Você está na página 1de 172

ILUMINAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL:

ASPECTOS ENERGÉTICOS E INSTITUCIONAIS

Lourenço Lustosa Fróes da Silva

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS

PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE

FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS

PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM PLANEJAMENTO ENERGÉTICO

Aprovada por:

______________________________________

Prof. Roberto Schaeffer, Ph. D.

______________________________________

Prof. Alexandre Salem Szklo, D. Sc.

______________________________________

Prof. George Alves Soares, D. Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL

MARÇO DE 2006
ii

FRÓES DA SILVA, LOURENÇO LUSTOSA

Iluminação Pública no Brasil: Aspectos

Energéticos e Institucionais [Rio de Janeiro] 2006

XI, 161 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M. Sc.,

Programa de Planejamento Energético, 2006)

Dissertação – Universidade Federal do Rio de

Janeiro, COPPE

1. Iluminação Pública

I. COPPE/UFRJ II. Título (série)


iii

À minha família, que me permitiu chegar até aqui


iv

AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, pela disponibilidade incondicional prestada, apesar de todas as

suas viagens e compromissos de trabalho. E ainda pelos conselhos profissionais dos

quais nunca se esquivou e que sempre me foram encorajadores.

À equipe da Eletrobrás / Programa ReLuz, pelos bons tempos de convivência, pela

excelente troca de experiências e por termos juntos aprendido o espírito do trabalho em

equipe.

À Ingrid Utz Melere, da CEEE, pelas andanças pelos pagos no Rio Grande do Sul,

quando observávamos diretamente as características dos municípios e permitindo-me

absorver um conhecimento além do que se escreve.

À equipe da Coelba, que sempre demonstrou seriedade no trabalho e

receptividade pessoal invejável, além de terem me acompanhado nas intermináveis e

ricas incursões pelos municípios do estado da Bahia.

À Mércia da Fonte, da Chesf, pelo envio dos resultados da pesquisa que consta no

Anexo II.

Aos que participaram dessas experiências vividas nos dois anos de trabalho no

Programa ReLuz da Eletrobrás que estimularam este trabalho e a todos os que

contribuíram de forma direta e indireta para a realização deste trabalho.


v

Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos

necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M. Sc.)

ILUMINAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL:

ASPECTOS ENERGÉTICOS E INSTITUCIONAIS

Lourenço Lustosa Fróes da Silva

Março/2006

Orientador: Roberto Schaeffer

Programa: Planejamento Energético

Este trabalho apresenta análises do ponto de vista institucional e energético

acerca da iluminação pública no Brasil. A iluminação pública é caracterizada sob os

aspectos históricos, legais, de custeio, tecnológicos e sócio-ambientais. Para

caracterização quantitativa, são apresentados um cadastro nacional, objeto de pesquisa

do autor, e também os níveis estaduais de atendimento à população. Realiza-se um

estudo da relação existente entre indicadores de desenvolvimento locais e os níveis

estaduais de penetração da iluminação pública. Apresenta-se uma análise dos potenciais

de economia de energia elétrica atualmente existentes em iluminação pública para cada

estado brasileiro. A análise procura demonstrar a viabilidade, ou não, para a realização de

investimentos em melhoria dos sistemas, de acordo com óticas de diferentes agentes. O

trabalho mostra que existe oportunidade para melhoria dos sistemas e que essa melhoria

pode trazer resultados significativos em conservação de energia.


vi

Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the

requirements for the degree of Master of Science (M. Sc.)

STREET LIGHTING IN BRAZIL:

ENERGETIC AND INSTITUTIONAL OVERVIEW

Lourenço Lustosa Fróes da Silva

March/2006

Advisor: Roberto Schaeffer

Department: Energy Planning Program

This work analizes street lighting in Brazil according to the institutional and energy

points of view. The street lighting is characterized under historical, legal, financial

incoming, technological and environmental-social aspects. A quantitative characterization

is performed by a national inventory, wich results from an author´s research, and also

state population attendance levels. The existing relationship between local development

indices and the state levels of penetration of street lighting is assessed, as well as the

electricity savings potentials currently existing for each Brazilian state. The analysis

focuses on the investment feasibility of system improvement, in accordance to the different

agents’ points of view. The work presents that there is the opportunity for system

improvement with significant results on energy savings.


vii

Índice

1 Introdução...........................................................................................................1

2 Iluminação Pública no Brasil...............................................................................9

2.1 Histórico da Iluminação Pública ..................................................................9

2.2 O Caso das Capitais: Rio de Janeiro e Brasília ........................................13

2.3 Marco Legal...............................................................................................30

2.4 Medição, Tarifação e Custeio....................................................................38

2.5 Conclusões................................................................................................44

3 Análise Tecnológica..........................................................................................46

3.1 Conceitos Utilizados em Luminotécnica....................................................46

3.2 Tecnologias Atualmente Disponíveis ........................................................47

3.3 Normas Brasileiras Aplicáveis ...................................................................55

3.4 Conclusões................................................................................................56

4 Iluminação Pública – Aspectos Sócio-Ambientais............................................58

4.1 A Questão Ambiental.................................................................................58

4.2 Aspectos de Segurança Pública................................................................69

4.3 A IP como Indicador de Desenvolvimento Local .......................................72

4.4 Conclusões................................................................................................83

5 Inventários de Iluminação Pública ....................................................................84

5.1 Inventário Nacional de IP ..........................................................................84

5.2 Inventário Norte-Americano de Iluminação ...............................................88

5.3 O Caso do Peru.........................................................................................90

5.4 Conclusões................................................................................................92

6 Programas de Eficiência Energética em IP no Brasil .......................................94

6.1 A Reutilização de Materiais e Equipamentos ............................................97


viii

6.2 O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica .....................98

6.3 O Programa Reluz da Eletrobrás ............................................................102

6.4 Os Programas de Eficiência Energética (PEE) da Aneel ........................106

6.5 Iluminação Pública como Uso Final ........................................................109

6.6 Conclusões..............................................................................................113

7 Potenciais de Economia de Energia Elétrica na Iluminação Pública no

Brasil.................................................................................................................................114

7.1 Base para Realização dos Estudos.........................................................114

7.2 Potencial Técnico de Economia de Energia Elétrica...............................114

7.3 Potencial Econômico de Economia de Energia Elétrica..........................117

7.4 Potencial de Mercado de Economia de Energia Elétrica ........................120

7.5 Análise dos Potenciais de Economia de Energia no Parque Nacional de

Iluminação Pública ........................................................................................................129

7.6 Estímulos à Melhoria da Eficiência..........................................................131

7.7 Benefícios Diretos e Indiretos dos Programas de Eficiência na IP .........133

7.8 Conclusões..............................................................................................137

8 Conclusão.......................................................................................................138

9 Referências Bibliográficas ..............................................................................144

10 Anexos............................................................................................................150
ix

Índice de Tabelas, Gráficos e Quadros

TABELAS Páginas

Tabela 1: Consumo de Energia Elétrica Faturado no Brasil em 2003 (MWh) 2

Tabela 2: Composição do Parque de Iluminação Pública da Cidade do Rio de 29


Janeiro referente ao ano de 2003

Tabela 3: Tempo Médio Diário de Escuridão para Latitudes Representativas do 40


Brasil

Tabela 4: Tarifas Médias por Classe de Consumo - Regional e Brasil (R$/MWh) 42


– Tarifas referentes ao ano de 2004

Tabela 5: Propriedades do Elemento Químico Mercúrio 61

Tabela 6: Quantidade de Mercúrio Encontrada nas Lâmpadas Comercializadas 68


no Brasil

Tabela 7: Percentual de Atendimento com Índices de Desenvolvimento Local 73


por Região

Tabela 8: Relação entre Atendimento de IP e Índices de Desenvolvimento Local 75


Considerados (percentual de moradores em domicílios particulares
permanentes com iluminação pública / percentual de moradores em domicílios
particulares permanentes com um dos serviços listados) para os Estados
Brasileiros

Tabela 9: Relação Habitantes por Ponto de IP em cada Estado Brasileiro 79

Tabela 10: Distribuição de Lâmpadas de IP no Brasil – ano base 2004 85

Tabela 11: Fluxo Luminoso Produzido pelas Lâmpadas com Base no Cadastro 87
Nacional de IP Brasileiro.

Tabela 12: Uso de Energia Elétrica nos EUA para Iluminação 88

Tabela 13: Distribuição de Lâmpadas de IP nos EUA 89

Tabela 14: Índices Mínimos de Atendimento Estipulados pela Osinerg no Peru. 91


x

Tabela 15: Evolução da Quantidade de Lâmpadas Existentes no Parque de 92


Iluminação Pública Peruano por Tipo (em milhares de lâmpadas)

Tabela 16: Evolução do Rendimento das Fontes de Produção de Luz 94

Tabela 17: Pesquisa Nacional de Potencial Técnico de Conservação de Energia 102


em Iluminação Pública — 1995

Tabela 18: Realizações do Programa Reluz 105

Tabela 19: Investimentos e Resultados dos PEE’s da Aneel 107

Tabela 20: Pontos Substituíveis de Acordo com as Premissas Apresentadas 116

Tabela 21: Custos dos Principais Equipamentos e Materiais Envolvidos numa 119
Substituição (em R$ por unidade)

Tabela 22: Economia de Energia (Potencial Técnico) por Estado 124

Tabela 23: Avaliação Econômica e de Mercado 125

Tabela 24: Análise de Sensibilidade no VPL com Percentual de Depreciação 126


Física (expresso em milhões de R$)

Tabela 25: Sensibilidade VPL com Percentual de Depreciação Física (expresso 127
em milhões de R$) considerando-se o valor residual

Tabela 26: Análise de Sensibilidade no TRS com Percentual de Depreciação 128


Física

Tabela 27: Resumo dos Potenciais de Economia de Energia Elétrica nos 130
Sistemas de Iluminação Pública (expressos em potência elétrica, MW)

GRÁFICOS Páginas

Gráfico 1: Eficiência Luminosa das Lâmpadas Utilizadas em IP 5

Gráfico 2: Evolução na Quantidade de Pontos de Iluminação Pública a Gás e a 20


Energia Elétrica no Rio de Janeiro (de 1857 a 1933)

Gráfico 3: Relação entre Atendimento de IP e Índices de Desenvolvimento Local 78


xi

Considerados, por Região e Média Brasileira

Gráfico 4: Percentual de Atendimento, Relação Pontos / Habitante x1000 e 82


Linearização da Curva da Relação Pontos / Habitante x1000 para os Estados
Brasileiros.
Gráfico 5: Pontos Substituídos por Conta dos PEE’s da Aneel em Cada Ciclo 108

Anual

Gráfico 6: Economia de Energia em W/ponto com os PEE’s da Aneel 109

QUADROS Páginas

Quadro 1: Componentes de um Sistema de Iluminação Pública 6

Quadro 2: Receitas Tributárias 35

Quadro 3: Etapas Evolutivas da Produção de Luz Artificial 48

Quadro 4: Tipos de lâmpadas utilizados na iluminação pública 50

Quadro 5: Quantidade de Lâmpadas Incandescentes 200W Existentes em 1988 100


no Brasil.

Quadro 6: Processo de Produção do Serviço Desejado na Iluminação Pública 110

Quadro 7: Qualidade do Serviço com Diversas Condições de Sistema de 112


Iluminação Considerando uma Mesma Potência de Lâmpada

Quadro 8: Alternativas de Substituição Propostas 115

Quadro 9: Dados do Cadastro de Potencial Técnico de Economia 117

Quadro 10: Homem-hora Envolvidos nas Obras de Melhoria dos Sistemas de IP 134
1/161

1 Introdução

A Iluminação Pública pode ser definida como o serviço que tem por objetivo prover

de luz, no período noturno ou nos escurecimentos diurnos ocasionais, os logradouros

públicos, inclusive aqueles que necessitem de iluminação permanente no período diurno

(Resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel n.º 456/2000).

No Brasil, o consumo de energia elétrica destinado à iluminação é expressivo.

Cerca de 17% do consumo total de energia elétrica está associado à produção de luz

através da energia elétrica, incluindo a iluminação pública (KOZLOFF et al.,2001).

A iluminação pública representa cerca de 3,5% do consumo total de energia

elétrica. A Tabela 1, apresentada a seguir, mostra a distribuição do consumo faturado de

energia elétrica no Brasil no ano de 2003. De um total de 301 TWh faturados, cerca de 10

TWh foram associados à iluminação pública.


2/161

Tabela 1: Consumo de Energia Elétrica Faturado no Brasil em 2003 (MWh) 1

RESIDENCIAL 76.349.290 25,4%

INDUSTRIAL 129.782.651 43,1%

COMERCIAL, SERVIÇOS E OUTRAS ATIVIDADES 47.730.371 15,9%

RURAL 13.975.666 4,6%

PODER PÚBLICO 8.914.512 3,0%

ILUMINAÇÃO PÚBLICA 10.349.551 3,4%

SERVIÇO PÚBLICO TRAÇÃO, ÁGUA E ESGOTO 11.294.141 3,8%

CONSUMO PROPRIO 2.563.886 0,9%

TOTAL FATURADO 300.960.067 100,0%

Fonte: Eletrobrás, 2004e

Há cerca de 13 milhões de pontos de iluminação pública cadastrados no Brasil

(Eletrobrás, 2004b). Cada ponto tem um consumo médio equivalente de cerca de 800

kWh/ano e uma potência média instalada de aproximadamente 184 W.

A participação da iluminação pública em relação à demanda é mais expressiva do

que em relação ao consumo de energia elétrica. A demanda máxima do setor elétrico

brasileiro girava em 2003 em torno de 50GW médios (Eletrobrás, 2003). Os 13 milhões de

pontos de IP representam uma solicitação de cerca de 4,5% da demanda de ponta do

sistema elétrico (2,2GW), considerando-se que os sistemas de iluminação pública entram

em operação no horário onde há maior solicitação do sistema elétrico nacional.

1
O consumo faturado apresentado é referente ao ano de 2003, apesar da presente

dissertação ter sido concluída em março de 2006, para que os dados possam ser correlacionados

com o cadastro nacional de iluminação pública que foi levantado referente ao ano de 2003.
3/161

Portanto, como a participação da iluminação pública na demanda do sistema

elétrico brasileiro (4,5%) é mais significativa do que no consumo da energia elétrica

(3,5%), os programas que permitam a redução da demanda elétrica em iluminação

pública proporcionam expressivos custos evitados de demanda, além dos custos evitados

com fornecimento de energia, como será demonstrado através da metodologia da

Relação Benefício Custo (RBC), descrita no Anexo I.

A iluminação pública não é um serviço público regulado de forma centralizada. A

prestação deste serviço é de competência dos mais de 5.560 municípios brasileiros. Por

esta razão, existe grande diversidade de sistemas, tecnologias, níveis de atendimento e

de qualidade dos serviços prestados.

Quanto ao alcance da iluminação pública, pode-se dizer que as desigualdades

verificadas no país também se refletem na iluminação pública. As desigualdades são

encontradas em diversos níveis:

a) regional - conforme será apresentado, há regiões do país onde o número

total de pontos por habitante é consideravelmente mais expressivo do

que em outras;

b) local - dentro de um mesmo município podem ser verificadas localidades

urbanas onde ainda não existe iluminação pública, o que pode inclusive

sinalizar a falta de outros pontos na infra-estrutura básica de água,

saneamento, pavimentação etc.

c) de tecnologia – regionalmente ou localmente são encontradas

discrepâncias entre as tecnologias aplicadas. As luminárias mais

modernas são utilizadas nos grandes centros urbanos e em cidades


4/161

menos favorecidas ainda são instalados sistemas com luminárias

abertas;

d) de obsolescência e depreciação física – a vida útil dos equipamentos

constituintes dos sistemas de iluminação, quando ultrapassada, pode

aumentar as perdas do sistema, reduzir o rendimento dos equipamentos

e não atingir os níveis mínimos de qualidade de serviço que possam

conferir a segurança desejada de acordo com os parâmetros de projeto.

Tecnologias obsoletas podem também fornecer serviços com qualidade

inferior, além de, em geral, representarem um maior consumo de

energia;

Em muitos municípios não há competências técnicas e nem recursos humanos

para tratar a questão específica da iluminação pública. Nesse caso, a manutenção e a

expansão dos sistemas é feita de forma pouco planejada e a gestão do parque acaba

sendo deficiente (ver nota 4).

A modernização dos parques de iluminação pública, com a adoção de tecnologias

mais modernas e eficientes, permite uma evolução na qualidade do serviço de iluminação

e ganhos diretos com a redução no consumo de energia elétrica, visto que a evolução nas

tecnologias utilizadas nos sistemas de iluminação vem permitindo que se chegue a

mesmos níveis de iluminamento com potências cada vez menores. A eficiência luminosa

das lâmpadas com diversas tecnologias utilizadas atualmente no Brasil para iluminação

pública é apresentada no Gráfico 1 a seguir.


5/161

200

Eficiência luminosa (lm/W


150

100

50

0
Incandescentes Mistas Vapor de Multi-vapor Vapor de Sódio
Mercúrio Metálico

Tipo de Lâmpadas

Gráfico 1: Eficiência Luminosa das Lâmpadas Utilizadas em IP

Fonte: elaboração própria com dados de Eletrobrás, 2004c

A expressão “sistemas de iluminação” aqui utilizada não faz referência somente às

lâmpadas, que efetivamente representam a maior contribuição para a redução das

potências finais de cada sistema, mas a todo o conjunto luminotécnico, incluindo suportes,

luminárias, chaves de comando e reatores. Ou seja, todo o sistema responsável por

prover, a partir de determinado insumo energético, o serviço de iluminação pública. Todos

os componentes do sistema são importantes, pois participam para um melhor

aproveitamento da energia na produção da luz visível, seja na conversão da energia em

energia luminosa, seja no direcionamento do fluxo luminoso para o plano de trabalho, a

superfície das vias públicas. No Quadro 1 são apresentados os componentes dos

sistemas de iluminação pública.


6/161

Quadro 1: Componentes de um Sistema de Iluminação Pública

Componente Comentário

Redes de As redes devem ser adequadamente dimensionadas para as cargas envolvidas.

alimentação No caso de projeto de alteração de potências, deverão ser analisados os impactos

nas redes de alimentação dos sistemas de iluminação pública.

Suportes Os sistemas de iluminação pública no Brasil em geral utilizam os próprios postes

de distribuição de energia elétrica como suportes. Por essa razão, muitas vezes a

montagem acaba sendo inadequada. Os braços que suportam a luminária devem

ser projetados conjuntamente com o sistema de iluminação, para que se possa

colocar a luminária na melhor posição para distribuição da luz na via pública

Chaves de Em geral, são utilizados relés fotoelétricos, de forma que os sistemas de

comando iluminação pública sejam automaticamente acionados e desligados com o início e

o término dos escurecimentos. Por imprecisão dos relés poderá haver

acionamentos indevidos, energizando os sistemas antes ou após o momento

exato do início e do término do escurecimento, o que pode significar perda de

energia.

Reatores As lâmpadas de descarga necessitam de um reator para controlar e estabilizar

sua corrente de partida e a sua tensão de funcionamento.

Luminárias As luminárias direcionam o fluxo luminoso produzido pelas lâmpadas para o plano

de trabalho. O rendimento das luminárias deve ser máximo, de forma que se

tenha o máximo de luz produzida disponível na superfície da via pública.

Lâmpadas A potência de uma lâmpada e o fluxo luminoso nominal da lâmpada são dados

que caracterizam o sistema de iluminação pública, no entanto, todos os outros

componentes do sistema deverão atuar de forma integrada para que seja

otimizada a utilização do fluxo luminoso produzido pela lâmpada.

Fonte: Elaboração própria com dados de Eletrobrás, 2004c


7/161

Os sistemas de iluminação devem, portanto, ser caracterizados por todos seus

componentes, para uma descrição da qualidade do serviço fornecido e da eficiência na

conversão da energia em serviço energético.

Neste trabalho são apresentadas as características da iluminação pública no

Brasil. São efetuadas análises sobre o alcance social e relação com outros índices de

desenvolvimento local. E finalmente uma análise de potenciais de melhoria da utilização

da energia na iluminação pública, de acordo com a ótica de diferentes agentes.

Caracteriza-se a iluminação pública e apresenta-se o cadastro nacional de

iluminação pública atualizado. Com base no cadastro são efetuadas estimativas dos

potenciais de economia de energia, sob óticas dos diferentes agentes. Além disso, é

analisada a relação existente entre índices de desenvolvimento local levantados pelo

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a penetração da iluminação pública

nas áreas urbanas.

No Capítulo 2, apresentam-se as principais características dos sistemas de

iluminação pública no Brasil. O histórico mostra como os sistemas foram formados. Os

casos das capitais ilustram exemplos de como foi a evolução dos sistemas, das

tecnologias e das técnicas de iluminação utilizadas. O “marco legal” mostra a atribuição

das responsabilidades pelo serviço e considerações sobre medição do consumo, tarifação

e custeio.

No Capítulo 3 é efetuada uma análise tecnológica, com a apresentação dos

conceitos e das tecnologias atualmente utilizados em luminotécnica e as normas

aplicáveis para a iluminação pública no Brasil.


8/161

O Capítulo 4 traz as ponderações sócio-ambientais, mostrando os riscos inerentes

à adoção de novas tecnologias que contêm componentes que podem ser nocivos ao meio

ambiente e os aspectos sociais, a influência da iluminação pública na segurança e suas

características de índice de desenvolvimento local.

O Capítulo 5 apresenta inventários, ou cadastros, de iluminação pública. O

cadastro brasileiro servirá posteriormente de subsídio para o cálculo dos potenciais de

economia de energia elétrica e os demais cadastros são apresentados como referências

para comparação (EUA e Peru).

No Capítulo 6 é feita uma análise dos programas de eficiência energética em

iluminação pública. Relativo destaque é dado ao Programa Nacional de Conservação de

Energia Elétrica (Procel) e ao Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (Reluz),

ambos conduzidos pela Eletrobrás no Brasil.

O Capítulo 7 traz estudos dos potenciais de economia de energia elétrica na

iluminação pública, sob a ótica dos diferentes agentes do setor. Esses potenciais foram

calculados com base no cadastro nacional de iluminação pública e com estimativas de

restrições econômico-financeiras dos agentes. São apresentados ainda os benefícios

diretos e indiretos dos programas de eficiência na iluminação pública.

O Capítulo 8 apresenta as principais conclusões obtidas com a realização deste

trabalho. A seguir são apresentados a bibliografia utilizada e os anexos a citações no

corpo desse trabalho.


9/161

2 Iluminação Pública no Brasil

2.1 Histórico da Iluminação Pública 2

Inicialmente a iluminação pública era realizada através de lampiões a combustível.

Em Nova Iorque, em 1762, a administração da cidade instituiu um tributo para subsidiar a

instalação de lampiões, os agentes de manutenção necessários e o consumo de óleo. Em

1879, nos EUA, foram instaladas as primeiras lâmpadas elétricas para iluminar vias

públicas. Doze lâmpadas a arco voltaico na Public Square, em Cleveland. Os sistemas

elétricos ainda eram utilizados de forma alternada com os lampiões a combustível, já que

somente no século XX os sistemas elétricos viriam a se tornar suficientemente confiáveis

para operarem sem necessidade de retaguarda (CLDC, 2005).

As lâmpadas elétricas foram inicialmente as chamadas lâmpadas a arco voltaico,

cujos estudos de desenvolvimento iniciaram-se por volta de 1800. Em 1879, foi inventada

a lâmpada com filamento incandescente, por Thomas Edison. Esta lâmpada viria a se

tornar a lâmpada com a grande praticidade que a fez perdurar como única tecnologia

elétrica que viria a ser utilizada por aproximadamente 56 anos (1879 a 1935) (CODI,

1988).

Na primeira década do século XX, viriam a ser estudadas e desenvolvidas as

lâmpadas de descarga em atmosfera de gás, incluindo as lâmpadas utilizando vapor de

2
As referências a datas, quando não explicitadas no final do parágrafo, foram obtidas de

MEMÓRIA, 2002.
10/161

mercúrio, a altas e baixas pressões, e as lâmpadas utilizando vapor de sódio, igualmente

a altas e baixas pressões. As primeiras aplicações destas lâmpadas seriam feitas na

década de 30. Na década de 60 iniciar-se-iam as primeiras aplicações das lâmpadas a

vapor de sódio a alta pressão e a multivapores metálicos que viriam a ganhar espaço

crescente nas aplicações de iluminação pública (CODI, 1988).

Quanto à fonte energética, num primeiro momento os lampiões a óleo vegetal,

mineral ou animal foram utilizados. Num segundo momento, o querosene e o gás. E, a

partir do desenvolvimento das lâmpadas elétricas, a energia elétrica viria a se firmar como

fonte confiável de energia para alimentação das lâmpadas para iluminação pública.

As aplicações da energia elétrica vinham sendo desenvolvidas na Europa desde a

Revolução Industrial na Inglaterra. Na segunda metade dos anos de 1850, após séculos

de uso da lenha, das velas de cera, das lamparinas que queimavam óleo de baleia e da

iluminação a gás inaugurada pelo Barão de Mauá, a energia elétrica chegou ao Brasil

(ELETROBRÁS, 2002b).

D. Pedro II visitara a Exposição de Filadélfia em 1876 e voltara ao Brasil

estimulado com a energia elétrica. Autorizou então que Thomas Edison introduzisse suas

invenções no Brasil e, em 1879, foi inaugurada a iluminação elétrica da estação central da

Estrada de Ferro D. Pedro II (depois Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro),

constituída por apenas seis lâmpadas Jablockhov acionadas a partir da energia elétrica

gerada por dois dínamos.

Em 1887, Porto Alegre inaugurava um serviço municipal de iluminação elétrica - o

primeiro do país - aproveitando a energia elétrica gerada em usina térmica da Companhia


11/161

Fiat Lux. No Rio de Janeiro, criava-se a Companhia de Força e Luz, responsável por mais

de 100 lâmpadas de iluminação pública. Os serviços viabilizados pela energia elétrica se

estendiam à força motriz, principalmente no setor têxtil.

As primeiras experiências com energia elétrica aconteceram na cidade do Rio de

Janeiro, mas anteriormente outras cidades já usufruíam do melhoramento. A primeira, em

1883, foi Campos dos Goytacazes (RJ). A seguir vieram inúmeras outras: Rio Claro (SP),

Juiz de Fora (MG), Piracicaba (SP), São Carlos do Pinhal (SP), Ribeirão Preto (SP), São

João Del Rei (MG), Belo Horizonte (MG), Petrópolis (RJ), Manaus (AM) e Belém (PA)

(MEMÓRIA, 2004).

A primeira usina considerada de porte para "força e luz", expressão corrente para

denominar os serviços de força motriz e iluminação, viabilizados pela energia elétrica, foi

a hidrelétrica de Marmelos, erguida pelo industrial Bernardo Mascarenhas, considerada o

marco zero na história da energia elétrica no Brasil e na América Latina, que seria

construída em 1889, às margens do rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG).

Assim, um dos primeiros serviços energéticos produzidos a partir da energia

elétrica foi a iluminação pública.

Até 1900, as pequenas usinas instaladas somavam apenas 12MW de capacidade,

eminentemente térmica. Com a chegada do grupo Light do Canadá o potencial

hidrelétrico do país começaria a ser explorado de forma mais intensa. Em 1889 a Light

iniciou a operação de suas primeiras linhas de bondes elétricos na capital paulista,

produzindo energia elétrica numa pequena central a vapor.


12/161

Em 1905 a Light iniciou a construção da usina de Fontes, no município de Piraí,

através da Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company. Absorveu pequenas

empresas já existentes, monopolizando então os serviços de iluminação, bondes e

telefones, além do fornecimento de gás. Em 1909 a Usina de Fontes chegaria a uma

capacidade instalada de 24MW, sendo então considerada uma das maiores do mundo. O

regime de concessões de serviços públicos imperava no Brasil, dada a precariedade da

administração pública para atender a crescente demanda da sociedade. A Constituição de

1891 não fazia distinção entre a propriedade dos recursos naturais e a posse da terra. As

concessões eram geralmente outorgadas pelas prefeituras e o poder concedente, em

caso de exploração de quedas d'água, era dos governos estaduais. Os primeiros

contratos de concessão tinham prazos de até 90 anos, além de garantias financeiras do

Estado às concessionárias.

Assim, a exploração da energia elétrica no Brasil data do início do século XX,

quando foram fundadas as primeiras companhias geradoras e distribuidoras, em sua

maioria estrangeiras. Muitas dessas empresas celebravam contratos de concessão

diretamente com os municípios (CODI, 1984).

Entretanto, como o serviço de fornecimento de energia elétrica ganhava

progressivamente maior importância, para sua concessão foi atribuída exclusividade

federal. A prestação do serviço de iluminação pública foi, portanto, atribuída como

responsabilidade dos municípios.

As capitais Rio de Janeiro e Brasília foram das primeiras cidades brasileiras a

experimentarem diversas inovações tecnológicas. A seguir, o caso das capitais será


13/161

apresentado de forma a ilustrar como foi a evolução dos sistemas, das tecnologias e das

técnicas de iluminação utilizadas.

2.2 O Caso das Capitais: Rio de Janeiro e Brasília

A cidade do Rio de Janeiro, quando capital do Brasil, experimentou importantes

inovações tecnológicas na iluminação pública. Na época da transferência da capital para

Brasília, também foram procurados sistemas tecnologicamente avançados para equipar a

iluminação pública da capital. Dessa forma, esses dois casos serão aqui explorados, de

forma a ilustrar a evolução tecnológica da iluminação pública no Brasil.

A cidade do Rio de Janeiro, em meados do século XVI e no início do século XVII,

era dotada de fraca iluminação noturna, percebida somente através das janelas, vindas

de candeeiros, lamparinas ou velas voltadas para o interior das construções. Nas vias

públicas, a única iluminação que se tinha era de cunho religioso, nos oratórios. Os hábitos

dos habitantes eram, portanto, diurnos.

A primeira lanterna permanente acesa no Rio de Janeiro foi a que o Convento de

Santo Agostinho, no Largo da Carioca, ergueu em sua portaria em 1710. No início do

século XVIII, quando a população da cidade era de cerca de 12 mil habitantes, as

lanternas começaram a suprir iluminação externa, nos prédios públicos e em algumas

residências, sendo fixadas nas ombreiras das portas. Entre 1779 e 1790 já havia 73

lampadários instalados, custeados por particulares, em oratórios da cidade.


14/161

“Em 1763, quando o Rio de Janeiro passou a ser capital do Brasil (...) a

cidade era iluminada apenas e muito precariamente, por meio de lampiões e

candeeiros alimentados a óleo de peixe (...) A iluminação pública era assim

precaríssima em ruas estreitas e não calçadas, o que fazia o povo recolher-se

cedo, fechar as portas e evitar saídas noturnas.”

Ruy Maurício de Lima e Silva. Rio de Janeiro em seus quatrocentos anos, p.357

(apud MEMÓRIA, 2004)

Em 1794 foram instalados, aí então pelo governo, cem lampiões e candeeiros de

azeite afixados em postes pelas ruas da cidade. Os lampiões eram custeados pelo poder

público e pelos particulares. As casas eram iluminadas por meio de pequenos cilindros

coloridos de vidro, enchidos com cera e com um pavio no centro.

Em 1808, a família real se transfere para o Brasil e D. João VI institui a Intendência

Nacional de Polícia para cuidar da segurança e policiamento. A Intendência de Polícia

providenciou a instalação de iluminação em diversas ruas da cidade para evitar a

escuridão, tida como propícia à proliferação de marginais. Foram instalados, a cada 100

passos de distância, lampiões sobre colunas de pedra e cal no trajeto do coche de D.

João em direção à Quinta da Boa Vista. Esta estrada ficaria conhecida como Caminho

das Lanternas e, posteriormente, Caminho do Aterrado, traçado sobre área aterrada

sobre alagadiços então existentes.

A iluminação pública era realizada com utilização de óleos, chamados de azeites,

extraídos, sobretudo da baleia, do lobo – provavelmente lobo-marinho –, do coco e da

mamona. Acendedores de lampiões, em geral trabalhadores escravos, realizavam

diariamente a tarefa de acendimento.


15/161

Na Europa, a partir de 1784, o engenheiro escocês William Murdock (1754-1839)

iniciou os estudos para utilizar o gás advindo da gaseificação do carvão como fonte de

iluminação. Em 1802, no Soho, em Londres, seria feita a primeira experiência pública da

queima desse gás para iluminação, por meio de dois abajures. Já em 1819 Londres

contava com 288 milhas de dutos de distribuição de gás para prover 51.000 queimadores

para iluminação de ruas.

