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12/09/2018

O MODELO CONCEITUAL DA TERAPIA


DO ESQUEMA:
Esquemas Iniciais Desadaptativos
Estilos de Enfrentamento
Modos de Esquemas

KELLY PAIM

ESQUEMAS INICIAIS DESADAPTATIVOS


Conceito:

 Estruturas interpretativas estáveis e duradouras;

 São crenças e sentimentos incondicionais sobre si,


sobre os outros e em relação ao ambiente;

 São DISFUNCIONAIS;

 Ligados a altos níveis de emoção.

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ESQUEMAS INICIAIS DESADAPTATIVOS


Conceito:
 Desenvolvidos na infância e elaborados ao longo da
vida;

 Resultam do temperamento inato + experiências


ambientais;

 São causados por padrões continuados de


experiências nocivas;

 Modelos para o processamento de experiências


posteriores.

ESQUEMAS INICIAIS DESADAPTATIVOS


Conceito:

 São autoperpetuadores e resistentes à mudança;

 São ativados por eventos ambientais relevantes


para o esquema em questão.

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Bases biológicas dos Esquemas:

Sistema Amigdaliano

Inconsciente (memória Implícita)


Mais Rápido (via tálamo-amígdala)
Automático (avaliação de perigo aciona reações corporais)
Memórias Permanentes (resistentes à extinção)
Não realiza discriminações finas
Antigo (prioridade evolucionária em relação a áreas corticais)

Bases biológicas dos Esquemas:

Sistema Cortico-hipocampal

Consciente (memória Explícita)


Mais Lento (via tálamo-córtex)
Flexibilidade de resposta (reflexão e escolha consciente)
Memórias Transitórias (facilidade de esquecimento)
Representações detalhadas e acuradas
Novo (recente na evolução)

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Lembranças, emoções, sensações


Situações corporais e cognições infantis
cotidianas vivenciadas em experiências
atuais nocivas na infância.

Os EIDs estão por trás dos


EIDs
comportamentos desadaptativos,
sendo estes apenas estratégias de
enfrentamento utilizadas diante
da ativação esquemática.
(Young, 2003)

PROCESSOS ESQUEMÁTICOS
Estilos de Enfrentamento

MANUTENÇÃO/RESIGNAÇÃO
Distorções Cognitivas
Comportamentos Autoderrotistas

EVITAÇÃO
Evitação Cognitiva
Fortalecimento
Evitação Afetiva dos Esquemas
Evitação Comportamental

COMPENSAÇÃO
Cognição e Comportamentos
opostos para obscurecer
os esquemas

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Estilos de Enfrentamento Desadaptativos

Nível Nível
AMEAÇA Evolutivo Esquemático

Frustração de Luta Hipercompensação


algumas
necessidades
emocionais
fundamentais Fuga Evitação
da criança ou
medo das
emoções que o Congelamento Resignação
esquema ativa
(YOUNG et al., 2008)

Necessidades
emocionais
básicas
não satisfeitas

Experiências de
ESQUEMAS
vida precoces
INICIAIS
traumáticas
DESADAPTATIVOS

Temperamento
Emocional (Young, 2003)

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Cinco necessidades
emocionais
básicas
não satisfeitas

18 EIDs
5 domínios

(Young, 2003)

Domínio 1- Desconexão e Rejeição:

Necessidades não satisfeitas:


proteção e vínculo seguro

Experiências: ambiente inseguro,


ambiente explosivo, cuidador instável,
abuso, frieza, rejeição, isolamento social Privação Emocional
Abandono
Expectativa de que as necessidades de Desconfiança/Abuso
segurança, estabilidade, carinho, empatia, Defectividade
compartilhamento de sentimentos, Isolamento Social
aceitação e respeito não serão atendidas.

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Esquema de Privação
Emocional

“Eu nunca terei apoio e cuidado.”

Esquema de Privação Emocional

Um dos esquemas mais comuns, mas dos mais difíceis de se


detectar.

Origina-se cedo, antes de o indivíduo ter o aprendizado das


palavras para descrever o que sente.

Trata-se de um senso de não ter ninguém que o escute,


compreenda ou que possa contar.

Agem como se não tivessem necessidades emocionais


(demonstram-se mais fortes do que sentem-se internamente)

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Esquema de Privação Emocional

Sensação de solidão e falta, mas geralmente sem saber


porque.

