tensões im- -400
(10)
posta ao ensaio triaxial. Como os autores utilizaram -500
amostras remoldadas do solo residual, os módulos -5.5

εv: def. volum. (%)


-5.0
de deformabilidade determinados foram de ordem de (8) -4.5
grandeza 10 vezes inferior aos módulos dos ensaios -4.0
-3.5
em amostras indeformadas da Figura 10, razão pela -3.0
qual seus valores não foram apresentados. (9) -2.5
-2.0
Para analisar este comportamento dependente da -1.5
trajetória de tensões, Cecílio (2009) realizou ensaios (10) -1.0 εa: deformação axial (%)
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -0.5
-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
triaxiais em amostras indeformadas, cujas trajetórias 0.0 (1)
(7)
de tensões foram apresentadas anteriormente na Fig- 0.5 (2)
1.0 (3)
ura 7. As curvas tensão-deformação são apresenta- 1.5
(4)
das na Figura 11. 2.0
(6)
2.5
O gráfico de variação volumétrica apresentado é
necessário para determinação do coeficiente de Pois- Figura 11. Curvas tensão deformação de ensaios triaxiais em
son do solo (ν). Diferentemente dos tradicionais solo residual de gnaisse, a partir de Cecílio (2009).
ensaios triaxiais de carregamento com trajetória de
tensões de 45 graus, a determinação do módulo de
240
deformabilidade de ensaios com variação da tensão 220
E50 (MPa)

confinante depende do valor de ν. 200


(7)
?
Os ensaios com baixas tensões confinantes 180

(1) e (2), sobre-adensados, foram os únicos a 160


140 (10)
apresentar dilatância. A máxima taxa de dilatância 120
?
encontrada não coincidiu com o pico de resistência, 100
(9)
(8)
ocorrendo em deformações ligeiramente maiores. A 80
?
?

razão desta diferença pode ser atribuída à estru- 60


40
turação do solo, conforme Maccarini (1987) e 20
?
(1) a (6) ?
Vaughan et al. (1988). A resistência de pico encon- 0
trada em ambos os ensaios, como mostrado na Fig- 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 360

ura 7, é representada pela envoltória de escoamento, 0.50


(7)
sendo controlada pela estruturação do solo.
ν: coeficiente de Poisson

0.45
?
As variações de E50 e ν determinadas por Cecílio 0.40 ?
(2009) estão apresentadas na Figura 12. O ângulo 0.35
das trajetórias de tensões foi tomado a partir da hori- 0.30
?
(10)
zontal no sentido anti-horário, no plano das invar- 0.25 (9)
?
iáveis de tensões s’-t. Esses resultados foram utiliza- 0.20
(1) a (6) (8)
dos para a modelagem tridimensional por elementos 0.15
? ?

finitos de um túnel em maciço de solo mecani- 0.10

camente heterogêneo, ou seja, cujos parâmetros 0.05

elásticos foram considerados como função das tra- 0.00


0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 360
jetórias de tensões atuantes ao redor do túnel, as ângulo da trajetória de tensões (graus)
quais variavam com o avanço de sua escavação.
Figura 12. Variação do módulo E50 e do coeficiente de Pois-
son em função do ângulo da trajetória de tensões, a partir de
Cecílio (2009).
Os valores dos módulos E50 apresentados na Fig- Na Figura 13 estão apresentadas as correlações
ura 10 foram determinados para os ensaios de entre o módulo de deformação e o valor NSPT. A cor-
carregamento, (1) a (6). A partir deles, o valor do relação proposta por Negro et al. (1992) foi baseada
módulo referente ao nível de tensão confinante de em retro-análises de túneis escavados, na grande ma-
campo foi extrapolado, apresentado na Figura 12. ioria, em maciços de solos sedimentares. Comparan-
Todos os demais ensaios, de descarregamento, (7) a do-se esta correlação com a proposta por Sandroni
(10), foram realizados com o mesmo estado de (1996) para fundações superficiais, observa-se
tensões aproximado de campo. Observa-se, de modo grande dispersão, sendo os módulos para fundações
geral, que os módulos de carregamento são menores superficiais menores. Os resultados de Cecílio
que os de descarregamento. (2009) auxiliam a interpretar essa diferença, haja
Ensaios de laboratório usualmente possibilitam a vista que no caso de escavação de túneis uma parte
determinação apenas de módulos secantes, não sen- do maciço fica sujeita a descarregamento, cujo
do representativo o módulo tangente inicial (ou a módulo tende a ser maior, além das deformações em
pequenas deformações) determinado em laboratório, túneis serem geralmente menores.
tendo em conta as perturbações inerentes ao proces-
so de amostragem, o tamanho das amostras, a pre-
cisão dos instrumentos de medição, entre outros. 4.4 Pequenas deformações
Essa deficiência em se determinar E0 pode ser Os módulos cisalhantes máximos (G0) são im-
superada de três maneiras: a) utilizando-se cor- portantes para estudos dinâmicos e também nos
relações empíricas, semi-empíricas, ou baseadas em casos de obras em que o nível de deformação é pe-
retro-análises de obras; b) realizando-se retro- queno.
análises do módulo a partir de dados medidos com Carregamentos dinâmicos, tais como efeitos de
instrumentações de obras; ou c) definindo-se módu- sismos, fundações de máquinas, ferrovias e funda-
los in-situ ou dinâmicos, tal como será discutido no ções de pontes, são alguns exemplos nos quais seria
item seguinte. necessário se conhecer módulos cisalhantes máxi-
Conforme evidenciado por Pinto e Nader (1991), mos. Eles podem ser determinados por ensaios sís-
Anjos (1996) e Cecílio (2009), os módulos de de- micos em campo (Crosshole, SASW, SCPT, SDMT,
formação podem depender da trajetória de tensões. entre outros) ou em laboratório (coluna ressonante).
Como consequência, as retro-análises que caracteri- Como mencionado, os ensaios convencionais de
zam o maciço com um único módulo de deformação laboratório, tal como o triaxial, definem módulos se-
fornecem um valor médio específico para cada tipo cantes para níveis de deformação elevados. Entre-
de obra. Por exemplo, no caso de provas de carga tanto, a utilização em laboratório do ensaio de colu-
em fundações superficiais, o módulo de deformação na ressonante permite medir a variação do módulo
a ser retro-analisado é referente a uma trajetória de cisalhante em função da deformação e impor um
compressão. Porém, no caso de escavações de nível de confinamento. Porém, os efeitos da per-
túneis, o módulo será relativo a uma condição híbri- turbação da amostra fazem com que o valor medido
da, devido ao carregamento seguido de em laboratório seja menor que o de campo. Na Fig-
descarregamento que o avanço da escavação ocasio- ura 14 (a) mostra-se um exemplo de resultado da
na. variação dos módulos cisalhantes para três tensões
de confinamento em duas profundidades para o solo
300 residual de gnaisse do Campo Experimental da
EPUSP. A normalização G/G0 forneceu duas faixas
distintas, apresentadas na Figura 14 (b), uma para
Módulo de deformação (MPa)