Em 1831, o Rio de Janeiro, de um Brasil independente desde 1822, transfere da

Intendência de Polícia para a Câmara Municipal da cidade a responsabilidade pelo

serviço de iluminação. O Rio de Janeiro contava com 925 lampiões a “azeite”. Depois

disso a responsabilidade pela iluminação pública teve diversas transferências de

responsabilidade passando pela Polícia, Ministério da Justiça etc. e diversas tentativas de

concessão dos serviços foram efetuadas, além de tentativas de migração para o gás

como insumo energético.

Em 1850, Irineu Evangelista de Souza, futuro Barão de Mauá, conseguiu

finalmente apresentar ao Ministério da Justiça uma proposta viável para iluminar a cidade

com “gás hidrogênio carbonado”, garantido-lhe o monopólio da exploração da atividade

por 25 anos.

Em 1852, no antigo Caminho do Aterrado, atual Avenida Presidente Vargas, foi

iniciada a construção da fábrica de gás de carvão mineral, composta de dois gasômetros.

Em 1854 o Barão de Mauá inaugurava a iluminação a gás, alimentada por uma rede de

20km de dutos de ferro. Cada combustor fornecia iluminação equivalente a seis velas de

cera.
16/161

O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a utilizar esse tipo de combustível,

que passaria a ser o principal insumo energético para iluminação. Era obtido através de

carvão mineral, importado da Inglaterra, e perdurou até as três primeiras décadas do

século XX.

O poste era elemento essencial para levar o gás dos dutos até as luminárias,

passando a ser parte da decoração da cidade, com seus desenhos em ferro fundido.

Os operadores realizavam as manobras diárias para o acendimento das luminárias

a gás. Havia um registro que controlava a entrada de gás no combustor e uma vara

especial, em cuja extremidade era atada uma esponja de platina que agia como

catalisador, provocando a combustão do gás.

A iluminação a gás era um sucesso. Em 1857 foram instalados 3.027

combustores. A área central da cidade viria a ser rapidamente coberta. Uma vez que a

rede de dutos para distribuição do gás existia e cobria grande parte dos logradouros, a

utilização do gás começava gradativamente a servir também para fins de aquecimento.

Para expandir os sistemas eram utilizadas redes subterrâneas.

Na virada para o século XX existiam na cidade do Rio de Janeiro, 14.579

combustores públicos para iluminação e 26.000 consumidores, mais de 500 km de

tubulação e a Fábrica do Aterrado produzia cerca de 21 milhões de metros cúbicos de gás

anualmente.
17/161

Após a descoberta do Petróleo nos EUA, em 1859, o uso do querosene, com

chama mais intensa e menos fuligem começou a ganhar espaço. O lampião foi então a

opção para as populações rurais e as mais carentes.

O gás teve seu apogeu no Rio de Janeiro em 1912, com registro de 22.440

combustores de iluminação pública. Em 1913 a iluminação a gás começou a ser

substituída pela elétrica.

Em 1881 foi inaugurado no Jardim do Campo da Aclamação – hoje Praça da

República – o primeiro trecho de iluminação pública alimentado a energia elétrica, com 16

lâmpadas a arco voltaico, alimentadas por dois dínamos, acionados por uma máquina a

vapor. A dificuldade inicial dos sistemas alimentados a energia elétrica estava justamente

na necessidade de implantação de um equipamento gerador para cada sistema a ser

implementado, dada a inexistência de redes de distribuição de energia elétrica.

Registra-se então a instalação, em 1899, na cidade de São Paulo, da The São

Paulo Railway, Light and Power Company Ltd. e, em 1904, da The Rio de Janeiro

Tramway, Light and Power Company Ltd., de origem canadense.

Nos primeiros anos do século XX a capital Rio de Janeiro passaria por

modernização empreendida pelo então prefeito Francisco Pereira Passos. A Avenida

Central, atualmente Avenida Rio Branco, receberia a iluminação pública elétrica. A

energia elétrica era gerada em uma pequena central térmica, localizada na Rua da

Alfândega. No entanto, a incerteza com relação à possibilidade de falha da nova

tecnologia levou à adoção de um sistema misto, ou seja, lampiões a gás e luminárias com

lâmpadas elétricas a arco voltaico, utilizados lado a lado.


18/161

A Light viria a construir a Usina Hidrelétrica de Fontes, no ribeirão das Lajes, com

uma potência instalada de 24 MW, a primeira hidrelétrica do Rio de Janeiro e uma das

maiores do mundo na época. Todo o sistema de distribuição de energia elétrica era

alimentado pela subestação Frei Caneca, inaugurada em 1907, no centro da cidade.

Atendia cerca de 800.000 habitantes, recebendo inicialmente energia elétrica de uma

termelétrica, também no ribeirão das Lajes.

Em 1911, a Light havia instalado 3.522 lâmpadas elétricas e a iluminação pública

atingia 150 km de ruas. Havia 1.740 km de cabos de distribuição – aéreos e subterrâneos

– alimentando 430 transformadores com uma capacidade instalada de 37 MW. Os

consumidores de energia elétrica utilizavam cerca de 223.392 lâmpadas incandescentes e

1.739 lâmpadas a arco voltaico, além de ventiladores, motores etc. (MEMÓRIA, 2004).

A segunda etapa da Usina de Fontes foi feita entre 1912 e 1913 e com as duas

novas máquinas a usina chegou a uma capacidade total de 49 MW.

Em 1929, a distribuição de energia elétrica para a cidade do Rio de Janeiro

superava 410 GWh, dos quais 92 GWh (22%) eram destinados à iluminação pública.

Nas instalações privadas, a lâmpada incandescente substituiu gradativamente a

iluminação a querosene ou a gás canalizado. O gás persistiria apenas para fins de

aquecimento.

A lâmpada incandescente, desde sua invenção, em 1879, viria a passar por uma

série de aperfeiçoamentos que a fariam tecnologia quase que absoluta para iluminação
19/161

durante a primeira metade do século XX. Em 1913, o filamento a carvão foi substituído

pelo fio metálico enrolado em hélice que operava em atmosfera gasosa inerte. Este foi o

salto para que as lâmpadas incandescentes passassem a operar com eficiência na faixa

dos 20 lumens por Watt.

No Rio de Janeiro, as primeiras experiências com as lâmpadas incandescentes

foram realizadas em 1915 e foram substituindo gradativamente as lâmpadas a arco

voltaico. Havia na cidade neste período 9.428 lâmpadas elétricas e 22.088 combustores

de gás.

Em 1920 estavam instaladas 10.846 lâmpadas elétricas e 10.785 combustores de

gás. A partir deste ano as lâmpadas a arco voltaico da Avenida Rio Branco seriam

substituídas por lâmpadas incandescentes de 400 velas cada. A cidade comportava mais

de 1 milhão de habitantes.

Em 1930 havia 5.916 combustores de gás instalados, contra 20.262 postes com

iluminação elétrica. A cidade tinha 1,4 milhão de habitantes.

Em 1933 foram desligados os últimos 490 lampiões a gás no Rio de Janeiro. Nesta

mesma época a cidade recebeu o título de “cidade-luz sul-americana”, sendo reconhecida

como uma das mais bem iluminadas do mundo e comparável, inclusive, com Paris. No

Gráfico 2 é apresentada a evolução dos sistemas a gás e a energia elétrica, de 1857 a

1933, onde se pode observar como os sistemas a gás tiveram um pico de utilização em

1912 e que depois sua utilização foi se reduzindo até sua substituição total pelos sistemas

a energia elétrica, por volta de 1933.


20/161

30000
25000
20000 Lâmpadas
elétricas
15000
Bicos de gás
10000
5000
57 0
64
00
11

12

20
30

33
18
18
19
19

19

19

19

19
Gráfico 2: Evolução na Quantidade de Pontos de Iluminação Pública a Gás e a Energia

Elétrica no Rio de Janeiro (de 1857 a 1933)

Fonte: Elaboração própria com dados de MEMÓRIA, 2004

Na década de 40, numa cidade de 2,2 milhões de habitantes, a iluminação assume

grande importância, fator primordial para a segurança no tráfego noturno. O número de

veículos crescia continuamente e as velocidades atingidas pelos mesmos também. Com

uma boa iluminação das vias era possível reduzir consideravelmente o número de

acidentes durante a noite.

Em 1950, o Rio de Janeiro era a cidade com a melhor iluminação do Brasil, com

5.160 logradouros iluminados com 42.470 pontos de luz. Nos últimos anos da década o

governo determinou que a iluminação pública passaria a ser feita com lâmpadas

fluorescentes, de eficiência mais elevada do que as incandescentes.

O fornecimento da energia elétrica ampliava-se incessantemente. Nas residências,

o conforto estava associado ao consumo de energia elétrica, pelos diversos aparelhos

eletrodomésticos que surgiam.


21/161

Em 1953, em caráter experimental, foram instaladas na Avenida Beira-Mar dez

luminárias de fabricação nacional, equipadas com lâmpadas a vapor de mercúrio de

400W, substituindo as lâmpadas incandescentes existentes. As lâmpadas eram altamente

eficientes para a época, possuíam vida útil mais longa e já possuíam luz agradável ao

olho humano.

Na década de 50 o sistema de produção de energia elétrica do Rio de Janeiro

produzia cerca de 20% de toda a energia elétrica gerada no Brasil, sendo superado

apenas pelo sistema paulista.

Em Brasília, a estrutura de iluminação pública foi definida ainda na década de 50,

pelo urbanista Lúcio Costa. As lâmpadas escolhidas foram as fluorescentes, as de mais

alta eficiência luminosa para a época, montadas e projetadas de acordo com princípios

bastante avançados da luminotécnica. Os conjuntos luminotécnicos foram então uma das

características marcantes na nova capital. A luminária utilizada foi a Power Groove, de

fabricação americana. As lâmpadas a vapor de mercúrio foram descartadas pelo

urbanista Lúcio Costa, pois ainda estavam em fase de desenvolvimento, deixando a

desejar quanto à reprodução de cores 3. Os sistemas mais utilizados em outras regiões do

país eram então de lâmpadas incandescentes equipadas com luminárias de baixa

eficiência (CEB, 2004).

3
Provavelmente Lúcio Costa julgou de baixa qualidade de reprodução de cores as

lâmpadas de mais baixa potência, visto que as aplicações das fluorescentes para Brasília eram de

110W e 160W. No Rio de Janeiro as vapor de mercúrio de 400W apresentavam resultados

satisfatórios e até elogiados na Avenida Beira-Mar, conforme relatado.


22/161

Eram comuns, em projetos específicos de iluminação, as luminárias decorativas,

tipo coluna e tipo pendente através de cabos. Nas redes aéreas, a luminária tipo

Econolite. Este tipo de luminária ficou conhecido em muitos locais como “chapéu chinês”,

pela seu formato. A econolite era uma luminária aberta (desprovida de refrator) e cujo

refletor era o próprio corpo da luminária, sem, portanto, proporcionar um aproveitamento

otimizado do fluxo luminoso emitido pelas lâmpadas, ou seja, possuía baixo rendimento.

As lâmpadas fluorescentes começavam a surgir em projetos de iluminação

pública. O exemplo mais representativo era um trecho da Avenida Brasil, no Rio de

Janeiro. No entanto, essas lâmpadas apresentavam uma limitação técnica com relação à

potência. Como se tratavam de lâmpadas de baixa pressão, a potência influía fortemente

no tamanho do bulbo da lâmpada. As maiores lâmpadas fluorescentes, nessa época,

mediam 2,44 metros com potência máxima de 215W.

Em Brasília, foram compradas inicialmente dez mil luminárias tipo Power Groove,

fabricadas nos EUA: um modelo para 02 lâmpadas fluorescentes de 110 Watts e 4 pés de

comprimento (1,22 metros), e outro para 02 lâmpadas fluorescentes de 160 Watts e 6 pés

de comprimento (1,83 metros). Essas luminárias foram utilizadas, primeiramente, nos

Eixos Rodoviário Sul e Monumental, Avenida W/3 Sul e alguns comércios locais de

Brasília. Já a iluminação das cidades satélites foi inicialmente realizada com lâmpadas

incandescentes (CEB, 2004).

Em 1960, o urbanista Lúcio Costa, através de carta, encaminhou ao arquiteto

Oscar Niemeyer as recomendações que deveriam ser adotadas na Iluminação Pública de

Brasília, transcritas abaixo:


23/161

“1- A pista central do eixo rodoviário - residencial não será arborizada e terá

iluminação contínua, alternada, de ambos os lados, para que se defina como parte

essencial que é do arcabouço urbano.

2- Nas pistas laterais destinadas ao tráfego local do mesmo eixo, os trechos

mortos entre os acessos de cada unidade ou área de vizinhança, (composta de 4 super-

quadras), terão iluminação apenas do lado das quadras, portanto "amortecida", não

somente porque no lado externo não haverá transeuntes, como porque se deseja evitar

repetição inaceitável de 06 filas de postes convergentes dois a dois. Será de ambos os

lados apenas nas entradas das super-quadras que poderão ser assim identificadas de

longe à noite. Durante o dia serão pela arborização prevista para o local.

3- As curvas em rampa para o acesso às quadras não devem ter posteamento

senão nos níveis de início e chegada. Ficará muito mal a posteação a meia altura.

Tratando-se de curvas de mão única e raio contínuo, não vejo inconveniente na

atenuação luminosa, uma vez que o conjunto da área é suficientemente iluminado. Se a

experiência futura o exigir, dever-se-á recorrer à iluminação baixa de simples balizamento.

4- Nos eixos de acesso entre-quadras os postes devem ser menores e a

iluminação menos intensa, uma vez que será complementada pela iluminação das vitrines

das próprias lojas e respectivos letreiros luminosos.

5- Nas pracinhas centrais de distribuição às quadras, os postes não podem estar

no eixo conforme figura na planta, bloqueando a vista da igreja ou da escola, e sim um de

cada lado.

6- No interior das super-quadras, o critério é garantir atmosfera recolhida e íntima;

a iluminação deve ser discreta, com postes baixos e luminárias cegas do lado dos

edifícios, a fim de não ofuscá-los, e deverá ser desigual, com áreas de iluminação

amortecida próprias ao colóquio e ao namoro caseiro.


24/161

7- A via de comércio W/3 não deve ser intensamente iluminada como está

projectado. Trata-se de via secundária. A importância indevida que lhe vem sendo

atribuída é lamentável; decorre apenas de incompreensão pela circunstância de ser a

primeira área aproveitada para fins comerciais. A iluminação dela deverá ser estabelecida

em função da cidade já pronta, obedecendo, portanto, a determinada hierarquia. Os

postes deverão ser menores e a iluminação deverá contar muito menos que a do eixo

rodoviário, tanto mais que será intensificada, como no caso do comércio local das entre -

quadras, pela dos letreiros e vitrines.

8- Nas pistas de mão única na esplanada dos ministérios, a iluminação posteada

será de um lado apenas, isto é, do lado da faixa central gramada; do lado oposto as

empenas dos edifícios serão iluminadas por projectores dispostos de costas para direção

do tráfego, iluminação esbatida em sentido decrescente de baixo para cima; os

pavimentos térreos dos próprios edifícios serão iluminados na proporção devida a fim de

assegurar o efeito geral desejado.

9- Na Praça dos Três Poderes prevalecerá critério dramático, deliberadamente

teatral. Para tanto não haverá posteamento. O procurado efeito será obtido recorrendo-se

à iluminação dos próprios edifícios com projectores (flood-light) e do espelho d'água, bem

como à iluminação parcial interna do Anexo. Futuramente o fórum de palmeiras imperiaes

também deverá ser iluminado com projectores. A sensação será de suspense e serena

grandiosidade.

10- Dentro de alguns anos, o ponto mais intensamente iluminado da cidade será a

plataforma do Setor Social e de Diversões, no cruzamento dos eixos monumental e

rodoviário - residencial, devido aos extensos paredões destinados à fixação de anúncios e

propaganda luminosa." (apud CEB, 2004)


25/161

Em 1963 o Rio de Janeiro contava com 59.264 lâmpadas. A maioria era

incandescente, em segundo lugar cerca de 5.000 fluorescentes e, em terceiro, 88

lâmpadas a vapor de mercúrio instaladas na Avenida Beira-Mar.

Na década de 60, o Aterro do Flamengo adotou 106 postes de 45 metros de altura

com seis lâmpadas a vapor de mercúrio de 1.000 W cada. A solução permitia ampla

cobertura luminosa.

Nesta época foram utilizadas em larga escala as lâmpadas a vapor de mercúrio e

de novas tecnologias, tal como a vapor de sódio de alta pressão, que viria mais tarde a se

firmar como a mais indicada para iluminação de vias públicas em larga escala, dada sua

elevada eficiência na produção da luz.

A partir de 65 a Comissão Estadual de Energia – CEE da Guanabara, juntamente

com a Light, coordenou a conversão da freqüência do sistema elétrico do Estado da

Guanabara, de 50 para 60 Hz, de forma a adequá-lo ao Plano Nacional de Eletrificação e

diminuir fatores técnicos que atravancavam a implantação de indústrias no Rio de Janeiro.

A CEE, de 1970 a 74, elevou de 477 para 1.344 o número de logradouros com iluminação

por lâmpadas a vapor de mercúrio. Em quatro anos, substituiu cerca de 27.700 lâmpadas

incandescentes pelas a vapor de mercúrio. A cidade assistiu à substituição de boa parte

da iluminação incandescente pela iluminação a vapor de mercúrio (MEMÓRIA, 2004).

Em 1966, o Banco do Brasil resolveu iluminar a SQS 114 e a SQS 308 de Brasília,

utilizando a luminária "Taco de Golfe", com 01 lâmpada fluorescente Power Groove, de

fabricação da General Electric, de 110 Watts, primeiro projeto com esta luminária.
26/161

Em 1971, foi feita a iluminação da pista entre o Aeroporto e a Península dos

Ministros, com algumas das primeiras luminárias com lâmpada a vapor de mercúrio de

400 Watts.

Em 1972, para melhorar o nível de iluminamento dos Eixos Monumental e

Rodoviário, foi utilizada a luminária Power Groove, para 04 lâmpadas fluorescentes de

160 Watts e 6 pés de comprimento (1,83 metros), montadas em poste de aço de 9,0

metros no Eixo Rodoviário Sul, ou montadas em postes de aço de 9,0 metros no Eixo

Monumental, cuja inauguração ocorreu no dia 21 de abril de 1972.

A partir de 1972, segundo a CEB (2004), “não houve mais condições para

importação de qualquer tipo de luminária”. Conseqüentemente, a manutenção da

iluminação pública, em termos de lâmpada, luminárias e reatores importados, foi

tornando-se cada vez mais difícil. Até mesmo a iluminação interna de super-quadras, que

usava luminárias Taco de Golfe nacional mais reator e lâmpada Power Groove de 4 pés

teve que ser reformulada, passando a usar-se lâmpada fluorescente comum de 40 Watts.

A Iluminação Pública de Brasília passou, então, por drástica reformulação, com

uma redução gradativa da iluminação fluorescente das vias de Brasília, começando-se da

periferia para as vias mais centrais. Houve o uso generalizado de luminárias nacionais

com lâmpadas a vapor de mercúrio de 250 e de 400W, de cor corrigida, com a justificativa

de que a iluminação da cidade melhorava qualitativa e quantitativamente. Introduziu-se

uma luminária com uma lâmpada VM 250W na iluminação de super-quadras substituindo

a luminária Taco de Golfe, mantendo-se, entretanto, o poste de aço reto de 4 metros de

altura. Intensificou-se o uso do novo padrão de poste de aço, escalonado, curvo, de 10

metros de altura, compatível com luminária VM 400W, que passou a ser usado nas
27/161

Estradas – Parque. Utilizava-se o poste de concreto reto, cônico contínuo de 16 metros,

com luminárias de três pétalas, cada uma com duas lâmpadas VM 400W, generalizou-se,

inicialmente nas cidades satélites e, em seguida, em algumas vias do Plano Piloto: L2 Sul

e L2 Norte. O uso intenso desse padrão pode ser confirmado hoje, por exemplo, em

algumas Estradas - Parque e nas Áreas Centrais de Brasília, onde a luminária tipo pétala

está substituindo gradativamente a luminária Power Glow Model III, de 4000 Watts, a

vapor de mercúrio.

A substituição de equipamentos importados por equivalentes nacionais encerrou-

se praticamente em 1978, quando foi concluído pelo Governo do Distrito Federal o Plano

Bienal de Iluminação Pública, chamado IP - 78, que contemplava a instalação de 15.000

novos pontos de luz no Distrito Federal e a substituição total das luminárias fluorescentes

restantes nos Eixos Monumental e Rodoviário, nas Vias W/1, W/3, W/4, W/5 e L/1 e nos

Setores Comerciais Locais (CEB, 2004).

Em julho de 1975, no Rio de Janeiro, a CEE era responsável pela instalação e

manutenção de 33 mil pontos de luz, enquanto a Light ainda mantinha o controle sobre 90

mil lâmpadas incandescentes espalhadas por 11 mil ruas da cidade. Nesta época foi dado

início ao uso da lâmpada a vapor de sódio. A primeira utilização foi na ponte Rio-Niterói.

Na década de 80, segundo estatísticas da Prefeitura, a iluminação pública, depois

do asfaltamento e saneamento, era uma das principais reivindicações da população. A

Comissão Municipal de Energia – que substituiu a CEE em 75, após a extinção do Estado

da Guanabara – era responsável pela iluminação a vapor de mercúrio de 7 mil

logradouros (140 mil pontos) e a Light mantinha 5 mil logradouros iluminados por

lâmpadas incandescentes (50 mil pontos) (MEMÓRIA, 2004).


28/161

Em Brasília, na década de 80 foi introduzida, gradualmente, a iluminação a vapor

de sódio alta pressão. Inicialmente foram utilizadas chamadas lâmpadas intercambiáveis,

as lâmpadas VS 225 Watts e VS 360 Watts, de fabricação da Sylvania, que substituíam

diretamente as lâmpadas VM 250 Watts e VM 400 Watts, respectivamente, sem a

necessidade de substituição de reatores e luminárias (por isso o nome intercambiáveis)

(CEB, 2004).

Com essas inovações, iniciaram-se as medidas de conservação de energia em

iluminação pública, que, desde então, têm sido observadas em projetos novos e de

modernização.

Tais mudanças objetivaram, também, atualizações dos níveis de iluminância dos

diversos tipos de vias de Brasília e das Cidades Satélites. Os níveis adotados, a partir

dessa época, foram os seguintes: - Vias principais de intensa circulação: 15 a 20 lux -

Vias de grande circulação: 8 a 15 lux -Vias de média circulação: 4 a 8 lux -Vias em

conjuntos residenciais: 2 a 5 lux. No período de 1990 a 1994, foram construídas pelo

Governo do Distrito Federal as Cidades - Assentamentos, com a finalidade de abrigar

famílias de baixa renda (CEB, 2004).

No Rio de Janeiro, na década de 90, os 40 mil pontos de luz com lâmpadas

incandescentes foram repassados pela Light à Companhia Municipal de Energia e

Iluminação – Rioluz, criada em 1990. A Rioluz administrava em 2004 um parque de cerca

de 380 mil pontos de iluminação pública, o qual vem usando progressivamente mais

lâmpadas a vapor de sódio e multivapores metálico, de mais elevada eficiência. As

multivapores metálicos são utilizadas em aplicações específicas, pois possuem elevado


29/161

índice de reprodução de cores, mas seu custo é extremamente elevado. A composição

atual do parque de iluminação pública da cidade do Rio de Janeiro é apresentada na

Tabela 2 a seguir. Observa-se uma equivalência entre tecnologias a vapor de mercúrio e

vapor de sódio e ainda uma participação significativa das multivapores metálicos. Já com

relação a outras tecnologias a participação é marginal.

Tabela 2: Composição do Parque de Iluminação Pública da Cidade do Rio de Janeiro

referente ao ano de 2003

Tipo de lâmpadas Quantidade

Vapor de mercúrio 177.058

Vapor de sódio 172.732

Multivapores metálicos 19.559

Incandescente 1.465

Mista 5.931

Fluorescente 268

TOTAL 377.013

Fonte: Eletrobrás, 2004b

Após 1994, foi significativa a destinação de recursos financeiros no Distrito Federal

para intensificar-se a conservação de energia e reduzir-se a despesa com o consumo de

energia elétrica na iluminação pública, de responsabilidade do Governo do Distrito

Federal (CEB, 2004).

Nos últimos projetos de melhoria apresentados pela Companhia Energética de

Brasília (CEB) à Eletrobrás para obtenção de financiamento, era proposta a substituição


30/161

gradativa de sistemas existentes por outros mais modernos e eficientes. Os projetos 4

compreendiam a substituição:

- de luminária com lâmpada vapor de mercúrio de 125 Watts por luminária com

lâmpada vapor de sódio de 70 ou de 100 Watts.

- de luminária com lâmpada vapor de mercúrio de 250 Watts por luminária com

lâmpada vapor de sódio de 150 Watts.

- de luminária com lâmpada vapor de mercúrio de 400 Watts por luminária com

lâmpada vapor de sódio de 250 Watts.

- de luminária tipo pétala com 02 (duas) lâmpadas vapor de mercúrio de 400 Watts

por luminária tipo pétala com 01 (uma) lâmpada vapor de sódio de 400 Watts.

2.3 Marco Legal

Neste item serão descritos os tópicos legais pertinentes. A atribuição de

responsabilidades, o modo de prestação do serviço de iluminação pública e

considerações sobre as receitas municipais.

Responsabilidade pela Prestação do Serviço de Iluminação Pública

As primeiras geradoras de energia elétrica no Brasil surgiram entre o final do

século XIX e o início do século XX. O objetivo dessas primeiras geradoras era o

4
Os projetos elaborado pela Cia. Energética de Brasília (CEB) foram analisados pelo autor

quando trabalhou no Programa Reluz da Eletrobrás (de 2003 a 2005).


31/161

atendimento dos serviços municipais de iluminação pública. As concessões referentes à

energia elétrica estavam na esfera municipal, pois, até as primeiras décadas do século

XX, a energia elétrica não tinha a elevada influência que tem atualmente sobre a atividade

econômica, mas se limitava a fornecer iluminação pública ou doméstica para as cidades

(BARBOSA, 2000).

A partir dos anos 30 há predominância do regime estatizante, em particular no

período referente ao Estado Novo (1937/45). O Código de Águas de 1934 decreta a União

como poder concedente dos serviços de energia elétrica em substituição aos estados e

municípios e obriga a adaptação dos contratos de concessão existentes ao novo código

(BARBOSA, 2000).

Até 1934 o fornecimento de energia elétrica era considerado uma atividade

privada, exercida mediante contratos de concessão celebrados diretamente com os

municípios. Depois da Constituição de 1934 e do Código de Águas, a atividade passou a

ser tratada como serviço público.

No entanto, a prestação do serviço de iluminação pública continuou na esfera

municipal, conforme o artigo 8º do Decreto Lei nº 3.763, de 25/04/1941:

“Art. 8 – O estabelecimento de redes de distribuição e o comércio de energia

elétrica dependem exclusivamente de concessão de autorização federal.”

“Parágrafo único – Os fornecimentos de energia elétrica para serviços de

iluminação pública, ou para quaisquer serviços públicos de caráter local

explorados pelas municipalidades, serão regulados por contratos de fornecimento

entre estas e os concessionários ou contratantes, observando o disposto nos


32/161

respectivos contratos de concessão ou de exploração, celebrados com o Governo

Federal, para distribuição de energia elétrica na zona em que se encontrar o

município interessado.”

Dessa forma, o decreto definiu a União como poder concedente dos serviços de

energia elétrica do país e estabeleceu a obrigatoriedade de celebração de contratos entre

os municípios e as concessionárias, para prestação dos serviços de iluminação pública,

sendo ainda o primeiro marco legal definindo a iluminação pública como um serviço

público de competência dos municípios (CODI, 1984).

Atualmente, o Artigo 30 da Constituição brasileira estabelece as competências dos

municípios, conforme apresentado a seguir:

“Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;

III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas

rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos

prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir Distritos, observada a legislação estadual;

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,

os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter

essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,

programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental;


33/161

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,

serviços de atendimento à saúde da população;

VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante

planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a

legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.”

Como a iluminação pública é considerada como um serviço público de interesse

local, pelo inciso V, cabe aos municípios a responsabilidade pela prestação deste serviço.

Antes das privatizações ocorridas a partir de 1996, grande parte dos sistemas de

Iluminação Pública (IP) era mantida pelas concessionárias de distribuição. Após a

privatização, muitas delas não tiveram interesse na continuidade de administração dos

sistemas de IP, provavelmente para se concentrarem no seu negócio, venda de energia e

gestão das redes de energia elétrica. Com isso, muitas distribuidoras transferiram para os

municípios os parques de IP. A deficiência e a falta de experiência dos municípios na

manutenção dos sistemas, em alguns casos, podem ter gerado piora na gestão do parque

de iluminação pública 5.

Modo de Prestação do Serviço de Iluminação Pública

5
Diversas observações aqui relatadas puderam ser constatadas pelo autor em municípios

que visitou, durante os dois anos (2003-2005) em que atuou como representante da Eletrobrás

realizando supervisões físicas dos programas de melhoria e expansão dos sistemas de iluminação

pública em todo o Brasil.


34/161

Observam-se atualmente as seguintes alternativas para prestação dos serviços de

iluminação pública:

1) As instalações de iluminação são de responsabilidade dos municípios e

de sua propriedade: nesse caso o município pode prestar o serviço

diretamente ou através de uma empresa contratada, que pode inclusive

ser a concessionária;

2) As instalações de iluminação pública são de responsabilidade da

concessionária de energia elétrica, até a reversão no fim da concessão,

se houver.

No caso 1, a instalação é de propriedade do município, todas as despesas

relativas a prestação do serviço deverão ser arcadas pelos municípios, ou seja, as

despesas relativas a instalação, operação, manutenção e consumo de energia elétrica.

Já no caso 2, a instalação é de responsabilidade da concessionária de energia

elétrica, que obteve do município a concessão para prestação dos serviços de iluminação

pública. Devem ficar definidas em contrato as condições para exploração dos serviços,

principalmente quanto à propriedade das instalações após o prazo de concessão. A tarifa

de energia elétrica cobrada pela concessionária ao município é um pouco mais elevada

do que no caso 1, justamente prevendo uma parcela para, além de cobrir os custos

associados ao consumo de energia elétrica, contemplar instalação, operação e

manutenção dos sistemas.


35/161

Receitas Municipais

O Município brasileiro dispõe de várias fontes de receitas, onde busca captar os

recursos financeiros necessários à realização de seus serviços e obras. No Quadro 2, a

seguir, são apresentadas as receitas tributárias municipais.

Quadro 2: Receitas Tributárias

Tributos de competência municipal:


I - Impostos sobre:
- propriedade predial e territorial urbana;
- transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por
natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem
como cessão de direitos à sua aquisição;
- serviços de qualquer natureza, não compreendidos os serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação, definidos em lei complementar;
II - Taxas arrecadadas:
- em razão do exercício do poder de polícia;
- pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis,
prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
III - Contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
IV - Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública, Emenda
Constitucional n° 39/2002. 6

Fonte: IBAM, 2004

6
A contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública teve de ser introduzida por

emenda constitucional por não se enquadrar em nenhuma das outras três espécies de tributos

discriminadas na Constituição.
36/161

Dessa forma, as receitas tributárias de competência municipal são resumidas em

impostos, taxas, contribuição de melhoria e contribuição para iluminação pública.

A contribuição para custeio do serviço de iluminação pública foi homologada pela

Emenda Constitucional n° 39/2002 e gerou enorme polêmica.

Antes da existência da referida classe de tributos, diversos municípios instituíam

taxas de iluminação pública com base em critérios próprios de cobrança. Alguns

problemas eram identificados, notadamente os de base constitucional, visto que as taxas

podem ser cobradas “de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao

contribuinte ou postos a sua disposição”. A iluminação pública não é facilmente

mensurável e sua utilização não é divisível pelos usuários (BARBOSA, 2000).

Segundo Francisco (2002), nada mais justo do que a cobrança de taxas somente

quando os serviços são específicos (são prestados especificamente a determinados

usuários) e divisíveis (podem-se apurar as parcelas que cada um solicitou do serviço

público). Quando o serviço é genérico ou indivisível, não se podendo identificar

precisamente a quem o serviço foi prestado ou a parcela a ser paga por cada usuário do

serviço, o custo do serviço deve ter origem no orçamento geral, que é dado pelos

impostos.

