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Uma cronologia da vida

Frederick Perls

1893 Data de nascimento. Lugar: Berlim. Mãe adorável, ambiciosa. Amante de artes, detestando o pai. Pai
detestando a mãe, amante das mulheres; grande mestre dos maçons; pesado e festeiro. Em público, ambos
amigo. Confuso.

1903 Menino brilhante na escola primária; sempre o melhor sem dever de casa. Testado para o colégio,
nunca ouviu sobre frações. Reconhecido como bobo. Choque de fracasso. Confuso.

1910 Ginásio ruim, professores cruéis. Perda do brilhantismo, detesta a escola. Conflitos de masturbação;
não consegue conquistar o sexo proibido. O psiquiatra receita bromida e exercícios. Não acredita no
psiquiatra. O ajudante não ajuda. Confuso.

1911 Descobrindo meu mundo. Amando. Poesia, filosofia, e muito mais teatro. Max Reinhard, fundador do
teatro moderno dirige-o com suas orelhas: ouvir, ouvir, ouvir! Cavalete e tela estão fora. Terceira
dimensão. Torna o palco real. Vê o mundo como palco. O que é realidade? Confuso.

1913 Universidade. Tio Herman Staub, grande advogado na Alemanha. Mas eu odeio direito, não quero
seguir seu caminho. Estudar psicologia? Sem sentido. Eu concordo. O psicólogo Wundt aprende sílabas
sem sentido.

E aqui está Freud . Faz muito mais sentido; vê os problemas sexuais. Melhor estudar medicina(sem
interesse) isto abre caminho para a filosofia, fisiologia. Vida menos confusa; vejo possibilidades.

1914 O mundo explode. A vida está numa plataforma de agonia. Dessensibilizado. Horror de viver e
morrer. Confuso

1918 Sobreviveu. Rebeldia envolvida em política. Muito confuso.

1921 Doutor em medicina. Incansável. Não quer se limitar. Tio doutor ridiculariza as idéias de querer
curar uma doença pela fala. Mas espíritos expertos(voce-eu) exigem novas direções. A sem convicção
borda a psiquiatria com drogas, eletro-coisas, hipnose, e pela fala. Confuso.

1922 Começa a clarear. Mais excitante. Nós Nós! Eu amplio meu mundo além da família. Nós: boêmios,
fora dos padrões comuns. Atores, pintores, escritores. Criando um novo mundo. Bauhaus, Brücke,
Dadaismo novo movimento de sentido(sentido não convensional). Descobre um guru: S. Friedlander
“Indiferença Criativa.” Descobre o ponto zero como centro de nada estirando-se em alguma coisa oposta.
Primeira vez de uma sólida conduta pessoal. Sentindo seu próprio caminho. E menos confuso.

1925 Começam sete anos de vida inútil de divã. Senti que era estúpido. Finalmente Wilhelm Reich, então
são novamente, fez algum sentido. Também Karen Horney, a quem eu adorei. O resto imitadores de
opinião, distorcendo as boas intenções de Freud. Confuso.

1926 Kurt Goldstein, neurologista de Frankfurt. Neuro-psiquiatra gênio. O organismo como um conceito de
todo. Orientado para a Gestalt. Faz muito mais sentido, mas eu, ainda envolvido e leal a Freud, resisto a ele.
Confuso.
1927 Frankfurt, Viena, Berlim. Mais análise, supervisão. Fenichel, Deutsch, Hitschwan, Happel, etc.
Torno-me um real sábio de merda. Confundindo os outros.

1930 Casamento. Mais tarde dois filhos, quatro netos. Linha lateral. Não um marido quadrado. Vida com
Laura envolvida em movimento expressivo – moedor. Não integração ainda de soma e psique. Relação
mente – corpo ainda confusa.

1934 Um refugido inicial do regime de Hitler. Ainda profundamente envolvido em análise ortodoxa, eu fui
ensinar o espírito de Freud na África do Sul. Ainda confuso.

