Casa da Fonte

         

Desenvolvimento Infantil &
           

 

Alterações Comportamentais
Educadora: Ana Cláudia Ferreira

na Infância

                 

Novembro 2007

Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância   

 

ÍNDICE 
Psicologia do Desenvolvimento ................................................................................ 3  “Desenvolvimento” e as suas Concepções ........................................................... 3  Piaget e o Desenvolvimento Cognitivo ................................................................. 5  Freud e o desenvolvimento ................................................................................ 10  Erikson e o desenvolvimento psicossocial .......................................................... 15  A relação Mãe ‐ Filho .......................................................................................... 19  Alterações Comportamentais da Infância .............................................................. 22  Depressão Infantil ............................................................................................... 22  Depressão em Função da Idade ...................................................................... 23  Perturbações de Ansiedade ................................................................................ 27  Perturbação de Ansiedade de Separação ....................................................... 28  Aversão a falar – Mutismo Selectivo .............................................................. 29  Fobias Específicas ............................................................................................ 29  Perturbação de Hiperactividade e de Défice de Atenção ................................... 31  Perturbações da Eliminação ............................................................................... 33  Enurese ........................................................................................................... 33  Encoprese ........................................................................................................ 35  Perturbações do Sono ......................................................................................... 37  Dificuldades de Aprendizagem ........................................................................... 40  Perturbação Obsessivo‐compulsivo Infantil ....................................................... 44  Agressividade e Desobediência .......................................................................... 47  Perturbação do Comportamento.................................................................... 48  Efeito de vivências traumáticas na infância e Adolescência  .............................. 50  . Bibliografia .............................................................................................................. 53   
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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO 
“DESENVOLVIMENTO” E AS SUAS CONCEPÇÕES 
Compreender as mudanças contínuas do ser humano operadas ao longo da vida e  descobrir  as  razões  dessas  mudanças  tem  constituído  um  desafio  para  a  Psicologia,  nomeadamente para os psicólogos do desenvolvimento.  Por  desenvolvimento  entende‐se  o  conjunto  de  mudanças  contínuas  no  ser  humano ao longo da sua existência.  O  conceito  de  desenvolvimento  pressupõe  assim  uma  sequência  de  alterações  graduais  que  levam  a  uma  maior  complexidade  no  interior  de  um  sistema  ou  organismo.  Na  evolução  de  cada  indivíduo  desenham‐se  estádios  que  seguem  uma  ordem praticamente imutável, mas o tempo de permanência em cada um deles varia  conforme o indivíduo.  A  psicologia  do  desenvolvimento  é  uma  área  especializada  da  Psicologia  que  só  amadureceu no século XIX. Até à contemporaneidade, era impossível o aparecimento  desta  área  de  investigação,  devido  aos  estereótipos  que  se  mantinham  acerca  do  conceito de criança e da pouca importância que lhe era concedida.  Uns  tinham  uma  visão  negativa  da  infância,  encarando  a  criança  como  uma  espécie de selvagem quase sem humanidade, incluindo‐a na mesma categoria em que  mantinham  os  primitivos  e  os  deficientes  mentais.  Outros  consideravam  que  as  crianças tinham uma mente como a dos adultos, sendo a única diferença entre ambos  o  crescimento  e  não  o  desenvolvimento;  constituindo  a  criança  como  um  adulto  em  miniatura.  Desta  forma,  o  estatuto  próprio  da  criança  não  era  reconhecido,  o  que  tinha  reflexos  negativos  na  educação  familiar  e  escolar  que  lhe  exigiam  condutas  muito  próximas das do adulto, sem que ela pudesse comportar‐se da forma pretendida.  As  grandes  mudanças  quanto  ao  modo  de  encarar  a  criança  deve‐se  à  teoria  evolucionista  de  Darwin,  estilhaçadora  da  fronteira  intransponível  entre  animal  e ser  humano,  abre  caminho  a  uma  nova  perspectiva  em  psicologia  genericamente  apelidada de organicismo por oposição ao maturacionismo.   
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Maturacionismo:  Gesell  encabeça  a  defesa  do  modelo  maturacionista,  acreditando que o desenvolvimento se deve fundamentalmente a processos internos  de maturação do organismo. Segundo o maturacionismo, as diferenças observadas ao  longo  do  desenvolvimento  ocorreriam  numa  sequência  geneticamente  determinada,  devendo muito pouco às influências ambientais externas.   Mecanicismo: Os psicólogos behavioristas (comportamentais) são adeptos de um  modelo  mecanicista,  segundo  o  qual  o  organismo  humano  reage  passivamente  às  imposições  do  meio  externo,  que  determinam  as  suas  progressivas  modificações.  Resumidamente, podemos dizer que psicólogos como Watson e Skinner negligenciam  qualquer  interferência  de  factores  internos  associados  ao  organismo.  Reduzindo  o  organismo  ao  binómio  Sujeito=Estímulo‐Resposta,  acreditam  que  as  diferenças  detectadas na evolução do indivíduo se devem exclusivamente às situações do meio.  Organicismo:  Os  psicólogos  que  defendem  o  modelo  organicista  assumem  uma  perspectiva interaccionista, em que consideram que o desenvolvimento é um processo  dinâmico  em  que  factores  maturacionais,  genéticos  e  da  experiência  externa  se  combinam no decorrer dos diferentes estádios do indivíduo ao longo da vida.   O  modelo organicista realça o carácter adaptativo do processo de desenvolvimento, uma  vez que considera que ao progredir na sequência dos estádios, o organismo dispõe de  mecanismos  psicológicos  diferentes  e  qualitativamente  superiores  de  intervenção  no  meio.  Essas  intervenções,  por  sua  vez,  contribuem  para  reorganizar  os  mecanismos  psicológicos,  fazendo  com  que  o  indivíduo  fique  melhor  apetrechado  para  ajustar  adequadamente os comportamentos às exigências do meio. 

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PIAGET E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO 
Jean  Piaget  elaborou  uma  teoria  do  desenvolvimento  a  partir  do  estudo  da  inteligência da criança e do adolescente. A sua teoria permitiu que se acabasse com a  concepção  de  que  a  adolescência  da  criança  era  semelhante  à  do  adulto,  existindo  entre elas mera diferença quantitativa.  Segundo  Piaget,  a  inteligência  precede  o  pensamento,  desenvolvendo‐se  por  etapas  progressivas  que  exigem  processos  de  adaptação  ao  meio.  Deste  modo,  o  desenvolvimento  pressupõe  a  maturação  do  organismo,  bem  como  a  influência  do  meio físico e social.  Para  compreendermos  a  teoria  de  Piaget,  é  necessário  ter  em  conta  alguns  conceitos:  Esquema: em cada etapa de desenvolvimento  estão presentes esquemas  mentais, que formam uma estrutura quando coordenados entre si.  Adaptação:  a  inteligência  é  uma  adaptação  ao  meio  ambiente,  feita  através da assimilação e da acomodação.  Assimilação:  é  o  processo  de  integração  dos  dados  da  experiência  nas  estruturas do sujeito.   Acomodação: é a modificação constante das estruturas do sujeito para se  adaptar aos novos elementos provenientes do meio. Entre a assimilação e  a  acomodação  desenrola‐se  a  coordenação  que  permite  que  ocorra  o  desenvolvimento intelectual progressivo.  Organização: o pensamento actua de forma organizada e de acordo com o  meio, isto é, a adaptação ao meio conduz à organização do pensamento e  o pensamento organizado estrutura melhor os objectos do meio.  Estádios: são fases ou etapas qualitativamente diferentes por que passa o  desenvolvimento  intelectual.  O  desenvolvimento  intelectual  ocorre  por  etapas  sucessivas,  em  que  as  estruturas  intelectuais  se  desenvolvem  progressivamente. Cada novo estádio representa uma forma de equilíbrio  cada  vez  maior,  que  permite  uma  adaptação  mais  adequada  às  circunstâncias. 
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  mesmo  quando  é  escondido  em  sítios  diferentes. No fim deste período. sendo necessária a assimilação por parte da  criança. Se taparmos com um lenço um objecto do interesse do  bebé. o bebé já é capaz de chegar aos objectos que quer.  ligada  à  acção  própria. que por si só é insuficiente.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . a criança procura compreendê‐ lo pelo uso. a criança serve‐se de percepções e movimentos organizados em  esquemas de acção.  O  desenvolvimento  pode  explicar‐se  através  de  diferentes  factores. O terceiro factor prende‐se com  a educação. na medida em que se serve de meios apropriados  para  alcançar  os  seus  fins.  Inicialmente  são  esquemas  de  acção  que quando interiorizados se transformam em esquemas operatórios.  Trata‐se  de  uma  causalidade  egocêntrica. Na presença de um objecto novo.  Em  vez  de  palavras e conceitos. já é capaz de fazer  relações objectivas de causalidade.  a  criança  constrói  noções  fundamentais  para  o  desenvolvimento ulterior.  que  não  actua  sozinha  e  por  isso  é  um  factor  insignificante. sacudindo‐o por exemplo.  feita  através  da  assimilação  e  da  acomodação. ao nível da  acção. já compreende  a  permanência  do  objecto.  ou  seja. Piaget distingue quatro estádios de desenvolvimento:    1.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      6  Em  todos  os  estádios  existe  uma  interacção  entre  o  sujeito  e  o  mundo.  caracterizada  pela  ausência  de  relações  objectivas  entre  o  meio  e  o  fim  a  atingir. este não afasta o obstáculo para lhe chegar. o objecto deixou de existir para ele.  O  desenvolvimento  da  inteligência  faz‐se  pelo  interacção  constante  entre  a  criança e o meio. isto é.  Estes  dois  mecanismos  possibilitam  a  construção  das  novas  estruturas  ou  esquemas.  O  quarto  factor  é  a  equilibração. Estádio da inteligência sensório‐motora: desde o nascimento até aos 2  anos. pois ao desaparecer do seu campo  perceptivo. a acção dos objectos.  nem  compreende  as  relações  entre  os  objectos  independentemente  dela. O segundo factor é a experiência física. como a noção de objecto permanente e a  de causalidade. Durante estes 2 anos.  a  maturação  interna. A lógica da  criança advém das acções exercidas sobre os objectos.  o  equilíbrio  entre  os  três  factores  anteriores.  Aos  18  meses.  Neste  estádio  a  criança  não  se  distingue  dos  objectos  que  a  rodeiam.  como  a  hereditariedade.

 Neste sentido.  A  linguagem.  a  criança  concebe  as  coisas  como  vivas  e  dotadas  de  intenção  e  sentimentos.  dadas  as  suas  características  serem  idênticas  às  de  um  gato.  Em  face  dos  acontecimentos.   7  Estádio  das  representações  pré‐operatórias:  dos  2  aos  7  anos.  “porquê?”.  A  esta  capacidade  da  criança  chamamos  realismo.  o  que  torna  o  pensamento  incipiente  e  altamente  egocêntrico.  O  pensamento  que  começa  neste  período  apresenta  as  seguintes  características:  o  antropomorfismo.  assinalando  o  início  da  inteligência  representativa  ou  pensamento.  Neste  período.  O  jogo  simbólico  também  é  marcado  pelo  egocentrismo. mas também final.  A  função  simbólica  é  a  capacidade  de  criar  símbolos para substituir ou representar os objectos e de lidar mentalmente com eles.  O  antropomorfismo  deste  pensamento  também  se  manifesta  na  noção  de  causalidade  da  criança.  Piaget  designa  este  tipo  de  raciocínio  de  raciocínio  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  que  se  refere  à  visão  animista  ou  antropomórfica  da  criança.  Piaget  fala  a  este  respeito  de  pré‐conceitos. devemos falar de monólogo  colectivo.  é  incapaz  de  distinguir  com  nitidez  “todos”  de  “alguns”. pois fala para si sem se interessar  pelas respostas dos outros.  em  vez  de  diálogo. mas interpreta as coisas sempre  em  função  de  si. Por exemplo.  A  linguagem  permite  à  criança  comunicar  com  os  outros.  a  imagem  mental  e  o  jogo  simbólico  são  manifestações  da  função  simbólica.  mesmo  quando brinca com outras crianças.  não  dispondo  ainda  de  esquemas  de  generalização.  característica  deste  período.  Neste  período  a  criança  é  muito  egocêntrica. pois a criança torna o real no real dos seus desejos.  A  entrada neste estádio é marcada pelo aparecimento da função semiótica ou simbólica.  a  criança  pergunta:  “o  que  é?”.  na  medida  em  que  a  criança.  A  emissão  de  palavras  significa  que  a  criança  já  possui  imagens  mentais.  Estas questões não exigem apenas resposta causal.  A  criança manifesta curiosidade por aquilo que a rodeia.  que  assinala  o  início  do  pensamento.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    2.  Isto  significa  que  criança  vai  recorrer  a  uma  generalização ainda imprecisa e sem controlo. transformando os  objectos  naquilo  que  quer.  os  esquemas  de  acção  são  substituídos  por  esquemas  de  representação.  O  raciocínio  da  criança  procede  por  vaga  analogia  associativa.  pelo  que  o  diálogo  é  inexistente. se a criança vir um tigre  na  televisão  vai  dizer  que  se  trata  de  um  gato. na medida em  que  ela  entende  que  tudo  é  orientado  para  um  fim.  à  semelhança  do  que  se  possa  com  os  seres  humanos.