Além disso, a cobrança pelos serviços de iluminação pública poderia conter dupla

ilegalidade constitucional, caso além da cobrança de taxa – já caracterizando a

inconstitucionalidade – a base de cálculo fosse baseada no consumo de energia elétrica,

ou seja, a mesma base de cálculo de outros impostos, tal como o Imposto sobre

Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre as contas de energia


37/161

elétrica. Conforme especificado no parágrafo segundo do Art. 145 da Constituição que

define as taxas, “as taxas não poderão ter base de cálculo própria dos impostos”, ou seja,

a cobrança do imposto com determinada base de cálculo exclui a possibilidade de

cobrança de taxa que utilize a mesma base (BARBOSA, 2000).

Igualmente considerada inconstitucional seria a cobrança da taxa de iluminação

pública com base no comprimento da testada ou na área dos imóveis, uma vez que o

Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) é calculado com base no

valor venal do imóvel, através do valor padrão da área construída (BARBOSA, 2000).

A proposta de emenda constitucional foi repudiada pelos juristas, já que a

contribuição para custeio da iluminação pública contraria princípios do direito tributário,

pois as espécies de tributos discriminadas na Constituição derivam de uma longa

experiência de procura da justiça tributária (FRANCISCO, 2002).

Mesmo assim, a solução encontrada foi a criação de uma quarta classe de tributos

através de emenda constitucional. Além disso, apesar dos repúdios, em parágrafo único

da emenda “é facultada a cobrança da contribuição a que se refere o ‘caput’, na fatura de

consumo de energia elétrica”.

Os juristas questionam ainda a existência de nexo causal entre o consumo

particular de energia elétrica e a iluminação pública (FRANCISCO, 2002). Apesar disso, a

emenda constitucional legitima a cobrança da contribuição para custeio da iluminação

pública, com base na fatura de consumo de energia elétrica. A partir desta emenda

diversos municípios têm implantado a cobrança da contribuição que, em geral através de

convênios, é cobrada pelas concessionárias de energia elétrica com base nas faturas de
38/161

consumo de energia elétrica. Os critérios para a referida cobrança são definidos por

legislação municipal, com base constitucional a partir da emenda realizada. Alguns

exemplos de cobrança são apresentados numa pesquisa realizada com municípios da

região nordeste (ver Anexo II).

2.4 Medição, Tarifação e Custeio

A seguir são apresentadas considerações sobre o período de funcionamento

considerado para a cobrança da fatura de energia elétrica associada ao consumo dos

sistemas de iluminação pública, sobre a tarifa de consumo de energia elétrica e sobre o

custeio do serviço de iluminação pública.

Convenção de Horas de Funcionamento dos Sistemas para Faturamento

Os sistemas de iluminação pública funcionam essencialmente à noite, pois raros

são os escurecimentos diurnos suficientes para que os sistemas sejam acionados. O

horário de funcionamento varia em cada região, de acordo com sua posição no globo

terrestre. Apesar de ser possível o cálculo exato de horas de duração das noites de cada

dia para cada ponto geográfico, por praticidade convencionou-se a consideração de doze

horas de funcionamento diárias.

O documento do Comitê de Distribuição CODI-05-01, de 1984, da Abradee –

Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (CODI, 1984), mostra que é

possível estabelecer-se um horário médio que compense as variações das estações do

ano. O documento recomenda a utilização da média diária de doze horas na


39/161

determinação do consumo para efeito de faturamento, conforme consultas realizadas ao

Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo.

No Brasil, o faturamento das contas de consumo de energia elétrica associadas à

iluminação pública é realizado pelas concessionárias de distribuição de energia elétrica,

em geral através de cadastro dos pontos de iluminação pública dos municípios. Esse

cadastro conta com as quantidades de pontos segregados por tipo de tecnologia utilizada

nas lâmpadas e potência. Efetua-se o faturamento para as prefeituras com base em

estimativas de consumo, considerando-se 12 horas de operação diárias. Utilizando essas

premissas, cerca de 3,5% do consumo de energia elétrica atualmente faturado pelas

distribuidoras no Brasil é destinado à IP.

O ideal seria se ter, para cada ponto geográfico, o número exato de horas a serem

consideradas para cada dia do ano para o faturamento. Esse número seria então somado

com períodos eventuais suplementares onde ocorressem escurecimentos diurnos em

função de fenômenos meteorológicos e ter-se-ia o número real de horas de

funcionamento dos sistemas.

No entanto, embora seja possível calcular-se o horário de nascer e ocaso do sol

para cada latitude e longitude, por razões de simplificação foi estabelecida uma média de

12 horas diárias, que compensaria as variações decorrentes das estações do ano,

incluindo o período noturno e uma folga que comportaria eventuais escurecimentos

diurnos.

Foi realizado um levantamento, através de documentos do Observatório Nacional,

para determinar o tempo médio de escuridão ao longo do ano de 2005 para 4 latitudes
40/161

consideradas representativas para o Brasil, abrangendo todo o território. A longitude foi

fixada como sendo a de Brasília (47º55’). Foram então identificados os horários de nascer

e ocaso do sol . Os resultados estão dispostos na Tabela 3 a seguir.

Tabela 3: Tempo Médio Diário de Escuridão para Latitudes Representativas do Brasil

Latitudes Duração média Duração noite mais Duração noite mais

noturna longa curta

+10º NORTE 11h52min 12h28 11h17

-10º SUL 11h53min 12h28 11h18

-20º SUL 11h54min 13h05 10h39

-35º SUL 11h51min 14h12 9h29

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Observatório Nacional, 2005 (www.on.br)

Observa-se que, apesar de haver grande variação na duração das noites, isto é,

os valores da noite mais longa e da noite mais curta terem uma extensa faixa de variação

para cada latitude, a duração média das noites sofre uma pequena variação.

A Resolução nº 456 da Aneel estabelece o critério de cobrança do consumo da

iluminação pública com base em uma estimativa de 360 horas mensais, o que equivaleria

a 4.320 horas anuais, pouco menos do que as 4.380 anuais que seriam obtidas com a

estimativa de 12 horas diárias de operação dos sistemas.

Tarifação
41/161

Para o segmento da iluminação pública, a tarifa média para o Brasil é de R$

147,64 / MWh. Quando comparada com a tarifa média praticada para o setor residencial,

de R$ 270,49, ou mesmo com a tarifa média global, de R$ 197,35 (tarifas médias para

2004, Aneel 2005), observam-se os benefícios indiretos dos programas de eficiência na

IP, obtidos através da economia de energia no segmento onde a tarifa é menos atrativa, e

sem diferenciação horária, do ponto de vista das concessionárias. Ou seja, a economia de

um kWh em IP poderia ser encarada como sendo uma oportunidade de fornecimento e

venda deste mesmo kWh em outro segmento onde a tarifa seria mais alta. Poderia ser

efetuada uma análise então da viabilidade de um programa de substituição, sob a ótica

das concessionárias, pelo custo de oportunidade.

Para uma análise comparativa das tarifas deve-se observar a Tabela 4 a seguir

com as médias para o ano de 2004.


42/161

Tabela 4: Tarifas Médias por Classe de Consumo - Regional e Brasil (R$/MWh) - Tarifas

referentes ao ano de 2004

Classe de Consumo Norte Nordeste Sudeste Sul Centro - Oeste Brasil

Residencial 244,84 220,93 287,40 274,16 261,55 270,49

Industrial 100,13 105,09 145,30 152,15 165,37 137,11

Comercial 217,83 227,53 243,30 235,29 246,45 238,50

Rural 172,40 141,18 165,96 145,74 159,23 154,29

Poder Público 242,11 245,39 247,08 251,34 260,13 248,15

Ilumin. Pública 146,62 140,15 154,52 140,48 142,53 147,64

Serviço Público 153,45 137,77 143,82 153,82 146,22 144,48

Consumo Próprio 237,03 245,18 116,37 129,78 280,66 143,07

Tarifa Média Total 173,67 163,75 208,20 197,58 217,75 197,35

Fonte: Aneel, 2005

Pela Resolução n.º 456/2000 da Aneel, no Artigo 32, é mencionado que “no caso

de fornecimento destinado para iluminação pública, efetuado a partir de circuito exclusivo,

a concessionária deverá instalar os respectivos equipamentos de medição quando

solicitados pelo consumidor”. Apesar disso, em geral, o faturamento é efetuado através

dos dados cadastrais (com base na potência das lâmpadas). Caso a alternativa de

medição seja adotada de forma mais abrangente em circuitos de IP exclusivos, as

informações cadastrais não serão mais necessárias para o faturamento e poderá então

haver perda dessas informações, fato que vem gerando preocupação na composição dos

próximos levantamentos nacionais de IP.


43/161

Tarifas B4a e B4b

Quando a concessionária é quem presta o serviço de iluminação pública, a tarifa é

acrescida de uma parcela associada à manutenção dos sistemas. Pela Resolução n.º

456/2000 da Aneel a tarifa acrescida do encargo é chamada de B4b e o ponto de entrega

é considerado como sendo o bulbo da lâmpada. Já quando o ponto de entrega for a

conexão do sistema de distribuição da concessionária com as instalações de iluminação

pública e conseqüentemente o acervo for de propriedade da Prefeitura, a tarifa é

denominada B4a.

Custeio da Iluminação Pública

O tributo para custeio da iluminação pública no Brasil pode fomentar uma maior

organização dos núcleos de IP das prefeituras e também viabilizar melhoria da qualidade

de prestação do serviço. A Contribuição para IP – CIP foi implementada através de

emenda constitucional, pois criou uma nova classe de tributos na Constituição Federal,

específica para iluminação pública. Apesar de ter sido alvo de manifestações dos

defensores do direito tributário na sua essência, foi a forma encontrada pelo legislativo

para respaldar as prefeituras municipais na instituição de tal tributo.

A questão dos tributos para financiamento da iluminação pública não é novidade.

Em Nova Iorque, em 1762, a administração da cidade instituiu um tributo para subsidiar a

instalação de lampiões, os agentes de manutenção necessários e o consumo de óleo

(CLDC, 2005). Ou seja, observam-se outros casos onde existiu a necessidade de um

tributo específico para determinada parcela de recursos fosse direcionada unicamente

para a prestação dos serviços de iluminação pública.


44/161

No caso brasileiro, conforme apresentado no item 2.3, a Constituição Federal

define a contribuição para custeio da iluminação pública. Essa definição respalda os

municípios na elaboração de legislação municipal instituindo a Contribuição e o

detalhamento da forma de cobrança.

2.5 Conclusões

A iluminação pública foi o estímulo inicial para três grandes indústrias energéticas

mundiais. A indústria do petróleo, inicialmente fornecendo querosene para iluminação e

as indústrias de rede, inicialmente a do gás e posteriormente a da energia elétrica.

A lâmpada com filamento incandescente inventada por Thomas Edison em 1879

viria a se tornar o paradigma para produção de luz por mais de 50 anos.

Um dos primeiros serviços energéticos viabilizados a partir da energia elétrica foi a

iluminação pública. A partir de então progressivamente os sistemas de iluminação a

combustível foram sendo substituídos.

A capital Brasília experimentou inovações tecnológicas, tal como o uso em grande

escala lâmpadas de descarga, que tiveram papel importante na modernização do parque

nacional de rumo à maior eficiência nos sistemas de IP.

O fornecimento de energia elétrica passou da competência municipal para a esfera

federal após o Código de Águas de 1934. No entanto a IP permaneceu na esfera

municipal, por ser considerado serviço público de interesse local.


45/161

A estimativa de funcionamento de 12 horas diárias (4.380h/ano) parece razoável,

de acordo com os dados do Observatório Nacional, para a duração das noites no Brasil.

Os sistemas de IP na realidade funcionam pouco menos de doze horas e a cobrança,

regulamentada pela Aneel, é feita adotando-se 4.320 h/ano.


46/161

3 Análise Tecnológica

3.1 Conceitos Utilizados em Luminotécnica

Serão aqui apresentados e discutidos alguns conceitos básicos utilizados em

luminotécnica que serão utilizados ao longo deste trabalho.

¾ fluxo luminoso de uma fonte luminosa: quantidade de luz produzida pela fonte,

emitida pela radiação. É medido em lumens (lm);

¾ eficiência luminosa: relação entre o fluxo luminoso total emitido por determinada

fonte e a potência da fonte. Por exemplo, para uma fonte de 100W que produz um

fluxo luminoso de 1.470 lumens, tem-se uma eficiência luminosa de 14,7lm/W;

¾ iluminância: trata-se do fluxo luminoso incidente por unidade de área iluminada,

medida em lux;

¾ luxímetro: instrumento utilizado para medição de iluminâncias;

¾ luminância: medida da luminosidade que um observador percebe refletido desta

superfície, medido em candelas por unidade de superfície (cd/m2);

¾ depreciação do fluxo luminoso: redução progressiva do fluxo luminoso das

lâmpadas no decorrer de sua vida útil, além da redução da iluminância do sistema

de iluminação (luminárias e lâmpadas) por acúmulo de poeira, oxidação etc.;

¾ índice de reprodução de cor (IRC): quantificação de 0 a 100 de uma fonte quando

comparada com uma fonte padrão de referência da mesma temperatura de cor;

¾ temperatura de cor correlata (TCC): termo utilizado para descrever a cor de uma

fonte de luz, medida em Kelvin. Em 1.500K a aparência é laranja/vermelho (cores

quentes) e em 9.000K a aparência é azul (cor fria);

¾ vida mediana: tempo após o qual 50% das lâmpadas submetidas a um ensaio de

vida atingem o fim de sua vida.


47/161

3.2 Tecnologias Atualmente Disponíveis

Os sistemas de iluminação pública devem ser caracterizados não somente pela

potência associada às lâmpadas, mas a todo o conjunto de iluminação que compõe a

fonte luminosa.

Cada lâmpada tem capacidade de emitir determinado fluxo luminoso, expresso em

lumens (lm). A energia elétrica é transformada em energia luminosa pela lâmpada, com

determinado rendimento, em geral expresso em lumens por Watt (lm/W). A luz é

produzida pela lâmpada de forma não direcionada, espalhada em todo seu entorno.

Através do refletor interno das luminárias, a luz é refletida para ser direcionada ao plano

de trabalho, passando depois pelo refrator. O refletor é uma superfície polida, em geral de

alumínio. O refrator é uma lente de vidro ou de material polimérico, tal como o

policarbonato.

As luminárias também apresentam rendimento, ou seja, a razão entre o fluxo

efetivamente utilizado e o fluxo luminoso emitido pelas lâmpadas. Por exemplo, uma

luminária com fator de utilização de 0,82, se estiver operando com uma lâmpada que

produza um fluxo luminoso de 3.100 lumens, fornecerá um fluxo luminoso no plano de

trabalho de 2.542 lumens (FUPAI, 2001).

As fontes luminosas tiveram evolução contínua. Os principais marcos são

mostradas no Quadro 3 a seguir.


48/161

Quadro 3: Etapas Evolutivas da Produção de Luz Artificial

Ano Fonte Luminosa Observação

? Descoberta do fogo

500.000 a.C. Fogueira

200.000 a.C. Tocha dificuldade para manter

20.000 a.C. Lâmpada a óleo animal dificuldade para transportar

Séc. I Vela de Cera

1780 Vela de espermacete óleo de baleia

1784 Lampião Argand lampião com camisa

1803 Lampião a gás de carvão gaseificação do carvão

1808 Lâmpada a arco voltaico

1879 Lâmpada incandescente de carvão inventor: Thomas Edison

1880 Lâmpada a arco voltaico controlado

1901 Lâmpada a vapor de mercúrio baixa ainda alimentada em CC

pressão

1907 Lâmpada incandescente de tungstênio

1908 Lâmpada a vapor de mercúrio alta pressão alta radiação UV

1931 Lâmpada a vapor de sódio a baixa ainda alimentada em CC

pressão

1932 Lâmpada fluorescente reprodução de cores inadequada

1941 Lâmpada de luz mista

1955 Lâmpada vapor de sódio alta pressão

1964 Lâmpada multivapores metálicos

1980 Lâmpada compacta fluorescente

Fonte: Adaptado de COSTA, 1998


49/161

As evoluções nem sempre tiveram o foco único na qualidade da luz. O consumo

de energia elétrica sempre foi um limitador. Por exemplo, no caso das lâmpadas a vapor

de sódio, amplamente utilizadas na iluminação pública atual, observa-se um elevado

rendimento na produção da luz, mas com índice de reprodução de cores deficiente.

Objetos iluminados por esse tipo de luz sépia tornam-se pouco expressivos ao olho

humano, trazendo a sensação de ambiente melancólico para boa parte das pessoas.

Entretanto, para a iluminação de vias públicas, o índice de reprodução de cores

deficiente é admitido, em favor de sua elevada eficiência que acaba resultando num baixo

consumo de energia elétrica total se comparada com outras tecnologias.

Uma pesquisa realizada pela Eletrobrás (2006c) aponta para uma boa aceitação

da cor “amarelada” das vapor de sódio. Foram consultadas 1.764 pessoas em locais onde

o Programa Reluz foi implementado. A pesquisa mostra que somente 47% dos

entrevistados notaram mudanças significativas na iluminação pública nos últimos anos,

mas que para 88% “a cor das lâmpadas novas” (vapor de sódio) ficou melhor. No entanto,

essa informação pode estar contaminada por uma melhora dos sistemas de iluminação

pública como um todo. Ou seja, pode se estar comparando uma iluminação a vapor de

mercúrio ou incandescente deficiente, já fisicamente depreciada, com qualidade

degradada e até muitas vezes com pontos escuros, com uma iluminação a vapor de sódio

nova, recém instalada. É igualmente questionável como somente 47% notaram a

mudança na IP, mas 88% aprovaram a nova cor da luz.

As lâmpadas a vapor de sódio a baixa pressão, que são as mais eficientes

atualmente disponíveis comercialmente, foram e ainda são aplicadas na Europa e EUA,

na iluminação de rodovias, autopistas, vias de acesso a estações ferroviárias, pistas de


50/161

bicicletas (Holanda) etc. Porém, dado que sua luz monocromática (amarela) confere

pouca sensibilidade ao olho humano, teve sua utilização limitada. No Brasil não há

aplicação significativa deste tipo de tecnologia. O Quadro 4 a seguir apresenta as

principais lâmpadas utilizadas atualmente na iluminação pública no Brasil, bem como

suas principais características.

Quadro 4: Tipos de lâmpadas utilizados na iluminação pública

Características Tipos de lâmpadas

Vapor de Vapor de Multivapores Mista Incandescente

Sódio Alta Mercúrio Metálicos

Pressão

Potência (W) 70 80 70 160 100

150 125 150 250 150

250 250 250 500 200

400 400 400

Eficiência 80 a 150 45 a 58 72 a 80 19 a 27 13 a 17

luminosa (lm/W)

Vida Mediana 18.000 a 9.000 a 8.000 a 8.000 a 1.000

(horas) 32.000 15.000 12.000 12.000

Equipamento Reator e Reator Reator e Nenhum Nenhum

auxiliar Ignitor Ignitor

Reprodução de 22 a 25 40 a 55 65 a 85 61 a 63 100

cor (%)

Temperatura de 1.900 a 3.350 a 3.000 a 3.400 a 2.700

Cor Correlata (K) 2.100 4.300 6.000 4.100

Fonte: Eletrobrás, 2004c


51/161

As lâmpadas a vapor de mercúrio a alta pressão firmaram-se como a única

alternativa de substituição às lâmpadas de filamento incandescente até a década de 60,

quando começaram a aparecer as lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão. Ainda

assim, as lâmpadas a vapor de mercúrio de alta pressão chegaram a ocupar, na década

de 80, mais de 60% de participação como tecnologia para a iluminação pública no mundo

(CODI, 1988). As lâmpadas MVM (multivapores metálicos) têm a sua aplicação limitada

pela vida útil e preço.

Após os choques do petróleo, foram buscadas alternativas em todos os segmentos

para redução do consumo de energia. Verificou-se, portanto, que as lâmpadas a vapor de

sódio a alta pressão, nas altas potências, proporcionavam iluminação com um tipo de luz

considerado satisfatório para vias públicas.

Além da maior eficiência das lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão (VSAP), há

outras diferenças entre estas em relação as lâmpadas a vapor de mercúrio (VM) que

merecem destaque (com base em CODI, 1988):

1) a partida da lâmpada do tipo VSAP é precedida de um pico de tensão elevado, o

que exige um maior nível de isolação do soquete da lâmpada (o que em

programas de melhoria de sistemas de iluminação pública já existentes pode exigir

a troca do soquete dos sistemas ou mesmo das luminárias, mesmo que estejam

em bom estado de conservação);

2) nas do tipo VSAP, faz-se necessário o uso de um ignitor — dispositivo auxiliar

utilizado juntamente com o reator tendo o objetivo de gerar um pulso de tensão

que possibilita o acendimento de lâmpadas multivapores metálicos e vapor de

sódio alta pressão;


52/161

3) as do tipo VSAP convertem em radiação visível até 29,5% da potência total

fornecida, enquanto que as do tipo VM atingem 14,7%;

4) as do tipo VM emitem 18,3% da potência total fornecida sob a forma de radiação

ultravioleta, enquanto que as do tipo VSAP apenas 0,5%, o que confere às do tipo

VSAP menor atração de insetos para as proximidades da luminárias e têm

menores impactos sobre os ecossistemas locais;

5) as do tipo VSAP ao atingirem 80% da sua vida útil perdem 12% do fluxo luminoso,

enquanto que as do tipo VM depreciam 20%;

6) Reacendimento – considerando uma interrupção no fornecimento de energia

elétrica por menos de 5 segundos, a lâmpada VM leva de 3 a 4 minutos para a

reignição e de 12 a 15 minutos para reatingir o fluxo nominal. Nas do tipo VSAP a

reignição ocorre em 1 minuto e o fluxo nominal retorna após poucos segundos.

7) Aparência de cor – as do tipo VSAP possuem maior irradiação de luz na faixa do

espectro do amarelo laranja, sendo que o índice de reprodução de cores é

significativamente desfavorável em relação às do tipo VM.

Na seleção da tecnologia que será utilizada para fornecimento do fluxo luminoso

(lâmpada) devem ser observados alguns aspectos. Os principais são a eficiência das

lâmpadas, a vida mediana e a qualidade da luz. Cada um desses aspectos deverá estar

adequado às condições do local a ser iluminado. Por exemplo, a iluminação pública com

lâmpadas incandescentes já se tornou ultrapassada em função dos elevados custos de

manutenção e baixa eficiência luminosa em relação a lâmpadas de descarga (VM e

VSAP). As VM chegam a durar 10 vezes mais do que incandescentes e as VSAP até 30

vezes mais, o que representa índices de queima menores, com menor necessidade de

intervenções para manutenção. Em localidades onde não haja equipes de atendimento

para manutenção, os custos de cada intervenção podem ser significativos.


53/161

Condições de Operação

O serviço de iluminação pública representa um dispêndio considerável no

orçamento municipal. Para que o serviço atenda às necessidades para as quais foi

projetado e compense as despesas decorrentes do seu funcionamento, os sistemas

devem ser muito bem operados, para que funcionem com o máximo de eficiência e a

iluminação possa contribuir com a segurança pública (CODI, 1984).

Alguns pontos essenciais devem ser considerados na operação dos sistemas:

- Os equipamentos devem funcionar com tensão adequada, pois o não atendimento

às condições nominais das lâmpadas causa alterações na coloração da luz

emitida e redução do fluxo luminoso, podendo não atender às necessidades

mínimas requeridas e causar alteração da vida útil;

- Lâmpadas apagadas nas situações de escurecimentos podem ser evitadas

através de inspeções, assim como lâmpadas acesas em dias claros;

- Luminárias devem ser lavadas periodicamente, pois o acúmulo de sujeira aumenta

a absorção de luz e diminui o fluxo luminoso disponível no plano de trabalho;

- O serviço de iluminação pública deve ser operado em paralelo com os demais

serviços urbanos, principalmente o de trânsito e o de parques e jardins, de forma

que a segurança no tráfego e a arborização sejam planejados juntamente com os

sistemas de iluminação pública.

LED’s

Os LED’s (Lighting Emitting Diodes) ou diodos emissores de luz são uma das

tecnologias de produção de luz mais sofisticadas atualmente disponíveis comercialmente.


54/161

O LED é um dispositivo semicondutor. Não possui filamentos nem eletrodos, o que lhe

confere uma grande durabilidade, segundo Eletrobrás (2004c), de cinco a seis anos.

Atualmente há fabricantes de luminárias com LED’s para iluminação pública, no

entanto, ainda não se trata de tecnologia comercialmente aplicável devido a seus

elevados custos de implantação e eficiência limitada.

Existe grande variedade de informações de fabricantes e os dados técnicos

encontram grande variação. Segundo um fabricante (PHILLIPS, 2006), usualmente fala-

se em 100.000 horas de vida útil, no entanto, o próprio fabricante sugere que se trata de

uma afirmação pouco confiável e afirma que seu produto pode reter 70% da capacidade

de produção de luz após 50.000 horas de funcionamento. Ainda segundo o mesmo

fabricante, usualmente afirma-se que os LED’s são a tecnologia mais eficiente atualmente

disponível, no entanto, pondera que os LED’s de luz branca possuem eficiência na

produção de luz de apenas duas vezes as lâmpadas incandescentes, mas que a

eficiência global do sistema de iluminação é favorecida porque os LED’s são uma fonte

pontual, o que auxilia no direcionamento da luz para o plano de trabalho.

Por exemplo, os LED’s desse fabricante, na luz de cor branca, possuem eficiência

de 15 a 25 lm/W, bastante reduzida se comparada com as tecnologias comercialmente

disponíveis para IP, apresentadas no Quadro 4 7.

7
Documentos internos da Eletrobrás (2006b) apontam para eficiências da ordem de

95lm/W obtidas em laboratório, no entanto, não há garantias de que esse valor será alcançado

comercialmente.
55/161

Os LED’s não serão objeto de análise neste trabalho, mas são uma alternativa

tecnológica possível para o futuro.

3.3 Normas Brasileiras Aplicáveis

A NBR-5101 – Iluminação Pública: Procedimento, que entrou em vigor em 29 de

outubro de 1992, é a norma brasileira que estabelece os requisitos básicos para

iluminação pública.

As vias públicas são classificadas de acordo com sua natureza e função. Em

função dessas características, são determinados os níveis mínimos de iluminância

necessários para cada tipo de via.

Além disso, são determinados os níveis mínimos para o fator de uniformidade de

iluminância, definido pela fórmula abaixo:

U = Emáx / E média

onde:

U – representa o fator de uniformidade de iluminância

E - representa a iluminância (máxima e média)

Pela NBR-5101, os dois principais parâmetros de qualidade considerados são

nível de iluminância média e fator de uniformidade de iluminância. Para cada classificação

de via são recomendados valores médios mínimos de iluminância e de uniformidade.

Esses valores devem ser levados em consideração nos projetos de iluminação pública.
56/161

Uma revisão da norma está atualmente em curso, dentre outras atualizações, traz

a inclusão dos níveis de luminância necessários. Ou seja, não se limita aos níveis de luz

incidente (iluminância), mas também considera os níveis de luz refletida pelo plano de

trabalho, a superfície da via (luminância).

De forma geral, pode-se apresentar as seguintes normas brasileiras, que

abrangem os componentes principais dos sistemas de iluminação pública:

¾ NBR 5101 - Iluminação Pública - Procedimento;

¾ NBR-IEC 60598 - Luminárias para iluminação pública - Requisitos particulares;

¾ NBR-IEC 662 - Lâmpadas Vapor de Sódio Alta Pressão;

¾ NBR-IEC 188 - Lâmpadas Vapor de Mercúrio Alta Pressão;

¾ NBR-IEC 1167 - Lâmpadas Multi Vapor Metálico;

¾ NBR 13.598 - Reatores e Ignitores para Lâmpadas VSAP;

¾ NBR 5125 - Reatores para Lâmpadas VMAP;

¾ NBR 5123 - Relé Fotoelétrico.

3.4 Conclusões

Sob o aspecto tecnológico, a iluminação já experimentou importantes avanços

tecnológicos, resumidos na transição da iluminação a combustível para a iluminação

elétrica e posteriormente da lâmpada incandescente para as lâmpadas de descarga. O

advento de novas tecnologias, tal como os LED’s, com princípio de funcionamento

bastante distintos, sugere que esta evolução será contínua e com evolução nos

parâmetros básicos: eficiência, vida útil, qualidade da luz e facilidade de direcionamento


57/161

do foco luminoso, para uma melhor distribuição da luz no plano de trabalho. As normas

para iluminação deverão acompanhar a inovação tecnológica de forma a restringir o uso

às tecnologias de mais alto nível e com o compromisso com a qualidade.


58/161

4 Iluminação Pública – Aspectos Sócio-Ambientais

4.1 A Questão Ambiental

Há um significativo impacto da iluminação pública na vida terrestre. Nos seres-

humanos boa parte destes impactos é percebida (e até muitas vezes questionada e

contestada) e outra talvez ainda desconhecida. Alguns dos diversos impactos são a

seguir apresentados e discutidos.

A Poluição Lumínica

As luminárias de iluminação pública direcionam a luz emitida pela lâmpada para o

plano de trabalho, ou seja, a superfície das vias públicas. Contudo, parte desta luz é

espalhada para a região superior à luminária e parte para as laterais. As luminárias mais

eficientes direcionam a maior parte da luz para o plano de trabalho, reduzindo os

espalhamentos, pois os mesmos não resultam em um serviço útil. Assim a função das

luminárias é a de direcionar maior quantidade de luz para o plano de trabalho.

A chamada luz intrusa é a luz espalhada para as laterais e que invade locais

adjacentes ao ponto luminoso. Essa luz pode causar desconforto nas edificações, que

são então privadas da escuridão absoluta. Isto é, a luz intrusa invade as aberturas de

edificações, tais como janelas e portas, clareando o interior das mesmas.

A luz espalhada para a atmosfera clareia os céus, causando uma falsa impressão

de claridade natural nos ecossistemas e impedindo a observação de astros durante a


59/161

noite. Há diversas manifestações dos observadores dos céus descontentes com a

redução do número de astros observáveis nos céus noturnos (SILVESTRE, 2005).

Dessa forma, existem ponderações a serem efetuadas para que a iluminação se

limite a sua função principal e evite desconfortos ou impactos adicionais.

Os Resíduos das Operações de Manutenção dos Sistemas de IP

No mercado brasileiro de iluminação, as lâmpadas com maior eficiência luminosa

(relação lumens/Watt) vem crescendo bastante nas últimas décadas. Para obter tal ganho

de eficiência, a tecnologia mais aplicada consiste na utilização de mercúrio (Hg) nas

lâmpadas de descarga, tais como as de vapor de mercúrio, vapor de sódio, multivapores

metálicos e a fluorescente.

Segundo a Abilux (Associação Brasileira da Indústria de Iluminação), os setores

público, industrial e de serviços correspondem por cerca de 86% do total de um volume

de 80 milhões de lâmpadas comercializadas no Brasil em 2002. Este dado sugere que

estes sejam os maiores geradores de descarte de lâmpadas tipo High Intensity Discharge

- HID (vapor de mercúrio, vapor de sódio, mista e multivapores metálicos) e lâmpadas

fluorescentes (apud Raposo, 2001).

As empresas, órgãos públicos e a população em geral desconhecem os efeitos

adversos causados pelo mercúrio e não sabem como gerenciar os resíduos desse metal.

Em 1998, 48,5 milhões de unidades de lâmpadas contendo mercúrio foram descartadas,

com uma carga poluidora de cerca de uma tonelada de mercúrio, calculada com base

numa média de 20,6 mg/lâmpada. No ano de 2000, esse descarte passou a 80 milhões
60/161

de unidades e este total vem crescendo, principalmente pela substituição de lâmpadas

incandescentes por fluorescentes compactas mais eficientes, principalmente no setor

residencial, incentivada por ocasião do racionamento de energia elétrica no Brasil em

2001 (Raposo, 2001).

Os resíduos de lâmpadas que contêm mercúrio requerem tratamento específico e

não devem ser lançados livremente ao meio ambiente. Dentre as técnicas de tratamento

de resíduos de lâmpadas, o destaque vai para a reciclagem, via tratamento químico ou

térmico. Essa atividade, além de ser ambientalmente correta, possibilita, adicionalmente,

a obtenção e reutilização de subprodutos (Raposo, 2001).

Os resíduos advindos das obras de manutenção ou modernização 8 dos sistemas

de iluminação pública requerem cuidados especiais para que não haja contaminação do

meio ambiente.