250
níveis de tensão mais baixos (100 kPa e 200 kPa) e
200 P T outra para níveis mais altos (300 kPa). Comparando
NS os dados com valores de crosshole, Barros (1996)
5
= PT
150 E
4N
S concluiu que os módulos de laboratório são
E
= menores, conforme a seguinte relação com os de
2)
100 (1
99 campo:
s 96)
l. 1,4 õe
ta T 1,4 aç n i ( 19
s
i r e
NS
P T n
SP Fu dro
d Gcampo = Glab + 86 (em MPa) (1)
ne o J ,9 ,6 N n
50 Tú egr =0 =0 Sa
N E E T1,4
Gcampo = 1,57 x Glab (em MPa) (2)
NSP
0,4
E=
0 A diferença entre os valores medidos em campo e
0 10 20 30 40 50 em laboratório é reflexo do efeito da amostragem,
NSPT conforme discutido no item sobre curva de escoa-
mento.
Figura 13. Variação do módulo de deformação com o NSPT para
solos residuais.
250 Módulo Cisalhante
(a) SPT G, (MPa)
0 10 20 0 100 200 300
0
200 (a) Campo Experimental EPUSP (b)
Módulo cisalhante (MPa)

Butantã - dados ABEF (1989)


1
150

Profundidade (m)
2

Go (Crosshole)
100
profundidade 3
σc (kPa) 7,25m 8,75m

Gru (pressiômetro)
50 100
4
200 Campo Experimental

identificado
EPUSP
300 Dados ABEf (1989)

NA não
0 5
0.0001 0.001 0.01 Dados de
Sampaio Jr (2003)
1 6
(b)
Figura 15. Perfil de variação dos módulos cisalhantes para o
Campo Experimental da EPUSP.

0.8 Composição Módulo cisalhante,


NSPT granumométrica (%) G (MPa)
profundidade
G / Go

0 50 100 20 40 60 80 100 200 300 400


σc (kPa) 7,25m 8,75m
0
100 areia Gru (pressiômetro)
NA
0.6 200
5 Go (Crosshole)

Solo residual maduro


300

silte
Campo Experimental EPUSP 10
Profundidade (m)

Dados ABEf (1989) argila

wL médio = 37,7%
0.4

areia
IPmédio = 9,4%
0.0001 0.001 0.01
Deformação cisalhante (%) 15
Solo saprolítico

Figura 14. Dados de módulos obtidos em laboratório por meio


de colunas ressonantes do Campo Experimental da EPUSP. 20

pedregulo
Não plástico

Uma opção para se obter uma curva tensão- 25


deformação em campo e definir a degradação do Caxingui
módulo cisalhante é através do pressiômetro au- Dados fornecidos pelo
Prof. Carlos Pinto
Abramento e
Pinto (1998)
toperfurante. Uma adequada escolha de ciclos de 30

descarregamento e recarregamento permite definir a Figura 16. Perfil de variação dos módulos cisalhantes para o
variação do módulo cisalhante (Gur) em função da Poço Caxingui do Metrô-SP.
deformação, para níveis médios de deformação.
Nas Figuras 15 e 16 estão apresentados dois ex- 1
emplos da variação dos módulos cisalhantes máxi-
Módulo cisalhante normalizado G/Go

mos (G0) e cíclicos (Gur) para os solos do Campo 0.8 solo residual
Experimental da EPUSP e do Poço Caxingui. Há maduro

uma tendência dos módulos aumentarem com a pro- solo


fundidade, o que é reflexo da variação do grau de al- 0.6 saprolítico

teração do solo residual. No caso do perfil do Poço


Caxingui (Figura 16), pode-se perceber uma var- 0.4
iação no comportamento dos módulos dos solos ma-
duro e saprolítico. Como consequência desse com- 0.2
portamento, Abramento e Pinto (1998) mostraram
Abramento e Pinto (1998)
que a variação do módulo cisalhante normalizado Caxingui
em função da deformação é distinta para os solos re- 0
siduais maduros e saprolíticos, tal como se observa 10-6 10-5 10-4 10-3 10-2
Deformação disalhante ou
na Figura 17. Apesar de ser um resultado inter- deformação de cavidade
essante para fins práticos, são necessários mais estu-
dos para generalizar esses resultados. Figura 17. Variação de G/G0 com a deformação, para os solos
residuais maduro e saprolítico do Poço Caxingui (Abramento e
Pinto, 1998).
Como se sabe, a curva G/G0 em função da de- Foi possível também incluir alguns novos dados
formação cisalhante depende do índice de plasti- na correlação entre o módulo cisalhante e o NSPT,
cidade no caso de argilas sedimentares, e da com- conforme a proposta de Abramento e Pinto (1998),
pacidade relativa no caso das areias. O resultado indicada na Figura 19.
apresentado por Abramento e Pinto (1998), indica
que no caso dos solos residuais a curva depende do
grau de alteração do solo. Outro resultado que cor- 4.5 Influência do tempo
robora essa observação está apresentado na Fig- Os resultados de módulos de deformabilidade obti-
ura 18, na qual Barros e Pinto (1997) identificaram dos por Anjos (1996), discutidos anteriormente,
uma clara diferença entre a variação de G0 com o foram questionados em razão dos diferentes tempos
NSPT dos solos lateríticos e saprolíticos. decorridos durante a etapa de adensamento de cada
ensaio triaxial realizado. Com esta questão em men-
600 te, Yoda (2000) estudou a influência do adensamen-
Solos maduros (lateríticos)
to a longo prazo na rigidez de um solo residual de
Moulo cisalhante inicial, Go (MPa)

Solos jovens (saprolíticos)


500 micaxisto desestruturado.
O estudo de Yoda (2000) demonstrou que, na
400 etapa de adensamento de ensaios triaxiais, o aumen-
to do tempo de consolidação aumenta a rigidez do
300 solo. Salientou-se que, para a obtenção de parâmet-
ros geotécnicos por meio de ensaios de laboratório,
200 deve ser incluída em sua programação uma etapa
inicial de deformação lenta, visando simular as con-
100 dições existentes em campo.
A execução de ensaios em amostras expandidas
0 devido ao descarregamento da amostragem, sem a
0 20 40 60 80 100 120 execução do adensamento apropriado, pode ser uma
NSPT
das causas da recorrente diferença entre os módulos
Figura 18. Comparação da variação do módulo cisalhante com de elasticidade obtidos em laboratório e os retro-
o NSPT de solos lateríticos e saprolíticos, a partir de Barros e analisados a partir de dados de obras.
Pinto (1997). O comportamento do solo residual de micaxisto
observado por Yoda (2000), assim como também os
400 resultados de ensaios pressiométricos in-situ anali-
Go Gru
Caxingui (Abramento e Pinto, 1998) sados por Abramento e Pinto (1998), trouxeram à
350 Interligação Tietê-Jundiaí (Abramento e Pinto, 1998)
Campo Experimental EPUSP (Sampaio jr, 2003)
luz o fato de que solos residuais silto-arenosos
Módulo Cisalhante, G (MPa)