Apresentam sintomas vagos ou imprecisos (acreditam que


não serão compreendidos).

A raiva é direcionada contra si (comida, bebida, trabalho)

Os tipos de privação:

Privação de carinho e afeto

Privação de empatia

Privação de proteção

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Origens:

Pais fisicamente presentes, mas qualidade da relação emocional


inadequada. Pais não sabiam como amar, nutrir e empatizar o
suficiente.

Conexão com os pais era segura, mas não PRÓXIMA o


suficiente.

Mãe fria.

Origens:
Pais não dão a devida atenção nem despende tempo suficiente
com a criança.

Pais narcisista ou, por outro motivo, não se conectar com as


necessidades da criança.

Os pais não guiam, provendo um senso de direção.

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Relacionamentos:

Ideia de que não pode contar e de que o outro é egoísta.

Não sabe assertivo na comunicação de suas necessidades.

Normalmente, pessoas que demandam muito nas relações


(insaciáveis).

Cuidar dos outros é uma forma de compensar.

Sinais de parceiros potenciais:

 Sente-se atraído por parceiros egoístas, frios,


indisponíveis e com pouca capacidade de
compreensão.

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Mesmo nas relações saudáveis:

• Não dizer o que precisa e se desapontar com ele.

• Não diz como se sente e fica desapontada por não ser


compreendida.

• Não se deixar ser protegida.

• Fica braba, raivosa, acusa o parceiro de não se preocupar o


suficiente.

• Fica distante e inacessível.

Estilos de enfrentamento: Privação Emocional


Escolhe parceiros que lhe
Resignação privam emocionalmente e não
lhes pede que atendam suas
necessidades.

Evita relacionamento íntimos.


Evitação

Age de forma
emocionalmente exigente com
Hipercompensação parceiros e amigos íntimos.

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Esquema de Abandono

“Por favor, não me deixe!”

Esquema de Abandono
Crença fundamental de perda da pessoa amada.

Crença de ficar sozinho para sempre.

Quando as pessoas estão fisicamente distante, mais


difícil ainda acreditar que estarão ali.

Indivíduo quer “se jogar” na pessoa. Fica brabo ou


apavorado pela separação.

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Esquema de Abandono

Se sente emocionalmente dependente da pessoa.

Normalmente é um esquema pré-verbal –anterior ao


desenvolvimento da linguagem. Tem uma força emocional
intensa.

Um esquema de abandono severo responde a separações


(mesmo breves) com sentimentos de uma criança pequena que
foi abandonada.

Os dois tipos de abandono:

Abandono baseado na dependência:

As pessoas com esquema de dependência se acham incapazes


de sobreviverem sozinhas.

Abandono baseado na instabilidade ou perda:

A dependência é mais emocional e não funcional.

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O ciclo do abandono

Uma vez que o esquema é ativado, a expêriencia progride


através de um ciclo de emoções negativas: medo, dor e raiva.

Primeiro: sentimento de pânico, como se o individuo fosse uma


criança pequena que não encontra sua mãe.

Depois: dor pela solidão, como se a pessoa perdida nunca fosse


ser recuperada.

Por fim: quando a pessoa retorna, indivíduo experiência raiva.

Origens:

Pais instáveis ou doentes.

Pais se divorciaram quando pequeno ou brigavam muito.

Perdeu a atenção de um dos pais de maneira muito significativa.


Ex: irmão nasceu ou pai constituiu nova família.

Família excessivamente próxima e individuo superprotegido.

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Origens:

Predisposição biológica à ansiedade de separação.

Morte ou separação de um dos pais quando pequeno.

Separação da mãe por longo período de tempo.

Criado por babas ou instituição, com várias figuras maternas.

Relacionamentos:

A ideia de término está sempre presente.

Ciúme e possessividade, acusações de ser abandonada.

Dificuldade em tolerar ausências, afastamentos.

Ideia de perda por morte.

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Sinais de parceiros potenciais:

 Parceiro não pode se comprometer pois está envolvido em


outra relação.

 Peter pan – insiste na liberdade de ir e vir, não quer se


acomodar, quer ter vários amores.

 Ambivalente com relação - quer a pessoa, mas se resguarda


emocionalmente.

Mesmo nas relações saudáveis:

 Se preocupar com o fato de o parceiro morrer ou que vai


perdê-lo por outro motivo.