O elemento químico mercúrio ocorre naturalmente na natureza. Quando

descartado no meio ambiente pelas atividades antropogênicas, pode causar sérios danos

ecológicos e à saúde humana. Na natureza, é encontrado em pequenas quantidades nos

mares, rochas e solo. Devidos às atividades naturais dos ecossistemas, tal como a

erupção de um vulcão, o mercúrio pode ser carreado, circular na atmosfera e ser

8
Denominam-se aqui “manutenção” intervenções nas redes de iluminação pública com fins

corretivos ou preventivos. Denominam-se aqui “modernização” intervenções, em grande escala,

com fins de padronização e substituição de tecnologias obsoletas, geralmente com elevados

ganhos de eficiência redução da potência total instalada.


61/161

redistribuído no meio ambiente. As principais propriedades do mercúrio são apresentadas

na Tabela 5 a seguir.

Tabela 5: Propriedades do Elemento Químico Mercúrio

Propriedade Comentários

Único metal líquido na temperatura ambiente. Evoca a curiosidade dos humanos


Ponto de fusão a –38ºC (235K)

Evapora facilmente. Ponto de ebulição a 357ºC O vapor de mercúrio pode ser extremamente
(630K) perigoso se inalado

Elevada densidade, ainda que fluido, de 13,546 Pequenas porções têm elevado peso e movem-
3
gm/cm se facilmente. Propriedade útil na medicina

Bom condutor de energia elétrica. Resistividade Usados em alguns tipos de chaves elétricas
elétrica de 98,4 μohm.cm (como referência a do
cobre é de 1,67 μohm.cm)

Dilatação e contração uniforme com a variação Usado em termômetros e termostatos


da temperatura

Combina-se facilmente com outros metais Amálgama é uma liga de mercúrio com qualquer
outro metal. Os dentistas usam-no para as
obturações dentárias

Nocivo a bactérias e fungos Já foi utilizado para pesticidas, tinturas e em


pessoas para matar germes

O mercúrio pode ser facilmente incorporado em Uma vez que o mercúrio penetra em
tecidos biológicos determinado ser, ele dificilmente será expelido

Aumento da concentração na cadeia alimentar Numa contaminação, os seres localizados no


topo das cadeias alimentares, tal como
humanos, podem ter milhares de vezes mais
mercúrio em seus corpos que insetos e peixes,
que estão na base da cadeia
Fonte: adaptado de SKAVRONECK et al., 1998

Os efeitos no médio e longo prazos advindos da poluição ambiental com mercúrio

ainda merecem maiores estudos, visto que muitos ecossistemas começaram a ser
62/161

contaminados há pouco tempo (tal como a poluição advinda das lâmpadas fluorescentes)

e os efeitos reais podem ainda não ter sido evidenciados.

Como o mercúrio passa ao estado gasoso a uma temperatura relativamente baixa,

de 357ºC, há diversas ações antropogênicas que resultam em emissões de mercúrio. Na

geração de energia elétrica com base fóssil, notadamente na com base em carvão,

petróleo e gás natural, existe emissão de mercúrio para a atmosfera devido à queima do

combustível. Na incineração de resíduos das atividades humanas, como resíduos sólidos

urbanos, também ocorrem emissões quando na ocorrência de mercúrio.

Uma vez lançado na atmosfera, o mercúrio é carreado pelo ar. Depois é

depositado novamente na superfície terrestre, geralmente através das chuvas, em zonas

aquáticas ou terrestres, causando a contaminação.

Outra forma de contaminação seria através dos resíduos industriais e sólido

urbano diretamente, ou seja, resíduos contendo mercúrio, quando incorretamente

dispostos.

A contaminação pelo mercúrio pode causar sérios danos à saúde humana e ao

meio ambiente, tanto pela exposição direta quanto pela sua ingestão ou inalação. O

elemento mercúrio vaporiza à temperatura ambiente e mais rapidamente quando

aquecido e o vapor, caso inalado, causa intoxicação.

O mercúrio elementar e sais de mercúrio podem ser transformados em mercúrio

orgânico, ou metil-mercúrio, através de atividade de bactérias. Diferentemente do

mercúrio elementar, o metil-mercúrio pode ser absorvido pelos organismos humanos. Isto
63/161

pode ocorrer na ingestão de peixe contaminado, por exemplo. Esta contaminação pode

causar sérios danos à saúde humana (Yamachita et al., 1999).

O metil-mercúrio tende a se concentrar na cadeia alimentar, especialmente em

ecossistemas aquáticos, num processo chamado de bioacumulação. Ou seja, o lodo de

um lago pode ter cerca de 100 a 1000 vezes a quantidade de mercúrio encontrada na

água. Insetos podem extrair do lodo o metil-mercúrio, concentrando a quantidade de

mercúrio. Pequenos peixes e depois maiores podem dar seqüência na cadeia,

aumentando ainda mais a concentração de mercúrio. O peixe no topo da cadeia alimentar

do lago pode ter níveis de mercúrio da ordem de 1.000.000 de vezes o nível encontrado

na água em que vivem (SKAVRONECK et al., 1998).

Em países com geração de energia elétrica com base fóssil, a emissão de

mercúrio para a atmosfera pode ser significativa. Em particular, o carvão mineral, apesar

de conter pequenas percentagens de mercúrio, quando é utilizado como fonte energética

para a geração de energia elétrica é queimado em enormes quantidades, o que gera uma

emissão considerável de mercúrio para a atmosfera. Segundo SKAVRONECK (1998), são

emitidos cerca de 1,67x10-5 g de mercúrio para a atmosfera para cada kWh de energia

elétrica consumida em uso final.

Exemplifica-se aqui este fato com o caso usual de instalação de uma lâmpada

fluorescente em substituição a uma incandescente. A economia de energia associada a

uma lâmpada compacta fluorescente de 15 W instalada em substituição a uma

incandescente de 60 W, com fluxo luminoso equivalente, ao longo das 10.000 h de sua

vida útil, é capaz de gerar a economia de 45 W x 10.000 h = 450 kWh.


64/161

Usando o dado de SKAVRONECK (1998), essa economia de energia no uso final

evitaria emissões de mercúrio da ordem de 7,515 mg na geração da energia, com base

na matriz com elevada participação de combustíveis fósseis (caso dos EUA). Uma

lâmpada compacta fluorescente de 15 W possui em seu interior menos de 10mg de

mercúrio.

Desta forma, apesar das lâmpadas fluorescentes conterem mercúrio, elas

indiretamente evitam emissões de mercúrio para a atmosfera na geração da energia, por

proporcionarem um menor consumo de energia elétrica, quando comparadas com as

incandescentes, em países com matriz energética baseada em combustíveis fósseis que

contenham mercúrio, notadamente, carvão 9.

Analisando somente do ponto de vista ambiental, haveria um dilema entre poluir o

ambiente com mercúrio na geração da energia ou usar lâmpadas fluorescentes. Estas

lâmpadas proporcionam menor consumo de energia elétrica e conseqüentemente menor

emissão devido à geração da energia elétrica, entretanto, corre-se o risco de rompimento

das cápsulas de vidro que contêm mercúrio, o que também geraria emissões de mercúrio.

A legislação ambiental brasileira sobre o descarte de lâmpadas ainda está

segmentada e restrita a leis estaduais e municipais. Não há mecanismos que definam a

responsabilidade e regulem a metodologia de disposição das lâmpadas contendo

9
Para uma avaliação mais precisa teria que ser feita uma “análise de ciclo de vida”, onde

deveriam ser contabilizados ainda os eventuais gastos de energia elétrica no reprocessamento de

mercúrio contido nas lâmpadas, caso fossem recicladas.


65/161

mercúrio. Assim, faz-se necessário que sejam utilizados mecanismos de contorno para

evitar os impactos ambientais.

Por exemplo, a Eletrobrás atualmente solicita a concessionárias de energia elétrica

que prevejam e incluam os custos do descarte de lâmpadas nos novos contratos de

financiamento, no âmbito do Programa Reluz (Programa Nacional de Iluminação Pública

Eficiente). Na supervisão física dos contratos de financiamento estão sendo solicitados

Certificados de Recepção e Responsabilidade, emitidos por empresas credenciadas por

órgãos ambientais, que efetivamente realizam a correta disposição dos resíduos das

lâmpadas (Eletrobrás, 2004f).

A Eletrobrás sugere que sejam considerados os custos relativos ao descarte das

lâmpadas (cerca de R$ 0,50 por lâmpada) como custos indiretos nos contratos, ou seja,

estes custos devem ser considerados no custo total dos novos projetos que são

apresentados com vistas a obtenção de financiamento. O Manual do Programa Reluz

informa que os agentes envolvidos nas obras de melhoria dos sistemas são os

responsáveis pela correta destinação dos resíduos.

A Lei no. 9.605 de 12/02/1998, que dispõe sobre as sanções penais e

administrativas derivadas de atividades lesivas ao meio ambiente, a chamada “Lei de

Crimes Ambientais”, considera como crime, no Artigo 54, "causar poluição de qualquer

natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos a saúde humana, ou

que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora" e, no

Artigo 56, "produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer,

transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica,


66/161

perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as

exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos".

Dessa forma, a correta disposição dos resíduos das lâmpadas, além de ser

ambientalmente correta, e solicitada nos novos contratos de financiamento do Programa

Reluz, é exigida por força de Lei no Brasil. Enquanto não houver legislação específica 10

regulamentando a responsabilidade pela destinação final das lâmpadas que contêm

mercúrio, após o uso, a responsabilidade por qualquer dano à saúde pública ou ao meio

ambiente recairá sobre o gerador final deste resíduo, ou seja, à pessoa física ou jurídica

que o adquiriu, utilizou ou produziu, no todo ou em parte.

Através dessa iniciativa, de solicitar que seja previsto o descarte das lâmpadas

nos novos projetos, a Eletrobrás pretende não somente considerar os custos relativos ao

descarte no valor total do projeto, mas também estimular que o descarte e toda a logística

sejam efetivamente previstos pelos agentes, ainda na fase de projeto, de forma a evitar

que sejam geradas grandes quantidades de resíduos sem destinação definida.

10
Está em discussão no CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) um projeto de

lei sobre a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Um dos pontos de difícil consenso trata da

responsabilidade pós-consumo – responsabilidade civil e administrativa de fabricantes,

importadores e distribuidores de produtos cujo descarte (depois da utilização) cause dano ao meio

ambiente. Já existem Resoluções CONAMA que estabelecem a responsabilidade pós-consumo

dos fabricantes e importadores de determinados acumuladores de energia e de pneumáticos (RES.

CONAMA 257/99 e 258/99).


67/161

Com a criação da consciência ambiental para o correto descarte das lâmpadas,

espera-se que os agentes estejam aptos a darem continuidade ao processo de disposição

adequada dos resíduos nas próximas atividades de manutenção dos sistemas, após a

implementação do Programa Reluz, que trata da substituição massiva dos sistemas.

Lâmpadas que contêm mercúrio, após o uso, são classificadas como resíduos

perigosos (Classe 1) pela Norma ABNT 10.004/04. Diante disto, merecem cuidados

especiais quanto aos procedimentos de manuseio (retirada/coleta), acondicionamento,

transporte, armazenagem e destinação final, em função das suas características

peculiares e dos riscos que apresentam.

A quantidade média de mercúrio encontrada, por lâmpada, é apresentada na

Tabela 6. Com base nessas quantidades podem-se realizar as estimativas de descarte

pulverizado de mercúrio no meio ambiente pelos sistemas de iluminação pública, quando

da manutenção dos mesmos, caso não sejam tomados os devidos cuidados no manuseio

e descarte das lâmpadas inservíveis.


68/161

Tabela 6: Quantidade de Mercúrio Encontrada nas Lâmpadas Comercializadas no Brasil

Lâmpadas Utilizadas na Iluminação Pública

Quantidade
Lâmpadas contendo Faixa de Faixa média de
média de
mercúrio potências mercúrio
mercúrio

Mista 160 W a 500 W 0,017 g 0,011 g a 0,045 g

Vapor de Mercúrio 80 W a 1000 W 0,032 g 0,013 g a 0,080 g

Vapor de Sódio 70 W a 1000 W 0,019 g 0,015 g a 0,030 g

Vapor Metálico 35 W a 2000 W 0,045 g 0,010 g a 0,170 g

Fonte: ABILUX, 2001

O tipo de poluição por quebra de lâmpadas que contêm mercúrio é em geral

pulverizada, mas para se ter uma idéia da quantidade de mercúrio envolvida, pode-se

efetuar uma estimativa. Na tabela 19 serão apresentados o número de lâmpadas a vapor

de mercúrio e mistas que podem ser substituídas por outras de tecnologia mais avançada

no cadastro nacional de IP. Adotando-se a quantidade média de mercúrio encontrada, por

tipo de lâmpada, conforme a Tabela 6, chegar-se-ia a uma quantidade da ordem de 225kg

de mercúrio.

No caso de grandes geradores de resíduos, como no caso das concessionárias

que executam os projetos de grande porte para modernização da iluminação pública,

conforme características do Reluz, a disposição dos resíduos deve ser prevista ainda na

fase de projeto, de forma que se evite a geração de grandes estoques de equipamentos

sem procedimentos para o descarte e destino definidos. No caso de lâmpadas, a atenção


69/161

deve ser redobrada, uma vez que a existência de mercúrio pode contaminar o ambiente e

causar danos à saúde humana se não forem tomados os devidos cuidados para a

armazenagem dos resíduos.

Dessa forma, o Programa Reluz vem atuando preventivamente com ações que

estimulam a gestão ambiental dos resíduos, a partir do planejamento do descarte dos

equipamentos retirados dos sistemas de iluminação pública ainda na fase de projeto.

Na execução do Programa os agentes são conscientizados para o correto

descarte dos materiais retirados. Esta conscientização para o correto descarte capacita os

agentes para que nas próximas ações de manutenção do parque de IP, após o Reluz,

também seja previsto o descarte dos equipamentos.

Além disso, com o incentivo para que se destine corretamente o material

descartado espera-se um aumento do número de empresas brasileiras especializadas no

descarte e reciclagem das lâmpadas que contêm mercúrio.

4.2 Aspectos de Segurança Pública

Dois aspectos devem ser observados, envolvendo segurança e iluminação pública.

O aspecto da segurança noturna, no tráfego de veículos e pedestres. E o aspecto

associado a um aumento da sensação de segurança por parte dos usuários das vias

públicas, em relação à criminalidade. No senso comum da sociedade, usualmente a

iluminação pública é justificada como fator de redução de criminalidade.


70/161

Com relação à redução nos índices de criminalidade, um levantamento feito por

CLARK (2004) sugere que não existiriam evidências concretas entre a melhoria da

iluminação pública e a redução nos índices. O estudo sugere ainda que os governos não

realizem investimentos em sistemas de iluminação onde a justificativa inclua ou implique

na prevenção da criminalidade.

Um estudo inglês do Home Office, de ATKINS (1991), também conclui que não

são encontradas evidências que suportem a hipótese de que uma iluminação pública

eficaz reduza os registros de criminalidade. No entanto, o mesmo estudo mostra que

existe, na verdade, uma redução do medo dos que trafegam pelas ruas mais bem

iluminadas. Casos pontuais onde a redução da criminalidade se deu são tidos como

possíveis, mas não deveriam ser generalizados.

Um outro estudo realizado por PEASE (1998), da Universidade de Huddersfield,

Inglaterra, coloca em questão a publicação do Home Office. Cita, por exemplo, como uma

cidade seria tomada pelo caos da criminalidade, numa situação extrema, caso fossem

desligadas todas as luzes das vias públicas.

Ainda que a publicação do Home Office informe não serem encontrados registros

da redução da criminalidade advinda de melhorias na IP de forma generalizada, de forma

empírica, a iluminação pública pode ser justificada pela redução da sensação de risco nas

pessoas que trafegam pelas vias nos períodos noturnos, sendo, assim, uma medida que

tem elevada taxa de aprovação por parte da sociedade, principalmente nos locais mais

afetados pela criminalidade.


71/161

A Cemig (CARVALHO, 2006) nos anos de 2004-2005 fez a priorização dos locais

onde seriam executados os projetos de melhoria na iluminação pública em função dos

índices de crimes violentos, no intervalo de 18:00 às 6:00 horas, da Polícia Militar do

Estado de Minas Gerais do ano de 2003. Foram selecionados 200 municípios. As obras

foram executadas e posteriormente comparados os novos índices de crimes violentos

(ICV) obtidos no ano de 2005. Em 80 destes municípios, 40%, o ICV diminuiu. Não se

pode chegar a uma associação direta. Possivelmente os projetos realizados não tiveram

já em 2005 seu impacto registrado no ICV.

Ainda segundo o mesmo artigo, “uma análise mais detalhada, para o município de

Belo Horizonte, onde, em 2004, foram executados projetos de eficiência energética de

iluminação pública, remodelando mais de 70% dos pontos de iluminação pública a vapor

de mercúrio, isto é 80 mil pontos, mostra que o ICV sofreu queda expressiva de 17%. Em

artigos apresentados em jornais locais ficou evidente a aprovação da população onde os

projetos foram executados e o descontentamento de moradores de bairros onde não foi

feita a melhoria e subseqüente denúncia da insegurança devido as más condições da

iluminação. Para que se pudesse evidenciar os efeitos dos projetos executados em Belo

Horizonte há a possibilidade de se trabalhar junto com a Polícia Militar utilizando as

informações por ruas ou bairros, como é o caso do centro da cidade e de aglomerados.

No município de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi feita a

substituição de todos os pontos a vapor de mercúrio. A redução do índice de

criminalidade foi significativa, 24%.”

O trabalho não discute a criminalidade na sua essência e não tenta associar como

a deficiência na iluminação pública poderia ser considerada como uma de suas causas

principais, tamanha a complexidade da questão.


72/161

Uma pesquisa realizada pela Eletrobrás (2006c), através do Programa Reluz, com

1.764 pessoas onde o Programa Reluz foi implementado mostra que a nova iluminação

aumentou a sensação de segurança para 85% dos entrevistados e é apontada como um

benefício adicional trazido pela nova iluminação por 80% das pessoas.

Com relação à segurança viária, a melhoria da IP melhora a visibilidade noturna

dos automóveis e dos pedestres. Há uma correlação direta e mais facilmente

demonstrada entre a redução dos índices de acidentes de trânsito e a eficácia da IP.

A iluminação de vias para veículos motorizados permite uma visão mais rápida,

precisa e confortável aos motoristas, possibilitando a identificação de obstáculos e objetos

estranhos na pista e a reação com freadas ou manobras (BARBOSA, 2000).

4.3 A IP como Indicador de Desenvolvimento Local

A IP pode ser um possível indicador de desenvolvimento local. Alguns dos índices

de urbanização atualmente disponíveis através do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE) são: existência de rede de água, pavimentação, saneamento, coleta de

lixo, existência de luz elétrica, existência de sanitário e existência de telefone. A existência

de iluminação pública também é levantada pelo IBGE e pode ser usada como indicador

de infra-estrutura nas áreas urbanas (Tabela 2409 - Domicílios particulares permanentes

e Moradores em Domicílios particulares permanentes por situação do domicílio, existência

de iluminação pública, identificação e calçamento/pavimentação no entorno, do Censo

Demográfico de 2000).
73/161

A Tabela 7 a seguir apresenta o percentual de atendimento de cada um desses

índices, para cada região do Brasil, e a média nacional. Observa-se que entre alguns

deles existem associações possíveis, ou seja, numa análise superficial é razoável, por

exemplo, associar-se o percentual de atendimento de rede de água com o percentual de

atendimento de iluminação pública, para cada região.

Tabela 7: Percentual de Atendimento com Índices de Desenvolvimento Local por Região

Rede de Esgoto Coleta Ilumin.

água Sanitário Sanitário lixo Elétrica Telefone Pavimentação IP

NORTE 58,49 89,35 89,35 82,90 94,53 55,19 34,93 62,98

NORDESTE 57,56 64,61 64,61 62,43 69,99 34,18 44,02 64,64

SUDESTE 83,30 87,74 87,74 85,49 88,42 63,67 66,42 81,52

SUL 75,38 80,22 80,22 79,83 80,83 59,06 51,17 75,68

CENTRO OESTE 71,87 85,67 85,67 83,19 86,43 60,27 51,49 80,05

BRASIL 69,32 81,52 81,52 78,77 84,04 54,47 49,61 72,98

Fonte: IBGE - Censo Demográfico, 2000 11

Os demais índices, apesar de não demonstrarem uma associação tão direta,

parecem ter comportamentos ou tendências de acompanhamento no atendimento da

iluminação pública.

11
Os dados disponíveis para atendimento da IP e pavimentação englobam somente o ano

de 2000 (Censo Demográfico, 2000) e os dados para os demais índices utilizados foram os da

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001 (foi utilizada a data disponível mais

próxima à data do Censo 2000).


74/161

Analisam-se aqui essas tendências, que empiricamente parecem previsíveis, ou

seja, parece razoável que o percentual de atendimento com iluminação pública possa ser

estimado com base em outros índices de atendimento de infra-estrutura, chamados aqui

de índices de desenvolvimento local.

Com base nos percentuais de atendimento de cada um dos índices de

desenvolvimento local pode ser calculada a relação entre o percentual de atendimento da

iluminação pública e o percentual de atendimento de cada um dos índices aqui

selecionados. Dessa forma obtém-se uma relação que poderia servir, dentre outros, para

se estimar o percentual de atendimento da iluminação pública para outros anos, visto que

só há dados do ano 2000 disponíveis para atendimento de iluminação pública e

pavimentação, partindo-se da premissa de que a relação entre o atendimento da

iluminação pública e os demais índices não sofre grandes variações em pequenos

períodos. Essa relação é apresentada na Tabela 8 a seguir para os estados e para a

federação.
75/161

Tabela 8: Relação entre Atendimento de IP e Índices de Desenvolvimento Local

Considerados (percentual de moradores em domicílios particulares permanentes com

iluminação pública / percentual de moradores em domicílios particulares permanentes

com um dos serviços listados) para os Estados Brasileiros

Serviços

Rede de Esgoto Coleta Ilumin.

água Sanitário Sanitário lixo Elétrica Telefonia Pavimentação

Brasil 1,03 0,84 0,93 0,95 0,91 1,36 1,32

Rondônia 1,20 0,49 0,49 0,56 0,48 0,84 2,58

Acre 1,44 0,72 0,72 0,79 0,60 0,91 1,80

Amazonas 0,90 0,70 0,70 0,74 0,65 0,98 1,13

Roraima 0,79 0,72 0,72 0,74 0,70 1,14 1,67

Pará 1,29 0,63 0,63 0,75 0,61 1,28 2,62

Amapá 1,05 0,75 0,75 0,79 0,75 1,18 2,25

Tocantins 1,25 0,85 1,02 1,02 0,97 2,33 1,72

Maranhão 1,39 1,01 1,14 1,24 0,85 2,02 1,88

Piauí 1,21 1,05 1,13 1,19 0,94 1,95 1,32

Ceará 1,15 0,87 1,00 1,06 0,93 2,14 1,28

R. Grande do Norte 1,06 0,75 0,98 0,98 0,95 1,80 1,42

Paraíba 1,04 0,79 0,94 1,00 0,91 1,92 1,62

Pernambuco 1,15 0,86 1,02 1,07 0,97 1,80 1,62

Alagoas 1,21 0,79 1,00 0,99 0,95 2,08 1,64

Sergipe 0,93 0,74 0,88 0,90 0,85 1,56 1,22

Bahia 1,13 0,81 1,01 1,02 0,96 1,94 1,48

Minas Gerais 0,99 0,84 0,96 0,99 0,95 1,41 1,19

Espírito Santo 0,97 0,77 0,94 0,99 0,93 1,39 1,46


76/161

(continuação da Tabela 8)

Rede de Esgoto Coleta Ilumin.

água Sanitário Sanitário lixo Elétrica Telefonia Pavimentação

Rio de Janeiro 1,03 0,87 0,90 0,93 0,90 1,24 1,22

São Paulo 0,94 0,87 0,92 0,92 0,92 1,14 1,11

Paraná 0,97 0,79 0,95 0,95 0,94 1,36 1,34

Santa Catarina 1,02 0,75 0,92 0,93 0,92 1,22 1,74

Rio Grande do Sul 1,02 0,79 0,96 0,96 0,95 1,28 1,43

Mato Grosso do Sul 1,03 0,79 0,91 0,94 0,90 1,29 1,93

Mato Grosso 1,18 0,72 0,88 0,96 0,88 1,58 1,94

Goiás 1,22 0,88 0,98 0,99 0,96 1,50 1,43

Distrito Federal 1,05 0,92 0,96 0,96 0,95 1,11 1,26

Média - estados 1,10 0,80 0,90 0,94 0,86 1,50 1,60

Desvio padrão 0,15 0,11 0,15 0,14 0,14 0,41 0,40

Fonte: Elaboração própria com dados de IBGE, 2005 (ver nota 11).

O menor desvio padrão na relação de atendimento IP/item de desenvolvimento

local, entre os estados, é no esgotamento sanitário. Esse valor mostra que a relação entre

esses dois índices sofre as menores variações nos estados. Os índices, a exceção de

pavimentação e telefonia, apresentam desvios que podem ser considerados como

equivalentes, ou seja, pode-se chegar ao índice de atendimento da IP nos estados

brasileiros com razoável precisão tendo-se em mãos os índices de atendimento dos

demais índices. Apesar de não necessariamente apresentarem uma equivalência entre os

valores encontrados, as relações apresentadas para cada estado apresentam variações

que permitem que sejam feitas associações entre os índices.


77/161

Já o índice estadual médio de atendimento mais próximo ao do índice de

atendimento da iluminação pública é o índice de atendimento da coleta de lixo –

evidenciada pela relação mais próxima da unidade, dentre os indicadores apresentados –,

mostrando que o índice de atendimento da iluminação pública e da coleta de lixo estão

bastante próximos nos estados brasileiros. Novamente excetuando-se pavimentação e

telefonia, os demais índices de atendimento possuem relações com no máximo 20% de

variação em relação à unidade, o que demonstra que o nível de atendimento da

iluminação pública encontra relação com o nível desses demais índices. Sendo que água,

sanitário e coleta de lixo possuem uma variação de no máximo 10%, ou seja, são os

índices que melhor podem ser associados ao índice de atendimento da iluminação

pública.

Observa-se uma relação regional entre os índices de urbanização e a existência

da iluminação pública. Pode-se, portanto, agrupar os estados nas regiões do Brasil para

uma demonstração dos dados numa visão mais ampla, tal como mostrado no Gráfico 3 a

seguir.
78/161

Rede de água
2,0

1,5
Pavimentação Esgoto Sanitário

1,0

0,5

0,0

Telefone Sanitário

Ilumin. Elétrica Coleta lixo

NORTE NORDESTE SUDESTE


SUL CENTRO OESTE BRASIL

Gráfico 3: Relação entre Atendimento de IP e Índices de Desenvolvimento Local

Considerados, por Região e Média Brasileira

Fonte: Elaboração própria com dados de IBGE, 2005 (ver nota 11)

Observa-se que na região Norte as associações entre o índice de atendimento da

iluminação pública e os demais índices são menos evidentes. Nas demais regiões,

excetuando-se os índices associados à pavimentação e telefonia, as relações entre os

índices situam-se em torno da unidade, com pequenas variações, o que sugere a forte

relação entre os mesmos.


79/161

A seguir apresenta-se a Tabela 9, com a relação entre a população e a quantidade

de pontos de iluminação pública encontrados em cada estado brasileiro. Este indicador

pode ser utilizado como um balizador do grau de alcance da iluminação pública em cada

estado, no entanto deverão ser tomadas devidas precauções na análise desses dados,

conforme observado adiante.

Tabela 9: Relação Habitantes por Ponto de IP em cada Estado Brasileiro (ver nota 11/12)

Atendimento Número Habitantes

Estados (%) População Pontos IP por ponto

Rondônia 47,56 1.380.952 64.741 21,3

Acre 58,49 557.882 33.059 16,9

Amazonas 64,71 2.817.252 116.846 24,1

Roraima 69,27 324.397 38.972 8,3

Pará 59,82 6.195.965 208.297 29,7

Amapá 74,9 477.032 40.139 11,9

Tocantins 66,14 1.157.690 115.915 10

Maranhão 54,34 5.657.552 347.213 16,3

Piauí 57,3 2.843.428 168.305 16,9

Ceará 67,7 7.431.597 494.846 15

Rio Grande do Norte 69,23 2.777.509 172.613 16,1

Paraíba 67,42 3.444.794 223.549 15,4

Pernambuco 72,34 7.929.154 466.861 17


80/161

Tabela 9 - continuação

Atendimento Número Habitantes

Estados (%) População Pontos IP por ponto

Alagoas 63,75 2.827.856 142.374 19,9

Sergipe 66,99 1.784.829 157.516 11,3

Bahia 62,71 13.085.769 614.936 21,3

Minas Gerais 78,72 17.905.134 1.790.206 10

Espírito Santo 74,46 3.097.498 260.055 11,9

Rio de Janeiro 86,37 14.392.106 1.040.908 13,8

São Paulo 86,54 37.035.456 2.939.334 12,6

Paraná 76,74 9.564.643 1.001.284 9,6

Santa Catarina 73,93 5.357.864 664.136 8,1

Rio Grande do Sul 76,37 10.187.842 830.533 12,3

Mato Grosso do Sul 77,91 2.078.070 193.562 10,7

Mato Grosso 67,49 2.505.245 191.694 13,1

Goiás 83,72 5.004.197 504.872 9,9

Distrito Federal 91,08 2.051.146 218.689 9,4

Brasil 75,42 169.872.859 13.041.455 13

Fonte: Elaboração Própria 12 (ver nota 11)

Diversos fatores podem influenciar a relação habitantes / número de pontos de IP,

portanto, o indicador merece algumas ponderações. Por exemplo, depende do nível de

12
Os dados disponíveis para atendimento da IP englobam somente o ano de 2000 (IBGE

Censo Demográfico, 2000). O número de pontos de iluminação pública está associado ao ano de

2003, conforme dados da Eletrobrás, 2004b.


81/161

verticalização – quanto maior a concentração de habitantes por ruas existente, menor a

relação habitante/ponto.

De forma a minimizar os efeitos dessas ponderações, poder-se-ia efetuar a

exclusão de áreas verticalizadas no indicador, no entanto, tal tarefa incluiria um longo

trabalho de pesquisa para regionalizar o indicador e obter resultados mais fiéis a cada

localidade.

No entanto, comparando-se os índices de atendimento com a relação habitantes

por ponto, pode-se avaliar a situação do atendimento da iluminação pública nos estados,

um dos objetivos desse capítulo.

O Gráfico 4 a seguir apresenta três curvas para os estados brasileiros: o

percentual de atendimento da iluminação para cada estado brasileiro; o inverso da

relação de habitantes por ponto multiplicada por 1.000 e uma reta linearizando-se esta

última curva. Pode ser observado que existe elevada tendência de acompanhamento da

curva que representa o percentual de atendimento e a que representa a relação média

pontos / habitante para os estados. Ou seja, mostra-se a tendência de acompanhamento

desses dois índices que podem de certa forma, portanto, ser utilizados para caracterizar a

situação da iluminação pública em cada local.


82/161

140

120

100

80

60

40

20

Atendimento (%)
Pontos por habitante (x1000)
Linear (Pontos por habitante (x1000))

Gráfico 4: Percentual de Atendimento, Relação Pontos / Habitante x1000 e Linearização

da Curva da Relação Pontos / Habitante x1000 para os Estados Brasileiros.

Obs.: No eixo das abscissas estão representados os estados brasileiros, ordenados pelo

percentual de atendimento crescente.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do IBGE, 2005 e Eletrobrás, 2004b

Dessa forma, os indicadores aqui apresentados podem ser utilizados como

parâmetros para avaliação do atendimento da iluminação pública em cada localidade.


83/161

4.4 Conclusões

Os impactos no meio ambiente das tecnologias de iluminação que contêm

mercúrio são ainda pouco comentados. Hoje no Brasil comercializam-se lâmpadas de

descarga contendo mercúrio, no entanto não há ainda regulamentação e uma política de

governo com foco nos problemas que podem ser gerados à saúde humana e ao meio

ambiente pelos resíduos advindos das lâmpadas inservíveis.

Existe na sociedade uma redução da sensação de risco nas pessoas quando se

tem melhoria da IP, no entanto, é tarefa extremamente difícil se correlacionar o quanto a

melhoria na IP contribui com a redução da criminalidade. Em geral, quando se tem

precisão nos índices de criminalidade e os índices são elevados, diversas ações são

tomadas para a sua redução. Portanto, os resultados de pesquisas na verdade apontam

para diversas iniciativas para a redução da criminalidade e a parcela relativa à IP é

inserida num contexto mais amplo.