  o  que significa que as acções interiorizadas ou acções mentais que já se manifestam no  período precedente tornam‐se agora reversíveis e designam‐se por operações. ou seja. Identidade→ é a mesma  água porque não se pôs nem se tirou nenhuma.  O  raciocínio  dedutivo  é  também  próprio  desta  fase  da  vida  da  criança.  as  estruturas  intuitivas  transformam‐se  num  sistema  de  relações  de  tipo  operatório. Isto significa que a criança no estádio anteriormente  referido  ainda  não  atingiu  o  nível  operatório.   3.  uma  vez  que  não  é  capaz  de  regressar mentalmente ao ponto inicial. As suas “operações” não possuem ainda  a reversibilidade.  separadas  por  pequenos  intervalos  e  pedirmos  a  uma  criança  que.  Conclui‐se  assim. Reversibilidade→  é  a  mesma água  porque. o da reversibilidade e o da compensação. Piaget  realizou  várias  experiências  para  estudar  a  reversibilidade  de  pensamento.  construa  uma  fila  igual.  se  voltasse  a  deitar  no  copo  pequeno.  Nesta  fase.  Porém.  ficava  como  dantes. Quando  uma criança justifica de uma destas formas. mas sem se preocupar  com  a  correspondência  termo  a  termo.  Se.  veremos que fará uma fila do mesmo comprimento da branca.  se.  em  seguida. pela configuração global. ela apontará para  o recipiente alto e estreito.  presente  nas operações que as crianças são capazes de efectuar neste estádio:  Conservação:  se  deitarmos  em  2  copos  iguais  a  mesma  quantidade  de  água e se fizermos notar a uma criança de 4 ou 5 anos que o líquido se encontra  ao  mesmo  nível  nos  2  copos.  com  fichas  pretas. Poderá mesmo servir‐se de argumentos para  justificar a sua resposta.  que  a  criança  avalia  a  quantidade pela percepção do espaço ocupado. sem  se deter na análise das relações entre os objectos.  nesta  fase.  ela  admiti‐lo‐á  imediatamente. Quando uma criança atinge o pensamento operatório. São três os tipos de argumentos a que pode recorrer: o  da identidade.  colocarmos  em  fila  oito  fichas  brancas. Estádio  das  operações  concretas:  dos  7  aos  11  anos. deitarmos o líquido de um dos copos para um recipiente mais estreito e  mais alto e lhe perguntarmos qual é o que contém mais água.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      8  transductivo. afirmará  sem reservas que a quantidade de líquido não se alterou pelo facto de ter sido  mudado de um vaso para o outro. significa que já  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  Compensação→  é  a  mesma  água  porque  este copo é mais alto mas também é mais estreito.

 dois cães “terrier” e três gatos e lhe pedirmos para fazer colecções de  animais.  4.  As  operações  são  concretas.  portanto. ela fará três grupos simples.  Classificação:  se  colocarmos  uma  criança.  Contudo.  mas  também  é  capaz  de  formular hipóteses para resolver um problema.  não  sendo  ainda  capaz  de  raciocinar sobre situações hipotéticas.  Esta  nova  capacidade  para  pensar abstractamente  leva  o  adolescente a  fazer  da  sua  própria  reflexão  um  objecto  sobre  o  qual  pode  reflectir. de volume. outro de cães “caniches”  e  outro  de  gatos. Estádio  das  operações  formais:  dos  11  aos  15  anos.  ou  seja. O jovem actua como se os outros e o mundo tivessem  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . Ainda neste período.  ainda  em  estádio  pré‐ operatório  perante  brinquedos  ou  figuras  de  animais.  o  adolescente  já  é  capaz  de  raciocinar  dedutivamente  a  partir  de  hipóteses.  até  encontrar  a  solução  explicativa  mais  adequada.  recaindo  directamente  sobre  os  objectos  e  situações  actuais.  em  que  haja  oito  cães  “caniche”. etc. um de “terriers”.  que  significa a entrada num domínio novo que é o do pensamento puro.  Ao  mesmo  tempo.  durante  a  adolescência  desenvolve‐se  a  inteligência  formal. tende.  adquirirá a conservação de peso. característica dos períodos anteriores.  as  estruturações  lógicas  apresentam  ainda  algumas  limitações. nesta fase.  A  criança  já  tem  assim  a  noção  de  inclusão  em  classes.  Ao  contrário  do  anterior  estádio.  Esta  atitude  reflexiva  é  imbuída de um novo egocentrismo intelectual que se manifesta na convicção de que o  seu pensamento está apto a resolver todos os problemas e de que se as suas ideias são  indubitavelmente as melhores. ou através de outros símbolos.  proposições  enunciadas verbalmente.  surge  também  a  possibilidade  de  compreender  princípios  abstractos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      9  está de posse do esquema da conservação da quantidade.  A  confusão entre “todos” e “alguns”.  o  adolescente  é  capaz  de  raciocinar  sobre  hipóteses  abstractas. as quais compara  de  forma  sistemática  na  experiência. Assim.  demonstrando  uma  grande  abertura  a  conceitos  científicos  e  filosóficos. a partir dos quais se efectuam  os encadeamentos típicos da lógica formal. que não demonstrava qualquer interesse em fases anteriores.  a  desaparecer  nesta  fase.  Desta  forma.

  Contudo.  é  constituído  por  todos  os  impulsos  biológicos.  também  Freud  considera  que  a  compreensão  do  comportamento  exige  uma  análise  dos  fenómenos  psíquicos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      10  que se organizar em função dos seus pontos de vista.  se  a  perspectiva  cognitiva  encara  as  pessoas  como  processadoras  racionais  de  informação.  Segundo  Freud.  O  superego.  a  sede  e  o  sexo.  estas  3  instâncias  estabelecem  entre  si  uma  relação  dinâmica. cujo único objectivo é a  satisfação imediata na busca exclusiva do prazer.   O  ego.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  como  a  fome. atingindo um novo equilíbrio eu‐mundo. Segundo Freud. o ego e o superego.  é  portanto.   O  id.  a  perspectiva  psicodinâmica  procura  evidenciar  aspectos  em  que  a  racionalidade  humana  falha:  enfatiza  as  motivações  inconscientes  e  o  papel  desempenhado  pelas  vivências  emocionais  infantis  na  estruturação  da  personalidade  do adulto. são elas o id. o adolescente é capaz de se colocar na perspectiva  do outro.  A nível genético. Nasce com a criança.   FREUD E O DESENVOLVIMENTO   Assim  como  Piaget  na  perspectiva  cognitiva.  é  formado  pelo  conjunto  de  regras  e  proibições  impostas primeiramente pelos pais e depois pela sociedade em geral  e que foram interiorizados pelo indivíduo. Nesta fase. o nosso aparelho psíquico ou estrutura da personalidade.  de  que  resulta  a  conduta  das  pessoas.  é  o  elemento  decisor  dos  conflitos  travados  entre  o  id  e  o  superego.  muitas  vezes  conflitual. sendo a única  motivação do bebé nos primeiros meses de vida. É o fundamento da moral. o id é o primeiro elemento.  o  comportamento  de  umas  pessoas  compreende‐se  pela  supremacia  do  id  e  o  comportamento de outras compreende‐se pela supremacia do superego.  que  exigem  satisfação  imediata. é  formado  por  3  componentes  ou  sistemas  motivacionais. que apresenta e defende por via  lógico‐argumentativa. o que significa que a energia psíquica  deriva apenas de tendências instintivas de natureza biológica.  É  o  fundamento  da  sobrevivência individual e da espécie.  Assim. o fundamento racional da personalidade humana.  também  designados  por  instâncias do eu ou instâncias de personalidade.

  Sendo  o  “árbitro”  na  luta  entre  as  pulsões  inatas  e  o  meio.  que  inclui as sensações agradáveis resultantes da estimulação de diversas áreas do corpo e  considera  que  a  energia  psicossexual  ou  líbido  deriva  de  processos  metabólicos. fontes instintivas de prazer sexual. de forma  a  ficar  apto  a  enfrentar  situações  geradoras  de  ansiedade.  o  indivíduo  deve  resolver  positivamente os conflitos próprios de cada etapa.  que  se  mantém  activo  ao  longo  da  vida. cuja proveniência são as pulsões biológicas e instintivas do id.   Desde  modo.  Os  órgãos  envolvidos  na  digestão  e  procriação. O ego tem por função orientar as pulsões de acordo com as exigências  da realidade.  o  superego  é  já  uma  instância  interna  que  actua  de  modo  automático  e  espontâneo. entre outros.  pelo  que  para  alcançar  a  maturidade  psicológica. o sentido de dever  e de responsabilidade. as pessoas que experienciam  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  cada  um  dos  quais  se  associa a sensações de prazer ligadas a uma zona erógena específica. de acordo com a teoria psicanalítica.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      11  O ego.  Toda  a  teoria  de  Freud  desenvolve‐se  à  roda  do  conceito  de  energia  psicossexual ou líbido. Este controlo imposto a partir do exterior tende a ser interiorizado.  o  ego  desenvolve  um  conjunto  de  mecanismos  de  defesa  que  exercem  um  controlo  inconsciente  sobre  as  pulsões  que  ameaçam  o  equilíbrio psíquico do indivíduo. O controlo destas  sensações  origina  conflitos  cuja  resolução  influencia  a  formação  da  personalidade  adulta.  O  termo  prazer  psicossexual  é  usado  por  Freud  num  sentido  muito  amplo. interdições e ameaças que pesam sobre  a criança.  Freud defende que o desejo ou busca do prazer psicossexual surge no indivíduo antes  da puberdade.  Contudo. logo a partir do nascimento. são zonas erógenas.  a  criança  atravessa  uma  série  de  estádios.  O  superego  constitui  a  moral  do  indivíduo  e  tem  a  sua  origem  na  relação  da  criança com os pais. canalizando‐as para formas indirectas e substitutivas  da obtenção do prazer.  fundamentais  para  a  sobrevivência  do  indivíduo e da espécie. que lhe fazem exigências.  o  superego  não  elimina  a  actuação  do  id. tornando possível a adaptação do indivíduo ao mundo externo. à medida  que  a  criança  vai  experienciando  e  se  vai  apercebendo  de  privações  e  recusas  no  mundo exterior.  O  superego  é  formado  então  por  princípios  morais  e  representa um conjunto de valores nucleares como a honestidade. as obrigações. pelo que  por  volta  dos  7  anos. surge relativamente cedo. ou seja. Assim.

 ela própria  procura  agarrar  qualquer  objecto.  como  também se constitui como fonte de prazer sensual. tanto reter. na chupeta ou no biberão passivamente. seja ou não  alimento.  Neste  período. cuja natureza marca o modo  como futuramente se relacionará com o mundo.  os  pais  preocupam‐se  com  a  criação  de  hábitos  de  higiene.  Se  a  exigência dos pais for demasiado rígida a criança tende a reter as fezes  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  para  a  qual  contribui  o  aparecimento de dentição.  de  acordo  com  o  desenvolvimento  de  uma  oralidade  mais  agressiva.  Posteriormente.  dado  que  não  se  presta  apenas  à  satisfação  das  necessidades  alimentares  do  bebé.  sendo  que  a  descarga  reflexa  produzida  pela  pressão  nos  músculos  do  esfíncter  anal.  beber. como expulsar fezes torna‐se numa fonte de prazer. mais especificamente aos 2 anos. tudo o que a criança agarra é levado à boca.  Deste  modo. Também por esta altura. No início deste estádio. a criança começa a  desenvolver  o  controlo  muscular  ligado  à  defecação. segundo Freud.  beijar  e  fumar.  a  fixação  neste  estádio  conduz  à  tendência  exagerada  para  comportamentos  de  gratificação  oral.  Durante  este  período  a  boca  é  a  principal  fonte  de  prazer. pelo que nesta fase.  começa‐se  a  estruturar  a  personalidade.  chegando  a  mordê‐lo.  Segundo  Freud.  torna‐se  agradável. Posteriormente.  de  acordo  com  o  excesso  de  satisfação ou de desprazer. constituindo a  região anal como a zona erógena desta fase.  Freud  coloca  a  criança  no  Estádio  anal. Neste período. a  criança  vive  um  estado  de  indiferenciação  eu‐mundo  com  o  qual  contacta  fundamentalmente através da boca e é por isso que durante alguns meses se limita a  mamar no seio.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      12  um  excesso  de  frustração  ou  de  satisfação  dos  sentimentos  sexuais  de  cada  período  poderão permanecer psicologicamente presas a esse estádio. O seio materno é  então  fonte  de  grande  satisfação  que  lhe  permite  estabelecer  uma  relação afectiva de proximidade com a mãe.  comer.  como  por  exemplo. fenómeno designado por  fixação.  tornando‐se  numa  zona  erógena.  que  decorre  dos  12/18  meses aos 3 anos.  desenvolvendo‐se  algumas  características  com  dimensões  bipolares.  O  Estádio  oral  decorre  desde  o  nascimento  até  aos  12/18  meses.