 Reagir exageradamente a pequenas coisas ditas/feitas e


interpretar como sinal de que será abandonado.

 Grudar. A vida vira uma obsessão de mantê-lo.

 Não suportar ficar longe.

 Às vezes se separar ou se afastar para punir o parceiro por o


ter deixado sozinho.

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Estilos de enfrentamento: Abandono


Escolhe parceiros com os quais
Resignação não consegue estabelecer
compromisso e se mantém no
relacionamento.

Evita relacionamento íntimos.


Evitação

“Agarra-se” ao parceiro e o
“sufoca” a ponto de afastá-lo.
Ataca o parceiro até mesmo
Hipercompensação por pequenas separações.

Esquema de
Desconfiança/Abuso

“Serei abusado.”

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Esquema de Desconfiança/Abuso

Expectativa de que os outros irão machucar, abusar, humilhar,


enganar, mentir, manipular ou aproveitar.

Percepção de dano intencional.

Sensação de que sempre acaba sendo enganado ou levando a


pior.

Estado de hipervigilância.

Origens:

Situação de infância de ser abusado, humilhado, manipulado ou


traído.

Todas as formas de abuso são violações dos limites do


indivíduo.

Suas barreiras psicológicas, sexuais ou físicas não foram


respeitadas

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Origens:

Alguém na família, que supostamente deveria protegê- lo, o


machucou.

A crítica excessiva transforma-se em abuso verbal quando existe


a intenção de machucar.

Sinais de parceiros potenciais:

 Pessoa provavelmente vai se atrair por parceiros abusivos


ou que não merecem confiança.

 Parceiros explosivos, descontrolados, que não cuidam das


necessidades delas e as desrespeitam.

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Relacionamentos:

Relacionamentos não são situações nas quais se pode relaxar.

É preciso manter a guarda. Estado de hipervigilância.

Espera que as pessoas tirem vantagem de si.

Ataca rapidamente pois espera ser atacado.

Reluta se expor e demonstrar sentimentos.

VIOLÊNCIA CONJUGAL

Mesmo nas relações saudáveis:

Indivíduo distorce o que é dito/feito.

Faz testes dos quais conclui resultados equivocados.

Maximiza comportamentos que podem ser vistos como desleais


e minimiza atitudes amorosas.

Mesmo quando bem tratado, indivíduo pode se sentir sendo


abusado.

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Estilos de enfrentamento: Desconfiança/Abuso

Escolhe parceiros abusivos e


Resignação
permite o abuso.

Evita relacionamento íntimos.


Evitação

Abusa.
Hipercompensação

Esquema de
Defectividade/Vergonha

“Eu não tenho valor.”

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Esquema de Defectividade/Vergonha

Crenças acerca de ser defeituoso, cheio de falhas, inferior, sem


valor ou indigno de ser gostado.

Sentimentos crônicos de vergonha por serem quem são.

Sente que a defectividade está “dentro”, faz parte.

Hipersensibilidade à crítica ou rejeição

Tendência a compararem-se excessivamente.

Origens:
Família crítica, exigente ou punitiva.

Seus pais o fizeram sentir-se como uma decepção para eles.

Foi rejeitado ou não recebeu amor suficiente de um ou ambos


pais.

 Abusos.

 Comparações.

 Culpabilizações

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Relacionamentos:

Receio em estabelecer relações, pois cedo ou tarde seus


defeitos serão expostos.

Insegurança e vergonha.

Sinais de parceiros potenciais:

 Sente-se atraído por parceiros críticos, exigentes,


rejeitadores e abusadores.

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Mesmo nas relações saudáveis:

 Pode ter dificuldade para se mostrar e expressar emoções


positivas e negativas.

 Sensação de inferioridade e inadequação.

 Desconfiar dos motivos da valorização e amor do outro.

Estilos de enfrentamento: Defectividade

Escolhe parceiros e amigos


Resignação que o rejeitam. Diminui a si
próprio.

Evita expressar os verdadeiros


pensamentos e sentimentos.
Evitação Não deixa as pessoas se
aproximarem.

Tenta ser perfeito. Critica e


rejeita.
Hipercompensação

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Esquema de Isolamento
Social

“Eu não me encaixo.”

Esquema de Isolamento Social

Sentimento de solidão. De estar excluído do resto do mundo por


ser diferente ou indesejável.

Diferente da defectividade por não envolver falta de valor.