Mostrou-se como a IP se correlaciona com demais indicadores de

desenvolvimento local (ou índices de atendimento com infra-estrutura básica). Essa

correlação provavelmente advém dos investimentos públicos direcionados de forma

semelhante para esses serviços públicos. Observa-se que ainda existe uma demanda

social muito significativa por esses serviços, ou seja, uma grande parcela da população

ainda não atendida com infra-estrutura básica. Estímulos para que se consiga o

atendimento da totalidade da população se fazem necessários para que todos possam

viver em condições semelhantes de dignidade e para que se estimule a cidadania nas

localidades ainda não atendidas.


84/161

5 Inventários de Iluminação Pública

5.1 Inventário Nacional de IP

O Cadastro Nacional de IP

Através de consulta às distribuidoras de energia elétrica de todo o Brasil foi

realizada na Eletrobrás, pelo autor, em 2004, uma revisão do cadastro nacional de

iluminação pública, que permite análises acerca do estado atual do segmento no Brasil.

Com base nesse cadastro global foram realizadas comparações com os

levantamentos anteriores realizados pela Eletrobrás. Assim, pôde-se acompanhar como

tem evoluído a iluminação pública no país. Os dados mostram que, em 1995, havia cerca

de 8,8 milhões de pontos registrados, dos quais cerca de 7,1 milhões (81%) eram com

tecnologia de lâmpadas a vapor de mercúrio. Através de programas de modernização,

como os desenvolvidos e disseminados pelo Programa Nacional de Conservação de

Energia Elétrica (Procel), e iniciativa própria das concessionárias e prefeituras, chega-se,

em 1999, a cerca de 11,3 milhões pontos de iluminação pública cadastrados, dos quais

71% com tecnologia a vapor de mercúrio e 16% já com tecnologia a vapor de sódio. Os

dados levantados para 2004 apontam para um total de mais de 13 milhões de pontos

cadastrados, dos quais cerca de 52% ainda usam tecnologia a vapor de mercúrio e

podem ganhar maior eficiência nas lâmpadas (eficiência luminosa, em lm/W) e mais de

40% utilizam tecnologia a vapor de sódio, conforme pode ser observado na Tabela 10.

Pelo que vem sendo observado, grande parte das luminárias também pode ganhar maior
85/161

rendimento ótico, no direcionamento da luz produzida pela lâmpada para o plano de

trabalho, entretanto, não há disponível um levantamento detalhado no Brasil sobre

luminárias existentes no parque de IP.

Tabela 10: Distribuição de Lâmpadas de IP no Brasil – ano base 2004

REGIÃO
TOTAL Participação
Tipo lâmpada N NE CO S SE

Vapor de Mercúrio 336.135 1.133.676 664.419 1.430.814 3.212.811 6.777.855 52,0%

Vapor de Sódio 144.507 1.244.822 428.026 824.885 2.614.822 5.257.062 40,3%

Multivapor Metálico 1.810 15.196 220 4.278 42.096 63.600 0,5%

Incandescentes 7.415 159.298 42.767 35.059 29.775 274.314 2,1%

Mistas 11.554 215.879 88.845 109.768 93.162 519.208 4,0%

Fluorescentes 626 2.976 197 90.449 6.000 100.248 0,8%

Outras 7 16.366 258 700 31.837 49.168 0,4%

TOTAL 502.054 2.788.213 1.224.732 2.495.953 6.030.503 13.041.455 100,0%

Fonte: Eletrobrás, 2004b.

Obs.1: Alguns dos cadastros não foram atualizados por falta de informação das

distribuidoras. Portanto, os números aqui apresentados podem ter pequenas

variações.

Obs.2: Os cadastros das distribuidoras refletem o que utilizam para fins de

faturamento das contas de energia elétrica, associadas à iluminação pública,

entretanto, podem existir discrepâncias entre o que está sendo faturado e o que é

de fato encontrado em campo, devido a desatualização dos cadastros. Não foi

mensurada tal discrepância, por se tratar de trabalho de pesquisa de maior

detalhamento que fugiria aos objetivos do levantamento da Eletrobrás.


86/161

Quase metade dos pontos de iluminação pública existentes no Brasil está

localizada na Região Sudeste, refletindo o mais elevado grau de urbanização do território.

Observa-se a existência de potencial para melhoria dos sistemas e para ganhos

de rendimento nas instalações, visto que atualmente a tecnologia tida como paradigma

para a IP são os sistemas com lâmpadas a vapor de sódio e a ocorrência deste tipo de

tecnologia se dá em somente 40,3% dos pontos de IP do Brasil. Entretanto, devem ser

feitas ponderações ao uso dessa tecnologia, devido ao seu baixo índice de reprodução de

cores, tal como relatado no item 3.2.

Na Tabela 11, apresentada a seguir, mostra-se que não há relação entre a

potência instalada e o fluxo luminoso produzido, por tipo de lâmpada. Por exemplo, para

as lâmpadas de vapor de sódio, tem-se 40,3% de participação em quantidade de

lâmpadas, elas são responsáveis por cerca de 43,99% da potência instalada, no entanto

produzem quase 93 bilhões de lumens, o que equivale a cerca de 61% do total de fluxo

luminoso total produzido pelas lâmpadas do cadastro nacional de iluminação pública.

Já as incandescentes, representam 2,1% do total de lâmpadas, 1,86% da potência

instalada, mas somente 0,44% de participação na produção de fluxo luminoso.

A potência instalada não é característica suficiente para se descrever o serviço de

iluminação pública, pois o serviço depende também da tecnologia utilizada e do grau de

depreciação física da instalação. O serviço, sob o ponto de vista da lâmpada, pode ser

quantificado pelo fluxo luminoso que é de fato entregue. Por exemplo, com uma potência

instalada relativamente menor pode-se chegar a um fluxo luminoso, um serviço, que seria

maior, dependendo da tecnologia a ser aplicada. Apesar disso, o serviço é atualmente


87/161

cobrado com base na potência das lâmpadas, o que não necessariamente representa o

serviço entregue, mas sim o custo do insumo energia elétrica para o seu funcionamento.

Não há indicadores de qualidade que estimulem os prestadores de serviço a fornecer um

serviço de melhor qualidade, principalmente porque a responsabilidade pelo serviço de IP

é dos municípios e pelo fornecimento de energia elétrica, das concessionárias. Na

pesquisa apresentada no Anexo II podem ser verificados exemplos de critérios de

cobrança da contribuição para o custeio da iluminação pública em municípios brasileiros.

Evidencia-se que os critérios de cobrança não foram efetuados criteriosamente, pois

alguns deles nem mesmo são suficientes para custear o serviço de IP.

Tabela 11: Fluxo Luminoso Produzido pelas Lâmpadas com Base no Cadastro Nacional

de IP Brasileiro.

Ef. Média

considerada Potência Participação Fluxo Luminoso Participação em

(lm/W) (kW) em potência (mi de lumens) fluxo luminoso

Vapor de Mercúrio 50 1.066.759 48,02% 53.338 35,19%

Vapor de Sódio 95 977.264 43,99% 92.840 61,25%

Multivapores Metálico 72 30.277 1,36% 2.180 1,44%

Incandescentes 16 41.306 1,86% 661 0,44%

Mistas 22 100.717 4,53% 2.216 1,46%

Fluorescentes 68 5.071 0,23% 345 0,23%

Outras - - - -

TOTAL 2.221.394 151.579 100%

Fonte: Elaboração própria com base de dados de Eletrobrás, 2004b e 2004c.

A potência média por ponto a vapor de mercúrio (VM) é da ordem de 157W,

enquanto que para pontos a vapor de sódio (VSAP) é de 186W. Isso se deve aos
88/161

programas de melhoria da IP já realizados que têm usualmente o foco na substituição das

VM por VSAP, em geral priorizando os pontos de maior potência, onde se consegue

maior redução, conforme será mostrado no Quadro 8.

5.2 Inventário Norte-Americano de Iluminação

O Departamento de Energia dos Estados Unidos – DOE publicou em setembro de

2002 o volume 1 de uma pesquisa para caracterização do mercado americano de

iluminação. O volume 1 traz o Inventário Nacional Norte-Americano de Iluminação e as

correspondentes estimativas de consumo. Esses dados serão aqui apresentados na

Tabela 12 para efeito de comparação com os dados disponíveis para o Brasil.

Tabela 12: Uso de Energia Elétrica nos EUA para Iluminação

Segmento Consumo Número de Consumo Percentual

kWh/ano por construções total

construção TWh/ano

Residencial 1.946 106.989.000 208 27%

Comercial 83.933 4.657.000 391 51%

Industrial 475.063 227.000 108 14%

Áreas externas n/a n/a 58 8%

Totais 765 100%

Fonte: DOE, 2002


89/161

Nos EUA, segundo o DOE (United States Department of Energy, 2002), existe um

total de 37,85 milhões de pontos de iluminação viária (street lighting), com uma

participação conforme a Tabela 13 a seguir.

Tabela 13: Distribuição de Lâmpadas de IP nos EUA

Tipo de lâmpadas Participação na IP

Incandescente 4%

Fluorescente 2%

Vapor de Mercúrio 20%

Vapor Metálico 5%

Vapor de Sódio Alta Pressão 59%

Vapor de Sódio Baixa Pressão 10%

Fonte: DOE, 2002

Observa-se que também nos EUA ainda existe potencial para melhoria dos

sistemas, entretanto, o uso da tecnologia a vapor de sódio, de elevada eficiência,

representa um total de 69% do parque de IP. Destaca-se ainda o uso das lâmpadas a

vapor de sódio a baixa pressão, que são as de mais elevada eficiência atualmente

disponíveis comercialmente, mas que possuem índice de reprodução de cores

extremamente deficiente (ainda mais deficiente que as de vapor de sódio alta pressão), o

que limita a sua utilização.

Nos EUA, as lâmpadas do tipo High Intensity Discharge (HID), ou de descarga a

alta pressão, consomem 87% da energia em aplicações externas e entregam 96% dos

lumens associados ao segmento.


90/161

Uma das deficiências identificadas na publicação é que, por uma simplificação

perfeitamente justificável, não são considerados os conjuntos luminotécnicos, assim como

neste trabalho também não se realizou este tipo de pesquisa para identificação dos níveis

de obsolescência, depreciação física e tecnológico dos sistemas de iluminação pública

como um todo.

5.3 O Caso do Peru

Para uma comparação com o caso brasileiro, foi escolhido mais um país da

América Latina de onde se obtêm dados que bem caracterizam a iluminação pública. Será

efetuada uma breve introdução institucional para posteriormente se apresentar o cadastro

do Peru.

O Peru efetuou um processo de reforma do setor elétrico com princípios gerais

como os da reforma brasileira, com o objetivo da entrada de capital privado no setor. Em

1992 a reforma foi iniciada, com a Ley de Concesiones Eléctricas (LCE) N° 25844. Pela

Lei, o estado peruano deve se limitar ao rol normativo, regulador e fiscalizador. Em 1994,

o país privatizou as empresas de distribuição de energia elétrica. Em 2004, 6 empresas

privadas dividem 70% do mercado de distribuição de energia elétrica e 14 empresas

atendem os 30% restantes. O órgão regulador (Osinerg) a cada quatro anos realiza uma

revisão tarifária para readequação das tarifas de fornecimento de energia elétrica

(ACEVEDO, 2004).
91/161

Todo o serviço de iluminação pública no Peru é de competência municipal, no

entanto, o serviço é em todo o país prestado pelas distribuidoras de energia elétrica

(ACEVEDO, 2004).

Na capital Lima, as distribuidoras têm limites máximo de faturamento para

iluminação pública estipulados pelo órgão regulador, ou seja, não podem faturar para a

iluminação pública mais do que 5% de seu faturamento total. Esta é uma tentativa de

estímulo à implementação de sistemas eficientes por parte das próprias distribuidoras

(ACEVEDO, 2004).

Além disso, há um índice de atendimento, dado por número mínimo de lâmpadas

instaladas por cliente. São estabelecidas tabelas com os índices mínimos de atendimento

para cada região (ver Tabela 14). Caso a concessionária não atenda aos índices

mínimos, o percentual máximo de faturamento de 5% é reduzido proporcionalmente ao

desvio em relação ao índice mínimo de atendimento.

Tabela 14: Índices Mínimos de Atendimento Estipulados pela Osinerg no Peru.

Índice lâmpadas/cliente
Zona Empresa
(mínimo)

1 Edelnor 0.30

1 Luz del Sur 0.31

Fonte: ACEVEDO, 2004

Essas medidas reguladoras têm estimulado uma rápida modernização dos

sistemas de iluminação pública no Peru, conforme pode ser observado na tabela 15. Ou

seja, é observada a gradativa redução dos sistemas com lâmpadas de reduzida eficiência.
92/161

O total de lâmpadas no Peru passou de cerca 665 mil em 1995, com uma

participação de 21% de lâmpadas a vapor de sódio, para aproximadamente 997 mil em

2004, com uma participação de quase 82% de lâmpadas a vapor de sódio. Dessa forma,

as medidas tomadas no Peru servem como exemplo de formas de estímulo à melhoria da

qualidade dos serviços prestados.

Tabela 15: Evolução da Quantidade de Lâmpadas Existentes no Parque de Iluminação

Pública Peruano por Tipo (em milhares de lâmpadas)

Vapor de Vapor de
Anos Fluorescente Incandescente Mista TOTAL
Mercúrio Sódio

1995 422 140 2 12 89 665

1997 461 380 2 7 31 881

2001 269 698 2 2 4 975

2004 177 815 1 1 3 997

Fonte: ACEVEDO, 2004

5.4 Conclusões

Observa-se que os pontos de sódio têm maior potência média por ponto instalada

do que os de mercúrio, de certo porque os programas de melhoria têm em geral como

prioridade os projetos onde se tem maior ganho de potência.

Os inventários de IP são a base para que se consiga efetuar um planejamento do

setor. Através dos inventários é que se pode efetuar as estimativas de economia de


93/161

energia elétrica e os cenários de evolução do segmento de IP. O Brasil, apesar de dispor

de um inventário com razoável precisão, visto que a cobrança do consumo na IP é feita

com base no cadastro, não o utiliza forma integrada no planejamento da melhoria e

expansão do setor elétrico, de forma a tomar ações integradas de economia de energia

elétrica e expansão do setor elétrico. Ou seja, inserir características do uso da energia

para dimensionamento e planejamento da oferta. Dessa forma, pode-se verificar os

programas de economia que trazem maiores benefícios para o setor elétrico.

Nos EUA, por exemplo, como não há um inventário detalhado, faz-se necessário o

levantamento do inventário através de métodos estatísticos. Este inventário, nos EUA,

inclui todo o uso de energia elétrica em iluminação nos mais diversos segmentos e é

justamente utilizado para que se possa integrá-lo aos cenários de expansão do setor

elétrico naquele país.


94/161

6 Programas de Eficiência Energética em IP no Brasil

Os programas de modernização na iluminação pública há muito vêm sendo

realizados. Desde a substituição dos lampiões a óleo por lampiões a gás e,

posteriormente, por sistemas a energia elétrica, a evolução nas tecnologias disponíveis foi

o vetor de modernização dos sistemas.

A modernização diz respeito, em geral, ao aumento do rendimento dos sistemas e

à melhoria da qualidade do serviço de iluminação. O aumento no rendimento dos

sistemas de iluminação é ilustrado na Tabela 16 a seguir.

Tabela 16: Evolução do Rendimento das Fontes de Produção de Luz

Eficiência
Tipo de iluminação
luminosa (lm/W)

lampiões a querosene com pavio 0,1

lampiões a querosene pressurizado 0,8

lâmpadas incandescentes 13 a 17

lâmpadas fluorescentes 30 a 75

lâmpadas a vapor de mercúrio 45 a 58

lâmpadas a vapor de sódio 80 a 150

Fonte: Eletrobrás (2001 e 2004c)


95/161

Depois da definição da lâmpada elétrica como paradigma para produção de luz,

diversos foram os avanços no campo da tecnologia das lâmpadas, das formas de uso e

dos projetores e luminárias, conforme já abordado no item 2.1.

No caso brasileiro, registra-se que, em outubro de 1985, um estudo da Eletrobrás

apontava para a existência de 328.576 pontos de iluminação pública que utilizavam

lâmpadas incandescentes de 200W. Já em outubro de 1987 este total teria baixado para

162.489, através dos programas de modernização realizados com o apoio do Procel.

Estas lâmpadas incandescentes de 200W foram substituídas por lâmpadas a vapor de

mercúrio de 80W ou por lâmpadas a vapor de sódio de 50W (CODI, 1988). Atualmente

ainda são encontradas quase 60 mil lâmpadas incandescentes de 200W, 57% das quais

na região nordeste. Não parece razoável que, no atual cenário de maior restrição dos

investimentos em expansão, ainda existam lâmpadas incandescentes, de tão baixa

eficiência, na IP.

Entretanto, a busca por maior eficiência no parque nacional de IP pode encontrar

obstáculos, principalmente quando ocorre um distanciamento entre concessionárias e

municípios, na busca pela melhoria dos sistemas. No caso do Programa Nacional de

Iluminação Pública Eficiente - Reluz, por exemplo, os financiamentos são concedidos pela

Eletrobrás exclusivamente às concessionárias e, portanto, o atingimento dos objetivos

depende das boas relações entre concessionárias e municípios.

Com relação aos sistemas de iluminação, num primeiro momento, os programas

de modernização estavam mais aliados aos equipamentos de produção da luz, as

lâmpadas. Posteriormente, os programas, tal como o Reluz, passaram a contemplar

também a melhoria de todo o sistema de produção e direcionamento da luz, de forma que


96/161

se atinja o maior rendimento global das instalações e um serviço de melhor qualidade.

Dessa forma, os programas devem contemplar os acessórios de fixação, para melhor

adequar os sistemas na projeção da luz, as luminárias, para que se obtenha mais elevado

rendimento, bem como os equipamentos auxiliares, de forma que se atinjam os mais

elevados índices de rendimento dos conjuntos.

Sob o ponto de vista da conservação de energia elétrica, podem ser obtidos

grandes benefícios com a implantação das novas tecnologias existentes para iluminação

pública, evitando-se novos custos de produção, transporte e fornecimento para

atendimento à expansão do segmento de iluminação pública e gerando disponibilidade de

energia para outros segmentos de maior interesse para as concessionárias sob o ponto

de vista de tarifa, tais como o residencial, onde as tarifas são mais elevadas, como

descrito no item 2.4.

Nos programas de substituição de equipamentos, deve ser dada atenção especial

ao descarte dos equipamentos retirados do parque de IP, em particular às lâmpadas. As

do tipo fluorescentes e as HID (High Intensity Discharge, ou de alta pressão) contêm

mercúrio, um elemento químico nocivo à saúde humana e ao meio ambiente. A solução

atualmente mais adequada para o descarte dessas lâmpadas retiradas é o seu retorno às

embalagens das unidades que foram instaladas e armazenagem em recipientes lacrados,

de forma que possam ser posteriormente enviadas a empresas especializadas na

reciclagem dos materiais constituintes e na separação do mercúrio 13.

13
Ênfase à questão do mercúrio das lâmpadas foi dada no item 4.1, onde podem ser

obtidas maiores referências.


97/161

6.1 A Reutilização de Materiais e Equipamentos

A reutilização de equipamentos em locais que ainda não disponham de iluminação

pública poderia ser aceita, entretanto, seriam necessárias formas objetivas de avaliação

da vida útil nos equipamentos reutilizados. Ou seja, de forma que fossem justificados os

custos de retirada e re-instalação, pois, caso os equipamentos reutilizados estejam

em final de vida útil, pode ser necessária nova intervenção na rede para substituí-los

transcorrido um pequeno período.

Em suma, na reutilização sem uma avaliação criteriosa, o que para a maioria

dos agentes é inviável, pode-se incorrer em custos mais elevados do que na instalação de

equipamentos novos, por isso, em geral, a reutilização não é recomendada. Do ponto de

vista energético, a questão deve ser avaliada mais profundamente, pois deve ser levado

em conta o consumo associado à fabricação dos equipamentos eficientes

em contraposição com a reutilização dos equipamentos durante a vida útil que ainda lhes

reste, fazendo-se uma análise de ciclo de vida para uma resposta precisa.

Entretanto, pela vida útil dos equipamentos novos fabricados para iluminação

pública e sua eficiência crescente na produção da luz percebe-se que não há espaço para

que a maioria das tecnologias retiradas seja reutilizada. Uma lâmpada de 200W ou uma

luminária aberta, de eficiência reduzida para os padrões atuais, não devem ser

reutilizados, em nenhuma hipótese. Do ponto de vista do custo da energia, os

equipamentos ineficientes não devem ser reutilizados, pois, caso isso ocorra, as

prefeituras teriam de arcar com custos de energia mais elevados. E essa diferença no

custo da energia é justamente o que em geral viabiliza a compra de equipamentos novos

mais eficientes.
98/161

6.2 O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica

O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – Procel foi constituído

pela Portaria Interministerial 1877, de 30 de dezembro de 1985, com o objetivo de integrar

as ações visando a conservação de energia elétrica no país, a definição de prioridades e

o acompanhamento dos projetos.

Para implementação do Procel foram criados como órgãos de Coordenação o

Grupo Coordenador de Conservação de Energia Elétrica – GCCE e como órgão executivo

a Secretaria Executiva do GCCE.

- Integravam o GCCE: MME, STI/MIC, SEPLAN, CDI/MIC, CODI, CCON, GAT-

CRN, Conf. Nacional da Ind. e Conf. Nacional do Comércio.

- Secretaria Executiva: Eletrobrás – DCO/DEUE

Subdividiu-se o GCCE nos seguintes subgrupos:

- Consumo e consumidores;

- Legislação e normas;

- Tarifas e incentivo;

- Desenvolvimento tecnológico.

Um dos sub-programas que eram coordenados pelo sub-grupo Consumo-

consumidores era o de substituição de lâmpadas incandescentes na IP por outras de

vapor de sódio e de vapor de mercúrio. O objetivo do sub-programa era o de financiar,

através de repasse de recursos do PME – Plano de Mobilização Energética, a


99/161

substituição de lâmpadas incandescentes na IP, por outras de vapor de sódio e de

mercúrio de menor potência, mantidos os mesmos níveis de iluminação. Os recursos

eram repassados através de contratos firmados entre a Eletrobrás e concessionárias e

prefeituras municipais (CODI, 1988).

Segundo o relatório do CODI de 13/10/1988, os padrões de iluminação

incandescente que eram então utilizados pelas concessionárias eram os seguintes:

- Econolite 14 braço longo;

- Luminária tipo prato (econolite) instalada em braço curto;

- Luminária aberta instalada em braço curto;

- Luminária aberta instalada em braço longo.

No caso da opção por vapor de mercúrio, o relatório previa a substituição da

lâmpada incandescente, mais a introdução do reator. No caso da opção por vapor de

sódio, o relatório apontava para a necessidade de inclusão do ignitor, além da instalação

do reator apropriado e da substituição do soquete da luminária, pois a partida da lâmpada

VSAP é precedida de um pico elevado de tensão, o que exige um maior nível de isolação

do soquete.

Dentro do Procel, um dos focos sempre foi a iluminação pública, através do

estímulo à adoção de sistemas com maior eficiência (maior relação lumens/Watt). O

princípio utilizado é o de substituição de sistemas obsoletos por sistemas com tecnologia

14
As luminárias do tipo econolite já foram anteriormente descritas no item 2.2 desse

trabalho.
100/161

mais avançada que permita uma mesma qualidade de serviço (ou mesmo superior) com

redução da potência instalada.

Através do relatório do CODI de 13/10/1988 foi efetuado levantamento da situação

existente no parque nacional de IP, com relação às lâmpadas incandescentes de 200W,

conforme apresentado no Quadro 5 a seguir.

Quadro 5: Quantidade de Lâmpadas Incandescentes 200W Existentes em 1988 no Brasil.

Empresa Out/1985 Out/1987

Celesc 365 231

Copel 43.374 31.969

CPFL 86.996 13.170

Eletropaulo 26.058 15.288

Light 45.457 40.086

Cemig 50.000 24.000

BRASIL 328.576 162.489

Fonte: CODI, 1988

A contribuição do Procel na substituição de lâmpadas incandescentes de 200W

por vapor de mercúrio de 80W e/ou por vapor de sódio de 50W foi até outubro de 1987 de

162.489 lâmpadas, que representa 49% das lâmpadas incandescentes de 200W

existentes no parque de iluminação pública do Brasil em outubro de 1985.

Nos programas de eficiência em IP a redução de potência obtida é extremamente

positiva ao sistema elétrico brasileiro, já que em geral o período de operação dos

sistemas coincide com a ponta da curva de carga do sistema elétrico nacional, entre
101/161

17h00 e 22h00. Nos programas de eficiência em IP, a redução de demanda na ponta do

sistema é uma justificativa ainda mais significativa do que a redução de consumo obtida.

Pode ser feita uma analogia com o horário de verão, onde o maior benefício é igualmente

a redução do pico da curva de carga do sistema elétrico e não a redução do consumo.

Desta forma, a melhoria da eficiência no aproveitamento da energia elétrica na

iluminação pública tem benefícios diretos na melhoria das condições operativas do

sistema elétrico nacional, já que os acendimentos noturnos na sua maioria coincidem com

o horário de ponta da curva de carga do sistema. Além disso, os programas de

conservação podem ter benefícios específicos, na redução de carga e melhoria do fator

de carga de circuitos de distribuição de baixa e média tensão.

Através de pesquisa realizada em 1995, pela então Gerência de Iluminação

Pública do Procel, pode-se chegar a algumas previsões do potencial de economia de

energia elétrica em iluminação pública, conforme apresentado na Tabela 17 a seguir.

Observa-se que havia cerca de 6,3 milhões de pontos “substituíveis”, justificáveis

por critérios técnicos, proporcionando uma economia possível de 28,36% e uma redução

de demanda da ordem de 500MW. No item 7.2 será mostrado que o potencial técnico

atualmente existente ainda é da ordem de 300MW.


102/161

Tabela 17: Pesquisa Nacional de Potencial Técnico de Conservação de Energia em

Iluminação Pública — 1995

SUBST.
SITUAÇÃO ATUAL SITUAÇÃO COM SUBSTITUIÇÃO

TIPO DE QUANTIDADE DEMANDA CONS. QUANT. DEMANDA CONS. ECON.

LÂMPADA (MW) (GWh) TROCAS (MW) (GWh)

I II III IV V VI VII

INCAND. 337.628 3,85% 49,85 2,82% 215,35 333.980 0,38 0,03% 1,64 99,24%

MISTA 613.685 6,99% 117,24 6,63% 506,48 604.386 0,35 0,03% 1,51 98,71%

VM 7.084.760 80,68% 1.379,76 77,99% 5.958,56 5.347.586 220,33 17,38% 951,83 84,03%

VSAP 637.059 7,25% 216,85 12,26% 932,12 - 1.040,88 82,20% 4.496,60 -382,40%

FLUORESC. 107.531 1,22% 4,33 0,24% 18,71 - 4,33 0,34% 18,71 -

OUTROS 1.137 0,01% 1,07 0.06% 4,62 - 1,07 0,08% 4,62 -

TOTAL 8.781.800 100% 1.769,10 100% 7.642,08 6.285.952 1.267,36 100% 5.474,91 28,36%

Economia prevista de 501,74 MW e 2.167,17 GWh / ano

Consideradas 12 h diárias de funcionamento

ECONOMIA = ((COLUNA III - COLUNA VI) / COLUNA III) X 100%

Fonte: Eletrobrás, 1996

6.3 O Programa Reluz da Eletrobrás

Segundo o Manual do Programa (ELETROBRÁS, 2004a) “o Programa Nacional de

Iluminação Pública Eficiente (Reluz) tem o objetivo de promover o desenvolvimento de

sistemas eficientes de iluminação pública, bem como a valorização noturna dos espaços

públicos urbanos, contribuindo para melhorar as condições de segurança pública e a

qualidade de vida nas cidades brasileiras”.


103/161

O Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente - Reluz da Eletrobrás

inicialmente previa investimentos de R$ 2,6 bilhões (sendo que 75% por parte da

Eletrobrás) para tornar eficientes 9,5 milhões de pontos de iluminação pública (IP) e

instalar mais 3 milhões de outros novos pontos no Brasil.

O ReLuz foi lançado em 2000 e prorrogado, em 2002, até 2010. Pretendia-se

abranger 77% do potencial de conservação de energia na IP brasileira. Atingida esta

meta, o Governo conseguiria reduzir a despesa dos municípios com IP em

aproximadamente R$ 340 milhões por ano, além de uma redução estimada de 540 MW

de potência.

Os projetos de eficiência para serem financiados pelo ReLuz são analisados

orçamentariamente e sua viabilidade condicionada à relação benefício/custo. Ao longo da

execução do projeto, a Eletrobrás realiza acompanhamentos físicos e financeiros para

comprovar a aplicação dos recursos pelas concessionárias de acordo com os contratos.

Anteriormente ao lançamento do Programa ReLuz, a Eletrobrás já havia financiado

a substituição de 1,43 milhões de pontos de IP, no âmbito do Procel (Programa Nacional

de Conservação de Energia), e em conjunto com as concessionárias de energia elétrica.

Este total de pontos foi distribuído entre 813 municípios brasileiros, significando 113,74

MW de demanda evitada e 498,20 GWh de economia de energia.

Em 2005, as metas do ReLuz foram revistas. Continuam contemplando

investimentos de R$ 2 bilhões por parte da Eletrobrás, mas as metas físicas foram


104/161

revistas. Pretende-se tornar eficientes 5 milhões de pontos de iluminação pública, e

instalar mais 1 milhão no País.

O financiamento dos projetos é feito às concessionárias de energia elétrica -

distribuidoras, transmissoras e geradoras – que, em articulação com as Prefeituras

Municipais, executam os serviços. O valor do financiamento corresponde a até 75% do

valor total do projeto. O restante constitui a contrapartida das concessionárias e das

Prefeituras Municipais, que pode ser feita por meio de serviços próprios como: transporte,

mão-de-obra, e outros serviços necessários à execução dos projetos.

A implementação do Programa Reluz proporciona a melhoria das condições para o

turismo, o comércio e o lazer noturnos, geração de novos empregos, aumento da

qualidade de vida da população urbana, redução da demanda do sistema elétrico

nacional, especialmente no horário de maior consumo, e contribui para o aumento da

confiabilidade e da melhoria das condições de atendimento ao mercado consumidor de

eletricidade.

O Programa Reluz prevê o financiamento de projetos de melhoria e expansão dos

sistemas de IP, ou ainda projetos de destaque de monumentos e prédios de valor

histórico e/ou cultural. Os resultados obtidos pelo programa são apresentados a Tabela

18 a seguir. Soares (2003) demonstrou como o financiamento pode viabilizar os projetos

de eficiência energética na iluminação pública.


105/161

Tabela 18: Realizações do Programa Reluz

2001 2002 2003 2004 2005

Pontos melhoria 18.775 69.062 620.058 510.293 389.613

Redução demanda (kW) 4.171,00 5.837,00 47.992,90 69.183,54 15.510,55

Economia de energia (MWh/ano) 18.269,20 25.561,60 209.359,86 302.993,49 62.170,55

Investimento em melhoria R$ 3,7 mi R$ 10,5 mi R$ 93,2 mi R$ 73,5 mi R$ 60,0 mi

Pontos expansão 0 196 5.841 2.508 3.324

Investimento em expansão 0 R$ 0,6 mi R$ 5,0 mi R$ 2,9 mi R$ 2,7 mi

Fonte: Eletrobrás, 2006a (mi = milhões de reais)

Observa-se que após o lançamento do Programa, ao final de 2000, sua

participação foi crescente e importante na melhoria dos parques de iluminação pública,

com a adoção de tecnologias de maior eficiência em substituição às existentes. Com

relação à expansão de pontos de IP sua participação ainda pequena.

Os recursos utilizados pela Eletrobrás para concessão dos financiamentos são

oriundos da RGR (Reserva Global de Reversão), os quais legalmente devem ser

repassados às concessionárias de energia elétrica sob a forma de financiamentos para

melhoria e expansão do setor elétrico.

As concessionárias podem então optar por realizar diretamente a coordenação e

contratação das obras ou repassar os recursos para as prefeituras, para que estas o

façam.
106/161

Os resultados são mais eficazes quando há participação ativa das concessionárias

em todo o processo. Mesmo nos casos onde a concessionária repassa os recursos às

prefeituras, é essencial que haja a supervisão na contratação das empreiteiras, na

especificação e compra dos materiais e na coordenação das obras em campo.