1936 Fui a Marienbá para o congresso Freudiano. Primeiro artigo: “Resistência Oral.”Rejeitado.
“Resistência é sempre anal.” !!! Ressentimento. Primeiro dissidência com os ortodoxos. Redemoinho de
confusão, mas um centro de certeza começa a nascer: “Eu sei melhor.” O que? Eu sei melhor que os
Deuses? Sim, sim sim! Eu posso ver; eles estão meio cegos. Não tão cegos quanto os materialistas e os
espiritualistas, mas eles também têm preconceitos em grande número. Talvez um dia eu acharei a verdade.
O afirmativo pensamento pomposo da verdade!

1937 De volta à África do Sul. Luta para se ver livre da areia movediça da associações livres. Retorno à
abordagem de Goldstein do organismo como um todo. Ainda muito limitado. Nosso primeiro ministro, Jean
Smuts, tem a resposta: ecologia. O Organismo como um todo envolvido no meio ambiente. Isto se torna a
Unidade. A identidade objetiva – subjetiva nasce. A noção de catarse Freudiana é a gestalt emergente. Não
no Inconsciente, mas exatamente na superfície. O óbvio é colocado no trono. O neurótico é uma pessoa que
está cega para o óbvio.

1940 Eu estou ensinando a mim mesmo teclar tocando, lentamente me aborrecendo. Porque não deixar o
pensamento fluir na direção do papel? Fazendo assim, eu descubro idéia após idéia. Capítulo após capítulo
formam a si mesmos. Conceitos que eu tinha assimilado, objeções que eu tinha descartado. Uma nova
abordagem para o homem saudável e compromisso emergiu. Para de ser um analista. Eu entendi a agressão
não como uma energia mística nascida de Thanatos, mas uma ferramenta para a sobrevivência. Conceitos
tais como reflexos(estímulo – resposta) e instintos com propriedades estáveis se tornam obsoletos, perdem
peso, dão espaço para uma nova perspectiva, embora ainda hoje em dominância. O pensamento causal ,
mecânico do século passado tem que dar caminho ao processo, estrutura função para o pensamento de uma
era eletrônica. O Como substitui o “Porque.” A Perspectiva e a orientação superpõem a racionalização e
imaginação. Mesmo o “Eu”(e para Freud o Ego é “Eu” e não um conceito de self) é dissolvido na função de
identificação.

1941 O livro é terminado. Para revisar e editar, ou deixa-lo como está? Não. Deixa acontecer. Ele tem
muitas falhas, meu inglês é sempre deficiente, os exemplos mal escolhidos mas “eu” sou ele. Minha
confusão começa a levantar, mas ainda, frequentemente, estou deprimido e confuso até uma idéia emergir
claramente e solidamente.

O tema de Ego, Fome, e Agressão deve ser inaceitável para Freud, pois ele se direciona para a assimilação.
Materiais externos se tornam parte do self e seu crescimento. O idioma do “Ego” de Freud é a acumulação
de partes: introjeções. Rastreações, análises. Mas assimilação é integração. A agressão insuficientemente
aplicada no estágio de atribuição(fome) e destruição(destroi moendo, preparando para si mesmo) da comida
mental e física, prevenindo maturação e se tornando “self.” A idéia de assimilação subjaz o modelo de
Freud de estrutura do homem, principalmente a relação dos instintos, Ego, Super-Ego, e sua visão unilateral
da vida como luta entre Eros e Thanatos. A psicanálise se tornou um sistema fechado, imutável, não
mutante, cheio de explanações perdendo compreensão de auto-evidência A Psicanálise é uma doença que
pretende ser a cura. Tratamentos mal sucedidos, de treis a mais de vinte anos, longe de justificar a
quantidade de sucesso.

Estou menos confuso. Começo a enxergar. Mas muitos problemas permanecem.