Normalmente, após se aproximar e fazer amizades, não tem


problemas com a intimidade.

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Origens:

Sentimento de diferença com relação a outras crianças por


alguma característica observável. Vítima de rejeição ou
humilhação.

Família era diferente da comunidade circundante.

Origens:

Sentia-se diferente das outras crianças, mesmo dentro da


própria família.

Familiares podem ter alguma doença psiquiátrica.

Família pode se mudar constantemente, sem estabelecer raízes.

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Estilos de enfrentamento: Isolamento Social


Em situações sociais,
concentra-se exclusivamente
Resignação nas diferenças em relação aos
outros, em vez de nas
semelhanças.

Evita situações sociais e


Evitação grupos.

Torna-se um “camaleão” para


ajustar-se aos grupos.
Hipercompensação

Domínio 2- Autonomia e Desempenho


prejudicados:

Necessidades não satisfeitas:


autonomia e competência

EXPERIÊNCIAS: Ambiente pouco


encorajador, superprotetor.
ESQUEMAS
Fracasso
Expectativas sobre si e o ambiente que Dependência/
interferem na capacidade de separar- Incompetência
se, sobreviver, ser independente ou ter Vulnerabilidade
um bom desempenho. Emaranhamento

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Fracasso

“Sou um perdedor.”

Esquema de Fracasso

Se sente fracassado em relação aos pares.

Crença de que fracassou e que fracassará inevitavelmente.

Normalmente o nível de performance é inferior ao potencial.

A evitação é o estilo de enfrentamento mais utilizado.

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Origens:

 Pais críticos quanto à performance.


 Pais atingiram sucesso e tem altos padrões de realização.
 Pais não se preocuparam com seu sucesso ou, em alguns
casos, se incomodavam com seu sucesso.
 Indivíduo tinha dificuldades escolares, sentindo-se inferior.
 Comparações desfavoráveis com irmãos.

Terapeuta x Fracasso
• Portadores do esquema de fracasso são os legítimos
sabotadores de seu sucesso, portanto vão
involuntariamente tentar fazer com que a terapia
fracasse.
• Não realizam as tarefas.
• Coloca na agenda objetivos irrealistas.
• Podem, de maneira hipercompensatória competir com o
“sucesso” do terapeuta.

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Estilos de enfrentamento: Fracasso

Faz as coisas com pouca


Resignação dedicação ou de forma
descuidada.

Evita completamente desafios


profissionais. Posterga as
Evitação
tarefas.

Torna-se uma pessoa muito


bem sucedida, estimulando-se
Hipercompensação ininterruptamente.

Dependência/Incompetência

“Preciso de ajuda.”

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Esquema de
Dependência/Incompetência
A vida parece um fardo pesado de se carregar.

Sentimento de ser mais como uma criança do que como um


adulto quando é preciso resolver problemas cotidianos.

Não confia no seu julgamento e esta sempre buscando se


reassegurar.

Frequentemente indeciso.

Tem medo de ficar só, pois acha que será incapaz de fazer as
atividades diárias sozinha.

Origens:

Pode surgir tanto da superproteção quanto da falta de


proteção.

Os passos necessários para a independência são:

 Estabelecer uma base segura

 Se afastar desta base para se tornar autônomo

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Terapeuta x Dependência/incompetência
• Busca exageradamente confirmações do terapeuta.
• Sessão vira uma enxurrada de perguntas sobre atitudes a
tomar.
• Muitas vezes convence o terapeuta de que não consegue
tomar nenhuma decisão cotidiana sozinho/a.
• Pode ativar “pena” no terapeuta. Funcionamento infantil.
• Não sente o paciente se responsabilizando pela mudança.
• Terapeuta pode se sentir sufocado e hiperdemandado.

Estilos de enfrentamento:
Dependência/Incompetência

Resignação Pede que os outros tomem


todas as decisões.

Evita assumir novos desafios,


Evitação como aprender a dirigir.

Assume atividade muito difícil


sem pedir ajuda a ninguém.
Hipercompensação .

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Emaranhamento

“Não consigo me separar.”

Esquema de Emaranhamento

Paciente não sabe quem realmente é, o que realmente quer da


vida.

Dificuldade de separar seu ponto de vista/opinião do de seus


pais.

“Meus pais se magoariam com decisões minhas de se afastar


deles” (ex, morar sozinha).