  obstinação.  desenvolvendo  assim  o  conceito  de  masculinidade. meticulosidade. dificuldades de relacionamento sexual.  onde  se  observam  características  como  avareza.  construindo  o  conceito  de  feminilidade.   Nesta  fase.  Quando  estes  complexos  não  são  bem  resolvidos. a submissão. ordem compulsiva.  as  crianças  vivem  a  primeira  experiência  de  amor  heterossexual.  embora  procure  parecer‐se  com  ela.  procura  imitá‐lo  para  conquistar  a  mãe.  Se  os  pais  ensinam  aos  filhos  que  isso  é  vergonhosos. a criança encontra‐se no Estádio de latência.  Expulsivo‐anal. esta vivência é designada “complexo de Electra”.  contudo. futuramente.     13  Segundo  Freud. os desejos sexuais estão praticamente ausentes.  vendo  a  mãe  como  um  obstáculo  à  realização  dos  seus  desejos. Esta situação de apaziguamento  das pulsões sexuais deve‐se à amnésia infantil. A curiosidade sexual cede lugar à curiosidade  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . a generosidade  excessiva e desordem. Nesta  fase.  A  criança  canaliza  a  energia  psíquica para actividades de outro tipo. processo pelo qual a criança reprime no  inconsciente  as  experiências  fortes  do  estádio  fálico. pelo que a criança obtém prazer ao tocar nos  órgãos  genitais.  Isto  porque  é  nesta  fase  que  a  criança  descobre  que  o  corpo  dos rapazes e das raparigas e diferente.  a  educação  do  asseio  demasiado  restritiva  ou  tolerante  pode  determinar 2 tipos de personalidade adulta:  Retentivo‐anal.  O  rapaz  nutre  uma  atracção  especial  pela  mãe.  os  rapazes  podem  contrair  o  medo  da  castração  e  as  raparigas  a  “inveja  do  pénis”. cujo objecto da líbido  são  os  órgãos  genitais.  ao  mesmo  tempo  que  desenvolve  uma  agressão  competitiva  em  relação  ao  pai.  de  forma  a  seduzir  o  pai.  da  qual  resultam  dimensões  bipolares  de  personalidade:  orgulho‐ humildade.  Dos 3 aos 5/6 anos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    ou a expulsá‐las nos momentos mais inoportunos. a criança encontra‐se no Estádio fálico. onde se observa a tolerância.  Freud  designou esta vivência “complexo de Édipo”.  quer  porque  as  fantasias  sexuais  infantis  são  satisfeitas  por  defeito  ou  por  excesso. sedução‐retraimento.  pode  ocorrer  uma  fixação  nesta  fase.  Rapazes  ou  raparigas podem apresentar. promiscuidade‐castidade.   Dos 5/6 anos aos 12/13 anos. esta sente‐se atraída  pelo  pai. No caso da rapariga.

  facto  explicável  pela  maturação  orgânica e  aos  impulsos  desencadeados  pela  consequente  produção  de  hormonas  sexuais.  ego.  a  procura  e  a  invenção  ocupam  a  num  número  de  actividades  de  acordo  com  os  seus  gostos  ou  atingir.  Freud  considera  o  Estádio  Genital.  Este  estádio  torna‐se  assim  uma  repetição  dos  períodos  precedentes.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 . o desenvolvimento psicossexual  está terminado.  a  descoberta. visto ser a última etapa desenvolvimento psicossexual.  a  sexualidade  desperta  de  novo  e  com  grande  intensidade.  Após  o  estádio  de  latência.  professores e amigos.  Durante  este  período  de  acalmia  sexual.  pelo  que  a  estrutura  da  personalidade  se  encontra praticamente formada.  a  criança  portanto  a  criança  metas  a  procura  tornar‐se numa espécie de “criança‐modelo” bem comportada e apreciada pelos pais.  pelo  que  se  reactivam  os  conflitos  vividos  na  infância. No estádio seguinte. o amor vivido no período fálico em relação ao progenitor do sexo oposto é  agora  canalizado  para  uma  atracção  heterossexual  por  pessoas  alheias  ao  universo  familiar.  A  satisfação  dos  impulsos  da  líbido  é  procurada  pela  prática  de  actividades  sexuais de natureza genital.  desencadeado  depois  da  puberdade. estão preparados para o exercício de actos  ligados  à  reprodução. também na medida em que  afasta  a  criança  do  mundo  familiar  carregado  de  afectividade  e  exploração.  Não há fixação neste período.  O  aparelho  psíquico  constituído  pelas  3  instâncias  ‐  id.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      14  intelectual que a entrada na escola ajuda a desenvolver.  O  complexo  de  Édipo  é  revivido  pelo  adolescente  de  uma  forma  muito  especial.  superego  ‐  está  completamente  organizado  nesta  fase. Os jovens que atingem este estádio após terem resolvido  os conflitos inerentes às fases anteriores.  Nesta  fase.  bem  como  para  assumir  as  responsabilidades  da  idade  adulta.

  As  crises  psicológicas  que  permitem  ao  indivíduo  adquirir  sentimentos.  resultam  em  equilíbrio  e  saúde  mental.  desde  o  nascimento.  é  fundamental  para  a  construção  da  personalidade  que  se  desenvolve  em  função  da  resolução  de  crises  sucessivas. individuais e sociais.  o  conceito  de  crise. Em fases subsequentes. constituem o ciclo da vida.  sendo  que  existe  uma  solução  positiva  e  negativa  para  cada  um  deles.  Em  cada  estádio  manifesta‐se  uma  crise  que  é  vivida  em  função  de  aspectos biológicos.  De  acordo  com  a  forma  como  a  crise  for  resolvida. A crise consiste num conflito ou dilema que  deve  ser  resolvido.  Ajustamento  ou  desajustamento  não  são  situações  ou  estados  definitivos.  Quando  as  crises  são  resolvidas  de  forma  positiva. o indivíduo pode passar por experiências positivas  e negativas que contrariem as vivências tidas em estados anteriores.  autonomia.  O  desenvolvimento  é  um  processo  contínuo  que  se  inicia  com  o  nascimento e se prolonga até ao final da vida.  a  pessoa  situar‐se‐á  mais ou menos adequadamente no contexto social.  só  se  tornando patentes e predominantes em fases específicas da vida.  Desta  forma.  segundo  Erikson.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      15  ERIKSON E O DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL  A perspectiva de Erikson caracteriza‐se pela sua ênfase nos aspectos psicossociais.  como  confiança  em  si  próprio.  havendo  portanto  uma  valorização  da  interacção  entre  a  personalidade  em transformação e o meio social.  iniciativa.  falta  de  confiança.  latentes  no  indivíduo.  Os  conflitos  estão.  cujos  pressupostos  são  os  seguintes:  A energia que orienta o desenvolvimento é essencialmente de natureza  psicossocial.  já  as  soluções  negativas  das  crises  conduzem  ao  desajustamento e ao sentimento de fracasso.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  ou  pelo  contrário. no seu conjunto.  A  personalidade  constrói‐se  à  medida  que  a  pessoa  progride  por  estádios psicossociais que.   Erikson  apresenta  uma  teoria  de  desenvolvimento.

  este  desenvolve  medos  e  suspeitas  que  contribuem  para  a  formação  de  uma  atitude  negativa  de  desconfiança. a criança ganha autonomia. puxar.  o  que  contribui  para  o  domínio  do  seu  próprio  corpo  e  do  ambiente  que  a  rodeia. empurrar.  brinca  e  fala  ternamente com ele.  O  conflito  típico  desta  idade  é  a  Autonomia  vs.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      16  sentimentos de inferioridade e culpabilidade.  emocional  e  social  que  se  pode  traduzir  por  um  valor.  Durante  este  período. o bebé desenvolve o sentimento de que o ambiente  é  agradável  e  seguro. se pelo contrário. Se os pais encorajarem  a  criança  a  exercitar  estas  habilidades.  o  relacionamento  com  a  mãe é da maior importância.  por  uma  característica de personalidade.  O  conflito  típico  desta  idade  é:  Confiança  versus  Desconfiança.   2.  sentem‐se  bem  sempre  que  podem  exercitar  as  suas  capacidades  motoras:  correr.  Esta  fase  corresponde  ao estádio oral da teoria de Freud. distribuídas por  8 idades. por uma competência. Se a mãe alimenta  bem  o  filho. largar são actividades que  treinam e procuram desenvolver.  Esta  aquisição  constitui  um  ganho  psicológico.  A  virtude  desenvolvida  durante  este  período  é  a  esperança.  1. segurar. em cada uma das quais aparecem virtudes específicas.  Por  isso.  Nesta  fase. Criança  de  tenra  idade:  situa‐se  desde  os  18  meses  até  aos  3  anos.  gostam  de  experimentar.  se  o  aconchega  e  acarinha.  as  crianças  sentem  ainda  necessidade  de  protecção. Contudo. surgem ao longo da vida. Bebé:  vai  desde  o  nascimento  até  aos  18  meses.  se a criança for impedida de usar as suas capacidades ou se  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . No entanto. Desta forma. por uma qualidade pessoal ou  por um sentimento.  ela  desenvolve  o  controlo  dos  seus  músculos.  criando  uma  atitude  básica  de  confiança  e  face  ao  mundo.  Vergonha  e  dúvida.  mas  simultaneamente.  Erikson emprega o termo virtude com o significado de uma aquisição positiva que  ocorre  quando  a  resolução  da  crise  é  favorável. o comportamento da mãe não satisfaz  o  bebé.

  idealiza  façanhas.  sentem‐se  inferiores.  A  virtude  própria  deste  período  é  a  tenacidade.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      17  lhe  é  exigido  que  use  essas  capacidades  precocemente. Sonha com  o  sucesso.  Criança  em  idade  pré‐escolar:  dos  3  aos  6  anos.  Sentimento  de  inferioridade. se sentirem que são bem sucedidas e acreditarem  nas suas capacidades e no seu valor pessoal.  A  criança  descobre  o  universo  da  escola.  desenvolvida quando o conflito é resolvido de forma positiva.  se  os  pais  se  impacientam  e  consideram  disparatadas  as  suas  perguntas. No entanto. O desejo de experimentar  mantém‐se  e  amplia‐se  com  a  aquisição  de  novas  capacidades intelectuais.  Criança em idade escolar: dos 6 aos 12 anos.  4. a nível académico e social.  estas  sentem  que  o  seu  sentido  de  iniciativa  é  valorizado.  as  crianças  sentem‐se  culpadas  e  inseguras.  realiza  tarefas  e  exibe‐se.  desenvolvendo  esquemas  cognitivos  para  se  tornar  excelente  nas  tarefas  Novembro de 2007 desempenhadas.  O  conflito  próprio  desta fase é Iniciativa vs.  A  boa  resolução entre aquilo que a criança quer e o que os outros exigem dela. empenham‐se com prazer no  trabalho. Este período  aproxima‐se do estádio anal da teoria de Freud.  Com  elas  toma  iniciativas.  Quando  as  crianças  se  sentem  menos  capazes  do  que  os  seus  pares.  Se  os  pais  compreendem  e  aceitam  o  jogo  activo  das  crianças.  que  usa  como  outras  formas  de  explorar  a  realidade.  Porém.  brincadeiras  e  actividades. virtude própria desta idade. como o pensamento e a  linguagem.  resulta na sua força de vontade. O conflito próprio desta  idade  é  Diligência  vs.  como  a  vergonha  e  a  dúvida. Sentimento de culpa. Este período  aproxima‐se do estádio fálico da teoria de Freud.  onde  se  espera  que  faça  grandes  aprendizagens.  a  criança  desenvolve  sentimentos  negativos.  3.  evitando  agir  de  acordo  com  os  seus  próprios  desejos. A virtude desenvolvida nesta fase é a  Educadora: Ana Cláudia Ferreira . desenvolvendo a diligência.

 Este período aproxima‐se  ao estádio genital da teoria de Freud.  seguidor.  em  que  o  conflito é Generatividade vs. Desespero.  estudante.  amigo.  Adolescente:  dos  12  aos  20  anos.  os  adolescentes  constroem  mais  facilmente  a  sua  identidade.  manifestam  dificuldades  em  saber  o  que  são.  O  conflito  próprio  desta  idade  é  Identidade  vs.  com  identidade  própria. em que o  conflito típico deste período é a Integridade vs.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      18  competência  ou  perícia.  Confusão.  Se  pelo  contrário.  o  adolescente  apercebe‐se  da  sua  singularidade  como  pessoa.  que  opções  seguir  e  que  papel  desempenhar.  mas  inserido  num  meio  social  onde tem vários papéis a desempenhar.  líder. a de idoso (65 anos em diante).  a  de  adulto  (35  anos  aos  65  anos). Se  nos  períodos  anteriores  conseguiram  obter  confiança  básica.  o  que  querem.  Isolamento.  Nesta  idade.  iniciativa  e  diligência.  Erikson  ainda  refere  as  fases  de  jovem  adulto  (20  aos  35  anos).  onde  o  conflito  típico  é  Intimidade  vs.  5.  A  virtude  desenvolvida  nesta  fase é a lealdade (consigo próprio) ou fidelidade.  adquirindo  a  noção  de  que  é  um  ser  único.  Este  período  aproxima‐se  do  estádio  de  latência  da teoria de Freud.  trabalhador.  é  a  partir delas que escolhe uma carreira profissional e um estilo de vida.   Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  homem  ou  mulher  numa  única  imagem. Estagnação. O adolescente  vai  ter  de  integrar  diversas  auto‐imagens:  jovem.  autonomia.  vivem  situações  difíceis  de  confusão  e  indecisão. e.