6.4 Os Programas de Eficiência Energética (PEE) da Aneel

As concessionárias de energia elétrica, devem aplicar anualmente recursos em

ações que promovam o combate ao desperdício de energia elétrica.

No mínimo 1% da Receita Anual (RA) auferida no ano anterior deve ser aplicada

em projetos que busquem o incremento da eficiência no uso e na oferta de eletricidade e

em projetos de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, dentro do País.

A cada ciclo anual de projetos lançado pela Agência Nacional de Energia Elétrica

(Aneel) são relacionadas as atividades nas quais deve ser realizada a aplicação de 1% da

receita anual e as parcelas associadas a cada atividade.

Por exemplo, a resolução da ANEEL nº 242/98 estipula que dos 25% dos recursos

a serem aplicados em eficiência, pelo menos 10% deles sejam vinculados a projetos no

segmento residencial, 10% no segmento industrial e 10% em prédios públicos. No

chamado lado da oferta, que corresponde aos demais 75% dos recursos, 30% no caso do

sistema interligado e 10% para as regiões Norte e Nordeste, devem estar vinculados a

projetos que visem a melhoria do fator de carga dos sistemas.


107/161

Somente para o ciclo 1998/99 foi feito um relatório oficial de análise de resultados

do programa pela Aneel. Nos demais anos, a própria Associação Brasileira de

Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) foi quem realizou relatórios, através da coleta

de informações com as concessionárias que integram a associação. Na Tabela 19 são

apresentados os resultados obtidos a cada ciclo. Os projetos eram classificados como

educacional, industrial, comercial, em hospitais, em sistemas de água e saneamento, em

comunidades carentes, gestão energética municipal e iluminação pública.

No Relatório referente ao ciclo 1998/99 a receita operacional anual das

distribuidoras é da ordem de R$ 16 bilhões. Sendo assim, cerca de R$ 160 milhões

seriam destinados a eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento (P&D). O valor

investido pelas distribuidoras em IP foi de cerca de R$ 41 milhões, que superou em 20% o

valor previsto e representou uma redução de potência de 37,6MW.

Tabela 19: Investimentos e Resultados dos PEE’s da Aneel

Ciclo 1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003

Empresas 17 42 64 64 64

Recursos (mi R$) 196,1 222,2 154,2 166 220

Projetos Uso Final 32% 40% 100% 100% 100%

Total (mi R$) 62,8 88,8 154,2 166 220

Projetos Oferta 68% 60% 0 0 0

Total (mi R$) 134,4 133,3 0 0 0

Redução Demanda (MW) 249,59 369,07 495,60 ND ND

Custo (R$/kW) 785,68 602,05 311,13 ND ND


Fonte: Abradee, 2004
108/161

Os projetos em IP sempre tiveram participação significativa nos projetos realizados

pelas distribuidoras de energia elétrica. Pelo Gráfico 5 observa-se que até 2003 cerca de

1,5 milhão de pontos já haviam sido substituídos pelos PEE’s da Aneel.

O Gráfico 6 mostra como o ganho médio de potência para cada ponto substituído

vem caindo ao longo dos anos, evidenciando que as concessionárias inicialmente

procuravam aqueles projetos onde havia maior retorno referente à relação custo /

benefício e que progressivamente o ganho de potência ao longo dos anos é cada vez

menor, deixando mais restrita a margem para que haja viabilidade econômica ou mesmo

inviabilizando alguns projetos (item 5.1).

PONTOS EFICIENTIZADOS - UNIDADES


1.600.000
1.400.000
1.200.000
1.000.000
800.000
600.000
400.000
200.000
0
9

3
0

s
do
9

0
0

0
19

20

20

20
20

ta
/

ul
98

99

00

01

02

es
19

19

20

20

20

Gráfico 5: Pontos Substituídos por Conta dos PEE’s da Aneel em Cada Ciclo Anual

Fonte: Abradee, 2004


109/161

ECONOMIA DE ENERGIA - W/ponto

160
140
120
100
80
60
40
20
0
1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003

Gráfico 6: Economia de Energia em W/ponto com os PEE’s da Aneel

Fonte: Abradee, 2004

6.5 Iluminação Pública como Uso Final

O serviço de iluminação pública consiste na iluminação de vias públicas nos

períodos em que se faz necessária a produção de luz para desenvolvimento de atividades

humanas. Este serviço é desempenhado por um processo conforme ilustrado no Quadro

6 a seguir.
110/161

Quadro 6: Processo de Produção do Serviço Desejado na Iluminação Pública

Fornecimento de Energia Elétrica

Tecnologia de conversão da energia elétrica em energia luminosa (lâmpada)

Tecnologia de direcionamento da luz (luminária)

Serviço energético iluminação pública (luz disponível no plano de trabalho)

Fonte: Adaptado de BARBOSA, 2000

Os primeiros programas de eficiência energética na iluminação pública tinham foco

na redução de consumo e potência, mas não tinham grande preocupação com a

qualidade do serviço. A chamada modernização, atualmente, não se restringe à

substituição de lâmpadas e reatores, mas, em geral, também envolve os conjuntos

luminotécnicos (luminárias) e em alguns casos conjuntos de fixação das luminárias para

que se consiga uma melhora, ou no mínimo a manutenção, do nível de qualidade do

serviço existente antes da modernização nos sistemas.

O documento técnico CODI-18.10, de 13/10/1988, apresenta uma proposta para

substituição de lâmpadas incandescentes na iluminação pública. O trabalho analisa

técnica e economicamente a substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas a

vapor de mercúrio de alta pressão de 80W e, alternativamente, por lâmpadas a vapor de

sódio de alta pressão de 50W. O documento recomenda a substituição das


111/161

incandescentes de 200W por vapor de mercúrio de 80W. Entretanto, não é mencionada a

importância da substituição das luminárias como alternativa de melhoria da qualidade do

serviço, pois este componente do sistema de iluminação pública não tinha sua

importância reconhecida na ótica dos programas de modernização dos sistemas

existentes, ainda que dada relevância pudesse ser uma prioridade para os agentes que

efetivamente prestavam os serviços de iluminação pública. O mesmo documento adverte

que na substituição por lâmpadas a vapor de sódio “inevitavelmente, na maioria dos

casos, seria necessário substituir as luminárias, o que encareceria sobremaneira o

serviço.” Ou seja, a substituição das luminárias era vista com restrições.

A potência das lâmpadas e reatores é que definem o serviço, na ótica da

concessionária, pois a potência é que fornece o parâmetro para a estimativa de consumo

e para a cobrança da fatura. No entanto, para os usuários do serviço de iluminação

pública o que define o serviço é a luz que chega ao plano de trabalho, que

necessariamente depende do tipo de lâmpada utilizada, mas também das características

das luminárias e seu esquema de montagem (distância entre postes, altura de montagem

etc.)

Com uma mesma potência de lâmpada instalada ocorrem diversos resultados,

como exemplificado no Quadro 7.


112/161

Quadro 7: Qualidade do Serviço com Diversas Condições de Sistema de Iluminação

Considerando uma Mesma Potência de Lâmpada

Lâmpada Luminária Montagem Qualidade do

serviço de

iluminação pública

Com baixo índice de Baixo rendimento, Posteação para rede

reprodução de cores equipamento de distribuição que

em via de grande reutilizado em estado não foi planejada

movimento de avançado de vida para iluminação

pedestres útil, equipamento pública, distância

com deposição de entre postes, altura

sujeira de montagem, Insatisfatória

ângulo de inclinação

e distância em

relação ao centro da

via do ponto

luminoso

inadequados

Com reprodução de De alto rendimento Uniforme e

cores adequada ao ótico, transferindo posteação planejada

tipo de via mais de 85% da luz para sistema de


Satisfatória
emitida pela iluminação pública

lâmpadas para o

plano de trabalho

Fonte: Elaboração própria


113/161

Nessa análise a qualidade do serviço fica em primeiro plano, sem considerar

custos de manutenção e operação. Para atender aos requisitos de qualidade, as

lâmpadas a vapor de sódio muitas vezes seriam restringidas, pelo baixo índice de

reprodução de cores que possuem, incompatível com diversas aplicações, conforme

relatado no item 3.2. Tomando como exemplo aqui a situação onde há grande fluxo de

pedestres em determinada via e que as lâmpadas a vapor de sódio promovem uma

qualidade de reprodução de cores de luz deficiente para que se possa distinguir cores.

6.6 Conclusões

Existe potencial significativo para melhoria da IP no Brasil. Diversas ações já foram

tomadas neste sentido, no entanto, parece ser profícuo integrar-se as ações no

planejamento da expansão do setor elétrico nacional, de forma que os esforços possam

ser direcionados de forma mais eficaz.

O Programa Reluz e o PEE conviveram por um razoável período sem que

necessariamente houvesse uma soma de esforços para que as ações dos dois programas

tivessem contribuições complementares. Até mesmo o esforço para divulgação dos

programas e com treinamento de pessoal para elaboração dos projetos poderia ser

coordenado de forma conjunta, de forma que se aumentasse o poder de penetração dos

programas.

Destaca-se ainda que a melhoria nos sistemas de IP deve ter como premissa a

manutenção ou a melhoria da qualidade do serviço fornecido aos usuários. Não deve se

resumir à substituição de lâmpadas, mas de todo o sistema de IP.


114/161

7 Potenciais de Economia de Energia Elétrica na Iluminação

Pública no Brasil

7.1 Base para Realização dos Estudos

Através de pesquisa realizada ao longo do ano de 2004 com as distribuidoras de

energia elétrica, foi obtida a relação de lâmpadas cadastradas no Brasil (os cadastros

existem nas distribuidoras para faturamento da conta de energia elétrica, associada ao

consumo nos sistemas de iluminação pública, realizado por estimativa), conforme

apresentado na Tabela 10. Através desse cadastro nacional atualizado pode ser feita a

caracterização quantitativa da iluminação pública, incluindo-se então a potência instalada

e o consumo de energia elétrica.

7.2 Potencial Técnico de Economia de Energia Elétrica

Com base nos tipos de lâmpadas existentes, pode ser efetuado estudo baseado

em alternativas de substituição por novas tecnologias, de forma que para cada ponto

luminoso tenha-se um fluxo luminoso equivalente ou superior ao existente. No cadastro

de 2004 foram propostas as substituições conforme o Quadro 8 a seguir (em

concordância com o Manual de Instruções do Programa Reluz, que tem como premissa

básica a equivalência ou o maior fluxo luminoso nas substituições propostas). Os pontos

que podem ser substituídos, de acordo com o cadastro nacional de IP, são então

apresentados na Tabela 20.


115/161

Quadro 8: Alternativas de Substituição Propostas

Tipo de lâmpada existente Alternativa de substituição proposta

Vapor de Mercúrio 80W Vapor de Sódio 70W

Vapor de Mercúrio 125W Vapor de Sódio 100W

Vapor de Mercúrio 250W Vapor de Sódio 150W

Vapor de Mercúrio 400W Vapor de Sódio 250W

Incandescente 100W Vapor de Sódio 70W

Incandescente 150W Vapor de Sódio 70W

Incandescente 200W Vapor de Sódio 70W

Mista 160W Vapor de Sódio 70W

Mista 200W Vapor de Sódio 70W

Mista 250 W Vapor de Sódio 70W

Mista 500W Vapor de Sódio 150W

Obs.1: Observa-se que há cerca de 7.542.559 pontos de iluminação pública “substituíveis”

de acordo com as características da coluna 1, conforme apresentado na Tabela 20 a

seguir.

Obs. 2: Existem 28.846 lâmpadas incandescentes, mistas ou vapor de mercúrio

identificadas no cadastro nacional que não se enquadram na coluna 1 do Quadro 8. Essas

lâmpadas por simplificação não foram incluídas no cálculos que serão realizados.

Fonte: Elaboração própria com base em Eletrobrás, 2004a


116/161

Tabela 20: Pontos Substituíveis de Acordo com as Premissas Apresentadas

Tipo Potência (W) Quantidade

Vapor de Mercúrio 80 2.749.202

125 2.710.557

250 679.747

400 618.893

Incandescentes 100 50.900

150 155.184

200 59.853

Mistas 160 357.304

200 2.389

250 145.714

500 12.816

TOTAL 7.542.559

Fonte: Elaboração própria

Aplicando essas premissas de substituição de lâmpadas ao cadastro obtido em

2004, pode-se chegar às estimativas apresentadas no Quadro 9.


117/161

Quadro 9: Dados do Cadastro de Potencial Técnico de Economia

Cadastro de 2004

Potência total instalada: 2.223 MW

Consumo total, considerando 4.380h/ano: 9.736 GWh/ano

Participação no consumo de energia elétrica: 3,23% do faturado Brasil

Potencial Técnico

(aplicando substituições propostas)

Nova potência instalada: 1.921 MW

Consumo total, considerando 4.380h/ano: 8.414 GWh/ano

Reduções Obtidas:

Potencial de redução de demanda de ponta: 302 MW

Potencial de economia de energia: 1.322 GWh/ano

Economia com redução do consumo: 195,16 milhões R$/ano

Tarifa média para IP: 147,64 R$/MWh (Aneel, 2004)

Fonte: Elaboração própria

Estas estimativas compõem o Potencial Técnico, ou seja, incluem todas as

substituições tecnicamente viáveis, sem considerar, no entanto, as restrições de mercado,

de viabilidade econômica, e demais, impostas pelos agentes prestadores do serviço de

iluminação pública. Maiores detalhes são apresentados posteriormente na Tabela 22.

7.3 Potencial Econômico de Economia de Energia Elétrica

O Potencial Econômico de economia de energia elétrica representa aqui aquela

parcela do Potencial Técnico que apresenta viabilidade econômica. A premissa para a


118/161

viabilidade econômica é que a alternativa de melhoria da eficiência na IP apresente uma

relação benefício / custo maior do que a unidade. Ou seja, que o benefício obtido com

custos evitados de demanda e energia seja maior do que o custo para implementação da

alternativa. Essa é a ótica de viabilidade para o setor elétrico nacional, pois o benefício

considerado corresponde ao benefício obtido com custos evitados de demanda e energia.

A metodologia que será utilizada para cálculo da relação benefício / custo é a

proposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, nos programas de eficiência

energética das concessionárias de energia elétrica, descrita no Anexo I.

Algumas premissas fazem-se, portanto, necessárias:

¾ A tarifa média nacional para o subgrupo A4, utilizada para cálculo do custo

evitado de demanda e de energia, foi obtida para o ano de 2004 15.

¾ O fator de carga considerado para as redes de energia elétrica foi de 60%,

valor usual considerado pelas concessionárias de distribuição (o fator de

carga é necessário pela metodologia da Aneel para se chegar aos custos

evitados de energia e de demanda).

¾ A vida útil dos equipamentos considerada conforme o Manual do Programa

Reluz, da Eletrobrás, edição de 2004.

¾ Os custos de substituição considerados estão de acordo com a Tabela 21,

apresentada a seguir.

15
A tarifa média foi calculada através de consulta às tarifas obtidas em resoluções da

Aneel de homologação de tarifas de fornecimento para 52 distribuidoras, referentes ao ano de

2004. Essa tarifa também é incluída no cálculo da estimativa de custo evitado de demanda e de

energia.
119/161

Tabela 21: Custos dos Principais Equipamentos e Materiais Envolvidos numa Substituição

(em R$ por unidade)

VSAP70W VSAP100W VSAP150W VSAP250W

Lâmpada 20,00 25,00 30,00 35,00

Reator 25,00 25,00 32,00 45,00

Luminária 100,00 100,00 120,00 200,00

Relé 20,00

Braço 50,00

Conexão e fios 15,00

Mão-de-obra 40,00

Transporte &
5% do total
indiretos

Custo por ponto 284,21 289,47 323,16 426,32

Fonte: Elaboração própria com base em pesquisas de preços e histórico de projetos da

Eletrobrás (de 2002 a 2005).

Obs.: Os valores apresentados são médias nacionais estimadas e que serão utilizadas

nesse estudo. Para maior precisão nos valores é necessária uma especificação técnica

mais detalhada dos equipamentos a serem utilizados, bem como uma estimativa de

transporte e mão-de-obra que variam de acordo com a localidade considerada.

Com base na tabela de custos dos equipamentos podem ser efetuadas as

estimativas de custos de substituição, conforme apresentado na última linha da tabela,

como “custo por ponto”. Esta será a premissa de custo de instalação a ser utilizado neste

estudo.
120/161

Ponderando-se o “custo por ponto” pela quantidade de pontos a serem

substituídos por tipo (VSAP70, 100, 150 ou 250), ter-se-ia uma estimativa global de custo

médio por ponto associada ao estudo. Portanto, considerando-se a relação dos pontos

substituíveis, pode-se chegar a um custo médio de cerca de R$ 301 por ponto 16.

O potencial econômico será obtido, portanto, através da soma das alternativas

economicamente viáveis para cada estado. Ou seja, com relação benefício / custo (RBC)

maior do que a unidade. Os resultados podem ser verificados na Tabela 23, Avaliação

Econômica e de Mercado, na coluna “RBC”.

Os valores maiores do que a unidade indicam que a substituição é uma boa opção

para o sistema elétrico brasileiro, isto é, o custo de implementação é menor do que o

benefício obtido com demanda e energia evitadas.

7.4 Potencial de Mercado de Economia de Energia Elétrica

O Potencial de Mercado apresenta aqui aquela parcela do Potencial Técnico que

poderia ser considerada viável, sob a ótica dos agentes responsáveis pela IP. Considera-

se que as prefeituras são os maiores interessados e que, portanto, sob o ponto de vista

das mesmas é que deverá haver viabilidade econômica para o projeto de melhoria da IP.

Os indicadores que serão utilizados como premissa para análise do investimento pelas

prefeituras serão o valor presente líquido (VPL) – como critério de viabilidade econômica

16
Esse custo representa somente um parâmetro comparativo, mas não foi utilizado como

dado de entrada para as avaliações econômicas aqui apresentadas.


121/161

de mercado – e, de forma a facilitar o entendimento, o tempo de retorno simples (TRS),

como critério adicional de convencimento para as prefeituras 17.

O VPL foi calculado para dez anos, apesar de alguns equipamentos terem vida útil

de até vinte anos, pois na ótica das prefeituras considerou-se que é levada em conta uma

análise a prazos mais curtos. Nesse período de dez anos de funcionamento foi

considerado o custo de reposição de lâmpadas, pois as mesmas possuem vida útil menor

do que dez anos. O custo de reposição considerado foi somente o associado à reposição

das lâmpadas, sem considerar o custo da intervenção para a manutenção dos sistemas,

por questões de simplificação, uma vez que não se dispõe de uma base de dados com

custos de manutenção confiáveis, além de haver grande variabilidade nesses custos em

função da região.

Observa-se que em todos os estados o VPL calculado com base nas premissas

apresentadas foi negativo (ver Tabela 23), o que inviabilizaria os investimentos na ótica

considerada para as prefeituras. Os menores valores para o tempo de retorno simples

(TRS) foram em torno dos 6 a 7 anos.

No entanto, não se deve esgotar a análise do potencial de mercado de economia

de energia elétrica na iluminação pública. Na análise pura do VPL não haveria viabilidade.

17
Prefeituras menos capacitadas podem ter dificuldades na interpretação de ferramentas

de análise de investimentos mais eficazes, tal como o VPL, portanto, o tempo de retorno simples

pode ser uma alternativa mais adequada para apresentação de cálculos de viabilidade em alguns

casos, por isso ela será também aqui apresentada, apesar de não ser utilizada como critério

decisivo.
122/161

Entretanto, considerando-se que em diversas áreas os sistemas de iluminação pública

encontram-se no final da vida útil, ou seja, os sistemas estão fisicamente depreciados 18, já

seriam necessárias intervenções para substituições dos sistemas por outros novos, para

que se alcancem níveis de qualidade de serviço aceitáveis. Pode-se, portanto, realizar

uma análise de sensibilidade do VPL em função do percentual de sistemas fisicamente

depreciados, tal como apresentado nas Tabelas 24 e 25. O investimento que seria

necessário para modernização dos sistemas foi descontado do percentual de sistemas

fisicamente depreciados, por exemplo, para 50% de depreciação física dos sistemas, foi

considerado que somente 50% do investimento para melhoria seria necessário, uma vez

que já é necessário substituir o sistema, por não ser mais capaz de prover o mesmo

resultado previsto em projeto (nível de qualidade insatisfatório).

Adicionalmente, estudos estatísticos poderiam ser executados em cada local, de

forma que se determine a idade média dos sistemas de iluminação. Com base na idade

média chega-se a um percentual de depreciação física dos sistemas e pode-se ter maior

precisão para os cálculos de viabilidade econômica sob o ponto de vista de mercado.

Esse tipo de análise estatística, no entanto, não será realizada aqui e optou-se por um

estudo de sensibilidade do Potencial Econômico em função do nível de depreciação

física.

18
Os sistemas denominados aqui “depreciados” são aqueles que, além de do ponto de

vista econômico encontrarem-se amortizados, também encontram-se depreciados com relação à

qualidade do serviço que podem fornecer, visto que já esgotaram sua vida útil. Os sistemas ditos

“obsoletos” são na verdade os sistemas que utilizam tecnologia ultrapassada. Um sistema novo

pode ser obsoleto, por usar tecnologia obsoleta, mas não tem nenhum grau de depreciação física.
123/161

A seguir são apresentados os cálculos de sensibilidade considerando o TRS e o

VPL em função do percentual de depreciação física dos sistemas de iluminação pública já

instalados. O VPL, apresentado nas Tabelas 24 e 25, e o TRS, apresentado na tabela 26,

apresentam grande variabilidade nos estados em função do percentual de depreciação

física. Para cada estado encontra-se um percentual a partir do qual existe viabilidade para

implementação dos programas de substituição massiva dos sistemas. Os valores de VPL

que tornam-se positivos, para cada estado, foram destacados nas Tabelas 24 e 25. Já na

Tabela 26, destacaram-se os valores mais próximos de 5 anos 19, considerado como

período razoável para convencimento das prefeituras pela realização dos investimentos.

Como se calculou o VPL para 10 anos, para maior fidelidade com os conceitos de

matemática financeira, foi necessária a apresentação de um resultado que considere o

valor residual ainda existente, referente à vida útil de luminárias, braços e acessórios, que

possuem vida útil considerada de 20 anos. Portanto, foi estimado que ao final de 10 anos

ter-se-ia ainda um valor residual que equivaleria à metade do valor considerado para a

compra dos equipamentos novos. Esse valor foi atualizado financeiramente ao presente e

somado ao VPL anteriormente encontrado. Esse valor residual pode ser imaginado como

se fosse o preço de revenda desses equipamentos usados, considerando-se que ainda

teriam metade de sua vida útil original ao final de 10 anos. Os dados apresentados na

última coluna da Tabela 23 incluem o valor residual e a Tabela 25 apresenta a análise de

sensibilidade considerando-se o valor residual.

19
O valor de 5 anos é apenas uma referência comparativa sugerida pelo autor e não

restringe os dados apresentados na Tabela 26, que incluem todos os resultados obtidos.
124/161

Soares (2003) apresentou estudo de como o financiamento pode viabilizar os

projetos de eficiência energética em IP. Esta análise não será aqui efetuada, mas é de

suma importância.

Tabela 22: Economia de Energia (Potencial Técnico) por Estado

Pot Instalada Pot Instalada Redução Energia Índice


com a de Potência Economizada Economia
Substituição GWh/ano Energia (%)

Amazonas Total 5,46 MW 4,29 MW 1,17 MW 5,12 21,4%


Roraima Total 2,42 MW 2,01 MW 0,41 MW 1,80 17,0%
Rondônia 6,85 MW 5,74 MW 1,12 MW 4,89 16,3%
Acre 1,46 MW 1,29 MW 0,17 MW 0,75 11,7%
Amapá 5,06 MW 3,66 MW 1,40 MW 6,14 27,7%
Pará 29,60 MW 22,90 MW 6,70 MW 29,33 22,6%

Maranhão 29,73 MW 24,89 MW 4,84 MW 21,21 16,3%


Paraíba Total 28,60 MW 18,05 MW 10,55 MW 46,19 36,9%
Pernambuco 52,10 MW 40,53 MW 11,57 MW 50,68 22,2%
Piauí 17,64 MW 13,18 MW 4,46 MW 19,53 25,3%
Sergipe Total 12,10 MW 7,80 MW 4,29 MW 18,81 35,5%
Ceará 16,73 MW 12,19 MW 4,54 MW 19,89 27,1%
Rio Grande do Norte 6,30 MW 4,72 MW 1,57 MW 6,89 25,0%
Bahia 45,32 MW 29,93 MW 15,39 MW 67,40 34,0%
Alagoas 17,61 MW 12,00 MW 5,61 MW 24,55 31,8%

Tocantins 7,98 MW 6,24 MW 1,74 MW 7,63 21,8%


Goiás Total 84,82 MW 58,48 MW 26,34 MW 115,37 31,1%
Mato Grosso 15,95 MW 11,79 MW 4,17 MW 18,24 26,1%
Mato Grosso do Sul 4,28 MW 3,49 MW 0,79 MW 3,44 18,4%
Distrito Federal 34,15 MW 23,12 MW 11,03 MW 48,33 32,3%

Rio Grande do Sul Total 86,55 MW 57,45 MW 29,09 MW 127,43 33,6%


Santa Catarina Total 47,85 MW 42,32 MW 5,53 MW 24,23 11,6%
Paraná Total 90,59 MW 73,24 MW 17,35 MW 76,01 19,2%

Rio de Janeiro Total 97,86 MW 66,80 MW 31,05 MW 136,01 31,7%


São Paulo Total 270,19 MW 201,84 MW 68,35 MW 299,36 25,3%
Minas Gerais Total 164,47 MW 135,52 MW 28,96 MW 126,82 17,6%
Espírito Santo Total 19,04 MW 15,43 MW 3,61 MW 15,81 19,0%
TOTAL 1200,69 MW 898,89 MW 301,80 MW 1321,87 25,1%
Fonte: Elaboração própria
125/161

Tabela 23: Avaliação Econômica e de Mercado

Economia Custo Custo Benefício com RBC TRS VPL, 10%aa, 10 anos Valor residual (10 anos) VPL, 10%aa, 10 anos
(R$/ano) Substituição Anualizado Energia e Demanda com lâmpada reposta braços, luminárias e outros considerando valor
Evitadas sem custo manutenção residual
Amazonas Total R$ 746.174,85 R$ 12.498.213,68 R$ 1.742.218,35 R$ 1.210.819,75 0,7 16,7 (R$ 8.536.372,76) R$ 1.401.478,77 (R$ 7.134.893,99)
Roraima Total R$ 261.644,11 R$ 6.175.155,79 R$ 886.903,05 R$ 424.570,54 0,5 23,6 (R$ 4.876.813,58) R$ 689.975,98 (R$ 4.186.837,60)
Rondônia R$ 712.322,09 R$ 16.914.150,53 R$ 2.430.186,87 R$ 1.155.886,78 0,5 23,7 (R$ 13.378.638,74) R$ 1.900.296,61 (R$ 11.478.342,13)
Acre R$ 109.096,51 R$ 4.123.860,00 R$ 584.432,48 R$ 177.031,17 0,3 37,8 (R$ 3.658.699,23) R$ 461.220,62 (R$ 3.197.478,61)
Amapá R$ 894.127,07 R$ 8.455.494,74 R$ 1.201.357,37 R$ 1.450.902,17 1,2 9,5 (R$ 3.395.386,38) R$ 945.749,26 (R$ 2.449.637,12)
Pará R$ 4.270.981,39 R$ 57.293.104,21 R$ 8.063.931,31 R$ 6.930.531,89 0,9 13,4 (R$ 33.963.369,00) R$ 6.392.220,99 (R$ 27.571.148,01)

Maranhão R$ 3.088.615,67 R$ 77.087.671,58 R$ 11.057.736,82 R$ 5.011.904,15 0,5 25,0 (R$ 61.932.249,47) R$ 8.644.605,37 (R$ 53.287.644,10)
Paraíba Total R$ 6.726.393,38 R$ 49.927.080,00 R$ 6.956.772,78 R$ 10.914.934,90 1,6 7,4 (R$ 11.071.213,34) R$ 5.643.934,48 (R$ 5.427.278,86)
Pernambuco R$ 7.379.568,00 R$ 102.223.558,95 R$ 14.573.754,71 R$ 11.974.842,94 0,8 13,9 (R$ 62.029.488,32) R$ 11.489.797,26 (R$ 50.539.691,06)
Piauí R$ 2.843.837,03 R$ 39.856.471,58 R$ 5.693.271,89 R$ 4.614.701,26 0,8 14,0 (R$ 24.367.930,10) R$ 4.469.755,64 (R$ 19.898.174,46)
Sergipe Total R$ 2.738.620,28 R$ 22.221.733,68 R$ 2.900.355,25 R$ 4.443.965,79 1,5 8,1 (R$ 6.504.322,43) R$ 2.488.710,85 (R$ 4.015.611,58)
Ceará R$ 2.895.939,94 R$ 30.634.397,89 R$ 4.367.716,83 R$ 4.699.248,78 1,1 10,6 (R$ 14.366.894,55) R$ 3.475.452,03 (R$ 10.891.442,52)
Rio Grande do Norte R$ 1.003.050,10 R$ 12.796.228,42 R$ 1.791.744,58 R$ 1.627.651,83 0,9 12,8 (R$ 7.281.252,64) R$ 1.416.683,64 (R$ 5.864.569,00)
Bahia R$ 9.814.198,40 R$ 80.817.168,42 R$ 11.313.225,24 R$ 15.925.523,61 1,4 8,2 (R$ 24.566.090,19) R$ 9.046.052,32 (R$ 15.520.037,87)
Alagoas R$ 3.575.466,10 R$ 32.085.694,74 R$ 4.457.253,93 R$ 5.801.917,54 1,3 9,0 (R$ 11.726.036,13) R$ 3.602.373,85 (R$ 8.123.662,28)

Tocantins R$ 1.111.168,85 R$ 17.046.934,74 R$ 2.391.578,60 R$ 1.803.096,40 0,8 15,3 (R$ 11.084.325,13) R$ 1.889.104,29 (R$ 9.195.220,85)
Goiás Total R$ 16.800.219,16 R$ 150.099.937,89 R$ 20.213.967,89 R$ 27.261.756,48 1,3 8,9 (R$ 54.397.701,27) R$ 16.874.092,43 (R$ 37.523.608,84)
Mato Grosso R$ 2.656.770,15 R$ 25.610.207,37 R$ 3.584.828,47 R$ 4.311.147,39 1,2 9,6 (R$ 10.585.061,47) R$ 2.877.742,34 (R$ 7.707.319,13)
Mato Grosso do Sul R$ 500.770,53 R$ 8.903.977,89 R$ 1.232.166,96 R$ 812.601,55 0,7 17,8 (R$ 6.281.669,79) R$ 979.707,91 (R$ 5.301.961,88)
Distrito Federal R$ 7.037.531,79 R$ 43.332.461,05 R$ 6.170.651,88 R$ 11.419.819,94 1,9 6,2 (R$ 2.322.837,11) R$ 4.927.526,61 R$ 2.604.689,51

Rio Grande do Sul Total R$ 18.556.605,38 R$ 130.934.521,05 R$ 17.587.343,67 R$ 30.111.848,67 1,7 7,1 (R$ 23.630.386,70) R$ 14.637.608,82 (R$ 8.992.777,88)
Santa Catarina Total R$ 3.528.252,60 R$ 131.884.386,32 R$ 18.903.423,91 R$ 5.725.304,08 0,3 37,4 (R$ 116.739.678,25) R$ 14.803.064,72 (R$ 101.936.613,53)
Paraná Total R$ 11.068.128,38 R$ 201.558.560,00 R$ 28.057.144,25 R$ 17.960.278,83 0,6 18,2 (R$ 143.687.779,98) R$ 22.462.481,68 (R$ 121.225.298,30)

Rio de Janeiro Total R$ 19.805.349,36 R$ 152.953.881,05 R$ 20.618.065,06 R$ 32.138.188,57 1,6 7,7 (R$ 39.070.795,21) R$ 17.170.610,88 (R$ 21.900.184,33)
São Paulo Total R$ 43.592.570,22 R$ 463.349.337,89 R$ 64.800.871,10 R$ 70.737.769,70 1,1 10,6 (R$ 218.951.177,39) R$ 52.064.811,59 (R$ 166.886.365,79)
Minas Gerais Total R$ 18.467.875,89 R$ 353.246.533,68 R$ 49.831.103,05 R$ 29.967.867,11 0,6 19,1 (R$ 257.688.488,61) R$ 39.199.788,17 (R$ 218.488.700,44)
Espírito Santo Total R$ 2.302.236,79 R$ 40.831.488,42 R$ 5.766.951,47 R$ 3.735.845,24 0,6 17,7 (R$ 28.744.054,68) R$ 4.554.383,36 (R$ 24.189.671,32)
TOTAL R$ 192.487.514,00 R$ 2.272.862.211,58 R$ 317.178.957,78 R$ 312.349.957,06 1,0 11,8 (R$ 1.204.838.712,44) R$ 254.509.230,45 (R$ 950.329.481,99)
Fonte: Elaboração própria
126/161