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Origens:

 Pais interferem demais na vida dos filhos, tomando


decisões por estes ou até mesmo pressionando quanto ao
caminho a ser seguido.

 Pais mantém uma relação de intimidade com os filhos que


insinua um “pacto de lealdade”.

 Pais tentam dar conta, através da vida dos filhos, de


frustrações da sua vida.

Terapeuta x emaranhamento

• A vida do paciente parece um entrelaçamento da vida de sua


família. Papéis muitos confusos. Terapeuta tem dificuldade
em entender quem é quem, quem mora com quem.
• Apresenta intimidade e uma necessidade de saber da vida do
terapeuta.
• Encontra dificuldade em manter distanciamento, causa
estranheza.

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Estilos de enfrentamento: Emaranhamento

Resignação Não contraria os pais.

Evita tomar decisões sem


Evitação consultar a família.

Distanciamento total da
família.
Hipercompensação .

Vulnerabilidade ao Dano ou a
Doença

“Estou em perigo.”

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Esquema de Vulnerabilidade
Primeiro sentimento associado: ansiedade.

Exagera o risco de perigo e minimiza a capacidade de


enfrentamento.

 Catástrofes em termos de
saúde.
Tipos de medo:
 Catástrofes emocionais.

 Catástrofes externas.

Origens:

Senso de vulnerabilidade foi aprendido através do convívio


com pais com o mesmo esquema.

Superproteção parental gerou sentimentos de fragilidade e


incompetência para lidar com problemas cotidianos.

Proteção parental inadequada. Ambiente infantil não era


seguro em algum nível.

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Origens:

Senso de vulnerabilidade foi aprendido através do


Indivíduo era doente ou, de alguma maneira, necessitava um
cuidado reforçado.

Um dos pais passou por uma situação traumática ou até


mesmo morreu.

Terapeuta x Vulnerabilidade ao dano


• Ansiedade é a principal emoção na sessão.
• Medo que o terapeuta fale sobre coisas que lhe
causarão ansiedade – evitação. Pode gerar falsas
afirmativas de melhora.
• Receio em realizar tarefas e ativar consequências
catastróficas.
• Relação terapêutica não é tão central, enfrentamento e
modelação são mais importantes.

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Estilos de enfrentamento: Vulnerabilidade

Lê obsessivamente sobre
Resignação catástrofes em jornais e as
prevê em situações cotidianas.

Evita ir a lugares que não


Evitação pareçam totalmente seguros.

Age de forma negligente.


Hipercompensação

Domínio 3- Limites prejudicados:

Necessidades não satisfeitas:


Limites realistas e autocontrole

Experiências: Ambiente exageradamente Grandiosidade/


permissivo, tolerante. indulgente. Senso de Arrogo
superioridade.
Autocontrole/
Deficiência em limites internos, responsabilidade Autodisciplina
com os outros ou orientação para objetivos de insuficientes
longo prazo. Leva à dificuldade de respeitar os
direitos dos outros, cooperar com eles,
comprometer-se ou estabelecer e cumprir metas
pessoais.

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Arrogo/Grandiosidade

“Sou superior.”

Esquema de Grandiosidade

Crença de que é superior as outras pessoas.

Exige direitos e privilégios especiais.

Busca poder.

Competitividade excessiva ou dominação em relação ao outro.

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Origens:

Poucos limites:

Pais exerceram pouco controle ou disciplina. Mimaram a


criança.

Crianças não foram ensinadas a tolerar a frustração. Não


foram ensinadas a controlar o impulso.

Dependência de merecimento:

Pais fazem tudo pelos filhos e estes passam a demandar este


tipo de cuidado.

Terapeuta x Merecimento/arrogo

• Este tipo de paciente pode provocar repugnância no


terapeuta, o que dificulta a aliança terapêutica.

• Muitas vezes entra em competição com o terapeuta ou testa


seu conhecimento, podendo ativar esquemas de fracasso e
defectividade.

• Pedem tratamento especiais – descontos, horários especiais,


consideração especial.

• Tentam reafirmar que são especiais para o terapeuta.

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Estilos de enfrentamento: Grandiosidade


Exalta suas próprias
Resignação realizações. Pressiona as
pessoas para que tudo seja à
sua menera.

Evita situações nas quais é


Evitação médio, e não superior.