1942 Primeira publicação do livro em Durban, África do sul. Boas revisões, mas não muito vendido.
Mostro o livro para Maria Bonaparte, amiga de Freud. Resultado: “Se você não acredita(!!!) mais na teoria
da libido, seria melhor cuidar de sua desistência.” Teoria da libido uma questão de fé? Eu dificilmente
acreditei no que ouvi. Mas, sarcasticamente desapontado com aquela bobagem, pronunciamento não
científico, aceitei a quebra e desviei.

Entrada para o exército como psiquiatra. Aqui, a psicanálise é um elefante branco. Psicoterapia ainda tem
seu lugar. No início, os internos diziam: Atrás de cada neurose há uma úlcera. Mas no final eles diziam:
Perls, você está certo. Atrás da úlcera está a neurose.

1946 Deixando o exército, vou para os Estados Unidos. Allen e Unwim publicam o livro. De novo
prematuro: pouca resposta.

1950 A teoria da consciência(awareness) cristaliza-se. Cria-se o termo Gestalt Terapia. Cria-se


experimentos ralacionados à topologia da consciência para a mistura do self e a consciência do mundo.
Gestalt Terapia com R. Hefferline e P. Goodman como co-autores aparece como um livro. Desacreditado
pelos psicólogos acadêmicos da Gestalt. Mas a Gestalt Terapia não voa pela noite. As vendas crescem de
ano para ano.

1960 A psicanálise começa a se retrair. Muitos desapontamentos. Uma onda de existencialismo vem da
Europa. A Gestalt Terapia recebe o início do reconhecimento também. Wilson Van Dusen escreve: A
Gestalt terapia suplementa a fenomenologia dando-lhe uma base prática.”

A psiquiatria existencial também se torna um desapontamento. Muita verbalização e conceito demais.

1962 Existência: uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa. O fenômeno experienciado como a gestalt
última!! Não uma orientação religiosa como Buber, Tillich ou Marcel; não uma orientação pela linguagem
como Heidegger, não uma orientação comunista como Sartre, não uma orientação psicanalista como
Binswinger.

Onde está o não verbal?

Estudo de algum Zen no Japão. Também desapontado.

1964 Eu entro para o Instituto de Esalen. O que o Bauhaus foi na Alemanha para a criação de um novo
estilo em arquitetura e as artes, Esalen é o centro de prática da terceira onda da psicologia humanística.

1966 A Gestalt Terapia começa a ser conhecida por todo os Estados Unidos. Será que viemos preencher o
vazio existente depois da psicanálise e existencialismo?
The GESTALT JOURNAL