  A  este respeito.  Estas  concepções  contemporâneas  acerca  do  que  é  a  criança  nos  primeiros  tempos.  cada  um  na  sua  perspectiva.  considerava  uma  “nova”  infância. respectivamente.  dormir.  desde  o  nascimento.  em  que  a  criança. a psicanalista Ana Freud efectuou observações em infantários fundados  no  tempo  da  guerra  para  acolher  os  filhos  das  mães  trabalhadoras  cujos  maridos  se  tinham  alistado  em  combate. desde os primeiros meses de vida.  pelo  que  a  criança  apresenta  necessidades  que  não  são  exclusivamente  comer.  estar  limpa e agasalhada.  mudaram  o  modo  como  a  mãe  assume  os  cuidados  maternais.  no  entanto.  Muitos  psicólogos  se  têm  dedicado  ao  estudo  da  privação  do  afecto materno.  comprometerão o desenvolvimento harmonioso da personalidade individual.  Às  necessidades  fisiológicas  juntam‐se  outras  que  se  não  forem  satisfeitas.  observando  crianças  abandonadas  que passaram a viver.  dificuldades  no  relacionamento  interpessoal  manifestados  por  condutas  que  passam  pela  insensibilidade  a  outrem  e  pela  tendência  para. afectivo e social.  Estas  crianças  eram  bem  cuidadas  em  termos  de  alimentação  e  higiene.  Também  o  psicanalista  americano  Spitz  efectuou  estudos  semelhantes.  A  mãe  é  então  o  primeiro  agente  através  do  qual a criança se relaciona com o meio.  a  todo  o  custo. cujas causas foram atribuídas à ausência de  afecto materno. cobrar o afecto e a atenção dos outros. desenvolvendo com ela as primeiras relações  afectivas e iniciando o seu processo de relacionamento com o mundo físico e social.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      19  A RELAÇÃO MÃE ‐ FILHO  Piaget.  Todos  estes  psicólogos  evidenciam  que  o  desenvolvimento  é  dinâmico  e  que  necessita  de  uma  relação  com  outrem. Spitz concluiu que a  privação  dos  cuidados  e  aconchego  maternos  levavam  à  morte  precoce.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  quase  todas  apresentavam  perturbações  emocionais e atraso no desenvolvimento.  vai‐se  desenvolvendo  a  nível  intelectual. em  orfanatos e outras instituições similares.  Freud  e  Erikson.

 por último caem num estado de indiferença e apatia.  procuravam  uma  posição  que  lhes  permitisse  não  perderem  o  contacto  com a mãe mais confortável. mostram desespero. transportavam os objectos para junto dela. vêm a sofrer de perturbações que se desenvolvem em  3 fases: inicialmente.    Inicialmente. acalmavam‐se  ao seu colo e observavam os objectos.  Progressivamente.  Harlow  pensou  que  as  mães  felpudas  satisfaziam  as  necessidades  emocionais  dos  bebés  macacos.  Harlow  verificou  o  seguinte:  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  não  se  tornaram  adolescentes  nem  adultos  com  padrões  de  comportamento  semelhantes  aos  dos  outros  macacos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      20  As observações de Bowlby são mais recentes e foram feitas em crianças de tenra  idade. receber afagos.   Harlow  realizou  experiências  notáveis  em  que  macacos  eram  criados  por  duas  mães artificiais.  outra.  corriam para ela e agarravam‐se‐lhe com todas as forças.  Mesmo  quando  sentiam  fome  ou  queriam  explorar  objectos  nas  imediações. mesmo em  relação à família.  revestida  de  material  felpudo.  Harlow  concluiu  assim.  que  após  estabelecido  o  vínculo  afectivo.  iam  explorando  os  objectos.  usando  a  mãe  como  base  de  apoio:  corriam a tocar num objecto e regressavam rapidamente. Pouco depois. tinha uma espécie de biberão onde  eles  se  alimentavam.  proporcionava  aos  macaquinhos  um  contacto  macio  e  agradável.  abraçado e beijado. festas e carícias.  ser  embalado.  pois  entre  os  3  e  os  6  meses  pareciam  saudáveis  e  normais. Bowlby concluiu que quando as crianças são afastadas da família por períodos  de tempo superiores a 3 meses. em seguida.  Harlow  verificou  que  os  animaizinhos  estabeleceram  um  vínculo  afectivo  com  a  mãe  de  veludo. cuja  satisfação  reside  em  experiências  gratificantes  como:  estar  ao  colo. Pareciam estar a viver um conflito entre o medo  que  o  “estranho”  lhes  provocava  e  a  curiosidade  que  sentiam  pela  “novidade”. sendo que uma era feita de arame. irritação e cólera.  permanecendo  a  maior  parte  do  tempo  abraçados  a  ela  na  procura  do  conforto  que  a  “mãe  de  arame”  não  lhes  podia  dar.  No  entanto. Mal se apercebiam da presença de objectos estranhos. voltavam aos objectos mais  calmamente e. alguns.  a  “mãe  de  veludo”  proporcionava‐lhes  sentimentos  de  segurança  que  contribuíam  para  a  perda  de receio quando pretendiam satisfazer a sua necessidade.   O  vínculo  afectivo  que  se  estabelece  entre  o  filho  e  a  mãe  e  que  se  traduz  pelo  desejo da presença desta e do seu contacto tem uma origem de cariz emocional.

 pelo que as mães substitutas não lhes ensinaram a  “comportar‐se  em  sociedade”.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      21  apresentavam comportamentos compulsivos. movendo‐se em círculos ou baloiçando o  corpo para trás e para diante.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  não  se  relacionando  normalmente com  macacos  do  sexo  oposto.  A  razão  destas  perturbações  foi  atribuída  à  privação  ou  défice  de  estimulação  sensorial.  mas  também  de  viver  num  meio  social estimulante onde possa interagir com os outros e aprender a comportar‐se em  sociedade.  Alguns  dos  macaquinhos recém‐nascidos morreram mesmo.  Das  observações  de  Harlow  podemos  concluir  que  o  bebé  precisa  de  criar  laços  afectivos  com  alguém.  quando  algumas  macacas  ficaram  grávidas  mostravam‐se  incapazes  de  cuidar  dos  filhos  e  rejeitavam‐nos  agressivamente. esta não interagia com eles. não  havendo um intercâmbio de sinais. não revelavam qualquer interesse por outros macacos  ou  pessoas.  perceptiva  e  social  que  os  macacos  sofreram  na  situação  de  isolamento.  Apesar de se ligarem afectivamente à mãe substituta.  eram  sexualmente  desajustados.

Inadaptação dos reforços – Quando a criança  tem uma necessidade.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      22  ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS DA INFÂNCIA  Estudar  os  problemas  do  comportamento  na  infância  implica  considerar  duas  questões  centrais:  compreender  o  comportamento  no  contexto  do  desenvolvimento  infantil  (normas  de  comportamento  próprias  para  cada  intervalo  de  idade)  e  compreender o percurso do desenvolvimento dos problemas de comportamento.   2. Perda do Objecto  (Spitz) – Este autor é o primeiro que fala de Depressão  Infantil. São diferentes as manifestações da depressão infantil  e dos adultos.  As  variáveis  relacionadas  com  a  idade  afectam  também  a  consideração  de  um  comportamento  como  problemático:  é  importante  que  se  conheça  que  comportamentos são adequados e em que idade. manifesta atenção e a  resposta não se adequa ao seu pedido.  DEPRESSÃO INFANTIL  A Depressivo Infantil (DI) é uma perturbação do humor capaz de comprometer o  desenvolvimento  da  criança  ou  do  adolescente  e  interferir  com  seu  processo  de  maturidade psicológica e social. Estima‐se que 3% da população infantil seja afectada pela DI.  Podem ser diferentes as etiologias que podem contribuir para a existência de um  quadro de DI:  1. quanto maior for esse período mais sintomas  apresentará a criança.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . possivelmente devido ao processo de desenvolvimento que existem na  infância e adolescência.  3. Não existe contingências entre os  comportamentos – Estímulo ‐Resposta não têm  uma relação constante e não se correspondem. a criança sente‐se  desorientada. Segundo autor a sintomatologia é fruto da perda de atenção materna  (ou do prestador de cuidados).

  lamúrias  e  condutas  auto‐ agressivas.  Ausência  de  auto‐estimulações:  balanceio.  Ausência de gorjeios e balbucia.  Atraso global do desenvolvimento. filho indesejado.  5.  Depressão da criança pequena (3 aos 5/6 anos)  Perturbações  comportamentais:  isolamento  ou  retraimento.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    4.  condutas  masturbatórias.   Ausência de curiosidade exploratória. maus tratos. entre  outros. retirada. falta de contacto. Atribuições inadequadas (Beck) – valores e crenças que são destruídos por  mudança de ambiente.  DEPRESSÃO EM FUNÇÃO DA IDADE    23  Depressão do bebé e criança muito pequena (2‐3 anos)  Choramingos. Outros aspectos familiares – problemas conjugais.  oscilações  do  humor  alternando  os  estados de agitação com os de choro.  Carência familiar grave e caos educativo.  condutas  auto  e  hetero‐ agressivas. indiferença.  agitação.  Depressão anaclítica: prostração.  6. de desespero e de desligamento.  Atraso do desenvolvimento psicomotor. morte de um  familiar (directo ou indirecto).  irritabilidade  significativa.  Ausência de manifestações de alerta.  Segundo Bowlby as consequências da separação podem ser:  Fases de protesto. alcoolismo.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  expectativas exageradas por parte dos pais.  Atraso da linguagem. indiferente ao meio. isolada. problemas financeiros. retraimento.  Ausência na participação de jogos próprios para a idade. se for muito frequente podem conduzir a  sintomatologia depressiva. abatida.  calma  excessiva. Causas biológicas. olhar apagado.

  Depressão da criança maior (5/6 anos aos 12/13 anos)  Manifestações  ligadas  ao  sofrimento  depressivo:  auto‐desvalorização. fracasso escolar.  agressividade. que parece não reconhecer essas pessoas.  nenhuma  autonomização  nas condutas da vida quotidiana.  impulsividade.  que  se  manifesta  por  indiferença  às  recordações  da  figura cuidadora (fotografia ou menção do nome). como por exemplo.  2.  Condutas  ligadas  ao  protesto  e  à  luta  contra  os  afectos  depressivos  (distúrbios  do  comportamento):  cólera. mentiras e fuga.  furtos repetidos. ou mesmo uma espécie de  "ouvido selectivo".  chama  e  busca  o  progenitor  ausente.  1.  Perturbações  somáticas:  dificuldades  do  sono.  5.  desespero e desinteresse.  Frequência:  3%  a  25%. enurese.  distúrbios  do  comportamento e psicossomáticos  Contexto  etiopatológico:  existência  da  perda  ou  separação.  pesadelos. Desinteresse  paradoxal.  expressão  facial  de  tristeza e falta de interesse nas actividades apropriadas para a idade.  4. Retraimento  emocional  que  se  manifesta  por  letargia. anorexia ou bulimia.  Evolução  para  estado  depressivo  (não  frequente). fracasso escolar.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      24  Aquisições  sociais  perturbadas:  nada  de  jogos. Desorganização dos horários de comer e dormir.  3.  em  que  3%  equivale  à  depressão  do  adulto  e  os  25% são equivalentes depressivos. A  criança  chora. humor depressivo.  ambiente  familiar.  recusando  quaisquer  tentativas de consolo por outras pessoas.  sonolência  diurna. falar como se fosse mais novo. Regressão ou perda de hábitos já adquiridos. encoprese. fazer xixi e/ou  coco na roupa (ou cama).  Reacção de Dor e Aflição Prolongadas:  Este  estado  pode  manifestar‐se  por  qualquer  etapa  da  sequência:  protesto.  auto‐depreciação.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .

  revelando  o  quanto é importante o trabalho de busca de uma resolução para o conflito.  pois  não  se  abdica  do  vínculo  estabelecido  com  facilidade  e  sem  sofrimento.  com  choro  e  lamentação. Pesar  e  tristeza.  apontando  para  a  impossibilidade  do  processo  esperado  e  constituindo‐se  um indicativo da não resolução do luto. torna‐se extremamente sensível a qualquer  recordação  do(a)  cuidador(a).  acompanhados  por  dor  mental  e  sofrimento.  produz  uma  forte  reacção  de  protesto pela impossibilidade de se alcançar o objectivo desejado.  constantemente  concentrado  nessa  tarefa.   Existem 3 fases do luto. o que preserva a relação noutro patamar.  é  preciso  entender  a  teoria  da  vinculação.  estes  aspectos  podem  apresentar‐se  com  intensidade  ou  duração  alteradas.  apresentando  mal‐estar  agudo  diante  de  qualquer estímulo que lembre a pessoa. o mundo  parece estar fora de contexto. em casos de luto  complicado.  Luto da Criança  Para entender o impacto que causa na criança a perda por morte de uma figura de  forte  vínculo  afectivo  (mãe.  que  leva  a  comportamentos  de  busca  inócua.  pai.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      25  6.  Stroebe. a criança pode mostrar‐se exactamente ao  contrário das características acima.  Desespero  e  desorganização  ‐  o  conflito  permanente  entre  o  desejo  e  sua  frustração.  2.  inicialmente pesquisada por Bowlby. entorpecimento e dificuldade de acreditar na realidade.  Recuperação  e  restituição  ‐  o  conflito  pode  ser  solucionado  a  partir  de  uma  nova construção do vínculo com o falecido.  Stroebe  e  Hansson  (1993)  apresentam  um  levantamento  das  respostas  Novembro de 2007 emocionais esperadas no processo normal de luto.  O  pensamento. permitindo um retorno da atenção para o mundo  e trazendo a possibilidade do estabelecimento de novas relações. Como comportamento alternativo. assim caracterizadas:  Busca  ou  protesto  ‐  o  intenso  desejo  de  recuperação  da  pessoa  amada  e  perdida.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  o sofrimento diminui gradualmente.  irmãos). tanto quanto este parece estar fora de contexto para o  mundo. Choque.  deixa  pouca  possibilidade  para  se  dedicar  a  outras  actividades.  leva  ao  desespero.  1. Acrescentam que.