Presta atenção excessiva às


necessidades alheias.
Hipercompensação

Autocontrole/Autodisciplina
Insuficientes

“Não tolero desconforto.”

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Esquema de Autocontrole/Autodisciplina
insuficientes
Indivíduo se aborrece muito, perde a calma e não deixa de
mostrar aos outros o que sente, mesmo que o custo seja alto.

Desiste facilmente de ações e decisões.

Ênfase exagerada na evitação do desconforto, as custas da


realização, comprometimento ou integridade pessoal.

Origens:

Quando crianças, estes indivíduos não foram submetidos a


situações de controle de impulsos.

Sempre tiveram suas necessidades atendidas, não tendo


experiência de tolerância à frustração.

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Terapeuta x autocontrole/autodisciplina
insuficientes
• Faltas, atrasos, terapeuta pode se sentir desconsiderado.

• Terapeuta estabelece limites que não são cumpridos.

• Terapeuta pode sentir que não há uma dupla terapêutica,


está trabalhando sozinho.

Estilos de enfrentamento:
Autocontrole insuficiente
Resignação Desiste rapidamente de
tarefas.

Evita empregos e não aceita


Evitação responsabilidades.

Torna-se exageradamente
aucontrolado ou
Hipercompensação autodisciplinado.

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Domínio 4- Orientação para o outro:

Necessidades não satisfeitas:


Validação de necessidades e emoções

Experiências: Ambiente de aceitação


condicional.

Foco excessivo nos desejos, sentimentos e Subjugação


respostas dos outros, à custa das próprias Autossacrifício
necessidades a fim de obter amor e Busca de
aprovação, manter o sentimento de conexão Aprovação
ou evitar retaliação.

Subjugação

“Não posso dizer não.”

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Esquema de Subjugação

Preocupação em agradar para não ser rejeitado.

Dificuldade de exigir que seus direitos sejam respeitados.

As outras pessoas sempre estão no controle da sua vida.

Privação da liberdade, pois suas escolhas são baseadas no


efeito que terão sobre as pessoas.

Esquema de Subjugação

SUBJUGAÇÃO

 Das necessidades:

Não demonstra preferências, decisões e desejos.

 Das emoções:

Não expressa a emoção, principalmente a raiva.

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Origens:

Pais podem ter despertado o comportamento de subjugação


através de condutas punitivas ou ameaçadoras.

Há coerção no processo de subjugação.

SUBJUGAÇÃO X AUTOSSACRIFÍCIO

Suprime necessidades para Suprime suas necessidades


evitar retaliações porque acha que é o certo,
encutido um valor em ajudar
os outros.

Terapeuta x subjugação
• Fazem tudo que o terapeuta pede.
• Não demonstram suas necessidades.
• Parecem vítimas, estão a mercê dos outros.
• Sensação de que o paciente vive com medo.
• Pode ter comportamentos passivo agressivos.

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Estilos de enfrentamento: Subjugação

Resignação Toma decisões baseadas nas


vontades dos outros.

Evita situações de conflitos.


Evitação

Rebela-se contra autoridades.


Hipercompensação

Autossacrifício

“Devo atender o outro.”

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Esquema de Autossacrifício

Sentimento de culpa caso não coloque as necessidades dos


outros na frente das suas.

“Só me sinto feliz quando os que me cercam estão felizes”.

“Se faço o que quero me sinto mal”.

Sente-se responsável pelo bem estar dos outros.

Esta sujeito a sentir raiva, uma vez que a balança dar X receber
está desequilibrada.

Origens:

Pais doentes ou, de alguma forma, necessitados de cuidados.

Indivíduo teve que abrir mão de suas necessidades e entendeu


como sua responsabilidade cuidar dos outros.

Pais culpavam filhos pelos seus sofrimentos/problemas.

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Estilos de enfrentamento: Autossacrifício

Resignação Cuida excessivamente dos


outros.

Evita situações de
Evitação autocuidado.

Posição de egoísmo.
Hipercompensação

Busca de Aprovação

“Preciso de aprovação e atenção.”

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Esquema de Busca de Aprovação

Auto-estimabaseada nas reações dos outros.

Pode incluir ênfase excessiva no status, aparência, aceitação


social, dinheiro ou conquista.

Hipersensibilidade à rejeição.

Decisões importantes podem não ser autênticas.

Origens:

Pais condicionavam atenção e aprovação.

Família valoriza excessivamente status e realizações, em


detrimento das necessidades da criança.