Tabela 24: Análise de Sensibilidade no VPL com Percentual de Depreciação Física (expresso em milhões de R$)
Percentual 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 55,0 60,0 65,0 70,0 75,0 80,0 85,0 90,0 95,0 100,0
Amazonas -8,5 -7,9 -7,3 -6,7 -6,0 -5,4 -4,8 -4,2 -3,5 -2,9 -2,3 -1,7 -1,0 -0,4 0,2 0,8 1,5 2,1 2,7 3,3 4,0
Roraima -4,9 -4,6 -4,3 -4,0 -3,6 -3,3 -3,0 -2,7 -2,4 -2,1 -1,8 -1,5 -1,2 -0,9 -0,6 -0,2 0,1 0,4 0,7 1,0 1,3
Rondônia -13,4 -12,5 -11,7 -10,8 -10,0 -9,2 -8,3 -7,5 -6,6 -5,8 -4,9 -4,1 -3,2 -2,4 -1,5 -0,7 0,2 1,0 1,8 2,7 3,5
Acre -3,7 -3,5 -3,2 -3,0 -2,8 -2,6 -2,4 -2,2 -2,0 -1,8 -1,6 -1,4 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,1 0,3 0,5
Amapá -3,4 -3,0 -2,5 -2,1 -1,7 -1,3 -0,9 -0,4 0,0 0,4 0,8 1,3 1,7 2,1 2,5 2,9 3,4 3,8 4,2 4,6 5,1
Pará -34,0 -31,1 -28,2 -25,4 -22,5 -19,6 -16,8 -13,9 -11,0 -8,2 -5,3 -2,5 0,4 3,3 6,1 9,0 11,9 14,7 17,6 20,5 23,3

Maranhão -61,9 -58,1 -54,2 -50,4 -46,5 -42,7 -38,8 -35,0 -31,1 -27,2 -23,4 -19,5 -15,7 -11,8 -8,0 -4,1 -0,3 3,6 7,4 11,3 15,2
Paraíba -11,1 -8,6 -6,1 -3,6 -1,1 1,4 3,9 6,4 8,9 11,4 13,9 16,4 18,9 21,4 23,9 26,4 28,9 31,4 33,9 36,4 38,9
Pernambuco -62,0 -56,9 -51,8 -46,7 -41,6 -36,5 -31,4 -26,3 -21,1 -16,0 -10,9 -5,8 -0,7 4,4 9,5 14,6 19,7 24,9 30,0 35,1 40,2
Piauí -24,4 -22,4 -20,4 -18,4 -16,4 -14,4 -12,4 -10,4 -8,4 -6,4 -4,4 -2,4 -0,5 1,5 3,5 5,5 7,5 9,5 11,5 13,5 15,5
Sergipe -6,5 -5,4 -4,3 -3,2 -2,1 -0,9 0,2 1,3 2,4 3,5 4,6 5,7 6,8 7,9 9,1 10,2 11,3 12,4 13,5 14,6 15,7
Ceará -14,4 -12,8 -11,3 -9,8 -8,2 -6,7 -5,2 -3,6 -2,1 -0,6 1,0 2,5 4,0 5,5 7,1 8,6 10,1 11,7 13,2 14,7 16,3
Rio Grande do Norte -7,3 -6,6 -6,0 -5,4 -4,7 -4,1 -3,4 -2,8 -2,2 -1,5 -0,9 -0,2 0,4 1,0 1,7 2,3 3,0 3,6 4,2 4,9 5,5
Bahia -24,6 -20,5 -16,5 -12,4 -8,4 -4,4 -0,3 3,7 7,8 11,8 15,8 19,9 23,9 28,0 32,0 36,0 40,1 44,1 48,2 52,2 56,3
Alagoas -11,7 -10,1 -8,5 -6,9 -5,3 -3,7 -2,1 -0,5 1,1 2,7 4,3 5,9 7,5 9,1 10,7 12,3 13,9 15,5 17,2 18,8 20,4

Tocantins -11,1 -10,2 -9,4 -8,5 -7,7 -6,8 -6,0 -5,1 -4,3 -3,4 -2,6 -1,7 -0,9 0,0 0,8 1,7 2,6 3,4 4,3 5,1 6,0
Goiás -54,4 -46,9 -39,4 -31,9 -24,4 -16,9 -9,4 -1,9 5,6 13,1 20,7 28,2 35,7 43,2 50,7 58,2 65,7 73,2 80,7 88,2 95,7
Mato Grosso -10,6 -9,3 -8,0 -6,7 -5,5 -4,2 -2,9 -1,6 -0,3 0,9 2,2 3,5 4,8 6,1 7,3 8,6 9,9 11,2 12,5 13,7 15,0
Mato Grosso do Sul -6,3 -5,8 -5,4 -4,9 -4,5 -4,1 -3,6 -3,2 -2,7 -2,3 -1,8 -1,4 -0,9 -0,5 0,0 0,4 0,8 1,3 1,7 2,2 2,6
Distrito Federal -2,3 -0,2 2,0 4,2 6,3 8,5 10,7 12,8 15,0 17,2 19,3 21,5 23,7 25,8 28,0 30,2 32,3 34,5 36,7 38,8 41,0

Rio Grande do Sul -23,6 -17,1 -10,5 -4,0 2,6 9,1 15,6 22,2 28,7 35,3 41,8 48,4 54,9 61,5 68,0 74,6 81,1 87,7 94,2 100,8 107,3
Santa Catarina -116,7 -110,1 -103,6 -97,0 -90,4 -83,8 -77,2 -70,6 -64,0 -57,4 -50,8 -44,2 -37,6 -31,0 -24,4 -17,8 -11,2 -4,6 2,0 8,6 15,1
Paraná -143,7 -133,6 -123,5 -113,5 -103,4 -93,3 -83,2 -73,1 -63,1 -53,0 -42,9 -32,8 -22,8 -12,7 -2,6 7,5 17,6 27,6 37,7 47,8 57,9

Rio de Janeiro -39,1 -31,4 -23,8 -16,1 -8,5 -0,8 6,8 14,5 22,1 29,8 37,4 45,1 52,7 60,3 68,0 75,6 83,3 90,9 98,6 106,2 113,9
São Paulo -219,0 -195,8 -172,6 -149,4 -126,3 -103,1 -79,9 -56,8 -33,6 -10,4 12,7 35,9 59,1 82,2 105,4 128,6 151,7 174,9 198,1 221,2 244,4
Minas Gerais -257,7 -240,0 -222,4 -204,7 -187,0 -169,4 -151,7 -134,1 -116,4 -98,7 -81,1 -63,4 -45,7 -28,1 -10,4 7,2 24,9 42,6 60,2 77,9 95,6
Espírito Santo -28,7 -26,7 -24,7 -22,6 -20,6 -18,5 -16,5 -14,5 -12,4 -10,4 -8,3 -6,3 -4,2 -2,2 -0,2 1,9 3,9 6,0 8,0 10,0 12,1
TOTAL -1.204,8 -1.091,2 -977,6 -863,9 -750,3 -636,6 -523,0 -409,3 -295,7 -182,1 -68,4 45,2 158,9 272,5 386,2 499,8 613,5 727,1 840,7 954,4 1.068,0
Fonte: Elaboração própria
127/161

Tabela 25: Sensibilidade VPL com Percentual de Depreciação Física (expresso em milhões de R$) considerando-se o valor residual
Percentual 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 55,0 60,0 65,0 70,0 75,0 80,0 85,0 90,0 95,0 100,0
Amazonas -7,1 -6,5 -5,9 -5,3 -4,6 -4,0 -3,4 -2,8 -2,1 -1,5 -0,9 -0,3 0,4 1,0 1,6 2,2 2,9 3,5 4,1 4,7 5,4
Roraima -4,2 -3,9 -3,6 -3,3 -3,0 -2,6 -2,3 -2,0 -1,7 -1,4 -1,1 -0,8 -0,5 -0,2 0,1 0,4 0,8 1,1 1,4 1,7 2,0
Rondônia -11,5 -10,6 -9,8 -8,9 -8,1 -7,2 -6,4 -5,6 -4,7 -3,9 -3,0 -2,2 -1,3 -0,5 0,4 1,2 2,1 2,9 3,7 4,6 5,4
Acre -3,2 -3,0 -2,8 -2,6 -2,4 -2,2 -2,0 -1,8 -1,5 -1,3 -1,1 -0,9 -0,7 -0,5 -0,3 -0,1 0,1 0,3 0,5 0,7 0,9
Amapá -2,4 -2,0 -1,6 -1,2 -0,8 -0,3 0,1 0,5 0,9 1,4 1,8 2,2 2,6 3,0 3,5 3,9 4,3 4,7 5,2 5,6 6,0
Pará -27,6 -24,7 -21,8 -19,0 -16,1 -13,2 -10,4 -7,5 -4,7 -1,8 1,1 3,9 6,8 9,7 12,5 15,4 18,3 21,1 24,0 26,9 29,7

Maranhão -53,3 -49,4 -45,6 -41,7 -37,9 -34,0 -30,2 -26,3 -22,5 -18,6 -14,7 -10,9 -7,0 -3,2 0,7 4,5 8,4 12,2 16,1 19,9 23,8
Paraíba -5,4 -2,9 -0,4 2,1 4,6 7,1 9,6 12,0 14,5 17,0 19,5 22,0 24,5 27,0 29,5 32,0 34,5 37,0 39,5 42,0 44,5
Pernambuco -50,5 -45,4 -40,3 -35,2 -30,1 -25,0 -19,9 -14,8 -9,7 -4,5 0,6 5,7 10,8 15,9 21,0 26,1 31,2 36,4 41,5 46,6 51,7
Piauí -19,9 -17,9 -15,9 -13,9 -11,9 -9,9 -7,9 -5,9 -4,0 -2,0 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0 20,0
Sergipe -4,0 -2,9 -1,8 -0,7 0,4 1,5 2,7 3,8 4,9 6,0 7,1 8,2 9,3 10,4 11,5 12,7 13,8 14,9 16,0 17,1 18,2
Ceará -10,9 -9,4 -7,8 -6,3 -4,8 -3,2 -1,7 -0,2 1,4 2,9 4,4 6,0 7,5 9,0 10,6 12,1 13,6 15,1 16,7 18,2 19,7
Rio Grande do Norte -5,9 -5,2 -4,6 -3,9 -3,3 -2,7 -2,0 -1,4 -0,7 -0,1 0,5 1,2 1,8 2,5 3,1 3,7 4,4 5,0 5,7 6,3 6,9
Bahia -15,5 -11,5 -7,4 -3,4 0,6 4,7 8,7 12,8 16,8 20,8 24,9 28,9 33,0 37,0 41,1 45,1 49,1 53,2 57,2 61,3 65,3
Alagoas -8,1 -6,5 -4,9 -3,3 -1,7 -0,1 1,5 3,1 4,7 6,3 7,9 9,5 11,1 12,7 14,3 15,9 17,5 19,1 20,8 22,4 24,0

Tocantins -9,2 -8,3 -7,5 -6,6 -5,8 -4,9 -4,1 -3,2 -2,4 -1,5 -0,7 0,2 1,0 1,9 2,7 3,6 4,4 5,3 6,1 7,0 7,9
Goiás -37,5 -30,0 -22,5 -15,0 -7,5 0,0 7,5 15,0 22,5 30,0 37,5 45,0 52,5 60,0 67,5 75,1 82,6 90,1 97,6 105,1 112,6
Mato Grosso -7,7 -6,4 -5,1 -3,9 -2,6 -1,3 0,0 1,3 2,5 3,8 5,1 6,4 7,7 8,9 10,2 11,5 12,8 14,1 15,3 16,6 17,9
Mato Grosso do Sul -5,3 -4,9 -4,4 -4,0 -3,5 -3,1 -2,6 -2,2 -1,7 -1,3 -0,8 -0,4 0,0 0,5 0,9 1,4 1,8 2,3 2,7 3,2 3,6
Distrito Federal 2,6 4,8 6,9 9,1 11,3 13,4 15,6 17,8 19,9 22,1 24,3 26,4 28,6 30,8 32,9 35,1 37,3 39,4 41,6 43,8 45,9

Rio Grande do Sul -9,0 -2,4 4,1 10,6 17,2 23,7 30,3 36,8 43,4 49,9 56,5 63,0 69,6 76,1 82,7 89,2 95,8 102,3 108,8 115,4 121,9
Santa Catarina -101,9 -95,3 -88,7 -82,2 -75,6 -69,0 -62,4 -55,8 -49,2 -42,6 -36,0 -29,4 -22,8 -16,2 -9,6 -3,0 3,6 10,2 16,8 23,4 29,9
Paraná -121,2 -111,1 -101,1 -91,0 -80,9 -70,8 -60,8 -50,7 -40,6 -30,5 -20,4 -10,4 -0,3 9,8 19,9 29,9 40,0 50,1 60,2 70,3 80,3

Rio de Janeiro -21,9 -14,3 -6,6 1,0 8,7 16,3 24,0 31,6 39,3 46,9 54,6 62,2 69,9 77,5 85,2 92,8 100,5 108,1 115,8 123,4 131,1
São Paulo -166,9 -143,7 -120,6 -97,4 -74,2 -51,0 -27,9 -4,7 18,5 41,6 64,8 88,0 111,1 134,3 157,5 180,6 203,8 227,0 250,1 273,3 296,5
Minas Gerais -218,5 -200,8 -183,2 -165,5 -147,8 -130,2 -112,5 -94,9 -77,2 -59,5 -41,9 -24,2 -6,5 11,1 28,8 46,4 64,1 81,8 99,4 117,1 134,8
Espírito Santo -24,2 -22,1 -20,1 -18,1 -16,0 -14,0 -11,9 -9,9 -7,9 -5,8 -3,8 -1,7 0,3 2,4 4,4 6,4 8,5 10,5 12,6 14,6 16,6
TOTAL -950,3 -836,7 -723,0 -609,4 -495,8 -382,1 -268,5 -154,8 -41,2 72,5 186,1 299,7 413,4 527,0 640,7 754,3 868,0 981,6 1095,2 1208,9 1322,5
Fonte: Elaboração própria
128/161

Tabela 26: Análise de Sensibilidade no TRS com Percentual de Depreciação Física (sem

considerar valor residual)

Percentual 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95
Amazonas Total 16,7 15,9 15,1 14,2 13,4 12,6 11,7 10,9 10,0 9,2 8,4 7,5 6,7 5,9 5,0 4,2 3,3 2,5 1,7 0,8
Roraima Total 23,6 22,4 21,2 20,1 18,9 17,7 16,5 15,3 14,2 13,0 11,8 10,6 9,4 8,3 7,1 5,9 4,7 3,5 2,4 1,2
Rondônia 23,7 22,6 21,4 20,2 19,0 17,8 16,6 15,4 14,2 13,1 11,9 10,7 9,5 8,3 7,1 5,9 4,7 3,6 2,4 1,2
Acre 37,8 35,9 34,0 32,1 30,2 28,4 26,5 24,6 22,7 20,8 18,9 17,0 15,1 13,2 11,3 9,5 7,6 5,7 3,8 1,9
Amapá 9,5 9,0 8,5 8,0 7,6 7,1 6,6 6,1 5,7 5,2 4,7 4,3 3,8 3,3 2,8 2,4 1,9 1,4 0,9 0,5
Pará 13,4 12,7 12,1 11,4 10,7 10,1 9,4 8,7 8,0 7,4 6,7 6,0 5,4 4,7 4,0 3,4 2,7 2,0 1,3 0,7

Maranhão 25,0 23,7 22,5 21,2 20,0 18,7 17,5 16,2 15,0 13,7 12,5 11,2 10,0 8,7 7,5 6,2 5,0 3,7 2,5 1,2
Paraíba Total 7,4 7,1 6,7 6,3 5,9 5,6 5,2 4,8 4,5 4,1 3,7 3,3 3,0 2,6 2,2 1,9 1,5 1,1 0,7 0,4
Pernambuco 13,9 13,2 12,5 11,8 11,1 10,4 9,7 9,0 8,3 7,6 6,9 6,2 5,5 4,8 4,2 3,5 2,8 2,1 1,4 0,7
Piauí 14,0 13,3 12,6 11,9 11,2 10,5 9,8 9,1 8,4 7,7 7,0 6,3 5,6 4,9 4,2 3,5 2,8 2,1 1,4 0,7
Sergipe Total 8,1 7,7 7,3 6,9 6,5 6,1 5,7 5,3 4,9 4,5 4,1 3,7 3,2 2,8 2,4 2,0 1,6 1,2 0,8 0,4
Ceará 10,6 10,0 9,5 9,0 8,5 7,9 7,4 6,9 6,3 5,8 5,3 4,8 4,2 3,7 3,2 2,6 2,1 1,6 1,1 0,5
Rio Grande do Norte 12,8 12,1 11,5 10,8 10,2 9,6 8,9 8,3 7,7 7,0 6,4 5,7 5,1 4,5 3,8 3,2 2,6 1,9 1,3 0,6
Bahia 8,2 7,8 7,4 7,0 6,6 6,2 5,8 5,4 4,9 4,5 4,1 3,7 3,3 2,9 2,5 2,1 1,6 1,2 0,8 0,4
Alagoas 9,0 8,5 8,1 7,6 7,2 6,7 6,3 5,8 5,4 4,9 4,5 4,0 3,6 3,1 2,7 2,2 1,8 1,3 0,9 0,4

Tocantins 15,3 14,6 13,8 13,0 12,3 11,5 10,7 10,0 9,2 8,4 7,7 6,9 6,1 5,4 4,6 3,8 3,1 2,3 1,5 0,8
Goiás Total 8,9 8,5 8,0 7,6 7,1 6,7 6,3 5,8 5,4 4,9 4,5 4,0 3,6 3,1 2,7 2,2 1,8 1,3 0,9 0,4
Mato Grosso 9,6 9,2 8,7 8,2 7,7 7,2 6,7 6,3 5,8 5,3 4,8 4,3 3,9 3,4 2,9 2,4 1,9 1,4 1,0 0,5
Mato Grosso do Sul 17,8 16,9 16,0 15,1 14,2 13,3 12,4 11,6 10,7 9,8 8,9 8,0 7,1 6,2 5,3 4,4 3,6 2,7 1,8 0,9
Distrito Federal 6,2 5,8 5,5 5,2 4,9 4,6 4,3 4,0 3,7 3,4 3,1 2,8 2,5 2,2 1,8 1,5 1,2 0,9 0,6 0,3

Rio Grande do Sul 7,1 6,7 6,4 6,0 5,6 5,3 4,9 4,6 4,2 3,9 3,5 3,2 2,8 2,5 2,1 1,8 1,4 1,1 0,7 0,4
Santa Catarina Total 37,4 35,5 33,6 31,8 29,9 28,0 26,2 24,3 22,4 20,6 18,7 16,8 15,0 13,1 11,2 9,3 7,5 5,6 3,7 1,9
Paraná Total 18,2 17,3 16,4 15,5 14,6 13,7 12,7 11,8 10,9 10,0 9,1 8,2 7,3 6,4 5,5 4,6 3,6 2,7 1,8 0,9

Rio de Janeiro Total 7,7 7,3 7,0 6,6 6,2 5,8 5,4 5,0 4,6 4,2 3,9 3,5 3,1 2,7 2,3 1,9 1,5 1,2 0,8 0,4
São Paulo Total 10,6 10,1 9,6 9,0 8,5 8,0 7,4 6,9 6,4 5,8 5,3 4,8 4,3 3,7 3,2 2,7 2,1 1,6 1,1 0,5
Minas Gerais Total 19,1 18,2 17,2 16,3 15,3 14,3 13,4 12,4 11,5 10,5 9,6 8,6 7,7 6,7 5,7 4,8 3,8 2,9 1,9 1,0
Espírito Santo Total 17,7 16,8 16,0 15,1 14,2 13,3 12,4 11,5 10,6 9,8 8,9 8,0 7,1 6,2 5,3 4,4 3,5 2,7 1,8 0,9
TOTAL 11,8 11,2 10,6 10,0 9,4 8,9 8,3 7,7 7,1 6,5 5,9 5,3 4,7 4,1 3,5 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6

Fonte: Elaboração própria


129/161

7.5 Análise dos Potenciais de Economia de Energia no

Parque Nacional de Iluminação Pública

A discretização realizada para os cálculos de viabilidade tomou como unidade os

estados brasileiros. Ou seja, a menor unidade de agrupamento de pontos de iluminação

para cálculo da viabilidade foram os estados. No entanto, caberia uma discretização mais

precisa, para cada um dos municípios brasileiros, utilizando os mesmos critérios aqui

estabelecidos, mas com especificação de custos associada a cada projeto.

Esses projetos para cada município, ou mesmo para localidades específicas de

dentro dos municípios, permitiriam uma avaliação específica sob a ótica de cada

prefeitura. No entanto, para uma estimativa global, foco deste trabalho, a discretização

por estado permite que se chegue a um resultado de uma forma expedita, que atende aos

propósitos da análise. No entanto, os resultados finais devem ser analisados levando-se

em conta essas ponderações.

Apesar de existirem potenciais de economia de energia elétrica da ordem de até

37%, tal como no estado da Paraíba, observa-se que nem sempre a modernização dos

sistemas é viável economicamente, dependendo da ótica de análise.

A Tabela 27 a seguir apresenta os potenciais de economia de energia elétrica de

forma consolidada.
130/161

Tabela 27: Resumo dos Potenciais de Economia de Energia Elétrica nos Sistemas de

Iluminação Pública (expressos em potência elétrica, MW)

Percentual de depreciação física

0% 30% 50% 70%

Potencial Técnico 301,80 MW 301,80 MW 301,80 MW 301,80 MW

Potencial Econômico 211,81 MW 211,81 MW 211,81 MW 211,81 MW

Potencial de Mercado 0 MW 134,76 MW 236,11 MW 296,09 MW

Fonte: Elaboração própria

O Potencial Técnico calculado admite que todas as substituições tecnicamente

viáveis podem ser implementadas. Chega-se a um potencial da ordem de 302MW, o que

representa uma economia de 1,32 TWh/ano em energia.

Considera-se aqui que o Potencial Econômico não varia em função do grau de

depreciação física dos sistemas, pois se trata de uma avaliação de viabilidade econômica

na ótica das concessionárias, sob o aspecto de custos evitados com demanda e energia,

não tendo uma relação direta com a qualidade do serviço ou com a priorização de

despesas, uma vez que os recursos para modernização dos sistemas deverão em geral

serem desembolsados pelos municípios.

O Potencial de Mercado é apresentado como função do percentual de sistemas

fisicamente depreciados existentes e considera o valor residual de determinados

equipamentos ao final de 10 anos de operação. Quando não há depreciação física nos

sistemas, não faria sentido para as prefeituras realizar os investimentos e não se tem

viabilidade, significando zero de economia de energia possível na tabela (0MW). Para


131/161

50% de depreciação física dos sistemas, o Potencial de Mercado está muito próximo em

economia de energia ao Potencial Econômico. Neste ponto, admite-se que 50% do custo

necessário para a modernização dos sistemas representam um dispêndio necessário para

que o sistema existente volte a ter as características de qualidade de serviço para as

quais foi projetado. Portanto, esses 50% do custo para a modernização foram subtraídos

do investimento necessário no cálculo de viabilidade. O mesmo raciocínio foi aplicado

para outros percentuais de depreciação física dos sistemas. Com o aumento do grau de

depreciação física o Potencial de Mercado chega a superar o Potencial Econômico.

7.6 Estímulos à Melhoria da Eficiência

Apesar de os potenciais apresentados serem significativos e viáveis, conforme

demonstrado, julga-se aqui que para se implementar projetos de melhoria das instalações

com foco na eficiência energética na iluminação pública é necessário que se criem

facilitadores. Um dos estímulos seria aumentar o poder de penetração de mecanismos já

existentes.

No atual modelo do Programa Reluz, o programa de financiamento para sistemas

de iluminação pública da Eletrobrás, as concessionárias não têm como uma obrigação a

realização da modernização na IP. Os recursos da Reserva Global de Reversão (RGR)

estão disponíveis para utilização em condições atrativas, entretanto, muitas vezes as

concessionárias não se interessam pelo Programa, por vários motivos, tais como:
132/161

¾ concessionárias já possuem planejamento de aplicação dos recursos

obrigatórios em eficiência energética em outras ações 20 (de resultados

algumas vezes dificilmente mensuráveis). Neste ínterim, deve-se lembrar

que a eficiência energética na iluminação pública, desde que realmente

comprovada, não traz muitas dúvidas com relação à efetividade das ações

e os benefícios em termos de economia de energia (MWh) e de redução da

demanda no horário de ponta (kW) são facilmente mensurados;

¾ concessionárias têm dúvidas com relação à condição financeira das

prefeituras, muitas das quais encontram-se freqüentemente em

inadimplência com as suas contas mensais de energia elétrica;

¾ burocracia para obtenção dos financiamentos junto aos organismos de

governo, que sofrem com as mudanças de administração.

Neste contexto, medidas que poderiam estimular a entrada das concessionárias

nos programas seriam:

¾ mecanismos que estabelecessem garantias para garantir que o pagamento

das parcelas relativas aos financiamentos de iluminação pública sejam

honrados pelos municípios;

¾ aplicação compulsória pelas concessionárias de uma parcela de recursos

em eficiência energética na IP;

20
No ciclo 2005/2006 do Programa de Eficiência Energética da Aneel, que orienta a

aplicação pelas concessionárias dos recursos compulsórios em eficiência energética, não poderão

ser aplicados recursos em projetos de eficiência energética em iluminação pública.


133/161

Com relação aos municípios, também se observa que há deficiências que muitas

vezes os impedem de realizar a modernização dos sistemas de iluminação pública, tais

como:

¾ falta de capacitação para avaliação econômica de projetos;

¾ falta de informação;

¾ relações ruins com concessionárias, o que dificulta o acesso a recursos,

tais como os oferecidos pelo Programa Reluz;

¾ Falta de diálogo com concessionárias, o que restringe o acesso a

informações e desenvolvimento no uso da energia elétrica, visto que as

concessionárias possuem competência nessa área, além de competência

nas áreas de manutenção e intervenções na rede de energia elétrica.

Medidas de contorno para esses problemas identificados podem auxiliar na

implementação dos programas de substituição dos sistemas de iluminação pública.

Soares (2003) apresentou avaliação de como o financiamento é importante para se

viabilizar os programas de melhoria da IP.

7.7 Benefícios Diretos e Indiretos dos Programas de Eficiência

na IP

Apesar de critérios econômicos aplicados ao cadastro de iluminação pública já

justificarem os programas de eficiência para a iluminação pública, uma avaliação dos

demais benefícios deve ser realizada para que se tenha uma avaliação qualitativa.
134/161

Geração de Empregos

Através de pesquisa realizada com diversos municípios que implementaram

programas de eficiência energética na IP, em particular o ReLuz, (ver Anexo II) obtiveram-

se os dados apresentados no Quadro 10 para composição de equipes de gestão, projeto

e execução das obras de melhoria dos sistemas.

Quadro 10: Homem-hora Envolvidos nas Obras de Melhoria dos Sistemas de IP

Total atividades Total HH Atividades/HH

3719 2880 1,29

6648 4800 1,39

3016 2880 1,05

3170 2880 1,10

3859 3360 1,15

3073 2880 1,07

6950 5280 1,32

746 1440 0,52

1689 2400 0,70

2714 2880 0,94

6686 5280 1,27

6382 5280 1,21

Média 1,08

Desvio 0,26

Fonte: Elaboração própria com dados obtidos da pesquisa descrita no Anexo II


135/161

A quantidade de atividades representa a soma de quantidade luminárias,

lâmpadas e braços substituídos. A coluna homem-hora (HH) representa o total de

envolvidos em gestão, projeto e execução das obras multiplicado pelo número de horas

em que estiveram envolvidos no projeto. Pode-se assim obter o indicador atividades/HH

para uma estimativa global de quantidade de empregos que seriam gerados no caso da

substituição em massa.

Isto é, para um total de 7,54 milhões de pontos substituíveis apresentados no

Potencial Técnico, ter-se-ia uma quantidade de cerca de 3 x 7,54 milhões de atividades,

incluindo os conjuntos com lâmpadas, luminária e braços. Numa estimativa hipotética,

para realizar essa quantidade de atividades seriam necessários cerca de 10 mil pessoas

trabalhando durante cerca de um ano em todo o país na atividade de substituição dos

sistemas, numa jornada de 44 h / semana.

Redução dos Custos de Manutenção

Dependendo do nível de obsolescência e depreciação física dos equipamentos

constituintes dos sistemas existentes, a opção mais viável para redução dos custos de

manutenção pode ser a substituição por completo dos sistemas, de forma a reduzir

estoques e gerar padronização nos sistemas.

Benefícios para as Concessionárias de Energia Elétrica

Redução de perdas operativas com a redução de carga no horário de ponta,

deslocamento de consumo para outros segmentos onde a tarifa seria mais atrativa, além

dos custos evitados em expansão da oferta já evidenciados no Potencial Econômico.


136/161

Evolução da Tecnologia

O uso de tecnologias mais novas em detrimento de tecnologias já ultrapassadas,

com ganhos de eficiência, vem a estimular o uso e a fabricação de tecnologias mais

modernas.

Benefícios para os Municípios

A melhoria da qualidade dos sistemas de iluminação pública traz dignidade para

os locais mais deficientes em infra-estrutura. A iluminação pública para esse tipo de

localidade é recebida como um grande estímulo e valorização dos ambientes durante a

noite que muitas vezes muda repentinamente a vida social de comunidades.

A melhoria da qualidade dos sistemas, além da redução dos gastos municipais

com manutenção e fornecimento de energia elétrica, promove uma melhor prestação do

serviço de iluminação pública, o que traz aprovação para as administrações municipais.

Segundo o IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal, 2004), o Plano

Municipal de Gestão de Energia Elétrica da Cidade de Salvador, iniciado em 1997,

permitiu a redução de 38% no consumo de energia elétrica da iluminação pública (cerca

de 39 GWh/ano), representando uma economia de R$ 2,9 milhões por ano. O projeto

contemplou a modernização de 103.248 dos atuais cerca de 116.353 pontos de

iluminação instalados. O Programa de Eficiência da Rede de Iluminação Pública da

Cidade do Rio de Janeiro trouxe desde meados de 1998, uma economia anual de R$ 7

milhões, com a substituição de aproximadamente 85.000 lâmpadas eficientes. Cerca de


137/161

74% do consumo (726.000 MWh) municipal corresponde à iluminação pública. E os

principais projetos eficientes realizados, destacando-se a dos Municípios de Salvador,

Porto Alegre, Campo Grande e João Pessoa, teriam totalizado 93.732 MWh de energia

conservada. O resultado da apuração da Enquete tabulada no Formulário de Adesão da

Rede Cidades Eficientes e do Auto-Diagnóstico para Avaliação da Eficiência Energética

nos Municípios, mostrou que 83,66% dos Municípios têm interesse em desenvolver

projetos de combate ao desperdício de energia elétrica em iluminação pública, seguida de

76,80% em prédios públicos, 47,06% em educação, 45,75% em saneamento, 14,71%

outros (eletrificação rural) e 2,94% não responderam.

7.8 Conclusões

Os 300 MW de redução de potência tecnicamente viáveis são a demonstração do

enorme potencial ainda existente para melhoria dos sistemas de iluminação pública. Não

obstante, as restrições econômicas imposta pelo setor elétrico e as restrições de mercado

imposta pelas prefeituras podem reduzir esse potencial, mas diversos fatores podem fazer

com que se chegue mais perto no potencial técnico, tal como depreciação física dos

sistemas e financiamentos.

Os potenciais de economia de energia elétrica são a demonstração da importância

dos programas de melhoria, numa visão global. No entanto, não se deve deixar de

integrar a essa visão a importância da IP para as localidades com índices de atendimento

com infra-estrutura básica deficientes, tal como mostrado no Capítulo 4.