300 Av. Sepetuba-Butantã apresentam importante característica de deformação


(Pinto e Sampaio Jr., 2003)
Santo André (Futai e Pinto, 2008) 1,4N
lenta, mostrando que este efeito não é exclusivo de
250 12 7+ solos argilosos sedimentares.
Go =
0,30
,8 Nto (1998)
Evidências de deformação lenta também foram
200 Crosshole 62
Go = to e P
in observadas durante escavações subterrâneas para a
me n
Abra
construção do trecho oeste da Linha 4-Amarela do
150 0 ,34
4,3 N Metrô-SP, em maciço de solo residual de gnaisse,
G ru = 2 Pinto (1998)
ento e
100
Abram conforme discutido por Cecílio et al. (2012). Os da-
N
7 + 0,9 dos de leitura da instrumentação instalada em campo
G ru = 3
50 Pressiômetro indicaram progresso da deformação com o tempo,
mesmo após as escavações e sem alteração do lençol
0 freático, ou seja, sob estado de tensões constante.
0 20 40 60 80 100 120 Estes dados de instrumentação foram analisados
NSPT
por Cecílio et al. (2012), ao estudar resultados de
Figura 19. Variação do módulo cisalhante com o NSPT. ensaios edométricos submetidos a carga constante a
longo prazo, realizados em amostras indeformadas
Barros e Pinto (1997) sugeriram as seguintes cor- do mesmo maciço de solo residual.
relações entre G0 e NSPT: São apresentadas na Figura 20 as curvas de aden-
samento obtidas por Cecílio et al. (2012), referentes
lateríticos: G0 = 56 + 20,3 x N (3) ao último estágio de carga de cada ensaio.
ou G0 = 55,2 x N 0,665 (4)
saprolíticos: G0 = 94 + 2,3 x N (5)
ou G0 = 43,8 x N 0,419 (6)
0 empuxo em repouso (K0) de solos sedimentares po-
dem ser estimados por meio de correlações aceitas
0.5 internacionalmente. Essas correlações, contudo, não
Deformação vertival (%)

podem ser utilizadas para os solos residuais, pois sua


1 gênese é totalmente diferente.
Ensaios de laboratório não conseguem mensurar
1.5 adequadamente o valor de K0, em razão dos efeitos
da perturbação do solo devido à amostragem.
2 A melhor forma de se medir o valor da tensão
700kPa horizontal em campo é por meio do ensaio pressio-
2.5 700kPa paralelo à foliação
700kPa perpendicular à foliação
métrico autoperfurante. No Brasil, atualmente en-
1200kPa contra-se disponível apenas um pressiômetro, o
3
103 10000
104 1000001000000
105 106
Camkometer da Escola Politécnica da USP.
0.1 1 10 100 1000
Tempo (minutos) Ensaios realizados por Abramento e Pinto (1998)
em solos residuais de gnaisse para o Poço Caxingui
Figura 20. Resultados de adensamento de ensaios edométricos, do Metro-SP (Av. Francisco Morato, no Butantã),
para a etapa de carregamento a longo prazo, a partir de Cecílio para a Interligação Tietê-Jundiaí e para a Barragem
et al. (2012).
de Paraitinga, indicam valores elevados de K0, vari-
ando entre 1,0 e 3,8.
Observa-se formato discrepante ao que se tem
A Figura 21 apresenta a variação de K0 para o
visto em muitos solos, com um trecho inicial reto e
Poço Caxingui. Percebe-se que há uma tendência do
um outro subsequente com concavidade para baixo,
valor de K0 reduzir com a profundidade. Pode-se
indicando velocidade de deformações crescente com
constatar também que há uma diferença entre o
o logaritmo do tempo. Yoda (2000) obteve curva de
comportamento de K0 do solo residual maduro (até
adensamento com formato semelhante para o solo 15 m de profundidade) e do solo saprolítico.
residual silto-arenoso de micaxisto.
O trecho inicial reto provavelmente se deve à Composição Coef. de mpuxo
rápida dissipação do excesso de pressão neutra. Já se NSPT granumométrica (%) em repouso, Ko
observaram curvas com concavidade para baixo em 0 50 100 20 40 60 80 1 2 3 4
0
ensaios de longa duração com certas argilas moles e
areia
solos fabricados (remoldados), na fase referente à NA

compressão secundária. Com o tempo, as curvas da 5


Solo residual maduro

Figura 20 deverão apresentar inversão da concavi-


dade, indicando estabilização das deformações.
silte

influência da

pedregulho?
Cecílio et al. (2012) atribuíram ao alívio de 10

camada de
Profundidade (m)

argila

wL médio = 37,7%

tensões causado pela amostragem, uma possível


areia
IPmédio = 9,4%

desestruturação do solo, responsável pela ocorrência 15


do fenômeno de fluência. Esta deformação lenta foi
Solo saprolítico

interpretada como o rearranjo das partículas micáce-


as ao término da dissipação do excesso de pressões 20
pedregulo
Não plástico

neutras, ocorrendo movimento de cisalhamento entre


as placas de biotita. 25
Os valores de coeficiente de compressão Caxingui
secundária determinados por Yoda (2000) foram Dados fornecidos pelo Abramento e
Pinto (1998)
Cαe = 8,8 x 10-3 e Cαε = 0,5%, enquanto que Cecílio 30 Prof. Carlos Pinto

et al. (2012) obtiveram Cαe = 3,5 x 10-3 a 6,2 x 10-3 e


Figura 21. Perfil de variação do coeficiente de empuxo em re-
Cαε = 0,23 a 0,45%. pouso para o Poço Caxingui.

Alguns solos residuais podem apresentar nível


5 ESTADO DE TENSÕES IN-SITU freático profundo, tal como ocorre no Campo Exper-
imental da EPUSP. Quando o solo está não saturado,
É importante se conhecer o estado de tensões em os resultados do pressiômetro autoperfurante não
campo para possibilitar a realização de análises de poderiam ser usados para calcular K0, pois não se
tensão-deformação de contenções, escavações e conhece o estado de tensões efetivas. Mesmo que se
demais projetos em a tensão horizontal seja rele- medisse a sucção, esta variaria sazonalmente. Po-
vante. rém, o ensaio fornece resultado da tensão horizontal
O estado de tensões in-situ não é uma condição total, tal como mostrado na Figura 22, onde se ob-
de fácil determinação, mesmo para os solos bem serva que a tensão horizontal tem a mesma ordem de
comportados. Entretanto, valores de coeficiente de grandeza da tensão vertical. O efeito da condição
não saturada no comportamento dos solos residuais Um exemplo da variação dos parâmetros de re-
será discutido mais adiante. sistência ao longo de um perfil de alteração está
mostrado na Figura 23, correspondente ao Campo
Tensão Horizontal Experimental da EPUSP. Há uma tendência do in-
SPT total, σh(kPa)
0 10 20 0 50 100 150 tercepto de coesão aumentar e do ângulo de atrito
0 variar pouco.
(a) Campo Experimental EPUSP (b)
Butantã - dados ABEF (1989)
1 SPT Índice de vazios c' (kPa) φ' (graus)
0 15 30 45 0.6 0.9 1.2 0 30 60 90 0 10 20 30
0
Profundidade (m)