  10.  pela  responsabilidade  da  morte  ou  pelo  sofrimento  que  ela  trouxe  e.  pelo  término  do  sofrimento. Ansiedade  e  receios  que  aparecem  sob  a  forma  de  insegurança. Alívio.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 . médicos. Culpa  e  arrependimento.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      26  3.  medos  ou  crises de angústia. de desamparo e sentir‐se incapaz de enfrentar a  realidade.  6.  que  aparecem  sob  as  formas:  culpa  por  sobreviver.  com  carácter intrusivo e fora de controlo.  da  doença.  que  se  expressa  como  sentir‐se  só  mesmo  quando  em  grupo  e  com  picos de sentimentos intensos de isolamento. Senso de perda devido ao reconhecimento da ausência e da impossibilidade de  recuperação.  ainda. que trazem a sensação  de estar a perder o controlo.  pela deslealdade do falecido.  9.  esquecimento ou falta de coerência. Imagens  repetitivas  da  pessoa  falecida  próxima  da  morte.  7. Solidão.  especialmente  após  doença  longa  e  sofrida. Raiva é comum e pode voltar‐se contra a pessoa falecida.  8. familiares.  5. Desorganização  mental  apresentando  graus  variados  de  distracção.  11.  4.  amigos e mesmo contra o próprio ego. Sobrecarga de tarefas e dificuldades para sua realização.  confusão.

  do  escuro.  a  ansiedade  de  separação  e  o  retraimento  social  com  aversão  a  falar  e  mutismo selectivo.  muitos  deles  são  transitórios.  animais. pessoas com roupas  estranhas. feridas.  de  intensidade  leve  e  específicos  de  uma  determinada  idade.  desagradáveis ou perigosas. solidão.  Criança dos 6 aos 8 anos  Separação  das  figuras  de  vinculação. do escuro e animais. separação das figuras de vinculação. Devemos pois distinguir entre medos evolutivos e outros  medos mais intensos ou fobias.  estranhos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      27  PERTURBAÇÕES DE ANSIEDADE  A  ansiedade  é  uma  resposta  normal  que  surge  quando  a  pessoa  se  sente  ameaçada  ou  em  perigo.   Entre os medos mais comuns na infância encontram‐se os seguintes:  Criança até aos 2 anos  Perda súbita da base de sustentação. à escuridão.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . separação.  Muitos  autores  consideram  estes  medos  evolutivos  e  parte  integrante  do  desenvolvimento  normal  e  necessário  ao  desenvolvimento  da  criança.  dano  físico. do escuro e animais.  seres  imaginários.  Criança dos 3 aos 5 anos  Estimulação visual ou auditiva intensa.  A  ansiedade  torna‐se  um  problema  quando  aparece  em  situações  em  que  não  existe  perigo  real  ou  quando  se  mantém  depois  de  ter  desaparecido a fonte de stress.  aos  ruídos  intensos  e  a  fobia  escolar).  As  perturbações  de  ansiedade  mais  frequentes  na  clínica  infantil são: as fobias específicas (fobia aos animais.  As  crianças  experimentam  diversos  medos  ao  longo  do  seu  desenvolvimento.  Os  medos  proporcionam  ferramentas  para  fazer  face  e  ultrapassar  situações  adversas. dano físico. estimulação visual ou auditiva muito intensa. pesadelos e escola.

  quando a criança vai a uma visita de estudo. Os sintomas de ansiedade persistem por um tempo inadequado.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      28  Criança dos 9 aos 12 anos  Animais.  mas  também  ocorre  quando  os  pais  têm  de  viajar.  Os transtornos ansiosos podem ser debilitantes para crianças e adolescentes e  Novembro de 2007 stressantes para as famílias.  3.  2. A criança apresenta sintomas que excedem  o que seria esperado no desenvolvimento. costumam andar juntos como uma  sombra atrás dos pais.  As crianças com Ansiedade de Separação podem ser incapazes de permanecer  num quarto sozinhas.  PERTURBAÇÃO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO  A  ansiedade  na  perturbação  de  ansiedade  de  separação  é  experimentada  pela  criança  quando  é  separada  na  realidade  ou  supostamente  dos  seus  entes  queridos.  relações  interpessoais.  escola.  dano  físico. não só fora de casa como por toda a casa e sofrem muito diante  da possibilidade de ficarem separadas. podem comprometer significativamente o  desenvolvimento e o equilíbrio emocional.  Assim.  pesadelos.  aspecto  físico  e  morte. Por isso. A ansiedade cria comprometimento  significativo em alguma área das funções  da criança. podem exibir um comportamento muito adesivo à pessoa de  forte vínculo afectivo (normalmente a mãe). quando  vai  por  exemplo  para  a  escola. a casa de um familiar ou de um amigo. o tratamento rápido e  apropriado pode ser efectivo em aliviar os sintomas e ajudar a criança a retornar à  função normal.  especialmente da mãe.  As características mais frequentes são:  1. Aparece quando a criança tem de se afastar dos pais. a fonte de ansiedade é a separação dos pais por qualquer motivo.

  a  criança  tem  dificuldade  para o fazer em determinadas situações mas.  os  comportamentos  que  estas  crianças apresentam são:  1.  Na  aversão  generalizada  a  falar. Queixa‐se de doenças ou de dores. não encontra ou suja a roupa.  Fobia Escolar  Apesar do medo da escola ser muito frequente na infância.  Em  termos  dos  três  sistemas  de  resposta.  utilizando frases curtas ou monossílabos. mas que o faz quando lhe é exigido. a Fobia escolar é uma  perturbação pouco frequente. Se  devido  à  pressão  dos  pais  e  professores  permanece  na  escola.  saber  falar  e  compreender  a  linguagem  falada.  Expressa  verbalmente a sua recusa a ir à escola.  não  toma  o  pequeno‐almoço.  seleccionando  determinadas  situações  ou  pessoas  com  quem  falar.  FOBIAS ESPECÍFICAS  Dentro  das  fobias  específicas  vamos  falar  daquelas  que  são  mais  específicas  da  infância: a fobia escolar e a fobia social. Se os pais a obrigam a ir à  escola chora.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    AVERSÃO A FALAR – MUTISMO SELECTIVO    29  Dependendo da gravidade da perturbação podemos falar de mutismo selectivo ou  de aversão generalizada a falar. agarra‐se a eles. faz fitas.  apesar  de  ter  capacidade  para  falar.  Mostra  um  comportamento  negativista:  não  se  veste.  O  mutismo  selectivo  consiste  num  padrão  de  fala  em  que  a  criança. Nestes casos os adultos descreveriam como  uma criança tímida que lhe custa falar. grita. no entanto é a fobia mais frequente na clínica infantil  devido às implicações que apresenta em termos de aprendizagem escolar e social da  criança. treme.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . pede para voltar para casa. Nível  Motor:  A  criança  evita  ir  à  escola  ou  foge  da  mesma. consegue fazê‐lo com um volume baixo.  recusa‐se  a  fazer. não fala e não  brinca.  apresenta  comportamentos desajustados. ou é muito passiva.

  As  crianças  com  fobia  social  podem  chorar.  aumento  Aparecem  na  sua  actividade  como    30  respostas  transpiração.  tensão  muscular  elevada.  é  pior.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 . Sistema  Cognitivo:  A  criança  tem  pensamentos  ou  imagens  negativas  sobre  situações  escolares.  3.  Fobia Social  Esta perturbação caracteriza‐se pela excessiva evitação do contacto com pessoas  desconhecidas.  ritmo  cardíaco  acelerado.  desmaios.  ficarem  paralisadas.  Antecipa  consequências  desfavoráveis:  os  colegas  vão  gozar  com  ela. vómitos.  gaguejar. reagindo com medo ou ansiedade perante situações em que têm de interagir  com  outras  pessoas.  avalia  negativamente as suas próprias capacidades e/ou a situação.  crianças  e  adultos.  A  timidez  interfere  nas  relações  sociais  com  os  colegas.  o  professor  vai  ralhar. e até recusar‐se a falar. pensa ou representa em imagens  respostas de fuga/evitação da aula ou da escola.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    2.  disfunções  do  estômago. preocupa‐se  pelas suas próprias reacções somáticas. urgência para urinar. diarreias. Nível  Fisiológico:  A  criança  experimenta  um  importante  fisiológica. abraçarem familiares próximos. Com frequência podem  apresentar dores de cabeça ou alterações na alimentação e no sono.

  Estas  características tendem a ser mais notadas por pessoas com quem convive.  Constantemente esquecem informações.  característica  que  pode  estar  presente desde os primeiros anos de vida.  Na realidade. atira todos pelo chão e. na faixa etária dos 6 anos.  Na  escola  é  evitado. compromissos. Dificuldade  de  atenção  e  concentração. datas ou tarefas.  esta  expectativa  inclui  um  certo  grau  de  agitação. mal‐educadas pelos pais. quase sem usá‐los.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      31  PERTURBAÇÃO DE HIPERACTIVIDADE E DE DÉFICE DE ATENÇÃO  Na  Perturbação  de  Hiperactividade  com  Défice  de  Atenção  (PHDA)  as  crianças  costumam  ser  descritas  mais  ou  menos  como  sendo  inquietas  desde  pequenas. determinar qual o nível de actividade normal de uma criança é um  assunto  polémico.  respondendo  impulsivamente  e  de  forma  exagerada.  A  maioria  dos  pais  tem  uma  certa  expectativa  em  relação  ao  comportamento  dos  filhos  e.  sem  que  nada  o  detenha. A criança tende a mostrar‐se "desligada".  nem  sequer  o  perigo.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  A  criança  pode  ser  portadora  PHDA. no  entanto.  3.  Interrompe  permanentemente  os  adultos  e  as  outras  crianças.  faz  erros  em  tarefas  devido  à  desatenção.  Tira os brinquedos do lugar. tem dificuldade em organizar‐se  e.  professores  e  todos  que  estiverem  à  sua  volta. atingindo 3 a 5%  delas.   As  crianças  portadoras  de  PHDA  ultrapassam  a  festiva  barreira  das  partidas  engraçadinhas.  “Em  casa  corre  daqui  para  lá  o  dia  todo. mesmo assim ele chama os colegas para pedir ajuda com os trabalhos sem. deixam de ser adoráveis diabinhos e transformam‐se num verdadeiro  transtorno  na  vida  dos  pais.  muitas  vezes. que foge da simples questão de comportamento.  os  copiar  a  tempo”.  É  uma  das  perturbações mentais mais frequentes nas crianças em idade escolar. algumas vezes podemos estar perante de um quadro de Hiperactividade  Infantil.  desarrumação  e  desobediência.  2. devido aos problemas que provocam.  acabam por ser consideradas de má índole ou carácter.   A Perturbação de Défice de Atenção é caracterizado primariamente por:  Novembro de 2007 1.  Elas  parecem ignorar as regras de convívio social e.  normalmente.  sem  deter‐se  em  nenhum.  características  que  são  aceitas  como  indicativos de saúde e vivacidade infantil.  Porém. agarra outros  e  outros.

Têm aversão a tarefas que requerem muita concentração e atenção.     Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  5. Costumam perder ou não se lembram onde colocam as coisas.  pode  acontecer  também  a  impulsividade  caracterizada  pela  incapacidade de esperar a sua vez.  mexe‐se  muito  e  tem  dificuldade  em  realizar  qualquer  tarefa estando quieta. dificuldade de permanecer sentado ou dentro  da  sala  de  aula.  Em  alguns  casos. Têm dificuldades em seguir regras.    32  6.    Em  cerca  de  metade  dos  casos  pode  ainda  apresentar  hiperactividade.  fala  muito. normas e instruções que lhe são dadas.  como  movimento incessante de mãos e pés. como  trabalhos de casa.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    4. interrompendo as pessoas durante uma conversa e  também pelo impulso de falar as respostas antes que as perguntas sejam terminadas.

  Quase  metade  das  crianças  cujo  pai  ou  a  mãe  tiveram  enurese  poderá  também  ter  este  problema. já que até esta idade muitas crianças normais ainda estão a adquirir o  controlo completo sobre a micção. acredita‐se que algumas crianças  que têm o sono mais pesado não acordam quando a bexiga fica cheia.  Se  ambos  os  progenitores  tiveram  enurese essa probabilidade sobe para mais de 50%.  A  enurese  nocturna  não  tratada  cura  espontaneamente  ao  ritmo  de  10‐20%  dos casos por ano.  Normalmente a partir dos 5 a 6 anos de idade é que passamos a considerar relevante  este problema.  doenças  renais  ou  distúrbios  hormonais.  Embora  frequente.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . Outra causa possível é o sono profundo. Calcula‐se que afecte 15% das  crianças  aos  5  anos.  passa  muitas  vezes  de  pais  para  filhos. Nestas  crianças parece haver um atraso do desenvolvimento do controle da bexiga.  3%  aos  12  anos  e  1%  aos  20  anos.   A enurese denomina‐se nocturna quando a micção involuntária ocorrer durante a  noite (ou durante o sono) e diurna se ocorrer durante o dia. A enurese diz‐se primária  se a criança nunca adquiriu o controlo de urina e secundária se surge após um período  de controlo normal superior a 6 meses.   A enurese nocturna é um problema muito comum. a enurese nocturna pode ser um sintoma de doenças variadas como  infecções  urinárias. 10% das crianças enurécticas vão manter a enurese na  idade adulta se não forem tratadas. No entanto.  isto  é.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      33  PERTURBAÇÕES DA ELIMINAÇÃO  ENURESE  A enurese pode ser definida como a micção involuntária e frequente (pelo menos  uma  vez  por  mês)  numa  idade  na  qual  o  controlo  da  bexiga  já  devia  existir. Algumas  crianças  têm  bexigas  de  menor  capacidade  (bexigas  pequenas)  ou  não  conseguem  reduzir  a  produção  de  urina  durante  o  sono  fazendo  com  que  não  consigam  "aguentar".  No  entanto. a certa altura o  músculo da bexiga tem uma contracção reflexa e leva à perda de urina.   Raramente.  na  grande  maioria dos casos não se encontra associada a nenhuma doença em particular.   A  enurese  nocturna  tem  uma  elevada  incidência  familiar.  7%  aos  10  anos. muitas crianças com enurese nocturna não são levadas ao médico por esse  motivo.