Volume XXI - N° 1

SPRING – 1998

As Raízes Históricas da Teoria da Gestalt Terapia

Rosemarie Wulf

A teoria da Gestalt Terapia é em si mesma uma Gestalt, embora ele não contenha muitos
pensamentos novos. O que seus fundadores, Fritz a Laura Perls e Paul Goodman, fizeram foi criar uma
nova síntese a partir de conceitos existentes.
Os fundamento(background) desta nova Gestalt é composto de conceitos e elementos de diferentes
corpos de conhecimentos e disciplinas.
Eu gostaria de dar da situação cultural e histórica que é o Zeitgeist(espírito da época) que
prevaleceu durante a vida dos fundadores da Gestalt Terapia.
Com qual o tipo de teorias e tradições Fritz e Laura estiveram em contato? Onde eles descobriram
idéias que se alinharam com suas próprias, que outras idéias eles rejeitaram em suas buscas pôr respostas às
questões fundamentais que estão contidas tanto implícitas ou explícitas em toda teoria de psicoterapia?
O que é o ser humano? Como ele funciona? Porque existimos? Há uma razão para existir? Como
deveríamos comportar em relação ao outro? Como a doença psicológica desenvolve?
Inicialmente os fundamentos(background): o campo natural, uma olhada do Zeitgeist(espírito da
época). Na Segunda parte, apresentarei os vários contatos que Fritz eLaura Perls tiveram com pessoas
específicas e suas idéias ou modelos teóricos.
O início do século 20 foi caracterizado pôr um explosivo desenvolvimento da ciência e tecnologia.
A era da automação e cibernética tinha iniciado. O nascimento da física nuclear e quântica liderou para
uma mudança radical. A biologia, a química e a medicina começaram também a fazer rápido progresso.
Elementos revolucionários emergiram no pensamento político. Socialismo, Marxismo e também
anarquismo cresceram em grandes movimentos.
De uma maneira similar às mudanças da ciência, uma busca pôr novas formas de expressão
também começou nas artes e literatura. O expressionismo nesta época representou uma reação à velha,
norma burguesa fora de época e a crença ingênua no progresso. As catrástrofes trazidas pela Primeira
Guerra Mundial, a destruição da humanidade, foram somente muito evidentes e muito recentes. Os
expressionistas(pôr exemplo pintores e artista Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Munch e Otto Dix, que
incidentalmente pintou um retrato de Fritz Perls) estiveram tentando criar uma nova visão do ser humano,
uma visão determinada pela responsabilidade social e compaixão pelos outros. A arte criativa foi vista
como envolvida de imediata experiência interior e dinâmica emocional. Os temas básicos do
expressionismo eram sentimento, intuição, subjetividade, fantasia – temas vivos da Gestalt Terapia.
Em filosofia, um movimento contrário com uma tendência ao materialismo seguiu o Idealismo
Germânico do século dezenove. Idéias revolucionárias foram desenvolvidas pôr Marx. O fenômeno da
auto- alienação e auto-realização foram discutidos. Os seres humanos não mais foram vistos como um ser
abstrato mas em seu meio ambiente social concreto. Marx viu o indivíduo acima de tudo como um
trabalhador, umas parte do ambiente de trabalho ou força de trabalho.
O século 20 também viu a emergência de novos tendências nos humanismos e na filosofia. Não
somente a ciências naturais do indivíduo tiveram forte influência; as artes e a literatura também tiveram
impactos distintos na filosofia. Houve uma influência característica mútua dentro das pessoa e as mesma
pessoa, ou seja, o filósofo e escritor(Sartre e Ortega y Gasset), filósofo e matemático(Bertrand Russel e
Alfred N. Whitehead). Um outro exemplo é a revolução feita pôr Freud pela descoberta do inconsciente, e
sua prova empírica do que Shopenhauer e Nietzche já tinham alcançado intuitivamente. A linguagem se
tornou um tópico de importância central na filosofia, conhecida como “transformação
linguística”(Wittgenstein). Os filósofos da vida, a Lebensphilosoplie, o mais influente dos quais foi
Frenchman Hari Bergson, viu a realidade como um vir a ser(tornando-se). Para eles, há de fato apenas o