Campo Experimental EPUSP


2 Butantã - dados ABEF (1989)
1

2
3

Profundidade (m)
3

4 σv 4
(a) (b) (c) (d)
identificado

5
5
NA não

6
Dados de
7

NA=15m
Sampaio Jr (2003)
6
8
Figura 22. Tensão horizontal total do CE da EPUSP. 9
Poço I Poço II Poço III triaxial
cisalhamento direto

6 RESISTÊNCIA Figura 23. Perfil de variação de parâmetros de resistência do


Campo Experimental da EPUSP.
A resistência ao cisalhamento dos solos é medida at-
ravés de ensaios de cisalhamento direto ou triaxiais. A Figura 24 reúne os dados de envoltórias de re-
Nos solos residuais, a alta permeabilidade associada sistência coletados para quatro grupos litológicos
à sua baixa compressibilidade torna o valor do co- mais significativos da região Metropolitana de São
eficiente de adensamento elevado, por isso, sua re- Paulo. Esses dados também foram comparados com
sposta às solicitações é drenada na maioria dos as informações levantadas por Pinto et al. (1993) pa-
casos. Porém, por questões práticas, é comum re- ra o interior do Estado de São Paulo. Como as con-
alizar ensaios triaxiais não-drenados (CIU) para dições climáticas e as características dos solos são
avaliar a resistência em termos efetivos. semelhantes, tal como mostrado na Figura 4, é
Algumas diferenças entre o comportamento dos possível fazer essa comparação e até mesmo ex-
solos residuais e dos transportados foram listadas trapolar as informações nos casos em que se dispõe
por Brenner et al. (1997). de poucos dados.
O ensaio de cisalhamento direto é o mais usual Como foi mostrado na Tabela 1 e também na
para obtenção de parâmetros de resistência devido à Figura 24, os valores de coesão e ângulo de atrito
sua simplicidade, principalmente nos problemas de variam dentro de faixas amplas. O valor médio da
encostas, nos quais os solos residuais são comumen- coesão para os solos residuais de gnaisse é de 35 kPa
te encontrados. (±30 kPa) e o ângulo de atrito é 28,8 graus
O critério de ruptura mais utilizado é o de Möhr- (±5,9 graus). Para os solos residuais de outras rochas
Coulomb, no qual se ajusta uma reta pelos pontos de matrizes, não se dispõe de dados suficientes para re-
máxima tensão cisalhante, obtendo-se o ângulo de alizar a mesma análise.
atrito e o intercepto de coesão. Alguns autores, como Pinto et al. (1993) utilizaram o índice de vazios
Mello (1972) e Charles & Soares (1984), sugeriram relacionado com a resistência para três níveis de
uma envoltória curva ajustada a uma função de tensão normal (200 kPa, 400 kPa e 600 kPa), como
potência. apresentado na Figura 25 (a), na qual foram in-
A tensão cisalhante de pico, que define o trecho cluídos alguns resultados dos solos estudados neste
curvo da envoltória, está relacionada ao índice de trabalho. Na Figura 25 (b) apresenta-se uma inter-
vazios crítico para areias densas e à tensão de esco- pretação em termos de envoltória de resistência.
amento para argilas sedimentares. Para os solos re- Com o objetivo de realizar uma investigação mais
siduais, a envoltória é curva para baixos níveis de detalhada sobre a influência do índice de vazios na
confinamento. resistência do solo, foram selecionados quatro solos
Vargas (1973), Sandroni (1974) e Vaughan residuais do Rodoanel Sul, com índices de vazios
(1992) consideram a envoltória de ruptura curva até distintos, para os quais se dispõe de ensaios triaxiais
próximo à tensão de escoamento, a partir da qual a CIU.
envoltória passa a ter comportamento semelhante ao
do solo normalmente adensado.
500 Campo Exp. EPUSP(ABEF, 1989)
Mandaqui (Vargas, 1951)
Rodoanel Sul (EPT, 2007)
Vila Albertina (Godóis, 2011)
400
(σ'1 - σ'3)/2 (kPa)

Real Parque(Pellogia, 1997)


600 Interior (Pinto et al., 1993)
Interior (Pinto et al., 1993)
300
400
200
200
100
(a) Gnaisses e Migmatitos (b) Granitos
0 0
0 200 400 600 800 0 400 800 1200
400 Tremembé (Pellogia, 1997)
400
São Mateus (Franch, 2008)
paralelo a foliação
perpendicular a foliação Interior
(σ'1 - σ'3)/2 (kPa)

300 300 (Pinto et al., 1993)


Interior
(Pinto et al., 1993)
200 200

100 100

(c) Filitos (d) Micaxistos e Quartzo-Xistos


0 0
0 200 400 600 800 0 200 400 600 800
(σ'1 + σ'3)/2 (kPa) (σ'1 + σ'3)/2 (kPa)

Figura 24. Resumo das envoltórias de resistência dos solos residuais da Região Metropolitana de São Paulo.

700 σ' (kPa) 700


200 400 600 (a) Solo residual de Gnaisse (b)
Pinheiros Jandira (Futai, 2010)
600 (Futai e Gonçalvez, 2007) 600 e = 1,1
Tensão cisalhante (kPa)

Jandira (Futai, 2010)


e = 1,4
CE-EPUSP (ABEF, 1989)
500 500
Santo André (Lima, 2009)

2)
400 400 = 0 ,5
σ' = 600kPa o (e
32 0)
300 300 tg 0,9
+ σ' (e
=
σ' = 400kPa 67 ,5
o

τ= g 28
200 200 + σ' t
σ' = 200kPa 18
τ=
100 100
Dados de Migmatito do interior Migmatito do interior
(Pinto et al., 1993) (Pinto et al., 1993)
0 0
0.4 0.8 1.2 1.6 2 0 100 200 300 400 500 600 700
Índice de vazios Tensão normal efetiva (kPa)

Figura 25. Influência do índice de vazios na resistência do solo.