  campeonatos desportivos. Castigá‐la só vai  fazê‐la sentir‐se pior.  incentivando  a  criança  quando  consegue passar uma noite ou várias noites sem fazer xixi.   Fazer xixi antes de se deitar. visitas a familiares.   Não  castigar  a  criança.   Se a criança tiver obstipação esse problema deve ser resolvido.  visto  que  não  ‘molha’  a  cama  para  chamar  a  atenção  ou  porque é preguiçosa.  que  vão  aumentando  com  o  crescimento  da  criança.  como  dormir  na  casa  de  amigos.   Tratamento Comportamental  Compreende medidas que visam motivar a criança ou alterar hábitos que possam  predispor à enurese:  Comportamento  positivo  dos  pais  (educadores).  a  enurese  pode  limitar  uma  série  de  actividades  comuns  e  importantes  na  infância.  Evitar excesso de líquidos à noite.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      34   A enurese representa um pesado fardo para a criança e para a família.  excursões  escolares. não só por  afectar  a  auto‐estima  numa  idade  em  que  ela  é  extremamente  importante  para  o  desenvolvimento da personalidade. entre outros.     Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .   Manter a criança envolvida no tratamento: uso do "diário miccional". Deve‐se recompensar o  esforço mais do que o sucesso. não tem nenhum controlo sobre o problema.  Além  disso. mas também por que acarreta custos económicos  e  sociais  consideráveis.  campos  de  férias. Uma criança com enurese  evita todas estas actividades com medo que o seu “segredo” seja revelado.

 estas situações tendem a arrastar‐se por a  criança.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . ao longo de mais de 6 meses.  enquanto a criança está activa. é a perda de fezes nas cuecas. Para evitar a dor. evitando a ida à casa  de  banho.  acabando  assim  por  sujar  as  cuecas  involuntariamente. em crianças com idade mental  e cronológica superior a 4 anos. sendo mais frequente nos meninos. Em geral.  a  quantidade  começa  a  aumentar  e.  e  acabam por se acumular quantidades cada vez maiores de fezes duras. durante o sono. Frequentemente.  Ou seja.  Com  o  tempo.  Em geral.  Com  o  tempo.  Primeiro.  em  crianças  com  idade  para  saberem  que  não  o  devem  fazer.  a  criança  pode  passar  a  manifestar  alterações  comportamentais.  razão  pela  qual  os  pais  não  se  apercebem da situação ou julgam que a criança está a limpar‐se mal após ir à casa de  banho.  Normalmente  a  forma  como  ocorre  é  simples  de  entender. quase sem sensibilidade.  o recto está totalmente preenchido por fezes duras. não há qualquer doença de base responsável por este problema. esta situação manifesta‐se mais frequentemente durante o dia.  como  estas  fezes  não  passam pelas fases de digestão normal do intestino.  só  passam  pequenas  quantidades. A dor é provocada pelas cólicas ou pelo facto de as fezes serem  mais duras.   Inicialmente. a criança acaba por reter as fezes.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    ENCOPRESE    35  A  definição  científica  de  encoprese  é  a  passagem  involuntária  de  fezes  em  momentos inapropriados. e cada  vez que chegam novas fezes líquidas à parte terminal do intestino.  Devido  à  encoprese. conseguem passar  pelo  ânus  sem  que  a  criança  se  aperceba. negar e não aceitar que tem este problema. durante um  período  superior  a  6  meses.  perdendo  sensibilidade.  nomeadamente  baixa  de  auto‐estima. A certa altura. Cerca  de 80% das crianças têm história de obstipação (prisão de ventre) ou de dor ao defecar  há alguns anos.  A  encoprese  não  é  considerada  uma  alteração  do  comportamento  normal  da  criança.  Esta situação é relativamente frequente. estimando‐se que ocorra em cerca de 1%  a 2% das crianças com idade inferior a 10 anos. tornam‐se pegajosas e com muito  mau cheiro. com vergonha.  mau  rendimento  escolar  e  até conflitos com os pais. e muito raramente de noite.  o  recto  vai‐se  distendendo.  a  criança  tem dor ao defecar.

 ou seja.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      36  Nesta  situação  é  necessário  retirar  as  fezes  duras  que  estão  no  recto. que tornarão as fezes moles e evitarão que a  defecção  seja  dolorosa. Também é importante que beba muita água para que as fezes  sejam mais moles. recomenda‐se que seja rica em fibras.  Esta  terapêutica  deve  durar  meses  até  que  se  tenha  estabelecido uma rotina diária.    Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  assegurando  a  ida  diária  à  casa  de  banho.  Quanto à dieta. sopa de legumes  todos os dias e saladas.  Esta  fase  pode demorar alguns dias e em geral só é possível com a ajuda de clisteres.  Normalmente  é  necessário medicar com laxantes orais. Depois de  esvaziado  o  recto  e  toda  a  parte  terminal  do  intestino  é  necessário  evitar  que  a  situação  se  repita.

 de acordo com a  Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono. narcolepsia.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      37  PERTURBAÇÕES DO SONO  Uma boa noite de sono…  Um  sono  tranquilo.  que  cumpra  as  funções  de  recuperação  de  energia  e  permita  o  bem‐estar  físico  e  mental  para  enfrentar  as  actividades  do  quotidiano é uma necessidade e o desejo de muitas crianças. entre outras. intelectual (no aproveitamento das capacidades cognitivas). adolescentes e pais. Os adolescentes.  repousante. fraco rendimento escolar.  Que perturbações do sono existem?  Há um grande número de perturbações associadas ao sono mas.  como  por  exemplo  a  hiperactividade  e  dificuldade  em  focar e manter a atenção.  Curiosamente.  para  a  maioria  dos  adultos  7  a  8  horas  é  suficiente para um bom desempenho das tarefas diárias.  síndrome da apneia obstrutiva do sono.  nas  manifestações  comportamentais  e  na  estabilidade  emocional.  prolongando‐se  no  tempo  sem  que  as  pessoas  tenham  consciência da sua real causa. perturbações no comportamento.  E  se  isto  é  preocupante  no  adulto. ao contrário  do que muitas vezes afirmam.  As  necessidades  de  sono  são  variáveis  e  diminuem  com  a  idade.  as  suas  consequências  nem  sempre  são  atribuídas  à  patologia  do  sono  mas  a  outros  problemas. funcionarão melhor com 9 a 10 horas de sono por dia.  perturbações do espectro do autismo. higiene do sono pouco adequada…)  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira . podemos subdividi‐las em quatro  grupos gerais:  •  Dissónias:  resultam  em  insónia  ou  sonolência  excessiva  e  estão  associadas  a  perturbações do sono nocturno ou da vigília (ex: insónia psicofisiológica.  As  dificuldades  relativas  ao  sono  podem  estar  associadas  a  outras  perturbações  do  desenvolvimento  infantil.  Quando o sono não cumpre a sua função…  As perturbações do sono afectam‐nos de forma significativa tanto ao nível físico  como ao nível psicológico.  o  que  leva  a  que  muitas  vezes  estas  complicações  não  sejam  diagnosticadas  nem  tratadas.  mais  o  é  em  crianças  e  adolescentes.  enquanto  os  bebés  precisam  de  16  a  18  horas  de  sono.

 neurológicas ou psiquiátricas  (epilepsia. sonilóquio. ansiedade (derivadas de  Novembro de 2007 medos. agressividade face aos pares e à  família.  esta  vigilância  deixa  naturalmente  de  acontecer  de  forma  tão  constante. há alguns sinais que a criança exibe durante o dia que podem  alertar para problemas durante a noite: sonolência excessiva. dificuldade em manter a atenção e  concentração. problemas emocionais) e problemas na aprendizagem.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    • Parassónias: fenómenos indesejáveis que ocorrem sobretudo durante o sono  (pesadelos. problemas de memória. poderão haver outros factores que estejam a impedir que a criança  beneficie das horas de sono necessárias para a sua idade. brincar ou não querem dormir sozinhas por medo do escuro.    38  A criança dorme mesmo bem?  Enquanto  são  bebés  e  dormem  no  quarto dos pais.  A  partir  do  momento  em  que  a  criança  se  desenvolve  e  conquista  um  espaço  próprio  para  dormir. fobias. enurese nocturna. estas situações passam  frequentemente desapercebidas. impulsividade. distúrbios devidos a ansiedade ou pânico. comportamentos de oposição. terrores nocturnos. alterações do humor. Os motivos são os mais variados:  querem ver televisão.  A  menos  que  estejam  habituadas  desde  tenra  idade. cefaleias e asma nocturnas. dos  Educadora: Ana Cláudia Ferreira . nem  sequer são percebidas pela própria criança. Ou então. agitação psicomotora.  síndrome de morte súbita infantil…)  • Perturbações associadas a doenças médicas.  Assim sendo. entre  tantas outras).  • Prováveis perturbações do sono (situações clínicas por categorizar). sonambulismo.  as  crianças  fazem  frequentemente birras para atrasar o ir para a cama. a menos que a criança acorde durante a noite ou conte o que lhe  aconteceu de noite no dia seguinte (no caso dos pesadelos). o que pode ser mais problemático.  Não obstante. é mais fácil acompanhá‐los. recusa em ir dormir ou  em ir sozinha para a cama.  Para  além  dos  fenómenos  que  acontecem  ao  longo  da  noite  e  que  são  mais  ou  menos percebidos.

  nomeadamente:  esclarecimentos  sobre  a  perturbação  propriamente  dita.  e  ajudar  os  professores  a  lidar  com  crianças que apresentem alguns dos sinais acima mencionados na sala de aula.  Esta  intervenção  pode  incidir  em  vários  domínios.  todos  entram  em  estado  de  alerta  e  o  sono  de  toda  a  família  fica  comprometido.  Desta  forma. com consequências significativas  nos  ambientes  escolares  e  laborais  e  com  prejuízo  das  relações  interpessoais  e  familiares.  elaboração  de  Novembro de 2007 problemáticas emocionais subjacentes.  Através  de  um  acompanhamento  cuidado  e  multidisciplinar.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  principalmente.  como  a  diminuição  da  frequência  e  intensidade  da  sintomatologia  associada  e.  Quando  os  acordares  nocturnos  envolvem  o  choro  dos  filhos.  relaxamento).  as  perturbações  do  sono  acabam  por  desregular  os  padrões de sono‐vigília de todo o agregado familiar.  entre  gritos  e  discussões  que  desgastam  e  que  acabam  por  se  constituir  em  fontes  diárias  de  confronto.  quer  em  qualidade.  em  maior  detalhe.  quer  em  quantidade.  as  crianças acabam por deitar‐se cada vez mais tarde. Isto é igualmente verdade para os  adolescentes que.  estruturação  de  hábitos  alimentares. haverá mais cedo ou mais tarde um momento em que todos  se deitam e a casa entra no silêncio desejado. desenvolver formas adequadas para lidar com  o  problema  (estilos  de  coping.  a  coesão  e  reestruturação  individual  e  familiar subjacente a noites de sono tranquilo.  Assim  sendo  acabam  por  não  beneficiar  de  um  sono  eficaz.  mesmo  com  a  consciência  dos  horários  matutinos.  estruturação  de  rotinas  relacionadas  com  a  vigília  e.  com  o  momento  do  deitar.  ou  o  deambular  pela  casa  nos  casos  de  sonambulismo. Não obstante.  por  pesadelos  ou  terrores  nocturnos. entre a televisão.  Certo  é  que. mas isto não significa que todos estejam  a dormir.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      39  ladrões  ou  dos  monstros  dos  seus  pesadelos.  bem  como  o  impacto  deste  no  desenvolvimento  e  na  qualidade  de  vida  da  criança/adolescente  e  agregado  familiar. a playstation e a internet atrasam cada vez mais a  sua  hora  de  adormecer.  O que fazer?  Após  avaliar  todos  os  factores  predisponentes  e  de  manutenção  do  problema. É mesmo natural que o adolescente tenha dificuldades em adormecer devido  a ansiedades próprias da sua etapa desenvolvimentista ou a problemas que sente no  quotidiano.  espera‐se  não  só  a  resolução  possível  do  problema.

 da escrita e da matemática.  Não  devemos  tratar  as  Dificuldades  de  Aprendizagem  (DA)  como  se  fossem  problemas  insolúveis  mas. O  seu problema centra‐se na codificação fonológica (fonética verbal) que os  faz  fracassar  na  soletração.  mas  fracassam  na  vida  académica. Vão desde a incapacidade de reconhecer um número. forma.  Estas crianças também podem apresentar diferentes tipos de problemas ao nível  da leitura. espaçamento e ligações entre letras.  dos  grafemas.  Também  parece  ser consensual a necessidade imperiosa de se identificar e prevenir precocemente as  DA.  antes  disso.  Disortografia – perturbação específica da escrita que altera a transmissão  do  código  linguístico  ao  nível  dos  fonemas.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  É muito importante a avaliação global da criança ou adolescente.  muito  activas.  inclinação.  Disgrafia ‐  disfuncionalidade da escrita: irregularidade no tamanho.  esquecidas  e  tagarelas.  a  qual  pode  ser  normal  ou  não‐normal.  Discalculia – dificuldades na simbolização dos números e na habilidade de  calcular. reter vocabulário matemático. para que o tratamento seja  o mais específico e objectivo possível. realizar cálculos  mentais. de preferência ainda na pré‐escola.  leitura  e/ou  escrita  ‐  isto  é  quando  têm  de  transformar letras ou palavras num código verbal.  Também existem diferentes problemáticas que podem estar associadas:  Dislexia – Não têm dificuldade em compreender e utilizar a linguagem. dificuldade  para  efectuar  operações  aritméticas.  têm  uma  inteligência  normal.  São  crianças  que  se  revelam  distraídas. realizar as operações básicas e ordenar e sequencializar números.  dificuldades  em  compreender  o  mecanismo da numeração. traçado.  da  associação  Novembro de 2007 correcta entre estes e regras de ortografia.  como  desafios  que  fazem  parte  do  próprio  processo  da  Aprendizagem.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      40  DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM  São  alunos  que  apresentam  discrepância  entre  o  seu  potencial  estimado  de  aprendizagem  e  as  suas  realizações. considerando as  diversas possibilidades de alterações que resultam das DA.