138/161

8 Conclusão

A iluminação pública foi a origem das indústrias de rede de gás e energia elétrica,

que vieram a se tornar o paradigma mundial para distribuição dessas duas formas de

energia. A indústria do petróleo também se iniciou de forma a abastecer de querosene os

lampiões para iluminação pública. Um dos primeiros serviços energéticos viabilizados

pela energia elétrica foi a iluminação pública.

A iluminação pública não é essencial para a sobrevivência dos seres humanos,

mas tem caráter fundamental para elevar a auto-estima das comunidades, principalmente

das menos favorecidas, servindo inclusive como estímulo à cidadania.

Existe forte relação entre índices de atendimento com serviço de iluminação

pública e índices de atendimento de desenvolvimento local. Essa forte relação fica mais

evidente nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na região Norte essa

relação fica mais distante, provavelmente devido às especificidades locais bastante

antagônicas em relação ao restante do país. Os índices de atendimento que se situam

mais próximos ao índice de atendimento da iluminação pública são rede de

abastecimento de água, esgotamento sanitário, existência de sanitário, coleta de lixo,

iluminação elétrica, enquanto que telefonia e pavimentação, além de encontrarem uma

grande variação nos estados, encontram-se com índices de atendimento bastante

diferentes, não sendo adequadas para associações com o atendimento com serviço de

iluminação pública.
139/161

Com a aplicação das novas tecnologias na IP, as necessidades da sociedade

poderão ser atendidas com considerável redução na potência instalada por ponto. Sob a

ótica das concessionárias, essa energia elétrica economizada, resultante da aplicação

das novas tecnologias, poderá ser disponibilizada para outros segmentos onde a tarifa é

mais atrativa.

A potência instalada não é o suficiente para descrever a qualidade do serviço de

iluminação pública, pois o serviço depende das tecnologias utilizadas, essencialmente de

sua eficiência na conversão da energia elétrica em energia luminosa e do rendimento das

luminárias. Apesar disso, o serviço é atualmente cobrado com base somente na potência

das lâmpadas. Através de indicadores de qualidade que tivessem influência na

remuneração pelo serviço poderia ser estimulada melhora na qualidade do serviço. No

entanto, como a responsabilidade pela prestação do serviço de IP é dos municípios e pelo

fornecimento da energia elétrica das concessionárias, a solução não seria simples. No

caso do Peru alguns indicadores de qualidade têm se mostrado eficazes, pois o serviço

de IP, apesar de ser de responsabilidade dos municípios, é concedido às concessionárias

e regulado através de um órgão do governo.

A existência de um tributo específico para IP parece ser necessária para que

exista uma regularidade no financiamento da IP e para que o seu custeio não seja em

função de outras prioridades das administrações municipais.

Há poucos mecanismos formais para a melhoria da qualidade do serviço de

iluminação pública prestado, portanto, essa é uma área onde ações legais poderiam

estimular a melhoria dos serviços, a exemplo do que foi apresentado para o caso do Peru.
140/161

A composição da tarifa de iluminação pública poderia ter influência da qualidade

dos serviços prestados (principalmente quando há concessão dos serviços), tal como:

- verificações amostrais, por exemplo, dos níveis de iluminância, de forma que

houvesse um estímulo aos prestadores do serviço pela melhoria na qualidade

(incluindo todos elementos dos sistemas de iluminação pública 21);

- fator de majoração quando houvesse melhoria das tecnologias utilizadas nos

sistemas de iluminação pública.

Neste trabalho não se realizou pesquisa para identificação do nível de

obsolescência, depreciação física e tecnológico dos sistemas de iluminação pública. Essa

pesquisa permitiria uma avaliação global dos sistemas de iluminação, chegando-se ao

serviço de fato entregue aos usuários e comparando-o ao consumo de energia pelos

sistemas que estão instalados no país.

Estudos mais aprofundados sobre custos de manutenção e expansão são

necessários para que se possa calcular tarifas de consumo de energia elétrica com mais

precisão para cada região, assim como se calcular a contribuição para iluminação pública

21
A expressão “sistemas de iluminação” foi definida na Introdução deste trabalho e não faz

referência somente às lâmpadas, que efetivamente representam a maior contribuição para a

redução das potências finais de cada sistema, mas a todo o conjunto luminotécnico, incluindo

suportes, luminárias, chaves de comando e reatores. Ou seja, todo o sistema responsável por

prover, a partir de determinado insumo energético, o serviço de iluminação pública. Todos os

componentes do sistema são importantes, pois participam para um melhor aproveitamento da

energia na produção da luz visível, seja na conversão da energia em energia luminosa, seja no

direcionamento do fluxo luminoso para o plano de trabalho, a superfície das vias públicas.
141/161

(CIP) com maior propriedade, uma vez que os municípios estabelecem critérios próprios

(e alguns até arbitrários) para sua cobrança.

A reutilização de equipamentos em locais que ainda não disponham de iluminação

pública poderia ser aceita, entretanto seriam necessárias formas práticas de avaliação da

vida útil nos equipamentos reutilizados, de forma que fossem justificados os custos de

retirada e re-instalação, pois, caso os equipamentos reutilizados estejam em final de vida

útil, pode ser necessária nova intervenção na rede para substituí-los transcorrido um

pequeno período. Estudos de ciclo de vida seriam interessantes.

Com relação à viabilidade econômica da melhoria dos sistemas com base na

melhoria da eficiência dos sistemas, observa-se que devem ser realizadas análises sobre

a ótica dos diversos agentes. Apesar de as análises terem sido feitas com premissas

estipuladas, mostra-se que em função de cada expectativa têm-se diferentes potenciais

de economia de energia. Caso sejam considerados somente aspectos técnicos para a

melhoria dos sistemas, tem-se um Potencial Técnico. No entanto, assumindo-se o critério

admitido como premissa de viabilidade econômica pelo setor elétrico brasileiro, tem-se um

Potencial Econômico. Com as expectativas de retorno dos investimentos na melhoria dos

sistemas pelas prefeituras, tem-se um Potencial de Mercado. Com base nos potenciais

Econômico e de Mercado, obtém-se um Potencial Global de viabilidade atual da melhoria

nos sistemas. Essas implementações de melhoria não são automaticamente

implementadas por diversos fatores, tais como:

- outra prioridade de investimentos por parte dos municípios;

- escassez de recursos;

- falta de informação e falta de competência técnica nos municípios para análises

econômico-financeiras;
142/161

- aspectos políticos diversos (relações entre concessionárias e municípios,

dependência das decisões nos municípios nos prefeitos etc.);

- facilidade de restrição de investimentos na iluminação pública sem impactos tão

importantes se comparados com aspectos básicos, como educação e saúde.

Portanto, programas de estímulo às obras de melhoria dos sistemas, tal como o

Programa Reluz, da Eletrobrás, têm caráter fundamental para que os sistemas de

iluminação pública sejam modernizados. Permitindo gastos com energia elétrica

otimizados, representando uma menor parcela nos orçamentos municipais e otimização

da utilização dos recursos energéticos com maior eficiência, ou seja, com serviços

equivalentes fornecidos com quantidades menores de insumos energéticos.

Sugestões de Trabalhos Futuros

Serão aqui apresentados alguns temas, referentes à iluminação pública no Brasil,

que foram levantados com a realização desse trabalho que são limitações deste trabalho,

portanto, serão aqui relacionados como sugestões para um maior desenvolvimento futuro:

1. A influência da medição do consumo como fator de deterioração do

cadastro nacional de iluminação pública;

2. Estatísticas de depreciação física dos sistemas de iluminação pública;

3. Estatísticas de índices de atendimento, por localidades;

4. Análise de vida útil de sistemas de iluminação;

5. Análise e previsões de expansão dos sistemas de iluminação pública;

6. Cenários de evolução da IP no Brasil;

7. Análise energética e análise de ciclo de vida na IP;


143/161

8. Custo de oportunidade para concessionárias, considerando que a

economia de energia elétrica na IP poderia ser fornecida a outros

segmentos onde a tarifa é mais atrativa para as concessionárias;

9. Estudo estatístico correlacionando índices de criminalidade com a IP;

10. Levantamento de custos, tempo e geração de empregos nas

intervenções de manutenção em IP;

11. Demanda social por infra-estrutura básica, por localidade;

12. Relação entre investimentos públicos e índices de atendimento de infra-

estrutura básica (indicadores de desenvolvimento local);

13. Alternativas de financiamento público para infra-estrutura básica;

14. A viabilização de programas de melhoria da eficiência na IP através de

financiamento.
144/161

9 Referências Bibliográficas

ABILUX, 2001– Associação Brasileira da Indústria de Iluminação - 3ª Reunião do


Grupo de Trabalho sobre Lâmpadas Mercuriais da Câmara Técnica do
CONAMA - Dados Técnicos de Lâmpadas contendo Mercúrio - Brasília, DF.

ACEVEDO, M. R., 2004 – Mitos y Realidades del Alumbrado Público de Eletricidad


– Luxamerica 2004 – 10p.

ANEEL - Manual para Elaboração do Programa Anual de Combate ao Desperdício


de Energia Elétrica da ANEEL – Ciclo 1999/2000, disponível em
www.aneel.gov.br (acesso em jan/2005).

______ - Relatório Síntese dos Programas de Combate ao Desperdício de Energia


Elétrica – Ciclo 1998/99, out/1999, disponível em www.aneel.gov.br (acesso
em jan/2006).

ATKINS, S., 1991 – The Influence of Street Lighting on Crime and Fear of Crime –
Home Office Crime Prevention Unit, Londres – 59p.

BARBOSA, R., 2000 – A Gestão e o Uso Eficiente da Energia Elétrica nos


Sistemas de Iluminação Pública (Dissertação) – USP, São Paulo – 182p.

______, 1996 – Princípios e Diretrizes para uma Política de Iluminação Pública


Eficiente em João Pessoa – IEE/USP – 22p.

BREMAEKER, F. E. J. de – A Iluminação Pública no Brasil: Situação e Custeio –


IBAM, 2001 – 13p.

CEB, 2003 – Iluminação Pública no Distrito Federal - Companhia Energética de


Brasília – disponível em www.ceb.com.br (acesso em dez/2004).

CLDC, 2005 - City Lights Design Competition – A Brief History of Street Lighting in
New York City – disponível em www.nyc.gov (acesso em jul/2005).

CLARK, B. A. J. , 2002 – Outdoor Lighting an Crime, Part 1: Little or no Benefit –


Astronomical Society of Victoria, Australia – disponível em
http://www.asv.org.au (acesso em jul/2005)

CODI, 1984 – Iluminação Pública, Procedimentos Comerciais, Recomendações –


Relatório SCSC.30.02 de 28/11/1984, Comitê de Distribuição (CODI). Abradee,
Rio de Janeiro – 27p.
145/161

______, 1988 – Substituição de Lâmpadas Incandescentes no Sistema de


Iluminação Pública – Relatório SCPE.33.01 de 13/10/1988. Comitê de
Distribuição (CODI), Abradee, Rio de Janeiro, 51p.

CONTADOR, C., 2000 – Projetos Sociais, Avaliação e Prática – Ed. Atlas, São
Paulo, 4a.ed, 375p.

COSTA, G. J. C. da, 1998 – Iluminação Econômica: Cálculo e Avaliação - Procel -


Ed. Edipucrs, Porto Alegre– 503p.

DOE, 2002- U.S. Lighting Market Characterization, Volume I: National Lighting


Inventory and Energy Consumption Estimate – DOE - U.S. Department of
Energy, EUA – 120p.

ELETROBRÁS, 1995 – Planilha com Pesquisa Nacional de Potencial de


Conservação de Energia em Iluminação Pública, PROCEL/RELUZ (documento
interno Eletrobrás).

______, 1996 – Cadastro Nacional de Iluminação Pública de 1995 - Gerência de


Iluminação Pública do Procel, PROCEL (documento interno Eletrobrás).

______, 1999 – Planilha com Pesquisa Nacional de Potencial de Conservação de


Energia em Iluminação Pública, PROCEL (documento interno Eletrobrás).

______, 2001 – Conservação de Energia Elétrica, Eficiência Energética em


Instalações e Equipamentos – PROCEL - Eletrobrás/EFEI – 467p.

______, 2002a – A Implantação do ReLuz nas Cidades Brasileiras – artigo do IX


CBE, Rio de Janeiro.

______, 2002b – Eletrobrás 40 anos – Centro da Memória da Eletricidade no


Brasil, Rio de Janeiro – 196p.

______, 2003 – Mercado e Carga Própria, Anual 2002 – Rio de Janeiro - 50p.

______, 2004a - Manual do Programa ReLuz , Eletrobrás/PROCEL – Rio de


Janeiro – 55p – disponível em www.eletrobras.com/procel.

______, 2004b – Cadastro Nacional de Iluminação Pública de 2003 –


Departamento de Desenvolvimento de Projetos Especiais, PROCEL
(documento interno Eletrobrás).

______, 2004c – Guia Técnico Procel-ReLuz – Eletrobrás, PROCEL, Rio de


Janeiro – 175p.
146/161

______, 2004d – Planilha com Pesquisa Nacional de Potencial de Conservação de


Energia em Iluminação Pública (documento interno Eletrobrás).

____, 2004e – Planilha: Consumo Faturado em 2003, por segmentos, DEM


(documento interno Eletrobrás).

______,2004f – Descarte de Lâmpadas de Iluminação Pública –


Eletrobrás/PROCEL, Rio de Janeiro – 12p. - disponível em
www.eletrobras.com/procel.

______, 2006a, Planilha de Acompanhamento do Programa Reluz (documento


interno Eletrobrás).

______, 2006b, Substituição de luminárias convencionais por luminárias a LED na


Iluminação Pública, 18p. (documento interno Eletrobrás).

______, 2006c, Pesquisa em Iluminação Pública, Programa Reluz - jan/2006


(documento interno Eletrobrás).

FRANCISCO, J.A., 2002 – A proposta de emenda constitucional para a TIP –


disponível em http://jaf.tripod.com.br/monografias/tip2.htm, 2p.

FRÓES, L. L.; SIQUEIRA, M. da C.; RAMALHO, C. R. de J. L.; COIMBRA, C. M.;


ANJOS, M. F. R. dos; SANTOS, S. N. P.; FONSECA, V. Z. da;PINTO, A.B.A. ,
2004 - Findings, Results and Monitoring Brazil’s Efficient Street-Lighting
Program – ReLuz – Septimo Congreso Panamericano de Iluminación -
Luxamerica, Lima, Peru, 5p.

FRÓES, L.L.; ANJOS, M. F. R. dos; MARIOTO, W.; SANTOS, S. N. P.;


RAMALHO, C. R. de J. L.; FONSECA, V. Z. da; PINTO, Á. B. A.; SIQUEIRA,
M. da C.; SILVA, L. A. L. , 2005 – Perspectivas e Panorama da Iluminação
Pública no Brasil – artigo IX SNPTEE / GCE, 7p. – Premiado com segundo
lugar no GCE (Grupo de Estudos em Conservação de Energia).

FRÓES, L. L.; SIQUEIRA, M. da C.; RAMALHO, C. R. de J. L.; COIMBRA, C. M.;


ANJOS, M. F. R. dos; SANTOS, S. N. P.; FONSECA, V. Z. da; PINTO, Á.B.A. ,
2004 - Constatações, Resultados e Acompanhamento do Programa Nacional
de Iluminação Pública Eficiente – ReLuz – Congresso Brasileiro de Energia -
CBE, 11p.

GAMA, P.H.R.P.; MORAES, C.H.V. de; MARTINS, A.R.S.; YAMACHITA, R.A.;


AOKI, A.R., 2001 — Rede Cooperativa de Reciclagem: Uma Proposta de
Metodologia de Trabalho para o Progresso da Humanidade Buscando o
Desenvolvimento Sustentável — artigo GIA/SNPTEE- 6p.
147/161

GDRC, 2005 - The 3R Concept and Waste Minimization – Global Development


Research Center – disponível em http://www.gdrc.org/ (acesso mar/05).

GELLER, H. S., 1994 – O Uso Eficiente da Eletricidade – INEE, 1a ed. - 225p.

GELLER, H. S., 2003 – Revolução Energética: Políticas para um Futuro


Sustentável – Ed. Relume Dumará: USAID, 1a ed., Rio de Janeiro – 299p.

IBAM, 2004 – Receitas Municipais - INSTITUTO BRASILEIRO DE


ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL (IBAM) – disponível em www.ibam.org.br
(acessos de jun a dez/2004)

IBGE, 2000 – Censo Demográfico - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –


disponível em www.ibge.gov.br (acesso jan/2005)

______, 2000 – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Instituto Brasileiro


de Geografia e Estatística – disponível em www.ibge.gov.br (acesso jan/2005)

JANNUZZI, G. de M.; SWISHER, J.N.P. , 1997 – Planejamento Integrado de


Recursos Energéticos - Ed. Autores Associados, Campinas – 246p.

KOZLOFF, K.; COWART, R.; JANNUZZI, G. DE M.; MIELNIK, O. , 2001 – Energia:


Recomendações para uma Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício –
USAID, Campinas, 193p.

MEMÓRIA, 2004 – Reflexos da Cidade: A Iluminação Pública no Rio de Janeiro –


Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, 2a.ed., Rio de Janeiro– 164p.

ON, 2005 – Horários de Ocaso e Nascimento do Sol - OBSERVATÓRIO


NACIONAL – disponível em www.on.br, acesso em agosto de 2005.

PEASE, K. , 1998 – Crime Prevention Studies, volume 10 - A Review of Street


Lighting Evaluations: Crime Reduction Effects – University of Huddersfield,
Inglaterra– pp. 47 a 76 (29p.)

PHILLIPS, 2006 – Informações sobre iluminação com o uso de LED – disponível


em http://www.luz.philips.com/ (acesso em mar/2006).

RAPOSO, C. , 2001 — Contaminação Ambiental Provocada pelo Descarte não


Controlado de Lâmpadas de Mercúrio no Brasil — Tese de Doutorado UFOP,
193p.

RIOLUZ, 1997 - I Seminário Internacional sobre Eficiência em Iluminação Pública


(Anais) – Rioluz, Rio de Janeiro – 173p.
148/161

SCHAEFFER, R.; COHEN, C.; ALMEIDA, M.A.; ACHÃO, C.C.; CIMA, F.M., 2004 –
Energia e Pobreza: Problemas de Desenvolvimento Energético e Grupos
Sociais Marginais em Áreas Rurais e Urbanas do Brasil – PPE/COPPE/UFRJ –
80p.

SCHECHTMAN, R. , 1991 - Aplicação da Gerência Pelo Lado da Demanda Ao


Planejamento Energético. In: FINEP/UNESCO. (Org.). CAPACITAÇÃO PARA
A TOMADA DE DECISÕES NA ÁREA DE ENERGIA: COLETÂNEA
FINEP/UNESCO. MONTEVIDÉU, URUGUAI, 61p.

SILVESTRE, R.F., 2005 – Poluição Luminosa - Uma ameaça à Beleza do Céu


Noturno – Universidade Federal de Uberlândia - UFU -
http://inga.ufu.br/~silvestr/polumin/ (acesso em março de 2005).

SKAVRONECK, S.; STENSTRUP, A., 1998 – Mercury: In Your Community and the
Environment – WISCONSIN DEPT. OF NATURAL RESOURCES - PUB-CE-
23998 – 52p.

SOARES, G. A., 2003 - Análise de indicadores para avaliação de projetos de


eficiência energética em Iluminação Pública - Monografia (MBA Executivo) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Instituto COPPEAD de
Administração – COPPEAD - 29p.

SOARES, M.A.S.C., 2006 – Iluminação Pública e Criminalidade – Cemig, artigo


Sendi 2006 – 6p.

YAMACHITA, R. A.; GAMA, P.H.R.P.; HADDAD, J.; GUARDIA, E.C., 1999 —


Incentivos para a Reciclagem de Lâmpadas Visando a Conservação do Meio
Ambiente — artigo GIA/SNPTEE, 6p.
149/161

Resumo de Páginas na Internet visitadas:

http://inga.ufu.br/~silvestr/polumin/ - acesso em mar/2005.

http://www.gdrc.org/ - acesso mar/2005.

http://www.sintese.com - acesso em jan/2004.

www.aneel.gov.br - diversos acessos ao longo de 2004 e 2005.

www.eletrobras.com/procel - diversos acessos ao longo de 2004 e 2005.

www.ibam.org.br - acesso jul/2004.

www.nyc.gov - acesso em jul/2005.

www.on.br - acesso em ago/2005.

www.planalto.gov.br; http://legis.senado.gov.br/con1988 - legislação, acesso jan/2004 a

mar/2005
150/161

10 Anexos

Anexo I – Metodologia para Cálculo da Relação Benefício / Custo (RBC)

A relação benefício/custo dos projetos de melhoria da eficiência é determinada

considerando-se:

como benefício, a redução de demanda e a energia anual economizada.

como custo, o investimento total anualizado no projeto para melhoria da eficiência

energética, de acordo com a vida útil de cada equipamento a ser instalado.

Assim, a relação benefício/custo será dada pela expressão:

onde,

RBC =
(EE × CUEE ) + (RD × CUEP )
K

EE = Energia economizada [MWh/ano];

CUEE = Custo unitário evitado de energia [R$/MWh];

RD = Redução de demanda [kW];

CUEP = Custo unitário evitado de potência [R$/kW.ano].

K = Investimento total anualizado do projeto de eficiência energética.

Os custos unitários evitados de energia e potência deverão ser obtidos com base

na metodologia apresentada no “Manual para Elaboração do Programa Anual de

Combate ao Desperdício de Energia Elétrica da ANEEL” – Ciclo 1999/2000.


151/161

Obs. A concessionária deverá informar o valor do Fator de Carga (FC) a ser

utilizado no cálculo de CUEE e CUEP, e adotar para os índices de perdas de potência e

energia na baixa tensão os valores de 20% e 8%, respectivamente.

Cálculo da Redução de Demanda

A redução da demanda é obtida pela seguinte expressão:

RD = PTA – PTP (kW) , onde

PTA: potência total instalada no sistema atual;

PTP: potência total instalada no sistema proposto.

Cálculo da Energia Economizada - EE

EE = RD x 4.380 (MWh/ano), onde

1.000

4.380 = número de horas de funcionamento anual do sistema de IP.

Cálculo do investimento total anualizado - K


152/161

No caso do projeto contemplar equipamentos com vida útil diferentes, o

investimento anualizado do projeto será composto pelo somatório dos investimentos

anualizados correspondentes a cada equipamento, considerando sua respectiva vida útil,

segundo metodologia descrita a seguir:

K = ∑ CA, onde

CA = custo anualizado para cada tipo de equipamento, sendo

CA = FRC x CPE, onde,

FRC = fator de recuperação de capital

onde,

⎡ i ⎤
FRC = ⎢ ⎥
⎣1 − ((1 + i ) − n )⎦

n = vida útil esperada de cada equipamento/tipo, em anos

(n = vida útil (h) / 4.380 h/ano).

i = taxa de desconto: 12% a.a..

CPE = custo do equipamento acrescido da parcela correspondente a outros custos

diretos (exceto materiais) e custos indiretos, calculado pela seguinte expressão:


153/161

⎛ (OCD + CDI ) ⎞
CPE = CE + ⎜ ⎟ × CE
⎝ CM ⎠
onde,

CE = Custo do equipamento/tipo;

OCD = Soma dos outros custos diretos, excluindo os de materiais;

CDI = Soma dos custos indiretos,

CM = Custo total de materiais.

O cálculo de RBC realizado nesse trabalho teve como base a tarifa para o

subgrupo A4, considerando-se uma média nacional para 52 concessionárias

distribuidoras com tarifas homologadas pela Aneel em 2004. Com base nesses valores,

chegou-se aos seguintes valores para os custos unitários evitados:

- custo unitário evitado de demanda: 497,41 R$/kW.ano

- custo unitário evitado de energia: 122,73 R$/MWh


154/161

Anexo II – Pesquisas Realizadas em Locais que Implementaram o Programa Reluz

Essa pesquisa foi realizada por Mércia da Fonte, representante da Chesf, com a

co-participação na formulação dos questionários do autor desse trabalho.

O formulário de pesquisa foi enviado em julho de 2004 aos municípios de João

Pessoa, Fortaleza, Paulista, Caruaru, Natal e Patos, todos da região nordeste. A seguir

apresentam-se os resultados, com os percentuais obtidos para cada opção de resposta.

Alguns dos dados da pesquisa foram omitidos por se tratar de documentos muito

extensos, que fogem ao foco deste trabalho.

1. O Município, de acordo com o art. 30, inciso V, da Constituição Federal, é

competente para dispor de serviços públicos de interesse local, dentre eles o de

iluminação pública. Indique a seguir qual a entidade que efetivamente executa os

serviços no seu Município.

3/6 Prefeitura

0 Concessionária

3/6 Ambas

2. O Município dispõe de Leis próprias sobre a Contribuição de Iluminação Pública

0 Não

6/6 Sim, favor anexar cópia

3. Existe na Prefeitura Municipal órgão, autarquia ou setor responsável pela

Iluminação Pública?

0 Não
155/161

6/6 Sim

4. Como é cobrada a Contribuição de Iluminação Pública ao consumidor?

O município cobra diretamente ao consumidor

5/6 O município tem convênio com a concessionária para cobrança do valor

1/6 Outra opção. Favor especificar (ainda não é cobrada)

5. Qual o valor mensal arrecadado pelo Município (média mensal) e como é

calculada a Contribuição de Iluminação Pública para os consumidores?

Prefeitura A – R$ 700.000,00, através de Lei Complementar

Prefeitura B – R$ 5.250.000,00, calculado em função das faixas de consumo

Prefeitura C – calculado em função das faixas de consumo

Prefeitura D – R$ 228.000,00, calculado em função das faixas de consumo

Prefeitura E – R$ 1.200.000,00, com valores definidos em Lei Complementar

Prefeitura F – R$ 70.000,00, valor previsto

6. A Contribuição de Iluminação Pública é:

2/6 Insuficiente para pagamento da fatura mensal à concessionária

1/6 Suficiente apenas para pagamento da fatura mensal

1/6 Suficiente para pagamento da fatura mensal, mais a manutenção

0 Suficiente para pagamento da fatura mensal, mais a manutenção e gestão

1/6 Suficiente para pagamento da fatura mensal, mais a manutenção, gestão e

expansão

1/6 Suficiente para pagamento da fatura mensal, mais a manutenção e

expansão

0 Outra opção favor especificar


156/161

7. Como é considerado pelo município o Programa Nacional de Iluminação Pública

Eficiente – Reluz?

3/6 Ótimo

2/6 Bom

1/6 Regular

0 Péssimo

8. O Programa está atingindo seu objetivo?

3/6 Sim

3/6 Não

9. Caso pelo menos uma das respostas das duas questões anteriores não tenha sido

satisfatória, informar qual (ais) a (s) principal (ais) barreira (as) existentes

0 Falta de comunicação

4/6 Dificuldade para receber os recursos do Programa

1/6 Dificuldade com a contrapartida

0 Dificuldade na contratação de empresas para realização dos serviços

0 Dificuldade de comunicação com a concessionária repassadora

0 Dificuldade com a empresa contratada

0 Outras. Citar

(um dos municípios não apontou barreiras)

10. Qual a situação do projeto?

0 Concluído

6/6 Em andamento
157/161

0 Ambos

11. O orçamento básico do projeto foi utilizado como parâmetro na licitação?

4/6 Sim

2/6 Não

12. Quanto tempo demorou a formalização do Termo de Parceria para realização do

projeto de “Eficientização” Energética do Município (considerar o tempo decorrido

entre a solicitação do Município e a liberação da primeira parcela)?

Prefeitura A - 120 dias

Prefeitura B – sem resposta

Prefeitura C – ainda sem previsão de recebimento da primeira parcela do

financiamento

Prefeitura D – 18 meses

Prefeitura E – sem resposta

Prefeitura F – 18 meses

13. Qual (is) o (s) principal (is) motivo (s) da demora entre a solicitação do Município

para a realização do projeto e a assinatura do Termo?

1/6 Político

0 Burocrático do Município

4/6 Burocrático do Repassador

1/6 Burocrático da Eletrobrás

1/6 Outros. Especificar Demora na elaboração do projeto técnico

(um município apontou mais de um motivo)


158/161

14. O projeto está seguindo ou seguiu o cronograma previsto no plano de trabalho?

1/6 Sim

5/6 Não

15. Caso a resposta da questão anterior seja negativa especificar o(s) motivo(s)

4/6 Falta de liberação dos recursos da concessionária para o Município;

0 Problemas com as empreiteiras;

1/6 Falta de recurso do Município para pagamento de contrapartida;

0 Demora na elaboração da prestação de contas por parte do município;

0 Mudança no projeto inicial;

0 Outros. Especificar

16. O Município obteve outro financiamento para cobertura da contrapartida?

0 Sim

1/6 Não

17. Qual o destino dos materiais não danificados retirados após a implantação do

Projeto?

1/6 Reaproveitamento para outros logradouros

0 Destruídos.

5/6 Outros. Especificar

Prefeitura A - Parte reaproveitados e parte leiloados

Prefeitura B – Reaproveitamento de luminárias fechadas e doação para geração

de emprego e renda na fabricação de objetos artesanais com o material

retirado
159/161

Prefeitura D – Lâmpadas VM e acessórios entregues à concessionária e lâmpadas

VSAP e acessórios entregues ao Departamento de Energia da Prefeitura

Municipal

Prefeitura E – Parte reaproveitados e parte guardados

Prefeitura F – Pequena parte reaproveitada em áreas onde inexistia iluminação

pública

18. Qual o destino do material danificado retirado após a implantação do Projeto?

Prefeitura A – leiloados

Prefeitura B – fabricação de objetos artesanais para geração de emprego e renda

e leilão dos materiais inservíveis

Prefeitura C – reaproveitamento ou sucata

Prefeitura D – armazenamento

Prefeitura E – armazenamento

Prefeitura F – pequeno aproveitamento

19. Qual o consumo (em kWh e R$) em iluminação pública anterior a “eficientização”?

Prefeitura A – 2.748.921kWh/mês e R$ 394.403,11 (jan/2003)

Prefeitura B – 1.668.170 kWh e R$ 347.529,85/mês

Prefeitura C – 1.100.000 kWh e R$ 240.000,00

Prefeitura D – 1.193.000kWh e R$ 240.147,11

Prefeitura E – 2.856.191,99 kWh/mês e R$ 512.515,09

Prefeitura F – 537.120kWh e R$ 91.992,54 (ago/2004 –171,27 R$/MWh)

20. Qual o consumo (em kWh e R$) após a “eficientização”?

Prefeitura A – 2.449.811kWh/mês e R$352.665,51 (jan/2003)


160/161

Prefeitura B – 1.024.100 kWh e R$ 213.320,03/mês

Prefeitura C – esperada economia de 30%

Prefeitura D – 1.167.000 kWh e R$ 233.145,90

Prefeitura E – 3.020.074,79 kWh/mês e R$ 541.922,22

Prefeitura F – 469.372 kWh e R$ 80.389,34

21. Quanto a Prefeitura gastava em manutenção mensal (média) antes do projeto?

Prefeitura A – R$ 34.502,90 (jan/2003)

Prefeitura B – paga valor fixo em função de contrato de gestão integral

Prefeitura C – R$ 18.000,00

Prefeitura D – concessionária é que realiza praticamente toda a manutenção

Prefeitura E – R$ 47.155,72

Prefeitura F – R$ 17.000,00

22. Quanto a Prefeitura está gastando em manutenção mensal (média) após a

implantação do projeto?

Prefeitura A – R$ 30.707,94 (jan/2003)

Prefeitura B – R$ 660.000,00

Prefeitura C – sem resposta, pois ainda não havia concluído o projeto

Prefeitura D – concessionária é que realiza praticamente toda a manutenção

Prefeitura E – R$ 49.861,43

Prefeitura F – 9.500,00

23. Qual a estimativa de pessoas diretamente beneficiadas com o Projeto?

Prefeitura A – 218.000 habitantes

Prefeitura B – 390.000 habitantes


161/161

Prefeitura C – 300.000 habitantes

Prefeitura D – 260.000 habitantes

Prefeitura E – 232.000 habitantes

Prefeitura F – 60.000 habitantes

24. Qual a relação benefício / custo após a implantação do projeto? Anexar memória

de cálculo.

Prefeitura A – RBC = 1,30

Prefeitura B – sem resposta

Prefeitura C – RBC = 0,99

Prefeitura D – RBC = 7,59 (previsto)

Prefeitura E – RBC = 1,194

Prefeitura F – RBC = 2,06

Observação: Para os projetos não concluídos, responder às perguntas considerando a

situação atual e informando o percentual de realização do projeto