Na Figura 26 estão apresentados os resultados dos sultados. Os dados coletados neste trabalho foram
ensaios CIU para tensões de confinamento de incluídos na Figura 27, observando-se que eles
100 kPa e 400 kPa. As trajetórias de tensão são bem apresentaram a mesma tendência.
distintas, Figura 26 (a), sendo que as amostras com A Figura 28 apresenta a correlação do ângulo de
menores índices de vazios apresentaram maiores re- atrito em função da coesão, para a qual realizou-se
sistências não drenadas, Figura 26 (b), porque de maneira convencional os ajustes lineares com os
desenvolveram menores valores de excesso de dados das resistências de pico. Não existe funda-
pressão neutra. mentação teórica para se efetuar tal correlação, haja
Pinto et al. (1993) correlacionaram o ângulo de vista que solos com diferentes ângulos de atrito po-
atrito para elevados níveis de tensão (maiores que deriam ter mesmo valor de coesão, ou vice-versa.
600 kPa), com envoltórias passando pela origem do Porém, conhecendo-se a tendência de variação, é
plano de tensões, encontrando as correlações com o possível realizar, por exemplo, retro-análises de
índice de vazios, Figura 27 (a), e com o índice de forma mais racional.
plasticidade, Figura 27 (b), tendo obtido bons re-
500
Índices de
s
vazios co
c ríti
400 os
0,50 stad
e e
0,69 h ad
Lin
0,75
300
(σ'1 - σ'3)/2

1,01

200 wL = 38 a 60%
wP = 20 a 28%
teor de argila = 7 a 17%
100

Rodoanel (a)
0
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
(σ'1 + σ'3)/2
1000 Excesso de pressão neutra (kPa) 400

800 300
Tensão desviadora (kPa)

600 200

400 100

200 0

Rodoanel (b) Rodoanel (c)


0 -100
0 5 10 15 20 0 5 10 15 20
(σ'1 + σ'3)/2 (σ'1 + σ'3)/2

Figura 26. Influência do índice de vazios: (a) trajetória de tensões (b) tensão-deformação e (c) excesso de pressão neutra.

50 50
Pinheiros (Futai e Gonçalvez, 2007) Mandaqui, granito (Vargas, 1951)
Gnaisse
ângulo de atrito efetivo, φ' (graus)

CE EPUSP(ABEF, 1989) Vila Albertina, granito(Godóis, 2011)


45 45
Jandira (Futai, 2010) São Mateus, quarto-xisto (Franch, 2008)
Interior (Pinto et al.,1983)
40 40

35 35

30 30

25 25
(a) (b)
20 20
0 0.5 1 1.5 2 0 10 20 30 40 50
Índice de vazios Índice de Plasticidade (%)

Figura 27. Ângulo de atrito para elevado nível de tensões ajustado com coesão nula, correlacionado com (a) índice de vazios e (b)
índice de plasticidade.
50 de escoamento.
Mandaqui (granito)
Esta expressão fornece uma envoltória iniciando
ângulo de atrito efetivo, φ' (graus)

Vila Albertina (granito)


40 São Mateus (quarto-xisto) em c’, seguindo com aumento não linear da tensão
Tremembé (Filito) cisalhante (região de grande influência da estrutura),
* ver referências passando a acompanhar a envoltória linear conven-
30 na Tabela 1 cional, a qual varia com a tangente do ângulo de atri-
to efetivo.
20 Alguns solos estudados (Campo Experimental da
Gnaisse EPUSP, Caxingui, Jandira e São Mateus), os quais
Pinheiros Santo André os autores puderam avaliar por inspeção tátil visual,
10 CE EPUSP Osasco
Jandira Av. Santo Amaro
não apresentam coesão verdadeira, pois não podem
Morumbi Rodoanel Sul ser saturados para realizar ensaio de compressão di-
0
Caxingui Real Parque ametral. Portanto, muitas vezes o valor da coesão
0 40 80 120 160 200 obtido pelo ajuste linear de Möhr-Coulomb é apenas
Intercepto de coesão efetiva, c' (kPa) um intercepto matemático extrapolado.
Na Figura 29 está apresentado um exemplo da te-
Figura 28. Relação entre ângulo de atrito e intercepto de oria não linear proposta por Futai (2002) aplicada ao
coesão.
solo residual de quartzo-xisto de São Mateus. O in-
tercepto de coesão efetiva determinado como igual a
Futai (2002) analisou resultados de vários solos
32 kPa é elevado, porém, o solo não apresenta
residuais saprolíticos e lateríticos para concluir que,
coesão verdadeira. O ajuste não linear consegue for-
diferentemente da opinião de outros autores, mesmo
necer um ganho de resistência dentro da faixa de
após a passagem da tensão de escoamento, a en-
tensão em que o efeito da estrutura é mais marcante.
voltória de resistência é curva, mas tende a se linear-
izar para elevados níveis de tensão. Outra in- Tensão vertical (kPa) - adensamento
formação obtida é que a maioria dos solos não 1 10 100 1000
apresenta coesão verdadeira. Ao serem inundados, 0.8
Tensão cisalhante (kPa) - cisalhamento direto

σ'vy
eles não podem ser ensaiados à compressão simples, adens a
mento
muito menos suportar tração. Assim, reforça-se a 600

Índice de vazios - adensamento


hipótese de que a curvatura da envoltória deve-se à 0.6
estruturação e ao índice de vazios.
Futai (2002) apresentou uma explicação fenome-
nológica para a envoltória não linear dos solos re- 400 envoltória linear:
c' = 32kPa 0.4
siduais, introduzindo, o conceito do índice de estru- φ' = 35o Envoltória curva,
turação (ID), definido como a relação entre o estado considerando os
efeitos da estrutura:
de tensão e a tensão de escoamento. Com isto, Futai σ'vy τ = σ tg φ' (1 + 0,9 x 10 (0,3 σ / σ'vy))
200
(2002) considera que a resistência do solo depende to
da tensão normal em relação à tensão de escoa- en
am
a lh o São Mateus
mento, antes do processo de cisalhamento. i s
c ret
di Quartzo-micaxisto
Ao ser adensado sob condições edométricas (ou 0
isotópicas), o solo sofre uma re-estruturação, tão ma- 0 200 400 600
ior quanto maior a tensão atuante. Para normalizar o Tensão normal (kPa) - cisalhamento direto
comportamento dos solos, Futai (2002) utilizou a
razão entre a tensão cisalhante (subtraída a coesão Figura 29. Envoltória de resistência não linear e dependente
dos efeitos da estrutura para o solo de São Mateus, dados de
efetiva) e o produto da tensão normal pela tangente Franch (2008).
do ângulo de atrito efetivo:
(τ – c’) / (σ’.tgφ’) (7) Para exemplificar o efeito da estrutura na envoltó-
ria de resistência, realizou-se a normalização da
entendendo-se como ângulo de atrito efetivo aquele tensão desviadora com a tensão média, e da tensão
obtido para variação de volume constante e fora da média com a tensão de escoamento, conforme in-
ação da tensão de escoamento. dicado na Figura 30, na qual são apresentados os da-
Com base nas observações experimentais, uma dos dos ensaios triaxiais disponíveis para o Campo
função simples para representar o comportamento Experimental da EPUSP. A razão de resistência só
dos solos residuais foi proposta por Futai (2002): se torna constante para ID maior que 3, ou seja, a
τ = c’ + σ’.tgφ’.(1 + α.10-β.ID) (8) envoltória de resistência só é linear acima de um
nível de tensão três vezes maior que a tensão de es-
sendo c’ a coesão verdadeira, φ’ o ângulo de atrito coamento. Essa informação justifica a aplicabilidade
para nível de tensão elevado, α e β parâmetros de da envoltória de resistência não linear.
ajuste e ID a relação entre a tensão normal e a tensão
3 Tabela 4. Parâmetros de resistência obtidos paralela e perpen-
dicularmente a foliação e xistosidade (Pellogia, 1997).
_________________________________________________
amostra γn c’ φ’ w e wL wP
2.5 (kN/m³) (kPa) (graus) (%) (%) (%)
_________________________________________________
1A 18,5 27 20 29,8 0,98 52,4 23,8
(σ'1 - σ'3) / (σ'1 + σ'3)