  3. Quando a performance global da criança está prejudicada.  b. o primeiro passo é  estudar os sintomas básicos da depressão.  4.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira . Para entendê‐lo. ‐ Prejuízo na apreensão de informações. infecções. Quando há prejuízo na cognição. não nos interessamos por nada.  quando  estamos mal‐humorados e/ou deprimidos. a criança apresenta DA ou se o  seu  rendimento  não  satisfaz  as  expectativas  do  professor  (da  escola).  reumatismo  infeccioso. ‐ Prejuízo no processamento das informações  1 ‐ Quando há severo prejuízo do interesse  Afastadas  causas  de  natureza  orgânica. Quando há severo prejuízo do interesse da criança. Portanto.  podendo  reflectir  dificuldades pessoais eminentemente circunstanciais.  Um  desenvolvimento  incomum  nem  sempre  denuncia  alguma  patologia  (a  gravidez  de  gémeos  é  anormal  estatisticamente  e  normal  medicamente).  nos  quadros  depressivos. estados de intoxicação.   O  Desinteresse  está  intimamente  relacionado  ao  Humor  ou  Afecto. que se subdivide em:  a.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      41  Primeiramente devemos questionar se.  Infelizmente.  um  dos  sintomas mais expressivo pode ser o desinteresse. de facto.   Na realidade.  tais  como  anemia. a Depressão Infantil é a maior  causa de desinteresse. diabetes.  na  maioria  das  vezes  esta  ajuda  é  procurada  incorrectamente  na  medida  em  que  a  família se sente ameaçada por algum estigma cultural.   2 ‐ Quando a performance global da criança está prejudicada  Esses casos de DA são decorrentes de factores que comprometem o rendimento  mental como um todo.  tanto  que. Quando há prejuízo da atenção. o  Novembro de 2007 interesse  é  um  problema  afectivo.   As dificuldades escolares podem ocorrer em 4 situações:  1.  2. temos visto que a família só é mobilizada  a  procurar  ajuda  especializada  para  suas  crianças  quando  fica  evidente  ou  ameaçado  o  rendimento  escolar  e  a  aprendizagem. Aqui não está em destaque o interesse do aluno na escola mas.

 moderado e leve. desinteressado. esta inibição geral torna  o indivíduo apático.  são  as  Deficiências  Mentais  as  patologias  que  mais  ocasionam  prejuízo  do  rendimento  mental  de  maneira  mais  contundente. "indisciplinados".  até mesmo e. também a Depressão Infantil pode ocasionar sintomas  de  baixo  rendimento  psíquico  global.  passar  para  outra. "irresponsáveis" ou. com dificuldade em suportar  tarefas elementares do quotidiano e com grande perda da capacidade de raciocínio e  de tomar iniciativas.  entretanto.  a  gravidade  do  quadro  seria  classificada  em  4  níveis:  profundo.  elas  podem  iniciar  uma  tarefa.  a  partir  de  um  determinado nível de exigência mental começam a apresentar dificuldades. O problema está na Deficiência Mental  Leve.  3 ‐ Quando há prejuízo da atenção  Evidentemente a Perturbação de Hiperactividade e de Défice de Atenção (PHDA) é  a  principal  situação  psiconeurológica  que  compromete  a  atenção  da  criança  ou  Novembro de 2007 adolescente. lento.  mas.  Nestes  casos  o  aluno  desenvolve‐se  sofregamente  durante  um  certo  tempo.  Os  portadores  de  PHDA  são  frequentemente  rotulados  de  "problemáticos".  Pode  haver  frequentes  mudanças  de  uma  tarefa  para  outra.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      42  sobretudo. "desmotivados".  depois  voltar  a  atenção  para  outra  antes  de  completarem qualquer uma de suas incumbências. Trata‐se de uma espécie de  lentificação dos processos psíquicos na sua globalidade.  Na  Depressão  Infantil  ou  do  Adolescente.   Em  relação à  Deficiência  Mental.  Não  são  os  três  níveis  mais  graves  de  Deficiência  Mental  a  preocupar  o  diagnóstico  causal  das  DA. desmotivado.  embora em menor intensidade. "pouco inteligentes". erradamente.  grave.  às  vezes  limítrofe  entre  o  normal  e  o  sub‐normal.  "malcriados".  segundo  a  classificação da  OMS  ‐  (Organização  Mundial  da  Saúde).  o  sintoma  básico  responsável  pelo  prejuízo do interesse chama‐se Inibição (Psíquica) Global. como se fosse uma dormência  generalizada de toda a actividade mental. Em graus variáveis. uma incapacidade de trabalhar mentalmente as informações. Estas crianças frequentemente não  Educadora: Ana Cláudia Ferreira . Neste ponto.  Esses  pacientes  mostram  claramente  o  grau  de  comprometimento intelectual que apresentam.

1 ‐ Na apreensão da informação  Qualquer  alteração  neuropsiquiátrica. se a pessoa não consegue ouvir ou ver.  interfere  sobremaneira  na  apreensão dos estímulos.  Em  qualquer  das  circunstâncias  está  seriamente  prejudicada a apreensão da informação. seja a nível periférico. a surdez e  a  cegueira.  seja  a  nível  central.  suficiente  para  comprometer o sistema sensorial.  Ansiedade  de  Separação). a sua  aprendizagem estará seriamente comprometida. de forma a  constituir  percepções  conscientes  do  que  acontece  fora  da  pessoa.  A  anestesia.  como  as  lesões  cerebrais. tarefas domésticas ou outros deveres. ficam  tão ansiosas que não conseguem prestar a atenção necessária. como por exemplo.  funcional  ou  orgânica.   4 ‐ Quando há prejuízo na cognição  4.  Estas  crianças  podem  apresentar  grande relutância ou recusa a irem à escola e.  surdez  ou  cegueira  podem  resultar  da  lesão  de  um  órgão  sensorial  periférico.  do  nervo  que  leva  estas  informações até o cérebro (nervos aferentes) ou de uma zona cortical do SNC.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      4 3  respondem  a  solicitações  ou  instruções  e  não  conseguem  completar  os  trabalhos  escolares. uma vez lá.  4.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 . onde se  projectam  essas  sensações.  dá‐se  nas  zonas  corticais  do  Sistema  Nervoso  Central  (SNC).2 ‐ No processamento da informação  A síntese das sensações que vêm do exterior sob a forma de estímulos.   A Ansiedade Patológica na Infância e Adolescência também  interfere negativamente na atenção das crianças (Fobia Escolar. Evidentemente.

  Com frequência o início da perturbação é gradual.  fazer  contas.  independente  da  cultura.  homossexual (rapazes). doenças.  Mas. etc.  As  características  principais  do  POC  são  obsessões  ou  compulsões  recorrentes  e  suficientemente  graves  para  consumirem  tempo  ou  causar  sofrimento  acentuado  à  pessoa.  problemas  matemáticos. e normalmente não é notado pelas outras pessoas.  solução  de  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  figuras  geométricas.  entornar  comida.  por  exemplo.  de  qualquer  forma.  frases. toxinas.  imagens  ou  impulsos.  com  exacerbações  possivelmente relacionadas com a ansiedade.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      44  PERTURBAÇÃO OBSESSIVO‐COMPULSIVO INFANTIL  As “manias”.  achando‐se  suja.  em  geral.  a  ideia  obsessiva  é  sempre um pensamento ou ideia permanente na cabeça.  etc.   As ideias obsessivas de sujidade e contaminação. alguns tiques e pensamentos que não saem da cabeça podem fazer  parte do quadro de Perturbação Obsessivo Compulsivo (POC) e.  as  ideias  podem  aparecer  sob  formas  de  pensamentos. pêlos. normalmente andam à volta de  pó. urina. sangue.  cerca  de  33  a  50%  dos  pacientes com POC referem que o início do transtorno foi na infância ou adolescência. germes. suor.  A  criança.  obtém  alívio  apenas  temporariamente. mas em alguns casos pode ser  agudo e a média de idade para o seu aparecimento é dos 6 aos 11 anos. pecadora entre outros. A idade de início costuma ser um  pouco  mais  precoce  nos  homens  mas.   Pode  haver  um  medo  patológico  de  perder  o  controlo  e  realizar  algum  acto  inadequado  socialmente.  prostituta  (rapariga).  de  modo  geral. depressão e stress. embora este quadro  tenha geralmente início na adolescência ou começo na idade adulta.  tenta  resistir  e  livrar‐se  da  ideia  obsessiva  e  quando  tem  sucesso.   O  conteúdo  das  obsessões  é  muito  variado. mesmo contra a vontade do  indivíduo e o grande esforço mental despendido ao tentar controlar os pensamentos  pode ser exaustivo. A criança pode ter ideias  obsessivas  quanto  à  sua  própria  auto‐estima.  envergonhar  pessoas.  engasgar‐se.  Estes medos acabam por fazer a criança retrair‐se socialmente. Podem existir temas impessoais como. ele pode aparecer  na infância de forma tão comum como nos adultos. A maioria dos  indivíduos  tem  um  curso  crónico  de  vaivém  dos  sintomas.

 esterilização com álcool.  sapatos.  A  compulsão  é  um  comportamento  sistemático. determinadas palavras e números.  repetitivo  e  intencional  executado numa ordem pré‐estabelecida.  As  mais  comuns  são  as  compulsões  de  limpeza  e  descontaminação. seguida de alívio temporário da ansiedade após a realização do  mesmo.  a  gaveta  fechada.  o  que  dificulta  o  diagnóstico  e  o  início do tratamento.  limpar..  lavar  ou  esterilizar  objectos  (roupas. banhos prolongados. rituais  de limpeza determinados.  distinguir  um  tique  de  um  comportamento  compulsivo.  De modo geral.  joguinhos  e  outros  dispositivos  de  segurança.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      4 5  quebra‐cabeças  e  enigmas.  principalmente  solicitar  ajuda.  ele  pode  cair  no  chão  e  partir‐se”. A compulsão de verificação  diz  respeito  à  necessidade  imperiosa  e  involuntária  de  conferir  ou  examinar  repetidamente.  a  janela  fechada. Isso dá‐ se através de lavagem das mãos.  voltar  inúmeras  vezes  para  verificar  se  a  porta  está  fechada. O acto compulsivo é precedido por uma  sensação de urgência.  “se  eu  não  rezar  2  vezes  esta  oração. os  quais  tentam  corrigir  com  advertências.  Os  rituais  de  verificação  são  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .. é bom ter em mente que estas ideias são as mais variadas possíveis. para estar seguro.  objectos  pessoais. cadeiras. alguém  de minha família terá cancro”.  a  luz  apagada. o diabo leva‐me”.  Nas  crianças  é  comum  a  dificuldade  em  relatar  e  descrever  os  sintomas. ordenação dos mais variados objectos. Por exemplo: “se eu não bater na madeira 3 vezes.  será  aconselhado sempre fazer o despiste de POC. como por exemplo. apesar do ritual diminuir sua ansiedade. A acção em geral não tem um fim próprio e  procura prevenir a ocorrência de um determinado evento ou situação com conotação  ameaçadora para o sujeito.  o  gás  desligado.  etc. toalhas) que tenham sido “contaminados” de alguma forma.   As atitudes compulsivas das crianças podem ser mal compreendidas pelos pais.  roupas.  cadeados.  É  difícil  também.  chegando ao limite do bizarro. Por exemplo.. A pessoa tem consciência que tais actos são irracionais e não confere prazer  na sua execução. determinados actos ou circunstâncias.  fechaduras.. “se eu não tocar no objecto que vou levantar 2 vezes  antes  de  pagar.  castigos  ou  agressões. lavar repetidamente  as  mãos. uso abundante desinfectantes.  algumas  vezes.

  Com  frequência.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      46  preventivos.  a  repetição  implica  um  número  definido  de  vezes.  como  por  exemplo. Os rituais  compulsivos  implicam  repetir  de  maneira  precisa. aumento excessivo na quantidade de roupas para  lavar.  uma  vez  que  a  própria  característica das compulsões é a repetição.  procurando  assegurar  que  nenhuma  catástrofe  irá  acontecer.  Assim  uma pessoa pode lavar as mãos 13 vezes.  medo  persistente  e  absurdo  de  que  algo  terrível aconteça a alguém.  é  muito  comum  também.  A  compulsão  de  repetir  ou  tocar. beijar inúmeras vezes uma imagem  ou  objecto  sagrado  para  aliviar  a  ansiedade  de  que  pode  acontecer  alguma  coisa  de  mal.  tempo  excessivo  para  fazer  a  cama. trejeitos e tiques.  etc.  solicitação  para  familiares  responderem  à  mesma  pergunta. ou os objectos sobre a mesa de modo pré‐estabelecido.  buracos  nos  cadernos  ocasionados  por  apagar  seguidamente.  seguindo  regras  arbitrárias  e  mágicas.  medo  persistente e absurdo de doenças. gasto  excessivo de sabão e papel. praticamente litúrgicas.  arrumar  as  camisas  pela  cor. Acender e apagar a luz muitas vezes para  aliviar a ansiedade da dúvida de ter deixado acesa.  simetricamente  ou  uma  gaveta  obsessivamente  organizada.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  Quando  se  desconfia  de  POC  os  pais  (educadores)  devem  tentar  identificar  nas  crianças a existência de lesões cutâneas devido à lavagem excessiva das mãos. tempo excessivo para a realização das  tarefas  (de  casa  e  da  escola). Compulsão de simetria e ordem “obriga” o individuo  a  colocar  objectos  numa  ordem  e  simetria  pré‐determinadas. ou repetir uma oração 18 vezes.