vir a ser, agindo e ação(elan vital). A base para a filososofia existencialista mais conhecida foi preparada
pôr Franz Brentano. Edmund Husserl, um aluno de Brentano, fundou a fenomenologia, tornando-se assim
um influente filósofo da época. Seus objetivos foram dominar com a consciência o que contém e
compreende o horizonte inteiro do mundo e o significado de todos objetos conhecidos. A filosofia
existencial, que começou com Kierkgaard o foi posteriormente desenvolvida pôr Gabriel Marcel e
Merleau-Pointy, focaliza a existência como “a existência individual humana,” e resultados relacionados ao
significado da existência humana, liberdade, destino e a existência de Deus.
Os filósofos existencialistas focalizam o indivíduo e são em sua metodologia mais ou menos
fenomenólogos. Suas principais preocupações são o alcance imediato do ser(o que é), encontrar os seres em
suas respectivas situações, onde eles estão ligados ao mundo e a outros seres humanos. A existência é
“possibilidade de se tornar”(Sein-können), sendo constantemente confrontado com escolhas, tendo que
tomar decisões constantemente. A existência torna-se livre e se liberta somente na ação. Assim a
experiência humana básica é a ansiedade(M. Heidegger), a existência(Desein) é finita, é Sein zun
Tode(vivemos para morrer). O significado essencial da vida emerge com o encontro da morte. A morte nos
desafia a viver nossas próprias vidas em liberdade e auto responsabilidade.
A Segunda parte de minha visão diz respeito aos contatos Fritz e Laura Perls e Paul Goodman
tiveram com outros, e seus conceitos e idéias que influenciaram os escritos principais da Gestalt Terapia.
Berlin durante o ribombar dos “Anos Vinte Dourados” na República Weimarer foi excitante e
turbulenta. Foi um tempo em que Mote principal foi a utopia social e criativa. Fritz Perls trabalhou como
ator e conheceu Max Reinhard nos “Teatros Alemães.” Ele descreveu Max Reinhard em sua
autobiografia como o “primeiro gênio que ele conheceu.” Sua ênfase na comunicação não verbal
influenciou Perls fortemente. Neste mesmo tempo Moreno, o fundador do Psicodrama, estava encenando
experimentos expressionistas no teatro. Perls, que depois encontrou Moreno nos Estados Unidos em 1947,
adotou elementos essenciais de suas abordagens tais como representação de papeis(roleplay) e a técnica da
“Cadeira Vazia,” que Moreno tinha adotado do drama e modificou para usar com técnicas terapêuticas. Os
impulsos expressionistas desta época são ainda visíveis em ambos Psicodrama e Gestalt Terapia. As teorias
de ambas estas escolas de Terapia referem-se a noções tais como espontaneidade, criatividade, e intuição
como foram desenvolvidadas pelos Lebensphilosophen, especialmente Henry Bergson. Para Bergson, a
vida é um processo em andamento sustentada pela Elan Vital(impulso vital).
Em Berlin, Fritz Perls frequentou os círculos da esquerda intectual e também se movimentou nos
circulos da Bauhaus. Lá ele conheceu o filósofo expressionista Salomon Friedlander, cujo motivo
filosófico central deu a Perls orientação nestes tempos de confusão. Perls enfatizou que a Psicanálise de
Freud e a filosofia de Friedlander com o conceito de “Indiferença Criativa” eram suas principais fontes
espirituais. O ponto da indiferença criativa ou vazio ou ponto de balanço é o ponto a partir do qual a
diferenciação em opostos inicia, uma vez que todas as coisa existentes são determinadas pelas polaridades.
A suposição básica é que a divisão que o homem cria no mundo através de sua consciência, a qual ele
experimenta como inevitável e dolorosa, ou seja, a separação entre eu e o mundo, entre sujeito e objeto, é
meramente uma ilusão. Isto somente pode ser abolido pela compreensão do mundo a partir do ponto zero, o
ponto-nada do mundo, o absoluto, o criador, a origem. O ponto zero é a condição de possibilidade da
diferença. Em termos modernos: Eu faço a diferença que faz a diferença. O mundo é uma ação do Eu(“O
moedor somente ouve o moinho quando ele funciona” ou “Nós sentimos o que contrasta somente num