2 1B 17,7 1 33
σ'vy 11A 16,0 15 29 12,0 48,0 32,0
11B 16,8 44 30 27,8
1.5 _________________________________________________
redução dos efeitos Amostras: 1) gnaisse bandado do Parque Real e 11) gnaisse
da estrutura do Tremembé; Orientações: A) paralela à foliação e B)
1 perpendicular à foliação.
c' = 0, φ' = 30o
(σ'1+σ'3)/2σ'vy >3 Peloggia (1997) explicou que a heterogeneidade
0.5 Dados do Campo da amostra 1 não permitiu fazer uma análise conclu-
Experimental da EPUSP siva sobre a anisotropia de resistência.
ABEFE (1989)
0 Quando a superfície de ruptura é condicionada
0 2 4 6 8 10 por um plano de menor resistência, tal como em so-
(σ'1 + σ'3) / 2 σ'vy los micáceos, a resistência pode ser reduzida brus-
camente para a condição de resistência residual, as-
Figura 30. Efeito da estrutura na normalização da resistência sunto discutido no item seguinte.
para o solo do Campo Experimental da EPUSP.

Um resumo geral da resistência ao cisalhamento 6.1 Resistência residual


dos solos residuais está listado na Tabela 3.
A resistência residual é obtida para a condição de
Tabela 3. Sumário da resistência ao cisalhamento de solos re- grandes deslocamentos, sendo importante quando a
siduais tropicais, a partir de Futai (2002). superfície de deslizamento é condicionada pela
__________________________________________________
Solos residuais Solos residuais feição geológica.
jovens e saprolíticos maduros e lateríticos Existem poucos resultados de ensaios realizados
__________________________________________________
para obtenção da resistência residual. Na Figura 31
Resistência Apresentam pico Em geral não são mostrados os dados coletados, comparados às
apresentam pico
faixas de variação propostas pelos autores indicados
Envoltória Dependente do ID Dependente do ID na legenda da figura. A faixa de valor do ângulo de
atrito residual em função do teor de argila, proposto
Envoltória Trecho curvo pode Envoltória linear pode por Skempton (1964) para solos sedimentares, não
curva chegar a níveis de ser ajustada dentro da consegue enquadrar vários solos residuais. A miner-
tensão elevados faixa de uso da
(500 kPa) Engenharia
alogia dos solos residuais, em especial os tropicais,
influencia diretamente na resistência residual. Solos
Anisotropia Podem apresentar, Em geral pequena com elevados teores de mica podem apresentar
dependendo da rocha baixos valores de resistência residual, mesmo com
matriz e grau de baixos teores de argila, tal como ocorreu em uma
alteração das amostras da Estação Pinheiros, Figura 31 (a).
__________________________________________________
Fonseca et al. (2005) realizaram ensaios de
É importante deixar registrado que a anisotropia misturas de areia e mica, e de argila e mica, re-
de resistência dos solos residuais precisa ser consid- sultantes da separação das frações de um solo resid-
erada nos projetos de Engenharia, em especial quan- ual de gnaisse, e demonstraram como ocorre a queda
do constatados condicionantes geológicos estru- da resistência residual com o teor de mica, conforme
turais. apresentado na Figura 33.
Poucos estudos foram realizados com detalhes O índice de plasticidade também apresenta faixas
para se concluir qual o nível de anisotropia de re- amplas de variação. No caso de alguns solos em que
sistência dos solos residuais da região estudada. a fração silte é composta por caulinita, o IP pode ser
Peloggia (1997) apresentou parâmetros de resistên- um índice mais eficiente que o teor de argila. Por
cia orientando as amostras paralela e perpendicular- outro lado, as argilas lateríticas têm as partículas
mente à foliação ou xistosidade, para dois solos aglomeradas e levemente cimentadas por óxidos e
(gnaisse bandado do Parque Real e sericita-filito), hidróxidos de ferro e alumínio, o que faz com que o
cujos valores estão compilados na Tabela 4. Obser- ângulo de atrito residual não seja baixo, tal como
vou-se redução do ângulo de atrito na amostra do so- mostrado por Fonseca et al. (2004) e Suzuki (2004).
lo residual de gnaisse e no caso do sole residual de
sericita-filito houve redução mais pronunciada da
coesão.
40 lateríticos dos solos micáceos. Os dados que foram
(a)
16% silte incluídos nessa classificação tiveram boa con-
ângulo de atrito residual, φ'r (graus)

66% areia
cordância, como se pode observar na Figura 33, ex-
30 ceto no caso do solo residual de granito da Vila Al-
bertina.
Skempton (1964)
20 40
Solos solo de cinza

Ângulo de atrito residual, φ'r (graus)


lateríticos e vulcânica
granulares
40% de silte
muita mica
10 30 CE EPUSP
CE EPUSP (ABEF, 1989) (ABEF, 1989)
Pinheiros (Futai e Gonçalvez, 2007) Pinheiros
Vila Albertina (Godóis, 2011) (Futai e
Gonçalvez, 2007)
0
0 20 40 60 80
20 Vila Albertina
Solos (Godóis, 2011)
Teor de argila, < 2 µ (%) micáceos e
com minerais
Vaughan et al (1978) (b) parcialmente
Solos
intemperizados
Kanji (1974) 10 ricos em
Bucher (1975) esmectita
Seycek (1978)
Ângulo de atrito residual, φ'r (graus)

40 Fleischer (1972)
Argilas sedimentares
Voight (1973)
(Vaughan, 1988)
0
CE EPUSP 0 20 40 60 80
30 (ABEF, 1989) Índice de plasticidade (%)
Pinheiros
(Futai e Gonçalvez,
2007)
Figura 33. Enquadramento dos solos estudados no agrupamen-
Vila Albertina
to da resistência residual proposto por Rigo et al. (2006).
20 (Godóis, 2011)

7 CONDIÇÃO NÃO SATURADA


10
O estudo do comportamento dos solos em condições
não saturadas está bastante avançado, porém, ainda é
0
pouco usado na prática da Engenharia. Além dos
0 20 40 60 80 conceitos serem mais complexos, a indefinição do
Índice de plasticidade (%) estado do solo quanto à sua saturação podem ser jus-
tificativas para a pouca utilização desse conceito.
Figura 31. Variação do ângulo de atrito residual (a) com o teor Quando o solo está em condições não saturadas é
de argila e (b) com o índice de plasticidade.
sua curva de retenção de água é necessária para ca-
35 racterizá-lo, além dos demais parâmetros tradicion-
ais. Na literatura internacional são apresentadas cur-
30 vas de retenção de argilas, siltes e areias, nas quais
se coloca a argila como maior capacidade de re-
25 tenção de água, permanecendo saturada para sucções
maiores que os outros solos (valor de entrada de ar
20
maior). Entretanto, essa analogia não pode ser uti-
φr(º)