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Terapeuta x Busca de aprovação


• Importância excessiva na aprovação e reconhecimento do
terapeuta.
• Podem “esconder” fatos para não desapontar.
• Pode ser excessivamente obediente em sessão.
• Contar fatos de sucesso em detrimento dos fracassos.
• Podem parecer saudáveis, pois busca a admiração do
terapeuta.

Estilos de enfrentamento: Busca de Aprovação

Resignação Age para impressionar as


outras pessoas.

Evita interagir com quem não


Evitação lhe da atenção.

Faz o que pode para não ter a


aprovação. Se coloca em
Hipercompensação segundo plano.

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Domínio 5- Supervigilância e Inibição:

Necessidades não satisfeitas:


espontaneidade
Experiências:
Ênfase excessiva na supressão dos
sentimentos, dos impulsos e das escolhas
pessoais espontâneas ou na criação de regras Inibição
e expectativas internalizadas rígidas sobre Emocional
desempenho e comportamento ético, à custa Padrões
da felicidade, autoexpressão, relaxamento, Inflexíveis
relacionamentos íntimos ou saúde. Negativismo
Perfeccionismo e regras rígidas. Pouco lazer. Postura Punitiva

Inibição Emocional

“Não sinto.”

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Esquema de Inibição Emocional

Intensa inibição de sentimentos, comunicação e ação.

Medo de perder o controle e machucar pessoas.

Medo de ser desaprovado ou sentir-se envergonhado.

Esquema de Inibição Emocional

Inibição

 Raiva e agressão
 Impulsos positos (alegria, afeto, excitação sexual)
 Expressão de vulnerabilidade, sentimentos e necessidades

Ênfase na racionalidade.

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Origens:

Família suprimia excessivamente os sentimentos.

Pais eram fechados, pouco espontâneos e alertavam quanto a


inadequação de funcionar diferente.

Estilos de enfrentamento: Inibição Emocional

Resignação Mantem conduta calma, sem


intensidade emocional.

Evita situações nas quais as


pessoas discutem ou
Evitação
expressam sentimentos.

Tenta ser a animação da festa.


Hipercompensação

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Negativismo/Pessimismo

“Está tudo mal.”

Esquema de Negativismo

Enfoque nos aspectos negativos da vida.

Minimiza aspectos positivos.

Em função do excessivo foco nos aspectos negativos,


normalmente são preocupados, hipervigilantes e indecisos.

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Origens:

Pais normalmente tem uma propensão ao pessimismo, sendo


modelos de preocupação.

Passam para os filhos a ideia de que as coisas podem sair


erradas, caso não haja cuidado e atenção.

Estilos de enfrentamento: Negativismo

Resignação Concentra-se no negativo.

Bebe para dissipar


Evitação sentimentos pessimistas.

É excessivamente otimista.
Hipercompensação

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Padrões Inflexíveis

“Nunca está bom o suficiente.”

Esquema de Padrões Inflexíveis

Sentimento principal é a pressão!

Indivíduo normalmente muito competitivo.

Não consegue relaxar e aproveitar a vida.

 Compulsividade
 Orientação para a aquisição.
 Orientação para o status.

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Origens:

Amor condicional quanto à contemplação de expectativas dos


pais.

Pais eram modelos de auto-exigência exagerada.

Padrões inflexíveis se desenvolveram como compensação a


sentimentos de defectividade, exclusão social, privação
emocional ou fracasso.

Estilos de enfrentamento: Padrões Inflexíveis

Resignação Gasta muito tempo tentando


ser perfeito.

Evita ou posterga situações


em que seu desempenho será
Evitação
julgado.

Cumpre a tarefa de maneira


descuidada.
Hipercompensação

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Postura Punitiva

“Falhas merecem punição.”

Esquema de Postura Punitiva

Crença de que as pessoas devem ser punidas por seus erros.

Indivíduo intolerante, raivoso e impaciente.

Dificuldade de perdoar considerar o contexto, a imperfeição


humana e em se solidarizar com sentimentos.

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Origens:

Família repressora e punitiva.

Evitar erros sobrepujam o prazer.

Pais muito exigentes

Estilos de enfrentamento: Postura Punitiva

Resignação Trata aos outros e a si mesmo


de maneira dura e punitiva.

Evita os outros por medo de


Evitação punição.