certo sentido”). Perls considerou a filosofia de Friedlander como o equivalente ocidental aos ensinamentos
de Lao-tse. Na psicologia da Gestalt e na teoria organísmica de Goldestein Perls achou a terminologia que
corresponde às teses básicas de Friedlander: o conceito de homeostase, top dog e under dog(dominador e
dominado), contato e retraimento(retirada), figura e fundo.
Fritz e Laura Perls foram treinados em Psicanálise primeiro em Berlim e depois em Frankfurt e
Viena. Fritz começou com Karen Horney e depois prosseguiu com Wilhem Reich, enquanto Frieda
Fromm-Reichmann foi uma das analistas treinadoras de Laura.
Apesar do criticismo a Freud e a revisão posterior da psicanálise, vemos sua influência na teoria
da Gestalt Terapia. Recentemente, tem havido um interesse nas similaridades e especialmente sua aplicação
prática mais que nas diferenças num nível metafísico. Apesar do fato de Freud haver falhado em conhecer o
trabalho de Perls, Perls pôr si mesmo considerou as descobertas de Freud como extremamente valiosas. De
Karen Horney e Wilhem Reich, Perls adotou um menor distanciamento e postura terapêutica mais ativa
assim como suas visões orientadas para o meio ambiente da gênese da neurose. Perls dividiu com Karen
Horney as raizes mútuas da área de Berlim Boêmia assim como a paixão pelo teatro e uma visão holística
na terapia que os conduziu a ambos a trabalharem com o paciente como uma pessoa, como um todo, e ao
estudo do Zen-Budismo. Com Reich, Perls experienciou posteriormente uma abordagem orientada para a
respiração e o corpo e método diferenciado de trabalhar a resistência. A atenção é dada aos componentes
estilísticos da comunicação(mímica, gestos, linguagem corporal) como elucidador das resistências do
paciente. O foco no “Como” ao invés de “Porque” no processo terapêutico é também uma ênfase
Reichiana. Muitas similaridades podem também serem vistas em seus ensinamentos sócio-políticos.
Entre os psicanalistas que tiveram uma enorme influência na Gestalt Terapia, Otto Rank merece
atenção especial. Otto Rank foi um dos estudantes iniciais de Freud. Ele iniciou uma nova linha em
psicanálise com seu trabalho “O Trauma do Nascimento.” Neste livro ele questionou a teoria do Édipo e
apresentou o Trauma do nascimento como sendo o paradígma do processo psicológico de individuação. A
terapia de Otto Rank é centrada na Vontade e nas Funções do Ego como uma força de organização interna
autônoma do indivíduo. Ele demanda re-experienciação e repetição invés de rememoração, com
implicações inevitáveis num papel ativo do terapeuta. Para Rank, a terapia é o restabelecimento do
significado no “aqui e agora.” Aqui achamos muitos elementos que foram depois incluidos na Gestalt
Terapia.
Fritz e Laura se conheceram em Frankfurt, onde ele era estudante de Psicologia e filosofia e
tiveram contatos estreitos com os psicólogos da Gestalt. Aqui também Fritz Perls conheceu as descobertas
básicas da psicologia da Gestalt, as quais ele integrou posteriormente à Gestalt Terapia.
O termo “Gestalt ” foi originalmente criado pelo vienense Graf Christian von Ehrenfels. Para
ele, a Gestalt era um todo físico formado pela estruturação do campo perceptual. Para o pensamento
científico, o potencial revolucionário assenta na afirmação, que não é a análise dos elementos subjacentes
que tornam possível ganhar conhecimento. Uma posterior e mais fina análise ou dissecação em elementos
não somente falham em trazer um aumento de conhecimento mas ainda tornam isto impossível. Ao invés,
nossa consciência forma as unidades dos todos, Gestalten.
A afirmação de Ehrenfeld que percebemos o todo e que o todo é diferente da soma das partes foi
trabalhada e posteriormente diferenciada pela Escola de Berlim de Psicologia da Gestalt no ditado da
Gestalt: “o todo precede as partes, e a formação da Gestalt é a característica primária da função do
organismo e também do movimento do indivíduo em direção ao fechamento/satisfação para retornar ao
estado de equilíbrio.”