15
lizada para os solos residuais, sobretudo no caso dos
tropicais.
10 Conforme mostraram Futai e Suzuki (2007), a
heterogeneidade da estrutura porosa dos solos tropi-
5 mistura areia-mica cais reflete diretamente na curva de retenção de
mistura argila-mica
água. Essa informação vem de encontro com os
0 comentários apresentados no item sobre microestru-
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 tura dos solos residuais. No caso dos solos lateríti-
Proporção mica (%)
cos, sobretudo os argilosos, a curva de retenção é
Figura 32. Variação do ângulo de atrito residual com o teor de bimodal, ou seja, ela dessatura rapidamente em
mica (Fonseca et al., 2005). decorrência dos macroporos e depois retém água nos
microporos das agregações argilosas.
Um aprimoramento da correlação de Boyce Uma das maiores importâncias do conhecimento
(1985) foi proposto por Rigo et al. (2006) para solos da curva de retenção de água é a obtenção da função
residuais, o qual consegue diferenciar os solos de condutividade hidráulica em razão da sucção. No
caso dos solos não saturados, o fluxo e a própria in- resultado e ficaram em uma posição intermediária
filtração dependem da sucção, de modo que a capac- aos demais.
idade de infiltração de um solo também depende da Alguns dos solos estudados no presente trabalho
sucção. Quanto mais seco estiver o solo, menor será apresentaram curvas de retenção de água. Assim
a condutividade hidráulica. como fizeram Futai e Suzuki (2007), os dados foram
Para investigar a influência da composição granu- ajustados considerando a influência da distribuição
lométrica dos solos residuais em condição não satu- de poros, sendo as curvas resultantes apresentadas
rada, Cardoso (2006) realizou ensaios em diferentes na Figura 35.
misturas do solo residual de gnaisse do Campo Ex-
perimental da EPUSP. Na Figura 34 estão apresen- 60
CE EPUSP CE EPUSP
tados os resultados ajustados da curva de retenção de (ABEF, 1989) (Cardoso Jr, 2006)
84% areia
água e das respectivas funções de condutividade e = 0,72
e = 0,79 65% areia
50
hidráulica obtidas. e = 0,81 50% areia

Umidade volumétrica, θw (%)


São Mateus
50 (Franch, 2008)
(a) curva de retenção 40
Umidade volumétrica, θ (%)

40
30

30
20
20
teor de CE EPUSP
areia: (Vieira, 1999):
10 1,6m
35% (solo residual)
10 50% 3,0m
4,4m
65%
6,0m (a)
85% 0
0
1 10 100 1000
0.1 1 10 100 1000 10000
Sucção (kPa)
10-4 1
(b) função de condutividade
Condutividade hidráulica, k (cm/s)

Kw / Ksat (condutividade hidráulica normalizada)

10-5 hidráulica 10-1

10-6 10-2

10-7 10-3

10-8 10-4

10-9 teor de 10-5


areia:
10-10 35% (solo residual) 10-6
50%
10-11 65% 10-7
85%
10-12 10-8
0.1 1 10 100 1000 10000
Sucção matricial (kPa) 10-9

Figura 34. Resumo dos parâmetros hidráulicos dos solos resid- 10-10
uais de gnaisse com diferentes teores de areia (Cardoso Jr, (b)
2006). 10-11
1 10 100 1000
Sucção (kPa)
Os solos mais finos apresentaram maiores
umidades volumétricas saturadas (θ) e também ma- Figura 35. Curvas ajustadas a) de retenção de água e b) funções
iores valores de entrada de ar, Figura 34 (a), portanto de condutividade hidráulica normalizada.
eles retêm mais água. A condutividade hidráulica
saturada dos solos com 35% a 65% de areia apresen- A teoria de resistência ao cisalhamento de solos
taram mesma ordem de grandeza e somente o solo não saturados tornou-se um conceito tão conhecido
com 85% mostrou-se mais permeável. Porém, há quanto o próprio critério de ruptura de Möhr-
diferença marcante na função de condutividade Coulomb, a partir do modelo proposto por Fredlund
hidráulica, Figura 34 (b). A redução da condutivida- et al. (1978). Segundo este modelo, o ângulo de atri-
de com o aumento da sucção é menos intensa no so- to do solo é independente da sucção (constante) e a
lo com 35% de areia, o contrário ocorre com o solo coesão pode ser descrita pela coesão efetiva (satura-
com 85% de areia, sendo que os solos com 50% e da) mais uma parcela que varia linearmente com a
65% de areia apresentaram praticamente o mesmo sucção matricial. Este modelo foi proposto para ser
uma função de ajuste, pois necessita de ensaios com (kPa) (graus) (kPa) (%) (%)
_________________________________________________
medida ou controle da sucção para ajustar o 1 5,4 32 89,4 0,006 10 13
parâmetro φb. 2 0 34 125,1 0,003 2 NP
Resultados experimentais de Escário e Sãez 3 0 39 89,7 0,0035 5 6
(1980, 1986, 1987), Escário e Jucá (1989) e Futai 4 0 37 24,6 0,012 10 8
(2002), indicaram que a resistência varia de forma 5 60 25 165 0,015 5,6 10,9
6 32 35 171 0,002 13 4
não linear com a sucção. Desde então, há consenso _________________________________________________
no meio geotécnico de que o valor de φb não é con- Solos: 1 – 35% areia, 2 – 50% areia, 3 -65% areia e 4 – 85%
stante. Até o valor de entrada de ar, o solo obedece areia (Cardoso, 2006). Solo 5 – Campo Experimental EPUSP-
ao princípio das tensões efetivas de Terzaghi, Poço 1, prof. 5,8m (ABEF, 1989). Solo 5 – São Mateus
portanto, φb deve ser igual a φ’. (Franch e Futai, 2009).
Futai (2002) propôs um ajuste não linear da
coesão com a sucção, dado por: Para serem obtidas as curvas apresentadas na
Figura 36, é necessário realizar ensaios com controle
c[s] = c’ + (c[ua–uw=∞] – c’).{1 – 10 α.(ua-uw)} (9) ou medida de sucção, o que nem sempre é possível.
sendo c[s] o intercepto de coesão aparente, c’ a Entretanto, existem algumas formas de se obter in-
coesão efetiva para o solo na condição saturada, formações de forma indireta. Por exemplo, Vanapal-
c[ua–uw = ∞] a máxima coesão do solo, e α um parâmet- li et al. (1996) propuseram uma função cuja re-
ro de ajuste da coesão aparente. sistência varia de forma não linear e depende da
Assim, a envoltória de resistência é dada por: curva de retenção de água, tal como indicado na
Figura 37.
τ = c[s] + (σ – ua).tgφ’ (10)
sendo que se c[s] for adotado igual a valor de
a)
entrada de ar
c’ + (ua – uw).tgφb, a equação 10 se torna igual à
umidade volumétrica