  irresponsabilidade. crueldade.  quando  essa  gravidade  é  comportamental  recebe  o  nome  de  Perturbação  de  Comportamento  (Conduta/Deliquência). desafio  à  autoridade.  combativo. aquilo que se diz para não fazer ou deixar de fazer algo transgredindo uma regra  estabelecida. duração e intensidade.  Trata‐se  de  um  problema  com  grande  prevalência  na  infância. irritabilidade.  O  comportamento  agressivo  caracteriza‐se  por  comportamentos  específicos  tais  como  um  comportamento  destrutivo.  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  embora  em  algumas  crianças  possa  manter‐se  durante  mais  tempo.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      47  AGRESSIVIDADE E DESOBEDIÊNCIA  A desobediência e o comportamento agressivo na infância.  necessidade  de  chamar  à  atenção.  Entende‐se por desobediência quando a criança se recusa a realizar aquilo que se  pede.  no  entanto  é  necessário ter em conta que são comportamentos que tendem a desaparecer com a  idade. são duas das principais  queixas dos pais e educadores.  Quando  o  comportamento  de  desobediência  é  extremamente  grave  recebe  o  nome  de  Perturbação  de  Oposição. pelo que são importantes aspectos como a frequência. aparecem com frequência juntos na clínica infantil.  Alguns  autores  afirmam  que  um  comportamento  demasiado  agressivo  na  infância  pode  ser  um  claro  sinal  de  um  intenso  comportamento agressivo na idade adulta.  assim  como  o  grau  de  deterioração  familiar  e  social  para  estabelecer  a  difícil  linha  entre  o  normal  e  o  patológico.  baixos  níveis  de  sentimento  de  culpa.  Este  comportamento  é  frequente  na  infância  e  começa  a  diminuir  por  volta  dos  4  ou  5  anos.

  faltando  um  sentimento  apropriado  de  culpa  e  remorso  que  caracteriza  as  "boas  pessoas".  de  natureza  mais  grave  que  as  partidas  ou  a  rebeldia  normal  de  um  adolescente. facas ou arma de fogo.  favorecendo  uma  espécie  de  círculo  vicioso:  perturbação  de  conduta. ainda que em detrimento do bem‐estar alheio. podem iniciar lutas corporais frequentemente.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância    PERTURBAÇÃO DO COMPORTAMENTO    48  Dentro  da  psiquiatria  da  infância  e  da  adolescência.   As  perturbações  do  comportamento  acabam  por  causar  graves  prejuízos  no  funcionamento  social.  uma  falta  de  capacidade  em  lidar  com  os  problemas  do  quotidiano  ou  com  as  situações  onde as coisas não acontecem do modo esperado. tijolos. garrafas. supervalorizando  o seu exclusivo prazer.  direitos  e  bem‐estar  dos  outros.  tacos  e  bastões.  Este  tipo  comportamento  delinquente  parece  preocupar  muito  mais  os  outros do que a própria criança ou adolescente que sofre da perturbação.  ameaça  ou  Novembro de 2007 intimidação.  Estas  crianças  ou  adolescentes  costumam  apresentar  precocemente  um  comportamento violento. inclusive com eventual uso  de  armas  ou  objectos  capazes  de  provocar  dano  físico.   Entende‐se  por  "baixa  tolerância  a  frustrações"  uma  incapacidade  em  tolerar  dificuldades  existenciais  comuns  a  todas  as  pessoas  que  vivem  em  sociedade.  podendo acusar os colegas e tentar culpar qualquer outra pessoa ou circunstâncias por  eventuais más acções.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira .   Para  ser  considerado  uma  PC.  Normalmente  há  uma  demonstração  de  comportamento  insensível. por um período mínimo de seis meses. reagindo agressivamente a tudo e a todos.  o  qual  se  caracteriza por um padrão repetitivo e persistente de conduta anti‐social.  prejuízo  sócio‐ocupacional.   Outra característica é a crueldade com outras pessoas e/ou com animais.  repressões  sociais.  um  dos  quadros  mais  problemáticos  tem  sido  o  chamado  Perturbação  de  Comportamento  (PC). explosões temperamentais e agressividade exagerada.  portanto. além das expectativas apropriadas à idade da pessoa  e.  escolar  ou  ocupacional.     O  indivíduo  não  tem  em  consideração  os  sentimentos.  como  por  exemplo. A baixa tolerância a frustrações das pessoas com PC favorece as  crises de irritabilidade. agressiva ou  desafiadora.   Elas  podem  também  exibir  um  comportamento  de  provocação.  este  tipo  de  comportamento  problemático  deve  alcançar violações importantes.

 mais perturbação de conduta.      Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  Certamente  influencia  no  desenvolvimento de uma PC as atitudes e comportamentos familiares.  depois  dos  18  anos. assim como a  exclusão  sócio‐económica. O PC é um diagnóstico especialmente infantil  ou  da  adolescência  pois. políticas e económicas referidas por investigadores das  mais variadas áreas. Uma multiplicidade de diferentes  tipos de stressores sociais e a vulnerabilidade de personalidade parece associado com  estes  comportamentos  anti‐sociais.  Durante  muitos  anos.     Não se sabe ainda uma causa única para o PC.  persistindo  os  sintomas  básicos  (contravenção).  a  desestrutura  familiar  e  um  número de ocorrências sociais.  o  diagnóstico  deve  ser  alterado  para  Perturbação  da  Personalidade  Anti‐Social.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      49  rebeldia.  as  teorias  sobre  comportamentos  eram  de  natureza  sociológica.  a  inversão  dos  valores.

 constata‐se através  da revisão de pesquisas sobre o tema.  beijos.   A  pergunta  que  se  faz  é  se  existiriam.  apesar  da  experiência pela qual passaram ou que testemunharam. é que algumas crianças e adolescentes vítimas  de  traumas  adaptam‐se  e  recuperam  de  maneira  surpreendente.  Alguns  estudos  revelam  que  crianças  e  adolescentes  têm  alto  risco  de  desenvolver  diferentes  problemas  comportamentais.  Perturbação  de  Ansiedade. Portanto. impedindo assim uma consequência mais patológica do trauma.  Depressivos  ou  mesmo  nos  sintomas  de  luto  traumático  das  crianças.  e  quais  seriam.  Apesar  da  dedicação  de  muitos  investigadores.  conduta e intervenção nas necessidades de crianças e adolescentes expostos a eventos  traumáticos  individualmente  ou  em  grupo. se o apoio social e familiar seria o factor decisivo para estas crianças  recuperarem.  psicológicos  e  neurobiológicos  como  consequência  de  vivências  traumáticas  ou  experiências de vida stressantes.  os  factores  protectores  individuais. quadro clínico. incluindo toques  sexuais. consequência e tratamento da  Perturbação de Stress Pós‐Traumático em crianças e adolescentes.  Discute‐se  se  existe  uma  personalidade  mais  imune  às  vivências  traumáticas  ou.  carícias  nas  mamas  ou  nos  genitais.  fica  cada  vez  mais  difícil  atribuir as consequências e emoções posteriores a uma  causalidade vivencial precoce.   O que se observa na clínica diária.  ainda  faltam  estudos  bem  desenhados  e  cientificamente  expressivos para análise dos sintomas.   Num estudo com 109 adolescentes que sofreram abuso sexual.  tentativas  de  penetração  e  Educadora: Ana Cláudia Ferreira . existir uma grande variedade de respostas aos  eventos  traumáticos  em  crianças  e  adolescentes  e.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      50  EFEITO DE VIVÊNCIAS TRAUMÁTICAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA  Tem  havido  solicitação  crescente  aos  profissionais  da  saúde  mental  o  estudo.  Cada vez mais se analisam as variedades de eventos traumáticos precoces ou em  tenra idade e sua verdadeira importância no desenvolvimento de quadros conhecidos  como  Perturbação  de  Stress  Pós‐Traumático.  assim.  por outro lado.  fazendo  com que algumas pessoas pareçam menos vulneráveis  Novembro de 2007 que outras em relação às vivencias traumáticas.

 obviamente.  Perturbação  de  humor.  ao  contrário  do  que  poderíamos  pensar. concentra‐se nos abusos.  Dissociação  Psicológica  e  Somatizações.  não  é  a  expressiva  e  maciça  maioria  das  crianças  submetidas  a  traumas  que  desenvolve  transtornos  emocionais  significativos.  também  se  tem  relacionado  as  experiências  traumáticas  e  stress  a  alterações funcionais e/ou anatómicas do Sistema Nervoso Central.  um  facto  relevante  é  que  nem  todas  as  crianças  e  adolescentes  submetidos  a  experiências  traumáticas  desenvolvem  graves  consequências.  porém. Com diferentes graus de adaptação e recuperação. entretanto.  Além  destas  eventuais  alterações  endócrinas.  2004).   Também  têm  sido  feitas  pesquisas  no  que  concerne  a  alterações  orgânicas  provocadas  pelas  experiências  traumáticas.  50%  tiveram  diagnóstico  de  Perturbação de Stress Pós‐Traumático. a própria natureza do trauma.  Alexitimia.  De  maior  relevância  são  as  variáveis  pessoais  e  culturais  que  influenciam  nas  respostas  às  experiências  traumáticas.  da mesma  forma  que  algumas  pesquisas  apontam  o  desenvolvimento  de  transtornos  emocionais  depois  dessas  experiências  outras  pesquisas falam em não consequências ou até em consequências positivas.  Ora.  a  estrutura  de  apoio  familiar e social e.  Problemas  de  Comportamento  Sexual. maus‐tratos e violência  doméstica em geral.  como  por  exemplo.  O  maior  volume  de  pesquisas  sobre  o  impacto  psicológico  dos  traumas  em  crianças e adolescentes.  É  grande  o  número  de  pesquisas  sobre  efeitos  de  experiências  traumáticas  em  crianças  e  adolescentes.  Abuso  de  drogas. crianças que  sofreram  abuso  e  maus‐tratos  correm  maior  risco  de  desenvolverem  os  seguintes  quadros:  Perturbação  de  Stress  Pós‐Traumático.  Isto  leva‐nos  a  crer  que  existem  outros  factores  e  variáveis  que  influenciam  nas  respostas  emocionais  aos  traumas.  características  da  personalidade.  As  variáveis  pessoais  dizem  respeito  à  Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      51  penetração  por  alguém  da  família  ou  de  fora  dela.   De  qualquer  forma. aproximadamente 33% foram assintomáticas e  o restante teve outros problemas não significativos do ponto de vista sintomático (Bal. como é o  caso do chamado “crescimento pós‐traumático”.  sensibilidade  afectiva  e  emocional  individual.

  Já  as  consequências  das  experiências  traumáticas  particularmente  vividas.  Não  se  consegue  provar  que  indivíduos  são  sociopatas  devido  a  experiências  traumáticas  sofridas  precocemente.  Inclusive.  podem  produzir  mazelas  emocionais  significativas  em  grande  número  de  crianças.  Nem  que  as  crianças  são  hiperactivas  por  carência afectiva.  estas  consequências não aparecerão em 100%.  Existem  experiências  fortemente  traumáticas  capazes  de  mobilizar  grande  número de pessoas.  parece  que  em  determinadas  circunstâncias  as  crianças  reagem  melhor que os adultos.  Mesmo  assim. assim como são muitas as maneiras das pessoas reagirem  a  elas.  uma  vez  que as variáveis são muitas.  por  exemplo.  como  perdas  pessoais  ou  separações  conjugais  deverão  ser  melhor  investigadas.  como  as  guerras.  adolescentes  e  adultos.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      52  constituição  da  própria  personalidade  e  a  ocorrência  de  transtornos  emocionais  prévios  e  predisposições  para  os  mesmos.  Educadora: Ana Cláudia Ferreira Novembro de 2007 .  pelo  menos  na  maioria  dos  casos. Tudo isto parece mais relacionado com o DNA do que com o destino.  terrorismo  e  violência  de  grandes  proporções. como é o caso de catástrofes naturais e situações produzidas pelo  ser  humano.  Esta  hipótese  acaba  por  atribuir  à  pessoa  uma  importância  maior  que  à  vivência.  sem  dúvida.  Estas  experiências.

 (2005). D.  Dados  e  Implicações (3ªed). Preciso de Ti: perturbações psicossociais em Crianças e Adolescentes. D. Coimbra: Livraria Almedina. Bébé‐Mãe: A primeira relação Humana. & Marcelli.  A.  A.Desenvolvimento Infantil & Alterações Comportamentais da Infância      53  BIBLIOGRAFIA  Ajuriaguerra. J.   Strecht. & Inhelder.  (2002). (1979). (1999).  H.            Novembro de 2007 Educadora: Ana Cláudia Ferreira .  Psicologia  de  Desenvolvimento  Cognitivo:  Teoria. Lisboa: Lidel – Edições Técnicas  Strecht.  A.  (1996).  Psicologia  (7ªed)..   Relvas. Patologia borderline e psicose na clínica infantil (2ªed).  Fernandes  da  Fonseca.  A  psicologia  e  a  psicopatologia  da  infância  e  da  adolescência (2ªed). P. Manual de psicopatologia infantil (2ªed). & Pimentel. T.  Sá. P.  O  (2003). Lisboa: ISPA.  O  Ciclo  Vital  da  família.  Stern. Edições Moraes.  Lisboa:  Edições  Afrontamento   Rente. (2004). (2003).  D.  Lisboa: Edições Assírio e Alvim. (1980). Lisboa: Climepsi. (2005) Vontade de Ser. A psicologia da criança. J.  Gleitman.  Fridlund.  Lourenço. B. Textos sobre Adolescência. Lisboa: Edições Assírio e  Alvim. Do nascimento à adolescência.P.  (2007).  perspectiva  sistémica. Porto  Alegre: Artes Médicas  Feldman.  Lisboa:  Fundação  Calouste de Gulbenkian  Golse.  New  Jersey:  Pearson  Prentice Hall. P.  Development  across  the  Life  Span  (4ª  ed). O desenvolvimento afectivo e intelectual da criança.  R. Porto: Universidade Fernando Pessoa. (1986). E.  Lisboa: Moraes Editores. A patologia do sono.  Piaget.  &  Reisberg. B.  (2006).

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