As figuras líderes foram Wertheimer, Koffka, e Kohler. A questão importante, tal com se é o
interesse subjetivo pessoal ou outro impulso subjetivo(urgência), ou um critério no maio ambiente que
organiza formas específicas a partir do campo, não foram respondidas até Kurt Lewin formular este
conceito. Lewin levou o modelo de Gestalt para fora do laboratório e o transferiu para a complexa realidade
da situação quotidiana. Sua tese foi de que a necessidade organiza a percepção do campo e a ação no
campo. Ele considerou a atividade humana interativa e pelo menos parcialmente uma reação às condições
percebidas do campo. Ele enfatizou a inter-relação dinâmica dos elementos no campo. Mais aspectos do
trabalho de Lewin e sua assistente Bluma Zeigarnik deveria ser depois, de importância para a Gestalt
Terapia no conceito de coisa interminada. Bluma Zeigarnik descobriu que ações inacabadas ou situações
são melhor memorizadas que as terminadas no fundo(background) do sistema de tensão interior do
psíquico. (conhecido como efeito Zeigarnik). A Gestalt Terapia foi posteriormente assim nomeada após a
psicologia da Gestalt para atrair a atenção indicando a ligação significante entre as duas.
Enquanto Fritz Perls estava em Frankfurt, ele trabalhou com Goldstein, que fez pesquisa em
soldados com lesão no cérebro. Além de trabalhar como médico, Goldstein deu palestras sobre tópicos
filosóficos, lendo Heidegger e Schemer com seus alunos, um dos quais foi Laura Perls.
Goldstein usou os estudos acadêmicos dos psicólogos da Gestalt em seres humanos e considerou
os seres humanos como um organismo total. Ele difundiu a psicologia da Gestalt como um estudo da
percepção, para a psicologia da Gestalt como um estudo da pessoa como um todo. No trabalho com seus
pacientes ele usou o método fenomenológico e a perspectiva holística. Suas bases são conhecidas como
teoria organísmica a qual teve uma profunda influência sobre Perls, que também adotou a compreensão de
Goldstein da ansiedade como um fato existencial.
O conceito do todo foi também tomado por Jean Smuts em Holismo e Evolução. Seu livro foi
lido entusiaticamente pelos assistentes de Goldstein. Smuts considera o organismo como uma entidade
auto-regulável: “o organismo holístico contem seu passado e muito de seu futuro em seu presente.”(citado
em Petzold). Posteriormente: “como metabolismo e assimilação são funções fundamentais de todo
organismo total.” Aqui achamos as premissas básicas nas quais a Gestalt Terapia se funda:holismo. Isto é
repetido quase palavra pôr palavra no primeiro livro de Perls Ego, Fome e Agressão. A Gestalt Terapia
então se tornou uma filosofia de vida baseada na epistemologia holística.
Enquanto em Frankfurt, Laura(nascida Lore Posner) desenvolveu um forte interesse pelos
filósofos existenciais. Ela se tornou pessoalmente familiarizada com Martin Buber e Paul Tillich,
saboreando grandemente suas aulas. As mensagens básicas e os conceitos da filosofia existencial e seus
métodos fenomenológicos se tornaram o fundamento filosófico da Gestalt Terapia.
O método fenomenológico deriva de Edmund Husserl. Sua visão era de que a filosofia não
deveria estudar o universo cientificamente, mas deveria considerar o ser humano pôr si mesmo a partir de
seu interior, a consciência em si e suas estrutura, como são os objetos experienciados presentificados eles
mesmos à consciência. Ele também colocou que a consciência é sempre consciência de alguma coisa, isto
é, está sempre direcionada para o mundo real numa tarefa de interpreta-lo significativamente. A tese
significativa introduzida por Husserl foi que a consciência é prejulgada, em outras palavras, ele é
“intencional.” Experienciamos alguma coisa “de alguma forma.” Husserl tentou envolver o intra-psíquico,
o funcionamento da consciência, puramente. Pela redução fenomenológica ele tentou reduzir o intra-
psíquico ao puramente subjetivo, a subjetividade, e pondo de lado(epoché) o objetivo, ou seja, o que
aparece para mim é somente o fenômeno, pura consciência, pura experiência. Husserl descobriu a chave