proposta de Fredlund et al. (1978). zona de efeitos zona de zona


de contorno dessaturação residual
A equação 10 considera que as envoltórias de re-
sistência não saturada são paralelas à saturada. Há
indícios experimentais de que isso nem sempre ocor-
ra desta maneira. Futai (2002) e Futai et al. (2004) umidade
residual
apresentam um modelo que consegue representar
também a variação do ângulo de atrito com a sucção. sucção
Aplicando-se esse conceito (com ângulo de atrito
constante com a sucção) para os solos analisados, b)
tensão cisalhante

saturado não saturado


foram obtidas as curvas apresentadas na Figura 36.
As características dos solos e os parâmetros
necessários para gerar as curvas a partir da ϕb<ϕ'
equação 9 estão apresentados na Tabela 5.
200 ϕb=ϕ'
CE EPUSP ( ABEF, 1989) CE EPUSP
Poço 1 - 5,8m (Cardoso Jr,
2006): (u a - uw )b
Coesão aparente (kPa)

São Mateus 84% areia


150 65% areia
(Franch e Futai, 2009) sucção
50% areia
35% areia Figura 37. Envoltória de resistência de solos não saturados em
100
função da curva de retenção de água (Vanapalli et al., 1996).

A função proposta por Vanapalli et al. (1996) é a


50 seguinte:
τ = c’ + (σ – ua).tgφ’ + (ua – uw).Θκ.tgφ’ (11)
0 sendo κ um parâmetro de ajuste e Θ a umidade
0 50 100 150 200 250 300 volumétrica normalizada, dada por:
Sucção (kPa)
Θ = (θw – θr) / (θsat – θr) (12)
Figura 36. Variação da coesão aparente com a sucção.
sendo θw, θsat e θr as umidades volumétricas analisa-
da, saturada e residual, respectivamente.
Tabela 5. Características dos solos e parâmetros de resistência Além dos parâmetros de resistência efetivos obti-
não saturados.
__________________________________________________ dos de ensaios convencionais, o único parâmetro
Solo c’ φ’ c[ua-uw=∞] a Argila IP necessário é o κ. Cardoso (2006) atualizou a cor-
relação de κ com o índice de plasticidade, apresen- quenas deformações quanto degradados com o au-
tada na Figura 38, facilitando a aplicação da mento do nível de deformação, ou retro-analisados a
equação 11. partir de obras instrumentadas.
O pressiômetro autoperfurante é um equipamento
3.0 que poderia ser mais comumente utilizado, em razão
2.5
de suas notórias qualidades: além de fornecer a cur-
Parâmetro de ajuste, κ

va tensão-deformação in-situ, também permite obter


2.0 ramo ramo o valor do coeficiente de empuxo em repouso. Os
seco Vanapalli et al. (1996)
seco
dados existentes de K0 indicam que nos solos resid-
1.5 Vanapalli e Fredlund (2000)
ramo
Oliveira (2004)
uais de gnaisse os valores podem ser superiores à
1.0
úmido
35% areia (Cardoso Jr, 2006)
unidade, tendo implicação direta em projetos de es-
ótimo
50% areia (Cardoso Jr, 2006) cavações e contenções, por exemplo.
0.5 65% areia (Cardoso Jr, 2006) Para os solos residuais não saturados, o conheci-
85% areia (Cardoso Jr, 2006) mento da variação sazonal da sucção permite melhor
0.0
0 5 10 15 20 25 30 35 40
definir o comportamento do material, fornecendo
Índice de plasticidade, IP (%)
subsídios para análises e previsões mais realistas.

Figura 38. Valores de κ em função do índice de plasticidade


(Cardoso Jr, 2006). AGRADECIMENTOS

Além da curva de retenção de água e das funções Os autores agradecem as contribuições de Carlos
de condutividade hidráulica e de resistência dos so- Pinto, Celso Correa, Gerson de Castro, Mariana
los não saturados, existem outras particularidades Caldo, Mathias Hueck e William Ito.
que precisam ser lembradas, tais como o colapso e a
expansão. Tanto os solos expansivos como os
colapsíveis têm a magnitude de deformação de- REFERÊNCIAS
pendente da sucção. Não há registros de solos resid-
uais colapsíveis e expansivos na Região Metropoli- ABEF. 1989. ABEF Research on Foundation Engineering.
Published on the occasion of the XII ICSMF, 9-45
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Paulo têm como rocha matriz o embasamento crista- carregado segundo diferentes trajetórias de tensões. 152 p.
lino dos Terrenos Embu e Apiaí, cujas unidades lito- Dissertação (Mestrado em Engenharia Geotécnica) - Escola
lógicas predominantes são os gnaisses, filitos, xistos Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.
e granitos. Barros, J.M.C. 1996. Módulo de cisalhamento dinâmico do so-
As investigações geotécnicas realizadas nesses lo residual do Campo Experimental da EPUSP/ABEF. II
Seminário de Engenharia de Fundações Especiais, São Pau-
solos e disponibilizadas até o presente momento não lo, vol.1, 9-16.
permitiram formar um banco de dados considerável Barros, J.M.C. ; Pinto, C.S. 1997. Estimation of Maximum
representativo. Notou-se que os dados levantados se Shear Modulus on Brazilian Tropical Soils from Standard
encontram mais concentrados na região oeste da Penetration Test. XIV Int. Conf. on Soil Mech. and Found.
cidade de São Paulo, referentes aos solos residuais Engineering.
Boyce, J.R. 1985. Some observations on the residual strength
de gnaisse. of tropical soils. 1st International Conference on Geome-
As informações e correlações apresentadas neste chanics in Tropical Lateritic and Saprolitic Soils., Brasilia,
capítulo servem como base para um primeiro vol. 1, 229-237
conhecimento do comportamento dos solos residuais Brenner, R. P. ; Garga, V.K. & Blight, G.E. 1997. Shear
da Região Metropolitana. Porém, devido à pouca Strength behaviour and measuring of shear strength in re-
representatividade espacial e estatística, não é acon- sidual soil. Mechanics of residual soil. Ed. Blight.
Bucher, F. 1975. Die Restscherfestigkeit natürlicher boden, ih-
selhável que estas informações sejam a única fonte re einflussgrößen und beziehungen als ergebnisse experi-
para obtenção de parâmetros de projeto. menteller untersuchungen. PhD Thesis, n.103, Institute for
Demonstra-se necessário que sejam realizadas Found. Eng and Soil Mech. SFIT, Zürich.
mais investigações nos solos residuais, sobretudo Cardoso Jr., C.R. 2006. Estudo do Comportamento de um Solo
com maior aprofundamento científico, com o intuito Residual de Gnaisse Não-saturado para Avaliar a Influência
da Infiltração na Estabilidade de Taludes. Dissertação
de respaldar as aplicações práticas. (Mestrado) – Escola Politécnica da USP. São Paulo.
Precisam ser realizados com mais frequência Casagrande, A. 1936. Determination of the preconsolidation
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