Comporta-se de maneira
exageradamente clemente.
Hipercompensação

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Nova distribuição dos Esquemas e


Domínios
Autonomia e Padrões e
Desconexão e Limites
desempenho Responsabilidades
rejeição Prejudicados
prejudicados Excessivas
Dependência Arrogo/
Privação Emocional Autossacrifício
Abandono Grandiosidade
Desconfiança/Abuso Padrões Inflexíveis
Vulnerabilidade
Defectividade/
Vergonha Emaranhamento Autocontrole/

Isolamento Social Fracasso autodciplina


insuficientes
Inibição Emocional Subjugação/Invalida
ção

Busca de Aprovação
Esquemas sem classificação Postura Punitiva
Negativismo/Pessimismo
(Bach, Lockwood & Young, 2017)

MODOS ESQUEMÁTICOS – CONCEITO

 Conjunto de Esquemas + Estados emocionais +


 respostas de enfrentamento – ativados simultaneamente.
 Conceito originário do trabalho com pacientes borderline.
 Ativados por nossos “botões” – GATILHOS.
 Existem Modos Funcionais
 O Modo é o estado predominante em um determinado
momento.

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MODOS ESQUEMÁTICOS – CONCEITO

Podemos ativar modos desadaptativos quando nossas


necessidades primordiais não são supridas e nossos esquemas
são acionados.

Aplicabilidade: Pacientes mais graves, refratários, transtornos de


personalidade.

MODOS ESQUEMÁTICOS – CONCEITO

Os Modos são agrupados em:


• Modos Inatos da Criança
• Modos de Enfrentamento Disfuncional
• Modos Pais Disfuncionais
• Modo Adulto Saudável

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MODOS Inatos da Criança


Criança Vulnerável
Criança Zangada
Criança Impulsiva
Criança Indisciplinada
Criança Feliz

Modo CriançaVulnerável
(Abandonada, abusada ou humilhada)

MODOS ESQUEMAS

Criança Vulnerável Abandono, Desconfiança/ Abuso, Privação


Emocional, Defectividade, Isolamento
Social, Dependência/Incompetên-cia,
Vulnerabilidade Dano, Emaranhamento,
Negatividade/ Pessimismo.

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Modo Criança Zangada

MODOS ESQUEMAS

Criança Zangada Abandono, Desconfiança/ Abuso, Privação


Emocional, Subjugação.

Modo Criança
Impulsiva/Indisciplinada
MODOS ESQUEMAS

Criança Impulsiva/ Arrogo, autodisciplina insuficientes


Indisciplinada

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Modo Criança Feliz

MODOS ESQUEMAS CARACTERÍSTICAS/


NECESSIDADADES NÃO
ATENDIDAS
Criança Feliz Nenhum Sente-se amada, compreendida,
validada, conectada, com sua
necessidades preenchidas. É
autoconfiante, apresenta coragem
para atuar de forma independente.
Expressa espontaneidade no contato
e otimismo.

Modos Pai/Mãe Disfuncionais

Modo Pai/Mãe Punitivo

Restringe, critica ou pune a si ou aos outros.


Esquemas: Subjugação, postura punitiva, defectividade,
desconfiança/ abuso.
.
Modo Pai/Mãe Exigente

Estabelece expectativas e níveis de responsabilidade


altos em relação aos outros e pressiona-se para cumpri-
los.
Esquemas: Padrões Inflexíveis, autossacrifício

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Modos de Enfrentamento
Desadaptativos

Modo Captulador Complacente


(Fuga de maus-tratos)

Adota enfrentamento baseado em obediência e


. dependência.
.

Modos de Enfrentamento
Desadaptativos

Modo Protetor Desligado


(Fuga de emoções negativas)

. Adota estilo de retraimentoemocional, desconexão,


isolamento e evitação comportamental –robótico.

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Modos de Enfrentamento
Desadaptativos

Modo Hipercompensador
(Fuga de emoções negativas)

Estilo de enfrentamento caracterizado por contra-ataque


. e controle. Pode hipercompensardor meios indiretos,
como trabalho excessivo. Usa comportamentos aditivos
ou compulsivos.
.

Modos ADULTO SAUDÁVEL

• Busca identificar e neutralizar os


pensamentos negativos,
envolve-se em atividades e
relações sadias que preenchem
suas necessidades. Age
assertivamente, apresentando
tolerância à frustração.

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