para libertar a subjetividade através de seu método. Quando alguém perde a ilusão sobre si mesmo, a
pessoa acha alguém responsável pelo que alguém assumiu ser “objetivo.” Não há objeto sem sujeito, não
há mundo sem um Eu(self), não há ser sem Eu(self).
Este método foi aplicado a diferentes campos, especialmente na psicoterapia. A premissa básica
dos filósofos existenciais na existência é seu “ser no mundo”(In–der-Welt-Sein) e sempre sendo com
outros.(Mit-anderen-Sein).
Martin Heidegger foi também um filósofo existencial, que desenvolveu a idéia que a pessoa é
uma possibilidade ou um potencial. Ele é lançado no mundo, é livre para escolher entre todas
possibilidades de momento em momento. Através destas escolhas a pessoa constroi a si mesma. O
potencial de liberdade faz-nos confrontar com a ansiedade. Este é também um tema essencial de
Kierkgaard. Ele o descreveu como o grande problema existencial, experienciado como ansiedade
ambivalente. Na determinação de nossas ações e conhecendo isto somos autênticos seres. Liberdade de
pensamento e crenças nos direciona para a responsabilidade subjetiva.
Alinhado com esta compreensão e a teoria de Gabriel Marcel o (self)Eu define a si mesmo
através do contato com os outros. Este conceito é próximo à compreensão de Martin Buber da relação Eu-
Tu(I-Thou). Para Buber, ser é também fundamentalmente de dois lados: não há Eu sem um “ Tu(Thou)” ou
“Ele.
“Buber imediatamente viu o ser como derivado do Eu(self), mas como um “no meio de.” O fato
fundamental da existência humana é o ser humano com o ser humano, ou seja, a pessoa está sempre em
relação com alguma coisa, ou alguém. Na antropologia de Buber, a comunicação é o que torna os seres
humanos. O diálogo genuino começa quando o Eu entra dentro da presença do Tu(Thou).
O conceito central da Gestalt Terapia é o Eu(self) como um sistema de contatos. Aqui o Eu(self)
no modo mediano, ambos ativo e passivo, é consistente com a compreensão de Buber. Buber e depois Perls
enfatizaram a autonomia, liberdade, direção e resposta(Anrede und Antwort) constituindo o diálogo
genuino. Onde Buber considerou o princípio do “Eu e Tu(I and Thou)” como um fim em si mesmo, Perls
algumas vezes viu-o como um significado para um fim. O relacionamento paciente-terapeuta como é visto
na Gestalt Terapia sustenta-se fortemente na compreensão de Buber, assim fazendo uma mudança da
transferência, para contato e diálogo. Gabriel Marcel e Merleau Ponty dão ênfase similar à inter-relação
com o co-subjetivo(Mitsubjekt). Há muitas paralelas e similaridades entre as idéias de Buber e Marcel.
Finalmente, gostaria de chamar a atenção para a influência de Paul Goodman. Goodman teve
uma ampla educação em muitos campos diferentes. Ele se fundou em muitos conceitos sociais e políticos
de seu tempo. Fritz e Laura Perls estavam familiarizados com o trabalho de Goodman antes de encontra-lo
na atualidade e contrataram-no como co-autor para seus textos básicos sobre Gestalt Terapia. Suas idéias
eram similares às de Gustav Landauer, que era amigo íntimo de Buber. Landauer foi também ativamente
envolvido em política revolucionária(Münchner Raterepublik). Como Buber ele viu a anarquia como um
estado sem regras. A idéia de comunidade, a divisão de poder auto-organizado apareceu depois na idéia do
Kibbutz de Fritz Perls. Goodman estava também na pesquisa de alternativa não-Marxista pelo capitalismo
consumista. Sua máxima mais importante foi o desdobramento da idiosincrasia pessoal, responsabilidade
pessoal, suporte mútuo e, se necessário recusa de obediência. Ele, como Perls, foi um seguidor da
psicanálise de Freud e também um dos primeiros críticos do trabalho de Freud. Ele contribuiu com uma
parte importante da teoria da Gestalt Terapia.
Quase todos “ancestrais” da Gestalt Terapia estudaram filosofia oriental e misticismo,
especialmente Taoismo e Zen-Budismo. O conceito de Consciência(awareness) foi formado sobre vários
aspectos do pensamento Oriental.

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